
Arthur Caires
A estrada é sempre mais do que um caminho: é um espaço onde a permanência só existe no movimento. Em Suçuarana, de Clarissa Campolina e Sérgio Borges, essa imagem se alia ao próprio animal que dá nome ao filme – o felino furtivo e limítrofe, que habita territórios entre mundos, sempre à margem e sempre em trânsito. É nesse mesmo limiar que se encontra Dora, personagem guiada por memórias e pela insistência em seguir, mesmo quando o destino parece escapar. Mais do que narrar uma jornada, o longa se constrói como um gesto de recusa ao previsível: desloca-se entre paisagens devastadas e coletividades possíveis, tensionando o pertencimento como experiência instável, aberta e inquietante.
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