Suçuarana demonstra que o caminho também pode ser o destino

Dora, uma mulher de pele escura e cabelos crespos, está sentada em um degrau de tijolos do lado de fora de uma cabana rústica. Ela usa uma camiseta de manga comprida e jeans, com as mãos cruzadas sobre os joelhos. Ao lado dela, Ernesto, um homem de pele clara e cabelos grisalhos, está sentado em um banco, comendo em um prato. A luz dourada do sol poente ilumina a cena, lançando sombras longas. Em primeiro plano, o cachorro Encrenca, de pelo marrom avermelhado, olha para Ernesto, como se esperasse um pedaço de comida.
Estradas, encontros fugazes e paisagens em transformação constroem a jornada de Dora (Foto: Anavilhana)

Arthur Caires

A estrada é sempre mais do que um caminho: é um espaço onde a permanência só existe no movimento. Em Suçuarana, de Clarissa Campolina e Sérgio Borges, essa imagem se alia ao próprio animal que dá nome ao filme – o felino furtivo e limítrofe, que habita territórios entre mundos, sempre à margem e sempre em trânsito. É nesse mesmo limiar que se encontra Dora, personagem guiada por memórias e pela insistência em seguir, mesmo quando o destino parece escapar. Mais do que narrar uma jornada, o longa se constrói como um gesto de recusa ao previsível: desloca-se entre paisagens devastadas e coletividades possíveis, tensionando o pertencimento como experiência instável, aberta e inquietante.

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