Roussil – A Liberdade da Imaginação prova que o Cinema é uma das principais armas contra o esquecimento

Uma escultura alta e abstrata de Robert Roussil, de cor clara, com uma forma humanóide estilizada. A figura, que se assemelha a uma pessoa dançando com braços curvos e erguidos, está posicionada ao ar livre contra um fundo escuro de um paredão rochoso.
As esculturas de Roussil resistem ao tempo – monumentos de imaginação e aço (Foto: Tulp Films)

Arthur Caires

Há algo muito humano no ato de lutar contra o esquecimento. A Arte, quando nasce, já carrega em si uma resistência ao tempo, uma tentativa de permanecer quando tudo o mais se dissolve. R. Roussil – A Liberdade da Imaginação, dirigido por Maxime-Claude L’Écuyer e que está em exibição na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na categoria Competição Novos Diretores, surge como um desses gestos de resistência. Mais do que resgatar a figura de um escultor esquecido, o filme convoca o espectador a pensar na Arte como um modo de permanecer vivo na memória dos outros, mesmo quando a matéria se desgasta.

Continue lendo “Roussil – A Liberdade da Imaginação prova que o Cinema é uma das principais armas contra o esquecimento”

Loucuras mostra a poligamia como remédio para um distúrbio incurável

Uma mulher e um homem estão muito próximos, encostados um no outro. A mulher segura o ombro do homem com as duas mãos e o observa com expressão emocionada. Ele retribui o olhar, de óculos e expressão corada. Ambos vestem roupas escuras, e o ambiente parece interno, com luz suave.
O longa quebequense apresenta uma história de exploração e autodescoberta sexual (Foto: Coop Vidéo de Montréal)

Gabriel Diaz

Sob o disfarce de liberdade, ainda há a fragilidade de uma geração que tenta racionalizar o desejo. Segundo o dicionário Michaelis, a poligamia é, em essência, a união reprodutiva entre três ou mais indivíduos de uma espécie. Nos países ocidentais, especialmente no Canadá (onde o filme se originou), ela é criminalizada por ser considerada uma ruptura da estrutura social monogâmica. Porém, em Loucuras, exibido na seção Competição Novos Diretores da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o conceito se converte em metáfora: não a transgressão da lei, mas a do próprio sentimento. O diretor Éric K. Boulianne, também protagonista, transforma a ideia de ‘muitos amores’ em uma tentativa desesperada de curar o vazio de um casamento esgotado.

Continue lendo “Loucuras mostra a poligamia como remédio para um distúrbio incurável”