Luísa Sonza faz um bom trabalho em Bossa Sempre Nova, mas prestígio não se ganha com tanta facilidade

A imagem é a capa do álbum Bossa Sempre Nova. Luísa Sonza aparece deitada de forma elegante em uma espreguiçadeira de design curvo com assento de palha, vestindo um longo vestido de cetim roxo escuro. Ela apoia a cabeça na mão direita e olha diretamente para a câmera. Ao fundo, vê-se uma paisagem litorânea paradisíaca com mar azul, ilhas ao longe e folhas de palmeira no canto direito. No topo, em tipografia retrô, lê-se o título do álbum e, no rodapé, os nomes: Roberto Menescal, Luísa Sonza e Toquinho.
Capa de Bossa Sempre Nova busca evocar a sofisticação e o imaginário cosmopolita do gênero (Foto: Pam Martins)

Arthur Caires

A Bossa Nova sempre foi mais do que um gênero musical. É um ideal de sofisticação e elegância que remonta os primórdios da música e do nosso contexto social. Desde que surgiu, carrega consigo a promessa de um Brasil cosmopolita, delicado e exportável – um imaginário que atravessou décadas e segue sendo sinônimo de credibilidade artística. É a partir desse desejo que Bossa Sempre Nova se apresenta. Para além de um disco, o álbum se impõe como uma estratégia: a de uma cantora pop contemporânea que decide vestir essa herança, buscando nela um repertório e, principalmente, um reposicionamento. A pergunta que paira, então, não é apenas se Luísa Sonza canta bem bossa nova, porém o que significa, hoje, querer caber dentro dela.

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