Depois, a Névoa revela o que resta quando o tempo se dissolve

Um plano médio de César (Pablo Limarzi) no filme 'Depois, a Névoa'. Ele é um homem de meia-idade com barba e cabelo grisalhos, vestindo um casaco de couro escuro e um cachecol marrom grosso. Ele olha diretamente para a câmera com uma expressão séria, em um ambiente externo à noite, com luzes de rua ou carros desfocadas ao fundo.
A travessia de César é também a travessia do olhar (Foto: Punto de Fuga Cine)

Arthur Caires

Há algo de ritualístico em Depois, a Névoa, segundo longa-metragem de Martín Sappia, exibido na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na categoria Competição Novos Diretores. O filme se inscreve na tradição do cinema cordobês – vertente argentina que há anos busca capturar a serenidade e o isolamento de personagens mergulhados em paisagens interiores tanto quanto geográficas. No entanto, Sappia não apenas revisita esse território: ele o observa como se fosse a primeira vez, como se cada névoa, cada pedra e cada sopro de vento ainda tivessem algo a revelar sobre o que significa existir no mundo.

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