
Lucas Barbosa
Turnstile já tinha uma consolidação como uma das maiores bandas do Hardcore, o som pesado com riffs e baterias imponentes, sempre foi uma comprovação do valor da banda formada em Baltimore. Os dois últimos álbuns, Time and Space (2018) e Glow On (2021) serviram como uma ligação entre o punk e as paradas de sucesso, com uma mistura psicodélica de Metal, R&B e Funk mantendo sua originalidade. Então, lançam Never Enough, um disco natural, maduro e promovendo uma experiência nova e surpreendente aos ouvidos.
Durante o processo de criação do novo disco, mudanças dentro da banda ocorreram, a saída do guitarrista e fundador Brady Ebert em 2022 foi uma mudança que pegou os fãs de surpresa, pois era o próprio Brady que escrevia a maioria dos riffs de guitarra. Em seu lugar veio a Meg Mills, que já tinha uma reconhecimento por tocar junto da Big Cheese e da Chubby & The Gang, e a união ajudou a formar o que foi concretizado dentro de Never Enough.

O lançamento de Never Enough foi feito em duas partes em meados de 2025. A banda produziu um álbum visual – o Turnstile: Never Enough –, que foi apresentado no dia 5 de junho, dentro do Festival de Cinema de Tribeca, e um dia depois o álbum musical saiu nas plataformas de streaming e formato físico. O disco foi aclamado pela crítica, recebendo 83/100 no Metacritic, nono lugar na Billboard 200 e em primeiro na Top Hard Rock Albuns, o maior feito da Turnstile.
Never Enough é uma experiência psicodélica, onde é possível ouvir em qualquer momento, ou evento, do mesmo jeito que é possível fazer mosh punk com os amigos, ou escutar fazendo um churrasco com a família. Impressionou como dentro da música, ritmos como funk, R&B e uma pitada de soul, transformaram as músicas em uma coisa com uma intensidade astronômica e uma leveza surpreendente.
Ótimo exemplo disso são Sole, onde tem um ritmo dançante cheio de vibe latina, com um hardcore pulsando dentro da letra e dos riffs, e um lambadacore que te influencia a sair pulando e dançando. I Care e Seein‘ Stars tem um ritmo muito alternativo, uma sonoridade que te manda para os anos 1980 e te diverte ouvindo. Turnstile consegue apimentar todas as músicas com uma leveza fácil e muito madura, conseguindo fluir entre ritmos e ainda sim ser um som pesado.

Dull e Birds são as músicas com a sonoridade mais pesada, riffs secos, e uma bateria que pulsa muito. Sunshower é psicodelia pura, 40% de hardcore e 60% loucura. No geral, Never Enough é uma experiência que te proporciona várias sensações e te leva a diversos lugares, onde todos escutam, dançam, se emocionam e ficam completamente alucinados. É insano, é exotérico, é Turnstile.
O grupo deu um tom diferente para o gênero. Never Enough é a aprimoração de um estilo; não é um rock comum com as pancadas dos graves da bateria e os riffs pesados de uma guitarra; ele tem uma fluidez rítmica que destoa dos demais, quanto mais você escuta, mais estilos musicais é perceptível, o que é o maior diferencial da banda, e assim chegam ao topo, com som híbrido e musicalidade complexa, mas excelente nos ouvidos.
Turnstile chegou para o Grammy com 5 indicações, e ganhou dois gramofones, Melhor Álbum de Rock com o Never Enough e Melhor Apresentação de Metal com Birds. Mesmo disputando com Deftones, Youngblud e Linkin Park, era considerado favorito. Tanto pela musicalidade que é incrível, pelas apresentações, ou pela repercussão do disco ao longo dos meses que antecederam o Grammy. Mostrando ao público que é totalmente possível fazer um som original, pesado e com muita musicalidade.
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