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	<title>Arquivos Record &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Record &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Estante do Persona – Fevereiro de 2023</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Mar 2023 22:10:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Quantos psicólogos me tomariam por louca se eu lhes dissesse que sou afetada pelo que acontece fora de mim? Que a aceleração do desastre me petrifica? Que tenho a impressão de não ter mais controle sobre nada? &#8211; Nastassja Martin Após acompanhar o melancólico Aos prantos no mercado, de Michelle Zauner, em Fevereiro o Clube &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-fevereiro-de-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Fevereiro de 2023"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30623" aria-describedby="caption-attachment-30623" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-30623" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/estante_wp.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/estante_wp.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/estante_wp-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/estante_wp-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30623" class="wp-caption-text">Em Fevereiro, o Clube do Livro mergulhou em Escute as feras (Foto: Editora 34/Arte: Aryadne Xavier/Texto de abertura: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">&#8220;Quantos psicólogos me tomariam por louca se eu lhes dissesse que sou afetada pelo que acontece fora de mim? Que a aceleração do desastre me petrifica? Que tenho a impressão de não ter mais controle sobre nada?</p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8211; <span style="font-weight: 400;">Nastassja Martin</span></em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Após acompanhar o melancólico </span><a href="https://personaunesp.com.br/em-aos-prantos-no-mercado-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Aos prantos no mercado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Michelle Zauner, em Fevereiro o Clube de Leitura do Persona deu continuidade a nossa tradição de ler autoras – nesse caso, também com uma escrita melancólica. </span><a href="https://editora34.com.br/detalhe.asp?id=1111"><i><span style="font-weight: 400;">Escute as feras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Nastassja Martin, foi a escolha da vez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mergulhando nesse relato autobiográfico, narrado e construído como um texto de ficção, <a href="https://quatrocincoum.folha.uol.com.br/br/noticias/flip/cinco-curiosidades-sobre-nastassja-martin">Nastassja Martin</a> nos prende do inicio ao fim em seu trágico relato de quando, durante uma pesquisa de campo, foi atacada por um urso e teve parte do rosto desfigurado. No entanto, a antropóloga entende que, em sua trajetória de cura, precisa perdoar o animal e retornar à vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No único encontro do Clube, aspectos da construção textual e uma possível ligação com a autossociobiografia de <a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/">Annie Ernaux</a> – sendo as duas autoras francesas – chamou a atenção. As referências culturais, antropológicas e místicas também foram abordadas: para alguns povos originários, os quais Martin estava se dedicando a pesquisar durante o ocorrido, ser atacado por um urso e sobreviver coloca o indivíduo em um estado de &#8220;entre-vida&#8221;, habitando duas dimensões simultaneamente – o texto da autora, que <a href="https://www.youtube.com/watch?v=bZps99Q5cs4">veio à Flip</a> no final de 2022, se constrói um pouco nessa dimensão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto os próximos conteúdos do mundo literário não chegam, o</span><b> Estante do Persona de Fevereiro de 2023</b><span style="font-weight: 400;"> segue com seus comentários e Dicas do Mês.</span></p>
<p><span id="more-30605"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_30611" aria-describedby="caption-attachment-30611" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-30611 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/escute-as-feras-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Escute as feras. A capa é toda branca com uma foto de um urso em preto e branco centralizada na porção inferior. O animal está uivando com o focinho apontado para cima. O nome da obra está escrito na parte direita superior em fonte simples na cor preta. O nome da autora aparece no lado esquerdo também na parte superior com uma fonte menor." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/escute-as-feras-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/escute-as-feras-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/escute-as-feras-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/escute-as-feras-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/escute-as-feras-1.jpg 1707w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30611" class="wp-caption-text">Sob garras e dentes, Escute as feras dilacera a animalização do ser humano (Foto: Editora 34)</figcaption></figure>
<p><b>Nastassja Martin &#8211; Escute as feras (112 páginas, Editora 34)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A antropologia estuda o ser humano, suas origens e afirmação enquanto ser social, biológico e cultural. Para a antropóloga </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/11/nastassja-martin-vai-a-flip-elaborar-sua-metamorfose-no-urso-que-quase-a-matou.shtml"><span style="font-weight: 400;">Nastassja Martin</span></a><span style="font-weight: 400;">, a busca pelas respostas se alinhou a níveis acima do esperado. Viajando pelo leste siberiano para entender os costumes dos nativos evenki, a autora enfrentou um urso em um movimento que poderia ser descrito como um ataque, mas, ao longo do texto, a palavra se mostra um equívoco. Com a mandíbula despedaçada e o osso zigomático aos frangalhos, o rosto, vítima da mordida, se choca com uma verdade dolorosa: lutar com um urso parece um abraço quando comparado ao tratamento recebido dos próprios semelhantes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sentir a carne se desfazendo da própria face antecipa o movimento inesperado no qual o urso desiste de tê-la como presa. Sentido como uma quase empatia da parte daquele que chamam de fera, poupá-la tem um tom que foge à crueldade e é comparar isso com os eventos vividos depois da mordida que dão origem ao livro. Sendo cambaleada entre médicos e hospitais, a mulher assiste os profissionais da saúde em momentos de verdadeira selvageria, longe da tal habilidade pacificadora de conflitos supostamente detida por eles enquanto racionais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É imerso nessa dualidade do ser e as reflexões do ponto que realmente diferencia os mamíferos chamados de homens dos demais, que </span><i><span style="font-weight: 400;">Escute as feras</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torna uma ruptura. Como uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/"><span style="font-weight: 400;">epifania</span></a><span style="font-weight: 400;">, a antropologia e a literatura se misturam em linhas descritivas e extremamente metafóricas para revelar que as verdadeiras feras são humanas. Virando a chave na cabeça de quem lê, Martin nos mostra que encontrar um urso pode não ser um sinal de azar. </span></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_30613" aria-describedby="caption-attachment-30613" style="width: 684px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-30613 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71QLwli7GUL-684x1024.jpg" alt="A capa do livro A Metamorfose tem o fundo todo branco com o nome do autor, Franz Kafka, escrito no topo em preto e em letras grandes. Embaixo do autor há o nome do livro, A Metamorfose, também escrito em preto mas em letras menores, e, mais abaixo, riscos pretos formando um quadrado quase abstrato." width="684" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71QLwli7GUL-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71QLwli7GUL-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71QLwli7GUL-768x1150.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71QLwli7GUL-1026x1536.jpg 1026w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71QLwli7GUL-1200x1797.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/71QLwli7GUL.jpg 1324w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30613" class="wp-caption-text">“Recordava-se da família com emoção e amor. Sua opinião de que precisava desaparecer era, se possível, ainda mais decidida que a da irmã.” (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Franz Kafka &#8211; A Metamorfose (104 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao despertar, Gregor Samsa nota uma <a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788571646858/a-metamorfose">metamorfose</a> monstruosa ao observar seu corpo que, misteriosamente, havia perdido a humanidade. A narrativa da ficção kafkiana segue acompanhando a nova, drástica e angustiante rotina de Gregor, o jovem que teve sua dignidade roubada mas apenas conseguia se preocupar em não perder seu emprego e desapontar sua família.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A simbologia da obra pende para a comédia ao passo em que o protagonista se adapta ao novo corpo e começa a agir com uma normalidade quase absurda diante do acontecimento.  É assim que <a href="https://www.estadao.com.br/alias/franz-kafka-tem-suas-apreensoes-reveladas-na-biografia-de-reiner-stach/">Kafka</a> retrata o processo de transformação até sua conclusão, no qual a individualidade de Gregor é retirada de si completamente e o, agora, inseto gigante, deixa de ser filho e irmão e se torna apenas um animal. </span><b>&#8211; Amábile Zioli</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_30610" aria-describedby="caption-attachment-30610" style="width: 661px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30610 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Amor-Nos-Tempos-do-Colera-1-661x1024.jpg" alt="A capa do livro O Amor Nos Tempos do Cólera é composta por um fundo preto sobreposto com cartas amarradas com fotos em um laço vermelho no canto superior direito e inferior esquerdo. No meio, também sobreposto e em uma espécie de papel envelhecido vemos em letras maiúsculas pretas de tamanho pequeno, o escrito “PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA” Logo abaixo, vemos “GABRIEL” em letras maiúsculas douradas e “GARCÍA MÁRQUEZ” em letras maiúsculas na cor vinho. Abaixo, em letras minúsculas cursivas, está escrito “o amor nos tempos do cólera”" width="661" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Amor-Nos-Tempos-do-Colera-1-661x1024.jpg 661w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Amor-Nos-Tempos-do-Colera-1-516x800.jpg 516w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Amor-Nos-Tempos-do-Colera-1-768x1190.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Amor-Nos-Tempos-do-Colera-1-992x1536.jpg 992w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Amor-Nos-Tempos-do-Colera-1.jpg 1603w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30610" class="wp-caption-text">Obra é a primeira do autor após o Nobel de Literatura de 1982 por Cem Anos de Solidão (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel García Márquez &#8211; O Amor Nos Tempos do Cólera (492 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O próprio autor já afirmava que “</span><i><span style="font-weight: 400;">todo bom romance deveria ser uma transposição poética da realidade”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nessa obra, <a href="https://www.estadao.com.br/cultura/literatura/garcia-marquez-e-mais-traduzido-no-mundo-que-cervantes-no-seculo-21/">Gabriel García Márquez</a> condensa suas vivências amorosas, mesclando com a história de como seus pais se conheceram. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Amor Nos Tempos do Cólera</span></i><span style="font-weight: 400;"> aborda a jornada de Florentino Avina, um telegrafista, violinista e poeta que se apaixona perdidamente por Fermina Daza. Devido a proibição do pai da garota, Florentino passa dois anos trocando correspondências com ela, e após um último bilhete sem resposta pedindo sua mão em casamento, espera mais de meio século na esperança de reencontrar seu amor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra é uma quebra de paradigmas no seu próprio gênero. Quando se fala no romance literário, automaticamente se lembra daquelas obras que colocam borboletas no estômago e te fazem querer amar ainda mais. Em </span><a href="https://institutoling.org.br/explore/no-clube-de-leitura-um-amor-que-demorou-mais-de-cinquenta-anos-para-ser-vivido"><i><span style="font-weight: 400;">O Amor Nos Tempos do Cólera</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">o amor é cru, é nu, melancólico, demorado, angustiante, frustrante, inconstante e até não garantido. Mas, acima de tudo, ele é humano e nos faz lembrar que amar nos torna mais humanos. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_30609" aria-describedby="caption-attachment-30609" style="width: 691px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30609 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/redoma-de-vidro-1-691x1024.jpg" alt="A capa do livro A Redoma de Vidro tem o fundo na cor rosa. O nome da autora, SYLVIA PLATH, posiciona-se no canto superior direito da capa na cor roxa, e no canto inferior esquerdo temos o escrito A REDOMA DE VIDRO na cor branca. Abaixo do título, há, na cor branca também, o escrito ROMANCE. Todos os escritos estão em caixa baixa e no minúsculo. Sobrepondo o título, há a ilustração de uma flor. No canto inferior esquerdo, há o logotipo da Biblioteca Azul na cor roxa. " width="691" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/redoma-de-vidro-1-691x1024.jpg 691w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/redoma-de-vidro-1-540x800.jpg 540w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/redoma-de-vidro-1-768x1138.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/redoma-de-vidro-1-1037x1536.jpg 1037w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/redoma-de-vidro-1.jpg 1728w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30609" class="wp-caption-text">“Acontece que eu não estava conduzindo nada, nem a mim mesma.” (Foto: Biblioteca Azul)</figcaption></figure>
<p><b>Sylvia Plath &#8211; A Redoma de Vidro (280 páginas, Biblioteca Azul)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sylvia Plath consegue, dentro de todos os futuros que nunca serão vividos e de todos os projetos que nunca irão sair do papel, encontrar as exatas palavras para definir algumas angústias do próprio viver. Em um relato com muitas referências autobiográficas, <a href="https://deliriumnerd.com/2023/03/22/sylvia-plath-diarios-a-redoma-de-vidro/"><em>A Redoma de Vidro</em></a>, único romance da autora, é um mergulho em todas as pressões sociais, os julgamentos, as expectativas e os fracassos de uma jovem nos anos 60.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado semanas antes de sua morte, em 1963, é importante ressaltar que a história de Esther pode gerar gatilhos sobre depressão e suicídio. Ler <a href="https://www.estadao.com.br/alias/sylvia-plath-e-a-importancia-dos-diarios/">Sylvia Plath</a> é como vislumbrar todo o seu interior: seus pensamentos, tormentos, críticas, medos e felicidades que todos nós, em algum momento, já experimentamos, mas que não conseguimos encontrar as palavras exatas para definir. </span><b>&#8211; Clara Sganzerla</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_30608" aria-describedby="caption-attachment-30608" style="width: 699px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30608 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Rainha-de-Copas-1-699x1024.jpg" alt="Capa do livro Rainha de Copas. No centro da imagem está uma garota branca com o cabelo ruivo preso em um penteado alto; veste um vestido vermelho com uma grande gola branca; em suas mãos há um coração. Ao fundo, é possível ver alguns galhos e folhagens de outono. Ao centro na parte superior está o nome da autora e na parte inferior o título da obra e o nome do editora" width="699" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Rainha-de-Copas-1-699x1024.jpg 699w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Rainha-de-Copas-1-546x800.jpg 546w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Rainha-de-Copas-1-768x1125.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Rainha-de-Copas-1-1048x1536.jpg 1048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Rainha-de-Copas-1.jpg 1747w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30608" class="wp-caption-text">Rainha de Copas traz uma nova perpetuar para um dos contos de fadas mais famosos da história (Foto: Universo dos Livros)</figcaption></figure>
<p><b>College Oakes &#8211; Rainha de Copas (216 páginas, Universo dos Livros)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Alice no País das Maravilhas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um clássico da literatura e reconhecido no mundo todo pelas aventuras mágicas vividas pela garota loira que caiu no buraco do coelho. Mas como era o País das Maravilhas antes da chegada de Alice? É exatamente isso que </span><i><span style="font-weight: 400;">Rainha de Copas</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora, a vida da princesa Dinah antes de se tornar uma vilã sedenta pelo corte de algumas cabeças. A história é sombria e familiar na medida certa, faz o leitor mergulhar nos novos desafios e mistérios que fizeram a garota desenvolver sua personalidade explosiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das partes mais interessantes do livro é notar como personagens tão famosos como o Chapeleiro Maluco, o Gato de Cheshire e o Coelho Branco se desenvolvem nessa nova versão do universo de Lewis Carroll. Todos esses indivíduos têm características e vivências totalmente inéditas, mas suas personalidades marcantes se mantiveram presentes honrando a história original. </span><i><span style="font-weight: 400;">Rainha de Copas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro livro de uma trilogia intensa que promete muitas reviravoltas e um novo ponto de vista do conto que encantou gerações. </span><b>&#8211; Gabrielli Natividade </b></p>
<hr />
<figure id="attachment_30607" aria-describedby="caption-attachment-30607" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30607 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Codigo-da-Vinci-1-712x1024.jpg" alt="Capa do livro O Código da Vinci. Na imagem, um pedaço rasgado do quadro Monalisa de Leonardo da Vinci ocupa espaço no meio de um fundo vermelho. O pedaço tem a parte dos olhos da mulher, que parecem estar direcionados para a direita. O nome do livro está disposto na parte inferior da capa em letras douradas e o nome do autor aparece logo após escrito em branco." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Codigo-da-Vinci-1-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Codigo-da-Vinci-1-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Codigo-da-Vinci-1-768x1105.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Codigo-da-Vinci-1-1068x1536.jpg 1068w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/O-Codigo-da-Vinci-1.jpg 1780w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30607" class="wp-caption-text">Tirando o cristianismo do pedestal, O Código da Vinci performa conspiração e mistério (Foto: Arqueiro)</figcaption></figure>
<p><b>Dan Brown &#8211; O Código da Vinci (432 páginas, Arqueiro)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vinte anos após sua primeira publicação, </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2022/historia-real-o-codigo-da-vinci-fato-falso.html"><i><span style="font-weight: 400;">O Código da Vinci</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se mantém como uma das produções literárias mais polêmicas já produzidas. Descrita como um mistério, a obra mistura os traços investigativos a uma versão remodelada da história de Jesus Cristo. Enfrentar uma instituição com tanta força quanto a Igreja Católica foi uma escolha ousada da parte de Dan Brown, mas ainda assim atingiu o alvo com perfeição e, entre críticas e retaliações, o texto se destaca pelo seu tom questionador e certeiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob as artimanhas de um bom suspense, o livro nos conduz pelo desejo de resolver uma incógnita que se mostra muito mais extensa do que o esperado. Através das pistas escondidas em obras do Leonardo da Vinci, toda a construção do catolicismo se revira sobre linhas ocultas. Assim, </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2018/nov/18/4am-starts-and-spinach-smoothies-da-vinci-codes-dan-brown-on-how-to-write-a-bestseller"><span style="font-weight: 400;">Brown</span></a><span style="font-weight: 400;"> foge das cadeias simplistas de detetives com charutos e bloquinhos para repousar em uma linha ficcional que quase beira uma sociedade secreta, mas ainda guarda seus graus de coerência. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Código da Vinci</span></i><span style="font-weight: 400;">, a maior obra de arte é a exposição do mais bem sucedido sistema de dominação social já visto: a igreja. </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></p>
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		<title>Persona Entrevista: Tobias Carvalho</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Jun 2022 18:40:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Autor de As Coisas, obra vencedora do Prêmio Sesc de Literatura que debate a sexualidade de homens gays na contemporaneidade, o escritor porto-alegrense surge como guia de uma viagem onírica em Visão Noturna Bruno Andrade e Enzo Caramori Visão Noturna é um daqueles livros que fechamos com certa melancolia. Suspiramos lentamente e refletimos sobre as &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-tobias-carvalho/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Tobias Carvalho"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i>Autor de As Coisas, obra vencedora do Prêmio Sesc de Literatura que debate a sexualidade de homens gays na contemporaneidade, o escritor porto-alegrense surge como guia de uma viagem onírica em Visão Noturna</i></p>
<figure id="attachment_28082" aria-describedby="caption-attachment-28082" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28082 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/entrevista_wordpress.jpg" alt="Arte retangular horizontal de fundo vermelho. No lado esquerdo, foi adicionado o texto &quot;PERSONA ENTREVISTA&quot; na vertical, repetidas vezes. No centro, foi adicionada uma foto em preto e branco do autor Tobias Carvalho. No lado direito, foi adicionada uma imagem da capa de seu livro &quot;Visão Noturna&quot;, e acima, foi adicionado seu nome, &quot;tobias carvalho&quot;." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/entrevista_wordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/entrevista_wordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/entrevista_wordpress-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28082" class="wp-caption-text">“Nós estamos criando Literatura, a gente não quer que a bandeira ou a temática fique na frente do nosso projeto, da nossa obra, do nosso trabalho”, diz Tobias Carvalho (Foto: Applause Produtora e Todavia/Arte: Vitória Vulcano)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade e Enzo Caramori</b></p>
<p><a href="https://todavialivros.com.br/livros/visao-noturna"><i>Visão Noturna</i></a> é um daqueles livros que fechamos com certa melancolia. Suspiramos lentamente e refletimos sobre as palavras ali dispostas, as ideias ocultas por trás de cada linha, sem a vontade de ter terminado a leitura – mas talvez ela nunca termine, talvez permaneça em nossas cabeças por dias até ser esquecida e lembrada em um sonho distante. Meses depois do lançamento da obra, <a href="https://todavialivros.com.br/autores/tobias-carvalho">Tobias Carvalho</a> vem ao <a href="https://personaunesp.com.br/tag/persona-entrevista/"><b>Persona Entrevista</b></a> contar sobre seu processo de escrita e as questões que cercam suas concepções literárias.</p>
<p><span id="more-28052"></span></p>
<p>Nascido em 1995, o autor porto-alegrense recebeu o Prêmio Sesc de Literatura em 2018, pela obra <a href="https://www.record.com.br/as-coisas-de-tobias-carvalho/"><i>As Coisas</i></a>, coleção de narrativas em que se debruça sobre as relações homoafetivas no frenético mundo do imediatismo e aplicativos de relacionamento. Mas seu interesse pela Literatura surgiu ainda criança: havia uma paixão pelos livros, uma vontade idealizada de se tornar escritor, embora ancorada num futuro distante, numa ideia de exercer a profissão ao se aposentar com sessenta anos, mesmo que hoje em dia a ideia de se aposentar aos sessenta tenha “<i>ficado para trás</i>”.</p>
<p>Contudo, no começo da vida adulta, a leitura da coletânea de contos <a href="https://danielgalera.info/"><i>Dentes Guardados</i></a> (2001), de <a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-daniel-galera/">Daniel Galera</a>, abriu a mente para a possibilidade de não esperar tanto tempo.<i> “Li um livro do Daniel Galera, que eu já amava e descobri que ele tinha publicado um livro quando tinha 21 anos, o primeiro livro dele. E eu tinha 21 anos na época, quando li, e pensei: ‘tá, talvez eu não precise esperar todo esse tempo pra publicar’”</i>. Motivado pelas leituras – e de forma despretensiosa –, Tobias Carvalho ingressou em oficinas de Escrita Criativa, quando, então, começou a “<i>ter essa disciplina de escrever e pegar gosto por escrever”</i>. Nesse processo, surgiu <i>As Coisas.</i></p>
<figure id="attachment_28053" aria-describedby="caption-attachment-28053" style="width: 663px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28053 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/as-coisas-663x1024.jpg" alt="" width="663" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/as-coisas-663x1024.jpg 663w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/as-coisas-518x800.jpg 518w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/as-coisas-768x1186.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/as-coisas-995x1536.jpg 995w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/as-coisas-1326x2048.jpg 1326w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/as-coisas-1200x1853.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/as-coisas.jpg 1607w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28053" class="wp-caption-text">“Eu escrevia bastante sobre a experiência gay e jovem e resolvi montar meu projeto em volta disso, e, bom, surgiu o Prêmio Sesc que mudou muito a trajetória” (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Como é pra você ter um livro de estreia premiado? Você acha que isso dificulta ou que isso incentiva próximas produções?</b></p>
<p><b>Tobias Carvalho: </b><i>“Eu acho que, por um lado, facilita, porque é uma porta de entrada e assim, eu saí da editora Record, fui para a Todavia, então fiz um monte de contatos, conheci um monte de escritores, foi muito legal. Mas eu fiquei bem ansioso para o segundo. Passei por um período, aí no meio, de jogar um livro fora, porque entrei numa piração de que eu queria fazer uma coisa muito experimental e ir para um outro caminho, me provar, mas multiplicado por dez. E não deu certo, e aí foi muita ansiedade. Eu acho que eu escrevia muito sem nenhuma pretensão antes e eu não tinha nenhuma rotina, escrevia quando me dava na telha, e aí depois, quando o negócio deu certo, eu comecei a me botar uma pressão tipo ‘bah, tá, agora o que eu vou escrever depois?’. E claro que, também, depois que eu comecei a colocar as coisas em contexto, me tranquilizei um pouco. Então a coisa andou um pouco mais depois.”</i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Aproveitando que você comentou sobre esse início, quais são os movimentos, que o mercado e o público fazem, com um autor gay, que estreia com um livro sobre temáticas gays? Porque se discute muito a questão de autores serem nichados, a produção sempre ser nichada numa única temática. Como é sua relação com essa dinâmica?</b></p>
<p><b>Tobias: </b><i>“Bah, boa pergunta. Quando eu escrevi </i>As Coisas<i>, eu tinha a impressão de que se escrevia pouco sobre aquelas coisas que eu estava interessado em escrever. Não só que se escrevia pouco, mas percebi que na mídia em geral </i>[era pouco retratado] <i>– nos filmes, nas séries. Na época que escrevi o livro, que foi ali em 2017, eu achava que a produção estava muito centrada em volta de aceitação e ‘sair do armário’, e achava que tinha umas histórias ali que precisavam ser escritas. Depois que tu sai do armário, como é que são as relações?”</i></p>
<p><i>“Numa relação entre dois homens, que foram criados nesse sistema machista em que o homem pode desejar e pode fazer o que ele quiser, qual que é a diferença da relação dos dois homens pra relação de um homem e uma mulher? O livro fala bastante sobre as relações efêmeras, os aplicativos de encontro, o ambiente super urbano. Os personagens são jovens, então entram umas coisas que, naquela época, me pareciam mesmo novidades – não pra mim, mas pra Literatura, talvez. E tentei escrever de uma maneira bem despudorada, sem muita vergonha.”</i></p>
<figure id="attachment_28054" aria-describedby="caption-attachment-28054" style="width: 2400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28054 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/tobias.jpg" alt="" width="2400" height="1600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/tobias.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/tobias-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/tobias-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/tobias-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/tobias-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/tobias-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/tobias-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28054" class="wp-caption-text">“Eu não tava me propondo a escrever um livro que fosse uma representação de todos os gays, era um recorte bem específico” (Foto: Gustavo Roth/Agência Preview/Folhapress)</figcaption></figure>
<p>Depois de sua primeira experiência como autor, o desejo de Tobias era explorar outros temas muito além da <a href="https://personaunesp.com.br/tag/lgbtqia/">sexualidade</a>.<i> “Para o meu segundo livro, eu pensava ‘não quero que as pessoas pensem que a única coisa que eu tenho como habilidade para escrever é uma temática, eu quero escrever sobre outra coisa, quero mostrar que não é só isso, não é só esse tema que eu tenho dentro de mim’”</i>.</p>
<p>Três anos depois, o escritor lançou <i>Visão Noturna</i>, obra com quatro contos distribuídos em pouco mais de 100 páginas, na qual investiga o mundo onírico – os <a href="https://personaunesp.com.br/deserto-particular-critica/">sonhos perdidos</a>, lúcidos, enganadores –, em uma viagem por vezes vertiginosa, misturando realidade, fantasia e memória. Tentando desvincular a ideia de que suas obras são pura autobiografia – e se afastando da ideia de que tudo é autoficção –, o autor brinca com o ambiente fantástico, através de <i>“coisas impossíveis de acontecer”</i>. No último conto, intitulado <i>Eu tenho um sonho recorrente</i>, em que o protagonista passa a ter sonhos com seu arqui-inimigo nos tempos de colégio, Tobias Carvalho joga com as possibilidades de interpretação, e deixa no limiar da compreensão a identidade do personagem, através de uma dinâmica entre autor e leitor ancorados na própria configuração do livro.</p>
<figure id="attachment_28055" aria-describedby="caption-attachment-28055" style="width: 675px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28055 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/visao-noturna-675x1024.jpg" alt="" width="675" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/visao-noturna-675x1024.jpg 675w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/visao-noturna-527x800.jpg 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/visao-noturna-768x1165.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/visao-noturna-1012x1536.jpg 1012w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/visao-noturna-1350x2048.jpg 1350w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/visao-noturna-1200x1821.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/visao-noturna.jpg 1687w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28055" class="wp-caption-text">Nos quatro contos de Visão Noturna, os personagens encontram, através dos sonhos, um caminho para os labirintos da memória e para as promessas de futuro (Foto: Todavia)</figcaption></figure>
<p><b>Algo muito interessante no </b><b><i>Visão Noturna</i></b><b> é uma certa facilidade sua em flertar com outros gêneros. A segunda narrativa, </b><b><i>Arromanticidade</i></b><b>, tem um início que lembra muito o conto</b> <b><i>Encarnações de crianças queimadas</i></b><b>, </b><b>do </b><a href="https://personaunesp.com.br/graca-infinita-critica/"><b>David Foster Wallace</b></a><b>, que está no livro </b><a href="https://www.amazon.com.br/Oblivion-Stories-David-Foster-Wallace/dp/0349116490"><b><i>Oblivion</i></b></a><b>. A terceira narrativa parece uma história não-ficcional mesmo, e se ninguém avisasse que se trata de ficção, pareceria a história narrada de uma reportagem. Você trouxe a temática do sonho para pensar sobre a vida mundana ou justamente o contrário, destacar o caráter extraordinário do ato de sonhar? </b></p>
<p><b>Tobias: </b><i>“Eu adoro o Foster Wallace, mas eu não li o </i>Oblivion<i>, então não foi uma referência, mas eu pretendo ler. O outro conto que tu falou, quando eu mandei o livro para a editora, ele tinha 3 contos só, não tinha aquele. Meu editor falou pra eu escrever algum outro conto e eu queria fazer algo que tivesse uma vibe meio não-ficção. Eu li </i><a href="https://todavialivros.com.br/livros/a-casa">A Casa</a><i>, do </i><a href="https://www1.folha.uol.com.br/podcasts/2022/06/podcast-a-mulher-da-casa-abandonada-busca-respostas-em-cenario-de-crimes-nos-eua.shtml"><i>Chico Felitti</i></a><i>, que fala sobre o João de Deus, e eu adorei, eu tava devorando e comecei a ficar fascinado. Como que um cara consegue escrever uma história de não-ficção que eu já sei alguns detalhes, sei o que aconteceu com o João de Deus, mas eu lia aquilo de uma forma muito ‘o que é que vai acontecer?’, porque está escrito de uma maneira muito fantástica. Então eu queria fazer uma coisa meio assim também. Uma história de ficção que parecesse um pouco um texto de não-ficção, e o Foster Wallace também tem umas piras assim, acho bem legal isso.”</i></p>
<p><i>“Mas, sobre o sonho, há uns anos eu entrei muito nessa pira do sonho lúcido, por causa de um filme que eu vi, </i><a href="https://www.cineset.com.br/waking-life/">Waking Life</a> (2001)<i>, do </i><a href="https://personaunesp.com.br/antes-do-amanhecer-25-anos/"><i>Richard Linklater</i></a><i>, que explodiu minha cabeça, e aí comecei a me interessar por sonho lúcido e comecei a fazer diário do sonho, comecei a tentar ter sonho lúcido de verdade, meio que entrei numa pira parecida com a do personagem </i>[do primeiro conto do livro, <i>Turno da noite</i>]<i>, e isso faz uns bons 7 anos. Eu sempre pensava que queria aproveitar isso algum dia, sabe, na Literatura, porque era um assunto muito fascinante, tu sonhar sabendo que tá sonhando, o potencial de quantas possibilidades isso pode te dar? No </i>Visão Noturna<i>, principalmente no primeiro conto, isso entra como uma coisa. Acho que o desafio é gostar do assunto ‘sonhos’, mas sonho é um negócio que na Literatura é meio batido, tipo: com </i><a href="https://personaunesp.com.br/jorge-luis-borges-morte-35-anos/"><i>Borges</i></a><i>, Kafka e </i><a href="https://personaunesp.com.br/todos-os-fogos-o-fogo-escrita-abrasadora-cortazar/"><i>Cortázar</i></a><i>, como se escreve sobre sonhos sem soar batido?”</i></p>
<p><i>“Eu tinha começado a escrever </i>Arromanticidade<i>, que é sobre uma mãe e uma filha, e era uma história meio chocante, meio </i><a href="https://personaunesp.com.br/big-little-lies-s2-critica/">Big Little Lies</a><i>, da mãe que não tem tanta grana em uma escola de ricos… Eu queria escrever uma história assim e enfiei um sonho ali no meio. O processo foi: eu quero que essa história esteja dentro do livro, o que eu faço? Depois, o sonho aparece de uma forma um pouco mais sobrenatural. No último conto, o personagem vai numa jornada meio psicanalítica pra tentar se entender, e aí já é uma maneira mais convencional de olhar o sonho. O </i><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2022/05/para-neurocientista-sidarta-ribeiro-sonhos-sao-antidoto-para-extincao-da-especie.shtml"><i>Sidarta Ribeiro</i></a><i> tem uma tese de que, nos nossos tempos </i>[na contemporaneidade], <i>a gente está cada vez mais desconectado dos sonhos e de si de uma forma geral, porque o capitalismo nos bota nessa coisa frenética de produção, então a gente sonha menos, a gente pensa menos sobre nós mesmos, a gente medita menos e, enfim, ele </i>[o Sidarta] <i>vê esse </i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535932171/o-oraculo-da-noite"><i>potencial enorme do sonho na conexão consigo mesmo</i></a><i>, sabe? No fim das contas, eu acho que talvez o livro tenha essa visão de mundo também.”</i></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Waking Life (2001) - Trailer legendado" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/lF6UONgayj0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Não é à toa que essa visão é o que faz os mergulhos literários de Tobias nas temáticas do sonho serem atravessados pela motivação de significar uma realidade destituída de sentido, ainda mais no Brasil contemporâneo, inserido em um plano político tão bárbaro de desmonte. A atemporalidade e a suspensão do real no desenvolvimento narrativo dos contos permite variadas leituras, do distópico ao surreal, que conseguem achar, em suas estruturais improbabilidades, maneiras de entender o que antes era impensável de acontecer e agora não é apenas real, mas comum.</p>
<p>No entanto, o escritor não pretende alocar na fantasia sua forma de Literatura e de tradução do mundo. Os aspectos das convivências individuais, nas quais se impera um olhar literário mais microscópico, se faz ideal para entender o individual perante as movimentações e os barulhos político-sociais da atualidade. Em referência ao primeiro conto do brutal <a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559210510/o-deus-das-avencas?idtag=71580496-b285-441e-92b8-1a5c45fbe675&amp;gclid=Cj0KCQjw8O-VBhCpARIsACMvVLM23TDqGFda7gsKXydZjHRxzPuXYtpugbk6A38mtKXeUEAIr4Vcdb8aAu7UEALw_wcB"><i>O Deus das avencas</i></a><i>, </i>de Daniel Galera, em que, no mais cru realismo, se narram as ansiedades de um casal que espera o parto de um filho no dia da eleição de Jair Messias Bolsonaro, Tobias afirma: &#8220;<i>Pra mim, falar sobre relações humanas no meio desse caos ainda é o que me interessa.&#8221; </i>Nisso, já discorre sobre remontar sua produção, no retrato de uma realidade que lhe é mais próxima, em que consegue se debruçar e esmiuçar –<i> &#8220;eu voltei um pouco pra viadagem, voltei um pouco pra essas coisas.&#8221;</i></p>
<figure id="attachment_28056" aria-describedby="caption-attachment-28056" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28056 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/1653151862518.jpg" alt="" width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/1653151862518.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/1653151862518-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/1653151862518-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/1653151862518-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28056" class="wp-caption-text">“O Cinema sempre é uma inspiração” (Foto: Valeria Gonçalvez/Estadão)</figcaption></figure>
<p><b>Na introdução do livro </b><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788537818831/um-apartamento-em-urano"><b><i>Um apartamento em Urano</i></b></a><b><i>,</i></b><b> do </b><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/04/09/cultura/1554804743_132497.html?outputType=amp"><b>Paul B. Preciado</b></a><b>,</b> <b>ele diz que </b><b>“</b><b><i>nenhuma vida pode ser plenamente narrada ou avaliada em sua felicidade ou em sua loucura sem levar em conta as experiências oníricas</i></b><b>”. Nisso, ele se propõe a uma percepção do sonho enquanto algo representativo da vida. Para você, o que representou, na sua carreira enquanto escritor, escrever e pensar sobre sonhos?</b></p>
<p><b>Tobias:</b><i> &#8220;</i><i>Quando eu fui escrever meu segundo livro, passei por uma certa crise. Eu havia jogado um romance fora e me deparava com algumas questões: ‘sobre o que eu vou escrever?, ‘Sobre o que que vai ser meu segundo livro?’, ‘Teve um primeiro e agora qual que vai ser o segundo?’, ‘Qual o tema que eu quero escrever?’. Meio que fui pra uma obsessão que eu já tinha. Então, não foi ‘vou escrever sobre o assunto quente do momento’ e também não foi sobre uma coisa que eu não fazia nenhuma ideia e teria que estudar pra escrever. De uma certa forma, foi uma zona de conforto, por já gostar desse tema. Eu tenho bastante orgulho do livro, acho ele melhor do que o primeiro, apesar de que ele vai pra um caminho bem diferente. Mesmo achando que, em geral, as pessoas tendem a gostar mais do primeiro, é um livro que eu fico feliz de ter escrito. Penso que talvez ele toque menos as pessoas porque o tema de sonhos não deixa as pessoas tão interessadas.&#8221;</i></p>
<p><i>&#8220;</i><i>Mas, no fim das contas, o que tem dentro do livro são histórias e acho que esse foi um desafio, porque o sonho é um negócio que é muito sem sentido, sem lógica e sem norte, é bem diferente das narrativas. Normalmente as narrativas precisam ter um porquê, elas precisam ter uma direção e acho que o desafio era como escrever sobre sonhos, fazendo uma história que seja interessante em volta. Pra mim, ficou interessante – que coisa mais estranha de se falar, sobre o próprio livro. Mas é.&#8221;</i></p>
<div class="tumblr-post" data-href="https://embed.tumblr.com/embed/post/SREb4xjcYonPTx1yFPhzOg/675913748143325184" data-did="da39a3ee5e6b4b0d3255bfef95601890afd80709"  ><a href="https://tbscrvlh.tumblr.com/post/675913748143325184">https://tbscrvlh.tumblr.com/post/675913748143325184</a></div>
<p><script async src="https://assets.tumblr.com/post.js"></script></p>
<p>Sua ficção, mesmo quando regada de misticismo, não consegue ser entendida à parte de sua contemporaneidade, muito baseada na porosidade de seus escritos às influências de outras linguagens artísticas e comunicacionais. O conto <i>Arromanticidade</i>, de seu segundo livro, é preenchido por recortes metalinguísticos que, de certa forma, explicitam ao leitor o processo de formação das imagens literárias do texto em algo que quase se assemelha a um roteiro, orientando as maneiras do olhar e do imaginar das passagens.</p>
<p>Enquanto muitos escritores relutam em entender a <i>internet</i> como recurso expressivo na narrativa, o autor, principalmente em <i>As Coisas</i>, estrutura contos inteiros na negociação de afeto mediadas por <i>apps </i>de relacionamento, ou até mesmo na reprodução de <i>chats</i>, como no <i>Se me coubesse eu ficaria</i>, que firma um tom quase que concessivo de uma intimidade, como se fosse um <i>print</i> revelado em segredo. De perfis <i>fake</i> a mensagens de texto, essa relação estrutural com a tecnologia só tende a se reforçar em seu futuro projeto.</p>
<p>Nada se move nessa Literatura com um tom que não seja o singelo interesse na criação acerca de algo que, já tão cotidiano, é pouco resvalado pelo transformar artístico. Nesse genuíno assombro, de como a <i>internet</i> e a tecnologia conseguem mudar nossas percepções e sociabilidades, é onde a prática de Tobias encontra sua dinamicidade. O autor encontra a Literatura no mais oriundo dos episódios, como na vez em que sua amiga lhe perguntou se havia chegado em casa e, ao se deparar com as opções de resposta recomendadas pelo seu celular, despertou-se para os vários sentidos que essas mediações da vida real são capazes de trazer: <i>‘‘‘Si</i><i>m’, ‘ainda não’ e ‘cheguei sim, amor’. Eu achei muito engraçado porque parece que meu celular tava acobertando, sabe macho que trai a mulher? [&#8230;] Bah, isso tem que ir pro meu romance. Sugestões que o celular vai fazer de resposta, daí dá umas sugestões e o personagem escolhe uma delas.’’</i></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Todavia ao vivo — Lançamento de VISÃO NOTURNA" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/NFKZ1v2jzIQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><b>Pensando na </b><b><i>playlist </i></b><b>que você fez para acompanhar a leitura de </b><b><i>Visão Noturna</i></b><b>, qual é o papel da Música na sua escrita e qual foi, em especial, a influência dessas canções nos contos?</b></p>
<p><b>Tobias: </b><i>“</i><i>Bah, música é um negócio que sempre quando eu tô escrevendo um livro eu faço uma playlist, porque tem umas músicas que eu acho que combinam demais com os personagens. Tô o tempo inteiro ouvindo música e aí, às vezes, parece que dá pra traduzir muito facilmente um sentimento em uma música, mais do que num livro, então, me facilita muito ficar pensando essas seleções, pensando canções que tem a ver com os livros porque me bota um pouco no… Eu jurei que não ia usar essas palavra, mas, mindset, sabe? Porque eu boto a playlist e já entro naquilo de novo. Gosto disso.”</i></p>
<p><i>“No primeiro conto de </i>Visão Noturna<i> tem uma coisa meio caótica e eu gosto de fazer umas brincadeiras. Inventei uns nomes ali e os nomes dos livros são nomes de músicas, mas também tem um cientista que tá lá que é o Stephen LaBerge, que existe de verdade. Acho que essa mistura de real com não real tem a ver com o sonho, tem a ver com o livro. Na primeira versão, a autora do </i>Life in The Vivid Dream<i> era pra ser o nome da Grimes, o nome real dela, e aí meu editor não deixou, ele falou: ‘ah não, não vai ficar dando essa piscadinha aí pro leitor, não vou deixar.’”</i></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Grimes - Flesh without Blood/Life in the Vivid Dream" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Tv9YoYCKNoE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><b>Você acredita que suas temáticas são concebidas de uma maneira mais psicológica e íntima ou mais generalista, centrada nas ações? Ou são as próprias histórias que determinam essa maneira de narrar? Existe algum processo que te faz pensar nessas formas de guiar sua escrita?</b></p>
<p><b>Tobias: </b><i>&#8220;É que, às vezes, o processo criativo vem de uma forma tão caótica. Digamos que eu tô tendo uma conversa com amigos e me vem um insight: a conversa chega num ponto legal, ouço uma frase, vou, finjo que tô no Instagram mas tô no meu Google Drive, e anoto. E daí, fico pensando onde que eu poderia encaixar aquele insight, porque agora tô escrevendo um romance e tem um narrador em primeira pessoa que é um personagem de tal e tal jeito, então ele não pode dizer qualquer coisa, qualquer frase, em qualquer entonação, sabe? Só que, às vezes, tu anota o negócio e em outra história aquilo vai se encaixar. Tem personagens que vão pra esse caminho mais íntimo, como você disse, tem outros que não, e eu acho que tem histórias que, se tu quer abordar entrando na filigrana mais psicológica, tu começa a escrever de uma outra maneira.&#8221;</i></p>
<p><i>&#8220;Eu acho que em </i>Visão Noturna<i>, por exemplo, os personagens são meio estranhos. Eles vão vivendo as coisas com umas reações meio robóticas. Acho que o livro todo é meio estranho, eu tava experimentando com outras formas, escrevendo em terceira pessoa, que era algo que eu queria testar e fazer mais. E, enfim, pra mim, meio que fechou as duas coisas. Tem uma parte mais psicológica, principalmente na última história, que o personagem até estuda sobre psicanálise e tal, mas tenho impressão que eu gosto que, nas minhas histórias, as ações sejam mais importantes do que a psicologia interna do personagem. No</i> As Coisas<i> também, eles vão experienciando os acontecimentos e as ações que vão montando o cenário, em vez de partir do personagem.&#8221;</i></p>
<figure id="attachment_28060" aria-describedby="caption-attachment-28060" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28060 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/k-2-1024x1024.jpg" alt="" width="840" height="840" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/k-2.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/k-2-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/k-2-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/k-2-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28060" class="wp-caption-text">“Uma coisa que aconteceu bastante com As Coisas foi que as pessoas achavam que as histórias tinham acontecido comigo, e existia meio que uma curiosidade. Eu queria que, no segundo livro, ninguém achasse que tinha algo de autobiográfico” (Foto: Robinson Estrásulas/Agencia RBS)</figcaption></figure>
<p>E talvez seja esse enfoque nos acontecimentos e na materialidade das relações desses personagens, homens gays negociando seus desejos na cidade de Porto Alegre, que fazem as narrativas de <i>As Coisas </i>serem um novo ponto no imaginário literário e cultural das homossexualidades brasileiras (um espaço antes demarcado pelo também gaúcho <a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=00005">Caio Fernando Abreu</a>).</p>
<p><a href="https://www.esquinadacultura.com.br/post/tobias-carvalho-fala-sobre-literatura-carreira-e-as-coisas#:~:text=N%C3%A3o%20acredito%20que,satisfeito%20com%20isso.">Distanciando-se de uma visão universalizante</a>, que, no fundo, cerceia um entendimento de pluralidade nas vivências da sexualidade – pois, afinal, não são as mesmas para ninguém, mesmo que se partilhe a mesma letra da sigla –, Tobias entende que a representatividade deve existir na liberdade de um escritor produzir o que quiser, quando quiser; no exercício de representação de uma comunidade que seja espontâneo e relacionado à livre expressão do artista.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">&#8220;De umas décadas pra cá, a gente começou a fazer mais Literatura que fala de vozes que não eram ouvidas antes, seja de autores negros, autores LGBTQIA+ e autoras mulheres. Daí, a partir disso, entrou uma cobrança de que essas pessoas que estão escrevendo, que antes não eram escutadas, escrevam sobre a experiência delas e sobre esses temas que agora o mercado decidiu que é legal ler.&#8221;</p>
</blockquote>
<p>Mas, se existe algum imperativo na representatividade, segundo o autor, é &#8220;<i>escrever sobre todo tipo de experiência que está acontecendo e que a gente está passando</i>.&#8221; Um vasto leque de realidades e fantasias LGBTQIA+ – desde os clichês românticos de <a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-elite-homoerotismo-artigo/"><i>Heartstopper</i></a> às relações disruptivas, como em <a href="https://todavialivros.com.br/livros/ricardo-e-vania"><i>Ricardo e Vânia</i></a><i>,</i> de Chico Felitti – consegue estabelecer um território para qual se pode voltar no exercício de reflexão dos limites, a serem sempre superados, do exercício social dessas sexualidades e identidades.</p>
<figure id="attachment_28061" aria-describedby="caption-attachment-28061" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28061" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/15789615125e1d0a685dd60_1578961512_3x2_md.jpg" alt="" width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-28061" class="wp-caption-text">“Fui pelo caminho de sonhos lúcidos, acidentes domésticos, traumas de infância, assassinatos insólitos, mediunidade, psicodelia e obsessão. Ou seja, mudei um pouco o foco”, escreveu Tobias Carvalho no seu <a href="https://www.instagram.com/p/CVAv-aKLkiY/?utm_source=ig_web_copy_link">perfil no Instagram</a>, se referindo a Visão Noturna (Foto: Gustavo Roth/Agência Preview/Folhapress)</figcaption></figure>
<p><b>Pode falar três novos autores brasileiros que você acha que estão trazendo uma nova forma de contar, na cena da Literatura contemporânea?</b></p>
<p><b>Tobias: </b><i>“Uma pessoa que não é uma descoberta garimpada é a </i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=04913"><i>Luisa Geisler</i></a><i>, uma autora que eu acho uma nova voz, sempre bem-vinda, porque ela tem um jeito de escrever que experimenta bastante com a linguagem. Ao mesmo tempo, ela escreve sobre contemporaneidade, sobre os personagens jovens vivendo nos dias de hoje e, enfim, eu sempre vou ler tudo que ela escrever até ela morrer. Tem um livro que saiu agora da </i><a href="https://comoeuescrevo.com/julia-dantas/"><i>Julia Dantas</i></a><i>, ela publicou o segundo livro agora. O primeiro livro dela é </i><a href="https://dublinense.com.br/livros/ruina-y-leveza/">Ruína y leveza</a><i>, que é de 2015, e eu gostei muito. Ela é de Porto Alegre, e demorou 7 anos pra publicar o segundo, e eu estava esperando muito.” </i></p>
<p><i>“Esse segundo, que se chama </i><a href="https://www.dbaeditora.com.br/literatura/pre-venda-ela-se-chama-rodolfo">Ela se chama Rodolfo</a><i>, é um livro lindo, que tu vê a sinopse e é sobre um cara que se muda pra um apartamento alugado e lá ele tem uma tartaruga. Ele precisa dar um jeito de se livrar da tartaruga. Quando eu vi a sinopse, eu não sabia se me interessaria tanto. Se eu não soubesse que a Julia Dantas é maravilhosa, não sei se iria comprar o livro. Mas aí, tu vai ler, e o livro é meio que uma jornada sobre identidade, sobre se conhecer, sobre meio que entender o que é ser um homem e vai acontecendo umas coisas super estranhas também. É um personagem desses que eu gosto, acontecem umas coisas estranhas e ele deixa acontecer e, enfim, Julia Dantas é uma grande mulher.”</i></p>
<p><i>“E, eu acho que o </i><a href="https://revistatrip.uol.com.br/trip/jose-falero-a-literatura-deve-pertencer-ao-povo"><i>José Falero</i></a><i>. É um autor que eu sempre cito, ultimamente, porque as coisas dele são sempre boas. Eu li </i><a href="https://todavialivros.com.br/livros/os-supridores">Os Supridores</a><i> primeiro e agora, por último, eu li o outro livro dele, de crônicas, que é o </i><a href="https://todavialivros.com.br/livros/mas-em-que-mundo-tu-vive">Mas em que mundo tu vive?</a><i>, uma pedrada atrás da outra. A primeira crônica é sobre uma vez que ele tava trabalhando numa obra, em que ele tinha que carregar sacos de cimento, e ele solta umas frases do tipo, ‘ah, imagino que o leitor nunca tenha carregado um saco de cimento, mas se carregasse, ia saber que é bem pesado’. E tem isso ao longo de todo o livro, só que ele narra com uma linguagem… Ele é muito corajoso, na maneira de escrever, porque tem vezes que ele escreve um pouco mais erudito, mas tem outras que ele vai pra um registro super informal e sempre funciona, as coisas que ele escreve sempre funcionam. Às vezes, tu tenta escrever mais pra informalidade e fica meio brega, mas ele nunca erra no tom. Ele tá construindo, com poucos livros, uma obra muito foda que acho que vai ficar pra posterioridade. Então, recomendo.” </i></p>
<figure id="attachment_28062" aria-describedby="caption-attachment-28062" style="width: 2400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28062 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/15789615035e1d0a5f2b842_1578961503_3x2_rt.jpg" alt="" width="2400" height="1350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/15789615035e1d0a5f2b842_1578961503_3x2_rt.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/15789615035e1d0a5f2b842_1578961503_3x2_rt-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/15789615035e1d0a5f2b842_1578961503_3x2_rt-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/15789615035e1d0a5f2b842_1578961503_3x2_rt-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/15789615035e1d0a5f2b842_1578961503_3x2_rt-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/15789615035e1d0a5f2b842_1578961503_3x2_rt-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/15789615035e1d0a5f2b842_1578961503_3x2_rt-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28062" class="wp-caption-text">“Falar sobre relações humanas no meio desse caos ainda é o que me interessa” (Foto: Gustavo Roth/Agência Preview/Folhapress)</figcaption></figure>
<p><b>Sobre o romance que você descartou, tem uma entrevista na qual você cita que tinha algo a ver com uma galeria, </b><a href="https://blog.estantevirtual.com.br/2019/07/26/entrevista-a-literatura-de-tobias-carvalho/#:~:text=Estou.%20Parti%20para,formalmente%20mais%20ambicioso."><b>como se uma pessoa olhasse por uma galeria do celular</b></a><b>. O romance descartado foi esse? Pode falar um pouco sobre isso?</b></p>
<p><b>Tobias: </b><i>“A ideia era que tu fosse percorrendo a galeria de fotos dessa pessoa e fosse descobrindo coisas sobre ela, então a galeria estava organizada que nem a galeria de fotos do nosso celular. Da foto mais atual para a mais antiga. Tu ia meio que vendo essa história de trás pra frente e descobrindo mais coisas sobre o personagem. Descobriria que ele tinha um caso, que ele tinha uma relação com uma mulher meio estranha, eles eram amigos mas o cara era abusivo com ela, e tu ia vendo isso através das fotos, só que no meio disso tinha boleto, umas fotos meio aleatórias. Enfim, foi um projeto que me fez aprender bastante sobre escrita, sobre o que eu quero fazer, sobre como funciona a ficção, e aprendi um pouco que não adianta só ter uma ideia legal, tu precisa saber executar aquilo e a história precisa ser interessante, precisa prender o leitor, porque era um livro que não prendia o leitor e eu fiz testes e não deu. E tudo bem.”</i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Você chegou a comentar sobre o romance que está escrevendo atualmente. Quais são as ideias e referências que cercam esse seu novo projeto?</b></p>
<p><b>Tobias: </b><i>“Na pandemia, eu pirei muito na </i><a href="https://personaunesp.com.br/conversas-entre-amigos-5-anos/"><i>Sally Rooney</i></a><i>. </i>[O meu] <i>romance fala sobre um menino que tem um namorado e eles tem um relacionamento aberto, e ele se envolve com um casal de meninos. Ele mora em Porto Alegre, ele é drag queen. A coisa do relacionamento aberto é um negócio que me interessa, eu nunca tive um relacionamento aberto mas acho que, na minha cabeça, faz sentido, de como a gente realmente se interessa por outras pessoas mesmo estando com alguém. Pensei em quais situações, o que acontece em um relacionamento aberto, que são diferentes de um relacionamento fechado, a coisa do ciúme, enfim, todas as inseguranças que vêm disso. É sobre esses quatro personagens e a relação deles.” </i></p>
<p><i>“Acho que, no fim das contas, essas histórias que falam sobre relacionamento são as que me interessam mais, ou talvez seja a fase da vida que eu tô passando, mas daí entram assuntos no livro que eu acho que não estejam escritos o suficiente. Eu não li um livro que falasse sobre relacionamentos abertos e, talvez, seja um livro que, se eu soubesse que foi publicado, eu gostaria de ler. Tem uma frase que diz que a gente tem que escrever o livro que a gente gostaria de ler, que gostaria de ter na estante, então, estou indo meio pra esse caminho.”</i></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: VISÃO NOTURNA, de Tobias Carvalho" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/0qoL1ZL1MBaUC53QukFvXT?si=YUYQGGsIRei2dpDK3_j00g&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Estante do Persona – Abril de 2022</title>
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		<pubDate>Tue, 10 May 2022 21:18:49 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[O Escaravelho do Diabo]]></category>
		<category><![CDATA[O Observador no Escritório]]></category>
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		<category><![CDATA[Raquel Dutra]]></category>
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		<category><![CDATA[Tobias Carvalho]]></category>
		<category><![CDATA[Vitor Evangelista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Aprendi desde cedo que fazer higiene mental era não fazer nada por aqueles que despencam no abismo. Se despencou, paciência, a gente olha assim com o rabo do olho e segue em frente.” &#8211; Lygia Fagundes Telles O mês de Abril de 2022 marca a data de falecimento de Lygia Fagundes Telles, uma das maiores &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Abril de 2022"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27522" aria-describedby="caption-attachment-27522" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27522 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa_wordpress_estante_do_persona-1.jpg" alt="Arte retangular de cor rosa pastel. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris magenta. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “A estrutura da bolha de sabão”. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘abril de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa_wordpress_estante_do_persona-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa_wordpress_estante_do_persona-1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/capa_wordpress_estante_do_persona-1-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27522" class="wp-caption-text">Em abril, o Clube do Livro do Persona se debruçou sobre os conscientes e inconscientes da antologia de contos A Estrutura da Bolha de Sabão, da eterna Dama da Literatura brasileira, Lygia Fagundes Telles (Foto: Reprodução/Arte: Ana Clara Abbate/Texto de Abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“Aprendi desde cedo que fazer higiene mental era não fazer nada por aqueles que despencam no abismo. Se despencou, paciência, a gente olha assim com o rabo do olho e segue em frente.” </span></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">&#8211; Lygia Fagundes Telles</span></i></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O mês de Abril de 2022 marca a data de falecimento de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vVTpCDG7LuY"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma das maiores escritoras do país. A autora é considerada uma referência na Literatura pós-</span><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/"><span style="font-weight: 400;">modernista</span></a><span style="font-weight: 400;">, e usou as vozes de personagens femininas e suas múltiplas nuances como protagonistas em muitos de seus escritos. Lygia foi a terceira mulher a ocupar uma cadeira na ABL (Academia Brasileira de Letras), recebeu o Prêmio Camões em 2005 e chegou a ser a primeira mulher brasileira indicada ao Prêmio Nobel de Literatura, aos 96 anos de idade. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/ciranda-de-pedra-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ciranda de Pedra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Verão no Aquário</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">As Meninas</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Seminário dos Ratos</span></i><span style="font-weight: 400;"> são alguns dos títulos mais conhecidos da escritora, e apesar de sua destreza como romancista, os contos foram o grande destaque de sua carreira. Diante da grandeza de Lygia Fagundes e seu recente falecimento, a atual leitura do Persona não poderia ser diferente. Por isso, o escolhido da vez foi o compilado de contos </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;">. Publicado pela primeira vez sob o nome de </span><i><span style="font-weight: 400;">Filhos Pródigos</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 1978, o livro junta oito contos narrados por personagens variados, em que a grande brincadeira fica por conta das transições entre realidade e pensamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No único encontro do mês, os membros do Clube discutiram as entrelinhas do texto e tentaram desvendar os encantos por trás do ar enigmático da </span><a href="https://www.unicamp.br/unicamp/ju/noticias/2022/04/11/lygia-fagundes-telles-paixao-da-palavra"><span style="font-weight: 400;">linguagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> utilizada pela autora. Entre os comentários, a sutileza ao emparelhar o intrínseco dos personagens e o mundo externo a suas individualidades, os leitores do Persona destacaram a objetividade com a qual Lygia especulava a complexidade humana. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A capacidade de organizar as palavras como charadas condutoras de uma narrativa particularmente imprevisível e aberta a tantas possibilidades também foi um dos destaques da discussão. Além disso, as reflexões sobre o fator que unia tantas histórias diferentes em um produto só deu espaço para os leitores criarem suas próprias teorias. E seja pela tensão que ronda as relações interpessoais e intimistas ou pela certeza dos desenlaces decepcionantes, a conclusão foi que, se Lygia descobriu os segredos da estrutura da bolha de sabão, ela não pretendia deixá-la às claras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A política e discussões socioculturais abraçadas pela obra não foram esquecidas, e os retratos de conflitos, preconceitos e desigualdade reafirmaram a imagem de uma autora ousada e sabiamente desafiadora. Ainda, a leitura de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão </span></i><span style="font-weight: 400;">resgatou nas memórias as narrativas de Hilda Hilst e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/"><span style="font-weight: 400;">Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostrando como mesmo seus pontos em comum se exprimem com uma singularidade incomparável.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A leitura do mês expulsou a temida Lygia dos vestibulares e deu a sua obra um passe para a imortalidade. Nesse cenário tomado por despedidas e eternização, a Literatura não pretende deixar saudade, então fique agora com as indicações dos membros do Clube do Livro para o </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;"> de Abril.</span></p>
<p><span id="more-27520"></span></p>
<h3><b>Livro do Mês</b></h3>
<figure id="attachment_27523" aria-describedby="caption-attachment-27523" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27523 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro A Estrutura da Bolha de Sabão, de Lygia Fagundes Telles. Na imagem, vemos diversas formas geométricas coloridas, que se sobrepõem. As cores predominantes são verde, rosa, azul, branco e amarelo. Existem quatro flores desenhadas à direita. Abaixo, mais à esquerda, está um retângulo vertical de cor branca. Dentro dele, está escrito Lygia Fagundes Telles, em fonte de cor preta, abaixo está escrito A estrutura da bolha de sabão, em fonte de cor rosa, seguido pela palavra contos, em fonte de cor cinza. Mais abaixo, ainda dentro deste retângulo e de forma centralizada, está o logo da editora Companhia das Letras." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/lygia-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27523" class="wp-caption-text">Na obra, Lygia Fagundes Telles retrata a vida como algo frágil, fugaz e misterioso, tal qual uma bolha de sabão (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Lygia Fagundes Telles &#8211; A Estrutura da Bolha de Sabão (184 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma coleção de contos da escritora símbolo do movimento </span><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/"><span style="font-weight: 400;">pós-modernista</span></a><span style="font-weight: 400;">, Lygia Fagundes Telles. Guiada por um clima de tensão, não há como relaxar durante a leitura que se faz </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XyIRQJgY3a8"><span style="font-weight: 400;">genialmente desconfortável</span></a><span style="font-weight: 400;"> a todo o momento. Publicada pela primeira vez em 1978 sob o título </span><i><span style="font-weight: 400;">Filhos Pródigos</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra ganhou o nome do seu conto homônimo para o relançamento em 1991. Àquela época, o texto que encerra a seleção já havia se tornado um destaque na carreira de Telles. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2022/04/08/interna_pensar,1358556/lygia-fagundes-telles-por-ela-mesma-eu-luto-com-a-palavra.shtml"><span style="font-weight: 400;">dama da literatura brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma romancista realista, quando ela se apropria da persona contista, não falta espaço para o fantasioso. Afinal, nos oito contos, através da sua constante abordagem da consciência humana, a autora aproveitou para usufruir sem medo algum do intenso fluxo de pensamentos das personagens. Para além, a sua característica visão sobre as grandes cidades e os vícios que acarretam a </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/pagina-cinco/2022/04/03/lygia-fagundes-telles-escritora-obra-importancia.htm"><span style="font-weight: 400;">humanidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> permaneceu singular e atraente para o leitor, sem esquecer da tradicional sinestesia da cor verde que marcou presença em alguns trechos do livro.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Não conte a ninguém, mas descobri, a bolha de sabão é o amor.” </span></i><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2022/04/08/interna_pensar,1358573/escritoras-brasileiras-ressaltam-o-legado-de-lygia-fagundes-telles.shtml"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos deixou no mês de abril e, assim como ela demorou para compreender a existência de um físico que estudava a bolha de sabão, há ainda muito a desvendar sobre uma das autoras mais importantes que o Brasil já teve. Se </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tgaX90Fo3YU"><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> significa algo, esse algo é a infinitude e a eternidade do poder de suas palavras que causam sentimentos tão fortes quanto o amor.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: A Estrutura da Bolha de Sabão - Clube do Livro Abril 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/3JxIVFMTZ7woZ8YyHSgjVY?si=db615094896a4cf1&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_27524" aria-describedby="caption-attachment-27524" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27524 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro A Construção de Mim Mesma. A capa é branca e tem uma borboleta roxa no centro. No topo da imagem, lemos o nome da autora, Letícia Lanz, e abaixo da borboleta está o título do livro: A Construção de Mim Mesma. Abaixo, está o subtítulo, em fonte menor: Uma história de transição de gênero. Abaixo, vemos o logo da editora Objetiva." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/construcao-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27524" class="wp-caption-text">Autora de A Construção de Mim Mesma, Letícia Lanz é psicanalista, palestrante, ativista e foi candidata à prefeitura de Curitiba em 2020 (Foto: Objetiva)</figcaption></figure>
<p><b>Letícia Lanz &#8211; A Construção de Mim Mesma (112 páginas, Objetiva)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos nomes de maior relevância para a </span><a href="https://centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br/atividade/leticia-lanz-e-o-complexo-mundo-transgenero"><span style="font-weight: 400;">comunidade trans no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">, Letícia Lanz decide por contar sua própria história no sincero </span><i><span style="font-weight: 400;">A Construção de Mim Mesma</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com o subtítulo </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma história de transição de gênero</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra de não-ficção transita entre o espaço e o tempo para que Letícia, uma mulher já na terceira idade, se apresente ao mundo da maneira que sempre o fez no individual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A honestidade se junta à brevidade da escrita da autora, sempre buscando situar quem lê na mente de alguém que nasceu em estado de discordância do gênero a que foi atribuída no nascimento. Do </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2021/10/31/transicionei-aos-50-anos-apos-sofrer-um-infarto.htm"><span style="font-weight: 400;">apoio que recebeu da esposa</span></a><span style="font-weight: 400;"> até a parceria que firmou com diversas amigas da comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, Lanz faz sua rede de apoio se estender para além das páginas. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27525" aria-describedby="caption-attachment-27525" style="width: 729px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27525 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1-729x1024.jpg" alt=" Imagem da capa do livro O Escaravelho do Diabo. A arte de capa consiste em um fundo amarelado na parte superior e em um fundo verde a partir do meio da altura do livro. No fundo amarelado na parte superior, está escrito o nome da escritora, Lúcia Machado de Almeida, seguido do título da obra, O Escaravelho do Diabo. Ambos os nomes estão em caixa alta na cor verde. No fundo verde a partir do meio da altura do livro, está um desenho de um besouro de cor vermelha. Na parte inferior do livro, também de fundo verde, estão localizados os logos da Editora Ática em tom amarelado." width="729" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1-729x1024.jpg 729w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1-569x800.jpg 569w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1-768x1079.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/O-Escaravelho-do-Diabo-1.jpg 926w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27525" class="wp-caption-text"><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/foi-um-risco-diz-diretor-sobre-adaptar-o-escaravelho-do-diabo/">O Escaravelho do Diabo</a> foi adaptado para as telas do Cinema em 2016 (Foto: Editora Ática)</figcaption></figure>
<p><b>Lúcia Machado de Almeida &#8211; O Escaravelho do Diabo (128 páginas, Ática)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos meados da década de 70, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Editora Ática</span></i><span style="font-weight: 400;"> lançou no Brasil a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BV_0jlXFWss"><i><span style="font-weight: 400;">Coleção Vaga-Lume</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma série de livros voltada para o público infantojuvenil. Facilmente reconhecidos pelas artes de capa emolduradas, grande parte dos títulos se tornaram clássicos que marcaram gerações. Entre eles, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Escaravelho do DiaboI,</span></i><span style="font-weight: 400;"> da autora mineira </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/biografia-repassa-a-vida-da-escritora-e-mecenas-lucia-machado-de-almeida-1.2465632"><span style="font-weight: 400;">Lúcia Machado de Almeida</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi e ainda é um dos principais responsáveis por despertar o interesse pelo suspense policial na literatura nacional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada em uma pequena cidade do interior, a narrativa sobre a sequência de assassinatos de pessoas ruivas e a sua relação com besouros é repleta de mistério. Por se tratar de uma obra de leitura simples e por marcar presença nas estantes de leitura jovem das bibliotecas, </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2016/04/o-escaravelho-do-diabo-veja-10-curiosidades-da-serie-vaga-lume.html"><i><span style="font-weight: 400;">O Escaravelho do Diabo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sempre entrou em contato com os leitores mais precoces. Por isso, não é exagero admitir que os escritos de Almeida formam e ensinam desde a sua primeira publicação. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27533" aria-describedby="caption-attachment-27533" style="width: 663px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27533 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-663x1024.jpg" alt="Reprodução da capa do livro As coisas de Tobias Carvalho. A capa é de um vermelho escuro e, por apenas um traço fino e preto, se forma um desenho de um rosto. Acima do título, que encontra-se no centro da capa, em letras brancas, encontra-se o nome do autor, escrito também em branco. Abaixo, informa-se que é um livro de contos e sua vitória no Prêmio Sesc de Literatura 2018. No canto inferior direito, o selo do Grupo Editorial Record." width="663" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-663x1024.jpg 663w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-518x800.jpg 518w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-768x1186.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-995x1536.jpg 995w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-1326x2048.jpg 1326w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1-1200x1853.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Coisa-1-1.jpg 1607w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27533" class="wp-caption-text">As Coisas, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura, tece, em inúmeros fios, as aventuras de homens gays na vivência do desejo e da identidade (Foto: Grupo Editorial Record)</figcaption></figure>
<p><b>Tobias Carvalho &#8211; As Coisas (144 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro de estreia do porto-alegrense Tobias Carvalho é uma abertura ao universo de encontros e desencontros de seus personagens, homens gays, moradores de Porto Alegre e engajados na negociação de suas afetividades na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em seus contos, Carvalho traz momentos da vida cotidiana enclausurados em texto, levando o leitor até mesmo a se perguntar o que ocorreu realmente ao autor ou o que foi simplesmente uma conversa de bar guardada com um preciosismo digno de um item de colecionador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">As Coisas</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">o que pulsa é a vida desses homens em relação ao mundo exterior que os abraça e hostiliza simultaneamente. Desde uma discussão de relacionamento em mensagens de texto a sucessivas transas mediadas pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Grindr </span></i><span style="font-weight: 400;">em um dia de tédio, as experiências gays são contempladas e esmiuçadas como pequenas joias de uma realidade muitas vezes escondida na Literatura </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">que parece ainda negar as formas que pessoas homossexuais se </span><a href="https://www.record.com.br/as-coisas-de-tobias-carvalho/#:~:text=Mas%20acho%20tamb%C3%A9m%20que%20d%C3%A1%20para%20virar%20a%20p%C3%A1gina%2C%20falar%20sobre%20o%20que%20vem%20a%20partir%20da%C3%AD%2C%20naturalizar%20que%20as%20rela%C3%A7%C3%B5es%20homossexuais%20existem%2C%20mas%20estar%20atento%20%C3%A0s%20particularidades%20que%20elas%20trazem."><span style="font-weight: 400;">relacionam fora da ficção</span></a><span style="font-weight: 400;">, assim construindo a mesma e velha estória amparada na descoberta sexual e do jogo sedutor do sigilo. </span><b>&#8211; Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_27527" aria-describedby="caption-attachment-27527" style="width: 668px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27527 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-668x1024.jpg" alt="Capa do livro Cartas de Amor aos Mortos. A capa apresenta um degradê de cima para baixo com as cores preto, azul escuro, tons de azul mais claro, roxo, lilás e coral. Entre as cores aparecem nuvens esbranquiçadas e estrelas de tamanhos variados, representando o céu. O título está centralizado e as palavras “Cartas”, “Amor” e “Mortos” tem fontes maiores em relação às outras. “Mortos” está grafado na cor preta e há uma menina sentada na primeira letra O com os pés apoiados na letra T, ela veste uma camiseta com short jeans e está escrevendo em um caderno. Na porção inferior da capa aparece o nome da autora e a editora, já na porção superior há um pequeno texto com a opinião de Stephen Chbosky sobre o livro." width="668" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-668x1024.jpg 668w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-522x800.jpg 522w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-768x1178.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-1001x1536.jpg 1001w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-1335x2048.jpg 1335w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1-1200x1840.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartas-de-Amor-aos-Mortos-1.jpg 1617w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27527" class="wp-caption-text">“Ninguém pode salvar ninguém, não de verdade. Não de si mesmo” (Foto: Editora Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Ava Dellaira &#8211; Cartas de Amor aos Mortos (344 páginas, Seguinte)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 2014, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cartas de Amor aos Mortos</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o romance de estreia da norte- americana Ava Dellaira. Escrito em narrativa </span><a href="https://personaunesp.com.br/dracula-critica/"><span style="font-weight: 400;">epistolar</span></a><span style="font-weight: 400;">, o texto nos guia pelas palavras de Laurel, uma adolescente desestabilizada lidando com o luto gerado pela misteriosa morte de sua irmã mais velha, May. Tentando se reinventar, a protagonista começa o Ensino Médio em uma escola nova, e em suas aulas de Inglês recebe a curiosa tarefa de escrever uma carta para um morto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Motivada pela atividade, Laurel passa a escrever cartas para artistas como Kurt Cobain, </span><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-janis-joplin-50-anos/"><span style="font-weight: 400;">Janis Joplin</span></a><span style="font-weight: 400;">, Heath Ledger, Judy Garland, Elizabeth Bishop e </span><a href="https://personaunesp.com.br/amy-winehouse-morte-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Amy Winehouse</span></a><span style="font-weight: 400;">. Escrever para os mortos se torna um portal, não um que desvenda os segredos da morte, mas que guarda os da vida. Entre questionamentos sobre a trajetória das celebridades e reflexões geradas pelo seu próprio dia a dia, cada carta revela uma parte do consternante amontoado de angústias residentes na personagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto dedica seus monólogos letrados a uma celebridade ou outra, Laurel mostra a verdade, e seus medos, inseguranças, traumas, amores e individualidade ganham espaço nas grafias. Assim, dos dramas às conquistas, a autora entrega uma descrição moldada por palavras tão sinceras e palpáveis que permitem ao leitor a experimentação mais genuína e aflitiva da empatia. Em suma, </span><a href="https://www.meon.com.br/meonjovem/alunos/resenha-cartas-de-amor-aos-mortos"><i><span style="font-weight: 400;">Carta de Amor aos Mortos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é apaixonante ao destrinchar a controversa dor do amor. </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_27528" aria-describedby="caption-attachment-27528" style="width: 686px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27528 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-686x1024.jpg" alt="Capa do livro Barba ensopada de sangue. Na imagem, há um fundo vermelho com pequenas manchas em cor branca, simulando fios de barba. À direita, está escrito “Barba ensopada de sangue” em fonte de cor branca. Abaixo, está o logo da editora Companhia das Letras, em fonte de cor branca, e à esquerda está escrito “Daniel Galera”, também em fonte de cor branca." width="686" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-686x1024.jpg 686w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-536x800.jpg 536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-768x1147.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-1029x1536.jpg 1029w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-1371x2048.jpg 1371w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1-1200x1792.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/barba-1.jpg 1664w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27528" class="wp-caption-text">Barba ensopada de sangue é o 4º romance de Daniel Galera, e completa 10 anos em Maio de 2022 (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Daniel Galera &#8211; Barba ensopada de sangue (424 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascido em São Paulo, mas radicado em Porto Alegre, </span><a href="https://danielgalera.info/#livros"><span style="font-weight: 400;">Daniel Galera</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi um dos fundadores da editora </span><a href="https://periodicos.unb.br/index.php/estudos/article/view/37422"><i><span style="font-weight: 400;">Livros do Mal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2001-2004) – junto a </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13510"><span style="font-weight: 400;">Daniel Pellizzari</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Guilherme Pilla. Além de escritor de fôlego, é também ensaísta e tradutor literário, tendo vertido para o português obras de </span><a href="https://personaunesp.com.br/graca-infinita-critica/"><span style="font-weight: 400;">David Foster Wallace</span></a><span style="font-weight: 400;">, Zadie Smith e Chris Ware. Em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12453"><i><span style="font-weight: 400;">Barba ensopada de sangue</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – seu quarto e premiado romance, que completa 10 anos de lançamento em 2022 –, acompanhamos um protagonista sem nome (por vezes chamado de “nadador”), um professor de Educação Física que, após o suicídio do pai, se muda para Garopaba, cidade litorânea de Santa Catarina. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse personagem possui uma condição: não é capaz de memorizar faces. Dessa forma, se esquece também de suas próprias feições, percebendo posteriormente que são similares à do seu avô, assassinado no passado, cujas circunstâncias do crime seguem obscurecidas. Ao estilo das obras de </span><a href="https://www.theguardian.com/culture/2022/mar/09/cormac-mccarthy-two-new-novels-coming-in-2022-16-years-after-the-road"><span style="font-weight: 400;">Cormac McCarthy</span></a><span style="font-weight: 400;">, vagamos através da história como espectros, guiados por narrações em terceira pessoa e diálogos reveladores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em alguns momentos, a observação excessiva sobre pequenos detalhes reafirma a condição do protagonista – única voz que nos apresenta a narrativa –, evidenciando aquilo que ele próprio vê: um emaranhado de acontecimentos cometidos por pessoas sem rosto, lembradas por seus gestos e particularidades. </span><i><span style="font-weight: 400;">Barba ensopada de sangue</span></i><span style="font-weight: 400;"> é potente ao revelar as diversas situações e condições que se somam para constituir a identidade, além de apontar para uma certa hereditariedade de acontecimentos que sucedem nossas vidas. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27529" aria-describedby="caption-attachment-27529" style="width: 668px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27529 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-668x1024.jpg" alt="Capa do livro O Observador no Escritório, de Carlos Drummond de Andrade. A imagem tem fundo branco, que recebe uma fotografia em preto e branco do autor, ocupando a metade inferior da capa. Ele é um homem branco, usa óculos grossos arredondados e um terno escuro. Carlos está sentado à frente de uma mesa, com as mãos repousadas sobre uma máquina de escrever. Ele olha para o lado direito, fora da imagem. Na linha superior, está escrito o nome do livro, em fonte simples e caixa alta, num tom de verde médio. Embaixo do título, está o nome do autor, no mesmo estilo de fonte, porém em preto. No canto inferior direito da capa, existe o logo da editora, também em preto sob o fundo branco." width="668" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-668x1024.jpg 668w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-522x800.jpg 522w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-768x1177.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-1002x1536.jpg 1002w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-1336x2048.jpg 1336w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador-1200x1839.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/o-observador.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27529" class="wp-caption-text">Reza a lenda que por pouco os diários pessoais de Carlos Drummond de Andrade perderam-se para sempre antes de se transformarem no livro lançado em 1985, sendo um alvo desejado e material quase findado pela tesoura crítica do autor (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Carlos Drummond de Andrade &#8211; O Observador no Escritório (272 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A medida que os fantasticamente ordinários contos de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;"> eram manifestos na linguagem crua e radical de Lygia Fagundes Telles, o fundo bruto de realidade da Dama da Literatura brasileira parecia evocar uma aproximação com a capacidade analítica criativa do nosso </span><i><span style="font-weight: 400;">poeta de sete faces</span></i><span style="font-weight: 400;">. O fenômeno ainda está em fase de compreensão, mas para compor a mais recente Estante do Persona, não pude deixar de atender ao clamor de Carlos Drummond de Andrade e de sua obra diarista, que ao construir suas observações de mundo com a perspicácia de sempre e um humor refresco, se coloca, de uma forma intrigante e bem específica, mais uma vez ao lado de sua querida </span><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/"><span style="font-weight: 400;">parceira modernista</span></a><span style="font-weight: 400;"> com </span><i><span style="font-weight: 400;">O Observador no Escritório</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É fato que a amizade entre </span><a href="https://vermelho.org.br/2012/11/20/lygia-fagundes-telles-ele-me-estendeu-a-mao/"><span style="font-weight: 400;">Telles e Drummond</span></a><span style="font-weight: 400;"> já detém &#8211; literalmente &#8211; a licença poética necessária para esse tipo de referência. Mas algo especial acontecia quando Carlos encerrava seu hábito de tomar notas pessoais, mantido desde 1943, em setembro de 1977 &#8211; dez anos antes de sua morte e um ano antes do lançamento da referida obra de Lygia. Ela, emergindo suas palavras nas camadas profundas das relações humanas, recorria à ficção. Ele, atento e envolvido em um período de intensas mudanças no país, se encarregava de retratá-lo com sinceridade e riqueza de linguagem. E quando um dos auges da ficcionalização dela se relaciona com o centro da realidade dele, o resultado é um daqueles eventos celestes tão estrondosos quanto misteriosos, que só o universo da Literatura pode conceber. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
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		<title>Estante do Persona – Março de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Apr 2022 20:54:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de acompanhar os relatos cruéis de Carolina Maria de Jesus e seu Quarto de despejo, o Clube de Leitura do Persona chegou em Março inspirado pela quase onipresente cerimônia do Oscar 2022, e decidiu reunir-se para debater a coletânea de contos Homens sem mulheres, do escritor japonês Haruki Murakami.  Drive My Car, história que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-marco-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Março de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27214" aria-describedby="caption-attachment-27214" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27214 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capa_wordpress_estante_do_persona_marco.jpg" alt="Arte retangular de cor azul. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris azul clara. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “Homens sem mulheres”. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘março de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capa_wordpress_estante_do_persona_marco.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capa_wordpress_estante_do_persona_marco-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capa_wordpress_estante_do_persona_marco-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27214" class="wp-caption-text">Em Março, o Estante do Persona discutiu o melancólico Homens sem mulheres, do escritor japonês Haruki Murakami, e recuperou algumas obras de destaque para o Cinema das adaptações literárias (Foto: Reprodução/Arte: Ana Clara Abbate/Texto de Abertura: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de acompanhar os relatos cruéis de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=11295"><span style="font-weight: 400;">Carolina Maria de Jesus</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seu </span><a href="https://personaunesp.com.br/quarto-de-despejo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o Clube de Leitura do Persona chegou em Março inspirado pela</span><span style="font-weight: 400;"> quase onipresente cerimônia do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, e decidiu reunir-se para debater a coletânea de contos </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=28000054&amp;idtag=7ec82fe8-e709-4f1a-9969-7d018c0785e5&amp;gclid=CjwKCAjwxZqSBhAHEiwASr9n9EqgivsOaPJOZ_csJXaR_UjfKoyAflZW94_2a2GB0705MDBeId3RjxoC6P8QAvD_BwE"><i><span style="font-weight: 400;">Homens sem mulheres</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do escritor japonês </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=04582"><span style="font-weight: 400;">Haruki Murakami</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/drive-my-car-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Drive My Car</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, história que abre </span><i><span style="font-weight: 400;">Homens sem mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi incrivelmente adaptada para o Cinema pelo diretor</span> <a href="https://personaunesp.com.br/roda-do-destino-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ryûsuke Hamaguchi</span></a><span style="font-weight: 400;">, em um filme de quase três horas com trechos inspirados em mais dois contos da mesma obra, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sherazade </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Kino</span></i><span style="font-weight: 400;">. Após suas quatro indicações no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, vencendo na categoria de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OcI7gdFCneI"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;">, o tão aguardado longa chegou ao Brasil no dia 1º de abril, através da plataforma </span><a href="https://www.coxinhanerd.com.br/drive-my-car-mubi/"><i><span style="font-weight: 400;">MUBI</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No único encontro do mês, os membros do Clube do Livro debateram as nuances da obra, observando sua melancolia – que perpassa as sete histórias do livro –, a maneira a qual o autor reproduz homens quebrados e falidos em seus textos, e, principalmente, a forma como Murakami retrata o </span><a href="https://www.instagram.com/p/CbYiO4FuLv5/"><span style="font-weight: 400;">gênero feminino</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seus contos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do escritor japonês, outro nome que se destacou no meio literário em Março foi o de <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/abdulrazak-gurnah-em-sobrevidas-destaca-o-humano-ante-o-colonial.shtml">Abdulrazak Gurnah</a>. Ao final do mês, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">lançou </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=15166"><i><span style="font-weight: 400;">Sobrevidas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a primeira obra lançada no Brasil do </span><span style="font-weight: 400;">tanzaniano vencedor do Prêmio </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1446162399069884427?s=20&amp;t=KZE62G37TTracihogYd89w"><span style="font-weight: 400;">Nobel de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2021. A publicação dá início a uma série de </span><a href="https://forbes.com.br/forbeslife/2021/10/companhia-das-letras-publicara-obras-de-abdulrazak-gurnah-vencedor-do-nobel-de-literatura/"><span style="font-weight: 400;">quatro lançamentos do autor</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a editora deve entregar futuramente. Entre eles, além de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sobrevidas</span></i><span style="font-weight: 400;">, estão </span><i><span style="font-weight: 400;">Paradise </span></i><span style="font-weight: 400;">(finalista do </span><i><span style="font-weight: 400;">Booker Prize </span></i><span style="font-weight: 400;">de 1994), </span><i><span style="font-weight: 400;">By the Sea </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Desertion</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A editora também montou uma campanha de arrecadação de fundos, junto ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), para as vítimas na Guerra da Ucrânia; por esse motivo, o livro </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=85142"><i><span style="font-weight: 400;">Contos de Odessa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do ucraniano </span><a href="https://homoliteratus.com/isaac-babel-e-os-contos-sobre-guerra-de-um-escritor-que-morreu-fuzilado/"><span style="font-weight: 400;">Isaac Bábel</span></a><span style="font-weight: 400;">, passou a ser vendido no </span><i><span style="font-weight: 400;">site </span></i><span style="font-weight: 400;">da editora com mais de 65% de desconto, sem a cobrança de frete, cujo valor integral das vendas será entregue ao CICV. A obra clássica do autor captura o dia a dia na Ucrânia do século XX.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como uma despedida de viagem – mas com o retorno breve e já agendado –, você fica agora com as dicas de leitura que os membros do Clube do Livro deixaram no </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">, as quais se pode ler no carro, deitado, no </span><i><span style="font-weight: 400;">smartphone</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou como bem entender.</span></p>
<p><span id="more-27197"></span></p>
<h3><b>Livro do Mês</b></h3>
<figure id="attachment_27198" aria-describedby="caption-attachment-27198" style="width: 710px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27198 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/murakami-1.jpg" alt="Capa do livro Homens sem mulheres, de Haruki Murakami. A imagem mostra um fundo preto, no qual estão espalhadas no lado esquerdo e na parte superior círculos nas cores preto, branco e rosa. Há uma faixa de cor rosa pouco acima do centro e dentro dela está escrito Haruki Murakami em fonte de cor preta, e Homens sem mulheres, em fonte de cor branca. No lado esquerdo ao nome do autor está o símbolo da editora Alfaguara, em fonte de cor preta." width="710" height="1107" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/murakami-1.jpg 710w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/murakami-1-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/murakami-1-657x1024.jpg 657w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27198" class="wp-caption-text">Composta por sete contos ligados pela ideia de relacionamentos entre homens e mulheres, a obra é marcada por seu lirismo, e foi adaptada para o Cinema no longa Drive My Car (Foto: Alfaguara/Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Haruki Murakami &#8211; Homens sem mulheres (240 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 2014, </span><a href="https://www.escritacriativa.com.br/?cid=5411&amp;wd=Reflex%F5es"><i><span style="font-weight: 400;">Homens sem mulheres</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do japonês Haruki Murakami, tem seu título inspirado em um conto de Ernest Hemingway, e é composto por sete narrativas que mesclam elementos oníricos e melancólicos, sempre deixando em aberto a dimensão sentimental dos personagens. A coletânea se abre com </span><a href="https://personaunesp.com.br/drive-my-car-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Drive My Car</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, conto que inspirou o laureado filme homônimo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/roda-do-destino-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ryûsuke Hamaguchi</span></a><span style="font-weight: 400;">, e conta a história de um ator e diretor de teatro que contrata uma mulher para dirigir seu carro. Esse mesmo personagem está adaptando </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=85171"><i><span style="font-weight: 400;">Tio Vânia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Tchékhov, em uma peça, e as questões levantadas ao longo da história – por que ele não dirige? O que aconteceu com a sua esposa? – são respondidas de forma lenta, como uma uma viagem tranquila de carro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No conto </span><i><span style="font-weight: 400;">Sherazade</span></i><span style="font-weight: 400;">, Murakami narra uma história com evidentes referências ao </span><a href="https://www.amazon.com.br/Livro-das-Mil-Uma-Noites/dp/8525065048/ref=asc_df_8525065048/?tag=googleshopp00-20&amp;linkCode=df0&amp;hvadid=379725131710&amp;hvpos=&amp;hvnetw=g&amp;hvrand=15352725735199102908&amp;hvpone=&amp;hvptwo=&amp;hvqmt=&amp;hvdev=c&amp;hvdvcmdl=&amp;hvlocint=&amp;hvlocphy=1001726&amp;hvtargid=pla-395749133279&amp;psc=1"><i><span style="font-weight: 400;">Livro das</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Mil e uma noites</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas a subverte e transpõe seu ar fantástico na banal vida cotidiana. </span><i><span style="font-weight: 400;">Kino</span></i><span style="font-weight: 400;">, o mais longo conto da coletânea, tem semelhanças com outras de suas obras – principalmente </span><a href="https://www.bonslivrosparaler.com.br/livros/resenhas/kafka-a-beiramar/2658"><i><span style="font-weight: 400;">Kafka à beira-mar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2002) –, e retrata um episódio no qual o protagonista homônimo encontra sua esposa dormindo com o melhor amigo. Depois desse evento, abandona sua vida pregressa e decide abrir um bar; no entanto, os clientes estranhos que passam a frequentar o lugar forçam com que Kino desobedeça as regras estabelecidas por ele próprio, e sua jornada solitária de reclusão se transforma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O conto que dá título ao livro fecha a coletânea, e tem seu início com um telefonema, no qual o homem que a recebe ouve de outro indivíduo que “</span><i><span style="font-weight: 400;">a mulher dele</span></i><span style="font-weight: 400;">” se suicidou, e por esse motivo entrou em contato para informá-lo. A mulher em questão era sua amante, e o homem que ligou era o real marido da mulher. A partir desse momento, o protagonista começa a rememorar como a conheceu. O mais interessante é a forma como todos os contos do livro se interligam pelo <a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/solidao-vida-murakami-marcia-namekata/">sentimento de solidão</a>, transposto inclusive na forma lenta de narrar. </span><i><span style="font-weight: 400;">“U</span></i><i><span style="font-weight: 400;">m dia, de repente, você vai ser um dos homens sem mulheres”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Homens sem mulheres - Clube do Livro Março 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/7qlc7qve6o3isuH8Wjx7pE?si=9ea4e483b2c146bd&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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<h2>Dicas do Mês</h2>
<figure id="attachment_27199" aria-describedby="caption-attachment-27199" style="width: 791px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27199 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-791x1024.jpg" alt="Capa do livro Me Chame Pelo Seu Nome. A capa mostra desenhos abstratos e coloridos, em laranja, verde, azul e marrom. No topo esquerdo da capa, vemos o nome do autor escrito em fonte branca. Na parte inferior direita, vemos o nome do livro, na mesma tipografia e cor." width="791" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-791x1024.jpg 791w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-618x800.jpg 618w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-768x994.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-1186x1536.jpg 1186w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1-1200x1554.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/me-chame-1.jpg 1275w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27199" class="wp-caption-text">O livro foi adaptado para as telas em 2017 e o texto de James Ivory venceu o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado do ano seguinte (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>André Aciman &#8211; Me Chame Pelo Seu Nome (288 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma Itália fumegante em clima e desejo, o jovem Elio é encantado por Oliver, um estudante que vem passar as férias na casa de sua família. O homem será instruído pelo pai do jovem, um acadêmico de renome que, sazonalmente, recebe novas mentes para auxiliá-lo com os livros e sua pesquisa. De supetão, o franzino e contemplativo adolescente acaba se entregando a uma </span><a href="https://institutoling.org.br/explore/a-plenitude-do-amor-sem-termino-em-me-chame-pelo-seu-nome"><span style="font-weight: 400;">troca intensa</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o recém-chegado, que chega para chacoalhar sua visão de mundo e seus sentimentos em efervescência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelas palavras do egípcio André Aciman, ficamos tão enamorados e em transe quanto os protagonistas dessa combustão de verão. A </span><a href="http://personaunesp.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/"><span style="font-weight: 400;">adaptação cinematográfica</span></a><span style="font-weight: 400;">, que tem em seu miolo o envolvimento de Luca Guadagnino, Timothée Chalamet e Armie Hammer, resgata o máximo que consegue da obra, mas quem se aventura pelas menos de trezentas páginas, embrenhadas em luxúria, encontra uma visão pouco esmiuçada do que significa </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/02/me-chame-pelo-seu-nome-deixa-leitor-entregue-a-melancolia-difusa.shtml"><span style="font-weight: 400;">o ato de estar apaixonado</span></a><span style="font-weight: 400;">, de se ver entregue de corpo, alma e pêssego. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27201" aria-describedby="caption-attachment-27201" style="width: 664px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27201 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-664x1024.jpg" alt="Capa do livro Mulherzinhas, de Louisa May Alcott. A capa mostra o título do livro numa grafia estilizada, em fonte branca, em caixa alta, com arabescos, sob um fundo azul claro. Ao redor, existem ilustrações de teclas de piano, pincéis de pintura, notas musicais, folhas de livros, chapéus, luvas e flores, todas coloridas. Na linha inferior da imagem, existe uma faixa preta, onde está escrito, em fonte amarela e em caixa alta, “Louisa May Alcott”. Embaixo disso, está escrito o nome do livro, em branco e com apenas a inicial maiúscula. Em cima da faixa preta, existe uma faixa branca, onde está escrito, em preto, “Penguin Companhia”, e existe um desenho de pinguim colorido ao centro. " width="664" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-664x1024.jpg 664w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-519x800.jpg 519w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-768x1185.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-996x1536.jpg 996w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-1328x2048.jpg 1328w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1-1200x1851.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/mulherzinhas-1.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27201" class="wp-caption-text">Se o tema é obra literária adaptada para o Cinema, Little Women não pode ficar de fora (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Louisa May Alcott &#8211; Mulherzinhas  (592 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1868, Louisa May Alcott lançou uma das obras </span><a href="https://observador.pt/2020/01/29/mulherzinhas-o-sucesso-literario-de-louisa-may-alcott-foi-o-que-a-autora-menos-gostou-de-escrever/"><span style="font-weight: 400;">mais influentes e queridas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da história da Literatura mundial, com uma roupagem que pressupunha exatamente o contrário para o contexto da época: um romance escrito por uma mulher, apresentando uma narrativa sobre mulheres, e intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulherzinhas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Little Women</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original em inglês). Para superar as expectativas e preconceitos, o livro mergulha no carisma de Meg, Jo, Beth e Amy, </span><a href="https://deliriumnerd.com/2020/01/31/adoraveis-mulheres-greta-gerwig-critica/"><span style="font-weight: 400;">as irmãs March</span></a><span style="font-weight: 400;">. Elas vivem, cada uma à sua própria maneira, entre os delicados anos de 1861 e 1865, marcados pela Guerra Civil Americana, que requisitou a presença de seu pai, precisando, assim, equilibrar as responsabilidades junto da mãe, Marmee, para manter a família e a casa em ordem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário caoticamente familiar é o lugar que Alcott encontra para provocar reflexões sobre os padrões sociais que interferem na vida e liberdade das mulheres. Assim, através da observação de Meg, a obstinação de Jo, a mansidão de Beth e confiança de Amy, a autora desenhou &#8211; com contornos autobiográficos &#8211; uma </span><a href="https://deliriumnerd.com/2020/01/21/mulherzinhas-resenha-louisa-may-alcott/"><span style="font-weight: 400;">analogia atemporal</span></a><span style="font-weight: 400;"> da vastidão feminina em eterno conflito com o mundo que tenta domá-la. De tão rica, a história de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulherzinhas</span></i><span style="font-weight: 400;"> transcende a manifestação artística em que nasceu, destacando, entre </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-152669/"><span style="font-weight: 400;">diversas adaptações</span></a><span style="font-weight: 400;"> das mais variadas naturezas, o filme de Gillian Armstrong (</span><i><span style="font-weight: 400;">Adoráveis Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1994) e, mais recentemente e principalmente, o de </span><a href="https://personaunesp.com.br/adoraveis-mulheres-critica/"><span style="font-weight: 400;">Greta Gerwig</span></a><span style="font-weight: 400;"> (mesmo título, de 2019), que foi indicado a seis</span><i><span style="font-weight: 400;"> Oscars</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2020, incluindo o de Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27202" aria-describedby="caption-attachment-27202" style="width: 664px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27202 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-664x1024.jpg" alt="Capa do livro Pequenas Epifanias. Arte digital retangular. Na parte superior, vemos um céu azul-claro com uma nuvem branca. Próximo da nuvem, lemos Pequenas Epifanias em letras brancas. Na parte inferior, vemos um fundo branco e a mão direita de uma pessoa branca. O dedo indicador está levantado e, sobre ele, há uma borboleta azul e preta. Na linha que divide as partes superior e inferior da capa, lemos Caio Fernando Abreu. Caio e Abreu estão em letras pretas, enquanto Fernando está em letras brancas. No canto inferior esquerdo da capa, vemos o símbolo da editora Nova Fronteira. Ele é formado por um triângulo, um retângulo e as palavras Editora Nova Fronteira. " width="664" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-664x1024.jpg 664w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-519x800.jpg 519w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-768x1184.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-997x1536.jpg 997w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-1329x2048.jpg 1329w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1-1200x1849.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Caio-1.jpg 1661w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27202" class="wp-caption-text">Embora Pequenas Epifanias não seja o melhor exemplo, a Literatura de Caio Fernando Abreu estabelece vários paralelos com a Sétima Arte (Foto: Nova Fronteira)</figcaption></figure>
<p><b>Caio Fernando Abreu &#8211; Pequenas Epifanias (240 páginas, Nova Fronteira)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Pequenas Epifanias</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, antes de tudo, uma seleção de crônicas publicadas pelo escritor Caio Fernando Abreu entre as décadas de 1980 e 1990, nos jornais </span><i><span style="font-weight: 400;">O Estado de São Paulo</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Zero Hora</span></i><span style="font-weight: 400;">. Afastando-se, no entanto, das coletâneas literárias mais convencionais, a primeira edição desse livro só foi desenvolvida em 1996, poucos meses após a morte do excepcional contista brasileiro. Mais do que uma publicação póstuma, a obra em questão é a escolha perfeita para quem quer ter um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9kpSkfcUL3Y"><span style="font-weight: 400;">primeiro contato</span></a><span style="font-weight: 400;"> com os textos de Caio, já que ela compila elementos muito agradáveis aos mais diversos tipos de amantes dos livros, tais como a proximidade com o leitor, um constante tom de confissão, pessoalidade e subjetividade intensas, além de uma perceptível diversidade temática. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De modo geral, a Literatura de Caio F. não é homogênea e, exatamente por causa disso, ela não assume um tom único, fugindo com maestria da mesmice. Em sintonia com essa constatação, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pequenas Epifanias</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue captar muito bem </span><a href="https://www.nonada.com.br/2015/02/pequenas-epifanias-caio-fernando-abreu/"><span style="font-weight: 400;">as nuances</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma escrita intensa, devota, artisticamente honesta, precisamente lapidada e, às vezes, até mesmo provocativa. Não é de se espantar, portanto, que algumas das crônicas presentes neste livro se aproximem demasiadamente daquilo que, por convenção, conhecemos como conto. Afinal, mesmo estampando páginas de jornais, Abreu pertencia de fato às artes literárias &#8211; e as minúcias do cotidiano nunca mais serão as mesmas para quem se apaixonar por essa figura artística tão encantadora. </span><b>&#8211; Eduardo Rota Hilário</b></p>
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<figure id="attachment_27206" aria-describedby="caption-attachment-27206" style="width: 690px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27206 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-690x1024.jpg" alt="Capa do livro O Silêncio dos Inocentes. A lateral esquerda é amarela. Ao centro vemos a silhueta de uma cabeça de caveira com asas de mariposa na cor marrom. Atrás há formas irregulares e de simetria horizontal nas cores amarelo e marrom. Abaixo do meio há uma faixa amarela e nela lê-se em preto “O SILÊNCIO DOS INOCENTES”. Abaixo lê-se em branco “THOMAS HARRIS”. À direita vê-se em preto a logo da editora Record. O fundo é branco." width="690" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-690x1024.jpg 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-768x1140.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-1034x1536.jpg 1034w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-1379x2048.jpg 1379w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1-1200x1782.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/silencio-1.jpg 1724w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27206" class="wp-caption-text">Apesar de pertencer a uma trilogia, Silêncio dos Inocentes pode ser lido separadamente (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Thomas Harris &#8211; O Silêncio dos Inocentes (318 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Poucos são os filmes que se consagraram </span><a href="https://www.bol.uol.com.br/entretenimento/2012/02/24/veja-os-recordes-e-curiosidades-do-oscar.htm#:~:text=1%20%2D%20Apenas%20tr%C3%AAs%20filmes%20at%C3%A9,Sil%C3%AAncio%20dos%20Inocentes%20(1991)."><i><span style="font-weight: 400;">Big Five</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na cerimônia de premiação do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais incomum ainda é uma produção de Terror sair com a estatueta do maior prêmio da noite. </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-silencio-dos-inocentes-30-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">O</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Silêncio dos Inocentes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> conseguiu o duplo feito se baseando na obra homônima de Thomas Harris. O livro de 1988 é o segundo na trilogia protagonizada por Lecter e responsável por introduzir a ávida Clarice Starling, uma das melhores alunas da turma do </span><i><span style="font-weight: 400;">FBI</span></i><span style="font-weight: 400;">. Explorando o processo de investigação e suas burocracias, a leitura fluida é um auxílio para entender toda glorificação da obra. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente de seu antecessor, </span><a href="http://livrosemserie.com.br/2012/08/22/resenha-dragao-vermelho-de-thomas-harris/"><i><span style="font-weight: 400;">Dragão Vermelho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a obra foca menos na mentalidade doentia de seu assassino e mais na sádica perspicácia de Hannibal e em sua relação com Clarice. Ela, por sua vez, é peça chave para os momentos de maior deleite de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Silêncio dos Inocentes</span></i><span style="font-weight: 400;">. A construção da personagem abarca o machismo e o sexismo da área pericial e toda força de Starling no desafio de se encontrar com Lecter, mesmo que para isso precise passar pelos imundos corredores da cadeia, causando as cenas de maior desconforto no leitor. A maior responsabilidade de Harris nessa publicação foi esclarecer que Buffalo Bill não é um personagem transsexual, livrando o produto de um beco de problemáticas, principalmente pela época na qual foi escrita. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_27207" aria-describedby="caption-attachment-27207" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27207 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Coração tão branco, de Javier Marías. Na imagem, há na parte inferior esquerda o desenho de um sutiã de cor branca, em um fundo de cor roxa. No lado direito, há, em um fundo de cor laranja, os escritos Coração tão branco, em fonte de cor branca. Abaixo desse título está o logo da editora Companhia das Letras, em fonte de cor preta. Na parte superior está escrito Javier Marías, em fonte de cor roxa em um fundo de cor rosa. " width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-768x1105.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-1067x1536.jpg 1067w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-1423x2048.jpg 1423w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1-1200x1727.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/javier-1.jpg 1476w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27207" class="wp-caption-text">Com tradução de Eduardo Brandão, Corazón tan blanco é uma das obras fundamentais na carreira do espanhol Javier Marías (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Javier Marías &#8211; Coração tão branco (272 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sequência de eventos que compõem nossas vidas e se sucedem ao longo dos dias parece ser uma causalidade esquisita. Essa é uma das obsessões de </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/06/eps/1504730535_504329.html"><span style="font-weight: 400;">Javier Marías</span></a><span style="font-weight: 400;">, que de alguma forma suspeita não existirem causalidades, pois tudo depende de nossa forma arbitrária de recortar o presente e transformá-lo em alguma mensagem oculta. Em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=80083"><i><span style="font-weight: 400;">Coração tão branco</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1992), o escritor espanhol traça uma história através do fluxo da consciência de seu protagonista, Juan, um tradutor e intérprete que, desde o dia de seu casamento, começa a sentir </span><i><span style="font-weight: 400;">“pressentimentos de desastre”</span></i><span style="font-weight: 400;"> – sem ter conhecimento que essa sensação é um tipo infortúnio de herança –, agravados durante a viagem de núpcias com Luisa, em Havana. Até então, ele ainda não sabia que sua tia, Teresa, havia se suicidado assim que regressou de sua própria lua de mel (o suicídio é, literalmente, a abertura do romance).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que chama atenção na obra é a maneira a qual Marías reproduz as incertezas dos segredos, os mesmos que, apesar de longínquos, guardam reações explosivas quando revelados. Cada personagem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração tão branco</span></i><span style="font-weight: 400;"> reage de forma diferente às confissões descobertas, e o mote das histórias fica evidente desde o início: o título é uma referência a </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-tragedia-de-macbeth-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Macbeth</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Shakespeare, e é proferido na obra clássica quando Lady Macbeth apunhala o já morto rei Duncan – para dividir o peso do assassinato –, mas se envergonha por agora possuir um “</span><i><span style="font-weight: 400;">coração tão branco</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A forma envolvente que Javier Marías desenvolve a história vale todo o esforço de leitura; ao terminar o livro, é muito difícil esquecer todas as revelações que nos foram confiadas. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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