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	<title>Arquivos Quadrinhos na Cia &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Dezembro de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2023 21:57:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“O amor é teatral, intui Scherezade, que, à mercê do Califa, jamais se apaixonou. O espectáculo amoroso, como o concebe agora, junto ao leito do Califa, requer ilusão, artifício, máscaras coladas aos rostos dos amantes enquanto copulam.” Fechando as cortinas de 2022 com uma trajetória de leituras diversas e debates entusiasmados, o Clube do Livro &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-dezembro-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Dezembro de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29669" aria-describedby="caption-attachment-29669" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-29669 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/estantewp.jpg" alt="Arte retangular de cor marrom. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris na cor marrom. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “Vozes do Deserto”, de Nélida Piñon, ao lado de 9 lombadas brancas. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘dezembro de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/estantewp.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/estantewp-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/estantewp-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29669" class="wp-caption-text">Concluindo 2022, o Clube do Livro do Persona homenageia Nélida Piñon,uma das maiores escritoras do Brasil e a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira das Letras (Foto: Companhia das Letras/Arte: Nathalia Mendes/Texto de abertura: Vitória Gomez)</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">O amor é teatral, intui Scherezade, que, à mercê do Califa, jamais se apaixonou. O espectáculo amoroso, como o concebe agora, junto ao leito do Califa, requer ilusão, artifício, máscaras coladas aos rostos dos amantes enquanto copulam.</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Fechando as cortinas de 2022 com uma trajetória de leituras diversas e debates entusiasmados, o </span><b>Clube do Livro do Persona</b><span style="font-weight: 400;"> encerrou o ano homenageando o legado de Nélida Piñon. A autora carioca publicou mais de 20 livros e foi a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras (ABL). Nélida faleceu em 17 de dezembro, em Lisboa, aos 85 anos, durante uma cirurgia de risco; seu corpo foi enviado ao Brasil para o </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/livros/noticia/2022/12/corpo-da-escritora-nelida-pinon-e-sepultado-no-rio-de-janeiro-clc9g0z4c002m01cmeyxkijb1.html"><span style="font-weight: 400;">sepultamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Mausoléu da Academia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A maior escritora viva do país</span></i><span style="font-weight: 400;">”, como </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/12/17/nelida-pinon-era-a-maior-escritora-viva-do-brasil-diz-presidente-da-abl.ghtml"><span style="font-weight: 400;">afirmou</span></a><span style="font-weight: 400;"> Merval Pereira, presidente da ABL, Nélida Piñon foi pioneira na Academia, mas também no cenário literário nacional. A escritora se formou em Jornalismo, mas seguiu o caminho da Literatura: publicou </span><i><span style="font-weight: 400;">Guia-mapa de Gabriel Arcanjo</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu primeiro romance, em 1961, estreando uma trajetória próspera na ficção. Depois, a </span><a href="https://odia.ig.com.br/opiniao/2023/01/6552432-nelida-pinon-uma-mulher-uma-obra-um-tempo.html"><span style="font-weight: 400;">autora</span></a><span style="font-weight: 400;"> ampliaria ainda mais seus horizontes, explorando contos, ensaios, crônicas e livros de memórias, que, entre diferentes formatos, sempre perpassa por sua visão política e humanista do mundo, características que marcaram a carreira e as obras da carioca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Guia-mapa de Gabriel Arcanjo</span></i><span style="font-weight: 400;">, Mariella, a protagonista, e o arcanjo Gabriel são colocados frente a frente para discutir a relação do homem com Deus, pecados e a existência de acordo com os dogmas católicos. O primeiro lançamento de </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/12/17/morre-nelida-pinon.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Piñon</span></a><span style="font-weight: 400;"> já indicava para o que viria a oferecer: o caráter questionador se fez presente no restante da bibliografia da carioca, colocando personagens femininas no posto das indagadoras. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Casa da Paixão</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1972, confirmou a tendência transgressora de Nélida para a época. </span><a href="https://blariss.medium.com/a-casa-da-paix%C3%A3o-e-o-empoderamento-da-mulher-frente-ao-patriarcado-3840c4400436"><span style="font-weight: 400;">Na obra</span></a><span style="font-weight: 400;">, Marta reflete acerca de suas vivências com o pai abusivo e a ama submissa, em um romance marcante pela forma como trata a sexualidade feminina. Aqui, a autora prova a busca pela renovação de sua própria <a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/">linguagem</a>, que persistiria no restante de sua carreira e tornou sua Literatura tão distinta e atual. O livro, considerado um dos melhores de Nélida Piñon, venceu o Prêmio Mário de Andrade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adiante, o romance </span><a href="https://www.amazon.com.br/Tebas-meu-cora%C3%A7%C3%A3o-N%C3%A9lida-Pi%C3%B1on/dp/6555875658/ref=d_pd_sbs_sccl_1_2/141-8632924-8900261?pd_rd_w=L8mZk&amp;content-id=amzn1.sym.f14d3066-f640-490b-be63-642232e30730&amp;pf_rd_p=f14d3066-f640-490b-be63-642232e30730&amp;pf_rd_r=JB3JCZ6CDGS4C1NBDME9&amp;pd_rd_wg=zZB5E&amp;pd_rd_r=8c16dd5b-86fb-4a92-a5da-516b00913bc5&amp;pd_rd_i=6555875658&amp;psc=1"><i><span style="font-weight: 400;">Tebas do meu coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1974, coloca personagens diversos em uma cidade do interior para construir uma crítica à rica e nada homogênea sociedade brasileira. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A república dos sonhos</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1984, </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/12/17/fotos-escritora-nelida-pinon-morreu-aos-85-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Nélida</span></a><span style="font-weight: 400;"> novamente examina a composição social do país e seus processos de formação, agora sob a lente de imigrantes galegos chegando aos portos do Rio de Janeiro, como sua própria família uma vez fez. Nas obras, além de se aprofundar nas <a href="https://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/">contradições de seus personagens</a>, a escritora questiona o panorama social dos respectivos momentos, inclusive com duras críticas à repressão e à ditadura. Por </span><i><span style="font-weight: 400;">A república</span></i><span style="font-weight: 400;">, a brasileira venceu os prêmios de Melhor Livro do Ano de 1985 da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e do Ficção PEN Clube.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelo conjunto de sua obra, traduzidas para mais de 30 países, Nélida Piñon ganhou o Prêmio Golfinho de Ouro do Governo do Estado do Rio de Janeiro e do Conselho Estadual de Cultura, em 1990, e o Prêmio Bienal Nestlé na Categoria Romance, em 1991. Por </span><i><span style="font-weight: 400;">Vozes do deserto</span></i><span style="font-weight: 400;">, romance sobre a </span><a href="https://www.revistabula.com/58193-a-cadeira-de-nelida-pinon/"><span style="font-weight: 400;">postura transgressora</span></a><span style="font-weight: 400;"> que uma mulher pode ocupar no sistema patriarcal em que vive, a autora recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Romance e na de Melhor livro do ano na categoria geral, em 2005.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somando a sua carreira arrebatadora, Piñon assumiu a cadeira 30 na Academia Brasileira de Letras em 1986, sendo a primeira mulher a conquistar tal feito no Brasil e no mundo, segundo a </span><a href="https://www.academia.org.br/noticias/academica-nelida-pinon-sera-sepultada-no-mausoleu-da-abl"><span style="font-weight: 400;">ABL</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela sucedeu o crítico literário e ensaísta Aurélio Buarque de Holanda. Agora, a cadeira que marcou a história de Nélida e da Literatura brasileira entrará em disputa a partir de Março &#8211; esperançosamente, passando para uma </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/heloisa-buarque-de-hollanda-e-favorita-para-substituir-nelida-pinon-na-academia-brasileira-de-letras,576e075d2285f882cdd6a6b442166b4061z3s2n5.html"><span style="font-weight: 400;">mulher</span></a><span style="font-weight: 400;"> igualmente de referência no cenário literário e cultural nacional. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Concluindo 2022 com um leque diverso de obras literárias discutidas, a Editoria relembra suas referências. Agora, você confere as leituras de final de ano indicadas no</span><b> Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-29643"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<hr />
<figure id="attachment_29656" aria-describedby="caption-attachment-29656" style="width: 667px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-29656 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-667x1024.jpg" alt="" width="667" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-667x1024.jpg 667w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-521x800.jpg 521w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-768x1179.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-1000x1536.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-1334x2048.jpg 1334w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-1200x1843.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1.jpg 1617w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29656" class="wp-caption-text">Vozes do Deserto é considerado peça chave na Literatura de Nélida Piñon (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Nélida Piñon &#8211; Vozes do Deserto (400 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 2004 e vencedor do prêmio Jabuti de 2005 nas categorias de Melhor Romance e Livro do Ano, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Vozes-do-deserto-N%C3%A9lida-Pi%C3%B1on/dp/6555872977/ref=asc_df_6555872977/?tag=googleshopp00-20&amp;linkCode=df0&amp;hvadid=379726091008&amp;hvpos=&amp;hvnetw=g&amp;hvrand=13271059152579916061&amp;hvpone=&amp;hvptwo=&amp;hvqmt=&amp;hvdev=c&amp;hvdvcmdl=&amp;hvlocint=&amp;hvlocphy=1001725&amp;hvtargid=pla-1521435263197&amp;psc=1"><i><span style="font-weight: 400;">Vozes do Deserto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Nélida Piñon, retoma, como um mito, uma das mais célebres histórias da Literatura: </span><i><span style="font-weight: 400;">As mil e uma noites</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para salvar as futuras jovens das garras do poderoso Califa – que, inconformado pela traição da antiga esposa, casa-se todos os dias com uma jovem do reino para matá-la após a noite de núpcias –, Sherazade decide se casar com esse ser “desprezível”, prendendo-o através de suas histórias, determinada que o fim de sua imaginação e liberdade jamais seriam controladas por alguém.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma interessante, o romance mostra o domínio narrativo de Piñon ao evocar o cuidado na escolha das palavras, em que apodera-se da história original apenas como pretexto para narrar a situação da mulher no mundo contemporâneo. Dessa maneira, através da protagonista feminina mais famosa da Literatura universal, a intenção é elucidar e propulsionar seu protagonismo, bem como a importância do papel da fantasia na vida humana, criando uma linda metáfora sobre a </span><a href="https://personaunesp.com.br/redescobrir-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">resistência</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_29653" aria-describedby="caption-attachment-29653" style="width: 714px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-29653 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1-714x1024.png" alt="Capa do livro Retalhos. Na imagem estão as ilustrações de Craig Thompson e Raina. Ele é um garoto branco de cabelos pretos lisos, está vestindo um casaco longo cinza, calças roxas e tênis preto. Ela é uma garota branca de cabelos loiros, está vestindo um casaco azul marinho, calças marrom e tênis preto e branco. Os dois estão de frente um para o outro. Ao fundo, há uma colcha de retalhos laranja. A parte superior da capa abriga o nome do autor e do livro." width="714" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1-714x1024.png 714w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1-558x800.png 558w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1-768x1101.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1.png 800w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29653" class="wp-caption-text">Retalhos acumula três prêmios Harvey e foi a vencedora do prêmio da crítica da Associação Francesa de Críticos e Jornalistas de Quadrinhos em 2005 (Foto: Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><b>Craig Thompson &#8211; Retalhos (592 páginas, Quadrinhos na Cia) </b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Retalhos</span></i><span style="font-weight: 400;"> – traduzida no Brasil por </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=02664"><span style="font-weight: 400;">Érico Assis</span></a><span style="font-weight: 400;"> – é a autobiografia do autor e ilustrador Craig Thompson. Na história, o leitor embarca em uma viagem pelas partes mais íntimas e singulares do protagonista de maneira sensível e avassaladora. Entre os traços em preto e branco, a vivência do personagem em Wisconsin, nos Estados Unidos, é explorada a partir das relações que o marcaram ao longo da vida. As peças se desmontam na criação rígida e na opressão familiar, no afastamento com o irmão, na convivência dentro da escola, na religião e até em um relacionamento amoroso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É no primeiro amor que as cenas se tornam um pouco mais doces, com Raina – a garota que poderia ser um antônimo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UlISIohRwaE"><span style="font-weight: 400;">Thompson</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, o personagem se permite ousar e se desamarrar de certos nós. O relato é um misto doloroso de como a existência pode ser cruel e ao mesmo tempo deixar tantos aprendizados. Ao fim, todos os retalhos – sejam rasgados ou imaculados – formam o que há de mais singular no mundo: o próprio ser. &#8211;</span><b> Jamily Rigonatto</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_29657" aria-describedby="caption-attachment-29657" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29657 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-728x1024.jpg" alt="Capa do livro até os ossos." width="728" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-728x1024.jpg 728w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-568x800.jpg 568w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-768x1081.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-1091x1536.jpg 1091w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1.jpg 1819w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29657" class="wp-caption-text">Bones &amp; All venceu o Alex Award de 2016, prêmio que reconhece produções literárias para jovens adultos (Foto: Suma)</figcaption></figure>
<p><b>Camille DeAngelis &#8211; Até os ossos (296 páginas, Suma) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Maren quer ser uma adolescente normal com um vida igualmente comum, mas não consegue desviar de seus instintos canibais. Quando é abandonada pela mãe e decide rumar ao norte do país para, sozinha, encontrar o pai, conhece Lee, um jovem com quem divide semelhanças. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pjMt1MIk2EA"><i><span style="font-weight: 400;">Até os ossos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, publicado em 2015 e que rendeu uma adaptação cinematográfica homônima dirigida por Luca Guadagnino, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/sally-rooney-pessoas-normais-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">coming of age</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> canibal de Camille DeAngelis mergulha nas camadas mais profundas da mente de Maren e vai além do horror para pincelar os anseios mais genéricos e universais de jovens adultos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Anseios esses que nada têm a ver com o canibalismo. Apesar do fator efetivamente mover a narrativa, levando Maren e Lee </span><a href="https://personaunesp.com.br/na-natureza-selvagem-15-anos/"><span style="font-weight: 400;">de uma ponta a outra</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos Estados Unidos e chamar a atenção para a produção como um todo (ambas a literária e a cinematográfica), os peculiares hábitos alimentares dos dois servem mais como um subtexto. Juntos, o casal desvenda a solidão, amor e </span><a href="https://personaunesp.com.br/it-a-coisa-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">amizade</span></a><span style="font-weight: 400;">, avalia o futuro e a ética versus necessidade do que fazem, enquanto embarcam em uma aventura na caminhonete de Lee. Para eles, há futuro que não seja fugindo de cidade em cidade ou estão condenados a sobrevivência por se renderem aos seus instintos? Como qualquer jovem adulto, </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788556511683/ate-os-ossos"><i><span style="font-weight: 400;">Até os ossos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> continua, sem chegar a uma resposta definitiva. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<p><figure id="attachment_29661" aria-describedby="caption-attachment-29661" style="width: 379px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29661 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/a-morte-e-um-dia-1-1.jpg" alt="[A imagem é a capa do livro A morte é um dia que vale a pena viver. O fundo da capa é branco, e no topo está escrito em preto o nome da autora Ana Claudia Quintana Arantes. Abaixo há a ilustração de galhos floridos, os galhos são marrons e as flores tem tons avermelhados e rosados. Mais abaixo há o título do livro escrito em rosa. E por fim, em letra preta, menor e mais discreta que o título, há a frase “E um excelente motivo para se buscar um novo olhar para a vida" width="379" height="569" /><figcaption id="caption-attachment-29661" class="wp-caption-text">Em sua estreia no universo literário, Ana Claudia Quintana Arantes entrega uma obra reflexiva e difícil de engolir (Foto: Sextante)</figcaption></figure><b>Ana Claudia Quintana Arantes &#8211; A morte é um dia que vale a pena viver (192 páginas, Sextante)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A morte é um dia que vale a pena viver</span></i><span style="font-weight: 400;">, quem narra a história é uma médica especializada em </span><a href="https://www.casadocuidar.org.br/cuidados-paliativos/?gclid=Cj0KCQiAt66eBhCnARIsAKf3ZNEYG0XuQe-A-cUDnc58zYwa7qWt5s7SPUM3lMLm0oK3FitHMbQ1r0EaApaKEALw_wcB"><span style="font-weight: 400;">cuidados paliativos</span></a><span style="font-weight: 400;">: Ana Claudia Quintana Arantes traz parte de sua jornada profissional em busca de uma reflexão sobre a morte e o medo que a cerca. Em uma sociedade que vê o óbito como fim absoluto, a profissional explicita as dificuldades que sofreu até se encontrar em sua individualidade &#8211; lidar com o falecimento nunca foi algo fácil, mas, na profissão escolhida, que outra opção ela tinha?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aprender a enxergar a vida &#8211; ou a sua antítese &#8211; com outros olhos foi o caminho que Ana preferiu seguir. Contando suas vivências pessoais e profissionais, a doutora mostra o quão importante é a valorização da morte, o direito do indivíduo de partir com dignidade e a minimização do sofrimento de quem vai e de quem fica com a dor da despedida. A forma com que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ep354ZXKBEs"><span style="font-weight: 400;">Ana</span></a><span style="font-weight: 400;"> trata do assunto, ainda considerado um tabu, é admirável &#8211; compartilhando casos de alguns pacientes, o objetivo principal é concluído: causar ponderação sobre o que ainda aflige grande parte da população e a busca pelo propósito de vida de cada um. Tomara que, quando acabar de ler, veja o fim de seu ciclo na Terra de uma forma diferente. </span><b>&#8211; Amábile Zioli</b></p>
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<figure id="attachment_29660" aria-describedby="caption-attachment-29660" style="width: 606px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29660" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Os-Bons-Companheiros-1-1.jpg" alt="Capa do livro Os Bons Companheiros. Nela temos uma divisão de vermelho e branco, sendo vermelho a parte superior e branco a inferior. Na parte superior, há a dianteira de um Opala desenhado na cor branca, com os detalhes da dianteira em preto. Em cada extremidade do carro, há uma linha pontilhada preta. Acima do carro, um card azul claro com alguns desenhos na borda e no seu interior está escrito “Nicholas Pileggi”. Abaixo dele, os dizeres “MADE IN D.A.R.K”. Passa pelo card, como se fosse uma borda do livro, uma linha dourada. Na parte inferior, vemos uma pá desenhada na cor preta e logo abaixo dela o título “GoodFellas” e abaixo dele em letras menores, a tradução “OS BONS COMPANHEIROS”. Na parte inferior da capa, lemos “DARKSIDE” sublinhado" width="606" height="867" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Os-Bons-Companheiros-1-1.jpg 606w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Os-Bons-Companheiros-1-1-559x800.jpg 559w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29660" class="wp-caption-text">Martin Scorsese, diretor da premiada adaptação, considera a obra um clássico moderno de True Crime (Foto: Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Nicholas Pileggi &#8211; Os Bons Companheiros (271 páginas, Darkside)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amplamente conhecido </span><a href="https://darkside.blog.br/os-bons-companheiros-por-dentro-da-mente-de-martin-scorsese/"><span style="font-weight: 400;">nas telas</span></a><span style="font-weight: 400;">, a versão literária de </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Bons Companheiros </span></i><span style="font-weight: 400;">também nasceu um clássico. Nela, acompanhamos a história de Henry Hill, um jovem garoto americano com descendência italiana e irlandesa que começa a fazer parte do dia a dia de uma máfia de seu bairro. Após 3 décadas convivendo com a família Lucchese, uma das cinco famílias que comandavam Nova York no século passado, Hill é preso por tráfico e entra no Programa Federal de Proteção à Testemunha, onde decide contar sua vivência para o jornalista Nicholas Pileggi, conhecido pelo seu trabalho cobrindo o mundo do crime organizado e da máfia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra é um retrato extremamente fiel das máfias que dominaram os Estados Unidos no século XX. Além de abdicar de todo o glamour característico desses grupos, a narrativa é contada pelo ponto de vista de alguém vindo de fora, que aos poucos subiu nos negócios da família e conhece todos seus meandros e corrupções. Extremamente brutal e visceral, o livro passeia pela violência, loucura, golpes, roubos e relações familiares de maneira fascinante e instigante, quase que nos inserindo e nos tornando parte da </span><a href="https://www.estilogangster.com.br/familia-lucchese-desde-sempre-uma-das-familias-mais-influentes-da-cosa-nostra/#:~:text=A%20fam%C3%ADlia%20foi%20fundada%20em,recepta%C3%A7%C3%A3o%20e%20assassinato%20de%20aluguel."><span style="font-weight: 400;">família Lucchese</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211;</b> <b>Guilherme Veiga</b></p>
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<p><figure id="attachment_29663" aria-describedby="caption-attachment-29663" style="width: 328px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29663 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Orgulho-e-Preconceito-1-1.jpg" alt="[Capa do livro Orgulho e Preconceito. Ao centro da imagem é possível ver o título do livro em preto; ao seu redor há uma moldura antiga, dourada e oval. No canto inferior direito há a figura de um homem em preto e branco, com o rosto coberto por uma rosa cor de rosa; no canto superior esquerdo há a figura de uma mulher em preto e branco, com o rosto coberto por uma rosa branca. No canto superior direito há um pedaço de um castelo antigo, com uma caligrafia também antiga por cima. No meio superior está o nome da autora em preto, e no inferior o nome da editora em amarelo escuro. O fundo da capa é azul, mas é possível ver ilustrações que imitam colagens em branco, bege, preto, rosa e dourado." width="328" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-29663" class="wp-caption-text">Orgulho e Preconceito retrata dois corações que superam obstáculos criados por eles mesmos (Foto: Martin Claret)</figcaption></figure><b>Jane Austen &#8211;  Orgulho e Preconceito (421 páginas, Martin Claret)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um clássico da literatura inglesa e o favorito de muitos &#8211; não por acaso, o livro, apesar de escrito no século XIX, é bastante visionário em algumas de suas pautas. A história foca principalmente em Elizabeth Bennet, uma das muitas filhas de uma família pobre, que sofre pressão da sociedade por já ter passado da idade casadoura. Lizzie é um exemplo e uma heroína para as mulheres e meninas da época porque em nenhum momento se obriga a acatar as regras patriarcais se submetendo a um homem e casando contra a sua vontade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mulher encontra seu interesse romântico ao longo da história: Senhor Darcy, um homem muito rico que também se interessa por ela. Os dois passam pelos seus próprios desafios pessoais para lidarem com seus sentimentos. Lizzie precisa passar por cima de seu orgulho para aceitar se relacionar e Darcy, superar seu preconceito para se juntar a uma companheira que vem de uma família pobre. Eles são diferentes, mas ao mesmo tempo similares e se complementam. </span><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i><span style="font-weight: 400;"> vai muito além de uma história de amor, é a narrativa de dois personagens que se esforçaram para sair de suas zonas de conforto e crescer como pessoas sem abandonar seus ideais. &#8211; </span><b>Gabrielli Natividade</b></p>
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<figure id="attachment_29662" aria-describedby="caption-attachment-29662" style="width: 585px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29662" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/A-Droga-da-Obediencia-1-1.jpg" alt="Capa do livro A Droga da Obediência. Na arte, o plano de fundo é laranja para que as informações se destaquem o máximo possível. Na parte superior, o nome do autor Pedro Bandeira está escrito em letras garrafais na cor azul clara. No centro, o nome da série de lançamentos juvenis Os Karas também está escrita em letras garrafais, mas em cores pretas sobre um vetor branco. Na parte inferior, o nome do livro A Droga da Obediência está escrito na cor laranja, mas contornado de modo a se diferenciar do fundo. Por último, está posicionado o nome e o logo colorido da editora Moderna." width="585" height="853" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/A-Droga-da-Obediencia-1-1.jpg 585w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/A-Droga-da-Obediencia-1-1-549x800.jpg 549w" sizes="auto, (max-width: 585px) 85vw, 585px" /><figcaption id="caption-attachment-29662" class="wp-caption-text">Pedro Bandeira é o autor de literatura juvenil mais vendido da história do Brasil (Foto: Moderna)</figcaption></figure>
<p><b>Pedro Bandeira &#8211; A Droga da Obediência (192 páginas, Moderna)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem livros que são eternamente marcados pela presença praticamente obrigatória na grade escolar e, na maioria das vezes, o que é uma tentativa de introduzir a </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/euestudante/educacao-basica/2021/01/4903079-apos-polemica-de-felipe-neto-como-abordar-literatura-classica-na-escola.html"><span style="font-weight: 400;">literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> no cotidiano dos </span><a href="https://www.uai.com.br/app/noticia/e-mais/2014/09/22/noticia-e-mais,159551/entrevista-com-pedro-bandeira-jovens-me-provam-que-e-gostoso-viver.shtml"><span style="font-weight: 400;">jovens estudantes</span></a><span style="font-weight: 400;">, acaba se transformando na experiência nada agradável de se esforçar somente em busca de um boletim mediano. Contrariando o senso comum, </span><a href="https://www.uai.com.br/app/noticia/e-mais/2014/09/16/noticia-e-mais,159357/pedro-bandeira-comemora-30-anos-de-a-droga-da-obediencia.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">A Droga da Obediência</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Pedro Bandeira é aquela narrativa que encanta de primeira e te faz acreditar que todas as outras podem ser tão divertidamente viciosas como ela. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 1984, o livro </span><i><span style="font-weight: 400;">A Droga da Obediência</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue os protagonistas na aventura de impedir o Doutor Q.I, vilão que deseja dominar o mundo com uma droga que causa a obediência. Miguel, Calú, Crânio, Chumbinho e Magri compõem o grupo que é “</span><i><span style="font-weight: 400;">o avesso dos coroas, o contrário dos caretas</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Rebelde com o papel e o lápis na mão, </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/literatura/pedro-bandeira-faz-80-anos-veja-5-livros-do-escritor-para-matar-a-saudade-da-infancia/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Bandeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> criou um clássico em meio as seis obras que fazem parte da coletânea investigativa </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2014/08/28/herois-da-literatura-jovem-os-karas-crescem-e-encaretam-em-novo-livro.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Os Karas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_29664" aria-describedby="caption-attachment-29664" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29664 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Rainhas da noite, do autor Chico Felitti. A capa mostra a foto de uma mulher branca, sentada no banco de trás de um carro, usando uma blusa vermelha. Em fonte branca, lê-se Rainhas da noite: As travestis que tinham São Paulo a seus pés e Chico Felitti. Ao lado, está o logo da editora Companhia das Letras." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29664" class="wp-caption-text">Jacqueline Welch, Andréa de Mayo e Cristiane Jordan protagonizam a obra de Chico Felitti (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Chico Felitti &#8211; Rainhas da noite (256 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se dedicou à confecção de </span><a href="https://blog.estantevirtual.com.br/2020/04/13/resenha-livro-ricardo-e-vania/"><i><span style="font-weight: 400;">Ricardo e Vânia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Chico Felitti mergulhou no mundo </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">da São Paulo de décadas atrás. A maturidade e o extenso material na manga fazem com que </span><i><span style="font-weight: 400;">Rainhas da noite</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegue aliado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">pedigree </span></i><span style="font-weight: 400;">do dono do </span><a href="https://open.spotify.com/show/0xyzsMcSzudBIen2Ki2dqV"><i><span style="font-weight: 400;">podcast </span></i><span style="font-weight: 400;">mais badalado</span></a><span style="font-weight: 400;"> do ano passado (também interessado em cavucar as minúcias de uma cidade em ebulição e seus residentes). As protagonistas da vez são três mulheres de pose e poder: acompanhando as jornadas e o amadurecimento de Jacqueline, Andréa e Cristiane, o leitor embarca nas sensações de um mundo passado, mas em demasia presente no cotidiano do Brasil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amplificando a voz de </span><a href="https://elastica.abril.com.br/expressao/livro-rainhas-da-noite-travestis-chico-felitti/"><span style="font-weight: 400;">mulheres trans e travestis</span></a><span style="font-weight: 400;">, pioneiras e verdadeiras ícones da comunidade LGBTQIA+, o livro investiga, suscita questões e problematiza o ecossistema da prostituição e dos jogos de poder da cidade que insiste em nunca dormir e virar o rosto para a parcela mais marginalizada de sua sociedade. Emocionante, elucidativo, grandioso, complexo e humano, o livro de Felitti, que </span><a href="https://gay.blog.br/anais-da-historia/entrevista-chico-felitti-fala-sobre-seu-novo-audiobook-rainhas-da-noite/"><span style="font-weight: 400;">nasceu como</span><i><span style="font-weight: 400;"> audiobook</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">na voz de Renata Carvalho, ressuscita os sonhos e os amores dessas e de tantas outras figuras, apagadas à força, mas que, em trabalhos de memória e amor como este, aos poucos retornam aos lugares de direito. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_29655" aria-describedby="caption-attachment-29655" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29655 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Dia Um." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29655" class="wp-caption-text">Recebido pelo Persona na parceria com a editora Companhia das Letras, Dia Um é o primeiro romance do poeta Thiago Camelo (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Thiago Camelo &#8211; Dia Um (208 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Ele de costas, a porta batendo – essa é a última imagem que você tem de seu irmão”</span></i><span style="font-weight: 400;">, escreve </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/01/thiago-camelo-recusa-pecha-de-autoficcao-em-novo-livro-sobre-suicidio-do-seu-irmao.shtml"><span style="font-weight: 400;">Thiago Camelo</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas primeiras páginas de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211067/dia-um"><i><span style="font-weight: 400;">Dia Um</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No livro, narrado em segunda pessoa, “você” é parte fundamental da história. Entender os motivos que levaram o irmão mais velho do protagonista a pular de um apart-hotel em Copacabana, desvendar as memórias e a tentativa de superação são essenciais neste que é o primeiro romance de Camelo. Com força e linguagem fascinantes – em parte porque o autor é também poeta –, a obra mantém o impacto da primeira à última passagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mecanismo de utilizar a voz em segunda pessoa aponta para dois caminhos: 1) rememorar e entender o que levou o irmão a se suicidar, voltando ao passado; 2) desmembrar a vida fraturada daqueles que permanecerem. “Você”, levado pelo narrador a uma viagem no tempo, é a única pessoa presente em ambos os cenários. Porém, o narrador é também um indivíduo em </span><a href="https://personaunesp.com.br/elena-critica/"><span style="font-weight: 400;">depressão</span></a><span style="font-weight: 400;">, e os relatos pouco confiáveis – como se pode sempre esperar na ficção – aludem a sua própria condição, agravada na morte do parente próximo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As “memórias ficcionais” dessas páginas em muitos aspectos lembram as narradas em </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Erguei bem alto a viga, carpinteiros &amp; Seymour: Uma Introdução</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-apanhador-no-campo-de-centeio-70-anos/"><span style="font-weight: 400;">J.D. Salinger</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que acompanhamos Buddy Glass tentando desvendar o sucídio do irmão genial, Seymour. A grande ponte entre essas obras, porém, é que ambos constroem uma narrativa na qual o protagonista parte em uma busca errática desde sua origem, tentando dar voz a uma consciência alheia. Dessa forma, o pulo do irmão mais velho é contrastado pela inflexão do irmão mais novo, que relembra a vida solar e os momentos gloriosos que compartilharam, nos fazendo contemplar aqueles segundos eternos por páginas a fio. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Dia Um</span></i><span style="font-weight: 400;">, há uma viagem pelo luto e pela depressão, narrados com delicadeza e paixão, na qual tudo se transforma em metáfora. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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		<title>Em Estado elétrico, Simon Stålenhag ilustra um apocalipse contemporâneo</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Nov 2022 03:57:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade Somos rostos em meio à multidão, mas dificilmente pensamos naquilo que torna a multidão real. Sistemas de armas termonucleares coexistem com comerciais de refrigerante em um ambiente dominado pela publicidade, no qual é possível enxergar apenas pequenas frações de uma realidade mais ampla, dominada pelo inalcançável. Na tentativa de reunir o maior número &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estado-eletrico-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Estado elétrico, Simon Stålenhag ilustra um apocalipse contemporâneo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29265" aria-describedby="caption-attachment-29265" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29265" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1.png" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29265" class="wp-caption-text">Estado elétrico, graphic novel de Simon Stålenhag, está em <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2022/11/amp/5049780-netflix-interrompe-gravacoes-de-filme-apos-morte-de-membro-da-equipe.html">adaptação para os cinemas</a> pela Netflix (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia/Arte: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somos rostos em meio à multidão, mas dificilmente pensamos naquilo que torna a multidão real. Sistemas de armas termonucleares coexistem com comerciais de refrigerante em um ambiente dominado pela publicidade, no qual é possível enxergar apenas pequenas frações de uma realidade mais ampla, dominada pelo inalcançável. Na tentativa de reunir o maior número de consumidores sob as armas da especulação, da alienação e de tudo que o dinheiro pode comprar, os donos do poder tecnológico resumem a grande trama neoliberal da contemporaneidade: tentar concentrar o máximo de atenção e especulação às empresas, às redes sociais e aos produtos. É sob esse contexto que </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212439/estado-eletrico">Estado elétrico</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2017), de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.estadao.com.br/alias/entenda-como-simon-stalenhag-inova-a-ficcao-cientifica/">Simon Stålenhag</a></span><span style="font-weight: 400;"> – lançado no Brasil em Maio deste ano pelo selo </span><span style="font-weight: 400;"><i>Quadrinhos na Cia</i></span><span style="font-weight: 400;"> da </span><span style="font-weight: 400;"><i>Companhia das Letras</i></span><span style="font-weight: 400;">, sob tradução de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-daniel-galera/">Daniel Galera</a></span><span style="font-weight: 400;"> – ganha novos e assustadores contornos.</span></p>
<p><span id="more-29263"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos livros recebidos pelo </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> na parceria com a editora, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico </i></span><span style="font-weight: 400;">traz uma trama que se inicia em 1997, quando a </span><span style="font-weight: 400;"><i>Mode 6</i></span><span style="font-weight: 400;">, óculos de realidade virtual da empresa ficcional </span><span style="font-weight: 400;"><i>Sentre</i></span><span style="font-weight: 400;">, já somava 1 ano de inauguração. De forma nostálgica, Stålenhag tenta retomar o que, para muitos, foi o fim de uma era. Na Música do final dos anos 1990, o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-jam-ten-30-anos/">movimento </a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-jam-ten-30-anos/"><i>grunge</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> já parecia alertar para um início tecnológico cada vez mais opressivo – essa foi uma das cruzadas de Kurt Cobain, que tinha consciência de estar em uma batalha perdida desde o início, visto que as gravadoras transformaram suas falas anti-sistema em </span><span style="font-weight: 400;"><i>slogans</i></span><span style="font-weight: 400;"> para vender mais discos do Nirvana.</span></p>
<figure id="attachment_29266" aria-describedby="caption-attachment-29266" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29266" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4.jpg" alt="" width="2048" height="2048" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-1536x1536.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-1200x1200.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29266" class="wp-caption-text">“Você tem dificuldade de aceitar que tudo aquilo que você é – todos os seus pensamentos, experiências, conhecimentos, gostos e opiniões – precisa existir dentro do seu crânio” (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos Estados Unidos </span><span style="font-weight: 400;">retratado pelo artista de origem sueca – que poderia ser apenas uma das realidades alternativas de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/2020-nunca-mais-critica/">Black Mirror</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> –, as montanhas e paisagens naturais são descontinuadas por naves alienígenas, robôs disformes e indivíduos semi-conscientes, visivelmente controlados por uma força superior que se esconde por trás dos óculos de realidade virtual, tudo isso composto dentro de um ambiente tecnocrático, retro-futurista e melancólico. Em certas imagens, o sentimento de claustrofobia parece dominar – por todos os cantos das ilustrações, não parece existir alternativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado ao Prêmio Arthur C. Clarke em 2019, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico </i></span><span style="font-weight: 400;">(ou </span><span style="font-weight: 400;"><i>Passagen</i></span><span style="font-weight: 400;">, no original da língua sueca) fica no limiar entre o livro ilustrado e o romance gráfico, com grandes painéis que nem sempre vêm acompanhados de textos claros. A bem da verdade, o livro parece ser um artefato quase contemplativo, retirado diretamente da distopia que pretende retratar, embora essa aura distópica das ilustrações de Simon Stålenhag dialogue com os universos de “tecnologia sucateada” do </span><span style="font-weight: 400;"><i>cyberpunk</i></span><span style="font-weight: 400;">, cujas ilustrações trazem similaridades aos jogos de </span><span style="font-weight: 400;"><i>videogame</i></span><span style="font-weight: 400;"> com temática similar, como a série </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/dead-space-critica/">Dead Space</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">ou </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.techtudo.com.br/review/watch-dogs.ghtml">Watch Dogs</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2014). Contudo, a trama ainda gira em torno de uma jovem (Michelle) e seu pequeno robô, que seguem rumo ao Oeste em uma missão de resgate, no melhor estilo </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788560281268/a-estrada?idtag=7ec82fe8-e709-4f1a-9969-7d018c0785e5&amp;gclid=Cj0KCQiA1NebBhDDARIsAANiDD0kE0pEENiMJstHRskUn-TsegZADjNFK_kDTZvu9aMAUeaq6171srgaAgCIEALw_wcB">A estrada</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2006), de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.scotsman.com/arts-and-culture/books/book-review-stella-maris-by-cormac-mccarthy-3921215">Cormac McCarthy</a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29267" aria-describedby="caption-attachment-29267" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29267" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4.jpg" alt="" width="1000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29267" class="wp-caption-text">&#8220;Você sabe como o cérebro funciona? Faz alguma ideia do que sabemos a respeito de como o cérebro e a consciência funcionam? Estou falando de nós, humanos” (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a distopia parece ser um retrato de tempos atuais, e em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico </i></span><span style="font-weight: 400;">não é diferente. As liberdades individuais, gradualmente cooptadas por indústrias e campanhas publicitárias, deram origem a um mundo de pesadelo: as paisagens virtuais se movem por um sistema no qual tecnologias sinistras, ameaças nucleares e sonhos consumistas foram destruídos pela queda das instituições. Como </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://jacobin.com.br/2022/02/gramsci-e-nos/">Stuart Hall</a></span><span style="font-weight: 400;"> aponta em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="http://www.lamparina.com.br/livro_detalhe.asp?idCodLivro=451#:~:text=Lamparina%20editora%20%7C%20Livros&amp;text=Stuart%20Hall&amp;text=O%20homem%20da%20sociedade%20moderna,de%20ra%C3%A7a%20e%20de%20nacionalidade.">A identidade cultural na pós-modernidade</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(1992), esse é justamente um dos motivos dessa “crise de identidade” contemporânea. A descentralização dos indivíduos fez com que os seres perdessem o sentido de si, tornando-se relativos e regidos por uma subjetividade egoísta (“</span><span style="font-weight: 400;"><i>somente o ‘Eu’ importa</i></span><span style="font-weight: 400;">”).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nossas concepções de passado, presente e futuro foram alteradas por um tipo de “presente contínuo”, que, como </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://jacobin.com.br/2020/01/o-legado-anticapitalista-de-mark-fisher/">Mark Fisher</a></span><span style="font-weight: 400;"> escreve em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://autonomialiteraria.com.br/loja/teoria-politica/fantasmas-da-minha-vida-escritos-sobre-depressao-assombrologia-e-futuros-perdidos/">Fantasmas da minha vida</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2014), dão origem a um “</span><span style="font-weight: 400;"><i>lento cancelamento do futuro</i></span><span style="font-weight: 400;">”. Esse futuro, diferente do que se convencionou a atribuir anteriormente, passou a ser apenas uma variável das infinitas possibilidades apresentadas a nós. Nesse contexto, a ficção e a realidade se alteraram significativamente – a propaganda, o consumo e uma política conduzida por indivíduos caricatos e sem qualquer consciência social são alguns dos exemplos das ficções que regem nosso cotidiano, cujo resultado é o pré-esvaziamento de qualquer resposta original à experiência.</span></p>
<figure id="attachment_29268" aria-describedby="caption-attachment-29268" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29268" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29268" class="wp-caption-text">“Talvez você nem coloque isso em palavras, mas nós dois sabemos que está pensando em uma alma arquetípica. Você acredita num fantasma invisível” (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas das inspirações de Stålenhag vieram de uma viagem de carro feita com sua família pelos Estados Unidos, em 2013 – o ano do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/">“</a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/"><i>boom</i></a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/">” do </a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/"><i>Facebook</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> –, quando várias fotografias que serviram de referência foram registradas. Porém, apesar do título sugestivo, esse &#8220;Estado Elétrico&#8221; que o artista desenha com um realismo assombroso não segue o padrão de clássicos como </span><span style="font-weight: 400;"><i>1984 </i></span><span style="font-weight: 400;">(1949), de George Orwell, em que a opressão é comandada por um governo. Aqui, a cegueira moral é imposta pelo próprio povo, que acredita estar jogando um </span><span style="font-weight: 400;"><i>videogame</i></span><span style="font-weight: 400;"> quando usa capacetes enormes que dão acesso a uma nova realidade virtual. Aos poucos, descobrimos que os neurônios da humanidade estão servindo de alimento a uma enorme inteligência artificial, da qual, por uma incompatibilidade biológica, a protagonista não pode participar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indo contra a lógica da indústria cultural, que sempre entrega produtos mastigados e contemplativos – sem forçar o pensamento –, o ilustrador prefere traçar conexões sutis entre uma narração não cronológica e pinturas atmosféricas. Com influência do retrofuturismo e da já citada cultura </span><span style="font-weight: 400;"><i>cyberpunk</i></span><span style="font-weight: 400;">, as artes ressoam em nomes como Ralph McQuarrie, Syd Mead e o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://english.elpais.com/science-tech/2022-10-29/the-parallel-universes-of-a-sci-fi-visionary-named-philip-k-dick.html">Philip K. Dick</a></span><span style="font-weight: 400;"> de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://editoraaleph.com.br/produto/blade-runner/">Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(1968), a inspiração literária de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Blade Runner </i></span><span style="font-weight: 400;">(1982). É também interessante perceber que, durante toda a obra, parece pairar o paradoxo defendido por <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/12/a-nova-idade-das-trevas-faz-reflexao-sobre-o-custo-dos-avancos-tecnologicos.shtml">James Bridle</a> em <a href="https://todavialivros.com.br/livros/a-nova-idade-das-trevas"><em>A nova idade das trevas</em></a> (2019): quanto mais sabemos sobre tecnologia, menos conseguimos agir. “<em>A tecnologia é a condutora elementar da desigualdade em vários setores”</em>, escreve Bridle.</span></p>
<figure id="attachment_29269" aria-describedby="caption-attachment-29269" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29269" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29269" class="wp-caption-text">“Sempre fui fascinado por máquinas, essas ferramentas poderosas que podem tanto fazer o bem quanto o mal”, diz Simon Stålenhag ao jornal Estadão (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cheias de detalhes, as artes também tentam conduzir a narrativa de uma perspectiva diferente, cuja temática do autor combina suas próprias impressões da infância às inspirações da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/love-death-robots-3a-temp-critica/">ficção científica</a></span><span style="font-weight: 400;">, resultando em um cenário estereotipado da Suécia com itens futuristas agregados. O artista cria suas imagens utilizando uma mesa gráfica, valendo-se de técnicas e configurações específicas para simular pinturas a óleo (no início, ele tentou fórmulas com tinta guache, mas optou pelos métodos digitais).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em adaptação para o Cinema pela </span><span style="font-weight: 400;"><i>Netflix</i></span><span style="font-weight: 400;">, com previsão de lançamento em 2024 sob direção dos Irmãos Russo, com </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.omelete.com.br/netflix/the-electric-state-millie-bobby-brown">Millie Bobby Brown</a></span><span style="font-weight: 400;"> no papel principal, ao lado de Chris Pratt e </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo">Michelle Yeoh</a></span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico</i></span><span style="font-weight: 400;"> parece a história alternativa de um lugar que nunca existiu. “</span><span style="font-weight: 400;"><i>O que estamos fazendo não é civilizado, eu sei. Mas sei que também deve ter acontecido com você. Assim como eu, você deve ter acordado um dia e constatado o inevitável: já não vivemos em tempos civilizados</i></span><span style="font-weight: 400;">”, escreve Stålenhag na obra. Esse é seu segundo projeto adaptado para o Audiovisual; o primeiro foi </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/04/09/tales-from-the-loop-e-a-ficcao-cientifica-anti-ansiedade-que-precisamos.htm">Tales From the Loop</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, série lançada em 2020 pelo </span><span style="font-weight: 400;"><i>Amazon Prime Video</i></span><span style="font-weight: 400;"> baseada na HQ homônima de 2015, cujo livro ainda não foi publicado no Brasil.</span></p>
<figure id="attachment_29275" aria-describedby="caption-attachment-29275" style="width: 1100px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29275 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2.jpg" alt="" width="1100" height="1650" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2.jpg 1100w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-1024x1536.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29275" class="wp-caption-text">Nascido em 1984, Simon Stålenhag mistura suas memórias de infância no subúrbio de Estocolmo às paisagens corrompidas pelo capitalismo (Foto: Fredrik Bernholm)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os textos que acompanham quase todas as imagens parecem ser apenas mecanismos de coesão, algo que transforma a obra em um livro com início, meio e fim, e não apenas um bloco de ilustrações </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://artout.com.br/hiper-realismo/">hiper-realistas</a></span><span style="font-weight: 400;">. Contudo, não se trata de um elemento jogado totalmente ao acaso e a trama realmente converge para uma história coesa, mesmo que não-linear. A protagonista Michelle conta sua trajetória em etapas – às vezes dando aspectos socioculturais de uma sociedade danificada, às vezes se lembrando de um passado pouco distante em que sonhar, de verdade, era possível.</span></p>
<figure></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse talento extraordinário para narrar – a junção ideal de um texto conciso e imagens profundas – é o mérito de todo o livro. Para além das investigações especulativas desenvolvidas nas páginas de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico</i></span><span style="font-weight: 400;">, a </span><span style="font-weight: 400;"><i>graphic novel</i></span><span style="font-weight: 400;"> é também um artefato poderoso para uma tomada de consciência que, talvez pela forma realista das ilustrações, ganha força como exemplo de um terrível futuro que pode, efetivamente, ser o nosso presente. Ainda assim, o autor nega o estereótipo de futurista. “</span><span style="font-weight: 400;"><i>Não lido com o futuro, não sou futurista. As pessoas mais fracassaram do que obtiveram sucesso ao imaginar o futuro. Eu sou parte da geração que percebeu que jamais teremos carros voadores</i></span><span style="font-weight: 400;">”, diz </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.estadao.com.br/alias/entenda-como-simon-stalenhag-inova-a-ficcao-cientifica/">Simon Stålenhag em entrevista</a></span><span style="font-weight: 400;">. Como Fisher escreve em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://autonomialiteraria.com.br/loja/teoria-politica/realismo-capitalista/">Realismo Capitalista</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(2009), a propósito de um mundo cego pela lógica neoliberal, “</span><span style="font-weight: 400;"><i>é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo</i></span><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
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		<title>Estante do Persona – Agosto de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Sep 2022 21:25:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“A Literatura deve ser realmente o lugar onde podem surgir novas idéias que repensem o mundo.” &#8211; Salman Rushdie Depois das muitas reflexões que Annie Ernaux e seu O Acontecimento causaram, o Clube do Livro reuniu-se mais uma vez em meio a um cenário caótico. Na esteira do período eleitoral e das violentas situações que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-agosto-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Agosto de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28776" aria-describedby="caption-attachment-28776" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-28776" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/capa_wordpress-800x420.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/capa_wordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/capa_wordpress-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/capa_wordpress.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28776" class="wp-caption-text">Em Agosto, o Clube do Livro do Persona se debruçou sobre Amuleto, do chileno Roberto Bolaño (Foto: Companhia das Letras/Arte: Ana Clara Abbate/Texto de Abertura: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“A Literatura deve ser realmente o lugar onde podem surgir novas idéias que repensem o mundo.”</span></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">&#8211; Salman Rushdie</span></em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois das muitas reflexões que</span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/autores/annie-ernaux/"><span style="font-weight: 400;"> Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seu </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica"><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">causaram, o Clube do Livro reuniu-se mais uma vez em meio a um cenário caótico. Na esteira do período eleitoral e das <a href="https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2022/08/13/assassino-de-tesoureiro-do-pt-e-transferido-para-complexo-medico-penal.ghtml">violentas situações</a> que têm ocorrido no país, foi o momento de inclinar-se sobre a obra política de Roberto Bolaño e o incontornável </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535913637/amuleto"><i><span style="font-weight: 400;">Amuleto</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1999). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Retirado de um episódio de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535908749/os-detetives-selvagens"><i><span style="font-weight: 400;">Os detetives selvagens</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1998) – mas também de um caso real –, o romance curto conta a história de Auxilio, imigrante uruguaia que vive no México rodeada por artistas e poetas. Com os principais traços da Literatura de Bolaño, o livro levanta questionamentos sobre as opressões na América Latina e a memória histórica e política, tudo narrado através da acidez de sua escrita combativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob o contexto de liberdades cerceadas, também foi o mês de um fato trágico. Enquanto se preparava para palestrar em Nova York, no dia 12 de Agosto, o escritor </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-62536536"><span style="font-weight: 400;">Salman Rushdie</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi atacado por um homem armado com faca. Embora o suspeito esteja preso e Rushdie apresente melhoras no estado clínico – mesmo que a chance de perder um olho ainda seja alta –, o atentado levantou questões antigas que pareciam superadas – na verdade, só nos lembrou que nada está ganho nunca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1988, após publicar o romance </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535912876/os-versos-satanicos"><i><span style="font-weight: 400;">Os Versos Satânicos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sua obra mais influente, Salman Rushdie se viu imerso em conflitos políticos e religiosos. Por ficcionalizar a vida do profeta Maomé, o livro incomodou fundamentalistas religiosos. Em 1989, o aiatolá Ruhollah Khomeini proferiu um </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/08/saiba-o-que-e-fatwa-que-motiva-perseguicao-a-salman-rushdie.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">fatwa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, pedindo sua execução, e deu inicio a série de mudanças, viagens e esconderijos que Rushdie precisou realizar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exilado na Inglaterra, com escolta em tempo integral, o autor indiano continuou suas publicações, marcadas pelo estilo que se aproxima do Realismo Mágico, com liberdade para fantasiar com culturas e marcos históricos, a exemplo de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535909418/os-filhos-da-meia-noite"><i><span style="font-weight: 400;">Os Filhos da Meia-Noite</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1981), sua obra vencedora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Booker Prize</span></i><span style="font-weight: 400;">. O próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">Versos Satânicos</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz acontecimentos reais: o ataque que ocorreu contra um avião da </span><i><span style="font-weight: 400;">Air India </span></i><span style="font-weight: 400;">em 1985, os tumultos de Brixton em 1981 e 1985 e a Revolução Iraniana de 1979.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, desejando rápidas melhoras para Rushdie e já de olho na </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/09/flip-traz-annie-ernaux-e-tem-maria-firmina-dos-reis-como-1a-homenageada-negra.shtml"><span style="font-weight: 400;">Festa Literária Internacional de Paraty</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Flip) – evento que ocorre em Novembro e trará </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-parque-das-irmas-magnificas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Camila Sosa Villada</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Annie Ernaux, as leituras do Clube do Livro em Junho e Julho –, deixamos as já tradicionais indicações do </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-28751"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_28752" aria-describedby="caption-attachment-28752" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28752 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/amuleto-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Amuleto, de Roberto Bolaño. A capa é bege com um retângulo amarelo no centro. No canto superior esquerdo, vemos o nome do livro e do autor em preto, e no inferior esquerdo, o logo da editora Companhia das Letras." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/amuleto-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/amuleto-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/amuleto-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/amuleto-1.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28752" class="wp-caption-text">O episódio que desencadeia o fluxo narrativo em Amuleto, baseado em fatos reais, foi extraído de Os detetives selvagens, obra-prima de Roberto Bolaño (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Roberto Bolaño &#8211; Amuleto (136 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com sua Literatura extremamente conectada às questões político-sociais da América Latina, não é surpresa para ninguém que o chileno Roberto Bolaño traga em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535913637/amuleto"><i><span style="font-weight: 400;">Amuleto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1999) uma narrativa que ficcionaliza um drama da vida real. Na história, traduzida para o português por Eduardo Brandão, a protagonista é a imigrante uruguaia Auxilio Lacouture, auto-intitulada </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;mãe dos poetas e da poesia mexicana&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1968, o exército invadiu o campus da </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-57510674"><span style="font-weight: 400;">Universidade Nacional Autônoma do México</span></a><span style="font-weight: 400;"> (UNAM). Na ocasião, Auxilio se encontrava no banheiro e lá permaneceu por uma porção de dias, resistindo e sobrevivendo. Sob uma ótica quase surrealista no momento de escrever sobre os devaneios da personagem, Bolaño </span><a href="https://periodicos.uff.br/pragmatizes/article/view/40211"><span style="font-weight: 400;">desvenda a violência do mundo</span></a><span style="font-weight: 400;">, as dores, os medos e os anseios de uma pessoa que veio de fora e nunca foi bem recebida. </span><i><span style="font-weight: 400;">Amuleto </span></i><span style="font-weight: 400;">encontra espaço, ainda, para servir de mecanismo de escape para a fúria de seu autor, interessado em denunciar as injustiças que permeavam e ainda permeiam o continente que tanto amou.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Amuleto - Clube do Livro Agosto de 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/1CYU2KPesds1TpkycAWPH2?si=e64e5281fa984747&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_28753" aria-describedby="caption-attachment-28753" style="width: 664px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28753 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/rodolfo1-664x1024.jpg" alt="Capa do livro Ela se chama Rodolfo. Em um tom verde forte, próximo a um verde água escuro, se imita o casco de uma tartaruga, com suas formas hexagonais. Ao centro, lê-se o título do livro, em letras maiúsculas em um branco creme. Do lado direito superior, consta o nome da autora em letras minúsculas, Julia Dantas. No canto inferior esquerdo, em letras maiúsculas finas, o selo da DBA Editora." width="664" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/rodolfo1-664x1024.jpg 664w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/rodolfo1-519x800.jpg 519w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/rodolfo1-768x1184.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/rodolfo1-997x1536.jpg 997w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/rodolfo1-1329x2048.jpg 1329w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/rodolfo1.jpg 1661w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28753" class="wp-caption-text">Depois de uma imersão na América Latina em seu primeiro romance, Julia Dantas resgata Porto Alegre em uma literatura sobre afetos, inseguranças e carapuças humanas (Foto: DBA Editora)</figcaption></figure>
<p><b>Julia Dantas &#8211; Ela se chama Rodolfo (264 páginas, DBA Editora)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um demônio da mobilidade assombra os personagens do segundo livro de Julia Dantas, um dos pilares do monumento da Literatura gaúcha contemporânea, que abriga nomes como </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=02883"><span style="font-weight: 400;">Antônio Xerxenesky</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.escritacriativa.com.br/?apid=8954&amp;tipo=140&amp;dt=-1&amp;wd="><span style="font-weight: 400;">Luisa Geisler</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-daniel-galera/"><span style="font-weight: 400;">Daniel Galera</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-tobias-carvalho/"><span style="font-weight: 400;">Tobias Carvalho</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em </span><a href="https://www.dbaeditora.com.br/literatura/pre-venda-ela-se-chama-rodolfo"><i><span style="font-weight: 400;">Ela se chama Rodolfo</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">reside uma </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/livros/noticia/2022/05/em-ela-se-chama-rodolfo-julia-dantas-reflete-sobre-os-lacos-de-amizade-em-viagem-pela-capital-cl2z92c5y0062019iak09tcmg.html#:~:text=A%20escritora%20define%20sua%20obra%20como%20uma%20esp%C3%A9cie%20de%20%22road%20hist%C3%B3ria%22%20%E2%80%94%20na%20falta%20de%20um%20adjetivo%20mais%20adequado%20e%20numa%20alus%C3%A3o%20ao%20que%20conhecemos%20como%20filme%20de%20estrada%20ou%20de%20viagem%2C%20o%20road%20movie%20do%20cinema."><i><span style="font-weight: 400;">road história</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> – </span></i><span style="font-weight: 400;">como cunhada pela autora – em que quanto mais os personagens se movimentam e se enfrentam com as miudezas que perpassam seus caminhos, mais eles se deparam com a mutação do mundos interiores e exteriores a si mesmos. Por trás da história de Murilo, que, ao chegar em seu apartamento recém-alugado, se estranha ao deparar-se com a tartaruga da locadora, Dantas constrói um </span><a href="https://ruidomanifesto.org/um-trecho-do-romance-de-julia-dantas/"><span style="font-weight: 400;">romance</span></a><span style="font-weight: 400;"> que beira uma epopeia, proposta a se afundar nas fissuras do cotidiano e da emoção humana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na procissão desse homem – o que é um homem? – pela </span><a href="https://www.ufrgs.br/radio/em-novo-livro-julia-dantas-narra-um-passeio-por-varias-porto-alegres/"><span style="font-weight: 400;">cidade de Porto Alegre</span></a><span style="font-weight: 400;">, na busca de alguém que fique com o bicho, tanto o leitor quanto o personagem se esbarram com os mais diversos cenários e personagens: ruas, prédios, vozes, linhas de ônibus, nacionalidades, urubus e bares de esquina. Já Francesca, a dona do apartamento, também propõe inúmeras travessias – de relevos montanhosos a litorais – em seus e-mails que, em vez de responderem as perguntas do locatário, emulam um tom mágico de fábulas em suas reflexões sobre vida, morte e gênero.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo que local e universal, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ela se chama Rodolfo, </span></i><span style="font-weight: 400;">com sua prosa tomada de fluidez, é um mosaico formado pelos cacos e estilhaços de seus personagens, sob o fundo do que é uma trama essencialmente sobre </span><a href="https://culturadoria.com.br/ela-se-chama-rodolfo-julia-dantas-diz-sobre-carapacas-que-nos-aprisionam-em-novo-livro/"><span style="font-weight: 400;">identidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e existência perante o mundo. Sempre atravessada pela freneticidade do acontecimento e pela paralisia da descoberta, a beleza do </span><a href="https://www.matinaljornalismo.com.br/rogerlerina/literatura/julia-dantas-ela-se-chama-rodolfo/"><span style="font-weight: 400;">acaso</span></a><span style="font-weight: 400;"> e dos </span><a href="https://www.jornaldocomercio.com/cultura/2022/08/859868-julia-dantas-explora-o-valor-da-amizade-e-narra-uma-jornada-por-porto-alegre-em-ela-se-chama-rodolfo.html"><span style="font-weight: 400;">encontros</span></a><span style="font-weight: 400;"> é exaltada em um texto que, como o casco de uma tartaruga, se faz um lar em trânsito. </span><b>&#8211; Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_28756" aria-describedby="caption-attachment-28756" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28756 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/adversario-secreto-1-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro O Adversário Secreto. A arte da capa possui, à direita, um navio azul escuro com detalhes em amarelo afundando no mar azul escuro, com detalhes em vermelho. O navio possui, em amarelo, o escrito 'Lusitania', e, em vermelho, 'Um Caso de Tommy e Tuppence'. O céu aparece vermelho, com o nome da autora Agatha Christie em letras brancas vazadas. O nome do livro aparece em letras brancas preenchidas, na parte do mar, como se estivesse boiando. Há também um pequeno barco amarelo, ao lado esquerdo do navio." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/adversario-secreto-1-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/adversario-secreto-1-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/adversario-secreto-1-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/adversario-secreto-1-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/adversario-secreto-1-1-1365x2048.jpg 1365w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/adversario-secreto-1-1-1200x1800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/adversario-secreto-1-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28756" class="wp-caption-text">Os investigadores Tommy e Tuppence são os únicos personagens de Agatha Christie que envelhecem ao decorrer dos livros; além de fazerem parte da única série da autora que é contada em sequência (Foto: Globo Livros)</figcaption></figure>
<p><b>Agatha Christie &#8211; O Adversário Secreto (384 páginas, Globo Livros)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adicione um mistério a uma história de amor e terá a obra </span><i><span style="font-weight: 400;">O Adversário Secreto</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrita por Agatha Christie, a Rainha do Crime. Publicado em 1922, esse é o primeiro dos cinco livros estrelados por Prudence “Tuppence” Cowley e por Thomas &#8220;Tommy&#8221; Beresford. A história começa com o naufrágio do navio Lusitania, durante a Primeira Guerra Mundial, quando um homem misterioso entrega alguns papéis confidenciais a Jane Finn. Quando chegam em terra firme, a jovem e os papéis desaparecem, sem deixar pistas nem rastros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quatro anos depois, os amigos de infância &#8211; que se reconectaram em um hospital, durante a Grande Guerra &#8211; Tommy e Tuppence se reencontram em um restaurante. Falidos e desempregados, a dupla gasta suas últimas moedas para fundar e anunciar a agência &#8220;Jovens Aventureiros, Ldta.&#8221;, se dispondo a fazer qualquer coisa por dinheiro. E é assim que as histórias se entrelaçam: Tommy e Tuppence começam a investigar o paradeiro de Jane Finn e dos papéis, e, em meio às reviravoltas, identidades falsas, dinheiro, desaparecimentos e revelações, acabam desvendando outra coisa: o amor. </span><b>&#8211;  Laura Hirata-Vale</b></p>
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<figure id="attachment_28757" aria-describedby="caption-attachment-28757" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28757 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Pulmao-de-Aco-1-841x1024.jpg" alt="Capa do livro Pulmão de Aço - uma vida no maior hospital do Brasil da escritora Eliana Zagui. A arte de capa é uma fotografia em preto e branco de Eliana quando criança em uma visita ao circo. Ela, uma menina branca de cabelos e olhos claros, possui paralisia causada pelo vírus da poliomielite, por isso, aparece deitada em uma cama com um espelho ao lado que reflete a sua maquiagem e fantasia de palhaço e o seu chapéu de festa. Na parte superior, o título do livro está escrito em letras escuras enquanto o subtítulo e o nome da escritora estão destacados em letras claras." width="840" height="1023" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Pulmao-de-Aco-1-841x1024.jpg 841w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Pulmao-de-Aco-1-657x800.jpg 657w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Pulmao-de-Aco-1-768x935.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Pulmao-de-Aco-1-1261x1536.jpg 1261w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Pulmao-de-Aco-1-1200x1461.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Pulmao-de-Aco-1.jpg 1314w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28757" class="wp-caption-text">A trajetória de Eliana Zagui inspirou uma <a href="https://www.terra.com.br/nos/vitima-da-polio-que-viveu-por-45-anos-em-hospital-inspira-peca-teatral,4805737f2db6922ead56e53f34befd19sjt79s5e.html">peça teatral</a> (Foto: Belaletra)</figcaption></figure>
<p><b>Eliana Zagui &#8211; Pulmão de Aço: Uma vida no maior hospital do Brasil (136 páginas, Belaletra)</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BWfg64AwDFo"><i><span style="font-weight: 400;">Pulmão de Aço: Uma vida no maior hospital do Brasil</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é a autobiografia de </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/madeleine-lacsko/eliana-zagui-inspiracao-de-vida-que-e-um-balsamo-em-tempos-de-superficialidade/"><span style="font-weight: 400;">Eliana Zagui</span></a><span style="font-weight: 400;">, sobrevivente do surto de </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2022-09/baixa-adesao-vacinal-para-poliomielite-no-pais-preocupa-especialistas"><span style="font-weight: 400;">poliomielite</span></a><span style="font-weight: 400;"> que atingiu o Brasil na década de 1970. Lançado em 2013, o livro é um registro do passado que ainda dialoga com o presente, afinal, no atual ano de 2022, a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ptzkRR8W7_4"><span style="font-weight: 400;">cobertura vacinal</span></a><span style="font-weight: 400;"> contra o vírus que pode causar paralisia está extremamente longe dos parâmetros ideais. Diagnosticada com 2 anos de idade, à época da publicação, Zagui morava no Hospital das Clínicas de São Paulo há 36 anos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Repleta de passagens emocionantes e imagens que retratam o sofrimento vivido pelas vítimas, em grande parte </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/blogs/assim-como-voce/2022/09/a-tragedia-da-polio-ronda-perigosamente-a-infancia-no-brasil.shtml"><span style="font-weight: 400;">crianças</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra ultrapassa o objetivo de narrar uma história de vida para alcançar a eternização de um tempo que não deve ser esquecido. Com </span><i><span style="font-weight: 400;">Pulmão de Aço: Uma vida no maior hospital do Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">, Eliana Zagui não somente comove, como também faz das </span><a href="https://veja.abril.com.br/saude/escrito-com-a-boca-livro-narra-historia-de-vitima-de-poliomielite/"><span style="font-weight: 400;">palavras escritas com a boca</span></a><span style="font-weight: 400;"> a sua maior demonstração de força. Uma leitura imprescindível do passado para se entender o </span><a href="https://g1.globo.com/mt/mato-grosso/noticia/2022/08/20/ze-e-maria-gotinha-convidam-para-vacina-contra-poliomielite-em-mt.ghtml"><span style="font-weight: 400;">futuro</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_28758" aria-describedby="caption-attachment-28758" style="width: 675px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28758 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/mom-died-1-675x1024.jpg" alt="Capa do livro I’m Glad My Mom Died, da autora Jennette McCurdy. A capa é amarela bem claro e tem uma imagem de Jennette segurando uma urna funerária cor-de-rosa, olhando para o lado com um sorriso no rosto. A foto está dentro de um retângulo cor-de-rosa. Acima dele, no topo da capa, e também em rosa está o nome do livro e abaixo dele, em branco, o nome da autora. Em cada lado da foto dela, vemos frases em preto e na parte baixo da capa, o nome da editora Simon &amp; Schuster." width="675" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/mom-died-1-675x1024.jpg 675w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/mom-died-1-527x800.jpg 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/mom-died-1-768x1166.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/mom-died-1-1012x1536.jpg 1012w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/mom-died-1-1349x2048.jpg 1349w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/mom-died-1-1200x1821.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/mom-died-1.jpg 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28758" class="wp-caption-text">O livro tem previsão de ser lançado no Brasil em 15 de novembro, publicado pela nVersos Editora (Foto: Simon &amp; Schuster)</figcaption></figure>
<p><b>Jennette McCurdy &#8211; I’m Glad My Mom Died (319 páginas, Simon &amp; Schuster)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando foi anunciado que </span><i><span style="font-weight: 400;">iCarly</span></i><span style="font-weight: 400;"> voltaria à ativa, os fãs do programa foram à loucura. Mas, junto do sinal verde para a série do </span><i><span style="font-weight: 400;">Paramount+</span></i><span style="font-weight: 400;">, veio </span><a href="https://cinepop.com.br/icarly-jennette-mccurdy-nao-vai-participar-do-revival-porque-sente-vergonha-da-serie-285785/"><span style="font-weight: 400;">um asterisco</span></a><span style="font-weight: 400;">: dessa vez, Miranda Cosgrove não contaria com a presença de Jennette McCurdy frente às câmeras. O motivo ainda era um pouco nebuloso, já que a atriz havia se afastado dos holofotes, perdido a mãe e não queria envolvimento com o </span><i><span style="font-weight: 400;">show business</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em 2022, chegou a hora dela assumir o controle da narrativa no doloroso </span><i><span style="font-weight: 400;">I’m Glad My Mom Died</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://g7.news/entretenimento/2022/08/21/jennette-mccurdy-defende-titulo-de-seu-livro-im-glad-my-mom-died-estou-falando-serio-5"><i><span style="font-weight: 400;">Estou feliz que minha mãe morreu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um título desses, o livro já começa com um chute na porta e, logo no prólogo, Jennette confessa que, no leito de morte da mãe (Debra) e na esperança de acordá-la do iminente falecimento que o câncer causou, ela revelou seu peso (</span><i><span style="font-weight: 400;">“eu estou tão magra, mãe”</span></i><span style="font-weight: 400;">). É claro que isso não foi o bastante para que a doença poupasse a vida da </span><a href="https://istoe.com.br/ex-estrela-de-icarly-detalha-abusos-que-sofreu-de-sua-mae-e-de-produtor-do-programa/"><span style="font-weight: 400;">mulher que a atormentou</span></a><span style="font-weight: 400;">, abusou física e mentalmente e a subjugou por tantos anos. Acontece que, desde o começo, Jennette nunca quis ser atriz, apenas seguiu as orientações de Debra, e nunca disse não.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O relato, que se estende por pouco mais de 300 páginas, acarreta em questões emocionais profundas, indo desde a infância até a vida adulta da atriz e escritora, mostrando as cicatrizes agudas que ainda penam para se fechar em seu corpo e mente. Desde banhar a filha até a idade adulta até controlar as porções de comida que chegavam ao seu prato, a mãe de McCurdy fez de sua existência um inferno impossível de escapar. Ao final da leitura, que ainda toca em pontos como o comportamento criminoso e pedófilo de </span><a href="https://emais.estadao.com.br/noticias/tv,nickelodeon-demite-produtor-suspeito-de-assedio-sexual,70002244530"><span style="font-weight: 400;">Dan Schneider</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a relação da atriz com </span><a href="https://portalpopline.com.br/jennette-mccurdy-ciumes-ariana-grande-sam-cat/"><span style="font-weight: 400;">Ariana Grande</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos bastidores de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sam &amp; Cat</span></i><span style="font-weight: 400;">, o sentimento de alívio pela desintegração do mal não é o bastante para apagar o tormento que perdurou por tanto tempo. Sucesso de </span><a href="https://www.vogue.com/article/jennette-mccurdy-im-glad-my-mom-died-interview"><span style="font-weight: 400;">crítica e de vendas</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> I’m Glad My Mom Died</span></i><span style="font-weight: 400;"> se mostra um pontapé certeiro para que discussões sobre pais narcisistas e o mundo da Arte aconteçam, e a coragem de sua autora é o feito mais louvável disso tudo.</span><b> &#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_28760" aria-describedby="caption-attachment-28760" style="width: 1772px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28760 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/jimmy-1.jpg" alt="" width="1772" height="1461" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/jimmy-1.jpg 1772w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/jimmy-1-800x660.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/jimmy-1-1024x844.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/jimmy-1-768x633.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/jimmy-1-1536x1266.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/09/jimmy-1-1200x989.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28760" class="wp-caption-text">Traduzido para o português pelo escritor <a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-daniel-galera/">Daniel Galera</a>, Jimmy Corrigan: O menino mais esperto do mundo chegou ao Brasil em 2009 (Foto: Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><b>Chris Ware &#8211; Jimmy Corrigan: O menino mais esperto do mundo (388 páginas, Quadrinhos na Cia)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando você passa pelo portão de casa, anda pelos entremeios das ruas, sobe e desce calçadas, o que mais se vê é publicidade. Essas peças publicitárias, por sua vez, são efêmeras, e não dizem praticamente nada a nós. São cartazes coloridos e chamativos, pessoas sorrindo com produtos expostos em ambientes visivelmente irreais. Parece que tudo tenta ser um esconderijo de uma tristeza generalizada, uma espécie de possibilidade de distração da vida real conturbada. Contudo, quem resiste a um pouco mais de tristeza? Quem resiste a tentação de se infiltrar um pouco mais na sua própria condição melancólica? Certamente, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/10/quem-e-chris-ware-astro-dos-quadrinhos-que-ve-a-empatia-como-seu-maior-superpoder.shtml"><span style="font-weight: 400;">Chris Ware</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem consciência de tudo isso, e engloba essas questões em sua premiada </span><i><span style="font-weight: 400;">graphic novel</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535915488/jimmy-corrigan-o-menino-mais-esperto-do-mundo"><i><span style="font-weight: 400;">Jimmy Corrigan: O menino mais esperto do mundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi lançado em forma de livro em 2000, mas teve iniciada, em 1995, sua serialização (publicação periódica) no jornal </span><i><span style="font-weight: 400;">Newcity </span></i><span style="font-weight: 400;">e na revista de quadrinhos </span><i><span style="font-weight: 400;">Acme Novelty Library</span></i><span style="font-weight: 400;">. Fora a questão melancólica que paira por toda a trama, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">História em Quadrinhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece ser inclassificável. Ware mistura elementos do </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">gráfico com formatos pouco convencionais de narrativização, elaborando um mosaico da vida do protagonista Jimmy, homem com 36 anos de idade, problemas de sociabilidade e uma possível depressão não diagnosticada. O protagonista tem como influência o próprio autor – tanto em sua personalidade como fisicamente –, que começou a história na preparação para conhecer o pai, que o procurou mais de 30 anos depois de seu nascimento. Na espécie de posfácio da obra – parece apenas mais um elemento da trama, porém com o próprio autor na narrativa –, Ware escreve que “</span><i><span style="font-weight: 400;">as quatro ou cinco horas que sua leitura tomaram quase correspondem ao tempo total que passei ao lado de meu pai</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao conhecer o pai na trama fictícia, Jimmy Corrigan enfrenta uma série de problemas, pois não consegue se comunicar com ninguém além de sua mãe. Desajustado, triste e com uma vida social limitada, Jimmy percebe que tem pouco de seu pai, um homem racista e extremamente imprudente. Porém, Chris Ware utiliza seus originais meios de narrativizar para compor </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> e histórias paralelas na consciência dos personagens, apontando para os antepassados de Jimmy Corrigan e a violência generalizada na vida de seu pai e seu avô, mostrando, assim, as origens dessas figuras opressivas. Além disso, Ware utiliza um </span><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2022/02/18/chris-ware-volta-com-outra-hq-inovadora"><span style="font-weight: 400;">mecanismo narrativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> muito “pós-moderno”, inserindo elementos de uma publicidade falsa dentro da própria trama – uma forma de sintetizar o caos da vida contemporânea. Repleto de piadinhas e sacadas autorreferenciais, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jimmy Corrigan: O menino mais esperto do mundo </span></i><span style="font-weight: 400;">é incontornável. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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