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	<title>Arquivos Mariana Faria &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Mariana Faria &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Os melhores álbuns de 2017</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Dec 2017 22:33:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Adriano Arrigo]]></category>
		<category><![CDATA[Bárbara Alcântara]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando decidimos que nossas listas de melhores do ano seriam compostas por escolhas pessoais, em vez de votações e colocações, o objetivo era atingir uma maior multiplicidade de gostos. O que não esperávamos era que alguns dos maiores figurões das listas de toda a imprensa ficassem de fora da nossa. Desculpa, Lorde e Kendrick Lamar. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-melhores-albuns-de-2017/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os melhores álbuns de 2017"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-9186" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/melhores-persona-musica.gif" alt="" width="890" height="512" /></p>
<p>Quando decidimos que nossas listas de melhores do ano seriam compostas por escolhas pessoais, em vez de votações e colocações, o objetivo era atingir uma maior multiplicidade de gostos. O que não esperávamos era que alguns dos maiores figurões das listas de toda a imprensa ficassem de fora da nossa. Desculpa, <a href="http://personaunesp.com.br/critica-lorde-melodrama/" target="_blank" rel="noopener">Lorde</a> e<a href="http://personaunesp.com.br/damn-kendrick-lamar/" target="_blank" rel="noopener"> Kendrick Lamar</a>.</p>
<p>Mas também, qual a necessidade de bater na tecla dos consensos quando temos outras tantas <a href="http://personaunesp.com.br/kelela-janet-jackson-consciencia-negra/" target="_blank" rel="noopener">obras interessantes</a> para ouvir? <a href="http://personaunesp.com.br/tag/melhores-discos/" target="_blank" rel="noopener">Do rock ao hip hop, passando pelo eletrônico</a>, esses são nossos destaques de 2017:</p>
<p><span id="more-9086"></span></p>
<hr />
<h3><strong>Alvvays &#8211; Antisocialites</strong></h3>
<p><img decoding="async" class="size-full wp-image-9098 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/alvvays-antisocialites.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/alvvays-antisocialites.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/alvvays-antisocialites-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/alvvays-antisocialites-300x300.jpg 300w" sizes="(max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p>Há três anos o Alvvays trazia frescor com seu primeiro e autointitulado disco, recheado de <em>indie pop</em> com pitadas de <em>dream pop</em>. Em 2017, o grupo canadense volta à cena seguindo a linha de versos intimistas, poéticos e melancólicos, mas que soam bem mais leves e adocicados.</p>
<p><a href="http://personaunesp.com.br/melhores-discos-de-setembro2017/" target="_blank" rel="noopener"><em>Antisocialites</em></a> mistura vários gêneros, entre <em>dream pop</em>, <em>lo-fi</em>, <em>indie pop</em> e <em>new wave</em> dos anos 80. A obra carrega uma atmosfera etérea do início ao fim de seus concisos 32 minutos &#8211; um disco sólido. As canções, um pouco mais maduras, não dispersam do disco primogênito, basicamente desilusões amorosas. Com isso, os canadenses se reinventam sem mudar drasticamente sua proposta de aliar o <em>pop</em> ao <em>indie</em> num misto de leveza no meio do caos da melancolia poética. &#8211; <strong>Mariana Faria</strong></p>
<hr />
<h3><strong>Arca &#8211; Arca</strong></h3>
<p><img decoding="async" class="size-full wp-image-9099 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/Arca-Arca.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/Arca-Arca.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/Arca-Arca-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/Arca-Arca-300x300.jpg 300w" sizes="(max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p>“<em>O vídeo que eu sangro pelo rabo porque um touro me empalou, e então chove pétalas de rosas brancas sobre meu corpo coxo, acaba de atingir 1 milhão de visualizações</em>”, escreveu Arca em seu <a href="https://www.instagram.com/arca1000000">Instagram</a>, em relação ao clipe de “Reverie”, música do seu último disco homônimo. Postado no início do ano, esse vídeo foi só o começo de um ano legitimamente seu.<a href="https://i-d.vice.com/en_uk/article/8x5aqk/arcas-blood-soaked-la-performance-was-an-important-cultural-moment"> Suas apresentações em 2017 </a>foram plantadas em um terreno que beira vários limiares, em especial a arte performática, que deram liberdade a sua obra  sempre foi voltada à um alto teor fetichista.</p>
<p>A primeira música de seu disco, “Whip”, não deixa dúvidas sobre. Mas, é claro, isso é minimizar a exploração do que o venezuelano é não somente como artista, produtor e performer, mas como um ser humano &#8211; Alejandro Ghersi consegue renascer mais uma vez. A incorporação de sua voz, suas letras em espanhol e o tema escancaradamente homoerótico lhe elevaram a um  patamar. Arca desenha sonoramente sobre si, contemplando desejos reprimidos e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=PwXOgzmTbVU">paixões depravadas socialmente</a>, sem deixar de lado seu toque intimista e, ao mesmo tempo, opressivo.</p>
<p>Mesmo que isso não fosse suficiente, o álbum também é mais uma prova que o venezuelano continua sendo um exímio produtor de batidas extremamente precisas, criativas e dramáticas.  Em <em><a href="http://personaunesp.com.br/melhores-discos-de-abril2017/" target="_blank" rel="noopener">Arca</a>,</em>  Ghersi desafia um futuro sem hipocrisias e de renascimento para quem estiver apto, sem abandonar sua técnica primorosa que o colocou entre os artistas mais instigantes deste ano. &#8211; <strong>Adriano Arrigo</strong></p>
<hr />
<h3><strong>In Venus &#8211; Ruína</strong></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9100 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/in-venus-ruína.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/in-venus-ruína.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/in-venus-ruína-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/in-venus-ruína-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p><span class="_5yl5">Escutar<em> Ruína</em>, primeiro álbum da banda paulistana In Venus, é ser nocauteado por uma porrada de referências: das guitarras sujas e vocal forte do <em>dream pop</em> e <a href="http://personaunesp.com.br/loveless-mulholland-drive/" target="_blank" rel="noopener"><em>shoegaze</em></a> noventistas, a uma vibe mais pesada e instrospectiva (porém dançante) do <em><a href="http://personaunesp.com.br/the-cure-pornography/" target="_blank" rel="noopener">pós-punk</a></em> e <em>synthpop</em> britânicos.<br />
</span></p>
<p><span class="_5yl5">A influência do <a href="http://personaunesp.com.br/punk-rock-nao-e-so-pro-seu-namorado/" target="_blank" rel="noopener">riot grrrl</a> norte-americano fica explícita nas letras, hinos feministas e anticapitalistas (“<em>We are fighting for our rights/ Against the sexism/ We&#8217;ll break the patriarchy/ And will have to resist</em>”), e as várias camadas sonoras (muito bem elaboradas) seguem o mesmo fluxo, acrescentando referências meio bruxescas às faixas (em especial em “Mother Nature”) &#8211; dá vontade de acender velas e incensos enquanto o disco rola. É um incômodo confortável. </span>&#8211; <strong>Bárbara Alcântara</strong></p>
<hr />
<h3><strong>Jlin &#8211; Black Origami</strong></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9101 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/jlin-black-origami.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/jlin-black-origami.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/jlin-black-origami-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/jlin-black-origami-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p>Das raízes do <em>footwork</em> de Chicago, o ritmo eletrônico acelerado nascido como forma de dança não tão diferente assim do funk brasileiro (ou do kuduro e do gqom africanos), sai <em>Black</em> <em>Origami,</em> o segundo álbum da produtora americana Jlin. A percussão é o grande foco aqui, ocupando a maioria do espaço sonoro,  com polirritmos globais que unem bandas marciais, instrumentos hindus e djembês às drum machines do hip-hop. Os samples, aspecto dominante do gênero e que aqui constituem os poucos momentos melódicos do disco são esparsos e vem de lugares inusitados, como em &#8220;Holy Child&#8221;, parceria com o compositor <a href="http://personaunesp.com.br/melhores-discos-de-janeiro2017/" target="_blank" rel="noopener">William Basinski</a>, ou &#8220;Calcination&#8221;, faixa quase ambiente e único momento de descanso em 40 minutos de agressão.</p>
<p>Em uma era de grandes DJs pop de som genérico, Jlin retoma o eletrônico para suas origens no <em>underground</em>, com uma obra desafiadora que eleva o footwork ao nível da IDM. Não à toa, quase todo DJ set de <a href="http://personaunesp.com.br/baladinha-top-persona/" target="_blank" rel="noopener">Aphex Twin</a> no ano contou com múltiplas faixas da produtora, que divide gravadora com nomes como Venetian Snares e μ-Ziq. Como o melhor da música eletrônica, <a href="http://personaunesp.com.br/melhores-discos-de-maio2017/" target="_blank" rel="noopener"><em>Black Origami</em></a> está na vanguarda, mas ainda é feito para dançar. &#8211; <strong>Matheus &#8216;Copa&#8217; Fernandes</strong></p>
<hr />
<h3><strong>Mac DeMarco &#8211; This Old Dog</strong></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9102 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mac-demarco-this-old-dog.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mac-demarco-this-old-dog.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mac-demarco-this-old-dog-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mac-demarco-this-old-dog-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p>Amadurecimento define o terceiro álbum de estúdio de Mac DeMarco. <a href="http://personaunesp.com.br/this-old-dog-o-porao-sentimental-de-mac-demarco/" target="_blank" rel="noopener"><em>This Old Dog</em></a> trata, em grande parte, dos sentimentos do cantor canadense diante do adoecimento de seu pai. Para além da melancolia, as composições revelam as contradições íntimas do artista ao se dedicar a quem o abandonou quando ainda tinha quatro anos.</p>
<p>O tom sério e pessoal contrasta com seus trabalhos anteriores. <em>Salad Days</em> (2014) e <em>Another</em> <em>One</em> (2015) são caracterizados por produções com letras pouco intimistas e melodias acústicas, apropriadas para um momento de lazer em uma tarde de sábado com amigos. Embora o novo álbum conserve o protagonismo da voz de DeMarco, seguindo o violão acústico em batidas calmas, o repertório instrumental propõe maior coesão e versatilidade nas faixas. &#8211; <strong>Victor Pinheiro</strong></p>
<hr />
<h3>Mateus Aleluia &#8211; Fogueira Doce</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-9277 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mateus-aleluia-fogueira-doce-os-tincoãs-natura-bahia-barroco-umbanda-candomblé.jpg" alt="" width="500" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mateus-aleluia-fogueira-doce-os-tincoãs-natura-bahia-barroco-umbanda-candomblé.jpg 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mateus-aleluia-fogueira-doce-os-tincoãs-natura-bahia-barroco-umbanda-candomblé-300x270.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p>Em tempos de <a href="https://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/video-registra-traficante-obrigando-mae-de-santo-a-quebrar-imagens-em-um-terreiro-da-baixada-fluminense.ghtml" target="_blank" rel="noopener">depredação violenta de terreiros</a>, a exaltação da tradição e herança africana nos versos de Mateus Aleluia em seu segundo disco solo poderia, por si só, ser vendida como ato revolucionário. Mas essa descrição seria muito limítrofe para a carga poética que o único membro vivo do lendário trio Os Tincoãs, com mais de setenta anos nas costas, exprime no álbum nacional mais subestimado de 2017.</p>
<p>No ano em que o grupo baiano de batucada enfim tem <a href="http://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/livro-cds-e-show-especial-marcam-homenagem-ao-grupo-os-tincoas/" target="_blank" rel="noopener">seu legado revisitado de forma sólida, </a>Aleluia opta por perpetuar a sonoridade barroca que esculpiu décadas atrás em novos caminhos. A percussão agora é elemento de fundo e, junto com inserções precisas de metais, incrementa a dinâmica entre voz e violão. A gravação moderna acentua o tom lisérgico de <em>Fogueira Doce, </em>que transita entre a narrativa onírica e as marcas históricas em tom espirituoso: &#8220;Bahia, eu sou África do lado de cá&#8221;, afirma.</p>
<p>Parcerias com seu filho e Carlinhos Brown consolidam o diálogo com novas escolas de matriz africana &#8211; em um pacto de respeito aos antepassados e, ao mesmo tempo, renovação. Com um dos repertórios mais consistentes da música brasileira contemporânea, Mateus Aleluia soa mais atual, revigorado e necessário que nunca no Brasil de 2017. &#8211; <strong>Jefferson Garcia </strong></p>
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<h3><strong>Mc Igu &#8211; Flow Deus</strong></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9103 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mc-igu-flow-deus.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mc-igu-flow-deus.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mc-igu-flow-deus-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mc-igu-flow-deus-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p>Sempre é difícil prever o futuro, mas não é fora da realidade pensar que, décadas a frente, 2017 seja considerado o ano do trap, pelo menos no <em>mainstream</em> global. O subgênero do hip hop criado no sul dos EUA nos anos 1990 e caracterizado por um sonoridade agressiva, mas muito sedutora esteve no topo das paradas não só na mão de seus criadores de <a href="http://personaunesp.com.br/melhores-discos-de-julho2017/" target="_blank" rel="noopener">Atlanta</a>, mas também por meio de diversas adaptações de outros gêneros e países. O Brasil também viu uma febre do trap com o sucesso de artistas como BK’ e Raffa Moreira. Entretanto, nesta lista destaco a criatividade de Mc Igu.</p>
<p>Dentre os <a href="https://www.youtube.com/watch?v=E5LJOzBcSPw" target="_blank" rel="noopener">tantos trabalhos</a> lançados por Igu em 2017, (e olha que ele é conhecido como uma máquina de fazer música) o projeto <a href="http://personaunesp.com.br/melhores-discos-de-setembro2017/" target="_blank" rel="noopener"><em>Flow Deus</em></a> é o exemplo mais conciso de suas melhores qualidades. Cada música é um “flow”, um tema, &#8211; que vai desde a animada <a href="https://www.youtube.com/watch?v=OV3CrE9Mb0U" target="_blank" rel="noopener">“Kesha”</a> ao depressivo <a href="https://www.youtube.com/watch?v=qCuNwqebCRU" target="_blank" rel="noopener">“Corey Taylor”</a> &#8211; palco para algumas das melhores batidas do rap nacional e letras descontraídas. O humor, inclusive, é um grande componente do som de Igu. A cultura da internet está na essência de sua estética e é escancarada em faixas como <a href="https://www.youtube.com/watch?v=CVB-qzAe0BA" target="_blank" rel="noopener">“Flow Guitarra Humana”</a>. &#8211; <strong>Lucas Marques dos Santos</strong></p>
<hr />
<h3><strong>Mount Eerie &#8211; A Crow Looked At Me</strong></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9104 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mount-eerie-a-crow-looked-at-me.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mount-eerie-a-crow-looked-at-me.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mount-eerie-a-crow-looked-at-me-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/mount-eerie-a-crow-looked-at-me-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p><a href="http://personaunesp.com.br/mount-eerie-morte-real/" target="_blank" rel="noopener">A homenagem de Phil Elverum à Genevieve</a>, sua esposa falecida no ano passado, é um dos LPs mais complexos de 2017. Não por musicalidade vanguardista, letras indecifráveis ou coisas do tipo. O poder de <em>A Crow Looked At Me</em> está justamente em lidar com a morte de uma pessoa querida sem farpas na língua ou rodeios instrumentais.</p>
<p>Na maior parte do tempo, Elverum entrega versos viscerais (&#8220;<em>Quando a morte real entra na casa, toda poesia é estúpida</em>&#8220;, diz em &#8220;Real Death&#8221;) harmonizando sua voz com o violão da mãe de sua filha pequena. Texturas existem, mas podem passar despercebidas de prima &#8211; tamanha a sutileza. Sua perda é sentida em cada momento: Phil se abre enquanto marido, pai, artista e, acima de tudo, ser humano. A exposição lírica beira o invasivo, e é essa capacidade de entregar tanto sentimento em um produto tão compacto que eleva o álbum ao patamar de destaque obrigatório em 2017.</p>
<p>Por essa verve tão crua, não se trata de um trabalho didático. Não há orquestrações ou momentos musicais que sinalizem &#8220;é aqui que você se emociona e lembra que está tudo bem&#8221;. Por outro lado, é bastante didático ao relembrar o ouvinte de que um grande disco vai muito além de progressões de notas certeiras. Não é para todas as horas, mas cada audição é certeza de emoções fortes. Obra-prima, sem menos. &#8211; <strong>Nilo Vieira</strong></p>
<hr />
<h3><strong>SZA &#8211; Ctrl</strong></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9105 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/sza-ctrl.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/sza-ctrl.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/sza-ctrl-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/sza-ctrl-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p>Depois de um 2016 com bons frutos, Solána encontrou terreno favorável para o lançamento de seu aguardado disco de estreia. Ainda assim,<em> Ctrl </em>fica longe da zona de conforto. Sabendo da crescente concorrência na cena R&amp;B, a americana usou de uma honestidade quase cirúrgica para se distinguir na multidão. O resultado são 49 minutos do que soa como um cartão de visitas para a cantora e suas mais desconcertantes confissões.</p>
<p>Desenvolvendo a poética torta e crua que vem maturando desde o início da carreira, SZA reuniu monstros do gênero, à exemplo de Pharrell Williams e <a href="http://personaunesp.com.br/tag/kendrick-lamar/" target="_blank" rel="noopener">Kendrick Lamar</a>, para dar forma a seu trabalho mais sofisticado até agora. Esse crescimento se reflete no rico leque de referências, que abarca nomes como Marvin Gaye, Erykah Badu e Macy Gray. Pinceladas de hip-hop completam o combo, que cativa pela universalidade dos temas que toca, sem nunca soar genérico.</p>
<p>Livre de maniqueísmos ou papas na língua, o registro é uma viagem pela cabeça bagunçada da cantora. Aqui, SZA assume sem medo sua personalidade fortíssima, rendendo uma experiência triste e sexual até o último acorde. &#8211; <strong>Leonardo Teixeira</strong></p>
<hr />
<h3><strong>Tyler, The Creator &#8211; Flower Boy</strong></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9106 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/tyler-the-creator-flower-boy.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/tyler-the-creator-flower-boy.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/tyler-the-creator-flower-boy-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/tyler-the-creator-flower-boy-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p>O jovem ex-líder do coletivo Odd Future lançou o álbum mais bem sucedido de sua carreira sem muito alarde. Antes mesmo do anúncio, tivemos especulações que foram desmentidas pelo próprio<em> rapper</em> para depois levar os fãs ao hype com o clipe de &#8220;Who Dat Boy&#8221;, a faixa mais agressiva do novo trabalho.</p>
<p>Em seu primeiro disco usando seu nome real, Tyler Okonma larga de vez o personagem construído durante seus primeiros projetos para entregar um projeto mais intimista, pessoal e crítico. Se pela sombra de Sam (em <em>Wolf, </em>de 2013), o músico recebia acusações de machismo e homofobia, dessa vez a sua possível homossexualidade é discutida nas letras e comentada pela comunidade.</p>
<p>Acompanhado por samples regados a muito jazz e soul, Tyler coloca bastante sentimentalismo nos versos. Tem espaço para discutir a fama e antigas amizades, depressão, suicídio e até explosões de raiva. Mesmo com essas crises todas, o disco também possui momentos otimistas: não à toa, encerra com a ordem &#8220;<em>aproveite o hoje e o agora</em>&#8220;. <a href="http://personaunesp.com.br/melhores-discos-de-julho2017/" target="_blank" rel="noopener"><em>(Scum Fuck) Flower Boy</em></a> é trampo com uma qualidade artística que mostra que seu jovem criador, conhecido por brincadeiras no trabalho e nas redes sociais, finalmente floresceu e conseguiu colocar seu nome entre os maiores rappers da atualidade. &#8211; <strong>Egberto Santana Nunes</strong></p>
<hr />
<h3><strong>Vince Staples &#8211; Big Fish Theory</strong></h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-9107 aligncenter" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/vince-staples-big-fish-theory.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/vince-staples-big-fish-theory.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/vince-staples-big-fish-theory-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/12/vince-staples-big-fish-theory-300x300.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p>Vince Staples é um nome em ascensão. A persona discreta do rapper californiano pode não inspirar muita confiança, assim como seu terceiro LP: 12 faixas em 36 minutos, característica peculiar em um tempo de discos batendo quase uma hora de duração. Mas o conciso <a href="http://personaunesp.com.br/melhores-discos-de-junho2017/" target="_blank" rel="noopener"><em>Big Fish Theory </em></a>é, de longe, um dos álbuns mais cativantes do ano.</p>
<p>Os <em>feats</em> certeiros, os versos ágeis e a produção revigorante formam um registro sutil em sua complexidade. O diálogo entre as rimas de Vince e as bases que devem tanto ao <em>g funk</em> de Dr. Dre quanto à música eletrônica dá o tom da narrativa: o conflito entre introspecção e hedonismo. O clipe de &#8220;Big Fish&#8221;, a maior<em> banger</em> do registro, retrata o rapper sozinho em um barco rodeado por tubarões. É a batalha com demônios interiores, como a depressão e o medo da fama, e exteriores, como o racismo, condensada em uma obra fluida e grudenta. Garantia de replays sem fim. &#8211; <strong>Gabriel Leite Ferreira</strong></p>
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		<title>50 anos de Sgt. Pepper&#8217;s: alento para os corações solitários</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Jun 2017 22:49:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Mariana Faria]]></category>
		<category><![CDATA[The Beatles]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Faria Lançado em 1° de junho de 1967, entre tantos discos que marcaram a história desse simbólico ano, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles é para muitos o maior álbum já feito. Disse para muitos pois há quem discorde, inclusive no ramo musical, como Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones. Em entrevista &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/50-anos-sgt-peppers-beatles/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "50 anos de Sgt. Pepper&#8217;s: alento para os corações solitários"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-7941 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/Imagem-01.jpg" alt="sgt-peppers-50" width="600" height="581" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/Imagem-01.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/Imagem-01-300x291.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p><strong>Mariana Faria</strong></p>
<p>Lançado em 1° de junho de 1967, <a href="http://personaunesp.com.br/the-velvet-underground-nico/">entre tantos discos que marcaram a história desse simbólico ano</a>, <em>Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band</em> dos Beatles é para muitos o maior álbum já feito. Disse para muitos pois há quem discorde, inclusive no ramo musical, como Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones. <a href="http://www.esquire.com/entertainment/music/interviews/a36899/keith-richards-interview-0915/">Em entrevista à <em>Esquire</em></a><em>,</em> o guitarrista afirmou: “Algumas pessoas acham que [Sgt. Pepper&#8217;s] é um disco genial, mas eu acho que é uma mistura de lixo, mais ou menos como <em>Their Satanic Majesties’ Request </em>(disco dos Rolling Stones)”.</p>
<p><span id="more-7949"></span></p>
<p>Ainda assim, o oitavo álbum do quarteto de Liverpool teve impacto imediato, vendendo 2,5 milhões de cópias só nos três primeiros meses. Além disso, o disco é uma das grandes vozes da contracultura – que ganharia mais força nos anos seguintes – e tão melancólico quanto um tanto irônico é o aniversário de meio século desse álbum fundamental ser celebrado em tempos onde os valores negados pela geração <em>flower power</em> são destacados pelo conservadorismo político ao redor do globo.</p>
<p>O disco do sargento pimenta representa o auge dos Beatles e se revela dissimulador do real. Situado na época recheada de esperança, otimismo e criatividade do <em>summer of love</em> de 67, <em>Sgt. Pepper’s</em> expõe essa fuga da realidade em duas vertentes. Uma delas é a psicodelia iridescente, marca da geração <em>flower power</em>. A outra é a fuga da identidade, por assim dizer, crítica da própria banda. Nesse sentido de outra identificação, surge a criação da Banda do Clube dos Corações Solitários liderada pelo sargento Pimenta. Já em 1966, o quarteto estava cansado de se apresentar ao vivo devido à histeria da beatlemania, então decidiram deixar de fazer shows. Com isso, McCartney deu a ideia do álbum ser gravado por uma banda fictícia:</p>
<blockquote><p>“I made a suggestion. I said, &#8216;We need to get away from ourselves &#8211; how about if we just become sort of an alter ego band?”</p></blockquote>
<p>&#8211; <a href="http://www.thebeatles.com/album/sgt-peppers-lonely-hearts-club-band">Paul McCartney</a></p>
<p>A abertura com a música homônima, um rock’n’roll anos 50 com quarteto de trompas, reproduz o começo de um show, em tom crítico: <em>“They&#8217;ve been going in and out of style/ But they&#8217;re guaranteed to raise a smile”</em>, referente à impopularidade dos Beatles nos EUA; e também modesto:<em>“We&#8217;re Sergeant Pepper&#8217;s Lonely Hearts Club Band/ We hope you will enjoy the show”</em>, afinal eles eram a banda pop dos anos 60. Além disso, a música encerra sem a comum separação entre faixas, o trecho final “chama” a próxima música: <em>“So let me introduce to you/ The one and only Billy Shears”</em>, ou mais conhecido por Ringo Starr. Então se inicia <em>With A Little Help From My Friends</em>, interpretada pelo baterista, dando sequência ao show. A segunda faixa também apresenta a autocrítica logo no primeiro verso (<em>“What would you think if I sang out of tune?/ Would you stand up and walk out on me?”</em>),  já que Ringo cantava geralmente as músicas com arranjos mais simples.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/xxaOItEmu3U" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Na sequência vem <em>“Lucy In The Sky With Diamonds”</em> e a fuga entra, então, no plano lisérgico. Se em São Francisco, Jefferson Airplane e Grateful Dead movimentavam a cena psicodélica, em Liverpool os Beatles também começavam a se aventurar na psicodelia do verão do amor. Posteriormente, essa proposta seria melhor explorada por conterrâneos como Pink Floyd, com <em>The Piper at the Gates of Dawn</em>, e até mesmo os Stones e seu <em>Satanic Majesties’.</em></p>
<blockquote><p>Picture yourself in a boat on a river</p>
<p>With tangerine trees and marmalade skies</p>
<p>Somebody calls you, you answer quite slowly</p>
<p>A girl with kaleidoscope eyes</p>
<p>Cellophane flowers of yellow and Green</p>
<p>Towering over your head</p>
<p>Look for the girl with the sun in her eyes</p>
<p>And she&#8217;s gone</p></blockquote>
<p>-Lucy In The Sky With Diamonds</p>
<p>Apesar de John Lennon negar que Lucy se refira a LSD, a letra por si só se mostra imersa na fantasia onírica colorida. Esse passeio lisérgico mistura a realidade, no tom mais animado cantado no refrão, com a viagem alucinógena, perpassada na lentidão do vocal de Lennon ao longo do resto da letra.</p>
<p>O resto do enredo performático do lado A envolve a esperança e o otimismo do “paz e amor” no ritmo agitado de “Getting Better” e no divagar da mente em “Fixing a Hole”. Já a liberdade buscada pela juventude sessentista e o ideal anticonsumista dos hippies aparecem com uma orquestra de cordas em “She’s Leaving Home”, e por fim, “Being for the Benefit of Mr. Kite!”, uma ótica do circo com efeitos simulando o clima festivo desse ambiente.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/usNsCeOV4GM" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Continuando o lado B, “Within You Without You” traz, sob uma musicalidade totalmente oriental, a contracultura e a espiritualidade hindu – esta bastante requisitada à época –  e a concepção de amor, no sentido romântico, que aparece em “When I’m Sixty-Four” e “Lovely Rita”. Antes do show acabar com a reprise de “Sgt Pepper’s”, “Good Morning, Good Morning” fecha com um experimentalismo de sequência de sons de animais seguindo a linha de<a href="http://personaunesp.com.br/revolver-50-anos-inicio-fase-psicodelica-beatles/"><em> Revolver</em></a> e de <a href="http://personaunesp.com.br/pet-sounds-50-anos/"><em>Pet Sounds</em></a>, dos Beach Boys, ambos do ano anterior.</p>
<p>Depois da reprise de “Sgt. Pepper’s” tocada ao vivo, anunciando o fim do show da banda do sargento pimenta, “A Day In The Life” termina os 44 minutos do disco com uma atmosfera, de certo modo, deprimida. Realidade e sonho se encontram novamente em contraste. E talvez a realidade aqui se mostre tão angustiante quanto o som intenso da sintonia orquestral crescente no final da música que desmorona num estrondo como a vida, sendo assim, a fuga da realidade a única saída.</p>
<p>Mas para Keith Richards os Beatles se perderam. “Os Beatles soavam ótimos quando eram os Beatles. Mas não tem muita raiz nessa música [Sgt. Peppers]. Acho que eles foram longe demais”<em>. </em>Segundo o guitarrista dos Stones, o grupo de Liverpool tinha acabado em 1966. Porém, a mudança deu mais liberdade de criação para o grupo de Liverpool.</p>
<blockquote><p><em> </em>“(&#8230;) and thought of ourselves as artists rather than just performers. There was now more to it; not only had John and I been writing, George had been writing, we&#8217;d been in films, John had written books, so it was natural that we should become artists.”</p></blockquote>
<p>-Paul McCartney na biografia <em>Many Years From Now</em>, de Barry Miles</p>
<figure id="attachment_7943" aria-describedby="caption-attachment-7943" style="width: 840px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-7943 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/Making-The-Cover-for-Sgt-Pepper’s-Lonely-Hearts-Club-Band-1-1024x705.jpg" alt="sgt-peppers-making-of" width="840" height="578" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/Making-The-Cover-for-Sgt-Pepper’s-Lonely-Hearts-Club-Band-1-1024x705.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/Making-The-Cover-for-Sgt-Pepper’s-Lonely-Hearts-Club-Band-1-300x206.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/Making-The-Cover-for-Sgt-Pepper’s-Lonely-Hearts-Club-Band-1-768x528.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/Making-The-Cover-for-Sgt-Pepper’s-Lonely-Hearts-Club-Band-1-1200x826.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/06/Making-The-Cover-for-Sgt-Pepper’s-Lonely-Hearts-Club-Band-1.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-7943" class="wp-caption-text">Ensaio para a foto da capa: tudo pensado nos mínimos detalhes</figcaption></figure>
<p>A fala de McCartney pode ser observada na arte da capa feita pelo artista Peter Blake. Ao fundo estão personalidades como parte do público da banda fictícia no centro do quadro. O recorte das figuras, que são pessoas admiradas pelos músicos, foi ampliado e colado em papelão para a foto tirada pelo fotógrafo Michael Cooper, além do uso de flores para escrever “Beatles”.</p>
<p>Essa preocupação artística não se restringiu apenas à estética visual do disco. A produção – com o apoio brilhante do engenheiro de som, Geoff Emerick, e do produtor e maestro George Martin – também teve tal viés nas 700 horas trabalhadas no estúdio. Fora a tentativa de criar uma narrativa contínua de música nos dois lados do LP para ouvir uma faixa logo após a outra, sem pulá-las, como num show ao vivo.</p>
<blockquote><p>&#8220;Por sabermos que os Beatles nunca tocariam essas músicas ao vivo, não existiram barreiras criativas.&#8221;</p></blockquote>
<p>&#8211; Geoff Emerick, em <em>Here, There and Everywhere: My Life Recording the Music of the Beatles</em>, do próprio Emerick</p>
<p>Assim, por mais que soe ardido aos ouvidos de Keith Richards é inegável atribuir a <em>Sgt. Pepper’s</em> pouca qualidade, tanto estética quanto sonora, mesmo que se trate de um disco pop superproduzido. Toda a  experiência artística e autocrítica, otimista e fugaz da realidade percorrida no disco anima os corações solitários de seus ouvintes, especialmente nessa época de ares conservadores.</p>
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		<title>A arte de Leandro Gonçalez coloca em cena quadrinhos e fanzines locais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Dec 2016 19:30:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Leandro Gonçalez]]></category>
		<category><![CDATA[Mariana Faria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O desenhista fala sobre sua carreira em Bauru, algumas de suas produções e o cenário atual da produção de quadrinhos nacionais. Mariana Faria O mercado de quadrinhos no Brasil é substancialmente voltado às produções internacionais. Embora seja evidente a queda no âmbito nacional, ainda há circulação de material produzido no Brasil, como é o caso &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/arte-de-leandro-goncalez-coloca-em-cena-quadrinhos-e-fanzines-locais/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A arte de Leandro Gonçalez coloca em cena quadrinhos e fanzines locais"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O desenhista fala sobre sua carreira em Bauru, algumas de suas produções e o cenário atual da produção de quadrinhos nacionais.</em></p>
<figure id="attachment_6851" aria-describedby="caption-attachment-6851" style="width: 960px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-6851 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/1-leandro-gonçalez-hq-bauru.jpg" alt="1-leandro-goncalez-hq-bauru" width="960" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/1-leandro-gonçalez-hq-bauru.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/1-leandro-gonçalez-hq-bauru-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/1-leandro-gonçalez-hq-bauru-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-6851" class="wp-caption-text">Leandro Gonçalez em seu estúdio</figcaption></figure>
<p><strong>Mariana Faria</strong></p>
<p>O mercado de quadrinhos no Brasil é substancialmente voltado às produções internacionais. Embora seja evidente a queda no âmbito nacional, ainda há circulação de material produzido no Brasil, como é o caso do desenhista Leandro Gonçalez que cria obras ligadas a cultura local. Em entrevista ao blog ele fala um pouco sobre suas produções de HQs e comenta sobre o cenário atual dos quadrinhos nacionais.<span id="more-6850"></span></p>
<p><b>Gonçalez, você é de Ourinhos, como foi a vinda para Bauru e o início da sua carreira?</b></p>
<p><b>Gonçalez:</b> Eu vim para Bauru em 1996, montei um atelier de pintura e comecei a oferecer trabalho de decoração, fiquei fazendo decoração artística até 1999. Ofereci trabalho de retratos, de propaganda, de faixas; e meu atelier ficava muito cheio de material de tela, então eu sempre ficava produzindo tela e por causa dessa produção de tela na frente do atelier começou a surgir trabalhos de encomenda de material de retrato, de decoração. Eu fiquei por uns 3 a 4 anos só com produção de decoração na cidade, fiz trabalhos para na região também, decoração em igrejas e tive três pontos na cidade, comecei no Vista Alegre com atelier, depois mudei para a Falcão onde também montei um atelier e de lá vim para o centro da cidade em 1998, onde montei um atelier/estúdio na Cussy Junior com a Virgílio Malta e ali foi onde eu fiquei mais conhecido na cidade, de 1998 a 2005.</p>
<p><b>Você tem um engajamento com quadrinhos, como surgiu a ideia de criar <em>O Guardião</em>, o primeiro super-herói de Bauru?</b></p>
<p><b>Gonçalez: </b>Eu curto quadrinhos desde criança, faço fanzine desde os 15 anos faço fanzine. E eu sempre fiz fanzine de humor, de cartoon, de tirinhas; os primeiros a serem publicados em jornal foram as tirinhas. Aí esse material de super-herói eu sempre quis fazer mas ficava meio que com medo né, histórias longas, eu achava que tinha que mexer com muita saga, então isso me prendia de ficar executando ele. Aí eu comecei a dar importância a esses heróis no começo da carreira, quando o Bob Kane criou o Batman, ele fez coisa simples, coisas fechadas, o próprio Super-Man também nas primeiras histórias, o próprio material nacional tinha muito isso. Então como eu peguei o material do Gedeone, que tinha o Raio Negro e o Homem Lua e os outros personagens dele, eram histórias rápidas e curtas, nisso aí ele já colocava toda a personalidade do herói, a criação dele e toda a fantasia do personagem. Foi aonde eu quis mexer com super-herói.</p>
<p><b>Então, partindo dessa ideia de <em>O Guardião</em> teve a criação de super-heróis aqui da região. Quais são essas cidades e os seus super-heróis?</b></p>
<p><b>Gonçalez: </b>Então, meu trabalho sempre foi envolvido com coisa local, coisa regional, mesmo com as tirinhas eu ficava com personagem próximo, nunca saí fora desse universo assim. Aí com os super-heróis eu quis ficar com os personagens local meu e “O Guardião” foi o primeiro. Então eu criei “O Guardião” de Bauru, depois eu fui para a minha cidade natal, Ourinhos, aí fui pegando as cidades mais próximas, aí eu fiz <em>O Guardião Real</em> de Santa Cruz do Rio Pardo, fiz <em>O Fera Negra</em> de Botucatu e <em>O Minuano</em> de Jaú. Eu quero fechar vários personagens com vários heróis de toda região.</p>
<figure id="attachment_6852" aria-describedby="caption-attachment-6852" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-6852" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Imagem-2-2.jpg" alt="Fanzines do Guardião, primeiro super- herói de Bauru " width="600" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Imagem-2-2.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Imagem-2-2-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Imagem-2-2-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-6852" class="wp-caption-text">Fanzines do Guardião, primeiro super- herói de Bauru</figcaption></figure>
<p><b>A produção de “Terra de Breasal” é sobre fantasia medieval, outro gênero e você utilizou modelos para a projeção dos personagens, amigos e tal. Como foi essa experiência? </b></p>
<p><b>Gonçalez:</b> O Breasal começou em 2015 eu acho, é uma história de fantasia, arte fantástica e eu pretendo fechar em trilogia; depois fazer histórias fechadas de alguns personagens, fora a história toda fazer alguns dos personagens. E eu quis fazer um mapa só dentro do estado de São Paulo, continuando tudo local. Eu continuei o histórico de navegações, os portugueses chegando, mas isso alterando alguns séculos atrás e usei uma mitologia que os celtas já tinham vindo aqui antes e tal. E nisso aí eu fiz como que aqui nos países tropicais tivesse a fabula, a fantasia toda do sobrenatural e coisas fantásticas. Com essa importância eu quis registrar, alguns amigos eu usei de modelo, quis deixar alguns registros ali, usei meu pai também como modelo de rei e eu quis dar uma riqueza de sensualidade e erotismo, então convidei várias modelos que usei como referência.</p>
<p><b>E o pessoal curtiu essa experiência?</b></p>
<p><b>Gonçalez: </b>Curtiu, eu estou continuando com o trabalho, esse ano eu voltei para a segunda parte da história, continuo recebendo material de fotografia e é uma arte mais realista, então a beleza dos quadrinhos cativa mais as pessoas.</p>
<figure id="attachment_6853" aria-describedby="caption-attachment-6853" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-6853" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Imagem-3-2.jpg" alt="imagem-3" width="600" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Imagem-3-2.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Imagem-3-2-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Imagem-3-2-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-6853" class="wp-caption-text">Fantasias e guerras presentes em &#8220;Terras de Breasal&#8221;</figcaption></figure>
<p><b>Fanzine é uma coisa que você produziu bastante, <em>Crônicas do Além</em> é um que reúne histórias de terror. Como você vê esse gênero nos quadrinhos nacionais, atualmente? Um panorama.</b></p>
<p><b>Gonçalez: </b>Então, os quadrinhos de terror sempre foram um clássico nosso, sempre teve título desde os anos 40 e 50, nos anos 80 foi forte e tá meio apagado agora nessas últimas duas décadas. Tem muita coisa alternativa, underground, que o pessoal ainda faz. O próprio <em>Calafrio</em>, mesmo terror que era clássico nos anos 80, tem um rapaz no Paraná reeditando de novo o título. Mas é vendido só em correio, internet, essas coisas, não tem distribuição em banca. Era um gênero forte nosso, criação nossa e deixaram apagar também, existe só uma velinha acesa, querendo apagar né. E eu vim com esse título, porque eu já era fã de terror e queria continuar fazendo, essa foi uma ideia de reunir vários desenhistas próximos de mim e colocar tudo em uma edição só e eu consegui, tem vários desenhistas dá própria cidade e amigos da região que cria também às vezes para continuar essa edição.</p>
<figure id="attachment_6854" aria-describedby="caption-attachment-6854" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-6854" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Imagem-4-1.jpg" alt="Páginas do fanzine de terror &quot;Crônicas do Além&quot;" width="600" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Imagem-4-1.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Imagem-4-1-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Imagem-4-1-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-6854" class="wp-caption-text">Páginas do fanzine de terror &#8220;Crônicas do Além&#8221;</figcaption></figure>
<p><b>Bom, você tem uma editora, a Hiboriana, o que você acha que é pior na função de desenhista aqui no Brasil?</b></p>
<p><b>Gonçalez: </b>Então, a Hiboriana eu comecei em 2012, vai fazer cinco anos ano que vem. Eu criei <em>O Guardião</em> em 2011, aí o material foi ficando pronto e em 2012 eu já lancei com o selo da Hiboriana. Então, eu fiz um fanzine um ano antes com a temática de cangaço, em uma divulgação pela internet, foram alguns amigos que fizeram para divulgar a capa, ele era um fanzine, cru, capa preto e branco, feita no nanquim e não tinha selo nem nada, só tinha o título e mais nada, algo bem cru, artesanal. Como isso começou a circular em outro cenário, eu senti que tinha que ter o selinho, eles davam a importância por um selo editorial, ninguém sabia de onde vinha o selinho, mas tinha que ter o selinho. Aí foi onde eu me preocupei com o selo e dar um tratamento de colorização com a capa; nesse intervalo eu fiquei pensando no título da editora, inventei o Hiboriana que tinha a ver com universo de quadrinho, que era do Conan, medieval; e usei ele.</p>
<p>Aí acabou, a hora que coloquei o selo a ação foi imediata, a aceitação foi na hora, aí criei página e só fui recebendo amigos, mensagens, venda por internet e eu consegui ficar com a produção em cima, sabe; em quatro anos ainda estou fazendo. E no Brasil eu acho que continua parado, se você for na banca continua sem material nacional, continua uma coisa meio elitizada ainda, só grandes nomes que fazem álbuns de luxo em capa encadernado e vê parar na livraria, existe um pessoal que consegue produzir um material alternativo que eu vejo na divulgação da rede, mas não dá para falar que existe uma grande produção que mexe com tudo, mas os quadrinhos nacionais ainda estão parados.</p>
<p><b>Bem Gonçalez, você tem algum lançamento próximo?</b></p>
<p><b>Gonçalez:</b> Tenho, então, eu estou fazendo a edição nº 2 de <em>A Turminha</em> (quadrinho infantil que reúne alguns alunos e colegas do autor) que é para o natal agora, estou com o lançamento do herói de jaú, <em>O Minuano</em> que também está pronto, falta só fazer o lançamento junto com a banca e depois vou continuar. Quero fazer uma aventura com todos os heróis juntos, dentro da cidade aqui de Bauru, eu comecei com a saga e preciso fechar ela, que vão enfrentar alguns alienígenas e tal, faz tempo, mas eu não consegui fechar ainda. Mas eu quero criar mais personagens depois.</p>
<p>Para mais informações, o estúdio do Gonçalez fica na Praça D.Pedro II, 3-13 Centro- Bauru. Telefones para contato: (14) 99719-6414 (14) 3322-7029 / Ourinhos. E também pela <a href="https://www.facebook.com/editorahiborianaefanzines/?fref=ts" target="_blank">página no Facebook da editora Hiboriana</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Revolver: 50 anos do início da fase psicodélica dos Beatles</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Aug 2016 22:12:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Mariana Faria]]></category>
		<category><![CDATA[The Beatles]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Faria Experimentação: essa é a palavra-chave que define o que o sétimo álbum dos Beatles representou no repertório da banda. Lançado em agosto de 1966, Revolver trouxe inovações não só para a banda inglesa, mas também para todo o cenário musical dos últimos anos da década de 60.    Insatisfeitos com as performances ao &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/revolver-50-anos-inicio-fase-psicodelica-beatles/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Revolver: 50 anos do início da fase psicodélica dos Beatles"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_3858" aria-describedby="caption-attachment-3858" style="width: 1220px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3858" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/revolver.jpg" alt="revolver" width="1220" height="1220" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/revolver.jpg 1220w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/revolver-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/revolver-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/revolver-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/revolver-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/revolver-1200x1200.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-3858" class="wp-caption-text">Capa feita com desenhos e colagens pelo artista alemão Klaus Voorman</figcaption></figure>
<p><strong>Mariana Faria</strong></p>
<p>Experimentação: essa é a palavra-chave que define o que o sétimo álbum dos Beatles representou no repertório da banda. Lançado em agosto de 1966, <i>Revolver</i> trouxe inovações não só para a banda inglesa, mas também para todo o cenário musical dos últimos anos da década de 60.   <span id="more-3843"></span></p>
<p>Insatisfeitos com as performances ao vivo sob a alegação de não se ouvirem por causa da gritaria das fãs, os Beatles procuraram explorar novos efeitos e sons durante as gravações, que duraram 300 horas &#8211; inclusive, houve a intenção de o álbum ser gravado nos Estados Unidos, em estúdios mais modernos, mas a ideia não foi para frente e os ingleses continuaram no estúdio Abbey Road, em Londres.</p>
<p>Fato é que desde o álbum anterior, <i>Rubber</i> <i>Soul</i>, o quarteto já vinha com uma mudança em sua sonoridade diante da influência de seus contemporâneos norte-americanos: Bob Dylan, Beach Boys e Byrds, no contexto do ápice do folk rock e da surf music. Além de o disco ser mais poético, a faixa “<em>Norwegian Wood</em>” refletiu bem a nova direção que os músicos tomaram com o uso do sitar, instrumento indiano, sendo assim o primeiro contato da banda com a cultura oriental.</p>
<figure id="attachment_3877" aria-describedby="caption-attachment-3877" style="width: 980px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3877" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/os-beatles-no-estudio-sob-a-lente-de-robert-freeman.jpg" alt="os beatles no estudio sob a lente de robert freeman" width="980" height="552" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/os-beatles-no-estudio-sob-a-lente-de-robert-freeman.jpg 980w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/os-beatles-no-estudio-sob-a-lente-de-robert-freeman-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/os-beatles-no-estudio-sob-a-lente-de-robert-freeman-768x433.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-3877" class="wp-caption-text">Os Beatles no estúdio sob a lente de Robert Freeman.</figcaption></figure>
<p>A criação de <i>Revolver</i> foi impulsionada com o <a href="https://criticapersona.wordpress.com/2016/05/17/pet-sounds-faz-50-anos/#more-2152" target="_blank">lançamento de <i>Pet Sounds</i> dos Beach Boys</a>, a obra sonora mais inovadora na época. Com composições mais ousadas do que em <i>Rubber Soul</i>, os Beatles começaram a se aventurar pelo estado lisérgico, cheio de descobertas, e passaram a incorporar ainda mais as influências da cultura oriental. Assim, a percepção artística dos músicos de Liverpool evoluía.</p>
<p>Logo na abertura do disco já houve uma novidade, pois foi a primeira vez que George Harrison teve uma de suas canções como a primeira faixa de um álbum dos Beatles, além de três de suas composições fazerem parte da obra. Mas para o “quinto Beatle”, o produtor George Martin, e o novo engenheiro de som da gravadora, Geoff Emerick, ainda havia muito a ser explorado.</p>
<p>Emerick veio com a ideia de aproximar os microfones aos instrumentos e amplificadores para emitir um som mais intenso e pesado. O fato não agradou a EMI, pois segundo o padrão de regras da gravadora, a nova técnica danificaria os equipamentos que eram sensíveis. Os Beatles, então, adotaram uma postura radical: ou a gravadora cedia, ou nada seria feito. A conclusão foi uma inovação sonora impressionante. Outros resultados dessas novas experiências incluem a utilização de gravações de trás para frente, de instrumentos indianos (o sitar e a tabla), de instrumentos orquestrais e de efeitos nos vocais.</p>
<p>Em meio a tanto entusiasmo no estúdio, o grupo produziu uma diversidade musical bem ampla. Desde a primeira faixa “<em>Taxman</em>”, um protesto sobre os altos impostos ingleses com riffs agressivos, até o fechamento com a mais experimental “<em>Tomorrow Never Knows</em>”, na qual Lennon queria que sua voz soasse como a de Dalai Lama no topo de um monte e que não podia ser tocada ao vivo devido às limitações dos equipamentos da época.</p>
<p>O uso de arranjos orquestrais aparece na deprimida “<em>Eleanor Rigby</em>”. Em “<em>I’m Only Sleeping</em>”, além de a canção mencionar o prazer de John ficar deitado na cama, levou Harrison a gravar o solo duplo de guitarra invertido numa sessão de 5 horas; Em “<em>She Said She Said</em>”, proveniente de uma viagem de LSD durante uma conversa de John com o ator Peter Fonda, e “<em>Doctor Robert</em>”, uma alusão ao médico Robert Freymann que receitava anfetaminas a alguns famosos, há influências psicodélicas. Já “Love You To” expôs o amor de Harrison tanto pela filosofia quanto à Patti Boyd &#8211; sua recente esposa na época – conta com a presença de instrumentos indianos e foi a primeira utilização da tabla pelo grupo.</p>
<figure id="attachment_3876" aria-describedby="caption-attachment-3876" style="width: 452px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-3876 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/a082bb7217abf3f9dba18aa3dccc784b.jpg" alt="a082bb7217abf3f9dba18aa3dccc784b" width="452" height="300" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/a082bb7217abf3f9dba18aa3dccc784b.jpg 452w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/a082bb7217abf3f9dba18aa3dccc784b-300x199.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 452px) 85vw, 452px" /><figcaption id="caption-attachment-3876" class="wp-caption-text">Ravi Shankar e o discípulo George Harrison</figcaption></figure>
<p>Inspirada na canção “<em>God Only Knows</em>”, dos Beach Boys, e nos vocais de Marianne Faithfull no sucesso de seu <i>single</i> “<em>As Tears Go By</em>” (composição originalmente dos Stones, embora o single de Faithfull tenha sido lançado antes da versão do grupo inglês), “<em>Here There And Everywhere</em>”, junto com a  singularidade do solo de trompa francesa em “<em>For No One</em>” , que fala sobre o término de um relacionamento, são clássicas baladas de McCartney. Enquanto “<em>Yellow Submarine</em>”, apesar de ser repleta de efeitos sonoros, engloba uma melodia simples, pois foi feita para Ringo assumir o microfone.</p>
<p>Contagiado pela energia do folk e do jazz de “<em>Daydream</em>”, do The Loving Spoonful, Paul queria fazer uma música seguindo essa linha. O resultado foi o otimismo de “<em>Good Day Sunshine</em>”, que se diferencia do power pop da enigmática “<em>And Your Bird Can Sing</em>”, sustentada pelos notáveis riffs no dueto das guitarras, soladas ao mesmo tempo. A canção misteriosa, escrita por Lennon, tem várias especulações a respeito de sua letra. Uma delas seria sobre a rivalidade entre os Beatles e os Rolling Stones, embora eles fossem amigos. A hipótese seria uma jogada com o termo “bird”, que no inglês britânico é uma gíria para “namorada” e seria uma referência à Marianne Faithfull, amante de Mick Jagger na época, que estava começando sua ascensão nas paradas pop. Lennon mais tarde desprezaria a composição; contudo, nunca revelou a inspiração por trás da letra indecifrável.</p>
<p>A terceira canção de George no disco, “<em>I Want To Tell You</em>”, ressalta o amadurecimento dos ingleses, pois expõe mediante um lado filosófico a dificuldade de transmitir alguns pensamentos. Na parte final da música identifica-se uma singela influência indiana na harmonia dos vocais. E, por fim, “<em>Got To Get You Into My Life</em>”, a única canção do disco que se refere explicitamente às drogas (mais precisamente à maconha), foi “literalmente um aumento da consciência” segundo as próprias palavras de seu compositor Paul McCartney. A música dispõe da utilização de metais destacando o soul americano, principalmente da Motown.</p>
<figure id="attachment_3886" aria-describedby="caption-attachment-3886" style="width: 794px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-3886" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/08/single-com-as-duas-cancoes-mais-famosas-do-c3a1lbum.jpg" alt="single com as duas cancoes mais famosas do álbum" width="794" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/single-com-as-duas-cancoes-mais-famosas-do-c3a1lbum.jpg 794w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/single-com-as-duas-cancoes-mais-famosas-do-c3a1lbum-300x189.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/08/single-com-as-duas-cancoes-mais-famosas-do-c3a1lbum-768x484.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-3886" class="wp-caption-text">Single com as duas canções mais famosas do álbum</figcaption></figure>
<p>Lançado junto com o álbum em agosto, o <i>single</i> “<em>Yellow Submarine/Eleanor Rigby</em>” atingiu o topo das paradas inglesas. No lado A o tema sugestivo à psicodelia, influenciada pelo uso de drogas, de “<em>Yellow Submarine</em>” surpreende quando, na verdade, a intenção da música é caracterizada pelo tema infantil. Composta essencialmente por McCartney, mas creditada a Lennon/McCartney e com a colaboração de Donovan – que no mesmo ano lançou seu single “<em>Mellow Yellow</em>” &#8211; a viagem pelo submarino amarelo dos Beatles conta com uma variedade de efeitos sonoros como bolhas (sopradas através de um canudo por John em um balde cheio de água), assovios, brinde de taças, barulhos de uma caixa registradora (mais tarde usada em “Money” do Pink Floyd), sinos, buzinas, metais e um conjunto de vozes que incluem a participação de Brian Jones e Marianne Faithfull simulando o ambiente de festa dentro do submarino.</p>
<p>A fúnebre “<em>Eleanor Rigby</em>” compõe o lado B do <i>single</i>. A canção, escrita por McCartney, transmite o tom de solidão não apenas em sua letra melancólica, mas também na harmonia com a utilização do octeto de cordas, unindo o erudito ao pop que rendeu ao grupo uma de suas composições mais sólidas.</p>
<p>Duas músicas que não fizeram parte do disco, mas foram gravadas durante as sessões de <i>Revolver,</i> saíram no <i>single</i> “<em>Paperback Writer/Rain</em>”. Lançadas meses antes do álbum, ambas as canções foram um prelúdio do que o sétimo trabalho dos Beatles iria trazer. No lado A “<em>Paperback Writer</em>”, escrita na forma de uma carta, traz um maior protagonismo do baixo, com uma sonoridade mais vibrante, além da harmonia dos vocais evidenciando a influência de <i>Pet Sounds</i> dos Beach Boys. Enquanto no lado B a atmosfera de “Rain”, composta pela sensação de lentidão junto com o vocal mais delongado, relacionou a parte musical com a lírica sobre o estado de consciência demonstrando, assim, a profundidade da canção.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><span class="embed-youtube" style="text-align:center; display: block;"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lICpC2GoHjg?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></span></div>
<p>Um fato interessante sobre “Rain” é a respeito de seu final. Foi a primeira vez que o grupo utilizou a técnica de rodar a fita de trás para frente. Com a nova façanha (recorrente em <em>Revolver</em>), o final da música é na verdade o primeiro verso da canção <i>“If the rain comes they run and hide their heads”.</i></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Beatles - Rain (backwards vocal)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/gAybyd54OH8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Após o lançamento do disco, sucesso nas paradas americana e inglesa, o quarteto encerrou suas atividades nos palcos. Além do descontentamento dos músicos em tocar ao vivo, a polêmica e famosa fala de John Lennon, “Somos mais populares que Jesus”, mal interpretada por conservadores religiosos norte-americanos, culminaram no fim das performances ao vivo, e, assim, os Beatles passaram apenas a se dedicarem aos estúdios. Tanto que em novembro de 1966, eles já começariam a gravar o seu álbum mais criativo e conceitual, lançado no ano seguinte, o <i>Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. </i>A loucura vivida nos palcos será ilustrada no documentário <i>Eight Days A Week – The Touring Years</i>, dirigido por Ron Howard, com data de lançamento para setembro de 2016 nos cinemas de todo o globo. O filme também retratará a rotina dos Beatles em seus primeiros anos de carreira, entre 1962 e 1966, além de entrevistas com Paul e Ringo, os integrantes remanescentes.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="THE BEATLES: EIGHT DAYS A WEEK - THE TOURING YEARS" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Mj0KLrrl2rs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><i>Revolver</i> traz o início do psicodelismo no som dos Beatles juntamente com a continuação do amadurecimento lírico com composições ainda mais elaboradas, reflexivas e metafóricas. O disco, que recebeu o nome em razão da rotação do vinil na vitrola, pode até não ser considerado o melhor do quarteto inglês, entretanto foi definitivamente o momento mais significante do experimentalismo presente na fase madura da banda.</p>
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