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	<title>Arquivos Literatura Fantástica &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>As convidadas de Silvina Ocampo são as reviravoltas</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Dec 2022 22:09:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  “Poucas pessoas vão acreditar neste relato. Às vezes seria preciso mentir para que as pessoas admitissem a verdade; esta triste reflexão eu fazia na infância por razões fúteis; agora as faço por questões transcendentais.” O que delimita a linha do absurdo? Em que momento fomos ensinados a ler algo e dizer o quanto &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-convidadas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As convidadas de Silvina Ocampo são as reviravoltas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29491" aria-describedby="caption-attachment-29491" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-29491 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ASCONVIDADAS_JAMILYRIGONATTO_WORDPRESS.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ASCONVIDADAS_JAMILYRIGONATTO_WORDPRESS.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ASCONVIDADAS_JAMILYRIGONATTO_WORDPRESS-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/ASCONVIDADAS_JAMILYRIGONATTO_WORDPRESS-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29491" class="wp-caption-text">As convidadas foi um dos livros recebidos pelo Persona na parceria com a Companhia das Letras, e foi a leitura do Clube do Livro em Outubro (Foto: Companhia Das Letras/Arte: Ana Cegatti)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Poucas pessoas vão acreditar neste relato. Às vezes seria preciso mentir para que as pessoas admitissem a verdade; esta triste reflexão eu fazia na infância por razões fúteis; agora as faço por questões transcendentais.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O que delimita a linha do absurdo? Em que momento fomos ensinados a ler algo e dizer o quanto aquilo é distante do lógico? São respostas presas ao inconsciente, o tipo de habilidade praticamente instintiva na mentalidade humana. Mas é lendo Silvina Ocampo e sua audácia singular que essas fronteiras parecem se diluir sem precisar de muitas páginas. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">As convidadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> – livro publicado pela </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212057/as-convidadas"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em Maio de 2022 –, a mente e o mundo são peripécias capazes de causar desconforto arrebatador e crença no irreal. </span></p>
<p><span id="more-29488"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/literatura-estrangeira/silvina-ocampo-sai-das-sombras#:~:text=Nascida%20em%2028%20de%20julho,filhas%20em%20casa%2C%20com%20tutoras."><span style="font-weight: 400;">autora argentina</span></a><span style="font-weight: 400;"> teve sua obra publicada postumamente no Brasil, sob a tradução de Livia Deorsola, e, se em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fúria e outros contos</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 2019, as coisas de seu universo particular já tomavam rumos curiosos, dessa vez isso se intensifica. Nos 44 contos que compõem a obra, somos apresentados ao rotineiro metamorfoseado, como se aquela ida diária à padaria te levasse diretamente para Marte e a diferença fosse notada tarde demais. Os personagens são diversos, partindo de crianças a casais que protagonizam situações absolutamente inusitadas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É na escrita que tudo se mistura. O leitor se sente chocado, mas ao mesmo tempo é apresentado a isso com uma narrativa trabalhada com naturalidade. A estranheza das coisas nunca são destacadas no texto, pois no mundo de </span><a href="http://www.blogletras.com/2018/09/silvina-ocampo-o-et-cetera-da-familia.html"><span style="font-weight: 400;">Ocampo</span></a><span style="font-weight: 400;"> o extraordinário é tão comum que nos faz sentir culpados pelas reações escandalizadas. Mesmo trabalhando com histórias não complementares de pouco mais de uma página, o fantástico vive em linhas tênues.</span></p>
<figure id="attachment_29489" aria-describedby="caption-attachment-29489" style="width: 434px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-29489" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/2.jpg" alt="" width="434" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-29489" class="wp-caption-text">Silvina e sua Literatura única chegaram às terras brasileiras apenas em 2019, 26 anos após sua morte em 1993, pela Companhia das Letras (Foto: Companhia Das Letras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As histórias de </span><i><span style="font-weight: 400;">As convidadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> não precisam se ligar para ter pontos em comum. Tudo caminha em linhas retas, mas se desenrola em redemoinhos. Os inícios comuns culminam em facetas trágicas e conflitantes. Em muitos momentos, a autora brinca com as reações psicológicas a ponto de criar medo. É o caso do conto </span><i><span style="font-weight: 400;">Carta debaixo da cama</span></i><span style="font-weight: 400;">, no qual, conforme as palavras vão sendo escritas, somos capazes de experimentar o desespero da protagonista; o corte brusco dispensa detalhes do fatal para ser </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-cemiterio-stephen-king-enterra-receios-autor-ressuscita-historia-sobria-intensa-muito-assustadora/"><span style="font-weight: 400;">assustador</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de brincar com nossos cérebros, Silvina nos dá acesso ao dela. Os períodos longos e pouco pontuados integram narrativa ao pensamento. Por isso, as histórias perdem contexto de tempo ou momento. É como se tudo estivesse sendo noticiado no jornal da noite e a ambientação temporal ficasse meramente em segundo plano. O </span><a href="http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2014/04/gabriel-garcia-marquez-revelou-para-o-mundo-o-realismo-fantastico.html#:~:text=Gabriel%20Garc%C3%ADa%20M%C3%A1rquez%20deu%20forma,N%C3%A3o%20invento%20nada."><span style="font-weight: 400;">fantástico</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o verdadeiro protagonista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, tudo nos é suscitado, como elementos inseridos com o propósito de causar impacto enquanto criam questionamentos e reflexões. É a construção do absurdo se tornando razoável. Aqui, a </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/pagina-cinco/2022/11/18/silvina-ocampo-literatura-argentina-fantastica-livia-deorsola-a-furia.htm"><span style="font-weight: 400;">escritora</span></a><span style="font-weight: 400;"> atua como uma telespectadora esperando as reações ao seu redor. E ela é muito bem sucedida em tirar expressões ímpares dos rostos que a leem. Afinal, é impossível ser blasé diante de construções tão simbólicas e excepcionais.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Não foi senão depois de um tempo e de um detalhado estudo que distingui, na famosa fotografia, o quarto, os móveis, a cara borrada de Valentín. A figura central, nítida, terrivelmente nítida, era a de uma mulher coberta de véus e de escapulários, já um pouco velha e com grandes olhos famintos, que se revelou ser Pola Negri.” </span></p></blockquote>
<p><i><span style="font-weight: 400;">As convidadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> nunca se propôs a fechar ciclos; é direito de quem contempla a obra acreditar ou não no que está sendo exposto. A </span><a href="https://personaunesp.com.br/comemoracao-de-20-anos-de-harry-potter-de-volta-a-hogwarts-critica/"><span style="font-weight: 400;">magia</span></a><span style="font-weight: 400;"> mora exatamente na falta dos limites de início, meio e fim. O próprio conto que dá nome ao livro deixa espaço para interpretações, visto que é difícil definir se as convidadas são apenas fruto de traquinagem infantil ou figuras de um plano metafísico. Isso no caso de se tratar de uma criança, pois as idades nunca são claramente definidas e cabe a nós entender da forma que nos for adequada.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante consumir o texto e ver como os tons assustadores e emblemáticos cabem em espaços tão curtos. Alguns </span><a href="https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2019/10/18/silvina-ocampo-um-dos-maiores-misterios-da-literatura-latino-americana.ghtml"><span style="font-weight: 400;">contos</span></a><span style="font-weight: 400;"> têm menos de duas páginas e conseguem estabelecer a linearidade invadida pela surpresa perfeitamente. Personagens que nem sequer tem nome, mas entregam pedaços de suas essências em nossas mãos. Uma conexão curiosa perpassando as fronteiras físicas. </span></p>
<figure id="attachment_29490" aria-describedby="caption-attachment-29490" style="width: 685px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-29490 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL-685x1024.jpg" alt="" width="685" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL-685x1024.jpg 685w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL-535x800.jpg 535w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL-768x1147.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL-1028x1536.jpg 1028w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL-1371x2048.jpg 1371w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL-1200x1793.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/71UIXZq7FbL.jpg 1405w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29490" class="wp-caption-text">A Fúria traz 34 contos com temáticas principais focadas na infância (Foto: Companhia Das Letras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo foge do comum, mas ainda mantém como temática principal o ser </span><a href="https://personaunesp.com.br/inventario-critica/"><span style="font-weight: 400;">humano</span></a><span style="font-weight: 400;">. A escrita trabalha com elementos da espiritualidade e transgride também na Cultura. Muitos contos envolvem questões religiosas, cultos, crendices e simpatias em sua composição. Esse tipo de citação contribui para que o hiperbólico faça tanto sentido quanto a religião e seu valor concreto na sociedade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda na ideia de explorar camadas da humanidade, os acontecimentos do cenário incomum levam as pessoas a mostrarem suas verdadeiras faces, já que muitas das histórias tem fundo na </span><a href="https://personaunesp.com.br/lucifer-5a-temp-parte-2-critica/"><span style="font-weight: 400;">perversidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> das motivações. Desejos por doenças, mortes, acidentes e outras tragédias são figuras recorrentes nos enredos, à forma com a qual esse contexto sincero também molda uma reflexão sobre as partes desconcertantes que todos tem, mas escondem a qualquer custo. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Talvez eu tenha me arrependido. O Pata de Cão não pertencia a minha família. Para que o sacrificar? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quisemos tirar o boneco de dentro da panela. Queimamos as mãos no vapor. Quando conseguimos tirá-lo, não sobravam nem pernas, nem pés, nem cabelo, nem rabo de centauro.” </span></p></blockquote>
<p><i><span style="font-weight: 400;">As convidadas</span></i><span style="font-weight: 400;"> diz muito sem precisar ser claro. Entre eventos completamente </span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><span style="font-weight: 400;">insólitos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pessoas absolutamente comuns, a vida é testemunhada sob tantas formas que isso sim parece genuinamente mágico. Silvina nos prende em seu locus literário e essa falta de liberdade nos dá asas para voar distantes de uma rotina mediana; talvez sejamos como as crianças que voaram antes da queda soturna. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somos entregues a muito mais do que as 261 páginas são capazes de contar. O mundo aos olhos da autora é tão especial que foge de quaisquer comparações palpáveis. Do </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-estrategia-do-charme-critica/"><span style="font-weight: 400;">amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> à morte há um número infinito de possibilidades e ter a chave da porta de entrada para acessá-las sob os olhos da escritora é uma experiência inominável. Restam agradecimentos: ser convidada nunca foi tão esplêndido. </span></p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Outubro de 2022</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Nov 2022 12:51:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Você me disse que o medo sempre foi uma das minhas distrações favoritas. Essas loucuras minhas são das que você mais gosta, porque demonstram que ainda resta em mim algum resquício de infância. Não sou corajosa, mas em minha inconsciência jamais recuso o perigo, eu o busco para brincar com ele.&#8221; &#8211; Silvina Ocampo O &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Outubro de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29340" aria-describedby="caption-attachment-29340" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29340" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ESTANTE_OUT_WP.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ESTANTE_OUT_WP.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ESTANTE_OUT_WP-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ESTANTE_OUT_WP-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29340" class="wp-caption-text">Com tradução de Livia Deorsola, As convidadas foi a aventura do Clube do Livro em Outubro de 2022 (Foto: Companhia das Letras/Arte: Nathália Mendes/Texto de abertura: Vitória Gomez)</figcaption></figure>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Você me disse que o medo sempre foi uma das minhas distrações favoritas. Essas loucuras minhas são das que você mais gosta, porque demonstram que ainda resta em mim algum resquício de infância. Não sou corajosa, mas em minha inconsciência jamais recuso o perigo, eu o busco para brincar com ele.&#8221;</span></i></p>
<p style="text-align: right;">&#8211; Silvina Ocampo</p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O final do ano se aproxima e o Clube do Livro não deixou a peteca cair. Se as </span><a href="https://personaunesp.com.br/sally-rooney-pessoas-normais-critica/"><span style="font-weight: 400;">relações humanas</span></a><span style="font-weight: 400;"> já permearam mais debates do que conseguimos contar em uma mão, a escolha do mês remexeu a abordagem do tema e desafiou os leitores do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">As convidadas</span></i><span style="font-weight: 400;">, leitura selecionada para Outubro, tem as relações amorosas como ponto central da maioria de seus 44 </span><a href="https://personaunesp.com.br/homens-sem-mulheres-critica/"><span style="font-weight: 400;">contos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de duração. O livro de Silvina Ocampo, porém, leva o absurdo a sério e o extrapola para explorar os tais relacionamentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado no Brasil em 2022 pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">, a coletânea de curtas histórias é tão surpreendente quanto é chocante. Ora </span><a href="https://valkirias.com.br/silvina-ocampo/"><span style="font-weight: 400;">sombria</span></a><span style="font-weight: 400;">, ora cômica, Ocampo invade o costumeiro com o extraordinário e o inesperado. Na subjetividade de deixar seus pontos emaranhados em </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/"><span style="font-weight: 400;">situações peculiares</span></a><span style="font-weight: 400;">, escondidos sob o véu da interpretação de cada leitor, a escritora argentina rende material para teorias e debates através da lente do realismo mágico e da </span><a href="https://www.estadao.com.br/alias/borges-bioy-casares-e-silvina-ocampo-elencam-o-melhor-da-literatura-fantastica/"><span style="font-weight: 400;">literatura fantástica</span></a><span style="font-weight: 400;">, levando sua testemunha a apenas um passo de descobrir o que não pretende desvendar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como na obra, selecionada graças a parceria do </span><b>Persona </b><span style="font-weight: 400;">com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Outubro talvez tenha sido o mês da antecipação no campo literário. Anunciada como convidada da Festa Literária Internacional de Paraty &#8211; tema garantido no próximo </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"><span style="font-weight: 400;">Estante</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, a francesa Annie Ernaux recebeu o </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1578128528377348096?s=20&amp;t=M9mEyEY94Ry8EdPgvU4hcA"><span style="font-weight: 400;">Nobel de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela “coragem e acuidade clínica com que descobre as raízes, os distanciamentos e as restrições coletivas da memória pessoal”. Uma das favoritas ao prêmio, Ernaux se tornou apenas a 17ª mulher a vencer a honraria, de 119 ganhadores desde 1901. Após a vitória, ela </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/10/06/quem-e-annie-ernaux-ganhadora-donobel-de-literatura-entenda-importancia-da-obra-da-escritora.ghtml"><span style="font-weight: 400;">destacou</span></a><span style="font-weight: 400;"> que deve poder testemunhar &#8220;uma forma de equidade, justiça, em relação ao mundo”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mente por trás de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Les Armoires Vides </span></i><span style="font-weight: 400;">(1974), </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Anos </span></i><span style="font-weight: 400;">(2008) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Acontecimento</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2000) &#8211; esse último, experienciado pelo Clube do Livro em </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-julho-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">Julho</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, foi honrada pela forma com que mescla suas experiências de vida a temas de interesse coletivo, cunhado como “autosociobiografia”. Na primeira obra, por exemplo, a escritora reflete sobre </span><a href="https://grabois.org.br/2022/10/06/annie-ernaux-um-nobel-para-a-literatura-de-esquerda/"><span style="font-weight: 400;">classes sociais</span></a><span style="font-weight: 400;"> em uma inconstante França ao passo que narra seu próprio cotidiano no empreendimento da família no interior do país. A </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-anos-do-super-8-critica/"><span style="font-weight: 400;">linguagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> simples e direta, “cristalina”, de Ernaux também pode ser mencionada com um dos motivos do envolvimento arrebatador de seus textos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do âmbito global ao nacional, a antecipação se estendeu ao Prêmio Jabuti: um dos maiores reconhecimentos da Literatura e do mercado editorial brasileiro revelou seus </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/10/25/premio-jabuti-divulga-finalistas-de-2022.ghtml"><span style="font-weight: 400;">finalistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> na última semana do mês. Dentre os </span><a href="https://www.premiojabuti.com.br/noticias/confira-os-10-finalistas-de-todas-as-categorias-do-61%C2%BA-pr%C3%AAmio-jabuti/"><span style="font-weight: 400;">10 concorrentes</span></a><span style="font-weight: 400;"> em cada categoria, divididas nos eixos de Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação, a de Romance Literário se destacou. Com 8 dos 10 nomes que chegaram ao corte final sendo autoras mulheres, a lista dos 5 indicados ao troféu foi ainda mais positivo. Mas isso é tema para o próximo mês. Dentre as menções, Natalia Borges Polesso concorreu pela terceira vez (a segunda na categoria), agora com </span><i><span style="font-weight: 400;">A extinção das abelhas</span></i><span style="font-weight: 400;">. Andréa del Fuego, por </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-pediatra-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A pediatra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-aline-bei/"><span style="font-weight: 400;">Aline Bei</span></a><span style="font-weight: 400;">, por </span><i><span style="font-weight: 400;">Pequena coreografia do adeus</span></i><span style="font-weight: 400;">, ambas conhecidas do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">também integraram a lista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já na </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1593016930440708098?s=20&amp;t=M9mEyEY94Ry8EdPgvU4hcA"><span style="font-weight: 400;">língua portuguesa</span></a><span style="font-weight: 400;"> como um todo, o Prêmio Camões 2022 laureou o ensaísta e poeta Silviano Santiago. Autor dos ensaios </span><i><span style="font-weight: 400;">O entre-lugar do discurso latino-americano</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O cosmopolitismo do pobre</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">As raízes e o labirinto da América Latina</span></i><span style="font-weight: 400;">, o escritor mineiro levou seis vezes o Prêmio Jabuti e o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras. Agora, soma o Camões a sua estante, pelo conjunto de sua obra. Dentre os cotados do Brasil, Portugal e países africanos de língua portuguesa, </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/10/24/silviano-santiago-vence-premio-camoes-2022.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Santiago</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o 14º brasileiro a fazer parte da curta lista de vencedores; em 2021, quem recebeu a honraria foi Paulina Chiziane, de Moçambique.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre reconhecimentos e antecipações, o Clube do Livro segue atento aos próximos destaques vindos do Jabuti e aos </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/literatura/com-autores-engajados-flip-2022-apostou-na-pluralidade-de-vozes/"><span style="font-weight: 400;">debates fundamentais</span></a><span style="font-weight: 400;"> suscitados na </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/11/flip-radicaliza-proposta-de-diversificar-convidados-e-editoras-fora-do-eixo.shtml"><span style="font-weight: 400;">Flip 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, que pautarão a Literatura pelos próximos meses. Enquanto isso, é a Editoria do Persona quem indica as leituras do final do ano.</span></p>
<p><span id="more-29308"></span></p>
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<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_29321" aria-describedby="caption-attachment-29321" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29321 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas-683x1024.jpg" alt="Capa do livro As convidadas, de Silvina Ocampo. Na imagem colorida, há o desenho de uma mulher amarela em que, no lugar do rosto, há um buraco de cor azul com uma escada de cor vermelha na qual uma outra mulher amarela, vestindo blusa verde e calça azul, está subindo. Na parte superior, de forma centralizada, está escrito Silvina Ocampo, em fonte de cor preta, e abaixo As convidadas, em fonte de cor branca. À esquerda, há cinco círculos azuis, nos quais os dois primeiros representam um nascer do sol, o terceiro apresenta uma mão branca pegando o que seria a representação do sol, e o quarto e o quinto uma boca comendo esse mesmo sol. À direita, de forma vertical, está o logo da editora Companhia das Letras, em cor branca. O fundo da imagem é vermelho." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/as-convidadas.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29321" class="wp-caption-text">Com tradução de Livia Deorsola, As convidadas reúne 44 contos curtos que mesclam horror e humor (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Silvina Ocampo &#8211; As convidadas (264 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora historicamente sua fama tenha sido ofuscada de forma injusta por Adolfo Bioy Casares (seu marido) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/jorge-luis-borges-morte-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jorge Luis Borges</span></a><span style="font-weight: 400;"> (seu amigo) – dois autores que, além de próximos familiarmente, fizeram parte do mesmo movimento literário em Buenos Aires –, em diversos momentos Silvina Ocampo redige trabalhos plenamente superiores aos dos dois. Ao contrário dos seus contemporâneos – que utilizavam a fantasia em um ambiente totalmente imaginado, por vezes universos paralelos –, Ocampo infecta o doméstico com o estranho, sendo a precursora de algumas das autoras de maior renome na atualidade (</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/06/carmen-maria-machado-explora-limites-do-metoo-em-livro-sobre-relacao-abusiva.shtml"><span style="font-weight: 400;">Carmen Maria Machado</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/amp/ilustrada/2021/04/mariana-enriquez-investiga-chagas-espirituais-e-familiares-em-novo-livro.shtml"><span style="font-weight: 400;">Mariana Enriquez</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://elpais.com/argentina/2022-11-17/samanta-schweblin-gana-el-national-book-award-de-traduccion-por-siete-casas-vacias.html"><span style="font-weight: 400;">Samanta Schweblin</span></a><span style="font-weight: 400;"> são apenas alguns exemplos). Mas, no que se convencionou chamar de “Literatura Fantástica”, Silvina Ocampo é um nome imprescindível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez menos visceral que </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535932607/a-furia"><i><span style="font-weight: 400;">A fúria</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1982) – em que os sonhos são convertidos em pesadelos e dão espaço ao cenário de Terror –, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/09/silvina-ocampo-em-as-convidadas-comprova-imaginacao-exuberante.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">As convidadas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é considerado emblemático por sua maturidade estilística, mesmo que ainda atravessado por elementos insólitos e perturbadores. Originalmente publicado em 1961, este é o segundo livro da autora argentina lançado no Brasil pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">, e reúne 44 contos breves nos quais fantasmas emergem de fotos, crianças surdas-mudas criam asas e voam, cujo absurdo surge para acabar com a monotonia dos dias cotidianos (talvez uma maneira de dizer que a rotina é repleta de casos fantásticos). Contudo, a graça de ler seus contos está na composição: existem sempre duas histórias sendo contadas, a de fato escrita e a não-escrita, nas entrelinhas. O clímax é quando essas duas linhas narrativas colidem – mas </span><a href="https://www.estadao.com.br/alias/silvina-ocampo-narra-a-perda-da-ingenuidade-em-as-convidadas/"><span style="font-weight: 400;">Silvina Ocampo</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre adia esse acontecimento.</span></p>
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<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_29322" aria-describedby="caption-attachment-29322" style="width: 666px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29322 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-666x1024.jpg" alt="Capa do livro O idiota, de Fiódor Dostoiévski. Na imagem, há um fundo azul com a ilustração da sombra de um homem jovem. Há um retângulo vermelho sobre seus olhos. Abaixo, há uma linha branca com os escritos Penguin Companhia em fonte de cor preta, e o desenho de um pinguim ao centro. Mais abaixo, há uma faixa preta, com os escritos Clássicos em fonte de cor branca, Fiódor Dostoiévski em fonte de cor laranja e O idiota abaixo, em fonte de cor branca." width="666" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-666x1024.jpg 666w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-520x800.jpg 520w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-768x1181.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-999x1536.jpg 999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-1332x2048.jpg 1332w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-1200x1845.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-idiota-1-scaled.jpg 1665w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29322" class="wp-caption-text">Com uma nova tradução diretamente do russo 20 anos depois da primeira lançada no país, O idiota é um retrato de alienação (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Fiódor Dostoiévski &#8211; O idiota (944 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tido como um dos principais romances da chamada “fase de ouro” de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=02809"><span style="font-weight: 400;">Fiódor Dostoiévski</span></a><span style="font-weight: 400;"> – ao lado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Crime e castigo </span></i><span style="font-weight: 400;">(1866), </span><i><span style="font-weight: 400;">Os demônios </span></i><span style="font-weight: 400;">(1871) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Os irmãos Karamazov</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1880) –, </span><i><span style="font-weight: 400;">O idiota</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1869) ressurge no Brasil sob nova tradução de Rubens Figueiredo. Recebido pelo </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> através da parceria com a editora </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o livro traz como protagonista o príncipe Míchkin – uma alegoria dos ideais cristãos –, como forma de se contrapor às concepções niilistas dominantes no período, que foram bem retratadas em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535932324/pais-e-filhos"><i><span style="font-weight: 400;">Pais e filhos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1862) de Turgueniev ou no Raskólnikov, personagem mais famoso de Dostóievski.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em parte romance de ideias, em parte romance de costumes, a obra mais autobiográfica do autor russo traz a trama de um jovem de 26 anos que acaba de retornar a São Petersburgo após permanecer vários anos em um sanatório na Suíça, para tratar sua epilepsia. O tema central de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788582852392/o-idiota"><i><span style="font-weight: 400;">O idiota</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">parece ser a problemática do indivíduo “puro”, superior, que acaba, numa sociedade com valores corrompidos, sendo visto como um idiota.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Da mesma forma como Dostoiévski, enquanto pensador político, coloca sempre a sua última esperança numa regeneração vinda do seio da comunidade popular, Míchkin é, por assim dizer, um herói – uma mescla de Jesus Cristo e Dom Quixote –, cuja compaixão sem limites se choca com o desregramento mundano de Rogójin e a “beleza enlouquecedora” de Nastácia Filíppovna. Sua bondade e o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2021/11/dostoievski-e-flaubert-implodiram-o-narrador-tradicional-e-criaram-o-romance-moderno.shtml"><span style="font-weight: 400;">impacto da sua sinceridade</span></a><span style="font-weight: 400;"> revela ao leitor, de forma trágica, que sob um mundo obcecado por dinheiro, poder e conquistas materiais, o sanatório acaba sendo o único lugar para uma figura divina. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_29323" aria-describedby="caption-attachment-29323" style="width: 684px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29323 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/hiroshima-1-684x1024.jpg" alt="Capa do livro Hiroshima. Sob um fundo azul escuro, do lado esquerdo, na vertical e de baixo para cima, vemos as palavras &quot;JOHN&quot; E &quot;HERSEY&quot; em uma fonte sem serifa, em caixa alta, na cor verde. As duas palavras são cortadas pela palavra &quot;HIROSHIMA&quot;, escrita na horizontal no centro da capa, em uma fonte serifada em vermelho. Acima de &quot;Hiroshima&quot;, vemos o trecho &quot;A mais importante reportagem do se´culo XX: um retrato de seis sobreviventes da bomba atômica, um ano depois da explosão e quarenta anos mais tarde&quot; em uma fonte branca. Do lado inferior direito, vemos o logo da Companhia das Letras." width="684" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/hiroshima-1-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/hiroshima-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/hiroshima-1-768x1150.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/hiroshima-1-1025x1536.jpg 1025w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/hiroshima-1.jpg 1655w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29323" class="wp-caption-text">Com uma nova edição em 2002, publicada pela Companhia das Letras, o jornalismo literário de Hiroshima fez de John Hersey um dos precursores do New Journalism (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b> John Hersey &#8211; Hiroshima (176 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apenas um ano depois da primeira bomba atômica lançada pelos Estados Unidos deixar cerca de 70 mil mortos em Hiroshima, em 1945, John Hersey publica o </span><a href="https://www.newyorker.com/magazine/1946/08/31/hiroshima"><span style="font-weight: 400;">artigo homônimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> à cidade japonesa no conceituado </span><i><span style="font-weight: 400;">The New Yorker</span></i><span style="font-weight: 400;">. A matéria reconstituia o momento exato da explosão sob o ponto de vista de pessoas que a experienciaram. Pensado para ser veiculado em três partes, tamanho foi o sucesso do texto que os então editores da revista decidiram publicá-lo na íntegra, o que tomou todo o espaço daquela edição semanal. Após quarenta anos, Hersey retornou à cidade e completou </span><i><span style="font-weight: 400;">Hiroshima</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O artigo se tornou um livro, publicado no Brasil pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras </span></i><span style="font-weight: 400;">em 2002. Na obra dividida em cinco partes, seis </span><i><span style="font-weight: 400;">hibakushas</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; como eram chamados os sobreviventes da bomba atômica &#8211; dão nome, sobrenome e endereço às consequências do ataque à Hiroshima. O autor e jornalista estadunidense </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/culture-desk/john-hersey-the-writer-who-let-hiroshima-speak-for-itself"><span style="font-weight: 400;">serve mais como mediador</span></a><span style="font-weight: 400;"> do que como contador da história e se afasta da estrutura do jornalismo para dar voz aos seus personagens: as divisões abordam o que os seis faziam antes da explosão; no momento exato da tragédia; no dia seguinte, com início da investigação e as primeiras notícias sobre o que havia acontecido; semanas após o ataque, com as pessoas dando os primeiros passos para seguir em frente; e quatro décadas depois do ocorrido, para acompanhar como os sobreviventes seguiram ao longo do tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com sua </span><a href="https://www.newyorker.com/magazine/2019/04/29/john-hersey-and-the-art-of-fact"><span style="font-weight: 400;">bagagem como repórter</span></a><span style="font-weight: 400;"> e também como escritor de não-ficção, que lhe rendeu o Prêmio Pulitzer em 1945, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Hiroshima </span></i><span style="font-weight: 400;">John Hersey uniu Literatura e Jornalismo em uma das obras precursoras do </span><i><span style="font-weight: 400;">New Journalism</span></i><span style="font-weight: 400;">. A </span><a href="http://www.blog44.ca/kaiar/2021/12/06/herseys-new-journalism-style-is-the-reason-hiroshima-is-so-powerful/"><span style="font-weight: 400;">linguagem descritiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> e tocante &#8211; na versão brasileira, mérito da tradução de Hildegard Feist -, cheia de adjetivos e estruturada de forma semelhante a um romance é também permeada pelas boas práticas profissionais do autor, com uma apuração profunda e um trabalho cuidadoso junto às fontes, e potencializou o jornalismo para contar a história intimamente. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_29325" aria-describedby="caption-attachment-29325" style="width: 562px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29325 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/A-guerra-que-salvou-a-minha-vida-1.jpg" alt="Capa do livro A guerra que salvou a minha vida da autora Kimberly Brubaker. A arte de capa se assemelha a um diário coberto por retalhos e botões onde ao meio se encontra um desenho de uma garota, posicionada de costas, que vislumbra um cenário de destruição à sua frente. As cores do livro são terrosas e variam entre o roxo, o marrom e o azul. No canto inferior direito, há um retângulo na cor azul claro com as escritas dos nomes da autora, da obra e da editora, respectivamente em preto, branco e preto." width="562" height="815" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/A-guerra-que-salvou-a-minha-vida-1.jpg 562w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/A-guerra-que-salvou-a-minha-vida-1-552x800.jpg 552w" sizes="auto, (max-width: 562px) 85vw, 562px" /><figcaption id="caption-attachment-29325" class="wp-caption-text">A sequência, A guerra que me ensinou a viver, chegou às prateleiras brasileiras em 2018 (Foto: Editora Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Kimberly Bradley &#8211; A guerra que salvou a minha vida (240 páginas, Editora Darkside)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientado no cenário de destruição da Segunda Guerra Mundial, o livro </span><i><span style="font-weight: 400;">A guerra que salvou a minha vida</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz a visão fictícia de Ada, uma garota de apenas 10 anos, sobre um dos maiores acontecimentos históricos do século passado. Publicado há cinco anos no Brasil, o enredo da autora de obras infanto-juvenis, </span><a href="https://www.coisasdemineira.com/2018/02/entrevista-com-kimberly-bradley-autora/"><span style="font-weight: 400;">Kimberly Bradley</span></a><span style="font-weight: 400;">, traça um desenvolvimento de personagem incomum para a categoria, por se tratar da junção entre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AX8BJAFiF-c"><span style="font-weight: 400;">caos e inocência</span></a><span style="font-weight: 400;">, e do que o </span><i><span style="font-weight: 400;">The Wall Street Journal</span></i><span style="font-weight: 400;"> afirma ser “Dolorosamente adorável”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na </span><a href="https://letras.biblioteca.ufrj.br/a-guerra-que-salvou-a-minha-vida-the-war-that-save-my-life-de-kimberly-brubaker-bradley/"><span style="font-weight: 400;">narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se constrói como um diário, os bombardeios a Londres se assemelham à trincheira interna da protagonista, habituada aos maus tratos e à prisão imposta por sua própria mãe, que nunca a deixou sair de casa. Caminhando pela linha tênue que divide a realidade cruel e a idealização de fatos nada fantasiosos, Bradley consegue captar toda a atenção para a sua escrita, ao mesmo tempo que revela uma diversidade de sentimentos para o </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/literatura/"><span style="font-weight: 400;">leitor</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner </b></p>
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<figure id="attachment_29330" aria-describedby="caption-attachment-29330" style="width: 708px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29330 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/rebeldes1-708x1024.jpg" alt="" width="708" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/rebeldes1-708x1024.jpg 708w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/rebeldes1-553x800.jpg 553w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/rebeldes1-768x1111.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/rebeldes1-1061x1536.jpg 1061w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/rebeldes1.jpg 1769w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29330" class="wp-caption-text">A autora Saidiya Hartman dialogou acerca das experiências negras na América com a historiadora Rita Segato e a pensadora Djamila Ribeiro, na edição comemorativa de 20 anos da Flip (Foto: Fósforo)</figcaption></figure>
<p><b>Saidiya Hartman &#8211; Vidas rebeldes, belos experimentos (432 páginas, Fósforo)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na busca de firmar as memórias e experiências de pessoas pretas nas consequências da diáspora negra pelas Américas, a professora e autora estadunidense </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/autores/saidiya-hartman/"><span style="font-weight: 400;">Saidiya Hartman</span></a><span style="font-weight: 400;"> constituiu um método próprio de reescrever essas tortuosas trajetórias. </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/vidas-rebeldes/"><i><span style="font-weight: 400;">Vidas rebeldes, belos experimentos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é a sua tentativa bem sucedida de historicizar narrativas queer, femininas e negras de liberdade no norte americano depois da abolição da escravatura. Utilizando de sua metodologia de ‘</span><a href="https://www.plural.jor.br/noticias/cultura/vidas-rebeldes-belos-experimentos-e-um-livro-provocador-e-necessario/#:~:text=escrita%2C%20chamado%20de%20%E2%80%9C-,f%C3%A1bula%20cr%C3%ADtica,-%E2%80%9D.%20Em%20suma%2C%20%C3%A9"><span style="font-weight: 400;">fabulação crítica</span></a><span style="font-weight: 400;">’</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">Hartman realiza uma montagem de </span><a href="https://thecreativeindependent.com/people/saidiya-hartman-on-working-with-archives/"><span style="font-weight: 400;">arquivos</span></a><span style="font-weight: 400;">. F</span><span style="font-weight: 400;">otografias, documentos judiciais e recortes de jornais buscam por uma junção de histórias referentes a inúmeras pessoas dos cinturões negros da Filadéfia e de Nova York, traçar a revolucionária rebeldia das biografias de mulheres pretas no início do século XX. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Da História da sobrevida da escravidão nos centros urbanos estadunidenses – contada a partir de corredores de moradas coletivas, escadas escuras e becos hostis –, à integração de nomes conhecidos, como Billie Holiday e </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/conto-futurista-do-seculo-19-discute-pensamento-negro/"><span style="font-weight: 400;">W.E.B Du Bois</span></a><span style="font-weight: 400;">, os </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/11/na-flip-saidiya-hartman-defende-continuidade-de-politicas-antirracistas.shtml#:~:text=%22Eu%20usei%20da%20especula%C3%A7%C3%A3o%20e%20da%20imagina%C3%A7%C3%A3o%20para%20conseguir%20contar%20essas%20hist%C3%B3rias%20imposs%C3%ADveis.%20E%20fiz%20isso%20atrav%C3%A9s%20de%20uma%20fabula%C3%A7%C3%A3o%20capaz%20de%20esticar%20os%20limites%20dos%20documentos%20existentes.%22"><span style="font-weight: 400;">relatos especulativos</span></a><span style="font-weight: 400;"> do livro fazem jus ao que movia essas vivências experimentais de sexualidade e gênero em um ambiente projetado, em sua ordem social e trabalhista, a ser uma continuidade do espaço das plantations sulistas. Na análise de fotografias – majoritariamente feitas por homens brancos –, Hartman procura rasgar a superfície falsamente imparcial da ciência e da etnografia com o intuito de ecoar a sinfonia de violências acometidas por detrás do momento fotográfico; imaginando o que faziam de suas vidas, como vieram parar ali e quais seriam os seus caminhos de vingança, subversão e reiteração de seus próprios corpos. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Vidas rebeldes</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">nos ecos de um exercício transgressivo de escrita histórica feito anteriormente por </span><a href="https://repositorio.unesp.br/handle/11449/215293"><span style="font-weight: 400;">Toni Morrison</span></a><span style="font-weight: 400;">, procura pelo protagonismo de prostitutas, sapatonas, anônimas e andarilhas; </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/colunas/as-cidades-e-as-coisas/a-recusa-da-condicao-subalterna"><span style="font-weight: 400;">mulheres que escapavam</span></a><span style="font-weight: 400;"> do olhar fotográfico, etnográfico e científico que as tornariam subalternas. A não-ficção de Saidiya Hartman é uma linha de fuga que engrandece a </span><a href="https://www.moma.org/audio/playlist/298/4088#:~:text=I%20think%20that%20artistic%20practice%20becomes%20the%20exercise%20of%20imagining%20beauty%20and%20what%20it%20might%20make%20possible%20in%20the%20world."><span style="font-weight: 400;">beleza dos vestígios</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma cartografia dos atos íntimos, que transformaram os mais despercebidos espaços em laboratórios de liberdade. </span><b>&#8211; Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_29338" aria-describedby="caption-attachment-29338" style="width: 690px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29338 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Violeta-1-1-690x1024.jpg" alt="Capa do livro Violeta de Isabel Allende. Na imagem, há o desenho de uma mulher branca de cabelos curtos castanhos e olhos verdes, ela está virada de perfil para a esquerda. Ao fundo, há a cor amarela sólida com ramos verdes e três rosas brancas. O nome da autora está centralizado em letras de forma branca, logo abaixo há o nome do livro em letras amarelas. Na porção inferior está o logo da editora." width="690" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Violeta-1-1-690x1024.jpg 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Violeta-1-1-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Violeta-1-1-768x1139.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Violeta-1-1-1036x1536.jpg 1036w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Violeta-1-1.jpg 1726w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29338" class="wp-caption-text">Violeta é, na voz de uma mulher apaixonada, um texto capaz de ser alvo do amor do leitor (Foto: Bertrand Brasil)</figcaption></figure>
<p><b>Isabel Allende &#8211; Violeta (322 páginas, Bertrand Brasil)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Violeta</span></i><span style="font-weight: 400;">, a autora chilena Isabel Allende escolhe nos mostrar a protagonista a partir das palavras que ela escreve em uma carta destinada ao amor de sua vida. O título, traduzido no Brasil por Ivone Benedetti, narra a história da personagem passando por diversos momentos históricos que mudaram os caminhos da sociedade. Violeta nasceu durante a ascensão da </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-46358947"><span style="font-weight: 400;">Gripe Espanhola</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1920, e sua morte escolheu chegar em um momento tão dramático quanto: a pandemia de Covid- 19 em 2020. A protagonista nasceu em uma família tradicional católica, mas se mostra um contraponto moldado pela perseverança, coragem e senso de justiça.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto passeia pelas facetas da própria vida, Violeta nos internaliza a personagens e experiências únicas que se passam em um lugar genérico – como se tivesse sido feito unicamente para abarcar os fascínios de seus 100 anos de vida. Apesar de não poder ser nomeado, vivem nesse país todas as verdades da sociedade, tendo destaque a luta pelos direitos das mulheres. Entre tantas multiplicidades sinceras, o texto é uma experiência única e apaixonante. Nas palavras de uma mulher que ama, </span><a href="https://globoplay.globo.com/v/10106117/"><i><span style="font-weight: 400;">Violeta</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nos compartilha em intimidade todos os segredos do mundo. </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_29329" aria-describedby="caption-attachment-29329" style="width: 678px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29329 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Jantar-Secreto-1-678x1024.jpg" alt="Capa do livro Jantar Secreto. No centro da capa há um prato branco como se estivesse sendo visto de cima, em cima dele há o título do livro (em preto) e o nome do autor (em vermelho). Na beirada do prato, há a marca em sangue de três dedos e algumas gotas abaixo do prato. O fundo da imagem é branco e, no centro da parte inferior está o nome da editora. " width="678" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Jantar-Secreto-1-678x1024.jpg 678w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Jantar-Secreto-1-530x800.jpg 530w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Jantar-Secreto-1-768x1159.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Jantar-Secreto-1-1018x1536.jpg 1018w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Jantar-Secreto-1.jpg 1023w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29329" class="wp-caption-text">Com Jantar Secreto, Raphael Montes forma um exército de vegetarianos (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Raphael Montes &#8211; Jantar Secreto (368 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um homem entra em um restaurante que serve carne de gaivota porque tinha provado e gostado alguns anos antes. Ao finalizar a refeição, vai para casa e se suicida. Por que isso aconteceu? Esse é o enigma responsável pelo desenrolar da história incrível que é </span><i><span style="font-weight: 400;">Jantar Secreto</span></i><span style="font-weight: 400;">. Tratando-se de uma obra de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bom-dia-veronica-critica/"><span style="font-weight: 400;">Raphael Montes</span></a><span style="font-weight: 400;">, é</span> <span style="font-weight: 400;">simples deduzir que o livro é imensamente inteligente, não falhando em explorar as diversas facetas do ser humano, seus limites de ética, sua ganância e hipocrisia.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro pode não ter sido baseado em fatos reais, mas não deixa abordar algo que poderia acontecer a qualquer momento. O autor descreve o cenário de crise do Rio de Janeiro e a facilidade de instalar um sistema de corrupção em uma sociedade que é naturalmente desonesta, desigual e manipulável. É uma história de muitas camadas, com uma crítica social escancarada e personagens extremamente complexos. Para quem gosta de narrativas surpreendentes, com muitas reviravoltas</span> <span style="font-weight: 400;">e altos níveis de emoção, esse é o livro certo. Uma boa leitura e muito cuidado para não ser manipulado pela Equipe Carne de Gaivota. </span><b>&#8211; Gabrielli Natividade </b></p>
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<figure id="attachment_29326" aria-describedby="caption-attachment-29326" style="width: 483px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29326 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/confeitaria-escalafobetica-1.jpg" alt="Capa do livro Confeitaria Escalafobética apresenta o rosto da autora, uma mulher branca, de cabelos pretos compridos divididos para a esquerda e franja, usando um batom vermelho vivo e um chapéu branco com faixa vermelha cortado na frente e expõe que seu interior é de bolo. O fundo é um azul claro esverdeado, com Raíza Costa e sobremesas explicadas tim-tim por tim-tim escrito em rosa e branco no topo e Confeitaria Escalafobética, em dourado, na parte inferior." width="483" height="634" /><figcaption id="caption-attachment-29326" class="wp-caption-text">Com um trabalho singular, Raíza Costa ensina o passo a passo de diversas sobremesas em Confeitaria Escalafobética (Foto: Senac)</figcaption></figure>
<p><b>Raíza Costa &#8211; Confeitaria Escalafobética: sobremesas explicadas tim-tim por tim-tim (378 páginas, Senac)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adicione uma xícara de singularidade. Depois acrescente duas colheres de relatos pessoais. Misture com um trabalho gráfico deslumbrante e leve em fogo médio até infusionar. Assim que levantar fervura, o ganhador do </span><a href="https://www.cookbookfair.com/"><span style="font-weight: 400;">prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Gourmand</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> como Melhor Livro de Confeitaria estará pronto. Em síntese, tudo isso resume o que é a obra </span><i><span style="font-weight: 400;">Confeitaria Escalafobética: sobremesas explicadas tim-tim por tim-tim</span></i><span style="font-weight: 400;">, de autoria da artista visual e chef confeiteira, Raíza Costa.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro contempla inúmeras receitas com o passo a passo descrito minuciosamente para quem não domina técnicas de gastronomia ou busca se aprimorar nelas. Somado a isso, o design gráfico da peça e o quadro </span><i><span style="font-weight: 400;">Errar é Humano</span></i><span style="font-weight: 400;">, apresentado por Lancelote, o cachorro de Raíza, contribuem para a compreensão do leitor e imersão no </span><a href="https://elastica.abril.com.br/especiais/raiza-costa-tokstok-maternidade-comida-politica/"><span style="font-weight: 400;">universo lúdico</span></a><span style="font-weight: 400;"> da autora. Antes de explicar os preparos de uma sobremesa, a escritora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Confeitaria Escalafobética</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz um relato pessoal, que demonstra seu lado afetivo com o mundo gastronômico.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra objetifica os trabalhos audiovisuais de Raíza, como o </span><i><span style="font-weight: 400;">Rainha da Cocada</span></i><span style="font-weight: 400;">, no </span><i><span style="font-weight: 400;">GNT</span></i><span style="font-weight: 400;">, e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Doulce Delight</span></i><span style="font-weight: 400;">, o primeiro canal </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;"> dedicado exclusivamente a confeitaria. No livro, a autora apresenta algumas receitas originais e outras clássicas, como o famoso </span><a href="https://m.youtube.com/watch?v=1wSquygtVzE"><span style="font-weight: 400;">bolo molhadão</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além disso, o capítulo </span><i><span style="font-weight: 400;">Matéria-prima</span></i><span style="font-weight: 400;"> ensina os aspirantes a confeiteiros a produzir queijo mascarpone, açúcar perolado, corantes naturais, entre outros tantos produtos utilizados na feitura dos doces, mas não tão fáceis de se encontrar nos mercados. &#8211; </span><b>Gabriel Gatti</b></p>
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<figure id="attachment_29327" aria-describedby="caption-attachment-29327" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29327 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Era-uma-Vez-Em-Hollywood-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Era uma Vez em Hollywood. Uma capa branca que tem os escritos &quot;Era uma vez em Hollywood&quot; com Hollywood sublinhado e &quot;Quentin Tarantino&quot; escrito embaixo. Acima do título há escrito &quot;O novo livro baseado no filme&quot;. Embaixo, há três fotos, dos personagens de Margot Robbie, uma mulher loira que veste moletom preto e saia branca. Ela está sentada em uma cadeira com os pés descalços apoiados em outro. Ao lado, o personagem de Brad Pitt. Um homem branco e loiro que veste uma camisa florida amarela e um óculos escuro. Ele está em um carro com a mão esquerda para fora. Abaixo dele, o personagem de Leonardo Dicaprio, um homem branco que veste chapéu branco, camisa branca e jaqueta de couro." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Era-uma-Vez-Em-Hollywood-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Era-uma-Vez-Em-Hollywood-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Era-uma-Vez-Em-Hollywood-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Era-uma-Vez-Em-Hollywood-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Era-uma-Vez-Em-Hollywood-1.jpg 1653w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29327" class="wp-caption-text">Obra é uma das poucas que fez o caminho inverso das adaptações (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Quentin Tarantino &#8211; Era Uma Vez Em Hollywood (559 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Próximo de chegar em seu </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-159443/"><span style="font-weight: 400;">derradeiro 10° filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, Quentin Tarantino começa a expandir sua área de atuação para além do Cinema. Claro que, depois de nove filmes e anos na indústria, seria difícil se desvencilhar dela tão rápido assim, por isso, sua primeira incursão na literatura é uma novelização de sua última produção, de mesmo nome. </span><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez Em Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma expansão do interessantíssimo cenário já explorado em tela, seguindo a história de Cliff Both, Sharon Tate e Rick Dalton, tendo como ponto de partida a decadência de Dalton na Los Angeles de 1969 que nos foi apresentada em 2019.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Servindo como uma versão mais aprofundada do roteiro, o livro tem o ritmo único que só Tarantino consegue ditar, além de ótimas pegadas de humor. É interessante notar como, aqui, o autor também consegue transformar ainda mais a própria Los Angeles em um personagem, explorando a influência dela em suas figuras, desde os principais até os hippies esquisitões que ficaram de lado no audiovisual. É uma leitura bem menos caótica que suas obras no Cinema, mas que compensa ao constantemente referenciar a Sétima Arte e a TV. </span><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez em Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">, mais que um roteiro comercializado, é uma extensa carta de amor à indústria. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
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<figure id="attachment_29337" aria-describedby="caption-attachment-29337" style="width: 641px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29337 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/senhor-milagre-1-641x1024.jpg" alt="Capa da história em quadrinhos Senhor Milagre mostra um homem que veste uma fantasia amarela e vermelha da cabeça aos pés, com uma capa verde nas costas. Ele olha para a frente com os olhos brancos abertos e a boca semiaberta, tenso. Ao seu redor, vários cabos metálicos prendem seu corpo, tornando quase impossível que consiga escapar. Atrás dele, vemos uma cortina vermelha e, em primeiro plano, vemos algumas cabeças na audiência, ansiosos para ver se o artista de fuga conseguirá escapar dessa vez. " width="641" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/senhor-milagre-1-641x1024.jpg 641w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/senhor-milagre-1-501x800.jpg 501w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/senhor-milagre-1-768x1227.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/senhor-milagre-1-961x1536.jpg 961w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/senhor-milagre-1.jpg 1602w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29337" class="wp-caption-text">A HQ levou o Eisner de Melhor Minissérie em 2019 (Foto: Panini Comics)</figcaption></figure>
<p><b>Tom King &amp; Mitch Gerads &#8211; Senhor Milagre Vol. 1 e 2 (Panini, 308 páginas) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como sobreviver aos deveres de uma divindade, às mil e uma tarefas da paternidade e ainda lidar com uma saúde mental em frangalhos? É a partir dessa premissa que o roteirista </span><a href="https://www.omelete.com.br/dc-comics/watchmen-tom-king-rorschach"><span style="font-weight: 400;">Tom King</span></a><span style="font-weight: 400;">, acompanhado da arte de Mitch Gerads, faz um excelente estudo de personagem focado no Senhor Milagre, o artista de fuga criado originalmente pelo fenomenal Jack Kirby, ao longo das 12 edições homônimas ao protagonista, que foram condensadas em 2 edições publicadas pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Panini</span></i><span style="font-weight: 400;"> no Brasil. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A minissérie escrita por King consegue lidar com o trauma geracional carregado por seu personagem-título com grande empatia, conciliando esse tema tão sensível com humor e um romance de aquecer o coração. A arte de Gerads presta uma bela homenagem ao trabalho de </span><a href="https://www.omelete.com.br/quadrinhos/as-10-maiores-criacoes-de-jack-kirby-o-rei-dos-quadrinhos"><span style="font-weight: 400;">Kirby</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ainda faz um excelente uso dos </span><i><span style="font-weight: 400;">glitches</span></i><span style="font-weight: 400;"> para mostrar quão deteriorada está a saúde mental de Scott Free. Emotiva, épica e bem-humorada, </span><i><span style="font-weight: 400;">Senhor Milagre</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma das melhores obras publicadas pela </span><i><span style="font-weight: 400;">DC Comics</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao longo dos últimos anos. </span><b>&#8211; Caio Machado </b></p>
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