<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos bell hooks &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/bell-hooks/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/bell-hooks/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 21 Mar 2024 02:06:32 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos bell hooks &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/bell-hooks/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Os Melhores Livros de 2023</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2023/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2023/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Mar 2024 20:47:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[2023]]></category>
		<category><![CDATA[Amábile Zioli]]></category>
		<category><![CDATA[Aryadne Xavier]]></category>
		<category><![CDATA[bell hooks]]></category>
		<category><![CDATA[Britney Spears]]></category>
		<category><![CDATA[Dicas]]></category>
		<category><![CDATA[Enzo Caramori]]></category>
		<category><![CDATA[Gilberto Gil]]></category>
		<category><![CDATA[Hayley Kyoko]]></category>
		<category><![CDATA[Indicações]]></category>
		<category><![CDATA[Jamily Rigonatto]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Ludmila Henrique]]></category>
		<category><![CDATA[Marcela Lavorato]]></category>
		<category><![CDATA[Mily Lamcombe]]></category>
		<category><![CDATA[Nathalia Tetzner]]></category>
		<category><![CDATA[Príncipe Harry]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Freire]]></category>
		<category><![CDATA[Rita Lee]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Lopez Gomes]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=32816</guid>

					<description><![CDATA[<p>O último ano foi para a Literatura rico em experimentações. Com obras de gêneros distintos e um movimento de mais espaço para possibilidades, os resultados foram páginas cobertas por amor, descobertas, dores e muito mais do que o sentir pode proporcionar. Assim, chegamos a lista selecionada pela Editoria do Persona, que compõem as escolhas para &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Melhores Livros de 2023"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2023/">Os Melhores Livros de 2023</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32894" aria-describedby="caption-attachment-32894" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-32894" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/wordpress-1-800x420.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/wordpress-1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/wordpress-1-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/wordpress-1.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32894" class="wp-caption-text">De cantores a autores sob codinomes, os Melhores Livros de 2023 se encontram nas possibilidades (Arte: Aryadne Xavier/ Texto de Abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O último ano foi para a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/literatura/"><span style="font-weight: 400;">Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> rico em experimentações. Com obras de gêneros distintos e um movimento de mais espaço para possibilidades, os resultados foram páginas cobertas por amor, descobertas, dores e muito mais do que o sentir pode proporcionar. Assim, chegamos a lista selecionada pela Editoria do Persona, que compõem as escolhas para representar Os Melhores Livros de 2023. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante que lembremos que além de propícia para  novas ideias, a temporada marcou eventos importantes para a representatividade no meio literário. Em Outubro, tivemos o primeiro indígena eleito como imortal pela Academia Brasileira de Letras (ABL), o autor </span><a href="https://www12.senado.leg.br/radio/1/noticia/2023/10/09/ailton-krenak-e-o-primeiro-indigena-eleito-para-a-academia-brasileira-de-letras#:~:text=Representatividade-,Ailton%20Krenak%20%C3%A9%20o%20primeiro%20ind%C3%ADgena%20eleito%20para%20a%20Academia,ocupar%20uma%20cadeira%20na%20academia."><span style="font-weight: 400;">Ailton Krenak</span></a><span style="font-weight: 400;">, que assina sucessos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Ideias para Adiar o Fim do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Futuro Ancestral</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro marco foi a presença de autores negros em espaços de reconhecimento. Na Festa Literária de Paraty (Flip) do último ano, o principal nome da programação era o de uma das autoras negras mais faladas do Brasil na atualidade, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wfq5GfitcS0"><span style="font-weight: 400;">Conceição Evaristo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além de discursos essenciais e uma contribuição literária notável, a presença da escritora no evento literário inspira e carrega muito significado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitos centenários também foram comemorados no período, como o de nascimento da autora </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/materia/o-poeta-e-o-mundo/"><span style="font-weight: 400;">Wislawa Szymborska</span></a><span style="font-weight: 400;">, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 1996. Além dela, </span><span style="font-weight: 400;">Eugénio de Andrade (</span><i><span style="font-weight: 400;">As Mãos e os Frutos</span></i><span style="font-weight: 400;">), o poeta surrealista Mário Henrique Leiria, o ensaísta Eduardo Lourenço e Mário Cesariny fizeram parte da lista de centenários e foram celebrados. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre tantos marcos, fica a esperança de um momento ainda mais doce para o mundo dos livros está por vir. Enquanto isso, você confere a lista dos textos que se destacaram para o Persona no ano de 2023 e aproveita dicas de leitura variadas. Para todas as preferências, fica o gosto de obras plurais e extremamente ricas em cultura, liberdade e a vontade de transformar cada capítulo. Boa leitura!</span></p>
<p><span id="more-32816"></span></p>
<figure id="attachment_32818" aria-describedby="caption-attachment-32818" style="width: 548px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-32818" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/De-uma-a-outra-ilha-548x800.jpg" alt="Capa do Livro de uma a outra ilha. Na imagem, há uma elipse esverdeada em meio a um extenso fundo azul para representar uma ilha. Na porção superior, vemos o título do livro. Na inferior há o nome da autora e da editora." width="548" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/De-uma-a-outra-ilha-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/De-uma-a-outra-ilha.jpg 685w" sizes="(max-width: 548px) 85vw, 548px" /><figcaption id="caption-attachment-32818" class="wp-caption-text">De uma a outra ilha é um poema longo de 40 páginas (Foto: Circulo de poemas)</figcaption></figure>
<p><strong>Ana Martins Marques &#8211; De uma a outra ilha</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito pela poetisa brasileira Ana Martins Marques, </span><i><span style="font-weight: 400;">De uma a outra ilha</span></i><span style="font-weight: 400;"> coloca em palavras a cartografia de um lugar: a ilha de Lesbos. A obra, que foi lançada em Julho de 2023, se comporta como um manifesto político contra a morte de imigrantes e a crueldade das fronteiras estabelecidas entre os territórios. O escrito é sensível, mas mantém a força de suas afirmações e posicionamentos a cada linha, estabelecendo uma relação entre o que é autoral e o que é retomado do conjunto de </span><a href="https://www.blogletras.com/2021/05/dez-poemas-e-fragmentos-de-safo.html"><i><span style="font-weight: 400;">Poemas e fragmentos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Safo. </span></p>
<p><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/lesbos-a-ilha-do-desespero-onde-milhares-de-imigrantes-estaopresos-5cuj19hdzho8glzhes071w18c/"><span style="font-weight: 400;">Lesbos</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um ambiente conhecido pelo alto fluxo de imigração européia de pessoas que estão tentando passar pela Grécia. No entanto, diante da política indiferente quanto a essa população, o espaço se tornou uma espécie de purgatório de vivos, além de testemunhar mortes recorrentes das pessoas tentando se deslocar pelo oceano. Assim, a literatura de Marques se coloca a repreender o cenário lamentável através de escolhas lexicais delicadas e bem marcadas. Nas linhas suaves de um poema extenso, o livro sangra em águas turbulentas. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32824" aria-describedby="caption-attachment-32824" style="width: 548px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-32824" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/paixao-simples-1-548x800.jpg" alt="Capa do livro Paixão Simples. A capa conta com uma grande foto de Annie Ernaux com filtro sépia. Ela é uma mulher branca com cabelos grisalhos lisos e óculos de sol quadrados. Ao redor da fotografia há retângulos rosa, vermelho, preto, amarelo e lilás com o nome do livro, da autora e da editora." width="548" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/paixao-simples-1-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/paixao-simples-1.jpg 685w" sizes="(max-width: 548px) 85vw, 548px" /><figcaption id="caption-attachment-32824" class="wp-caption-text">Em Paixão Simples, Annie Ernaux traduz o ato de se apaixonar em seus termos (Foto: Fósforo Editora)</figcaption></figure>
<p>Annie Ernaux &#8211; Paixão Simples</p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/os-anos-do-super-8-critica/"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;"> se tornou uma das figuras mais influentes da Literatura nos últimos anos. Com seus textos destrincha coisas complexas em vocábulos diretos e brutos, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Paixão simples,</span></i><span style="font-weight: 400;"> que chegou ao Brasil pela Fósforo em 2023, tem algo de diferente. O livro relata uma paixão que a autora teve por um homem um pouco mais jovem e casado, chamado de A.. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O apaixonar-se soa obsessivo e dá origem a uma Ernaux fora das linhas, que dispensa seus livros em nome de assistir novelas junto com o homem. É como se seu cérebro funcionasse de forma completamente irracional e isso se reflete no ritmo da leitura, no qual as páginas são caóticas e mais rápidas que o habitual de seus escritos. Assim, a ganhadora do Nobel de Literatura é, mais uma vez, sensacional, quando descreve as dores, tensão, o desespero e o desejo que ultrapassam qualquer limite. A paixão continua um sentimento complexo, mas Annie </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;"> prova simples é deixá=lo pulsar. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32820" aria-describedby="caption-attachment-32820" style="width: 514px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32820" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Irmas-do-Inhame-Ludmila-Henrique-514x800.jpg" alt="Capa do livro Irmãs do Inhame: Mulheres negras e autorrecuperação. No centro do livro temos a pintura de duas mulheres negras em tonalidades de azul escuro. Uma está colocando uma coroa na outra, como símbolo de cuidado. Na parte inferior do está escrito o nome do livro em rosa, preto e branco. Na parte superior está escrito o nome da autora na cor preta. O fundo da tela é formado por uma cor sólida de rosa. " width="514" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Irmas-do-Inhame-Ludmila-Henrique-514x800.jpg 514w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Irmas-do-Inhame-Ludmila-Henrique.jpg 643w" sizes="auto, (max-width: 514px) 85vw, 514px" /><figcaption id="caption-attachment-32820" class="wp-caption-text">“Irmãs, eu as saúdo no amor e na paz” (Foto: WMF Martins Fontes)</figcaption></figure>
<p><b>bell hooks &#8211; Irmãs do Inhame: mulheres negras e autorrecuperação </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No seu tempo como educadora em universidades norte-americanas na década de noventa, </span><a href="https://www.geledes.org.br/bell-hooks-o-legado-da-maior-pensadora-do-feminismo-do-seculo-21/"><span style="font-weight: 400;">bell hooks</span></a><span style="font-weight: 400;"> entendeu rapidamente a necessidade de existir um grupo de apoio que acolhesse as dores e preocupações singulares de suas alunas negras, dessa maneira, surgiram as Irmãs do Inhame. Inspirada pelo romance </span><i><span style="font-weight: 400;">The Salt Eaters</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Toni Bambara, o nome do coletivo nasceu da importância do tubérculo nas comunidades negras, que além de atuar na alimentação e nutrição do corpo, também é um símbolo das conexões diaspóricas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Distanciando da terapia convencional, que em grande parte desconsidera ‘raça’ como um fator importante na autorrecuperação e no entendimento da saúde mental de pessoas negras, as </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/opiniao/irmas-do-inhame-de-bell-hooks-um-carinho-na-alma-das-mulheres-pretas/"><span style="font-weight: 400;">Irmãs do Inhame</span></a><span style="font-weight: 400;"> miravam no afastamento do auto-ódio canalizado pela baixa autoestima e priorizavam o bem-estar por meio do diálogo. Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Irmãs do Inhame: mulheres negras e autorrecuperação</span></i><span style="font-weight: 400;">, a autora registra que ao externalizar suas feridas com pessoas que compreendem das mesmas dores, assim como todo o ato de pessoas negras procurando ajuda sobre o seu interior pessoal, passam a fazer parte de uma prática de política libertária. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro é um compilado dos ensinamentos desenvolvidos durante anos entre <a href="https://personaunesp.com.br/tag/bell-hooks/">bell hooks</a> e suas discentes. Interligando acontecimentos pessoais da própria autora com contextos históricos que envolvem o racismo e a pessoa mais afetada por ele: a mulher negra. Uma obra que lida com o humano, uma humanidade que possui feridas abertas nos corpos, mentes e espíritos, e que ainda não conquistou serenidade plena com o seu próprio eu. </span><b>&#8211; Ludmila Henrique</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32823" aria-describedby="caption-attachment-32823" style="width: 549px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32823" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Britney-Spears-549x800.jpg" alt="Capa do livro A mulher em mim de Britney Spears. A arte de capa é uma fotografia em preto e branco de Spears, uma mulher branca de cabelos claros e olhos escuros. Ela está posicionada no canto esquerdo da arte, olhando para a câmera de lado enquanto veste uma calça e encobre os seios. O fundo é preto e ao lado de Britney Spears está escrito seu nome em letras garrafais rosa seguido do título do livro em letras garrafais brancas “A MULHER EM MIM" width="549" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Britney-Spears-549x800.jpg 549w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Britney-Spears-703x1024.jpg 703w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Britney-Spears-768x1118.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Britney-Spears.jpg 1030w" sizes="auto, (max-width: 549px) 85vw, 549px" /><figcaption id="caption-attachment-32823" class="wp-caption-text">O audiobook em inglês de A mulher em mim é narrado por Michelle Williams (Foto: BUZZ)</figcaption></figure>
<p><b>Britney Spears &#8211; A mulher em mim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após incontáveis </span><a href="https://personaunesp.com.br/framing-britney-spears-a-vida-de-uma-estrela-critica/"><span style="font-weight: 400;">documentários</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre a sua trajetória, inúmeras suposições em torno de sua vida particular e idas mais do que suficientes para a corte estadunidense na luta pelo fim de sua tutela, Britney Spears decidiu que estava pronta para contar a sua versão dos fatos na autobiografia </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/noticia/2023/10/27/biografia-de-britney-spears-a-mulher-em-mim-e-o-livro-mais-vendido-em-pelo-menos-9-paises.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">A mulher em mim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Exatamente como está acostumada nos palcos, o livro é a versão mais poderosa da artista, mesmo com os seus momentos mais vulneráveis sendo </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2023/11/01/michelle-williams-viraliza-ao-imitar-justin-timberlake-em-audiolivro-de-britney-spears-ouca.ghtml"><span style="font-weight: 400;">revelados</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nos registros mais desafiadores que Spears assume e liberta essa força feminina dentro dela, que lidou com tantos obstáculos que atravessam a existência das mulheres. Partindo desde as mazelas de existir em uma sociedade historicamente patriarcal, passando pelas distintas experiências com a ideia de maternidade até, em seu caso em específico, ser uma </span><i><span style="font-weight: 400;">superstar</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/o-som-e-a-furia/como-britney-spears-ajudou-musica-de-roberta-miranda-a-crescer-60"><span style="font-weight: 400;">indústria musical</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se alimenta da </span><a href="https://personaunesp.com.br/britney-spears-blackout-resenha/"><span style="font-weight: 400;">queda</span></a><span style="font-weight: 400;"> de suas estrelas.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A mulher em mim</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem o essencial de uma boa autobiografia: segredos, polêmicas e uma contextualização que já atrai, logo de cara, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/controlling-britney-spears-em-busca-de-liberdade-critica/"><span style="font-weight: 400;">opinião pública</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o lado de Britney Spears; invertendo um cenário de hostilização de décadas. Por vezes, a escrita é tão familiar que mais parece um compilado das legendas da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=clwLKJ294u4"><span style="font-weight: 400;">Princesa do </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><a href="https://www.estadao.com.br/emais/gente/vejo-voces-no-inferno-britney-spears-instagram-revelacoes-biografia-nprec/"><i><span style="font-weight: 400;">Instagram</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, felizmente, sem a quantidade desconcertante de </span><i><span style="font-weight: 400;">emojis</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span><b> &#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32826" aria-describedby="caption-attachment-32826" style="width: 552px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32826" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/parem-de-falar-mal-da-rotina-552x800.png" alt="Capa do livro Parem de Falar Mal Da Rotina. O fundo é como uma representação do céu com nuvens. No centro superior há o nome da escritora, Elisa Lucinda, e ao lado direito há o logo da Editora Record em vermelho. Elisa Lucinda, mulher negra em torno dos 60 anos, está no centro da imagem. Utiliza uma blusa vermelha com decote e uma pulseira prateada no braço esquerdo. Seu cabelo - crespo e castanho escuro - está com um Black Power. Em suas pontas, o cabelo forma desenhos do cotidiano contado pela escritora durante o livro. No centro do cabelo está escrito, em tom claro, o título do livro “Parem de Falar Mal Da Rotina”. Ao lado de Elisa, há os dizeres em vermelho “Nova edição revista pela autora”" width="552" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/parem-de-falar-mal-da-rotina-552x800.png 552w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/parem-de-falar-mal-da-rotina.png 600w" sizes="auto, (max-width: 552px) 85vw, 552px" /><figcaption id="caption-attachment-32826" class="wp-caption-text">Elisa Lucinda e seu livro, em nova edição, nos fazem adentrar nos versos e monólogo da escritora (Foto: Editora Record)</figcaption></figure>
<p><strong>Elisa Lucinda &#8211; Parem de Falar Mal da Rotina</strong></p>
<p><a href="https://teatro.ufes.br/conteudo/parem-de-falar-mal-da-rotina-o-espetaculo-de-sucesso-que-encanta-o-brasil-ha-21-anos-agora"><i><span style="font-weight: 400;">Parem de Falar Mal da Rotina</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em nova edição, evoca o palco de teatro e as poesias de sucesso que Elisa Lucinda faz há mais de 20 anos com o seu monólogo de mesmo nome. Nesta versão, a atriz evoca novamente o projeto da peça de tremendo sucesso: enxergar a beleza da vida &#8211; o nascer do sol, o pôr do sol &#8211; nos momentos em que, muitas vezes, a gente desdenha por ser rotineiro.</span></p>
<p><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa5980/elisa-lucinda"><span style="font-weight: 400;">Elisa Lucinda</span></a><span style="font-weight: 400;">, que tem uma destreza magnífica ao escrever &#8211; é uma autora (uma das muitas coisas que Elisa é com grande brilho) que nos emociona em um verso e no outro nos faz rir logo em seguida. </span><i><span style="font-weight: 400;">Parem de Falar Mal da Rotina</span></i><span style="font-weight: 400;">, é certo, comunica com todos que aqui estão presente &#8211; como a peça faz também -, entretanto, para quem ainda não teve a oportunidade de experimentar o espetáculo ao vivo, o livro nos dá um gostinho de querer mais. A narração dos fatos, do cotidiano, da rotina, sem dúvidas, não fica chato quando a maravilhosa Elisa Lucinda nos conta. &#8211; </span><b>Marcela Lavorato</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32827" aria-describedby="caption-attachment-32827" style="width: 277px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32827" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/saia-da-frente-do-meu-sol.jpg" alt="Capa do livro Saia da Frente do Meu Sol. A capa do livro possui o tom homogêneo azul. Há pessoas deitadas na praia, de frente para o leitor, um homem está em destaque, o personagem Tio Ricardo. Um homem branco, com cabelo preto e sem camisa. Outras pessoas estão em volta, mas tapadas pelas letras. Ao lado direito do homem, há o título do livro escrito em amarelo, e, embaixo da palavra “frente”, há o nome do autor, Felipe Charbel, escrito em branco. Também em branco há o nome da editora, Autêntica Contemporânea, no canto inferior direito da página" width="277" height="425" /><figcaption id="caption-attachment-32827" class="wp-caption-text">Felipe Charbel é professor associado de história da UFRJ (Foto: Autêntica Contemporânea)</figcaption></figure>
<p><b>Felipe Charbel </b><strong>&#8211;</strong> <b>Saia da Frente do Meu Sol </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Felipe Charbel, romancista brasileiro, imerge em mais uma história que se desenvolve entre segredos familiares no recente </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/colunas/critica-cultural/vidas-narradas"><i><span style="font-weight: 400;">Saia da Frente do Meu Sol</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Caracterizado pelo vazio de informações totalmente proposital, Tio Ricardo levantava diversas questões sobre sua vida misteriosa após seu falecimento e enterro, onde poucas pessoas compareceram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um desenvolvimento leve e coerente, </span><a href="https://ppghis.historia.ufrj.br/docente/felipe-charbel-teixeira/"><span style="font-weight: 400;">Charbel</span></a><span style="font-weight: 400;"> não pula etapas ao mostrar para o leitor sobre cada detalhe que descobre a respeito da vida do tio. O público é outro personagem, e se choca ao mesmo tempo que o protagonista do livro. Contagiante e madura são as palavras que definem a leitura fluida que o carioca consegue passar em suas obras, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Saia da Frente do Meu Sol</span></i><span style="font-weight: 400;"> é mais uma prova. </span><b>&#8211; Amabile Zioli</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32830" aria-describedby="caption-attachment-32830" style="width: 548px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32830" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/ellis-sland-548x800.png" alt="Capa do livro Ellis Island. Na imagem, há uma elipse azul escuro em um fundo azul claro para representar a ilha. Na porção superior há o escrito &quot;Ellis Island&quot; em letras brancas " width="548" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/ellis-sland-548x800.png 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/ellis-sland.png 685w" sizes="auto, (max-width: 548px) 85vw, 548px" /><figcaption id="caption-attachment-32830" class="wp-caption-text">O poema longo de Perec é destinado, inicialmente, para a construção do roteiro de um documentário homônimo, realizado com o diretor Robert Bober, sobre a ilha (Foto: Círculo de Poemas)</figcaption></figure>
<p><b>Georges Perec – </b><b>Ellis Island </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ausência não deixa de ser uma personagem recorrente na literatura do autor francês </span><a href="https://circulodepoemas.com.br/autores/georges-perec/"><span style="font-weight: 400;">Georges Perec</span></a><span style="font-weight: 400;">. A falta de um </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/blog/maquina-de-escrever/post/linguagem-e-protagonista-no-romance-o-sumico-de-georges-perec.html"><span style="font-weight: 400;">caractere</span></a><span style="font-weight: 400;">, de um enredo sólido ou de respostas a perguntas que, além de conduzirem a construção histórica e poética de </span><a href="https://circulodepoemas.com.br/produto/ellis-island/"><i><span style="font-weight: 400;">Ellis Island</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">existem para reconstituir os arquivos e acontecimentos de um espaço que ergue-se pela amnésia. </span><span style="font-weight: 400;">Em uma escrita objetiva, o escritor traça a genealogia da imigração e os múltiplos sentidos dessa ilha – nas palavras de Perec um ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">‘lugar de ausência de lugar, o não lugar, o lugar nenhum</span></i><span style="font-weight: 400;">’’ – onde se criou os Estados Unidos da América: um espaço de trânsito e despersonalização no qual emigrantes tornaram-se imigrantes; onde as histórias de pessoas de todos os cantos do mundo – italianos, judeus, porto riquenhos e cambojanos – eram submetidas a análise para, então, darem força e trabalho ao que viria se tornar a maior nação do mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os inquéritos de Perec – ‘‘</span><i><span style="font-weight: 400;">como descrever?/ como contar?/ como olhar? (&#8230;) como ler esses rastros?’’, </span></i><span style="font-weight: 400;">que mais soam como lamentos, diferentemente dos agentes de imigração que articulavam o futuro de pessoas em clausura no espaço da ilha – são, em si, formas de retratar um tema caro também a artistas como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2-27QaUl0D8"><span style="font-weight: 400;">Meredith Monk</span></a><span style="font-weight: 400;"> e inseri-lo, a partir do poema, em um tempo não linear e constante. Ellis Island não existe mais enquanto um centro de detenção e inspeção de imigrantes a qual a Estátua da Liberdade já anunciava paradoxos e mentiras, mas na condição de um monumento histórico que ainda inquieta a quem procura respostas a uma ancestralidade pautada na diáspora, vasta em meio a dezesseis milhões de histórias individuais. O inquietante poema de Perec, no entanto, faz da ruína e do vazio uma memória potencial à pequeneza perdida e encontra sua própria identidade nessa busca. – </span><b>Enzo Caramori</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32831" aria-describedby="caption-attachment-32831" style="width: 634px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32831" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nos-a-gente-634x800.png" alt="" width="634" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nos-a-gente-634x800.png 634w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nos-a-gente-768x968.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nos-a-gente.png 793w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32831" class="wp-caption-text">Enaltecendo a vida de Gil, Nós a gente é um alento para o coração (Foto: WMF Martins Fontes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Gilberto Gil e Daniel Kondo &#8211; Nós, a gente </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Nós, a gente</span></i><span style="font-weight: 400;">, livro organizado por Guilherme Gontijo Flores, é a materialização em artes visuais das poesias belíssimas compostas por Gilberto Gil. Com ilustrações de Daniel Kondo nas 40 músicas selecionadas, as canções escolhidas têm em comum a temática do amor à família. A obra foi concebida na época em que o cantor estava comemorando seus 80 anos, em 2022, e saindo pela Europa com a turnê Nós, A Gente &#8211; nome homônimo ao do escrito -, sendo tudo registrado no documentário </span><a href="https://www.primevideo.com/-/pt/detail/Fam%C3%ADlia-Gil/0S6ROOS2KGZ3QIKJCBHPGQ7AA9"><i><span style="font-weight: 400;">Viajando com os Gil</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.academia.org.br/noticias/gilberto-gil-lanca-o-livro-nos-gente-hoje-na-abl"><i><span style="font-weight: 400;">Nós, a gente</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> além de ser uma ótima experiência escutar as músicas à medida em que analisa as artes das canções, também é possível ter acesso às entrevistas conduzidas por Guilherme e Daniel com Gilberto Gil e Flora Gil. Com sua calma e leveza, Gil nos mostra toda a sua bagagem &#8211; principalmente o núcleo familiar &#8211; que constituiu durante seus 80 anos de vida. Não sendo diferente, Flora também nos mostra a felicidade de ter uma família unida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No geral, o livro é uma grande celebração de vida de </span><a href="https://gilbertogil.com.br/bio/gilberto-gil/"><span style="font-weight: 400;">Gilberto Gil</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tudo o que foi construído e feito merece essa cerimônia literária e visual, ainda mais quando se está acompanhado de familiares. Por fim, temos acesso à grandiosa árvore genealógica do artista e também a algumas fotos, com legendas de sua neta, Flor Fil, dos bastidores da turnê europeia. É uma escrita deliciosa de se saborear. &#8211; </span><b>Marcela Lavorato</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32832" aria-describedby="caption-attachment-32832" style="width: 550px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32832" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/girls-like-girls-550x800.jpg" alt="Capa do livro Girls Like Girls. Na imagem, há duas meninas ilustradas de costas, uma ao lado da outra. A da esquerda tem cabelos loiro escuros, usa camiseta brancae saia vermelha. A da direita tem cabelos pretos e veste uma camisa azul. O cenário tem tonalidade rosa, árvores e uma montanha." width="550" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/girls-like-girls-550x800.jpg 550w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/girls-like-girls.jpg 687w" sizes="auto, (max-width: 550px) 85vw, 550px" /><figcaption id="caption-attachment-32832" class="wp-caption-text">Inspirado na música homônima, Girls Like Girls abraça a comunidade sáfica (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><strong>Hayley Kiyoko &#8211; Girls Like Girls</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hayley Kyoko marcou a juventude de uma geração de pessoas lgbtqia+ quando começou a cantar sobre o amor entre meninas, especialmente, com o lançamento de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I0MT8SwNa_U"><i><span style="font-weight: 400;">Girls Like Girls</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em 2015. A música, que acompanhava um clipe adorável, alimentou </span><i><span style="font-weight: 400;">fanfics</span></i><span style="font-weight: 400;"> sáficas por anos, e agora, as teorias se concretizam nas páginas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Girls Like Girls: Uma história de amor entre garotas</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro aprofunda a relação entre as protagonistas do videoclipe, Coley e Sonya, duas jovens em idade escolar com diferentes desafios a enfrentar, mas uma conexão inexplicável em comum. Ao passar das páginas, a história mescla os clichês que ensolaram a alma com os desafios da autodescoberta, fazendo tudo ser doce, lindo e, ainda assim, extremamente próximo dos medos da vida real. Traduzidas por Helen Pandolfi, as palavras de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rbkVPSJzCkU"><span style="font-weight: 400;">Hayley</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos transportam de volta à adolescência e restauram o desejo de viver um amor tão sincero como o de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gilrs Like Girls</span></i><span style="font-weight: 400;">. – Jamily Rigonatto </span></p>
<hr />
<figure id="attachment_32833" aria-describedby="caption-attachment-32833" style="width: 290px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32833" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/salvar-o-fogo.jpg" alt="Capa do livro Salvar o Fogo. O fundo é laranja. No centro superior há os dizeres em cinza “Do autor de Torto Arado”. Logo abaixo, em branco, há o título “Salvar o Fogo” e, mais embaixo, em preto, há o nome do escritor “Itamar Vieira Junior”. Abaixo dos dizeres há um desenho de uma mulher negra usando um vestido branco até os pés, um lenço branco nos cabelos castanhos e um chinelo branco. Ao seu lado direito está de mãos dadas com uma criança negra vestindo uma camisa branca e bermuda azul, cabelo curto castanho e descalço. Os dois estão virados de costas. Ao lado esquerdo da mulher há um cesto de roupa verde com linhas douradas. Há uma roupa branca jogada para fora do cesto. Ao lado do menino tem uma planta verde. No centro inferior há a logo em branco da Editora Todavia." width="290" height="445" /><figcaption id="caption-attachment-32833" class="wp-caption-text">Em Salvar o Fogo, Itamar Vieira Jr. desmonta a história da sociedade brasileira em 300 páginas (Foto: Editora Todavia)</figcaption></figure>
<p><strong>Itamar Vieira Júnior &#8211; Salvar o fogo</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="http://www.letras.ufmg.br/literafro/resenhas/ficcao/1805-itamar-vieira-junior-salvar-o-fogo"><i><span style="font-weight: 400;">Salvar o fogo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Itamar Vieira Junior novamente nos apresenta uma história difícil de engolir e com muita verossimilhança em relação à sociedade brasileira. Contando as narrativas de uma família agricultora no interior da Bahia &#8211; que acaba sendo dividida pelas violências direcionadas aos familiares -, o autor nos oferece um processo de escrita muito arrebatador e necessário, evidenciando as inúmeras agressões da realidade brasileira. O </span><a href="http://www.letras.ufmg.br/literafro/resenhas/ficcao/1805-itamar-vieira-junior-salvar-o-fogo"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, dessa maneira, acaba se tornando uma manifestação de denúncia contra as hostilidades que agridem exclusivamente às pessoas negras, indígenas, mulheres, crianças, pobres, agricultores e de religiões de matriz africana ou indígena. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 320 páginas, </span><a href="http://www.letras.ufmg.br/literafro/autores/1270-itamar-vieira-junior"><span style="font-weight: 400;">Vieira Junior</span></a><span style="font-weight: 400;"> sintetiza, de forma adequada e avassaladora, a história desse Brasil invadido há 500 anos. Exaltando a natureza e seu poder, o romancista brinca com as palavras ao associar as passagens das personagens com os elementos naturais, trazendo um lirismo muito bonito e interessante de se pensar, já que a destruição da natureza reflete diretamente a destruição também da humanidade. Com isso, Moisés, Luzia, Alzira, Mundinho, entre outros, não serão as últimas personagens que denunciam essa realidade perversa e racista &#8211; assim como não foram as primeiras -, entretanto é certo que a prosa criada por Itamar traz consigo, não só dessa forma, mas uma das mais potentes no enredo, a denúncia através do resgate dos saberes ancestrais afro indígenas no combate à essa realidade da </span><a href="https://ponte.org/o-que-e-necropolitica-e-como-se-aplica-a-seguranca-publica-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">necropolítica</span></a><span style="font-weight: 400;">. &#8211; </span><b>Marcela Lavorato</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32864" aria-describedby="caption-attachment-32864" style="width: 334px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32864" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Os-perigos-de-fumar-na-cama.png" alt="Capa do livro Os perigos de fumar na cama. A capa tem um fundo azul claro.No topo, vemos as palavras “os perigos de fumar na cama” em uma letra cursiva estilizada em branco. Ao centro, há uma ilustração da cabeça de uma mulher com cabelos castanhos lisos e longos, pintada de vermelho, laranja e amarela, sendo segurada por uma mão com unhas longas que sai para fora do quadro. Na parte inferior central, vemos a palavra “Mariana Enriquez” em uma letra branca sem serifa. No canto inferior direito, vemos o logo da Intrínseca." width="334" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-32864" class="wp-caption-text">Os perigos de fumar na cama foi o tema do Clube do Livro do Persona em Outubro de 2023 (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Enriquez &#8211; Os perigos de fumar na cama</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante 12 contos de Horror, Mariana Enriquez faz de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Os perigos de fumar na cama</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">um pesadelo violento, impossível de ser digerido facilmente. Aqui, essa é justamente a intenção. Entre becos de uma Barcelona assombrada a ruas de uma Argentina que se lembra, a autora argentina trabalha o terror a partir do rotineiro, da barbaridade de pessoas contra elas e as próximas, e da memória de uma nação frente os horrores do passado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A descritividade é bruta, o retrato pintado por Enriquez é visceral em um </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-cemiterio-40-anos/"><span style="font-weight: 400;">terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> tão social quanto político. Os preconceitos são expostos com todas as palavras, sem disfarces, para mostrar que o aterrorizante acontece no dia a dia. Com uma dose de sobrenatural e fantasia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os perigos de fumar na cama </span></i><span style="font-weight: 400;">deixa a experiência ainda mais tensa com seus 12 finais em aberto, livres para a imaginação do leitor vagar solta. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32863" aria-describedby="caption-attachment-32863" style="width: 352px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32863" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/exorcista.png" alt="Capa do livro O Exorcista: Segredos e Devoção. A capa tem um fundo preto. Ao centro, ocupando quase toda a extensão vertical da capa, vemos o contorno de uma menina com cabelos longos. Os olhos dela estão verde, como se estivesse possúida, e um líquido verde sai de seu nariz. As mãos juntas da menina ficam em formato de um portão, onde, na parte inferior central, um homem de costas, vestindo um terno, chapéu e segurando uma maleta, entra. Ao redor dele, vemos o líquido verde. Abaixo dele, vemos as palavras “Darkside”." width="352" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-32863" class="wp-caption-text">Se a capa não te atrair, o interior vai (Foto: Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Mark Kermode &#8211; O Exorcista: Segredos e Devoção</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não se engane: </span><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista: Segredos e Devoção </span></i><span style="font-weight: 400;">não é uma reedição do livro original de 1971, tampouco do clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1973 (ou de qualquer </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-exorcista-o-devoto-critica/"><span style="font-weight: 400;">uma de suas versões</span></a><span style="font-weight: 400;">). Na verdade, a edição é uma obra comemorativa aos 50 anos do lendário filme do Horror, mostrando como a </span><a href="https://cinepop.com.br/apos-fracasso-de-o-exorcista-o-devoto-nova-sequencia-passara-por-reboot-criativo-476487/"><span style="font-weight: 400;">recepção do público</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao lançamento e o contexto social dos Estados Unidos da década de 1970 o tornaram um fenômeno capaz de fazer pessoas desmaiarem nas salas de cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, Kermode, crítico cultural aficionado pelo romance de William Peter Blatty &#8211; que </span><a href="https://revistaquem.globo.com/Popquem/noticia/2013/03/o-exorcista-40-anos-o-suposto-caso-real-que-inspirou-o-filme.html"><span style="font-weight: 400;">deu origem</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao roteiro do longa-metragem homônimo -, revela os bastidores das gravações, os atritos entre Blatty e William Friedkin (diretor de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista</span></i><span style="font-weight: 400;">) e como algumas das cenas mais memoráveis da Sétima Arte foram confeccionadas. Entrelaçando o </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgl45nxxl18o"><span style="font-weight: 400;">imaginário popular</span></a><span style="font-weight: 400;"> às intenções da obra e do livro, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista: Segredos e Devoção </span></i><span style="font-weight: 400;">compartilha segredos com os fãs de Horror, em uma experiência visual deslumbrante nas páginas tão famosas da </span><i><span style="font-weight: 400;">Darkside</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32881" aria-describedby="caption-attachment-32881" style="width: 554px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32881" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela-554x800.jpg" alt="Capa do livro “Amigos, Amores e Aquela Coisa Terrível”, de Matthew Perry. A capa possui um fundo azul, e, à frente, há o ator Matthew Perry. Ele é branco, possui cabelos escuros, barba rala e olhos azuis. Veste uma camisa preta. No topo da página há o nome do autor e ator em letras brancas. Embaixo, está escrito “Best Seller N 1° do New York Times”. Ao lado do ator, há escrito “Prefácio de Lisa Kudow”, em branco, e, embaixo do ator há o título do livro, em brancas e grandes letras. Abaixo, está escrito “A autobiografia do astro de Friends”, e, ao lado, a logo da editora BestSeller" width="554" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela-554x800.jpg 554w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela-708x1024.jpg 708w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela-768x1110.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela-1063x1536.jpg 1063w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela.jpg 1107w" sizes="auto, (max-width: 554px) 85vw, 554px" /><figcaption id="caption-attachment-32881" class="wp-caption-text">Matthew Perry foi encontrado morto no dia 28 de outubro de 2023 em sua casa, em Los Angeles (Foto: BestSeller)</figcaption></figure>
<p><b>Matthew Perry &#8211; Amigos, Amores e Aquela Coisa Terrível</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sentença </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu devia estar morto”</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode parecer muito forte para qualquer um que inicie </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2023/10/explosao-de-vendas-da-biografia-de-matthew-perry-esgota-estoque-de-editora-brasileira.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Amigos, Amores e Aquela Coisa Terrível</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no escuro. A autobiografia do ator e escritor norte-americano conta de forma crua os altos e baixos de sua carreira e toda a sua trajetória, envolvendo momentos marcantes na infância, conquistas profissionais que um dia eram impensáveis, e o fundo do poço, onde ele se enxergou em vários momentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não precisa ser fã de </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/tela-plana/os-bastidores-com-matthew-perry-segundo-david-schwimmer-e-lisa-kudrow"><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para apreciar cada parágrafo do livro, que, ao mesmo tempo que parece uma confissão do artista, também soa como um diário extremamente íntimo. É claro que para quem viu Matthew crescer e evoluir com a </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i><span style="font-weight: 400;">, tudo se torna ainda mais pessoal: após seu trágico falecimento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amigos, Amores e Aquela Coisa Terrível</span></i><span style="font-weight: 400;"> eterniza o legado inesquecível de Matthew Perry. </span><b>&#8211; Amabile Zioli</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32890" aria-describedby="caption-attachment-32890" style="width: 547px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32890 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/o-ano-em-que-morri-547x800.jpg" alt="" width="547" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/o-ano-em-que-morri-547x800.jpg 547w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/o-ano-em-que-morri.jpg 684w" sizes="auto, (max-width: 547px) 85vw, 547px" /><figcaption id="caption-attachment-32890" class="wp-caption-text">Milly Lamcombe prova que nos resgatar é o ato mais poderoso que existe (Foto: Editora Planeta)</figcaption></figure>
<p><strong>Milly Lamcobe &#8211; O ano em que morri em Nova York</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Romance autobiográfico de </span><a href="https://cbn.globoradio.globo.com/media/audio/426820/milly-lacombe-fala-sobre-novo-livro.htm"><span style="font-weight: 400;">Milly Lacombe</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Ano em que Morri em Nova York: Um romance sobre amar a si próprio</span></i><span style="font-weight: 400;"> trabalha com o conceito de morte em vida. No texto, a protagonista termina um relacionamento de mais de dez anos com sua esposa por conta de uma traição, descobre que a melhor amiga está com câncer de mama e retorna a uma versão que há muito não encarava em seu país de origem, o Brasil. Rodeada pelas migalhas deixadas por tudo que já foi inteiro, a jornada se torna ressuscitar em si. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Batendo de frente com dores não vistas antes, o momento é doloroso e cheio de dúvidas, mas essenciais para que a personagem, que representa a própria </span><a href="https://www.uol.com.br/play/videos/universa/2023/07/19/milly-lacombe-conta-como-descobriu-traicao-bati-minha-cabeca-no-chao.htm"><span style="font-weight: 400;">Lacombe</span></a><span style="font-weight: 400;">, adentre o seu interior e redescubra quem ela é, independente de suas relações, trabalho ou demais definições. As 256 páginas são um verdadeiro liquidificador emocional, tudo gira o tempo todo e não dá espaço para monotonia, afinal, se trata de uma trajetória linear. Assim, a obra deixa reflexões sobre nós mesmos e como deixamos nossa principal prioridade de lado: o eu. </span><b>– Jamily Rigonatto</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32889" aria-describedby="caption-attachment-32889" style="width: 290px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32889 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nos-dois.jpg" alt="" width="290" height="445" /><figcaption id="caption-attachment-32889" class="wp-caption-text">&#8220;Sobretudo no início, Regan por vezes tentava identificar o momento em que as trajetórias deles se encaminharam para uma colisão inevitável.&#8221; (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><strong>Olivie Blake &#8211; Nós dois sozinhos no éter</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob o pseudônimo de </span><a href="https://intrinseca.com.br/autor/olivie-blake/"><span style="font-weight: 400;">Olivie Blake</span></a><span style="font-weight: 400;">, Alexene Farol Follmuth presenteia o público jovem adulto com </span><i><span style="font-weight: 400;">Nós dois sozinhos no Éter</span></i><span style="font-weight: 400;">. O texto conta a história de </span><span style="font-weight: 400;">Aldo Damiani e Charlotte Regan, duas personalidades opostas que no magnetismo de sentir não conseguem mais se afastar. Apesar de, à primeira vista, soar como um grande clichê </span><i><span style="font-weight: 400;">enemies to lovers</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra é muito mais que isso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 336 páginas, Blake se dispõe a uma missão: desenvolver cada faceta dos personagens. Assim, conseguimos entender seus bastidores para nos apaixonarmos pelo relacionamento. Trabalhando com traumas, questões psicológicas e familiares, a obra traduzida por Carlos César da Silva mostra tudo em corações desarmados. O doce de</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=S3-FZd2lGk0"><i><span style="font-weight: 400;">Nós dois sozinhos no Éter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> vive na complexidade de testemunhar ruínas individuais compartilhando uma mesma construção.</span><b> – Jamily Rigonatto </b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32882" aria-describedby="caption-attachment-32882" style="width: 557px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32882" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Principe-Harry-1-557x800.jpg" alt=" Capa do livro O que sobra de Príncipe Harry. A arte de capa é uma fotografia de Harry, um homem branco de cabelos ruivos e olhos claros. A câmera o captura a partir dos ombros enquanto ele olha diretamente para a lente. O fundo é branco e pouco aparece, já que a face dele ocupa o maior espaço. Na parte superior está escrito em letras garrafais brancas “PRÍNCIPE HARRY” e, na parte inferior, da mesma forma está o título do livro “O QUE SOBRA”." width="557" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Principe-Harry-1-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Principe-Harry-1-713x1024.jpg 713w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Principe-Harry-1-768x1103.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Principe-Harry-1.jpg 1044w" sizes="auto, (max-width: 557px) 85vw, 557px" /><figcaption id="caption-attachment-32882" class="wp-caption-text">O que sobra foi traduzido para o português por Cássio de Arantes Leite, Débora Landsberg, Denise Bottmann e Renato Marques (Foto: Objetiva)</figcaption></figure>
<p><b>Príncipe Harry &#8211; O que sobra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vazamentos e </span><a href="https://glamour.globo.com/entretenimento/livros/noticia/2023/01/o-que-sobra-as-revelacoes-mais-bombasticas-do-livro-de-memorias-de-harry.ghtml"><span style="font-weight: 400;">declarações polêmicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> frente a um contexto nada favorável para a monarquia britânica culminam em </span><i><span style="font-weight: 400;">O que sobra</span></i><span style="font-weight: 400;">, a autobiografia do Príncipe Harry. Acostumado a estampar os tabloides mais sensacionalistas no começo do século, o livro que traz a perspectiva do ‘</span><a href="https://luciointhesky.wordpress.com/2012/03/13/harry-o-patinho-feio-de-buckingham/"><span style="font-weight: 400;">patinho feio</span></a><span style="font-weight: 400;">’ é, possivelmente, o último ato culturalmente relevante de algum membro da Família Real; fadada ao enfraquecimento gradual devido a perda de apoio popular a cada ano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há nada tão humano quanto simpatizar com aquele que consideramos ser o injustiçado da história e, na mesma medida, a satisfação em assisti-lo fazer a sua justiça é extremamente prazerosa. A narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">O que sobra</span></i><span style="font-weight: 400;"> se encaixa perfeitamente nesse cenário, afinal, ainda que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EiEifW_Gob0"><span style="font-weight: 400;">Príncipe Harry</span></a><span style="font-weight: 400;"> não seja, de fato, um pobre menino largado à sorte pelo mundo, até as passagens mais fúteis de sua trajetória são escritas muito bem, facilmente transitando pelo gênero de autoajuda. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autobiografia chegou às livrarias já com um certo cansaço por parte do público, irritado com as centenas de declarações espalhadas pelas redes sociais ou que já não aguentava mais ouvir falar sobre </span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-e-meghan-critica/"><span style="font-weight: 400;">Harry e Meghan Markle</span></a><span style="font-weight: 400;">, dado que a série documental do casal havia estreado há poucas semanas. Embora falhe em alguns sentidos, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HI52nXTLmb8"><i><span style="font-weight: 400;">O que sobra</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> apresenta uma linha de raciocínio que cativa fácil, sendo um dos retratos mais importantes dos últimos anos.</span><b> &#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32893" aria-describedby="caption-attachment-32893" style="width: 560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32893 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/81ekPgQHFhL._AC_UF10001000_QL80_-560x800.jpg" alt="" width="560" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/81ekPgQHFhL._AC_UF10001000_QL80_-560x800.jpg 560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/81ekPgQHFhL._AC_UF10001000_QL80_.jpg 700w" sizes="auto, (max-width: 560px) 85vw, 560px" /><figcaption id="caption-attachment-32893" class="wp-caption-text">“Minha Pollyana se antena e joga o jogo do Contente, pois sempre existe um lado bom” (Foto: Globo Livros)</figcaption></figure>
<p><strong>Rita Lee &#8211; Outra Autobiografia</strong></p>
<p><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2023/05/09/rita-lee-rainha-do-rock-brasileiro-morre-aos-75-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Perder</span></a><span style="font-weight: 400;"> Rita Lee em Maio de 2023 foi doloroso e deixou para os fãs a saudade de alguém insubstituível para a Música e para o mundo. No entanto, o lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: Outra autobiografia</span></i><span style="font-weight: 400;"> alguns dias depois, na comemoração de Santa Rita de Cássia, chegou como um abraço caloroso. O texto trabalha os seus dois últimos anos de vida, mas não é nada melancólico. Cruel, irônico e verdadeiro seriam adjetivos melhores para definir, afinal, a Rainha do Rock nunca foi de chorar pitangas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os desafios enfrentados pela cantora não ficam de lado do relato, são bastante fortes e cheios de detalhes. Ainda assim, somos capazes de sentir como a mulher que pelo amor roubaria os anéis de saturno estava pronta para lutar e lidar com tudo, consciente como alguém que teve uma vida extensa e muito bem resolvida. </span><a href="https://personaunesp.com.br/rita-lee-uma-autobiografia-critica/"><span style="font-weight: 400;">Rita</span></a><span style="font-weight: 400;"> não tinha autopiedade no coração e nos faz acreditar que realmente estava com sua missão cumprida quando partiu, e é claro, tudo isso com a personalidade única marcada a cada trecho. Ler </span><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: Outra autobiografia </span></i><span style="font-weight: 400;">coloca o luto em segundo plano mesmo com a inevitável companhia da morte. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32884" aria-describedby="caption-attachment-32884" style="width: 534px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32884" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/quarto-aberto-534x800.png" alt="" width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/quarto-aberto-534x800.png 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/quarto-aberto.png 667w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-32884" class="wp-caption-text">&#8220;Por que ele queria tomar um drink comigo?&#8221; (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Tobias Carvalho – </b><b><i>Quarto Aberto </i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em lentes almodovarianas, talvez o primeiro romance do premiado <a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-tobias-carvalho/">Tobias Carvalho</a> daria centro ao fato de seus personagens poderem ser descritos como gays a beira de um ataque nervos ou até mesmo ao labirinto da lei do desejo que, em suas diversas complexidades individuais e uns com os outros, são desafiados a atravessar. Mas longe de qualquer uma dessas descrições melodramáticas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto Aberto </span></i><span style="font-weight: 400;">partilha do um realismo que marca a escrita do autor e que, diferentemente dos contos de seu antecessor </span><i><span style="font-weight: 400;">Visão Noturna </span></i><span style="font-weight: 400;">e mais próximo do vencedor do prêmio Sesc de Literatura </span><i><span style="font-weight: 400;">As Coisas, </span></i><span style="font-weight: 400;">parte do ímpeto da ficcionalização de um determinado recorte da realidade de experiências de homens gays, sem que tal exercício comprometa a maestria literária de sua escrita.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um universo muito próprio da realidade íntima de seus personagens – homens gays que lidam com suas interioridades e suas próprias trajetórias ao mesmo tempo que habitam a cidade afora em aplicativos de sexo ou como<em> drag queens</em> – Carvalho constrói uma análise dos relacionamentos que distancia-se do usual em algo que poderia ser chamado de uma </span><a href="https://www.nbcnews.com/nbc-out/out-news/lgbtq-fiction-gay-literature-publishing-turning-point-rcna127922"><i><span style="font-weight: 400;">gay-lit</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; sem colocar como centro apenas a relação de seu protagonista com indecisões e triângulos e quadriláteros amorosos. – </span><b>Enzo Caramori</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32914" aria-describedby="caption-attachment-32914" style="width: 290px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32914" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/51KyJA1YBZL._SY445_SX342_.jpg" alt="" width="290" height="445" /><figcaption id="caption-attachment-32914" class="wp-caption-text">Um traço até você abraça quem só quer amar (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><strong>Olivia Pilar &#8211; Um traço até você</strong></p>
<p><strong><span style="font-weight: 400;">Apaixonante, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um traço até você</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.oliviapilar.com.br/"><span style="font-weight: 400;">Olívia Pilar</span></a><span style="font-weight: 400;">, trouxe para as jovens negras sáficas o que elas precisavam para se sentir representadas em um clichê que não ignora os desafios do contexto social. Protagonizada por Lina, a narrativa detalha os choques de uma menina que sempre viveu com privilégios financeiros ao se deparar com um contexto racista que a impede de ocupar todos os lugares em nome da discrimação. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Em meio a autodescoberta, que já seria suficiente para construir uma obra completa, surge Elza. O relacionamento entre as personagens é doce e inspirador, mas, principalmente, essencial para a evolução e crescimento das duas, que se ensinam, compreendem e crescem juntas. O ritmo gradual faz com que tudo se encaixe e, ao final, tenhamos uma Lina mais forte e rodeada por maturidade. Em suma, a cumplicidade de amar em </span><a href="https://intrinseca.com.br/livro/um-traco-ate-voce/"><i><span style="font-weight: 400;">Um traço até você</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é muito maior que as borboletas no estômago. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></strong></p>
<hr />
<figure id="attachment_32887" aria-describedby="caption-attachment-32887" style="width: 284px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32887" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-1-1-1.jpg" alt="Capa do livro Amêndoas, de Won-pyung Sohn. Nela, vemos uma ilustração em tons pastéis de um menino em frente a uma loja. A loja, que é azul, se encontra no primeiro andar de um sobrado, e possui um grande letreiro rosa com uma palavra escrita em coreano. Em cima do letreiro tem uma espécie de tenda nas cores vermelho e branco em listras verticais e, acima, uma unidade externa cinza de um ar-condicionado. As paredes do sobrado parecem ser de azulejo marrom e, do lado esquerdo, há uma escada com degraus cor-de-rosa que permitem o acesso ao segundo andar. Na frente da loja, há uma planta em um vaso marrom. O menino veste uma camiseta de manga comprida preta e uma calça marrom. Na parte inferior da capa, há uma faixa rosa onde encontra-se o título do livro do lado direito, com o nome da autora em baixo, ambos na cor azul turquesa, e o nome da editora do lado inferior esquerdo, na cor branca" width="284" height="425" /><figcaption id="caption-attachment-32887" class="wp-caption-text">Lançado em Março de 2023 no Brasil, Amêndoas se popularizou graças à indicação de um dos membros da banda coreana BTS (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><strong>Won-pyung Sohn &#8211; Amêndoas</strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Amêndoas</span></i><span style="font-weight: 400;">, livro de estreia da diretora e romancista sul-coreana </span><a href="https://www.kbook-eng.or.kr/sub/interview.php?ptype=view&amp;idx=621&amp;page=$page&amp;code=interview"><span style="font-weight: 400;">Won-pyung Sohn</span></a><span style="font-weight: 400;">, conta a história de Yunjae, um jovem que possui uma condição neurológica chamada alexitimia. Suas amígdalas cerebelosas – chamadas de ‘amêndoas’ pelo protagonista por conta da semelhança física entre elas – são subdesenvolvidas e, por isso, ele é incapaz de identificar e expressar sentimentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com capítulos curtos, uma história diferente daquelas que geralmente são oferecidas e uma linguagem simples, é difícil deixar a leitura de lado. A obra explora a adolescência, o significado das emoções, a diversidade da vida e da trajetória de cada um, mas seu foco principal é a importância de criar laços.</span> <a href="https://rocco.com.br/produto/amendoas/"><i><span style="font-weight: 400;">Amêndoas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um </span><i><span style="font-weight: 400;">coming of age</span></i><span style="font-weight: 400;"> extremamente sensível, que destaca como o amor é capaz de fazer “</span><i><span style="font-weight: 400;">de alguém um ser humano, assim como o que faz de alguém um monstro</span></i><span style="font-weight: 400;">”, como descreve a autora. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2023/">Os Melhores Livros de 2023</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2023/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">32816</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Estante do Persona &#8211; Novembro 2023</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-2023/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-2023/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Nov 2023 21:26:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[2023]]></category>
		<category><![CDATA[bell hooks]]></category>
		<category><![CDATA[Djamila Ribeiro]]></category>
		<category><![CDATA[E eu não sou uma mulher?]]></category>
		<category><![CDATA[Estante do Persona]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Leal]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Siqueira]]></category>
		<category><![CDATA[Jamily Rigonatto]]></category>
		<category><![CDATA[Marcela Lavorato]]></category>
		<category><![CDATA[máscaras brancas]]></category>
		<category><![CDATA[Nathalia Tetzner]]></category>
		<category><![CDATA[Novembro de 2023]]></category>
		<category><![CDATA[Pele negra]]></category>
		<category><![CDATA[Quem tem medo do feminismo negro]]></category>
		<category><![CDATA[Rebecca Ramos]]></category>
		<category><![CDATA[Tudo o que nós temos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=31994</guid>

					<description><![CDATA[<p>&#8220;Eu não terei a minha vida reduzida. Eu não vou me curvar ao capricho ou à ignorância de outra pessoa&#8221; -bell hooks O Estante do Persona de Novembro chega com um tom de reflexão. No mês da consciência negra, nada mais justo que fazer de um povo secundarizado desde os primeiros passos da colonização, o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Novembro 2023"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-2023/">Estante do Persona &#8211; Novembro 2023</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32013" aria-describedby="caption-attachment-32013" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32013" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/estante_wp-800x420.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/estante_wp-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/estante_wp-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/estante_wp.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32013" class="wp-caption-text">Em Novembro de 2023, a seleção do Estante do Persona se debruça em rememorar (Texto de abertura: Jamily Rigonatto/ Artes: Aryadne Xavier)</figcaption></figure>
<blockquote><p>&#8220;Eu não terei a minha vida reduzida. Eu não vou me curvar ao capricho ou à ignorância de outra pessoa&#8221; -bell hooks</p></blockquote>
<p>O <a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/">Estante do Persona</a> de Novembro chega com um tom de reflexão. No mês da consciência negra, nada mais justo que fazer de um povo secundarizado desde os primeiros passos da colonização, o protagonista. Nesta edição, relembramos a importância de resistir e não esquecer que as cicatrizes são profundas e reverberam suas dores na atualidade.</p>
<p>Assim, alçamos voo sobre a <a href="https://www.correiodopovo.com.br/cadernodesabado/excel%C3%AAncia-da-literatura-afro-brasileira-1.1424200">Literatura Negra</a>, na qual os autores e objetos integram o universo da racialidade e percorrem laços com vivências que, infelizmente, se colidem com os nós da branquitude. Em escritos de diversas épocas, o enfoque é para a crítica à estrutura racial em diversos contextos e seus prejuízos aos recortes que envolvem desde as mulheres até a população LGBTQIA+.</p>
<p>Seja no discurso empoderador e questionador de <a href="https://www.ihu.unisinos.br/categorias/160-cepat/634569-teorizar-em-primeira-pessoa-a-pratica-de-liberdade-na-escrita-de-bell-hooks">bell hooks</a>, ou nas linhas ficcionais – mas ainda reconhecíveis no mundo real – de Daiane Borges, a negritude grita em palavras sinceras e expõe discursos na mais subjetiva linguagem da arte: a literária. Aqui, o espaço fica para dizer que em uma mistura globalizada, os buracos do percurso são assinados por um mesmo autor, aquele que escreve as linhas da supremacia branca.</p>
<p>No ato educativo e, mais ainda, revolucionário de ler, as mensagens gritam para aquilo que nunca deve ser deixado de lado: a importância de não apagar. Em meio aos registros da memória, da experiência e da <a href="https://www.brasildefatorj.com.br/2023/09/28/das-leis-abolicionistas-ate-os-dias-de-hoje-a-divida-historica-com-o-povo-preto">divida histórica</a>, ficam nas dicas do mês a busca por uma sociedade cada vez mais decolonial.<span id="more-31994"></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Dicas do mês:</p>
<figure id="attachment_31996" aria-describedby="caption-attachment-31996" style="width: 302px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31996" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/e-eu-nao-sou-uma-mulher-1.jpg" alt="Capa do livro E eu não sou uma mulher?. Na imagem há um fundo roxo sobre o qual se insere o texto &quot;bell hooks&quot; em letras violeta. Logo abaixo, está o texto &quot;e eu não sou uma mulher:? mulheres negras e feminismo&quot; em letras roxas sombreadas em verde." width="302" height="466" /><figcaption id="caption-attachment-31996" class="wp-caption-text">E eu não sou uma mulher? é o primeiro livro de bell hooks e foi publicado pela primeira vez de 1981 (Foto: Rosa dos Tempos)</figcaption></figure>
<p><b>bell hooks &#8211; E eu não sou uma mulher?: Mulheres negras e feminismo (320 páginas, Editora Rosa dos Tempos)</b></p>
<p><a href="https://revistagalileu.globo.com/colunistas/quer-que-eu-desenhe/coluna/2023/09/quem-foi-bell-hooks-feminista-negra-e-teorica-norte-americana.ghtml"><span style="font-weight: 400;">bell hooks</span></a><span style="font-weight: 400;"> é figurinha marcada quando o assunto é ativismo social. A autora norte-americana, que faleceu em dezembro de 2021, se consolidou como uma das maiores vozes das discussões sobre vivências de mulheres negras. Em sua primeira publicação, </span><i><span style="font-weight: 400;">E eu não sou uma mulher?: Mulheres negras e feminismo</span></i><span style="font-weight: 400;">, a escritora aborda os pilares sociais que oprimem especificamente o universo feminino integrado à racialidade. Traduzidas no Brasil por Libanio Bhuvi, as 320 páginas dão vida à discussão sobre a diferença com a qual o sexismo atinge o gênero a depender de sua classificação racial. além de explorarem os aspectos que distanciam o movimento feminista e as mulheres negras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em todo o escrito, práticas da movimentação social e suas correlações aparecem desnudas para exemplificar os conflitos da busca por igualdade. </span><a href="https://comunidadeculturaearte.com/a-classe-a-raca-e-o-genero-em-angela-davis/"><span style="font-weight: 400;">Gênero, raça e classe</span></a><span style="font-weight: 400;"> se tornam personagens ativos com laços firmados e dinâmicas desiguais. O retrato é revolucionário e derruba, de forma pioneira, os mitos de uma luta na qual todas estão no mesmo degrau. Como o sol depois da tempestade, hooks ensolara a representação identitária. </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto </b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31998" aria-describedby="caption-attachment-31998" style="width: 283px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31998" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Pele-Negra-Mascaras-Brancas-1.jpg" alt="Capa do Livro “Pele Negra Máscaras Brancas” de Frantz Fanon. O fundo da capa é completamente preta, em letras brancas e maiúsculas, centralizadas está escrito o título do livro e o nome do autor" width="283" height="425" /><figcaption id="caption-attachment-31998" class="wp-caption-text">Frantz Fanon define como &#8220;epidermização da inferioridade&#8221; o processo que inferioriza as pessoas negras na sociedade. (Foto: Ubu Editora)</figcaption></figure>
<p><b>Frantz Fanon &#8211; Pele Negra, Máscaras Brancas (320 páginas, Ubu Editora)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Frantz Omar Fanon, nascido em Martinica, colônia francesa no caribe, e formado em  medicina e psiquiatria, foi um dos mais importantes pensadores decoloniais de todos os tempos. Engajado na luta antirracista, Fanon apoiou ativamente a rebelião dos argelinos contra os franceses no século XX e inspirou movimentos de emancipação em todos os continentes. Em seu </span><a href="https://www.ubueditora.com.br/pele-negra-mascaras-brancas.html"><span style="font-weight: 400;">primeiro livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pele Negra, Máscaras Brancas</span></i><span style="font-weight: 400;">, o autor debate a psicologia da colonização e seus efeitos na mente dos povos explorados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra debate o complexo de inferioridade imposto nas pessoas negras, bem como a influência da ideologia colonial e seus mecanismos na relação entre negros e brancos. O livro dialoga com diversos autores, contemporâneos e anteriores ao escritor, não só do movimento negro como também de todas as áreas de pensamento, como Sigmund Freud, Jean-Paul Sartre e </span><a href="https://www.cobogo.com.br/aime-cesaire"><span style="font-weight: 400;">Aimé Cesaire</span></a><span style="font-weight: 400;">. O trabalho de Frantz Fanon é fundamental para entender as relações raciais na sociedade moderna. &#8211;</span><b> Guilherme Dias Siqueira</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32000" aria-describedby="caption-attachment-32000" style="width: 557px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32000" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/por-um-feminismo-afro.latino.americano1-557x800.jpg" alt="Capa do Livro “Por um feminismo afro-latino-americano” de Lélia Gonzalez. A capa consiste em um desenho de Lélia Gonzalez em tons terrosos e esverdeados, á esquerda está escrito o título do livro e o nome da autora" width="557" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/por-um-feminismo-afro.latino.americano1-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/por-um-feminismo-afro.latino.americano1-713x1024.jpg 713w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/por-um-feminismo-afro.latino.americano1-768x1103.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/por-um-feminismo-afro.latino.americano1.jpg 1044w" sizes="auto, (max-width: 557px) 85vw, 557px" /><figcaption id="caption-attachment-32000" class="wp-caption-text">Em meio ao rotineiro racismo por omissão, Lélia Gonzalez esbraveja a relevância da interseccionalidade nos movimentos sociais. (Foto: Zahar)</figcaption></figure>
<p><b>Lélia Gonzalez &#8211; Por um feminismo afro-latino-americano (361 páginas, Zahar)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pioneira ao questionar o elitismo branco presente no feminismo liberal na década de 60 e mãe do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?time_continue=32&amp;v=dYbXevFB0xI&amp;embeds_referring_euri=https%3A%2F%2Fwww.google.com%2Fsearch%3Fq%3Dentrevista%2Blelia%2Bgonzalez%26oq%3Dentrevista%2Blelia%2Bgonzalez%26gs_lcrp%3DEgZjaHJvbWUyBggAEEUYOdIBCDgxMDZqM&amp;source_ve_path=Mjg2NjY&amp;feature=emb_logo"><span style="font-weight: 400;">feminismo negro</span></a><span style="font-weight: 400;">, Lélia Gonzalez fez história dentro das discussões acerca de classe e raça nos movimentos sociais atuais. Filha de um operário e uma empregada doméstica, a sua vivência agrega e resiste a uma Academia que, apesar de tentar, de maneira falha, não abrange a totalidade do que é ser uma mulher negra de origem periférica em locais nos quais se é historicamente negado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abordando questões como a emancipação indígena e negra nas organizações políticas, a autora demonstra de que forma se faz necessário ter um recorte específico para temas aos quais muitas vezes estão pouco relacionados com a realidade latino-americana. A dependência cultural estadunidense e europeia é presente até os dias contemporâneos. Sua historiografia possui influências como as do psiquiatra martinicano Frantz Fanon, contemplando, assim, escritores agraciados pela “Amefricanidade”. As palavras de </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2020-10-25/lelia-gonzalez-onipresente.html"><span style="font-weight: 400;">Lélia </span></a><span style="font-weight: 400;">são uma constante lembrança de nossa existência, especialmente em um contexto no qual odeiam indivíduos apenas por seus traços, seus corpos, sua vivências, e , sobretudo, por nossa negritude.  </span><b>&#8211; Rebecca Ramos</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31997" aria-describedby="caption-attachment-31997" style="width: 533px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31997" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/quem.tem_.medo_.do_.feminismo.negro1_-533x800.jpg" alt="Capa do livro “Quem tem medo do feminismo negro?”. A capa do livro é roxa e possui em seu centro o título “Quem tem medo do feminismo negro?”, estilizado na cor rosa. Logo abaixo, há o nome da autora “Djamila Ribeiro”, estilizado com a cor amarela. Por último, há o logo da editora “Companhia Das Letras”, estilizado na cor rosa e representado por um barco." width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/quem.tem_.medo_.do_.feminismo.negro1_-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/quem.tem_.medo_.do_.feminismo.negro1_-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/quem.tem_.medo_.do_.feminismo.negro1_-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/quem.tem_.medo_.do_.feminismo.negro1_.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-31997" class="wp-caption-text">Quem Tem Medo do Feminismo Negro é essencial para entender como as lutas feministas, LGBTQIAPN+ e raciais andam lado a lado (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EP-ArVmGhIY"><span style="font-weight: 400;">Djamila Ribeiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem sido uma das maiores vozes no que diz respeito à luta da comunidade preta nos últimos anos no Brasil. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Quem Tem Medo do Feminismo Negro</span></i><span style="font-weight: 400;">, a autora faz um recorte da luta feminista e explora as diferenças entre a forma como a sociedade trata as mulheres brancas e mulheres racializadas. Tendo como referências as ilustres Chimamanda Ngozi Adichie e bell hooks, a filósofa brasileira escancara em seus escritos o histórico racista e sexista do país. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao abordar temas como </span><a href="https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2021/04/08/o-que-significa-lugar-de-fala-conceito-nao-e-uma-forma-de-calar-as-pessoas.htm"><span style="font-weight: 400;">lugar</span></a><span style="font-weight: 400;"> de fala, o sentimento de pertencimento da população negra e a diferença salarial ao realizar o mesmo trabalho, a feminista passa pelas três grandes formas de caracterizar os indíviduos: raça, gênero e sexualidade. Com isso, ela mostra em cada uma dessas categorias, que o caminho a ser traçado pelo povo preto é muito mais árduo e dificultoso do que aquele percorrido pelos brancos. </span><b>&#8211; Guilherme Machado Leal </b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31999" aria-describedby="caption-attachment-31999" style="width: 533px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31999" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Tudo-o-que-nos-temos-1-533x800.jpg" alt="Capa do livro Tudo o que nós temos. O fundo contrasta entre formas abstratas que vão do laranja, amarelo e azul. No centro da capa, há uma ilustração de uma adolescente preta, representando Dominique, do peito para cima, com o cabelo cacheado amarrado em rabo de cavalo e com uma blusa amarela. Virado de costas para ela, há um adolescente preto, representando Ruan, com o cabelo curto e blusa preta. O título do livro está acima e abaixo dos dois na cor preta. Na parte de cima, há os dizeres “Tudo o que” e embaixo há os dizeres “nós temos”. No canto inferior esquerdo, há o nome da escritora: Dayane Borges" width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Tudo-o-que-nos-temos-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Tudo-o-que-nos-temos-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Tudo-o-que-nos-temos-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Tudo-o-que-nos-temos-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Tudo-o-que-nos-temos-1-1200x1800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Tudo-o-que-nos-temos-1.jpg 1365w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-31999" class="wp-caption-text">“Mas sei que, de qualquer forma, eu vou achar um jeito de me encontrar e ter orgulho de quem sou.” (Foto: Andresa Rios)</figcaption></figure>
<p><b>Dayane Borges &#8211; Tudo o que nós temos (72 páginas, escritora independente)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Tudo o que nós temos,</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.instagram.com/dayescreve/"><span style="font-weight: 400;">Dayane Borges</span></a><span style="font-weight: 400;">, é um conto que retrata a história de Dominique, uma adolescente preta que mora em uma região periférica e é estudante de uma escola de elite. Levantando diversos questionamentos como o que seria “elite”, Domi, durante a narrativa, expressa os seus sentimentos de uma maneira muito sensível e, enviando e-mails para o seu amigo Ruan &#8211; o único com quem Domi se identifica na escola -, vemos que sofre por causa da sociedade racista em que vivemos. Enquanto não se sente representada e validada na escola, a personagem relata que existem duas de si: uma quando está em sua escola e outra quando está em sua rua. E, dessa forma, essa percepção vai sendo desenvolvida durante a narrativa à medida em que Dominique vai conhecendo a sua </span><a href="https://jornal.usp.br/ciencias/literatura-de-conceicao-evaristo-resgata-a-ancestralidade-negro-brasileira/"><span style="font-weight: 400;">ancestralidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; quando precisa fazer um trabalho escolar.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Tendo como música tema a canção </span><a href="https://youtu.be/kjggvv0xM8Q?si=Zkf-m4BO6FuHZEzh"><i><span style="font-weight: 400;">Principia</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Emicida, podemos perceber a sua inspiração já no título, citando e trazendo diversos artistas negros ao longo do conto, como Racionais e Kendrick Lamar. Dayane escreve de forma maestral e, como destaque, ressalto as passagens em que Domi conversa com os seus familiares, principalmente com o seu avô, que traz muita sensibilidade, ensinamento e ternura para ela. Com isso, acompanhamos Dominique em suas reflexões e adentramos na história, que vai se aprofundando a cada e-mail enviado. A construção da narrativa é um ponto a se destacar, trazendo protagonismo preto, narrador de sua própria história. &#8211; </span><b>Marcela Lavorato</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32001" aria-describedby="caption-attachment-32001" style="width: 345px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32001" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/51PfMe6pHwL.jpg" alt="Capa do livro Em Busca de Mim da autora Viola Davis. A arte de capa é composta por uma fotografia em preto e branco de Davis, junto de tipografias nos cantos. Viola Davis é uma mulher negra de olhos e cabelos escuros. A foto captura apenas o rosto dela que, por sua vez, olha diretamente para a câmera. No topo da arte de capa, está escrito seu nome, Viola Davis, em letras garrafais brancas. Já na parte inferior, está localizado o título do livro, Em Busca de Mim, também em letras garrafais brancas. No canto inferior direito, está o logo da Editora BestSeller, formado por figuras geométricas e colorido em preto." width="345" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-32001" class="wp-caption-text">Em Busca de Mim levou o Grammy de Melhor Audiobook em 2023, consagrando Viola Davis como EGOT – vencedora das quatro principais premiações estadunidenses da Arte (Foto: Editora BestSeller)</figcaption></figure>
<p><b>Viola Davis &#8211; Em Busca de Mim (266 páginas, Editora BestSeller)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atriz, </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/em-visita-ao-brasil-atriz-viola-davis-lanca-produtora-em-salvador/"><span style="font-weight: 400;">empreendedora</span></a><span style="font-weight: 400;">, ativista e mais uma infinidade de substantivos. </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-mulher-rei-critica/"><span style="font-weight: 400;">Viola Davis</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma das personalidades mais importantes de nosso tempo e, em 2023, o mundo teve a oportunidade de adentrar o seu íntimo com a autobiografia </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pZ77LVfXUPU"><i><span style="font-weight: 400;">Em Busca de Mim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O livro mergulha na infância difícil, passando pelo estrelato até alcançar palavras de inspiração e auto-ajuda, algo clichê por ser quase fundamental na construção de obras desse gênero literário e que compromete a qualidade em alguns  momentos.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Em Busca de Mim</span></i><span style="font-weight: 400;">, cuja narração em áudio concedeu a Davis o título de </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/viola-davis-conquista-grammy-e-entra-para-listas-de-artistas-egot-entenda.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">EGOT</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – dado àqueles que vencem prêmios </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=E1FfCHeDsY8"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Tony</span></i><span style="font-weight: 400;"> –, desmistifica a figura imponente da artista. Se ela carregou por anos a presença intimidadora da advogada mais famosa da Televisão estadunidense, </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/215416-annalise-keating-conheca-advogada-viralizou-tiktok.htm"><span style="font-weight: 400;">Annalise Keating</span></a><span style="font-weight: 400;">, nas grandes telas do Cinema e no palco do Teatro o cenário não foi diferente. Porém, a autobiografia coloca tudo por água abaixo, revelando uma vulnerabilidade ironicamente poderosa. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-2023/">Estante do Persona &#8211; Novembro 2023</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-2023/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">31994</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Estante do Persona &#8211; Junho de 2022</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-junho-de-2022/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-junho-de-2022/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Jul 2022 21:47:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Ali Smith]]></category>
		<category><![CDATA[Álvares de Azevedo]]></category>
		<category><![CDATA[bell hooks]]></category>
		<category><![CDATA[Bruno Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[Caio Fernando Abreu: inventário de um escritor irremediável]]></category>
		<category><![CDATA[Caio Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Camila Sosa Villada]]></category>
		<category><![CDATA[Cartas para Luísa]]></category>
		<category><![CDATA[Clube do Livro]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[David Levithan]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Galera]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Seoman]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Rota Hilário]]></category>
		<category><![CDATA[Elayne Baeta]]></category>
		<category><![CDATA[Ensinando a transgredir: A educação como prática da liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[Enzo Caramori]]></category>
		<category><![CDATA[Estante do Persona]]></category>
		<category><![CDATA[Hotel mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Jamily Rigonatto]]></category>
		<category><![CDATA[Jeanne Callegari]]></category>
		<category><![CDATA[John Green]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Freitas]]></category>
		<category><![CDATA[Nathalia Tetzner]]></category>
		<category><![CDATA[Noite na Taverna]]></category>
		<category><![CDATA[O Parque das Irmãs Magníficas]]></category>
		<category><![CDATA[O Retrato de Dorian Gray]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar Wilde]]></category>
		<category><![CDATA[Oxe baby]]></category>
		<category><![CDATA[Paul B. Preciado]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Dutra]]></category>
		<category><![CDATA[Um apartamento em Urano]]></category>
		<category><![CDATA[Vitor Evangelista]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Gomez]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Will e Will]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=28154</guid>

					<description><![CDATA[<p>&#8220;Contar uma história significa levar as mentes no voo da imaginação e trazê-las de volta ao mundo da reflexão.&#8221; &#8211; Paulina Chiziane Em meio à euforia das celebrações do Orgulho, o simbólico mês de junho também deu abertura para importantes reflexões acerca da comunidade LGBTQIA+. O Clube do Livro do Persona sediou uma edição especial &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-junho-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Junho de 2022"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-junho-de-2022/">Estante do Persona &#8211; Junho de 2022</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28187" aria-describedby="caption-attachment-28187" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28187 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/capa_wordpress_estante_do_persona.jpg" alt="Arte retangular de cor verde claro. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris verde. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “O Parque das Irmãs Magníficas”. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘junho de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/capa_wordpress_estante_do_persona.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/capa_wordpress_estante_do_persona-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/capa_wordpress_estante_do_persona-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28187" class="wp-caption-text">Em junho, o Clube do Livro do Persona se reuniu para debater O Parque das Irmãs Magníficas, obra de Camila Sosa Villada que venceu a Feira Internacional do Livro de Guadalajara (Foto: Reprodução/Arte: Ana Clara Abbate/Texto de abertura: Vitória Silva)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;">&#8220;Contar uma história significa levar as mentes no voo da imaginação e trazê-las de volta ao mundo da reflexão.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: right;">&#8211; Paulina Chiziane</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio à euforia das celebrações do Orgulho, o simbólico mês de junho também deu abertura para importantes reflexões acerca da comunidade LGBTQIA+. O Clube do Livro do Persona sediou uma edição especial aberta aos nossos colaboradores para observar a produção literária da população trans latino-americana. Saindo da Literatura nacional, partimos em uma viagem para conhecer </span><span style="font-weight: 400;"><i>O Parque das Irmãs Magníficas</i></span><span style="font-weight: 400;">, de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://quatrocincoum.folha.uol.com.br/br/resenhas/literatura/um-ano-travesti-equivale-a-sete-anos-humanos">Camila Sosa Villada.</a></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já conhecida nos palcos, telinhas e telões ao redor do país, o primeiro passo da autora em sua caminhada na Literatura ocorreu em 2015, com </span><span style="font-weight: 400;"><i>La Novia de Sandro</i></span><span style="font-weight: 400;">. Na coletânea de poemas, Camila se propõe a investigar </span><span style="font-weight: 400;"><i>“os mistérios do amor travesti”</i></span><span style="font-weight: 400;">, temática que se tornaria um dos braços condutores de toda a sua obra. Em 2019, foi a vez de revelar a então leitura do nosso Clube do Livro, um relato semi-biográfico, em que a autora narra seus anos de prostituição no Parque Sarmiento, em Córdoba. Traduzido para mais de 10 idiomas, o livro foi vencedor de prêmios internacionais, como o </span><span style="font-weight: 400;"><i>Finestres de Narrativa </i></span><span style="font-weight: 400;">(Espanha, 2020) e o </span><span style="font-weight: 400;"><i>Grand Prix de l&#8217;Héroïne Madame Figaro</i></span><span style="font-weight: 400;"> (França, 2021). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Construindo uma fortaleza ao lado de um grupo de amigas, fator representativo de uma comunidade que aprendeu a ancorar-se em si mesma, Camila Sosa Villada apresenta um relato cruel do que é ser travesti, em um país que ainda não se equipara à </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.brasildefato.com.br/2022/01/23/ha-13-anos-no-topo-da-lista-brasil-continua-sendo-o-pais-que-mais-mata-pessoas-trans-no-mundo">carnificina diária</a></span><span style="font-weight: 400;"> que é essa realidade no Brasil. E se apoia em doses necessárias de realismo fantástico, que, ao invés de amenizar, aprofundam ainda mais as feridas ali expostas. Se for possível resumir bem, a sinopse da narrativa assim o faz: </span><span style="font-weight: 400;"><i>“O romance O Parque da Irmãs Magníficas é isso tudo: um rito de iniciação, um conto de fadas ou uma história de terror, o retrato de uma identidade de grupo, um manifesto explosivo, uma visita guiada à imaginação da autora”</i></span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda entre os feitos literários do nosso especial do Mês do Orgulho LGBTQIA+, o Persona Entrevista </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-tobias-carvalho/">abriu as portas para Tobias Carvalho</a></span><span style="font-weight: 400;">, autor de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Visão Noturna</i></span><span style="font-weight: 400;"> e </span><span style="font-weight: 400;"><i>As Coisas</i></span><span style="font-weight: 400;">, obra que se aprofunda sobre as relações homoafetivas e vencedora do Prêmio Sesc de Literatura, em 2018. Também foi tempo de condecorar um dos protagonistas da expansão da Literatura no projeto, no dia 7 de junho, o autor Mia Couto </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://jornal.unesp.br/2022/06/07/mais-do-que-uma-instituicao-de-ensino-a-universidade-e-um-centro-de-producao-de-cidadania-diz-mia-couto-ao-se-tornar-doutor-honoris-causa-pela-unesp/#:~:text=O%20bi%C3%B3logo%2C%20professor%2C%20jornalista%20e,do%20Conselho%20Universit%C3%A1rio%20da%20universidade.">recebeu o título de </a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://jornal.unesp.br/2022/06/07/mais-do-que-uma-instituicao-de-ensino-a-universidade-e-um-centro-de-producao-de-cidadania-diz-mia-couto-ao-se-tornar-doutor-honoris-causa-pela-unesp/#:~:text=O%20bi%C3%B3logo%2C%20professor%2C%20jornalista%20e,do%20Conselho%20Universit%C3%A1rio%20da%20universidade."><i>Doutor Honoris Causa</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Essa constitui a mais elevada honraria concedida pela Unesp, que tem o objetivo de prestigiar o trabalho de personalidades nacionais e internacionais, que se destacaram por suas contribuições para a arte, a cultura, a sociedade e a promoção dos direitos humanos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O clima festivo para o meio literário tende a se prolongar no mês de Julho, que teve seu início marcado pelo retorno da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/diversidade-na-literatura-ganha-espaco-na-bienal-em-meio-a-alta-do-faturamento-do-mercado-literario/">Bienal Internacional do Livro de São Paulo</a></span><span style="font-weight: 400;">. Mas, para fechar o importante ciclo que passou, fique com as indicações de autores LGBTQIA+ dos integrantes da Editoria em mais um </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-28154"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_28155" aria-describedby="caption-attachment-28155" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-28155" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/camila-1-683x1024.jpg" alt="" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/camila-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/camila-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/camila-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/camila-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/camila-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/camila-1-1200x1800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/camila-1.jpg 1707w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28155" class="wp-caption-text">Recém-chegado no Brasil pela sua publicação em julho 2021, O Parque das Irmãs Magníficas tem a tradução de Joca Reiners Terron (Foto: Tusquets Editores)</figcaption></figure>
<p><b>Camila Sosa Villada &#8211; O Parque das Irmãs Magníficas (208 páginas, Tusquets Editores)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O abismo que existe entre a beleza e a violência é um lugar onde a Arte adora se jogar, mas há expressões que buscam ser ainda mais radical do que isso &#8211; e esse é o caso de Camila Sosa Villada, que encontra ali naquela interseção </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/cultura/nao-e-um-romance-realista-afirma-camila-sosa-villada-autora-do-premiado-parque-das-irmas-magnificas/">o local perfeito</a></span><span style="font-weight: 400;"> para estabelecer </span><span style="font-weight: 400;"><i>O</i></span> <span style="font-weight: 400;"><i>Parque das Irmãs Magníficas</i></span><span style="font-weight: 400;">. No caso da escritora argentina, esse lugar pode ser metaforicamente entendido como o Parque Sarmiento, que ao mesmo tempo em que acolhe a sua família travesti de Córdoba (fã de novelas e Gal Gosta e colorida pelo melhor rosa de mundo enquanto vive sete anos em um), é também o local que materializa toda gravidade do que significa estar no extremo da margem da sociedade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lá, ela floresce a brutalidade honesta de sua história num </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://claudia.abril.com.br/cultura/camila-sosa-villada-livro/">realismo fantástico</a></span><span style="font-weight: 400;"> que consegue ser muito mais verdadeiro do que o ideal de verossimilhança perseguido por muitas ficções. </span><span style="font-weight: 400;"><i>Las Malas</i></span><span style="font-weight: 400;">, no original lançado em 2019, toma forma a partir dos registros que Camila manteve em um blog a partir do momento em que chegou na cidade para cursar a faculdade e conheceu as travestis do parque, o livro passeia por reflexões de identidade, pertencimento, amor e família sem se esquivar dos muitos momentos em que a dor, desamparo e solidão vindos do preconceito e da pobreza cruzam o caminho de suas personagens. Assim, ela define seu </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://culturadoria.com.br/o-parque-das-irmas-magnificas/">lar travesti</a></span><span style="font-weight: 400;">: “</span><span style="font-weight: 400;"><i>Nessa casa, até a morte pode ser bela.</i></span><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: O Parque das Irmãs Magníficas - Clube do Livro Junho de 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/21Yoajz6KyfB8VC70Ca17g?si=c7ff5960c5a24684&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_28158" aria-describedby="caption-attachment-28158" style="width: 678px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-28158" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/carta-para-luisa-678x1024.jpg" alt="Imagem da capa do livro Cartas para Luísa. Na foto, um fundo roxo abriga os desenhos de Rafaela e Luísa. A primeira tem pele branca, cabelos pretos na altura dos ombros e usa uma blusa preta, a ilustração está posicionada horizontalmente na porção superior. Já Luísa tem a pele negra e cabelos raspados, ela está posicionada horizontalmente na porção inferior. No centro aparece o título com a palavra Luísa em destaque, enquanto o nome da autora sobrepõe a imagem de Rafaela." width="678" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/carta-para-luisa-678x1024.jpg 678w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/carta-para-luisa-530x800.jpg 530w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/carta-para-luisa-768x1159.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/carta-para-luisa-1018x1536.jpg 1018w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/carta-para-luisa-1357x2048.jpg 1357w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/carta-para-luisa-1200x1811.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/carta-para-luisa.jpg 1643w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28158" class="wp-caption-text">“Por favor, me perdoe por ter te amado tão errado. Era tudo o que eu tinha para oferecer” (Foto: Se Liga Editorial)</figcaption></figure>
<p><b>Maria Freitas &#8211; Cartas para Luísa (186 páginas, Se Liga Editorial)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://lesbout.com.br/resenha-cartas-para-luisa-uma-narrativa-dramatica-do-amor-entre-duas-garotas/#:~:text=%E2%80%9CCartas%20para%20Lu%C3%ADsa%E2%80%9D%20%C3%A9%20sobre,curto%2C%20por%C3%A9m%20carregado%20de%20intensidade.">Cartas para Luísa</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> é uma obra epistolar que nos convida a conhecer Rafaela por meio das palavras grafadas em suas cartas. A personagem dedica suas mensagens à mulher que amava quando era adolescente e – entre lembranças e assinaturas – sentimentos que nunca disseram adeus transbordam em páginas datadas. A cada carta, uma peça da narrativa protagonizada por elas dez anos antes vem à tona acompanhada das frustrações, dores e arrependimentos da remetente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro tem autoria de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.mariafreitas.com.br/">Maria Freitas</a></span><span style="font-weight: 400;"> e ganhou o prêmio </span><span style="font-weight: 400;"><i>Mix </i></span><span style="font-weight: 400;">Literário do ano de 2020, além de fazer parte da série </span><span style="font-weight: 400;"><i>Amor Entre Garotas</i></span><span style="font-weight: 400;"> junto dos títulos </span><span style="font-weight: 400;"><i>A Grande Chance de Ana Luna</i></span><span style="font-weight: 400;"> e </span><span style="font-weight: 400;"><i>Amélia Sem Filtro</i></span><span style="font-weight: 400;">. O texto aborda de maneira sincera a vivência da bissexualidade, o entendimento das injustiças criadas pelo racismo, as relações familiares e a pauta da saúde mental. </span><span style="font-weight: 400;"><i>Cartas para Luísa</i></span><span style="font-weight: 400;"> despeja emoções com todo o melodrama que as controvérsias do amor merecem, mostrando como os clichês podem ser tão </span><span style="font-weight: 400;"><em>emo</em></span><span style="font-weight: 400;"> quanto uma música da Fresno. </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_28159" aria-describedby="caption-attachment-28159" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-28159" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/will-will-1-650x1024.jpg" alt="Capa do livro Will e Will, mostra dois rostos fazendo biquinho. Um deles está no canto superior direito e o outro no inferior esquerdo. A capa é azul e tem vários desenhos de corações, na mesma cor. Em branco, lemos Will e Will: Um Nome, Um Destino, e em preto lemos o nome dos autores, John Green e David Levithan." width="650" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/will-will-1-650x1024.jpg 650w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/will-will-1-508x800.jpg 508w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/will-will-1-768x1209.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/will-will-1-976x1536.jpg 976w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/will-will-1-1301x2048.jpg 1301w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/will-will-1-1200x1889.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/will-will-1.jpg 1623w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28159" class="wp-caption-text">Primeiro livro com personagens gays a figurar na lista do New York Times, Will &amp; Will marcou uma geração que cresceu lendo os romances envolvendo adolescentes com câncer, cidades de papel e teoremas com nome de mulher (Foto: Galera)</figcaption></figure>
<p><b>John Green e David Levithan &#8211; Will e Will (352 páginas, Galera)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma noite fria, numa improvável esquina de Chicago, Will Grayson encontra&#8230; Will Grayson. Os dois adolescentes dividem o mesmo nome e a dor do coração partido. Um Will é amigo de um garoto gay de sua escola. O outro precisa abrir o jogo com a própria mãe a respeito de sua orientação sexual. Até que Tiny, o melhor amigo gay do primeiro Will, acaba se tornando o possível amor do outro Will. Esquecendo momentaneamente os romances heterossexuais que povoam sua Literatura, John Green se junta a David Levithan para </span><span style="font-weight: 400;"><a href="http://mundosnaestante.blogspot.com/2013/08/resenhando-will-will-ou-seria-tiny.html">escrever a quatro mãos</a></span><span style="font-weight: 400;"> a trama de dois homônimos em ebulição. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, por mais que </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.goodreads.com/book/show/6567017-will-grayson-will-grayson">Will e Will</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, que no Brasil ganhou o subtítulo </span><span style="font-weight: 400;"><i>Um Nome, um destino</i></span><span style="font-weight: 400;">, junto da tradução de Raquel Zampil, passeie por temas comuns do mundo adolescente e esbarre em alguns clichês evitáveis, a inserção de um Grayson </span><span style="font-weight: 400;"><i>queer </i></span><span style="font-weight: 400;">dá o tom de frescor que uma obra escrita pelo criador de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/john-green-critica/">Hazel Grace</a></span><span style="font-weight: 400;"> e Augustus Waters precisa. Fato é que, depois da parceria, Green e Levithan seguiram por seus caminhos individuais, mas o encontro atmosférico de 2010 marcou o período. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_28161" aria-describedby="caption-attachment-28161" style="width: 652px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-28161" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/71C5NjFyENL-652x1024.jpg" alt="Capa do livro Oxe, baby. A capa é rosa. No canto superior esquerdo, vemos rabiscos circulares em preto, o desenho de uma taça de vinho e a palavra “garotas” escrita três vezes, com um risco por cima. No canto superior direito, vemos um grafismo que aparenta ser uma página rasgada. Ao centro, vemos uma foto no estilo Polaroid, com uma moldura branca e a foto de Elayne Baeta ao centro. Ela é uma mulher aparentando cerca de 25 anos, com cabelos curtos pretos e está deitada em uma cama, encarando a câmera. Ao redor da moldura, vemos fósforos apagados, com as cinzas espalhadas sob a foto. Abaixo da foto, ao centro, vemos a assinatura de Elayne Baeta. No canto inferior esquerdo, vemos outro grafismo que aparenta ser de uma página rasgado. Na parte inferior central, vemos o logo da Galera. No canto inferior direito, vemos um desenho de uma fogueira" width="652" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/71C5NjFyENL-652x1024.jpg 652w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/71C5NjFyENL-509x800.jpg 509w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/71C5NjFyENL-768x1207.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/71C5NjFyENL-978x1536.jpg 978w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/71C5NjFyENL.jpg 1143w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28161" class="wp-caption-text">“Nunca foi sobre copos de água/Sempre foi sobre déjà-vu” (Foto: Galera)</figcaption></figure>
<p><b>Elayne Baeta &#8211; Oxe, baby (213 páginas, Galera)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu segundo lançamento sob o selo </span><span style="font-weight: 400;"><i>Galera</i></span><span style="font-weight: 400;">, da Editora </span><span style="font-weight: 400;"><i>Record</i></span><span style="font-weight: 400;">, a autora baiana Elayne Baeta leva suas histórias sobre vivências de mulheres lésbicas ainda além do que em sua obra de estreia, </span><span style="font-weight: 400;"><i>O amor não é óbvio</i></span><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;"><i>Oxe, baby</i></span><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro livro de poemas da escritora e, neste, a pessoa que expõe suas experiências é ela mesma: a coletânea de textos, imagens, escritos, fotografias, colagens e rabiscos formam o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/p/CUaL_d5slYR/?utm_source=ig_web_copy_link">diário</a></span><span style="font-weight: 400;"> de Elayne. E há melhor jeito de entender as </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/representatividade-importa-literatura-jovem-faz-sucesso-ao-escalar-personagens-lgbtqiap-25082405">vivências</a></span><span style="font-weight: 400;"> de alguém do que (literalmente) lendo o documento mais pessoal e íntimo dela?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra, descrita como “</span><span style="font-weight: 400;"><i>um caderno roubado de poesias de uma garota que ama garotas</i></span><span style="font-weight: 400;">”, retrata a perspectiva da própria autora através de poemas e outras expressões artísticas. </span><span style="font-weight: 400;"><i>Oxe, baby</i></span><span style="font-weight: 400;"> aborda temas como aceitação da sexualidade e homofobia, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://twitter.com/elaynebaeta/status/1428473477527478272?s=20&amp;t=nFdm6RrtoXkqI6o9-p_oVQ">orgulho</a></span><span style="font-weight: 400;">, amores correspondidos e não correspondidos, paixões, sexo e </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://queer.ig.com.br/2021-12-04/elayne-baeta-livros.html">solidão</a></span><span style="font-weight: 400;">, construindo um quadro completo do que é ser uma mulher lésbica &#8211; pelo menos para Elayne Baeta. As vivências expostas ao longo das 213 páginas, porém, são inconfundíveis e ressoam profundamente nas leitoras que se identificam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário de </span><span style="font-weight: 400;"><i>O amor não é óbvio</i></span><span style="font-weight: 400;">, no qual a escritora se debruça sobre os mesmos assuntos sutilmente durante uma </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.terra.com.br/nos/escrevi-o-romance-lesbico-que-queria-ter-lido-diz-elayne-baeta,49a7e9d727bb41a2a2f9b7cbe8e559495wy022sc.html">narrativa ficcionalizada</a></span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Oxe, baby </i></span><span style="font-weight: 400;">os traz com a dureza, a honestidade e também a beleza de quem os presenciou e sabe do que fala. Na obra, a personagem principal não é inventada ou adaptada, não tem um arco de desenvolvimento planejado e nem ações premeditadas por um autor segurando uma caneta. Aqui, a protagonista é a própria Elayne Baeta, mulher lésbica contando sua </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/p/CWeUuK8Puv7/?utm_source=ig_web_copy_link">história</a></span><span style="font-weight: 400;">. Através de analogias e metáforas, que tornam situações específicas em vivências quase universais de outras garotas sáficas, as leitoras viram, também, as protagonistas junto da autora. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_28162" aria-describedby="caption-attachment-28162" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-28162" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/urano1-683x1024.jpg" alt="capa do livro Um apartamento em Urano: Crônicas da travessia. A capa possui um círculo, cor verde água claro, que ocupa o centro, enquanto as bordas são de um verde grama mais escuro. No canto superior direito consta o título em letras pretas, o subtítulo em letras brancas. O nome do autor, Paul B. Preciado, está escrito em letras pretas. No canto inferior esquerdo, consta o logo do selo Zahar" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/urano1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/urano1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/urano1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/urano1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/urano1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/urano1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/urano1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28162" class="wp-caption-text">‘‘A voz que treme em mim é a voz da fronteira’’ (Foto: Zahar/Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Paul B. Preciado &#8211; Um apartamento em Urano: Crônicas da travessia (320 páginas, Zahar)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nome de Paul B. Preciado não é novo para quem já mergulhou nas profundas águas da teoria queer, tão contaminadas pelo pensamento </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2016/01/27/cultura/1453910313_124066.html#:~:text=Sempre%20em%20busca,de%20reconhecimento%20pol%C3%ADtico%E2%80%9D.">pós-estruturalista</a></span><span style="font-weight: 400;"> e bebida pelas políticas </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.jornalopcao.com.br/opcao-cultural/quem-tem-medo-de-virginie-despentes-autora-do-livro-teoria-king-kong-388021/">pós-pornô</a></span><span style="font-weight: 400;">. Sua</span><span style="font-weight: 400;"> </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/sobre-a-filosofia-paul-b-preciado/">filosofia</a></span><span style="font-weight: 400;">, em que as experimentações misturam-se tanto ao </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.n-1edicoes.org/testo-junkie">seu próprio corpo</a></span><span style="font-weight: 400;"> quanto o do texto, são um convite às maneiras que identidades dissidentes podem ser manejadas no sistema cisgênero e heterossexual. No entanto, a novidade das crônicas de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788537818831/um-apartamento-em-urano">Um apartamento em Urano</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, é a pulsão do autor em criar novas utopias para serem sonhadas por pessoas LGBTQIA+. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seus textos, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://territoriosdefilosofia.wordpress.com/2015/10/14/da-filosofia-como-modo-superior-de-dar-o-cu-ou-deleuze-e-a-homossexualidade-molecular-paul-beatriz-preciado/">Gilles Deleuze</a></span><span style="font-weight: 400;">, Jean Genet, Virginia Woolf e </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/artigo-ursula-le-guin-nos-deixou-tarefa-de-sonhar-22326163">Ursula K. Le Guin</a></span><span style="font-weight: 400;"> se encontram no que é um marco inaugural de uma nova maneira de se pensar a gênero e sexualidade. Ao se situar em um estado migrante, uma representação da transição social e hormonal de sua transsexualidade, Preciado envolve o leitor em sua viagem de gênero que tem como destino final Urano, um espaço proposto a ser ocupado por aqueles que rompem com a norma e que, consequentemente, negam os territórios da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2021/01/regime-heteronormativo-e-patriarcal-vai-colapsar-com-revolucao-em-curso-diz-paul-preciado.shtml">cisheteronormatividade</a></span><span style="font-weight: 400;"><i>.</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com temáticas que vão desde </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://theintercept.com/2019/04/12/acusacoes-contra-julian-assange/">Julian Assange</a></span><span style="font-weight: 400;"> e as políticas estatais de informação até reflexões acerca da importância de dildos no sexo </span><span style="font-weight: 400;"><i>queer</i></span><span style="font-weight: 400;">, o autor desmobiliza as estruturas da política e da cultura com sua disruptividade. Nas crônicas, Preciado submete Marx a uma oficina eco-socialista, olha criticamente para </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/03/opinion/1391428140_828590.html">Lars Von Trier</a></span><span style="font-weight: 400;">, sempre com suas lentes feministas, mas, antes de tudo, se volta com amor para aqueles sistematicamente negados </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://revistageni.org/10/quem-defende-a-crianca-queer/">desse sentimento</a></span><span style="font-weight: 400;">. &#8211; </span><b>Enzo Caramori</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_28163" aria-describedby="caption-attachment-28163" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-28163" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/hotel-mundo-1-683x1024.jpg" alt="" width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/hotel-mundo-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/hotel-mundo-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/hotel-mundo-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/hotel-mundo-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/hotel-mundo-1-1365x2048.jpg 1365w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/hotel-mundo-1-1200x1800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/hotel-mundo-1.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28163" class="wp-caption-text">“A história é esta; começa pelo fim” (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Ali Smith &#8211; Hotel mundo (232 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma cidade não especificada, uma camareira cai de um elevador de carga. Ela morre na primeira página. Esta é a história, </span><span style="font-weight: 400;"><i>“começa pelo fim”</i></span><span style="font-weight: 400;">. Mas a bem da verdade, o fim, aqui, é puramente o começo. Desde o título de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535915808/hotel-mundo?idtag=8b590d5a-7d0b-42b9-ac24-6a7a936d017c&amp;gclid=Cj0KCQjwlK-WBhDjARIsAO2sErRo5T1ak37okKAtyAf7l6BTicqH7cwVl5jnOKLrQxjvqo2CFZKovKEaAv0dEALw_wcB">Hotel mundo</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2009), a escocesa </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=02297">Ali Smith</a></span><span style="font-weight: 400;"> propõe um diálogo com o universo dos mortos: o Hotel Mundo, administrado pela rede internacional Hotel Global, é uma maravilhosa metáfora para a transitoriedade da vida, a qual se segmenta através de linhas tênues que nos unem à experiência dos mortos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa visão periférica do todo só pode ser atestada por aqueles que observam de longe, de fora, quase como uma visão completa da História. Porém, Smith tem consciência de que é sempre difícil enxergar de </span><span style="font-weight: 400;"><i>dentro</i></span><span style="font-weight: 400;"> dos acontecimentos; por essa razão, interliga a trama de cinco mulheres – incluindo Sara, a camareira morta que continua vagando pelo mundo como o espectro de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788582850145/hamlet">Hamlet</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> – à historicidade e à passagem da vida através do tempo (como um hotel que passamos uns dias e depois partimos). Primeiro livro da autora a ser finalista do </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://thebookerprizes.com/the-booker-library/prize-years/2001">Booker Prize</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (em 2001), o livro chegou ao Brasil oito anos depois, sob tradução de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212637/ulysses-edicao-especial">Caetano W. Galindo</a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, da mesma forma que a escritora constrói uma obra literariamente inventiva e filosoficamente instigante, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Hotel mundo </i></span><span style="font-weight: 400;">se consolida como uma meditação sobre os fios invisíveis que nos unem enquanto seres vivos, em uma trama meticulosamente interligada entre nós e nossos antepassados. A presença e a ausência daqueles que amamos moldam os momentos que constroem nosso mundo? Mais do que indagar, Ali Smith mostra que todos que passaram pela Terra – conhecidos, desconhecidos, vivos, mortos – estão intrinsecamente ligados a nossa própria História, pois habitavam o mesmo lugar que habitamos hoje, e em breve estaremos deixando: o Hotel Mundo. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_28165" aria-describedby="caption-attachment-28165" style="width: 608px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-28165" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/61XET0NIkML-608x1024.jpg" alt="Capa do livro Noite na Taverna do autor Álvares de Azevedo. O fundo da capa é predominantemente preto. Ao centro, a ilustração em cores quentes de uma figura feminina. Na parte superior, o nome do autor Álvares de Azevedo e o nome do livro Noite na Taverna estão escritos em letras brancas. Na parte inferior, o logo da coleção Pocket da editora L&amp;PM está ilustrado em branco." width="608" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/61XET0NIkML-608x1024.jpg 608w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/61XET0NIkML-475x800.jpg 475w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/61XET0NIkML-768x1294.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/61XET0NIkML.jpg 824w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28165" class="wp-caption-text">O romantismo de Álvares de Azevedo se tornou tão dilacerante quanto o de sua maior inspiração, Lord Byron (Foto: L&amp;PM Editores)</figcaption></figure>
<p><b>Álvares de Azevedo &#8211; Noite na Taverna (96 páginas, L&amp;PM Editores)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gótico e pessimista, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="http://almanaque.folha.uol.com.br/carone10.htm">Álvares de Azevedo</a></span><span style="font-weight: 400;"> é a entidade por trás do pseudônimo Job Stern que assina uma das obras mais instigantes da Literatura Brasileira, a póstuma antologia de contos </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/noite-na-taverna-critica/">Noite na Taverna</a></i></span><span style="font-weight: 400;">. O representante maior do movimento ultrarromântico entrega a narração para Solfieri, Bertram, Gennaro, Claudius Hermann e Johann, cinco sujeitos que se reúnem em uma taverna para relatar as suas fúnebres desilusões amorosas. Publicado em 1855, o livro aborda tópicos sensíveis, entre eles, o canibalismo e a necrofilia, como uma forma de desafiar a sociedade da época.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de uma prosa carregada de sentimentalismo e angústia, Azevedo, um ser noturno, quase um vampiro, consegue fazer de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://universohq.com/noticias/noite-na-taverna-de-alvares-de-azevedo-ganha-adaptacao-em-quadrinhos/">Noite na Taverna</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> uma das grandes conquistas artísticas da geração apelidada de mal-do-século. Tuberculoso quando não havia cura, ele deixou a vida como deixou o tédio com apenas 20 anos, mas não partiu antes de deixar uma carta para o seu confidente: “Adeus, meu Luiz. A beleza do espiritualismo é o amor das almas”. O fascínio pela relação motivou o historiador Jandiro Adriano Koch a escrever </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/um-a%C3%A7orianos-de-literatura-para-um-crush-1.773545">O crush de Álvares de Azevedo</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, texto que procura desvendar a homossexualidade do autor. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_28166" aria-describedby="caption-attachment-28166" style="width: 400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28166" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Biografia-Caio-1.jpg" alt="Capa do livro Caio Fernando Abreu: inventário de um escritor irremediável. Fotografia retangular vertical. O escritor gaúcho Caio Fernando Abreu ocupa toda a capa. Ele aparece em tons de marrom, amarelo e laranja e somente o lado direito de seu rosto está iluminado. Caio é um homem de cabelos curtos, um pouco calvo, usa óculos redondos, olha para baixo, com semblante sério, e segura um cigarro com a mão direita. No canto inferior direito da capa, lemos Jeanne Callegari e Caio Fernando Abreu em letras brancas. Abaixo, lemos inventário de um escritor irremediável em letras pretas. No canto inferior esquerdo da capa, podemos identificar o logo da editora Seoman, formado por um círculo branco, com uma espécie de dragão no meio e, ao lado direito, o nome Seoman escrito em letras brancas. " width="400" height="602" /><figcaption id="caption-attachment-28166" class="wp-caption-text">Indo das memórias afetivas às telas do Persona, a biografia de Caio F. pode atrair alguns leitores até a obra do escritor gaúcho (Foto: Seoman)</figcaption></figure>
<p><b>Jeanne Callegari &#8211; Caio Fernando Abreu: inventário de um escritor irremediável (192 páginas, Seoman)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porque estou prestes a divulgar um relato pessoalíssimo, escrevo em primeira pessoa. Não como uma forma preguiçosa de facilitar a narrativa, mas como um recurso de aproximação entre aquilo que me resta do que já vivi e a tarefa confusa, mas curiosa de recomendar um livro que me marcou </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/p/BcvaL0AjLNJ/?hl=pt-br">há alguns anos</a></span><span style="font-weight: 400;">. Busco ser breve: </span><span style="font-weight: 400;"><i>Caio Fernando Abreu: inventário de um escritor irremediável</i></span><span style="font-weight: 400;"> foi uma obra essencial para minha paixão turbulenta pela Literatura brasileira. Por meio dessas quase 200 páginas, ultrapassei o fascínio inicial dos </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/p/BcOhoYTDtB5/?hl=pt-br"><i>Morangos Mofados</i></a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/p/BcOhoYTDtB5/?hl=pt-br"> recém-degustados</a></span><span style="font-weight: 400;"> e fui atrás de outras possibilidades heterogêneas de Caio, além das Anas Cristinas Césares e Hildas Hilsts que me acompanham até hoje.      </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Biográfico, o texto de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/jeannecallegari/?hl=pt-br">Jeanne Callegari</a></span><span style="font-weight: 400;"> rapidamente me conquistou. Aos poucos, fiquei instigado. Enfeitiçado. Ávido por um repertório que ainda não possuía: essa busca incessante pelas vias mais amplas. No calor do momento, a intensidade de leitura foi tamanha que aquela experiência mais parecia uma espécie de ambição utópica &#8211; a tentativa ingênua de manter contato com alguém que já se foi. No fim, </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.estantevirtual.com.br/livros/jeanne-callegari/caio-fernando-abreu-inventario-de-um-escritor-irremediavel/909282351">Caio Fernando Abreu: inventário de um escritor irremediável</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> foi a confirmação de que Caio F. não seria companheiro momentâneo nesta travessia imprevisível que apelidamos de vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atualmente, pouco me lembro do que de fato li na </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/p/BKGgDeEBBth/?hl=pt-br">biografia escrita por Callegari</a></span><span style="font-weight: 400;">. O tempo não apagou todos os nomes, relatos e dados, mas o que definitivamente me resta é a sensação nostálgica daquela primeira imersão sedutora. Um sentimento que não deve voltar em futuras revisitações, mas que se perpetua aqui, em um texto breve e, talvez, até elíptico demais. Trata-se de uma dica baseada principalmente na emoção. Da paixão por um escritor brasileiro fundamental à cultura deste país à importância de se conhecer a vida de artistas LGBTQIAP+: assim se construiu &#8211; ou, quem sabe, foi construída &#8211; esta indicação. </span><b>&#8211; Eduardo Rota Hilário</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_28170" aria-describedby="caption-attachment-28170" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28170" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/ensinando-678x1024.jpg" alt="Capa do livro Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade, de bell hooks. A imagem é composta por uma foto em preto e branco que ocupa a metade inferior da capa, mostrando um grupo de manifestantes em protesto. A metade superior é uma faixa preta. Do lado esquerdo, o nome da autora está escrito em vermelho. Do lado direito, o nome do livro está escrito em branco. " width="700" height="1058" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/ensinando-678x1024.jpg 678w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/ensinando-529x800.jpg 529w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/ensinando-768x1161.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/ensinando-1016x1536.jpg 1016w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/ensinando-1355x2048.jpg 1355w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/ensinando-1200x1813.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/ensinando.jpg 1694w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28170" class="wp-caption-text">Lançado no Brasil em 2013, o ensaio de bell hooks sobre educação tem uma repercussão de influência tão grande quanto a sua autora (Foto: Martins Fontes)</figcaption></figure>
<p><b>bell hooks &#8211; Ensinando a transgredir: A educação como prática da liberdade (288 páginas, Martins Fontes)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre os muitos debates que constroem um Mês do Orgulho LBGTQIA+, um em especial é muito bem contemplado pela sabedoria de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.boitempoeditorial.com.br/autor/bell-hooks-1372">bell hooks</a></span><span style="font-weight: 400;"> em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Ensinando a transgredir: A educação como prática da liberdade</i></span><span style="font-weight: 400;">. A partir de suas experiências como professora em um contexto entendido como o centro do mundo globalizado e contemporâneo, a pensadora questiona as concepções tradicionais de educação, retirando cirurgicamente os reducionismos que cercam uma das esferas mais importantes e poderosas da nossa sociedade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No ensaio, a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.pordentrodaafrica.com/cultura/ensinando-transgredir-educacao-como-pratica-de-liberdade-de-bell-hooks">educação</a></span><span style="font-weight: 400;"> é entendida como o vetor das transformações que tanto buscamos em um mundo regido por um sistema que aprisiona singularidades &#8211; daí a relação do tema com a liberdade e a coisa mais preciosa do mundo para bell hooks, a revolução. Assim, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Ensinando a transgredir </i></span><span style="font-weight: 400;">vai muito além do nicho específico da pedagogia crítica, se revelando como o beabá de uma prática social humanista e se colocando num lugar de referência fundamental para tudo o que refletimos e reivindicamos durante esse mês: o direito fundamental à liberdade de existência. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_28167" aria-describedby="caption-attachment-28167" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-28167" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Dorian-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro O Retrato de Dorian Gray exibe o nome da obra ao centro, com letras pretas finas. Entre “DE” e “DORIAN GRAY” vemos duas figuras: um homem branco que veste um sobretudo com os botões abotoados, usa uma cartola preta na cabeça e carrega um bastão na mão esquerda; na sua sombra, vemos uma criatura preta agachada, com dois círculos brancos nos olhos. No topo, lê-se “Oscar Wilde” com as mesmas letras finas do título e embaixo do nome da obra lê-se “Via Leitura”, em letras menores." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Dorian-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Dorian-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Dorian-1.jpg 700w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28167" class="wp-caption-text">Com tradução de Alexandre Barbosa de Souza, a edição da Via Leitura também conta com posfácio de James Joyce (Foto: Via Leitura)</figcaption></figure>
<p><b>Oscar Wilde &#8211; O Retrato de Dorian Gray (223 páginas, Via Leitura) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Causador de polêmica na sociedade inglesa ao ser lançado no final do século XIX, o único romance escrito por Oscar Wilde é uma verdadeira obra-prima que fascina pela beleza de sua prosa e por sua narrativa hipnótica, onde explora as consequências de uma vida hedonista desenfreada. A escrita de Wilde não é só bela como também é sensual, com um rico teor homoerótico que permeia toda a obra, destacando-se especialmente nas passagens onde Dorian interage com o pintor Basil Hallward. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao discutir sobre arte e a obsessão estética pela juventude eterna de seu protagonista, o livro ainda permanece extremamente atual, servindo como reflexo de um contexto midiático permeado por celebridades que parecem não envelhecer nunca graças às milhares de cirurgias que o dinheiro possibilita. Até que ponto a beleza deixa de encantar as multidões e passa a ser macabra, trágica? Leia </span><span style="font-weight: 400;"><i>O Retrato de Dorian Gray </i></span><span style="font-weight: 400;">e descubra. </span><b>&#8211; Caio Machado</b></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-junho-de-2022/">Estante do Persona &#8211; Junho de 2022</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-junho-de-2022/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">28154</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Estante do Persona – Janeiro de 2022</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Feb 2022 20:53:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Alfaguara]]></category>
		<category><![CDATA[Art Spiegelman]]></category>
		<category><![CDATA[Bartleby e companhia]]></category>
		<category><![CDATA[bell hooks]]></category>
		<category><![CDATA[Bruno Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[Clube do Livro]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Conversas Entre Amigos]]></category>
		<category><![CDATA[Débora Landsberg]]></category>
		<category><![CDATA[Elefante]]></category>
		<category><![CDATA[Enrique Vila-Matas]]></category>
		<category><![CDATA[Estante do Persona]]></category>
		<category><![CDATA[Estante do Persona Janeiro de 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Henrique Marinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Irlanda]]></category>
		<category><![CDATA[Janeiro de 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Maus]]></category>
		<category><![CDATA[Normal People]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoas Normais]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Dutra]]></category>
		<category><![CDATA[Sally Rooney]]></category>
		<category><![CDATA[Tordesilhas]]></category>
		<category><![CDATA[Tudo sobre o amor]]></category>
		<category><![CDATA[Um teto todo seu]]></category>
		<category><![CDATA[Virginia Woolf]]></category>
		<category><![CDATA[Vitor Evangelista]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Gomez]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Silva]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=26009</guid>

					<description><![CDATA[<p>“Quem é que quer flores depois de morto?” &#8211; J.D. Salinger Começando 2022 com o pé direito, a primeira leitura do nosso Clube do Livro se materializou nos lamentos e nos sonhos que a irlandesa Sally Rooney colapsou e esmigalhou em Pessoas normais. Sucesso de crítica, público e aclamado pela voracidade dos acontecimentos e sentimentos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Janeiro de 2022"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/">Estante do Persona – Janeiro de 2022</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26035" aria-describedby="caption-attachment-26035" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26035 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capawordpressestantejaneiro.jpg" alt="Arte retangular de fundo lilás. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante'. na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “pessoas normais”. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco 'janeiro de 2022'" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capawordpressestantejaneiro.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capawordpressestantejaneiro-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capawordpressestantejaneiro-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26035" class="wp-caption-text">O Estante de Persona abre 2022 ao lado de Sally Rooney e sua dupla de Pessoas normais (Foto: Reprodução/Arte: Henrique Marinhos/Texto de Abertura: Vitor Evangelista)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“Quem é que quer flores depois de morto?”</span></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">&#8211; J.D. Salinger</span></em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Começando 2022 com o pé direito, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"><span style="font-weight: 400;">primeira leitura do nosso Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> se materializou nos lamentos e nos sonhos que a irlandesa Sally Rooney colapsou e esmigalhou em</span> <a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14654"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Sucesso de crítica, público e aclamado pela voracidade dos acontecimentos e sentimentos escritos, a obra ganhou uma adaptação em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=x1JQuWxt3cE"><span style="font-weight: 400;">formato de minissérie</span></a><span style="font-weight: 400;">, pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu</span></i><span style="font-weight: 400;">, alavancando a carreira de suas estrelas Daisy Edgar-Jones e Paul Mescal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem muito acontecendo no mundo literário nesse começo de ciclo, o Clube do Livro do Persona discutiu as similaridades e as normalidades do livro com o mundo real. Encontrando poesia na ordinariedade que Roony imprime em seus personagens, relacionáveis à maioria dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Wywjnr8vQ8U"><span style="font-weight: 400;">jovens adultos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que saíram da escola bambeando e chegaram à universidade perdidos da cabeça.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pela visão de Marianne e Connell, nossa leitura foi guiada, com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1u8rIx65QgA"><span style="font-weight: 400;">corações pulsantes doloridos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e uma porção de opiniões contundentes sobre a conduta dos protagonistas. O resultado dessa experiência você encontra abaixo, com breves comentários sobre o Livro do Mês (que, assim como nossa citação de abertura, bebe da fonte criativa de J.D. Salinger), além das imperdíveis Dicas do Mês, remexendo os cantos da Literatura e chegando com tudo, para quem procura turbinar a meta de leitura para o ano que chegou. </span></p>
<p><span id="more-26009"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_26016" aria-describedby="caption-attachment-26016" style="width: 683px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26016 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Pessoas normais, da autora Sally Rooney. A capa é verde, tem o desenho de duas pessoas deitadas abraçadas dentro de uma lata de sardinha aberta. No topo da capa, lemos em preto: &quot;O fenômeno literário da década&quot; - The Guardian. Abaixo disso, em fonte branca e grande, lemos PESSOAS NORMAIS, e abaixo da imagem da lata de sardinha, lemos SALLY ROONEY." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26016" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Lançado em 2019 por aqui, a tradução para o português ficou a cargo de Débora Landsberg (Foto: Companhias das Letras)</span></i></figcaption></figure>
<p><b>Sally Rooney &#8211; Pessoas normais (264 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito mais do que uma história de amor que ultrapassa espaço e tempo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;"> não se dobra a </span><a href="https://brasil.elpais.com/eps/2021-09-03/sally-rooney-aceitar-a-intimidade-e-aceitar-a-possibilidade-de-que-outra-pessoa-nos-magoe.html"><span style="font-weight: 400;">qualquer limitação que o destino possa vir a causar</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quando conhecemos Connell e Marianne, eles são estudantes do Ensino Médio, deslocados, cada um à sua maneira. Lá, era o garoto quem tomava a dianteira, fazendo a jovem de gato e sapato. Quando crescem e se aventuram pela faculdade, é Marianne o sujeito mandante do relacionamento, mesmo que ela insista em negar essa posição de poder.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, por vezes sutil, por vezes desbocada, Sally Rooney navega entre conversas mortas, sentimentos afogados e uma série de pequenos eventos que, em efeito dominó, não dão paz aos namorados imperfeitos da trama. Com </span><a href="https://literaturainglesa.com.br/sally-rooney-fala-sobre-seus-livros-favoritos/"><span style="font-weight: 400;">inspirações</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Ulysses </span></i><span style="font-weight: 400;">de James Joyce e em </span><i><span style="font-weight: 400;">Franny &amp; Zooey</span></i><span style="font-weight: 400;"> de J.D. Salinger, a autora irlandesa não se preocupa em preencher lacunas temporais, dando forma a suas pessoas ordinárias nesse exato </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/10/sally-rooney-do-fenomeno-normal-people-nao-quer-ser-so-mais-uma-millennial-chata.shtml"><span style="font-weight: 400;">lugar de mundanidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Connell e Marianne são identificáveis pois são avulsos, previsíveis, nada centrados e terrivelmente normais, como qualquer leitor que se sinta na mesma posição deles. Às vezes, a </span><a href="https://blog.estantevirtual.com.br/2021/08/17/sally-rooney/"><span style="font-weight: 400;">simplicidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> se revela a morada mais agradável de todas. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Pessoas normais - Clube do Livro Janeiro de 2022" width="100%" height="380" style="[object Object]" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/71rgUemV30POf7V7aAOBdQ?si=6531dedc09b8457a&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_26010" aria-describedby="caption-attachment-26010" style="width: 683px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26010 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Bartleby e companhia, do escritor Enrique Vila-Matas. Na imagem, há bem ao centro a fotografia de um enorme livro aberto, com as folhas do lado esquerdo dobradas de forma volumosa, pois são milhares de páginas. Ao fundo do local onde está esse livro aberto há um fundo branco. Fora do pequeno quadrado branco que está a fotografia do livro, está, na parte superior, escrito Bartleby e companhia em fonte de cor preta. Na parte direita, está escrito Companhia das Letras. Na parte inferior, abaixo da fotografia do livro, está escrito Enrique Vila-Matas em fonte de cor preta. Com exceção do quadrado central onde está a fotografia do livro aberto, todo o fundo é composto pela cor vermelha." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26010" class="wp-caption-text">Com tradução de Josely Vianna Baptista e Maria Carolina de Araújo, Bartleby e companhia é uma explosão de originalidade, guiada pelo espanhol Enrique Vila-Matas (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Enrique Vila-Matas &#8211; Bartleby e companhia (184 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Romance? Coletânea de contos? Texto jornalístico? Ensaios? Crítica literária? </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14384"><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby e companhia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não segue nenhum gênero ou caminho absoluto, mas mistura todos eles. Borrando a linha que separa ficção de não-ficção, o escritor espanhol </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/amp/ilustrada/2018/08/o-artista-deve-ser-nao-original-diz-enrique-vila-matas.shtml"><span style="font-weight: 400;">Enrique Vila-Matas</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria uma obra única, na qual a literatura torna-se personagem através de um mosaico de obras e autores, esboçados e analisados quase sempre de forma irônica. Lançado em 2000, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby y compañía </span></i><span style="font-weight: 400;">(no título original) é dividido por 86 capítulos curtos – mais uma pequena introdução não numerada –, e parte da premissa de ser um livro do &#8216;não&#8217;. Vila-Matas escreve: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Todos nós conhecemos os bartlebys, seres em que habita uma profunda negação do mundo”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O título é uma referência direta a outro Bartleby – </span><a href="http://www.aescotilha.com.br/literatura/ponto-virgula/bartleby-o-escrivao-herman-melville/"><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby, o escrivão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Herman Melville –, cuja fama consiste justamente em sua negação da vida, sendo um exímio personagem do &#8216;não&#8217;. Desde o início de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby e companhia,</span></i><span style="font-weight: 400;"> porém, o narrador-protagonista de Vila-Matas nega a escrita (de forma paradoxal, opõe-se contra ela escrevendo), criando um catálogo de escritores que optaram pelo silêncio – </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-apanhador-no-campo-de-centeio-70-anos/"><span style="font-weight: 400;">J.D. Salinger</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://quatrocincoum.folha.uol.com.br/br/resenhas/literatura/literatura-se-faz-ao-andar"><span style="font-weight: 400;">Robert Walser</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/literatura-israelense/as-vidas-paralelas-de-kafka"><span style="font-weight: 400;">Franz Kafka</span></a><span style="font-weight: 400;">, entre outros –, e tem como intuito escrever um diário, composto por diversas notas de rodapé, que serão a estrutura do livro, embora possamos classificá-las como capítulos. É interessante vislumbrar na narrativa de Vila-Matas esse mosaico perfeito, no qual a compreensão se dá mesmo que os inícios dessas notas (ou capítulos) sejam continuações de um texto inexistente, imaginário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa ironia fina do autor mistura-se, também, com a graça de alguns contos do argentino </span><a href="https://personaunesp.com.br/jorge-luis-borges-morte-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jorge Luis Borges</span></a><span style="font-weight: 400;"> – personalidade que não escapa dos pastiches literários do escritor espanhol –, e não perde em nada no quesito imaginação e desenvoltura no jogo literário. A bem da verdade, Enrique Vila-Matas é um dos melhores autores contemporâneos quando se trata de jogo com a literatura, captando como ninguém a crise pós-moderna em que se supõe que não existem mais ideias originais; por esta razão, o livro é repleto de referências. Trazida ao Brasil através da finada editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Cosac &amp; Naify</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra de Enrique Vila-Matas está atualmente sendo reeditada pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; </span><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby e companhia </span></i><span style="font-weight: 400;">foi reeditado no começo de 2021. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26011" aria-describedby="caption-attachment-26011" style="width: 708px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26011 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-708x1024.jpg" alt="Capa do livro Um Teto Todo Seu. O fundo da capa é uma parede rosa e, na parte debaixo, o batente branco e o chão de uma sala. Na parte superior central da capa, vemos uma linha com as palavras “Virginia Woolf” em branco e “Um teto todo seu” em preto. Logo abaixo, no centro, vemos um espelho com moldura branca de flores e um abajur com a luminária decorada em estampas marrons, laranjas e brancas. Abaixo, do lado esquerdo, vemos uma mesa de cabeceira de madeira clara, com um relógio, um vaso com flores rosadas, um caderno preto e uma xícara branca e laranja apoiadas nele. As palavras “Posfácio”, em preto, e “Noemi Jaffe”, em branco, estão dispostas logo acima dele. Ao centro da capa, vemos uma poltrona de madeira escura, com o assento laranja claro e uma almofada listrada marrom, laranja e branca. Do lado direito, vemos o cabo do abajur, de madeira clara. No chão, vemos um tapete marrom escuro cobrindo todo o piso e duas almofadas estampadas jogadas no chão, ao pé da poltrona. No canto inferior direito, vemos a palavra “TORDESILHAS” em uma letra estilizada em branco, escrita na vertical." width="708" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-708x1024.jpg 708w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-553x800.jpg 553w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-768x1111.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-1062x1536.jpg 1062w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-1200x1736.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1.jpg 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26011" class="wp-caption-text">“Eu me arriscaria a supor que Anônimo, que escreveu tantos poemas sem assiná-los, foi muitas vezes uma mulher” (Foto: Tordesilhas)</figcaption></figure>
<p><b>Virginia Woolf &#8211; Um teto todo seu (192 páginas, Tordesilhas)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos trabalhos mais reconhecidos de Virginia Woolf, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um teto todo seu </span></i><span style="font-weight: 400;">vira e mexe ganha novas edições. O livro foi publicado em 1929 e, quase um século depois, se mantém </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/25/cultura/1516835051_025456.html"><span style="font-weight: 400;">pertinente</span></a><span style="font-weight: 400;"> e atemporal nas reflexões acerca das condições sociais da mulher e sua influência na Literatura, levantadas pela autora sob um alter-ego ficcional. A obra se baseia em palestras de Woolf em faculdades na Inglaterra. No formato de um ensaio, e como se discursasse para uma plateia, a personagem Mary se questiona sobre qual o lugar ocupado pela mulher, sua situação e qual o contexto para isso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a maestria de sempre, Virginia Woolf </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/"><span style="font-weight: 400;">não se prende</span></a><span style="font-weight: 400;"> a uma só linha de pensamento, e seu fluxo engaja o leitor nas mais diversas situações. Ela nos conduz à época de Shakespeare, para se questionar o porquê da hipotética irmã do dramaturgo, tão talentosa quanto ele, não ter feito o mesmo sucesso; para as universidades e núcleos em comum dos escritores, em que as autoras são a minoria e vistas como uma anomalia; e até dentro de casa, para lembrar do motivo pelo qual elas já começam em </span><a href="https://bibliomundi.com/blog/disparidade-no-reconhecimento-das-mulheres-no-meio-editorial/"><span style="font-weight: 400;">desvantagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, em primeiro lugar. A resposta? Elas necessitam de um teto todo seu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com foco na Literatura de ficção, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um teto todo seu</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora a condição social a qual as mulheres são renegadas, o de tarefas domésticas, submissão e falta de controle sobre a própria produção, que as impõe limitações &#8211; ou de escrever, ou de publicar, ou de serem reconhecidas por seus trabalhos. Fato é: não se trata das autoras produzirem menos porque não têm capacidade, mas sim porque estão incumbidas de outras obrigações, forçadas a elas. Como a famosa citação de </span><a href="https://www.rafaellarique.com.br/virginia-woolf-a-escritora-que-revolucionou-a-literatura/"><span style="font-weight: 400;">Virginia Woolf</span></a><span style="font-weight: 400;"> ecoa, “</span><i><span style="font-weight: 400;">uma mulher precisa ter dinheiro e um teto todo seu, um espaço próprio, se quiser escrever ficção.</span></i><span style="font-weight: 400;">” </span><b>&#8211; </b><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26012" aria-describedby="caption-attachment-26012" style="width: 656px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26012 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-656x1024.jpg" alt="Capa do livro Conversas entre amigos. A capa é cor verde-água e mostra o desenho de duas mulheres brancas de costas, fumando. A primeira tem cabelos compridos escuros e soltos, está de costas, usa uma blusa bege e segura um cigarro aceso na mão esquerda. A outra está de costas, mas com a cabeça virada para a esquerda, tem cabelos presos em um rabo de cavalo e usa óculos escuros, também segurando um cigarro. Ao topo da imagem lemos uma frase em branco, com a assinatura do The Sunday Times em preto. Ao centro, lemos em branco Conversas entre amigos, e em preto Sally Rooney. No meio e na extremidade esquerda, está o selo da editora Alfaguara, em branco." width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-656x1024.jpg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-768x1198.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-985x1536.jpg 985w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-1313x2048.jpg 1313w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-1200x1872.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1.jpg 1641w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26012" class="wp-caption-text">Publicado no Brasil em 2017 pela Alfaguara, o primeiro livro de Sally Rooney também foi traduzido por Débora Landsberg (Foto: Editora Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Sally Rooney &#8211; Conversas entre amigos (264 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando decide escrever fazendo uso da primeira pessoa, a irlandesa dona do livro do mês de janeiro revela as vísceras de sua Literatura. Em </span><a href="https://rizzenhas.com/2018/01/resenha-conversas-entre-amigos-de-sally-rooney/"><i><span style="font-weight: 400;">Conversations with Friends</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seu romance de estreia, Rooney investiga as fervorosas relações de Frances e Bobby, duas adultas de 21 anos que namoraram no passado, mas hoje são boas e melhores amigas. Entre as rotinas de estudos e da vida social, a dupla vai de encontro a um casal mais velho, e faíscas surgem. A mão de Rooney, de forma sagaz, guia seu leitor, adentrando temas de traição e paixão, mas sem sentenciar seus personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto Bobby cultiva uma relação de admiração e fascínio por Melissa, Frances se encanta por Nick, um ator de trinta anos que acaba dando bola para ela. A partir dessa premissa, Sally Rooney nos mostra que </span><a href="https://deliriumnerd.com/2017/12/01/conversas-entre-amigos-sally-rooney/"><span style="font-weight: 400;">tudo é possível</span></a><span style="font-weight: 400;">, não importa o que seja. No meio termo entre o sagaz e o virtuoso, o livro pode não alcançar o patamar de honestidade dos outros romances da autora, mas em meio aos amores, temores e desejos ele detém charme o suficiente. Em breve, chega ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu </span></i><span style="font-weight: 400;">uma </span><a href="https://hugogloss.uol.com.br/tv/series/conversas-entre-amigos-adaptacao-do-romance-de-sally-rooney-ganha-primeiro-trailer-cheio-de-cenas-quentes-assista/"><span style="font-weight: 400;">adaptação em formato de minissérie</span></a><span style="font-weight: 400;">, com Jemima Kirke e Joe Alwyn no elenco.  </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26013" aria-describedby="caption-attachment-26013" style="width: 670px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26013 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-670x1024.jpg" alt="Capa do livro Tudo sobre o amor, de bell hooks. A imagem tem fundo laranja-avermelhado vibrante e o nome da autora aparece em letras garrafais grandes e roxas, preenchendo os primeiros dois terços da capa, de um extremo ao outro, levemente inclinado na diagonal. Na linha inferior, está o nome do livro, na mesma estilização anterior, mas com a fonte um pouco menor e colorido em amarelo claro. Embaixo do título do livro, na mesma estilização porém em tamanho ainda menor, está escrito “novas perspectivas”, em branco." width="670" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-670x1024.jpg 670w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-524x800.jpg 524w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-768x1173.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-1006x1536.jpg 1006w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26013" class="wp-caption-text">“No momento em que escolhemos amar, começamos a nos mover contra a dominação, contra a opressão. No momento em que escolhemos amar, começamos a nos mover em direção à liberdade, a agir de formas que libertam a nós e aos outros.” (Foto: Editora Elefante)</figcaption></figure>
<p><b>bell hooks &#8211; Tudo sobre o amor (272 páginas, Elefante)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ah, se Connell e Marianne pudessem ter acesso aos estudos de bell hooks sobre o amor… A história de </span><a href="https://valkirias.com.br/normal-people/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> seria bem diferente e o trabalho de Sally Rooney teria outro rumo. No lançamento brasileiro mais recente da autora, que há pouco descansou de sua </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-dezembro-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">vasta e revolucionária colaboração</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o entendimento do nosso mundo, o tema mais amplo da humanidade é analisado sobre cada um de seus aspectos principais, através do olhar crítico e sábio da pessoa mais qualificada para o fazê-lo. Longe de se restringir ao amor como manifestação meramente romântica, idealizada ou sentimental, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo sobre o amor</span></i><span style="font-weight: 400;"> compreende a vastidão de seu tema de forma revolucionária &#8211; assim como tudo o que </span><a href="https://www.boitempoeditorial.com.br/autor/bell-hooks-1372"><span style="font-weight: 400;">bell hooks</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de 13 capítulos, a estudiosa transcende qualquer leitura já realizada sobre o amor, palavra que remete a algo tão subjetivo e sempre está presente na experiência humana, respeitando a sua complexidade mas tratando-o de forma prática &#8211; que em momento algum deixa de ser profunda. É difícil explicar uma leitura dessa magnitude, cujo tema se desdobra ainda em mais dois livros, que juntos, formam a </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2022/01/14/bell-hooks-amor-e-coletivo-politico-e-etica-de-vida"><i><span style="font-weight: 400;">Trilogia do Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Formação obrigatória para todo e qualquer ser humano que se relaciona com outros seres humanos, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Tudo-sobre-amor-Bell-Hooks/dp/6587235247/ref=asc_df_6587235247/?tag=googleshopp00-20&amp;linkCode=df0&amp;hvadid=430976266970&amp;hvpos=&amp;hvnetw=g&amp;hvrand=11509159530272386220&amp;hvpone=&amp;hvptwo=&amp;hvqmt=&amp;hvdev=c&amp;hvdvcmdl=&amp;hvlocint=&amp;hvlocphy=1031984&amp;hvtargid=pla-1182608021006&amp;psc=1"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo sobre o amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma das maiores joias que bell hooks nos deixou. E assim como ela defende o entendimento do </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/politica/para-abrir-o-coracao"><span style="font-weight: 400;">amor como ação</span></a><span style="font-weight: 400;">, o livro é mais uma de suas formas de transformar o mundo em que vivemos. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
<hr />
<p><figure id="attachment_26014" aria-describedby="caption-attachment-26014" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26014 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Maus. Ela possui um fundo cinza, com a presença de um círculo branco com o símbolo de uma suástica que tem, ao centro, o desenho de um gato, com traços que remetem aos de Adolf Hitler. Na parte inferior, um pouco à frente desse círculo, há o desenho de dois ratos: o da esquerda vestindo um casaco azul, e o da direita um casaco amarelo. Na parte superior, está escrito “História completa” em fonte na cor amarela e, abaixo, está escrito “Maus” em fonte grande na cor vermelha. " width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-768x1105.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-1067x1536.jpg 1067w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-1423x2048.jpg 1423w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-1200x1727.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1.jpg 1779w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26014" class="wp-caption-text">Apesar do enorme sucesso, Art Spiegelman já recusou várias ofertas para <a href="https://rollingstone.uol.com.br/entretenimento/maus-por-que-art-spiegelman-autor-da-hq-nao-quer-adaptacao-para-filme/">transformar a obra em filme</a>, afirmando que a narrativa é melhor servida como um livro (e ele não mentiu) [Foto: Companhia das Letras]</figcaption></figure><b>Art Spiegelman &#8211; Maus (296 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Maus </span></i><span style="font-weight: 400;">é considerado um dos grandes clássicos contemporâneos das histórias em quadrinhos, já tendo angariado o Prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Pulitzer</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Literatura, em 1992, sendo a primeira </span><i><span style="font-weight: 400;">graphic novel</span></i><span style="font-weight: 400;"> a cumprir esse feito. Dividido em duas partes, com a primeira lançada em 1986 e a segunda em 1991, a obra de Art Spiegelman retrata episódios do </span><a href="https://personaunesp.com.br/anne-frank-vidas-paralelas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Holocausto</span></a><span style="font-weight: 400;"> vivenciados por seu pai, Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz. Para dar luz aos seus relatos, o desenhista aposta em representações, ilustrando os judeus como ratos, os nazistas como gatos, os poloneses não-judeus como porcos e os americanos como cachorros. Mesmo com esse simbólico aspecto animalesco configurado aos componentes da trama, não é possível desassociar a frieza de seus atos cruelmente humanos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa acompanha as declarações de Vladek sobre esse período, as constantes fugas dele e de sua esposa Anja, as tristes despedidas e, por fim, os difíceis dias no campo de concentração. Junto a isso, mostra também os atritos familiares entre pai e filho, que evidenciam as marcas deixadas por esse capítulo de sua vida. Apesar do enorme peso carregado pelos acontecimentos, Spiegelman não cede a qualquer apelo emocional para conduzir a obra, retratando a </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/maus-hq-de-art-spiegelman-e-proibida-em-escolas-dos-eua/"><span style="font-weight: 400;">dureza nua e crua</span></a><span style="font-weight: 400;"> daquela realidade vivida por milhões de pessoas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Maus </span></i><span style="font-weight: 400;">é um livro não apenas sobre as atrocidades ocorridas durante o Holocausto, mas, principalmente, das </span><a href="https://personaunesp.com.br/colette-2020-critica/"><span style="font-weight: 400;">dores e cicatrizes carregadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> por todos aqueles que têm páginas da memória de sua família rasgadas por uma das maiores tragédias da história da humanidade. Cicatrizes essas complemente impassíveis de serem minimizadas, ou sequer discutidas em qualquer </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/02/09/quem-e-monark-apresentador-do-flow-podcast-que-coleciona-polemicas.htm"><span style="font-weight: 400;">conversa de bar</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitória Silva</b></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/">Estante do Persona – Janeiro de 2022</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">26009</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Estante do Persona – Dezembro de 2021</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-dezembro-de-2021/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-dezembro-de-2021/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Jan 2022 20:48:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[A filha perdida]]></category>
		<category><![CDATA[Adam Silvera]]></category>
		<category><![CDATA[bell hooks]]></category>
		<category><![CDATA[Bruno Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[Clube do Livro]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Cosac Naify]]></category>
		<category><![CDATA[Daniela Arbex]]></category>
		<category><![CDATA[Dezembro de 2021]]></category>
		<category><![CDATA[Drauzio Varella]]></category>
		<category><![CDATA[Elena Ferrante]]></category>
		<category><![CDATA[Emily M. Danforth]]></category>
		<category><![CDATA[Estação Carandiru]]></category>
		<category><![CDATA[Estante do Persoa Dezembro 2021]]></category>
		<category><![CDATA[Estante do Persona]]></category>
		<category><![CDATA[Estante do Persona 2021]]></category>
		<category><![CDATA[Ferenc Molnár]]></category>
		<category><![CDATA[HarperCollins]]></category>
		<category><![CDATA[Intrínseca]]></category>
		<category><![CDATA[Joan Didion]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[O Mau Exemplo de Cameron Post]]></category>
		<category><![CDATA[Os Dois Morrem no Final]]></category>
		<category><![CDATA[Os meninos da rua Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Dutra]]></category>
		<category><![CDATA[Todo dia a mesma noite]]></category>
		<category><![CDATA[Vitor Evangelista]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Gomez]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Silva]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=25580</guid>

					<description><![CDATA[<p>“Contamos histórias a nós mesmos a fim de viver.” &#8211; Joan Didion Pois é, 2021 chegou ao fim. Depois de 12 meses envolto em cada movimento do universo cultural, o Persona inicia as despedidas do ano ao pé de sua Estante e conclui a terceira edição de seu Clube do Livro. Este que, no mês &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-dezembro-de-2021/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Dezembro de 2021"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-dezembro-de-2021/">Estante do Persona – Dezembro de 2021</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25581" aria-describedby="caption-attachment-25581" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25581" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/capa-estante.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/capa-estante.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/capa-estante-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/capa-estante-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25581" class="wp-caption-text">A terceira edição do Estante do Persona foi orientada pela leitura coletiva de A filha perdida, drama sobre maternidade que leva a assinatura misteriosa de Elena Ferrante (Foto: Reprodução/Arte: Ana Júlia Trevisan/Texto de Abertura: Raquel Dutra)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;">“Contamos histórias a nós mesmos a fim de viver.”</p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8211; Joan Didion</em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Pois é, 2021 chegou ao fim. Depois de 12 meses envolto em cada movimento do universo cultural, o Persona inicia as despedidas do ano ao pé de sua </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"><span style="font-weight: 400;">Estante</span></a><span style="font-weight: 400;"> e conclui a terceira edição de seu Clube do Livro. Este que, no mês de dezembro, teve a oportunidade de conhecer a Literatura de uma das autoras mais relevantes da atualidade, e de admirar o legado deixado por duas das mais importantes escritoras dos últimos tempos. É que em meio à leitura coletiva de </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ao mistério aclamado que existe ao redor do nome </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://brasil.elpais.com/noticias/elena-ferrante/"><span style="font-weight: 400;">Elena Ferrante</span></a><span style="font-weight: 400;">, o Persona se juntou ao resto do mundo para a despedida de </span><a href="https://www.boitempoeditorial.com.br/autor/bell-hooks-1372"><span style="font-weight: 400;">bell hooks</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/cultura/joan-didion-a-trajetoria-da-autora-que-revolucionou-o-jornalismo-literario/"><span style="font-weight: 400;">Joan Didion</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 15, eternizamos bell hooks como a artista, professora, teórica, pesquisadora e escritora, que dedicou mais de 50 anos de sua vida a estudos e políticas interseccionais sobre </span><a href="https://www.amazon.com.br/Ensinando-Transgredir-Educa%C3%A7%C3%A3o-Pr%C3%A1tica-Liberdade/dp/8546901406/ref=sr_1_3?keywords=bell+hooks&amp;qid=1642167144&amp;s=books&amp;sprefix=bell+hooks%2Cstripbooks%2C381&amp;sr=1-3"><span style="font-weight: 400;">educação</span></a><span style="font-weight: 400;">, gênero, raça, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Ensinando-Comunidade-Bell-Hooks/dp/6587235417/ref=sr_1_8?keywords=bell+hooks&amp;qid=1642167144&amp;s=books&amp;sprefix=bell+hooks%2Cstripbooks%2C381&amp;sr=1-8"><span style="font-weight: 400;">classe</span></a><span style="font-weight: 400;"> e economia. Referência do </span><a href="https://www.amazon.com.br/n%C3%A3o-sou-uma-mulher-feminismo/dp/8501117404/ref=sr_1_6?keywords=bell+hooks&amp;qid=1642167144&amp;s=books&amp;sprefix=bell+hooks%2Cstripbooks%2C381&amp;sr=1-6"><span style="font-weight: 400;">feminismo negro</span></a><span style="font-weight: 400;">, ativista </span><a href="https://www.amazon.com.br/Olhares-Negros-Ra%C3%A7a-Representa%C3%A7%C3%A3o-Hooks/dp/8593115217/ref=sr_1_5?keywords=bell+hooks&amp;qid=1642167144&amp;s=books&amp;sprefix=bell+hooks%2Cstripbooks%2C381&amp;sr=1-5"><span style="font-weight: 400;">antirracista</span></a><span style="font-weight: 400;"> e estudiosa do </span><a href="https://www.amazon.com.br/Tudo-sobre-amor-perspectivas-Trilogia-ebook/dp/B08WYK42FW/ref=sr_1_1?keywords=bell+hooks&amp;qid=1642167144&amp;s=books&amp;sprefix=bell+hooks%2Cstripbooks%2C381&amp;sr=1-1"><span style="font-weight: 400;">amor</span></a><span style="font-weight: 400;">, o pseudônimo de Gloria Jean Watkins nasceu no interior de um Estados Unidos segregacionista e morreu num planeta que ainda tem muito o que superar, mas que, através de sua existência, tem muito mais conhecimento sobre como fará suas </span><a href="https://www.amazon.com.br/Ensinando-pensamento-cr%C3%ADtico-Sabedoria-pr%C3%A1tica-ebook/dp/B08BT1MJ5K/ref=sr_1_7?keywords=bell+hooks&amp;qid=1642167144&amp;s=books&amp;sprefix=bell+hooks%2Cstripbooks%2C381&amp;sr=1-7"><span style="font-weight: 400;">revoluções</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no dia 23, o mesmo era lembrado sobre Joan Didion, quando reconhecemos a necessidade de compreender o mundo em que vivemos e os humanos que o habitam. Ao usar seu olhar e suas palavras para </span><a href="https://www.amazon.com.br/%C3%A1lbum-branco-Joan-Didion/dp/6555111224/ref=sr_1_1?keywords=o+album+branco&amp;qid=1642167617&amp;s=books&amp;sprefix=o+album+%2Cstripbooks%2C273&amp;sr=1-1"><span style="font-weight: 400;">registrar</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.amazon.com.br/Rastejando-at%C3%A9-Bel%C3%A9m-Joan-Didion/dp/655692086X/ref=sr_1_1?keywords=rastejando+ate+belem&amp;qid=1642167680&amp;s=books&amp;sprefix=rastejando+a%2Cstripbooks%2C228&amp;sr=1-1"><span style="font-weight: 400;">interpretar</span></a><span style="font-weight: 400;"> as transformações culturais e políticas da sociedade norte-americana na segunda metade do século XX, a californiana construiu uma carreira de mais de 60 anos, que entre muitos ensaios, alguns </span><a href="https://www.amazon.com.br/Play-as-Lays-Joan-Didion/dp/0374529949/ref=sr_1_1?keywords=joan+didion+play+it+as+it+lays+portugues&amp;qid=1642167812&amp;sprefix=joan+didion+play+it+a%2Caps%2C205&amp;sr=8-1&amp;ufe=app_do%3Aamzn1.fos.6d798eae-cadf-45de-946a-f477d47705b9"><span style="font-weight: 400;">romances</span></a><span style="font-weight: 400;"> e outros </span><a href="https://www.omelete.com.br/quadrinhos/joan-didion-morte"><span style="font-weight: 400;">roteiros</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-ano-do-pensamento-magico-critica/"><span style="font-weight: 400;">transformou</span></a><span style="font-weight: 400;"> o Jornalismo e a Literatura para todo o sempre.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, o contexto literário de dezembro se tornou grandioso, mas </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/elena-ferrante/"><span style="font-weight: 400;">Elena Ferrante</span></a><span style="font-weight: 400;"> deu conta de o acompanhar. No embalo do lançamento da adaptação cinematográfica &#8211; já muito </span><a href="https://www.instagram.com/p/CT5ssphNzJv/"><span style="font-weight: 400;">celebrada</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela direção da estreante </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/Cinema/noticia/2022/01/filha-perdida-adaptacao-do-romance-de-elena-ferrante-aborda-aflicoes-da-maternidade.html"><span style="font-weight: 400;">Maggie Gyllenhaal</span></a><span style="font-weight: 400;">, que chegou à </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> no último dia do mês -, o Clube do Livro do Persona decidiu mergulhar nas praias do sul da Itália junto de Leda (vivida no Cinema por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AP4kQN5lWMw"><span style="font-weight: 400;">Olivia Colman</span></a><span style="font-weight: 400;">) e nos dramas profundos de </span><a href="https://www.fg2021.eventos.dype.com.br/trabalho/view?ID_TRABALHO=6300"><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o último mês de 2021, reverenciamos o trabalho de mulheres que tanto fizeram pelo nosso passado, presente e futuro, e introduzimos a edição de dezembro do </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">. Entre as indicações literárias da nossa Editoria e o comentário sobre a leitura do mês, vibra a honestidade visceral de uma história cuja autora tem coragem de dizer o que nós não temos &#8211; em perfeita harmonia com </span><a href="https://www.dailyadvent.com/news/b593b8784c9c50e96b95804011ef0e43-bell-hooks-and-Joan-Didion-Two-writers-of-integrity-and-courage"><span style="font-weight: 400;">o poder revolucionário</span></a><span style="font-weight: 400;"> das vozes que vieram antes dela.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;">“O coração da justiça é dizer a verdade, vermos a nós mesmos e ao mundo como somos, em vez de como gostaríamos que fôssemos.”</p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8211; bell hooks</em></p>
</blockquote>
<p><span id="more-25580"></span></p>
<h2>Livro do Mês</h2>
<figure id="attachment_25582" aria-describedby="caption-attachment-25582" style="width: 667px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25582" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/1-filha.jpg" alt="Capa do livro A filha perdida, de Elena Ferrante. A imagem mostra uma ilustração em traços quadrados e chapados de uma cidade à beira da praia. Em dois terços verticais da imagem, existem desenhos de casas com telhados laranjas e paredes beges, e na linha superior da ilustração, existe a linha do mar, em um tom médio de azul, e a linha do céu, em tom de azul turquesa. Em cima/na frente do desenho, ao centro da capa, existe o nome da autora em fonte simples branca e caixa alta, e o nome do livro na mesma estilização. O selo da editora está na linha inferior, ao centro." width="667" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/1-filha.jpg 667w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/1-filha-534x800.jpg 534w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25582" class="wp-caption-text">As histórias de Elena Ferrante são muito bem adaptadas para o audiovisual: o maior destaque é a série baseada na Tetralogia Napolitana, o grande sucesso da autora, realizada pela HBO; agora, seu quarto romance está na tela da Netflix pela direção de Maggie Gyllenhaal (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Elena Ferrante – A filha perdida (174 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se há um nome a ser perseguido na Literatura contemporânea, este é o de </span><a href="https://www.google.com/aclk?sa=l&amp;ai=DChcSEwjL1cj57LH1AhVjE9QBHZt2AA8YABAeGgJvYQ&amp;ae=2&amp;sig=AOD64_0deAIgDT5c9mE5aANIUZBAP6FvZg&amp;q&amp;nis=1&amp;adurl&amp;ved=2ahUKEwje7bn57LH1AhUzq5UCHYopCicQ0Qx6BAgDEAE"><span style="font-weight: 400;">Elena Ferrante</span></a><span style="font-weight: 400;">. A assinatura da escritora italiana vendeu mais de 30 milhões de exemplares pelo mundo nos últimos 10 anos, sucesso atribuído, principalmente, à sua saga conhecida como </span><a href="https://personaunesp.com.br/serie-napolitana-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tetralogia Napolitana</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e ao mistério que cerca a identidade por trás de seu pseudônimo. Sua história mais vendida é a série de 4 livros iniciada com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Amiga Genial</span></i><span style="font-weight: 400;">, que narra uma longa amizade entre duas garotas nascidas em Nápoles na década de 40. O clamor da crítica, no entanto, é direcionado aos seus romances singulares, que sempre investigam camadas profundas de personagens femininas </span><a href="https://valkirias.com.br/as-mulheres-de-elena-ferrante/"><span style="font-weight: 400;">visceralmente verdadeiras</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É este caminho que nos leva até </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;">. O quarto romance de Ferrante, lançado na Itália em 2006, traduzido para o inglês em 2008 e publicado no Brasil em 2016, reflete sobre dilemas profundos da maternidade a partir de uma </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2014/11/25/escritora-italiana-que-vive-no-anonimato-sera-publicada-no-brasil-em-2015.htm"><span style="font-weight: 400;">protagonista agridoce</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela é Leda, uma professora universitária de meia idade que está de férias no litoral sul da Itália. Lá, distante da vida cotidiana e próxima de memórias de infância, ela conhece Nina, a jovem mãe de Elena e parte meio deslocada de uma barulhenta família napolitana. O encontro das desconhecidas logo engata um processo de reflexão íntima em Leda, gerando uma onda de pensamentos que vão desde sua relação com a sua mãe, até os laços que mantém com as suas filhas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O maior traço da história é justamente a honestidade de Elena Ferrante ao tratar dos dramas de suas personagens. Sem se preocupar com qualquer juízo de valor ou corresponder ideais que aprisionam </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/expresso/2022/01/03/As-m%C3%A3es-complexas-de-Elena-Ferrante-no-filme-%E2%80%98A-filha-perdida%E2%80%99"><span style="font-weight: 400;">mães e mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos polidos padrões patriarcais, as palavras da autora, traduzidas para o português brasileiro por Marcellino Lino, são </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/11/06/cultura/1573046745_374458.html"><span style="font-weight: 400;">completamente livres</span></a><span style="font-weight: 400;"> para criar o panorama psicológico de </span><i><span style="font-weight: 400;">A filha perdida</span></i><span style="font-weight: 400;">. Desta forma, o impacto da narrativa é generalizado e muito bem arquitetado, como uma grande digressão investigativa e sentimental que não perde o fio nem em seus momentos mais subjetivos. Para isso, ela nos alerta desde o primeiro capítulo do livro: </span><i><span style="font-weight: 400;">“As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender.”</span></i></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: A filha perdida - Clube do Livro Dezembro de 2021" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/7qvhxwKpQrhRCZcqYqrl8f?si=40ed5325368f4961&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<h2>Dicas do Mês</h2>
<figure id="attachment_25583" aria-describedby="caption-attachment-25583" style="width: 523px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25583 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1-523x800.jpg" alt="Capa do livro Todo dia a mesma noite. A capa é inteiramente cinza. Na parte superior lê-se em preto “daniela arbex”. Logo abaixo lê-se em branco “todo dia a mesma noite”. Abaixo lê-se em preto “a história não contada da boate kiss”" width="523" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1-523x800.jpg 523w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1-670x1024.jpg 670w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1-768x1174.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1-1005x1536.jpg 1005w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1-1340x2048.jpg 1340w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1-1200x1834.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/tododiaamesmanoite-1.jpg 1578w" sizes="auto, (max-width: 523px) 85vw, 523px" /><figcaption id="caption-attachment-25583" class="wp-caption-text">A presidente Dilma Rousseff ficou ao lado das mães que aguardavam o duro momento de reconhecer os corpos de seus filhos (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Daniela Arbex &#8211; Todo dia a mesma noite (248 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao ligar a TV naquele 27 de janeiro de 2013, ninguém imaginava que a dor daquele dia ficaria marcada para sempre na alma dos brasileiros. Isso porque, entre às 2h e 2h30, um incêndio na </span><a href="https://canalcienciascriminais.com.br/o-caso-da-boate-kiss-foi-um-terrivel-erro-judiciario/"><span style="font-weight: 400;">Boate Kiss</span></a><span style="font-weight: 400;">, em Santa Catarina (RS), vitimou 242 pessoas e feriu outras 636. Em 2018, Daniela Arbex (a mesma autora de </span><a href="https://personaunesp.com.br/colonia-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Holocausto Brasileiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Cova 312</span></i><span style="font-weight: 400;">) concluiu a missão de verbalizar toda a angustia e sofrimento que as famílias ainda passam sobre a infindável tragédia. O resultado é o livro-reportagem </span><a href="https://personaunesp.com.br/todo-dia-a-mesma-noite-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Todo dia mesma noite</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entrevistando familiares e profissionais que trabalharam no resgate das vítimas, Daniela se coloca ao lado das pessoas envolvidas e mostra seu respeito escrevendo o livro em terceira pessoa. Cada capítulo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Todo dia é a mesma noite</span></i><span style="font-weight: 400;"> é doloroso: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Apesar do preparo emocional para esse tipo de trabalho, o incêndio na Kiss fugia a qualquer parâmetro</span></i><span style="font-weight: 400;">.” O cenário era de guerra e os detalhes precisamente escritos por </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/daniela-arbex/"><span style="font-weight: 400;">Daniela Arbex</span></a><span style="font-weight: 400;"> não deixam o sentimento de luto passar ileso. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_25584" aria-describedby="caption-attachment-25584" style="width: 513px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25584" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/o-mau-exemplo-de-cameron-post.jpg" alt="Capa do livro O Mau Exemplo de Cameron Post. A capa tem o fundo na cor salmão e, na parte superior central, vemos as palavras “EMILY M. DANFORTH” escritas em caixa alta, em branco e em uma fonte sem serifa. Partindo da parte superior esquerda e descendo até o centro da capa, vemos o contorno de um rio, pintado de azul claro, que desemboca em um lago em formato de coração. Ao longo da extensão do rio, vemos árvores e uma estrada, pintada de bege, e uma ponte. Vemos um arco-íris saindo da parte superior direita do lago. Ao centro do lago, vemos as palavras “o mau exemplo de Cameron Post” escritas em preto, em uma fonte cursiva. A palavra “mau” tem um risco vermelho por cima. Logo abaixo, vemos a frase “Descubra quem você é. Viva de acordo com suas próprias regras”, escrita em preto. Na parte inferior esquerda, ao lado do lago, vemos o desenho de uma casa marrom e uma estrada bege saindo dela. Na parte inferior central, vemos o logo da editora HarperCollins. Na parte inferior direita, vemos duas árvores e o contorno de uma estrada, em bege." width="513" height="744" /><figcaption id="caption-attachment-25584" class="wp-caption-text">“Ela encostou em mim de uma maneira que sequer reparou, e eu não consegui reparar em mais nada” (Foto: HarperCollins)</figcaption></figure>
<p><b>Emily M. Danforth &#8211; O Mau Exemplo De Cameron Post (448 páginas, HarperCollins Brasil)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Quando os pais de Cameron Post morrem em um acidente de carro, a primeira coisa que ela sente, para sua própria surpresa, é alívio. Alívio que eles nunca vão precisar saber que, algumas horas antes, ela estava beijando uma menina</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Como a sinopse de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mau Exemplo de Cameron Post </span></i><span style="font-weight: 400;">já adianta, o alívio não dura muito tempo. No primeiro livro de Emily M. Danforth, que ganhou uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G6QeqCqkrmk"><span style="font-weight: 400;">adaptação cinematográfica</span></a><span style="font-weight: 400;"> estrelada por Chloë Grace Moretz, Cameron Post é uma adolescente descobrindo e explorando sua sexualidade. Depois de ser flagrada aos beijos com uma menina pela tia religiosa e conservadora com quem mora desde a morte dos pais, Cameron é enviada para o acampamento Promessa de Deus para ser curada de suas “tendências homossexuais”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Narrado pela Cameron Post em primeira pessoa, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mau Exemplo de Cameron Post </span></i><span style="font-weight: 400;">embarca no presente e no passado de sua protagonista: a culpa e a angústia dela &#8211; e de outros adolescentes do acampamento, que passam pelo mesmo </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/04/05/cultura/1554474093_207527.html"><span style="font-weight: 400;">abominável processo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de “cura” &#8211; se fazem sentir quando os experienciamos juntos da própria. Ela vai do desalento ao cinismo de fingir que se tornou “ex-gay” até a esperança de que talvez, se tentar o suficiente, ela realmente consiga mudar sua sexualidade e finalmente sair de lá. </span><span style="font-weight: 400;">Na pele de Cameron Post, o livro é doloroso ao abordar os abusos psicológicos, emocionais e, por vezes, físicos da terapia de conversão, que era comum nos Estados Unidos dos anos 80, quando a história se passa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como um bom </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KAUhY2gBTHQ"><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, porém, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mau Exemplo de Cameron Post </span></i><span style="font-weight: 400;">alivia as dores do agora lembrando do que já passou, e mescla a estadia no Promessa de Deus com a nostalgia das memórias da infância e da adolescência de Cameron, dela crescendo e </span><a href="https://personaunesp.com.br/verao-de-85-critica/"><span style="font-weight: 400;">descobrindo mais</span></a><span style="font-weight: 400;"> de si mesma. E no lugar onde a esperança da protagonista morre, é também onde ela encontra, finalmente, seu lugar: junto de Adam e Jane, amigos que conheceu e de quem se aproximou no acampamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mau Exemplo de Cameron Post </span></i><span style="font-weight: 400;">&#8211; e Cameron Post &#8211; se abrem para o futuro, com um final em aberto otimista e cheio de possibilidades. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_25585" aria-describedby="caption-attachment-25585" style="width: 683px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25585 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/morrem-final-1.jpg" alt="Capa do livro Os Dois Morrem no Final. A foto é uma ilustração azul escura, e mostra duas silhuetas de pessoas andando por uma ponte, à noite. A sombra delas forma a imagem da morte, com o capuz e a foice. No topo da imagem, lemos em branco: Autor best-seller do New York Times, e abaixo disso: Adam Silvera. No meio da capa, também em branco, está o nome do livro e no canto inferior direito está o logo da editora Intrínseca." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/morrem-final-1.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/morrem-final-1-534x800.jpg 534w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25585" class="wp-caption-text">Em comemoração ao vindouro aniversário do livro, o autor Adam Silvera confirmou uma nova obra ambientada no mesmo universo (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Adam Silvera &#8211; Os Dois Morrem no Final (416 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fazendo uso de um delicioso artifício de </span><a href="https://escotilha.com.br/literatura/contracapa/afinal-o-que-e-e-o-que-nao-e-realismo-magico/"><span style="font-weight: 400;">realismo mágico</span></a><span style="font-weight: 400;">, o nova-iorquino Adam Silvera encanta em </span><a href="https://www.amazon.com.br/Dois-Morrem-Final-Acompanha-Exclusivo/dp/6555603046"><i><span style="font-weight: 400;">Os Dois Morrem no Final</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançamento LGBTQIA+ de 2017 que só chegou ao Brasil no ano passado, sob tradução de Vitor Martins. Na trama, o mundo divide espaço com a Central da Morte, uma espécie de </span><i><span style="font-weight: 400;">call center</span></i><span style="font-weight: 400;"> que, assim que o relógio bate meia-noite, liga para as pessoas que vão morrer naquele dia e avisam do futuro ceifado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse ambiente, conhecemos dois garotos, Rufus e Mateo, adolescentes com personalidades opostas, mas complementares, que se conhecem no último dia da vida de cada um. A história, que se espreguiça pela duração dessas derradeiras vinte e quatro horas, vai mostrando pequenas missões e desejos cumpridos dos agora amigos. Misturando aventura, romance e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0J94ZksFbm4"><span style="font-weight: 400;">um bocado de drama</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">They Both Die at the End</span></i><span style="font-weight: 400;">, infelizmente, não mente no título. É recomendado comprar uma caixinha de lenços de papel na hora de devorar esse sucesso literário. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_25586" aria-describedby="caption-attachment-25586" style="width: 686px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25586 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1-686x1024.jpg" alt="Capa do livro Estação Carandiru, de Drauzio Varella. Na imagem, há uma fotografia em preto e branco de presidiários jogando futebol no campo do presídio Carandiru. Ao fundo, está um muro de cor cinza com diversas janelas das celas, todas de cor preta. Na parte superior, alinhado à esquerda, está escrito Carandiru. As letras estão em fonte de cor branca, exceto a primeira letra A, que está em cor azul. Abaixo está escrito Drauzio Varella, em fonte de cor azul. Ao lado está escrito Estação Carandiru, em fonte de cor branca. Abaixo de Drauzio Varella, está o logo da editora Companhia das Letras, também em cor branca." width="686" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1-686x1024.jpg 686w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1-536x800.jpg 536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1-768x1147.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1-1029x1536.jpg 1029w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1-1371x2048.jpg 1371w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1-1200x1792.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/drauzio-1.jpg 1664w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25586" class="wp-caption-text">Estação Carandiru foi o primeiro livro publicado por Drauzio Varella, e conta sua experiência como médico voluntário no presídio (Foto: André Brandão/Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Drauzio Varella &#8211; Estação Carandiru (368 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 1999, </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=11141"><i><span style="font-weight: 400;">Estação Carandiru</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é considerado um dos maiores fenômenos editoriais brasileiros. Nessa espécie de livro-reportagem, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/webstories/cultura/2021/05/a-trajetoria-de-drauzio-varella/"><span style="font-weight: 400;">Drauzio Varella</span></a><span style="font-weight: 400;"> conta sua experiência como médico voluntário no Carandiru (então maior presídio da América Latina), de 1989 – quando chegou com um projeto de prevenção à AIDS – até seu respectivo fechamento, em 2002. A obra é composta pelas diversas histórias dos presidiários, contadas a Drauzio Varella, nas quais são relatadas as dificuldades e motivos que os levaram ao cárcere. Essas histórias também se misturam com a própria visão e trajetória do narrador, que tenta colocar uma perspectiva humana sobre os problemas sociais expostos dentro da cadeia, sem os típicos paradoxos e preconceitos envolvidos no tema, prevalecendo sua visão de médico, na qual há um diagnóstico sem o tom de denúncia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, enxergamos o presídio como um microcosmo da sociedade brasileira, deixando em evidência problemas de saúde pública, as desigualdades e a violência social. Percebe-se na leitura que, no Carandiru, todos seguem um código penal não escrito, inclusive os carcereiros, de forma a preencher o vácuo de poder que dificilmente permanece vazio. Há uma ordem mais ou menos cronológica das histórias, e seus capítulos finais relatam o </span><a href="https://super.abril.com.br/historia/como-foi-o-massacre-do-carandiru/"><span style="font-weight: 400;">Massacre do Carandiru</span></a><span style="font-weight: 400;">, ocorrido em 1992, onde 111 presos foram assassinados pela Polícia Militar no Pavilhão 9 da cadeia – local onde ficavam, majoritariamente, os presos de primeira viagem. Drauzio dá o início, chamado de </span><i><span style="font-weight: 400;">“O Levante”</span></i><span style="font-weight: 400;">, o desenrolar da confusão e o seu fim trágico, angariando depoimentos dos presos que conseguiram sobreviver. O livro recebeu o </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Jabuti</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2000, na categoria Livro do Ano, e foi adaptado para o cinema em 2003, no filme </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1104200307.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Carandiru</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dirigido por </span><a href="https://personaunesp.com.br/barbara-paz-47-anos/"><span style="font-weight: 400;">Héctor Babenco</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span><b> &#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_25587" aria-describedby="caption-attachment-25587" style="width: 671px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25587" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/rua-paulo-1.jpg" alt="Capa do Livro Os meninos da rua Paulo. Nela, há a ilustração de três meninos, à esquerda, ao lado da parede de uma casa, conversando com uma menina que está à direita, encostada em outro lado da casa. Um dos meninos está no canto esquerdo da ilustração, rindo; ele é branco, com cabelos castanhos escuros, e veste um casaco marrom claro, bermuda preta e botas marrons. Ao seu lado esquerdo, é possível ver as pernas de outro menino, mas que acaba tendo seu corpo escondido pelo terceiro, que está em sua frente. Este último, está com o braço esquerdo encostado na parede da casa, inclinado para conversar com a menina. Ele é branco, com cabelos escuros e lisos, e veste uma blusa verde-musgo de mangas compridas, bermuda marrom e botas marrons. A menina é branca, com cabelos lisos escuros, e ela veste um casaco comprido na cor vinho e sapatos marrons. No canto superior esquerdo, está escrito “Os meninos da rua Paulo” em fonte na cor verde. Abaixo da frase, está o nome do autor, “Ferenc Molnár”, também em fonte na cor verde. E, no canto inferior direito, ao lado dos pés da menina, está escrito “Tradução Paulo Rónai” em fonte preta." width="671" height="1032" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/rua-paulo-1.jpg 671w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/rua-paulo-1-520x800.jpg 520w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/rua-paulo-1-666x1024.jpg 666w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25587" class="wp-caption-text">No Brasil, Os meninos da rua Paulo foi adaptado para o Teatro, em 1992, com um elenco formado por atores como Selton Mello, Marcelo Serrado, Oberdan Júnior e Michel Bercovitch (Foto: Cosac Naify)</figcaption></figure>
<p><b>Ferenc Molnár &#8211; Os meninos da rua Paulo (264 páginas, Cosac Naify)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrita pelo húngaro Ferenc Molnár, e publicada, pela primeira vez, em 1907, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os meninos da rua Paulo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma das histórias mais adultas sobre a infância. Ambientado no ano de 1889, na cidade de Budapeste, a narrativa trata sobre a rivalidade entre dois grupos de meninos: os da </span><i><span style="font-weight: 400;">Sociedade do Betume</span></i><span style="font-weight: 400;"> contra os</span><i><span style="font-weight: 400;"> camisas-vermelhas</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ambos disputam pelo poder de um terreno baldio da rua que dá nome ao livro, considerado um espaço sagrado para suas brincadeiras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com tradução de Paulo Rónai, a obra já foi literatura obrigatória em diversas escolas do Brasil (inclusive na que eu estudei). O que poderia ser uma história facilmente abordada em tirinhas da Turma da Mônica, acaba por trazer uma perspectiva interessante sobre a </span><a href="http://g1.globo.com/pop-arte/blog/maquina-de-escrever/post/os-meninos-da-rua-paulo-os-desafios-da-passagem-para-vida-adulta.html"><span style="font-weight: 400;">transição da infância para a vida adulta</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de falar sobre a falta de espaço para os jovens na sociedade e a violência psicológica que esses meninos eram submetidos no contexto histórico da Hungria da época. Não à toa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os meninos da rua Paulo</span></i><span style="font-weight: 400;"> se tornou</span> <span style="font-weight: 400;">um dos livros húngaros mais conhecidos ao redor do mundo, ganhou diversas adaptações para o Cinema e conversa com produções mais recentes, como o filme</span> <a href="https://www.imdb.com/title/tt0953382/"><i><span style="font-weight: 400;">A Cidade das Crianças</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar da dificuldade em lembrar dos complicados nomes dos personagens, até hoje não me esqueço da profunda história do pequeno Nemecsek. </span><b>&#8211; Vitória Silva</b></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-dezembro-de-2021/">Estante do Persona – Dezembro de 2021</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-dezembro-de-2021/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">25580</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
