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	<title>Arquivos Bélgica &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Ao tentar criar uma identidade, Maturidade atesta que seu traço mais marcante é ser medíocre</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Nov 2025 13:00:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Victor Hugo Aguila Em diversos momentos, a permanência é mais desconfortável que o distanciamento. Na Competição de Novos Diretores da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Maturidade é um retrato de como impor limites pode ser, acima de tudo, uma forma de respeito consigo mesmo. Ludovic (Jean-Benoît Ugeux), um arquiteto de 40 anos, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-maturidade/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Ao tentar criar uma identidade, Maturidade atesta que seu traço mais marcante é ser medíocre"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36416" aria-describedby="caption-attachment-36416" style="width: 690px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-36416" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-16.jpg" alt="Cena do filme Maturidade. Na imagem, da esquerda para a direita, é possível ver quatro pessoas: um homem branco vestindo calças pretas e uma jaqueta preta; uma jovem adolescente de pele branca e cabelo longo castanho, vestindo uma blusa azul e uma jaqueta marrom; uma criança de pele branca e cabelos castanhos curtos, vestindo uma camiseta branca, um macacão jeans e uma jaqueta rosa; e uma mulher de pele branca, vestindo uma blusa colorida e um casaco marrom. Eles estão em um museu, onde é possível ver pinturas emolduradas em uma parede marrom-avermelhada. O chão do museu é de madeira e a luz predominante na imagem é clara" width="690" height="425" /><figcaption id="caption-attachment-36416" class="wp-caption-text">A conjuntura familiar exposta no longa é um exemplo vívido das diferentes dinâmicas geracionais (Foto: Apoptose/Piano Sano/Wrong Men)</figcaption></figure>
<p><b>Victor Hugo Aguila</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em diversos momentos, a permanência é mais desconfortável que o distanciamento. Na Competição de Novos Diretores da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Maturidade</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um retrato de como impor limites pode ser, acima de tudo, uma forma de respeito consigo mesmo. Ludovic (Jean-Benoît Ugeux), um arquiteto de 40 anos, inicia seu relacionamento com Nathalie (Ruth Beckaert) e desenvolve um forte laço com suas duas filhas. Quando a mulher decide se afastar dele, o protagonista entra em uma espiral emocional complexa, deixando o descontrole inundar sua vida. </span></p>
<p><span id="more-36414"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao destrinchar novas </span><a href="https://personaunesp.com.br/dolores-critica/"><span style="font-weight: 400;">dinâmicas familiares</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seus diferentes enquadramentos, um dos pontos mais curiosos do longa-metragem é a relação entre Ludovic e Laetitia (Solàn Martinez), a filha mais velha. Nos diálogos, é perceptível como o arquiteto se sente compreendido pela adolescente, conseguindo enxergar seu mundo e as questões que permeiam a fase em que ela se encontra. Entretanto, apesar do acolhimento, ele demonstra explicitamente sua imaturidade, principalmente nos momentos de contrariedade, onde a raiva e a frustração ganham destaque – como quando a filha de seu colega de trabalho recusa seu presente. Ao conseguir se aproximar mais da primogênita do que de Nathalie, em aspectos emocionais, ele atesta como é ser um adulto com tendências emotivas infantilizadas.</span></p>
<figure id="attachment_36415" aria-describedby="caption-attachment-36415" style="width: 690px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36415" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-14.jpg" alt="Cena do filme Maturidade. Na imagem, da esquerda para a direita, é possível ver um homem branco e de cabelo castanho vestindo uma camisa de mangas longas na cor azul. Ao seu lado, há uma mulher branca de cabelos castanhos, vestindo uma blusa laranja e um casaco marrom. Ao fundo, é possível ver uma geladeira azul com fotografias coladas. A foto foi tirada através de um vidro, sendo possível ver o reflexo do exterior na imagem." width="690" height="423" /><figcaption id="caption-attachment-36415" class="wp-caption-text">A relação de Nathalie e Ludovic chega a um impasse quando ele ultrapassa os limites da namorada (Foto: Apoptose/Piano Sano/Wrong Men)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da presença do protagonista, é interessante discorrer à respeito do seio familiar de Nathalie. Nesse núcleo sistêmico, ainda que a genitora se encontre em uma relação amigável e atenciosa com as filhas, é perceptível como ela se apresenta meio perdida em relação à </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-mae-critica/"><span style="font-weight: 400;">maternidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em muitos momentos – como nas cenas de jantar – ela mescla os papéis de amiga e mãe, tornando questionável ao espectador a sua conduta em ambas as funções. Dessa forma, Laetitia aparece enquanto uma figura maternal para Luna (Elyséa Garrabos), sua irmã mais nova, na ausência – e até mesmo na presença – de Nathalie. Ao ordenar que escove os dentes, por exemplo, a criança obedece prontamente a irmã e atesta sua relação quase simbiótica com a mesma. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma análise técnica, a obra se perde ao tentar compensar um roteiro previsível (Jean-Benoît Ugeux, Julie Debiton) com termos e palavras das áreas de arquitetura e engenharia. Nas cenas de Ludovic com seu sócio e colega de trabalho, o uso demasiado de jargões de suas profissões torna a cena cansativa e desesperada, como se quisessem preencher um espaço em branco e não conseguissem pensar em outra forma de fazê-lo. Ainda, as referências históricas e culturais da </span><a href="https://personaunesp.com.br/isolation-critica/"><span style="font-weight: 400;">Europa</span></a><span style="font-weight: 400;"> que circundam o filme, apesar de ricas e bem elaboradas, não agregam no enredo e se tornam pontas soltas em uma teia que deveria, ao menos, tentar ser consistente.</span></p>
<figure id="attachment_36417" aria-describedby="caption-attachment-36417" style="width: 689px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36417" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-9.jpg" alt="Cena do filme Maturidade. Na imagem,é possível ver um homem branco de cabelo castanho, vestindo uma camisa azul, um casaco bege e calças cinzas. Na sua boca, há um cigarro aceso. Ele está com a mão esquerda encostada no porta-malas de um carro na cor azul-claro. Ao fundo da imagem, é possível ver aspectos de uma vizinhança residencial, com os telhados das casas em marrom-alaranjado e arbustos grandes com folhas verdes. " width="689" height="429" /><figcaption id="caption-attachment-36417" class="wp-caption-text">Apesar da sua relação com o trabalho transmitir seriedade, a imaturidade do arquiteto transparece nas suas relações pessoais (Foto: Apoptose/Piano Sano/Wrong Men)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem muita inovação, a fotografia característica do </span><a href="https://www.aicinema.com.br/as-particularidades-dos-roteiros-dos-filmes-europeus/"><span style="font-weight: 400;">audiovisual europeu</span></a><span style="font-weight: 400;"> marca presença no longa. Apesar da melancolia visual proporcionar uma experiência palpável ao espectador, os tons frios se tornam triviais e enjoativos, causando tédio em alguns momentos. Nas cenas das personagens dentro do carro, por exemplo, a monotonia em dar continuidade a história faz com que se deseje estar em qualquer outro ambiente além da sala de cinema. Ainda que, nesses momentos, seja possível ver a personalidade de Ludovic de forma mais contundente e marcada, a trama peca em transformar o potencial da atuação de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rzcMeQoJHj4"><span style="font-weight: 400;">Jean-Benoît Ugeux</span></a><span style="font-weight: 400;"> em algo comum e absorto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com boa intenção, </span><i><span style="font-weight: 400;">Maturidade</span></i><span style="font-weight: 400;"> recai na inércia e desperta um sentimento agridoce de decepção em quem o assiste. Ao debater sobre </span><a href="https://personaunesp.com.br/liloestitch-critica/"><span style="font-weight: 400;">questões familiares</span></a><span style="font-weight: 400;"> – tema tão presente e necessário na contemporaneidade – o roteiro maçante e a montagem amadora atesta a previsibilidade do longa. Além de protagonista, como diretor, Jean-Benoît Ugeux possui um vasto potencial de ser palpável ao seu público, ainda que seu trabalho por trás das câmeras seja simples. De maneira fundamental, o filme conduz a premissa básica de tentativa e erro: mesmo com chances de falhar, tentar novamente é, em muitos momentos, a melhor forma de garantir a possibilidade de êxito. </span></p>
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		<title>Corações Jovens não sabe nomear o amor, mas sabe senti-lo</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Nov 2024 15:46:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Dirigido por Anthony Schatteman e presente na seção Novos Diretores, Corações Jovens (Young Hearts, no original) foi exibido na 1ª Mostrinha da 48ª Mostra de Cinema Internacional de São Paulo. Em meio à calmaria das paisagens rurais belgas, o filme é uma viagem ao que há de mais doce e confuso na vida: &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/coracoes-jovens-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Corações Jovens não sabe nomear o amor, mas sabe senti-lo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34391" aria-describedby="caption-attachment-34391" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34391" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-800x450.png" alt="Cena do filme Corações Jovens. Lou Goossens e Emilie de Roo compartilham um momento íntimo dentro de um carro. Emilie segura o rosto de Lou com ambas as mãos, olhando-o nos olhos com uma expressão de cuidado e afeto, enquanto Lou, um menino jovem, mantém um olhar sério e atento, sugerindo uma conversa emocional ou momento de conforto. A luz suave que entra pela janela reforça o tom de proximidade e ternura entre os dois personagens." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34391" class="wp-caption-text">O longa teve sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Berlim (Foto: Polar Bear)</figcaption></figure>
<p><strong>Henrique Marinhos</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido por Anthony Schatteman e presente na seção Novos Diretores, </span><i><span style="font-weight: 400;">Corações Jovens (Young Hearts</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original) foi exibido na 1ª Mostrinha da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra de Cinema Internacional de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em meio à calmaria das paisagens rurais belgas, o filme é uma viagem ao que há de mais doce e confuso na vida: a primeira vez que nos apaixonamos. Elias (Lou Goossens), um menino de treze anos, enfrenta as primeiras grandes emoções em um mundo que começa a se revelar mais amplo e, ao mesmo tempo, mais incerto. Atravessamos campos verdes e vemos o mundo pelos olhos dele, assim, sentimos suas descobertas – desde sua primeira desilusão até seu primeiro amor.</span></p>
<p><span id="more-34390"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse cenário de sonhos e de luz suaves, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/luca-critica/"><span style="font-weight: 400;">linguagem do amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> é algo ainda sem forma. Elias não sabe o que é amar, mas sente em si algo que transborda. A chegada de Alexander (Marius De Saeger), seu novo vizinho e colega de classe, desperta nele um sentimento inédito e intenso, algo que faz seu coração bater diferente. Essa paixão nasce da simplicidade de estar ao lado do outro e da admiração que cresce em cada gesto ou olhar que os dois compartilham. O toque leve das mãos, os risos abafados, as pedaladas em uma tarde ensolarada; tudo é amor, mesmo que ele não saiba nomeá-lo assim.</span></p>
<figure id="attachment_34392" aria-describedby="caption-attachment-34392" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34392" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-10-800x450.png" alt="Cena do filme Corações Jovens. Lou Goossens e Marius de Saeger estão juntos ao piano, em uma cena que exala cumplicidade e curiosidade. Lou observa Marius com atenção enquanto ele toca, demonstrando interesse e admiração. A luz natural que entra pela janela ilumina o ambiente, criando uma atmosfera leve e serena, que destaca o vínculo e a troca de olhares entre os jovens." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-10-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-10-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-10.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34392" class="wp-caption-text">Corações Jovens se inspira na experiência pessoal do diretor Anthony Schatteman (Foto: Polar Bear)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há muitos momentos surpreendentes ao longo da produção. Poderíamos esperar alguma </span><a href="https://personaunesp.com.br/la-pampa-critica/"><span style="font-weight: 400;">tragédia devastadora</span></a><span style="font-weight: 400;">; o verdadeiro clichê contemporâneo de filmes do gênero. No entanto, a verdadeira surpresa aqui é a previsibilidade. </span><i><span style="font-weight: 400;">Young Hearts </span></i><span style="font-weight: 400;">é um </span><i><span style="font-weight: 400;">Comfort movie</span></i><span style="font-weight: 400;"> em sua essência mais genuína. Sem desníveis, névoa e  curvas sinuosas. Vemos todo caminho a frente e seguimos pedalando vagarosamente até o final, enquanto aproveitamos a vista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Fotografia do filme, por Pieter Van Campe, dá vida à emoção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Corações Jovens</span></i><span style="font-weight: 400;">. A luz natural dos campos e o uso das sombras criam uma sensação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/de-volta-aos-15-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">nostalgia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e fragilidade. Cada cena é enquadrada de modo a parecer memórias da nossa infância, borradas, sentimentais, inventivas e com total foco nas pessoas, suas falas e acontecimentos. O cenário é um mero coadjuvante, como acontece na própria mente ao guardarmos só o mais importante.</span></p>
<p><figure id="attachment_34393" aria-describedby="caption-attachment-34393" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34393" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-10-800x450.png" alt="Cena do filme Corações Jovens. Lou Goossens e Emilie de Roo compartilham um momento íntimo dentro de um carro. Emilie segura o rosto de Lou com ambas as mãos, olhando-o nos olhos com uma expressão de cuidado e afeto, enquanto Lou, um menino jovem, mantém um olhar sério e atento, sugerindo uma conversa emocional ou momento de conforto. A luz suave que entra pela janela reforça o tom de proximidade e ternura entre os dois personagens." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-10-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-10-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-10.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34393" class="wp-caption-text">A trilha sonora do filme foi composta por Ruben De Gheselle, que também trabalhou em Close (2022) [Foto: Polar Bear]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Com sensibilidade, a narrativa atravessa a jornada da primeira paixão em seus altos e baixos. Para muitos de nós, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/lgbtqia/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">, descobrir o amor pela primeira vez não é só sobre o calor dos sentimentos e a alegria do novo; é também sobre confrontar o medo e a vergonha que a sociedade ainda nos impõe. E, se há algo que possa aquecer nossos corações e nos representar com dignidade, porque não fazê-lo? Clichês são o que são porque funcionam.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Corações Jovens</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma história sobre descobertas – sobre o amor em suas formas mais genuínas e conflitantes, a vergonha que nos prende, a coragem que nos liberta e o desejo de pertencimento que pulsa em quem está crescendo. O longa nos lembra que essa </span><a href="https://personaunesp.com.br/hoje-eu-quero-voltar-sozinho-critica/"><span style="font-weight: 400;">paixão adolescente</span></a><span style="font-weight: 400;">, tão única e, ao mesmo tempo, tão compartilhada, é o que molda nossas primeiras escolhas e, por consequência, quem somos e quem queremos ser para nós ou alguém especial.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Young Hearts | Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/--4NOr0NFh4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Here olha para o que ninguém vê</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Oct 2023 20:37:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Para Bas Devos, fazer filmes é uma desculpa para ser curioso. Here, seu quarto longa-metragem, usa essa curiosidade para observar a relação de dois estranhos consigo mesmos, um com o outro e com o país que habitam, estrangeiro tanto quanto eles mesmos ali. A produção desembarcou no Brasil no 25° Festival do Rio &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/here-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Here olha para o que ninguém vê"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31715" aria-describedby="caption-attachment-31715" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31715" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4.png" alt="Cena do filme Here. A cena se passa em uma floresta, com o solo verde coberto por musgos e troncos de árvores ao fundo. Em um primeiro plano, os dois personagem estão mal iluminados e é possível ver, à esquerda, uma mulher adulta com cabelo preso em um coque, ajoelhada no chão, segurando uma planta na mão. À sua frente, à direita, é possível ver um homem curvado sobre uma pedra, encarando o que ela tem em mãos." width="1536" height="1012" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-800x527.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-1024x675.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-768x506.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-1200x791.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31715" class="wp-caption-text">Here venceu os prêmios de Encounters e FIPRESCI do Festival de Berlim e participou do Festival do Rio 2023 na seção Expectativa (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Bas Devos, </span><a href="http://www.sensesofcinema.com/2023/interviews/here-an-interview-with-bas-devos/"><span style="font-weight: 400;">fazer filmes</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma desculpa para ser curioso. </span><i><span style="font-weight: 400;">Here</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu quarto longa-metragem, usa essa curiosidade para observar a relação de dois estranhos consigo mesmos, um com o outro e com o país que habitam, estrangeiro tanto quanto eles mesmos ali. A produção desembarcou no Brasil no 25° </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/here"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;"> depois de conquistar dois troféus no </span><a href="https://www.berlinale.de/en/2023/programme/202314178.html"><span style="font-weight: 400;">Festival de Berlim</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, olhando para o ordinário, torna até o comum fantástico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, o diretor belga segue Stefan (Stefan Gota), um trabalhador romeno da </span><a href="https://personaunesp.com.br/distopia-critica/"><span style="font-weight: 400;">construção civil</span></a><span style="font-weight: 400;"> morando em Bruxelas, na Bélgica. Quando a temporada de obra acaba e ele e seus colegas &#8211; igualmente estrangeiros &#8211; poderão aproveitar as férias em seus países de origem, o protagonista encontra uma mulher que o fará pensar duas vezes se deve ou não voltar. O grande porém é que ela sequer sabe o nome dele.</span></p>
<p><span id="more-31712"></span></p>
<figure id="attachment_31714" aria-describedby="caption-attachment-31714" style="width: 1380px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31714" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5.jpg" alt="Cena do filme Here. A cena se passa durante a noite em um restaurante, onde é possível ver mesas e cadeiras vazias. Ao fundo, através de uma janela, é possível ver fachadas de outros restaurantes com as luzes acesas. No primeiro plano, à esquerda, vemos uma mulher branca, aparentando cerca de 40 anos, com cabelos castanhos na altura do ombro, sentada à mesa do restaurante com uma xícara de café a sua frente. Ela segura a mão do homem que está a sua frente, sentado na mesa à direita do quadro. Ele é branco, com cabelos curtos, aparenta ter cerca de 30 anos, tem uma xícara de café a sua frente e um casaco pendurado na cadeira." width="1380" height="921" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5.jpg 1380w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31714" class="wp-caption-text">Como em longas anteriores, Bas Devos aborda sutilmente a imigração, dessa vez de trabalhadores romenos para a Bélgica, algo que ele observou como um fenômeno no país (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O encanto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Here </span></i><span style="font-weight: 400;">se faz na </span><a href="https://personaunesp.com.br/carvao-critica/"><span style="font-weight: 400;">simplicidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Stefan não pode ir para casa &#8211; neste caso, seu país de origem, não a residência onde mora &#8211; porque seu carro quebrou e ficará pronto em alguns dias. Nesse meio tempo, a preocupação do rapaz é cozinhar uma sopa com tudo que há na geladeira para que nada estrague. A segunda tarefa é distribuir o alimento para conhecidos, já que nem ele conseguirá consumi-lo antes de voltar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nessa normalidade que o roteiro &#8211; também confeccionado por Devos &#8211; se desenvolve: a relação do protagonista com a cidade e com as pessoas à sua volta é um exercício de enxergar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/paloma-critica/"><span style="font-weight: 400;">humanidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Filmados poeticamente por Grimm Vandekerckhove, os altos prédios de Bruxelas, as linhas de trem e a movimentação dos transportes criam uma sensação de solitude e barulho em meio ao concreto, ressoando a condição de distanciamento, como se ali ele fosse um estrangeiro em todos os sentidos. Stefan repete a si mesmo que ali é sua casa, mas nem ele parece acreditar na afirmação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal cenário é o contrário da </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-som-do-rugido-da-onca-critica/"><span style="font-weight: 400;">natureza</span></a><span style="font-weight: 400;">. O personagem principal, assim como o diretor, é um grande curioso e, com os dias livres enquanto espera seu carro, explora os arredores da cidade. Movido por sementes que encontrou no bolso, ele visita uma horta comunitária, um bosque perto do mecânico e uma pequena floresta local. Ao contrário dos momentos no âmbito urbano, nos quais as conversas são breves e o silêncio interno prevalece, em todos os encontros cercados por natureza ele se depara com pessoas e trava diálogos tão mundanos quanto as situações ali propostas. São nesses ambientes, a princípio quietos, que a </span><a href="https://personaunesp.com.br/past-lives-critica/"><span style="font-weight: 400;">conexão humana</span></a><span style="font-weight: 400;"> acontece, a grandiosidade é preenchida com vida e a sensação de pertencimento e completude impera.</span></p>
<figure id="attachment_31713" aria-describedby="caption-attachment-31713" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31713" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.jpg" alt="Cena do filme Here. A cena se passa durante o dia em uma floresta, em que é possível ver o solo marrom, coberto por musgos verdes em alguns trechos, troncos e árvores ao fundo. Em um primeiro plano, à esquerda, vemos uma homem branco, de aparentemente 30 anos, loiro de cabelo e barba curtos, vestindo uma jaqueta azul escura, um shorts roxo e uma bota preta ajoelhado no chão, observando uma planta em suas mãos. A sua frente, há um caderno aberto apoiado no chão. A direita do quadro, observando o que há nas mãos do homem, vemos uma mulher chinesa, aparentando cerca de 30 anos, com cabelos pretos presos em um coque, vestindo uma jaqueta com estampa militar, calã jeans e bota preta, sentada no chão." width="1536" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31713" class="wp-caption-text">Here é projetado em uma janela 4:3, menor do que o tradicional nos cinemas; para Devos, além de fugir ao que o espectador está acostumado, esse formato é o mais próximo de como ele vê a realidade (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo muda quando Stefan conhece Shuxiu (Liyo Gong) em um restaurante chinês na cidade. Se por lá as relações são rápidas e corriqueiras, o reencontro acidental dos dois na floresta acende uma conexão instantânea enquanto observam musgos e líquens. Ela, uma professora de microbiologia e botânica descendente de chineses, parece se sentir tão alheia a um cotidiano apático e desconexo quanto ele. Em mandarim, a personagem revela ter tido um sonho, em que de uma hora para outra esquece palavras, mostrando como se sente uma forasteira ali, como ele. Ambos parecem apenas esperar por uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/her-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">conexão humana</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e a encontram entre seres microscópicos no solo da mata.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por lá, os diálogos não são necessários para explicitar a ligação que passa a se desenvolver: os atores dão conta de expressar a diferença entre o </span><a href="https://personaunesp.com.br/sobre-a-terra-somos-belos-por-um-instante/"><span style="font-weight: 400;">estranhamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> inicial e a familiaridade que se estabelece aos poucos, se não com a cidade, um com o outro. Assim, partindo da grandiosidade da paisagem de Bruxelas e dos altos prédios em construção, a câmera se volta ao solo, ao micro dos organismos na base de tudo.</span></p>
<figure id="attachment_31716" aria-describedby="caption-attachment-31716" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31716" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5.jpg" alt="Cena do filme Here. Na imagem, vemos um zoom ou close-up de dois dedos de uma pessoa branca segurando um pequeno pedaço de planta verde." width="1536" height="1121" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-800x584.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-1024x747.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-768x561.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-1200x876.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31716" class="wp-caption-text">Passe um café e encare os musgos de olhos bem abertos (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A mudança do panorama macro para o micro, da vastidão para seres microscópicos, acontece de forma lenta, quase imperceptível. Porém, por mais encantador que seja, para explorar esse comum </span><a href="https://c7nema.net/entrevistas/item/119433-bas-devos-o-maior-privilegio-da-minha-vida-e-que-posso-fazer-filmes.html"><span style="font-weight: 400;">Devos</span></a><span style="font-weight: 400;"> propõem um verdadeiro exercício de paciência: se a geração atual não vive sem estímulos audiovisuais, vencer um ato completo de musgos, líquens e paisagens verdes sem nenhuma &#8211; ou pouca &#8211; troca de palavras é uma verdadeira batalha. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=c-6qcdbs6os&amp;source_ve_path=MjM4NTE&amp;feature=emb_title"><i><span style="font-weight: 400;">Here</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o ordinário de Bas Devos, ampliado pela fotografia de Vandekerckhove e pela montagem mansa de Dieter Diependaele, se torna completo, mas, para isso, passa por uma calmaria beirando o entediante. Ao final, Stefan e Shuxiu parecem mais conectados após uma tarde quieta na floresta do que no diálogo completo que tiveram na cidade. Ela sequer sabe o nome dele e, quem comprar o desafio de não se render à inquietude e se entregar à tranquilidade, pode encontrar o fantástico no habitual e a beleza em um encontro mais do que comum.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Here" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/c-6qcdbs6os?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Close nos aproxima da dor das rupturas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Mar 2023 21:42:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Ceder a pressão social é fácil, quase um instinto do ser humano em busca de aceitação e, por vezes, sobrevivência. O ponto é que tudo pode ser desfigurado para que possamos caber nas caixas ditas como certas: roupas, cabelos e até mesmo os amores. Em Close, filme lançado em 2022 sob a direção &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/close-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Close nos aproxima da dor das rupturas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30073" aria-describedby="caption-attachment-30073" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30073" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-1.jpeg" alt="Cena do filme Close. Rémi e Léo estão olhando um para o outro. Léo é um garoto branco loiro de olhos azuis, ele está vestindo uma camiseta branca e tem uma mochila azul marinho nas costas. Rémi é um menino branco de cabelos e olhos castanhos, ele veste uma camiseta bordô e usa uma mochila verde musgo. Ambos têm feições sérias" width="1024" height="564" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-1.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-1-800x441.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-1-768x423.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30073" class="wp-caption-text">Close é uma coprodução belga, holandesa e francesa, e concorre na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar de 2023 (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ceder a pressão social é fácil, quase um instinto do ser humano em busca de aceitação e, por vezes, sobrevivência. O ponto é que tudo pode ser desfigurado para que possamos caber nas caixas ditas como certas: roupas, cabelos e até mesmo os amores. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Close</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme lançado em 2022 sob a direção de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2s_vL_9rFFY"><span style="font-weight: 400;">Lukas Dhont</span></a><span style="font-weight: 400;">, os protagonistas figuram o ato de cortar os laços mais profundos como se fossem uma linha fina &#8211; rompem-se com facilidade, mas ficam as pontas esfarrapadas. </span></p>
<p><span id="more-30070"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Léo (Eden Dambrine) e Rémi (Gustav de Waele) estão no início da adolescência e têm uma intimidade apaixonante construída, mas os olhos de terceiros tendem a ver as coisas sob lentes escuras, nubladas por estigmas. Os garotos se amam, sem rótulos definidos – não nos cabe força-los a mais enquadramentos –, é uma pena que em um mundo em que a </span><a href="https://personaunesp.com.br/ataque-dos-caes-critica/"><span style="font-weight: 400;">masculinidade tóxica</span></a><span style="font-weight: 400;"> reina demonstrar ternura seja um sinal franco de vulnerabilidade. Assim, os toques, o cuidado e até o carinho se dissipam em tons cinzentos, movidos pelo desejo de se encaixar.  </span></p>
<figure id="attachment_30074" aria-describedby="caption-attachment-30074" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30074" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-2.jpg" alt=" Cena do filme Close. Na imagem estão Léo, Rémi e sua mãe, Sophie. Sophie é uma mulher branca de cabelos e olhos castanhos, ela está vestindo uma camiseta regata rosa pálido e olha para Léo. Léo é um menino branco de cabelos loiros e olhos azuis, ele veste uma camiseta amarelo bebê e retribui o olhar de Sophie. Rémi é um menino branco de cabelos e olhos castanhos, ele está vestindo uma camiseta verde escura e está deitado com a cabeça dos outros dois sobre sua barriga. Os três estão sorrindo" width="768" height="461" /><figcaption id="caption-attachment-30074" class="wp-caption-text">Close chega aos cinemas brasileiros no dia 02 de Março e marca presença na MUBI a partir de 21 de Abril (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os primeiros </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> são ingênuos, leves e ensolarados. A câmera caminha em direção aos rostos dos meninos e podemos sentir o quanto aquela relação é especial. Eles têm 13 anos e estão começando um novo ano letivo na escola, ambiente em que as coisas começam a mudar. A aproximação dos meninos é julgada pelos colegas, termos </span><a href="https://gamarevista.uol.com.br/sociedade/debate-lgbtqia-escolas/"><span style="font-weight: 400;">homofóbicos</span></a><span style="font-weight: 400;"> são ditos e isso basta para que a distância ganhe casa e, cada vez mais, seja possível entender como nada continua igual. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho de fotografia comandado por </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/frank-van-den-eeden"><span style="font-weight: 400;">Frank van den Eeden</span></a><span style="font-weight: 400;"> é primoroso, desde as luzes até a forma como os personagens e cenários são captados. Tudo é morfológico: habita a forma que a narrativa precisa. O enquadramento caminha com o afastamento dos protagonistas e, em certo momento, o foco deixa de repousar sobre suas faces para abrigar os elementos ao redor, conforme Léo e Rémi permitem a expansão desse mundo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não fazer afirmações, um dos cernes do enredo – escrito por Dhont em parceria com Angelo Tijssens – é a homofobia, a forma como a exclusão de pessoas que sequer lembrem o universo</span> <a href="https://personaunesp.com.br/the-owl-house-critica/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> é naturalizada e capaz de gerar desgastes e mudanças. O protagonista não precisa de muito para passar a se policiar sobre a forma com a qual trata o amigo, o medo é um soldado cruel e invade sem bater na porta.</span></p>
<figure id="attachment_30071" aria-describedby="caption-attachment-30071" style="width: 1680px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30071" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3.jpg" alt="Cena do filme Close.Na imagem, Rémi e Léo olham para uma colega de classe. Léo é um menino branco de cabelos loiros e olhos azuis, ele veste uma camiseta de manga longa na cor branca. Ao seu lado está Rémi, um menino branco de cabelos e olhos castanhos, ele veste uma blusa vermelha de mangas. Os dois encaram a colega que não aparece na foto." width="1680" height="838" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3.jpg 1680w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3-800x399.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3-1024x511.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3-768x383.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3-1536x766.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3-1200x599.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30071" class="wp-caption-text">Close fez parte da 24ª edição do Festival do Rio de 2022 (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Continuar a ver o filme é doloroso, uma experiência absolutamente devastadora com passe livre para fazer todos os sentimentos de alguém se desdobrarem. Nada precisa ser explícito ou violento para causar angústia, aqui os rumos da vida se mostram imprevisíveis e nada simplistas. Neste cenário sombrio e regado a lágrimas, a passagem dos dias ganha menos luz, paz e </span><a href="https://personaunesp.com.br/copo-vazio-critica/"><span style="font-weight: 400;">amor</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acima de qualquer coisa, </span><a href="https://www.wmagazine.com/culture/close-movie-director-lukas-dhont-interview"><i><span style="font-weight: 400;">Close</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é sobre consequências e quebras. A narrativa explora em Léo e nos pais de Rémi, Sophie (Émilie Dequenne) e Peter (Kevin Janssens), o quanto os pedaços quebrados machucam. É possível ver no garoto a quebra da inocência e nos adultos os rumos perdidos a partir de uma ótica intimista e silenciosa. Afinal, os olhos são a janela para a alma e sobram para as palavras o plano secundário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dor transpassa os limites da imagem e ver isso é desesperador, caso houvesse a possibilidade de adentrar a tela e acolher aqueles sentimentos qualquer pessoa o faria. Charlie (</span><a href="https://www.senscritique.com/film/Le_Rire_de_ma_mere/24613358"><span style="font-weight: 400;">Igor Van Diesel</span></a><span style="font-weight: 400;">) acaba sendo o personagem que mais gera essa identificação no público e seu cuidado com o irmão é afetuoso na medida exata. É com ele que vemos Léo ter as únicas reações positivas verdadeiramente sinceras depois do episódio do melhor amigo, as risadas e corridas no campo aquecem um pouco dos tons frios assumidos pela produção. </span></p>
<figure id="attachment_30072" aria-describedby="caption-attachment-30072" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30072" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4.jpg" alt="Cena do filme Close. Na imagem estão Léo, Charlie e o pai, Yves. Charlie tem cabelos loiros escuros e olhos azuis, ele veste uma blusa cinza de mangas sobreposta por um colete preto. Léo é um garoto loiro de olhos azuis, ele veste uma blusa preta de mangas sob um colete azul claro. Yves é um homem branco, careca de olhos azuis, ele veste uma blusa preta com um colete verde. Os três estão fazendo a colheita em um campo verde, vermelho e amarelo." width="1280" height="771" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4-800x482.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4-1024x617.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4-768x463.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4-1200x723.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30072" class="wp-caption-text">Close é o segundo filme da carreira de Lukas Dhont, que já havia sido vencedor da principal premiação de Cannes em 2018 com Girl (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenvolvimento emocionante não passou despercebido pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2023 e o filme concorre na categoria de Melhor Filme Internacional. A disputa conta com os títulos </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">EO</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-menina-silenciosa-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Menina Silenciosa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além de estar cotado a estatueta da Academia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Close</span></i><span style="font-weight: 400;"> competiu ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> na mesma modalidade e apareceu como indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme Estrangeiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibido pela primeira vez no Festival de Cinema de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-o-que-respira-critica/"><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Maio de 2022, o longa-metragem agradou os críticos e arrebatou o </span><i><span style="font-weight: 400;">Grand Prix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na ocasião, os direitos de distribuição da obra para o Reino Unido, Irlanda, América Latina, Turquia e Índia foram adquiridos pelo serviço de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">MUBI</span></i><span style="font-weight: 400;">. A narrativa também mexeu com os membros</span><i><span style="font-weight: 400;"> National Board of Review</span></i><span style="font-weight: 400;">, que ofereceram à produção o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro. </span></p>
<figure id="attachment_30075" aria-describedby="caption-attachment-30075" style="width: 593px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30075" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Captura-de-tela-2023-03-01-183335.png" alt="Cena do filme Close. Na imagem está Léo olhando para baixo. Ele é um menino branco de cabelos loiros e olhos azuis, e veste uma camiseta amarela. Léo está no quarto de Rémi e está triste." width="593" height="335" /><figcaption id="caption-attachment-30075" class="wp-caption-text">Close apareceu no European Film Awards 2022, com indicações a Melhor Filme, Direção, Roteiro e Ator (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2023/01/awards-insider-lukas-dhont-close-interview"><i><span style="font-weight: 400;">Close</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um retrato delicado e dilacerante de como as mudanças se instauram com uma força avassaladora. Sem precisar de apelo, a narrativa sangra em sua própria magnitude. Não é a intenção estabelecer culpados, mas mostrar os pequenos efeitos promovidos por atitudes aparentemente banais. Resta nas mãos de todos um cheque a assinar, mesmo quando isso é cruel e, sinceramente, injusto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez não tenhamos como mudar a estrutura, mas falar das dores proporcionadas por ela é um grande passo e a obra faz isso com excelência. O filme pode não ter um final feliz de </span><a href="https://personaunesp.com.br/pinoquio-guillermo-del-toro-critica/"><span style="font-weight: 400;">conto de fadas</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas, ao contrário do que sua sinopse diz, é, sim, uma história de amor – já que esse sentimento faz parte de todo o enredo, seja na forma pura ou na que coleciona cicatrizes. Nem toda história de amor é feliz, mas só o fato de estar presente faz dele um dos grandes protagonistas. Assim, pode ser que amar nos deixe tão perto de sofrer quanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Close</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos deixa próximos das quebras. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Close | Official Trailer HD | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/6EJGnU2AmV4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Sra. Harris Vai a Paris e a classe trabalhadora vai às ruas</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Feb 2023 20:53:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto Arrumar a bagunça de patricinhas pomposas, fazer camas com edredons importados e esperar a boa vontade de megeras para receber o próprio pagamento são algumas das normalidades do dia a dia de Ada Harris (Lesley Manville). A viúva trabalha como faxineira e, apesar das inconveniências da rotina, leva a vida com um bom &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sra-harris-vai-a-paris-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sra. Harris Vai a Paris e a classe trabalhadora vai às ruas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29923" aria-describedby="caption-attachment-29923" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29923" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-9.jpg" alt="Cena do filme Sra. Harris Vai a Paris. Na imagem está Ada Harris provando um vestido Dior. Ela é uma mulher branca de cabelos loiros presos em um lenço, o vestido é verde esmeralda com bordados dourados e uma saia irregular com estrutura de trapézio. Ao fundo estão Marguerite, Fabre e uma costureira analisando a prova da roupa." width="600" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-29923" class="wp-caption-text">30 anos depois, Sra. Harris Vai a Paris reescreve a história de Um Sonho em Paris e conquista um lugar no Oscar 2023 (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Arrumar a bagunça de patricinhas pomposas, fazer camas com edredons importados e esperar a boa vontade de megeras para receber o próprio pagamento são algumas das normalidades do dia a dia de Ada Harris (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=82wj2L0ZuKQ"><span style="font-weight: 400;">Lesley Manville</span></a><span style="font-weight: 400;">). A viúva trabalha como faxineira e, apesar das inconveniências da rotina, leva a vida com um bom humor ímpar. Mas a satisfação com o mediano muda quando seu caminho veste toda a elegância da moda parisiense e a habitualidade dá lugar aos sonhos. Em uma aventura à francesa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sra. Harris Vai a Paris</span></i><span style="font-weight: 400;"> costura entre rendas e bordados uma história brilhante. </span></p>
<p><span id="more-29922"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme, lançado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Universal Studios</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2022, usa um vestido Dior como gatilho para que Ada tenha um belo despertar. Os dias da mulher estavam fadados à ilusão de esperar a volta do marido soldado da Guerra, pegar todo dia a mesma condução com a amiga Vi Butterfield (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kmZ4UVxDxIY"><span style="font-weight: 400;">Ellen Thomas</span></a><span style="font-weight: 400;">) e fazer trabalho extra com reforma de costuras. No entanto, uma silhueta bem estruturada e uma quantidade estonteante de brilhos aplicados à mão são, sim, suficientes para fazer alguém deixar de se contentar com o limbo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À primeira vista, o roteiro desenvolvido por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HPRXgSAvxa0"><span style="font-weight: 400;">Anthony Fabian</span></a><span style="font-weight: 400;">, Olivia Hetreed e Carroll Cartwright pode parecer superficial. Um típico clichê de tons juvenis com uma protagonista simpática que ganha uma reviravolta um tanto encantada. Ao assistir a produção, não é isso que nos é mostrado. Aqui, os caminhos escolhem desviar por rotas menos óbvias e deixam o grande bilhete premiado ser encontrado entre os detalhes. </span></p>
<figure id="attachment_29927" aria-describedby="caption-attachment-29927" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29927" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-12.jpg" alt="Cena do filme Sra. Harris Vai a Paris. Na imagem, Ada Harris segura um vestido Dior. Ada é uma mulher branca de cabelos loiros presos em um lenço, ela veste um vestido de estampa floral e um avental. O vestido em suas mãos é lilás e cheio de bordados florais com brilho." width="750" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-29927" class="wp-caption-text">Sra. Harris Vai a Paris é uma co-produção da Bélgica, Canadá, Estados Unidos, França, Hungria, Reino Unido e Irlanda do Norte (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As cenas em que Ada e Vi aparecem juntas estão espalhadas ao longo de toda a narrativa e essa relação é uma das pontes mais importantes da história, além de oferecer um tom cômico e leve extremamente necessário para que o filme mantenha os ares frescos mesmo quando trabalha com assuntos complicados. A amizade entre as personagens faz com que o telespectador experimente um sentimento reconfortante, derivado da ótima interação entre as atrizes, já que seus gestos carregam um carinho fraternal capaz de ultrapassar os limites do </span><a href="https://www.motionpictures.org/2022/07/isabelle-huppert-on-the-beauty-depth-of-mrs-harris-goes-to-paris/"><span style="font-weight: 400;">enquadramento</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É a amiga que tenta motivar a protagonista e fazê-la perceber o quanto sua rotina está sendo exaustiva e abusiva. São nas conversas das duas e nas idas ao baile em busca de distração que a ideia de que o Sr. Harris não vai retornar entra em pauta, e as feridas começam a ser escancaradas para que a cura tenha espaço para se alojar. Assim, o encontro inesperado com o vestido </span><a href="https://www.harpersbazaar.com/culture/film-tv/a40625078/mrs-harris-goes-to-paris-dior-fashion-show/"><span style="font-weight: 400;">Dior</span></a><span style="font-weight: 400;">, guardado no armário de uma de suas patroas, acaba sendo apenas o pavio necessário para que perspectivas que já vem sendo abordadas ganhem chance de florescer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu tempo de tela, </span><a href="https://inews.co.uk/culture/television/cinderella-after-ever-after-sky1-review-david-walliams-cast-378667"><span style="font-weight: 400;">Ellen Thomas</span></a><span style="font-weight: 400;"> reafirma todo seu carisma e coloca sua bagagem com papéis de comédia para jogo. Suas falas têm seriedade, mas ainda se afirmam em notas espirituosas e brincalhonas. É esse movimento que faz com que a ausência da personagem no meio do filme não pese e a presença seja algo sem necessidade de materialização, como se o cuidado de Vi com Ada fosse ubíquo. </span></p>
<figure id="attachment_29925" aria-describedby="caption-attachment-29925" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29925" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-2.jpg" alt="Cena do filme Sra. Harris Vai a Paris. Na imagem, Ada e Vi estão sentadas à mesa de mãos dadas. Vi é uma mulher negra de cabelos pretos e Ada é branca de cabelos loiros. As duas vestem vestidos floridos e usam lenços nas cabeças." width="1600" height="755" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-2-800x378.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-2-1024x483.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-2-768x362.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-2-1536x725.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-2-1200x566.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29925" class="wp-caption-text">’Desperdicei muito tempo sozinha, sonhando acordada. Não faça o mesmo.’ (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a preparação para a viagem a </span><a href="https://personaunesp.com.br/emily-em-paris-critica/"><span style="font-weight: 400;">Paris</span></a><span style="font-weight: 400;"> até o momento em que esta finalmente é consolidada, a questão da estrutura social começa a aparecer com mais força. As dificuldades financeiras de Ada e o suor empenhado para juntar o valor necessário para o deslocamento e a compra do vestido mostram a trabalhadora em um embate com políticas de trabalho não afirmadas em contrato, jornadas exorbitantes e pouca remuneração, características do cenário inglês. Essa inserção é feita de forma discreta, mas serve de introdução para os acontecimentos em terras francesas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao chegar no desfile Dior, que tanto batalhou para conseguir, as ruínas da sociedade elitista do continente europeu voltam a mostrar as caras e derrubar seus entulhos sobre a cabeça da Sra. Harris. Uma das primeiras interações da personagem com a funcionária da Casa Dior, Claudine Colbert (Isabelle Huppert), é carregada de preconceito e propaga a ideia de que a </span><a href="https://personaunesp.com.br/cruella-critica/"><span style="font-weight: 400;">alta costura</span></a><span style="font-weight: 400;"> é feita para os ricos de berço. O tom excludente dá espaço para que um cavalheiro abra as portas da gentileza e o Marquis de Chassagne (Lambert Wilson) nos seja apresentado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos grandes acertos de </span><a href="https://www.townandcountrymag.com/leisure/arts-and-culture/a40619178/mrs-harris-goes-to-paris-true-story/#:~:text=Christian%20Dior%20(played%20by%20Phillippe,Dior's%20muses%2C%E2%80%9D%20Fabian%20explains."><i><span style="font-weight: 400;">Mrs. Harris Goes to Paris</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – nome original da obra – é não escolher que seus personagens sejam puramente bons ou maus. A construção caminha por uma trajetória de pessoas multifacetadas, capazes de carregar aspectos duais. Assim, o Marquis logo menos demonstra suas falhas e os estigmas que mantém em seu ideal, enquanto Claudine também tem sua fragilidade e humildade esmiuçadas. </span></p>
<figure id="attachment_29928" aria-describedby="caption-attachment-29928" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29928" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-2.jpg" alt="Cena do filme Sra. Harris Vai a Paris. Na imagem estão as personagens Madame Corbelt e Marguerite. A primeira é uma mulher branca de cabelos castanhos claros. Marguerite é uma mulher branca de cabelos ruivos. As duas vestem conjuntos pretos de blazer e saia." width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-2-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29928" class="wp-caption-text">De acordo com o diretor, Madame Corbelt é inspirada em Mizza Bricard (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as desavenças e obstaculos separando a Sra. Harris de seu sonho, a fotografia nos leva a uma viagem a um outro aspecto de Paris: a greve trabalhista. Os enfoques dos ângulos e câmeras comandados por </span><a href="https://www.felixwiedemann.com/"><span style="font-weight: 400;">Felix Wiedemann</span></a><span style="font-weight: 400;"> são delicados e faceiros, nos transportando para o caimento impecável das peças da Dior, mas também mostrando a situação das ruas cheias de lixo diante da paralisação dos lixeiros. A cada pequeno salto temporal, a capital tem sua bela arquitetura inundada por sacos e mais sacos de lixo, filmados de forma sutil sem passar despercebidos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O entrelace das cenas até o acontecimento que quase faz com que a Casa Dior decrete falência tem muito do protagonismo dos trabalhadores e de como a mudança do mercado e o foco da indústria são projetados até se desvincularem da exclusividade para abordarem a ideia de globalização. Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sra. Harris</span></i><span style="font-weight: 400;"> expõe como até mesmo o criador do </span><a href="https://br.fashionnetwork.com/news/Como-nasceu-o-new-look-criado-por-christian-dior-,740845.html"><i><span style="font-weight: 400;">New Look</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">precisou de seus trabalhadores para manter seu império e se consolidar como uma das maiores grifes do mundo da moda. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E falando de </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/lifestyle/style/mrs-harris-goes-to-paris-costume-design-dior-1235180436/"><span style="font-weight: 400;">Christian Dior</span></a><span style="font-weight: 400;">, é preciso destacar a escolha de Philippe Bertin para encarnar o estilista. Além da atuação austera bastante conveniente para a ocasião, a aparência do ator conseguiu se aproximar de forma certeira à inspiração. Em suas pequenas, mas marcantes aparições, temos o designer de moda representado praticamente em pele e osso nos </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29924" aria-describedby="caption-attachment-29924" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29924" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-5-2.jpg" alt="Cena do filme Sra. Harris Vai a Paris. Na imagem, estão os personagens Ada, Natasha e André sentados à mesa jantando. André é um homem branco de cabelos loiros escuros, ele veste um terno amarronzado e usa um par de óculos. Natasha é uma mulher branca de cabelos castanhos claros, ela veste uma blusa sem mangas de tom azul pálido e está com um rabo de cavalo. Ada é uma mulher branca de cabelos loiros.]" width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-5-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-5-2-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-5-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-5-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-5-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-5-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29924" class="wp-caption-text">O filme se passa no ano de 1957, o mesmo da morte do estilista Christian Dior (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de dizer muito em entrelinhas, a produção cinematográfica dirigida por Anthony Fabian continua sendo uma comédia dramática e é marcada pela atmosfera de </span><a href="https://personaunesp.com.br/pinoquio-guillermo-del-toro-critica/"><span style="font-weight: 400;">contos de fadas</span></a><span style="font-weight: 400;">. O que não é ruim, mas acaba fazendo certas conclusões ficarem em segundo plano e deixa a ideia de que simpatia e esforço levam as pessoas para onde quiserem. Dessa forma, a narrativa fica apegada às cores vibrantes dos universos utópicos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, os pedaços românticos alimentam o </span><a href="https://personaunesp.com.br/emily-em-paris-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">cenário parisiense</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os amores iluminados pela cidade luz. Ver Natasha (Alba Baptista) e André (Lucas Bravo) se apaixonando deixa aquela sensação mágica passeando pelas ruas e, mesmo com a sujeira, as estradas garantem a presença do brilho dos jovens amantes. Além de um par romântico adorável, os dois são uma marca da autonomia e liberdade individual, já que suas escolhas partem para as prioridades pessoais de cada um de forma singular. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para completar os tons fantasiosos, a cereja do bolo fica com a produção e reprodução de </span><a href="https://personaunesp.com.br/casa-gucci-critica/"><span style="font-weight: 400;">peças</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Dior realizadas pela figurinista Jenny Beavan. Os bordados, os movimentos das vestimentas e o impacto do brilho são todos feitos a perfeição, criando cenas de encher os olhos. Cada modelo é impecável e capaz de fazer com que quem assiste se sinta em um universo de princesas fabulosas. </span></p>
<figure id="attachment_29926" aria-describedby="caption-attachment-29926" style="width: 775px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29926" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-6-1.jpg" alt="Cena do filme Sra. Harris Vai a Paris. Na imagem, a personagem Natasha está desfilando com um vestido Dior. Ela é uma mulher branca de cabelos castanhos claros presos em um coque penteado. O vestido é vermelho longo com saia princesa, todo o corpo é bordado e ornamentado com brilho, ainda há uma manga removível, duas luvas pretas e um colar. Ao fundo os figurantes batem palma para o vestuário." width="775" height="517" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-6-1.jpg 775w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-6-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29926" class="wp-caption-text">A produção de Sra. Harris Vai a Paris teve um orçamento total de US$ 13 milhões (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a beleza das peças da produção não passaram despercebidas e, no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2023, o filme concorre na categoria de Melhor Figurino. Beavan está no páreo com Mary Zophres por </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i><span style="font-weight: 400;">, Ruth E. Carter por </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantera Negra: Wakanda Para Sempr</span></i><span style="font-weight: 400;">e, Catherine Martin por</span><i><span style="font-weight: 400;"> Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> e Shirley Kurata por </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mrs. Harris Goes to Paris </span></i><span style="font-weight: 400;">foi contemplado em 2022 no </span><i><span style="font-weight: 400;">British Independent Film Award </span></i><span style="font-weight: 400;">por Melhor Figurino e chegou a fazer parte dos indicados ao </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2023 na mesma categoria. Leslie Manville apareceu nas categorias de atuação das premiações deste ano, estando entre as indicadas ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> 2023 como Melhor Atriz em Filme Comédia ou Musical. Mas o destaque da produção fica com os figurinos, enquanto a maioria das categorias principais não destacaram os trabalhos de atuação, direção ou roteiro aplicados na releitura do original de 1992, intitulado</span><i><span style="font-weight: 400;"> Um Sonho em Paris</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como não poderia ser diferente, Ada ganha seu felizes para sempre com um lindo vestido Dior e seus sonhos mais vivos do que nunca. O que faz da obra, inspirada no livro homônimo de </span><a href="https://www.amazon.com.br/Harris-Goes-Paris-York-English-ebook/dp/B0BF4P7FJ9/ref=sr_1_1?qid=1677108736&amp;refinements=p_27%3APaul+Gallico&amp;s=books&amp;sr=1-1"><span style="font-weight: 400;">Paul Gallico</span></a><span style="font-weight: 400;">, tão especial é a forma com a qual sonhar não é apenas um verbo, mas um ato de resistência. Apesar de distante do real, o filme é esperançoso e torna a vontade de reviver a criança dentro de nós uma visita frequente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inundado pelo brilho da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3HR-rz8SaAk"><span style="font-weight: 400;">moda</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Sra. Harris Vai a Paris</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos deixa lições valiosas e uma história cheia de temáticas importantes envolvidas em uma aventura simpática. Seja no amor na terceira idade, na luta pelos direitos trabalhistas ou na prova de uma roupa extravagante, vale a pena dar uma chance para essa senhora apaixonante e aproveitar para vislumbrar os encantamentos oferecidos por Christian Dior. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Sra.Harris vai a Paris - Trailer 1 Oficial - Somente nos Cinemas" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/rwskvHhrO7c?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Os batimentos da mudança movem Corações Gentis</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Oct 2022 17:14:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori É possível que um sentimento de surpresa arrebate um espectador desavisado ao descobrir que Corações Gentis (2022), representante belga na Perspectiva Internacional da 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, é um documentário. Essa surpresa, no entanto, está longe de afastar o gênero do longa-metragem dirigido pela dupla de cineastas Olivia Rochette &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/coracoes-gentis-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os batimentos da mudança movem Corações Gentis"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29026" aria-describedby="caption-attachment-29026" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29026" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00001.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00001.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00001-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00001-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00001-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00001-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00001-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29026" class="wp-caption-text">Vencedor na seção Generation 14plus do Festival Internacional de Cinema de Berlim, Corações Gentis encanta as telas brasileiras na Perspectiva Internacional da 46ª Mostra (Foto: Accattone Films)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É possível que um sentimento de surpresa arrebate um espectador desavisado ao descobrir que </span><a href="https://46.mostra.org/filmes/coracoes-gentis"><i><span style="font-weight: 400;">Corações Gentis</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2022)</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> representante belga na Perspectiva Internacional da 46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema de São Paulo, é um documentário. Essa surpresa, no entanto, está longe de afastar o gênero do longa-metragem dirigido pela dupla de cineastas Olivia Rochette e Gerard-Jan Claes. Nesse híbrido de sensibilidades ficcionais e documentais, o casal de jovens adultos Billie Meeussen e Lucas Roefmans são retratados à beira de transformações em suas aspirações pessoais, com uma emoção vertiginosa e delicada — um típico frio na barriga adolescente — acerca das expectativas sobre o futuro e suas incertezas.</span></p>
<p><span id="more-29018"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Filmado na cidade de Bruxelas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Kind Hearts </span></i><span style="font-weight: 400;">—</span> <span style="font-weight: 400;">título original da produção europeia —  se inicia com uma câmera que passeia pelas pessoas em uma montanha russa de um parque de diversões. Em um olhar inicial, é como se todos ali tivessem a possibilidade de serem retratados, e que a própria prática cinematográfica participasse do jogo da sorte que é a vida. Até que o aparelho, imperceptível e engrandecedor da </span><a href="http://ubiquarian.net/2022/02/olivia-rochette-gerard-jan-claes-documentaries-form-fiction/"><span style="font-weight: 400;">máscara ficcional</span></a><span style="font-weight: 400;"> do documentário, </span><span style="font-weight: 400;"> se </span><span style="font-weight: 400;">fixa no casal que, logo em outra cena, se depara com questões típicas de romances em formação. A iminência do amadurecimento é uma faca de dois gumes para os dois: ao mesmo tempo que são receosos acerca do que pode mudar, levam em conta abrir mão do que possa se tornar corriqueiro — como seu namoro —, em prol de novas emoções capazes de florescer.</span></p>
<figure id="attachment_29028" aria-describedby="caption-attachment-29028" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29028" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00002.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00002.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00002-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00002-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00002-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00002-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00002-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29028" class="wp-caption-text">A produção representa uma transição do tema do primeiro amor, tão representado em séries de TV e nos filmes, para o terreno documental (Foto: Accattone Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da representação documental, Billie e Lucas são também intérpretes de si mesmos, uma vez que reencenam momentos próprios de sua intimidade. Nisso, o ‘docudrama’ desvia de uma tendência de </span><i><span style="font-weight: 400;">voyeurismo </span></i><span style="font-weight: 400;">da relação para uma perspectiva honesta que se volta à concretude desse namoro; tanto que o que movimenta o encadeamento das cenas são os </span><a href="https://sabzian.be/text/love-speaks#:~:text=You%20often%20make,is%20very%20visible."><span style="font-weight: 400;">sinceros encontros</span></a><span style="font-weight: 400;"> desses pré-adultos com seus amigos e familiares. O que acaba por se montar, nesse terreno ambíguo entre </span><i><span style="font-weight: 400;">ser </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">encenar</span></i><span style="font-weight: 400;">, é a noção do afeto e da narrativa enquanto uma </span><a href="https://avilafilm.be/en/distribution/film/kind-hearts"><span style="font-weight: 400;">construção mútua</span></a><span style="font-weight: 400;">; em que, no momento em que não há cuidado e vontade, não há amor. Assim como não há filme.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa postura contemplativa compõe um virtuoso desenvolvimento em que as reflexões de cada personagem dão lugar a um retrato fiel dos fatos oriundos e sublimes do primeiro amor.  É como se Lucas, compondo suas batidas descritas como </span><i><span style="font-weight: 400;">emotional summer tunes</span></i><span style="font-weight: 400;">, e Billie, com suas pretensões dentro da universidade, se revelassem muito mais pelos laços que nutrem uns com os outros do que por reflexões de si mesmos perante as lentes de Rochette e Claes. De certa maneira, esse tom quase que pessoal demais de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Kind Hearts </span></i><span style="font-weight: 400;">retira dos acontecimentos cotidianos uma beleza singela que remonta à destreza dos diálogos dos verões de </span><a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/rodrigo-lemos-pala-walsh-rohmer-coloquios/"><span style="font-weight: 400;">Eric Rohmer</span></a><span style="font-weight: 400;"> e dos encontros em cafés do Cinema de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-mulher-que-fugiu-critica/"><span style="font-weight: 400;">Hong Sang-Soo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Contudo, a ternura aqui está na realidade dessa paixão, em não conseguir colocar em palavras exatas o que se sente e o que se quer. Assim, quem assiste se insere nessa postura de </span><a href="https://www.screendaily.com/reviews/kind-hearts-berlin-review/5167936.article"><span style="font-weight: 400;">mera testemunha do sentimento.</span></a></p>
<figure id="attachment_29030" aria-describedby="caption-attachment-29030" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29030" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00006.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00006.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00006-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00006-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00006-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00006-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00006-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29030" class="wp-caption-text">Disponibilizado na plataforma online do Sesc, Corações Gentis retrata até mesmo o isolamento pela pandemia da Covid-19 na Bélgica (Foto: Accattone Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um dos momentos de mais drástico contato entre realidade e ficção, o casal e alguns amigos assistem a um filme em que namorados tiram suas roupas para dar um mergulho. São emblemáticos seus olhares: conseguem propor uma intimidade e uma sensualidade tão sutil que nem faz necessidade de ser abarcada novamente na narrativa. No entanto, acima de tudo, a cena é premonitória do que essencialmente enfrentam nessa trajetória que, por  puro acaso, é filmada e colocada dentro do Cinema. Em uma </span><a href="https://businessdoceurope.com/berlinale-review-kind-hearts-by-olivia-rochette-gerard-jan-claes/"><span style="font-weight: 400;">conversa sensível</span></a><span style="font-weight: 400;"> com seu próprio tempo — com direito a mensagens de texto, videochamadas e redes sociais — </span><a href="https://www.berlinale.de/en/archive-selection/archive-2022/programme/detail/202203024.html"><i><span style="font-weight: 400;">Corações Gentis</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">sabe trazer os gestos luminosos da afetividade em um documentário que desloca a temática da evolução, do amor e da efervescência da paixão para o mergulho nas águas frias, porém cheias de descobertas, da vida adulta. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Kind Hearts (Olivia Rochette &amp; Gerard-Jan Claes, 2022)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/zhXZ4Kg5BGM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em nome de Verhoeven, todos bebem do sangue de Benedetta</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Apr 2022 18:55:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ayra Mori Intocável, a figura da freira se tornou fonte de lascivas fantasias. Cobertas pelo mistério do tecido negro de seus hábitos, enclausuradas pela solidez das paredes de pedra e tomadas pela devoção santificada por Jesus, desde a origem da Igreja Católica como organização, a silhueta inconfundível das noivas de Cristo corporificou-se, do espírito à &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/benedetta-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em nome de Verhoeven, todos bebem do sangue de Benedetta"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27355" aria-describedby="caption-attachment-27355" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27355" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img1.png" alt="Cena do filme Benedetta. Nela, está o rosto de Benedetta aproximado. Benedetta é uma freira adulta branca. Ela veste um hábito. Seus olhos e boca estão fechados. No olho esquerdo, um polegar passa água benta por cima. O polegar é de uma pessoa branca. O olho direito também está umedecido pela água." width="1920" height="797" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img1-800x332.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img1-1024x425.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img1-768x319.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img1-1536x638.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img1-1200x498.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27355" class="wp-caption-text">De santa imaculada à iconografia sexual, Benedetta é a falsa heroína do drama controverso de Paul Verhoeven, que após sua estreia mundial em Cannes 2021 inflamou <a href="https://twitter.com/TheNYFF/status/1442193742396465155?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1442193742396465155%7Ctwgr%5E%7Ctwcon%5Es1_&amp;ref_url=https%3A%2F%2Fmag.sapo.pt%2Fassets%2Fstatic%2Ftwitter_embed.html%3Furl%3Dhttps%3A%2F%2Ftwitter.com%2FTheNYFF%2Fstatus%2F1442193742396465155">protestos</a> pela crítica conservadora (Foto: SBS Productions)</figcaption></figure>
<p><b>Ayra Mori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Intocável, a figura da freira se tornou fonte de lascivas fantasias. Cobertas pelo mistério do tecido negro de seus hábitos, enclausuradas pela solidez das paredes de pedra e tomadas pela devoção santificada por Jesus, desde a origem da Igreja Católica como organização, a silhueta inconfundível das noivas de Cristo corporificou-se, do espírito à carne, contra o olhar. Desse olhar reprimido emergiu uma miríade de representações cuja maior tentação se debruça no magnetismo feminino oculto dentro de um convento. No retorno de </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=Paul+Verhoeven"><span style="font-weight: 400;">Paul Verhoeven</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2021/07/09/cineasta-paul-verhoeven-volta-a-cannes-com-historia-de-freiras-lesbicas.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Cannes </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, o drama semi-biográfico </span><i><span style="font-weight: 400;">Benedetta</span></i><span style="font-weight: 400;"> tateia o subgênero, revelando, por trás do protagonismo progressivo das mulheres enquadradas em cena, um agressivo observador – masculino.</span></p>
<p><span id="more-27354"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na Sétima Arte, o subgênero se popularizou em particular nas décadas de 1970 e 1980, passando a ser identificado como </span><a href="https://mubi.com/notebook/posts/the-deuce-notebook-sister-acts"><i><span style="font-weight: 400;">nunsploitation</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Despertado pela obra-prima ainda censurada do diretor Ken Russell, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Demônios</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">The Devils</span></i><span style="font-weight: 400;">), assim como as demais ramificações do Cinema Apelativo (ou </span><a href="https://judao.com.br/explorando-o-exploitation/"><i><span style="font-weight: 400;">exploitation</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), o tropo dos subgêneros de freiras desmascara a corrupção dos valores morais difundido pelo conservadorismo da sociedade tradicional, aqui, especialmente da Igreja Católica. Nele, a espetacularização da violência é levada ao máximo, com direito a nudez excessiva, mutilação revelada, homoerotismo e, bem, sexo.</span></p>
<figure id="attachment_27356" aria-describedby="caption-attachment-27356" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27356" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img2.png" alt="Cena do filme Benedetta. Nela, está uma parede de pedra cinza com um furo redondo no centro da imagem. Do outro lado da parede, está o olho da Abadessa Felicitá, uma freira branca de meia idade. Só é possível ver o olho verde da mulher. Na frente da parede, a parte de um aparador de madeira aparece na cena e, acima dele, um objeto metálico cilíndrico com detalhes nas laterais. A cena é escura, iluminada por uma luz alaranjada refletida nas texturas irregulares da parede e no metal do objeto." width="1920" height="803" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img2-800x335.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img2-1024x428.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img2-768x321.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img2-1536x642.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img2-1200x502.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27356" class="wp-caption-text">Para Verhoeven, o roteiro adaptado a partir de um livro escrito por uma mulher e a operação de mulheres em cargos de direção de fotografia, direção de arte e direção-assistente, seria o suficiente para impedir um olhar masculino fetichista sobre as cenas de sexo (Foto: SBS Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Despido de qualquer moralismo simulado, a violência posta em cena nesses filmes esteve intimamente vinculada com o </span><a href="https://periodicos.uff.br/cantareira/article/view/44237"><span style="font-weight: 400;">contexto do período</span></a><span style="font-weight: 400;">: a ascensão da contracultura concomitante à uma atmosfera selvagem dos conflitos urbanos. E em reação as forças disciplinadoras do “civilizador” branco, cristão e heterossexual, o subgênero marginal transgrediu o “</span><a href="https://maugosto.medium.com/no-escurinho-do-cinema-a-l%C3%ADngua-do-desejo-c39fa613f7d1"><span style="font-weight: 400;">bom gosto</span></a><span style="font-weight: 400;">” da indústria cinematográfica estadunidense hegemônica, pondo o sexo em posição central da trama, à semelhança de toda a filmografia do holandês Paul Verhoeven. O sexo não como ferramenta narrativa simplesmente utilitária, mas como uma linguagem simbólica autodeterminante na crítica de estruturas problemáticas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem acompanha o universo cinematográfico de Verhoeven, fica bastante evidente o apelo do cineasta sobre o subgênero. Dos filmes holandeses do início da carreira até a rejeição de seu Cinema em Hollywood, ele sempre pregou afincadamente sexo com poder. Compreendendo a hipocrisia </span><a href="https://bloodknife.com/everyone-beautiful-no-one-horny/"><span style="font-weight: 400;">puritana</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos grandes estúdios norte-americanos, a direção de Verhoeven exacerbou a violência em níveis brutais – a agressividade da força policial em </span><i><span style="font-weight: 400;">RoboCop: O Policial do Futuro</span></i><span style="font-weight: 400;">; o erotismo sadomasoquista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Instinto Selvagem</span></i><span style="font-weight: 400;">; o hiperbolismo </span><i><span style="font-weight: 400;">camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> do magnífico </span><a href="https://personaunesp.com.br/showgirls-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Showgirls</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; a sátira belicista mal interpretada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Tropas Estelares</span></i><span style="font-weight: 400;">; e o trauma intragável de </span><a href="https://valkirias.com.br/elle/"><i><span style="font-weight: 400;">Elle</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, são exemplos do porquê Verhoeven e </span><i><span style="font-weight: 400;">nunsploitation </span></i><span style="font-weight: 400;">pareceu ser o casamento perfeito.</span></p>
<figure id="attachment_27357" aria-describedby="caption-attachment-27357" style="width: 640px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27357 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img3-640x1024.jpg" alt="Capa do livro Immodest Acts: The Life of a Lesbian Nun in Renaissance Italy, versão original de Atos Impuros: A Vida de Uma Freira Lésbica na Itália da Renascença. No centro da imagem, está um recorte de uma gravura e o fundo restante da imagem está em um tom de ocre. Nela, está a figura de duas freiras brancas. A primeira, está rezando com os olhos abertos e mãos unidas em sinal de oração. A segunda, está por trás da primeira, encarando-a, com uma mão esquerda apalpando um dos seios da outra mulher e a mão direita acima do ombro da outra mulher. Ambas vestem um hábito com tecidos branco e preto, de cima para baixo. O véu delas é coberto por um tecido acinzentado e translúcido. Ao lado das duas está o recorte de duas figuras irreconhecíveis. A figura da esquerda mostra parte de um corpo vestido de um tecido azul marinho e azul com bolinhas, de cima para baixo. A figura da direita mostra parte de um corpo vestido de um tecido branco. O fundo da gravura é um azul turquesa desbotado, com parte de uma árvore aparecendo. A gravura apresenta marcas do tempo como trincas, texturas irregulares e pontos desbotados. Nas laterais da gravura estão dois retângulos estampados por desenho florido nas cores laranja, verde e preto. Na parte superior da capa está o título do livro em fonte serifada preta e caixa alta. A palavra “Acts” é ornada por detalhes floridos em preto. Na parte inferior da capa é possível ler o subtítulo do livro, também em fonte serifada preta. E abaixo, por último, está o nome da autora Judith C. Brown, em caixa alta, na mesma fonte das demais." width="640" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img3-640x1024.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img3-500x800.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img3-768x1229.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img3.jpg 850w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27357" class="wp-caption-text">Capa da edição original de Atos Impuros: A Vida de Uma Freira Lésbica na Itália da Renascença, que serviu de referência para a adaptação cinematográfica de Verhoeven sobre a história real de Benedetta Carlini (Foto: Oxford University Press)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Benedetta </span></i><span style="font-weight: 400;">foi baseado na história real de uma freira italiana do século XVII, cuja vida foi documentada detalhadamente pela historiadora da Universidade de Stanford, </span><a href="https://www.nytimes.com/1986/01/19/books/divine-visions-diabolical-obsessions.html"><span style="font-weight: 400;">Judith C. Brown</span></a><span style="font-weight: 400;">, no livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Atos Impuros: A Vida de Uma Freira Lésbica na Itália da Renascença</span></i><span style="font-weight: 400;">. Publicado em 1986, o livro reuniu as transcrições do primeiro caso de lesbianismo registrado pela Igreja entre duas irmãs: Benedetta Carlini (Virginie Efira), uma jovem freira em ascensão que posteriormente tornou-se abadessa de seu convento na Pescia, em Toscana, e Bartolomea (Daphne Patakia), uma noviça incubada de acompanhar a primeira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascida de uma família abastada, Benedetta ingressou na vida beata aos nove anos de idade sem grandes determinações, exceto pelo seu dom espiritual – a habilidade de ter visões sobrenaturais com Cristo. Exatamente o tipo de visões extáticas descritas um século antes por </span><a href="https://www.ihu.unisinos.br/591974"><span style="font-weight: 400;">Santa Teresa D’Ávila</span></a><span style="font-weight: 400;">, freira carmelita e exemplo máximo do poder erótico da extrema religiosidade feminina. Episódios de imensa agonia, contudo, foram descritos pela santa com forte caráter sexual.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Eu vi em sua mão uma longa lança de ouro cuja ponta parecia ser um pequeno fogo. Ele parecia penetrá-la várias vezes no meu coração e perfurar minhas entranhas; (&#8230;) deixando-me em fogo, com um grande amor em Deus. A dor era tão grande, que me fez gemer, e ainda assim foi superando a doçura desta dor excessiva, eu não pude querer livrar-me dela.</span><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
</blockquote>
<figure id="attachment_27358" aria-describedby="caption-attachment-27358" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27358" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img4.png" alt="Cena do filme Benedetta. Nela, está a imagem de uma ferida aberta ampliada por um objeto de vidro com um líquido translúcido amarelado. A ferida mostra um corte transversal de uma pele, revelando parte da carne, ensanguentada. À esquerda, está um tecido cobrindo a pele. À direita, a pele está relevada com manchas de sangue ainda fresco." width="1920" height="797" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img4.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img4-800x332.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img4-1024x425.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img4-768x319.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img4-1536x638.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img4-1200x498.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27358" class="wp-caption-text">Além da revelação de visões místicas, Benedetta também exibiu sinais de estigmas – as feridas de Jesus Cristo crucificado (Foto: SBS Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E similar à </span><a href="https://proximarte.com/2021/10/12/o-extase-de-santa-teresa-de-gian-lorenzo-bernini/"><span style="font-weight: 400;">figura barroca</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma Santa Teresa desfalecida, as revelações místicas de Benedetta também lhe permitiram transgredir as restrições sociais de seu tempo. Quando em transe, suas visões eram embelezadas por teatralidade, sadomasoquismo e paixão. Possuída por uma divindade masculina, amar outra mulher não seria profano, pois assim era a vontade sagrada. Ela não podia responder por algo que, segundo ela, não estava consciente. Dessa maneira, enganando aos demais e a si mesma, a sexualidade de Benedetta esteve intimamente arraigada com o imaginário criado por ela, dando licença para que ela não somente amasse Bartolomea, mas que, em retrospecto, fosse igualmente amada, </span><a href="https://personaunesp.com.br/senhoritas-em-uniforme-90-anos/"><span style="font-weight: 400;">livre de culpas</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Quando eu punha a mão ali, era como se um punhal a ferisse (&#8230;) e com a minha mão ali, ela parecia agitar-se menos. (&#8230;) Às vezes ela me chamava duas vezes numa noite (&#8230;) e dizia ‘Segure-me, ajude-me’ (&#8230;) logo que eu a escutava, eu colocava a mão no coração dela e a acalmava. (&#8230;) E quando Ele pôs (o coração) dentro dela, eu comecei a ver que a carne se levantava e se movia devagar, bem devagar (&#8230;) eu o toquei e parecia tão grande e tão quente que minha mão não pôde suportar.</span><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas Verhoeven não é um romântico e sua natureza é </span><a href="https://www.apaladewalsh.com/2016/04/paul-verhoeven-e-a-critica-espectacular-do-espectaculo/"><span style="font-weight: 400;">escandalosa</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em nome da interpretação realista dos fatos históricos, somada à estimulação dos excessos comum do cineasta, a versão cinematográfica de </span><i><span style="font-weight: 400;">Benedetta </span></i><span style="font-weight: 400;">permite se guiar pelas torções fantasiosas do desejo blasfemo das duas freiras, </span><span style="font-weight: 400;">sem nunca reivindicar inteiramente o potencial erótico como possibilidade revolucionária da desobediência das amantes.</span></p>
<figure id="attachment_27359" aria-describedby="caption-attachment-27359" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27359" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img5.png" alt="Cena do filme Benedetta. Nela, está Benedetta na frente e Bartolomea atrás, a segunda, mexendo no seio da primeira por trás de um véu translúcido azulado que as divide. Ambas estão deitadas na cama, divididas por esse véu. Benedetta é uma mulher adulta branca de cabelos loiros compridos. Seu rosto está voltado para cima, com os olhos fechados, boca aberta e um seio revelado. Bartolomea é uma mulher adulta branca de cabelos castanhos compridos. Ela olha Benedetta enquanto põe uma de suas mãos sobre o seio revelado de Benedetta. Ambas vestem uma camisola branca. O tecido das roupas de cama são brancas. A cena é durante a noite escura. A luz passa pelo véu que divide as duas mulheres." width="1920" height="801" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img5.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img5-800x334.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img5-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img5-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img5-1536x641.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img5-1200x501.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27359" class="wp-caption-text">Sobre o <a href="https://oglobo.globo.com/cultura/a-franca-perdeu-barco-do-metoo-diz-atriz-adele-haenel-24299546">pretexto desonesto</a> de que na França o puritanismo age diferente de Hollywood, o diretor afirmou não contar com um coordenador de intimidade no set de filmagens, no qual as atrizes Virginie Efira e Daphne Patakia foram as responsáveis por assumir a dianteira (Foto: SBS Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inserido no interior de uma sociedade matriarcal, longe da domesticidade compulsória da heterossexualidade, </span><i><span style="font-weight: 400;">Benedetta </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma história fundamentalmente feminina. As personagens, mulheres, enclausuradas pela repressão do convento, não conhecem nada além do feminino. Como um boneco crucificado, Jesus é uma figura andrógina, assexuada. No entanto, há um silencioso duelo entre a irmandade comunitária e o poder patriarcal. As manifestações sobrenaturais de Benedetta sinalizavam uma perigosa ameaça à </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-59750393#:~:text=O%20problema%20%C3%A9%20o%20clericalismo%2C%20utilizar%20a%20superioridade%20em%20raz%C3%A3o%20do%20cargo.%20Muitas%20vezes%20isso%20impede%20as%20den%C3%BAncias.%20Esse%20clericalismo%20foi%20incorporado%20por%20tantas%20mulheres%20que%20s%C3%A3o%20madres%20superioras%20ou%20que%20t%C3%AAm%20fun%C3%A7%C3%B5es%20de%20poder.%20N%C3%A3o%20%C3%A9%20tanto%20uma%20quest%C3%A3o%20de%20g%C3%AAnero%2C%20mas%20de%20hierarquia."><span style="font-weight: 400;">ortodoxia da Igreja Católica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Primeiro, porque existia uma hierarquia rigidamente vertical do poder eclesiástico; segundo, porque as mulheres eram sistematicamente consideradas o </span><a href="http://revistatempodeconquista.com.br/documents/RTC25/PEDROGOMESERACHELPENTEADO.pdf"><span style="font-weight: 400;">sexo mais fraco</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, como poderia Deus se comunicar com uma mulher e não com um homem? Era Benedetta uma escolhida divina ou uma vítima de </span><a href="https://www.fflch.usp.br/638"><span style="font-weight: 400;">possessão demoníaca</span></a><span style="font-weight: 400;">? Seria uma freira capaz de diferenciar a fonte dessas visões? O resultado foi o início de um julgamento liderado por um grupo de homens da fé, responsáveis por determinar o destino de Benedetta, de santa venerada à pária farsante. A partir desta metade do filme, a crítica acima da instituição católica se agudiza. Proporcionalmente à Igreja, a falsa heroína entende que sua visão lhe concede poder e emancipação da autoridade eclesiástica – nem que isso sugerisse a mutilação de sua própria carne.</span></p>
<figure id="attachment_27360" aria-describedby="caption-attachment-27360" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27360" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img6.png" alt="Cena do filme Benedetta. Nela, está Felicitá, curvada com a mão sobre a boca que derrama sangue. Ela é uma freira branca de meia idade. Ela olha para o chão. No fundo da imagem está uma cama e uma parede totalmente na sombra. A imagem é escura e a mulher é refletida por uma contraluz." width="1920" height="803" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img6.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img6-800x335.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img6-1024x428.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img6-768x321.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img6-1536x642.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img6-1200x502.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27360" class="wp-caption-text">Charlotte Rampling também integrou o elenco de Benedetta com sua extraordinária interpretação, sedimentada pelas nuances sutis da atriz como Abadessa Felicitá (Foto: SBS Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme, a dor é instrumento de elevação de Benedetta que, quando criança, aprende que “</span><a href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1808-42812010000300005#:~:text=Primeiramente%2C%20a%20Igreja%20recomendou%20aos,que%20todo%20crist%C3%A3o%20deveria%20almejar."><i><span style="font-weight: 400;">o seu maior inimigo é o seu corpo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”. O corpo, como uma gaiola claustrofóbica na qual ela jamais deve se sentir confortável. Somente adulta, posteriormente à chegada de Bartolomea, um impulso desperta a castidade compulsória da freira. Diante de um objeto refletor, pela primeira vez, ela explora o próprio seio, em curiosidade. O mesmo seio que antes se espelhava em figuras não sexuais para ela – o seio do mármore leitoso de uma Virgem Maria esculpida; o seio de uma irmã freira acometida pelo câncer de mama; e o seio em lactação de uma mulher grávida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente dos protestos reacionários sobre a nudez excessiva das atrizes em tela, no filme, ela não é gratuita, apenas </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2021/11/4961797-nao-queria-causar-diz-diretor-de-filme-em-que-freiras-se-masturbam.html#:~:text=%22O%20que%20muitos%20veem%20como%20provoca%C3%A7%C3%A3o%20neste%20filme%20n%C3%A3o%20%C3%A9%20nada%20al%C3%A9m%20de%20eu%20tentando%20me%20manter%20pr%C3%B3ximo%20da%20realidade.%20E%20tendo%20respeito%20pelo%20passado%20%2D%20n%C3%B3s%20n%C3%A3o%20precisamos%20gostar%20do%20que%20fizemos%20ao%20longo%20da%20hist%C3%B3ria%2C%20mas%20n%C3%B3s%20n%C3%A3o%20devemos%20apagar%20nada%22"><span style="font-weight: 400;">cruelmente realista</span></a><span style="font-weight: 400;">. As cenas de sexo são duas: o despertar sexual de Benedetta com Bartolomea e a simulação de um instrumento erótico esculpido na estatueta de uma Virgem Maria. Não inseridos na lógica de trabalho, </span><a href="https://mulhernocinema.com/entrevistas/coordenadoras-de-intimidade-como-estas-profissionais-trabalham-nos-sets-da-era-metoo/"><span style="font-weight: 400;">segurança nos </span><i><span style="font-weight: 400;">sets</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de filmagem e validação da misoginia, a discussão acima do </span><a href="https://www.instagram.com/personaunesp/p/CTf99zgB72l/?utm_medium=copy_link"><span style="font-weight: 400;">sexo no audiovisual</span></a><span style="font-weight: 400;">, aqui, soa moralista e vazia. Para Verhoeven, o erotismo é grotesco, desagradável e excitante, permeando as ambivalências entre sagrado e profano, bem e mal, repressão e libertinagem, dor e prazer, indulgência e abnegação, religião e ciência.</span></p>
<figure id="attachment_27361" aria-describedby="caption-attachment-27361" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27361" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img7.png" alt="Cena do filme Benedetta. Nela, está Bartolomea deitada sobre Benedetta. Embaixo, Benedetta olha para cima com seus olhos e boca abertos. Ela é uma mulher adulta branca de cabelos loiros compridos, vestida por uma camisola branca. Sua mão segura a cabeça de Bartolomea que está sobre o seu corpo. Bartolomea encara a câmera, de boca fechada. Ela é uma mulher adulta branca de cabelos castanhos compridos. Nua, ela segura o braço de Benedetta. No fundo, está uma vela acesa e a estatueta de uma Virgem Maria. A imagem é escura, refletida pelo fogo da vela em chamas." width="1920" height="802" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img7.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img7-800x334.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img7-1024x428.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img7-768x321.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img7-1536x642.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img7-1200x501.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27361" class="wp-caption-text">A história real de Benedetta Carlini, condenada à prisão, é o relato mais completo entre os poucos casos de amor lésbico registrado pela Igreja Católica (Foto: SBS Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, ultrapassada a fronteira do carnal, Benedetta encontra, tanto no sexo, quanto na dor, a resposta de que se seu corpo é inimigo, seu corpo é também seu aparato. E aqui, o drama renascentista de Verhoeven ativa um odor putrefato. Particularmente em uma sequência questionável, ainda que não sexualizada, da punição de Bartolomea após ser acusada de sodomia, quem </span><a href="https://www.hollywoodinsider.com/final-girl-trope/"><span style="font-weight: 400;">coisifica o corpo das mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> em instrumento para a crítica de uma instituição falida, não são as personagens femininas, mas Paul Verhoeven, o cineasta holandês por trás do olho que tudo enxerga.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando aparenta transgredir as chagas das estruturas tradicionais, Verhoeven nunca chega até o fim. Sob o hábito de uma freira cheia de apetite, o cineasta gradativamente empalidece a autoexpressão das protagonistas quando converte seus corpos – </span><a href="https://garage.vice.com/en_us/article/pawmwk/revenge-review"><span style="font-weight: 400;">sobretudo, suas dores</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, em único meio para a emancipação monástica, feminina e </span><a href="https://valkirias.com.br/a-invisibilidade-lesbica-no-cinema/"><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mesmo com a ressignificação de um dos subgêneros mais misóginos do Cinema pelo relato verídico de Benedetta, o diretor reafirma involuntariamente o </span><i><span style="font-weight: 400;">voyeurismo </span></i><span style="font-weight: 400;">masculino que vislumbra a atrativa dupla negação entre a “</span><i><span style="font-weight: 400;">freira intocável</span></i><span style="font-weight: 400;">” e “</span><i><span style="font-weight: 400;">lésbica inalcançável</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Passados quase quatro séculos desde o julgamento abusivo de Benedetta Carlini, em 2021, Verhoeven faz com que, mais uma vez, todos bebam do sangue dela. Somente pelo sofrimento de seu corpo, inteiramente esgotado, se atinge a libertação, à sombra de uma justificativa que soa tão dissimulada quanto a corrupção clerical criticada por ele.</span></p>
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		<title>Annette é um conto de fadas turbulento</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Nov 2021 20:34:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caio Machado  O cinema de Leos Carax sempre teve uma relação íntima com a Música, indo da belíssima caminhada noturna ao som de David Bowie em Boy Meets Girl ao “intervalo” com uma impressionante versão instrumental de Let My Baby Ride em Holy Motors. Nesse sentido, Annette, novo trabalho do cineasta francês exibido na 45ª &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/annette-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Annette é um conto de fadas turbulento"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24518" aria-describedby="caption-attachment-24518" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24518" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/annette-1.jpg" alt="Cena do filme Annette. Vemos homens, mulheres e crianças parados na calçada de uma rua de Los Angeles. As que estão na frente estão ajoelhadas, olhando para cima. As pessoas no fundo estão em pé. Duas delas, uma mulher branca com cabelo loiro e uma mulher negra, conversam no canto superior esquerdo. " width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/annette-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/annette-1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/annette-1-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/annette-1-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24518" class="wp-caption-text">O musical liderado por Adam Driver e Marion Cotillard faz parte da Perspectiva Internacional da 45ª Mostra de Cinema de SP (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Caio Machado </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cinema de Leos Carax sempre teve uma relação íntima com a Música, indo da belíssima caminhada noturna ao som de David Bowie em </span><i><span style="font-weight: 400;">Boy Meets Girl </span></i><span style="font-weight: 400;">ao “intervalo” com uma impressionante versão instrumental de </span><i><span style="font-weight: 400;">Let My Baby Ride </span></i><span style="font-weight: 400;">em </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Motors.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Nesse sentido, </span><i><span style="font-weight: 400;">Annette</span></i><span style="font-weight: 400;">, novo trabalho do cineasta francês exibido na 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, extrapola esse laço com a Música de uma forma nada convencional. </span></p>
<p><span id="more-24524"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama ambientada na Los Angeles contemporânea, acompanhamos um casal formado por Henry (Adam Driver), um comediante de </span><i><span style="font-weight: 400;">stand-up</span></i><span style="font-weight: 400;"> provocador, e Ann (Marion Cotillard), uma cantora de ópera famosa mundialmente. Porém, o nascimento da filha do casal, a pequena Annette, e o aparecimento dos misteriosos dons da menina irão alterar para sempre a vida dos dois. </span></p>
<figure id="attachment_24525" aria-describedby="caption-attachment-24525" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24525" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/annette-4.jpg" alt="Cena do filme Annette. Vemos um casal parado em frente a paparazzis que tiram fotos. Ambos são brancos e estão próximos um do outro, prestes a se beijarem. A mulher tem cabelo ruivo comprido, nariz fino e está com um buquê de flores nas mãos. O homem tem cabelo preto na altura do ombro e está usando um capacete de moto com o visor levantado para olhar para a mulher. " width="1200" height="672" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/annette-4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/annette-4-800x448.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/annette-4-1024x573.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/annette-4-768x430.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24525" class="wp-caption-text">Rodeados pela fama, o casal parece viver uma vida perfeita (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Vencedor do prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Annette</span></i><span style="font-weight: 400;"> brinca com o Cinema logo em sua primeira cena. Por meio da música, a obra pede permissão, perguntando: </span><i><span style="font-weight: 400;">podemos começar o espetáculo?</span></i><span style="font-weight: 400;"> Então, a barreira que poderia existir entre o filme e o espectador é quebrada e somos sugados para dentro de um conto fantástico, sobre o amor de um homem que odeia a si mesmo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É um drama? Comédia? Difícil inserir a trajetória turbulenta de seu protagonista em alguma “caixinha”. Assim como nas músicas dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EOUsIYESOpM&amp;t=99s"><span style="font-weight: 400;">Sparks</span></a><span style="font-weight: 400;">, responsáveis pelo roteiro e trilha sonora, é algo único. Chama a atenção pela sua liberdade em transitar por diferentes tons, sem se apegar a nenhum. É uma montanha-russa que vai da bobagem absoluta, como nas apresentações de um Adam Driver irreconhecível de tão enorme, a uma sensibilidade profunda, como num momento em que Ann, sozinha em sua pequena mansão, desabafa sobre o passado e sua relação com o marido. </span></p>
<figure id="attachment_24519" aria-describedby="caption-attachment-24519" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24519" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/annette-3.jpg" alt="Cena do filme Annette exibe uma mulher branca olhando para um espelho enquanto está na piscina. Ela utiliza uma touca branca para cobrir o cabelo e um maiô vermelho. No degrau de madeira onde está apoiado o espelho, vemos uma maçã mordida, uma taça de vidro com água e uma garrafa d’água. " width="1000" height="568" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/annette-3.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/annette-3-800x454.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/annette-3-768x436.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24519" class="wp-caption-text">Longe dos holofotes, Ann se preocupa (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Leos Carax se aproveita desse clima caótico onde o filme se estabelece para fazer algumas experimentações com as imagens, funcionando como uma representação do declínio do protagonista. Conforme Henry desce por uma espiral de autodestruição, as imagens exibidas passam a se sobrepor com mais frequência, lotando a tela com seus pensamentos. Sua ansiedade diante do nascimento da filha é traduzida em um </span><i><span style="font-weight: 400;">time-lapse</span></i><span style="font-weight: 400;"> febril dele, inquieto na cama, numa cena com iluminação digna de filme de terror. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na atuação visceral de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=A95579xgxoQ"><span style="font-weight: 400;">Adam Driver</span></a><span style="font-weight: 400;">, seu comportamento se torna impulsivo ao ponto dele mesmo cantar sobre seu descontentamento. Nesse ponto, percebemos que, atrás dos excessos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Annette </span></i><span style="font-weight: 400;">é um exame peculiar dos sentimentos do homem branco, artista, tão inseguro e cheio de ódio que é incapaz de amar outra pessoa. Através das músicas, Henry é exposto em um julgamento excêntrico, repleto de acusações e olhares raivosos que termina em um dueto doloroso, de cortar o coração. Notamos, pesarosos, que o espetáculo, cheio de </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=di3mNRymKZg"><i><span style="font-weight: 400;">músicas, fúria e nenhum tabu</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">, é uma grande tragédia sobre como não lidar com nossas próprias inseguranças pode levar a um caminho solitário e desolador. </span></p>
<figure id="attachment_24520" aria-describedby="caption-attachment-24520" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24520" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/annette-2.jpg" alt="Cena do filme Annette. Vemos um homem branco, de cabelo preto na altura do ombro. Ele é iluminado por uma luz azul no lado direito do rosto e veste uma jaqueta de couro. Ao fundo, vemos várias silhuetas pretas paradas em meio a uma fumaça branca. " width="1280" height="692" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/annette-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/annette-2-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/annette-2-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/annette-2-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/annette-2-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24520" class="wp-caption-text">Em Annette, Adam Driver entrega uma das melhores atuações de sua carreira até aqui (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No final, o personagem principal ordena que paremos de observá-lo e o filme obedece, assim como o fez na primeira cena. O ciclo se fecha e somos obrigados a ver os créditos, atônitos pelo que acabamos de assistir. Só existe uma única certeza: gostando ou não, </span><i><span style="font-weight: 400;">Annette </span></i><span style="font-weight: 400;">consegue impactar tanto justamente por fugir do comum no gênero dos </span><a href="https://personaunesp.com.br/em-um-bairro-de-nova-york-critica/"><span style="font-weight: 400;">musicais</span></a><span style="font-weight: 400;">. É diferente, empolga, arrepia e emociona. São filmes assim que conseguem resistir à passagem do tempo e se tornam clássicos. Nesse caso, a obra de Leos Carax</span> <span style="font-weight: 400;">é forte candidata a se tornar um, no futuro. Tomara. Faria justiça a uma produção tão grandiosa. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="ANNETTE | Official Trailer | Now Streaming on MUBI" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/-Wx4svTwO-g?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O vencedor leva tudo em Bergman Island</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Oct 2021 04:43:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ayra Mori Foi na Sétima Arte que Ingmar Bergman convidou seus fantasmas mais obscuros para uma batalha taciturna de xadrez. Numa série de movimentos milimetricamente calculados, xeque, o cineasta sueco ultrapassou os limites entre o homem ordinário e o gênio do Cinema Moderno. Integrando a Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bergman-island-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O vencedor leva tudo em Bergman Island"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24293" aria-describedby="caption-attachment-24293" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24293" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem1-800x333.png" alt="Cena do filme Bergman Island. Na imagem estão Chris e Tony, em ordem. Chris, interpretada por Vicky Krieps, é uma mulher branca com cerca de 38 anos e cabelo cacheado castanho. Ela veste um suéter laranja queimado. Tony, interpretado por Tim Roth, é um homem branco com cerca de 60 anos e cabelo curto castanho claro. Ele veste uma blusa azul marinho. Ambos estão de perfil, olhando para uma janela. O fundo é uma parede branca de reboco simples." width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem1-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem1-1024x426.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem1-768x319.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem1-1536x639.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem1-1200x499.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem1.png 1650w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24293" class="wp-caption-text">Integrando a seleção da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Bergman Island teve sua estreia oficial no Festival de Cannes 2021 (Foto: IFC Films)</figcaption></figure>
<p><b>Ayra Mori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi na Sétima Arte que </span><a href="https://veja.abril.com.br/especiais/bergman-o-complicado-homem-para-alem-do-grande-cineasta/"><span style="font-weight: 400;">Ingmar Bergman</span></a><span style="font-weight: 400;"> convidou seus fantasmas mais obscuros para uma batalha taciturna de xadrez. Numa série de movimentos milimetricamente calculados, </span><i><span style="font-weight: 400;">xeque</span></i><span style="font-weight: 400;">, o cineasta sueco ultrapassou os limites entre o homem ordinário e o gênio do Cinema Moderno. Integrando a Perspectiva Internacional da 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, </span><a href="https://c7nema.net/artigos/item/105758-a-ilha-de-bergman-mia-hansen-love-livre-do-realismo.html"><span style="font-weight: 400;">Mia Hansen-Løve</span></a><span style="font-weight: 400;"> se aventura em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bergman Island</span></i><span style="font-weight: 400;">. E incubando-se da ingrata responsabilidade de homenagear tamanho legado, a diretora francesa vai para além de Bergman, refletindo acerca do amor, da desilusão e, principalmente, da recuperação artística.</span></p>
<p><span id="more-24272"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa toma espaço em </span><a href="https://oglobo.globo.com/boa-viagem/conheca-ilha-de-faro-refugio-inspiracao-de-igmar-bergman-22879880"><span style="font-weight: 400;">Fårö</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma ilha Báltica revelada a Bergman no decurso das filmagens de </span><i><span style="font-weight: 400;">Através de um Espelho</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde encontrou na paisagem idílica a materialização física de uma visão que sempre manteve consigo. Foi amor à primeira vista. Fårö tornou-se cenário de clássicos do cineasta, que vão desde</span> <i><span style="font-weight: 400;">A</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Paixão de Ana</span></i> <span style="font-weight: 400;">à </span><i><span style="font-weight: 400;">Cenas de um Casamento</span></i><span style="font-weight: 400;">, e nela, Bergman passou recluso os seus amargos últimos anos de vida.</span></p>
<figure id="attachment_24295" aria-describedby="caption-attachment-24295" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24295" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem2-800x332.png" alt="Cena do filme Bergman Island. Na imagem está Chris. Chris, interpretada por Vicky Krieps, é uma mulher branca com cerca de 38 anos e cabelo cacheado castanho. Ela está agachada tocando o mar enquanto olha para a câmera vestida de um maiô marrom. Ao fundo está o horizonte do oceano azul, o céu azul com nuvens brancas e a areia da ilha." width="800" height="332" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem2-800x332.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem2-1024x426.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem2-768x319.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem2-1536x638.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem2-1200x499.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem2.png 1718w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24295" class="wp-caption-text">Greta Gerwig, John Turturro e Owen Wilson foram alguns dos atores previamente escalados para os papéis principais do longa (Foto: IFC Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem surpresa, a ilha sueca se tornou retiro temático para cinéfilos. Lá, </span><span style="font-weight: 400;">Hansen-Løve introduz a narrativa com a chegada de um casal. Ambos cineastas, Tony (</span><span style="font-weight: 400;">Tim Roth) e </span><span style="font-weight: 400;">Chris (</span><span style="font-weight: 400;">Vicky Krieps)</span><span style="font-weight: 400;"> fixam-se em </span><span style="font-weight: 400;">Fårö, dando início à escrita de seus respectivos projetos futuros. Ele celebra os sucessos de sua estabelecida produção artística, reconhecida pelo público. Ela, através da experiência torturante que perpassa o processo criativo, luta contra a mediocridade do próprio roteiro. Assim, o casal lida com o impasse calado que navega por meio dos </span><a href="https://www.apaladewalsh.com/2021/10/mia-hansen-love-a-vocacao-tende-a-devorar-tudo/"><span style="font-weight: 400;">desalinhamentos profissionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> de cada um. Tudo sob a vastidão do azul deslumbrante do mar, a herança de Bergman e as memórias do passado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conforme a escrita do casal avança, os rumos de ambos vão divergindo. Nos detalhes de uma conversa animada ou na indiferença de uma expedição turística cômica, para Chris, ao lado de Hansen-Løve, as reafirmações da figura do marido, assim como as de Bergman, não interessam. Ao contrário, envolvida pela beleza estonteante quase opressora da paisagem, ela mergulha de cabeça nas possibilidades que surgem a partir de sua insubordinação.</span></p>
<figure id="attachment_24296" aria-describedby="caption-attachment-24296" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24296" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem3-800x332.png" alt="Cena do filme Bergman Island. Na imagem estão Amy e Joseph, em ordem. Amy, interpretada por Mia Wasikowska, é uma mulher branca com cerca de 32 anos e cabelo curto loiro. Ela veste uma camisa jeans, regata branca vazada com outra regata vermelha por baixo e calça jeans. Joseph, interpretado por Anders Danielsen Lie, é um homem branco com cerca de 42 anos e cabelo curto loiro. Ele veste uma camiseta azul marinho e calça jeans escura. Ambos estão deitados sobre um gramado sombreado por árvores. Amy está deitada para cima, olhando para a mesma direção, com a cabeça apoiada nos braços. Joseph está atrás dela, deitado de lado e olhando para cima, com a cabeça apoiada sobre os braços." width="800" height="332" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem3-800x332.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem3-1024x426.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem3-768x319.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem3-1536x638.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem3-1200x499.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem3.png 1718w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24296" class="wp-caption-text">Amy e Joseph, interpretados pela fenomenal Mia Wasikowska e por Anders Danielsen Lie (Foto: IFC Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro de Chris ganha corpo, guiando o filme a uma narrativa de abismo que entrelaça diretora à protagonista à nova protagonista. Vida e Arte tornam-se uma e duas ficções se enredam quando Chris se espelha em Amy – interpretada excepcionalmente por </span><a href="https://istoe.com.br/mia-wasikowska-encarna-a-batalha-das-diretoras-de-cinema-em-a-ilha-de-bergman/"><span style="font-weight: 400;">Mia Wasikowska</span></a><span style="font-weight: 400;"> – para personificar os desejos frustrados do primeiro amor, Joseph </span><span style="font-weight: 400;">(Anders Danielsen Lie)</span><span style="font-weight: 400;">. Esse é o último capítulo dessa história fadada à ruína que se deu ora muito cedo, ora tarde demais. A ânsia desse amor proibido é agonizante, inconclusiva. Hansen-Løve nos priva da catarse e a quietude gritante de </span><span style="font-weight: 400;">Fårö parece amplificar as dores dos amantes desafortunados, bem como a nossa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na tranquilidade da paisagem, na melancolia torturante do adeus jamais dito ou ainda no êxtase de se dançar, o longa traça paralelos que unificam brilhantemente </span><a href="https://youtu.be/nrlVHVid-20"><i><span style="font-weight: 400;">Bergman Island</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/persona-silencio-fala/"><i><span style="font-weight: 400;">Persona</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://youtu.be/92cwKCU8Z5c"><i><span style="font-weight: 400;">The Winner Takes It All</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do ABBA; sugerindo que, talvez, essas três interpretações não sejam de todo opostas.</span><span style="font-weight: 400;"> Em outros termos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bergman Island</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é uma simples carta de amor. Nela, </span><span style="font-weight: 400;">Hansen-Løve é a vencedora que leva tudo. Libertando-se das influências imateriais frígidas do cineasta sueco, a diretora francesa reafirma deliberadamente a própria voz, junto de Chris, junto de Amy.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Bergman Island - Official Trailer | HD | IFC Films" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/nrlVHVid-20?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Miss Marx: relacionamentos doentios podem ser tão destrutivos quanto o capitalismo</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2020 19:19:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra Quem nunca assistiu uma amiga incrível se metendo num relacionamento medíocre que flerta com características abusivas? E se essa amiga fosse filha de uma das figuras mais relevantes dos últimos séculos? Pois bem, nesse cenário primeiramente comum e segundamente impensável está a vida de Eleanor Marx, que ao mesmo tempo em que continuava &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/miss-marx-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Miss Marx: relacionamentos doentios podem ser tão destrutivos quanto o capitalismo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16420" aria-describedby="caption-attachment-16420" style="width: 1401px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16420" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/triste.png" alt="" width="1401" height="835" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/triste.png 1401w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/triste-300x179.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/triste-1024x610.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/triste-768x458.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/triste-1200x715.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16420" class="wp-caption-text">A cinebiografia da caçula de Karl Marx chega ao Brasil na seção Perspectiva Internacional da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Raquel Dutra</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem nunca assistiu uma amiga incrível se metendo num relacionamento medíocre que flerta com características abusivas? E se essa amiga fosse filha de uma das figuras mais relevantes dos últimos séculos? Pois bem, nesse cenário primeiramente comum e segundamente impensável está a vida de Eleanor Marx, que ao mesmo tempo em que continuava o legado de seu pai, também era parte de uma relação problemática e desproporcional a toda potência revolucionária que ela era. Para ressaltar essas inconstâncias da vida da caçula de Karl Marx e humanizar sua pessoa com doses de elementos da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> é que se constrói </span><i><span style="font-weight: 400;">Miss Marx</span></i><span style="font-weight: 400;">, drama biográfico que vem direto das principais premiações do Festival de Veneza para a 44ª <a href="https://personaunesp.com.br/tag/44-mostra/">Mostra Internacional</a> de Cinema de São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-16419"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já numa metáfora que revela a dificuldade de Eleanor (Romola Garai) em construir seu próprio caminho longe da sombra dos homens presentes na sua vida, o filme se inicia no mesmo ano em que se finda a vida de Karl Marx. Em 1883, a jovem, na época com 28 anos, conduz o velório do pai, e mesmo com o coração partido pela perda discursa com firmeza sobre a vida, obra e relevância política e social de Karl Marx para uma maioria de homens e figuras importantes do partido que ele era membro. Prendendo a atenção de todos, Eleanor se transforma em uma aposta de liderança para os movimentos que Karl deixou em estado de efervescência. Logo, a jovem aceita seu destino e assume a frente dos movimentos pelas causas que o pai dedicou toda a sua vida: a luta de classes e os direito dos trabalhadores. Enquanto isso, ela também traça sua própria história ao acrescentar a igualdade de gênero (sendo uma das primeiras autoras a interseccionar feminismo e socialismo) e o fim do trabalho infantil em suas principais reivindicações.</span></p>
<figure id="attachment_16421" aria-describedby="caption-attachment-16421" style="width: 1789px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16421" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/enchendo-a-cara.png" alt="" width="1789" height="1075" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/enchendo-a-cara.png 1789w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/enchendo-a-cara-300x180.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/enchendo-a-cara-1024x615.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/enchendo-a-cara-768x461.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/enchendo-a-cara-1536x923.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/enchendo-a-cara-1200x721.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16421" class="wp-caption-text">A fotografia de Crystel Fournier trabalha em harmonia com o texto e os atores na hora de evidenciar as diferentes posturas e aspirações de seus personagens (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tamanha segurança de Eleanor atrai também a atenção do dramaturgo Edward Aveling (Patrick Kennedy), que logo captura a jovem em seus encantos. A partir disso, o roteiro e direção de </span><span style="font-weight: 400;">Susanna Nicchiarelli terminam de dar as cartas do filme com um</span><span style="font-weight: 400;"> desenvolvimento rápido do relacionamento, que acontece enquanto Eleanor conhece fábricas do mundo todo para ouvir as queixas e necessidades dos trabalhadores. Aos poucos, ela vai se metendo em problemas com as lideranças do partido que a financia por causa da companhia inútil e cara do parceiro nas viagens. Outras pessoas próximas a Eleanor também a alertam sobre o caráter duvidoso de seu esposo. Ela, mesmo assim, permanece ali, e <em>Miss Marx </em>segue, até o final, construindo um arco clássico de relacionamento abusivo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa dualidade conflitante de vida pessoal e profissional/pública, Romola Garai constrói impecavelmente a segurança relutante de Eleanor Marx. Sempre com olhos atentos e peito aberto ao mundo, a personagem é disposta e solícita, mas quando dentro de casa, assume uma submissão incoerente e, de início, inconsciente diante do marido e de suas irresponsabilidades e infantilidades. Edward, por sua vez, conserva um cinismo irritante e soberbo, que carrega uma postura curvada e diminuída quando divide presença com Eleanor. A partir disso, os atores constroem uma dinâmica para o casal que é interessantíssima de observar: em cenários caseiros, Patrick mantém a pequenez do marido de Eleanor enquanto Garai a reduz até chegar à altura dele. Assim, os dois se transformam em crianças. Ele querendo chamar atenção, e Eleanor sem pulso para recusar a armadilha. </span></p>
<figure id="attachment_16422" aria-describedby="caption-attachment-16422" style="width: 1411px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16422" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/livros.png" alt="" width="1411" height="851" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/livros.png 1411w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/livros-300x181.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/livros-1024x618.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/livros-768x463.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/livros-1200x724.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16422" class="wp-caption-text">&#8220;A mulher é vítima da tirania do homem assim como o trabalhador é vítima da tirania dos exploradores. A mulher é expropriada de seus direitos como ser humano como o trabalhador é exporpriado de seus direitos como produtor (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma trilha </span><i><span style="font-weight: 400;">punk-rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre entoada por uma mulher nos momentos de clímax, o filme lembra comédias românticas e filmes adolescentes dos anos 2000. </span><span style="font-weight: 400;">Em uma cena em especial, </span><i><span style="font-weight: 400;">Miss Marx </span></i><span style="font-weight: 400;">coloca a protagonista para dançar efusivamente a música, quase como uma libertação emocional de toda pressão que Eleanor carrega. Essa sensação também é transmitida em alguns momentos em que o filme quebra sua 4ª parede, quando Eleanor, em meio a multidões, fala mecanicamente para a câmera como se ensaiasse uma fala a partir da leitura que faz dos registros do pai, com medo de cometer algum deslize.</span></p>
<p>E falando nele, Karl Marx (Philip Gröning) tem breves aparições no filme, que se dão através de <em>flashbacks</em> carinhosos da infância de Eleanor. Em um deles, a família está participando de um jogo liderado pela jovem em que cada um deve dizer sua frase favorita. O pai escolhe citar o poeta romano Terêncio e afirma que <span style="font-weight: 400;">“</span><em>Nada do que é humano me é estranho</em>”. Colocando-o numa posição quase de vidente do futuro conflitante da filha, <em>Miss Marx</em> entrega com sutileza que sua intenção não é julgar a vida pessoal de Eleanor, mas mostrar que os efeitos do patriarcalismo se desenvolvem sobre todas as mulheres, sem exceção.</p>
<figure id="attachment_16447" aria-describedby="caption-attachment-16447" style="width: 1403px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16447" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/indignada.png" alt="" width="1403" height="785" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/indignada.png 1403w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/indignada-300x168.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/indignada-1024x573.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/indignada-768x430.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/indignada-1200x671.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16447" class="wp-caption-text">Eleanor suicidou-se em 1898 e Edward Aveling foi rechaçado em toda a comunidade socialista como culpado pela sua morte (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Concentrando-se mais em como a personagem se sentia do que em pontuar seus feitos e sua importância política e social, o filme não se garante completamente enquanto biografia. Tendo isso em vista, junto de suas construções que fogem do convencional, é difícil mensurar os efeitos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Miss Marx</span></i><span style="font-weight: 400;">. Um cuidado que deve existir é não compreendê-lo justamente de uma forma que toda a história e relevância de Eleanor sejam apagados frente ao seu relacionamento problemático. A partir disso, existe uma humanização da pessoa histórica que ela foi, que também deve ser feita longe de qualquer julgamento. Por fim, </span><span style="font-weight: 400;">podemos tirar um alerta: seja aos olhos da própria sociedade que condena mais a mulher-alvo do que o abusador ou dentro da nossa própria mente, nossa vida e genialidade pode ser minada por homens medíocres.</span></p>
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<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/miss-marx-critica/">Miss Marx: relacionamentos doentios podem ser tão destrutivos quanto o capitalismo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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