<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Apresentação Especial &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/apresentacao-especial/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/apresentacao-especial/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 01 Nov 2023 21:04:15 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Apresentação Especial &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/apresentacao-especial/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos celebra a Arte como resistência</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/do-lixo-ao-tesouro-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/do-lixo-ao-tesouro-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Nov 2023 21:01:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[2023]]></category>
		<category><![CDATA[47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[África do Sul]]></category>
		<category><![CDATA[Aleksey Antonov]]></category>
		<category><![CDATA[Apresentação Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[Cultures of Resistance Films]]></category>
		<category><![CDATA[Curta-Metragem]]></category>
		<category><![CDATA[Dimo Petkov]]></category>
		<category><![CDATA[Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos]]></category>
		<category><![CDATA[Henrique Marinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Iara Lee]]></category>
		<category><![CDATA[Itaú Cultural Play]]></category>
		<category><![CDATA[Lesoto]]></category>
		<category><![CDATA[Lixo Extraordinário]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra de SP]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Sotho Sounds]]></category>
		<category><![CDATA[Tumisang Taabe]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=31750</guid>

					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos é um documentário que mostra como a Arte pode ser uma forma de resistência, transformação e empoderamento de uma comunidade. O filme acompanha a trajetória de diversos artistas do Lesoto, um pequeno país nas montanhas da África do Sul, que usam o lixo como matéria-prima &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/do-lixo-ao-tesouro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos celebra a Arte como resistência"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/do-lixo-ao-tesouro-critica/">Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos celebra a Arte como resistência</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31751" aria-describedby="caption-attachment-31751" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-31751" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6.png" alt="Cena do documentário Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos. Ao fundo está uma paisagem montanhosa nublada com nuvens ao topo. À frente estão dois homens negros montados em cavalos. Eles estão olhando para a esquerda. Os homens vestem agasalhos reforçados. O de trás está com uma touca amarela e um casaco verde, enquanto o da frente está totalmente enrolado em um agasalho que cobre desde sua boca até suas pernas. A estampa segue formas geométricas e se destaca por suas cores amarela, marrom e vermelha." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6-1200x675.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31751" class="wp-caption-text">O curta-metragem, além de estar disponível no Itaú Cultural Play para exibição na 47º Mostra Internaciona de Cinema em São Paulo, também está na íntegra no YouTube (Foto: Cultures of Resistance Films)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><a href="https://47.mostra.org/filmes/do-lixo-ao-tesouro-transformando-negativos-em-positivos47a"><i><span style="font-weight: 400;">Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um documentário que mostra como a Arte pode ser uma forma de resistência, transformação e empoderamento de uma comunidade. O filme acompanha a trajetória de diversos artistas do Lesoto, um pequeno país nas montanhas da África do Sul, que usam o lixo como matéria-prima para suas obras, além de muitas outras atividades sociais. Através da criatividade, da reciclagem e principalmente da paixão pelo que fazem, eles criam peças e projetos que expressam suas identidades, culturas e lutas em um cenário que por muitos seria considerado infértil.</span></p>
<p><span id="more-31750"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra é dirigida por </span><a href="https://culturesofresistancefilms.com/sobre-a-diretora/"><span style="font-weight: 400;">Iara Lee</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma ativista e cineasta brasileira que já produziu outros filmes sobre temas sociais e ambientais, como o documentário em curta-metragem </span><i><span style="font-weight: 400;">Beneath the borqa in Afghanistan</span></i><span style="font-weight: 400;"> (em tradução livre, </span><i><span style="font-weight: 400;">Por baixo da burca no Afeganistão</span></i><span style="font-weight: 400;">) e sua organização </span><a href="https://www.vaticannews.va/pt/africa/news/2018-08/cultura-de-resistencia-para-melhorar-o-mundo.html"><i><span style="font-weight: 400;">Culturas de Resistência</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que apoia projetos que promovem a agroecologia, a educação, os direitos humanos e a diversidade cultural. A produção foi </span><span style="font-weight: 400;">exibida em um dos maiores eventos culturais de São Paulo, a 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, na seção Apresentação Especial.</span></p>
<figure id="attachment_31752" aria-describedby="caption-attachment-31752" style="width: 780px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31752" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-4.png" alt="Cena do documentário Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos. Ao fundo estão árvores em uma mata. Ao centro estão cinco homens negros. Todos estão agasalhados. Três deles estão sentados a frente enquanto dois estão em pé. Um ao lado e outro atrás. Eles estão com instrumentos longos feitos com materiais recicláveis e encaram a câmera enquanto tocam. Ao redor estão muitas garrafas de vidro ao chão cercando-os em um círculo central" width="780" height="329" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-4.png 780w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-4-768x324.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31752" class="wp-caption-text">O curta foi inspirado por Lixo Extraordinário, de Vik Muniz, que retrata catadores de lixo no Brasil com materiais recicláveis (Foto: Cultures of Resistance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenvolvimento do </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2023/"><span style="font-weight: 400;">curta-metragem</span></a><span style="font-weight: 400;"> é dinâmico, sem muitas separações ou introduções, e nos aventuramos quase às cegas entre os tantos relatos apresentados, que da mesma maneira inesperada, se encerram. Entre artistas e projetos, ainda que tenham começado como hobbies, as estrelas do documentário potencializam a ideia de que o que fazem é, de fato, seu propósito de vida: criar espaços seguros e saudáveis para eles mesmos e para suas comunidades. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Algumas das vertentes que tratam majestosamente em tão pouco tempo é a prática da arte têxtil para empoderar e educar as meninas, alertando sobre os riscos do casamento precoce e da prostituição. Além de outras ações como a de Tumisang Taabe, que ensina crianças e adultos a andar de bicicleta, </span><a href="https://www.facebook.com/SothoSounds/"><span style="font-weight: 400;">Sotho Sounds</span></a><span style="font-weight: 400;">, um grupo de músicos que utiliza instrumentos feitos de lixo descartável, ou </span><a href="https://soundcloud.com/siphiwe-nzima-ntsekhe"><span style="font-weight: 400;">Siphiwe Nzima-Nts&#8217;ekhe</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma poetisa focada nos direitos de crianças africanas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seus lindos 24 minutos, a trilha sonora compõe um ambiente otimista e vibrante. A obra toda, na verdade, é regada a Música também como produção cultural e parte do projeto, com os créditos do som por Aleksey Antonov. Apresentada através do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, do </span><i><span style="font-weight: 400;">folk</span></i><span style="font-weight: 400;">, e principalmente do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/reggae/"><i><span style="font-weight: 400;">reggae</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a sonoridade é brilhantemente complementada com transições compostas por paisagens estonteantes (fotografia e montagem por Dimo Petkov), construindo pontos altos de refinamento. Compreendemos sua beleza natural e diversidade geográfica com montanhas, os vales, os rios, os lagos e as cachoeiras que cercam o país, além das cidades, as vilas, as ruas e as casas que revelam sua realidade social e cultural.</span></p>
<figure id="attachment_31753" aria-describedby="caption-attachment-31753" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31753" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5.png" alt="Cena do documentário Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos. A imagem mostra um tecido em macro em que podemos ver os detalhes de costura de uma renda rosa e marrom. À direita está uma etiqueta circular feita de couro marrom com o bordado em preto no formato do continente Africano de cabeça para baixo comparado ao Mapa Múndi." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5-1200x675.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31753" class="wp-caption-text">Iara Lee também lançou o documentário Modulations: Cinema for the Ear, que traça a evolução da música eletrônica desde as origens experimentais até as festas rave em 1998 (Foto: Cultures of Resistance Films)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos</span></i><span style="font-weight: 400;"> convida à reflexão sobre os desafios enfrentados por Lesoto, seja a pobreza, a seca, a erosão do solo, a falta de saneamento básico ou a dependência econômica da </span><a href="https://personaunesp.com.br/kongos-critica/"><span style="font-weight: 400;">África do Sul</span></a><span style="font-weight: 400;">. O filme o faz de maneira muito emocional e contemplativa, celebrando a Arte como forma de expressão, comunicação e principalmente transformação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A transformação do tempo dos </span><a href="https://culturesofresistancefilms.com/lesotho-bios/"><span style="font-weight: 400;">artistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> em suas produções, da sociedade em que vivem, e diretamente, como explicita o título, a transformação do lixo como um problema grave em uma nova maneira de geração de renda e conscientização ambiental. Sobretudo a preservação de sua identidade cultural, língua, música, Arte e olhares sobre a vida.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="From Trash To Treasure: Turning Negatives Into Positives | Documentary Short" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/udLsJuTKrmo?start=21&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/do-lixo-ao-tesouro-critica/">Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos celebra a Arte como resistência</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/do-lixo-ao-tesouro-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">31750</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Delírio e desobediência em Das Tripas Coração</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/das-tripas-coracao-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/das-tripas-coracao-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Oct 2022 20:56:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[1982]]></category>
		<category><![CDATA[46 Mostra]]></category>
		<category><![CDATA[46ª Mostra]]></category>
		<category><![CDATA[46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Carolina]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Antônio Fagundes]]></category>
		<category><![CDATA[Apresentação Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Das Tripas Coração]]></category>
		<category><![CDATA[Dina Sfat]]></category>
		<category><![CDATA[Heart and Guts]]></category>
		<category><![CDATA[Juliana Boaventura]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Padilha]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra SP]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Xuxa Lopes]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=29032</guid>

					<description><![CDATA[<p>Juliana Boaventura As transformações físicas, descobertas sexuais e emoções intensas que fazem parte da transição da infância para a adolescência povoam e intrigam o imaginário popular. Muitos artistas buscam examinar isso em suas obras, partindo de suas experiências íntimas. Em Das Tripas Coração (1982) &#8211; em inglês, Heart and Guts &#8211;, a cineasta Ana Carolina &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/das-tripas-coracao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Delírio e desobediência em Das Tripas Coração"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/das-tripas-coracao-critica/">Delírio e desobediência em Das Tripas Coração</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29033" aria-describedby="caption-attachment-29033" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29033" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem1.jpg" alt="Cena do filme Das Tripas Coração (1982), em frente ao prédio da escola, na foto estão algumas alunas, vestidas de saia e camisa escolar, entre outros personagens, aglomerados, sem olhar para a câmera. Na direita da imagem, Guido (Antônio Fagundes) segura a professora de química do colégio enquanto ela vomita, abaixada, vestindo uma saia xadrez e camisa branca" width="512" height="267" /><figcaption id="caption-attachment-29033" class="wp-caption-text">Das Tripas Coração foi exibido na seção Apresentação Especial da 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo juntamente com outras produções da cineasta Ana Carolina, vencedora do Prêmio Humanidade (Foto: Crystal Cinematográfica)</figcaption></figure>
<p><b>Juliana Boaventura</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As transformações físicas, descobertas sexuais e emoções intensas que fazem parte da transição da infância para a adolescência povoam e intrigam o imaginário popular. Muitos artistas buscam examinar isso em suas obras, partindo de suas experiências íntimas. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Das Tripas Coração </span></i><span style="font-weight: 400;">(1982) &#8211; em inglês, </span><i><span style="font-weight: 400;">Heart and Guts &#8211;</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cineasta Ana Carolina constrói um microcosmo que expõe aspectos dessa transição de forma cômica e teatral, valendo-se de uma narrativa onírica não-linear, declamações inflamadas e murmúrios fora de cena. Uma inclinação à rebeldia e à desobediência permeia o longa-metragem, que desenrola-se dentro de um colégio feminino, austero, religioso e falido. O filme compõem a seção Apresentação Especial na programação da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-29032"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora e roteirista iniciou sua produção cinematográfica com um documentário sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">Getúlio Vargas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1974). Em seguida, ela concebe </span><i><span style="font-weight: 400;">Mar de Rosas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1977) e mais dois longas que abordam a condição feminina, </span><i><span style="font-weight: 400;">Das Tripas Coração</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1982) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Sonho de Valsa</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1987); compondo uma trilogia. Seu trabalho mais recente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Paixões Recorrentes</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2022), também foi exibido na Apresentação Especial  da 46ª Mostra. Ao longo de sua carreira, ela tem exposto acerca da dificuldade em financiar e executar seus projetos, como em uma entrevista ao </span><a href="https://youtu.be/lphpUOvuH3I"><i><span style="font-weight: 400;">Roda Viva</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 1994. Ela menciona também a necessidade de renovação do aparato de produção cinematográfico brasileiro e suas perspectivas e ideias para o cinema nacional, colocando-o como um meio de mudança social.</span></p>
<figure id="attachment_29034" aria-describedby="caption-attachment-29034" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29034 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-800x604.jpeg" alt="Fotografia que retrata a cineasta Ana Carolina, olhando para o lado, ela segura a gola de um casaco cinza com as duas mãos, de punhos cerrados. No fundo está o pôster do filme Mar de Rosas, no qual há uma ilustração de uma menina com as mãos na cintura, usando um vestido com a tipografia do título do filme. Trata-se de uma das personagens principais do longa, Betinha (Cristina Pereira), e em seu nariz há o que parece ser um prendedor de roupas vermelho" width="800" height="604" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-800x604.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-1024x773.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-768x580.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-1536x1160.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-1200x906.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29034" class="wp-caption-text">Ana Carolina em frente ao pôster de Mar de Rosas, estrelado por Norma Bengell e Cristina Pereira como mãe e filha (Foto: Tasso Marcelo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Das Tripas Coração</span></i><span style="font-weight: 400;">, há um uso provocativo de superposição das vozes dos atores, os sons se misturam espacialmente conforme a câmera se move. Isso evoca uma rejeição à ordem, como durante a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=90QrscVHL0k"><span style="font-weight: 400;">aula</span></a><span style="font-weight: 400;"> do professor Guido (Antônio Fagundes), em que os murmúrios das alunas vão de provocações a questionamentos sobre o estado civil do professor. A confusão de vozes agrega à comicidade dos diálogos e ao aspecto surreal do filme, um recurso que a diretora reconhece causar estranhamento no público. Em </span><a href="http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=154083_04&amp;pagfis=1114"><span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à Tribuna da Imprensa em 1980, afirma: “</span><i><span style="font-weight: 400;">o delírio, as coisas que a gente pensa e não diz, aquelas de que a gente ri e outros não, isto é o que vale no meu cinema. Interesso-me pelo não-dito, pelo mal-dito, que tem mais graça, é mais possível e mais interessante</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O colégio em que a trama se passa é como um espaço fechado que encapsula os fenômenos da sociedade, conflitos geracionais, de classe social e a sexualidade em todas as fases da vida. Alguns diálogos entre as faxineiras, as inspetoras, o professor e as diretoras da escola, Miriam (Xuxa Lopes) e Renata (Dina Sfat), reforçam a ideia de que as alunas adolescentes representam uma força da natureza, incontroláveis. Há um </span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra67312/das-tripas-coracao"><span style="font-weight: 400;">espírito de rebelião</span></a><span style="font-weight: 400;">, de desobediência à ordem vigente, que atinge seu ponto máximo quando uma das alunas (Maria Padilha) urina em meio à uma missa, sendo punida em seguida.</span></p>
<figure id="attachment_29035" aria-describedby="caption-attachment-29035" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29035 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-800x544.jpeg" alt="Cena do filme Das Tripas Coração em que Renata abraça Guido. Ela usa um vestido cinza de mangas compridas, tem o cabelo cacheado na altura dos ombros e olha para além da câmera, assim como Guido, que usa uma blusa cinza, tem cabelos pretos e barba cheia" width="800" height="544" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-800x544.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-1024x696.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-768x522.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-1536x1044.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-1200x816.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29035" class="wp-caption-text">As diretoras do colégio Renata e Miriam vivem um triângulo amoroso com Guido (Foto: Crystal Cinematográfica)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio ao ritmo acelerado dos acontecimentos, o desejo sexual dos personagens é a força motriz dos conflitos. Tanto revelações íntimas das personagens quanto declamações poéticas e reflexões filosóficas evocam o inconsciente, as classes sociais e as estruturas políticas. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=90QrscVHL0k"><i><span style="font-weight: 400;">Das Tripas Coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Ana Carolina explora o estranhamento, e a maneira como a narrativa acontece acrescenta ao aspecto delirante e cômico da narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo filme da trilogia sobre a condição feminina, </span><a href="https://www.prppg.ufpr.br/siga/visitante/trabalhoConclusaoWS?idpessoal=79015&amp;idprograma=40001016001P0&amp;anobase=2021&amp;idtc=1703"><span style="font-weight: 400;">segundo ela</span></a><span style="font-weight: 400;">, traz uma tentativa de explorar o sexo e a culpa, a visão masculina do desejo feminino. Em um discurso que explora tanto a insubmissão e a desobediência características da transição da infância para a adolescência quanto diversas contradições ao longo das gerações, a produção acaba por abarcar (quase) toda a vida.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/das-tripas-coracao-critica/">Delírio e desobediência em Das Tripas Coração</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/das-tripas-coracao-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">29032</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Cinema Almanac é uma coleção enfadonha</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/cinema-almanac-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/cinema-almanac-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Oct 2022 21:26:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[46 Mostra]]></category>
		<category><![CDATA[46ª Mostra]]></category>
		<category><![CDATA[Alexandru Dabija]]></category>
		<category><![CDATA[Almanah Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Antologia]]></category>
		<category><![CDATA[Apresentação Especial]]></category>
		<category><![CDATA[As Duas Execuções do Marechal]]></category>
		<category><![CDATA[Caio Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Caricaturana]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema Almanac]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[Coletânea]]></category>
		<category><![CDATA[Cristina Draghici]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Curta-Metragem]]></category>
		<category><![CDATA[Curtas]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografias]]></category>
		<category><![CDATA[Humor irônico]]></category>
		<category><![CDATA[Memórias do Front Oriental]]></category>
		<category><![CDATA[MicroFilm]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra SP]]></category>
		<category><![CDATA[O Encouraçado Potemkin]]></category>
		<category><![CDATA[Os Potemkinistas]]></category>
		<category><![CDATA[Punir e Disciplinar]]></category>
		<category><![CDATA[Radu Jude]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Romênia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=29007</guid>

					<description><![CDATA[<p>Caio Machado A produção romena Cinema Almanac (Almanah Cinema, no original), presente na 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, é apresentada como uma coletânea de seis curtas de Radu Jude (Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental), que assina a direção e roteiro em algo semelhante a quando um escritor publica um volume &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cinema-almanac-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Cinema Almanac é uma coleção enfadonha"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/cinema-almanac-critica/">Cinema Almanac é uma coleção enfadonha</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29008" aria-describedby="caption-attachment-29008" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29008 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-2-e1666987193490.png" alt="Cena do filme Cinema Almanac. Nela, vemos um homem e uma mulher parados ao lado de uma estátua durante o dia. Ambos são brancos. O homem tem barba branca, usa chapéu coco, veste uma camisa bege com terno branco e calça jeans. A mulher tem cabelo ruivo na altura dos ombros, veste uma camisa vermelha e carrega uma bola no braço direito. " width="1440" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-2-e1666987193490.png 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-2-e1666987193490-800x600.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-2-e1666987193490-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-2-e1666987193490-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-2-e1666987193490-1200x900.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29008" class="wp-caption-text">O longa faz parte da Apresentação Especial da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: microFILM)</figcaption></figure>
<p><b>Caio Machado</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção romena </span><i><span style="font-weight: 400;">Cinema Almanac </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Almanah Cinema</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original), presente na 46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, é apresentada como uma coletânea de seis curtas de Radu Jude (</span><a href="https://personaunesp.com.br/ma-sorte-no-sexo-ou-porno-acidental-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), que assina a direção e roteiro em algo semelhante a quando um escritor publica um volume de seus contos ou poesias. Por estarem reunidos em um mesmo conjunto, faz sentido pensar que possuem características em comum, além da mera aleatoriedade. Cinco dos curtas que a compõem, </span><i><span style="font-weight: 400;">Caricaturana</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Potemkinistas</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Memórias do Front Oriental</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">As Duas Execuções do Marechal </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Punir e Disciplinar</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">mostram que o cineasta busca refletir sobre as imagens do passado e o possível impacto que podem causar no observador contemporâneo. Porém, ele próprio mal consegue impactar, devido à forma como utiliza as fotografias. </span></p>
<p><span id="more-29007"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Memórias do Front Oriental</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Punir e Disciplinar</span></i><span style="font-weight: 400;">, a exploração dessas imagens é enfadonha, similar a uma apresentação de </span><i><span style="font-weight: 400;">slides</span></i><span style="font-weight: 400;"> em um seminário interminável. O uso de planos estáticos exibe as fotos inteiras e raramente se aproxima delas para destacar alguma informação. Ao assisti-los, o espectador folheia um </span><a href="https://personaunesp.com.br/blue-banisters-critica/"><span style="font-weight: 400;">álbum</span></a><span style="font-weight: 400;"> cheio de imagens de estranhos. É inegável que as fotografias possuem seu valor histórico ou causam uma pequena comoção pela tristeza enraizada nas expressões faciais, como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Punir</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas os curtas não vão muito além disso. A força que o som poderia ter ao mostrar aquelas cenas estáticas é deixada de lado e somente o texto é capaz de forjar alguma conexão emocional com o espectador, como no caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Memórias</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que os relatos dos soldados, transcritos na tela, servem para dar uma dimensão do horror da Segunda Guerra Mundial.</span></p>
<figure id="attachment_29011" aria-describedby="caption-attachment-29011" style="width: 1430px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29011 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-1-e1666987156643.jpg" alt="Cena do filme Cinema Almanac. Nela, vemos uma foto em preto e branco de um funeral de soldados mortos em guerra. À esquerda, vemos túmulos dos mortos e, à direita, os soldados que sobreviveram. Ao fundo, vemos uma multidão com mais soldados." width="1430" height="1070" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-1-e1666987156643.jpg 1430w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-1-e1666987156643-800x599.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-1-e1666987156643-1024x766.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-1-e1666987156643-768x575.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-1-e1666987156643-1200x898.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29011" class="wp-caption-text">Como sentir algo vendo uma coletânea de fotos de desconhecidos? (Foto: microFILM)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Caricaturana</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme que inaugura a antologia, tenta dar novo significado às ilustrações que expõe por meio de um humor irônico, capaz de provocar um sorrisinho de canto de boca e nada mais. </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Potemkinistas</span></i><span style="font-weight: 400;">, produção na qual os personagens de Alexandru Dabija e Cristina Draghici discutem sobre uma estátua enquanto são inseridas cenas do clássico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VW1uPSZp5ZY"><i><span style="font-weight: 400;">O Encouraçado Potemkin</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, traz belas imagens, mas torna-se desinteressante rapidamente ao utilizar seus personagens como mero veículo para vomitar informações históricas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">As Duas Execuções do Marechal</span></i><span style="font-weight: 400;">, melhor curta do conjunto, Radu Jude alterna a filmagem real da execução de um </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ion_Antonescu"><span style="font-weight: 400;">marechal romeno</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a dramatização do evento em um filme lançado décadas depois, para mostrar como a vida é muito mais dura do que a ficção. Por meio desse confronto entre as duas cenas, expõe o quão crua, triste e ridícula a realidade é, sem nada épico, e formada apenas por pessoas que cumprem ordens. </span></p>
<figure id="attachment_29012" aria-describedby="caption-attachment-29012" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29012 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-3-e1666987116159.jpg" alt="Cena do filme Cinema Almanac. Nela, vemos vários brinquedos em cima de uma superfície verde, em um ambiente com fundo vermelho que parece um parque de diversões, com roda gigante, chapéu mexicano e um trenzinho. Os bonecos que estão no cenário variam de tamanho, alguns pequenos e outros bem maiores. " width="1920" height="1027" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-3-e1666987116159.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-3-e1666987116159-800x428.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-3-e1666987116159-1024x548.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-3-e1666987116159-768x411.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-3-e1666987116159-1536x822.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/almanac-3-e1666987116159-1200x642.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29012" class="wp-caption-text">Em um dos curtas, bonequinhos são usados como instrumento de reflexão sobre a essência do ser humano (Foto: microFILM)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra que fecha o longa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Plástico Semiótico</span></i><span style="font-weight: 400;">, é a mais estranha das seis. Abandona o interesse pelas imagens do </span><a href="https://personaunesp.com.br/doutor-sono-critica/"><span style="font-weight: 400;">passado</span></a><span style="font-weight: 400;"> que as anteriores tinham e usa brinquedos em planos belíssimos para ilustrar a jornada turbulenta da vida humana, desde a infância até a velhice. É uma obra que usa os sons dos próprios brinquedos e a fotografia colorida de Marius Panduru para transmitir uma originalidade muito instigante, se apropriando de elementos do universo infantil para passear pelo passado, presente e futuro da humanidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cinema Almanac</span></i><span style="font-weight: 400;">, assim como várias outras </span><a href="https://personaunesp.com.br/roda-do-destino-critica/"><span style="font-weight: 400;">antologias</span></a><span style="font-weight: 400;">, é bastante irregular. Faz um uso pouquíssimo criativo das imagens históricas que têm em mãos e só consegue construir uma ideia em dois dos seis curtas que reuniu, nos quais o cineasta Radu Jude se lembra que está fazendo Cinema, com suas composições, cores e sons, e não uma mera apresentação de </span><i><span style="font-weight: 400;">PowerPoint</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3x9klpi64i8?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/cinema-almanac-critica/">Cinema Almanac é uma coleção enfadonha</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/cinema-almanac-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">29007</post-id>	</item>
		<item>
		<title>20 anos de Durval Discos: Às vezes, as melhores histórias vêm de onde menos imaginamos</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/durval-discos-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/durval-discos-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Oct 2022 17:04:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[20 Anos]]></category>
		<category><![CDATA[2002]]></category>
		<category><![CDATA[46 Mostra]]></category>
		<category><![CDATA[46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[África Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Maria Abreu]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Anna Muylaert]]></category>
		<category><![CDATA[Apresentação Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Ary França]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Dezenove Som e Imagens]]></category>
		<category><![CDATA[Durval Discos]]></category>
		<category><![CDATA[Etty Fraser]]></category>
		<category><![CDATA[Globoplay]]></category>
		<category><![CDATA[Isabela Guasco]]></category>
		<category><![CDATA[Jacob Solitrenick]]></category>
		<category><![CDATA[Letícia Sabatella]]></category>
		<category><![CDATA[Marisa Orth]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra de SP]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Nathan Nunes]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Rita Lee]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=28995</guid>

					<description><![CDATA[<p>Nathan Nunes Quando se trata de Durval Discos, existem dois tipos de público: aquele que começa a assistir o filme esperando uma coisa e o que termina tendo recebido outra. É fato que a vivência é comum para qualquer obra, mas, no caso específico desta em questão, o aspecto é muito mais chamativo. A experiência &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/durval-discos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "20 anos de Durval Discos: Às vezes, as melhores histórias vêm de onde menos imaginamos"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/durval-discos-critica/">20 anos de Durval Discos: Às vezes, as melhores histórias vêm de onde menos imaginamos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28996" aria-describedby="caption-attachment-28996" style="width: 992px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28996" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-1-1.png" alt="Cena do filme Durval Discos. No lado esquerdo da imagem, temos a atriz Marisa Orth. Ela é uma mulher branca, de cabelos pretos, fumando um cigarro branco na boca. Ela está com um vestido levemente amarelado com bolinhas vermelhas. No lado direito, temos o ator Ary França. Ele é um homem branco, de cabelos pretos longos e vestindo camisa cinza com listras pretas. Ele está de braços cruzados em cima de um balcão, com um cinzeiro verde, blocos de notas e um suporte verde para fitas adesivas à sua frente. Na frente dos dois, temos uma banca cheia de discos de vinil. Ao fundo, temos várias capas de discos de vinil coladas na parede azul. A cena acontece durante o dia. " width="992" height="663" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-1-1.png 992w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-1-1-800x535.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-1-1-1-768x513.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28996" class="wp-caption-text">A comemoração do vigésimo aniversário de Durval Discos é uma das atrações da Apresentação Especial da 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (Foto: Dezenove Som e Imagens, África Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se trata de </span><i><span style="font-weight: 400;">Durval Discos</span></i><span style="font-weight: 400;">, existem dois tipos de público:</span> <span style="font-weight: 400;">aquele que começa a assistir o filme esperando uma coisa e o que termina tendo recebido outra. É fato que a vivência é comum para qualquer obra, mas, no caso específico desta em questão, o aspecto é muito mais chamativo. A experiência é tão marcante que a 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema de São Paulo programou uma exibição do longa para o dia 28 de outubro, como parte da seção Apresentação Especial e no exato dia da comemoração dos 20 anos de aniversário da produção. </span></p>
<p><span id="more-28995"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O motivo por trás de tamanho entusiasmo? Bom, basta olhar para o primeiro filme de </span><a href="https://personaunesp.com.br/alvorada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Anna Muylaert</span></a><span style="font-weight: 400;"> exatamente como os discos de vinil que o título evoca: todo </span><i><span style="font-weight: 400;">LP</span></i><span style="font-weight: 400;"> possui o seu lado A e B, e é comum que eles sejam completamente diferentes um do outro. Aqui, acompanhamos Durval (Ary França) e sua mãe Carmita (a saudosa Etty Fraser), que dividem sua casa com a loja de mesmo nome da obra. Precisando de uma pessoa para cuidar dos afazeres domésticos, os dois contratam Célia (Letícia Sabatella), que desaparece depois de sua primeira diária, deixando a pequena Kiki (Isabela Guasco) sob seus cuidados. </span></p>
<figure id="attachment_28997" aria-describedby="caption-attachment-28997" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28997" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-6.jpg" alt="Cena do filme Durval Discos. No lado esquerdo da imagem, temos a atriz Etty Fraser, uma mulher branca de cabelos brancos, vestindo uma camisola azul clara com estampa de flor. No lado direito da imagem, temos o ator Ary França, um homem branco, de cabelos pretos longos, vestindo camisa cinza com listras pretas. Os dois estão comendo pratos de arroz e feijão, com copos de água ao lado. Ao fundo, temos o cenário de uma cozinha, de paredes brancas, janela vermelha e fogão no canto direito. A cena acontece durante o dia." width="1920" height="709" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-6.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-6-800x295.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-6-1024x378.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-6-768x284.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-6-1536x567.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-2-6-1200x443.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28997" class="wp-caption-text">Eles queriam um doce de ovo queimado, mas receberam a polícia em sua cola (Foto: Dezenove Som e Imagens, África Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os talentos de Muylaert já se mostram notáveis nos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6MWXqNMbTwc"><span style="font-weight: 400;">minutos iniciais</span></a><span style="font-weight: 400;">, nos quais sua câmera passeia em plano-sequência pelas ruas do centro de São Paulo, servindo tanto para nos estabelecer dentro daquele microcosmo, como para introduzir os créditos dos profissionais envolvidos. Depois desse deleite visual, ela se destaca de maneira mais sutil, com a naturalidade que compõe o cotidiano de Durval, Carmita e Kiki. Ao som de clássicos </span><i><span style="font-weight: 400;">underground</span></i><span style="font-weight: 400;"> da música brasileira, somos colocados em uma zona de conforto prazerosa, da qual não esperamos ser retirados de forma tão brusca quando o roteiro, também de autoria da diretora, revela que a menina, na verdade, foi sequestrada por Célia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse momento, temos a virada para o lado B, no qual Muylaert aproveita para nos impressionar ainda mais. A câmera, sob a direção de fotografia de Jacob Solitrenick, toma rumos de maior impacto visual, como no uso do </span><i><span style="font-weight: 400;">steady à lá</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">O Iluminado</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1980), de Stanley Kubrick, e em uma </span><a href="https://medium.com/@seuelvis/precisamos-falar-sobre-durval-discos-8d43613e5fe0"><span style="font-weight: 400;">composição surrealista</span></a><span style="font-weight: 400;"> envolvendo as três personagens principais, um cadáver, um cavalo e sangue nas paredes rosas de um quarto. Esse segundo exemplo sintetiza bem a caoticidade e o absurdo do roteiro a partir dessa mudança na narrativa.</span></p>
<figure id="attachment_28998" aria-describedby="caption-attachment-28998" style="width: 702px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28998" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-3-1.jpeg" alt="Cena do filme Durval Discos. No centro da imagem, temos o ator Ary França, um homem branco de cabelos pretos longos, vestindo camisa cinza com listras pretas e calça preta, sentado em uma cama de lençol bege, com a cabeça baixa e os braços para dentro. Nos dois cantos da imagem, temos a figura de paredes roxas, com uma moldura de madeira marrom, que dá para a porta onde acontece a cena. Ao fundo, temos um corpo com um lençol branco em cima, um cavalo branco, onde está montada uma criança branca de cabelos loiros, vestindo uma fantasia de bailarina branca. A criança está segurando uma vassoura, que suja a parede com sangue vermelho. No centro do fundo, temos uma janela branca. No lado direito, temos o vulto de uma mulher de vestido cinza, um guarda roupa marrom, um tapete cinza de pé e enrolado e um quadro preto. A cena acontece durante a noite. " width="702" height="272" /><figcaption id="caption-attachment-28998" class="wp-caption-text">Como Durval Discos chega nesse ponto? Apenas o assistindo para saber (Foto: Dezenove Som e Imagens, África Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, é evidente que não só Muylaert brilha aqui, pois temos vários outros elementos de excelência. Tecnicamente, destaca-se o </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção de Ana Maria Abreu, que é ressignificado de modo notável, quando a loja de discos deixa de ser um local acolhedor e se torna quase uma prisão, com suas paredes revestidas de grades e pouca entrada de luz. Chama atenção também a conexão da trilha sonora com a situação dos personagens na narrativa, como por exemplo em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0-G0tBzvbvY"><i><span style="font-weight: 400;">Mestre Jonas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do antigo trio Sá, Rodrix e Guarabyra. Na música, o sujeito vive “</span><i><span style="font-weight: 400;">dentro de uma baleia, desde que completou a maioridade e diz que mora lá por vontade própria</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Não é difícil traçar paralelos com Durval, cuja baleia seria a casa da mãe, da qual não sai, mesmo já tendo idade suficiente para tal atitude. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, há de se falar sobre o elenco marcante do filme, que compõe perfeitamente seus personagens. Ary França se encaixa direitinho na figura do metaleiro folgado e sem maiores aspirações na vida, enquanto Etty Fraser brilha na construção de uma senhora que, aos poucos, passa de uma pessoa doce e inofensiva a uma antagonista imprevisível e perigosa. Além dos dois, temos uma ótima performance coadjuvante de Marisa Orth como a fuxiqueira Elisabet, que não exita em todos os dias escapar por alguns minutos de seu enfadonho trabalho em uma sorveteria ao lado para fumar um cigarro na companhia de Durval e seus discos. Também não passa batida a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eCXI68c2iVA"><span style="font-weight: 400;">participação especial</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Rita Lee como a excêntrica Tia Julieta (basicamente a Rita Lee em pessoa, diga-se de passagem). </span></p>
<figure id="attachment_28999" aria-describedby="caption-attachment-28999" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28999" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Imagem-4-6.jpg" alt="Cena do filme Durval Discos. No lado esquerdo da imagem, temos o ator Ary França de lado, um homem branco, de cabelos pretos longos, vestindo uma camisa azul-acinzentada com uma estampa em cores brancas e vermelhas. No lado direito da imagem, temos a cantora Rita Lee, uma mulher branca, de cabelos ruivos, batom vermelho na boca, vestindo um blazer bege e um relógio preto no braço direito. Ela está pegando com a mão direita um vinil da mão direita de Ary. Embaixo, temos uma banca de discos de vinil enfileirados. Ao fundo, temos uma parede com várias capas de vinil, posters e adesivos. A cena acontece durante o dia. " width="700" height="452" /><figcaption id="caption-attachment-28999" class="wp-caption-text">O apreço pelo analógico é um dos pontos de discussão que Durval Discos levanta (Foto: Dezenove Som e Imagens, África Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No final das contas, conclui-se que a celebração dos 20 anos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Durval Discos </span></i><span style="font-weight: 400;">é muitíssimo bem vinda, tendo em vista seu excelente legado. Além de continuar conquistando novos fãs até hoje, o filme </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0DFLJ2IQ7z8"><span style="font-weight: 400;">solidificou</span></a><span style="font-weight: 400;"> o nome de Muylaert como uma das diretoras rainhas do nosso Cinema nacional, ao lado de outros nomes de peso como Laís Bodanzky (</span><i><span style="font-weight: 400;">Como Nossos Pais</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Bicho de Sete Cabeças)</span></i><span style="font-weight: 400;"> e Suzana Amaral </span><i><span style="font-weight: 400;">(A Hora da Estrela</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Uma Vida em Segredo)</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sua visão sagaz de que até mesmo o cotidiano mais monótono pode se tornar vitrine para experiências de maior profundidade perdurou durante toda sua carreira, indo do famoso </span><i><span style="font-weight: 400;">Que Horas Ela Volta?</span></i><span style="font-weight: 400;"> até o recente documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Alvorada</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A linha de pensamento da cineasta aumenta ainda mais o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6z4WQ-1nNp8"><span style="font-weight: 400;">impacto</span></a><span style="font-weight: 400;"> do longa, principalmente quando olhamos para o seu ano de lançamento. Em um 2002 que marcou nossa Sétima Arte com obras seminais como </span><i><span style="font-weight: 400;">Cidade de Deus </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Edifício Master</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma produção aparentemente simples sobre uma mãe e seu filho vivendo em uma loja de discos conseguiu se destacar, tal qual a epopeia de crime de Meirelles ou o experimento social de Coutinho. Isso diz muito, pois às vezes as melhores histórias vêm de onde menos imaginamos. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/durval-discos-critica/">20 anos de Durval Discos: Às vezes, as melhores histórias vêm de onde menos imaginamos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/durval-discos-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">28995</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Deus e o Diabo na Terra do Sol: Uma câmera na mão, uma ideia na cabeça e o Cinema Brasileiro nas costas</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/deus-e-o-diabo-na-terra-do-sol-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/deus-e-o-diabo-na-terra-do-sol-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Oct 2022 20:08:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[1964]]></category>
		<category><![CDATA[46 Mostra]]></category>
		<category><![CDATA[46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Apresentação Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema Novo]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Deus e o Diabo na Terra do Sol]]></category>
		<category><![CDATA[Dragão da Maldade]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Cannes]]></category>
		<category><![CDATA[Geraldo Del Rey]]></category>
		<category><![CDATA[Glauber Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Veiga]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra de SP]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Othon Bastos]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Santo Guerreiro]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Ricardo]]></category>
		<category><![CDATA[Sertão]]></category>
		<category><![CDATA[Waldemar Lima]]></category>
		<category><![CDATA[Walter Lima Jr.]]></category>
		<category><![CDATA[Western]]></category>
		<category><![CDATA[Western Spaghetti]]></category>
		<category><![CDATA[Yoná Magalhães]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=28938</guid>

					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Falar em Cinema Brasileiro é naturalmente evocar Glauber Rocha. E é inevitável falar sobre Glauber Rocha sem lembrar de Deus e o Diabo na Terra do Sol. Isto está longe de ser uma máxima unicamente brasileira, pelo contrário: indo de Martin Scorsese, adentrando em Godard, passando por Bong Joon-Ho e chegando em Quentin &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/deus-e-o-diabo-na-terra-do-sol-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Deus e o Diabo na Terra do Sol: Uma câmera na mão, uma ideia na cabeça e o Cinema Brasileiro nas costas"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/deus-e-o-diabo-na-terra-do-sol-critica/">Deus e o Diabo na Terra do Sol: Uma câmera na mão, uma ideia na cabeça e o Cinema Brasileiro nas costas</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28939" aria-describedby="caption-attachment-28939" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28939" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-3.jpg" alt="Cena do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol. Nela temos o personagem de Corisco. Com roupas típicas de cangaceiro, ele ergue uma espingarda para o céu, enquanto range os dentes. Ele está em um terreno descampado com uma vegetação rasteira ao fundo. A imagem é em preto e branco." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-3.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28939" class="wp-caption-text">Em caráter de Apresentação Especial, o primeiro embate entre o Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro é revisitado na 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Copacabana Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Falar em Cinema Brasileiro é naturalmente evocar Glauber Rocha. E é inevitável falar sobre Glauber Rocha sem lembrar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo na Terra do Sol</span></i><span style="font-weight: 400;">. Isto está longe de ser uma máxima unicamente brasileira, pelo contrário: indo de </span><a href="https://glamurama.uol.com.br/canalenjoy/no-aniversario-de-martin-scorsese-os-5-filmes-preferidos-do-diretor/#:~:text=%E2%80%9CDeus%20e%20o%20Diabo%20na%20Terra%20do%20Sol%E2%80%9D%20(1964)&amp;text=O%20inventor%20do%20Cinema%20Novo,dos%20problemas%20s%C3%B3cio%2Decon%C3%B4micos%20brasileiros."><span style="font-weight: 400;">Martin Scorsese</span></a><span style="font-weight: 400;">, adentrando em </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2021/08/glauber-rocha-morto-ha-40-anos-influenciou-e-brigou-com-gigantes-do-cinema.shtml"><span style="font-weight: 400;">Godard</span></a><span style="font-weight: 400;">, passando por </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bong Joon-Ho</span></a><span style="font-weight: 400;"> e chegando em </span><a href="https://personaunesp.com.br/era-uma-vez-em-hollywood-critica/"><span style="font-weight: 400;">Quentin Tarantino</span></a><span style="font-weight: 400;">; todos exaltam a importância do cineasta e do Cinema Novo para a Sétima Arte, às vezes, mais do que nós mesmos. Após a restauração do longa no Festival de Cannes deste ano, a obra retorna ao seu país de origem, na Apresentação Especial da 46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-28938"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor aqui traça uma própria dialética tendo como cenário o sertão. Por mais que o título da obra apresente um maniqueísmo, o seu verdadeiro foco está nas últimas palavras dele, a Terra do Sol. Embora já tenha sido representada como esse limbo, essa terra de ninguém, em outras produções do imaginário brasileiro, como em </span><a href="https://jornal.usp.br/cultura/vidas-secas-denuncia-o-descaso-social-e-a-exploracao-humana/"><i><span style="font-weight: 400;">Vidas Secas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é através do longa que nos é impressa uma representação mais palpável de como a definição de Purgatório &#8211; esse espaço vazio entre céu e inferno &#8211; logicamente, residirá na intersecção entre os dois. No caso, em nossa própria existência em terra.</span></p>
<figure id="attachment_28940" aria-describedby="caption-attachment-28940" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28940" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-2.png" alt="Cena do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol. Aqui, é mostrado o personagem Antônio das Mortes, um homem branco de cabelos pretos e barba preta cheia. Ele veste um sobretudo e segura uma espingarda enquanto grita. Ele usa uma espécie de sobretudo. A imagem é em preto e branco e ao fundo, há vegetação de caatinga." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-2.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-2-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-2-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-2-768x403.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28940" class="wp-caption-text">O longa, assim como o diretor, é um dos expoentes do <a href="https://www.aicinema.com.br/cinema-novo/">Cinema Novo</a> (Foto: Copacabana Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como em outras obras que tratam a região do sertão, o descaso é o principal predador do povo que vive no local. Aqui, o Estado, além de omisso, é nefasto. Resta à população angariar seu resto de esperança em espectros antagônicos, o (falso) messianismo, que representa Deus, e o cangaço, representando o Diabo. Porém, o diretor, em uma releitura muito mais lúcida da </span><a href="https://universoracionalista.org/teoria-da-ferradura-e-um-absurdo-a-extrema-direita-e-a-extrema-esquerda-tem-pouco-em-comum/"><span style="font-weight: 400;">Teoria da Ferradura</span></a><span style="font-weight: 400;"> que sequer existia na época, mostra que os conceitos, além de próximos, são bem mais complexos do que se imagina.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história segue os pecadores Manuel (Geraldo Del Rey) e Rosa (Yoná Magalhães). Após o homem cometer um assassinato, ambos buscam a salvação em meio a insalubridade do sertão, ora na religião, ora no cangaço. </span><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo na Terra do Sol</span></i><span style="font-weight: 400;"> é muito consciente ao tratar a redenção além da estrutura de roteiro da qual estamos acostumados pós</span> <a href="http://www.blog.365filmes.com.br/2016/09/o-que-e-jornada-do-heroi-e-como-ela-funciona.html"><span style="font-weight: 400;">jornada do herói</span></a><span style="font-weight: 400;">. No mundo real, não existem heróis, por mais que custemos acreditar. Cada pessoa tem seu meandro de bem e mal bagunçados no próprio ser, e o filme acerta e muito ao explorar a via-crucis desse processo.</span></p>
<figure id="attachment_28941" aria-describedby="caption-attachment-28941" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28941" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-1.jpg" alt="Cena do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol. Nela, temos o personagem Corisco, um homem branco, jovem, com cabelos longos pretos e barba rala. Ele é um cangaceiro, por isso veste roupa típica, com um chapéu em couro, no formato de meia lua. Na testa, em um dos fios do chapéu, tem 5 medalhas. A imagem é em preto e branco com um close em seu rosto de aparência séria, e ao fundo, vegetação de caatinga." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-Imagem-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28941" class="wp-caption-text">Deus e o Diabo na Terra do Sol retornou a Cannes 58 anos após sua estreia no festival, onde disputou a Palma de Ouro (Foto: Copacabana Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Glauber entrega um singelo retrato do sertanejo e de como ele absorve suas indagações. O texto, também dele, juntamente com </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/artistas/walter-lima-jr/biografia/"><span style="font-weight: 400;">Walter Lima Jr.</span></a><span style="font-weight: 400;">, é extremamente inteligente ao despir o povo de toda sua dualidade moral, visto que seus conflitos internos têm infinitas dimensões, e inseri-lo em um </span><i><span style="font-weight: 400;">western spaghetti</span></i><span style="font-weight: 400;"> com tempero brasileiro. Em um mundo de miséria, fome e violência, sobreviver é tão perigoso que tais discussões, na prática, nem acham tempo para analisar seus lados da moeda. Ao trazer esses pontos através de uma perspectiva puramente religiosa, o cineasta enriquece ainda mais a mensagem que quer passar, evidenciando o quanto a prisão em caixas morais é prejudicial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de roteiro, o diretor, em parceria com Sérgio Ricardo, também é responsável pelas composições musicais da obra. Quando somente a imagem não consegue expressar com certa clareza a mensagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo na Terra do Sol</span></i><span style="font-weight: 400;">, são as ótimas letras &#8211; intercaladas com as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pUCuEd1tjCg&amp;ab_channel=Villa-LobosChannel"><span style="font-weight: 400;">Bachianas de Villa-Lobos</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; que a desenham. Outros aspectos técnicos também brilham, como, por exemplo, a fotografia. Driblando as adversidades técnicas da época e invocando mais uma vez o embate entre forças antagônicas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MJ5oPFhLSwQ&amp;ab_channel=Cinemes"><span style="font-weight: 400;">Waldemar Lima</span></a><span style="font-weight: 400;"> entrega um preto e branco riquíssimo em detalhes, o qual, ao mesmo tempo em que esse yin-yang ressalta as expressões sofridas, sua espiral, quase em um fenômeno da física, dá cor à história.</span></p>
<figure id="attachment_28942" aria-describedby="caption-attachment-28942" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28942" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-Na-Terra-do-Sol-Imagem-4.png" alt="Cena do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol. Aqui, temos o personagem de Corisco, um homem branco, jovem, com cabelos longos pretos e barba rala. Ele é um cangaceiro, por isso veste roupa típica. Ele segura uma peixeira com a mão direita enquanto olha fixamente para ela. A imagem é em preto e branco e está envelhecida" width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-Na-Terra-do-Sol-Imagem-4.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-Na-Terra-do-Sol-Imagem-4-800x600.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-Na-Terra-do-Sol-Imagem-4-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Deus-e-o-Diabo-Na-Terra-do-Sol-Imagem-4-768x576.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28942" class="wp-caption-text">&#8220;Eu, José, com a espada de Abraão serei coberto. Eu, José, com o leite da Virgem Maria serei borrifado. Eu, José, com o sangue de Cristo serei batizado&#8221; (Foto: Copacabana Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As atuações também são outro ponto fora da curva. Sem elas, seria impossível transmitir a mensagem do longa com o devido peso. Othon Bastos (</span><i><span style="font-weight: 400;">Império</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Bicho de Sete Cabeças</span></i><span style="font-weight: 400;">) da vida a Corisco, o sanguinário sucessor espiritual de Lampião &#8211; e que também é a marca registrada da obra &#8211; de forma sublime, adicionando várias camadas em um estereótipo que há tempos foi marginalizado. Geraldo Del Rey (</span><a href="https://ufmg.br/comunicacao/noticias/ha-60-anos-o-pagador-de-promessas-ganhou-a-palma-de-ouro-em-cannes"><i><span style="font-weight: 400;">O Pagador de Promessas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Yoná Magalhães (</span><i><span style="font-weight: 400;">Tieta</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Roque Santeiro</span></i><span style="font-weight: 400;">) conseguem construir muito bem os personagens centrais da história, moldados através de sofrimento e dúvida.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QEsoB05RjGs&amp;ab_channel=NovaJonia"><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo na Terra do Sol</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, para muito além de um retrato do sertanejo, é também um raio-x da sociedade brasileira que ainda perdura, mesmo analisando um ponto de vista extremamente específico dela. O sertão está muito longe de virar mar e o mar ainda não virou sertão (pelo menos, não por enquanto). Infelizmente, ainda rejeitamos o Deus negro e aceitamos ser comandados pelo Diabo loiro, nas mais diferentes concepções que tais conceitos podem ser aplicados. Porém, a única coisa que ainda nos faz ignorar a ameaça de viver e nos permite seguir em frente por esse solo árido da existência é a esperança.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Deus e o Diabo na Terra do Sol (trailer original) - Glauber Rocha, 1964" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/QEsoB05RjGs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/deus-e-o-diabo-na-terra-do-sol-critica/">Deus e o Diabo na Terra do Sol: Uma câmera na mão, uma ideia na cabeça e o Cinema Brasileiro nas costas</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/deus-e-o-diabo-na-terra-do-sol-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">28938</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Não tem como se blindar de Titane</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/titane-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/titane-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Nov 2021 22:16:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[45 Mostra]]></category>
		<category><![CDATA[Adèle Guigue]]></category>
		<category><![CDATA[Agathe Rousselle]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Apresentação Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Bertrand Bonello]]></category>
		<category><![CDATA[Cannes 2021]]></category>
		<category><![CDATA[Carros]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[Crime]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Dominique Frot]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Cannes]]></category>
		<category><![CDATA[França]]></category>
		<category><![CDATA[Garance Marillier]]></category>
		<category><![CDATA[Gravidez]]></category>
		<category><![CDATA[Horror]]></category>
		<category><![CDATA[Horror corporal]]></category>
		<category><![CDATA[Identidade]]></category>
		<category><![CDATA[Jacques Akchoti]]></category>
		<category><![CDATA[Jean-Christophe Bouzy]]></category>
		<category><![CDATA[Julia Ducournau]]></category>
		<category><![CDATA[Laïs Salameh]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra SP]]></category>
		<category><![CDATA[MUBI]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Palma de Ouro]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Ruben Impens]]></category>
		<category><![CDATA[Serial killer]]></category>
		<category><![CDATA[Sexo]]></category>
		<category><![CDATA[Simonetta Greggio]]></category>
		<category><![CDATA[Terror]]></category>
		<category><![CDATA[Titane]]></category>
		<category><![CDATA[Titânio]]></category>
		<category><![CDATA[Vincent Lindon]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Gomez]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=24487</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez Opte por separar o artista da Arte ou não, Julia Ducournau já cravou seu nome em suas produções. Titane, a mais nova empreitada da cineasta francesa, estreou no Festival de Cannes, onde fez história ao levar a honraria máxima da premiação, a Palma de Ouro, e chegou ao Brasil na 45ª Mostra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/titane-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Não tem como se blindar de Titane"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/titane-critica/">Não tem como se blindar de Titane</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24488" aria-describedby="caption-attachment-24488" style="width: 1100px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24488" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-1.png" alt="Cena do filme Titane. Na imagem, vemos a protagonista, Alexia, uma mulher branca, de cabeça raspada, aparentando cerca de 30 anos, de ponta cabeça, com o corpo nu arqueado e com uma expressão de dor no rosto." width="1100" height="464" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-1.png 1100w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-1-800x337.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-1-1024x432.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-1-768x324.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24488" class="wp-caption-text">Comprado pela plataforma de streaming MUBI e com data de estreia marcada para 28/01/2022, Titane foi exibido no Brasil primeiro na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, onde participa como Apresentação Especial (Foto: Kazak Productions)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Opte por separar o artista da Arte ou não, Julia Ducournau já cravou seu nome em suas produções. </span><i><span style="font-weight: 400;">Titane</span></i><span style="font-weight: 400;">, a mais nova empreitada da cineasta francesa, estreou no Festival de Cannes, onde fez história ao levar a honraria máxima da premiação, a </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/titane-leva-palma-de-ouro-em-cannes/"><span style="font-weight: 400;">Palma de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">, e chegou ao Brasil na 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo. O segundo projeto veio antecipado depois do sucesso do polêmico </span><a href="https://personaunesp.com.br/grave-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Grave</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas a sangrenta e canibalesca estreia da diretora vira só a porta de entrada para os horrores que vem depois. E não adianta, nem </span><a href="https://newsbeezer.com/franceeng/panic-in-cannes-fainting-vomiting-the-screening-of-the-film-with-vincent-lindon-goes-wrong/"><span style="font-weight: 400;">Cannes conseguiu</span></a><span style="font-weight: 400;">: não tem como se blindar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Titane</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-24487"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também não vale a pena destrinchar a trama do longa, a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=T975nUk_uNA"><span style="font-weight: 400;">experiência completa</span></a><span style="font-weight: 400;"> requer o inesperado. Basicamente: Alexia (aqui, Adèle Guigue) sofreu um acidente de carro na infância e teve uma placa de titânio implantada na cabeça. Anos depois, já adulta (agora, </span><a href="https://www.interviewmagazine.com/film/agathe-rousselle-will-blow-your-mind"><span style="font-weight: 400;">Agathe Rousselle</span></a><span style="font-weight: 400;">), ela dança em cima de carros, transa com eles e mata pessoas. Quando precisa desaparecer depois de uma série de assassinatos, ela assume a identidade de Adrien Legrand, um menino há muito tido como desaparecido.</span></p>
<figure id="attachment_24489" aria-describedby="caption-attachment-24489" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24489" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-2.png" alt="Cena do filme Titane. Na imagem, no que aparenta ser um quarto e em uma cama de hospital, vemos, ao centro, uma menina branca, aparentando cerca de 8 anos, vestindo um traje hospitalar branco, com a cabeça raspada e uma estrutura metálica ao redor de sua cabeça e pescoço. Do lado direito, de costas para a câmera, vemos uma mulher branca, de cabelos loiros lisos, encarando a menina." width="1536" height="641" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-2.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-2-800x334.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-2-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-2-768x321.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-2-1200x501.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24489" class="wp-caption-text">A vitória do Palma de Ouro em Cannes fez de Julia Ducournau a segunda mulher premiada com o troféu máximo em 74 anos (Foto: Kazak Productions)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Titane </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma montanha-russa. Os caminhos imprevisíveis que o roteiro toma, também cortesia de </span><a href="https://news.letterboxd.com/post/664717986077229057/driven-to-love-julia-ducournau"><span style="font-weight: 400;">Ducournau</span></a><span style="font-weight: 400;">, vem acompanhados dos cruzamentos entre gêneros cinematográficos. O filme constantemente troca as marchas entre o terror, o suspense e o drama, em uma mistura que une e existe nos três, ao mesmo tempo que se empenha em quebrar as convenções de todos. Se o longa oferece sequências brutais e sanguinolentas, outras </span><a href="https://www.vulture.com/2021/07/titanes-julia-ducournau-doesnt-think-shes-a-provocateur.html"><span style="font-weight: 400;">provocativas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e traumatizantes, a violência vem acompanhada de uma surpreendente ternura, profundidade emocional e, por vezes, até humor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora não se atém a um rótulo cinematográfico, nem a um limite, mas se encoraja a ir além em sua obsessão pelo corpo humano e pelos extremos que este pode atingir. Ou não pode, mas ela os empurra até o máximo mesmo assim. Se uma Alexia transando com o carro não fosse </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/movies/story/2021-10-05/titane-explained-julia-ducournau"><span style="font-weight: 400;">bizarro e abstrato</span></a><span style="font-weight: 400;"> o suficiente, uma Alexia grávida dele (sim, do veículo) contra sua vontade e lactando graxa leva a predileção da cineasta pelos absurdos corporais a outro nível, ao mesmo tempo que a barbaridade se torna cômica pelo seu fator inacreditável. Na visão alucinante da francesa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Titane </span></i><span style="font-weight: 400;">pode se enquadrar como uma comédia </span><i><span style="font-weight: 400;">dark </span></i><span style="font-weight: 400;">surrealista ou um horror chocante em sua forma mais pura. Provavelmente, ele se encaixa nos dois ao mesmo tempo.</span></p>
<figure id="attachment_24490" aria-describedby="caption-attachment-24490" style="width: 860px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24490" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-3.jpg" alt="Cena do filme Titane. Na imagem, vemos Alexia, uma mulher branca, de cabelos loiros lisos, aparentando cerca de 30 anos, vestindo trajes de dança rosa claro e verde, inclinada com as costas apoiadas sob um carro, que tem sua lataria pintada com chamas. Do teto, luzes iluminam o ambiente e vemos um homem, em desfoque, ao fundo no canto direito." width="860" height="477" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-3.jpg 860w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-3-800x444.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-3-768x426.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24490" class="wp-caption-text">Para Julia Ducournau, na sociedade, carros são considerados objetos masculinos e representam um status simbólico, que foi incorporado em Titane (Foto: Kazak Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas seria reducionista limitar </span><i><span style="font-weight: 400;">Titane</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao seu horror corporal. Enquanto filma as gráficas punições e abusos à </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/news/general-news/toronto-multiple-moviegoers-pass-screening-cannibal-movie-raw-928431/"><span style="font-weight: 400;">carne humana</span></a><span style="font-weight: 400;">, Julia Ducournau parece se divertir em apenas dar dicas dos temas e metáforas que almeja abordar, só para deixá-las por conta da interpretação do próprio espectador. Em oposição ao explícito de algumas cenas, se Alexia transa com um carro porque a criadora pretendia discutir a sexualidade ou a libertação sexual ou se o faz porque ‘por que não?’, a subjetividade que acompanha o nítido é impressionante, intrigante e também perturbadora. Afinal, </span><i><span style="font-weight: 400;">Titane</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um estudo sobre a </span><a href="https://www.indiewire.com/2021/07/vincent-lindon-worked-out-titane-1234651181/"><span style="font-weight: 400;">maleabilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> humana ou uma reflexão profunda camuflada sob tormentos?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo das quase duas horas de duração, a </span><a href="https://vejasp.abril.com.br/blog/filmes-e-series/na-mostra-sp-titane-e-annette-ressaltam-a-forca-do-cinema-de-autor/"><span style="font-weight: 400;">idealizadora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de toda essa loucura não tem vontade nenhuma de responder a questão. Ao contrário, ao invés de explicitar suas intenções, ela deixa à mostra apenas o exterior, a forma carnal que recebe todos os </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2021/07/body-horror-quando-o-corpo-humano-vira-materia-prima-do-medo.html"><span style="font-weight: 400;">desconfortos</span></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto o interior vira o mistério a ser &#8211; ou justamente não ser &#8211; desvendado. Mistério e questionamentos esses que ela levanta para, também, levá-los ao seu máximo. Por exemplo, por que Vincent Legrand (Vincent Lindon), o pai do menino desaparecido incorporado por Alexia, simplesmente aceita que ela é seu filho, sem nem mesmo questionar ou duvidar? </span></p>
<figure id="attachment_24491" aria-describedby="caption-attachment-24491" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24491" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-4-2.jpg" alt="Cena do filme Titane. Na imagem, no que aparenta ser uma garagem, vemos, ao centro, a protagonista Alexia, uma mulher branca, de cabelos loiros lisos na altura do ombro, aparentando cerca de 30 anos, vestindo um casaco e calça preta, encarando o fogo, à sua direita, que é ilumina seu rosto e o ambiente." width="768" height="384" /><figcaption id="caption-attachment-24491" class="wp-caption-text">Titane foi roteirizado pela diretora Julia Ducournau junto de Jacques Akchoti, Simonetta Greggio e Jean-Christophe Bouzy (Foto: Kazak Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas mãos de Ducournau, o que poderia ser uma falha, uma conveniência relevada somente para mover o restante da narrativa, se reinventa para revelar o </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-ghost-story-critica/"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;">, a dependência emocional, a necessidade de afeto e até o amor incondicional. Ao passo que avança, </span><i><span style="font-weight: 400;">Titane </span></i><span style="font-weight: 400;">adentra camadas da própria existência, forma e identidade humana e se desdobra sempre além do que já era. As transformações do corpo de Alexia, constantemente se escondendo sob o disfarce de Adrien enquanto carrega a </span><a href="https://www.thrillist.com/entertainment/nation/the-year-of-the-creepy-baby-lamb-annette-titane-movie-review"><span style="font-weight: 400;">prole de um carro</span></a><span style="font-weight: 400;">, e também de Vincent, que injeta anabolizantes para manter o corpo envelhecendo em forma, são o que sustentam as mudanças das personagens, principalmente em seu emocional, e abrem caminhos para outras interpretações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já que </span><i><span style="font-weight: 400;">Titane </span></i><span style="font-weight: 400;">se vale do exterior carnal e da exploração de suas excruciantes fronteiras para refletir sobre gênero, seus estereótipos e performances, fluidez, sexualidade e laços familiares, o recipiente para a </span><a href="https://news.yahoo.com/titane-director-reveals-she-made-130000042.html?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAAD16Kr8Ff38LO1oOV-AWxPtRFlSDt86tg_hrvRgwAyuOFeI748x6LNIi9JzH4oJtheg4jNc5auF6tc0Sp6ZHAJeS_IrobAlJCyKPseRBtCxm3labtsiAWmO_Kz-cWA9FqLymsHo81Dcpjb-ZebEGRVJh6cj8xloGPFzA4mLid0jf"><span style="font-weight: 400;">insanidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme tem de fazer jus a sua proposta. Para apresentar a assassina fugitiva grávida de um carro, Alexia, e todas as suas metamorfoses, a mente genial e insana por trás da produção fez questão de preservar a falta de precedentes e a singularidade de sua protagonista. Julia Ducournau optou por uma </span><a href="https://www.thecut.com/2021/10/titanes-agathe-rousselle-is-making-one-hell-of-a-debut.html"><span style="font-weight: 400;">atriz estreante</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Agathe Rousselle ascendeu à tarefa.</span></p>
<figure id="attachment_24492" aria-describedby="caption-attachment-24492" style="width: 887px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24492" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-6.png" alt="Cena do filme Titane. Em uma garagem com carros e estruturas metálicas ao fundo, vemos, à esquerda, um carro com os faróis acesos de frente para a câmera. À direita, de costas para a câmera e em desfoque, vemos a protagonista Alexia, uma mulher branca, encarando o carro, de pé e nua." width="887" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-6.png 887w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-6-800x379.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-6-768x364.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24492" class="wp-caption-text">Momentos antes da cena de sexo que se tornará uma das mais marcantes do Cinema (Foto: Kazak Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem </span><a href="https://www.interviewmagazine.com/film/agathe-rousselle-will-blow-your-mind"><span style="font-weight: 400;">apego a sua casca humana</span></a><span style="font-weight: 400;">, assim como sua personagem, Rousselle se entrega de corpo e alma às transformações de Alexia. A ausência de projeções prévias em cima da intérprete concedeu à diretora o passe livre para explorar as mudanças da personagem e as suas ações pelo que elas são, sem comparações ou interpretações extralinguísticas. A aparência andrógina de Agathe também acrescentou à escolha, que sustenta a base de </span><i><span style="font-weight: 400;">Titane</span></i><span style="font-weight: 400;">: conduzindo Alexia de um mundo estereotipadamente feminino, em que ela dança no topo de carros para o deleite de homens que a sexualizam, para outro masculino, a diretora vai além das tradicionais </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-rocky-horror-picture-show-critica/"><span style="font-weight: 400;">performances e expectativas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de gênero.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É sob sua identidade masculina, por exemplo, que Alexia é acolhida por Vincent e forma uma relação com ele, justamente por ser tida como seu protegido. Mesmo quando a personagem desliza e aparece grávida na frente do pai, ele continua a considerá-la como filho, com quem pode se identificar e compartilhar do companheirismo para com outro homem &#8211; e </span><a href="https://www.indiewire.com/2021/07/julia-ducournau-interview-palme-dor-titane-1234652010/"><span style="font-weight: 400;">não com uma mulher</span></a><span style="font-weight: 400;">. As árduas e cruéis violências carnais, que englobam, mas também ultrapassam gênero, funcionam para além da pornografia do horror corporal e externalizam os conflitos interiores, esses que as performances excruciantes de Rousselle e Lindon também encarnam. Por mais duvidoso que sejam, os dois geram até empatia.</span></p>
<figure id="attachment_24493" aria-describedby="caption-attachment-24493" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24493" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-7.png" alt="Cena do filme Titane. A cena se passa em um banheiro, que tem a parede coberta por ladrilhos rosas. Ao fundo, vemos uma banheira, produtos de higiene, à esquerda, e um chuveiro, ao centro. Do lado direito da imagem, ao lado da banheira, vemos um gabinete rosa claro com produtos de higiene e uma lata de lixo de metal, no chão. Ao centro, sentados no chão em frente à banheira, vemos, à esquerda, Vincent, um homem branco, de cabelos curtos, aparentando cerca de 60 anos, sem camisa e vestindo um short vermelho, deitado em Adrien, à sua direita, um homem braco, com a cabeça raspada, aparentando cerca de 30 anos e vestindo um uniforme de bombeiro." width="1536" height="641" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-7.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-7-800x334.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-7-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-7-768x321.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/titane-7-1200x501.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24493" class="wp-caption-text">A fotografia de Ruben Impens, que também trabalhou com Julia Ducournau em Grave, amplifica os contrastes e encontra luz até na escuridão de Titane (Foto: Kazak Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No volante da alucinante e delirante viagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Titane</span></i><span style="font-weight: 400;">, a diretora francesa sabia que não seria tão simples fazer se relacionar com os personagens. Pelo menos (e espera-se), não por suas ações. Atingindo </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/movies/story/2021-10-05/titane-explained-julia-ducournau"><span style="font-weight: 400;">suas intenções</span></a><span style="font-weight: 400;"> de que, se a audiência </span><a href="https://deadline.com/2021/10/julia-ducournau-agathe-rousselle-talk-titane-1234847189/"><span style="font-weight: 400;">não pudesse simpatizar</span></a><span style="font-weight: 400;"> com Alexia por suas morais, que seja pelo seu corpo, este funciona como um “</span><i><span style="font-weight: 400;">cordão umbilical entre a audiência e ela</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Mais uma vez e a cada minuto ao longo dos seus cento e seis, </span><i><span style="font-weight: 400;">Titane</span></i><span style="font-weight: 400;">, assim como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wKYFH0hRpD0"><i><span style="font-weight: 400;">Grave</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, abre a porta da carne para adentrar as manifestações do psicológico humano: se os atos da protagonista não são universais, a sua dor é.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, mais do que um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">extravagante, do que uma comédia insana, terror corporal primitivo ou de um drama </span><a href="https://c7nema.net/entrevistas/item/105321-vincent-lindon-preciso-fazer-grandes-filmes-e-nao-depender-apenas-de-um-tema-social.html"><span style="font-weight: 400;">complexo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Titane </span></i><span style="font-weight: 400;">é essencialmente a mistura de todos, e também a união de todas as metáforas e simbologias que se pode tirar dele. Acima de tudo, o filme soa como um exercício de humanidade e vulnerabilidade, nem que seja a nossa: </span><a href="https://www.avclub.com/julia-ducournau-is-building-her-own-fierce-fucked-up-c-1847804428"><span style="font-weight: 400;">Julia Ducournau</span></a><span style="font-weight: 400;"> constantemente desafia o público a encontrar o humano no animalesco, mesmo que seus próprios personagens o rejeitem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É com sua visão oblíqua, fantástica, surreal e sedutora que a diretora leva sua obsessão e celebração do corpo ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;">: ainda é cedo para cantar vitória, então, por enquanto, a ousada produção é somente a </span><a href="https://deadline.com/2021/10/oscars-titane-france-international-feature-submission-1234854548/"><span style="font-weight: 400;">submissão oficial</span></a><span style="font-weight: 400;"> da França na categoria Melhor Filme Internacional. Dados os </span><a href="https://www.indiewire.com/feature/best-movies-2021-1234646618/"><span style="font-weight: 400;">devidos créditos</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Titane </span></i><span style="font-weight: 400;">é realmente uma corrida, em que a única certeza é de que o carro que leva a agitada criança Alexia no banco de trás vai bater. E nem nós, nem ela, estamos usando cintos de segurança.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="TITANE - Redband Trailer. In Theaters 10.1" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/T975nUk_uNA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/titane-critica/">Não tem como se blindar de Titane</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/titane-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">24487</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A arte berra em Ziraldo &#8211; Uma Obra que Pede Socorro</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/ziraldo-uma-obra-que-pede-socorro-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/ziraldo-uma-obra-que-pede-socorro-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Nov 2021 17:06:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[45 Mostra]]></category>
		<category><![CDATA[A Turma do Pererê]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Apresentação Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Arte brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Artes Plásticas]]></category>
		<category><![CDATA[Artes Visuais]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Canecão]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Cubismo]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[Ditadura Militar]]></category>
		<category><![CDATA[Enrico Souto]]></category>
		<category><![CDATA[Guga Dannemann]]></category>
		<category><![CDATA[Juarez Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra SP]]></category>
		<category><![CDATA[O Menino Maluquinho]]></category>
		<category><![CDATA[O Pasquim]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Ceia]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[Ziraldo - Uma Obra que Pede Socorro]]></category>
		<category><![CDATA[Ziraldo Lifelong Work of Art Crying for Help]]></category>
		<category><![CDATA[Zuenir Ventura]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=24503</guid>

					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto “Arte não é um privilégio do artista, é um direito do ser humano”. É com essa e outras contestações que abre-se Ziraldo &#8211; Uma Obra que Pede Socorro, parte do acervo da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O ponto de partida é Ziraldo, “o Michelangelo da boemia carioca”, um dos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ziraldo-uma-obra-que-pede-socorro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A arte berra em Ziraldo &#8211; Uma Obra que Pede Socorro"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/ziraldo-uma-obra-que-pede-socorro-critica/">A arte berra em Ziraldo &#8211; Uma Obra que Pede Socorro</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24504" aria-describedby="caption-attachment-24504" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24504" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1-4.jpg" alt="Imagem retangular e colorida retirada do documentário ‘Ziraldo - Uma Obra que Pede Socorro’. Nela, vemos em foco Ziraldo, um homem de idade avançada, pele parda, cabelos e sobrancelhas brancos, que veste uma camisa branca com um colete bordado bege e preto. Ele olha para cima, pensativo, enquanto coloca o dedo indicador da mão direita sobre a boca, em sinal de reflexão." width="1600" height="1100" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1-4.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1-4-800x550.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1-4-1024x704.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1-4-768x528.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1-4-1536x1056.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1-4-1200x825.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24504" class="wp-caption-text">Ziraldo &#8211; Uma Obra que Pede Socorro, exibido pela 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, é a única produção da seção Apresentação Especial disponibilizada online (Foto: Elo Company)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Arte não é um privilégio do artista, é um direito do ser humano”</span></i><span style="font-weight: 400;">. É com essa e outras contestações que abre-se </span><a href="https://45.mostra.org/filmes/ziraldo---uma-obra-que-pede-socorro-"><i><span style="font-weight: 400;">Ziraldo &#8211; Uma Obra que Pede Socorro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, parte do acervo da 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo. O ponto de partida é Ziraldo, </span><i><span style="font-weight: 400;">“o Michelangelo da boemia carioca”</span></i><span style="font-weight: 400;">, um dos artistas mais geniais da história contemporânea do Brasil. Aprendemos um pouco mais sobre seu talento e ofício, agora por entre lentes pouco exploradas. Todavia, o documentário vai muito além da pessoa Ziraldo. Além de um panorama singular sobre sua obra, o que se apresenta aqui é um comentário amplo sobre a urgência da atual situação das artes no Brasil e como a cultura do país é constantemente negligenciada em diferentes esferas sociais. O resultado é uma poderosa denúncia e um clamor por socorro.</span></p>
<p><span id="more-24503"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ziraldo ostenta uma </span><a href="https://www.todamateria.com.br/ziraldo/"><span style="font-weight: 400;">pluralidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> de competências, isso todo mundo sabe. Mas alguns de seus trabalhos sempre recebem maior destaque, e com razão. Seja sua atuação como escritor de Literatura infanto-juvenil, com obras como </span><a href="https://culturadoria.com.br/o-menino-maluquinho/"><i><span style="font-weight: 400;">O Menino Maluquinho</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://judao.com.br/a-mata-do-fundao-e-aqui-a-historia-da-turma-do-perere-do-ziraldo-virou-documentario/"><i><span style="font-weight: 400;">A Turma do Pererê</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que se entranharam no inconsciente cultural do país, ou suas contribuições como cartunista n’</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2019/06/lancado-ha-50-anos-pasquim-provocou-ditadura-e-costumes.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">O Pasquim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com seu traço irreverente e humor crítico e contestador, quando também </span><a href="https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,ziraldo-e-jaguar-serao-indenizados-por-periodo-militar,151420"><span style="font-weight: 400;">foi preso</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo até então regime militar em 1968. Devido a isso, pouco se discute sobre a riquíssima presença de Ziraldo nas artes plásticas, que está longe de </span><a href="http://www.achabrasilia.com/zerois/"><span style="font-weight: 400;">ser ocasional</span></a><span style="font-weight: 400;">. É, então, sabendo disso que o documentário de </span><a href="https://45.mostra.org/diretores/guga-dannemann-"><span style="font-weight: 400;">Guga Dannemann</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://guia.folha.uol.com.br/teatro/2018/07/musical-zeca-pagodinho-uma-historia-de-amor-ao-samba-narra-vida-do-sambista.shtml"><span style="font-weight: 400;">seu segundo</span></a><span style="font-weight: 400;">, aponta para tal caminho tão atípico.</span></p>
<figure id="attachment_24505" aria-describedby="caption-attachment-24505" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24505" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-3.jpg" alt="Fotografia retangular e colorida. Nela, vemos, da cintura para cima, Ziraldo, um homem de idade avançada, pele parda, cabelos e sobrancelhas brancos, que veste uma camisa amarela, um colete branco e uma calça jeans. Ele olha para frente, enquanto se apoia na parede, sorridente. Na parede, pode-se ver o mural do Canecão, uma das obras mais icônicas de Ziraldo. A imagem de destaque da pintura é um guerreiro em uma armadura medieval e um jacaré brindando com copos de cerveja, em cima de uma lua, com olhos, boca e nariz. O traço da obra é arredondado e geométrico." width="1140" height="694" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-3.jpg 1140w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-3-800x487.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-3-1024x623.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-3-768x468.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24505" class="wp-caption-text">Ziraldo é também responsável pelo pôster e identidade visual da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, sendo homenageado em dois documentários do evento (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse âmbito, a principal referência do longa é a, considerada por muitos, obra-prima sublime de Ziraldo: a </span><a href="https://artsandculture.google.com/exhibit/mural-do-canec%C3%A3o-ziraldo/rQLimA1XhGDAKw?hl=pt-BR"><i><span style="font-weight: 400;">Santa Ceia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um enorme mural de 32 metros de largura e 6 metros de altura, que o artista pintou nas paredes do que foi uma das maiores casas de </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> do Rio de Janeiro: o </span><a href="https://diariodorio.com/historia-do-canecao/"><span style="font-weight: 400;">Canecão</span></a><span style="font-weight: 400;">, em Botafogo. Feito por cerca de 6 meses em 1967, em plena ditadura, o painel pretendia reconstruir e reinterpretar o afresco de Leonardo Da Vinci, </span><a href="https://istoe.com.br/20-curiosidades-sobre-a-ultima-ceia-obra-prima-de-leonardo-da-vinci/"><i><span style="font-weight: 400;">A Última Ceia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, através dos seus traços mais arredondados e cartunizados. A obra oferece uma potente riqueza estética, e bebe essencialmente da fonte do cubismo, especialmente do quadro </span><a href="https://istoe.com.br/16-coisas-que-talvez-voce-nao-saiba-sobre-guernica-obra-prima-de-picasso/"><i><span style="font-weight: 400;">Guernica</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, trabalho de Pablo Picasso, que também é referenciado com frequência durante o filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de Dannemann</span> <span style="font-weight: 400;">monta um quebra-cabeças de entrevistas feitas com especialistas e pessoas próximas de Ziraldo – </span><a href="https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2021/06/01/zuenir-ventura-chega-aos-90-anos-vacinado-celebrando-a-vida-mas-critica-era-do-cinismo-e-do-deboche.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Zuenir Ventura</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="http://www.revistause.com.br/curitiba-pelas-maos-do-iconico-artista-plastico-juarez-machado/"><span style="font-weight: 400;">Juarez Machado</span></a><span style="font-weight: 400;"> são exemplos de figuras que marcam o filme –, além do próprio. Devido a isso, o apelo visual é mínimo, contudo, a riqueza dos relatos consegue sustentar a obra de maneira formidável. Além disso, o tom encontrado pelo documentário (</span><i><span style="font-weight: 400;">Ziraldo, Lifelong Work of Art Crying for Help</span></i><span style="font-weight: 400;"> em inglês) parece ideal. Geralmente descontraído, transmitindo a alegria, beleza e nostalgia das memórias do mural e do caráter comunitário e coletivo da produção, porém encontrando o perfeito equilíbrio quando demanda seriedade e concebe suas críticas.</span></p>
<figure id="attachment_24506" aria-describedby="caption-attachment-24506" style="width: 1265px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24506" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-3.jpg" alt="Fotografia retangular e preto e branco. Nela está, em cima de um andaime de madeira, Ziraldo, um homem de pele parda e cabelos escuros, que veste uma camisa polo branca e uma bermuda cinza. Ele está com um cigarro na boca, e revira uma cartolina branca. Do lado dele, está uma mulher branca, de cabelos longos e escuros presos, vestindo uma camisa social branca e uma calça preta. Ela segura seu óculos na mão direita, e observa atentamente as ações de Ziraldo. Em cima do andaime, vemos uma cadeira, escada e equipamentos de pintura. Na parede, vemos parte incompleta do mural do Canecão, obra icônica de Ziraldo." width="1265" height="760" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-3.jpg 1265w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-3-800x481.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-3-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-3-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-3-1200x721.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24506" class="wp-caption-text">O mural, que retratava um jantar regrado por cerveja e por um forte espírito carioca, foi alvo de críticas e considerado transgressor pelo regime militar. (Foto: Antonio Rudge)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Posto isso, nos envolvemos na história que formou o mural do Canecão e, no entanto, logo somos introduzidos ao seu lado sombrio, e a motivação real do documentário. Infelizmente, o painel não resistiu ao teste do tempo. Mas isso não veio por desgastes físicos naturais, quem dera. Visando expandir o estabelecimento, hoje fora de funcionamento, </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2015-01/ufrj-cria-laboratorio-para-restaurar-mural-de-ziraldo-no-antigo-canecao"><span style="font-weight: 400;">partes do mural</span></a><span style="font-weight: 400;"> foram cobertas, apagadas ou destruídas, expressando completo desrespeito com uma das obras brasileiras mais importantes da segunda metade do século XX. A UFRJ, atual proprietária do local, aprovou um </span><a href="http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/rio-450-anos/noticia/2015/01/ziraldo-celebra-restauracao-de-mural-santa-ceia-que-pintou-no-canecao.html"><span style="font-weight: 400;">projeto de restauração</span></a><span style="font-weight: 400;"> da criação de Ziraldo em 2015, mas que nunca foi efetivada por </span><a href="https://www.redebrasilatual.com.br/educacao/2021/04/educacao-e-a-area-mais-atingida-pelos-cortes-orcamentarios-de-bolsonaro/"><span style="font-weight: 400;">falta de orçamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> no processo. Neste momento, a universidade cogita </span><a href="https://educacao.uol.com.br/noticias/agencia-estado/2019/12/12/ufrj-planeja-conceder-predios-abandonados-para-cobrir-custos-inclusive-o-canecao.htm"><span style="font-weight: 400;">conceder o prédio</span></a><span style="font-weight: 400;"> à iniciativa privada, buscando investimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Investigando um incidente particular com a obra de um dos maiores artistas brasileiros, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ziraldo &#8211; Uma Obra que Pede Socorro</span></i><span style="font-weight: 400;"> descobre um fenômeno muito, muito mais grave. E que já não é mais novidade. Desde os incêndios anunciados do </span><a href="https://jornal.usp.br/atualidades/especialistas-da-usp-avaliam-perda-com-incendio-do-museu-nacional/"><span style="font-weight: 400;">Museu Nacional do Rio de Janeiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e da </span><a href="https://www.instagram.com/p/CR-QIjphwgV/"><span style="font-weight: 400;">Cinemateca Brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;">, até a depravação e descarte de obras artísticas, como é o caso do mural do Canecão e </span><a href="https://www.artequeacontece.com.br/relembre-incendios-que-destruiram-grandes-acervos-de-arte-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">muitos outros</span></a><span style="font-weight: 400;">; são apenas sintomas de um projeto deliberado de </span><a href="https://www.redebrasilatual.com.br/cultura/2021/05/oab-entra-com-acao-contra-desmonte-da-cultura-pelo-governo-bolsonaro/"><span style="font-weight: 400;">desmonte cultural</span></a><span style="font-weight: 400;">, capitaneado pelo </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2021/09/30/gestao-da-cultura-do-governo-bolsonaro-e-considerada-a-pior-das-ultimas-decadas-dizem-artistas"><span style="font-weight: 400;">governo Bolsonaro</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas cuja raiz surge de uma problemática estrutural. Aprendemos a desvalorizar a nossa cultura do berço, de modo que presenciamos a arte nacional ser apagada, bem diante de nossos olhos, sem que nenhuma providência seja tomada. Porém, a Arte não perece, pelo contrário, passa a berrar cada vez mais alto. E, se ela pede por socorro, talvez devêssemos atendê-lo.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="TRAILER - ZIRALDO Uma Obra que pede socorro." width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/zCw40n3QKsY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/ziraldo-uma-obra-que-pede-socorro-critica/">A arte berra em Ziraldo &#8211; Uma Obra que Pede Socorro</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/ziraldo-uma-obra-que-pede-socorro-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">24503</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Desmistificando La Planta</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/la-planta-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/la-planta-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Nov 2020 16:45:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[44 Mostra]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Apresentação Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Beto Brant]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Cannabis]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[La Planta]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra SP]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Vitor Tenca]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=16467</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vitor Tenca A cannabis faz parte da história humana por milhares de anos e tem tremendas propriedades além de sua mera utilização recreacional. Seu papel central para a compreensão do sistema endocanabinóide e sua relação especial com o sistema químico corpóreo a torna única, e ainda há muito a se descobrir. O que você sabe &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/la-planta-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Desmistificando La Planta"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/la-planta-critica/">Desmistificando La Planta</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16470" aria-describedby="caption-attachment-16470" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16470" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/102262.jpg" alt="" width="1920" height="709" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/102262.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/102262-300x111.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/102262-1024x378.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/102262-768x284.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/102262-1536x567.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/102262-1200x443.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16470" class="wp-caption-text">O documentário de Beto Brant emplacou na 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Tenca</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><i><span style="font-weight: 400;">cannabis</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz parte da história humana por milhares de anos e tem tremendas propriedades além de sua mera utilização recreacional. Seu papel central para a compreensão do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Vtc11kRinf4&amp;has_verified=1"><span style="font-weight: 400;">sistema endocanabinóide</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sua relação especial com o sistema químico corpóreo a torna única, e ainda há muito a se descobrir. O que você sabe sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">cannabis</span></i><span style="font-weight: 400;">? É com essa pergunta que o documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">La Planta</span></i><span style="font-weight: 400;">, exibido na 44ª <a href="https://personaunesp.com.br/tag/44-mostra/">Mostra Internacional</a> de Cinema em São Paulo, vem nos instigar de uma forma sensível, informativa e, o mais importante, afirmativa. </span></p>
<p><span id="more-16467"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa dirigido por Beto Brant nos traz logo de cara uma série das mais diversas histórias de vida. Daí que vemos toda a competência nas entrevistas de Cacho, Chuchú e Bati, Willy, Alejandro e Claudia que compartilham em suas trajetórias o tratamento de suas enfermidades à base da </span><i><span style="font-weight: 400;">cannabis </span></i><span style="font-weight: 400;">medicinal. Mas não é apenas a sensibilidade que toca o espectador &#8211; o choque é causado quando percebemos que, em nenhum dos casos, esse medicamento foi prescrito (vide que esse se encontra fora do receituário nacional uruguaio). </span></p>
<figure id="attachment_16471" aria-describedby="caption-attachment-16471" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16471" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/956_2.jpg" alt="" width="1200" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/956_2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/956_2-300x180.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/956_2-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/956_2-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16471" class="wp-caption-text">Beto Brant já participou de outras edições da Mostra (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos casos mais específicos, uma nova batalha vem sendo travada pelo filme: o duelo entre quimioterapia e o tratamento com a maconha. Nisso se vê como existem muitos pormenores nos bastidores da utilização dessa planta, mesmo em países que já passaram por um processo de legalização. Na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=D7kcctJzbM4"><span style="font-weight: 400;">roda de conversa</span></a><span style="font-weight: 400;"> proporcionada pelo canal do </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube </span></i><span style="font-weight: 400;">da Mostra de São Paulo, Brant nos explica um pouco mais do assunto, visto que não são apenas as indústrias farmacêuticas que boicotam a </span><i><span style="font-weight: 400;">cannabis</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas também os bancos que não creditam o dinheiro vindo desses fins – um exemplo real que Beto traz à tona é o fato das contas farmacêuticas no Canadá (país que investe nesses meios de produção), terem despencado em 11%. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mescla Brasil-Uruguai permeia todos os 51 minutos de tela rolando, principalmente no que se trata dos cientistas e pesquisadores entrevistados. Por mais que os usuários desses medicamentos se mostrem dispostos a utilizar um produto provindo de uma planta, não quer dizer que as instituições públicas incentivem esses estudos, como explica cirurgicamente a neurofarmacóloga Cecília Scorza. Essa ideia é confirmada pelo químico Felipe Santos ao abordar a guerra às drogas, visto que sem um impulso governamental, o mercado clandestino mantém suprindo as demandas da sociedade, enquanto as vítimas são apenas de um lado. </span></p>
<figure id="attachment_16472" aria-describedby="caption-attachment-16472" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16472" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/la-planta-3-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1433" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/la-planta-3-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/la-planta-3-300x168.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/la-planta-3-1024x573.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/la-planta-3-768x430.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/la-planta-3-1536x860.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/la-planta-3-2048x1147.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/la-planta-3-1200x672.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16472" class="wp-caption-text">La planta más querida (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a produção canábica não se resume apenas a fábricas e indústrias, já que, na verdade a farmacopeia pode estar dentro de nossas próprias casas. Nos deparamos com situações desesperadoras que ganham uma alternativa por meio das produções artesanais &#8211; como o tocante caso das mães com filhos epilépticos no Uruguai mostrados no documentário, que se veem reféns desses métodos dado que a importação de remédios licenciados não é viável. Com isso, outro fator é colocado em mesa, dessa vez a questão de renda e </span><i><span style="font-weight: 400;">status</span></i><span style="font-weight: 400;"> social que produzem uma disparidade no acesso ao medicamento legal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E como uma espécie de marca d’água, o caráter afirmativo do filme vem para dar uma aula de concisão ao espectador. Do início ao fim, a mensagem é a mesma, </span><a href="https://44.mostra.org/filmes/la-planta"><i><span style="font-weight: 400;">La Planta</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não é uma denúncia, mas, sim, uma afirmação, da maneira mais positiva e interpretativa possível. Àqueles que possuem algum tipo de preconceito com os efeitos de uma simples planta, o filme é um convite, quase como um livro a ser estudado e, se não for das minhas palavras, que sejam dos próprios entrevistados: </span><i><span style="font-weight: 400;">não sou psicólogo, nem médico, nem químico, nem nada, sou um ex-doente que lhes digo de coração que esta planta é o máximo</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/la-planta-critica/">Desmistificando La Planta</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/la-planta-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">16467</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Coronation é o pesadelo coletivo do qual todo indivíduo gostaria de acordar</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/coronation-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/coronation-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Nov 2020 20:30:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[44 Mostra]]></category>
		<category><![CDATA[Ai Weiwei]]></category>
		<category><![CDATA[Apresentação Especial]]></category>
		<category><![CDATA[China]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[Coronation]]></category>
		<category><![CDATA[Coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[COVID]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[João Batista Signorelli]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra SP]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=16399</guid>

					<description><![CDATA[<p>João Batista Signorelli Caso você não tenha prestado atenção às notícias dos últimos dez meses, ou se o isolamento social já lhe era regra antes de 2020, é importante saber que o mundo vive um momento bastante delicado de sua história: uma pandemia global. Nesse contexto de grande impacto a todos os continentes, o documentário &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/coronation-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Coronation é o pesadelo coletivo do qual todo indivíduo gostaria de acordar"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/coronation-critica/">Coronation é o pesadelo coletivo do qual todo indivíduo gostaria de acordar</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16400" aria-describedby="caption-attachment-16400" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16400" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Coronation1.jpg" alt="" width="1800" height="1013" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Coronation1.jpg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Coronation1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Coronation1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Coronation1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Coronation1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Coronation1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16400" class="wp-caption-text">O documentário proporciona um mergulho aos bastidores esterilizados do hospital de campanha em Wuhan (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><strong>João Batista Signorelli</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Caso você não tenha prestado atenção às notícias dos últimos dez meses, ou se o isolamento social já lhe era regra antes de 2020, é importante saber que o mundo vive um momento bastante delicado de sua história: uma </span><a href="https://exame.com/mundo/o-que-muda-no-combate-ao-coronavirus-com-a-declaracao-de-pandemia-global/"><span style="font-weight: 400;">pandemia global</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nesse contexto de grande impacto a todos os continentes, o documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Coronation</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido pelo artista multifacetado </span><a href="https://archtrends.com/blog/ai-weiwei/"><span style="font-weight: 400;">Ai Weiwei</span></a><span style="font-weight: 400;">, tem sua estreia no Brasil como Apresentação Especial durante a 44ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema de São Paulo. Nele, Weiwei traz um olhar singular para a experiência de indivíduos durante os primeiros meses da pandemia em Wuhan, além de mergulhar nos bastidores do combate ao vírus, tecendo uma crítica ousada ao governo chinês.</span></p>
<p><span id="more-16399"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Longe de criar um relato descritivo ou informativo a respeito dos acontecimentos, o artista agrupa registros e experiências pessoais capturadas por colaboradores durante a quarentena na cidade de Wuhan, primeiro epicentro da pandemia. A colagem de experiências individuais sob perspectivas tão diversas agrega ao filme um caráter subjetivo, ou ainda mais, humano. Ao mesmo tempo, foge completamente daquilo que já se tornou o subgênero cinematográfico de &#8216;filme de isolamento&#8217;, ao apresentar certas situações muito mais desafiadoras do que as vividas por um artista qualquer entediado em sua casa. </span></p>
<figure id="attachment_16401" aria-describedby="caption-attachment-16401" style="width: 2161px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16401" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Coronation-2.jpg" alt="" width="2161" height="1215" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Coronation-2.jpg 2161w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Coronation-2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Coronation-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Coronation-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Coronation-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Coronation-2-2048x1151.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Coronation-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16401" class="wp-caption-text">Meng Liang, impedido de sair de Wuhan, é apenas um dos muitos personagens a integrar a costura de narrativas em Coronation (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A decisão de focar em experiências individuais não é por acaso. Em um país onde as liberdades individuais são limitadas por políticas unilaterais, a escolha de Weiwei de olhar para os indivíduos não é apenas formal, mas também política. Pode parecer ‘mais do mesmo’, se encarada do ponto de vista da nossa cultura ocidental tão individualista, mas para alguém que teve</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=u-2ZhQEron4"><span style="font-weight: 400;"> a voz e a liberdade cerceados</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu próprio país, é um posicionamento mais do que necessário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As narrativas individuais fazem um contraponto às cenas em que há um número grande de pessoas. Estas causam quase que uma reação de riso involuntário, reforçado pela trilha sonora um tanto cômica, que parece caçoar dos grupos mostrados, estejam eles prestando juramento ao comunismo chinês, ou executando uma constrangedora dança que ensina o que parece ser o passo a passo de como lavar as mãos. Aqui, ele não visa criticar os coletivos &#8211; uma vez que este, assim como trabalhos anteriores, são frutos de um trabalho colaborativo assinado por Weiwei &#8211; mas sim o controle e a mentalidade unicamente coletivista imposta pelo estado.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Mas qual o prejuízo que essa imposição seria capaz de causar?”</span></i><span style="font-weight: 400;"> poderia-se perguntar; e é aí que os registros pessoais ganham força. Um trabalhador que vai para Wuhan trabalhar na construção relâmpago do hospital de campanha e passa a se “alojar” em um estacionamento subterrâneo após ser impedido de sair da cidade devido à quarentena, ou ainda um homem preso em um labirinto de burocracia estatal por não conseguir recuperar as cinzas do próprio pai morto pelo vírus são alguns exemplos. São relatos que provocam o senso comum e chamam atenção para problemas que a princípio seriam invisíveis. </span></p>
<figure id="attachment_16402" aria-describedby="caption-attachment-16402" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16402" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Coronation-3.jpg" alt="" width="1800" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Coronation-3.jpg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Coronation-3-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Coronation-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Coronation-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Coronation-3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Coronation-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16402" class="wp-caption-text">Provocativo e humano, Ai Weiwei é um artista que nunca foge da atualidade em suas obras (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Indo para além dos personagens, </span><i><span style="font-weight: 400;">Coronation</span></i><span style="font-weight: 400;"> realiza um mergulho nos bastidores do enorme hospital de campanha construído na cidade. Após um trâmite pelos longos corredores e os extensos procedimentos de higienização para a entrada na UTI, temos acesso também aos procedimentos realizados com os pacientes, em um cenário esterilizado que parece saído de um filme de ficção científica. E diante de tanto sofrimento nesse cenário quase apocalíptico, resta apenas a sensação de incredulidade diante do presente.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Coronation </span></i><span style="font-weight: 400;">oferece um olhar singular para as </span><a href="https://brasil.elpais.com/ideas/2020-04-05/ai-weiwei-o-capitalismo-chegou-ao-seu-fim.html"><span style="font-weight: 400;">contradições de um país</span></a><span style="font-weight: 400;"> que é </span><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2020-03-30/as-licoes-contra-o-coronavirus-que-coreia-do-sul-e-china-podem-dar-ao-mundo-incluindo-o-brasil.html"><span style="font-weight: 400;">eficiente para combater uma pandemia</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas que neste processo ignora tantos problemas mais específicos que vêm a surgir no meio desse caminho, além de </span><a href="https://www.terra.com.br/noticias/mundo/china-endurece-censura-online-sobre-coronavirus,caf6563b790a03d837edc8dd8276cb9cbynwf6az.html"><span style="font-weight: 400;">calar quem venha a criticar suas ações</span></a><span style="font-weight: 400;">. É um documentário provocativo e ao mesmo tempo sensível e humano quando necessário, cuja atualidade é tanta que só a leitura do título já acusaria o pleonasmo. Mal posso esperar o dia em que acordando desse pesadelo, sua relevância passar a ser unicamente a de documento histórico: um documento importante certamente, mas que não venha nunca a receber o </span><i><span style="font-weight: 400;">status </span></i><span style="font-weight: 400;">de &#8216;atual e relevante&#8217; outra vez. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/coronation-critica/">Coronation é o pesadelo coletivo do qual todo indivíduo gostaria de acordar</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/coronation-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">16399</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Masters in Short: os curtas da Mostra de São Paulo passeiam entre o onírico e o real</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/masters-in-short-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/masters-in-short-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Nov 2020 19:01:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[44 Mostra]]></category>
		<category><![CDATA[A Visita]]></category>
		<category><![CDATA[Apresentação Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Curta-Metragem]]></category>
		<category><![CDATA[Curtas]]></category>
		<category><![CDATA[Escondida]]></category>
		<category><![CDATA[Evan e Galen Johnson]]></category>
		<category><![CDATA[Guy Maddin]]></category>
		<category><![CDATA[Jafar Panahi]]></category>
		<category><![CDATA[Jia Zhangke]]></category>
		<category><![CDATA[João Batista Signorelli]]></category>
		<category><![CDATA[Masters in Short]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra SP]]></category>
		<category><![CDATA[O Adivinhador]]></category>
		<category><![CDATA[Os Caçadores de Coelhos]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Sergei Loznitsa]]></category>
		<category><![CDATA[Uma Noite na Ópera]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=16369</guid>

					<description><![CDATA[<p>João Batista Signorelli Um cineasta chinês lidando com a solidão durante a quarentena, uma sucessão surreal de imagens vindas do inconsciente, uma visita à ópera de Paris na década de 50, e por fim uma garota curda proibida de cantar em público podem não ter muito em comum, mas todos estão presentes em Masters in &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/masters-in-short-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Masters in Short: os curtas da Mostra de São Paulo passeiam entre o onírico e o real"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/masters-in-short-critica/">Masters in Short: os curtas da Mostra de São Paulo passeiam entre o onírico e o real</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16370" aria-describedby="caption-attachment-16370" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16370" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1.jpg" alt="" width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16370" class="wp-caption-text">A projeção solitária de um filme em A Visita é um espelho da própria situação do público em isolamento (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><strong>João Batista Signorelli</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um cineasta chinês lidando com a solidão durante a quarentena, uma sucessão surreal de imagens vindas do inconsciente, uma visita à ópera de Paris na década de 50, e por fim uma garota curda proibida de cantar em público podem não ter muito em comum, mas todos estão presentes em <em>Masters in Short</em>, a seleção de curtas da 44ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional </span></a><span style="font-weight: 400;">de Cinema em São Paulo, exibidos como Apresentação Especial. Os 5 curtas escolhidos podem de início aparentarem não ter nada de comum, mas ao comparar o modo como cada um retrata a sua realidade diegética, relações interessantes começam a despontar.</span></p>
<p><span id="more-16369"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os curtas podem ser organizados de modo a formar uma escala gradativa que vai do completo surrealismo até a mais concreta realidade. Temos a partir de um dos extremos do espectro os dois curtas de Guy Maddin com os irmãos Evan e Galen Johnson em uma total fuga da realidade; uma singela situação encenada no curta de Jia Zhangke imaginada a partir da realidade de isolamento vivida hoje; uma viagem por imagens de arquivo reais montadas de maneira orquestrada no minidocumentário de Sergei Loznitsa; e por fim a mais honesta e crua realidade sem filtros de Jafar Panahi. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É curioso observar algumas semelhanças estéticas e temáticas entre as obras. Três deles são predominantemente em preto e branco, mas em todos há alguma incursão de cores, dando vida de maneira inesperada a universos monocromáticos, além de um quarto filme colorido que não se esquece de incluir o P&amp;B em sua narrativa. Além disso, em todos a ideia de Arte ou de performance se manifesta de alguma maneira, seja em uma projeção solitária de um filme clássico, nas apresentações de um adivinhador em uma feira, na Arte que se mistura às vivências de um sonho, ou ainda em um canto proibido escondido atrás de cortinas. </span></p>
<figure id="attachment_16371" aria-describedby="caption-attachment-16371" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16371" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2.jpg" alt="" width="2048" height="1156" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-1024x578.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-768x434.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-1536x867.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-1200x677.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16371" class="wp-caption-text">Jia Zhangke brinca com nossos novos hábitos e receios em seu “curta de quarentena” (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://44.mostra.org/filmes/a-visita"><i><span style="font-weight: 400;">A Visita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Jia Zhangke, que também marca presença na Mostra com seu longa documental </span><a href="https://44.mostra.org/filmes/nadando-ate-o-mar-se-tornar-azul"><i><span style="font-weight: 400;">Nadando até o Mar se Tornar Azul</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, interpreta a ele mesmo neste singelo retrato do novo cotidiano do seu isolamento social na China. Tratando com leveza e humor os novos hábitos sociais, ele busca pelo cômico das situações únicas ao momento que estamos vivendo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seja associando o efeito sonoro do gatilho de uma arma ao medidor de temperatura apontado para a cabeça, ou brincando com o desconforto de encostar em uma tela potencialmente contaminada, Jia conduz esse senso de humor para um desfecho agridoce. Nele, uma multidão, algo tão impensável para o momento presente é vista,  mas apenas dentro da projeção de um filme assistido por dois personagens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> Estes contemplam aquelas imagens talvez com melancolia, ou talvez simplesmente com a admiração, e o desejo de escapismo de quem assiste a uma obra ficcional que retrata coisas impossíveis para a </span><a href="https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/02/27/coronavirus-veja-perguntas-e-respostas.ghtml"><span style="font-weight: 400;">realidade que vivemos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mesmo que essa realidade seja apenas temporária.</span></p>
<figure id="attachment_16372" aria-describedby="caption-attachment-16372" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16372" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-2048x1536.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16372" class="wp-caption-text">O Adivinhador imita perfeitamente o estilo visual do cinema mudo, ao mesmo tempo que experimenta com essa linguagem (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme reproduzido em seguida, </span><a href="https://44.mostra.org/filmes/o-adivinhador"><i><span style="font-weight: 400;">O Adivinhador</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">parece querer levar ao pé da letra esse desejo de fugir da realidade. Contando a história de um homem que vive de apresentações em uma feira onde surpreende sua audiência com seus atos impressionantes de adivinhação. Ele tem a vida e carreira arruinados após ter seu espetáculo sabotado e, ainda por cima, se apaixonar por uma mulher que descobre ser sua irmã. A partir daí, ao invés de tentar recuperar o seu prestígio, ele passa a buscar um modo de provar a não-consanguinidade de sua irmã.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a trama soa absurda, ela não poderia se adequar melhor ao estilo visual único de Guy Maddin, conhecido por evocar em seus filmes a linguagem do cinema mudo, mas sem abandonar sua originalidade para isso. Se em outros filmes como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YB9Oq0hn5KY"><i><span style="font-weight: 400;">O Artista (2011)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">a relação com essa linguagem clássica se limita a uma simples reprodução de estilo, Guy Maddin experimenta as inúmeras possibilidades que esse formato pode proporcionar, como se estivesse dando continuidade às vanguardas do </span><a href="https://www.aicinema.com.br/expressionismo-alemao-movimentos-cinematograficos/"><span style="font-weight: 400;">Expressionismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e do </span><a href="https://www.cantodosclassicos.com/surrealismo-no-cinema/"><span style="font-weight: 400;">Surrealismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que perderam espaço após a chegada do cinema falado. Cheio de estripulias visuais e ideias mirabolantes, o curta mergulha no universo surreal e caótico de um homem que antes era capaz de saber em quais dos disparos de uma arma haviam balas, e agora sequer tem o controle de sua própria vida. </span></p>
<figure id="attachment_16373" aria-describedby="caption-attachment-16373" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16373" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-2048x1080.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16373" class="wp-caption-text">Os Caçadores de Coelhos homenageia o cineasta Federico Fellini, ao mesmo tempo que imagina as projeções de seu inconsciente (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se cada curta da exibição carrega um grau de realidade específico, é curiosa a escolha de trazer dois filmes frutos da parceria de Guy Maddin com Evan e Galen Johnson, como se essa opção por duas obras mais oníricas causasse um desequilíbrio no conjunto dos curtas para essa tendência mais surrealista. Mas essa escolha torna-se facilmente justificável ao se imaginar diante da difícil escolha de selecionar apenas um destes dois projetos. E se </span><i><span style="font-weight: 400;">O Adivinhador </span></i><span style="font-weight: 400;">ainda trazia consigo um arco dramático e uma estrutura narrativa em meio às experimentações, </span><a href="https://44.mostra.org/filmes/os-cacadores-de-coelhos"><i><span style="font-weight: 400;">Os Caçadores de Coelhos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um sonho em sua natureza mais distante de qualquer fórmula ou forma. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Produzido em homenagem ao centenário do cineasta Federico Fellini, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rabbit Hunters </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma viagem pelos sonhos estrelada por Isabella Rossellini. Filha de outro importante diretor italiano, Roberto Rossellini, ela interpreta o que parece ser uma versão do próprio Fellini em uma projeção do inconsciente. O filme não apenas evoca sequências clássicas do diretor, como a icônica</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6TsElhgMeXE"><span style="font-weight: 400;"> sequência de abertura</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua obra-prima </span><i><span style="font-weight: 400;">8½</span></i><span style="font-weight: 400;">, como também ganha vida própria ao criar uma atmosfera de sonho cuja fidelidade ao modo como os sonhos operam (pelo menos os meus) é tanta, que deixaria David Lynch com inveja. Entrecruzando-se por camadas de sonho desconexas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Caçadores de Coelhos </span></i><span style="font-weight: 400;">constrói um mundo onde uma projeção de um filme se torna a nova realidade, os cenários se diluem uns nos outros, e o questionamento em relação a “o que é real?” se torna irrelevante.</span></p>
<figure id="attachment_16374" aria-describedby="caption-attachment-16374" style="width: 2128px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16374" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-5.jpg" alt="" width="2128" height="1616" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-5.jpg 2128w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-5-300x228.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-5-1024x778.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-5-768x583.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-5-1536x1166.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-5-2048x1555.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-5-1200x911.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16374" class="wp-caption-text">Uma Noite na Ópera trabalha com imagens de arquivo para homenagear as noites de gala francesas (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Saindo dos sonhos e saltando para a realidade, </span><a href="https://44.mostra.org/filmes/uma-noite-na-opera"><i><span style="font-weight: 400;">Uma Noite na Ópera</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é compilação de imagens de arquivos, organizadas pelo ucraniano Sergei Loznitsa da ópera de Paris nas décadas de 50 e 60. Ao som de uma trilha sonora majestosa, o curta apresenta a alta sociedade parisiense da época, com direito a aparições de celebridades como Brigitte Bardot e até mesmo a realeza britânica. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O maior mérito do documentário é sua montagem que, ao unir cenas gravadas em anos diferentes e organizá-las de acordo com o espaço e o tempo, produz a sensação de estarmos realmente acompanhando uma única noite na ópera, desde a chegada dos carros, até a saída pelas escadarias após a apresentação. Porém, seus méritos artísticos não passam muito daí, e seus longos 20 minutos saturam rapidamente, flertando com a repetição e o tédio. Ainda assim a obra funciona como um registro histórico eficiente, ressignificando imagens pelo modo como as agrupa e organiza, imagens estas que separadamente não teriam apelo ou propósito algum para serem assistidas além da pura curiosidade de poucos.</span></p>
<figure id="attachment_16375" aria-describedby="caption-attachment-16375" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16375" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-6.jpg" alt="" width="2048" height="1010" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-6.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-6-300x148.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-6-1024x505.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-6-768x379.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-6-1536x758.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-6-1200x592.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16375" class="wp-caption-text">Escondida é tão sincero em seus registros que talvez transcenda o que entendemos por documentário (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto que em </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma Noite na Ópera</span></i><span style="font-weight: 400;"> o tempo e realidade são manipulados e distorcidos, </span><a href="https://44.mostra.org/filmes/escondida"><i><span style="font-weight: 400;">Escondida</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não poderia ter seguido um caminho mais diferente. Talvez seja devido ao fato de este ter sido o meu primeiro contato com o cinema de Jafar Panahi, mas de qualquer maneira me senti tão surpreendido a ponto de repensar tudo o que eu antes entendia por documentário. Se no filme visto anteriormente a música, a seleção e a organização das imagens construía uma espécie de ilusão escapista e atraente, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Escondida </span></i><span style="font-weight: 400;">os eventos documentados sofrem pouca ou nenhuma alteração. As ações desenrolam-se praticamente em tempo real, em longos planos, e não há trilha sonora ou qualquer espécie de artifício para induzir emoções ou sensações além dos próprios registros, eles falam por si. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A proposta é revelada aos poucos: Panahi e sua filha filmam a eles mesmos acompanhados de uma amiga, enquanto vão a uma aldeia na tentativa de convencer uma mãe a permitir sua filha, proibida de cantar em público, a performar em um grupo de teatro formado apenas por mulheres. Gravado com apenas dois celulares, o filme nunca se esconde de sua própria condição de simplicidade, e justamente essa condição que colabora para tornar tudo tão crível e marcante. É quase como se tivéssemos acesso aos arquivos pessoais do diretor, e no meio disso fossem encontrados alguns registros improvisados de um momento singular de sua vida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um desfecho que emociona por sua beleza e unicidade, </span><i><span style="font-weight: 400;">Escondida</span></i><span style="font-weight: 400;"> encerra a sessão de </span><i><span style="font-weight: 400;">Masters in Short</span></i><span style="font-weight: 400;"> com aquilo do qual alguns dos curtas exibidos tentaram escapar, e outros esculpir à sua própria maneira. Aquilo que o cinema costuma tentar maquiar, mas que após o rolar dos créditos predomina sobre a Arte; que as luzes, os efeitos e as artimanhas podem até tentar esconder, mas que sempre prevalecerá por detrás das cortinas e das telas. Aquilo que Arte busca sempre recriar, mas que Jafar Panahi insiste em manter, e que ao final se torna inescapável a qualquer tentativa de ilusão: o mundo real. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/masters-in-short-critica/">Masters in Short: os curtas da Mostra de São Paulo passeiam entre o onírico e o real</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/masters-in-short-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">16369</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
