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	<title>Arquivos A Esperança &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>10 anos de Jogos Vorazes: nunca esqueceremos a faísca acesa pela Garota em Chamas</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Mar 2022 03:03:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“E que a sorte esteja sempre a seu favor” Júlia Caroline Fonte Obras literárias costumam trazer diversos desafios quando transportadas para as telas, tanto para fazer a adaptação funcionar nesse meio, quanto para agradar o grande fandom que a acompanha. Há 10 anos, presenciamos Jogos Vorazes (The Hunger Games) causar um alvoroço e garantir o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-filme-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "10 anos de Jogos Vorazes: nunca esqueceremos a faísca acesa pela Garota em Chamas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26870" aria-describedby="caption-attachment-26870" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-26870" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-8.jpg" alt="A imagem tem um fundo verde médio desfocado, que é uma floresta durante o dia, Katniss está em uma pequena clareira com arbustos rasteiros próximos. Ela se encontra em pé mais para a esquerda da imagem, com o corpo de frente para a câmera, com o rosto e o olhar sério virados para a direita, para onde ela mira uma flecha e o arco; a arma é simples e rústica, feitos em madeira. Katniss é uma mulher branca, magra, alta, de cabelo castanho levemente avermelhado. Ela veste uma, uma calça preta, coberta por uma blusa com tecido soltinho e um cinto também preto por cima, e se cobre com uma jaqueta de couro caramelo, transpassada por uma tira de couro tira de couro marrom, que segura o suporte de suas flechas nas costas. Na mão direita, a que apoia a flecha, há uma pequena proteção de tiras de couro." width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-8.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-8-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-8-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-8-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-8-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-8-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26870" class="wp-caption-text">“Esperança é a única coisa mais forte que o medo” (Foto: Lionsgate Entertainment)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“E que a sorte esteja sempre a seu favor”</span></p>
</blockquote>
<p><b>Júlia Caroline Fonte</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Obras literárias costumam trazer diversos desafios quando transportadas para as telas, tanto para fazer a adaptação funcionar nesse meio, quanto para agradar o grande </span><a href="https://medium.com/@TRIOGROUP/porque-fandoms-s%C3%A3o-mais-importantes-do-que-voc%C3%AA-imagina-cf8ed0637b38"><i><span style="font-weight: 400;">fandom</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que a acompanha. Há 10 anos, presenciamos </span><a href="https://www.garotasgeeks.com/5-motivos-para-amar-jogos-vorazes/"><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">The Hunger Games</span></i><span style="font-weight: 400;">) causar um alvoroço e garantir o grande sucesso que viria com suas </span><a href="https://www.aficionados.com.br/ordem-filmes-livros-jogos-vorazes/"><span style="font-weight: 400;">três sequências</span></a><span style="font-weight: 400;">. Inspirado no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TSsSvl2P_SI"><span style="font-weight: 400;">livro de Suzanne Collins</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme foi responsável por transformar o universo das adaptações literárias no Cinema, iniciando uma nova fase do gênero e se tornando um marco para ele e para o protagonismo feminino entre o público juvenil; bem como iniciando um novo respiro para as séries de distopias.</span></p>
<p><span id="more-26869"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história acontece em uma realidade </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/livros/noticia/2020/07/o-que-e-distopia-e-por-que-o-genero-voltou-com-forca-nos-ultimos-tempos-ckcdmdb39001j0147fxuavz36.html"><span style="font-weight: 400;">distópica</span></a><span style="font-weight: 400;">, na qual a capital </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OWBFqBlTPcQ"><span style="font-weight: 400;">Panem</span></a><span style="font-weight: 400;"> controla </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-GFixcdeN-M"><span style="font-weight: 400;">12 distritos</span></a><span style="font-weight: 400;">, que subordinados, são forçados a disponibilizar trabalho e matéria-prima; além de jovens para participar de um programa de televisão, os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OhyMx-wpEfU"><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde os participantes &#8211; conhecidos como </span><a href="https://jogosvorazes.fandom.com/wiki/Tributos"><span style="font-weight: 400;">tributos</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; são forçados a lutar até morte para que haja apenas um vitorioso. Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence), uma garota pobre do Distrito 12, se oferece como voluntária para proteger a irmã Primrose (Willow Shields), que foi escolhida para os Jogos. Assim, ela assume seu lugar e enfrenta diversos desafios para sobreviver ao lado de Peeta Mellark (Josh Hutcherson), um padeiro de seu distrito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa explora diversas dificuldades da protagonista, que com seu gesto de coragem e </span><a href="https://www.distrito13.com.br/livros/o-fardo-familiar-em-jogos-vorazes/"><span style="font-weight: 400;">amor com a irmã</span></a><span style="font-weight: 400;">, vem a se tornar um símbolo para os distritos finalmente se rebelarem contra a opressão da capital. Sustentando uma narrativa de romance com Peeta (um amor encenado que depois se torna real), ambos conseguem sobreviver e desafiar o </span><a href="https://valkirias.com.br/de-1984-a-star-wars-o-que-a-ficcao-tem-a-dizer-sobre-regimes-totalitarios/"><span style="font-weight: 400;">poder e soberania</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><a href="https://www.garotasgeeks.com/jogos-vorazes-a-esperanca-assista-ao-primeiro-comunicado-oficial-da-capital/"><span style="font-weight: 400;">Presidente Snow</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Donald Sutherland), tornando-se uma ameaça que se intensifica através dos filmes seguintes. Porém, não sem sofrer diversas perdas no caminho para conquistar a liberdade do país.</span></p>
<figure id="attachment_26871" aria-describedby="caption-attachment-26871" style="width: 724px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-26871" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-3.jpeg" alt="A cena em questão diz respeito à colheita no Distrito 12, momento em que os tributos são escolhidos para participar dos jogos vorazes. É uma imagem clara, com predomínio de tons brancos, beges e marrons, em que Katniss está no centro, com uma expressão de preocupação e desespero, empurrando para os lados dois guardas com uniformes brancos futuristas. A imagem é próxima, mostrando Katniss até os joelhos. Ela usa um vestido quase midi, azul claro de mangas curtas, botões no corpo e uma fita com um laço no centro da cintura, seu cabelo está preso em um coque baixo. Ao fundo, há uma fila de garotos jovens, que vestem calças marrons no estilo das de trabalhadores e camisas em tons de bege. Eles estão separados e limitados de Katniss e dos guardas por uma corda, todos observam atentamente a ação da protagonista." width="724" height="482" /><figcaption id="caption-attachment-26871" class="wp-caption-text">Katniss protagoniza um momento que emociona e sensibiliza o público de Panem: se voluntariou para os Jogos para salvar a vida da irmã (Foto: Lionsgate Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em suas sequências, vemos o caminho de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SphQzQQ8gGc"><span style="font-weight: 400;">Katniss</span></a><span style="font-weight: 400;"> se transformando e ficando cada vez mais perigoso, escancarando o arriscado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=k8mx-JGUXVw"><span style="font-weight: 400;">jogo político</span></a><span style="font-weight: 400;"> no qual ela foi colocada. Os Jogos Vorazes foram apenas seu primeiro obstáculo. Assim como muitos tributos, ela vira uma estrela, e sua fama se torna um desafio delicado tanto para Snow quanto ao domínio da capital; com diversas e sutis provocações, ela desafia seus inimigos e instiga o povo a lutar nessa batalha. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iHIFmAqXQQ0"><span style="font-weight: 400;">Katniss</span></a><span style="font-weight: 400;"> nunca começou nada por esse objetivo, seu único foco era proteger a irmã e garantir a sobrevivência daqueles que ama, além da própria, sem deixar de lutar pelo certo e por aquilo que acredita (mesmo que isso implique tomar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7ofbjGe9pGQ"><span style="font-weight: 400;">atitudes drásticas</span></a><span style="font-weight: 400;">), características que cativaram seu público e a tornaram tão humana. Seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=J8Z3aMtMBoI"><span style="font-weight: 400;">broche</span></a><span style="font-weight: 400;"> se torna um símbolo de luta, no qual ela se transforma; Katniss agora é o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=u2dF4gtHeN8"><span style="font-weight: 400;">tordo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que move a revolução, e não pode mais fugir disso. Assim, o peso de seu papel passa a custar muito: seus amigos, seu distrito (destruído em um bombardeio), sua sanidade e, principalmente, sua irmã, que morreu ajudando a causa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, Katniss não se torna um símbolo apenas para Panem, a personagem foi responsável por balançar a indústria cinematográfica. Ela foi a primeira </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3Cmo0JkPFxc"><span style="font-weight: 400;">protagonista feminina</span></a><span style="font-weight: 400;"> em uma saga literária a trazer uma mulher em um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Mg0s3iy26hk"><span style="font-weight: 400;">papel social condizente</span></a><span style="font-weight: 400;"> e que esperamos há anos, mas nunca tivemos de modo marcante como ela: forte e corajosa, ao mesmo tempo que </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/katniss-everdeen-a-representacao-de-uma-heroina-humana-e-real/"><span style="font-weight: 400;">vulnerável e humana</span></a><span style="font-weight: 400;">. Muito diferente foi o legado deixado por </span><a href="https://valkirias.com.br/a-renascenca-de-crepusculo-e-a-relacao-com-a-nostalgia-e-a-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bella Swan</span></a><span style="font-weight: 400;">, que mesmo sendo um marco, ainda não apresentava a protagonista que esperávamos. Também Lúcia e Susana Pevensie, que em diversas situações do filme </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j_3IO0PEENM"><i><span style="font-weight: 400;">As Crônicas de Nárnia: o Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ficavam à sombra dos irmãos, só puderam lutar em uma batalha no segundo filme. Assim como Katniss, elas se consagraram como grandes protagonistas, porém, de modos muito diferentes quanto ao seu simbolismo nas adaptações. Katniss pôde fazer algo maior dentro do universo em que estava, e de fato estar à frente da narrativa, assim como <a href="https://www.youtube.com/watch?v=wgUzCKDeFtM">Frodo Baggins</a> e <a href="https://personaunesp.com.br/harry-potter-e-a-pedra-filosofal-20-anos/">Harry Potter</a>. Sem ser rebaixada por homens e dependente deles, e nem ser reduzida a <a href="https://buzzfeed.com.br/post/22-representacoes-erradas-das-mulheres-em-filmes">estereótipos femininos</a> ou papéis secundários &#8211; ocorrência comum em gêneros como distopias e ação; a personagem se confirma como uma grande inspiração para as garotas que a acompanharam desafiar o sistema e ser a heroína da própria história, de modo que torna <i>Jogos Vorazes</i> um marco para o público jovem.</span></p>
<figure id="attachment_26872" aria-describedby="caption-attachment-26872" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-26872" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-12.jpg" alt="A imagem é clara, próxima e bem fechada no rosto de duas personagens, ambas em perfil, se olhando preocupadas. A cena é uma continuação da imagem anterior. A esquerda, temos Katniss segurando carinhosamente o rosto de Primrose, sua irmã, uma menina de 12 anos loira, branca e magra, sua expressão é mais forte e demonstra maior medo e preocupação. Ao fundo vemos de forma bem desfocada provavelmente um homem do distrito 12, só é possível vê-lo da barriga para baixo." width="1440" height="810" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-12.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-12-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-12-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-12-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-12-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26872" class="wp-caption-text">“Eu me voluntario, eu me voluntario como tributo!” (Foto: Lionsgate Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, o impacto de seu papel contribuiu para criar novos estereótipos na década de 2010, momento de ascensão feminina na </span><a href="https://seriesemcena.com.br/noticias/representatividade-feminina-na-cultura-pop-elas-tambem-carregam-toalha"><span style="font-weight: 400;">cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Os questionamentos quanto aos papéis e narrativas destinados às mulheres começaram a se intensificar e se tornar exigência do público, principalmente de mulheres cansadas da falta de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ga2hKSJb-oU"><span style="font-weight: 400;">representatividade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Katniss se torna uma personificação de uma mulher forte: fechada, sem traços femininos marcantes, forte fisicamente e que não demonstra sentimentos aos outros. Algo que foi importante para marcar o rompimento com a </span><a href="https://buzzfeed.com.br/post/10-dos-piores-cliches-do-cinema-sobre-aparencia-feminina"><span style="font-weight: 400;">representação</span></a><span style="font-weight: 400;"> das mulheres no passado. Porém, nos esquecemos que mulheres fortes não se resumem apenas a essas características; a </span><a href="http://marianabortoletti.com.br/blog/personagens-femininas-jogos-vorazes/"><span style="font-weight: 400;">própria saga</span></a><span style="font-weight: 400;"> traz exemplos de mulheres que demonstram força de outras formas, como Mags (Lynn Cohen), Prim, Effie Trinket (Elizabeth Banks), Rue (Amandla Stenberg), Annie Cresta (Stef Dawson) e até mesmo a presidente Alma Coin (Julianne Moore). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa nova construção da personagem é muito bem trazida à tela, principalmente para o que Panem exige de Katniss. A capital é uma ótima representação da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1EEj_YR77bE"><span style="font-weight: 400;">sociedade do espetáculo</span></a><span style="font-weight: 400;">, que espera de suas marionetes &#8211; tributos &#8211; uma imagem desejável para o espectador, esses que o programa quer satisfazer a todo custo. Assim, nossa protagonista é forçada a viver um papel já esperado para que sobreviva, deve sorrir e ser simpática, e permanecer neutra diante de diversas situações sustentadas pela cegueira e intolerância da elite pelo seu povo. Ela protagoniza cenas icônicas desafiando a soberba da capital, e o melhor, sendo ela mesma, a Garota em Chamas que todos admiram e sentem sua força e calor emanar ao rodar um vestido e assumir sua verdadeira forma: um poderoso tordo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante disso, a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s4JnoEjUAZY"><span style="font-weight: 400;">desigualdade social</span></a><span style="font-weight: 400;"> não deixa de aparecer como uma forte crítica em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UbdcrXC6rCY"><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, retratada pela relação entre a Capital e seus distritos. A miséria do distrito 12, ao qual somos apresentados desde o primeiro filme, faz um grande contraponto com os excessos dos luxos da capital. Essa população marginalizada só é útil para a elite quanto está ali para suas necessidades: o trabalho servil e entretenimento com suas mortes. O segundo filme, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=f8ZcVsKsWJM"><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes: Em Chamas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é o que mais escancara essa problemática, quando Katniss e Peeta precisam adentrar os </span><i><span style="font-weight: 400;">glamourosos </span></i><span style="font-weight: 400;">palácios e conviver nesse cenário sabendo a situação do resto do país; assistindo a pessoas se empanturrar de comida e se afogando em futilidades, enquanto o povo passa fome. Isso tudo não deixa de ser reflexo direto da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yquCmWIOtio"><span style="font-weight: 400;">nossa sociedade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e do pior que ela pode se tornar.</span></p>
<figure id="attachment_26873" aria-describedby="caption-attachment-26873" style="width: 755px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26873" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4.png" alt="A imagem é escura e ilumina apenas os dois personagens presentes, que estão próximos da câmera. Peeta, um homem branco e de cabelo loiro médio, está deitado à direita da imagem, ele tem alguns cortes no rosto, que está um pouco sujo, ele veste uma camiseta preta, ele está dormindo. À esquerda da imagem e direita de Peeta, está Katniss ela está deitada ao lado dele com a cabeça apoiada no peito de Peeta, e a mão direita no abdômen dele, está com uma expressão calma e séria no rosto, e tem os cabelos presos em uma trança, os fios menores estão um pouco bagunçados na frente; ela veste um corta-vento preto e num tecido um pouco brilhoso. O rosto dela aparenta estar mais limpo, mas sua mão está suja e com um pequeno corte." width="755" height="515" /><figcaption id="caption-attachment-26873" class="wp-caption-text">Katniss e Peeta começam um falso romance para garantir a sobrevivência e conseguir apelo do público, porém, ao longo da saga, a relação se transforma em algo real (Foto: Lionsgate Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas críticas trazidas pela saga tiveram um papel social muito importante para o período de seu lançamento. As alegorias e metáforas presentes na história contribuíram para que o público, principalmente infanto-juvenil, tivessem contato com diversas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5aZ4-ZiBhFE"><span style="font-weight: 400;">questões problemáticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> ali espelhadas e tomassem consciência de </span><a href="https://super.abril.com.br/coluna/turma-do-fundao/6-referencias-historicas-em-jogos-vorazes/"><span style="font-weight: 400;">seu papel</span></a><span style="font-weight: 400;"> como cidadão. Como consequência, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes</span></i><span style="font-weight: 400;"> inspirou diversas populações a se reerguerem e lutar para combater as autoridades, defendendo a democracia, como os </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/expresso/2021/02/04/O-s%C3%ADmbolo-de-%E2%80%98Jogos-vorazes%E2%80%99-nos-protestos-de-Mianmar"><span style="font-weight: 400;">protestos de Mianmar</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2021 e na </span><a href="https://operamundi.uol.com.br/politica-e-economia/35528/jogos-vorazes-inspira-protesto-de-tres-dedos-contra-golpe-de-estado-na-tailandia"><span style="font-weight: 400;">Tailândia em 2014</span></a><span style="font-weight: 400;">. Trazendo a esperança que as pessoas precisavam para mudar o mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em relação a aspectos técnicos, o filme dirigido por Gary Ross não decepciona. O roteiro muito bem feito escrito pelo diretor, junto de Billy Ray e da própria </span><a href="https://www.distrito13.com.br/conteudo/autora/"><span style="font-weight: 400;">Suzanne Collins</span></a><span style="font-weight: 400;">, garantiu o sucesso imediato do filme, junto é claro, de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ikC3wZU_Cgs"><span style="font-weight: 400;">elenco</span></a><span style="font-weight: 400;"> de peso. Além disso, o marcante visual foi um elemento de extrema importância, dando vida a Panem e os distritos, resultado de um grande departamento de arte dirigido por John Collins, Robert Fechtman e Paul Richards, somado à excelente fotografia de Tom Stern. Porém, é possível notar um salto de qualidade entre os dois primeiros filmes e que se mantém nos </span><a href="https://www.depoisdosquinze.com/2015/11/14/as-sete-cenas-mais-emocionantes-de-jogos-vorazes-a-esperanca-o-final/"><span style="font-weight: 400;">dois últimos</span></a><span style="font-weight: 400;">, principalmente quanto à imagem.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MEj0JH14_aw"><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se sustentou como uma importante obra audiovisual, e reforça isso com suas três continuações. Além de uma excelente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YVtOMAVeh5Y"><span style="font-weight: 400;">adaptação</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme também conseguiu se tornar um marco para o gênero distopia, garantindo um </span><a href="https://technewsbrasil.com.br/a-cantiga-dos-passaros-e-das-serpentes-filme-tudo-que-ja-sabemos/"><i><span style="font-weight: 400;">spin-off</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> depois de </span><a href="https://www.garotasgeeks.com/10-anos-apos-a-primeira-publicacao-suzanne-collins-volta-ao-universo-de-jogos-vorazes/"><span style="font-weight: 400;">10 anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu início. E além de abrir espaço para outras grandes séries como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HNl6Bc7HHF4"><i><span style="font-weight: 400;">Divergente</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=BTiczm8VJBo"><i><span style="font-weight: 400;">Maze Runner</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela foi responsável por reviver as sagas no cinema. O longa foi uma grande contribuição para modificar o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=McfEEnfHtXE"><span style="font-weight: 400;">papel feminino</span></a><span style="font-weight: 400;"> no audiovisual e estabelecer a importância da narrativa de heroínas, permitindo que jovens mulheres possam se espelhar e acreditar em seu potencial de fazer coisas grandiosas, e até mesmo começar uma revolução. </span></p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Fevereiro de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Mar 2022 20:49:43 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26364" aria-describedby="caption-attachment-26364" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26364 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22.png" alt="Arte retangular de cor amarela. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris amarela. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “Quarto de despejo”. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘fevereiro de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/capa_wordpress_estante_fevereiro_22-768x404.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26364" class="wp-caption-text">Conversando com o Mês da Mulher, a quinta edição do Estante do Persona foi ambientada pela leitura do Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus (Foto: Reprodução/Arte: Vitor Tenca/Texto de Abertura: Vitória Lopes Gomez)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fevereiro oficializou uma tradição do Clube do Livro: se no começo não passava de um mero acaso, cinco meses depois, os membros da Editoria não conseguiram mais negar que são as </span><a href="https://personaunesp.com.br/elena-ferrante-a-filha-perdida-critica/"><span style="font-weight: 400;">autoras</span></a><span style="font-weight: 400;"> que dominam nossas leituras em grupo. Com o Mês da Mulher em mente, a decisão pela obra da segunda rodada do ano não poderia ser diferente. A escolhida? Carolina Maria de Jesus e seu impactante </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contemplando, também, o mês de aniversário da escritora, o Clube mergulhou em sua primeira história não-ficcional, e uma das produções mais doloridas lidas em conjunto até então. Publicado em 1960, o livro foi um achado do jornalista Audálio Dantas, que se deparou com Carolina e seus diários ao reportar o cotidiano da favela do Canindé, na cidade de São Paulo. Por sorte, </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-11-30/o-que-audalio-dantas-fez-com-carolina-maria-de-jesus.html"><span style="font-weight: 400;">Dantas</span></a><span style="font-weight: 400;"> reconheceu o poder daquela documentação e revelou ao mundo o simples, mas potente, dom da autora de contar sua história. Da vida de Carolina Maria de Jesus, nasceu </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo: Diário de uma favelada</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No encontro único de Fevereiro, os membros do projeto literário do Persona se chocaram com os </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">relatos</span></a><span style="font-weight: 400;"> crus e cruéis da obra. Também, exercitaram seu entendimento das vivências do outro, investigaram o título do trabalho, se impressionaram com a figura articulada e à frente de seu tempo que foi Carolina, além de discutirem o valor das narrativas não-ficcionais. De acordo, o Clube compreende que a importância de uma história verídica é documentar e fazer entender a realidade de quem escreve.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de se surpreenderem com as similaridades das </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com nosso mundo, os membros mergulharam na vida real, de fato. Firme e forte em suas leituras, renovadas no mês dedicado a </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i><span style="font-weight: 400;">, o Persona continua empenhado em expandir seu escopo de gêneros e obras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nisso, o projeto aproveitou o gás dos encontros mensais e emplacou a renovação da colaboração com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">: agora, o projeto ganha o crachá de Parceria Fixa. Enquanto os próximos conteúdos do mundo literário não chegam, o </span><b>Estante do Persona </b><span style="font-weight: 400;">segue com seus comentários e com as Dicas do Mês, de obras escritas exclusivamente por autoras, em homenagem ao Mês da Mulher.</span></p>
<p><span id="more-26347"></span></p>
<h3><b>Livro do Mês</b></h3>
<figure id="attachment_26356" aria-describedby="caption-attachment-26356" style="width: 518px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26356" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-518x800.jpg" alt="Capa do livro Quarto de despejo: Diário de uma favelada. A capa é azul clara. No topo, vemos grafismos em branco, que aparentam imitar a silhueta das casas de uma favela. Ao centro, vemos a palavra “QUARTO” e, abaixo, “de DESPEJO”, em branco, uma letra sem serifa, estilizada. Logo abaixo, vemos as palavras “Diário de uma favelada”, em branco. Abaixo, vemos as palavras “CAROLINA MARIA DE JESUS”, em caixa alta, em uma fonte serifada e branca. Na parte inferior central, vemos o logo da editora Ática e, logo abaixo, as palavras “editora ática”, em caixa baixa e em branco." width="518" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-518x800.jpg 518w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-663x1024.jpg 663w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-768x1187.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-994x1536.jpg 994w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-1325x2048.jpg 1325w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo-1200x1854.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/quarto-de-despejo.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 518px) 85vw, 518px" /><figcaption id="caption-attachment-26356" class="wp-caption-text">Em sua segunda edição de 2022, o Estante do Persona adentra Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, e dá dicas de obras escritas por mulheres (Foto: Ática)</figcaption></figure>
<p><b>Carolina Maria de Jesus &#8211; Quarto de despejo (200 páginas, Ática)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na favela do Canindé, na cidade de São Paulo, os diários de Carolina Maria de Jesus documentavam a realidade do local e de seus moradores. A coletânea desses relatos deu origem a </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Como Audálio Dantas, o jornalista responsável por publicar os escritos, já antecipava quando trombou com </span><a href="https://ims.com.br/por-dentro-acervos/o-impacto-da-miseria-viva/"><span style="font-weight: 400;">Carolina</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra não só destaca a potente capacidade da autora de colocar em palavras uma totalidade de vivências, mas mostra que a visão interna da situação serve melhor do que qualquer reportagem sobre o assunto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hoje desocupada, a favela se faz quase um personagem principal. Dentro da comunidade em que vive, Carolina descreve a fome &#8211; incessamente recorrente, a ponto de motivar cortes de trechos na primeira edição publicada -, as incertezas e as dores de uma vida de privações e precarizações, todas incorporadas naquele ambiente. Os “favelados” de Carolina Maria de Jesus não são pejorativos, são simplesmente os moradores daquele local, o mesmo que o dela, que vivem e convivem com as mesmas situações. Além do tema de </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto de despejo: Diário de uma favelada</span></i><span style="font-weight: 400;">, um relato impactante e brutal sobre o cotidiano na favela, a </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/a-literatura-de-carolina-maria-de-jesus-do-quarto-de-despejo-para-mundo-13843687"><span style="font-weight: 400;">escrita</span></a><span style="font-weight: 400;"> da autora se destaca: apesar de simples e com um vocabulário próprio, a condução do livro mergulha o leitor na realidade, tornando-a ainda mais impactante.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Quarto de Despejo - Clube do Livro Fevereiro 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/1ZzmkJOK9lMgjyr93iO8JY?si=80afd793a00f4642&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h2>Dicas do Mês</h2>
<figure id="attachment_26355" aria-describedby="caption-attachment-26355" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26355" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-534x800.jpg" alt="Capa do livro Meninos de Zinco, da escritora Svetlana Aleksiévitch. Na imagem colorida, vemos ao lado esquerdo um soldado soviético prestando continência com a mão direita levada à testa.Ele veste uma jaqueta militar de cor marrom, uma camiseta branca com listras azuis e uma ushanka de cor cinza, que se convencionou a chamar de chapéu russo. Ele é um homem branco de olhos azuis. À direita, está escrito na parte superior Da vencedora do prêmio nobel de literatura 2015, em fonte de cor branca. Abaixo, escrito svetlana aleksiévitch em fonte de cor branca e meninos de zinco, também em fonte de cor branca. Na parte inferior, está o logo da editora Companhia das Letras, também em fonte de cor branca. O fundo da imagem é um borrão embaçado, com predominância das cores azul e cinza." width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-1025x1536.jpg 1025w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-1367x2048.jpg 1367w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1-1200x1798.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/svetlana-1.jpg 1655w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-26355" class="wp-caption-text">Com tradução de Cecília Rosas, Meninos de Zinco retrata o horror da guerra através do olhar sempre humano de Svetlana Aleksiévitch (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Svetlana Aleksiévitch &#8211; Meninos de Zinco (368 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre 1979 e 1989, as tropas soviéticas se envolveram em uma guerra horripilante no Afeganistão; pouco depois, em 1991, a União Soviética declarou sua dissolução. Em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14560"><i><span style="font-weight: 400;">Meninos de Zinco</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1991), a jornalista </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/nao-contenho-as-lagrimas-diz-svetlana-aleksievitch-sobre-novo-livro-1.2514478"><span style="font-weight: 400;">Svetlana Aleksiévitch</span></a><span style="font-weight: 400;"> se debruça sobre o ocorrido, e tenta jogar luz aos motivos ocultos que fizeram jovens pegarem em armas e depois serem devolvidos às famílias em caixões de zinco lacrados. Nesse contexto bélico, pequenos momentos cotidianos ganham uma beleza inexplicável, transcritos nas páginas do livro em forma de verdade cortante. Todavia, a humilhação vivida pelos sobreviventes que retornaram à URSS é igualmente confusa, deixando em evidência os sentimentos intensificados que foram levados às últimas consequências durante o período.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente do que ocorre em </span><a href="https://personaunesp.com.br/uma-mulher-alta-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Guerra Não Tem Rosto de Mulher</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1985) – obra igualmente fantástica –, na qual Svetlana narra do ponto de vista de mulheres ex-combatentes na Segunda Guerra Mundial, aqui, a autora realmente cobre o conflito como uma repórter de guerra no Afeganistão, porém, seu estilo permanece inalterado quando decide não misturar sua própria voz narrativa com a das pessoas entrevistadas – as verdadeiras protagonistas dos livros. Além de entrevistas com combatentes soviéticos, a escritora vai atrás de vozes afegãs, estabelecendo um autêntico mosaico polifônico de histórias orais. A obra de Svetlana Aleksiévitch demorou para chegar ao Brasil, pois somente em 2016 a editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras </span></i><span style="font-weight: 400;">começou a publicá-la, um ano depois da autora ter recebido o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2015/10/svetlana-alexievich-vence-nobel-de-literatura-2015.html"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Nobel de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é estranho afirmar que os livros da escritora ucraniana se complementam, pois uma informação deixada de lado ou não aprofundada em um deles – como o ideal soviético que fez com que os </span><i><span style="font-weight: 400;">meninos de zinco </span></i><span style="font-weight: 400;">fossem às guerras – é totalmente explorado em outros livros – como em </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14084"><i><span style="font-weight: 400;">O Fim do Homem Soviético</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2013). Dentre as obras de Svetlana, tanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Meninos de Zinco </span></i><span style="font-weight: 400;">quanto </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14085"><i><span style="font-weight: 400;">Vozes de Tchernóbil</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1997) – adaptado na premiada série </span><a href="https://personaunesp.com.br/1986-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Chernobyl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> – profetizam a derrocada da União Soviética, e ajudam a entender a marca profunda e permanente deixada pela guerra. </span><strong>&#8211;</strong><b> Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_26350" aria-describedby="caption-attachment-26350" style="width: 536px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26350" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aline-1-536x800.jpg" alt="Capa do livro Pequena coreografia do adeus. A imagem é composta por uma ilustração abstrata, que mostra duas figuras. A primeira está segurando a segunda, que cai para trás, mas é segurada pelos braços da primeira. As cores são em tons de rosa e laranja e os rostos das figuras são desenhados abstratamente com cinza. Ao redor da segunda figura, está o nome do livro, em caixa alta e preto, do lado direito da capa. Na linha inferior e ao centro, está o nome da autora, na mesma estilização do título do livro. Embaixo, em tamanho menor, está escrito “Autora de O peso do pássaro morto”. No canto inferior direito, está o selo da editora Companhia das Letras. " width="536" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aline-1-536x800.jpg 536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/aline-1.jpg 686w" sizes="auto, (max-width: 536px) 85vw, 536px" /><figcaption id="caption-attachment-26350" class="wp-caption-text">Como parte da parceria com a Companhia em 2021, o Persona teve acesso ao livro e ainda entrevistou a autora (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Aline Bei &#8211; Pequena coreografia do adeus (264 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rodopiando entre o desafeto familiar e o senso de despertencimento, Júlia Terra não desiste de criar raízes e firmar seu papel nesse mundo tão ao avesso. Para tal, a aspirante a bailarina se mune das palavras de sua criadora, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">talentosíssima Aline Bei</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seguindo o lançamento do aclamado e premiado </span><a href="http://www.achadoselidos.com.br/2018/01/31/resenha-o-peso-do-passaro-morto/"><i><span style="font-weight: 400;">O peso do pássaro morto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, publicado de maneira independente, a escrita migra para uma casa editorial para dar vida a sua dança de despedida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/pequena-coreografia-do-adeus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pequena coreografia do adeus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançamento do ano passado e um dos grandes destaques literários do momento, a trama segue os descompassos de Júlia, uma garota muito machucada pelas circunstâncias de sua infância, a falta de ligação emocional com a mãe e o rombo no peito causado pela ausência do pai. A fim de se libertar de todos esses galhos secos que poluem sua paisagem natural, Aline Bei e Júlia Terra se dão as mãos, passeando pelas dificuldades da vida, sempre unidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escrita em forma de versos espaçados (e que calcificam a estética em adição ao fator narrativo da obra) imprime uma ótica muito particular para a visão de Bei, alguém à flor da juventude e </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-aline-bei/"><span style="font-weight: 400;">com muitas histórias para contar</span></a><span style="font-weight: 400;">. O amargo está na curta duração do livro, já que menos de trezentas páginas estão longe do suficiente para suprir a carência da Literatura enriquecedora dali. Como leitor, descobrir situações triviais sob esse olhar particular da autora é um deleite, um rastro de mel abaixo da colmeia. A esperança reside no que vem por aí: e que Aline Bei continue enxergando o mundo como só ela o faz. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_26354" aria-describedby="caption-attachment-26354" style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26354" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ravena-1-e1646620145304-533x800.jpg" alt="Capa do livro Jovens Titãs: Ravena. A imagem é uma ilustração da super-heroína Ravena. Ela está com o rosto de perfil, virado para a esquerda, com o queixo apoiado em seus braços dobrados. Ravena é uma jovem branca, de cabelos roxos, lisos e curtos; ela usa um headphone em sua cabeça. Na parte superior, há a frase “Assim que começar a ler Jovens Titãs: Ravena, você não vai querer parar - Stephanie Garber, autora best-seller do New York Times pela série Caraval”, em fonte preta. Abaixo, está escrito “Autora da série Beautiful Creatures e best-seller do New York Times, Kami Garcia” em fonte roxa. Em cima do braço de Ravena, está escrito “Jovens Titãs Ravena” em fonte verde. E, ao lado, está escrito “Ilustrado por Gabriel Picolo”." width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ravena-1-e1646620145304-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/ravena-1-e1646620145304.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-26354" class="wp-caption-text">A coletânea já ganhou continuação com as obras Jovens Titãs: Mutano e Teen Titans: Beast Boy Loves Raven, esta última ainda não lançada no Brasil (Foto: Panini)</figcaption></figure>
<p><b>Kami Garcia &#8211; Jovens Titãs: Ravena (192 páginas, Panini) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre </span><a href="https://personaunesp.com.br/vingadores-ultimato-critica/"><span style="font-weight: 400;">Vingadores</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/liga-da-justica-de-zack-snyder-critica/"><span style="font-weight: 400;">Liga da Justiça</span></a><span style="font-weight: 400;">, se tem um grupo de super-heróis que também nunca deixa de ficar em alta é o dos Jovens Titãs. Com as </span><a href="https://personaunesp.com.br/titas-3a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">inúmeras adaptações</span></a><span style="font-weight: 400;"> para as telinhas, agora foi a hora de reinventá-los nos quadrinhos, resgatando a história da sombria Ravena. Escrito por Kami Garcia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jovens Titãs: Ravena</span></i><span style="font-weight: 400;"> se propõe a contar uma nova versão das origens da anti-heroína criada por Marv Wolfman. Aos 17 anos, Ravena Roth sofre um trágico acidente de carro, que acaba por tirar a vida de sua mãe, e também a sua memória. Com isso, ela vai morar com a tia em Nova Orleans, contando com a companhia de sua prima Max para recomeçar em meio ao conturbado Ensino Médio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Compondo o selo </span><i><span style="font-weight: 400;">DC Teens</span></i><span style="font-weight: 400;">, a HQ assume um teor diretamente voltado ao público mais jovem, tratando sobre a descoberta dos poderes de Ravena, de uma forma menos sinistra da que estamos acostumados, ao mesmo tempo que ela tem que lidar com interesses amorosos e questões de sua adolescência. E a história não poderia ter saído das mãos de uma autora mais ideal que Kami Garcia, responsável pela saga </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g0Oo3brIJIQ"><i><span style="font-weight: 400;">Dezesseis Luas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Beautiful Creatures</span></i><span style="font-weight: 400;">), ganhando ainda mais força com os traços do ilustrador brasileiro Gabriel Picolo, que ficou conhecido justamente por </span><a href="https://www.omelete.com.br/quadrinhos/jovens-titas-20-artes-de-gabriel-picolo-que-transformaram-os-herois#3"><span style="font-weight: 400;">desenhar </span><i><span style="font-weight: 400;">fanarts</span></i><span style="font-weight: 400;"> do grupo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Jovens Titãs: Ravena</span></i><span style="font-weight: 400;"> não cria nenhuma narrativa inovadora, mas faz o essencial ao trazer um olhar voltado para uma nova geração, originando uma história importante sobre laços familiares e força feminina. Além de ter a chance de poder recontar a trajetória de uma das heroínas mais interessantes do mundo dos quadrinhos.</span><b> &#8211; Vitória Silva</b></p>
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<figure id="attachment_26349" aria-describedby="caption-attachment-26349" style="width: 529px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26349 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-529x800.jpg" alt="Capa do livro A Esperança. Um fundo azul com símbolos circulares em um tom mais escuro, no centro da imagem um tordo branco - pássaro fictício do mundo de Jogos Vorazes - está voando. Na parte de cima da capa está o nome do livro em letras grandes brancas e na parte de baixo, a direita, está o nome Suzanne Collins também em branco. " width="529" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-529x800.jpg 529w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-678x1024.jpg 678w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-768x1161.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-1016x1536.jpg 1016w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-1355x2048.jpg 1355w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1-1200x1813.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/a-esperanca-1.jpg 1618w" sizes="auto, (max-width: 529px) 85vw, 529px" /><figcaption id="caption-attachment-26349" class="wp-caption-text">Em 2021, a saga Jogos Vorazes ganhou um novo livro, A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><b>Suzanne Collins &#8211; A Esperança (424 páginas, Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o assunto é livros de ficção, as possibilidades são infinitas. Sagas de distopias com sociedades que espelham de forma fantasiosa aquilo que vivemos é o que não falta. A coleção de livros <a href="https://personaunesp.com.br/a-esperanca-o-final-5-anos/"><em>Jogos Vorazes</em></a> acompanha a história da Katniss em sua jornada do Distrito escasso em que nasceu até os luxo da Capital e sua participação na revolução contra o sistema corrupto do país. O sucesso das obras desencadeou uma adaptação para o Cinema, de muita aclamação, e uma abertura para uma popularização dos livros de mesmo gênero.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em<em> A Esperança</em>, Suzanne Collins explora o íntimo e as influências não só da protagonista como também de todos os envolvidos na jornada para <a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-10-anos/">derrubar Snow e a Capital</a>, depois dos acontecimentos caóticos de <em>Em Chamas</em>, segundo livro da saga. A trama é ampliada para muito além dos Jogos Vorazes e as narrativas dos tributos, tocando em temas como política, abuso, manipulação e família. Katniss, a personagem principal, desenvolve habilidades para se tornar cada vez mais envolvida nas mudanças de seu país, passando por traumas, transformações e perdas, mas conquistando liberdade e, finalmente, esperança. &#8211; </span><b>Marcela Zogheib</b></p>
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<figure id="attachment_26361" aria-describedby="caption-attachment-26361" style="width: 432px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26361" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/12-malala-1.jpg" alt=" Capa do livro Eu Sou Malala. No canto superior esquerdo da capa, vemos o logo da Companhia das Letras, em branco. Ao centro, por toda a extensão da capa, vemos Malala em frente a um fundo verde. Ela é uma mulher paquistanesa, de cabelos pretos lisos e olhos castanhos, com um hijabe rosa sob a cabeça. Ao centro, sob a foto dela, vemos as palavras “Eu sou Malala”, em uma fonte serifada em branco. Abaixo, vemos a frase “A HISTÓRIA DA GAROTA QUE DEFENDEU O DIREITO À EDUÇÃO E FOI BALEADA PELO TALIBÃ”, em caixa alta, em branco, disposta em duas linhas. Abaixo, vemos a palavra “MALALA YOUSAFZAI” e, abaixo, “com CHRISTINA LAMB”, ambas frases em uma fonte serifada, em amarelo. " width="432" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-26361" class="wp-caption-text">Além de discursos na ONU junto de lideranças globais, a ativista Malala Yousafzai venceu o Prêmio Nobel da Paz aos 17 anos (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Malala Yousafzai e Christina Lamb &#8211; Eu Sou Malala &#8211; A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã (360 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Papai argumentava que a única coisa que sempre quis foi criar uma escola para ensinar as crianças. Não nos restava alternativa, a não ser o envolvimento em política e em campanhas pela educação</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sou Malala &#8211; A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a autobiografia da ativista Malala Yousafzai, escrita em parceira com a jornalista Christina Lamb, e traça a trajetória dela desde o começo da sua luta, no Vale do Swat, no Paquistão. Luta essa que, como os depoimentos deixam claro, começou muito antes do atentado que a tornou um ícone de militância pelos direitos da educação para mulheres.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, Malala relata seus dias de infância, adolescência e seu cotidiano, seu caminho no ativismo, junto de seu pai Ziaudin, e quando a situação do país começou a mudar, com a chegada do Talibã, até o atentado de 2012. Além de sua própria história, a obra fornece um panorama da vida no Vale, com suas belezas e desigualdades, e do contexto geopolítico local, assim como as tradições, culturas e crenças religiosas do povo patchun. Com o reconhecimento internacional por sua luta, Malala venceu o <a href="https://oglobo.globo.com/mundo/malala-kailash-satyarthi-vencem-nobel-da-paz-2014-14202949">Prêmio <em>Nobel</em> da Paz</a>, em 2014, se tornando a pessoa mais jovem a receber o reconhecimento. </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu Sou Malala</span></i><span style="font-weight: 400;"> é leitura obrigatória para todos que já ouviram o nome da ativista &#8211; e ainda não sabem que precisam conhecer mais sobre ela, pela voz da mesma. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_26352" aria-describedby="caption-attachment-26352" style="width: 536px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26352" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-536x800.jpg" alt="Uma tragicomédia em família. Imagem composta por uma ilustração em estilo quadrinho, delimitada por um balão quadrado. A ilustração parece ser feita por aquarela e nanquim, em tons de azul e preto. Nela, está a visão externa de uma janela azul aberta voltada para uma biblioteca interna. A parte de vidro da janela possui esquadrias e duas cortinas abertas pintadas em preto. Dentro da biblioteca está um homem adulto sentado em uma poltrona requintada com espaldar alto. O homem usa um óculos redondo, camiseta e calça listrada. Ele olha para baixo, com a cara séria, enquanto lê um livro de título Zelda. Suas pernas estão cruzadas. Ao fundo estão mobiliários antigos lotados de livros em suas estantes. As laterais da capa estão em tom que varia do branco ao palha, com exceção da lateral esquerda, na qual a ilustração vai até o limite da imagem. Na parte superior central pode-se ler o título do quadrinho em fonte preta não serifada e feita à mão. Na parte inferior, dentro do balão da ilustração, está o nome da autora, Alison Bechdel, na mesma fonte. Abaixo, já fora da ilustração, está o símbolo da editora Todavia, quatro círculos pretos que vão se diminuindo irregularmente entre si." width="536" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-536x800.jpg 536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-686x1024.jpg 686w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1-768x1146.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/fun-home-1.jpg 869w" sizes="auto, (max-width: 536px) 85vw, 536px" /><figcaption id="caption-attachment-26352" class="wp-caption-text">Referência da literatura LGBTQIA+ contemporânea, Fun Home ganhou adaptação em um musical da Broadway vencedor de cinco prêmios Tony em 2015, que conta com a primeira protagonista lésbica da história dos musicais (Foto: Todavia)</figcaption></figure>
<p><b>Alison Bechdel &#8211; Fun home: Uma tragicomédia em família (240 páginas, Todavia)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1980, com 19 anos, Alison Bechdel se descobriu lésbica. Desde então, a cartunista norte-americana conhecida pelo </span><a href="https://institutodecinema.com.br/mais/conteudo/o-que-e-o-teste-de-bechdel"><span style="font-weight: 400;">Teste de Bechdel</span></a><span style="font-weight: 400;"> – critério de avaliação que mede a representatividade feminina no Cinema –, decidiu que seria uma “</span><i><span style="font-weight: 400;">lésbica profissional</span></i><span style="font-weight: 400;">”, orgulhosamente aberta sobre sua sexualidade. Durante 25 anos, ela publicou uma série de tirinhas, </span><a href="https://dykestowatchoutfor.com/strip-archive-by-number/"><i><span style="font-weight: 400;">Dykes to Watch Out For</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (lançada no Brasil como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Essencial de Perigosas Sapatas</span></i><span style="font-weight: 400;">, com tradução de Carol Bensimon), acompanhando o cotidiano de um grupo de amigas lésbicas dos Estados Unidos, em meio à transformações políticas e culturais: da </span><a href="https://personaunesp.com.br/pose-3a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">epidemia de AIDS</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos anos 90 até o recente </span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-potter-7-parte-2-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">conservadorismo das feministas radicais</span></a><span style="font-weight: 400;"> (as “</span><i><span style="font-weight: 400;">radfems</span></i><span style="font-weight: 400;">”) sobre a transexualidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desenhando personagens brancas e negras, </span><a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/butchfemme"><i><span style="font-weight: 400;">femmes </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">butches</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, magras e gordas, jovens e velhas, o olhar de Bechdel se manteve multidisciplinar. Ela estendia suas mãos em favor, puxando quem precisasse para fora de um armário empoeirado. Mas esse desejo revolucionário não foi nada inconsciente, pelo contrário, foi uma decisão tomada em reação à vida do pai, que morreu em sigilo dentro desse mesmo armário. Tema central da primeira </span><span style="font-weight: 400;">HQ </span><span style="font-weight: 400;">autobiográfica da autora, </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-fun-home/"><i><span style="font-weight: 400;">Fun Home</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (reeditada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Todavia</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">com tradução de André Conti) revisita a memória controversa da figura paterna de Bechdel na infância, juventude e início da fase adulta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambos compartilhavam o comportamento introvertido, a paixão pela Literatura e o </span><a href="https://www.npr.org/2015/08/17/432569415/lesbian-cartoonist-alison-bechdel-countered-dads-secrecy-by-being-out-and-open"><i><span style="font-weight: 400;">queerness</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Dentro do lar dissimulado – um palacete centenário ornado pelos mais requintados mobiliários, também espaço do negócio da família por três gerações, uma casa funerária (</span><a href="https://open.spotify.com/track/3rJDsZjIaCfJQSqRUvl0BM?si=8577235eead54b99"><i><span style="font-weight: 400;">Fun‘eral’</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> Home</span></i><span style="font-weight: 400;">) –, a presença do patriarca era de tirania, apatia e ausência. Sob o mesmo teto, as muitas semelhanças nunca foram suficientes para unir pai e filha, que permaneceram estranhos, um para o outro, até o fim. Numa observação sensível, porém honesta, dos frágeis laços afetivos forjados pelo ambiente familiar, Bechdel entende que o pai não era herói, nem nunca foi, mas compreende todas as idiossincrasias que fizeram dele a pessoa que era, e que, consequentemente, se refletiram na pessoa que ela mesma se tornou, encontrando, na Arte, sua própria maneira de perdoá-lo. </span><b>&#8211; Ayra Mori</b></p>
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<figure id="attachment_26351" aria-describedby="caption-attachment-26351" style="width: 462px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26351" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cornelia-1.jpg" alt="Capa do livro Coração de Tinta apresenta diversos quadrados de tamanhos variados, em que cada um exibe uma letra e uma ilustração que remete a um livro antigo. Como elemento central da imagem há um retângulo escrito em amarelo Cornelia Funke em cima, Coração de Tinta em bege no centro e Seguinte em amarelo e no canto inferior da foto. O fundo desses quadros é vermelho." width="462" height="664" /><figcaption id="caption-attachment-26351" class="wp-caption-text">Os personagens dos livros são mais carismáticos dentro da ficção (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Cornelia Funke &#8211; Coração de Tinta (432 páginas, Seguinte)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As boas histórias sempre tiveram o poder de encantar os apreciadores da leitura. Mas, imagine a capacidade de dar vida aos personagens dos livros. Essa é justamente a habilidade peculiar de Mortimer Folchart, que há anos vive sozinho com sua filha, Meggie, após ter enviado por acidente sua esposa Teresa para dentro do livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Tinta</span></i><span style="font-weight: 400;">. Desde então, Língua Encantada, como foi apelidado por aqueles que trouxe para o mundo real, nunca mais leu em voz alta. Esse cenário se perpetuou até que, durante uma noite chuvosa, personagens extraídos do </span><a href="https://osmelhoreslivros.com.br/mundo-de-tinta-ordem/"><span style="font-weight: 400;">Mundo de Tinta</span></a><span style="font-weight: 400;"> voltam com interesse nos poderes fantásticos de Mortimer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história pitoresca de </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Tinta</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrito pela alemã Cornelia Funke, em 2003, deu início à trilogia do </span><i><span style="font-weight: 400;">Mundo de Tinta</span></i><span style="font-weight: 400;">, que se desenrola com os personagens adentrando à fantasia do livro e enfrentando vilões terríveis. Além da narrativa apresentada, a obra de Funke encanta com sua apresentação estética repleta de ilustrações realizadas pela própria autora e com citações para iniciar os capítulos geralmente retiradas de grandes peças da literatura. Desse modo, a notoriedade de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=L4HtNuJU2ow"><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Tinta</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> fez com que este fosse adaptado para o Cinema, em 2008, que reuniu atores como Brendan Fraser, Jennifer Connelly e Andy Serkis. </span><b>&#8211; Gabriel Gatti</b></p>
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<figure id="attachment_26362" aria-describedby="caption-attachment-26362" style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26362" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1-533x800.jpg" alt="Capa do livro Luxúria, de Raven Leilani. A imagem mostra, ao centro, uma fotografia em close da parte de baixo do rosto de uma mulher negra, com foco para os seus lábios, que estão entreabertos e pintados com batom vermelho alaranjado. Ao redor da foto, existe uma moldura branca. Na linha inferior da capa, está escrito o nome do livro em fonte de caixa alta e branco. Embaixo, está o nome da autora, na mesma estilização, porém em vermelho alaranjado. Depois, existe o selo da editora Companhia das Letras, na mesma cor. Na linha superior da capa, em cima da fotografia, existe uma citação atribuída a Zadie Smith, que diz “Um livro tenso, afiado e engraçado sobre ser jovem, brutal e brilhante.”" width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/18-raven-1.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-26362" class="wp-caption-text">O livro esteve nas listas de melhores do ano do The New York Times, The Guardian e também do <a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2021/">Persona</a> (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Raven Leilani &#8211; Luxúria (232 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a seleção especial da nossa Estante que se dedica a indicar o trabalho de escritoras, um nome em especial não poderia deixar de ser mencionado. Em sua estrondosa estreia de 2021, Raven Leilani permitiu-se influenciar por duas das obras culturais mais importantes no que diz respeito a encarar o recorte de gênero na atualidade. Para o seu primeiro livro, a jovem escritora nova-iorquina encontra a comédia ácida de </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e a criatividade crítica de </span><a href="https://personaunesp.com.br/i-may-destroy-you-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">I May Destroy You</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sob o título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Luxúria</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O romance se dedica à história de Edie, que, em seus vinte e poucos anos, tenta viver em uma Nova Iorque inóspita aos jovens de classe baixa e especialmente hostil às mulheres negras. Entre os altos e baixos de sua vida perfeitamente comum à </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2021/jan/17/luster-raven-leilani-review"><span style="font-weight: 400;">juventude do século 21</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela cai nas teias de um relacionamento aberto com um casal branco e, ao mesmo tempo, parte de sua vida começa (mais uma vez) a desmoronar. A partir daí, </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/07/31/books/raven-leilani-luster.html"><span style="font-weight: 400;">Raven Leilani</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria uma comédia dramática sagaz e ácida, que reflete sobre as expressões de poder das relações de </span><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/cultura/raven-leilani-busca-libertar-mulheres-negras-de-rotulos-e-estereotipos/"><span style="font-weight: 400;">gênero, classe e raça</span></a><span style="font-weight: 400;"> numa linguagem corajosamente singular para a Literatura contemporânea. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_26353" aria-describedby="caption-attachment-26353" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26353" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-534x800.jpg" alt="Capa do livro As Meninas, de Lygia Fagundes Telles. No fundo, vemos várias linhas de cor rosa e branca. Em cima dessas linhas, vemos uma flor de diversas cores próxima do canto superior direito, uma flor azul embaixo dela e, perto do canto inferior direito, um galho com mais flores coloridas, com algumas folhas verdes ao redor. Próxima ao canto superior esquerdo, vemos o que parece ser uma mandala, de cor marrom, e uma flor rosa embaixo dela. A flor rosa está em cima de um retângulo branco. Dentro do retângulo branco, lê-se “Lygia Fagundes Telles” e o título da obra, “As Meninas”, seguido da editora responsável pela publicação, “Companhia das Letras”. " width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Lygia-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-26353" class="wp-caption-text">As meninas foi um livro bastante corajoso na época de seu lançamento, em 1973, pois descrevia uma sessão de tortura em um período que o assunto era proibido (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Lygia Fagundes Telles &#8211; As meninas (304 páginas, Companhia das Letras) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um pensionato de freiras na capital paulista, vivem três jovens universitárias bem diferentes: Lorena, Ana Clara e Lia. A partir dessa premissa, </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/pagina-cinco/2021/03/10/conto-perdido-de-lygia-fagundes-telles-e-resgatado-leia-um-trecho.htm"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;"> constrói uma narrativa intensa, de múltiplas vozes que dialogam em um fluxo de consciência vertiginoso. Ambientado na década de 1970, em plena ditadura militar, o livro consegue captar com precisão o espírito de profunda transformação política e comportamental que permeou a época. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos livros mais celebrados da autora, tanto pelo público quanto pela crítica especializada, é uma obra que conquista o leitor aos poucos, sem pressa. De início, as trocas súbitas da primeira pessoa para a terceira na narrativa podem causar certo estranhamento, mas, conforme a trama se desenrola, essas mudanças se provam fundamentais e demonstram o pleno domínio que </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha-100-anos/2020/06/em-cronica-de-1952-lygia-fagundes-telles-mostra-que-unica-certeza-e-o-imprevisivel.shtml"><span style="font-weight: 400;">Telles</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem da própria escrita. É um mosaico cuidadoso de vidas muito diversas em uma das maiores metrópoles do país, com um final impactante que fica marcado na cabeça daqueles que o leem. </span><b>&#8211; Caio Machado </b></p>
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