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	<title>Arquivos 2017 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos 2017 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Os dois morrem no final é uma jornada pela linha tênue entre a celebração da vida e aceitação da morte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Jun 2024 17:00:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[Adam Silvera]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Luana Brusiano Imagine receber um recado da Central da Morte informando que, a qualquer momento nas próximas 24 horas, você irá morrer e não há nada que possa ser feito para reverter essa situação. Essa é exatamente a premissa de Os dois morrem no final. Escrita por Adam Silvera, a obra narra o último dia &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-dois-morrem-no-final-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os dois morrem no final é uma jornada pela linha tênue entre a celebração da vida e aceitação da morte"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33636" aria-describedby="caption-attachment-33636" style="width: 243px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33636" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-9.png" alt="Ilustração da capa do livro Os dois morrem no final. A imagem apresenta dois jovens de costas caminhando lado a lado com mochilas nas costas, sombreados em tons de azul escuro ao lado de uma grade. O chão em que os jovens pisam é branco e possui a sombra dos rapazes. Atrás da grade há prédios pintados em tons de azul escuro iguais aos dos jovens e acima dos prédios há um céu pintado por um azul mais claro. No canto superior direito há uma lua cheia na cor branca. Ao centro da ilustração consta o nome do livro em letras maiúsculas na cor branca, na parte superior do livro o nome do autor com a mesma fonte e cor. Por fim, no canto inferior direito há o logo da editora do livro intrínseca na cor de fundo preta com o nome escrito em branco." width="243" height="378" /><figcaption id="caption-attachment-33636" class="wp-caption-text">O livro Os dois morrem no final está sendo adaptado para uma série audiovisual (Foto: Editora Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Luana Brusiano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Imagine receber um recado da Central da Morte informando que, a qualquer momento nas próximas 24 horas, você irá morrer e não há nada que possa ser feito para reverter essa situação. Essa é exatamente a premissa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Os dois morrem no final</span></i><span style="font-weight: 400;">. Escrita por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=q0eluGNgos8"><span style="font-weight: 400;">Adam Silvera</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra narra o último dia de vida de Mateo Torrez e Rufus Emeterio que, em 5 de Setembro, recebem a infeliz ligação: aquele será o último dia de vida deles. Na tentativa de aproveitar ao máximo seus últimos momentos vivos, os caminhos de Mateo e Rufus se cruzam, levando-os a embarcar em uma jornada para viver uma vida inteira em um único dia.</span></p>
<p><span id="more-33635"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os dois jovens decidem criar perfis no aplicativo Último Amigo, com a finalidade de encontrarem um amigo para compartilhar os últimos momentos e, assim, se conhecem. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tN5Fd8NPEx0"><i><span style="font-weight: 400;">Os dois morrem no final</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma obra que prende a atenção já pelo título. A ideia do autor ao nomear o livro com o final da história é genial e gera um impacto significativo no leitor, instigando a curiosidade e despertando certa ansiedade ao acompanhar o desenvolvimento da trama, tendo conhecimento do que vai acontecer com os protagonistas no futuro, mas sem saber como. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No decorrer do</span> <a href="https://personaunesp.com.br/category/literatura/"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mateo Torrez e Rufus Emeterio passam por inúmeras experiências, enfrentando medos, inseguranças e desejos que nunca tiveram a oportunidade de realizar. Mateo, que é um garoto tímido e reservado, viveu toda a sua vida temendo as consequências de suas atitudes e, por esse mesmo motivo, se manteve recluso. Já Rufus, é caracterizado por sua personalidade impulsiva e sede por vivenciar experiências novas, mesmo após o trauma de ter perdido sua família em um acidente. Durante suas últimas vivências, os protagonistas criam um forte vínculo e passam a se apoiar e enfrentar tudo juntos.</span></p>
<figure id="attachment_33637" aria-describedby="caption-attachment-33637" style="width: 828px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33637" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-5.jpg" alt="Foto de Adam Silvera, homem branco de cabelos, barba e olhos castanhos, vestindo uma regata preta e usando um fone de ouvido branco com fio segurando ao lado de seu rosto o livro de sua autoria 0s dois morrem no final." width="828" height="944" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-5.jpg 828w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-5-702x800.jpg 702w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-5-768x876.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33637" class="wp-caption-text">Adam Silvera afirma que a escrita foi uma forma de lidar com o próprio trauma e reimaginar como a vida poderia ter sido enquanto era adolescente (Foto: @adamsilvera via Instagram)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ser uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/ficcao-americana-critica/"><span style="font-weight: 400;">ficção</span></a><span style="font-weight: 400;">, os pontos-chave para o entendimento do livro são as questões existenciais. A analogia com a vida real remete à única certeza que existe: a </span><a href="https://personaunesp.com.br/depois-da-morte-critica/"><span style="font-weight: 400;">morte</span></a><span style="font-weight: 400;">. Desse modo, é óbvio que a intenção do autor é abordar o que significa estar vivo, enfatizando a efemeridade da vida e mostrando como cada segundo de existência importa. Contendo trechos e falas que levam a reflexões profundas, a história trata a morte com uma sensibilidade que pode, até mesmo, ser considerada poética. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A complexidade das personalidades de Mateo Torrez e Rufus Emeterio, e suas camadas mais profundas também são tratadas na obra, uma vez que são completamente opostas e, ainda assim, conseguem fortalecer sua conexão diante do desespero causado pela </span><a href="https://mateusalvadori.com.br/por-que-tememos-o-inevitavel/"><span style="font-weight: 400;">inevitabilidade</span></a> <span style="font-weight: 400;">da morte e pelo fato de que as decisões que tomarem podem afetar o tempo que lhes resta. Com uma amizade que resulta em momentos emocionantes entre os jovens, é gradativamente desenvolvido um sentimento romântico entre os dois, que surge de maneira sútil e muito natural. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O medo da morte é o cerne para o desenvolvimento do livro. A incerteza do desconhecido e, até mesmo, a faísca de esperança de que a ligação efetuada pela </span><a href="https://intrinseca.com.br/blog/2023/06/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-o-universo-de-os-dois-morrem-no-final/"><span style="font-weight: 400;">Central da Morte</span></a><span style="font-weight: 400;"> poderia ser um engano, aflige os protagonistas e se manifesta ao longo de toda a narrativa. A busca pela aceitação da morte e a coragem de confrontar a imortalidade unem esses personagens em sua luta contra o tempo. Adam Silvera explora o medo e as profundezas do psicológico humano, oferecendo uma perspectiva sensível e emocionante acerca da vulnerabilidade humana.</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Passei anos vivendo com segurança para garantir uma vida mais longa e veja onde isso me levou. Estou na linha de chegada, mas nunca participei da corrida.”</span></i></p>
<p style="text-align: right;">&#8211; Os dois morrem no final (2017)</p>
</blockquote>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Os dois morrem no final</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma poderosa viagem através da exploração dos limites de Mateo e Rufus. Com uma narrativa melancólica e impactante que ressoa para além das páginas, o livro desperta a atenção dos leitores para a importância de cultuar a vida e colecionar momentos, bem como o laço da amizade e os desejos nunca antes atendidos. Adam Silvera não apenas traz uma reflexão sobre a efemeridade da existência, mas também aborda com grande sensibilidade  a descoberta da sexualidade dos personagens da comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer,</span></i><span style="font-weight: 400;"> através de uma jornada de </span><a href="https://www.psicologosberrini.com.br/blog/por-que-o-autoconhecimento-e-importante-para-a-sua-vida/"><span style="font-weight: 400;">autoconhecimento</span></a> <span style="font-weight: 400;">e aceitação. </span></p>
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		<title>Há 5 anos, Margot Robbie fez tudo ser sobre ela em Eu, Tonya</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Dec 2022 16:56:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Em 1991, Tonya Harding entrou para a história da patinação no gelo ao se tornar a primeira mulher estadunidense a cravar o salto triple axel em competição. Porém, o brilho dos troféus e o estouro dos confetes logo foram apagados e silenciados. No imaginário popular, ela não está marcada pelo momento de maior &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/eu-tonya-5-anos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 5 anos, Margot Robbie fez tudo ser sobre ela em Eu, Tonya"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29427" aria-describedby="caption-attachment-29427" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-29427" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-1.jpeg" alt="Cena do filme Eu, Tonya. Na imagem, a atriz Margot Robbie olha diretamente para o gelo sob os seus pés. Ela é uma mulher branca de olhos e cabelos claros. A câmera capta a protagonista de baixo para cima, com apenas os seus ombros e face aparecendo. Robbie veste um figurino de patinação no gelo preto com listras e outros detalhes em dourado. Ao fundo, o cenário é o teto de um rinque de patinação escuro." width="1280" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-1.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-1-800x335.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-1-1024x429.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-1-768x322.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-1-1200x503.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29427" class="wp-caption-text">No ano de 2022, o longa I, Tonya celebra o seu quinto aniversário (Foto: Neon)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1991, Tonya Harding entrou para a história da patinação no gelo ao se tornar a primeira mulher estadunidense a cravar o salto </span><i><span style="font-weight: 400;">triple axel</span></i><span style="font-weight: 400;"> em competição. Porém, o brilho dos troféus e o estouro dos confetes logo foram apagados e silenciados. No imaginário popular, ela não está marcada pelo momento de maior glória de sua carreira, mas pelo ato hediondo cometido contra a sua principal rival dentro do rinque, Nancy Kerrigan. Há 5 anos, o diretor </span><a href="https://personaunesp.com.br/cruella-critica/"><span style="font-weight: 400;">Craig Gillespie</span></a> <span style="font-weight: 400;">enxergou em Harding uma jornada de anti-herói digna de filme e, em </span><a href="https://revistamonet.globo.com/filmes/noticia/2022/12/margot-robbie-revela-que-nao-achava-que-era-boa-atriz-mas-papel-a-fez-mudar-de-ideia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Margot Robbie</span></a><span style="font-weight: 400;">, a atriz perfeita para eternizá-la. Assim, (re)</span><span style="font-weight: 400;">nasceu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_YSP-ADogMA"><i><span style="font-weight: 400;">Eu, Tonya</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Afiada como as lâminas dos seus patins, Tonya Harding sempre foi tida como o Patinho Feio do universo de movimentos graciosos. A sua força e músculos somente deixaram de ser um problema quando a congelaram no ar durante três rotações e meia, pela primeira vez derretendo os corações dos jurados e de sua nação, ambos extremamente contaminados pelo tradicionalismo. De certa forma, a responsável por interpretá-la mostrou ter o mesmo olhar cortante; Robbie nunca tentou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EjJRPlY8dUY&amp;t=25s"><span style="font-weight: 400;">quebrar a perna</span></a><span style="font-weight: 400;"> de outra atriz para além do desejo de </span><a href="https://teatroemescala.com/2019/10/18/a-origem-da-frase-parte-uma-perna-no-teatro/"><span style="font-weight: 400;">boa sorte</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas em cena, carregou consigo um bastão invisível que fez tudo ser sobre ela.</span></p>
<p><span id="more-29426"></span></p>
<figure id="attachment_29428" aria-describedby="caption-attachment-29428" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29428" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2.jpeg" alt="Cena do filme Eu, Tonya. Na imagem, a atriz Margot Robbie aparece sentada nos bastidores de uma competição de patinação no gelo. Ela é uma mulher branca de olhos e cabelos claros que veste um collant e meia-calça rosas. Na pela de Tonya, ela se posiciona com as pernas abertas e uma postura desajeitada. Os patins brancos estão ao seu lado no chão. A câmera captura todo o seu corpo e o cenário, composto por uma longa parede branca." width="1280" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2-800x335.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2-1024x429.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2-768x322.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2-1200x503.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29428" class="wp-caption-text">Margot Robbie <a href="https://www.magazine-hd.com/apps/wp/eu-tonya-margot-robbie-transformacao/">treinou</a> por três meses para viver a patinadora nas telas do Cinema (Foto: Neon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante 117 minutos, </span><a href="https://variety.com/2018/film/features/neon-margot-robbie-i-tonya-1202706572/"><i><span style="font-weight: 400;">Eu, Tonya</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> comparou as figuras opostas da protagonista e de Nancy Kerrigan a partir do histórico de violência vivido por Harding, um ambiente nem um pouco favorável à jovem inserida em um esporte elitizado; para os Estados Unidos, amar Kerrigan e o ideal retrógrado que ela representava foi bem mais fácil, e para “</span><i><span style="font-weight: 400;">a</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">América, você sabe &#8211; ela quer alguém para amar, mas ela quer alguém para odiar.</span></i><span style="font-weight: 400;">” O roteiro assinado por </span><a href="https://floodmagazine.com/49584/in-conversation-steven-rogers-chose-the-indie-route-for-i-tonya/"><span style="font-weight: 400;">Steven Rogers</span></a><span style="font-weight: 400;"> trouxe a infame patinadora em uma posição diferente da deixada pela mídia, afinal, ainda que haja a inclusão dos diferentes pontos de vista, a presença da versão dela foi um feito inédito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já o baixo orçamento do longa da</span> <a href="https://personaunesp.com.br/maid-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">LuckyChap Entertainment</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produtora fundada por Margot Robbie e focada em narrativas comandadas por mulheres, acarretou em filmagens rápidas e poucos recursos para os <a href="https://www.metro.us/lets-talk-about-i-tonyas-appalling-cgi/">efeitos visuais</a> </span><span style="font-weight: 400;">utilizados nas rotinas de saltos no gelo, assim, o resultado doloroso eliminou a imersão do público nas cenas. Em contrapartida, outros elementos técnicos retomam a primazia da obra, são eles: ordem quase não cronológica, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8TnUW8tEsHA"><span style="font-weight: 400;">incrível similaridade</span></a><span style="font-weight: 400;"> com gravações reais, quebra da quarta parede, caracterização fiel da equipe de maquiagem, a trilha sonora envolvente de Peter Nashel e a </span><a href="https://www.kodak.com/en/motion/blog-post/i-tonya"><span style="font-weight: 400;">fotografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> precisa de Nicolas Karakatsanis.</span></p>
<figure id="attachment_29429" aria-describedby="caption-attachment-29429" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29429" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3.jpeg" alt="Cena do filme Eu, Tonya. Na imagem, a atriz Allison Janney interpreta a mãe de Tonya Harding. Ela, uma mulher branca de olhos claros e cabelos escuros, fuma um cigarro em pleno rinque de gelo. Em sua face, Janney usa um óculos de grau com armação vermelha. A câmera captura apenas os seus ombros e face. O cenário é composto pelo branco da aula de patinação de gelo que a coadjuvante invadiu." width="1280" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3-800x335.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3-1024x429.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3-768x322.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3-1200x503.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29429" class="wp-caption-text">Allison Janney venceu o Oscar 2018 de Melhor Atriz Coadjuvante pelo seu papel no longa (Foto: Neon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se </span><span style="font-weight: 400;">Craig Gillespie assumiu o compromisso de ressuscitar Tonya Harding através de suas </span><a href="https://personaunesp.com.br/pam-tommy-critica/"><span style="font-weight: 400;">lentes</span></a><span style="font-weight: 400;">, a pungente Allison Janney deu novamente à luz na pele de </span><span style="font-weight: 400;">LaVona Golden, mãe da atleta. Mais do que florescer uma personagem, o filme conduziu a polinização de algo devastado e, até então, perdido: a origem da anti-heroína, uma vez trajada de vilã. Por meio de </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/e-tudo-historia/a-confusa-verdade-do-filme-eu-tonya/"><span style="font-weight: 400;">ironias e contradições</span></a><span style="font-weight: 400;">, Gillespie não idealizou o indefensável, apenas pôs em xeque os argumentos de quem acreditou na maldade de Harding como inata e espontânea, quando, de fato, houveram uma série de fatores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Brutal e sem escrúpulos, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9Bd5ot9Yzx0"><span style="font-weight: 400;">Golden</span></a><span style="font-weight: 400;"> se classificou como a</span><a href="https://personaunesp.com.br/keeping-up-with-the-kardashians-15-anos/"> <i><span style="font-weight: 400;">momager</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (em tradução livre: mãe-agente) de uma época em que o termo ainda não havia sido popularizado. No rol dos pais que </span><a href="https://personaunesp.com.br/king-richard-critica/"><span style="font-weight: 400;">sacrificaram</span></a><span style="font-weight: 400;"> tudo pelo sucesso dos filhos, inclusive a saúde mental dos herdeiros, ela gabaritou quase todos os requisitos que caracterizam uma infância traumática e, por isso, nada mais justo do que ter sido a responsável pela fala de abertura de </span><i><span style="font-weight: 400;">I, Tonya </span></i><span style="font-weight: 400;">(título original da produção). Em 2018, o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante foi para a intérprete Allison Janney que, ao lado de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/por-que-sebastian-stan-ficou-envergonhado-ao-representar-pessoa-real-em-eu-tonya/"><span style="font-weight: 400;">Sebastian Stan</span></a><span style="font-weight: 400;"> na mente do ex-marido </span><span style="font-weight: 400;">Jeff Gillooly, dividiu a dosagem de violência física e verbal. </span></p>
<figure id="attachment_29430" aria-describedby="caption-attachment-29430" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29430" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4.jpeg" alt="Cena do filme Eu, Tonya. Na imagem, Sebastian Stan e Paul Walter Hauser estão interpretando os seus personagens. Ambos são homens brancos de olhos e cabelos escuros. A câmera captura em primeiro plano Stan inclinado em uma poltrona e, em segundo plano, Walter falando ao pé do ouvido do amigo. O cenário é a casa de uma família tradicional estadunidense dos anos 90 com artefatos em cores barrosas, variando entre os tons de marrom." width="1280" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4-800x335.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4-1024x429.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4-768x322.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4-1200x503.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29430" class="wp-caption-text">O roteirista Steven Rogers <a href="https://ew.com/movies/2018/01/04/tonya-harding-i-tonya-margot-robbie/">consultou</a> Tonya Harding, que acabou aceitando a cinebiografia (Foto: Neon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">triple axel</span></i><span style="font-weight: 400;"> não somente foi um divisor de águas na carreira e vida pessoal de Tonya Harding, como também serviu de estopim para o desenvolvimento da trama biográfica e o crescimento de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iY2NLPKpK1Q"><span style="font-weight: 400;">Margot Robbie</span></a><span style="font-weight: 400;"> frente às câmeras. Habituada à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rCswIz5cSm8"><span style="font-weight: 400;">hostilidade da agressão</span></a><span style="font-weight: 400;">, a personagem se moveu pela vontade de provar errado quem duvidou de sua capacidade. E, a cada linha desenhada no gelo, Robbie reuniu em sua expressão o caos interno de Harding, liderando a narrativa de um outro ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu’</span></i><span style="font-weight: 400;"> com maestria. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Nancy apanha uma vez&#8230;e o mundo inteiro entra em colapso. Para mim, é o que acontece o tempo todo</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">‘Incidente’ é o termo dito pelas personagens ao descreverem o evento que marcou drasticamente o esporte. Com o avanço do enredo, a participação da protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu, Tonya</span></i><span style="font-weight: 400;">, na tentativa de lesionar sua rival, se dissolveu e deu espaço para outros dois elementos: o seu ex-marido Jeff Gillooly e seu guarda-costas Shawn Eckardt (</span><a href="https://www.usatoday.com/story/life/movies/2018/03/07/paul-walter-hauser-great-tonya/397549002/"><span style="font-weight: 400;">Paul Walter Hauser</span></a><span style="font-weight: 400;">)</span><span style="font-weight: 400;">. Obsessivo, Gillooly jurou vingança após Harding receber ameaças. Já Eckardt, mentiroso compulsivo, enxergou a oportunidade exata para ser o mandante de um crime de enorme repercussão. A dinâmica vital entre os atores provaram que todo dia, um bobo e um esperto saem de casa.</span></p>
<figure id="attachment_29431" aria-describedby="caption-attachment-29431" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29431" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-5.jpeg" alt="Cena do filme Eu, Tonya. Na imagem, Margot Robbie dá vida a uma Tonya Harding angustiada com os laços de seus patins. Ela, uma mulher branca de olhos e cabelos claros, veste um figurino de patinação no gelo preto com listras e outros detalhes em dourado. A câmera captura Robbie de lado, sentada em uma cadeira e inclinada até os seus patins. O cenário é o camarim de uma competição, composto por cadeiras roxas, paredes brancas e chão azul." width="1280" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-5.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-5-800x335.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-5-1024x429.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-5-768x322.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-5-1200x503.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29431" class="wp-caption-text">Robbie, atriz e produtora de I, Tonya, <a href="https://margotrobbie.com.br/margot-robbie-revela-como-se-machucou-no-set-de-i-tonya/">enfrentou</a> uma hérnia de disco durante as gravações (Foto: Neon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Satiricamente, ao contrário da fantasia nuclear estadunidense, a família e valores quebrados de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=d_y1SI3caMU"><span style="font-weight: 400;">Tonya Harding</span></a><span style="font-weight: 400;"> a configuraram como o maior símbolo dessa nação condenada à hipocrisia. Sentados à frente da televisão, o público agiu como jurado e condenou a atleta ao escárnio eterno das piadas de mal-gosto. Já no tribunal, a punição também relacionou medidas não equilibradas: enquanto </span><a href="https://thenexus.one/margot-robbie-nao-reconheceu-sebastian-stan/"><span style="font-weight: 400;">Jeff Gillooly</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Shawn Eckardt cumpriram suas penas e voltaram para as suas vidas, Harding foi banida permanentemente de competições e, desse modo, arrancaram dela a única coisa que algum dia soube fazer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 2017, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZGmmiuiVEnU"><i><span style="font-weight: 400;">Eu, Tonya</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> assopra as velas do seu quinto aniversário. Entre os seus méritos, a quantidade avassaladora de indicações e vitórias nas principais premiações do Cinema se consagrou como um mero detalhe, pois o primor do longa residiu no (re)nascimento de um ícone da patinação no gelo. A direção de </span><span style="font-weight: 400;">Gillespie atravessou a história de origem de anti-herói e acertou em cheio no seguinte despertar: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não existe verdade…todos têm a sua própria verdade e a vida apenas faz o que bem entender</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Margot Robbie, por sua vez, andou divinamente sobre as águas congeladas, saltou para longe e fez tudo ser sobre ela.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/c_weoC3HT6Q?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
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		<title>Há 5 anos, Linn da Quebrada cristalizou o Pajubá</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Nov 2022 14:26:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enrico Souto “Não adianta pedir, que eu não vou te chupar escondida no banheiro”. É com este primeiro verso, na faixa (+ Muito) Talento, que Linn da Quebrada abre as cortinas de Pajubá, instituindo desde o princípio o tema central que perdura por todo o projeto: ela não será mais escusa. Rejeitando um posicionamento conciliador &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pajuba-5-anos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 5 anos, Linn da Quebrada cristalizou o Pajubá"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29343" aria-describedby="caption-attachment-29343" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29343" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-1.jpg" alt="Capa do CD Pajubá, de Linn da Quebrada. Imagem quadrada e colorida. Em foco, está uma travesti negra, usando um vestido branco florido e chinelos brancos nos pés. A câmera a capta somente do pescoço para baixo, de forma que seu rosto não esteja à mostra. Ela se apoia em uma mesa branca, enquanto passa uma peruca de cabelos escuros e lisos com um ferro de passar. O cenário é uma casa humilde, com chão e portas de madeira." width="1000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-1-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-1-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29343" class="wp-caption-text">Aniversariante do mês de outubro, Pajubá é o primeiro álbum de estúdio da cantora, rapper, atriz e agitadora cultural Linn da Quebrada (Foto: Linn da Quebrada)</figcaption></figure>
<p><b>Enrico Souto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Não adianta pedir, que eu não vou te chupar escondida no banheiro</span></i><span style="font-weight: 400;">”. É com este primeiro verso, na faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jZ19E9OJ6n8&amp;ab_channel=LinndaQuebrada"><i><span style="font-weight: 400;">(+ Muito) Talento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/linn-da-quebrada/"><span style="font-weight: 400;">Linn da Quebrada</span></a><span style="font-weight: 400;"> abre as cortinas de </span><a href="http://musicainstantanea.com.br/resenha-pajuba-linn-da-quebrada/"><i><span style="font-weight: 400;">Pajubá</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, instituindo desde o princípio o tema central que perdura por todo o projeto: ela não será mais escusa. Rejeitando um posicionamento conciliador e desafiando o conservadorismo, é declarado que, não interessa o incômodo e constrangimento que lhe cause, a sociedade será obrigada a enxergá-la. Lançado em 6 de outubro de 2017, o primeiro álbum de estúdio da artista completa cinco anos em 2022 e, depois de fazer seu nome na Música, </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2022/04/linn-da-quebrada-e-ariadna-do-bbb-11-se-encontram-pela-1a-vez-te-amo.shtml"><span style="font-weight: 400;">reivindicando espaços</span></a><span style="font-weight: 400;"> que corpos trans nunca ocuparam, se ressignifica no próprio tempo.</span></p>
<p><span id="more-29342"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">(+ Muito) Talento</span></i><span style="font-weight: 400;">, por sua vez, é uma releitura de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hkAHuRPGgNk&amp;ab_channel=LinndaQuebrada"><i><span style="font-weight: 400;">Talento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> que a lançou na indústria em 2016 sob a alcunha de MC Linn da Quebrada, quando colocava-se mais próxima do </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;"> tradicional. Entretanto, a partir de 2017, a cantora se apresentou em uma estética totalmente nova. Através da direção musical de </span><a href="https://volumemorto.com.br/badsista-entrevista-gueto-elegance/"><span style="font-weight: 400;">BADSISTA</span></a><span style="font-weight: 400;">, que repetiu a função em </span><a href="https://open.spotify.com/album/7MpgDfdAVvQjQ2pZ9NYvh6?si=P3rCcGeQTqycfNAEmOyQwA"><i><span style="font-weight: 400;">Trava Línguas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pajubá</span></i><span style="font-weight: 400;"> se apropriou da cultura de </span><a href="https://personaunesp.com.br/pose-3a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">ballroom</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e imputou a ela uma identidade típica da vivência brasileira, unindo o </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o </span><i><span style="font-weight: 400;">vogue</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma musicalidade crua e poluída, muito inspirada nas experimentações do trabalho de </span><a href="https://personaunesp.com.br/kick-ii-critica/"><span style="font-weight: 400;">Arca</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29344" aria-describedby="caption-attachment-29344" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29344" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-2-1.jpg" alt="Imagem de divulgação do CD Pajubá, de Linn da Quebrada. Fotografia retangular e colorida. Em foco, vemos duas pessoas. Linn da Quebrada, uma travesti negra, com cabelos crespos escuros e longos, vestindo um top verde-musgo e unhas pintadas de vermelho. Ela segura um copo vermelho e joga seus cabelos para o lado, enquanto olha para Jup do Bairro, uma travesti negra, vestindo uma peruca verde de cabelos curtos e lisos, com uma coroa de plástico e óculos escuros apoiados sobre a cabeça. No corpo, ela usa uma camisa preta e uma jaqueta escura com alguns adereços. Ela olha para frente e tem a boca aberta, como se dissesse algo. O cenário, em desfoque, é uma floresta durante o dia." width="2000" height="1335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-2-1.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-2-1-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-2-1-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-2-1-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-2-1-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-2-1-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29344" class="wp-caption-text"><a href="https://personaunesp.com.br/lancamentos-musicais-maio-2021/">Jup do Bairro</a>, que fazia shows com Lina antes de lançar carreira solo, é uma personagem ativa em Pajubá e participa em grande parte das faixas (Foto: Nu Abe)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A qualidade de composição e produção do disco já apontava para um orçamento maior em relação a suas empreitadas anteriores. Isso só foi possível, porém, através da promoção de um </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/galeria/linn-da-quebrada-lanca-financiamento-coletivo-para-producao-de-seu-primeiro-disco"><span style="font-weight: 400;">financiamento coletivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, responsável por garantir a verba necessária para a concretização do projeto. Construindo sua obra a partir de um ato de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=971P0E2FaI8"><span style="font-weight: 400;">pura subversão</span></a><span style="font-weight: 400;">, Linn aproxima-se intimamente de sua audiência e ressalta o caráter coletivo de sua obra. Não é por acaso, afinal, que tenha sido nomeada como “</span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2018/11/enem-2018-conheca-a-origem-do-pajuba-dialeto-de-gays-e-travestis-citado-no-exame-cjo4maix90ben01pih135nzhn.html"><i><span style="font-weight: 400;">Pajubá</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, nome do dialeto popular construído coletivamente por comunidades </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/queer/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> que combina palavras do léxico português informal e de línguas africanas, frisando também suas raízes negras – da artista e da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O título também acentua outro dos elementos do </span><i><span style="font-weight: 400;">LP</span></i><span style="font-weight: 400;">: </span><a href="https://midianinja.org/bernardogonzales/linn-da-quebrada-pronomes-e-artigos/"><span style="font-weight: 400;">a linguagem</span></a><span style="font-weight: 400;">. Da mesma forma que o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=skGyFowTzew&amp;t=919s"><span style="font-weight: 400;">pixo</span></a><span style="font-weight: 400;">, ainda que se comunique por códigos que apenas os pichadores conseguem decifrar, faz questão de ser visto e ocupar o patrimônio público, Linn da Quebrada se converge ao pajubá e o utiliza como ferramenta de choque. Mesmo compondo canções de enfrentamento endereçadas diretamente aos seus opressores, a artista não abandona seu dialeto e, ao invés disso, o sublinha a fim de intensificar o senso de agressividade das faixas – ao passo que endossa que, no fim do dia, este é um trabalho produzido por e para a comunidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um exemplo claro disso é a própria abertura do álbum, </span><i><span style="font-weight: 400;">(+ Muito) Talento</span></i><span style="font-weight: 400;">. Antes um </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> ardente feito especialmente para as pistas, a faixa em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pajubá</span></i><span style="font-weight: 400;"> é transformada em um </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2812200611.htm"><i><span style="font-weight: 400;">spoken word</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – quando a letra é falada em vez de cantada. Os versos tornam-se ainda mais incisivos quando recitados por Lina, em uma performance teatral e resoluta, que anuncia a qualquer ouvinte que ouse enfrentá-la:</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">ser bicha não é só dar o cu, é também poder resistir</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A intro ainda finaliza com um trecho instrumental que sintetiza toda a direção musical do disco, moldando o </span><i><span style="font-weight: 400;">funk </span></i><span style="font-weight: 400;">e o </span><i><span style="font-weight: 400;">voguebeat</span></i><span style="font-weight: 400;"> a uma produção industrialmente apocalíptica, cheia de </span><i><span style="font-weight: 400;">noize</span></i><span style="font-weight: 400;"> e bumbos estourados. Aqui, declara-se sentenciada a hegemonia branca e cisheteronormativa.</span></p>
<figure id="attachment_29345" aria-describedby="caption-attachment-29345" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29345" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-3-1.jpg" alt="Imagem de divulgação do CD Pajubá, de Linn da Quebrada. Foto retangular e colorida. Linn, uma travesti negra, com cabelos crespos escuros e longos, vestindo um sobretudo bege e um top verde-musgo, olha para frente, contemplativa. O cenário são as paredes de uma casa abandonada, decomposta pelo tempo." width="2000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-3-1.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-3-1-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-3-1-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-3-1-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-3-1-1536x768.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-3-1-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29345" class="wp-caption-text">Linn da Quebrada brinca e muito com a língua: Pajubá não só é cheio de neologismos – de Necomancia à Enviadescer – como também foi pioneiro no uso do <a href="https://genius.com/Linn-da-quebrada-enviadescer-lyrics">pronome neutro</a> como conhecemos hoje (Foto: Nu Abe)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde que se consolidou na música, Linn da Quebrada se tornou conhecida por sua abordagem poética e figurativa. Famosa por </span><a href="https://open.spotify.com/track/2OuCkfX39Geg49wLwjsQ9z?si=c603f299ee0940d0"><span style="font-weight: 400;">versos como</span></a><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">Entre a oração e a ereção, ora são, ora não são</span></i><span style="font-weight: 400;">”, não é incomum observar a artista passear com suas rimas pelos instrumentais como se preenchesse os papéis de uma poesia concreta. Essa conduta aparece em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pajubá</span></i><span style="font-weight: 400;"> através de faixas como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6KUD5CJrgVE"><i><span style="font-weight: 400;">Serei A</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: uma quebra mansa em meio ao caos que, acompanhada à voz de Liniker e leves batuques, relaciona a lenda da sereia com seu anseio em desejar-se e ser desejada como um corpo travesti. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, essa é uma exceção em um projeto que se fortifica na incisão. Ao contrário, não há espaço algum para digestão e assimilação, muito menos </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/rock-in-rio/2019/noticia/2019/09/06/nao-dou-espaco-para-que-tenham-outras-leituras-da-minha-musica-diz-linn-da-quebrada.ghtml"><span style="font-weight: 400;">abertura para interpretação</span></a><span style="font-weight: 400;">. Lina dá corpo e terreno ao explícito, fazendo do álbum literal em seu fundamento. O disco se faz arma, investindo em versos cortantes e em uma linguagem indecorosamente obscena, de maneira a dar voz à ira e revolta que irremediavelmente permeiam a existência da artista. Antes invisibilizada, ela aguça os aspectos mais desconfortáveis de sua arte – lírica e musicalmente –, de tal forma que seja impossível ignorá-la.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse detalhe, em específico, deu abertura para outros dilemas na posteridade. Linn da Quebrada ultrapassou a marginalidade: seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ixwKJjB_jUo"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=re0ZRpQbhdI&amp;ab_channel=LinndaQuebrada"><i><span style="font-weight: 400;">Bixa Travesty</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> estreou no </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1551677576564850688?t=5ozSJyNzs_QZZII0ntfuzA&amp;s=19"><span style="font-weight: 400;">Festival Internacional de Cinema de Berlim</span></a><span style="font-weight: 400;"> e recebeu mais de 30 prêmios internacionalmente; sua música furou a bolha, atingiu rádios e </span><i><span style="font-weight: 400;">charts</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, então, ocupou o horário nobre das televisões de todo o Brasil com sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i0_Q24oJBjk"><span style="font-weight: 400;">trajetória</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><a href="https://personaunesp.com.br/big-brother-brasil-21-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Big Brother Brasil</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2022. Entre os últimos cinco anos, Lina cristalizou por definitivo seu lugar na cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29346" aria-describedby="caption-attachment-29346" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29346" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-4.jpg" alt="Cena do documentário Bixa Travesty, dirigido por Kiko Goifman e Claudia Priscilla. Imagem retangular e colorida. Nela, Linn da Quebrada, uma travesti negra, se apresenta de perfil, do ombro para cima. No lado à mostra, seu couro cabeludo está completamente à mostra, enquanto o outro ainda é preenchido por seus cabelos crespos e escuros. Ela olha para sua mão esquerda, levantada na altura de seus olhos, que segura um tufo de seus cabelos escuros. Linn está nua e o cenário é um banheiro." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-4-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-4-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/IMAGEM-4-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29346" class="wp-caption-text">Dirigido por Kiko Goifman e Claudia Priscilla, o documentário Bixa Travesty detalha a luta de Lina contra o câncer em 2014, antes de se lançar na indústria (Foto: Válvula Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse meio tempo, surgiu </span><a href="https://monkeybuzz.com.br/resenhas/albuns/linn-da-quebrada-trava-linguas/"><i><span style="font-weight: 400;">Trava Línguas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O sucessor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pajubá</span></i><span style="font-weight: 400;">, lançado em 2021, nasceu em um momento em que Linn da Quebrada não precisava mais se preocupar em atrair os holofotes para si. Já estavam todos lá. Nesse contexto, portanto, ela opta por uma aproximação considerada mais limpa e menos desafiadora. Como a paronímia do título sugere, o foco da cantora se apresenta na brincadeira com as palavras, sacrificando, assim, composições mais diretas e afiadas. Isso trouxe, inclusive de fãs, questionamentos sobre a razão dessa posição, como se o projeto fosse um esforço em adequar-se à lógica e estética dominante. Linn da Quebrada responde essa questão </span><a href="https://volumemorto.com.br/entrevista-linn-da-quebrada-trava-linguas/"><span style="font-weight: 400;">em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao blog </span><i><span style="font-weight: 400;">Volume Morto</span></i><span style="font-weight: 400;">:</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Eu procurei jogar muito com a contradição nesse álbum. A contradição me interessa. A contradição das coisas que eu estava trazendo no álbum, envolta numa sonoridade que estrategicamente procura aproximar quem ouve, para que com essa aproximação eu fizesse com que as pessoas me escutassem e, então, se perguntassem e percebessem o que é isso que elas estão ouvindo. Porque eu percebo uma certa aversão da maioria das pessoas, que quando ouve o palavrão já se recusa a ouvir o resto das músicas e entrar em contato com a obra”.</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto uma artista que trava batalhas através da língua, Linn nega rótulos e demonstra a volatilidade de sua arte. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Trava Línguas</span></i><span style="font-weight: 400;"> parte da necessidade de disputar espaços discursivos, ampliando seu alcance a partir de uma sonoridade mais convidativa, a visceralidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pajubá</span></i><span style="font-weight: 400;"> justifica-se por seu ápice de urgência: trata-se de uma expressão da pura e simples reação. Um </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/celebridades/linn-da-quebrada-e-acusada-de-contradicao-apos-detalhar-tatuagem-com-pronome-87412"><span style="font-weight: 400;">resultado contraditório</span></a><span style="font-weight: 400;">? Talvez. Mas a artista incorpora sua persona complexa e assume que esses paradoxos são peças fundamentais que formaram sua identidade e sua subjetividade emocional, dos amores aos ódios.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Linn da Quebrada - Enviadescer (Áudio-Vídeo Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/MFmZj4SyrrY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Reduzir </span><i><span style="font-weight: 400;">Trava Línguas</span></i><span style="font-weight: 400;"> a uma tentativa ‘higienizada’ de assimilação é um pecado tão ominoso quanto diminuir </span><i><span style="font-weight: 400;">Pajubá</span></i><span style="font-weight: 400;"> aos sofrimentos e discriminações que Lina relata. </span><a href="https://personaunesp.com.br/leon-bridges-gold-diggers-sound-critica/"><span style="font-weight: 400;">Não somos nossas dores</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a potência do disco floresce não no preconceito, mas em uma ode à liberdade sexual e ao gozo. A cantora reúne </span><a href="https://midianinja.org/news/sou-ela-e-sei-que-ela-sou-escreve-liniker-para-linn-da-quebrada-apos-show-no-bbb/"><span style="font-weight: 400;">amigas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e grandes nomes da cultura LGBTQIA+ nacional para, portando as mesmas ferramentas que em certo momento usou no fronte, declarar coletivamente seu desejo e tesão aos quatro cantos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse exercício se manifesta em diferentes frentes. Junto a </span><a href="https://www.agazeta.com.br/entretenimento/cultura/entrevista-pepita-fala-de-militancia-preconceito-e-dignidade-lgbtq-1119"><span style="font-weight: 400;">Pepita</span></a><span style="font-weight: 400;">, Linn da Quebrada transforma o ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">funk </span></i><span style="font-weight: 400;">putaria’ em uma experiência lúdica em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NtUtgkkNtFg&amp;ab_channel=LinndaQuebrada"><i><span style="font-weight: 400;">Dedo Nucué</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Já em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4W8jlyLK5LA&amp;ab_channel=LinndaQuebrada"><i><span style="font-weight: 400;">Coytada</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VD9jLPLlpR4&amp;ab_channel=LinndaQuebrada"><i><span style="font-weight: 400;">Necomancia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com </span><a href="https://personaunesp.com.br/lancamentos-musicais-fevereiro-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">Gloria Groove</span></a><span style="font-weight: 400;">, a artista opera sob o mesmo fundamento para fazer escárnio da branquitude, expondo sua faceta mais prepotente e patética. Quando Lina ratifica em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7kZ4Xh0mhik&amp;ab_channel=LinndaQuebrada"><i><span style="font-weight: 400;">Pirigoza</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Sabe a minha identidade? Nada a ver com xota e pau</span></i><span style="font-weight: 400;">”, ela arranca as más-línguas da elite, castra seus falos e se apossa de sua identidade, exorcizando-a da norma binária e atribuindo a si seus próprios símbolos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há 5 anos, pessoas trans não podiam se dar ao luxo de pedir permissão. </span><i><span style="font-weight: 400;">Pajubá</span></i><span style="font-weight: 400;"> reclamou o controle das narrativas de gênero antes mesmo dessa ser uma alternativa e, assim, arrombou os portões. Se hoje a cantora tem capacidade de pautar debates sobre transgeneridade em plena rede nacional, foi porque um dia ela disputou esses territórios, materiais e linguísticos. E, sobretudo, se essa brecha mantém-se exposta e artistas </span><a href="https://tracklist.com.br/artistas-trans-travestis/127247"><span style="font-weight: 400;">continuam passando</span></a><span style="font-weight: 400;"> por ela, foi porque, um dia, em uma reinterpretação do que é possivelmente a composição </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=saZywh0FuEY"><span style="font-weight: 400;">mais importante</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua carreira, Linn da Quebrada levantou-se e gritou a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MFmZj4SyrrY&amp;ab_channel=LinndaQuebrada"><span style="font-weight: 400;">plenos pulmões</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Porque antes era viado, agora eu sou travesti</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Pajubá" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/5xyoM3kQr3FJSGk2CVP6du?si=90EBKuEgSWGib77MB_T1fg&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>FEELS: o mar de sentimentos do Soul Cinematográfico</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Oct 2022 17:00:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Isabela D’Avila Quando Prince te convida para comer donuts, mesmo que seja às quatro da manhã em uma cidade totalmente desconhecida, você vai. Essa foi a primeira das  muitas outras experiências inesperadas vividas por Snoh Aalegra com o artista, que decidiu por espontânea vontade orientar a cantora, depois de se apaixonar por sua voz. Assim &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/feels-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "FEELS: o mar de sentimentos do Soul Cinematográfico"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28830" aria-describedby="caption-attachment-28830" style="width: 538px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28830" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/FEELS-CAPA.jpg" alt="Capa do álbum de FEELS, é um design gráfico de uma mulher astronauta, que parece estar flutuando pelo espaço. Ela leva sua mão direita ao capacete. O desenho de um arco-íris atravessa o desenho na diagonal desde o canto inferior esquerdo ao canto superior direito" width="538" height="537" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/FEELS-CAPA.jpg 538w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/FEELS-CAPA-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 538px) 85vw, 538px" /><figcaption id="caption-attachment-28830" class="wp-caption-text">FEELS, primeiro álbum da cantora Snoh Aalegra, foi lançado em outubro de 2017 (Foto: Joseph McDermott)</figcaption></figure>
<p><b>Isabela D’Avila</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Prince te convida para comer donuts, mesmo que seja às quatro da manhã em uma cidade totalmente desconhecida, você vai. Essa foi a primeira das  </span><a href="https://www.harpersbazaar.com/culture/art-books-music/a29134062/snoh-aalegra-interview/"><span style="font-weight: 400;">muitas outras experiências inesperadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> vividas por Snoh Aalegra com o artista, que decidiu por espontânea vontade orientar a cantora, depois de se apaixonar por sua voz. Assim como ele, talvez depois de ler esse texto e ouvir algumas músicas de Aalegra, você também se apaixone por uma das vozes mais envolventes da cena do </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> atual. </span></p>
<p><span id="more-28829"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu nome de nascimento é </span><span style="font-weight: 400;">Shahrzad Fooladi, ou</span> <span style="font-weight: 400;">Snoh Sheri Nowrozi. Apesar das músicas em inglês, as canções receberam influências de diversas culturas, já que Snoh nasceu na Suécia, mas foi criada por seus pais persas que vieram do sul do Irã. A cantora começou a escrever aos 9 anos e ainda aos 13 assinou um acordo de desenvolvimento artístico com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Sony Music</span></i><span style="font-weight: 400;"> Suécia. Mas foi só em 2014, quando já tinha seus 26 anos, que sua carreira mudou de patamar. Isso não só porque ela estreou seu novo nome artístico, Snoh Aalegra, mas porque teve a oportunidade &#8211; ou a benção &#8211; de ser descoberta e </span><a href="https://metro.co.uk/2019/12/26/snoh-aalegra-recalls-random-4am-emails-prince-doughnut-dates-crazy-time-11962650/"><span style="font-weight: 400;">orientada</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo cantor Prince, </span><span style="font-weight: 400;">até o ano de 2016, quando infelizmente faleceu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de seu mentor e sua maior referência, </span><a href="https://www.billboard.com/music/music-news/snoh-aalegra-is-traveling-a-path-thats-all-her-own-9487303/"><span style="font-weight: 400;">Aalegra diz sempre ter se inspirado</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos cantores que cresceu ouvindo desde os anos 70 até os anos 90, como Stevie Wonder, Michael Jackson, Whitney Houston, James Brown e Lauryn Hill. Apesar de serem sua inspiração, ela relata usar suas próprias experiências de vida nas letras das canções. Após alguns </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;">s e </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;">, Snoh finalmente lançou seu álbum de estreia, o inesquecível </span><i><span style="font-weight: 400;">FEELS</span></i><span style="font-weight: 400;">, que em 2022 completa 5 anos. </span></p>
<figure id="attachment_28831" aria-describedby="caption-attachment-28831" style="width: 417px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28831" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Snoh.jpg" alt="Na imagem em preto e branco, vemos a cantora Snoh Aalegra apoiada em uma bancada, com seu braço esquerdo. Seu braço direito apoia na bancada com o cotovelo e a mão vai à cabeça. Ela olha para a câmera com seu lado direito. Ela está com uma blusa branca que cobre todo o seu braço e pescoço. Usa argolas pequenas e grossas e está com anéis nos dedos." width="417" height="490" /><figcaption id="caption-attachment-28831" class="wp-caption-text">A cantora de R&amp;B Snoh Aalegra traz referências em suas músicas de suas raízes suecas e persas (Foto: Jack McKain)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com músicas entre o </span><i><span style="font-weight: 400;">Soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mAJK7Fxycs4"><span style="font-weight: 400;">são definidas pela própria cantora, </span><i><span style="font-weight: 400;">Soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> Cinematográfico ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> Romântico</span></a><span style="font-weight: 400;">, o álbum traz a melancolia e o romance tradicional das músicas de Snoh e caracteriza a diversidade cultural e linguística que ela vive. Exemplo disso é a aparição do cantor sueco Timbuktu na música </span><i><span style="font-weight: 400;">Like I Used Too</span></i><span style="font-weight: 400;"> e alguns visuais do projeto feitos em ambientes persas. Os vídeos das canções também são complementados com situações em que aparecem conversas em línguas diferentes do inglês, como no clipe de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hJrEuqIgKUk"><i><span style="font-weight: 400;">Nothing Burns Like The Cold</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nome </span><i><span style="font-weight: 400;">FEELS</span></i><span style="font-weight: 400;"> representa bem o álbum e a cantora. Apesar de sons melancólicos, muitas sensações são atingidas ao longo das faixas, já que cada uma provoca um sentimento diferente. Isso se dá não só pela emoção que o </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz para as histórias, mas pela voz aconchegante de Snoh, que definitivamente se destaca em relação a outros artistas do mesmo estilo. O título também representa bem a própria artista, porque ela mesma </span><a href="https://www.highsnobiety.com/p/snoh-aalegra-interview-2/"><span style="font-weight: 400;">afirma ser uma pessoa muito emocional</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e culpa seu signo de Virgem por isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Algo único que Snoh e seus produtores realizam no projeto é usar sons clássicos do </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Blues</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas </span><a href="https://scandinaviansoul.com/snoh-aalegra-feels/"><span style="font-weight: 400;">de forma reinventada</span></a><span style="font-weight: 400;"> para um novo público, mais jovem e moderno. A canção </span><i><span style="font-weight: 400;">Fool For You</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um exemplo disso, por ter uma batida nova, mas ter marcas clássicas do</span><i><span style="font-weight: 400;"> Soul</span></i><span style="font-weight: 400;">. A faixa contém toda a emoção que o ritmo sempre traz para as histórias: nesse caso, sobre o envolvimento da cantora em um amor, que visivelmente a levará a um final catastrófico,  que mesmo assim a faz permanecer para viver aquilo: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu me conheço, mas eu finjo/Eu saio e volto novamente/Eu sou um tolo por você</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Snoh Aalegra - Fool For You | A COLORS SHOW" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ElINqEyx7GM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O projeto conta com participações dos </span><i><span style="font-weight: 400;">rappers</span></i> <a href="https://open.spotify.com/album/0pVhqkfdTywxdrHc3RCo7u?si=Duz4uj3bQeCof2D4mede3w"><span style="font-weight: 400;">Vince Staples</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://open.spotify.com/track/5Vvu6MkyvNVdbsD5oV49Aw?si=3349498e54cd42a0"><span style="font-weight: 400;">Vic Mensa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/track/5tz69p7tJuGPeMGwNTxYuV?si=5c4750e6820543e3"><span style="font-weight: 400;">Logic</span></a><span style="font-weight: 400;">, trazendo a clássica e tão amada colaboração </span><i><span style="font-weight: 400;">Rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B, que</span></i><span style="font-weight: 400;"> inclusive faz falta em muitos álbuns atuais. Após a introdução com </span><a href="https://open.spotify.com/track/7DfDdFCdn3WZYupiGProcq?si=5a4110f36dc94dd4"><i><span style="font-weight: 400;">All I Have &#8211; Intro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Snoh traz uma batida clássica de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hip hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> com </span><a href="https://open.spotify.com/track/3vSQzBw0eKr2xmFml65Y7F?si=7c3fa042bc754dc7"><i><span style="font-weight: 400;">Sometimes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dizendo um pouco sobre como está confusa com sua própria vida: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Às vezes eu decido onde devo estar/E às vezes a vida, simplesmente acontece pra mim</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A música é a primeira colaboração do álbum, feita com o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> Logic.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> do projeto, </span><a href="https://open.spotify.com/track/1MSNfqOWHPcxzXz2Kw2W0o?si=58a71aeac23042a3"><i><span style="font-weight: 400;">Nothing Burns Like The Cold</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com a participação de Vince Staples, é o que amarra todas as outras músicas do álbum, e mais caracteriza o estilo de Snoh. Com seus vocais penetrantes e um </span><i><span style="font-weight: 400;">mashup </span></i><span style="font-weight: 400;">suave de duas canções do </span><a href="https://open.spotify.com/artist/6liAMWkVf5LH7YR9yfFy1Y?si=NPofskiBQaC-jTGzGFE6og"><i><span style="font-weight: 400;">Portishead</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, trazendo instrumentos de cordas, bateria, baixo e até arranhões de toca-discos que vêm e vão, ela conseguiu gerar a serenidade de um clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">Jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, com fortes </span><a href="https://riotmag.co/single-review-nothing-burns-like-cold-snoh-aalegra"><span style="font-weight: 400;">influências do </span><i><span style="font-weight: 400;">Hip hop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A cantora entrega um início marcante e amarra o ouvinte até o meio da faixa quando Vince entra deixando a canção mais emocionante. Os dois cantam sobre uma relação que dá totalmente errado, e que ambos já têm consciência disso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aalegra não apresenta melodias apenas melancólicas ao longo do CD. Ela também entra no </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop-soul</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://open.spotify.com/track/3G6SFvnNUR1M3Tbqsih4D2?si=b46bfca1e227474a"><i><span style="font-weight: 400;">You Keep Me Waiting</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, traz um som mais animado, apesar da letra contar sobre o desgosto de estar em um relacionamento em que seu parceiro ama muito menos do que você, e entrega só o pior para a relação. Mesmo assim, talvez pela idealização desse homem, ela permanece esperando por ele: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você me faz esperar com o pior de você/E você chama isso de amor/Você não me dá nada, mas eu ainda não consigo me fartar/E eu chamo isso de amor</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_28834" aria-describedby="caption-attachment-28834" style="width: 798px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28834" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Snoh-show.JPG_RF257635.TMP2_-2.jpg" alt="Em um palco com luzes azuis e fumaça, a cantora Snoh Aalegra está de pé ao centro. A imagem mostra todo o seu corpo, menos seus pés. Ela usa um conjunto claro e brilhoso que cobre suas pernas e seus braços. O casaco está aberto, mostrando assim o top da cantora, sua barriga, seu colo e pescoço. Seus cabelos estão presos e ela usa brincos brancos grandes. Sua mão direita segura o microfone, em direção à sua boca, que está fechada. Seu braço esquerdo está abaixado. Atrás da cantora, no palco, também podemos ver duas mesas pequenas e altas com objetos em cima." width="798" height="447" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Snoh-show.JPG_RF257635.TMP2_-2.jpg 798w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Snoh-show.JPG_RF257635.TMP2_-2-768x430.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28834" class="wp-caption-text">Inspirada por Prince, Stevie Wonder e Lauryn Hill, a cantora Snoh Aalegra tem um som de R&amp;B único que tem sido apelidado de Soul cinematográfico (Foto: German Vizcarra)</figcaption></figure>
<p><a href="https://open.spotify.com/track/6MT6xMcntgOoylWCaOL8lm?si=f1f8ab76753f48fa"><i><span style="font-weight: 400;">Worse</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um dos destaques do álbum. Com estilo lento e pausado, a artista canta para um certo desconhecido e pede para que ele possa compartilhar um pouco de sua sabedoria. Snoh entoa o que o homem permanecia repetindo: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Aproveite seu tempo, só vai piorar/Aqui está o problema da vida, ela só vai piorar</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Mas ela não entende e permanece perguntado o porquê, recebendo apenas uma explicação: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você sempre vai encontrar uma maneira/Para partir seu coração</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span> <span style="font-weight: 400;">Em uma entrevista para a </span><a href="https://www.highsnobiety.com/p/snoh-aalegra-interview-2/"><i><span style="font-weight: 400;">Highsnobiety</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a musicista revelou que, na verdade, esse homem é seu tio, que sempre teve uma visão um pouco amarga da vida e a dizia: &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Oh, você está machucada agora? Só vai ficar pior</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://open.spotify.com/track/3GTpHuThSwghiUEvVQCwsz?si=86275ad43ffe48d8"><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Snoh expõe seus sentimentos com a perda de seu pai. Em uma música ‘voz e piano’, ela canta sobre como gostaria de ter dado mais valor ao tempo com ele, porque ele era o que realmente importava. Para a </span><a href="http://www.thefader.com/2017/03/19/snoh-aalegra-drake-more-life-do-not-disturb-interview"><i><span style="font-weight: 400;">FADER</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Snoh conta que não passou muito tempo com ele durante a juventude por conta do divórcio de seus pais.</span><span style="font-weight: 400;"> A música foi sampleada por Drake, na última música do álbum </span><i><span style="font-weight: 400;">More Life</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Do Not Disturb</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que o artista usa para colocar para fora muitos pensamentos. Por fazer parte disso, </span><a href="http://www.thefader.com/2017/03/19/snoh-aalegra-drake-more-life-do-not-disturb-interview"><span style="font-weight: 400;">Snoh demonstra se sentir especial</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="(FULL INTERVIEW) Snoh Aalegra Talks Drake, Vince Staples &amp; Making  &#039;FEELS&#039; | MTV News" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/mAJK7Fxycs4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma geral, a voz aconchegante de Snoh e a composição das faixas te levam a uma experiência intensa, que primeiro fazem sua mente viajar a algum lugar distante, até que você entenda aquilo que está sendo cantado, se identifique, e a dor se instale. </span><a href="https://hypebeast.com/2018/10/snoh-aalegra-debut-album-feels"><i><span style="font-weight: 400;">FEELS</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um álbum que te mergulha, ou até te afoga, nos sentimentos de Aalegra. Ela entrega tanto de si mesma nas letras, sem se preocupar em abrir suas dores com os ouvintes e mostrar a confusão de sua mente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo que a artista canta é baseado em suas </span><a href="https://www.billboard.com/music/rb-hip-hop/snoh-aalegra-interview-new-album-feels-prince-no-id-8014782/"><span style="font-weight: 400;">experiências reais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela escreve sobre todos os sentimentos de arrependimento gerados pela perda de alguém, sobre sentir-se perdido na vida e mal compreendido pelas pessoas, mas principalmente sobre relacionamentos imperfeitos e sobre se entregar a alguém que não faz o mesmo por você. Ela expõe todas as inseguranças que isso gerou na sua mente e, apesar de reconhecer todas elas, Snoh parece ainda não ter conseguido se livrar, e demonstra continuar vivendo nesse ciclo de insegurança e dependência, que faz parte da forma de amor que ela conheceu ao longo de sua vida. </span></p>
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		<title>5 anos atrás estávamos flutuando em It &#8211; A Coisa</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Oct 2022 13:51:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Nicastro e Nathan Sampaio Há cinco anos, nos cinemas, Bill, Beverly, Ben, Eddie, Richie, Stanley e Mike deram as mãos em círculo e selaram a promessa de que voltariam a Derry se Pennywise também retornasse. O tal The Losers Club, Clube dos Perdedores ou Clube dos Otários ensinou valores como amizade, lealdade e coragem, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/it-a-coisa-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "5 anos atrás estávamos flutuando em It &#8211; A Coisa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28809" aria-describedby="caption-attachment-28809" style="width: 1344px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28809" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-1.jpg" alt="Cena do filme It: A Coisa. A imagem é retangular e mostra as sete crianças protagonistas, olhando para cima. Elas estão em um ambiente fechado, mas iluminado. Em um terceiro plano, ao fundo, da esquerda para a direita: na ponta está Eddie, interpretado por Jack Dylan Grazer. Jack é um menino branco, baixo, de cabelos escuros que tem um rosto pequeno e traços delicados. Ele tem cabelos curtos, usa uma camiseta vermelha molhada e está com um gesso sobre o braço direito. Sua expressão é assustada. Ao seu lado está Bill, com um olhar perdido. Ele é interpretado por Jaeden Martell. Jaeden é um menino branco, de cabelos lisos, curtos e castanhos. Em seguida, está Stanley, personagem de Wyatt Olaff. Wyatt é branco, alto e tem cabelos cacheados. Ele usa uma camiseta polo. Ao lado de Stanley está Ben, personagem de Jeremy Ray Taylor. Jeremy é branco, tem cabelos loiro-escuros e lisos, um rosto redondo e é baixinho. Em segundo plano, no centro, está Beverly, interpretada por Sophia Lillis. Sophia é uma menina branca, ruiva, de cabelos curtos e olhos claros. Ela é mais alta do que a maioria dos meninos. Em primeiro plano está Mike, personagem de Chosen Jacobs. Jacobs é um menino negro, de cabelos escuros e curtos. Ele está usando uma camiseta clara suja. Ao seu lado, à direita, está Richie, papel de Finn Wolfhard. Finn é branco, tem cabelos pretos, uma franjinha e um óculos quadrado enorme, em seu rosto pequeno. Ele também usa uma camisa de manga curta com palmeiras." width="1344" height="714" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-1.jpg 1344w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-1-800x425.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-1-1024x544.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-1-768x408.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-1-1200x638.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28809" class="wp-caption-text">A escolha certeira do elenco dá dinamismo ao filme e vida ao tão querido Losers’ Club (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Nicastro e Nathan Sampaio</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há cinco anos, nos cinemas, Bill, Beverly, Ben, Eddie, Richie, Stanley e Mike </span><a href="https://youtu.be/AuK6zj8axvI"><span style="font-weight: 400;">deram as mãos em círculo e selaram a promessa</span></a><span style="font-weight: 400;"> de que voltariam a Derry se Pennywise também retornasse. O tal </span><i><span style="font-weight: 400;">The Losers Club,</span></i><span style="font-weight: 400;"> Clube dos Perdedores ou Clube dos Otários ensinou valores como amizade, lealdade e coragem, e </span><i><span style="font-weight: 400;">It &#8211; A Coisa</span></i><span style="font-weight: 400;"> marcou a cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> com um filme que equilibra medo e encanto com maestria. </span></p>
<p><span id="more-28808"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado no livro de Horror do rei do gênero literário, </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=stephen+king"><span style="font-weight: 400;">Stephen King</span></a><span style="font-weight: 400;">, autor de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Iluminado</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Carrie</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/o-cemiterio-stephen-king-enterra-receios-autor-ressuscita-historia-sobria-intensa-muito-assustadora/"><i><span style="font-weight: 400;">Cemitério</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e outras obras famosíssimas que já tiveram suas adaptações para os cinemas, em setembro de 2017 foi o ano de </span><i><span style="font-weight: 400;">It &#8211; A Coisa </span></i><span style="font-weight: 400;">ganhar um novo longa, distribuído pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Warner Bros. Pictures</span></i><span style="font-weight: 400;">. ‘Novo’, já que a obra foi </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jw_VjvCFEV4"><span style="font-weight: 400;">adaptada algumas vezes</span></a><span style="font-weight: 400;"> no passado, como na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=91VbOKAI-4c"><span style="font-weight: 400;">série de televisão </span><i><span style="font-weight: 400;">It</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1990)</span></a><span style="font-weight: 400;">, protagonizada pelo palhaço assassino de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-rocky-horror-picture-show-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tim Curry</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_28810" aria-describedby="caption-attachment-28810" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28810" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-2.jpg" alt="Imagem do filme It: A Coisa. Tem uma pessoa na imagem. No centro da imagem, aparecendo o torso, tem Georgie. Ele é uma criança branca, tem cabelo curto, liso e castanho, ele tem olhos castanhos. Ele usa uma capa de chuva amarela e uma camiseta branca. Georgie olha para o bueiro e está chovendo. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28810" class="wp-caption-text">A cena de abertura mostra toda a violência que veremos durante o filme (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dividindo a história do livro em dois filmes, o longa-metragem estadunidense difere-se da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=91VbOKAI-4c"><span style="font-weight: 400;">adaptação noventista</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao representar apenas a parcela da trama que se passa na juventude dos personagens. </span><i><span style="font-weight: 400;">It &#8211; A Coisa</span></i><span style="font-weight: 400;"> se inicia com Bill Denbrough (</span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/os-garotos-perdidos-reboot-noah-jupe-jaeden-martell"><span style="font-weight: 400;">Jaeden Martell</span></a><span style="font-weight: 400;">) buscando Georgie, o irmão desaparecido, junto de seus amigos, enquanto um mal existente há séculos na cidadezinha de Derry, no Maine, retorna e assombra a região amaldiçoada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de </span><a href="https://judao.com.br/entrevista-it-a-coisa-andy-muschietti-diretor/"><span style="font-weight: 400;">Andy Muschietti</span></a><span style="font-weight: 400;">, responsável pelos longas </span><i><span style="font-weight: 400;">Mama </span></i><span style="font-weight: 400;">(2013) e o futuro &#8211; e incerto &#8211; </span><a href="https://br.ign.com/the-flash-2/101235/feature/the-flash-o-que-pode-acontecer-com-filme-apos-polemicas-de-ezra-miller-entenda-cenarios"><i><span style="font-weight: 400;">The Flash</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é habilidosa e fornece toneladas de nostalgia misturadas a um Terror sobrenatural. Isso porque</span><i><span style="font-weight: 400;"> It</span></i><span style="font-weight: 400;"> é eficaz ao desenvolver excepcionalmente seus protagonistas carismáticos, pertencentes ao final dos anos oitenta, em um misto de referências, parcerias e amores restritos à fase da pré-adolescência. Em um momento em que tudo é infinito, os amigos são eternos e há energia, pureza e criatividade suficientes para derrotar os mais tenebrosos monstros. </span></p>
<figure id="attachment_28811" aria-describedby="caption-attachment-28811" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28811" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-3.jpg" alt="Imagem do filme IT: A Coisa. Tem quatro pessoas na imagem. Da esquerda para a direita aparece Eddie, um adolescente branco, ele tem cabelo curto, liso e preto, seus olhos são castanhos e ele usa uma camiseta polo branca, ele está sentado no chão. Atrás dele tem Richie, ele usa uma camiseta branca, uma camisa salmão com estampa branca e uma bermuda cinza, ele está de pé. Ao seu lado tem Ben, ele veste uma camiseta branca suja de terra e uma calça jeans azul, ele está sentado em um caixote. Em pé do seu lado tem Stan, ele usa uma camisa polo branca e uma bermuda cinza. Do lado esquerdo aparecem duas bicicletas. O fundo é uma parede cinza com um grafite de carro. " width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-3.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-3-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28811" class="wp-caption-text">Há vários momentos em que o <a href="https://youtu.be/1ic_JoXAOLc">Pennywise aparece no fundo das cenas</a>, como se observasse as crianças a todo momento (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desses monstros, </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/2020/10/lugar-macabro-conheca-a-cidade-que-inspirou-it-a-coisa"><span style="font-weight: 400;">Derry</span></a><span style="font-weight: 400;"> carregava um dos piores, que sentia fome a cada vinte e sete anos e saía para caçar. Se alimentando de medo e carne humana, a Coisa é uma das </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/pennywise-it-a-coisa.html#list-item-1"><span style="font-weight: 400;">criaturas mais assustadoras e interessantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> escritas por King, maravilhosamente representada na Sétima Arte. Rondando principalmente crianças, presas mais fáceis, a entidade transmorfa cria cenários visíveis apenas para suas vítimas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XTlAY2e0qqc"><span style="font-weight: 400;">transformados as naquilo que elas temem</span></a><span style="font-weight: 400;">. Se os jovens têm medo de palhaços, a Coisa torna-se o mais macabro deles. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é nesse contexto de ataques e desaparecimentos de crianças que o Clube dos Otários se reúne para compartilhar experiências e decide investigar e impedir que mais ‘Georgies’</span> <span style="font-weight: 400;">desapareçam, e mais famílias fiquem desamparadas. O filme embarca em uma aventura bizarra, com os membros do grupo sendo pessoalmente atacados e obrigados a </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/colunas/559046/it-a-coisa-o-terror-dos-traumas-e-o-enfrentamento-dos-medos/"><span style="font-weight: 400;">enfrentarem seus medos</span></a><span style="font-weight: 400;"> enquanto lutam contra problemas pessoais e encontram refúgio uns nos outros. </span></p>
<figure id="attachment_28812" aria-describedby="caption-attachment-28812" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28812" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-4.png" alt=" Imagem do filme It: A Coisa. Tem uma pessoa na imagem aparecendo apenas o torso. No centro da imagem aparece Richie, ele usa uma camiseta cinza com uma estampa branca escrita Treese’s. Do lado esquerdo e direito tem vários bonecos de palhaços que olham para ele, e Richie está de costas para ele. O fundo é uma parede amarela e uma porta de madeira." width="1600" height="912" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-4.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-4-800x456.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-4-1024x584.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-4-768x438.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-4-1536x876.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-4-1200x684.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28812" class="wp-caption-text">Na cena com os vários palhaços de brinquedo, é possível ver que um deles é igual ao Pennywise de Tim Curry (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma fórmula parcialmente retirada do </span><a href="http://www.blog.365filmes.com.br/2017/09/it-a-coisa-7-grandes-mudancas-do-livro-para-o-filme.html"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, e parcialmente adequada para um filme de </span><a href="https://personaunesp.com.br/invocacao-do-mal-3-critica/"><span style="font-weight: 400;">horror sobrenatural mais tradicional</span></a><span style="font-weight: 400;">, o roteiro de Cary Fukunaga, Gary Dauberman e Chase Palmer segue uma sequência de ataques viscerais por Derry e encontros das crianças com a Coisa, encarnada no palhaço dançarino Pennywise (Bill Skarsgård). Se o grupo de atores mirins é a alma do filme, Skarsgård é o coração, que bombeia energia para cada cena montada pela direção, com sua atuação minuciosa e apavorante em cada detalhe, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-4zVqbFoJoA"><span style="font-weight: 400;">elogiada até mesmo pelo próprio Stephen King</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seja em seus olhares alaranjados intensos e famintos, em seu modo de falar misterioso e excêntrico ou em suas expressões horripilantes que sobrevivem às camadas pesadas de maquiagem, a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0Rc3syc_1gI"><span style="font-weight: 400;">composição do vilão</span></a><span style="font-weight: 400;"> criada por Skarsgård é impressionante. A caracterização bizarra se destaca das versões anteriores da criatura, com mais traços monstruosos e deformados que as demais, reforçando a ideia de que Pennywise tem aspectos do que um dia foi um palhaço, mas está longe de ser algo próximo a um humano. E a violência e ferocidade da Coisa dão um toque </span><a href="https://www.pipoca3d.com.br/2015/06/o-que-e-gore-splatter.html"><i><span style="font-weight: 400;">gore</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">à obra que, apesar de protagonizada por crianças, exige uma maturidade para ser assistida, evidenciada pelo plano sequência inicial, nada sutil.</span></p>
<figure id="attachment_28816" aria-describedby="caption-attachment-28816" style="width: 696px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28816" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Captura-de-tela-2022-10-06-000143.png" alt="Imagem do filme It: A Coisa. Tem uma pessoa no centro da imagem aparecendo o torso. No centro da imagem aparece Pennywise, um palhaço, ele tem o rosto branco, a cabeça grande, e o cabelo vermelho curto no topo e na lateral da cabeça, sua boca está pintada de vermelho e nas bochechas tem linhas vermelhas também. Ele usa um macacão branco sujo, e sua gola tem babados. Ele sorri e em suas mãos segura um isqueiro. O fundo é escuro." width="696" height="447" /><figcaption id="caption-attachment-28816" class="wp-caption-text">Skarsgård se inspirou no Coringa de Heath Ledger para construir seu personagem (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Suas aparições são sempre marcantes, mesmo que a regra usada para assustar se torne batida ao longo de </span><i><span style="font-weight: 400;">It: A Coisa</span></i><span style="font-weight: 400;">, quando usada repetidas vezes. Em uma investigação à la</span><i><span style="font-weight: 400;"> Scooby-Doo</span></i><span style="font-weight: 400;">, as crianças perseguem o sequestrador de Georgie por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jFpdOJrSJwE"><span style="font-weight: 400;">casas assombradas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e esgotos, com uma coragem incitada pela união do grupo. Aproveitando-se da audácia infantil, Pennywise manipula a realidade de cada uma com seus truques para atraí-las até sua teia de aranha e fisgar suas presas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que o método de ataque da Coisa siga uma ideia comum e termine – quase – sempre com os protagonistas escapando, os eventos são inventivos e envolventes. Muito disso se deve ao caráter sobrenatural do vilão, que faz cada aparição sua ser diferente da anterior. Somados à preocupação do público para com os membros do Clube dos Otários, decorrente de uma boa introdução e apresentação de cada um deles, e a atuação impecavelmente medonha de </span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/o-corvo-reboot-bill-skarsgard/"><span style="font-weight: 400;">Skarsgård</span></a><span style="font-weight: 400;">, as cenas são cativantes, angustiantes e movem o terror. </span></p>
<figure id="attachment_28817" aria-describedby="caption-attachment-28817" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28817" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-6.jpg" alt="Foto do filme It - A Coisa. A imagem é retangular e bem no seu centro mostra uma casa acinzentada e abandonada, com tábuas de madeira sobre algumas das janelas. Ela tem dois andares e uma pequena torre à direita, com um telhado pontudo. Está de dia. O quintal na frente da casa tem uma grama alta e mal cuidada. À direita da imagem, em primeiro plano, é possível ver o braço de Eddie, que está de costas observando a casa. Eddie é um menino jovem, branco, de cabelos castanhos. Ele usa uma camiseta salmão e carrega uma mochila nas costas, da qual é possível ver apenas a alça." width="1600" height="661" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-6.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-6-800x331.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-6-1024x423.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-6-768x317.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-6-1536x635.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-6-1200x496.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28817" class="wp-caption-text">A <a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/a-casa-monstro">Casa Monstro</a> de It é o covil de Pennywise (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para que o palhaço se tornasse icônico, não bastaria apenas a atuação, seria necessário também um visual marcante. Sarah Craig e Linda Dowds, responsáveis pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=feY23JmrBEk"><span style="font-weight: 400;">maquiagem do filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, fizeram um trabalho fenomenal ao construir a estética de Pennywise. Em seu </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> une-se o infantil com o macabro, tornando-o uma das figuras mais conhecidas do Horror. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mistério sobre a </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/it-capitulo-dois-pennywise-origem"><span style="font-weight: 400;">natureza do vilão</span></a><span style="font-weight: 400;"> o torna mais assustador para o espectador, afinal não sabemos quando, onde e como ele pode atacar os protagonistas, deixando um clima de perigos constante no ar. Pennywise é uma incógnita para os protagonistas, e, consequentemente, para o público. Só com o caminhar da jornada vamos descobrindo pequenas pistas sobre suas intenções e origem. Mas Fukunaga, Dauberman e Palmer, de maneira assertiva, escolhem não contar tudo sobre a Coisa, deixando várias perguntas em nossa cabeça, que fazem o filme se prolongar durante dias na nossa mente.</span></p>
<figure id="attachment_28818" aria-describedby="caption-attachment-28818" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28818" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-7.gif" alt="GIF do filme It: A Coisa. A imagem é retangular e mostra um programa passando em uma televisão antiga. Uma mulher sai do primeiro plano e aos poucos dá espaço para fileiras de crianças que olham fixamente para a tela. Entre elas está Pennywise. Todos repetem em uníssono: “Mate-os todos!”. Pennywise é um palhaço com a cabeça grande e alongada, tufos de cabelos alaranjados em cima dela e dos lados e um rosto pintado de tinta branca. Ele tem olhos amarelos, dentes grandes e protuberantes e um nariz vermelho de palhaço, com dois traços vermelhos que sobem sobre os olhos. A cena corta para Bill, assustado. Bill é interpretado por Jaeden Martell. Jaeden é um menino branco, de cabelos lisos, curtos e castanhos. Ele tem olhos claros e está de boca aberta. Ele usa uma camisa xadrez vermelha e preta. A câmera dá um zoom em seu rosto. Depois ela volta para o palhaço Pennywise, focada apenas em sua face. Ele abre um sorriso maligno. " width="600" height="338" /><figcaption id="caption-attachment-28818" class="wp-caption-text"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gM8zvn0QI7I">Mate-os todos</a>! (GIF: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Personagens atrativos como os de</span><i><span style="font-weight: 400;"> It</span></i><span style="font-weight: 400;"> são essenciais para uma história que se usa muito da empatia e nostalgia como carros-chefes. Cada um deles tem algo a oferecer que desencadeia a identificação da audiência. O protagonista Bill-gago é um líder gentil, que carrega a dor da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uHhRkwoCGZU"><span style="font-weight: 400;">perda do irmão</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais novo e o fardo da vingança contra uma criatura aparentemente imbatível. Já Ben (Jeremy Ray Taylor) é um garoto doce e apaixonado, novato na escola e encantado com um grupo de amigos acolhedor e aventureiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Richie (</span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><span style="font-weight: 400;">Finn Wolfhard</span></a><span style="font-weight: 400;">) é sarcástico, zombeteiro e proporciona grande parte do alívio cômico da obra ao lado do pequeno e hipocondríaco </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cIdlJt8Cyho"><span style="font-weight: 400;">Eddie</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://personaunesp.com.br/shazam-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jack Dylan Grazer</span></a><span style="font-weight: 400;">), tão cheio de inseguranças e medos quanto sua mãe o faz acreditar que é. Stanley (Wyatt Oleff) é a parcela mais cética e reclusa dos sete, o que lhe rende um destino sombrio no livro de King.</span></p>
<figure id="attachment_28819" aria-describedby="caption-attachment-28819" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28819" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-8.png" alt="Imagem do filme It: A Coisa. Tem seis pessoas na imagem. Da esquerda para a direita aparece Stan, um adolescente branco, com cabelo curto, cacheado e castanho, seus olhos são castanhos, ele usa uma camiseta polo listrada verde e branca, e uma bermuda branca com um cinto marrom. Do seu lado tem Richie, um adolescente branco, com cabelo curto, liso e preto, seus olhos são castanhos e ele usa óculos, ele está vestindo uma camiseta azul com estampa branca e uma bermuda marrom. Atrás dele tem Mike, um adolescente negro, com cabelo curto, cacheado e preto, seus olhos são castanhos, ele usa uma camiseta branca e uma calça cinza. Ao lado deles tem Bill, um adolescente branco, com cabelo curto, liso e castanho, seus olhos são verdes, ele usa uma camisa xadrez vermelha e preta, e uma bermuda azul. Do seu lado tem Beverly, uma adolescente branca, ela tem cabelo curto, ondulado e ruivo, ela tem olhos verdes, ela usa um macacão verde e uma camiseta vermelha. Do lado dela aparece Ben, um adolescente branco, ele tem cabelo curto, liso e loiro, ele tem olhos verdes, ele usa uma camiseta preta e uma bermuda marrom. No centro da imagem tem um projetor. O fundo é uma garagem com parede de madeira." width="1600" height="658" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-8.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-8-800x329.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-8-1024x421.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-8-768x316.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-8-1536x632.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-8-1200x494.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28819" class="wp-caption-text">A cena do projetor foi a primeira em que os atores viram Skarsgård maquiado e todos se assustaram (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mike (Chosen Jacobs) é corajoso, determinado e o único que criaria um laço eterno com o que viveriam ali. Por sua vez, Beverly Marsh (Sophia Lillis), com seus </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=R1o5__hcu_0"><i><span style="font-weight: 400;">cabelos de fogo como brasas no inverno</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é a única garota do grupo. Ousada, mas amorosa e afeiçoada por Bill, ela aproveita, no clube, a oportunidade de ter a liberdade e carinho que seu pai agressivo e abusivo impediu que ela tivesse na família. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Juntos, eles criam um laço forte o suficiente para desafiar a personificação da maldade e do medo e, além de funcionarem bem individualmente, unidos, o grupo tem uma essência e espírito próprio. Assim, eles são capazes de enfrentar não só a maldição sobrenatural de Derry, mas também a humana. Já que Stephen King adora criar em suas obras humanos tão perversos quanto monstros, como é o caso do </span><i><span style="font-weight: 400;">bully </span></i><span style="font-weight: 400;">psicopata </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5FHmodZqbfE"><span style="font-weight: 400;">Henry Bowers</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Nicholas Hamilton), seus capangas ou Alvin Marsh (Stephen Bogaert). Seus atos são ainda intensificados diante da maldição da cidade, dominada pela Coisa. Ou, afinal, seria o mal sobrenatural intensificado pela crueldade humana local?</span></p>
<figure id="attachment_28820" aria-describedby="caption-attachment-28820" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28820" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-9.png" alt="Foto do filme It - A Coisa. A imagem é retangular e mostra em close a personagem Beverly encostada na parede de um banheiro mal iluminado. Ela está inteiramente coberta de sangue, assim como a parede atrás de si. Beverly é interpretada por Sophia Lillis. Sophia é branca, ruiva, tem cabelos curtos cacheados e olhos claros. Ela está olhando para o lado, assustada." width="1600" height="666" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-9.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-9-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-9-1024x426.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-9-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-9-1536x639.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-9-1200x500.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28820" class="wp-caption-text">Bev em uma cena quase retirada de Carrie: A Estranha (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O fato é que Derry é rodeada pelos </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/2020/11/tragedia-da-vida-real-criou-it-a-coisa"><span style="font-weight: 400;">piores males da humanidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assassinatos, desaparecimentos e massacres fazem parte da história local há séculos, mas aqui, diferentemente do livro, funcionam mais como pistas ou referências para quem leu a obra original, como na relação do incêndio com a família de Mike e o racismo por eles enfrentado. De qualquer modo, os mistérios são descobertos pelas crianças ao longo da jornada e servem para mostrar que a cidade reflete tudo o que há de pior em Pennywise, ou o contrário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contar esses eventos, Muschietti faz da cidade não só </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/2020/10/lugar-macabro-conheca-a-cidade-que-inspirou-it-a-coisa"><span style="font-weight: 400;">uma ambientação perigosa, misteriosa e encantadora</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas cria um personagem vivo, que tem um passado e um presente sangrento. E assim como os protagonistas, Derry tem uma intensa ligação com Pennywise, e conforme o Clube dos Otários desvenda essa conexão, mais macabra se torna a visão que o público tem de ambos. </span></p>
<figure id="attachment_28821" aria-describedby="caption-attachment-28821" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28821" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-10.png" alt="Fotografia do filme It - A Coisa. A imagem é retangular e mostra Henry Bowers em close segurando uma faca enquanto a observa com uma expressão de confusão. Bowers é interpretado por Nicholas Hamilton. Nicholas é um menino branco, alto, de olhos claros e cabelos loiro-escuros. Ele tem um nariz pontudo, usa seus cabelos em um mullet e está com uma blusa regata vermelha. Ele está ao ar livre, é dia e o fundo está desfocado." width="1600" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-10.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-10-800x320.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-10-1024x410.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-10-768x307.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-10-1536x614.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-10-1200x480.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28821" class="wp-caption-text">Bowers é um exemplo de como Pennywise se beneficia do mal humano existente em Derry para propagar mais do mesmo (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso deságua em um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sZh2qDSOs_0"><span style="font-weight: 400;">terceiro ato</span></a><span style="font-weight: 400;"> repleto de mistério, alguns sustos divertidos e um embate final impactante e condizente com a atmosfera desenvolvida pelos protagonistas, na qual a união lhes dá força e todos se descobrem mais valentes do que pensavam ser. Eles se vêem cara a cara com o que está mais próximo da real face da Coisa e dão um passo em direção a sua aniquilação – pelo menos pelos próximos vinte e sete anos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por sua vez, o espírito oitentista é visível em </span><i><span style="font-weight: 400;">It</span></i><span style="font-weight: 400;"> através de sua fotografia. Chung-hoon Chung, fotógrafo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0BtI1cZwu-s"><i><span style="font-weight: 400;">Oldboy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2003) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/noite-passada-em-soho-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Noite Passada em Soho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, evoca magistralmente os elementos da época com seus ângulos de câmera e a composição de cena. Além disso, suas técnicas de filmagem buscam pontos de vista que deixam Pennywise ainda mais misterioso e ameaçador.</span></p>
<figure id="attachment_28822" aria-describedby="caption-attachment-28822" style="width: 802px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28822" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IT-11.gif" alt="GIF do filme It - A Coisa. A imagem mostra o Pennywise no meio de um matagal. Está de dia e a iluminação é natural. Ele está abaixado, com a boca suja de sangue e segura um braço humano com a mão direita. Ele, em um primeiro momento, dá uma mordida no braço e depois o utiliza para acenar um “oi” enquanto sorri de forma assustadora. Pennywise é um palhaço com uma cabeça maior do que o normal, uma peruca laranja e uma roupa cinzenta e bufante com um colarinho volumoso e bolinhas vermelhas. Seu rosto é pintado de branco, seus olhos amarelos e grandes, seu nariz pintado de vermelho e seus dentes são grandes e protuberantes. Ele tem dois riscos de tinta sobre os olhos. " width="802" height="334" /><figcaption id="caption-attachment-28822" class="wp-caption-text">Skarsgard conta em entrevista ao Collider que, ao estudar seu personagem, queria que a entidade realmente brilhasse materializada como Pennywise (GIF: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora o longa seja a adaptação de apenas metade do livro, jamais vemos a escassez ou adições desnecessárias. O Clube dos Perdedores se desenvolve durante a jornada, a criatura tem alguns de seus mistérios revelados &#8211; apenas o suficiente para que ainda haja segredos suficientes ao seu redor &#8211; e a aventura jamais perde o ritmo e a tensão, com um roteiro fechado em si, mas que também deixa um gancho para a sequência já prevista. </span><i><span style="font-weight: 400;">It</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma obra completa, a qual podemos finalizar sem a sensação de que faltou algo ou que tem elementos sem propósito em sua duração, um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_zLdNInC74Q"><span style="font-weight: 400;">problema presente em sua sequência</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Retirando apenas o essencial da obra original e adaptando para uma trama dinâmica e aterrorizante,</span> <a href="https://open.spotify.com/episode/1hsOoqtFkH9HrcUQpA0T2q"><i><span style="font-weight: 400;">It &#8211; A Coisa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se destaca como uma das melhores e mais completas adaptações de Stephen King. A produção traz o mistério e o medo de uma criatura medonha, juntamente com o desenvolvimento de um clube de protagonistas carismáticos em uma jornada intensa e cruel de amadurecimento e amizade. Mais do que uma história de terror, o longa nos conta como enfrentar os nossos próprios medos e traumas, ao mesmo tempo que reflete sobre a importância de termos o nosso próprio clube de amigos inseparáveis.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="IT: A Coisa - Trailer Teaser Oficial (leg) [HD]" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/dD264ZjfKlk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>5 anos de Dua Lipa: com quanta ousadia se faz Música pop?</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Aug 2022 15:31:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Vulcano O ano de 2017 foi marcado pelo início da mais recente reviravolta a atingir o berço de Lady Gaga em cheio. Dialogando com uma crise de identidade, ou surfando na onda de reinvenções prostradas, o gênero que aprendeu a fazer história dominando o topo das paradas vivia uma representação insossa, desmedidamente guiada pelo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dua-lipa-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "5 anos de Dua Lipa: com quanta ousadia se faz Música pop?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28310" aria-describedby="caption-attachment-28310" style="width: 2601px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28310 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-1-2.png" alt="A imagem mostra a cantora Dua Lipa, uma mulher branca e jovem. Seus cabelos longos e castanhos estão soltos e molhados. Ela usa batom rosa suave nos lábios e veste uma jaqueta preta, estampada com escamas e de colarinho recortado. A mão esquerda de Dua segura a parte frontal da roupa, enquanto seu braço direito se apoia inteiramente em seu queixo. Ela olha fixamente para o foco da fotografia. No canto inferior central da imagem, está escrito “DUA LIPA” com letras vazadas e de cor branca. Ao fundo, um degradê que varia entre roxo e azul." width="2601" height="2601" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-1-2.png 2601w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-1-2-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-1-2-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-1-2-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-1-2-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-1-2-1536x1536.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28310" class="wp-caption-text">Terceiro álbum mais transmitido da história do Spotify, o debut da britânica é o primeiro trabalho de uma artista feminina a contabilizar 9 bilhões de streams (Foto: Warner Bros. Records/Rankin)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Vulcano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano de 2017 foi marcado pelo início da mais recente reviravolta a atingir o berço de </span><a href="https://personaunesp.com.br/lady-gaga-10-anos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lady Gaga</span></a><span style="font-weight: 400;"> em cheio. Dialogando com uma </span><a href="https://portalpopline.com.br/musica-pop-passa-por-crise-de-identidade-e-grammy-e-sintomatico-diz-billboard/"><span style="font-weight: 400;">crise de identidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou surfando na onda de reinvenções prostradas, o gênero que aprendeu a fazer história </span><a href="https://www.insider.com/every-no-1-song-debut-billboard-hot-100#24-hello-by-adele-24"><span style="font-weight: 400;">dominando</span></a><span style="font-weight: 400;"> o topo das paradas vivia uma representação insossa, desmedidamente guiada pelo instantâneo e fragilmente centrada no sucesso de personalidades masculinas. Então, </span><a href="https://www.vulture.com/2017/12/the-year-rap-overtook-pop.html"><span style="font-weight: 400;">quando o </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> assumidamente superou o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, todos sabiam que não era questão de longevidade; mas, sim, de poder popular.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Manifestada como frescor musical, Dua Lipa foi um dos dezenas de nomes designados para aguar o tal deserto criativo. Os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mgI_pH8TOVY&amp;t=100s"><span style="font-weight: 400;">primeiros</span><i><span style="font-weight: 400;"> singles</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">da inglesa já agitavam as rádios europeias um ano antes, investindo em experimentações que uniam metáfora à melodia. Só que mudar &#8211; ainda que minimamente &#8211; as rédeas da derrocada do ritmo chiclete exigia se colocar para jogo além do compromisso de nivelar sua estreia na indústria sonora. A típica exploração visual e lírica do pertencimento, responsável por estruturar </span><a href="https://app.uff.br/riuff/handle/1/21624"><span style="font-weight: 400;">personas novatas nos acordes</span></a><span style="font-weight: 400;">, dependia da precisão tomada no processo. Curiosamente, entre </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-%C3%B7-divide-ed-sheeran/"><span style="font-weight: 400;">formas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/katy-perry-witness-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">testemunhas</span></a><span style="font-weight: 400;">, a caloura Lipa decidiu pela coragem de se </span><a href="https://open.spotify.com/album/01sfgrNbnnPUEyz6GZYlt9?si=qFsba1inSBCXzT3yKgFrEA"><span style="font-weight: 400;">autointitular</span></a><span style="font-weight: 400;"> a nova via do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-28303"></span></p>
<figure id="attachment_28306" aria-describedby="caption-attachment-28306" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28306 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-2-5-scaled.jpg" alt="A imagem mostra a cantora Dua Lipa, uma mulher branca, jovem e de cabelos longos e castanhos. Seu corpo está voltado para frente, enquanto sua cabeça se direciona para trás, olhando fixamente para a fotografia. Dua tem glitter prateado e adesivos de estrela na mesma tonalidade por todo seu rosto, além de vestir uma jaqueta que mescla roxo e dourado. Ao fundo, uma estrada com montanhas de tons terrosos, trailers de viagem e muitas paisagens verdes." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-2-5-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-2-5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-2-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-2-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-2-5-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-2-5-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-2-5-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28306" class="wp-caption-text">No início de sua carreira, Dua chegou a ser classificada como “nova Lana Del Rey” (Foto: Nicole Nodland)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenvolvimento artístico surgiu inspirado na instabilidade do contexto, da humanidade e da própria cantora. Independente e multidisciplinar, a filha do </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2021/02/25/dua-lipa-iron-maiden/"><i><span style="font-weight: 400;">rockeiro</span></i><span style="font-weight: 400;"> Dukagjin</span></a><span style="font-weight: 400;"> reverberava Música </span><a href="https://www.standard.co.uk/culture/music/dua-lipa-talks-about-her-teen-years-in-kosovo-and-why-it-s-tough-for-new-music-artists-to-break-through-a3307341.html"><span style="font-weight: 400;">desde a flor da idade</span></a><span style="font-weight: 400;">, e não tinha papas na ambição de projetar uma fluidez de arromba, abrangendo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/j-cole-the-off-season-critica/"><span style="font-weight: 400;">J. Cole</span></a><span style="font-weight: 400;"> a Nelly Furtado. Nesse avançar deslumbrado, o plano custou um repertório relevante e bem ardiloso: ao todo, 160 canções nasceram para o primeiro álbum da artista, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dua Lipa</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">e seu lançamento sofreu </span><a href="https://www.irishtimes.com/culture/music/will-dua-lipa-s-first-release-be-the-album-of-the-summer-1.3097685"><span style="font-weight: 400;">penosos adiamentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> no fuzuê de moldar uma </span><i><span style="font-weight: 400;">tracklist</span></i><span style="font-weight: 400;"> coesa, próspera e original.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Transitando no espaço igualmente desafiado pela pressão interna da </span><i><span style="font-weight: 400;">Warner Bros. Records</span></i><span style="font-weight: 400;">, que fincava o pé na urgência de possuir uma estrela feminina global, Lipa revisitou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MmjLJzby5I0&amp;t=49s"><span style="font-weight: 400;">os calos e as delícias de suas composições</span></a><span style="font-weight: 400;"> repetidas vezes. Além da euforia de se fidelizar nos rascunhos e </span><i><span style="font-weight: 400;">demos</span></i><span style="font-weight: 400;">, a britânica tentava vingar seu talento frente a um leque de </span><a href="https://dualipa.fandom.com/wiki/Dua_Lipa_(album)#Personnel_and_credits"><span style="font-weight: 400;">40 produtores</span></a><span style="font-weight: 400;">, até então desconhecidos por ela. Escancarada no minidocumentário </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zxZPR4jxOM4&amp;list=PLPH2E2Ybj9J7TCw-yGzdsVk_DGwDrDQ6H&amp;t=545s"><i><span style="font-weight: 400;">See In Blue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a ambientação se blinda da hostilidade quando encontramos o empenho caloroso da leonina e passamos a sonhar com ela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse clima agridoce, restaurando a </span><a href="https://www.nme.com/blogs/nme-blogs/dua-lipa-profile-5370"><span style="font-weight: 400;">sede performática</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a colocou no radar, a artista transformou os indícios de perdição em sua própria resistência. Pela carne e pelos ossos, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/future-nostalgia-critica/"><span style="font-weight: 400;">nostálgica futurista</span></a><span style="font-weight: 400;"> permaneceu se desarmando para sentir as incontáveis camadas do cotidiano. Mais do que lidar com o mundano, ela escolheu seus dogmas. Inadmissível seria não chorar por redenção, restituir sua autoconfiança, ter fé no divino, volta e meia dançar com o diabo. Assimilando o perverso &#8211; </span><a href="https://genius.com/a/dua-lipa-s-self-titled-debut-is-full-of-biblical-references"><span style="font-weight: 400;">e por que não o angelical?</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; do além-túmulo, Lipa, enfim, expurgou o fracasso do estúdio se sagrando onipotência de um universo nada maniqueísta e completamente honesto.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Dua Lipa - Hotter Than Hell (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/fEOyePhElr4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">No princípio, Deus criou o céu e a Terra</span></i><span style="font-weight: 400;">”, e a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nAQ77H7Fzfw"><i><span style="font-weight: 400;">Genesis</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> inglesa pretende fazer o esforço servir. Longe de se limitar às </span><a href="http://abub.org.br/compartilhe/noticias/genesis-e-o-estranho-inicio-de-tudo"><span style="font-weight: 400;">referências bíblicas</span></a><span style="font-weight: 400;">, a introdução usa a simbologia intensa para conduzir um aguardado recomeço: a adolescente </span><a href="https://www.dailytelegraph.com.au/entertainment/sydney-confidential/dua-lipa-has-no-regrets-for-giving-up-modelling-to-concentrate-on-music/news-story/7b438488655d092357ddd0cbf6886728"><span style="font-weight: 400;">temporariamente garçonete e modelo</span></a><span style="font-weight: 400;"> morreu; vida se forma para a presente artista. Aquele empurrão para tornar a premonição, profecia. Tanta energia traz dimensões largas de tato e ritmo, constantes na aura do CD e que ajudam no despontar, em sequência, de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=r-AuLm7S3XE"><i><span style="font-weight: 400;">Lost In Your Light</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Hotter Than Hell</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Be The One</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A salada emocional da tríade, integrante do compilado de oito </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> da era, denuncia, sobretudo, a interessante translação de sonoridade que Dua lutou para construir ao lado de Axident, Digital Farm Animals e Ian Kirkpatrick &#8211; contribuintes chaves da produção. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gkXncMvr9gM"><span style="font-weight: 400;">lirismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Lipa se desenha pela atmosfera astral de um </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> cunhado na </span><a href="https://pitchfork.com/features/lists-and-guides/best-progressive-pop-music-2021/"><span style="font-weight: 400;">progressão de melodias</span></a><span style="font-weight: 400;">, fonte intimamente guiada pelo timbre único da britânica. Inversa às imitações frágeis e </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/como-dua-lipa-virou-a-maior-novidade-do-pop-em-2017-dividida-entre-choro-danca-e-empoderamento.ghtml"><span style="font-weight: 400;">caixinhas</span></a><span style="font-weight: 400;">, até nos </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/musica/dua-lipa-revela-como-criticas-sobre-video-dancando-impactaram-na-carreira/"><span style="font-weight: 400;">tropeços</span></a><span style="font-weight: 400;"> como iniciante a cantora pretende apagar qualquer camuflagem de si mesma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Combinadas à exploração de variantes musicais, as alegorias feitas para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PLDIhqMWH00"><span style="font-weight: 400;">noites</span></a><span style="font-weight: 400;">, porres e amantes se refugiam em um diário não-linear e revelam o importante caráter do disco homônimo. Agraciada na montanha russa da </span><a href="https://www.nytimes.com/2017/05/31/arts/music/dua-lipa-interview.html"><span style="font-weight: 400;">fama repentina</span></a><span style="font-weight: 400;">, a co-autora de 21 das 25 faixas do projeto administrava o auge de seus vinte e primeiros anos. Ninguém se prepara para viver no alcance mundial, e ela só queria aprender a crescer (traço notável, principalmente, na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Nz-dPOjK1gQ"><span style="font-weight: 400;">evolução</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1nydxbGhgv8"><span style="font-weight: 400;">filmografia</span></a><span style="font-weight: 400;">). Na distribuição sazonal de suas </span><i><span style="font-weight: 400;">mid-tempos</span></i><span style="font-weight: 400;">, Dua, então, usa o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RLlZHvAcUxM"><span style="font-weight: 400;">palco</span></a><span style="font-weight: 400;"> para incorporar o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ShdcBipqVD0"><span style="font-weight: 400;">destino</span></a><span style="font-weight: 400;">, se entendendo pessoa pública, jovem e enérgica. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Dua Lipa</span></i><span style="font-weight: 400;">, no amor e na tragédia: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lwZqbQL4H4Q"><span style="font-weight: 400;">o que vale, afinal, é extravasar</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_28307" aria-describedby="caption-attachment-28307" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28307 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-3-5-scaled.jpg" alt="A imagem mostra a cantora Dua Lipa, uma mulher branca, jovem e de cabelos longos e castanhos. Ela está se apresentando em um palco que, ao fundo, projeta seu nome com letras em vermelho neon. Ela veste um sutiã azul marinho com detalhes em renda preta e uma saia lilás, amarrada na frente do tronco da cantora. Seu braço esquerdo está levemente se direcionando para a frente de seu corpo, enquanto seu braço direito está levantado pela metade e segura um microfone na mão direita. O olhar de Dua inspira confiança e está voltado para a esquerda da imagem." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-3-5-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-3-5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-3-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-3-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-3-5-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-3-5-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-3-5-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28307" class="wp-caption-text">Entre 2016 e 2018, enquanto Lipa era o ato de abertura das turnês de Coldplay, Troye Sivan e Bruno Mars, quatro tours solo promoveram mundialmente a <a href="https://dualipa.fandom.com/wiki/The_Self-Titled_Tour">Self-titled Era</a> (Foto: Xavi Torrent)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A técnica narrativa da cantora se materializa em cada gancho da obra, refletindo uma alma que ora teme, ora escolhe se ancorar na consciência. Dramaticamente dançantes em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-sf44_qbdmo"><i><span style="font-weight: 400;">Begging</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e destinando batidas amargas à pungente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZbJFDG6O8zM"><i><span style="font-weight: 400;">No Goodbyes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, os pensamentos recaem na disposição para juntar as tralhas e arruaçar em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9K7OdsyxW3E"><i><span style="font-weight: 400;">Bad Together</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Porque, querido, eu tenho sido má, mas os céus me perdoaram</span></i><span style="font-weight: 400;">”. E é ousando nesse persistente embalo místico que a transparência de Dua se vicia em esbarrar nas alegrias e feridas da realidade, aproximando o conflito entre o contraditório e o vulnerável.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">New Rules</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QT9shyeTQIw"><i><span style="font-weight: 400;">Blow Your Mind (Mwah)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Mgfe5tIwOj0"><i><span style="font-weight: 400;">IDGAF</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;"> explosivos da era, investigam justamente o potencial passional do dilema. De carona nas boas e velhas canções de superação romântica, o </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing</span></i><span style="font-weight: 400;"> tramado foi estratégico: enquanto os arrozes de festa </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> estendiam a visibilidade e o impacto da inglesa nos </span><a href="https://www.billboard.com/pro/dua-lipa-new-rules-interview-no-1s-2017/"><i><span style="font-weight: 400;">charts</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, versões </span><i><span style="font-weight: 400;">Deluxe</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/album/0obMz8EHnr3dg6NCUK4xWp?si=fuhaG18xRuyHlef_7q7dbg"><i><span style="font-weight: 400;">Complete Edition</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de seu disco eram criadas. Em sua maioria pontos reluzentes do trabalho, as faixas adicionais de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dua Lipa </span></i><span style="font-weight: 400;">investem ainda mais no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i2qV1h7rgY0"><span style="font-weight: 400;">dinamismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> como marca da estreia da artista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Compartilhando da identidade de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AX3Bsiq-13k"><span style="font-weight: 400;">BLACKPINK</span></a><span style="font-weight: 400;">, Martin Garrix e Sean Paul, a inglesa balanceou com destreza a sonoridade </span><i><span style="font-weight: 400;">dark </span></i><span style="font-weight: 400;">predominante em suas </span><i><span style="font-weight: 400;">b-sides</span></i><span style="font-weight: 400;"> e os </span><i><span style="font-weight: 400;">feats</span></i><span style="font-weight: 400;"> promissores alçados nos horizontes eletrônicos. Foi, inclusive, com a sutileza da variação </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/musica/tropical-house-influenciou-a-musica-pop-e-se-tornou-o-estilo-de-2016?amp"><i><span style="font-weight: 400;">tropical house</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que a consolidação internacional de Dua continuou forte. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DkeiKbqa02g"><i><span style="font-weight: 400;">One Kiss</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produção de Calvin Harris, pegou firme no gosto mundial e anda rendendo, na atualidade, como </span><a href="https://www.goal.com/br/not%C3%ADcias/one-kiss-de-dua-lipa-o-hino-nao-oficial-do-liverpool-em/blt131ebf5204af8e3f"><span style="font-weight: 400;">hino alternativo do Liverpool</span></a><span style="font-weight: 400;">. No mesmo espectro, o destaque ficou com a irmã mais velha </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Q4-jOuHO-z4"><i><span style="font-weight: 400;">Electricity</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que garantiu a vitória da cantora, ao lado de Silk City, em Melhor Gravação </span><i><span style="font-weight: 400;">Dance</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy </span></i><span style="font-weight: 400;">2019.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Dua Lipa - New Rules (Official Music Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/k2qgadSvNyU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Versando do caos à integridade e desenrolando-se por </span><a href="https://www.varsity.co.uk/music/23884"><span style="font-weight: 400;">quatro anos nos holofotes</span></a><span style="font-weight: 400;">, o nascimento oficial de Dua Lipa na Música não foi revolucionário. Nada na ascensão da britânica era realmente estranho aos olhos e ouvidos de um consumidor ávido, ou ainda casual do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. E o maior trunfo do processo é não precisar bater nenhuma dessas pretensões. Em uma época recheada de quases, as </span><a href="https://genius.com/Dua-lipa-new-rules-lyrics"><span style="font-weight: 400;">novas regras</span></a><span style="font-weight: 400;"> da declarada </span><a href="https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/dua-lipa-ganha-pr%C3%AAmio-de-melhor-artista-do-grammy-e-alfineta-portnow-1.319169"><span style="font-weight: 400;">Artista Revelação</span></a><span style="font-weight: 400;"> foram </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NZKXkD6EgBk"><span style="font-weight: 400;">parte</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><a href="https://www.billboard.com/music/pop/taylor-swift-reputation-best-album-8527988/"><span style="font-weight: 400;">êxito</span></a><span style="font-weight: 400;"> que </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-lorde-melodrama/"><span style="font-weight: 400;">salvou</span></a><span style="font-weight: 400;"> as boas intenções que norteavam o inferno musical de 2017. A perspicácia de revitalizar o passado com o ritmo de um futuro só seu. Por fim, ela é coroada </span><a href="https://www.theguardian.com/music/2017/dec/05/how-dua-lipa-became-the-most-streamed-woman-of-2017-new-rules"><span style="font-weight: 400;">a cantora mais reproduzida daquele ano</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Meia década depois, o </span><a href="https://portalpopline.com.br/musica-pop-volta-a-dominar-billboard-hot-100/"><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> voltou a morar nos pódios</span></a><span style="font-weight: 400;"> junto de muitos nomes </span><a href="https://personaunesp.com.br/after-hours-critica/"><span style="font-weight: 400;">profissionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/sour-olivia-rodrigo-critica/"><span style="font-weight: 400;">harmônicos</span></a><span style="font-weight: 400;">, e Dua continua figurando entre eles; agora, com o saudosismo audaz de </span><a href="http://emvoga.com.br/future-nostalgia-de-dua-lipa-completa-um-ano-e-quebra-recordes/"><i><span style="font-weight: 400;">Future Nostalgia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Seguindo a linha de sonorizar de cabo a rabo múltiplos mundos e sensações, munida de conceitos implícitos e escancarados, a inglesa conserva o dom da inquietude e da reinvenção lúcida que desejamos cada vez mais nos alto-falantes. Simplesmente porque provar de quem sabe a que veio é especial. Passe o tempo que for, do purgatório ao paraíso, sempre é um prazer cantar </span><a href="https://www.theguardian.com/music/2022/may/07/dua-lipa-o2-london-review-world-tour-a-pop-star-for-the-ages"><i><span style="font-weight: 400;">Dua Lipa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Dua Lipa (Complete Edition)" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/0obMz8EHnr3dg6NCUK4xWp?si=vpzfG6mQTiCKrvRHF2WeVg&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Thelma: o terror também é libertador</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Jun 2022 15:40:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez O cenário é uma floresta gelada da Noruega. Pai e filha, de no máximo 6 anos, avistam um cervo durante a caçada. A arma na mão do pai se volta do animal à pequena Thelma, que nunca chega a notar a movimentação. Ele continua firme ali, arma em riste apontada para a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/thelma-filme-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Thelma: o terror também é libertador"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28021" aria-describedby="caption-attachment-28021" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28021" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-1.jpg" alt="Cena do filme Thelma. Na imagem, vemos Thelma, dos ombros para cima, deitada em um sofá verde escuro, de ponta cabeça, ao centro. Ela é uma mulher branca, de cabelos loiros escuros, aparentando cerca de 22 anos, e tem seus olhos fechados e a boca aberta. Por sua boca aberta, vemos uma serpente verde escura entrando por sua boca." width="800" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-28021" class="wp-caption-text">“Eu estou brava com você, Deus. Por que você está fazendo isso comigo? O que você quer?” (Foto: Motlys)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário é uma floresta gelada da Noruega. Pai e filha, de no máximo 6 anos, avistam um cervo durante a caçada. A arma na mão do pai se volta do animal à pequena Thelma, que nunca chega a notar a movimentação. Ele continua firme ali, arma em riste apontada para a menina, até o cervo se dispersar. Dos poucos, mas longos minutos, o filme corta para outra cena e uma </span><a href="https://lewislitjournal.wordpress.com/2018/10/07/k-o-to-consciousness-an-analysis-of-thelma/"><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></a><span style="font-weight: 400;"> crescida está enfrentando seus primeiros dias na faculdade. É assim que </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></i><span style="font-weight: 400;"> se inicia: ensurdecedora, impactante e misteriosa, a obra de Joachim Trier exagera para preparar o terreno para o que vem a seguir.</span></p>
<p><span id="more-28020"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme é o quarto longa-metragem dirigido pelo cineasta norueguês, que, recentemente, concorreu ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> com </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-pior-pessoa-do-mundo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Pior Pessoa do Mundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Assim como o último, </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi cotado para a premiação: a obra, uma coprodução entre Noruega, Suécia, Dinamarca e França, foi selecionada como a representante do país na categoria </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/oscar-anuncia-novas-regras-e-muda-nome-da-categoria-de-filme-estrangeiro/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme Estrangeiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2018, mas não teve força para chegar às indicações anunciadas na grande noite. Na produção, nos primeiros dias de faculdade, as descobertas e novas vontades da religiosa Thelma (Eili Harboe) vêm acompanhadas de estranhos eventos, cada vez mais intensos à medida que ela se desvencilha dos dogmas de sua rígida criação e dá vazão a seus crescentes desejos.</span></p>
<figure id="attachment_28022" aria-describedby="caption-attachment-28022" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28022" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-2.png" alt="Cena do filme Thelma. A frente de um fundo preto, vemos Anja, à esquerda, se inclinando e beijando Thelma, à direita. Anja é uma mulher negra, de cabelos castanhos escuros lisos, aparentando cerca de 20 anos. Thelma é uma mulher branca, de cabelos loiros escuros, aparentando cerca de 20 anos." width="800" height="428" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-2.png 792w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-2-768x411.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28022" class="wp-caption-text">Thelma foi roteirizado por Joachim Trier e Eskil Vogt, uma parceria que se repetiu em A Pior Pessoa do Mundo (Foto: Motlys)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></i><span style="font-weight: 400;"> – obra e protagonista – não tem pressa. Cadenciadamente, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XSm2wT_jzQI"><span style="font-weight: 400;">Trier</span></a><span style="font-weight: 400;"> conduz sua estrela através das vivências supostamente ordinárias e comuns à juventude, como a descoberta da </span><a href="http://www.aescotilha.com.br/cinema-tv/espanto/representatividade-lgbt-no-cinema-queer-horror/"><span style="font-weight: 400;">sexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, as experiências em um ambiente cheio de desconhecidos e o desvendar de si própria enquanto pessoa. Para Thelma, porém, tudo fica mais intenso e amedrontador: vinda de uma família superprotetora e extremamente religiosa, com seus dogmas e preconceitos, as descobertas da personagem são sempre encaradas como desviantes por ela e pelos pais. Se o ato de provar bebidas alcoólicas em uma festa com amigos já é uma ação repreendida pelo pai, Trond (Henrik Rafaelsen), a filha se interessar por sua colega de classe é ainda mais errado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante de seus crescentes desejos, são as represálias internalizadas por Thelma que desencadeiam as ocorrências sobrenaturais. No primeiro contato da protagonista com Anja (Kaya Wilkins), a amiga por quem ela se atrai, um corvo se choca contra o vidro da sala de aula. No segundo, uma convulsão a pega de surpresa. Os sentimentos recém-despertos são desconhecidos a ela e, de poderes telecinéticos a </span><a href="https://personaunesp.com.br/noite-passada-em-soho-critica/"><span style="font-weight: 400;">visões alucinantes</span></a><span style="font-weight: 400;">, os acontecimentos se tornam mais frequentes e enérgicos ao passo que a personagem se permite explorá-los. Disso, porém, ela não sabe e não demora a investigar a sua causa.</span></p>
<figure id="attachment_28023" aria-describedby="caption-attachment-28023" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28023" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-4.jpg" alt="Cena do filme Thelma. Levitando ao centro da imagem, vemos Thelma vestida em trajes hospitalares, com equipamentos conectados a sua cabeça." width="800" height="346" /><figcaption id="caption-attachment-28023" class="wp-caption-text">“Por vezes, a descoberta mais assustadora é quem realmente se é. Você se atreve a ser quem é?”, questiona o slogan de Thelma (Foto: Motlys)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Drama, Suspense, </span><a href="https://cinepop.com.br/critica-thelma-joachim-trier-cria-sua-propria-carrie-a-estranha-160791/"><span style="font-weight: 400;">Terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> Psicológico… </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma </span></i><span style="font-weight: 400;">poderia ser chamado até de Romance. O diretor não delimita um gênero e nem explica a sua obra, mas a trabalha de forma enigmática e simbólica o tempo todo. Enquanto as protagonistas se conectam e se atraem, as feições suaves e a performance introspectiva das atrizes tornam suas respectivas personagens ainda mais misteriosas. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7we4eh7qAFA"><span style="font-weight: 400;">Eili Harboe e Kaya Wilkins</span></a><span style="font-weight: 400;">, Thelma e Anja respectivamente, exalam os sentimentos não contados, mas pouco dizem ou explicam. O contrário acontece com o pai e a mãe: tão quietos quanto a filha, já se suspeita desde o início que os dois escondem alguma coisa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas percepções, porém, são frutos da direção de Trier. Ora perto, ora afastadas demais, as câmeras do cineasta nos conduzem através da narrativa como se observássemos o desenrolar de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/suspiria-a-danca-do-medo-critica/"><span style="font-weight: 400;">segredo sombrio</span></a><span style="font-weight: 400;">. A fotografia fria de Jakob Ihre também é essencial para o sentimento de hostilidade e opressão que permeia o longa, e é justamente nos momentos de proximidade das meninas que a tensão acumulada se libera, assim como fazem os poderes de Thelma. A condução cheia de suspense, um dos maiores atrativos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></i><span style="font-weight: 400;">, também é o que, por vezes, acaba por repeli-lo. Apesar de construído sutilmente, o ritmo lento do filme faz o telespectador encarar trechos monótonos e tediosos. Nada que Trier não se exima na reta final.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Thelma | Trailer Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/k7dM9adQFV4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre momentos mais quietos e outros mais tensos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma </span></i><span style="font-weight: 400;">acompanha sua protagonista homônima através da descoberta de sua sexualidade, principalmente. A produção não esconde estar mostrando só simbolismos em tela, já que as </span><a href="https://bocadoinferno.com.br/artigos/2018/12/horror-queer-quando-o-medo-e-a-baixa-representatividade/"><span style="font-weight: 400;">metáforas</span></a><span style="font-weight: 400;"> têm papel fundamental na interpretação. Metáforas essas diretamente conectadas ao lado religioso da personagem: as visões e alucinações de Thelma têm fortes </span><a href="https://personaunesp.com.br/mae-filme-critica/"><span style="font-weight: 400;">referências bíblicas</span></a><span style="font-weight: 400;">, e, a cada quebra de dogma de sua criação sacra, ela provoca abalos telecinéticos em resposta. Explorar, para ela, revela-se uma provocação digna de invocar seu sobrenatural &#8211; e ela não escolhe contê-lo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/alem-do-arco-iris-o-terror-como-fuga-da-heteronormatividade/"><span style="font-weight: 400;">diferentes interpretações</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos eventos, é nítido que toda mínima interação da personagem com Anja é o que desencadeia a série de estranhas ocorrências, um reflexo extático da repressão sexual em confronto com os seus desejos. Em uma das cenas mais climáticas e emocionantes, a telecinese faz com que objetos comecem a se mover ao simples toque escondido das duas meninas. Ao final da obra, porém, o pecado do diretor é justamente deixar de lado as sutilezas e apostar no explícito. Em poucos minutos, o filme</span> <span style="font-weight: 400;">vai de um de seus momentos mais intrigantes e enigmáticos a um de seus mais literais, e a combustão sobrecarrega o mistério construído até ali. </span></p>
<figure id="attachment_28024" aria-describedby="caption-attachment-28024" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28024 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3.png" alt="Cena do filme Thelma. Ao centro da imagem, em frente a uma paisagem de mar, durante o dia, vemos um homem branco, com cabelos e barba grisalha, encarando suas mãos estendidas à sua frente, que pegam fogo." width="1280" height="525" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3-800x328.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3-1024x420.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3-768x315.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/thelma-3-1200x492.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28024" class="wp-caption-text">Disponível no Prime Video e na MUBI, Thelma veio depois de Oslo, 31 de Agosto e Mais Forte que Bombas, que renderam ao diretor Joachim Trier indicações a importantes prêmios do Cinema (Foto: Motlys)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No seu próprio ritmo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma </span></i><span style="font-weight: 400;">se mostra objetivamente indecifrável e, da mensagem que se tira da obra, a </span><a href="https://seventh-row.com/2019/11/05/thelma-carrie-comparison/"><span style="font-weight: 400;">interpretação</span></a><span style="font-weight: 400;"> basta. Nas comparações do filme com </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-a-estranha-45-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Carrie &#8211; A Estranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; também filha de mãe religiosa, também</span> <span style="font-weight: 400;">engatilhou poderes durante uma fase decisiva de sua vida -, a juventude e o processo de descoberta pessoal extasiantes, que tangem o sobrenatural, são tão simbólicas quanto a moral por trás da obra (isso é, se há uma). A verdade é que, entre Romance, Drama, Suspense, ou o que qualquer um se atrever a rotular </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma</span></i><span style="font-weight: 400;">, o seu </span><a href="https://www.instagram.com/p/CU0umTkr2w0/?utm_source=ig_web_copy_link"><span style="font-weight: 400;">Terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> também é libertador. </span></p>
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		<title>5 anos de Baby Driver: a essência do audiovisual ainda corre Em Ritmo de Fuga</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Jun 2022 19:41:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Leticia Stradiotto Com o pé afundado no acelerador, o criativo Edgar Wright apresenta um passeio de motor que destaca-se entre as obras do gênero. Em Ritmo de Fuga, em inglês Baby Driver, realmente foge do estereótipo de outros feitos cinematográficos que envolvem crimes e carros em alta velocidade. Lançado em 2017, o primeiro filme realizado &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/em-ritmo-de-fuga-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "5 anos de Baby Driver: a essência do audiovisual ainda corre Em Ritmo de Fuga"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28012" aria-describedby="caption-attachment-28012" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-28012" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/babydriver1-800x450.jpg" alt="Fundo rosa com nuvens brancas. Uma avenida com um carro vermelho sendo perseguido por carros policiais em velocidade. Ao lado direito, os respectivos personagens do filme Baby Driver: Doc, um homem branco de cabelos castanhos e óculos escuros veste um terno preto. Baby, um rapaz branco de cabelos castanhos com óculos escuros e fone de ouvido. Debora, uma mulher branca de cabelos castanhos presos e roupa de garçonete preto e branca. Bats, um homem negro de cabelos negros veste vermelho. Buddy, um homem branco de cabelos castanhos segura uma metralhadora. Darling, uma mulher branca de cabelos castanhos presos segura uma pistola." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/babydriver1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/babydriver1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/babydriver1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/babydriver1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/babydriver1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/babydriver1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28012" class="wp-caption-text">Muito obrigado, senhoras e senhores, agora eu tenho que falar sobre o fabuloso, mais excitante: Baby Driver! (Foto: Sony/TriStar Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Leticia Stradiotto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o pé afundado no acelerador, o criativo Edgar Wright apresenta um passeio de motor que destaca-se entre as obras do gênero. </span><a href="https://personaunesp.com.br/em-ritmo-de-fuga-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Em Ritmo de Fuga</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em inglês </span><i><span style="font-weight: 400;">Baby Driver,</span></i><span style="font-weight: 400;"> realmente </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/critica-baby-driver-em-ritmo-de-fuga-deliciosa-oposicao-entre-um-titulo-terrivel-e-um-excelente-filme.html#list-item-1"><span style="font-weight: 400;">foge do estereótipo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de outros feitos cinematográficos que envolvem crimes e carros em alta velocidade. Lançado em 2017, o primeiro filme realizado nos EUA pelo diretor tem a ambientação dos assaltos em Atlanta e resulta na combinação do romance com perseguições de carro, além de nos presentear com uma caracterização visual de tirar o fôlego.</span></p>
<p><span id="more-28011"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes da estreia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Baby Driver</span></i><span style="font-weight: 400;">, o diretor Edgar Wright ainda não estava no ápice da admiração em sua carreira, apesar de ter lançado os aclamados, e também criticados, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qWpED6uvZPs"><i><span style="font-weight: 400;">Chumbo Grosso</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2004) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NPfaM_moVnA"><i><span style="font-weight: 400;">Scott Pilgrim Contra o Mundo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2010), ele ainda não tinha dado seu grande </span><i><span style="font-weight: 400;">“boom” </span></i><span style="font-weight: 400;">entre os queridinhos de Hollywood. Entretanto, a chegada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Baby Driver</span></i><span style="font-weight: 400;"> nas telonas garantiu o lugar de Wright dentro do Cinema </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com referências da trilogia de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=R894dvwNo4w"><i><span style="font-weight: 400;">De Volta para o Futuro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em conjunto com a espetacular trilha sonora calculada nos mínimos detalhes, a produção vibra e caminha </span><i><span style="font-weight: 400;">Em Ritmo de Fuga</span></i><span style="font-weight: 400;"> até as atuais essências do audiovisual.</span></p>
<figure id="attachment_28013" aria-describedby="caption-attachment-28013" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28013 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/babydriver2.jpg" alt="À esquerda está Edgar Wright, diretor de Baby Driver, é um homem branco de cabelos compridos castanhos com óculos e veste um casaco preto, seu olhar está direcionado para a câmera. Ao seu lado está Ansel Elgort, um homem branco de cabelos castanhos com fones de ouvidos, veste um moletom cinza e preto e está segurando um carro de miniatura azul." width="1080" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/babydriver2.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/babydriver2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/babydriver2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/babydriver2-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28013" class="wp-caption-text">Em Ritmo de Fuga é resultado de uma grande sintonia entre a direção excêntrica de Edgar Wright e a produção cinematográfica de Eric Fellner (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre fantasias e sensibilidades, a rota do filme está direcionada ao motorista de fuga, Baby, interpretado por </span><a href="https://cineclick.uol.com.br/noticias/como-ansel-elgort-de-queridinho-a-abusador"><span style="font-weight: 400;">Ansel Elgort</span></a><span style="font-weight: 400;"> – ator que foi acusado de abuso e agressão sexual em 2020. O personagem utiliza fones de ouvidos para abafar o zumbido que adquiriu durante um acidente de carro, responsável por sacrificar a vida de sua mãe. A partir disso, Baby orquestra a vida em inúmeras </span><i><span style="font-weight: 400;">playlists</span></i><span style="font-weight: 400;"> cuidadosamente selecionadas em seu</span><i><span style="font-weight: 400;"> iPod</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, a vida de Baby não tem muita melancolia, o rapaz está sempre se estreitando entre o amor e o dinheiro. Em dívida com Doc (</span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/06/16/acusado-de-agressoes-sexuais-kevin-spacey-fica-em-liberdade-sob-fianca-apos-comparecer-a-tribunal.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Kevin Spacey</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, assim como Elgort, foi acusado de abuso sexual pouco depois da estreia do filme), o chefão do crime, o jovem se encontra sempre a um passo mais perto da liberdade de seu trabalho arriscado como piloto de fuga. Baby é um moço singelo e extremamente comum. Após a triste perda de sua mãe, ele encontra abrigo apenas em seu pai adotivo, Joe (CJ Jones), um gentil senhor surdo – isso, até o jovem piloto conhecer seu grande amor, Debora (Lily James).</span></p>
<figure id="attachment_28014" aria-describedby="caption-attachment-28014" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28014 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/babydriver3.jpg" alt="Cena do filme Baby Driver. O fundo é uma lavanderia. Ao centro estão Debora e Baby de frente um para o outro quase se abraçando. Debora é uma mulher branca de cabelos castanhos iluminados, veste uma jaqueta jeans e brincos de argola. Baby é um homem branco de cabelos castanhos e veste um moletom cinza e preto." width="728" height="410" /><figcaption id="caption-attachment-28014" class="wp-caption-text">Debora representa a alternativa romântica entre tanta violência e agitação na vida de Baby enquanto piloto de fuga (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MpbV09k1v7c"><span style="font-weight: 400;">Debora</span></a><span style="font-weight: 400;">, a garçonete simpática e apreciadora de música, desperta um novo motivo para Baby continuar com as perseguições e assaltos: conseguir dinheiro para sair da vida do crime e assim construir um digno final feliz com ela. Apesar de seu amor crescente pela moça, Baby ainda tem débitos com a bandidagem, e a única forma de resolver isso é acionar o volume no máximo em alta velocidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No trabalho, o jovem está cercado de capangas com passados duvidosos e problemas em potencial. Combinando ação e </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;">, a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WWJOyUhzAKU"><span style="font-weight: 400;">gangue de criminosos</span></a><span style="font-weight: 400;"> é composta por um elenco de grandes nomes, possuindo atores como Jamie Foxx, representando Bats, um homem imprevisível e agressivo; Jon Hamm e Eiza González, uma dupla do tipo </span><a href="https://segredosdomundo.r7.com/bonnie-e-clyde-2/"><span style="font-weight: 400;">Bonnie e Clyde</span></a><span style="font-weight: 400;">; e até mesmo Flea, o baixista do </span><a href="https://personaunesp.com.br/im-with-you-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Red Hot Chili Peppers</span></a><span style="font-weight: 400;"> atua no filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a trama fica evidente que o trabalho de Edgar Wright foi nutrido há anos para obter um resultado tão gigantesco. Tal fato é justificado pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">script</span></i><span style="font-weight: 400;"> iniciado em 1995, e </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-230453/curiosidades/"><span style="font-weight: 400;">somente finalizado 16 anos depois</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além disso, a introdução de </span><i><span style="font-weight: 400;">Baby Driver </span></i><span style="font-weight: 400;">torna-se fabulosa em apenas 6 minutos de cena ao som de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WWJOyUhzAKU"><i><span style="font-weight: 400;">Bellbottoms</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">“o fabuloso, mais excitante”) </span></i><span style="font-weight: 400;">de Jon Spencer Blues. O momento lendário é a principal base em que o filme é construído: com muita ação, som e adrenalina os companheiros  de crime do protagonista estão assaltando um banco, ao mesmo tempo em que Edgar Wright está nos oferecendo uma experiência contagiante, dirigindo um grande </span><i><span style="font-weight: 400;">mix</span></i><span style="font-weight: 400;"> entre carros e músicas, assim, criando uma conexão especial entre espectador e cenário.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BABY DRIVER - 6-Minute Opening Clip" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/6XMuUVw7TOM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Por si só, a abertura do filme demonstra toda a sua originalidade que é encontrada por quase duas horas. A corrida de Baby ao café é segmentada ao ritmo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rYv2a_VF328"><i><span style="font-weight: 400;">Harlem Shuffle</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Bob &amp; Earl, com letras aparecendo magicamente nas paredes e placas. A Música é o principal elemento da produção, responsável por trazer os mais diversos sentimentos nas mais variadas cenas. É fácil dizer que o filme não é dirigido, mas sim, orquestrado por Wright. O resultado é um trabalho espetacular que mantém a adrenalina encontrada nos primeiros minutos pelas demais horas seguintes, alternando entre sequências de ações desenfreadas e cenas mais leves e, por fim, consequenciando um plano musical extremamente bem instrumentado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Interligando música e carros velozes, o jovem Baby cria canções a partir de conversas gravadas, trabalhando como uma espécie de diretor e construindo a trilha sonora de sua vida. Porém, </span><i><span style="font-weight: 400;">Em Ritmo de Fuga</span></i><span style="font-weight: 400;"> possui uma finalização controversa, a partir do momento em que a história perde a linha de ação é comum questionar sobre o extravio da obra e o porquê dessa ausência de linearidade. Mas, de qualquer forma, é um alívio concluir que o principal manejo foi unir o útil ao agradável: o recheio do filme é sua intensidade enquanto o </span><i><span style="font-weight: 400;">soundtrack</span></i><span style="font-weight: 400;"> torna-se a cereja do bolo.</span></p>
<figure id="attachment_28015" aria-describedby="caption-attachment-28015" style="width: 1152px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28015 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/babydriver4.jpg" alt="Cena do filme Baby Driver. Ambientado em um elevador abandonado estão da esquerda para direita: Baby, Bats, Darling e Buddy. Baby é um homem branco de cabelos castanhos e fones de ouvido e veste um moletom cinza e preto. Ao seu lado, está Bats, um home negro de cabelo raspado e cavanhaque, veste roupas vermelhas. Ao seu lado está Darling, uma mulher branca de cabelos castanhos iluminados e veste um cropped branco e calça jeans. Ao seu lado está Buddy, um homem branco de cabelos castanhos penteados para trás e veste uma jaqueta jeans preta." width="1152" height="715" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/babydriver4.jpg 1152w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/babydriver4-800x497.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/babydriver4-1024x636.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/babydriver4-768x477.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28015" class="wp-caption-text">Com diálogos rápidos e cheios de referências externas, a gangue de criminosos é a principal ligação entre o espectador e o alcance criativo da obra (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenrolar do enredo e a incessante busca pelo final feliz instigam o telespectador a seguir o filme até o fim. Por mais que o roteiro não tenha muitas inovações no gênero – com fugas e roubos ao banco – a </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/em-ritmo-de-fuga-queria-fazer-algo-mais-espinhoso-diz-edgar-wright"><span style="font-weight: 400;">execução é tão bem colocada</span></a><span style="font-weight: 400;"> que faz com que tudo pareça novidade dentro do Cinema, seja no romance musical ou nas próprias sequências de adrenalina. Os diálogos ácidos e as piadas contextualizadas na direção de Edgar Wright dão uma apimentada com um toque perfeito para a composição e identidade visual de </span><i><span style="font-weight: 400;">Baby Driver</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Em Ritmo de Fuga</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz aniversário com atemporalidade e ainda garante seu destaque nos principais filmes de ação. O seu significado dentro do audiovisual é a capacidade de manejar o talento para que a obra seja realmente orquestrada, unindo aquilo que nós mais gostamos: ação e Música. O esforço e trabalho de anos da </span><a href="https://celebrity.land/pt/edgar-wright-chega-ao-mercado-de-cinema-noticias-de-entretenimento/"><span style="font-weight: 400;">direção</span></a><span style="font-weight: 400;"> dão origem a um filme extremamente original e com características que apenas Edgar Wright é capaz de transmitir pela Sétima Arte. </span><i><span style="font-weight: 400;">Baby Driver</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma experiência sobre a eterna viagem: </span><i><span style="font-weight: 400;">somente eu, minha música e a estrada.</span></i></p>
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		<title>Os mil tentáculos de A Criada</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Jun 2022 17:50:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Oito longos tentáculos presos no aquário de um medonho porão: o polvo nunca foi uma figura tão imponente quanto em A Criada (2017), filme sul-coreano assinado por Park Chan-Wook. Inspirado no romance Na Ponta dos Dedos, da escritora Sarah Waters, o longa traz o protagonismo lésbico da Era Vitoriana britânica para o contexto &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-criada-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os mil tentáculos de A Criada"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28003" aria-describedby="caption-attachment-28003" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28003" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-3.jpg" alt="Cena do filme A Criada. Na imagem da esquerda para a direita, Sook-hee e Hideko, duas mulheres asiáticas de cabelos escuros. Sook-hee veste cinza e Hideko veste branco. Hideko segura Sook-hee pelos braços. Ao fundo, a mata verde com flores." width="1920" height="808" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-3-800x337.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-3-1024x431.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-3-768x323.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-3-1536x646.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-3-1200x505.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28003" class="wp-caption-text">A Criada tem mil tentáculos que enlaçam o público e a história de suas duas protagonistas (Foto: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Oito longos tentáculos presos no aquário de um medonho porão: o polvo nunca foi uma figura tão imponente quanto em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=itj7Huv4Q-s"><i><span style="font-weight: 400;">A Criada</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2017)</span></a><span style="font-weight: 400;">, filme sul-coreano assinado por Park Chan-Wook. Inspirado no romance </span><a href="https://g1.globo.com/globonews/jornal-globonews-edicao-das-10/video/a-criada-e-inspirado-no-livro-na-ponta-dos-dedos-de-sarah-waters-5575177.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Na Ponta dos Dedos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">da escritora Sarah Waters, o longa traz o protagonismo lésbico da Era Vitoriana britânica para o contexto da Coreia ocupada por japoneses. Erótico e poético, o espectador perde o fôlego com as cenas menos sensuais enquanto se esquiva das leituras fetichizadas, acompanhadas por xilogravuras lascivas como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Sonho da Mulher do Pescador</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que a forma feminina é sexualmente devorada por dois moluscos marinhos. </span></p>
<p><span id="more-28001"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acostumado a pintar as telas de Cinema com o vermelho da violência e da vingança, Chan-Wook continua cruel como em </span><a href="http://www.aescotilha.com.br/cinema-tv/central-de-cinema/oldboy-park-chan-wook-resenha-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Oldboy</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2005)</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas deixa o sangue de lado para explorar o azul da prisão interna e externa das personagens Sook-Hee e Hideko. Com a beleza da </span><a href="https://www.majesticjournal.com/dissects-handmaiden"><span style="font-weight: 400;">fotografia impecável</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Chung-hoon Chung, ele alcança o perfeito equilíbrio entre o sagaz e o sensível. A sinopse não diz nada sobre o desenrolar do enredo, porém, o diretor respeita a sua audiência com reviravoltas que fazem sentido e gentilmente brincam com os pressupostos gerados pela primeira parte da narrativa.</span></p>
<figure id="attachment_28005" aria-describedby="caption-attachment-28005" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28005" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-3.jpg" alt="Cena do filme A Criada. Na imagem, Sook-hee e Hideko, duas mulheres asiáticas de cabelos escuros se abraçam. Sook-hee está de costas para a lente da câmera, ela veste laranja. Hideko está de frente para a lente da câmera, ela veste roxo. Ao fundo, Fujiwara observa a cena. Ele é um homem asiático de cabelos escuros que veste um terno em tom pastel. Ao lado dele, um carro com um motorista. O cenário é a entrada de um sanatório com paisagens verdes e cinzentas" width="1920" height="808" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-3-800x337.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-3-1024x431.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-3-768x323.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-3-1536x646.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-3-1200x505.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28005" class="wp-caption-text">O roteiro brinca com os diferentes pontos de vista das personagens (Foto: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ler a descrição de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=whldChqCsYk"><i><span style="font-weight: 400;">The Handmaiden </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Agassi</span></i><span style="font-weight: 400;">)</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao menos contribui para o entendimento da atmosfera de traições e mentiras. Em resumo, Sook-hee (Kim Tae-ri) é contratada por um farsante, o Conde Fujiwara (Ha Jung-woo), para ajudá-lo a furtar a herança de Hideko (Kim Min-hee), sobrinha de um coreano que auxiliou a invasão japonesa em troca de uma mina de ouro. O tio Kouzuki (Jo Jin Woong), alimenta a sua obsessão por livros raros e pretende se casar com a jovem de mesma linhagem, a quem treinou desde a infância para realizar leituras carnais frente a plateias masculinas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Três partes dividem o constante jogo mental da película. De início, a ingenuidade do público causada pela montagem do filme permite descobrir como uma vigarista se tornou a criada de uma herdeira nipônica. Segundamente, os planos de Sook-Hee em contribuir ativamente com o roubo da fortuna de Lady Hideko viram de ponta-cabeça quando a infância da mulher solitária é abordada ao lado da proposta original de Conde Fujiwara em libertá-la. Já no terceiro ato, a sequência de </span><i><span style="font-weight: 400;">plot-twists</span></i><span style="font-weight: 400;"> atinge o seu apogeu com um final digno da </span><a href="https://open.spotify.com/album/0mzJHO9z7mbZaN9JKLHIAk"><span style="font-weight: 400;">paixão tempestuosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre as duas protagonistas. </span></p>
<figure id="attachment_28006" aria-describedby="caption-attachment-28006" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28006" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-4.jpg" alt="Cena do filme A Criada. Na imagem da esquerda para a direita, Hideko, uma mulher asiática de cabelos escuros está sentada ao pé do seu tio Kouzuki. Ele é um homem asiático de cabelos grisalhos. Ela veste branco e ele veste preto. O cenário é uma biblioteca." width="1920" height="808" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-4-800x337.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-4-1024x431.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-4-768x323.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-4-1536x646.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-4-1200x505.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28006" class="wp-caption-text">A sensação de aprisionamento das mulheres no contexto da ocupação japonesa da Coreia é uma constante no longa (Foto: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando tudo parecia estar morto e nada mais podia florescer, a intensidade e ambição de uma criada encontrou o seu lar na calma e no contentamento de uma herdeira. </span><i><span style="font-weight: 400;">“A filha de um ladrão lendário, que costurava casacos de inverno com bolsas roubadas. Ela mesma uma ladra, batedora de carteiras, vigarista. A salvadora que veio para mudar a minha vida. </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VzWHU3NvVj4"><i><span style="font-weight: 400;">Minha Sook-hee</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.”</span></i><span style="font-weight: 400;"> O carisma e a sintonia das duas jovens são os fatores responsáveis pelo filme continuar  interessante durante todos os momentos das suas quase duas horas e meia de exibição.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como os tentáculos da xilogravura </span><i><span style="font-weight: 400;">O Sonho da Mulher do Pescador</span></i><span style="font-weight: 400;">, publicada em 1814, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Criada</span></i><span style="font-weight: 400;"> também enlaça e sufoca quem assiste. O medo e o clima mórbido da época, marcada pela ocupação do território coreano pelo Japão, tomam conta até mesmo dos cenários mais floridos. Não há diferença entre o </span><a href="https://m.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/01/1849054-sul-coreano-park-chan-wook-troca-violencia-por-erotismo-em-a-criada.shtml"><span style="font-weight: 400;">sadismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> da biblioteca do tio Kouzuki e a paisagem de uma cerejeira esplêndida, uma vez que o ponto de vista do filme cruelmente representa o sentimento de aprisionamento que a Lady Hideko sente em todos os cantos da grande propriedade.</span></p>
<figure id="attachment_28007" aria-describedby="caption-attachment-28007" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28007" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-3.jpg" alt="Cena do filme A Criada. Na imagem, Hideko, uma mulher asiática de cabelos escuros aparece se pendurando no galho de uma cerejeira. Ela veste laranja. Ao fundo, o cenário verde contempla o rosa das flores da árvore" width="1920" height="808" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-3-800x337.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-3-1024x431.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-3-768x323.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-3-1536x646.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-3-1200x505.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28007" class="wp-caption-text">Os cenários deslumbrantes guardam os piores segredos em The Handmaiden (Foto: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Seja no tormento do suícidio da tia da herdeira nipônica, ou seja nos próprios limites e estereótipos impostos pela sociedade do seu tempo, o longa tenta cavar cada vez mais fundo rumo ao sensível que permeia o entrelace do casal de jovens. Tenta, pois as lentes masculinas não são capazes de captar por completo a complexidade do feminino em cena. Park Chan-Wook, no entanto, faz um ótimo trabalho quando comparado com a vasta maioria de diretores homens que propagam a hiperssexualização típica do </span><a href="https://www.instagram.com/p/CbYiO4FuLv5/"><i><span style="font-weight: 400;">male gaze</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a exemplo do </span><a href="https://podtail.com/no/podcast/historia-no-pandemonio/-13-azul-nao-e-a-cor-mais-quente-male-gaze/"><span style="font-weight: 400;">olhar deturpado</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Abdellatif Kechiche em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lU5jrPnGAjU"><i><span style="font-weight: 400;">Azul é a Cor Mais Quente</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2013)</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jz79nU0Bhr0"><i><span style="font-weight: 400;">The Handmaiden</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a fetichização acontece apenas quando o roteiro demanda. No caso, o maior desconforto ocorre quando os olhares de uma dezena de homens se voltam para Hideko, obrigada por seu tio a realizar a leitura e a encenação de obras graficamente ilustradas. Por outro lado, o sexo entre a Lady e Sook-hee não perde a doçura para a explicitidade e não se prolonga por mais tempo do que o necessário. Com uma representação genuína do amor lésbico, a película se aventura pelo desconhecido e traz a sensibilidade para uma comunidade acostumada a ser bruscamente pintada nas telas de Cinema.</span></p>
<figure id="attachment_28008" aria-describedby="caption-attachment-28008" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28008" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5-1.jpg" alt="Cena do filme A Criada. Na imagem da esquerda para a direita, Hideko e Sook-hee, duas mulheres asiáticas de cabelos escuros, correm enquanto sorriem. Ambas vestem preto. Ao fundo, uma imensidão verde." width="1200" height="503" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5-1-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5-1-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5-1-768x322.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28008" class="wp-caption-text">O amor entre Sook-hee e Hideko é doce e genuíno (Foto: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Favorita das listas de obras para assistir durante o Mês do Orgulho, a película </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-box-critica/"><span style="font-weight: 400;">sul-coreana</span></a><span style="font-weight: 400;"> desponta como uma narrativa concisa e surpreendente. Não à toa, o longa de Chan-Wook concorreu à Palma de Ouro do </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/the-handmaiden-longa-sul-coreano-do-festival-de-cannes-ganha-teaser-e-imagens"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2016 e foi contemplado como o </span><a href="https://www.soompi.com/article/1127241wpp/handmaiden-becomes-1st-korean-film-ever-win-bafta-film-awards"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme Estrangeiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">British Academy Film Awards </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;">). O ambiente de infinitas possibilidades e interpretações permite constatar que </span><i><span style="font-weight: 400;">A Criada</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um suspiro em meio aos clichês datados. Imponente como o polvo no porão do tio Kouzuki, a história de Sook-hee e Lady Hideko possui mil tentáculos que simbolizam as ramificações e o acolhimento do seu amor.</span></p>
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		<title>5 anos de Ctrl: o diário secreto de SZA continua exposto para o mundo</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Jun 2022 17:39:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Isabela D’Avila Apesar de cedo já ter aberto espaço no mundo da Música com suas composições e seus vocais encantadores, ninguém tinha ideia do impacto que o primeiro álbum de Solána Rowe, ou, como é conhecida mundialmente, SZA, faria na indústria musical. Nem mesmo ela imaginava o que a esperava depois da estreia de Ctrl, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ctrl-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "5 anos de Ctrl: o diário secreto de SZA continua exposto para o mundo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27775" aria-describedby="caption-attachment-27775" style="width: 1425px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27775 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1.jpg" alt="Capa do álbum Ctrl, da cantora Sza. Sentada em um gramado, Sza está ao centro, olhando diretamente para a câmera, com um amontoado de computadores quebrados atrás dela no chão. No último plano, uma floresta. Sza, que é uma mulher negra de pele escura, aparece com suas pernas cruzadas, uma meia branca, uma regata branca e um casaco verde escuro. Não é possível ver o que usa em baixo. Sua mão esquerda está apoiada em sua perna esquerda. E sua mão direita está se apoiando no gramado." width="1425" height="1416" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-800x795.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-1024x1018.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-768x763.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-1200x1192.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27775" class="wp-caption-text">Ctrl, primeiro álbum da cantora SZA, foi lançado em junho de 2017 (Foto: RCA Records)</figcaption></figure>
<p><b>Isabela D’Avila</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de cedo já ter aberto espaço no mundo da Música com suas composições e seus vocais encantadores, ninguém tinha ideia do impacto que o primeiro álbum de Solána Rowe, ou, como é conhecida mundialmente, SZA,</span> <span style="font-weight: 400;">faria na indústria musical. </span><a href="https://www.billboard.com/music/rb-hip-hop/sza-fader-cover-story-ctrl-8221753/"><span style="font-weight: 400;">Nem mesmo ela imaginava</span></a><span style="font-weight: 400;"> o que a esperava depois da estreia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ctrl</span></i><span style="font-weight: 400;">, disco lançado em 9 de junho de 2017. Disponibilizado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">RCA Records</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.instagram.com/topdawgent/"><i><span style="font-weight: 400;">Top Dawg Entertainment</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, gravadora de Kendrick Lamar, na qual a cantora foi a primeira mulher a entrar, o CD recebeu aclamação da crítica e estreou em terceiro lugar na </span><i><span style="font-weight: 400;">Billboard 200</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-27774"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda hoje, o álbum está nas </span><i><span style="font-weight: 400;">playlists</span></i><span style="font-weight: 400;"> e nos fones de pessoas ao redor do mundo, e já alcançou o feito de ser um dos </span><a href="https://www.billboard.com/charts/billboard-200/"><span style="font-weight: 400;">10 discos femininos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que mais permaneceu na </span><i><span style="font-weight: 400;">Billboard 200 </span></i><span style="font-weight: 400;">na História. Ele simplesmente nunca saiu de lá. Ultrapassando cantoras que estavam há anos nessa jornada, SZA, em poucos meses, se sentou no topo, e hoje é considerada a cantora de </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> com mais </span><a href="https://uproxx.com/music/sza-ctrl-massive-success-women-in-r-and-b/"><span style="font-weight: 400;">sucesso</span></a><span style="font-weight: 400;"> da última década. Mas já que sucesso não necessariamente significa boa Música, é necessário explicarmos o porquê de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ctrl</span></i><span style="font-weight: 400;"> ser um projeto fora da curva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nome do CD significa </span><a href="https://genius.com/albums/Sza/Ctrl"><span style="font-weight: 400;">controle</span></a><span style="font-weight: 400;">, e traz uma pessoalidade admirável em suas letras, sejam sentimentos, temas difíceis ou coisas que até seriam erradas demais para serem ditas em voz alta. Para criar as letras das canções, SZA não restringiu nenhuma dessas coisas. As músicas parecem ter sido tiradas diretamente de seu diário secreto. Ou, parecem ter sido baseadas em uma conversa íntima na qual ela desabafa com uma amiga sobre seus problemas do dia a dia, suas relações conflituosas, seus medos e seus anseios. A artista não esconde suas cicatrizes; na verdade, as expõe de forma direta e, sinceramente, muito dolorosa.</span></p>
<figure id="attachment_27776" aria-describedby="caption-attachment-27776" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27776 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-2-683x1024.jpg" alt="Em um ambiente interno de paredes e armários claros, Sza está ao centro, agachada e em cima de um banco branco, olhando diretamente para a câmera. Ela é uma mulher negra de pele escura, está usando uma camiseta com uma manga grande que vai até seus cotovelos azul e branca listrada e uma calça jeans azul clara que cobre suas pernas. Usa um tênis branco e está com seu cabelo cacheado solto. Sua mão esquerda está segurando uma parte de seu cabelo e sua mão direita está à frente de suas pernas." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-2-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-2-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-2-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-2-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-2-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-2-1200x1800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-2.jpg 1707w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27776" class="wp-caption-text">Em 2017, com apenas 27 anos, SZA se tornou uma das vozes mais famosas do R&amp;B mundial (Foto: RCA Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um álbum que desafia as fronteiras do </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, inserindo sons melancólicos junto com batidas de </span><i><span style="font-weight: 400;">hip hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">boom bap</span></i><span style="font-weight: 400;">, SZA canta sobre as experiências de uma garota negra de 20 e poucos anos e suas dores de crescimento. Ela coloca para fora, através de uma honestidade e sensibilidade absurda, </span><a href="https://ew.com/article/2016/05/19/sza-previews-debut-album-a/"><span style="font-weight: 400;">vários momentos de sua vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> desde o colegial e nos leva a crer na força enorme que possui. Ela abre um espaço para o sentir, e dá liberdade a si própria e às outras mulheres que vivem o mesmo que ela. É como se ela falasse para as ouvintes: </span><i><span style="font-weight: 400;">fique à vontade, não se esconda, eu sei o que você está sentindo.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A imersão no universo construído por SZA se inicia com uma gravação telefônica de sua mãe, que é fragmentada na música </span><a href="https://open.spotify.com/track/5wTVNpi5WDByxBgKgUE6MU?si=ba2727d467d64002"><i><span style="font-weight: 400;">Supermodel</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e em outras do álbum. As palavras manifestam de forma simples (e não por isso menos intensa) o conceito geral de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ctrl</span></i><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Esse é meu maior medo/Que, se eu perdesse o controle/Que se eu não tivesse controle, as coisas seriam&#8230; fatais”</span></i><span style="font-weight: 400;">. A cantora parece estar em busca de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=viHCYBWuizk"><span style="font-weight: 400;">ter o controle</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua vida e de ter em suas mãos o poder de escolha de seus caminhos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma </span><a href="https://www.billboard.com/music/rb-hip-hop/sza-supermodel-song-creation-gq-8095806/"><span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> concedida à </span><i><span style="font-weight: 400;">GQ</span></i><span style="font-weight: 400;">, SZA afirmou que </span><i><span style="font-weight: 400;">Supermodel</span></i><span style="font-weight: 400;"> era sua canção favorita do álbum, por ser diferente de tudo que ela já tinha feito. Com poucos acordes sendo tocados em uma solitária guitarra, a melodia criada é bem simples e tranquila. Mas, se prestar atenção, você vai perceber que não existe nada de manso no que está sendo transmitido. Aqui o ouvinte já começa a perceber a insegurança e os sentimentos confusos da cantora.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="How SZA Wrote “Supermodel” | The Process | GQ" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ArVEH6KS6dA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de claramente estar em uma </span><a href="https://www.mtv.com/news/3034506/sza-supermodel-push-artist-to-watch-interview/"><span style="font-weight: 400;">relação que não a faz bem</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela diz na Música que precisa desse homem para se sentir confortável, não porque ele é bom, mas porque ela não aguenta se sentir sozinha. E acaba retornando para essa relação tóxica, dizendo: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu poderia ser sua supermodelo se você acreditar/Se você vê isso em mim, veja isso em mim, veja isso em mim/Eu não me vejo”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amor é amor, um lance é um lance. Seria bom se isso tudo não se confundisse no meio do caminho. Em</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=hHXfCOjb3fk"><i><span style="font-weight: 400;">Love Galore</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (feat. Travis Scott)</span></i><span style="font-weight: 400;">, SZA está se recuperando de um desses “casos” em que não existe amor. Ela está claramente bem decepcionada, e declara estar farta desses caras que a buscam, mesmo já sabendo que não a querem de verdade. Contudo, parece conseguir reagir a essa situação: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Dê-me uma toalha de papel, dê-me outro Valium/Dê-me mais uma ou duas horas, uma hora com você”</span></i><span style="font-weight: 400;">. E apesar de estar ansiosa por uma oportunidade de encontrar esse homem nos finais de semana (fazendo referência à canção </span><i><span style="font-weight: 400;">The Weekend</span></i><span style="font-weight: 400;">), ela deixa claro o seu arrependimento em ter começado essa relação. Em uma das melhores participações do álbum, </span><a href="https://open.spotify.com/artist/0Y5tJX1MQlPlqiwlOH1tJY"><span style="font-weight: 400;">Travis Scott</span></a><span style="font-weight: 400;"> representa o traço masculino da história. </span></p>
<figure id="attachment_27778" aria-describedby="caption-attachment-27778" style="width: 1548px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27778 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3.png" alt="Sza e Travis Scott estão à frente de um palco, iluminado or luzes vermelhas, com um homem tocando uma grande bateria e outro aparentemente tocando guitarra. Travis, ao lado esquerdo da foto, com calças pretas, uma camiseta colorida e um casaco preto acima. Ele leva o microfone à boca e tem seu cabelo com pequenos dreads. Sza ao lado direto da foto com uma calça e um blazer pretos e listras brancas e por baixo um top preto. Seu cabelo está solto e ondulado, ela segura o microfone na mão dieita e está dançando com um rosto sério." width="1548" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3.png 1548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-800x529.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-1024x677.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-768x508.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-1536x1016.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-3-1200x794.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27778" class="wp-caption-text">Pela primeira vez em sua carreira, SZA subiu ao palco do The Tonight Show, performando Love Galore, com Travis Scott (Foto: NBC/Getty Images)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Buscando respeito em relação ao seu corpo, ou aos corpos das mulheres de forma geral, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Zg165-mZ7x8"><i><span style="font-weight: 400;">Doves In The Wind</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (feat. Kendrick Lamar) </span></i><span style="font-weight: 400;">traz SZA falando sobre pombas ao vento, a partir da ideia de pureza e paz. Ela canta sobre os homens nunca conseguirem olhar para além de um corpo e acrescenta que, aqueles que conseguem, merecem uma </span><i><span style="font-weight: 400;">“caixa inteira de chocolates”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Assim, trazendo referências do Cinema, algo que SZA explora ao longo do CD, a cantora faz uma relação à figura de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bLvqoHBptjg"><span style="font-weight: 400;">Forrest Gump</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como uma das participações mais importantes no álbum, mas que até pode ser questionada, </span><a href="https://genius.com/artists/Kendrick-lamar"><span style="font-weight: 400;">Kendrick Lamar</span></a><span style="font-weight: 400;"> enfatiza como os homens acabam fazendo de tudo para conseguir sexo; muitas vezes, coisas absurdas, ficando cegos com isso. Kendrick traz um ponto que faz sentido para a temática, mas direciona boa parte de suas falas aos homens, e reafirma alguns estigmas relacionados à mulher negra. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nesse sentido que sua participação traz certo incômodo, por gerar uma quebra da proposta de um CD sensível, com </span><a href="https://djbooth.net/features/2017-08-24-kendrick-lamar-sza-ctrl-masterpiece"><span style="font-weight: 400;">foco na perspectiva de uma mulher</span></a><span style="font-weight: 400;"> jovem negra. A participação é diferente das outras de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ctrl</span></i><span style="font-weight: 400;">, que parecem ser mais controladas pela presença de SZA. Embora Kendrick sempre entregue participações muito boas, sua colaboração não foi a melhor do álbum. </span></p>
<figure id="attachment_27779" aria-describedby="caption-attachment-27779" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27779 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4.jpg" alt="À frente de uma parede preta com partes douradas, está Sza e Kendrick. A imagem os mostra da cintura para cima, olhando para a foto. Vemos Kendrick á esquerda com uma camisa preta e desabotoada, algumas correntes pratas, um óculos de grau e o cabelo trançado para trás. Ele está sério na foto. Do lado direito, Sza está sorrindo, com um cropped amarelo e com outras cores que formam flores na estampa. Ela está com seus braços e parte de sua barriga de fora. Vemos que possui uma tatuagem no ombro direito e seu cabelo crespo está solto. " width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-4-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27779" class="wp-caption-text">Além de ser dono da gravadora responsável pelo disco, Kendrick Lamar faz uma participação em Ctrl (Foto: Larry Busacca)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> lento, na música </span><a href="https://portalfamosos.com.br/sza-lanca-novo-single-intitulado-drew-barrymore-ouca/"><i><span style="font-weight: 400;">Drew Barrymore</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a cantora narra uma situação nada confortável, em que o cara que ela estava interessado levou outra garota para a festa. Ela fica em um grande “vai e volta”, tentando ser agradável e, ao mesmo tempo, demonstrando ter muita raiva da situação e inveja por ele estar com uma garota “perfeita”. No refrão da música (</span><i><span style="font-weight: 400;">“Suficientemente quente para você fora, baby/Diga-me que aqui está quente o suficiente para você/Está quente o suficiente para você dentro de mim?”</span></i><span style="font-weight: 400;">), fazendo referência à sua aparência ou ao sexo, ela mostra a origem de sua insegurança e, de certa forma, questiona a pertinência desse sentimento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Criando de novo uma relação com o Cinema, </span><a href="https://www.usatoday.com/story/life/music/2017/08/25/sza-summer-breakout-star-ctrl-love-galore/596928001/"><span style="font-weight: 400;">a artista nomeia a música de Drew Barrymore</span></a><span style="font-weight: 400;">, pois ela se conecta e se identifica com muitas das personagens que a atriz representou em filmes. SZA fala sobre esses papéis serem, muitas vezes, sobre garotas que não são compreendidas, mas que no final das contas só querem ser amadas. Na faixa, ela fala sobre se sentir sozinha e pede desculpas por não ser “boa o suficiente”: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Tenho tanta vergonha de mim mesmo que acho que preciso de terapia/Sinto muito, não sou mais atraente”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em todo o disco, SZA relata momentos de sua adolescência e o começo de sua juventude. Em </span><a href="https://open.spotify.com/track/5yvhdo8FXbBsIllxv2Rr94?si=f079c6c316f743c3"><i><span style="font-weight: 400;">Prom</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma das canções mais destacadas pela crítica, em um</span><a href="https://djbooth.net/features/2017-06-09-sza-ctrl-album-review"><span style="font-weight: 400;"> pop estilo anos 70</span></a><span style="font-weight: 400;"> ela traz as problemáticas de uma adolescente que está prestes a passar por uma mudança enorme em sua vida, e que parece estar triste por não ter amadurecido na mesma velocidade que a pessoa com quem está se relacionando. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="SZA - Drew Barrymore (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/dp45V_M4Akw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A solidão e o desespero da artista a levam a aceitar coisas que ela racionalmente não aceitaria. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cMD63TwzB1o"><i><span style="font-weight: 400;">The Weekend</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma das faixas preferidas dos ouvintes, que traz a essência de um tradicional </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, SZA está mais segura de suas ações, mas mesmo assim podemos perceber uma certa tristeza silenciosa na história. A música é uma das mais sólidas no sentido de produção. Em muitos momentos as batidas não têm nenhuma nota, e vez ou outra aparecem sons de piano. Os compassos se diferenciam ao longo da música (algo que SZA traz bastante no álbum), fazendo com que a escuta seja sempre inesperada. A melodia é uma das mais deliciosas do disco. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No enredo da letra, ela divide o homem não só com uma garota, mas com duas. Ela afirma que não se importa, desde que ele esteja com ela no horário combinado. No trecho </span><i><span style="font-weight: 400;">“Meu homem é meu homem, é o seu homem/Ouvi dizer que é o homem dela também”</span></i><span style="font-weight: 400;">, e ainda em </span><i><span style="font-weight: 400;">“Você pega quarta-feira, quinta-feira e depois manda-o para o meu caminho/Acho que tenho tudo sob controle para o fim de semana”</span></i><span style="font-weight: 400;">, há essa ideia de liberdade feminina, em que elas não estão sendo enganadas, mas sim têm consciência do que está acontecendo e </span><a href="https://lnwy.co/read/deconstructing-szas-the-weekend/"><span style="font-weight: 400;">fazem dele o bobo na situação</span></a><span style="font-weight: 400;">. É novamente uma das músicas que ela parece ter sentimentos confusos, mas, entre situações difíceis, toma certas posturas para que não sofra tanto; é um certo autocuidado, e não estamos falando aqui de </span><i><span style="font-weight: 400;">skincare</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou de </span><i><span style="font-weight: 400;">yoga</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas sim de um ato radical de defesa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Go Gina</span></i><span style="font-weight: 400;">, mais uma vez trazendo referências do audiovisual, SZA faz um trabalho sobre uma personagem da </span><a href="https://collider.com/martin-gaining-fans-30-years-later/"><i><span style="font-weight: 400;">sitcom Martin</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LwOIBNYIiBI&amp;t=1101s"><span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">The Breakfast Club</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela explica que a canção fala sobre Gina (interpretada por </span><a href="https://www.instagram.com/tishacampbellmartin/"><span style="font-weight: 400;">Tisha Campbell</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Mceo5FtKoZw"><span style="font-weight: 400;">seriado</span></a><span style="font-weight: 400;">). Na letra, a cantora pede para Gina levar uma vida mais tranquila, com menos rigidez e mais diversão. A batida é um pouco mais rápida do que a maioria das outras, e acaba ficando um pouco cansativa no final, mesmo que seja uma das menores canções do projeto.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="SZA - Go Gina (Stripped) (Vevo LIFT)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/DpSWgZVIfi8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://open.spotify.com/track/19woxaSpjOefa2JnAOoqW5?si=4e687820187a41a5"><i><span style="font-weight: 400;">Garden (Say It Like Dat)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a artista entrega uma melodia e um vocal incrível. Na letra, ela é transparente sobre as inseguranças que tem com seu corpo e não se importa em deixar claro o quanto realmente é necessitada de afeto. Em uma das partes mais chocantes, SZA diz que ama o homem com quem está se relacionando do jeito que ele é, provavelmente mesmo com todos os seus erros, embora saiba que ele nunca vai amá-la, pois ele preferiria estar com outra garota com um corpo mais desejado. Em um ato desesperado por afeto, ela ainda pede </span><i><span style="font-weight: 400;">“Você pode me abraçar quando ninguém estiver ao meu redor?”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Esse tipo de sinceridade não é de se encontrar em muitas músicas por aí. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de ouvirmos sobre todas essas experiências, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zVc-K1kKkVk"><i><span style="font-weight: 400;">Broken Clocks</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (terceiro </span><i><span style="font-weight: 400;">single </span></i><span style="font-weight: 400;">do projeto) a cantora inicia a parte mais “esperançosa” do álbum, o que parece já ser compreendido antes mesmo da letra começar, já que, ao princípio, a melodia traz uma sensação de paz, quase que angelical. Ela f</span><span style="font-weight: 400;">ala sobre o quanto foi cansativo equilibrar seu trabalho com sua vida amorosa no passado, e diz não querer mais voltar à essa vida, demonstrando maturidade para seguir sozinha e levando um dia de cada vez. Ouvimos ela afirmar em um dos melhores refrões do álbum: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Tudo que eu tenho são estes relógios quebrados </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><a href="https://genius.com/21701487"><span style="font-weight: 400;">talvez fazendo uma relação com o filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Peter Pan</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) </span><i><span style="font-weight: 400;">/Eu não tenho tempo/Apenas perdendo tempo”. </span></i><span style="font-weight: 400;">SZA aponta para o que continua a ajudando a encontrar propósito em sua vida:</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Ainda é amor, e ainda é amor”. </span></i></p>
<figure id="attachment_27780" aria-describedby="caption-attachment-27780" style="width: 1698px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27780 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5-scaled.jpg" alt="Em um ambiente interno escuro e iluminado por uma luz vermelha, Sza está no meio da foto de pé, mas só vemos a parte de cima de seu corpo. Atrás dela, ao fundo da imagem existe algum objeto preto grande, que parece ser de seu tamanho. Ela está com a mão direita em seu cabelo, que está solto e vai até sua cintura. O outro braço não aparece na foto porque está atrás de seu cabelo. Está usando uma camiseta de manga longa branca e olhando diretamente para a câmera." width="1698" height="2560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5-scaled.jpg 1698w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5-530x800.jpg 530w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5-679x1024.jpg 679w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5-768x1158.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5-1019x1536.jpg 1019w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5-1358x2048.jpg 1358w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-5-1200x1810.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27780" class="wp-caption-text">SZA cresceu ouvindo jazz clássico, Música Alternativa e rap, e em 2022 ganhou o Grammy de Melhor Performance Pop em Duo/Grupo, por seu sucesso colaborativo Kiss Me More, com Doja Cat (Foto: RCA Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">SZA continua esse lado mais esperançoso em </span><a href="https://open.spotify.com/track/0336UwEBwBBao8uWCuugYr?si=86138ee9f3434466"><i><span style="font-weight: 400;">Anything</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/track/3LcoHjgdNl4xtWVaJGSA1p?si=60d63006ca344f50"><i><span style="font-weight: 400;">Wavy (Interlude) [feat. James Fauntleroy]</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_R2LiwXtuLQ"><i><span style="font-weight: 400;">Normal Girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma das preciosidades do disco, ouvimos muitos </span><i><span style="font-weight: 400;">boom baps</span></i><span style="font-weight: 400;"> e sons repetitivos, que vão ficando mais agudos e se repetem até o final da canção, e que são capazes de te anestesiar logo nos primeiros segundos. Aqui, SZA parece estar inundada por todos esses sentimentos descritos durante as canções. Ela sabe do quanto os rapazes sempre gostam de a ter em suas camas, mas está cansada dessas relações nunca avançarem. Ela gostaria de ser tratada como uma </span><i><span style="font-weight: 400;">“garota normal”</span></i><span style="font-weight: 400;">, a qual qualquer um teria orgulho de ter e de apresentar para seus pais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas ela sempre encontra uma saída. Em uma das pontes mais lindas do álbum, ela fala que continuará vivendo sua vida e que um dia não vai lembrar nem do nome desse cara. Em um último fôlego nessa enxurrada de experiências dolorosas, ela diz: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Neste momento, no próximo ano, estarei vivendo tão bem/Não me lembrarei de nenhuma dor, eu juro/Antes de você descobrir, que eu era apenas uma </span></i><a href="https://blog.lareviewofbooks.org/essays/normal-girls-sza-nella-larsen-varieties-black-feminism/"><i><span style="font-weight: 400;">garota normal</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando chega em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5sc1YvgxlSg"><i><span style="font-weight: 400;">Pretty Little Birds</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, SZA evoca a tradicional figura da </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/onde-surgiu-e-o-que-representa-a-mitologica-ave-fenix/"><span style="font-weight: 400;">fênix</span></a><span style="font-weight: 400;">, um pássaro mítico que ressuscita após a morte. A sensação mítica está na canção, com uma leve bateria e vozes que parecem estar distantes em alguns momentos. Na letra, ela explica: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Você é apenas uma fênix entre as penas/Você está quebrado pelas ondas no meio do mar/Eles o deixarão morrer, eles o deixarão lavar/Mas você nada tão bem quanto você voa”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Um suave trompete introduz a participação de </span><a href="https://www.isaiahrashad.com/"><span style="font-weight: 400;">Isaiah Rashad</span></a><span style="font-weight: 400;">, que traz sua linda voz rouca para compor a obra. Ao final, os dois concluem: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Minhas asas não se abrem como antes/Mas eu quero voar com você”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><span class="embed-youtube" style="text-align:center; display: block;"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/zNP2CokjX7Y?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></span></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Para fechar </span><i><span style="font-weight: 400;">Ctrl</span></i><span style="font-weight: 400;"> com chave de ouro, </span><a href="https://open.spotify.com/track/4h6ViRoztTBpWcJ1zFT9Zg?si=5f8f0dcf002d472f"><i><span style="font-weight: 400;">20 Something</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> traz o acústico similar ao de </span><i><span style="font-weight: 400;">Supermodel</span></i><span style="font-weight: 400;">, na qual ela canta sobre uma certa separação que não estava preparada para lidar. Nesse amontoado de sentimentos de uma garota de </span><i><span style="font-weight: 400;">“20 e poucos anos”</span></i><span style="font-weight: 400;">, SZA percebe que nunca encontrou o amor, pelo contrário, ela só conhece o medo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela definitivamente ainda não tem o controle de sua vida, mas permanecerá buscando. Em uma tentativa de recorrer à Deus e ao que ainda possui de esperança, ela finaliza: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Mas que Deus abençoe esses 20 e poucos/Esperando que meus 20 e poucos não acabem/Esperando manter o resto de meus amigos/Rezando para que meus 20 e poucos não me matem”. </span></i></p>
<figure id="attachment_27782" aria-describedby="caption-attachment-27782" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27782" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/3K2A4011-1.jpg" alt="À frente de um palco iluminado por luzes vermelhas, SZA está ao meio, de pé e caminhando, com o microfone na boca, cantando. Ela usa calças largas cinzas claras, um cropped preto que deixa seu braço esquerdo e barriga aparecendo. Seu casaco está vestido só no braço direito. Seu cabelos ruivos e lisos estão presos em algumas partes. Ao fundo esquerdo da foto, aparece um homem segurando uma guitarra com vários equipamentos à sua volta." width="900" height="560" /><figcaption id="caption-attachment-27782" class="wp-caption-text">SZA se apresentando na turnê de Ctrl na cidade de Detroit, em 2017 (Foto: Marc Nader)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos conhecem aquele sentimento de alívio quando alguém entende os problemas pelos quais você está passando. Aquela sensação de que você está mal, mas, pelo menos, está acompanhada. </span><a href="https://www.nylon.com/articles/sza-ctrl-review-millennial-women"><span style="font-weight: 400;">Conexão</span></a><span style="font-weight: 400;">. Isso é algo que SZA consegue criar de forma majestosa em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ctrl</span></i><span style="font-weight: 400;">. Entre temáticas sobre o amor, o desejo, a insegurança, traição, competição, ciúmes e baixa autoestima, ela expõe sua alma e todas as suas complexidades. Você se sente quase como invadindo sua privacidade, quase como se estivesse lendo seu diário secreto. Ela traz à tona dores enterradas em seu coração e desperta o mesmo movimento nas ouvintes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitos dizem que o sentir é o primeiro passo para a cura, para que depois seja pensado que é necessário se fazer. Outros talvez possam dizer que esse resgate de feridas não é tão saudável. Mas uma coisa todos podem concordar: SZA consegue criar essa conexão absurda entre as garotas que já passaram ou estão passando por essa fase, trazendo a sensação de naturalidade com sua voz e composições.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ctrl</span></i><span style="font-weight: 400;"> é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_LIQUe-NMkE"><span style="font-weight: 400;">baseado em acontecimentos reais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Essas situações acontecem, e muito. Entre produções impecáveis, batidas eletrizantes, </span><i><span style="font-weight: 400;">grooves</span></i><span style="font-weight: 400;"> deliciosos, melodias intensas e vocais absurdos, SZA sensibiliza para mandar a real. E continua mandando, em seus </span><i><span style="font-weight: 400;">singles </span></i><span style="font-weight: 400;">lançados posteriormente. Ela já deixou claro que o </span><a href="https://portalrapmais.com/sza-revela-detalhes-sobre-seu-proximo-projeto/#:~:text=Em%20outubro%20de%202021%2C%20SZA,lan%C3%A7amento%20para%20seu%20projeto%20antecipado."><span style="font-weight: 400;">próximo álbum</span></a><span style="font-weight: 400;"> chega no próximo verão. E enquanto isso não acontece, seus fãs não tiram as músicas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ctrl</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">repeat</span></i><span style="font-weight: 400;">, voltando sempre para o ambiente confortável que foi criado desde a primeira vez que apertaram o</span><i><span style="font-weight: 400;"> play</span></i><span style="font-weight: 400;">, 5 anos atrás, naquele 9 de junho de 2017. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Ctrl" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/76290XdXVF9rPzGdNRWdCh?si=06oSYNWNS8SGgb75yhzJrQ&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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