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	<title>Arquivos Artes Visuais &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em Bauru após 24 anos, o Circo Stankowich nos faz querer fugir com ele</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Nov 2024 20:05:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Após 24 anos longe de Bauru, o Circo Stankowich fez seu tão esperado retorno, trazendo ao público um espetáculo, no mínimo, deslumbrante. Fundado em 1856, o Stankowich é o circo mais antigo em atividade no Brasil com Arte, risco, beleza e emoção. Mais do que um simples entretenimento, a apresentação em Bauru celebrou &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/circo-stankowich-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Bauru após 24 anos, o Circo Stankowich nos faz querer fugir com ele"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34486" aria-describedby="caption-attachment-34486" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34486" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-800x478.jpg" alt="A imagem mostra um grupo de dançarinas vestidas com trajes luxuosos, adornados com penas e brilhos, evocando a estética de carnaval ou festas glamourosas. Elas se apresentam sob a iluminação colorida do palco, com o nome “Stankowich” destacado ao fundo. As poses das dançarinas sugerem um momento dinâmico da coreografia, transmitindo leveza e sincronia" width="800" height="478" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-800x478.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-1024x612.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-768x459.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-1200x717.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7.jpg 1500w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34486" class="wp-caption-text">A proibição do uso de animais em circos no Brasil começou na década de 2000, mudando a dinâmica dos espetáculos (Foto: Henrique Marinhos)</figcaption></figure>
<p><strong>Henrique Marinhos</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após 24 anos longe de Bauru, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Circo Stankowich</span></i><span style="font-weight: 400;"> fez seu tão esperado retorno, trazendo ao público um espetáculo, no mínimo, deslumbrante. </span><a href="https://sistema.funarte.gov.br/noticias-antigas/?p=98336#:~:text=De%20origem%20romena%20e%20de,maiores%20circos%20da%20Am%C3%A9rica%20Latina."><span style="font-weight: 400;">Fundado em 1856</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Stankowich</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o circo mais antigo em atividade no Brasil com Arte, risco, beleza e emoção. Mais do que um simples entretenimento, a apresentação </span><a href="https://globoplay.globo.com/v/12899235/"><span style="font-weight: 400;">em Bauru</span></a><span style="font-weight: 400;"> celebrou a história da companhia, que atravessou mudanças sociais, políticas e culturais ao longo de quase dois séculos de existência.</span><span id="more-34485"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A noite começou com uma série de espetáculos dançantes, remetendo aos glamourosos carnavais europeus e ao charme das festas em navios e iates. As dançarinas, trajadas com penas e lantejoulas, iluminaram o </span><a href="https://supercirco.com.br/picadeiro/"><span style="font-weight: 400;">picadeiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> com coreografias sincronizadas e contagiantes. Intercaladas com ‘</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-palhaco-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">palhaçadas</span></a><span style="font-weight: 400;">’ bem canastronas, os espetáculos trouxeram fontes de água dançantes em uníssono com a Música, que tomaram conta do cenário.</span></p>
<figure id="attachment_34488" aria-describedby="caption-attachment-34488" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-34488 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-800x800.jpg" alt="Nesta imagem, dois trapezistas executam um ato aéreo desafiador. Um dos artistas, vestido de rosa, estende as mãos para o parceiro, enquanto ambos estão no meio de uma troca no ar, cercados por cabos e iluminação azulada. A foto captura o momento exato em que a confiança e a precisão são essenciais para completar a manobra com segurança." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3.jpg 1080w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34488" class="wp-caption-text">O Circo Stankowich possui várias unidades itinerantes, a de Bauru é a Pink (Foto: Circo Stankowich)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O flerte do circo com o perigo é uma tradição antiga, mantida viva porque não falha em fascinar. Ao limite da tensão, depois de tanta leveza e deslumbre, os atos que nos presenteiam com frio na barriga começaram com a performance aérea de uma acrobata que, </span><a href="https://www.instagram.com/p/B8SVDBegAYU/?img_index=1"><span style="font-weight: 400;">suspensa pelos cabelos</span></a><span style="font-weight: 400;">, girava incessantemente enquanto manejava fitas coloridas com uma graça quase sobrenatural, como se tivessem a banhado no pó de ‘pirlimpimpim’.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A experiência presencial, aliás, é incomparável – nenhuma tela consegue capturar o momento genuinamente. Prova disso foi o número de </span><a href="https://www.instagram.com/p/C7Mef07uLVQ/?img_index=5"><span style="font-weight: 400;">tecido acrobático</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma exibição de coragem e destreza que fez o público prender a respiração. Sem rede de proteção, a acrobata se contorceu e girou no ar, até culminar em uma queda que parou a meros centímetros do chão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das acrobacias nos panos, os trapezistas protagonizaram um dos momentos mais emocionantes da noite. Anunciada pelo próprio circo como uma das manobras mais difíceis de serem realizadas, os </span><a href="https://www.instagram.com/p/CTdCYG2pnjI/"><span style="font-weight: 400;">três giros no trapézio</span></a><span style="font-weight: 400;"> não nos fizeram questionar por um segundo se a afirmação era realmente um fato. Na segunda  tentativa, o público prendeu a respiração ao ver a dificuldade de execução. Com aplausos imediatos, dessa vez, não houve um centímetro na margem de erro.</span></p>
<figure id="attachment_34487" aria-describedby="caption-attachment-34487" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-34487 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-800x800.jpg" alt="A imagem retrata um dos motociclistas se preparando para o número do Globo da Morte. Ele está equipado com capacete e roupas de proteção, com a estrutura metálica do globo ao fundo. A expressão focada e a postura do piloto refletem a concentração necessária para a execução deste perigoso número, um dos mais esperados do espetáculo." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-768x767.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5.jpg 1080w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34487" class="wp-caption-text">A família Stankowich está à frente do circo desde sua fundação, em 1856, mantendo a tradição viva por mais de seis gerações (Foto: Circo Stankowich)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No ato final, o espetáculo atingiu seu clímax: o temido </span><a href="https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2024/10/14/artistas-sofrem-acidente-durante-apresentacao-em-globo-da-morte-em-circo-instalado-em-bauru-video.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Globo da Morte</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sob o som pulsante de aplausos e murmúrios nervosos, quatro motociclistas entraram na esfera metálica, desafiando a gravidade em manobras impecavelmente sincronizadas – a única forma de acontecerem. Nesse ponto, qualquer conversa que eles tivessem por baixo do capacete nos intervalos de giros eram especuladas com atenção pela plateia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a mágica do circo não se resume apenas aos números deslumbrantes vistos no picadeiro. Naquele momento de perfeição, pensávamos nos erros, nas quedas e nas frustrações superadas pela trupe ao longo da preparação. A </span><a href="https://www.instagram.com/reel/C5vv9eQrRKJ/"><span style="font-weight: 400;">mágica</span></a><span style="font-weight: 400;"> que vimos no picadeiro não nasce do acaso e ver o resultado final é testemunhar o triunfo desse processo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para muitos dos espectadores naquela noite, assistir a um espetáculo circense pela primeira vez foi uma experiência transformadora. Essa magia nasce da união entre o risco e a beleza, em que cada artista, do motociclista ao mágico ou do trapezista à bailarina, é parte essencial desse universo itinerante. Assim como o circo continua a desafiar a gravidade e o perigo, ele também desafia o tempo, porque o encanto que nos faz querer fugir com ele, esse nunca passa.</span></p>
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		<title>A moda feminina salvou o tapete vermelho do Met Gala 2024</title>
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		<pubDate>Sat, 11 May 2024 13:24:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Sinara Martins A primeira segunda-feira de Maio é sempre marcada pela cerimônia do Met Gala, que simboliza a abertura da exposição anual do Metropolitan Museum Of Art (MOMA), em Nova Iorque. Todo ano há um código de vestimenta para os convidados, sempre relacionado a exibição. Para o tapete vermelho de 2024, o tema estabelecido foi &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/met-gala-2024-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A moda feminina salvou o tapete vermelho do Met Gala 2024"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33386" aria-describedby="caption-attachment-33386" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33386" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/capaartigo_metgala.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/capaartigo_metgala.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/capaartigo_metgala-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33386" class="wp-caption-text">O tema do Met Gala de 2024 foi Jardim do Tempo (Arte: Aryadne Xavier)</figcaption></figure>
<p><b>Sinara Martins</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira segunda-feira de Maio é sempre marcada pela cerimônia do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://contextojornalismo.com/2024/04/02/met-gala-2024-saiba-mais-sobre-o-tema/"><i>Met Gala</i></a></span><span style="font-weight: 400;">, que simboliza a abertura da exposição anual do </span><span style="font-weight: 400;"><i>Metropolitan Museum Of Art (MOMA)</i></span><span style="font-weight: 400;">, em Nova Iorque. Todo ano há um código de vestimenta para os convidados, sempre relacionado a exibição. Para o tapete vermelho de 2024, o tema estabelecido foi Jardim do Tempo. </span></p>
<p><span id="more-33380"></span><span style="font-weight: 400;">A temática surgiu do conto de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/o-jardim-do-tempo-conheca-o-conto-que-inspirou-tema-do-met-gala-2024/">J. G. Ballard</a></span><span style="font-weight: 400;">, de 1962, que retrata um casal vivendo em uma propriedade rodeada de muralhas – para os defender da multidão que se aproxima –, e repleta de “</span><span style="font-weight: 400;"><i>flores do tempo</i></span><span style="font-weight: 400;">” que, quando colhidas, retrocedem algumas horas e impedem o avanço da massa. Chega um momento em que não há mais flores para colher e, então, a muralha é invadida pelo povo que, ao adentrá-la, encontra uma vila em ruínas e uma estátua do Conde e da Condessa que ali moravam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma analogia à passagem do tempo, distopia e beleza, era esperado que, durante a cerimônia, fossem utilizadas peças de arquivo </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://vogue.globo.com/google/amp/um-so-planeta/noticia/2024/05/as-escolhas-vintage-de-kendall-jenner-e-emily-ratajkowski-para-o-met-gala-2024.ghtml"><i>vintage</i></a></span><span style="font-weight: 400;">, elementos representativos de um jardim que remetessem também o transcorrer do tempo. Portanto, os </span><span style="font-weight: 400;"><i>stylings</i></span><span style="font-weight: 400;"> eram cheios de possibilidades e amplos na interpretação: de peças floridas a vestidos de arquivo que há muito tempo não eram usados – se é que algum dia já foram vestidos.</span></p>
<figure id="attachment_33382" aria-describedby="caption-attachment-33382" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33382" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image4.jpg" alt="Foto retangular de fundo verde e bege. No lado direito da foto, em pé, está Zendaya posando para fotos com um chapéu repleto de rosas (representando um buquê) e usando um longo vestido preto de cauda longa, que se espalha por toda imagem na escadaria revestida por um degradê verde e branco. Ao fundo da foto, inúmeros paparazzis vestidos de ternos preto seguram suas câmeras apontadas para a atriz, separados de Zendaya através de uma cerca natural de aproximadamente 1 metro revestidas por folhagem verde e rosas brancas. " width="2000" height="1334" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image4.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image4-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image4-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image4-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33382" class="wp-caption-text">O vestido usado pela co-anfitriã Zendaya foi feito em 1996, por John Galliano, e possui uma cauda de doze metros (Foto: Taylor Hill)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre as personalidades de Hollywood que marcaram presença, o destaque da noite se deu pela co-anfitriã Zendaya, que usou dois figurinos maravilhosos. O primeiro – da marca </span><span style="font-weight: 400;"><i>Maison Margiela</i></span><span style="font-weight: 400;"> e assinado por John Galliano –, com silhuetas inspiradas no trabalho de 1930 da fotógrafa Madame Yevonde, em um cenário da Grécia Antiga, estava impecável e conversou perfeitamente com a maquiagem</span><span style="font-weight: 400;"><i>, </i></span><span style="font-weight: 400;">feita por </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://elle.com.br/beleza/quem-e-pat-mcgrath-maquiadora-que-agitou-redes">Pat McGrath</a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p>Surpreendendo a todos, quase no fim do tapete vermelho, a atriz trocou de vestido e apareceu usando um figurino <span style="font-weight: 400;"><i>all black </i></span><span style="font-weight: 400;">da </span><span style="font-weight: 400;"><i>Givenchy, </i></span><span style="font-weight: 400;">em uma estética gótica, e ousou utilizando um adorno de buquê de flores. </span><br />
<span style="font-weight: 400;">Vestidos florais já eram esperados e foram muito bem usados pelas atrizes Jessica Serfaty, Cynthia Erivo e Rebecca Hall, e as cantoras </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://stealthelook.com.br/a-evolucao-de-estilo-de-nicki-minaj/">Nicki Minaj </a></span><span style="font-weight: 400;">e </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://amp.purebreak.com.br/noticias/dove-cameron-a-evolucao-do-estilo-da-cantora-em-30-fotos/107589">Dove Cameron</a></span><span style="font-weight: 400;">. Todas elas combinaram perfeitamente o tema da noite com vestidos impecáveis das marcas </span><span style="font-weight: 400;"><i>Dolce &amp; Gabbana</i></span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Thom Browne</i></span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Danielle Frankel</i></span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Francesco Risso</i></span><span style="font-weight: 400;"> e </span><span style="font-weight: 400;"><i>Diesel</i></span><span style="font-weight: 400;">, respectivamente. </span></p>
<figure id="attachment_33383" aria-describedby="caption-attachment-33383" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33383" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image2-2.jpg" alt="Foto retangular de fundo bege. Ao centro, Rebecca Hall está sorrindo e tem um penteado em seu cabelo curto e castanho, simulando que ele esteja molhado. A atriz está no começo da escadaria revestida por um degradê verde e branco e está usando um vestido com uma pequena cauda e sem alças, da cor roxo pastel, composto por pequenas flores coloridas ao longo de seu comprimento. Ao fundo da foto, inúmeros paparazzis vestidos de ternos preto seguram suas câmeras apontadas para a atriz, e estão separados de Rebecca através de uma cerca natural de aproximadamente 1 metro revestidas por folhagem verde e rosas brancas. " width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image2-2.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image2-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image2-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image2-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image2-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33383" class="wp-caption-text">A pintura corporal esteve presente na produção da atriz Rebecca Hall (Foto: John Shearer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro destaque se deu por </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://revistamarieclaire.globo.com/google/amp/moda/noticia/2024/05/no-met-gala-uma-cor-inesperada-prevaleceu-entre-os-looks-e-voce-nao-esperava-por-essa.ghtml">vestidos neutros</a></span><span style="font-weight: 400;"> que acentuam as silhuetas e se completam com o cabelo e a maquiagem simples, que ganharam espaço no baile desse ano e foram apostas de inúmeras famosas. A exemplos de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="http://personaunesp.com.br/eternal-sunshine-critica/">Ariana Grande</a></span><span style="font-weight: 400;">, com um lindo vestido da </span><span style="font-weight: 400;"><i>Loewe</i></span><span style="font-weight: 400;">, Bruna Marquezine de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Tory Burch</i></span><span style="font-weight: 400;">, Kylie Jenner de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Oscar de La Renta</i></span><span style="font-weight: 400;"> e Madeleine Clyne usando </span><span style="font-weight: 400;"><i>Tommy Hilfiger</i></span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sensualidade se deu em rendas – apostas de Kendall Jenner, Emma Chamberlain e </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://activa.pt/celebridades/2024-05-07-sarah-jessica-parker-faz-recordar-carrie-bradshaw-na-met-gala/#&amp;gid=0&amp;pid=1">Sarah Jessica Parker</a></span><span style="font-weight: 400;"> – e na transparência, muito bem utilizada por FKA Twigs, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/planet-her-critica/">Doja Cat</a></span><span style="font-weight: 400;"> e Elle Fanning. O metálico também teve seu espaço, mesmo que pequeno, em vestidos como os usados por Me Hanani, Simone Ashley, Amanda Seyfried e pela co-anfitriã </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://oglobo.globo.com/google/amp/ela/gente/noticia/2024/05/06/met-gala-2024-vestido-de-jennifer-lopez-demorou-33-dias-para-ficar-pronto.ghtml">Jennifer Lopez</a></span><span style="font-weight: 400;">. Em uma mistura desses dois elementos, Kim Kardashian também apresentou um fantástico figurino. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste ano, Tyla fez sua primeira aparição no </span><span style="font-weight: 400;"><i>Met Gala</i></span><span style="font-weight: 400;"> e não poderia ter sido mais espetacular. Usando uma linda peça da </span><span style="font-weight: 400;"><i>Balmain</i></span><span style="font-weight: 400;">, a cantora surpreendeu ao aparecer com um </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/lifestyle/perrengue-estilista-corta-vestido-de-areia-usado-por-tyla-no-met-gala-2024/">vestido feito de areia</a></span><span style="font-weight: 400;"> que destacava as suas silhuetas e remetia a passagem do tempo, juntamente com sua bolsa em formato de ampulheta. Além dela, o destaque da noite também se deu através da cantora </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/critica-norman-fucking-rockwell/">Lana Del Rey</a></span><span style="font-weight: 400;">, que estava de tirar o fôlego em um impecável </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://vogue.globo.com/google/amp/moda/met-gala/noticia/2024/05/lana-del-rey-surge-com-vestido-de-galhos-e-veu-cobrindo-o-rosto-no-met-gala-2024.ghtml">vestido de galhos</a></span><span style="font-weight: 400;">, em uma produção melancólica de um vestido customizado por </span><span style="font-weight: 400;"><i>Alexander McQueen</i></span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_33384" aria-describedby="caption-attachment-33384" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33384" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2.jpg" alt="Imagem retangular de fundo bege. Ao centro, Tyla, mulher negra de cabelo curto e castanho, em um penteado que simula que está molhado. A cantora tem expressão de seriedade e veste um vestido bege com cauda de sereia, feito com areia com silhuetas marcantes. O chão é um degradê verde e bege. Ao lado esquerdo da foto, há uma cerca revestida de folhagem verde e rosas brancas, que separa os fotógrafos vestidos de terno preto da artista. Ao lado direito da foto, há seis seguranças, todos de pé, usando terno preto." width="1170" height="809" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2-800x553.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2-1024x708.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2-768x531.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33384" class="wp-caption-text">O caimento perfeito do vestido em Tyla ocorreu porque o corpo da cantora foi moldado para a produção do vestido (Foto: Angela Weiss)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As cores vibrantes perderam espaço para os tons pastéis, como utilizado por </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.instagram.com/p/C6pf5MVJ7gb/?igsh=MTE0aDdvbWo2Z2R1Nw==">Donatella Versace</a></span><span style="font-weight: 400;">, mas ainda sim tiveram aparições notáveis. A marca </span><span style="font-weight: 400;"><i>Swarovski</i></span><span style="font-weight: 400;"> apresentou um time perfeito de convidadas e soube valorizar de maneira sensacional todas elas. A modelo </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://revistaquem.globo.com/google/amp/moda-e-beleza/noticia/2024/05/conheca-anok-yai-a-modelo-que-roubou-a-cena-com-beleza-durante-o-met-gala.ghtml">Anok Yai</a></span><span style="font-weight: 400;"> estava perfeita, assim como em todos os anos que frequentou o evento, usando um macacão de tons azulados personalizado com 98.000 safiras e um colar de diamantes de 156.62 quilates. Ainda representando a marca, Karlie Kloss usou um lindo vestido rosa incorporado de flores e cristais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o evento, o destaque realmente ficou para a moda feminina. Vestidos focados na valorização da silhueta, de cores neutras com toques de sensualidade e delicadeza marcaram presença ao longo da cerimônia. Enquanto isso, na moda masculina, o de sempre: ternos básicos de cores neutras sem toques de </span><span style="font-weight: 400;"><i>glamour </i></span><span style="font-weight: 400;">foram predominantes, com exceção dos convidados Alton Maison, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.uol.com.br/nossa/noticias/redacao/2021/01/01/conheca-wisdom-kaye-eleito-o-cara-mais-bem-vestido-do-tiktok-pela-vogue.htm">Wisdom Kaye</a></span><span style="font-weight: 400;">, Bad Bunny e membros da comunidade </span><span style="font-weight: 400;"><i>queer</i></span><span style="font-weight: 400;">, como Harris Reed, Lil Nas X, Cole Escola e </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/bazaar-man/jaden-smith-quebra-barreiras-por-meio-de-seu-estilo/#:~:text=Jaden%20Smith%20j%C3%A1%20resumiu%20sua,dos%20truques%20usados%20pelo%20artista.">Jaden Smith</a></span><span style="font-weight: 400;">, que fizeram suas apostas em figurinos que saíram do convencional.</span></p>
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		<title>Do começo ao fim, há vida: a cultura Ballroom do nascimento ao presente</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Dec 2023 20:04:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aryadne Xavier “Você pensou que eu deitaria e morreria?/Oh não, eu não. Eu vou sobreviver/Enquanto eu souber como amar/Eu sei que permanecerei viva/Eu tenho minha vida toda para viver/Eu tenho meu amor todo para dar e/Eu vou sobreviver, eu vou sobreviver”  &#8211; I Will Survive (Gloria Gaynor) O ser humano pode não nascer programado para &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cultura-ballroom-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Do começo ao fim, há vida: a cultura Ballroom do nascimento ao presente"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32073" aria-describedby="caption-attachment-32073" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32073" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3.jpg" alt="A capa é uma colagem de várias fotos de Mothers, figuras lendárias e muito respeitadas na cena da Ballroom por serem fundadoras de casas que acolhiam outras pessoas. A esquerda, Crystal LaBeija, uma pessoa negra, em um vestido vermelho com acessórios combinando e cabelo castanho volumoso e bem arrumado. Ao lado, em um recorte em preto e branco, está Angie Xtravaganza, com um elegante vestido, desfilando em uma das passarelas da Ballroom. Ao centro acima, uma parte da capa do documentário “Paris is Burning”. Logo abaixo, uma foto de Pepper LaBeija, uma pessoa também negra, em uma ball, com roupas douradas brilhantes e muita elegância. No topo direito está Paris Dupree, uma pessoa branca de cabelos loiros e olhos claros, usando uma boina e roupas pretas brilhantes que, na foto, está em uma pose de Voguing. Abaixo, Willi Ninja, um homem negro e um dos maiores nomes do Voguing de todos os tempos, considerado por muitos como o fundador do estilo amplamente conhecido, que na foto está parado em uma pose até meio contorcionsita, usando um boné azul e uma camisa parcialmente aberta." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32073" class="wp-caption-text">Sendo um símbolo de resistência, falar sobre e dar os devidos créditos a Ballroom por suas contribuições é mais do que um resgate histórico: é um ato político (Arte: Aryadne Xavier)</figcaption></figure>
<p><b>Aryadne Xavier</b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Você pensou que eu deitaria e morreria?/Oh não, eu não. Eu vou sobreviver/Enquanto eu souber como amar/Eu sei que permanecerei viva/Eu tenho minha vida toda para viver/Eu tenho meu amor todo para dar e/Eu vou sobreviver, eu vou sobreviver” </span></p>
<p>&#8211; I Will Survive (<em>Gloria Gaynor)</em></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O ser humano pode não nascer programado para certos comportamentos, mas os aprende tão cedo que pode sentir, em seu íntimo, que as coisas apenas são dessa maneira. O desejo de pertencer, resquício fundamental do desenvolvimento em grupos, é tão latente que se transforma em uma vontade dupla de ser aquilo que é aceitável ou ao menos parecer ser. Lançada ao mundo pela primeira vez há 130 anos, a </span><a href="https://www.vogue.pt/vogue-historia-primeiras-vezes"><span style="font-weight: 400;">revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Vogue</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">imprime o que seu próprio nome diz. Registrando e, talvez, ajudando a ditar o que está em alta, a publicação estadunidense foi, por incontáveis vezes, inacessível a uma parcela da população, que podia apenas se projetar nela, como um sonho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal projeção se via em uma sombra, refletindo aquilo que brilhava, mas o objetivo nunca foi copiar fielmente. Ao imitar as poses das modelos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Vogue </span></i><span style="font-weight: 400;">em uma espécie de duelo, o grupo que participava das </span><i><span style="font-weight: 400;">balls </span></i><span style="font-weight: 400;">se apropriou daqueles movimentos, criando algo único. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XJ6fqQX_e9U"><i><span style="font-weight: 400;">Voguing</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se tornou algo muito além da revista, mesmo que seus nomes ainda possam ser assimilados. Esse ato de reconstruir, verbo que sempre fez parte dessa cultura, foi o que reinventou e revolucionou o que é ser uma pessoa da comunidade LGBTQIA+ em sua época de fundação, trazendo identidade, força e conexão até o presente.</span></p>
<p><span id="more-32057"></span></p>
<div style="width: 840px;" class="wp-video"><video class="wp-video-shortcode" id="video-32057-1" width="840" height="441" preload="metadata" controls="controls"><source type="video/mp4" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG2_voguing.mp4?_=1" /><a href="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG2_voguing.mp4">http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG2_voguing.mp4</a></video></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A origem histórica desses encontros se inicia no Harlem, bairro da cidade de Nova Iorque que concentra uma população predominantemente afro-americana. Ainda que a primeira manifestação de algo parecido com um concurso de beleza para pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">drags</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos EUA seja de 1849, no Masquerade Ball, alguns dos registros mais antigos do que realmente pode ser considerado Ballroom datam das décadas de 1920 e 1930, no então </span><a href="https://www.harlemworldmagazine.com/the-legendary-hamilton-lodge-ball-home-at-the-rockland-palace-dance-hall-in-harlem/"><span style="font-weight: 400;">Hamilton Lodge Ball</span></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">que viria a ser palco de diversas </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;"> (nome dado aos bailes). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A melhor maneira de sintetizar o que seriam esses encontros é descrita por </span><a href="https://www.nytimes.com/2003/05/26/arts/pepper-labeija-queen-of-harlem-drag-balls-is-dead-at-53.html"><span style="font-weight: 400;">Pepper LaBeija</span></a><span style="font-weight: 400;"> no documentário </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mBVBipOl76Q"><i><span style="font-weight: 400;">Paris is Burning</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1990), ao dizer que esses bailes eram como uma fantasia de ser famoso. Fruto de uma população marginalizada e excluída de um progresso disponível apenas para a população que se parecia e estrelava os anúncios que pregavam o ‘</span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2018/01/hollywood-paulo-cunha.html"><span style="font-weight: 400;">modelo de vida americano</span></a><span style="font-weight: 400;">’, as manifestações se tornaram um centro de encontro para negros e latinos que migraram para a terra do Tio Sam e toda a população LGBTQIA+ da região. </span></p>
<p><a href="https://blurredbylines.com/articles/crystal-labeija-drag-queen-house-ballrooom-culture/"><span style="font-weight: 400;">Crystal LaBeija</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode ser destacada como a pioneira na formação dessas casas ao fundar a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pKGKcsdkgto"><span style="font-weight: 400;">House of LaBeija</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1968 com Lottie LaBeija, primeira </span><i><span style="font-weight: 400;">house </span></i><span style="font-weight: 400;">da Ballroom que propôs </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;"> que contrariavam o silenciamento de corpos que não se encaixavam no padrão de beleza europeu, principalmente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RYCQEl8TPeM"><span style="font-weight: 400;">corpos negros</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em 1972, aconteceu o primeiro baile anual da casa criado para acolher pessoas diferentes. Essa abertura a diferentes categorias e a possibilidade de enquadrar todas as pessoas em um ambiente seguro para serem quem são transformou a o movimento em um símbolo político, de ocupação de espaços que pertencem a cada pessoa e celebração da diversidade de gênero, sexualidade e raça.</span></p>
<figure id="attachment_32071" aria-describedby="caption-attachment-32071" style="width: 520px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32071" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-1.png" alt="A imagem mostra uma fotografia da época do Harlem, um prédio grande de amplas janelas e portas, que foi o local a abrigar as primeiras manifestações da Ballroom. O Harlem é um bairro historicamente habitado por descendentes de negros e pessoas de baixa condição financeira, por isso, é um símbolo que demonstra a resistência do movimento." width="520" height="446" /><figcaption id="caption-attachment-32071" class="wp-caption-text">Ao entrar pelas portas do prédio, diversas pessoas eram finalmente livres para ser quem quisessem, sem precisar lidar com os questionamentos da sociedade (Foto: QueerMusicHeritage)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na construção dessa cultura, alguns termos foram empregados para definir lugares, ações e pessoas. As </span><i><span style="font-weight: 400;">houses</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, são casas que abrigam os </span><i><span style="font-weight: 400;">Ball-goers</span></i><span style="font-weight: 400;"> (pessoas que frequentam os bailes), criando um senso de pertencimento e acolhimento. Cada casa leva um nome, geralmente o de sua fundadora, e todos os membros o recebem como um sobrenome. Dentre as </span><a href="https://artsandculture.google.com/story/three-generations-of-house-mothers-proudly-black-and-trans/kQXxuMcMGbMNug"><i><span style="font-weight: 400;">houses</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">mais conhecidas, é possível citar House of Dupree</span> <span style="font-weight: 400;">(Paris Dupree), House of LaBeija</span> <span style="font-weight: 400;">(Crystal LaBeija), House of Ninja</span> <span style="font-weight: 400;">(Willi Ninja), House of Pendavis</span> <span style="font-weight: 400;">(Avis Pendavis), House of Xtravaganza</span> <span style="font-weight: 400;">(Angie Xtravaganza)</span> <span style="font-weight: 400;">e House of Corey</span> <span style="font-weight: 400;">(</span><a href="https://www.logotv.com/news/h027gw/who-is-dorian-corey-pose"><span style="font-weight: 400;">Dorian Corey</span></a><span style="font-weight: 400;">). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As casas ainda são lideradas por uma figura maior, a mãe (</span><i><span style="font-weight: 400;">Mother</span></i><span style="font-weight: 400;">) ou, algumas vezes, o pai </span><i><span style="font-weight: 400;">(Father</span></i><span style="font-weight: 400;">). As primeiras são chamadas assim por serem as </span><a href="https://artsandculture.google.com/story/4wWBwyCs0bhg0w"><span style="font-weight: 400;">matriarcas de cada </span><i><span style="font-weight: 400;">house</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o porto seguro de muitas crianças (</span><i><span style="font-weight: 400;">Children</span></i><span style="font-weight: 400;">) que não encontraram apoio em suas famílias biológicas. Mais do que figuras experientes, as </span><i><span style="font-weight: 400;">Mothers</span></i><span style="font-weight: 400;"> eram as vencedoras dos icônicos bailes que aconteceram no Harlem em décadas anteriores (1920, 1930 e 1940). Chamadas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i><span style="font-weight: 400;">, elas foram essenciais para a construção e estabelecimento dessas comunidades, além do suporte constante que existia entre a mãe da casa e suas crianças na época. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hcjWmYFWz3Y&amp;pp=ygUPdm9ndWUgYmFsbCAxOTkw"><i><span style="font-weight: 400;">Ball</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é a maneira mais informal de nomear os bailes em si: eventos de longa duração em que cada participante performa em sua categoria. Até mesmo por isso se explica o nome Ballroom, que determina os lugares onde acontecem esses encontros. Cada evento conta também com seus prêmios, sendo dado a quem vence o</span><i><span style="font-weight: 400;"> Grand Prize</span></i><span style="font-weight: 400;">, troféu que traz muito prestígio ao vencedor(a/e) e a sua </span><i><span style="font-weight: 400;">house</span></i><span style="font-weight: 400;">. A honraria trazia um grande reconhecimento dentro da comunidade: a maioria das </span><i><span style="font-weight: 400;">Mothers </span></i><span style="font-weight: 400;">foram vencedoras de </span><i><span style="font-weight: 400;">Grand Prizes </span></i><span style="font-weight: 400;">e, quanto mais prêmios, maior a fama e o sucesso daquela casa. </span></p>
<figure id="attachment_32075" aria-describedby="caption-attachment-32075" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32075" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-2.png" alt="A imagem em P&amp;B demonstra a House of Xtravaganza, uma das Houses mais populares da Ballroom. Todos os seus membros, que vestem orgulhosamente um pano branco que estampa o X da família, estão ao redor de um Grand Prize, prêmio de maior honra na competição que acontecia nos bailes. " width="720" height="480" /><figcaption id="caption-attachment-32075" class="wp-caption-text">As casas mais populares sempre eram as maiores vencedoras dos prêmios; como uma disputa de gangues, mas os ataques são passos de dança (Foto: Derek Ridgers)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando falamos da influência da Ballroom na cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, um grande exemplo é a música </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GuJQSAiODqI"><i><span style="font-weight: 400;">Vogue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dos maiores sucessos da carreira de Madonna, que apresentou uma parcela dessa cultura ao mundo no início dos anos 1990. A canção conta com a participação ativa de </span><a href="http://youtube.com/watch?v=ib-RfmDhrBY"><span style="font-weight: 400;">José Xtravaganza</span></a><span style="font-weight: 400;">. Importante relembrar que a artista não é e nunca foi a fundadora do estilo de dança conhecido como </span><i><span style="font-weight: 400;">vogue</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo tendo figurado o clipe e as apresentações da música, além de ter sido o rosto representativo dessa manifestação em um imaginário popular por muito tempo. A influência também pode ser notada na produção de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cNbFc-fa-ww"><span style="font-weight: 400;">FKA TWIGS</span></a><span style="font-weight: 400;">, cantora e performer que já esteve presente em alguns </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;">, como o </span><i><span style="font-weight: 400;">The Mugler Ball </span></i><span style="font-weight: 400;">(2014).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos exemplos mais recentes e de maior explosão no cenário musical global é o álbum </span><a href="https://personaunesp.com.br/renaissance-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O projeto, protagonizado por Beyoncé, mas que carrega uma extensa lista de artistas envolvidos, veio como um resgate à cultura queer, apresentando o que há de mais potente na união dos ritmos. Na Sétima Arte, </span><a href="https://personaunesp.com.br/pose-3a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">da </span><i><span style="font-weight: 400;">FX</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/legendary-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> são destaques, retratando o funcionamento das </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;"> e as pessoas que participavam e ainda participam desses encontros. Mesmo falando muito no passado, por citar e tratar pontos históricos, é válido reforçar que a cultura Ballroom segue viva e resistente. </span></p>
<div style="width: 840px;" class="wp-video"><video class="wp-video-shortcode" id="video-32057-2" width="840" height="441" preload="metadata" controls="controls"><source type="video/mp4" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG5_voguing.mp4?_=2" /><a href="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG5_voguing.mp4">http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG5_voguing.mp4</a></video></div>
<p><span style="font-weight: 400;">No contexto de um </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/lgbtfobia-brasil-e-o-pais-que-mais-mata-quem-apenas-quer-ter-o-direito-de-ser-quem-e/#:~:text=De%20acordo%20com%20o%20Dossi%C3%AA,por%20esse%20tipo%20de%20discrimina%C3%A7%C3%A3o."><span style="font-weight: 400;">país que mais mata pessoas LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> no mundo, é irônico sugerir que a comunidade tenha benefícios, imponha ditaduras ou algum tipo de glamourização em ser uma pessoa não heterossexual no Brasil. A fala da personagem Alícia, da novela </span><i><span style="font-weight: 400;">A Favorita</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2009), na qual afirma que “</span><a href="https://twitter.com/acervonovelas/status/1477456742170648591"><i><span style="font-weight: 400;">o chique é ser gay</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” pode ter virado um meme nas redes sociais recentemente, mas, nas entrelinhas, sabe-se que o riso vem como forma de tirar do centro o poder de quem se sente no direito de controlar a vida, os jeitos e os sentimentos do outro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse cenário de luta diária, a cultura Ballroom também chegou aqui como um símbolo do movimento queer</span> <span style="font-weight: 400;">relacionado a pessoas não brancas. A primeira </span><i><span style="font-weight: 400;">house </span></i><span style="font-weight: 400;">brasileira é a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=omO1QGSb8sU"><span style="font-weight: 400;">House of Hands Up</span></a><span style="font-weight: 400;">, fundada em 2015 por Eduarda Kona Zion em Brasília. Essa cultura de espaços acolhedores</span> <span style="font-weight: 400;">se fortalece até os dias atuais no país por ser um lugar com uma função social: acolher e permitir a existência de quem foi marginalizado pela sociedade por ser diferente do que é considerado a ‘norma’.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lembrar e exaltar a cultura Ballroom</span> <span style="font-weight: 400;">é uma forma de colocar sob os holofotes pessoas negras, latinas e LGBTQIA+ e dar uma nova visão à sociedade, na qual essas vidas não estão atreladas ao sofrimento. Referenciando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xFW6JoNynCA"><span style="font-weight: 400;">a fala da Deputada Federal Érika Hilton</span></a><span style="font-weight: 400;">, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Aonde estão as pessoas trans além da prostituição? Aonde estão as pessoas trans além das manchetes policiais?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, estão nas </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;">, nas </span><i><span style="font-weight: 400;">houses</span></i><span style="font-weight: 400;">, expressando sua vida pela Arte da Dança e da Música. E estão muito além do que a sociedade os enxerga: estão ressignificando e criando. A Ballroom pode ser descrita como uma forma coletiva de sobrevivência, mesmo quando tudo de si é tirado. É sobre se encontrar em um lugar, se reconhecer e tornar sua vida fabulosa nas suas possibilidades de ser.  </span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Ballroom no século vinte e um" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/0pnLLEqdYlMsKhJg2Cv5HW?si=c31e1a6bfbeb4b6b&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Em Estado elétrico, Simon Stålenhag ilustra um apocalipse contemporâneo</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Nov 2022 03:57:03 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29265" aria-describedby="caption-attachment-29265" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29265" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1.png" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29265" class="wp-caption-text">Estado elétrico, graphic novel de Simon Stålenhag, está em <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2022/11/amp/5049780-netflix-interrompe-gravacoes-de-filme-apos-morte-de-membro-da-equipe.html">adaptação para os cinemas</a> pela Netflix (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia/Arte: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somos rostos em meio à multidão, mas dificilmente pensamos naquilo que torna a multidão real. Sistemas de armas termonucleares coexistem com comerciais de refrigerante em um ambiente dominado pela publicidade, no qual é possível enxergar apenas pequenas frações de uma realidade mais ampla, dominada pelo inalcançável. Na tentativa de reunir o maior número de consumidores sob as armas da especulação, da alienação e de tudo que o dinheiro pode comprar, os donos do poder tecnológico resumem a grande trama neoliberal da contemporaneidade: tentar concentrar o máximo de atenção e especulação às empresas, às redes sociais e aos produtos. É sob esse contexto que </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212439/estado-eletrico">Estado elétrico</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2017), de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.estadao.com.br/alias/entenda-como-simon-stalenhag-inova-a-ficcao-cientifica/">Simon Stålenhag</a></span><span style="font-weight: 400;"> – lançado no Brasil em Maio deste ano pelo selo </span><span style="font-weight: 400;"><i>Quadrinhos na Cia</i></span><span style="font-weight: 400;"> da </span><span style="font-weight: 400;"><i>Companhia das Letras</i></span><span style="font-weight: 400;">, sob tradução de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-daniel-galera/">Daniel Galera</a></span><span style="font-weight: 400;"> – ganha novos e assustadores contornos.</span></p>
<p><span id="more-29263"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos livros recebidos pelo </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> na parceria com a editora, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico </i></span><span style="font-weight: 400;">traz uma trama que se inicia em 1997, quando a </span><span style="font-weight: 400;"><i>Mode 6</i></span><span style="font-weight: 400;">, óculos de realidade virtual da empresa ficcional </span><span style="font-weight: 400;"><i>Sentre</i></span><span style="font-weight: 400;">, já somava 1 ano de inauguração. De forma nostálgica, Stålenhag tenta retomar o que, para muitos, foi o fim de uma era. Na Música do final dos anos 1990, o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-jam-ten-30-anos/">movimento </a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-jam-ten-30-anos/"><i>grunge</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> já parecia alertar para um início tecnológico cada vez mais opressivo – essa foi uma das cruzadas de Kurt Cobain, que tinha consciência de estar em uma batalha perdida desde o início, visto que as gravadoras transformaram suas falas anti-sistema em </span><span style="font-weight: 400;"><i>slogans</i></span><span style="font-weight: 400;"> para vender mais discos do Nirvana.</span></p>
<figure id="attachment_29266" aria-describedby="caption-attachment-29266" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29266" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4.jpg" alt="" width="2048" height="2048" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-1536x1536.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-1200x1200.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29266" class="wp-caption-text">“Você tem dificuldade de aceitar que tudo aquilo que você é – todos os seus pensamentos, experiências, conhecimentos, gostos e opiniões – precisa existir dentro do seu crânio” (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos Estados Unidos </span><span style="font-weight: 400;">retratado pelo artista de origem sueca – que poderia ser apenas uma das realidades alternativas de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/2020-nunca-mais-critica/">Black Mirror</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> –, as montanhas e paisagens naturais são descontinuadas por naves alienígenas, robôs disformes e indivíduos semi-conscientes, visivelmente controlados por uma força superior que se esconde por trás dos óculos de realidade virtual, tudo isso composto dentro de um ambiente tecnocrático, retro-futurista e melancólico. Em certas imagens, o sentimento de claustrofobia parece dominar – por todos os cantos das ilustrações, não parece existir alternativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado ao Prêmio Arthur C. Clarke em 2019, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico </i></span><span style="font-weight: 400;">(ou </span><span style="font-weight: 400;"><i>Passagen</i></span><span style="font-weight: 400;">, no original da língua sueca) fica no limiar entre o livro ilustrado e o romance gráfico, com grandes painéis que nem sempre vêm acompanhados de textos claros. A bem da verdade, o livro parece ser um artefato quase contemplativo, retirado diretamente da distopia que pretende retratar, embora essa aura distópica das ilustrações de Simon Stålenhag dialogue com os universos de “tecnologia sucateada” do </span><span style="font-weight: 400;"><i>cyberpunk</i></span><span style="font-weight: 400;">, cujas ilustrações trazem similaridades aos jogos de </span><span style="font-weight: 400;"><i>videogame</i></span><span style="font-weight: 400;"> com temática similar, como a série </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/dead-space-critica/">Dead Space</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">ou </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.techtudo.com.br/review/watch-dogs.ghtml">Watch Dogs</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2014). Contudo, a trama ainda gira em torno de uma jovem (Michelle) e seu pequeno robô, que seguem rumo ao Oeste em uma missão de resgate, no melhor estilo </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788560281268/a-estrada?idtag=7ec82fe8-e709-4f1a-9969-7d018c0785e5&amp;gclid=Cj0KCQiA1NebBhDDARIsAANiDD0kE0pEENiMJstHRskUn-TsegZADjNFK_kDTZvu9aMAUeaq6171srgaAgCIEALw_wcB">A estrada</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2006), de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.scotsman.com/arts-and-culture/books/book-review-stella-maris-by-cormac-mccarthy-3921215">Cormac McCarthy</a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29267" aria-describedby="caption-attachment-29267" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29267" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4.jpg" alt="" width="1000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29267" class="wp-caption-text">&#8220;Você sabe como o cérebro funciona? Faz alguma ideia do que sabemos a respeito de como o cérebro e a consciência funcionam? Estou falando de nós, humanos” (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a distopia parece ser um retrato de tempos atuais, e em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico </i></span><span style="font-weight: 400;">não é diferente. As liberdades individuais, gradualmente cooptadas por indústrias e campanhas publicitárias, deram origem a um mundo de pesadelo: as paisagens virtuais se movem por um sistema no qual tecnologias sinistras, ameaças nucleares e sonhos consumistas foram destruídos pela queda das instituições. Como </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://jacobin.com.br/2022/02/gramsci-e-nos/">Stuart Hall</a></span><span style="font-weight: 400;"> aponta em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="http://www.lamparina.com.br/livro_detalhe.asp?idCodLivro=451#:~:text=Lamparina%20editora%20%7C%20Livros&amp;text=Stuart%20Hall&amp;text=O%20homem%20da%20sociedade%20moderna,de%20ra%C3%A7a%20e%20de%20nacionalidade.">A identidade cultural na pós-modernidade</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(1992), esse é justamente um dos motivos dessa “crise de identidade” contemporânea. A descentralização dos indivíduos fez com que os seres perdessem o sentido de si, tornando-se relativos e regidos por uma subjetividade egoísta (“</span><span style="font-weight: 400;"><i>somente o ‘Eu’ importa</i></span><span style="font-weight: 400;">”).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nossas concepções de passado, presente e futuro foram alteradas por um tipo de “presente contínuo”, que, como </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://jacobin.com.br/2020/01/o-legado-anticapitalista-de-mark-fisher/">Mark Fisher</a></span><span style="font-weight: 400;"> escreve em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://autonomialiteraria.com.br/loja/teoria-politica/fantasmas-da-minha-vida-escritos-sobre-depressao-assombrologia-e-futuros-perdidos/">Fantasmas da minha vida</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2014), dão origem a um “</span><span style="font-weight: 400;"><i>lento cancelamento do futuro</i></span><span style="font-weight: 400;">”. Esse futuro, diferente do que se convencionou a atribuir anteriormente, passou a ser apenas uma variável das infinitas possibilidades apresentadas a nós. Nesse contexto, a ficção e a realidade se alteraram significativamente – a propaganda, o consumo e uma política conduzida por indivíduos caricatos e sem qualquer consciência social são alguns dos exemplos das ficções que regem nosso cotidiano, cujo resultado é o pré-esvaziamento de qualquer resposta original à experiência.</span></p>
<figure id="attachment_29268" aria-describedby="caption-attachment-29268" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29268" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29268" class="wp-caption-text">“Talvez você nem coloque isso em palavras, mas nós dois sabemos que está pensando em uma alma arquetípica. Você acredita num fantasma invisível” (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas das inspirações de Stålenhag vieram de uma viagem de carro feita com sua família pelos Estados Unidos, em 2013 – o ano do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/">“</a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/"><i>boom</i></a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/">” do </a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/"><i>Facebook</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> –, quando várias fotografias que serviram de referência foram registradas. Porém, apesar do título sugestivo, esse &#8220;Estado Elétrico&#8221; que o artista desenha com um realismo assombroso não segue o padrão de clássicos como </span><span style="font-weight: 400;"><i>1984 </i></span><span style="font-weight: 400;">(1949), de George Orwell, em que a opressão é comandada por um governo. Aqui, a cegueira moral é imposta pelo próprio povo, que acredita estar jogando um </span><span style="font-weight: 400;"><i>videogame</i></span><span style="font-weight: 400;"> quando usa capacetes enormes que dão acesso a uma nova realidade virtual. Aos poucos, descobrimos que os neurônios da humanidade estão servindo de alimento a uma enorme inteligência artificial, da qual, por uma incompatibilidade biológica, a protagonista não pode participar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indo contra a lógica da indústria cultural, que sempre entrega produtos mastigados e contemplativos – sem forçar o pensamento –, o ilustrador prefere traçar conexões sutis entre uma narração não cronológica e pinturas atmosféricas. Com influência do retrofuturismo e da já citada cultura </span><span style="font-weight: 400;"><i>cyberpunk</i></span><span style="font-weight: 400;">, as artes ressoam em nomes como Ralph McQuarrie, Syd Mead e o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://english.elpais.com/science-tech/2022-10-29/the-parallel-universes-of-a-sci-fi-visionary-named-philip-k-dick.html">Philip K. Dick</a></span><span style="font-weight: 400;"> de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://editoraaleph.com.br/produto/blade-runner/">Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(1968), a inspiração literária de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Blade Runner </i></span><span style="font-weight: 400;">(1982). É também interessante perceber que, durante toda a obra, parece pairar o paradoxo defendido por <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/12/a-nova-idade-das-trevas-faz-reflexao-sobre-o-custo-dos-avancos-tecnologicos.shtml">James Bridle</a> em <a href="https://todavialivros.com.br/livros/a-nova-idade-das-trevas"><em>A nova idade das trevas</em></a> (2019): quanto mais sabemos sobre tecnologia, menos conseguimos agir. “<em>A tecnologia é a condutora elementar da desigualdade em vários setores”</em>, escreve Bridle.</span></p>
<figure id="attachment_29269" aria-describedby="caption-attachment-29269" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29269" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29269" class="wp-caption-text">“Sempre fui fascinado por máquinas, essas ferramentas poderosas que podem tanto fazer o bem quanto o mal”, diz Simon Stålenhag ao jornal Estadão (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cheias de detalhes, as artes também tentam conduzir a narrativa de uma perspectiva diferente, cuja temática do autor combina suas próprias impressões da infância às inspirações da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/love-death-robots-3a-temp-critica/">ficção científica</a></span><span style="font-weight: 400;">, resultando em um cenário estereotipado da Suécia com itens futuristas agregados. O artista cria suas imagens utilizando uma mesa gráfica, valendo-se de técnicas e configurações específicas para simular pinturas a óleo (no início, ele tentou fórmulas com tinta guache, mas optou pelos métodos digitais).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em adaptação para o Cinema pela </span><span style="font-weight: 400;"><i>Netflix</i></span><span style="font-weight: 400;">, com previsão de lançamento em 2024 sob direção dos Irmãos Russo, com </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.omelete.com.br/netflix/the-electric-state-millie-bobby-brown">Millie Bobby Brown</a></span><span style="font-weight: 400;"> no papel principal, ao lado de Chris Pratt e </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo">Michelle Yeoh</a></span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico</i></span><span style="font-weight: 400;"> parece a história alternativa de um lugar que nunca existiu. “</span><span style="font-weight: 400;"><i>O que estamos fazendo não é civilizado, eu sei. Mas sei que também deve ter acontecido com você. Assim como eu, você deve ter acordado um dia e constatado o inevitável: já não vivemos em tempos civilizados</i></span><span style="font-weight: 400;">”, escreve Stålenhag na obra. Esse é seu segundo projeto adaptado para o Audiovisual; o primeiro foi </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/04/09/tales-from-the-loop-e-a-ficcao-cientifica-anti-ansiedade-que-precisamos.htm">Tales From the Loop</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, série lançada em 2020 pelo </span><span style="font-weight: 400;"><i>Amazon Prime Video</i></span><span style="font-weight: 400;"> baseada na HQ homônima de 2015, cujo livro ainda não foi publicado no Brasil.</span></p>
<figure id="attachment_29275" aria-describedby="caption-attachment-29275" style="width: 1100px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29275 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2.jpg" alt="" width="1100" height="1650" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2.jpg 1100w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-1024x1536.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29275" class="wp-caption-text">Nascido em 1984, Simon Stålenhag mistura suas memórias de infância no subúrbio de Estocolmo às paisagens corrompidas pelo capitalismo (Foto: Fredrik Bernholm)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os textos que acompanham quase todas as imagens parecem ser apenas mecanismos de coesão, algo que transforma a obra em um livro com início, meio e fim, e não apenas um bloco de ilustrações </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://artout.com.br/hiper-realismo/">hiper-realistas</a></span><span style="font-weight: 400;">. Contudo, não se trata de um elemento jogado totalmente ao acaso e a trama realmente converge para uma história coesa, mesmo que não-linear. A protagonista Michelle conta sua trajetória em etapas – às vezes dando aspectos socioculturais de uma sociedade danificada, às vezes se lembrando de um passado pouco distante em que sonhar, de verdade, era possível.</span></p>
<figure></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse talento extraordinário para narrar – a junção ideal de um texto conciso e imagens profundas – é o mérito de todo o livro. Para além das investigações especulativas desenvolvidas nas páginas de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico</i></span><span style="font-weight: 400;">, a </span><span style="font-weight: 400;"><i>graphic novel</i></span><span style="font-weight: 400;"> é também um artefato poderoso para uma tomada de consciência que, talvez pela forma realista das ilustrações, ganha força como exemplo de um terrível futuro que pode, efetivamente, ser o nosso presente. Ainda assim, o autor nega o estereótipo de futurista. “</span><span style="font-weight: 400;"><i>Não lido com o futuro, não sou futurista. As pessoas mais fracassaram do que obtiveram sucesso ao imaginar o futuro. Eu sou parte da geração que percebeu que jamais teremos carros voadores</i></span><span style="font-weight: 400;">”, diz </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.estadao.com.br/alias/entenda-como-simon-stalenhag-inova-a-ficcao-cientifica/">Simon Stålenhag em entrevista</a></span><span style="font-weight: 400;">. Como Fisher escreve em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://autonomialiteraria.com.br/loja/teoria-politica/realismo-capitalista/">Realismo Capitalista</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(2009), a propósito de um mundo cego pela lógica neoliberal, “</span><span style="font-weight: 400;"><i>é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo</i></span><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
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		<title>Beyond Van Gogh borra a linha entre exposição e imersão</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jul 2022 17:27:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Eva Aprilanti Beyond Van Gogh é uma exposição que ocorreu em São Paulo no Morumbi Shopping desde o dia 17 de março até o dia 03 de julho de 2022, e chegou ao Brasil este ano em homenagem ao centenário da Semana de Arte Moderna de 1922. A instalação é imersiva, pois o público vivencia &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/beyond-van-gogh-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Beyond Van Gogh borra a linha entre exposição e imersão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28178" aria-describedby="caption-attachment-28178" style="width: 3024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28178 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7493.jpeg" alt="Foto da sala principal da exposição. Nela há pessoas sentadas no chão ou em pé, vendo as projeções das obras nas paredes e no chão, na projeção aparece uma parte de uma pintura de Van Gogh na qual se vê várias folhas e uma floresta criando um ambiente esverdeado." width="3024" height="2621" /><figcaption id="caption-attachment-28178" class="wp-caption-text">Imagem da sala principal durante a apresentação do vídeo (Foto: Eva Serra Aprilanti)</figcaption></figure>
<p><b>Eva Aprilanti</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Beyond Van Gogh</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma </span><a href="https://www.livepass.com.br/beyond-van-gogh"><span style="font-weight: 400;">exposição</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ocorreu em São Paulo no Morumbi Shopping desde o dia 17 de março até o dia 03 de julho de 2022, e chegou ao Brasil este ano em homenagem ao centenário da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/semana-de-arte-moderna/"><span style="font-weight: 400;">Semana de Arte Moderna de 1922</span></a><span style="font-weight: 400;">. A instalação é imersiva, pois o público vivencia a experiência entre as telas e multimídias a vida do artista holandês como se estivesse mergulhando na sua história e nas suas obras.</span></p>
<p><span id="more-28174"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma parte da apresentação destinada somente à leitura da </span><a href="https://www.todamateria.com.br/van-gogh/"><span style="font-weight: 400;">biografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> do artista. Vincent Van Gogh teve uma vida complicada e repleta de crises, não tinha uma boa relação com seus familiares, com exceção de seu irmão Theo, que o apoiou durante toda sua trajetória. Em 1880, ele foi para Bruxelas onde iniciou a sua carreira além de começar a estudar Arte, nessa época ele enviou uma carta ao seu irmão dizendo “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu não quero pintar quadros, eu quero pintar a vida</span></i><span style="font-weight: 400;">”, frase que descreve bem as obras do autor. O pintor holandês nasceu em uma pequena aldeia chamada Zundert em 1853 e se suicidou em 1890, após longos anos doente e isolado do mundo.</span></p>
<figure id="attachment_28177" aria-describedby="caption-attachment-28177" style="width: 2943px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28177 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7458.jpeg" alt="Foto dos girassóis iluminados com luzes nas pétalas, na frente de um fundo com uma imagem de um campo de girassóis, a qual passa a sensação de continuidade das flores, e uma montanha no fundo durante um pôr de sol." width="2943" height="3461" /><figcaption id="caption-attachment-28177" class="wp-caption-text">Girassóis que fazem referência a obra de Van Gogh (Foto: Eva Serra Aprilanti)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo no início da exibição, o público passeia por girassóis cheios de luzes que fazem referência às famosas flores de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dtrj5zCkpyM"><span style="font-weight: 400;">Van Gogh</span></a><span style="font-weight: 400;">, e passam a sensação de estar caminhando em um campo mágico, alegre e acolhedor. Nessa sala já existe um ambiente perfeito para tirar boas fotos, além de ser um lugar que desperta a  curiosidade para o restante da apresentação, já que não é possível ver os outros espaços. Após isso, as pessoas são encaminhadas para uma sala que conta a bibliografia do autor, em um ambiente com ar mais sério e que exige concentração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Definitivamente, o ambiente com a sua biografia escrita em telas é a sala menos imersiva da apresentação, pois não tem uma interação com o público e exige um pouco de paciência, concentração, além da vontade de ler e entender a </span><a href="https://www.ebiografia.com/van_gogh/#:~:text=Vincent%20van%20Gogh%20"><span style="font-weight: 400;">história</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Van Gogh. Esse lugar certamente pode ser entediante para as crianças, deixando-as mais inquietas pois não há pinturas ou girassóis bonitos, além disso é o único local da apresentação onde não é tão propício tirar fotos. </span></p>
<figure id="attachment_28176" aria-describedby="caption-attachment-28176" style="width: 3024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28176 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7478.jpeg" alt="Foto da sala principal da exposição com projeções nas paredes e no chão de flores sobre uma pintura de Van Gogh, para dar efeito de fluidez na transição das imagens durante o vídeo, também contém pessoas tirando fotos e algumas sentadas no chão apreciando." width="3024" height="4032" /><figcaption id="caption-attachment-28176" class="wp-caption-text">Pessoas sentadas observando as projeções na exposição Beyond Van Gogh  (Foto: Eva Serra Aprilanti)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após a sala que conta a biografia do autor, o público é encaminhado para a sala principal, na qual será reproduzido um vídeo, de aproximadamente 20 minutos, nas paredes e no chão por meio de projetores. Essa definitivamente é a melhor sala da apresentação, pois dá a sensação de estar dentro das obras de Van Gogh, criando um local emocionante e maravilhoso. O vídeo mostra em ordem cronológica as obras, dando vida a elas juntamente com algumas frases importantes na vida de Van Gogh e uma trilha sonora sentimental, fazendo-nos mergulhar na sua história e entender as diferentes fases da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WJEWdwfcmA8"><span style="font-weight: 400;">vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> do artista, sendo possível sentir as tristezas e o clima tenso no qual ele vivia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa sala principal, o público pode caminhar ou sentar em banquinhos para apreciar a apresentação, e as crianças se divertem com a fluidez das obras ganhando vida e passando por baixo de seus pés. Além disso, o lugar também traz um tom melancólico, e nos faz refletir em como ele não recebeu a devida importância em vida, tendo apenas uma obra vendida em toda a sua carreira. Apesar desse tom melancólico e emocionante, a sala proporciona um cenário maravilhoso e criativo para tirar fotos com o fundo das obras de Van Gogh. </span></p>
<figure id="attachment_28175" aria-describedby="caption-attachment-28175" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28175" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7500-scaled.jpeg" alt="Imagem da sala principal projetando uma das obras mais famosas de Van Gogh, A Noite Estrelada, e várias pessoas prestigiando a apresentação, tanto em pé quanto sentadas, no chão ou em bancos." width="2560" height="1455" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7500-scaled.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7500-800x455.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7500-1024x582.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7500-768x437.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7500-1536x873.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7500-2048x1164.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7500-1200x682.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28175" class="wp-caption-text">Foto da projeção de A Noite Estrelada, uma das obras mais famosas de Van Gogh (Foto: Eva Serra Aprilanti)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A exibição encerra após os 20 minutos deixando o público emocionado com a beleza das obras e com a sutileza da apresentação. A experiência é realmente imersiva e emocionante, uma chuva de sentimentos, nos remete a memórias da infância, das fases difíceis da vida e da sensação de estar vivo. Estava disponível para o público de todas as idades, além de ser acessível para pessoas com deficiência. Ela ocorreu no estacionamento superior do </span><a href="https://www.morumbishopping.com.br/dicas-e-novidades/beyond-van-gogh-brasil"><span style="font-weight: 400;">Shopping Morumbi</span></a><span style="font-weight: 400;">, e o acesso se deu por elevadores, mas a sinalização para chegar na exposição era bem falha, o que gerou certa dificuldade para encontrar o local.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem dúvidas, nesse lugar existiu uma experiência única e tranquila, um ambiente repleto de pessoas interessadas nas obras e um ótimo programa cultural para se fazer em São Paulo. Além disso, é perfeito para quem buscava atualizar o </span><i><span style="font-weight: 400;">feed</span></i><span style="font-weight: 400;"> do Instagram com fotos bonitas e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-light-for-attracting-attention-critica/"><span style="font-weight: 400;">criativas</span></a><span style="font-weight: 400;">. O valor variava dependendo do dia da semana, do período e do pacote que o indivíduo deseja, pagando meia-entrada vale cada centavo, mas de fato o preço do ingresso inteiro pode ser salgado para a maioria dos bolsos. Os ingressos para os dias de semana eram R$80,00 no período diurno e R$100,00 no período noturno, e nos finais de semana os valores saíam a partir de R$140,00, todos com a opção de meia-entrada para estudantes. Além disso, existiam os pacotes </span><i><span style="font-weight: 400;">Vip Experience</span></i><span style="font-weight: 400;"> de acordo com a sua preferência que garantiam benefícios exclusivos, como </span><i><span style="font-weight: 400;">drinks</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">posters</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_28180" aria-describedby="caption-attachment-28180" style="width: 3024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28180 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/IMG_7487.jpeg" alt="Imagem de uma criança apoiada na parede com a projeção que tem um fundo azul claro e um galho com flores brancas pintado por Van Gogh." width="3024" height="4032" /><figcaption id="caption-attachment-28180" class="wp-caption-text">Criança encostada na parede durante a projeção de uma árvore (Foto: Eva Serra Aprilanti)</figcaption></figure>
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		<title>De 1922 para 2022: o que é ser Moderno no Brasil?</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Feb 2022 23:34:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A Semana de Arte Moderna terminou ontem, mas as perguntas que o movimento cultural brasileiro deixou são para mais de 100 anos Raquel Dutra 18 de fevereiro de 1922. As cortinas do salão de concertos já se fecharam, as luzes do saguão de exposições já se apagaram, e as portas do Theatro Municipal de São &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "De 1922 para 2022: o que é ser Moderno no Brasil?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">A Semana de Arte Moderna terminou ontem, mas as perguntas que o movimento cultural brasileiro deixou são para mais de 100 anos</span></i></p>
<figure id="attachment_26141" aria-describedby="caption-attachment-26141" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26141 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capa-tarsila-operarios.jpg" alt="Pintura &quot;Operários&quot; de Tarsila do Amaral. A imagem é composta por vários rostos de pessoas das mais diversas feições e tons de pele. Elas se organizam na diagonal da imagem, de forma crescente, da esquerda para direita, uma em cima da outra. Ao fundo, existe o desenho de uma indústria e o céu é azul." width="1280" height="926" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capa-tarsila-operarios.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capa-tarsila-operarios-800x579.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capa-tarsila-operarios-1024x741.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capa-tarsila-operarios-768x556.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capa-tarsila-operarios-1200x868.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26141" class="wp-caption-text">“Que esperem o centenário. Se no ano de 2022 ainda se lembrarem disso, então sim.”, respondeu Manuel Bandeira quando questionado sobre a necessidade de relembrar a Semana de Arte Moderna em 1952 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">18 de fevereiro de 1922. As cortinas do salão de concertos já se fecharam, as luzes do saguão de exposições já se apagaram, e as portas do Theatro Municipal de São Paulo já se trancaram. Lá fora, pelas ruas da cidade, corre uma promessa de novos ares, criada pelos artistas que estiveram reunidos durante os últimos cinco dias no centro cultural mais tradicional da capital paulista. A ideia é transformar a Arte nacional através do que existe no nosso próprio país, buscando, assim, uma expressão artística 100% brasileira. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Genial e revolucionário!</span></i><span style="font-weight: 400;">” exclama quem cruza com essa energia pelo caminho, porque ali, alguém testemunhou o início do modernismo no Brasil. É o primeiro dia pós-Semana de Arte Moderna, e sua força tem o potencial de influenciar todo o resto do país a procurar pelas suas raízes e colocá-las para fora, sem depender nunca mais de referências externas. Pelo menos, </span><a href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252012000200022#:~:text=O%20ano%20de%202012%20marca,cria%C3%A7%C3%A3o%20de%20uma%20identidade%20brasileira."><span style="font-weight: 400;">é o que eles dizem</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-26140"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas no decorrer dos 100 anos que sucederam o momento em que a chamada primeira geração modernista se reuniu para repensar a Arte brasileira, os eventos daquela semana se mostraram cada vez mais complexos. Desde excluir colaborações precursoras fora do centro artístico de São Paulo até a inconsistência do idealismo de seus próprios realizadores e os caminhos duvidosos das reivindicações, a Semana de 1922 é objeto de uma disputa narrativa que, talvez na única de suas intenções integralmente contemplada, acompanha </span><a href="http://www.usp.br/aun/antigo/exibir?id=4442&amp;ed=765&amp;f=3"><span style="font-weight: 400;">a História do Brasil no último século</span></a><span style="font-weight: 400;">. O assunto do fim daquele primeiro dia em que a Arte brasileira assumia um compromisso definitivo com o contexto histórico-social-cultural do país se estenderia pelo próximo centenário, a fim de refletir sobre as origens e efeitos do movimento, e o que ele diz sobre a identidade brasileira. E como pediu Manuel Bandeira, estamos em 18 de fevereiro de 2022.</span></p>
<figure id="attachment_26142" aria-describedby="caption-attachment-26142" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26142 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-2.jpg" alt="Fotografia em preto e branco de um grupo de homens em evento da Semana de Arte Moderna. Eles estão em um tapete escuro, ao centro da imagem, e parte deles se organizam numa escada no fundo da imagem. Na frente da escada, existem três cadeiras onde estão sentados mais três homens, e na frente, está um deles sentado no tapete do chão. Todos eles vestem ternos." width="900" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-2.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-2-800x622.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-2-768x597.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26142" class="wp-caption-text">Para estudiosos como o jornalista Ruy Castro, o verdadeiro modernismo brasileiro acontecia fora de São Paulo, em cidades como o Rio de Janeiro, cujo desenvolvimento artístico e cultural já era mais avançado em 1922 (Foto: Arquivo Brasil)</figcaption></figure>
<p><em><b>Era uma vez<br />
</b></em><em><b>O mundo</b></em></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hoje, ao olhar para trás, o principal aspecto de 1922 é identificável no país desde o final do século XIX. Curiosamente contradizendo a premissa central do movimento, foi por influência internacional que a cultura brasileira começou a se modernizar, através do desenvolvimento das tecnologias de comunicação e da expansão e reivindicação do Rádio, do Cinema, da TV e da Música no Brasil do início dos </span><a href="https://minutocultural.com.br/brasil-1900-a-1910/"><span style="font-weight: 400;">anos 1900</span></a><span style="font-weight: 400;">. Preenchendo estes meios, existiam artistas e comunicadores que já refletiam sobre a identidade brasileira em um cenário de efervescência cultural nos primeiros anos do século XX. A atuação dos nomes ligados a essa modernidade originária, no entanto, era de e para as classes populares, expressões que não estavam presentes no horizonte visionário da <a href="https://super.abril.com.br/cultura/moderna-conheca-a-elite-conservadora-por-tras-da-semana-de-arte-de-22/">alta sociedade</a> artística paulista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A condição era a mesma no contexto da expressão mais presente na Semana de Arte Moderna. Enquanto </span><a href="https://personaunesp.com.br/manuel-bandeira-os-sapos-literatura-modernista-artigo/"><span style="font-weight: 400;">a Literatura de 1922</span></a><span style="font-weight: 400;"> buscava suceder o academicismo do Parnasianismo em críticas pungentes aos padrões literários do movimento, os nomes de precursores como </span><a href="https://revistas.ufrj.br/index.php/tm/article/view/11187"><span style="font-weight: 400;">Lima Barreto</span></a><span style="font-weight: 400;"> não estavam assinando as palavras proclamadas no Theatro Municipal. O autor carioca veio a falecer em novembro daquele ano, depois de ser totalmente excluído de uma importante atuação que poderia ter acontecido junto da primeira geração modernista, especialmente enquanto autor negro pioneiro nas linguagens e expressões propagadas no evento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os sons que ecoavam entre os dias 13 e 17 de fevereiro de 1922 também poderiam ter ido além, de forma ainda mais radical do que inovação da </span><a href="https://personaunesp.com.br/heitor-villa-lobos-e-a-musica-modernista-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Música Modernista</span></a><span style="font-weight: 400;">, compreendendo a revolução que o samba fazia na região sudeste do país naquele momento. Mas não, </span><a href="https://revistacontinente.com.br/edicoes/120/noel-rosa--um-seculo-para-o-filosofo-do-samba"><span style="font-weight: 400;">Noel Rosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sua música popular em expansão, mesmo já vista como um potente aspecto de definição da identidade nacional, próximo do centro artístico de São Paulo e protagonizando um movimento 100% brasileiro que rejeitava influências internacionais, não teve um horário para chamar de seu no palco do Theatro, entre as belíssimas apresentações de Villa-Lobos e <a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/">Guiomar Novaes</a>. </span></p>
<figure id="attachment_26143" aria-describedby="caption-attachment-26143" style="width: 564px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26143 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Arte-moderna-8.jpg" alt="Convite para evento da Semana de Arte Moderna de 1922. Ele noticia uma apresentação de Villa-Lobos, no dia 17 de fevereiro de 1922. O formato é quadrado e a fonte é simples, clássica da época." width="564" height="633" /><figcaption id="caption-attachment-26143" class="wp-caption-text">Foi um surto: depois de 17 de fevereiro de 1922, a Semana de Arte Moderna repercutiu pouco para além das bolhas de São Paulo, no entanto, o evento foi de importante influência para o resto do país nos anos seguintes, visto as gerações modernistas subsequentes (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O “heroísmo paulista” que comprometeu o alcance e representação da Semana se relaciona com o </span><a href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252012000200022#:~:text=O%20ano%20de%202012%20marca,cria%C3%A7%C3%A3o%20de%20uma%20identidade%20brasileira."><span style="font-weight: 400;">mito do modernismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Brasil. Também iniciada alguns anos antes de 1922 mas tão difícil de definir quanto a origem do movimento, estudos sobre o tema apontam a probabilidade de que as ideias desenvolvidas no evento tenham surgido, primeiramente, de Mário de Andrade. Alguns anos antes de integrar a organização da Semana de Arte Moderna, o escritor, musicólogo, fotógrafo, crítico e historiador já fantasiava protagonizar o início de um movimento artístico disruptivo no país. É possível identificar as tendências modernistas de </span><a href="https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/BUOS-9PBHZG"><span style="font-weight: 400;">Mário de Andrade</span></a><span style="font-weight: 400;"> desde 1919, na época em seus vinte e poucos anos e trabalhando em seus primeiros livros sobre arte colonial, que iam em direção a uma busca pela identidade nacional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ideia ganha força especial em 1922 quando junto do centenário que era comemorado 100 anos atrás: </span><a href="https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas1/anos20/CentenarioIndependencia#:~:text=Centen%C3%A1rio%20da%20Independ%C3%AAncia%20%7C%20CPDOC&amp;text=Em%20s%C3%ADntese%3A%201922%20foi%20um,pompa%20o%20Centen%C3%A1rio%20da%20Independ%C3%AAncia."><span style="font-weight: 400;">a independência do Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> em relação a Portugal. As festividades, no entanto, tinham um retrogosto incômodo para os grupos culturais: a Arte e a Cultura brasileiras ainda tinham &#8220;cara de Europa&#8221; mesmo 100 anos depois de 1822 &#8211; nos centros de classe mais alta, já que as camadas populares buscavam romper com os padrões internacionais desde o início dos anos 1900. Junto ao contexto mundial pós-Primeira Guerra, a sensação daqueles artistas, em constante contato com os ambientes internacionais, era a de que o Brasil estava atrasado. O momento era de profunda reflexão sobre o passado, presente e futuro do país, e assim a Arte procurou vivê-lo.</span></p>
<figure id="attachment_26144" aria-describedby="caption-attachment-26144" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26144 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-1922-5.jpg" alt="Pintura de Anita Malfatti &quot;Paisagem de Ouro Preto&quot;." width="1200" height="961" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-1922-5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-1922-5-800x641.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-1922-5-1024x820.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-1922-5-768x615.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26144" class="wp-caption-text">Outra parte importante para a consolidação do mito modernista veio do Grupo Clima, formado, principalmente, por Antonio Candido e Lourival Gomes Machado, que discutia a Cultura com um viés crítico sociológico e interpretou a Semana como marco fundador do Modernismo no Brasil, definindo a narrativa que comumente conhecemos hoje (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi então que Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, a cúpula modernista responsável pela Semana, embarcaram num contraditório projeto de “</span><a href="http://www.periodicos.letras.ufmg.br/index.php/o_eixo_ea_roda/article/view/3338"><span style="font-weight: 400;">redescoberta do Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">” em 1924, junto do poeta francês Blaise Cendrars. Inicialmente de tom irônico planejado por Oswald, a nova empreitada dos paulistas procurava se aprofundar na questão da identidade nacional &#8211; isto é, a cultura indígena e a afro-brasileira. De lá, o trio &#8211; que virava o <a href="https://www.facebook.com/CasaMariodeAndrade/videos/o-grupo-dos-cinco/921278148345422/">Grupo dos Cinco</a> quando junto de Anita Malfatti e Menotti Del Picchia &#8211; retornou com suas novas perspectivas, convertidas numa arte mais antropológica e etnográfica, longe de ser verdadeiramente representativa. O principal, no entanto, era a diferença entre os caminhos que cada um deles tomaria nos anos seguintes ao perseguir a raiz do modernismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De volta à São Paulo, a inconsistência dos modernistas foi evidenciada: Anita Malfatti não estava mais no país, enquanto Tarsila do Amaral, Oswald e Mário de Andrade assumiram uma postura primitivista nas artes brasileiras, através do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tWJCbUL_vak"><span style="font-weight: 400;">Movimento Pau-Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a famosa </span><a href="https://laart.art.br/blog/o-que-e-antropofagia/"><span style="font-weight: 400;">Antropofagia</span></a><span style="font-weight: 400;">, num rumo que dali alguns anos os levariam até o Partido Comunista Brasileiro. Do outro lado, Menotti Del Picchia se atraía pelo fascismo, empenhado no Movimento Verde-Amarelo &#8211; </span><em><a href="https://brasil123.com.br/bolsonaro-retoma-verde-amarelismo-nacionalismo-puro-e-tendencia-nazifascista/"><span style="font-weight: 400;">soa familiar?</span></a></em><span style="font-weight: 400;"> &#8211; junto da </span><a href="https://modernismoepaminondas.blogspot.com/p/movimento-anta-e.html"><span style="font-weight: 400;">Escola da Anta</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Plínio Salgado, o fundador do </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-58205709"><span style="font-weight: 400;">integralismo brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e principal nome da extrema-direita no país na época.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Era uma ebulição político-econômica-social que imperava no Brasil de 100 anos atrás. Por todos os lados e em todas as narrativas, a famigerada identidade nacional era perseguida e a promissora Arte Moderna era usada: nos anos 30, com foco para a Revolução Constitucionalista, o evento servia para construir a imagem de São Paulo como o motor do país; em 1945, no Estado Novo, a política era baseada na busca pela </span><a href="http://ppghis.com/outrasfronteiras/index.php/outrasfronteiras/article/view/172"><span style="font-weight: 400;">“brasilidade”</span></a><span style="font-weight: 400;">; já entre 1950 e 1960, o </span><a href="http://memorialdademocracia.com.br/card/nacional-desenvolvimentismo"><span style="font-weight: 400;">nacional-desenvolvimentismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> invocava o imaginário popular para o Brasil como o país do futuro; e nos anos 70, a Ditadura fez as vezes, retrabalhando a cultura para o seu interesse e desaguando no infame “</span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2014-03/brasil-ame-o-ou-deixe-o-regime-divide-sociedade-com-exilios-e-cassacoes"><i><span style="font-weight: 400;">Brasil: ame-o ou deixe-o</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_26145" aria-describedby="caption-attachment-26145" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26145 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-1922-55.jpg" alt="Fotografia em preto e branco de Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Mário de Andrade em viagem. Eles estão todos de pé, na frente de um descampado." width="1200" height="776" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-1922-55.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-1922-55-800x517.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-1922-55-1024x662.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/semana-de-arte-moderna-1922-55-768x497.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26145" class="wp-caption-text">A própria primeira geração modernista realizou autocríticas nos anos seguintes à Semana de 22, tanto no que tange à Arte em si, como no significado do movimento; na foto: Olívia Guedes Penteado, Blaise Cendrars, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade e seu pai, José Oswald Nogueira de Andrade (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><em><b>Nenhum Brasil existe</b></em></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais complexo que seja, esse contexto não pede muito de nós, </span><a href="https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/verso/o-que-semana-de-22-pode-ensinar-para-o-brasil-de-2022-teste-conhecimentos-com-quiz-1.3191568"><span style="font-weight: 400;">em 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">, para compreender o porquê de ter ideais nacionalistas como inspiração de classes dominantes inflamadas poderia resultar em eventos ainda mais complexos. Em 1942, então, o próprio Mário de Andrade já compreendia a autocrítica necessária para os modernistas de 1922, realizando-as na conferência em comemoração aos 20 anos da Semana, onde o autor leu o artigo </span><a href="https://digital.bbm.usp.br/view/?45000003239&amp;bbm/7730#page/6/mode/2up"><i><span style="font-weight: 400;">O Movimento Modernista</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, quando </span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo12178/modernismo-segunda-geracao"><span style="font-weight: 400;">a próxima geração</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Modernismo brasileiro surgiu, a confusão não era mais a mesma. A Política seguia as ondas da Semana de 22, mas a Arte respirava para além do estado de São Paulo. Com a liberdade de deixar-se influenciar mais pelo que o movimento significou nos outros países, a presença de artistas como Carlos Drummond de Andrade chegou ainda questionando os padrões vigentes, mas sem a energia combativa de seus antecessores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A identidade nacional? Jamais se desvinculou do que existiu sob o título de modernista e brasileiro. Logo em seu segundo livro de poesias (</span><i><span style="font-weight: 400;">Brejo das Almas</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1934), o</span> <a href="http://www.periodicos.letras.ufmg.br/index.php/o_eixo_ea_roda/article/view/3149"><i><span style="font-weight: 400;">poeta de sete faces</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> adota a perturbação de seus contemporâneos ao mesmo tempo em que vai na direção oposta à de seus antecessores. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Hino Nacional</span></i><span style="font-weight: 400;">, o modernista reconhece o tamanho de suas palavras e o tamanho da questão que sua geração artística encarava:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">Precisamos, precisamos esquecer o Brasil!<br />
</span><span style="font-weight: 400;">Tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado,<br />
</span><span style="font-weight: 400;">ele quer repousar de nossos terríveis carinhos.<br />
</span><span style="font-weight: 400;">O Brasil não nos quer! Está farto de nós!<br />
</span><span style="font-weight: 400;">Nosso Brasil é no outro mundo. Este não é o Brasil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, quando a terceira geração chegou em 1945, parecia que </span><a href="https://realizeeducacao.com.br/wiki/terceira-geracao-modernista-e-literatura-contemporanea/"><span style="font-weight: 400;">o verdadeiro Modernismo brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> havia sido finalmente encontrado. Entre Guimarães Rosa, Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto, Lygia Fagundes Telles e Ariano Suassuna, o artista brasileiro sentia-se livre da obsessão pela </span><a href="https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/123650/ISBN9788579835155.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y"><span style="font-weight: 400;">inalcançável identidade nacional uniforme</span></a><span style="font-weight: 400;"> e homogênea. Com um espaço cada vez maior para as individualidades que formam um país como o nosso, o movimento alcançava dimensões mais amplas das contempladas em 1922. A Arte era representante de si mesma, e em cada uma dessas representações, contemplava o ser no Brasil. </span></p>
<figure id="attachment_26146" aria-describedby="caption-attachment-26146" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26146 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/moderno-eu.jpg" alt="Fotografia em preto e branco de Lygia Fagundes Telles e Carlos Drummond de Andrade. Ambos estão sentados num sofá e se olham. Carlos sorri para Lygia e tem um caderno nas mãos." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/moderno-eu.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/moderno-eu-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/moderno-eu-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26146" class="wp-caption-text">Lygia Fagundes Telles e Carlos Drummond de Andrade em 1955 (Foto: Arquivo Lygia Fagundes Telles/IMS)</figcaption></figure>
<p><strong><i>O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus</i></strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas 100 anos depois, vivendo no </span><a href="https://ccbb.com.br/sao-paulo/programacao/brasilidade-pos-modernismo/"><span style="font-weight: 400;">pós-modernismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, é preciso dizer também que nem tudo de 1922 estava errado. Quando Heitor Villa-Lobos saiu por aí mesclando o folclore do nosso país às músicas clássicas mais respeitadas do mundo para compor suas </span><a href="https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/escritas/article/download/1142/8037/#:~:text=Villa%2DLobos%20comp%C3%B4s%20as%20Bachianas,anos%20de%201930%20e%201945.&amp;text=As%20Bachianas%20Brasileiras%20s%C3%A3o%20nove,dos%20mais%20importantes%20compositores%20brasileiros."><i><span style="font-weight: 400;">Bachianas Brasileiras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ele parecia saber que um século depois uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/delta-estacio-blues-critica/"><span style="font-weight: 400;">Juçara Marçal</span></a><span style="font-weight: 400;"> estaria analisando o samba de seu berço fundador, Estácio de Sá, lado a lado com a origem do </span><i><span style="font-weight: 400;">blues n</span></i><span style="font-weight: 400;">o Delta Mississippi. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já Oswald de Andrade, logo depois do </span><i><span style="font-weight: 400;">frisson</span></i><span style="font-weight: 400;"> da Semana de Arte Moderna, diagnosticou cirurgicamente um Brasil machucado nas primeiras páginas de </span><a href="https://tupa.claec.org/index.php/latinidades/latinidades2020/paper/view/2235/992"><i><span style="font-weight: 400;">Serafim Ponte Grande</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, livro que só seria lançado em 1933. Disruptivo com a febre nacionalista e um tanto amargurado diante da efusividade de seus colegas, ele entendeu que o nosso país era marcado pela limitação de autonomia e inconstância de futuro, numa obra de alta inventividade, rebeldia, reflexão e inspiração, exatamente assim como uma jovem Aline Bei faz no século XXI em </span><a href="https://personaunesp.com.br/pequena-coreografia-do-adeus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pequena coreografia do adeus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Onde quer que olhemos, os artistas brasileiros são influenciados pela busca da nossa identidade. E o ato de entender um Brasil como o nosso só pode realmente ser uma Arte. 100 anos depois, num cenário tão politicamente crítico, culturalmente caótico e socialmente desamparado quanto o que inspirou as movimentações de 1922, a questão ainda é presente em cada artista que tenta registrar, interpretar, analisar e/ou criticar a nossa realidade. Não há padrão para mais nada e não há tempo para fazer qualquer coisa que não diga respeito à nossa própria identidade. Ao mesmo tempo, nunca estivemos </span><a href="https://www.redebrasilatual.com.br/blogs/blog-na-rede/2022/02/a-cultura-brasileira-precisa-voltar-a-respirar/"><span style="font-weight: 400;">tão distantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> de qualquer definição cultural. E tem algo mais modernista e brasileiro do que isso? Existindo nós ou não, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4PLthgtPyPA"><span style="font-weight: 400;">18 de fevereiro de 2122</span></a><span style="font-weight: 400;">, nós vamos saber.</span></p>
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		<title>Minha força não é bruta: as mulheres da Semana de 22</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Feb 2022 23:23:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan e Vitória Silva Quando falamos na Semana de Arte Moderna de 1922, há um retrato muito nítido na memória brasileira sobre quem eram as figuras envolvidas nesse importante capítulo de nossa história. Nele estão presentes nomes como Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Mário de Andrade, e mais uma porção de personalidades masculinas. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Minha força não é bruta: as mulheres da Semana de 22"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26116" aria-describedby="caption-attachment-26116" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26116 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/7-arte-capa-800x420.jpg" alt="Foto retangular de fundo cor gelo e textura. Na parte central superior lê-se “MULHERES NO CENTENÁRIO DA SEMANA DE ARTE MODERNA”. Centenário e as letras S e A estão em azul, o restante está em preto. Na parte inferior está a montagem de seis mulheres da semana de arte moderna, elas estão enfileiradas e as fotos estão em preto e branco. Todas as imagens são de busto. Da esquerda para a direita, as mulheres retratadas na imagem são: Patrícia Galvão, Guiomar Novaes, Regina Gomide Graz, Tarsila do Amaral, Zita Aida e Anita Mafaltti. No canto inferior direito está a logo do Persona com a cor da íris estilizada em azul." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/7-arte-capa-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/7-arte-capa-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/7-arte-capa.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26116" class="wp-caption-text">Destaques femininos do Modernismo, da esquerda para a direita: Patrícia Galvão (Pagu), Guiomar Novaes, Regina Gomide Graz, Tarsila do Amaral, Zina Aita e Anita Malfatti (Foto: Reprodução/Arte: Ana Júlia Trevisan)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan e Vitória Silva</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando falamos na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/semana-de-arte-moderna/"><span style="font-weight: 400;">Semana de Arte Moderna de 1922</span></a><span style="font-weight: 400;">, há um retrato muito nítido na memória brasileira sobre quem eram as figuras envolvidas nesse importante capítulo de nossa história. Nele estão presentes nomes como Oswald de Andrade, </span><a href="https://personaunesp.com.br/manuel-bandeira-os-sapos-literatura-modernista-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Manuel Bandeira</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mário de Andrade, e mais uma porção de personalidades masculinas. Ao se tratar da parcela feminina, o primeiro nome que deve surgir com certeza é a popular Tarsila do Amaral, mas ela sequer esteve presente no evento. Durante os dias 13 e 17 de fevereiro de 1922, a pintora se encontrava do outro lado do oceano, na cidade de Paris. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas esse apagamento não se justifica pela ausência completa de mulheres entre as artistas, longe disso. Na década de 20, as mulheres brasileiras ainda não tinham conquistado o direito de votar, trabalhar sem a autorização do marido, ter conta bancária ou até mesmo a guarda dos filhos. Direitos esses que viriam, pelo menos, dez anos depois (e contando). Com um papel meramente restringindo a ser </span><a href="https://revistamarieclaire.globo.com/Cultura/noticia/2022/02/alem-de-tarsila-e-anita-conheca-mulheres-da-semana-de-arte-moderna-de-1922.html"><i><span style="font-weight: 400;">bela, recatada e do lar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, quem imaginaria participar de um movimento artístico que impactaria não somente em esferas culturais como também políticas? Foram poucas que tiveram não somente a audácia, mas uma condição social e econômica para tal. </span></p>
<p><span id="more-26108"></span></p>
<figure id="attachment_26109" aria-describedby="caption-attachment-26109" style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26109" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/9-obra-anita.jpg" alt="Pintura da artista Anita Malfatti. Nela, vemos uma mulher negra, com cabelos presos em um coque baixo e vestindo uma roupa branca de mangas curtas. Ela carrega uma bacia com frutas como abacaxi, banana e laranjas. Ao fundo, é possível ver uma paisagem rural. " width="500" height="371" /><figcaption id="caption-attachment-26109" class="wp-caption-text">Obra Tropical, de Anita Malfatti, uma das primeiras pinturas modernas com um tema brasileiro (Foto: Romulo Fialdini)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Anita Malfatti, Zina Aita, Guiomar Novaes e Regina Gomide Graz são as únicas das quais se tem registro de terem presenciado a Semana de 22 de alguma forma. A primeira delas é mais lembrada pelas duras reações que recebeu durante sua carreira do que seus feitos no movimento modernista. Enquanto as demais nem mesmo costumam ser citadas por seus importantes feitos antes e depois do evento. E, se vamos falar de esquecimento, por que não lembrar daquelas que sequer são condicionadas a esse posto? No livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Invenções da Mulher Moderna</span></i><span style="font-weight: 400;">, o autor Paulo Herkenhoff </span><a href="https://www.artequeacontece.com.br/6-artistas-mulheres-que-marcaram-o-modernismo-brasileiro-antes-e-depois-da-semana-de-22/"><span style="font-weight: 400;">resgata a trajetória de artistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que contribuíram para o Modernismo direta ou indiretamente, antes ou depois da Semana. Entre elas, há nomes como Antonieta Santos Feio, Maria Pardos, </span><a href="http://www.dezenovevinte.net/bios/bio_nva.htm"><span style="font-weight: 400;">Nicolina Vaz de Assis</span></a><span style="font-weight: 400;">, Julieta de França, </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-51761063"><span style="font-weight: 400;">Abigail de Andrade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.guiadasartes.com.br/georgina-de-albuquerque/biografia"><span style="font-weight: 400;">Georgina de Albuquerque</span></a><span style="font-weight: 400;">. Distantes da efervescência da capital paulista, desenvolveram um trabalho artístico que quebrava paradigmas da época e, de certa forma, respingou nos caminhos do Modernismo Brasileiro. </span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">Se fizermos um </span><a href="https://vogue.globo.com/moda/noticia/2022/02/vogue-celebra-100-anos-da-semana-de-22-com-capa-obra-pintada-por-elian-almeida.html"><span style="font-weight: 400;">recorte racial</span></a><span style="font-weight: 400;">, a representatividade no movimento é ainda mais reduzida, ou até mesmo nula, considerando um país com uma abolição da escravatura recente, e que não determinou a introdução da população negra na sociedade. Dessa forma, falar no centenário da Semana de Arte Moderna é também repensar os papéis que eram condicionados à população da época. Além de resgatar e imortalizar a obra daquelas que fugiram por completo da condição que lhes foi imposta, em um período que homens poderiam se profissionalizar como artistas, enquanto as mulheres deviam restringir suas práticas artísticas às limitações de seus lares, como um simples passatempo. É preciso corrigir a história das artistas à frente de seu tempo, que causaram um alvoroço na sociedade brasileira de 22. </span></p>
<figure id="attachment_26111" aria-describedby="caption-attachment-26111" style="width: 725px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26111" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/anita-725x800.jpg" alt="Foto em preto e branco da artista Anita Malfatti. Anita era uma mulher branca, de cabelos escuros e curtos. Ela está com o rosto um pouco inclinado e usa um brinco em sua orelha. " width="725" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/anita-725x800.jpg 725w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/anita-928x1024.jpg 928w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/anita-768x847.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/anita.jpg 940w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26111" class="wp-caption-text">A artista nasceu com uma deficiência congênita no braço direito que, mesmo após um procedimento cirúrgico, nunca recuperou totalmente os movimentos (Foto: Domínio Público)</figcaption></figure>
<p><b>Anita Malfatti (1889-1964)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No ano de 1889 vinha ao mundo a mulher que ganharia o título de </span><a href="https://www.todamateria.com.br/anita-malfatti/"><span style="font-weight: 400;">primeira modernista</span></a><span style="font-weight: 400;">. Filha de imigrante italiano e de uma pintora norte-americana, Anita Malfatti nasceu na cidade de São Paulo. Seu gosto pela arte foi muito influenciado por sua mãe, nutrindo desde cedo o sonho de estudar em Paris. Em 1910, embarcou na sua trajetória como artista ao se mudar para Berlim, em um período marcante da arte moderna alemã. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua passagem pelo país germânico e, posteriormente, pelos Estados Unidos, foi um fator importante para a construção de sua identidade. No ambiente europeu, Anita conviveu com pintores renomados e foi apresentada ao trabalho de famosos como </span><a href="https://personaunesp.com.br/com-amor-van-gogh-critica/"><span style="font-weight: 400;">Van Gogh</span></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto, em Nova York, vivenciou a eclosão de movimentos de vanguarda como o expressionismo de Homer Boss. De volta ao Brasil, em 1914, realizou sua primeira exposição com obras de sua autoria e, em meados de 1917, a segunda. A feição tímida de Anita não correspondia a </span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa8938/anita-malfatti/obras?p=2&amp;gclid=CjwKCAiAgbiQBhAHEiwAuQ6BkniNZBS1PlPHU9F8cFfDmDXSoprjW46TJ0PUysOUkyVDnKBsYvlVwRoCd5EQAvD_BwE"><span style="font-weight: 400;">ousadia e irreverência de suas pinturas</span></a><span style="font-weight: 400;">, que rejeitavam o academicismo a partir do uso de deformidades e cores marcantes. Incompreendida pelo público da época, sua arte foi alvo de duras críticas, até mesmo pelos seus familiares, chegando a perder o apoio financeiro de seu padrinho. A mais severa e marcante de todas veio do escritor </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/arte-de-manicomio-o-inusitado-conflito-entre-monteiro-lobato-e-anita-malfatti.phtml"><span style="font-weight: 400;">Monteiro Lobato</span></a><span style="font-weight: 400;">, em dezembro de 1917, que publicou um artigo no jornal </span><i><span style="font-weight: 400;">O Estado de S. Paulo</span></i><span style="font-weight: 400;"> acerca das obras da artista com o título “</span><i><span style="font-weight: 400;">Paranóia ou Mistificação?</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alvo de fortes reações da elite conservadora, muitas das obras de Malfatti foram devolvidas ou quase destruídas, provocando o isolamento da própria do meio artístico. Por outro lado, a represália também culminou na manifestação de outros artistas em defesa da jovem, como Oswald de Andrade, Menotti del Picchia e Emiliano Di Cavalcanti. No ano de 1919, iniciou estudos com o pintor acadêmico </span><a href="https://www.guiadasartes.com.br/pedro-alexandrino-borges/obras-e-biografia"><span style="font-weight: 400;">Pedro Alexandrino Borges</span></a><span style="font-weight: 400;"> e também passou a frequentar o ateliê do alemão </span><a href="https://www.escritoriodearte.com/artista/george-fischer-elpons"><span style="font-weight: 400;">George Fischer Elpons</span></a><span style="font-weight: 400;">, em São Paulo, onde conheceu Tarsila do Amaral. Unida aos seus recentes amigos e apoiadores, passam a atuar como o que ficaria conhecido por </span><a href="https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/artes/grupo-dos-cinco"><span style="font-weight: 400;">Grupo dos Cinco</span></a><span style="font-weight: 400;">, que teria um importante papel na Semana de Arte Moderna de 1922.</span></p>
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<figure id="attachment_26114" aria-describedby="caption-attachment-26114" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26114" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/10-foto-tarsila-800x450.jpg" alt="Foto em preto e branco da artista Tarsila do Amaral. Tarsila era uma mulher branca, de cabelos escuros e lisos; eles estão presos em um coque baixo. Ela usa um par de brincos compridos em suas orelhas." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/10-foto-tarsila-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/10-foto-tarsila-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/10-foto-tarsila.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26114" class="wp-caption-text">Suas pinturas mais famosas são: o Abaporu, Urutu, Antropofagia e Sol Poente (Foto: Tarsila do Amaral Licenciamentos)</figcaption></figure>
<p><b>Tarsila do Amaral (1886-1973)</b></p>
<p><a href="https://tarsiladoamaral.com.br/"><span style="font-weight: 400;">Tarsila</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma das maiores referências artísticas do país e uma das principais pintoras da Arte brasileira moderna. Nascida em 1886, mudou-se para Europa em 1920 e cursou a Academia Julians e o ateliê do retratista de moda Émile Renard. Por esse motivo, suas pinturas eram fortemente influenciadas por aquilo que estava sendo produzido de mais atual na Europa na época, e com suas habilidade unia os ideais modernistas à brasilidade. No entanto, as pinturas de Tarsila, expostas no </span><a href="https://citaliarestauro.com/o-que-foi-o-salon-d-automne/"><span style="font-weight: 400;">Salão dos Artistas Franceses</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1922, ainda não revelavam toda a importância que a artista teria na construção do Modernismo brasileiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A pintora não participou ativamente da Semana de Arte Moderna, mas seu retorno ao Brasil, ainda em 1922, foi decisivo tanto em sua carreira como para o rumo ao qual o movimento seguiria. Chegando à terra das palmeiras, Tarsila se liga ao </span><a href="https://www.bn.gov.br/acontece/noticias/2020/06/revista-klaxon-formacao-uma-identidade-nacional"><span style="font-weight: 400;">Grupo Klaxon</span></a><span style="font-weight: 400;">, que contava com nomes como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia e Sérgio Buarque de Holanda. Posteriormente, ela se une a Anita Malfatti, Mário e Oswald de Andrade e Menotti del Picchia para formar o </span><a href="https://www.bn.gov.br/acontece/noticias/2020/06/revista-klaxon-formacao-uma-identidade-nacional"><span style="font-weight: 400;">Grupo dos Cinco</span></a><span style="font-weight: 400;">, que seria o grande responsável pelo referencial ideológico e artístico da Semana de 22. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1926, Tarsila do Amaral se casa com Oswald de Andrade, e dois anos depois, a artista pinta um quadro para </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/estilo/tarsilinha-do-amaral-tarsila-foi-uma-mulher-a-frente-do-seu-tempo-e-muito-corajosa/"><span style="font-weight: 400;">presentear o marido</span></a><span style="font-weight: 400;">. A obra era nada mais nada menos do que o </span><i><span style="font-weight: 400;">Abaporu</span></i><span style="font-weight: 400;"> que, emocionando Oswald, o inspira a escrever o </span><a href="https://www.ufrgs.br/cdrom/oandrade/oandrade.pdf"><i><span style="font-weight: 400;">Manifesto Antropófago</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sendo assim, um dos quadros mais importantes do Brasil e marco inicial de sua fase antropofágica. Juntos, o casal influenciou de forma incisiva a Literatura e as Artes Plásticas por meio de suas peças e da defesa do Modernismo. E, apesar de não ter participado da Semana, Tarsila é considerada a primeira pessoa que conseguiu realizar uma obra de realidade nacional.</span></p>
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<figure id="attachment_26113" aria-describedby="caption-attachment-26113" style="width: 766px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26113" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/12-foto-guiomar.png" alt="Foto em preto e branco da artista Guiomar Novaes. Guiomar era uma mulher branca, de cabelos escuros e curtos. Ela está com a cabeça apoiada em sua mão esquerda, e veste uma blusa escura de mangas compridas, usa um colar de pérolas em seu pescoço e um par de brincos em suas orelhas." width="766" height="514" /><figcaption id="caption-attachment-26113" class="wp-caption-text">Com carreira consolidada no exterior, ficou conhecida pelas suas interpretações das obras de Chopin e Schumann (Foto: APR)</figcaption></figure>
<p><b>Guiomar Novaes (1894-1979)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mulher prodígio, Guiomar Novaes nasceu em São João da Boa Vista (SP) e foi na cidade de Campinas (SP), com apenas quatro anos, que começou a tocar piano, incentivada pela mãe e reproduzindo o que as irmãs mais velhas tocavam. Foi ainda menina que demonstrou seu talento nato para a Música, compondo uma valsinha que recebeu o título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Jardim de infância</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sua partitura foi, em 1903, publicada na revista </span><i><span style="font-weight: 400;">O Malho</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nessa mesma época, a garota estava morando junto com a família em São Paulo, e por acaso do destino, ela era vizinha do escritor Monteiro Lobato, servindo de inspiração para a criação da personagem Narizinho, do </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/polemica-de-monteiro-lobato-em-sitio-do-picapau-amarelo-homem-de-seu-tempo-ou-racismo-explicito.phtml"><i><span style="font-weight: 400;">Sítio do Picapau Amarelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No ano de 1922, a pianista foi uma das mais importantes da Semana de Arte Moderna. Em sua apresentação no Theatro Municipal de São Paulo durante o segundo dia do evento, interpretou as obras </span><a href="http://institutopianobrasileiro.com.br/years/index/1922"><i><span style="font-weight: 400;">Au jardin du vieux serail (Andrinople)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de</span> <span style="font-weight: 400;">E. R. Blanchet, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WlbWoN-Vdh4&amp;ab_channel=InstitutoPianoBrasileiro-IPB"><i><span style="font-weight: 400;">O ginete do pierrozinho</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (esse integrava a coletânea </span><i><span style="font-weight: 400;">Carnaval das crianças</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Villa-Lobos), e </span><i><span style="font-weight: 400;">La Soirée dans grenade</span></i><span style="font-weight: 400;">, das</span> <span style="font-weight: 400;">Estampes, </span><a href="https://classicosdosclassicos.mus.br/compositores/claude-debussy/"><span style="font-weight: 400;">Debussy</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Minstrels. Ovacionada pela fulgurosa plateia, executou </span><i><span style="font-weight: 400;">L’Arlequin</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Vallon. Neste mesmo ano, firmou matrimônio com o arquiteto e compositor Octávio Pinto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir da Semana de 22, Guiomar Novaes passou a incluir em suas apresentações as obras de Villa-Lobos, tornando-se importante divulgadora dele nos Estados Unidos. Em 30 de agosto de 1955, por decreto do então Presidente da República, o sucessor de Getúlio Vargas, Café Filho, foi condecorada com a Ordem Nacional do Mérito, juntamente a </span><a href="https://personaunesp.com.br/heitor-villa-lobos-e-a-musica-modernista-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Heitor</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Ary Barroso. A valorização veio pelo sentido de universalidade dado à música brasileira, projetando-a no exterior. Sua última apresentação pública ocorreu em 15 de julho de 1973, no Festival Internacional de Música de Campos do Jordão. Em 1977, foi criada, na cidade natal da pianista, a </span><a href="http://amigosdaarte.org.br/programas-e-equipamentos/semana-guiomar-novaes-3/"><span style="font-weight: 400;">Semana Guiomar Novaes</span></a><span style="font-weight: 400;">, importante evento cultural que ocorre anualmente, até hoje. </span></p>
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<figure id="attachment_26112" aria-describedby="caption-attachment-26112" style="width: 630px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26112" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/14-obra-zina.jpg" alt="Pintura A Sombra, da artista Zina Aita. No quadro, é possível ver ilustrações que parecem ser de 6 figuras masculinas. Todos estão em meio a uma via, com o corpo inclinado para baixo, em que é possível ver sua sombra se formando logo atrás. " width="630" height="437" /><figcaption id="caption-attachment-26112" class="wp-caption-text">Pouco se sabe ou se conhece sobre a obra de Zina, em função da falta de pesquisas e dificuldade em localizar suas produções (Foto: Romulo Fialdini)</figcaption></figure>
<p><b>Zina Aita (1900-1967)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fugindo um pouco do centrismo do estado de São Paulo, Tereza Aita, conhecida como Zina, nasceu na cidade de Belo Horizonte, em 1900. Filha de empresários italianos imigrados, em 1914, transfere-se com a família para a Itália, passando a frequentar a Accademia di Belle Arti di Firenze e estudar com </span><a href="https://www.brasilnaitalia.net/2021/11/ceramica-italiana-galileo-chini.html"><span style="font-weight: 400;">Galileo Chini</span></a><span style="font-weight: 400;">, referência na área da pintura e da cerâmica. Sua ligação com o artista serve como grande influência para o desenvolvimento de seu estilo mais “decorativista”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De volta ao Brasil, em 1918, a mineira passa a conviver com nomes importantes do Modernismo, como Mário de Andrade e Anita Malfatti. Na atmosfera modernista da capital paulista, ela também começa a contribuir com ilustrações para a </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/artes,a-imprensa-alternativa-espalhou-o-modernismo-para-alem-de-sao-paulo,70003974203"><span style="font-weight: 400;">revista-símbolo do movimento na época</span></a><span style="font-weight: 400;">, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Klaxon</span></i><span style="font-weight: 400;">. Passeando por tendências impressionistas, Zina expõe sua primeira mostra individual em Belo Horizonte no início de 1920. Em função disso, é considerada precursora do Modernismo em Minas Gerais, e as reações ao seu trabalho evidenciam o fardo de carregar esse título. Na imprensa, foi declarado que Zina utilizava “cores bizarras” para “ferir a vista do público”, passando a ser para Belo Horizonte o mesmo que Malfatti foi para São Paulo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pouco depois, participa da Semana de 22, exibindo oito telas e diversas impressões. Em 1924, ela se muda definitivamente para a Itália, onde passa a dirigir uma fábrica de cerâmica, largando as telas para dedicar-se às artes industriais. O destino escolhido por Zina, tanto no quesito da localidade quanto de seu estilo artístico, foi um fator motivador para o seu apagamento na história, em função das </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-60381328?at_custom4=2586C656-8E6A-11EC-890C-B20C933C408C&amp;at_custom1=%5Bpost+type%5D&amp;at_campaign=64&amp;at_medium=custom7&amp;at_custom2=twitter&amp;at_custom3=BBC+Brasil"><span style="font-weight: 400;">concepções da época</span></a><span style="font-weight: 400;">, que restringiam artistas ligadas à decoração em um outro aspecto, não sendo de fato reconhecida no meio modernista. Essa mesma imposição afetaria a lembrança da vida e obra de Regina Gomide Graz.</span></p>
<hr />
<figure id="attachment_26110" aria-describedby="caption-attachment-26110" style="width: 308px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26110" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/regina.jpg" alt="Retrato da artista Regina Gomide Graz, pintado por seu irmão, Antonio Gomide. Nele, vemos uma mulher com o rosto inclinado para a esquerda. Ela é branca, com cabelos castanhos escuros e curtos, e veste uma blusa rosa com gola branca. " width="308" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-26110" class="wp-caption-text">A opção de Regina pela arte têxtil tinha um papel ainda mais revolucionário, de moldar uma nova dimensão estética para além dos quadros (Foto: Sérgio Guerini)</figcaption></figure>
<p><b>Regina Gomide Graz (1897-1973)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre todas as mulheres deixadas de lado pela memória histórica, a passagem de Regina Gomide Graz pela Semana de 22 é a que passa mais despercebida, sem ser ao menos totalmente comprovada. Nascida no ano de 1897, na cidade de Itapetininga, Regina era irmã do pintor </span><a href="https://www.escritoriodearte.com/artista/antonio-gomide"><span style="font-weight: 400;">Antonio Gomide</span></a><span style="font-weight: 400;"> e esposa do pintor </span><a href="https://www.escritoriodearte.com/artista/john-graz"><span style="font-weight: 400;">John Graz</span></a><span style="font-weight: 400;">. Passou parte de sua juventude na cidade de Genebra, onde estudou na École des Beaux Arts e conviveu com a ascensão de movimentos modernistas, como o </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/literatura/vanguardas-europeias.htm"><span style="font-weight: 400;">Cubismo e o Dadaísmo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Essa parte de sua vivência seria determinante para que iniciasse seus trabalhos como artista com elementos do movimento </span><a href="https://www.infoescola.com/movimentos-artisticos/art-deco/"><i><span style="font-weight: 400;">Art Deco</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, após estudos dedicados sobre tapeçaria e áreas afins, âmbito em que se destacou. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na década de 20, juntamente com seu futuro marido e o poeta Oswald de Andrade, Regina passa a se inserir na vida intelectual da cidade de São Paulo, fato que lhe trouxe a oportunidade de participar e expor seu trabalho na Semana de Arte Moderna de 1922. Regina Gomide Graz foi a </span><a href="https://jornal.usp.br/cultura/como-foi-a-participacao-das-mulheres-na-semana-de-arte-moderna/"><span style="font-weight: 400;">introdutora das artes decorativas modernas no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">, teve uma obra marcada por um </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> abstrato expressado por meio de formas geométricas, e realizou trabalhos que também conversavam com vanguardas artísticas, por fim se envolvendo, é claro, com o Modernismo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há de se questionar (e muito) o apagão da trajetória da artista. Na História da Arte, seu nome vem muito associado aos outros dois pintores de sua família, muitas vezes intitulados como </span><i><span style="font-weight: 400;">tríade de artistas-decoradores</span></i><span style="font-weight: 400;">. No entanto, o protagonismo de sua obra voltada para a produção têxtil é jogado para escanteio, sendo necessária a presença de uma figura masculina para que o trabalho de Regina Gomide Graz seja minimamente lembrado. </span></p>
<hr />
<figure id="attachment_26115" aria-describedby="caption-attachment-26115" style="width: 699px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26115" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/17-pagu.jpg" alt="Foto em preto e branco da artista Patrícia Galvão. Patrícia era uma mulher branca, com cabelos ondulados e volumosos. Ela usa maquiagem forte em seus olhos e um batom escuro na boca. " width="699" height="420" /><figcaption id="caption-attachment-26115" class="wp-caption-text">Sua obra mais famosa, Parque Industrial, foi escrita sobre o pseudônimo de Mara Lobo (Foto: Agir)</figcaption></figure>
<p><b>Patrícia Galvão (Pagu) [1910-1962]</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0n5M6RF0lDE&amp;ab_channel=ManfredPoroca"><span style="font-weight: 400;">Indignada no palanque</span></a><span style="font-weight: 400;">, Pagu é um dos maiores símbolos de mulher libertária e encarou como ninguém os ecos do movimento modernista. A pequena Patrícia tinha apenas 11 anos quando o Theatro Municipal em São Paulo abriu as portas para que os artistas criticassem a cultura tradicional. Jornalista, mulher precursora, militante política e incentivadora cultural, ela se junta aos grupos em 1929, se tornando musa modernista do </span><a href="https://www.todamateria.com.br/movimento-antropofagico/"><span style="font-weight: 400;">Movimento Antropofágico</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pagu era movida por ideais como a justiça social e a transformação da pessoa por meio da arte e da cultura. Suas colunas de jornal tratavam de política, literatura e teatro, fazendo também o trabalho de divulgar autores desconhecidos no Brasil e alguns no restante do mundo. Em suas críticas sobre o cotidiano social foi visionária, com olhar sensível e antecipatório. Em sua obra mais famosa, </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/11/23/A-import%C3%A2ncia-de-%E2%80%98Parque-Industrial%E2%80%99-85-anos-depois"><i><span style="font-weight: 400;">Parque Industrial</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1933), falou sobre a industrialização brasileira do século XX, e acima disso, denunciou as condições humilhantes e precárias das operárias paulistanas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É impossível não reconhecer Pagu como referência dos desdobramentos do movimento modernista. Dona de muitos pseudônimos por conta da censura sofrida, casou-se, em 1930, com Oswald de Andrade, e, ao lado dele, passou a militar no Partido Comunista, logo se tornando a primeira presa política da história do Brasil, após participar de uma greve de estivadores. </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/pagu-primeira-presa-politica-brasil.htm"><span style="font-weight: 400;">Patrícia Galvão foi presa 23 vezes ao longo da vida</span></a><span style="font-weight: 400;">. O mundo não mudou muito depois de Pagu, suas obras ainda fazem sentido no contexto histórico atual do Brasil, e suas lutas frenéticas ainda são travadas diariamente por milhares de mulheres ao redor do mundo.</span></p>
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		<title>Com Amor, Van Gogh: uma aventura estética</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Sep 2018 22:54:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes Visuais]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Rayanne Candido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Rayanne Candido Com Amor, Van Gogh trata-se de uma cinebiografia inspirada no pintor holandês Vincent Willem van Gogh e foi um dos grandes destaques do cinema em 2017. O projeto se concretizou quando a polonesa Dorota Kobiela conheceu Hugh Welchman (ganhador do Oscar pelo curta-metragem Pedro e o Lobo em 2008), e juntos criaram a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/com-amor-van-gogh-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Com Amor, Van Gogh: uma aventura estética"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_10834" aria-describedby="caption-attachment-10834" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-10834" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/09/Imagem-1-1-1024x576.jpg" alt="" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/09/Imagem-1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/09/Imagem-1-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/09/Imagem-1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/09/Imagem-1-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/09/Imagem-1-1.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-10834" class="wp-caption-text">(Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Rayanne Candido</strong></p>
<p><em>Com Amor, Van Gogh</em> trata-se de uma cinebiografia inspirada no <a href="http://personaunesp.com.br/kandinsky-cores-gigante/">pintor</a> holandês Vincent Willem van Gogh e foi um dos grandes destaques do cinema em 2017. O projeto se concretizou quando a polonesa Dorota Kobiela conheceu Hugh Welchman (ganhador do Oscar pelo curta-metragem <em>Pedro e o Lobo</em> em 2008), e juntos criaram a primeira animação feita inteiramente por pinturas de óleo. O custo total foi cerca de 18 milhões de reais.</p>
<p><span id="more-10833"></span></p>
<p>Para a produção do longa mais de 100 artistas pintaram manualmente no estilo e nas técnicas do <a href="https://www.comunidadeculturaearte.com/van-gogh-da-loucura-a-arte/">pai da arte moderna</a> os 65 mil quadros que compõem a trama, exigindo muita paciência e trabalho (o projeto demorou 6 anos para finalmente ficar pronto). O processo envolveu gravações com atores reais e boa parte das pinturas foram feitas com base nessas filmagens, a partir da rotoscopia (técnica de animação em que um modelo humano é filmado em sequência e o desenho é feito com base nessa captura) e da junção das linguagens do cinema e da pintura. O grande resultado é a aventura estética que a trama proporciona. Definitivamente, não é uma animação convencional.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Com Amor, Van Gogh | Trailer Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3tslxWf9t5w?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O enredo se passa um ano após o suicídio do pintor. O carteiro Roulin (Chris O&#8217;Dowd) pede que seu filho Armand Roulin (Douglas Boothque) entregue a última carta de Vincent ao seu irmão Theo em Arles, no sul da França. Porém, ao descobrir que ele também morreu, Armand dá início à uma jornada em busca das pessoas que tiveram contato com Van Gogh desde sua chegada a Paris e tenta entender os acontecimentos em torno de sua morte. É com base nos depoimentos dos personagens – cujas lembranças são apresentadas em preto e branco &#8211; que a trama se desenvolve e a trajetória do artista é relembrada.</p>
<p>De cores vivas e vibrantes até frias e sombrias, o filme é marcante visualmente, composto por uma trilha sonora que ressalta toda a melancolia em torno da trajetória de Armand e faz jus à vida do pintor até seus momentos finais. Além disso, a animação revisita personagens e locais criados pelo holandês: as referências aos seus quadros estão presentes do inicio ao fim do longa.</p>
<figure id="attachment_10835" aria-describedby="caption-attachment-10835" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-10835 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/09/Imagem-2-1-1024x512.jpeg" alt="" width="840" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/09/Imagem-2-1-1024x512.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/09/Imagem-2-1-300x150.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/09/Imagem-2-1-768x384.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/09/Imagem-2-1.jpeg 1152w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-10835" class="wp-caption-text">Após a leitura de mais de 800 cartas escritas por Vincent Van Gogh, a polonesa Dorota Kobiela se inspirou e resolveu homenagear o pintor holandês (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Ao contrário do que se pensa, o pintor só obteve reconhecimento após sua morte, vendeu apenas um quadro em vida &#8211; supostamente, para um amigo a um preço bem baixo. Passou fome e frio, conheceu a miséria e a solidão, começou a pintar com 27 ou 28 anos de idade e suas obras somam mais de 800 telas. Atualmente, Vincent van Gogh é considerado o maior pintor holandês depois de Rembrandt. Muitas de suas pinturas estão entre as mais caras do mundo.</p>
<p>Além de imergir na trajetória do pintor, “Com amor, Van Gogh” demonstra como a depressão pode interferir na vida de alguém, exatamente o que o pai da arte moderna enfrentava. Devido ao pouco conhecimento sobre depressão e outros problemas de ordem psíquicas ou psiquiátricas, Van Gogh foi tido como louco na época e para muitos mantém essa reputação até hoje, viveu nos limites de tudo que era considerado normal.</p>
<figure id="attachment_10836" aria-describedby="caption-attachment-10836" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-10836" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/09/imagem-3-1-1024x576.jpg" alt="" width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/09/imagem-3-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/09/imagem-3-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/09/imagem-3-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/09/imagem-3-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/09/imagem-3-1.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-10836" class="wp-caption-text">A trama é praticamente uma extensão dos quadros de Van Gogh (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
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		<title>Caravana do senso crítico passa por Bauru com o grupo gaúcho Ói Nóis Aqui Traveiz</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Jul 2018 20:40:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes Visuais]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
		<category><![CDATA[Bauru]]></category>
		<category><![CDATA[Camila Araújo]]></category>
		<category><![CDATA[SESC]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Nenhuma cultura imposta é mais bela do que a nossa” (Augusto Boal) Sesc e Rui Barbosa elucidam: trajetória de 40 anos de companhia gaúcha “Ói Nóis Aqui Traveiz” é referência do teatro brasileiro e do teatro de resistência, atraindo plateias e admiração por onde passa. Dessa vez, Bauru foi a presenteada. Camila Araujo O que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/oi-nois-aqui-traveiz-sesc-bauru/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Caravana do senso crítico passa por Bauru com o grupo gaúcho Ói Nóis Aqui Traveiz"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>“Nenhuma cultura imposta é mais bela do que a nossa” (</em>Augusto Boal)</p>
<p><em>Sesc e Rui Barbosa elucidam: trajetória de 40 anos de companhia gaúcha “Ói Nóis Aqui Traveiz” é referência do teatro brasileiro e do teatro de resistência, atraindo plateias e admiração por onde passa. Dessa vez, Bauru foi a presenteada.</em></p>
<p><strong>Camila Araujo</strong></p>
<p>O que me chamou atenção no grupo, à primeira vista, foi a camiseta estampada pelo busto de Carlos Marighella vestida pelo senhor alto, de longos cabelos grisalhos. A coincidência é que eu, naquele mesmo dia e local, portava na bolsa o exemplar laranja e pesado do livro que traça por olhares lúcidos de Mário Magalhães a biografia de Marighella, <em>O guerrilheiro que incendiou o mundo</em>. Acaso ou destino, isso selou o encontro, que se repetiria mais tarde naquele dia.</p>
<p><span id="more-10504"></span></p>
<p>O senhor de trajes &#8220;subversivos&#8221; se aproxima e explica que eles lá de Porto Alegre haviam montado um teatro reverenciando “Mariga” e arremata no convite para assistir às apresentações que fariam na cidade. Paulo Flores é ator gaúcho que participa há 40 anos do Ói Nóis Aqui Traveiz, grupo teatral cuja participação na luta contra as (neo)colonizações e nos movimentos sociais de causas ambientalistas e identitárias &#8211; gênero, raça, lgbt &#8211; data desde a Ditadura Militar &#8211; e marcham com convicções: <a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/espetaculos/noticia/2018/06/paulo-flores-o-teatro-e-importante-para-a-mudanca-da-sociedade-cjienql2t0gao01qof3wsy0dr.html">“nunca perdemos de vista que essas questões fazem parte da luta de classes, que é o que tem mantido coerência no grupo”</a>.</p>
<figure id="attachment_10506" aria-describedby="caption-attachment-10506" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-10506 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/01-768x1024.jpg" alt="" width="768" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/01-768x1024.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/01-225x300.jpg 225w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/01-1200x1600.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/01.jpg 1875w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-10506" class="wp-caption-text">Segunda apresentação do grupo aconteceu no seio da cidade, às 15 horas do dia 20 (Foto: Camila Araujo)</figcaption></figure>
<p><strong>Primeira experiência </strong></p>
<p>Bauru foi contemplada pela bem-vinda visita do grupo como parte da programação de férias do <a href="http://personaunesp.com.br/tag/sesc/">Sesc</a>. Na noite do dia 19 de julho, a fila para o teatro era expressiva, embora um pouco tímida se comparado aos 165 lugares disponíveis no auditório. A peça “Evocando Mortos: Poéticas da Experiência” é um teatro de Vivência, onde o ato real mescla-se com o ato simbólico, o limite entre arte e vida se condensa e a reflexão, a práxis, são apresentadas ao espectador, que se torna contribuinte do momento.</p>
<p>Tânia Faria, a atriz que linda e criticamente atua na peça e também coordena o grupo, despe-se frente aos que ali buscaram vê-la. Não de maneira vulnerável, acuada, mas ao contrário, sua desmontagem fomenta reflexões e demonstra resistência. O recado é claro: não estamos sozinhas e é possível mudar. Somos seres emancipáveis e o que está a nossa volta é maleável, capaz de se transformar. Tânia declara seu amor ao fazer teatral de inúmeras maneiras, sob inúmeros personagens. Com intimidade às pessoas ao seu redor, ela revela segredos e histórias de seu percurso artístico. Incorpora seus espíritos &#8211; almas teatrais já vividas e reencarnadas &#8211; e nos mostra momentos. Vale-se de máscaras, cantos, batuques, elementos ritualísticos, e até de um rádio que pertence ao cenário a todo momento mas só toma corpo em um pequeno trecho de música entre uma conversa e outra, as quais costuram os trechos de <em>Kassandra In Process</em>; <em>Viúvas: Performance Sobre a Ausência</em>; <em>Hamlet Máquina</em>; <em>A Missão – Lembrança de Uma Revolução</em> e <em>Medeia Vozes</em>.</p>
<figure id="attachment_10507" aria-describedby="caption-attachment-10507" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-10507 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/02.png" alt="" width="640" height="426" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/02.png 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/02-300x200.png 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-10507" class="wp-caption-text">Tânia Faria incorpora diversos espíritos-personagens e traz a tona a urgente questão de gênero (Foto: Rafael S / Divulgação)</figcaption></figure>
<p><strong>A ferramenta-teatro e a questão de gênero </strong></p>
<p>É urgente gritarmos sobre a questão de gênero, é urgente nos reconhecermos uns nos outros, e usar da ferramenta que temos ao nosso alcance para ir a luta. Tânia encontra sua ferramenta no teatro, espaço de sensibilização e união. Ela trabalha com energia para que de alguma maneira aquilo posto em cena seja levado para casa, como disseminação e difusão de ideias. Ideias com corpo e estrutura rígida. Para além disso, com sua trajetória, ela inspira atuadores que estão dúbios até se depararem com o teatro de resistência.</p>
<p>Ao final da peça o convite se estende para o ar livre. Caliban se apresenta no dia seguinte, sob a sombra do sol das 15h na praça Rui Barbosa, coração bauruense.</p>
<p>Na saída, recebo um embrulho de papel seda branco, envolto por um barbante vermelho. Dentro, uma zine com um desenho se decompondo na capa e o título <em>Desmontagem</em>. Os sentidos são aguçados, não só o olhar e o toque, como também o cheiro que exala de toda a composição. Algo que se assemelha a bambu… As ilustrações que compõem o folheto são de Alessandro Muller, e dentro estão textos nos auxiliam na deglutição e digestão do processo vivido junto de Tânia. Tudo que é sentido e pensado durante a apresentação é identificado sob peculiaridades e traduzido em palavras. É impossível discordar de Letícia Virtuoso, atuadora do grupo e graduada em Ciências Sociais pela UFRGS, quando ela diz em seu texto, o primeiro da zine, que &#8220;não é uma demonstração técnica do trabalho da atriz, mas sim, uma incrível experiência afetiva e poética da sensibilidade e da luta das mulheres no meio artístico e social&#8221;. Ademais, sobre a questão de gênero, &#8220;é urgente urrarmos contra a violência que sofremos, e através da qual percebemos a vida. Pois antes de tudo, somos mulheres&#8221;.</p>
<figure id="attachment_10508" aria-describedby="caption-attachment-10508" style="width: 772px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-10508 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/03-772x1024.jpg" alt="" width="772" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/03-772x1024.jpg 772w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/03-226x300.jpg 226w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/03-768x1019.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/03-1200x1592.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/03.jpg 1884w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-10508" class="wp-caption-text">Desmontagem: Todas as sensações são necessárias para viver a experiência (Foto: Camila Araujo)</figcaption></figure>
<p><strong>A tempestade é aqui e em todo lugar </strong></p>
<p>Na Rui Barbosa, algumas pessoas se concentram em torno de uma roda em que no meio movimenta-se um pessoal todo fantasiado, as roupas e máscaras que fogem ao costume: certamente aguça atenção da vista dos transeuntes! E alguns param. A estudante de psicologia, a admiradora de teatro, o ator local, o artista, o grupo de ciclistas, os filhos que puxam as mães pelos braços, o funcionário do Sesc, o funcionário de uma loja qualquer do centro que está ali no seu descanso da tarde, os marginalizados que fazem da praça seus lares em dias amenos como aquele. Essa é a grande surpresa, teatro de rua que se difere do teatro do dia anterior, por diversas particularidades, é claro.</p>
<p>Mas o mais rebelde de todos é pelo público ser extremamente diversificado. Alguns que se concentram vem a convite de jornais, redes sociais e boca-a-boca. Outros são pegos de surpresa, programa inusitado no meio da tarde, lazer do mais refinado tipo: aquele que faz pensar, e propõe mudança. A história de Caliban remonta a nossa própria história, da América Latina, de colonizados pela lógica do sistema &#8211; exploratório e escravista -, sob a tempestade do conservadorismo o qual estamos vivenciando hoje (vide golpe contra a ex-presidente Dilma, a idolatria de um juiz escrachadamente imparcial e sem escrúpulos e o aumento do número de eleitores de Bolsonaro).</p>
<figure id="attachment_10509" aria-describedby="caption-attachment-10509" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-10509 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/04-768x1024.jpg" alt="" width="768" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/04-768x1024.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/04-225x300.jpg 225w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/04-1200x1600.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/04.jpg 1875w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-10509" class="wp-caption-text">Caliban e a lucidez das 15 horas, na Rui Barbosa (Foto: Camila Araujo)</figcaption></figure>
<p>Como consequência, o retrocesso dos direitos sociais e da luta pela autonomia &#8211; econômica, política e cultural -, resultando numa população subjugada. O pensamento de que todas aquelas pessoas ali, que estão só passando e se deparam com o espetáculo, crianças com o olhar concentrado nas enormes máscaras e estruturas delineadas para o show, o riso sincero, são frequentemente poupadas de lazer e cultura por não serem merecedores? Ou por morar &#8220;longe demais&#8221;?</p>
<p>&#8220;Ói Nóis&#8230;&#8221; é didático e dialético. Ao final da peça, quando a concentração já se dispersa e o grupo fica ali a disposição para trocar palavras e afetos com seu público, alguns responsáveis saem distribuindo um encarte que vai elucidar todo o contexto da apresentação. Somos contemplados na volta para casa com um registro-memória do dia, capaz de arrancar ainda mais alegria dos corações arquivistas.</p>
<figure id="attachment_10510" aria-describedby="caption-attachment-10510" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-10510" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/05-768x1024.jpg" alt="" width="768" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/05-768x1024.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/05-225x300.jpg 225w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/05-1200x1600.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/05.jpg 1875w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-10510" class="wp-caption-text">Didático (Foto: Camila Araujo)</figcaption></figure>
<p><strong>É preciso mudar! </strong></p>
<p>O teatro de resistência é ferramenta indispensável aos nossos dias. Lindo de ver, e de viver. Dos céticos, aguça a curiosidade de se refletir sobre as questões ali pautadas. Da resistência, aumenta a vontade de ir ao front de batalha. E dos admiradores do teatro, que vivem na iminência de se jogar nessa arte, aumenta a vontade de largar tudo e construir junto com o grupo gaúcho essa saga histórica de 40 anos &#8211; rumo a construção de um mundo emancipado.</p>
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		<title>O pedido de Please Like e uma artista brasileira em LA</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jul 2018 21:30:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes Visuais]]></category>
		<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Giovana Silvestri]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Giovana Silvestri Você já se sentiu ansioso? Tem um amigo com depressão? Um conhecido com ansiedade? Sentiu uma angústia sem saber o motivo? Já teve insônia? Já viu um ataque de pânico ou teve um? Ouviu a palavra bipolaridade ou SPA: Síndrome do pensamento acelerado? Você sabe diferenciar ataque de ansiedade de ataques de pânico? &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/please-like-me-perola-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O pedido de Please Like e uma artista brasileira em LA"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_10493" aria-describedby="caption-attachment-10493" style="width: 560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-10493" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/37268891_2068092813262156_4989711653793693696_n.jpg" alt="" width="560" height="368" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/37268891_2068092813262156_4989711653793693696_n.jpg 560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/37268891_2068092813262156_4989711653793693696_n-300x197.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 560px) 85vw, 560px" /><figcaption id="caption-attachment-10493" class="wp-caption-text">As ferramentas que Peróla Navarro encontrou para lidar melhor com seus transtornos mentais. (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p style="text-align: left;"><strong>Giovana Silvestri</strong></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">Você já se sentiu ansioso? Tem um amigo com depressão? Um conhecido com ansiedade? Sentiu uma angústia sem saber o motivo? Já teve insônia? Já viu um ataque de pânico ou teve um? Ouviu a palavra bipolaridade ou SPA: Síndrome do pensamento acelerado? Você sabe diferenciar ataque de ansiedade de ataques de pânico? </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A saúde mental está sendo mais discutida nos últimos anos, com debates, conversas e preocupações sobre suicídios e depressão, assuntos que estão mais em voga nessa última década do que nos últimos cem anos. As perguntas anteriores podem ser compreendidas ao assistir Please Like Me ou ao contemplar as obras de Perola Navarro, além de sentir uma nova sensação acerca da arte e sobre as doenças psíquicas.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span id="more-10482"></span></p>
<figure id="attachment_10483" aria-describedby="caption-attachment-10483" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/plm01.jpe"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-10483 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/plm01-1024x575.jpe" alt="" width="840" height="472" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/plm01-1024x575.jpe 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/plm01-300x169.jpe 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/plm01-768x431.jpe 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/plm01-1200x674.jpe 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/plm01.jpe 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></a><figcaption id="caption-attachment-10483" class="wp-caption-text">Abertura da série possuí também tom pastel. (Fonte: Reprodução)</figcaption></figure>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">Momentos de autocrítica são inesquecíveis, pois nos agregam conhecimento e nos mudam de alguma forma&#8230; Foi assim que simpatizei com a série australiana Please Like Me. Há um ano vi que estava sendo bombardeada por perguntas que mudariam minha perspectiva sobre diversos assuntos. Ao decorrer das temporadas percebi que a série pedia mais do que o pensar sobre a saúde mental e suas doenças (e que gostássemos dela, como é explícito no título).</span></p>
<figure id="attachment_10484" aria-describedby="caption-attachment-10484" style="width: 564px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-10484" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/plm02.jpg" alt="" width="564" height="317" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/plm02.jpg 564w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/plm02-300x169.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 564px) 85vw, 564px" /><figcaption id="caption-attachment-10484" class="wp-caption-text">O trio de amigos é um dos clichês da série. Claire, Josh e Tom. (Fonte: Reprodução.)</figcaption></figure>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">PLM é uma comédia dramática, mas foi classificada apenas como drama pelo seu produtor executivo Todd Abbott. Conta a história de Josh, um australiano mimado, com dificuldades em expressar o que sente, inseguro e egoísta, que se descobre gay aos 20 anos após um ano e meio de namoro hétero com Claire, que passa a ser sua melhor amiga após o término.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">Josh passa a viver cuidando de sua mãe, Rose, que desenvolve depressão e bipolaridade, voltando para a casa dela e deixando de morar com Tom &#8211; um jovem indeciso, sozinho e emocionalmente cômodo. Pode parecer uma série de comédia simples, ou seja, jovens inseguros fazendo coisas contraditórias, assim como SKINS ou Girls da HBO, mas há um diferencial.</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Please Like Me (TRAILER LEGENDADO)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/HpnQjBnMFH8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">O sutil tom humorístico da série é resultado de um dos criadores, comediante na Austrália, que assume um roteiro dramático com tons cômicos que confunde as sensações do telespectador em relação às cenas, assim como em O Homem Irracional (filme de Woody Allen). </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Josh Thomas usa o humor como válvula de escape para o sofrimento retratado no drama que produziu, assim como comediantes reconhecidos como Jim Carrey. Josh é produtor, autor, diretor e ator na série, interpretando o protagonista (também chamado Josh). Confessou que PLM retrata uma junção de ínfimas partes de sua vida apimentadas com um pouco de ficção. A série obteve ajuda de mais um “personagem-real”; Thomas Ward é produtor e interpreta ele mesmo na série, o melhor amigo de Josh: Tom. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">O foco em tons pastéis no cenário ressalta uma leveza no drama, equilibra a série que aborda assuntos polêmicos &#8211; como homofobia, racismo, depressão, bipolaridade, aborto, suicídio, câncer, HIV, relacionamento aberto, religião e ateísmo. Josh Thomas com muito cuidado provou que é possível ver o lado positivo e cômico de tudo, vivendo um drama sem precisar apelar para a banalização ou humilhação dos assuntos.</span></p>
<figure id="attachment_10485" aria-describedby="caption-attachment-10485" style="width: 564px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-10485" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/plm03.jpg" alt="" width="564" height="304" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/plm03.jpg 564w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/plm03-300x162.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 564px) 85vw, 564px" /><figcaption id="caption-attachment-10485" class="wp-caption-text">Os tons pastéis predominantes no cenário. (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">Provocar o riso em assuntos vistos como tabu é um desafio, mas não é só de riso que vive a série; ela se passa com muita tensão e crítica sobre os assuntos, provoca uma dor no telespectador, uma alegria que dói ou uma tristeza que ri. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Cada personagem possui uma sutileza ao lidar com seus respectivos problemas. Rose, por exemplo, desenvolve depressão, não aceita bem seu diagnóstico da doença, rejeita várias vezes os remédios por causa dos efeitos colaterais, se sente deslocada e sozinha, e tem apenas convívio afetivo com seu filho. Porém, no decorrer da série, toma outras posturas ao lidar com sua doença quando conhece pessoas que enfrentam situações parecidas com as dela. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Hannah é uma das pessoas que Rose conhece e com quem cria vínculos. Diferente de sua amiga, Hannah pratica automutilação além da depressão. Por meio da série, conhecemos um pouco de sua vida pessoal, cheia de conflitos e traumas. Contudo, Hannah é engraçada, entusiasta com pequenas coisas, como por exemplo soltar fogos de artifício, e busca através do boxe um conforto emocional para fugir da automutilação e se sentir melhor. Hannah foi interpretada por Hannah Gadsby, que tem um <a href="https://www.netflix.com/title/80233611">Stand-Up </a>disponível na Netflix.</span></p>
<figure id="attachment_10486" aria-describedby="caption-attachment-10486" style="width: 564px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-10486" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/plm04.jpg" alt="" width="564" height="317" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/plm04.jpg 564w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/plm04-300x169.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 564px) 85vw, 564px" /><figcaption id="caption-attachment-10486" class="wp-caption-text">Rose e Josh em um dos episódios mais emocionantes da série.<br />(Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">“Eu tento não ficar bravo com você por você ficar o dia inteiro na cama e não conseguir fazer nada, porque é a sua doença. Você está doente, assim como não fico bravo com uma pessoa que está com o nariz escorrendo porque ela está gripada.” Josh diz para sua mãe. A relação dele com Rose e a relação deles juntos com a doença exaltam a sensibilidade necessária para lidar com os conflitos causados pelas doenças mentais.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">A arte é, em tantas formas, uma saída que quebra as visões corriqueiras que nossa sociedade alimenta, através das sensações que temos com ela. Muda os conceitos e conscientiza a sociedade sobre assuntos ainda pouco explorados e debatidos. Por meio das sensações proporcionadas por ela, a arte de PLM nos emociona e ao mesmo tempo nos faz enxergar com um olhar mais empático e compreensivo as doenças mentais. Outra forma, de conscientizar a importância de pensarmos, respeitarmos e prevenirmos os transtornos mentais é por meio das artes plásticas.</span></p>
<figure id="attachment_10487" aria-describedby="caption-attachment-10487" style="width: 537px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-10487" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/perola02.jpg" alt="" width="537" height="554" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/perola02.jpg 537w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/perola02-291x300.jpg 291w" sizes="auto, (max-width: 537px) 85vw, 537px" /><figcaption id="caption-attachment-10487" class="wp-caption-text">Perola é feminista e ativista no movimento LGBTQ+. (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">A artista plástica <a href="https://www.perolanavarro.com/">Perola Navarro,</a> sofreu com doenças mentais e ainda as enfrenta diariamente, mas nunca deixou a arte fora de sua vida. Disse que é uma terapia e precisa dela como precisa de ar para respirar. Ela usa a arte como uma maneira de viver melhor com seus transtornos mentais.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">É brasileira, tem 22 anos e reside em Los Angeles, trabalhando com arte, divulgando suas obras no <a href="https://www.instagram.com/navarroperola/">instagram</a>, e vendendo-as em seu site. Inspirou-se em suas <a href="https://twitter.com/perolanavarr/status/996138683970408449">doenças psíquicas</a> para produzir suas últimas obras, como o quadro Voices e o Dissociative. Explora os sintomas que sente com as cores, as texturas e as combinações, conseguindo assim transmitir por meio da arte uma sensação como a de PLM: uma alegria que dói. A artista pratica e estuda as artes plásticas desde a infância, quando surgiu o interesse pela pintura. Em 2016 Ingressou no curso de Artes Visuais, mas fez apenas dois anos de curso.</span></p>
<figure id="attachment_10488" aria-describedby="caption-attachment-10488" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-10488" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/perola03-1024x760.jpg" alt="" width="840" height="623" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/perola03-1024x760.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/perola03-300x223.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/perola03-768x570.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/perola03.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-10488" class="wp-caption-text">Pérola se interessa pelo universo de Design (cursou Design de Interiores no Rio de Janeiro) e de Moda (co-fundou a NotSoTrash com Karol Queiroz, atualmente responsável pela marca). (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">Perola inspira ao ser uma pessoa que sente essas doenças em sua própria pele, e que transforma seus sentimentos e seus sintomas em outra coisa. Tanto Please Like Me quanto as obras de Perola Navarro humanizam as doenças, desmistificam a visão estereotipada, retratam uma denúncia de vida e experiências vividas. </span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">Há em nossa sociedade uma falta de sensibilidade e preocupação com a saúde mental, cenário oposto em relação à saúde física. Constantemente nos esquecemos de reservar um tempo para a prevenção dos transtornos mentais de alguma maneira; fazer meditação de 10 minutos durante o dia para manter nossa atenção e diminuir o ritmo dos pensamentos, assumir os transtornos mentais como doenças e tratá-las, indicar psicólogos, fazer terapias. A cultura ocidental evitou por décadas assumir que “problemas mentais” são na verdade doenças, e vive hoje os tempos de maior suscetibilidade entre os jovens em se adoentarem psicologicamente. </span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">A série, assim como os quadros de Perola, são uma lição para nossa sociedade aprender a priorizar a saúde como um todo. Ambas exploram a comoção, mesmo que mínima, que as artes podem passar quando ligam a sensibilidade e sofrimento.</span></p>
<figure id="attachment_10497" aria-describedby="caption-attachment-10497" style="width: 809px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-10497" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/DdL-2ViUQAElzwW-809x1024.jpg" alt="" width="809" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/DdL-2ViUQAElzwW.jpg 809w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/DdL-2ViUQAElzwW-237x300.jpg 237w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/07/DdL-2ViUQAElzwW-768x972.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-10497" class="wp-caption-text">Foto do quadro Dissociative. A brasileira conta com cinco exposições no exterior em 2017, sendo quatro em Nova Iorque e uma em Los Angeles. (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">As duas também convergem na capacidade de servir como terapia, seja com o humor ou com a pintura. Por um lado, uma comédia que provoca desde risadas até lágrimas a partir de situações sociais e portanto externas às doenças; por outro, uma a resistência artística feminina em LA, que provoca emoções e críticas com as artes plásticas, a partir da interioridade da artista.</span></p>
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