Ruas da Glória é uma travessia pela intensidade exaustiva até a possibilidade de recomeço

Um close-up noturno do personagem Gabriel, interpretado por Caio Macedo, no filme Ruas da Glória. Ele é um jovem de pele clara e cabelos castanhos ondulados, vestindo uma camisa de botão com estampa de leopardo. Gabriel olha para baixo e para o lado com uma expressão séria e introspectiva. O fundo está desfocado, preenchido por luzes brilhantes da cidade, sugerindo um ambiente externo à noite.
Gabriel passa por um batismo de amor regado em sal, cinzas e carne (Foto: Retrato Filmes)

Arthur Caires

Há algo de purificador no sal. Ele arde, corrói, mas também cicatriza. Ruas da Glória, de Felipe Sholl, começa e termina nesse movimento de luto – um mergulho que é tanto literal quanto emocional. O filme acompanha Gabriel (Caio Macedo), um jovem professor que, após perder a avó e romper com o pai, parte do Recife em busca de uma vida nova no Rio de Janeiro. O que encontra, porém, é o caos de um desejo que o consome por dentro. Entre becos iluminados por neon e corpos suados na penumbra, Sholl filma o amor como uma vertigem: belo, porém irremediavelmente doloroso.

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