Em Delírios, aprendemos que o passado é a casa que nunca nos deixa partir

Cena do filme Delírios (2024). Uma menina de cabelos curtos e expressão assustada espreita pela fresta de uma porta verde com uma cruz de ferro pregada no alto. O ambiente é escuro e frio, com um banco de madeira e vasos de plantas secas ao lado. A iluminação destaca a textura da madeira, criando um clima de suspense e isolamento.
Em Delírios, o medo se esconde nas frestas. Masha observa o mundo do lado de dentro, onde o silêncio pesa mais que qualquer ameaça (Foto: Cyan Prods)

Arthur Caires

Há casas que respiram, e em Delírios, cada parede guarda o som abafado de um segredo. Alexandra Latishev Salazar transforma o lar – esse espaço de suposta segurança – em um organismo adoecido, feito de memórias que se recusam a morrer. Masha, uma menina de onze anos, muda-se com a mãe para cuidar da avó doente, e o que deveria ser um gesto de afeto se converte em um ritual de exorcismo. A cada instante, o passado parece infiltrar-se pelos cantos, até que a casa se torna uma extensão da mente: um labirinto onde o medo e a lembrança convivem.

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