Emmy Awards 2025: sofisticação sem muitas surpresas no tapete vermelho

Um grupo de oito pessoas posando no tapete vermelho dos Emmy Awards, vestidas com trajes elegantes e variados. Os looks incluem um vestido rosa brilhante, um conjunto preto com detalhes em rede,um vestido preto com transparência e flores, um vestido prateado texturizado, um top adornado com joias e calça preta, um vestido bordô fluido, um vestido rosa claro com corte alto e um vestido vermelho com detalhes assimétricos. O fundo exibe o logotipo dos Emmys e os nomes CBS e Paramount+.
Para 2025, as escolhas de moda estavam influenciadas por ansiedades globais, resultando em trajes que, embora significativos, careciam de brilho e criatividade (Arte: Sinara Martins)

Sinara Martins

A 77ª edição do Emmy Awards aconteceu no domingo (14), em Los Angeles, e a tradicional chegada das estrelas foi marcada por modelitos sofisticados e elegantes. Com produções como Ruptura, O Estúdio, Adolescência, Pinguim, The Last of Us e O Urso entre as indicadas, não faltaram celebridades desfilando. O tapete vermelho reforçou uma tendência clássica, com muitas silhuetas tradicionais e tons de destaque como vermelho, preto e rosa. 

A premiação entregou um tapete vermelho bonito, mas pouco marcante. Houve raros momentos de ousadia, que até ganharam repercussão, porém ficaram diluídos diante da predominância do clássico. O contraste entre a vontade de se manter sofisticado e a necessidade de surpreender mostra o dilema atual do evento: como preservar uma tradição sem abrir mão da relevância cultural?

A cor da paixão apareceu em peso. Britt Lower, vencedora da categoria Melhor Atriz em Drama, surgiu com um traje escarlate de corte clássico; já Hunter Schafer apostou em um modelo deslumbrante no mesmo tom, e Cristin Milioti também seguiu a paleta. Apesar da predominância de escolhas seguras, o que realmente chamou atenção foram os looks que buscaram equilibrar ousadia e harmonia entre beleza e styling, quebrando a previsibilidade.

Britt Lower vestindo um elegante vestido longo de cor terracota com detalhes assimétricos. Ela está segurando um pequeno cartão ou papel na mão direita e falando em um microfone em um pedestal. O fundo é um cenário dourado e reflexivo. A iluminação destaca o vestido e cria um efeito brilhante no ambiente ao redor.
O modelo do vestido foi inspirado em um look da coleção de primavera 2026 da Calvin Klein, que Britt assistiu dias antes do evento (Foto: Kevin Winter)

O preto também marcou presença de maneira imponente na cerimônia. Anna Sawai apostou em um modelo minimalista e sofisticado, que ressalta sua silhueta de forma elegante, e Natasha Rothwell trouxe um toque de exuberância com um traje volumoso e cheio de movimento, contrastando com a sobriedade da cor. Já Marta Pozzan preferiu uma proposta contemporânea, com recortes modernos que deram frescor ao clássico. Para fechar, Catherine Zeta-Jones estava usando um vestido dramático, que combinava perfeitamente com sua postura marcante no tapete.

Entre os destaques da noite, a cantora Lisa, do Blackpink, encantou o público com um delicado vestido rosa da Lever Couture, digno de um conto de fadas. Jenna Ortega também brilhou com um modelo ousado e um top cheio de pedrarias da Givenchy, que combinava com modernidade, enquanto a drag queen Arrietty surpreendeu ao surgir com um traje cheio de presença e glamour.

Lisa usou joias da Bulgari com tema de serpente, que também aparece na nova temporada de The White Lotus (Foto: Frazer Harrison)
Lisa usou joias da Bulgari com tema de serpente, que também aparece na nova temporada de The White Lotus (Foto: Frazer Harrison)

O tapete vermelho não rendeu só bons looks, mas também momentos que deram o que falar. A drag queen Joella se vestiu de Labubu e foi uma das aparições mais inesperadas e divertidas da noite. Outro ponto alto foi a aparição das atrizes Lauren Graham e Alexis Bledel, protagonistas de Gilmore Girls, que emocionou os fãs da série, que completa 25 anos. Para fechar, Meg Salter chamou atenção ao surgir com um visual básico, carregando uma bolsa de protesto escrita “Cessar fogo”, usando a moda como forma de posicionamento político.

O predomínio de escolhas clássicas no Emmy reflete um certo conservadorismo da própria premiação. Antes palco de grandes momentos culturais, hoje o evento parece preso a fórmulas seguras em meio a um cenário em que a atenção do público se divide entre tantas outras atrações. A moda, que deveria dar brilho ao espetáculo, acaba perdendo força quando não surpreende. Enquanto o Met Gala e até o Oscar usam os figurinos para criar narrativas e marcar posição, o Emmy se mantém elegante, mas pouco memorável, e isso ajuda a explicar por que a premiação vem perdendo espaço na conversa cultural.

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