
Sinara Martins
A 77ª edição do Emmy Awards aconteceu no domingo (14), em Los Angeles, e a tradicional chegada das estrelas foi marcada por modelitos sofisticados e elegantes. Com produções como Ruptura, O Estúdio, Adolescência, Pinguim, The Last of Us e O Urso entre as indicadas, não faltaram celebridades desfilando. O tapete vermelho reforçou uma tendência clássica, com muitas silhuetas tradicionais e tons de destaque como vermelho, preto e rosa.
A premiação entregou um tapete vermelho bonito, mas pouco marcante. Houve raros momentos de ousadia, que até ganharam repercussão, porém ficaram diluídos diante da predominância do clássico. O contraste entre a vontade de se manter sofisticado e a necessidade de surpreender mostra o dilema atual do evento: como preservar uma tradição sem abrir mão da relevância cultural?
A cor da paixão apareceu em peso. Britt Lower, vencedora da categoria Melhor Atriz em Drama, surgiu com um traje escarlate de corte clássico; já Hunter Schafer apostou em um modelo deslumbrante no mesmo tom, e Cristin Milioti também seguiu a paleta. Apesar da predominância de escolhas seguras, o que realmente chamou atenção foram os looks que buscaram equilibrar ousadia e harmonia entre beleza e styling, quebrando a previsibilidade.

O preto também marcou presença de maneira imponente na cerimônia. Anna Sawai apostou em um modelo minimalista e sofisticado, que ressalta sua silhueta de forma elegante, e Natasha Rothwell trouxe um toque de exuberância com um traje volumoso e cheio de movimento, contrastando com a sobriedade da cor. Já Marta Pozzan preferiu uma proposta contemporânea, com recortes modernos que deram frescor ao clássico. Para fechar, Catherine Zeta-Jones estava usando um vestido dramático, que combinava perfeitamente com sua postura marcante no tapete.
Entre os destaques da noite, a cantora Lisa, do Blackpink, encantou o público com um delicado vestido rosa da Lever Couture, digno de um conto de fadas. Jenna Ortega também brilhou com um modelo ousado e um top cheio de pedrarias da Givenchy, que combinava com modernidade, enquanto a drag queen Arrietty surpreendeu ao surgir com um traje cheio de presença e glamour.

O tapete vermelho não rendeu só bons looks, mas também momentos que deram o que falar. A drag queen Joella se vestiu de Labubu e foi uma das aparições mais inesperadas e divertidas da noite. Outro ponto alto foi a aparição das atrizes Lauren Graham e Alexis Bledel, protagonistas de Gilmore Girls, que emocionou os fãs da série, que completa 25 anos. Para fechar, Meg Salter chamou atenção ao surgir com um visual básico, carregando uma bolsa de protesto escrita “Cessar fogo”, usando a moda como forma de posicionamento político.
O predomínio de escolhas clássicas no Emmy reflete um certo conservadorismo da própria premiação. Antes palco de grandes momentos culturais, hoje o evento parece preso a fórmulas seguras em meio a um cenário em que a atenção do público se divide entre tantas outras atrações. A moda, que deveria dar brilho ao espetáculo, acaba perdendo força quando não surpreende. Enquanto o Met Gala e até o Oscar usam os figurinos para criar narrativas e marcar posição, o Emmy se mantém elegante, mas pouco memorável, e isso ajuda a explicar por que a premiação vem perdendo espaço na conversa cultural.
