Há 15 anos, My Little Pony mostrava que a amizade é mágica para todas as idades

Com cores vibrantes, animação fluida e pôneis com forte personalidade, a série inicialmente infantil conquistou públicos de diferentes idades com temáticas e lições emocionantes (Foto: Discovery Kids)

Letícia Hara

Em 10 de outubro de 2010, a quarta geração de My Little Pony: friendship is magic (no original) estreou nos Estados Unidos, sendo dublada e divulgada no Brasil somente em 2011 pela Discovery Kids. Escrita por Lauren Faust, a série conta com 9 temporadas, sendo encerrada somente em 2019, após o lançamento de filmes, mini-séries e mais de 220 episódios. Há 15 anos, a série demonstrava que falar sobre amizade, emoções e vínculos de modo maduro é possível, mesmo em uma animação meiga e colorida. 

A série animada de televisão da Hasbro conta a história de Twilight Sparkle (Tara Strong), uma pônei de Equestria que não sabia que existia vida e amizade para além dos livros e magias. Sendo uma aluna dedicada e orientada pessoalmente pela governante de Equestria, a Princesa Celestia (Nicole Oliver), Twilight e Spike (Cathy Weseluck), seu companheiro dragão, são enviados para uma missão em uma pequena aldeia distante da capital Canterlot. A estudiosa pônei roxa só não sabia que essa experiência mudaria o rumo de sua história.

Após mil anos sem contato, a Princesa Celestia perdoa sua irmã, Princesa Luna, a qual havia se tornado a implacável Nightmare Moon (Foto: Discovery Kids)

Chegando à Ponyville, Twilight conhece Rarity (Tabitha St. Germain), Applejack (Ashleigh Ball), Pinkie Pie (Andrea Libman), Rainbow Dash (Ashleigh Ball) e Fluttershy (Andrea Libman), as quais juntas derrotam a poderosa Nightmare Moon (Tabitha St. Germain), nos dois primeiros episódios. Assim, ficaram conhecidas como as Mane Six e portadoras dos Elementos da Harmonia. Ao final, a protagonista e seu companheiro decidem permanecer na pacata vila, onde irão aprofundar os seus conhecimentos sobre a magia da amizade.

Apesar de parecer infantil, a série é conhecida por desenvolver vilões cativantes e marcantes, além de aprofundar questões sobre as relações humanas como pertencimento, perdão, redenção, diversidade, diálogo, cooperação e autoconhecimento. A partir da derrota de Nightmare Moon, vilã inicialmente imparável, mas que ao final era apenas uma irmã mais nova mal compreendida, é possível perceber desde o início, que o desenho animado não seria feito apenas de episódios aleatórios sem uma grande lição por trás.

A popularidade dos cavalinhos coloridos é tamanha que muitos colecionadores brigam para tê-los perto de si (Foto: Letícia Hara)

A franquia My Little Pony é conhecida por produzir desenhos animados com o intuito de vender seus produtos para o público infantil. Porém, as pôneis chamou a atenção de muitos adultos que colecionam brinquedos. Gerações anteriores, iniciando com a G1 de 1982-1995, depois a G2 de 1997-1999, a G3 de 2003-2009 e algumas gerações intermediárias, já encantaram públicos de diferentes idades com os pequenos cavalinhos coloridos, com crinas sedosas e rostos fofos e amigáveis. Além disso, o grande diferencial para a popularidade dos brinquedos dos personagens é, sem sombra de dúvidas, eles terem personalidades bem desenvolvidas que nos fascinam e fazem querer tê-los por perto. 

O seriado conta com um fandom enorme o qual acompanha as novidades da franquia, bem como expõe publicamente sua afeição pelos pequenos pôneis. A popularidade da série com o público adulto foi tão grande que, para além das vendas de brinquedos e diversas parcerias com outras séries e filmes, também se tornaram cartinhas do famoso jogo Magic: The Gathering, ou nesse caso, Ponies: The Galloping

Produzir brinquedos tão chamativos e meigos foi um fator importante para o sucesso do desenho animado. No entanto, poucas séries as quais o intuito principal é de vender produtos conseguem se manter como My Little Pony: A Amizade é Mágica. O segredo? A animação de qualidade e chamativa é relevante, mas o investimento em produzir personagens – principais e secundários – tão únicos, com qualidades, defeitos, forças e fraquezas foi o que produziu uma legião de fãs mundialmente. Importante ressaltar que a presença de representatividade LGBTQIAPN+ se tornou um aspecto importante para a série. Todo telespectador pode dizer que se identifica com pelo menos um pony, ou admira sua história de superação das adversidades da vida. Com isso, tanto crianças e adolescentes, quanto adultos se sentem atraídos por cada um dos episódios. 

As duplicatas humanas das mane six mantêm as mesmas personalidades das pôneis, agora usando roupas estilosas e botas chamativas (Foto: Discovery Kids)

Ademais, o universo de Equestria foi expandido em 2013 com o lançamento do filme Equestria Girls, a primeira tentativa de desbravar o multiverso, onde é possível por meio de um espelho, sair do mundo dos pôneis e chegar até a escola de Canterlot. Agora com todos os personagens em suas formas humanas, músicas viciantes e mantendo a mesma originalidade na produção de vilões.

O filme fez aumentar a popularidade da G4 de My Little Pony, porque além de apresentar as mane six com suas formas duplicadas, aprofundou ainda mais o tema da amizade e perdão com a vilã Sunset Shimmer (Rebecca Shoichet). Desse modo, foi uma inovação as meninas terem sido pioneiras na aproximação das pôneis em bonecas de formato humano, competindo com as famosas Monster High.

Apesar das G5 terem sido amplamente divulgadas em brinquedos e até mesmo dando um indício de ligação com a G4, não conseguiram se sustentar por muito tempo (Foto: Discovery Kids)

O sucesso da G4 de My Little Pony: A Amizade é Mágica foi tão grande que, mesmo após seu encerramento em 2019 e o lançamento da quinta geração, animada em 2D e 3D e com novos personagens como protagonistas, os brinquedos (e agora cartas!) da G4 voltaram a ser produzidos em larga escala, especialmente por fabricantes chineses. Enquanto isso, a G5 enfrentou dificuldades na recepção pelo público e acabou sendo oficialmente cancelada

A proposta inicial da nova geração era apresentar o mundo de Equestria muitos anos após os eventos da G4, deixando em aberto o destino das Mane Six – uma dúvida que gerava ainda mais curiosidade em relação à possível existência das princesas, já que, com a presença de magia, essas personagens eram consideradas imortais. No entanto, nessa nova era, a magia desapareceu. Embora os novos protagonistas sejam carismáticos, visualmente atrativos e possuam personalidades marcantes, é evidente que parte do público ainda sente falta das personagens clássicas, tanto principais quanto secundárias. Além disso, a franquia não conseguiu replicar o mesmo apelo dos brinquedos das gerações anteriores, a qualidade das figuras básicas, por exemplo, caiu significativamente, tornando os novos produtos um pouco menos atrativos para colecionadores. 

Não é por acaso que Twilight Sparkle se tornou a Princesa da Amizade. A série por inteiro demonstra que nossos sonhos podem ser realizados com bons companheiros ao nosso redor. Alcançar metas sozinho é ótimo, mas ter com quem partilhar as conquistas é melhor ainda. Uma prova disso é que esse texto comemorativo só existe porque um dia assisti esse seriado e hoje desenvolvo uma pesquisa sobre os benefícios que compartilhar brinquedos com os amigos na vida adulta pode trazer. Assim como a Twilight, posso dizer que cheguei aqui graças à magia da amizade de muitos amigos que, há 15 anos, fazem as lições desta série serem tão especiais. 

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