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	<title>Arquivos Steven Yeun &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A segunda temporada de Invencível não faz jus ao nome e perde outra batalha</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Sep 2024 16:05:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ludmila Henrique  Ser um herói configura em deixar sua marca por onde passa, seja isso algo bom ou ruim. Agir em defesa da vida de uma sociedade tem seu peso e nem sempre pode sair da maneira em que foi planejado, ainda mais quando o destino do defensor não está alinhado com fazer o bem. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/invencivel-2a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A segunda temporada de Invencível não faz jus ao nome e perde outra batalha"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33975" aria-describedby="caption-attachment-33975" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33975" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1.jpg" alt="Cena da 2 temporada de Invencível. Da esquerda para a direita, temos a presença de Eve Atômica/Samantha Eve Wilkins, uma jovem branca, com olhos verdes e cabelo ruivo, ela está vestindo um uniforme e um capacete rosa. Ao seu lado temos a presença de Invencível/Mark Grayson, um jovem de dupla nacionalidade (norte americano e coreano), com cabelo preto. Ele também está vestindo um uniforme e uma máscara de super heroi na cor amarela, azul e preta. Ao seu lado, mais ao fundo, temos a presença de Rudy/Rudolph Conners, um robô laranja de olhos verdes. Ao lado temos o Imortal, um homem adulto, branco, de cabelo e barba escura. Ele está vestindo um uniforme de heroi na cor azul, branca e amarela. Depois temos o Supermorfo, um jovem branco, com cabelo castanho. Ele está vestindo um uniforme azul e laranja. Ao lado está a Menina Monstro, uma jovem branca, de cabelo comprido castanho claro, ela está vestindo um macacão azul. Por último está Sansão Negro, um homem adulto, negro, de olhos escuros e careca. Ele está vestindo um uniforme cinza claro com detalhes de cinza escuro. Eles estão em uma espaçonave cinza, com assentos e uma tela de comando. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33975" class="wp-caption-text">Após quase três anos de hiatus, Invencível retorna ao catálogo do Amazon Prime Video com uma narrativa mais melodramática e escolhas nada óbvias (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><b>Ludmila Henrique </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ser um herói configura em deixar sua marca por onde passa, seja isso algo bom ou ruim. Agir em defesa da vida de uma sociedade tem seu peso e nem sempre pode sair da maneira em que foi planejado, ainda mais quando o destino do defensor não está alinhado com fazer o bem. Indicado pela primeira vez ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, na categoria de Melhor Dublagem de Personagem, </span><a href="https://personaunesp.com.br/invincible-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Invencível</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">renasce das ruínas e apresenta um roteiro maduro em comparação à temporada anterior, explorando as conexões emocionais de seus personagens. </span></p>
<p><span id="more-33974"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na última edição de </span><i><span style="font-weight: 400;">Invencível</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi revelada a verdadeira história do planeta </span><i><span style="font-weight: 400;">Viltrum</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o plano dos Viltrumitas de se tornarem o único império da galáxia, assim, eliminando as espécies consideradas mais fracas e dominando os outros universos. Nolan Grayson (J.K. Simmons), vilão disfarçado do super-herói Omni-Man, foi instruído a enfraquecer a Terra. No entanto, ele adiou o processo de destruição do planeta, até o momento em que Mark Grayson (Steven Yeun), seu filho, desenvolvesse seus próprios poderes e se unisse a ele na causa Viltrumita. Isso não aconteceu, é claro, mas foi o estopim para um dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tyqiQWxPz0c"><span style="font-weight: 400;">embates</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais emocionantes entre super-heróis em animação dos últimos anos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Semanas separam o momento atual da batalha sangrenta entre Invencível e Omni-Man. A narrativa inicial mergulha no trauma que sempre aparece na trajetória de um herói após um acontecimento doloroso, principalmente quando esse está passando pela adolescência, uma fase que, por si só, já é bem traumática. Ser um jovem com poderes não é uma novidade nos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=33HAdxuvhco"><span style="font-weight: 400;">quadrinhos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o Peter Parker de Stan Lee fez isso anos antes, todavia, quando parte de sua jornada está ligada ao fato de que seu próprio pai, uma pessoa que você admirava, tentou arruinar a sua vida e de outras pessoas – e, por pouco, quase conseguiu fazer isso –, o sofrimento e a carga emocional recebem um peso ainda maior. </span></p>
<figure id="attachment_33976" aria-describedby="caption-attachment-33976" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33976" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1.jpg" alt="Cena da 2 temporada de Invencível. Na imagem temos a presença de Omni-man/Nolan Grayson, um homem adulto, branco, com olhos azuis e com o cabelo/barba um pouco grisalho. Ele está vestindo uma camiseta vermelha com gola alta. Ao fundo, temos a imagem do espaço, um céu escuro com estrelas. " width="1999" height="1126" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1-1200x676.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33976" class="wp-caption-text">Josh Keaton, dublador de Peter Parker em O Espetacular Homem-Aranha, fez uma participação dublando um personagem conhecido como Agente-Aranha, uma homenagem ao super-herói da Marvel (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uubsUgShma4"><span style="font-weight: 400;">Robert Kirkman</span></a><span style="font-weight: 400;">, produtor executivo, </span><i><span style="font-weight: 400;">showrunner</span></i><span style="font-weight: 400;"> e co-criador de </span><i><span style="font-weight: 400;">Invincible </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original), ao lado de Simon Racioppa, optaram por projetar essa comoção em vários ápices de melodrama. A tristeza é manifestada através da Música e na maneira de agir dos indivíduos. Os sentimentos dos personagens estão em tela, sem que haja a necessidade de proferir diálogos para compreender a situação, bastando mostrar as circunstâncias aos telespectadores. Isso fica perceptível nas cenas em que Mark salva moradores da cidade, quase de maneira automática, para provar aos outros – e também para ele mesmo – que é diferente do pai. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contrapartida aos momentos de drama, as batalhas, assim como na temporada anterior, continuam sendo explícitas, monstruosas e viscerais. Por outro lado, uma mudança sutil está no enfoque das consequências desses conflitos, na destruição que afeta uma civilização e no tempo que demora para ela se reerguer. A ameaça Viltrumita também teve suas transformações, antes, o poder desse império era associado à imagem do Omni-Man, ele sendo o principal nome que carrega essa soberania. Nessa nova fase, ela foi inserida através de outros elementos, contemplando a verdadeira dimensão e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3DBNv1NwgHM"><span style="font-weight: 400;">representação</span></a><span style="font-weight: 400;"> como uma sociedade extremamente dominadora. </span></p>
<figure id="attachment_33977" aria-describedby="caption-attachment-33977" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33977" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-1.jpg" alt="Cena da 2 temporada de Invencível. Na imagem temos a presença de Angstrom Levy, um homem adulto, negro, de olhos escuros e um cavanhaque. Angstrom também tem um cérebro multiplicado devido ao seu poder, então ele é mais visível. Ele está vestindo uma roupa social, terno cinza escuro, camiseta branca, colete vermelho e uma gravata preta. Ao fundo temos a imagem de uma sala-de-estar, com um sofá, televisão, lareira, prateleira, plantas e uma mesinha. " width="736" height="414" /><figcaption id="caption-attachment-33977" class="wp-caption-text">A produção da terceira temporada já está em andamento e com sua dublagem finalizada (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A passagem de Mark pelo planeta </span><i><span style="font-weight: 400;">Thraxan</span></i><span style="font-weight: 400;"> também foi importante em várias camadas. Sendo uma nação de vida curta em comparação aos seres humanos, eles levam um estilo de vida sem arrependimentos, uma filosofia que motivou o protagonista a seguir com o seu propósito. Se ele está determinado a fazer o bem para o mundo, também precisa avançar com suas emoções, não podendo permanecer no mesmo estado de trauma por muito mais tempo. No entanto, a aparição de um novo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cahu5swrb1s&amp;t=325s"><span style="font-weight: 400;">antagonista</span></a><span style="font-weight: 400;">, que reflete todos os seus medos, pode afetar novamente essas oportunidades de avanço. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZhHAy-q3jyA"><span style="font-weight: 400;">Angstrom Levy</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Sterling K. Brown) não é um dos adversários mais fortes enfrentados por Invencível, mas é o único que consegue atingir o estado emocional de Mark. Levy tem a capacidade de abrir portais para o multiverso e, antes de se tornar vilão, era preocupado com o bem-estar da humanidade, almejando uma utopia harmônica para todo mundo. Porém, para conseguir realizar este feito, ele planejava coligir a memória de todas as suas versões em um único corpo, para garantir um controle maior de seus poderes. O problema desse plano é que em todas as realidades alternativas, Mark e Omni-Man se uniram para destruir a Terra, ou seja, todos os seus clones presenciaram cenas traumáticas causadas pelo herói. No instante em que ocorre a transferência de memória, Angstrom também recebe esse abalo e passa a vê-lo como vilão. </span></p>
<p><figure id="attachment_33978" aria-describedby="caption-attachment-33978" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33978" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-2.jpg" alt="Cena da 2 temporada de Invencível. Na imagem temos a presença de Eve Atômica/Samantha Eve Wilkins, uma jovem branca, com olhos verdes e cabelo raspado ruivo, o rosto está com algumas cicatrizes. Ela está vestindo uma jaqueta preta e uma blusa rosa com o símbolo do gênero feminino estampado nela. Ela está em uma sala escura, apenas com o chão quadriculado sendo visível. " width="736" height="414" /><figcaption id="caption-attachment-33978" class="wp-caption-text">Os indicados a categoria de Melhor Programa de Animação do Emmy 2024 foram Os Simpsons (Fox), Planeta dos Abutres (Max), Bob’s Burgers (Fox), X-Men ‘97 (Disney), e o vencedor, Samurai de Olhos Azuis (Netflix) [Foto: Amazon Prime Video]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Esnobado na categoria de Melhor Série Animada no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2024</span></a><span style="font-weight: 400;">, a animação recebeu sua primeira e única indicação com Melhor Dublagem de Personagem, pelo desempenho do ator Sterling K. Brown como o vilão Angstrom Levy. Brown ganhou destaque na Televisão pelo papel de Randall Pearson na série </span><a href="https://personaunesp.com.br/this-is-us-5a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">This Is Us</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">(NBC), quando ganhou a estatueta de Melhor Ator em Drama na premiação de 2017. Neste ano, o prêmio  foi recebido pela atriz Maya Rudolph, intérprete de Connie, a Monstra Hormonal no </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Big Mouth</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da trama principal, a série foca diversas vezes no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5DMNcJZcH4A"><span style="font-weight: 400;">enredo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de personagens secundários que, apesar de serem importantes para a narrativa do protagonista, não são tão interessantes para cativar o público. Isso deixa a animação em um ritmo mais lento e, em certos momentos, um pouco entediante, até porque nenhuma das histórias é igualmente envolvente como o arco de Mark. A jornada de Eve Atômica (Gillian Jacobs) talvez seja a mais importante depois de Grayson, ela carrega outro sentimento de culpa dos super heróis, como a preocupação de seus poderes serem perigosos, ocasionando danos na vida das pessoas sem conseguir reverter o estrago.</span></p>
<figure id="attachment_33979" aria-describedby="caption-attachment-33979" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33979" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-1.jpg" alt="Cena da 2 temporada de Invencível. Na imagem temos a presença de Invencível/Mark Grayson, um jovem de dupla nacionalidade (norte americano e coreano), com olhos e cabelos escuros. Ele está sem camiseta e banhado de coloração vermelha, fazendo referência ao sangue. Ao fundo temos um céu azul claro. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33979" class="wp-caption-text">A frase “Eu pensei que você fosse mais forte” ecoou na mente de Invencível e dos telespectadores no episódio final da animação (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=k5OY-vXYzeE"><i><span style="font-weight: 400;">Invencível</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não teve um final memorável como na primeira temporada, mas deixou um ponto de interrogação sobre os planos futuros da animação. Ainda não existe uma certeza absoluta na quantidade de bem ou mal – ou responsabilidade e culpa – presente no interior de Mark e Nolan Grayson, porém esses sentimentos estão lá. É um clichê dos quadrinhos, apesar disso, essa narrativa se repete porque continua sendo muito boa. Por agora, é questão de tempo até descobrir se esses personagens vão morrer como verdadeiros heróis ou viver o bastante para se tornarem o vilão de suas próprias histórias. </span></p>
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		<title>Treta revela que a paz interior é mais uma jornada do que um destino</title>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Treta, como comédia dramática, beira ou até ultrapassa o humor ácido ao acompanhar um surto de raiva no trânsito entre duas pessoas, que acabam deixando isso tomar conta de suas vidas. Criada pelo hilário Lee Sung Jin (Thunderbolts) e produzida pela A24, uma das produtoras mais aclamadas do Cinema independente norte-americano, a obra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/treta-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Treta revela que a paz interior é mais uma jornada do que um destino"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31125" aria-describedby="caption-attachment-31125" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31125" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5-1.jpg" alt="Cena da série Treta. Nela estão os dois personagens principais interpretados pelos atores asiáticos americanos Steven Yeun e Ali Wong. Um está à frente do outro enquanto se olham em desafio. Ao fundo uma casa bem ornamentada com uma obra de arte pendurada ao centro. Steven, que interpreta Danny Cho, está segurando uma taça de champanhe enquanto veste uma camisa preta. Ali Wong está com um macacão branco e cabelos na altura do queixo olhando para cima." width="1999" height="1124" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5-1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31125" class="wp-caption-text">Steven Yeun tranquilizou Ali Wong antes das filmagens de Treta, dizendo que sabia tanto quanto ela; a atriz supôs que, sem isso, talvez não tivesse sido capaz de se apresentar como fez (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><i>Treta</i>, como<a href="https://personaunesp.com.br/tag/comedia-dramatica/"> comédia dramática</a>, beira ou até ultrapassa o humor ácido ao acompanhar um surto de raiva no trânsito entre duas pessoas, que acabam deixando isso tomar conta de suas vidas. Criada pelo hilário Lee Sung Jin (<a href="https://variety.com/2023/film/news/marvels-thunderbolts-lee-sung-jin-co-writer-beef-steven-yeun-1235567387/"><i>Thunderbolts</i></a>) e produzida pela<a href="https://personaunesp.com.br/tag/a24/"> <i>A24</i></a>, uma das produtoras mais aclamadas do Cinema independente norte-americano, a obra reúne os talentosos Steven Yeun (<a href="https://personaunesp.com.br/minari-critica/"><i>Minari &#8211; Em Busca da Felicidade</i></a>) e Ali Wong (<a href="https://personaunesp.com.br/aves-de-rapina-critica/"><i>Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa</i></a>), protagonistas e produtores executivos que, durante as filmagens, elogiaram um ao outro por seu senso de humor e atuação.</p>
<p><span id="more-31114"></span></p>
<p>A série explora as consequências psicológicas, sociais e morais de um simples gesto de fúria que se transforma em uma obsessão e reflete a realidade. Amy Lau (Wong) e Danny Cho (Yeun) são dois estranhos que se envolvem no que poderia ser apenas um desentendimento passageiro, mas que se transforma em uma espiral de vingança, paranoia, violência, <a href="https://www.netflix.com/tudum/articles/beef-art-explained">beleza</a>, crítica e busca pela libertação, afetando todas as áreas de suas vidas e das pessoas ao seu redor.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Steven Yeun &amp; Ali Wong Describe BEEF In 15 Seconds | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/978b7Gww56I?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Danny Cho retrata a frustração de muitas pessoas que se sentem presas em uma vida sem sentido e sem realizações. Ele é um empreiteiro fracassado, incapaz de concluir seus projetos ou manter relacionamentos estáveis. Além disso, precisa sustentar seu irmão<a href="https://www.netflix.com/tudum/articles/young-mazino-interview-photos"> Paul</a> em Los Angeles e trazer seus pais da Coreia do Sul. Sentindo-se um perdedor sem controle sobre seu destino, o personagem busca na raiva uma forma de escapar da realidade e se sentir vivo, projetando em sua rival toda a insatisfação e ressentimento.</p>
<p>Por outro lado, Amy Lau se sente solitária e incompreendida. Após o incidente, ela desenvolve uma dependência por adrenalina &#8211; ou por Danny &#8211; que a faz perder o controle e a razão. Apesar de ter um negócio de plantas bem-sucedido e de finalmente ter recebido uma oferta para ter mais tempo livre com família, a milionária excêntrica Jordan, interpretada por<a href="https://personaunesp.com.br/a-mulher-rei-critica/"> Maria Belo</a>, a leva ao limite e mantém incertezas quanto à proposta: seu tão esperado (e merecido) lugar fora da classe trabalhadora, fruto de cinco anos de intensa dedicação e fingimento.</p>
<figure id="attachment_31124" aria-describedby="caption-attachment-31124" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31124" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-1.jpg" alt=" Foto da equipe da série Treta. Todos estão com roupas de gala em frente a uma parede com vários escritos repetidos das palavras “Netflix” e “Beef”. Todas as vinte e duas pessoas estão acima de um tapete vermelho e são majoritariamente asiático-americanos." width="1999" height="1236" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-1-800x495.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-1-1024x633.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-1-768x475.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-1-1536x950.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-1-1200x742.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31124" class="wp-caption-text">Ali Wong, Steven Yeun e o criador de Beef, Lee Sung Jin, trabalharam juntos na série animada Tuca &amp; Bertie como dubladores e escritor, respectivamente (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p>Ao longo da trama de <i>Beef</i>, a rivalidade entre os protagonistas é explorada através de diversos temas que permeiam suas vidas, tais como isolamento, violência, competição, inveja, hipocrisia e falta de empatia. Embora ambos tenham sua parcela de culpa em relação aos eventos, sua conexão e raiva se fortalecem à medida que se enfrentam. Uma junção ao aprofundamento de suas nuances, que completam o espetáculo, nos levam a entender ou questionar suas motivações, propósitos e desejos. Eles são, ao mesmo tempo, <a href="https://legadodamarvel.com.br/treta-nova-serie-da-netflix-e-a-base-para-thunderbolts-o-filme-da-marvel-entenda/">heróis e vilões</a> de suas próprias histórias, buscando uma forma de libertação e redenção.</p>
<p>A obra também é formada por um elenco majoritariamente <a href="https://www.themarysue.com/what-beef-has-to-say-about-being-asian-american/">asiático-estadunidense</a>, o que é raro e importante na indústria audiovisual. Segundo o <i>showrunner</i>, em<a href="https://www.nytimes.com/2023/04/01/arts/television/beef-netflix-steven-yeun.html"> entrevista</a> ao <i>New York Times</i>, isso não foi uma decisão intencional, mas uma consequência natural de explorar os mundos desses personagens, que têm origens e culturas diversas, mostrando a complexidade e humanidade dos papéis asiáticos que, em <i>Treta</i>, não são estereotipados ou marginalizados. Em junção aos desdobramentos que a rixa principal desencadeia, a escolha do <i>cast</i> é um bônus, permitindo núcleos e histórias paralelas bem encenadas por um elenco de apoio forte, com nomes como Ashley Park, Justin H. Min, Andrew Santino e David Choe.</p>
<figure id="attachment_31122" aria-describedby="caption-attachment-31122" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31122" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-1.png" alt="Cena da série Treta. Nela estão os protagonistas asiático-americanos Stephen Yeun, que interpreta Danny Cho, e David Choe, que interpreta Isaac, primo problemático de Danny. Na imagem, Isaac está segurando o ombro esquerdo de Danny enquanto o explica algo enquanto andam. Ambos estão em movimento. O cenário é diurno. Danny veste um suéter escuro e seu cabelo é curto. Isaac veste um cinto ornamentado com detalhes em dourado e uma camiseta social despojada, colares grandes e diversos, enquanto seu cabelo é longo e está preso, apresentando movimento pelo vento da cena." width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-1.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-1-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-1-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-1-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-1-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31122" class="wp-caption-text">Nos Estados Unidos, David Choe tem um cadastro repleto de detenções e acusações, sobretudo ligadas a agressões e posse de drogas (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p>Apesar da qualidade técnica e artística da obra ser indiscutível, o clima caótico e surreal acaba não sendo tão impactante quanto poderia. A exemplo do clímax de cada episódio, que acaba destoando dos elementos que o constroem: quando a bomba está prestes a explodir, no auge da tensão, descobrimos que, na verdade, era o temporizador de um forno. Essa <a href="https://uk.news.yahoo.com/beef-climax-supposed-even-gorier-230042092.html">quebra de expectativa</a> diminui a potência da narrativa em alguns momentos. No entanto, pode-se argumentar que essa lentidão auxilia na construção da narrativa completa, também aproximando a obra da realidade imprevisível em que vivemos e escalonando toda tensão em direção ao episódio final, <i>Figuras de Luz</i>.</p>
<p>Baseada, ironicamente, em fatos reais, Lee Sung Jin revelou à <a href="https://www.today.com/popculture/tv/beef-netflix-true-story-rcna78399"><i>TODAY</i></a> uma discussão no trânsito que o inspirou: “<i>Estou indo para casa e essa pessoa está na minha frente. Se formos em direções diferentes, eu não ia segui-la. Mas acabamos indo na mesma direção […] Foi tipo uns 30 ou 40 minutos. Então, tenho certeza que ele achou que eu fosse um maluco descontrolado o perseguindo</i>&#8220;. Felizmente, ele decidiu canalizar esse sentimento em um projeto criativo, autêntico e ousado como <i>Treta</i>.</p>
<figure id="attachment_31123" aria-describedby="caption-attachment-31123" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31123" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-1.jpg" alt="Obra de arte feita para abertura da série. A obra é composta por uma mulher de feição triste enquanto senta em uma borda laranja com seus pés na água, a pintura aparenta ter sido realizada com aquarela e acima dela, cobrindo grande parte do centro, está o escrito “Beef” em letras grossas em caixa alta com texturas granuladas." width="1200" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-1-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-1-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-1-768x384.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31123" class="wp-caption-text">Segundo Lee, a citação &#8220;Não se torna iluminado imaginando figuras de luz, mas tornando a escuridão consciente&#8221; de Carl Jung guia a série de modo geral e intitula o último episódio (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p>A série é um dos sucessos da <i>A24</i>, responsável por filmes como<a href="https://personaunesp.com.br/moonlight-kendrick-lamar/"> <i>Moonlight</i></a> (2016), <i>Lady Bird </i>(2017) e<a href="https://personaunesp.com.br/critica-hereditario/"> <i>Hereditário</i></a> (2018). A empresa é conhecida por lançar obras de baixo orçamento, mas de alta qualidade artística, que costumam ser premiadas e elogiadas pela crítica especializada, como<a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"> <i>Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</i></a> (2022). Apesar de apresentar um <i>know-how</i> impressionante na produção de filmes, sua aventura no universo da Televisão retém grandes sucessos sem tantas tentativas, como em <a href="http://personaunesp.com.br/tag/euphoria/"><i>Euphoria</i></a>, que quebrou recordes de audiência na <i>HBO Max</i>.</p>
<p>A <a href="https://www.netflix.com/tudum/articles/beef-every-90s-song-soundtrack">trilha sonora</a> é nostálgica e remete aos anos 1990 e 2000. A supervisora musical Tiffany Anders assumiu a tarefa de encontrar músicas que combinem com o tom da série, sem tornar as coisas muito óbvias. Ela inclui canções de artistas como Bush, Christina Aguilera, Kelly Clarkson, The Smashing Pumpkins e Hoobastank, criando contrastes muito sutis, talvez até demais ao demonstrar a contraposição e rivalidade entre os protagonistas. Em momentos como a introdução do caos e a sátira que se seguem na sequência com <a href="https://www.youtube.com/watch?v=u7RPvOOjCvE&amp;ab_channel=OTownVEVO"><i>Liquid Dreams</i></a> do O-Town, no episódio piloto, fazem tudo valer a pena.</p>
<figure id="attachment_31120" aria-describedby="caption-attachment-31120" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31120" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-2.jpg" alt="Cena da série Treta. Nela está a protagonista Amy Lau, interpretada por Ali Wong, sentada no chão, ao centro, enquanto segura uma arma no meio de suas pernas, ela olha com tédio a frente e veste roupas beges com uma de suas mangas abaixadas. O ambiente se assemelha a uma lavanderia, com um banco, cesto de roupas trançado, tapete e parede marrons. Logo acima, duas janelas estreitas verticais uma de cada lado. Em que deixam entrar a luz ao cômodo." width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-2.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31120" class="wp-caption-text">O episódio de The Sopranos, em que Richie Aprile aponta uma arma para a cabeça de Janice enquanto faz sexo, inspirou a cena em que Amy se masturba com o objeto (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p>A precisa fotografia da trama foi feita por Larkin Seiple, mesmo diretor de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=EZ1SUKxSAi4&amp;pp=ygUnb3NjYXIgZXZlcnl0aGluZyBldmVyeXdoZXJlIGFsbCBhdCBvbmNl"><i>EEAAO</i></a>. Já a edição minuciosa e direta foi realizada por Harry Yoon, Nat Fuller, Laura Zempel e Jordan Kim, que trabalharam em séries como<a href="https://personaunesp.com.br/twd-10a-temporada-critica/"> <i>The Walking Dead</i></a>,<a href="https://personaunesp.com.br/better-call-saul-6a-temporada-critica/"> <i>Better Call Saul</i></a> e<a href="https://personaunesp.com.br/watchmen-hbo-critica/"> <i>Watchmen</i></a>. O resultado da união desses profissionais, especialmente, reflete que não basta uma vida regida por paletas pastéis e extrema organização, como Amy procura para alcançar a felicidade, mas justamente o espaço a ser dado ao que é inerente à nós: a ira, a agressividade, a frustração e a raiva. Não apenas performances sociais sufocantes que o mundo nos apresenta, quase sem opções.</p>
<p>Em um artigo da <a href="https://www.netflix.com/tudum/articles/beef-episode-titles-explained"><i>Netflix</i></a>, os criadores procuram explicar a pretensiosa escolha de intitular cada episódio com citações e <a href="https://www.netflix.com/tudum/articles/beef-art-explained">obras de arte</a> que fazem referência a filmes, poemas e discursos famosos. No segundo episódio, por exemplo, o título <i>O Êxtase de Estar Vivo</i> é referente à citação de Joseph Campbell, que diz: “<i>Eu não acho que o sentido da vida é o que estamos buscando. Eu acho que é a experiência de estar vivo […]</i>”. Toda essa construção complexa e complementar ao que a narrativa apresenta é extremamente perigosa, afinal, se fosse injustamente boicotada por uma trama tão surpreendente, em termos de propósito, a adição dessas obras se tornariam munição ao inimigo.</p>
<figure id="attachment_31126" aria-describedby="caption-attachment-31126" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31126" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6.jpg" alt="Cena da série Treta. Nela estão os dois personagens, Danny Cho, interpretado por Steven Yeun, e seu irmão, interpretado por Young Mazino. Ambos estão em seus quartos, enquanto a visão que nos é mostrada é de suas portas lado a lado com a divisão de paredes. No quarto de Danny, ele está sentado no chão e é iluminado por luzes brancas quentes, enquanto no quarto ao lado seu irmão está sentado na cadeira do computador com luzes azuis e roxas." width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31126" class="wp-caption-text">Steven Yeun se tornou o primeiro asiático-estadunidense indicado ao Oscar de Melhor Ator em 2020 por Minari: Em Busca da Felicidade (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p>Assim, <a href="https://www.netflix.com/tudum/beef"><i>Treta</i></a> nos convida a refletir sobre como lidamos com nossos sentimentos negativos e com o dos outros, em um mundo que parece cada vez mais complexo e hostil. Isso, nos apresentando personagens que se deixam levar por impulsos destrutivos, mas que também buscam por algo mais autêntico e humano em suas vidas. A obra nos faz questionar se há outras formas de expressar e acolher a nossa agressividade, sem cair na armadilha de um sistema que se alimenta das nossas angústias e sofrimentos. Sem uma segunda temporada confirmada, mantemos o sentimento de esperança de que algo tão bom possa melhorar e o medo de que percam a essência que faz a série ser especial.</p>
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		<title>Não! Não Olhe! e o terror do desconhecido (que achamos que conhecemos)</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Jan 2023 20:02:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Nos mais de 120 anos do Cinema, é natural que, uma hora ou outra, ideias se esgotem, seja pela saturação ou pelas fórmulas estabelecidas. É a partir daí que os gêneros nascem, com o intuito de guardar em caixas histórias que têm algo em comum. Filmes de ação, geralmente, são construídos sob a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nao-nao-olhe-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Não! Não Olhe! e o terror do desconhecido (que achamos que conhecemos)"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/nao-nao-olhe-critica/">Não! Não Olhe! e o terror do desconhecido (que achamos que conhecemos)</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29604" aria-describedby="caption-attachment-29604" style="width: 1913px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29604 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1.jpg" alt="Cena de Não! Não Olhe! Nela, vemos o personagem interpretado por Steven Yeun. Ele é um homem asiático de cabelos pretos. Ele veste um terno vermelho com detalhes bordados, uma camisa branca e uma gravata minimalista preta. Em sua bochecha,no lado esquerdo há um microfone. Ele olha para cima. Ao fundo, um chão de terra, típico de deserto americano. No lado esquerdo da imagem, é possível ver a extremidade de um tanque de acrílico." width="1913" height="867" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1.jpg 1913w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1-800x363.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1-1024x464.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1-768x348.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1-1536x696.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1-1200x544.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29604" class="wp-caption-text">Jordan Peele começou sua carreira com esquetes de Comédia e, sempre que possível, traz esses elementos para suas obras (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos mais de </span><a href="http://m.estadao.com.br/tudo-sobre/120-anos-do-cinema"><span style="font-weight: 400;">120 anos do Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, é natural que, uma hora ou outra, ideias se esgotem, seja pela saturação ou pelas fórmulas estabelecidas. É a partir daí que os gêneros nascem, com o intuito de guardar em caixas histórias que têm algo em comum. Filmes de ação, geralmente, são construídos sob a sombra dos brucutus com armas nas mãos, contra tudo e contra todos; romances, em sua maioria, são melodramáticos; biografias, quase sempre, endeusam os biografados; aventuras abusam da jornada do herói, e por aí vai. Em uma Arte tão vasta, o difícil é sair da homogeneidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez o gênero que encontre mais dificuldade para escapar do ‘mais do mesmo’ seja o de </span><i><span style="font-weight: 400;">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400;"> com extraterrestres. Muito porque, antes mesmo dele chegar de vez no Cinema, o tema já estava amplamente estabelecido na cultura popular, principalmente a norte-americana. Quando chegou às telas, o subgênero já vinha como um ponto fora da curva, a exemplo de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/icontatos-imediatos-do-terceiro-graui"><i><span style="font-weight: 400;">Contatos Imediatos do Terceiro Grau</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1977), </span><a href="https://cinemaemcena.com.br/critica/filme/6896/marte-ataca"><i><span style="font-weight: 400;">Marte Ataca!</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1996)</span><i><span style="font-weight: 400;">, Alien: O Oitavo Passageiro </span></i><span style="font-weight: 400;">(1979), </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-et/"><i><span style="font-weight: 400;">E.T. O Extraterrestre</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1982), </span><i><span style="font-weight: 400;">Sinais </span></i><span style="font-weight: 400;">(2002) ou, até mesmo, o recente </span><i><span style="font-weight: 400;">Distrito 9 </span></i><span style="font-weight: 400;">(2009). Essa seara que, graças a originalidade, criou seu próprio conceito, merecia ser retrabalhada por uma das mentes mais originais da atualidade, e é isso que Jordan Peele busca com </span><i><span style="font-weight: 400;">Nope</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou, aqui no Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Não! Não Olhe!.</span></i></p>
<p><span id="more-29603"></span></p>
<figure id="attachment_29605" aria-describedby="caption-attachment-29605" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29605 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2.jpg" alt="Cena de Não! Não Olhe! Nela temos o personagem principal OJ, interpretado pelo ator Daniel Kaluuya. Ele é um homem negro, veste uma camisa cinza e um boné na cor verde com um detalhe bordado na frente. Ele segura uma luva nas cores preto e amarelo com a boca. Ao fundo, um pouco de vegetação rasteira e uma cadeia de montanhas" width="1920" height="872" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2-800x363.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2-1024x465.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2-768x349.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2-1536x698.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2-1200x545.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29605" class="wp-caption-text">Em sua segunda colaboração, Daniel Kaluuya já virou um queridinho do diretor (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A história gira em torno de um rancho que cria cavalos para serem usados na indústria do entretenimento, seja em filmes, clipes ou peças publicitárias. Após a morte do patriarca da família, depois de ser atingido por uma moeda que, misteriosamente, é arremessada do céu, seus filhos descobrem que aquele entorno do deserto rural californiano é habitado por um </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-62246921"><span style="font-weight: 400;">OVNI</span></a><span style="font-weight: 400;">. Trata-se de uma premissa bem </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster </span></i><span style="font-weight: 400;">spielbergiana, quase que um encontro entre Peele e Steven Spielberg, e de fato esse talvez seja o filme mais comercialmente aclamado da curta filmografia do diretor. Porém, com o cineasta sendo um dos mais famosos expoentes do simbolismo e da crítica social, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nope </span></i><span style="font-weight: 400;">é muito mais do que isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Carregado de símbolos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Não! Não Olhe! </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma crítica à indústria, estando ele inserido nela. O diretor e roteirista abusa da </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/midia-e-poder-na-sociedade-do-espetaculo/"><span style="font-weight: 400;">sociedade do espetáculo</span></a><span style="font-weight: 400;"> para além daquela base teórica, pois aqui, de certa forma, quebra a quarta parede para analisá-la dos dois lados, e mesmo indo para o lado dos </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;">, também rompe com eles. Esse tipo de narrativa (mal) acostumou o espectador a ter todas as respostas, mas o filme não está nem um pouco preocupado em ser explicativo. Isso faz com que a obra seja a mais divisiva de Peele, visto que funciona de forma muito coesa como conjunto de simbolismos, mas não consegue os amarrar à trama, algo que </span><a href="https://personaunesp.com.br/corra-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Corra!</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017) conseguiu. Dessa forma, a experiência, para ser melhor aproveitada, precisa sair das telas, numa espécie de paranoia conspiratória típica da temática.</span></p>
<figure id="attachment_29609" aria-describedby="caption-attachment-29609" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29609 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3.jpg" alt="Cena do filme Não! Não Olhe! Nela vemos duas mãos. A do lado direito da imagem, é a de um chimpanzé e está toda ensanguentada. Do lado esquerdo, uma mão infantil. As duas estão fechadas, no intuito de se comprimentarem. Elas estão embaixo de uma mesa e a mão do macaco está passando por uma toalha de mesa na cor amarela" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29609" class="wp-caption-text">Para tecer suas críticas, Nope usa de exemplos reais da cultura americana (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É em </span><i><span style="font-weight: 400;">Nope</span></i><span style="font-weight: 400;"> que, nesse extenso amálgama de conceitos, Jordan Peele mais brinca e está livre, ao destrinchar essas interpretações em várias vertentes. Isso é um prato cheio para o mercado de </span><a href="https://www.youtube.com/results?search_query=nope+final+explicado"><span style="font-weight: 400;">finais explicados</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;"> e faz com que o debate seja tão vasto como o universo inexplorado. Por essa razão, cada um que assiste o longa pode tirar suas próprias conclusões, em um cenário de diálogo cada vez mais escasso em uma Hollywood enlatada, fazendo com que tal conjuntura seja extremamente benéfica para o próprio Cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, as várias interpretações apontam para um mesmo céu: o entretenimento é a nova forma de opressão de minorias, o que faz com que essa violência vire um produto da sociedade capitalista, mas Peele não deixa de inserir a crítica racial na trama. Assim como </span><a href="https://personaunesp.com.br/us-jordan-peele-critica-2019/"><i><span style="font-weight: 400;">Us</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Nós, </span></i><span style="font-weight: 400;">2019), a obra também se inicia com uma passagem bíblica; dessa vez, Naum 3:6: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu jogarei imundice sobre você, a tratarei com desprezo e te tornarei um espetáculo</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Impossível não notar que a frase é essencialmente um resumo de Hollywood e da indústria do entretenimento &#8211; basta lembrar a relação de </span><span style="text-decoration: underline;"><a href="https://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2017/02/dez-anos-do-colapso-de-britney-spears-relembre-os-momentos-mais-polemicos.shtml"><span style="font-weight: 400;">Britney Spears</span></a></span><span style="font-weight: 400;"> com os </span><i><span style="font-weight: 400;">paparazzis</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou como os magnatas do Cinema trataram </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-06-27/a-ascensao-queda-e-ressurreicao-de-brendan-fraser-o-heroi-de-hollywood-dos-anos-90.html"><span style="font-weight: 400;">Brendan Fraser</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, além de ser, basicamente, todo o </span><i><span style="font-weight: 400;">plot </span></i><span style="font-weight: 400;">da obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na cena do massacre do </span><a href="https://pipocasclub.com.br/2022/08/24/nao-nao-olhe-o-ataque-de-gordy-e-baseado-em-uma-historia-real/"><span style="font-weight: 400;">chimpanzé Gordy</span></a><span style="font-weight: 400;">, toda a situação é esquecida pelo jovem ator do seriado noventista a partir do momento em que, sobrenaturalmente, o sapato para em pé, evidenciando como ficamos cegos para a barbárie que é a sociedade quando estamos comandados pelo instinto da curiosidade. Negamos o quão brutal foi uma tragédia a partir do momento que procuramos imagens dela. As próprias aparências do ‘OVNI’ retornam a essas formas de repressão. Primeiramente, ele lembra um chapéu de </span><i><span style="font-weight: 400;">cowboy</span></i><span style="font-weight: 400;">, que oprimiu o povo nativo daquela região e, em seguida, seu aparelho digestivo remete justamente a uma câmera de cinema.</span></p>
<figure id="attachment_29606" aria-describedby="caption-attachment-29606" style="width: 1801px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29606 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4.jpg" alt="Cena do filme Não! Não Olhe! Nela, vemos a personagem Emerald, interpretada por Keke Palmer. Ela é uma mulher negra, de cabelos médios cacheados. Ela veste uma camiseta verde e está em cima de uma moto. Em seu pescoço, uma faixa amarela com os dizeres “CRIME SCENE DO NOT CROSS”. A moto está deslizando de lado e faz uma poeira no chão de terra. Ao fundo, cenário de velho oeste, de um parque infantil " width="1801" height="839" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4.jpg 1801w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4-800x373.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4-1024x477.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4-768x358.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4-1536x716.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4-1200x559.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29606" class="wp-caption-text">Amante do Cinema e da cultura nerd, Jordan Peele abusa de referências que vão desde Escorpião Rei até Akira (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas não pense que Jordan Peele é hipócrita em sua crítica. Pelo contrário: ele usa a obra como um todo para fazer um </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/midia-e-poder-na-sociedade-do-espetaculo/"><i><span style="font-weight: 400;">mea culpa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do filme. </span><i><span style="font-weight: 400;">Nope</span></i><span style="font-weight: 400;"> é dividido em cinco capítulos: </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghost</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Clover</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Gordy</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lucky</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Jean Jacket</span></i><span style="font-weight: 400;">. Três deles são os nomes dos cavalos oferecidos à ameaça, seguido pelo nome do chimpanzé morto após o surto; o último é o apelido que os personagens dão ao monstro, ou seja, cinco produtos que foram comidos e cuspidos por algum predador, seja ele literal ou metafórico. A questão é que todas essas cinco divisões são feitas nos mesmos moldes que o letreiro inicial do longa, colocando ele mesmo como esse primeiro produto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, a obra é muito mais que suas discussões, considerando que ela não viria tão forte se não fosse bem estruturada. O grande chamariz é o roteiro de Jordan Peele. Além de ambientar o subtexto de forma muito coesa, ele é certeiro ao </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/08/21/nao-nao-olhe-novo-filme-de-jordan-peele-subverte-classicos-do-cinema-americano-e-traz-elementos-da-historia-negra.ghtml"><span style="font-weight: 400;">subverter</span></a><span style="font-weight: 400;"> o gênero. O </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; que gira em torno da nave espacial não ter nenhum </span><i><span style="font-weight: 400;">alien,</span></i><span style="font-weight: 400;"> mas, ela sim, ser o próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">alien &#8211;</span></i><span style="font-weight: 400;">, além de ser inteligente por quebrar a expectativa apontando para um ponto micro e desconhecido quando, na verdade, ela já está no macro e não a percebemos (pois fomos condicionados a pensar do jeito que o filme quer que pensemos), coloca a obra em um pedestal único quando se fala nessa seara de histórias. O mais surpreendente é que todos esses pontos são tocados através de um roteiro simples, mas extremamente bem pensado.</span></p>
<figure id="attachment_29608" aria-describedby="caption-attachment-29608" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29608 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-scaled.jpg" alt="Cena do filme Não! Não Olhe! Nela, temos o personagem interpretado por Michael Wincott. Ele é um homem branco, de meia idade, com barba e cabelos grisalhos. Em sua frente, há uma câmera analógica na cor preta. Ele segura um walkie-talkie na altura da boca. Ele está sobre uma tenda no deserto americano." width="2560" height="1143" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-800x357.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-1024x457.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-768x343.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-1536x686.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-2048x914.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-1200x536.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29608" class="wp-caption-text">Com muita metalinguagem, Nope também é um filme sobre fazer filmes (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal escrita só poderia ser regida da forma certa com uma boa direção. Aqui, a decisão de Peele de só ter em sua filmografia filmes nos quais ele também escreve se prova, apesar de conservadora, extremamente acertada. Ele sabe conduzir cenas de suspense como ninguém e, na ambientação, até o marasmo do céu se torna assustador nas mãos dele, cujos aspectos técnicos convergem na criação de mundo. O </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de som de </span><a href="https://open.spotify.com/artist/6LtPIflWxgyOxlKciQDgB4"><span style="font-weight: 400;">Johnnie Burn</span></a><span style="font-weight: 400;"> é impecável e consegue amplificar a ameaça do monstro sem abusar de rugidos, somente com o silêncio e o som do vento. Já a fotografia de </span><span style="text-decoration: underline;"><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/08/21/nao-nao-olhe-novo-filme-de-jordan-peele-subverte-classicos-do-cinema-americano-e-traz-elementos-da-historia-negra.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Hoyte van Hoytema</span></a></span><span style="font-weight: 400;">, aliada com o </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de produção de Ruth De Jong e o figurino de Alex Bovaird, criam uma atmosfera única e colorida, que às vezes parece até fantástica para o monocromático deserto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O elenco também faz jus ao texto. Ele foi tão bem desenvolvido que apenas cinco personagens conseguem carregar as duas horas do longa sem cansar. Daniel Kaluuya e Steven Yeun repetem a parceria com Peele, o primeiro pelo excelente </span><i><span style="font-weight: 400;">Corra! </span></i><span style="font-weight: 400;">(2017) </span><span style="font-weight: 400;">e o segundo pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">remake </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://cinepop.com.br/alem-da-imaginacao-do-pior-ao-melhor-ranqueamos-a-1a-temporada-da-serie-264700/"><i><span style="font-weight: 400;">Além da Imaginação</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019). Kaluuya mais uma vez entrega uma atuação primorosa, que vai crescendo com o passar do filme, e Yeun entende que seu papel é bagunçar a trama e faz isso de forma muito consciente. Mas quem rouba a cena é Keke Palmer (</span><i><span style="font-weight: 400;">Lightyear</span></i><span style="font-weight: 400;">) com a expansiva e comunicativa Emerald, que chama todos os holofotes para si e dá conta do recado. São adicionados a eles, também, Brandon Perea (</span><a href="https://ligadoemserie.com.br/2016/12/critica-por-que-the-oa-foi-uma-das-melhores-series-do-ano/"><i><span style="font-weight: 400;">The OA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), que funciona como um alívio cômico muito pontual, e Michael Wincott (</span><a href="https://spdm.org.br/noticias/dica-cultural/o-escafandro-e-a-borboleta-a-historia-real-da-sindrome-do-encarceramento/"><i><span style="font-weight: 400;">O Escafandro e a Borboleta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), com sua presença em cena inconfundível.</span></p>
<figure id="attachment_29607" aria-describedby="caption-attachment-29607" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29607 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6.jpg" alt="Cena do filme Não! Não Olhe! Nela, temos o alienígena Jean Jacket em destaque. Ele tem o formato clássico de uma nave espacial, que se trata de uma espécie de círculo gigante e cinza com um círculo menor na parte de baixo, o que seria sua boca. Ele está perseguindo OJ, que está sobre um cavalo com um moletom laranja. OJ está pequeno devido ao tamanho do alien. No deserto, há cercas pretas dos lados direito e esquerdo. Também há vários bonecos de posto parcialmente inflados, nas cores vermelho, rosa, verde, amarelo e azul." width="1400" height="689" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6-800x394.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6-1024x504.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6-768x378.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6-1200x591.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29607" class="wp-caption-text">Chegando nas premiações mais enfraquecido que os últimos projetos do diretor, o filme vem correndo por fora com indicações ao People’s Choice Awards, Los Angeles Film Critics e New York Film Critics; esse último, com vitória de Keke Palmer como Melhor Atriz Coadjuvante (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Extremamente bem pensado, inteligente, audacioso e subversivo, </span><span style="text-decoration: underline;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=In8fuzj3gck&amp;ab_channel=UniversalPictures"><i><span style="font-weight: 400;">Não! Não Olhe!</span></i></a></span> <span style="font-weight: 400;">é a empreitada mais original do Terror, no ano em que o gênero se provou com muita originalidade. A obra sabe trabalhar com o desconhecido no momento em que ela evidencia que tal desconhecido vai muito além do que conhecemos. Jordan Peele entende o papel do Cinema ao fazer com que a experiência cinematográfica ultrapasse as telas, sem a presunção e pedância de um ‘filme para refletir’, pois coloca o espectador para pensar &#8211; e essa talvez seja a parte mais empolgante da jornada &#8211; sem abrir mão da diversão que é assistir ao longa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez </span><i><span style="font-weight: 400;">Nope </span></i><span style="font-weight: 400;">não seja tão grandioso quanto os projetos anteriores de seu idealizador e isso também vale discussões, mas não por seus deméritos, e sim pelo diretor ser um viciado em acertar. Num futuro, ele pode cair na própria crítica e ser consumido e cuspido pela indústria, mas esquecido? Jamais. Pois essa pequena e significativa constelação da qual Peele construiu sua história nas telas sempre irá brilhar no Cinema.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Não! Não Olhe! | Trailer Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/77mwLBQ9XxQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Invincible é realmente tudo isso ou estamos apenas dando importância demais para opinião de nerd?</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Jun 2021 14:36:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Franqlin Invincible chegou em março no Amazon Prime Video, despertando curiosidade e gerando polêmicas dentro do mundo nerd. Mas, afinal, a série é, realmente, tudo isso? Baseada nas HQs de mesmo nome de Robert Kirkman, Invencível é originalmente uma criação em quadrinhos de 2003. Ela foi incluída no catálogo da Amazon, que agora, aparentemente, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/invincible-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Invincible é realmente tudo isso ou estamos apenas dando importância demais para opinião de nerd?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21192" aria-describedby="caption-attachment-21192" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21192" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/invincible-foto-1.jpg" alt="Cena da série Invicible. A imagem apresenta em primeiro plano e centralizado o personagem Invincible. Ele está posicionado em ¾ e olhando para a frente com uma expressão de seriedade. O personagem é um homem adolescente branco, de estatura média, magro e com o cabelo preto; seu uniforme é um collant de corpo todo amarelo, azul e preto, o uniforme se completa com um óculos branco acoplado na máscara amarela. O fundo do cenário é uma avenida com carros de polícia, pessoas correndo e fumaça." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/invincible-foto-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/invincible-foto-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/invincible-foto-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/invincible-foto-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21192" class="wp-caption-text">A série Invencível é uma adaptação da HQ de Robert Kirkman, também criador de The Walking Dead (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Franqlin</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Invincible </span></i><span style="font-weight: 400;">chegou em março no </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/cultura-geek/218113-amazon-prime-video-10-filmes-romance-derreter-coracao.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> despertando curiosidade e gerando polêmicas dentro do mundo </span><i><span style="font-weight: 400;">nerd</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas, afinal, a série é, realmente, tudo isso? Baseada nas HQs de mesmo nome de Robert Kirkman, </span><a href="https://www.jornadageek.com.br/colunas/invincible-2-temporada-tudo-sobre/"><i><span style="font-weight: 400;">Invencível</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é originalmente uma criação em quadrinhos de 2003. Ela foi incluída no catálogo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">que agora, aparentemente, segue apostando na nova onda de desconstrução de super-heróis iniciada no ano retrasado por </span><a href="http://personaunesp.com.br/the-boys-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Boys</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – que, inclusive, também se baseia em HQs lançadas na longínqua década de 2000. </span></p>
<p><span id="more-21189"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.omelete.com.br/amazon-prime-video/criticas/invencivel-invincible-primeira-temporada-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Invincible</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">a história gira ao redor da vida do protagonista Mark Grayson (</span><a href="https://personaunesp.com.br/minari-critica/"><span style="font-weight: 400;">Steven Yeun</span></a><span style="font-weight: 400;">). O adolescente, filho de um dos guardiões globais mais importantes do mundo, Omni-Man (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EBoMKkmJEMg"><span style="font-weight: 400;">J. K. Simmons</span></a><span style="font-weight: 400;">), está terminando o Ensino Médio e começando a descobrir seus poderes tais quais os do seu pai – que, nesse universo, é uma paródia do Super-Homem. Ele começa uma vida atrapalhada tentando equilibrar suas responsabilidades como super-herói e deveres como um adolescente comum com escola, amigos e namorada, mas, é claro, ele leva tudo muito mal e acaba entrando no mesmo dilema do </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-159051/"><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha</span></a><span style="font-weight: 400;"> de que </span><i><span style="font-weight: 400;">“com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Isso gera bastante empatia pelo personagem que parece tão perdido quanto qualquer um de seus fãs.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Já Estava Na Hora</span></i><span style="font-weight: 400;">, passa ao espectador uma impressão de </span><i><span style="font-weight: 400;">déjà vu </span></i><span style="font-weight: 400;">trazendo muitas referências de tudo que o público </span><i><span style="font-weight: 400;">nerd </span></i><span style="font-weight: 400;">já viu previamente no mundo dos super-heróis. Para quem já faz parte desse contexto, cada minuto da animação te deixa com uma sensação de</span><i><span style="font-weight: 400;"> “já vi isso antes”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esse é o episódio de ambientação – ele apresenta os personagens, as equipes e o universo no geral. Há aqui muitas referências escancaradas à </span><a href="https://personaunesp.com.br/liga-da-justica-de-zack-snyder-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Liga da Justiça</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.omelete.com.br/amazon-prime-video/the-boys-3-temporada-o-que-queremos-ver"><i><span style="font-weight: 400;">The Boys</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/watchmen-hbo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Watchmen</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Jovens Vingadores</span></i><span style="font-weight: 400;">, etc. O próprio Mark parece uma versão em desenho do Homem-Aranha </span><i><span style="font-weight: 400;">playboy </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://www.omelete.com.br/marvel-cinema/homem-aranha-3-tom-holland-fim-do-contrato"><span style="font-weight: 400;">Tom Holland</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tudo isso, é claro, para no último minuto fechar a cena com um </span><i><span style="font-weight: 400;">plot </span></i><span style="font-weight: 400;">perturbador.</span></p>
<figure id="attachment_21190" aria-describedby="caption-attachment-21190" style="width: 890px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21190" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/invincible-foto-2.jpg" alt="A imagem apresenta em primeiro plano o personagem Invincible em uma cena de ação, ele está correndo em direção a câmera com expressão de raiva. O personagem é um homem adolescente branco, de estatura média, magro e com o cabelo preto; seu uniforme é um collant de corpo todo amarelo, azul e preto, o uniforme se completa com um óculos branco acoplado na máscara amarela. Em segundo plano na imagem estão vários outros personagens também correndo na mesma direção que o Invincible." width="890" height="466" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/invincible-foto-2.jpg 890w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/invincible-foto-2-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/invincible-foto-2-768x402.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21190" class="wp-caption-text">Invincible mantém o enredo fiel ao material original (Foto: Image Comics)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos grandes problemas de roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Invincible </span></i><span style="font-weight: 400;">são as referências que não param no primeiro episódio. Depois de construir e ambientar todo o enredo com várias paródias, achar a voz própria é um trabalho árduo que a equipe da série tardou em conseguir. Por causa disso, a impressão que ficamos durante a maior parte do programa é que ele é apenas um</span> <a href="https://projetocolabora.com.br/ods13/frankenstein-e-o-aquecimento-global/"><i><span style="font-weight: 400;">Frankenstein</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de tudo já deu certo no universo </span><i><span style="font-weight: 400;">nerd </span></i><span style="font-weight: 400;">dentro do audiovisual, algo sem personalidade, que até funciona bem como um programa para distrair a cabeça, mas que não chega a ser uma obra marcante para o meio. Pessoalmente, assistindo aos primeiros capítulos, não saiu da minha cabeça a ideia de que eles foram escritos em uma mesa com vários executivos munidos de algoritmos para ver o que daria mais dinheiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro grande problema com o roteiro é a falta de ritmo. Novamente, parece que a equipe de roteiristas estava sem rumo. </span><i><span style="font-weight: 400;">Invincible </span></i><span style="font-weight: 400;">tenta fazer tudo de uma vez: contextualizar, apresentar personagem, criar conflitos individuais, discutir o problema principal e acrescentar </span><i><span style="font-weight: 400;">plots </span></i><span style="font-weight: 400;">que ficam como pontas soltas na história. O espectador sai de maneira brusca de uma cena graficamente violenta de luta para os problemas de romance do protagonista e discussões bobas que tentam, sem sucesso, recriar o trabalho memorável de </span><a href="https://www.omelete.com.br/homem-aranha/homem-aranha-sam-raimi"><span style="font-weight: 400;">Sam Raimi</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2</span></i><span style="font-weight: 400;">. Isso contribui bastante para que a personagem Amber Beetz (</span><a href="https://personaunesp.com.br/atlanta-critica/"><span style="font-weight: 400;">Zazie Beetz</span></a><span style="font-weight: 400;">) seja odiada pela maioria dos fãs – o que é uma pena, porque ela poderia ter sido bem mais aproveitada, uma figura  com muito potencial desperdiçado. Por ser a primeira temporada, tentativas e erros ainda são perdoáveis, ainda mais porque no último episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Verdade,</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece que os roteiristas finalmente encontraram o tom da série.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas não apenas de erros vive </span><i><span style="font-weight: 400;">Invencível</span></i><span style="font-weight: 400;">. Algo que acertaram muito foi na escalação de </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/critica-invincible-amazon-prime-video-181145/"><span style="font-weight: 400;">elenco</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quem assistiu na língua original com certeza ficou satisfeito com as atuações no geral. Segue aqui algumas menções honrosas para Zazie Beetz como Amber Beetz, </span><a href="https://personaunesp.com.br/killing-eve-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sandra Oh</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Debbie Grayson, </span><a href="https://personaunesp.com.br/brooklyn99-7a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jason Mantzoukas</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Rex Splode e Kevin Michael como os Irmãos Mauler.</span></p>
<figure id="attachment_21191" aria-describedby="caption-attachment-21191" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21191" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/invincible-foto-3.jpg" alt="Cena da série Invincible. A cena apresenta em primeiro plano a personagem Amber Beetz posicionada em ¾ e sentada na cama, olhando para a direita e conversando no telefone com expressão de atenção. A personagem é uma mulher adolescente negra, magra e com o cabelo castanho; sua roupa é uma camisa verde clara, uma calça branca rasgada no joelho e alguns adereços dourados como um bracelete, colar, brincos e presilhas de cabelo. O fundo da imagem é uma parede lilás." width="1200" height="762" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/invincible-foto-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/invincible-foto-3-800x508.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/invincible-foto-3-1024x650.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/invincible-foto-3-768x488.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21191" class="wp-caption-text">Zazie Beetz já foi indicada ao Emmy de Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Comédia por Atlanta (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Referente a qualidade da animação, existem alguns pontos a serem levantados. </span><i><span style="font-weight: 400;">A priori</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">a primeira coisa que lembramos é de</span> <a href="https://universoxmen.com.br/2020/06/10-curiosidades-sobre-a-continuacao-cancelada-de-x-men-evolution/"><i><span style="font-weight: 400;">X-Men Evolution</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o traço e estilo da animação são muito parecidos. Dá a impressão de que essa é realmente uma série feita para os que acompanharam quando criança os </span><i><span style="font-weight: 400;">X-Men</span></i><span style="font-weight: 400;"> na hora do almoço e, agora que já estamos todos adultos, nada mais coerente do que uma série no mesmo estilo, mas com classificação indicativa para maiores de 18 anos. Contudo a qualidade varia bastante dependendo do momento da obra, em cenas de luta, por exemplo, a violência ficou extremamente gráfica, a velocidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">frames </span></i><span style="font-weight: 400;">por segundo aumenta e o espectador se choca com sangue, tripas e ossos para todos os lados – algo que é interessante de ser explorado no momento em decorrência da liberdade que a animação entrega. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, em cenas de diálogo, a qualidade é baixíssima para os padrões </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;">. Isso aumenta ainda mais o desgaste da obra pela falta de ritmo, com esse vácuo de continuidade entregado desperta em quem assiste o desejo de interromper o programa. Realmente não existe um porquê da animação parecer tão ruim às vezes, já que ela é naturalmente mais barata de ser produzida apenas por ser um desenho animado, e, se o motivo não pode ser financeiro, a impressão que fica é de descaso do estúdio. Por causa disso, ainda permanece a dúvida de até que ponto a qualidade do desenho foi propositalmente baixa, se foi apenas por saudosismo ou se foi mais por avareza com a produção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro detalhe interessante é sobre a duração dos episódios. Cada parte tem em média 45 minutos, o que é bastante para uma animação mesmo que seja uma série em uma plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">. Isso deixa o programa ainda mais cansativo para o fã e, para complicar tudo, ainda existe uma regra interna de que o nome do protagonista nunca é dito – sempre que alguém vai dizê-lo, a cena é cortada para outra sem conexão nenhuma com a anterior. E dessa forma, acaba que fica fatigante para o espectador segurar quase uma hora em cada episódio que trata de vários assuntos e abre muitos parênteses que não dá conta de fechar. Voltamos novamente aos problemas de roteiro como se fosse um </span><i><span style="font-weight: 400;">looping</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_21193" aria-describedby="caption-attachment-21193" style="width: 1345px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21193" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/invincible-foto-4.png" alt="Cena da série Invincible. A cena apresenta em primeiro plano o personagem Invincible sendo golpeado na parte torácica com um poste amarelo; o personagem está caído no chão, gritando e com expressão de dor, seu uniforme está sujo e quase todo rasgado, seu rosto está desfigurado e ensanguentado, há muito sangue em quase todo o quadro. O personagem é um homem adolescente branco, de estatura média, magro e com o cabelo preto; seu uniforme é um collant de corpo todo amarelo, azul e preto, o uniforme se completa com um óculos branco acoplado na máscara amarela que está quase toda rasgada também. O fundo da cena é o chão quebrado e em tons terrosos." width="1345" height="716" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/invincible-foto-4.png 1345w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/invincible-foto-4-800x426.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/invincible-foto-4-1024x545.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/invincible-foto-4-768x409.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/invincible-foto-4-1200x639.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21193" class="wp-caption-text">Steven Yeun, que dubla Mark, também já esteve em The Walking Dead, demonstrando a parceria do ator com Robert Kirkman (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas se </span><i><span style="font-weight: 400;">Invincible </span></i><span style="font-weight: 400;">tem realmente tantos problemas, como a obra conseguiu ser tão popular? Creio que quem não assistiu ainda pode estar se perguntando isso nessa altura do texto. Um dos motivos é que ela tem algo que estávamos querendo ver há muito tempo nesse universo </span><i><span style="font-weight: 400;">nerd</span></i><span style="font-weight: 400;">: a verossimilhança da violência com a realidade. Não no ponto de crítica social – isso </span><i><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/coringa-critica/">Coringa</a> </span></i><span style="font-weight: 400;">já fez há um tempinho –, falo do literal mesmo, violência por definição. Quando um personagem se machuca, ele fica comprometido por tempo proporcional, quando um prédio cai em uma avenida movimentada durante a luta, pessoas se ferem, já que ninguém consegue mágicamente escapar de vidro e aço caindo do céu como chuva. Isso é novidade e foi muito bem aceito pelo público como um elemento marcante da série.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro motivo é que a obra foi escrita para ser popular. </span><i><span style="font-weight: 400;">Invincible </span></i><span style="font-weight: 400;">pega o embalo de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Boys</span></i><span style="font-weight: 400;"> de uma maneira que já foi até sugerida como uma </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/nova-boys-animacao-para-adultos-ja-tem-data-para-chegar-no-prime-video-49965"><span style="font-weight: 400;">nova versão </span></a><span style="font-weight: 400;">da série-irmã. A desconstrução de super-heróis é um tema que está valendo a pena investir agora, pois no mundo dos quadrinhos ela já está saturada há anos desde Alan Moore com </span><i><span style="font-weight: 400;">Watchmen</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas, no </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">esse assunto ainda se mantém como novidade, o que é bem lucrativo para as empresas. Pensando em </span><a href="https://personaunesp.com.br/watchmen-hbo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Watchmen</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, Invincible </span></i><span style="font-weight: 400;">não perde a oportunidade de ter seu próprio </span><a href="https://canaltech.com.br/quadrinhos/serie-de-rorschach-nos-quadrinhos-amplia-algo-visto-em-watchmen-na-hbo-185251/"><span style="font-weight: 400;">Rorschach</span></a><span style="font-weight: 400;"> na figura de Damien Darkblood – um outro personagem vítima do roteiro e que teve o potencial desperdiçado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma boa notícia para os fãs é que ainda há esperança! </span><i><span style="font-weight: 400;">Invencível </span></i><span style="font-weight: 400;">já foi confirmada até a </span><a href="https://www.arrobanerd.com.br/prime-video-renova-invincible-para-2a-e-3a-temporada/"><span style="font-weight: 400;">terceira temporada</span></a><span style="font-weight: 400;">, então ainda há tempo para salvar a história e aproveitar melhor outros personagens potencialmente marcantes para a série. Esperamos que ela possa, no próximo ano, finalmente sair da sombra de outros programas, algo que, se o enredo seguir pela mesma linha dos quadrinhos, não será muito difícil. O máximo que pode acontecer é a série ficar carregada pelo Omni-Man – o que se for bem escrito não haverá problemas.</span></p>
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		<title>A raiz de Minari e suas três germinações</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Apr 2021 17:09:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra A raiz que busca um solo para se firmar, o sonho que busca um meio de se realizar e o Cinema que busca um espaço para se expressar. Assim é Minari: tão belo, suave e poderoso quanto o fenômeno mais fundamental da natureza, tão feliz quanto o processo mais gratificante da experiência humana, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/minari-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A raiz de Minari e suas três germinações"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20032" aria-describedby="caption-attachment-20032" style="width: 2400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20032 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/david-grande.jpg" alt="Imagem de divulgação do filme Minari. A imagem é retangular e mostra o personagem David, interpretado por Alan Kim, uma criança asiática de sete anos, de cabelos lisos escuros, ao centro. David veste uma camisa polo de listras em tons de marrom, branco, cinza e laranja, e uma bermuda cinza escura. O menino, fotografado do quadril para cima, olha para a câmera com uma expressão serena e segura um graveto com a mão direita, oferecendo-o para a câmera. Atrás dele, existe uma casinha com uma pintura da bandeira dos Estados Unidos na parede, e ele caminha sob um gramado verde. A imagem é colorida vibrante." width="2400" height="1350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/david-grande.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/david-grande-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/david-grande-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/david-grande-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/david-grande-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/david-grande-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/david-grande-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20032" class="wp-caption-text">Minari é <a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-filmes-de-2020/">um dos melhores filmes de 2020</a> e um dos grandes indicados ao <a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/">Oscar 2021</a> (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><strong>Raquel Dutra</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A raiz que busca um solo para se firmar, o sonho que busca um meio de se realizar e o Cinema que busca um espaço para se expressar. Assim é <em>Minari</em>: tão belo, suave e poderoso quanto o fenômeno mais fundamental da natureza,</span><span style="font-weight: 400;"> tão feliz quanto o processo mais gratificante da experiência humana</span><span style="font-weight: 400;">, e tão transformador quanto o ato de criar seu próprio caminho</span><span style="font-weight: 400;">. O drama familiar dirigido e roteirizado por </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm1818032/bio?ref_=nm_ov_bio_sm"><span style="font-weight: 400;">Lee Isaac Chung</span></a><span style="font-weight: 400;"> se destaca</span> dentre muitos filmes ambiciosos, fechados e maquiados com sua narrativa delicada, representativa e verdadeira. Encantando em absolutamente todos os lugares que passou desde sua <a href="https://cinemacomrapadura.com.br/noticias/586161/minari-filme-da-a24-premiado-no-festival-de-sundance-ganha-primeiro-trailer/">estreia no Festival de <em>Sundance</em> em janeiro de 2020</a>, o filme chega em 2021 representando uma série de narrativas e existências que não precisam e nem querem gritar em obras de estruturas grandiosas para serem ouvidas. Apenas desejam encontrar seu espaço para existir.</p>
<p><span id="more-20014"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso se aplica tanto ao seu conteúdo narrativo quanto à sua forma de realização. </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;"> procura germinar uma história singela sobre sonhos e raízes. Seu cenário é a zona rural de Arkansas, nos Estados Unidos da década de 80. Seus personagens são uma família de imigrantes e seu pontapé inicial é uma mudança que Jacob (</span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/oscar-2021-4-filmes-e-series-para-conhecer-carreira-de-steven-yeun-estrela-de-minari-lista/"><span style="font-weight: 400;">Steven Yeun</span></a><span style="font-weight: 400;">), Monica (</span><a href="https://www.imdb.com/name/nm3680658/"><span style="font-weight: 400;">Ye-ri Han</span></a><span style="font-weight: 400;">), Anne (</span><a href="https://www.imdb.com/title/tt10633456/characters/nm10942337"><span style="font-weight: 400;">Noel Cho</span></a><span style="font-weight: 400;">) e David (</span><a href="https://glamurama.uol.com.br/quem-e-alan-kim-o-ator-prodigio-de-8-anos-que-emocionou-o-publico-ao-vencer-o-critics-choice-award-pela-atuacao-em-minari/"><span style="font-weight: 400;">Alan Kim</span></a><span style="font-weight: 400;">) fazem de uma ponta à outra do país em busca de seus sonhos, autonomia e felicidade. Sua inspiração? </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/oscar-2021-por-que-prestar-atencao-em-lee-isaac-chung-indicado-melhor-diretor-por-minari/"><span style="font-weight: 400;">A vida do seu criador</span></a><span style="font-weight: 400;">, que também em meados de 1980, tentava se adaptar a uma nova realidade repleta de promessas, e que em 2020 tentou pela última vez &#8211; e foi muito bem-sucedido, se ainda for preciso dizer &#8211; a realização de seu Cinema.</span></p>
<figure id="attachment_20016" aria-describedby="caption-attachment-20016" style="width: 1419px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20016 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-2.jpg" alt="Cena do filme Minari. A imagem mostra a personagem Monica, interpretada por Ye-ri Han, uma mulher asiática de cabelos castanhos lisos presos num rabo baixo, no lado esquerdo. Ela veste uma camiseta amarela clara e aparece da cintura para cima, olhando para Jacob, que está a sua frente, mais à direita da imagem. O personagem é interpretado por Steven Yeun, um homem amarelo, de cabelos lisos escuros, e veste uma camisa de mangas curtas xadrez alaranjada. Ele olha para fora da imagem, no lado esquerdo. Os casal está num campo, o céu é azul e ao funde pode-se observar muitas árvores." width="1419" height="798" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-2.jpg 1419w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20016" class="wp-caption-text">Quando tinha cinco anos, o diretor e roteirista também se mudou com a família para uma fazenda no sul dos EUA, e seus pais tinham a mesma ocupação, sonhos e dores de Jacob e Monica (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é preciso ir longe para entender porque </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;"> é tão especial. Representatividade, afeto, família, sonhos, desafios, beleza… Tudo isso pode ser encontrado nos </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160118_riqueza_estudo_oxfam_fn"><span style="font-weight: 400;">99% da humanidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e também dentro e fora, na superfície e na profundidade, e antes, durante e depois do filme. Partindo de um pretexto simples de um lugar profundamente pessoal, ele ressoa de todas as formas que o Cinema permite, atingindo uma esfera surpreendentemente universal.</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fenômeno acontece no exato núcleo da obra, composto objetivamente pelo mesmo contexto em </span><span style="font-weight: 400;">que Lee Isaac Chung viveu parte de sua infância: </span><span style="font-weight: 400;">uma família coreano-americana que deixa tudo o que tem para trás em busca de realização e melhores condições de vida. Subjetivamente, está todo o resto: na realidade já difícil agravada pelo racismo e pelas dinâmicas sociais e econômicas, eles tentam encontrar seu lugar, tanto no mundo externo, quanto dentro do próprio lar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os debates decorrentes de construir uma história totalmente firmada na vivência de um grupo marginalizado não são deixados de lado, e nem gritados, concordando com </span><a href="https://deadline.com/video/lee-isaac-chung-oscar-interview-minari-behind-the-lens/"><span style="font-weight: 400;">a intenção maior do filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> e com todo o resto do roteiro, que é sempre sutil e caminha a passos leves. Algo que pode incomodar alguns, mas a escrita íntima de Chung sabe o que faz com algo vivido na própria pele. E a última coisa que o criador quer é o iluminar de mais ou o aguar de menos, atrapalhando assim o crescimento de seu </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_20019" aria-describedby="caption-attachment-20019" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20019 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-3.jpg" alt="Cena do filme Minari. Na imagem, pode-se observar o personagem de Jacob, interpretado pelo ator Steven Yeun, um homem amarelo de cabelos escuros, e de David, interpretado por Alan Kim, uma criança também amarela. Eles se olham com ternura e a imagem os captura de lado, dos ombros para cima. Jacob usa uma camisa azul clara e David uma polo com listras azuis e brancas. Eles estão sentados numa escadaria, mas ela é visível apenas ao fundo." width="1920" height="801" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-3-300x125.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-3-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-3-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-3-1536x641.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-3-1200x501.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20019" class="wp-caption-text">Em entrevista ao The Hollywood Reporter, Lee Isaac Chung, a produtora Christina Oh e o ator Steven Yeun enfatizam que os temas de Minari são mais amplos do que a experiência asiático-americana: &#8220;Estávamos apenas tentando dizer algo honesto&#8221; (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Metáfora essa que se transforma no estalo mais genial e delicioso do filme através da alma da narrativa, mais conhecida como a 5ª pessoa da família, mais conhecida como Soonja, mais conhecida como </span><i><span style="font-weight: 400;">a vovó de Minari</span></i><span style="font-weight: 400;">. A personagem de </span><a href="https://internacional.estadao.com.br/noticias/nytiw,minari-atriz-coreia-do-sul-filme-oscar,70003679917"><span style="font-weight: 400;">Yuh-Jung Youn</span></a><span style="font-weight: 400;"> vem da Coreia para elevar a história e</span><span style="font-weight: 400;"> ajudar a cuidar dos netos, visto que Jacob e Monica trabalham numa granja da cidade e depois cumprem uma terceira jornada: ele na fazenda dos seus sonhos e ela administrando a casa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela traz consigo alguns presentes coreanos para a família, que há anos não pisa na terra natal. Dentre eles, está um broto de </span><a href="https://zh-cn.facebook.com/Pelaspanelasdomundo/posts/minarioenanthe-javanica-uma-verdura-coreanaalmocei-hoje-em-um-restaurante-corean/2723567527906388/#:~:text=Minari(Oenanthe%20javanica)%2C%20uma%20verdura%20coreana.&amp;text=Esta%20%C3%A9%20%C3%BAnica%20esp%C3%A9cie%20de,as%20outras%20s%C3%A3o%20altamente%20t%C3%B3xicas."><i><span style="font-weight: 400;">minari</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: um tempero típico do país que Soonja importa para o solo americano, e a analogia que floresce a riqueza das entrelinhas do filme. A raiz, a distância de casa, o adaptar-se a um novo contexto, o compreender um ao outro, a expectativa de vingar, a esperança de vida… Em tudo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;"> se vê um </span><i><span style="font-weight: 400;">minari</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes que nosso raciocínio imagine a possibilidade de concluir o filme como algo não-verbal demais, suave demais ou até seminal demais, Lee Isaac Chung confirma que <a href="https://trevo.us/as-construcoes-narrativas-em-minari/">estamos sim no audiovisual e que estamos sim numa narrativa estruturada</a> e semeia suas reflexões na carne do filme. Agora, outra instância fundamental e encantadora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;"> começa a germinar, fertilizada pela sintonia do roteiro, direção e elenco que cultiva a relação entre a avó e os netos.</span></p>
<figure id="attachment_20020" aria-describedby="caption-attachment-20020" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20020 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/vovis.jpg" alt="Cena do filme Minari. A imagem mostra David, personagem de Alan Kim, uma criança amarela, e Soonja, personagem de Yuh-Jung Youn, uma senhora asiática. Eles estão no banco de trás de um carro, e se olham desconfiados. David veste uma camisa verde clara e uma gravatinha azul escura, e Soonja veste uma camisa amarela clara de bolinhas." width="840" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/vovis.jpg 840w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/vovis-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/vovis-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20020" class="wp-caption-text">Yuh-Jung Youn venceu o BAFTA e o SAG de Melhor Atriz Coadjuvante em 2021 (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Demonstrando pleno domínio dos rumos de sua história, </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari </span></i><span style="font-weight: 400;">aproveita o momento de sustentar sua narrativa para surpreender mais uma vez, agora brincando com seus efeitos e expectativas. Presentes, cuidados e comidinhas enganam a nós e a David: <a href="https://diamondfilms.com/br/noticia/1222-a-vov%EF%BF%BD-de-minari">a avó escrita por Chung e brilhantemente vivida por Yuh-Jung Youn </a></span><span style="font-weight: 400;">está longe de ser uma matriarca ‘normal’ aos ideias que o pequeno, nascido, crescido e educado na cultura dos Estado Unidos, e que nós, os espectadores americanos, conhecemos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Soonja não sabe fazer </span><i><span style="font-weight: 400;">cookies</span></i><span style="font-weight: 400;">, é meio desajeitada e completamente desbocada, o que causa estranhamento no personagem do prodígio Alan Kim, comprometendo a relação dos dois. Pelas beiradas, a esperteza de ambos (Soonja, David e Chung) sobressai a teimosia (agora só dos personagens) e vislumbra o equilíbrio. David adora explorar o ambiente e a avó tem algo a semear, afinal. Assim, eles plantam a raiz de </span><i><span style="font-weight: 400;">minari </span></i><span style="font-weight: 400;">juntos ao mesmo tempo em que tentam se adaptar um ao outro e encontrar sua própria maneira de se relacionar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desdobramento disso equilibra a relação entre o filme e o espectador com algo que é exatamente o que gostaríamos de ver. Soonja e David roubam todas as atenções de </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;">, seja numa relação de amizade marcada pelas artes que aprontam juntos e das pérolas que soltam na companhia um do outro, seja no <a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/oscar-2021-como-relacoes-familiares-preservam-nossas-raizes-em-minari-review/">vínculo familiar</a> de avó e neto, que vence as diferenças culturais frutificando momentos emocionantes de carinho, cuidado e incentivo.</span></p>
<figure id="attachment_20053" aria-describedby="caption-attachment-20053" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20053 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-will-patton-steven-yeun-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-will-patton-steven-yeun-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-will-patton-steven-yeun-300x150.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-will-patton-steven-yeun-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-will-patton-steven-yeun-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-will-patton-steven-yeun-1536x768.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-will-patton-steven-yeun-2048x1024.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/minari-will-patton-steven-yeun-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20053" class="wp-caption-text">A ponta de comicidade do personagem de Will Patton, o ajudante de Jacob na fazenda que é extremamente atrapalhado e religioso, complementa a obra (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É fato que David e Soonja são o coração de </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas o filme não seria tudo o que é sem a excelência completa de seus personagens, especialmente a de quem &#8211; teoricamente &#8211; é o protagonista. <a href="https://veja.abril.com.br/cultura/steven-yeun-o-ator-de-the-walking-dead-que-fez-historia-no-oscar-2021/">O Jacob de Steven Yeun</a> e de Lee Isaac Chung é dono de um dos combos de personalidade mais interessantes da ficção. Sonhador (e por isso, avoado e apaixonado), determinado (e por isso, ousado e orgulhoso) e consciente (e por isso, ainda responsável e preocupado), o pai está decidido a fazer valer todos os esforços que empregou junto da família, criando inúmeros conflitos e se perdendo com o peso do rótulo de chefe da casa.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Monica, por sua vez, é a razão, que exausta, se transforma em algo à flor da pele de <a href="https://www.vogue.com/article/yeri-han-star-of-the-new-film-minari">Ye-ri Han</a>. Cansada de viver na incerteza e sobrecarregada com tantas preocupações e responsabilidades para gerenciar enquanto Jacob sacrifica a família e corre atrás do sonho, a personagem é visivelmente fragilizada pelas condições e pela falta de perspectiva de melhora. É nela também que está um dos aspectos mais doídos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;">, que fala sobre a sensação de deslocamento cultural, figurado enquanto Monica se emociona tateando, cheirando e observando os artigos que sua mãe traz da Coreia, e quando a mesma insiste em visitar a igreja na esperança de encontrar seus similares, se frustrando ao topar com uma maioria branca e episódios sutis de racismo e xenofobia no templo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E se alguém ainda questionar a importância da personagem escrita com o mesmo esmero que Chung empregou em todos os outros, existe ainda mais uma razão para <a href="https://www.thecut.com/2021/02/how-yeri-han-captured-our-mothers-in-minari.html">apreciar a presença de Monica e exaltar a entrega de Ye-ri-Han</a>. A atriz trabalha a complexidade emocional da mãe de <em>Minari</em> num processo de quase lapidação, construindo uma comunicação corporal na personagem que é emocionante e magistral. É só prestar atenção em seus olhares e interações com o marido, em suas mãos e interações com os filhos, e em sua postura e interações com o ambiente, e assim, sentir e compreender seus motivos.</span></p>
<figure id="attachment_20022" aria-describedby="caption-attachment-20022" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20022 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/aafefdfb-f270-419f-b6a2-94fb7c37aa16-2000.jpg" alt="Cena do filme Minari. A imagem apresenta Monica, personagem da atriz asiática Ye-ri Han, e Anne, personagem da atriz mirim Noel Cho. Monica está sentada numa cama e Anne está no colo dela, lendo uma carta, enquanto a mãe acaricia seus cabelos. Monica veste uma camisa xadrez vermelha e Anne uma camisa bege. A imagem é iluminada por uma abajur do lado esquerdo da cena, onde também se vê a maçaneta de uma porta." width="2000" height="1331" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/aafefdfb-f270-419f-b6a2-94fb7c37aa16-2000.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/aafefdfb-f270-419f-b6a2-94fb7c37aa16-2000-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/aafefdfb-f270-419f-b6a2-94fb7c37aa16-2000-1024x681.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/aafefdfb-f270-419f-b6a2-94fb7c37aa16-2000-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/aafefdfb-f270-419f-b6a2-94fb7c37aa16-2000-1536x1022.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/aafefdfb-f270-419f-b6a2-94fb7c37aa16-2000-1200x799.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20022" class="wp-caption-text">No Festival de Cinema de Sundance de 2020, Minari venceu o Grande Prêmio do Júri e o Grande Prêmio do Público (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Completando o quinteto, a irmã mais velha contrasta fielmente com o mais novo. Ambos são crianças independentes, que aprenderam a lidar com responsabilidades desde muito cedo. <a href="http://thewellesleynews.com/2021/03/14/the-model-minarity-eldest-daughter-complex/">Anne, no entanto, é a primogênita perfeita</a>. Madura com um fundo de resignação, Noel Cho ensaia em sua personagem os mesmos sentimentos e reações que a mãe, criando com Monica uma relação emocional muito especial em tela, que inclusive, tece também a ligação com a Coreia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro artifício do filme de Lee Isaac Chung é a ausência de marcação objetiva do tempo. A plantação nos diz em que pé estamos, e ela é instável, repleta de altos e baixos. A vida de nossos personagens também. A nossa também. Torcemos pela realização de Jacob, mas entendemos as consequências daquilo para a família e sentimos a dor e agonia de Monica. E no clímax, </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;"> revela o quão penetrante é, ao nos mostrar tão envolvidos com a história que nos percebemos exatamente como eles, sem saber o que fazer. </span></p>
<figure id="attachment_20024" aria-describedby="caption-attachment-20024" style="width: 1118px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20024 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/na-igreja-1.jpg" alt="Cena do filme Minari. A imagem mostra as personagens de Jacob, Monica e Soonja de pé em um banco de uma igreja. Da direita para esquerda, estão Jacob, vestindo um terno preto e gravata azul de bolinhas, Monica, usando um vestido azul marinho estampado, e Soonja, vestindo uma camisa amarela clara de bolinhas. Jacob e Monica olham para a frente sorrindo levemente. Soonja encara com desconfiança o homem no banco à sua frente, que assim como todos os outros membros da igreja, observam a família sentados em seus bancos." width="1118" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/na-igreja-1.jpg 1118w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/na-igreja-1-300x193.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/na-igreja-1-1024x659.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/na-igreja-1-768x495.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20024" class="wp-caption-text">O filme tem mais de 90% dos diálogos em coreano e produção totalmente americana, o que causou uma controvérsia no <a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-globo-de-ouro-2021/">Globo de Ouro</a>, quando foi indicado nas categorias Língua Estrangeira da premiação, diferente com o que foi feito com outras obras passadas que possuem o mesmo índice de língua não-inglesa, mas de origem branca (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com toda a complexidade narrativa, riqueza de significados e densidade subjetiva, </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;"> não se transforma em nenhum momento num filme carregado e difícil de digerir. A proximidade das câmeras dirigidas por </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm1681893/"><span style="font-weight: 400;">Lachlan Milne</span></a><span style="font-weight: 400;"> nunca expõe seus personagens, mas apreende ligeiramente seus olhares, carregados da bagagem emocional, mas também preenchidos de carinho e verdade. Quando não está observando a família, a fotografia passeia pelos cenários bucólicos, procurando curiosa por beleza e liberdade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo </span><span style="font-weight: 400;">se abraça nas cores quentes, divertidas e vivas da edição de </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm1316292/"><span style="font-weight: 400;">Harry Yoon</span></a><span style="font-weight: 400;">, trazendo uma sensação reconfortante e familiar e conversando com a sinceridade que o filme inspira. A isso, soma-se também a trilha sonora de </span><a href="https://www.emilemosseri.com/about"><span style="font-weight: 400;">Emile Mosseri</span></a><span style="font-weight: 400;">, que confirma em notas musicais o valor do filme de Lee Isaac Chung: <em>Minari</em> é uma obra de amor e com amor, de alma e com alma, de vida e com vida.</span></p>
<figure id="attachment_20025" aria-describedby="caption-attachment-20025" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20025 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/16142510-gettyimages-1197625683_cover_1280x853.jpg" alt="Imagem de divulgação do elenco e do diretor de Minari. Na imagem, Noel Cho, Alan Kim e Yuh-Jung Youn estão sentados à frente de Lee Isaac Chung, Ye-ri Han e Steven Yeun, que estão de pé na frente de um fundo cinza escuro amarronzado. Todos sorriem e posam para a foto." width="1280" height="853" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/16142510-gettyimages-1197625683_cover_1280x853.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/16142510-gettyimages-1197625683_cover_1280x853-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/16142510-gettyimages-1197625683_cover_1280x853-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/16142510-gettyimages-1197625683_cover_1280x853-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/16142510-gettyimages-1197625683_cover_1280x853-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20025" class="wp-caption-text">A personagem de David ainda vive a infância na companhia de problemas cardíacos, assim como o diretor, trazendo um teor ainda mais autobiográfico ao filme e ao papel de Alan Kim, que venceu o Critics Choice de Melhor Jovem Ator (Foto: Taylor Jewell)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E não é só quem assiste que se derrete de amores pela maravilha do trabalho final do filme</span><span style="font-weight: 400;">. A famigerada e irredutível Academia também caiu em seus encantos e guardou para ele </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-sobre-os-indicados-ao-oscar-2021/"><span style="font-weight: 400;">seis indicações no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde a produção é uma das mais indicadas da vez. Para Lee Isaac Chung, são duas nomeações, nas disputadas </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-direcao/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Direção</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-roteiro-original/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Roteiro Original</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na categoria principal, o drama também está presente concorrendo pelo título de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-filme/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> no nome de Christina Oh (produtora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Okja</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Ad Astra</span></i><span style="font-weight: 400;">), e que trabalhou em </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;"> junto com Dede Gardner e Jeremy Kleiner (ambos responsáveis pelos </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscars</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">12 Anos de Escravidão</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/moonlight-kendrick-lamar/"><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight: Sob a Luz do Luar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A premiação mais importante do Cinema Ocidental também foi lugar para </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;"> fazer história através da atuação de </span><span style="font-weight: 400;">Yuh-Jung Youn. A querida vovó é a primeira sul-coreana indicada ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, encontrando seu merecidíssimo reconhecimento na categoria de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-atriz-coadjuvante/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Atriz Coadjuvante</span></a><span style="font-weight: 400;">. Provando a importância e excelência do elenco, o maravilhoso Steven Yeun (querido por </span><a href="https://personaunesp.com.br/twd-10a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Walking Dead</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) também chegou na seleção final dos nomeados a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-ator/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Ator</span></a><span style="font-weight: 400;"> como o primeiro coreano-americano indicado na categoria. E testificando a beleza da produção, Emile Mosseri também figura dentre os considerados para a estatueta de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-trilha-sonora-original/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Trilha Sonora Original</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_20027" aria-describedby="caption-attachment-20027" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20027 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/chung-e-steven.jpg" alt="Fotografia de Lee Isaac Chung, diretor e roteirista de Minari, e Steven Yeun, protagonista do filme. Chung e Steven estão sentados na frente de um fundo cinza claro. Steven, um homem amarelo de cabelos curtos, veste uma blusa de lã branca e preta e uma calça escura, sorri para a foto e abraça Chung. O diretor, também amarelo, está sentado, vestindo uma blusa verde militar e calças pretas, e olha para cima, fora da imagem. " width="1024" height="819" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/chung-e-steven.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/chung-e-steven-300x240.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/chung-e-steven-768x614.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20027" class="wp-caption-text">Chung conta que sua filha tinha mais ou menos a mesma idade que ele quando vivia na fazenda de seus pais, e então, quando revivia suas memórias da infância para escrever o filme, ele se viu pelos olhos dela (Foto: Taylor Jewell)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Só que Lee Isac Chung viveu muita coisa antes de assistir a aclamação de sua Arte. Depois de se formar em Ecologia na Universidade de Yale, ele emendou Medicina mas acabou como Mestre em Cinema pela Universidade de Utah em 2004. Com seu longa de estreia</span> <a href="https://www.imdb.com/title/tt1031947/"><i><span style="font-weight: 400;">Munyurangabo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ele até viu o que poderia ser um início, com a aprovação do filme na Seleção Oficial de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cannes </span></i><span style="font-weight: 400;">em 2007 e em Berlim e Toronto nos anos seguintes, mas os dois que o seguiram (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uInLE1T-QT4"><i><span style="font-weight: 400;">Lucky Life</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2010 e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_jJfumiMcZo"><i><span style="font-weight: 400;">Abigail Harm</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2012)</span><span style="font-weight: 400;"> não encontraram a mesma recepção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As tentativas frustradas bateram forte na perspectiva de vida de Chung, que se aproximando dos 40 anos, sentia a necessidade de uma segurança impossível de se encontrar enquanto tentante da Sétima Arte, especialmente numa terra dominada por grandes produtoras e nomes já consolidados. Ademais, era importante para o diretor, filho de imigrantes coreanos nascido em Colorado, nos EUA, que sua filha tivesse contato com o país natal de sua família.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, o diretor entendeu que o fazer Cinema talvez não fosse seu lugar e passou para outra instância do assunto, agarrando uma oportunidade de ser professor em sua área de formação na Coreia do Sul. Mas antes de recomeçar sua vida no outro lado do mundo, ele lançou uma última semente em solo americano, que floresceu nas mãos de sua agente </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm7449981/"><span style="font-weight: 400;">Christina Chou</span></a><span style="font-weight: 400;">, cresceu junto das produtoras </span><a href="https://bradpittbrasil.com.br/projetos/planb/"><i><span style="font-weight: 400;">Plan B</span></i></a> e <a href="https://elle.com.br/a24-o-sucesso-da-produtora-de-minari-e-outros-filmes-premiados"><em>A24</em></a><span style="font-weight: 400;">, e se transformou no </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;"> que vemos hoje</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
<figure id="attachment_20026" aria-describedby="caption-attachment-20026" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20026 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/lee-isaac-chung.jpg" alt="Imagem dos bastidores do filme Minari. A imagem foi registrada no cenário da sala da casa do filme, e lá podemos observar o diretor Lee Isaac Chung e o ator mirim Alan Kim. Chung está de frente para a foto, agachado perto da porta da sala, e conversa com Alan, que está à sua frente, de costas para a imagem. Existe também uma pessoa de costas no canto esquerdo da imagem, que está borrada." width="1024" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/lee-isaac-chung.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/lee-isaac-chung-300x157.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/lee-isaac-chung-768x402.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20026" class="wp-caption-text">Lee Isaac Chung dirigindo Alan Kim no set de Minari (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O plano de fundo da produção transforma a obra, que já é extraordinária, em algo ainda mais especial e significativo, reforçando exatamente os pontos que são trabalhados dentro do filme.</span><span style="font-weight: 400;"> Raízes, sonho e família tomam cada </span>uma de suas construções, cada um de seus detalhes e cada uma de suas etapas. Assim, dizer que <i>Minari</i> transpira vida em tudo o que faz e é se transforma em algo literal, nada figurativo.</p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz o público se perder entre todas as suas camadas para mostrar que as tramas da nossa existência são todas muito complexas, e faz isso não para nos desesperar, mas para nos acalmar e incentivar. O sonho pode estar muito perto mas ao mesmo tempo muito longe. </span><span style="font-weight: 400;">A única coisa que se sabe é que a vida</span><span style="font-weight: 400;"> não para e o sonho também não. As sementes em germinação? Também não.</span></p>
<figure id="attachment_20038" aria-describedby="caption-attachment-20038" style="width: 1433px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20038 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bainho-minari.png" alt="Cena do filme Minari. A imagem apresenta Jacob sentado dentro da banheira enquanto toma banho, com os cabelos molhados. Ao lado dele, no lado direito da imagem, sentada na lateral da banheira, está Monica, que ajuda o esposo com o banho. Eles se olham com ternura e Jacob acaricia o braço de Monica, apoiado na banheira. A imagem é sutilmente iluminada em tons quentes." width="1433" height="777" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bainho-minari.png 1433w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bainho-minari-300x163.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bainho-minari-1024x555.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bainho-minari-768x416.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bainho-minari-1200x651.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20038" class="wp-caption-text">“Maravilhoso, maravilhoso minari!” (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, se percebe que, sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;">, não tem muito o que entender. Na verdade, ele constrange os que depositam todo o seu valor numa experiência intelectual. Ele também <a href="https://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/">não quer palestrar sobre seus assuntos</a> nem impressionar com referências, porque ele tem mais a dizer do que o que as palavras podem compreender. Aqui, a coisa é sobre sentir, e por isso é que a experiência e a aclamação são universais, num gesto muito belo de igualdade, já que todos nós, independentemente de cultura, formação e condição, podemos sentir. <a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/">Ele só quer encontrar seu lugar e viver da sua maneira</a>. E ele consegue. </span><i><span style="font-weight: 400;">Minari</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a raiz que se firma, o sonho que se realiza e a Arte que se expressa. </span></p>
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