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	<title>Arquivos Sally Rooney &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Sally Rooney &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Após 5 anos de Pessoas Normais, ainda não superamos Connell e Marianne</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Dec 2025 13:00:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal   Um mesmo ambiente pode conter diversos significados àqueles presentes. A escola, por exemplo. Para alguns, é o ponto mais alto da própria vida: amigos, sucesso acadêmico, primeiros amores. Assim como, em outras perspectivas, é o lugar onde nossos gatilhos iniciais surgem. A estratificação social no ensino médio é algo real, perverso e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pessoas-normais-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Após 5 anos de Pessoas Normais, ainda não superamos Connell e Marianne"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36627" aria-describedby="caption-attachment-36627" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36627" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5-800x533.png" alt="Cena da série Pessoas Normais. Na imagem, há uma mulher branca de cabelos castanhos e franja olhando para um homem branco de cabelos castanhos, que também devolve o olhar. Eles estão sentados e uma luz vermelha ilumina o espaço onde estão." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5.png 1440w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36627" class="wp-caption-text">A minissérie foi o primeiro papel de Paul Mescal na Televisão (Foto: BBC/Hulu)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal  </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um mesmo ambiente pode conter diversos significados àqueles presentes. A escola, por exemplo. Para alguns, é o ponto mais alto da própria vida: amigos, sucesso acadêmico, primeiros amores. Assim como, em outras perspectivas, é o lugar onde nossos gatilhos iniciais surgem. A estratificação social no ensino médio é algo real, perverso e assustador. Iniciando sua história nessa época da vida de seus protagonistas, </span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas Normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (em tradução livre), livro da autora Sally Rooney, ganhou uma adaptação para a televisão em 2020. Em um formato de 12 episódios, Connell Waldron (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-historia-do-som-paul-mescal-e-josh-oconnor-brilham-em-uma-ode-ao-amor-e-a-musica/"><span style="font-weight: 400;">Paul Mescal</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Marianne Sheridan (</span><a href="https://personaunesp.com.br/fresh-critica/"><span style="font-weight: 400;">Daisy Edgar-Jones</span></a><span style="font-weight: 400;">) são o ponto de partida para uma análise da juventude da década de 2010. </span></p>
<p><span id="more-36624"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os personagens principais, que começam sua </span><a href="https://valkirias.com.br/normal-people/"><span style="font-weight: 400;">relação</span></a><span style="font-weight: 400;"> apenas como colegas de classe, vivem jornadas completamente diferentes: enquanto ele é popular, possui um grupo de amigos e é o desejo de todas as garotas, ela é considerada arrogante, desprovida de amor e estranha socialmente. Fora dalí, a mãe do rapaz </span><a href="https://www.stylist.co.uk/opinion/normal-people-marianne-connell-relationship-meaning-money-class-divide/391954"><span style="font-weight: 400;">trabalha</span></a><span style="font-weight: 400;"> como empregada doméstica na casa luxuosa da mãe da jovem. Embora na escola não interajam, nos momentos em que precisa buscar a matriarca, o adolescente conhece um pouco do mundo da estudante. Na verdade, a dupla tem muito mais a ver do que suas realidades apresentam. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a barreira que eles construíram até aquele ponto de suas trajetórias e o medo de serem moralmente incompreendidos evaporaram a partir do primeiro beijo. É como se, pela primeira vez, os dois pudessem viver confortavelmente nas próprias peles. No entanto, por pertencerem a classes sociais distintas no ambiente escolar, Waldron pede à Sheridan que não conte a ninguém sobre o </span><i><span style="font-weight: 400;">affair</span></i><span style="font-weight: 400;">. O que começou com um toque de lábios se transformou em sucessivos encontros casuais, preenchidos pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9DEkcpzKMcA"><span style="font-weight: 400;">ligação</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre almas que precisavam se encontrar. </span></p>
<figure id="attachment_36625" aria-describedby="caption-attachment-36625" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36625" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-6-800x450.png" alt="Cena da série Pessoas Normais. Na imagem, há um homem e uma mulher brancos de cabelos castanhos utilizando um uniforme cinza com uma gravata marcada por listras azuis e amarelas. Os dois estão em um jardim e olham para à frente." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-6-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-6-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-6.png 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36625" class="wp-caption-text">Pertencentes a classes sociais distintas, o dinheiro é um tema central do envolvimento de Connell e Marianne (Foto: BBC/Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem o carinho de sua família, Marianne apresenta dificuldades de interação social em cada um dos dias do ensino médio. Amabilidade nunca foi um vocabulário ensinado dentro de casa e, por isso, o traquejo social da jovem não é um dos mais impressionantes. Ao mesmo tempo, Connell é o filho perfeito. Bonito, carismático na medida certa e querido por aqueles que o rodeiam, o rapaz encontra na dinâmica com a ‘ficante’ – mesmo que eles não se rotulem – uma maneira de ser o seu verdadeiro eu. A partir das tardes em </span><a href="https://www.edublin.com.br/sligo/"><span style="font-weight: 400;">Sligo</span></a><span style="font-weight: 400;">, cidade da Irlanda onde os personagens vivem e estudam, a garota se sente vista pela primeira vez desde que se entende como um ser humano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Prestes a se formarem e iniciarem suas vidas na universidade, o baile de formatura é um evento muito importante na história dos protagonistas: ao invés de assumir a amada, o rapaz decide levar Rachel (</span><a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/tv/news/leah-mcnamara-normal-people-b2373656.html"><span style="font-weight: 400;">Leah McNamara</span></a><span style="font-weight: 400;">) para a festividade. Escolhendo, mais uma vez, a sua reputação à dinâmica que tem com a pessoa que o compreende melhor, as amarras sociais se tornam uma barreira à real personalidade do personagem. A partir do quarto episódio da série, dirigida por </span><a href="https://lithub.com/lenny-abrahamson-on-adapting-sally-rooneys-normal-people-for-tv/"><span style="font-weight: 400;">Lenny Abrahamson</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/films/features/beautiful-thing-normal-people-hettie-macdonald-lgbtq-film-a9531541.html"><span style="font-weight: 400;">Hettie Macdonald</span></a><span style="font-weight: 400;">, chegamos à idade adulta. Aqui, as vivências se misturaram, levando um de volta ao outro novamente.</span></p>
<figure id="attachment_36629" aria-describedby="caption-attachment-36629" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36629" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-3-800x420.png" alt="Cena da série Pessoas Normais. Na imagem, há um homem e uma mulher brancos de cabelos castanhos sentados na calçada. Ela usa um vestido preto e um tênis branco, além de segurar um sorvete na mão esquerda. Ele veste uma blusa e short azuis, além de usar um tênis branco. Os dois se encaram." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-3-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-3-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-3-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-3-1536x806.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-3-1200x630.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-3.png 2000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36629" class="wp-caption-text">Paul Mescal e Daisy Edgar-Jones foram indicados ao Bafta (Academia Britânica de Artes do Cinema e Televisão), em 2021; o ator venceu a categoria na qual concorria (Foto: BBC/Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano como calouro é difícil e, de certa forma, dita a maneira como um jovem irá viver a graduação. A excitação de estar em uma cidade nova após ser aprovado no curso e na faculdade dos sonhos é equivalente ao medo de falhar nas interações com outras pessoas, principalmente se é um lugar completamente diferente no qual você viveu grande parte da vida. Agora, Connell não é mais um arrasa-quarteirão. Na verdade, ele é um mero aluno do curso de </span><a href="https://www.vogue.co.uk/arts-and-lifestyle/article/normal-people-books-reading-list"><span style="font-weight: 400;">Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;">, dentre uma classe inteira de sonhos ambiciosos. Aquilo que o tornava especial no ensino médio já não é mais reconhecido no mundo acadêmico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos maiores acertos – tanto o livro quanto a minissérie – é a habilidade de ter dois protagonistas igualmente interessantes, distintos, mas indubitavelmente pertencentes um ao outro. Em compensação, Marianne tem o sonho de uma vida: agora, ela é desejada pelos homens e possui amigas. É popular, relevante na teia social universitária e estuda História e Política na </span><a href="https://www.elitedaily.com/lifestyle/normal-people-filming-locations-dublin-ireland-itinerary"><span style="font-weight: 400;">Trinity College</span></a><span style="font-weight: 400;">, em Dublin, o mesmo local onde seu ex-amigo também frequenta. O reencontro de ambos traz a sensação agridoce de rever alguém que nos marcou em outra época: reconfortante, mas também doloroso.</span></p>
<figure id="attachment_36628" aria-describedby="caption-attachment-36628" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36628" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-5-800x450.png" alt="Cena da série Pessoas Normais. Na imagem, há uma mulher e um homem brancos de cabelos castanhos abraçados. Ela usa uma blusa preta e ele veste um suéter marrom. Os dois estão sérios e acompanhados do sol, que reflete em seus rostos." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-5-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-5-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-5.png 1583w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36628" class="wp-caption-text">A <a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/3WsKQ06VJYFnl5msx295V9">trilha sonora</a> de Pessoas Normais é composta por <a href="https://www.hotpress.com/film-tv/stephen-rennicks-on-composing-the-stunning-score-for-normal-people-22819404">Stephen Rennicks</a> (Foto: BBC/Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Frances Ha (2014)</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme dirigido por Noah Baumbach, um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=94rtEPIifpc"><span style="font-weight: 400;">monólogo</span></a><span style="font-weight: 400;"> da personagem-título exemplifica a relação entre os protagonistas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Normal People</span></i><span style="font-weight: 400;">. O sentimento de estar em uma festa e olhar para aquela pessoa amada (que te ama de volta) é o que torna o vínculo entre Sheridan e Waldron tão singular, potente e inquebrável. É como se eles fossem a pessoa um do outro em qualquer contexto em que estivessem. Mesmo que estejam separados ou se relacionando com outras pessoas, os dois </span><b>sempre </b><span style="font-weight: 400;">voltam àquele espaço construído desde o seu primeiro toque. Para quem assiste, a dinâmica entre a dupla é semelhante a uma redoma baseada em apoio mútuo, sinceridade e compreensão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.stylist.co.uk/people/normal-people-depression-loneliness-suicide-mental-health-connell-paul-mescal-therapy/390869"><span style="font-weight: 400;">abordagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos problemas psicológicos que acometem esses personagens talvez seja o que torna Connell e Marianne tão humanamente relacionáveis. Existem ramificações deles dentro de nós, nas mais variadas fases e áreas das vidas, e é isso que os coloca no imaginário dos jovens que tentam encontrar o seu lugar no mundo. No episódio 9, por exemplo, temos a chance de entender a respeito da dinâmica que a moça tem com sexo. Por não ter sido amada, ela pensa que deve ser punida e maltratada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Olhando para si mesma sem um pingo de empatia, a personagem se coloca em papéis de submissão para, de alguma forma, sentir que é alguém. Tudo isso por conta da negligência emocional na qual foi construída durante o período que viveu com a mãe e o irmão. Já no capítulo posterior, o protagonista finalmente vai para a terapia e tenta lidar com a sua persona construída na adolescência e a quebra de expectativa ao chegar à universidade. Em uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QNBa3HHjnGA"><span style="font-weight: 400;">cena</span></a><span style="font-weight: 400;"> indiscutivelmente dilacerante, Paul Mescal mostra a que </span><a href="https://www.rollingstone.com/tv-movies/tv-movie-features/paul-mescal-history-of-sound-hamnet-beatles-1235426053/"><span style="font-weight: 400;">veio</span></a><span style="font-weight: 400;"> com uma entrega sufocante. Nesse momento, os demônios do protagonista são escancarados e, novamente, o entendemos.</span></p>
<figure id="attachment_36626" aria-describedby="caption-attachment-36626" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36626" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-5-800x533.png" alt="Cena da série Pessoas Normais. Na imagem, há um homem e uma mulher brancos de cabelos castanhos deitados em uma cama com cobertores, lençóis e travesseiros brancos. Eles estão de mãos dadas e sérios. Ele está sem blusa e ela está com um sutiã branco." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-5-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-5-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-5-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-5-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-5-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-5.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36626" class="wp-caption-text">Assim como Jesse e Celine da trilogia do <a href="https://personaunesp.com.br/antes-da-meia-noite-10-anos/">Antes</a>, Connell e Marianne possuem um espaço emocional e de respeito que existe apenas entre eles (Foto: BBC/Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A culpa e a impotência são duas </span><a href="https://medium.com/@marcustaylor20/why-normal-peoples-connell-is-the-character-we-need-for-male-mental-health-88f07798044c"><span style="font-weight: 400;">dores</span></a><span style="font-weight: 400;"> que preenchem o peito do rapaz, à medida em que o desejo de ser amada e compreendida, nem que seja pela primeira vez na vida, é o sonho da jovem. Algo que nunca se tornou um tópico entre a dupla é a admiração profissional que ambos têm um pelo outro. Em contextos diferentes, eles revelam àqueles ao redor todo respeito que ditam suas interações. Embora seja uma obra carregada pela paixão incomparável, os dois nunca namoraram, e é isso que confere uma unicidade à construção desses personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se eles irão casar, não saberemos. Eles ficaram juntos? Nem a </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/sally-rooney-autora-de-pessoas-normais-nao-quer-mais-adaptacoes-dos-livros-dela/"><span style="font-weight: 400;">autora</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem uma resposta. A imprecisão do relacionamento de Connell e Marianne é o que dá vida a </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas Normais</span></i><span style="font-weight: 400;">: saber que os percursos dos protagonistas irão se cruzar em algum ponto de suas respectivas trajetórias é o que torna tudo melhor. Ora estão juntos, ora se afastam. Às vezes por culpa dele; em outras, por ela. Em certas épocas, os </span><i><span style="font-weight: 400;">emails </span></i><span style="font-weight: 400;">são a única fonte de comunicação. Quando estão próximos, ao longo da faculdade, o estudante de Literatura e a aluna de História e Política tentam fazer acontecer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas essa é a graça. A incerteza. É olhar para aquele alguém, que você sabe que é a sua pessoa e não tê-lo. Na verdade, vocês têm um ao outro. Para sempre, há aquele lugar ocupado por ela. As primeiras experiências que Sheridan e Waldron construíram, os momentos escondidos nas casas de ambos, a admiração do seu pessoal e profissional, tudo culminou para que eles fossem imprescindíveis reciprocamente. “</span><a href="https://www.instagram.com/p/DJKCCuLBXe_/?img_index=1"><span style="font-weight: 400;">Eles são namorados? Pior que isso</span></a><span style="font-weight: 400;">”, expressão da cultura de Internet, é uma maneira de representar a relação dos personagens principais, pois, de fato, não há uma afirmação pautada em certeza para dizer o que eles significam. </span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">Eu vou</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">E eu vou ficar</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">E nós vamos ficar bem</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao </span><a href="https://www.vogue.co.uk/news/article/paul-mescal-theory-normal-people"><span style="font-weight: 400;">fim</span></a><span style="font-weight: 400;"> dessa experiência, o rapaz descobre que foi aceito em um programa de uma universidade em Nova York. Inicialmente, ficará fora de Sligo por um ano. Já Marianne experimenta deliciosamente a sensação de ser amada por aqueles que a conhecem. É como se ela tivesse sido descoberta enquanto uma pessoa e, a partir disso, possuísse toda a força do mundo para se sentir bem na própria pele. Na última cena, há a síntese do bem que os jovens fizeram entre si.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu não estaria aqui se não fosse por você</span></i><span style="font-weight: 400;">”, frase dita por Waldron, e a resposta de Sheridan, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você seria uma pessoa completamente diferente, e eu também</span></i><span style="font-weight: 400;">” são momentos que sintetizam </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas Normais</span></i><span style="font-weight: 400;">. O entendimento de que alguém pode mudar a sua vida e dar um novo significado a ela é uma das sensações mais dolorosas, gratificantes e indescritíveis que alguém pode ter aos </span><a href="https://thescriptlab.com/weekly-feature/40936-quarter-life-crisis-movies-to-watch-if-youre-lost-in-your-20s/"><span style="font-weight: 400;">20 e poucos anos</span></a><span style="font-weight: 400;">. É inconcebível e honestamente inverossímil um mundo, uma configuração, realidade ou universo em que ‘Connells’ e ‘Mariannes’ não sejam a pessoa um do outro.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Normal People Trailer (Official) | Hulu" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/x1JQuWxt3cE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Setembro de 2024</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Oct 2024 23:22:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[27ª Bienal Internacional do Livro em São Paulo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Chegando a sua 27ª edição, a Bienal Internacional do Livro de São Paulo –  o maior evento literário da América Latina – ocorreu dos dias 06 a 15 de Setembro de 2024. A editoria do Persona esteve presente no primeiro domingo, 08/09, para conferir lançamentos, estandes e discussões que compuseram a programação do dia. Os &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-setembro-de-2024/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Setembro de 2024"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34080" aria-describedby="caption-attachment-34080" style="width: 1024px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34080" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/wordpress_estante-setembro-1.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/wordpress_estante-setembro-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/wordpress_estante-setembro-1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/wordpress_estante-setembro-1-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34080" class="wp-caption-text">Imergindo no universo literário, o Persona marcou presença na maior edição dos últimos dez anos da Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Texto de Abertura: Jamily Rigonatto / Arte: Aryadne Xavier)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Chegando a sua 27ª edição, a</span><a href="https://personaunesp.com.br/ser-jornalista-bienal-do-livro-artigo/"><span style="font-weight: 400;"> Bienal Internacional do Livro de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> –  o maior evento literário da América Latina – ocorreu dos dias 06 a 15 de Setembro de 2024. A editoria do Persona esteve presente no primeiro domingo, 08/09, para conferir lançamentos, estandes e discussões que compuseram a programação do dia. Os integrantes acessaram o espaço credenciados como Imprensa para realizar a cobertura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><span id="more-34063"></span></span><span style="font-weight: 400;">Com um público visitante de 722 mil pessoas no total do ano, a Bienal de 2024 se consagrou como a maior dos últimos dez anos. O evento, que é promovido a cada dois anos pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-agosto-de-2024/"><span style="font-weight: 400;">Câmara Brasileira do Livro (CBL)</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi realizado no Distrito Anhembi, região central da Grande São Paulo. O cronograma extenso se debruçou em autores nacionais e internacionais, trazendo grandes nomes como Hayley Kyoko (</span><i><span style="font-weight: 400;">Girls Like Girls</span></i><span style="font-weight: 400;">), Vitor Martins (</span><i><span style="font-weight: 400;">Quinze Dias</span></i><span style="font-weight: 400;">), Rafael Montes (</span><i><span style="font-weight: 400;">Jantar Secreto</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Jeff Kinney (</span><i><span style="font-weight: 400;">Diário de um Banana</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p>Divididos por blocos identificados por letras, estavam dispostos 227 expositores e mais de 500 selos editoriais para o público escolher, sendo alguns deles a <a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/">Companhia das Letras</a>, Editora Intrínseca, PANINI, <a href="https://personaunesp.com.br/tag/sesc/">Sesc</a>, Rocco e Editora Record. Em alguns estandes as filas davam voltas, com leitores animados para aproveitar promoções e descontos especiais oferecidos nas compras dos exemplares.</p>
<figure id="attachment_34066" aria-describedby="caption-attachment-34066" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34066" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/IMG_8283-600x800.jpg" alt="" width="600" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/IMG_8283-600x800.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/IMG_8283.jpg 627w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34066" class="wp-caption-text">A credencial de imprensa para a Bienal do Livro pode ser solicitada antes do evento por portais, revistas e demais veículos jornalísticos que trabalhem com cultura (Foto: Acervo Pessoal)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 08, o autor Vitor Martins, dono de sucessos do nicho LGBTQIA+ e </span><i><span style="font-weight: 400;">Young Adult</span></i><span style="font-weight: 400;">, compareceu a uma mesa da Amazon para falar sobre processos de escrita, relembrou a representatividade e destacou o lançamento de seu novo livro intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">Mais ou menos 9 horas</span></i><span style="font-weight: 400;">. O escritor, que também é tradutor, assina textos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Quize dias</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-milhao-de-finais-felizes-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Um milhão de finais felizes</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Se a casa 8 falasse</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em suas declarações, refletiu sobre como o acolhimento nas páginas pode mudar as perspectivas de pessoas e minorias que se encontram menos em espaços de identificação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na arena cultural, o tema se voltava a outra ótica, com o autor de suspense e literatura policial Raphael Montes, que, por meio da Cia das Letras, trouxe um debate sobre os gêneros literários que escreve. Além dele, a Companhia também trouxe a vencedora do Prêmio Jabuti de Romance Literário de 2023, </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-som-do-rugido-da-onca-critica/"><span style="font-weight: 400;">Micheliny Verunsky</span></a><span style="font-weight: 400;"> para um bate-papo sobre a herança do passado nos discursos da contemporaneidade, no Salão de Ideias. </span></p>
<figure id="attachment_34065" aria-describedby="caption-attachment-34065" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34065" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-08-at-22.51.57-600x800.jpeg" alt="" width="600" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-08-at-22.51.57-600x800.jpeg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-08-at-22.51.57-768x1024.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-08-at-22.51.57-1152x1536.jpeg 1152w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-08-at-22.51.57.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34065" class="wp-caption-text">Algumas editoras tinham mais de um estande espalhado pelo espaço (Foto: Guilherme Leal)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Embarcando em outro tipo aspecto do perfil de leitores e escritores, o Sesc Edições ainda promoveu a mesa “Vozes Negras na Literatura” que trazia Camilla Dias, assistente social, crítica literária e curadora literária,</span><span style="font-weight: 400;"> Mario Medeiros, autor do livro “A descoberta do insólito”, Sidney Santiago, ator e performancer, e </span><a href="https://www.instagram.com/iamidria?igsh=MWRqZXFvN3Y2eDBkMg=="><span style="font-weight: 400;">Midria</span></a><span style="font-weight: 400;">, poetisa e mestranda em antropologia. Fazendo leituras de referências como Conceição Evaristo e Mirian Alves, o debate trouxe discussões sobre espaços, pertencimento e acessos da comunidade negra.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><i></i></p>
<blockquote><p>“Mas independentemente da idade, tem muita gente que se sente como se não pertencesse a essa ‘paulicéia’ desvairada. É que tem muita gente que não se apropria desse espaço – maior da América Latina, maior do Brasil – uma cidade tão grande, mas que se perde em dinheiro…” &#8211; Mídria</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Os integrantes do Persona gostaram muito de encontrar a diversidade dos livros e contam um pouco mais sobre o momento especial e suas novas aquisições literárias abaixo.</span></p>
<hr />
<p><strong>Dicas do mês + relatos<br />
</strong></p>
<figure id="attachment_34067" aria-describedby="caption-attachment-34067" style="width: 539px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34067" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1-539x800.png" alt="" width="539" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1-539x800.png 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1-690x1024.png 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1-768x1139.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1-1035x1536.png 1035w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1-1380x2048.png 1380w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1-1200x1780.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1.png 2022w" sizes="auto, (max-width: 539px) 85vw, 539px" /><figcaption id="caption-attachment-34067" class="wp-caption-text">“Todas as pessoas grandes foram um dia crianças – mas poucas se lembram disso.”(Foto: Harper Kids)</figcaption></figure>
<p><b>O Pequeno Príncipe &#8211; Antoine de Saint-Exupéry</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Pequeno Príncipe é um clássico da literatura e quase um clichê. É o equivalente a quando se pergunta a uma pessoa qual o filme favorito dela e ela responde </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou qual a série favorita e a resposta é</span><i><span style="font-weight: 400;"> Friends</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, diferentemente desses exemplos, a história de Antoine de Saint-Exupéry não se saturou com o tempo. Ao contrário, ganha um novo significado conforme ficamos mais velhos.</span></p>
<p><strong><span style="font-weight: 400;">Minha relação com este livro é engraçada. Comecei a leitura quando tinha 16 anos na biblioteca da minha cidade, mas nunca cheguei a terminar. Sempre que voltava ao lugar eu recomeçava, na esperança de ler de uma vez só. O tempo se passou e nunca mais havia sequer pensado nessa história, foi quando o encontrei novamente em um estande da Bienal e decidi levá-lo para casa com a intenção de finalmente conhecer </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pequeno Príncipe</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Arthur Caires</b></strong></p>
<hr />
<figure id="attachment_34069" aria-describedby="caption-attachment-34069" style="width: 534px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34069" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Pessoas.Normais.Sally_.Rooney-534x800.jpg" alt="" width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Pessoas.Normais.Sally_.Rooney-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Pessoas.Normais.Sally_.Rooney.jpg 667w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-34069" class="wp-caption-text">Pessoas Normais disseca as inquietações que assolam todo e qualquer jovem adulto (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Pessoas Normais &#8211; Sally Rooney</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2023, eu li pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Kindle</span></i><span style="font-weight: 400;"> a obra </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas Normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, da irlandesa Sally Rooney, e o meu mundo mudou. Quando fomos para a Bienal, decidi comprar a versão física para voltar ao mundo criado pela autora. A trama se concentra em Connell e Marianne, dois jovens que estão em grupos diferentes no que se relaciona à pirâmide social do ambiente escolar. Enquanto ela é a odiada do colégio, o jovem é querido por todos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na universidade, os papeis se invertem: o rapaz se torna um mero estudante, e a garota encontra um grupo de amigos e se torna conhecida e amada. Muito mais do que apenas amigos, Connel e Marianne são a pessoa da vida um do outro. O que torna o romance tão único é a forma como, de alguma maneira, eles sempre se desencontram. Não se limitando a tópicos amorosos, o livro também aborda situações mais sensíveis, como depressão, ansiedade e abuso. O maior feito de Rooney ao escrever </span><i><span style="font-weight: 400;">Normal People</span></i><span style="font-weight: 400;"> (título original) é comprimir em 262 páginas todo o medo, insegurança e excitação que vêm com a chegada da vida adulta. </span><b>&#8211; Guilherme Leal</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_34071" aria-describedby="caption-attachment-34071" style="width: 543px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34071" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fumaca-branca-543x800.jpg" alt="" width="543" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fumaca-branca-543x800.jpg 543w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fumaca-branca-695x1024.jpg 695w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fumaca-branca-768x1132.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fumaca-branca-1042x1536.jpg 1042w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fumaca-branca-1200x1768.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fumaca-branca.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 543px) 85vw, 543px" /><figcaption id="caption-attachment-34071" class="wp-caption-text">Um bom suspense é escolher pelo acaso (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><strong>Fumaça Branca &#8211; Tiffany Jackson</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem disse que um livro não pode ser escolhido pela capa? Na minha primeira vez visitando a Bienal Internacional do Livro em São Paulo, as capas brilhantes e cheias de ilustrações instigantes com certeza foram um dos principais motivos de um colapso no meu cartão de crédito, que não pode deixar de ser usado para um bem maior. Em uma dessas armadilhas envoltas em boa estética, encontrei </span><i><span style="font-weight: 400;">Fumaça Branca</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrito por Tiffany D. Jackson e traduzido por Solaine Chioro. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A escolha foi certeira, já que o texto repousa sobre meu gênero literário favorito: o suspense. Em uma reinvenção da ideia clássica dos filmes e contos do nicho, a narrativa escolhe retratar o conceito de casa mal assombrada com elementos de reviravolta e mistério. Assim, ir contra o famoso ditado </span><i><span style="font-weight: 400;">“Não escolha o livro pela capa”</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece ter sido uma das melhores ideias que uma leitora poderia ter no maior festival literário da América Latina. </span><b>– Jamily Rigonatto</b></p>
<hr />
<p><strong>Na Ponta da Língua: Reflexões sobre Linguagem e Sentido &#8211; Peter Brook</strong></p>
<figure id="attachment_34072" aria-describedby="caption-attachment-34072" style="width: 484px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34072" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Na-ponta-da-lingua-Peter-Brook-484x800.jpg" alt="" width="484" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Na-ponta-da-lingua-Peter-Brook-484x800.jpg 484w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Na-ponta-da-lingua-Peter-Brook.jpg 605w" sizes="auto, (max-width: 484px) 85vw, 484px" /><figcaption id="caption-attachment-34072" class="wp-caption-text">“Todas as formas são degraus para se chegar ao sentido. E o sentido é o eterno graal que inspira a busca” (Foto: Edições Sesc)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O estande das </span><a href="https://www.sescsp.org.br/editorial/sesc-na-bienal-e-sinonimo-de-livros-e-tambem-de-programacao/"><span style="font-weight: 400;">Edições Sesc</span></a><span style="font-weight: 400;"> na Bienal é uma constante: todo ano vale a pena entrar. As prateleiras se enchem de Arte, Cultura, História, Política, Filosofia e tudo que é humano. Para cada cantinho que você olha, tem joias escondidas, e foi nessa que </span><i><span style="font-weight: 400;">Na ponta da Língua</span></i><span style="font-weight: 400;"> me chamou a atenção. O livro é definido em sua contracapa como uma investigação da relação entre a palavra e seu verdadeiro sentido, por </span><a href="http://issocompensa.com/teatro/peterbrook"><span style="font-weight: 400;">Peter Brook</span></a><span style="font-weight: 400;">, grande nome do teatro contemporâneo europeu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O senhor inglês, de 94 anos na época, traz uma perspectiva única sobre a linguagem, a partir de sua </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/07/peter-brook-influenciou-o-teatro-com-sua-ideia-de-palco-nu-voltado-ao-ator.shtml"><span style="font-weight: 400;">carreira</span></a><span style="font-weight: 400;"> e vivências internacionais. Nascido na Inglaterra, mas residente da França há meio século, o artista explora no livro as diferenças e semelhanças entre sua língua materna e a segunda língua. Sobretudo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Na Ponta da Língua </span></i><span style="font-weight: 400;">é um depoimento e uma análise dos elementos mais básicos da comunicação humana, que exercemos todos os dias. </span><b>&#8211; Giovanna Freisinger</b></p>
<hr />
<p><strong>Holocausto Brasileiro &#8211; Daniela Arbex</strong></p>
<figure id="attachment_34073" aria-describedby="caption-attachment-34073" style="width: 556px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34073" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/holocausto-brasileiro-556x800.jpg" alt="" width="556" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/holocausto-brasileiro-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/holocausto-brasileiro.jpg 695w" sizes="auto, (max-width: 556px) 85vw, 556px" /><figcaption id="caption-attachment-34073" class="wp-caption-text">“Se existe inferno, o Colônia era esse lugar” (Foto: Editora Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sou apaixonada pela escrita da Daniela Arbex há anos, li o </span><i><span style="font-weight: 400;">Holocausto Brasileiro: Genocídio: 60 mil mortos no maior hospício do Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;"> durante o meu primeiro ano de faculdade e logo me senti no caminho certo da graduação. Talvez o fato dela ser uma excelente jornalista investigativa tenha me incentivado a continuar acompanhando, também, suas outras produções. Quando soube que iríamos à Bienal, logo pensei em comprar seu livro físico para ler novamente e (quem sabe um dia) conseguir seu autógrafo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Holocausto Brasileiro</span></i><span style="font-weight: 400;">, a jornalista reporta, por meio de entrevistas, documentos e relatos, a chocante realidade do Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais, onde cerca de 60 mil pessoas foram mortas. O livro denuncia o tratamento impiedoso e a negligência extrema com que os internos foram submetidos, de maneira surpreendente, Arbex reconstrói a história de um dos maiores fatos cruéis, trazendo à tona um capítulo tão sombrio da história brasileira. </span><b>&#8211; Vitória Borges</b></p>
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		<title>Bobbi amava Frances que ama Nick que ama Melissa</title>
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		<pubDate>Wed, 25 May 2022 20:45:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez Frances e Bobbi são melhores amigas que já namoraram. Frances tem uma queda por Nick, e Bobbi, por Melissa. Nick e Melissa são casados. É partindo desse emaranhado que Sally Rooney, em seu livro Conversas entre amigos, encontra terreno fértil para dissecar relacionamentos contemporâneos e seus envolvidos, assim como as dinâmicas sociais &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/conversas-entre-amigos-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bobbi amava Frances que ama Nick que ama Melissa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp"></div>
<figure id="attachment_27701" aria-describedby="caption-attachment-27701" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27701 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/conversaentreamigos.jpg" alt="Moldura vermelha retangular. No canto superior esquerdo e no canto inferior direito, vemos o logotipo do Persona, o desenho de um olho com um símbolo de play ao centro. Ao centro do retângulo, vemos a capa do livro Conversas entre amigos. A capa tem o fundo verde azulado. Na parte superior central, vemos a palavra &quot;conversas&quot; em uma fonte branca sem serifa, alinhada à esquerda. Abaixo, vemos a palavra &quot;entre&quot; na mesma fonte, alinhada à direita. Abaixo, vemos a palavra &quot;amigos&quot; centralizada. Centralizada na capa, vemos as palavra &quot;Sally Rooney&quot;, na mesma fonte, na cor preta. Na parte inferior da capa, vemos uma mulher branca de cabelos castanhos lisos, de costas, à esquerda. À direita, vemos uma mulher branca de cabelos pretos presos em um rabo de cavalo e usando óculos rosa, de perfil." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/conversaentreamigos.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/conversaentreamigos-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/conversaentreamigos-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27701" class="wp-caption-text">Lançado em 2017, Conversas entre amigos completa 5 anos no mês de lançamento da série adaptada (Foto: Editora Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Lopes Gomez</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Frances e Bobbi são melhores amigas que já namoraram. Frances tem uma queda por Nick, e Bobbi, por Melissa. Nick e Melissa são casados. É partindo desse emaranhado que Sally Rooney, em seu livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">encontra terreno fértil para dissecar relacionamentos contemporâneos e seus envolvidos, assim como as dinâmicas sociais e de poder das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ho5ja2trqrs&amp;t=265s"><span style="font-weight: 400;">relações interpessoais</span></a><span style="font-weight: 400;"> modernas. Se a irlandesa escreve, essencialmente, sobre pessoas normais vivendo sua realidade &#8211; mesmo que seja uma realidade inventada, somente baseada na vida real da autora ,- essa obra de estreia  mostra que, mesmo antes do fenômeno </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, Rooney já mostrava a potência de suas </span><a href="https://www.dailymail.co.uk/femail/article-10820757/How-Sally-Rooney-31-drew-experiences-growing-rural-Ireland-write-hit-novels.html"><span style="font-weight: 400;">histórias fictícias reais</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-27690"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No enredo do </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, a dupla de amigas se apresenta recitando poemas, escritos por Frances. Em um dos eventos, conhecem Melissa, uma escritora e fotógrafa bem-estabelecida, que pretende escrever um perfil sobre as duas jovens. Para isso, as convida a sua casa. Na residência de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Z1S5bOdJq3U&amp;t=0s"><span style="font-weight: 400;">classe média</span></a><span style="font-weight: 400;"> no centro de Dublin, história vem, história vai e não demora para os pares trocados se conectarem. Com Bobbi e Melissa preenchendo os espaços com suas personalidades, </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/4OobxWGzjHpUMaQnZmDvTs?si=eabd567c131a49bd"><span style="font-weight: 400;">Frances</span></a><span style="font-weight: 400;"> captura o olhar de Nick, o marido de Melissa, que parece tão perdido ao lado da mulher quanto ela com Bobbi.</span></p>
<figure id="attachment_27691" aria-describedby="caption-attachment-27691" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27691" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-2-800x320.jpg" alt="Foto da autora Sally Rooney. Em frente a um fundo desfocado, em que vemos um bosque com folhagens verdes e um tronco de árvore, à esquerda, vemos Rooney ao centro, do tronco para cima. Ela é uma mulher branca, de cabelos castanhos lisos na altura do ombro, aparentando cerca de 30 anos, vestindo uma camisa branca e com o rosto inclinado para a direita." width="800" height="320" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-2-800x320.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-2-768x308.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-2.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27691" class="wp-caption-text">No Brasil, Conversas entre amigos foi publicado pela Editora Alfaguara, com tradução de Débora Landsberg (Foto: Ellius Grace)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Conversations with friends </span></i><span style="font-weight: 400;">(o título original)</span> <span style="font-weight: 400;">é o primeiro livro publicado por Sally Rooney, que estourou com seu lançamento seguinte, </span><a href="https://personaunesp.com.br/sally-rooney-pessoas-normais-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Nesse segundo, a força gravitacional que move a narrativa é o (eventual) casal Connell e Marianne. Dos 16 aos 20 e tantos anos, os dois passam da ingênua adolescência à desafiadora vida adulta um na companhia do outro, ora em um relacionamento romântico, ora aprendendo a viver sem ele. Já em </span><a href="https://personaunesp.com.br/belo-mundo-onde-voce-esta-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Belo mundo, onde você está</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o terceiro e mais recente romance da autora, Alice e Eileen são velhas amigas que se correspondem por </span><i><span style="font-weight: 400;">e-mail</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com quase 30, o foco das protagonistas já não é o amadurecimento, mas outros, refletidos pelos da própria autora: vida profissional, relações românticas e de amizade menos idealizadas, capitalismo e reflexões acerca até do mercado editorial &#8211; esse, que </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/sally-rooney-lanca-belo-mundo-onde-voce-esta-avalia-impacto-de-normal-people-minha-vida-foi-dominada-pelo-sucesso-dos-meus-livros-anteriores-25182547"><span style="font-weight: 400;">Rooney está inserida</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; representam uma fase diferente da qual Connell e Marianne passaram. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo antes de </span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Belo mundo</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos</span></i><span style="font-weight: 400;"> soa quase como um meio-termo entre as realidades. Aqui, as protagonistas Frances e Bobbi já deixaram para trás a inocência da adolescência, mas, nos primeiros anos da casa dos vinte, não se estabeleceram o suficiente para se sentirem parte do mundo adulto &#8211; isso, como todo jovem adulto. A autora, porém, não se preocupa em verbalizar os anseios das duas explicitamente &#8211; e, na verdade, não o fez em nenhum de seus livros. Já virou </span><a href="https://lithub.com/sally-rooney-is-the-only-novelist-on-times-list-of-most-influential-people-of-the-year/"><span style="font-weight: 400;">marca registrada</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Rooney deixar o leitor sentir por si mesmo, apresentando somente situações e diálogos tão reais e relacionáveis que não conseguimos fazer diferente de nos imaginarmos no lugar das personagens.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Bobbi disse que não achava que eu tinha uma ‘personalidade verdadeira’, mas declarou que não se tratava de um elogio. De modo geral, eu concordava com a avaliação. A qualquer instante sentia que poderia fazer ou dizer qualquer coisa, e só depois pensar: ah, então sou esse tipo de pessoa&#8221;.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Do outro lado da moeda de </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2022/may/22/sasha-lane-and-alison-oliver-on-conversations-with-friends-sally-rooney"><span style="font-weight: 400;">Frances e Bobbi</span></a><span style="font-weight: 400;">, estão Nick e Melissa. O casal é mais velho, cada um com seus 30 e poucos anos, tem um ciclo de amigos e uma casa invejável, são (aparentemente) bem resolvidos, e profissional e financeiramente estáveis. Tudo isso, coisas que as duas não são. Apesar dos mundos diferentes, a conexão das personalidades acaba sendo inevitável no decorrer dos encontros. Assim como Bobbi, Melissa é confiante, o tipo de pessoa que preenche os ambientes em que entra, e sua convicção e força são claras, até intimidadoras. Já </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YWV3GEtWvIw"><span style="font-weight: 400;">Nick</span></a><span style="font-weight: 400;"> se assemelha a Frances: ele, um ator bonito e relativamente famoso, apesar de mediano em sua carreira, serve como um marido troféu, e parece se curvar à presença imponente da esposa &#8211; da mesma forma que a protagonista se sentia em seu antigo relacionamento com a amiga.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir do jantar da entrevista, o destino parece premeditado, mas nunca previsível. Bobbi, naturalmente, se conecta a Melissa e repele </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/5juZNPnXQe1DGrCHlrllPR?si=bb23a7b2582041bf"><span style="font-weight: 400;">Nick</span></a><span style="font-weight: 400;">. Por mais escancarada e sem vergonha que seja, a queda da jovem não vai muito além disso e a relação permanece platônica. Afinal, como Bobbi sempre lembra, ela é casada. Já com Frances e Nick acontece o contrário e a conexão se constrói lentamente, com a culpa pela relação extraconjugal sempre como um empecilho entre os dois. Do ponto inicial de terem em comum somente situações em que ficam deslocados ao mesmo tempo &#8211; além, claro, das companheiras extrovertidas -, os dois passam de meros parceiros de desconforto para descobrirem um no outro uma ligação um tanto mais </span><a href="https://brasil.elpais.com/eps/2021-09-03/sally-rooney-aceitar-a-intimidade-e-aceitar-a-possibilidade-de-que-outra-pessoa-nos-magoe.html"><span style="font-weight: 400;">profunda e complicada</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27692" aria-describedby="caption-attachment-27692" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27692" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-800x567.jpg" alt="Imagem de divulgação da série Conversas entre amigos. A foto foi tirada em uma praia e os protagonistas estão sentados em um rochedo à beira mar. Em cima do rochedo, ao centro, vemos uma mulher branca, loira, de cerca de 35 anos, vestindo um vestido branco, em pé. Ao lado dela, sentada na rocha, vemos uma mulher negra, usando uma bandana, regata, camisa e shorts de praia, aparentando cerca de 25 anos. Ao lado dela, no lado direito da foto, vemos uma mulher branca, de cabelos castanhos lisos, usando um vestido azul e branco, em pé, olhando para o lado. Ao seu lado, vemos um homem loiro, de cerca de 35 anos, usando camisa e shorts azul, sentado apoiado no rochedo." width="800" height="567" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-800x567.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-1024x726.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-768x545.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-1536x1089.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-1200x851.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27692" class="wp-caption-text">Assim como Pessoas normais, Conversas entre amigos ganhou uma minissérie de 12 episódios adaptada pela Hulu em parceria com a BBC (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A verdade é que não parece haver muito ao que se apegar nessa nova relação. Quanto mais próximos Nick e Frances se tornam, mas indecifrável ele fica, e a incerteza move o relacionamento. Isso até para o leitor: com a narração da jovem protagonista, </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos </span></i><span style="font-weight: 400;">se passa sob o olhar inseguro e acanhado dela. A forma com que vemos os personagens, inclusive, é sob sua visão. </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/2nM48XVy0Vf7TpLtfwLtlD?si=af029c2328504902"><span style="font-weight: 400;">Bobbi</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece a melhor pessoa do mundo à princípio, articulada, faladeira, engraçada, convicta em seus posicionamentos… até discordar das ações de Frances. Já </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Rfn1yngeXI0"><span style="font-weight: 400;">Melissa</span></a><span style="font-weight: 400;"> fica entre a megera que pisa no marido e a mulher decidida e bem-sucedida que a jovem sonha em ser. Nick, ora é indecifravelmente atraente, um mistério a ser decifrado, ora submisso e indeciso, misterioso só porque não sabe o que quer. De novo, em nenhum momento </span><a href="https://time.com/6094903/sally-rooney-millennial-novel/"><span style="font-weight: 400;">Rooney</span></a><span style="font-weight: 400;"> julga seus protagonistas: eles são o que são, cada um com seus motivos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Avançando nas 264 páginas do livro, os sentimentos e emoções vêm espontaneamente, conforme os quatro personagens vivem, se relacionam e, bem, conversam. </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos</span></i><span style="font-weight: 400;">, como outras obras de Sally Rooney, usa do subtexto de um relacionamento &#8211; dessa vez, um fora da configuração tradicional &#8211; </span><a href="https://www.monitordooriente.com/20211025-sally-rooney-susan-sarandon-e-milhares-de-outras-estao-do-lado-certo-da-historia/"><span style="font-weight: 400;">para ir além</span></a><span style="font-weight: 400;">. Motivados pelas ações, percepções e desejos dos protagonistas, o livro discute as dinâmicas de poder dessas conexões, da monogamia à diferença de tratamento entre homens e mulheres em uma relaçãp heterossexual. Também (e, de novo, como em outras obras da irlandesa), os quatro refletem sobre novas possibilidades e dinâmicas de relacionamento, capitalismo, vida profissional, saúde mental, política e classes sociais.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Ele tinha mais respeito por Melissa do que por mim? Gostava mais dela? Se ambas fôssemos morrer em um edifício em chamas e ele só pudesse salvar uma de nós, será que era óbvio que salvaria Melissa e não eu? Era praticamente diabólico transar com alguém que mais tarde deixaria você morrer queimada&#8221;.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse </span><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i><span style="font-weight: 400;"> peculiar e envolvente, não há espaços para julgamentos, não há lado certo ou errado. Definitivamente, não há moral da história. Os finais de Rooney escancaram o caráter imprevisível das relações humanas, mas também o lado esperançoso. Na tradução de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pqWEiiELzfo"><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Débora Landsberg, que trabalhou nos três romances publicados da autora, mantém a melancolia da escrita, assim como a forma direta, objetiva e fluida da irlandesa de escrever. Na estreia de seu estilo, Sally Rooney aprofunda ainda mais seus personagens ao não indicar quem verbaliza cada coisa: os diálogos não recebem pontuação precisa e, mesmo assim, sabemos quem diz o que ao final. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Completando 5 anos de idade em 2022, </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganhou sua adaptação homônima para TV, que, assim como </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, teve o </span><a href="https://www.express.co.uk/showbiz/tv-radio/1612706/Sally-Rooney-Normal-People-Conversations-With-Friends"><span style="font-weight: 400;">dedo da autora</span></a><span style="font-weight: 400;"> na concepção. Há meia década, porém, a primeira aparição das duas jovens rebeldes e cheias de idealizações, desconstruindo as aparências do meio adulto ao passo que tentam descobrir seu próprio lugar no mundo, não era uma projeto de comentário social para Sally Rooney. Na verdade, para ela, a situação era mais sobre </span><i><span style="font-weight: 400;"> “</span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iIGSMGdgCyQ"><i><span style="font-weight: 400;">observar a textura do mundo</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> em que estava habitando”</span></i><span style="font-weight: 400;">, absorvendo-o. E na vida real, sobre a qual ela tanto escreve, realmente não há moral da história. O que há são pessoas como Frances e como Bobbi, como Melissa e como Nick, que navegam seus sentimentos, desejos e as consequências de suas ações. Com sua delicadeza, honestidade e olhar apurado, Rooney simplesmente os capta e coloca em palavras.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Conversations with Friends | Official Trailer | Hulu" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3lvxQuOvf9s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Estante do Persona – Janeiro de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Feb 2022 20:53:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Quem é que quer flores depois de morto?” &#8211; J.D. Salinger Começando 2022 com o pé direito, a primeira leitura do nosso Clube do Livro se materializou nos lamentos e nos sonhos que a irlandesa Sally Rooney colapsou e esmigalhou em Pessoas normais. Sucesso de crítica, público e aclamado pela voracidade dos acontecimentos e sentimentos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Janeiro de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26035" aria-describedby="caption-attachment-26035" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26035 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capawordpressestantejaneiro.jpg" alt="Arte retangular de fundo lilás. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante'. na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “pessoas normais”. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco 'janeiro de 2022'" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capawordpressestantejaneiro.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capawordpressestantejaneiro-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capawordpressestantejaneiro-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26035" class="wp-caption-text">O Estante de Persona abre 2022 ao lado de Sally Rooney e sua dupla de Pessoas normais (Foto: Reprodução/Arte: Henrique Marinhos/Texto de Abertura: Vitor Evangelista)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“Quem é que quer flores depois de morto?”</span></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">&#8211; J.D. Salinger</span></em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Começando 2022 com o pé direito, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"><span style="font-weight: 400;">primeira leitura do nosso Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> se materializou nos lamentos e nos sonhos que a irlandesa Sally Rooney colapsou e esmigalhou em</span> <a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14654"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Sucesso de crítica, público e aclamado pela voracidade dos acontecimentos e sentimentos escritos, a obra ganhou uma adaptação em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=x1JQuWxt3cE"><span style="font-weight: 400;">formato de minissérie</span></a><span style="font-weight: 400;">, pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu</span></i><span style="font-weight: 400;">, alavancando a carreira de suas estrelas Daisy Edgar-Jones e Paul Mescal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem muito acontecendo no mundo literário nesse começo de ciclo, o Clube do Livro do Persona discutiu as similaridades e as normalidades do livro com o mundo real. Encontrando poesia na ordinariedade que Roony imprime em seus personagens, relacionáveis à maioria dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Wywjnr8vQ8U"><span style="font-weight: 400;">jovens adultos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que saíram da escola bambeando e chegaram à universidade perdidos da cabeça.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pela visão de Marianne e Connell, nossa leitura foi guiada, com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1u8rIx65QgA"><span style="font-weight: 400;">corações pulsantes doloridos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e uma porção de opiniões contundentes sobre a conduta dos protagonistas. O resultado dessa experiência você encontra abaixo, com breves comentários sobre o Livro do Mês (que, assim como nossa citação de abertura, bebe da fonte criativa de J.D. Salinger), além das imperdíveis Dicas do Mês, remexendo os cantos da Literatura e chegando com tudo, para quem procura turbinar a meta de leitura para o ano que chegou. </span></p>
<p><span id="more-26009"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_26016" aria-describedby="caption-attachment-26016" style="width: 683px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26016 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Pessoas normais, da autora Sally Rooney. A capa é verde, tem o desenho de duas pessoas deitadas abraçadas dentro de uma lata de sardinha aberta. No topo da capa, lemos em preto: &quot;O fenômeno literário da década&quot; - The Guardian. Abaixo disso, em fonte branca e grande, lemos PESSOAS NORMAIS, e abaixo da imagem da lata de sardinha, lemos SALLY ROONEY." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26016" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Lançado em 2019 por aqui, a tradução para o português ficou a cargo de Débora Landsberg (Foto: Companhias das Letras)</span></i></figcaption></figure>
<p><b>Sally Rooney &#8211; Pessoas normais (264 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito mais do que uma história de amor que ultrapassa espaço e tempo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;"> não se dobra a </span><a href="https://brasil.elpais.com/eps/2021-09-03/sally-rooney-aceitar-a-intimidade-e-aceitar-a-possibilidade-de-que-outra-pessoa-nos-magoe.html"><span style="font-weight: 400;">qualquer limitação que o destino possa vir a causar</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quando conhecemos Connell e Marianne, eles são estudantes do Ensino Médio, deslocados, cada um à sua maneira. Lá, era o garoto quem tomava a dianteira, fazendo a jovem de gato e sapato. Quando crescem e se aventuram pela faculdade, é Marianne o sujeito mandante do relacionamento, mesmo que ela insista em negar essa posição de poder.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, por vezes sutil, por vezes desbocada, Sally Rooney navega entre conversas mortas, sentimentos afogados e uma série de pequenos eventos que, em efeito dominó, não dão paz aos namorados imperfeitos da trama. Com </span><a href="https://literaturainglesa.com.br/sally-rooney-fala-sobre-seus-livros-favoritos/"><span style="font-weight: 400;">inspirações</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Ulysses </span></i><span style="font-weight: 400;">de James Joyce e em </span><i><span style="font-weight: 400;">Franny &amp; Zooey</span></i><span style="font-weight: 400;"> de J.D. Salinger, a autora irlandesa não se preocupa em preencher lacunas temporais, dando forma a suas pessoas ordinárias nesse exato </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/10/sally-rooney-do-fenomeno-normal-people-nao-quer-ser-so-mais-uma-millennial-chata.shtml"><span style="font-weight: 400;">lugar de mundanidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Connell e Marianne são identificáveis pois são avulsos, previsíveis, nada centrados e terrivelmente normais, como qualquer leitor que se sinta na mesma posição deles. Às vezes, a </span><a href="https://blog.estantevirtual.com.br/2021/08/17/sally-rooney/"><span style="font-weight: 400;">simplicidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> se revela a morada mais agradável de todas. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Pessoas normais - Clube do Livro Janeiro de 2022" width="100%" height="380" style="[object Object]" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/71rgUemV30POf7V7aAOBdQ?si=6531dedc09b8457a&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_26010" aria-describedby="caption-attachment-26010" style="width: 683px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26010 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Bartleby e companhia, do escritor Enrique Vila-Matas. Na imagem, há bem ao centro a fotografia de um enorme livro aberto, com as folhas do lado esquerdo dobradas de forma volumosa, pois são milhares de páginas. Ao fundo do local onde está esse livro aberto há um fundo branco. Fora do pequeno quadrado branco que está a fotografia do livro, está, na parte superior, escrito Bartleby e companhia em fonte de cor preta. Na parte direita, está escrito Companhia das Letras. Na parte inferior, abaixo da fotografia do livro, está escrito Enrique Vila-Matas em fonte de cor preta. Com exceção do quadrado central onde está a fotografia do livro aberto, todo o fundo é composto pela cor vermelha." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26010" class="wp-caption-text">Com tradução de Josely Vianna Baptista e Maria Carolina de Araújo, Bartleby e companhia é uma explosão de originalidade, guiada pelo espanhol Enrique Vila-Matas (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Enrique Vila-Matas &#8211; Bartleby e companhia (184 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Romance? Coletânea de contos? Texto jornalístico? Ensaios? Crítica literária? </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14384"><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby e companhia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não segue nenhum gênero ou caminho absoluto, mas mistura todos eles. Borrando a linha que separa ficção de não-ficção, o escritor espanhol </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/amp/ilustrada/2018/08/o-artista-deve-ser-nao-original-diz-enrique-vila-matas.shtml"><span style="font-weight: 400;">Enrique Vila-Matas</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria uma obra única, na qual a literatura torna-se personagem através de um mosaico de obras e autores, esboçados e analisados quase sempre de forma irônica. Lançado em 2000, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby y compañía </span></i><span style="font-weight: 400;">(no título original) é dividido por 86 capítulos curtos – mais uma pequena introdução não numerada –, e parte da premissa de ser um livro do &#8216;não&#8217;. Vila-Matas escreve: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Todos nós conhecemos os bartlebys, seres em que habita uma profunda negação do mundo”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O título é uma referência direta a outro Bartleby – </span><a href="http://www.aescotilha.com.br/literatura/ponto-virgula/bartleby-o-escrivao-herman-melville/"><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby, o escrivão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Herman Melville –, cuja fama consiste justamente em sua negação da vida, sendo um exímio personagem do &#8216;não&#8217;. Desde o início de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby e companhia,</span></i><span style="font-weight: 400;"> porém, o narrador-protagonista de Vila-Matas nega a escrita (de forma paradoxal, opõe-se contra ela escrevendo), criando um catálogo de escritores que optaram pelo silêncio – </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-apanhador-no-campo-de-centeio-70-anos/"><span style="font-weight: 400;">J.D. Salinger</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://quatrocincoum.folha.uol.com.br/br/resenhas/literatura/literatura-se-faz-ao-andar"><span style="font-weight: 400;">Robert Walser</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/literatura-israelense/as-vidas-paralelas-de-kafka"><span style="font-weight: 400;">Franz Kafka</span></a><span style="font-weight: 400;">, entre outros –, e tem como intuito escrever um diário, composto por diversas notas de rodapé, que serão a estrutura do livro, embora possamos classificá-las como capítulos. É interessante vislumbrar na narrativa de Vila-Matas esse mosaico perfeito, no qual a compreensão se dá mesmo que os inícios dessas notas (ou capítulos) sejam continuações de um texto inexistente, imaginário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa ironia fina do autor mistura-se, também, com a graça de alguns contos do argentino </span><a href="https://personaunesp.com.br/jorge-luis-borges-morte-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jorge Luis Borges</span></a><span style="font-weight: 400;"> – personalidade que não escapa dos pastiches literários do escritor espanhol –, e não perde em nada no quesito imaginação e desenvoltura no jogo literário. A bem da verdade, Enrique Vila-Matas é um dos melhores autores contemporâneos quando se trata de jogo com a literatura, captando como ninguém a crise pós-moderna em que se supõe que não existem mais ideias originais; por esta razão, o livro é repleto de referências. Trazida ao Brasil através da finada editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Cosac &amp; Naify</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra de Enrique Vila-Matas está atualmente sendo reeditada pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; </span><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby e companhia </span></i><span style="font-weight: 400;">foi reeditado no começo de 2021. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26011" aria-describedby="caption-attachment-26011" style="width: 708px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26011 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-708x1024.jpg" alt="Capa do livro Um Teto Todo Seu. O fundo da capa é uma parede rosa e, na parte debaixo, o batente branco e o chão de uma sala. Na parte superior central da capa, vemos uma linha com as palavras “Virginia Woolf” em branco e “Um teto todo seu” em preto. Logo abaixo, no centro, vemos um espelho com moldura branca de flores e um abajur com a luminária decorada em estampas marrons, laranjas e brancas. Abaixo, do lado esquerdo, vemos uma mesa de cabeceira de madeira clara, com um relógio, um vaso com flores rosadas, um caderno preto e uma xícara branca e laranja apoiadas nele. As palavras “Posfácio”, em preto, e “Noemi Jaffe”, em branco, estão dispostas logo acima dele. Ao centro da capa, vemos uma poltrona de madeira escura, com o assento laranja claro e uma almofada listrada marrom, laranja e branca. Do lado direito, vemos o cabo do abajur, de madeira clara. No chão, vemos um tapete marrom escuro cobrindo todo o piso e duas almofadas estampadas jogadas no chão, ao pé da poltrona. No canto inferior direito, vemos a palavra “TORDESILHAS” em uma letra estilizada em branco, escrita na vertical." width="708" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-708x1024.jpg 708w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-553x800.jpg 553w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-768x1111.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-1062x1536.jpg 1062w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-1200x1736.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1.jpg 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26011" class="wp-caption-text">“Eu me arriscaria a supor que Anônimo, que escreveu tantos poemas sem assiná-los, foi muitas vezes uma mulher” (Foto: Tordesilhas)</figcaption></figure>
<p><b>Virginia Woolf &#8211; Um teto todo seu (192 páginas, Tordesilhas)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos trabalhos mais reconhecidos de Virginia Woolf, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um teto todo seu </span></i><span style="font-weight: 400;">vira e mexe ganha novas edições. O livro foi publicado em 1929 e, quase um século depois, se mantém </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/25/cultura/1516835051_025456.html"><span style="font-weight: 400;">pertinente</span></a><span style="font-weight: 400;"> e atemporal nas reflexões acerca das condições sociais da mulher e sua influência na Literatura, levantadas pela autora sob um alter-ego ficcional. A obra se baseia em palestras de Woolf em faculdades na Inglaterra. No formato de um ensaio, e como se discursasse para uma plateia, a personagem Mary se questiona sobre qual o lugar ocupado pela mulher, sua situação e qual o contexto para isso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a maestria de sempre, Virginia Woolf </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/"><span style="font-weight: 400;">não se prende</span></a><span style="font-weight: 400;"> a uma só linha de pensamento, e seu fluxo engaja o leitor nas mais diversas situações. Ela nos conduz à época de Shakespeare, para se questionar o porquê da hipotética irmã do dramaturgo, tão talentosa quanto ele, não ter feito o mesmo sucesso; para as universidades e núcleos em comum dos escritores, em que as autoras são a minoria e vistas como uma anomalia; e até dentro de casa, para lembrar do motivo pelo qual elas já começam em </span><a href="https://bibliomundi.com/blog/disparidade-no-reconhecimento-das-mulheres-no-meio-editorial/"><span style="font-weight: 400;">desvantagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, em primeiro lugar. A resposta? Elas necessitam de um teto todo seu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com foco na Literatura de ficção, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um teto todo seu</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora a condição social a qual as mulheres são renegadas, o de tarefas domésticas, submissão e falta de controle sobre a própria produção, que as impõe limitações &#8211; ou de escrever, ou de publicar, ou de serem reconhecidas por seus trabalhos. Fato é: não se trata das autoras produzirem menos porque não têm capacidade, mas sim porque estão incumbidas de outras obrigações, forçadas a elas. Como a famosa citação de </span><a href="https://www.rafaellarique.com.br/virginia-woolf-a-escritora-que-revolucionou-a-literatura/"><span style="font-weight: 400;">Virginia Woolf</span></a><span style="font-weight: 400;"> ecoa, “</span><i><span style="font-weight: 400;">uma mulher precisa ter dinheiro e um teto todo seu, um espaço próprio, se quiser escrever ficção.</span></i><span style="font-weight: 400;">” </span><b>&#8211; </b><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26012" aria-describedby="caption-attachment-26012" style="width: 656px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26012 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-656x1024.jpg" alt="Capa do livro Conversas entre amigos. A capa é cor verde-água e mostra o desenho de duas mulheres brancas de costas, fumando. A primeira tem cabelos compridos escuros e soltos, está de costas, usa uma blusa bege e segura um cigarro aceso na mão esquerda. A outra está de costas, mas com a cabeça virada para a esquerda, tem cabelos presos em um rabo de cavalo e usa óculos escuros, também segurando um cigarro. Ao topo da imagem lemos uma frase em branco, com a assinatura do The Sunday Times em preto. Ao centro, lemos em branco Conversas entre amigos, e em preto Sally Rooney. No meio e na extremidade esquerda, está o selo da editora Alfaguara, em branco." width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-656x1024.jpg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-768x1198.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-985x1536.jpg 985w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-1313x2048.jpg 1313w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-1200x1872.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1.jpg 1641w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26012" class="wp-caption-text">Publicado no Brasil em 2017 pela Alfaguara, o primeiro livro de Sally Rooney também foi traduzido por Débora Landsberg (Foto: Editora Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Sally Rooney &#8211; Conversas entre amigos (264 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando decide escrever fazendo uso da primeira pessoa, a irlandesa dona do livro do mês de janeiro revela as vísceras de sua Literatura. Em </span><a href="https://rizzenhas.com/2018/01/resenha-conversas-entre-amigos-de-sally-rooney/"><i><span style="font-weight: 400;">Conversations with Friends</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seu romance de estreia, Rooney investiga as fervorosas relações de Frances e Bobby, duas adultas de 21 anos que namoraram no passado, mas hoje são boas e melhores amigas. Entre as rotinas de estudos e da vida social, a dupla vai de encontro a um casal mais velho, e faíscas surgem. A mão de Rooney, de forma sagaz, guia seu leitor, adentrando temas de traição e paixão, mas sem sentenciar seus personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto Bobby cultiva uma relação de admiração e fascínio por Melissa, Frances se encanta por Nick, um ator de trinta anos que acaba dando bola para ela. A partir dessa premissa, Sally Rooney nos mostra que </span><a href="https://deliriumnerd.com/2017/12/01/conversas-entre-amigos-sally-rooney/"><span style="font-weight: 400;">tudo é possível</span></a><span style="font-weight: 400;">, não importa o que seja. No meio termo entre o sagaz e o virtuoso, o livro pode não alcançar o patamar de honestidade dos outros romances da autora, mas em meio aos amores, temores e desejos ele detém charme o suficiente. Em breve, chega ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu </span></i><span style="font-weight: 400;">uma </span><a href="https://hugogloss.uol.com.br/tv/series/conversas-entre-amigos-adaptacao-do-romance-de-sally-rooney-ganha-primeiro-trailer-cheio-de-cenas-quentes-assista/"><span style="font-weight: 400;">adaptação em formato de minissérie</span></a><span style="font-weight: 400;">, com Jemima Kirke e Joe Alwyn no elenco.  </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_26013" aria-describedby="caption-attachment-26013" style="width: 670px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26013 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-670x1024.jpg" alt="Capa do livro Tudo sobre o amor, de bell hooks. A imagem tem fundo laranja-avermelhado vibrante e o nome da autora aparece em letras garrafais grandes e roxas, preenchendo os primeiros dois terços da capa, de um extremo ao outro, levemente inclinado na diagonal. Na linha inferior, está o nome do livro, na mesma estilização anterior, mas com a fonte um pouco menor e colorido em amarelo claro. Embaixo do título do livro, na mesma estilização porém em tamanho ainda menor, está escrito “novas perspectivas”, em branco." width="670" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-670x1024.jpg 670w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-524x800.jpg 524w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-768x1173.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-1006x1536.jpg 1006w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26013" class="wp-caption-text">“No momento em que escolhemos amar, começamos a nos mover contra a dominação, contra a opressão. No momento em que escolhemos amar, começamos a nos mover em direção à liberdade, a agir de formas que libertam a nós e aos outros.” (Foto: Editora Elefante)</figcaption></figure>
<p><b>bell hooks &#8211; Tudo sobre o amor (272 páginas, Elefante)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ah, se Connell e Marianne pudessem ter acesso aos estudos de bell hooks sobre o amor… A história de </span><a href="https://valkirias.com.br/normal-people/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> seria bem diferente e o trabalho de Sally Rooney teria outro rumo. No lançamento brasileiro mais recente da autora, que há pouco descansou de sua </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-dezembro-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">vasta e revolucionária colaboração</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o entendimento do nosso mundo, o tema mais amplo da humanidade é analisado sobre cada um de seus aspectos principais, através do olhar crítico e sábio da pessoa mais qualificada para o fazê-lo. Longe de se restringir ao amor como manifestação meramente romântica, idealizada ou sentimental, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo sobre o amor</span></i><span style="font-weight: 400;"> compreende a vastidão de seu tema de forma revolucionária &#8211; assim como tudo o que </span><a href="https://www.boitempoeditorial.com.br/autor/bell-hooks-1372"><span style="font-weight: 400;">bell hooks</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de 13 capítulos, a estudiosa transcende qualquer leitura já realizada sobre o amor, palavra que remete a algo tão subjetivo e sempre está presente na experiência humana, respeitando a sua complexidade mas tratando-o de forma prática &#8211; que em momento algum deixa de ser profunda. É difícil explicar uma leitura dessa magnitude, cujo tema se desdobra ainda em mais dois livros, que juntos, formam a </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2022/01/14/bell-hooks-amor-e-coletivo-politico-e-etica-de-vida"><i><span style="font-weight: 400;">Trilogia do Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Formação obrigatória para todo e qualquer ser humano que se relaciona com outros seres humanos, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Tudo-sobre-amor-Bell-Hooks/dp/6587235247/ref=asc_df_6587235247/?tag=googleshopp00-20&amp;linkCode=df0&amp;hvadid=430976266970&amp;hvpos=&amp;hvnetw=g&amp;hvrand=11509159530272386220&amp;hvpone=&amp;hvptwo=&amp;hvqmt=&amp;hvdev=c&amp;hvdvcmdl=&amp;hvlocint=&amp;hvlocphy=1031984&amp;hvtargid=pla-1182608021006&amp;psc=1"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo sobre o amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma das maiores joias que bell hooks nos deixou. E assim como ela defende o entendimento do </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/politica/para-abrir-o-coracao"><span style="font-weight: 400;">amor como ação</span></a><span style="font-weight: 400;">, o livro é mais uma de suas formas de transformar o mundo em que vivemos. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
<hr />
<p><figure id="attachment_26014" aria-describedby="caption-attachment-26014" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26014 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Maus. Ela possui um fundo cinza, com a presença de um círculo branco com o símbolo de uma suástica que tem, ao centro, o desenho de um gato, com traços que remetem aos de Adolf Hitler. Na parte inferior, um pouco à frente desse círculo, há o desenho de dois ratos: o da esquerda vestindo um casaco azul, e o da direita um casaco amarelo. Na parte superior, está escrito “História completa” em fonte na cor amarela e, abaixo, está escrito “Maus” em fonte grande na cor vermelha. " width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-768x1105.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-1067x1536.jpg 1067w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-1423x2048.jpg 1423w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-1200x1727.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1.jpg 1779w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26014" class="wp-caption-text">Apesar do enorme sucesso, Art Spiegelman já recusou várias ofertas para <a href="https://rollingstone.uol.com.br/entretenimento/maus-por-que-art-spiegelman-autor-da-hq-nao-quer-adaptacao-para-filme/">transformar a obra em filme</a>, afirmando que a narrativa é melhor servida como um livro (e ele não mentiu) [Foto: Companhia das Letras]</figcaption></figure><b>Art Spiegelman &#8211; Maus (296 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Maus </span></i><span style="font-weight: 400;">é considerado um dos grandes clássicos contemporâneos das histórias em quadrinhos, já tendo angariado o Prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Pulitzer</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Literatura, em 1992, sendo a primeira </span><i><span style="font-weight: 400;">graphic novel</span></i><span style="font-weight: 400;"> a cumprir esse feito. Dividido em duas partes, com a primeira lançada em 1986 e a segunda em 1991, a obra de Art Spiegelman retrata episódios do </span><a href="https://personaunesp.com.br/anne-frank-vidas-paralelas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Holocausto</span></a><span style="font-weight: 400;"> vivenciados por seu pai, Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz. Para dar luz aos seus relatos, o desenhista aposta em representações, ilustrando os judeus como ratos, os nazistas como gatos, os poloneses não-judeus como porcos e os americanos como cachorros. Mesmo com esse simbólico aspecto animalesco configurado aos componentes da trama, não é possível desassociar a frieza de seus atos cruelmente humanos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa acompanha as declarações de Vladek sobre esse período, as constantes fugas dele e de sua esposa Anja, as tristes despedidas e, por fim, os difíceis dias no campo de concentração. Junto a isso, mostra também os atritos familiares entre pai e filho, que evidenciam as marcas deixadas por esse capítulo de sua vida. Apesar do enorme peso carregado pelos acontecimentos, Spiegelman não cede a qualquer apelo emocional para conduzir a obra, retratando a </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/maus-hq-de-art-spiegelman-e-proibida-em-escolas-dos-eua/"><span style="font-weight: 400;">dureza nua e crua</span></a><span style="font-weight: 400;"> daquela realidade vivida por milhões de pessoas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Maus </span></i><span style="font-weight: 400;">é um livro não apenas sobre as atrocidades ocorridas durante o Holocausto, mas, principalmente, das </span><a href="https://personaunesp.com.br/colette-2020-critica/"><span style="font-weight: 400;">dores e cicatrizes carregadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> por todos aqueles que têm páginas da memória de sua família rasgadas por uma das maiores tragédias da história da humanidade. Cicatrizes essas complemente impassíveis de serem minimizadas, ou sequer discutidas em qualquer </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/02/09/quem-e-monark-apresentador-do-flow-podcast-que-coleciona-polemicas.htm"><span style="font-weight: 400;">conversa de bar</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitória Silva</b></p>
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		<title>Belo Mundo, Onde Você Está: as frustrações do mundo jovem adulto</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Nov 2021 17:54:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Isabella Siqueira Lançado em setembro de 2021, Belo Mundo, Onde Você Está (Beautiful World, Where Are You) é o terceiro romance de Sally Rooney, célebre escritora conhecida pelo sucesso Pessoas Normais. Lançado simultaneamente no Brasil, o livro discorre sobre as incertezas e inseguranças do mundo jovem adulto, assunto já consolidado na literatura da autora inglesa.  &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/belo-mundo-onde-voce-esta-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Belo Mundo, Onde Você Está: as frustrações do mundo jovem adulto"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24339" aria-describedby="caption-attachment-24339" style="width: 550px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24339" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/f0b891d1-ca43-4d87-a300-a7780f649fd2.jpg" alt=" Capa do livro Belo Mundo, Onde Você Está. Na imagem, há uma capa azul, com o logo da editora Companhia das Letras na parte inferior esquerda da foto. O nome da autora, Sally Rooney, está escrito em letras maiúsculas pretas na parte central superior da página. Embaixo do nome da autora, está localizado o título da obra também em letras pretas e maiúsculas. Na foto, estão localizados quatro personagens cortados ao meio por faixas amarelas. " width="550" height="824" /><figcaption id="caption-attachment-24339" class="wp-caption-text">Belo Mundo, Onde Você Está é o terceiro romance da escritora inglesa, que lançou também os livros Pessoas Normais e Conversas Entre Amigos (Foto: Editora Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Isabella Siqueira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em setembro de 2021, </span><i><span style="font-weight: 400;">Belo Mundo, Onde Você Está</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Beautiful World, Where Are You</span></i><span style="font-weight: 400;">) é o terceiro romance de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=05555"><span style="font-weight: 400;">Sally Rooney</span></a><span style="font-weight: 400;">, célebre escritora conhecida pelo sucesso </span><a href="http://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas Normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Lançado simultaneamente no Brasil, o livro discorre sobre as incertezas e inseguranças do mundo jovem adulto, assunto já consolidado na literatura da autora inglesa. </span></p>
<p><span id="more-24338"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sally Rooney é um fenômeno inegável. Seus livros são tão familiares para a </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-57938082"><span style="font-weight: 400;">geração </span><i><span style="font-weight: 400;">millennial</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, representada no romance </span><i><span style="font-weight: 400;">Belo Mundo, Onde Você Está</span></i><span style="font-weight: 400;"> pela melancolia que sentem. Se engana quem pensa que a obra fala sobre dois casais e suas histórias românticas ideais, Rooney se aprofunda em quatro personagens diversos, explorando suas frustrações e o caminho confuso de suas vidas sentimentais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas Normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, Sally Rooney opta por detalhar cada aspecto da rotina cotidiana, evidenciando a neurose dos jovens com a vida que levam, ao mesmo tempo dando certa densidade psicológica para o romance. A escrita clássica da autora também vai tomando outras formas, grande parte da narrativa do livro se dá em longos </span><i><span style="font-weight: 400;">e-mails</span></i><span style="font-weight: 400;">, que parecem terem sido escritos sem um único respiro, em uma espécie de fluxo de pensamentos interminável. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“E quem sou eu para pedir humildade e franqueza dos outros? O que eu já dei ao planeta para pedir tanto em troca? Eu poderia me desintegrar em um monte de poeira que o mundo não daria a mínima, e é assim que tem que ser.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Com tradução de Débora Landsberg, o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/09/novo-livro-de-sally-rooney-de-pessoas-normais-parece-escrito-para-adolescentes.shtml"><span style="font-weight: 400;">romance</span></a><span style="font-weight: 400;"> não possui uma trama definida, o leitor não recebe uma história com um caminho certo ou previsível. A história, tal qual o mundo jovem adulto na maioria dos casos, é feita de incertezas e indecisões. A trama apresenta quatro personagens principais: Alice, Felix, Eileen e Simon, jovens em seus quase 30 anos que possuem características e debates interiores sensacionais. O ponto de encontro desse grupo de pessoas é a amizade de Alice e Eileen, duas colegas de faculdade que estão distantes fisicamente, mas que permanecem em contato por meio da correspondência eletrônica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Presente no contexto editorial, Alice é uma jovem escritora assustada com o sucesso inusitado que enfrentou com o lançamento de seus dois primeiros romances. Sally Rooney opta por discutir a Literatura contemporânea pela ótica e perspectiva da personagem, que além de ser cética quanto ao rumo da coisa toda, que parece não enfrentar o mundo, também se sente intimidada com os compromissos profissionais da carreira literária. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após um surto, a personagem opta por deixar para trás o universo editorial de Dublin, Nova York e Londres, se refugiando numa pequena cidade da Irlanda. É nesse cenário que Alice conhece Felix, o homem mais distante do mundo literário possível. De certa forma, ele se distancia também de todos outros protagonistas, fazendo parte da vida real. O casal se conhece pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Tinder </span></i><span style="font-weight: 400;">e, após um primeiro encontro horrendo, acabam construindo uma relação difícil de definir. </span></p>
<figure id="attachment_24340" aria-describedby="caption-attachment-24340" style="width: 1086px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24340" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/95042144_SC-EXCLUSIVA-A-escritora-Sally-Rooney-autora-de-Normal-People-lanca-novo-livro-Belo-mund.jpg" alt="Na imagem, a autora Sally Rooney está posando para uma foto de perfil. Posando em um fundo que está desfocado, a escritora é uma mulher branca com cabelos castanhos e médios. Ela está posicionada com seus braços ao lado dentro de um bolso. Além disso, a autora também veste uma camisa branca, com uma saia xadrez em azul e verde, que está presa por um cinto marrom. Ao fundo está um campo com grama e árvores. " width="1086" height="652" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/95042144_SC-EXCLUSIVA-A-escritora-Sally-Rooney-autora-de-Normal-People-lanca-novo-livro-Belo-mund.jpg 1086w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/95042144_SC-EXCLUSIVA-A-escritora-Sally-Rooney-autora-de-Normal-People-lanca-novo-livro-Belo-mund-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/95042144_SC-EXCLUSIVA-A-escritora-Sally-Rooney-autora-de-Normal-People-lanca-novo-livro-Belo-mund-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/95042144_SC-EXCLUSIVA-A-escritora-Sally-Rooney-autora-de-Normal-People-lanca-novo-livro-Belo-mund-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24340" class="wp-caption-text">Após a adaptação de Normal People como minissérie em 2020, o romance Conversas Entre Amigos será adaptado como uma série também pelo selo Hulu e BBC (Foto: Ellius Grace)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A questão da classe social cria tensões que não separam o casal, mas demarcam a diferença gritante entre a realidade de ambos. Felix trabalha como empacotador em depósito, um </span><a href="http://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><span style="font-weight: 400;">subemprego braçal</span></a><span style="font-weight: 400;"> e distante da complexidade intelectual do trabalho de Alice em seu mundo literário. Impulsivo e inquieto, o personagem possui uma tendência absurda para a autossabotagem, sempre fazendo comentários insensíveis e tomando atitudes questionáveis. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vivendo separada da amiga em Dublin, Eileen é lembrada pela insegurança e solidão que sente. A personagem herdou essas características de suas relações familiares, com quem mantém um rancor particular, principalmente, com sua irmã Lola, cujo casamento iminente parece estressar Eileen ainda mais. Além do término recente com o namorado de longa data, a vida profissional pouco ajuda a mulher, que está muito distante do </span><i><span style="font-weight: 400;">glamour </span></i><span style="font-weight: 400;">e reconhecimento da amiga, possuindo um emprego que odeia em uma revista literária e a famosa instabilidade financeira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a fuga de sua melhor amiga, o único refúgio de Eileen se torna Simon, um amigo de infância que foi sua defesa contra o tratamento da irmã e o acolhimento precário dos pais. Por sua vez, Simon age como um salvador para as mulheres (incluindo Eileen) jovens com quem se relaciona. Apesar de parecer mais estável que os demais protagonistas, ele possui aspectos muito destoantes entre si, agindo como um </span><a href="http://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">católico meio cretino</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sua relação devota com a religião molda em parte sua personalidade, apesar de não dispensar o sexo casual, ele opta por agir com um mártir culpado que resgata jovens moças sempre que pode, um comportamento refletido em sua profissão. Simon é um parlamentar que discute problemas sociais mas que, efetivamente, não faz nada significativo. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“O que nós temos agora no lugar? Nada. E detestamos as pessoas por cometerem erros muito mais do que as amamos por fazerem o bem, portanto o jeito mais fácil de viver é não fazer nada, não dizer nada e não amar ninguém.&#8221;</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Narrado em terceira pessoa,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Belo Mundo, Onde Você Está</span></i><span style="font-weight: 400;"> intercala o ponto de vista entre os protagonistas, mas acaba mantendo o foco na relação entre as amigas, Eileen e Alice. Além de se passar na vida cotidiana dos personagens, a obra também carrega as mensagens e </span><i><span style="font-weight: 400;">e-mails</span></i><span style="font-weight: 400;"> enviados. Outro diferencial da obra de Sally Rooney é o </span><a href="https://entenderficcao.com.br/2018/06/25/vozes-narrativas-e-o-discurso-indireto-livre/"><span style="font-weight: 400;">discurso livre</span></a><span style="font-weight: 400;"> utilizado: a autora não usa pontuações e mistura os diálogos junto às descrições e parágrafos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dispensando um enredo quadrado, a inglesa não cria uma história convencional, optando por desenvolver um espaço para reflexões sobre amor, sexo, solidão e as desilusões que a entrada na vida adulta oferecem. Sem um contexto geral sobre a relação entre os personagens, a única pista sobre a história é a comunicação remota pelas duas amigas antigas, uma relação marcada pela distância física e emoções à flor da pele. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O relacionamento à distância entre Alice e Eileen é o ponto central da obra, as duas amigas se sentem frustradas com o rumo que a vida tomou desde a faculdade. Alice lida com o esgotamento mental decorrente do sucesso repentino, Eileen vive um término doloroso, problemas financeiros, uma personalidade insegura e uma confusão amorosa com Simon. As pressões da vida adulta atingiram duramente as personagens, que vivem em busca de seu Belo Mundo.</span></p>
<figure id="attachment_24341" aria-describedby="caption-attachment-24341" style="width: 804px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24341 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Q776KYRZIVCJXGMEN6ILTM6OZI-804x1024.jpg" alt="Foto da escritora Sally Rooney. A autora está posando de perfil, ela é uma mulher branca, os seus cabelos são castanhos médios lisos, e seus olhos são verdes. Além disso, ela veste uma blusa no estilo cacharrel na cor cinza. O fundo é uma parede clara e desfocada." width="804" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Q776KYRZIVCJXGMEN6ILTM6OZI-804x1024.jpg 804w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Q776KYRZIVCJXGMEN6ILTM6OZI-628x800.jpg 628w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Q776KYRZIVCJXGMEN6ILTM6OZI-768x978.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Q776KYRZIVCJXGMEN6ILTM6OZI-1207x1536.jpg 1207w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Q776KYRZIVCJXGMEN6ILTM6OZI-1609x2048.jpg 1609w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Q776KYRZIVCJXGMEN6ILTM6OZI-1200x1528.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Q776KYRZIVCJXGMEN6ILTM6OZI.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24341" class="wp-caption-text">A escritora irlandesa é considerada uma das <a href="https://time.com/6094903/sally-rooney-millennial-novel/">vozes da geração Millennial</a>, e suas obras já abordaram a subjugação feminina, questões de classe e violência doméstica (Foto: Linda Brownlee)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por viverem longe uma da outra, Alice e Eileen apenas se falam por longos </span><i><span style="font-weight: 400;">e-mails</span></i><span style="font-weight: 400;">. As personagens nos presenteiam com seu modo de enxergar o mundo em que vivem, expondo suas inseguranças, que permeiam o medo do fracasso, da solidão e as expectativas frustradas. Mas, apesar dos sentimentos sinceros que essas conversas trazem, o que chama a atenção são os ganchos para discussões profundas. As jovens falam sobre a feiura visual da vida moderna, a experiência estética </span><i><span style="font-weight: 400;">versus</span></i><span style="font-weight: 400;"> a vaidade, religião e política mundial. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em momento interessantíssimo, Sally Rooney também engata uma discussão sobre </span><a href="https://www.culturagenial.com/livros-para-conhecer-literatura-contemporanea-brasileira/"><span style="font-weight: 400;">Literatura contemporânea</span></a><span style="font-weight: 400;">, explorando como são superficiais os romances sobre a vida cotidiana. Os escritores atuais se valem da aprovação da crítica euro-americana, agindo como se suas opiniões fossem relevantes, únicas e especiais. Tais autores também fazem parte de uma classe burguesa, que de livre e espontânea vontade opta por </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2021/10/07/abdulrazak-gurnah-ganha-premio-nobel-de-literatura-2021.ghtml"><span style="font-weight: 400;">ignorar os problemas sociais que o mundo enfrenta</span></a><span style="font-weight: 400;">, realidades muito diferentes da que vivem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Curiosamente, essa discussão pode ser vista como uma autocrítica da própria autora, que não fala de um lugar tão distante desses escritores. </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/sally-rooney-lanca-belo-mundo-onde-voce-esta-avalia-impacto-de-normal-people-minha-vida-foi-dominada-pelo-sucesso-dos-meus-livros-anteriores-25182547"><span style="font-weight: 400;">Sally Rooney</span></a><span style="font-weight: 400;"> está posicionada em um espaço de conforto em que relata os traumas da burguesia, irrelevantes se comparados à miséria que outras milhões de pessoas vivem, mas ainda assim traumas. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Minha própria obra é, nem preciso dizer, a mais criminosa nesse sentido. Por essa razão, acho que nunca mais vou escrever um romance.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Alice e Félix se conheceram pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Tinder</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mesmo com características distintas, ambos conseguem se encontrar numa relação sem um rótulo definido. Contudo, é doloroso ver Alice se contentando com o tratamento humilhante e as críticas que Félix faz a ela. Por sua vez, Felix também possui suas próprias inseguranças quanto ao seu passado complicado. Os dois acabam construindo uma relação nociva de gato e sapato: Felix demonstra uma superioridade sobre Alice, que finge ser submissa a suas palavras insensíveis. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eileen vive a procura da felicidade, que uma vez sentiu ao estar junto de Alice e Simon. Contudo, principalmente para Eileen, as mudanças foram ainda mais incisivas. Suas inseguranças e o medo do fracasso a impedem de ser feliz e conseguir novas oportunidades. É nesse turbilhão de emoções negativas que ela encontra e se desencontra com Simon. A relação de ambos é confusa, Eileen sente ser dependente de Simon, que demonstra justamente o contrário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para os que se relacionam intimamente com as angústias dos personagens, o livro é um verdadeiro soco no estômago. O período da juventude constrói expectativas e ilusões, a casa dos trinta anos entrega frustrações tardias. </span><i><span style="font-weight: 400;">Belo Mundo, Onde Você</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Está</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um livro que aponta decepções, principalmente, por que nos relacionamos com personagens tão sozinhos, instáveis e até abusivos consigo mesmos. Sally Rooney prova que consegue transpor uma geração com tanta honestidade que chega a incomodar.</span></p>
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		<title>Normal People retrata o amor através da distância e do tempo</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Sep 2020 19:01:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Isabella Siqueira Algumas histórias apelam para fantasias impossíveis, enquanto outras buscam as emoções presentes na normalidade. Normal People, minissérie do streaming Hulu em parceria com o canal britânico BBC, encanta justamente por falar de um romance digno de pessoas reais. Indicada ao Emmy desse ano, a história é uma adaptação do best-seller da autora irlandesa &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/normal-people-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Normal People retrata o amor através da distância e do tempo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_14964" aria-describedby="caption-attachment-14964" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14964" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Normal-People-2.jpg" alt="" width="1170" height="648" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Normal-People-2.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Normal-People-2-300x166.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Normal-People-2-1024x567.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Normal-People-2-768x425.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14964" class="wp-caption-text">Com personagens muito fáceis de se identificar, a obra explora as incertezas do mundo jovem-adulto (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Isabella Siqueira</b></p>
<p>Algumas histórias apelam para fantasias impossíveis, enquanto outras buscam as emoções presentes na normalidade. <i>Normal People</i>, minissérie do<i> streaming Hulu </i>em parceria com o canal britânico<i> BBC</i>, encanta justamente por falar de um romance digno de pessoas reais. Indicada ao <i>Emmy</i> desse ano, a história é uma adaptação do <i>best-seller</i> da autora irlandesa Sally Rooney. O livro é mencionado como fenômeno literário da década pelo jornal <a href="https://www.theguardian.com/books/2018/sep/01/normal-people-sally-rooney-review"><i>The Guardian</i></a>, e a adaptação para a TV não fica atrás no quesito qualidade.</p>
<p><span id="more-14962"></span></p>
<p>Ambientada numa pequena cidade irlandesa, a trama segue os jovens Marianne (Daisy Edgar-Jones) e Connell (Paul Mescal) durante seus últimos meses do colegial. Contudo, apesar de colegas de classe, os dois têm vidas completamente diferentes. Marianne, rica e dona de um humor ácido, vive reclusa de todos. E Connell apesar de tímido, habita um círculo social popular e fútil.</p>
<p>Embora tenham classes sociais e personalidades opostas, surge entre os dois uma forte ligação que ressoa através de anos. Com algumas passagens de tempo, a história segue até a faculdade. Nesse ambiente existe uma inversão de papéis, Marianne parece desabrochar no ambiente universitário, e Connel agora sente as inseguranças que antes desconhecia. Com essa proposta, a trama explora não só essa intensa relação de idas e vindas, mas também suas mudanças individuais no começo da vida adulta.</p>
<figure id="attachment_14965" aria-describedby="caption-attachment-14965" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14965" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/https-_hypebeast.com_wp-content_blogs.dir_6_files_2020_05_sally-rooney-conversations-with-friends-tv-show-adaptation-bbc-updates-announcement-1.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/https-_hypebeast.com_wp-content_blogs.dir_6_files_2020_05_sally-rooney-conversations-with-friends-tv-show-adaptation-bbc-updates-announcement-1.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/https-_hypebeast.com_wp-content_blogs.dir_6_files_2020_05_sally-rooney-conversations-with-friends-tv-show-adaptation-bbc-updates-announcement-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/https-_hypebeast.com_wp-content_blogs.dir_6_files_2020_05_sally-rooney-conversations-with-friends-tv-show-adaptation-bbc-updates-announcement-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-14965" class="wp-caption-text">A dualidade dos protagonistas é acompanhada por uma fotografia agradável e uma trilha sonora viciante (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Com intimidade e silêncio, a série investe nas palavras não ditas. Escrito por Alice Birch (<i>Lady Macbeth</i>), Mark O’Rowe e também pela própria Sally Rooney, o roteiro conquista pela profundidade em diálogos habituais. E a sincronia de Jones e Mescal é essencial, com um trabalho impecável eles conseguem trazer as incertezas e os sentimentos reprimidos em cada gesto.</p>
<p>Sendo a direção da temporada dividida entre Lenny Abrahamson (<i>O Quarto de Jack</i>) e Hettie Macdonald, <i>Normal People</i> demora para engajar quem assiste. Contudo, a sutileza da produção fica clara, a <a href="https://www.nme.com/blogs/tv-blogs/normal-people-soundtrack-music-sally-rooney-2655491">trilha sonora</a> melancólica e fotografia limpa harmonizam com o <a href="https://www.vulture.com/2020/05/normal-people-soundtrack-13-key-songs.html">delicado</a> romance adolescente. Ao conduzir dois jovens da <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/04/05/economia/1491401697_499027.html">geração <i>millennial</i></a>, o enredo constrói dois personagens reais que não se comunicam direito, que erram e acertam ao longo dos 12 episódios. Além do romance desalinhado, a vulnerabilidade do par fica nítida em outros temas abordados, como abuso familiar, agressão doméstica, suicídio e depressão.</p>
<p>Sligo, a pequena cidade no norte da Irlanda onde a trama escolar se passa, possui uma paisagem litorânea que contribui para a bela <a href="https://theculturetrip.com/europe/ireland/articles/the-beautiful-locations-from-bbcs-normal-people/">fotografia</a>. Os outros locais onde as <a href="https://www.tatler.com/gallery/bbc-normal-people-filming-locations-ireland-italy-sweden">filmagens</a> foram realizadas são Dublin, Sant’Oreste (Itália) e Luleå (Suécia), que acabam compondo o cenário pacífico e se relacionam com emocional dos personagens no momento em que se encontram. O declínio emocional de Marianne é acentuado pelo inverno branco e solitário da Suécia. E o ambiente rústico da pequena vila italiana acompanha os momentos românticos do par durante o verão.</p>
<figure id="attachment_14966" aria-describedby="caption-attachment-14966" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14966" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/1-normal-people.jpg" alt="" width="1000" height="547" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/1-normal-people.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/1-normal-people-300x164.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/1-normal-people-768x420.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14966" class="wp-caption-text">Além de co-roteirista, a autora também frequentou a Trinity, universidade em que os protagonistas se reencontram (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Inicialmente a relação entre os dois é apenas sexual, mas a série também toma cuidado ao retratar o  sexo de forma muito realista. Diferente das cenas <i>hollywoodianas</i> idealizadas, os <a href="https://www.vulture.com/2020/04/normal-people-good-sex-scenes.html">momentos</a> constrangedores estão presentes, ainda que sejam cenas gráficas possuem uma direção sensível e à intimidade não é fetichizada.</p>
<p>A minissérie concorre ao <em><a href="http://personaunesp.com.br/tag/emmy-2020/">Emmy</a> 2020</em> em apenas <a href="https://www.emmys.com/shows/normal-people">quatro</a> categorias. Paul Mescal compete como Melhor Ator em Minissérie ou Filme para TV, enquanto Lenny Abrahamson disputa Melhor Direção, pelo trabalho no episódio cinco. A obra ainda está presente nas categorias: Melhor Elenco de Série Limitada e Melhor Roteiro, onde Sally Rooney e Alice Birch disputam pelo episódio três. Contudo, apesar de ser um destaque não foi considerada para Melhor Minissérie. E a atriz Daisy Edgar Jones, mesmo com uma ótima performance, também não obteve a indicação.</p>
<p>Aqui no Brasil traduzido como <i>Pessoas Normais, </i>o livro foi nomeado para o prêmio <a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/books/features/man-booker-prize-shortlist-nominees-the-overstory-the-long-take-washington-black-a8547381.html"><i>Man</i> <i>Booker Prize 2018</i></a>, por isso essa adaptação para televisão carrega uma grande responsabilidade. E a minissérie acerta em todos os sentidos, desde a produção até a adaptação do roteiro, conseguindo manter a banalidade que Rooney queria. E apesar do amor ser um assunto esgotado, seja no audiovisual ou na literatura, o diferencial é que ela não força nenhum drama ou clichê. A minissérie não investe em grandes acontecimentos, mas sim numa premissa simples onde a sensibilidade se sobrepõe. Capaz de arrancar algumas lágrimas, <i>Normal</i> <i>People</i> é um romance atual e sem exageros.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Normal People Soundtrack" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/6V6J0EckQzIAJysXVifgGL?si=MWxVkyx6QICnpd6GzF57BQ"></iframe></p>
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