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	<title>Arquivos Portugal &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A Árvore do Conhecimento tenta ser crítico, mas acaba sendo apenas debochado e raso</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Nov 2025 13:00:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Assim como na edição anterior, o que não falta na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo são filmes escondidos que podem surpreender positivamente. Este não é o caso de A Árvore do Conhecimento, dirigido por Eugène Green e que fez parte da seção Perspectiva Internacional. A obra portuguesa se apega à &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-a-arvore-do-conhecimento/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Árvore do Conhecimento tenta ser crítico, mas acaba sendo apenas debochado e raso"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36269" aria-describedby="caption-attachment-36269" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36269" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/a-arvore-do-conhecimento-1-800x390.jpg" alt="Cena de A Árvore do Conhecimento. Em um quarto de aparência clássica, um jovem de cabelos escuros cacheados senta-se abruptamente na cama com uma expressão de surpresa, vestindo uma camisa de dormir branca. A cena é inusitada, pois ele está ladeado por dois animais: à sua esquerda, um burro cinza está em pé ao lado da cama olhando para ele, e à sua direita, um cachorro da raça golden retriever descansa tranquilamente sobre o edredom marrom." width="800" height="390" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/a-arvore-do-conhecimento-1-800x390.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/a-arvore-do-conhecimento-1-1024x500.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/a-arvore-do-conhecimento-1-768x375.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/a-arvore-do-conhecimento-1-1536x750.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/a-arvore-do-conhecimento-1-1200x586.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/a-arvore-do-conhecimento-1.jpg 2000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36269" class="wp-caption-text">Eugène Green já participou da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo anteriormente (Foto: O Som e a Fúria)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como na edição anterior, o que não falta na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> são filmes escondidos que podem surpreender positivamente. Este não é o caso de </span><a href="https://mostra.org/filmes/a-arvore-do-conhecimento"><i><span style="font-weight: 400;">A Árvore do Conhecimento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Eugène Green e que fez parte da seção Perspectiva Internacional. A obra portuguesa se apega à fantasia e à comédia escrachada para fazer críticas à extrema direita mundial – especialmente a norte-americana –, porém as piadas não conseguem ir além do deboche.</span></p>
<p><span id="more-36268"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, Gaspard (</span><a href="https://sic.pt/programas/altadefinicao/videos/2025-03-29-video-rui-pedro-silva-revela-como-aprendeu-a-viver-sem-os-pais-e-muito-dificil-6ecce390"><span style="font-weight: 400;">Rui Pedro Silva</span></a><span style="font-weight: 400;">), um adolescente de Lisboa, é sequestrado por Ogre (Diogo Doria), um homem que fez um pacto com o Diabo e agora detém o poder de transformar pessoas em animais. O vilão utiliza suas habilidades com os turistas para depois matá-los. Em dado momento, o protagonista se apega a um burro e um cachorro – ambos transfigurados – e para salvá-los, ele decide fugir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ser contextualizada em Portugal, a fita parece muito mais relacionada com questões estadunidenses. Ogre é uma clara representação de Donald Trump; a caricatura, a exposição ao ridículo e o apelo à violência são sempre elementos presentes nas críticas ao atual presidente dos EUA. Enquanto isso, os problemas com os estrangeiros abordados no longa se assemelha aos mexicanos e seus vizinhos de cima. Não é um defeito absorver temáticas estrangeiras, ainda mais nesse caso, que é algo discutido no mundo inteiro diariamente, porém, Eugène Green não traz nenhuma perspectiva diferente, nada que suceda uma visão particular de alguém que olha de outro continente. Está muito mais para um repeteco de ideias e formas </span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-olhe-para-cima-critica/"><span style="font-weight: 400;">norte-americanas</span></a><span style="font-weight: 400;">, dentro de um Cinema mais característico do europeu contemporâneo – um pouco mais lento e com mais simbolismos.</span></p>
<figure id="attachment_36270" aria-describedby="caption-attachment-36270" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36270" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/a-arvore-do-conhecimento-2-800x433.webp" alt="Cena de A Árvore do Conhecimento. O mesmo jovem da imagem anterior está em pé e de perfil, em um ambiente externo, olhando diretamente para uma jovem de cabelos castanhos claros que também o encara de perfil. Ambos vestem roupas claras e casuais e estão posicionados em o que parece ser um mirante, com uma vista panorâmica e levemente desfocada de uma cidade com telhados de terracota, um corpo de água e uma grande ponte suspensa ao fundo." width="800" height="433" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/a-arvore-do-conhecimento-2-800x433.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/a-arvore-do-conhecimento-2-1024x554.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/a-arvore-do-conhecimento-2-768x415.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/a-arvore-do-conhecimento-2-1200x649.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/a-arvore-do-conhecimento-2.webp 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36270" class="wp-caption-text">O filme usa a fantasia para falar sobre a realidade (Foto: O Som e a Fúria)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente do seu conterrâneo </span><a href="https://personaunesp.com.br/ubu-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ubu</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2023), que participou da Mostra de 2024, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Árvore do Conhecimento</span></i><span style="font-weight: 400;"> não consegue utilizar a sua comédia com objetividade. A obra de Paulo Abreu fazia da teatralidade e da ridicularização uma maneira de reimaginar o Teatro Shakespeariano e utilizar como resistência a aristocracia histórica. Por outro lado, as representações de Green são muito debochadas e pouco construtivas. São piadas feitas para ‘convertidos’, ou seja, para quem já tem ideais parecidos. Mas então, onde fica a reflexão?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, é possível pensar em </span><a href="https://open.substack.com/pub/locadorafiore/p/a-violencia-e-a-duvida-em-um-mundo?r=4jsuyn&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web"><span style="font-weight: 400;">Clint Eastwood</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seu conservadorismo e republicanismo não são segredo – ele próprio já declarou apoio a Donald Trump na eleição de 2016. Contudo, mesmo com suas posições polêmicas, ele ainda é um dos maiores cineastas vivos, e não se engane em pensar que seus ideais não estão em seus filmes, pois eles estão. Todavia, ele não se fecha no que acredita, está disposto a discutir e refletir criticamente sobre tudo. Não por acaso, ele disseca o sistema judiciário americano e o expõe como falho em </span><a href="https://personaunesp.com.br/jurado-no2-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Jurado N°2</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2024), ou repensa sobre racismo e construções sociais em </span><a href="https://cinemacao.com/2025/08/29/gran-torino-e-a-mente-politica-de-clint-eastwood/"><i><span style="font-weight: 400;">Gran Torino</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2008), ou até mesmo mudou o seu voto em 2020, apoiando um </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/radar-cultural/clint-eastwood-eleitor-de-trump-declara-seu-apoio-ao-democrata-michael-bloomberg/?srsltid=AfmBOoquKAIeD6qCPD8pQkPuAblRtIGaSNw5Z9s-EKgVyTcJ-N6pdfOu"><span style="font-weight: 400;">democrata</span></a><span style="font-weight: 400;">. Clint discute e tenta conciliar lados opostos a partir da crítica e da materialidade. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Árvore do Conhecimento</span></i><span style="font-weight: 400;">, em nenhum momento se propõe a fazer algo assim, parece sempre se sentir numa posição de intelectualmente superior ao ‘outro lado’. Não tem abertura para consonância entre os diferentes, é só deboche superficial e pueril.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que a </span><a href="https://contextojornalismo.com/2024/10/31/48a-mostra-internacional-de-cinema-de-sao-paulo-celebra-a-cultura-e-a-diversidade-indiana/?fbclid=PAZXh0bgNhZW0CMTEAAaeicHoXqHA7C1pdt6ELxVY-hCwW4rY_lzBCsJLe5bRvJrC-2tqzyw6eCpufvQ_aem_Bsn_fp944p1lE9_5oSFDWg"><span style="font-weight: 400;">Mostra</span></a><span style="font-weight: 400;"> seja um evento mercadológico antes do que qualquer coisa, ela ainda é muito rica e particular pela quantidade de filmes de diferentes lugares, épocas (com os remasterizados) e contextos. Na edição de 2024, o Cinema Indiano estava em peso e mostrou pontos de vistas e problemáticas únicas. Entretanto, é uma pena que o longa de Eugène Green não consiga ser minimamente original e recorra à tosquice de maneira vazia. Afinal, até para as obras mais fracas a particularidade é sempre um bom caminho.</span></p>
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		<title>Ubu, Shakespeare, o Teatro e a Comédia</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Oct 2024 19:00:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes A adaptação da peça Ubu Rei, distribuída pela Medeia Filmes Cinemas, chegou sem muito alarde na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo  como parte da seção Perspectiva Internacional, captando poucas pessoas para suas sessões. No entanto, aqueles que deram a chance para a obra de Paulo Abreu viram um dos filmes &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ubu-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Ubu, Shakespeare, o Teatro e a Comédia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34223" aria-describedby="caption-attachment-34223" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34223" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/UBU-1-800x450.jpg" alt="Cena do filme Ubu. Imagem em preto e branco. A fotografia capta apenas dos ombros para cima de Ubu. Ubu está no centro vestindo uma armadura. Ele está usando o elmo, mas está com a sua frente levantada, expondo o rosto." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/UBU-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/UBU-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/UBU-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/UBU-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/UBU-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/UBU-1.jpg 2048w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34223" class="wp-caption-text">O filme é uma adaptação da peça Ubu Rei, de Alfred Jarry (Foto: Uma Pedra no Sapato)</figcaption></figure>
<p><strong>Guilherme Moraes</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A adaptação da peça </span><a href="https://select.art.br/ubu-rei-um-tratado-sobre-nossos-tempos/"><i><span style="font-weight: 400;">Ubu Rei</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, distribuída pela Medeia Filmes Cinemas,</span> <span style="font-weight: 400;">chegou sem muito alarde na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">  como parte da seção Perspectiva Internacional, captando poucas pessoas para suas sessões. No entanto, aqueles que deram a chance para a obra de Paulo Abreu viram um dos filmes mais divertidos do evento. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ubu </span></i><span style="font-weight: 400;">fez a sessão gargalhar com a teatralidade cômica satírica e escrachada, que flerta com o teatro Shakespeariano.</span></p>
<p><span id="more-34222"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente, a obra se parece muito com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jxizq3H6mE0"><i><span style="font-weight: 400;">Hamlet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://portalconteudoaberto.com.br/clique-literario/william-shakespeare/"><span style="font-weight: 400;">Shakespeare</span></a><span style="font-weight: 400;">, pela traição ao Rei, a aparição de fantasmas e a promessa de vingança do filho com a morte do pai. Todavia, ele subverte a lógica e foca seu olhar no vilão, para mostrá-lo como uma caricatura. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ubu</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma representação debochada dos aristocratas; transforma essas figuras poderosas em toscas, burras e ridículas. Pode até parecer que isso é uma mera galhofa ou uma crítica vazia, mas a verdade é que essas representações eram uma das poucas formas de retaliação do povo. A série </span><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones </span></i><span style="font-weight: 400;">também conseguiu transmitir muito bem essa ideia, ao retratar um teatro que parodiava a própria realeza e suas intrigas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A teatralidade que Paulo Abreu emprega no filme dá a tônica à toda a obra. As atuações afetadas de Miguel Loureiro e Isabel Abreu carregam a comicidade através da tosquice que tenta disfarçar uma elegância real. Lembra bastante as atuações em </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/almanaque/comedia-lendaria-10-fatos-inusitados-sobre-monty-python-em-busca-do-calice-sagrado.phtml"><i><span style="font-weight: 400;">Monty Python</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">com personagens que falam de uma maneira muito fina, contudo, em seu conteúdo, são carregados de bobagens. Os atores são muito expressivos tanto em suas fisionomias, quanto com seus corpos, o que só reforça essa raiz teatral.</span></p>
<figure id="attachment_34224" aria-describedby="caption-attachment-34224" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34224" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Ubu-2-800x450.jpg" alt="Cena do filme Ubu. A imagem mostra um espelho que reflete Ubu e a Senhora Ubu. Ela está com um chapéu e uma manta preta que cobre todo o seu corpo, deixando de fora, apenas, o seu rosto. Ubu está com uma manta preta aberta no meio, e por dentro uma roupa branca. Ele está colocando a coroa em si mesmo, enquanto ela observa." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Ubu-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Ubu-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Ubu-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Ubu-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Ubu-2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Ubu-2.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34224" class="wp-caption-text">Paulo Abreu já trabalhou com Jorge Quintela anteriormente (Foto: Uma Pedra no Sapato)</figcaption></figure>
<p><a href="https://tribunadocinema.com/ubu-de-paulo-abreu-sai-um-epico-de-tamanho-xs/"><span style="font-weight: 400;">Abreu</span></a><span style="font-weight: 400;"> é muito sarcástico até na escolha dos elementos do filme. A opção por uma fotografia em preto e branco não é aleatória; ela carrega por si só o estereótipo de filme </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i><span style="font-weight: 400;">. Contudo, o fotógrafo do filme, Jorge Quintela, dá um passo a mais ao aumentar o contraste das imagens, tornando mais expressiva, mas também dando contornos mais épicos ao protagonista, algo que irá se contrapor com o jeito galhofa do filme e o comportamento bobo do Ubu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pode parecer fácil fazer um filme assumidamente tosco, no entanto é preciso ter muito cuidado para não cair numa ‘bobajada’ sem sentido que busca apenas o riso fácil. O longa ainda consegue lidar com os </span><a href="https://www.todamateria.com.br/texto-teatral/#:~:text=A%20linguagem%20teatral%20%C3%A9%20expressiva,resolvido%20no%20decorrer%20dos%20fatos"><span style="font-weight: 400;">aspectos do teatro</span></a><span style="font-weight: 400;">, sem esquecer que está se encarregando de uma linguagem diferente. Se diferenciando da maioria dos filmes da Mostra, que são densos, sérios e lentos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ubu </span></i><span style="font-weight: 400;">é o Cinema galhofa, dinâmico, sem deixar de ser requintado em sua forma cinematográfica.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="UBU de Paulo Abreu (2023) – trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/eHtLvmzVdNc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A Sibila: Literatura e Cinema andam de mãos dadas</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Nov 2023 18:19:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez O Cinema, enquanto Arte, amplia horizontes. Seja ao apresentar pontos de vistas únicos que fazem o espectador pensar duas vezes ou retratar uma cultura diferente, entrar em contato com o desconhecido pode também ser desafiador. Na 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, A Sibila é um desses desafios para um público &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-sibila-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Sibila: Literatura e Cinema andam de mãos dadas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31870" aria-describedby="caption-attachment-31870" style="width: 730px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31870" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-1.webp" alt="" width="730" height="486" /><figcaption id="caption-attachment-31870" class="wp-caption-text">A adaptação literária A Sibila integrou a 47ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo na seção Novos Diretores (Foto: Alfama Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cinema, enquanto Arte, amplia horizontes. Seja ao apresentar pontos de vistas únicos que fazem o espectador pensar duas vezes ou retratar uma cultura diferente, entrar em contato com o desconhecido pode também ser desafiador. Na 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sibila </span></i><span style="font-weight: 400;">é um desses desafios para um público desavisado: o longa, presente na seção Novos Diretores do festival, adapta o romance homônimo de uma importante escritora portuguesa, Agustina Bessa-Luís.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, diferente de outros escritores portugueses, Bessa-Luís não virou leitura obrigatória no Ensino Médio ou nos vestibulares, e a </span><a href="https://www.blogletras.com/2020/03/a-sibila-de-agustina-bessa-luis.html"><span style="font-weight: 400;">adaptação de sua obra</span></a><span style="font-weight: 400;">, tida por muitos como impossível de ser realizada pelo tom de monólogo, instiga o público a pensar em como a Literatura e o Cinema se constroem, se conectam e se sobrepõem (se é que o fazem). Em pouco mais de uma hora, Eduardo Brito, diretor estreante em longas-metragens, assume o desafio e </span><a href="https://valkirias.com.br/adaptacoes-literarias/"><span style="font-weight: 400;">questiona esses limites</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-31867"></span></p>
<figure id="attachment_31872" aria-describedby="caption-attachment-31872" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31872" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila.jpg" alt="" width="1920" height="709" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-800x295.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-1024x378.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-768x284.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-1536x567.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-1200x443.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31872" class="wp-caption-text">A Sibila foi lançado em Portugual na semana que se comemora o centenário da autora (Foto: Alfama Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como no livro, </span><a href="https://47.mostra.org/filmes/a-sibila-47a"><i><span style="font-weight: 400;">A Sibila</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se passa no interior de Portugal em meados do século XX, em um charmoso casarão rústico, com móveis de madeira, janelas altas e paredes amarelas claras. Nele, Germana (Joana Ribeiro), sentada em uma cadeira de balanço, conta a história da vida da tia, Maria Joaquina (Maria João Pinho) a um amigo. Quina, como a familiar era conhecida, foi a única das irmãs que não se casou e teve filhos e, por isso, criou uma afeição em especial com Germa (a sobrinha).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, como qualquer narrador, a mais nova tem suas opiniões e o monólogo em </span><i><span style="font-weight: 400;">off </span></i><span style="font-weight: 400;">não a deixa mentir. Porém, é através das farpas e dos comentários duvidosos proferidos pela sobrinha que o espectador analisa as situações, equilibrando o que se escuta com o que se vê. Nesse caso, o que se vê são as ações de Maria Joaquina, já que, passeando entre os tempos em uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-longa-viagem-do-onibus-amarelo-critica/"><span style="font-weight: 400;">linguagem cinematográfica</span></a><span style="font-weight: 400;"> dinâmica, o longa mescla a contação de Germa, no presente, às ações de Quina, no passado. A semelhança física entre as duas atrizes tornam a experiência ainda mais curiosa, ao, em um primeiro momento, tentar distinguir quem é quem.</span></p>
<figure id="attachment_31871" aria-describedby="caption-attachment-31871" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31871" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-2.jpg" alt="" width="640" height="430" /><figcaption id="caption-attachment-31871" class="wp-caption-text">Desde jovem, Quina usa seu poder de manipulação a seu favor (Foto: Alfama Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Indo e voltando entre tempos da narrativa, mas sem sair da mesma sala da Casa da Vessada que foi herdada por Quina, </span><a href="https://asibila-filme.com/"><i><span style="font-weight: 400;">A Sibila</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">impõem um ritmo que frequentemente se contrapõem à narração. Enquanto a caracterização bucólica e a sensação de isolamento prevalecem entre ambos &#8211; essa segunda parte graças à fotografia de Mário Castanheira, que filma amplos ambientes internos e externos destacando a ausência de corpos -, a condução em forma de monólogo pede um passo atrás.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso porque a obra se constrói em um texto que parece tirado diretamente do livro base. Com uma língua afiada e um punho fechado, a protagonista reproduz falas literárias que fascinam pela </span><a href="https://www.dn.pt/cultura/eduardo-brito-ao-filmar-a-sibila-era-preciso-nao-perder-a-riqueza-das-palavras-de-agustina-17145626.html"><span style="font-weight: 400;">riqueza de vocabulário</span></a><span style="font-weight: 400;"> e construções frasais únicas &#8211; embora afastem o espectador, que, pelo menos nas sessões da Mostra de São Paulo, não recebeu uma legenda adaptada para o português brasileiro e pode ter perdido parte da complexidade da narrativa. Tamanho é o floreio na escrita, em um roteiro também de Eduardo Brito, que é como assistir um filme narrado pelas irmãs Brontë ou Jane Austen &#8211; ou por Agustina Bessa-Luís.</span></p>
<figure id="attachment_31869" aria-describedby="caption-attachment-31869" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31869" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-3.webp" alt="" width="1280" height="692" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-3.webp 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-3-800x433.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-3-1024x554.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-3-768x415.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-3-1200x649.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31869" class="wp-caption-text">No filme, homens são coadjuvantes para as duas protagonistas (Foto: Alfama Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da condução, a narração e a atuação das duas protagonistas engrandecem o roteiro de </span><a href="https://47.mostra.org/diretores/eduardo-brito"><span style="font-weight: 400;">Brito</span></a><span style="font-weight: 400;">: desde o início, Germa retrata Quina de uma forma manipuladora, mas também extremamente esperta e resistente às adversidades de uma sociedade que a subjugava. Descrita como “</span><i><span style="font-weight: 400;">possuidora de todo o puro enigma do ser humano</span></i><span style="font-weight: 400;">”, na voz de Joana Ribeiro a mais velha ainda ganha tons de mistério, como se seus negócios nada secretos tivessem motivos alternativos por trás, uma espécie de feitiçaria. No entanto, o que se mostra na tela é uma Maria Joaquina simples, com desejos que não passam de ganância.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-vazio-de-domingo-a-tarde-critica/"><span style="font-weight: 400;">dualidades</span></a><span style="font-weight: 400;"> vividas intensamente por Maria João Pinho retratam uma personagem solitária, que não se tornaria submissa a um homem apenas por convenção, mas que, pelo desejo por propriedades, jóias e outros bens materiais, afastou o afeto e comprava o amor da família. Germa foi uma das agraciadas: a sobrinha, uma criança curiosa e questionadora que se afastou da tia na infância, se reconectou com ela posteriormente. Na idade adulta, as diferenças &#8211; a mais nova foi viver na cidade e estudar artes, enquanto a mais velha defendia a vida no interior e os ensinamentos dos deveres de casa &#8211; criam uma relação magnética de admiração, mas também de ciúmes e ainda mais ganância.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-sobrevivencia-da-bondade-critica/"><span style="font-weight: 400;">complexidade da protagonista</span></a><span style="font-weight: 400;"> ganha novos tons em sua relação com Custódio (Raimundo Cosme), criança moradora da Casa da Vessada antes de Quina herdar a posse do lugar. Adotado afetivamente, ele foi criado com a mesma sede por riqueza que ela. Porém, sob sua rigidez, se tornou um jovem ocioso e dependente, que, sem planos de vida, espera somente o testamento da mais velha. O filho adotivo, assim como os outros homens da trama &#8211; pais, irmãos e maridos &#8211; são os donos daquela Portugal arcaica e rural, mas, em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sibila</span></i><span style="font-weight: 400;">, a visão feminina de Germa sobre a tia a coloca em um local de superioridade ao gênero oposto: eles podiam ditar as regras no mundo, mas nas terras herdadas por Quina, especialmente no Casarão da Vessada, ela quem mandava.</span></p>
<figure id="attachment_31868" aria-describedby="caption-attachment-31868" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31868" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-4.jpg" alt="" width="1280" height="691" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-4-800x432.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-4-1024x553.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-4-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-4-1200x648.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31868" class="wp-caption-text">A semelhança física entre as intérpretes das protagonistas é, no mínimo, curiosa (Foto: Alfama Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Jogando um olhar sob uma Portugal patriarcal, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sibila </span></i><span style="font-weight: 400;">subverte uma lógica simplista ao retratar duas personagens decididas, cheias de nuances e defeitos (que podem tornar até difícil a conexão), mas sempre dispostas a bater de frente com quem fosse para conseguir o que queriam &#8211; inclusive, uma com a outra. Com um texto extremamente literário, o envolvimento depende da disposição em decifrar um idioma homônimo ao nosso, porém com poucos traços de similaridade prática. Em um exercício de como a linguagem cinematográfica pode corroborar com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-em-chamas-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">adaptação literária</span></a><span style="font-weight: 400;">, Eduardo Brito mostra que ambas Artes andam de mãos dadas. </span></p>
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		<title>Dulcineia explora a música como a conexão, inspiração e destino de um artista em busca de sua identidade</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Nov 2023 18:36:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Dirigido e roteirizado pelo cineasta português Artur Serra Araújo, Dulcineia conta a história de Hugo, um contrabaixista de jazz que decide tirar um ano sabático e voltar a Porto, sua cidade natal, em busca de equilíbrio e inspiração. No entanto, como o fio condutor da trama, a sinfonia se desenvolve lentamente em torno &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dulcineia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Dulcineia explora a música como a conexão, inspiração e destino de um artista em busca de sua identidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31775" aria-describedby="caption-attachment-31775" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31775" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3.jpg" alt="Cena do filme Dulcineia. Na imagem estão os dois protagonistas Hugo e Dulcineia andando de bicicleta. Hugo é um homem de meia idade com cabelos lisos, longos e presos. Ele tem uma barba preta que cobre seu rosto enquanto anda de bicicleta. Dulcineia é uma mulher branca de cabelos castanhos longos. Ambos estão em uma rodovia movimentada e muito iluminada por postes e reflexos da água em poças formadas pela chuva. Estão usando capas de chuva, Dulcineia uma capa vermelha e Hugo uma capa transparente." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31775" class="wp-caption-text">Junto a Dulcineia, mais de 20 filmes portugueses integram a 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido e roteirizado pelo cineasta português </span><a href="http://porto.lecool.com/inspirations/artur-serra-araujo/"><span style="font-weight: 400;">Artur Serra Araújo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dulcineia</span></i><span style="font-weight: 400;"> conta a história de Hugo, um contrabaixista de</span><i><span style="font-weight: 400;"> jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> que decide tirar um ano sabático e voltar a Porto, sua cidade natal, em busca de equilíbrio e inspiração. No entanto, como o fio condutor da trama, a sinfonia se desenvolve lentamente em torno de um mistério como um pianista famoso, que toca uma música que o protagonista vem escrevendo na sua cabeça há anos, mas nunca conseguiu colocá-la no papel.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra está presente na 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, na seção Perspectiva Internacional, e mistura elementos de romance, suspense e uma quase fantasia. Suas referências também são diretas e bem-vindas, construindo uma base sólida para o desenvolvimento da narrativa: Dom Quixote, que influi o nome da personagem Dulcineia (</span><a href="https://personaunesp.com.br/sra-harris-vai-a-paris-critica/#more-29922"><span style="font-weight: 400;">Alba Baptista</span></a><span style="font-weight: 400;">) e sua relação com Hugo (António Parra); a própria cultura de Porto, retratada em belas imagens e diálogos; e o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/jazz/"><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a paixão e a expressão de Hugo e dos demais músicos que ele encontra em sua nova jornada de autoconhecimento. </span></p>
<p><span id="more-31773"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do destaque positivo das atuações do elenco principal, a exploração de temas como a identidade e o destino já são complexas por si só. Além disso, a escolha de utilizar questões fantásticas em um personagem enigmático e contraditório, que vive uma crise existencial e artística, contrapõem ainda mais a clareza da narrativa. Infelizmente, essa dinâmica traz um desenrolar não tão fluido e confortável à plateia </span><span style="font-weight: 400;">–</span><span style="font-weight: 400;"> mesmo que talvez fosse para ser assim. </span></p>
<figure id="attachment_31774" aria-describedby="caption-attachment-31774" style="width: 545px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31774" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2.png" alt="Capa do livro “O Ano Sabático” de João Tordo. Ao centro está o formato de uma nota musical preenchida com a estampa das teclas de um piano. Ao fundo, riscos pretos e marrons imitam a textura de madeira no que poderia ser de um instrumento musical, com linhas cinzas sendo suas cordas à esquerda e formas circulares em preto como seus orifícios. Ao topo alinhado à esquerda está o nome do autor em caixa alta “João Tordo” seguido do nome do livro “O ano Sabático” logo abaixo. Ao centro esquerdo está o logo da editora, Companhia das Letras”, seguido do escrito “Autor vencedor do prêmio literário José Saramago”" width="545" height="869" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2.png 545w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-502x800.png 502w" sizes="auto, (max-width: 545px) 85vw, 545px" /><figcaption id="caption-attachment-31774" class="wp-caption-text">Dulcineia é uma adaptação do romance literário O Ano Sabático, de João Tordo (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um esforço notável para relacionar o audiovisual com o roteiro, a construção do longa é muito calma e contemplativa. A fotografia de </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/tiago-carvalho"><span style="font-weight: 400;">Tiago Carvalho</span></a><span style="font-weight: 400;"> reúne tons frios e escuros em uma ambiência de desesperança, ressaltando os detalhes dos cenários e dos personagens. E assim como o visual, que muitas vezes impulsiona instrumentos musicais como foco, a composição sonora, com o desenho de som por Pedro Marinho e música por Pedro Marques, também reflete estados emocionais e atmosféricos do protagonista de maneira majestosa, alternando entre melodias suaves, harmoniosas, tensas e dissonantes muito bem aproveitadas pelos atores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, a montagem, também por Tiago Carvalho, com planos longos e curtos, não entra em uníssono com toda composição descrita até aqui. Aparentemente comprometida com o mistério por sua alternância, a escolha de diálogos, transições e duração dos planos não potencializa tudo que é ofertado pelas boas atuações, fotografia e som. Talvez sequer fizesse diferença em produções mais curtas, mas em seus longos 90 minutos, a concentração e construção de uma linearidade por parte do público poderiam ter sido facilitados, ainda considerando a obra como uma adaptação pelo </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/artur-serra-araujo"><span style="font-weight: 400;">diretor</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31776" aria-describedby="caption-attachment-31776" style="width: 666px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31776" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1.png" alt=" Cena do filme Dulcineia. Na imagem está o protagonista Hugo, um homem de meia idade com cabelos lisos, longos e presos em um coque. Ele tem uma barba preta que cobre seu rosto enquanto maneja um instrumento musical de quatro cordas que se assemelha a um violoncelo. A imagem abrange a altura do busto até o topo do quarto em que Hugo está. Com uma partitura em um palanque a sua frente. O ambiente é um quarto vazio com apenas uma janela e cortinas atrás dele, que iluminam o ambiente em uma luz amarela. Deixando a figura de seu corpo, do instrumento e da partitura contra-luz." width="666" height="462" /><figcaption id="caption-attachment-31776" class="wp-caption-text">O filme esteve disponível com visualizações limitadas no Sesc Digital durante a 47ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Dulcineia </span></i><span style="font-weight: 400;">como um todo, na verdade, é uma ode à Música como Arte e parte da vida dos personagens. Apresentada através do contrabaixo, do piano, da guitarra, da bateria e da voz, a orquestra audiovisual transita entre pontos de muita beleza e contemplação e uma tensa confusão expressa pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-pior-pessoa-do-mundo-critica/"><span style="font-weight: 400;">busca de si mesmo</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas também pela organização, intencional ou não, de cenas contrapostas como entraves para a fluidez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme é, sem dúvida, uma produção com profundidade e ricas referências, dialogando com a literatura, a Música e o Cinema, mesmo que com uma estética representativa de autoconhecimento não tão única assim. O questionamento dos limites das escolhas e desejos do </span><a href="https://agenteanorte.com/agencia/antonio-parra/"><span style="font-weight: 400;">Hugo</span></a><span style="font-weight: 400;"> causam o frio na barriga que só o conhecimento de si mesmo pode provocar &#8211; e que bom ser assim. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/dulcineia-critica/">Dulcineia explora a música como a conexão, inspiração e destino de um artista em busca de sua identidade</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Circuito Cineclubes Sesc – Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos ecoa sua voz na espiritualidade</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Mar 2023 18:11:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Por muito tempo, o Cinema retratou os povos indígenas moldados por óticas brancas, completamente envoltas de estigmas e equívocos. Essas imagens se fixaram no imaginário popular e, muitas vezes, a descrição que temos dos nativos é animalizada, preconceituosa e intolerante. Fugindo desse movimento, os diretores Renné Messora e João Salaviza trouxeram às telas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/chuva-e-cantoria-na-aldeia-dos-mortos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Circuito Cineclubes Sesc – Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos ecoa sua voz na espiritualidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30528" aria-describedby="caption-attachment-30528" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30528 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1..jpg" alt="Cena do filme Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos. Na imagem está o protagonista, Inhac Krahô. Ele é um homem indígena de cabelos pretos lisos na altura dos ombros. Ao fundo há uma cachoeira. A imagem é azulada e se passa a noite." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1..jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1.-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30528" class="wp-caption-text">Apresentado no Festival de Cannes em 2018 e vencedor do Prêmio Especial do Júri, Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos dá protagonismo ao povo Krahô (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por muito tempo, o </span><a href="https://tribunadepetropolis.com.br/noticias/a-figura-do-indigena-no-cinema-de-objeto-a-sujeito-das-telas/"><span style="font-weight: 400;">Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> retratou os povos indígenas moldados por óticas brancas, completamente envoltas de estigmas e equívocos. Essas imagens se fixaram no imaginário popular e, muitas vezes, a descrição que temos dos nativos é animalizada, preconceituosa e intolerante. Fugindo desse movimento, os diretores Renné Messora e João Salaviza trouxeram às telas </span><i><span style="font-weight: 400;">Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos </span></i><span style="font-weight: 400;">(2018). O filme, gravado na Aldeia da Pedra Branca em Tocantins, é um registro contemplativo e profundo dos Krahô e sua grandeza espiritual, e integrou a Mostra </span><a href="https://www.sescsp.org.br/circuito-cineclubes-na-tela-do-sesc-bauru/"><i><span style="font-weight: 400;">Cinema é Direito</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><span style="font-weight: 400;">Sesc Bauru</span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-30526"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na produção, somos guiados por Inhãc </span><a href="https://g1.globo.com/to/tocantins/noticia/2015/09/povo-kraho-mantem-grande-parte-da-cultura-preservada-no-tocantins.html"><span style="font-weight: 400;">Krahô</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Henrique Inhãc Krahô), que acaba de perder o pai e enfrenta um dilema sobre despedida e futuro. Vitimado pelo próprio sentir, ele acaba saindo da linha definida pela obrigação e passando por uma jornada em busca da cura. Como filho mais velho, é seu dever realizar a festa de fim de luto do patriarca e permitir que a alma se encaminhe para a Aldeia dos Mortos; no entanto, os sentimentos do jovem contrariam os caminhos da própria ancestralidade e dos costumes tradicionais.</span></p>
<figure id="attachment_30529" aria-describedby="caption-attachment-30529" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30529 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2..jpg" alt="Cena do filme Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos. Na imagem está Inhac Krahô. Ele é um homem indígena de cabelos pretos lisos na altura dos ombros e está vestindo uma camiseta bege. O personagem está na caçamba de um carro e ao fundo há uma estrada de terra e árvores." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2..jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2.-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30529" class="wp-caption-text">Messora faz trabalhos de registro na Aldeia da Pedra Branca desde 2009, e Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos é seu primeiro trabalho de direção (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ter um roteiro – também escrito pelos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iveKAVD2xpA"><span style="font-weight: 400;">diretores</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, o que torna </span><i><span style="font-weight: 400;">Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos </span></i><span style="font-weight: 400;">especial é a forma como a narrativa mistura o mundo ficcional e documental. Enquanto somos levados pela jornada do protagonista, também acompanhamos o ritmo natural da vida na Aldeia da Pedra Branca. As cenas carregam consigo uma autonomia gerada pela própria existência das pessoas naquele espaço. As plantações, casas, ritos e brincadeiras são honestas e em nenhum momento parecem invadidas pela filmagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse ponto tem muito a ver com a forma escolhida por Renné no </span><a href="https://www.esquinadacultura.com.br/post/diretores-falam-sobre-desafios-de-chuva-e-cantoria-na-aldeia-dos-mortos"><span style="font-weight: 400;">processo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinegrafia. Captadas por uma só câmera ao longo de nove meses, as imagens não são apressadas e carregam um ar de observação. O formato nos coloca em um papel literal de telespectadores; não nos é e nem deve ser permitido interferir no que acontece na aldeia. Assim, a natureza e o envolvimento espiritual dos indivíduos com aquele universo são retratados com respeito e fidelidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Natureza essa que poderia muito bem ser classificada como uma personagem. Entre pássaros e vegetação, a fauna e a flora representam grande parte dos componentes da produção. A cultura de </span><a href="https://akatu.org.br/povos-indigenas-muito-mais-que-guardioes-das-florestas/"><span style="font-weight: 400;">plantação familiar</span></a><span style="font-weight: 400;"> e outras questões do gênero se mostram essenciais, mesmo que os diálogos não se pautem nisso. Em um aspecto geral, a conversação quase sempre é secundária e deixa o primordial para o imagético.</span></p>
<figure id="attachment_30530" aria-describedby="caption-attachment-30530" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30530 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3..jpg" alt="Cena do filme Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos. Na imagem estão Kôtô e Tepto. Ela é uma mulher indígena de cabelos lisos pretos longos. Ele é uma criança indígena de cabelos pretos lisos na altura dos ombros. Os dois estão na caçamba de um caminhão. Ao fundo há uma estrada de terra e árvores." width="1024" height="613" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3..jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3.-800x479.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3.-768x460.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30530" class="wp-caption-text">Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos ganhou força no cenário internacional com o nome de The Dead and The Others (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Inhãc, a morte também representa um novo início. Com o devido adeus, ele deve se tornar Pajé. O título não o agrada e essa insatisfação gera sintomas físicos, a ponto de serem sentidos como uma doença. Em sua percepção, é possível fugir disso, mesmo com essas dores indo muito além do plano físico. Nessa movimentação, acontece a mudança de cenário da </span><a href="https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/4172"><span style="font-weight: 400;">aldeia</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a cidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No mundo urbano, o racismo da população e a indiferença do Estado em relação aos indígenas ficam escancarados. A busca por ajuda não é levada a sério e o despreparo dos </span><a href="https://terrasindigenas.org.br/pt-br/noticia/212610"><span style="font-weight: 400;">profissionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> para receber um Krahô causam um incômodo ímpar. Os </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganham um tom muito diferente do que tinham até então, dando lugar a uma violência velada. Ainda assim, os autores do desprezo não ganham destaque e seus rostos nunca aparecem com clareza, como se a branquitude fosse apagada pela própria hostilidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da tentativa, a fuga é falha e o </span><a href="https://personaunesp.com.br/japanese-breakfast-jubilee-critica/"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;"> vence a corrida contra Inhãc, que retorna para casa. A cantoria, esperada por todo o longa-metragem, se concretiza e olhar não pode mais se direcionar ao passado. Ao não conseguir deixar o apego pelo pai em páginas anteriores, o jovem não tem escolha a não ser se encaminhar para a Aldeia dos Mortos. O destino se mostra implacável e escapar das forças guias não é uma escolha.</span></p>
<figure id="attachment_30527" aria-describedby="caption-attachment-30527" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30527 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4..jpg" alt="Cena do filme Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos. Na imagem estão Inhac, Kôtô e Tepto. Os três estão deitados no chão, Inhac é o único acordado e encara o céu. A imagem é escura e se passa à noite." width="1920" height="1151" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4..jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4.-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4.-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4.-768x460.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4.-1536x921.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4.-1200x719.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30527" class="wp-caption-text">O elenco de Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos é formado por indígenas Krahô e o filme é uma coprodução luso brasileira (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme trata de muitos assuntos, partindo do universo da espiritualidade e chegando até a influência branca na vivência indígena. Entre a dor da perda e os </span><a href="https://terrasindigenas.org.br/pt-br/noticia/6521"><span style="font-weight: 400;">fantasmas</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixados pela colonização, os que da terra são pioneiros performam a pluralidade em suas muitas significações. Talvez a produção não agrade todos os públicos, mas é inegavelmente um tesouro do Audiovisual. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um mundo onde a importância da </span><a href="https://cimi.org.br/terras-indigenas/demarcacao/"><span style="font-weight: 400;">demarcação</span></a><span style="font-weight: 400;"> territorial é negada e os povos nativos são despersonalizados, </span><i><span style="font-weight: 400;">Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos</span></i><span style="font-weight: 400;"> retoma uma resistência que nunca perdeu força e tem suas raízes firmadas em espaços além dos carnais. Sob os pingos de chuva, a cantoria nunca pôde ser silenciada.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos | Trailer Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/WeZp8_BX0Jk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Objetos de Luz materializa a reflexão dos raios</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2022 22:47:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto Para a Física, a luz é uma onda eletromagnética com frequência suficiente para ser visível aos olhos humanos. Em Objetos de Luz, ela ganha esse e outros milhões de significados incabíveis em definições exatas e numerológicas. No documentário, dirigido por Acácio de Almeida e Maria Carré, a luz é o ponto que amarra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/objetos-de-luz-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Objetos de Luz materializa a reflexão dos raios"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29157" aria-describedby="caption-attachment-29157" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29157 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1.jpeg" alt="Cena do filme Objetos de Luz. Na imagem, o Homem da Luz colocando a mão em frente a um projetor de imagens. O personagem é um homem branco de barba branca, seu rosto apresenta algumas rugas. Ele veste uma blusa de mangas longas na cor cinza, além de um boné preto e óculos arredondados. O projetor exibe partículas de brilho amarelas e laranjas" width="1800" height="1013" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1.jpeg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29157" class="wp-caption-text">Documentando as luzes cinematográficas, Objetos de Luz fez parte da Competição Novos Diretores da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a Física, a luz é uma onda eletromagnética com frequência suficiente para ser visível aos olhos humanos. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Objetos de Luz</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela ganha esse e outros milhões de significados incabíveis em definições exatas e numerológicas. No documentário, dirigido por Acácio de Almeida e Maria Carré, a luz é o ponto que amarra o início e o fim. Pertencente à Competição Novos Diretores da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, o filme nos dá a certeza de que a luz nos eterniza.</span></p>
<p><span id="more-29154"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário não poderia ser mais metalinguístico: uma produção cinematográfica construída em meio a pilhas e mais pilhas de bobinas de vídeo. Os retroprojetores indicam a que vieram e se tornam protagonistas de uma narrativa singular. </span><a href="https://46.mostra.org/filmes/objetos-de-luz"><i><span style="font-weight: 400;">Objetos de Luz</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é, entre muitas coisas, um filme sobre memória. Lembranças guardadas uma a uma por lentes que captam imagens além do tempo e as sintetizam em maquinários para o futuro.</span></p>
<figure id="attachment_29156" aria-describedby="caption-attachment-29156" style="width: 1570px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29156 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2.jpg" alt="Cena do filme Objetos de Luz. Na imagem, uma das pessoas do filme em frente a uma tela de cinema. O personagem é um homem branco com cabelos brancos que apresenta algumas rugas. Ele veste uma camisa cinza de mangas longas. Atrás há uma imagem preta e branca do mesmo homem mais jovem" width="1570" height="883" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2.jpg 1570w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29156" class="wp-caption-text">Objetos de Luz ou Objectos de Luz – nome original – é uma obra portuguesa, e a estreia de Maria Carré como diretora (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção ganha uma voz, o Homem da Luz. Enquanto a fotografia – também responsabilidade de </span><a href="https://comunidadeculturaearte.com/entrevista-acacio-de-almeida-em-objectos-de-luz-estao-coisas-do-meu-passado-mas-tambem-esta-o-passado-do-filme/"><span style="font-weight: 400;">Acácio de Almeida</span></a><span style="font-weight: 400;"> – desemboca em uma viagem a múltiplos destinos, o narrador expõe reflexões mais plurais ainda. Assim, a história de </span><i><span style="font-weight: 400;">Objetos de Luz</span></i><span style="font-weight: 400;"> se dedica a esclarecer os intimismos da iluminação. São citados os fótons, as estrelas, os reflexos e tudo que há de teórico na função da luz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, o destaque fica para aquilo que não é teórico, as partes difíceis de mensurar em qualquer conceito pronto. Do dar à luz ao ir para a mesma, a existência humana é atravessada por raios presentes até na formação das imagens a partir da </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-olhos-de-tammy-faye-critica/"><span style="font-weight: 400;">visão</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os efeitos que transformam nossas vivências em cenas vívidas transgredindo para todos os aspectos de ser humano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No </span><a href="https://personaunesp.com.br/cinema-almanac-critica/"><span style="font-weight: 400;">Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, a luz faz parte do processo da captação da imagem, ilumina os rostos que dão vida aos roteiros e é dimensionada em um objeto que precisa dela para reproduzir o que gravou. Um ciclo capaz de congelar o tempo em imagens incapazes de serem vividas novamente, mas passíveis de serem assistidas infinitas vezes e causar efeitos em todas as histórias que as cruzarem.</span></p>
<figure id="attachment_29158" aria-describedby="caption-attachment-29158" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29158 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3-.jpg" alt="Descrição de imagem: Cena do filme Objetos de Luz. Na imagem, uma das personagens do filme olhando no espelho. Ela é uma mulher branca mais velha, tem cabelos curtos em castanho escuro. A mulher veste um vestido claro com detalhes transparentes. A sua frente há uma imagem dela mais jovem. No reflexo do espelho aparece a figura da morte em vestes pretas." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3-.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3--800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3--1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3--768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-3--1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29158" class="wp-caption-text">O filme foi exibido esse ano no Festival de Locarno (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa se dispõe a muitas coisas; com certeza, homenagear o </span><a href="https://www.brasilparalelo.com.br/artigos/por-que-o-cinema-e-a-setima-arte"><span style="font-weight: 400;">Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma delas. Assim, suas montagens imprimem em imagens cinéticas a capacidade brilhante dos enredos memoriais como um dos mais importantes produtos da luz. Sejam interpretadas ou fruto da espontaneidade, tudo que é gravado e abrigado em um filme ganha uma passagem para a vida eterna. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mostrar essa fascinação à luminescência das produções audiovisuais retoma uma questão muito pessoal para Acácio de Almeida, já que sua trajetória na fotografia cinematográfica é de longa data. O português tem um histórico vasto em colaborações com diretores como António da Cunha Telles, Paulo Rocha e Rita Azevedo Gomes, e agora traz sua esposa, a atriz </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/filmes/a-vinganca-de-uma-mulher/"><span style="font-weight: 400;">Maria Carré</span></a><span style="font-weight: 400;">, à espreita desses holofotes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é essa intimidade que faz </span><i><span style="font-weight: 400;">Objetos de Luz</span></i><span style="font-weight: 400;"> perder a força nos interesses dos telespectadores. A obra é uma ode às contemplações, mas se perde nos subjetivismos de </span><a href="https://novaresearch.unl.pt/en/publications/the-role-of-directors-of-photography-in-cinema-interview-with-aca"><span style="font-weight: 400;">Acácio</span></a><span style="font-weight: 400;">. São precisos poucos minutos para ficar óbvio que o filme é muito mais relevante para ele e seu universo pessoal do que para quem chega de surpresa procurando uma narrativa por passatempo. Dessa forma, nos sentimos de fora, invasores de pensamentos particulares demais.</span></p>
<figure id="attachment_29155" aria-describedby="caption-attachment-29155" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29155 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-4.jpg" alt="Cena do filme Objetos de Luz. Na imagem, pequenas partículas de brilho em tons de vermelho e laranja passam por um buraco escuro." width="1024" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-4.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-4-800x500.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/objectos-de-luz-4-768x480.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29155" class="wp-caption-text">“O que somos então, em relação à luz?” (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem diálogos corridos e uma disposição temporal lógica, a proposta é incitar algum pensamento – talvez até fazer o público enxergar a luz de novas maneiras. Em cerca de uma hora, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-noiva-critica/"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> esmiúça cada partícula da iluminação em suas singularidades e infinitudes. Aquilo que vemos e o que não, fundidos em imagens colocadas lado a lado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é como se </span><i><span style="font-weight: 400;">Objetos de Luz</span></i><span style="font-weight: 400;"> fosse um filme apaixonante, mas carrega consigo sinceridade e delicadeza. O retrato é sensível e nos coloca para pensar na luz para além das lâmpadas. Seja no nascer ou no </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-era-um-homem-comum-critica/"><span style="font-weight: 400;">morrer</span></a><span style="font-weight: 400;">, nossas vidas não passam de raios luminosos caminhando de um lado a outro na espera de algo que nos torne imortais.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="OBJECTOS DE LUZ | LOVE LIGHTS - TRAILER" src="https://player.vimeo.com/video/706158024?dnt=1&amp;app_id=122963" width="840" height="473" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write"></iframe></div>
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		<title>A Noiva não escolhe lados</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Oct 2022 21:30:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez O Cinema político sempre encontrou solo fértil no Brasil. Por aqui, não falta o que retratar: ditaduras, questões trabalhistas, de distribuição de renda, alimentos e moradia, golpes de Estado e por aí vai. Até um dos mais básicos processos democráticos, as eleições e os seus ecos na sociedade brasileira, têm sido tema de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-noiva-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Noiva não escolhe lados"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29043" aria-describedby="caption-attachment-29043" style="width: 2126px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29043" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva1-copy.jpg" alt="" width="2126" height="1181" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva1-copy.jpg 2126w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva1-copy-800x444.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva1-copy-1024x569.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva1-copy-768x427.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva1-copy-1536x853.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva1-copy-2048x1138.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva1-copy-1200x667.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29043" class="wp-caption-text">A Noiva estreou no Brasil na seção Perspectiva Internacional da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: FAUX)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Gomez</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cinema político sempre encontrou solo fértil no Brasil. Por aqui, não falta o que retratar: ditaduras, questões trabalhistas, de distribuição de renda, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eUEfBLRT37k"><span style="font-weight: 400;">alimentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=a5EQUG-RMI8"><span style="font-weight: 400;">moradia</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/alvorada-critica/"><span style="font-weight: 400;">golpes de Estado</span></a><span style="font-weight: 400;"> e por aí vai. Até um dos mais básicos processos democráticos, as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6SRjI6mI_Cg"><span style="font-weight: 400;">eleições</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os seus ecos na sociedade brasileira, têm sido tema de poderosas metáforas na produção nacional, com a crescente ameaça à democracia sob a premissa de defesa dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zdeTdHqCMGg"><span style="font-weight: 400;">bons costumes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e do patriotismo. Voltando os olhos para o outro lado do oceano Atlântico, Sérgio Tréfaut, cineasta brasileiro que viveu em Portugal e na França, joga luz sobre o fenômeno do recrutamento de jovens sobretudo franceses para se juntarem às linhas de luta do Estado Islâmico. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Noiva</span></i><span style="font-weight: 400;">, que estreou no país na seção Perspectiva Internacional da  46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, o conflito é pincelado através da vivência de Bárbara, viúva de um jihadista.</span></p>
<p><span id="more-29042"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Interpretada profundamente por Joana Bernardo, a noiva que dá nome e estampa a capa do filme não está noiva. Na verdade, em poucos minutos, seu marido, um homem francês que lutava no grupo </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-42020312"><span style="font-weight: 400;">Daesh</span></a><span style="font-weight: 400;">, é executado pelo exército do Iraque junto a outros membros, de diferentes nacionalidades. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Noiva </span></i><span style="font-weight: 400;">não é didático, mas aqui cabe a contextualização: frente à instabilidade política no Iraque, o Estado Islâmico (EI) foi proclamado em 2003, mas só em 2014 ganhou esse nome. Sob o pretexto de defender o Islamismo, o grupo armado, que não representa a totalidade da religião, se reorganizou e estendeu sua atuação ao Oriente Médio e a alguns países da América e Europa com atos terroristas e ações de recrutamento. O termo </span><i><span style="font-weight: 400;">jihad</span></i><span style="font-weight: 400;">, inclusive, significa luta em seu sentido mais amplo, mas é interpretado pelo Grupo como a luta armada, e os guerrilheiros ficaram internacionalmente conhecidos como </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/12/141211_jihadismo_entenda_cc"><span style="font-weight: 400;">Jihadistas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Recentemente, o EI passou por baixas. É no enfraquecimento da organização que os homens foram capturados e as viúvas dos Jihadistas se viram em julgamento por sua afiliação.</span></p>
<figure id="attachment_29046" aria-describedby="caption-attachment-29046" style="width: 2101px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29046" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva-copy.jpg" alt="" width="2101" height="1181" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva-copy.jpg 2101w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva-copy-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva-copy-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva-copy-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva-copy-1536x863.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva-copy-2048x1151.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/anoiva-copy-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29046" class="wp-caption-text">A Noiva foi exibido na seção Horizontes do Festival de Veneza (Foto: FAUX)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na produção de Portugal, a jovem lusitana Bárbara se casou com um francês </span><a href="https://news.un.org/pt/story/2022/08/1797752"><span style="font-weight: 400;">recrutado para o Daesh</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, com a captura e execução do marido, se vê trancafiada em um campo de prisioneiros. Junto a outras viúvas do </span><i><span style="font-weight: 400;">Jihad</span></i><span style="font-weight: 400;">, a protagonista aguarda o julgamento na corte iraquiana. Enquanto os homens sequer passam por uma audiência nas mãos do exército do país, as mulheres e crianças são poupadas, podendo ser condenadas à mesma sentença se não se declararem arrependidas pelos feitos. Sob um olhar quase jornalístico, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Noiva </span></i><span style="font-weight: 400;">acompanha a trajetória da moça com seus dois filhos pequenos e grávida do terceiro, até ser julgada, passando pelo seu cotidiano no campo e pelos deslocamentos forçados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra poderia facilmente se passar por um documentário. A câmera nunca estática de João Ribeiro, responsável por uma fotografia de poucos contrastes, mesmo em meio ao deserto, filma os dias da viúva quase como um observador. Com exceção de poucos momentos em que os planos intencionalmente destacam as movimentações e expressões da protagonista, os longos </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;">, ainda que por ora cansativos, sustentam a noção de realidade ali proposta.</span> <span style="font-weight: 400;">Ao longo de quase uma hora e meia, apenas acompanhamos Bárbara e suas </span><a href="https://pt.euronews.com/2018/03/30/qual-o-futuro-das-viuvas-dos-jihadistas-mortos-na-siria-"><span style="font-weight: 400;">companheiras</span></a><span style="font-weight: 400;"> de aprisionamento comendo, se banhando, rezando e sendo transportadas de um lugar para outro durante a noite sem sequer terem sido avisadas.</span></p>
<figure id="attachment_29044" aria-describedby="caption-attachment-29044" style="width: 737px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29044" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/a-noiva-4.png" alt="" width="737" height="413" /><figcaption id="caption-attachment-29044" class="wp-caption-text">Sérgio Tréfaut se destacou na modalidade dos documentários; ele dirigiu Lisboetas, sobre os imigrantes em Lisboa, e A Cidade dos Mortos, sobre os cemitérios do Cairo (Foto: FAUX)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a sessão da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na qual o Persona esteve presente, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2VCOcqaEl9I"><span style="font-weight: 400;">Sérgio Tréfaut</span></a><span style="font-weight: 400;"> participou de uma breve apresentação de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Noiva</span></i><span style="font-weight: 400;"> e respondeu a um par de perguntas dos telespectadores após a exibição. Ele afirmou não gostar de filmes que se explicam e, por isso, a obra opta pelo caráter de não se parecer com uma ficção, apesar de ser. Sérgio também contou que o aspecto jovial, quase infantil, da protagonista foi escolhido propositalmente entre mais de 100 atrizes que participaram da audição: segundo ele, a produção, a mais recente de sua extensa carreira, pretende mostrar a dualidades dessas garotas, que saem de suas cidades e países para se juntarem ao Grupo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor ainda destacou que </span><i><span style="font-weight: 400;">A Noiva </span></i><span style="font-weight: 400;">surgiu de sua curiosidade acerca do fenômeno do recrutamento, em uma época em que muitos jovens europeus estavam se convertendo ao Islamismo, e de sua indignação com a cobertura jornalística ocidental, que agia mais como um tribunal do que como veículos noticiosos. Tréfaut viveu em Portugal e na França e se destacou na produção de documentários, formato pelo qual pretendia retratar tal movimento em direção aos grupos. Em visita ao Iraque pela primeira vez em 2012, a intenção era filmar a realidade da região, “</span><a href="https://www.jb.com.br/cadernob/cinema/2022/09/1039465-o-filme-a-noiva-de-sergio-trefaut-tem-premiere-mundial-no-festival-de-veneza.html"><i><span style="font-weight: 400;">procurando desmontar</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> a falsidade da teoria de Estado norte-americana, segundo a qual uma imprensa independente e eleições livres transformariam o Iraque num país democrático e pacífico</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O recuo do exército norte-americano e consequentemente a ocupação da cidade de Mossul impossibilitaram os registros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na sessão da Mostra Internacional de São Paulo, o diretor ainda contou que o longa foi gravado tranquilamente na região do Curdistão, mas que, em momentos que cruzavam a fronteira de volta ao Iraque, a equipe teve de ser escoltada, sendo possível sentir a tensão no local. Apesar de abordar o tema diretamente no debate com os espectadores presentes no Reserva Cultural, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Noiva </span></i><span style="font-weight: 400;">é mais sorrateiro e apenas pincela o que Sérgio falou tão abertamente na sala de cinema. O panorama geral do conflito que assola o Oriente Médio há mais de uma década é personificado por Bárbara, ao passo que acompanhamos as pequenas ações do seu dia a dia até o </span><a href="https://www.wort.lu/pt/portugal/viuvas-do-daesh-querem-voltar-a-portugal-5cb2073cda2cc1784e341ec6"><span style="font-weight: 400;">julgamento</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que provoca a empatia do telespectador.</span></p>
<figure id="attachment_29045" aria-describedby="caption-attachment-29045" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29045" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sergio-Trefaut-2.jpeg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sergio-Trefaut-2.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sergio-Trefaut-2-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sergio-Trefaut-2-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sergio-Trefaut-2-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Sergio-Trefaut-2-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29045" class="wp-caption-text">Antes de A Noiva, Tréfaut dirigiu Raiva, que também se aproveita da ficção para discorrer sobre uma situação real</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Justamente pela complexidade do tema, porém, por vezes a obra deixa a sensação de estar recortando demais um panorama geral infinitamente mais amplo, pouco explorado aqui. Por outro lado, ao direcionar a câmera à protagonista, Tréfaut, que também foi responsável pelo roteiro de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Fv-aMKeHkfo"><i><span style="font-weight: 400;">A Noiva</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, aborda um conceito tão familiar a ele mesmo: o da transnacionalidade. Bárbara fala português, francês e um pouco de árabe, e, a caminho do julgamento na corte iraquiana por suas ações em nome de uma nova pátria, a qual se converteu, ela também se vê confrontada com sua nacionalidade, sobretudo com a visita do pai português. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nisso, o longa-metragem triunfa em representar as dualidades que Sérgio propôs: longe de colocar na protagonista o rótulo de inocente ou culpada pelo seu envolvimento com o grupo, o cineasta a posiciona como um camaleão. Ora Bárbara apela à Embaixada francesa por seus direitos; ora reza junto às mulheres muçulmanas e afirma acreditar que o pai das crianças, guerrilheiro do Daesh, foi um herói; ora indica querer voltar para casa junto ao próprio pai. Acompanhando a personagem principal, o conflito deixa de ser dividido em lados inimigos. Aqui, a superficialidade na abordagem de um contexto geral dá lugar a uma </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150824_ei_tatica_radical_fd"><span style="font-weight: 400;">vivência específica</span></a><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">A Noiva </span></i><span style="font-weight: 400;">não almejar ir além de sua protagonista. Ao final, seja na ficção ou no documentário, o lugar do Cinema sempre foi representar a realidade. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="A NOIVA  - trailer PT" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Fv-aMKeHkfo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O fantasma da gentrificação assombra Distopia</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Oct 2022 17:43:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori Se a vida real, capturada em seu fluxo, for passível de ser ficcionalizada para ser compreendida, o documentário português Distopia (2021) é um filme de terror que desde seu início já desmascara os seus monstros. Representando Portugal no repertório da Perspectiva Internacional da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o filme &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/distopia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O fantasma da gentrificação assombra Distopia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28884" aria-describedby="caption-attachment-28884" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28884" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3.jpg" alt="Cena do documentário Distopia. A foto é uma captura de um dos trechos do filme Distopia. Quatro prédios amarelos — parte do conjunto habitacional do bairro do Aleixo — estão sendo demolidos. O prédio da direita cai em meio a fumaça, abaixo se encontram outras habitações e um terreno verde." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28884" class="wp-caption-text">O documentário chega à Perspectiva Internacional da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo carregando o prêmio HBO Portugal para Melhor Filme da Competição Portuguesa no DocLisboa International Film Festival 2021 (Foto: Bando a Parte)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a vida real, capturada em seu fluxo, for passível de ser ficcionalizada para ser compreendida, o documentário português </span><a href="https://46.mostra.org/filmes/distopia"><i><span style="font-weight: 400;">Distopia</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021) é um filme de terror que desde seu início já desmascara os seus monstros. Representando Portugal no repertório da Perspectiva Internacional da 46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, o filme introduz o fantasma da </span><a href="https://jornaleconomico.pt/noticias/o-processo-de-gentrificacao-em-curso-nas-cidades-e-periferias-de-lisboa-e-porto-264850"><span style="font-weight: 400;">gentrificação</span></a><span style="font-weight: 400;"> como o motor dos desterramentos e demolições que atravessam a cidade do Porto, em um retrato de treze anos da vida dos bairros de Bacelo, Aleixo e Fontainhas. Dirigido por Tiago Afonso, a forma documental encontra sua força ao direcionar a câmera tanto aos sujeitos atravessados por essa desterritorialização quanto aos espaços e ruínas, o que constitui uma espécie de anti-documento nessa condição de filmar o que está na iminência de não mais existir.</span></p>
<p><span id="more-28883"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Distopia </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma narrativa audiovisual de emergência, na qual o imediatismo da filmagem é evidenciado por um gesto que, em um primeiro momento, quase não é cinematográfico. É mais uma construção de um álibi aos processos de injustiça vivenciados pelas pessoas, tanto as hostis quanto as receptivas às lentes de Afonso. O primeiro capítulo é pontuado em 2007, enquanto o espectador acompanha uma comunidade cigana, habitante das barracas da Rua do Bacelo, em suas tentativas de </span><a href="https://www.jpn.up.pt/2007/03/27/criticas-a-actuacao-da-camara-do-porto-no-bacelo/"><span style="font-weight: 400;">resistência ao despejo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de articulação com o poder público, personalizado pela figura de Rui Rio, o Presidente da Câmara Municipal do Porto na época. O diretor intercede nas discussões — em defesa da ocupação —, além de traçar uma tentativa de reinstalação da experiência pública de comunidade, sob a ótica da comunidade.</span></p>
<figure id="attachment_28885" aria-describedby="caption-attachment-28885" style="width: 1608px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28885" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2.jpg" alt="Cena do filme Distopia. Ao fundo, as barracas no bairro do Bacelo, onde encontram-se pedaços de madeira empilhados e, à direita, um trailer branco. Em um pedaço de madeira branco, uma lona vermelha está jogada, enquanto uma bandeira está amarrotada e enrolada, suspensa no ar." width="1608" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2.jpg 1608w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2-800x537.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2-1024x688.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2-768x516.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2-1536x1032.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-2-1200x806.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28885" class="wp-caption-text">No documentário de Afonso, a cidade do Porto é atravessada pela especulação imobiliária desenfreada e pelo silenciamento das tradições locais (Foto: Bando a Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente, os furtivos registros não eram feitos com o intuito de uma unidade narrativa, sendo ligados posteriormente pela brutal espinha dorsal que é a constância dessas violências. Talvez fosse possível compor um longa-metragem interminável, no qual ainda residiria o </span><a href="https://www.jpn.up.pt/2021/11/26/urgencia-resignacao-e-magoa-uma-conversa-com-tiago-afonso-sobre-a-distopia-que-dedicou-ao-porto/"><span style="font-weight: 400;">ativismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> do fazer Cinema na luta para evitar que lares e histórias fossem despossuídas. Tanto que as gravações nos conjuntos habitacionais do Aleixo e na Feira da Vandoma, em Fontainhas, inicialmente pareciam ser paralelas. No entanto, logo se revelaram tangentes pelo mesmo futuro: a aniquilação de qualquer alternativa de </span><a href="https://observador.pt/especiais/distopia-durante-13-anos-tiago-afonso-filmou-o-porto-que-desapareceu-quando-os-bairros-ficaram-vazios/"><span style="font-weight: 400;">vivência coletiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> em prol do modelo capitalista de cidade funcionalista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os treze anos encapsulados em 62 minutos instigam, para além de um atestado da permanência dos movimentos de desalojamento, uma reflexão sobre a permanência desses lugares e dessas personagens na memória coletiva. Esse esforço se expressa no exercício de Afonso de colocar as crianças moradoras do Aleixo detrás das câmeras, tornando-as diretoras, em um exercício de descrição de suas colegas frente às câmeras. Essa é uma das tentativas de dar voz à materialidade dos afetos e da infância, perdida pela destruição de inúmeras moradas sob o pretexto de </span><a href="https://www.publico.pt/2022/01/21/p3/fotogaleria/aleixo-foram-torres-ficou-consumo-407396"><span style="font-weight: 400;">sanitização social</span></a><span style="font-weight: 400;"> frente ao tráfico de drogas, além de, claro, deixar o terreno pronto a projetos arquitetônicos de luxo. </span></p>
<figure id="attachment_28886" aria-describedby="caption-attachment-28886" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28886" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4.jpg" alt="Cena do filme distopia. Embaixo de um viaduto, no primeiro plano da imagem, duas mulheres ciganas estão lado a lado. A da esquerda olha para cima, a algo distante da câmera. Usa uma blusa alaranjada, um cordão dourado no pescoço. Seus cabelos são negros e presos em um rabo de cavalo. Ao seu lado, a outra mulher olha para baixo, com uma jaqueta fechada cinza, estampada de estrelas. Seus cabelos negros estão presos em um coque. Ao fundo, um pedaço de escassa vegetação." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/IMDb-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28886" class="wp-caption-text">O aburguesamento da cidade é um personagem oculto – porém onisciente – sobre histórias que refletem a modificação dos tecidos sociais urbanos (Foto: Bando a Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De 2007 a 2021, </span><a href="https://vimeo.com/646630124?embedded=true&amp;source=vimeo_logo&amp;owner=31954675"><i><span style="font-weight: 400;">Distopia </span></i></a><span style="font-weight: 400;">é uma teoria de gentrificação que renega prédios modernizados e apáticos, escolhendo desenvolver a experiência através da voz daqueles que foram mutilados por seus efeitos. Além do passeio temporal, subjetivo e geográfico</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">o título português é também um perambular estético sobre a transformação das fontes visuais e sonoras que estruturam os retratos de despossessão das comunidades de suas habitações e de suas práticas de sociabilidade. O objeto do olhar é variado: ratos mortos, destroços, multidões e barracos improvisados tomam a tela. Embaixo de viadutos, com caixas de som e olhares distantes, se rememoram as (re)existências de outros modos de viver em outros ritmos. Memórias essas de quando se era possível existir em um espaço com liberdade; onde reinava a brincadeira de crianças contra a crueza de uma cidade que não mais é um direito, mas sim um </span><a href="https://mag.sapo.pt/cinema/atualidade-cinema/artigos/distopia-de-tiago-afonso-mostra-gentrificacao-da-cidade-no-porto-post-doc"><span style="font-weight: 400;">decreto de expulsão</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>As realidades do 27º Festival É Tudo Verdade</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Apr 2022 19:28:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Está aberta a temporada de festivais na cobertura do Persona. Entre os dias 31 de março e 10 de abril, a realização do 27º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade inaugurou o ano para as nossas aventuras cinematográficas. Depois de um 2021 marcado pelo Cinema das mulheres, da cidade maravilhosa, das experimentações e fantasias, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As realidades do 27º Festival É Tudo Verdade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27364" aria-describedby="caption-attachment-27364" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27364 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade.jpg" alt="Arte retangular horizontal de fundo azul com estrelas azul claro. Lê-se o texto: “as realidades do 27º Festival É Tudo Verdade It’s All True”. Foi adicionado o olho do Persona no canto inferior direito, com a íris em azul claro." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27364" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Entre os dias 31 de março e 10 de abril, o Persona acompanhou o 27º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade </span></i>(Foto: Reprodução/Arte: Ana Júlia Trevisan/Texto de abertura: Raquel Dutra)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Está aberta a temporada de festivais na cobertura do Persona. Entre os dias 31 de março e 10 de abril, a realização do <strong>27º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade</strong> inaugurou o ano para as nossas aventuras cinematográficas. Depois de um 2021 marcado pelo Cinema das </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-6a-mostra-de-cinema-feminista/"><span style="font-weight: 400;">mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">cidade maravilhosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, das </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-5o-festival-ecra/"><span style="font-weight: 400;">experimentações</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-fantaspoa-xvii/"><span style="font-weight: 400;">fantasias</span></a><span style="font-weight: 400;">, 2022 se inicia com a única coisa da qual não podemos fugir: a realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas na verdade, o espectro contemplado pelo maior festival de documentários do mundo era muito desejado para integrar o horizonte das nossas experiências. Dessa vez, o anseio se tornou possível graças ao formato de realização do </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/home/"><span style="font-weight: 400;">É Tudo Verdade</span></a><span style="font-weight: 400;">, que aconteceu de forma totalmente gratuita e híbrida, sendo presencialmente nos cinemas das capitais de São Paulo e Rio de Janeiro, e virtualmente através da plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> do festival e das dos parceiros Itaú Cultural Play e Sesc Digital. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A seleção é tão vasta quanto o tema que a define: 70 filmes, que entre curtas, médias e longas-metragens, se dividiram nas mostras competitivas e nas demais categorias de exibição (Foco Latino-Americano, Sessões Especiais, O Estado das Coisas, Clássicos É Tudo Verdade). Trazendo o Cinema documental realizado em mais de 30 países, o alcance do É Tudo Verdade é reconhecido pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-cerimonia-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Academia de Artes e Ciências Cinematográficas</span></a><span style="font-weight: 400;">, de forma a classificar diretamente os filmes vencedores dos prêmios dos júris nas Competições Brasileiras e Internacionais de Longas/Médias e de Curtas Metragens para apreciação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> do ano que vem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À distância, o Persona selecionou 25 títulos a fim de compreender a seleção de 2022, que elegeu como os homenageados da vez </span><a href="https://www.mulheresdocinemabrasileiro.com.br/site/mulheres/visualiza/421/Ana-Carolina/4"><span style="font-weight: 400;">Ana Carolina</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.itaucinemas.com.br/pag/o-cinema-de-ugo-giorgetti"><span style="font-weight: 400;">Ugo Giorgetti</span></a><span style="font-weight: 400;">, dois dos nomes mais importantes do Cinema de não-ficção brasileiro. As obras de abertura propuseram uma reflexão sobre o passado, presente e futuro da Sétima Arte, enquanto o encerramento do festival ficou na responsabilidade de um dos premiados pelo público e pelo júri da edição mais recente do Festival de Sundance.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A curadoria do <strong>Persona</strong> conferiu todos eles, além das </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/pag/vencedores2022"><span style="font-weight: 400;">obras vencedoras</span></a><span style="font-weight: 400;"> e demais títulos que chamaram a atenção de <strong>Bruno Andrade, Enrico Souto, Raquel Dutra </strong>e<strong> Vitor Evangelista</strong>. O resultado dessa aventura você pode conferir abaixo, e em meio a experiências milagrosas, figuras históricas, lutas urgentes e muitas reflexões filosóficas, vale o aviso: não se esqueça que </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/documentario/"><i><span style="font-weight: 400;">é tudo verdade</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-27363"></span></p>
<h3><b>Curtas-metragens</b></h3>
<figure id="attachment_27365" aria-describedby="caption-attachment-27365" style="width: 880px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27365" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep.jpg" alt="Cena do curta Ali e sua Ovelha Milagrosa. A cena mostra uma multidão caminhando e na linha de frente está um garoto com manto verde ao redor do corpo, guiando uma cadeira de rodas preta com uma ovelha sentada. " width="880" height="474" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep.jpg 880w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep-800x431.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep-768x414.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27365" class="wp-caption-text">Santa ovelhinha (Foto: 7th Heaven Films)</figcaption></figure>
<p><b>Ali e sua Ovelha Milagrosa (Ali and His Miracle Sheep, Maythem Ridha, Reino Unido/Iraque, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Reconhecido como Menção Honrosa na disputa dos Curtas, o trabalho de Maythem Ridha é tão místico que ameaça cruzar a tênue linha entre o real e o imaginário por uma porção de vezes. A história é simples (e dolorosa): depois de perder o pai em um assassinato do Estado Islâmico, o jovem Ali parou de falar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agora, seguindo os dogmas religiosos, ele se junta ao irmão numa longa caminhada a fim de sacrificar sua ovelha e molhar seu sangue como oferenda pela morte do familiar. Por mais que o diretor conte tintin por tintin da trama na abertura da sessão, </span><a href="https://7thheavenstudios.com/ali-and-his-miracle-sheep"><i><span style="font-weight: 400;">Ali e sua Ovelha Milagrosa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> consegue surpreender no campo visual, construindo imagens tão fortes quanto seu tema demanda. Ao fim do dia, e dessa extensa peregrinação, não resta nada além do grito nos pulmões e do licor vermelho sendo drenado pela areia. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27366" aria-describedby="caption-attachment-27366" style="width: 910px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27366" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina.jpg" alt="Cena do filme A Ordem Reina. A imagem é em preto e branco e tem textura granulada. Através dela, podemos ver um monumento de cimento arredondado com uma torre, que está ao centro. No canto esquerdo, existem outros dois monumentos, também de cimento, que imitam o desenho de duas mãos de punhos fechados." width="910" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina.jpg 910w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27366" class="wp-caption-text">A cineasta paulista Fernanda Pessoa tem vasta experiência no Cinema documental e nos festivais do gênero pelo mundo, sendo A Ordem Reina o seu 6º filme recém-finalizado (Foto: Fernanda Pessoa)</figcaption></figure>
<p><b>A Ordem Reina (Fernanda Pessoa, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É sobre as palavras sagradas de Rosa Luxemburgo que </span><a href="https://pessoafernanda.com/"><span style="font-weight: 400;">Fernanda Pessoa</span></a><span style="font-weight: 400;"> fundamenta a reflexão do seu filme. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ordem Reina</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cineasta paulista propõe reflexões acerca do sonho revolucionário de superação do capitalismo a partir de uma viagem anacrônica por sete países que experienciaram revoluções no século 20, orientada pela sabedoria da filósofa e economista alemã, que dedicou as últimas expressões de sua vida para manter acesa a promessa de transformação tão perseguida pelo mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, às imagens registradas em 8mm com tratamento e finalização digitais, a diretora adiciona uma narração em </span><i><span style="font-weight: 400;">off</span></i><span style="font-weight: 400;"> do texto </span><a href="https://www.esquerdadiario.com.br/Rosa-Luxemburgo-A-Ordem-Reina-em-Berlim"><i><span style="font-weight: 400;">A</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Ordem Reina em Berlim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Datado de janeiro de 1919, onde Rosa Luxemburgo reflete sobre as causas e consequências da atuação trágica dos socialistas na Revolução Alemã, que junto do encerramento da participação do país na Primeira Guerra Mundial, também colocou fim na sua vida e na de alguns de seus companheiros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com esse plano de fundo, Fernanda Pessoa e o espectador de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ordem Reina</span></i><span style="font-weight: 400;"> não têm dúvidas sobre as crenças do filme. Se nem </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2019/01/15/cem-anos-sem-rosa-luxemburgo-uma-vida-pela-revolucao"><span style="font-weight: 400;">Rosa Luxemburgo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu leito de morte se rendeu ao sentimento imperativo de ordem e desistiu de acreditar na revolução, a cineasta faz valer os versos finais do texto através de seu olhar atento para a aparente comodidade da sociedade que analisa: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não reparastes que a vossa &#8220;ordem&#8221; está a alçar-se sobre a areia. A revolução alçará-se amanhã com a sua vitória e o terror pintará-se nos vossos rostos ao ouvir-lhe anunciar com todas as suas trombetas: era, sou e serei!”</span></i> <b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27367" aria-describedby="caption-attachment-27367" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27367 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862.jpg" alt="Cena do filme Cadê Heleny. A imagem é um recorte de um filme animado quadro a quadro a partir de materiais têxteis. A imagem mostra uma sala de jantar numa perspectiva horizontal, que se coloca atrás da personagem Heleny. Ela está no canto direito da imagem, desfocada, olhando para a frente. Existe uma mesa redonda, decorada com uma toalha e flores, e cadeiras ao redor. Na parede do lado direito, existe uma janela coberta por uma cortina, e na parede da frente, existe um móvel com fotos em porta retrato e um relógio pendurado." width="1920" height="998" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-800x416.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1024x532.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-768x399.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1536x798.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1200x624.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27367" class="wp-caption-text">Menção honrosa na Competição Brasileira de Curtas, o filme de Esther Vital conta a história de Heleny Guariba e inova a forma de representar as necessárias lembranças da Ditadura Militar brasileira (Foto: Apto 122)</figcaption></figure>
<p><b>Cadê Heleny? (Esther Vital, Brasil/Espanha, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde 1971, a professora, dramaturga e militante </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/heleny-telles-ferreira-guariba/"><span style="font-weight: 400;">Heleny Guariba</span></a><span style="font-weight: 400;"> é tida como desaparecida política da Ditadura Militar brasileira. Importante nome na história da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), a organização que atuava na luta armada contra o regime, ela foi presa e torturada pela primeira vez em 1970, sendo alvo de uma perseguição que durou até o próximo ano, que efetivamente lhe impôs o silêncio através da violência e ameaças aos seus companheiros de luta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante de mais uma história sobre o custo que alguns de nós tiveram que assumir para superar o regime ditatorial e os horrores cometidos por quem (des)governava o Brasil entre os anos de 1964 e 1985, Esther Vital escolhe muito bem os seus caminhos para apresentar a narrativa em seu filme. Longe da linguagem documental tradicional, concreta e direta, </span><a href="https://cadeheleny.com/construcao-de-personagem/"><i><span style="font-weight: 400;">Cadê Heleny?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trabalha com uma animação em </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> e concepção artística inspirada nas </span><a href="http://memorialdaresistenciasp.org.br/exposicoes/arpilleras/#:~:text=Arpillera%20%C3%A9%20uma%20t%C3%A9cnica%20t%C3%AAxtil,tornaram%20tamb%C3%A9m%20meio%20de%20express%C3%A3o."><i><span style="font-weight: 400;">arpilleras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, arte têxtil popular que surgiu nas periferias de Santiago, no Chile, e se transformou numa poderosa forma de resistência política das mulheres opositoras a Ditadura de Augusto Pinochet.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, com sua própria identidade estética, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cadê Heleny?</span></i><span style="font-weight: 400;"> torna sua narrativa um tanto mais acessível e significativa, mas não por isso menos forte ou verdadeira. Sem medo de encarar e retratar os momentos mais sombrios de Guariba nas mãos da Ditadura, não à toa o documentário recebeu uma menção honrosa na Competição Brasileira de Curta-Metragem: ao mesmo tempo em que honra a memória valente da militante, </span><a href="https://www.itaucultural.org.br/curta-metragem-em-stop-motion-resgata-a-memoria-de-heleny-guariba"><span style="font-weight: 400;">Esther Vital</span></a><span style="font-weight: 400;"> inova a compreensão de uma das necessidades mais pungentes do </span><a href="https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2022/03/31/bolsonaro-obras-ditadura-militar.htm"><span style="font-weight: 400;">Brasil de 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27368" aria-describedby="caption-attachment-27368" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27368" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber.jpg" alt="Fotografia em preto e branco do cineasta Glauber Rocha. Mostra o cineasta segurando rolos do filme “Cabeças Cortadas”, enquanto olha fixamente para a câmera. Ele é um homem branco, possui cabelos pretos, levemente encaracolados, e veste um terno de cor cinza." width="1200" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-800x427.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-1024x546.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-768x410.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27368" class="wp-caption-text">Ao longo dos 12 minutos de Carta Para Glauber, acompanhamos a leitura de Catarina Dahl da carta enviado por seu pai, Gustavo, a Glauber Rocha dias após o Golpe Militar no Brasil (Foto: Gregory Baltz)</figcaption></figure>
<p><b>Carta Para Glauber (Gregory Baltz, Brasil, 2021)</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TgMzAdbvi34&amp;feature=emb_imp_woyt&amp;ab_channel=festivaletudoverdade"><i><span style="font-weight: 400;">Carta Para Glauber</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um curta-metragem ensaístico, elaborado através da leitura da carta que o cineasta e crítico de cinema Gustavo Dahl enviou para Glauber Rocha, em 1964, quando ele estava no Festival de Cannes promovendo </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2014/07/Ha-50-anos-Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-mudava-a-historia-do-cinema-brasileiro-4549960.html"><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo na Terra do Sol</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (que foi indicado à Palma de Ouro naquele ano). No curta, a narração da carta fica a cargo de Catarina Dahl, filha de Gustavo, e vem acompanhada de trechos dos filmes de Glauber Rocha e do próprio Gustavo Dahl, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Barravento </span></i><span style="font-weight: 400;">(1962), </span><i><span style="font-weight: 400;">Terra em Transe </span></i><span style="font-weight: 400;">(1967) e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Bravo Guerreiro </span></i><span style="font-weight: 400;">(1969). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A graça desse formato de ensaio – muito bem explorado pelo diretor Gregory Baltz – é a composição de um cenário particular, pois as cenas dos filmes norteiam os pensamentos que sucedem a leitura da carta. Todavia, o texto cru, por si só, é bastante emblemático, e foi enviado ao cineasta baiano dias após ter ocorrido o Golpe Militar no Brasil. Na </span><a href="https://correio.ims.com.br/carta/barbarizou-barbarizou/"><span style="font-weight: 400;">carta</span></a><span style="font-weight: 400;">, Dahl reconhece similaridades entre o discurso denunciado por Glauber em </span><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo</span></i><span style="font-weight: 400;">… e a voz autoritária da Ditadura que havia começado no país, evidenciando a urgência que sua obra representava ao mesmo tempo em que denunciava certos padrões que levaram ao regime autoritário. Dahl também aponta para a forma genial como a subversão de Glauber Rocha esteve ligada com sua Arte, na qual manteve-se alegorias imagéticas em prol de um objetivo em si mesmo: a liberdade, genuína, de expressão. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27369" aria-describedby="caption-attachment-27369" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27369" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year.jpg" alt="Cena do curta Como Se Mede um Ano?, a cena mostra uma criança branca olhando nos olhos de seu pai, um homem adulto branco e de cabelos pretos, e abrindo as mãos, mostrando os 10 dedos." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27369" class="wp-caption-text">Boyhood, seu legado vive! (Foto: Jay Rosenblatt Films)</figcaption></figure>
<p><b>Como Se Mede um Ano? (How Do You Measure a Year?, Jay Rosenblatt, EUA, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pouco tempo depois de ser indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">por seu trabalho em </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">When We Were Bullies</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (curta também presente no É Tudo Verdade), o diretor Jay Rosenblatt retorna com uma visão muito mais pessoal do mundo. Longe da agressão que povoava o filme anterior, o norte-americano decide editar um projeto que realizou por quase dezoito anos. Desde que soprou duas velhinhas, a filha do cineasta foi colocada frente às câmeras e indagada a respeito da vida, da família e do futuro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem qualquer vídeo de apresentação do realizador, </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt15026956/"><i><span style="font-weight: 400;">Como Se Mede um Ano?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> venceu a competição de Curtas, muito provavelmente pela sensibilidade do tema e pela entrega no processo. Resgatando o título da música </span><i><span style="font-weight: 400;">Seasons of Love</span></i><span style="font-weight: 400;">, popular entre os amantes de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hj7LRuusFqo"><i><span style="font-weight: 400;">Rent</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8OTglgfKdMo"><i><span style="font-weight: 400;">The Office</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o projeto de meia-hora é emocionante pelas memórias de quem assiste, refletidas em tela nas figuras de pai e filha, envelhecendo, evoluindo, tendo ciência do valor do tempo. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista </b></p>
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<figure id="attachment_27370" aria-describedby="caption-attachment-27370" style="width: 1625px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27370 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934.jpg" alt="Cena do filme Duke Ellington em Isfahan. A imagem, em preto e branco, mostra dois homens negros em um concerto. Enquanto um segura uma partitura com as duas mãos, o outro encara o papel enquanto toca um saxofone. Sobreposta a cena, de forma esvanecida, também está a imagem de uma mandala marrom." width="1625" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934.jpg 1625w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-800x525.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1024x672.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-768x504.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1536x1009.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1200x788.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27370" class="wp-caption-text">Cria de uma potente vanguarda contemporânea, há pouco de cinema iraniano no curta de Ehsan Khoshbakht (Foto: Ehsan Khoshbakht)</figcaption></figure>
<p><b>Duke Ellington em Isfahan (Duke Ellington in Isfahan, Ehsan Khoshbakht, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><a href="https://iffr.com/en/persons/ehsan-khoshbakht"><span style="font-weight: 400;">Ehsan Khoshbakht</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um cineasta do Irã estabelecido em Londres. E então, quando ele decide investigar a trajetória de uma das figuras mais importantes para a história do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, não poderia ser outro recorte. O título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duke Ellington em Isfahan</span></i><span style="font-weight: 400;"> é autoexplicativo: o curta documental conta a história de uma das composições mais icônicas do pianista, concebida durante sua turnê ao Oriente Médio em 1963, financiada pelos Estados Unidos durante plena </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2022/02/era-jim-crow-as-leis-que-promoviam-a-segregacao-racial-nos-estados-unidos/"><span style="font-weight: 400;">segregação racial</span></a><span style="font-weight: 400;">, como propaganda política em um momento que o mundo questionava o tratamento do país à população negra</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas aqui, política não passa de um plano de fundo. A Música é só o que importa. O documentário, formado por arquivos de imagens e vídeos antigos interpolados por entrevistas com especialistas, perpassa pelas inspirações de Ellington na música e arquitetura da cidade iraniana. No entanto, peca em ultrapassar uma barreira que, na realidade, parece nem identificar. Com um material de ouro em mãos, Ehsan entrega uma obra pouco consciente e pouco inspirada. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27372" aria-describedby="caption-attachment-27372" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27372" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1.jpg" alt="Cena do curta Meio Ano-Luz, mostra um homem branco sentado à rua, com um caderno em mãos, desenhando. Atrás dele, a parede é cor de creme e tem uma pichação azul. " width="1920" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27372" class="wp-caption-text">Som e imagem se desencontram em total harmonia (Foto: Leonardo Mouramateus)</figcaption></figure>
<p><b>Meio Ano-Luz (Leonardo Mouramateus, Brasil/Portugal, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na imagem, vemos uma movimentada viela de Lisboa, onde um jovem se senta à sarjeta e passa a desenhar os transeuntes. No áudio, acompanhamos a conversa entre dois namorados, debatendo a melhor maneira de devolver uma carteira encontrada na rua e seus planos para o que farão depois do agora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme de Leonardo Mouramateus, que se estende para além dos 19 minutos, a experiência de interligar duas percepções é catalisadora de uma ideia bem executada. Mais um exemplo do </span><a href="https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2019/11/26/criticos-elegem-os-20-melhores-filmes-cearenses-da-decada-veja.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Cinema de excelência realizado no Ceará</span></a><span style="font-weight: 400;">, o curta-metragem </span><i><span style="font-weight: 400;">Meio Ano-Luz </span></i><span style="font-weight: 400;">expande seus debates de um simples bem material até discussões sobre a vida, o universo e tudo mais. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27373" aria-describedby="caption-attachment-27373" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27373" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice.png" alt="Cena do curta Voz Virtual, mostra uma boneca de máscara de pano tendo a temperatura medida na testa." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27373" class="wp-caption-text">Ao lado de seu alter ego em miniatura chamado Suzi, a diretora Suzannah Mirghani realiza um manifesto caseiro contra a hipocrisia (Foto: Doha Film Institute)</figcaption></figure>
<p><b>Voz Virtual (Virtual Voice, Suzannah Mirghani, Catar/Sudão, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na breve apresentação que antecedeu a sessão de </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt14507046/"><i><span style="font-weight: 400;">Voz Virtual</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Suzannah Mirghani, a diretora sudanesa-russa que vive no Catar, não escondeu o caráter de seu curta. Realizados no período da pandemia e do isolamento social, os menos de dez minutos se concentram em uma personagem central imóvel que, na febre da excitação pandêmica, busca se impor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É um </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/49659-Virtual-Voice"><span style="font-weight: 400;">Cinema denúncia irônico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ciente das feridas que salga, acompanhado por um roteiro ritmado que cadencia o discurso sinestésico, envolvente e extremamente detalhado. Numa eventual revisita à </span><i><span style="font-weight: 400;">Voz Virtual</span></i><span style="font-weight: 400;">, é bem provável que importantes referências sejam descobertas, provando a acidez calculada de Mirghani. E agora, Suzi? Quando a bateria se esgota, acaba o sonho também? </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<h3>Longas-metragens</h3>
<figure id="attachment_27374" aria-describedby="caption-attachment-27374" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27374" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking.jpg" alt="Cena do filme A História do Olhar, mostra o diretor Mark Cousins deitado na cama sem camisa. Ele é um homem branco, tem tatuagens nos braços e leva a mão direita à testa, olhando para o teto. " width="900" height="506" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27374" class="wp-caption-text">O mundo é estilhaçado sob a visão de Mark Cousins (Foto: BofA Productions)</figcaption></figure>
<p><b>A História do Olhar (The Story of Looking, Mark Cousins, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diretamente de sua casa em Edimburgo, capital da Escócia, o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/mark-cousins-no-e-tudo-verdade-parte-de-cirurgia-no-olho-para-decifrar-o-cinema.shtml"><span style="font-weight: 400;">cineasta Mark Cousins</span></a><span style="font-weight: 400;"> saúda o público do Festival É Tudo Verdade. Despojado, ele revela que a premissa de seu novo filme, chamado </span><i><span style="font-weight: 400;">A História do Olhar</span></i><span style="font-weight: 400;">, surgiu quando foi diagnosticado com catarata em um dos olhos e escreveu um livro a respeito das múltiplas análises da visão. Ele filma o rosto iluminado por um céu claro e mostra o enorme roteiro, que daria origem ao longa-metragem que em breve começaria. A quebra de expectativas, além da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ki392mx6qiQ"><span style="font-weight: 400;">presença extra-campo do documentarista</span></a><span style="font-weight: 400;">, vem por meio de sua partilha: deitado na cama, ele pretende viajar pelo mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado, registrado em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dtkxzxehF5o"><span style="font-weight: 400;">uma hora e meia de filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, é formado pelos mais diversos devaneios. Seja por uma frase marcante do músico Ray Charles, ou pelas mensagens recebidas em uma rede social em tempo real, Cousins faz o Cinema partir da própria íris, diante do medo de perder o bem que tanto ama. Por isso, quando faz a escolha de mostrar em detalhes a cirurgia que corrige o problema na vista, o diretor quer que seu público desempenhe o papel máximo de </span><i><span style="font-weight: 400;">voyeur</span></i><span style="font-weight: 400;">. Do mundo (pela ótica do </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">, de filmes e quadros que aprecia e imagens de arquivo), ele se volta ao próprio corpo, esculpindo a nudez como forma de ser. Os olhos captam boa parte das </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/sep/16/the-story-of-looking-review-mark-cousins-rhapsody-of-the-gaze"><span style="font-weight: 400;">belas composições do universo</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas sem eles, o cosmos pode ser até maior do que ameaça. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27375" aria-describedby="caption-attachment-27375" style="width: 1961px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27375" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema.png" alt="Cena do filme A História do Cinema, de Mark Cousins. A imagem mostra uma pessoa de costas, vestindo roupas inteiramente pretas, e observando várias pequenas telas que estão à sua frente. A pessoa e essas telas estão na calçada de uma rua bastante movimentada, e ao fundo podemos ver prédios e outdoors com publicidades sendo transmitidas. " width="1961" height="1103" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema.png 1961w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27375" class="wp-caption-text">Com 160 minutos de duração, A História do Cinema nos brinda com análises criteriosas feitas por Mark Cousins, e ao mesmo tempo mostra como novas vozes vem ganhando espaço (Foto: Hopscotch Films)</figcaption></figure>
<p><b>A História do Cinema: Uma Nova Geração (</b><b>The Story of Film: a New Generation, Mark Cousins, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No futuro, quais serão os filmes da nossa geração que irão figurar na lista de Clássicos? É possível que longas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Frozen</span></i><span style="font-weight: 400;"> sejam vistos nessa lista? Afinal, foi um fenômeno da nossa época. Essas são algumas das perguntas que norteiam </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/mark-cousins-no-e-tudo-verdade-parte-de-cirurgia-no-olho-para-decifrar-o-cinema.shtml?origin=folha"><i><span style="font-weight: 400;">A História do Cinema: Uma Nova Geração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do britânico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7Z0lkiiHKVQ&amp;ab_channel=festivaletudoverdade"><span style="font-weight: 400;">Mark Cousins</span></a><span style="font-weight: 400;">, documentário que abriu o Festival É Tudo Verdade no Rio de Janeiro. Talvez motivado por sua formação em História, Cousins decide traçar um diagnóstico do chamado “Novo Cinema”, e aborda filmes recentes ao redor do mundo com olhar cauteloso, apontando suas características cinematográficas mais marcantes e distintas. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2019), de Bong Joon-Ho, é um dos longas que já nasceram clássicos, e resgata muitas outras referências antigas em seu desenvolvimento, mas de uma forma extremamente original, de modo a quebrar qualquer tipo de expectativa. Além disso, o que o faz interessante? Um dos pontos enxergados por Cousins é sua urgência narrativa, pois o filme sul-coreano retrata sonhos capitalistas que foram despedaçados, mas se encerra justamente com um sonho capitalista, visto que o protagonista Ki-woo (Choi Woo-shik) pretende ficar rico para comprar a casa e, enfim, libertar seu pai (mas, de certa forma, também sua família). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme também põe em análise </span><i><span style="font-weight: 400;">Frozen </span></i><span style="font-weight: 400;">(2014) e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Coringa </span></i><span style="font-weight: 400;">(2019) de Joaquin Phoenix. Cousins contrapõe dois trechos icônicos de cada filme: primeiro, a famosa cena da rainha Elsa cantando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3TkIR4U4seA"><i><span style="font-weight: 400;">Livre Estou</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seguido pela cena do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=goj0bS1-Thc&amp;ab_channel=SCENEFLIX"><span style="font-weight: 400;">Coringa dançando</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas escadarias do Bronx, em Nova York. Ambas têm em comum um sonho de liberdade, e, como argumenta o cineasta, não parece ser por acaso que, em um mundo totalmente conectado e globalizado, cenas como essa viralizam e atingem um clímax cinematográfico, pois tudo o que idealizamos são momentos de liberdade verdadeira e irrestrita. </span><i><span style="font-weight: 400;">A História do Cinema</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona como um belo diagnóstico dos caminhos do Cinema contemporâneo, mas, pela tangente, acaba analisando a sensação de estar vivo atualmente, e enxerga ausências que, às vezes, conseguem ser preenchidas através da Arte. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27376" aria-describedby="caption-attachment-27376" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27376" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem.jpg" alt="Cena do filme Belchior - Apenas um Coração Selvagem, de Camilo Cavalcanti e Natália Dias. A imagem mostra o cantor Belchior encostado em um muro de contrato de cor cinza, que contém uma pichação com os escritos “Sonhar eternamente”. Belchior é um homem branco, possui cabelos volumosos de em cor preta, bigode de cor preto, e veste uma camiseta listrada nas cores branco, azul e preto, e uma calça jeans azul clara" width="2560" height="1692" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-800x529.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1024x677.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-768x508.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1536x1015.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-2048x1354.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1200x793.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27376" class="wp-caption-text">Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem explora as opiniões artísticas do cantor cearense, deixando em aberto qualquer conclusão (Foto: Clariô Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem (Camilo Cavalcanti e Natália Dias, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estreando no Festival É Tudo Verdade, </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/04/07/belchior---apenas-um-coracao-selvagem-e-tudo-verdade.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um retrato interminável sobre um dos maiores expoentes da Música brasileira. Apesar de suas letras reveladoras e poéticas – e de seu charme de malandro trovador –, Belchior foi um dos mistérios da MPB até o fim de sua vida, quando faleceu em Santa Cruz do Sul, em 2017. Mas não espere encontrar respostas sobre a vida do músico no documentário, e a graça do filme reside justamente na ausência de respostas – ou, melhor, nas únicas respostas dadas pelo próprio Belchior. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma bastante acertada, Camilo Cavalcanti e Natália Dias não entrevistam pessoas ou geram ainda mais dúvidas sobre a vida e obra do cantor cearense, pois trata-se de um filme feito a partir de colagens de diversas entrevistas e apresentações ao vivo do cantor ao longo de sua vida, contando ainda com trechos raros e muito ricos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/40-anos-sem-elis-regina-20-anos-carreira-maria-rita/"><span style="font-weight: 400;">Elis Regina</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentando versões das músicas de Belchior. Em alguns trechos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Apenas um Coração Selvagem</span></i><span style="font-weight: 400;">, o ator </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/cristina-padiglione/2022/03/silvero-pereira-interpreta-cancoes-de-belchior-em-filme-sobre-o-musico.shtml"><span style="font-weight: 400;">Silvero Pereira</span></a><span style="font-weight: 400;"> surge em uma espécie de intervenção, recitando e interpretando letras das músicas do cantor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> O longa busca analisar a visão artística do cantor, e foca muito mais na relação distinta que ele mantinha com a poesia; aparentemente, seu estado permanente de viver, pois, como ele mesmo diz, </span><i><span style="font-weight: 400;">“a esperança do paraíso marca o nordeste”</span></i><span style="font-weight: 400;">, e, segundo ele, até mesmo a ligação religiosa que atravessou sua vida (quando foi frade) foi uma maneira de se conectar com o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2022/04/05/belchior-diz-quase-tudo-em-filme-que-da-pistas-do-caminho-seguido-pelo-coracao-selvagem-do-artista.ghtml"><span style="font-weight: 400;">sublime</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27377" aria-describedby="caption-attachment-27377" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27377" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida.jpeg" alt="Cena do filme Eneida, mostra a personagem titular pensativa, iluminada pelas luzes do trânsito à noite, olhando pela janela do carro. Ela é uma mulher branca, idosa, de cabelos claros e unhas vermelhas." width="1024" height="528" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida-800x413.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida-768x396.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27377" class="wp-caption-text">Em Eneida, a vida cruel faz boa arte (Foto: Heloísa Passos)</figcaption></figure>
<p><b>Eneida (Heloísa Passos, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido pela curitibana </span><a href="https://abcine.org.br/site/entrevista-heloisa-passos-abc/#:~:text=Como%20diretora%2C%20realizei%20v%C3%A1rios%20curtas,e%20na%20frente%20da%20c%C3%A2mera."><span style="font-weight: 400;">Heloísa Passos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Eneida </span></i><span style="font-weight: 400;">leva o nome e a história de sua mãe. Mas não se trata de uma biografia comum, que fique claro. Aqui, conhecemos Eneida numa viagem, o eventual estopim para os dramas da uma hora e vinte que se seguem. Afastada da filha mais velha, que não vê há quase 25 anos, </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/50031-Eneida"><span style="font-weight: 400;">a senhora faz de tudo</span></a><span style="font-weight: 400;"> para retomar a conexão e resolver problemas do passado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Capturado com voracidade e simpatia por Passos, o núcleo emotivo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Eneida </span></i><span style="font-weight: 400;">é formado por uma sucessão de </span><a href="https://escotilha.com.br/cinema-tv/central-de-cinema/filme-eneida-heloisa-passos-e-tudo-verdade-resenha-critica/"><span style="font-weight: 400;">encontros, conversas, barganhas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Abalada mas nunca quebradiça, a senhora octogenária que ilumina a tela com seu sorriso e carisma não deixa a vida parar pela tristeza: ela rememora o ontem, papeia com a neta, joga vôlei com as amigas, chora e se alegra. Provando que os </span><a href="https://aodisseia.com/eneida-critica-e-tudo-verdade-2022/"><span style="font-weight: 400;">temores da realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> formam boa liga para a excelência da Arte, o documentário de Heloísa Passos é brutal e singelo em medidas equilibradas. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista </b></p>
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<figure id="attachment_27378" aria-describedby="caption-attachment-27378" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27378" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk.png" alt="Cena do filme JFK Revisitado: Através do Espelho, do diretor Oliver Stone. A fotografia colorida mostra o então presidente John Kennedy em um carro aberto de cor preta, ao lado da sua esposa, Jacqueline Kennedy. Eles estão desfilando momentos antes do presidente Kennedy ser assassinado. John está com o braço direito apoiado no carro, olhando para a população. Ele é um homem branco de cabelos loiros, e veste um terno de cor preta. Jacqueline é uma mulher branca de cabelos castanhos, veste chapéu e vestido de cor rosa. Ambos estão sorrindo." width="1400" height="1050" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-800x600.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1536x1152.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1200x900.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27378" class="wp-caption-text">Em JFK Revisitado, o premiado diretor Oliver Stone retoma seu filme de 1991 para analisar novos documentos sobre o assassinato de John Kennedy (Foto: Ingenious Media)</figcaption></figure>
<p><b>JFK Revisitado: Através do Espelho (JFK Revisited: Through the Looking Glass, Oliver Stone, Estados Unidos, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns cineastas costumam lançar versões estendidas de suas obras – as “versões sem cortes” –, outros lançam continuações, mas poucos decidem fazer o que Oliver Stone fez: atualizar um de seus filmes mais famosos. </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/04/jfk-revisitado-de-oliver-stone-e-cansativo-mas-muito-necessario.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">JFK Revisitado: Através do Espelho</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se propõe, como seu título sugere, a atualizar o longa de 1991, </span><i><span style="font-weight: 400;">JFK: A Pergunta Que Não Quer Calar </span></i><span style="font-weight: 400;">– concebido inicialmente como uma minissérie em quatro capítulos –, depois que novos documentos sobre o assassinato do ex-presidente estadunidense John F. Kennedy deixaram de ser sigilosos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com 118 minutos de duração, o documentário se arrasta e não apresenta grandes motivos para receber uma atualização. Em algumas cenas, tudo soa como as infindáveis reportagens a respeito do assunto – ou como uma versão mais lenta de seu filme anterior –, mas nenhuma novidade é de fato apresentada. Justamente pelo tema já ter sido abordado por </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-07-13/oliver-stone-desmonta-a-versao-oficial-do-assassinato-de-jfk-com-novos-documentos.html"><span style="font-weight: 400;">Oliver Stone</span></a><span style="font-weight: 400;"> anteriormente, nem mesmo sua própria voz artística como diretor é capaz de dar uma nova roupagem aos documentos explorados, pois isso já foi feito em 1991. Talvez o ponto mais interessante de </span><i><span style="font-weight: 400;">JFK Revisitado</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja a ideia de que outros assassinatos acontecem mundo afora em decorrência da morte de Kennedy, mas, como Stone adora fazer, soa como uma verdade absoluta que tem sido tratada historicamente como teoria conspiratória, e acaba se perdendo em suas próprias referências. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27379" aria-describedby="caption-attachment-27379" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27379" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates.jpg" alt="Cena do filme Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente, que mostra uma mulher branca, idosa, de cabelos encaracolados e usando óculos, falando enquanto olha para frente. O fundo escuro está desfocado e a imagem é colorida." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27379" class="wp-caption-text">Stig Björkman, diretor do longa, é amigo pessoal de Joyce Carol Oates e pediu para que pudesse produzir um documentário a seu respeito por anos, até que ela cedesse às câmeras (Foto: Mantaray Film)</figcaption></figure>
<p><b>Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente (Joyce Carol Oates: A Body in the Service of Mind, Stig Björkman, Suécia, 2021)</b></p>
<p><a href="https://darkside.blog.br/conheca-joyce-carol-oates-das-escritoras-produtivas-atualidade/"><span style="font-weight: 400;">Joyce Carol Oates</span></a><span style="font-weight: 400;"> não parou de escrever desde que publicou o seu primeiro livro em 1963. Algo que enxergava já na infância, através de sua identificação com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-viagem-de-chihiro-viagem-todos-nos/"><span style="font-weight: 400;">viagem de Alice</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao País das Maravilhas, a escritora viu na leitura – e mais tarde em seus próprios livros – um refúgio do mundo exterior. É capaz que ela escreva por 10 horas ininterruptas, e ainda coloque a culpa no gato, que não saía de seu colo. A imagem constante do lado de fora de sua casa, as luzes de seu escritório ligadas e todos os outros cômodos vazios, sintetiza a desconexão de Joyce com a realidade, a partir do momento que ela mergulha na escrita de seus romances.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso entra em conflito direto com sua trajetória literária, marcada por livros </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/06/09/books/review/joyce-carol-oates-night-sleep-death-stars.html"><span style="font-weight: 400;">politicamente engajados</span></a><span style="font-weight: 400;"> e obras que comentam fenômenos sociais efervescentes de sua época. Mas é que o diretor Stig Björkman, do documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente</span></i><span style="font-weight: 400;">, levanta essas contradições com muita sensibilidade e ternura, não só desconstruindo, como também humanizando a figura intocada de uma das autoras mais relevantes da Literatura americana. É uma pena que, pela sua abordagem exacerbadamente vasta, muitos temas se percam e sejam diluídos em meio ao prolífico e riquíssimo contato íntimo em que somos postos com Joyce. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27380" aria-describedby="caption-attachment-27380" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27380" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-scaled.jpg" alt="Cena do filme Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo. Na fotografia colorida, o diretor Robert B. Weide está andando à beira do mar com o escritor Kurt Vonnegut. Ambos são homens brancos. Weide está à esquerda, e possui barba e cabelos pretos, veste um sobretudo bege e está com as duas mãos nos bolsos. Vonnegut está à direita, e possui cabelos grisalhos e bigode branco, também veste um sobretudo bege e está com as mãos nos bolsos." width="2560" height="1820" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-800x569.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1024x728.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-768x546.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1536x1092.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-2048x1456.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1200x853.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27380" class="wp-caption-text">Dirigido por Robert B. Weide e Don Argott, Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo é um registro histórico de um dos maiores escritores da história (Foto: IFC Films)</figcaption></figure>
<p><b>Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo (Kurt Vonnegut: Unstuck in Time, Robert B. Weide e Don Argott, EUA, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Construído ao longo dos anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo </span></i><span style="font-weight: 400;">é o registro de um dos maiores escritores da última década. </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/Livros/noticia/2020/11/4-livros-essenciais-para-conhecer-obra-e-historia-de-kurt-vonnegut.html"><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut</span></a><span style="font-weight: 400;"> se transformou em uma voz geracional, e ajudou a moldar a mente dos jovens inconformados com a Guerra no Vietnã – ele próprio lutou na Segunda Guerra Mundial, onde foi feito prisioneiro em Dresden pelas tropas alemãs, cujas experiências deram origem ao livro </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/livro/877/"><i><span style="font-weight: 400;">Matadouro-Cinco</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1969) – e com as opressões do governo estadunidense. Como em uma obra ficcional pitoresca de Vonnegut, a distância que geralmente separa o diretor do fato narrado é quebrada no filme, transformando Robert B. Weide em um personagem dessa história. Como ele revela, Vonnegut foi uma de suas inspirações e fixações literárias na juventude, além de um amigo sincero. Weide aproximou-se do escritor com a ideia de gravar o documentário, e ficou décadas junto a ele, que faleceu em 2007. Mais de dez anos depois de sua morte, recebemos o resultado das milhares de gravações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das principais características literárias do autor é o uso da ironia e de um tipo de humor muito peculiar nos escritos. Bob Weide e Don Argott tentam manter isso na forma do documentário, embora em alguns momentos os relatos pessoais de Weide excedam demasiadamente o foco em Vonnegut. Ao mesmo tempo, o filme de 126 minutos vai fundo nas origens do mito literário, cuja história se assemelha à ficcional trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Forrest Gump</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1994). Tendo nascido em 1922 e falecido no início do século, o escritor estadunidense vivenciou grandes momentos históricos, e sempre os retratou através de sua voz original. Ao término de </span><i><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut</span></i><span style="font-weight: 400;">, sentimos que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PbunvLdbWxA&amp;ab_channel=IFCFilms"><span style="font-weight: 400;">Robert B. Weide</span></a><span style="font-weight: 400;"> criou um arco narrativo para lidar com o próprio luto, vivenciado não apenas pela perda do herói literário, mas também de um amigo. “</span><i><span style="font-weight: 400;">God bless you, Robert Weide”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27381" aria-describedby="caption-attachment-27381" style="width: 2074px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27381" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny.jpg" alt=" Cena do filme Navalny, em que um homem branco, de meia idade, cabelos curtos e escuros, vestindo um terno, apoia suas mãos e cotovelos sobre a bancada de um bar. O estabelecimento está vazio. No balcão, vê-se somente um copo de água. O homem olha diretamente para a câmera, com a cabeça ligeiramente baixa e uma das sobrancelhas levantadas." width="2074" height="1167" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny.jpg 2074w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27381" class="wp-caption-text">Antes de chegar ao Festival É Tudo Verdade, Navalny foi destaque na edição deste ano do Festival Sundance de Cinema, onde foi premiado nas categorias de Documentário Americano e Favorito do Festival (Foto: Fishbowl Films)</figcaption></figure>
<p><b>Navalny (Idem, Daniel Roher, EUA, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 20 de agosto de 2020, Alexei Navalny, principal opositor ao atual governo russo de Putin, foi </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-54024050"><span style="font-weight: 400;">envenenado</span></a><span style="font-weight: 400;"> em um voo de Tomsk para Moscou. O ativista sobreviveu ao ocorrido, cujo principal suspeito, para a opinião pública, era o próprio presidente do país. </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Daniel Roher, acompanha metodicamente os passos de Alexei durante esse árduo período, figurando às câmeras a extensa investigação – que ele conduziu por conta própria – em busca dos responsáveis pelo atentado, e a sua admirável bravura de, mesmo após ser vítima de tamanha barbaridade, </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/02/02/alexei-navalny-e-condenado-a-prisao.ghtml"><span style="font-weight: 400;">retornar ao seu país</span></a><span style="font-weight: 400;"> para lutar pela democracia e dignidade do povo russo. Admirável bravura? Será mesmo?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma sensação agridoce permeando todos os 98 minutos do documentário que é difícil de ignorar. Roher rotula </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;"> como um </span><i><span style="font-weight: 400;">‘thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">documental’, e, de fato, ele se mune de inúmeras estratégias narrativas para construir sua história. Então, se a produção quer te passar tristeza, indignação, raiva, ele o fará da maneira mais exagerada e artificial possível. A trilha sonora derivativa, o foco constante em rostos chorosos, as imagens em preto-e-branco retiradas de jornais, acompanhadas por uma narração canastrona; é uma quantidade de escolhas tão batidas que não apenas obstruem a mensagem passada, como também romantizam a figura deste homem, que está longe de ser </span><a href="https://www.wort.lu/pt/mundo/alexei-navalny-nacionalista-xen-fobo-ou-liberal-pr-ocidente-601a85b2de135b9236be9766"><span style="font-weight: 400;">incontestável</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo que Navalny é considerado defensor dos direitos humanos e um exemplo na luta contra o </span><a href="https://www.esquerda.net/dossier/repressao-corrupcao-e-apoio-extrema-direita-o-reinado-de-putin-visto-pelo-esquerdanet/79955"><span style="font-weight: 400;">imperialismo russo</span></a><span style="font-weight: 400;">, suas principais pautas são a corrupção e degradação do sistema político, </span><a href="https://theintercept.com/2021/08/03/corrupcao-como-lava-jato-ainda-ajuda-bolsonaro/"><span style="font-weight: 400;">muito comuns</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre expoentes da extrema-direita. Um admirador ferrenho dos Estados Unidos, que iniciou sua trajetória política apoiado em discursos reacionários, nacionalistas e racistas – algumas falas que, inclusive, ele </span><a href="https://www.theguardian.com/world/2017/apr/29/alexei-navalny-on-putins-russia-all-autocratic-regimes-come-to-an-end"><span style="font-weight: 400;">ainda reivindica</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;">, ao invés de esconder essa faceta do espectador, faz pior. Quando Alexei diz que dialogaria tranquilamente com um nazista e vangloria-se de sua capacidade de &#8216;</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/02/paises-impoem-diferentes-limites-entre-apologia-do-nazismo-e-liberdade-de-expressao.shtml"><span style="font-weight: 400;">dialogar</span></a><span style="font-weight: 400;">&#8216; com os ‘dois lados’, Roher comete a atrocidade de relativizar a fala, intercalando-a com mais um retrato heróico e imaculado. Quando sobem os créditos e cessa a tortura, apenas resta um pensamento: esse filme só poderia ser americano. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27382" aria-describedby="caption-attachment-27382" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27382" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys.jpg" alt="Cena do documentário Os Caras do Estreito, mostra 5 homens segurando uma bandeira em uma linha de trem. Está de dia e o redor é verde e arborizado, a bandeira é branca com círculo azul e triângulos amarelos. " width="2000" height="1126" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27382" class="wp-caption-text">O filme tem direção de Rick Minnich e roteiro assinado por ele ao lado de Matt Sweetwood (Foto: Torero Film)</figcaption></figure>
<p><b>Os Caras do Estreito (The Strait Guys, Rick Minnich, Alemanha/Finlândia/Canadá, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Os Caras do Estreito</span></i><span style="font-weight: 400;">, o diretor Rick Minnich quer fazer sua presença ser notada. Abrindo com uma explicação das intenções e particularidades de sua própria obra, o americano residente de Berlim conta que o projeto está localizado em um lugar próximo do coração, afinal, é uma encruzilhada que dura anos e anos. No documentário, acompanhamos um engenheiro idoso que tenta a todo custo colocar em prática o plano da construção de um túnel, a </span><a href="https://www.intercontinentalrailway.com/"><span style="font-weight: 400;">InterContinental Railway</span></a><span style="font-weight: 400;">, que conecte Alaska e Rússia. É um </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/49437-The-Strait-Guys"><span style="font-weight: 400;">sonho febril</span></a><span style="font-weight: 400;">, mesmo para a época em que foi desenhado pela primeira vez, quando Abraham Lincoln ainda respirava. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com as Guerras Mundiais e o embate soviético e norte-americano que as sucederam, o plano parecia cada vez mais pender para a ficção. Milhares de dólares são gastos, reuniões são agendadas e realizadas, viagens são marcadas e discursos, dados. No fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Caras do Estreito</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem tara em documentar o fracasso, em capturar homens brancos, bem-afortunados e mesquinhos tendo seus prazeres mais latentes negados. O passado é contrariado, mas a </span><a href="https://jcconcursos.com.br/noticia/brasil/guerra-na-ucrania-ja-causou-danos-de-100-bilhoes-de-dolares-entenda-92670"><span style="font-weight: 400;">invasão russa na Ucrânia</span></a><span style="font-weight: 400;"> é apenas mais um indicativo que a nação pouco se interessa em conectar suas terras às dos Estados Unidos. Agora, só falta alguém contar isso para a galera que realizou esse filme. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27383" aria-describedby="caption-attachment-27383" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27383" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto.jpg" alt="Cena em preto-e-branco do filme Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro, em que um homem negro, vestindo um terno e chapéu, olha para frente com atenção. Logo atrás dele, vê-se outros dois homens. Um deles manuseia uma câmera de filmagem antiga, e o outro, mais ao fundo, observa os dois." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27383" class="wp-caption-text">O documentário é composto por diversos trechos de diferentes obras de Oscar Micheaux, servindo também como uma ótima apresentação do cineasta a novos públicos (Foto: Quoiat Films)</figcaption></figure>
<p><b>Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro (Oscar Micheaux: The Superhero of Black Fimmaking, Francesco Zippel, Itália, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte da seleção do Festival de Cannes de 2021, </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro</span></i><span style="font-weight: 400;"> parte de uma tendência particular. Em um período como o que vivemos, em que </span><a href="https://personaunesp.com.br/watchmen-hbo-critica/"><span style="font-weight: 400;">obras ficcionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a </span><a href="https://personaunesp.com.br/lovecraft-country-critica/"><span style="font-weight: 400;">Televisão</span></a><span style="font-weight: 400;"> trouxeram à luz partes da história dos Estados Unidos que haviam sido apagadas na vida real, e documentários como </span><a href="https://personaunesp.com.br/summer-of-soul-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são reconhecidos por todas as premiações possíveis, o diretor Francesco Zippel dá atenção à carreira do </span><a href="https://www.memoriascinematograficas.com.br/2018/11/oscar-micheaux-o-primeiro-cineasta-negro.html"><span style="font-weight: 400;">primeiro cineasta negro</span></a><span style="font-weight: 400;"> das Américas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comparações com </span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><span style="font-weight: 400;">Spike Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Sam Pollard são constantes, entretanto, elas nunca têm o intuito de desmerecê-lo. Na verdade, o ponto é exatamente demonstrar como Micheaux influenciou as convenções do Cinema negro desde a sua base, mesmo que por vezes a indústria tenha o desmerecido ou encoberto seu legado. De </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-metodo-kominsky-3a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Morgan Freeman</span></a><span style="font-weight: 400;"> a Chuck D., diversas figuras importantes para a cultura negra dão sua contribuição e visão a respeito da obra do diretor, formando praticamente uma catarse e celebração coletiva à herança deixada por Micheaux.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Zippel mergulha nos aspectos mais intrigantes dos filmes de Micheaux, que construiu sua carreira no cinema mudo dos anos 20, quando filmes como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Nascimento de uma Nação</span></i> <a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151230_kkk_aniversario_tg"><span style="font-weight: 400;">ferviam o ódio racial</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos EUA. O papel dele nesse contexto foi pivotal, com sua cinematografia experimental e impetuosa, e suas narrativas disruptivas que, a partir de uma perspectiva subversiva, desafiavam tanto o racismo quanto as barreiras de linguagem da Sétima Arte. Lançado no 70º aniversário de Oscar Micheaux, Zippel o eterniza através de um documentário primordial e latente. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27384" aria-describedby="caption-attachment-27384" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27384" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio.jpg" alt="Cena do filme O Território. A imagem mostra uma pessoa dirigindo uma moto vermelha ao centro. Ela atravessa uma mata por uma trilha e algumas árvores ao redor estão pegando fogo." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27384" class="wp-caption-text">“O território é uma ilha de floresta cercada de fazendas” (Foto: National Geographic)</figcaption></figure>
<p><b>O Território (The Territory, Alex Pritz, Brasil/Dinamarca/Estados Unidos, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme de Alex Pritz era uma das </span><a href="https://agenciacenarium.com.br/coproduzido-por-indigenas-de-ro-filme-sobre-defesa-de-territorios-ganha-1a-exibicao-no-brasil-cinema-lotado-e-com-fila-de-espera/"><span style="font-weight: 400;">obras mais esperadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da seleção de 2022 do É Tudo Verdade. Vindo do Festival de Sundance, onde foi agraciado com o Prêmio do Público e com o Prêmio Especial do Júri e adquirido para a distribuição poderosa do </span><i><span style="font-weight: 400;">National Geographic</span></i><span style="font-weight: 400;">, o filme encontrou salas de cinema lotadas em São Paulo e o lugar de honra como obra de encerramento da 27ª edição do maior festival de Cinema documental do mundo. E depois de finalmente apreciá-lo, é entendido que nenhum aspecto dessa aclamação toda é em vão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O principal motivo, talvez, seja pela capacidade de compreensão do fato que deve estar no horizonte de quem se propõe a registrar a realidade: o debate ambiental e indígena passou de um mero assunto dentre tantos outros que acompanham a existência humana no mundo para ser agora uma questão de sobrevivência. Com essa consciência, o diretor se estabeleceu na Amazônia da tribo </span><a href="http://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/conflito/ro-terra-indigena-uru-eu-wau-wau-sofre-invasoes-desde-1980/"><span style="font-weight: 400;">Uru-eu-wau-wau</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os anos de 2018 e 2021, a fim de aproximar o espectador do conflito local, que se revela também, como todo bom brasileiro de 2022 já deve saber, como o embate de outras centenas de povos indígenas do país: a disputa por território e demarcação de terras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, as belas paisagens da fotografia que Alex Pritz divide com Tangãi Uru-eu-wau-wau (em apenas uma das instâncias do filme cujo crédito também vai para a tribo que o protagoniza) não relevam em momento algum a gravidade do debate de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Território</span></i><span style="font-weight: 400;">, que toma parte também das associações de agricultores e fazendeiros (a outra parte do embate pela terra), ambientalistas e lideranças indígenas. Tudo como forma de divulgar para o mundo uma das </span><a href="https://www.socioambiental.org/pt-br/blog/blog-do-monitoramento/conflitos-deflagram-urgencia-na-desintrusao-de-invasores-em-terras-indigenas"><span style="font-weight: 400;">maiores urgências</span></a><span style="font-weight: 400;"> do país que abriga o seu pulmão. E se o filme está fazendo isso junto do povo que vive essa realidade e essa luta em carne e osso, pelo menos um território está sendo garantido. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27385" aria-describedby="caption-attachment-27385" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27385" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar.jpg" alt="Cena do filme Quando Falta o Ar. A imagem mostra uma cabana de madeira, onde existe uma janela no lado esquerdo. Através dela, podemos observar uma mãe com uma criança no colo. Ela está esticando sua mão para fora da janela, em direção ao lado direito da imagem, a fim de alcançar uma profissional de saúde. Ela está do outro lado da imagem, apoiado na porta da cabana, usando roupas brancas que a cobrem da cabeça aos pés. Na madeira da cabana, existem traços de lodo." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27385" class="wp-caption-text">Premiado na categoria dos longas brasileiros, Quando Falta o Ar encontra fôlego para falar sobre a pandemia de covid-19 no Brasil (Foto: Clementina Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Quando Falta o Ar (Ana Petta e Helena Petta, Brasil, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">2022 não teve como fugir: o assunto principal ainda é </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,quando-falta-ar-acompanha-a-linha-de-frente-do-sus-no-pior-momento-da-pandemia,70004028843"><span style="font-weight: 400;">a pandemia</span></a><span style="font-weight: 400;">, como pontuou o Festival É Tudo Verdade ao premiar </span><i><span style="font-weight: 400;">Quando Falta o Ar</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a honraria máxima da seção dos longas-metragens brasileiros. No filme de Anna e Helena Petta, conhecemos de perto a realidade da linha de frente no combate à covid-19, através do cotidiano dos profissionais do maior sistema de saúde público do mundo que se estabelece num país desgovernado em plena crise sanitária mundial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diferença do filme em questão para todos os outros que se propõe a retratar esse contexto e suas particularidades locais, no entanto, é a sensibilidade das diretoras para com as sutilezas do dia a dia que revelam interseção complexa entre saúde, religiosidade, desigualdade, classismo e racismo que fundamentam </span><a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/pandemia-e-desigualdade-social-a-defesa-dos-vulneraveis-no-sistema-de-justica-05102020"><span style="font-weight: 400;">o Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> que conhecemos. Para o período sufocante que se mostrou um dos mais difíceis da nossa história recente, o documentário encontra fôlego para processar o que tentamos superar desde março de 2020. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27386" aria-describedby="caption-attachment-27386" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27386" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo.jpg" alt="Cena do filme Quem Tem Medo?. A imagem mostra uma cena da peça de teatro “O Evangelho Segundo Jesus”. O fundo é escuro, e a imagem é iluminada apenas por uma fileira de velas que aparece do centro em direção ao lado direito da imagem. No lado esquerdo, existe uma mulher de cabelos longos ondulados da qual podemos ver apenas o corpo, coberto por um vestido brilhoso prateado. A mão direita dela está sobre um caixão branco, do qual aparece apenas um pedaço, no canto esquerdo da imagem." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27386" class="wp-caption-text">Em imagens melancólicas e depoimentos amargos, Quem Tem Medo? busca interpretar a ascensão da extrema-direita no Brasil através da censura às artes (Foto: Multiverso)</figcaption></figure>
<p><b>Quem Tem Medo? (Ricardo Alves Jr., Dellani Lima e Henrique Zanoni, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas são as óticas para analisar a ascensão da extrema-direita no Brasil. Para Ricardo Alves Jr., Dellani Lima e Henrique Zanoni, a melhor delas é através da Arte. Desde 2017, as produções artísticas e demais manifestações culturais têm sido alvo de </span><a href="https://conexao.ufrj.br/2017/10/o-que-esta-por-tras-da-censura-a-arte-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">censura</span></a><span style="font-weight: 400;"> por parte das classes conservadoras do país, e quando Jair Bolsonaro assumiu a presidência em 2018, o movimento apenas se intensificou. Na trava do conflito entre a Arte e a Política, está a observação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Quem Tem Medo?</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para construir seu raciocínio, o documentário traz os testemunhos de diversos artistas que passaram se não por episódios diretos de censura, ameaças, repreensões, perseguições por seus trabalhos transgressores. Desviando do caminho incongruente de discutir os méritos das obras artísticas em si, o filme se dedica a procurar a raiz da repressão direitista, com a ajuda de registros documentais de algumas ações das instituições democráticas. Sem muito comprometimento com a obviedade das questões que levanta e com a amplitude de seu tema inicial, no entanto, a pergunta que fica é: </span><a href="https://jornal.usp.br/atualidades/censura-as-artes-nao-e-nova-na-historia-e-vai-alem-de-ditaduras/"><i><span style="font-weight: 400;">por que o medo?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27387" aria-describedby="caption-attachment-27387" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27387" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro.jpg" alt="Cena do documentário Retratos do Futuro. A imagem é em preto e branco e tem efeito granulado. A foto mostra um trecho de avenida em uma cidade suja e deserta. Existem escombros de madeira em toda a parte ao redor da rua. Ao centro, existe uma pessoa caminhando com equipamento de proteção sanitária, da qual pode-se enxergar apenas o contorno." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27387" class="wp-caption-text">Além de integrar a seleção do Festival É Tudo Verdade, a produção 100% independente de Retratos do Futuro também chegou ao Festival Internacional de Documentários de Amsterdam (IDFA) 2022 (Foto: Virna Molina)</figcaption></figure>
<p><b>Retratos do Futuro (Retratos del Futuro, Virna Molina, Argentina, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A realidade pode ser bem mais assustadora do que qualquer ficção, e </span><a href="https://vertentesdocinema.com/retratos-do-futuro/"><span style="font-weight: 400;">Virna Molina</span></a><span style="font-weight: 400;"> sabe bem disso. Em seu filme mais recente, a documentarista argentina teve de lidar com a mudança de planos que a pandemia de covid-19 impôs ao mundo, o que, na verdade, acabou significando de forma ainda mais profunda suas intenções com o documentário. Inicialmente, ela registrava a resistência das trabalhadoras de Buenos Aires, mas a propagação do (nem tão) novo coronavírus interrompeu as atividades do filme e a vida de algumas das suas protagonistas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, diante das circunstâncias postas em março de 2020, Molina viu o presente se concretizar a partir do que antes ela imaginava como uma espécie de futuro distópico. Tão abstrata quanto a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=23QfFgTjSC8"><span style="font-weight: 400;">reflexão filosófica</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ruma a obra denominada </span><i><span style="font-weight: 400;">Retratos do Futuro</span></i><span style="font-weight: 400;">, a leitura do filme passa a ser direcionada por uma digressão de Virna. Orientada por alguns registros prévios, outros pandêmicos, e muitos históricos, ela apresenta uma linguagem verbal e visual meticulosa para suas imagens em preto e branco, que concretiza um tom macabro e assustador ao filme. E por mais etéreas e sintéticas que as cenas possam parecer, tudo aquilo não passa nossa realidade. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27388" aria-describedby="caption-attachment-27388" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27388" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum.jpg" alt="Cena do filme Sinfonia de um Homem Comum. A imagem mostra um senhor branco de cabelos grisalhos sentado à frente de um piano. Ele está de perfil, virado para o lado esquerdo. Ele usa uma camisa azul clara e óculos marrom. O piano é preto e está numa sala. Ao fundo, em desfoque, existem móveis como cadeiras e quadros na parede. " width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27388" class="wp-caption-text">Menção honrosa da competição de longas brasileiros, Sinfonia de um Homem Comum traz a participação dos exs-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula (Foto: Coevos Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Sinfonia de um Homem Comum (José Joffily, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um homem que de comum não tem nada tocando uma sinfonia que não é dele. Contrariando todas as expectativas que suscita, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sinfonia de um Homem Comum</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta a história de José Maurício Bustani, o brasileiro que foi o primeiro diretor geral da </span><a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/10/organizacao-para-proibicao-das-armas-quimicas-ganha-nobel-da-paz.html#:~:text=A%20Opaq%20(Organiza%C3%A7%C3%A3o%20para%20a,os%20arsenais%20qu%C3%ADmicos%20pelo%20mundo."><span style="font-weight: 400;">OPAQ</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Organização para a Proibição de Armas Químicas). Em uma gestão firme com o objetivo da instituição e imparcial diante das influências externas, o período de sua liderança foi iniciado em 1997 e encerrado em 2002, pela pressão dos Estados Unidos, quando às vésperas da guerra no Iraque, Bustani identificou a inconsistência para a </span><a href="https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/invasao-americana-no-iraque.htm"><span style="font-weight: 400;">invasão</span></a><span style="font-weight: 400;"> da potência norte-americana no país do Oriente Médio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É, a premissa do filme nada tem a ver com a música, e esse elemento segue desconectado do resto da narrativa até o fim. Sua única inclusão na narrativa é como a atividade que ocupa o tempo da aposentadoria de Bustani, que 19 anos depois do fim de sua carreira na instituição, vê as mesmas situações acontecendo nas mesmas instituições. Assim, a referência passa a ser mais subjetiva, já que assim como as peças musicais, a história e atuação da humanidade no mundo se repetem em alguns aspectos &#8211; e esse acaba sendo o triunfo do filme de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XbptlEYasno"><span style="font-weight: 400;">José Joffily</span></a><span style="font-weight: 400;">, que recebeu menção honrosa dentre os selecionados para a competição de longas nacionais do É Tudo Verdade 2022. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27389" aria-describedby="caption-attachment-27389" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27389" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto.jpeg" alt="Cena do filme Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue, que mostra uma fotografia granulada em preto e branco de duas garotas. Uma permanece sentada e a outra se escora no corpo da outra menina, apoiando a cabeça com as mão direita." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27389" class="wp-caption-text">Produzido em colaboração com sua mãe, Claudie Hunzinger, o filme de Robin Hunzinger recebeu uma menção honrosa do Festival É Tudo Verdade na categoria Longas ou Médias-Metragens da Competição Internacional (Foto: ANA Films)</figcaption></figure>
<p><b>Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue (Ultraviolette et le Gang des Cracheuses de Sang, Robin Hunzinger, França, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma sensibilidade pujante na forma com que Robin Hunzinger grava simples fotografias. Os pequenos fragmentos de recordações perdidas em que ele foca persistentemente – imagens retiradas de um cofre trancado a sete chaves – parecem dispersos, borrados, fora do nosso alcance, arrancados de um passado jamais revisitado. Porém, ironicamente, ao mesmo tempo que observá-las parece à primeira vista inapropriado, aqueles documentos e escritos carregam consigo um sentimento de novidade e refrescância estreitamente conectada à </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-sex-lives-of-college-girls-critica/"><span style="font-weight: 400;">experiência da adolescência</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O recorte íntimo e pessoal de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue</span></i><span style="font-weight: 400;"> é essencial. A narrativa do documentário gira em torno das cartas, fotografias e relatos da falecida avó de Robin, Emma, a respeito de um relacionamento que ela cultivou na juventude com uma garota chamada Michelle. O que pode parecer somente uma relação de companheirismo, não demora a revelar-se como um romance adolescente, com direito a todas as suas peculiaridades. No entanto, a conexão é posta em perigo no momento em que Michelle </span><a href="https://redetb.org.br/historia-da-tuberculose/"><span style="font-weight: 400;">contrai tuberculose</span></a><span style="font-weight: 400;"> e é submetida a um sanatório, quando as duas passam a se comunicar somente por cartas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A garota, então, decide abraçar sua condição e transformar isso, junto a outras, em uma bandeira. A personalidade de Michelle, mesmo que limitada por poucas fotos, ecoa com potência por todo o longa, e a presença das Cuspidoras de Sangue personifica a rebeldia e visceralidade inerentes à </span><a href="https://personaunesp.com.br/montero-lil-nas-x-critica/"><span style="font-weight: 400;">vivência</span></a><span style="font-weight: 400;"> de pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, dando rosto a essas dores – corporificadas por lembranças materiais. A fotografia minimalista e inventiva consegue costurar majestosamente os dois temas e, no seu papel como mero observador, o diretor conclui, ao fim, que são apenas memórias que nos restam. Afinal, o que fazer com elas? Hunzinger decidiu transformá-las em Arte. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27390" aria-describedby="caption-attachment-27390" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27390" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira.jpg" alt="Cena do filme Vento na Fronteira. A imagem mostra um protesto indígena no Palácio do Planalto, em Brasília. Existem muitas pessoas espalhadas pelo gramado do local e uma fumaça branca preenche a imagem de fora a fora. Ao centro, existe um indígena caminhando em direção ao lado direito da imagem, segurando uma lança e usando um cocar. No lado esquerdo, existe uma outra pessoa carregando um caixão preto." width="1536" height="811" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-1024x541.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-768x406.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-1200x634.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27390" class="wp-caption-text">O longa Vento na Fronteira é parte da seção O Estado das Coisas, que abarca obras com viés jornalístico e informativo (Foto: Laboratório Cisco)</figcaption></figure>
<p><b>Vento na Fronteira (Mariana Weis e Laura Faerman, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a relação entre os povos indígenas com os produtores ruralistas gera um dos conflitos mais urgentes nas cinco regiões do nosso país, tudo se intensifica no lugar que abriga o coração do agronegócio brasileiro. Colocando suas câmeras na região da violenta fronteira do </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2021/10/entenda-onda-de-violencia-que-impoe-medo-na-fronteira-do-brasil-com-o-paraguai.shtml"><span style="font-weight: 400;">Brasil com o Paraguai</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mariana Weis e Laura Faerman capturam a dinâmica de crescimento e exercício de força da política ruralista, fortalecida pelo governo Jair Bolsonaro, ao mesmo tempo em que observam a insurgência das lideranças indígenas em sua luta pela terra, pelo seu povo e pela natureza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vento na Fronteira</span></i><span style="font-weight: 400;"> existe em meio aos extremos, mas a câmera próxima das diretoras, por sua vez, faz dessa característica um dos pontos altos do filme: adentrando desde os espaços íntimos de mobilização do povo </span><a href="https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Guarani_Kaiow%C3%A1"><span style="font-weight: 400;">Guarani-Kaiowá</span></a><span style="font-weight: 400;"> até as discussões estratégias dos grupos ruralistas, o documentário subverte uma linguagem que inicialmente poderia sugerir uma falsa neutralidade para destacar as intenções e interesses dos lados em disputa. Numa boa contemplação do óbvio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vento na Fronteira</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe de qual lado está. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2022/">As realidades do 27º Festival É Tudo Verdade</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Seremos sempre incapazes de ouvir os gritos de Listen?</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Nov 2021 16:38:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathália Mendes Limpe bem seus ouvidos para assistir o drama português Listen exibido na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Nele, a surdez nada tem a ver com a falta de audição, mas com a racional ignorância daqueles que ouvem muito bem. No longa escrito e dirigido por Ana Rocha Sousa, um casal &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/listen-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Seremos sempre incapazes de ouvir os gritos de Listen?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24307" aria-describedby="caption-attachment-24307" style="width: 1152px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24307" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3.png" alt="Cena do filme Listen. Na imagem, há uma mulher e um homem sentados com uma cadeira separando os dois. Na esquerda, a mulher está sentada olhando para o lado com uma expressão de ligeira aflição; ela é branca de cabelos loiros e usa uma blusa lilás e segura um casaco roxo entre as mãos que estão entrelaçadas em cima das pernas. No canto direito, o homem também olha para o lado com atenção; ele é branco com cabelos castanhos e barba branca por fazer, usa uma camiseta azul com jaqueta verde muito desgastada por cima, uma calça cinza e segura um lápis e um papel para anotar em cima das pernas. A cadeira que os separa é em madeira clara e estofado bege. O fundo é uma parede com a metade de cima em papel de parede azul e folhagens claras, e a parte de baixo é de madeira listrada branca." width="1152" height="662" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3.png 1152w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-800x460.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-1024x588.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-768x441.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24307" class="wp-caption-text">Uma família de imigrantes sofre silenciosamente na luta contra a Segurança Social britânica em Listen, filme exibido na seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><b>Nathália Mendes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Limpe bem seus ouvidos para assistir o drama português </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hR7jyodiFQM"><i><span style="font-weight: 400;">Listen</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> exibido na 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo. Nele, a surdez nada tem a ver com a falta de audição, mas com a racional ignorância daqueles que ouvem muito bem. No longa escrito e dirigido por Ana Rocha Sousa, um casal de imigrantes portugueses tenta criar três filhos, sendo a do meio uma menina surda, e sobrevivendo de subempregos em uma dura Londres, até que o Serviço Social britânico tira as crianças de casa. É por esse duro retrato familiar que o longa pauta a silenciosa adoção forçada na Inglaterra.</span></p>
<p><span id="more-24306"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Listen</span></i><span style="font-weight: 400;"> estreou no </span><a href="https://www.magazine-hd.com/apps/wp/77o-festival-de-veneza-listen/"><span style="font-weight: 400;">77º Festival de Veneza</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2020 pela seção Horizontes com a sua coragem em narrar um assunto real em 3 línguas diferentes. No entanto, mesmo que o trabalho de Ana Rocha tenha sido recompensado com o grande prêmio de </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/noticias/festival-de-veneza-2020-nomadland-vence-o-leao-de-ouro-confira-todos-os-premiados/"><span style="font-weight: 400;">Leão do Futuro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o Prêmio Especial do Júri, seu filme </span><a href="https://c7nema.net/producoes/item/91754-listen-fora-dos-oscars.html"><span style="font-weight: 400;">foi vetado</span></a><span style="font-weight: 400;"> para concorrer ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Filme Internacional em 2021 por não ter mais da metade de diálogo em idiomas diferentes do inglês. Sem surpresas, dentro e fora do Cinema a língua de sinais não é bem-vinda, mesmo com uma personagem e sua atriz sendo surdas &#8211; e muito </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-43285229"><span style="font-weight: 400;">bem premiadas</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24308" aria-describedby="caption-attachment-24308" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24308" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1.jpg" alt="Cena do filme Listen. Na imagem há duas crianças escondidas ao lado de um guarda-roupa. Um menino mais alto, branco de cabelos castanhos cacheados, usando óculos, camisa branca com gravata cinza e suéter preto por cima, que está atrás da irmã menor e encara com raiva. A menina menor está à frente do irmão e grudada na lateral do armário, ela é branca de cabelos loiros, usa camisa azul e suéter cinza por cima; seu rosto está metade escondido pelo guarda-roupa e sua mão esquerda segura nele. Do lado esquerdo está o guarda-roupa de madeira marrom com manchas de desgaste, e o fundo do lado direito é uma quina da parede de um lado azul e do outro com um papel de parede de dinossauros." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24308" class="wp-caption-text">Maisie Sly, que vive a personagem surda Lu em Listen, é uma atriz também surda que protagonizou o filme The Silent Child, ganhador do Oscar 2018 de Melhor Curta-Metragem (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que você faria se fosse um imigrante, morando no subúrbio de outro país e o Serviço Social arrebentasse sua porta e levasse seus filhos sob a alegação de que você os machuca fisicamente? Essa é a situação que o casal Bela (Lúcia Moniz) e Jota (Ruben Garcia) se encontram. Ambos haviam recorrido anteriormente ao Estado britânico como a saída para seus problemas financeiros. Mas eles jamais imaginariam que teriam seus filhos arrancados de casa e colocados </span><a href="https://www.sundayguardianlive.com/lifestyle/12668-uk-forced-adoptions-are-backed-big-money"><span style="font-weight: 400;">à força no sistema de adoção</span></a><span style="font-weight: 400;"> sob a alegação de violência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que toda a trama seja extremamente delicada e real ao que acontece na Inglaterra, a montagem fixa demais e o apelo emocional de um público específico são fatores que </span><a href="https://www.screendaily.com/reviews/listen-venice-review/5152697.article"><span style="font-weight: 400;">minam um pedaço</span></a><span style="font-weight: 400;"> do sucesso de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Listen</span></i><span style="font-weight: 400;">. E isso é tão verídico que, como parte do roteiro, há uma quantidade enorme de vezes em que os personagens circundam o casal dizendo que </span><i><span style="font-weight: 400;">“os entendem”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Não. Ninguém os entende. Todos somos filhos, mas nem todos temos filhos, e por mais que sejamos capazes de sentir empatia, a dor que Bela e Jota mostram &#8211; com uma bela atuação de seus atores &#8211; é o cerne da sensibilidade do longa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de pautar essa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-Hq30osekas"><span style="font-weight: 400;">realidade assustadora</span></a><span style="font-weight: 400;">, a diretora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Listen</span></i><span style="font-weight: 400;"> criou uma construção essencial através da surdez de Lu (Maisie Sly) para pautar a ignorância da sociedade. Já dentro do sistema de adoção, ninguém se comunicava com Lu, e durante uma das visitas que o casal faz aos filhos, o longa desenhou &#8211; em uma de suas melhores e mais nauseantes cenas &#8211; o desprezo pela única forma que a menina possuía em se comunicar com o mundo: a linguagem de sinais. No trecho em questão, o agente que supervisionava a família grita a plenos pulmões contra suas falas em português ou em sinais. A alegação era de que poderiam ser mensagens secretas para as crianças, mas o incômodo do homem se assemelhava à repugnância. </span></p>
<figure id="attachment_24309" aria-describedby="caption-attachment-24309" style="width: 1053px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24309" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2.jpg" alt="Cena do filme Listen. Na imagem há uma mulher abraçada com sua filha no centro, e ao fundo, em desfoque, um policial vigiando-as. A mulher é branca e de cabelos loiros, usa uma blusa de mangas compridas caramelo, está segurando firme a filha que está atrás dela pelo braço, mostrando uma proteção, e sua expressão é de pânico e raiva. A menina é branca, está com o rosto escondido atrás da mãe, é loira e usa uma camiseta azul clara. Ao fundo, o policial está de uniforme preto." width="1053" height="702" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2.jpg 1053w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24309" class="wp-caption-text">Ana Rocha Sousa precisou de muita pesquisa para encontrar as informações de como o sistema de adoção forçada funcionava na Inglaterra e quantas histórias estavam escondidas debaixo dos panos (Foto: Bando à Parte)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais um paralelo interessante foi criado para mostrar a comoção do outro diante de uma situação tão reprovável quanto tirar crianças à força de suas casas. Isso foi feito através de 3 personagens do Serviço Social: um agente completamente ordinário que reprova a família, uma outra em cima do muro entre seguir seu trabalho e sentir dó de Bela, e uma ex-agente e advogada que ajuda a família secretamente. Assim, o longa mostra como as pessoas que estão inseridas em </span><a href="https://www.connexionfrance.com/Practical/Family/uk-forced-adoption-policy-punishes-parents-who-have-committed-no-crime-campaigner-says"><span style="font-weight: 400;">sistemas desumanos</span></a><span style="font-weight: 400;"> possuem ouvidos que captam tudo, mas nem todos optam por escutar a dor de uma família destroçada. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Ela tem culpa, ela conhece o sistema, ela sabe como funciona. Todo mundo sabe”</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi a última fala de Bela, uma mãe que chega exausta ao final do filme por lutar tanto. Ela consegue Lu de volta, pois ninguém aceitou adotá-la pela surdez, e o filho mais velho Diego (James Felner) que havia fugido, mas perde sua bebê de 1 ano para o sistema de adoção britânico, que legalmente não desfaz adoções &#8211; ainda mais aquelas que foram, na verdade, crianças roubadas pelo próprio Estado. E trajando essa dura consciência, </span><i><span style="font-weight: 400;">Listen</span></i><span style="font-weight: 400;"> depositou toda sua bela simplicidade na </span><a href="https://mostraplay.mostra.org/film/listen/"><span style="font-weight: 400;">45ª Mostra de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A força que essa família exibiu ao lutar pelo que tinham de mais valioso expôs a gravidade de múltiplas realidades sufocantes, da adoção forçada ao isolamento de quem se comunica pelas mãos. Através de cenas muito particulares e com imagens detalhistas de seus personagens, nos aproximamos do sofrimento advindo de uma situação tão específica, alarmante e silenciosa. Como dito por </span><a href="https://variety.com/2020/film/global/venice-film-festival-ana-rocha-listen-1234761791/"><span style="font-weight: 400;">Ana Rocha Sousa</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">“A vida não é feita de palavras”</span></i><span style="font-weight: 400;">, e nem as mais fortes gritadas com todo o poderio das cordas vocais podem mudar o mundo. Mas talvez, quem sabe, os sinais.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Listen - Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/hR7jyodiFQM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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