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	<title>Arquivos Nova York &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Mesmo 35 anos depois, Harry e Sally: Feitos um para o Outro continua impecável</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Dec 2024 17:14:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Rafael Gomes  Harry e Sally: Feitos Um para o Outro estreou em Julho de 1989 mundialmente. No Brasil, o filme demorou mais alguns meses para ser lançado, em Dezembro de 1989. O longa abriu as portas para a Comédia romântica em Hollywood na década de 1990, voltando a cativar o grande público através de títulos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/aniversario-35-anos-harry-e-sally-feitos-um-para-o-outro/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mesmo 35 anos depois, Harry e Sally: Feitos um para o Outro continua impecável"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34616" aria-describedby="caption-attachment-34616" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-34616 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-1-800x450.png" alt="Cena do filme Harry e Sally : Feitos um para o outro , na imagem temos duas pessoas sentadas lado a lado, a esquerda, temos Harry, um homem com cabelo curto que utiliza um suéter preto sobre uma camisa azul claro com gravata. Ele olha para a mulher ao lado essa mulher é Sally, que possui cabelos loiros e cacheados, usando uma blusa branca de mangas compridas cruzadas no peito. Eles parecem estar em um momento de conversa descontraída, com expressões amigáveis e olhares carinhosos. O fundo tem um papel de parede suave, sugerindo um ambiente aconchegante." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-1.png 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34616" class="wp-caption-text">Harry e Sally: Feitos um para o Outro foi o filme que moldou a fórmula de sucesso das comédias românticas das décadas de 1990 e 2000 (Foto: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Rafael Gomes</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Harry e Sally: Feitos Um para o Outro</span></i><span style="font-weight: 400;"> estreou em Julho de 1989 mundialmente. No Brasil, o filme demorou mais alguns meses para ser lançado, em Dezembro de 1989. O longa abriu as portas para a Comédia romântica em Hollywood na década de 1990, voltando a cativar o grande público através de títulos de enorme sucesso como: </span><i><span style="font-weight: 400;">Sintonia de Amor</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Quatro Casamentos e Um Funeral</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-lugar-chamado-notting-hill-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Um lugar chamado Notting Hill</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> e O Casamento do Meu Melhor Amigo</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;">Na contramão do gênero, </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry e Sally</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra que o amor de verdade é sempre imperfeito, sendo necessário uma boa dose de tolerância para encontrar o par ideal.</span></p>
<p><span id="more-34607"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A inspiração dos personagens foi do diretor Rob Reiner, do produtor Andy Schinman e da escritora Nora Ephron. Harry e Sally representam os opostos idealizados entre homens e mulheres, produtos que ganharam forma e história. A ideia deles era outro projeto, porém, a conversas do trio derivou para relacionamentos e todos estavam rindo com as situações vistas sob óticas opostas. Reiner chegou até comentar em entrevista à </span><i><span style="font-weight: 400;">CNN</span></i><span style="font-weight: 400;"> que o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XtgPNQCJQHc"><span style="font-weight: 400;">final do filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> seria bastante diferente, porém, em uma reviravolta amorosa em sua vida pessoal, tivemos um final feliz.</span></p>
<figure id="attachment_34615" aria-describedby="caption-attachment-34615" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34615" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-2-800x450.png" alt="Cena do filme Harry e Sally , com duas pessoas em uma loja de eletrodomésticos. A esquerda temos Sally, uma mulher com cabelo loiro e ondulado, ela está segurando um microfone e um papel na mão,parecia estar cantando ou falando. Ela veste uma blusa branca de manga comprida e tem uma bolsa preta à tiracolo. Ao lado dela temos Harry, um homem de cabelo curto que está com uma expressão de surpresa ou confusa, ele veste uma camisa de flanela xadrez em tons de azul. O fundo é de uma loja de eletrodomésticos, com pessoas ao fundo e itens expostos" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-2.png 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34615" class="wp-caption-text">A química do casal está na amizade dos personagens; eles se conhecem tão bem que ambos sabem todos os seus defeitos (Foto: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor conta que sempre quis fazer um filme sobre duas pessoas que se tornam amigas e não fazem sexo, justamente porque sabem que isso vai mudar o relacionamento deles, Só que acabam transando do mesmo jeito. Ephron, que vinha de bons roteiros (</span><i><span style="font-weight: 400;">Silkwood &#8211; O Retrato de uma Coragem </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Difícil Arte de Amar</span></i><span style="font-weight: 400;">), topou o desafio. A história de </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry e Sally: Feitos um para o Outro</span></i><span style="font-weight: 400;"> é simples: Sally e Harry se conheceram em 1977 em uma viagem para Nova York, voltando a se esbarrar após um período de 12 anos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro de Nora Ephron surpreende pela forma que os dois protagonistas constroem as suas relações, quebrando clichês da Comédia romântica; como um romance que o destino uniu, um encontro de alma gêmea ou pessoas que combinam. Ephron nos apresentou pessoas completamente diferentes. Na sequência inicial do longa, Harry e Sally destoam completamente, a música </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BXmEJL1mnuU"><i><span style="font-weight: 400;">It Had To Be You</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> toca nos minutos iniciais para comentar a falsa incompatibilidade dos dois, a música retornaria ao final do filme com outro significado, na mensagem de que os opostos se atraem.</span></p>
<figure id="attachment_34614" aria-describedby="caption-attachment-34614" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34614" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-4-800x450.png" alt="Cena de Harry e Sally : Feitos um para o outro mostra duas pessoas conversando em um parque durante o outono. A esquerda, temos uma mulher, Sally, vestida com um chapéu cinza, casaco cinza claro e calça larga, com uma bolsa pendurada no ombro. Já a direita, temos um homem o Harry, que usa uma jaqueta marrom e calças escuras. Ambos estão cercados por árvores com folhas alaranjadas e amarelas, e o chão está coberto por uma camada de folhas caídas. Ao lado deles, há um banco de parque e um poste de luz antigo, criando uma atmosfera de outono" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-4-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-4-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-4.png 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34614" class="wp-caption-text">Nova York é um personagem à parte na história do filme, aparecendo sempre com cores quentes quando Harry e Sally estão juntos em cena, já quando Harry está sozinho, mostra-se um lado mais solitário da cidade (Foto: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema/a-saga-dos-titulos-de-filmes-como-sao-traduzidos-para-o-brasil"><span style="font-weight: 400;">título do filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry e Sally: Feitos Um para o Outro</span></i><span style="font-weight: 400;"> é horrível. Harry não é feito para Sally e vice-versa. No começo do longa, ambos personagens estão na casa dos 20 anos, com personalidades completamente contraditórias. Harry era considerado um cara mais astuto do que de fato é e Sally tem um senso de inocência que se opõe à prepotência do protagonista. É após dois encontros ocasionados pelo destino que ambos se aproximam. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O período de 12 anos em que se passa o filme desde o primeiro encontro dos dois, a sensação de tempo passado e intimidade no relacionamento se deve a grande direção de Rob Reiner, somado com um excelente trabalho de montagem do longa, bem dinâmica, em que temos os protagonistas passando por museus, parques e restaurantes, gerando um acumulado de experiências e tornando crível o sentimento entre o casal. </span><a href="https://www.untappedcities.com/when-harry-met-sally-nyc-film-locations-35-years-later/"><span style="font-weight: 400;">Nova York</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma parte essencial de </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry e Sally</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cidade é retratada com as cores quentes, mesmo em estações mais geladas, demonstrando o sentimento de calor dos protagonistas, mas também é solitária, nos momentos íntimos dos protagonistas.</span></p>
<figure id="attachment_34613" aria-describedby="caption-attachment-34613" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34613" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-5-800x533.png" alt="Harry e Sally estão agachadas lado a lado em um ambiente interno iluminado pela luz natural. Sally, mulher à esquerda, tem cabelos loiros ondulados e está usando um suéter vermelho, segurando uma garrafa de água. Harry, à direita, tem cabelo curto e barba, vestindo um suéter de lã branco e tênis brancos. Ambos olham para frente, com expressão pensativa. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-5-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-5-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-5-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-5.png 1170w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34613" class="wp-caption-text">Harry e Sally mostra como a base de um grande relacionamento se dá através da amizade entre o casal (Foto: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme conta com passagens de tempo e momentos chaves da história, em que aparecem casais de ‘velhinhos’ que contam como se conheceram e se uniram, no estilo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lzi2G68CMiE"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;">. Esses amores de outros tempos são a constatação estruturante para o enredo, em que cada casal tem sua própria história, sendo a singularidade no amor, o diferencial de um casal do outro. Nós já sabemos que ambos irão ficar juntos, mas o que importa é a trajetória que irá conduzi-los.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro traz Harry e Sally conversando sobre temas não convencionais do romance tradicional, como trabalho, Cinema e relações passadas, reforçando a ideia de confiança mútua que um tem com o outro. A construção dessa relação culmina em um clímax em que os protagonistas percebem, depois de diversas decepções amorosas, como eles se encaixam perfeitamente, apesar das diferenças. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Q9JSVGS4dHU"><span style="font-weight: 400;">fala final de Sally</span></a><span style="font-weight: 400;"> não é o tradicional “</span><i><span style="font-weight: 400;">eu te amo</span></i><span style="font-weight: 400;">”, mas sim um carinhoso “</span><i><span style="font-weight: 400;">eu te odeio</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Isso porque ela realmente o odeia, visto que conhece todas as facetas de Harry, assim como Harry conhece todas as manias dela, como a demora ao pedir um lanche. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nesse amplo conhecimento de um com o outro que se permite o surgimento de amor e também a descoberta de defeitos. A relação de ambos tem o seu charme pelo sentimento de amor não surgir de paixões proibidas ou à primeira vista. O filme acredita que a </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/maioria-dos-relacionamentos-amorosos-comeca-como-amizades-apontam-estudos/"><span style="font-weight: 400;">base de uma grande relação</span></a><span style="font-weight: 400;"> está na amizade. Harry, no começo, acredita que não é possível homens e mulheres terem uma relação assim, pois a atração, em algum momento, irá atrapalhar. Esse dilema dá o desenrolar da história. </span></p>
<figure id="attachment_34612" aria-describedby="caption-attachment-34612" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34612" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-6-800x600.png" alt="Em uma cena do filme “Harry e Sally” há uma multidão de pessoas em uma festa, onde confetes e balões enfeitam o ambiente. No centro da imagem, há Harry homem e Sally uma mulher e estão dançando juntos, sorrindo um para o outro. Harry tem cabelo curto e usa uma jaqueta clara, enquanto Sally tem cabelos loiros cacheados e veste uma roupa elegante. Ao redor deles, outros casais dançam e se abraçam, em clima de celebração e alegria. A cena é cheia de cores vibrantes e expressões felizes" width="800" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-6-800x600.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-6-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-6-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-6-1536x1152.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-6-1200x900.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-6.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34612" class="wp-caption-text">Harry e Sally juntos em um final que, posteriormente, se tornou clássico nos filmes de Comédia romântica (Foto: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sally representa muito o que Nora Ephron pensava como mulher, não à toa, </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/longe-do-cinema-meg-ryan-completa-60-anos-relembre-seus-filmes/"><span style="font-weight: 400;">Meg Ryan</span></a><span style="font-weight: 400;"> estrelou diversos outros filmes de Ephron. Rob Reiner havia o pessimismo de Harry, assim como o humor do protagonista. Durante a produção do roteiro, que começou em 1984, Reiner lançou dois filmes que fizeram enorme sucesso, o clássico da sessão da tarde </span><i><span style="font-weight: 400;">Conta Comigo</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1986) e o excelente </span><i><span style="font-weight: 400;">A Princesa Prometida</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1987). O filme poderia ser muito diferente, diversos atores recusaram os papéis de Harry, como por exemplo, Tom Hanks, Richard Dreyfuss e Michael Keaton, no final, o escolhido foi Billy Crystal. Já pelo lado de Sally, recusaram as atrizes Molly Ringwald e Elizabeth Perkins, deixando o papel para Ryan.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme conta com momentos que entraram para a história do Cinema, como por exemplo a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6pQgbEEFPq0"><span style="font-weight: 400;">cena da lanchonete</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde Harry acredita que não é possível fingir um orgasmo e Sally começa a fingir no meio da lanchonete. Essa cena é uma das mais famosas não só do gênero de comédias românticas, mas em geral. Outro momento marcante é a declaração de Harry para Sally na celebração de ano novo, em que o personagem sai correndo atrás dela, proferindo uma das falas mais clássicas: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quando você percebe que quer passar o tempo com uma pessoa, você quer que esse tempo comece o mais rápido possível”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Harry e Sally</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre aparece em listas dos melhores filmes já feitos. A proposta original era manter ambos como amigos, porém, decidiram ir para um resultado menos realista, colocando “</span><i><span style="font-weight: 400;">felizes e neuróticos para sempre”</span></i><span style="font-weight: 400;">, se tornando uma alternativa nas comédias românticas desde então. O longa foi indicado ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kT6QnJLxWxw&amp;list=PLJ8RjvesnvDPs8Hps1ARYA5DBdT-UEyEz&amp;index=23"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor roteiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e abriu caminho para Nora Ephron se reinventar como diretora de Cinema, produzindo clássicos da Comédia romântica, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Sintonia de Amor</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1993) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Mensagem para Você </span></i><span style="font-weight: 400;">(1998). </span></p>
<figure id="attachment_34611" aria-describedby="caption-attachment-34611" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34611" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-7-800x450.png" alt="um homem e uma mulher estão parados próximos a um carro amarelo. A à esquerda está a mulher, Sally, tem cabelos loiros ondulados e veste uma blusa azul sobre uma camisa clara. Ela está com as mãos nos quadris, parecendo falar com Harry. homem, à direita, tem cabelo curto escuro e veste um moletom cinza. Ele segura um bastão e uma sacola em uma das mãos, e parece estar ouvindo a mulher. No carro, há um adesivo com as palavras &quot;University of Chicago&quot;.]" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-7-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-7-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-7-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-7-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-7-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/harry-7.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34611" class="wp-caption-text">O sucesso de Harry e Sally também está em como ele lida com o tempo, o desenvolvimento gradual da amizade e o crescimento dos personagens de forma incrível (Foto: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O impacto cultural do filme pode ser sentido em diversas produções cinematográficas da década de 1990 e começo de 2000, porém, atualmente, ainda há exemplos de influência desse clássico. Um deles é a série do </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+ </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/ted-lasso-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ted Lasso</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – onde há diversas referências ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Rom-Communism</span></i><span style="font-weight: 400;">, principalmente no quinto episódio da segunda temporada, com diversas homenagens aos filmes de Nora Ephron –, mas também na relação entre dois personagens, Ted e Rebecca, provando que a tese de Harry está errada; homens e mulheres podem ser apenas amigos. Mesmo após 35 anos do lançamento, continua um ‘filmaço’, seu ritmo é perfeito, o humor ainda funciona e a história de ambos com todos seus encontros e desencontros dão charme ao longa, fazendo com que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=imf92LMQKJQ"><i><span style="font-weight: 400;">Harry e Sally</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">seja lembrado e reverenciado como um dos melhores do gênero. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=imf92LMQKJQ"><span style="font-weight: 400;"> </span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/aniversario-35-anos-harry-e-sally-feitos-um-para-o-outro/">Mesmo 35 anos depois, Harry e Sally: Feitos um para o Outro continua impecável</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Depois de 20 anos, Homem-Aranha 2 continua um novelão melodramático</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Sep 2024 16:57:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo É muito difícil falar algo novo de Homem-Aranha 2 (2004) vinte anos depois de seu lançamento. Todo mundo já teceu algum comentário: sobre ele ser a adaptação definitiva de um quadrinho de super-herói, sobre suas cenas de ação de tirar o fôlego ou do enredo espetacular. De tudo já dito a respeito, pouco &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/homem-aranha-2-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Depois de 20 anos, Homem-Aranha 2 continua um novelão melodramático"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34029" aria-describedby="caption-attachment-34029" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-34029 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-4-800x333.jpg" alt="Cena do filme Homem-Aranha 2Na imagem, estão penduradas com cabides em uma barra de aço, o uniforme do Homem-Aranha e um terno com gravata, no meio dos dois há um cabide vazio. O uniforme está do lado esquerdo, ele é vermelho, mas possui detalhes em azul na parte inferior do braço e antebraço e também nas costelas. Ele possui uma aranha prateada no peito e teias em alto relevo por toda roupa. O terno é na cor azul. O armário é todo branco e tem aspecto de velho, no canto direito há uma luminária acesa apontada para cima" width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-4-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-4-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-4-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-4-1200x500.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-4.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34029" class="wp-caption-text">Homem-Aranha 2 teve uma versão estendida lançada para DVD em 2007, chamada de Homem-Aranha 2.1, com oito minutos a mais que a versão de cinema (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É muito difícil falar algo novo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2 </span></i><span style="font-weight: 400;">(2004) vinte anos depois de seu lançamento. Todo mundo já teceu algum comentário: sobre ele ser a adaptação definitiva de um quadrinho de super-herói, sobre suas cenas de ação de tirar o fôlego ou do enredo espetacular. De tudo já dito a respeito, pouco se fala – principalmente no meio </span><i><span style="font-weight: 400;">nerd</span></i><span style="font-weight: 400;">, que foca apenas em fidelidade para com a obra original – do melodrama. Para comemorar as duas décadas do filme que marcou e ainda marca gerações, ligue a Televisão e lembre-se do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/novela/"><span style="font-weight: 400;">horário das nove</span></a><span style="font-weight: 400;">, porque a sequência de </span><a href="https://personaunesp.com.br/doutor-estranho-no-multiverso-da-loucura-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sam Raimi</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um ‘novelão’.</span></p>
<p><span id="more-34019"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, é imprescindível falar sobre o responsável pela produção. Sam Raimi é um diretor muito autoral, é fácil identificar seus trejeitos e estilos desde seu primeiro longa lá no distante ano de 1981, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Demônio</span></i><span style="font-weight: 400;">, com os </span><i><span style="font-weight: 400;">close-up</span></i><span style="font-weight: 400;">, câmera hiperativa e as longas sequências com poucos cortes. Na década de 1990, ele experimentou um pouco de tudo: um herói trágico com estética </span><i><span style="font-weight: 400;">noir </span></i><span style="font-weight: 400;">em </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-darkman-vinganca-sem-rosto/"><i><span style="font-weight: 400;">Darkman &#8211; Vingança sem Rosto</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1990); </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Plano Simples </span></i><span style="font-weight: 400;">(1998), um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> inquieto e silencioso; dirigiu um romance em </span><i><span style="font-weight: 400;">Por Amor </span></i><span style="font-weight: 400;">(1999) e, até mesmo, desbravou as terras do Velho Oeste com o </span><i><span style="font-weight: 400;">bang-bang Rápida e Mortal</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1995. Como consequência, a trilogia do Homem-Aranha, idealizada por Raimi, acaba sendo uma somatória de tudo que ele já havia feito antes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, em 2002, depois de </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2023/morte-do-demonio-filme-experimental-se-tornou-classico-horror.html"><span style="font-weight: 400;">tantos esforços</span></a><span style="font-weight: 400;"> para fazer filmes, Sam Raimi foi chamado para comandar o primeiro grande </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400;"> do aracnídeo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;"> – o seu herói favorito desde a infância. Com orçamento e equipes maiores, o autor fez de </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranha-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">daquele mesmo ano, um belo retrato de Nova York. Os becos do município – espaços estreitos e normalmente sujos – são lugares para o amor, o tesão, a descoberta, o luto e o amadurecimento. São vias de transformação: Peter Parker (</span><a href="https://personaunesp.com.br/babilonia-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tobey Maguire</span></a><span style="font-weight: 400;">) passa por várias etapas da vida em vielas, o que mostra como a cidade é viva e presente. O peso entre a metrópole nova-iorquina e sua população ficou mais sensível depois dos ataques às Torres Gêmeas em 11 de Setembro de 2001. Por isso, ver um herói que veste as cores da bandeira americana cuidando do povo foi catártico.</span></p>
<figure id="attachment_34027" aria-describedby="caption-attachment-34027" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34027" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-800x333.jpg" alt="Cena do filme Homem-Aranha 2 Na imagem, vemos em primeiro plano no canto inferior direito uma lixeira cor prata, dentro dela está a fantasia do Homem-Aranha, saindo para fora da lata, e com a máscara de cabeça para baixo. O uniforme é na cor vermelha, com lentes prateadas no rosto, assim como uma aranha no peito e teias em relevo por toda roupa. Em segundo plano está o personagem Peter Parker, no escuro, desfocado e de costas, indo embora. O cenário é um beco e está de noite." width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-1200x500.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34027" class="wp-caption-text">O longa é uma adaptação de Spider-Man: No More!, quadrinho escrito por Stan Lee e ilustrado por John Romita (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contrastando com a mansão de seu melhor amigo, Harry Osborn (</span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/james-franco-volta-telas-4-anos-apos-acusacoes-de-assedio-sexual/"><span style="font-weight: 400;">James Franco</span></a><span style="font-weight: 400;">), o público acaba frequentando pouco a residência. Raimi sempre filma ela de longe e nunca a encaixa inteira na câmera – diferentemente da casa de Peter que, em um quadro, já podemos vê-la por completo. Os objetos em cena, como máscaras tribais, quadros e assentos caros afastam a família Osborn do espectador, e o aproximam da simplicidade dos Parker. O cineasta registra as diferenças de classe através das imagens, afinal, Cinema é uma Arte Visual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir disso, cria-se um personagem mais verossímil, que mora em bairros comuns e frequenta ambientes relacionáveis. Nos extras do DVD de </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha </span></i><span style="font-weight: 400;">(2002), o diretor de arte Neil Spisak conta que a ideia era realmente fazer da cidade um personagem, diferentemente das fictícias </span><a href="https://personaunesp.com.br/titas-3a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Gotham</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/batman-x-superman-licao-umberto-eco-sobre-mitos-contemporaneos/"><i><span style="font-weight: 400;">Metrópolis</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O Cabeça de Teia acaba por ser um ótimo herói para isso, porque além da intenção de filmar os lugares em comum da cidade, a produção quis levar os nova-iorquinos para regiões inacessíveis, como o pico de um prédio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa perpetra seu protagonista como fruto da cidade e concentra elementos humanos no filme todo, tais como: ciúmes, ausência de dinheiro, escola, figuras paternas e “</span><i><span style="font-weight: 400;">como toda história que se preze, é sobre uma garota</span></i><span style="font-weight: 400;">”, cita Peter Parker (Tobey Maguire) </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XZKmcG5K9lo"><span style="font-weight: 400;">em sua primeira fala</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com todo material-base estabelecido, qual era o caminho para </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2</span></i><span style="font-weight: 400;">? Sam Raimi responde: o melodrama.</span></p>
<figure id="attachment_34022" aria-describedby="caption-attachment-34022" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34022" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image6-800x450.png" alt="Cena do filme Homem-Aranha 2Na imagem, estão em primeiro plano os personagens Mary Jane e Peter Parker se beijando na boca. Mary Jane está do lado esquerdo com as mãos no rosto de Peter. Ela é uma mulher branca de cabelos ruivos. Usa um vestido de noiva na cor branca e um brinco de brilhos. Peter é um homem branco de cabelos lisos na cor castanho escuro. Ele veste uma camiseta cinza. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image6-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image6-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image6.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34022" class="wp-caption-text">Homem-Aranha 2 lucrou 789 milhões de dólares em bilheteria mundial (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, afinal, o que é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Cw0ES-jUpQg"><span style="font-weight: 400;">melodrama</span></a><span style="font-weight: 400;">? Para entender a narrativa melodramática, é preciso voltar alguns séculos na história. Ela surge no fim do século XVIII com a Revolução Francesa e a popularização do Teatro para o povo. Neste movimento, a Arte afasta-se da aristocracia, então é preciso contar histórias que a população quer ouvir. A tragédia grega com seus heróis nobres e dignos de atitudes que dimensionam toda a humanidade não interessa à burguesia e às classes populares, daí surge o melodrama: histórias cotidianas e personagens identificáveis. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Misturado ao drama moderno altamente subjetivo, muitos autores </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XIEbT0gF-e8"><span style="font-weight: 400;">vão definir</span></a><span style="font-weight: 400;"> algumas características ao melodrama. Além da natureza trivial, há a forte presença da visualidade, uso de móveis e objetos habituais, assim como um tratamento maniqueísta do ‘mocinho’, ‘mocinha’ e vilões. As atuações tendem ao exagero, são corporais e expressivas. No Cinema contemporâneo, a forma de contar uma história, dificilmente é ou será purista, não seguirá à risca a cartilha dos elementos que fazem de um texto parte de um gênero. Um filme de terror pode ter fragmentos do </span><a href="https://personaunesp.com.br/mirai-no-mirai-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, assim como um suspense pode ser pitoresco. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, é possível identificar características do melodrama, das peças gregas, francesas de outrora e das novelas brasileiras.</span></p>
<figure id="attachment_34023" aria-describedby="caption-attachment-34023" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34023" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image7-800x333.jpg" alt="Cena do filme Homem-Aranha 2 Na imagem, o personagem Doutor Octopus está de costas, com os braços levantados e preso à sua coluna há 4 braços mecânicos, 2 de cada lado, possuindo 3 garras cada um. Os braços são na cor dourado e prata metálico, presos a uma cintura de metal com faixa no meio imitando uma coluna. Doutor Octopus é um homem branco, na faixa dos 40 anos, ele veste uma regata branca e está com uma calça cinza. Ele está em um laboratório, na sua frente estão muitas pessoas vestidas com ternos e vestidos. Ao fundo há uma grande janela de vidro e nos cantos estão computadores. " width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image7-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image7-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image7-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image7-1200x500.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image7.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34023" class="wp-caption-text">Para criar os barulhos dos braços mecânicos, a equipe de som utilizou correntes de bicicleta e cordas de piano (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De partida, as personagens da sequência não são unidimensionais. Peter Parker (Tobey Maguire) enfrenta dilemas e assume erros. O antagonista, Doutor Octopus (</span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranha-sem-volta-para-casa-critica/"><span style="font-weight: 400;">Alfred Molina</span></a><span style="font-weight: 400;">), é composto de complexidades dificilmente presentes em filmes de quadrinhos. Apresentado ao público como homem nobre, de filosofias altruístas e ideias científicas que ajudarão a humanidade, a faceta do personagem vai sendo subvertida com a rolagem dos minutos do longa, indo de benfeitor a vilão que despreza a vida e vai cometer crimes para realizar seu sonho, e de benevolente a egocêntrico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ‘mauricinho ‘favorito dos fãs do Teioso, Harry Osborn, também tem suas próprias motivações. Crédulo de que seu pai, Norman Osborn (</span><a href="https://personaunesp.com.br/pobres-criaturas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Willem Dafoe</span></a><span style="font-weight: 400;">), foi morto pelo Homem-Aranha (Tobey Maguire), o jovem fica obcecado na ideia de matar o herói. O amor paterno sempre lhe foi negado e agora ele acredita que vingar a sua morte trará orgulho para ele. Mary Jane (</span><a href="https://personaunesp.com.br/ataque-dos-caes-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kirsten Dunst</span></a><span style="font-weight: 400;">) também continua vagando por relacionamentos com homens de sobrenome importante para impressionar o pai. A trilogia de Sam Raimi é um grande </span><a href="https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2023/08/13/daddy-issues-entenda-termo-usado-nas-redes-para-descrever-herancas-emocionais-deixadas-pela-relacao-paterna.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">daddy issue</span></i><span style="font-weight: 400;">s</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_34025" aria-describedby="caption-attachment-34025" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34025" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-8-800x450.png" alt="Cena do filme Homem-Aranha 2Na imagem, Homem-Aranha e um rapaz estão dentro de um elevador. Ambos estão parados, esperando o elevador chegar ao destino. Homem-Aranha está na direita, vestindo seu uniforme.O uniforme é vermelho, mas possui detalhes em azul na parte inferior do braço e antebraço e também nas costelas. Ele possui uma aranha prateada no peito e teias em alto relevo por toda roupa. O homem do seu lado é branco, na faixa dos trinta anos, cabelos escuros e lisos, usa topete. Ele está vestindo um terno preto com a camisa e gravata por dentro na cor azul marinho. Ele está olhando para cima com expressão séria. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-8-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-8-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-8-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-8-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-8.png 1366w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34025" class="wp-caption-text">A cena do elevador teve outra versão antes do corte final: o rapaz fica empolgado com a presença do Homem-Aranha (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro elemento do personagem também se equipara à tragédia grega. Quando Peter desiste de ser herói, todo o peso dos crimes, acidentes e calamidades que decorrem em Nova York é atribuído à escolha dele. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mg5IUsHH2ls&amp;t=14s"><span style="font-weight: 400;">cena do incêndio</span></a><span style="font-weight: 400;"> ilustra a presença do gênero grego na história; após salvar (como cidadão comum) uma ‘garotinha’ de sua casa em chamas, o protagonista descobre, pelos bombeiros, que um homem ficou preso e morreu queimado. Parker, então, faz recair a culpa sobre seus ombros. Como Homem-Aranha, ele poderia ter salvado todos ter feito mais. A cena se contrapõe a um outro incêndio que ocorreu durante os eventos do primeiro filme; na ocasião, o herói salvou todo mundo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isto posto, onde as </span><a href="https://personaunesp.com.br/vai-na-fe-critica/"><span style="font-weight: 400;">novelas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que nossas mães e avós assistem se encaixam nisso tudo? Em telenovelas brasileiras, podemos fazer um </span><i><span style="font-weight: 400;">checklist </span></i><span style="font-weight: 400;">de elementos melodramáticos: as tramas do cotidiano, ‘mocinha’ e vilão definidos com exatidão, núcleos populares e de alta identificação – ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">olha só, aquela personagem lembra nossa vizinha, nossa tia</span></i><span style="font-weight: 400;">’ como também a direção, já que a cenografia da teledramaturgia é muito visual, expressiva e corporal, bem diferente do Cinema Hollywoodiano. E todas essas referências estão em </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, além de todo mérito solo do filme, essa semelhança pode ser um grande fator os brasileiros terem tanto afeto por ele.</span></p>
<figure id="attachment_34028" aria-describedby="caption-attachment-34028" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34028" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-4-800x333.jpg" alt="Cena do filme Homem-Aranha 2 Na imagem, o personagem Robbie segura a máscara do Homem-Aranha. Em plano detalhe, bem próximo das mãos, a imagem não mostra o rosto do personagem, apenas o peito. Ele veste um terno cinza, com gravata bege com vários losangos. Ele é um homem negro. Em seu pulso há uma pulseira de ouro. A máscara é vermelha, com lentes prateadas e teias em relevo. " width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-4-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-4-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-4-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-4-1200x500.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-4.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34028" class="wp-caption-text">O personagem Robbie, interpretado por Bill Nunn, faz parte do núcleo do Clarim Diário (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">‘Correria’ do trabalho, festas de aniversário, atrasos em compromissos importantes, humilhação no banco, relações familiares, ida ao médico, faculdade, problemas amorosos e ‘grana’ curta. Todas essas cenas são da sequência de 2004. Quantos desses uma pessoa brasileira se identifica? E quantos desses já não se tornaram arcos de personagens de novelas? Sam Raimi e os roteiristas compreendem o conceito do aracnídeo é ser esse personagem que qualquer um poderia vestir a máscara – como repercutido em </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranhaverso-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Aranhaverso</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018) – e enxergam no melodrama, no Teatro popular, o estilo narrativo ideal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da explosiva cena no trem ou a de terror no hospital, outros momentos são marcantes na produção. Dois se referem à família do protagonista e outro a uma banalidade da vida. Neste, Ursula (Mageina Tovah) oferece um bolo a Peter em um momento delicado da vida dele, esta pequena cena humaniza e nos aproxima da história. As outras duas são protagonizadas pela Tia May (</span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/10-coisas-que-talvez-voce-nao-saiba-sobre-homem-aranha-2-de-sam-raimi.html#list-item-3"><span style="font-weight: 400;">Rosemary Harris</span></a><span style="font-weight: 400;">), em uma é negado um empréstimo no banco e na outra ela dá dinheiro como presente de aniversário ao sobrinho, mesmo que momentos antes eles tivessem dialogado sobre atrasos na hipoteca. É muito difícil ver um filme de super-herói fazendo algo semelhante, o que torna a obra singular e atemporal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É comum vermos familiares se dobrar para deixar sobrinhos, netos, filhos felizes, ainda que somente em datas comemorativas. O filme coloca Peter Parker em um problema financeiro que superpoder algum consegue resolver &#8211; claro, ao menos que ele usasse-os para seu benefício. Desenvolvendo assim, o arco do personagem incapaz de solucionar os contratempos da vida comum, seguindo na proposta de fazer o espectador se ver na tela.</span></p>
<p><figure id="attachment_34024" aria-describedby="caption-attachment-34024" style="width: 760px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34024" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image8.png" alt="Cena do filme Homem Aranha 2 Na imagem, a personagem Tia May está olhando para o lado esquerdo, sorrindo. Ela é uma mulher de 70 anos, de pele branca e cabelos brancos. Ela está vestindo uma jaqueta xadrez na cor cinza de botões abertos. Dentro há uma camisa preta. Na sua mão ela segura um sapato preto. Atrás dela, na direita, há uma porta verde aberta. " width="760" height="398" /><figcaption id="caption-attachment-34024" class="wp-caption-text">A veterana Rosemary Harris já havia trabalhado com Sam Raimi em O Dom da Premonição (2000) [Foto: Sony Pictures]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/avenida-brasil-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Avenida Brasil</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2012), Carminha (Adriana Esteves) revela a Tufão (Murilo Benício) que Nina (Débora Falabella) é Rita. O efeito de congelamento foca em Tufão e, assim, se encerra o 152º capítulo &#8211; e todos os outros 178 &#8211; da novela: com um gancho. O suspense dos rumos que a trama vai seguir é o grande chamariz que vai fazer o público querer ver o episódio do próximo dia. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EtjQLOqjpjw"><i><span style="font-weight: 400;">cliffhanger</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, no inglês, é um recurso de roteiro comum no melodrama e faz parte da arte de contar novelas. Mas não só delas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2 </span></i><span style="font-weight: 400;">também se encerra (ou quase) assim. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A penúltima cena se dá em um grande gancho para a terceira parte da trilogia. No final do antecessor, Harry diz a Peter – no enterro de Norman – que a única coisa que resta a ele é Parker e o Aranha, este como objeto de vingança e o outro como família (que, ironicamente, são a mesma pessoa). O remanescente da família Osborn fica todo o segundo filme fissurado no herói, até que descobre a sua identidade secreta: é o seu melhor amigo. Na sequência disso, ele </span><a href="https://youtu.be/CL56aH-p_us?si=pZVXILIq3kBd04xN"><span style="font-weight: 400;">descobre o arsenal</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Duende Verde e o <em>alter ego</em> do vilão: seu pai. Então, é inserido um efeito de </span><i><span style="font-weight: 400;">fade out</span></i><span style="font-weight: 400;">, passando para outra cena. O que não passa é a ansiedade em saber quais serão as decisões de Harry Osborn.  </span></p>
<figure id="attachment_34026" aria-describedby="caption-attachment-34026" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34026" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-9-800x400.png" alt=" Cena do filme Homem-Aranha 2 Na imagem, o personagem Harry Osborn está com expressão zangada e segura um punhal na mão direita. Ele é um homem branco, na faixa dos 25 anos, de pele branca e cabelos ondulados na cor castanha com algumas mechas loiras. Ele está vestindo uma camisa social de botões e gola na cor azul. Dentro há uma camiseta branco. O punhal que ele segura é prata. " width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-9-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-9-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-9-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-9-1200x600.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-9.png 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34026" class="wp-caption-text">O maneirismo de Raimi impera sobre a cena da revelação, em que até trovões são adicionados para efeito dramático (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em telenovelas, os monólogos de vilões contando planos maléficos ao espelho já são marca registrada. As personagens divagam sozinhas e, curiosamente, o protagonista do épico de quadrinhos também faz isso. Assim como a presença de núcleos narrativos, de humor, da roça, do salão de beleza, novelas possuem tramas que podem ou não se encontrar, é comum seguirem paralelas. E não é que toda trilogia do veterano de terror também tem isso? O </span><a href="https://marvel.fandom.com/pt-br/wiki/Clarim_Di%C3%A1rio_(O_CD!)_(Terra-616)"><i><span style="font-weight: 400;">Clarim Diário</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um núcleo de humor que não tem tanta interferência na trama, mas que está sempre presente na vida do protagonista. Ver uma cena na redação do jornal é se preparar para o riso, assim como quando vemos o Leleco (Marcos Caruso) em </span><i><span style="font-weight: 400;">Avenida Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sam Raimi consegue lidar com todos esses dilemas na primeira uma hora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, momento que Parker não tem sossego e sua vida parece uma sucessão de desgraças – até no seu aniversário –, sem deixar o filme denso e cansativo. O </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">humor autodepreciativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> suaviza as cenas, exemplo é a sequência no planetário em que Peter apanha de seu melhor amigo, precisa tirar foto de pessoas ricas, leva um fora de Mary Jane ao mesmo tempo que vê ela sendo pedida – e aceitando – em casamento. No passo de tantas desventuras, há uma piada acontecendo: Peter não consegue pegar um </span><i><span style="font-weight: 400;">drink</span></i><span style="font-weight: 400;">. Quando a taça não está vazia, alguém pega antes. É um humor que continua a narrativa de pobre coitado, mas que equilibra o tom do filme. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cineasta sempre foi </span><a href="https://www.chippu.com.br/noticias/sam-raimi-da-explicacao-emocionante-sobre-suas-razoes-para-dirigir-a-trilogia-homem-aranha"><span style="font-weight: 400;">muito fã do personagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> e quis relembrar o porquê amamos tanto aquela história; por meio das personagens e cenários que podem nos espelhar. O filme é para quem cresceu com a trilogia criada pelo mestre do terror, que na infância sonhou em escalar paredes e atirar teias por aí, mas, quando se tornou adulto, percebeu que é muito mais Peter Parker do que Homem-Aranha. No Brasil, os longas ganharam mais carinho por serem tão próximos da nossa realidade e das obras que crescemos assistindo. Em 20 anos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, o Cinema de Herói mudou, as novelas mudaram, mas o amor por essa obra e ela por nós continua sólido.</span></p>
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		<title>O Desencontrar de Vidas Passadas</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Oct 2023 18:42:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ludmila Henrique  Na cultura sul-coreana, há um conceito conhecido como In-Yun, que pode ser lido como “destino” ou “reencarnação”. Em gênese, In-Yun é o pressentimento que nos arrebata quando entendemos que uma eventualidade estava predestinada em nossos acasos, desenhada em algum no campo cósmico, e que nada e nem ninguém, poderia ser capaz de interferir &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/past-lives-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Desencontrar de Vidas Passadas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31664" aria-describedby="caption-attachment-31664" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31664" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-3.jpg" alt="" width="736" height="368" /><figcaption id="caption-attachment-31664" class="wp-caption-text">Antes do sucesso nas telas de cinema, o longa-metragem foi aclamado pela crítica especializada no Sundance Film Festival e na 73ª edição do Berlinale (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Ludmila Henrique </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na cultura sul-coreana, há um conceito conhecido como </span><i><span style="font-weight: 400;">In-Yun</span></i><span style="font-weight: 400;">, que pode ser lido como “</span><i><span style="font-weight: 400;">destino</span></i><span style="font-weight: 400;">” ou “</span><i><span style="font-weight: 400;">reencarnação</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em gênese, </span><i><span style="font-weight: 400;">In-Yun</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o pressentimento que nos arrebata quando entendemos que uma eventualidade estava predestinada em nossos acasos, desenhada em algum no campo cósmico, e que nada e nem ninguém, poderia ser capaz de interferir naquela factualidade. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Past Lives</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa de estreia da cineasta Celine Song exibido no Brasil durante a 25ª edição do </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/noticias/festival-do-rio-anuncia-primeiros-filmes-internacionais"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;">, vemos o movimento de tempo entre dois melhores amigos e a maneira que seus destinos estão entrelaçados involuntariamente com suas vidas passadas. </span></p>
<p><span id="more-31662"></span></p>
<p><a href="https://letterboxd.com/journal/missed-connections-celine-song-past-lives/"><i><span style="font-weight: 400;">Past Lives</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> segue a trajetória de Na Young (Seung Ah Moon), jovem sul-coreana, que migrou do leste asiático para o Canadá e posteriormente para os Estados Unidos para vivenciar o tão perseguido sonho americano. Antes de assimilar as decorrências de suas escolhas, Young abandonou seu primeiro amor em seu país de origem, o jovem Hae Sung (Seung Min Yim), que embora distante do seu ponto de vista, permaneceu internalizado em algum vão de sua memória. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O arco dividido em três atos no decorrer de 24 anos regressa no momento em que a protagonista, agora conhecida como Nora (Greta Lee) e oficialmente cidadã norte-americana, reencontra com a figura de Hae Sung (Teo Yoo) nas redes sociais e reiteradamente resgatam as lembranças perdidas por meio de mensagens diárias. Embora os avanços tenham desencadeado uma memória afetiva entre os dois, a diferença entre rotas e a distância impossibilitou que o romance seguisse para um caminho sólido, contribuindo para um novo afastamento. Ambos seguiram suas vidas, conheceram outras pessoas e se apaixonaram por elas, entretanto, nunca conseguiram esquecer de maneira efetiva os acontecimentos do </span><a href="https://letterboxd.com/crew/story/the-cast-of-past-lives-tell-us-about-their/"><span style="font-weight: 400;">passado</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31663" aria-describedby="caption-attachment-31663" style="width: 735px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31663 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-3.jpg" alt="Cena do filme Past Lives. Da esquerda para a direita está Hae Sung (Seung Min Yim), jovem sul coreano, de cabelo liso, curto na tonalidade preta. Ele está vestindo uma jaqueta e uma calça em diferentes tonalidades de azul e carregando uma mochila nas costas também na cor azul. Ao seu lado está Na Young (Seung Ah Moon), jovem sul coreana, de cabelos castanhos, amarrados em um rabo de cavalo. Ela está vestindo um macacão azul jeans, uma blusa vermelha de flanela e um tênis branco, ela também está carregando uma mochila vermelha nas costas. Eles estão ao ar livre, nos arredores do bairro onde eles moram. Ao fundo é perceptível algumas casas em diversas tonalidades, plantas dentros de vasos e uma escadaria de concreto. " width="735" height="395" /><figcaption id="caption-attachment-31663" class="wp-caption-text">Past Lives alcançou 97% de aprovação no Rotten Tomatoes, marcando uma classificação média de 9.1/10 (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa-metragem é, além de tudo, um filme sobre </span><a href="https://medium.com/framerated/past-lives-2023-complex-immigrant-romance-full-of-yearning-fd183115145e"><span style="font-weight: 400;">cidades</span></a><span style="font-weight: 400;">, sobre o espaço entre elas, suas semelhanças e dessemelhanças. A fotografia de Shabier Kirchner captura a beleza de dois polos diferentes, Seoul e Nova York. Em primeiro aspecto, por ambientar a infância de Nora e Hae Sung, a capital sul-coreana é retratada essencialmente por cenários arborizados, divagando por paisagens naturais e pátios escolares. Além da ambientação, a climatização dos primeiros minutos de tela são matizados por tonalidades mais vivas e expressivas, representando não apenas a pureza desse período, mas também o florescer da conexão entre os protagonistas.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contrário ao clima vivaz da juventude, Nova York parece um muro de concreto, sólido, firme e acinzentado. A metrópole é palco do turismo estadunidense, retratado como um espaço na qual as pessoas vão para visitar, fotografar seus lugares históricos e adentrar nos restaurantes noturnos. O centro representa o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v-lxn21Ng9k"><span style="font-weight: 400;">amadurecimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Nora, da mulher forte na qual ela se tornou, e que encontrou seu conforto em meio ao caos da rotina agitada na grande cidade. </span></p>
<figure id="attachment_31665" aria-describedby="caption-attachment-31665" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31665" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-3.jpg" alt="" width="736" height="414" /><figcaption id="caption-attachment-31665" class="wp-caption-text">Em 2023, Greta Lee participou de dois filmes registrados com maior audiência nos cinemas, Past Lives e Homem Aranha: Através do Aranhaverso (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nora é um espelho da própria cineasta, que também migrou da Coreia do Sul para os Estados Unidos. Assim como </span><a href="https://a24films.com/notes/2023/06/a-note-from-celine-song"><span style="font-weight: 400;">Celine Song</span></a><span style="font-weight: 400;">, a personagem mantém essa conexão entre as duas superfícies. Uma metáfora dos dois, ao mesmo tempo que nenhum deles. Ela carrega consigo suas raízes coreanas e a recordação da sua infância, mas igualmente se encontra como uma garota tipicamente estadunidense. Ela é duas metades que se completam e que compartilham desse amor mútuo entre os dois mundos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente disso, parafraseando a fala da protagonista,</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9WJELGFUG-w"><span style="font-weight: 400;"> Hae Sung</span></a><span style="font-weight: 400;"> é em sua completude, um homem sul-coreano. Ele leva em sua essência os pensamentos, ideais e princípios da cultura coreana, compondo uma personalidade tímida e observadora, extremamente respeitosa e questionadora. Hae Sung conduz uma nostalgia acolhedora para Nora, trazendo múltiplas indagações de como suas vidas poderiam ter seguido caminhos diferentes se ela tivesse permanecido na Coreia do Sul, como as coisas poderiam ter se desenhado para um novo rumo. </span></p>
<figure id="attachment_31667" aria-describedby="caption-attachment-31667" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31667" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-2.jpg" alt="" width="736" height="385" /><figcaption id="caption-attachment-31667" class="wp-caption-text">Past Lives foi indicado na categoria Urso de Ouro, prêmio de maior destaque no Festival de Cinema de Berlim (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama dos personagens é sublinhada pela vasta sensação do</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">e se…</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em ritmos descompassados, a sensação de como as coisas poderiam ter sido diferentes na vida de Nora e Hae Sung domina a tela de modo pontual, emergindo nos momentos de pausa, na troca de olhares e na </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/2JwAMKpwk4IolH2KhF6nPn"><span style="font-weight: 400;">sonoridade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que anuncia de maneira sucinta o que esses personagens significam um para outro naquele momento. A trilha sonora de Daniel Rossen e Christopher Bear totalizam esse sentimento, com timbres que invadem a cena e atingem o espaço e as emoções dos espectadores, que também seguem na reflexão sobre as escolhas que determinaram o específico momento de suas vidas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somando a ligação em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IAy9WVR5BUg"><i><span style="font-weight: 400;">In-Yun</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o atual parceiro de Nora, Arthur (John Magaro), configura outro aspecto na trajetória da personagem. A inquietude dele em razão da nova aparição de Hae Sung, carrega consigo a apreensão de novas manifestações emocionais entre os antigos melhores amigos de infância. Ainda assim, mesmo que o novo homem alcance os sentimentos de Na Young pela nostalgia, Arthur é uma representação de uma realidade, de um fato. Ele configura a escolha madura de Nora, reflete um verdadeiro encontro de almas, o “</span><i><span style="font-weight: 400;">ficar</span></i><span style="font-weight: 400;">” que estava predestinado, diferente de sua convivência com o seu antigo amor, que é marcado, sobretudo, pelo passado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, a maneira que Celine Song anexa o conceito de destino no interior da cinematografia é mais pertencente ao sinônimo de encontro entre almas, do que de almas gêmeas. Isso fica evidente em meio a própria </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9d4ObkmCJYs"><span style="font-weight: 400;">relação</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Arthur e Hae Sung, que se conectam em razão de outro vínculo comum em suas vidas, o de Nora. O caminho trilhado por ela e sua transição de espaços também precedeu para o encontro dos dois, que talvez, se não fosse por ela, nunca teriam acontecido nessa vida ou poderia ter acontecido de outra maneira. </span></p>
<figure id="attachment_31666" aria-describedby="caption-attachment-31666" style="width: 1869px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31666" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.jpg" alt="" width="1869" height="1007" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.jpg 1869w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-800x431.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1024x552.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-768x414.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1536x828.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1200x647.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31666" class="wp-caption-text">“Se você deixa algo para trás, você ganha algo também” (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama nos transporta para uma reflexão interna. Ela consegue, de maneira minuciosa, sensibilizar a audiência delicadamente e impactar a extensão mais profunda dos nossos sentimentos. A sensação que fica é de conciliação com o nosso eu anterior, com os atos que acreditamos ser erros ou acertos, e que na verdade, já estavam alinhados de maneira natural em nossa sina. </span><a href="https://www.berlinale.de/en/2023/programme/202313871.html"><i><span style="font-weight: 400;">Past Lives</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um filme sobre amor, abandono, passado e presente. Sobre as conexões que fazemos quando criança e que moldaram nossas decisões como adultos. </span></p>
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		<title>John Wick 4: Baba Yaga é um épico de ação que redefine riscos</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jun 2023 17:02:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos John Wick 4: Baba Yaga reflete e pode ser definido pelo seu subgênero neo-noir, em sua exploração das complexidades do ser humano, desde seus conflitos internos até sua moral ambígua no contemporâneo. Ainda que a subcategoria o descreva tão bem, a ação e o suspense se sobressaem em função de sua construção, tanto &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/john-wick-4-baba-yaga-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "John Wick 4: Baba Yaga é um épico de ação que redefine riscos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31192" aria-describedby="caption-attachment-31192" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31192" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6.png" alt="Cena do filme John Wick 4: Baba Yaga. John Wick em uma capela, protagonista da saga de filmes de mesmo nome, interpretado por Keanu Reeves. Um homem branco de cabelos longos na altura do ombro que veste um terno totalmente preto. Ele está andando de costas para o altar de uma capela com várias velas acesas em castiçais ao seu redor. A exibição está ao nível de sua cintura mostrando uma passarela cercada de cadeiras em que a frente está um homem sentado." width="1536" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image6-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31192" class="wp-caption-text">Keanu Reeves, conhecido por participar de vários filmes de ação e ser referência no gênero, chegou a doar parte de seu salário para a equipe de efeitos especiais de Matrix (Foto: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">John Wick 4: Baba Yaga</span></i><span style="font-weight: 400;"> reflete e pode ser</span> <span style="font-weight: 400;">definido pelo seu subgênero </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/noir/"><i><span style="font-weight: 400;">neo-noir</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em sua exploração das complexidades do ser humano, desde seus conflitos internos até sua moral ambígua no contemporâneo. Ainda que a subcategoria o descreva tão bem, a ação e o suspense se sobressaem em função de sua construção, tanto pela direção de Chad Stahelski, à atuação do veterano Keanu Reeves. Em contrapartida às motivações triangulares – de construção simples, capazes de suportar grandes tensões e únicas –, todo desenrolar da narrativa segue a busca do protagonista pela vingança de um passado e uma esperança destruídos em atos simplórios em sua prequela, que ocasionaram uma sequência de desestruturações de escala mundial, </span><a href="https://collider.com/john-wick-chapter-4-global-box-office-306-million/"><span style="font-weight: 400;">reais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e fictícias.</span></p>
<p><span id="more-31186"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O epílogo da saga, de quase três horas, passa a impressão de ser insuficiente para fãs da trama e excessivo aos não familiarizados. Com cenas de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/acao/"><span style="font-weight: 400;">ação</span></a><span style="font-weight: 400;"> intensas e quase longas demais, o filme amarra as pontas soltas da narrativa – como fazem os assassinos de aluguel – e apresenta adições orgânicas que, felizmente, ainda carregam suas nuances individuais, independente de sua trajetória. </span></p>
<figure id="attachment_31189" aria-describedby="caption-attachment-31189" style="width: 853px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31189" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-2.png" alt="Cena do filme John Wick 4: Baba Yaga. Akira, personagem do filme interpretada pela artista japonesa Rina Sawayama. A personagem está vestindo uma roupa de couro preto iluminada por uma luz vermelha em um vagão de metrô enquanto segura uma barra com sua mão ensanguentada. Seu cabelo está amarrado e sua franja desce as laterais de seu rosto. Marcado por uma expressão de raiva e tristeza com seu olhar fixado à frente." width="853" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-2.png 853w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-2-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-2-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31189" class="wp-caption-text">Além de interpretar Akira, Rina Sawayama também faz parte da trilha sonora de John Wick 4: Baba Yaga com a música Eye For An Eye (Foto: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os novos personagens de </span><i><span style="font-weight: 400;">Baba Yaga</span></i><span style="font-weight: 400;">, se destacam Caine (</span><a href="https://personaunesp.com.br/mulan-2020-critica/"><span style="font-weight: 400;">Donnie Yen</span></a><span style="font-weight: 400;">), um assassino cego da alta cúpula e velho amigo de John, que faz referência ao personagem Zatoichi da série de </span><a href="https://mubi.com/pt/films/zatoichi"><span style="font-weight: 400;">filmes</span></a><span style="font-weight: 400;"> japoneses de mesmo nome; Mr. Nobody (</span><a href="https://personaunesp.com.br/cineclube-persona-abril-de-2021/#:~:text=Passageiro%20Acidental%20(Stowaway%2C%20Joe%20Penna)"><span style="font-weight: 400;">Shamier Anderson</span></a><span style="font-weight: 400;">), um caçador de recompensas; e Akira, a filha de Shimazu Koji e concierge do Hotel Continental em Osaka, interpretada por Rina Sawayama. Sawayama foi selecionada para estrear no Cinema devido à exigência de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZP7bvJxF3ew)"><span style="font-weight: 400;">coreografias da personagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, e suas produções </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TO2c06p6m5w&amp;ab_channel=RinaSawayamaVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">XS</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Bad Friend</span></i><span style="font-weight: 400;"> impressionaram Stahelski. O roteiro da obra também foi influenciado, segundo o roteirista Michael Finch, pelos clássicos de faroeste </span><i><span style="font-weight: 400;">Era uma Vez no Oeste</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Bom, o Mau e o Feio</span></i><span style="font-weight: 400;">; além dos das basilares perseguições cinematográficas feitas em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bullitt</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Perseguidor Implacável</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os diretores Chad Stahelski e </span><a href="https://personaunesp.com.br/cineclube-persona-junho-2018/#:~:text=Vale%20a%20conferida.-,Deadpool%202,-(Foto%3A%20Reprodu%C3%A7%C3%A3o)"><span style="font-weight: 400;">David Leitch</span></a><span style="font-weight: 400;">, ambos ex-dublês, trouxeram suas habilidades em artes marciais e experiência em cenas de ação para a franquia, criando sequências de luta que são consideradas algumas das melhores da história do Cinema de ação. No entanto, dessa vez apenas Stahelski continuou na direção. Assim, é fácil entender que </span><i><span style="font-weight: 400;">John Wick 4: Baba Yaga</span></i><span style="font-weight: 400;"> não funciona sozinho. O longa é uma parte de um espaço ficcional maior e mais intrincado, cuidadosamente construído ao longo de três filmes anteriores, que inicialmente haviam sido programados para serem parte de uma pentalogia. Longe de uma pancadaria sem rumo, seu sucesso é um reflexo do trabalho anterior dos realizadores e atores envolvidos.</span></p>
<figure id="attachment_31188" aria-describedby="caption-attachment-31188" style="width: 1066px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31188" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-1.png" alt="Dois homens sentados em uma mesa de frente para o outro. Ambos estão segurando xícaras de chá acima de seus cotovelos em um comprimento. O ambiente é marcado por um cenário rodeado por árvores em um templo japonês à noite. Iluminados por uma luz vermelha." width="1066" height="711" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-1.png 1066w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-1-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-1-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31188" class="wp-caption-text">Além da música tema Eye For An Eye, interpretada pela cantora japonesa Rina Sawayama, John Wick 4: Baba Yaga tem influências do Cinema de ação japonês, especialmente do gênero wuxia, que envolve artes marciais e armas brancas (Foto: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Bem aceita e tecnicamente impressionante, outro ponto certeiro é a fotografia, mais um trabalho primoroso entregue por Dan Laustsen, que estabelece quase uma imagética própria para cada um dos </span><a href="https://www.slashfilm.com/938072/the-five-countries-where-john-wick-4-takes-place/"><span style="font-weight: 400;">tantos países</span></a><span style="font-weight: 400;"> onde o filme é locado. O contraste de cenas diurnas com noturnas, bem iluminadas, constroem a atmosfera da narrativa e encaminham a um clímax ambientado pelo nascer do sol no Sacré-Cœur de Paris, que também oferece os cenários do Jardim de Luxemburgo, da Igreja de St. Eustache e da perseguição ao redor do Arco do Triunfo. A </span><a href="https://www.france24.com/en/live-news/20230314-almost-ballet-keanu-reeves-brings-john-wick-to-paris"><span style="font-weight: 400;">cidade das luzes</span></a><span style="font-weight: 400;"> ocasionou atrasos nas filmagens que se seguiram para a Alemanha, Nova York e Japão, encerrando as gravações em Outubro de 2022.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde sua proposta, talvez sem tantas pretensões, o desafio de como inovar em uma narrativa de ação sempre esteve à espreita, e como fechamento de uma saga principal, a superação dessa meta se tornou um dos focos da produção do último filme. Assim nasceu a cena do tiroteio no apartamento, uma das mais memoráveis da série. Filmada em uma tomada única com a câmera posicionada acima dos personagens, o </span><i><span style="font-weight: 400;">take</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi inspirada em uma sequência semelhante a de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hong Kong Massacre</span></i><span style="font-weight: 400;">, um jogo lançado em 2019, que apresenta a ação de uma visão aérea. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como uma cena que faz valer por si só a ida ao cinema, a equipe de produção relata que se deparou com vários obstáculos em sua criação: desde a construção – em apenas um mês – de paredes altas o suficiente para a câmera seguir o personagem por uma escada e depois flutuar sobre sua perspectiva, até a coreografia de luta e tiroteio, que foi ensaiada exaustivamente pelos dublês antes das filmagens e seguida pelo uso de uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Mo61UBUYmX0&amp;ab_channel=FrankieGochicoa"><i><span style="font-weight: 400;">Spidercam</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> acima do estúdio. </span></p>
<figure id="attachment_31187" aria-describedby="caption-attachment-31187" style="width: 480px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31187" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-1.gif" alt="" width="480" height="270" /><figcaption id="caption-attachment-31187" class="wp-caption-text">&#8220;Havia uma imagem ali que não deveria ter feito sentido, mas fez. Era parte de videogame, parte de anime, parte de experiência cinematográfica&#8221;, disse o diretor em entrevista ao portal Vulture (GIF: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O universo cinematográfico de </span><i><span style="font-weight: 400;">John Wick</span></i><span style="font-weight: 400;"> é regido por uma sistema de leis único, repleto de regras e códigos de conduta estabelecidos nos filmes anteriores da franquia. O quarto lançamento segue os eventos de toda saga, na qual os coadjuvantes são tão relevantes quanto John Wick. A sequência já apresentou figuras marcantes como Winston, interpretado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-american-gods/"><span style="font-weight: 400;">Ian McShane</span></a><span style="font-weight: 400;">, a adjudicadora (que define as regras) interpretada por Asia Kate Dillon, e Charon, interpretado por </span><a href="https://www.indiewire.com/gallery/lance-reddick-best-roles-film-tv/22the-wire22/"><span style="font-weight: 400;">Lance Reddick</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A solidez e versatilidade de Reddick em seus papéis é uma característica que se reflete na criação de </span><i><span style="font-weight: 400;">John Wick</span></i><span style="font-weight: 400;">, que impressiona por ser uma junção harmoniosa de tantas facetas moldadas pelas circunstâncias do enredo. Principalmente, dentro de um gênero tão específico e característico como ação e suspense, não se limita a entreter, se destacando pela sua originalidade e complexidade.</span></p>
<figure id="attachment_31191" aria-describedby="caption-attachment-31191" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31191" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5.png" alt="Imagem dos atores Lance Reddick e Keanu Reeves, um homem negro e careca que veste uma camiseta social e um homem branco de cabelos longos de terno preto. Lance está com uma expressão séria com suas sobrancelhas levantadas e veste um óculos pequeno de armação metálica fina. Ao fundo, desfocado, uma sala com vários quadros e ornamentos. Lance está segurando um cartucho de bala em oferecimento a Keanu, atrás está uma parede de armas." width="1500" height="890" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5-800x475.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5-1024x608.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5-768x456.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image5-1200x712.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31191" class="wp-caption-text">Reddick, que dá vida ao concierge do fictício Continental Hotel, em Nova York, estava previsto no elenco de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Mo61UBUYmX0&amp;ab_channel=FrankieGochicoa">Ballerina</a>, spin-off do universo de Wick em produção, mas faleceu poucos dias antes do lançamento mundial de John Wick 4: Baba Yaga (Foto: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu mundo subterrâneo de assassinos profissionais, </span><i><span style="font-weight: 400;">John Wick 4: Baba Yaga</span></i><span style="font-weight: 400;"> é inacreditavelmente composto por sequências de ação violentas e deslumbrantes, sobrepostas a uma </span><a href="https://hyperallergic.com/812479/john-wick-gives-a-bone-cracking-lesson-in-greco-roman-mythology/"><span style="font-weight: 400;">mitologia impressionantemente construída</span></a><span style="font-weight: 400;"> e um profundo desenvolvimento da relação entre violência e moralidade, com destaque para a ambiguidade da justiça. Sem fôlego, é impossível que a série de filmes seja definida em poucas palavras ou com apenas em um tópico principal. A tentativa da descrição de sua composição cinematográfica em palavras sequer alcança a realidade da experiência criada pelo seu universo.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="John Wick 4: Baba Yaga | Trailer Final Dublado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/VBdmGK4wxzQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Há 20 anos, Spike Lee e Edward Norton contavam A Última Noite de um homem em Nova York</title>
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		<pubDate>Tue, 23 May 2023 19:37:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Nunes Nos vinte anos que separam os dias atuais da estreia de A Última Noite (25th Hour) nos cinemas brasileiros, em 23 de Maio de 2003, talvez nenhuma cena tenha marcado tanto quanto o monólogo que Edward Norton (Glass Onion) recita em frente ao espelho de um banheiro, no qual reflete sobre como odeia &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-ultima-noite-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 20 anos, Spike Lee e Edward Norton contavam A Última Noite de um homem em Nova York"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30938" aria-describedby="caption-attachment-30938" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30938 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1.png" alt="" width="1920" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1-1536x640.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1-1200x500.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30938" class="wp-caption-text">Monty quase foi interpretado por Tobey Maguire, que, apesar de ter recusado o papel para estrelar Homem-Aranha, acabou sendo um dos produtores do longa (Foto: Touchstone Pictures/The Walt Disney Company)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos vinte anos que separam os dias atuais da estreia de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Última Noite</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">25th Hour</span></i><span style="font-weight: 400;">) nos cinemas brasileiros, em 23 de Maio de 2003, talvez nenhuma cena tenha marcado tanto quanto o monólogo que Edward Norton (</span><a href="https://personaunesp.com.br/glass-onion-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) recita em frente ao espelho de um banheiro, no qual reflete sobre como odeia tudo e todos em sua cidade. Esse momento não estava presente no roteiro inicial de David Benioff, mas sim em seu livro homônimo, objeto da adaptação. O diretor Spike Lee (</span><a href="https://personaunesp.com.br/infiltrado-na-klan-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Infiltrado na Klan</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) encorajou o futuro </span><i><span style="font-weight: 400;">showrunner</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://personaunesp.com.br/game-of-thrones-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> a colocá-lo de volta nos planos, além de tê-lo filmado a contragosto da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">, que o queria fora do corte final. </span></p>
<p><span id="more-30937"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em retrospecto, Lee estava pensando à frente, pois o &#8220;</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CTC7giT2ijI"><i><span style="font-weight: 400;">f*** monologue</span></i></a><i>”</i> <span style="font-weight: 400;">(batizado assim por Benioff) representa perfeitamente o estado de espírito dos dois protagonistas do filme. O primeiro é o homem que Norton interpreta, Monty, um ex-traficante de drogas que se encontra há 24 horas de distância dos sete anos futuros de sentença na prisão. O segundo é a sua própria cidade, Nova York, que, na época, estava se recuperando do trauma do 11 de Setembro, dentro e fora das telas.</span></p>
<figure id="attachment_30939" aria-describedby="caption-attachment-30939" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30939 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-2.png" alt="" width="1920" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-2-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-2-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-2-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-2-1536x640.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-2-1200x500.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30939" class="wp-caption-text">Os ataques do 11 de Setembro de 2001 aconteceram durante a pré-produção do filme, que foi lançado nos Estados Unidos em 2002, e foram posteriormente adicionados à trama por Lee (Foto: Touchstone Pictures/The Walt Disney Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua estreia, o </span><a href="http://www.impawards.com/2002/twenty_fifth_hour.html"><span style="font-weight: 400;">pôster</span></a><span style="font-weight: 400;"> principal do longa indagava: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Você pode mudar sua vida inteira em um dia?”. </span></i><span style="font-weight: 400;">A pergunta vai além da sua própria natureza estratégica de </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing</span></i><span style="font-weight: 400;">, unindo-se</span> <span style="font-weight: 400;">ao título original e traduzido em uma síntese das ideias a serem discutidas aqui. Assim como Nova York foi completamente transformada em 11 de Setembro de 2001, Monty também pode &#8211; na verdade, deve &#8211; escolher no que se transformar no único dia que lhe resta, enquanto a vigésima quinta hora não chega para dar fim a sua última noite de liberdade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lee e Benioff entendem perfeitamente os sentimentos que precisam transmitir aqui. O diretor, por exemplo, conduz a câmera sob a mesma perspectiva lúgubre de Monty, trocando sua agitação tradicional por uma decupagem mais contemplativa. Para atingir seus objetivos, ele é auxiliado pelos seus habituais colaboradores: Terence Blanchard (</span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Destacamento Blood</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), na trilha sonora fúnebre e melancólica, que lhe rendeu sua primeira e única indicação ao Globo de Ouro</span> <span style="font-weight: 400;">em 2003; e Barry Alexander Brown (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6qHGVTVHVdY&amp;pp=ygURbWFsY29sbSB4IG9wZW5pbmc%3D"><i><span style="font-weight: 400;">Malcolm X</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">) </span></i><span style="font-weight: 400;">na Montagem, responsável por equilibrar o passado e o presente da trama com harmonia. Nesse sentido específico, inclusive, chama atenção a Cinematografia de Rodrigo Prieto (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-segredo-de-brokeback-mountain-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Segredo de Brokeback Mountain</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), que os diferencia através de um aspecto amarelado, quente e afetuoso para o passado, e outro esbranquiçado, gélido e duro para o presente.</span></p>
<figure id="attachment_30940" aria-describedby="caption-attachment-30940" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30940 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-1.png" alt="" width="1920" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-1-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-1-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-1-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-1-1536x640.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-1-1200x500.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30940" class="wp-caption-text">Em 2016, a BBC colocou 25th Hour na 26ª posição do seu ranking dos melhores filmes do século XXI (Foto: Touchstone Pictures/The Walt Disney Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Benioff, por sua vez, entende o texto como um meio de realçar o drama de Monty, através do desenvolvimento das pessoas ao seu redor que mais lhe farão falta. Os coadjuvantes principais de sua vida incluem os amigos Frank (Barry Pepper, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bravura-indomita-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Bravura Indômita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Jacob (o saudoso Philip Seymour Hoffman, de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mestre</span></i><span style="font-weight: 400;">), o pai James (Brian Cox, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/succession-3a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e, principalmente, a namorada Naturelle (Rosario Dawson, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-mandalorian-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Mandalorian</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante notar como cada um desses indivíduos possui seus próprios dilemas, que os aprofundam e os distanciam de uma visão unidimensional e maniqueísta. James, por exemplo, vê o alcoolismo de seu passado refletido nas barreiras para se relacionar com o filho. Já Naturelle oferece apoio evidente para o companheiro, mas tem sua lealdade constantemente questionada pelo próprio filme. Entre os amigos, Frank seria o equivalente da época aos &#8220;machos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=f00dEDFR82k&amp;pp=ygURMjV0aCBob3VyIG9wZW5pbmc%3D"><i><span style="font-weight: 400;">red pill</span></i></a><span style="font-weight: 400;"><i>”</i></span> <span style="font-weight: 400;">da atualidade, enquanto Jacob talvez carregue a maior incógnita ética do longa, ao ser posicionado no roteiro como um possível interesse amoroso de sua aluna menor de idade, Mary (Anna Paquin, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-irlandes-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Irlandês</span></i></a><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<figure id="attachment_30941" aria-describedby="caption-attachment-30941" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30941 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-4-1.png" alt="" width="1920" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-4-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-4-1-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-4-1-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-4-1-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-4-1-1536x640.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-4-1-1200x500.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30941" class="wp-caption-text">O double-dolly shot, plano que Spike Lee utiliza como assinatura em quase todos os seus filmes, aparece em 25th Hour para representar a confusão de Jacob sobre seus sentimentos (Foto: Touchstone Pictures/The Walt Disney Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De certa forma, a escolha de Benioff por essa moralidade maleável nos coadjuvantes reflete o peso das escolhas de Monty, ao passo que nenhum de seus companheiros pagará seus pecados como ele pagou. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i1euqSoTnLA&amp;pp=ygURMjV0aCBob3VyIG9wZW5pbmc%3D"><span style="font-weight: 400;">Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> potencializa as dores do longa, evidenciando o martírio do protagonista em detalhes desde os minutos iniciais, em que o acompanhamos resgatando o cachorro Doyle da morte. Em um diálogo mais adiante, Monty se diz orgulhoso de sua atitude, pois permitiu ao animal uma segunda chance de vida &#8211; justamente o que ele lamenta não poder ter para si próprio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, é necessário olhar também para o trabalho fabuloso que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZFIQp9GiGsU&amp;t=789s&amp;pp=ygUTMjV0aCBob3VyIGRvZyBzY2VuZQ%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">Edward Norton</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz em cena, na pele de um dos personagens mais notáveis de sua carreira. Seja no olhar distante, no corpo curvado e no andar pesado, percebe-se um homem falhando ao tentar projetar o mínimo de resiliência, por não conseguir esconder a tristeza profunda que sente, bem como seus arrependimentos, dúvidas e medos. Trata-se da fragilidade de alguém que teve a vida virada de cabeça para baixo e agora a encontra por um fio, o que explica perfeitamente a importância de Nova York aqui.</span></p>
<figure id="attachment_30942" aria-describedby="caption-attachment-30942" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30942 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-5.png" alt="" width="1920" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-5.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-5-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-5-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-5-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-5-1536x640.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-5-1200x500.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30942" class="wp-caption-text">O nome Monty é uma homenagem abreviada ao ator Montgomery Clift, a quem o filme descreve como um homem de futuro promissor, mas que perdeu tudo cedo demais, assim como o protagonista (Foto: Touchstone Pictures/The Walt Disney Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É fato que o monólogo proferido pelo ator no banheiro carrega uma veia intensa de raiva e ressentimento, em especial na forma como fala de outras culturas e personalidades da cidade: italianos, irlandeses, judeus, russos, coreanos, japoneses, negros, Wall Street, Harlem, ricos, pobres, golpistas e trabalhadores. Contudo, o que a câmera de Lee &#8211; urbana como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AgNB2Up2LcE&amp;pp=ygUac3Bpa2UgbGVlIGZpbG0gdGVjaG5pcXVlcyA%3D"><span style="font-weight: 400;">sempre</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; nos mostra são as particularidades dessas pessoas, bem como a importância delas para a vida do protagonista. Afinal de contas, uma cidade que engloba uma diversidade tão intensa em sua população pouco iria se importar com os crimes de um de seus cidadãos, da mesma maneira que Monty se importa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu vídeo-ensaio </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xFpQBOopf84"><i><span style="font-weight: 400;">O Ingrediente Secreto da Trilogia Homem-Aranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">youtuber </span></i><span style="font-weight: 400;">americano Patrick H. Willems relaciona essa sequência com um espírito de reconstrução da autoestima nova iorquina pós-11 de Setembro, catapultado tanto por Lee, aqui, como por Sam Raimi (</span><a href="https://personaunesp.com.br/doutor-estranho-no-multiverso-da-loucura-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Doutor Estranho no Multiverso da Loucura</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) no primeiro filme do cabeça de teia. </span><i><span style="font-weight: 400;">25th Hour</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém, vai além e faz seu protagonista sofrer a perda da cidade, lamuriar a despedida dos seus conterrâneos e visualizar uma selva de pedra tentando se recompor assim como ele, em uma intersecção de seus sentimentos com o de uma metrópole traumatizada.</span></p>
<figure id="attachment_30943" aria-describedby="caption-attachment-30943" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30943 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-6.png" alt="" width="1920" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-6.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-6-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-6-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-6-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-6-1536x640.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-6-1200x500.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30943" class="wp-caption-text">Spike Lee voltou a abordar os impactos do 11 de setembro em Nova York no seu filme O Plano Perfeito, de 2006, e, mais recentemente, na série NYC Epicenters 9/11→2021½ (Foto: Touchstone Pictures/The Walt Disney Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No terço final de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Última Noite</span></i><span style="font-weight: 400;">, Monty parece querer ferir as pessoas que lhe importam involuntariamente, fazendo-os sofrer como ele. Frank é forçado a espancar o amigo por ele próprio, na angústia de chegar na prisão com um ‘rostinho bonito’, pronto para ser espancado pelos seus demais. Já Naturelle é negligenciada ao tentar ajudar o namorado com seus ferimentos, sendo ao menos recompensada pelo filme com uma composição memorável de seu último abraço frente a porta de separação, com Paul Newman os observando à direita, aprisionado no pôster de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cxKUupk0kbY&amp;pp=ygUWY29vbCBoYW5kIGx1a2UgdHJhaWxlcg%3D%3D"><i><span style="font-weight: 400;">Rebeldia Indomável</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1967)</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">longa em que interpretou justamente um presidiário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seguida, James viaja com o filho rumo à penitenciária, incumbido de decidir se o deixa cumprir sua sentença ou o leva para um novo futuro, longe dos perigos da cidade grande. </span><i><span style="font-weight: 400;">25th Hour </span></i><span style="font-weight: 400;">prefere deixar aberta ao público a interpretação sobre o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LYR1Tip0x00&amp;pp=ygUTMjV0aCBob3VyIGJlZ2lubmluZw%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">destino</span></a><span style="font-weight: 400;"> escolhido, mas, independente desse critério, mantém o sentimento de melancolia. A vida de Monty até pode ser mudada, mas a um custo irremediável: com as vidas que fizeram parte da sua própria, seja de amigos, familiares, amores e, até mesmo, conhecidos de pouca intimidade. Em suma, o mesmo preço que Nova York pagou mais de duas décadas atrás.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="25th Hour Official Trailer #1 (2002) - Edward Norton Movie HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/2qZVGJd6-rI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Desnecessário, Pânico 6 decepciona e mostra problemas estruturais da franquia</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Apr 2023 20:31:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal A pergunta “Qual é o seu filme de terror favorito?” feita pelo vilão Ghostface da franquia de filmes slasher Pânico talvez seja a mais conhecida pelo público geral. A questão exemplifica certamente o conceito do universo criado pelo célebre diretor Wes Craven: na franquia, o cerne da história é a abordagem da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/panico-6-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Desnecessário, Pânico 6 decepciona e mostra problemas estruturais da franquia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30661" aria-describedby="caption-attachment-30661" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30661" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/scream.6.foto_.1.jpg" alt="Cena do filme Pânico 6. Nela, observa-se uma pessoa vestida com a fantasia do vilão Ghostface. Sua roupa consiste em um manto preto e uma máscara branca com olhos, nariz e boca deformados." width="1500" height="983" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/scream.6.foto_.1.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/scream.6.foto_.1-800x524.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/scream.6.foto_.1-1024x671.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/scream.6.foto_.1-768x503.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/scream.6.foto_.1-1200x786.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30661" class="wp-caption-text">Retornando para a sua sexta aventura, o famoso personagem Ghostface agora aterroriza a cidade de Nova York (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A pergunta “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LWxSBbBX4fs"><i><span style="font-weight: 400;">Qual é o seu filme de terror favorito?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” feita pelo vilão Ghostface da franquia de filmes </span><a href="https://7marte.com/2020/03/o-que-e-slasher.html"><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i></a> <i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i><span style="font-weight: 400;"> talvez seja a mais conhecida pelo público geral. A questão exemplifica certamente o conceito do universo criado pelo célebre diretor Wes Craven: na franquia, o cerne da história é a abordagem da metalinguagem, ou seja, brincar com os estereótipos de filmes de terror na própria obra. Com a genial combinação do horror com humor, as sequências estreladas pela </span><i><span style="font-weight: 400;">final girl</span></i><span style="font-weight: 400;"> Sidney Prescott (Neve Campbell) se destacam justamente por não se levar a sério, e é por isso que </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i><span style="font-weight: 400;"> possui uma legião de fãs, os quais são extremamente aficionados pela narrativa instigante de tentar adivinhar quem está por trás dos assassinatos por parte do mascarado. Com a estreia do sexto longa-metragem, a história não seria diferente.</span></p>
<p><span id="more-30657"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após o sucesso inesperado de </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-filmes-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Scream</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2022)</span></a><span style="font-weight: 400;">, era claro que uma sequência seria confirmada. A nova aventura, ambientada em Nova York, diferentemente do cenário habitual da cidade de Woodsboro, acompanha os sobreviventes Sam (Melissa Barrera), Tara (Jenna Ortega), Chad (Mason Gooding) e Mindy (Jasmin Savoy Brown) tentando seguir em frente após os ataques sofridos no longa anterior, mas a sede de vingança do novo Ghostface é maior do que qualquer tentativa de superação de suas vítimas. Indo na perspectiva de uma ambientação inédita &#8211; uma vez que, com exceção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico 3</span></i><span style="font-weight: 400;">, todos os filmes se passaram na pequena cidade do estado da Califórnia -, observa-se que toda a construção do </span><a href="https://collider.com/scream-6-poster-nyc-subway-map/"><i><span style="font-weight: 400;">marketing</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Pânico 6</span></i><span style="font-weight: 400;"> se deu em volta da Cidade Que Nunca Dorme, algo que, no filme, é totalmente descartável. </span></p>
<figure id="attachment_30663" aria-describedby="caption-attachment-30663" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30663 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem.5-1-scaled.jpg" alt="Foto dos bastidores de Pânico 5. Nela, há duas pessoas: uma pessoa segurando uma faca com sangue e utilizando a fantasia do vilão Ghostface " width="2560" height="1537" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem.5-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem.5-1-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem.5-1-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem.5-1-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem.5-1-1536x922.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30663" class="wp-caption-text">Kevin Williamson, roteirista veterano e criador dos personagens de Pânico, volta à franquia para auxiliar os novos escritores (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a campanha de divulgação, Nova York era colocada como o foco de todas as narrativas e até usada como justificativa da grandiosidade do sexto projeto. Entretanto, infelizmente o pano de fundo usado nesse capítulo é completamente dispensável, visto que há apenas uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hJ-cLeZSrrg"><span style="font-weight: 400;">cena</span></a><span style="font-weight: 400;"> que contém a presença de algo característico da cidade &#8211; no caso, o famoso metrô nova-iorquino. Assim, o espaço em que a história se passa é pouco aproveitado pelos personagens: o enredo poderia se passar em qualquer outra cidade dos Estados Unidos. Nem mesmo a famosa Times Square é utilizada a favor da franquia, o que demonstra um certo despreparo dos roteiristas James Vanderbilt (</span><i><span style="font-weight: 400;">Zodíaco</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Guy Busick (</span><i><span style="font-weight: 400;">Urge</span></i><span style="font-weight: 400;">) &#8211; que, mesmo com o auxílio de Kevin Williamson (franquia </span><i><span style="font-weight: 400;">Scream</span></i><span style="font-weight: 400;">), não acertam no tom da abordagem de Nova York dentro dos moldes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ótima recepção do quinto filme da franquia serviu como uma porta de entrada dos fãs mais jovens ao subgênero </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i><span style="font-weight: 400;">, já que, a partir dele, uma nova geração, comandada pelas atrizes Melissa Barrera (</span><a href="https://personaunesp.com.br/em-um-bairro-de-nova-york-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Em Um Bairro de Nova York</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Jenna Ortega (</span><a href="https://personaunesp.com.br/wandinha-1a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Wandinha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), veio para substituir o trio original composto por Sidney (Campbell), Gale (Courteney Cox) e Dewey (David Arquette). De fato, um dos maiores acertos dos filmes mais recentes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a escolha do elenco: com a adição de Ortega à franquia, cenas icônicas como a famosa abertura &#8211; altamente esperada &#8211; ganham </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EOQ6el9AC9I"><span style="font-weight: 400;">uma nova roupagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, conversando diretamente com a geração atual. No entanto, há uma pergunta que precisa ser feita: ainda é necessária mais uma aventura comandada pelo Ghostface? </span></p>
<figure id="attachment_30662" aria-describedby="caption-attachment-30662" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30662" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/scream.6.foto_.2.jpg" alt="Cena do filme Pânico 6. Nela, estão 4 personagens, da esquerda para a direita são eles: uma mulher branca de cabelo longo e escuro, usando uma jaqueta preta; uma mulher branca de cabelo médio e escuro, usando uma jaqueta rosa; uma mulher negra de cabelo cacheado e curto, usando uma jaqueta laranja; e um homem negro de cabelo crespo e curto, usando um moletom cinza." width="681" height="383" /><figcaption id="caption-attachment-30662" class="wp-caption-text">Com a adição de novos personagens para a geração atual, a franquia acerta ao fazer com que o público se importe com eles (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A resposta para essa pergunta seria a própria existência de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico VI</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ao longo de seus 122 minutos, a produção apresenta ao público uma série de novos personagens, ao mesmo tempo em que há a volta de uma </span><a href="https://collider.com/hayden-panettiere-returning-scream-6/#:~:text=Paramount%20Pictures%20and%20Spyglass%20Media%20have%20announced%20that,was%20revealed%20to%20be%20one%20half%20of%20Ghostface."><span style="font-weight: 400;">peça icônica</span></a><span style="font-weight: 400;"> da franquia: a personagem Kirby (Hayden Panettiere), que sobreviveu aos ataques de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico 4</span></i><span style="font-weight: 400;"> e agora trabalha como uma agente investigativa. Mesmo com todo o seu carisma, a personagem de Panettiere não consegue tempo de tela o suficiente para justificar a sua presença, fazendo com que a sua participação seja indiferente no sexto filme. Esse é um dos maiores problemas do longa: há uma desproporcionalidade entre a quantidade de personagens para serem desenvolvidos e o tempo dado a cada um dos enredos que permeiam a história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, embora a brutalidade do Ghostface de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico 6</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja a melhor até o momento, a tão famosa motivação é revelada no </span><span style="font-weight: 400;">terceiro ato</span><span style="font-weight: 400;"> de uma forma rasa &#8211; por isso, há a necessidade de se perguntar se havia material suficiente para ser abordado. É totalmente compreensível que não deve ser fácil para uma franquia, após 26 anos de seu </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-25-anos/"><span style="font-weight: 400;">primeiro longa</span></a><span style="font-weight: 400;">, sustentar um motivo plausível para legitimar os ataques de um psicopata mascarado. As mortes estão mais gráficas, mais reais e violentas, o que levou à distribuidora a classificá-lo como </span><a href="https://attackofthefanboy.com/entertainment/scream-6-age-rating-and-parents-guide/#:~:text=Scream%206%20has%20been%20rated%20R%20for%20intense%2C,suitable%20for%20those%20under%2017%20years%20of%20age."><span style="font-weight: 400;">proibido</span></a><span style="font-weight: 400;"> para menores de 18 anos. </span></p>
<figure id="attachment_30659" aria-describedby="caption-attachment-30659" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30659" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/scream.6.foto_.3.jpg" alt="Cena do filme Pânico 6. Nela, encontra-se o assassino Ghostface com uma faca. Sua fantasia consiste em um manto preto e uma máscara branca com rosto deformado." width="1800" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/scream.6.foto_.3.jpg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/scream.6.foto_.3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/scream.6.foto_.3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/scream.6.foto_.3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/scream.6.foto_.3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/scream.6.foto_.3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30659" class="wp-caption-text">Embora haja problemas em relação ao espaço em que a história se passa, essa é a versão mais brutal do Ghostface até então (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que tenham diversas questões que fundamentam o término da franquia, há também motivos que se tornam cruciais para a persistência da sua presença. Um deles é a atuação da protagonista Sam Carpenter &#8211; que, embora em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico 5</span></i><span style="font-weight: 400;"> não tenha agradado muitos fãs, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Scream VI</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a alma do filme. Melissa Barrera transmite toda a dualidade de sua personagem, pois, diferente de Sidney &#8211; a </span><i><span style="font-weight: 400;">final girl</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos quatro primeiros longas -, Carpenter tem um lado psicopata muito vivo dentro de si mesma, o que permite ao público conferir uma profundidade e a luta de Sam ao lidar com a sua tendência para o mal. Os sobrinhos do icônico personagem Stu Macher (Matthew Lillard), interpretados pelos talentosos Jasmin Savoy Brown (</span><a href="https://personaunesp.com.br/yellowjackets-1a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Mason Gooding (</span><a href="https://personaunesp.com.br/cineclube-persona-junho-2019/"><i><span style="font-weight: 400;">Booksmart</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), também são duas adições necessárias que somente agregam ao universo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Scream</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto de destaque é a trilha sonora: ao ter a cantora </span><a href="https://open.spotify.com/artist/6S2OmqARrzebs0tKUEyXyp?si=l9QZxFRDTSKAgmTQ_-xPDg"><span style="font-weight: 400;">Demi Lovato</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; a qual, no momento, está em sua era </span><i><span style="font-weight: 400;">pop rock</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com a música inédita </span><a href="https://open.spotify.com/album/50Zsh8ekKxgClUUKoVQe9q?si=bLrsS0zAQOuDL3suhbh-ow"><i><span style="font-weight: 400;">Still Alive</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o filme dirigido por Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett (</span><a href="https://personaunesp.com.br/casamento-sangrento-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Casamento Sangrento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) acerta ao priorizar músicas que conversem com a dinâmica apresentada na história, uma vez que, por se tratar da franquia </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i><span style="font-weight: 400;">, é essencial que se tenha ao menos uma música marcante, como é o caso da canção </span><a href="https://open.spotify.com/track/0qHeP8zt2WWef7EWCs1ECj?si=73c70e807e9c4688"><i><span style="font-weight: 400;">Red Right Hand</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> da banda </span><a href="https://open.spotify.com/artist/4UXJsSlnKd7ltsrHebV79Q?si=-_6am6bER9mIIB43ow69yw"><span style="font-weight: 400;">Nick Cave and The Bad Seeds</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Scream</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1996). Focando em uma sonoridade mais alinhada ao </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, a trilha ainda possui a faixa </span><a href="https://open.spotify.com/album/0fAeiVQKeMPvewBk7UXsSm?si=-gI8hgxQSVO3xWNB_BySZQ"><i><span style="font-weight: 400;">In My Head</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://open.spotify.com/artist/6xBZgSMsnKVmaAxzWEwMSD?si=SRKnCikBRAu2c8IkqqeKCQ"><span style="font-weight: 400;">Mike Shinoda</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/artist/245PKF3hKjtxJKIG153kF0?si=pTFKLqy2TTqKx4TxVWsmIg"><span style="font-weight: 400;">Kailee Morgue</span></a><span style="font-weight: 400;">, feita especialmente para o filme.</span></p>
<figure id="attachment_30660" aria-describedby="caption-attachment-30660" style="width: 1150px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30660" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/scream.6.foto_.4.jpg" alt="Foto da cantora Demi Lovato. Nela, ela está segurando uma faca e sua unha está pintada de preto." width="1150" height="1186" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/scream.6.foto_.4.jpg 1150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/scream.6.foto_.4-776x800.jpg 776w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/scream.6.foto_.4-993x1024.jpg 993w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/scream.6.foto_.4-768x792.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30660" class="wp-caption-text">A canção Still Alive da cantora americana Demi Lovato conversa diretamente com a estética de Pânico 6 e por isso vale a pena ser escutada (Foto: Demi Lovato)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De modo geral, ainda que o carisma do novo elenco dos últimos dois filmes da franquia seja a alma da história, é preciso dizer adeus ao Ghostface. O vício de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;"> com as sequências que dão certo precisa parar, porque pode comprometer o legado &#8211; tão bem construído pelo diretor Wes Craven &#8211; de uma das franquias de terror mais famosas do mundo. Abordagens características de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i><span style="font-weight: 400;">, como os comentários sempre muito assertivos sobre </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2023/panico-historia-metalinguagem-franquia.html"><span style="font-weight: 400;">metalinguagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, aqui se tornam repetitivos e nada acrescentam à narrativa. E por mais que o sexto longa-metragem tenha a maior duração entre todos da franquia, erra ao não conseguir distribuir o tempo de tela entre os seus diversos personagens, fazendo, assim, com que certas presenças &#8211; como a de Courteney Cox (</span><a href="https://personaunesp.com.br/friends-25-anos-aniversario/"><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) &#8211; sejam ínfimas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao que tudo indica, pelo seu </span><a href="https://gizmodo.uol.com.br/panico-6-tem-melhor-abertura-de-bilheteria-da-franquia-e-assusta-creed-3/"><span style="font-weight: 400;">sucesso nas bilheterias</span></a><span style="font-weight: 400;">, a franquia ganhará uma possível sequência. Caso isso aconteça, é esperado que tenha um encerramento digno de um universo tão icônico e marcante do horror e a volta de Neve Campbell &#8211; que ficou de fora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Scream VI</span></i><span style="font-weight: 400;"> por não ser </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-1000015771/"><span style="font-weight: 400;">devidamente valorizada pelo estúdio</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; uma última vez para enfrentar o seu inimigo mascarado. E falando em um dos, se não o mais famoso assassino de filmes de terror, seria bom dar um descanso a sua imagem e deixá-lo se aposentar como um personagem icônico em vez de torná-lo maçante e superficial. Se realmente houver uma última aventura, é dever dos diretores garantirem ao seu público fiel a noite de terror mais saborosa de suas vidas, pois certamente o icônico Ghostface o fará.  </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pânico 6 | Trailer 2 Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Qz-xm5dEpf4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>C’mon C’mon: é preciso olhar para trás para seguir em frente</title>
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		<pubDate>Fri, 06 May 2022 19:04:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Larissa Silva “Como você imagina o futuro?&#8221;. Essa é a pergunta feita em C’mon C’mon ou Sempre em Frente, no título nacional, lançado em 2021 pela já consagrada produtora A24. No entanto, é o passado e a construção da memória que parecem permear o desenvolvimento da trama. O novo longa de Mike Mills dá continuidade &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cmon-cmon-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "C’mon C’mon: é preciso olhar para trás para seguir em frente"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27496" aria-describedby="caption-attachment-27496" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27496" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-1-800x400.jpg" alt="Cena do filme C’mon C’mon. A cena mostra Johnny, interpretado por Joaquin Phoenix, é barbudo, tem cabelo grande e com mechas levemente onduladas e veste uma camisa social. Ele está olhando para o sobrinho, uma criança vestida de pijama que retorna o olhar enquanto segura um livro. Ambos estão sentados na cama do quarto enquanto conversam." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-1-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-1-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-1-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-1-1200x600.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-1.jpg 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27496" class="wp-caption-text">No Brasil, C&#8217;mon C&#8217;mon teve sua estreia nos cinemas em 10 de fevereiro de 2022 (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Larissa Silva</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Como você imagina o futuro?&#8221;. </span></i><span style="font-weight: 400;">Essa é a pergunta feita em</span> <a href="https://a24films.com/films/cmon-cmon"><i><span style="font-weight: 400;">C’mon C’mon</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Sempre em Frente</span></i><span style="font-weight: 400;">, no título nacional, lançado em 2021 pela já consagrada produtora </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;">. No entanto, é o passado e a construção da memória que parecem permear o desenvolvimento da trama. O novo longa de </span><a href="https://collider.com/mike-mills-interview-cmon-cmon-joaquin-phoenix/"><span style="font-weight: 400;">Mike Mills</span></a><span style="font-weight: 400;"> dá continuidade à sua assinatura cinematográfica de teor sentimental, poético e autobiográfico. Enquanto filmes como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rXUFUp6vsxg"><i><span style="font-weight: 400;">Toda Forma de Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6JnFaltqnAY"><i><span style="font-weight: 400;">Mulheres do Século 20</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são inspirados, respectivamente, nas figuras paterna e materna do diretor e roteirista, </span><i><span style="font-weight: 400;">C’mon C’mon</span></i><span style="font-weight: 400;"> nasce de sua experiência cuidando do próprio filho.</span></p>
<p><span id="more-27495"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a interpretação de um </span><a href="https://www.abc.net.au/news/2022-02-20/cmon-cmon-movie-review-joaquin-phoenix-mike-mills/100836788"><span style="font-weight: 400;">Joaquin Phoenix</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais leve e introspectivo, vemos a contraposição do protagonista com a intensidade do papel que garantiu seu primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/oscar/2020/noticia/2020/02/10/joaquin-phoenix-ganha-o-oscar-2020-de-melhor-ator-por-coringa.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Coringa</span></a><span style="font-weight: 400;">. Johnny é um jornalista de rádio em Nova York que está levantando depoimentos de crianças de diferentes localidades sobre o futuro e recebe o desafio de cuidar do excêntrico, porém cativante, sobrinho de 9 anos, Jesse (Woody Norman), durante a ausência da mãe para acompanhar a reabilitação do marido bipolar. </span></p>
<figure id="attachment_27497" aria-describedby="caption-attachment-27497" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27497" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-2-800x483.jpg" alt="Cena do filme C’mon C’mon. É o reflexo de Johnny, interpretado por Joaquin Phoenix, em uma janela de vidro. Sua aparência é de um homem barbudo, já com cabelo branco e leves rugas no rosto. Está com um agasalho e mochila nas costas. Seu olhar é melancólico e contemplativo. " width="800" height="483" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-2-800x483.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-2-1024x619.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-2-768x464.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-2-1200x725.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-2.jpg 1486w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27497" class="wp-caption-text">C&#8217;mon C&#8217;mon é o primeiro filme de Joaquin Phoenix após a vitória do Oscar de Melhor Ator com Coringa (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto as entrevistas registram uma memória coletiva a respeito do </span><a href="https://www.blogs.unicamp.br/muitoalemdoverde/2018/05/02/criseambiental/"><span style="font-weight: 400;">contexto de desigualdades e problemáticas socioambientais</span></a><span style="font-weight: 400;">, bem como o impacto nas inseguranças sobre o futuro, a trajetória de Johnny e Jesse transita na formação da memória individual. Seja na desconstrução do hábito de reprimir os sentimentos por parte do menino, no que se refere às dificuldades omitidas pela família, ou pelo enfrentamento das antigas desavenças de Johnny com a irmã, a jornada entre os dois proporciona efeitos benéficos e com novas perspectivas para ambos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cinematografia em preto e branco, dirigida por Robbie Ryan, flerta com a melancolia na dramaticidade das situações impostas aos personagens, porém volta para a sensação de acolhimento no enfoque das conexões humanas e no sentimentalismo do dia a dia. </span><span style="font-weight: 400;">Tal ambientação pode ser vista de maneira desfavorável para o telespectador que deseja escapar da realidade para um mundo completamente diferente do seu, ao passo que outro perfil de público pode suprir sua necessidade por identificação ou ao menos na percepção sobre as relações humanas a partir de um enquadramento específico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora composta pelos irmãos </span><a href="https://shop.a24films.com/products/cmon-cmon-original-motion-picture-soundtrack"><span style="font-weight: 400;">Aaron e Bryce Dessner</span></a><span style="font-weight: 400;"> agrega um intimismo em meio a planos abertos de paisagens urbanísticas de Detroit, Nova York, Los Angeles e Nova Orleans. </span><span style="font-weight: 400;">Há, com isso, uma dualidade entre o plano geral e o particular, do mesmo modo com quais as temáticas abordadas pelas entrevistas são perpassadas pelos dilemas pessoais de Johnny e Jesse. </span></p>
<figure id="attachment_27498" aria-describedby="caption-attachment-27498" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27498" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-3-800x450.jpg" alt="Cena do filme C’mon C’mon. É um plano geral com destaque para a arquitetura de Nova York. Johnny e Jesse estão parados debaixo de uma ponte, bem distantes da câmera. Há um espaço vazio ao redor, com uma região cercada e construções ao fundo. Johnny é um homem mais velho que está agasalhado em frente ao Jesse, uma criança também agasalhada, segurando o microfone do equipamento de captação de som. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-3.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27498" class="wp-caption-text">Para Mike Mills, as imagens em preto e branco trazem uma qualidade de fábula para cenas que tratam de uma aproximação da realidade (Fonte: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir da mescla de ficção, autobiografia e documentário, Mike Mills trabalha com o levantamento de depoimentos espontâneos, feitos por j</span><span style="font-weight: 400;">ovens atores não treinados da Geração Z, para contribuir à criação de um longa mais genuíno em sua composição, refletido na produção e atuação. </span><span style="font-weight: 400;">Essa espontaneidade entre os entrevistados integrada à trama versa com um roteiro que, embora fictício, apresenta diretamente raízes em memórias e pessoas reais.</span><span style="font-weight: 400;"> As entrevistas foram agendadas pelo diretor com a consultoria da jornalista de rádio </span><a href="https://www.npr.org/2021/11/18/1056761922/mike-mills-cmon-cmon-joaquin-phoenix-a-24"><span style="font-weight: 400;">Kaari Pitkin</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ajudaram a manter a essência autêntica do filme. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O material utilizado em </span><i><span style="font-weight: 400;">C’mon C’mon</span></i><span style="font-weight: 400;"> abrange relatos verdadeiramente humanos de crianças sobre as problemáticas de teor socioambiental como meio de conscientização, bem como reflexões gerais sobre a vida. Ao mesmo tempo, vemos na ficção como os depoimentos particulares de Johnny ao decorrer da convivência com o sobrinho, acrescido da leitura de </span><a href="https://www.goldderby.com/article/2021/cmon-cmon-trailer-joaquin-phoenix/"><span style="font-weight: 400;">trechos literários</span></a><span style="font-weight: 400;"> como forma de contextualização, garantem uma delicadeza lúdica característica dos trabalhos de Mills. </span></p>
<figure id="attachment_27499" aria-describedby="caption-attachment-27499" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27499" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-4-800x533.jpg" alt="Bastidores do filme C’mon C’mon. O diretor Mike Mills está de pé, agasalhado com casaco, cachecol e touca. Ele usa óculos e olha para um pedaço de papel em mãos. Em frente, está o ator Joaquin Phoenix sentado, com uma camisa de manga longa e cabelo penteado para trás. Ele está olhando em direção diferente da de Mills. Atrás dos dois, há uma porta." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-4-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-4-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-4-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-4.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27499" class="wp-caption-text">Durante as gravações, Mike Mills reescreveu o roteiro diversas vezes e incentivou os atores a contribuírem com suas perspectivas para as falas (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Jesse, durante a maior parte da experiência, se recusa a ouvir e a expressar suas inseguranças. Isso fica evidente com a relutância do menino em pensar e relatar sua percepção sobre o futuro como as demais crianças, já que suas noções sobre o futuro tomam os assuntos familiares inacabados do passado como base, em vez de um maior contexto de impacto comum e público como a degradação do meio ambiente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A própria dinâmica do filme encontra refúgio no passado, conforme os </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks </span></i><span style="font-weight: 400;">retomam os mesmos momentos como na tentativa de recuperar algo dessas memórias. Vemos Johnny e a irmã Viv (Gaby Hoffmann) cuidando da mãe doente e discutindo entre si, Jesse brincando com o pai e ouvindo música clássica com sua mãe e entre outras situações que parecem permear a base desses relacionamentos.</span></p>
<figure id="attachment_27504" aria-describedby="caption-attachment-27504" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27504" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/06_05_2022_15_48_23-800x533.jpg" alt="Cena do filme C’mon C’mon. A cena mostra duas pessoas: o menino Jesse, de cabelo longo, camisa e calça, sentando em frente ao seu pai, que tem cabelo curto e barba curta, vestido com uma camisa social. Os dois estão na sala de estar, mobiliada com um piano atrás, poltrona logo ao lado, mesinha de canto na parte superior esquerda do cômodo, uma parte visível do sofá e quadros na parede. Ambos estão sentados em cima do tapete e fazem caretas enquanto mexem o rosto com as duas mãos." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/06_05_2022_15_48_23-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/06_05_2022_15_48_23-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/06_05_2022_15_48_23.jpg 950w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27504" class="wp-caption-text">O orçamento do longa foi de US$ 8,3 milhões, sendo considerado um filme independente (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No presente, as lembranças servem para ressignificar, contextualizar e trazer um novo olhar sobre a identidade de cada personagem. Do mesmo modo, o registro oral pelas gravações com desabafos e relatos pessoais de Johnny durante as situações episódicas com a criança trazem uma seletividade para a construção de uma memória que possa ser consultada em fases posteriores da vida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A preocupação com o esquecimento se faz nos diálogos da dupla, que vêem no registro e no compartilhamento da </span><a href="https://collider.com/mike-mills-cmon-cmon-themes-explained/"><span style="font-weight: 400;">memória</span></a><span style="font-weight: 400;"> como formas de reviver e ressignificar os aprendizados capazes de continuar a contribuir com cada um em seus diferentes rumos. Para seguir em frente, é preciso saber por onde passou, enfrentar os fantasmas do passado e reconhecer e reconstruir sua individualidade em meio à imensidão da dimensão coletiva.</span></p>
<figure id="attachment_27505" aria-describedby="caption-attachment-27505" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27505" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-6-800x479.jpg" alt="Cena do filme C’mon C’mon. A cena mostra Johnny, que está com o cabelo curto e a barba por fazer, vestindo uma camisa social e uma bolsa com o equipamento de gravação. Seu sobrinho, Jesse, está montando como &quot;cavalinho&quot; nele. Ambos estão em meio a uma multidão com trajes específicos da passarela do festival. " width="800" height="479" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-6-800x479.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-6-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-6-768x460.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Foto-6.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27505" class="wp-caption-text">C’mon C’mon conquistou mais de 90% de aprovação entre os críticos no Rotten Tomatoes (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">C’mon C’mon</span></i><span style="font-weight: 400;"> não apresenta grandes reviravoltas, não coloca obstáculos tangíveis e nem faz uso de alegorias visuais, mas esses não parecem ser o objetivo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XM5Ixgk8S0U&amp;t=222s"><span style="font-weight: 400;">Mike Mills</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em sua simplicidade artística, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sempre em Frente</span></i><span style="font-weight: 400;"> convida o telespectador a emergir na vida desses personagens e seus respectivos relacionamentos como uma forma de autorreflexão e confirmação da complexidade da vida cotidiana.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/cmon-cmon-critica/">C’mon C’mon: é preciso olhar para trás para seguir em frente</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Identidade: quanto vale o pertencimento?</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Mar 2022 16:29:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Em uma sociedade que precifica os seres humanos e os valoriza de forma desigual, vale a pena vender sua própria veracidade por dignidade plastificada? Caso esse não seja o principal questionamento inspirado por Passing – traduzido no Brasil como Identidade – com certeza é um de seus pilares. O longa-metragem lançado em novembro &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/identidade-passing-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Identidade: quanto vale o pertencimento?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26407" aria-describedby="caption-attachment-26407" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26407 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-01.jpg" alt="Cena do filme Identidade. Na imagem aparecem os rostos das personagens Irene Redfield, interpretada por Tessa Thompson, e ao seu lado Clare Bellew, interpretada por Ruth Negga. A fotografia é em preto e branco e as duas estão de perfil, Irene usa um chapéu com tons escuros e Clare usa um com cores claras, ao fundo a comunidade do Harlem aparece embaçada. " width="770" height="578" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-01.jpg 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-01-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26407" class="wp-caption-text">Identidade foi lançado pela Netflix em 2021 e marca a estreia de Rebecca Hall como diretora (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma sociedade que precifica os seres humanos e os valoriza de forma desigual, vale a pena vender sua própria veracidade por dignidade plastificada? Caso esse não seja o principal questionamento inspirado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Passing </span></i><span style="font-weight: 400;">– traduzido no Brasil como </span><i><span style="font-weight: 400;">Identidade </span></i><span style="font-weight: 400;">– com certeza é um de seus pilares. O longa-metragem lançado em novembro de 2021 na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um retrato delicado do quanto a sua própria pele pode ser sufocante em uma sociedade estruturada pelo racismo. O filme é a adaptação audiovisual do </span><a href="http://ovelhamag.com/ultrapassando-os-limites-da-cor/"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de mesmo nome escrito por </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/11/negra-que-se-passa-por-branca-move-as-tensoes-do-romance-identidade.shtml"><span style="font-weight: 400;">Nella Larsen</span></a><span style="font-weight: 400;">, e é também o trabalho de estreia da atriz </span><a href="https://www.npr.org/2021/11/30/1059824073/passing-rebecca-hall-film#:~:text=Music%20Of%202021-,'Passing'%20filmmaker%20Rebecca%20Hall%20shares%20the%20personal%20story%20behind%20her,mother%20also%20passed%20as%20white."><span style="font-weight: 400;">Rebecca Hall</span></a><span style="font-weight: 400;"> como diretora.</span></p>
<p><span id="more-26406"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada na Nova York de 1929, a produção nos coloca entre a dualidade de Irene Redfield (</span><a href="https://variety.com/2021/tv/features/tessa-thompson-passing-subtext-viva-maude-1235099237/"><span style="font-weight: 400;">Tessa Thompson</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Clare Bellew (</span><a href="https://stylecaster.com/ruth-negga-passing/"><span style="font-weight: 400;">Ruth Negga</span></a><span style="font-weight: 400;">), duas amigas de infância que se reencontram de maneira inesperada em uma parte da cidade dominada pela elite branca. O que Irene não esperava é que esse momento nostálgico vem acompanhado de uma mentira: a amiga tem apagado sua própria identidade e </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/opiniao/2020/07/18/internas_opiniao,873201/ancestralidade-africana-e-apropriacao-cultural.shtml"><span style="font-weight: 400;">ancestralidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> enquanto finge ser uma mulher branca. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Passing | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/trwq3CNCMkU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais aparente que seja a felicidade de Clare por desviar da discriminação e </span><a href="https://jornal.usp.br/atualidades/exclusao-social-do-negro-nao-pode-ser-ignorada-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">exclusão social</span></a><span style="font-weight: 400;">, isso tira dela o que realmente a faz feliz, sua </span><a href="https://racismoambiental.net.br/2020/04/23/a-cultura-negra-para-alem-da-escravidao/"><span style="font-weight: 400;">cultura</span></a><span style="font-weight: 400;">. Enquanto frequenta os melhores hotéis, bebe os champagnes mais caros e faz viagens pelo país, ela vive de modo artificial, e encontrar Irene revela um íntimo misto de esperança e tentação. Deslumbrada com a possibilidade de recuperar o tempo perdido longe das </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/materia/a-destruicao-do-harlem/"><span style="font-weight: 400;">comunidades negras</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela passa a se inserir na vida de Irene de forma transgressora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A personalidade marcante de Clare é perfeitamente moldada por Ruth Negga, que carrega em cada gesto a singularidade da personagem, sua postura e risada sempre extrovertidas revelam o quanto passar tantos anos vivendo como uma pessoa branca deram a ela uma confiança inabalável. Amparada por uma falsa segurança, ela afirma o que há de audacioso em si na circunstância de ser vista como parte de um privilégio em que a opressão nunca sequer foi uma possibilidade. Irene contraria esse comportamento – ainda que, coragem e confiança fossem características fortes dentro dos </span><a href="https://www.politize.com.br/movimento-negro/"><span style="font-weight: 400;">movimentos negros</span></a><span style="font-weight: 400;">– quando está em espaços intolerantes, anda com a cabeça baixa e faz gestos suaves e comedidos. Mesmo com a capacidade de se passar como branca, ela transborda um </span><a href="https://revistaperiferias.org/materia/que-se-afaste-o-medo/"><span style="font-weight: 400;">medo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Tessa Thompson sabe traduzir de maneira impecável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a escolha de uma fotografia (responsabilidade de Eduard Grau) em formato quadrado e em </span><a href="https://screenrant.com/passing-movie-black-white-cinematography-story-why/"><span style="font-weight: 400;">preto e branco</span></a><span style="font-weight: 400;">, a direção de arte nos leva a uma verdadeira viagem no tempo e, em paralelo, concretiza as sensações de tensão e angústia que permeiam a narrativa. Os tons de cinza, preto e branco conferem aos personagens contrastes únicos e bastante simbólicos, as protagonistas aparecem em tons claros, o que reforça a questão da </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/blog/2021/06/a-passabilidade-e-a-politica-de-embranquecimento/"><span style="font-weight: 400;">passabilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e capacidade de camuflagem dentro da sociedade.</span></p>
<figure id="attachment_26408" aria-describedby="caption-attachment-26408" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26408" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2..jpg" alt="Cena do filme Identidade. Na fotografia aparecem os personagens Clare Bellew, interpretada por Ruth Negga, e ao lado direito da imagem o marido, John Bellew, interpretado por Alexander Skarsgård. A cena é em preto e branco, ela aparece com os cabelos soltos e expressa um sorriso, ele está com os cabelos penteados para trás e usa uma barba curta. " width="800" height="519" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2..jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2.-768x498.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26408" class="wp-caption-text">O filme foi lançado durante o Festival de Sundance de 2021, e logo na sequência adquirido para distribuição pela Netflix (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A dinâmica da casa da família Redfield no </span><a href="https://amsterdamnews.com/news/2021/11/11/passing-brings-harlem-in-the-20s-to-netflix/"><span style="font-weight: 400;">Harlem</span></a><span style="font-weight: 400;"> muda após a chegada de Clare e traz à tona sensações de desconforto em Irene, que aos poucos começa a se incomodar com os sentimentos dos filhos e do marido Brian Redfield (</span><a href="https://www.instyle.com/celebrity/andre-holland-interview-passing-2021"><span style="font-weight: 400;">Andre Holland</span></a><span style="font-weight: 400;">) em relação a amiga. Como a própria Clare diz em um certo ponto do longa, ela faria de tudo para recuperar o que perdeu e isso dá a entender que roubar a vida de Irene para si é uma possibilidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que o enredo deixe a </span><a href="https://www.pondoascartasnamesa.com/post/rivalidade-feminina-quem-ganha-com-isso"><span style="font-weight: 400;">rivalidade feminina</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre elas em foco na história, </span><i><span style="font-weight: 400;">Identidade</span></i><span style="font-weight: 400;"> acaba desencadeando em suas entrelinhas a interpretação de que a relação delas poderia ser mais que apenas amizade. Os olhares e a inquietação presente nas cenas em que as duas interagem, deixam no ar a possibilidade de uma </span><a href="https://divamag.co.uk/2021/11/12/review-passing-netflix/"><span style="font-weight: 400;">atração romântica</span></a><span style="font-weight: 400;">. A hipótese parece ainda mais viável quando em um diálogo com o amigo Hugh (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-gambito-da-rainha-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bill Camp</span></a><span style="font-weight: 400;">), Irene fala sobre o efeito de curiosidade que Clare causava nas pessoas.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma vez que a palavra passabilidade é sobre a capacidade de se encaixar em uma identidade diferente da originária, tanto o título original quanto o traduzido adquirem um significado ideal para a trama e todas as suas possibilidades. Da vida falsa que Clare leva a todas as camadas que Irene esconde, elas se passam, e misturadas ao preto e branco da tela se encontram em seus tons de cinza em comum. A leitura de terceiros e o que enxergam nas personagens não as faz menos pertencentes à racialidade negra, ainda assim, as coloca em uma posição em que partilham de vivências carregadas de incertezas sobre si mesmas. </span></p>
<figure id="attachment_26409" aria-describedby="caption-attachment-26409" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26409" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03.jpg" alt="Fotografia dos bastidores do filme Identidade. Na imagem aparecem as atrizes Ruth Negga e Tessa Thompson e a diretora Rebecca Hall. As três estão no cenário do café, Ruth é uma mulher negra e veste um vestido rosa e um sobretudo preto, Tessa é uma mulher negra e usa um vestido cinza e um chapéu bege, Rebecca é uma mulher de pele branca e veste um moletom vinho e uma saia preta. É possível ver o microfone e plantas ao fundo da foto. " width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26409" class="wp-caption-text"><i>Rebecca Hall </i><a href="https://www.rogerebert.com/chazs-blog/passing-director-rebecca-hall-learns-the-truth-of-her-family-history-on-finding-your-roots"><i>contou</i></a><i> que escolheu produzir, escrever e dirigir Identidade por causa de suas raízes afro-americanas (Foto: Netflix)</i></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto ao racismo, este poucas vezes precisa ser dito em palavras para fazer parte do contexto, com comportamentos de personagens secundários e diálogos rápidos a história revela o quanto a </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2016/11/01/internacional/1478010009_616978.html"><span style="font-weight: 400;">segregação racial</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos Estados Unidos construiu uma vivencia temerária para a população negra. Os espaços ainda inacessíveis para os afrodescendentes e os </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160110_eua_segregacao_fn"><span style="font-weight: 400;">bairros</span></a><span style="font-weight: 400;"> habitados exclusivamente por um grupo racial mostram o preconceito como uma parte natural da vida norte-americana. Além disso, brancos dizerem abertamente que odiavam pessoas negras era normalizado, e é algo que o próprio marido de Clare declara. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da discriminação, Irene se mostra totalmente alheia ao estado político e social alarmante em que vive, talvez por estar em um estado de apatia em que imagina que o máximo que pode acontecer é ser chamada pela </span><a href="https://www.efigenias.com.br/2010/10/n-word-o-que-e-afinal.html"><i><span style="font-weight: 400;">n-word</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Brian contraria esse comportamento e se mostra muito preocupado com a segurança da família, mas toda vez que tenta contar aos filhos sobre as mortes e torturas, é cortado por Irene e seu ideal de que proteger as crianças é omitir o que acontece. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto presente na trama que chama atenção, é a relação da senhora Redfield com a empregada de sua casa. Quase todas as interações entre elas são ordens em cenas que sempre vêm acompanhadas de um serviço doméstico. O foco da filmagem nesses momentos, inconscientemente nos leva a questionar sobre a desigualdade existente dentro das </span><a href="https://www.politize.com.br/o-que-sao-minorias/"><span style="font-weight: 400;">minorias sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Zu (Ashley Ware Jenkins) é uma mulher retinta que está em um lugar de menos oportunidades em relação à pessoas negras de pele clara, essa perspectiva evidencia a disparidade inserida nos grupos minoritários e a habitualidade que coloca pessoas mais distantes das camadas dominantes proporcionalmente distantes da ascensão e aceitação social.</span></p>
<figure id="attachment_26410" aria-describedby="caption-attachment-26410" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26410" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5.jpg" alt="Cena do filme Identidade. Na imagem aparece Irene parada em frente a um ônibus, a  fotografia é em preto e branco. A personagem usa um chapéu e uma blusa de manga três quartos em tons claros, usa uma bolsa de mão e um colar de contas e segura sacolas de compras. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26410" class="wp-caption-text">“É fácil para um negro se passar por branco, não tenho certeza se seria simples um branco se passar por negro” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário do que era esperado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Identidade</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi esnobado pelo </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-60303561"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">: a expectativa era a de que Tessa e Ruth recebessem indicações de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante. Entretanto, a presença do filme não foi esquecida por outras premiações. No </span><i><span style="font-weight: 400;">Gotham Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2021, recebeu cinco nomeações, assim como apareceu na lista de vencedores do </span><i><span style="font-weight: 400;">Black Film Critics Circle Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> do mesmo ano. No </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> e no </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG</span></i><span style="font-weight: 400;"> (Sindicato dos Atores), Negga foi lembrada, assim como no Globo de Ouro. </span><i><span style="font-weight: 400;">Passing </span></i><span style="font-weight: 400;">também apareceu nas listas do </span><i><span style="font-weight: 400;">Film Independent Spirit Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, premiação independente mais importante dos EUA, e Negga venceu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante</span><span style="font-weight: 400;">. Rebecca Hall ainda apareceu na prestigiosa lista do Sindicato dos Diretores, na categoria de Estreante.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Identidade</span></i><span style="font-weight: 400;"> abandona a ideia de uma narrativa impetuosa e direta e escolhe retratar a temática racial com suavidade, constituindo uma atmosfera que carrega muito de si dentro das entrelinhas e permite uma pluralidade de percepções admirável. Ao ser desenvolvida um momento temporal que ao mesmo tempo nos parece tão distante e – infelizmente – tão próximo, a produção abraça uma reflexão sobre </span><a href="https://cienciahoje.org.br/artigo/a-relacao-entre-branquitude-e-privilegio/"><span style="font-weight: 400;">privilégios</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.politize.com.br/colorismo/"><span style="font-weight: 400;">colorismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/a-descoberta-da-negritude/"><span style="font-weight: 400;">pertencimento</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, a obra cumpre seu propósito de uma maneira muito bem aplicada enquanto passa longe de reconfortante, aliás, é aflita. A ausência de uma abordagem enérgica faz com que, como na vida, não consigamos julgar as atitudes dos personagens de forma extrema ou bem definida, afinal, cada um tem suas razões e não há como simplesmente escancarar o que é certo ou não. Ao fim, entre sobreviver pela metade ou viver inteiro e acompanhado pelo medo, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Identidade</span></i><span style="font-weight: 400;">, nenhuma das opções parece contemplar o mínimo de justiça.</span></p>
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		<title>Only Murders in the Building: a série da Selena Gomez é um bom podcast</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Nov 2021 15:28:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Larissa Vieira Embarcando na modinha de podcasts true crime e a popularização ainda maior de casos criminais, a Hulu decidiu trazer essa aposta para o streaming com Only Murders in the Building (ou, como popularmente ficou conhecida, a série da Selena Gomez). Na contramão, ao invés de escalar um grupo de cinco atores adultos interpretando &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/only-murders-in-the-building-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Only Murders in the Building: a série da Selena Gomez é um bom podcast"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24345" aria-describedby="caption-attachment-24345" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24345 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1-1-scaled.jpg" alt="Imagem da série Only Murders in the Building. Na imagem, da esquerda para direita, uma mulher branca, de cabelos pretos presos em rabo, usa um casaco de pelo marrom, com uma blusa amarela; ao meio, um homem branco, de cabelos curtos grisalhos usa um casaco preto; e por fim, um homem branco, usa um chapéu e óculos pretos, assim como um casaco preto. Os três estão com expressões assustadas e ao fundo vemos uma porta." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1-1-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-1-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24345" class="wp-caption-text">A aposta da Hulu em true crimes populares do Spotify é boa, mas nada revolucionária para a Televisão (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><b>Larissa Vieira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embarcando na modinha de </span><i><span style="font-weight: 400;">podcasts true crime</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a popularização ainda maior de casos criminais, a </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/cultura-geek/207230-disney-star-conteudos-adultos-hulu-fox-brasil.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Hulu</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> decidiu trazer essa aposta para o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><span style="font-weight: 400;">com </span><i><span style="font-weight: 400;">Only Murders in the Building</span></i><span style="font-weight: 400;"> (ou, como popularmente ficou conhecida, a série da Selena Gomez). Na contramão, ao invés de escalar um grupo de cinco atores adultos interpretando adolescentes do </span><i><span style="font-weight: 400;">high school</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos Estados Unidos &#8211; como a conturbada </span><i><span style="font-weight: 400;">Pretty Little Liars</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a perdida </span><a href="https://personaunesp.com.br/riverdale-4a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Riverdale</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; a produção traz de volta três renomados (e nostálgicos) nomes da Televisão norte-americana: a dupla dinâmica, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=m0_A6KtjgnI"><span style="font-weight: 400;">Martin Short e Steve Martin</span></a><span style="font-weight: 400;">, e </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/selena-gomez/"><span style="font-weight: 400;">Selena Gomez</span></a><span style="font-weight: 400;"> (afinal, para a década de 2020 até o nome da cantora se tornou nostálgico na TV).</span></p>
<p><span id="more-24344"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Criada pelo próprio protagonista de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aQj9rpjs3YQ"><i><span style="font-weight: 400;">O Pai da Noiva</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, junto de John Hoffman, a trama ainda faz uma homenagem (nada inovadora para o cenário atual, mas ainda assim um bom tributo) à agitada </span><a href="https://personaunesp.com.br/em-um-bairro-de-nova-york-critica/"><span style="font-weight: 400;">Nova York</span></a><span style="font-weight: 400;">. Baseada quase que inteiramente no </span><a href="https://www.atlasofwonders.com/2021/09/arconia-only-murders-in-the-building-locations.html"><span style="font-weight: 400;">Arconia</span></a><span style="font-weight: 400;">, prédio fictício do Upper West Side, conta a história de três moradores desconhecidos que se ligam por simples dois motivos: eles são amantes do mesmo </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast true crime</span></i><span style="font-weight: 400;"> e eles foram as últimas pessoas (além do assassino, claro) a estarem com o falecido Tim Kono (Julian Cihi). Intrigados com o até então suicídio, o trio de personalidades distintas se une a fim de solucionarem um crime (e no caminho se tornarem grandes </span><i><span style="font-weight: 400;">podcasters</span></i><span style="font-weight: 400;">), devido à sua bagagem de conhecimento por conta do programa que ouviam.</span></p>
<figure id="attachment_24346" aria-describedby="caption-attachment-24346" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24346 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2.jpg" alt="Imagem da série Only Murders in the Building. Da esquerda para direita, um homem branco, usa chapéu, óculos e chapéu preto, segura com as mãos um saco de mercado bege. Ao meio, um homem branco, grisalho, usa um casaco azul e cachecol rosa, segura três caixas de papelão e por fim, uma mulher branca, usa um gorro amarelo, fones vermelhos, um casaco de pelo bege, uma blusa amarela por baixo. Ao fundo, uma parede de madeira escura. " width="1400" height="1050" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-2-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24346" class="wp-caption-text">Com estreia exclusiva no Brasil pelo Star+, Only Murders in the Building, apesar de falha, é o respiro de sucesso do streaming (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Conhecida a narrativa principal apresentada a nós praticamente nos quatro primeiros episódios, que foram disponibilizados em uma leva só, queremos embarcar nesse enredo que até então foi curioso, interessante e leve (apesar do crime). A relação dos senhores, Charles-Haden Savage (Martin), Oliver Putnam (Short) e em contraponto com a jovem Mabel Mora (Gomez) é o primeiro destaque que te faz querer ficar na série, afinal a maestria do choque de gerações traz um refresco perante os clichês criminais adolescente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alinhado a isso, temos suas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AC3QJV89CtQ"><span style="font-weight: 400;">personalidades particulares</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se complementam e repelem, ao mesmo tempo: o ex-ator de comédia é aquele desiludido amorosamente, ainda buscando a grandeza após seu sucesso tremendo como </span><i><span style="font-weight: 400;">Brazzos</span></i><span style="font-weight: 400;">; o ex-diretor da </span><i><span style="font-weight: 400;">Broadway</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o nosso elo cômico que vem com uma bagagem de frustrações, tanto pessoais quanto profissionais; e, por fim, o alívio “jovem” para a trama, carrega a escuridão de ser uma das personagens mais ligadas ao falecido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, antes mesmo de vermos o desfecho da trama, temos certeza que o que sustenta sua narrativa são essas três figuras e seu relacionamento. Mas, independente disso, sua história se desenvolve como um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PFDDQoWxUR0"><span style="font-weight: 400;">bom </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">true crime</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que não necessita dessas grandes figuras para se tornar um elemento de sucesso, mas que quando levados à Televisão, sem eles, seria um grande fracasso. Apesar disso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Only Murders in the Building</span></i><span style="font-weight: 400;"> merece sim destaque em determinadas cenas e, em principal foco, um episódio: o sétimo. </span></p>
<figure id="attachment_24347" aria-describedby="caption-attachment-24347" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24347 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3.jpg" alt="Imagem da série Only Murders in the Building. Da esquerda para direita, um homem branco, grisalho, usa óculos bege, uma camisa branca, colete azul marinho e um casaco preto sob. Ao meio, um homem branco, também grisalho, usa uma camisa quadriculada azul, um cachecol preto e um casaco marrom por cima; ele está com as mãos para cima. Por fim, uma mulher branca, de cabelos pretos presos em rabo, olha para eles com a cabeça apoiada na mão direita, usa uma blusa longa branca por baixo de um colete bege. A frente deles, uma mesa marrom escura, com folhas, canetas e adereços decorativos." width="1500" height="844" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24347" class="wp-caption-text">“Os nova-iorquinos têm uma forma especial de se comunicar. E por especial, quero dizer direta” (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após um mês de estreia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Only Murders in the Building</span></i><span style="font-weight: 400;"> já havia sido deixada de lado pela mídia. Mas foi quando o sétimo episódio, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UNVGmVP2f_E"><i><span style="font-weight: 400;">O Garoto do Apartamento 6B</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, estreou, que a chama </span><a href="https://www.vulture.com/article/only-murders-in-the-building-season-1-episode-7.html#:~:text=%E2%80%9CThe%20Boy%20From%206B%E2%80%9D%20answers,the%20murder%20of%20Tim%20Kono.&amp;text=Teddy%20might%20be%20a%20murderer,in%20musicals%20(Splash%20aside)."><span style="font-weight: 400;">reacendeu</span></a><span style="font-weight: 400;">. Causando estranheza, no início, o capítulo é totalmente sem falas, até seu último segundo (literalmente). Mas, não só sem elas ele se fez, a construção sonora do caso é intrigante ao ponto de se esquecer deles e, principalmente, solucionar o crime &#8211; naquele instante. O caminhar do som, junto do uso da linguagem de sinais entre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bS75qsLeMxA"><span style="font-weight: 400;">Teddy Dimas</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Nathan Lane) e seu filho surdo Theo Dimas (</span><a href="https://disneyplusbrasil.com.br/quem-e-james-caverly-o-theo-de-only-murders-in-the-building-ele-e-realmente-surdo/"><span style="font-weight: 400;">James Caverly</span></a><span style="font-weight: 400;">), faz com que a investigação seja concluída de uma forma interessante, como por exemplo, um </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">true crime</span></i><span style="font-weight: 400;"> não conseguiria. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É durante o sétimo episódio, também, que podemos notar uma particularidade quase imperceptível da produção. Com ele, percebemos que cada trama trouxe uma perspectiva diferente sobre o crime (do trio principal, do falecido </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RNfYWUBggkc"><span style="font-weight: 400;">Tim Kono</span></a><span style="font-weight: 400;">, dos primeiros suspeitos, e até mesmo dos fãs do </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast</span></i><span style="font-weight: 400;">), de diferentes olhares do Arconia. Essa mudança de ver, no entanto, causa duas coisas: uma visão geral do homicídio como um todo, mas também, nos 3 episódios seguintes fica fácil entender quem é o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VuEGZaT9q30"><span style="font-weight: 400;">verdadeiro assassino</span></a><span style="font-weight: 400;">, tirando um pouco da magia final de uma história de assassinato.</span></p>
<figure id="attachment_24348" aria-describedby="caption-attachment-24348" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24348 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4.jpg" alt="Imagem da série Only Murders in the Building. Na imagem, um homem branco, de cabelos pretos curtos, usa um suéter marrom e esta com as mãos juntas ao centro do corpo, como se estivesse rezando. Ao fundo, podemos ver um sofá branco com abajures e spot de luz nas paredes bege. " width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/IMAGEM-4-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24348" class="wp-caption-text">O sétimo episódio entrega muito mais do que 32 minutos sem falas (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Há então, a tentativa e a esperançosa abertura para uma </span><a href="https://www.papelpop.com/2021/09/only-murders-in-the-building-e-renovada-para-2a-temporada/"><span style="font-weight: 400;">segunda temporada</span></a><span style="font-weight: 400;">, que é construída nos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NxErsMfgzJQ"><span style="font-weight: 400;">cinco minutos finais da temporada</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar de ser intrigante o fato deles agora estarem envolvidos no crime a ser solucionado, a trama não é nada nova para uma série criminal, que já construiu caminhos mais ousados que esse. Apesar disso, é importante destacar que o espectador, que conheceu e entendeu a narrativa construída por Steve Martin e John Hoffman, não perdeu o brilho pela história e buscará novos olhares no novo ano da produção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso porque ele pode entender que em questão de enredo, era mais fácil abrir o </span><a href="https://open.spotify.com/search/true%20crime/podcasts"><i><span style="font-weight: 400;">Spotify</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou qualquer agregador de </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast</span></i><span style="font-weight: 400;">, que encontraria </span><i><span style="font-weight: 400;">true crimes </span></i><span style="font-weight: 400;">similares a esse, até mais interessantes e inovadores. No entanto, as portas que o mundo televisivo abriram para o enredo sonoro, como as personagens, a mudança de olhar quase que imperceptível e momentos sem som, foram o que tornaram </span><i><span style="font-weight: 400;">Only Murders in the Building</span></i><span style="font-weight: 400;"> essa montanha-russa de picos altos e baixos pelas ondas sonoras do </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Only Murders in the Building | Trailer Oficial Legendado | Star+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/bL15iO-YC3A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Faz de Conta que NY é uma Cidade é um passeio caloroso por uma das cidades mais famosas do mundo</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Sep 2021 23:08:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caio Machado Provocar discussões e causar polêmicas tornou-se algo fácil com a popularização das redes sociais. Na maioria dos casos, os dois ingredientes necessários para tanto são falta de noção e uma grande quantidade de desrespeito. Encontrar alguém disposto a dialogar de forma educada tem se tornado cada vez mais raro. Fran Lebowitz, protagonista da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/faz-de-conta-que-ny-e-uma-cidade-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Faz de Conta que NY é uma Cidade é um passeio caloroso por uma das cidades mais famosas do mundo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22802" aria-describedby="caption-attachment-22802" style="width: 1086px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22802" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NY-1.png" alt="Cena da série Faz de Conta que Nova York é uma Cidade exibe uma mulher idosa parada em meio à uma maquete da cidade de Nova York. Ela tem cabelo comprido, ondulado e poucas rugas no rosto. Usa um óculos redondo e veste uma camisa branca com paletó de cor escura. " width="1086" height="652" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NY-1.png 1086w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NY-1-800x480.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NY-1-1024x615.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NY-1-768x461.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22802" class="wp-caption-text">A série dirigida por Martin Scorsese recebeu 1 indicação ao Emmy 2021 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Caio Machado</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Provocar discussões e causar </span><a href="https://personaunesp.com.br/them-critica/"><span style="font-weight: 400;">polêmicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> tornou-se algo fácil com a popularização das redes sociais. Na maioria dos casos, os dois ingredientes necessários para tanto são falta de noção e uma grande quantidade de desrespeito. Encontrar alguém disposto a dialogar de forma educada tem se tornado cada vez mais raro. Fran Lebowitz, protagonista da minissérie documental </span><i><span style="font-weight: 400;">Faz de Conta que NY é uma Cidade</span></i><span style="font-weight: 400;">, mostra que ainda existem pessoas capazes de questionar valores e crenças sem serem ofensivas. </span></p>
<p><span id="more-22800"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo dos sete episódios, acompanhamos as conversas entre a escritora e o diretor </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-bons-companheiros-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">Martin Scorsese</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre diversos assuntos, como a mudança de comportamento da população de Nova York, a forma como nos relacionamos com a arte e o valor que a sociedade dá ao dinheiro. No </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pretend It’s a City</span></i><span style="font-weight: 400;"> recebeu uma indicação na categoria Melhor Série Documental ou de Não-Ficção, na qual também concorrem outras quatro: </span><i><span style="font-weight: 400;">Allen v. Farrow</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">American Masters</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">City So Real</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Secrets of the Whales</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_22803" aria-describedby="caption-attachment-22803" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22803" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NY-5.jpg" alt="Cena da série Faz de Conta que Nova York é uma Cidade exibe uma mulher idosa sentada em uma poltrona vermelha de sua biblioteca pessoal. Ela tem cabelo longo, ondulado e tem poucas rugas no rosto. Usa óculos redondo. Veste uma camisa branca com paletó de cor escura e uma calça jeans. Ela está sentada de pernas cruzadas e está com um livro na mão. No lado esquerdo, vemos um abajur e, do lado direito, vemos uma mesinha com livros em cima. Atrás dela, uma estante repleta de livros cobre a parede. " width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NY-5.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NY-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NY-5-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22803" class="wp-caption-text">Seu amor pela literatura começou logo na infância e não parou mais (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">À primeira vista, ver uma senhora de setenta anos de idade </span><a href="https://personaunesp.com.br/invincible-critica/"><span style="font-weight: 400;">opinando</span></a><span style="font-weight: 400;"> (e reclamando) sobre tópicos variados não parece um passatempo dos mais interessantes para quem não a conhece. Porém, logo de início, Fran Lebowitz revela uma sagacidade e senso de humor que prendem nossa atenção e nos deixam com vontade de ouvir o que ela tem a dizer, mesmo que não concordemos com alguns de seus posicionamentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção elegante de Martin Scorsese contribui para deixar o </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-nunca-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">clima</span></a><span style="font-weight: 400;"> das conversas mais intimista e adota enquadramentos que dão espaço para sua protagonista gesticular o quanto quiser enquanto está falando. O ângulo por cima do ombro, utilizado durante as entrevistas no bar, faz com que o público se sinta como se fosse um velho amigo de Lebowitz e estivesse sentado à mesa junto dela, se divertindo tanto de suas piadas quanto Scorsese se diverte.</span></p>
<figure id="attachment_22804" aria-describedby="caption-attachment-22804" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22804" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NY-3.jpg" alt="Cena de Faz de Conta que Nova York é uma Cidade exibe uma mulher idosa sentada à mesa de um bar, que aparece desfocado ao fundo. Ela tem cabelo comprido, ondulado e poucas rugas no rosto. Usa um óculos redondo e veste uma camisa branca com paletó de cor escura. Ela sorri. Ao seu lado, há um copo com bebida." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NY-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NY-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NY-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NY-3-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22804" class="wp-caption-text">As conversas com Scorsese no bar são aconchegantes (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A escritora de personalidade forte não fica parada em um lugar só. Moradora de Nova York há décadas (e que não quer se mudar de jeito nenhum), acompanhamos seus passeios por lugares famosos da cidade, que também foi local onde se passavam os filmes do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g9xHpS10CZ0"><span style="font-weight: 400;">início da carreira de Scorsese</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É perceptível a reverência que o cineasta tem pelo ambiente. Sua direção faz uma bela </span><a href="https://personaunesp.com.br/super-8-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">homenagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> à cidade que o ajudou a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-2w233bAwgY"><span style="font-weight: 400;">chegar onde chegou</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os enquadramentos abertos enfatizam a grandiosidade de uma Nova York que flui freneticamente ao redor de Fran, mas que também tem sua beleza nos detalhes, como as placas metálicas que exibem frases famosas no chão ou mesmo a iluminação da Times Square durante a noite. Pontos turísticos, como o touro de Wall Street e a Estação Grand Central, são tratados como lugares mágicos devido à </span><a href="https://www.politize.com.br/occupy-wall-street/"><span style="font-weight: 400;">importância histórica</span></a><span style="font-weight: 400;"> que carregam.</span></p>
<figure id="attachment_22805" aria-describedby="caption-attachment-22805" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22805" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/ny-2.jpg" alt="Cena de Faz de Conta que Nova York é uma Cidade exibe dois idosos em uma biblioteca. A mulher conversa com alguém atrás da câmera. Ela tem cabelo longo ondulado, veste uma camisa branca com paletó preto e usa óculos redondos. Tem poucas rugas no rosto. Ao lado esquerdo, vemos um homem que ri de uma piada dela. Ele veste terno preto e tem cabelo e sobrancelhas brancos por causa da idade. " width="2048" height="1365" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/ny-2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/ny-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/ny-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/ny-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/ny-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/ny-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22805" class="wp-caption-text">A amizade dos dois é tanta que Fran até atuou em um dos filmes de Scorsese, O Lobo de Wall Street (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A importância da cidade para o </span><a href="https://personaunesp.com.br/boys-state-critica/"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> não se restringe somente ao âmbito das imagens e permeia a conversa em todos os episódios, praticamente como uma segunda personagem principal. Nomes de ruas, estações de trem e pessoas marcantes para a história da cidade são citados e a série se esforça para dar referências visuais ao que estão se referindo, para que aqueles que não vivem na cidade não fiquem perdidos. Faz um ótimo trabalho ao contextualizar as informações, mas é inevitável que os não-moradores não entendam uma coisa ou outra. Certas coisas é preciso viver para saber. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Faz de Conta que NY é uma Cidade </span></i><span style="font-weight: 400;">é um mergulho nos pensamentos de Fran Lebowitz, cuja história de vida se entrelaça com a da própria cidade que a recebeu quando ainda era uma jovem sem dinheiro no bolso. Consegue divertir e fazer rir, ao mesmo tempo que oferece uma perspectiva mais madura sobre assuntos amplamente discutidos hoje em dia, como a relação da juventude com as </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/"><span style="font-weight: 400;">redes sociais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e se é possível </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MbATr7nYyOQ"><span style="font-weight: 400;">separar a arte do artista</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Você pode não concordar com algumas coisas que ela diz, mas ela os faz com tamanha educação e clareza de ideias que ouvi-la falar já é um prazer por si só. A direção de Scorsese, seu amigo de longa data, faz com que o público se sinta tão próximo dela e da cidade quanto ele é. Depois de ver a série, um pensamento fica: talvez devamos dar mais atenção ao que os mais velhos têm a dizer. Afinal, talvez possamos ter uma grata surpresa. </span></p>
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