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	<title>Arquivos Noir &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Quanto custa uma noite no Motel Destino?</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Aug 2024 18:38:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Giovanna Freisinger Efervescente, colorido e quente, Motel Destino propõe um noir no calor do Ceará. O novo longa do diretor Karim Aïnouz chega aos cinemas após celebrada estreia no Festival de Cannes, onde concorreu à Palma de Ouro. Aïnouz repete a parceria com a diretora de Fotografia francesa Hélène Louvart, que também trabalhou ao seu &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/motel-destino-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quanto custa uma noite no Motel Destino?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33838" aria-describedby="caption-attachment-33838" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33838" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3-1.png" alt="Cena do filme Motel Destino. À esquerda, uma mulher está de lado, virada para Heraldo. Ela está com um cigarro entre os dedos na altura da boca dele e eles estão se olhando." width="1024" height="682" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3-1.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3-1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3-1-768x512.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33838" class="wp-caption-text">Motel Destino é o primeiro filme de Aïnouz rodado inteiramente no Ceará desde O Céu de Suely, de 2006 (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Efervescente, colorido e quente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Motel Destino </span></i><span style="font-weight: 400;">propõe um </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;"> no calor do Ceará. O novo longa do diretor Karim Aïnouz chega aos cinemas após celebrada estreia no </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/estreia-de-motel-destino-reune-famosos-em-cannes.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde concorreu à </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/estadao-conteudo/2024/05/25/festival-de-cannes-anora-de-sean-baker-ganha-palma-de-ouro.htm"><span style="font-weight: 400;">Palma de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aïnouz repete a parceria com a diretora de Fotografia francesa </span><a href="https://personaunesp.com.br/nezouh-critica/"><span style="font-weight: 400;">Hélène Louvart</span></a><span style="font-weight: 400;">, que também trabalhou ao seu lado em </span><a href="https://cinefestivais.com.br/formas-de-voltar-para-casa-karim-ainouz-fala-sobre-a-vida-invisivel/"><i><span style="font-weight: 400;">A Vida Invisível</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. É o olhar dela que define o tom da história, através das cores saturadas e texturas granuladas que levam ao visual frenético.</span></p>
<p><span id="more-33832"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na beira da estrada, o motel é o personagem principal. Sob as luzes </span><i><span style="font-weight: 400;">neon</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele respira, pulsa, fala, geme e dita as regras. Do portão para dentro, os protagonistas se entregam ao prazer e ao instinto. O suor que cai sobre os lençóis emaranhados do </span><i><span style="font-weight: 400;">Motel Destino</span></i><span style="font-weight: 400;"> é de calor, desejo e tensão, e todos se misturam. Há um magnetismo perigoso ali dentro, Karim Aïnouz definiu o local como “</span><i><span style="font-weight: 400;">um vórtex do inconsciente</span></i><span style="font-weight: 400;">”, que engole e prende quem entra, durante coletiva de imprensa em que o </span><a href="https://personaunesp.com.br/"><span style="font-weight: 400;">Persona</span></a><span style="font-weight: 400;"> esteve presente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se nos quartos é onde as fantasias têm lugar, nos corredores de manutenção acontece a vida que ninguém vê. Conforme a narrativa progride, o ambiente compõe o cenário de um pesadelo, como se as paredes se estreitassem a cada minuto ao passo que as tensões vão chegando mais perto do ponto de ebulição. As cores, a luz, a música e toda a composição levam a intensidade ao máximo e te fazem pensar: qual foi, um dia, a graça de um </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;"> sem calor e sem suor? Como já  aceitamos, no passado, qualquer demonstração do relacionamento dos personagens que  não era coreografada ao som de </span><a href="https://www.instagram.com/reel/C9vVLSivqrv/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Pega o Guanabara e vem</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></a><span style="font-weight: 400;">?</span></p>
<figure id="attachment_33836" aria-describedby="caption-attachment-33836" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33836" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image1-1.png" alt="Cena do filme Motel Destino. Da esquerda para a direita: Elias, Dayana e Heraldo. Os homens estão de sunga e shorts e a mulher com um conjunto curto verde. Eles estão dançando no sol na frente de uma piscina." width="800" height="445" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image1-1.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image1-1-768x427.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33836" class="wp-caption-text">Motel Destino foi eleito o filme mais sexy de Cannes pela revista estadunidense Vanity Fair (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A história é clássica, pode-se dizer que já está batida, mas a execução única garante uma experiência deliciosa na audiência. Nesse caso, a forma salva o conteúdo. O potencial criado pela obra comportava mais ambição do que o enredo, escrito por Aïnouz em parceria com Wislan Esmeraldo e </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/a-mentira/"><span style="font-weight: 400;">Mauricio Zacharias</span></a><span style="font-weight: 400;">, entrega. Por maior que seja a contradição com as ideias do filme, ele é engessado, e depende do seu jogo de cintura para não cair em mais do mesmo que já vimos antes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme provoca: o que acontece quando os arquétipos da sociedade brasileira se encontram entre quatro paredes? </span><a href="https://youtu.be/3I9Y4Salk1o?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Iago Xavier</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem seu papel de estreia interpretando Heraldo, um jovem desprivilegiado que vive em fuga. Já </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/erotismo-e-ocio-atriz-conta-bastidores-do-filme-motel-destino/"><span style="font-weight: 400;">Nataly Rocha</span></a><span style="font-weight: 400;"> merece destaque por sua performance intensa de uma mulher bem resolvida consigo mesma, porém presa em um relacionamento abusivo com o personagem de </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/pop/noticia/fabio-assuncao-avalia-motel-destino-historia-de-amor-mas-com-camadas-de-crueldade.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Fábio Assunção</span></a><span style="font-weight: 400;">, que incorpora um ex-policial sudestino em toda a sua glória; bigodudo, bêbado, agressivo e sem noção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A inserção dessa tríade no universo do filme tece comentários interessantes sobre as </span><a href="https://revistatrip.uol.com.br/tpm/nataly-rocha-a-protagonista-de-motel-destino"><span style="font-weight: 400;">dinâmicas de poder</span></a><span style="font-weight: 400;"> que estão em jogo e a extensão da moralidade ambígua de cada um. Todos os personagens estão tentando escapar do destino que espreita. Eles se reconhecem no primeiro olhar, sabem imediatamente quem o outro é, e seguem em um jogo de provocações fingindo desconhecer as intenções por baixo dos panos. Heraldo e Dayana (personagem de Rocha) constroem a relação central do filme, baseada, principalmente, no encontro da busca comum por uma liberdade da qual são privados. </span></p>
<figure id="attachment_33837" aria-describedby="caption-attachment-33837" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33837" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-2.png" alt="Cena do filme Motel Destino. À esquerda e ao fundo da imagem, Elias está deitado na cama, de sunga, e com as mãos sobre o rosto. No centro, sentado na cama, Heraldo olha para o rosto de Dayana, que está sentada mais para a beirada da cama, no canto direito da imagem, olhando para baixo." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-33837" class="wp-caption-text">Aïnouz anunciou que pretende iniciar uma trilogia de filmes cearenses com Motel Destino (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O sexo em </span><i><span style="font-weight: 400;">Motel Destino</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é coberto por qualquer véu do pudor, muito pelo contrário, é nu (literalmente) e cru, o que permite que a audiência e os personagens entre si conheçam exatamente quem eles são, despidos de tudo que usam de fachada. É uma história física, os corpos – como a câmera de </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/o-destino-de-um-filme-e-de-uma-geracao-num-brasil-em-transe/"><span style="font-weight: 400;">Aïnouz</span></a><span style="font-weight: 400;"> os revela –  comunicam tanto quanto, senão mais que, o texto do roteiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em resposta ao Persona, durante a coletiva realizada no </span><a href="https://www.cinebelasartes.com.br/"><span style="font-weight: 400;">Reag Belas Artes</span></a><span style="font-weight: 400;">, o diretor compartilhou que faz passagens em silêncio durante as gravações, removendo por completo o diálogo das cenas. Contou também que pegou a ideia de uma entrevista do </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/11/19/magazine/david-fincher-mank-interview.html"><span style="font-weight: 400;">David Fincher</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Obviamente os planos que mais ficam no filme são essas passagens. As trocas de olhares e a sinergia dos corpos no espaço são muito fortes</span></i><span style="font-weight: 400;">.” Ele ressaltou ainda que, nesse filme, foi muito importante que “</span><i><span style="font-weight: 400;">os corpos estivessem à frente da palavra</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O trio protagonista passa quase o tempo todo junto em um ambiente claustrofóbico.  Eles se esbarram, agarram, seguram, evitam, empurram, dançam e parecem estar sempre a um movimento brusco de tudo escalar rapidamente. A faísca da violência iminente pode acender com qualquer passo errado nos jogos de insinuação e intenções implícitas entre o motel e a </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/videos/2024/05/23/motel-destino-leva-liberdade-brasileira-a-cannes-com-fabio-assuncao-nalaty-rocha-e-iago-xavier.htm"><span style="font-weight: 400;">liberdade</span></a><span style="font-weight: 400;">. O hedonismo desenfreado cobra um preço e </span><i><span style="font-weight: 400;">Motel Destino</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz a audiência pagar com gosto. </span></p>
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		<title>Holy Spider cai em sua própria teia</title>
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		<pubDate>Mon, 08 May 2023 16:21:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Pinheiro “Estarei de volta quando você acordar&#8220;, diz uma mulher ao seu filho horas antes de ser brutalmente assassinada enquanto trabalhava. Ela arrumou-se e o beijou pela última vez sem saber o que aconteceria em mais uma noite nas ruas. Essa é a primeira cena de Holy Spider, a qual elucida tudo o que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/holy-spider-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Holy Spider cai em sua própria teia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30853" aria-describedby="caption-attachment-30853" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30853" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4.jpg" alt="cena do filme Holy Spider. Mulher caído ao chão com apenas sua mão e tronco à mostra no take do filme, foco central em sua mão derrubada - tudo acima de um tapete estampado" width="1200" height="501" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image4-768x321.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30853" class="wp-caption-text">“Cada homem encontrará o que deseja evitar” Imam Ali &#8211; Nahj Al-Balagha &#8211; Sermão 149. (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Pinheiro</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Estarei de volta quando você acordar</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, diz uma mulher ao seu filho horas antes de ser brutalmente assassinada enquanto trabalhava. Ela arrumou-se e o beijou pela última vez sem saber o que aconteceria em mais uma noite nas ruas. Essa é a primeira cena de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iPkE7VT8SOY"><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a qual elucida tudo o que o filme pretende contar durante sua exibição. Nela, uma prostituta iraniana caminha pela cidade de Mashhad enfrentando olhares mal-intencionados e buscando refúgio em drogas para escapar da realidade assombrosa a qual é condenada a viver. </span></p>
<p><span id="more-30849"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À espera de dinheiro em uma viela escura, a personagem é convocada a prestar serviço e surpreende o telespectador quando é sequestrada e, depois, enforcada pelo seu próprio lenço &#8211; ato extremamente simbólico para a construção do enredo. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> longos de agonia explícita, a mulher havia caído na teia de assassinatos do “matador de aranhas”, caso real que o diretor Ali Abassi faz releitura nesse longa-metragem destaque no Festival de </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/cannes/"><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pré-selecionado ao</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado e aclamado por grandes premiações de Cinema, </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i><span style="font-weight: 400;"> promove a representação essencial da orientalidade para o mundo &#8211; pouco valorizada nas academias cinematográficas historicamente </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-157993/"><span style="font-weight: 400;">xenofóbicas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, a obra não resume-se a isso e expõe em detalhe a realidade do Irã. Em análise geral, a proposta do filme demonstra e examina o baque entre a estrutura social política religiosa no País e os atos revoltosos que lutam pela aplicação efetiva dos Direitos Humanos no local. </span></p>
<figure id="attachment_30850" aria-describedby="caption-attachment-30850" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30850" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1.jpg" alt="A fotografia retrata certo centro urbano iraniano em que está sendo realizada uma manifestação popular. O fundo está desfocado e ao ponto médio apresenta-se apenas o recorte superior da cabeça de uma mulher e suas mãos levantadas, essas que carregam uma imagem de Jina Mahsa Amini. É dia durante o mutuado protesto, os manifestantes usam roupas de frio e suas expressões não são possíveis de serem visualizadas devido ao desfoque da câmera" width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30850" class="wp-caption-text">Uma mensagem ao Irã é deixada no epitáfio de Amini: &#8220;Querida Jina, você não está morta. Seu nome será um símbolo&#8221; (Foto: Ozan Kose)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.dw.com/pt-br/a-hist%C3%B3ria-de-jina-mahsa-amini-o-rosto-dos-protestos-no-ir%C3%A3/a-64003741"><span style="font-weight: 400;">Jina Mahsa Amini</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sua injusta morte produziram um paralelo significante da realidade para a narrativa fílmica: a jovem foi assassinada pela Polícia Militar sem motivo aparente &#8211; considerada infligidora da lei devido à exposição mínima de seu cabelo publicamente. O evento repercutiu e paralisou as ruas do país inteiro dada a tirania militar e a supremacia religiosa que tirou sua vida em Setembro de 2022. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ali Abassi lançou </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu segundo longa-metragem, em Maio do mesmo ano, poucos meses antes do caso de Amini, o que confirma o retrato sangrento do diretor acerca da vida no Irã. “</span><i><span style="font-weight: 400;">A ideia do filme acabou se misturando com a realidade da sociedade. Se você está falando sobre o apartheid contra as mulheres, isso acontece há muito tempo, e não é um sistema sustentável [..], uma hora, ia explodir</span></i><span style="font-weight: 400;">”, </span><a href="https://www.terra.com.br/amp/diversao/entre-telas/filmes/diretor-de-holy-spider-vai-de-misogino-a-feminista-em-poucos-meses,3e41e5057313782140d438652e145fbdjvemcyaf.html"><span style="font-weight: 400;">Abassi</span></a><span style="font-weight: 400;"> reconhece.</span></p>
<figure id="attachment_30851" aria-describedby="caption-attachment-30851" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30851" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5.jpg" alt="cena do filme Holy Spider. No centro encontram-se a protagonista Arezoo Rahimi, de burca preta longa, e seu parceiro de trabalho, de terno cinzento e uma maleta de couro nas mãos, lado a lado, rodeados de políticos e da família de Saee Hanaei. Cada um que integra a cena está vestido formalmente e olham em direções diferentes com faces sérias. Localizados em um tribunal, em que a parede atrás da protagonista é azul com uma pintura geométrica direcionada ao chão, uma faixa de azul mais escura" width="1200" height="501" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image5-768x321.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30851" class="wp-caption-text">“Matador de aranhas” foi um apelido dado ao real assassino pelo modo que os crimes eram realizados: estrangulamento com os lenços das próprias vítimas (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Saeed Hanaei (Mehdi Bajestani), um </span><i><span style="font-weight: 400;">serial-killer, </span></i><span style="font-weight: 400;">juntamente com Arezoo Rahimi (Zar Amir Ebrahimi), uma jornalista estudando os assassinatos cometidos por ele, estrelam esse terror psicológico inspirado na história real de um dos criminosos mais temidos do Irã entre os anos de 2000 e 2001. Hanei &#8211; nome fictício atribuído a </span><a href="https://www.estadao.com.br/amp/internacional/preso-no-ira-assassino-de-19-prostitutas/"><span style="font-weight: 400;">Saeed Hanali</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo filme &#8211; mata prostitutas porque as vê como “indignas à sociedade”. Ele acredita fazer uma limpeza social ao retirar “pecadoras” das ruas, trazê-las para sua casa e enforcá-las até a morte. Enquanto isso, Rahimi &#8211; personagem criada para auxiliar no desenvolvimento da história &#8211; chega à Mashhad para investigar a massa de homicídios semelhantes que estavam acontecendo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assemelhar a obra a um caso real acarreta na responsabilidade de expor a realidade via linguagem audiovisual. </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider </span></i><span style="font-weight: 400;">apropria-se grandemente de sua fotografia, realizada por Nadim Carlsen, para simbolizar suas temáticas. Pouca iluminação e tons esverdeados ou azuis aludem às próprias luzes da noite na cidade &#8211; seu cenário principal &#8211; e motiva o medo e a aflição na audiência. Essas características são propositalmente postas para se assemelharem aos filmes </span><a href="https://7marte.com/2019/09/o-que-e-filme-noir.html"><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">conhecidos pelos seus jogos de iluminação, enquadramentos inusitados e cenários urbanos criminais.</span></p>
<figure id="attachment_30855" aria-describedby="caption-attachment-30855" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30855" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3.jpg" alt="cena do filme Holy Spider. À esquerda, no fundo desfocado, encontra-se um carro e caixas que estão iluminados por uma luz verde. A localização é a rua vazia e escura, nela está a atriz Zar Amir Ebrahimi - à direita da imagem - interpretando Arezoo Rahimi quando liga em um telefone público, retratada em certa cena da obra cinematográfica, seu rosto é de surpresa e está vestindo uma burca preta com uma jaqueta da mesma cor sobreposta" width="1200" height="686" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-800x457.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-1024x585.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image3-768x439.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30855" class="wp-caption-text">Ali Abbasi também foi responsável pela direção dos dois últimos episódios de The Last of Us (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Abassi tece sua cinematografia com focos frequentes nos rostos do elenco, a fim de demonstrar claramente os sentimentos dos personagens diante das desconfortáveis situações em que atuam. Tal técnica, por exemplo, submete o público a enxergar verdadeiramente as </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-60780061"><span style="font-weight: 400;">prostitutas</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentadas, com o objetivo de humanizá-las, empatia esquecida por grande parte da população. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A interpretação dos artistas foi explorada profundamente como peça essencial na qualidade do filme, o que resultou em elogios por parte dos críticos. Uma atuação medíocre tornaria </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i><span style="font-weight: 400;"> detestável à plateia: por possuir uma narrativa cruel, performances ruins tornariam a obra uma piada de mau gosto ou em uma produção sem nexo e vazia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre os atores, Zar Amir Ebrahimi, intérprete de Rahimi, foi destaque em sua categoria. Não por menos, ela recebeu uma indicação à Melhor Atriz no Festival de Cannes e no Prêmio Robert da Academia de Cinema Irlandês. Neste último, levou o troféu para casa. O talento e duro esforço da atriz foram realçados pela vivência pessoal, da qual ela soube utilizar como ferramenta para representar seu emblemático papel. A artista fugiu do Irã no começo de sua carreira após ter conteúdo íntimo vazado. Com medo de ser proibida de trabalhar ou até presa, ela </span><a href="https://istoe.com.br/atriz-zar-amir-ebrahimi/"><span style="font-weight: 400;">escapa</span></a><span style="font-weight: 400;"> do País e contrapõe a imagem idealizada da mulher iraniana, experiência próxima à de sua personagem.</span></p>
<figure id="attachment_30854" aria-describedby="caption-attachment-30854" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30854" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2.jpg" alt="Cena do filme Holy Spider. Em uma moto, está Saeed, interpretado por Mehdi Bajestani, e uma mulher de burca, esta tem seu rosto encostado aos ombros dele durante a viagem, então não é possível ver seu rosto claramente. O homem usa uma jaqueta cinza e uma camisa social por baixo, não tem expressões, está sério. Durante a noite, os dois estão em uma avenida escura e as luzes da cidade refletem na câmera como pontos iluminados, o tom da imagem é quente esverdeado, assim como o restante do filme. A posição de filmagem mostra apenas diante a cintura para cima dos atores, estão de lado para o público e bem centralizados" width="1500" height="620" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-800x331.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1024x423.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-768x317.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image2-1200x496.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30854" class="wp-caption-text">“Meu tipo de Cinema é aquele que expõe as coisas” rebate Abassi diante críticas às mortes gráficas do filme (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A aranha, contudo, cai em sua própria armadilha: a crítica que o roteiro &#8211; escrito por Ali Abassi e Afshin Kamran &#8211; propõe para o machismo estrutural iraniano é camuflada pela violência gráfica e protagonização do assassino, ocasionando em um desenvolvimento insuficiente que o eixo </span><a href="https://midianinja.org/news/mulheres-denunciam-feminicidio-em-protesto-no-festival-de-cannes/"><span style="font-weight: 400;">feminino</span></a><span style="font-weight: 400;"> não poderia ter no </span><i><span style="font-weight: 400;">script</span></i><span style="font-weight: 400;">. A hipocrisia se sobrepõe ao que é originalmente proposto. As mulheres de </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i><span style="font-weight: 400;"> são apresentadas superficialmente, como acontece com a própria co-protagonista, Arezoo Rahimi, cujas tramas foram abandonadas durante o longa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os pontos levantados pela equipe de roteiristas são válidos e bem postos, mas não evoluem posteriormente. A relação de trabalho entre a jornalista e um agente local que estava na investigação serve como exemplo disso. O homem a assedia ao prometer ajudá-la em seu caso fora do horário de expediente. Então, comete </span><a href="https://www.estadao.com.br/amp/politica/blog-do-fausto-macedo/slutshaming-dois-crimes-em-um-ato-so/?type=post"><i><span style="font-weight: 400;">slutshamming</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> às custas de uma denúncia feita por ela no cargo anterior, em que sofreu outro abuso de autoridade. Apesar de contar uma situação comum e de abordagem necessária &#8211; ainda mais no Irã, onde tais temas são completamente omitidos -, a cena apenas é lançada como se para preencher uma pauta temática sobre feminismo, sem retomada futura. Isso se repete em vários eventos e ocasiões durante o filme. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O processo de criação não teve o intuito de transmitir uma mensagem sobre a situação de gênero no País, mas sua preocupação geral soa como uma exposição panorâmica das problemáticas sociais e religiosas. Com isso, a obra prefigura uma abordagem esvaziada da trama principal: um caso de assassinato em massa de prostitutas pelo machismo sacro do Estado iraniano. Ali Abbasi, aliás, </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2023/01/19/interna_cultura,1446455/amp.html"><span style="font-weight: 400;">admite</span></a><span style="font-weight: 400;"> não estar centrado no ponto de vista feminino, já que ele acredita ser uma “</span><i><span style="font-weight: 400;">história com muitas camadas</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><figure id="attachment_30852" aria-describedby="caption-attachment-30852" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30852" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6.jpg" alt="Texto alternativo: cena do filme Holy Spider. Essa, foi narrada no parágrafo 12 da matéria, Saee Hanaei tem seu rosto coberto pela grade de segurança perolada do templo religioso que está, apenas seu olho é nítido na imagem. A iluminação é esverdeada com um tom vermelho de luz apenas no olhar do ator" width="1500" height="626" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/image6-1200x501.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30852" class="wp-caption-text">&#8220;[&#8230;] Os assassinatos em si não têm nada de especial, há certa banalidade neles. Mas o que está no entorno do assassino e o respeito que ele inspirou, isso, sim, é fascinante&#8221; (Foto: MUBI)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, o longa-metragem sucede em outros objetivos, como a perspectiva sobre </span><a href="https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/56441/56441_5.PDF"><span style="font-weight: 400;">religiosidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, família e </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51048426"><span style="font-weight: 400;">política</span></a><span style="font-weight: 400;">, exibidos com uma linguagem visual chocante. O fechamento demonstra em precisão tais aspectos, já que metáforas são muito bem utilizadas durante a situação final do protagonista Saee Hanaei: a arma de crime da qual abatia suas “presas” é utilizada contra o “predador”. Porém, a simbologia já está presente anteriormente dentro da cinematografia. Em certa cena, grades de segurança em um templo aparentam ser de uma cadeia, devido ao enquadramento fotográfico, o que revela uma interpretação de aprisionamento mental que a devoção pode causar, além do sentido literal de um criminoso pertencer ao presídio.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em face de problemáticas e sucessos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i><span style="font-weight: 400;"> ocupa um espaço importante no Cinema internacional, mas que poderia reproduzir com mais apreço a mulher iraniana por meio do desenvolvimento das personagens e seus merecidos enfoques. O inconveniente da produção não é a crueza retratada durante os dias no Irã, característica intrigante do diretor em seus filmes, mas sim o esquecimento do caso real que relata e seu profundo transtorno societário implícito. Esse, do qual o sexo feminino sofre regularmente e é de conhecimento geral no País. </span></p>
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		<title>Park Chan-wook deixa a porta aberta em Decisão de Partir</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Mar 2023 18:00:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Quando as luzes se apagam, um detetive ocupa a mente com crimes não solucionados. A insônia somente levanta para longe da cama quando uma presença feminina desconcertante o coloca para dormir ao ritmo de uma respiração acolhedora, justo dela, a suspeita de um dos incontáveis casos que afastam o sono. Entre gotas de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/decisao-de-partir-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Park Chan-wook deixa a porta aberta em Decisão de Partir"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30521" aria-describedby="caption-attachment-30521" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30521" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-scaled.jpg" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Na imagem, Song Seo-rae contempla algo à sua direita. Ela é uma mulher chinesa de cabelos e olhos escuros. A câmera a captura a partir da cintura. Song veste uma camiseta de botões e mangas longas na cor pêssego e uma saia longa estampada em tons frios como o azul. Ao fundo, o cenário é a sala de estar de uma casa repleta de objetos decorativos. O papel de parede é o que se destaca, sendo composto por ilustrações que simultaneamente se assemelham a montanhas e ondas, pintadas entre cores quentes e frias como o vermelho e o azul." width="2560" height="1636" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-800x511.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-1024x655.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-768x491.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-4-1536x982.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30521" class="wp-caption-text">Decision to Leave disputou a Palma de Ouro do Festival de Cannes 2022, que coroou Park Chan-wook como Melhor Diretor (Foto: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando as luzes se apagam, um detetive ocupa a mente com crimes não solucionados. A insônia somente levanta para longe da cama quando uma presença feminina desconcertante o coloca para dormir ao ritmo de uma respiração acolhedora, justo dela, a suspeita de um dos incontáveis casos que afastam o sono. Entre gotas de colírio para elucidar a visão e potes de sorvete que tentam substituir o jantar, </span><a href="https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/1733643864792697-conheca-a-obra-do-cineasta-sul-coreano-park-chan-wook-diretor-de-oldboy"><span style="font-weight: 400;">Park Chan-wook</span></a><span style="font-weight: 400;"> desconstrói o romance como um gênero constantemente flertado pelo Cinema, une os protagonistas através dos simbolismos da partição e deixa a porta aberta para a interpretação em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=16uiSSzzVcs"><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-30513"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fim de falar de amor, Chan-wook escancara o tato inato de </span><a href="https://best-of-netflix.com/why-you-need-to-see-korean-new-wave-pioneer-oldboy/"><span style="font-weight: 400;">pioneiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e elabora ao lado de Jeong Seo-kyeong um roteiro que diz ‘eu te amo’ sem ao menos escrever as três palavras. Mantendo a </span><a href="https://firstclasse.com.my/the-genius-of-park-chan-wook/"><span style="font-weight: 400;">singularidade e autenticidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que atravessa uma das filmografias mais notáveis da história, o diretor sul-coreano assina os papéis do divórcio entre as narrativas que tratam de relações amorosas e o audiovisual, casados em comunhão de bens há séculos. Com uma </span><a href="https://www.cafecomkimchi.com.br/post/decision-to-leave-filme-park-chan-wook-tudo-sobre"><span style="font-weight: 400;">proposta inovadora</span></a><span style="font-weight: 400;">, ele finalmente liberta o casal de uma representação datada, enraizada em um passado distante e reacende a chama da paixão que juntou estilo e meio pela primeira vez.</span></p>
<figure id="attachment_30520" aria-describedby="caption-attachment-30520" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30520" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-2.gif" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Da esquerda para a direita na imagem animada, Song Seo-rae e Jang Hae-joon observam algo posicionado atrás da lente da câmera que captura ambos a partir do busto. Song é uma mulher chinesa de cabelos e olhos escuros. Ela veste uma camiseta de botões e mangas longas na cor amarela. Jang é um homem sul-coreano de cabelos e olhos escuros. Ele veste uma camiseta de mangas longas na cor azul. Ao fundo, o cenário é uma sala de estar de uma casa repleta de objetos decorativos e iluminada por luzes brancas de lamparinas." width="1000" height="416" /><figcaption id="caption-attachment-30520" class="wp-caption-text">A atriz chinesa Tang Wei se esforçou para aprender os significados das suas falas em coreano (GIF: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, se a violência faz glória com o vermelho sangrento em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VwIIDzrVVdc"><i><span style="font-weight: 400;">Oldboy</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2003)</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a nudez traduz a emancipação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-criada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Criada</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2016)</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;"> adota elementos menos explícitos, mas ainda assim revestidos pelo plano de fundo cruel do cotidiano. Contraditoriamente leve, o enlace do </span><a href="https://www.nytimes.com/2022/10/13/movies/decision-to-leave-review-park-chan-wook.html"><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> moderno</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece pairar sobre o ar que ocupa o espaço desde as ondas do mar até o cume das montanhas, sendo responsável pela dicotomia que dita as regras da narrativa: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Confúcio disse: “Os sábios amam a água, os benevolentes as montanhas.” Eu não sou benevolente, eu gosto do mar</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jang Hae-joon e Song Seo-rae são as personificações de opostos que se atraem. Dominador, o instinto investigativo de Hae-joon coloca Seo-rae na mira de seu binóculo que transcende tempo e lugar. Com uma técnica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-k4ldmEP8es"><i><span style="font-weight: 400;">zoom</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> peculiar e desconfortável, o público mergulha na imaginação do policial que, por sua vez, está totalmente perdido na intimidade mística da cuidadora de idosos. Teimoso e firme como as rochas, o ator Park Hae-il desloca o seu personagem para o choque estrondoso com as águas cristalinas da atriz </span><a href="https://www.voguehk.com/en/article/celebrity/tang-wei-decision-to-leave-interview/"><span style="font-weight: 400;">Tang Wei</span></a><span style="font-weight: 400;">, dona de uma atmosfera etérea em seu papel. </span></p>
<figure id="attachment_30519" aria-describedby="caption-attachment-30519" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30519" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3.gif" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Na imagem animada, Song Seo-rae assopra as gotas de água que repousam sobre um curativo a prova do elemento, colocado no topo de sua mão. A câmera captura somente sua mão e sua boca. Ela é uma mulher chinesa que veste um suéter de mangas longas na cor azul." width="1000" height="416" /><figcaption id="caption-attachment-30519" class="wp-caption-text">O filme transmite sensações à flor da pele (GIF: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O conjunto dinâmico da dupla não somente caracteriza o duelo de personalidades, como também abre margens para as diferentes interpretações do longa, colocadas em xeque a todo o momento devido a </span><a href="https://www.newyorker.com/magazine/2022/10/17/the-persuasive-potency-of-decision-to-leave"><span style="font-weight: 400;">montagem apoteótica</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Kim Sang-bum, parceiro de longa data de Park Chan-wook. Extasiante, sinuosa e por isso mesmo que funciona, a ordem dos planos é o que captura a atenção logo nos primeiros minutos, causando impacto com uma sensação </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CHJ4lGhAJok"><span style="font-weight: 400;">arrebatadora</span></a><span style="font-weight: 400;"> que permanece até os créditos finais. Aqui, são as cenas de luta corporal e de cadáveres em decomposição que ganham uma amplitude que ultrapassa o grotesco.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal escolha de edição de </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;"> confunde, pode ser amada ou odiada sem um meio termo, porém, o deslumbre da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vpKqQqbyvc4&amp;t=40s"><span style="font-weight: 400;">fotografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> adiciona sentido e é novamente unanimidade na obra do cineasta. O genial </span><a href="https://www.filmcompanion.in/features/decision-to-leave-movie-park-chan-wook-cinematographer-breaks-down-6-scenes-from-the-ending-mubi-tang-wei-park-hae-il"><span style="font-weight: 400;">Kim Ji-yong</span></a><span style="font-weight: 400;"> toma decisões que se ligam às propostas ambiciosas de Sang-bum, transformando a poluição nuclear em colírio para os olhos e um sorvete anêmico em refeição para o estômago. No meio de um paraíso visual, o vermelho das romãs, a fumaça embaçada do cigarro e o azul dos corpos de maridos assassinados são meros detalhes frente ao ápice: a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZD0pqjB-73Y"><span style="font-weight: 400;">cena do interrogatório</span></a><span style="font-weight: 400;"> em que o foco da câmera transita entre Jang Hae-joon, Song Seo-rae e os seus reflexos no espelho. </span></p>
<figure id="attachment_30518" aria-describedby="caption-attachment-30518" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30518" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-4.gif" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Da esquerda para a direita na imagem animada, Song Seo-rae segura um cigarro aceso com as pontas dos dedos e chora encolhida enquanto Jang Hae-joon posiciona um cinzeiro logo abaixo de sua mão. A câmera captura ambos a partir da cintura. Song é uma mulher chinesa de cabelos escuros. Ela veste uma camiseta de mangas longas na cor verde e uma saia estampada em cores quentes. Jang é um homem sul-coreano de cabelos e olhos escuros. Ele veste terno preto e gravata listrada nas cores preta e cinza. Ao fundo, o cenário é a sala de estar de uma casa com um sofá aconchegante." width="1000" height="416" /><figcaption id="caption-attachment-30518" class="wp-caption-text">A obsessão persegue os protagonistas de Park Chan-wook (GIF: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Naquela noite em que você me encontrou no mercado, de repente você se sentiu vivo de novo, não é?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Extremamente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G0oOr7cSZPk"><span style="font-weight: 400;">palpável</span></a><span style="font-weight: 400;">, tanto pelas imagens que constroem a paisagem quanto pela trama fictícia que beira uma </span><a href="https://time.com/6221814/decision-to-leave-review/"><span style="font-weight: 400;">veracidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> quase ‘pé no chão’, o filme cutuca feridas com a provocação de sensações à flor da pele. De modo inacreditável, esse esforço em evocar os seis sentidos faz do longa algo simultaneamente parado no tempo, a frente dele e atemporal. Com uma atmosfera ancestral que prende visão e audição e a sensibilidade corrente que toca olfato, tato e paladar, há a ainda busca pelo eterno nas </span><a href="https://collider.com/decision-to-leave-park-chan-wook-themes-comments/"><span style="font-weight: 400;">entrelinhas</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UwOVu96gvc0"><span style="font-weight: 400;">tema da obsessão</span></a><span style="font-weight: 400;"> não é novidade na trajetória cinematográfica de Park Chan-wook e, com 11 títulos exibidos nas telas do Cinema, o tópico parece igualmente perseguir personagens, diretor e público. Em entrevista ao </span><a href="https://thefilmstage.com/park-chan-wook-on-decision-to-leave-methodical-directing-and-not-being-a-film-buff/"><i><span style="font-weight: 400;">The Film Stage</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Chan-wook revelou que </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é uma homenagem ao gênero </span><a href="https://www.indiewire.com/2022/10/park-chan-wook-reveals-hes-not-the-biggest-fan-of-the-noir-genre-despite-success-of-decision-to-leave-1234775304/"><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas o resultado da leitura de romances policiais: ”</span><i><span style="font-weight: 400;">Na verdade, esse é um pequeno truque meu: finjo que o filme é do gênero noir e, em certo ponto, nós desviamos do gênero.</span></i><span style="font-weight: 400;">” Segundo ele e, de fato, o disfarçe de Song Seo-rae como uma </span><i><span style="font-weight: 400;">femme fatale</span></i><span style="font-weight: 400;"> também contribui para essa subverção das histórias de amor.</span></p>
<figure id="attachment_30517" aria-describedby="caption-attachment-30517" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30517" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-5.gif" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Na imagem animada, Jang Hae-joon contempla o horizonte. A câmera captura as suas costas a partir da cintura. Jang é um homem sul-coreano de cabelos escuros. Ele veste um terno preto. Ao fundo da composição e a frente do protagonista, uma praia tomada pelo mar reflete o sol em suas ondas." width="1000" height="416" /><figcaption id="caption-attachment-30517" class="wp-caption-text">Park Hae-il traz o balanço perfeito de feições para um detetive nada equilibrado (GIF: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro tópico intensamente pautado pelo cineasta sul-coreano é o conflito histórico entre a sua nação e os companheiros de continente. Rodeado por mil tentáculos, ele traz à tona um envolvimento lésbico para o contexto da ocupação japonesa no começo do século XX em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Criada</span></i><span style="font-weight: 400;">. Agora, observando os </span><a href="https://www.theguardian.com/cities/2017/jul/18/seoul-south-korea-identity-crisis-brand-psy-gangnam-style"><span style="font-weight: 400;">problemas identitários</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ressurgem na Coreia e são refletidos nas obras, Park Chan-wook </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-features/making-of-decision-to-leave-park-chan-wook-explosive-style-mystery-drama-1235276259/"><span style="font-weight: 400;">sabiamente</span></a><span style="font-weight: 400;"> pontua os desafios do deslocamento asiático e o jogo da conquista que permeia a região desde os primórdios da civilização. Em 2022, é a morte </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YaPxDz36UW4"><span style="font-weight: 400;">misteriosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um oficial de imigração aposentado que acende a luz sobre Seo-rae, a viúva chinesa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atordoante com as reviravoltas, a trilha sonora dificulta a digestão dos eventos e é esse o efeito que proporciona a continuidade do </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/noticia/2023/01/park-chan-wook-subverte-expectativas-de-sexo-e-violencia-e-investe-no-amor-clcluqkf7002001ccrjk6x5cb.html"><span style="font-weight: 400;">ambiente</span></a><span style="font-weight: 400;"> instaurado pela trama. Produzida com acordes estridentes de violinos e notas adocicadas de flautas, a mescla instrumental de </span><span style="font-weight: 400;">Jo Yeong-wook</span><span style="font-weight: 400;"> injeta doses de adrenalina e endorfina, transitando como um maestro pelas sequências de estresse e conforto. Tomando partida por meio da união entre imagem e som, </span><a href="https://www.leisurebyte.com/closer-music-video-rm-decision-to-leave/"><i><span style="font-weight: 400;">RM</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, integrante do grupo </span><i><span style="font-weight: 400;">BTS</span></i><span style="font-weight: 400;">, não esconde ser obcecado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;"> e traz as cenas de tirar o fôlego para o videoclipe da faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SmVqMedomh0"><i><span style="font-weight: 400;">Closer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, parte do seu álbum </span><a href="https://open.spotify.com/album/2wGinO7YWLHN2sULIr4a7v?si=ZFwkbqEZQtWKYcOxXOgqKA]"><i><span style="font-weight: 400;">Indigo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30516" aria-describedby="caption-attachment-30516" style="width: 947px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30516" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1.jpg" alt="Cena do filme Decisão de Partir. Da esquerda para a direita na imagem animada, Jang Hae-joon e Song Seo-rae estão sentados nos bancos de trás de um carro. Jang está adormecido e Song acordada olhando para algo à sua esquerda. A câmera captura ambos a partir da cintura. Jang é um homem sul-coreano de cabelos escuros. Ele veste terno marrom e gravata estampada nas cores vermelha e azul sobre uma camiseta branca. Song é uma mulher chinesa de cabelos e olhos escuros. Ela veste um casaco de inverno azul sobre uma camiseta preta com pontos brancos. Ao fundo, o cenário da janela traseira é a praia." width="947" height="627" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1.jpg 947w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1-800x530.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-6-1-768x508.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30516" class="wp-caption-text">Ao fim, montanha e mar representam uma simbiose inexplicável pela ciência (Foto: CJ Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado no </span><a href="https://www.instagram.com/p/CgnO52sOQ9w/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Maio do ano passado, pleno mês das noivas, o longa mira no divórcio entre o tradicional gênero do romance e o Cinema para traçar uma forma inédita de arrebatar corações. Exibido em salas seletas, ele detém a melhor bilheteria de Park nos Estados Unidos e é o mais assistido pelo país na plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><a href="https://collider.com/decision-to-leave-mubi-most-streamed-north-america/"><i><span style="font-weight: 400;">Mubi</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">No campo das premiações, </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;"> esteve na lista da Palma de Ouro e conquistou o prêmio de </span><a href="https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/diretor-sul-coreano-park-chan-wook-volta-a-cannes-com-drama-policial-e-rom%C3%A2ntico-1.827090"><span style="font-weight: 400;">Melhor Diretor</span></a><span style="font-weight: 400;"> na cidade francesa. Já no Globo de Ouro e no </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;">, conseguiu vaga em Melhor Filme Estrangeiro, mas não levou para a casa e nem repetiu o feito no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A verdade é que Park Chan-wook continua sem o devido reconhecimento das academias e, com </span><i><span style="font-weight: 400;">Decisão de Partir</span></i><span style="font-weight: 400;">, a sensação que fica é a de que ele deseja ser levado pela água salgada junto de Jang Hae-joon e Song Seo-rae. Ao final, ninguém escapa da obsessão: cineasta, personagens e público parecem se tornarem obcecados por tudo aquilo que é intrínseco à obra. Imerso na profundidade de simbolismos pensados de maneira </span><a href="https://www.polygon.com/23445882/decision-to-leave-ending-explained-park-chan-wook-interview"><span style="font-weight: 400;">sagrada</span></a><span style="font-weight: 400;">, Chan-wook deixa a porta aberta para questionamentos sobre o amor e, essencialmente, se ele algum dia ele repetirá tal dicotomia entre montanha e mar, uma </span><a href="https://variety.com/2023/awards/asia/park-chan-wook-decision-to-leave-2-1235483407/"><span style="font-weight: 400;">simbiose</span></a><span style="font-weight: 400;"> que somente a sua Arte explica.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><span class="embed-youtube" style="text-align:center; display: block;"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/b9j3ZFSkD3o?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;start=12&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></span></div>
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		<title>20 anos depois, Minority Report continua assustadoramente parecido com a realidade</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Aug 2022 19:20:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Nunes Vinte anos distanciam o atual estado da sociedade do lançamento de Minority Report: A Nova Lei no longínquo ano de 2002. Já em comparação com o futuro retratado no filme de Steven Spielberg, são trinta e dois anos de separação. Seja olhando para frente ou para trás na linha do tempo, é interessante &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/minority-report-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "20 anos depois, Minority Report continua assustadoramente parecido com a realidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28316" aria-describedby="caption-attachment-28316" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-28316" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-2-800x333.jpg" alt="Cena do filme Minority Report. No centro da imagem, temos o ator Tom Cruise, um homem branco de cabelos pretos escuros. Ele está vestindo uma blusa preta com gola levemente aberta perto do pescoço, e está com a mão direita vestida com uma luva preta com uma luz saindo de seu dedo levantada e apontada para frente. Ao seu redor, temos projeções de imagens aleatórias como a de um homem de terno à sua esquerda, uma mulher de camisola branca à sua direita e uma reta numérica à sua frente. A cena acontece em uma sala escura. " width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-2-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-2-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-2-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-2-1536x640.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-2-1200x500.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-2.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28316" class="wp-caption-text">“Todo mundo corre”, tagline principal do marketing de Minority Report, condiz perfeitamente com Tom Cruise, o maior corredor de Hollywood (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vinte anos distanciam o atual estado da sociedade do lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Minority Report: A Nova Lei</span></i><span style="font-weight: 400;"> no longínquo ano de 2002. Já em comparação com o futuro retratado no filme de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/steven-spielberg/"><span style="font-weight: 400;">Steven Spielberg</span></a><span style="font-weight: 400;">, são trinta e dois anos de separação. Seja olhando para frente ou para trás na linha do tempo, é interessante notar que essa obra, como toda boa ficção científica, é cada vez mais parecida com a realidade, em níveis bastante alarmantes e assustadores. </span></p>
<p><span id="more-28315"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado no conto de mesmo nome escrito pelo renomado autor Philip K. Dick, o longa se passa em 2054, em que um protótipo de polícia chamado </span><i><span style="font-weight: 400;">Pré-Crime </span></i><span style="font-weight: 400;">está em vigor. Esse programa se sustenta com base nos </span><span style="font-weight: 400;">Pré-Cogs</span><span style="font-weight: 400;">, três irmãos capazes de visualizar previamente os crimes, o que permite que os policiais prendam os supostos criminosos antes que eles cheguem a cometê-los. Nesse contexto, acompanhamos o oficial de comando John Anderton (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/tom-cruise/"><span style="font-weight: 400;">Tom Cruise</span></a><span style="font-weight: 400;">), um homem amargurado pelo desaparecimento de seu filho anos antes. Quando um assassinato é visualizado envolvendo Anderton como o responsável, ele se torna um alvo e parte para fuga na intenção de sobreviver e desvendar o mistério que cerca seu destino. </span></p>
<figure id="attachment_28317" aria-describedby="caption-attachment-28317" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28317 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-2-800x329.png" alt="Cena do filme Minority Report. A cena acontece em uma sala escura, que possui no centro do chão uma banheira cinza circular com um T no meio. Dentro desse T, temos três pessoas boiando em uma água azulada. Essas três pessoas estão vestidas com macacões brancos e são todas pessoas brancas e carecas. " width="800" height="329" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-2-800x329.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-2-1024x422.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-2-768x316.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-2-1536x632.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-2-1200x494.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-2-2.png 1919w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28317" class="wp-caption-text">O subtexto religioso paira sobre a existência dos Pré-Cogs em Minority Report (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Há diversos paralelos a serem feitos entre </span><i><span style="font-weight: 400;">Minority Report </span></i><span style="font-weight: 400;">e a sociedade atual, mas os principais seguem uma mesma linha: a crítica às instituições. De início, temos evidentemente o retrato crítico da polícia enquanto uma instituição que atua como juiz, júri e executor, como comprovam os constantes casos de </span><a href="https://www.politize.com.br/violencia-policial/"><span style="font-weight: 400;">violência policial</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Brasil e no mundo. Além disso, existe também a noção da tecnologia aliada ao serviço policial em si, como podemos ver no recente exemplo do </span><a href="https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2022/07/05/cameras-no-uniforme-da-pm-letalidade-policial-intervencao-lesao-corporal.htm"><span style="font-weight: 400;">uso de câmeras nos uniformes policiais</span></a><span style="font-weight: 400;"> adotado no estado de São Paulo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra instituição que não sai passível de críticas no filme, mesmo que de forma mais metafórica, é a religião. Na realidade mostrada aqui, os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8E0sX5So_uo"><span style="font-weight: 400;">Pré-Cogs</span></a> <span style="font-weight: 400;">são endeusados como seres divinos que vieram ao mundo para nos libertar da violência, algo que é realçado na maneira como as pessoas se ajoelham e fazem sinal de cruz diante de uma deles em determinado momento da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, no seguimento do filme, como apontado pelo personagem </span><a href="https://www.cinemablend.com/news/1702220/colin-farrells-role-in-minority-report-almost-went-to-another-a-lister"><span style="font-weight: 400;">Danny Witwer</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Colin Farrell), quem realmente detém e controla o poder de figuras endeusadas são os sacerdotes. Nesse sentido, os policiais do</span><i><span style="font-weight: 400;"> Pré-Crime </span></i><span style="font-weight: 400;">operam quase como os padres de uma igreja, mantendo as engrenagens da instituição em movimento, independente dos valores éticos e morais.</span></p>
<figure id="attachment_28318" aria-describedby="caption-attachment-28318" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28318 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Minority-Report-Imagem-Nova-800x326.png" alt="Cena do filme Minority Report. No centro da imagem, temos o ator Colin Farrell, um homem branco e de cabelos escuros. Ele está de pé e veste uma camisa social branca, calça, sapato, suspensório e uma luva na mão direita, todas pretas. No canto inferior esquerdo da imagem temos um homem branco e loiro sentado em uma cadeira preta diante de uma escrivaninha. Ele veste camisa, calça e sapato inteiramente pretos. No lado direito da imagem, temos uma tela de acrílico exibindo imagens diversas do rosto de um homem branco com cabelos escuros. A cena acontece durante o dia, no cenário de um escritório. " width="800" height="326" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Minority-Report-Imagem-Nova-800x326.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Minority-Report-Imagem-Nova-1024x417.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Minority-Report-Imagem-Nova-768x313.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Minority-Report-Imagem-Nova-1536x626.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Minority-Report-Imagem-Nova-1200x489.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Minority-Report-Imagem-Nova.png 1919w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28318" class="wp-caption-text">Anos antes de Steve Jobs popularizar a tecnologia touch screen através do iPhone, Minority Report já apresentava uma ideia parecida dentro de seu universo (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, pensando de um ponto de vista mais material, </span><i><span style="font-weight: 400;">Minority Report </span></i><span style="font-weight: 400;">também se assemelha ao presente no seu retrato da </span><a href="https://www.theatlantic.com/culture/archive/2022/06/minority-report-spielberg-movie-tom-cruise/661274/"><span style="font-weight: 400;">tecnologia customizada</span></a><span style="font-weight: 400;">. Vemos isso nos anúncios de roupas, serviços, produtos personalizados e na necessidade que os personagens têm de se identificarem virtualmente através do escaneamento das íris de seus olhos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse retrato é complementado pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de produção de Alex McDowell (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Aço, A Fantástica Fábrica de Chocolate</span></i><span style="font-weight: 400;">) e os figurinos de Deborah L. Scott (</span><i><span style="font-weight: 400;">Avatar, Titanic</span></i><span style="font-weight: 400;">), que não se distanciam tanto da realidade: a Washington de 2054 parece realmente a cidade de Washington </span><a href="https://www.giantfreakinrobot.com/scifi/steven-spielberg-created-realistic-future-minority-report.html"><span style="font-weight: 400;">daqui 30 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seguindo a proposta do filme, o trabalho de ambos não se esquece da inventividade característica da ficção científica, como máquinas de extração ocular, robôs que parecem baratas, cassetetes que estimulam o vômito e por aí vai. </span></p>
<figure id="attachment_28319" aria-describedby="caption-attachment-28319" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28319 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-3-800x328.png" alt="Cena do filme Minority Report. A cena acontece em uma sala escura. No centro da imagem, temos uma estrutura que se assemelha a um prédio, onde temos dois homens brancos vistos de uma distância que os deixa pequenos e difíceis de visualizar. Um dos homens está de pé à esquerda e o outro está sentado à direita. Ao redor do prédio, temos vários holofotes de luzes brancas direcionadas tanto para a direita quanto para a esquerda.  " width="800" height="328" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-3-800x328.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-3-1024x419.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-3-768x315.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-3-1536x629.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-3-1200x492.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-3.png 1919w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28319" class="wp-caption-text">O design de produção de Alex McDowell para Minority Report foi o primeiro a usar extensivamente o conceito de pré-visualização digital (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto Cinema, </span><i><span style="font-weight: 400;">Minority Report </span></i><span style="font-weight: 400;">nos mostra um Spielberg soberbo e excepcional em sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nlH3LFGHwZg&amp;t=1s"><i><span style="font-weight: 400;">mise-en-scene</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">como de costume. Trabalhando pela primeira &#8211; e por enquanto única &#8211; vez com o gênero </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;">, o diretor consegue transmitir toda a angústia e mistério da narrativa em sua câmera tradicionalmente dinâmica e inquieta. Esse efeito é potencializado pela espetacular direção de fotografia de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/janusz-kaminski/"><span style="font-weight: 400;">Janusz Kaminski</span></a><span style="font-weight: 400;">, que retrata esse mundo misturando tons azulados e esbranquiçados, etéreos com as sombras mais fortes e granuladas da película, num sentimento de pessimismo e anestesia muito condizente com os dos personagens aqui. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No que tange à ação, o filme nos brinda com sequências espetaculares que se utilizam dos aspectos técnicos em seu nível máximo de qualidade. São momentos como os da fuga de Anderton em meio ao trânsito magnetizado de Washington ou o da perseguição ao protagonista que começa em um beco e termina em uma fábrica de carros (com direito a uma pistola de pulsos magnéticos no meio). Ou até mesmo o da excepcional primeira operação dos policiais, em que percebemos o empenho dos dublês, a pegada pulsante da trilha de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/john-williams/"><span style="font-weight: 400;">John Williams</span></a><span style="font-weight: 400;">, a intensidade da montagem de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/michael-kahn/"><span style="font-weight: 400;">Michael Kahn</span></a><span style="font-weight: 400;">, a inventividade do design de som indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/gary-rydstrom/"><span style="font-weight: 400;">Gary Rydstrom</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Richard Hymns e, claro, a excelência dos efeitos visuais da empresa </span><i><span style="font-weight: 400;">ILM. </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no elenco, temos um dos melhores e mais subestimados papéis da carreira de Tom Cruise &#8211; que poderia cair facilmente na mesma pegada de todos os seus outros protagonistas de ação, se não fosse a sua profundidade. Aqui, Cruise trabalha balanceando brutalidade, desorientação, descontrole e, acima de tudo, melancolia, de forma brilhante, chegando ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8MuZATnrE3Y"><span style="font-weight: 400;">clímax</span></a><span style="font-weight: 400;"> emocionalmente chocante e catártico para Anderton, em que o herói se depara com o suposto assassino de seu filho e é forçado a escolher entre cumprir a premonição dos Pré-Cogs ou tomar um rumo diferente por vontade própria. </span></p>
<figure id="attachment_28320" aria-describedby="caption-attachment-28320" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28320 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4-800x328.png" alt="Cena do filme Minority Report. A imagem mostra os rostos de duas pessoas abraçadas, um homem e uma mulher. Do lado esquerdo, temos a atriz Samantha Morton, uma mulher branca, careca e sem indicativo do que está vestindo. Do lado direito, temos o ator Tom Cruise, um homem branco de cabelos pretos e vestido de uma jaqueta preta de couro. A cena acontece em um cenário escuro. " width="800" height="328" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4-800x328.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4-1024x419.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4-768x314.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4-1536x629.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4-1200x491.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-4.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28320" class="wp-caption-text">A disputa entre o livre-arbítrio e a predestinação é um dos destaques do roteiro de Minority Report (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O nêmesis de Anderton, Witwer, é interpretado com uma ambiguidade moral muito interessante por parte de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/colin-farrell/"><span style="font-weight: 400;">Colin Farrell</span></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto seu mentor Lamar Burgess é agraciado com um ótimo desempenho do saudoso </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/max-von-sudow/"><span style="font-weight: 400;">Max Von Sydow</span></a><span style="font-weight: 400;">, envolto em uma rigidez e uma fala passivo-agressiva muito condizentes com a sua natureza surpreendente. Já Samantha Morton, mesmo com pouco tempo de tela comparada aos outros coadjuvantes, chama atenção na composição frágil e enigmática de Agatha, uma das três Pré-Cogs responsável pela premonição que incrimina John. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No final das contas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Minority Report </span></i><span style="font-weight: 400;">representa o melhor que a ficção científica tem a oferecer: reflexões sobre a nossa condição contemporânea enquanto sociedade a partir da especulação do futuro. K. Dick, o homem que ousou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=d1-1Ro7ofO4"><span style="font-weight: 400;">sonhar com ovelhas elétricas</span></a><span style="font-weight: 400;">, deu origem a base de discussões éticas que os roteiristas </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/scott-frank/"><span style="font-weight: 400;">Scott Frank</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Jon Cohen aprofundaram na adaptação do texto para o cinema. O trabalho no qual Spielberg, Cruise e todos os outros profissionais envolvidos maximizaram através de seus níveis ímpares de competência. O resultado final foi um filme que, vinte anos depois de seu lançamento original, continua muito relevante, além de uma grande, pura e simples experiência cinematográfica. </span></p>
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		<title>O Batman de Matt Reeves se vinga dos filmes de super-heróis</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Mar 2022 15:05:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda O anúncio de Robert Pattinson como o novo vigilante noturno da DC Comics provocou intensas reações entre os entusiastas mais fanáticos, desinteressados em separar o currículo extenso e impressionante do ator de seu papel como galã da saga Crepúsculo. No entanto, para aqueles de nós maduros o suficiente para não se &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/batman-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Batman de Matt Reeves se vinga dos filmes de super-heróis"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27076" aria-describedby="caption-attachment-27076" style="width: 3860px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27076" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-1.png" alt="Cena do filme Batman. O Batman (Robert Pattinson) olha através de um vidro molhado, para frente. A metade superior de seu rosto é coberta por um capacete preto que mostra apenas os olhos. Ele usa uma capa preta com um colarinho alto. Ele é um homem caucasiano, de olhos azuis. Uma luz amarela vem detrás dele, iluminando as gotas no vidro, fora de foco. Está de noite e tons escuros e amarelos aparecem atrás dele, também fora de foco." width="3860" height="1608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-1.png 3860w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-1-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-1-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-1-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-1-1536x640.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27076" class="wp-caption-text">O novo Batman pertence aos bissexuais emos que só usam couro (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O anúncio de Robert Pattinson como o novo vigilante noturno da </span><i><span style="font-weight: 400;">DC Comics </span></i><span style="font-weight: 400;">provocou intensas reações entre os entusiastas mais fanáticos, desinteressados em separar o currículo extenso e </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-farol-the-lighthouse-critica/"><span style="font-weight: 400;">impressionante</span></a><span style="font-weight: 400;"> do ator de seu papel como galã da saga </span><a href="https://personaunesp.com.br/sol-da-meia-noite-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Crepúsculo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, para aqueles de nós maduros o suficiente para </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/batman-robert-pattinson-defende-crepusculo-apos-critica-de-zoe-kravitz-assista/"><span style="font-weight: 400;">não se importar</span></a><span style="font-weight: 400;"> com tal associação (o que é um morcego para quem já foi vampiro?), a expectativa para o novo longa só aumentou: afinal de contas, o que seria o Batman de Pattinson?</span></p>
<p><span id="more-27075"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É claro, nem sempre essa versão do Cruzado Encapuzado pertenceu a ele. Dizer que o novo filme </span><i><span style="font-weight: 400;">solo </span></i><span style="font-weight: 400;">do protetor de Gotham City teve um desenvolvimento conturbado seria um eufemismo: o que antes seria uma história de ação estrelada e dirigida por </span><a href="https://comicbook.com/movies/news/the-batman-movie-ben-affleck-batman-suit-batsuit-concept-art/"><span style="font-weight: 400;">Ben Affleck</span></a><span style="font-weight: 400;">, após sua introdução no sisudo </span><a href="https://personaunesp.com.br/liga-da-justica-de-zack-snyder-critica/"><span style="font-weight: 400;">universo compartilhado</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Zack Snyder, tornou-se uma nova interpretação de seu protagonista, no embalo de produções como o </span><a href="https://personaunesp.com.br/coringa-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Coringa</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Todd Phillips, completamente avulsa à qualquer ambição de universos expandidos. A difícil tarefa caiu na mão de Matt Reeves, diretor e roteirista responsável por desenvolver e terminar a trilogia de </span><i><span style="font-weight: 400;">prequels</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QzgWDG4QviU"><i><span style="font-weight: 400;">Planeta dos Macacos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas que ganhou fama pelos terrores </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UYnmdegYBTM"><i><span style="font-weight: 400;">Cloverfield &#8211; Monstro</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1If96wkAZGI"><i><span style="font-weight: 400;">Deixe-me Entrar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i><span style="font-weight: 400;"> (ou, numa tradução mais precisa de seu título original, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Batman</span></i><span style="font-weight: 400;">) nos apresenta um vigilante ainda em </span><a href="https://ovicio.com.br/the-batman-os-quadrinhos-que-servem-de-inspiracao-para-o-filme/"><span style="font-weight: 400;">início de carreira</span></a><span style="font-weight: 400;">, afundado de cabeça em sua própria definição vingativa de justiça, mas que é assolado pelas dúvidas que sua vocação desperta. Tudo isso é intensificado pela aparição do Charada, um misterioso assassino serial que tem a elite de Gotham em sua mira, revelando segredos sobre a cidade que ameaçam destruir seus alicerces e jogá-la no abismo. Nesse cenário, somos introduzidos a algumas das figuras mais icônicas do cânone do Morcegão, tais como o comissário Gordon (aqui ainda tenente), a ladra Mulher-Gato e o criminoso Pinguim. Mas talvez nenhuma iconografia seja tão importante quanto a própria </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HF-wVFTR0fg"><span style="font-weight: 400;">Gotham City</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><figure id="attachment_27078" aria-describedby="caption-attachment-27078" style="width: 3840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27078" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-2.png" alt="Cena do filme Batman. O Batman (Robert Pattinson) está no topo de um edifício em construção, virado para a esquerda, observando a cidade de Gotham à noite. Sua silhueta deixa evidente orelhas pontudas em seu capacete e uma capa esvoaçante para a direita. Atrás dele, à direita da tela e separado por vigas expostas, um holofote aceso aponta para o céu. Outras duas vigas menores, à esquerda, cortam a tela. O chão do edifício parece reflexivo e úmido. A cidade de Gotham é cortada por um rio e, ao longe, uma torre de rádio informa sua estação com um letreiro vertical luminoso." width="3840" height="1608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-2.png 3840w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-2-800x335.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-2-1024x429.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-2-768x322.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-2-1536x643.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27078" class="wp-caption-text">A cidade natal do justiceiro nunca esteve tão suja (e molhada) [Foto: Warner Bros. Pictures]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Desde cedo a Gotham de Reeves se distingue de outras iterações cinematográficas pela </span><a href="https://www.dailymail.co.uk/tvshowbiz/article-10563887/The-Batman-HOUR-rainy-scenes.html"><span style="font-weight: 400;">chuva torrencial</span></a><span style="font-weight: 400;"> que cai toda noite nos telhados dilapidados e arranha-céus retilíneos. Seja como pingos nas janelas ou como gotas escorrendo pelo queixo escultural de Pattinson, há uma umidade intrínseca à essa visão específica que permeia todo o longa e dita os movimentos da fotografia de Greig Fraser (</span><a href="https://personaunesp.com.br/duna-2021-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-mandalorian-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Mandalorian</span></i></a><span style="font-weight: 400;">): com uma distinta inspiração em tramas de detetive </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cidade, definida por seus becos escuros e sinais de </span><i><span style="font-weight: 400;">neon </span></i><span style="font-weight: 400;">luminosos, assume uma forma infinitamente mais aterrorizante que versões anteriores sem sacrificar sua verossimilhança. A presença de um bilionário que se veste de morcego para espancar criminosos e de um assassino que deixa charadas nas cenas de crime assume um tom visceral, tornando-se uma extensão natural, mas ainda disruptiva, desse ambiente sombrio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, afinal, “</span><a href="https://www.reddit.com/r/DCcomics/comments/585qr6/when_is_a_man_a_city_secret_origins_special_1989/"><i><span style="font-weight: 400;">quando um homem é uma cidade?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” Quando Gotham muda, seu guardião silencioso também deve mudar. Diferente do bilionário carismático que estamos acostumados a ver, Pattinson descreve sua versão de Bruce Wayne como um </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://www.ofuxico.com.br/cinema-e-serie/esquisitao-perdido-diz-robert-pattinson-sobre-novo-batman/"><i><span style="font-weight: 400;">esquisitão perdido</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">, isolado do resto da sociedade em sua caverna de segredos, onde ele planeja maneiras de extravasar sua raiva nos criminosos de Gotham, suas únicas companhias sendo seu leal mordomo, Alfred (Andy Serkis) e o cauteloso tenente Gordon (</span><a href="https://personaunesp.com.br/what-if-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jeffrey Wright</span></a><span style="font-weight: 400;">), seu contato frágil com a polícia de Gotham e parceiro na investigação para achar o Charada. Embora nem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JdxkKvJIUz8"><span style="font-weight: 400;">tão brutal</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto o Homem-Morcego de Michael Keaton, há uma fúria contida neste que impulsiona sua performance além de qualquer outra interpretação em </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande parte da trama lida com o propósito de sua identidade secreta e a razão que o leva a pôr a máscara, apesar de misericordiosamente não conter mais uma cena das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XAyxY5hF3ZE"><span style="font-weight: 400;">pérolas de Martha Wayne</span></a><span style="font-weight: 400;"> se espalhando pelo Beco do Crime. Negando veementemente uma nova história de origem para o personagem, Reeves e seu co-roteirista, Peter Craig, exploram o nascimento do alter ego de Bruce Wayne através das dúvidas internas e de revelações chocantes que as extrapolam, conversando intensamente com o papel do herói como um símbolo de Gotham City, </span><a href="https://ovicio.com.br/batman-robert-pattinson-revela-inspiracao-em-a-mascara-do-fantasma/"><span style="font-weight: 400;">tirando lições</span></a><span style="font-weight: 400;"> do excepcional </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4PK5CYZlHMA"><i><span style="font-weight: 400;">Batman: A Máscara do Fantasma</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27080" aria-describedby="caption-attachment-27080" style="width: 2559px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27080" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3.jpg" alt="Cena da animação Batman: A Máscara do Fantasma. O Batman (Kevin Conroy) está virado para a direita, envolto em sombras, na frente de uma parede cavernosa azul escura, segurando o capuz de seu uniforme com as duas mãos. O capuz possui orelhas pontudas, como as de um morcego, e ele usa uma capa por cima do corpo." width="2559" height="1599" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3.jpg 2559w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3-800x500.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3-1024x640.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3-768x480.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3-1536x960.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3-2048x1280.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-3-1200x750.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27080" class="wp-caption-text">Na animação seminal de 1993, disponível no HBO Max, o herói é forçado a confrontar o terrível preço de sua missão (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem as constrições comuns a filmes de origem, </span><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue se aprofundar com clareza em seu elenco coadjuvante, não apenas introduzindo rostos que terão mais desenvolvimento em futuros filmes ou séries, mas lhes dando espaço para agir dentro da trama e serem afetados por ela. Dentro de um gênero cada vez mais definido por </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i> <a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/films/features/long-blockbusters-no-time-to-die-b1938980.html"><span style="font-weight: 400;">artificialmente longos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e inchados, o longa de Matt Reeves é um dos raros casos em que sua duração de quase três horas se justifica na ambição por trás de seu tom intimista e sua visão monumental e detalhada de uma Gotham </span><a href="https://www.thewrap.com/the-batman-cinematography-greig-fraser-interview/"><span style="font-weight: 400;">definida por contrastes</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há um incrível </span><a href="https://www.jameschinlund.com/features/the-batman"><span style="font-weight: 400;">elemento tátil</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i><span style="font-weight: 400;">. Seja o novo capuz costurado (junto de um uniforme marcadamente mais ágil que anteriores), o Batsinal em que o ícone do morcego parece ter sido martelado à força dentro de um holofote, ou o novo Batmóvel saído diretamente de </span><a href="https://personaunesp.com.br/mad-max-estrada-da-furia-o-reboot-da-distopia/"><i><span style="font-weight: 400;">Mad Max</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a produção do longa reforça os elementos mais crus de sua fotografia, criando uma visão suja e incrivelmente fluida do mundo que seus personagens habitam. Indo de contrapartida à muitos dos preceitos visuais do gênero instaurados na última década com a ascensão do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mcu/"><span style="font-weight: 400;">Universo Cinematográfico da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Fraser cria uma identidade única para um filme de super-herói, unindo referências díspares em uma coesão afiada e hipnotizante, catapultando-o diretamente para a vanguarda da próxima temporada de premiações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa identidade também se estende na </span><a href="https://open.spotify.com/album/18nTX27XXEYARGmWMTgD19?si=9b9afcc7ebe94aaf"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Michael Giacchino, outro aspecto celebrado do longa que vem suscitando burburinho de </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> para 2023. O experiente compositor (que já havia trabalhado com Reeves em </span><i><span style="font-weight: 400;">Planeta dos Macacos: O Confronto</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Guerra</span></i><span style="font-weight: 400;">) tece diferentes facetas do Batman, seus aliados e inimigos, bem como a própria cidade que os pariu, em uma procissão rítmica, alucinante e bombástica, refletindo as </span><a href="https://open.spotify.com/track/1NkI8DtCnjcWVCVLF0gB71?si=50805036569b437c"><span style="font-weight: 400;">transformações emocionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu bilionário desajustado. O legado de </span><a href="https://open.spotify.com/track/5l2FbSEaZJtQNv6Z2h1DnK?si=39812b4c777e4fcd"><span style="font-weight: 400;">Danny Elfman</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/track/5QFdOfeQlX8gp7ick31XRG?si=d3bca09449984f42"><span style="font-weight: 400;">Hans Zimmer</span></a><span style="font-weight: 400;"> continua intacto: ainda havemos de ouvir um tema ruim do Batman no Cinema.</span></p>
<figure id="attachment_27081" aria-describedby="caption-attachment-27081" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27081" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-4.jpg" alt="Cena do filme Batman. O Charada (Paul Dano) estica uma fita adesiva em sua frente, ajoelhado sobre um corpo no chão. Ele usa óculos transparentes por cima de uma máscara verde-escura que cobre seu rosto inteiro, vestido com uma jaqueta verde escura e luvas escuras. Atrás dele, vemos uma casa antiga, com um portal de madeira ornamentado separando seus cômodos e abajures fixados nas paredes, provendo luz. Atrás deste portal, no cômodo atrás do Charada, podemos ver janelas grandes e fechadas, exibindo o céu noturno." width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-4-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-4-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-4-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27081" class="wp-caption-text">“O que é, o que é…” (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No coração de sua história, </span><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um mistério, mas um no qual a identidade do antagonista é claramente menos importante do que a máscara que ele usa. Se afastando da energia maníaca de Jim Carrey na galhofa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ROLvjRB4E_Q"><i><span style="font-weight: 400;">Batman Eternamente</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o Charada de Paul Dano é </span><a href="https://cinepop.com.br/batman-matt-reeves-explica-conexao-entre-o-charada-e-o-assassino-do-zodiaco-329471/"><span style="font-weight: 400;">modelado</span></a><span style="font-weight: 400;"> com base no Assassino do Zodíaco, o infame </span><i><span style="font-weight: 400;">serial killer</span></i><span style="font-weight: 400;"> que assolou a Califórnia ao final dos anos 60. Cobrindo seu rosto com uma máscara e óculos por cima, ele deixa códigos elaborados e cifras que apenas o </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2022/robert-pattinson-alcunha-detetive-batman.html"><span style="font-weight: 400;">Maior Detetive do Mundo</span></a><span style="font-weight: 400;"> (que finalmente conquista essa alcunha com suas deduções sagazes e um olhar minucioso) pode desvendar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, apesar de suas inspirações realistas, a câmera o captura como vários dos assassinos icônicos do Cinema de Terror: na precisão fria de Michael Myers em </span><a href="https://personaunesp.com.br/halloween-2018-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Halloween</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, os jogos sádicos de Jigsaw em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nBdAwTljr8s"><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Mortais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou até mesmo nas ligações telefônicas e quizzes inesperados de Ghostface em </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o filme utiliza esses arquétipos reconhecíveis em uma de suas combinações mais audazes, reintroduzindo um vilão caricato como um adversário temível e imprevisível. Porém, a violência inerente tanto ao </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i><span style="font-weight: 400;"> quanto ao </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;"> aqui fica de lado devido aos aspectos comerciais do longa e sua classificação </span><i><span style="font-weight: 400;">PG-13</span></i><span style="font-weight: 400;">, impedindo que seu antagonista choque a audiência assim como choca Gotham.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma performance psicopática, Dano faz do Charada um nêmesis à altura de Pattinson, refletindo algumas das piores tendências do herói e servindo como um cúmplice de seus defeitos. À todo momento a direção de Reeves acompanha os movimentos desses personagens com um olhar empático, notando suas semelhanças e criando a dualidade que os une: através de suas máscaras, ambos representam as falhas sociais e morais de Gotham, em níveis distintos, mas complementares, e denunciam suas verdadeiras identidades para o mundo. O </span><a href="https://criticalhits.com.br/cinema-e-tv/conheca-batman-ego-principal-hq-que-inspirou-the-batman/"><span style="font-weight: 400;">conflito interno</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Bruce Wayne ao ter de confrontar essa dicotomia deturpada está no cerne desta versão do personagem, que renega inteiramente sua persona pública em favor do Cruzado Encapuzado.</span></p>
<figure id="attachment_27082" aria-describedby="caption-attachment-27082" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27082 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5.jpg" alt="Cena do filme Batman. O Batman (Robert Pattinson) agarra o braço esquerdo de Selina (Zoë Kravitz) com sua mão direita, na frente do horizonte urbano de Gotham, no topo de um prédio em construção. O Batman está à direita, de costas, e podemos ver seu capacete preto decorado com orelhas pontudas no topo e sua capa preta com colarinho alto. Ele usa armadura no peito e luvas nas mãos. Selina, à esquerda, é uma mulher negra, magra, de cabelos pretos e curtos, usando uma jaqueta de couro preta e fechada, olhando para o Batman (que é mais alto do que ela). Fora da tela, vemos o sol se pôr e a luz do crepúsculo ilumina a tela., com algumas janelas de prédios refletindo essa luz." width="1920" height="1920" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5-1536x1536.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-5-1200x1200.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27082" class="wp-caption-text">Finalmente descobrimos de onde vem o “B” de LGBTQIA+ (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma abordagem muito mais metódica e calculada que um </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400;"> normal, o longa constrói maravilhosamente bem a tensão entre as figuras peculiares dessa cidade escorregadia. A introdução do submundo criminoso de Gotham não sai desse tom, com figuras como o Pinguim de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-sacrificio-do-cervo-sagrado-critica/"><span style="font-weight: 400;">Colin Farrell</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/maquiagem-do-pinguim-do-novo-batman-surpreendeu-ate-diretor.phtml"><span style="font-weight: 400;">irreconhecível</span></a><span style="font-weight: 400;"> em sua maquiagem cartunesca) e o Carmine Falcone de John Turturro servindo de ganchos narrativos para macular a visão em preto e branco que Bruce tem do mundo. Aqui, Matt Reeves captura habilmente um humor mórbido que não destoa do resto do longa, mas que reforça seus elementos mais bizarros, ajudando ainda mais em sua caracterização do espaço e das personagens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É também durante essa introdução que conhecemos a Selina Kyle de </span><a href="https://personaunesp.com.br/big-little-lies-s2-critica/"><span style="font-weight: 400;">Zoë Kravitz</span></a><span style="font-weight: 400;">, que contracena explosivamente com o detetive taciturno de Pattinson (a química entre os dois não ficou apenas nas muitas </span><a href="https://revistamonet.globo.com/Celebridades/noticia/2022/03/zoe-kravitz-e-robert-pattinson-levam-fas-loucura-com-ensaio-fumegante-de-batman-para-revista.html"><span style="font-weight: 400;">capas de revistas</span></a><span style="font-weight: 400;">). Apesar de ainda não ser exatamente a gatuna descolada que conhecemos dos quadrinhos, Kravitz acha a humanidade em suas motivações e, junto de Reeves, traça o arco narrativo mais forte da personagem no Cinema até então. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dona do </span><a href="https://open.spotify.com/track/3Bd12fCAzf7NQHCtb3p2Si?si=4eab0f9710e94235"><span style="font-weight: 400;">tema</span></a><span style="font-weight: 400;"> que mais se assemelha ao </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;">, o relacionamento da personagem com o Morcego é, assim como nos quadrinhos, uma aliança tênue de objetivos, ditada pela necessidade, mas que se desenvolve em uma troca honesta de sentimentos. Seja quando lutam ou quando conversam através de suas máscaras, a atração entre os dois estoura em momentos chaves da trama e impulsiona ambos a serem melhores do que o mundo que os criou. Se o Charada é o espelho sombrio de tudo de pior que há no Batman, a Mulher-Gato é a pessoa que finalmente lhe oferece a chance de fazer a diferença e, talvez, salvar alguém.</span></p>
<figure id="attachment_27083" aria-describedby="caption-attachment-27083" style="width: 3860px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27083" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-6.png" alt="Cena do filme Batman. Selina (Zoë Kravitz), de costas, coloca a mão esquerda sobre o rosto do Batman (Robert Pattinson), que fecha os olhos. Selina é uma mulher negra de cabelos pretos e curtos, inclinando a cabeça para a esquerda da tela. Suas unhas são longas e afiadas. O Batman é um homem caucasiano, com a metade superior do rosto coberta por seu capacete preto. Podemos ver o colarinho preto e alto de sua capa. Atrás deles, fora de foco, uma lâmpada branca está acesa, mas uma luz amarela suave vem da esquerda e ilumina seu rosto." width="3860" height="1608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-6.png 3860w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-6-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-6-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-6-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/batman-6-1536x640.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27083" class="wp-caption-text">“Quem eu quero enganar? Você já tem dona.” (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Matt Reeves é uma colcha de retalhos, uma tapeçaria de diferentes referências, que conversam umas com as outras em virtude da paixão que seus realizadores injetam em cada decisão criativa tomada na construção desta homenagem a uma das figuras mais duradouras da ficção. O </span><a href="https://www.nerdsite.com.br/the-batman-orcamento-do-filme-e-o-mesmo-de-viuva-negra/"><span style="font-weight: 400;">orçamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 200 milhões de dólares não se faz valer em sequências grandiosas de ação, mas no extremo cuidado e deliberação dado à caracterização de seus espaços e as pessoas que o habitam. Foi a primeira vez em muito tempo que, assistindo a um filme de super-heróis fantasiados, me senti conectado não apenas a eles, mas ao mundo que desejam tanto salvar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É estranho, numa cultura tão obcecada com histórias de salvadores, o quão pouco nós os vemos efetivamente salvando pessoas que não sejam figurantes anônimos esquecidos na cena seguinte. Seria </span><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i><span style="font-weight: 400;"> uma resposta, uma vingança até, a essa apatia pelos mundos que abrigam essas figuras heroicas, mas que tão raramentGe praticam heroísmo, examinada por meio de seu protagonista tão fundamentalmente falho quanto a cidade que ele jura tentar proteger? Mas não, há amor demais, paixão demais, para que essa raiva o defina: quase que impossivelmente, ao final de seu mistério tenebroso, somos deixados com </span><a href="https://valkirias.com.br/the-batman/"><span style="font-weight: 400;">esperança</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Todos os caminhos levam ao Beco do Pesadelo</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Mar 2022 16:44:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos Guillermo del Toro sempre teve uma predileção pelo inóspito e o bizarro. Conforme sua carreira foi amadurecendo, o diretor se viu cada vez mais confortável em meio às suas criações monstruosas com olhos nas mãos, chifres reluzentes e escamas pelo corpo, buscando reforçar que, no final das contas, o estranho pode ser um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-beco-do-pesadelo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Todos os caminhos levam ao Beco do Pesadelo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26631" aria-describedby="caption-attachment-26631" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26631" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1.jpeg" alt="Imagem retangular é uma cena de O Beco do Pesadelo. Centralizado e ao fundo da imagem está Bradley Cooper, um homem branco, adulto, de olhos claros, cabelos castanhos e médios e barba rala, que usa um terno marrom batido com um chapéu da mesma cor. Ele está dentro de um tubo que possui um padrão em espiral vermelho e branco. Ao redor do cano e nos cantos da imagem há uma parede forrada de olhos abertos com íris azuis claras." width="2048" height="1152" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26631" class="wp-caption-text">Com 4 indicações ao Oscar 2022, o novo filme de Guillermo del Toro é fascinante (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/guillermo-del-toro-6-filmes-iconicos-do-diretor-o-labirinto-do-fauno-forma-da-agua-e-mais-lista/"><span style="font-weight: 400;">Guillermo del Toro</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre teve uma predileção pelo inóspito e o bizarro. Conforme sua carreira foi amadurecendo, o diretor se viu cada vez mais confortável em meio às suas criações monstruosas com olhos nas mãos, chifres reluzentes e escamas pelo corpo, buscando reforçar que, no final das contas, o estranho pode ser um convite para uma vida fantástica. No entanto, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6mifhKKpHTI"><i><span style="font-weight: 400;">O Beco do Pesadelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sua nova empreitada, del Toro prende as </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/isabela-boscov/a-mudanca-notavel-dos-monstros-de-guillermo-del-toro-em-beco-do-pesadelo/"><span style="font-weight: 400;">criaturas</span></a><span style="font-weight: 400;"> no baú, fecha o livro de histórias mágicas e assume uma roupagem realista à sua maneira para provar, mais uma vez, que o ser humano é bem mais perigoso que o pior dos monstros.</span></p>
<p><span id="more-26630"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado no romance de mesmo nome escrito por </span><a href="https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2022/02/11/miseria-humana-move-livro-que-inspirou-o-beco-do-pesadelo-concorrente-ao-oscar-2022.ghtml"><span style="font-weight: 400;">William Lindsay Gresham</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1946 e inspirado pelo filme subsequente de Edmund Goulding lançado em 1947 – que, apesar de estampar o </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/o-beco-do-pesadelo-scorsese-elogia-filme-de-guillermo-del-toro-merece-nosso-apoio/"><i><span style="font-weight: 400;">Nightmare Alley</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">original, ganhou o título de </span><a href="https://www.denofgeek.com/movies/nightmare-alley-2021-vs-nightmare-alley-1947-what-are-differences/"><i><span style="font-weight: 400;">O Beco das Almas Perdidas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">no Brasil –, o longa repaginado do diretor mexicano é uma viagem suja e moralmente degradante pelos Estados Unidos dos anos 30. Com uma mistura heterogênea de personagens desesperados, quem encabeça a trama é Stanton Carlisle, um andarilho contido e misterioso que é acolhido por um circo itinerante e passa a se envolver com os segredos de seus artistas.</span></p>
<figure id="attachment_26632" aria-describedby="caption-attachment-26632" style="width: 2150px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26632" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2.jpg" alt="Imagem retangular é uma cena de O Beco do Pesadelo. Á esquerda, está Bradley Cooper, um homem branco, adulto, de olhos claros, cabelos castanhos e médios e barba rala, que usa um paletó listrado e está de frente para Rooney Mara, uma mulher branca, magra, jovem, de cabelos médios e pretos, que usa um robe preto com detalhes vermelhos e touca de renda dourada, enquanto está sentada e olhando para um livro. Eles estão em um espaço aberto, de frente para um trailer envelhecido e enferrujado com lâmpadas nas laterais. Está de dia. " width="2150" height="1191" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2.jpg 2150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-800x443.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-1024x567.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-768x425.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-1536x851.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-2048x1134.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-1200x665.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26632" class="wp-caption-text">A todo momento, O Beco do Pesadelo referencia Enoch, o feto de um olho só que assombra o espírito de Stan (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se nos primeiros momentos do </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> Carlisle é envolto em um silêncio ameaçador, logo passa a exalar um charme determinado a conquistar mais – mais dinheiro, mais amor, mais fama. Quem garante forma ao protagonista é </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/licorice-pizza-bradley-cooper-quase-desistiu-de-atuar-antes-de-participar-de-filme-entenda/"><span style="font-weight: 400;">Bradley Cooper</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, apesar de acumular atuações sem muito tempero na carreira, entrega uma alma intensamente perturbada ao </span><a href="https://revistacultnet.com.br/2020/12/18/o-genero-noir/"><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/tudo-que-ja-sabemos-sobre-o-live-action-do-pinoquio-da-disney-astro-de-stranger-things-diretor-de-hellboy-e-mais/"><span style="font-weight: 400;">Guillermo del Toro</span></a><span style="font-weight: 400;">, assumindo o fardo que uma vez pertenceu a Tyrone Power. Com uma </span><i><span style="font-weight: 400;">persona</span></i><span style="font-weight: 400;"> para cada fase de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Beco do Pesadelo</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/cinema-e-series/2022/01/bradley-cooper-revela-que-cogitou-se-aposentar-da-atuacao-durante-a-pandemia.shtml"><span style="font-weight: 400;">Cooper</span></a><span style="font-weight: 400;"> entende o que o trabalho exige e se adequa a uma narrativa própria de ascensão e queda, corrompido pela ganância e rumando assumidamente a sua derrocada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto Stan encontra seu bilhete premiado rumo ao estrelato em meio às lonas brancas e vermelhas encardidas, nós encontramos o melhor que o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/01/o-beco-do-pesadelo-tem-elenco-rico-e-del-toro-de-volta-a-boa-forma.shtml"><span style="font-weight: 400;">comboio de coadjuvantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem a oferecer. Com </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-farol-the-lighthouse-critica/"><span style="font-weight: 400;">Willem Dafoe</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/unbelievable-critica/"><span style="font-weight: 400;">Toni Collette</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2022/jan/14/i-dont-think-we-should-talk-about-me-a-visit-to-david-strathairns-own-nightmare-alley"><span style="font-weight: 400;">David Strathairn</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/rooney-mara-e-escolhida-para-viver-audrey-hepburn-em-filme-biografico-conheca/"><span style="font-weight: 400;">Rooney Mara</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/ron-perlman-diz-que-enche-o-saco-de-guillermo-del-toro-para-fazer-hellboy-3/"><span style="font-weight: 400;">Ron Perlman</span></a><span style="font-weight: 400;">, parceiro de longa data do diretor, del Toro extrai uma profusão de talento para contar a sua história – seja por meio da inocência juvenil de Mara ou da crueldade de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=p-JvL9wBzAQ"><span style="font-weight: 400;">Dafoe e seu “selvagem”</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mesmo ultrapassando as duas horas de duração, o resultado final é hipnótico, como se o espectador fosse apenas uma parte da plateia de aflitos de Madame Zeena.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao migrar para a segunda metade do longa, Cooper se mantém firme como dono da narrativa, mas Rooney Mara tem dificuldades para ficar de pé em meio ao mar agitado de Chicago e seus novos personagens. Apagada, a atriz e sua Molly dividem o peso fantasmagórico da indiferença não só do marido, como também do roteiro de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-fD3nwdHikQ"><span style="font-weight: 400;">Guillermo del Toro e Kim Morgan</span></a><span style="font-weight: 400;">, que falha em dar uma personalidade minimamente chamativa para a mulher-elétrica. Como consequência, a garota é devorada pela trama niilista, rendendo poucos bons momentos e ficando ainda mais ofuscada com a chegada felina de </span><a href="https://cinebuzz.uol.com.br/noticias/cinema/cate-blanchett-revela-que-escuridao-atraiu-para-o-beco-do-pesadelo-de-guillermo-del-toro.phtml"><span style="font-weight: 400;">Cate Blanchett</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26633" aria-describedby="caption-attachment-26633" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26633" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2.jpg" alt="A imagem retangular é uma cena de O Beco do Pesadelo. À direita da foto vemos Cate Blanchett de costas da cintura para cima. Ela é uma mulher branca, mais velha, magra, de cabelos médios e encaracolados e bem loiros, que usa um batom vermelho vibrante. À sua esquerda vemos dois espelhos mostrando feições preocupadas olhando de volta para a atriz. O cenário é um banheiro escuro com pouca iluminação do lado direito da foto." width="2000" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26633" class="wp-caption-text">Assim como Cate Blanchett, Mary Steenburgen também possui uma participação explosiva no thriller, porém de poucos minutos (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Interpretando a psiquiatra Lilith Ritter, a atriz veterana carrega nas mãos a perdição do ato final no melhor estilo </span><a href="https://www.planocritico.com/plano-historico-23-femme-fatale-um-arquetipo-noir/"><i><span style="font-weight: 400;">femme fatale</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que embalou o gênero dos anos 40. Sempre acompanhada de um facho certeiro de luz, Ritter auxilia na manipulação mediúnica de Carlisle, mas mantém seu jogo por debaixo dos panos durante toda a produção, estrelando seu próprio enredo secreto sem que nos demos conta. Blanchett, por si só, é um fenômeno à parte; a câmera a segue como uma amante reprimida, sempre receosa de se aproximar demais, mas nunca tirando o olho </span><a href="https://dmtalkies.com/nightmare-alley-ending-explained-2021-film-guillermo-del-toro/"><span style="font-weight: 400;">ciclópico</span></a><span style="font-weight: 400;"> de cada movimento que sua doutora performa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A elegância da personagem faz jus ao ritmo da Era de Ouro da vida de Stan, momentos antes da dupla de roteiristas adentrar na conclusão sombria de </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/2022/03/esta-na-netflix-onde-assistir-o-beco-do-pesadelo-indicado-a-4-oscars"><i><span style="font-weight: 400;">O Beco do Pesadelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Enquanto o longa de 1947, empastelado pelo </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/e-verdade-que-existia-censura-em-hollywood/"><span style="font-weight: 400;">Código Hays</span></a><span style="font-weight: 400;">, precisou se conter na violência e transmitir uma mensagem esperançosa antes dos créditos subirem, a regravação do diretor mexicano deixa claro que os tempos de censura há muito acabaram. Com a sublime participação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-forma-da-agua-poesia-resenha/"><span style="font-weight: 400;">Richard Jenkins</span></a><span style="font-weight: 400;">, o último ato do Grande Staton é banhado a sangue, ganância e corrupção. Já que, em seu 11º filme, Guillermo del Toro não pôde inserir demônios diretamente nas telas, ele deu um jeito de encontrá-los na alma atormentada de um médium picareta.</span></p>
<figure id="attachment_26634" aria-describedby="caption-attachment-26634" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26634" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4.jpeg" alt="A imagem retangular é uma cena de O Beco do Pesadelo. Na foto vemos Mark Povinelli centralizado à esquerda, um homem anão com cabelo preto em topete e um bigode grosso. Ao seu lado direito está Ron Perlman, um homem alto, mais gordo, com cabelos brancos e barba rala. Ambos estão olhando para o lado esquerdo com feições bravas e usam roupas de gladiadores. Eles estão dentro de um ringue que, por sua vez, está dentro de um circo cheio de cartazes e lonas coloridas." width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4.jpeg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-1024x682.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-1536x1024.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26634" class="wp-caption-text">Será que, nesse caso, podemos falar do Bruno? A dupla Ron Perlman e Mark Povinelli esbanja carisma em cena (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inundado pela inventividade artística de seu criador e da equipe de renome por trás das câmeras, não foi surpresa alguma se deparar com o título </span><i><span style="font-weight: 400;">Nightmare Alley </span></i><span style="font-weight: 400;">citado quatro vezes na lista de indicados ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. Olhando pela lente da Academia, o maior trunfo da produção está concentrado nas categorias técnicas, especialmente pelas mãos talentosas de </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/awards/story/2022-01-26/production-designer-tamara-deverell-creates-nightmare-alley"><span style="font-weight: 400;">Tamara Deverell e Shane Vieau</span></a><span style="font-weight: 400;">, responsáveis por agarrar com unhas e dentes a nomeação em Melhor </span><i><span style="font-weight: 400;">Design </span></i><span style="font-weight: 400;">de Produção. Claro que não poderia ser diferente, já que é difícil desviar a atenção do deslumbramento colossal que o </span><i><span style="font-weight: 400;">freak show</span></i><span style="font-weight: 400;"> criado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">designer </span></i><span style="font-weight: 400;">e o decorador causa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Funcional e hipnotizante, o </span><i><span style="font-weight: 400;">habitat</span></i><span style="font-weight: 400;"> das criaturas assombradas por vícios, sonhos e pela Grande Depressão é </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/noticias/609974/duna-beco-do-pesadelo-e-007-sem-tempo-para-morrer-sao-os-destaques-do-adg-awards-2022-premio-da-direcao-de-arte/"><span style="font-weight: 400;">o cenário perfeito</span></a><span style="font-weight: 400;"> para dar início a decadente trama visual que del Toro planejava contar </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/cinema-e-series/2022/02/guillermo-del-toro-diz-que-fugiu-dos-cliches-noir-em-o-beco-do-pesadelo.shtml"><span style="font-weight: 400;">há mais de trinta anos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em complemento, o jogo entre penumbras primorosas e cores vibrantes idealizado por </span><a href="https://aframe.oscars.org/lists/dan-laustsen-six-movies-that-influenced-my-cinematography"><span style="font-weight: 400;">Dan Laustsen</span></a><span style="font-weight: 400;"> também marcou presença na categoria de Melhor Fotografia. O circo de Deverell e Vieau é parceiro direto da cinematografia de Laustsen na criação da atmosfera suja de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Beco do Pesadelo</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, mesmo quando Stan e Molly passam a frequentar a alta sociedade americana, repleta de luxos e ostentações, a </span><a href="https://www.indiewire.com/influencers/guillermo-del-toro-cinematographer-dan-laustsen/"><span style="font-weight: 400;">força das sombras</span></a><span style="font-weight: 400;"> que rodeiam seus números é um lembrete constante da fragilidade daquela realidade.</span></p>
<figure id="attachment_26635" aria-describedby="caption-attachment-26635" style="width: 1320px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26635" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2.jpg" alt="A imagem retangular é um bastidor do filme O Beco do Pesadelo. Na imagem vemos três homens sentados conversando entre si com jaquetas e blusas todas de cor preta. À esquerda está Richard Jenkins, um homem branco, velho, de peruca, com cabelos brancos e barba cheia branca. Centralizado está Guillermo del Toro, um homem gordo, branco, com barba cheia, óculos e touca. Por fim, à direita está Bradley Cooper, um homem branco, adulto, de olhos claros, cabelos castanhos e médios e barba rala." width="1320" height="743" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2.jpg 1320w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26635" class="wp-caption-text">Em seu clímax, del Toro deixa pequenas referências visuais para os amantes do incompreendido A Colina Escarlate, longa de 2015 (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme também foi lembrado em Melhor Figurino, estampando o nome e o trabalho </span><i><span style="font-weight: 400;">vintage</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.slashfilm.com/720964/how-nightmare-alley-costume-designer-luis-sequeira-brought-vintage-fashion-back-to-life-interview/"><span style="font-weight: 400;">Luis Sequeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os indicados. Construindo sua estética lado a lado com a iluminação e o tom de cada cenário, Sequeira buscou representar com fidelidade os dois períodos de tempo diferentes da história, mas sem perder uma base moderna. Por fim, a obra garantiu a grande honraria de participar da seleta lista dos que concorrem a Melhor Filme. Dessa vez, o trio de produtores que pode subir ao palco da maior celebração do Cinema mundial é composto por Bradley Cooper, J. Miles Dale e </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-43247105"><span style="font-weight: 400;">Guillermo del Toro</span></a><span style="font-weight: 400;"> – os dois últimos tendo recebido a estatueta principal pouco mais de quatro anos atrás, pelo realismo fantástico de </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/05/cultura/1520290484_267038.html"><i><span style="font-weight: 400;">A Forma da Água</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dispensando histórias de amor épicas e submundos sobrenaturais, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Beco do Pesadelo</span></i><span style="font-weight: 400;"> encontra na degeneração humana o lugar-comum entre todos os seus caminhos, onde cada personagem funciona como um paciente terminal; sem salvação, condenado. Ao se enveredar pela reinvenção de uma trama antiga, </span><a href="https://www.rollingstone.com/movies/movie-features/guillermo-del-toro-nightmare-alley-interview-1265229/"><span style="font-weight: 400;">Guillermo del Toro</span></a><span style="font-weight: 400;"> se mantém fiel às suas próprias perversões, construindo um universo visualmente rico e espiritualmente pútrido para abarcar seus artistas circenses desesperançosos. E para nós, respeitável público, não há escolha senão aproveitar o espetáculo. Afinal, senhor, nascemos para isso.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Beco do Pesadelo | Trailer Oficial Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Y55AqcbXwSI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A caricatura grotesca do noir em Perry Mason</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Sep 2021 17:42:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda Ao escolher contar a história de origem do famoso advogado da literatura e televisão americana, de investigador deprimido até advogado de defesa altruísta, a versão da HBO de Perry Mason acabou com a difícil missão de construir um mistério noir clássico e transformá-lo num drama jurídico. Infelizmente, na mudança de um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/perry-mason-hbo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A caricatura grotesca do noir em Perry Mason"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23113" aria-describedby="caption-attachment-23113" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23113" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-5.jpg" alt="Cena da primeira temporada de Perry Mason. Perry Mason (Matthew Rhys) olha está virado para a esquerda, observando um pedaço de papel iluminado por uma lanterna em suas mãos. Atrás de Mason, tudo está escuro. Mason é um homem caucasiano de meia idade usando uma jaqueta velha de couro marrom por cima de uma camisa branca velha com uma gravata amassada. Ele usa um chapéu de aba que obscurece seus cabelos e tem uma expressão surpresa no rosto. " width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-5.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-5-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-5-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-5-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23113" class="wp-caption-text">Indicado ao Emmy 2021, o retorno de Perry Mason à televisão vem mergulhado em mistérios sombrios e violência (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao escolher contar a história de origem do famoso advogado da </span><a href="https://seriesemcena.com.br/noticias/conheca-perry-mason-o-fenomeno-literario-que-chega-as-telas-da-hbo"><span style="font-weight: 400;">literatura e televisão americana</span></a><span style="font-weight: 400;">, de investigador deprimido até advogado de defesa altruísta, a versão da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Perry Mason</span></i><span style="font-weight: 400;"> acabou com a difícil missão de construir um </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-e-um-filme-noir/"><span style="font-weight: 400;">mistério </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;"> clássico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e transformá-lo num </span><a href="https://industrialscripts.com/courtroom-drama/"><span style="font-weight: 400;">drama jurídico</span></a><span style="font-weight: 400;">. Infelizmente, na mudança de um gênero para outro, a primeira temporada da produção nunca acha um ritmo certeiro para o desenvolvimento do caso e de seus personagens, apesar de ter garantido quatro indicações no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-23112"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desenvolvida por Ron Fitzgerald e Rolin Jones, a trama investigativa começa em 1931, quando o cadáver do bebê Charlie Dodson é achado por seus pais após o pagamento de um resgate pela sua volta. A natureza brutal do crime coloca a cidade de Los Angeles em polvorosa, com a população pressionando a polícia e o promotor para achar logo um culpado. O investigador divorciado e deprimido Perry Mason (Matthew Rhys) acaba se metendo no meio disso tudo quando um benfeitor misterioso pede ao seu mentor, E.B. Jonathan (John Lithgow), que ajude os Dodsons, que são cada vez mais os principais suspeitos na morte de seu próprio filho.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Perry Mason | Trailer Oficial | HBO" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/5kvje3ogHDk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O Perry Mason de Matthew Rhys chega quase a ser uma caricatura de um detetive </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;">: das noites de bebedeira até sua antipatia por praticamente todas as figuras de autoridade que encontra, ele é um veterano tentando lidar com os traumas da guerra e um pai ausente se esforçando para reconectar-se com o filho pequeno. O ator encarna muito bem as qualidades e, mais importante, os defeitos do personagem. Por mais que sua fúria mal-direcionada se torne um pouco enfadonha na reta final, ainda ansiamos pela redenção de toda a raiva que carrega.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Criado por Erle Stanley Gardner em 1933, o personagem já foi o protagonista de </span><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_best-selling_books#List_of_best-selling_book_series"><span style="font-weight: 400;">dezenas de livros</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SFiLqpPeNK0"><span style="font-weight: 400;">centenas de episódios</span></a><span style="font-weight: 400;"> de televisão, o que faz a tarefa de modernizá-lo para uma audiência contemporânea ser complicada, para dizer o mínimo. O Mason vivido por Rhys carrega consigo uma amargura que a princípio destoa de versões anteriores, mas que familiariza a audiência com suas virtudes e falhas, preparando o terreno para as mudanças que virão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Infelizmente o retrato dessa mudança não oferece novas inflexões sobre o arquétipo do detetive </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;">, suas motivações ou seu caráter. Indicado a Ator em Drama no </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021 pelo episódio final da temporada, em que o personagem encara sua transformação mais profunda, Matthew Rhys provavelmente não levará a estatueta para casa, mas talvez em temporadas futuras o desenvolvimento de seu personagem titular ofereça mais espaço para que ele exerça seu trabalho meticuloso que já lhe garantiu a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uyVbKex3FGM"><span style="font-weight: 400;">mesma estatueta</span></a><span style="font-weight: 400;"> por seu papel em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Americans</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_23114" aria-describedby="caption-attachment-23114" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23114" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-1.png" alt="Cena da primeira temporada de Perry Mason. Perry Mason (Matthew Rhys) está conversando com alguém, olhando para a esquerda com os lábios curvados para baixo. Perry é um homem caucasiano de meia idade, usando uma velha jaqueta de couro marrom por cima de uma camisa branca listrada, com uma gravata velha. Ele usa um chapéu de aba que esconde seus cabelos e possui uma barba rala. À direita, a pessoa com quem ele está falando está fora de foco, com o rosto escondido virado para Mason. A pessoa tem pele clara, cabelos negros curtos encaracolados com uma presilha azul presa em seu lado esquerdo. À esquerda, o céu azul e sem nuvens paira acima deles, e no fundo podemos ver a linha do oceano e alguns rochedos." width="1200" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-1-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-1-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-1-768x384.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23114" class="wp-caption-text">Por mais que se transforme, o Mason de Rhys nunca perde a carranca icônica de detetive (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os antagonistas de sua trama são, previsivelmente, homens perversos e arrogantes, inteiramente convencidos de que estão acima de todos os outros, e a narrativa nunca nega essa noção: por mais que os heróis improváveis tenham a verdade do seu lado, ela é sempre retratada como a coisa que menos importa no tribunal. </span><i><span style="font-weight: 400;">Perry Mason</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece sempre travar uma batalha entre a civilidade e a barbárie que nunca é ganha por completo por nenhum dos lados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No início vemos Mason trabalhando por migalhas, fotografando os escândalos sujos de estrelas de Hollywood e extorquindo seus empregadores por mais alguns dólares e, mais para frente, pisando sobre um mar de corpos pútridos para obter evidências que dificilmente seriam aceitas num tribunal. A violência tão importante do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GKiQs1dE0Tc"><span style="font-weight: 400;">gênero </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> encontra aqui uma versão moderna e explícita que recusa a si mesma do debate, retratando um mundo que simplesmente é violento por si só, apesar dos melhores impulsos de seus poucos heróis.</span></p>
<p><figure id="attachment_23115" aria-describedby="caption-attachment-23115" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23115" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-6.jpg" alt="Cena da primeira temporada de Perry Mason. E.B. Jonathan (John Lithgow) está sentado numa cadeira acolchoada, com um copo de bebida na mão, olhando para frente, de pernas cruzadas. E.B. é um homem caucasiano velho de cabelos brancos e ralos, com bigode branco e óculos finos. Seu terno é cinza escuro, com uma camisa branca por baixo, uma gravata azul e um lenço azul no bolso do paletó. À direita dele, uma mesa de centro com um abajur e um cinzeiro de cristal vazio. O chão é de madeira e, atrás de E.B., três homens no balcão de um bar conversam e bebem de pé. Atrás do balcão, uma janela aberta ilumina a cena. " width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-6.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-6-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-6-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-6-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-6-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-6-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-6-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23115" class="wp-caption-text">Ao longo da temporada, E.B. Jonathan (John Lithgow) se torna a encarnação de um ideal senil de justiça [Foto: HBO]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">E.B. é um desses poucos. Indicado pela segunda vez à categoria de Ator Coadjuvante em Drama após </span><a href="https://www.emmys.com/video/69th-emmy-awards-john-lithgow-wins-outstanding-supporting-actor-drama-series"><span style="font-weight: 400;">sua vitória</span></a><span style="font-weight: 400;"> como o Winston Churchill de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-crown-4a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Crown</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, John Lithgow interpreta o mentor de Mason com familiaridade e segurança que vão lentamente sendo minadas pelos fracassos que se acumulam. Preso à suas visões antiquadas do mundo, E.B. é forçado a tomar uma decisão drástica no </span><i><span style="font-weight: 400;">Capítulo Quatro</span></i><span style="font-weight: 400;"> (pelo qual ele foi indicado), reverberando de maneiras diferentes em todos os personagens. Embora receba pouco tempo para brilhar, o trabalho de Lithgow é exemplar, e o repertório ácido dele com Mason é um dos maiores pontos positivos da produção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além dele, a releitura da personagem Della Street, secretária de E.B., também merece destaque pela ousadia da performance de Juliet Rylance, que transforma o que poderia ter sido apenas uma “</span><a href="https://www.nytimes.com/2020/02/07/opinion/sunday/brit-marling-women-movies.html"><i><span style="font-weight: 400;">strong female lead</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” em um papel com agência e propósito que vão muito além de suas relações com os homens da trama. Apesar de ter ficado de fora das indicações desse ano, seu papel crescente nas investigações de Mason nos dá esperança que em temporadas futuras seu trabalho não será esquecido.</span></p>
<figure id="attachment_23116" aria-describedby="caption-attachment-23116" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23116" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-4.jpg" alt="Cena da primeira temporada de Perry Mason. Della Street (Juliet Rylance) está sentada em uma cadeira segurando um frasco de bebida. Della é caucasiana, de cabelos castanhos e ondulados até o ombro. Ela usa um vestido com listras claras e verdes e gola em V. À direita, uma porta de madeira fechada, enquanto à esquerda, na frente de Della, uma mesa de cabeceira com um abajur aceso, uma bandeja metálica com uma garrafa e um copo de vidro vazio, alguns papéis empilhados no canto." width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-4.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-4-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-4-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason-4-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23116" class="wp-caption-text">Quanto mais conhecemos Della Street, mais sua compaixão e resiliência nos encantam (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A progressão do caso dos Dodsons leva seus intrépidos investigadores até uma conspiração financeira que é entediante demais para descrever, mas que acaba tocando sobre algumas das facetas mais interessantes da Los Angeles em meio à Grande Depressão: o coração de um culto religioso liderado pela febril Irmã Alice (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rIoy4rAsZlw"><span style="font-weight: 400;">Tatiana Maslany</span></a><span style="font-weight: 400;">), que promete ressuscitar Charlie e provar a inocência de seus pais; a departamento de polícia corrupto, desesperado para achar um culpado a qualquer custo, onde encontramos Paul Drake (Chris Chalk), um jovem policial negro tentando conciliar sua consciência com as ordens de seus superiores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da Irmã Alice encarnar muito bem o carisma cru de líderes religiosos, sua personagem só funciona pelo calibre de Maslany como atriz, já que a mesma parece nunca engatar de vez com a trama, por mais que alguns de seus diálogos com Mason sejam instigantes. A performance de Chris Chalk como Drake é esquecida no churrasco, por mais que seja outra das </span><a href="https://www.cnet.com/news/the-moment-hbos-perry-mason-made-actor-chris-chalk-truly-take-notice/"><span style="font-weight: 400;">reinvenções do texto original</span></a><span style="font-weight: 400;"> que mais adicione à personalidade da série e ajude a construir sua própria identidade além do legado de seu material.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os caminhos pelos quais Drake navega suas diferentes posições na sociedade, como policial e homem negro, ajudam a delinear o contorno nocivo e perverso da metrópole, que toma vida não por sua vivacidade, mas por sua decadência. As decisões de </span><i><span style="font-weight: 400;">Perry Mason</span></i><span style="font-weight: 400;"> são feitas na frente de um juiz, e esse juiz é o personagem coletivo formado pela </span><a href="https://www.1stdibs.com/introspective-magazine/perry-mason/"><span style="font-weight: 400;">cidade de Los Angeles</span></a><span style="font-weight: 400;">, nos becos insalubres e mal iluminados, na textura de suas ruas sujas e na fé que seus habitantes têm na ilusão de justiça.</span></p>
<figure id="attachment_23117" aria-describedby="caption-attachment-23117" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23117" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason3.png" alt="Cena da primeira temporada de Perry Mason. Perry (Matthew Rhys) está virado para frente da câmera, encostado em uma parede de pedra à direita, olhando pensativamente o canto direito da tela com os olhos franzidos. Perry é caucasiano, usa uma camisa amassada branca com listras com a gola aberta e, por cima dela, uma jaqueta marrom velha. Um chapéu de aba preto obscurece a parte superior de sua face e esconde seus cabelos. Perry tem uma barba rala escura. Atrás dele, fora de foco, alguns pedintes se encostam na parede, pedindo dinheiro. Mais atrás ainda, o vulto de várias pessoas rua acima. Do outro lado da rua, prédios se erguem. Uma luz matinal envolve a cena." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason3.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/perry-mason3-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23117" class="wp-caption-text">A Los Angeles deprimida de Perry Mason é tão decadente quanto seu detetive-advogado (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há dúvidas de que a versão da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja uma superprodução: a recriação da Cidade dos Anjos nos anos 30 é exímia, usando um </span><a href="https://variety.com/2021/tv/features/perry-mason-production-design-vfx-1930s-los-angeles-1234984098/"><span style="font-weight: 400;">misto</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">VFX</span></i><span style="font-weight: 400;"> com </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção que tira o fôlego e reflete a natureza sombria e decadente da maioria de seus habitantes, capturados em toda sua glória </span><i><span style="font-weight: 400;">noir </span></i><span style="font-weight: 400;">indulgente, mas nem por isso menos sedutora. Apesar de ter perdido nas categorias de </span><i><span style="font-weight: 400;">Design </span></i><span style="font-weight: 400;">de Produção e Fotografia para </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-gambito-da-rainha-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Gambito da Rainha</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">The Crown</span></i><span style="font-weight: 400;">, respectivamente, é impossível diminuir o nível da criação técnica e artística realizada aqui.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final de sua primeira temporada, vemos que </span><i><span style="font-weight: 400;">Perry Mason </span></i><span style="font-weight: 400;">ainda não sabe com o que se comprometer: às vezes apresenta revisões modernas e instigantes  de sua narrativa detetivesca e judicial, enquanto outras afunda de cabeça nas estéticas e tramas mais batidas delas, tirando o foco de seus aspectos mais cativantes. Por mais que seja frustrante, seu final acaba fazendo as pazes com esses contrastes, criando expectativa para que sua próxima temporada se aventure por caminhos mais interessantes.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/perry-mason-hbo-critica/">A caricatura grotesca do noir em Perry Mason</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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