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	<title>Arquivos Melhor Roteiro em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Bebê Rena é o retrato de uma sociedade corrompida pela obsessão</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Sep 2024 19:43:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Em 2024, a mensagem “Enviado do meu Iphone” – que, normalmente, acompanha os e-mails dos usuários de dispositivos da ‘marca da maçã’ – passou a aterrorizar as pessoas. O motivo é a minissérie britânica Bebê Rena, sucesso da Netflix que disputa 11 categorias no Emmy 2024. A trama, inspirada no caso verídico de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bebe-rena-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bebê Rena é o retrato de uma sociedade corrompida pela obsessão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33927" aria-describedby="caption-attachment-33927" style="width: 931px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33927" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-2.png" alt="Cena da série Bebê Rena. Na imagem, Donny, interpretado por Richard Gadd, um homem branco de cabelos e olhos claros, está sentado em um sofá olhando para algo que está atrás da câmera. Ele é um humorista, por isso, veste um terno xadrez todo colorido que se assemelha aos trajes de um palhaço de circo. Ao fundo, o cenário desfocado se trata de uma sala de madeira com sofás vermelhos e iluminação quente." width="931" height="608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-2.png 931w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-2-800x522.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-2-768x502.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33927" class="wp-caption-text">Bebê Rena estreou no streaming com pouca audiência até viralizar duas semanas depois (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2024, a mensagem “</span><a href="https://youtu.be/BP3hV6ca-KQ?si=ProwEWNRtxM7OwdC"><i><span style="font-weight: 400;">Enviado do meu Iphone</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” – que, normalmente, acompanha os </span><i><span style="font-weight: 400;">e-mails</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos usuários de dispositivos da ‘marca da maçã’ – passou a aterrorizar as pessoas. O motivo é a minissérie britânica </span><a href="https://jornal.usp.br/radio-usp/bebe-rena-muito-alem-dos-simplismos/"><i><span style="font-weight: 400;">Bebê Rena</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sucesso da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> que disputa 11 categorias no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2024/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2024</span></a><span style="font-weight: 400;">. A trama, inspirada no caso verídico de </span><i><span style="font-weight: 400;">stalking</span></i><span style="font-weight: 400;"> ocorrido com o ator Richard Gadd, esbarra em temas extremamente sensíveis e coloca em discussão o modo como a obsessão corrompeu a nossa sociedade, principalmente com o avanço da tecnologia e a consequente deturpação do limite que separa o real do virtual.</span></p>
<p><span id="more-33925"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vivemos em um universo volátil. A cada dia que passa, novas oportunidades e evoluções florescem frente a nós. No começo da década de 2020, em especial, a inteligência artificial generativa deu ‘pano para manga’ no tópico do questionamento da realidade e das </span><a href="https://youtu.be/Lio_UWu3BOI?si=EeC2oX39buQJZMmO"><span style="font-weight: 400;">fronteiras éticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da relação entre homem e robô. Com isso, para além da banalização do termo ‘hiperfoco’ pelas redes sociais, é fácil ficarmos obcecados por qualquer coisa e, até mesmo, por pessoas – desde aquelas que conhecemos até as que nunca encontramos nem nos nossos sonhos mais fantasiosos, porém, que estão ali, há um </span><i><span style="font-weight: 400;">click </span></i><span style="font-weight: 400;">de nós.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, há quem desafie as leis dos direitos fundamentais e, por motivos psíquicos ou de má índole, interfira no cotidiano e nas relações dos seres humanos. Essa é a premissa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bebê Rena</span></i><span style="font-weight: 400;">, um retrato tão </span><a href="https://youtu.be/uXI-BsI8Qk8?si=jluUDhl0WgZImTjs"><span style="font-weight: 400;">desconfortável</span></a><span style="font-weight: 400;"> que obriga a audiência a assistir todos os sete episódios o mais rápido possível, a fim de acabar logo com o sofrimento de acompanhar a trajetória de um alvo de </span><i><span style="font-weight: 400;">stalking</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com altos e baixos dignos de um seriado de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> – há momentos de dramatização excessiva –, a produção original do ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">Tudum</span></i><span style="font-weight: 400;">’ faz valer a indicação de Melhor Série Limitada ou Antologia pela premiação mais tradicional da Televisão estadunidense. </span></p>
<figure id="attachment_33928" aria-describedby="caption-attachment-33928" style="width: 1092px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33928" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1.png" alt="Cena da série Bebê Rena. Na imagem, Martha, interpretada por Jessica Gunning, uma mulher branca de cabelos e olhos claros, está sentada em uma lanchonete com Donny que, por sua vez, está de costas para a câmera, que os captura a partir do busto. Martha está com um olhar de expectativa e, ao fundo, é possível perceber silhuetas desfocadas dos demais clientes do local." width="1092" height="606" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1.png 1092w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1-800x444.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1-1024x568.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1-768x426.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33928" class="wp-caption-text">Na ‘vida real’, Richard Gadd recebeu 41.071 emails, 744 tweets, 46 mensagens no Facebook, 106 páginas de cartas e 350 horas de mensagens de voz de sua stalker (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação de Donny (</span><a href="https://youtu.be/AatuUqAtgl8?si=Ggu9AtCvqCeh-qZ6"><span style="font-weight: 400;">Richard Gadd</span></a><span style="font-weight: 400;">) com sua </span><i><span style="font-weight: 400;">stalker</span></i><span style="font-weight: 400;"> ultrapassa tempo e espaço. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Baby Reindeer</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original), Martha (Jessica Gunning), não coincidentemente  tem muitas horas livres e mora na mesma cidade de sua vítima. O roteiro, escrito pelo próprio Gadd, faz um trabalho praticamente inédito em relação a abordagem do ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">stalking</span></i><span style="font-weight: 400;">’; termo popularizado pelas produções hollywoodianas e criminalizado pela Lei brasileira 14.132/21, sendo definido como a perseguição e ameaça à liberdade comportamental da vítima em ir e vir. Assim, o humorista mostra as nuances da condição humana em um texto que não recai no maneirismo da vilã e do ‘mocinho’.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Justamente por não limitar o enredo a uma dualidade de perspectivas, a obra disputa a estatueta do </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Roteiro em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme. Com chances de vitória significativas, os diálogos e linhas de raciocínio, ambos bem elaborados, são explorados pela visão invasiva e nem um pouco contemplativa de Weronika Tofilska e Josephine Bornebusch, que se dividem no comando dos capítulos. O modo nada delicado que elas </span><a href="https://youtu.be/bUIaO38Z1s8?si=z91RtlPJdJ87pYmw"><span style="font-weight: 400;">adentram</span></a><span style="font-weight: 400;"> o mundo de Donny e o cercam com o enquadramento fechado, quando Martha se aproxima dele, também garantiu a nomeação de Tofilska e Bornebusch como Melhor Direção em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Stalking, na Televisão, tende a ser muito sexualizado. Tem um ar místico. É alguém em um beco escuro. É alguém que é muito sexy, muito normal, mas depois fica estranho aos poucos. Mas a perseguição é uma doença mental. Eu realmente queria mostrar as camadas disso de uma forma humana que eu nunca tinha visto em uma produção”.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">&#8211; Richard Gadd em entrevista ao Tudum, da Netflix.</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no campo das atuações, o elenco entrega uma performance impecável, capaz de despertar empatia e repulsa nos momentos certos. Cientes de que interpretam personagens redondas, os atores se alternam entre expressões faciais e corporais completamente diferentes, seguindo o ritmo da descoberta das fases distintas da vida do protagonista. Richard Gadd revive nas telas o que podem ser considerados os piores momentos de sua vida com uma coragem invejável, que o coloca no páreo pelo título de Melhor Ator em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme. Ao seu lado, </span><a href="https://youtu.be/dPFbMQFlD5I?si=nv8GFfuUSblbjsOZ"><span style="font-weight: 400;">Jessica Gunning</span></a><span style="font-weight: 400;"> se entrega para viver Martha, deixando para o telespectador uma entrega à Arte de mestre.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No papel de uma </span><i><span style="font-weight: 400;">stalker</span></i><span style="font-weight: 400;"> sem escrúpulos, Gunning não mede esforços para destruir qualquer relação íntima do protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bebê Rena</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nesse caso, Teri (</span><a href="https://revistaforum.com.br/lgbt/2024/7/18/nava-mau-da-beb-rena-primeira-mulher-trans-ser-indicada-ao-emmy-162370.html"><span style="font-weight: 400;">Nava Mau</span></a><span style="font-weight: 400;">), interesse amoroso de Donny, é uma pedra em seu sapato. Os encontros entre as duas são tensos e extasiantes, deixando nítido que as atrizes realmente merecem as vagas em Melhor Atriz Coadjuvante em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme. Não menos genial, Tom Goodman-Hill – indicado como Melhor Ator Coadjuvante em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme – interpreta Darrien, um indivíduo desprezível, que funciona no roteiro como a personificação da maldade intrínseca à farsa da fama e status, um ideal que a indústria do entretenimento mundial sempre vendeu aos jovens artistas.</span></p>
<figure id="attachment_33926" aria-describedby="caption-attachment-33926" style="width: 1085px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33926" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1.png" alt="Cena da série Bebê Rena. Na imagem, Donny, interpretado por Richard Gadd, um homem branco de cabelos e olhos claros, e Teri, interpretada por Nava Mau, uma mulher mexicana de cabelos e olhos escuros, estão encostados no vagão de um metrô. Eles se entreolham sorrindo enquanto a câmera os captura a partir dos ombros. Ao fundo, o cenário desfocado revela silhuetas de passageiros." width="1085" height="608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1.png 1085w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1-800x448.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1-1024x574.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1-768x430.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33926" class="wp-caption-text">A atriz Nava Mau, que interpreta Teri, é a primeira mulher trans a ser indicada como Melhor Atriz Coadjuvante em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme na história do Emmy (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que a obra apresente algumas falhas de concepção, que justifiquem o fato de não agradar a todos os públicos, ela tenta vencer a superficialidade do meio em que se reproduz. Isso, por si, é um esforço notável e digno de reconhecimento. Apresentando os mesmos ‘erros’ que seu </span><a href="https://youtu.be/KRoD0pX-AUM?si=pXCvFFC8oW87hyLk"><span style="font-weight: 400;">protagonista</span></a><span style="font-weight: 400;">, como a representação um tanto quanto clichê das mulheres trans e a exposição pouco cuidadosa de temas sensíveis, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bebê Rena</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue abrir a discussão sobre questões fundamentais que percorrem a sociedade atual, entre elas, a urgência da obsessão, fator que nos corrompe como nunca antes. Afinal, pouco tempo após a viralização da produção nas redes sociais, a mídia logo voltou a atenção à mulher que inspirou Martha; uma prova do quanto estamos longe de compreendermos coletivamente o perigo do </span><i><span style="font-weight: 400;">stalking</span></i><span style="font-weight: 400;">, embora a minissérie tenha contribuído para colocar em xeque o imaginário popular, acostumado com abordagens levianas do tema.</span></p>
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<p>&nbsp;</p>
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		<title>Não há espaço para heróis em Mare of Easttown</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Sep 2021 23:18:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva Não há isca melhor para prender o telespectador do que uma boa história de suspense. Crie uma morte inesperada e um núcleo de possíveis suspeitos, ainda por cima, ambiente-a em uma cidade interiorana pequena. Pronto, tem aí a fórmula perfeita para causar um burburinho necessário. Mas não o suficiente para, de fato, ter &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/mare-of-easttown-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Não há espaço para heróis em Mare of Easttown"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23158" aria-describedby="caption-attachment-23158" style="width: 2846px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23158" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-1.png" alt="A imagem é uma cena da série Mare of Easttown. Nela, Kate Winslet, que interpreta Mare, está sentada na cozinha colocando queijo cheddar em um biscoito. Mare é uma mulher branca, de cabelos loiros presos em um coque baixo, ela veste uma camisa xadrez. " width="2846" height="1670" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-1.png 2846w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-1-800x469.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-1-1024x601.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-1-768x451.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-1-1-1536x901.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23158" class="wp-caption-text">Mare of Easttown foi indicada em 16 categorias no Emmy 2021, e é um dos principais nomes cotados para dar o xeque-mate em <a href="https://personaunesp.com.br/o-gambito-da-rainha-critica/">O Gambito da Rainha</a> na disputa pela estatueta de Série Limitada (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há isca melhor para prender o telespectador do que uma boa história de suspense. Crie </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-undoing-critica/"><span style="font-weight: 400;">uma morte inesperada</span></a><span style="font-weight: 400;"> e um núcleo de possíveis suspeitos, ainda por cima, ambiente-a em uma cidade interiorana pequena. Pronto, tem aí a fórmula perfeita para causar um burburinho necessário. Mas não o suficiente para, de fato, ter uma narrativa interessante, em meio a tantas outras que utilizam os mesmos ingredientes, e muitas que </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/criticas/how-to-get-away-with-murder-sexta-temporada-critica"><span style="font-weight: 400;">acabam se perdendo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mare of Easttown</span></i><span style="font-weight: 400;"> se apoia no gênero para criar sua trama. Ambientada na pequena cidade da Pensilvânia presente no título da série, a obra acompanha Mare Sheehan (Kate Winslet), uma policial durona de meia-idade, que se ocupa diariamente com a solução de diversos crimes que atingem a população local. Entre ter que resolver pequenos problemas de demais habitantes, como a implicância da senhora Carroll (Phyllis Somerville) com seu vizinho delinquente, a detetive também lida com a investigação do desaparecimento da jovem Katie Bailey (Caitlin Houlahan), caso até então não solucionado.</span></p>
<p><span id="more-23150"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o roteiro da produção não se limita apenas à </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-157530/"><span style="font-weight: 400;">realidade difícil na delegacia</span></a><span style="font-weight: 400;">, e somos levados para dentro da casa da protagonista. Descobrimos que, além de policial, ela também é filha, mãe, divorciada e avó. Em um retrato claro de que, quando se é mulher, se carrega muito mais do que o peso de um distintivo. Além de conviver com uma mãe de forte personalidade, Helen, interpretada pela genial Jean Smart; compartilhar a vizinhança com seu ex-marido Frank (David Denman) &#8211; bem menos babaca que o Roy de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Office </span></i><span style="font-weight: 400;">-, suportar a adolescência da filha Siobhan (Angourie Rice), Mare também enfrenta nas entrelinhas o luto pela morte de seu filho Kevin (Cody Kostro).</span></p>
<figure id="attachment_23151" aria-describedby="caption-attachment-23151" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23151" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem2-1.jpg" alt="A imagem é uma cena da série Mare of Easttown. Nela, Kate Winslet, que interpreta Mare, está ao lado esquerdo de Evan Peters, que interpreta Colin. Eles estão andando juntos em um bosque. Mare é uma mulher branca, de cabelos loiros presos em um rabo de cavalo, ela veste um casaco preto com uma jaqueta marrom por cima, calças jeans, tênis marrom, e usa um cachecol preto no pescoço. Colin é um homem branco de cabelos loiros, ele veste uma camisa azul-marinho com um sobretudo azul escuro por cima, calça e sapato social pretos. Ele segura uma pasta no braço esquerdo." width="1024" height="682" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem2-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem2-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem2-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23151" class="wp-caption-text">Na preparação para a personagem, Kate Winslet fez laboratório acompanhando uma detetive policial nos Estados Unidos, além de pegar firme nos exercícios físicos (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A protagonista de Kate Winslet não é fácil de se gostar. Sheehan é durona, egoísta, carrancuda e pouquíssimo afetuosa. Ainda sim, vamos nos aproximando cada vez mais da realidade da personagem e de </span><a href="https://valkirias.com.br/jornada-da-heroina/"><span style="font-weight: 400;">sua jornada</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mare se posiciona como uma salvadora da cidade de Easttown, capaz de mover montanhas para resolver desde questões mínimas dos habitantes até outras maiores e mais complexas, com o único objetivo de trazer para a comunidade a estabilidade que falta em sua vida. Afinal, ela é a Miss Lady Hawk. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas isso não a torna nenhuma espécie de Mulher Maravilha, e nem é isso que ela procura. Nem mesmo a adoração popular ou os calorosos braços de Richard &#8211; representados com todo o charme de Guy Pearce &#8211; seriam capazes de acalentar a maré de turbulências presente no cotidiano da detetive. Nada melhor para suportar a luta pela guarda do neto, questões mal resolvidas com a morte do pai e um vazio irreparável no coração de uma mãe do que tentar solucionar o que parece insolucionável, nem que para isso seja necessário quebrar todas as partes do corpo ou colocar sua credibilidade profissional em jogo, dando um espetáculo de </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/157906-entenda-as-diferencas-entre-heroi-anti-heroi-e-vilao-nos-filmes-e-series.htm"><span style="font-weight: 400;">anti-heroísmo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><figure id="attachment_23153" aria-describedby="caption-attachment-23153" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23153" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3.jpeg" alt="A imagem é uma cena da série Mare of Easttown. Nela, Kate Winslet, que interpreta Mare, está apoiada na cama em que Izzy King, que interpreta Drew, está sentado. Mare é uma mulher branca, de cabelos loiros presos em um rabo de cavalo, ela veste uma blusa cinza de mangas compridas. Drew é um menino branco, de cabelos castanhos escuros, ele veste uma camiseta azul. " width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-3-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23153" class="wp-caption-text">Durante o Creative Arts Emmy, que antecede a premiação principal, Mare of Easttown saiu vitoriosa pela categoria Melhor Design de Produção em Programa de Narrativa Contemporânea (Uma Hora ou Mais) [Foto: HBO]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Mare também não performa nenhum ar de feminilidade, com seu jeito desleixado, roupas amassadas e um rabo de cavalo mal feito. A vencedora do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ainda fez questão de se agarrar à </span><a href="https://brasil.elpais.com/estilo/2021-06-03/kate-winslet-e-a-polemica-da-sua-barriga-a-mais-nova-prova-de-uma-autoestima-inabalavel.html"><span style="font-weight: 400;">identidade da personagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> por completo, e até esquecemos que algum dia ela foi uma mocinha vivendo </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/5-curiosidades-sobre-titanic-cena-improvisada-de-leonardo-dicaprio-escolha-de-my-heart-will-go-e-mais-lista/"><span style="font-weight: 400;">um dos maiores romances do Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> à bordo de um navio. Além de incorporar o sotaque forte da Pensilvânia, a atriz não deixou que usassem maquiagem para apagar suas rugas e nem que elas fossem retocadas no pôster de divulgação da série. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais empoderador que possa ser ver uma mulher incorporar uma figura </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/os-10-maiores-detetives-da-ficcao/"><span style="font-weight: 400;">historicamente associada a personagens masculinos</span></a><span style="font-weight: 400;">, não há nenhuma forçação de barra nesse sentido, Mare é </span><i><span style="font-weight: 400;">fodona </span></i><span style="font-weight: 400;">sem precisar se empenhar muito para isso. Devido a essas e outras, Winslet conseguiu uma indicação ao</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Melhor Atriz em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto somos ambientados no ar da cidade e na rotina dos habitantes, também acompanhamos a vida de Erin McMenamin (Cailee Spaeny), uma jovem mãe solo, que tem uma rotina solitária e uma relação complicada com o pai alcoólatra e o ex-namorado abusivo. O pontapé inicial da trama, de fato, é o seu assassinato, nos minutos finais do primeiro episódio, que rende uma cena quase teatral. </span></p>
<figure id="attachment_23154" aria-describedby="caption-attachment-23154" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23154" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4.jpg" alt=" A imagem é uma cena da série Mare of Easttown. Nela, Kate Winslet, que interpreta Mare, está abraçando Angourie Rice, que interpreta sua filha Siobhan e está com de costas com o rosto apoiado no ombro esquerdo da mãe. Mare é uma mulher branca, de cabelos loiros, ela veste uma camisa branca e apresenta uma expressão de choro. Siobhan é uma garota branca, de cabelos loiros e curtos, ela veste um casaco preto. Ao fundo é possível ver de forma desfocada um gramado, uma casa e algumas árvores sem folhas." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-4-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23154" class="wp-caption-text">Vencedora de um Emmy por Mildred Pierce, Kate também concorre como produtora-executiva na categoria de Melhor Série Limitada ou Antologia (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim surge mais um crime para ser resolvido na conta de Sheehan. Em uma cidade pequena onde as vidas de todos os habitantes se cruzam, ninguém ali deixa de ser um suspeito. E ela sabe bem disso, e embarca nessa empreitada ao lado de Colin Zabel, interpretado por Evan Peters, que finalmente saiu do </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/ryan-murphy/"><span style="font-weight: 400;">cativeiro do Ryan Murphy</span></a><span style="font-weight: 400;"> para dar vida a um detetive extremamente bobão e carismático &#8211; e que também apresenta uma idade relacionável a do ator -, tendo como resultado nada mais nada menos do que sua primeira indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">da Televisão, como Melhor Ator Coadjuvante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com um roteiro para lá de instigante &#8211; e que devidamente recebeu sua nomeação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">para o </span><a href="https://www.papelpop.com/2021/05/criador-de-mare-of-easttown-comenta-final-da-serie-e-cita-possibilidade-de-uma-nova-temporada/"><span style="font-weight: 400;">criador Brad Ingelsby</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; o arco da investigação do assassinato e da onda de sumiços de jovens garotas em Easttown fica facilmente em segundo plano. Por mais que o interesse pelo desfecho da trama seja grande, nos tornamos ainda mais obcecados e apegados à história de Mare, a forma que ela se agarra ao trabalho para não ter que enfrentar as batalhas da sua vida pessoal, sem perceber que se encontra numa situação que é uma via de mão dupla. </span></p>
<figure id="attachment_23156" aria-describedby="caption-attachment-23156" style="width: 1350px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23156" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-5.jpg" alt=" A imagem é uma cena da série Mare of Easttown. Nela, Kate Winslet, que interpreta Mare, está sentada em um sofá ao lado de Jean Smart, que interpreta Helen. Mare é uma mulher branca de cabelos loiros, que estão presos e molhados, ela veste uma blusa cinza, um cardigã marrom e uma calça de moletom cinza. Ela está com o braço esquerdo engessado e uma pilha de cadernos no colo. Helen é uma senhora branca, de cabelos grisalhos acima dos ombros, ela veste uma blusa de mangas compridas florida, um colete cinza e uma calça marrom. " width="1350" height="845" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-5.jpg 1350w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-5-800x501.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-5-1024x641.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-5-768x481.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-5-1200x751.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23156" class="wp-caption-text">Concorrendo pela primeira vez na premiação, Julianne Nicholson submeteu o episódio Sacrament para consideração, e a três vezes vencedora Jean Smart repetiu a escolha (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De maneira alguma isso aumenta a densidade da narrativa ou a dosagem dramática, que é perfeitamente balanceada com a relação bem-humorada com sua mãe, que ainda rendeu uma indicação para Jean Smart como Melhor Atriz Coadjuvante, concorrendo na premiação também por </span><a href="https://personaunesp.com.br/hacks-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Hacks</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Não só no âmbito familiar, mas também na amizade, Mare forma um laço perfeito com sua colega de longa data Lori, em uma performance estonteante de Julianne Nicholson, que se garantiu ao lado de Smart na disputa pela estatueta de ouro. O balanço entre a sensatez e a inconsequência da dupla é o guia perfeito para nortear a descabida </span><i><span style="font-weight: 400;">Mare of Easttown</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E se tem uma coisa que a produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe fazer é criar laços. Os diversos rostos que aparecem de forma despretensiosa na trama podem parecer apenas uma distração ou mais um na extensa lista de possíveis criminosos, mas todos se posicionam perfeitamente na rede completa que constrói o arco final da série, com camadas e camadas de desenvolvimento. Nada é por acaso, nem mesmo os cortes aparentemente grosseiros, ou os enquadramentos peculiares da direção, que nos enganam de forma minuciosa e nada exagerada, devidamente executada por Craig Zobel, que, adivinha, disputa o</span><i><span style="font-weight: 400;"> Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">por Melhor Direção.</span></p>
<figure id="attachment_23157" aria-describedby="caption-attachment-23157" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23157" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6.jpeg" alt="A imagem é uma cena da série Mare of Easttown. Nela, Julianne Nicholson, que interpreta Lori, está sentada em um banco em um bosque ao lado de Kate Winslet, que interpreta Mare. Lori é uma mulher branca, de cabelos castanhos claros na altura dos ombros e com franja, ela veste um casaco cinza, calças jeans e botas marrons. Mare, que está com a cabeça apoiada no ombro esquerdo de Lori, é uma mulher branca, de cabelos loiros presos em um rabo de cavalo baixo, ela veste uma blusa cinza, uma jaqueta preta, calça legging preta e tênis marrons." width="1920" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-1536x1024.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/imagem-6-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23157" class="wp-caption-text">O Emmy 2021 pode ser decisivo para o futuro de Mare of Easttown, que já tem diversos rumores de uma possível renovação para uma segunda temporada (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a uma jornada tão profunda da nossa anti-heroína, a última coisa que </span><i><span style="font-weight: 400;">Mare of Easttown</span></i><span style="font-weight: 400;"> precisava era nos dar uma reviravolta surpreendente, e ainda sim o faz de forma magistral. O desfecho da investigação &#8211; arriscado, quase absurdo e todos os outros adjetivos que você possa imaginar &#8211; é a peça final do quebra-cabeça que vem sendo construído desde o primeiro episódio, e sobre o que a série de Ingelsby realmente se trata: um encontro perfeito entre a </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-de-mae-critica/"><span style="font-weight: 400;">maternidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o luto. Ao final, a perda de Mare conecta-se com a de Lori, de Judy, de Dawn e de Erin. A conclusão é apenas uma, e é a mais bela que poderíamos ter. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mare of Easttown</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a série do ano, da década, ou de qualquer outro recorte  temporal possível, e sua forte aposta no </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021 como Melhor Série Limitada ou Antologia é apenas um dos indícios disso. Não é todo dia que se reinventa um gênero que atravessa gerações, e ainda dá aula sobre como trabalhar uma narrativa com a profundidade e o significado que merece. Isso tudo em apenas sete episódios, que são </span><a href="https://www.papelpop.com/2021/08/kate-winslet-volta-a-falar-sobre-possivel-2a-temporada-de-mare-of-easttown/"><span style="font-weight: 400;">muito mais que suficientes</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>O feitiço de WandaVision se dissipa rápido demais</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Mar 2021 17:42:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Antes mesmo de lançar sua primeira série de TV, o Universo Cinematográfico da Marvel já usava a estrutura da telinha para contar histórias. Kevin Feige, a mente por trás do império, ligava os filmes entre si, como capítulos na grade semanal. Por conta disso, ao anunciarem a migração do início da Fase 4 &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/wandavision-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O feitiço de WandaVision se dissipa rápido demais"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18862" aria-describedby="caption-attachment-18862" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18862" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/1.jpeg" alt="Cena da série WandaVision. Nela, vemos Elizabeth Olsen no papel de Wanda e Kathryn Hahn no papel de Agnes. Elas estão uma ao lado da outra, olhando para a frente. Wanda é uma mulher branca, adulta, ruiva e que veste um moletom vermelho. Agnes é uma mulher branca, adulta, de cabelos pretos e que veste roupas escuras. Ela está com a mão direita no queixo e tem um olhar de dúvida." width="1920" height="1005" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/1.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/1-300x157.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/1-1024x536.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/1-768x402.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/1-1536x804.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/1-1200x628.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18862" class="wp-caption-text">Agatha Harkness mandou avisar que <a href="https://gq.globo.com/Cultura/noticia/2021/02/wandavision-nao-tera-2-temporada.html">WandaVision é minissérie</a> e não tem planos para uma eventual segunda temporada (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes mesmo de lançar sua primeira série de TV, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Universo Cinematográfico da Marvel </span></i><span style="font-weight: 400;">já usava a </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/esta-e-a-linha-do-tempo-de-todo-o-universo-marvel-nos-cinemas-e-na-tv-ate-entao-123226/"><span style="font-weight: 400;">estrutura da telinha para contar histórias</span></a><span style="font-weight: 400;">. Kevin Feige, a mente por trás do império, ligava os filmes entre si, como capítulos na grade semanal. Por conta disso, ao anunciarem a migração do </span><a href="http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-157119/"><span style="font-weight: 400;">início da Fase 4</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;">, a empresa suscitou a curiosidade: como eles se comportariam frente ao formato propriamente dito? A </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel </span></i><span style="font-weight: 400;">seria capaz de sustentar uma narrativa difusa e não condensada nas duas horas e meia que </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/07/vingadores-ultimato-se-torna-maior-bilheteria-do-mundo-ultrapassando-avatar.shtml"><span style="font-weight: 400;">acostumou o público</span></a><span style="font-weight: 400;"> a assistir, com óculos 3D e um baldão de pipoca com manteiga? O fim de </span><i><span style="font-weight: 400;">WandaVision</span></i><span style="font-weight: 400;"> responde algumas dessas questões.</span></p>
<p><span id="more-18861"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foram oito semanas de exibição, passeando entre as eras da Televisão. Cada capítulo ganhava um título sugestivo de seu papel metalinguístico, e os créditos comiam boa parte da duração. As seis horas de conteúdo, prometidas no modelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel </span></i><span style="font-weight: 400;">televisivo, não passaram de balela. Essa foi a </span><a href="https://poltronanerd.com.br/series/saiba-duracao-e-numero-de-episodios-das-series-da-marvel-no-disney-113909"><span style="font-weight: 400;">primeira mentira</span></a><span style="font-weight: 400;">. A direção de Matt Shakman, de cara, soube extrair o ouro das inspirações cômicas na qual o cerne de cada episódio era construído em volta. </span><i><span style="font-weight: 400;">I Love Lucy</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Feiticeira</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Brady Bunch</span></i><span style="font-weight: 400;">, não havia maneira melhor de inserir o <em>MCU</em> na TV que não fosse </span><a href="http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-157836/"><span style="font-weight: 400;">homenageando esse meio</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Algo que Kevin Feige sempre teve em mente enquanto revolucionava o cinema </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster </span></i><span style="font-weight: 400;">com a </span><a href="https://www.omelete.com.br/marvel-cinema/extras-saga-do-infinito"><span style="font-weight: 400;">Saga do Infinito</span></a><span style="font-weight: 400;"> era a ciência de quais fontes beber. Os filmes da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel </span></i><span style="font-weight: 400;">dosaram a mão para, na mesma medida, homenagear e criar cenas memoráveis o bastante para se tornarem referência no futuro. Nesta década de construção da tensão e do clímax de Thanos, a Televisão americana passava por sua </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/em-nova-era-de-ouro-tv-americana-tera-mais-de-500-series-em-2017--16268"><span style="font-weight: 400;">própria ascensão</span></a><span style="font-weight: 400;">. O apreço pelas minisséries tomou Hollywood de solavanco, grandes nomes das telonas fizeram TV e foram reconhecidos e premiados por isso. Estrelas do próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">hall </span></i><span style="font-weight: 400;">dos Vingadores, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/i-know-this-much-is-true-critica/"><span style="font-weight: 400;">Mark Ruffalo</span></a><span style="font-weight: 400;">, tiveram performances desafiadoras e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cyxwfIcDmN4"><span style="font-weight: 400;">ovacionadas</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_18863" aria-describedby="caption-attachment-18863" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18863" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2.jpeg" alt="Cena da série WandaVision. Nela, vemos Wanda, interpretada por Elizabeth Olsen, de braços abertos e soltando seu poder num cenário de festa de Halloween na rua. Wanda é uma mulher branca, adulta, ruiva e que veste um collant vermelho, com capa e tiara da mesma cor escarlate. Ela usa longas luvas e da palma de suas mãos irradia um brilho da mesma cor da roupa. Ela está com a cabeça olhando para baixo e seus olhos estão fechados, o rosto expressando dor e controle." width="1400" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2.jpeg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2-300x150.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2-1024x512.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2-768x384.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2-1200x600.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18863" class="wp-caption-text">Esse não é o primeiro papel de viúva enlutada de Elizabeth Olsen, que já protagonizou a devastadora <a href="https://cinepop.com.br/critica-sorry-for-your-loss-elizabeth-olsen-brilha-em-serie-sobre-luto-e-depressao-202033/">Sorry For Your Loss</a>, original do Facebook Watch (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">WandaVision</span></i> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=6-wlIgAjbfU"><span style="font-weight: 400;">começou como uma estranha </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que homenageava as </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcoms </span></i><span style="font-weight: 400;">do passado. Cada capítulo </span><a href="https://entretenimento.r7.com/cinema-e-series/wandavision-abriu-novo-mundo-diz-designer-sobre-impacto-de-serie-05032021#:~:text=O%20R7%20conversou%20com%20Mark,impactar%20futuras%20produ%C3%A7%C3%B5es%20da%20Marvel."><span style="font-weight: 400;">mudava completamente o formato</span></a><span style="font-weight: 400;">, a linguagem, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mIS8P6plRvM"><span style="font-weight: 400;">a abertura</span></a><span style="font-weight: 400;"> e até o cenário. Era uma aula de história com personagens da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">, algo inédito para o Universo que já fez de tudo, desde </span><a href="https://personaunesp.com.br/thor-marvel-critica/"><span style="font-weight: 400;">romances </span><i><span style="font-weight: 400;">shakespearianos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">até óperas especiais e </span><a href="https://personaunesp.com.br/em-homecoming-o-homem-aranha-volta-empolgar/"><span style="font-weight: 400;">comédias no Ensino Médio</span></a><span style="font-weight: 400;">. Então, quando saímos do ambiente do </span><i><span style="font-weight: 400;">Hex</span></i><span style="font-weight: 400;">, o misterioso domo que abrigava Westview, para entender o que rolou no mundo de fora, a minissérie </span><a href="https://personaunesp.com.br/em-homecoming-o-homem-aranha-volta-empolgar/"><span style="font-weight: 400;">perdeu o fôlego</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nunca mais conseguiu recuperá-lo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem estava investido em Wanda Maximoff (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vlLHnZSz7ZA&amp;t=329s"><span style="font-weight: 400;">Elizabeth Olsen</span></a><span style="font-weight: 400;">) e no Visão (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sEqYWmmfFcw"><span style="font-weight: 400;">Paul Bettany</span></a><span style="font-weight: 400;">), de nada importava a quantas andavam as coisas </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2021/diferenca-estalar-dedos-blip-marvel.html#:~:text=A%20defini%C3%A7%C3%A3o%20de%20Feige%20deixa,efeitos%20do%20Estalar%20de%20Dedos."><span style="font-weight: 400;">depois do <em>Blip</em></span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas, mesmo assim, o roteiro encheu a tela com a presença de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BRNFnulLkW4"><span style="font-weight: 400;">Monica Rambeau</span></a><span style="font-weight: 400;">, Jimmy Woo e Darcy Lewis. Coadjuvantes bons? Sem dúvidas! Mas no que eles agregariam à série de origem da Feiticeira Escarlate? Volta à nossa mente, então, que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel </span></i><span style="font-weight: 400;">já fazia TV e enfiava personagens onde podia para dar o nó narrativo e suspirar no fim:</span><i><span style="font-weight: 400;"> “olha aí, estava na nossa cara sempre”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Quando o último capítulo sobe as letrinhas, e nenhum desses rostos periféricos tem o mínimo de desfecho, </span><i><span style="font-weight: 400;">WandaVision</span></i><span style="font-weight: 400;"> decepciona.</span></p>
<figure id="attachment_18864" aria-describedby="caption-attachment-18864" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18864" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/3.jpg" alt="Cena da série WandaVision. Nela, vemos Darcy, vivida por Kat Dennings, e Jimmy Woo, interpretado por Randall Park. Eles estão dentro de uma sala e assistem a um monitor, lado a lado. À esquerda, está Darcy, uma mulher branca, de cabelos pretos e óculos de grau com armação quadrada escura. Jimmy é asiático, tem cabelos pretos e veste jaqueta azul com camisa branca e gravata escura por baixo." width="1280" height="669" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/3-300x157.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/3-1024x535.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/3-768x401.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/3-1200x627.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18864" class="wp-caption-text">O formato episódico da Marvel mata a necessidade de concluir o arco dos coadjuvantes de WandaVision, que somem sem mais nem menos <a href="https://ovicio.com.br/randall-park-nao-sabe-se-retornara-para-homem-formiga-3/">para voltar daqui alguns anos</a> em outro produto do estúdio (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma cena entre créditos de Monica encontrando alguém que pode guiá-la à </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitã Marvel 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou à </span><a href="https://canaltech.com.br/series/busca-por-elenco-revela-detalhes-da-serie-invasao-secreta-da-marvel-no-disney-179800/"><i><span style="font-weight: 400;">Invasão Secreta</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não é o suficiente para quem acompanhou sua jornada aqui. A Darcy (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DVjOgp-9Dd0"><span style="font-weight: 400;">Kat Dennings</span></a><span style="font-weight: 400;">, subaproveitada), coitada, que passa </span><i><span style="font-weight: 400;">O Grande Final</span></i><span style="font-weight: 400;"> sumida e aparece atropelando o grande chefão do mal, nem ganhou segundos a mais de tela para </span><a href="https://www.ign.com/articles/kat-dennings-on-thor-4-return-i-have-not-gotten-a-call"><span style="font-weight: 400;">criar uma ponte com </span><i><span style="font-weight: 400;">Thor 4</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Falando no vilão, que é bunda mole o bastante para nunca representar ameaça alguma, Hayward é o cuspe de todos os generais que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel </span></i><span style="font-weight: 400;">já usou de antagonistas: sem primeiro nome, sem carisma e sem motivação. Ele queria parar a Wanda, pois! Mas, e o motivo? Ah, porque sim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todo o enredo da corrupção da </span><i><span style="font-weight: 400;">S.W.O.R.D.</span></i><span style="font-weight: 400;"> já foi </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2D2vvLVlFPE"><span style="font-weight: 400;">feito melhor em </span><i><span style="font-weight: 400;">Soldado Invernal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Os momentos fora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Hex </span></i><span style="font-weight: 400;">e longe da série da Wanda ajudaram a tornar enfadonha a experiência de acompanhar uma </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/03/06/com-wandavision-o-mcu-agora-e-uma-historia-sobre-luto-que-timing.htm#:~:text=Com%20'WandaVision'%2C%20o%20MCU,%C3%A9%20uma%20hist%C3%B3ria%20sobre%20luto.&amp;text=%22WandaVision%22%20%C3%A9%20uma%20s%C3%A9rie%20sobre,cristalino%20quanto%20%C3%A0s%20suas%20inten%C3%A7%C3%B5es."><span style="font-weight: 400;">história honesta sobre perda e dor</span></a><span style="font-weight: 400;">, protagonizada pela personagem mais interessante da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">. No episódio 8, Wanda participa do </span><i><span style="font-weight: 400;">Arquivo Confidencial do Faustão</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao lado de Agnes, e a bruxa revê uma de suas primeiras interações com o futuro marido, logo após a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=10NMj58XHHY"><span style="font-weight: 400;">morte de Pietro em </span><i><span style="font-weight: 400;">Era de Ultron</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando expressa o vazio que sente, Wanda ouve um Visão, ainda confuso com as emoções humanas, declarar em forma de dúvida, </span><a href="https://tab.uol.com.br/colunas/lidia-zuin/2021/02/19/em-wandavision-a-fuga-do-luto-e-uma-ilusao-tao-fragil-quanto-westview.htm"><i><span style="font-weight: 400;">“o que é o luto, se não o amor que persevera?”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel </span></i><span style="font-weight: 400;">nunca antes havia mergulhado com vontade em temas inerentes ao comportamento social dos heróis. Essa fala do robô acontece uma semana depois da minissérie homenagear </span><i><span style="font-weight: 400;">Modern Family</span></i><span style="font-weight: 400;"> para mostrar o </span><a href="https://blogs.correiobraziliense.com.br/proximocapitulo/wandavision-episodio-8-reforca-que-a-serie-e-sobre-o-processo-de-luto/"><span style="font-weight: 400;">estado depressivo da protagonista</span></a><span style="font-weight: 400;">. A mudança das décadas entre </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcoms </span></i><span style="font-weight: 400;">ajudou a denotar a fricção do modelo de família americana que os Estados Unidos representava.</span></p>
<figure id="attachment_18865" aria-describedby="caption-attachment-18865" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18865" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/4.jpg" alt="Cena da série WandaVision. Nela, vemos Tommy e Billy Maximoff. Ambos são brancos e tem cerca de 10 anos. Tommy, à esquerda, veste camiseta azul bebê com raio prateado de estampa, e tem o cabelo espetado para trás, com tons prateados. Billy usa banda azul, capa vermelha e camiseta azul. Ao fundo, vemos desfocados Wanda, de vermelho, e Pietro, também de azul. " width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/4-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/4-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18865" class="wp-caption-text">WandaVision introduziu os filhos do casal no MCU: Tommy/Célere (Jett Klyne) e Billy/Wiccano (Julian Hilliard), dois dos <a href="https://recreio.uol.com.br/entretenimento/a-historia-por-tras-de-tommy-e-billy-de-wandavision.phtml">futuros Jovens Vingadores</a> (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que começa com os anos 50, </span><a href="https://www.arrobanerd.com.br/cenas-de-wanda-vision-fazem-homenagem-para-series-de-comedia-americanas-classicas/"><span style="font-weight: 400;">a esposa de saia rodada</span></a><span style="font-weight: 400;"> e com a capacidade de cozinhar uma refeição enorme em poucos minutos, se tornou uma desconstrução do papel das narrativas televisivas na vida de quem assistia. Ninguém é perfeito no mundo real, então isso </span><a href="http://www.gel.hospedagemdesites.ws/estudoslinguisticos/volumes/32/htm/comunica/ci180.htm"><span style="font-weight: 400;">não deveria ser feito na ficção</span></a><span style="font-weight: 400;">. A casa muda de tamanho, os bebês nascem e crescem. O protagonismo é compartilhado. Quando chegamos nos anos 2010 e </span><a href="https://personaunesp.com.br/modern-family-final-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Modern Family</span></i><span style="font-weight: 400;"> vira o papel-carbono da semana</span></a><span style="font-weight: 400;"> na </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">, eles falam sobre depressão, sobre medicamentos e sobre como aceitar essa condição é o </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-ghost-story-critica/"><span style="font-weight: 400;">primeiro passo para a melhora</span></a><span style="font-weight: 400;">, por menor que seja.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Super-herói tem direito a terapia? A minissérie tinha tudo para responder isso, fugir do clichezão das lutas aéreas e justificar seu papel como precursora televisa, abrir a Fase 4 e reapresentar a Feiticeira nesse contexto pós-Thanos, sem irmão, sem marido e completamente instável. Ela vivia sua própria e </span><a href="https://etcanada.com/news/748373/wanda-takes-a-quarantine-style-staycation-in-new-wandavision-clip/"><span style="font-weight: 400;">autoinduzida quarentena</span></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto o mundo fazia o mesmo, mas sem o poder de escolha. Wanda Maximoff, uma mutante nos quadrinhos, era peça central das histórias dos </span><i><span style="font-weight: 400;">X-Men</span></i><span style="font-weight: 400;">, a </span><a href="https://canaltech.com.br/quadrinhos/x-men-uma-metafora-para-o-preconceito-e-para-a-intolerancia-158481/"><span style="font-weight: 400;">minoria que lutava por respeito</span></a><span style="font-weight: 400;">. O que é </span><i><span style="font-weight: 400;">WandaVision</span></i><span style="font-weight: 400;">, senão a </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel </span></i><span style="font-weight: 400;">finalmente adereçando temas sensíveis e usando heróis de </span><i><span style="font-weight: 400;">collant </span></i><span style="font-weight: 400;">e látex no processo?</span></p>
<figure id="attachment_18866" aria-describedby="caption-attachment-18866" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18866" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/5.jpg" alt="Cena da série WandaVision. Nela, vemos Wanda sentada num sofá e olhando em direção à câmera. Wanda é branca, tem cabelos ruivos e veste uma camiseta verde com estampa xadrez. Seus cabelos estão presos num rabo de cavalo frouxo e algumas mechas caem para os lados do rosto. Ele tem uma mão próxima ao rosto e está com uma expressão de dúvida no rosto. O sofá desfocado tem padrão de estampa listrada azul, branco e marrom." width="1000" height="583" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/5.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/5-300x175.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/5-768x448.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18866" class="wp-caption-text">O alcance emocional de Elizabeth Olsen fica escancarado em Derrubando a Quarta Parede, quando a Vingadora precisa de micro expressões, como a postura cabisbaixa e o olhar vazio, para mostrar o tamanho da dor que sente (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não houve equívoco maior. A razão está ligada ao vício da série em querer se justificar e explicar cada frase e cada cena. O </span><i><span style="font-weight: 400;">Arquivo Confidencial </span></i><span style="font-weight: 400;">do episódio 8 foi eficiente por </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/wandavision-easter-eggs-referencias-oitavo-episodio.html"><span style="font-weight: 400;">revisitar os traumas</span></a><span style="font-weight: 400;"> em favor do desenvolvimento de Wanda. Assistimos o momento onde sua infância mudou para sempre. O passatempo da família em Sokovia era devorar séries americanas (a-há!), até que uma bomba explodiu os pais dos gêmeos, que passaram dias esperando um míssil </span><i><span style="font-weight: 400;">Stark </span></i><span style="font-weight: 400;">ser acionado e finalmente acabar com o sofrimento dos Maximoff, matando-os. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A bomba nunca fez o seu trabalho. Agnes revelou que Wanda usou </span><a href="https://superpoderes.fandom.com/pt-br/wiki/Manipula%C3%A7%C3%A3o_de_Probabilidade"><span style="font-weight: 400;">magia de probabilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> para salvar sua pele e a de Pietro. A Joia da Mente, na verdade, apenas despertou uma parte dormente dos poderes da jovem Wanda. Um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GfkO0aWWk_o"><span style="font-weight: 400;">artifício de </span><i><span style="font-weight: 400;">retcon</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">interessante e pertinente, colocando a jovem mulher como um receptáculo muito maior do que os filmes da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel </span></i><span style="font-weight: 400;">nos mostraram. Numa conferência da</span><i><span style="font-weight: 400;"> S.W.O.R.D.</span></i><span style="font-weight: 400;">, Hayward pergunta enfaticamente se Maximoff tem algum ‘apelido engraçado’, para o que algum coadjuvante nega. </span><i><span style="font-weight: 400;">WandaVision</span></i><span style="font-weight: 400;"> cai nas armadilhas que a própria </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel </span></i><span style="font-weight: 400;">tem feito de piada nas produções recentes, jogando a isca para Wandinha ser chamada do que sabemos que ela será chamada.</span></p>
<figure id="attachment_18867" aria-describedby="caption-attachment-18867" style="width: 943px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18867" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/6.jpeg" alt="Cena da série WandaVision. Nela, vemos Visão e Wanda de mãos dadas, dentro de casa e olhando algo chegar pela janela da sala. Visão é um sintozóide de pele vermelha, com detalhes em azul e amarelo. Ele veste um cardigan verde escuro. Wanda é branca, ruiva e veste uma blusa cinza. Está de noite e eles tem expressões de medo no rosto. " width="943" height="472" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/6.jpeg 943w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/6-300x150.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/6-768x384.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18867" class="wp-caption-text">Uma ideia ótima de WandaVision foi criar propagandas comerciais que <a href="http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-157267/">ilustravam o passado triste de Wanda</a>, teve desde uma torradeira Stark com pinta de bomba, até um pano Lagos, mesmo nome do lugar que a Feiticeira, sem querer, matou uma galera (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que resulta no pensamento e terrível constatação que as personagens femininas necessitam de </span><a href="http://nodeoito.com/estereotipos-subvertidos-mulher-maravilha/"><span style="font-weight: 400;">tramas engessadas e momentos de batismo clichês</span></a><span style="font-weight: 400;">, pelo fato dos homens terem feito isso oito anos atrás, e, agora, essas batidas narrativas soam tão fracas e gratuitas (uma pausa para falar que a </span><a href="https://www.insider.com/wandavision-calls-wanda-scarlet-witch-2021-2"><span style="font-weight: 400;">cena de Agnes nomeando Wanda é sensacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> e não deve nada aos heróis babões dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Vingadores</span></i><span style="font-weight: 400;">). </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitã Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">, primeira mulher a ganhar um filme solo, só conseguiu o feito </span><a href="https://personaunesp.com.br/capita-marvel-critica/"><span style="font-weight: 400;">2 anos atrás</span></a><span style="font-weight: 400;">. Viúva Negra morreu e só </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QZiyqPeAR4s&amp;t=5s"><span style="font-weight: 400;">terá história própria agora</span></a><span style="font-weight: 400;">. Wanda era até anteontem pintada como a deusa, louca e feiticeira do grupo, sem personalidade própria ou tempo de tela suficiente para ganhar apelo para além do carisma de Olsen. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Precisou uma pandemia mundial e o desgaste monstruoso do cinema para as </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2021/02/4906623-wandavision-se-torna-a-serie-mais-assistida-em-todo-o-mundo.html"><span style="font-weight: 400;">mulheres ganharem o protagonismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e fugirem do arquétipo do par romântico, da maluca ou da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-KAMqm_38yE"><span style="font-weight: 400;">personagem poderosa demais</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas estranhamente sem minutos suficientes para trabalhar com essas habilidades. E querer usar a Feiticeira como arma clichê do gênero não representa algo maléfico, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">WandaVision</span></i><span style="font-weight: 400;"> fez representar. A escolha de exibir </span><a href="https://ovicio.com.br/diretor-de-wandavision-defende-exibicao-semanal/"><span style="font-weight: 400;">semanalmente</span></a><span style="font-weight: 400;"> os curtos capítulos abriu espaço para um alvoroço e para a criação das mais mirabolantes teorias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E elas foram a </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/212070-wandavision-diretor-fala-teorias-episodio-final.htm"><span style="font-weight: 400;">bênção e a maldição</span></a><span style="font-weight: 400;"> da série criada por Jac Schaeffer. Tudo começa com a notícia de que a trama </span><i><span style="font-weight: 400;">WandaVision</span></i><span style="font-weight: 400;"> desembocaria diretamente em </span><a href="https://br.ign.com/wandavision/87712/feature/wandavision-impacto-doutor-estranho-2-e-mcu-darkhold"><i><span style="font-weight: 400;">Doutor Estranho 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que tem </span><i><span style="font-weight: 400;">Multiverso </span></i><span style="font-weight: 400;">no título. O que vem de antes, considerando a compra da </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox </span></i><span style="font-weight: 400;">pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">, e lê-se aqui que os </span><a href="https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/03/20/disney-conclui-compra-da-21st-century-fox-por-us-71-bilhoes.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">X-Men</span></i><span style="font-weight: 400;"> agora podem aparecer no </span><i><span style="font-weight: 400;">MCU</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Eis que, no meio de uma discussão entre o casal principal, alguém bate à porta. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ding-Dong</span></i><span style="font-weight: 400;">. É um homem branco, jeito de moleque e de cabelos intencionalmente prateados. </span><a href="https://ovicio.com.br/evan-peters-comenta-pela-primeira-vez-sobre-envolvimento-em-wandavision/"><span style="font-weight: 400;">Evan Peters</span></a><span style="font-weight: 400;">, que fez o Mercúrio na saga dos Mutantes anos atrás, dá as caras aqui vivendo o mesmo personagem, velocista alado e irmão da Wanda.</span></p>
<figure id="attachment_18868" aria-describedby="caption-attachment-18868" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18868" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/7-scaled.jpeg" alt="Cena da série WandaVision. Nela, vemos o Pietro falso, interpretado por Evan Peters, fazer algo no seu liquidificador. Pietro é branco, tem cabelos prateados e veste camiseta e boina azuis. Ele está com a mão esquerda em cima da tampa do liquidificador e a direita na base dele. O cenário é a casa do personagem, um ambiente com madeira nas paredes e no tempo e pouca luz solar." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/7-scaled.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/7-300x169.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/7-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/7-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/7-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/7-2048x1152.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/7-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18868" class="wp-caption-text">É frustrante que o ‘Fietro’ seja anulado e reduzido à piada de pinto, Ralph Bohner, seu nome real, soa como ‘half-bonner’, meia-ereção em inglês (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As pessoas perderam a cabeça. Dúvidas e </span><a href="https://br.ign.com/wandavision/87151/feature/wandavision-conheca-mephisto-vilao-marvel"><span style="font-weight: 400;">teorias se multiplicaram</span></a><span style="font-weight: 400;"> como coelhos no inverno. A interpretação de Evan Peters remete ao ar jocoso do Pietro da </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas toda sua origem é a da versão que morreu em </span><i><span style="font-weight: 400;">Era de Ultron</span></i><span style="font-weight: 400;">. Quais são os planos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">? No fim, o estúdio apenas confirmou o receio já latente de que a simplicidade comanda o Universo. Esse Mercúrio, que era ponto central da história de </span><i><span style="font-weight: 400;">WandaVision </span></i><span style="font-weight: 400;">e uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LWhLoITVGD0&amp;t=628s"><span style="font-weight: 400;">demonstração física da estranheza proposital do seriado</span></a><span style="font-weight: 400;">, some e nunca mais é dedicado a ele tempo para se justificar ou, ao menos, para existir ali</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que foi repetido pela presença de Agnes. A vizinha enxerida passa o começo da série citando seu marido Ralph e fazendo </span><a href="https://www.omelete.com.br/marvel-cinema/wandavision-agnes-agatha-harkness-kathryn-hahn"><span style="font-weight: 400;">piadas de duplo sentido</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o Inferno e o Diabo, mas nada evolui. Parece que o time de roteiristas tinha ideias, mas elas morreram no processo de solução dos mistérios e mesmo assim foram mantidas. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oOqTKwiWLQU&amp;t=1861s"><span style="font-weight: 400;">Foi a Agatha o tempo todo!</span></a><span style="font-weight: 400;"> Ainda bem, pois o que não precisávamos era de mais um vilão genérico homem e sem qualquer carisma ou singularidade. A presença iluminada de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FdtZUFoBS-s"><span style="font-weight: 400;">Kathryn Hahn</span></a><span style="font-weight: 400;">, acostumada ao formato de </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcoms </span></i><span style="font-weight: 400;">na carreira, é o fator determinante do </span><a href="https://comicbook.com/marvel/news/wandavision-twitter-fans-calling-for-kathryn-hahn-to-win-an-emmy/"><span style="font-weight: 400;">saldo positivo de </span><i><span style="font-weight: 400;">WandaVision</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um saldo positivo que a cada semana ia extraindo tudo de bom e focando nos fatores mais prejudiciais da série como série. A simplicidade ter reinado por 8 semanas não era um bom sinal. O que não significa que <em>WandaVision</em> precisava de </span><a href="https://espalhafactos.com/2021/02/22/paul-bettany-promete-mais-uma-personagem-importante-da-marvel-em-wandavision/"><i><span style="font-weight: 400;">cameos </span></i><span style="font-weight: 400;">malucas</span></a><span style="font-weight: 400;">, teorias confirmadas ou a </span><a href="https://screenrant.com/mcu-wandavision-finale-predictions-reed-richards-multiverse/"><span style="font-weight: 400;">aparição do </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarteto Fantástico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, nada disso. A cultura da teoria tem reivindicado esse lugar de barulho, onde algo só é bom e vale a pena se o </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/series-e-tv/2021/02/wandavision-tera-surpresa-como-luke-skywalker-em-the-mandalorian"><span style="font-weight: 400;">Luke Skywalker aparecer de surpresa e salvar o </span><i><span style="font-weight: 400;">Baby </span></i><span style="font-weight: 400;">Yoda</span></a><span style="font-weight: 400;"> de todo o mal.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Agatha All Along (From &quot;WandaVision: Episode 7&quot;)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/P8u8md-NiHM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A revelação da Agatha sozinha funciona por influenciar a jornada de Maximoff sem soar gratuita. A série da Feiticeira e do Visão não precisava de nada além da Feiticeira e do Visão. O que nasceu com a promessa de desvendar o luto, os traumas e as consequências da tristeza em alguém super humano, acabou </span><a href="https://ew.com/tv/tv-reviews/wandavision-finale-review/"><span style="font-weight: 400;">renegando esse caráter de sensibilidade e força</span></a><span style="font-weight: 400;">. Qual a solução que fica? O luto é passageiro e tudo vai dar certo porque seu marido robô ainda pode viver e os filhos mágicos estão em algum lugar por aí? </span><i><span style="font-weight: 400;">WandaVision </span></i><span style="font-weight: 400;">começa com Wanda sem controle dos poderes e buscando maneiras de controlar seus sentimentos, e acaba com ela tendo feito exatamente isso, mas pulando o </span><a href="https://revistanews.com.br/2018/03/07/luto-nao-e-doenca-mas-precisa-ser-vivido/#:~:text=%E2%80%9CO%20luto%20acontece%20e%20precisa%20ser%20vivido.&amp;text=Existe%20a%20necessidade%20da%20viv%C3%AAncia,a%20uma%20revis%C3%A3o%20de%20valores."><span style="font-weight: 400;">momento de viver com a perda</span></a><span style="font-weight: 400;"> e entender o papel eterno e duradouro das ações de Thanos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A metamorfose das décadas televisivas em </span><i><span style="font-weight: 400;">WandaVision</span></i> <a href="https://collider.com/wandavision-tv-tropes-sitcom-references-explained/"><span style="font-weight: 400;">não teve papel na narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;">, fora a estética e a graça de piscar para os </span><i><span style="font-weight: 400;">nerds </span></i><span style="font-weight: 400;">da TV. Se o Visão voltou, as crianças têm chance de retornar, e ninguém de Westview se revoltou contra a bruxa, então de que serviu a jornada dela por 9 episódios? Passar de superpoderosa descontrolada para superpoderosa controlada não é um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pLRRLB88lcQ"><span style="font-weight: 400;">arco narrativo satisfatório</span></a><span style="font-weight: 400;">, e foi feito mesmo assim. E a parte triste é que a mente por trás dessa escolha tinha total ciência das consequências. Agora, aguardemos para ver Wanda ao lado do Doutor Estranho, torcendo para a </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel </span></i><span style="font-weight: 400;">não decidir jogar tão baixo novamente.</span></p>
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		<title>O Gambito da Rainha: até o jogo da velha pode ser interessante se quem joga é a Anya Taylor-Joy</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Dec 2020 16:07:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Isabella Siqueira Não é surpresa para ninguém que Anya Taylor-Joy é uma das atrizes mais promissoras da nossa época desde que estrelou A Bruxa. Uma das séries queridinhas de 2020, O Gambito da Rainha reafirma o talento da jovem que conquistou o público e a crítica, assim, a semelhança entre a protagonista da minissérie e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-gambito-da-rainha-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Gambito da Rainha: até o jogo da velha pode ser interessante se quem joga é a Anya Taylor-Joy"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16901" aria-describedby="caption-attachment-16901" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16901" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/queens-gambit-1.jpg" alt="Beth Harmon, possui cabelo curto e laranja e veste um casaco azul, encara a câmera." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/queens-gambit-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/queens-gambit-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/queens-gambit-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/queens-gambit-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/queens-gambit-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16901" class="wp-caption-text">Criada pelo roteirista escocês Allan Scott, a série conta a história fictícia da talentosa enxadrista Beth Harmon (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Isabella Siqueira</strong></p>
<p>Não é surpresa para ninguém que Anya Taylor-Joy é uma das atrizes mais promissoras da nossa época desde que estrelou <a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/the-witch-critica"><i>A Bruxa</i></a>. Uma das séries queridinhas de 2020, <i>O Gambito da Rainha </i>reafirma o talento da jovem que conquistou o público e a crítica, assim, a semelhança entre a protagonista da minissérie e de sua intérprete está justamente na característica de prodígio que ambas possuem. Com a implacável Beth Harmon nos mostrando como os jogos de xadrez podem ser tão interessantes quanto as lutas em <a href="https://www.planocritico.com/critica-rocky-um-lutador/"><i>Rocky</i></a> (1976) ou <a href="https://personaunesp.com.br/cobra-kai-netflix-critica/"><i>Karate Kid</i></a> (1984).</p>
<p><span id="more-16903"></span></p>
<p>A <a href="https://www.omelete.com.br/netflix/criticas/o-gambito-da-rainha">produção</a> da Netflix, que estreou no final de outubro, já é umas das mais assistidas de toda a plataforma, e não é por menos. Visto que, a jornada da protagonista leva ação e emoção para o que imaginamos serem partidas chatas de xadrez, sendo impossível não torcer para a jovem que prova seu talento contra todas as expectativas que atuam contra ela.</p>
<figure id="attachment_16906" aria-describedby="caption-attachment-16906" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16906" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/ElJIJiLU0AA_CDi.jpg" alt="Beth Harmon ao lado de Benny Watts, que utiliza um casaco preto e um chapéu" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/ElJIJiLU0AA_CDi.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/ElJIJiLU0AA_CDi-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/ElJIJiLU0AA_CDi-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/ElJIJiLU0AA_CDi-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16906" class="wp-caption-text">Ao lado da atriz principal, os personagens secundários também se destacam na história, a exemplo do jogador Benny Watts (Thomas Brodie-Sangster) (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Logo no primeiro episódio já fica claro o inimigo da trama e de Beth: ela mesma. A prodígio de alguma forma consegue ser o empecilho em sua carreira, mas ainda sim o buraco é mais embaixo. Após o que parece uma cena da jovem de ressaca e atrasada para uma importante partida em Paris, somos levados ao passado conturbado da menina, que após a morte da mãe é enviada para um orfanato em meados de 1950. Sendo apenas mais uma entre várias meninas que esperam uma adoção, Beth logo começa a se esgueirar para praticar xadrez no porão do lugar.</p>
<p>Após essa primeira fase da série, a protagonista adentra mais um espaço familiar desestruturado, mas que ao mesmo tempo a permite ter liberdade para explorar seu talento nato. Adotada por um pai calado e que desaparece rapidamente, a protagonista estabelece uma relação de cumplicidade com sua mãe adotiva e aspirante a empresária, Alma Wheatley (Marielle Heller). A relação entre Anya e Heller é, inclusive, um dos pontos mais agradáveis da obra, mesmo que inicialmente reunidas por conveniência, com a junção desses indivíduos que enfrentam a solidão e o abandono comovendo pela sensibilidade.</p>
<figure id="attachment_16907" aria-describedby="caption-attachment-16907" style="width: 550px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16907" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/TQG_107_Unit_00897RC-550x367-1.jpg" alt="Cenário marrom e escuro de uma partida de xadrez, com Beth senteda de costas com um tabuleiro na frente" width="550" height="367" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/TQG_107_Unit_00897RC-550x367-1.jpg 550w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/TQG_107_Unit_00897RC-550x367-1-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 550px) 85vw, 550px" /><figcaption id="caption-attachment-16907" class="wp-caption-text">Escrita e dirigida por Scott Frank, a produção constrói bem a atmosfera tensa e emocionante das partidas de xadrez (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Com muitas vitórias e uma certa arrogância, essa bem justificada, a trama acompanha Beth em uma jornada onde ela derrota e contesta todos que duvidam dela. E mesmo que a personagem recuse ser retratada pelo diferencial de ser mulher, o machismo clássico dos anos 60 se encontra em cada olhar dos que debocham da prodígio. Logo que começa uma <i>tour </i>por campeonatos pelo país todo, ela concorda em abrir mão de sua juventude e da realidade comum do colegial.</p>
<p>Ao longo dessas partidas e com a descoberta do desejo de derrotar o clássico inimigo russo, considerando claro o contexto da Guerra Fria, alguns nomes bem carismáticos vão ganhando caminho na vida da enxadrista. A exemplos dos jogadores Harry Beltik (Harry Melling) e Benny Watts (Thomas Brodie-Sangster), que apesar de tentarem entrar no mundo e coração fechado da moça, acabam frustrados pela verdadeira obsessão dela: o xadrez.</p>
<p>Contudo, apesar do caminho brilhante que traça em cada partida, <i>O Gambito da Rainha </i>mostra que a derrocada da personagem é inevitável. Os vícios que a acompanham também são o que garantem, na cabeça dela, suas vitórias. Para a protagonista, é impossível vencer sem a bebida ou as pílulas verdes, uma espécie de calmante que surge logo na infância como uma rotina para ela. Mas, o que ela não percebe é o quanto a situação vai se tornando insustentável ao passar do tempo, e como o preço da genialidade não é justo ou gentil.</p>
<figure id="attachment_16908" aria-describedby="caption-attachment-16908" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16908" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/beth-e-sua-mae-Alma-1024x576-1.jpg" alt="" width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/beth-e-sua-mae-Alma-1024x576-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/beth-e-sua-mae-Alma-1024x576-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/beth-e-sua-mae-Alma-1024x576-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16908" class="wp-caption-text">Ao lado da atriz e diretora Marielle Heller (The Diary of Teenage Girl), Anya integra uma adorável relação de cumplicidade (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>A solidão da personagem se acentua pela negação em pedir ajuda e se conectar com outros, apesar dela superar as questões da adolescência como as crises de autoestima e a descoberta do sexo, as barreiras emocionais continuam sendo o demônio de Beth Harmon. Contudo, apesar da impressão de estar sempre sozinha, algumas figuras amigáveis adentram carinhosamente sua vida, como o Sr. Schaibel (Bill Camp), que foi quem lhe ensinou xadrez e por sua vez apostou em seu futuro, e Jolene (Moses Ingram), amiga do orfanato, que ressurge justo no fundo do poço em que a moça se encontrava.</p>
<p>Apesar da trama em si ser muito interessante e vitoriosa em prender quem assiste, a maestria de Anya Taylor-Joy é impecável. A atriz encara uma personagem muito peculiar, com jeitos e maneirismos característicos nas partidas e também momentos dançantes que exalam charme. Ao mesmo tempo chama a atenção a caracterização convincente dos <a href="https://www.instagram.com/p/CHQcSgjHUZB/?utm_source=ig_web_copy_link">anos 60</a>, desde as roupas mais simples até os <a href="https://www.cosmopolitan.com/uk/fashion/style/g34687342/the-queens-gambit-fashion/">vestidos</a> elegantes que ela ostenta na Europa, o amadurecimento da personagem é visível e claro, muito estiloso.</p>
<figure id="attachment_16909" aria-describedby="caption-attachment-16909" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16909" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4421446.jpg" alt="" width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4421446.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4421446-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4421446-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4421446-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4421446-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4421446-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16909" class="wp-caption-text">Ao longo de oito episódios, a elegância da protagonista se mistura com desestabilidade ocasionada pelos vícios (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Por mais que <i>O</i> <i>Gambito da Rainha</i> se passe em suma nos Estados Unidos, curiosamente as <a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/o-gambito-da-rainha-conheca-os-locais-reais-usados-na-serie-da-netflix-45519">gravações</a> aconteceram em Berlim e no Canadá. O cenário deprimente do orfanato e as imponentes salas que abrigam as tensas partidas de xadrez também não passam despercebidas. Baseada na obra homônima de Walter Davis lançada em 1983, a adaptação da <i>Netflix </i>acerta também na fotografia e direção, realizada por Scott Frank e Allan Scott, que se complementam bem com o roteiro afiado e figurino belíssimo da produção.</p>
<p>Até para quem não entende nada de xadrez e desse mundo complicado de regras e estratégias, <a href="https://www.nytimes.com/2020/10/21/arts/television/queens-gambit-review-netlix.html"><i>The Queen’s Gambit</i></a> torna emocionante assistir cada partida. Os olhos da focada Beth Harmon são o destaque em diversas cenas, mesmo que não intencionalmente, e a expressão da atriz é um deleite para o público, que vibra a cada movimento, suspiro e por fim, vitória. Histórias sobre amadurecimento nunca saem de moda, e se tiverem a presença de Anya Taylor-Joy elas ficam melhores ainda.</p>
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		<title>I May Destroy You vai além dos múltiplos olhares sobre violência sexual</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Sep 2020 17:38:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Giovanne Ramos Em 2018, a atriz, roteirista, poeta, cantora, compositora e &#8211; ufa! &#8211; dramaturga britânica, Michaela Coel, revelou enquanto palestrava no Festival de Televisão de Edimburgo ter sido estuprada em 2015. O relato chamou ainda mais atenção por ter ocorrido durante as filmagens de Chewing Gum, comédia lançada em 2016 no Brasil pela Netflix &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/i-may-destroy-you-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "I May Destroy You vai além dos múltiplos olhares sobre violência sexual"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_14892" aria-describedby="caption-attachment-14892" style="width: 696px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14892" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem1-1-1.jpg" alt="" width="696" height="442" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem1-1-1.jpg 696w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem1-1-1-300x191.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-14892" class="wp-caption-text">Michaela Coel cria narrativa necessária baseada em sua vivência (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Giovanne Ramos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2018, a atriz, roteirista, poeta, cantora, compositora e &#8211; ufa! &#8211; dramaturga britânica, Michaela Coel, </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2018/08/22/estrela-de-chewing-gum-da-netflix-sofreu-abuso-sexual-durante-producao.htm"><span style="font-weight: 400;">revelou</span></a><span style="font-weight: 400;"> enquanto palestrava no Festival de Televisão de Edimburgo ter sido estuprada em 2015. O relato chamou ainda mais atenção por ter ocorrido durante as filmagens de </span><em><a href="https://www.huffpostbrasil.com/renata-martins/um-desabafo-sobre-a-serie-chewing-gum-ou-porque-tracey-e-uma-p_a_22065983/"><span style="font-weight: 400;">Chewing Gum</span></a></em><span style="font-weight: 400;">, comédia lançada em 2016 no Brasil pela <em>Netflix</em> e, em parte, responsável pela popularização do seu nome no mundo do entretenimento. De acordo com os relatos, Coel tirou um intervalo do trabalho para se encontrar com uma amiga que estava por perto para um drinque. Quando se deu conta, estava novamente em frente ao computador, sem lembrar do que ocorreu na última noite. Após um <em>flashback</em>, a atriz lembrou de ter sido violentada por um grupo de homens.</span></p>
<p><span id="more-14891"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O episódio foi pontapé para </span><i><span style="font-weight: 400;">I May Destroy You (&#8220;Eu Posso Te Destruir&#8221;)</span></i><span style="font-weight: 400;">, a categorizada </span><i><span style="font-weight: 400;">comédia-drama </span></i><span style="font-weight: 400;">lançada em 2020 pela <em>BBC UK</em>, onde Michaela Coel volta como criadora, roteirista, co-diretora e produtora executiva, mas também protagonizando a escritora excêntrica Arabella. A personagem carrega em si muito de sua intérprete, sendo notável alguns momentos em que podemos assimilar com Michaela e até mesmo com a caricata Tracey, personagem que interpretou em </span><i><span style="font-weight: 400;">Chewing Gum</span></i><span style="font-weight: 400;">. No <em>trailer</em> e ao decorrer do primeiro episódio, somos introduzidos a uma escritora com bloqueio criativo que sai para a noite se distrair com os amigos, mas que ao amanhecer, não possui nenhuma lembrança da noite passada, apenas <em>flashbacks</em> e uma ferida na testa. O que de imediato nos leva associar ao relato de Coel.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="I May Destroy You | Teaser Oficial | HBO" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/GA9XRP3tR_4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Arabella, que já é conhecida por escrever um livro retratando a relação dos <em>millennials</em> com as redes sociais, é pressionada constantemente pelos seus agentes a lançar o sucessor do seu </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;">. Quem acompanha a personagem durante o desenrolar da trama são seus amigos íntimos Kwame (Paapa Essiedu) e Terry (Weruche Opia). Kwame, instrutor aeróbico, dá tom aos jovens homossexuais apegados em aplicativos de relacionamento, enquanto Terry, aspirante a atriz, tenta segurar o astral do trio apesar de possuir as suas próprias inseguranças. O grupo dá vazão a uma imensidão de temas complexos que são discutidos com sensibilidade e suavidade, sem tornar a série massante ou dolorosa para quem está assistindo &#8211; como <a href="http://personaunesp.com.br/the-handmaids-tale-critica/"><em>The</em> </a></span><a href="http://personaunesp.com.br/the-handmaids-tale-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Handmaid’s Tale</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que já sofreu </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/16/actualidad/1526499422_250950.html"><span style="font-weight: 400;">críticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela espetacularização excessiva da violência -, e com uma sensação de que poderia ocorrer com qualquer um.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas se engana quem pensa que o drama é centrado apenas no estupro que Arabella sofre. A série se torna ambiciosa ao retratar as mais diversas e múltiplas formas do abuso sexual. Fora o episódio da trama principal, Bella sofre mais uma ocorrência e Kwame protagoniza dois grandes momentos em que faz o espectador se questionar que, o que ocorreu, foi de fato violência sexual e, caso tenha sido, quem foi o culpado? Dúvidas que são recorrentes quando as vítimas tornam suas experiências públicas e vão atrás de justiça. </span><i><span style="font-weight: 400;">I May Destroy You</span></i><span style="font-weight: 400;"> não deixa de fora nenhum processo da cicatrização desse trauma. Retrata com respiros cômicos necessários, o desafio da denúncia, o escape da realidade, o longo caminho de superação e as marcas deixadas em todos aqueles em volta da vítima.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nenhum ponto é dado sem nó no universo construído por Michaela em apenas 30 minutos por episódio. Embora seja a história de Arabella em jogo, temas como exposição nas redes sociais, a afetividade em tempos líquidos, </span><i><span style="font-weight: 400;">bullying</span></i><span style="font-weight: 400;"> escolar e a lógica mercadológica de movimentos sociais quebram a parede da ficção e em um determinado momento já não se sabe o que são sátiras hiperrealistas e o que é o espelho fidedigno da realidade que estamos inseridos. Porém, esses momentos são relâmpagos e secundários, tendo em vista o tanto a desenvolver e o pouco tempo de exibição. Inclusive uma boa decisão, já que Coel correria o risco de desviar muito do seu ponto central.</span></p>
<figure id="attachment_14893" aria-describedby="caption-attachment-14893" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14893" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem2-1.jpg" alt="" width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem2-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem2-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem2-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem2-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14893" class="wp-caption-text">Terry (Weruche Opia), Arabella (Michaela Coel) e Kwame (Paapa Essiedu) se destacam à sua maneira e em seus próprios plots (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A série, ainda, vem em um momento político importante. Em 25 de maio deste ano, George Floyd, um afro-americano, foi brutalmente </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-52868252"><span style="font-weight: 400;">assassinado</span></a><span style="font-weight: 400;"> por um policial em Minnesota. O caso reacendeu o movimento </span><a href="https://www.geledes.org.br/entenda-por-que-falamos-que-vidas-negras-importam-em-vez-de-todas-as-vidas-importam/"><span style="font-weight: 400;">#</span><i><span style="font-weight: 400;">BlackLivesMatter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (Vidas Negras Importam), e a discussão do antirracismo. Uma série em que todos os núcleos são compostos em sua maioria por personagens afro-britânicos, é, de fato, um ato político. Ainda mais quando visualizados dentro de temas como carreira, sexualidade, gênero, veganismo, drogas, amizade e relacionamento. Além de preencher com riqueza a narrativa, mostra que personagens negros não são resumidos apenas a questões raciais, inclusive, esse é um fator de menos destaque na trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A criação de Coel é, sem dúvidas, uma candidata para aparecer na próxima temporada de premiações. Seu reconhecimento é necessário em um ambiente em que a representatividade em grandes produções é cobrada. Talvez ainda <a href="https://revistahibrida.com.br/2020/08/01/elenco-trans-de-pose-e-esnobado-pelo-emmy-e-isso-e-um-problema/">faça justiça</a> à estadunidense </span><a href="http://personaunesp.com.br/pose-segunda-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, série da <em>FX</em> que chamou atenção pela diversidade em seu elenco e o protagonismo dado para mulheres trans. Ao não aparecer entre as listas de indicadas, as atrizes MJ Rodriguez, Angelica Ross e Dominique Jackson &#8211; que deram um <em>show</em> de atuação -, escancararam uma indústria relutante em derrubar seus preconceitos e olhar para além de produções normativas e embranquecidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que não tenha dado brecha para uma possível segunda temporada, </span><i><span style="font-weight: 400;">I May Destroy You</span></i><span style="font-weight: 400;"> cumpriu o seu papel em todos os pontos em que se propôs a tocar. A combinação da qualidade fotográfica da produção &#8211; que em alguns momentos se assemelha com o ludismo da série adolescente</span> <a href="http://personaunesp.com.br/euphoria-hbo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">da <em>HBO</em> -, com a excelente </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/37i9dQZF1DWUcT0QzTFbgH?si=zMdefx3gRJSvvxRpY1j5Rg"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;">, proporcionam uma boa experiência imersiva. O roteiro não fica atrás. Com equilíbrio entre o cômico e o trágico, todas as pontas da série se fecham, trazendo consigo uma ampliação de perspectivas da realidade.</span></p>
<figure id="attachment_14894" aria-describedby="caption-attachment-14894" style="width: 1392px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14894" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem3-1.jpg" alt="" width="1392" height="884" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem3-1.jpg 1392w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem3-1-300x191.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem3-1-1024x650.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem3-1-768x488.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/imagem3-1-1200x762.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14894" class="wp-caption-text">Obra de Coel destaca a importância da visão da vítima (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Michaela ter compartilhado as suas experiências e ter se colocado no drama, trouxe uma profundidade que talvez ainda demore para vermos ser unânime entre diretores e roteiristas da cena convencional. Ainda mais quando o assunto é violência sexual, que é tratada com muita romantização na indústria cultural. Mas o brilhantismo da série é justamente esse, a visão de quem entende a dor. E isso é notório em todos os momentos em que a intérprete de Arabella não deixa os acontecimentos de </span><i><span style="font-weight: 400;">I May Destroy You</span></i><span style="font-weight: 400;"> destruir, com banalizações, quem está assistindo.</span></p>
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