<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Melhor Roteiro em Programa de Não-Ficção &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/melhor-roteiro-em-programa-de-nao-ficcao/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://personaunesp.com.br/tag/melhor-roteiro-em-programa-de-nao-ficcao/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 02 Oct 2023 19:31:57 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Melhor Roteiro em Programa de Não-Ficção &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>http://personaunesp.com.br/tag/melhor-roteiro-em-programa-de-nao-ficcao/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>My Mind &#038; Me investiga Selena Gomez pelos olhos da alma</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/my-mind-me-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/my-mind-me-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Oct 2023 19:31:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Alek Keshishian]]></category>
		<category><![CDATA[Apple TV+]]></category>
		<category><![CDATA[Celebridade]]></category>
		<category><![CDATA[Creative Arts Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy 2023]]></category>
		<category><![CDATA[Emmys 2023]]></category>
		<category><![CDATA[Henrique Marinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Indústria musical]]></category>
		<category><![CDATA[John Janick]]></category>
		<category><![CDATA[Lose You To Love Me]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Roteiro em Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Michelle An]]></category>
		<category><![CDATA[Minha Mente e Eu]]></category>
		<category><![CDATA[Rare Beauty]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexão]]></category>
		<category><![CDATA[Revival Tour]]></category>
		<category><![CDATA[Rodrigo Brazão]]></category>
		<category><![CDATA[Selena Gomez]]></category>
		<category><![CDATA[selenators]]></category>
		<category><![CDATA[Stephanie Meurer]]></category>
		<category><![CDATA[Texas]]></category>
		<category><![CDATA[UNICEF]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Vulcano]]></category>
		<category><![CDATA[WE Charity]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=31523</guid>

					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos e Vitória Vulcano Na era dos charts e streamings, a validação de carreiras artísticas facilmente recai em volumes numéricos. Talento, conceitos e estratégias de divulgação se organizam como meras formalidades que devem trabalhar por recordes incansáveis de reproduções, vendas e prêmios. Selena Gomez demorou para perceber essa realidade ingrata da indústria e seus &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/my-mind-me-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "My Mind &#038; Me investiga Selena Gomez pelos olhos da alma"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/my-mind-me-critica/">My Mind &#038; Me investiga Selena Gomez pelos olhos da alma</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31526" aria-describedby="caption-attachment-31526" style="width: 860px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-31526" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4.jpg" alt="Cena do documentário “Selena Gomez: Minha Mente e Eu”. Nela, há Selena Gomez, uma mulher branca de cabelos castanhos, longos e lisos presos em um coque com presilhas pretas, de frente a um grande espelho. Ela veste um body de alcinhas com paetês coloridos e encara seu reflexo à frente do corpo. O espelho está acoplado a uma penteadeira, que tem diversos itens, como pincéis de maquiagem e algodões." width="860" height="573" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4.jpg 860w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31526" class="wp-caption-text">Em Novembro de 2022, a estreia do documentário, na Apple TV+ e em cinemas selecionados, surgiu junto ao lançamento da música-tema homônima (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos e Vitória Vulcano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na era dos </span><a href="https://www.forbes.com/sites/bobbyowsinski/2021/01/17/are-music-charts-a-relic-of-the-past/?sh=6651e649b9eb"><i><span style="font-weight: 400;">charts</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">streamings</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> a validação de carreiras artísticas facilmente recai em volumes numéricos. Talento, conceitos e estratégias de divulgação se organizam como meras formalidades que devem trabalhar por recordes incansáveis de reproduções, vendas e prêmios. </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/selena-gomez/"><span style="font-weight: 400;">Selena Gomez</span></a><span style="font-weight: 400;"> demorou para perceber essa realidade ingrata da indústria e seus impactos no corpo e espírito &#8211; o que a fez entender a relevância de patentear o fluxo da própria história. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=of32sI9jw5Q&amp;t=4s"><i><span style="font-weight: 400;">My Mind &amp; Me</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, primeiro documentário da cantora e atriz, ela, enfim, dá voz aos episódios pessoais e midiáticos que acompanharam sua saúde mental nos últimos seis anos.</span></p>
<p><span id="more-31523"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente projetada para ser um diário da </span><i><span style="font-weight: 400;">Revival Tour</span></i><span style="font-weight: 400;">, a produção começa apresentando os bastidores desse espetáculo avassalador. Em 2016, Gomez não apenas tinha a missão de promover seu </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/3Kbuu2tHsIbplFUkB7a5oE?si=DpDT7FfISb-QvKIMsWVSlg"><span style="font-weight: 400;">segundo álbum de estúdio</span></a><span style="font-weight: 400;">, como estava amarrada à pressão de abandonar a imagem de </span><a href="https://portalpopline.com.br/selena-gomez-lembra-entreguei-vida-disney/"><span style="font-weight: 400;">garota da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, associada ao </span><a href="https://www.lofficielusa.com/pop-culture/selena-gomez-iconic-roles-movies-tv-shows"><span style="font-weight: 400;">extenso currículo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que construiu na empresa durante a infância e adolescência. Seus suspiros entre ensaios e trocas de figurino, momentos em que ela se sente incapaz de incorporar a mágica do palco em si mesma, dão conta de materializar a angústia de quem depende da avaliação dos aplausos para existir plenamente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito antes de admitir os reflexos da rotina frenética em seu bem-estar, apesar de já possuir diagnóstico de </span><a href="https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2022/10/11/selena-gomez-fala-sobre-luta-contra-lupus-em-documentario-entenda-a-doenca.htm"><span style="font-weight: 400;">lúpus</span></a><span style="font-weight: 400;">, a artista pede inúmeras desculpas à equipe responsável pelos shows e, sobretudo, ao presidente de sua gravadora. Enquanto as apresentações ao vivo rodam o mundo, a exaustão física e emocional passa a cobrar satisfações e ultrapassar as portas dos camarins. Em Agosto daquele ano, o </span><a href="https://www.purepeople.com.br/noticia/selena-gomez-cancela-34-shows-incluindo-o-brasil-para-tratar-sintomas-de-lupus_a133362/1"><span style="font-weight: 400;">cancelamento da turnê</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://caras.uol.com.br/musica/selena-gomez-desabafa-sobre-problemas-que-a-afastaram-dos-holofotes-e-saude-mental.phtml"><span style="font-weight: 400;">afastamento midiático</span></a><span style="font-weight: 400;"> da cantora para cuidar da própria saúde estampavam as manchetes de jornais e os tópicos mais comentados das redes sociais. A partir do choque, a dimensão cinematográfica de </span><i><span style="font-weight: 400;">My Mind &amp; Me</span></i><span style="font-weight: 400;"> substitui os holofotes por imagens de Selena Gomez em 2019, no conforto de sua casa, pronta para romper o véu entre passado e presente. </span></p>
<p><figure id="attachment_31525" aria-describedby="caption-attachment-31525" style="width: 838px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31525" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3.jpg" alt="Cena do documentário “Selena Gomez: Minha Mente e Eu”. Nela, há Selena Gomez, uma mulher branca de cabelos castanhos, longos e lisos presos em um rabo de cavalo. Ela veste camiseta branca e olha em direção ao canto direito da imagem, com expressão emocionada no rosto. Ao fundo, espelhos, uma pia e uma mesa branca de um banheiro." width="838" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3.jpg 838w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-800x452.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-768x433.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31525" class="wp-caption-text">“Deixe-me fazer uma promessa. Eu só vou te contar meus segredos mais sombrios. [&#8230;] Tenho que parar de viver assim. Tudo o que eu sempre desejei, eu tive tudo, mas isso me matou” (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">A familiaridade do ambiente impulsiona os desabafos iniciais, que envolvem diagnósticos de depressão, ansiedade e ataques de pânico, além da descoberta do </span><a href="https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2022/12/selena-gomez-entenda-a-bipolaridade-e-a-psicose-condicoes-de-saude-mental-que-afetam-a-atriz.ghtml#:~:text=%E2%80%9CEu%20descobri%20que%20tenho%20um,%E2%80%9D%2C%20disse%20Gomez%20no%20document%C3%A1rio."><span style="font-weight: 400;">transtorno bipolar</span></a><span style="font-weight: 400;">, enfrentados por Gomez. Intensificados por depoimentos de familiares e amigas, episódios que contornaram a imagem pública da artista durante o processo de internação hospitalar, como seu </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/selena-gomez-exibe-cicatriz-de-transplante-com-orgulho/"><span style="font-weight: 400;">transplante emergencial de rim</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o término definitivo com </span><a href="https://portalpopline.com.br/selena-gomez-namoro-justin-bieber-passar-pelo-pior/"><span style="font-weight: 400;">Justin Bieber</span></a><span style="font-weight: 400;">, tomam o fôlego necessário sem interferir no simbolismo do longa, disposto a manter as expectativas externas do lado de fora. Aqui, a protagonista tem todos os traços e dilemas em plano central.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob as lentes do diretor </span><a href="https://capricho.abril.com.br/entretenimento/comprometida-a-mostrar-a-dor-diz-diretor-sobre-selena-em-my-mind-and-me"><span style="font-weight: 400;">Alek Keshishian</span></a><span style="font-weight: 400;"> (do sucesso </span><i><span style="font-weight: 400;">Na Cama com Madonna</span></i><span style="font-weight: 400;">), o documentário, então, opera duas vertentes em potência máxima: a crueza das emoções de Selena Gomez e as nivelações de seu fluxo de consciência. A primeira cresce em constância durante visitas nostálgicas a Grand Prairie, no Texas, onde reside tudo que participou do </span><a href="https://www.estadao.com.br/emais/gente/selena-gomez-revela-nao-tive-uma-infancia-normal/"><span style="font-weight: 400;">crescimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> da cantora, desde a casa em que nasceu desenhando pelas paredes até o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JduELmPyKQk"><span style="font-weight: 400;">reencontro</span></a><span style="font-weight: 400;"> com antigos vizinhos e funcionários de uma das escolas em que estudou. Já a segunda oferece uma viagem aos pensamentos da artista, intercalando à história montagens em preto e branco que mesclam </span><a href="https://personaunesp.com.br/rare-selena-gomez-critica/"><span style="font-weight: 400;">visuais e reflexões íntimas</span></a><span style="font-weight: 400;"> narradas por ela. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Universalmente visíveis, os passos de contemplação e introspecção que rodeiam o documentário são evocados especialmente entre as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cveMH7d7tsQ"><span style="font-weight: 400;">crises dolorosas</span></a><span style="font-weight: 400;"> causadas pelo lúpus e a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Bq7F0pzlaZI"><span style="font-weight: 400;">espiral mental</span></a><span style="font-weight: 400;"> em que a cantora se aprofunda sempre que lida com a própria carreira. A mecanicidade no tratamento que as </span><a href="https://blogfca.pucminas.br/colab/industria-musical-lado-sombrio/"><span style="font-weight: 400;">indústrias musical e midiática</span></a><span style="font-weight: 400;"> direcionam a seus construidores roubam a paixão da artista, que assume se sentir vista como produto constantemente. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Disse para Raquelle </span></i><span style="font-weight: 400;">[sua melhor amiga]</span><i><span style="font-weight: 400;"> que às vezes tenho vontade de largar tudo para poder ser feliz e normal como as outras pessoas</span></i><span style="font-weight: 400;">”, escancara Gomez, em certa altura. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Selena Gomez - My Mind &amp; Me (Film Version)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/NgsENBX-sQQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Os holofotes são familiares à cantora desde os sete anos de idade. E hoje, consagrada, seu reconhecimento para além de suas obras é fruto de uma trajetória ligada não só as Artes, mas também à </span><a href="https://www.estadao.com.br/emais/gente/selena-gomez-apoia-instituicao-brasileira-voltada-a-saude-mental/"><span style="font-weight: 400;">filantropia</span></a><span style="font-weight: 400;">. O que recebíamos como silêncio em 2019 traduziu-se em uma das partes mais emocionantes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Minha Mente e Eu</span></i><span style="font-weight: 400;"> (título da produção no Brasil), que alterna entre o revelador e o relutante. A viagem de Gomez para o Quênia, em parceria com a </span><a href="https://epigram.org.uk/2022/11/17/my-mind-and-me-review/"><i><span style="font-weight: 400;">WE Charity</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">trouxe outra versão de uma personalidade que nem todos conheciam, mais centrada na ação que na divulgação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir de suas experiências como figura pública, que nem sempre foram fáceis, a imagem da artista é intimamente ligada a debates de saúde mental, autoaceitação e padrões estéticos. A expressão de vulnerabilidade nesses cenários é tão natural para Selena quanto os ganchos articulados no documentário, que segue com delicadeza distinta a ternura transbordante da protagonista, mesmo sem explorar seus anos como </span><a href="https://www.unicefusa.org/about-unicef-usa/partnerships/our-supporters/celebrities/selena-gomez"><span style="font-weight: 400;">embaixadora da UNICEF</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e o impacto social provocado pelo lançamento de sua marca, </span><a href="https://www.fastcompany.com/90902908/selena-gomez-rare-beauty-mental-health-advocacy-office"><i><span style="font-weight: 400;">Rare Beauty</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gradativamente, o retorno de Gomez aos palcos após a jornada humanitária </span><span style="font-weight: 400;">compõe um recorte sentimental e pessoal de sua apresentação de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=y1Dkq1aeeNw"><i><span style="font-weight: 400;">Lose You To Love Me</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, criticada no </span><i><span style="font-weight: 400;">American Music Awards </span></i><span style="font-weight: 400;">quatro edições atrás. Território conhecido pela cantora, indicada a Artista do Ano e vencedora do troféu de Melhor Artista Pop-Rock em 2016, a premiação, nas telas, carrega ares assustadores e promissores, equiparando a trajetória extensa e significativa da texana com o tamanho das angústias que encara ao se esforçar para atingir novos marcos.</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">Eventualmente, eu vou estar cansada de tudo isso, então eu provavelmente vou devotar a maior parte da minha vida à filantropia.</span></i></p></blockquote>
<figure id="attachment_31527" aria-describedby="caption-attachment-31527" style="width: 838px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31527" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2.jpg" alt="Cena do documentário “Selena Gomez: Minha Mente e Eu”. Nela, há Selena Gomez, uma mulher branca de cabelos castanhos, longos e lisos presos em um coque bagunçado. Ela veste uma camiseta branca e usa colar de miçangas longo e colorido. Ela está retratada de perfil e sorri em direção ao canto esquerdo da imagem. Ao fundo, vegetações diversas." width="838" height="473" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2.jpg 838w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-800x452.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-768x433.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31527" class="wp-caption-text">A montagem do documentário contou com a colaboração do brasileiro Rodrigo Brazão, que já trabalhou nos filmes O Menino que Descobriu o Vento e A Vida Invisível (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A junção de vídeos amadores, depoimentos, cenas de bastidores, apresentações musicais e relatos de pessoas próximas tece uma obra fluída e dinâmica, surpreendendo com momentos de comoção e ponderação. O contraste &#8211; proposital ou não &#8211; entre os momentos de glória e sofrimento são reforçados por simples transições do </span><a href="https://www.eonline.com/br/news/1351933/selena-gomez-diz-que-seus-erros-do-passado-a-levaram-a-depressao"><span style="font-weight: 400;">passado de Selena Gomez</span></a><span style="font-weight: 400;">, entre sua imagem pública e, até então, privada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Retratando do mundano ao artístico, </span><i><span style="font-weight: 400;">My Mind &amp; Me</span></i><span style="font-weight: 400;"> integra a onda atual de documentários sobre celebridades em destaque íntimo e máximo, garantindo uma indicação a Melhor Roteiro em Programa de Não Ficção no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na categoria, além de </span><i><span style="font-weight: 400;">100 Foot Wave</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">The U.S. and the Holocaust</span></i><span style="font-weight: 400;">, o longa disputa com </span><i><span style="font-weight: 400;">Moonage Daydream</span></i><span style="font-weight: 400;">, odisseia focada em David Bowie, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Dear Mama</span></i><span style="font-weight: 400;">, minissérie sobre Tupac Shakur e sua mãe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da recente </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/tela-plana/emmy-2023-os-grandes-esnobados-das-indicacoes-ao-premio"><span style="font-weight: 400;">fama de esnobada</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela Academia, a atriz tem longo histórico no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> da televisão desde sua participação em </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Feiticeiros de Waverly Place</span></i><span style="font-weight: 400;">, programa nomeado duas vezes como Melhor Série Infantil, até as nomeações mais recentes em Melhor Série Culinária com </span><a href="https://portalpopline.com.br/selena-gomez-e-indicada-ao-emmy-pela-4a-temporada-de-selena-chef/"><i><span style="font-weight: 400;">Selena + Chef</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ela concorre, ainda, a um troféu de Melhor Elenco por </span><a href="https://personaunesp.com.br/only-murders-in-the-building-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Only Murders in the Building</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, série em que é protagonista e produtora executiva.</span></p>
<figure id="attachment_31524" aria-describedby="caption-attachment-31524" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31524" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1.jpg" alt="Cena do documentário “Selena Gomez: Minha Mente e Eu”. Nela, há Selena Gomez, uma mulher branca de cabelos castanhos, longos e levemente ondulados. Ela tem olhos castanhos, tem o rosto em foco e dá um grande sorriso. Ao fundo, um papel de parede preto." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31524" class="wp-caption-text">Atualmente, Selena lidera a Rare Impact Fund, que destina 1% de cada venda realizada pela Rare Beauty a organizações voltadas à causa da saúde mental, e a plataforma Wondermind, que disponibiliza recursos gratuitos da mesma área (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos poucos, a mesma cantora que desafia todas as </span><a href="https://tangerina.uol.com.br/musica/selena-gomez-30-anos-ex-disney/"><span style="font-weight: 400;">expectativas midiáticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e dos ‘selenators’, nome dado aos membros de seu fandom, se reconhece como sua maior adversária na busca por harmonia com a própria mente. Suas confidências nem sempre são acolhidas ou respeitadas por sua equipe ou seus amigos, no entanto, ela não se desvia da vontade de usar sua voz para transmitir uma </span><a href="https://vogue.globo.com/beleza/noticia/2022/11/selena-gomez-fala-sobre-saude-mental-vulnerabilidade-e-seu-novo-documentario.ghtml"><span style="font-weight: 400;">mensagem de esperança</span></a><span style="font-weight: 400;">. Afinal, não é necessariamente melancólico falar sobre saúde mental e é plenamente possível encontrar um caminho de equilíbrio &#8211; embora não seja simples.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a produção de Stephanie Meurer (</span><i><span style="font-weight: 400;">Com Amor, Lizzo</span></i><span style="font-weight: 400;">), Michelle An (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-worlds-a-little-blurry-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Billie Eilish: The World’s a Little Blurry</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e John Janick (</span><i><span style="font-weight: 400;">Olivia Rodrigo: driving home 2 u</span></i><span style="font-weight: 400;">)</span><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">My Mind &amp; Me</span></i><span style="font-weight: 400;"> se firma como a disposição poderosa de toda a sensibilidade à flor da pele que sustenta Selena Gomez. A artista, que tanto inspirou fãs a renovarem a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HHP5MKgK0o8"><span style="font-weight: 400;">bondade</span></a><span style="font-weight: 400;"> no mundo e desfazerem os nós da </span><a href="https://youtu.be/QRSQCN7hmIo?si=5rPRCFKW7sUV7a1G"><span style="font-weight: 400;">vaidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, agora reúne os próprios fantasmas para se reconciliar com sua identidade. Em frente ao espelho da vida, ela não quer perfeição nem apostar alto em suposições, somente se permitir sentir, na alma, as contradições de sua humanidade. </span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">Continuarei lutando, mas estou feliz. Estou em paz. Estou brava. Estou triste. Estou segura. Estou cheia de dúvidas. Sou um trabalho em andamento. Sou o bastante. Sou Selena.</span></i></p></blockquote>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Selena Gomez: My Mind &amp; Me — Official Trailer | Apple TV+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/of32sI9jw5Q?start=4&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/my-mind-me-critica/">My Mind &#038; Me investiga Selena Gomez pelos olhos da alma</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/my-mind-me-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">31523</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Para Andy Warhol, com amor.</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/diarios-de-andy-warhol-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/diarios-de-andy-warhol-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Aug 2022 14:28:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Andrew Rossi]]></category>
		<category><![CDATA[Andy Warhol]]></category>
		<category><![CDATA[Creative Arts Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Diários de Andy Warhol]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Enzo Caramori]]></category>
		<category><![CDATA[Jonas Mekas]]></category>
		<category><![CDATA[Ladies and Gentlemen]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIA]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Direção em Documentário/Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Fotografia em Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Roteiro em Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Série Documental ou de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Pat Hackett]]></category>
		<category><![CDATA[Queer]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Ryan Murphy]]></category>
		<category><![CDATA[Sombras: Andy e Jed]]></category>
		<category><![CDATA[Studio 54]]></category>
		<category><![CDATA[The Factory]]></category>
		<category><![CDATA[Wolfgang Held]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=28471</guid>

					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori As máquinas têm menos problemas. Eu gostaria de ser uma máquina, e você?                                                                                  &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/diarios-de-andy-warhol-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Para Andy Warhol, com amor."</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/diarios-de-andy-warhol-critica/">Para Andy Warhol, com amor.</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28472" aria-describedby="caption-attachment-28472" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28472" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol01.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol01.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol01-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol01-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol01-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol01-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28472" class="wp-caption-text">Com quatro indicações no <a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2022/">Emmy 2022</a>, The Andy Warhol Diaries concorre na categoria de Melhor Série Documental ou de Não-Ficção (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">As máquinas têm menos problemas. Eu gostaria de ser uma máquina, e você?</span></i><span style="font-weight: 400;">                                                                                                                                       – Andy Warhol</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre retratos formais da teoria da Arte, colunas em páginas de fofoca e imagens em </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2012/02/especialista-diz-que-andy-warhol-seria-viciado-em-twitter-e-facebook.html"><i><span style="font-weight: 400;">threads</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> explicativas</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre existiu o dilema de </span><a href="https://revolverwarholgallery.com/all-abou"><span style="font-weight: 400;">quem era Andy Warhol</span></a><span style="font-weight: 400;">. Para muitos, a resposta pode ser simples e se resumir nos símbolos que ele construiu a si mesmo – como a famosa e espalhafatosa peruca branca. Essa era a pretensão de um homem que se tornou um ícone, que, diante da mídia, não abria espaço para nada além de uma leitura superficial de sua obra – uma ilustração aparentemente objetiva da sociedade de consumo – e de sua excêntrica personalidade. </span></p>
<p><span id="more-28471"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">‘‘Querer ser uma máquina’’</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a representação dessa vontade de reduzir-se a sua criação e não deixar que suas tantas fragilidades escapassem. Nisso, a minissérie documental </span><a href="https://dasartes.com.br/de-arte-a-z/netflix-lanca-serie-sobre-andy-wahrol/"><i><span style="font-weight: 400;">Diários de Andy Warhol</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em outro eterno dilema de respeitar ou não as pretensões de um artista, tanto o desagradaria quanto o satisfaria. Utilizando-se do próprio diário de Warhol, os seis episódios constroem uma espécie de leitura orientada de suas palavras, entoadas por uma </span><a href="https://gizmodo.uol.com.br/como-a-voz-de-andy-warhol-foi-ressuscitada-por-ia-na-serie-da-netflix/"><span style="font-weight: 400;">inteligência artificial</span></a><span style="font-weight: 400;"> que recria e dá voz tanto às intimidades quanto a fatos comuns e banais de sua vida cotidiana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além de ser um documentário que busca os ineditismos da vida biografada, a série, produzida por </span><a href="https://www.dazeddigital.com/film-tv/article/55536/1/ryan-murphy-brings-andy-warhol-back-to-life-in-netflix-docuseries-trailer"><span style="font-weight: 400;">Ryan Murphy</span></a><span style="font-weight: 400;"> e distribuída pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, é um atestado da subjetividade de uma figura tão impenetrável da sociedade norte-americana. A cinematografia, se dispondo de trechos de filmes – tanto de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YoQYbMcyJs0"><span style="font-weight: 400;">autoria de Warhol</span></a><span style="font-weight: 400;"> como, por exemplo, de seu amigo </span><a href="https://mubi.com/pt/films/scenes-from-the-life-of-andy-warhol-friendships-and-intersections"><span style="font-weight: 400;">Jonas Mekas</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, é um fluxo de memórias que cria pontes entre a biografia do artista e seus trabalhos. Nessa fissura de quem seria Andy Warhol e quem seria Andrew Warhola – gay</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">filho de imigrantes, abraçado pelo frenesi</span> <span style="font-weight: 400;">de Nova York nos anos 1960 – é que reside a vulnerabilidade e a melancolia que permeiam os episódios dirigidos por Andrew Rossi. </span></p>
<figure id="attachment_28473" aria-describedby="caption-attachment-28473" style="width: 915px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28473" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol02.jpg" alt="Na imagem, encontra-se a reprodução dupla, lado ao lado, da foto, em preto e branco, que consta no passaporte de Andy Warhol, enquadrada em um fundo branco. A foto da esquerda mostra Andy, vestindo um paletó acinzentado, com uma camisa branca e uma gravata escura. Seus cabelos são ralos e bem arrumados e ele utiliza óculos redondos pretos. Na foto da direita, consta a mesma fotografia, no entanto, ela está rabiscada com lápis preto, dando mais volume ao cabelo de Warhol e contornando seu nariz, para que haja a impressão dele ser mais fino." width="915" height="550" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol02.jpg 915w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol02-800x481.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol02-768x462.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28473" class="wp-caption-text">Rossi preferiu a inteligência artificial que imitasse a voz de Warhol do que a utilização das gravações das ligações em que o artista ditava os escritos a Pat Hackett (Foto: The Andy Warhol Museum)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diário, datilografado e editado pela jornalista Pat Hackett, de 1976 até a morte do ‘papa da</span><i><span style="font-weight: 400;"> pop art</span></i><span style="font-weight: 400;">’, em 1987, é o fio condutor cronológico e temático da minissérie. Contudo, não é apenas a voz robotizada de Andy que prevalece nessa procura de sua identidade. Em entrevistas, testemunhos de </span><a href="https://www.interviewmagazine.com/art/photographer-chris-makos-takes-us-inside-andy-warhols-inner-circle"><span style="font-weight: 400;">amigos próximos</span></a><span style="font-weight: 400;">, como Debbie Harry – a eterna </span><a href="https://personaunesp.com.br/cena-new-wave/"><span style="font-weight: 400;">Blondie</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, de estudiosos da obra de Warhol e também de figuras que não eram exatamente próximas do artista, como o diretor de cinema </span><a href="https://www.interviewmagazine.com/film/that-time-john-waters-and-andy-warhol-unknowingly-parodied-jfks-assassination-at-the-same-time"><span style="font-weight: 400;">John Waters</span></a><span style="font-weight: 400;">, evidenciam o impacto do falso loiro na efervescência cultural estadunidense por quase três décadas. A diferença do teor com que os depoimentos descreviam Andy, ora com a seriedade de um objeto de estudo ou relembrado meio a lágrimas, contribuem para a formação dessa imagem tão complexa e performada pelo artista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por trás dessas duas dimensões, sempre em tensão pelo decorrer dos episódios, </span><a href="https://deadline.com/2022/08/the-andy-warhol-diaries-netflix-documentary-series-director-andrew-rossi-interview-news-1235087070/"><i><span style="font-weight: 400;">The Andy Warhol Diaries</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> – </span></i><span style="font-weight: 400;">título original da série – vai construindo sua própria perspectiva acerca do artista, em que se ressalta suas vivências enquanto um homem gay em conflito com sua sexualidade. Dar lugar à </span><a href="https://awardsradar.com/2022/08/22/interview-the-andy-warhol-diaries-director-andrew-rossi-on-the-decade-plus-journey-documenting-an-artists-life/"><span style="font-weight: 400;">humanidade de Warhol</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz com que se entenda sua persona pública enquanto um escudo contra a suas próprias inseguranças e contra os ataques da cultura que ele tanto ajudou a construir.</span></p>
<figure id="attachment_28474" aria-describedby="caption-attachment-28474" style="width: 755px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28474" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol03.jpg" alt="A imagem está em preto e branco, e contém dois fragmentos de fotografia. No primeiro, Andy Warhol usa uma blusa de gola alta preta, e um óculos arredondado preto; ele é um homem branco, de olhos escuros, com sobrancelhas retas e grossas, e com cabelo claro e curto. No segundo fragmento, Andy Warhol usa uma blusa branca, e está de maquiagem; ele usa batom, sombra cintilante, e cílios postiços, suas sobrancelhas aparecem finas e arqueadas. As duas imagens são justapostas, em cima de um papel branco, e costuradas, numa linha reta que atravessa verticalmente suas bordas. O segundo fragmento está mais rasgado, enquanto o primeiro está mais reto." width="755" height="700" /><figcaption id="caption-attachment-28474" class="wp-caption-text">A minissérie toma posse dos arquivos pessoais do artista para entender as formas de reinvenção desse ícone do mundo da Arte Contemporânea (Foto: Daniel Cooney Fine Art)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Seja na necessidade de reinventar a si mesmo pelos ambientes de expressão  que ele mesmo criou – como a </span><i><span style="font-weight: 400;">The Factory, </span></i><span style="font-weight: 400;">seu estúdio de criação e o berço da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">underground</span></i><span style="font-weight: 400;"> americana – Warhol era um modelo e um exemplo nacional do que era ser </span><a href="https://www.warhol.org/lgbtq/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">, ainda mais em um contexto de repressão dessas identidades. Mesmo que a sexualidade não fosse um recurso de sua performatividade no mundo das galerias e museus, o artista sabia como colocar as pessoas que brincavam com essa construção </span><a href="https://www.nbcnews.com/feature/nbc-out/warhol-exhibit-explores-roles-gender-sexuality-his-life-art-n1236516"><span style="font-weight: 400;">em um pedestal</span></a><span style="font-weight: 400;"> por meio de </span><a href="https://revolverwarholgallery.com/presence-and-absence-andy-warhols-sexual-identity-as-seen-in-his-body/"><span style="font-weight: 400;">suas obras</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu registro de lendas da história </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, como </span><a href="https://www.papelpop.com/2022/08/hari-nef-vai-estrelar-filme-biografico-de-candy-darling-musa-de-andy-warhol/"><span style="font-weight: 400;">Candy Darling</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Marsha P. Johnson, suas experiências com a </span><a href="https://www.dazeddigital.com/art-photography/article/55980/1/chris-makos-rarely-seen-portraits-of-andy-warhol-in-drag"><span style="font-weight: 400;">arte </span><i><span style="font-weight: 400;">drag</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e suas </span><a href="https://www.interviewmagazine.com/art/andy-warhol-the-pomp-and-circumstance-of-nudie-drawings"><span style="font-weight: 400;">ilustrações</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.interviewmagazine.com/art/andy-warhol-photography-jack-shainman-chelsea"><span style="font-weight: 400;">fotografias</span></a><span style="font-weight: 400;"> homoeróticas eram uma tentativa de expressar sua própria identidade com o papel aparentemente impessoal de sua produção. Seja por surfar nas ondas da liberação sexual das baladas dos anos 1970, como a frenética </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/noticia/2020/02/studio-54-casa-noturna-de-libertacao-para-o-corpo-e-para-mente.html"><span style="font-weight: 400;">Studio 54</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou por ser quase que um mecenas aos novos artistas que surgiam na cena, como Keith Haring e David Lachapelle, Andy nunca se deixou de ser influenciado por essa coletividade. Todavia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Diários de Andy Warhol</span></i><span style="font-weight: 400;"> não deixa de abordar criticamente o </span><a href="https://amlatina.contemporaryand.com/pt/editorial/andy-warhol-black-trans-sitters/"><span style="font-weight: 400;">espaço de poder</span></a><span style="font-weight: 400;"> ocupado por Warhol frente a grupos marginalizados dentro de sua própria comunidade, principalmente no </span><i><span style="font-weight: 400;">backstage </span></i><span style="font-weight: 400;">da produção das pinturas da série </span><a href="https://www.tate.org.uk/art/artists/andy-warhol-2121/ladies-and-gentlemen"><i><span style="font-weight: 400;">Ladies and Gentlemen</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i></p>
<figure id="attachment_28475" aria-describedby="caption-attachment-28475" style="width: 1501px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28475" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04.png" alt="autorretrato de Andy Warhol, em foto polaroid. Em um fundo branco, Andy direciona seu olhar para baixo. Seus olhos são escuros, suas sobrancelhas pretas. Usa uma peruca loira lisa e penteada. Seu rosto é envelhecido. Veste uma camiseta azul clara, onde é possível se ler ‘Andy Warhol’, em letras cursivas pretas. As bordas da fotografia são brancas" width="1501" height="2252" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04.png 1501w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04-533x800.png 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04-683x1024.png 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04-768x1152.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04-1024x1536.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04-1365x2048.png 1365w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04-1200x1800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28475" class="wp-caption-text">O retrato construído por Rossi em The Andy Warhol Diaries não glorifica o artista, mas prefere ressaltar suas contradições (Foto: Vogue França)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte da constante afirmação de Rossi e dos entrevistados quanto a importância da sexualidade na trajetória de Andy vem no intuito de mostrar que sua história, como tantas outras narrativas </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, é atravessada pelo anseio de reconhecimento e visibilidade. Suas inquietações, que remontam a uma </span><a href="https://dasartes.com.br/colunas/alto-falante/andy-catholic-warhol/"><span style="font-weight: 400;">formação católica</span></a><span style="font-weight: 400;"> na infância e a uma percepção depreciativa de si mesmo, se resumiam a necessitar </span><a href="https://www.papermag.com/the-andy-warhol-diaries-netflix-2656827905.html?rebelltitem=5#rebelltitem5"><span style="font-weight: 400;">vínculos de proximidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que não eram supridos por sua obsessão com o sistema da fama estadunidense.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No segundo episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sombras: Andy e Jed, </span></i><span style="font-weight: 400;">para contar sobre Andy Warhol e seu assistente </span><a href="https://www.interviewmagazine.com/culture/meet-jed-johnson-the-man-who-stole-andy-warhol-heart"><span style="font-weight: 400;">Jed Johnson</span></a><span style="font-weight: 400;">, Rossi dispõe de filmes caseiros de viagens, festas de fim de ano, ou simplesmente gravações do cotidiano para construir a sensação de intimidade dessa relação. Na análise dos diários e dos testemunhos, se pontua o medo de Warhol em querer viver relações afetivas de longo prazo com seu parceiro, em um contexto em que o amor e a possibilidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo era absurda, se não mesmo condenada socialmente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tanto em suas paixões com Johnson quanto com a sincera </span><a href="https://www.vanityfair.com/style/2019/07/andy-warhol-jean-michel-basquiat-friendship-book"><span style="font-weight: 400;">amizade e parceria</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o artista </span><a href="https://piseagrama.org/altares-do-sacrificio/"><span style="font-weight: 400;">Jean Michel Basquiat</span></a><span style="font-weight: 400;">, o arquivo pessoal é a linguagem mais própria para fazer o espectador mergulhar no universo de afetividades revelado pela minissérie. Os vídeos, muitas vezes gravados pelo próprio artista que inspira a produção, são registros sem a pretensão de posteridade, sendo apenas a captura imediata da ternura desses laços com brutal honestidade. Assim como as </span><a href="https://www.dobrasvisuais.com.br/2010/04/andy-warhol-e-a-fotografia/"><span style="font-weight: 400;">fotografias</span></a><span style="font-weight: 400;"> que auxiliam ilustrar os excertos do diário, esse recurso engrandece o conteúdo emocional e documental dessas relações nos episódios. Não à toa, a obra conquistou indicações ao </span><a href="https://www.emmys.com/shows/andy-warhol-diaries"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2022 nas categorias Melhor Direção em Documentário/Programa de Não-Ficção, Melhor Roteiro em Programa de Não-Ficção – ambos para Andrew Rossi –, e Melhor Fotografia em Programa de Não-Ficção, para o Diretor de Fotografia Wolfgang Held, além da menção como Melhor Série Documental ou de Não-Ficção.</span></p>
<figure id="attachment_28476" aria-describedby="caption-attachment-28476" style="width: 1094px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28476" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol05.jpg" alt="composição, em sete colunas e cinco linhas, de fotos polaroids, tiradas por Andy Warhol, de diferentes figuras da cultura pop. Em todos os retratos, prevalece o fundo branco, juntamente de bordas brancas. Entre as figuras mais conhecidas, constam Mick Jagger, Debbie Harry, Truman Capote e Robert Mapplethorpe." width="1094" height="786" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol05.jpg 1094w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol05-800x575.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol05-1024x736.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol05-768x552.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28476" class="wp-caption-text">A obsessão do artista com a fama e a audiência era o motivo de seu extenso círculo social (Foto: Vogue Brasil)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da série cumprir o esforço em desfazer a máscara pública de Andy Warhol e centrar-se essencialmente em sua pessoa, a junção dos diários e dos relatos compõem o retrato do espírito do tempo dos anos 1960, 70 e 80 da sociedade norte-americana. Da contracultura e do cinema alternativo até a </span><a href="https://www.artsy.net/article/artsy-editorial-mtv-andy-warhol-broke-rules"><i><span style="font-weight: 400;">MTV</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, as percepções warholianas conseguiam traçar todos os movimentos mutantes</span> <span style="font-weight: 400;">do que era a </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2018/08/5-fatos-que-explicam-o-impacto-de-andy-warhol-na-cultura-pop.html"><span style="font-weight: 400;">cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Não se restringindo apenas no que está atrás da peruca loira, a série traz uma vasta lista de outros personagens como </span><a href="https://www.warhol.org/exhibition/a-taste-of-grace/"><span style="font-weight: 400;">Grace Jones</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.dazeddigital.com/artsandculture/article/33777/1/your-ultimate-guide-to-andy-warhol#:~:text=Y%20IS%20FOR,at%20his%20funeral."><span style="font-weight: 400;">o casal John Lennon e Yoko Ono</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://glamurama.uol.com.br/notas/liza-minnelli-vende-um-dos-retratos-que-ganhou-de-andy-warhol-por-mais-de-r-26-milhoes/#:~:text=Getty%20Images%2FReprodu%C3%A7%C3%A3o-,Liza%20Minnelli%20vende%20um%20dos%20retratos%20que%20ganhou%20de%20Andy,mais%20de%20R%24%2026%20milh%C3%B5es&amp;text=A%20fim%20de%20comprar%20uma,quadros%20assinados%20pelo%20artista%20americano."><span style="font-weight: 400;">Liza Minnelli,</span></a> <a href="https://www.phaidon.com/agenda/art/articles/2016/march/24/warhol-on-mapplethorpe/"><span style="font-weight: 400;">Robert Mapplethorpe</span></a><span style="font-weight: 400;">, e </span><a href="https://personaunesp.com.br/halston-critica/"><span style="font-weight: 400;">Roy Halston</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses artistas, que transitam pelos mesmos locais que Warhol, também ecoam na trilha sonora da série, que une do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">oitentista majestoso de Diana Ross ao</span><i><span style="font-weight: 400;"> rock </span></i><span style="font-weight: 400;">tímido e apaixonado de </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2021/#:~:text=Snail%20Mail%20%E2%80%93%20Valentine,Sailing)%20e%20Madonna"><span style="font-weight: 400;">Snail Mail</span></a><span style="font-weight: 400;">. Diferentemente de outras produções documentais, em que a música tem uma função meramente ambiente, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Diários </span></i><span style="font-weight: 400;">ela assume um </span><a href="https://wyep.org/feature/the-connection-between-andy-warhol-and-music/"><span style="font-weight: 400;">papel central</span></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">uma vez que Andy teve sua contribuição para definição de grupos e artistas agora lendários, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-velvet-underground-nico/"><span style="font-weight: 400;">The Velvet Underground</span></a><span style="font-weight: 400;">, Rolling Stones e </span><a href="https://warholcoverart.com/2017/06/20/the-smiths-the-complete-flesh-picture/"><span style="font-weight: 400;">The Smiths</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em termos da adaptação do diário às telinhas, </span><i><span style="font-weight: 400;">The</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Andy Warhol Diaries</span></i><span style="font-weight: 400;"> utiliza de dublês para contribuir em encenações dramáticas de passagens do livro, além de, assim como Hackett, incluir sucessivas contextualizações de acontecimentos marcantes da vida de Andy. Desde o atentado cometido por </span><a href="https://medium.com/@isabela.jaha/voc%C3%AA-gostaria-de-ser-lembrado-como-a-mulher-que-atirou-em-andy-warhol-dbf675902cb5"><span style="font-weight: 400;">Valerie Solanas</span></a><span style="font-weight: 400;"> até situações sócio-políticas como a luta de direitos pelas mulheres nos anos 60, a ascensão do conservadorismo de </span><a href="https://www.tate.org.uk/art/artists/andy-warhol-2121/me-and-andy-warhol-and-ronald-reagan"><span style="font-weight: 400;">Ronald Reagan</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://www.warhol.org/warhols-confession-love-faith-and-aids/"><span style="font-weight: 400;">medo generalizado da HIV</span></a><span style="font-weight: 400;">, ressoam em sua sensibilidade, tanto por registros do diário quanto pela simbologia em sua obra.</span></p>
<figure id="attachment_28477" aria-describedby="caption-attachment-28477" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28477" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06.jpg" alt="foto preto e branco de Andy Warhol, enrolado na bandeira dos Estados Unidos. Usa óculos redondos de arame e sua característica peruca loira, enquanto sua mão, segurando um grande pincel preto, pinta outra faixa, provavelmente azul, na parte branca da bandeira. O fundo é escuro." width="1500" height="2271" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06-528x800.jpg 528w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06-676x1024.jpg 676w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06-768x1163.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06-1015x1536.jpg 1015w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06-1353x2048.jpg 1353w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06-1200x1817.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28477" class="wp-caption-text">Muito da obsessão de Andy com a cultura capitalista vem na tentativa de, como descendente de imigrantes, sentir-se pertencente aos ideais de liberdade dos Estados Unidos (Foto: Interview Magazine)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://awardsradar.com/2022/08/22/interview-the-andy-warhol-diaries-director-andrew-rossi-on-the-decade-plus-journey-documenting-an-artists-life/"><span style="font-weight: 400;">abordagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> da minissérie entende os escritos datilografados por Hackett como o gesto artístico final do artista que, de certa maneira, é a antítese de toda a impessoalidade presumida de sua obra.  Tanto os episódios quanto as passagens dos dias no diário cumprem o papel de colecionar os fatos de sua </span><a href="https://www.independent.com/2022/08/21/review-emmy-preview-the-andy-warhol-diaries/#:~:text=Overall%2C%20the%20series,a%20narrative%20automation."><span style="font-weight: 400;">vida privada</span></a><span style="font-weight: 400;">: dos gastos de uma semana aos sentimentos desoladores da solidão, da autodepreciação, de latente desejo erótico reprimido e da falta de reciprocidade, munidos por querer se entender enquanto </span><a href="https://www.goldderby.com/feature/andrew-rossi-the-andy-warhol-diaries-director-writer-video-interview-1205026408/"><span style="font-weight: 400;">digno de afeto</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De volta às perguntas sem respostas, entender as pretensões do diário de Warhol é um enigma que nunca será desvendado, assim como captar o real em sua vida é um </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-features/andy-warhol-diaries-netflix-artist-queer-legacy-1235168140/"><span style="font-weight: 400;">objetivo a nunca ser cumprido</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nas falas dos entrevistados, existem diferentes retratos desse artista que existiu conjuntamente em quase todos os patamares da cultura e da </span><a href="https://galoa.com.br/blog/andy-warhol-o-sociologo-pictorico-imagens-em-massa-e-mecanismos-da-celebridade/"><span style="font-weight: 400;">sociedade estadunidense</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, o </span><a href="https://twitter.com/a_rossi/status/1502135191975993346?s=20&amp;t=Hre-fgZRG2g1_JdZcGAdAQ"><span style="font-weight: 400;">dever dessa produção</span></a><span style="font-weight: 400;">, indicada ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> da TV, não é chegar à verdade sobre Warhol, mas sim destacar o que foi omitido dos que pensaram que essa verdade existe. É engrandecer os receios, as paixões e as feridas de um homem </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> e de seus desejos dissidentes, colocados no centro da reprodução dessas memórias. É firmar a beleza e a dor de sua biografia, ainda mais quando o cânone da Arte faz questão de apagar essa história das páginas de seus livros. Por fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Diários de Andy Warhol </span></i><span style="font-weight: 400;">não passa de uma </span><a href="https://twitter.com/a_rossi/status/1502135191975993346?s=20&amp;t=Hre-fgZRG2g1_JdZcGAdAQ"><span style="font-weight: 400;">carta de amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> para todo o sentimento guardado no peito.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Andy Warhol Diaries (From Executive Producer Ryan Murphy) | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/aeC76ncf66w?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/diarios-de-andy-warhol-critica/">Para Andy Warhol, com amor.</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/diarios-de-andy-warhol-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">28471</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Allen contra Farrow e os ídolos que criamos</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/allen-contra-farrow-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/allen-contra-farrow-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Sep 2021 22:35:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>
		<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[Allen v. Farrow]]></category>
		<category><![CDATA[Amy Ziering]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Doc]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Dylan Farrow]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy 2021]]></category>
		<category><![CDATA[Famosos]]></category>
		<category><![CDATA[HBO]]></category>
		<category><![CDATA[HBO Max]]></category>
		<category><![CDATA[Kirby Dick]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Direção em Documentário/Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Edição de Som em Reality ou Programa de Não-Ficção (Única ou Múltiplas Câmeras)]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Montagem em Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Roteiro em Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Série Documental ou de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Mia Farrow]]></category>
		<category><![CDATA[Mikaela Shwer]]></category>
		<category><![CDATA[Minissérie]]></category>
		<category><![CDATA[Minissérie Documental]]></category>
		<category><![CDATA[Parker Laramie]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Sara Newens]]></category>
		<category><![CDATA[Série documental]]></category>
		<category><![CDATA[Soon-Yi Previn]]></category>
		<category><![CDATA[TV]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Woody Allen]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=22984</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva No dia 18 de agosto de 1992, o cineasta Woody Allen convocou uma coletiva de imprensa no saguão do The Plaza Hotel, em Nova York, para confirmar que estava tendo um romance com a jovem Soon-Yi Previn. Para quem esse nome possa soar desconhecido, a coreana é a filha adotiva da atriz Mia &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/allen-contra-farrow-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Allen contra Farrow e os ídolos que criamos"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/allen-contra-farrow-critica/">Allen contra Farrow e os ídolos que criamos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22985" aria-describedby="caption-attachment-22985" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22985 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2848.jpg" alt="A imagem é uma foto de Woody Allen e Mia Farrow segurando no colo, respectivamente, Dylan e Ronan Farrow." width="1200" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2848.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2848-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2848-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2848-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22985" class="wp-caption-text">A série documental da HBO concorre em 7 categorias no Emmy 2021 (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 18 de agosto de 1992, o cineasta Woody Allen convocou uma coletiva de imprensa no saguão do The Plaza Hotel, em Nova York, para confirmar que estava tendo um romance com a jovem Soon-Yi Previn. Para quem esse nome possa soar desconhecido, a coreana é a filha adotiva da atriz Mia Farrow, que também era namorada de Allen até o ocorrido. Esse fator quase transposto de uma </span><a href="https://observatoriodatv.uol.com.br/critica-de-tv/apesar-do-texto-pouco-sutil-verdades-secretas-envolve-o-publico-com-trama-sedutora"><span style="font-weight: 400;">novela de Walcyr Carrasco</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi apenas o estopim de uma batalha que perdura anos, e é retratada na série documental </span><i><span style="font-weight: 400;">Allen contra Farrow</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-22984"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigida por Kirby Dick e Amy Ziering, parte desse princípio para apresentar uma narrativa por vezes </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/dylan-farrow-rebate-carta-aberta-de-woody-allen-nada-que-ele-diga-ou-escreva-pode-mudar-verdade/"><span style="font-weight: 400;">ressoada na mídia</span></a><span style="font-weight: 400;">, já atravessando milhares de versões e reviravoltas. Voltando um pouco mais na </span><a href="https://www.ofuxico.com.br/noticias/criamos-a-linha-do-tempo-do-documentario-allen-contra-farrow/"><span style="font-weight: 400;">linha do tempo</span></a><span style="font-weight: 400;">, o primeiro episódio começa apresentando o início do relacionamento entre Mia e Woody, que resultou em um aspecto quase conjugal, em que o aclamado diretor aceita adotar uma filha junto à ela, mas que ficaria sob total responsabilidade da atriz. Assim, Mia, que já era mãe de sete, encontra a pequena Dylan, uma garotinha perfeita para realizar as tais idealizações de seu futuro &#8220;pai&#8221;. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenrolar da trama passa a se tornar um verdadeiro pesadelo. Diversas fontes próximas à família se juntam aos relatos de Mia e Dylan para retratar a obsessiva relação do pai com a filha, e os breves indícios de um perfil perverso do amável diretor. Mas a tendência que a narrativa segue é brevemente interrompida por uma nova revelação, nem tão surpreendente para quem já tem acompanhado a história aqui do lado de fora, em que Mia encontra fotos sensuais da filha Soon-Yi no apartamento do seu até então namorado.</span></p>
<figure id="attachment_22988" aria-describedby="caption-attachment-22988" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22988 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/naom_6048a5a24a02c.jpg" alt="A imagem é uma foto de Mia Farrow e Woody Allen." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/naom_6048a5a24a02c.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/naom_6048a5a24a02c-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/naom_6048a5a24a02c-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/naom_6048a5a24a02c-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/naom_6048a5a24a02c-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/naom_6048a5a24a02c-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22988" class="wp-caption-text">Além do namoro de 12 anos, Mia Farrow também participou de vários filmes do diretor, entre eles A Era do Rádio e Hannah e Suas Irmãs (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Junto ao fio condutor tecido pela família ao longo dos quatro episódios, somam-se os olhares de críticos e admiradores da obra de Allen. Daqueles que conseguem formular claramente a adoração pelo diretor, pela forma como ele retrata a Grande Maçã estadunidense, pela identificação com seu jeito desengonçado e humanizador, e pelo jeito que expressa suas personagens mulheres &#8211; sim, claro, as mulheres! </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E em sua própria obra também emergem evidências do seu comportamento questionável, como pela insistente representação de relacionamentos entre um homem mais velho e uma mulher jovem, o tal personagem masculino da relação por muitas vezes sendo ele próprio &#8211; mas isso também só pode ser um fruto do acaso -, como exemplificado na sua aclamada produção </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JEoEGW4Hb9w"><i><span style="font-weight: 400;">Manhattan</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como se ter um caso com a sua enteada de 21 anos já não dissesse muito sobre o caráter do nova iorquino, a revelação que segue consegue ser ainda mais tenebrosa: o suposto </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/03/08/filha-de-woody-allen-tudo-foi-usado-contra-mim-em-denuncia-de-abuso.htm#:~:text=Filha%20de%20Woody%20Allen%3A%20'Tudo,mim'%20em%20den%C3%BAncia%20de%20abuso&amp;text=Dylan%20Farrow%20relembrou%20o%20processo,tinha%20sete%20anos%20de%20idade."><span style="font-weight: 400;">abuso sexual de Woody Allen</span></a><span style="font-weight: 400;"> a sua filha Dylan Farrow, quando esta tinha 7 anos de idade. E aqui deixo como suposto pelo caso nunca ter resultado em uma investigação policial de fato, mas o desenrolar deste capítulo tenebroso fica para o minutos desenvolvidos na própria produção. </span></p>
<figure id="attachment_22987" aria-describedby="caption-attachment-22987" style="width: 1296px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22987 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/allen-v-farrow-fitas.jpg" alt="A imagem é uma foto de Moses Farrow, Soon-Yi Previn e Woody Allen, que estão de mãos dadas com Dylan Farrow." width="1296" height="730" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/allen-v-farrow-fitas.jpg 1296w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/allen-v-farrow-fitas-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/allen-v-farrow-fitas-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/allen-v-farrow-fitas-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/allen-v-farrow-fitas-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22987" class="wp-caption-text">Woody Allen e Soon-Yi Previn, pais adotivos de 2 filhos, estão juntos até hoje (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Eis uma guerra instaurada: os relatos da jovem Dylan contra a clemência de Allen por sua inocência. Mas este não se atreve a tentar contrapor os argumentos de uma criança, jogando toda a carga do ocorrido nas costas de Mia, como uma suposta manipuladora por ter ciúmes da </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/03/23/em-autobiografia-woody-allen-explica-como-comecou-namoro-com-enteada.htm"><span style="font-weight: 400;">relação do ex-namorado com Soon-Yi</span></a><span style="font-weight: 400;"> (que, mais uma vez, era sua filha). A mídia compra essa versão, os fãs também, e a comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiana </span></i><span style="font-weight: 400;">mais ainda. Allen não é investigado, muito menos linchado pela sociedade. Ele permanece desfrutando da sua liberdade, enquanto levemente sustenta um relacionamento saudável com sua ex-enteada e uma acusação de abuso infantil. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato é que ninguém é capaz de duvidar de um senhor indefeso e aparentemente dócil como Allen, muito menos alguém dono de produções tão potentes e que conversam tanto com diferentes tipos de público. E assim a história se discorre, Mia se torna <a href="https://revistamonet.globo.com/Celebridades/noticia/2021/02/atriz-mia-farrow-diz-que-grande-arrependimento-da-sua-vida-foi-ter-deixado-woody-allen-entrar-para-familia.html">incapaz de continuar atuando em solo estadunidense</a>, ao passo que Allen tem o amor da opinião pública e os demais prazeres que um homem branco e bem sucedido é capaz de gozar vivendo em sociedade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse retrato permanece não apenas por minutos, como se passam na série, mas por anos. A acusação se deu em 1992, e, desde então, Woody Allen já teve 8 indicações e 1 vitória no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, 3 indicações e 1 vitória no Globo de Ouro, e 26 filmes lançados. Isso não parece soar nem um pouco como alguém sofrendo as consequências de qualquer ato que seja. </span></p>
<figure id="attachment_22986" aria-describedby="caption-attachment-22986" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22986 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/allenvfarrow.jpg" alt="A imagem é uma cena do documentário, em que Dylan Farrow está dando um depoimento." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/allenvfarrow.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/allenvfarrow-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/allenvfarrow-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/allenvfarrow-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22986" class="wp-caption-text">Mesmo em meio às acusações, Woody Allen ainda tem uma legião de defensores em Hollywood, com nomes como Alec Baldwin e Javier Bardem (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Há quem afirme que a produção escuta apenas um lado da história, e de fato é o que acontece, mas não pela falta de tentativas em se contatar o outro, como assim é reforçado ao final de cada episódio. Ao mesmo tempo, é interessante observar como não há evidências suficientes no mundo quando o assunto em questão é a condenação de um homem poderoso. Não bastam os <a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/dylan-farrow-da-detalhes-sobre-acusacao-de-abuso-sexual-contra-o-pai-o-cineasta-woody-allen.ghtml">depoimentos e traumas</a> revirados por uma criança de 7 anos, nem os relatos de pessoas próximas, muito menos a opinião de profissionais, ou as milhares de falas e posicionamentos machistas e repugnantes de Allen, que ele nem se esforça em disfarçar em suas entrevistas ou nas conversas gravadas ao telefone.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Allen contra Farrow </span></i><span style="font-weight: 400;">é sim uma produção parcial, mas foca no olhar de uma jovem que teve sua voz calada </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/02/cultura/1391308435_615844.html"><span style="font-weight: 400;">por mais de 20 anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e viu suas relações familiares e amorosas serem massacradas por um rolo compressor, enquanto assistia o seu abusador andar em tapetes vermelhos e </span><a href="http://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2014/01/woody-allen-falta-em-homenagem-no-globo-de-ouro-2014.html"><span style="font-weight: 400;">receber homenagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> como se fosse o homem mais genial do universo. A mesma jovem que só pôde observar o </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/cancelado-nos-eua-novo-filme-de-woody-allen-chega-ao-brasil-24074834"><span style="font-weight: 400;">início da queda</span></a><span style="font-weight: 400;"> do mesmo há pouco tempo, e muito longe de ser o fim. </span></p>
<figure id="attachment_22990" aria-describedby="caption-attachment-22990" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22990 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Screenshot-2969.png" alt="A imagem é uma foto de 9 dos filhos de Mia Farrow." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Screenshot-2969.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Screenshot-2969-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Screenshot-2969-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Screenshot-2969-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Screenshot-2969-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22990" class="wp-caption-text">Mãe de 14 filhos, Mia Farrow já <a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/04/01/mia-farrow-detalha-morte-dos-tres-filhos-apos-surgimento-de-rumores-online.htm">sofreu a perda</a> de três deles: Tam, Lark e Thaddeus (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E é mais do que simbólico que essa derrocada tenha se discorrido com a crescente </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-assistente-critica/"><span style="font-weight: 400;">onda do </span><i><span style="font-weight: 400;">Me Too</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em que foi necessário unir forças de centenas de mulheres para </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-41601385"><span style="font-weight: 400;">derrubar um dos maiores magnatas de Hollywood</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ou seja, Dylan Farrow sozinha jamais será capaz de realizar o mesmo com a monstruosidade do seu pai. Tal fato é concretizado na fala da psicóloga Anna Salter durante a produção: </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;O público é muito severo com criminosos sexuais, contanto que eles estejam longe e não tenham carisma”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conteste pelas contradições presentes na história ou pela falta de evidências. Mas se apenas provas fossem realmente suficientes Johnny Depp não estaria ainda </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/2020/11/apos-demissoes-johnny-depp-tem-filme-para-voltar-ao-cinema-diz-rumor"><span style="font-weight: 400;">atuando em filmes</span></a><span style="font-weight: 400;">, Roman Polanski não estaria </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2020/02/28/roman-polanski-ganha-cesar-de-melhor-diretor-apos-protestos-por-acusacao-de-estupro.ghtml"><span style="font-weight: 400;">ganhando prêmios</span></a><span style="font-weight: 400;">, Marilyn Manson não estaria </span><a href="https://portalpopline.com.br/kanye-west-donda-marilyn-manson-dababy/"><span style="font-weight: 400;">participando de álbuns de grandes </span><i><span style="font-weight: 400;">rappers</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e a </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/album/2017/11/06/todos-os-famosos-acusados-de-assedio-e-abuso-sexual-ate-agora.htm"><span style="font-weight: 400;">lista é longa</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Allen contra Farrow</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um retrato escancarado de uma sociedade misógina que elege ídolos medíocres, e depois teme ao vê-los se revelarem verdadeiros monstros.  Afinal, </span><i><span style="font-weight: 400;">quem acreditaria que Woody Allen faria isso?</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é sobre </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/08/cultura/1515416335_689166.html"><span style="font-weight: 400;">separar o artista da obra</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou qualquer outra discussão incabível aqui, é sobre condenar e reconhecer os verdadeiros culpados. Enquanto vemos </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-vida-depois-do-tombo-critica/"><span style="font-weight: 400;">mulheres serem culpabilizadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> por muito menos, uma quantidade infinita de panos são passados para dezenas de predadores sexuais ou homens de caráter questionável. Não é apenas sobre Allen ou Spacey ou </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2018/07/20/james-gunn-e-demitido-da-direcao-do-proximo-guardioes-da-galaxia-por-causa-de-comentarios-sobre-pedofilia-e-estupro.ghtml"><span style="font-weight: 400;">quem quer que seja o nome da vez</span></a><span style="font-weight: 400;">, o buraco sempre foi bem </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><span style="font-weight: 400;">mais embaixo</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_22989" aria-describedby="caption-attachment-22989" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22989 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NINTCHDBPICT000636815336-scaled.jpg" alt="A imagem é uma cena do documentário, em que Mia Farrow está dando um depoimento." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NINTCHDBPICT000636815336-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NINTCHDBPICT000636815336-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NINTCHDBPICT000636815336-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NINTCHDBPICT000636815336-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NINTCHDBPICT000636815336-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NINTCHDBPICT000636815336-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NINTCHDBPICT000636815336-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22989" class="wp-caption-text">A produção também concorre no Emmy Criativo nas categorias Melhor Montagem em Programa de Não-Ficção, Edição de Som em Reality ou Programa de Não-Ficção, Edição de Imagem em Programa de Não-Ficção e Melhor Música Tema do Título Principal (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com a divisão de opiniões e as aguardadas </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/woody-allen-diz-que-documentario-da-hbo-sobre-acusacoes-de-abuso-tem-falsidade/"><span style="font-weight: 400;">críticas vindas do cineasta</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Allen contra Farrow </span></i><span style="font-weight: 400;">garantiu 7 indicações no</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;">. Entre elas, Kirby Dick e Amy Ziering se garantiram em Melhor Direção em Documentário/Programa de Não-Ficção pelo Episódio 3, que também concorre em Roteiro em Programa de Não-Ficção. A produção ainda tem grandes chances de sair vitoriosa por Melhor Série Documental ou de Não-Ficção contra nomes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/faz-de-conta-que-ny-e-uma-cidade-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Faz de Conta que NY é uma Cidade</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">American Masters</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">City So Real</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Secrets of the Whales</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o fim de Woody Allen no meio cinematográfico está próximo, só o tempo irá dizer. Além das inúmeras desaprovações ao próprio documentário da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele ainda conta com uma legião de defensores em Hollywood. Mas não podemos esperar muito de uma sociedade que é conivente até com um <a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2019/08/30/caso-polanski-o-que-se-sabe-sobre-condenacao-de-estupro-40-anos-depois-do-crime.ghtml">homem que assumiu abertamente ter tido relações sexuais com uma jovem de 13 anos</a>. E não podemos mesmo: daqui a dez dias, o próximo filme de Allen irá abrir o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2020/06/26/novo-filme-de-woody-allen-abrira-o-festival-de-san-sebastian-que-acontece-em-setembro.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Festival Internacional de Cinema de San Sebastián</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/allen-contra-farrow-critica/">Allen contra Farrow e os ídolos que criamos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/allen-contra-farrow-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">22984</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O Dilema das Redes aponta erros muito grandes para soluções moralistas</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2020 14:31:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[Bruno Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Davis Coombe]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy 2021]]></category>
		<category><![CDATA[Facebook]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Google]]></category>
		<category><![CDATA[Internet]]></category>
		<category><![CDATA[Jeff Orlowski]]></category>
		<category><![CDATA[Larissa Rhodes]]></category>
		<category><![CDATA[Mark Zuckerberg]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Direção em Documentário/Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Documentário ou Especial de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Fotografia em Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Roteiro em Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[O Dilema das Redes]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Twitter]]></category>
		<category><![CDATA[Vickie Curtis]]></category>
		<category><![CDATA[Whatsapp]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=15753</guid>

					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade O documentário recém-lançado da Netflix, O Dilema das Redes, dirigido por Jeff Orlowski, se inicia com um questionamento a todos os personagens dessa história. “Qual é o problema?” parece ser a pergunta que guia os entrevistados e, embora todos apontem os erros com certa facilidade, não conseguem manter a mesma assertividade quando tentam &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Dilema das Redes aponta erros muito grandes para soluções moralistas"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/">O Dilema das Redes aponta erros muito grandes para soluções moralistas</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_15757" aria-describedby="caption-attachment-15757" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15757" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15757" class="wp-caption-text">O documentário expõe que os problemas das redes sociais não são ilegais, e sim um método padrão desse esquema de negócio (Foto: Netflix/Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário recém-lançado da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Dilema das Redes</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">dirigido por Jeff Orlowski, se inicia com um questionamento a todos os personagens dessa história. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Qual é o problema?</span></i><span style="font-weight: 400;">” parece ser a pergunta que guia os entrevistados e, embora todos apontem os erros com certa facilidade, não conseguem manter a mesma assertividade quando tentam apontar a solução do problema.</span></p>
<p><span id="more-15753"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das ideias centrais do filme é a de que veteranos das redes sociais (ex-funcionários do alto escalão da </span><i><span style="font-weight: 400;">Google</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Instagram</span></i><span style="font-weight: 400;"> e outras) estão, de fato, arrependidos pelo que elas se tornaram. Há um consenso entre os entrevistados de que as redes sociais são, hoje, um lugar inóspito movido a ódio. Entretanto, não parecem querer dizer que são um dos vilões dessa história e tentam, ao longo de toda a narrativa, manter a ideia de que são heróis, afirmando em alguns momentos que não existem culpados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O formato do documentário já é conhecido. Há uma pequena parte ficcional, que serve como um suporte à parte real do filme. Esse trecho fictício poderia ser facilmente removido, e a ideia seria melhor transmitida sem ele, que tem atuações que, em determinados momentos, beiram o constrangedor e representam personagens estereotipados. Mesmo assim, cabe ressaltar que esse aparato ficcional acaba ajudando aqueles que não estão familiarizados ou nunca se questionaram sobre a importância exagerada das redes sociais atualmente. Os questionamentos levantados por pessoas que ajudaram a criar essas plataformas e suas visões sobre a situação de ódio generalizado são a parte mais importante dessa produção. </span></p>
<figure id="attachment_15758" aria-describedby="caption-attachment-15758" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15758" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2.jpg" alt="" width="2048" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15758" class="wp-caption-text">Tristan Harris no Senado dos Estados Unidos em 2019  (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Iniciamos </span><i><span style="font-weight: 400;">O Dilema das Redes</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanhando o idealista Tristan Harris, ex-designer de ética da </span><i><span style="font-weight: 400;">Google,</span></i><span style="font-weight: 400;"> e aquele que parece ser o personagem principal do documentário. Ele se prepara para uma palestra sobre como propagar um uso mais consciente e ético nas redes. Próximo aos 15 minutos de exibição, Harris solta a máxima “</span><i><span style="font-weight: 400;">se você não está pagando pelo produto, então você é o produto</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Na cena em que ele está no Senado norte-americano, é questionado sobre quem deveria ser responsabilizado pelo método de influenciar o público com o pretexto de mantê-los engajados, e sua resposta é que as plataformas devem ser pois, se aceitam propaganda política, devem proteger as eleições — ele estava testemunhando em uma audiência sobre tecnologia persuasiva e otimização para engajamento. A ideia de que somos os produtos das plataformas parece chocante em um primeiro momento, mas não está longe de ser algo esperado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em outra cena do filme, o psicólogo </span><a href="https://oglobo.globo.com/sociedade/o-dilema-das-redes-refugio-na-pandemia-redes-sociais-ajudaram-formar-geracao-mais-ansiosa-deprimida-24655097"><span style="font-weight: 400;">Jonathan Haidt</span></a><span style="font-weight: 400;"> aponta que, entre 2011 e 2013, houve um aumento gigantesco em casos de depressão e ansiedade entre os adolescentes americanos. Coincidentemente ou não, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i> <a href="https://canaltech.com.br/redes-sociais/Com-lucro-recorde-em-2013-Facebook-alcanca-marca-de-123-bilhao-de-usuarios/"><span style="font-weight: 400;">bateu um de seus recordes de lucro em 2013</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ele aponta ainda que a Geração Z, aquela que nasceu por volta de 1996, foi a que começou a utilizar as redes sociais durante a pré-adolescência e, como resultado, tornou-se uma geração mais ansiosa, frágil e deprimida. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Dilema das Redes</span></i><span style="font-weight: 400;"> acerta quando exemplifica o efeito nocivo das notificações em uma das personagens fictícias, que, em determinada cena, se recusa a ficar sem o celular durante a refeição. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Algo muito debatido sobre o tema é que nós entregamos nosso tempo às redes e elas brigam entre si para consumir cada vez mais a nossa atenção. O problema é que, diferente do dinheiro, o tempo é um instrumento finito e impossível de se obter novamente,  é algo muito mais valioso que o dinheiro. Durante todo o documentário, ficamos apreensivos com a ideia de que somos manipulados e servimos à interesses de desconhecidos. O tempo que gastamos nas redes sociais, muitas vezes, faz parte de uma rotina e, pensando bem, faz com que o Grande Irmão de </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/isabela-boscov/george-orwell-de-1984-prova-sua-relevancia-em-tempos-de-autoritarismo/"><i><span style="font-weight: 400;">1984</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">pareça terrivelmente real.</span></p>
<figure id="attachment_15754" aria-describedby="caption-attachment-15754" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15754" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem3.jpg" alt="" width="650" height="343" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem3.jpg 650w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem3-300x158.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-15754" class="wp-caption-text">Tristan Harris, à esquerda, e Roger McNamee, investidor e um dos entrevistados do documentário, à direita; ambos com seus smartphones nas mãos (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os algoritmos são apresentados como um dos grandes problemas. A parte ficcional de <em>O Dilema das Redes</em> apresenta três homens, que ficam em uma das milhares de salas que controlam o que deve aparecer na tela de cada usuário. Esse trecho é exagerado, uma tentativa de mostrar que, de fato, existem pessoas controlando o que você vê. Muito embora os algoritmos funcionem sozinhos, eles são programados por seres humanos. Alguns ativistas já debateram como eles </span><a href="https://tecnologia.ig.com.br/2020-09-22/algoritmos-racistas-entenda-como-funciona-o-problema-que-atingiu-o-twitter.html"><span style="font-weight: 400;">propagam atitudes racistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas redes, e como foram cruciais para a polarização política atual, além de ampliarem os discursos de ódio. Contudo, a plataforma mais utilizada hoje é o </span><i><span style="font-weight: 400;">WhatsApp</span></i><span style="font-weight: 400;">, que não trabalha com algoritmos e, mesmo assim, continua sendo uma grande aliada na manipulação política. É, de algum modo, um amplificador do conteúdo apresentado nas redes sociais, e demonstra que o problema vai muito além dos algoritmos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Tim Kendall, ex-presidente do </span><i><span style="font-weight: 400;">Pinterest</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ex-diretor de monetização do </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;">, diz, em sua fala inicial, que essas ferramentas trouxeram coisas maravilhosas para o mundo, seria sincero afirmar que sua colocação traz uma ideia muito triunfalista das redes sociais. Os benefícios listados por Kendall, como a aproximação de familiares distantes, são resultados do uso natural da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essa qualidade já foi muito explorada pelo antigo </span><i><span style="font-weight: 400;">MSN Messenger</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, e uma das ideias do uso da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;"> é justamente a de aproximar pessoas. Embora as redes sociais também realizem isso, o mérito não deve ser somente delas, como ele tenta listar. O que é possível concordar, mesmo que por razões contrárias, é o fato de que elas trouxeram mudanças significativas para a sociedade, já que deixaram de ser simples ferramentas de aproximação e transformaram-se em plataformas de manipulação. De alguma maneira, sequestraram a </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Dilema das Redes</span></i><span style="font-weight: 400;">, em algumas partes, mantém o tom assustador que lembra as previsões distópicas de </span><a href="http://personaunesp.com.br/bandersnatch-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Black Mirror</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e nos deixa com uma sensação de que algo muito errado está acontecendo enquanto não fazemos nada para mudar. Cada pessoa tem sua própria realidade e seus próprios fatos, já que a linha do tempo do </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou a </span><i><span style="font-weight: 400;">timeline </span></i><span style="font-weight: 400;">do </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, são adaptadas individualmente. Em uma das cenas, Justin Rosenstein, criador do botão </span><i><span style="font-weight: 400;">like </span></i><span style="font-weight: 400;">do </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;">, argumenta que essa é uma das fontes das discussões nas redes sociais, já que temos a ilusão de que todos estão vendo a mesma coisa que nós. São diversas verdades criadas para prender a atenção dos usuários. </span></p>
<figure id="attachment_15755" aria-describedby="caption-attachment-15755" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15755" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4.jpg" alt="" width="2000" height="1236" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4-300x185.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4-1024x633.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4-768x475.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4-1536x949.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4-1200x742.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15755" class="wp-caption-text">Mark Zuckerberg no depoimento feito no Senado estadunidense em 2018 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a exibição da cena de Mark Zuckerberg no Senado norte-americano, em decorrência  da </span><a href="https://www.techtudo.com.br/noticias/2018/03/facebook-e-cambridge-analytica-sete-fatos-que-voce-precisa-saber.ghtml"><span style="font-weight: 400;">polêmica envolvendo a </span><i><span style="font-weight: 400;">Cambridge Analytica</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ele sugere que a solução à longo prazo seria criar ferramentas de inteligência artificial que resolvem problemas que pessoas reais não conseguem. Em seguida, a cientista de dados</span> <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/11/12/tecnologia/1542018368_035000.html"><span style="font-weight: 400;"> Cathy O’Neil</span></a><span style="font-weight: 400;">, autora do livro </span><a href="https://medium.com/@gustavomsaraiva/resenha-e-reflex%C3%B5es-sobre-o-livro-weapons-of-math-destrution-de-cathy-oneil-b843f9a04f5f"><i><span style="font-weight: 400;">Weapons of Math Destruction</span></i> </a><i><span style="font-weight: 400;">(2016),</span></i><span style="font-weight: 400;"> revela que isso não passa de uma mentira, já que a inteligência artificial não pode resolver os problemas apresentados por não conseguir distinguir o que é a verdade. É mais uma das esfarrapadas desculpas para não perderem seus usuários, ou melhor, seus produtos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cientista da computação Jaron Lanier, um dos entrevistados do documentário e considerado o pai da realidade virtual, inicia seu livro </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2018/12/aqui-vai-um-breve-resumo-do-livro-10-argumentos-para-voce-deletar-agora-suas-redes-sociais/"><i><span style="font-weight: 400;">Dez Argumentos Para Você Deletar Agora Suas Redes Sociais</span></i></a> <i><span style="font-weight: 400;">(2018)</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a ideia de que as pessoas estão perdendo seu livre-arbítrio. Ele argumenta que a espionagem maciça e a manipulação constante foram aceitas na sociedade com normalidade. Seu ponto fica evidenciado quando pensamos nas propagandas que vemos ao longo do dia, sempre direcionadas para nós com produtos de nosso interesse. Quantas vezes já nos deparamos com aquela situação de pesquisar algo muito específico e, pouco depois, receber uma propaganda exatamente sobre aquilo? </span></p>
<figure id="attachment_15756" aria-describedby="caption-attachment-15756" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15756" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem5.jpg" alt="" width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem5-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem5-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15756" class="wp-caption-text">Quando um dos personagens da parte fictícia do filme decide ficar sem o celular, o aplicativo envia uma notificação dizendo que sua ex-namorada está em um relacionamento (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre a metade e o final do documentário, seu desfecho fica previsível. Os empresários do </span><i><span style="font-weight: 400;">Vale do Silício</span></i><span style="font-weight: 400;">, arrependidos, tentam estabelecer algum tipo de valor moral acima de qualquer tecnologia. Ninguém é responsabilizado  pelos danos causados à sociedade. Um tom moralista paira no ar, como se fosse possível preencher esse problema com a força de vontade individual. Talvez a frase mais moralista venha de Aza Raskin, ele e Tristan Harris são fundadores do </span><i><span style="font-weight: 400;">Center For Humane Technology</span></i><span style="font-weight: 400;">, lugar onde pretendem reverter a degradação humana e realinhar a tecnologia com a humanidade. Raskin dá sua declaração final dizendo que “</span><i><span style="font-weight: 400;">o Vale do Silício partiu de uma ideia de tecnologia humanizada</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Pensando bem, é mais provável que tenha sido motivada pela questão financeira, já que as empresas de tecnologia são as mais ricas e lucrativas da história da humanidade.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo dos 89 minutos de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Dilema das Redes</span></i><span style="font-weight: 400;">, fica evidente que essa é uma questão muito acima da vontade populacional. Mesmo que, por algum tipo de iluminação divina, os grandes magnatas das redes queiram se redimir construindo algo mais ético e destruindo esse método tão lucrativo por um bem maior, outros surgirão e tomarão seus lugares. O problema, de algum modo, é a forma como as redes sociais interagem com a vida </span><i><span style="font-weight: 400;">offline</span></i><span style="font-weight: 400;">, tentando de alguma forma suprimi-la. Essa é uma questão que não foi planejada nem mesmo por esses empresários, que hoje aparecem como vítimas daquilo que criaram. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Social Dilemma | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/uaaC57tcci0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/">O Dilema das Redes aponta erros muito grandes para soluções moralistas</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">15753</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
