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	<title>Arquivos Melhor Filme Internacional &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em rabiscos coloridos, Flow cria sua própria revolução dos bichos</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Feb 2025 00:04:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Existe um consenso no mundo das animações, quase que uma lei não escrita e potencializada pela indústria estadunidense de que elas precisam reproduzir nossa sociedade não em conteúdo, mas em forma. Quantos os filmes que nos vêm à memória em que um certo ecossistema é adaptado para viver como nós – e nessa &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/flow-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em rabiscos coloridos, Flow cria sua própria revolução dos bichos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34851" aria-describedby="caption-attachment-34851" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34851" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image3-4-800x450.png" alt="Cena da animação Flow. Nela vemos um gatinho preto de olhos amarelos. ele está flutuando em uma espécie de galáxia azul ao fundo. O gato é animado em um 3D que simula a pintura em aquarela" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image3-4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image3-4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image3-4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image3-4-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image3-4.png 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34851" class="wp-caption-text">A obra instantaneamente se tornou patrimônio cultural da Letônia (Foto: Sacrebleu Productions)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existe um consenso no mundo das animações, quase que uma lei não escrita e potencializada pela indústria estadunidense de que elas precisam reproduzir nossa sociedade não em conteúdo, mas em forma. Quantos os filmes que nos vêm à memória em que um certo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=prct6AB5tR8&amp;ab_channel=WaltDisneyStudiosBR"><span style="font-weight: 400;">ecossistema</span></a><span style="font-weight: 400;"> é adaptado para viver como nós – e nessa releitura que, muitas vezes, mora a Comédia deles. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uC0rgAUPCIM&amp;ab_channel=UniversalPicturesAll-Access"><span style="font-weight: 400;">abelhas operárias</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao modo capitalista a uma fauna vivendo exatamente igual gente, exemplos não faltam. De certa forma, eles até funcionam como um escape da realidade. Mas Cinema de verdade, ao mesmo tempo que nos tira de órbita, nos reconecta também, e nas mais peculiares histórias que somente esse gênero pode nos proporcionar, </span><i><span style="font-weight: 400;">Flow</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a que alcança esse feito da forma mais singela e pura.</span></p>
<p><span id="more-34850"></span></p>
<figure id="attachment_34852" aria-describedby="caption-attachment-34852" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34852" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image1-3-800x396.png" alt="Cena de Flow. Nela, vemos o protagonista, um gatinho preto de olhos amarelos. Ele está embaixo d'água, com um peixe azul e amarelo na boca" width="800" height="396" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image1-3-800x396.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image1-3-1024x506.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image1-3-768x380.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image1-3-1200x594.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image1-3.png 1300w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34852" class="wp-caption-text">O longa foi inteiro produzido utilizando o Blender, software gratuito para animações 3D (Foto: Sacrebleu Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção não precisa das ideias surtadas ou da reimaginação do arranjo social. A história é a das mais simples, um gato sendo um gato que, em meio a uma catástrofe climática, precisa redescobrir o mundo com um instinto de sobrevivência muito mais aguçado e, ao mesmo tempo, tão humano. Suas atitudes em meio a devastação causada pela inundação se assemelham e muito com a solidariedade humana, vista em tragédias como os incêndios na costa oeste norte-americana no início de 2025 ou as enchentes no </span><a href="https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2024/11/04/antes-e-depois-seis-meses-apos-cheias-no-rs-veja-como-estavam-e-como-estao-lugares-atingidos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Sul do Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> no meio de 2024. Tudo isso, ainda sendo somente um ‘gatinho’.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com seu visual que lembra um jogo independente de </span><i><span style="font-weight: 400;">Playstation</span></i><span style="font-weight: 400;"> – aqui as semelhanças com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=b-ugdyfd0ao&amp;ab_channel=PlayStationBrasil"><i><span style="font-weight: 400;">Stray</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se afloram, </span><i><span style="font-weight: 400;">Flow</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos convida a contemplar. Em uma composição aquarela, que, mesmo com suas imperfeições, nos cativam, o longa propositalmente nos desorienta nos minutos iniciais, estamos tão perdidos quanto aquele gato preto e aqui outra aposta da produção se mostra acertada: o silêncio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> fez história ao colocar estadunidenses para ler legendas, esse filme vai além, se tornando ainda mais universal. Do adulto à criança, do votante do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> até o cidadão médio da Letônia que hoje <a href="https://pit.nit.pt/animais/letonia-inaugura-estatua-em-homenagem-ao-gato-de-flow">morre de orgulho</a>, todos param para ouvir o que o silêncio de </span><i><span style="font-weight: 400;">Flow</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem a nos dizer. É o momento de introspecção em frente a tela, de concentração máxima em que ecoam mensagens sobre viver em comunidade e adaptação às mudanças, conectando o telespectador de forma arrebatadora.</span></p>
<figure id="attachment_34853" aria-describedby="caption-attachment-34853" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34853" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image2-4-800x450.png" alt="Cena da animação Flow. Nela vemos, da esquerda para direita, o protagonista, um gatinho preto de olhos amarelos, um cachorro labrador de pelos dourados, uma capivara de pelos marrons, um pássaro semelhante a uma garça, de penas brancas e bico laranja, e um lêmure, de pelo cinza com detalhes em preto. Os cinco olham para frente e ao fundo, há uma cidade com construções em ruinas." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image2-4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image2-4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image2-4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image2-4-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image2-4-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/image2-4.png 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34853" class="wp-caption-text">O grupo inusitado nos conquista ao mesmo passo que conquista o protagonista (Foto: Sacrebleu Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma arrebatadora ele também chegou ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Já saturado da hegemonia dos grandes estúdios, o público sempre adota o ‘azarão’ para si – não que </span><i><span style="font-weight: 400;">Flow</span></i><span style="font-weight: 400;"> não tenha seus méritos reconhecidos, sendo indicado nas categorias de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2025/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Animação</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Melhor Filme Internacional. Na primeira, ele desponta, mesmo tendo </span><i><span style="font-weight: 400;">Robô Selvagem</span></i><span style="font-weight: 400;"> na cola. Já na segunda, a tarefa é mais difícil, tendo o excelente </span><i><span style="font-weight: 400;">A Garota da Agulha </span></i><span style="font-weight: 400;">e o totalmente ovacionado </span><a href="https://personaunesp.com.br/ainda-estou-aqui-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Estou Aqui</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma analogia velada a Arca de Noé, </span><i><span style="font-weight: 400;">Flow</span></i><span style="font-weight: 400;"> usa dos animais para trazer à tona sentimentos enraizados na ancestralidade humana. Em tempos em que a animação se rende às continuações desnecessárias, uma fórmula já saturada e, até mesmo, as </span><a href="https://jovemnerd.com.br/noticias/filmes/oscar-quer-regular-ia-nos-filmes"><span style="font-weight: 400;">IA’s</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa tem o mesmo elemento que nos diferencia dessa homogeneidade computadorizada: coração. E nesse caso, o que os olhos vêem em tela, o coração sente.</span></p>
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		<title>Zona de Interesse: o mal mora ao lado</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Mar 2024 13:42:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Uma tela preta com um som grave ao fundo inicia e encerra Zona de Interesse. A introdução subversiva dá o tom provocante da obra de Jonathan Glazer, que, ao invés de filmar os horrores dos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial, aposta no senso ético dos espectadores para interpretar a dissonância entre &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/zona-de-interesse-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Zona de Interesse: o mal mora ao lado"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32630" aria-describedby="caption-attachment-32630" style="width: 860px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32630" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-1.webp" alt="Cena de Zona de Interesse." width="860" height="526" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-1.webp 860w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-1-800x489.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-1-768x470.webp 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32630" class="wp-caption-text">Além da indicação à Palma de Ouro, Zona de Interesse saiu vencedor do Grande Prêmio no Festival de Cannes (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma tela preta com um som grave ao fundo inicia e encerra </span><i><span style="font-weight: 400;">Zona de Interesse</span></i><span style="font-weight: 400;">. A introdução subversiva dá o tom provocante da obra de Jonathan Glazer, que, ao invés de filmar os horrores dos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial, aposta no senso ético dos espectadores para interpretar a dissonância entre o que se vê e o que se escuta. Curiosamente, a </span><a href="https://www.termometrooscar.com/melhor-ediccedilatildeo-de-som.html"><span style="font-weight: 400;">melhor aposta</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o longa-metragem no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, no qual foi indicado em cinco categorias, não é Melhor Som.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse ponto, a aparição de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Zone of Interest</span></i><span style="font-weight: 400;"> escancara algo ainda mais perturbador. Junto de outras produções nomeadas este ano, como o iminente vencedor </span><a href="https://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (também sobre a Segunda Guerra) e o merecedor </span><i><span style="font-weight: 400;">Assassinos da Lua das Flores</span></i><span style="font-weight: 400;">, a premiação parece ter uma predileção por passar a limpo tragédias movidas pelo dedo humano (coincidentemente, em que o dedo é estadunidense). No entanto, a preferência é seletiva: enquanto homenageia documentários propagandísticos, como aconteceu no ano passado com </span><a href="https://personaunesp.com.br/navalny-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e pode se repetir esse ano com o manipulador </span><i><span style="font-weight: 400;">20 Dias em Mariupol </span></i><span style="font-weight: 400;">(sobre a guerra na Ucrânia), o país berço do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">não só nega um genocídio em andamento, como </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/senado-dos-eua-aprova-pacote-de-ajuda-de-us-95-bilhoes-para-ucrania-e-israel/#:~:text=Israel%20%7C%20CNN%20Brasil-,Senado%20dos%20EUA%20aprova%20pacote%20de%20ajuda%20de%20US,bilh%C3%B5es%20para%20Ucr%C3%A2nia%20e%20Israel&amp;text=O%20Senado%20dos%20Estados%20Unidos,um%20confronto%20com%20a%20C%C3%A2mara."><span style="font-weight: 400;">o financia</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-32629"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É diante de tamanha hostilidade que </span><i><span style="font-weight: 400;">Zona de Interesse </span></i><span style="font-weight: 400;">cresce. A reflexão sobre a conivência com uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/assassinos-da-lua-das-flores-critica/"><span style="font-weight: 400;">limpeza étnica</span></a><span style="font-weight: 400;">, ignorando os gritos e tiros do outro lado do muro em prol de um suposto bem-estar social, tem o potencial para cutucar a ferida daqueles que permanecem omissos e, sem mau-caratismo, veem para além do que o filme opta por mostrar.</span></p>
<figure id="attachment_32631" aria-describedby="caption-attachment-32631" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32631" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-4.webp" alt="Cena de Zona de Interesse." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-4.webp 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-4-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-4-1024x576.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-4-768x432.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-4-1536x864.webp 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-4-1200x675.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32631" class="wp-caption-text">Steven Spielberg comparou Zona de Interesse com A Lista de Schindler, mas, ao contrário do segundo, o primeiro pressupõe que o espectador tenha conhecimento prévio do que foi o Holocausto (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na </span><a href="https://letterboxd.com/kmf/film/the-zone-of-interest/"><span style="font-weight: 400;">obra</span></a><span style="font-weight: 400;">, adaptada livremente do livro homônimo de Martin Amis, de 2014, uma família alemã vive ao lado do campo de concentração Auschwitz. O patriarca é Rudolf Höss (Christian Friedel), que encabeça a administração do campo em sua fase inicial e, na vida real, o tornou uma máquina de ceifar vidas. Ele passa a maior parte do tempo se dedicando ao regime nazista e às ordens de Adolf Hitler, mas a esposa Hedwig (Sandra Hüller) e os filhos vivem uma vida tranquila e pacata no casarão, aproveitando os jardins e a horta, os amplos quartos e salas, estufa e a piscina. O </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2023/11/sandra-huller-steps-cautiously-into-the-spotlight"><span style="font-weight: 400;">cachorro</span></a><span style="font-weight: 400;"> corre pelo quintal enquanto os mais novos brincam, a mulher caminha com o bebê no colo e sente o aroma das flores, o filho mais velho dá possivelmente seu primeiro beijo nos fundos da casa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cotidiano seria pacífico e até normal de se assistir, se não fosse o que mora ao lado. O </span><a href="https://www.polygon.com/24055667/zone-of-interest-sound-design-interview-oscar-home-release"><span style="font-weight: 400;">trabalho de som</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Johnie Burn e Tarn Willers faz soar tiros, sirenes, gritos de pessoas amedrontadas e de militares raivosos do outro lado do muro. Algumas noites, as crianças imitam os ruídos que alcançam sua vida tranquila e as tiram o sono. O cachorro nem se incomoda com os estrondos, tamanho o costume. A mãe de Hedwig (Imogen Kogge), que visita a residência, reforça o quanto a filha venceu na vida, mas é a única que se incomoda e deixa o lugar depois de ver as labaredas de fogo vindas do quintal vizinho. Para a família, a crueldade e o desprezo pela vida humana é algo rotineiro, beirando a cegueira. Para quem assiste, um lembrete de que o preço a pagar pela resistência é muito maior do que pela ignorância.</span></p>
<figure id="attachment_32634" aria-describedby="caption-attachment-32634" style="width: 2500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32634" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse.jpg" alt="Cena de Zona de Interesse." width="2500" height="1340" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse.jpg 2500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-800x429.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-1024x549.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-768x412.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-1536x823.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-2048x1098.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-1200x643.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32634" class="wp-caption-text">A experiência de escutar Zona de Interesse nos cinemas é perturbadora, mas, felizmente, o design de som fez adaptações para as TVs caseiras (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de retratar o descaso, Glazer não cede a ele. O diretor e roteirista mantém seus personagens longe das câmeras e, se por um lado evita aproximações e uma possível romantização, por outro se afasta o suficiente dos seus objetos a ponto de quase eximi-los de responsabilidade pela apatia frente à sombra da morte. O conceito da “</span><a href="https://www.vox.com/culture/23733985/zone-interest-arendt-banality-review-canes-jonathan-glazer"><span style="font-weight: 400;">banalidade do mal</span></a><span style="font-weight: 400;">” que virou jargão para definir as intenções por trás de </span><i><span style="font-weight: 400;">Zona de Interesse </span></i><span style="font-weight: 400;">não chega a esvaziar o tema, mas corre o risco de negligenciar que, por trás da tragédia, há pessoas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É no retrato dessas pessoas que o longa-metragem opõem a realidade proposta pelo som. A esposa vivida por Sandra Hüller, em sua segunda </span><a href="https://personaunesp.com.br/anatomia-de-uma-queda-critica/"><span style="font-weight: 400;">aparição grandiosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> nessa temporada de premiação, se ocupa de criar os filhos enquanto o marido está no trabalho sujo, visto por ela como algo honroso, e se vangloria da vida perfeita que construiu. Ela cuida das crianças e da horta, recebe as amigas para um café da tarde e sofre com a possível mudança de lar. Em alguns dos momentos mais simbólicos para mostrar o que há por trás de tanta paz, Hedwig prova roupas novas que vieram diretamente de judeus aprisionados vivendo ao lado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já o marido interpretado por Christian Friedel se mantém distante e frio. Assim como a esposa, ele exemplifica o conflito do </span><a href="https://tesouracomponta.com/zona-de-interesse-prioriza-sua-forma-e-mostra-dualidade-do-horror/"><span style="font-weight: 400;">filme</span></a><span style="font-weight: 400;">: o mal não dá gargalhadas, mas vive ao lado de forma comum. Ele recebe companheiros de trabalho, tem ambições profissionais, se frustra com planos que dão errado e igualmente têm seus dilemas em deixar a família. Ainda assim, a rigidez do regime nazista está ali: ele não treme quando revela estar pensando em como matar todos no ambiente e sua única demonstração de carinho é um “eu te amo” para o cavalo de estimação. Mesmo as falas mais cruéis não se comparam à indiferença da família Höss.</span></p>
<figure id="attachment_32632" aria-describedby="caption-attachment-32632" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32632" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-2.jpg" alt="" width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-2.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/zona-de-interesse-2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32632" class="wp-caption-text">Zona de Interesse foi indicado nas categorias de Trilha Sonora, Melhor Filme e Melhor Filme em Língua Não Inglesa no Globo de Ouro, e venceu como Melhor Filme Britânico e Melhor Filme em Língua Não Inglesa no BAFTA (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na lista de Melhor Filme no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Zona de Interesse </span></i><span style="font-weight: 400;">pode ficar atrás dos seus concorrentes, mas é uma vitória quase certeira em Melhor Filme Internacional para o </span><a href="https://variety.com/2023/film/awards/zone-of-interest-country-oscars-international-feature-1235624029/"><span style="font-weight: 400;">Reino Unido</span></a><span style="font-weight: 400;"> (já que a </span><a href="https://variety.com/2024/film/global/france-dysfunctional-oscar-committee-anatomy-of-a-fall-1235880857/"><span style="font-weight: 400;">França desistiu de submeter</span></a><span style="font-weight: 400;"> seu </span><i><span style="font-weight: 400;">Anatomia de Uma Queda</span></i><span style="font-weight: 400;">). O longa ainda trava certa concorrência em Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Direção, ambos para Jonathan Glazer. No </span><i><span style="font-weight: 400;">line-up </span></i><span style="font-weight: 400;">da premiação, a mensagem que fica é que, enquanto reflete sobre tragédias passadas, o</span> <a href="https://www.poder360.com.br/internacional/guerra-em-gaza-e-pior-do-que-o-holocausto-diz-embaixador-palestino/"><span style="font-weight: 400;">genocídio em andamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> ainda não é digno da mesma comoção norte-americana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não por isso o longa deixa de refletir sobre si mesmo. Em uma das cenas finais mais impactantes da categoria principal, o comandante de Auschwitz fica enjoado e </span><a href="https://www.vulture.com/article/the-zone-of-interests-vomit-inducing-ending-explained.html"><span style="font-weight: 400;">vomita</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao descer as escadas, saindo de uma reunião da organização nazista. A ruptura é temática, violando a perspectiva e rigidez proposta até ali, mas também é na forma estilística. A montagem de Paul Watts viaja no tempo para depois do </span><a href="https://screenrant.com/zone-of-interest-steven-spielberg-review/"><span style="font-weight: 400;">Holocausto</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostrando o saldo do que se tornou o campo de concentração, um lembrete da crueldade humana que ceifou milhões de vidas. Também abre possibilidades para interpretação – há um resquício de humanidade, uma luz no fim do túnel da brutalidade? A história tomou seu próprio rumo, mas se repete e </span><i><span style="font-weight: 400;">Zona de Interesse </span></i><span style="font-weight: 400;">tem o potencial para oferecer um momento de reflexão.</span></p>
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		<title>A Sociedade da Neve mostra a complexidade desesperadora da sobrevivência humana</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Mar 2024 21:42:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Amabile Zioli Adaptar a história de uma tragédia real para o audiovisual sempre envolve muita responsabilidade. Depois de reduzir os acontecimentos catastróficos da Tailândia de 2004 a um clichê dramático hollywoodiano em O Impossível,  J. A. Bayona se redimiu com A Sociedade da Neve, trazendo para as telas, mais uma vez, mas sob outra perspectiva, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-sociedade-da-neve-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Sociedade da Neve mostra a complexidade desesperadora da sobrevivência humana"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32583" aria-describedby="caption-attachment-32583" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32583" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1.jpg" alt="A foto é uma cena do filme A Sociedade da Neve. A foto mostra 14 dos 16 sobreviventes sentados na frente da fuselagem do avião. Estão sentados na neve, alguns em cima da lataria ou de malas. O horizonte atrás do avião mostra as cordilheiras dos Andes" width="1999" height="1326" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1-800x531.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1-1024x679.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1-768x509.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1-1536x1019.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-1-1200x796.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32583" class="wp-caption-text">A tragédia já teve outras quatro adaptações para o audiovisual (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Amabile Zioli</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adaptar a história de uma tragédia real para o audiovisual sempre envolve muita responsabilidade. Depois de reduzir os acontecimentos catastróficos da Tailândia de 2004 a um clichê dramático hollywoodiano em </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-146630/criticas-adorocinema/"><i><span style="font-weight: 400;">O Impossível</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,  J. A. Bayona se redimiu com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sociedade da Neve</span></i><span style="font-weight: 400;">, trazendo para as telas, mais uma vez, mas sob outra perspectiva, a tragédia ocorrida nos Andes em 1972. A produção espanhola foi aclamada internacionalmente, o que rendeu uma indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme Internacional e Melhor Maquiagem e Penteados.</span></p>
<p><span id="more-32582"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 13 de Outubro daquele ano, o voo que levava a equipe amadora de rugby e seus familiares de Montevidéu, no Equador, para Santiago, no Chile, colidiu com uma geleira e caiu na Cordilheira dos Andes. No momento da queda, alguns passageiros morreram imediatamente, e, os que </span><a href="https://oglobo.globo.com/blogs/blog-do-acervo/post/2024/01/sociedade-da-neve-a-tragedia-que-obrigou-sobreviventes-a-devorar-amigos-mortos.ghtml#:~:text=Al%C3%A9m%20dos%2011%20mortos%20na,%C3%A0%20gravidade%20de%20seus%20ferimentos."><span style="font-weight: 400;">sobreviveram</span></a><span style="font-weight: 400;">, teriam que lutar pelas suas vidas pelos próximos 72 dias à espera do resgate. No total, 29 pessoas faleceram e 16 foram resgatadas com vida.</span></p>
<figure id="attachment_32584" aria-describedby="caption-attachment-32584" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32584" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-1.jpg" alt=" A foto é uma cena do filme A Sociedade da Neve. A foto mostra 20 pessoas ao redor da carcaça do avião, a maioria sentada em casacos ou apoiados no próprio avião. Ao redor, há apenas neve e pedras]" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32584" class="wp-caption-text">A adaptação da Netflix é baseada no livro homônimo do uruguaio Pablo Vierci (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que diferencia a obra mais recente das outras adaptações do fato pode ter sido a escolha do protagonista: ao invés de contar a história pelo ponto de vista de um sobrevivente, Bayona prefere seguir </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2024/01/14/a-sociedade-da-neve-vitima-de-acidente-chegou-a-pesar-25-quilos.htm"><span style="font-weight: 400;">Numa Turcatti</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Enzo Vogrincic), falecido no dia 11 de Dezembro, 11 dias antes do resgate. O uruguaio era retratado como uma figura corajosa e pacífica, e, para quem não está familiarizado com o caso, sua morte é um baque e completamente inesperada, afinal, na fórmula de Hollywood, o narrador nunca morre.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O símbolo do protagonista é o ponto de equilíbrio entre a sociedade de sobreviventes formada nos Andes. No dia a dia hostil e inóspito do ambiente em que se encontravam, havia aqueles que nunca perdiam as esperanças &#8211; e Numa era um deles. Se alojando na fuselagem do avião e sobrevivendo à base de restos de comida que trouxeram nas malas, um sistema de coleta de água e aflição, </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/a-sociedade-da-neve-vai-alem-do-canibalismo-ao-retratar-tragedia-nos-andes"><span style="font-weight: 400;">agonia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e medo, o desafio enfrentado pelo grupo é desesperador de acompanhar.</span></p>
<figure id="attachment_32586" aria-describedby="caption-attachment-32586" style="width: 1182px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32586" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3.png" alt="A foto foi tirada por um dos sobreviventes no real acidente. Mostra oito pessoas, seis deitadas na neve, sobre alguns tecidos, uma em pé, apoiada na fuselagem, e outra sentada no avião. Na carcaça do avião, há o escrito “Fuerza Aerea Uruguaya”, com as últimas quatro letras obstruídas" width="1182" height="787" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3.png 1182w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-3-768x511.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32586" class="wp-caption-text">Após o ocorrido, o local do acidente recebeu o nome de “Vale das Lágrimas” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem forçar um </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/a-sociedade-da-neve-quase-teve-cenas-ainda-mais-chocantes/"><span style="font-weight: 400;">apelo gráfico</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sociedade da Neve</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem justificativa para as cenas agonizantes. Um dos momentos mais torturantes do longa é a colisão do avião: ossos quebrando sendo o único vestígio de trilha sonora, partes da lataria e passageiros se desprendendo e voando violentamente para o mar branco e cegante, feições aflitas, desesperadas e angustiadas tomam conta da tela e fazem o espectador ter vontade de cobrir os olhos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bayona não cai na tentação do sensacionalismo propagado pela imprensa e foge da explicitação ao representar um dos pontos mais comentados sobre o caso: o </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/a-sociedade-da-neve-vai-alem-do-canibalismo-ao-retratar-tragedia-nos-andes"><span style="font-weight: 400;">canibalismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> praticado pelo grupo em busca de conservação. São os elementos ao fundo das cenas que trazem sentido à narrativa, apenas ver o embolado de meias onde a carne está armazenada é suficiente para o estômago se embrulhar. A relutância dos membros da sociedade, inclusive de Numa, para aderirem à ideia, se justificando, além dos próprios ideais, no catolicismo, reforça a agonia que sentiram quando perceberam que era sua última chance de sobreviver. </span></p>
<figure id="attachment_32585" aria-describedby="caption-attachment-32585" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32585" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1.jpg" alt="A foto é uma cena do filme A Sociedade da Neve. A foto mostra 10 sobreviventes no momento em que visualizam os helicópteros de resgate. Os homens estão olhando e acenando para o céu. Atrás, há a fuselagem do avião e alguns itens jogados pela neve, como poltronas, malas, entre outros. No último plano da foto, há as Cordilheiras dos Andes" width="770" height="514" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1.jpg 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-1-768x513.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32585" class="wp-caption-text">O filme também foi indicado a Melhor Filme em Língua Estrangeira no Globo de Ouro, mas não ganhou (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após acompanhar a jornada incompreensível dos 16 sobreviventes, é reconfortante assistir o momento em que descobrem que foram localizados. A forma com que, mesmo após a perda de peso quase fatal, a falta de higiene pessoal e cuidados básicos, o pensamento de que encontrarão suas famílias novamente dá forças para que eles escovem os dentes, penteiem os cabelos e arrumem suas roupas. A humanidade volta aos seus corpos. O </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/sociedade-da-neve-veja-5-coisas-que-aconteceram-com-os-sobreviventes-apos-o-resgate.phtml"><span style="font-weight: 400;">resgate</span></a><span style="font-weight: 400;"> é catártico e libertador; é um milagre.</span></p>
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		<title>O bom filho a sala torna?</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Mar 2023 19:31:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>95ª edição do Oscar pode acender a fagulha de um movimento de retorno já orquestrado Guilherme Veiga O início da história do Cinema, na exibição de A Chegada do Trem na Estação em 1895, foi caracterizado pela fuga do público da sala, em função da novidade daquela tecnologia aliada com a perspectiva de filmagem do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/retorno-do-cinema-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O bom filho a sala torna?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><i><span style="font-weight: 400;">95ª edição do Oscar pode acender a fagulha de um movimento de retorno já orquestrado</span></i></em></p>
<figure id="attachment_30308" aria-describedby="caption-attachment-30308" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30308" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/artigoveiga_wordpress-800x420.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/artigoveiga_wordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/artigoveiga_wordpress-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/artigoveiga_wordpress.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30308" class="wp-caption-text">Nos mais de 120 anos do Cinema, o cenário provocado pelos últimos anos foi uma das poucas vezes que ele precisou se provar (Arte: Ana Clara Abatte)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O início da história do Cinema, na exibição de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ALAupKYhyLA&amp;ab_channel=EvertonSanches"><i><span style="font-weight: 400;">A Chegada do Trem na Estação</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 1895, foi caracterizado pela fuga do público da sala, em função da novidade daquela tecnologia aliada com a perspectiva de filmagem do trem. A partir daí, iniciava-se uma jornada duradoura e, a princípio, inabalável. A Arte de fazer filmes superou as duas grandes guerras, inclusive servindo como </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/regime-nazista-instrumentalizou-cinema-at%C3%A9-o-fim-da-segunda-guerra/a-53341467"><span style="font-weight: 400;">ferramenta de propaganda</span></a><span style="font-weight: 400;">, a grande depressão, a Guerra Fria, as ditaduras do século XX e até mesmo a </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-130462/"><span style="font-weight: 400;">greve de roteiristas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2008. Sempre de portas abertas e salas lotadas.</span></p>
<p><span id="more-30299"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a pandemia da covid-19 alterou a forma como encaramos o mundo, com a Sétima Arte não foi diferente. Dessa vez, as pessoas não fugiram das salas, pois sequer entraram. Além das consequências econômicas &#8211; que aqui no Brasil, segundo o </span><a href="https://www.gov.br/ancine/pt-br/assuntos/atribuicoes-ancine/regulacao/cinema/sistema-controle-bilheteria"><span style="font-weight: 400;">Sistema de Controle de Bilheteria</span></a><span style="font-weight: 400;"> (SCB), representou uma </span><a href="https://www.gov.br/ancine/pt-br/assuntos/noticias/ancine-divulga-numeros-da-exibicao-em-2020-e-2021"><span style="font-weight: 400;">queda de 77,5%</span></a><span style="font-weight: 400;"> no faturamento dos espaços de projeção em 2020, comparando com o ano anterior &#8211; viu-se também a ascensão do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> para além de uma ferramenta distribuidora. Mas essa veia de distribuição desses serviços foi ainda mais impulsionada com o período de isolamento, sendo uma válvula de escape das produtoras nesse período de incerteza. Com as plataformas </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;"> nascendo da morte da </span><a href="https://www.startse.com/artigos/como-a-falencia-da-blockbuster-tornou-a-netflix-a-maior-empresa-de-midia-do-mundo/"><i><span style="font-weight: 400;">Blockbuster</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, pela primeira vez em tempos, surgiu a dúvida sobre a próxima vítima ser o Cinema como o conhecemos.</span></p>
<figure id="attachment_30300" aria-describedby="caption-attachment-30300" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30300 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-2-800x328.jpg" alt="Cena de Um Lugar Silencioso - Parte II. Nela, vemos a personagem Evelyn, interpretada por Emily Blunt, uma mulher branca de cabelos loiros e olhos azuis. Ela está em um carro, no banco do motorista e com o braço direito e a cabeça sobre o banco, no movimento de quem olha para o banco de trás. Ao fundo da imagem, que é o parabrisa do carro, podemos notar uma arquitetura típica de uma cidade pequena americana" width="800" height="328" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-2-800x328.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-2-1024x419.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-2-768x314.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-2-1536x629.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-2-1200x491.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-2.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30300" class="wp-caption-text"><a href="https://personaunesp.com.br/um-lugar-silencioso-parte-ii-critica/">Um Lugar Silencioso &#8211; Parte II</a> foi o primeiro filme a abandonar as salas no início da pandemia, em 2020, voltando às telas, ainda de forma experimental e cheio de incertezas, apenas na metade daquele ano (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário era caótico no mundo, e mais ainda no audiovisual. A conjunção dos astros resultou em uma tempestade perfeita para a Sétima Arte, que, mesmo antes do período de pandemônio, via o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> calcando cada vez </span><a href="https://exame.com/casual/75-dos-brasileiros-usam-streamings-todos-os-dias/"><span style="font-weight: 400;">mais espaço</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com a consolidação da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, proliferou-se o número de plataformas vigentes, algumas até como derivadas dos próprios estúdios </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodianos</span></i><span style="font-weight: 400;">, caso do </span><i><span style="font-weight: 400;">Paramount+</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;"> (empresa da </span><i><span style="font-weight: 400;">Warner</span></i><span style="font-weight: 400;">). Não só isso, viu-se também o aporte de grandes empresas de outras vertentes do mercado nesse segmento, caso da </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon</span></i><span style="font-weight: 400;">, com o </span><i><span style="font-weight: 400;">Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;">, e a </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple</span></i><span style="font-weight: 400;">, com o </span><i><span style="font-weight: 400;">AppleTV+</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso atraiu atores, como no caso de Adam Sandler que está tendo e ainda terá seu rosto vinculado na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> graças a um </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-152937/"><span style="font-weight: 400;">contrato multimilionário</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a locadora vermelha. Ela também foi responsável por começar a movimentar o mercado de diretores &#8211; algo inédito até então &#8211; e teve como suas primeiras aquisições, a exclusividade de Alfonso Cuarón, que rendeu o brilhante </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-roma/"><i><span style="font-weight: 400;">Roma</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e Martin Scorsese, responsável pela obra prima </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-irlandes-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Irlandês</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(hoje, os dois também tem parceria com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple</span></i><span style="font-weight: 400;">). As duas colaborações resultaram em indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> para o careca dourado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Scorsese inclusive, é um </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/martin-scorsese-critica-plataformas-de-streaming-arte-e-sistematicamente-desvalorizada/"><span style="font-weight: 400;">ferrenho defensor</span></a><span style="font-weight: 400;"> da experiência cinematográfica no espaço Cinema (vale lembrar que é dele a carta de amor </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/invencao-de-hugo-cabret-critica"><i><span style="font-weight: 400;">A Invenção de Hugo Cabret</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). Em um primeiro momento, as telas se mostram, assim como o lendário diretor, relutantes. Tanto que, um filme original das plataformas, para concorrer ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, precisava estrear no </span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/oscar-volta-exigir-que-filmes-sejam-exibidos-no-cinema-para-concorrer/"><span style="font-weight: 400;">circuito comercial</span></a><span style="font-weight: 400;">. Isso demonstrava que, por mais ameaçado, o Cinema ainda se mantinha no topo da hierarquia audiovisual. Porém, os dois anos de pandemia foram responsáveis por virar o mundo ao contrário sem que ninguém reparasse.</span></p>
<figure id="attachment_30301" aria-describedby="caption-attachment-30301" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30301 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-3-800x533.jpg" alt="Cena do filme, Mank. Nela vemos a silhueta do personagem-título, interpretado por Gary Oldman, dá para notar que Mank é um homem de meia idade,de cabelos curtos e com barriga. Ele está de lado para a câmera, veste um terno e uma calça social, aparentemente pretos. Ele segura uma bengala sobre o ombro esquerdo. Mank é um filme de época, por isso, a imagem é em preto e branco, e a ambientação da casa onde o personagem está tem objetos antigos, como um abajur, um rádio e poltronas em couro. Há uma luz entrando pela porta e janela, evidenciando o branco da cena." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-3-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30301" class="wp-caption-text">O ápice do Tudum na premiação da Academia também convergiu com o ápice da pandemia: 2021; ao todo foram 35 indicações, com <a href="https://personaunesp.com.br/mank-critica/">Mank</a> &#8211; fruto do contrato de exclusividade com o diretor David Fincher (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As salas físicas deixaram de ser unanimidade e receptáculo de uma forma de Arte, para agora desenvolver uma relação de competição sem ao menos desenvolver um produto próprio para competir. A própria Academia, </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-present-all-23-artigo/"><span style="font-weight: 400;">sinônimo de conservadorismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, desenvolveu um </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> próprio para driblar o período pandêmico e a burocracia de enviar cópias aos votantes. Ainda no formato antigo da categoria de Melhor Filme, com seus oito indicados, filmes originais de plataformas começaram a figurar na principal disputa a partir de 2019 com </span><i><span style="font-weight: 400;">Roma</span></i><span style="font-weight: 400;">, que também integrou &#8211; e venceu &#8211; a categoria de Melhor Filme Internacional daquele ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse cenário é um legado bom da chegada das plataformas digitais</span> <span style="font-weight: 400;">na indústria. Com um mercado mais globalizado e tais serviços com frentes fora do eixo americanizado, a visibilidade da categoria internacional aumentou, muito também em função da renovação dos votantes. O reflexo pode ser visto na edição de 2023 do </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=oscar"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">sendo altamente reconhecido e </span><a href="https://personaunesp.com.br/rrr-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">RRR</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se tornando uma esnobada sentida pelo público.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">case </span></i><span style="font-weight: 400;">da indústria internacional esperava ser replicado na produção local americana. As expectativas ficaram ainda mais altas após </span><a href="https://personaunesp.com.br/no-ritmo-do-coracao-coda-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">No Ritmo do Coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se tornar o primeiro filme de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> a conquistar a estatueta mais importante da noite no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> O longa apresentava sinais de um eventual domínio dos serviços, principalmente por ter sido adquirido em Sundance, festival em que os grandes estúdios disputam as obras exibidas e, mesmo com a alta demanda, caiu nas mãos de uma iniciante como a </span><i><span style="font-weight: 400;">AppleTV+</span></i><span style="font-weight: 400;">, demonstrando a força dessas plataformas para além do conteúdo próprio. Porém, as coisas saíram dos trilhos muito rápido.</span></p>
<figure id="attachment_30303" aria-describedby="caption-attachment-30303" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30303 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-4-800x450.jpg" alt="Cena do filme No Ritmo do Coração. Nela vemos a personagem Ruby, uma jovem ruiva. Ela apresenta algumas sardas na altura da bochecha e veste uma camisa xadrez flanelada nas cores vermelho, branco e preto. Ela está em uma caminhonete azul, e sobre a janela do banco do passageiro, que está aberta. Ela olha para trás. Ruby é surda, por isso faz um sinal com a mão direita, proveniente da Língua Americana de Sinais. Seu dedos mindinho, indicador e polegar estão levantados, enquanto o dedo do meio entrelaça com o indicador. O sinal forma as letras I, R, L e Y, que é a abreviação de “I Really Love You” traduzido para o português como “ Eu realmente amo você”." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-4-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-4.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30303" class="wp-caption-text">Como não podia ser diferente, o primeiro trunfo dos streamings foi um dos mais contestados das últimas edições  (Foto: AppleTV+)</figcaption></figure>
<p><b>Uma decolagem demorada e uma queda relâmpago</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das recentes vitórias, é fato que o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> nadou contra a maré para se estabelecer na indústria. O conservadorismo do entretenimento, em especial da Academia, sem dúvidas foi um dos maiores dificultadores. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=k3SetKgjSn8"><i><span style="font-weight: 400;">Beasts of No Nation</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">por exemplo, foi uma das primeiras esnobadas de produtos originais das plataformas ainda em 2016, e nesse início era deliberadamente desenvolvido todo um </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/03/05/cultura/1551772672_420794.html"><i><span style="font-weight: 400;">lobby</span></i><span style="font-weight: 400;"> contra</span></a> <i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">e derivados. Com a proliferação dessas produções, chegou em um ponto em que ficou impossível esquecê-los, mas mesmo assim, de alguma forma, eles ainda eram prejudicados pela associação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas é aí que entra um problema: os serviços digitais não sabem e não têm malícia para fazer campanha. A </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">por exemplo, não se arriscou e após a vitória decidiu apostar no irmão espiritual de </span><i><span style="font-weight: 400;">CODA</span></i><span style="font-weight: 400;">, resultando no esquecível </span><i><span style="font-weight: 400;">Cha Cha Real Smooth</span></i><span style="font-weight: 400;"> como seu filme da temporada. A </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo com ótimos nomes no catálogo, focou erroneamente no tardio </span><a href="https://personaunesp.com.br/glass-onion-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O caso mais absurdo é o da </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon</span></i><span style="font-weight: 400;">. A empresa do calvo que quer ser astronauta tinha o ouro incontestado </span><a href="https://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em mãos, mas moveu mundos e fundos para a campanha de </span><i><span style="font-weight: 400;">Treze Vidas</span></i><span style="font-weight: 400;">. “Qual?” você deve estar pensando. Exatamente.</span></p>
<figure id="attachment_30304" aria-describedby="caption-attachment-30304" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30304 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-5-800x450.jpeg" alt="Cena de Top Gun: Maverick. Nela, vemos o personagem Pete “Maverick”, interpretado por Tom Cruise, um homem branco de olhos azuis que apesar da meia idade, parece novo. Ele veste um uniforme da força aérea americana, nas cores preta e verde militar. Ele está na cabine de um caça, por isso veste também um capacete preto com riscos vermelhos e brancos e o nome “Maverick” no centro. Ele faz um joinha com as mãos. Ao fundo, uma cadeia de montanhas." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-5-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-5-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-5-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-5-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-5-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-5.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30304" class="wp-caption-text">36 anos depois do sucesso de bilheteria que iniciou a franquia, Top Gun: Maverick, além de ser a <a href="https://olhardigital.com.br/2022/06/17/cinema-e-streaming/top-gun-maverick-ja-e-o-filme-de-maior-bilheteria-da-carreira-de-tom-cruise/">maior arrecadação</a> da carreira de Tom Cruise, foi um dos responsáveis por fazer o cinema decolar novamente (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, o que botou a pá de cal em um 2022 tenebroso nos </span><i><span style="font-weight: 400;">streamings</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi a volta dos cinemas com os dois pés na porta. Depois de muito ensaiar (e falhar) seu retorno, como assistimos na empreitada desastrosa de Nolan com </span><a href="https://personaunesp.com.br/tenet-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tenet</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou no despercebido </span><i><span style="font-weight: 400;">Velozes e Furiosos 9</span></i><span style="font-weight: 400;">, a Sétima Arte parecia se tornar uma das sequelas da pandemia no pós-isolamento e provavelmente passaria a ser regida pelas plataformas de</span> <a href="https://www.linkedin.com/pulse/streaming-e-vod-video-on-demand-voc%C3%AA-sabe-diferen%C3%A7as-entre-seegerer/?originalSubdomain=pt"><i><span style="font-weight: 400;">VoD</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, o que aconteceu fugiu do roteiro imaginado. No berço de Hollywood, o crescimento de bilheteria em 2022, comparado a 2021, foi de 65%, tornando a América do Norte novamente o maior mercado consumidor de Cinema, com uma arrecadação de </span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/arrecadacao-bilheteria-nos-cinemas-2022/"><span style="font-weight: 400;">U$S 25 bilhões</span></a><span style="font-weight: 400;">. Já no Brasil, o agora ano de retomada representou um aumento de </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/retomada-do-cinema-no-brasil-publico-aumenta-485-no-1o-semestre-de-2022/#:~:text=R%C3%9ASSIA%20X%20UCR%C3%82NIA-,Retomada%20do%20cinema%20no%20Brasil%3A%20p%C3%BAblico%20aumenta%20485,no%201%C2%BA%20semestre%20de%202022&amp;text=Filmes%20de%20grandes%20est%C3%BAdios%20como,a%20retomada%20do%20cinema%20brasileiro."><span style="font-weight: 400;">485%</span></a><span style="font-weight: 400;"> no público somente no primeiro semestre, de acordo com a Ancine. A volta foi capitaneada por </span><a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-maverick-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun: Maverick</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o retorno da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/marvel/"><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (apesar de suas críticas) às grandes telas e contou também com Steven Spielberg e James Cameron, pai e padrasto do </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400;">, respectivamente.</span></p>
<figure id="attachment_30305" aria-describedby="caption-attachment-30305" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30305 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-6-800x422.jpg" alt="Cena do filme Avatar: O Caminho da Água. Nela vemos os Navi’s, habitantes do planeta Pandora, onde se passa a história. Eles tem formato humanóide, porém são bem altos e esguios. Eles são azuis por inteiro, com algumas listras em tons azuis mais claros. Seu cabelo é uma espécie de dread e suas orelhas se assemelham a orelhas de elfo. Eles também tem rabo. Os dois Navi’s da imagem vestem uma espécie de poncho na cor marrom que cobre parte de seu corpo. Eles estão montados em uma criatura,uma espécie de pterodáctilo, também na cor azul, que está voando. Ao fundo, o céu com um pôr do sol, e o mar logo abaixo." width="800" height="422" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-6-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-6-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-6.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30305" class="wp-caption-text">Repetindo o fenômeno do título anterior, <a href="https://personaunesp.com.br/avatar-o-caminho-da-agua-critica/">Avatar: O Caminho da Água</a> só não tomou o reinado de Top Gun: Maverick de maior bilheteria de 2022 devido a curta janela de lançamento no final do ano (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><b>O ciclo sem fim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Claro que isso refletiria na maior premiação do Cinema. Quando o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> começou a figurar na disputa de Melhor Filme no Oscar, em 2019, </span><i><span style="font-weight: 400;">Roma</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi o único representante dos serviços. Gradativamente, a aparição dessas produções foi aumentando, com </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-oscar-2021/"><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-cerimonia-artigo/"><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentando a maior cota, com três filmes cada edição. O que se esperava era que, para o ano de 2023, ainda como reflexo do final do isolamento, o número se mantivesse, ou se superasse. Porém, a principal categoria voltou ao patamar de 2019: apenas um indicado, mais uma vez pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> e com um filme internacional. Só que a nomeação desse ano é mais mérito próprio de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front </span></i><span style="font-weight: 400;">(que nem tem tantos méritos, é só mais um filme de guerra) do que da </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudum</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas é importante ressaltar que essa não é uma história de vilão contra mocinho. </span><a href="https://personaunesp.com.br/babilonia-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> explicita que a indústria é um ninho nefasto de cobra engolindo cobra, e nessa narrativa toda não há distinção polarizada e muito menos bem contra o mal: o Cinema como produto é a vítima, o acusado e a testemunha. Outro aspecto que a obra de </span><a href="https://www.papelpop.com/2022/12/conheca-damien-chazelle-diretor-que-acumula-premios-no-cinema-e-esta-vindo-com-babilonia/"><span style="font-weight: 400;">Chazelle</span></a><span style="font-weight: 400;"> também nos mostrou é que essa não foi a primeira vez que a Sétima Arte foi posta contra a parede, e provavelmente não será a última. Portanto, ela sabe se moldar às adversidades que naturalmente criará à medida que for se desenvolvendo e também as que forem impostas à ela. E na lei do mais forte, mais uma vez o Cinema prova sua força conquistada em seus mais de 120 anos de história.</span></p>
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		<title>O olhar de EO: a sensibilidade animal no Cinema</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Mar 2023 22:38:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori A simbiose entre a ficção com a representação da vida animal, não humana, poucas vezes se destitui da essência do bicho Homo sapiens. É como se não existisse, em uma contaminação da prática artística a um obrigatório humanismo, uma forma de evocação de sentimento e empatia senão por uma figura antropomorfa, ou então, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/eo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O olhar de EO: a sensibilidade animal no Cinema"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30225" aria-describedby="caption-attachment-30225" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30225 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo1.jpg" alt="Sob o fundo de um céu azul, o burro Eo, de cor cinza, branca e leves tons marrons, olha diretamente à câmera. Suas orelhas estão levantadas e sua boca enlaçada." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30225" class="wp-caption-text">Em Cannes, na competição do Grande Prêmio do Júri, EO empatou com o longa The Eight Mountains, dirigido por Felix van Groeningen e Charlotte Vandermeersch (Foto: Skopia Film)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A simbiose entre a ficção com a representação da vida animal, não humana, poucas vezes se destitui da essência do bicho </span><i><span style="font-weight: 400;">Homo sapiens</span></i><span style="font-weight: 400;">. É como se não existisse, em uma contaminação da prática artística a um obrigatório humanismo, uma forma de evocação de sentimento e empatia senão por uma figura antropomorfa, ou então, uma figura humanizada por sua trajetória ou pelo próprio espectador</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Daí nascem as fábulas e desenhos infantis com animais falantes e impasses morais, ou até mesmo </span><a href="https://apaladewalsh.com/2020/05/au-hasard-balthazar-peregrinacao-acidentada/"><i><span style="font-weight: 400;">A Grande Testemunha</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1966), de Robert Bresson. Pela sua câmera minimalista, </span><i><span style="font-weight: 400;">Au Hasard Balthazar</span></i><span style="font-weight: 400;">, título original da obra, acompanha a tortuosa trajetória — análoga até mesmo à renúncia de Jesus Cristo — da vida de um burro; implicando em seu caminho as brutais relações de poder, classe, gênero, mas, acima de tudo, entre os </span><a href="https://www.slashfilm.com/870967/eo-review-a-damning-take-on-humanitys-relationship-with-animals-cannes/"><span style="font-weight: 400;">humanos e animais</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-30221"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, mesmo que as emoções, suscitadas por Bresson ao contar as aflições de Balthazar, se deem por seu caráter de comparação à figura histórica e cultuada de Cristo, ele também inaugura uma visão própria desse animal, acometido por castigos e maus tratos, ao imaginário dessas narrativas. É desse ponto que </span><i><span style="font-weight: 400;">EO </span></i><span style="font-weight: 400;">(2022)</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">o mais recente filme do diretor experimental </span><a href="https://www.bfi.org.uk/features/where-begin-jerzy-skolimowski"><span style="font-weight: 400;">Jerzy Skolimowski</span></a><span style="font-weight: 400;">, procura partir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao retratar, no burro de circo Eo, uma travessia </span><a href="https://www.slantmagazine.com/film/eo-review-jerzy-skolimowski/"><span style="font-weight: 400;">inspirada</span></a><span style="font-weight: 400;"> na de Balthazar, mas no contexto da Europa contemporânea — tomada de contrastes entre o tecnológico e o natural — Skolimowski constrói uma linguagem inovadora para equiparar as lentes do Cinema as de outras formas de vida. Sua tentativa é, em um filme vencedor em um empate no Prêmio do Júri em </span><a href="https://www.instagram.com/p/CgnO52sOQ9w/?utm_source=ig_web_copy_link"><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e indicado a Melhor Filme Internacional no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">, de projetar essa narrativa não aos olhos humanos, mas sim, ao olhar de um burro e de outros animais que habitam o bioma de seu filme.</span></p>
<figure id="attachment_30226" aria-describedby="caption-attachment-30226" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30226 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo2-1-scaled.jpg" alt=" Em uma planície escurecida pelo ambiente, que está amanhecendo, em um céu azul mais escuro e tomado de nuvens, se observa, mais longe ao plano, apenas a silhueta do burro Eo, também escurecido pela luz." width="2560" height="1439" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo2-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo2-1-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo2-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30226" class="wp-caption-text">EO é filmado majoritariamente filmado na cidade de Bukowsko, na Polônia (Foto: Skopia Film)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contando com um papel coadjuvante da magnânima </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/filmes/isabelle-huppert-o-que-me-leva-a-seguir-adiante-nas-telas-sao-ideias-cheias-de-frescor,be784308eeaeddddb7558f6bb01e8823wktaturl.html"><span style="font-weight: 400;">Isabelle Huppert</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa não é exatamente uma </span><i><span style="font-weight: 400;">masterclass</span></i><span style="font-weight: 400;"> de atuação de seu protagonista, um papel exercido por seis burros diferentes (não feridos na árdua trajetória da interpretação). Entretanto, o manifesto interespécie de Skolimowski é um exercício exemplar de montagem e pós-produção, principalmente no que concerne ao potencial da edição de Agnieszka Glinska em salientar os aspectos expressivos e conceituais de uma obra. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A perspectiva colocada pelo </span><a href="https://mubi.com/cast/jerzy-skolimowski"><span style="font-weight: 400;">diretor</span></a><span style="font-weight: 400;"> e traduzida pela cinematografia, encabeçada por Michael Dymek, se materializa em imagens distorcidas, com a janela e o enquadramento cinematográfico comprometidos ou em tons de contraste: entre um azul anil, indicativo de pontos de calmaria na fuga de Eo, e um vermelho sangue que estardalhaça a tela e constantemente reconstrói o tom do filme.  A sequência inicial, em que o burro ainda é o centro de atração de um espetáculo circense, é acometida por essa colorização, indicativa da violência do ato que poderia, por outros retratos, ser de grande singeleza e até mesmo passional ao que é, essencialmente, uma exploração da vida animal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A uma filmografia contemplada pelo experimentalismo</span><i><span style="font-weight: 400;">, EO </span></i><span style="font-weight: 400;">funciona tanto enquanto um suspiro de leveza, — mesmo que carregue, em sua estrutura, esses momentos de brutalidade e tensão — quanto um gesto decisivo de maturidade de seu diretor. Afinal, com 84 anos, Jerzy Skolimowski parece se comprometer a uma </span><a href="https://www.nytimes.com/2023/01/03/movies/eo-donkey-escape.html"><span style="font-weight: 400;">ternura crítica</span></a><span style="font-weight: 400;">, que busca tanto se colocar no espaço de um </span><a href="https://razaoinadequada.com/2016/04/05/devir-animal/"><span style="font-weight: 400;">devir animal</span></a><span style="font-weight: 400;">, um conceito amparado na teoria do filósofo Gilles Deleuze e da pensadora Donna Haraway, quanto denunciar o mundo contemporâneo e os arcabouços criados pela Humanidade. </span></p>
<figure id="attachment_30223" aria-describedby="caption-attachment-30223" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30223 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo3.jpg" alt="Próximo à câmera, apenas uma parte da cabeça, em perfil, de Eo é captada, como eus olhos negros e uma tira da fivela que enlaça sua boca. O fundo e toda a colorização da imagem é vermelha, sendo seu pelo, pela luz, de algo como um laranja escuro." width="1024" height="682" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo3.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo3-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30223" class="wp-caption-text">Skolimowski se utiliza do popular recurso POV — no qual adere um ponto de vista em primeira pessoa — para aproximar seu personagem do público (Foto: Skopia Film)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É assim que segue Eo. Assim como no elogiado </span><i><span style="font-weight: 400;">Okja</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">do diretor vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bong Joon-Ho</span></a><span style="font-weight: 400;">, a trajetória animal, para além de pontos de reviravolta ou de suspense, dada a vulnerabilidade que lhe é atribuída, é feita desses instantes quiméricos e espontâneos de leveza ou de desterramento pela civilização. Na Europa em que são marcados os seus passos equinos, também habita um complexo vivo de tecnologias, onde até mesmo moinhos eólicos parecem monstros para os olhos de um burro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://apaladewalsh.com/2023/02/eo-efeito-burreshov/"><span style="font-weight: 400;">diálogo</span></a><span style="font-weight: 400;"> estabelecido por Skolimowski entre o naturalismo de Bresson e a transgressão de Haraway, fundadora de um pensamento </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/os-melhores-livros-de-2022/o-futuro-e-multiespecie#:~:text=Bi%C3%B3loga%20molecular%20de,a%20nossa%20interioridade."><span style="font-weight: 400;">ciborgue</span></a><span style="font-weight: 400;"> — no qual são desafiados os limites entre natural e tecnológico —, é constante na mensagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">EO</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Representados nas filmagens como se fossem bichos, drones são personagens e técnicas dessa narrativa, por serem também utilizados para a captura de sequências do filme. O fluxo do natural ao artificial e mecânico se exalta na direção do som e da trilha sonora do filme (responsabilidade, respectivamente, de </span><span style="font-weight: 400;">Radoslaw Ochnio e Pawel Juzwuk), </span><span style="font-weight: 400;">em que a delicadeza de fundos musicais que parecem ter saído diretamente de um longa da Disney tornam-se pesadelos industriais, em batidas eletrônicas agressivas e metálicas.</span></p>
<figure id="attachment_30222" aria-describedby="caption-attachment-30222" style="width: 1240px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30222 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo4.jpg" alt="A foto captura apenas uma parte do perfil de Eo. Observam-se seus olhos negros, a coloração esbranquiçada perto dos olhos e do focinho e da tira preta de tecido que o enlaça e é presa por um aro metálico em sua face. Ao fundo, uma floresta esverdeada borrada, e borrões azulados tomam a superfície da imagem." width="1240" height="698" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo4.jpg 1240w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/eo4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30222" class="wp-caption-text">EO é o primeiro filme do diretor a ser indicado na premiação da Academia (Foto: Skopia Film)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contra </span><a href="https://personaunesp.com.br/close-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Close</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-filme-estrangeiro/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023, </span><i><span style="font-weight: 400;">EO </span></i><span style="font-weight: 400;">também direciona seu olhar aos tumultos contemporâneos da atualidade. O ativismo contra a crueldade animal, a relação de poder entre homens e mulheres, o ambientalismo e até mesmo as tensões entre grupos políticos extremistas são como interlúdios à centralidade das relações dos animais com a exterioridade. Das cidades, passando pelas tralhas de um lixão tecnológico, até chegar às florestas, os cenários são percebidos em planos majoritariamente fechados e focados na figura de Eo, que tem seus olhos e corpo capturados com proximidade pela câmera. Que isso é uma tentativa máxima de se aproximar de sua experiência e subjetividade, é claro; mas até a presença de seus grunhidos e da maneira em que se comporta diante de outros animais abre, às lacunas obrigatórias de toda história, a possibilidade de se imaginar: ‘‘</span><a href="https://mubi.com/notebook/posts/the-donkey-s-eyes-jerzy-skolimowski-discusses-eo#:~:text=At%20that%20very,the%20film%E2%80%99s%20situation."><span style="font-weight: 400;">o que ele sente?</span></a><span style="font-weight: 400;">’’</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No terceiro roteiro de longa-metragem que escreve juntamente de sua esposa, Ewa Piaskowska, Jerzy Skolimowski não abandona sua </span><a href="https://www.magazine-hd.com/apps/wp/eo-critica-analise/"><span style="font-weight: 400;">tônica crítica</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas a desenvolve a partir de um padrão visual. São recorrentes as imagens do olho de Eo, deslumbrado pelo mundo que o cerca, distorcido e fantasioso. Essas imagens são uma abordagem radical, </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema/cannes-eo-de-jerzy-skolimowski"><span style="font-weight: 400;">na forma do Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao treinamento linguístico que o filósofo Jacques Derrida se submeteu, ao se questionar da maneira como ele deveria retornar ao </span><a href="https://grattoncourses.files.wordpress.com/2016/12/the-animal-that-therefore-i-am-jacques-derrida-ed-marie-louis-mallet-tr-david-wills.pdf"><span style="font-weight: 400;">olhar ruminativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu animal de estimação, um gato. </span><span style="font-weight: 400;">Nisso, o diretor polônes tenta se aproximar do ver e do sentir animal sugerindo, em suas passagens oníricas, até mesmo a possibilidade do sonho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que distingue </span><i><span style="font-weight: 400;">EO </span></i><span style="font-weight: 400;">da fábula e do conto moral de Robert Bresson, o qual se inspira, é nunca assumir certeza acerca dessa </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/movies/story/2022-12-02/eo-review-donkey-movie-jerzy-skolimowski"><span style="font-weight: 400;">sensibilidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Essa aproximação é um ato enigmático, um desafio que apenas as dúvidas e improbabilidades da metáfora, trazida pela Arte, é capaz de compreender. O burro de Skolimowski é um personagem enigmático, que revela uma filosofia própria de entendimento do mundo até em seu próprio fim, enigmático e brutal demais para ser uma simples coincidência ou fatalidade do destino. Na experiência de mergulhar-se em outra possibilidade de perceber o mundo, o cineasta não trai o seu objetivo. A </span><a href="https://revistadesvioblog.files.wordpress.com/2018/03/ismail-xavier-o-discurso-cinematogrc3a1fico.pdf"><span style="font-weight: 400;">opacidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Cinema experimental, que ressalta o trabalho da técnica e da linguagem cinematográfica, cede lugar ao ilusionismo de uma perspectiva que renuncia o trabalho humano. </span><i><span style="font-weight: 400;">EO </span></i><span style="font-weight: 400;">é, para além de um filme, uma pesquisa sobre </span><a href="https://airmail.news/issues/2022-12-3/animal-instinct"><span style="font-weight: 400;">outras maneiras de representar e sentir</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="EO [2022] Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ii0gjj963ZY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Close nos aproxima da dor das rupturas</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Mar 2023 21:42:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Ceder a pressão social é fácil, quase um instinto do ser humano em busca de aceitação e, por vezes, sobrevivência. O ponto é que tudo pode ser desfigurado para que possamos caber nas caixas ditas como certas: roupas, cabelos e até mesmo os amores. Em Close, filme lançado em 2022 sob a direção &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/close-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Close nos aproxima da dor das rupturas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30073" aria-describedby="caption-attachment-30073" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30073" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-1.jpeg" alt="Cena do filme Close. Rémi e Léo estão olhando um para o outro. Léo é um garoto branco loiro de olhos azuis, ele está vestindo uma camiseta branca e tem uma mochila azul marinho nas costas. Rémi é um menino branco de cabelos e olhos castanhos, ele veste uma camiseta bordô e usa uma mochila verde musgo. Ambos têm feições sérias" width="1024" height="564" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-1.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-1-800x441.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-1-768x423.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30073" class="wp-caption-text">Close é uma coprodução belga, holandesa e francesa, e concorre na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar de 2023 (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ceder a pressão social é fácil, quase um instinto do ser humano em busca de aceitação e, por vezes, sobrevivência. O ponto é que tudo pode ser desfigurado para que possamos caber nas caixas ditas como certas: roupas, cabelos e até mesmo os amores. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Close</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme lançado em 2022 sob a direção de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2s_vL_9rFFY"><span style="font-weight: 400;">Lukas Dhont</span></a><span style="font-weight: 400;">, os protagonistas figuram o ato de cortar os laços mais profundos como se fossem uma linha fina &#8211; rompem-se com facilidade, mas ficam as pontas esfarrapadas. </span></p>
<p><span id="more-30070"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Léo (Eden Dambrine) e Rémi (Gustav de Waele) estão no início da adolescência e têm uma intimidade apaixonante construída, mas os olhos de terceiros tendem a ver as coisas sob lentes escuras, nubladas por estigmas. Os garotos se amam, sem rótulos definidos – não nos cabe força-los a mais enquadramentos –, é uma pena que em um mundo em que a </span><a href="https://personaunesp.com.br/ataque-dos-caes-critica/"><span style="font-weight: 400;">masculinidade tóxica</span></a><span style="font-weight: 400;"> reina demonstrar ternura seja um sinal franco de vulnerabilidade. Assim, os toques, o cuidado e até o carinho se dissipam em tons cinzentos, movidos pelo desejo de se encaixar.  </span></p>
<figure id="attachment_30074" aria-describedby="caption-attachment-30074" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30074" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-2.jpg" alt=" Cena do filme Close. Na imagem estão Léo, Rémi e sua mãe, Sophie. Sophie é uma mulher branca de cabelos e olhos castanhos, ela está vestindo uma camiseta regata rosa pálido e olha para Léo. Léo é um menino branco de cabelos loiros e olhos azuis, ele veste uma camiseta amarelo bebê e retribui o olhar de Sophie. Rémi é um menino branco de cabelos e olhos castanhos, ele está vestindo uma camiseta verde escura e está deitado com a cabeça dos outros dois sobre sua barriga. Os três estão sorrindo" width="768" height="461" /><figcaption id="caption-attachment-30074" class="wp-caption-text">Close chega aos cinemas brasileiros no dia 02 de Março e marca presença na MUBI a partir de 21 de Abril (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os primeiros </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> são ingênuos, leves e ensolarados. A câmera caminha em direção aos rostos dos meninos e podemos sentir o quanto aquela relação é especial. Eles têm 13 anos e estão começando um novo ano letivo na escola, ambiente em que as coisas começam a mudar. A aproximação dos meninos é julgada pelos colegas, termos </span><a href="https://gamarevista.uol.com.br/sociedade/debate-lgbtqia-escolas/"><span style="font-weight: 400;">homofóbicos</span></a><span style="font-weight: 400;"> são ditos e isso basta para que a distância ganhe casa e, cada vez mais, seja possível entender como nada continua igual. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho de fotografia comandado por </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/frank-van-den-eeden"><span style="font-weight: 400;">Frank van den Eeden</span></a><span style="font-weight: 400;"> é primoroso, desde as luzes até a forma como os personagens e cenários são captados. Tudo é morfológico: habita a forma que a narrativa precisa. O enquadramento caminha com o afastamento dos protagonistas e, em certo momento, o foco deixa de repousar sobre suas faces para abrigar os elementos ao redor, conforme Léo e Rémi permitem a expansão desse mundo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não fazer afirmações, um dos cernes do enredo – escrito por Dhont em parceria com Angelo Tijssens – é a homofobia, a forma como a exclusão de pessoas que sequer lembrem o universo</span> <a href="https://personaunesp.com.br/the-owl-house-critica/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> é naturalizada e capaz de gerar desgastes e mudanças. O protagonista não precisa de muito para passar a se policiar sobre a forma com a qual trata o amigo, o medo é um soldado cruel e invade sem bater na porta.</span></p>
<figure id="attachment_30071" aria-describedby="caption-attachment-30071" style="width: 1680px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30071" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3.jpg" alt="Cena do filme Close.Na imagem, Rémi e Léo olham para uma colega de classe. Léo é um menino branco de cabelos loiros e olhos azuis, ele veste uma camiseta de manga longa na cor branca. Ao seu lado está Rémi, um menino branco de cabelos e olhos castanhos, ele veste uma blusa vermelha de mangas. Os dois encaram a colega que não aparece na foto." width="1680" height="838" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3.jpg 1680w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3-800x399.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3-1024x511.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3-768x383.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3-1536x766.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3-1200x599.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30071" class="wp-caption-text">Close fez parte da 24ª edição do Festival do Rio de 2022 (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Continuar a ver o filme é doloroso, uma experiência absolutamente devastadora com passe livre para fazer todos os sentimentos de alguém se desdobrarem. Nada precisa ser explícito ou violento para causar angústia, aqui os rumos da vida se mostram imprevisíveis e nada simplistas. Neste cenário sombrio e regado a lágrimas, a passagem dos dias ganha menos luz, paz e </span><a href="https://personaunesp.com.br/copo-vazio-critica/"><span style="font-weight: 400;">amor</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acima de qualquer coisa, </span><a href="https://www.wmagazine.com/culture/close-movie-director-lukas-dhont-interview"><i><span style="font-weight: 400;">Close</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é sobre consequências e quebras. A narrativa explora em Léo e nos pais de Rémi, Sophie (Émilie Dequenne) e Peter (Kevin Janssens), o quanto os pedaços quebrados machucam. É possível ver no garoto a quebra da inocência e nos adultos os rumos perdidos a partir de uma ótica intimista e silenciosa. Afinal, os olhos são a janela para a alma e sobram para as palavras o plano secundário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dor transpassa os limites da imagem e ver isso é desesperador, caso houvesse a possibilidade de adentrar a tela e acolher aqueles sentimentos qualquer pessoa o faria. Charlie (</span><a href="https://www.senscritique.com/film/Le_Rire_de_ma_mere/24613358"><span style="font-weight: 400;">Igor Van Diesel</span></a><span style="font-weight: 400;">) acaba sendo o personagem que mais gera essa identificação no público e seu cuidado com o irmão é afetuoso na medida exata. É com ele que vemos Léo ter as únicas reações positivas verdadeiramente sinceras depois do episódio do melhor amigo, as risadas e corridas no campo aquecem um pouco dos tons frios assumidos pela produção. </span></p>
<figure id="attachment_30072" aria-describedby="caption-attachment-30072" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30072" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4.jpg" alt="Cena do filme Close. Na imagem estão Léo, Charlie e o pai, Yves. Charlie tem cabelos loiros escuros e olhos azuis, ele veste uma blusa cinza de mangas sobreposta por um colete preto. Léo é um garoto loiro de olhos azuis, ele veste uma blusa preta de mangas sob um colete azul claro. Yves é um homem branco, careca de olhos azuis, ele veste uma blusa preta com um colete verde. Os três estão fazendo a colheita em um campo verde, vermelho e amarelo." width="1280" height="771" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4-800x482.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4-1024x617.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4-768x463.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4-1200x723.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30072" class="wp-caption-text">Close é o segundo filme da carreira de Lukas Dhont, que já havia sido vencedor da principal premiação de Cannes em 2018 com Girl (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenvolvimento emocionante não passou despercebido pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2023 e o filme concorre na categoria de Melhor Filme Internacional. A disputa conta com os títulos </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">EO</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-menina-silenciosa-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Menina Silenciosa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além de estar cotado a estatueta da Academia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Close</span></i><span style="font-weight: 400;"> competiu ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> na mesma modalidade e apareceu como indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme Estrangeiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibido pela primeira vez no Festival de Cinema de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-o-que-respira-critica/"><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Maio de 2022, o longa-metragem agradou os críticos e arrebatou o </span><i><span style="font-weight: 400;">Grand Prix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na ocasião, os direitos de distribuição da obra para o Reino Unido, Irlanda, América Latina, Turquia e Índia foram adquiridos pelo serviço de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">MUBI</span></i><span style="font-weight: 400;">. A narrativa também mexeu com os membros</span><i><span style="font-weight: 400;"> National Board of Review</span></i><span style="font-weight: 400;">, que ofereceram à produção o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro. </span></p>
<figure id="attachment_30075" aria-describedby="caption-attachment-30075" style="width: 593px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30075" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Captura-de-tela-2023-03-01-183335.png" alt="Cena do filme Close. Na imagem está Léo olhando para baixo. Ele é um menino branco de cabelos loiros e olhos azuis, e veste uma camiseta amarela. Léo está no quarto de Rémi e está triste." width="593" height="335" /><figcaption id="caption-attachment-30075" class="wp-caption-text">Close apareceu no European Film Awards 2022, com indicações a Melhor Filme, Direção, Roteiro e Ator (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2023/01/awards-insider-lukas-dhont-close-interview"><i><span style="font-weight: 400;">Close</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um retrato delicado e dilacerante de como as mudanças se instauram com uma força avassaladora. Sem precisar de apelo, a narrativa sangra em sua própria magnitude. Não é a intenção estabelecer culpados, mas mostrar os pequenos efeitos promovidos por atitudes aparentemente banais. Resta nas mãos de todos um cheque a assinar, mesmo quando isso é cruel e, sinceramente, injusto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez não tenhamos como mudar a estrutura, mas falar das dores proporcionadas por ela é um grande passo e a obra faz isso com excelência. O filme pode não ter um final feliz de </span><a href="https://personaunesp.com.br/pinoquio-guillermo-del-toro-critica/"><span style="font-weight: 400;">conto de fadas</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas, ao contrário do que sua sinopse diz, é, sim, uma história de amor – já que esse sentimento faz parte de todo o enredo, seja na forma pura ou na que coleciona cicatrizes. Nem toda história de amor é feliz, mas só o fato de estar presente faz dele um dos grandes protagonistas. Assim, pode ser que amar nos deixe tão perto de sofrer quanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Close</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos deixa próximos das quebras. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Close | Official Trailer HD | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/6EJGnU2AmV4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A Menina Silenciosa tem muito a dizer</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Feb 2023 15:04:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Vulcano Nos anos 80, em uma região campestre e isolada no mapa da Irlanda, uma garotinha responde aos estímulos mundanos com o silêncio. Ela não é incapaz de dialogar, nem decisivamente conformada a ponto de abrir mão das palavras, mas veste a capa da invisibilidade como tática de sobrevivência em uma casa apática e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-menina-silenciosa-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Menina Silenciosa tem muito a dizer"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29841" aria-describedby="caption-attachment-29841" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29841" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1.1.jpg" alt="Cena do filme The Quiet Girl. Nela, há uma menina branca de olhos azuis e cabelos castanhos, lisos e longos. Ela usa um vestido amarelo listrado, com gola branca, e está em um carro. Ela olha para o lado esquerdo, onde se encontra a janela do veículo. Ao fundo, uma estrada de concreto." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1.1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1.1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1.1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1.1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29841" class="wp-caption-text">Unindo estreias na direção, no roteiro e no elenco, The Quiet Girl foi lançado no 72° Festival Internacional de Cinema de Berlim e chegou ao Brasil pelo <a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-do-rio-2021/">Festival do Rio</a>, em Outubro de 2022 (Foto: Break Out Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Vulcano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos anos 80, em uma região campestre e isolada no mapa da </span><a href="https://mobdica.com/cine/sing-street-mostra-a-irlanda-dos-anos-80-e-o-rock-como-valvula-de-escape/"><span style="font-weight: 400;">Irlanda</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma garotinha responde aos estímulos mundanos com o silêncio. Ela não é incapaz de dialogar, nem decisivamente conformada a ponto de abrir mão das palavras, mas veste a capa da invisibilidade como </span><a href="https://www.sevendaysvt.com/vermont/silence-has-power-in-the-oscar-nominated-irish-language-drama-the-quiet-girl/Content?oid=37598580"><span style="font-weight: 400;">tática de sobrevivência</span></a><span style="font-weight: 400;"> em uma casa apática e disfuncional. Essa é a premissa direta, dolorida e nada despretensiosa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LGWyqty2m-A"><i><span style="font-weight: 400;">The Quiet Girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, filme inspirado no conto </span><a href="https://www.nytimes.com/2022/10/30/books/review/claire-keegan-foster.html"><i><span style="font-weight: 400;">Foster</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Claire Keegan, e dono de uma única e poderosa indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-29840"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O papel de estreia de </span><a href="https://www.irishtimes.com/culture/film/i-am-12-i-don-t-know-what-my-career-will-be-catherine-clinch-star-of-an-cailin-ciuin-1.4806229"><span style="font-weight: 400;">Catherine Clinch</span></a><span style="font-weight: 400;"> se move por uma eterna digestão sensorial. Na pele de Cáit, nome símbolo da pureza e riqueza em potencial, a atriz incorpora a </span><a href="https://personaunesp.com.br/projeto-florida-critica-resenha/"><span style="font-weight: 400;">inocência e curiosidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> tipicamente infantis, que são abaladas todos os dias por várias faces da negligência, ora da escola ou daquele lar, ora de seus próprios pais e irmãos. Sem mascarar a dinâmica injustificável do abandono, as escolhas da produção de </span><a href="https://www.screendaily.com/features/stars-of-tomorrow-2022-cleona-ni-chrualaoi-producer/5171999.article"><span style="font-weight: 400;">Cleona Ní Chrualaoí</span></a><span style="font-weight: 400;">, entre o esconderijo nas plantações do quintal e as fugas do recreio, costuram o sofrimento de sua protagonista ao dos familiares, presos em um ciclo de pesares e pobreza. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante da quinta gravidez da mãe, Cáit é enviada para morar com parentes distantes e, até então, desconhecidos. A </span><a href="http://cineplot.com.br/a-menina-silenciosa-2022-de-colm-bairead/"><span style="font-weight: 400;">transição de atos</span></a><span style="font-weight: 400;"> acontece sob os mesmos faróis que guiam a grandiosidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina Silenciosa</span></i><span style="font-weight: 400;"> (título no Brasil) durante seus 94 minutos: os olhos atentos e profundos de Clinch, que capturam o cerne das mudanças manifestando as opiniões roubadas de sua boca. E, quando essas orbes azuis finalmente descobrem a realidade do </span><a href="https://www.zankyou.pt/p/as-7-historias-de-amor-no-mundo-do-cinema-com-maior-impacto"><span style="font-weight: 400;">afeto</span></a><span style="font-weight: 400;">, não há como voltar atrás.</span></p>
<figure id="attachment_29844" aria-describedby="caption-attachment-29844" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29844" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-2.jpg" alt="Cena do filme The Quiet Girl. Nela, no lado esquerdo, há uma menina branca de cabelos castanhos, lisos e longos. Ela usa vestido amarelo comprido até os joelhos e sandálias marrons. Ela está com as mãos cruzadas à frente do corpo e parada em frente a um carro amarelo, que tem uma das portas traseiras aberta. No lado direito, diante da garota, há uma mulher branca de cabelos brancos presos em um coque. Ela veste camisa rosa de botões e calça marrom, além de abrir um sorriso. Ao fundo, uma estrada de pedregulhos e um jardim verde." width="2000" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-2.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-2-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-2-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-2-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-2-1536x922.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-2-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29844" class="wp-caption-text">O longa venceu sete prêmios no Irish Film &amp; Television Awards 2022, cerimônia mais ilustre de seu país de origem, incluindo Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz (Foto: Break Out Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Amistosos e repletos de camadas, Eibhlín (</span><a href="https://www.wlrfm.com/news/carrie-crowley-says-an-cailin-ciuin-gave-people-confidence-speaking-irish-288583"><span style="font-weight: 400;">Carrie Crowley</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Seán Cinnsealach (</span><a href="https://www.independent.ie/entertainment/theatre-arts/an-cailin-ciuins-andrew-bennett-on-going-from-a-quiet-rural-childhood-to-a-party-hard-life-in-dublin-as-young-actor-41965070.html"><span style="font-weight: 400;">Andrew Bennett</span></a><span style="font-weight: 400;">) coordenam a guinada narrativa na vida da garota, mostrando a força embutida nos gestos mais corriqueiros. Com o carinho espelhado pela presença constante do casal, Cáit se acostuma a tomar banhos quentes, compartilhar a cozinha sorrindo levemente e transformar sua quietude, antes refém do medo, em um traço de identidade em desenvolvimento. Aos poucos, os não-ditos &#8211; que preenchem igualmente a </span><a href="https://lwlies.com/reviews/the-quiet-girl/"><span style="font-weight: 400;">memória enlutada</span></a><span style="font-weight: 400;"> do novo lar &#8211; desenlaçam traumas para recondicionar os horizontes esperançosos da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido e roteirizado por </span><a href="https://popcornpodcast.com/features/the-quiet-girl-colm-bairead-interview"><span style="font-weight: 400;">Colm Bairéad</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, aqui, comanda o primeiro longa-metragem de sua carreira, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Quiet Girl</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem o poder especial de criar pontes entre </span><a href="https://personaunesp.com.br/pinoquio-guillermo-del-toro-critica/"><span style="font-weight: 400;">suavidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><span style="font-weight: 400;">potência</span></a><span style="font-weight: 400;">, sobretudo porque seu primor criativo é encontrar energia na simplicidade dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XP-bO2CHJek"><span style="font-weight: 400;">momentos encenados</span></a><span style="font-weight: 400;">. Premiado e consolidado no universo dos curtas, o cineasta se desenvolve muito bem em uma história estendida que se batiza na dicotomia do amor: sentimento tão complexo quanto trivial, se sabemos lidar com ele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O aspecto emotivo cresce, em paralelo ao ritmo lento e delicado da obra, pela conexão de elementos técnicos que quase cheiram à ternura. Panoramicamente imersiva e caseira, a fotografia de Kate McCullough (</span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Normal People</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) acompanha a maneira de Cáit se relacionar com cada mínimo fator vital que deveria ser belo e colorido por natureza, porém, só alcança </span><a href="https://variety.com/2022/artisans/global/claire-keegan-the-quiet-girl-kate-mccullough-1235437713/"><span style="font-weight: 400;">luz literal</span></a><span style="font-weight: 400;"> após a nítida evolução da personagem. A trilha sonora de Stephen Rennicks (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-quarto-de-jack-ha-mundo-atras-parede/"><i><span style="font-weight: 400;">O Quarto de Jack</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) também não apequena a experiência, climatizando da tempestuosidade à doçura deixadas no caminho.</span></p>
<p><figure id="attachment_29843" aria-describedby="caption-attachment-29843" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29843" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-1.jpg" alt=" Cena do filme The Quiet Girl. Nela, há uma menina branca de cabelos castanhos presos em uma trança. Ela veste blusa branca de gola alta e está retratada de perfil, do pescoço para cima. Ao fundo, uma paisagem verde e um céu azul desfocados. " width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-1-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-1-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29843" class="wp-caption-text">“O filme inteiro realmente descansa nos ombros dela. [&#8230;] Ela tinha essa habilidade ou esse tipo de entendimento”, comentou Bairéad sobre a atuação de Catherine Clinch, em entrevista ao Deadline (Foto: Break Out Pictures)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Edificado por uma série de pioneirismos, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina Silenciosa</span></i><span style="font-weight: 400;"> trouxe alcance e impacto inéditos ao Cinema irlandês. A obra nasceu em </span><a href="https://www.berlinale.de/en/2022/programme/202204521.html"><i><span style="font-weight: 400;">Berlinale</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde recebeu o Urso de Cristal de Melhor Filme pelo Júri </span><i><span style="font-weight: 400;">Generation Kplus </span></i><span style="font-weight: 400;">2022. Meses depois, se tornou a </span><a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-maverick-critica/"><span style="font-weight: 400;">maior bilheteria</span></a><span style="font-weight: 400;"> já vista para um longa-metragem confeccionado na </span><a href="https://www.screendaily.com/news/how-the-quiet-girl-an-cailin-ciuin-became-the-highest-grossing-irish-language-film-of-all-time/5175289.article"><span style="font-weight: 400;">língua hibérnica</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de ganhar exibições em circuitos especializados da Coreia do Sul, Austrália, Inglaterra e dos Estados Unidos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Declarado Melhor Filme Estrangeiro no </span><i><span style="font-weight: 400;">London Film Critics Circle Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022 e indicado a dois prêmios do </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/bafta-2023-indicados"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa chega à 95ª edição do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> alargando seu currículo histórico. Essa é a primeira vez que a Irlanda consegue emplacar um representante na lista de nomeações a Melhor Filme Internacional, enfrentando produções da Alemanha, </span><a href="https://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/"><span style="font-weight: 400;">Argentina</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dlNWImeXzsQ"><span style="font-weight: 400;">Bélgica</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BfBH_YhCcAc"><span style="font-weight: 400;">Polônia</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que a vitória na competição seja projetada para o estrondoso </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a campanha do país europeu na premiação nunca esteve em holofotes melhores. Em um movimento carinhosamente apelidado de “</span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/awards/story/2023-02-14/ireland-oscar-nominations-staggering-count"><span style="font-weight: 400;">onda verde</span></a><span style="font-weight: 400;">”, a terra dos duendes concorre com </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-banshees-de-inisherin-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Banshees de Inisherin</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em outras nove categorias e está nas raízes de </span><a href="https://personaunesp.com.br/aftersun-critica/"><span style="font-weight: 400;">Paul Mescal</span></a><span style="font-weight: 400;">, novato na disputa pela estatueta de Melhor Ator.</span></p>
<figure id="attachment_29842" aria-describedby="caption-attachment-29842" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29842" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-6-1.jpg" alt="Cena do filme The Quiet Girl. Nela, há uma menina branca de cabelos castanhos, lisos e longos, que usa tiara e vestido amarelos. Ela está abraçada a um homem de cabelos curtos e grisalhos, o qual está virado de costas para a imagem. Ele usa casaco preto e retribui o gesto. Ao fundo, um céu azul e uma paisagem verde desfocados." width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-6-1.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-6-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-6-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-6-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-6-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-4-6-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29842" class="wp-caption-text">As definições de “pai” foram brilhantemente atualizadas (Foto: Break Out Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro e fora de si, o filme de Bairéad é sobre construção afetiva e, acima de tudo, sobre como a ternura é </span><a href="https://collider.com/oscars-nominations-2023-the-quiet-girl/"><span style="font-weight: 400;">revolucionária</span></a><span style="font-weight: 400;">. O amor tem diferentes linguagens, ultrapassa convenções e aprende a significar por si mesmo. A cada </span><i><span style="font-weight: 400;">frame</span></i><span style="font-weight: 400;">, o longa mostra que não precisa de muito para emocionar com o reconhecimento de suas sutis, rotineiras e belíssimas expressões de humanidade. No fim, as palavras se apequenam, o sol paira sobre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4oIiLnMv0vQ"><span style="font-weight: 400;">um tremendo abraço</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, nas entrelinhas do pertencimento, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Quiet Girl</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz sua prosa sentimental romper qualquer silêncio.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Quiet Girl - Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/LGWyqty2m-A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Argentina, 1985 é um grito de basta às mazelas da ditadura</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Feb 2023 13:51:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gomes Santana “Eu não sou advogado de ninguém, meu papel como promotor de justiça é acusar”. Assim se impôs Julio Strassera, responsável por um dos julgamentos mais importantes para a democracia ocidental e protagonista de Argentina, 1985. Baseado em fatos reais, o longa dirigido por Santiago Mitre traz à tona o processo que condenou &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Argentina, 1985 é um grito de basta às mazelas da ditadura"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29717" aria-describedby="caption-attachment-29717" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29717" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-3.png" alt="Cena do filme Argentina, 1985, em que Ocampo (à esquerda) e Strassera (à direita) se reúnem em uma lanchonete para discutir sobre as estratégias de acusação que serão utilizadas no julgamento . Na imagem podemos ver as feições de Moreno Ocampo e Júlio Strassera sentados (um de frente para o outro), lado a lado, enquanto pedem dois lanches em uma bancada de restaurante. Ocampo é um jovem branco (aparentemente com os seus 30 anos de idade), ruivo, cabelo e barba encaracolados. Strassera é um senhor no auge de seus 65 anos, branco, cabelo liso preto, possui bigode denso e usa óculos garrafais. Strassera está com um cigarro aceso em mãos fazendo gestos para chamar a atenção de seu colega promotor, Moreno Ocampo. O jovem está com o olhar fixo prestando atenção nas palavras de Júlio." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-29717" class="wp-caption-text">Mais do que um filme, Argentina, 1985 é uma aula de dever à cidadania e exemplo de compromisso público com a democracia (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><strong>Gabriel Gomes Santana</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu não sou advogado de ninguém, meu papel como promotor de justiça é acusar</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Assim se impôs Julio Strassera, responsável por um dos julgamentos mais importantes para a democracia ocidental e protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;">. Baseado em fatos reais, o longa dirigido por Santiago Mitre traz à tona o processo que condenou os crimes contra os direitos humanos cometidos pelos ex-comandantes da ditadura no País. Disponível na plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><span style="font-weight: 400;">da </span><a href="https://www.primevideo.com/detail/0HM2CPRAN241K811SGWRRH09BF/ref=atv_dp_share_cu_r"><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a obra expõe a coragem e persistência de agentes públicos que se comprometeram a enfrentar um sistema repressivo e assassino.</span></p>
<p><span id="more-29716"></span></p>
<p><b>Ficção e realidade se misturam</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na tentativa de se aproximar da realidade, o filme apresenta um panorama histórico completo e bem aprofundado sobre o período de recente democratização do país </span><i><span style="font-weight: 400;">hermano</span></i><span style="font-weight: 400;">. Instaurada na Argentina de 1976 a 1983, a </span><a href="https://paineira.usp.br/memresist/?page_id=239"><span style="font-weight: 400;">última ditadura</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a nação enfrentou ficou marcada por um regime autoritário, repressivo, sangrento e que deixou traumas e feridas abertas até hoje. Ainda que pairasse no ar um sentimento de retomada do poder popular, já com o fim dos governos militares, todos os crimes cometidos até aquela ocasião deixavam perguntas sem respostas através de um sentimento de injustiça dominante perante a sociedade platina. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como aconteceu na Segunda Guerra, no caso do imprescindível </span><a href="https://www.politize.com.br/tribunal-de-nuremberg/"><span style="font-weight: 400;">Tribunal de Nuremberg</span></a><span style="font-weight: 400;">, mais do que dar um basta à barbárie, era necessário encontrar os culpados pelas torturas, assassinatos e massacres. Afinal, não é ao acaso que a estimativa sobre o número de assassinados pelo comando militar argentino ultrapassa a casa dos </span><a href="https://operamundi.uol.com.br/hoje-na-historia/3368/hoje-na-historia-1976-golpe-militar-instaura-ditadura-na-argentina"><span style="font-weight: 400;">30 mil </span></a><span style="font-weight: 400;"> durante os sete anos de sua cruel permanência. Ainda que tentasse esconder, uma boa parcela da população ansiava por um julgamento que criminalizasse os </span><a href="https://www.scielo.br/j/civitas/a/nDGjYwxgPF6j8s5fX4fMMVK/?lang=pt&amp;format=pdf"><span style="font-weight: 400;">engenheiros deste caos</span></a><span style="font-weight: 400;">. É a partir daí que a trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;"> se inicia.</span></p>
<figure id="attachment_29718" aria-describedby="caption-attachment-29718" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29718" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-4.png" alt="Cena do filme Argentina, 1985, em que Strassera e Ocampo conversam com uma senhora de idade, ativista do movimento das Mães da Praça de Maio. Strassera aparece apoiando seu braço em um dos bancos do público que acompanha a sessão do julgamento, enquanto uma senhora, que está sentada olhando para Strassera atentamente se inclina para escutar o que o promotor tem a dizer. Esta senhora aparenta ter uma idade avançada, na casa dos 70 anos de idade e usa um lenço típico das ativistas que protestam pelo desaparecimento de seus filhos e netos, vítimas da perseguição imposta pelo autoritarismo de Videla." width="512" height="384" /><figcaption id="caption-attachment-29718" class="wp-caption-text">Nada mais desesperador do que uma mãe que clama por seu filho (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1983, ano da retomada eleitoral argentina, o então candidato Raúl Alfonsín se elegera através de um discurso que evocava angústia sobre o desaparecimento de milhares de pessoas, tendo o apoio das </span><a href="https://www.socialistamorena.com.br/para-nao-esquecer-a-historia-das-maes-da-plaza-de-mayo-na-argentina/"><span style="font-weight: 400;">Mães da Praça de Maio</span></a><span style="font-weight: 400;">. O movimento foi crucial para que os argentinos se sensibilizassem com a dor de mães e avós que procuravam o paradeiro de seus filhos e netos (muitas continuam em busca de respostas até hoje). Quando Alfonsín assumiu a cadeira presidencial, a imprensa acreditou que, em um primeiro momento, seu governo teria um caráter conciliador, mas ele provou o contrário, sendo bastante afrontoso: colocou nove ex-comandantes militares no banco dos réus para responderem sobre crimes contra humanidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por conta desta brilhante e corajosa decisão, dois anos depois do decreto, a figura do promotor Julio Strassera se fez presente. No longa, ele nos envolve em uma aventura judicial que vai atrás de provas concretas, aliadas a fortes depoimentos de vítimas sobreviventes das sessões de torturas físicas e psicológicas empreendidas por </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/morre-aos-87-anos-o-ex-ditador-argentino-jorge-rafael-videla-eguinkcv3uy8hnirb2fzltc26/#:~:text=Videla%20governou%20o%20pa%C3%ADs%20sul,argentina%20(1976%2D1983)."><span style="font-weight: 400;">Videla</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seus sucessores. O </span><i><span style="font-weight: 400;">gran finale</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;"> estabelece um basta às atrocidades da ditadura. Pelo menos, esse é o sentimento que o filme traz e que, infelizmente, </span><a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/arquivo-s/ha-40-anos-lei-de-anistia-preparou-caminho-para-fim-da-ditadura"><span style="font-weight: 400;">não ocorreu da mesma maneira no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas que pôde dar luz a algumas dicotomias.</span></p>
<figure id="attachment_29721" aria-describedby="caption-attachment-29721" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29721" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-1.png" alt="Cena do filme Argentina, 1985, em que uma mulher é chamada para dar seu testemunho sobre a tortura que sofreu na época do regime. Ela aparece de pé em frente a dois microfones de depoimento, bem centralizada em primeiro plano da imagem. Ao fundo podemos ver a bancada das pessoas que assistem ao julgamento. Ela é uma mulher branca, magra, de cabelo curto, com uma expressão séria e com olhar fixado em direção à câmera frontal. Ela veste um blazer caramelo formal, específico dos anos 1980, junto a uma camisa social de gola V por baixo. Ela carrega uma bolsa preta no ombro esquerdo" width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-29721" class="wp-caption-text">Nada como um relato angustiante e terrível para expor os erros que não devem ser repetidos (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A principal destas contradições diz respeito à </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/explicado/2021/02/21/Lei-de-Anistia-do-al%C3%ADvio-na-reabertura-%C3%A0-impunidade-militar"><span style="font-weight: 400;">Lei de Anistia</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma vez que livrou perseguições políticas, mas deixou as atrocidades militares por debaixo dos panos da história. A grande reflexão por trás da película diz respeito ao </span><i><span style="font-weight: 400;">modus operandi </span></i><span style="font-weight: 400;">reforçado em não apagar memórias. À sua maneira, diversos trechos da narrativa abordam como o país consegue discutir suas dívidas com o passado, demonstrando como a defesa democrática passa, antes de tudo, por uma isonomia de direitos e respeita a atuação autônoma entre os poderes do Executivo e Judiciário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nossos </span><i><span style="font-weight: 400;">hermanos</span></i><span style="font-weight: 400;"> estão longe de ser um povo sem defeitos, mas é justamente a coragem de lidar com o desagradável e expô-lo para a opinião pública que lhes sobra resiliência para seguir em frente debatendo temas cruciais. Recentemente, a </span><a href="https://g1.globo.com/hora1/noticia/2022/09/20/as-raizes-da-crise-economica-argentina-entenda-o-historico-da-economia-no-pais.ghtml"><span style="font-weight: 400;">dura crise financeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o país enfrenta pode ser um exemplo disso. Apesar de todas as discussões (extremamente necessárias) acerca do cenário sociopolítico, o futebol mostrou, mais uma vez, o quanto o povo se </span><a href="https://medium.com/o-contra-ataque/de-palco-da-copa-do-mundo-a-pris%C3%A3o-pol%C3%ADtica-aee820532e94"><span style="font-weight: 400;">une em prol de um mesmo objetivo</span></a><span style="font-weight: 400;">. A cultura popular tem o papel fundamental de estímulo à superação, assim como </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985 </span></i><span style="font-weight: 400;">também cumpre essa missão ao exemplificar aquilo que jamais deve ser tolerado.</span></p>
<figure id="attachment_29720" aria-describedby="caption-attachment-29720" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29720" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image-2.png" alt="Cena do filme ‘Argentina, 1985’ em que Strassera aparece junto de sua equipe investigadora na promoção do inquérito que reuniu as denúncias e provas contra as juntas militares argentinas. Na imagem estão presentes, além de Ocampo e Strassera, mais 8 pessoas que participam da equipe auxiliar dos promotores. As dez pessoas que aparecem nesta imagem são brancas. Destas, apenas 3 são mulheres, uma possui cabelo ruivo e cacheado. Strassera aparece centralizado e à frente dos demais colegas." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-29720" class="wp-caption-text">O sorriso daqueles que defendem a democracia é diferente (Foto: Prime Video)</figcaption></figure>
<p><b>O grande trunfo </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas produções cinematográficas apostam suas fichas em um </span><a href="https://esportes.yahoo.com/noticias/morreu-promotor-julgamento-hist%C3%B3rico-chefes-ditadura-argentina-152727144.html?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAALsKt18Xem5PEdwdAbDwVDHttWkyS4NoOaBW42RupPZJYY1PC5_QRRz0Jti5CsxRQ74UzGAo8iThEH7HHuET8Meb7Als0dUH4vnnbwqlq6hVGrAZxZctk5qOx6AjbUuDE67qgd7CpTcne7CI3i6TJQBIaCzHIBp3rEGWPARarptC"><span style="font-weight: 400;">elemento técnico que se sobressai</span></a><span style="font-weight: 400;"> com sutileza e vigor. A grosso modo, musicais, por exemplo, tendem a valorizar a escolha de uma trilha sonora de impacto e que vá de encontro com a proposta original e estética. No caso do longa, o grande trunfo se baseia na caracterização e atuação dos personagens. Interpretados por Ricardo Darín e Juan Pedro Lanzani, as figuras de Júlio Strassera e Luís Ocampo, respectivamente, são idênticas aos promotores originais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da semelhança física com as pessoas reais que estiveram à frente do processo, é impressionante analisar o perfil satírico e dramático presentes em ambas personalidades na ficção. </span><a href="https://esportes.yahoo.com/noticias/morreu-promotor-julgamento-hist%C3%B3rico-chefes-ditadura-argentina-152727144.html?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAALsKt18Xem5PEdwdAbDwVDHttWkyS4NoOaBW42RupPZJYY1PC5_QRRz0Jti5CsxRQ74UzGAo8iThEH7HHuET8Meb7Als0dUH4vnnbwqlq6hVGrAZxZctk5qOx6AjbUuDE67qgd7CpTcne7CI3i6TJQBIaCzHIBp3rEGWPARarptC"><span style="font-weight: 400;">Strassera é um homem experiente</span></a><span style="font-weight: 400;">, com um olhar atento a tudo e a todos. Porém, seu temperamento frágil o coloca em situações embaraçosas que, embora demonstrem seriedade diante das ameaças sofridas, são um tanto quanto cômicas devido a sua reação, tentando transmitir controle e calma, só que de um jeito desgovernado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ocampo, por outro lado, é o ‘aprendiz caxias’, esforçado em trazer resultados para as incógnitas complexas dos problemas apresentados pelas testemunhas. É curioso notar o quanto ele acaba quebrando a cara ao entender que nem tudo é tão simples e racional quanto parece, sobretudo diante de uma </span><a href="https://periodicos.unb.br/index.php/les/article/view/7534"><span style="font-weight: 400;">sociedade ainda fragilizada pelo medo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma tirania tão influente no imaginário coletivo da época. Parente de militares, o jovem promotor adjunto representa o clichê necessário do ‘</span><a href="https://www.polifonia.com.br/blogpoli/2018/1/9/luke-skywalker-e-a-jornada-do-heri"><span style="font-weight: 400;">padawan</span></a><span style="font-weight: 400;">’ ansioso que se espelha num sábio ‘jedi’ atrapalhado. </span></p>
<figure id="attachment_29722" aria-describedby="caption-attachment-29722" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29722" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/image.png" alt="Fotografia original do julgamento que condenou os ex-generais do exército argentino no ano de 1985. Na imagem podemos ver as feições de Moreno Ocampo e Júlio Strassera sentados (ao canto direito da foto), lado a lado, enquanto encaram os militares, centralizados na imagem, que estão alinhados no banco dos réus. Ocampo é um jovem branco (aparentemente com os seus 30 anos de idade), ruivo, cabelo e barba encaracolados. Strassera é um senhor no auge de seus 65 anos, branco, cabelo liso preto, possui bigode denso e usa óculos garrafais. Os ex-comandantes que estão ao centro são todos homens brancos e, aparentemente, mais velhos." width="512" height="353" /><figcaption id="caption-attachment-29722" class="wp-caption-text">Ocampo e Strassera olhando fixamente para os responsáveis da tortura (Foto: BBC News Brasil)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O Teatro possivelmente contribuiu para uma das maiores e mais difíceis habilidades no campo da atuação: a improvisação. Mesmo que no Cinema o produto final seja gravado e editado em cortes, é possível observar quando uma equipe ensaiou uma sequência cênica e quando não. A </span><a href="https://revistadecinema.com.br/2014/08/a-importancia-dos-dialogos-para-a-narrativa-cinematografica/"><span style="font-weight: 400;">espontaneidade dos diálogos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;"> alia-se à autonomia de Mitre em escolher trechos que, assustadoramente, poderiam acontecer na vida real sem serem previamente pensados. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diversas cenas do filme reproduzem o recurso da improvisação e trazem um toque magistral ao aproximar o espectador ao elenco da trama. Os relatos das vítimas e testemunhas parecem ser direcionados a quem assiste, tornando-os ainda mais comoventes e </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-convidadas-critica/"><span style="font-weight: 400;">emocionantes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Da mesma forma são os diálogos da família Strassera, dando a impressão de que o quinto elemento participante das discussões seja a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kNKSPMj-B5w"><span style="font-weight: 400;">quarta parede</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Em nenhum momento a obra tem a intenção de quebrar essa barreira. Estes detalhes são fruto de uma qualidade fílmica ímpar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Brasil, o público tem o hábito de classificar todo longa-metragem que não tenha os padrões hollywoodianos como alternativos e </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i><span style="font-weight: 400;"> está longe disso. Os parâmetros criativos adotados pelos roteiristas Santiago Mitre e Mariano Llinás, se não superam, são equivalentes a qualquer </span><a href="https://apostiladecinema.com.br/tempo-de-matar/"><span style="font-weight: 400;">clássico de embate jurídico</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não à toa, desde que foi lançada no segundo semestre de 2022, a obra tem percorrido os principais </span><a href="https://portalpopline.com.br/campanha-filme-argentina-1985-oscar/"><span style="font-weight: 400;">festivais internacionais de Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, dentre eles, um dos principais: Veneza.</span></p>
<figure id="attachment_29719" aria-describedby="caption-attachment-29719" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29719" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Darin-e-Mitre.png" alt="Fotografia de Ricardo Darín (protagonista da obra) e Santiago Mitre (diretor e produtor) juntos recebendo o Globo de Ouro, prêmio do festival ‘Golden Globe Awards’. Ambos aparecem de smoking, sorridentes e abraçados. Darin está à esquerda e Mitre aparece à direita carregando a estatueta vencedora da categoria de melhor filme estrangeiro. Santiago Mitre é um homem branco, alto, de cabelo liso e barba falhada. Ao fundo da imagem há um banner de identificação do evento." width="512" height="384" /><figcaption id="caption-attachment-29719" class="wp-caption-text">Vencedores do Globo de Ouro, Darín e Mitre celebraram o Globo de Ouro em clima de Copa do Mundo (Foto: Uol)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado e candidato favorito ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Filme Internacional, a obra é representatividade máxima na América Latina. O trabalho empenhado pelas lentes de Mitre não apenas foi aplaudido pelos críticos durante nove minutos, quando exibido pela primeira vez na cidade italiana, como também consagrou-se vencedor do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Depois da Copa do Mundo, é uma grande alegria</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, comemorou </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/filmes/ricardo-darin-comemora-globo-de-ouro-de-argentina-1985-em-clima-de-copa-do-mundo,07550f609cda05bf974e86b920ed5cf4uelgxydv.html"><span style="font-weight: 400;">Ricardo Darín</span></a><span style="font-weight: 400;">, cheio de emoção. Pode-se dizer que tal feito é semelhante à comparação do ator, uma vez que se destacou entre potentes internacionais, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Decision to Leave</span></i><span style="font-weight: 400;"> (Coréia do Sul), </span><i><span style="font-weight: 400;">RRR </span></i><span style="font-weight: 400;">(Índia) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (Alemanha).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vanguarda na arte de fazer excelentes filmes, a Argentina se destaca como um dos países que são referência quando </span><a href="https://www.institutodecinema.com.br/mais/conteudo/10-filmes-para-conhecer-o-cinema-argentino"><span style="font-weight: 400;">o assunto é Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">. Embora cada obra, diretor, produtor e roteirista tenham perspectivas singulares e distintas, é interessante destacar como a cultura local consegue executar com maestria a transparência dos estereótipos de seu povo. O combo de ricas emoções, contradições e um jeito peculiar de dramatizar assuntos sérios através de um alívio cômico, faz do enredo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985 </span></i><span style="font-weight: 400;">o mais puro </span><a href="https://universoesporte.com.br/maradona-a-despedida-de-um-genio/"><span style="font-weight: 400;">suco argentino possível</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Maradona</span></i><span style="font-weight: 400;">, série bibliográfica sobre o grande ícone e camisa 10 </span><i><span style="font-weight: 400;">hermano</span></i><span style="font-weight: 400;"> é outro exemplo disso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez seja por essa razão que a originalidade e talento dos atores envolvidos no filme</span> <span style="font-weight: 400;">tenha atraído o carisma dos espectadores, sobretudo dos países latinos. Trazer à tona as lembranças de um passado sombrio, infelizmente comum aos países do Cone Sul, é fundamental, não apenas por uma questão de representatividade. Também, para que as sociedades civis destas nações jamais se esqueçam como se deu a </span><a href="https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2023/01/08/bolsonaristas-congresso-policia.htm"><span style="font-weight: 400;">conjuntura golpista</span></a><span style="font-weight: 400;"> que elevou as desigualdades sociais e, ainda hoje, colocam em risco a democracia. </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2022/12/10/E-se-o-filme-%E2%80%98Argentina-1985%E2%80%99-inspirasse-o-Brasil-de-2023"><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não traz uma história inusitada sobre uma trama de ficção. Ele simboliza o quanto o povo, quando protegido por agentes públicos sérios, é capaz de defender direitos sem passar </span><a href="https://portal.unila.edu.br/editora/livros/e-books/cinelatino.pdf"><span style="font-weight: 400;">panos quentes na história</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Nada de Novo no Front: um filme de guerra humanista em que falta humanidade</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Nov 2022 20:38:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Nunes  Nada de Novo no Front é um livro escrito por Erich Maria Remarque, baseado nas suas próprias experiências como veterano alemão na Primeira Guerra Mundial. Publicado em 1929, o texto não demorou a ser transposto para o Cinema, com a adaptação Sem Novidade no Front sendo lançada um ano depois. Dirigido por Lewis &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nada de Novo no Front: um filme de guerra humanista em que falta humanidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29067" aria-describedby="caption-attachment-29067" style="width: 1486px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29067" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1.jpg" alt="Cena do filme Nada de Novo no Front. No lado direito da imagem, temos um homem branco não identificado, vestindo blusa preta, touca cinza e uma máscara facial branca. Ele está abraçando o ator Felix Kammerer, um homem branco de expressão triste, vestindo um casaco cinza e um capacete preto. Ao fundo, temos algumas estacas e o resto do cenário está desfocado. A cena acontece durante o dia, mas a foto está tratada em preto e branco. " width="1486" height="989" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1.jpg 1486w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1-800x532.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-Nova-1-1200x799.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29067" class="wp-caption-text">Na 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a nova versão de Nada de Novo no Front, exibida na seção Perspectiva Internacional, mantém a mensagem anti-guerra do material original (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Nunes </b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front </span></i><span style="font-weight: 400;">é um livro escrito por Erich Maria Remarque, baseado nas suas próprias experiências como veterano alemão na Primeira Guerra Mundial. Publicado em 1929, o texto não demorou a ser transposto para o Cinema, com a adaptação </span><i><span style="font-weight: 400;">Sem Novidade no Front </span></i><span style="font-weight: 400;">sendo lançada um ano depois. Dirigido por Lewis Milestone, o longa fez tanto sucesso que venceu o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme em 1931, consagrando-se como a primeira adaptação literária a conquistar essa honraria, bem como a primeira vitória conjunta da categoria principal com o prêmio de Melhor Diretor. Agora, 91 anos depois, o diretor Edward Berger (</span><i><span style="font-weight: 400;">Patrick Melrose</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Your Honor</span></i><span style="font-weight: 400;">), em parceria com a</span><i><span style="font-weight: 400;"> Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, traz uma nova versão de mesmo nome do material base para o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, exibida na programação da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema de São Paulo na seção Perspectiva Internacional. </span></p>
<p><span id="more-29064"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história começa em 1917, acompanhando o jovem de 17 anos Paul Bäumer (Felix Kammerer), que se alista para lutar no exército alemão sob uma visão idealista da guerra. Chegando na frente de batalha, ele se depara com algo completamente diferente do que esperava, num cenário de caos, mortes e destruição. Logo vamos para 1918, quando Paul e seus amigos continuam lutando, enquanto o oficial Matthias Erzberger (Daniel Bruhl, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rush</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/falcao-e-o-soldado-invernal-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Falcão e o Soldado Invernal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) tenta negociar um armistício com a França. </span></p>
<figure id="attachment_29069" aria-describedby="caption-attachment-29069" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29069" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme Nada de Novo no Front. Ao longo de toda a imagem, temos soldados vestidos de casaco, calças, botas e capacetes todos pretos e cinzas, segurando armas na mão. Na parte de baixo da imagem, podemos ver o cenário de uma trincheira, com escadas de madeira preta e sacos de peso marrom escuro em cima. Ao fundo, podemos ver algumas cercas de madeira preta e vários outros homens correndo na direção à esquerda. A cena acontece durante o dia." width="2560" height="1703" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-800x532.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-1024x681.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-1536x1022.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-2048x1363.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-6-1-1200x798.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29069" class="wp-caption-text">Co-produção entre Estados Unidos e Alemanha, Nada de Novo no Front é a submissão alemã para o Oscar de Melhor Filme Internacional, e suas chances estão cotadas como altíssimas (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo nos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Kyv1Yn2CWeo"><span style="font-weight: 400;">primeiros minutos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de rodagem, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front </span></i><span style="font-weight: 400;">chama atenção imageticamente, com um plano aéreo registrando milhares de corpos espalhados por um terreno coberto de lama e cinzas. Essa imagem tão impactante evidencia a visão da obra como um todo de que a guerra é um desperdício da vida humana. A sequência que a sucede na montagem de Sven Budelmann expande ainda mais esse comentário, pois o que vemos são os uniformes dos soldados mortos sendo lavados, costurados e secados para serem vestidos por novos combatentes, representando o quão descartáveis essas pessoas são diante do conflito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, chamam atenção os </span><a href="https://www.ibc.org/features/behind-the-scenes-all-quiet-on-the-western-front-netflix/9266.article"><span style="font-weight: 400;">elementos técnicos</span></a><span style="font-weight: 400;">, sob o comando preciso da câmera de Berger, que situa muito bem o público dentro de tamanho caos bélico. A cinematografia de James Friend se destaca pela natureza fria e a complexidade dos planos de ação, enquanto o </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de produção de Christian M. Goldbeck reproduz perfeitamente o desgaste das trincheiras; os efeitos práticos ressaltam a periculosidade das armas de fogo e a maquiagem de sangue, machucados, membros decepados e sujeira impressiona pela veracidade. No campo mais abstrato da sonoridade, mixagem e edição de som, sob supervisão de </span><span style="font-weight: 400;">Lars Ginzel, Frank Kruse e Viktor Prášilo, </span><span style="font-weight: 400;">bombardeiam os ouvidos do público por todos os lados, enquanto a trilha de Volker Bertelmann usa texturas eletrônicas no meio de uma orquestração dramática comum para realçar a violência iminente. </span></p>
<figure id="attachment_29072" aria-describedby="caption-attachment-29072" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29072" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-scaled.jpg" alt="Cena do filme Nada de Novo no Front. No centro da imagem, temos o ator Felix Kammerer, um homem branco, com o rosto sujo de graxa entre os olhos, vestindo um casaco cinza em cima de uma camisa branca e um capacete preto. Ao fundo, vários homens brancos vestindo também casacos cinzas e capacetes pretos. A cena acontece durante o dia." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-2-1536x864.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29072" class="wp-caption-text">Interpretando o protagonista Paul, Felix Kammerer é uma das poucas âncoras de humanidade no longa de Edward Berger (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nota-se, portanto, que tudo está no lugar em </span><i><span style="font-weight: 400;">All Quiet on the Western Front </span></i><span style="font-weight: 400;">(título em inglês da obra, utilizado em sua distribuição internacional), com exceção de uma coisa: a emoção. Isso não se dá por falta de tentativa, pois o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5TrAdMbWKWM"><span style="font-weight: 400;">roteiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Berger, Lesley Paterson e Ian Stokell até tenta estabelecer vínculos significativos entre os soldados, mas falha por não diferenciá-los uns dos outros. Suas falas, modos de agir e até mesmo seus nomes se tornam difíceis de se distinguir entre si, o que gera a falta de nuances dramáticas e conflitos humanos e faz a experiência ser cansativa, por mais que os atores se esforcem para capturar as fortes emoções, como o jovem Kammerer na pele do protagonista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que a falta de um aprofundamento emocional no longa de Berger não invalide o seu virtuosismo técnico, influencia muito no seu impacto para com o público. É um tipo de erro que não acomete outras histórias como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Resgate do Soldado Ryan </span></i><span style="font-weight: 400;">(1998), de Steven Spielberg, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Até o Último Homem </span></i><span style="font-weight: 400;">(2016), de Mel Gibson, pois estas entendem a importância das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LvAIBDGIYE0"><span style="font-weight: 400;">emoções humanas</span></a><span style="font-weight: 400;"> para relacionar a audiência com as dores dos personagens assolados pela guerra. No fim das contas, isso só prova que </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front </span></i><span style="font-weight: 400;">precisa justamente daquilo sobre o que ele mais fala: humanidade. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="All Quiet on the Western Front | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/hf8EYbVxtCY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Drive My Car: nada dói mais do que a verdade não dita</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Mar 2022 20:01:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ayra Mori Desde a vitória histórica da produção sul-coreana de Bong Joon-Ho, Parasita, na categoria de Melhor Filme no Oscar 2020, a Academia tem-se tornado, ainda que bastante acanhadamente, aberta para a quebra dos paradigmas além-Hollywood. Em 2021 vimos a segunda diretora e primeira mulher não-branca, Chloé Zhao, a levar a estatueta de Melhor Direção, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/drive-my-car-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Drive My Car: nada dói mais do que a verdade não dita"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26984" aria-describedby="caption-attachment-26984" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26984" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1.jpg" alt="Cena do filme Drive My Car. Nela estão Yûsuke e Misaki sentados no banco da frente de um carro vermelho, em ordem. Yûsuke é um homem nipônico de meia-idade com cabelo curto preto. Misaki é uma jovem nipônica com cabelos pretos. O carro está andando sobre uma estrada. No fundo estão montanhas e postes de sinalização." width="1920" height="1039" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-768x416.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-1536x831.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img1-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26984" class="wp-caption-text">Destaque do círculo de críticos de Cinema em 2021, Drive My Car teve estreia mundial no Festival de Cannes 2021, tornando-se a primeira produção nipônica a disputar o prêmio de Melhor Filme no Oscar, além de ser o filme japonês com mais indicações na história da cerimônia (Foto: C&amp;I Entertainment/MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Ayra Mori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a vitória histórica da produção sul-coreana de Bong Joon-Ho, </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, na categoria de Melhor Filme no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2020, a Academia tem-se tornado, ainda que bastante acanhadamente, aberta para a quebra dos paradigmas além-Hollywood. Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-oscar-2021/"><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> vimos a segunda diretora e primeira mulher não-branca, </span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chloé Zhao</span></a><span style="font-weight: 400;">, a levar a estatueta de Melhor Direção, e em 2022, parece ser a vez de </span><i><span style="font-weight: 400;">Drive My Car</span></i><span style="font-weight: 400;"> (do original </span><i><span style="font-weight: 400;">Doraibu mai kâ</span></i><span style="font-weight: 400;">, sem título traduzido no Brasil), submissão oficial do Japão indicada a quatro categorias na premiação desse ano, incluindo Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Direção para </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/ryusuke-hamaguchi/"><span style="font-weight: 400;">Ryûsuke Hamaguchi</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><span style="font-weight: 400;">Melhor Roteiro Adaptado, co-escrito pelo diretor com Takamasa Oe</span><span style="font-weight: 400;">. Mas não se engane, </span><i><span style="font-weight: 400;">Drive My Car</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é o novo </span><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i><span style="font-weight: 400;"> (!).</span></p>
<p><span id="more-26983"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os filmes compartilham nada além do fato de que ambas são produções originárias de países do leste asiático a receber a grande indicação da noite pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Apenas. A primeira evidência disso é o ritmo pacato da produção nipônica adaptada de um </span><a href="https://mubi.com/pt/notebook/posts/on-the-road-ryusuke-hamaguchi-on-drive-my-car"><span style="font-weight: 400;">conto homônimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> do escritor Haruki Murakami e com inspiração em outros dois contos do </span><a href="https://www.escritacriativa.com.br/?cid=5411&amp;wd=Reflex%F5es"><span style="font-weight: 400;">mesmo livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> – </span><i><span style="font-weight: 400;">Sherazade </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Kino</span></i><span style="font-weight: 400;">. São quase três horas de duração que, a princípio, parecem ser injustificáveis. Contudo, passados quarenta minutos do preâmbulo, o final do longo túnel começa a se revelar, sem pressa.</span></p>
<figure id="attachment_26985" aria-describedby="caption-attachment-26985" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26985" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-1.png" alt="Cena do filme Drive My Car. Nela está o reflexo do olhar de Misaki pelo retrovisor. Misaki é uma jovem nipônica com cabelos pretos. O fundo do retrovisor é o céu da noite, completamente preto." width="2048" height="1094" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-1.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-1-800x427.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-1-1024x547.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-1-768x410.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-1-1536x821.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img2-1-1200x641.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26985" class="wp-caption-text">Adaptação de um conto homônimo de Haruki Murakami que faz parte da coletânea Homens Sem Mulheres, o título de Drive My Car, assim como o de Norwegian Wood, são inspirados em canções dos Beatles (Foto: C&amp;I Entertainment/MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na cama, somos apresentados à dinâmica íntima do casal formado por Yûsuke Kafuku (Hidetoshi Nishijima), um veterano ator e dramaturgo, e Oto (Reika Kirishima), uma roteirista de TV. Na cena, Oto murmura para o marido, em transe, curtas histórias inventadas por ela. Como uma </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-drive-my-car-sherazade-e-kino-de-haruki-murakami/"><span style="font-weight: 400;">Sherazade</span></a><span style="font-weight: 400;"> contemporânea, o ritual silencioso se revela um hábito pós-sexo dos cônjuges, amarrados em interdependência um ao outro na impassibilidade do cotidiano rígido. Na superfície, a vida deles juntos é tranquila e parece ser feliz; enquanto nas entranhas, borbulham ânsias reprimidas: Kafuku precisa das histórias da esposa, então convenientemente cobre a vista. Ela, as narra encarando o vazio da parede com os olhos bem abertos.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Ela inspira. Ela ouve com atenção. Ela ouve o silêncio. Um silêncio amplificado, como o som através de um aparelho auditivo, enche a sala. Ela se deita na cama de Yamaga. Ela segura a vontade de se masturbar.</span><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela é infiel e ele sabe – ao mesmo tempo que não sabe de nada. O casamento deles se definha e como um completo mistério, prestes a encarar a verdade, Oto subitamente falece, deixando Kafuku sem qualquer resposta. A partir disso, após dois anos, se inicia de fato o caminho penoso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Drive My Car</span></i><span style="font-weight: 400;">. O viúvo, ainda adormecido pela perda da esposa, chega em Hiroshima a convite, dirigindo o seu querido Saab 900 vermelho, para conduzir uma nova produção de </span><a href="https://ims.com.br/blog-do-cinema/drive-my-car-por-jose-geraldo-couto/"><i><span style="font-weight: 400;">Tio Vânia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do russo Anton Chekhov, no festival de artes da cidade.</span></p>
<figure id="attachment_26986" aria-describedby="caption-attachment-26986" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26986" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-1.png" alt="Cena do filme Drive My Car. Nela estão Yûsuke e Lee Yoo-na de costas para a câmera, sobre um palco cenográfico. Yûsuke é um homem nipônico de meia-idade com cabelo curto preto. Ele está sentado e veste um paletó ocre. Lee Yoo-na é uma mulher adulta coreana com cabelos pretos. Ela está levantada atrás de Yûsuke, abraçando-o. Ela veste um vestido azul comprido com detalhes em renda. O piso do palco é de madeira e no centro está uma mesa de madeira e uma cadeira de madeira do lado direito. Na parte inferior direita estão um punhado de capim e outra mesa e cadeira de madeira. Ao fundo está a plateia de uma peça, sem iluminação." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img3-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26986" class="wp-caption-text">No Brasil, o longa ganhou exibição em salas de cinema selecionadas e na plataforma de streaming MUBI, exclusivamente (Foto: C&amp;I Entertainment/MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com risco de perda da visão, </span><span style="font-weight: 400;">Kafuku</span><span style="font-weight: 400;">, em Hiroshima, conhece a introspectiva Misaki (Tôko Miura), jovem motorista incumbida da missão de conduzir o dramaturgo pela palidez da cidade enquadrada. Pelas vias, a companhia é assombrosamente muda. Nenhuma palavra se levanta, com exceção da voz morta de Oto que ecoa pelo automóvel através de falas de ensaio gravadas por ela como um último totem para o marido. Dentro do carro estão </span><span style="font-weight: 400;">Kafuku</span><span style="font-weight: 400;">, Misaki e o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2022/03/14/drive-my-car-leva-japao-a-disputa-pelo-oscar-de-melhor-filme-com-olhar-sensivel-sobre-luto-g1-ja-viu.ghtml"><span style="font-weight: 400;">fantasma de Oto</span></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, diante do enigma interminável dos segredos sepultados pela falecida, Hamaguchi se afasta do espírito especulativo para mirar fixamente o palco no qual se dará a montagem multilíngue em produção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No reencontro com Chekhov, a atuação obriga cada protagonista a encarar as próprias emoções pelo reflexo de suas personagens a serem interpretadas. Na incomunicabilidade dos atores, a </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/03/the-plays-the-thing-in-ryusuke-hamaguchis-drive-my-car"><span style="font-weight: 400;">Arte</span></a><span style="font-weight: 400;"> assume o papel determinante para exteriorizar tudo aquilo que não se ousa dizer. Durante a rotina de ensaios metódicos da peça, as tramas se ramificam em expansão entre os atores: o impulsivo galã Takatsuki (Masaki Okada), que foi amante de Oto, também atormenta-se pela busca frustrada por resoluções; a atriz muda </span><span style="font-weight: 400;">Lee Yoo-na (Park Yu-rim), que para superar seus traumas com a maternidade volta a atuar, comunicando-se por sinais; até a motorista, que lida com as próprias angústias.</span></p>
<figure id="attachment_26987" aria-describedby="caption-attachment-26987" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26987" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-1.png" alt="Cena do filme Drive My Car. Nela está Takatsuki, um jovem nipônico com cabelo curto preto. Ele está dentro de um carro completamente preto pela sombra da noite. A única fonte de luz vem da janela, fraca e em tom esverdeado. O rosto de Takatsuki está em foco, quase se esvaindo pela escuridão das sombras. Ele encara a câmera." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img4-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26987" class="wp-caption-text">No mesmo ano de Drive My Car, Hamaguchi também dirigiu Roda do Destino, que chegou a integrar a 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: C&amp;I Entertainment/MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com palavras ditas ou não, cada sentença de </span><i><span style="font-weight: 400;">Tio Vânia</span></i><span style="font-weight: 400;"> processa os traumas de cada agente da peça. O idioma dos atores vai do japonês, inglês, mandarim, coreano, russo até língua coreana de sinais </span><span style="font-weight: 400;">– n</span><span style="font-weight: 400;">enhum ator fala a mesma língua. Essa barreira linguística, porém, é burlada pela atuação e pela universalidade da Arte como uma </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/drive-my-car-constroi-em-hiroshima-um-belo-monumento-a-destruicao.shtml"><span style="font-weight: 400;">Torre de Babel</span></a><span style="font-weight: 400;"> bem-sucedida. No palco, cada fala de Chekhov dita “</span><i><span style="font-weight: 400;">arrasta o verdadeiro você</span></i><span style="font-weight: 400;">”, comunicando toda a confusão, raiva, lamentação sobre o tempo perdido que jamais será reconquistado e, em contrapartida, à redenção exorcizante dos demônios montados sobre as costas dos protagonistas.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Drive My Car</span></i> <a href="https://veja.abril.com.br/coluna/isabela-boscov/drive-my-car-filme-japones-no-oscar-tem-3-horas-que-valem-cada-minuto/"><span style="font-weight: 400;">não se apressa</span></a><span style="font-weight: 400;">, esbarrando, gradativamente, por breves relances de beleza encontrados pelo ordinário da paisagem acinzentada. Dentro do carro, o tempo para. O aparato avermelhado dilata os limites do espaço-tempo, transfigurando-se em um confessionário para as almas solitárias que ousam sentar-se nos seus quatro bancos. Nele, em uma longa sequência claustrofóbica, Takatsuki conta para </span><span style="font-weight: 400;">Kafuku</span><span style="font-weight: 400;">, a </span><a href="https://www.b9.com.br/158023/drive-my-car-critica-review-hamaguchi-mubi-o2-play/"><span style="font-weight: 400;">última história</span></a><span style="font-weight: 400;"> narrada por Oto. Atravessando um túnel em um duelo taciturno, viúvo e amante se confrontam, para que a escuridão quase total da noite permitisse penetrar-se por feixes de luz esmaecidos, próximos do fim do caminho.</span></p>
<figure id="attachment_26988" aria-describedby="caption-attachment-26988" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26988" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-1.png" alt="Cena de Drive My Car. Nela estão duas mãos, cada uma segurando um cigarro aceso para fora do teto solar de um carro. O fundo é o céu da noite preta com feixes de luz arredondados." width="1920" height="1041" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-1-800x434.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-1-1024x555.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-1-768x416.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-1-1536x833.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/img5-1-1200x651.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26988" class="wp-caption-text">Sem nenhuma indicação para o elenco nas grandes premiações, as atuações em Drive My Car potencializam sublimemente o espaço negativo preenchido pelo silêncio (Foto: C&amp;I Entertainment/MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E revelado o mistério, pela primeira vez, </span><span style="font-weight: 400;">Kafuku </span><span style="font-weight: 400;">ultrapassa a </span><a href="https://mubi.com/pt/notebook/posts/on-the-road-ryusuke-hamaguchi-on-drive-my-car"><span style="font-weight: 400;">barreira invisível</span></a><span style="font-weight: 400;"> que separa o banco do motorista com o do passageiro. Assim, desafiados os limites e sozinhos no carro, os estranhos podem finalmente compartilhar um fugaz momento de calor. Duas mãos se levantam para o teto solar a 10 centímetros uma da outra. E por mais singelo que o enquadramento pareça, ele é carregado de ânsia. Uma ânsia angustiante de se conectar entre o oceano de desconhecidos, nem que esse momento dure curtos trinta segundos. Para aqueles que sobrevivem pensando nos mortos, com o tempo, </span><i><span style="font-weight: 400;">tudo passará</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Drive My Car</span></i><span style="font-weight: 400;"> a verdade dói, mas nada dói mais do que a verdade não dita.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Drive My Car | 17 de março nos cinemas, 1 de abril na Mubi" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/GEXNQMMj0_4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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