<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Melhor Direção em Documentário/Programa de Não-Ficção &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/melhor-direcao-em-documentario-programa-de-nao-ficcao/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/melhor-direcao-em-documentario-programa-de-nao-ficcao/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Sat, 14 Sep 2024 14:26:54 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Melhor Direção em Documentário/Programa de Não-Ficção &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/melhor-direcao-em-documentario-programa-de-nao-ficcao/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Beckham: por trás de todo homem, nem sempre há uma Spice Girl</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/beckham-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/beckham-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 14 Sep 2024 14:26:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[2023]]></category>
		<category><![CDATA[A motivação de David]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Beckham]]></category>
		<category><![CDATA[Bolas de ouro]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[David Beckham]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Fisher Stevens]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Composição Musical em Documentário ou Especial (Trilha Dramática Original)]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Direção em Documentário/Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Fotografia em Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Montagem em Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Série Documental ou de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Nathalia Tetzner]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[O chute]]></category>
		<category><![CDATA[Posh Spice]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Spice Girls]]></category>
		<category><![CDATA[Vermelho de Raiva]]></category>
		<category><![CDATA[Victoria Beckham]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=33986</guid>

					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Há muito tempo, dizem que por trás de todo homem há uma mulher. Beckham, série documental sobre um dos maiores jogadores de futebol da história da Inglaterra – e uma das figuras mais propagadas em campanhas globais para marcas gigantescas –, coloca a prova esse ditado. Demonstrando, também, que a razão pelo insucesso &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/beckham-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Beckham: por trás de todo homem, nem sempre há uma Spice Girl"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/beckham-critica/">Beckham: por trás de todo homem, nem sempre há uma Spice Girl</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33987" aria-describedby="caption-attachment-33987" style="width: 1078px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33987" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-6.png" alt="Fotografia de David e Victoria Beckham veiculada no documentário Beckham. Da esquerda para a direita na imagem, David e Victoria sorriem para a câmera que, por sua vez, os capturam a partir dos bustos. Ele é um homem branco de cabelos e olhos claros, enquanto ela é uma mulher branca de cabelos e olhos escuros. David veste um terno preto sobre uma camiseta azulada e uma gravata de estampa, já Victoria veste um vestido preto de manga longa. Ao fundo, o cenário é a vista de um camarote para um campo de futebol enorme, de grama bem verde." width="1078" height="599" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-6.png 1078w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-6-800x445.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-6-1024x569.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-6-768x427.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33987" class="wp-caption-text">Com o sucesso de Beckham, a Netflix já garantiu a produção de uma série documental sobre a Posh Spice (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há muito tempo, dizem que por trás de todo homem há uma mulher. </span><i><span style="font-weight: 400;">Beckham</span></i><span style="font-weight: 400;">, série documental sobre um dos maiores jogadores de futebol da história da Inglaterra – e uma das figuras mais propagadas em campanhas globais para marcas gigantescas –, coloca a prova esse ditado. Demonstrando, também, que a razão pelo insucesso de muitos seja, talvez, por não ter uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gJLIiF15wjQ&amp;pp=ygUHd2FubmFiZQ%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">Spice Girl</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Victoria Beckham em suas trajetórias.</span></p>
<p><span id="more-33986"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário coloca em evidência o papel da ‘Posh Spice’ na vida de David Beckham. Mais do que a sua âncora, ela também o guiou ao estrelato na indústria do entretenimento. Isso, sem nunca deixar os sonhos para trás pelo amor, ainda que tenha sacrificado a sua paz pelo bem-estar da família. Ao seu lado, o apoio dos pais dele e os conselhos do técnico mais vitorioso do esporte, Alex Ferguson, perdem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pquPK2bDJAI&amp;pp=ygUPYmVja2hhbSBuZXRmbGl6"><span style="font-weight: 400;">protagonismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Beckham</span></i><span style="font-weight: 400;">, qualquer empecilho é resolvido por ela.</span></p>
<figure id="attachment_33988" aria-describedby="caption-attachment-33988" style="width: 1074px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33988" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-7.png" alt="Fotografia de Alex Ferguson e David Beckham veiculada no documentário Beckham. Da esquerda para a direita na imagem, Ferguson e Beckham sorriem para a câmera que, por sua vez, os capturam a partir das cinturas. Ambos são homens brancos de cabelos e olhos claros. Alex Ferguson veste um uma camiseta branca, gravata de estampa vermelha e preta, e uma calça cinza de linho. David Beckham veste um terno preto sobre uma camiseta branca e uma gravata de estampa vermelha. Eles estão assinando um contrato em uma mesa repleta de papelada. Ao fundo, o cenário é uma sala de reuniões." width="1074" height="601" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-7.png 1074w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-7-800x448.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-7-1024x573.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-7-768x430.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33988" class="wp-caption-text">O técnico de futebol Alex Ferguson tem 50 títulos na carreira, marco que o coloca entre os maiores da história do esporte (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inserido no </span><i><span style="font-weight: 400;">hall</span></i><span style="font-weight: 400;"> de talentos explorados pelo pai visionário desde os primeiros anos da infância, David Beckham esteve dividido entre a pressão constante e o acalento da mãe. Atrapalhando-se em campo quando a família não estava presente no estádio para assisti-lo, o seriado se distancia de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HSC6htNW9co"><i><span style="font-weight: 400;">Neymar: O Caos Perfeito</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, outra produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Embora Beckham tenha seu próprio momento ‘</span><a href="https://www.metropoles.com/colunas/fabia-oliveira/neymar-vira-piada-nas-redes-sociais-apos-assumir-traicao"><span style="font-weight: 400;">errei, fui moleque</span></a><span style="font-weight: 400;">’, quando aborda as supostas traições à ‘Posh Spice’ em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bolas de ouro</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário do brasileiro, o atleta que defendeu o Manchester United e o Real Madrid teve pessoas que tentaram manter seus pés no chão. Alex Ferguson fez de tudo para que ele não desviasse a atenção para uma </span><i><span style="font-weight: 400;">popstar</span></i><span style="font-weight: 400;"> em ascensão mundial ou mudasse completamente a aparência por causa de patrocinadores. Contudo, o esforço foi em vão, já que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G-n-PklEATo&amp;pp=ygUPYmVja2hhbSBuZXRmbGl6"><span style="font-weight: 400;">David Beckham</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a razão por revolucionar, a partir da década de 2000, a forma que o mundo consome jogadores de futebol.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a fusão das linhas que marcam o gramado do campo e as linhas-finas dos tablóides impressos, David e Victoria Beckham expõem o abuso da mídia britânica sem se fazerem apenas de </span><a href="https://www.newsweek.com/beckham-secures-award-win-evaded-harry-meghan-netflix-1950738"><span style="font-weight: 400;">vítimas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, mostram para </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry &amp; Meghan</span></i><span style="font-weight: 400;"> como se arquiteta um documentário merecedor de cinco indicações ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2024/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy 2024</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Sendo </span><a href="https://revistamonet.globo.com/series/noticia/2024/09/documentario-de-david-beckham-vence-emmy-e-astro-recebe-premio-por-chamada-de-video-queria-estar-ai.ghtml"><span style="font-weight: 400;">vencedor</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Série Documental ou de Não-Ficção, categoria não televisionada na noite principal.</span></p>
<figure id="attachment_33989" aria-describedby="caption-attachment-33989" style="width: 1079px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33989" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5.png" alt="Cena do documentário Beckham. Na imagem, David Beckham aparece olhando para algo atrás da câmera que, por sua vez, o captura a partir do busto. Beckham é um homem branco de cabelos e olhos claros. Ele veste uma camiseta de algodão branca de mangas longas e um relógio preto no pulso. Ele apoia um dos braços em uma mesa de madeira, em que também estão um candelabro e uma taça transparente. Ao fundo, desfocado, é possível notar que o cenário se trata da sala aconchegante da mansão da família Beckham. Raios de sol invadem a paisagem composta por uma lareira." width="1079" height="596" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5.png 1079w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-800x442.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-1024x566.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-768x424.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33989" class="wp-caption-text">O seriado levou o prêmio de Melhor Série Documental ou de Não-Ficção no Emmy 2024 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Através da câmera posicionada bem próxima dos entrevistados, capturando suas expressões faciais enquanto assistem aos momentos mais cruciais da vida do protagonista da narrativa, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g8kN3-QP0lA"><span style="font-weight: 400;">Fisher Stevens</span></a><span style="font-weight: 400;"> realiza um trabalho comovente. Os episódios </span><i><span style="font-weight: 400;">O chute</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Vermelho de raiva</span></i><span style="font-weight: 400;"> são seu ápice no comando da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2UTpyq8fZWk"><span style="font-weight: 400;">direção</span></a><span style="font-weight: 400;">. Por outro lado, Stevens deixa a emoção escapar de suas mãos justamente no </span><i><span style="font-weight: 400;">grand finale</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">A motivação de David</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixa um gosto amargo por não elaborar o clímax.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abordando o assédio dos torcedores ingleses com uma sensibilidade essencial, </span><i><span style="font-weight: 400;">Beckham</span></i><span style="font-weight: 400;"> se esquiva apenas de polêmicas muito recentes, como a posição de embaixador da </span><a href="https://ge.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/2022/09/01/beckham-e-duramente-criticado-por-promover-catar-em-comercial.ghtml#:~:text=O%20ex%2Djogador%20David%20Beckham,incr%C3%ADvel%20para%20passar%20uns%20dias."><span style="font-weight: 400;">Copa do Mundo FIFA</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2022, organizada no Catar, um país que desafia os direitos humanos. Mais do que uma jornada de superação de um ícone global, o seriado traz à tona a importância de uma mulher como Victoria Beckham, além de exibir como ambos orquestraram uma trajetória digna de série da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Série documental &quot;Beckham&quot; | Trailer oficial | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/laHKrJpK5l4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/beckham-critica/">Beckham: por trás de todo homem, nem sempre há uma Spice Girl</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/beckham-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">33986</post-id>	</item>
		<item>
		<title>The Beatles: Get Back revela alguns dias na vida de uma das bandas mais famosas do mundo</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/the-beatles-get-back-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/the-beatles-get-back-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Aug 2022 18:26:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Caio Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Creative Arts Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy 2022]]></category>
		<category><![CDATA[George Harrison]]></category>
		<category><![CDATA[Get Back]]></category>
		<category><![CDATA[Jabez Olssen]]></category>
		<category><![CDATA[John Lennon]]></category>
		<category><![CDATA[Let It Be]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Direção em Documentário/Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Edição e Mixagem de Som]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Montagem em Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Série Documental ou de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Lindsay-Hogg]]></category>
		<category><![CDATA[Parte 1: Dias 1-7]]></category>
		<category><![CDATA[Paul McCartney]]></category>
		<category><![CDATA[Peter Jackson]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Ringo Starr]]></category>
		<category><![CDATA[The Beatles]]></category>
		<category><![CDATA[The Beatles: Get Back]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=28512</guid>

					<description><![CDATA[<p>Caio Machado Em 1969, os membros do grupo musical The Beatles se reuniram para a produção do que viria a ser o álbum Let It Be. O cineasta estadunidense Michael Lindsay-Hogg foi chamado para filmar o processo de concepção do disco, o que deu origem ao documentário que leva o mesmo nome do álbum e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-beatles-get-back-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Beatles: Get Back revela alguns dias na vida de uma das bandas mais famosas do mundo"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/the-beatles-get-back-critica/">The Beatles: Get Back revela alguns dias na vida de uma das bandas mais famosas do mundo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28513" aria-describedby="caption-attachment-28513" style="width: 2500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28513" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/get-back-1.jpg" alt="Cena do documentário The Beatles: Get Back exibe quatro músicos brancos ensaiando um estúdio. À esquerda, vemos um homem, com cabelo comprido e vestindo roupas pretas, cantando em um microfone enquanto toca guitarra, sentado. Ao lado, separado por alguns metros, vemos outro homem com cabelo comprido, que veste uma camisa azul, calça jeans e toca guitarra enquanto está sentado. Em seguida, vemos o baterista da banda, também com cabelo comprido e tocando. Por último, no canto direito, vemos um homem, John Lennon, com cabelo comprido assim como os outros três, tocando piano e sorrindo. Ele usa óculos redondos. Vemos vários microfones ao redor deles e, no fundo do estúdio, uma parede iluminada por diversas cores. " width="2500" height="1588" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/get-back-1.jpg 2500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/get-back-1-800x508.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/get-back-1-1024x650.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/get-back-1-768x488.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/get-back-1-1536x976.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/get-back-1-2048x1301.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/get-back-1-1200x762.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28513" class="wp-caption-text">Depois de dirigir um documentário sobre a Primeira Guerra Mundial, Peter Jackson se volta para o mundo da música em Get Back (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><strong>Caio Machado</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1969, os membros do grupo musical The Beatles se reuniram para a produção do que viria a ser o álbum </span><i><span style="font-weight: 400;">Let It Be</span></i><span style="font-weight: 400;">. O cineasta estadunidense Michael Lindsay-Hogg foi chamado para filmar o processo de concepção do disco, o que deu origem ao documentário que leva o mesmo nome do álbum e contém também o famoso espetáculo no terraço, última aparição pública da banda. Mais de 5 décadas depois, foi lançada a série documental </span><i><span style="font-weight: 400;">The Beatles: Get Back</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigida e produzida por </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-senhor-dos-aneis-a-sociedade-do-anel-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">Peter Jackson</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Hobbit</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">King Kong</span></i><span style="font-weight: 400;">), que se aproveita das imagens de arquivo produzidas em 1969 para dar origem a 3 episódios, totalizando aproximadamente 8 horas de duração. </span></p>
<p><span id="more-28512"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicada em 5 categorias do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy 2022</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, incluindo Melhor Série Documental ou de Não-Ficção, Melhor Direção em Documentário/Programa de Não-Ficção, para Peter Jackson e Melhor Montagem em Programa de Não-Ficção, para Jabez Olssen, a produção impressiona por seu trabalho na reconstrução das filmagens e áudios.  As imagens apresentam uma nitidez quase assustadora e as conversas entre os presentes no estúdio, antes abafadas pelo som dos instrumentos musicais, agora são perfeitamente audíveis, graças a uma inovação trazida por Jackson. O diretor utilizou uma </span><a href="https://www.omelete.com.br/beatles/the-beatles-get-back-como-aconteceu"><span style="font-weight: 400;">inteligência artificial</span></a><span style="font-weight: 400;"> criada para captar as vozes do quarteto e separá-las do som dos instrumentos.</span></p>
<figure id="attachment_28514" aria-describedby="caption-attachment-28514" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28514" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/get-back-2.png" alt="Cena do documentário The Beatles: Get Back exibe quatro músicos brancos com cabelo comprido ensaiando em um estúdio, rodeados por microfones. À esquerda, vemos Paul McCartney, vestindo uma blusa laranja, olhando para algo fora de cena. No fundo, Ringo Starr está atrás da bateria. Ele veste uma camisa rosa. Vemos John Lennon de costas, tocando sua guitarra. Ele veste uma camisa azul com listras amarelas. Por último, George Harrison toca guitarra no canto direito. Ele veste uma camisa vermelha. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/get-back-2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/get-back-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/get-back-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/get-back-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/get-back-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/get-back-2-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28514" class="wp-caption-text">Na coletiva de imprensa de Get Back, Peter Jackson explica que o documentário fez com que a banda pudesse contar sua própria história (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O cuidado para evidenciar os diálogos entre os músicos pode passar despercebido na maior parte do tempo e só é evidenciado em uma cena logo no primeiro episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Parte 1: Dias 1-7</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que os membros da </span><a href="https://personaunesp.com.br/pj-harvey-show-popload-social/"><span style="font-weight: 400;">banda</span></a><span style="font-weight: 400;"> falam enquanto afinam suas guitarras e um dos técnicos ali presentes avisa que o som dos instrumentos está atrapalhando ouvi-los nos microfones. O diálogo funciona como um lembrete de que essa parte dos bastidores, antes deixada de lado por conta das limitações da época, só foi possível de ser mostrada aos fãs da banda agora por causa da tecnologia contemporânea. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo dos 3 episódios de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Beatles: Get Back</span></i><span style="font-weight: 400;">, Peter Jackson parece mais interessado em acompanhar o processo criativo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/abbey-road-critica/"><span style="font-weight: 400;">Paul, John, George e Ringo</span></a><span style="font-weight: 400;">, como um fã apaixonado sentado num canto do estúdio sem atrapalhar, do que criar uma narrativa repleta de tensões entre os quatro, já perto do fim da banda. Os atritos existem, é claro, mas aparecem como consequência da divergência de opiniões que acompanha a produção de um álbum ao longo de 21 dias dentro do estúdio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As discussões entre eles são mostradas da maneira mais honesta possível, exibindo-os como seres humanos que querem apenas entregar as melhores músicas, sem cair em nenhuma armadilha sensacionalista barata e cheia de intrigas para manter a atenção do espectador. Na verdade, o documentário assume que quem está disposto a enfrentar suas gigantescas 8 horas já gosta bastante do quarteto e não tem pressa em mostrar as dinâmicas dentro do estúdio. Seu foco está em mostrar o trabalho criativo sem romantizá-lo, com seus altos e baixos, seus momentos mágicos de pura sintonia e os períodos cansativos, em que ninguém parece sair do lugar.</span></p>
<figure id="attachment_28515" aria-describedby="caption-attachment-28515" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28515" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/EORccPPXsAA66bS.jpg" alt="Cena do documentário The Beatles: Get Back exibe Paul McCartney, um músico branco, com cabelo comprido e barba cheia, sentado com seu violão no colo. Ele veste uma camisa azul com um suéter preto por cima e gesticula, como se estivesse explicando algo a alguém fora de cena. " width="1000" height="674" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/EORccPPXsAA66bS.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/EORccPPXsAA66bS-800x539.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/EORccPPXsAA66bS-768x518.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28515" class="wp-caption-text">Nas categorias de Melhor Edição e Mixagem de Som do Emmy 2022, a série compete com McCartney 3, 2, 1, minissérie de 6 episódios em que o ex-Beatle discute sobre sua vida e carreira com o produtor Rick Rubin (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como resultado, a série joga seu holofote em cenas bastante especiais, como quando a banda consegue chegar na versão de </span><i><span style="font-weight: 400;">Get Back</span></i><span style="font-weight: 400;"> que conhecemos hoje depois de ensaiar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/adele-one-night-only-critica/"><span style="font-weight: 400;">canção</span></a><span style="font-weight: 400;"> por milhões de vezes ou mesmo quando os quatro estão tocando músicas que gostam apenas pelo prazer do ato, esquecendo um pouco o prazo que se aproximava. Por outro lado, também ocorre do documentário destacar momentos que se estendem demais, a exemplo do enorme debate tido entre Os Beatles e os produtores para decidir onde seria o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> que pretendiam fazer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O espectador, alguém vivendo no mundo atual onde os Beatles já se tornaram uma memória no mundo da música, sabe que esse concerto foi realizado no terraço da Apple Corps, mas, para chegar nele, precisa acompanhar uma discussão demorada, cheia das ideias mais absurdas possíveis, o que prejudica no ritmo do </span><a href="https://personaunesp.com.br/diarios-de-andy-warhol-critica/"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> como um todo. Quando a ideia do terraço surge, é um alívio para os músicos, os técnicos e para quem assiste. Além de mostrar os Beatles como seres humanos normais que discutem, comem, bebem, fumam e fazem brincadeiras em frente às câmeras, a produção de Peter Jackson também serve para mostrar como é difícil tomar decisões em conjunto. </span></p>
<figure id="attachment_28516" aria-describedby="caption-attachment-28516" style="width: 1050px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28516" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/get-back-3.jpg" alt="Cena do documentário The Beatles: Get Back exibe a banda tocando em um terraço, com os cabelos longos esvoaçantes devido ao vento. Paul McCartney, um músico branco com a barba cheia, está no canto esquerdo, tocando sua guitarra e cantando ao lado de John Lennon, que olha para ele enquanto também toca sua guitarra. George Harrison, no canto direito, toca sua guitarra enquanto olha para os outros dois. Ringo Starr, o baterista, está atrás de Paul McCartney mas não aparece no fundo. No fundo, vemos uma pessoa à direita, olhando o show no terraço de outro prédio. " width="1050" height="550" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/get-back-3.jpg 1050w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/get-back-3-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/get-back-3-1024x536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/get-back-3-768x402.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28516" class="wp-caption-text">O show no terraço é o ápice de The Beatles: Get Back (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A ideia de acompanhar tudo, incluindo os lados negativos, se mantém quando chega a hora da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NCtzkaL2t_Y"><span style="font-weight: 400;">última aparição pública da banda</span></a><span style="font-weight: 400;">. A obra opta por dividir a tela em 3 partes, na tentativa de acompanhar a apresentação do grupo em vários ângulos e a reação do povo londrino. O documentário insere o espectador bem no centro da ação e mostra depoimentos de pessoas maravilhadas por estarem presenciando um momento histórico, pessoas que não fazem ideia do que está acontecendo e aqueles que estão completamente descontentes com o barulho que os músicos estão fazendo, além de mostrar a chegada dos policiais no prédio do concerto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parece muita informação para acompanhar ao mesmo tempo e realmente é. A escolha da divisão da tela em 3 quadrados torna a experiência ainda mais confusa e é difícil escolher para qual lado olhar. Porém, quando os olhos se acostumam àquele frenesi, é algo maravilhoso de assistir. É o momento mais </span><a href="https://personaunesp.com.br/dragao-3-critica/"><span style="font-weight: 400;">catártico</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos 3 episódios, capaz de causar arrepios pelo fato da banda estar em perfeita sintonia depois de longas horas de ensaios e pelo olhar empolgado do público, nos telhados e na rua. É o canto do cisne de um grupo que já havia deixado sua marca no mundo e decidiu entrar para a história em sua terra natal uma última vez, num terraço, para que qualquer um pudesse ouvir. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Beatles: Get Back</span></i><span style="font-weight: 400;"> é grandioso como a banda que acompanha ao longo de semanas de gravação. O documentário compreende o processo criativo como algo que demanda tempo, não é belo a todo momento e tem sim seus pontos baixos. Ao mesmo tempo, encanta por humanizar </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/carta-escrita-por-john-lennon-para-paul-mccartney-apos-o-fim-dos-beatles-sera-leiloada/"><span style="font-weight: 400;">Paul, John</span></a><span style="font-weight: 400;">, George e Ringo e mostrar momentos bastante especiais entre eles, sejam quando estão tocando alguma música ou fazendo alguma brincadeira para as câmeras que os rodeavam. Apesar de ser um pouco intimidadora em um primeiro momento, por conta de sua duração, assistir à produção é uma experiência extremamente recompensadora para qualquer um que decidir se aventurar nessa odisseia que deu origem a </span><i><span style="font-weight: 400;">Let It Be</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/the-beatles-get-back-critica/">The Beatles: Get Back revela alguns dias na vida de uma das bandas mais famosas do mundo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/the-beatles-get-back-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">28512</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Para Andy Warhol, com amor.</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/diarios-de-andy-warhol-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/diarios-de-andy-warhol-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Aug 2022 14:28:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Andrew Rossi]]></category>
		<category><![CDATA[Andy Warhol]]></category>
		<category><![CDATA[Creative Arts Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Diários de Andy Warhol]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Enzo Caramori]]></category>
		<category><![CDATA[Jonas Mekas]]></category>
		<category><![CDATA[Ladies and Gentlemen]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIA]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Direção em Documentário/Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Fotografia em Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Roteiro em Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Série Documental ou de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Pat Hackett]]></category>
		<category><![CDATA[Queer]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Ryan Murphy]]></category>
		<category><![CDATA[Sombras: Andy e Jed]]></category>
		<category><![CDATA[Studio 54]]></category>
		<category><![CDATA[The Factory]]></category>
		<category><![CDATA[Wolfgang Held]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=28471</guid>

					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori As máquinas têm menos problemas. Eu gostaria de ser uma máquina, e você?                                                                                  &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/diarios-de-andy-warhol-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Para Andy Warhol, com amor."</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/diarios-de-andy-warhol-critica/">Para Andy Warhol, com amor.</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28472" aria-describedby="caption-attachment-28472" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28472" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol01.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol01.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol01-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol01-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol01-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol01-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28472" class="wp-caption-text">Com quatro indicações no <a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2022/">Emmy 2022</a>, The Andy Warhol Diaries concorre na categoria de Melhor Série Documental ou de Não-Ficção (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">As máquinas têm menos problemas. Eu gostaria de ser uma máquina, e você?</span></i><span style="font-weight: 400;">                                                                                                                                       – Andy Warhol</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre retratos formais da teoria da Arte, colunas em páginas de fofoca e imagens em </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2012/02/especialista-diz-que-andy-warhol-seria-viciado-em-twitter-e-facebook.html"><i><span style="font-weight: 400;">threads</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> explicativas</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre existiu o dilema de </span><a href="https://revolverwarholgallery.com/all-abou"><span style="font-weight: 400;">quem era Andy Warhol</span></a><span style="font-weight: 400;">. Para muitos, a resposta pode ser simples e se resumir nos símbolos que ele construiu a si mesmo – como a famosa e espalhafatosa peruca branca. Essa era a pretensão de um homem que se tornou um ícone, que, diante da mídia, não abria espaço para nada além de uma leitura superficial de sua obra – uma ilustração aparentemente objetiva da sociedade de consumo – e de sua excêntrica personalidade. </span></p>
<p><span id="more-28471"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">‘‘Querer ser uma máquina’’</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a representação dessa vontade de reduzir-se a sua criação e não deixar que suas tantas fragilidades escapassem. Nisso, a minissérie documental </span><a href="https://dasartes.com.br/de-arte-a-z/netflix-lanca-serie-sobre-andy-wahrol/"><i><span style="font-weight: 400;">Diários de Andy Warhol</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em outro eterno dilema de respeitar ou não as pretensões de um artista, tanto o desagradaria quanto o satisfaria. Utilizando-se do próprio diário de Warhol, os seis episódios constroem uma espécie de leitura orientada de suas palavras, entoadas por uma </span><a href="https://gizmodo.uol.com.br/como-a-voz-de-andy-warhol-foi-ressuscitada-por-ia-na-serie-da-netflix/"><span style="font-weight: 400;">inteligência artificial</span></a><span style="font-weight: 400;"> que recria e dá voz tanto às intimidades quanto a fatos comuns e banais de sua vida cotidiana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além de ser um documentário que busca os ineditismos da vida biografada, a série, produzida por </span><a href="https://www.dazeddigital.com/film-tv/article/55536/1/ryan-murphy-brings-andy-warhol-back-to-life-in-netflix-docuseries-trailer"><span style="font-weight: 400;">Ryan Murphy</span></a><span style="font-weight: 400;"> e distribuída pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, é um atestado da subjetividade de uma figura tão impenetrável da sociedade norte-americana. A cinematografia, se dispondo de trechos de filmes – tanto de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YoQYbMcyJs0"><span style="font-weight: 400;">autoria de Warhol</span></a><span style="font-weight: 400;"> como, por exemplo, de seu amigo </span><a href="https://mubi.com/pt/films/scenes-from-the-life-of-andy-warhol-friendships-and-intersections"><span style="font-weight: 400;">Jonas Mekas</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, é um fluxo de memórias que cria pontes entre a biografia do artista e seus trabalhos. Nessa fissura de quem seria Andy Warhol e quem seria Andrew Warhola – gay</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">filho de imigrantes, abraçado pelo frenesi</span> <span style="font-weight: 400;">de Nova York nos anos 1960 – é que reside a vulnerabilidade e a melancolia que permeiam os episódios dirigidos por Andrew Rossi. </span></p>
<figure id="attachment_28473" aria-describedby="caption-attachment-28473" style="width: 915px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28473" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol02.jpg" alt="Na imagem, encontra-se a reprodução dupla, lado ao lado, da foto, em preto e branco, que consta no passaporte de Andy Warhol, enquadrada em um fundo branco. A foto da esquerda mostra Andy, vestindo um paletó acinzentado, com uma camisa branca e uma gravata escura. Seus cabelos são ralos e bem arrumados e ele utiliza óculos redondos pretos. Na foto da direita, consta a mesma fotografia, no entanto, ela está rabiscada com lápis preto, dando mais volume ao cabelo de Warhol e contornando seu nariz, para que haja a impressão dele ser mais fino." width="915" height="550" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol02.jpg 915w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol02-800x481.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol02-768x462.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28473" class="wp-caption-text">Rossi preferiu a inteligência artificial que imitasse a voz de Warhol do que a utilização das gravações das ligações em que o artista ditava os escritos a Pat Hackett (Foto: The Andy Warhol Museum)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diário, datilografado e editado pela jornalista Pat Hackett, de 1976 até a morte do ‘papa da</span><i><span style="font-weight: 400;"> pop art</span></i><span style="font-weight: 400;">’, em 1987, é o fio condutor cronológico e temático da minissérie. Contudo, não é apenas a voz robotizada de Andy que prevalece nessa procura de sua identidade. Em entrevistas, testemunhos de </span><a href="https://www.interviewmagazine.com/art/photographer-chris-makos-takes-us-inside-andy-warhols-inner-circle"><span style="font-weight: 400;">amigos próximos</span></a><span style="font-weight: 400;">, como Debbie Harry – a eterna </span><a href="https://personaunesp.com.br/cena-new-wave/"><span style="font-weight: 400;">Blondie</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, de estudiosos da obra de Warhol e também de figuras que não eram exatamente próximas do artista, como o diretor de cinema </span><a href="https://www.interviewmagazine.com/film/that-time-john-waters-and-andy-warhol-unknowingly-parodied-jfks-assassination-at-the-same-time"><span style="font-weight: 400;">John Waters</span></a><span style="font-weight: 400;">, evidenciam o impacto do falso loiro na efervescência cultural estadunidense por quase três décadas. A diferença do teor com que os depoimentos descreviam Andy, ora com a seriedade de um objeto de estudo ou relembrado meio a lágrimas, contribuem para a formação dessa imagem tão complexa e performada pelo artista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por trás dessas duas dimensões, sempre em tensão pelo decorrer dos episódios, </span><a href="https://deadline.com/2022/08/the-andy-warhol-diaries-netflix-documentary-series-director-andrew-rossi-interview-news-1235087070/"><i><span style="font-weight: 400;">The Andy Warhol Diaries</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> – </span></i><span style="font-weight: 400;">título original da série – vai construindo sua própria perspectiva acerca do artista, em que se ressalta suas vivências enquanto um homem gay em conflito com sua sexualidade. Dar lugar à </span><a href="https://awardsradar.com/2022/08/22/interview-the-andy-warhol-diaries-director-andrew-rossi-on-the-decade-plus-journey-documenting-an-artists-life/"><span style="font-weight: 400;">humanidade de Warhol</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz com que se entenda sua persona pública enquanto um escudo contra a suas próprias inseguranças e contra os ataques da cultura que ele tanto ajudou a construir.</span></p>
<figure id="attachment_28474" aria-describedby="caption-attachment-28474" style="width: 755px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28474" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol03.jpg" alt="A imagem está em preto e branco, e contém dois fragmentos de fotografia. No primeiro, Andy Warhol usa uma blusa de gola alta preta, e um óculos arredondado preto; ele é um homem branco, de olhos escuros, com sobrancelhas retas e grossas, e com cabelo claro e curto. No segundo fragmento, Andy Warhol usa uma blusa branca, e está de maquiagem; ele usa batom, sombra cintilante, e cílios postiços, suas sobrancelhas aparecem finas e arqueadas. As duas imagens são justapostas, em cima de um papel branco, e costuradas, numa linha reta que atravessa verticalmente suas bordas. O segundo fragmento está mais rasgado, enquanto o primeiro está mais reto." width="755" height="700" /><figcaption id="caption-attachment-28474" class="wp-caption-text">A minissérie toma posse dos arquivos pessoais do artista para entender as formas de reinvenção desse ícone do mundo da Arte Contemporânea (Foto: Daniel Cooney Fine Art)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Seja na necessidade de reinventar a si mesmo pelos ambientes de expressão  que ele mesmo criou – como a </span><i><span style="font-weight: 400;">The Factory, </span></i><span style="font-weight: 400;">seu estúdio de criação e o berço da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">underground</span></i><span style="font-weight: 400;"> americana – Warhol era um modelo e um exemplo nacional do que era ser </span><a href="https://www.warhol.org/lgbtq/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">, ainda mais em um contexto de repressão dessas identidades. Mesmo que a sexualidade não fosse um recurso de sua performatividade no mundo das galerias e museus, o artista sabia como colocar as pessoas que brincavam com essa construção </span><a href="https://www.nbcnews.com/feature/nbc-out/warhol-exhibit-explores-roles-gender-sexuality-his-life-art-n1236516"><span style="font-weight: 400;">em um pedestal</span></a><span style="font-weight: 400;"> por meio de </span><a href="https://revolverwarholgallery.com/presence-and-absence-andy-warhols-sexual-identity-as-seen-in-his-body/"><span style="font-weight: 400;">suas obras</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu registro de lendas da história </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, como </span><a href="https://www.papelpop.com/2022/08/hari-nef-vai-estrelar-filme-biografico-de-candy-darling-musa-de-andy-warhol/"><span style="font-weight: 400;">Candy Darling</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Marsha P. Johnson, suas experiências com a </span><a href="https://www.dazeddigital.com/art-photography/article/55980/1/chris-makos-rarely-seen-portraits-of-andy-warhol-in-drag"><span style="font-weight: 400;">arte </span><i><span style="font-weight: 400;">drag</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e suas </span><a href="https://www.interviewmagazine.com/art/andy-warhol-the-pomp-and-circumstance-of-nudie-drawings"><span style="font-weight: 400;">ilustrações</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.interviewmagazine.com/art/andy-warhol-photography-jack-shainman-chelsea"><span style="font-weight: 400;">fotografias</span></a><span style="font-weight: 400;"> homoeróticas eram uma tentativa de expressar sua própria identidade com o papel aparentemente impessoal de sua produção. Seja por surfar nas ondas da liberação sexual das baladas dos anos 1970, como a frenética </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/noticia/2020/02/studio-54-casa-noturna-de-libertacao-para-o-corpo-e-para-mente.html"><span style="font-weight: 400;">Studio 54</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou por ser quase que um mecenas aos novos artistas que surgiam na cena, como Keith Haring e David Lachapelle, Andy nunca se deixou de ser influenciado por essa coletividade. Todavia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Diários de Andy Warhol</span></i><span style="font-weight: 400;"> não deixa de abordar criticamente o </span><a href="https://amlatina.contemporaryand.com/pt/editorial/andy-warhol-black-trans-sitters/"><span style="font-weight: 400;">espaço de poder</span></a><span style="font-weight: 400;"> ocupado por Warhol frente a grupos marginalizados dentro de sua própria comunidade, principalmente no </span><i><span style="font-weight: 400;">backstage </span></i><span style="font-weight: 400;">da produção das pinturas da série </span><a href="https://www.tate.org.uk/art/artists/andy-warhol-2121/ladies-and-gentlemen"><i><span style="font-weight: 400;">Ladies and Gentlemen</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i></p>
<figure id="attachment_28475" aria-describedby="caption-attachment-28475" style="width: 1501px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28475" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04.png" alt="autorretrato de Andy Warhol, em foto polaroid. Em um fundo branco, Andy direciona seu olhar para baixo. Seus olhos são escuros, suas sobrancelhas pretas. Usa uma peruca loira lisa e penteada. Seu rosto é envelhecido. Veste uma camiseta azul clara, onde é possível se ler ‘Andy Warhol’, em letras cursivas pretas. As bordas da fotografia são brancas" width="1501" height="2252" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04.png 1501w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04-533x800.png 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04-683x1024.png 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04-768x1152.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04-1024x1536.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04-1365x2048.png 1365w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol04-1200x1800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28475" class="wp-caption-text">O retrato construído por Rossi em The Andy Warhol Diaries não glorifica o artista, mas prefere ressaltar suas contradições (Foto: Vogue França)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte da constante afirmação de Rossi e dos entrevistados quanto a importância da sexualidade na trajetória de Andy vem no intuito de mostrar que sua história, como tantas outras narrativas </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, é atravessada pelo anseio de reconhecimento e visibilidade. Suas inquietações, que remontam a uma </span><a href="https://dasartes.com.br/colunas/alto-falante/andy-catholic-warhol/"><span style="font-weight: 400;">formação católica</span></a><span style="font-weight: 400;"> na infância e a uma percepção depreciativa de si mesmo, se resumiam a necessitar </span><a href="https://www.papermag.com/the-andy-warhol-diaries-netflix-2656827905.html?rebelltitem=5#rebelltitem5"><span style="font-weight: 400;">vínculos de proximidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que não eram supridos por sua obsessão com o sistema da fama estadunidense.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No segundo episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sombras: Andy e Jed, </span></i><span style="font-weight: 400;">para contar sobre Andy Warhol e seu assistente </span><a href="https://www.interviewmagazine.com/culture/meet-jed-johnson-the-man-who-stole-andy-warhol-heart"><span style="font-weight: 400;">Jed Johnson</span></a><span style="font-weight: 400;">, Rossi dispõe de filmes caseiros de viagens, festas de fim de ano, ou simplesmente gravações do cotidiano para construir a sensação de intimidade dessa relação. Na análise dos diários e dos testemunhos, se pontua o medo de Warhol em querer viver relações afetivas de longo prazo com seu parceiro, em um contexto em que o amor e a possibilidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo era absurda, se não mesmo condenada socialmente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tanto em suas paixões com Johnson quanto com a sincera </span><a href="https://www.vanityfair.com/style/2019/07/andy-warhol-jean-michel-basquiat-friendship-book"><span style="font-weight: 400;">amizade e parceria</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o artista </span><a href="https://piseagrama.org/altares-do-sacrificio/"><span style="font-weight: 400;">Jean Michel Basquiat</span></a><span style="font-weight: 400;">, o arquivo pessoal é a linguagem mais própria para fazer o espectador mergulhar no universo de afetividades revelado pela minissérie. Os vídeos, muitas vezes gravados pelo próprio artista que inspira a produção, são registros sem a pretensão de posteridade, sendo apenas a captura imediata da ternura desses laços com brutal honestidade. Assim como as </span><a href="https://www.dobrasvisuais.com.br/2010/04/andy-warhol-e-a-fotografia/"><span style="font-weight: 400;">fotografias</span></a><span style="font-weight: 400;"> que auxiliam ilustrar os excertos do diário, esse recurso engrandece o conteúdo emocional e documental dessas relações nos episódios. Não à toa, a obra conquistou indicações ao </span><a href="https://www.emmys.com/shows/andy-warhol-diaries"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2022 nas categorias Melhor Direção em Documentário/Programa de Não-Ficção, Melhor Roteiro em Programa de Não-Ficção – ambos para Andrew Rossi –, e Melhor Fotografia em Programa de Não-Ficção, para o Diretor de Fotografia Wolfgang Held, além da menção como Melhor Série Documental ou de Não-Ficção.</span></p>
<figure id="attachment_28476" aria-describedby="caption-attachment-28476" style="width: 1094px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28476" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol05.jpg" alt="composição, em sete colunas e cinco linhas, de fotos polaroids, tiradas por Andy Warhol, de diferentes figuras da cultura pop. Em todos os retratos, prevalece o fundo branco, juntamente de bordas brancas. Entre as figuras mais conhecidas, constam Mick Jagger, Debbie Harry, Truman Capote e Robert Mapplethorpe." width="1094" height="786" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol05.jpg 1094w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol05-800x575.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol05-1024x736.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol05-768x552.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28476" class="wp-caption-text">A obsessão do artista com a fama e a audiência era o motivo de seu extenso círculo social (Foto: Vogue Brasil)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da série cumprir o esforço em desfazer a máscara pública de Andy Warhol e centrar-se essencialmente em sua pessoa, a junção dos diários e dos relatos compõem o retrato do espírito do tempo dos anos 1960, 70 e 80 da sociedade norte-americana. Da contracultura e do cinema alternativo até a </span><a href="https://www.artsy.net/article/artsy-editorial-mtv-andy-warhol-broke-rules"><i><span style="font-weight: 400;">MTV</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, as percepções warholianas conseguiam traçar todos os movimentos mutantes</span> <span style="font-weight: 400;">do que era a </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2018/08/5-fatos-que-explicam-o-impacto-de-andy-warhol-na-cultura-pop.html"><span style="font-weight: 400;">cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Não se restringindo apenas no que está atrás da peruca loira, a série traz uma vasta lista de outros personagens como </span><a href="https://www.warhol.org/exhibition/a-taste-of-grace/"><span style="font-weight: 400;">Grace Jones</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.dazeddigital.com/artsandculture/article/33777/1/your-ultimate-guide-to-andy-warhol#:~:text=Y%20IS%20FOR,at%20his%20funeral."><span style="font-weight: 400;">o casal John Lennon e Yoko Ono</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://glamurama.uol.com.br/notas/liza-minnelli-vende-um-dos-retratos-que-ganhou-de-andy-warhol-por-mais-de-r-26-milhoes/#:~:text=Getty%20Images%2FReprodu%C3%A7%C3%A3o-,Liza%20Minnelli%20vende%20um%20dos%20retratos%20que%20ganhou%20de%20Andy,mais%20de%20R%24%2026%20milh%C3%B5es&amp;text=A%20fim%20de%20comprar%20uma,quadros%20assinados%20pelo%20artista%20americano."><span style="font-weight: 400;">Liza Minnelli,</span></a> <a href="https://www.phaidon.com/agenda/art/articles/2016/march/24/warhol-on-mapplethorpe/"><span style="font-weight: 400;">Robert Mapplethorpe</span></a><span style="font-weight: 400;">, e </span><a href="https://personaunesp.com.br/halston-critica/"><span style="font-weight: 400;">Roy Halston</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses artistas, que transitam pelos mesmos locais que Warhol, também ecoam na trilha sonora da série, que une do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">oitentista majestoso de Diana Ross ao</span><i><span style="font-weight: 400;"> rock </span></i><span style="font-weight: 400;">tímido e apaixonado de </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2021/#:~:text=Snail%20Mail%20%E2%80%93%20Valentine,Sailing)%20e%20Madonna"><span style="font-weight: 400;">Snail Mail</span></a><span style="font-weight: 400;">. Diferentemente de outras produções documentais, em que a música tem uma função meramente ambiente, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Diários </span></i><span style="font-weight: 400;">ela assume um </span><a href="https://wyep.org/feature/the-connection-between-andy-warhol-and-music/"><span style="font-weight: 400;">papel central</span></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">uma vez que Andy teve sua contribuição para definição de grupos e artistas agora lendários, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-velvet-underground-nico/"><span style="font-weight: 400;">The Velvet Underground</span></a><span style="font-weight: 400;">, Rolling Stones e </span><a href="https://warholcoverart.com/2017/06/20/the-smiths-the-complete-flesh-picture/"><span style="font-weight: 400;">The Smiths</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em termos da adaptação do diário às telinhas, </span><i><span style="font-weight: 400;">The</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Andy Warhol Diaries</span></i><span style="font-weight: 400;"> utiliza de dublês para contribuir em encenações dramáticas de passagens do livro, além de, assim como Hackett, incluir sucessivas contextualizações de acontecimentos marcantes da vida de Andy. Desde o atentado cometido por </span><a href="https://medium.com/@isabela.jaha/voc%C3%AA-gostaria-de-ser-lembrado-como-a-mulher-que-atirou-em-andy-warhol-dbf675902cb5"><span style="font-weight: 400;">Valerie Solanas</span></a><span style="font-weight: 400;"> até situações sócio-políticas como a luta de direitos pelas mulheres nos anos 60, a ascensão do conservadorismo de </span><a href="https://www.tate.org.uk/art/artists/andy-warhol-2121/me-and-andy-warhol-and-ronald-reagan"><span style="font-weight: 400;">Ronald Reagan</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://www.warhol.org/warhols-confession-love-faith-and-aids/"><span style="font-weight: 400;">medo generalizado da HIV</span></a><span style="font-weight: 400;">, ressoam em sua sensibilidade, tanto por registros do diário quanto pela simbologia em sua obra.</span></p>
<figure id="attachment_28477" aria-describedby="caption-attachment-28477" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28477" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06.jpg" alt="foto preto e branco de Andy Warhol, enrolado na bandeira dos Estados Unidos. Usa óculos redondos de arame e sua característica peruca loira, enquanto sua mão, segurando um grande pincel preto, pinta outra faixa, provavelmente azul, na parte branca da bandeira. O fundo é escuro." width="1500" height="2271" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06-528x800.jpg 528w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06-676x1024.jpg 676w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06-768x1163.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06-1015x1536.jpg 1015w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06-1353x2048.jpg 1353w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/warhol06-1200x1817.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28477" class="wp-caption-text">Muito da obsessão de Andy com a cultura capitalista vem na tentativa de, como descendente de imigrantes, sentir-se pertencente aos ideais de liberdade dos Estados Unidos (Foto: Interview Magazine)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://awardsradar.com/2022/08/22/interview-the-andy-warhol-diaries-director-andrew-rossi-on-the-decade-plus-journey-documenting-an-artists-life/"><span style="font-weight: 400;">abordagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> da minissérie entende os escritos datilografados por Hackett como o gesto artístico final do artista que, de certa maneira, é a antítese de toda a impessoalidade presumida de sua obra.  Tanto os episódios quanto as passagens dos dias no diário cumprem o papel de colecionar os fatos de sua </span><a href="https://www.independent.com/2022/08/21/review-emmy-preview-the-andy-warhol-diaries/#:~:text=Overall%2C%20the%20series,a%20narrative%20automation."><span style="font-weight: 400;">vida privada</span></a><span style="font-weight: 400;">: dos gastos de uma semana aos sentimentos desoladores da solidão, da autodepreciação, de latente desejo erótico reprimido e da falta de reciprocidade, munidos por querer se entender enquanto </span><a href="https://www.goldderby.com/feature/andrew-rossi-the-andy-warhol-diaries-director-writer-video-interview-1205026408/"><span style="font-weight: 400;">digno de afeto</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De volta às perguntas sem respostas, entender as pretensões do diário de Warhol é um enigma que nunca será desvendado, assim como captar o real em sua vida é um </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-features/andy-warhol-diaries-netflix-artist-queer-legacy-1235168140/"><span style="font-weight: 400;">objetivo a nunca ser cumprido</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nas falas dos entrevistados, existem diferentes retratos desse artista que existiu conjuntamente em quase todos os patamares da cultura e da </span><a href="https://galoa.com.br/blog/andy-warhol-o-sociologo-pictorico-imagens-em-massa-e-mecanismos-da-celebridade/"><span style="font-weight: 400;">sociedade estadunidense</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, o </span><a href="https://twitter.com/a_rossi/status/1502135191975993346?s=20&amp;t=Hre-fgZRG2g1_JdZcGAdAQ"><span style="font-weight: 400;">dever dessa produção</span></a><span style="font-weight: 400;">, indicada ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> da TV, não é chegar à verdade sobre Warhol, mas sim destacar o que foi omitido dos que pensaram que essa verdade existe. É engrandecer os receios, as paixões e as feridas de um homem </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> e de seus desejos dissidentes, colocados no centro da reprodução dessas memórias. É firmar a beleza e a dor de sua biografia, ainda mais quando o cânone da Arte faz questão de apagar essa história das páginas de seus livros. Por fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Diários de Andy Warhol </span></i><span style="font-weight: 400;">não passa de uma </span><a href="https://twitter.com/a_rossi/status/1502135191975993346?s=20&amp;t=Hre-fgZRG2g1_JdZcGAdAQ"><span style="font-weight: 400;">carta de amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> para todo o sentimento guardado no peito.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Andy Warhol Diaries (From Executive Producer Ryan Murphy) | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/aeC76ncf66w?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/diarios-de-andy-warhol-critica/">Para Andy Warhol, com amor.</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/diarios-de-andy-warhol-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">28471</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Allen contra Farrow e os ídolos que criamos</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/allen-contra-farrow-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/allen-contra-farrow-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Sep 2021 22:35:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>
		<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[Allen v. Farrow]]></category>
		<category><![CDATA[Amy Ziering]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Doc]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Dylan Farrow]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy 2021]]></category>
		<category><![CDATA[Famosos]]></category>
		<category><![CDATA[HBO]]></category>
		<category><![CDATA[HBO Max]]></category>
		<category><![CDATA[Kirby Dick]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Direção em Documentário/Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Edição de Som em Reality ou Programa de Não-Ficção (Única ou Múltiplas Câmeras)]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Montagem em Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Roteiro em Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Série Documental ou de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Mia Farrow]]></category>
		<category><![CDATA[Mikaela Shwer]]></category>
		<category><![CDATA[Minissérie]]></category>
		<category><![CDATA[Minissérie Documental]]></category>
		<category><![CDATA[Parker Laramie]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Sara Newens]]></category>
		<category><![CDATA[Série documental]]></category>
		<category><![CDATA[Soon-Yi Previn]]></category>
		<category><![CDATA[TV]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Woody Allen]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=22984</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva No dia 18 de agosto de 1992, o cineasta Woody Allen convocou uma coletiva de imprensa no saguão do The Plaza Hotel, em Nova York, para confirmar que estava tendo um romance com a jovem Soon-Yi Previn. Para quem esse nome possa soar desconhecido, a coreana é a filha adotiva da atriz Mia &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/allen-contra-farrow-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Allen contra Farrow e os ídolos que criamos"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/allen-contra-farrow-critica/">Allen contra Farrow e os ídolos que criamos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22985" aria-describedby="caption-attachment-22985" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22985 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2848.jpg" alt="A imagem é uma foto de Woody Allen e Mia Farrow segurando no colo, respectivamente, Dylan e Ronan Farrow." width="1200" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2848.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2848-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2848-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/2848-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22985" class="wp-caption-text">A série documental da HBO concorre em 7 categorias no Emmy 2021 (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 18 de agosto de 1992, o cineasta Woody Allen convocou uma coletiva de imprensa no saguão do The Plaza Hotel, em Nova York, para confirmar que estava tendo um romance com a jovem Soon-Yi Previn. Para quem esse nome possa soar desconhecido, a coreana é a filha adotiva da atriz Mia Farrow, que também era namorada de Allen até o ocorrido. Esse fator quase transposto de uma </span><a href="https://observatoriodatv.uol.com.br/critica-de-tv/apesar-do-texto-pouco-sutil-verdades-secretas-envolve-o-publico-com-trama-sedutora"><span style="font-weight: 400;">novela de Walcyr Carrasco</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi apenas o estopim de uma batalha que perdura anos, e é retratada na série documental </span><i><span style="font-weight: 400;">Allen contra Farrow</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-22984"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigida por Kirby Dick e Amy Ziering, parte desse princípio para apresentar uma narrativa por vezes </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/dylan-farrow-rebate-carta-aberta-de-woody-allen-nada-que-ele-diga-ou-escreva-pode-mudar-verdade/"><span style="font-weight: 400;">ressoada na mídia</span></a><span style="font-weight: 400;">, já atravessando milhares de versões e reviravoltas. Voltando um pouco mais na </span><a href="https://www.ofuxico.com.br/noticias/criamos-a-linha-do-tempo-do-documentario-allen-contra-farrow/"><span style="font-weight: 400;">linha do tempo</span></a><span style="font-weight: 400;">, o primeiro episódio começa apresentando o início do relacionamento entre Mia e Woody, que resultou em um aspecto quase conjugal, em que o aclamado diretor aceita adotar uma filha junto à ela, mas que ficaria sob total responsabilidade da atriz. Assim, Mia, que já era mãe de sete, encontra a pequena Dylan, uma garotinha perfeita para realizar as tais idealizações de seu futuro &#8220;pai&#8221;. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenrolar da trama passa a se tornar um verdadeiro pesadelo. Diversas fontes próximas à família se juntam aos relatos de Mia e Dylan para retratar a obsessiva relação do pai com a filha, e os breves indícios de um perfil perverso do amável diretor. Mas a tendência que a narrativa segue é brevemente interrompida por uma nova revelação, nem tão surpreendente para quem já tem acompanhado a história aqui do lado de fora, em que Mia encontra fotos sensuais da filha Soon-Yi no apartamento do seu até então namorado.</span></p>
<figure id="attachment_22988" aria-describedby="caption-attachment-22988" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22988 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/naom_6048a5a24a02c.jpg" alt="A imagem é uma foto de Mia Farrow e Woody Allen." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/naom_6048a5a24a02c.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/naom_6048a5a24a02c-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/naom_6048a5a24a02c-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/naom_6048a5a24a02c-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/naom_6048a5a24a02c-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/naom_6048a5a24a02c-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22988" class="wp-caption-text">Além do namoro de 12 anos, Mia Farrow também participou de vários filmes do diretor, entre eles A Era do Rádio e Hannah e Suas Irmãs (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Junto ao fio condutor tecido pela família ao longo dos quatro episódios, somam-se os olhares de críticos e admiradores da obra de Allen. Daqueles que conseguem formular claramente a adoração pelo diretor, pela forma como ele retrata a Grande Maçã estadunidense, pela identificação com seu jeito desengonçado e humanizador, e pelo jeito que expressa suas personagens mulheres &#8211; sim, claro, as mulheres! </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E em sua própria obra também emergem evidências do seu comportamento questionável, como pela insistente representação de relacionamentos entre um homem mais velho e uma mulher jovem, o tal personagem masculino da relação por muitas vezes sendo ele próprio &#8211; mas isso também só pode ser um fruto do acaso -, como exemplificado na sua aclamada produção </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JEoEGW4Hb9w"><i><span style="font-weight: 400;">Manhattan</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como se ter um caso com a sua enteada de 21 anos já não dissesse muito sobre o caráter do nova iorquino, a revelação que segue consegue ser ainda mais tenebrosa: o suposto </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/03/08/filha-de-woody-allen-tudo-foi-usado-contra-mim-em-denuncia-de-abuso.htm#:~:text=Filha%20de%20Woody%20Allen%3A%20'Tudo,mim'%20em%20den%C3%BAncia%20de%20abuso&amp;text=Dylan%20Farrow%20relembrou%20o%20processo,tinha%20sete%20anos%20de%20idade."><span style="font-weight: 400;">abuso sexual de Woody Allen</span></a><span style="font-weight: 400;"> a sua filha Dylan Farrow, quando esta tinha 7 anos de idade. E aqui deixo como suposto pelo caso nunca ter resultado em uma investigação policial de fato, mas o desenrolar deste capítulo tenebroso fica para o minutos desenvolvidos na própria produção. </span></p>
<figure id="attachment_22987" aria-describedby="caption-attachment-22987" style="width: 1296px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22987 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/allen-v-farrow-fitas.jpg" alt="A imagem é uma foto de Moses Farrow, Soon-Yi Previn e Woody Allen, que estão de mãos dadas com Dylan Farrow." width="1296" height="730" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/allen-v-farrow-fitas.jpg 1296w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/allen-v-farrow-fitas-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/allen-v-farrow-fitas-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/allen-v-farrow-fitas-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/allen-v-farrow-fitas-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22987" class="wp-caption-text">Woody Allen e Soon-Yi Previn, pais adotivos de 2 filhos, estão juntos até hoje (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Eis uma guerra instaurada: os relatos da jovem Dylan contra a clemência de Allen por sua inocência. Mas este não se atreve a tentar contrapor os argumentos de uma criança, jogando toda a carga do ocorrido nas costas de Mia, como uma suposta manipuladora por ter ciúmes da </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/03/23/em-autobiografia-woody-allen-explica-como-comecou-namoro-com-enteada.htm"><span style="font-weight: 400;">relação do ex-namorado com Soon-Yi</span></a><span style="font-weight: 400;"> (que, mais uma vez, era sua filha). A mídia compra essa versão, os fãs também, e a comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiana </span></i><span style="font-weight: 400;">mais ainda. Allen não é investigado, muito menos linchado pela sociedade. Ele permanece desfrutando da sua liberdade, enquanto levemente sustenta um relacionamento saudável com sua ex-enteada e uma acusação de abuso infantil. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato é que ninguém é capaz de duvidar de um senhor indefeso e aparentemente dócil como Allen, muito menos alguém dono de produções tão potentes e que conversam tanto com diferentes tipos de público. E assim a história se discorre, Mia se torna <a href="https://revistamonet.globo.com/Celebridades/noticia/2021/02/atriz-mia-farrow-diz-que-grande-arrependimento-da-sua-vida-foi-ter-deixado-woody-allen-entrar-para-familia.html">incapaz de continuar atuando em solo estadunidense</a>, ao passo que Allen tem o amor da opinião pública e os demais prazeres que um homem branco e bem sucedido é capaz de gozar vivendo em sociedade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse retrato permanece não apenas por minutos, como se passam na série, mas por anos. A acusação se deu em 1992, e, desde então, Woody Allen já teve 8 indicações e 1 vitória no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, 3 indicações e 1 vitória no Globo de Ouro, e 26 filmes lançados. Isso não parece soar nem um pouco como alguém sofrendo as consequências de qualquer ato que seja. </span></p>
<figure id="attachment_22986" aria-describedby="caption-attachment-22986" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22986 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/allenvfarrow.jpg" alt="A imagem é uma cena do documentário, em que Dylan Farrow está dando um depoimento." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/allenvfarrow.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/allenvfarrow-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/allenvfarrow-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/allenvfarrow-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22986" class="wp-caption-text">Mesmo em meio às acusações, Woody Allen ainda tem uma legião de defensores em Hollywood, com nomes como Alec Baldwin e Javier Bardem (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Há quem afirme que a produção escuta apenas um lado da história, e de fato é o que acontece, mas não pela falta de tentativas em se contatar o outro, como assim é reforçado ao final de cada episódio. Ao mesmo tempo, é interessante observar como não há evidências suficientes no mundo quando o assunto em questão é a condenação de um homem poderoso. Não bastam os <a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/dylan-farrow-da-detalhes-sobre-acusacao-de-abuso-sexual-contra-o-pai-o-cineasta-woody-allen.ghtml">depoimentos e traumas</a> revirados por uma criança de 7 anos, nem os relatos de pessoas próximas, muito menos a opinião de profissionais, ou as milhares de falas e posicionamentos machistas e repugnantes de Allen, que ele nem se esforça em disfarçar em suas entrevistas ou nas conversas gravadas ao telefone.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Allen contra Farrow </span></i><span style="font-weight: 400;">é sim uma produção parcial, mas foca no olhar de uma jovem que teve sua voz calada </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/02/cultura/1391308435_615844.html"><span style="font-weight: 400;">por mais de 20 anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e viu suas relações familiares e amorosas serem massacradas por um rolo compressor, enquanto assistia o seu abusador andar em tapetes vermelhos e </span><a href="http://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2014/01/woody-allen-falta-em-homenagem-no-globo-de-ouro-2014.html"><span style="font-weight: 400;">receber homenagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> como se fosse o homem mais genial do universo. A mesma jovem que só pôde observar o </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/cancelado-nos-eua-novo-filme-de-woody-allen-chega-ao-brasil-24074834"><span style="font-weight: 400;">início da queda</span></a><span style="font-weight: 400;"> do mesmo há pouco tempo, e muito longe de ser o fim. </span></p>
<figure id="attachment_22990" aria-describedby="caption-attachment-22990" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22990 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Screenshot-2969.png" alt="A imagem é uma foto de 9 dos filhos de Mia Farrow." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Screenshot-2969.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Screenshot-2969-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Screenshot-2969-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Screenshot-2969-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Screenshot-2969-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22990" class="wp-caption-text">Mãe de 14 filhos, Mia Farrow já <a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/04/01/mia-farrow-detalha-morte-dos-tres-filhos-apos-surgimento-de-rumores-online.htm">sofreu a perda</a> de três deles: Tam, Lark e Thaddeus (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E é mais do que simbólico que essa derrocada tenha se discorrido com a crescente </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-assistente-critica/"><span style="font-weight: 400;">onda do </span><i><span style="font-weight: 400;">Me Too</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em que foi necessário unir forças de centenas de mulheres para </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-41601385"><span style="font-weight: 400;">derrubar um dos maiores magnatas de Hollywood</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ou seja, Dylan Farrow sozinha jamais será capaz de realizar o mesmo com a monstruosidade do seu pai. Tal fato é concretizado na fala da psicóloga Anna Salter durante a produção: </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;O público é muito severo com criminosos sexuais, contanto que eles estejam longe e não tenham carisma”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conteste pelas contradições presentes na história ou pela falta de evidências. Mas se apenas provas fossem realmente suficientes Johnny Depp não estaria ainda </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/2020/11/apos-demissoes-johnny-depp-tem-filme-para-voltar-ao-cinema-diz-rumor"><span style="font-weight: 400;">atuando em filmes</span></a><span style="font-weight: 400;">, Roman Polanski não estaria </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2020/02/28/roman-polanski-ganha-cesar-de-melhor-diretor-apos-protestos-por-acusacao-de-estupro.ghtml"><span style="font-weight: 400;">ganhando prêmios</span></a><span style="font-weight: 400;">, Marilyn Manson não estaria </span><a href="https://portalpopline.com.br/kanye-west-donda-marilyn-manson-dababy/"><span style="font-weight: 400;">participando de álbuns de grandes </span><i><span style="font-weight: 400;">rappers</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e a </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/album/2017/11/06/todos-os-famosos-acusados-de-assedio-e-abuso-sexual-ate-agora.htm"><span style="font-weight: 400;">lista é longa</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Allen contra Farrow</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um retrato escancarado de uma sociedade misógina que elege ídolos medíocres, e depois teme ao vê-los se revelarem verdadeiros monstros.  Afinal, </span><i><span style="font-weight: 400;">quem acreditaria que Woody Allen faria isso?</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é sobre </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/08/cultura/1515416335_689166.html"><span style="font-weight: 400;">separar o artista da obra</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou qualquer outra discussão incabível aqui, é sobre condenar e reconhecer os verdadeiros culpados. Enquanto vemos </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-vida-depois-do-tombo-critica/"><span style="font-weight: 400;">mulheres serem culpabilizadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> por muito menos, uma quantidade infinita de panos são passados para dezenas de predadores sexuais ou homens de caráter questionável. Não é apenas sobre Allen ou Spacey ou </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2018/07/20/james-gunn-e-demitido-da-direcao-do-proximo-guardioes-da-galaxia-por-causa-de-comentarios-sobre-pedofilia-e-estupro.ghtml"><span style="font-weight: 400;">quem quer que seja o nome da vez</span></a><span style="font-weight: 400;">, o buraco sempre foi bem </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><span style="font-weight: 400;">mais embaixo</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_22989" aria-describedby="caption-attachment-22989" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22989 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NINTCHDBPICT000636815336-scaled.jpg" alt="A imagem é uma cena do documentário, em que Mia Farrow está dando um depoimento." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NINTCHDBPICT000636815336-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NINTCHDBPICT000636815336-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NINTCHDBPICT000636815336-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NINTCHDBPICT000636815336-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NINTCHDBPICT000636815336-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NINTCHDBPICT000636815336-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/NINTCHDBPICT000636815336-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22989" class="wp-caption-text">A produção também concorre no Emmy Criativo nas categorias Melhor Montagem em Programa de Não-Ficção, Edição de Som em Reality ou Programa de Não-Ficção, Edição de Imagem em Programa de Não-Ficção e Melhor Música Tema do Título Principal (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com a divisão de opiniões e as aguardadas </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/woody-allen-diz-que-documentario-da-hbo-sobre-acusacoes-de-abuso-tem-falsidade/"><span style="font-weight: 400;">críticas vindas do cineasta</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Allen contra Farrow </span></i><span style="font-weight: 400;">garantiu 7 indicações no</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;">. Entre elas, Kirby Dick e Amy Ziering se garantiram em Melhor Direção em Documentário/Programa de Não-Ficção pelo Episódio 3, que também concorre em Roteiro em Programa de Não-Ficção. A produção ainda tem grandes chances de sair vitoriosa por Melhor Série Documental ou de Não-Ficção contra nomes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/faz-de-conta-que-ny-e-uma-cidade-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Faz de Conta que NY é uma Cidade</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">American Masters</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">City So Real</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Secrets of the Whales</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o fim de Woody Allen no meio cinematográfico está próximo, só o tempo irá dizer. Além das inúmeras desaprovações ao próprio documentário da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele ainda conta com uma legião de defensores em Hollywood. Mas não podemos esperar muito de uma sociedade que é conivente até com um <a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2019/08/30/caso-polanski-o-que-se-sabe-sobre-condenacao-de-estupro-40-anos-depois-do-crime.ghtml">homem que assumiu abertamente ter tido relações sexuais com uma jovem de 13 anos</a>. E não podemos mesmo: daqui a dez dias, o próximo filme de Allen irá abrir o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2020/06/26/novo-filme-de-woody-allen-abrira-o-festival-de-san-sebastian-que-acontece-em-setembro.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Festival Internacional de Cinema de San Sebastián</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/allen-contra-farrow-critica/">Allen contra Farrow e os ídolos que criamos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/allen-contra-farrow-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">22984</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Boys State: meninos mimados estão regendo a nação</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/boys-state-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/boys-state-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Aug 2021 21:31:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>
		<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[A24]]></category>
		<category><![CDATA[Amanda McBaine]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Apple TV+]]></category>
		<category><![CDATA[Barack Obama]]></category>
		<category><![CDATA[Ben Feinstein]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Donald Trump]]></category>
		<category><![CDATA[Eddy Proietti]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy 2021]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Cinema de Sundance]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Sundance]]></category>
		<category><![CDATA[Governo]]></category>
		<category><![CDATA[Jesse Moss]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Direção em Documentário/Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Documentário ou Especial de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Raquel Dutra]]></category>
		<category><![CDATA[René Otero]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Steven Garza]]></category>
		<category><![CDATA[Texas]]></category>
		<category><![CDATA[The Overnighters]]></category>
		<category><![CDATA[TV]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=22609</guid>

					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra A aspiração de homens brancos pela política é um dos fatos mais óbvios deste mundo. Dos números às suas interpretações, algo é compreendido: não há lugar melhor para indivíduos criados como os donos do futuro darem vazão às suas síndromes de poder do que um ambiente institucional deliberativo. Os Parlamentos sabem bem disso, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/boys-state-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Boys State: meninos mimados estão regendo a nação"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/boys-state-critica/">Boys State: meninos mimados estão regendo a nação</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22610" aria-describedby="caption-attachment-22610" style="width: 2547px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22610" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-1-8.jpg" alt="" width="2547" height="1062" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-1-8.jpg 2547w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-1-8-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-1-8-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-1-8-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-1-8-1536x640.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-1-8-2048x854.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-1-8-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22610" class="wp-caption-text">Indicado a Melhor Documentário ou Especial de Não-Ficção no Emmy 2021, Boys State é um retrato agridoce do presente e do futuro (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A aspiração de homens brancos pela política é um dos fatos mais óbvios deste mundo. Dos números às suas interpretações, algo é compreendido: não há lugar melhor para indivíduos criados como os donos do futuro darem vazão às suas <a href="https://personaunesp.com.br/alvorada-critica/">síndromes de poder</a> do que um ambiente institucional deliberativo. Os Parlamentos sabem bem disso, as Câmaras sabem bem disso, os Palácios, Tribunais, Prefeituras e Senados, todos ocupados por uma maioria masculina branca na </span><a href="https://www.ibgc.org.br/blog/mulheres-politica-acesso-feminino-aos-cargos-politicos"><span style="font-weight: 400;">em boa parte dos governos do mundo</span></a><span style="font-weight: 400;">, sabem muito bem disso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho de base é forte, começando com a própria existência destes numa sociedade racista e patriarcal. E na chamada </span><a href="https://l.facebook.com/l.php?u=https%3A%2F%2Ftheintercept.com%2F2020%2F10%2F20%2Feua-fazem-de-tudo-para-impedir-negros-e-latinos-de-votar%2F%3Ffbclid%3DIwAR3SYJ2Sc6-i7ARg8mSX9p-0bHeevM-fTJBQCSX8hEEM50ssPGJRRntIIVI&amp;h=AT1NhAwzVPkyL4tRbX7fzi49zE_0DbzZB_XgbocPWXH5L7igz081h-aYykzDKCK_BiLaa9Urw2xsSs2xfThlhjnVQdCAgkUhRAfNjNTXXEh9LgST68np9QqZoP12y0UW3Ft1&amp;__tn__=-UK-R&amp;c[0]=AT3jKBOEN8w40fm-HzznM0Qu9ODnAxWIMPDmDX1wv67PKRUmn1YC1nT6ihdX5ksfh1EanoZ75v9Jsjq3AqL6PsYGf8ZfWo0Ev409OZKv0UdqjUdtqq8_pFngX9Lw-hfgKXvyVbKYYhdCIsaHsB8wbT7-_HUb0APTtAIC_j2aMbhp_FY"><i><span style="font-weight: 400;">maior democracia do mundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o processo é favorecido por algumas iniciativas, que junto da ação das estruturas de poder do século 21, trabalham para evocar nesses futuros líderes as suas noções políticas. Uma delas é o </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;">, um programa de verão realizado desde 1937 em cada um dos estados dos EUA pela </span><a href="https://www.legion.org/"><span style="font-weight: 400;">Legião Americana</span></a><span style="font-weight: 400;">, entidade formada por veteranos de guerra estadunidenses. Todo ano, os membros da instituição escolhem 1.200 jovens para participar do projeto que cria o </span><i><span style="font-weight: 400;">estado dos meninos</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde eles vivem a experiência de construir um governo do zero.</span></p>
<p><span id="more-22609"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretriz principal é a </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/um-guia-para-entender-eleicao-americana/"><span style="font-weight: 400;">Constituição dos Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas o governo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem de existir à sua própria maneira, sem a influência direta dos partidos que regem as reais movimentações políticas no país. Então, os jovens são divididos no mesmo esquema </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/zeitgeist-o-bipartidarismo-nos-estados-unidos/a-36385808"><span style="font-weight: 400;">bipartidário</span></a><span style="font-weight: 400;"> para criar sua própria identidade, escolher suas próprias lideranças, defender suas próprias bandeiras e articular sua própria campanha, dividida nas tradicionais eleições primárias e gerais. Ao fim da jornada, dentre os nacionalistas e os federalistas, serão escolhidas as autoridades de </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_22611" aria-describedby="caption-attachment-22611" style="width: 2144px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22611" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-2-8.jpg" alt="" width="2144" height="1608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-2-8.jpg 2144w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-2-8-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-2-8-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-2-8-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-2-8-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-2-8-2048x1536.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-2-8-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22611" class="wp-caption-text">Não serei injusta: é preciso saber que na mesma ideia do Boys State, existe também o Girls State, que por sua vez, é organizado pela Legião Americana Auxiliar, uma entidade composta por esposas, mães, filhas, netas e irmãs dos veteranos de guerra americanos; demais o senso de igualdade, não? (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o processo, é esperado que os ânimos se exaltem vez ou outra, diante de um assunto aqui e outra pauta lá, ou que a sensação de poder daqueles adolescentes cresça para além do previsto em alguma deliberação pontual. Na edição de 2017, porém, algo em específico no meio daquele alto índice de masculinidade juvenil por metro quadrado que mexia com a demografia do Texas chamou a atenção. Em uma de suas votações simbólicas, o grupo de jovens que formavam o programa do estado </span><a href="https://www.washingtonpost.com/news/morning-mix/wp/2017/06/26/in-a-first-texas-boys-state-votes-to-secede-from-the-union/"><span style="font-weight: 400;">aprovou uma proposta de separação</span></a><span style="font-weight: 400;"> do resto do país.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fato repercutiu no país inteiro, pois apesar de o movimento de secessão do Texas existir há cerca de 150 anos, ele nunca havia sido encarado como algo realmente capaz de alterar a composição da força política que atende por Estados Unidos. Mas a adesão daqueles adolescentes aos ideais separatistas despertou a população local a pensar sobre como a juventude enxergava sua cidadania, a democracia e a própria sociedade estadunidense. Nesse contexto, a preocupação atingiu a dupla de documentaristas </span><a href="http://www.jessemoss.com/About"><span style="font-weight: 400;">Jesse Moss</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.nostudios.com/amanda-mcbaine"><span style="font-weight: 400;">Amanda McBaine</span></a><span style="font-weight: 400;">, que colocaram suas câmeras para acompanhar a edição de 2018 do </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> do Texas, decididos a compreender como as relações políticas se estabelecem ali.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E bom, o que o documentário encontra faz jus à polêmica. Registrando desde as fases iniciais de preparação do programa até o desfecho do processo eleitoral que é a razão de cada um daqueles adolescentes estar ali, </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> já parte de uma premissa: a maior surpresa que pode nascer do programa não é o comportamento de seus participantes em si, mas a reação da sociedade ao descobrir até onde seus meninos podem chegar seguindo ideais que são </span><a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/conservadorismos-eua-cabrita-iep/"><span style="font-weight: 400;">absolutamente tradicionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> na política estadunidense.</span></p>
<figure id="attachment_22612" aria-describedby="caption-attachment-22612" style="width: 1825px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22612" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-3.png" alt="" width="1825" height="798" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-3.png 1825w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-3-800x350.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-3-1024x448.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-3-768x336.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-3-1536x672.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-3-1200x525.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22612" class="wp-caption-text">O Boys State teve a participação de alguns nomes famosos na política norte-americana, como Bill Clinton e Dick Cheney, e também de figuras não-políticas, como Michael Jordan e Bruce Springsteen (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os primeiros minutos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostram algumas cenas das entrevistas dos jovens com os membros da Legião Americana, no processo inicial de seleção dos participantes do programa. No fio do documentário, o momento significa conhecer alguns dos personagens, que têm figuras religiosas cristãs como modelo de vida, vêm de famílias militares e se dizem viciados em política. Conforme os veteranos de guerra assentem, eles continuam a contar que acreditam que </span><a href="https://www.researchgate.net/publication/325077754_Vigilantes_da_moral_e_dos_bons_costumes_condicoes_sociais_e_culturais_para_a_estruturacao_politica_da_censura_durante_a_ditadura_militar"><span style="font-weight: 400;">bons costumes</span></a><span style="font-weight: 400;"> são o que formam uma sociedade saudável, e que “</span><a href="https://infame.us/2017/08/14/o-trabalho-dignifica-o-homem/"><span style="font-weight: 400;">o trabalho é o que nos faz ir longe</span></a><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo, as etapas do programa avançam e já estamos dentro de um ônibus indo para o lugar onde aquele grupo de adolescentes estabelecerá seu governo. No caminho, eles se conhecem dividindo suas impressões sobre a situação política do país, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece querer demonstrar uma pluralidade de pensamentos que não existe, pulando de comentários relacionados à gestão caótica de Donald Trump, à opiniões radicais sobre a presidência de Barack Obama. Sobre </span><a href="https://oglobo.globo.com/mundo/oito-mulheres-que-acusam-trump-de-assedio-sexual-20283048"><span style="font-weight: 400;">o republicano assediador</span></a><span style="font-weight: 400;">, a opinião que se destaca é a de que não devemos criticar o presidente mesmo não concordando com o que ele faz. Quando o assunto é o líder democrata, eles explodem em desgosto com a sua política “</span><a href="https://exame.com/revista-exame/o-capitalismo-segundo-obama/"><i><span style="font-weight: 400;">quase socialista</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À medida em que </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> avança na jornada daqueles jovens, o espectador, os diretores e os adolescentes já imaginam onde é que esse fervor todo vai dar, cada um à sua maneira. Presenteado com uma narrativa orgânica que nasce daquele bando de garotos inflamados e obstinados em todos os altos e baixos de uma legítima campanha política, o documentário é quase um </span><i><span style="font-weight: 400;">reality show</span></i><span style="font-weight: 400;">, cheio de ritmo. Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> trabalha de uma maneira muito interessante, aproximando as concepções de história (enquanto narrativa) e política (enquanto exercício): nos dois aspectos, </span><a href="http://dspace.sti.ufcg.edu.br:8080/jspui/handle/riufcg/6709"><span style="font-weight: 400;">existem personagens</span></a><span style="font-weight: 400;">, desesperados por alcançar um desenvolvimento notável.</span></p>
<figure id="attachment_22613" aria-describedby="caption-attachment-22613" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22613" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-4-2.jpeg" alt="" width="2560" height="1350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-4-2.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-4-2-800x422.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-4-2-1024x540.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-4-2-768x405.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-4-2-1536x810.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-4-2-2048x1080.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-4-2-1200x633.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22613" class="wp-caption-text">A parceria entre Jesse Moss e Amanda McBaine é de longa data e já reconhecida: em 2014, a dupla chegou perto de uma indicação ao Oscar de Melhor Documentário com The Overnighters (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O ciclo narrativo continua e a salvação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece chegar através de um jovem passional chamado </span><a href="https://www.instagram.com/stevenagarza/"><span style="font-weight: 400;">Steven Garza</span></a><span style="font-weight: 400;">, que não demora a se transformar num dos personagens principais do filme. Filho de imigrantes mexicanos que foram ilegais por muito tempo nos EUA, ele diz às câmeras que o Texas é uma representação perfeita da América, pela diversidade de pessoas e culturas que abriga. Suas fortes aspirações políticas mostram outra face daquele lugar dominado pela branquitude juvenil e desenha um outro sentido para </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;">, que Garza defende como uma oportunidade de aprender e com pessoas diferentes longe da baixaria dos comentários do </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O jovem com tendências progressistas cai no partido dos nacionalistas, que contará com a presidência do eloquente </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/08/26/opinion/boys-state-electoral-politics.html"><span style="font-weight: 400;">René Otero</span></a><span style="font-weight: 400;">, um jovem negro militante quase <a href="https://personaunesp.com.br/time-documentario-critica/">abolicionista</a>. Com posicionamentos muito diferentes da maioria ali, os dois enfrentam a liderança federalista que está no implacável </span><a href="https://thecinemaholic.com/where-is-ben-feinstein-from-boys-state-now/"><span style="font-weight: 400;">Ben Feinstein</span></a><span style="font-weight: 400;"> e no aspirante ao maior cargo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;">, o candidato a governador </span><a href="https://www.instagram.com/eddy.proietticonti/"><span style="font-weight: 400;">Eddy Proietti</span></a><span style="font-weight: 400;">, ambos surgindo de algum lugar no meio daqueles jovens conservadores do início, só que com um pouco da ginga que falta em quase tudo relacionado ao espectro político da direita. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário de </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> é por si só narrativo, se transformando no ambiente perfeito para o documentário direto e observativo de Jesse Moss e Amanda McBaine. Sem interferir de forma objetiva nos eventos que retrata, o crescimento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> se dá quando o jogo aperta. </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/awards/story/2021-01-04/boys-state-documentary"><span style="font-weight: 400;">A ânsia da política fala mais alto</span></a><span style="font-weight: 400;"> que os ideais daquelas mentes ainda em desenvolvimento, obrigando-os a negociarem parte de seus princípios. Assim, o rumo da história muda e seus personagens se aprofundam, numa progressão invejável a qualquer ficção. O mérito é da </span><a href="https://variety.com/video/amanda-mcbaine-and-jesse-moss-on-the-immersion-of-boys-state/"><span style="font-weight: 400;">visionária direção</span></a><span style="font-weight: 400;"> reconhecida no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> dentre os indicados na categoria de Melhor Documentário/Programa de Não-Ficção. </span></p>
<figure id="attachment_22614" aria-describedby="caption-attachment-22614" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22614" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-5-4-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1072" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-5-4-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-5-4-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-5-4-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-5-4-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-5-4-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-5-4-2048x858.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-5-4-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22614" class="wp-caption-text">&#8220;Se eu comandar uma sala cheia de desordeiros, eu comando qualquer coisa&#8221;, diz Ben Feinstein em um de seus momentos de completa autoconfiança (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre </span><a href="https://www.gq.com/story/the-boys-of-boys-state-might-save-us-all"><span style="font-weight: 400;">um retrato satírico e um registro sério</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> prova que nada é neutro e que os documentários diretos e observatórios podem ter muito mais intenções do que uma narrativa que parte de uma visão definida. Afinal, o que mais pode significar assistir em 2021 um bando de adolescentes que defendem uma limitação de imigração, ampliação de leis pró armas, poder policial, e logo depois de articular como pretendem realizar tudo isso, vão comer uma tigela de cereal colorido com leite? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É essa gente que também acredita numa política que se resume à obsessão por poder através de armas e </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-49559871"><span style="font-weight: 400;">controle do corpo feminino</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo </span><a href="https://www.scielo.br/j/csp/a/TqGCTbQg3ZQVYncq6JMkB8H/?lang=pt"><span style="font-weight: 400;">aborto</span></a><span style="font-weight: 400;">. É quem exalta a masculinidade, </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/01/17/opinion/1547763738_936846.html"><span style="font-weight: 400;">o poder de fogo</span></a><span style="font-weight: 400;">, a ordem, a punição e a disciplina. Então quando eles se cansam, tiram cochilos ali na assembleia mesmo, e ao acordar, decidem legislar sobre a pronúncia de letras, códigos de vestimentas, hábitos alimentares. Porque quem precisa falar sobre impostos, sistema de saúde e educação pública?</span></p>
<figure id="attachment_22615" aria-describedby="caption-attachment-22615" style="width: 1814px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22615" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-6.png" alt="" width="1814" height="802" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-6.png 1814w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-6-800x354.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-6-1024x453.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-6-768x340.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-6-1536x679.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/imagem-6-1200x531.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22615" class="wp-caption-text">O documentário fez sucesso no Festival de Sundance 2020, onde foi adquirido pela <a href="https://personaunesp.com.br/tag/a24/">A24</a>, e era uma forte aposta ao Oscar 2021 (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De repente, o </span><i><span style="font-weight: 400;">estado dos meninos</span></i><span style="font-weight: 400;"> fictício que deveria seguir suas próprias determinações faz </span><i><span style="font-weight: 400;">Boys State</span></i><span style="font-weight: 400;"> parecer uma miniatura da nossa realidade. Urgentemente ridículo, o jogo sujo ganha uma competição séria, e percebemos a política viciada justamente no que deveria ser o seu <a href="https://personaunesp.com.br/crip-camp-revolucao-pela-inclusao-critica/">núcleo de renovação</a>. As possíveis futuras lideranças estão identificadas e devidamente encaminhadas, e mesmo com o grande potencial de influências positivas, representativas e fincadas nos preceitos democráticos, o destaque mesmo acaba naqueles que sempre estiveram à frente nas corridas políticas da América.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2017, Criolo até tentou </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2017/06/13/criolo-da-o-recado-meninos-mimados-nao-podem-reger-a-nacao-veja-o-clipe/"><span style="font-weight: 400;">impor limites</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nos avisar sobre a tendência da construção política, numa </span><a href="https://todosnegrosdomundo.com.br/spike-lee-sobre-bolsonaro-estamos-sendo-governados-por-gangsters/"><span style="font-weight: 400;">estrutura de poder mundial</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Spike Lee voltaria a denunciar em julho de 2021. Se esse o nosso futuro é igual ao nosso passado, qual é o nosso presente? A verdade é que a diferença entre eles não importa. Enquanto estivermos no </span><i><span style="font-weight: 400;">estado dos meninos</span></i><span style="font-weight: 400;">, cada um dos nossos dias, mandatos e governos continuarão sendo iguais.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/boys-state-critica/">Boys State: meninos mimados estão regendo a nação</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/boys-state-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">22609</post-id>	</item>
		<item>
		<title>As Mortes de Dick Johnson: o Cinema ressuscita</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/as-mortes-de-dick-johnson-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/as-mortes-de-dick-johnson-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Aug 2021 20:08:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>
		<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[As Mortes de Dick Johnson]]></category>
		<category><![CDATA[Ayra Mori]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Dick Johnson]]></category>
		<category><![CDATA[Dick Johnson Is Dead]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy 2021]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Kirsten Johnson]]></category>
		<category><![CDATA[Mal de Alzheimer]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Direção em Documentário/Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Fotografia em Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Mérito Excepcional em Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Morte]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Velhice]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=22597</guid>

					<description><![CDATA[<p>Ayra Mori 2020 foi um ano frutífero para os retratos a respeito da velhice. Vimos desde o drama da relação conturbada entre pai e filha no premiado Meu Pai (The Father) ao representante brasileiro a tentar indicação no Oscar 2021, Babenco &#8211; Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou. E entre os destaques &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-mortes-de-dick-johnson-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As Mortes de Dick Johnson: o Cinema ressuscita"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/as-mortes-de-dick-johnson-critica/">As Mortes de Dick Johnson: o Cinema ressuscita</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22602" aria-describedby="caption-attachment-22602" style="width: 1486px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22602" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img1-2.jpg" alt="Fotografia em paisagem com fundo preto. Ao centro está Dick Johnson, o protagonista do documentário As Mortes de Dick Johnson. Dick é um homem branco de 86 anos, com cabelos castanhos na parte superior da cabeça e brancos nas laterais. Ele veste uma camisa azul bebê e uma jaqueta marrom acinzentada. Ele olha para câmera e sorri, segurando as mãos da diretora e filha, Kirsten Johnson, que o abraça por trás. Kirsten é uma mulher branca de cabelos na altura do ombro e castanhos. Ela abraça o pai à frente, de olhos fechados e cabeça inclinada sobre o ombro do pai. Ela veste um vestido de mangas compridas, com estampas floridas em vermelho e azul." width="1486" height="991" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img1-2.jpg 1486w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img1-2-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img1-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img1-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img1-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22602" class="wp-caption-text">Indicado ao Emmy 2021, o documentário original da Netflix, As Mortes de Dick Johnson, é uma carta de amor da diretora Kirsten Johnson ao pai, Dick (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Ayra Mori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">2020 foi um ano frutífero para os </span><a href="https://filmow.com/listas/filmes-sobre-velhice-l143669/"><span style="font-weight: 400;">retratos a respeito da velhice</span></a><span style="font-weight: 400;">. Vimos desde o drama da relação conturbada entre pai e filha no premiado </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Pai</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">The Father</span></i><span style="font-weight: 400;">) ao representante brasileiro a tentar indicação no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-sobre-os-indicados-ao-oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://youtu.be/hzX-ASZ_bGQ"><i><span style="font-weight: 400;">Babenco &#8211; Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. E entre os destaques da temporada, o indicado a três categorias no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t1WOyHBSjOE&amp;t=57s"><i><span style="font-weight: 400;">As Mortes de Dick Johnson</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Dick Johnson Is Dead</span></i><span style="font-weight: 400;">), não passou em branco.</span></p>
<p><span id="more-22597"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido pela documentarista </span><a href="https://www.indiewire.com/2020/10/kirsten-johnson-documentary-dick-johnson-is-dead-1234589849/"><span style="font-weight: 400;">Kirsten Johnson</span></a><span style="font-weight: 400;">, o documentário reflete sobre a efemeridade da vida em seus curtos 89 minutos. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Nasce o Sol, e não dura mais que um dia</span></i><span style="font-weight: 400;">” – trecho do célebre poema de Gregório de Matos –, traduz perfeitamente a abordagem breve, simples e carregada de emoção proposta pela diretora. O pontapé inicial do longa partiu da criação de cenários fictícios no qual o pai de Kirsten, Dick, morre. Para isso, ambos celebram juntos os últimos anos de vida de Dick, num retrato que busca, com muita delicadeza, meios de enfrentar o luto através do amor pelo Cinema.</span></p>
<figure id="attachment_22598" aria-describedby="caption-attachment-22598" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22598" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img2-3.jpg" alt="Cena em paisagem do documentário. Ao centro está Dick caído no chão ao ser atingido por um ar condicionado que caiu do céu. Dick veste uma camisa azul bebê e calça caqui, com cinto marrom. É possível ver manchas de sangue no asfalto." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img2-3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img2-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img2-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img2-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img2-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22598" class="wp-caption-text">Essa festa virou um enterro: cena de uma das mortes de Dick (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Protagonista do longa, </span><a href="https://www.vulture.com/2020/09/kirsten-johnson-dick-johnson-is-dead.html"><span style="font-weight: 400;">Dick Johnson</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um psiquiatra aposentado de 86 anos que parece se comprometer com tudo o que se propõe a fazer. É pai, avô e viúvo. Uma figura paterna presente, amorosa e genuinamente amiga, tanto da filha, quanto dos netos pequenos. Foi um marido que perdeu a esposa para o mal de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ArFbR6-wKSI"><span style="font-weight: 400;">Alzheimer</span></a> <span style="font-weight: 400;">e que, logo em seguida, foi diagnosticado com a mesma doença degenerativa. Pouco a pouco, Dick é obrigado a lidar com as consequências do Alzheimer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ele perde a independência e vai se esvaindo gradativamente. Em meio a confissões – de cortar o coração –, revela, derramando lágrimas, que já não se considera mais pai, mas sim um irmão caçula, um fardo a ser aturado. Inevitavelmente, o medo paira sobre a família tão unida e o fim é certo. Sabemos que tudo passa, nada dura para sempre. Mas a principal questão é: como lidar com a velhice? </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=J6pnefUei5I"><span style="font-weight: 400;">Como lidar com a morte</span></a><span style="font-weight: 400;">?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A resposta de Kirsten para as perguntas acima é de tomar conta da narrativa em seus próprios termos. Johnson joga xadrez com a morte, criando diversas </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/awards/story/2021-01-04/dick-johnson-is-dead-kirsten-johnson-documentary"><span style="font-weight: 400;">simulações bem-humoradas do óbito do pai</span></a><span style="font-weight: 400;">, intercaladas com a documentação crua do seu dia a dia com ele. Dick é acidentalmente atingido por um ar-condicionado que cai do céu ou tropeça da escada ou, ainda, sofre um acidente de carro. Recorrendo à fantasia, as cenas fictícias são quase sempre seguidas de outras com Dick no paraíso, ao lado de quem ele admira e ama – comparecem Frida Kahlo, Billie Holiday, Freud, Bruce Lee e, entre outros, sua falecida companheira.</span></p>
<figure id="attachment_22599" aria-describedby="caption-attachment-22599" style="width: 759px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22599" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img3-1.png" alt="Cena em paisagem do documentário. Paraíso ficcional criado pela diretora, com dublês vestindo máscaras desproporcionais ao corpo, em preto branco. As figuras históricas das máscaras são: Bruce Lee, Frederick Douglass, Buster Keaton, Frida Kahlo, Dick Johnson, Farrah Fawcett, Billie Holiday e Sigmund Freud, em ordem. A paisagem é formada por céu rosado, nuvens em algodão, gramado verde, animais selvagens ao fundo e uma auréola dourada com chuvas feitas com confete dourado. Ao centro estão todos os dublês com Dick, em uma mesa rodeada de cadeiras, onde estão sentados." width="759" height="418" /><figcaption id="caption-attachment-22599" class="wp-caption-text">O paraíso fantasioso da diretora, contando com a célebre presença de figuras históricas de Frida Kahlo à Farrah Fawcett (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Identificado como adventista do sétimo dia, Dick tem respostas claras sobre a morte, onde, segundo a crença, todos os “justos” aguardam inconscientemente pela glória póstuma do juízo final. Dessa maneira, também criada segundo os dogmas adventistas, apesar de não crê-las, Kirsten brinca criativamente com as possibilidades surreais do que seria o tal lugar prometido. Somos expectadores de uma utopia transcendental recheada de gramados verdes, nuvens algodoadas, céu rosado, música alta, pessoas dançando e muito confete dourado. É como se a morte de </span><a href="https://youtu.be/17-abDcJUlY"><i><span style="font-weight: 400;">O Sétimo Selo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> encontrasse os documentários fantasiosos de Varda. </span><i><span style="font-weight: 400;">As Mortes de Dick Johnson</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece dar continuidade ao legado de </span><a href="https://www.aicinema.com.br/agnes-varda-por-que-ela-se-destacava-tanto-nos-seus-filmes/"><span style="font-weight: 400;">Agnès Varda</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao celebrar com muito tato e imaginatividade os frutos da idade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Completamente </span><a href="https://vejasp.abril.com.br/blog/filmes-e-series/quatro-filmes-esnobados-pelo-oscar-2021/"><span style="font-weight: 400;">esnobado da 93ª cerimônia do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, junto de outros injustiçados do ano – dignos de menção o incrível </span><a href="https://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://youtu.be/8i6yzElUQxQ"><i><span style="font-weight: 400;">First Cow &#8211; A Primeira Vaca da América</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> –, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dick Johnson Is Dead</span></i><span style="font-weight: 400;"> encontrou no </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021 o espaço que lhe foi negado pela Academia. </span><a href="https://www.emmys.com/shows/dick-johnson-dead"><span style="font-weight: 400;">O documentário concorre</span></a><span style="font-weight: 400;"> principalmente ao prêmio de Melhor Direção em Documentário para Kirsten Johnson, além das categorias de Melhor Fotografia e Mérito Excepcional em Documentário.</span></p>
<figure id="attachment_22600" aria-describedby="caption-attachment-22600" style="width: 4339px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22600" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img4.png" alt="Duas cenas, uma ao lado da outra, do documentário. São cenas reais documentadas pela diretora nos últimos anos de vida da mãe. Ambas são imagens em paisagem, com bordas pretas, comuns de fotografias analógicas. A primeira mostra flores selvagens amarelas em movimento, com a legenda “It would be so easy if loving only gave us the beautiful.” A segunda imagem mostra a mãe de Kirsten deitada sobre a grama, de olhos e bocas fechados. A mãe é uma mulher branca de aproximadamente 70 anos. Ela veste uma blusa com listras irregulares em vermelho, preto, verde e branco. Abaixo da segunda imagem, está a legenda “But what loving demands is that we face the fear of losing each other.”" width="4339" height="1640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img4.png 4339w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img4-800x302.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img4-1024x387.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img4-768x290.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img4-1536x581.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img4-2048x774.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img4-1200x454.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22600" class="wp-caption-text">Cenas reais dos últimos anos da mãe de Kirsten Johnson (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, cercada por situações mórbidas irreais, a diretora se naturaliza com a ideia da morte do pai, aceitando-a. É difícil encarar de frente os problemas que nos atormentam e, às vezes, escapismos puros são necessários. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Seria mais fácil se o amor só nos trouxesse coisas belas. Mas o amor nos exige encarar o medo de perder o próximo. E quando a coisa fica preta, que fiquemos unidos. E quando pudermos, celebremos os breves momentos de alegria</span></i><span style="font-weight: 400;">”, narra Kirsten ao lamentar que, em 30 anos de carreira como documentarista, nunca teve a oportunidade de gravar a mãe antes da demência, como ela realmente era. Buscando não cometer os mesmos arrependimentos, ela efetiva, com o longa, uma verdadeira </span><a href="https://www.vulture.com/2020/01/dick-johnson-is-dead-documentary-kirsten-johnson-interview.html"><span style="font-weight: 400;">carta de amor ao pai</span></a><span style="font-weight: 400;"> e melhor amigo, Dick.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">[</span><i><span style="font-weight: 400;">SPOILER</span></i><span style="font-weight: 400;">] Após uma cena de afeto sincero, onde Dick comemora seu octogésimo sexto aniversário comendo o melhor bolo de chocolate de sua vida, feito carinhosamente por seus netos, o filme se encerra com o falecimento de Dick. Ele sofre um ataque cardíaco e somos levados ao último ato. Agora, no velório, ouvimos relatos de amigos sobre quem era Dick, que, inesperadamente, ressurge vivo. Descobrimos que fomos, mais uma vez, </span><span style="font-weight: 400;">tapeados </span><span style="font-weight: 400;">pela dupla pai-filha. E tal qual o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LEi7aJ4L4kI"><span style="font-weight: 400;">final de </span><i><span style="font-weight: 400;">Titanic</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Dick atravessa a capela quase como Rose cruza o navio, cercado daqueles a quem ele mais ama. Enfim, Kirsten mata o pai para finalmente poder ressuscitá-lo, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cNpcc6_KG-8"><span style="font-weight: 400;">imortalizando-o para sempre</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_22601" aria-describedby="caption-attachment-22601" style="width: 1916px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22601" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img5.png" alt="Cena final do documentário. Imagem azul em paisagem, com o escrito “starring/ Dick Johnson/b.1932 - “ no centro." width="1916" height="1081" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img5.png 1916w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img5-800x451.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img5-1024x578.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img5-768x433.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img5-1536x867.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/img5-1200x677.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22601" class="wp-caption-text">Vida longa à Dick Johnson! (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/as-mortes-de-dick-johnson-critica/">As Mortes de Dick Johnson: o Cinema ressuscita</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/as-mortes-de-dick-johnson-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">22597</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Tina: a chave de ouro de uma lenda</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/tina-documentario-hbo-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/tina-documentario-hbo-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Aug 2021 19:29:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>
		<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Biopic]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Lindsay]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário Musical]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Rota Hilário]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy 2021]]></category>
		<category><![CDATA[Erwin Bach]]></category>
		<category><![CDATA[HBO]]></category>
		<category><![CDATA[Ike Turner]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Direção em Documentário/Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Documentário ou Especial de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Mixagem de Som em Reality ou Programa de Não-Ficção (Única ou Múltiplas Câmeras)]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2012]]></category>
		<category><![CDATA[Private Dancer]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[T.J. Martin]]></category>
		<category><![CDATA[The Best]]></category>
		<category><![CDATA[Tina]]></category>
		<category><![CDATA[Tina Turner]]></category>
		<category><![CDATA[TV]]></category>
		<category><![CDATA[Undefeated]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=22497</guid>

					<description><![CDATA[<p>Eduardo Rota Hilário Sucesso, fama e uma multidão de fãs. Se a abertura contagiante do documentário Tina parece dimensionar muito bem a figura de Tina Turner, verdadeira lenda do rock’n’roll, poucos minutos são necessários para que surjam pontos contrastantes em relação a esse clima festivo. Decerto, são as dores dessa artista mundialmente venerada que protagonizam, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/tina-documentario-hbo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Tina: a chave de ouro de uma lenda"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/tina-documentario-hbo-critica/">Tina: a chave de ouro de uma lenda</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22498" aria-describedby="caption-attachment-22498" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22498" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-Tina-scaled.jpg" alt="Fotografia retangular da cantora Tina Turner. Ao fundo, vemos um estádio de futebol. No centro, sentada em uma cadeira, a artista se dispõe de lado, com pernas dobradas e boca levemente aberta. Ela é uma mulher negra, com sandálias gladiadoras, esmalte e batom vermelhos, um anel e outros adereços. " width="2560" height="1733" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-Tina-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-Tina-800x542.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-Tina-1024x693.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-Tina-768x520.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-Tina-1536x1040.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22498" class="wp-caption-text">Tudo que é bom acaba: Tina Turner se despede da vida pública em documentário indicado três vezes ao Emmy 2021; na foto, a cantora esbanja estilo em solo brasileiro (Foto: Dave Hogan)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Rota Hilário</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sucesso, fama e uma multidão de fãs. Se a abertura contagiante do documentário </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/03/16/tina-turner-relembra-vida-e-carreira-em-novo-documentario-para-a-hbo.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Tina</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> parece dimensionar muito bem a figura de Tina Turner, verdadeira </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/05/12/jay-z-tina-turner-e-foo-fighters-serao-induzidos-ao-hall-da-fama-do-rock.htm"><span style="font-weight: 400;">lenda do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock’n’roll</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, poucos minutos são necessários para que surjam pontos contrastantes em relação a esse clima festivo. Decerto, são as dores dessa artista mundialmente venerada que protagonizam, na maior parte do tempo, a narrativa de um filme honesto, memorialístico e quase melancólico. Dividido em cinco partes, o longa-metragem dirigido e roteirizado por Daniel Lindsay e T.J. Martin é uma boa escolha para </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2021/03/24/tina-turner-se-despede-da-vida-publica-com-documentario-e-diz-nao-foi-uma-vida-boa.ghtml"><span style="font-weight: 400;">quem se despede da vida pública</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-22497"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Levando em consideração que criar um </span><i><span style="font-weight: 400;">gran finale</span></i><span style="font-weight: 400;"> para uma carreira longa e próspera não é tarefa fácil, alguns acertos desse desafio sem dúvida merecem destaque. No caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Tina</span></i><span style="font-weight: 400;">, fixar indiretamente o amor como centro de um enredo extremamente delicado, com diferentes pontos de vista, é uma decisão admirável. Seja através da ausência, marcada na confissão “</span><i><span style="font-weight: 400;">quase nunca recebi amor em minha vida</span></i><span style="font-weight: 400;">” &#8211; nem mesmo dos próprios pais, </span><a href="http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2014/11/rainha-do-rock-e-lenda-da-musica-cantora-tina-turner-completa-75-anos.html"><span style="font-weight: 400;">que abandonaram a cantora logo cedo</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, seja através da conquista, quando ela conhece o atual marido, </span><a href="https://claudia.abril.com.br/famosos/tina-turner-revela-ter-feito-um-transplante-de-rim-doado-pelo-marido/"><span style="font-weight: 400;">Erwin Bach</span></a><span style="font-weight: 400;">, o amor é peça essencial &#8211; e, muitas vezes, implícita &#8211; em todos os acontecimentos da vida de Tina Turner. </span></p>
<figure id="attachment_22500" aria-describedby="caption-attachment-22500" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22500" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2-Tina.jpg" alt="Cena do documentário Tina. Na imagem, vemos a cantora Tina Turner dentro de um carro, disposta de perfil, olhando pela janela e apoiando o rosto em sua mão fechada. Ela é uma mulher negra, de cabelos loiros, com semblante reflexivo e veste roupas de frio. " width="1366" height="765" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2-Tina.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2-Tina-800x448.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2-Tina-1024x573.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2-Tina-768x430.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2-Tina-1200x672.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22500" class="wp-caption-text">Longa-metragem de Daniel Lindsay e T.J. Martin é uma espécie de biografia oficial e definitiva da cantora Tina Turner (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, uma centralidade também fundamental à história que se quer contar são os traumas vividos pela artista. Nesse aspecto, o documentário se aproxima de outras produções recentes, como o emocionante </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hcPPo1ZY-wI"><i><span style="font-weight: 400;">Gaga: Five Foot Two</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2017, e o confessional </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yN30-wJZqf4"><i><span style="font-weight: 400;">Narciso em Férias</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2020. A diferença é que, agora, vemos uma produção com maior variedade de fontes, em um conjunto de entrevistas mais ou menos padronizado. Isso contribui para uma melhor organização e dinâmica de relatos sufocantes, que detalham </span><a href="https://emais.estadao.com.br/noticias/gente,tina-turner-tentou-cometer-suicidio-tomando-50-comprimidos-para-dormir,70002540257"><span style="font-weight: 400;">tentativas de suicídio</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma carreira agitada, que tolhe momentos em família, e outros lugares de difícil revisitação.       </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o ápice dessas angústias é, com certeza, o </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/documentario-sobre-tina-turner-mostra-desde-abusos-sofridos-criacao-de-hits-nao-foi-uma-vida-boa-diz-ela-1-24945255"><span style="font-weight: 400;">relacionamento abusivo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Tina vivenciou com o ex-marido Ike Turner, também parceiro musical no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hzQnPz6TpGc"><span style="font-weight: 400;">começo de sua carreira artística</span></a><span style="font-weight: 400;">. Responsável por violências físicas, sexuais e psicológicas, Ike é, depois de Tina, a figura de maior destaque do documentário &#8211; o que é, no mínimo, irônico, já que a cantora tenta, há anos, se desvencilhar da imagem construída ao lado do antigo companheiro. Para se ter uma noção mais exata, uma entrevista concedida à revista </span><i><span style="font-weight: 400;">People</span></i><span style="font-weight: 400;">, em 1981, um </span><a href="https://www.consultoriadorock.com/2019/01/13/eu-tina-a-historia-da-minha-vida-1986/"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4YMzT2Uelts"><span style="font-weight: 400;">filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> não foram suficientes para colocar um fim nessa história. Na verdade, isso tudo somente aumentou a curiosidade da mídia, que nunca perdeu uma única oportunidade de colocar o tema em pauta.</span></p>
<figure id="attachment_22501" aria-describedby="caption-attachment-22501" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22501 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-Tina-800x800.jpeg" alt="Capa do álbum Private Dancer. Fotografia quadrada, com fundo preto. No canto superior esquerdo, lemos Tina em letras brancas sublinhadas. No canto superior direito, lemos Turner em letras brancas espaçadas. Logo abaixo, a cantora Tina Turner ocupa o meio da foto de cima a baixo. Ela é uma mulher negra, sentada de pernas abertas sobre um suporte com toalha acinzentada, e veste uma blusa decotada, de manga comprida, meias-calças e saltos, todos pretos. No canto inferior direito, lemos Private Dancer em letras pretas. " width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-Tina-800x800.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-Tina.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-Tina-150x150.jpeg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-Tina-768x768.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-22501" class="wp-caption-text">Uma das duas versões de capa do álbum Private Dancer, responsável por projetar mundialmente a carreira de Tina Turner (Foto: Capitol Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Registrando, no documentário, uma possível versão definitiva desse passado conturbado, Tina Turner não vê a hora de poder parar de falar sobre isso. Afinal, por que não dão maior ênfase e importância ao período em que ela assumiu o controle da própria vida? Ela precisou </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-03-03/tina-a-despedida-da-tigresa-do-rock.html"><span style="font-weight: 400;">ir ao tribunal para manter o nome artístico</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mais tarde, em 1984, dominou o mundo com o disco </span><a href="https://open.spotify.com/album/7gVHUNPQr0AE2A0Yf5MjqR?si=Qy131GZHSL20ef9clqAugw&amp;dl_branch=1"><i><span style="font-weight: 400;">Private Dancer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; nas palavras da própria artista, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Tina nunca tinha realmente estreado. Foi a estreia de Tina, e aquele foi o meu primeiro álbum</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Por que dar menos importância a tantas conquistas, preferindo sempre destacar o antigo casamento? São questões dessa natureza que a cantora tenta resolver de vez, antes de sair de cena.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em essência, o que o longa-metragem realmente busca é recriar o processo de construção de Tina Turner. Com alguma variedade de fontes &#8211; embora todas tenham pelo menos uma proximidade mínima com a artista -, além, é claro, dos relatos da própria estrela, busca-se organizar a trajetória de uma vida nada fácil, que serviu de caminho para moldar a cantora tal qual a conhecemos hoje. Resgatando alguns </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/gente/tina-turner-reaparece-para-divulgar-documentario-de-sua-carreira,cdb09426d7a47f6011db0b57262a1b746wdly12k.html"><span style="font-weight: 400;">arquivos até então inéditos</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tina</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode </span><a href="https://www.cineset.com.br/critica-tina-turner-hbo-202/"><span style="font-weight: 400;">chover no molhado</span></a><span style="font-weight: 400;"> para antigos fãs, visto que revisita uma história já contada inúmeras vezes. Mas não deixa de ser um filme perfeito para quem ainda está se introduzindo ao universo dessa diva.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="TINA (2021) Official Trailer | HBO" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/w9IkVtLvflU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">De modo geral, um trabalho tão complexo só obteria êxito com uma boa direção. Por isso, não é coincidência que Daniel Lindsay e T.J. Martin &#8211; dupla que já recebeu um </span><a href="http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2012/02/undefeated-leva-o-oscar-de-melhor-documentario.html"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> por </span><i><span style="font-weight: 400;">Undefeated</span></i><span style="font-weight: 400;">, em 2012 &#8211; estejam concorrendo a Melhor Direção em Documentário/Programa de Não-Ficção no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">. Certamente, de nada adiantaria a ambição de um projeto dessa magnitude se ele fosse desenvolvido de maneira caótica e desorganizada. E se tratando da carreira de um ícone da Música, faz ainda mais sentido que o documentário esteja concorrendo também a Melhor </span><i><span style="font-weight: 400;">Mixagem </span></i><span style="font-weight: 400;">de Som em <em>Reality</em> ou Programa de Não-Ficção (Única ou Múltiplas Câmeras).  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já a disputa por Melhor Documentário ou Especial de Não-Ficção parece estar ainda mais acirrada, uma vez que nomes de grande repercussão, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/framing-britney-spears-a-vida-de-uma-estrela-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Framing Britney Spears: A Vida de uma Estrela</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="http://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Dilema das Redes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, também concorrem à categoria. Pode até ser que </span><i><span style="font-weight: 400;">Tina</span></i><span style="font-weight: 400;"> se destaque pela coesão narrativa, ou por abordar temas urgentes, tal como a violência contra a mulher, mas é cedo para cantar qualquer tipo de vitória. De toda maneira, com essas indicações, a qualidade do longa começa a se revelar inegável. E Tina Turner? Continua sendo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GC5E8ie2pdM"><span style="font-weight: 400;">simplesmente a melhor</span></a><span style="font-weight: 400;">.       </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/tina-documentario-hbo-critica/">Tina: a chave de ouro de uma lenda</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/tina-documentario-hbo-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">22497</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O Dilema das Redes aponta erros muito grandes para soluções moralistas</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2020 14:31:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[Bruno Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Davis Coombe]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy 2021]]></category>
		<category><![CDATA[Facebook]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Google]]></category>
		<category><![CDATA[Internet]]></category>
		<category><![CDATA[Jeff Orlowski]]></category>
		<category><![CDATA[Larissa Rhodes]]></category>
		<category><![CDATA[Mark Zuckerberg]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Direção em Documentário/Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Documentário ou Especial de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Fotografia em Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Roteiro em Programa de Não-Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[O Dilema das Redes]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Twitter]]></category>
		<category><![CDATA[Vickie Curtis]]></category>
		<category><![CDATA[Whatsapp]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=15753</guid>

					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade O documentário recém-lançado da Netflix, O Dilema das Redes, dirigido por Jeff Orlowski, se inicia com um questionamento a todos os personagens dessa história. “Qual é o problema?” parece ser a pergunta que guia os entrevistados e, embora todos apontem os erros com certa facilidade, não conseguem manter a mesma assertividade quando tentam &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Dilema das Redes aponta erros muito grandes para soluções moralistas"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/">O Dilema das Redes aponta erros muito grandes para soluções moralistas</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_15757" aria-describedby="caption-attachment-15757" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15757" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15757" class="wp-caption-text">O documentário expõe que os problemas das redes sociais não são ilegais, e sim um método padrão desse esquema de negócio (Foto: Netflix/Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário recém-lançado da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Dilema das Redes</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">dirigido por Jeff Orlowski, se inicia com um questionamento a todos os personagens dessa história. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Qual é o problema?</span></i><span style="font-weight: 400;">” parece ser a pergunta que guia os entrevistados e, embora todos apontem os erros com certa facilidade, não conseguem manter a mesma assertividade quando tentam apontar a solução do problema.</span></p>
<p><span id="more-15753"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das ideias centrais do filme é a de que veteranos das redes sociais (ex-funcionários do alto escalão da </span><i><span style="font-weight: 400;">Google</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Instagram</span></i><span style="font-weight: 400;"> e outras) estão, de fato, arrependidos pelo que elas se tornaram. Há um consenso entre os entrevistados de que as redes sociais são, hoje, um lugar inóspito movido a ódio. Entretanto, não parecem querer dizer que são um dos vilões dessa história e tentam, ao longo de toda a narrativa, manter a ideia de que são heróis, afirmando em alguns momentos que não existem culpados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O formato do documentário já é conhecido. Há uma pequena parte ficcional, que serve como um suporte à parte real do filme. Esse trecho fictício poderia ser facilmente removido, e a ideia seria melhor transmitida sem ele, que tem atuações que, em determinados momentos, beiram o constrangedor e representam personagens estereotipados. Mesmo assim, cabe ressaltar que esse aparato ficcional acaba ajudando aqueles que não estão familiarizados ou nunca se questionaram sobre a importância exagerada das redes sociais atualmente. Os questionamentos levantados por pessoas que ajudaram a criar essas plataformas e suas visões sobre a situação de ódio generalizado são a parte mais importante dessa produção. </span></p>
<figure id="attachment_15758" aria-describedby="caption-attachment-15758" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15758" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2.jpg" alt="" width="2048" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem2-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15758" class="wp-caption-text">Tristan Harris no Senado dos Estados Unidos em 2019  (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Iniciamos </span><i><span style="font-weight: 400;">O Dilema das Redes</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanhando o idealista Tristan Harris, ex-designer de ética da </span><i><span style="font-weight: 400;">Google,</span></i><span style="font-weight: 400;"> e aquele que parece ser o personagem principal do documentário. Ele se prepara para uma palestra sobre como propagar um uso mais consciente e ético nas redes. Próximo aos 15 minutos de exibição, Harris solta a máxima “</span><i><span style="font-weight: 400;">se você não está pagando pelo produto, então você é o produto</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Na cena em que ele está no Senado norte-americano, é questionado sobre quem deveria ser responsabilizado pelo método de influenciar o público com o pretexto de mantê-los engajados, e sua resposta é que as plataformas devem ser pois, se aceitam propaganda política, devem proteger as eleições — ele estava testemunhando em uma audiência sobre tecnologia persuasiva e otimização para engajamento. A ideia de que somos os produtos das plataformas parece chocante em um primeiro momento, mas não está longe de ser algo esperado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em outra cena do filme, o psicólogo </span><a href="https://oglobo.globo.com/sociedade/o-dilema-das-redes-refugio-na-pandemia-redes-sociais-ajudaram-formar-geracao-mais-ansiosa-deprimida-24655097"><span style="font-weight: 400;">Jonathan Haidt</span></a><span style="font-weight: 400;"> aponta que, entre 2011 e 2013, houve um aumento gigantesco em casos de depressão e ansiedade entre os adolescentes americanos. Coincidentemente ou não, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i> <a href="https://canaltech.com.br/redes-sociais/Com-lucro-recorde-em-2013-Facebook-alcanca-marca-de-123-bilhao-de-usuarios/"><span style="font-weight: 400;">bateu um de seus recordes de lucro em 2013</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ele aponta ainda que a Geração Z, aquela que nasceu por volta de 1996, foi a que começou a utilizar as redes sociais durante a pré-adolescência e, como resultado, tornou-se uma geração mais ansiosa, frágil e deprimida. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Dilema das Redes</span></i><span style="font-weight: 400;"> acerta quando exemplifica o efeito nocivo das notificações em uma das personagens fictícias, que, em determinada cena, se recusa a ficar sem o celular durante a refeição. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Algo muito debatido sobre o tema é que nós entregamos nosso tempo às redes e elas brigam entre si para consumir cada vez mais a nossa atenção. O problema é que, diferente do dinheiro, o tempo é um instrumento finito e impossível de se obter novamente,  é algo muito mais valioso que o dinheiro. Durante todo o documentário, ficamos apreensivos com a ideia de que somos manipulados e servimos à interesses de desconhecidos. O tempo que gastamos nas redes sociais, muitas vezes, faz parte de uma rotina e, pensando bem, faz com que o Grande Irmão de </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/isabela-boscov/george-orwell-de-1984-prova-sua-relevancia-em-tempos-de-autoritarismo/"><i><span style="font-weight: 400;">1984</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">pareça terrivelmente real.</span></p>
<figure id="attachment_15754" aria-describedby="caption-attachment-15754" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15754" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem3.jpg" alt="" width="650" height="343" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem3.jpg 650w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem3-300x158.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-15754" class="wp-caption-text">Tristan Harris, à esquerda, e Roger McNamee, investidor e um dos entrevistados do documentário, à direita; ambos com seus smartphones nas mãos (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os algoritmos são apresentados como um dos grandes problemas. A parte ficcional de <em>O Dilema das Redes</em> apresenta três homens, que ficam em uma das milhares de salas que controlam o que deve aparecer na tela de cada usuário. Esse trecho é exagerado, uma tentativa de mostrar que, de fato, existem pessoas controlando o que você vê. Muito embora os algoritmos funcionem sozinhos, eles são programados por seres humanos. Alguns ativistas já debateram como eles </span><a href="https://tecnologia.ig.com.br/2020-09-22/algoritmos-racistas-entenda-como-funciona-o-problema-que-atingiu-o-twitter.html"><span style="font-weight: 400;">propagam atitudes racistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas redes, e como foram cruciais para a polarização política atual, além de ampliarem os discursos de ódio. Contudo, a plataforma mais utilizada hoje é o </span><i><span style="font-weight: 400;">WhatsApp</span></i><span style="font-weight: 400;">, que não trabalha com algoritmos e, mesmo assim, continua sendo uma grande aliada na manipulação política. É, de algum modo, um amplificador do conteúdo apresentado nas redes sociais, e demonstra que o problema vai muito além dos algoritmos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Tim Kendall, ex-presidente do </span><i><span style="font-weight: 400;">Pinterest</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ex-diretor de monetização do </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;">, diz, em sua fala inicial, que essas ferramentas trouxeram coisas maravilhosas para o mundo, seria sincero afirmar que sua colocação traz uma ideia muito triunfalista das redes sociais. Os benefícios listados por Kendall, como a aproximação de familiares distantes, são resultados do uso natural da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essa qualidade já foi muito explorada pelo antigo </span><i><span style="font-weight: 400;">MSN Messenger</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, e uma das ideias do uso da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;"> é justamente a de aproximar pessoas. Embora as redes sociais também realizem isso, o mérito não deve ser somente delas, como ele tenta listar. O que é possível concordar, mesmo que por razões contrárias, é o fato de que elas trouxeram mudanças significativas para a sociedade, já que deixaram de ser simples ferramentas de aproximação e transformaram-se em plataformas de manipulação. De alguma maneira, sequestraram a </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Dilema das Redes</span></i><span style="font-weight: 400;">, em algumas partes, mantém o tom assustador que lembra as previsões distópicas de </span><a href="http://personaunesp.com.br/bandersnatch-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Black Mirror</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e nos deixa com uma sensação de que algo muito errado está acontecendo enquanto não fazemos nada para mudar. Cada pessoa tem sua própria realidade e seus próprios fatos, já que a linha do tempo do </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou a </span><i><span style="font-weight: 400;">timeline </span></i><span style="font-weight: 400;">do </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, são adaptadas individualmente. Em uma das cenas, Justin Rosenstein, criador do botão </span><i><span style="font-weight: 400;">like </span></i><span style="font-weight: 400;">do </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;">, argumenta que essa é uma das fontes das discussões nas redes sociais, já que temos a ilusão de que todos estão vendo a mesma coisa que nós. São diversas verdades criadas para prender a atenção dos usuários. </span></p>
<figure id="attachment_15755" aria-describedby="caption-attachment-15755" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15755" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4.jpg" alt="" width="2000" height="1236" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4-300x185.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4-1024x633.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4-768x475.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4-1536x949.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem4-1200x742.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15755" class="wp-caption-text">Mark Zuckerberg no depoimento feito no Senado estadunidense em 2018 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a exibição da cena de Mark Zuckerberg no Senado norte-americano, em decorrência  da </span><a href="https://www.techtudo.com.br/noticias/2018/03/facebook-e-cambridge-analytica-sete-fatos-que-voce-precisa-saber.ghtml"><span style="font-weight: 400;">polêmica envolvendo a </span><i><span style="font-weight: 400;">Cambridge Analytica</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ele sugere que a solução à longo prazo seria criar ferramentas de inteligência artificial que resolvem problemas que pessoas reais não conseguem. Em seguida, a cientista de dados</span> <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/11/12/tecnologia/1542018368_035000.html"><span style="font-weight: 400;"> Cathy O’Neil</span></a><span style="font-weight: 400;">, autora do livro </span><a href="https://medium.com/@gustavomsaraiva/resenha-e-reflex%C3%B5es-sobre-o-livro-weapons-of-math-destrution-de-cathy-oneil-b843f9a04f5f"><i><span style="font-weight: 400;">Weapons of Math Destruction</span></i> </a><i><span style="font-weight: 400;">(2016),</span></i><span style="font-weight: 400;"> revela que isso não passa de uma mentira, já que a inteligência artificial não pode resolver os problemas apresentados por não conseguir distinguir o que é a verdade. É mais uma das esfarrapadas desculpas para não perderem seus usuários, ou melhor, seus produtos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cientista da computação Jaron Lanier, um dos entrevistados do documentário e considerado o pai da realidade virtual, inicia seu livro </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2018/12/aqui-vai-um-breve-resumo-do-livro-10-argumentos-para-voce-deletar-agora-suas-redes-sociais/"><i><span style="font-weight: 400;">Dez Argumentos Para Você Deletar Agora Suas Redes Sociais</span></i></a> <i><span style="font-weight: 400;">(2018)</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a ideia de que as pessoas estão perdendo seu livre-arbítrio. Ele argumenta que a espionagem maciça e a manipulação constante foram aceitas na sociedade com normalidade. Seu ponto fica evidenciado quando pensamos nas propagandas que vemos ao longo do dia, sempre direcionadas para nós com produtos de nosso interesse. Quantas vezes já nos deparamos com aquela situação de pesquisar algo muito específico e, pouco depois, receber uma propaganda exatamente sobre aquilo? </span></p>
<figure id="attachment_15756" aria-describedby="caption-attachment-15756" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15756" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem5.jpg" alt="" width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem5-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem5-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15756" class="wp-caption-text">Quando um dos personagens da parte fictícia do filme decide ficar sem o celular, o aplicativo envia uma notificação dizendo que sua ex-namorada está em um relacionamento (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre a metade e o final do documentário, seu desfecho fica previsível. Os empresários do </span><i><span style="font-weight: 400;">Vale do Silício</span></i><span style="font-weight: 400;">, arrependidos, tentam estabelecer algum tipo de valor moral acima de qualquer tecnologia. Ninguém é responsabilizado  pelos danos causados à sociedade. Um tom moralista paira no ar, como se fosse possível preencher esse problema com a força de vontade individual. Talvez a frase mais moralista venha de Aza Raskin, ele e Tristan Harris são fundadores do </span><i><span style="font-weight: 400;">Center For Humane Technology</span></i><span style="font-weight: 400;">, lugar onde pretendem reverter a degradação humana e realinhar a tecnologia com a humanidade. Raskin dá sua declaração final dizendo que “</span><i><span style="font-weight: 400;">o Vale do Silício partiu de uma ideia de tecnologia humanizada</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Pensando bem, é mais provável que tenha sido motivada pela questão financeira, já que as empresas de tecnologia são as mais ricas e lucrativas da história da humanidade.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo dos 89 minutos de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Dilema das Redes</span></i><span style="font-weight: 400;">, fica evidente que essa é uma questão muito acima da vontade populacional. Mesmo que, por algum tipo de iluminação divina, os grandes magnatas das redes queiram se redimir construindo algo mais ético e destruindo esse método tão lucrativo por um bem maior, outros surgirão e tomarão seus lugares. O problema, de algum modo, é a forma como as redes sociais interagem com a vida </span><i><span style="font-weight: 400;">offline</span></i><span style="font-weight: 400;">, tentando de alguma forma suprimi-la. Essa é uma questão que não foi planejada nem mesmo por esses empresários, que hoje aparecem como vítimas daquilo que criaram. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Social Dilemma | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/uaaC57tcci0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/">O Dilema das Redes aponta erros muito grandes para soluções moralistas</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">15753</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
