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	<title>Arquivos Eduardo Dragoneti &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Eduardo Dragoneti &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Em O Cavaleiro dos Sete Reinos, Westeros finalmente olha para baixo</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 14:28:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Eduardo Dragoneti Há uma cena no primeiro episódio de O Cavaleiro dos Sete Reinos – O Cavaleiro Andante – em que um dragão de marionete aparece em quadro visivelmente menor do que o protagonista, Ser Duncan, o Alto (Peter Claffey). E como nada é por acaso no universo das Crônicas de Gelo e Fogo (1996 &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-critica-2/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em O Cavaleiro dos Sete Reinos, Westeros finalmente olha para baixo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37439" aria-describedby="caption-attachment-37439" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-37439" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image4-1-800x532.png" alt="Cena da série O Cavaleiro dos Sete Reinos. Em um acampamento ao ar livre, um homem jovem de cabelos claros segura uma criança no colo enquanto ambos comemoram. O homem, vestindo uma túnica simples esverdeada, ergue o punho fechado e grita com entusiasmo. A criança, careca e vestida com roupa marrom rústica, levanta o braço com o punho cerrado, sorrindo amplamente. Ao redor, diversas pessoas também celebram, algumas com braços erguidos e outras se abraçando. Ao fundo, tendas de tecido claro e árvores verdes compõem o cenário." width="800" height="532" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image4-1-800x532.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image4-1-1024x681.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image4-1-768x511.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image4-1-1200x798.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image4-1.png 1526w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37439" class="wp-caption-text">As novelas que inspiraram a série foram publicadas entre 1998 e 2010 e sempre se destacaram por mostrar Westeros sob uma perspectiva mais cotidiana deste universo (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><b style="color: #1a1a1a; font-size: 16px;">Eduardo Dragoneti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma cena no primeiro episódio de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://exame.com/pop/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-o-que-muda-do-livro-para-a-serie-da-hbo/"><i>O Cavaleiro dos Sete Reinos</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> – </span><span style="font-weight: 400;"><i>O Cavaleiro Andante</i></span><span style="font-weight: 400;"> – em que um dragão de marionete aparece em quadro visivelmente menor do que o protagonista, Ser Duncan, o Alto (</span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://gshow.globo.com/cultura-pop/series/noticia/ex-jogador-de-rugbi-peter-claffey-diz-que-esporte-ajudou-em-cavaleiro-dos-sete-reinos.ghtml">Peter Claffey</a></span><span style="font-weight: 400;">). E como nada é por acaso no universo das </span><span style="font-weight: 400;"><i>Crônicas de Gelo e Fogo </i></span><span style="font-weight: 400;">(1996 – atualmente), a escolha da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-homem-do-norte-critica/">direção artística (John Merry)</a></span><span style="font-weight: 400;"> é certeira. A cena é a série inteira resumida num único plano. Depois de anos retratando os Targaryens incendiarem cidades e </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-1000188797/">dragões</a></span><span style="font-weight: 400;"> rasgarem o céu de Westeros, a </span><span style="font-weight: 400;"><i>HBO</i></span><span style="font-weight: 400;"> escolheu contar a história do homem que cabe no mesmo enquadramento que o símbolo máximo de poder deste mundo, apostando que isso seria suficiente para nos prender por seis episódios (e </span><span style="font-weight: 400;"><i>spoiler</i></span><span style="font-weight: 400;">: foi além do esperado).</span></p>
<p><span id="more-37470"></span><br />
<span style="font-weight: 400;">A obra foi lançada em janeiro de 2026 com uma divulgação mais tímida do que </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/a-casa-do-dragao-1a-temp-critica/"><i>A Casa do Dragão</i></a></span> <span style="font-weight: 400;">(2022 – Atualmente),</span> <span style="font-weight: 400;">sem abertura grandiloquente com uma trilha icônica e episódios de 30 a 35 minutos que terminam antes que você perceba. A série adapta as novelas homônimas de George R.R. Martin e se passa cerca de noventa anos antes dos eventos de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/game-of-thrones-10-anos/"><i>Game of Thrones</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> (2011). No centro da trama está o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://rollingstone.com.br/entretenimento/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-confirma-importante-teoria-de-game-of-thrones/">cavaleiro errante</a></span><span style="font-weight: 400;">, sem senhor, brasão respeitável e sem a menor ideia de quem é ou pode vir a ser. Ao seu lado, um garoto de cabeça raspada chamado </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://rollingstone.com.br/entretenimento/entenda-a-profecia-sombria-sobre-egg-em-o-cavaleiro-dos-sete-reinos/">Egg</a></span><span style="font-weight: 400;"> (Dexter Sol Ansell), que carrega um segredo considerável no sobrenome que finge não ter. A </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://exame.com/casual/o-cavaleiro-dos-7-reinos-a-prova-de-que-menos-e-muito-mais-em-westeros/">premissa</a></span><span style="font-weight: 400;"> é despretensiosa, tornando a produção única neste universo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é coincidência que a série seja a adaptação de Martin que mais lembra o autor. O </span><span style="font-weight: 400;"><i>showrunner</i></span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://rollingstone.com.br/entretenimento/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-showrunner-revela-curiosidades-e-fala-sobre-futuro-da-serie/">Ira Parker</a></span><span style="font-weight: 400;">, construiu com o escritor das novelas uma parceria respeitosa e enriquecedora, prezando pela coerência com a história original. Isso contrasta veementemente com a relação abismal entre o autor e </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/a-casa-do-dragao-george-r-r-martin-detona-showrunner-ryan-condal">Ryan Condal</a></span><span style="font-weight: 400;">, produtor de </span><span style="font-weight: 400;"><i>A Casa do Dragão</i></span><span style="font-weight: 400;">. Com Parker, o escritor chegou a compartilhar esboços de doze </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-1000187572/">histórias inéditas</a></span><span style="font-weight: 400;"> de Dunk e Egg ainda não publicadas em nenhum de seus livros e rasga elogios para ele em </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://georgerrmartin.com/notablog/2025/10/07/dunk-egg-take-the-big-apple/">seu blog</a></span><span style="font-weight: 400;">. Pela primeira vez desde a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.omelete.com.br/game-thrones/especial-game-of-thrones-relembrando-a-sexta-temporada">sexta temporada</a></span><span style="font-weight: 400;"> de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Game of Thrones</i></span><span style="font-weight: 400;">, a sensação é que o universo na tela e o universo na cabeça do escritor estão apontando para o mesmo lugar.</span></p>
<figure id="attachment_37441" aria-describedby="caption-attachment-37441" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37441" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image6-1-800x532.png" alt="Cena da série O Cavaleiro dos Sete Reinos. Em um campo aberto coberto por névoa, um cavaleiro montado em um cavalo escuro encara uma criança à sua frente. O cavaleiro usa armadura metálica completa e segura uma lança verticalmente. A criança, de baixa estatura e cabeça raspada, veste roupas escuras e toca a lança com uma das mãos, olhando para cima. Ao redor, outros homens observam a cena à distância, e bandeiras tremulam suavemente no ambiente enevoado." width="800" height="532" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image6-1-800x532.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image6-1-1024x681.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image6-1-768x511.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image6-1-1200x798.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image6-1.png 1523w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37441" class="wp-caption-text">Fãs e críticos teorizam que a duração dos episódios de 30 a 35 minutos pode servir para posicionar a série na categoria de comédia no Emmy, onde enfrentaria menos concorrência do que no drama (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem ter para onde voltar após a morte de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.ign.com/articles/yes-ser-arlan-pennytrees-formidable-weapon-in-a-knight-of-the-seven-kingdoms-nude-scene-was-a-10-prosthetic-heres-how-the-sausage-was-made">Ser Arlan de Pennytree</a></span><span style="font-weight: 400;"> – o homem que foi sua figura paterna – Duncan enterra seu mestre sem jamais ter recebido dele o título de cavaleiro, mas vê no </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://youtu.be/BnDceuP8LNI?si=6tGT1p3S-4g21huw">torneio de Vaufreixo</a></span><span style="font-weight: 400;"> uma chance de se convencer de que pode ser o que sempre quis. A lealdade que o ancora se tornará uma bússola reconhecível cem invernos depois, em </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.bnewssaopaulo.com.br/noticias/entretenimento/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-qual-e-a-ligacao-entre-sor-duncan-e-brienne-de-tarth.html">Brienne de Tarth</a></span><span style="font-weight: 400;">, quando ela percorre os mesmo caminhos de seu antepassado em busca de um lorde a proteger. Um questionamento, porém, acompanha Dunk por toda a temporada: qual seria o jeito certo de ser cavaleiro num mundo que não recompensa a decência?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale um parêntese aqui para o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://youtu.be/epeuOSZDo9E?si=pRxdaROUD-f5gPLO">design de produção</a></span><span style="font-weight: 400;"> (Tom McCullagh) como um todo, que merece mais reconhecimento do que tem recebido. O simples figurino de Duncan no primeiro episódio, por exemplo, faz o Mestre dos Jogos do torneio dizer que ele está vestido como um fazendeiro, zombando da vontade do protagonista em querer batalhar como cavaleiro. Já nos últimos episódios da série, os fãs dos livros são presenteados com armaduras brilhantes e ornamentadas, como descrito nas histórias originais. Mostrando mais uma vez o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://pt.ign.com/a-knight-of-the-seven-kingdoms/154195/news/a-knight-of-the-seven-kingdoms-nao-repetira-erro-de-game-of-thrones-garante-showrunner">respeito à obra</a></span><span style="font-weight: 400;"> de Martin.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O contraste do protagonista com </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://criticalhits.com.br/cinema-e-tv/quem-e-lyonel-baratheon-o-tempestade-risonha-em-o-cavaleiro-dos-sete-reinos/">Sor Lyonel Baratheon</a></span><span style="font-weight: 400;"> (Daniel Ings), que precisa de chifres enormes de veado – símbolo da casa Baratheon – fixados em sua coroa para anunciar sua importância, não poderia ser mais preciso (e cômico) para apresentar essa ideia.</span> <span style="font-weight: 400;">Com um </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://rollingstone.com.br/entretenimento/como-o-cavaleiro-dos-sete-reinos-escondeu-seu-orcamento-curto-no-5o-episodio/">orçamento</a></span><span style="font-weight: 400;"> menor do que o de </span><span style="font-weight: 400;"><i>A Casa do Dragão</i></span><span style="font-weight: 400;"> – que frequentemente parece gastar o equivalente ao PIB de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://gameofthrones.fandom.com/pt-br/wiki/Essos">Essos</a></span><span style="font-weight: 400;"> em dragões de </span><span style="font-weight: 400;"><i>CGI</i></span><span style="font-weight: 400;"> –, </span><span style="font-weight: 400;"><i>O Cavaleiro dos Sete Reinos</i></span><span style="font-weight: 400;"> entrega um cenário e figurino impecáveis do início ao fim: do vestido de Lady Gwyn Ashford (Cara Harris) a armadura de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/602955-quem-sao-os-targaryens-de-o-cavaleiro-dos-sete-reinos-conheca-os-personagens.htm">Aerion Chama Viva</a></span><span style="font-weight: 400;"> (Finn Bennett), tão extravagante que parece ter saído diretamente dos livros.</span></p>
<figure id="attachment_37440" aria-describedby="caption-attachment-37440" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37440" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image5-1-800x532.png" alt="Cena da série O Cavaleiro dos Sete Reinos. Um cavaleiro imponente veste uma armadura negra ornamentada e segura uma lança enquanto monta um cavalo igualmente protegido por uma armadura com formato de cabeça de dragão. O elmo do cavaleiro possui detalhes pontiagudos e fecha completamente o rosto. No peito, um escudo com o símbolo de um dragão em tons avermelhados se destaca. Ao fundo, uma construção de pedra e uma estátua parcialmente visível reforçam o ambiente medieval." width="800" height="532" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image5-1-800x532.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image5-1-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image5-1-768x511.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image5-1-1200x799.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image5-1.png 1522w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37440" class="wp-caption-text">A primeira temporada de O Cavaleiro dos Sete Reinos adaptou o primeiro conto da série de novelas de George R. R. Martin, intitulado O Cavaleiro Andante (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das decisões mais inteligentes da série é o que ela faz – ou melhor, o que ela não faz – com a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://mashable.com/article/a-knight-of-the-seven-kingdoms-targaryen-family-tree">dinastia Targaryen</a></span><span style="font-weight: 400;">. Sem dragões há quase noventa anos, a família que governou Westeros nas chamas agora precisa governar com palavras, intrigas, politicagem e a memória do que um dia foram. Despidos da criatura que os tornava aterrorizantes, os Targaryen são apenas homens. Alguns gentis, como </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://ocinemae.com.br/artigos/baelor-quebralancas-o-principe-que-quase-foi-rei/">Baelor &#8220;Quebra-Lanças&#8221;</a></span><span style="font-weight: 400;"> (Bertie Carvel), outros patéticos, como Aerion &#8220;Chama Viva&#8221;, e alguns refratários, como Egg (ou </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://mixdeseries.com.br/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-ep-3-explicado">Aegon Targaryen</a></span><span style="font-weight: 400;">), que não se dobra às expectativas impostas pelo sobrenome que carrega e não absorve a lógica de superioridade de sua família.</span><br />
<span style="font-weight: 400;">A </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://br.ign.com/o-cavaleiro-dos-sete-reinos/150315/news/sempre-temos-essa-conversa-sou-eu-o-relacionamento-de-dunk-e-egg-em-o-cavaleiro-dos-sete-reinos-e-ta">química</a></span><span style="font-weight: 400;"> entre os atores principais é um belo triunfo da produção. O irlandês, Peter Claffey, conhecido pelo longa </span><span style="font-weight: 400;"><i>Pequenas Coisas como Estas</i></span><span style="font-weight: 400;"> (2024) e o seriado </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/vikings-critica/"><i>Vikings Valhalla</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> (2022), constrói um Duncan equilibrado com seus valores, mas que ainda está procurando onde se encaixar. Já o carismático Dexter, que encantou os fãs desde sua revelação como Egg, já tinha aparecido no distópico universo de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Jogos Vorazes</i></span><span style="font-weight: 400;">, interpretando Cornelius Snow durante sua infância em </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-a-cantiga-dos-passaros-e-das-serpentes-critica/"><i>A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> (2023). O garoto constrói um Aegon bem fiel às novelas, transitando entre a astúcia de quem precisa mentir para viver da forma que quer e a ingenuidade de ainda ser apenas uma criança.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Juntos, os dois fazem com que a relação entre cavaleiro e escudeiro se torne, inevitavelmente, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/astros-de-nova-game-of-thrones-usam-estrategia-inusitada-para-construir-amizade-144660">amizade</a></span><span style="font-weight: 400;">. Ao longo dos episódios, são as interações de Dunk e Egg que sustentam momentos em que a trama se apoia mais na emoção, que expõe a vulnerabilidade dos personagens, do que na ação. Essa química conquistou o público desde o ínicio, mas foi na </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://youtu.be/kHwJTEJwPh4?si=xFw_DQ6_D1ebsQtM"><i>CCXP</i></a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://youtu.be/kHwJTEJwPh4?si=xFw_DQ6_D1ebsQtM"> de 2025</a></span><span style="font-weight: 400;">, quando o elenco e a equipe da série vieram ao Brasil, que os atores puderam compreender a ansiedade dos fãs para ver a dupla na tela, sendo recebidos com muito carinho e aos gritos pelos entusiastas deste universo.</span></p>
<div class="mceTemp"></div>
<figure id="attachment_37443" aria-describedby="caption-attachment-37443" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37443" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image2-2-800x532.png" alt="Cena da série O Cavaleiro dos Sete Reinos. Em primeiro plano, uma criança de cabeça raspada olha para trás com expressão preocupada. Ela veste uma roupa escura com detalhes sutis em vermelho. Ao fundo, desfocado, uma grande estrutura em chamas ilumina a cena com tons alaranjados, criando contraste com o céu acinzentado e o clima tenso do momento." width="800" height="532" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image2-2-800x532.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image2-2-1024x681.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image2-2-768x511.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image2-2.png 1194w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37443" class="wp-caption-text">Egg (Aegon Targaryen) é tetraneto de Rhaenyra Targaryen, protagonista de A Casa do Dragão (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a série peca em algum ponto, é no uso do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://revistamonet.globo.com/series/noticia/2026/01/george-r-r-martin-autor-de-game-of-thrones-revela-que-tentou-tirar-cena-escatologica-de-primeiro-episodio-do-novo-spin-off-mas-nao-foi-ouvido.ghtml">humor corporal</a></span><span style="font-weight: 400;">. A nudez sempre foi parte das adaptações das crônicas para a TV, em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Game of Thrones</i></span><span style="font-weight: 400;"> era frequentemente carregada de subtexto político, relações de poder e feminismo. Em O Cavaleiro dos Sete Reinos, ela migra para o território da comédia, o que faz sentido dado o tom da série, todavia em alguns momentos ultrapassa o limite e quebra a atmosfera que a produção demora a construir. Dunk defecando de forma grotesca logo no primeiro episódio e Sor Arlan urinando numa piada sobre o tamanho de sua </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/602965-a-arma-gigante-de-arlan-pennytree-em-cavaleiro-dos-sete-reinos-e-real-entenda.htm">“</a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/602965-a-arma-gigante-de-arlan-pennytree-em-cavaleiro-dos-sete-reinos-e-real-entenda.htm"><i>espada</i></a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/602965-a-arma-gigante-de-arlan-pennytree-em-cavaleiro-dos-sete-reinos-e-real-entenda.htm">”</a></span><span style="font-weight: 400;"> são cenas expositivas demais, que beiram o grotesco, e acabaram por dividir a opinião dos fãs sobre a produção inteira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale dizer que a cena escatológica tem uma </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/602898-cena-bizarra-com-abertura-de-got-em-cavaleiro-dos-sete-reinos-esconde-grande-significado.htm">justificativa</a></span><span style="font-weight: 400;">, já que acontece logo após a trilha icônica da série principal começar a tocar, criando a expectativa de uma abertura grandiosa como nas produções anteriores – uma espera que é deliberadamente frustrada pelo corte seco seguido do momento em questão. O próprio Parker explicou a escolha lembrando que o personagem ainda não conquistou nada que justifique uma trilha majestosa. Enquanto alguns desses excessos podem </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/ator-revela-bastidor-de-cena-escatologica-no-inicio-de-o-cavaleiro-dos-sete-reinos/">comprometer a experiência</a></span><span style="font-weight: 400;"> de espectadores mais sensíveis, os abertos a um humor menos convencional vão, no máximo, franzir a testa.</span><br />
<span style="font-weight: 400;">A honradez do protagonista encontra sua prova de fogo quando Aerion agride </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.gizmodo.com.br/dunk-e-tanselle-podem-se-reencontrar-em-o-cavaleiro-dos-sete-reinos-se-a-serie-continuar-alem-dos-livros-45893">Tanselle</a></span><span style="font-weight: 400;"> (Tanzyn Crawford), uma titieira </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/603187-segunda-temporada-de-o-cavaleiro-dos-sete-reinos-levara-personagens-para-dorne.htm">dornesa</a></span><span style="font-weight: 400;"> por quem o personagem se apaixona, intervindo sem calcular as consequências de contrariar um príncipe. Para salvar Dunk da retaliação do irmão, Egg revela que é </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-1000190568/">Aegon Targaryen</a></span><span style="font-weight: 400;">, porém a descoberta abala a relação dos dois tanto quanto a agressão, já que o protagonista percebe que seu escudeiro o enganou desde o início.</span></p>
<figure id="attachment_37438" aria-describedby="caption-attachment-37438" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37438" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-3-800x533.png" alt="Cena da série O Cavaleiro dos Sete Reinos. Em um grande salão de madeira iluminado por velas, várias figuras estão reunidas ao redor de uma longa mesa retangular. Ao centro, um homem de aparência nobre, com barba e vestes escuras, ocupa a posição de destaque. Outros homens e mulheres, também trajando roupas formais e de época, estão sentados ou em pé ao redor da mesa. Candelabros pendurados e um grande entalhe na parede ao fundo compõem o ambiente solene, enquanto guardas posicionados nas laterais reforçam a atmosfera de poder e formalidade." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-3-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-3-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image1-3.png 1521w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37438" class="wp-caption-text">O nome do quinto episódio faz referência à Mãe dos Sete – a deusa da compaixão no universo de Martin (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A série não tem um </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://geekintellect.com.br/aerion-targaryen-cavaleiro-sete-reinos/">vilão tradicional</a></span><span style="font-weight: 400;">. Embora Aerion seja cruel e tenha seu embate com Dunk, ele é pequeno demais para sustentar o papel de antagonista de uma temporada inteira. O verdadeiro obstáculo do protagonista é o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-1000190280/">sistema</a></span><span style="font-weight: 400;"> – a estrutura de poder que decide que sua vida vale menos que a de um príncipe, que a verdade não se firma em fatos, mas na vontade de quem governa, e que a honra é algo que, para as </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/229741-game-of-thrones-9-casas-membros-principais.htm">grandes casas</a></span><span style="font-weight: 400;">, se compra e se vende conforme a conveniência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É justamente a honradez verdadeira de Duncan que o leva à ponta da espada Targaryen, quando os príncipes Targaryen e Lorde Ashford se reúnem para decidir o destino do personagem. Logo, Aerion sugere um </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://exame.com/pop/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-entenda-o-julgamento-dos-sete-na-nova-serie-de-game-of-thrones/">Julgamento dos Sete</a></span><span style="font-weight: 400;">. Uma variação do clássico </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/fas-de-game-thrones-querem-decidir-custodia-com-julgamento-por-combate/">Julgamento por Combate</a></span><span style="font-weight: 400;"> que vemos nas outras produções desse universo. Nesta versão especial, cada um dos duelistas escolhem mais seis pessoas para lutarem ao seu lado, até que todos os combatentes de um dos lados estejam mortos ou um dos líderes desista da queixa. Isso significa que o confronto pode ser mais longo e sangrento, e é justamente isso que acontece no aclamado </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://rollingstone.com.br/entretenimento/como-o-cavaleiro-dos-sete-reinos-escondeu-seu-orcamento-curto-no-5o-episodio/"><i>Em Nome da Mãe</i></a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baelor decide compor o time de Duncan numa escolha corajosa, já que lutaria contra seu próprio sobrinho e seu irmão, e Carvel entrega cada nuance desse </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/603122-cavaleiro-dos-sete-reinos-o-que-acontece-com-a-linha-de-sucessao-depois-do-tragico-episodio-5.htm">príncipe bondoso</a></span><span style="font-weight: 400;"> com uma contenção que torna sua presença em cena mais poderosa que qualquer discurso poderia ser. É também no quinto episódio que a série mais se arrisca: o Julgamento dos Sete é filmado em grande parte do ponto de vista do protagonista dentro do capacete, com a </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://youtu.be/9465Z_ZtJsM?si=pFW44DiOFaQT_suX">visão recortada</a></span><span style="font-weight: 400;"> pelas frestas do elmo e o som abafado pelos golpes, colocando o espectador no mesmo estado de desorientação do personagem, sem a distância confortável de uma câmera épica.</span></p>
<figure id="attachment_37444" aria-describedby="caption-attachment-37444" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37444" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image3-1-800x618.jpg" alt="Página dupla da HQ O Cavaleiro Andante, adaptação em quadrinhos da obra de George R.R. Martin. Na imagem, uma grande cena de torneio medieval é retratada em perspectiva panorâmica, com dois grupos de cavaleiros armados se aproximando um do outro em campo aberto, Caixas de texto em inglês no canto superior esquerdo narram a ação em primeira pessoa, descrevendo o galope e o impacto físico da corrida. No grupo ao fundo, que avança de frente para o leitor, destacam-se cavaleiros com armaduras e mantos coloridos: um com escudo vermelho com maçã dourada, outro com manto xadrez em amarelo e preto, e um terceiro com armadura negra e ornamentos em laranja e vermelho, montado em um cavalo escuro. No grupo em primeiro plano, visto de costas, os cavaleiros também exibem armaduras elaboradas: à esquerda, um cavaleiro com manto e proteção xadrez em vermelho e branco; ao centro, um com elmo encimado por chifres de cervo e manto amarelo-ocre; à direita, um cavaleiro em armadura preta com detalhes em vermelho, e outro com vestes em listras pretas e douradas. Caixas de texto no canto inferior direito continuam a narração em primeira pessoa, descrevendo a tensão física do combate e o calor sufocante dentro do elmo." width="800" height="618" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image3-1-800x618.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image3-1-1024x792.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image3-1-768x594.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image3-1-1536x1187.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image3-1-1200x928.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image3-1.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37444" class="wp-caption-text">Todas as novelas de Dunk e Egg foram adaptadas em quadrinhos entre 2008 e 2017 (Foto: Mike S. Miller/Image Comics)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://rollingstone.com.br/entretenimento/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-confirma-importante-teoria-de-game-of-thrones/"><i>flashback</i></a></span> <span style="font-weight: 400;">da Baixada das Pulgas coloca o tempero perfeito para a narrativa do episódio. A lama mostrada na infância e a lama da batalha se tornam a mesma coisa, dando força para Dunk se levantar. No entanto, é quando o personagem tira o elmo para conseguir respirar e enxergar que todos os estereótipos do que é ‘ser cavaleiro’ se quebram. A </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://youtu.be/kiPyP2qLu4U?si=sTyKJLNj9AN_QUne">armadura</a></span><span style="font-weight: 400;"> que deveria fazê-lo guerreiro é literalmente o que o impede de lutar, enquanto Aerion, coberto de metal elaborado, é quem pede rendição.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vitória no Julgamento dos Sete é o momento em que os próprios deuses formalizam o que Sor Arlan nunca fez – Duncan é cavaleiro, reconhecido pelo combate e pela honra que o sustentou até o fim. A tragédia é que esse reconhecimento vem embalado na </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-criador-explica-morte-chocante-episodio-5">morte de Baelor Targaryen</a></span><span style="font-weight: 400;"> que, ao ter o elmo removido, revela o golpe na cabeça que o levará. Ali vai junto a maior promessa da casa do dragão e um dos poucos nobres que enxergou Duncan como igual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale o pensamento: </span><span style="font-weight: 400;"><i>Game of Thrones</i></span><span style="font-weight: 400;"> provavelmente não existiria como o conhecemos se Baelor tivesse assumido o trono. Ele era justo, popular, sábio e, como seu pai – o rei Daeron –, bom. Maekar, que agora é o herdeiro à coroa, sabe que as comparações com seu irmão com certeza vão atormentá-lo durante seu futuro reinado, porém algo ainda mais perturbador o corrói por dentro. Foi ele quem o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://mixdeseries.com.br/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-maekar-matou-baelor">matou</a></span><span style="font-weight: 400;">. Não intencionalmente, mas defendendo seu filho, Aerion.</span></p>
<div class="mceTemp"></div>
<figure id="attachment_37445" aria-describedby="caption-attachment-37445" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37445" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image8-800x532.png" alt="Cena da série O Cavaleiro dos Sete Reinos. Na imagem, dois guerreiros se enfrentam em um campo de batalha enlameado e nebuloso. À esquerda, um homem vestido com cota de malha e túnica cinza empunha uma espada com as duas mãos, em postura de ataque, com o rosto tenso e sujo. À direita, uma figura coberta por uma armadura escura e imponente segura um escudo com detalhes em vermelho e uma espada. Ao fundo, cavaleiros montados em cavalos brancos avançam em meio à névoa, próximos a um arco de pedra." width="800" height="532" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image8-800x532.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image8-1024x681.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image8-768x511.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image8-1200x798.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image8.png 1527w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37445" class="wp-caption-text">Em entrevista, Parker explicou que para as cenas com cavaleiros, armaduras e cavalos, contratou dublês e cavaleiros de nível mundial (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No velório de Baelor, o príncipe </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://miscelana.com/2026/01/26/baelor-e-valarr-a-tragedia-dos-targaryen-em-seven-kingdoms/">Valarr Targaryen</a></span><span style="font-weight: 400;"> (Oscar Morgan) – com sua mecha branca característica, exatamente como descrito nas novelas – contempla o corpo do pai sendo cremado e faz a pergunta que a série vai carregar para as próximas temporadas: por que os deuses levaram seu pai e pouparam um cavaleiro tão insignificante como Duncan? É a mesma pergunta que o protagonista faz para si mesmo, e o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-1000185962/">espectador</a></span><span style="font-weight: 400;"> que não conhece os livros também. A questão, ainda sem resposta, é um convite para as fases futuras da produção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto Duncan lida com o peso da morte de Baelor, Egg carrega a dor de não conseguir escapar da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-1000187473/">sombra do irmão</a></span><span style="font-weight: 400;">, e Dexter entrega essa âncora emocional com excelência. O nível de atuação do jovem ator torna a cena em que Maekar o impede de matar Aerion, uma das mais angustiantes da temporada, e reconhece que a única saída é dar ao filho o que ele deseja: seguir Dunk como seu escudeiro. Ele oferece ao cavaleiro um espaço em Solarestival para treinar Egg mediante juramento à coroa, mas o protagonista recusa, pois quer ensinar a vida real ao príncipe, não servir preso em um castelo – e os dois acabam encontrando, cada um à sua maneira, o mesmo caminho.</span></p>
<figure id="attachment_37442" aria-describedby="caption-attachment-37442" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37442" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image7-800x533.png" alt="Cena da série O Cavaleiro dos Sete Reinos. Na imagem, dois personagens cavalgam lado a lado por uma trilha em meio a colinas verdes e exuberantes. À esquerda, uma jovem de pele clara usa uma capa com capuz em tom verde-escuro e carrega uma pá presa à sela de seu cavalo marrom. À direita, um homem adulto de porte físico imponente e com muitos hematomas no rosto veste uma ampla capa bege e monta um cavalo de pelo mais escuro, olhando levemente para o lado. O cenário ao fundo remete a uma paisagem rural medieval, com vegetação abundante e céu nublado." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image7-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image7-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image7-768x511.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image7-1200x799.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/08/image7.png 1520w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37442" class="wp-caption-text">A segunda temporada da série já está em produção e tem previsão de estreia para o primeiro semestre de 2027 (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, Egg foge do pai e segue junto de Duncan. Os dois partem para explorar os </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://br.ign.com/o-cavaleiro-dos-sete-reinos/150366/news/o-cavaleiros-dos-sete-reinos-por-que-o-titulo-muda-para-o-cavaleiro-dos-nove-reinos">nove</a></span><span style="font-weight: 400;"> – e não sete – reinos sem um destino certo, unidos por uma escolha mútua de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://youtu.be/VfUsF_iy3Og?si=giAX_YU067QtDwj9">seguir em frente</a></span><span style="font-weight: 400;">. Esse final retrata exatamente o cerne da produção: não é a grandeza de Westeros – inspiradas nas crônicas ou em </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://tribunahoje.com/noticias/entretenimento/2026/02/26/179003-a-casa-do-dragao-ja-tem-data-para-retornar-com-a-3a-temporada"><i>Fogo e Sangue</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> – que está na tela, mas sim dois improváveis que decidem cravar sua moeda na árvore, como Sor Arlan ensinou Dunk a fazer sempre que um cavaleiro sai em uma nova aventura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><i>O Cavaleiro dos Sete Reinos</i></span><span style="font-weight: 400;"> não tenta competir com o gigantismo de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Game of Thrones</i></span><span style="font-weight: 400;"> nem se compromete a uma trama cheia de reviravoltas como </span><span style="font-weight: 400;"><i>A Casa do Dragão</i></span><span style="font-weight: 400;">. Ela faz algo mais difícil: oferece uma </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://flixlandia.com.br/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-episodio-6-critica-da-serie/">história menor</a></span><span style="font-weight: 400;">, mais íntima e mais humana, provando que Westeros tem espaço para narrativas mais curtas e fechadas, capazes de passar uma mensagem tão nítida quanto as grandes produções do universo de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-george-r-r-martin-vai-colaborar-ate-o-fim">George R.R. Martin</a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O saldo é muito positivo e deixa um gostinho de quero mais. Mesmo com ressalvas ao </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://rollingstone.com.br/entretenimento/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-por-que-aquela-cena-emblematica-e-o-coracao-da-serie/">humor corporal</a></span><span style="font-weight: 400;"> que pontua alguns episódios, os fãs levaram a produção ao </span><span style="font-weight: 400;"><i>top 10</i></span><span style="font-weight: 400;"> da </span><span style="font-weight: 400;"><i>HBO Max</i></span><span style="font-weight: 400;"> em todas as semanas de estreia e atraíram novos interessados por Westeros. Seja para acompanhar as </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/o-cavaleiro-dos-sete-reinos-2-temporada-quando-sai">próximas temporadas</a></span><span style="font-weight: 400;"> de Dunk e Egg pelo mundo, ou revisitar </span><span style="font-weight: 400;"><i>Game of Thrones</i></span><span style="font-weight: 400;">, porém sem a esperança de um final agradável, como se espera de </span><span style="font-weight: 400;"><i>O Cavaleiro dos Sete Reinos</i></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Cavaleiro dos Sete Reinos | Trailer Oficial Dublado | HBO Max" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/uLsL3e4Vlpg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Os Minions e Monstros salvaram o cinema</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 22:53:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Análise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: Este texto contém spoilers Eduardo Dragoneti Situado na Era de Ouro de Hollywood, Minions e Monstros fecha a trilogia derivada da franquia Meu Malvado Favorito (2010). Com um novo trio protagonista, James, Henry e Ed, o longa explora a importância da liberdade criativa, repudia a submissão e explora a amizade como os outros dois &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-minions-e-monstros/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Minions e Monstros salvaram o cinema"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso:</i></b><i><span style="font-weight: 400;"> Este texto contém spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_37388" aria-describedby="caption-attachment-37388" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37388" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image1-800x327.jpg" alt="Cena do filme Minions e Monstros. Três minions estão em pé, cercados por velas acesas, em um ambiente que remete a um ritual. O minion do centro usa óculos de lente única e tem um livro aberto sobre uma caixa de madeira, com expressão séria. Ao fundo, um cartaz escrito &quot;Minions y Monstras&quot; mostra um rosto assustador e ilustrações de outros minions em pânico." width="800" height="327" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image1-800x327.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image1-1024x419.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image1-768x314.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image1-1536x629.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image1-1200x491.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image1.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37388" class="wp-caption-text">O longa estreou nos cinemas do Brasil em 2 de julho (Imagem: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Dragoneti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Situado na Era de Ouro de Hollywood, </span><a href="https://www.ingresso.com/noticias/filme-minions-e-monstros-critica-o-melhor-da-franquia"><i><span style="font-weight: 400;">Minions e Monstros</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> fecha a trilogia derivada da franquia </span><i><span style="font-weight: 400;">Meu Malvado Favorito</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2010). Com um novo trio protagonista, James, Henry e Ed, o longa explora a importância da liberdade criativa, repudia a submissão e explora a amizade como os outros dois filmes da saga não haviam feito. Após mais uma procura incessante por um ‘mini-chefe’, os Minions, em especial James, se encontram no Cinema, onde viram celebridades nos anos 1920.</span></p>
<p><span id="more-37387"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O humor corporal e a </span><a href="https://www.nsctotal.com.br/noticias/termos-em-minionese-o-idioma-falado-pelos-minions"><span style="font-weight: 400;">linguagem própria</span></a><span style="font-weight: 400;"> das pequenas criaturas amarelas continuam sendo os pontos fortes desses personagens, mas também é o que faz eles serem despachados com a </span><a href="https://abcine.org.br/artigos/o-som-no-cinema/"><span style="font-weight: 400;">chegada do Som nas produções hollywoodianas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sem um público que os entenda, os Minions se veem perdidos e voltam a procurar um líder maléfico para adorar. Já os protagonistas, invocam monstros para sua produção independente: ‘Minions y Monstra’.</span></p>
<figure id="attachment_37389" aria-describedby="caption-attachment-37389" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37389" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image2-800x450.jpg" alt="Cena do filme Minions e Monstros. Dois minions aparecem em close-up, em ambiente escuro. O da esquerda usa óculos de proteção com duas lentes redondas e tufos de cabelo escuro no topo da cabeça. O da direita usa um óculos com uma única lente grande presa por uma tira de couro. Os dois seguram, entre as mãos, um pedaço de filme fotográfico com quadros em preto e branco." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image2-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image2-1536x863.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image2-1200x674.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image2.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37389" class="wp-caption-text">Ed é o primeiro Minion surdo mostrado nesse universo (Imagem: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre muitas referências ao </span><a href="https://oglobo.globo.com/rioshow/cinema/guia/novo-filme-dos-minions-homenageia-tubarao-chaplin-cidadao-kane-e-mais-classicos-veja-lista-e-compare.ghtml"><span style="font-weight: 400;">cinema clássico e comtemporaneo</span></a><span style="font-weight: 400;">, o movimento feminista pelo voto das mulheres e o </span><i><span style="font-weight: 400;">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Minions e Monstros</span></i><span style="font-weight: 400;"> mantém a tradição desde os </span><a href="https://revistadecinema.com.br/2024/07/o-cinema-da-adocao-metaforica/"><span style="font-weight: 400;">filmes do Gru</span></a><span style="font-weight: 400;">, de colocar críticas socias costuradas em seu enredo. O longa funciona sutilmente como uma propaganda às produções independentes, colocando James como um cineasta ignorado pelos grandes patrocinadores da Sétima Arte e contando uma história completamente autoral.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, existe um subtexto que rouba todas as cenas entre James e Henry. Em uma relação inocente de amizade que lembra muito </span><a href="https://personaunesp.com.br/luca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Luca</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), os Minions compartilham cenas de afeto, preocupação e alegria um pelo outro, criando uma alegoria LGBTQIAPN+ discreta, como no sucesso da Disney. Os dois são excluídos constantemente do restante da tribo por não aceitarem o tudo o que Dick, o líder arrogante e conservador dos Minions, ordena que eles façam. </span><a href="https://www.them.us/entertainment/tv-and-movies/minions-all-male-pierre-coffin"><span style="font-weight: 400;">Pierre Coffin</span></a><span style="font-weight: 400;">, que dirige e roteiriza o longa, além de dublar todos os Minions, insere o tema com delicadeza, tornando o amor entre os personagens palatável.</span></p>
<figure id="attachment_37390" aria-describedby="caption-attachment-37390" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37390" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image3-800x450.jpg" alt="Cena do filme Minions e Monstros. Dois minions vestem capas com capuz e aparecem atrás de um livro aberto sobre um púlpito de pedra, ao lado de uma vela acesa em castiçal dourado. O minion da esquerda usa óculos de duas lentes e tem mechas de cabelo espetadas. O da direita usa óculos de lente única e sorri, mostrando os dentes. Ao fundo, uma parede rochosa é iluminada por um brilho alaranjado." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image3.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37390" class="wp-caption-text">Ao verem uma sufragista liderando uma manifestação, os Minions a interpretam como uma ‘vilã’ a ser seguida, já que ela desafia as normas da sociedade da época (Imagem: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Minions e Monstros</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o melhor filme da série solo dos personagens. Porém tem um grande problema: suas piadas talvez não funcionarão com a geração Alfa, e o excesso de referências cinematográficas pode confundir o cérebro de quem não conhece a história do Cinema. Sim, é uma obra para cinéfilos e amantes das telonas. Uma verdadeira aula de história, com referências que remetem a </span><a href="https://ensinarhistoria.com.br/tempos-modernos-ainda-tao-atual/"><i><span style="font-weight: 400;">Tempos Modernos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1936), </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/cinema-e-series/2025/07/por-que-passados-50-anos-o-filme-tubarao-continua-funcionando-tao-bem.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Tubarão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1975), </span><a href="https://musicnonstop.uol.com.br/guerra-humanidade-e-racismo-a-resistencia-secreta-por-tras-de-casablanca-lancado-ha-80-anos-e-considerado-o-maior-romance-da-historia-do-cinema/"><i><span style="font-weight: 400;">Casablanca</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1942), </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/minions-e-monstros-cena-inspirada-em-cidadao-kane"><i><span style="font-weight: 400;">Cidadão Kane</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1941), </span><i><span style="font-weight: 400;">westerns</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 1920 e filmes de monstros clássicos. Se alguém assistir Chaplin por ter visto os Minions presos em engrenagens já terá valido a pena.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história em si não é super inovadora, e o terço final, com a </span><a href="https://geekpopnews.com.br/quem-e-cthulhu-conheca-a-entidade-que-inspirou-goomi-em-minions-e-monstros/"><span style="font-weight: 400;">reviravolta dos monstros</span></a><span style="font-weight: 400;"> invocados para a produção de James, acaba caindo um pouco na fórmula de ação de sempre. Mesmo assim, a produção se segura muito bem graças ao protagonismo inédito. Leve, engraçado e cheio de sacadas visuais espertas, o longa equilibra perfeitamente a comédia pastelão com um carinho de verdade pela história que está contando. É o filme perfeito para o final de semana e, com certeza, o projeto mais inspirado da franquia em muito tempo.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Minions &amp; Monstros | Trailer Final" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lt1HAxpAZn4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O Mandaloriano e Grogu: Star Wars está de volta ao cinema, mas no piloto automático</title>
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		<pubDate>Tue, 26 May 2026 16:37:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eduardo Dragoneti Sete anos separam Star Wars: A Ascensão Skywalker (2019) de O Mandaloriano e Grogu (2026). Nesse intervalo, a Lucasfilm abandonou os cinemas para investir nas produções do Disney+, onde O Mandaloriano (2019) nasceu como a aposta mais bem-sucedida da franquia desde a trilogia original de George Lucas. A série transformou Din Djarin (Pedro &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-mandaloriano-e-grogu-star-wars-esta-de-volta-ao-cinema-mas-no-piloto-automatico/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Mandaloriano e Grogu: Star Wars está de volta ao cinema, mas no piloto automático"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-mandaloriano-e-grogu-star-wars-esta-de-volta-ao-cinema-mas-no-piloto-automatico/">O Mandaloriano e Grogu: Star Wars está de volta ao cinema, mas no piloto automático</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37318" aria-describedby="caption-attachment-37318" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37318" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image1-800x450.png" alt="Cena de O Mandaloriano e Grogu ambientada em uma cantina futurista com iluminação quente em tons alaranjados e avermelhados. Em primeiro plano, o Mandaloriano aparece em pé apoiado no balcão de madeira, usando sua armadura metálica preta e prateada com acabamento brilhante e capacete refletivo que cobre completamente o rosto. Uma faixa marrom atravessa seu peito com pequenos compartimentos metálicos presos ao traje. Sobre seu ombro direito está Grogu, pequena criatura verde de grandes orelhas pontudas e olhos escuros expressivos, envolta em um casaco grosso bege de tecido felpudo. Ao fundo, prateleiras iluminadas exibem frascos coloridos e objetos futuristas, enquanto o ambiente curvo da cantina reforça a estética clássica de Star Wars." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37318" class="wp-caption-text">O primeiro teaser de O Mandaloriano e Grogu foi exibido no Super Bowl LX (Foto: Lucasfilm)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Dragoneti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sete anos separam </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-ascensao-skywalker-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars: A Ascensão Skywalker</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019) de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mandaloriano e Grogu</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2026). Nesse intervalo, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Lucasfilm</span></i><span style="font-weight: 400;"> abandonou os cinemas para investir nas produções do </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-mandalorian-3a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Mandaloriano</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019) nasceu como a aposta mais bem-sucedida da franquia desde a trilogia original de George Lucas. A série transformou Din Djarin (Pedro Pascal) e Grogu numa dupla amada globalmente, e o anúncio do longa foi recebido com uma expectativa alta, já que </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i><span style="font-weight: 400;"> não passava nas telonas desde as </span><a href="https://br.ign.com/star-wars-episodes-vii/151813/news/trilogia-sequel-de-star-wars-sera-tao-amada-quanto-as-prequels-no-futuro-diz-operador-de-bb-8"><i><span style="font-weight: 400;">sequels</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que deixaram um gosto amargo na boca dos fãs.</span></p>
<p><span id="more-37317"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O problema central de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mandaloriano e Grogu</span></i><span style="font-weight: 400;"> está na sua própria existência, e não na execução. A terceira temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mandaloriano</span></i><span style="font-weight: 400;"> encerrou o arco de Mando e Grogu com satisfação e as poucas pontas soltas sobre o tão misterioso </span><a href="https://www.chippu.com.br/noticias/the-mandalorian-entenda-mandalore-darksaber-expilicado-tarre-viszla-sabine-ahsoka"><span style="font-weight: 400;">planeta </span><i><span style="font-weight: 400;">Mandalore</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foram ignoradas nesse filme. Bo-Katan e outros personagens interessantes que foram aclamados pelo público na série, também não retornam para o longa. O </span><i><span style="font-weight: 400;">fanservice</span></i><span style="font-weight: 400;"> de inserir </span><a href="https://ovicio.com.br/nova-enciclopedia-de-star-wars-traz-visual-detalhado-de-zeb-em-live-action/"><span style="font-weight: 400;">Zeb Orrelios</span></a><span style="font-weight: 400;">, figura que até então só tinha aparecido nas animações desse universo, também não funciona por falta de aprofundamento na história do personagem. Poderia ser qualquer outro piloto da galáxia ajudando Mando, e o enredo continuaria o mesmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro assinado por </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2026/05/21/o-mandaloriano-e-grogu-diretor-explica-motivo-para-transformar-serie-em-filme-e-participacao-de-luxo-de-martin-scorsese.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Jon Favreau</span></a><span style="font-weight: 400;">, Dave Filoni e Noah Kloor divide a história em blocos que se surtem como capítulos soltos de uma quarta temporada descartada. A missão de explodir uma base remanescente do Império, a busca por um Hutt desaparecido, ou estar fugindo de outro caçador de recompensas são aventuras que se assemelham com as da série. </span><a href="https://br.ign.com/the-mandalorian-grogu/153221/star-wars-cena-de-din-djarin-e-rotta-lutando-em-o-mandaloriano-e-grogu-e-uma-referencia-direta-a-um"><i><span style="font-weight: 400;">Uma Nova Esperança</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1977), em tempo semelhante de projeção, construía um universo inteiro e apresentava personagens inesquecíveis. A comparação com os sucessos da franquia é inevitável quando se fala no retorno de </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i><span style="font-weight: 400;"> aos cinemas.</span></p>
<figure id="attachment_37320" aria-describedby="caption-attachment-37320" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37320" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image3-1-800x533.png" alt="Cena de ação de O Mandaloriano e Grogu mostrando Grogu viajando em uma pequena nave flutuante ao lado de três criaturas alienígenas pequenas. Grogu, de pele verde, grandes olhos escuros e orelhas longas, usa um manto bege de gola alta e observa o horizonte com expressão curiosa e serena. As outras criaturas possuem pele acinzentada, roupas gastas e acessórios tecnológicos na cabeça. A nave metálica apresenta marcas de desgaste e detalhes industriais em tons de cinza e ferrugem. Ao fundo, um deserto desfocado iluminado pela luz dourada do pôr do sol cria uma atmosfera de aventura e velocidade." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image3-1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image3-1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image3-1-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image3-1-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image3-1-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image3-1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37320" class="wp-caption-text">Martin Scorsese fez uma participação especial no longa, dublando o personagem inédito Hugo (Foto: Lucasfilm)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A impressão que fica ao fim do primeiro ato é de que o filme acabou, já que a missão que abre a história é resolvida com competência e ritmo. Quando a trama recomeça numa nova direção, já com quase uma hora, fica evidente que o </span><a href="https://www.ingresso.com/noticias/preciso-assistir-as-demais-producoes-de-star-wars-para-entender-filme-o-mandaloriano-e-grogu-pedro-pascal"><span style="font-weight: 400;">roteiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Jon Favreau e Dave Filoni) não tinha material suficiente para sustentar um longa-metragem. As cenas que preenchem esse segundo bloco existem para ocupar o espaço entre uma aventura e outra, sem agregar nada ao arco dos personagens nem ao universo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i><span style="font-weight: 400;">, e o longa é autoconsciente disso. As cenas estão ali simplesmente para preencher tempo de tela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Grogu continua sendo um acerto inegável, e Favreau usa o personagem como uma segurança. O </span><a href="https://www.einerd.com/grogu-adulto-star-wars-dave-filoni/"><span style="font-weight: 400;">&#8216;baby Yoda&#8217;</span></a><span style="font-weight: 400;">, construído digitalmente pela equipe da </span><i><span style="font-weight: 400;">ILM</span></i><span style="font-weight: 400;">, ganha uma expressividade que o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><span style="font-weight: 400;">não permitia fazer, e o diretor o usa com generosidade numa sequência central do segundo ato que remete aos clássicos de aventura como </span><a href="https://ovicio.com.br/star-wars-diretor-diz-que-visual-de-grogu-foi-roubado-de-gremlins/"><i><span style="font-weight: 400;">Gremlins</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1984) e </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/261824-disney-cancela-serie-willow-temporada-veja-motivos.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Willow: Na Terra da Magia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1988). A trilha sonora (Ludwig Göransson) sustenta os furos do roteiro e repete a fórmula: músicas icônicas da franquia e de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mandaloriano</span></i><span style="font-weight: 400;">, que preservam a identidade sonora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/o-mandaloriano-grogu-pedro-pascal-din-djarin-vingadores"><span style="font-weight: 400;">Pedro Pascal</span></a><span style="font-weight: 400;"> entrega exatamente o que sempre entregou como Mando, nem mais nem menos. O personagem não desenvolve nada além do que já havia sido construído nas três temporadas anteriores, e o roteiro não lhe oferece nenhuma cena que exija algo diferente do que o ator já demonstrou saber fazer. A produção técnica, por outro lado, é impecável. Para as cenas com armaduras, perseguições e combates, Favreau contratou </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2026/05/11/saiba-quem-e-o-brasileiro-duble-de-pedro-pascal-no-novo-filme-da-saga-star-wars.ghtml"><span style="font-weight: 400;">dublês</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pilotos profissionais para evitar o excesso de </span><i><span style="font-weight: 400;">CGI</span></i><span style="font-weight: 400;">, e o resultado aparece na tela com fisicalidade, que as produções da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;"> raramente são capazes de replicar.</span></p>
<figure id="attachment_37321" aria-describedby="caption-attachment-37321" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37321" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image4-1-800x450.png" alt="Imagem promocional de O Mandaloriano e Grogu destacando Rotta, o Hutt, em uma arena escura iluminada por refletores brancos. A criatura alienígena gigante possui corpo musculoso, pele enrugada em tons de verde e marrom e expressão séria e intimidadora. Rotta segura duas armas futuristas semelhantes a machados metálicos, uma em cada mão, enquanto encara a câmera de frente. Ao fundo, arquibancadas lotadas aparecem desfocadas sob a iluminação dramática do ambiente. No canto superior esquerdo, o selo branco ‘Empire Exclusive’ está sobreposto à imagem." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image4-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image4-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image4-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image4-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image4-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image4-1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37321" class="wp-caption-text">Rotta, o Hutt, apareceu anteriormente na série animada Clone Wars, quando ainda era um bebê (Foto: Lucasfilm)</figcaption></figure>
<p><a href="https://observatoriodocinema.com.br/filmes/o-mandaloriano-e-grogu-foto-revela-visual-do-filho-de-jabba-rotta-o-hutt/"><span style="font-weight: 400;">Rotta, o Hutt</span></a><span style="font-weight: 400;">, dublado por Jeremy Allen White (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-4a-temporada-de-the-bear-pergunta-quem-somos-quando-paramos-de-cozinhar-no-automatico/"><i><span style="font-weight: 400;">O Urso</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, 2022), é o caso mais sintomático do filme. O personagem tem uma trajetória com potencial, um jovem tentando escapar da sombra do pai, Jabba, para construir uma identidade própria, e Allen White entrega o que pode sob todo o </span><i><span style="font-weight: 400;">CGI</span></i><span style="font-weight: 400;">. O problema é que ele explica o posicionamento do personagem pelo menos três vezes em menos de 30 minutos, retirando qualquer espaço para o espectador descobrir por conta própria. A Coronel Ward, interpretada por </span><a href="https://www.otempo.com.br/opiniao/diego-almeida/2026/5/17/o-mandaloriano-e-grogu-sigourney-weaver-revela-ligacao-com-princesa-leia"><span style="font-weight: 400;">Sigourney Weaver</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://personaunesp.com.br/alien-romulus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Alien</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, 1979), também poderia se tornar uma nova grande peça para a Nova República, mas a trama rasa simplifica o trabalho da renomada atriz.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Mandaloriano e Grogu</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona como convite para a série, mas peca em ser uma porta para o universo </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma Nova Esperança</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-1000182541/"><i><span style="font-weight: 400;">O Império Contra-Ataca</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1980), continuam sendo portais de entrada para qualquer espectador, independente de bagagem prévia. O novo longa exige três temporadas de investimento emocional para funcionar, e mesmo quem às assistiu sai sem nada novo e se quer se emociona. Alguém sem conhecimento da franquia provavelmente sairá com curiosidade sobre a série, porém dificilmente com vontade de mergulhar no universo que </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-1000172628/"><span style="font-weight: 400;">George Lucas</span></a><span style="font-weight: 400;"> constrói desde 1977.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A decisão de transformar </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mandaloriano</span></i><span style="font-weight: 400;"> em franquia cinematográfica diz menos sobre a história de Din Djarin e Grogu do que sobre o estado atual de </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i><span style="font-weight: 400;"> como propriedade intelectual. O sucesso da franquia é eterno, com boas produções saindo, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-esperanca-e-a-chama-da-revolucao-televisionada-de-andor-uma-historia-star-wars/"><i><span style="font-weight: 400;">Andor</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022). Porém, após o fracasso de </span><a href="https://personaunesp.com.br/han-solo-uma-historia-star-wars-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Han Solo: Uma história Star Wars</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018) e o fim da trilogia </span><i><span style="font-weight: 400;">sequel </span></i><span style="font-weight: 400;">em 2019, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> precisava de uma aposta segura para recolocar a saga nas telas. Mando e Grogu eram essa aposta, mas filmes feitos para não errar raramente acertam de verdade.</span></p>
<figure id="attachment_37319" aria-describedby="caption-attachment-37319" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37319" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image2-2-800x450.png" alt="Cena de O Mandaloriano e Grogu mostrando a Coronel Ward, interpretada por Sigourney Weaver, sentada diante de uma mesa futurista iluminada suavemente. A personagem é uma mulher branca de cabelos curtos castanho-avermelhados e expressão séria e analítica. Ela veste um uniforme militar verde-oliva com detalhes e insígnias inspirados na Nova República. Com uma das mãos apoiada sobre a mesa tecnológica e a outra próxima de uma caneca branca, Ward observa alguém fora de quadro. Ao fundo, o ambiente apresenta paredes claras, estruturas metálicas e iluminação suave que reforçam a estética sci-fi do universo Star Wars." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image2-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image2-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image2-2.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37319" class="wp-caption-text">Um dos dublês do Mandaloriano é Lateef Crowder, capoeirista brasileiro que faz algumas das cenas de ação do filme (Foto: Lucasfilm)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i><span style="font-weight: 400;"> ficou sete anos longe dos cinemas. Os fãs que suportam os </span><a href="https://www.terra.com.br/gameon/geek/star-wars-por-que-a-nova-trilogia-e-tao-odiada-pelos-fas,7a927f99825b54ed8d4f07f6a3d962f14pp7647a.html"><span style="font-weight: 400;">episódios VII, VIII e IX</span></a><span style="font-weight: 400;">, que acompanharam a série semana a semana e se encantaram com Grogu desde seu primeiro aparecimento no </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, mereciam um retorno à altura dessa espera. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mandaloriano e Grogu</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é ruim, é confortável, competente e, em vários momentos, genuinamente divertido. No entanto, isso não é suficiente quando a franquia mais amada da ficção científica volta aos cinemas pela primeira vez em anos. Jon Favreau tinha os melhores ingredientes possíveis, mas optou por fazer um misto quente com achocolatado.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Mandaloriano e Grogu | Trailer Oficial Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Pq8SPFjcp1E?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Persona Entrevista: Lúcia Nagib</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Nov 2025 15:30:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eduardo Dragoneti Com o documentário Filmar ou Morrer, exibido na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a pesquisadora, professora e cineasta Lúcia Nagib revisita um momento crítico da história do Cinema internacional. A partir de O Estado das Coisas (1982), de Wim Wenders, ela costura uma constelação de influências que atravessa Portugal, Hollywood &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/persona-entrevista-lucia-nagib/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Lúcia Nagib"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36412" aria-describedby="caption-attachment-36412" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36412" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-1-800x450.png" alt="Cartaz de divulgação para a 'Persona Entrevista' com Lúcia Nagib, parte da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. À direita, uma foto de Lúcia Nagib, uma mulher de pele clara e cabelo escuro curto, sorrindo e vestindo uma camisa branca de botões, sentada em uma poltrona. O fundo é verde-escuro com um padrão abstrato de ondas e olhos." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-1-1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36412" class="wp-caption-text">A produção compõe as sessões Foco Reino Unido e Perspectiva Internacional (Arte: Arthur Caires)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Dragoneti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Filmar ou Morrer</span></i><span style="font-weight: 400;">, exibido na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, a pesquisadora, professora e cineasta Lúcia Nagib revisita um momento crítico da história do Cinema internacional. A partir de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Estado das Coisas </span></i><span style="font-weight: 400;">(1982), de Wim Wenders, ela costura uma constelação de influências que atravessa Portugal, Hollywood e o Brasil, culminando na morte de Glauber Rocha em Sintra, evento que ecoado de forma quase fantasmática no filme de Wenders e na memória cinéfila posterior.</span></p>
<p><span id="more-36406"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após acaloradas palmas e congratulações do público à Lúcia na sessão realizada na </span><i><span style="font-weight: 400;">Reserva Cultural</span></i><span style="font-weight: 400;">, escondida na Avenida Paulista, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/entrevista"><span style="font-weight: 400;">Persona conversou</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a diretora sobre o gesto metalinguístico de filmar um filme que fala sobre filmes e, também, sobre como esse movimento pode revelar a própria sobrevivência do Cinema.</span></p>
<figure id="attachment_36407" aria-describedby="caption-attachment-36407" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36407" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-13-800x450.jpg" alt="Cena e preto e branco do filme O Estado das Coisas. Dois homens se abraçam no meio da rua. Um deles está um buraco de tiro nas costas, com sangue na camisa. Já o outro, está gritando assustado com o disparo. Ao fundo, estão outdoors e letreiros de estabelecimentos, além de palmeiras." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-13-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-13-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-13-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-13-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-13-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-13.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36407" class="wp-caption-text">A diretora entrevistou grandes nomes do Cinema mundial, como o próprio Wim Wenders, Paulo Branco, Walter Salles e Laura Mulvey (Foto: Axiom Films)</figcaption></figure>
<p><b>De onde surgiu a ideia de trabalhar essa metalinguagem e de usar O Estado das Coisas e a morte do Glauber Rocha como ponto de partida da produção?</b></p>
<p><b>Lúcia Nagib: </b><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A origem de Filmar ou Morrer é longa. Eu me dedico ao cinema alemão desde os anos 1980. Já traduzi </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/paris-texas-40-anos"><i><span style="font-weight: 400;">Wenders</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> e Lotte Eisner, escrevi sobre o Herzog. Sou apaixonada por esse universo. No meu último livro, de 2020, o primeiro capítulo é justamente sobre O Estado das Coisas, que chamei de ‘Morte de Um Cinema’</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lúcia explica que a produção pertence a um gênero já consolidado: os </span><a href="https://www.avmakers.com.br/blog/o-que-e-um-video-ensaio"><span style="font-weight: 400;">ensaios videográficos</span></a><span style="font-weight: 400;"> (ou vídeo-ensaios) – obras que analisam e dialogam com outras a partir da própria linguagem cinematográfica –  e que o formato é o ideal para costurar as histórias dispersas que o longa explora. Para ela, esse formato permite que reflexões complexas circulem para além da academia, alcançando espectadores que talvez nunca leiam seus livros, mas que reconhecem no Cinema um meio mais acessível e afetivo de entender essas ligações entre obras, autores e seus tempos. Já sobre a questão central do filme, Sintra, a diretora diz:</span></p>
<p><b>Lúcia Nagib:</b><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu conhecia a história do </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/deus-e-o-diabo-na-terra-do-sol-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Glauber</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> ter dito ao Patrick Bauchau: ‘Sintra é um lindo lugar para morrer’, e isso ficou comigo. Bauchau, por sua vez, tinha uma relação fortíssima com a Laura Mulvey, que também é muito próxima a mim. Essas conexões estavam todas ali, esperando para serem reunidas. O filme do Raúl Ruiz, rodado quase simultaneamente, também fazia parte desse universo. Então havia uma teia pronta para ser ativada e </span></i><a href="https://www.rua.ufscar.br/a-memoria-intraduzivel-de-paula-gaitan-em-diario-de-sintra-2008"><i><span style="font-weight: 400;">Sintra</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> era o centro desse enredo</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_36408" aria-describedby="caption-attachment-36408" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36408" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-15-800x450.jpg" alt="Cena do ensaio videográfico Filmar ou Morrer. O cineasta Wim Wenders está sentado diante de uma mesa, olhando com expressão séria para alguém atrás da câmera. Ele veste um casaco escuro e camisa branca, e seus óculos arredondados chamam atenção. Ao fundo, uma parede clara com um quadro e uma janela iluminam suavemente o ambiente." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-15-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-15-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-15-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-15-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-15-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-15.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36408" class="wp-caption-text">Lúcia Nagib colaborou na direção do filme Passagens (2019) com Samuel Paiva (Foto: Reprodução/Distribuição)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir disso, a cineasta percebeu que era possível construir um percurso sobre a morte real de uma figura-chave do Cinema mundial – o Glauber – e, também, sobre a ideia de uma morte simbólica da cinematografia naquele período, atravessado por crises industriais, teóricas e estéticas. Essa convergência de ideias permitiu que </span><i><span style="font-weight: 400;">Filmar ou Morrer</span></i><span style="font-weight: 400;"> dialogasse com linhagens cinematográficas distintas e que revisitasse, ainda, questões que continuam inquietando quem idealiza o colapso da </span><a href="https://youtu.be/ccfzilqUzpQ?si=aEVwTK9Xy3txh1FH"><span style="font-weight: 400;">cinefilia</span></a><span style="font-weight: 400;"> tradicional e as tentativas de reinvenção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de concluir, Lúcia destacou que, embora o documentário parta dessa atmosfera de fim, ela também enxerga nos próprios cineastas retratados, uma insistência vital em seguir criando, mesmo diante de fraturas históricas. Para ela, o </span><a href="https://revistausina.com/2016/07/17/entrevista-com-lucia-nagib"><span style="font-weight: 400;">Cinema nunca vai morrer</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas sim se transformar e encontrar novas formas de se reafirmar como linguagem e como espaço de troca. </span></p>
<blockquote><p><b><i>“Me interessava muito saber sobre como o cinema encontra essas maneiras de sobreviver. E, pelo visto, deu um belo filme.”</i></b></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Em Sexa, Glória Pires mostra a agilidade dos 60+, mas em ritmo de novela</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Nov 2025 13:00:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2025]]></category>
		<category><![CDATA[49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: Este texto contém spoilers do filme Eduardo Dragoneti Ao completar 60 anos, Bárbara, vivida por Glória Pires, descobre que o maior desafio da maturidade pode ser reaprender a se permitir. A mesma lição se estende à sua intérprete, que estreia na direção do longa-metragem Sexa. Apostando em temas como o etarismo, a feminilidade e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-sexa/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Sexa, Glória Pires mostra a agilidade dos 60+, mas em ritmo de novela"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">Este texto contém spoilers do filme</span></i></p>
<figure id="attachment_36397" aria-describedby="caption-attachment-36397" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36397" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-8-800x390.jpg" alt="Cena do filme Sexa. Bárbara, com uma expressão tranquila, está sentada em uma cadeira de praia na areia, vestindo um maiô azul." width="800" height="390" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-8-800x390.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-8-1024x500.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-8-768x375.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-8-1536x750.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-8-1200x586.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-8.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36397" class="wp-caption-text">O Filme faz parte da sessão Mostra Brasil da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (Foto: Elo Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Dragoneti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao completar 60 anos, Bárbara, vivida por </span><a href="https://youtu.be/jnuZg1NlLXI?si=CwFNneb2TT6UC-Nu"><span style="font-weight: 400;">Glória Pires</span></a><span style="font-weight: 400;">, descobre que o maior desafio da maturidade pode ser reaprender a se permitir. A mesma lição se estende à sua intérprete, que estreia na direção do longa-metragem </span><i><span style="font-weight: 400;">Sexa</span></i><span style="font-weight: 400;">. Apostando em temas como o etarismo, a feminilidade e a liberdade sexual, o filme, exibido na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, expressa sua mensagem com o tom de novela que marca as cinco décadas de Glória dedicadas à televisão. As escolhas de roteiro (Guilherme Gonzalez) e montagem (Livia Arbex) reforçam essa familiaridade com o formato televisivo, mas engana-se quem julga o ritmo. A proposta é dialogar justamente com o público 60+, formado pelas novelas da </span><i><span style="font-weight: 400;">Globo</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> SBT</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Record</span></i><span style="font-weight: 400;">, e nesse ponto a produção acerta em cheio.</span></p>
<p><span id="more-36394"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa utiliza a catarata, doença ocular comum na terceira idade, como metáfora para a visão limitada de Bárbara diante do </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-incrivel-eleanor-critica"><span style="font-weight: 400;">envelhecimento</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aos 60 anos, ela acredita estar velha demais para ‘viver a vida’, e parte desse desânimo vem da forma como seu próprio filho, vivido por Danilo Mesquita, a trata. Em uma das primeiras cenas, na mesa de um restaurante, ele e a nora não hesitam em pedir que a vó pague a creche do neto, enquanto Bárbara arca com a conta dos três e ainda escuta julgamentos por usar uma roupa que ele considera inadequada para sua idade.</span></p>
<figure id="attachment_36396" aria-describedby="caption-attachment-36396" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36396" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-13.jpg" alt="Cena do filme Sexa. Em uma cozinha iluminada, Bárbara, de roupão azul florido, gesticula com o dedo médio levantado enquanto conversa com Cristina. Ela usa um vestido rosado estampado e a olha para a amiga com uma expressão indignada enquanto segura um bolo branco com velas douradas formando o número 60." width="700" height="394" /><figcaption id="caption-attachment-36396" class="wp-caption-text">Glória pires já atuou em mais de 40 produções para a TV e mais de 20 no Cinema (Foto: Elo Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O papel de romper a apatia de Bárbara fica com Cristina, sua melhor amiga, vivida por </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/veja-gente/isabel-fillardis-entrega-detalhes-da-versao-diretora-de-gloria-pires"><span style="font-weight: 400;">Isabel Fillardis</span></a><span style="font-weight: 400;">, que provoca a protagonista a sair da zona de conforto e se permitir novas experiências. Mesmo sem grande desenvolvimento no roteiro, Fillardis se destaca pela espontaneidade em cena e por equilibrar o tom cômico com o afetuoso. Ainda assim, a </span><a href="https://exame.com/casual/juliette-binoche-gloria-pires-e-taina-muller-a-nova-geracao-de-diretoras-no-festival-do-rio"><span style="font-weight: 400;">direção de Glória</span></a><span style="font-weight: 400;">, acostumada com as novelas, nem sempre ajuda. Em vários momentos, a atriz acaba presa a uma atuação caricata, que arrasta o humor para o campo do constrangimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a essa fragilidade surge Davi, vivido por Thiago Martins, um homem 25 anos mais jovem que aparece na vida de Bárbara como uma surpresa com a qual ela não sabe bem como lidar. O relacionamento desperta um entusiasmo que há tempos a ‘sexa’ não sentia e, também, uma </span><a href="https://www.sescsp.org.br/editorial/quedas-em-pessoas-idosas-e-saude-mental"><span style="font-weight: 400;">insegurança</span></a><span style="font-weight: 400;"> alimentada pela opinião dos outros, principalmente do filho. A diferença de idade se torna menos um obstáculo real e mais um reflexo do etarismo que cerca a protagonista. Glória explora esse impasse durante boa parte da trama, como é de costume em novelas, mas tentar encaixar tantas idas e vindas em um roteiro de cinema torna o conflito forçado e enjoativo de acompanhar.</span></p>
<figure id="attachment_36395" aria-describedby="caption-attachment-36395" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36395" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-11.jpg" alt="Cena do filme Sexa. Davi, vestindo uma camisa preta sobre uma camiseta branca, de óculos, estã sentado em um sofá inclinado em direção a Bárbara, olhando-a nos olhos. Ela, de costas, apoia a mão em seu ombro." width="700" height="394" /><figcaption id="caption-attachment-36395" class="wp-caption-text">Glória Pires declarou em entrevistas seu interesse em produzir uma sequência de Sexa (Foto: Elo Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A parte técnica também sofre com escolhas que comprometem a imersão. A dublagem é irregular em várias cenas, principalmente nas falas do neto de Bárbara, que soam artificiais e destoam do restante da mixagem. Somam-se a isso os </span><a href="https://www.gazetavargasfgv.com/post/o-brasil-pelas-lentes-das-novelas-do-apogeu-ao-decl%C3%ADnio-de-uma-na%C3%A7%C3%A3o-e-de-uma-arte"><span style="font-weight: 400;">vícios</span></a><span style="font-weight: 400;"> de montagem herdados da TV, como os constantes </span><i><span style="font-weight: 400;">fade-ins</span></i><span style="font-weight: 400;"> e</span><i><span style="font-weight: 400;"> fade-outs</span></i><span style="font-weight: 400;"> e alguns cortes abruptos que quebram o ritmo das sequências. Esses recursos, somados à trilha que sobe e desce sem muita sutileza, deixam o filme com um acabamento instável, reforçando a sensação de que Sexa não se entende como uma produção para o cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro também acumula pontas soltas. O filho de Bárbara, construído como símbolo do </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-substancia-critica"><span style="font-weight: 400;">etarismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e da dependência emocional, termina a trama recompensado com uma boa oportunidade de trabalho, sem qualquer reflexão sobre o modo como tratou a mãe. Já a personagem de Rosamaria Murtinho, apresentada quase como uma figura de sabedoria, surge apenas para um diálogo final à beira-mar que tenta dar encerramento à história, porém acaba soando explicativo e apressado – como um final de novela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com boas intenções, Sexa termina vítima dos próprios vícios de linguagem que Glória Pires parecia querer superar em sua estreia como diretora. Falta ao longa o olhar cinematográfico que o distanciaria da </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/televisao"><span style="font-weight: 400;">televisão</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas ainda existe a sensibilidade e vontade pertinente de conversar com o público que ele se propõe a alcançar. No fim, Sexa não inova o gênero das comédias românticas nem a carreira de sua realizadora, porém reafirma que, aos 60, Glória Pires continua a se reinventar, mesmo que o resultado soe familiar demais.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Sexa | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Xl5A20vdaog?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Persona Entrevista: Lina Chamie</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Nov 2025 13:00:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Dragoneti]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com a restauração e exibição de seu primeiro longa de ficção na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a diretora conta sobre o sentimentalismo de reassistir Tônica Dominante Eduardo Dragoneti O domingo, 26 de outubro, não foi um dia qualquer na Sala Grande Otelo da Cinemateca Brasileira. Na verdade, o espaço se tornou &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/persona-entrevista-lina-chamie/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Lina Chamie"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Com a restauração e exibição de seu primeiro longa de ficção na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a diretora conta sobre o sentimentalismo de reassistir </span><i><span style="font-weight: 400;">Tônica Dominante</span></i></p>
<figure id="attachment_36349" aria-describedby="caption-attachment-36349" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-36349 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-15-800x450.png" alt="Card gráfico para a &quot;Persona Entrevista&quot; com Lina Chamie, parte da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A imagem possui um fundo verde-escuro com padrões de linhas onduladas. À direita, uma foto de Lina Chamie, uma mulher de cabelo curto e grisalho, sorrindo. À esquerda, estão os textos &quot;Persona Entrevista&quot; e &quot;Lina Chamie&quot; em branco, junto ao logo do festival." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-15-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-15-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-15-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-15-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-15-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-15.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36349" class="wp-caption-text">O longa compõe as sessões Filmes Restaurados e Apresentação Especial (Arte: Arthur Caires)</figcaption></figure>
<p><strong>Eduardo Dragoneti</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O domingo, 26 de outubro, não foi um dia qualquer na Sala Grande Otelo da Cinemateca Brasileira. Na verdade, o espaço se tornou uma celebração rara na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ali, na presença de quase todo o elenco e de parte da produção, foi exibida a cópia restaurada em </span><i><span style="font-weight: 400;">4K</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Tônica Dominante </span></i><span style="font-weight: 400;">(2001), o primeiro longa-metragem de ficção da aclamada cineasta e musicista Lina Chamie.</span></p>
<p><span id="more-36344"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado originalmente em 2001, o filme é uma obra poética construída em três movimentos – tal qual um arranjo orquestral. A sessão especial não marcou apenas o resgate técnico do filme, restaurado em </span><i><span style="font-weight: 400;">4K</span></i><span style="font-weight: 400;"> pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Cinecolor Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;"> com o som remasterizado pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Estúdio JLS</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas também o reencontro emocionante com um verdadeiro ‘documento do tempo’. No contexto dessa redescoberta histórica, o Persona questionou </span><a href="https://youtu.be/K7SAlRmnZ2s?si=9JnujCpCPQEosLBb"><span style="font-weight: 400;">Lina Chamie</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre a relevância de todo o processo de preservação no cenário audiovisual.</span></p>
<figure id="attachment_36345" aria-describedby="caption-attachment-36345" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36345" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-10-800x450.jpg" alt="Um grupo numeroso de integrantes da equipe e do elenco está alinhado, com Lina Chamie no centro, à frente de uma tela de cinema que exibe a arte oficial da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Lina Chamie segura um microfone enquanto os outros a assistem com atenção." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-10-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-10-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-10-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-10-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-10-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-10.jpg 1647w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36345" class="wp-caption-text">Na exibição do filme, estavam presentes alunos de Lina Chamie da Academia Internacional de Cinema (AIC) (Foto: Cinematográfica Superfilmes) (Foto: Eduardo Dragoneti)</figcaption></figure>
<p><b>Para você, qual a importância das restaurações de filmes antigos (se é que 24 anos atrás faz tanto tempo assim) e de manter essa memória, em especial desse filme, viva?</b></p>
<p><b>Lina Chamie:</b> <i><span style="font-weight: 400;">“É interessante porque quando você se depara com a restauração, quando você entra nela, você começa a entender que o que tá lá é uma representação sua de alguém que você já não é mais. Então tem decisões de direção que só faziam sentido eu ter feito naquela época. Até mesmo os detalhes, como que vermelho a gente queria, que azul a gente queria [na fotografia]”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O pensamento inicial de &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">fazer igual ao que era</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; rapidamente se choca com a impossibilidade de replicar um estado da Arte de vinte anos atrás, exigindo novas decisões de direção. O digital, segundo Chamie, cria um embate fascinante entre o original analógico e o atual, revelando uma versão que, tecnicamente, supera o que era possível na época. Ela cita o exemplo do som, que revelou um paradoxo da preservação enquanto a equipe restaurava </span><a href="https://mostra.org/filmes/tonica-dominante"><i><span style="font-weight: 400;">Tônica Dominante</span></i></a><span style="font-weight: 400;">:</span></p>
<p><b>Lina Chamie:</b> <i><span style="font-weight: 400;">“A gente queria o silêncio, que na versão restaurada ficou melhor, porque no analógico você nunca tem o silêncio para valer. Então eu estava em um impasse: ‘restauro com o chiado que tinha o analógico ou eu vou para o silêncio digital?’ Percebe? Então ao se questionar sobre fazer igual ao que era, você acaba sempre tendo que tomar uma decisão&#8230; E nós restauramos um silêncio, mais silêncio. Então ele não é exatamente igual ao que era 24 anos atrás”.</span></i></p>
<figure id="attachment_36347" aria-describedby="caption-attachment-36347" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36347" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-4.jpg" alt="Cena do filme Tônica Dominante. Uma mulher vestindo um vestido vermelho está de braços abertos em gesto expansivo diante de uma pintura expressionista com tons de vermelho e amarelo fortes. Ela está com a boca aberta, gritando com intensidade." width="700" height="394" /><figcaption id="caption-attachment-36347" class="wp-caption-text">Alguns momentos do filme arrancaram risadas do elenco na sala Grande Otelo, com destaque para Vera Holtz, cuja gargalhada contagiou a sala (Foto: Cinematográfica Superfilmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse casamento entre a memória e a tecnologia revela que enquanto o diretor e o elenco mudam, o filme continua ali, com a mensagem que quis passar desde o início de sua produção. A </span><a href="https://www.sescsp.org.br/editorial/colecao-restaurados-o-resgate-da-memoria-na-restauracao-cinematografica"><span style="font-weight: 400;">importância da restauração</span></a><span style="font-weight: 400;">, ressalta a cineasta, transcende a visão pessoal e se aprofunda no campo da história e da filmografia nacional.</span></p>
<p><b>Lina Chamie:</b> <i><span style="font-weight: 400;">“A fragilidade da memória audiovisual brasileira é palpável. Filmes em película, como Tônica Dominante, rodado em 35mm, tornam-se rapidamente inacessíveis para o público. Estamos falando de um período de apenas 20 a 25 anos atrás, momento da transição para o digital. Hoje onde estão os filmes em película? Eles não estão mais acessíveis porque não tem mais o projetor, ou as cópias já não estão legais, enfim&#8230; E isso é a nossa filmografia. Nós temos que preservar”.</span></i></p>
<figure id="attachment_36346" aria-describedby="caption-attachment-36346" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36346" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-5.jpg" alt="Cena do filme Tônica Dominante. Um jovem de cabelos escuros está sentado à frente de um piano, com as mãos cruzadas e expressão introspectiva. Em cima do instrumento há partituras e livros empilhados. Ao fundo há uma parede azul com dois quadros pendurados e 3 porta-partituras." width="700" height="394" /><figcaption id="caption-attachment-36346" class="wp-caption-text">O filme é o primeiro longa de ficção brasileiro com a direção de fotografia assinada por uma mulher, Katia Coelho (Foto: Cinematográfica Superfilmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cineasta complementa que a restauração garante que o longa, enquanto registro materializado de um momento histórico, continue a existir. Só assim, o público de hoje consegue entender o </span><a href="https://www.aicinema.com.br/a-historia-do-cinema-brasileiro"><span style="font-weight: 400;">contexto cinematográfico</span></a><span style="font-weight: 400;"> da época:</span></p>
<p><b>Lina Chamie: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Independente de como o filme de 20 anos atrás vai conversar com o público de agora, é importante que este público entenda o cinema que foi feito. Só assim você tem uma ideia, não só da filmografia do país, mas dos movimentos, das intenções, das conscientizações políticas, sociais e das representações que estão nos filmes.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chamie conclui que o movimento de restauração, embora seja um processo muitas vezes caro, é fundamental, pois matrizes e bitolas podem ser impeditivas de um filme existir. </span><b><i>“É a chance de resgatar a nossa memória e a preservação da história do Brasil através dos filmes&#8221;</i></b><span style="font-weight: 400;">. O resgate de </span><i><span style="font-weight: 400;">Tônica Dominante</span></i><span style="font-weight: 400;"> na 49ª Mostra reforça a ideia de que a película, como um antigo manuscrito, precisa ser traduzida e preservada em cada </span><a href="https://www.meioemensagem.com.br/womentowatch/renata-brandao-retomada-cinema-brasileiro"><span style="font-weight: 400;">futuro</span></a><span style="font-weight: 400;">, permitindo que outras gerações conheçam e aprendam com essas produções. A restauração se torna um presente para manter a história cinematográfica brasileira viva. </span><b><i>“O processo é muitas vezes caro, mas prestigiar o resultado é pessoalmente e historicamente gratificante”</i></b><span style="font-weight: 400;">, completa Lina Chamie.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="TONICA DOMINANTE - trailer" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/DqZce1NuQC4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em Terra Perdida, o olhar infantil revela o peso de ser refugiado</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Nov 2025 13:00:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Akio Fujimoto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eduardo Dragoneti Há filmes que parecem nascer do silêncio – não o que acalma, mas o que grita. Terra Perdida, de Akio Fujimoto, é um desses. Exibido na seção Perspectiva Internacional da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o longa do diretor japonês surge para contar uma história antiga, porém que o mundo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/terra-perdida-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Terra Perdida, o olhar infantil revela o peso de ser refugiado"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36164" aria-describedby="caption-attachment-36164" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36164" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-4-800x450.jpg" alt="Cena do filme Terra Perdida. Somira, vestindo uma camiseta laranja, carrega o irmão mais novo, Shafi, vestindo uma camiseta branca, nas costas em um campo verde sob um céu nublado. Ambos têm expressões sérias." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-4.jpg 856w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36164" class="wp-caption-text">O longa foi premiado com a Menção Especial do Júri na seção Orizzonti do 82º Festival de Veneza (Foto: Rediance)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Dragoneti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há filmes que parecem nascer do silêncio – não o que acalma, mas o que grita. </span><i><span style="font-weight: 400;">Terra Perdida</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Akio Fujimoto, é um desses. Exibido na seção Perspectiva Internacional da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa do diretor japonês surge para contar uma história antiga, porém que o mundo insiste em não ouvir. A trama acompanha dois irmãos </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-41257869"><span style="font-weight: 400;">Rohingya</span></a><span style="font-weight: 400;">, minoria muçulmana apátrida de Mianmar, Somira (Shomira Rias), de nove anos, e Shafi (Muhammad Shofik), de quatro, que partem ao lado da tia e do avô para uma jornada perigosa rumo à Malásia junto a outros refugiados, movidos pela esperança de reencontrar a família.</span><span id="more-36163"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O destino é a casa de um tio, descrita pela tia simplesmente como uma casa com uma grande mangueira no quintal. Essa árvore, símbolo de tudo o que eles sonham em recuperar – abrigo, pertencimento e família – é também o ponto de partida para a visão que </span><a href="https://youtu.be/jgHYZp2pbLQ?si=R5u_MOMlJ7XKe2fR"><span style="font-weight: 400;">o cineasta</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem sobre a infância em meio ao desamparo. Enquanto os adultos veem na mangueira uma promessa de estabilidade, as crianças a enxergam apenas como uma árvore grande e encantadora, sem compreender o peso simbólico que encontrá-la carrega.</span></p>
<figure id="attachment_36165" aria-describedby="caption-attachment-36165" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36165" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-2.jpg" alt="Cena do filme Terra Perdida. Somira, com uma camiseta branca e Shafi, vestindo uma camiseta estampada, ajoelhados entre outros refugiados, participam de uma oração coletiva em uma embarcação. Sérios, estão com as mãos juntas e erguidas rezando." width="700" height="394" /><figcaption id="caption-attachment-36165" class="wp-caption-text">O diretor japonês já havia explorado o tema da migração em Passage of Life (2017), inspirado em histórias reais de refugiados birmaneses vivendo no Japão (Foto: Rediance)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor recusa qualquer forma de estetizar o sofrimento dos Rohingya na tela. Sua câmera, quase sempre na altura das crianças, capta a vulnerabilidade humana. O uso da </span><a href="https://www.culturalsurvival.org/publications/cultural-survival-quarterly/language-crisis-rohingya"><span style="font-weight: 400;">língua nativa</span></a><span style="font-weight: 400;"> do povo e o elenco formado por não-atores da própria comunidade transformam </span><i><span style="font-weight: 400;">Terra Perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma representação política e ética. Fujimoto filma com respeito, permitindo que cada olhar e cada pausa digam o que o roteiro não verbaliza. O realismo nasce da confiança entre quem filma e quem é filmado, mostrando a honestidade da produção em retratar as travessias de refugiados com a maior fidelidade possível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os silêncios são a base de todo o subtexto do longa. Em alguns momentos, eles funcionam como um convite à escuta e o espectador é levado a compartilhar o tempo das crianças. Seja procurando por comida, caminhando ou brincando de esconde-esconde – como deveria ser o comum –, a quietude engole quem assiste. Em outros instantes, porém, o silêncio se prolonga demais, e o que antes era imersão se aproxima da lentidão. É notável que Fujimoto sabe brincar com essa ideia, por já ter se aproveitado dela em </span><a href="https://variety.com/2017/film/reviews/passage-of-life-review-1202621265/"><i><span style="font-weight: 400;">Passage of Life </span></i><span style="font-weight: 400;">(2017)</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://variety.com/2020/film/asia/along-the-sea-by-fujimoto-akio-japan-vietnam-1234764996/"><i><span style="font-weight: 400;">Along the Sea </span></i><span style="font-weight: 400;">(2020)</span></a><span style="font-weight: 400;">, produções anteriores do diretor, mas escorrega nessa balança entre o silêncio que revela e o que esconde, o que aproxima e o que afasta o espectador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os dois irmãos, é Somira quem carrega o fardo da maturidade precoce. Aos nove anos, torna-se guardiã do irmão, mãe e guia por territórios que ela mesma desconhece. Infelizmente, esse papel se torna comum entre famílias refugiadas – a irmã mais velha tem a </span><a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/sujeitos-invisiveis/"><span style="font-weight: 400;">infância interrompida</span></a><span style="font-weight: 400;">, convertida em uma responsabilidade que ela nunca deveria ter. O olhar da garota, que vai perdendo o brilho, é o eixo moral do enredo. Ela fica com a missão de proteger o caçula, contudo, ao mesmo tempo, precisa preservar nele a ideia de que ainda existe leveza no mundo, e a fotografia de Yoshio Kitagawa capta isso com delicadeza. Quando Shafi sorri, é porque Somira o permite.</span></p>
<figure id="attachment_36166" aria-describedby="caption-attachment-36166" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36166" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-3.jpg" alt="Cena do filme Terra Perdida. Somira, vestindo uma camiseta laranja e calça azul, e Shafi, com uma camiseta clara e calça cinza, observam o exterior por entre as frestas de uma cerca de madeira, ao lado de outros refugiados" width="700" height="394" /><figcaption id="caption-attachment-36166" class="wp-caption-text">Along the Sea (2020), de Fujimoto, foi apresentado no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, na Espanha (Foto: Rediance)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cinematografia é um dos grandes trunfos do filme. Kitagawa compõe imagens de uma beleza contida, com tons terrosos no ambiente que comunicam o emocional dos personagens. Seja no balanço do </span><a href="https://brasil.un.org/pt-br/69459-acnur-alerta-para-aumento-alarmante-de-tr%C3%A1fico-de-pessoas-no-sudeste-asi%C3%A1tico"><span style="font-weight: 400;">mar</span></a><span style="font-weight: 400;">, na densidade da floresta ou nas cidades que parecem engolir os pequenos corpos cansados dos protagonistas, as lentes nunca invadem, apenas observam. Esse olhar ajuizado é o que sustenta a verdade da obra, que prefere a empatia ao artifício e mantém o tom quase documental.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desfecho, com a morte de Somira, rompe qualquer idealização de superação. É um gesto duro, mas coerente com a </span><a href="https://brasil.un.org/pt-br/83667-uma-crian%C3%A7a-migrante-morre-ou-desaparece-todos-os-dias-no-mundo-diz-relat%C3%B3rio-da-onu"><span style="font-weight: 400;">lógica da travessia</span></a><span style="font-weight: 400;">. A cena final em que Shafi brinca de esconde-esconde sozinho, já abrigado por uma nova família, acreditando que a irmã voltará, devolve ao filme o ponto de partida: a infância como resistência em um cenário onde o direito de ser criança é tomado. A perda não é um evento isolado, e sim uma condição de quem precisa continuar sem saber o que resta.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Terra Perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega como um testemunho dos Rohingyas. Um Cinema que não busca por piedade, e sim memória para um povo invisível. Mesmo com tropeços no ritmo e uma contemplação exagerada que por vezes distancia o observador, Fujimoto consegue construir efetivamente uma experiência de profunda humanidade. Os Rohingyas, hoje espalhados por </span><a href="https://www.spf.org/apbi/news_en/b_240627.html"><span style="font-weight: 400;">campos de refugiados</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Sudeste Asiático, continuam a enfrentar perseguição e esquecimento. Aclamado pela crítica, </span><i><span style="font-weight: 400;">Terra Perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> reafirma a importância da memória e a força de quem, mesmo diante do medo, continua a buscar um lugar de pertencimento.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="LOSTLAND International Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ZNyi9LzJkb4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Estante do Persona – Outubro de 2025</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Oct 2025 14:08:39 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Alan Moore]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O que é o terror? É apenas o susto que faz o coração acelerar, ou algo mais profundo, que nos obriga a encarar aquilo que escondemos de nós mesmos? O horror literário fascina porque nos faz perguntar: até onde iríamos para sentir medo? Que monstros moram no mundo e quais habitam dentro de nós? É &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2025/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Outubro de 2025"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36090" aria-describedby="caption-attachment-36090" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36090" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-800x450.png" alt="Na ilustração, em um fundo roxo com teias de aranha, há uma prateleira branca com 5 livros em tons de laranja. Da esquerda para a direita, há um livro na vertical, em pé, com um olho vermelho, com um play dentro da íris, estampado. O livro está entreaberto. No topo da imagem, no centro, há o mesmo olho. Na direita, há 4 livros, três deitados e um em pé, apoiado nos que estão na horizontal. De baix para cima, está escrito na lombada do primeiro &quot;outubro de 2025&quot;, do segundo &quot;persona&quot; com um troféu do símbolo do olho em dourado no canto esquerdo e no último &quot;estante do&quot;. O livro na vertical possui capa laranja e nada escrito na capa." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36090" class="wp-caption-text">Entre passagens de tirar o fôlego e clássicos da literatura de Terror, o Estante de outubro garante aos leitores um Halloween inesquecível (Arte: Maria Fernanda Beneton/Texto de abertura: Bianca Costa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que é o </span><a href="https://blog.jamboeditora.com.br/terror-genero-favorito/"><span style="font-weight: 400;">terror</span></a><span style="font-weight: 400;">? É apenas o susto que faz o coração acelerar, ou algo mais profundo, que nos obriga a encarar aquilo que escondemos de nós mesmos? O </span><a href="https://www.infoescola.com/generos-literarios/horror/"><span style="font-weight: 400;">horror literário</span></a><span style="font-weight: 400;"> fascina porque nos faz perguntar: até onde iríamos para sentir medo? Que monstros moram no mundo e quais habitam dentro de nós? É possível que a história de uma página seja mais assustadora que a realidade que nos cerca?</span></p>
<p><span id="more-36085"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2024/"><span style="font-weight: 400;">Estante</span></a><span style="font-weight: 400;"> está de volta para te fazer roer as unhas. Com o mês do horror terminando, o Persona te convida a entrar no clima de </span><i><span style="font-weight: 400;">Halloween </span></i><span style="font-weight: 400;">e se perder em um suspense horripilante, daqueles que prende o fôlego. A literatura de </span><a href="https://www.editorawish.com.br/blogs/novidades/horror-x-terror-qual-a-diferenca?srsltid=AfmBOopwFqgZ-jUrC-fP3JVXD_12jnSGSW4Qyh_20WyuDetJOYOLV6de"><span style="font-weight: 400;">terror e horror</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre foi mais do que um simples susto: é devorar um livro com o coração acelerado, virar a página sem perceber a hora e o desespero para chegar ao final. Desde as primeiras histórias contadas, o medo habita a imaginação humana, mudando de forma a cada século. Já foi castigo, já foi delírio, já foi profecia. Hoje, é o espelho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://baquaraneurotico.wordpress.com/2018/10/30/uma-breve-historia-da-literatura-de-horror/"><span style="font-weight: 400;">gênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> nasceu junto do impulso de narrar. O horror literário sempre refletiu aquilo que o ser humano mais teme enxergar: a si mesmo. O que antes se escondia em florestas e castelos agora vive entre becos úmidos, escritórios silenciosos e janelas que jamais se abrem. O terror moderno dispensa trovões, mas basta o som repetido de um relógio, o arranhar de unhas na madeira, o eco de passos no corredor para acender o pavor. O medo se tornou íntimo, cotidiano, palpável. O monstro, agora, veste a nossa pele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas páginas, o horror observa o banal e o devolve distorcido. Uma sombra alongada demais, um reflexo que se move depois de você. Ele revela o que apodrece por baixo da normalidade e lembra que o real é sempre mais estranho do que parece. Há quem diga que o inferno é uma invenção distante, porém Alan Moore e Eddie Campbell o desenharam com bisturis e delírios em </span><a href="https://www.veneta.com.br/shop/do-inferno-305"><i><span style="font-weight: 400;">Do Inferno</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; Ana Paula Maia o construiu com carne, suor e trabalho em </span><a href="https://www.record.com.br/produto/assim-na-terra-como-embaixo-da-terra/"><i><span style="font-weight: 400;">Assim na Terra como Embaixo da Terra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; e Stephen King o fez explodir de dentro de uma garota que só queria ser aceita em </span><a href="https://n.companhiadasletras.com.br/livro/9788581050362/carrie-a-estranha"><i><span style="font-weight: 400;">Carrie, a estranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Poe, por sua vez, nos ensinou que às vezes basta um gato, ou uma culpa, para enlouquecer em</span> <a href="https://www.martinclaret.com.br/produtos/o-gato-preto-em-quadrinhos/"><i><span style="font-weight: 400;">O Gato Preto</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> E, em algum beco de Londres, Jack ainda caminha, invisível, entre as vozes e a névoa em</span><a href="https://www.darksidebooks.com.br/rastro-de-sangue-jack-o-estripador/p"> <i><span style="font-weight: 400;">Rastro de Sangue: Jack, O Estripador.</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do castigo divino ao crime urbano, o terror se reinventa, mas nunca desaparece. Ele muda de máscara, muda de época, muda de tom, e ainda assim continua a mesma coisa: o retrato fiel daquilo que tentamos esconder. É uma lente que amplia o desconforto e um espelho que devolve o rosto deformado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enfim, o Estante de outubro adentra esse espaço entre o real e o delírio: o medo ganha textura, cheiro e voz com as indicações dos nossos redatores. Os próximos parágrafos não prometem consolo, mas garantem companhia e uma leitura atenta, na qual até tirar os olhos das páginas é arriscado demais. Só um aviso antes de começar: se ouvir algum barulho vindo de trás, não olhe. Provavelmente é só o vento. Provavelmente.</span></p>
<hr />
<p><b style="color: #1a1a1a; font-size: 16px;">Alan Moore e Eddie Campbell – Do Inferno (592 páginas, Editora Veneta)</b></p>
<figure id="attachment_36093" aria-describedby="caption-attachment-36093" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36093" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/capa_do_inferno_1410-1.jpg" alt="A capa da história em quadrinhos &quot;Do Inferno&quot; possui um desenho em tons de cinza de uma caixa torácica humana rasgada horizontalmente por quatro faixas de papel vermelho vivo. O título, DO INFERNO, está em letras pretas grandes na primeira faixa vermelha, e os nomes dos autores, ALAN MOORE &amp; EDDIE CAMPBELL, aparecem logo abaixo em letras pretas menores na segunda faixa." width="600" height="800" /><figcaption id="caption-attachment-36093" class="wp-caption-text">Do Inferno é vencedora de 5 prêmios Eisner e garantiu a seu autor, Alan Moore, 3 anos consecutivos o prêmio de melhor roteirista entre 1995-1997 (Foto: Editora Veneta)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">“<i>Do Inferno</i>” ocupa os primeiros lugares nas listas dos leitores de Alan Moore, junto a <i>Watchmen</i>, <i>V de Vingança</i>, <i>Monstro do Pântano</i> e tantos outros. Mesmo assim, ao ler a sinopse, é fácil pensar: “O que tem de tão especial em outra versão de Jack, o Estripador?” Talvez o mais interessante esteja no mundo em que a história se passa. E não, não é a ambientação neogótica da Inglaterra vitoriana, com noites soturnas e um preto marcante que persegue o leitor em cada página; ao recuar, a escuridão prepara-se para encarnar figuras igualmente macabras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, o que há de tão interessante para uma leitura de quase 600 páginas? A resposta está na pergunta que reside na penumbra da obra: “O que é o mal?” Alan Moore apresenta um mal macabro, soturno e encarnado, que também reside nos corações dos que o enxergam e, em certa medida, anseiam encontrá-lo. No deslizar das páginas pretas e brancas, o leitor se pega a todo momento ansioso, desejoso e esperançoso para contemplar as diversas faces daquilo que deveria permanecer sigiloso a todos: nossos desejos mais perversos, escondidos em entranhas escuras, e as diferentes formas de ver um mal radicalmente humano – tão visceral que o ocultamos, dizendo ser próprio apenas do Inferno.</span><b> – Pedro Domênico</b></p>
<p>&nbsp;</p>
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<p><b>Ana Paula Maia – </b><b>Assim na Terra como embaixo da Terra (144 páginas, Editora Record)</b></p>
<figure id="attachment_36094" aria-describedby="caption-attachment-36094" style="width: 517px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36094" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/91UrbtIoL._UF10001000_QL80_-517x800.jpg" alt="A capa do livro Assim na Terra como embaixo da Terra é branca possui a ilustração de um javali em preto, que parte do canto superior direito e ocupa grande parte do retângulo. O título da obra aparece em letras espremidas, ocupando o canto inferior esquerdo ao lado do nome da autora, Ana Paula Maia, no canto inferior direito. Ambos também escritos em preto." width="517" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/91UrbtIoL._UF10001000_QL80_-517x800.jpg 517w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/91UrbtIoL._UF10001000_QL80_.jpg 646w" sizes="auto, (max-width: 517px) 85vw, 517px" /><figcaption id="caption-attachment-36094" class="wp-caption-text">Em 2018 a escritora venceu o prêmio São Paulo de Literatura com a obra Assim na Terra como embaixo dela (Foto: Editora Record)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ana Paula Maia é uma escritora brasileira que ganhou destaque na literatura nacional por suas histórias sempre aterrorizantes envolvendo violências e questionamentos, principalmente sobre pautas de negligência social. E nessa narrativa, por meio de uma escrita fluída e cativante, a autora convida o leitor a conhecer o ambiente claustrofóbico de uma colônia penal decadente prestes a ser desativada, e que abriga os criminosos que o Estado buscou esquecer. Lá dentro, os personagens estão sob o comando de um oficial que perdeu a sanidade por conta do isolamento, e o perigo e a aflição os rondam constantemente, além da fuga parecer impossível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de sua escrita,  a autora cria uma experiência na qual a tensão e o desconforto só se agravam com o passar das páginas, e cada descoberta sobre o real intuito da instituição contribui  para prender a atenção do público do início ao fim. Além disso, o texto não dá sossego um segundo sequer, já que a ameaça não cessa e é perceptível que, naquele lugar onde os corpos são privados de sua humanidade, não há salvação ou esperança nem através da suposta liberdade.</span><b> – Luana Corrêa</b></p>
<hr />
<p><b>Stephen King – Carrie, a estranha (208 páginas, Editora Suma)</b></p>
<figure id="attachment_36102" aria-describedby="caption-attachment-36102" style="width: 549px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36102" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-549x800.jpg" alt="A capa do livro Carrie, de Stephen King, tem um fundo rosa-escuro com manchas e gotas de sangue escorrendo. No centro, aparece o rosto de uma garota com olhar sério e traços de sangue no rosto, criando um clima assustador. O nome do autor está escrito em letras grandes e brancas na parte de cima, e o título Carrie aparece em branco na parte de baixo. A imagem passa uma sensação de mistério e terror, combinando com a história do livro." width="549" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-549x800.jpg 549w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-703x1024.jpg 703w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-768x1119.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-1055x1536.jpg 1055w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 549px) 85vw, 549px" /><figcaption id="caption-attachment-36102" class="wp-caption-text">A obra de estreia do mestre do terror representa um marco inovador, sendo um dos romances mais impactantes de todos os tempos (Foto: Editora Suma)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Narrado de forma fragmentada e com tom quase documental, </span><i><span style="font-weight: 400;">Carrie</span></i><span style="font-weight: 400;">, primeiro livro de Stephen King, publicado em 1974, combina trechos de jornais e entrevistas para reconstruir a trágica história de Carrie White. Tímida e introvertida, a adolescente é alvo constante de humilhações por parte dos colegas e vive sob a opressão da mãe, Margaret, uma fanática religiosa. Tudo muda, porém, após um episódio traumático na escola (quando a protagonista tem sua primeira menstruação e é cruelmente ridicularizada pelas outras meninas): ela descobre possuir poderes de telecinesia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conforme o bullying e a opressão aumentam, esses poderes crescem junto com a raiva e o desespero dela, culminando em um baile de formatura trágico e inesquecível, que se tornou um dos momentos mais icônicos da literatura e do cinema de terror. O impacto da obra foi tão grande que abriu caminho para uma série de outras adaptações baseadas nas obras de King, como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Iluminado</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">It: A Coisa</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">À Espera de um Milagre</span></i><span style="font-weight: 400;">, que continuaram a explorar, cada uma à sua maneira, os medos, traumas e conflitos que assombram a condição humana. </span><b>– Nathalia Helen</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_36086" aria-describedby="caption-attachment-36086" style="width: 471px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36086" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Jack-o-estripador-Kerri-Maniscalco.png" alt="Imagem da capa do livro Jack, o Estripador de Kerri Maniscalco. Há um fundo escuro em tons de preto e cinza com nuvens. No centro, há uma mulher branca com vestido vitoriano verde escuro e luvas rendadas pretas, segurando uma adaga prateada. Ela usa um colar com pedra vermelha, tem cabelos castanhos e lábios pintados de vermelho. Na parte inferior, intrínseco ao vestido, aparecem prédios antigos de Londres envoltos em névoa. O título, o nome da série “Rastro de Sangue”, da editora e da autora ocupam a metade inferior da imagem." width="471" height="708" /><figcaption id="caption-attachment-36086" class="wp-caption-text">Em sua estreia, Kerri Maniscalco explora um dos mistérios mais sombrios do Século XIX e apresenta uma heroína que desafia o impossível (Foto: DarkSide Books)</figcaption></figure>
<p><b>Kerri Maniscalco &#8211; Jack, o Estripador (354 páginas, DarkSide Books)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientado em Londres na </span><a href="https://personaunesp.com.br/autoras-horror-era-vitoriana-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Era Vitoriana</span></a><span style="font-weight: 400;">, a série </span><i><span style="font-weight: 400;">Rastro de Sangue</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanha Audrey Rose Wadsworth, uma jovem investigadora dedicada à medicina forense. Desafiando a vontade de seu pai e as expectativas da sociedade sobre como uma mulher deveria se portar, ela realiza autópsias no laboratório do tio e, de repente, se envolve em um dos crimes mais brutais que assombram a cidade. Na companhia de Thomas Cresswell, aprendiz de seu tio, Audrey Rose embarca na perigosa investigação na esperança de resolver o caso antes que novas vítimas sejam feitas. Entre ciência forense, suspense psicológico e a constante sensação de perigo, o mistério está cada vez mais perto de ser revelado.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Jack, o Estripador</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro livro da série e estabelece a construção psicológica e narrativa que se mantém constante ao longo das obras. Com uma ambientação sombria e um </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/historia-hoje/130-anos-depois-identidade-de-jack-o-estripador-pode-ter-sido-desevendada.phtml"><span style="font-weight: 400;">crime</span></a><span style="font-weight: 400;"> impossível de ser resolvido, o livro explora relações familiares e sociais complexas, motivações sinistras e tragédias arrebatadoras. Ao longo da história, Audrey Rose e Thomas se aventuram em diferentes lugares e cruzam caminho com outras figuras históricas do período, como Príncipe Drácula, Harry Houdini e H. H. Holmes. Além disso, abre espaço para pitadas de um romance fadado pelo destino. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra mantém um equilíbrio perfeito entre elegância e crueldade. Entre </span><i><span style="font-weight: 400;">corsets</span></i><span style="font-weight: 400;">, festas do chá e um jogo de gato e rato, a narrativa entrelaça o suspense com o cotidiano da época. Embora foque na parte forense, com análises detalhadas de cada procedimento técnico, o livro oferece uma visão única do infame caso </span><a href="https://revistaesquinas.casperlibero.edu.br/arte-e-cultura/true-crime-a-ascensao-do-genero-na-literatura-e-nos-streamings/"><span style="font-weight: 400;">não resolvido</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ilustrações </span><i><span style="font-weight: 400;">vintages</span></i><span style="font-weight: 400;"> e macabras mergulham o leitor na narrativa, enquanto a atmosfera gótica e os personagens astutos tornam tudo envolvente. Analisar as pistas enquanto tenta adivinhar o assassino antes dos detetives torna a leitura surpreendentemente agradável e cativante. <b>– </b></span><b>Vitória Mendes</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_36087" aria-describedby="caption-attachment-36087" style="width: 539px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36087" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/817AX1fb0L._AC_UF10001000_QL80_-539x800.jpg" alt="Foto da capa do livro O Gato Preto e Outros Contos Extraordinários, de Edgar Allan Poe. O fundo é escuro, com tons de cinza e preto, além de possuir a face de um gato desenhado. No canto superior esquerdo, há a silhueta de um gato preto sentado, e na letra “A” de “Edgar”, do título, surgem traços que imitam bigodes. O nome do autor, “Edgar Allan Poe”, aparece em letras grandes e amarelas no centro da imagem. Abaixo, em letras brancas ornamentadas, lê-se “O Gato Preto e Outros Contos Extraordinários”. No rodapé, está o logotipo da editora Camelot." width="539" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/817AX1fb0L._AC_UF10001000_QL80_-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/817AX1fb0L._AC_UF10001000_QL80_.jpg 674w" sizes="auto, (max-width: 539px) 85vw, 539px" /><figcaption id="caption-attachment-36087" class="wp-caption-text">O Gato Preto foi publicado em 1843 (Foto: Camelot Editora)</figcaption></figure>
<p><b>Edgar Allan Poe &#8211; O Gato Preto e Outros Contos Extraordinários (160 páginas, Camelot Editora)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Gato Preto</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um dos contos mais conhecidos de </span><a href="https://www.purepeople.com.br/noticia/serie-a-queda-da-casa-de-usher-para-maratonar-na-netflix-com-poucos-episodios-de-edgar-allan-poe_a410614/1"><span style="font-weight: 400;">Edgar Allan Poe</span></a><span style="font-weight: 400;"> e talvez o que melhor define o horror psicológico do autor. A história acompanha um homem comum que, afundado no álcool, começa a maltratar os animais que antes amava, até que sua fúria o leva a um ato irreversível. O que se segue é o peso da culpa e a paranoia de que algo, ou alguém, ainda o observa. Poe não precisa de fantasmas nem de castigos divinos para causar medo, basta a mente humana em colapso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O conto é uma leitura curta e de ritmo acelerado. Cada ação do narrador tem uma consequência imediata, e o terror surge da frieza com que ele descreve suas próprias atrocidades. </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-dia-um-gato-60-anos/"><span style="font-weight: 400;">O gato</span></a><span style="font-weight: 400;">, símbolo de tudo o que ele tenta esquecer, retorna como a lembrança assombrosa de que a culpa sempre encontra um jeito de ser ouvida. É justamente o fato de haver algo inevitável no percurso do personagem que torna o desfecho tão perturbador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado para quem busca um clássico acessível e envolvente, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Gato Preto</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma porta de entrada perfeita para as obras de Poe e para o </span><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2025/10/um-ano-sem-verao-como-uma-catastrofe-climatica-ajudou-a-dar-origem-a-frankenstein"><span style="font-weight: 400;">horror literário</span></a><span style="font-weight: 400;"> do século XIX. O cerne está na ideia de que o verdadeiro terror nasce dentro de casa, quando o instinto grita mais alto que a razão e a consciência já não consegue silenciar seus próprios erros. <b>– </b></span><b>Eduardo Dragoneti Ferreira</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_36088" aria-describedby="caption-attachment-36088" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-36088 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/rebecca-540x800.png" alt="Foto da capa do livro “Rebecca”, de Daphne du Maurier. O fundo é preto com moldura decorativa fina em linhas brancas. O nome da autora aparece na parte superior, em letras grandes, brancas, com estilo tipográfico ornamentado. Logo abaixo, o título “Rebeca” está escrito em letras grandes e sinuosas, na cor rosa forte. À esquerda, acima do título, há a silhueta de uma mulher de perfil, também em rosa, com cabelos presos em coque. Galhos de árvores secos, em cinza claro, se espalham pelo fundo. Na parte inferior direita, há a ilustração de uma mansão antiga com janelas pequenas e detalhes arquitetônicos góticos, desenhada em cinza. Na base da capa, centralizado, aparece o nome da editora “DarkSide” em letras pequenas brancas." width="540" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/rebecca-540x800.png 540w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/rebecca.png 589w" sizes="auto, (max-width: 540px) 85vw, 540px" /><figcaption id="caption-attachment-36088" class="wp-caption-text">Um clássico que prova que fantasmas podem ser apenas memórias que não aceitam morrer (Foto: Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Daphne du Maurier &#8211; Rebecca (448 páginas, Darkside)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autora britânica </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/daphne-du-maurier-a-autora-de-rebecca-que-foi-de-hitchcock-a-netflix/"><span style="font-weight: 400;">Daphne du Maurier</span></a><span style="font-weight: 400;"> definitivamente sabe prender a atenção de seus leitores em suas obras. No romance </span><i><span style="font-weight: 400;">Rebecca</span></i><span style="font-weight: 400;">, a escritora cria uma atmosfera tão imersiva que torna difícil se afastar da história. O livro narra a jornada de uma jovem mulher que, após se casar com o misterioso viúvo Maxim de Winter, muda-se para a imponente mansão Manderley. A protagonista se vê rapidamente envolvida pelo fantasma da antiga esposa de Maxim, a lendária Rebecca, cuja presença continua a dominar todos os espaços e silêncios da casa. Nada é dito abertamente, mas tudo parece sussurrar o nome dela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Du Maurier constrói uma narrativa onde insegurança, amor e memória se misturam como sombras que se alongam ao entardecer. Há algo de cruel e fascinante em observar a protagonista tentando descobrir quem ela é em meio a tantos vestígios de alguém perfeito demais para existir. O suspense cresce devagar, quase como um desconforto íntimo, e quando percebemos já estamos tão enredados quanto ela. </span><a href="https://quatrocincoum.com.br/resenhas/literatura/quem-foi-rebecca/"><span style="font-weight: 400;">Manderley</span></a><span style="font-weight: 400;"> nunca se revela por completo, e talvez seja exatamente essa névoa que torna a experiência tão inesquecível. <b>– </b></span><b> Débora Munhoz</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_36089" aria-describedby="caption-attachment-36089" style="width: 533px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36089" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/61nyhOxM-yL._AC_UF10001000_QL80_-533x800.jpg" alt="Foto da capa do livro “Ilha do Medo”, de Dennis Lehane. A imagem mostra o rosto de um homem branco em close, com expressão séria e olhar fixo, parcialmente iluminado pela chama de um fósforo que ele segura diante do rosto. Na parte inferior da capa, vê-se uma ilha isolada cercada pelo mar revolto, onde se destaca um grande prédio sombrio, o hospital psiquiátrico que ambienta a história. O título “ILHA DO MEDO” aparece em letras maiúsculas e alaranjadas, com textura metálica e um leve brilho, logo abaixo da imagem da ilha. Acima, em letras pequenas e vermelhas, está a frase “O medo é contagioso.” Na parte inferior, à direita, o logotipo da editora Companhia das Letras é acompanhado da informação “Originalmente publicado como Paciente 67”" width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/61nyhOxM-yL._AC_UF10001000_QL80_-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/61nyhOxM-yL._AC_UF10001000_QL80_.jpg 666w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-36089" class="wp-caption-text">Um suspense sombrio onde a chama da verdade é tão perigosa quanto a escuridão que a cerca (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Dennis Lehane &#8211; </b><b><i>Ilha do Medo</i></b><b> (352 páginas, Editora Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ler </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/ilha-do-medo-20342247"><i><span style="font-weight: 400;">Ilha do Medo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é como embarcar em uma viagem sem retorno à mente humana e ao que ela é capaz de esconder. Dennis Lehane constrói um suspense psicológico de tirar o fôlego, daqueles que fazem a gente duvidar até das próprias certezas. Tudo começa quando o agente federal Teddy Daniels e seu parceiro Chuck Aule são enviados a </span><i><span style="font-weight: 400;">Shutter Island</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma ilha isolada onde funciona um hospital psiquiátrico para criminosos. A missão, de começo, parece simples: investigar o desaparecimento de uma paciente. Mas, à medida que a investigação avança, fica claro que nada ali é o que parece.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A atmosfera criada por </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-1000136084/"><span style="font-weight: 400;">Lehane</span></a><span style="font-weight: 400;"> é sufocante. A cada página, a tensão cresce, e nós, leitores, somos arrastados para o mesmo estado de confusão e paranoia que consome o protagonista. Os detalhes, as falas e os silêncios carregam significados ocultos que só fazem sentido quando tudo se revela. É o tipo de leitura que te faz virar páginas compulsivamente, e ao final, te obriga a repensar tudo o que achava saber. <b>– </b> </span><b>Ryan Rodrigues</b></p>
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		<title>Nova ’78 chega como eco distante do grito que um dia moveu William S. Burroughs</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Oct 2025 14:05:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eduardo Dragoneti Assistido na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Nova ’78 é uma viagem fragmentada ao coração da contracultura dos anos 1970. Dirigido por Aaron Brookner e Rodrigo Areias, o documentário parte de imagens até então inéditas, gravadas pelo tio de Aaron, Howard Brookner, da Nova Convention (1978), evento que celebrou o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nova78-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nova ’78 chega como eco distante do grito que um dia moveu William S. Burroughs"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36075" aria-describedby="caption-attachment-36075" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36075" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/nova1.jpg" alt=" Cena do documentário Nova ’78. William S. Burroughs, um homem branco, idoso, de sobretudo claro e óculos, caminha por uma rua de Nova York na década de 1970, cercado por carros antigos e placas de postos de gasolina." width="512" height="250" /><figcaption id="caption-attachment-36075" class="wp-caption-text">O documentário foi exibido no 78º Festival de Cinema de Locarno (Foto: Pinball London)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Dragoneti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assistido na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><i><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nova ’78</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma viagem fragmentada ao coração da contracultura dos anos 1970. Dirigido por Aaron Brookner e Rodrigo Areias, o documentário parte de imagens até então inéditas, gravadas pelo tio de Aaron, Howard Brookner, da </span><i><span style="font-weight: 400;">Nova Convention (1978)</span></i><span style="font-weight: 400;">, evento que celebrou o retorno do multiartista </span><a href="https://revistacontinente.com.br/secoes/arquivo/william-burroughs--o-malvado-favorito-da-contracultura"><span style="font-weight: 400;">William S. Burroughs</span></a><span style="font-weight: 400;"> (1914-1997) aos Estados Unidos e reuniu nomes de diferentes vertentes da Arte, como Patti Smith, Frank Zappa, Laurie Anderson, Allen Ginsberg e </span><a href="https://personaunesp.com.br/nirvana-samsung-philip-glass-ibirapuera/"><span style="font-weight: 400;">Philip Glass</span></a><span style="font-weight: 400;">. O resultado é uma cápsula de tempo que tenta reconstituir um encontro histórico, mas que – ao emergir mais de quarenta anos depois – carrega o peso de chegar </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-laura/?fbclid=PAb21jcANtnUhleHRuA2FlbQIxMQABpxVZFo8LBOJ3U0bE097a0eZiQawNERLKUulMfdqKG-AbW7WZ1Fzyf-w2N0WY_aem_W4AhkKxE23oBylUV7hciug"><span style="font-weight: 400;">tarde demais</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-36074"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Burroughs, o objeto de estudo do documentário e um espírito inquieto da </span><a href="https://www.nypl.org/blog/2017/03/02/where-start-beat-generation"><i><span style="font-weight: 400;">beat generation</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é mostrado aqui como alguém que inspira e, ao mesmo tempo, escapa. O filme o observa de perto, cercado de amigos e admiradores, mas raramente o alcança por completo. É como se a câmera de Brookner o reverenciasse demais para interrogá-lo. Há uma clara admiração, em certos momentos excessiva, que dilui a espontaneidade do encontro. Burroughs está disposto a falar, porém discorre com certas reservas. O escritor sem filtros parece sempre um pouco deslocado, como se faltasse a intimidade necessária para se abrir por inteiro. Ainda assim, é impossível não sentir o magnetismo que o cercava. Sua </span><a href="https://bravo.abril.com.br/cinema-tv/como-luca-guadagnino-transpos-o-livro-queer-para-as-telas/"><span style="font-weight: 400;">homossexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> assumida, sua ironia afiada e sua presença poderosa fascinam o espectador.</span></p>
<figure id="attachment_36076" aria-describedby="caption-attachment-36076" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36076" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/nova2.jpg" alt="Cena do documentário Nova ’78. William S. Burroughs, de costas, é visto em silhueta, de chapéu e óculos, com as luzes do palco ao fundo criando um contraste entre sombra e brilho" width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-36076" class="wp-caption-text">O longa faz parte da seção Foco Reino Unido na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Pinball London)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que se desenrola nas imagens da </span><i><span style="font-weight: 400;">Nova Convention</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um retrato de artistas tentando entender um mundo à beira do colapso. Falava-se sobre preconceito, </span><a href="https://www.artforum.com/features/abstract-expressionism-weapon-of-the-cold-war-214234/"><span style="font-weight: 400;">liberdade criativa</span></a><span style="font-weight: 400;">, tecnologia e política internacional com uma lucidez que impressiona. Enquanto alguns ironizavam a exploração espacial como símbolo do avanço humano quando a própria Terra continuava ruindo, havia aqueles que alertavam contra o fundamentalismo religioso, a perseguição a minorias e a censura moral. Essas pautas, todas alarmadas </span><a href="https://epoca.globo.com/vida/noticia/2014/02/william-burroughs-o-escritor-que-binventou-o-heavy-metalb.html"><span style="font-weight: 400;">por Burroughs</span></a><span style="font-weight: 400;">, permanecem desconfortavelmente atuais e, paradoxalmente, é esse mesmo anacronismo que enfraquece o impacto da produção. O que seria revolucionário em 1978 soa, em 2025, como um eco tardio de uma rebeldia já absorvida pela história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Brookner e Areias partem de um material monumental, tendo mais de quarenta horas de gravações </span><i><span style="font-weight: 400;">16mm</span></i><span style="font-weight: 400;">, entre bastidores e performances nas mãos. A </span><a href="https://www.sescsp.org.br/editorial/colecao-restaurados-o-resgate-da-memoria-na-restauracao-cinematografica/"><span style="font-weight: 400;">restauração</span></a><span style="font-weight: 400;"> dessas imagens, feita entre 2012 e 2024, é um feito técnico, mas também afetivo, notável, para aqueles que conviveram com Burroughs. Entretanto, na tentativa de preservar o espírito da </span><a href="https://www.thecollector.com/hippie-counterculture-movement-1960s-1970s/"><span style="font-weight: 400;">época</span></a><span style="font-weight: 400;">, os diretores se prendem demais à forma bruta. A montagem é caótica e propositalmente livre, refletindo o improviso da própria convenção. Essa escolha, porém, acaba sacrificando a emoção em nome da fidelidade estética. A dupla optou por uma experiência mais arqueológica do que cinematográfica, em que o registro vale bem mais do que o gesto criativo.</span></p>
<figure id="attachment_36077" aria-describedby="caption-attachment-36077" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36077" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/nova3.jpg" alt="Cena do documentário Nova ’78. William S. Burroughs, um homem branco, idoso, de estatura média, sentado em uma cadeira no canto de um quarto simples e desorganizado, cercado por roupas, caixas e equipamentos." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-36077" class="wp-caption-text">O documentário conta com sessões presenciais em São Paulo e online pelo SpcinePlay (Foto: Pinball London)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo assim, há momentos em que </span><i><span style="font-weight: 400;">Nova ’78</span></i><span style="font-weight: 400;"> encontra força na imperfeição. Quando </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/6-musicas-para-entender-carreira-de-patti-smith-madrinha-do-punk/"><span style="font-weight: 400;">Patti Smith</span></a><span style="font-weight: 400;"> surge em cena ou </span><a href="https://jacobin.com.br/2021/04/quando-acabaremos-com-a-guerra-humana/"><span style="font-weight: 400;">Ginsberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> fala sobre sexualidade e política, há uma energia viva entoada nos gritos da platéia que parece rasgar o tempo. São fragmentos que lembram por que aquela geração acreditava tanto no poder transformador da arte. Ao mesmo tempo, é impossível não sentir uma certa melancolia, pois a esperança que havia em 1978, de um mundo mais livre, mais consciente e menos hipócrita, foi se diluindo no cinismo dos anos seguintes, refletindo hoje muitos dos mesmo problemas que os </span><a href="https://www.visualcapitalist.com/which-generation-influence-u-s-politics/"><i><span style="font-weight: 400;">Baby Boomers</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> costumavam denunciar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A força simbólica de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nova ’78</span></i><span style="font-weight: 400;"> está justamente em revelar esse fracasso. O filme não oferece respostas, porque a ele nada foi perguntado, entretanto algumas questões surgem naturalmente ao final do </span><a href="https://mostra.org/filmes?tags=document%C3%A1rio"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“O que significa ser livre em um mundo que continua a punir a diferença?” </span></i><span style="font-weight: 400;">Com seu olhar tão sereno que chega a  transparecer descrença, Burroughs parece sugerir que a verdadeira revolução talvez nunca tenha acontecido. </span><a href="https://www.britannica.com/art/Beat-movement"><span style="font-weight: 400;">Sua própria vida</span></a><span style="font-weight: 400;">, marcada por vícios, amores e exílios, é um testemunho de que liberdade e autodestruição caminham lado a lado.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Nova 78" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ThRFmwUsJc0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>50 anos de Wish You Were Here e a presença remanescente de Syd Barrett no lirismo do Pink Floyd</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Oct 2025 13:00:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Eduardo Dragoneti Lançado em 12 de setembro de 1975, o álbum Wish You Were Here do Pink Floyd se tornou um marco, não só em sua discografia, mas na história do post-rock e da música conceitual. Surgido em um contexto de esgotamento criativo e crescente desilusão com a indústria fonográfica, o disco é, antes &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/wish-you-were-here-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "50 anos de Wish You Were Here e a presença remanescente de Syd Barrett no lirismo do Pink Floyd"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_35873" aria-describedby="caption-attachment-35873" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-35873 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-1.jpg" alt="Capa do álbum Wish You Were Here do Pink Floyd. Na capa, ambientada no estacionamento dos estúdios da Warner Bros, um pátio de cimento com galpões bege nas laterais, dois homens de terno apertam as mãos enquanto um deles está em chamas." width="512" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-1.jpg 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-1-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 512px) 85vw, 512px" /><figcaption id="caption-attachment-35873" class="wp-caption-text">A capa, criada pela Hipgnosis, simboliza a sensação de ‘ser queimado’ nos negócios, refletindo a visão da banda sobre a indústria musical da época (Foto: Hipgnosis)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Dragoneti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 12 de setembro de 1975, o álbum </span><a href="https://entreacordes.blog/2020/09/12/45-anos-de-wish-you-were-here-um-dos-maiores-discos-conceituais-de-todos-os-tempos"><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do Pink Floyd se tornou um marco, não só em sua discografia, mas na história do </span><i><span style="font-weight: 400;">post-rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> e da música conceitual. Surgido em um contexto de esgotamento criativo e crescente desilusão com a indústria fonográfica, o disco é, antes de tudo, uma </span><a href="https://www.antena1.com.br/noticias/wish-you-were-here-a-triste-historia-que-rendeu-a"><span style="font-weight: 400;">homenagem profunda</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos integrantes da banda (David Gilmour, Roger Waters, Richard Wright e Nick Mason) ao ex-membro </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/por-que-syd-barrett-saiu-do-pink-floyd"><span style="font-weight: 400;">Syd Barrett</span></a><span style="font-weight: 400;"> (1946-2006), cuja a ausência pairava sobre eles de forma incômoda após o artista sair do grupo.</span></p>
<p><span id="more-35872"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Barrett havia deixado o conjunto musical em abril de 1968, após episódios de instabilidade mental associados ao uso abusivo de LSDs e a um diagnóstico nunca confirmado de esquizofrenia. Apesar disso, sua influência e seu legado artístico ecoaram notavelmente nos trabalhos seguintes do </span><a href="https://whiplash.net/materias/news_680/371767-pinkfloyd.html"><span style="font-weight: 400;">Pink Floyd</span></a><span style="font-weight: 400;">, seja no próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou em álbuns posteriores, como em </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/pink-floyd-lanca-animals-2018-remix-ainda-atual-disco-precisava-de-nova-versao-review"><i><span style="font-weight: 400;">Animals</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o aclamado </span><a href="https://pinkfloyd.com.br/another-brick-in-the-wall-a-musica-mais-famoso-do-pink-floyd"><i><span style="font-weight: 400;">The Wall</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Já em </span><a href="https://www.collectorsroom.com.br/2019/08/review-pink-floyd-momentary-lapse-of.html"><i><span style="font-weight: 400;">A Momentary Lapse of Reason</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, faixas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Sorrow</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">One Slip</span></i><span style="font-weight: 400;"> falam sobre a fragilidade da mente e a perda de alguém próximo, temas que os fãs relacionam à história do ex-vocalista e guitarrista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A faixa que abre e encerra o álbum, </span><a href="https://1023.clicrbs.com.br/blogda1023/2022/02/15/alem-da-letra-conheca-historia-da-musica-shine-crazy-diamond-pink-floyd"><i><span style="font-weight: 400;">Shine On You Crazy Diamond</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é uma suíte em nove partes composta por Waters, Wright e Gilmour, dedicada a Barrett – o “</span><i><span style="font-weight: 400;">diamante louco</span></i><span style="font-weight: 400;">” a quem o título faz referência. Os primeiros 13 minutos e meio do disco introduzem de forma lenta, instrumental e muito bem elaborada a </span><a href="https://www.letras.mus.br/blog/shine-on-you-crazy-diamond-historia"><span style="font-weight: 400;">dor da perda</span></a><span style="font-weight: 400;">, diferente da causada pela morte, mas a de saber que um alguém querido está em algum lugar, que não é mais tão perto quanto antes (física e afetivamente).</span></p>
<figure id="attachment_35874" aria-describedby="caption-attachment-35874" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35874" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-2.jpg" alt="Syd Barrett, caminha por uma calçada por um bairro de Londres em uma foto em preto e branco. Ele veste terno e camisa escura, olhando diretamente para a câmera com expressão séria e um cigarro na mão esquerda. Ao fundo, há carros antigos estacionados e uma mulher carregando sacolas." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-35874" class="wp-caption-text">Roger ‘Syd’ Barrett faleceu de câncer no pâncreas em 7 de julho de 2006 no Hospital Addenbrooke, em Cambridge. Ele não deixou esposa nem filhos (Foto: Mick Rock)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na mesma faixa, Waters escreve: &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Você foi apanhado no fogo cruzado / Da infância e da fama / Soprado pela brisa de aço</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; – um retrato aguçado da trajetória de Barrett e de seu desaparecimento dentro de si mesmo. No encerramento da canção, o sintetizador de Wright emula as notas de </span><a href="https://whiplash.net/materias/news_701/356414-pinkfloyd.html"><i><span style="font-weight: 400;">See Emily Play</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, composição de Barrett que abre o primeiro disco da banda, </span><a href="https://www.rockinthehead.com/single-post/pink-floyd-resenha-do-%C3%A1lbum-the-piper-at-the-gates-of-dawn"><i><span style="font-weight: 400;">The Piper at the Gates of Dawn</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A escolha não foi à toa. Segundo os próprios integrantes do Pink Floyd, Emily é uma personagem que foi fruto de um sonho de Syd Barrett, possivelmente induzido por LSD. Ele dizia ter visto uma garota etérea brincando em um bosque, e que a imagem ficou em sua mente como uma pintura viva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mistura de fantasia e realidade, típica das composições de Syd nesse período, passou a ser vista como uma espécie de </span><a href="https://www.ecstaticintegration.org/p/the-rise-and-fall-of-the-acid-casualty"><span style="font-weight: 400;">prenúncio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu colapso. Décadas depois, muitos fãs e críticos enxergam a música como uma despedida simbólica de uma mente criativa que estava se afastando da realidade, justificando a escolha de Wright como uma espécie de ‘adeus’ não-verbal ao amigo.</span></p>
<figure id="attachment_35875" aria-describedby="caption-attachment-35875" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35875" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-3.png" alt=" Fotografia em preto e branco mostrando os integrantes do Pink Floyd na sacada de um prédio. Da direita para a esquerda: Nick Mason apoiado na grade, Roger Waters usando um casaco de pele, Syd Barrett em destaque com blusa branca e cabelo desgrenhado, e Richard Wright inclinado para frente, segurando a barra do corrimão. Entre eles há luzes decorativas penduradas e, ao fundo, parte de uma escada lateral externa" width="512" height="344" /><figcaption id="caption-attachment-35875" class="wp-caption-text">Roger Waters é creditado como compositor em mais de 90 músicas do Pink Floyd (cerca de 60 como autor principal e mais de 30 em créditos compartilhados) e foi o líder e principal letrista da banda por grande parte da sua carreira, especialmente após a saída de Syd Barrett (Foto: Baron Wolman)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A certeza da saudade se concretiza na canção homônima do álbum. </span><a href="https://pinkfloyd.com.br/a-musica-mais-famosa-do-pink-floyd-e-wish-you-were-here"><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> chega como um tiro no peito sem aviso prévio, como é de costume para canções do Pink Floyd. A faixa inicia com uma curta conversa gravada nos corredores do </span><a href="https://www.abbeyroad.com/news/the-dark-side-of-the-moon-studio-documents-3299"><i><span style="font-weight: 400;">Abbey Road Studios</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, interrompida rapidamente pelo famoso </span><i><span style="font-weight: 400;">riff </span></i><span style="font-weight: 400;">da música, impactando o ouvinte que nem tem tempo de compreender o diálogo. Ao fundo, um violão ‘falso’ soa abafado e distante, como se vindo de um rádio velho. Em seguida, o toque real de Gilmour entra em primeiro plano, limpo, criando um contraste sonoro que traduz exatamente o </span><a href="https://cafecomsociologia.com/analise-da-musica-wish-you-were-here-pink-floyd-ideologia/"><span style="font-weight: 400;">sentimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> da canção: estar ao lado e, ao mesmo tempo, distante de alguém. As risadas e respirações no início parecem espontâneas, quase casuais, até que a melodia se impõe de maneira íntegra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo Roger Waters, compositor da música, </span><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i><span style="font-weight: 400;"> não fala apenas de Syd Barrett, mas de um sentimento mais amplo e existencial. Em suas palavras em entrevista ao documentário </span><a href="https://www.collectorsroom.com.br/2012/08/pink-floyd-critica-de-historia-de-wish.html#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">Pink Floyd: The Story of “Wish You Were Here”</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2012): “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você consegue se libertar o suficiente para experimentar a realidade da vida e como ela acontece diante de você? Porque, se não conseguir, você vai continuar parado na estaca zero até morrer. É disso que essa música trata.</span></i><span style="font-weight: 400;">” Já para David Gilmour: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Embora &#8216;Shine On&#8217; seja a que fala </span></i><a href="https://www.hfnews.com.br/news/entendendo-wish-you-were-here-um-dos-albuns-mais-controversos-do-pink-floyd"><i><span style="font-weight: 400;">especificamente sobre Syd</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, e Wish You Were Here tenha um escopo mais amplo… eu não consigo cantá-la sem pensar nele.</span></i><span style="font-weight: 400;">” Assim, a canção torna-se um lamento que é pessoal e universal ao mesmo tempo, a ausência de alguém que está presente demais para ser esquecido.</span></p>
<figure id="attachment_35876" aria-describedby="caption-attachment-35876" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-35876 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-4.png" alt="Foto preto e branca: Roger Waters debruça sobre a mesa de som do Abbey Road Studios vestindo um suéter e atrás dele um garoto, também vestindo um suéter, come um picolé enquanto observa o equipamento." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-35876" class="wp-caption-text">A banda demorou em torno de 6 meses,de janeiro a julho de 1975, para gravar todas as músicas do disco (Foto: Jill Furmanovsky)</figcaption></figure>
<p><a href="https://americansongwriter.com/the-meaning-behind-welcome-to-the-machine-by-pink-floyd"><i><span style="font-weight: 400;">Welcome to the Machine</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://consequence.net/2020/10/the-story-behind-pink-floyd-have-a-cigar"><i><span style="font-weight: 400;">Have a Cigar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> formam o núcleo mais </span><a href="https://open.spotify.com/episode/6XrX5iAT9N8K2dCJLppvIK?si=9dde9c576168444f&amp;nd=1&amp;dlsi=b8802c23183b4f86"><span style="font-weight: 400;">ácido</span></a><span style="font-weight: 400;"> do disco, funcionando como uma espécie de dupla crítica ao universo da indústria fonográfica. Se a primeira traduz a engrenagem impessoal do sistema, a segunda dá rosto e voz aos executivos bajuladores que movem essa mesma </span><a href="https://whiplash.net/materias/news_831/171296-pinkfloyd.html"><span style="font-weight: 400;">máquina</span></a><span style="font-weight: 400;">. Juntas, as duas canções revelam o olhar desencantado do Pink Floyd diante de um mercado que transforma sonhos em mercadoria, e deixam claro que o sucesso também podia ser uma prisão – ideia que, inevitavelmente, remete àquilo que afastou Syd Barrett do grupo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Welcome to the Machine</span></i><span style="font-weight: 400;">, a banda constrói um diálogo entre a Máquina –metáfora para o capitalismo e o próprio mercado musical – e um </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/syd-barrett-o-lado-escuro-do-pink-floyd-9kg9efu40pijuafyahd36wksu"><span style="font-weight: 400;">jovem sonhador</span></a><span style="font-weight: 400;">, disposto a se entregar para alcançar reconhecimento. O suposto acolhimento é, na verdade, uma manipulação: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Com o que você sonhou? / Tudo bem, nós te dissemos com o que sonhar / Você sonhou com uma grande estrela</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O </span><a href="https://revistacontinente.com.br/edicoes/267/o-lado-brilhante-do-pink-floyd"><span style="font-weight: 400;">sistema</span></a><span style="font-weight: 400;"> não apenas dita as regras, mas também escolhe seus desejos. A voz de Gilmour, carregada de pesar ao cantar: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ele tocava uma guitarra bestial / Ele comia sempre no bar / Ele adorava dirigir seu Jaguar / Então, bem-vindo à máquina</span></i><span style="font-weight: 400;">”, expõe o sonhador agora como um personagem do passado, alguém que foi engolido pela engrenagem que o consagrou. Inevitavelmente o trecho foi associado à trajetória de Barrett.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">Have a Cigar</span></i><span style="font-weight: 400;">, a abstração dá lugar à caricatura de um executivo da indústria, ignorante e interesseiro, que os trata como produto e não como Arte. Com vocais de </span><a href="https://faroutmagazine.co.uk/lead-vocals-pink-floyd-song-have-a-cigar"><span style="font-weight: 400;">Roy Harper</span></a><span style="font-weight: 400;">, convidado para substituir Waters e Gilmour, insatisfeitos com suas próprias tentativas, a faixa carrega ironia do início ao fim. O </span><a href="https://mumblingabout.com/2019/07/16/oh-by-the-way-which-ones-pink"><span style="font-weight: 400;">famoso verso</span></a><span style="font-weight: 400;"> – “</span><i><span style="font-weight: 400;">A banda é fantástica, isso é o que eu realmente acho / Oh, por sinal, qual de vocês é o Pink?</span></i><span style="font-weight: 400;">” – expõe o desdém de quem só enxerga cifras e fama, sem nenhum interesse pelo grupo em si. A canção também é interpretada como uma exposição do preço que os integrantes pagaram para chegar a </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/a-pior-epoca-do-pink-floyd-segundo-david-gilmour"><span style="font-weight: 400;">ascensão astronômica</span></a><span style="font-weight: 400;">. O personagem executivo é a materialização de um sucesso sem alma, justamente o que afastou o ex-membro.</span></p>
<figure id="attachment_35877" aria-describedby="caption-attachment-35877" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35877" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-5.jpg" alt="Foto polaroid: Syd Barrett, careca, obeso e sem sobrancelhas, vestindo uma camisa social branca e uma calça preta, posa de lado para a foto, encarando profundamente a câmera dentro do Abbey Road Studios." width="512" height="495" /><figcaption id="caption-attachment-35877" class="wp-caption-text">Os integrantes da banda demoraram em torno de 45 minutos para finalmente reconhecerem Syd Barrett, que, segundo Wright, ficou o tempo todo em silêncio e escovando constantemente os dentes no banheiro do estúdio (Foto: Nick Mason)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um dos episódios mais </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/o-som-e-a-furia/o-dia-em-que-um-dos-maiores-grupos-de-rock-viu-um-fantasma-no-estudio"><span style="font-weight: 400;">marcantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> da história do Pink Floyd, Syd Barrett apareceu inesperadamente no </span><i><span style="font-weight: 400;">Abbey Road Studios </span></i><span style="font-weight: 400;">em 5 de junho de 1975, enquanto o grupo finalizava as gravações de </span><i><span style="font-weight: 400;">Shine On You Crazy Diamond (Pts. 6-9)</span></i><span style="font-weight: 400;">. Estava irreconhecível: obeso, com a cabeça raspada, sem sobrancelhas e o olhar distante. Seus antigos colegas demoraram a reconhecê-lo, e o encontro foi carregado de tristeza e </span><a href="https://www.portaltela.com/entretenimento/musica/2025/01/27/pink-floyd-e-a-surpreendente-aparicao-de-syd-barrett-durante-gravacao-historica"><span style="font-weight: 400;">simbolismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Waters e Gilmour, em especial, ficaram profundamente abalados, caindo em lágrimas ao verem o amigo por muito tempo perdido. Gilmour relata no documentário que: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Foi uma grande perda. E imaginar o que ele teria feito&#8230; especular sobre isso, se você preferir&#8230; Ele poderia ter se tornado tão grandioso</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Ninguém sabe onde você está / O quão perto ou o quão longe / Brilhe, seu diamante louco”.</span></i><span style="font-weight: 400;"> A certeza de que, independente de onde Syd Barrett estivesse, o Pink Floyd só queria que ele brilhasse loucamente, como fez enquanto esteve na </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/ultima-reuniao-do-pink-floyd-com-formacao-classica-foi-ha-20-anos-relembre/"><span style="font-weight: 400;">banda</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aqui, o álbum finaliza voltando a melancolia da qual foi iniciado, a sensação de que o recado foi passado, mas com a incerteza de que chegará ao </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/flashback-ultima-entrevista-de-syd-barrett/"><span style="font-weight: 400;">destinatário</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i><span style="font-weight: 400;"> é essencialmente um disco sobre ausência, seja a de Barrett, seja a de autenticidade no mercado musical ou seja a </span><a href="https://www.loudersound.com/features/how-wish-you-were-here-was-the-beginning-of-the-end-for-pink-floyd"><span style="font-weight: 400;">desconexão</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os próprios membros do grupo. É também uma carta de amor a um amigo perdido, um lamento musical que, meio século depois, ainda ecoa com intensidade. O álbum é um lembrete de que algumas presenças continuam a se fazer sentir, mesmo que estejam absolutamente perdidas.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Wish You Were Here" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/0bCAjiUamIFqKJsekOYuRw?si=oQQGRO-bQRSWId731Ki2tQ&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/wish-you-were-here-critica/">50 anos de Wish You Were Here e a presença remanescente de Syd Barrett no lirismo do Pink Floyd</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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