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	<title>Arquivos Débora Landsberg &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Bobbi amava Frances que ama Nick que ama Melissa</title>
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		<pubDate>Wed, 25 May 2022 20:45:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez Frances e Bobbi são melhores amigas que já namoraram. Frances tem uma queda por Nick, e Bobbi, por Melissa. Nick e Melissa são casados. É partindo desse emaranhado que Sally Rooney, em seu livro Conversas entre amigos, encontra terreno fértil para dissecar relacionamentos contemporâneos e seus envolvidos, assim como as dinâmicas sociais &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/conversas-entre-amigos-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bobbi amava Frances que ama Nick que ama Melissa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp"></div>
<figure id="attachment_27701" aria-describedby="caption-attachment-27701" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-27701 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/conversaentreamigos.jpg" alt="Moldura vermelha retangular. No canto superior esquerdo e no canto inferior direito, vemos o logotipo do Persona, o desenho de um olho com um símbolo de play ao centro. Ao centro do retângulo, vemos a capa do livro Conversas entre amigos. A capa tem o fundo verde azulado. Na parte superior central, vemos a palavra &quot;conversas&quot; em uma fonte branca sem serifa, alinhada à esquerda. Abaixo, vemos a palavra &quot;entre&quot; na mesma fonte, alinhada à direita. Abaixo, vemos a palavra &quot;amigos&quot; centralizada. Centralizada na capa, vemos as palavra &quot;Sally Rooney&quot;, na mesma fonte, na cor preta. Na parte inferior da capa, vemos uma mulher branca de cabelos castanhos lisos, de costas, à esquerda. À direita, vemos uma mulher branca de cabelos pretos presos em um rabo de cavalo e usando óculos rosa, de perfil." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/conversaentreamigos.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/conversaentreamigos-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/conversaentreamigos-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27701" class="wp-caption-text">Lançado em 2017, Conversas entre amigos completa 5 anos no mês de lançamento da série adaptada (Foto: Editora Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Lopes Gomez</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Frances e Bobbi são melhores amigas que já namoraram. Frances tem uma queda por Nick, e Bobbi, por Melissa. Nick e Melissa são casados. É partindo desse emaranhado que Sally Rooney, em seu livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">encontra terreno fértil para dissecar relacionamentos contemporâneos e seus envolvidos, assim como as dinâmicas sociais e de poder das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ho5ja2trqrs&amp;t=265s"><span style="font-weight: 400;">relações interpessoais</span></a><span style="font-weight: 400;"> modernas. Se a irlandesa escreve, essencialmente, sobre pessoas normais vivendo sua realidade &#8211; mesmo que seja uma realidade inventada, somente baseada na vida real da autora ,- essa obra de estreia  mostra que, mesmo antes do fenômeno </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, Rooney já mostrava a potência de suas </span><a href="https://www.dailymail.co.uk/femail/article-10820757/How-Sally-Rooney-31-drew-experiences-growing-rural-Ireland-write-hit-novels.html"><span style="font-weight: 400;">histórias fictícias reais</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-27690"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No enredo do </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, a dupla de amigas se apresenta recitando poemas, escritos por Frances. Em um dos eventos, conhecem Melissa, uma escritora e fotógrafa bem-estabelecida, que pretende escrever um perfil sobre as duas jovens. Para isso, as convida a sua casa. Na residência de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Z1S5bOdJq3U&amp;t=0s"><span style="font-weight: 400;">classe média</span></a><span style="font-weight: 400;"> no centro de Dublin, história vem, história vai e não demora para os pares trocados se conectarem. Com Bobbi e Melissa preenchendo os espaços com suas personalidades, </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/4OobxWGzjHpUMaQnZmDvTs?si=eabd567c131a49bd"><span style="font-weight: 400;">Frances</span></a><span style="font-weight: 400;"> captura o olhar de Nick, o marido de Melissa, que parece tão perdido ao lado da mulher quanto ela com Bobbi.</span></p>
<figure id="attachment_27691" aria-describedby="caption-attachment-27691" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-27691" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-2-800x320.jpg" alt="Foto da autora Sally Rooney. Em frente a um fundo desfocado, em que vemos um bosque com folhagens verdes e um tronco de árvore, à esquerda, vemos Rooney ao centro, do tronco para cima. Ela é uma mulher branca, de cabelos castanhos lisos na altura do ombro, aparentando cerca de 30 anos, vestindo uma camisa branca e com o rosto inclinado para a direita." width="800" height="320" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-2-800x320.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-2-768x308.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-2.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27691" class="wp-caption-text">No Brasil, Conversas entre amigos foi publicado pela Editora Alfaguara, com tradução de Débora Landsberg (Foto: Ellius Grace)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Conversations with friends </span></i><span style="font-weight: 400;">(o título original)</span> <span style="font-weight: 400;">é o primeiro livro publicado por Sally Rooney, que estourou com seu lançamento seguinte, </span><a href="https://personaunesp.com.br/sally-rooney-pessoas-normais-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Nesse segundo, a força gravitacional que move a narrativa é o (eventual) casal Connell e Marianne. Dos 16 aos 20 e tantos anos, os dois passam da ingênua adolescência à desafiadora vida adulta um na companhia do outro, ora em um relacionamento romântico, ora aprendendo a viver sem ele. Já em </span><a href="https://personaunesp.com.br/belo-mundo-onde-voce-esta-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Belo mundo, onde você está</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o terceiro e mais recente romance da autora, Alice e Eileen são velhas amigas que se correspondem por </span><i><span style="font-weight: 400;">e-mail</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com quase 30, o foco das protagonistas já não é o amadurecimento, mas outros, refletidos pelos da própria autora: vida profissional, relações românticas e de amizade menos idealizadas, capitalismo e reflexões acerca até do mercado editorial &#8211; esse, que </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/sally-rooney-lanca-belo-mundo-onde-voce-esta-avalia-impacto-de-normal-people-minha-vida-foi-dominada-pelo-sucesso-dos-meus-livros-anteriores-25182547"><span style="font-weight: 400;">Rooney está inserida</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; representam uma fase diferente da qual Connell e Marianne passaram. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo antes de </span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Belo mundo</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos</span></i><span style="font-weight: 400;"> soa quase como um meio-termo entre as realidades. Aqui, as protagonistas Frances e Bobbi já deixaram para trás a inocência da adolescência, mas, nos primeiros anos da casa dos vinte, não se estabeleceram o suficiente para se sentirem parte do mundo adulto &#8211; isso, como todo jovem adulto. A autora, porém, não se preocupa em verbalizar os anseios das duas explicitamente &#8211; e, na verdade, não o fez em nenhum de seus livros. Já virou </span><a href="https://lithub.com/sally-rooney-is-the-only-novelist-on-times-list-of-most-influential-people-of-the-year/"><span style="font-weight: 400;">marca registrada</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Rooney deixar o leitor sentir por si mesmo, apresentando somente situações e diálogos tão reais e relacionáveis que não conseguimos fazer diferente de nos imaginarmos no lugar das personagens.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Bobbi disse que não achava que eu tinha uma ‘personalidade verdadeira’, mas declarou que não se tratava de um elogio. De modo geral, eu concordava com a avaliação. A qualquer instante sentia que poderia fazer ou dizer qualquer coisa, e só depois pensar: ah, então sou esse tipo de pessoa&#8221;.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Do outro lado da moeda de </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2022/may/22/sasha-lane-and-alison-oliver-on-conversations-with-friends-sally-rooney"><span style="font-weight: 400;">Frances e Bobbi</span></a><span style="font-weight: 400;">, estão Nick e Melissa. O casal é mais velho, cada um com seus 30 e poucos anos, tem um ciclo de amigos e uma casa invejável, são (aparentemente) bem resolvidos, e profissional e financeiramente estáveis. Tudo isso, coisas que as duas não são. Apesar dos mundos diferentes, a conexão das personalidades acaba sendo inevitável no decorrer dos encontros. Assim como Bobbi, Melissa é confiante, o tipo de pessoa que preenche os ambientes em que entra, e sua convicção e força são claras, até intimidadoras. Já </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YWV3GEtWvIw"><span style="font-weight: 400;">Nick</span></a><span style="font-weight: 400;"> se assemelha a Frances: ele, um ator bonito e relativamente famoso, apesar de mediano em sua carreira, serve como um marido troféu, e parece se curvar à presença imponente da esposa &#8211; da mesma forma que a protagonista se sentia em seu antigo relacionamento com a amiga.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir do jantar da entrevista, o destino parece premeditado, mas nunca previsível. Bobbi, naturalmente, se conecta a Melissa e repele </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/5juZNPnXQe1DGrCHlrllPR?si=bb23a7b2582041bf"><span style="font-weight: 400;">Nick</span></a><span style="font-weight: 400;">. Por mais escancarada e sem vergonha que seja, a queda da jovem não vai muito além disso e a relação permanece platônica. Afinal, como Bobbi sempre lembra, ela é casada. Já com Frances e Nick acontece o contrário e a conexão se constrói lentamente, com a culpa pela relação extraconjugal sempre como um empecilho entre os dois. Do ponto inicial de terem em comum somente situações em que ficam deslocados ao mesmo tempo &#8211; além, claro, das companheiras extrovertidas -, os dois passam de meros parceiros de desconforto para descobrirem um no outro uma ligação um tanto mais </span><a href="https://brasil.elpais.com/eps/2021-09-03/sally-rooney-aceitar-a-intimidade-e-aceitar-a-possibilidade-de-que-outra-pessoa-nos-magoe.html"><span style="font-weight: 400;">profunda e complicada</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27692" aria-describedby="caption-attachment-27692" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-27692" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-800x567.jpg" alt="Imagem de divulgação da série Conversas entre amigos. A foto foi tirada em uma praia e os protagonistas estão sentados em um rochedo à beira mar. Em cima do rochedo, ao centro, vemos uma mulher branca, loira, de cerca de 35 anos, vestindo um vestido branco, em pé. Ao lado dela, sentada na rocha, vemos uma mulher negra, usando uma bandana, regata, camisa e shorts de praia, aparentando cerca de 25 anos. Ao lado dela, no lado direito da foto, vemos uma mulher branca, de cabelos castanhos lisos, usando um vestido azul e branco, em pé, olhando para o lado. Ao seu lado, vemos um homem loiro, de cerca de 35 anos, usando camisa e shorts azul, sentado apoiado no rochedo." width="800" height="567" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-800x567.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-1024x726.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-768x545.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-1536x1089.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-1200x851.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3.jpg 2000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27692" class="wp-caption-text">Assim como Pessoas normais, Conversas entre amigos ganhou uma minissérie de 12 episódios adaptada pela Hulu em parceria com a BBC (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A verdade é que não parece haver muito ao que se apegar nessa nova relação. Quanto mais próximos Nick e Frances se tornam, mas indecifrável ele fica, e a incerteza move o relacionamento. Isso até para o leitor: com a narração da jovem protagonista, </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos </span></i><span style="font-weight: 400;">se passa sob o olhar inseguro e acanhado dela. A forma com que vemos os personagens, inclusive, é sob sua visão. </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/2nM48XVy0Vf7TpLtfwLtlD?si=af029c2328504902"><span style="font-weight: 400;">Bobbi</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece a melhor pessoa do mundo à princípio, articulada, faladeira, engraçada, convicta em seus posicionamentos… até discordar das ações de Frances. Já </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Rfn1yngeXI0"><span style="font-weight: 400;">Melissa</span></a><span style="font-weight: 400;"> fica entre a megera que pisa no marido e a mulher decidida e bem-sucedida que a jovem sonha em ser. Nick, ora é indecifravelmente atraente, um mistério a ser decifrado, ora submisso e indeciso, misterioso só porque não sabe o que quer. De novo, em nenhum momento </span><a href="https://time.com/6094903/sally-rooney-millennial-novel/"><span style="font-weight: 400;">Rooney</span></a><span style="font-weight: 400;"> julga seus protagonistas: eles são o que são, cada um com seus motivos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Avançando nas 264 páginas do livro, os sentimentos e emoções vêm espontaneamente, conforme os quatro personagens vivem, se relacionam e, bem, conversam. </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos</span></i><span style="font-weight: 400;">, como outras obras de Sally Rooney, usa do subtexto de um relacionamento &#8211; dessa vez, um fora da configuração tradicional &#8211; </span><a href="https://www.monitordooriente.com/20211025-sally-rooney-susan-sarandon-e-milhares-de-outras-estao-do-lado-certo-da-historia/"><span style="font-weight: 400;">para ir além</span></a><span style="font-weight: 400;">. Motivados pelas ações, percepções e desejos dos protagonistas, o livro discute as dinâmicas de poder dessas conexões, da monogamia à diferença de tratamento entre homens e mulheres em uma relaçãp heterossexual. Também (e, de novo, como em outras obras da irlandesa), os quatro refletem sobre novas possibilidades e dinâmicas de relacionamento, capitalismo, vida profissional, saúde mental, política e classes sociais.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Ele tinha mais respeito por Melissa do que por mim? Gostava mais dela? Se ambas fôssemos morrer em um edifício em chamas e ele só pudesse salvar uma de nós, será que era óbvio que salvaria Melissa e não eu? Era praticamente diabólico transar com alguém que mais tarde deixaria você morrer queimada&#8221;.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse </span><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i><span style="font-weight: 400;"> peculiar e envolvente, não há espaços para julgamentos, não há lado certo ou errado. Definitivamente, não há moral da história. Os finais de Rooney escancaram o caráter imprevisível das relações humanas, mas também o lado esperançoso. Na tradução de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pqWEiiELzfo"><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Débora Landsberg, que trabalhou nos três romances publicados da autora, mantém a melancolia da escrita, assim como a forma direta, objetiva e fluida da irlandesa de escrever. Na estreia de seu estilo, Sally Rooney aprofunda ainda mais seus personagens ao não indicar quem verbaliza cada coisa: os diálogos não recebem pontuação precisa e, mesmo assim, sabemos quem diz o que ao final. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Completando 5 anos de idade em 2022, </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganhou sua adaptação homônima para TV, que, assim como </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, teve o </span><a href="https://www.express.co.uk/showbiz/tv-radio/1612706/Sally-Rooney-Normal-People-Conversations-With-Friends"><span style="font-weight: 400;">dedo da autora</span></a><span style="font-weight: 400;"> na concepção. Há meia década, porém, a primeira aparição das duas jovens rebeldes e cheias de idealizações, desconstruindo as aparências do meio adulto ao passo que tentam descobrir seu próprio lugar no mundo, não era uma projeto de comentário social para Sally Rooney. Na verdade, para ela, a situação era mais sobre </span><i><span style="font-weight: 400;"> “</span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iIGSMGdgCyQ"><i><span style="font-weight: 400;">observar a textura do mundo</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> em que estava habitando”</span></i><span style="font-weight: 400;">, absorvendo-o. E na vida real, sobre a qual ela tanto escreve, realmente não há moral da história. O que há são pessoas como Frances e como Bobbi, como Melissa e como Nick, que navegam seus sentimentos, desejos e as consequências de suas ações. Com sua delicadeza, honestidade e olhar apurado, Rooney simplesmente os capta e coloca em palavras.</span></p>
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		<title>Para Sally Rooney, o mundo é repleto de Pessoas normais</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Mar 2022 16:02:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Na escola, no interior da Irlanda, Connell e Marianne fingem não se conhecer. Orbitando em mundos diferentes, os estudantes do Ensino Médio acabam se esbarrando quando ele busca a mãe, que trabalha como faxineira na casa da garota. As rápidas trocas de olhares acabam se transformando em pequenas conversas sobre os livros e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sally-rooney-pessoas-normais-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Para Sally Rooney, o mundo é repleto de Pessoas normais"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26359" aria-describedby="caption-attachment-26359" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26359" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/CAPAWORDPRESSPESSOASNORMAIS.jpg" alt="Arte com fundo roxo. No canto superior esquerdo, vemos o olho do Persona com a íris da mesma cor do fundo. Ao centro, vemos a capa do livro Pessoas normais, e uma borda laranja do lado direito da capa, formando uma sombra. No canto inferior direito vemos escrito Clube do Livro Persona" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/CAPAWORDPRESSPESSOASNORMAIS.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/CAPAWORDPRESSPESSOASNORMAIS-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/CAPAWORDPRESSPESSOASNORMAIS-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26359" class="wp-caption-text">O Clube do Livro do Persona começou 2022 acompanhado por Pessoas normais, romance escrito por Sally Rooney e traduzido por Débora Landsberg (Foto: Companhia das Letras/Arte: Ana Júlia Trevisan)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na escola, no interior da Irlanda, Connell e Marianne fingem não se conhecer. Orbitando em mundos diferentes, os estudantes do Ensino Médio acabam se esbarrando quando ele busca a mãe, que trabalha como faxineira na casa da garota. As rápidas trocas de olhares acabam se transformando em pequenas conversas sobre os livros e os gostos pessoais um do outro. O problema é que, em público, Connell invisibiliza Marianne, por vergonha, por culpa, por egoísmo. Mas está tudo bem, afinal, eles não passam de </span><a href="http://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">pessoas normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-26305"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autora Sally Rooney nunca coloca em palavras a relativização dos comportamentos de seus protagonistas imaturos, mas a sucessão de ações e reações que compõem as mais de duzentas páginas do livro não suavizam o absurdo desses </span><a href="https://personaunesp.com.br/on-the-rocks-critica/"><span style="font-weight: 400;">encontros e desencontros</span></a><span style="font-weight: 400;">, perdidos em algum lugar na tradução de um sentimento para o seguinte. Muito além de uma crônica romântica que perpassa as ondas do tempo, o romance recusa-se a ajoelhar perante ao destino. Essa dupla opera às custas de suas próprias regras e mecanismos. </span></p>
<figure id="attachment_26306" aria-describedby="caption-attachment-26306" style="width: 1654px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26306 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-71jrp43TCcL.jpg" alt="Arte com fundo verde e um desenho ao centro azul e branco. O desenho mostra duas pessoas deitadas se abraçando dentro de uma lata de sardinhas aberta, com a tampa para cima e o lacre também." width="1654" height="926" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-71jrp43TCcL.jpg 1654w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-71jrp43TCcL-800x448.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-71jrp43TCcL-1024x573.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-71jrp43TCcL-768x430.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-71jrp43TCcL-1536x860.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/cropped-71jrp43TCcL-1200x672.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26306" class="wp-caption-text">“A maioria das pessoas viveriam suas vidas inteiras, Marianne pensou, sem nunca se sentirem tão próximas de alguém” (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Narrativamente falando, a escrita mantém essa máxima, viajando pelos dias, semanas e meses de uma relação distante pelo calendário mas próxima pelo contato corpóreo e sentimental. Quando descreve uma simples troca entre Connell e Marianne, Rooney imprime tanta vulnerabilidade quanto precisão, afinal, que tipo de pessoa nunca </span><a href="https://personaunesp.com.br/verao-de-85-critica/"><span style="font-weight: 400;">se apaixonou</span></a><span style="font-weight: 400;"> na adolescência? Ou mesmo teve seu coração partido à beira da vida adulta?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jogando a favor das </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/71rgUemV30POf7V7aAOBdQ?si=0fab5415ecfc47cf"><span style="font-weight: 400;">memórias de seu público alvo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;"> prefere explorar as diferentes óticas de uma relação, pulando entre os pontos de vista de Connell e Marianne, e oferecendo a quem lê evidências o bastante para que não nasçam vilões ou mocinhas. A segurança de contar uma história “normal” pode ser o principal atrativo da obra, apenas o segundo romance escrito pela irlandesa.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Ele gargalhou de verdade. Marianne, ele disse, não sou religioso, mas às vezes acho que Deus fez você para mim”.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu primeiro trabalho na Literatura nasceu alguns anos antes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Normal People</span></i><span style="font-weight: 400;">, na forma de </span><a href="https://rizzenhas.com/2018/01/resenha-conversas-entre-amigos-de-sally-rooney/"><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Naquela história, conhecemos Frances e Bobbi, duas amigas que já tiveram um relacionamento no passado, mas, agora, na flor da juventude universitária, conhecem um casal mais velho e acabam atraídas, de maneiras diferentes, por cada um de seus componentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito em primeira pessoa, o livro aponta uma certa jovialidade e quentura das emoções da escritora, que se apoia na negação do prazer até, no momento derradeiro, abraçar a inevitabilidade do perigo. Em contraponto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece insistir ao máximo e, então, selar a porta do “talvez”. O que não é surpresa para os que acompanham a carreira de Sally Rooney, autora </span><a href="https://radiopeaobrasil.com.br/colunistas/em-busca-do-romance-marxista/"><span style="font-weight: 400;">declaradamente marxista</span></a><span style="font-weight: 400;">, que brilhou como presidente do clube de debates da faculdade Trinity e tem </span><a href="https://literaturainglesa.com.br/sally-rooney-fala-sobre-seus-livros-favoritos/"><span style="font-weight: 400;">inspirações fortes</span></a><span style="font-weight: 400;"> na Literatura de James Joyce e J.D. Salinger.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, Sally Rooney escreveu </span><a href="https://personaunesp.com.br/belo-mundo-onde-voce-esta-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Belo mundo, onde você está</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, destaque do ano de 2021, inserido em um contexto um tanto mais amadurecido que o comum para a irlandesa, narrando a casualidade da vida de duas amigas. Entre encontros românticos falidos, beijos em sapos e trocas de longos </span><i><span style="font-weight: 400;">e-mails</span></i><span style="font-weight: 400;">, o leitor é fisgado, mais uma vez, pelo ordinário dos acontecimentos. Nada acontece, mas tudo acontece.</span></p>
<figure id="attachment_26307" aria-describedby="caption-attachment-26307" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26307 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1631826642865.jpg" alt="Foto da autora Sally Rooney, uma mulher adulta, branca e de cabelos castanhos na altura do queixo, segurando seu livro Pessoas normais. A edição é em inglês, conta com o título Normal People, e tem a capa verde com detalhes em branco e azul." width="1200" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1631826642865.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1631826642865-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1631826642865-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1631826642865-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1631826642865-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26307" class="wp-caption-text">“Não sei o que há de errado comigo, diz Marianne. Não sei por que não consigo ser que nem as pessoas normais” (Foto: Sally Rooney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Falhos e suscetíveis a erros, os protagonistas de Rooney desempenham papéis de culpa e redenção com primazia. De volta à normalidade das pessoas, quando o assunto é Connell, a autora dedica boa parte de sua escrita, fina e transparente, à estudar os sentimentos do atleta. Alguém autossuficiente até a vida adulta, quando percebeu o baque que as responsabilidades, a falta de dinheiro e a ausência do afeto de Marianne, poderiam causar a sua mente e alma, blindadas, se afogou.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O respirador que traz Connell de volta ao mundo dos vivos é nada menos do que a rede de proteção que antes o havia colocado no topo do Céu. Marianne, além de ser a figura mais importante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, é também um </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">farol de expectativas</span></a><span style="font-weight: 400;"> para todos ao seu redor. Para a mãe ausente, Marianne representa uma falha em expansão. Para o irmão abusivo, ela é um saco de pancadas e um obstáculo a ser ultrapassado. Para os namorados estúpidos, ela não passa de um recipiente de emoções, de desejos, de êxtase. Mas, para Connell, Sally Rooney nunca nos revela seu significado. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Como era estranho se sentir tão completamente sob o controle de outra pessoa mas, ao mesmo tempo, como era normal”.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem suspeitas, é claro, mas o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OuFnpmGwg5k"><span style="font-weight: 400;">cordão invisível</span></a><span style="font-weight: 400;"> que os liga existe e apenas existe. Sem explicações, sem concessões, eles têm os corações fincados um no outro, o sangue se mistura, as lágrimas são as mesmas, o suor também. Seus olhos se encontram sem dificuldades, suas respirações se equiparam sem adversidades. Seus corpos se encaixam como se Deus os tivesse moldado dessa maneira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eles são pessoas normais pois amam, erram, falham, gritam, </span><a href="https://personaunesp.com.br/we-are-who-we-are-hbo-critica/"><span style="font-weight: 400;">se arrependem</span></a><span style="font-weight: 400;">. São indivíduos que chegaram ao mundo sem manual de instruções ou bússola mágica. É no tranco e na hora do vamos ver que aprendem o andar da carruagem e a altura que a água bate na bunda. Connell e Marianne se apaixonam pois essa era a única maneira de existirem em harmonia. Rooney, astuta como é, compreende que não existe algo mais relacionável.</span></p>
<figure id="attachment_26308" aria-describedby="caption-attachment-26308" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26308 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/644e6240-4e3e-4475-841b-dfb2391fb285.jpeg" alt="Montagem do livro Normal People do lado esquerdo e da série de TV do lado direito. No limite entre as duas imagens, vemos uma figura que simboliza papel rasgado." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/644e6240-4e3e-4475-841b-dfb2391fb285.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/644e6240-4e3e-4475-841b-dfb2391fb285-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/644e6240-4e3e-4475-841b-dfb2391fb285-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/644e6240-4e3e-4475-841b-dfb2391fb285-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26308" class="wp-caption-text">“Marianne já não é mais vista com admiração ou desdém. As pessoas se esqueceram dela. Agora é uma pessoa normal” (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sincero, o romance claramente expõe sem mazelas o efeito dos ruídos e dos cortes enferrujados que Marianne e Connell empunham em batalhas frias, que dilaceram mais do que a carne. Quem lê, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0WDZdT04ls4"><span style="font-weight: 400;">sente por eles</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quem lê, vive o que eles vivem na mesma comoção e entrega. Os olhos da autora irlandesa focam no bastante para que a experiência seja revitalizante, amedrontadora e, no fim das contas, irresistível. Ao concluir sua crônica, percorrendo a linha fina entre o tempo e o destino, Sally Rooney torna tentador o ato de ser vulnerável. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Ela fecha os olhos. É provável que ele não volte, ela pondera. Ou volte, mas diferente. O que têm agora eles nunca mais poderão ter. Mas para ela a dor da solidão não vai ser nada se comparada à dor que costumava sentir, de não valer nada. Ele lhe trouxe a bondade como uma dádiva, e agora isso é parte dela. Enquanto isso, a vida se abre à frente dele em outras direções ao mesmo tempo. Fizeram muito bem um ao outro. De verdade, ela pensa, de verdade. As pessoas podem mudar as outras de verdade”.</span></p></blockquote>
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		<title>Estante do Persona – Janeiro de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Feb 2022 20:53:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Quem é que quer flores depois de morto?” &#8211; J.D. Salinger Começando 2022 com o pé direito, a primeira leitura do nosso Clube do Livro se materializou nos lamentos e nos sonhos que a irlandesa Sally Rooney colapsou e esmigalhou em Pessoas normais. Sucesso de crítica, público e aclamado pela voracidade dos acontecimentos e sentimentos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Janeiro de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26035" aria-describedby="caption-attachment-26035" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26035 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capawordpressestantejaneiro.jpg" alt="Arte retangular de fundo lilás. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante'. na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “pessoas normais”. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco 'janeiro de 2022'" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capawordpressestantejaneiro.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capawordpressestantejaneiro-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/capawordpressestantejaneiro-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26035" class="wp-caption-text">O Estante de Persona abre 2022 ao lado de Sally Rooney e sua dupla de Pessoas normais (Foto: Reprodução/Arte: Henrique Marinhos/Texto de Abertura: Vitor Evangelista)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“Quem é que quer flores depois de morto?”</span></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">&#8211; J.D. Salinger</span></em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Começando 2022 com o pé direito, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"><span style="font-weight: 400;">primeira leitura do nosso Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> se materializou nos lamentos e nos sonhos que a irlandesa Sally Rooney colapsou e esmigalhou em</span> <a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14654"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Sucesso de crítica, público e aclamado pela voracidade dos acontecimentos e sentimentos escritos, a obra ganhou uma adaptação em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=x1JQuWxt3cE"><span style="font-weight: 400;">formato de minissérie</span></a><span style="font-weight: 400;">, pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu</span></i><span style="font-weight: 400;">, alavancando a carreira de suas estrelas Daisy Edgar-Jones e Paul Mescal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem muito acontecendo no mundo literário nesse começo de ciclo, o Clube do Livro do Persona discutiu as similaridades e as normalidades do livro com o mundo real. Encontrando poesia na ordinariedade que Roony imprime em seus personagens, relacionáveis à maioria dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Wywjnr8vQ8U"><span style="font-weight: 400;">jovens adultos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que saíram da escola bambeando e chegaram à universidade perdidos da cabeça.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pela visão de Marianne e Connell, nossa leitura foi guiada, com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1u8rIx65QgA"><span style="font-weight: 400;">corações pulsantes doloridos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e uma porção de opiniões contundentes sobre a conduta dos protagonistas. O resultado dessa experiência você encontra abaixo, com breves comentários sobre o Livro do Mês (que, assim como nossa citação de abertura, bebe da fonte criativa de J.D. Salinger), além das imperdíveis Dicas do Mês, remexendo os cantos da Literatura e chegando com tudo, para quem procura turbinar a meta de leitura para o ano que chegou. </span></p>
<p><span id="more-26009"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_26016" aria-describedby="caption-attachment-26016" style="width: 683px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26016 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Pessoas normais, da autora Sally Rooney. A capa é verde, tem o desenho de duas pessoas deitadas abraçadas dentro de uma lata de sardinha aberta. No topo da capa, lemos em preto: &quot;O fenômeno literário da década&quot; - The Guardian. Abaixo disso, em fonte branca e grande, lemos PESSOAS NORMAIS, e abaixo da imagem da lata de sardinha, lemos SALLY ROONEY." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/pessoas-normais-capa.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26016" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Lançado em 2019 por aqui, a tradução para o português ficou a cargo de Débora Landsberg (Foto: Companhias das Letras)</span></i></figcaption></figure>
<p><b>Sally Rooney &#8211; Pessoas normais (264 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito mais do que uma história de amor que ultrapassa espaço e tempo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;"> não se dobra a </span><a href="https://brasil.elpais.com/eps/2021-09-03/sally-rooney-aceitar-a-intimidade-e-aceitar-a-possibilidade-de-que-outra-pessoa-nos-magoe.html"><span style="font-weight: 400;">qualquer limitação que o destino possa vir a causar</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quando conhecemos Connell e Marianne, eles são estudantes do Ensino Médio, deslocados, cada um à sua maneira. Lá, era o garoto quem tomava a dianteira, fazendo a jovem de gato e sapato. Quando crescem e se aventuram pela faculdade, é Marianne o sujeito mandante do relacionamento, mesmo que ela insista em negar essa posição de poder.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, por vezes sutil, por vezes desbocada, Sally Rooney navega entre conversas mortas, sentimentos afogados e uma série de pequenos eventos que, em efeito dominó, não dão paz aos namorados imperfeitos da trama. Com </span><a href="https://literaturainglesa.com.br/sally-rooney-fala-sobre-seus-livros-favoritos/"><span style="font-weight: 400;">inspirações</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Ulysses </span></i><span style="font-weight: 400;">de James Joyce e em </span><i><span style="font-weight: 400;">Franny &amp; Zooey</span></i><span style="font-weight: 400;"> de J.D. Salinger, a autora irlandesa não se preocupa em preencher lacunas temporais, dando forma a suas pessoas ordinárias nesse exato </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/10/sally-rooney-do-fenomeno-normal-people-nao-quer-ser-so-mais-uma-millennial-chata.shtml"><span style="font-weight: 400;">lugar de mundanidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Connell e Marianne são identificáveis pois são avulsos, previsíveis, nada centrados e terrivelmente normais, como qualquer leitor que se sinta na mesma posição deles. Às vezes, a </span><a href="https://blog.estantevirtual.com.br/2021/08/17/sally-rooney/"><span style="font-weight: 400;">simplicidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> se revela a morada mais agradável de todas. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Pessoas normais - Clube do Livro Janeiro de 2022" width="100%" height="380" style="[object Object]" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/71rgUemV30POf7V7aAOBdQ?si=6531dedc09b8457a&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_26010" aria-describedby="caption-attachment-26010" style="width: 683px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26010 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Bartleby e companhia, do escritor Enrique Vila-Matas. Na imagem, há bem ao centro a fotografia de um enorme livro aberto, com as folhas do lado esquerdo dobradas de forma volumosa, pois são milhares de páginas. Ao fundo do local onde está esse livro aberto há um fundo branco. Fora do pequeno quadrado branco que está a fotografia do livro, está, na parte superior, escrito Bartleby e companhia em fonte de cor preta. Na parte direita, está escrito Companhia das Letras. Na parte inferior, abaixo da fotografia do livro, está escrito Enrique Vila-Matas em fonte de cor preta. Com exceção do quadrado central onde está a fotografia do livro aberto, todo o fundo é composto pela cor vermelha." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/vila-matas-1.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26010" class="wp-caption-text">Com tradução de Josely Vianna Baptista e Maria Carolina de Araújo, Bartleby e companhia é uma explosão de originalidade, guiada pelo espanhol Enrique Vila-Matas (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Enrique Vila-Matas &#8211; Bartleby e companhia (184 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Romance? Coletânea de contos? Texto jornalístico? Ensaios? Crítica literária? </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14384"><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby e companhia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não segue nenhum gênero ou caminho absoluto, mas mistura todos eles. Borrando a linha que separa ficção de não-ficção, o escritor espanhol </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/amp/ilustrada/2018/08/o-artista-deve-ser-nao-original-diz-enrique-vila-matas.shtml"><span style="font-weight: 400;">Enrique Vila-Matas</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria uma obra única, na qual a literatura torna-se personagem através de um mosaico de obras e autores, esboçados e analisados quase sempre de forma irônica. Lançado em 2000, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby y compañía </span></i><span style="font-weight: 400;">(no título original) é dividido por 86 capítulos curtos – mais uma pequena introdução não numerada –, e parte da premissa de ser um livro do &#8216;não&#8217;. Vila-Matas escreve: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Todos nós conhecemos os bartlebys, seres em que habita uma profunda negação do mundo”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O título é uma referência direta a outro Bartleby – </span><a href="http://www.aescotilha.com.br/literatura/ponto-virgula/bartleby-o-escrivao-herman-melville/"><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby, o escrivão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Herman Melville –, cuja fama consiste justamente em sua negação da vida, sendo um exímio personagem do &#8216;não&#8217;. Desde o início de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby e companhia,</span></i><span style="font-weight: 400;"> porém, o narrador-protagonista de Vila-Matas nega a escrita (de forma paradoxal, opõe-se contra ela escrevendo), criando um catálogo de escritores que optaram pelo silêncio – </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-apanhador-no-campo-de-centeio-70-anos/"><span style="font-weight: 400;">J.D. Salinger</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://quatrocincoum.folha.uol.com.br/br/resenhas/literatura/literatura-se-faz-ao-andar"><span style="font-weight: 400;">Robert Walser</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/literatura-israelense/as-vidas-paralelas-de-kafka"><span style="font-weight: 400;">Franz Kafka</span></a><span style="font-weight: 400;">, entre outros –, e tem como intuito escrever um diário, composto por diversas notas de rodapé, que serão a estrutura do livro, embora possamos classificá-las como capítulos. É interessante vislumbrar na narrativa de Vila-Matas esse mosaico perfeito, no qual a compreensão se dá mesmo que os inícios dessas notas (ou capítulos) sejam continuações de um texto inexistente, imaginário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa ironia fina do autor mistura-se, também, com a graça de alguns contos do argentino </span><a href="https://personaunesp.com.br/jorge-luis-borges-morte-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jorge Luis Borges</span></a><span style="font-weight: 400;"> – personalidade que não escapa dos pastiches literários do escritor espanhol –, e não perde em nada no quesito imaginação e desenvoltura no jogo literário. A bem da verdade, Enrique Vila-Matas é um dos melhores autores contemporâneos quando se trata de jogo com a literatura, captando como ninguém a crise pós-moderna em que se supõe que não existem mais ideias originais; por esta razão, o livro é repleto de referências. Trazida ao Brasil através da finada editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Cosac &amp; Naify</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra de Enrique Vila-Matas está atualmente sendo reeditada pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; </span><i><span style="font-weight: 400;">Bartleby e companhia </span></i><span style="font-weight: 400;">foi reeditado no começo de 2021. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_26011" aria-describedby="caption-attachment-26011" style="width: 708px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26011 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-708x1024.jpg" alt="Capa do livro Um Teto Todo Seu. O fundo da capa é uma parede rosa e, na parte debaixo, o batente branco e o chão de uma sala. Na parte superior central da capa, vemos uma linha com as palavras “Virginia Woolf” em branco e “Um teto todo seu” em preto. Logo abaixo, no centro, vemos um espelho com moldura branca de flores e um abajur com a luminária decorada em estampas marrons, laranjas e brancas. Abaixo, do lado esquerdo, vemos uma mesa de cabeceira de madeira clara, com um relógio, um vaso com flores rosadas, um caderno preto e uma xícara branca e laranja apoiadas nele. As palavras “Posfácio”, em preto, e “Noemi Jaffe”, em branco, estão dispostas logo acima dele. Ao centro da capa, vemos uma poltrona de madeira escura, com o assento laranja claro e uma almofada listrada marrom, laranja e branca. Do lado direito, vemos o cabo do abajur, de madeira clara. No chão, vemos um tapete marrom escuro cobrindo todo o piso e duas almofadas estampadas jogadas no chão, ao pé da poltrona. No canto inferior direito, vemos a palavra “TORDESILHAS” em uma letra estilizada em branco, escrita na vertical." width="708" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-708x1024.jpg 708w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-553x800.jpg 553w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-768x1111.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-1062x1536.jpg 1062w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1-1200x1736.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/virginia-woolf-1.jpg 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26011" class="wp-caption-text">“Eu me arriscaria a supor que Anônimo, que escreveu tantos poemas sem assiná-los, foi muitas vezes uma mulher” (Foto: Tordesilhas)</figcaption></figure>
<p><b>Virginia Woolf &#8211; Um teto todo seu (192 páginas, Tordesilhas)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos trabalhos mais reconhecidos de Virginia Woolf, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um teto todo seu </span></i><span style="font-weight: 400;">vira e mexe ganha novas edições. O livro foi publicado em 1929 e, quase um século depois, se mantém </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/25/cultura/1516835051_025456.html"><span style="font-weight: 400;">pertinente</span></a><span style="font-weight: 400;"> e atemporal nas reflexões acerca das condições sociais da mulher e sua influência na Literatura, levantadas pela autora sob um alter-ego ficcional. A obra se baseia em palestras de Woolf em faculdades na Inglaterra. No formato de um ensaio, e como se discursasse para uma plateia, a personagem Mary se questiona sobre qual o lugar ocupado pela mulher, sua situação e qual o contexto para isso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a maestria de sempre, Virginia Woolf </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/"><span style="font-weight: 400;">não se prende</span></a><span style="font-weight: 400;"> a uma só linha de pensamento, e seu fluxo engaja o leitor nas mais diversas situações. Ela nos conduz à época de Shakespeare, para se questionar o porquê da hipotética irmã do dramaturgo, tão talentosa quanto ele, não ter feito o mesmo sucesso; para as universidades e núcleos em comum dos escritores, em que as autoras são a minoria e vistas como uma anomalia; e até dentro de casa, para lembrar do motivo pelo qual elas já começam em </span><a href="https://bibliomundi.com/blog/disparidade-no-reconhecimento-das-mulheres-no-meio-editorial/"><span style="font-weight: 400;">desvantagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, em primeiro lugar. A resposta? Elas necessitam de um teto todo seu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com foco na Literatura de ficção, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um teto todo seu</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora a condição social a qual as mulheres são renegadas, o de tarefas domésticas, submissão e falta de controle sobre a própria produção, que as impõe limitações &#8211; ou de escrever, ou de publicar, ou de serem reconhecidas por seus trabalhos. Fato é: não se trata das autoras produzirem menos porque não têm capacidade, mas sim porque estão incumbidas de outras obrigações, forçadas a elas. Como a famosa citação de </span><a href="https://www.rafaellarique.com.br/virginia-woolf-a-escritora-que-revolucionou-a-literatura/"><span style="font-weight: 400;">Virginia Woolf</span></a><span style="font-weight: 400;"> ecoa, “</span><i><span style="font-weight: 400;">uma mulher precisa ter dinheiro e um teto todo seu, um espaço próprio, se quiser escrever ficção.</span></i><span style="font-weight: 400;">” </span><b>&#8211; </b><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_26012" aria-describedby="caption-attachment-26012" style="width: 656px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26012 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-656x1024.jpg" alt="Capa do livro Conversas entre amigos. A capa é cor verde-água e mostra o desenho de duas mulheres brancas de costas, fumando. A primeira tem cabelos compridos escuros e soltos, está de costas, usa uma blusa bege e segura um cigarro aceso na mão esquerda. A outra está de costas, mas com a cabeça virada para a esquerda, tem cabelos presos em um rabo de cavalo e usa óculos escuros, também segurando um cigarro. Ao topo da imagem lemos uma frase em branco, com a assinatura do The Sunday Times em preto. Ao centro, lemos em branco Conversas entre amigos, e em preto Sally Rooney. No meio e na extremidade esquerda, está o selo da editora Alfaguara, em branco." width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-656x1024.jpg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-768x1198.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-985x1536.jpg 985w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-1313x2048.jpg 1313w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1-1200x1872.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/conversas-amigos-1.jpg 1641w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26012" class="wp-caption-text">Publicado no Brasil em 2017 pela Alfaguara, o primeiro livro de Sally Rooney também foi traduzido por Débora Landsberg (Foto: Editora Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>Sally Rooney &#8211; Conversas entre amigos (264 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando decide escrever fazendo uso da primeira pessoa, a irlandesa dona do livro do mês de janeiro revela as vísceras de sua Literatura. Em </span><a href="https://rizzenhas.com/2018/01/resenha-conversas-entre-amigos-de-sally-rooney/"><i><span style="font-weight: 400;">Conversations with Friends</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seu romance de estreia, Rooney investiga as fervorosas relações de Frances e Bobby, duas adultas de 21 anos que namoraram no passado, mas hoje são boas e melhores amigas. Entre as rotinas de estudos e da vida social, a dupla vai de encontro a um casal mais velho, e faíscas surgem. A mão de Rooney, de forma sagaz, guia seu leitor, adentrando temas de traição e paixão, mas sem sentenciar seus personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto Bobby cultiva uma relação de admiração e fascínio por Melissa, Frances se encanta por Nick, um ator de trinta anos que acaba dando bola para ela. A partir dessa premissa, Sally Rooney nos mostra que </span><a href="https://deliriumnerd.com/2017/12/01/conversas-entre-amigos-sally-rooney/"><span style="font-weight: 400;">tudo é possível</span></a><span style="font-weight: 400;">, não importa o que seja. No meio termo entre o sagaz e o virtuoso, o livro pode não alcançar o patamar de honestidade dos outros romances da autora, mas em meio aos amores, temores e desejos ele detém charme o suficiente. Em breve, chega ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu </span></i><span style="font-weight: 400;">uma </span><a href="https://hugogloss.uol.com.br/tv/series/conversas-entre-amigos-adaptacao-do-romance-de-sally-rooney-ganha-primeiro-trailer-cheio-de-cenas-quentes-assista/"><span style="font-weight: 400;">adaptação em formato de minissérie</span></a><span style="font-weight: 400;">, com Jemima Kirke e Joe Alwyn no elenco.  </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_26013" aria-describedby="caption-attachment-26013" style="width: 670px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26013 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-670x1024.jpg" alt="Capa do livro Tudo sobre o amor, de bell hooks. A imagem tem fundo laranja-avermelhado vibrante e o nome da autora aparece em letras garrafais grandes e roxas, preenchendo os primeiros dois terços da capa, de um extremo ao outro, levemente inclinado na diagonal. Na linha inferior, está o nome do livro, na mesma estilização anterior, mas com a fonte um pouco menor e colorido em amarelo claro. Embaixo do título do livro, na mesma estilização porém em tamanho ainda menor, está escrito “novas perspectivas”, em branco." width="670" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-670x1024.jpg 670w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-524x800.jpg 524w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-768x1173.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1-1006x1536.jpg 1006w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/tudo-sobre-o-amor-1-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26013" class="wp-caption-text">“No momento em que escolhemos amar, começamos a nos mover contra a dominação, contra a opressão. No momento em que escolhemos amar, começamos a nos mover em direção à liberdade, a agir de formas que libertam a nós e aos outros.” (Foto: Editora Elefante)</figcaption></figure>
<p><b>bell hooks &#8211; Tudo sobre o amor (272 páginas, Elefante)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ah, se Connell e Marianne pudessem ter acesso aos estudos de bell hooks sobre o amor… A história de </span><a href="https://valkirias.com.br/normal-people/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> seria bem diferente e o trabalho de Sally Rooney teria outro rumo. No lançamento brasileiro mais recente da autora, que há pouco descansou de sua </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-dezembro-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">vasta e revolucionária colaboração</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o entendimento do nosso mundo, o tema mais amplo da humanidade é analisado sobre cada um de seus aspectos principais, através do olhar crítico e sábio da pessoa mais qualificada para o fazê-lo. Longe de se restringir ao amor como manifestação meramente romântica, idealizada ou sentimental, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo sobre o amor</span></i><span style="font-weight: 400;"> compreende a vastidão de seu tema de forma revolucionária &#8211; assim como tudo o que </span><a href="https://www.boitempoeditorial.com.br/autor/bell-hooks-1372"><span style="font-weight: 400;">bell hooks</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de 13 capítulos, a estudiosa transcende qualquer leitura já realizada sobre o amor, palavra que remete a algo tão subjetivo e sempre está presente na experiência humana, respeitando a sua complexidade mas tratando-o de forma prática &#8211; que em momento algum deixa de ser profunda. É difícil explicar uma leitura dessa magnitude, cujo tema se desdobra ainda em mais dois livros, que juntos, formam a </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2022/01/14/bell-hooks-amor-e-coletivo-politico-e-etica-de-vida"><i><span style="font-weight: 400;">Trilogia do Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Formação obrigatória para todo e qualquer ser humano que se relaciona com outros seres humanos, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Tudo-sobre-amor-Bell-Hooks/dp/6587235247/ref=asc_df_6587235247/?tag=googleshopp00-20&amp;linkCode=df0&amp;hvadid=430976266970&amp;hvpos=&amp;hvnetw=g&amp;hvrand=11509159530272386220&amp;hvpone=&amp;hvptwo=&amp;hvqmt=&amp;hvdev=c&amp;hvdvcmdl=&amp;hvlocint=&amp;hvlocphy=1031984&amp;hvtargid=pla-1182608021006&amp;psc=1"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo sobre o amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma das maiores joias que bell hooks nos deixou. E assim como ela defende o entendimento do </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/politica/para-abrir-o-coracao"><span style="font-weight: 400;">amor como ação</span></a><span style="font-weight: 400;">, o livro é mais uma de suas formas de transformar o mundo em que vivemos. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
<hr />
<p><figure id="attachment_26014" aria-describedby="caption-attachment-26014" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26014 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Maus. Ela possui um fundo cinza, com a presença de um círculo branco com o símbolo de uma suástica que tem, ao centro, o desenho de um gato, com traços que remetem aos de Adolf Hitler. Na parte inferior, um pouco à frente desse círculo, há o desenho de dois ratos: o da esquerda vestindo um casaco azul, e o da direita um casaco amarelo. Na parte superior, está escrito “História completa” em fonte na cor amarela e, abaixo, está escrito “Maus” em fonte grande na cor vermelha. " width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-768x1105.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-1067x1536.jpg 1067w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-1423x2048.jpg 1423w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1-1200x1727.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/maus-1.jpg 1779w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26014" class="wp-caption-text">Apesar do enorme sucesso, Art Spiegelman já recusou várias ofertas para <a href="https://rollingstone.uol.com.br/entretenimento/maus-por-que-art-spiegelman-autor-da-hq-nao-quer-adaptacao-para-filme/">transformar a obra em filme</a>, afirmando que a narrativa é melhor servida como um livro (e ele não mentiu) [Foto: Companhia das Letras]</figcaption></figure><b>Art Spiegelman &#8211; Maus (296 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Maus </span></i><span style="font-weight: 400;">é considerado um dos grandes clássicos contemporâneos das histórias em quadrinhos, já tendo angariado o Prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Pulitzer</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Literatura, em 1992, sendo a primeira </span><i><span style="font-weight: 400;">graphic novel</span></i><span style="font-weight: 400;"> a cumprir esse feito. Dividido em duas partes, com a primeira lançada em 1986 e a segunda em 1991, a obra de Art Spiegelman retrata episódios do </span><a href="https://personaunesp.com.br/anne-frank-vidas-paralelas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Holocausto</span></a><span style="font-weight: 400;"> vivenciados por seu pai, Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz. Para dar luz aos seus relatos, o desenhista aposta em representações, ilustrando os judeus como ratos, os nazistas como gatos, os poloneses não-judeus como porcos e os americanos como cachorros. Mesmo com esse simbólico aspecto animalesco configurado aos componentes da trama, não é possível desassociar a frieza de seus atos cruelmente humanos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa acompanha as declarações de Vladek sobre esse período, as constantes fugas dele e de sua esposa Anja, as tristes despedidas e, por fim, os difíceis dias no campo de concentração. Junto a isso, mostra também os atritos familiares entre pai e filho, que evidenciam as marcas deixadas por esse capítulo de sua vida. Apesar do enorme peso carregado pelos acontecimentos, Spiegelman não cede a qualquer apelo emocional para conduzir a obra, retratando a </span><a href="https://rascunho.com.br/noticias/maus-hq-de-art-spiegelman-e-proibida-em-escolas-dos-eua/"><span style="font-weight: 400;">dureza nua e crua</span></a><span style="font-weight: 400;"> daquela realidade vivida por milhões de pessoas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Maus </span></i><span style="font-weight: 400;">é um livro não apenas sobre as atrocidades ocorridas durante o Holocausto, mas, principalmente, das </span><a href="https://personaunesp.com.br/colette-2020-critica/"><span style="font-weight: 400;">dores e cicatrizes carregadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> por todos aqueles que têm páginas da memória de sua família rasgadas por uma das maiores tragédias da história da humanidade. Cicatrizes essas complemente impassíveis de serem minimizadas, ou sequer discutidas em qualquer </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/02/09/quem-e-monark-apresentador-do-flow-podcast-que-coleciona-polemicas.htm"><span style="font-weight: 400;">conversa de bar</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitória Silva</b></p>
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		<title>Belo Mundo, Onde Você Está: as frustrações do mundo jovem adulto</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Nov 2021 17:54:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Isabella Siqueira Lançado em setembro de 2021, Belo Mundo, Onde Você Está (Beautiful World, Where Are You) é o terceiro romance de Sally Rooney, célebre escritora conhecida pelo sucesso Pessoas Normais. Lançado simultaneamente no Brasil, o livro discorre sobre as incertezas e inseguranças do mundo jovem adulto, assunto já consolidado na literatura da autora inglesa.  &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/belo-mundo-onde-voce-esta-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Belo Mundo, Onde Você Está: as frustrações do mundo jovem adulto"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24339" aria-describedby="caption-attachment-24339" style="width: 550px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24339" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/f0b891d1-ca43-4d87-a300-a7780f649fd2.jpg" alt=" Capa do livro Belo Mundo, Onde Você Está. Na imagem, há uma capa azul, com o logo da editora Companhia das Letras na parte inferior esquerda da foto. O nome da autora, Sally Rooney, está escrito em letras maiúsculas pretas na parte central superior da página. Embaixo do nome da autora, está localizado o título da obra também em letras pretas e maiúsculas. Na foto, estão localizados quatro personagens cortados ao meio por faixas amarelas. " width="550" height="824" /><figcaption id="caption-attachment-24339" class="wp-caption-text">Belo Mundo, Onde Você Está é o terceiro romance da escritora inglesa, que lançou também os livros Pessoas Normais e Conversas Entre Amigos (Foto: Editora Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Isabella Siqueira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em setembro de 2021, </span><i><span style="font-weight: 400;">Belo Mundo, Onde Você Está</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Beautiful World, Where Are You</span></i><span style="font-weight: 400;">) é o terceiro romance de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=05555"><span style="font-weight: 400;">Sally Rooney</span></a><span style="font-weight: 400;">, célebre escritora conhecida pelo sucesso </span><a href="http://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas Normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Lançado simultaneamente no Brasil, o livro discorre sobre as incertezas e inseguranças do mundo jovem adulto, assunto já consolidado na literatura da autora inglesa. </span></p>
<p><span id="more-24338"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sally Rooney é um fenômeno inegável. Seus livros são tão familiares para a </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-57938082"><span style="font-weight: 400;">geração </span><i><span style="font-weight: 400;">millennial</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, representada no romance </span><i><span style="font-weight: 400;">Belo Mundo, Onde Você Está</span></i><span style="font-weight: 400;"> pela melancolia que sentem. Se engana quem pensa que a obra fala sobre dois casais e suas histórias românticas ideais, Rooney se aprofunda em quatro personagens diversos, explorando suas frustrações e o caminho confuso de suas vidas sentimentais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas Normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, Sally Rooney opta por detalhar cada aspecto da rotina cotidiana, evidenciando a neurose dos jovens com a vida que levam, ao mesmo tempo dando certa densidade psicológica para o romance. A escrita clássica da autora também vai tomando outras formas, grande parte da narrativa do livro se dá em longos </span><i><span style="font-weight: 400;">e-mails</span></i><span style="font-weight: 400;">, que parecem terem sido escritos sem um único respiro, em uma espécie de fluxo de pensamentos interminável. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“E quem sou eu para pedir humildade e franqueza dos outros? O que eu já dei ao planeta para pedir tanto em troca? Eu poderia me desintegrar em um monte de poeira que o mundo não daria a mínima, e é assim que tem que ser.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Com tradução de Débora Landsberg, o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/09/novo-livro-de-sally-rooney-de-pessoas-normais-parece-escrito-para-adolescentes.shtml"><span style="font-weight: 400;">romance</span></a><span style="font-weight: 400;"> não possui uma trama definida, o leitor não recebe uma história com um caminho certo ou previsível. A história, tal qual o mundo jovem adulto na maioria dos casos, é feita de incertezas e indecisões. A trama apresenta quatro personagens principais: Alice, Felix, Eileen e Simon, jovens em seus quase 30 anos que possuem características e debates interiores sensacionais. O ponto de encontro desse grupo de pessoas é a amizade de Alice e Eileen, duas colegas de faculdade que estão distantes fisicamente, mas que permanecem em contato por meio da correspondência eletrônica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Presente no contexto editorial, Alice é uma jovem escritora assustada com o sucesso inusitado que enfrentou com o lançamento de seus dois primeiros romances. Sally Rooney opta por discutir a Literatura contemporânea pela ótica e perspectiva da personagem, que além de ser cética quanto ao rumo da coisa toda, que parece não enfrentar o mundo, também se sente intimidada com os compromissos profissionais da carreira literária. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após um surto, a personagem opta por deixar para trás o universo editorial de Dublin, Nova York e Londres, se refugiando numa pequena cidade da Irlanda. É nesse cenário que Alice conhece Felix, o homem mais distante do mundo literário possível. De certa forma, ele se distancia também de todos outros protagonistas, fazendo parte da vida real. O casal se conhece pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Tinder </span></i><span style="font-weight: 400;">e, após um primeiro encontro horrendo, acabam construindo uma relação difícil de definir. </span></p>
<figure id="attachment_24340" aria-describedby="caption-attachment-24340" style="width: 1086px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24340" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/95042144_SC-EXCLUSIVA-A-escritora-Sally-Rooney-autora-de-Normal-People-lanca-novo-livro-Belo-mund.jpg" alt="Na imagem, a autora Sally Rooney está posando para uma foto de perfil. Posando em um fundo que está desfocado, a escritora é uma mulher branca com cabelos castanhos e médios. Ela está posicionada com seus braços ao lado dentro de um bolso. Além disso, a autora também veste uma camisa branca, com uma saia xadrez em azul e verde, que está presa por um cinto marrom. Ao fundo está um campo com grama e árvores. " width="1086" height="652" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/95042144_SC-EXCLUSIVA-A-escritora-Sally-Rooney-autora-de-Normal-People-lanca-novo-livro-Belo-mund.jpg 1086w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/95042144_SC-EXCLUSIVA-A-escritora-Sally-Rooney-autora-de-Normal-People-lanca-novo-livro-Belo-mund-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/95042144_SC-EXCLUSIVA-A-escritora-Sally-Rooney-autora-de-Normal-People-lanca-novo-livro-Belo-mund-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/95042144_SC-EXCLUSIVA-A-escritora-Sally-Rooney-autora-de-Normal-People-lanca-novo-livro-Belo-mund-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24340" class="wp-caption-text">Após a adaptação de Normal People como minissérie em 2020, o romance Conversas Entre Amigos será adaptado como uma série também pelo selo Hulu e BBC (Foto: Ellius Grace)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A questão da classe social cria tensões que não separam o casal, mas demarcam a diferença gritante entre a realidade de ambos. Felix trabalha como empacotador em depósito, um </span><a href="http://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><span style="font-weight: 400;">subemprego braçal</span></a><span style="font-weight: 400;"> e distante da complexidade intelectual do trabalho de Alice em seu mundo literário. Impulsivo e inquieto, o personagem possui uma tendência absurda para a autossabotagem, sempre fazendo comentários insensíveis e tomando atitudes questionáveis. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vivendo separada da amiga em Dublin, Eileen é lembrada pela insegurança e solidão que sente. A personagem herdou essas características de suas relações familiares, com quem mantém um rancor particular, principalmente, com sua irmã Lola, cujo casamento iminente parece estressar Eileen ainda mais. Além do término recente com o namorado de longa data, a vida profissional pouco ajuda a mulher, que está muito distante do </span><i><span style="font-weight: 400;">glamour </span></i><span style="font-weight: 400;">e reconhecimento da amiga, possuindo um emprego que odeia em uma revista literária e a famosa instabilidade financeira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a fuga de sua melhor amiga, o único refúgio de Eileen se torna Simon, um amigo de infância que foi sua defesa contra o tratamento da irmã e o acolhimento precário dos pais. Por sua vez, Simon age como um salvador para as mulheres (incluindo Eileen) jovens com quem se relaciona. Apesar de parecer mais estável que os demais protagonistas, ele possui aspectos muito destoantes entre si, agindo como um </span><a href="http://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">católico meio cretino</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sua relação devota com a religião molda em parte sua personalidade, apesar de não dispensar o sexo casual, ele opta por agir com um mártir culpado que resgata jovens moças sempre que pode, um comportamento refletido em sua profissão. Simon é um parlamentar que discute problemas sociais mas que, efetivamente, não faz nada significativo. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“O que nós temos agora no lugar? Nada. E detestamos as pessoas por cometerem erros muito mais do que as amamos por fazerem o bem, portanto o jeito mais fácil de viver é não fazer nada, não dizer nada e não amar ninguém.&#8221;</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Narrado em terceira pessoa,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Belo Mundo, Onde Você Está</span></i><span style="font-weight: 400;"> intercala o ponto de vista entre os protagonistas, mas acaba mantendo o foco na relação entre as amigas, Eileen e Alice. Além de se passar na vida cotidiana dos personagens, a obra também carrega as mensagens e </span><i><span style="font-weight: 400;">e-mails</span></i><span style="font-weight: 400;"> enviados. Outro diferencial da obra de Sally Rooney é o </span><a href="https://entenderficcao.com.br/2018/06/25/vozes-narrativas-e-o-discurso-indireto-livre/"><span style="font-weight: 400;">discurso livre</span></a><span style="font-weight: 400;"> utilizado: a autora não usa pontuações e mistura os diálogos junto às descrições e parágrafos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dispensando um enredo quadrado, a inglesa não cria uma história convencional, optando por desenvolver um espaço para reflexões sobre amor, sexo, solidão e as desilusões que a entrada na vida adulta oferecem. Sem um contexto geral sobre a relação entre os personagens, a única pista sobre a história é a comunicação remota pelas duas amigas antigas, uma relação marcada pela distância física e emoções à flor da pele. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O relacionamento à distância entre Alice e Eileen é o ponto central da obra, as duas amigas se sentem frustradas com o rumo que a vida tomou desde a faculdade. Alice lida com o esgotamento mental decorrente do sucesso repentino, Eileen vive um término doloroso, problemas financeiros, uma personalidade insegura e uma confusão amorosa com Simon. As pressões da vida adulta atingiram duramente as personagens, que vivem em busca de seu Belo Mundo.</span></p>
<figure id="attachment_24341" aria-describedby="caption-attachment-24341" style="width: 804px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24341 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Q776KYRZIVCJXGMEN6ILTM6OZI-804x1024.jpg" alt="Foto da escritora Sally Rooney. A autora está posando de perfil, ela é uma mulher branca, os seus cabelos são castanhos médios lisos, e seus olhos são verdes. Além disso, ela veste uma blusa no estilo cacharrel na cor cinza. O fundo é uma parede clara e desfocada." width="804" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Q776KYRZIVCJXGMEN6ILTM6OZI-804x1024.jpg 804w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Q776KYRZIVCJXGMEN6ILTM6OZI-628x800.jpg 628w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Q776KYRZIVCJXGMEN6ILTM6OZI-768x978.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Q776KYRZIVCJXGMEN6ILTM6OZI-1207x1536.jpg 1207w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Q776KYRZIVCJXGMEN6ILTM6OZI-1609x2048.jpg 1609w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Q776KYRZIVCJXGMEN6ILTM6OZI-1200x1528.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Q776KYRZIVCJXGMEN6ILTM6OZI.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24341" class="wp-caption-text">A escritora irlandesa é considerada uma das <a href="https://time.com/6094903/sally-rooney-millennial-novel/">vozes da geração Millennial</a>, e suas obras já abordaram a subjugação feminina, questões de classe e violência doméstica (Foto: Linda Brownlee)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por viverem longe uma da outra, Alice e Eileen apenas se falam por longos </span><i><span style="font-weight: 400;">e-mails</span></i><span style="font-weight: 400;">. As personagens nos presenteiam com seu modo de enxergar o mundo em que vivem, expondo suas inseguranças, que permeiam o medo do fracasso, da solidão e as expectativas frustradas. Mas, apesar dos sentimentos sinceros que essas conversas trazem, o que chama a atenção são os ganchos para discussões profundas. As jovens falam sobre a feiura visual da vida moderna, a experiência estética </span><i><span style="font-weight: 400;">versus</span></i><span style="font-weight: 400;"> a vaidade, religião e política mundial. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em momento interessantíssimo, Sally Rooney também engata uma discussão sobre </span><a href="https://www.culturagenial.com/livros-para-conhecer-literatura-contemporanea-brasileira/"><span style="font-weight: 400;">Literatura contemporânea</span></a><span style="font-weight: 400;">, explorando como são superficiais os romances sobre a vida cotidiana. Os escritores atuais se valem da aprovação da crítica euro-americana, agindo como se suas opiniões fossem relevantes, únicas e especiais. Tais autores também fazem parte de uma classe burguesa, que de livre e espontânea vontade opta por </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2021/10/07/abdulrazak-gurnah-ganha-premio-nobel-de-literatura-2021.ghtml"><span style="font-weight: 400;">ignorar os problemas sociais que o mundo enfrenta</span></a><span style="font-weight: 400;">, realidades muito diferentes da que vivem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Curiosamente, essa discussão pode ser vista como uma autocrítica da própria autora, que não fala de um lugar tão distante desses escritores. </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/sally-rooney-lanca-belo-mundo-onde-voce-esta-avalia-impacto-de-normal-people-minha-vida-foi-dominada-pelo-sucesso-dos-meus-livros-anteriores-25182547"><span style="font-weight: 400;">Sally Rooney</span></a><span style="font-weight: 400;"> está posicionada em um espaço de conforto em que relata os traumas da burguesia, irrelevantes se comparados à miséria que outras milhões de pessoas vivem, mas ainda assim traumas. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Minha própria obra é, nem preciso dizer, a mais criminosa nesse sentido. Por essa razão, acho que nunca mais vou escrever um romance.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Alice e Félix se conheceram pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Tinder</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mesmo com características distintas, ambos conseguem se encontrar numa relação sem um rótulo definido. Contudo, é doloroso ver Alice se contentando com o tratamento humilhante e as críticas que Félix faz a ela. Por sua vez, Felix também possui suas próprias inseguranças quanto ao seu passado complicado. Os dois acabam construindo uma relação nociva de gato e sapato: Felix demonstra uma superioridade sobre Alice, que finge ser submissa a suas palavras insensíveis. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eileen vive a procura da felicidade, que uma vez sentiu ao estar junto de Alice e Simon. Contudo, principalmente para Eileen, as mudanças foram ainda mais incisivas. Suas inseguranças e o medo do fracasso a impedem de ser feliz e conseguir novas oportunidades. É nesse turbilhão de emoções negativas que ela encontra e se desencontra com Simon. A relação de ambos é confusa, Eileen sente ser dependente de Simon, que demonstra justamente o contrário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para os que se relacionam intimamente com as angústias dos personagens, o livro é um verdadeiro soco no estômago. O período da juventude constrói expectativas e ilusões, a casa dos trinta anos entrega frustrações tardias. </span><i><span style="font-weight: 400;">Belo Mundo, Onde Você</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Está</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um livro que aponta decepções, principalmente, por que nos relacionamos com personagens tão sozinhos, instáveis e até abusivos consigo mesmos. Sally Rooney prova que consegue transpor uma geração com tanta honestidade que chega a incomodar.</span></p>
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