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	<title>Arquivos Critics Choice Awards &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Eles não são um casal, mas são Companheiros de Viagem</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Jun 2024 20:50:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal Nos últimos anos, obras audiovisuais que conversam sobre temáticas queers e colocam as pessoas da comunidade como personagens principais têm ganhado espaço na indústria. Do amor puro em Heartstopper ao ‘besteirol’ sarcástico Bottoms, o público tem a possibilidade de acompanhar a comunidade LGBTQIAPN+ sob diversas perspectivas. Em Companheiros de Viagem, por exemplo, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/companheiros-de-viagem-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Eles não são um casal, mas são Companheiros de Viagem"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33525" aria-describedby="caption-attachment-33525" style="width: 1566px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33525" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3.png" alt="Imagem da série Companheiros de Viagem. Na foto, os atores Jonathan Bailey e Matt Bomer estão nus e deitados em uma cama. Jonathan Bailey faz carícias no cabelo de Matt Bomer." width="1566" height="815" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3.png 1566w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3-800x416.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3-1024x533.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3-768x400.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3-1536x799.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3-1200x625.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33525" class="wp-caption-text">Matt Bomer e Jonathan Bailey possuem grandes chances de serem indicados ao Emmy 2024 (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos últimos anos, obras audiovisuais que conversam sobre temáticas </span><i><span style="font-weight: 400;">queers</span></i><span style="font-weight: 400;"> e colocam as pessoas da comunidade como personagens principais têm ganhado espaço na indústria. Do amor puro em </span><a href="https://personaunesp.com.br/heartstopper-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Heartstopper</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ao ‘besteirol’ sarcástico </span><i><span style="font-weight: 400;">Bottoms</span></i><span style="font-weight: 400;">, o público tem a possibilidade de acompanhar a comunidade LGBTQIAPN+ sob diversas perspectivas. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Companheiros de Viagem</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, há o retrato da época do </span><a href="https://www.politize.com.br/macarthismo-o-que-e/"><span style="font-weight: 400;">Macarthismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que os políticos americanos perseguiam amplamente os comunistas e aqueles que não se viam como heterossexuais. Com Matt Bomer e Jonathan Bailey interpretando os protagonistas Hawkins e Tim, respectivamente, o amor de dois homens durante quatro décadas é o tema principal na narrativa adaptada pelo produtor Ron Nyswaner.</span></p>
<p><span id="more-33523"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na década de 1950, em um contexto de </span><a href="https://www.todamateria.com.br/guerra-fria/"><span style="font-weight: 400;">Guerra Fria</span></a><span style="font-weight: 400;">, as pessoas que trabalhavam na política estadunidense possuíam apenas um objetivo: combater o comunismo e tudo aquilo que, de alguma forma, é associado a ele. Baseado em fatos reais, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fellow Travelers</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) discute sobre o </span><a href="https://lojamundogeek.com.br/qual-e-o-susto-da-lavanda-em-outros-viajantes-a-verdadeira-historia-por-tras-das-demissoes-lgbtq-do-governo/"><span style="font-weight: 400;">Susto da Lavanda</span></a><span style="font-weight: 400;">, época em que o governo norte-americano demitiu trabalhadores considerados LGBTQIAPN+ por associar o movimento à luta socialista. Hawkins Fuller é um membro do Departamento do Estado e Tim Laughlin é um funcionário do Congresso; eles são apenas dois dos servidores públicos que escondem sua sexualidade para manter o emprego. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que o tema político seja abordado constantemente na primeira metade da série, é o amor tórrido entre os dois protagonistas que serve como fio condutor da narrativa baseada no livro homônimo de </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/thomas-mallon-faz-um-retrato-perspicaz-da-nova-york-de-1980-em-up-with-the-sun/"><span style="font-weight: 400;">Thomas Mallon</span></a><span style="font-weight: 400;">, lançado em 2007. Enquanto Fuller é um homem que esconde sua orientação sexual, Laughlin abraça a sexualidade, mesmo sendo tipicamente católico. A partir da interação deles no trabalho, temas como a rivalidade entre o capitalismo e comunismo, e a luta da comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">estadunidense são vistos ao longo das décadas abordadas no programa televisivo.</span></p>
<figure id="attachment_33526" aria-describedby="caption-attachment-33526" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33526" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-3.png" alt="Imagem da série Companheiros de Viagem. Na foto, os atores Jonathan Bailey e Matt Bomer estão em uma praia. Os dois estão utilizando uma camisa branca de botão e calças com tons acinzentados. Matt Bomer está tirando uma foto de Jonathan Bailey." width="1999" height="1300" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-3.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-3-800x520.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-3-1024x666.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-3-768x499.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-3-1536x999.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-3-1200x780.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33526" class="wp-caption-text">Jonathan Bailey venceu o Critics Choice Awards de 2024 na categoria de Melhor Ator Coadjuvante em Filme ou Minissérie (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na maior parte do tempo, o relacionamento entre Hawkins e Tim é um fruto proibido: os dois não podem ser vistos juntos por conta da perseguição política da época. Por isso, o ex-veterano visita o congressista às escondidas, mantendo o amor entre quatro paredes. Em um primeiro momento, as cenas sexuais podem chocar por serem altamente explícitas. No entanto, o recurso não é usado para </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mes-do-orgulho-lgbtqia/"><span style="font-weight: 400;">sexualizar</span></a><span style="font-weight: 400;"> os atores. Muito pelo contrário, é através da conexão sexual da química entre os artistas que a relação dos protagonistas se desenvolve ao longo dos oito episódios da minissérie.</span></p>
<p><a href="https://revistaquem.globo.com/entretenimento/series-e-filmes/noticia/2024/05/jonathan-bailey-de-bridgerton-sera-protagonista-de-proximo-jurassic-world.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Jonathan Bailey</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, entrega uma atuação magistral ao dar vida a um homem fiel à política norte-americana e comprometido com seus deveres. A pureza nos olhos do protagonista só consegue ser transmitida ao espectador devido à competência do ator. A religião, presente em sua vida, é imprescindível e, por isso, nos primeiros contatos do personagem com sua sexualidade, a culpa cristã permanece em seus pensamentos. Entretanto, aos poucos, o personagem entende que não há nada de errado em ser diferente. Por outro lado, Hawkins Fuller é o tipo de homem gay que prefere continuar no armário. Para ele, o sexo com outros homens é um passatempo. Até o momento em que ele conhece Skippy, apelido carinhoso dado ao jovem religioso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O romance ardente entre os dois só consegue carregar a trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Companheiros de Viagem</span></i><span style="font-weight: 400;"> devido ao trabalho de qualidade dos atores principais. Tanto Matt Bomer quanto Bailey interpretam personagens que, se não fossem vividos por artistas talentosos, não teriam suas nuances dissecadas. A série se utiliza de duas linhas temporais para abordar o relacionamento dos protagonistas e da vida </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">nos Estados Unidos. A cada episódio, vemos duas décadas principais: 1950, retratando o início da relação deles, e 1980, período em que a </span><a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/aids-hiv#:~:text=A%20aids%20%C3%A9%20a%20doen%C3%A7a,s%C3%A3o%20os%20linf%C3%B3citos%20T%20CD4%2B."><span style="font-weight: 400;">Aids</span></a><span style="font-weight: 400;"> era associada à comunidade LGBTQIAPN</span><span style="font-weight: 400;">+</span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_33524" aria-describedby="caption-attachment-33524" style="width: 1480px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33524" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-3.png" alt="Imagem da série Companheiros de Viagem. Na foto, os atores Jonathan Bailey e Matt Bomer estão em um bar e vestem roupas sociais. Matt Bomer está com a mão no rosto de Jonathan Bailey" width="1480" height="833" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-3.png 1480w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-3-1200x675.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33524" class="wp-caption-text">Com oito episódios, a trama de Fellow Travelers mescla a realidade histórica e o romance dos personagens fictícios (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na década de 1980, Tim Laughlin desenvolveu Aids devido ao vírus HIV e está em seus últimos momentos. Enquanto isso, Fuller possui uma vida tipicamente norte-americana com uma esposa, filha e netos. Desde o primeiro episódio, é certo que o relacionamento entre os dois homens não dará certo. Porém, isso não impede o público de apreciar o belo roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Companheiros de Viagem</span></i><span style="font-weight: 400;">. O texto de Ron Nyswaner – conhecido por roteirizar obras com temática LGBTQIAPN+, como o clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">Philadelphia</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1993) e o longa </span><a href="https://personaunesp.com.br/my-policeman-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">My Policeman</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022) –, é rico em detalhes da política estadunidense, envolvendo o espectador em um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> romântico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma dos arcos narrativos mais interessantes da série é a vida dupla de Hawk Fuller e as decepções que o ex-soldado causa aos cônjuges. Para a sociedade, ele vive um relacionamento perfeito com a adorável Lucy Smith (</span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-148233/"><span style="font-weight: 400;">Allison Williams</span></a><span style="font-weight: 400;">), moça com quem se casa para não ser perseguido pelo estado. Às escondidas, ele e Skippy podem viver um sonho: a vivência </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">. O motivo pelo qual o romance entre eles sustenta </span><i><span style="font-weight: 400;">Fellow Travelers</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a lupa que envolve as características pessoais dos protagonistas. O conformismo de Fuller com a sexualidade guardada se entrelaça à paixão de Laughlin por ser gay e orgulhoso de ser quem é. A malícia do personagem de Matt Bomer se mistura em meio à inocência do jovem vivido por Jonathan Bailey.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto adjetivo abordado na série é a diferença entre homens gays brancos e negros. Marcus Hooks (Jelani Alladin) é um homem preto, que possui questões com sua sexualidade devido às ações do senador </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c14k1nr7y22o"><span style="font-weight: 400;">Joseph R. McCarthy</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Chris Bauer) contra a população LGBTQIAPN+. O repórter se envolve com a </span><i><span style="font-weight: 400;">drag queen</span></i><span style="font-weight: 400;"> Frankie Hines (Noah J. Ricketts) e, a partir do relacionamento com a performer, ele entende a importância de falar sobre sua orientação sexual enquanto afro-americano. No episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">Noites Brancas</span></i><span style="font-weight: 400;">, o sétimo da minissérie, há a abordagem do assassinato de </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-triste-fim-do-primeiro-homem-abertamente-gay-ser-eleito-um-cargo-publico-na-california.phtml"><span style="font-weight: 400;">Harvey Milk</span></a><span style="font-weight: 400;">, político gay que se tornou um martir para a comunidade. O acontecimento, que é baseado em um fato real, é bem retratado e permite que o público conheça mais um pouco das figuras que morreram em nome da luta </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_33528" aria-describedby="caption-attachment-33528" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33528" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-1.png" alt="Imagem da série Companheiros de Viagem. Na foto, os atores Jonathan Bailey e Matt Bomer estão em uma praia. Os dois estão molhados e estão correndo pela areia. Eles vestem um shorts de banho." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-1-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33528" class="wp-caption-text">A química entre os atores é o principal ponto positivo de Companheiros de Viagem (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Há também momentos mais sombrios no que se relaciona à perseguição que a comunidade sofreu durante os anos mais severos do Macarthismo. Em um episódio, Hawk Fuller é submetido ao </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-poligrafo-e-um-detector-de-mentiras-confiavel.phtml"><span style="font-weight: 400;">polígrafo</span></a><span style="font-weight: 400;">, aparelho que detecta a veracidade de frases ditas por uma pessoa a partir da análise de comportamentos psicológicos. A tática era uma das formas de descobrir acerca da sexualidade dos funcionários do Estado. Para não ser descoberto, o ex-soldado treina seus pensamentos e respostas, reprimindo todo e qualquer sentimento gay que possui. A cena da tortura é uma das mais emocionantes da série e mostra o caminho árduo que as pessoas não heterossexuais percorriam nesse período da história norte-americana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As décadas de 1960 e 1970 também ganharam pouco tempo de tela durante a segunda metade da série. No entanto, as tramas ocorridas em 1950 e 1980 são as principais e, por isso, os 20 anos que as separam apenas servem para mostrar que, aos poucos, a paixão tórrida dos personagens foi se dissolvendo com o tempo. Em ambas, o amor escondido entre os protagonistas dá lugar à </span><a href="https://amenteemaravilhosa.com.br/amizade-colorida/"><span style="font-weight: 400;">amizade colorida</span></a><span style="font-weight: 400;">.  Juntos, eles vivem um romance às escondidas mais uma vez. Em certo momento da trama, o ex-soldado se afasta da família após a morte de Jackson (Etienne Kellici), filho do relacionamento dele com Lucy Smith. Nesta parte, há mais uma camada dissecada do personagem: no álcool e nas drogas, ele pode viver a sua mentira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De todas as narrativas, a da década de 1980 é a que possui o maior tom político-social. Aqui, a juventude </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> já não possui medo. Eles lutam diariamente contra a </span><a href="https://unaids.org.br/2021/07/nos-40-anos-da-pandemia-de-aids-paradas-do-orgulho-lgbt-de-sao-paulo-trazem-o-hiv-como-tema-para-acabar-com-o-estigma-e-a-discriminacao/"><span style="font-weight: 400;">estigmatização</span></a><span style="font-weight: 400;"> e em nome do reconhecimento da comunidade como seres humanos contemplados pelos direitos políticos. Leis, políticas públicas e aceitação são três dos objetivos daqueles que tomam à frente da luta LGBTQIAPN+ em </span><i><span style="font-weight: 400;">Companheiros de Viagem</span></i><span style="font-weight: 400;">. Os momentos finais de Tim Laughlin, ao lado de Hawkins Fuller, levam o espectador a pensar: ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">o que eles teriam sido um para o outro se ficassem juntos?</span></i><span style="font-weight: 400;">’.</span></p>
<figure id="attachment_33527" aria-describedby="caption-attachment-33527" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33527" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-2.png" alt="Imagem da série Companheiros de Viagem. Na foto, os atores Jonathan Bailey e Matt Bomer estão sentados na areia da praia. Os dois estão utilizando uma camisa branca de botão e calças com tons acinzentados. Jonathan Bailey está usando óculos de sol e Mat Bomer está olhando para ele." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-2.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-2-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-2-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33527" class="wp-caption-text">Fellow Travelers aborda o relacionamento de Hawkins Fuller e Tim Laughlin durante quatro décadas (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos poderes mais especiais do audiovisual é a possibilidade do público  se enxergar na ficção. Entre temas mais pesados e vivências mais leves, a </span><a href="https://www.fundobrasil.org.br/blog/as-dificuldades-enfrentadas-pelas-pessoas-lgbtqia/#:~:text=Apesar%20de%20ter%20alcan%C3%A7ado%20muitas,justa%2C%20igualit%C3%A1ria%20e%20sem%20preconceitos."><span style="font-weight: 400;">vida </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">possui os mais diferentes retratos. Através deles, com histórias que aconteceram na vida real ou não, pessoas se identificam. Para alguns, séries e filmes são um mantra a ser seguido. Infelizmente, há diversos Hawkins Fuller e Tim Laughlin no mundo. Jovens que morreram por preconceito ou, até mesmo, pessoas que nunca puderam aproveitar a sua própria sexualidade. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Fellow Travelers</span></i><span style="font-weight: 400;"> tivesse mil universos, os personagens de Matt Bomer e Jonathan Bailey se apaixonariam um pelo outro todas as vezes. Eles não foram namorados e tampouco puderam assumir o amor que possuíam aos quatro cantos do mundo, mas se tornaram eternos companheiros de viagem.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Companheiros de Viagem Minissérie 2023 - TRAILER DUBLADO OFICIAL" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/t-gFkYDnZ8g?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Oppenheimer: a explosão e os destroços de uma mente brilhante</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Feb 2024 15:51:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Pâmela Palma  O novo filme de Christopher Nolan (Tenet) estreou de um jeito diferente de tudo produzido pelo cineasta até hoje. Oppenheimer chegou às telas com um teor crítico e extremamente didático, algo raramente produzido por outros grandes nomes da atualidade. De forma densa, realista e rica em detalhes, a obra nasce com a intenção &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Oppenheimer: a explosão e os destroços de uma mente brilhante"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32520" aria-describedby="caption-attachment-32520" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32520" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-3.jpg" alt="" width="1000" height="562" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-3.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32520" class="wp-caption-text">Herói ou vilão? Algumas pessoas riram, outras choraram, mas a maioria ficou em silêncio (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Pâmela Palma </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O novo filme de</span><span style="font-weight: 400;"> Christopher</span><span style="font-weight: 400;"> Nolan (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tenet-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tenet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) estreou de um jeito diferente de tudo produzido pelo cineasta até hoje. </span><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou às telas com um teor crítico e extremamente didático, algo raramente produzido por outros grandes nomes da atualidade. De forma densa, realista e rica em detalhes, a obra nasce com a intenção de retratar biograficamente a vida do físico e cientista J. Robert Oppenheimer, responsável pelo Projeto Manhattan e pelas duas grandes bombas atômicas utilizadas pelos Estados Unidos nas cidades de Hiroshima e Nagasaki como ultimato para cessar a Segunda Guerra Mundial em 1945.</span></p>
<p><span id="more-32517"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para facilitar a compreensão das três horas densas, Nolan constrói uma versão dupla, dividindo as cenas em duas partes: as coloridas, que representam a visão de Oppenheimer (Cillian Murphy), e as que possuem tratamento preto e branco, que, ao invés de relatarem fatos passados, teletransportam o público para o presente, em uma visão externa dos acontecimentos, fazendo com que o filme ganhe um caráter </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/oppenheimer-tem-algo-inedito-na-historia-do-cinema/"><span style="font-weight: 400;">inédito</span></a><span style="font-weight: 400;"> e uma construção visual impecável. Apesar disso, em alguns momentos, o diretor parece ter dificuldade para encaixar os contextos em suas respectivas linhas do tempo, já que o longa aborda diversos personagens para seguir com a história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O secreto Projeto Manhattan deu origem a Los Alamos, cidade financiada pelo governo americano que foi usada como berço para a bomba atômica. A arma, responsável por aniquilar cerca de</span><a href="https://br.ign.com/oppenheimer/111528/news/quantas-pessoas-morreram-pela-invencao-de-oppenheimer"><span style="font-weight: 400;"> 265 mil pessoas</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi construída em segredo no local, liderada por Oppenheimer com a participação de outros renomados físicos, que também ganharam pequenos momentos na trama. Entretanto, o grande elemento de análise é J. Robert Oppenheimer, vivido de forma impecável por Murphy, concorrendo à estatueta de Melhor Ator no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_32521" aria-describedby="caption-attachment-32521" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32521" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-3.jpg" alt="" width="600" height="420" /><figcaption id="caption-attachment-32521" class="wp-caption-text">O físico testemunhou com seus próprios olhos o poder dilacerador de sua invenção (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Polêmico, ambicioso, confuso e covarde (quando não se tratava de física) são palavras que resumem bem a personalidade do cientista. Embora dono de uma mente genial, ele já possuía comportamentos problemáticos desde a academia. No que diz respeito à construção pessoal do personagem, a trama entrega ótimos resultados, principalmente nos primeiros momentos, ao abordar o fascínio de Oppenheimer pelos elementos químicos, em uma jornada para provar a si mesmo que ele pode fazer mais. É nítido que </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/cillian-murphy-comeu-apenas-uma-amendoa-por-dia-para-fazer-oppenheimer-diz-atriz/"><span style="font-weight: 400;">Cillian Murphy</span></a><span style="font-weight: 400;"> dá a vida e todo o charme necessário para trazer todas as nuances esperadas para o papel. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito da obra gira em torno do caos político que pairava sobre a época. Neste contexto, Oppenheimer se afeiçoa </span><a href="https://pipocasclub.com.br/2023/07/24/oppenheimer-era-um-espiao-ele-era-comunista-entenda/"><span style="font-weight: 400;">pelo comunismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, logo quando se torna um professor renomado. Sua família não faz diferente: o irmão, Frank (Dylan Arnold), era membro ativo do Partido Comunista, e para a cereja do bolo, o protagonista se casa com Katherine (Emily Blunt), também alinhada ao movimento. Mesmo deixando a organização após se casar, por saber das complicações que causaria na trajetória do marido, os rastros desse passado os perseguem para sempre, se tornando o grande estopim para a carreira brilhante do físico ir ladeira abaixo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um ponto alto que merece o devido reconhecimento é o papel que Emily Blunt interpreta durante o desenrolar da história, crucial tanto para a trama, quanto para o descanso dos telespectadores e também reconhecida com uma nomeação da Academia, como Melhor Atriz Coadjuvante. É ela quem traz os principais momentos de emoção, já que a história conta com atuações totalmente racionais e frias. Por outro lado, Florence Pugh, que vive Jean, a amante do protagonista, não teve a mesma sorte e fez o melhor que pôde com seus </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/oppenheimer-nolan-pediu-desculpas-a-florence-pugh-por-papel-pequeno-no-filme/#:~:text=Florence%20Pugh%20interpretou%20Jean%20Tatlock%20em%20Oppenheimer%20-,de%20tela%20Reda%C3%A7%C3%A3o%20Publicado%20em%2023%2F08%2F2023%2C%20%C3%A0s%2011h00"><span style="font-weight: 400;">poucos minutos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de tela, que, na maioria, são apenas cenas de cunho sexual. Entre os saltos dessas relações, é nítido quão confusa é a mente de Oppenheimer, vivendo em uma relação morna com ambas as mulheres de sua vida, sem transparecer a sensação de um amor profundo. A morte de Jean surge apenas para tentar trazer uma entonação emocional para o personagem, mas acaba sendo irrelevante. Cillian Murphy e papéis sentimentais na mesma frase são coisas quase impossíveis.</span></p>
<figure id="attachment_32519" aria-describedby="caption-attachment-32519" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32519" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-2.jpg" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32519" class="wp-caption-text">Mais um arrependimento para Oppenheimer acompanhar aos outros que já existem na sua estante (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">À medida que o projeto se desenvolve e a tão esperada data do grande teste chega, nota-se a evolução do quadro perturbador do pai da bomba atômica. Além disso, algo muito importante vem à tona: o início das movimentações de Lewis Strauss (Robert Downey Jr.) para fazer com que Oppenheimer perca seus acessos confidenciais logo após a entrega da arma. Essa virada de chave é o primeiro passo de Nolan para a tentativa de segurar a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4LGGdHiEaaM"><span style="font-weight: 400;">curiosidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> do espectador para o restante da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Trinity, o momento que todos aguardavam ansiosamente, chega com um apoio gigantesco da trilha sonora de </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0rwbMKjNkp4ehQTwf9V2Jk"><span style="font-weight: 400;">Ludwig Goransson</span></a><span style="font-weight: 400;">. Composta por pianos, violinos e harpas, ela sustenta o suspense nos minutos antes da explosão, quando surge a grande reviravolta: o silêncio interminável, ao invés do barulho estrondoso de uma bomba, tudo que se pode ouvir é a respiração profunda de Oppenheimer. Nolan faz questão de projetar a cena desta maneira para lembrar que o filme é sobre a visão do personagem e não mais uma história sobre o ataque como outras mil que já existem. É o silêncio que permite captar as emoções de medo e ansiedade do físico, que seguem pelo momento em que os caminhões levam as verdadeiras bombas ao campo de batalha, no qual o vemos desmanchar em arrependimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um sucesso monstruoso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i><span style="font-weight: 400;"> acumulou estimados US$ 700 milhões nas bilheterias pelo mundo. O favorito da crítica lidera a lista de filmes indicados ao</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">com 13 indicações, superando </span><i><span style="font-weight: 400;">Pobres Criaturas</span></i><span style="font-weight: 400;">, que possui 11 indicações na premiação mais aguardada do ano. Além deste grande êxito, o filme ainda levou várias estatuetas de premiações renomadas do cinema, como Globo de Ouro, </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;"> (o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">britânico) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Critic’s Choice Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">. No </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, consolida sua corrida com Melhor Diretor, para Christopher Nolan, Melhor Filme e Melhor Som, entre outras nomeações.</span></p>
<figure id="attachment_32518" aria-describedby="caption-attachment-32518" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32518" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3.jpg" alt="" width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32518" class="wp-caption-text">Quem tem um amigo como Lewis Strauss, não precisa de um inimigo (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Seguindo com as explosões. Quando o projeto final é entregue nas mãos das autoridades americanas, as suspeitas de Oppenheimer ser um espião soviético já estão no auge, já que uma operação comandada por um comitê forjado tem investigado a fundo seu passado. Vem a tona que tudo isso é armado por seu até então colega </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-1000033990/"><span style="font-weight: 400;">Lewis Strauss</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Robert Downey Jr.). A atuação de </span><span style="font-weight: 400;">Downey Jr. </span><span style="font-weight: 400;">entrega uma performance avassaladora, talvez a melhor de sua carreira, digna de um</span><i><span style="font-weight: 400;"> Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Ator Coadjuvante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como nem tudo na vida é perfeito</span><span style="font-weight: 400;">, ainda faltando cerca de uma hora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i><span style="font-weight: 400;">, após o ponto alto que foi o teste Trinity, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fez7X_oevNs"><span style="font-weight: 400;">Christopher</span><span style="font-weight: 400;"> Nolan</span></a><span style="font-weight: 400;"> assume o desafio de terminar de contar o restante da história de maneira que prenda a atenção do público. O que sobrou foi um emaranhado de questões políticas que decidiram o destino da carreira de J. Robert Oppenheimer. Os momentos de julgamento parecem intermináveis, contudo, necessários para a finalização do longa, que termina relatando nada mais e nada menos do que a realidade de uma mente brilhante que foi usada pelas autoridades da época e praticamente esquecida depois, reduzido a um homem comum colecionando medalhas.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="OPPENHEIMER - Novo Trailer (Universal Studios) – HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/F3OxA9Cz17A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Trazendo todos os elementos importantes para que possamos chamá-lo de um ‘‘super filme&#8221;, </span><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é para amadores. Longo, denso e detalhista, é uma obra-prima quando se trata de estrutura, uma vez que todos os elementos visuais e sonoros são excepcionalmente bem empregados. Ainda que o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JLkpxRXJ1_8"><span style="font-weight: 400;">elenco</span></a><span style="font-weight: 400;"> possua grandes nomes para tentar suavizar a densidade, a história exige atenção máxima nas três horas de duração e ainda não superou outras grandes produções de Christopher Nolan, como</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Origem </span></i><span style="font-weight: 400;">e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Interestelar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ainda assim, é evidente que é um dos </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-filmes-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">maiores lançamentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2023.</span></p>
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		<title>Segredos de Um Escândalo prova que a Arte não passa a história a limpo</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Feb 2024 21:27:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Pode a Arte imitar a realidade sem se basear nela? Pode a vida de alguém virar arte se não houver autorização? Todd Haynes prova que sim. Tão melodramático quanto bem-humorado, Segredos de Um Escândalo, inspirado em uma história real, mostra que o papel da arte não é necessariamente passar as coisas a limpo. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/segredos-de-um-escandalo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Segredos de Um Escândalo prova que a Arte não passa a história a limpo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32492" aria-describedby="caption-attachment-32492" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32492" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image5-3.png" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image5-3.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image5-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image5-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image5-3-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32492" class="wp-caption-text">No Oscar 2024, May December concorre à categoria de Melhor Roteiro Original (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pode a Arte imitar a realidade sem se basear nela? Pode a vida de alguém virar arte se não houver autorização? Todd Haynes prova que sim. Tão melodramático quanto bem-humorado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Segredos de Um Escândalo</span></i><span style="font-weight: 400;">, inspirado em uma </span><a href="https://www.rollingstone.com/culture/culture-features/mary-kay-letourneau-may-december-true-story-1234918355/#:~:text=May%20December%20is%20loosely%20based,in%20a%20car%20with%20Fualaau."><span style="font-weight: 400;">história real</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostra que o papel da arte não é necessariamente passar as coisas a limpo. Do contrário, a obra disseca os restos do que um dia foi um escândalo, reimaginando os ecos reais dele muito tempo depois que os noticiários se esqueceram. </span></p>
<p><span id="more-32489"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A tarefa de encarar o dramalhão é de Julianne Moore, Charles Melton e Natalie Portman. Os dois primeiros são um casal aparentemente feliz, mas que escondem mais do que a superfície mostra. Ela, Gracie, e ele, Joe, tem uma diferença de idade de praticamente 30 anos e começaram a se relacionar quando o menino tinha apenas 13. Já a última é Elizabeth Berry, uma atriz que passa a conviver com a dupla para estudar Gracie e interpretá-la fielmente em um filme independente. Quando o equilíbrio perfeito da casa é abalado pela convivência com a atriz, o </span><a href="https://variety.com/2023/film/news/may-december-true-story-mary-kay-letourneau-1235757908/"><span style="font-weight: 400;">passado volta à tona</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; dessa vez, para ser questionado e não endossado.</span></p>
<figure id="attachment_32494" aria-describedby="caption-attachment-32494" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32494" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-5.png" alt="" width="728" height="385" /><figcaption id="caption-attachment-32494" class="wp-caption-text">Gracie e Elizabeth travam uma guerra de narcisismo (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo começa com a falta de cachorros quentes na geladeira. Longe de se autointitular </span><i><span style="font-weight: 400;">camp </span></i><span style="font-weight: 400;">ou </span><a href="https://www.vulture.com/2024/01/vili-fualaau-mary-kay-letourneau-may-december.html"><span style="font-weight: 400;">fazer justiça com as próprias mãos</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">May December </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original) come pelas beiradas. Isso porque o caso por trás do escândalo-título é digno de tabloides, mas não requer uma nova exposição. Pelo contrário, a Elizabeth de Portman conhece as nuances da história na mesma ordem que o espectador: primeiro de fora, quando observa trechos de revistas e jornais sobre o julgamento do “</span><i><span style="font-weight: 400;">pet-shop romance</span></i><span style="font-weight: 400;">” ou fotos de Gracie tendo a primeira filha com Joe na prisão, ainda vestindo a tornozeleira eletrônica. Depois, de dentro, quando é confrontada com um casal calmo, com uma casa grande em um bairro familiar, uma churrasqueira com cachorros quentes, cervejas geladas, bolos de abacaxi, amigos preocupados, dois filhos adolescentes prestes a partir para a faculdade e uma encomenda com fezes dentro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a conta não fecha, é aí que Elizabeth Berry entra. A </span><a href="https://slate.com/culture/2023/12/natalie-portman-may-december-movie-netflix-black-swan-jackie.html"><span style="font-weight: 400;">atriz</span></a><span style="font-weight: 400;"> assegura que só quer fazer jus à Gracie no filme, conhecer as zonas cinzas de onde o suposto romance nasceu. Aqui, não há opinião formada: ela está aberta para escutar o que seus objetos de estudo têm a dizer, não imputar suas próprias conclusões sobre eles. </span><i><span style="font-weight: 400;">Segredos de Um Escândalo </span></i><span style="font-weight: 400;">funciona justamente nessas áreas cinzas. Enquanto Gracie alega uma paixão avassaladora e um relacionamento feliz &#8211; e Joe acredita -, o dia a dia mostra uma dinâmica controladora, em que a mulher manda tão comumente quanto o marido obedece. Os anos de diferença evocam algo maternal. Você já está na segunda cerveja, desacelera. Não deixe suas coisas espalhadas na sala. Vá tomar banho antes de dormir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nisso, tanto Julianne Moore quanto Gracie se mostram uma raposa. Sempre que o assunto da diferença de idade vem à tona, a personagem declara o amor dos dois e lembra o quanto Joe a seduziu. Ela infla seu ego com comentários cortantes em direção a ele e às crianças, reitera o quanto sempre foi ingênua, reforça sua feminilidade e, quando precisa, chora desamparada como se não tivesse o dobro de maturidade do que qualquer um em cena. Na pele dela, Moore calibra seus gestos, ora se portando com inocência, ora com um ar de quem calcula cada movimento para ser percebida como quer. Modulando a voz, Gracie é </span><a href="https://deadline.com/2023/12/may-december-julianne-moore-interview-1235677359/"><span style="font-weight: 400;">incisiva e firme</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas rapidamente muda e soa como uma criança que não sabe as consequências de seus atos, enganando a vizinhança e o próprio marido. Ou quem sabe ela é assim e realmente acredita na própria infantilidade?</span></p>
<figure id="attachment_32496" aria-describedby="caption-attachment-32496" style="width: 1503px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32496" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/may-december.png" alt="" width="1503" height="741" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/may-december.png 1503w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/may-december-800x394.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/may-december-1024x505.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/may-december-768x379.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/may-december-1200x592.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32496" class="wp-caption-text">Todd Haynes e Segredos de um Escândalo concorreram ao Palma de Ouro no Festival de Cannes 2023; o prêmio foi para Justine Triet e Anatomia de uma Queda (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O cinismo é a chave de </span><i><span style="font-weight: 400;">Segredos de Um Escândalo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ao contrário de Moore, que nunca deixa transparecer a verdade por trás de suas intenções, Natalie Portman é ótima atriz em interpretar uma atriz mediana. Por mais que tente, Elizabeth Berry preenche a tela em branco com suas opiniões e intenções, mas, no caminho, rende cenas tensas ao lado de Joe e Gracie. A frente de um espelho ou em um consultório médico, o desconforto surge ao passo que ela cruza a linha entre </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-news/natalie-portman-film-decline-social-media-influencers-1235833116/"><span style="font-weight: 400;">observação e intromissão</span></a><span style="font-weight: 400;">, se aproveitando dos maneirismos de uma Moore brilhante para incorporar Gracie o máximo que pode &#8211; até de forma cômica, intencionalmente ou não.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio disso está Joe. Como uma criança perdida, ele não cria conflito, assiste TV, cuida de suas lagartas e apazigua os ânimos quando convém. É na presença de </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-news/charles-melton-riverdale-juilliard-may-december-1235766201/"><span style="font-weight: 400;">Charles Melton</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o trio protagonista se eleva: introvertido e retraído, o personagem é resultado do “escândalo pet-shop”, um adolescente para sempre preso no corpo de um homem adulto, que nunca teve a chance de amadurecer sozinho. Até a relação com os filhos, com pouco mais da metade da idade dele, é desigual, já que as crianças viveram experiências que o próprio nunca pôde. A mera constatação de que adultos fazem coisas de adulto o abala, como se ele não soubesse como agir como um.</span></p>
<figure id="attachment_32491" aria-describedby="caption-attachment-32491" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32491" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-2.png" alt="" width="770" height="416" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-2.png 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-2-768x415.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32491" class="wp-caption-text">Injustiçado, May December não levou nada no Globo de Ouro e no Critics Choice Awards (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das performances, a direção novelesca de Todd Haynes cria a atmosfera inquietante que move as incertezas de </span><i><span style="font-weight: 400;">May December</span></i><span style="font-weight: 400;">. A condução simples, mas eficiente, as metáforas escancaradas, composições visuais geniais e uma boa dose de humor fazem o filme passear entre um drama voraz e uma </span><a href="https://variety.com/2024/film/columns/may-december-comedy-camp-todd-haynes-julianne-moore-natalie-portman-1235860085/"><span style="font-weight: 400;">sátira</span></a><span style="font-weight: 400;"> à própria indústria do Cinema que pouco o reconheceu. Apesar de superar outras obras nomeadas, seu nome não foi mencionado o suficiente nas grandes premiações norte-americanas, como o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> SAG Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou outros prêmios de sindicatos hollywoodianos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os poucos reconhecimentos foram os nomes de Melton, Moore e Portman em eventos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choic Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> e Globo de Ouro, mas, ainda assim, sem receber os devidos louros. Um alívio foi a indicação certeira da roteirista Samy Burch, que dois domingos antes do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">consagrou seu nome junto de Alex Mechanik (responsável pela história, junto dela) no </span><a href="https://x.com/filmindependent/status/1761882269772660922?s=20"><i><span style="font-weight: 400;">Spirit Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, premiação de filmes independentes. Com um tato para desconcertar o espectador e não dar de bandeja se </span><i><span style="font-weight: 400;">Segredos de Um Escândalo </span></i><span style="font-weight: 400;">é </span><i><span style="font-weight: 400;">camp </span></i><span style="font-weight: 400;">ou não, a novata aproveitou uma polêmica real para criar algo maior do que uma cinebiografia não autorizada e mergulhou nas vulnerabilidades de seus personagens. A torcida é para que Burch continue sua caminhada representando o longa e faça uma competição grandiosa com </span><a href="https://personaunesp.com.br/anatomia-de-uma-queda-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Anatomia de uma Queda</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/past-lives-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Vidas Passadas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, deixando </span><i><span style="font-weight: 400;">Maestro </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Rejeitados </span></i><span style="font-weight: 400;">para trás.</span></p>
<figure id="attachment_32493" aria-describedby="caption-attachment-32493" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32493" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-4.png" alt="" width="640" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-32493" class="wp-caption-text">Natalie Portman é uma das produtoras de May December e escolheu Todd Haynes a dedo para dirigi-lo (Foto: Diamond Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem previsão para chegar na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">Brasil (nos Estados Unidos, o longa foi lançado direto na plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">), </span><i><span style="font-weight: 400;">Segredos de Um Escândalo </span></i><span style="font-weight: 400;">adentra as entranhas do imaginário popular e ainda cutuca os adeptos ao método de atuação e às produções </span><a href="https://personaunesp.com.br/pacto-brutal-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">true crime</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O segredo é não se levar a sério demais e render boas risadas proibidas no caminho, sem acreditar se a canalhice das </span><a href="https://x.com/Variety/status/1733263918565576833?s=20"><span style="font-weight: 400;">protagonistas são reais</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou elas estão cegas na própria desonestidade que nos fazem acreditar junto. Ao final, quem sai ferido é Joe e quem sai curado é Charles Melton, que alça seu nome à </span><i><span style="font-weight: 400;">A-List </span></i><span style="font-weight: 400;">de Hollywood.</span></p>
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		<title>Lute por sua vida, Babilônia</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Mar 2023 22:28:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan Babilônia é sinônimo de grandeza. Uma das sete Maravilhas do Mundo Antigo, seus jardins também são os mais indecifráveis da história. Na alçada da Sétima Arte, Babilônia remete a um livro com suas páginas alimentadas por fofocas escandalizantes do Cinema nas décadas de 20 e 30, quando os roteiros ainda não imaginam &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/babilonia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Lute por sua vida, Babilônia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30087" aria-describedby="caption-attachment-30087" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30087" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1babilonia-800x534.jpg" alt="" width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1babilonia-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1babilonia-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1babilonia-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1babilonia-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1babilonia-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/1babilonia.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30087" class="wp-caption-text">O filme tem como base a bíblia de fofocas dos primórdios da Sétima Arte: Hollywood Babylon (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Babilônia é sinônimo de grandeza. Uma das sete </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/voce-sabia-que-os-jardins-suspensos-da-babilonia-na-verdade-ficavam-na-assiria.phtml"><span style="font-weight: 400;">Maravilhas do Mundo Antigo</span></a><span style="font-weight: 400;">, seus jardins também são os mais indecifráveis da história. Na alçada da Sétima Arte, </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i><span style="font-weight: 400;"> remete a um livro com suas páginas alimentadas por fofocas escandalizantes do Cinema nas décadas de 20 e 30, quando os roteiros ainda não imaginam ser preenchidos por diálogos. Bebendo da fonte dessa obra, o diretor e roteirista Damien Chazelle concebe seu mais novo trabalho, </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/noticias/616467/babylon-novo-filme-de-damien-chazelle-com-brad-pitt-e-margot-robbie-tem-primeiras-imagens-divulgadas/"><i><span style="font-weight: 400;">Babylon</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ambientado em uma Hollywood em movimento de transição e abastecida a sexo e drogas. </span></p>
<p><span id="more-30085"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Literalmente iniciado com um grande elefante na sala, </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia </span></i><span style="font-weight: 400;">prova que </span><a href="https://personaunesp.com.br/la-la-land-o-sabor-agridoce-da-nostalgia/"><span style="font-weight: 400;">Chazelle </span></a><span style="font-weight: 400;">domina as técnicas e, principalmente, a história do audiovisual. Acima da riqueza de recursos utilizados durante as três horas de segmentação, o diretor arma uma palestra como quem filma a enciclopédia do Cinema, fazendo um preciso recorte no período de passagem do </span><a href="https://www.todoestudo.com.br/artes/cinema-mudo"><span style="font-weight: 400;">Cinema Mudo</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o Cinema Sonoro mediante figuras ficcionais que se assemelham a nomes da realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano é 1926 e, no alto de um colina </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiana</span></i><span style="font-weight: 400;">, em uma festa regada por entorpecentes e lotada de pessoas nuas, os personagens principais são apresentados. A selvageria do evento é apenas a porta de entrada para a apresentação das suas melhores peças. É em meio a peitos, cocaína e um bom </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> que o espectador se encanta pelo magnetismo de Nellie LaRoy, vivida por </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/margot-robbie/"><span style="font-weight: 400;">Margot Robbie</span></a><span style="font-weight: 400;">, pelo impacto do </span><a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-elite-homoerotismo-artigo/"><span style="font-weight: 400;">galã Jack Conrad</span></a><span style="font-weight: 400;">, interpretado por Brad Pitt, e pela vontade de viver do protagonista Manny Torres, de Diego Calva. Para além deles, que roubam a cena, </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda conta com Lady Fay Zhu (Li Jun Li), uma artista de cabaré, a colunista de fofocas Elinor St. John (</span><a href="https://personaunesp.com.br/hacks-2-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jean Smart</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Sidney Palmer (Jovan Adepo), um talentoso trompetista negro.</span></p>
<figure id="attachment_30088" aria-describedby="caption-attachment-30088" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30088" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2babilonia-800x518.jpg" alt="" width="800" height="518" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2babilonia-800x518.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2babilonia-1024x662.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2babilonia-768x497.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2babilonia-1536x994.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2babilonia-1200x776.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/2babilonia.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30088" class="wp-caption-text">Após Era uma Vez em&#8230; Hollywood, Brad Pitt e Margot Robbie se reencontram no afronte à cidade do Cinema (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho anárquico de Chazelle faz com que o filme caminhe por uma linha tênue entre o sucesso e o desastre. Toda a extravagância dos </span><a href="https://www.megacurioso.com.br/artes-cultura/121068-6-curiosidades-sobre-os-jardins-suspensos-da-babilonia.htm"><span style="font-weight: 400;">Jardins Suspensos da Babilônia</span></a><span style="font-weight: 400;"> se converte na grandiosidade da produção, que atua como a própria droga sendo conduzida na corrente sanguínea: oscila entre a euforia e a melancolia, sem que seu usuário perceba a menor noção do tempo. Esse bacanal construído com alto orçamento é respeitável por tamanha audácia em filmar épicos biográficos, usados como materiais de estudo para qualquer amante de Cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O impressionante resgate histórico ganha combustível através da freneticidade de seus protagonistas, que incham o roteiro ao caos. Caos esse com o propósito de refletir a ansiedade que consumia a </span><a href="https://segredosdomundo.r7.com/hollywood/"><span style="font-weight: 400;">cidade do </span><i><span style="font-weight: 400;">show business</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, transpassando toda a angústia em relação a sobrevivência do Cinema através da suntuosa exploração do sentimentalismo e da fala. Número assustador à primeira vista, as três horas de duração são atraentes quando envoltos em trama e arcos de personagens fortemente entrelaçados e classicamente estruturados, fugindo da simplicidade por meio da adrenalina.</span></p>
<figure id="attachment_30089" aria-describedby="caption-attachment-30089" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30089" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3babilonia-800x328.jpg" alt="" width="800" height="328" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3babilonia-800x328.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3babilonia-1024x419.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3babilonia-768x314.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3babilonia-1536x629.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3babilonia-1200x491.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/3babilonia.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30089" class="wp-caption-text">A personagem de Jean Smart é uma junção das personas de duas críticas de Cinema rivais da época (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A dicotomia para designar as </span><a href="https://super.abril.com.br/cultura/a-historia-do-cinema/"><span style="font-weight: 400;">Eras cinematográficas</span></a><span style="font-weight: 400;"> trabalha em contraste entre o espontâneo e vibrante, e o rígido e frustrante. A ancoragem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i><span style="font-weight: 400;">, que garante a excelência da produção, está nas cenas de Nellie LaRoy. A confiança da moça sobre seu estrelato faz com que sua performance ao lado de Ruth Adler (Olivia Hamilton, esposa de Damien Chazelle) dá o molde ideal à história exposta no longa. Ao mesmo tempo, o excesso de elementos faz com que Adler seja pouco aproveitada em grande parte do longa-metragem. O filme traz várias analogias com </span><a href="https://www.teoriacultural.com.br/post/cantando-na-chuva-um-magn%C3%ADfico-filme-musical-atemporal-e-art%C3%ADstico"><i><span style="font-weight: 400;">Cantando na Chuva</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Garganta Profunda</span></i><span style="font-weight: 400;"> e outros grandes clássicos que fazem parte desse período de transição, possuem seus montadores, seus </span><i><span style="font-weight: 400;">sexsymbols</span></i><span style="font-weight: 400;"> e são admirados pelo diretor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A abordagem temática é descomplicada, facilitando ao espectador a compreensão dos termos técnicos. Existe crítica ativa às engrenagens da indústria que cerca a liberdade criativa de seus profissionais e a maneira como, de uma hora para outra, os atores são jogados ao ostracismo. É por meio de cenas chocantes ao público, dentro de uma estrutura narrativa esbanjando excesso nas cenas de humor e drama, que </span><i><span style="font-weight: 400;">Babylon</span></i><span style="font-weight: 400;"> retrata que a indústria apenas sobrevive entre sucessos e fracassos.</span></p>
<figure id="attachment_30090" aria-describedby="caption-attachment-30090" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30090" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4babilonia-800x554.jpg" alt="" width="800" height="554" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4babilonia-800x554.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4babilonia-1024x709.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4babilonia-768x532.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4babilonia-1536x1063.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4babilonia-1200x831.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/4babilonia.jpg 1560w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30090" class="wp-caption-text">Pouco aproveitado, Babylon traz em paralelo a historia do primeiro homem negro a ter sucesso em musicais (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A problemática maior da produção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia,</span></i><span style="font-weight: 400;"> e muito provavelmente o que jogou o filme nas catacumbas do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, está</span> <span style="font-weight: 400;">em sua montagem tão confusa quanto a opinião de quem o assiste. Afinal, como um filme que se estende por horas a fio a retratar o umbral de Hollywood pode terminar em tamanha esperança? Erro do diretor? Muito provavelmente não. </span><i><span style="font-weight: 400;">Babylon</span></i><span style="font-weight: 400;"> é consciente de suas disparidades. As danças entre talento e sorte, identidade e assimilação, criação de mitos apócrifos e verdades menos conhecidas</span> <span style="font-weight: 400;">faz parte de todo o balaio de gato que o próprio tenta abraçar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além disso, Damien Chazelle é obcecado pela perfeição, como visto em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iTgk3WbTErk&amp;ab_channel=SonyPicturesBrasil"><i><span style="font-weight: 400;">Whiplash</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com suas cinco indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2015, incluindo a de Melhor Filme, e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zXvgkkNMi-4&amp;t=2s&amp;ab_channel=Telecine"><i><span style="font-weight: 400;">La La Land</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">que o tornou o mais novo diretor a ganhar o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Direção. Seja encontrando um ritmo imaculado, voando no espaço ou fazendo sucesso em Hollywood, seus filmes apresentam personagens que estão dispostos a suportar tortura física e emocional para alcançar a linha de chegada, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i><span style="font-weight: 400;"> não foge à regra, sendo claramente uma produção realizada para a temporada de premiações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não ter alcançado o panteão de categorias, a excentricidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Babylon </span></i><span style="font-weight: 400;">garantiu a nomeação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino. E não é por menos, a trilha sonora sobrecarregada de Justin Hurwitz, o luxuoso </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção de Florencia Martin e a cinematografia interminável de </span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-olhe-para-cima-critica/"><span style="font-weight: 400;">Linus Sandgren</span></a><span style="font-weight: 400;"> contribuem para o teor exagerado da produção. Essas categorias técnicas também renderam duas estatuetas nesta temporada: Melhor Trilha Sonora Original, no Globo de Ouro, e Melhor Design de Produção, no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/critics-choice-awards/"><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30086" aria-describedby="caption-attachment-30086" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30086" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5babilonia-800x349.jpg" alt="" width="800" height="349" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5babilonia-800x349.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5babilonia-1024x446.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5babilonia-768x335.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5babilonia-1536x669.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5babilonia-1200x523.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5babilonia.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30086" class="wp-caption-text">Em uma sequência de cenas que poderiam ter sido descartadas no corte final, Daniel Radcliffe faz sua ponta em Babilônia (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É difícil definir o agridoce deixado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Babylon</span></i><span style="font-weight: 400;">. A doce carta de amor à Hollywood tem gosto amargo de um bilhete de suicidio e usa disso para ter a liberdade de ser imponente ao lado de suas peças deslumbrantes. A excelência está no calibre da trilha sonora, no conjunto de atores e no conhecimento inegável de Damien Chazelle. Mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixa vazios que nenhuma manipulação é capaz de preencher. Feito para ser desdenhoso, o fim não foge da hipocrisia e apenas o futuro poderá dizer se essa obra é a montagem mais verdadeira do diretor ou o material mais falso da carreira de Chazelle.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Babilônia | Trailer Oficial | Paramount Pictures Brasil" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/binSx3SfsaM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Entre Mulheres, ninguém nunca está só</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Mar 2023 20:57:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Freire Uma pequena colônia religiosa isolada. Apenas homens têm o direito de ser alguém. Durante a noite, tranquilizante de vaca. Ao amanhecer, quando o coração ainda bate, uma ferida que não cicatriza. Quem fez isso? Ou melhor, qual deles ainda não fez isso? Dali nove meses, uma vida – se for menino, um aprendiz; &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entre-mulheres-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Entre Mulheres, ninguém nunca está só"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30082" aria-describedby="caption-attachment-30082" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30082" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-10.jpg" alt="Cena do filme Entre Mulheres. Na imagem, vemos oito mulheres de idades distintas dentro de um celeiro. Quatro delas estão de pé e quatro estão sentadas. Dessas, três estão sentadas em feno e uma delas está sentada no chão. Todas elas vestem vestidos do mesmo estilo: mangas três-quartos ou compridas, em cores escuras e floridos, com exceção de duas idosas, que vestem vestidos de manga comprida preto sem nenhuma estampa. Todas elas estão com os cabelos trançados e algumas usam um lenço preto, de modo a aparecer a parte da frente de seus cabelos" width="1800" height="1201" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-10.jpg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-10-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-10-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-10-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-10-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-10-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30082" class="wp-caption-text">Entre Mulheres teve sua estreia no <a href="https://www.telluridefilmfestival.org/">Festival de Cinema de Telluride</a> no dia 2 de Setembro de 2022 e chegou aos cinemas brasileiros exatos seis meses depois (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Freire</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma pequena colônia religiosa isolada. Apenas homens têm o direito de ser alguém. Durante a noite, tranquilizante de vaca. Ao amanhecer, quando o coração ainda bate, uma ferida que não cicatriza. Quem fez isso? Ou melhor, qual deles ainda não fez isso? Dali nove meses, uma vida – se for menino, um aprendiz; se for menina, uma vítima. Certa noite, um rosto. Enfim, custódia! Todos eles saíram da colônia para ajudar com a fiança (é claro que eles saíram). Isso significou 48 horas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pD0mFhMqDCE"><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Três famílias debateram o futuro de todas as outras. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não fazer nada. Ficar e lutar. Ou ir embora</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Permanecer na comunidade que as violou? Ou se afastar de tudo o que conhecem, principalmente do Deus em quem ainda depositam sua fé? Ao mesmo tempo, tudo e nada a perder.</span></p>
<p><span id="more-30079"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Imaginar um cenário assim é angustiante, ainda mais sendo mulher. Lamentavelmente, a narrativa que sustenta </span><i><span style="font-weight: 400;">Women Talking </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original) não é fruto completo da imaginação. Entre os anos de 2005 e 2009, mulheres eram drogadas e abusadas sexualmente durante a noite em uma colônia menonita na </span><a href="https://www.vice.com/pt/article/vv4b99/os-estupros-fantasma-da-bolivia"><span style="font-weight: 400;">Bolívia</span></a><span style="font-weight: 400;">, independentemente da idade. Miriam Toews, que cresceu em uma dessas comunidades em Manitoba, escreveu um livro que não reconta esse caso, mas passa a ser uma resposta idealizada a ele, uma em que as vítimas realmente possuem a oportunidade de lutar. Com um intelecto feroz, uma força imensa e um senso visionário de como refazer o mundo sob o olhar feminino, </span><a href="https://www.indiewire.com/2023/02/sarah-polley-women-talking-interview-oscars-1234811960/"><span style="font-weight: 400;">Sarah Polley</span></a><span style="font-weight: 400;"> o adapta para a Sétima Arte e o coloca na disputa pela estatueta dourada de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-filme/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> – o único dirigido por uma mulher nessa categoria do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30080" aria-describedby="caption-attachment-30080" style="width: 2250px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30080" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14.jpg" alt="Cena do filme Entre Mulheres. Claire Foy, que interpreta Salome, é uma mulher branca com cabelos castanhos. Ela veste um vestido com manga três-quartos marrom escuro com flores rosa-claro espalhadas e um lenço preto nos cabelos, de modo a aparecer a parte da frente deles. Ela olha para frente com o olhar duro. Em seu colo, dorme Emily Mitchell, que interpreta Miep, filha de Salome. Ela é uma criança branca com cabelos loiros trançados e veste um vestido marrom claro com flores pretas. Ao seu lado está Rooney Mara, que interpreta Ona, irmã de Salome. Ela é uma mulher branca com cabelos loiros trançados e presos por uma rede para cabelo na cor preta. Ela veste um vestido de manga comprida verde escuro e olha para o lado direito, em direção à sua irmã, apoiando o rosto em sua mão." width="2250" height="1501" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14.jpg 2250w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-14-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30080" class="wp-caption-text">O longa foi muito bem aclamado pela crítica, com destaque para as atuações, a direção e a trilha sonora (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os filmes são meios visuais e aqueles que possuem muitos diálogos geralmente são considerados como não cinematográficos, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;"> foge dessa premissa. A confiança da diretora no material e em seus atores permite que as performances floresçam, e as interpretações impulsionam a história juntamente com a barragem das palavras. Essa é uma obra que faz exatamente o que precisa sem se complicar demais e que permanece integralmente fiel à sua premissa, evitando reviravoltas e subversões que poderiam apenas desvalorizá-la. Pessoas conversando umas com as outras pode ser uma experiência cinematográfica se a interação for boa e a atuação for do interesse do telespectador – Ethan Hawke e Julie Delpy na trilogia </span><a href="https://personaunesp.com.br/antes-do-amanhecer-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Before</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são prova viva disso, e o grupo que dá vida a </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;"> também.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rooney Mara (de </span><i><span style="font-weight: 400;">Carol </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-ghost-story-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Ghost Story</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) é capaz de interpretar uma mulher com um coração bom demais para ser verdade da maneira mais coerente possível, enquanto Jessie Buckley (de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-filha-perdida-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i><span style="font-weight: 400;"> se afasta controladamente da rispidez defensiva de sua personagem com tal precisão que é possível sentir o exato segundo em que ela realmente reconhece o peso de tudo. Claire Foy (de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-crown-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">The Crown</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem o papel mais vivo e, consequentemente, carrega os momentos mais emocionantes. A atriz é uma das presenças mais poderosas do filme, e a fúria de sua personagem é incandescente. O nível de atuação dessas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UkUYRjqfDKw"><span style="font-weight: 400;">mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> traz um grau incrível de imensidão em cada </span><i><span style="font-weight: 400;">close-up</span></i><span style="font-weight: 400;">, e permite que longas cenas de diálogo se desdobrem com a excitação e a destreza de um filme de ação.</span></p>
<figure id="attachment_30081" aria-describedby="caption-attachment-30081" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30081" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-3-11.jpg" alt="Cena do filme Entre Mulheres. Jessie Buckley, que interpreta Mariche, é uma mulher branca com cabelos castanhos escuros. Ela veste um vestido verde escuro e usa um lenço preto na cabeça, de modo a aparecer a parte da frente de seus cabelos. Ela olha para o lado direito com a boca entreaberta e com as sobrancelhas levemente franzidas. Ao fundo, desfocada, vemos Judith Ivey, que interpreta Agata." width="1800" height="1201" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-3-11.jpg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-3-11-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-3-11-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-3-11-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-3-11-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-3-11-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30081" class="wp-caption-text">Em conversa com o <a href="https://deadline.com/2022/11/women-talking-jessie-buckley-interview-1235178872/">Deadline</a>, Jessie Buckley afirma que o longa ressoou por ser, mais que uma experiência feminina, uma experiência mundana (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Concorrendo com filmes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-banshees-de-inisherin-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Banshees de Inisherin</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, já era de se esperar que </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;"> estivesse longe de ser o favorito ao prêmio de Melhor Filme. Entretanto, não é à toa que o longa se juntou à disputa. A grosso modo, pode-se dizer que uma obra indicada à categoria mais importante da premiação é reconhecida pela excelência de seu conjunto, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;"> atende isso sem esforços. Com os mesmos produtores de </span><a href="https://personaunesp.com.br/moonlight-kendrick-lamar/"><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e com uma trilha sonora criada por Hildur Guðnadóttir, a direção de Sarah Polley possui todos os ingredientes que agradam o paladar da Academia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se as chances de sucesso do longa na categoria mais esperada da noite são baixas, o contrário acontece quando se trata de sua segunda indicação: </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-roteiro-adaptado/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Roteiro Adaptado</span></a><span style="font-weight: 400;">. O ponto mais forte do filme é o seu roteiro, e Sarah Polley teve uma incrível capacidade de dar espaço para que suas personagens se expressem mais profundamente do que se vê em produções hollywoodianas, de modo a tratar questões complexas do universo feminino de maneira contundente e, ainda assim, com delicadeza e respeito. Grandes produções têm chances de saírem vitoriosas nessa categoria, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-maverick-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun: Maverick</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/glass-onion-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion: Um Mistério Knives Out</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas nenhum </span><i><span style="font-weight: 400;">script</span></i><span style="font-weight: 400;"> possui tanta sutileza quanto o de </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30083" aria-describedby="caption-attachment-30083" style="width: 2025px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30083" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4-8.jpg" alt="Cena do filme Entre Mulheres. Judith Ivey, que interpreta Agata, é uma mulher idosa branca com cabelos grisalhos. Ela veste um vestido longo de manga comprida preto e um lenço nos cabelos da mesma cor, que deixa a parte da frente de seus cabelos visível. Ela está inclinada de lado com seu braço esquerdo ao redor dos ombros de Claire Foy, que interpreta Salome, sua filha, consolando-a. Ela está sentada e é uma mulher branca com cabelos castanhos e veste um vestido com manga três-quartos cinza com flores lilás espalhadas e um lenço preto nos cabelos, posto da mesma forma que o da mãe. A mão direita de Agata está segurando uma das mãos de Salome. Ambas estão dentro de um celeiro. É possível ver alguns fenos empilhados ao fundo do lado direito e uma grande janela do lado esquerdo, mostrando que é fim de tarde." width="2025" height="1351" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4-8.jpg 2025w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4-8-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4-8-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4-8-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4-8-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4-8-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30083" class="wp-caption-text">Entre Mulheres venceu o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado no Critics Choice Awards, mesma categoria em que concorre no Oscar (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que pareça que a trama é desenrolada em outro século, uma cena específica deixa claro que a história se passa em 2010 e as pautas trazidas pelas mulheres deixa mais claro ainda o quão atemporal elas são. As discussões envolvem a moralidade da violência, a natureza do verdadeiro perdão, a questão da masculinidade, o medo do desconhecido e o ódio ao familiar. Cada pergunta atada se desdobra em outra, e as conclusões a que chegam são de fundamental importância. É o próprio pensamento que as liberta e abre o caminho para o que o texto de abertura do filme descreve como “</span><a href="https://lithub.com/in-women-talking-acts-of-imagination-are-acts-of-resistance/"><i><span style="font-weight: 400;">um ato de imaginação feminina</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sensível e maduro, </span><a href="https://www.womentalkingmovie.ca/home/"><i><span style="font-weight: 400;">Entre Mulheres</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é uma história dramaticamente impactante de mulheres que se unem em corpo e alma por sua liberdade e proteção. Todos os elementos que a compõem criam uma sensação de desolação e isolamento; no entanto, trata-se mais sobre a cura do que sobre a dor que grita por uma mudança, e só uma direção feita sob o olhar feminino poderia entregar isso. Sarah Polley deposita todo o seu talento no longa e retrata com primor o que todas sabem: só uma mulher é capaz de oferecer refúgio para outra.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="WOMEN TALKING | Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/pD0mFhMqDCE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Close nos aproxima da dor das rupturas</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Mar 2023 21:42:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Ceder a pressão social é fácil, quase um instinto do ser humano em busca de aceitação e, por vezes, sobrevivência. O ponto é que tudo pode ser desfigurado para que possamos caber nas caixas ditas como certas: roupas, cabelos e até mesmo os amores. Em Close, filme lançado em 2022 sob a direção &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/close-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Close nos aproxima da dor das rupturas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30073" aria-describedby="caption-attachment-30073" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30073" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-1.jpeg" alt="Cena do filme Close. Rémi e Léo estão olhando um para o outro. Léo é um garoto branco loiro de olhos azuis, ele está vestindo uma camiseta branca e tem uma mochila azul marinho nas costas. Rémi é um menino branco de cabelos e olhos castanhos, ele veste uma camiseta bordô e usa uma mochila verde musgo. Ambos têm feições sérias" width="1024" height="564" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-1.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-1-800x441.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-1-768x423.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30073" class="wp-caption-text">Close é uma coprodução belga, holandesa e francesa, e concorre na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar de 2023 (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ceder a pressão social é fácil, quase um instinto do ser humano em busca de aceitação e, por vezes, sobrevivência. O ponto é que tudo pode ser desfigurado para que possamos caber nas caixas ditas como certas: roupas, cabelos e até mesmo os amores. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Close</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme lançado em 2022 sob a direção de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2s_vL_9rFFY"><span style="font-weight: 400;">Lukas Dhont</span></a><span style="font-weight: 400;">, os protagonistas figuram o ato de cortar os laços mais profundos como se fossem uma linha fina &#8211; rompem-se com facilidade, mas ficam as pontas esfarrapadas. </span></p>
<p><span id="more-30070"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Léo (Eden Dambrine) e Rémi (Gustav de Waele) estão no início da adolescência e têm uma intimidade apaixonante construída, mas os olhos de terceiros tendem a ver as coisas sob lentes escuras, nubladas por estigmas. Os garotos se amam, sem rótulos definidos – não nos cabe força-los a mais enquadramentos –, é uma pena que em um mundo em que a </span><a href="https://personaunesp.com.br/ataque-dos-caes-critica/"><span style="font-weight: 400;">masculinidade tóxica</span></a><span style="font-weight: 400;"> reina demonstrar ternura seja um sinal franco de vulnerabilidade. Assim, os toques, o cuidado e até o carinho se dissipam em tons cinzentos, movidos pelo desejo de se encaixar.  </span></p>
<figure id="attachment_30074" aria-describedby="caption-attachment-30074" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30074" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-2.jpg" alt=" Cena do filme Close. Na imagem estão Léo, Rémi e sua mãe, Sophie. Sophie é uma mulher branca de cabelos e olhos castanhos, ela está vestindo uma camiseta regata rosa pálido e olha para Léo. Léo é um menino branco de cabelos loiros e olhos azuis, ele veste uma camiseta amarelo bebê e retribui o olhar de Sophie. Rémi é um menino branco de cabelos e olhos castanhos, ele está vestindo uma camiseta verde escura e está deitado com a cabeça dos outros dois sobre sua barriga. Os três estão sorrindo" width="768" height="461" /><figcaption id="caption-attachment-30074" class="wp-caption-text">Close chega aos cinemas brasileiros no dia 02 de Março e marca presença na MUBI a partir de 21 de Abril (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os primeiros </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> são ingênuos, leves e ensolarados. A câmera caminha em direção aos rostos dos meninos e podemos sentir o quanto aquela relação é especial. Eles têm 13 anos e estão começando um novo ano letivo na escola, ambiente em que as coisas começam a mudar. A aproximação dos meninos é julgada pelos colegas, termos </span><a href="https://gamarevista.uol.com.br/sociedade/debate-lgbtqia-escolas/"><span style="font-weight: 400;">homofóbicos</span></a><span style="font-weight: 400;"> são ditos e isso basta para que a distância ganhe casa e, cada vez mais, seja possível entender como nada continua igual. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho de fotografia comandado por </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/frank-van-den-eeden"><span style="font-weight: 400;">Frank van den Eeden</span></a><span style="font-weight: 400;"> é primoroso, desde as luzes até a forma como os personagens e cenários são captados. Tudo é morfológico: habita a forma que a narrativa precisa. O enquadramento caminha com o afastamento dos protagonistas e, em certo momento, o foco deixa de repousar sobre suas faces para abrigar os elementos ao redor, conforme Léo e Rémi permitem a expansão desse mundo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não fazer afirmações, um dos cernes do enredo – escrito por Dhont em parceria com Angelo Tijssens – é a homofobia, a forma como a exclusão de pessoas que sequer lembrem o universo</span> <a href="https://personaunesp.com.br/the-owl-house-critica/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> é naturalizada e capaz de gerar desgastes e mudanças. O protagonista não precisa de muito para passar a se policiar sobre a forma com a qual trata o amigo, o medo é um soldado cruel e invade sem bater na porta.</span></p>
<figure id="attachment_30071" aria-describedby="caption-attachment-30071" style="width: 1680px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30071" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3.jpg" alt="Cena do filme Close.Na imagem, Rémi e Léo olham para uma colega de classe. Léo é um menino branco de cabelos loiros e olhos azuis, ele veste uma camiseta de manga longa na cor branca. Ao seu lado está Rémi, um menino branco de cabelos e olhos castanhos, ele veste uma blusa vermelha de mangas. Os dois encaram a colega que não aparece na foto." width="1680" height="838" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3.jpg 1680w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3-800x399.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3-1024x511.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3-768x383.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3-1536x766.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-3-1200x599.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30071" class="wp-caption-text">Close fez parte da 24ª edição do Festival do Rio de 2022 (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Continuar a ver o filme é doloroso, uma experiência absolutamente devastadora com passe livre para fazer todos os sentimentos de alguém se desdobrarem. Nada precisa ser explícito ou violento para causar angústia, aqui os rumos da vida se mostram imprevisíveis e nada simplistas. Neste cenário sombrio e regado a lágrimas, a passagem dos dias ganha menos luz, paz e </span><a href="https://personaunesp.com.br/copo-vazio-critica/"><span style="font-weight: 400;">amor</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acima de qualquer coisa, </span><a href="https://www.wmagazine.com/culture/close-movie-director-lukas-dhont-interview"><i><span style="font-weight: 400;">Close</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é sobre consequências e quebras. A narrativa explora em Léo e nos pais de Rémi, Sophie (Émilie Dequenne) e Peter (Kevin Janssens), o quanto os pedaços quebrados machucam. É possível ver no garoto a quebra da inocência e nos adultos os rumos perdidos a partir de uma ótica intimista e silenciosa. Afinal, os olhos são a janela para a alma e sobram para as palavras o plano secundário. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dor transpassa os limites da imagem e ver isso é desesperador, caso houvesse a possibilidade de adentrar a tela e acolher aqueles sentimentos qualquer pessoa o faria. Charlie (</span><a href="https://www.senscritique.com/film/Le_Rire_de_ma_mere/24613358"><span style="font-weight: 400;">Igor Van Diesel</span></a><span style="font-weight: 400;">) acaba sendo o personagem que mais gera essa identificação no público e seu cuidado com o irmão é afetuoso na medida exata. É com ele que vemos Léo ter as únicas reações positivas verdadeiramente sinceras depois do episódio do melhor amigo, as risadas e corridas no campo aquecem um pouco dos tons frios assumidos pela produção. </span></p>
<figure id="attachment_30072" aria-describedby="caption-attachment-30072" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30072" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4.jpg" alt="Cena do filme Close. Na imagem estão Léo, Charlie e o pai, Yves. Charlie tem cabelos loiros escuros e olhos azuis, ele veste uma blusa cinza de mangas sobreposta por um colete preto. Léo é um garoto loiro de olhos azuis, ele veste uma blusa preta de mangas sob um colete azul claro. Yves é um homem branco, careca de olhos azuis, ele veste uma blusa preta com um colete verde. Os três estão fazendo a colheita em um campo verde, vermelho e amarelo." width="1280" height="771" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4-800x482.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4-1024x617.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4-768x463.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Close-4-1200x723.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30072" class="wp-caption-text">Close é o segundo filme da carreira de Lukas Dhont, que já havia sido vencedor da principal premiação de Cannes em 2018 com Girl (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenvolvimento emocionante não passou despercebido pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2023 e o filme concorre na categoria de Melhor Filme Internacional. A disputa conta com os títulos </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">EO</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-menina-silenciosa-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Menina Silenciosa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além de estar cotado a estatueta da Academia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Close</span></i><span style="font-weight: 400;"> competiu ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> na mesma modalidade e apareceu como indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme Estrangeiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibido pela primeira vez no Festival de Cinema de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-o-que-respira-critica/"><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Maio de 2022, o longa-metragem agradou os críticos e arrebatou o </span><i><span style="font-weight: 400;">Grand Prix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na ocasião, os direitos de distribuição da obra para o Reino Unido, Irlanda, América Latina, Turquia e Índia foram adquiridos pelo serviço de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">MUBI</span></i><span style="font-weight: 400;">. A narrativa também mexeu com os membros</span><i><span style="font-weight: 400;"> National Board of Review</span></i><span style="font-weight: 400;">, que ofereceram à produção o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro. </span></p>
<figure id="attachment_30075" aria-describedby="caption-attachment-30075" style="width: 593px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30075" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Captura-de-tela-2023-03-01-183335.png" alt="Cena do filme Close. Na imagem está Léo olhando para baixo. Ele é um menino branco de cabelos loiros e olhos azuis, e veste uma camiseta amarela. Léo está no quarto de Rémi e está triste." width="593" height="335" /><figcaption id="caption-attachment-30075" class="wp-caption-text">Close apareceu no European Film Awards 2022, com indicações a Melhor Filme, Direção, Roteiro e Ator (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2023/01/awards-insider-lukas-dhont-close-interview"><i><span style="font-weight: 400;">Close</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um retrato delicado e dilacerante de como as mudanças se instauram com uma força avassaladora. Sem precisar de apelo, a narrativa sangra em sua própria magnitude. Não é a intenção estabelecer culpados, mas mostrar os pequenos efeitos promovidos por atitudes aparentemente banais. Resta nas mãos de todos um cheque a assinar, mesmo quando isso é cruel e, sinceramente, injusto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez não tenhamos como mudar a estrutura, mas falar das dores proporcionadas por ela é um grande passo e a obra faz isso com excelência. O filme pode não ter um final feliz de </span><a href="https://personaunesp.com.br/pinoquio-guillermo-del-toro-critica/"><span style="font-weight: 400;">conto de fadas</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas, ao contrário do que sua sinopse diz, é, sim, uma história de amor – já que esse sentimento faz parte de todo o enredo, seja na forma pura ou na que coleciona cicatrizes. Nem toda história de amor é feliz, mas só o fato de estar presente faz dele um dos grandes protagonistas. Assim, pode ser que amar nos deixe tão perto de sofrer quanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Close</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos deixa próximos das quebras. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Close | Official Trailer HD | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/6EJGnU2AmV4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Longe dos altares, Elvis faz seu espetáculo nos conflitos e contrastes</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Feb 2023 20:50:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Nicastro e Vitória Vulcano Como se dá a ascensão de uma estrela? E sua queda? Representar uma figura real respeitando seus contrastes não é uma tarefa simples, nem contar uma história desse calibre com originalidade. Baz Luhrmann poderia facilmente ter encaixado Elvis nos moldes narrativos típicos do gênero: lineares, focados na perspectiva do artista &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/elvis-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Longe dos altares, Elvis faz seu espetáculo nos conflitos e contrastes"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30033" aria-describedby="caption-attachment-30033" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30033" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra o cantor Elvis no centro da foto, em um primeiro plano. Ele está representado do quadril para cima, com o corpo inclinado para trás e olha diretamente para a câmera enquanto canta, com a sua mão direita segurando o microfone. Ele usa uma jaqueta preta de couro e sua guitarra vermelha está pendurada no pescoço. Elvis é interpretado por Austin Butler. Ele tem cabelos escuros, lisos e penteados para trás, olhos azuis e uma pele clara, mas bronzeada. Em segundo plano é possível ver a plateia assistindo ao show. A maioria dos presentes é composta por mulheres que observam Evis encantadas." width="1600" height="898" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-1536x862.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30033" class="wp-caption-text">Retorno de Baz Luhrmann às telonas após um hiato de nove anos, a cinebiografia de Elvis Presley arrematou indicações nas principais premiações dos Sindicatos estadunidenses da Sétima Arte (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Nicastro e Vitória Vulcano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como se dá a ascensão de uma estrela? E sua queda? Representar uma figura real respeitando seus contrastes não é uma tarefa simples, nem contar uma história desse calibre com originalidade. </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/baz-luhrmann-por-onde-comecar"><span style="font-weight: 400;">Baz Luhrmann</span></a> <span style="font-weight: 400;">poderia facilmente ter encaixado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jJJmHcY2TAE"><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nos moldes narrativos típicos do gênero: lineares, focados na perspectiva do artista e, como se isso garantisse um selo de aprovação, investindo em uma homenagem. Mas o longa &#8211; que disputa oito estatuetas no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; se inspira no próprio ídolo ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YoXjZlCTSm4"><i><span style="font-weight: 400;">procurar problemas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Revelando conflitos profundos, perspectivas que fogem do unidimensional e muita identidade, a cinebiografia avessa do </span><a href="https://universoretro.com.br/como-elvis-presley-se-tornou-o-rei-do-rock/"><span style="font-weight: 400;">rei do </span><i><span style="font-weight: 400;">Rock n’ Roll</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> constrói seu espetáculo entre linhas dramáticas, sensíveis e indiscutivelmente musicais.</span></p>
<p><span id="more-30031"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado nos cinemas em Julho do ano passado, o filme empresta o tom extravagante e por vezes teatral de outras criações famosas de Luhrmann, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CdTN_3kgPaY"><i><span style="font-weight: 400;">O Grande Gatsby</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Romeu + Julieta</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Moulin Rouge &#8211; Amor em Vermelho</span></i><span style="font-weight: 400;">. Entretanto, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;">, toda a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DQ1M1EAkaw0"><span style="font-weight: 400;">pompa criativa</span></a><span style="font-weight: 400;"> do diretor permanece atrelada à história inalterável, mas ainda indecifrada em sua totalidade, de Presley, fator que estimula o tato diversificado e a progressão frenética encontrados no texto de Baz, Sam Bromell, Craig Pearce e Jeremy Doner.</span></p>
<figure id="attachment_30032" aria-describedby="caption-attachment-30032" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30032" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e foca no personagem Coronel Parker, nela centralizado. Ele é interpretado por Tom Hanks, um homem na casa dos sessenta anos que está com uma maquiagem realista cujo objetivo é engordar o ator. Coronel é um homem branco, com um nariz pontudo e cabelos grisalhos. Ele usa um terno xadrez e apoia-se com as duas mãos em uma bengala, enquanto segura um charuto entre os dedos." width="1600" height="1066" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30032" class="wp-caption-text">Quase duas décadas antes de dar vida a Coronel Parker, Tom Hanks imitou o próprio Presley em Elvis Ainda Não Morreu! (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama por si só foge de convenções documentais ao priorizar a perspectiva do empresário de Elvis, </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/06/colonel-tom-parker-elvis-true-story"><span style="font-weight: 400;">Coronel Tom Parker</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Tom Hanks). Visto como manipulador, ambicioso e calculista aos olhos da própria </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/ex-mulher-de-elvis-diz-que-empresario-tom-parker-tinha-duas-personalidades.phtml"><span style="font-weight: 400;">ex-esposa do agenciado</span></a><span style="font-weight: 400;">, o antagonista assume a narração do longa evocando o leque de emoções que sua “galinha dos ovos de ouro” causava nele mesmo e nos outros habitantes do planeta, desconhecedores do que existia por trás da </span><a href="https://bnldata.com.br/elvis-acerta-ao-oferecer-espetaculo-sobre-elvis-presley-e-show-business/"><span style="font-weight: 400;">magia do </span><i><span style="font-weight: 400;">showbusiness</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: um garoto humilde, natural de Memphis, no Tennessee, que descobriu no </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> a oportunidade de extrapolar sua voz e embalar uma </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/musica/ha-50-anos-elvis-presley-dominava-palco-em-show-historico,fa37f2187deda05cd9a0a3f0c0af5dd4whom9umw.html"><span style="font-weight: 400;">presença de palco</span></a><span style="font-weight: 400;"> surreal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mergulhar nesse recorte, Luhrmann abandona o detalhamento de alguns </span><a href="https://gq.globo.com/Cultura/Cinema/noticia/2022/07/elvis-o-que-e-real-e-o-que-e-ficcao-no-filme.html"><span style="font-weight: 400;">aspectos pessoais</span></a><span style="font-weight: 400;"> da vida de Presley, como seu conturbado matrimônio e o uso desenfreado de drogas e remédios &#8211; ainda que esses fatores sejam representados em cena. O foco é na relação codependente, problemática e </span><a href="https://auniao.pb.gov.br/noticias/colunistas/andre-cananea/elvis-e-parker-uma-relacao-toxica"><span style="font-weight: 400;">extremamente destrutiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre artista e agente. E em como a mesma pessoa que impulsionou a carreira em questão às alturas pode ser aquela que fez o castelo ruir. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> conduz esse atrito de maneira astuta e até irônica, sem se afetar com a cronologia exata dos fatos e da discografia do cantor. Podemos estar no apartamento colorido de seus pais ou nas noites envolvidas pela poderosa Música da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jlDgRwfSx0k"><i><span style="font-weight: 400;">Beale Street</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: não importa. A licença artística fala mais alto, abusando de dúvidas, acessos de raiva e curiosidades depositados pelo trabalho arrojado de Matt Villa e Jonathan Redmond, que garantem espaço nos indicados a </span><a href="https://www.motionpictures.org/2022/07/elvis-editors-on-keeping-the-kings-story-rocking-along/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Montagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, apesar de terem poucas chances contra o multifavorito </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30034" aria-describedby="caption-attachment-30034" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30034" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra em primeiro planos os personagens Coronel Parker (à esquerda) e Elvis (à direita) sentados em um banco de roda gigante à noite. Coronel é interpretado por Tom Hanks e é um homem branco, corpulento, com um nariz pontudo e cabelos grisalhos. Ele usa um chapéu, terno e apoia-se em uma bengala. Seu olhar recai sobre Elvis, personagem de Austin Butler. O personagem é branco, tem cabelos escuros penteados para trás e usa uma camiseta preta. Ele olha para baixo e apoia-se com os cotovelos nos joelhos. Ao fundo, em segundo plano, é possível observar os contornos de um parque de diversões desfocado. Há muitas luzes redondas e brancas que contrastam com a imagem mais escura dos personagens." width="1600" height="665" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-1536x638.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-1200x499.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30034" class="wp-caption-text">Lisa Marie Presley, filha única do Rei do Rock, classificou o filme como “nada menos do que espetacular”; ela também era cantora e faleceu em Janeiro (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, as cenas têm inúmeros cortes dissolvidos, bruscos ou que se dividem em quatro telas simultâneas, chocando informações internas e externas destinadas às </span><a href="https://jornal140.com/2020/04/20/as-fases-da-vida-de-elvis-presley/"><span style="font-weight: 400;">personas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que formavam o astro tenessiano. Recurso excessivo no filme e clichê para o diretor, o bombardeamento cinematográfico de </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe reproduzir os </span><a href="https://theconversation.com/how-elvis-permanently-changed-american-pop-culture-81917"><span style="font-weight: 400;">efeitos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Presley tinha sobre os padrões sociais e cidadãos de sua época, período que, na verdade, se estendeu com uma atemporalidade já vista em vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O rockeiro confeccionou sua carreira &#8211; dos palcos a </span><a href="http://www.elvistriunfal.com/artigos/0026.htm"><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; durante diferentes fases e momentos da história dos Estados Unidos, começando na segregação racial, passando pelo surgimento da Guerra Fria e chegando até a ascensão e morte de várias personalidades públicas, como Sharon Tate, </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/personagem/if-i-can-dream-como-elvis-lidou-com-o-assassinato-de-martin-luther-king.phtml"><span style="font-weight: 400;">Martin Luther King Jr.</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Robert Kennedy. Paralelamente, Luhrmann usa o terreno para escancarar a questionável </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/vert-cul-62009442"><span style="font-weight: 400;">consciência política</span></a><span style="font-weight: 400;"> do ídolo, que quase nunca chegou a se colocar na linha de frente por causas ou ativismos, mesmo propagando um gênero musical enraizado e desenvolvido na </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/06/elvis-biopic-black-musicians"><span style="font-weight: 400;">cultura negra</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30036" aria-describedby="caption-attachment-30036" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30036" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular, em close, os personagens Elvis e B.B. King lado a lado. Elvis é interpretado por Austin Butler. O personagem é branco, tem olhos claros e cabelos escuros penteados para trás com alguns fios caindo sobre a testa. B. B. King é interpretado por Kelvin Harrison, um homem na casa dos vinte anos, negro, de cabelos bem curtos. Ele usa uma camiseta xadrez vermelha. Ambos olham para baixo, para um mesmo ponto. O fundo está desfocado. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30036" class="wp-caption-text">Segundo Michael T. Bertrand, autor do livro Race, Rock and Elvis, o cantor não era político, seja por influências de sua gravadora e seu agente, ou pela falta de entendimento sobre seu papel em uma sociedade racista (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora o autorretrato seja uma constância, o balanço da trama para além do alter ego de Elvis, brincando com os antagonismos do artista e de Parker, preenche seu elenco geral de motivações cada vez mais escalares. O ex-</span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i> <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/elvis-apos-desbancar-harry-styles-austin-butler-surpreende-em-filme-sobre-cantor/"><span style="font-weight: 400;">Austin Butler</span></a><span style="font-weight: 400;"> não exita em abraçar a potência necessária para ser Presley, ao fidelizar os trejeitos característicos do Rei de forma emblemática nos palcos, porém, também representar com vulnerabilidade seu </span><i><span style="font-weight: 400;">backstage</span></i><span style="font-weight: 400;">. Buscando humanidade nas provações do universo da fama, o californiano estreia nas nomeações a Melhor Ator, podendo, inclusive, vencer a ilustre concorrência de Colin Farell (</span><a href="https://personaunesp.com.br/os-banshees-de-inisherin-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Banshees de Inisherin</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2023/02/26/fico-feliz-em-ver-que-quando-o-filme-termina-o-publico-reavaliou-algumas-crencas-que-tinha-diz-brendan-fraser-sobre-a-baleia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Brendan Fraser</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">A Baleia</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do outro lado da turnê, Tom Hanks acena à caricatura sem repelir a expressividade que seu papel exige. Constantemente tocado pela aura contagiante do astro, o veterano torna o parasitismo do Coronel um dilema existencial complexo, que seria capaz de estampar qualquer filme de Terror ou florear o melhor dos dramas. Introjetados no meio tóxico ou assistindo suas inervações, Olivia DeJonge (de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-society-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Society</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Helen Thomson (de </span><i><span style="font-weight: 400;">Canguru Jack</span></i><span style="font-weight: 400;">), Richard Roxburgh (de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ate-o-ultimo-homem/"><i><span style="font-weight: 400;">Até O Último Homem</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Kelvin Harrison Jr. (de </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-7-de-chicago-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os 7 de Chicago</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) incorporam arduamente o amor a Presley e a gastura física e sentimental experimentada pelos mais próximos ao sistema.</span></p>
<figure id="attachment_30035" aria-describedby="caption-attachment-30035" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30035" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra em primeiro plano a cabeça de Coronel Parker vista de trás. Ele está parcialmente desfocado, mas é possível observar por sua silhueta que ele usa um terno com escritas pretas e um chapéu. Coronel é um homem branco, na casa dos sessenta anos, grisalho. Ele é interpretado por Tom Hanks. Em segundo plano, olhando para o Coronel, estão Priscilla (à esquerda) e Elvis Presley, abraçados. Priscilla é interpretada por OIivia DeJonge. Ela é uma mulher branca, de cabelos escuros e lisos. Tem um rosto e nariz finos, usa um penteado alto de época e tem os olhos bem marcados por um lápis preto. Ao seu lado está Elvis, personagem de Austin Butler. O personagem é branco, mas bronzeado, tem olhos claros e cabelos escuros penteados para trás. Ele usa um paletó azul sobre uma camiseta brilhante da mesma cor." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30035" class="wp-caption-text">Austin Butler revelou ter pedido conselhos de atuação a Rami Malek, intérprete de Freddie Mercury em <a href="https://personaunesp.com.br/bohemian-rhapsody-critica/">Bohemian Rhapsody</a>, cinebiografia do Queen reconhecida pela Academia dos carecas dourados (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Planejando o cenário adequado para tratar sua gama de conteúdos, o longa acerta em definitivo com as decisões visuais. A cargo de </span><a href="https://ymcinema.com/2022/07/05/elvis-shot-by-cinematographer-mandy-walker-on-panavision-elvis-lenses/"><span style="font-weight: 400;">Mandy Walker</span></a><span style="font-weight: 400;">, a composição traduz a essência particular do cantor estadunidense e, na velocidade crescente, imprime as feridas que as décadas abriram e expuseram. As nuances entre o colorido Elvis, novato no mundo dos acordes, e o homem despedaçado e quase desprovido de perspectivas nos anos 1970 são desenhadas através dos avanços tecnológicos, capturando os impactos gerados pelo som e pela imagem desde os aparelhos analógicos. Notavelmente ancorado no realismo das caracterizações de personagens, o trabalho recebeu merecido destaque na categoria de Melhor Fotografia &#8211; em que bate de frente com </span><i><span style="font-weight: 400;">Tár</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e tem pé quente para levar Melhor Figurino e </span><a href="https://www.thewrap.com/make-up-artists-hair-stylists-guild-awards-winners-2023/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Cabelo e Maquiagem</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já os jogos de câmera e luz são lúdicos ao extremo e seguem confundindo a biografia com um eterno </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">. A estratégia martelada pela direção de arte &#8211; lembrada na disputa pelo careca dourado de </span><a href="https://fredericmagazine.com/2022/07/elvis-movie-set-design/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Design de Produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; não se perde nos holofotes, deixando os temas corriqueiros segurarem o rojão da fluidez de </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;">, seja no falecimento da matriarca Presley, nas desilusões do ícone musical no pós-Cinema ou na constatação de que seu casamento acabou.</span></p>
<figure id="attachment_30037" aria-describedby="caption-attachment-30037" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30037" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4672.jpeg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra o cantor Elvis em primeiro plano, visto da janela de um carro. A janela reflete um letreiro brilhante e colorido em neon, que gera uma luz colorida e arroxeada sobre a imagem. Elvis é interpretado por Austin Butler. O personagem é branco, tem olhos claros sob um óculos escuro, e cabelos pretos penteados para trás. Ele olha para fora da janela e sua expressão é pensativa. " width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4672.jpeg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4672-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4672-768x432.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30037" class="wp-caption-text">Inspirado por Rocketman, Elvis utiliza registros documentais do último show do artista como gran finale (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em certa altura do campeonato, fica claro que Elvis não é um herói. Luhrmann está interessado em homenageá-lo, aclamando seu talento e sucesso, mas se preocupa mais ainda em não ultrapassar as restrições que o próprio ídolo impôs a seu legado. Nas lentes do cineasta, Presley contracena com artistas negros sempre entregando que, independentemente de ter trazido o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> à superfície, o povo fundador do gênero continuou sofrendo no anonimato e sendo cruelmente </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/elvis-presley-e-o-apagamento-de-artistas-negros-no-rock/"><span style="font-weight: 400;">apagado da História</span></a><span style="font-weight: 400;">. O longa também não inventa a roda ao ilustrar como era bem mais fácil para um jovem branco vender os mesmo discos que alguém racializado poderia produzir, conseguindo popularizar a Música criada, não para ele, mas como instrumento de fé e resistência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto se repete nas cenas que sucedem a polêmica apresentação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Trouble</span></i><span style="font-weight: 400;">, na qual Elvis responde à </span><a href="https://variety.com/2022/music/news/elvis-presley-fake-story-police-crackdown-colonel-parker-1235302646/"><span style="font-weight: 400;">problematização conservadora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu estilo musical. Conforme os protestos surgem, o longa aproveita para pincelar que as consequências dadas ao cantor sondado por Parker não são nem de longe tão graves quanto as vivenciadas por um artista negro, em semelhantes condições. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Evidenciando a </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/07/10/novo-filme-sobre-elvis-presley-mostra-a-influencia-da-musica-negra-no-rei-do-rock.ghtml"><span style="font-weight: 400;">crua verdade</span></a><span style="font-weight: 400;"> do passado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;">, então, repagina canções tomadas por Presley da Música negra, tece novas versões de clássicos e elabora outros feitos pela junção de estilos, a exemplo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QZp2biJul1c"><i><span style="font-weight: 400;">Vegas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, performance enérgica de Doja Cat que mistura um</span><i><span style="font-weight: 400;"> jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> tradicional ao proficiente </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> atual. Apesar da </span><a href="https://www.ign.com/articles/elvis-movie-black-music"><span style="font-weight: 400;">inclusão de diversidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> exibida, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas não considerou as submissões do carro-chefe do filme nem sua vasta </span><a href="https://open.spotify.com/album/74g0V2gxEA5MCSaivAwZyb?si=Fse3oO0mT_m9GV_9gVTGww"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;">, por ambos não atenderem aos </span><a href="https://portalpopline.com.br/vegas-doja-cat-elvis-desclassificada-oscar-2023/"><span style="font-weight: 400;">critérios de originalidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> da premiação.</span></p>
<figure id="attachment_30038" aria-describedby="caption-attachment-30038" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30038" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670.jpeg" alt=" Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra o cantor Little Richard cantando com um microfone na mão, sob um ângulo que o engrandece. Ele é interpretado por Alton Mason, um homem negro, jovem e magro, de cabelos escuros, com um penteado alto. Ele canta de olhos fechados e usa um terno cinza. O lugar em que ele está é uma sala fechada, pouco iluminada e as paredes têm pinturas de casas e árvores.Há uma lâmpada atrás de si, que ilumina a imagem." width="1600" height="1065" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670.jpeg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-1024x682.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-768x511.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-1536x1022.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-1200x799.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30038" class="wp-caption-text">Em meio a baixas, o longa conseguiu emplacar uma nomeação na categoria de Melhor Som, concorrendo com Nada de Novo no Front, Avatar: O Caminho da Água, <a href="https://personaunesp.com.br/batman-critica/">Batman</a> e <a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-maverick-critica/">Top Gun: Maverick</a> (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem guia explicativo para o apelo simbólico de Presley ou teses cegadas pelo fenômeno que o estadunidense significou, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece mais uma compilação de cada elemento artístico, social, político e individual que fez de seu protagonista um ícone unânime, capaz de ser assimilado quase 50 anos após sua morte e retratado como se fosse a primeira vez. Sob essa ótica, é fácil entender porque a captura mais recente aparece na lista de indicados ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.cineset.com.br/oscar-2023-qual-o-nivel-da-safra-indicada-a-melhor-filme/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não queremos deixar nossos ídolos se desintegrarem e, de certa forma, nem podemos, se considerarmos a habilidade do Cinema em regenerar as copiosas visões de uma vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em volta da sede por prestígio e das influências de um empresário controlador e calculista, Presley teve o ápice de sua existência na singularidade contraditória: propensa ao erro, presa ao fantasma da apropriação cultural, deslumbrada por promessas incoerentes e terminantemente apaixonada pelos solos de guitarra. No saldo final, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> cativa por essa </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/614753/critica-elvis-2022-a-energia-caotica-do-rei/"><span style="font-weight: 400;">explosão de circunstâncias</span></a><span style="font-weight: 400;">, embrulhada no espetáculo cinematográfico de uma estrela, que, no frenesi da rotina, muito esbarra nas delícias de amar; o mundo, as pessoas e especialmente a Música.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Baz Luhrmann’s ELVIS | Final Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ZbrmBotVIGw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>The Bear: Como assim tem um urso na cozinha do Star +?</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2023 19:59:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Nunes Um dos reality shows mais famosos do canal Food Network é o S.O.S. Restaurante, apresentado pelo chef de cozinha Robert Irvine. Nele, o anfitrião tenta salvar restaurantes em situação crítica, seja financeira, sanitária ou emocional. O grande charme do programa é a possibilidade de imersão no cotidiano da gastronomia, nem sempre tão atrativo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-bear-1a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Bear: Como assim tem um urso na cozinha do Star +?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29619" aria-describedby="caption-attachment-29619" style="width: 2253px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29619 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-1.jpg" alt="Cena da série The Bear. No canto inferior esquerdo, temos o ator Jeremy Allen White, um homem branco de cabelos loiros escuros, vestindo camisa branca e avental azul. Ele tem tatuagens difíceis de identificar em seu braço esquerdo. No centro, temos o ator Lionel Boyce, um homem preto vestindo gorro vermelho, camisa preta e avental branco. No canto inferior direito, temos o ator Ebon Moss-Bachrach, um homem branco de cabelos curtos pretos, barba por fazer, vestindo uma camisa azul com um logotipo branco estampado no peito direito e uma blusa branca amarrada em sua cintura. Ao fundo, temos o cenário de uma despensa de alimentos de metal acinzentado, a qual Lionel está segurando a porta e Jeremy está na frente de uma estante com alimentos em caixas. A cena acontece durante o dia. " width="2253" height="1688" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-1.jpg 2253w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-1-800x599.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-1-1024x767.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-1-768x575.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-1-1536x1151.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-1-2048x1534.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-1-1200x899.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29619" class="wp-caption-text">Assim como qualquer edição do MasterChef, The Bear mostra que a cozinha também pode ser um inferno (Foto: Star+)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos </span><i><span style="font-weight: 400;">reality shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais famosos do canal </span><i><span style="font-weight: 400;">Food Network</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ETbifyPCBD8"><i><span style="font-weight: 400;">S.O.S. Restaurante</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, apresentado pelo chef de cozinha Robert Irvine. Nele, o anfitrião tenta salvar restaurantes em situação crítica, seja financeira, sanitária ou emocional. O grande charme do programa é a possibilidade de imersão no cotidiano da gastronomia, nem sempre tão atrativo e tampouco saudável para os profissionais quanto os pratos de comida são para nós. Felizmente, tudo dá certo ao final de cada episódio e Irvine consegue cumprir sua missão de mudar a rotina dentro desses estabelecimentos, coisa que os trabalhadores da casa de sanduíches </span><i><span style="font-weight: 400;">The Beef </span></i><span style="font-weight: 400;">provavelmente sonham desde os minutos iniciais de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Urso</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tendo Christopher Storer (</span><i><span style="font-weight: 400;">Bo Burnham: Make Happy</span></i><span style="font-weight: 400;">) como </span><i><span style="font-weight: 400;">showrunner</span></i><span style="font-weight: 400;">, a série, original da </span><i><span style="font-weight: 400;">Hulu</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos Estados Unidos e do </span><i><span style="font-weight: 400;">Star+</span></i><span style="font-weight: 400;"> no Brasil, é figurinha carimbada nas premiações do começo desse ano, com projeções até mesmo para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">. Além da indicação na categoria de Melhor Série de Comédia ou Musical, o projeto se destacou principalmente através de seu único membro vitorioso: Jeremy Allen White (</span><a href="https://personaunesp.com.br/shameless-11a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Shameless</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Homecoming</span></i><span style="font-weight: 400;">), vencedor do </span><a href="https://ovicio.com.br/o-urso-jeremy-allen-white-vence-globo-de-ouro/"><i><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e do </span><a href="https://cinepop.com.br/critics-choice-awards-2023-jeremy-allen-white-leva-o-premio-de-melhor-ator-em-serie-de-comedia-por-o-urso-387247/"><i><span style="font-weight: 400;">Critic’s Choice</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> como Melhor Ator em Série de Comédia pelo desempenho como o protagonista Carmy.</span></p>
<p><span id="more-29618"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando seu irmão Mikey (Jon Bernthal, de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Justiceiro</span></i><span style="font-weight: 400;">) se suicida, o chef de cozinha em frangalhos emocionais é incumbido da tarefa de administrar o restaurante, a contragosto do gerente de longa data Richie (Ebon Moss-Bachrach, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars:</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Andor</span></i><span style="font-weight: 400;">). O que ambos encontram, para o mínimo espanto do primeiro, é uma cozinha caótica e desorganizada, onde os nervos dos cozinheiros estão sempre à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wGr1CDxW108&amp;list=PLIDyzBpnfjqlLh6LYeKgGp1ihf44Y8jLx&amp;index=15"><span style="font-weight: 400;">flor da pele</span></a><span style="font-weight: 400;"> e as contas nunca saem do vermelho.</span></p>
<figure id="attachment_29620" aria-describedby="caption-attachment-29620" style="width: 1296px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29620" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-2.jpg" alt="Cena da série The Bear. No centro, temos o ator Jeremy Allen White, um homem branco de cabelos loiros escuros, vestindo camisa branca, avental azul e calças pretas. Ele está ajoelhado e esfregando o chão com um pano preto e uma tupperware transparente com água e sabão. Ao fundo, temos uma mesa com ferramentas no centro, um tanque branco sujo à esquerda e uma cômoda de madeira marrom à direita. A cena acontece durante o dia. " width="1296" height="730" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-2.jpg 1296w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-2-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-2-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-2-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-2-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29620" class="wp-caption-text">Se fosse um utensílio culinário, a cozinha de The Bear seria claramente uma panela de pressão (Foto: Star+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo à primeira vista, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Bear </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original) já evidencia a tônica </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kMGog1cU8BY&amp;t=13s"><span style="font-weight: 400;">técnica</span></a><span style="font-weight: 400;"> que pretende seguir dentro desse ambiente tão bélico. A câmera de Storer e Joanna Calo (</span><a href="https://personaunesp.com.br/hacks-2-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Hacks</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, Bojack Horseman</span></i><span style="font-weight: 400;">), por exemplo, se movimenta de forma brutal e intensa pelos espaços apertados da cozinha, além de se fechar muito nos </span><i><span style="font-weight: 400;">closes</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos atores e nos planos-detalhe dos alimentos sendo cortados e preparados para as receitas. Enquanto isso, o que embala nossos ouvidos é uma sinfonia tóxica de gritos, xingamentos, panelas e tigelas batendo no chão, entre outras insalubridades. É curioso notar, inclusive, a linha tênue que separa a precisão dos pratos do caos dentro do restaurante, pois, a cada minuto, surgem novos obstáculos e diminui o tempo para resolvê-los.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, o grande chamariz da série é o desenvolvimento de seus personagens, com três deles se destacando em especial. A primeira é a jovem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QCZyMHD5Xog&amp;list=PLIDyzBpnfjqlLh6LYeKgGp1ihf44Y8jLx"><span style="font-weight: 400;">Sidney</span></a><span style="font-weight: 400;">, interpretada por Ayo Edebiri (</span><a href="https://personaunesp.com.br/big-mouth-5a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Big Mouth</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). Desde o instante em que ela entra na cozinha, seu talento e determinação já são notados por Carmy, que não hesita em delegá-la a funções importantes dentro do trabalho, algo que incomoda veteranas como Tina (Liza Colón-Zayas, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/in-treatment-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">In Treatment</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). Nessa linha, sua história ganha importância e expansão nos cruciais episódios </span><i><span style="font-weight: 400;">Brigade</span></i><span style="font-weight: 400;">, no qual ela é encarregada de instaurar o sistema de brigada francesa entre os cozinheiros; e </span><i><span style="font-weight: 400;">Dogs</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que vemos seus esforços para conquistar o respeito dos demais, incluindo da rival. </span></p>
<figure id="attachment_29621" aria-describedby="caption-attachment-29621" style="width: 2387px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29621" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-3.jpg" alt="Cena da série The Bear. No centro da imagem, temos a atriz Ayo Edebiri, uma mulher preta de cabelos trançados, vestindo uma durag laranja, camisa social branca e avental azul escura. Ela está segurando uma prancheta azul clara em sua mão direita, apoiando sua mão esquerda sobre ela com uma caneta cinza com tampa vermelha. Ao fundo, temos paredes iluminadas em rosa, um fliperama e uma máquina não identificada. A cena acontece durante o dia. " width="2387" height="1594" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-3.jpg 2387w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-3-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-3-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-3-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-3-1536x1026.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-3-2048x1368.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-3-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29621" class="wp-caption-text">Quando você menos esperar, lá vai estar a Sidney querendo te mostrar os planos para o futuro do The Beef (Foto: Star+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em paralelo à jornada da aspirante, temos o arco narrativo do Richie de Bachrach, um homem que exala forte sentimento de decadência. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1nT_urmDBfo&amp;list=PLIDyzBpnfjqlLh6LYeKgGp1ihf44Y8jLx&amp;index=4"><i><span style="font-weight: 400;">Ceres</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o sexto dos oito episódios da primeira temporada da série, o representa já em seus primeiros minutos de rodagem: começamos ouvindo Mikey contar uma história absurda e engraçada que empolga todos ao seu redor e terminamos com o fracasso de Richie em replicar o sentimento ao contar a mesma história para outra pessoa durante um encontro. O momento é, na superfície, corriqueiro, mas logo se expande para um reflexo das inseguranças do gerente e do peso de ‘ficar para trás’, principalmente quando ele se depara com o crescimento de Sidney. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa estratégia de progressão orgânica e bem amarrada, na qual um mero acontecimento repercute em aspectos fundamentais no futuro, e assim avança a história, não se restringe apenas a esse ponto. No mesmo episódio, por exemplo, Sidney desenvolve um prato de risoto que não agrada tanto o gosto de Carmy. A refeição vai parar nas mãos de um freguês qualquer que descobrimos ser um importante crítico gastronômico no sétimo capítulo, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1K3z62yoiOA&amp;list=PLIDyzBpnfjqlLh6LYeKgGp1ihf44Y8jLx&amp;index=6"><i><span style="font-weight: 400;">Review</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, quando uma ótima resenha do restaurante é publicada e aumenta absurdamente o número das reservas de pedidos. O que se segue, a partir daí, é a tensão e animosidade da série elevada à enésima potência, conforme o chefe tem um colapso nervoso. Todos os conflitos previamente estabelecidos explodem na frente da câmera, tudo registrado em um único plano sequência a lá </span><i><span style="font-weight: 400;">Birdman </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">1917. </span></i></p>
<figure id="attachment_29622" aria-describedby="caption-attachment-29622" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29622" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-4-scaled.jpg" alt="Cena da série The Bear. À esquerda, temos o ator Jeremy Allen White, um homem branco de cabelos loiros escuros, vestindo camisa branca e avental azul escuro. Logo atrás dele, também à esquerda, temos a atriz Liza-Colón Zayas, uma mulher preta de cabelos cacheados, vestindo camisa e avental brancos e calça jeans azul. Também à esquerda, ao fundo, temos o ator Edwin Lee Gibson, um homem preto de cabelos curtos, vestindo avental branco e camisa laranja. No centro da imagem, temos o ator Lionel Boyce, um homem preto vestindo gorro vermelho, camisa preta e avental branco. Ele está segurando um pilar de bolo em suas mãos. Logo à direita de Boyce, temos a atriz Ayo Edebiri, uma mulher preta de cabelos trançados, vestindo uma durag laranja, camisa social branca, avental azul escuro, calça e tênis pretos. No canto inferior direito, temos o ator Ebon Moss-Bachrach, um homem branco de cabelos curtos pretos, barba por fazer, vestindo uma camisa azul com um logotipo branco estampado no peito direito, uma toalha branca amarrada em sua cintura, calça azul clara com listras amareladas e tênis brancos com meias brancas. Ele está sentado sobre um balcão. A cena acontece durante o dia. " width="2560" height="1708" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-4-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-4-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-4-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-4-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Imagem-4-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29622" class="wp-caption-text">A diversidade racial e cultural dentro da cozinha é um dos pontos altos do elenco de O Urso (Foto: Star+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando chegamos ao oitavo e último episódio da temporada, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1fjITOkFnnE&amp;list=PLIDyzBpnfjqlLh6LYeKgGp1ihf44Y8jLx&amp;index=4"><i><span style="font-weight: 400;">Braciole</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o texto já começa colocando os personagens contra a parede e os forçando a lidar com os acontecimentos passados, em especial Carmy. No semblante de Jeremy Allen White e nas palavras proferidas em um forte monólogo, vemos um homem completamente em pedaços, que não consegue lidar com seus demônios pessoais. Essa dificuldade particular se relaciona perfeitamente com o título da série, pois o urso em si é uma metáfora para tudo aquilo que não é dito e confrontado pelos personagens. É um obstáculo que os impede de se reconciliar consigo mesmos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, a cozinha opera quase como um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=R17bg0NnI8Y&amp;list=PLIDyzBpnfjqlLh6LYeKgGp1ihf44Y8jLx&amp;index=9"><span style="font-weight: 400;">purgatório</span></a><span style="font-weight: 400;"> para essas pessoas. Um local que suga suas energias, mas também as externaliza quando o resultado é bem feito e claramente afeta a vida de alguém. O chef Irvine entende esse potencial em </span><i><span style="font-weight: 400;">S.O.S Restaurante</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, não à toa, é difícil esquecer de seus esforços enquanto assistimos </span><i><span style="font-weight: 400;">The Bear</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ele nunca foi mencionado na produção, mas a noção de que vale a pena confrontar diretamente suas angústias e ansiedades para crescer dentro de um meio é notável em ambas as atrações. Aqui, é a culinária, mas, na vida real, pode ser qualquer outra.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Bear Season 1 Trailer | Rotten Tomatoes TV" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/gBmkI4jlaIo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Sob um olhar sublime, Steven Spielberg refaz o amor perfeito</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Mar 2022 21:32:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Algo está vindo, algo bom… Para o cineasta que já realizou de tudo (dos tubarões assassinos aos soldados resgatados e os cavalos de guerra), o desafio de recriar seu musical favorito foi ideal para Steven Spielberg modelar, com as mãos e o coração, uma história clássica. A reimaginação de Romeu e Julieta, que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/amor-sublime-amor-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sob um olhar sublime, Steven Spielberg refaz o amor perfeito"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26994" aria-describedby="caption-attachment-26994" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26994 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-2-scaled.jpg" alt="Cena do filme Amor, Sublime Amor. A cena mostra um close-up dos rostos de Mike Faist e David Alvarez, e no meio deles está o ator Ansel Elgort. " width="2560" height="1354" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-2-800x423.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-2-1024x541.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-2-768x406.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-2-1536x812.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-2-2048x1083.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/1-2-1200x634.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26994" class="wp-caption-text">No filme de Steven Spielberg indicado a 7 Oscars, a vida tenta ser mais importante que o amor (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Algo está vindo, algo bom</span></i><span style="font-weight: 400;">… Para o cineasta que já realizou de tudo (dos <a href="https://www.youtube.com/watch?v=U1fu_sA7XhE">tubarões assassinos</a> aos <a href="https://www.youtube.com/watch?v=S1Qj_AVu2pA">soldados resgatados</a> e os <a href="https://www.youtube.com/watch?v=JPNyNr2Kp4w">cavalos de guerra</a>), o desafio de recriar seu musical favorito foi ideal para Steven Spielberg modelar, com as mãos e o coração, uma história clássica. A </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/amor-sublime-amor-spielberg-recria-classico-na-era-da-diversidade/"><span style="font-weight: 400;">reimaginação de Romeu e Julieta</span></a><span style="font-weight: 400;">, que foi batizada de </span><i><span style="font-weight: 400;">West Side Story</span></i><span style="font-weight: 400;"> em referência ao cenário nova-iorquino e periférico da obra, surgiu em 1957 nos palcos do teatro. Quatro anos depois, Jerome Robbins e Robert Wise fizeram da peça um filme.</span></p>
<p><span id="more-26993"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado foi um saldo de 10 </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscars </span></i><span style="font-weight: 400;">(incluindo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YMYHr7WrkkQ"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fIlIYiExXpI"><span style="font-weight: 400;">Direção</span></a><span style="font-weight: 400;">, Ator e Atriz Coadjuvante), e o nascimento do legado imortal que </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor, Sublime Amor</span></i><span style="font-weight: 400;"> sustenta até hoje. A ideia de fazer um </span><i><span style="font-weight: 400;">remake </span></i><span style="font-weight: 400;">da versão original de 61 era sinônimo de dinheiro jogado fora até a revelação do nome por trás do projeto. Spielberg conta que sonha com um </span><i><span style="font-weight: 400;">West Side </span></i><span style="font-weight: 400;">próprio </span><a href="https://www.agazeta.com.br/hz/filmes-e-series/amor-sublime-amor-spielberg-diz-que-realizou-sonho-ao-dirigir-o-filme-1221#:~:text=O%20cineasta%20Steven%20Spielberg%20sonhava,cartaz%20nos%20cinemas%20do%20pa%C3%ADs."><span style="font-weight: 400;">desde a infância</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, no auge dos 75 anos, ele finalmente riscou o item da lista de desejos (e ainda pôde dedicar a obra ao pai, Arnold Spielberg, que </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/08/26/arnold-spielberg-pai-de-steven-spielberg-morre-aos-103-anos.htm"><span style="font-weight: 400;">faleceu aos cento e três anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, em agosto de 2020).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção, rodada entre julho e setembro de 2019, pouco antes da pandemia, passou mais de dois anos em pós, foi </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/noticias/viuva-negra-e-west-side-story-sao-adiados-para-2021/"><span style="font-weight: 400;">adiada diversas vezes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e chegou aos cinemas no último mês de 2021, sendo </span><a href="https://comicyears.com/movies/west-side-story-bombed/"><span style="font-weight: 400;">bastante prejudicada</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela estreia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha: Sem Volta para Casa</span></i><span style="font-weight: 400;">. Fato é que, quando se trata de </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor, Sublime Amor</span></i><span style="font-weight: 400;">, todo cuidado é pouco. Desa vez escrita pelo </span><a href="https://repositorio.unesp.br/handle/11449/205059"><span style="font-weight: 400;">veteano Tony Kushner</span></a><span style="font-weight: 400;"> com base no texto original de Arthur Laurents, a história eclode na rivalidade de duas gangues, os polacos Jets e os porto-riquenhos Sharks, e a briga pelo território do lado oeste da cidade, atravessado pelo processo de gentrificação.</span></p>
<figure id="attachment_26995" aria-describedby="caption-attachment-26995" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26995 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-3-scaled.jpg" alt="Cena do filme Amor, Sublime Amor. A cena mostra o sorriso da atriz Rachel Zegler. Ela é uma mulher jovem e latina de pele clara, tem os lábios vermelhos e os cabelos pretos escovados para trás. Ela sorri olhando para a frente e seus olhos tem um brilho. Ela veste um vestido branco e se apoia em uma escada de apartamento. " width="2560" height="1073" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-3-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-3-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-3-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-3-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-3-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-3-2048x858.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/2-3-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26995" class="wp-caption-text">Rachel Zegler tem pai americano e mãe filha de colombianos e, sendo alvo de críticas, já se posicionou em relação ao privilégio de ser uma latina de pele clara (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://pausadramatica.com.br/2021/12/09/10-diferencas-entre-as-versoes-de-1961-e-2021-de-amor-sublime-amor/"><span style="font-weight: 400;">primeiro reparo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Spielberg frente ao longa dos anos sessenta foi na </span><a href="https://screenrant.com/west-side-story-anybodys-trans-change-original-problem-fix/"><span style="font-weight: 400;">escalação</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu elenco. Enquanto o original trouxe a americana com ascendência ucraniana Natalie Wood no papel de Maria e pintou as peles dos atores dos Sharks (todos norte americanos) para serem capturados como “mais escuros” pela câmera, dessa vez ator nenhum teve maquiagem racista colocada em seus corpos. Neste </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor, Sublime Amor</span></i><span style="font-weight: 400;"> toda a gangue de Porto Rico é vivida por um elenco latino, e quem assume o protagonismo sagrado é a </span><a href="https://estacaonerd.com/branca-de-neve-rachel-zegler-fala-sobre-as-polemicas-do-novo-filme-confira/#:~:text=Em%20entrevista%20%C3%A0%20Variety%2C%20Rachel,que%20s%C3%A3o%20descendentes%20de%20latinos."><span style="font-weight: 400;">novata Rachel Zegler</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seu Romeu é vivido por </span><a href="https://cinepop.com.br/acusacoes-de-abuso-sexual-contra-ansel-elgort-ressurgem-com-o-remake-de-amor-sublime-amor-323253/"><span style="font-weight: 400;">Ansel Elgort</span></a><span style="font-weight: 400;">, contratado antes do surgimento das </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/amor-sublime-amor-elenco-comenta-acusacao-de-ansel-elgort-por-estupro-entenda/"><span style="font-weight: 400;">denúncias de abuso</span></a><span style="font-weight: 400;">, fator que o apagou da divulgação do filme, ficando de fora de coletivas, tapetes vermelhos e reconhecimento da indústria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com apenas 18 anos, Maria sonha em se apaixonar, por mais que seu irmão mais velho Bernardo caçoe da ideia e tente a todo modo controlar sua vida. Tudo muda no baile do colégio, quando os olhos de Maria casam com os de Tony (Elgort), um </span><a href="https://disney.fandom.com/wiki/Tony_(West_Side_Story)"><span style="font-weight: 400;">Jet recém-saído da prisão</span></a><span style="font-weight: 400;"> e que agora tenta se manter longe da confusão das ruas. A câmera potencializa a turvação do ato de tropeçar no amor: as luzes se tornam pontos indistinguíveis, as paredes flutuam como ondas no mar. Pronto, está feita a receita para o desastre! Se um </span><a href="https://diversorio.wordpress.com/2017/11/27/o-destino-das-familias-capuleto-e-montecchio-apos-romeu-e-julieta/"><span style="font-weight: 400;">Montéquio</span></a><span style="font-weight: 400;"> não pode sonhar em notar uma Capuleto, com os Jets e os Sharks a coisa é mais feia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mera imagem dos dois pombinhos atrás das arquibancadas é o bastante para queimar a paciência de Bernardo (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QACEC6T0EY4"><span style="font-weight: 400;">David Alvarez</span></a><span style="font-weight: 400;">), e no percurso, acender a dinamite que é Riff (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=p9UJIIc9-ww"><span style="font-weight: 400;">Mike Faist</span></a><span style="font-weight: 400;">), melhor amigo de Tony e a pessoa que assumiu a liderança do grupo no seu período preso. Para quem estranhar a ideia contracorrente de amor à primeira vista, promessas de sentimentos eternos e uma cantoria sem sossego ou sinal de fadiga, fique sabendo que os musicais são assim, ou melhor dizendo, os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NF1L3NorO3E"><span style="font-weight: 400;">bons musicais são</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26996" aria-describedby="caption-attachment-26996" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26996 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/3.jpeg" alt="Cena dos bastidores do filme Amor, Sublime Amor. A cena mostra o elenco e o diretor juntos, em um abraço. Da esquerda para a direita vemos David Alvarez, Ariana DeBose, Steven Spielberg, Rachel Zegler e Ansel Elgort. Todos sorriem para a câmera. " width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/3.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/3-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/3-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/3-768x432.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26996" class="wp-caption-text">À pedido do diretor, o filme não conta com legendas nas cenas faladas em espanhol; de acordo com ele, usá-las seria <a href="https://www.wsj.com/articles/why-steven-spielbergs-west-side-story-has-plenty-of-spanish-but-no-subtitles-11639144802#:~:text=Mr.,weren't%20the%20intended%20audience.">“muito desrespeitoso”</a> com os falantes da língua (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Juras são trocadas, e lutas, marcadas. Maria parte para casa, com o coração saltitando em meio às borboletas que multiplicam em seu estômago. Quando pula da janela para as escadas da varanda, a câmera captura a garota com uma luz celestial. Ela passeia pela imagem, ao mesmo tempo em que Tony </span><a href="https://open.spotify.com/track/1zXisETAivJsmTBkhoqIej?si=029f49b97d1048e1"><span style="font-weight: 400;">canta sobre uma moça que beijou</span></a><span style="font-weight: 400;">, chutando poças d&#8217;água e espantando os pombos </span><i><span style="font-weight: 400;">yankees </span></i><span style="font-weight: 400;">que eram mascotes da cidade mesmo 60 anos atrás.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através do refino com o qual Steven Spielberg vai moldando seus elaborados planos visuais, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor, Sublime Amor</span></i><span style="font-weight: 400;"> brinca com a ingenuidade do meio que está inserido, mas não sem entender o clima político e social da história. A Nova Iorque do amor perfeito de Tony e Maria é a mesma cidade que cultiva a guerra infinita entre as gangues. Elas lutam por um pedaço de terra morta, um resquício de prosperidade que já existiu, mas agora acabou. O tenente Schrank (</span><a href="https://collider.com/corey-stoll-west-side-story-billions-interview/"><span style="font-weight: 400;">Corey Stoll</span></a><span style="font-weight: 400;">) não se acanha quando joga na cara dos branquelos que todo mundo prosperou: os italianos, os alemães, os judeus, e quem ficou para trás foram eles, batalhando entre as cinzas de um proto-metrópole que logo os expurgaria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A areia se mescla ao pó que se mistura ao </span><a href="https://www.courb.org/o-que-e-gentrificacao-e-por-que-voce-deveria-se-preocupar-com-isso/"><span style="font-weight: 400;">gosto amargo</span></a><span style="font-weight: 400;"> da gentrificação. Os polacos querem clamar para si os muros, as vielas e até as farmácias, porém nada de fato é de seu pertence. O mundo é dos ricos, e nenhum deles tem sequer um tostão furado nos bolsos dos </span><i><span style="font-weight: 400;">jeans </span></i><span style="font-weight: 400;">surrados e sujos de graxa. Tony se afastou dessa visão, e depois do xilindró, memória que o afeta gradualmente ao longo da trama, ele deu um passo à frente. Quando equiparado à visão de Riff, é como se o texto nos mostrasse a mesma pessoa em momentos distintos da vida. </span></p>
<figure id="attachment_26997" aria-describedby="caption-attachment-26997" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26997 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-2-scaled.jpg" alt="Cena do filme Amor, Sublime Amor. A cena mostra o tenente andando em direção a uma multidão de homens. Eles são brancos e latinos e estão em um campo de obras cheio de pó e areia. O policial está de costas e usa sobretudo cinza e um chapéu da mesma cor." width="2560" height="1073" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-2-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-2-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-2-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-2-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-2-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-2-2048x858.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/4-2-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26997" class="wp-caption-text">“Querido, policial Krupke, nós estamos chateados/Nunca tivemos aquele amor que toda criança merece/Não somos delinquentes/Mas mal compreendidos/No fundo, existe uma bondade em cada um de nós” (Foto: 20th Century Studos)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cena de abertura, que sobrevoa uma montanha cinzenta de entulho formado por escadas destruídas, é o prenúncio do agouro. Assobios, estalos e sussurros servem de trilha para a </span><a href="https://open.spotify.com/track/4FHf4oK7XyHUtHKOKjRFdq?si=726e6b12fcf14683"><span style="font-weight: 400;">introdução dos Jets</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seu charmoso líder. Se quisesse, o indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;"> Mike Faist poderia transformar Riff em uma figura odiosa, rancorosa e taciturna, mas ele opta por um caminho de egoísmo ingênuo: o rapaz persegue os Sharks pois é a única coisa que soube fazer a vida toda; a violência foi ensinada e aprendida como uma língua materna. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mesmo vale para o trabalho de David Alvarez na pele de Bernardo (papel que rendeu a George Chakiris o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sGgoVihR7xs"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Ator Coadjuvante</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 62). Integridade e força reforçam o símbolo de proteção que tanto Maria quanto Anita (Ariana DeBose) enxergam nele. A fisicalidade de um lutador de boxe contrasta com a cintura solta que vem à tona na hora de </span><a href="https://open.spotify.com/track/6bddAJKVOcAwzrM2nAa03u?si=3dacd5f21775491f"><span style="font-weight: 400;">dançar coladinho da amada</span></a><span style="font-weight: 400;">, algo que se repete em todo o cerne de </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor, Sublime Amor</span></i><span style="font-weight: 400;">, é claro. Sem isso, seria um bocado mais difícil levar a sério o bando de marmanjos piruetando no centro da quadra da escola. </span></p>
<figure id="attachment_26998" aria-describedby="caption-attachment-26998" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26998 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/5-1.jpg" alt="Foto das atrizes Rita Moreno e Ariana DeBose se abraçando. Rita é uma mulher branca, idosa e de cabelos brancos. Ela sorri e se apoia em Ariana, uma mulher jovem, negra e latina, que também sorri. Rita se veste de vermelho e Ariana usa uma blusa transparente com detalhes floridos. O fundo do ensaio é azul. " width="2048" height="1638" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/5-1.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/5-1-800x640.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/5-1-1024x819.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/5-1-768x614.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/5-1-1536x1229.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/5-1-1200x960.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26998" class="wp-caption-text">60 anos depois de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZaOy0eb0Tbs">vencer o mesmo Oscar</a> que Ariana DeBose disputa, Rita Moreno volta como produtora a fim de resolver os problemas com escalação do filme original e ainda dá vida à personagem Valentina, criada especialmente para ela (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Também seria complicado acreditar na mágica sem o trabalho sobrenatural de coreografia orquestrado por </span><a href="https://www.npr.org/2022/01/10/1071766980/choreographer-justin-peck-helped-to-reimagine-west-side-story-for-the-21st-centu"><span style="font-weight: 400;">Justin Peck</span></a><span style="font-weight: 400;">. A maneira como os corpos se movem, assim como as sombras, as formas, a captura de movimento e a dança que servem como artifício narrativo ao filme, são todos acertos da equipe, como sempre muito bem amparada por Spielberg (no primeiro e último musical da vasta carreira). Os figurinos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7SK6nkJEIvg"><span style="font-weight: 400;">Paul Tazewell</span></a><span style="font-weight: 400;"> flutuam nos cenários de </span><a href="https://www.architecturaldigest.com/story/inside-west-side-storys-new-york-city-sets"><span style="font-weight: 400;">Adam Stockhausen e Rena DeAngelo</span></a><span style="font-weight: 400;">, e são capturados pela desenvoltura e brandura das lentes de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i26J-HAIcGs"><span style="font-weight: 400;">Janusz Kaminski</span></a><span style="font-weight: 400;">, todos reconhecidos pela Academia com nomeações em 2022.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A equipe sonora, formada por Tod A. Maitland, Gary Rydstrom, Brian Chumney, Andy Nelson e Shawn Murphy, dá vida, sangue e suor no </span><a href="https://open.spotify.com/track/0g5QFcYJyBhlXO4GwLM5LE?si=1293d8230f2341fb"><span style="font-weight: 400;">exercício de mixar</span></a><span style="font-weight: 400;"> a trilha sonora, as músicas cantadas e os sons do ambiente. É inacreditável e regozijante a experiência de assistir no cinema o espetáculo técnico de </span><i><span style="font-weight: 400;">West Side Story</span></i><span style="font-weight: 400;">, que parte da iluminação, caminha pela estilização estética e termina na montagem monstruosa de Sarah Broshar e Michael Kahn. A edição, em uma das esnobadas mais colossais do ano, não apareceu na lista final do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas saiu </span><a href="https://twitter.com/20thcentury/status/1503183793766629376?ref_src=twsrc%5Etfw"><span style="font-weight: 400;">vencedora do</span><i><span style="font-weight: 400;"> Critics Choice Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas premiações, quem já cansou de ouvir o nome chamado ao palco é </span><a href="https://queer.ig.com.br/2022-02-27/quem-e-ariana-debose-oscar.html.ampstories"><span style="font-weight: 400;">Ariana DeBose</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela dança, ela canta, ela atua, ela honra o papel-legado de Rita Moreno e ainda consegue elevar o patamar da personagem. Vinda do Teatro, DeBose chegou a </span><a href="https://remezcla.com/film/ariana-debose-initially-turned-down-west-side-story-audition/#:~:text=Actress%20and%20Broadway%20star%20Ariana,no%2C%E2%80%9D%20Tolan%20told%20Variety."><span style="font-weight: 400;">recusar a chamada de elenco</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas a diretora de </span><i><span style="font-weight: 400;">casting </span></i><span style="font-weight: 400;">Cindy Tolan insistiu e conseguiu convencê-la. O resultado não poderia ser mais positivo: atriz coadjuvante mais premiada na temporada da crítica, vencedora do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dQc_D-fgS38"><span style="font-weight: 400;">Sindicato dos Atores</span></a><span style="font-weight: 400;"> e do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XdXIuhLR2tk&amp;t=16s"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em evidência por seu papel como mulher latina, negra e </span><a href="https://personaunesp.com.br/atrizes-queer-oscar-2022-artigo/"><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é responsável por energizar </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor, Sublime Amor</span></i><span style="font-weight: 400;"> e conferir a ele esse </span><i><span style="font-weight: 400;">status </span></i><span style="font-weight: 400;">de relevância artística. </span></p>
<figure id="attachment_26999" aria-describedby="caption-attachment-26999" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26999 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/6-1.jpg" alt="Cena do filme Amor, Sublime Amor. A cena mostra Mike Faist olhando para Ariana DeBose que sorri com a boca aberta e fala algo para o DJ do baile. O cenário é a quadra do colégio, lotada de jovens dançando. Faist é um homem branco, de cabelos loiros espetados e usa roupas azuis. Ariana é uma mulher negra, latina e de cabelos pretos na altura dos ombros. Ela usa um vestido tomara que caia com alças laterais de cor preta e vermelha. " width="1000" height="527" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/6-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/6-1-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/6-1-768x405.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26999" class="wp-caption-text">Até hoje apenas dois personagens renderam Oscars para atores diferentes; se Ariana DeBose vencer, Anita entrará para a seleta lista ao lado de Don Corleone e Coringa (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua Anita foge da imitação da original, buscando novos riscos e novas rimas no humor, no drama e na entrega visceral e de carisma. DeBose passa por um arco de desilusão e queda inestimável e talvez, lá, no fundo, o tal sublime amor, mais importante que a vida, seja uma lição endereçada também a ela, e não somente à Maria. Com Bernardo, Anita exercita seu lado mais passional e incisivo. Com Maria, representa a figura materna que ficou lá em Porto Rico. Com Valentina (</span><a href="https://www.magazine-hd.com/apps/wp/west-side-story-rita-moreno/"><span style="font-weight: 400;">Rita Moreno</span></a><span style="font-weight: 400;">), ela é o embate das visões entre o ontem e o hoje. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://open.spotify.com/track/7guz8LWGuiHSvp19OUxmbQ?si=1ac5bad2d6f849d4"><span style="font-weight: 400;">número de </span><i><span style="font-weight: 400;">America</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, momento mais esperado do </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;">, é o </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">particular de DeBose. Ao passo que a atriz começa o argumento de como é bom viver nesses Estados Unidos de prosperidade, acompanhada das mulheres da comunidade, os homens se prestam ao papel de colocá-las de volta à órbita: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Comprar no crédito é tão bom! Um olhar para nós e eles cobram o dobro!”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nessas </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/12/15/movies/rita-moreno-ariana-debose-west-side-story.html"><span style="font-weight: 400;">dissonâncias</span></a><span style="font-weight: 400;">, Anita não se dá por vencida e continua caminhando em direção aos seus sonhos, o de engrandecer de costurar como forma de paixão e ter o seu trabalho reconhecido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rodopiando por uma Nova Iorque insatisfeita com a chegada da população em êxodo de Porto Rico, Anita mal prevê o terror que a aguarda. Afinal, a América que serve como palco da canção mais alto astral e otimista do filme é o mesmo país onde ela é quase estuprada pela gangue de polacos. Diferente da versão de 61, quando as jovens brancas assustem em silêncio o ataque à Anita, em 2021 Steven Spielberg </span><a href="https://ew.com/movies/ariana-debose-rita-moreno-anita-sexual-assault/"><span style="font-weight: 400;">reconstrói o centro dramático</span></a><span style="font-weight: 400;"> da cena e entrega à Valentina a sentença que o público aguardou sessenta anos para ouvir proferida. </span></p>
<figure id="attachment_27000" aria-describedby="caption-attachment-27000" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27000 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/7-1.jpg" alt="Cena do filme Amor, Sublime Amor. A cena mostra dois grupos de pessoas se aproximando em um campo. A visão é de cima e vemos apenas as sombras das pessoas, projetadas na frente um do outro." width="2048" height="858" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/7-1.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/7-1-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/7-1-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/7-1-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/7-1-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/7-1-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27000" class="wp-caption-text">Acusado de abusar sexualmente de uma jovem de 17 anos, o protagonista Ansel Elgort foi apagado da divulgação do filme; o elenco feminino, entretanto, foi questionado a respeito do assunto: “apenas as pessoas envolvidas nessa situação sabem o que realmente aconteceu” (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Eu os conheço desde pequenos e vocês se tornaram estupradores”</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela lamenta, à meia-luz da farmácia onde o </span><a href="https://www.newsweek.com/west-side-story-2021-rita-moreno-valentina-anita-1657667"><span style="font-weight: 400;">marido Doc</span></a><span style="font-weight: 400;"> trabalhou a vida toda. Ela afugenta os marginais, mas não sem antes ouvir de Anita uma verdade entalada na garganta. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Traidora”</span></i><span style="font-weight: 400;">, profere a garota, </span><i><span style="font-weight: 400;">“você se casou com um gringo e deu espaço e casa para os filhos deles”</span></i><span style="font-weight: 400;">, aqueles que matam os porto-riquenhos, os latinos como Valentina. Sem ter o que responder, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5ZNT4U3_XLI"><span style="font-weight: 400;">Rita Moreno assiste Ariana DeBose</span></a><span style="font-weight: 400;"> virar as costas e voltar ao refúgio de uma nação que, mesmo não sendo madura como o lado oeste, acolherá ela em qualquer circunstância. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A progressão dramática de </span><i><span style="font-weight: 400;">West Side Story</span></i><span style="font-weight: 400;">, que já era um ponto de atrito no filme original, dessa vez é decantada até a última gota. E, por mais que Rachel Zegler não atue tão bem quanto cante, a protagonista passa por uma onda de felicidade genuína (desde a perfeita rememoração da cena da varanda e os versos de</span> <a href="https://open.spotify.com/track/63qvbi2vkMATRpLUTiuSdu?si=6e8ef3a7cefd4617"><i><span style="font-weight: 400;">Tonight</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, até o êxtase de </span><a href="https://open.spotify.com/track/6Jtl7l4GS0OxkDFACQjA5q?si=04aa1e97a6c94f99"><i><span style="font-weight: 400;">I Feel Pretty</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), para depois ter a bomba de medo estourada em seu colo. Quando ouve de Chino (Josh Andrés Rivera) o destino de Tony, a jovem teima em acreditar no ocorrido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Zegler se esforça para as lágrimas imprimirem-se orgânicas por cima dos olhos enfraquecidos e das olheiras de cansaço. Ao dar mais gás a uma história que ninguém tinha noção de que poderia ser melhor do que já foi, a revolução de Spielberg não é o bastante para dar credibilidade ao momento fundamental da passagem de amadurecimento de Maria. Ao se deitar com Tony poucos minutos depois de descobrir o que o Jet fez, o filme volta a perder o público, à moda do que fez em 1961. O que pode ser extraído de bom da sequência deslocada é a batalha entre amigas e irmãs na forma de </span><a href="https://open.spotify.com/track/2hhenp9RkgtMAtDu1SnWdq?si=f9a5f473e4b64024"><i><span style="font-weight: 400;">A Boy Like That / I Have a Love</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_27001" aria-describedby="caption-attachment-27001" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27001 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/8.jpeg" alt="Cena do filme Amor, Sublime Amor. A cena mostra o casal Ansel Elgort e Rachel Zegler se encarando e sorrindo um para o outro atrás das arquibancadas. Ela usa vestido branco e olha para ele, que está de terno preto. Os dois olham nos olhos um do outro, e uma fresta de luz entra em cena, acima da cabeça da garota." width="1440" height="603" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/8.jpeg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/8-800x335.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/8-1024x429.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/8-768x322.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/8-1200x503.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27001" class="wp-caption-text">A voz de ópera e o semblante de inocência de Rachel Zegler renderam à atriz muito espaço no mercado: no futuro, ela poderá ser vista na sequência de Shazam! e no papel-título do live action da Branca de Neve (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Divisor de águas, é nesse momento em que Anita percebe que Maria já selou seu destino. Elas se separam, física e emocionalmente. Ariana DeBose concentra toda a energia que havia usado para cantar, dançar e se mover, dessa vez no </span><a href="https://open.spotify.com/track/20coq7NDoPC3ChiI3Mrl9K?si=f2907603b8a44c8b"><span style="font-weight: 400;">exercício da pausa</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quando chora, em luto pelo amor que se foi, Anita entende que o mundo, e a América que ela tanto idealizou, não passam de um pesadelo camuflado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O amor é mais importante que a vida? Ou seria o contrário? Mais trágico que em Romeu e Julieta, o destino da História do Lado Oeste acaba em tragédia para todo lado. Anita perde seu norte, Maria perde seu cerne, Chino perde sua falsa-inocência. Valentina perde o </span><a href="https://open.spotify.com/track/6WbfBu06dfTcYdCRcbVmgb?si=26dc7fcc89a04cb1"><span style="font-weight: 400;">resquício de fé</span></a><span style="font-weight: 400;"> que mantinha de um mundo melhor. Mas, surge então uma procissão de brancos e latinos carregando o corpo do mártir que sonhou em paz. Talvez, o prolífico e experiente Steven Spielberg aponte para </span><a href="https://open.spotify.com/track/6wSLWZELUevZPdHZXGusy2?si=849736a109974655"><span style="font-weight: 400;">uma solução</span></a><span style="font-weight: 400;">. Talvez, da morte nasce a fagulha do amanhã. </span></p>
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		<title>Há luz nos Olhos de Tammy Faye</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Mar 2022 19:55:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan A Televisão é, ainda hoje, um dos meios de comunicação mais eficientes já criado pelo homem. No Brasil, disputando com novelas e programas jornalísticos, muitos canais cedem espaço para que pastores vendam a cura e tirem os demônios de seus devotos via satélite. Entretanto, o pioneirismo vem dos Estados Unidos com Jim &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-olhos-de-tammy-faye-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há luz nos Olhos de Tammy Faye"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26850" aria-describedby="caption-attachment-26850" style="width: 1224px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26850 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem1-osolhosdetammyfaye.jpg" alt="Cena do filme Os Olhos de Tammy Faye. Ao centro vemos uma mulher branca de cabelos curtos e loiros. Ela usa uma maquiagem bem marcada, com sombra azul escura, rímel preto e batom vermelho queimado. Ela usa brincos e vestido branco. Há um microfone de lapela preto em sua gola. Ela está segurando o choro. Ela está sentada num sofá laranja e na imagem é visível a cabeceira da poltrona. O fundo é desfocado, parede cor creme e folhas verdes. " width="1224" height="688" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem1-osolhosdetammyfaye.jpg 1224w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem1-osolhosdetammyfaye-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem1-osolhosdetammyfaye-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem1-osolhosdetammyfaye-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem1-osolhosdetammyfaye-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26850" class="wp-caption-text">Indicado em duas categorias do Oscar 2022, o filme teve sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto no ano passado (Foto: Disney Germany)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Televisão é, ainda hoje, um dos meios de comunicação mais eficientes já criado pelo homem. No Brasil, disputando com novelas e programas jornalísticos, muitos canais cedem espaço para que pastores vendam a cura e tirem os demônios de seus devotos via satélite. Entretanto, o pioneirismo vem dos Estados Unidos com Jim Bakker (Andrew Garfield) e outros tantos religiosos como Jerry Falwell e Pat Robertson, homens, brancos, ricos que usam da boa oratória para transformar o Cristianismo em </span><i><span style="font-weight: 400;">showbiz</span></i><span style="font-weight: 400;">, lucrando à custa da fé dos espectadores. A narrativa é familiar, mas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eMMLRnXPPJk&amp;ab_channel=SearchlightPictures"><i><span style="font-weight: 400;">Os Olhos de Tammy Faye</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> enxerga a figura singular da televangelista que batiza o filme de maneira humanizada, dando um passo além da extorsão.</span></p>
<p><span id="more-26848"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adaptado do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=A6aGqvkYcO8&amp;ab_channel=gaymoviereviews"><span style="font-weight: 400;">documentário homônimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2000, que foi comandado por Fenton Bailey e Randy Barbato, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Olhos de Tammy Faye</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem a missão divina de levar ao Cinema a ordinária história da televangelista autonomeada. A ideia de redescobrir a biografia nasce guiada pela voz de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/rupaul/"><span style="font-weight: 400;">RuPaul</span></a><span style="font-weight: 400;">, narrador da produção original, e do encantamento de Jessica Chastain pela crônica que estava sendo contada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2012, a atriz se imaginou vivendo a personagem e comprou os direitos do doc, optando por uma reprodução ficcional. Nessa quase uma década desde que separa a decisão e a estreia do filme, a direção ficou nas mãos de Michael Showalter. Enquanto o roteiro ficou a cargo de Abe Sylvia, que cresceu durante o clímax da história do casal Faye-Bakker, e usa seu conhecimento e fascínio para delinear os bastidores dos escândalos. </span></p>
<figure id="attachment_26851" aria-describedby="caption-attachment-26851" style="width: 1245px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26851 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem2-osolhosdetammyfaye.jpg" alt="Cena do filme Os Olhos de Tammy Faye. Ao centro vemos uma mulher branca de cabelos curtos e loiros. Ela usa uma maquiagem bem marcada, com sombra azul escura, rímel preto e batom vermelho queimado. Ela usa brincos e vestido branco. Há um microfone de lapela preto em sua gola. Ela está chorando. Ela está sentada num sofá laranja e na imagem é visível a cabeceira da poltrona. O fundo é desfocado, parede cor creme e folhas verdes. " width="1245" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem2-osolhosdetammyfaye.jpg 1245w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem2-osolhosdetammyfaye-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem2-osolhosdetammyfaye-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem2-osolhosdetammyfaye-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem2-osolhosdetammyfaye-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26851" class="wp-caption-text">Após sua separação de Jim Bakker, Tammy Faye se casou com Roe Messner e foi posteriormente diagnosticada com câncer, falecendo em 2007 (Foto: Disney Germany)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo em que o documentário de 2000 ajuda a reconstruir a sórdida imagem de Tammy Faye e resgata sua biografia do fogo eterno, o longa de Michael Showalter (</span><a href="https://personaunesp.com.br/love-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Love</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) caminha desde a faculdade bíblica em Minneapolis, onde Tammy conheceu e se apaixonou pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">showman</span></i> <a href="https://cm-ob.pt/where-is-jim-bakker-now"><span style="font-weight: 400;">Jim Bakker</span></a><span style="font-weight: 400;">, até a consagração do casal no ministério televisivo nos anos 70 e 80. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Eyes of Tammy Faye</span></i><span style="font-weight: 400;"> foca em apresentar um lado mais ingênuo da missionária, construindo seu relacionamento com Bakker e deixando claro desde o primeiro ato as percepções da direção sobre os protagonistas: Tammy, </span><a href="http://www.newnownext.com/rupaul-eyes-of-tammy-faye/09/2016/"><span style="font-weight: 400;">mulher fervorosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, conhecedora dos sacramentos bíblicos e ingênua. Já a montagem de Jim liga o sinal de alerta de que o bom samaritano futuramente se desviará da moral e dos bons costumes cristãos. O filme pinta uma imagem redentora que deixa para o público decidir até que ponto a cônjuge sabia sobre as atividades fraudulentas de seu marido.</span></p>
<figure id="attachment_26852" aria-describedby="caption-attachment-26852" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26852 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem3-osolhosdetammyfaye.jpg" alt="Cena do filme Os Olhos de Tammy Faye. Ao centro está Tammy, uma mulher branca de cabelos ondulados na altura dos ombros. Ela veste uma roupa roxa. Está sentada se maquiando. Em sua mão direita ela está segurando um pincel para passar blush nas bochechas. Em sua mão direita está o pote de blush. Suas unhas estão pintadas de vermelho. A frente, em primeiro plano, há um espelho de mesa redondo. Ele reflete o queixo e parte da blusa de Tammy. Ao fundo, desfocada, está a mãe de Tammy. Uma senhora de cabelos grisalhos e curtos, vestindo um vestido marrom claro e casaco de tricô marrom." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem3-osolhosdetammyfaye.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem3-osolhosdetammyfaye-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem3-osolhosdetammyfaye-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem3-osolhosdetammyfaye-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem3-osolhosdetammyfaye-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26852" class="wp-caption-text">Rachel LaValley, mãe de Tammy Faye, é interpretada pela vencedora do Tony e do Emmy Cherry Jones (Foto: Disney Germany)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A potência televisiva de Jim Bakker e Tammy Faye se deve a emissora que eles criaram: a </span><a href="https://www.vulture.com/news/the-ptl-club/"><i><span style="font-weight: 400;">PTL</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Aqui o filme exerce seu papel de apresentar o que acontecia por trás das câmeras nas negociações de criação de um dos maiores canais televangelicos dos EUA, cujo programa principal era comandado por seus fundadores. Para além do sagrado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Olhos de Tammy Faye</span></i><span style="font-weight: 400;"> serve para exibir as profanidades que aconteciam nos bastidores da </span><i><span style="font-weight: 400;">PTL</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O patrimônio milionário foi construído somente com doações dos fiéis, que eram explorados financeiramente até em cenários pecaminosos. Não havia história cabeluda o suficiente que Jim Bakker e os ‘</span><a href="https://www.observatoriodaimprensa.com.br/educacao-e-cidadania/caderno-da-cidadania/um-novo-fenomeno-do-televangelismo/"><span style="font-weight: 400;">grandões</span></a><span style="font-weight: 400;">’ do televangelismo não transformassem em notas de dólar. A direito, a produção mostra que eles esbanjaram todo esse dinheiro. Tammy era uma mulher extravagante que ostentava joias, acessórios e roupas caras, maquiagens pesadas e morava com Jim em uma mansão. Ele, por sua vez, apesar de ser mais discreto, desmantelou o império com denúncias de corrupção e escândalos sexuais.</span></p>
<figure id="attachment_26853" aria-describedby="caption-attachment-26853" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26853 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem4-osolhosdetammyfaye.jpg" alt="Bastidor de Os Olhos de Tammy Faye. Ao centro está uma mulher branca de cabelos curtos, volumosos e vermelho. Ela está com o olhar voltado para cima. Veste um vestido branco e usa maquiagem prata marcante. Ao seu redor há três homens maquiadores retocando o trabalho em seu rosto." width="1024" height="535" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem4-osolhosdetammyfaye.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem4-osolhosdetammyfaye-800x418.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem4-osolhosdetammyfaye-768x401.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26853" class="wp-caption-text">The Eye of Tammy Faye saiu vitorioso no BAFTA e no Critics’ Choice Awards na categoria de Melhor Cabelo e Maquiagem (Foto: Disney Germany)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A maquiagem pesada, principalmente em seus olhos, tornou-se marca de Tammy. Os cílios quilométricos, as sobrancelhas com traços acentuados e as pálpebras marcadas; o sorriso corajoso mas tomado por uma angústia psíquica ao lado de seu marido. Esse é o erguimento mais marcante da imagem de Faye e transmitido com louvor pelo afinado trabalho da equipe de maquiagem integrada por Linda Dowds, Stephanie Ingram e Justin Raleigh. Com seu apogeu nas décadas de 60 e 70, a cinebiografia se esforçar para apanhar fragmentos que interligam os trinta anos de matrimônio e o trabalho que concorre ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-cabelo-e-maquiagem/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Cabelo e Maquiagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> lida de forma convincente com a passagem cronológica de décadas, vendendo a imagem pastoral de </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2021/09/09/deus-patria-familia-bolsonaro-usa-lema-da-acao-integralista-brasileira-em-carta-a-nacao"><span style="font-weight: 400;">Deus, Pátria e Família</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/tick-tick-boom-critica/"><span style="font-weight: 400;">Andrew Garfield</span></a><span style="font-weight: 400;">, conhecidíssimo dessa temporada de premiações, envelhece seguindo um compasso natural divino com a sutileza dos cabelos embranquecendo. Por outro lado, a mudança em Tammy se reflete de maneira espalhafatosa, cada violação &#8211; própria ou alheia &#8211; dos mandamentos bíblicos grita em cabelos mais volumosos ou maquiagens carregadas e de traços permanentes que cumprem o papel de causar leve desconforto pela personagem que briga por afeição. A caracterização é feita para incomodar, mesmo que de certo ângulo o maxilar quadrado pareça caxumba é o exagero que dá a dimensão dos pecados do casal Bakker.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maquiagem pesada ainda serve de catalisador para que </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/jessica-chastain-5-producoes-para-conhecer-vencedora-do-sag-awards-2022-interestelar-cenas-de-um-casamento-e-mais-lista/"><span style="font-weight: 400;">Jessica Chastain</span></a><span style="font-weight: 400;"> entregue a atuação mais importante de sua carreira. Concorrendo a categoria de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-atriz/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Atriz</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, prêmio que já venceu pelo mesmo papel no </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Critics&#8217; Choice Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022, Chastain esbanja carisma e mostra o domínio pelo roteiro que tem em mãos, exercendo deslumbramento e incômodo na mesma moeda. A tentativa do filme de humanizar Tammy Faye do ridículo se completa através da alma que Chastain imprime por baixo de todo pó compacto, revelando o credo em Deus e na magia dos fantoches que a mulher de </span><a href="https://www.cafemaisgeek.com/cinema/os-olhos-de-tammy-faye-vem-deus-mas-nao-vem-o-marido-a-por-o-dinheiro-ao-bolso/"><span style="font-weight: 400;">voz de Betty Boop</span></a><span style="font-weight: 400;"> carregava. Os </span><i><span style="font-weight: 400;">olhos </span></i><span style="font-weight: 400;">de Tammy Faye voltam a brilhar através das íris de Jessica Chastain, que com o olhar perdido livra Faye do caricato e denota uma mulher que merece simpatia e não ostracismo.</span></p>
<figure id="attachment_26854" aria-describedby="caption-attachment-26854" style="width: 1082px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26854 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem5-osolhosdetammyfaye.jpg" alt="Cena de Os Olhos de Tammy Faye. No canto esquerdo vê-se o rosto cansado de uma mulher branca de cabelos loiros e curtos. Ela está usando sombra escura. No canto superior direito vê-se um homem em pé. Ele é branco e com cabelos castanhos e alguns fios brancos. Ele veste roupas pretas. Há um telefone em sua mão direita, o mesmo está na altura das orelhas. Entre os dois vê-se um sofá rosa. A imagem tem os cantos borrados para dar a sensação de movimento e tontura. " width="1082" height="715" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem5-osolhosdetammyfaye.jpg 1082w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem5-osolhosdetammyfaye-800x529.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem5-osolhosdetammyfaye-1024x677.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem5-osolhosdetammyfaye-768x508.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26854" class="wp-caption-text">Em outubro de 1989, Jim foi condenado por 24 acusações de fraude e conspiração, e mais tarde naquele ano, recebeu a sentença de 45 anos na prisão (Foto: Disney Germany)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Poupando os pecados do roteiro, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Eyes of Tammy Faye</span></i><span style="font-weight: 400;"> se edifica por sua impecável estética. O </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 70 e 80 extravasa pelas telas de forma nostálgica, destacando a alta costura e a luz amarela. Do ambiente iluminado por luz natural quando Tammy luta por um espaço na mesa dos cristãos ímpios onde o pastor conservador Jerry Falwell (</span><a href="https://personaunesp.com.br/gaviao-arqueiro-critica/"><span style="font-weight: 400;">Vincent D&#8217;Onofrio</span></a><span style="font-weight: 400;">) detém o voto de minerva, até a ascensão de Jim com </span><i><span style="font-weight: 400;">The 700 Club </span></i><span style="font-weight: 400;">moldada em uma atmosfera que mais se aproxima do mundano do que o sagrado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Olhos de Tammy Faye</span></i><span style="font-weight: 400;"> está longe de fazer milagre, mas pode se apoiar na louvável direção de fotografia de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tempo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Mike Gioulakis</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em proveito das aparências, nada passa imune a soberba de Bakker que apela para confissões chorosas na TV sobre como &#8211; após os escândalos sexuais &#8211; o casal de bem é perseguido e, acompanhado pelos vocais da esposa, clama aos paroquianos aumento em suas doações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que definitivamente falta no filme é enfatizar a </span><a href="https://www.natgeo.pt/historia/2022/03/aquela-entrevista-transformou-as-pessoas-o-que-fez-tammy-faye-e-porque-foi-importante"><span style="font-weight: 400;">importância da evangelista</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a comunidade LGBTQIA+. </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Olhos de Tammy Faye</span></i><span style="font-weight: 400;"> dá a ciência de seu apoio à causa, mas a cena da missionária entrevistando um homem portador do vírus da </span><a href="https://www.nbcnews.com/video/tammy-faye-bakker-s-groundbreaking-1985-interview-with-aids-patient-121068613697"><span style="font-weight: 400;">AIDS</span></a><span style="font-weight: 400;">, no auge da epidemia, só não se perde pelo forte peso emocional que carrega em mostrar uma serva do Senhor defendendo a comunidade. A conversa com </span><a href="https://lgbtqreligiousarchives.org/profiles/stephen-pieters"><span style="font-weight: 400;">Steven Pieters</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Randall P. Havens) parece mais comovente por causa de quão direto ela acontece no longa, no entanto, a apresentação não convence que a mulher seguidora dos dogmas religiosos realmente apoia a causa enquanto a Igreja prega a morte de homossexuais. O ambiente, até hoje!, hostil da instituição, se vincula às outras prioridades do roteiro que acaba por rebaixar à uma nota de rodapé o ato raro e parte notável do legado da mulher que abraçou ativamente a comunidade gay.</span></p>
<p><figure id="attachment_26856" aria-describedby="caption-attachment-26856" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26856 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem6-osolhosdetammyfaye.jpg" alt="Cena de Os Olhos de Tammy Faye. Ao centro está o rosto de uma mulher branca de cabelos curtos e vermelhos. Seu olhar está voltado para cima. Sua maquiagem prata e preta é bem marcada nos olhos. Seu batom vinho e o contorno preto também. Suas mãos estão unidas em prece na altura da boca. Suas unhas estão pintadas de vermelho. O fundo é desfocado em tons de azul." width="1280" height="689" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem6-osolhosdetammyfaye.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem6-osolhosdetammyfaye-800x431.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem6-osolhosdetammyfaye-1024x551.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem6-osolhosdetammyfaye-768x413.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem6-osolhosdetammyfaye-1200x646.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26856" class="wp-caption-text">Essa é a terceira indicação ao Oscar da Jessica Chastain, Histórias Cruzadas (2011) e A Hora Mais Escura (2012) foram as produções que acarretaram as nomeações no currículo da ruiva [Foto: Disney Germany]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Nas entrelinhas Abe Sylvia (</span><a href="https://personaunesp.com.br/disque-amiga-para-matar-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Disque Amiga para Matar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Nurse Jackie</span></i><span style="font-weight: 400;">) diligencia a </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/escandalos-sexuais-e-financeiro-o-imperio-dos-televangelistas-jim-e-tammy-faye-bakker.phtml"><span style="font-weight: 400;">culpa cristã</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em momento algum a vilania é colocada no alicerce da Igreja ou nos ombros do Espírito Santo, o roteiro denuncia o </span><i><span style="font-weight: 400;">showbiz </span></i><span style="font-weight: 400;">dos homens brancos, ricos, poderosos e miseráveis. As cenas de Jim Bakker são revestidas pela ganância. Além disso, o mérito não é escondido, a pessoa que serviu de muletas para que o pastor desse o primeiro passo junto aos podres para conseguir investidores e assim construir seu império tem nome e sobrenome: Tammy Faye.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Os Olhos de Tammy Faye</span></i><span style="font-weight: 400;"> definitivamente não é um filme sobre religião, mesmo com a fé de uma mulher e o televangelismo sendo suas maiores bases de apoio da narrativa. O que acontece aqui é a </span><a href="https://escotilha.com.br/cinema-tv/central-de-cinema/filme-os-olhos-de-tammy-faye-michael-showalter-resenha-critica/"><span style="font-weight: 400;">deliberação de um caso</span></a><span style="font-weight: 400;"> em específico, sem partir para uma generalização que não se sustentaria e ainda correria o risco de colocar a produção em praça pública sob as tochas e os gritos de heresia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim, resta o purgatório. A decisão de deixar nas mãos do público o termômetro de culpabilidade de Faye ludibria toda narrativa criada a seu favor &#8211; mesmo sua traição faz com que asco caia sobre Jim, provando o favoritismo da produção, contribuindo para que ela ficasse de fora das premiações nas categorias de roteiro. No juízo final, o veredito é que </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Olhos de Tammy Faye </span></i><span style="font-weight: 400;">convence que a protagonista pode até não merecer retenção plena, mas merece ter sua história contada de maneira harmoniosa e com o cuidado para retratar toda a complexidade humana por trás dos extravagantes cílios. Seu ex-marido &#8211; e os televangelistas que veem a fé como exclusiva fonte de lucro &#8211; tem direito apenas ao pão que o diabo amassou, aliás, as gravações do filme terminaram em 2019, e um ano depois, Jim Bakker tentou vender </span><a href="https://revistamarieclaire.globo.com/Noticias/noticia/2021/06/pastor-e-condenado-pagar-r-765-mil-por-divulgar-falso-produto-para-cura-da-covid-19.html"><span style="font-weight: 400;">prata coloidal</span></a><span style="font-weight: 400;"> às pessoas como uma cura para a covid-19. E por último Jessica Chastain aguentou o peso da cruz e cumpriu sua missão com louvor, tem passagem direta aos céus &#8211; ou quem sabe ao palco do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo que ela </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/oscar-2022-jessica-chastain-prefere-perder-tapete-vermelho-premio-de-melhor-maquiagem-entenda/"><span style="font-weight: 400;">pule o tapete vermelho</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
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