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	<title>Arquivos Coming-of-age &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>No sopro da vida, descobrimos que Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Nov 2024 20:53:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Em meio à poeira e quietude do Mississippi, Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal (All Dirt Roads Taste of Salt, no original) desenha uma narrativa lírica e contemplativa sobre amadurecimento. Dirigido por Raven Jackson e produzido pela A24, o filme é uma coleção de memórias e silêncios que moldam a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/todas-as-estradas-de-terra-tem-gosto-de-sal-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "No sopro da vida, descobrimos que Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34470" aria-describedby="caption-attachment-34470" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34470" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-800x531.jpg" alt="Cena do filme Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal. Uma mulher negra, vestindo um vestido branco, está em pé em um campo verdejante, segurando sua filha nos braços. Ela está envolta em um pano branco e deitada confortavelmente no colo da mulher, que olha para ela com ternura e proteção. A figura da mulher transmite força e suavidade, enquanto o fundo de árvores e casas distantes cria uma atmosfera serena e natural. A luz suave destaca o laço afetivo entre elas, capturando um momento de amor e cuidado materno." width="800" height="531" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-800x531.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-1024x679.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-768x509.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-1536x1019.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2-1200x796.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-2.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34470" class="wp-caption-text">A Fotografia do longa, por Jomo Fray, foi premiada no Black Reel Awards, cerimônia de reconhecimento de excelência de afro-americanos (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio à poeira e quietude do Mississippi, </span><i><span style="font-weight: 400;">Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">All Dirt Roads Taste of Salt</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original)</span> <span style="font-weight: 400;">desenha uma narrativa lírica e contemplativa sobre amadurecimento. Dirigido por Raven Jackson e produzido pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-vi-o-brilho-da-tv-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o filme é uma coleção de memórias e silêncios que moldam a história de Mackenzie, interpretada por Mylee Shannon, Kaylee Nicole Johnson, Charleen McClure e Zainab Jah, cada uma em diferentes fases da vida.</span><span id="more-34467"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, Mylee Shannon traz à tela a </span><a href="https://personaunesp.com.br/projeto-florida-critica-resenha/"><span style="font-weight: 400;">infância</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Mackenzie, cheia de inocência e curiosidade; Kaylee Nicole Johnson captura a turbulência da </span><a href="https://personaunesp.com.br/big-mouth-4a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">adolescência</span></a><span style="font-weight: 400;">; Charleen McClure apresenta os dilemas da fase </span><a href="https://personaunesp.com.br/after-school-ep-critica/"><span style="font-weight: 400;">adulta</span></a><span style="font-weight: 400;">; Zainab Jah reflete a maturidade, marcada por cicatrizes e sabedoria. A diretora entrelaça o corpo humano e a natureza, tecendo um retrato sensível do passar do tempo e das marcas profundas e invisíveis que ele imprime.</span></p>
<figure id="attachment_34468" aria-describedby="caption-attachment-34468" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34468" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6-800x531.jpg" alt="Cena do filme Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal. Três gerações de mulheres negras estão reunidas em um sofá em uma sala decorada com fotos de família na parede ao fundo. No centro, uma senhora de cabelos grisalhos e expressão serena segura com carinho as cabeças de duas meninas mais jovens, suas netas, uma de cada lado. À sua esquerda, uma garota de aproximadamente 10 anos, usando um roupão azul, descansa a cabeça em seu colo com os olhos fechados. À direita, outra jovem, com cerca de 12 anos e vestindo um roupão verde claro, também repousa a cabeça na perna da idosa, criando uma cena de aconchego, amor e conexão entre as gerações." width="800" height="531" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6-800x531.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6-1024x679.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6-768x509.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6-1536x1019.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6-1200x796.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-6.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34468" class="wp-caption-text">O diretor de Moonlight, Berry Jenkins, é produtor responsável pela obra (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme opta por uma abordagem sensorial e introspectiva, com poucos diálogos e uma forte ênfase nos gestos e nos sons da natureza. Assim, cada cena parece deixar as palavras na ponta da língua. É uma sensação de desconforto, mas só por estarmos acostumados com narrativas mais dinâmicas e diálogos explicativos. Em comparação a outros filmes </span><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i><span style="font-weight: 400;">, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/lady-bird-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Lady Bird</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017), que se apoia no humor e nas interações verbais para desenvolver seus personagens, o longa de Jackson prefere o caminho do sentir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é fácil trabalhar a contemplação, a narrativa social que envolve a narrativa e um amadurecimento pessoal de tantas perspectivas. A direção se propõe a fazer isso com </span><a href="https://personaunesp.com.br/pedro-critica/"><span style="font-weight: 400;">pouquíssimos diálogos</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, essa tentativa ambiciosa de unir tantas camadas acaba sobrecarregando o público com tantos simbolismos, nos afastando do que realmente importa: os pequenos momentos de vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Fotografia de Jomo Fray e a trilha sonora de Sasha Gordon e Victor Magro elevam o longa. Enquanto a trilha mistura sons da natureza – o canto dos grilos, o farfalhar das folhas – com composições sensíveis, o enquadramento é como os olhares de um ser onisciente que a acompanha desde sempre. Há momentos em que a estética parece superar a narrativa, deixando a sensação de que a forma é mais importante do que o </span><a href="https://personaunesp.com.br/melancolia-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">conteúdo emocional</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos personagens.</span></p>
<figure id="attachment_34469" aria-describedby="caption-attachment-34469" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34469" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-15-800x330.png" alt="Cena do filme Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal. Duas meninas negras, irmãs, estão sentadas no banco traseiro de um carro antigo, ambas usando vestidos de estilo vintage com babados e laços. A menina à esquerda, com tranças e expressão séria, usa um vestido preto com detalhes brancos e olha para fora com um olhar distante e pensativo. A menina à direita, com cabelo afro solto adornado com uma faixa de laço, veste um vestido cinza claro com um grande laço no peito e aparenta estar imersa em seus próprios pensamentos, com uma expressão melancólica. A luz suave e o ambiente fechado do carro intensificam a atmosfera introspectiva e emocional da cena." width="800" height="330" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-15-800x330.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-15-1024x423.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-15-768x317.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-15-1200x495.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-15.png 1366w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34469" class="wp-caption-text">Esse é o primeiro longa-metragem com direção assinada pela fotógrafa e poetisa Raven Jackson (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em termos de desenvolvimento, o amadurecimento de Mackenzie se dá nos detalhes, como olhares demorados, pequenos gestos e interações sutis. A irmã se torna um pilar constante, enquanto a mãe oferece apoio dentro de suas limitações. Ao contrário de </span><a href="https://personaunesp.com.br/moonlight-kendrick-lamar/"><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016), com momentos de catarse, aqui, a diretora opta pela sutileza e pelo silêncio. Por vezes, a falta de clímax faz com que algumas passagens pareçam se arrastar. Nessa mesma linha, a protagonista é moldada tanto pelas presenças quanto pelas perdas; pelo vazio deixado por quem parte e pelo calor das conexões que se formam. Assim, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/questao-de-tempo-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">narrativa não linear</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o ritmo contemplativo demandam paciência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de suas qualidades, </span><i><span style="font-weight: 400;">Todas as Estradas de Terra Têm Gosto de Sal</span></i><span style="font-weight: 400;"> não escapa de alguns tropeços. A ausência de diálogos mais substanciais e de uma estrutura narrativa convencional pode fazer com que o filme pareça distante e difícil de conectar emocionalmente. Ainda assim, há beleza e sucesso em sua tentativa de capturar a vida nos pequenos momentos – os abraços silenciosos, o vento sussurrando entre as árvores e o som da </span><a href="https://personaunesp.com.br/alcarras-critica/"><span style="font-weight: 400;">terra sob os pés</span></a><span style="font-weight: 400;">. Podemos refletir sobre as marcas que carregamos e sobre como, em cada jornada, há sempre algo de belo a ser encontrado, mesmo que discreto e fugaz.</span></p>
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		<title>Depois de 20 anos, Homem-Aranha 2 continua um novelão melodramático</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Sep 2024 16:57:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo É muito difícil falar algo novo de Homem-Aranha 2 (2004) vinte anos depois de seu lançamento. Todo mundo já teceu algum comentário: sobre ele ser a adaptação definitiva de um quadrinho de super-herói, sobre suas cenas de ação de tirar o fôlego ou do enredo espetacular. De tudo já dito a respeito, pouco &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/homem-aranha-2-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Depois de 20 anos, Homem-Aranha 2 continua um novelão melodramático"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34029" aria-describedby="caption-attachment-34029" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-34029 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-4-800x333.jpg" alt="Cena do filme Homem-Aranha 2Na imagem, estão penduradas com cabides em uma barra de aço, o uniforme do Homem-Aranha e um terno com gravata, no meio dos dois há um cabide vazio. O uniforme está do lado esquerdo, ele é vermelho, mas possui detalhes em azul na parte inferior do braço e antebraço e também nas costelas. Ele possui uma aranha prateada no peito e teias em alto relevo por toda roupa. O terno é na cor azul. O armário é todo branco e tem aspecto de velho, no canto direito há uma luminária acesa apontada para cima" width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-4-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-4-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-4-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-4-1200x500.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-4.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34029" class="wp-caption-text">Homem-Aranha 2 teve uma versão estendida lançada para DVD em 2007, chamada de Homem-Aranha 2.1, com oito minutos a mais que a versão de cinema (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É muito difícil falar algo novo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2 </span></i><span style="font-weight: 400;">(2004) vinte anos depois de seu lançamento. Todo mundo já teceu algum comentário: sobre ele ser a adaptação definitiva de um quadrinho de super-herói, sobre suas cenas de ação de tirar o fôlego ou do enredo espetacular. De tudo já dito a respeito, pouco se fala – principalmente no meio </span><i><span style="font-weight: 400;">nerd</span></i><span style="font-weight: 400;">, que foca apenas em fidelidade para com a obra original – do melodrama. Para comemorar as duas décadas do filme que marcou e ainda marca gerações, ligue a Televisão e lembre-se do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/novela/"><span style="font-weight: 400;">horário das nove</span></a><span style="font-weight: 400;">, porque a sequência de </span><a href="https://personaunesp.com.br/doutor-estranho-no-multiverso-da-loucura-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sam Raimi</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um ‘novelão’.</span></p>
<p><span id="more-34019"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, é imprescindível falar sobre o responsável pela produção. Sam Raimi é um diretor muito autoral, é fácil identificar seus trejeitos e estilos desde seu primeiro longa lá no distante ano de 1981, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Demônio</span></i><span style="font-weight: 400;">, com os </span><i><span style="font-weight: 400;">close-up</span></i><span style="font-weight: 400;">, câmera hiperativa e as longas sequências com poucos cortes. Na década de 1990, ele experimentou um pouco de tudo: um herói trágico com estética </span><i><span style="font-weight: 400;">noir </span></i><span style="font-weight: 400;">em </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-darkman-vinganca-sem-rosto/"><i><span style="font-weight: 400;">Darkman &#8211; Vingança sem Rosto</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1990); </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Plano Simples </span></i><span style="font-weight: 400;">(1998), um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> inquieto e silencioso; dirigiu um romance em </span><i><span style="font-weight: 400;">Por Amor </span></i><span style="font-weight: 400;">(1999) e, até mesmo, desbravou as terras do Velho Oeste com o </span><i><span style="font-weight: 400;">bang-bang Rápida e Mortal</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1995. Como consequência, a trilogia do Homem-Aranha, idealizada por Raimi, acaba sendo uma somatória de tudo que ele já havia feito antes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, em 2002, depois de </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2023/morte-do-demonio-filme-experimental-se-tornou-classico-horror.html"><span style="font-weight: 400;">tantos esforços</span></a><span style="font-weight: 400;"> para fazer filmes, Sam Raimi foi chamado para comandar o primeiro grande </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400;"> do aracnídeo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;"> – o seu herói favorito desde a infância. Com orçamento e equipes maiores, o autor fez de </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranha-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">daquele mesmo ano, um belo retrato de Nova York. Os becos do município – espaços estreitos e normalmente sujos – são lugares para o amor, o tesão, a descoberta, o luto e o amadurecimento. São vias de transformação: Peter Parker (</span><a href="https://personaunesp.com.br/babilonia-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tobey Maguire</span></a><span style="font-weight: 400;">) passa por várias etapas da vida em vielas, o que mostra como a cidade é viva e presente. O peso entre a metrópole nova-iorquina e sua população ficou mais sensível depois dos ataques às Torres Gêmeas em 11 de Setembro de 2001. Por isso, ver um herói que veste as cores da bandeira americana cuidando do povo foi catártico.</span></p>
<figure id="attachment_34027" aria-describedby="caption-attachment-34027" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34027" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-800x333.jpg" alt="Cena do filme Homem-Aranha 2 Na imagem, vemos em primeiro plano no canto inferior direito uma lixeira cor prata, dentro dela está a fantasia do Homem-Aranha, saindo para fora da lata, e com a máscara de cabeça para baixo. O uniforme é na cor vermelha, com lentes prateadas no rosto, assim como uma aranha no peito e teias em relevo por toda roupa. Em segundo plano está o personagem Peter Parker, no escuro, desfocado e de costas, indo embora. O cenário é um beco e está de noite." width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5-1200x500.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-5.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34027" class="wp-caption-text">O longa é uma adaptação de Spider-Man: No More!, quadrinho escrito por Stan Lee e ilustrado por John Romita (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contrastando com a mansão de seu melhor amigo, Harry Osborn (</span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/james-franco-volta-telas-4-anos-apos-acusacoes-de-assedio-sexual/"><span style="font-weight: 400;">James Franco</span></a><span style="font-weight: 400;">), o público acaba frequentando pouco a residência. Raimi sempre filma ela de longe e nunca a encaixa inteira na câmera – diferentemente da casa de Peter que, em um quadro, já podemos vê-la por completo. Os objetos em cena, como máscaras tribais, quadros e assentos caros afastam a família Osborn do espectador, e o aproximam da simplicidade dos Parker. O cineasta registra as diferenças de classe através das imagens, afinal, Cinema é uma Arte Visual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir disso, cria-se um personagem mais verossímil, que mora em bairros comuns e frequenta ambientes relacionáveis. Nos extras do DVD de </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha </span></i><span style="font-weight: 400;">(2002), o diretor de arte Neil Spisak conta que a ideia era realmente fazer da cidade um personagem, diferentemente das fictícias </span><a href="https://personaunesp.com.br/titas-3a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Gotham</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/batman-x-superman-licao-umberto-eco-sobre-mitos-contemporaneos/"><i><span style="font-weight: 400;">Metrópolis</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O Cabeça de Teia acaba por ser um ótimo herói para isso, porque além da intenção de filmar os lugares em comum da cidade, a produção quis levar os nova-iorquinos para regiões inacessíveis, como o pico de um prédio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa perpetra seu protagonista como fruto da cidade e concentra elementos humanos no filme todo, tais como: ciúmes, ausência de dinheiro, escola, figuras paternas e “</span><i><span style="font-weight: 400;">como toda história que se preze, é sobre uma garota</span></i><span style="font-weight: 400;">”, cita Peter Parker (Tobey Maguire) </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XZKmcG5K9lo"><span style="font-weight: 400;">em sua primeira fala</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com todo material-base estabelecido, qual era o caminho para </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2</span></i><span style="font-weight: 400;">? Sam Raimi responde: o melodrama.</span></p>
<figure id="attachment_34022" aria-describedby="caption-attachment-34022" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34022" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image6-800x450.png" alt="Cena do filme Homem-Aranha 2Na imagem, estão em primeiro plano os personagens Mary Jane e Peter Parker se beijando na boca. Mary Jane está do lado esquerdo com as mãos no rosto de Peter. Ela é uma mulher branca de cabelos ruivos. Usa um vestido de noiva na cor branca e um brinco de brilhos. Peter é um homem branco de cabelos lisos na cor castanho escuro. Ele veste uma camiseta cinza. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image6-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image6-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image6.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34022" class="wp-caption-text">Homem-Aranha 2 lucrou 789 milhões de dólares em bilheteria mundial (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, afinal, o que é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Cw0ES-jUpQg"><span style="font-weight: 400;">melodrama</span></a><span style="font-weight: 400;">? Para entender a narrativa melodramática, é preciso voltar alguns séculos na história. Ela surge no fim do século XVIII com a Revolução Francesa e a popularização do Teatro para o povo. Neste movimento, a Arte afasta-se da aristocracia, então é preciso contar histórias que a população quer ouvir. A tragédia grega com seus heróis nobres e dignos de atitudes que dimensionam toda a humanidade não interessa à burguesia e às classes populares, daí surge o melodrama: histórias cotidianas e personagens identificáveis. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Misturado ao drama moderno altamente subjetivo, muitos autores </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XIEbT0gF-e8"><span style="font-weight: 400;">vão definir</span></a><span style="font-weight: 400;"> algumas características ao melodrama. Além da natureza trivial, há a forte presença da visualidade, uso de móveis e objetos habituais, assim como um tratamento maniqueísta do ‘mocinho’, ‘mocinha’ e vilões. As atuações tendem ao exagero, são corporais e expressivas. No Cinema contemporâneo, a forma de contar uma história, dificilmente é ou será purista, não seguirá à risca a cartilha dos elementos que fazem de um texto parte de um gênero. Um filme de terror pode ter fragmentos do </span><a href="https://personaunesp.com.br/mirai-no-mirai-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, assim como um suspense pode ser pitoresco. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, é possível identificar características do melodrama, das peças gregas, francesas de outrora e das novelas brasileiras.</span></p>
<figure id="attachment_34023" aria-describedby="caption-attachment-34023" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34023" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image7-800x333.jpg" alt="Cena do filme Homem-Aranha 2 Na imagem, o personagem Doutor Octopus está de costas, com os braços levantados e preso à sua coluna há 4 braços mecânicos, 2 de cada lado, possuindo 3 garras cada um. Os braços são na cor dourado e prata metálico, presos a uma cintura de metal com faixa no meio imitando uma coluna. Doutor Octopus é um homem branco, na faixa dos 40 anos, ele veste uma regata branca e está com uma calça cinza. Ele está em um laboratório, na sua frente estão muitas pessoas vestidas com ternos e vestidos. Ao fundo há uma grande janela de vidro e nos cantos estão computadores. " width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image7-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image7-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image7-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image7-1200x500.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image7.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34023" class="wp-caption-text">Para criar os barulhos dos braços mecânicos, a equipe de som utilizou correntes de bicicleta e cordas de piano (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De partida, as personagens da sequência não são unidimensionais. Peter Parker (Tobey Maguire) enfrenta dilemas e assume erros. O antagonista, Doutor Octopus (</span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranha-sem-volta-para-casa-critica/"><span style="font-weight: 400;">Alfred Molina</span></a><span style="font-weight: 400;">), é composto de complexidades dificilmente presentes em filmes de quadrinhos. Apresentado ao público como homem nobre, de filosofias altruístas e ideias científicas que ajudarão a humanidade, a faceta do personagem vai sendo subvertida com a rolagem dos minutos do longa, indo de benfeitor a vilão que despreza a vida e vai cometer crimes para realizar seu sonho, e de benevolente a egocêntrico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ‘mauricinho ‘favorito dos fãs do Teioso, Harry Osborn, também tem suas próprias motivações. Crédulo de que seu pai, Norman Osborn (</span><a href="https://personaunesp.com.br/pobres-criaturas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Willem Dafoe</span></a><span style="font-weight: 400;">), foi morto pelo Homem-Aranha (Tobey Maguire), o jovem fica obcecado na ideia de matar o herói. O amor paterno sempre lhe foi negado e agora ele acredita que vingar a sua morte trará orgulho para ele. Mary Jane (</span><a href="https://personaunesp.com.br/ataque-dos-caes-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kirsten Dunst</span></a><span style="font-weight: 400;">) também continua vagando por relacionamentos com homens de sobrenome importante para impressionar o pai. A trilogia de Sam Raimi é um grande </span><a href="https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2023/08/13/daddy-issues-entenda-termo-usado-nas-redes-para-descrever-herancas-emocionais-deixadas-pela-relacao-paterna.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">daddy issue</span></i><span style="font-weight: 400;">s</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_34025" aria-describedby="caption-attachment-34025" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34025" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-8-800x450.png" alt="Cena do filme Homem-Aranha 2Na imagem, Homem-Aranha e um rapaz estão dentro de um elevador. Ambos estão parados, esperando o elevador chegar ao destino. Homem-Aranha está na direita, vestindo seu uniforme.O uniforme é vermelho, mas possui detalhes em azul na parte inferior do braço e antebraço e também nas costelas. Ele possui uma aranha prateada no peito e teias em alto relevo por toda roupa. O homem do seu lado é branco, na faixa dos trinta anos, cabelos escuros e lisos, usa topete. Ele está vestindo um terno preto com a camisa e gravata por dentro na cor azul marinho. Ele está olhando para cima com expressão séria. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-8-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-8-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-8-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-8-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-8.png 1366w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34025" class="wp-caption-text">A cena do elevador teve outra versão antes do corte final: o rapaz fica empolgado com a presença do Homem-Aranha (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro elemento do personagem também se equipara à tragédia grega. Quando Peter desiste de ser herói, todo o peso dos crimes, acidentes e calamidades que decorrem em Nova York é atribuído à escolha dele. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mg5IUsHH2ls&amp;t=14s"><span style="font-weight: 400;">cena do incêndio</span></a><span style="font-weight: 400;"> ilustra a presença do gênero grego na história; após salvar (como cidadão comum) uma ‘garotinha’ de sua casa em chamas, o protagonista descobre, pelos bombeiros, que um homem ficou preso e morreu queimado. Parker, então, faz recair a culpa sobre seus ombros. Como Homem-Aranha, ele poderia ter salvado todos ter feito mais. A cena se contrapõe a um outro incêndio que ocorreu durante os eventos do primeiro filme; na ocasião, o herói salvou todo mundo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isto posto, onde as </span><a href="https://personaunesp.com.br/vai-na-fe-critica/"><span style="font-weight: 400;">novelas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que nossas mães e avós assistem se encaixam nisso tudo? Em telenovelas brasileiras, podemos fazer um </span><i><span style="font-weight: 400;">checklist </span></i><span style="font-weight: 400;">de elementos melodramáticos: as tramas do cotidiano, ‘mocinha’ e vilão definidos com exatidão, núcleos populares e de alta identificação – ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">olha só, aquela personagem lembra nossa vizinha, nossa tia</span></i><span style="font-weight: 400;">’ como também a direção, já que a cenografia da teledramaturgia é muito visual, expressiva e corporal, bem diferente do Cinema Hollywoodiano. E todas essas referências estão em </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, além de todo mérito solo do filme, essa semelhança pode ser um grande fator os brasileiros terem tanto afeto por ele.</span></p>
<figure id="attachment_34028" aria-describedby="caption-attachment-34028" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34028" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-4-800x333.jpg" alt="Cena do filme Homem-Aranha 2 Na imagem, o personagem Robbie segura a máscara do Homem-Aranha. Em plano detalhe, bem próximo das mãos, a imagem não mostra o rosto do personagem, apenas o peito. Ele veste um terno cinza, com gravata bege com vários losangos. Ele é um homem negro. Em seu pulso há uma pulseira de ouro. A máscara é vermelha, com lentes prateadas e teias em relevo. " width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-4-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-4-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-4-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-4-1200x500.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-4.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34028" class="wp-caption-text">O personagem Robbie, interpretado por Bill Nunn, faz parte do núcleo do Clarim Diário (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">‘Correria’ do trabalho, festas de aniversário, atrasos em compromissos importantes, humilhação no banco, relações familiares, ida ao médico, faculdade, problemas amorosos e ‘grana’ curta. Todas essas cenas são da sequência de 2004. Quantos desses uma pessoa brasileira se identifica? E quantos desses já não se tornaram arcos de personagens de novelas? Sam Raimi e os roteiristas compreendem o conceito do aracnídeo é ser esse personagem que qualquer um poderia vestir a máscara – como repercutido em </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranhaverso-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Aranhaverso</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018) – e enxergam no melodrama, no Teatro popular, o estilo narrativo ideal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da explosiva cena no trem ou a de terror no hospital, outros momentos são marcantes na produção. Dois se referem à família do protagonista e outro a uma banalidade da vida. Neste, Ursula (Mageina Tovah) oferece um bolo a Peter em um momento delicado da vida dele, esta pequena cena humaniza e nos aproxima da história. As outras duas são protagonizadas pela Tia May (</span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/10-coisas-que-talvez-voce-nao-saiba-sobre-homem-aranha-2-de-sam-raimi.html#list-item-3"><span style="font-weight: 400;">Rosemary Harris</span></a><span style="font-weight: 400;">), em uma é negado um empréstimo no banco e na outra ela dá dinheiro como presente de aniversário ao sobrinho, mesmo que momentos antes eles tivessem dialogado sobre atrasos na hipoteca. É muito difícil ver um filme de super-herói fazendo algo semelhante, o que torna a obra singular e atemporal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É comum vermos familiares se dobrar para deixar sobrinhos, netos, filhos felizes, ainda que somente em datas comemorativas. O filme coloca Peter Parker em um problema financeiro que superpoder algum consegue resolver &#8211; claro, ao menos que ele usasse-os para seu benefício. Desenvolvendo assim, o arco do personagem incapaz de solucionar os contratempos da vida comum, seguindo na proposta de fazer o espectador se ver na tela.</span></p>
<p><figure id="attachment_34024" aria-describedby="caption-attachment-34024" style="width: 760px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34024" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image8.png" alt="Cena do filme Homem Aranha 2 Na imagem, a personagem Tia May está olhando para o lado esquerdo, sorrindo. Ela é uma mulher de 70 anos, de pele branca e cabelos brancos. Ela está vestindo uma jaqueta xadrez na cor cinza de botões abertos. Dentro há uma camisa preta. Na sua mão ela segura um sapato preto. Atrás dela, na direita, há uma porta verde aberta. " width="760" height="398" /><figcaption id="caption-attachment-34024" class="wp-caption-text">A veterana Rosemary Harris já havia trabalhado com Sam Raimi em O Dom da Premonição (2000) [Foto: Sony Pictures]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/avenida-brasil-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Avenida Brasil</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2012), Carminha (Adriana Esteves) revela a Tufão (Murilo Benício) que Nina (Débora Falabella) é Rita. O efeito de congelamento foca em Tufão e, assim, se encerra o 152º capítulo &#8211; e todos os outros 178 &#8211; da novela: com um gancho. O suspense dos rumos que a trama vai seguir é o grande chamariz que vai fazer o público querer ver o episódio do próximo dia. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EtjQLOqjpjw"><i><span style="font-weight: 400;">cliffhanger</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, no inglês, é um recurso de roteiro comum no melodrama e faz parte da arte de contar novelas. Mas não só delas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2 </span></i><span style="font-weight: 400;">também se encerra (ou quase) assim. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A penúltima cena se dá em um grande gancho para a terceira parte da trilogia. No final do antecessor, Harry diz a Peter – no enterro de Norman – que a única coisa que resta a ele é Parker e o Aranha, este como objeto de vingança e o outro como família (que, ironicamente, são a mesma pessoa). O remanescente da família Osborn fica todo o segundo filme fissurado no herói, até que descobre a sua identidade secreta: é o seu melhor amigo. Na sequência disso, ele </span><a href="https://youtu.be/CL56aH-p_us?si=pZVXILIq3kBd04xN"><span style="font-weight: 400;">descobre o arsenal</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Duende Verde e o <em>alter ego</em> do vilão: seu pai. Então, é inserido um efeito de </span><i><span style="font-weight: 400;">fade out</span></i><span style="font-weight: 400;">, passando para outra cena. O que não passa é a ansiedade em saber quais serão as decisões de Harry Osborn.  </span></p>
<figure id="attachment_34026" aria-describedby="caption-attachment-34026" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34026" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-9-800x400.png" alt=" Cena do filme Homem-Aranha 2 Na imagem, o personagem Harry Osborn está com expressão zangada e segura um punhal na mão direita. Ele é um homem branco, na faixa dos 25 anos, de pele branca e cabelos ondulados na cor castanha com algumas mechas loiras. Ele está vestindo uma camisa social de botões e gola na cor azul. Dentro há uma camiseta branco. O punhal que ele segura é prata. " width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-9-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-9-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-9-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-9-1200x600.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-9.png 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34026" class="wp-caption-text">O maneirismo de Raimi impera sobre a cena da revelação, em que até trovões são adicionados para efeito dramático (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em telenovelas, os monólogos de vilões contando planos maléficos ao espelho já são marca registrada. As personagens divagam sozinhas e, curiosamente, o protagonista do épico de quadrinhos também faz isso. Assim como a presença de núcleos narrativos, de humor, da roça, do salão de beleza, novelas possuem tramas que podem ou não se encontrar, é comum seguirem paralelas. E não é que toda trilogia do veterano de terror também tem isso? O </span><a href="https://marvel.fandom.com/pt-br/wiki/Clarim_Di%C3%A1rio_(O_CD!)_(Terra-616)"><i><span style="font-weight: 400;">Clarim Diário</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um núcleo de humor que não tem tanta interferência na trama, mas que está sempre presente na vida do protagonista. Ver uma cena na redação do jornal é se preparar para o riso, assim como quando vemos o Leleco (Marcos Caruso) em </span><i><span style="font-weight: 400;">Avenida Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sam Raimi consegue lidar com todos esses dilemas na primeira uma hora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, momento que Parker não tem sossego e sua vida parece uma sucessão de desgraças – até no seu aniversário –, sem deixar o filme denso e cansativo. O </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">humor autodepreciativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> suaviza as cenas, exemplo é a sequência no planetário em que Peter apanha de seu melhor amigo, precisa tirar foto de pessoas ricas, leva um fora de Mary Jane ao mesmo tempo que vê ela sendo pedida – e aceitando – em casamento. No passo de tantas desventuras, há uma piada acontecendo: Peter não consegue pegar um </span><i><span style="font-weight: 400;">drink</span></i><span style="font-weight: 400;">. Quando a taça não está vazia, alguém pega antes. É um humor que continua a narrativa de pobre coitado, mas que equilibra o tom do filme. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cineasta sempre foi </span><a href="https://www.chippu.com.br/noticias/sam-raimi-da-explicacao-emocionante-sobre-suas-razoes-para-dirigir-a-trilogia-homem-aranha"><span style="font-weight: 400;">muito fã do personagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> e quis relembrar o porquê amamos tanto aquela história; por meio das personagens e cenários que podem nos espelhar. O filme é para quem cresceu com a trilogia criada pelo mestre do terror, que na infância sonhou em escalar paredes e atirar teias por aí, mas, quando se tornou adulto, percebeu que é muito mais Peter Parker do que Homem-Aranha. No Brasil, os longas ganharam mais carinho por serem tão próximos da nossa realidade e das obras que crescemos assistindo. Em 20 anos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, o Cinema de Herói mudou, as novelas mudaram, mas o amor por essa obra e ela por nós continua sólido.</span></p>
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		<title>Com Carinho, Kitty vive suas primeiras experiências</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Mar 2024 11:34:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal Nas séries centradas em adolescentes, as primeiras experiências são o ponto de partida para que a história se desenrole. A partir delas, sentimentos amorosos, dificuldades do Ensino Médio e o crescimento inerente dessa fase participam do processo de formação de um indivíduo. Em Com Carinho, Kitty, spin-off da trilogia de livros Para &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/com-carinho-kitty-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Com Carinho, Kitty vive suas primeiras experiências"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32723" aria-describedby="caption-attachment-32723" style="width: 1360px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32723" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-9.png" alt="Cena da série Com Carinho, Kitty. Na imagem, vemos a personagem Kitty, com sacolas e uma mala amarela. Ela veste um uniforme azul escuro, com um uma camisa branca e um sobretudo de cor azul. Ela está em um jardim e está sorridente no centro da imagem." width="1360" height="850" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-9.png 1360w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-9-800x500.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-9-1024x640.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-9-768x480.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image1-9-1200x750.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32723" class="wp-caption-text">Deixando de ser uma mera personagem coadjuvante, Anna Cathcart tem em Com Carinho, Kitty o seu primeiro papel como protagonista (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas séries centradas em adolescentes, as primeiras experiências são o ponto de partida para que a história se desenrole. A partir delas, sentimentos amorosos, dificuldades do Ensino Médio e o crescimento inerente dessa fase participam do processo de formação de um indivíduo. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Com Carinho, Kitty</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">spin-off</span></i><span style="font-weight: 400;"> da trilogia de livros </span><a href="https://personaunesp.com.br/para-todos-os-garotos-2-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Para Todos Os Garotos Que Já Amei</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; adaptados pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> -, a autora Jenny Han utiliza o formato televisivo para contar a jornada de Kitty (Anna Cathcart) em busca das suas raízes coreanas.</span></p>
<p><span id="more-32722"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama é simples: a protagonista, antes personagem de apoio dos dramas vividos por sua irmã Lara Jean (</span><a href="https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/viver/2020/02/lana-condor-achou-que-seria-impossivel-viver-protagonista-por-ser-asia.html"><span style="font-weight: 400;">Lana Condor</span></a><span style="font-weight: 400;">), agora tem a sua própria jornada e precisa lidar com o turbilhão de sentimentos característicos da adolescência. Kitty, no último filme da trilogia, conheceu Dae (</span><a href="https://www.koreaherald.com/view.php?ud=20230612000532"><span style="font-weight: 400;">Minyoung Choi</span></a><span style="font-weight: 400;">) em uma viagem para a Coreia do Sul e, desde então, se apaixonou pelo garoto. Assim, a série produzida por Han mescla as interseccionalidades e diferenças entre culturas: a menina americana, decide se aventurar em solo coreano e conhecer um novo mundo em busca do amor e de se conectar novamente com a falecida mãe. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos motivos que mais brilham os olhos quando se trata de </span><i><span style="font-weight: 400;">Xo, Kitty </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original) é o intercâmbio cultural que ela promove. Nesse sentido, uma protagonista carismática, intensa e americanizada &#8211; até demais da conta &#8211; permite que o espectador se depare com a reação dos coreanos aos maneirismos estadunidenses. À primeira vista, tudo parece muito forçado, mas tal sentimento é presente por causa do meio social em que a personagem vivia, já que a vida em Seattle é diferente quando comparada à metrópole </span><a href="https://www.qualviagem.com.br/conheca-seul-vibrante-capital-da-coreia-do-sul/#:~:text=%C3%89%20uma%20metr%C3%B3pole%20din%C3%A2mica%20e,alguns%20dizem%2C%20o%20mais%20bonito."><span style="font-weight: 400;">Seul</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aliás, o uso das locações da Coreia do Sul enriquece a fotografia da série e a deixa mais interessante do que realmente é. </span></p>
<figure id="attachment_32727" aria-describedby="caption-attachment-32727" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32727" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-5.png" alt="Cena da série Com Carinho, Kitty. Na imagem, vemos a personagem Kitty vestindo uma camisa preta de manga longa. Ela está no centro da imagem, na frente de uma televisão que contém as cores rosa e amarela. Ela está com os braços abertos e está sorrindo." width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-5.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-5-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-5-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image4-5-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32727" class="wp-caption-text">Kitty convence os seus pais de que deve ir à Coreia do Sul para se conectar à mãe e conhecer seu namorado a distância, Dae (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, o vício americano em sempre agradar e ser prestativo quando não precisa pode afastar o público de sua protagonista, uma vez que, em um terço da série, a atuação exagerada de Anna Cathcart destoa do resto do elenco. Isso porque não estamos falando de uma obra centrada nos Estados Unidos: aqui, os personagens, em sua maioria, são coreanos e não possuem &#8211; além de não quererem &#8211; o papel de serem apenas coadjuvantes. Por esse lado, características vindas do prestigiado </span><a href="https://www.zappeando.com.br/series/o-que-e-dorama-entenda-por-que-o-termo-nao-e-bem-aceito"><span style="font-weight: 400;">k-drama</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; como as intervenções sonoras e visuais em momentos de interações &#8211; dão ao público uma pitada de como funciona o gênero. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre erros e acertos, as escolhas musicais, infelizmente, pouco acrescentam à história e evidenciam a superficialidade de algumas questões abordadas. Com o uso de três músicas de </span><a href="https://www.cafecomkimchi.com.br/post/entenda-sucesso-kpop"><i><span style="font-weight: 400;">kpop</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em um período de cinco minutos &#8211; isso no primeiro episódio -, a produção se molda aos estereótipos típicos de obras fundamentalmente coreanas idealizadas por americanos e desperdiça a chance de usar algo tão particular de uma cultura a seu favor. Ao contrário do que foi feito com a trilha sonora, a preservação do idioma coreano em diálogos compostos por personagens nativos &#8211; e até em interações com Kitty, que se comunica apenas em inglês &#8211; assume um papel de destaque na produção. </span></p>
<figure id="attachment_32725" aria-describedby="caption-attachment-32725" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32725" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-4.png" alt=" Cena da série Com Carinho, Kitty. Na imagem, vemos o personagem Dae e a personagem Kitty. Ele veste um moletom vermelho e ela usa blusa amarela, um short jeans e uma jaqueta listrada por cima. Eles estão em uma floresta e ele está segurando ela." width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-4.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-4-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-4-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-4-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-4-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image3-4-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32725" class="wp-caption-text">De todos os possíveis pares românticos da protagonista, a sua relação com Dae é a mais fraca (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O amor está no ar e Kitty tem muito a dizer sobre ele. Sendo um dos focos narrativos da primeira temporada, os caminhos amorosos pelos quais a garota percorre têm a incrível função de nos apresentar algumas camadas da protagonista. Talvez, essas especificidades dela não seriam tão fáceis de acessar se não fosse pelas suas dinâmicas com Dae, Yuri (</span><a href="https://www.google.com/search?q=who+is+gia+kim+xo+kitty&amp;sca_esv=564185751&amp;source=hp&amp;ei=vAX-ZKK_OObu1sQPkrutgAQ&amp;iflsig=AD69kcEAAAAAZP4TzD3AvfJgbslzvUr8FPmluSthhKdk&amp;ved=0ahUKEwiijbiY0aCBAxVmt5UCHZJdC0AQ4dUDCAk&amp;uact=5&amp;oq=who+is+gia+kim+xo+kitty&amp;gs_lp=Egdnd3Mtd2l6Ihd3aG8gaXMgZ2lhIGtpbSB4byBraXR0eTIFECEYoAEyCBAhGBYYHhgdMggQIRgWGB4YHTIIECEYFhgeGB0yCBAhGBYYHhgdMggQIRgWGB4YHUilJ1AAWPokcAB4AJABAJgBzQKgAeMgqgEIMC4xOC4zLjK4AQPIAQD4AQHCAggQABiABBixA8ICERAuGIAEGLEDGIMBGMcBGNEDwgILEC4YigUYsQMYgwHCAgsQLhiABBixAxiDAcICCxAAGIAEGLEDGIMBwgIFEC4YgATCAg4QLhiABBixAxjHARjRA8ICCBAuGIAEGLEDwgIFEAAYgATCAgoQABiABBixAxgKwgILEAAYigUYsQMYgwHCAg0QABiABBixAxiDARgKwgIEEAAYA8ICCxAuGIAEGMcBGNEDwgIHEAAYExiABMICCRAAGBMYgAQYCsICCBAAGBYYHhgTwgIEECEYFQ&amp;sclient=gws-wiz"><span style="font-weight: 400;">Gia Kim</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Mihee (</span><a href="https://www.thehindu.com/entertainment/meet-sang-heon-lee-the-breakout-star-of-k-drama-xo-kitty/article66963919.ece"><span style="font-weight: 400;">Sang Heon Lee</span></a><span style="font-weight: 400;">) e a forma como cada um deles extrai algo novo dela a cada interação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao lado de Yuri, por exemplo, a americana é mais ansiosa e tensa, muito por ela ser a primeira menina que a despertou uma paixão inesperada; enquanto isso, na sua relação com Mihee &#8211; o ‘</span><a href="https://personaunesp.com.br/gossip-girl-15-anos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chuck Bass</span></a><span style="font-weight: 400;">’ desse universo &#8211; a jovem conhece um lado seu áspero e sorrateiro, contribuindo para a construção de sua identidade. Mas é a partir do seu envolvimento com Dae que </span><i><span style="font-weight: 400;">XO, Kitty</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem a possibilidade de ir na contramão e largar as convenções do final feliz. Diferente da química entre Lara Jean e Peter Kavinsky (Noah Centineo), aqui, o que seria o par ideal para a protagonista da história, não é bem o caso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso acontece porque não há química entre os dois personagens &#8211; e, acredite, é um ponto bom &#8211; pois permite que a trama não seja descoberta nos seus primeiros minutos. Algo que é comum em </span><i><span style="font-weight: 400;">Com Carinho, Kitty </span></i><span style="font-weight: 400;">é a facilidade do público em adivinhar qual será o próximo passo escolhido ou o clichê mais conveniente para aquela determinada situação. Cair na mesmice das escolhas narrativas que já existem espanta a chegada de novos espectadores e tampouco agrada os que compraram a ideia da série. Por isso, com um </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/com-carinho-kitty-renovada-segunda-temporada"><span style="font-weight: 400;">segundo ano</span></a><span style="font-weight: 400;"> garantido, a produção televisiva tem mais uma oportunidade para mostrar a que veio. </span></p>
<figure id="attachment_32724" aria-describedby="caption-attachment-32724" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32724" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-7.png" alt=" Cena da série Com Carinho, Kitty. Na imagem, vemos a personagem Kitty e a personagem Yuri. Na esquerda, Kitty usa um conjunto branco e Yuri, à direita, usa um conjunto rosa. Ela está tocando em Kitty, que está concentrada no que ela diz. As duas estão dentro de uma tenda." width="1000" height="590" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-7.png 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-7-800x472.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image2-7-768x453.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32724" class="wp-caption-text">Abordando a bissexualidade da protagonista, é nas interações com Yuri que vemos uma faceta nova de Kitty (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Voltando para Kitty e a busca pela identificação de sua </span><a href="https://philstarlife.com/geeky/760425-anna-cathcart-seoul-korea-xo-kitty"><span style="font-weight: 400;">descendência coreana</span></a><span style="font-weight: 400;">, o núcleo em que há pinceladas desse objetivo é o de sua mãe. Entretanto, a trama não é o foco quando comparada ao tempo de tela dado às desilusões amorosas da garota. Por ter muitos personagens e diversos subenredos, a seriedade do tema não é explorada da maneira correta e, após o término da primeira temporada, parece que o caminho da personagem, aquele expressado por ela mesma nos minutos iniciais, se perde e muda de sentido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alinhada à forma estadunidense de contar histórias e às singularidades dos dramas coreanos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Com Carinho, Kitty </span></i><span style="font-weight: 400;">é duas obras em uma: por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NxBIP4Z-Kns"><span style="font-weight: 400;">não saber</span></a><span style="font-weight: 400;"> em qual dos universos se aprofundar, o primeiro ano da garota no Ensino Médio não surpreende, mas traz alguns pequenos momentos de empolgação. A partir de sua renovação, a série pode ganhar uma nova roupagem e usar o que tem de melhor para construir um segundo ano memorável e digno de primeiras aventuras da juventude. </span></p>
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		<title>Gatos, Fios Dentais e Amassos: Há 15 anos, Angus desaparecia pela primeira vez</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Dec 2023 19:47:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ludmila Henrique A juventude é um tema indispensável no audiovisual. As inúmeras questões sobre esse momento singular de nossas vidas é, sem dúvidas, um prato cheio de possibilidades para os cineastas explorarem a sua criatividade e levantarem discussões pertinentes a respeito da adolescência, que muitas vezes são desconsideradas no mundo real. Há 15 anos, Gurinder &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/gatos-fios-dentais-e-amassos-15-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Gatos, Fios Dentais e Amassos: Há 15 anos, Angus desaparecia pela primeira vez"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32157" aria-describedby="caption-attachment-32157" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32157" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-4.jpg" alt=" Cena do filme Gatos, Fios Dentais e Amassos. Da esquerda para a direita está Jas (Eleanor Tomlinson), uma jovem branca, de cabelo loiro preso em uma trança. Ao seu lado está Rosie Barnes (Georgia Henshaw), uma jovem branca, loira em uma tonalidade mais clara que a de Jas e com franja. No meio está Ellen (Manjeeven Grewal), uma jovem com ascendência indiana, de cabelo preto longo. Por fim, Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem branca, de cabelo castanho escuro e com franja. Todas estão vestindo o uniforme escolar, composto por uma saia xadrez, um casaco verde, um colete cinza, uma camiseta branca e uma gravata vermelha listrada. Elas estão ao ar livre, sentadas na grama." width="750" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-32157" class="wp-caption-text">Se o inferno é uma garota adolescente, Georgia Nicolson está vivenciando seu próprio pesadelo (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><b>Ludmila Henrique</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A juventude é um tema indispensável no audiovisual. As inúmeras questões sobre esse momento singular de nossas vidas é, sem dúvidas, um prato cheio de possibilidades para os cineastas explorarem a sua criatividade e levantarem discussões pertinentes a respeito da adolescência, que muitas vezes são desconsideradas no mundo real. Há 15 anos, Gurinder Chadha, diretora renomada por suas adaptações contemporâneas de livros para filmes &#8211; como o longa-metragem </span><i><span style="font-weight: 400;">Noiva e Preconceito (2004)</span></i><span style="font-weight: 400;">, inspirado na literatura de Jane Austen -, retornava às telas do Cinema com o clássico</span><i><span style="font-weight: 400;"> cult</span></i> <a href="https://letterboxd.com/film/angus-thongs-and-perfect-snogging/"><i><span style="font-weight: 400;">Gatos, Fios Dentais e Amassos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2008)</span><span style="font-weight: 400;">, filme sobre o amadurecer de uma garota e que marcou uma nova geração de adolescentes. </span></p>
<p><span id="more-32154"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adaptando os livros de Louise Rennison, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eVkflcpw-yc"><i><span style="font-weight: 400;">Angus, Thongs and Perfect Snogging</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> narra a trajetória de Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem de 14 anos experienciando, ou melhor, suportando pela primeira vez, todas as emoções efervescentes que surgem na vida de mulheres durante a juventude. Sendo a única passando por esse momento dentro de casa, Georgia se sente incompreendida pelos familiares e encontra todo o apoio necessário no seu grupo de amigas, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Ace Gang</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_32156" aria-describedby="caption-attachment-32156" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32156" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4.jpg" alt="Cena do filme Gatos, Fios Dentais e Amassos. Da esquerda para a direita está Jas (Eleanor Tomlinson), uma jovem branca, de cabelo loiro preso em uma trança. Ela está vestindo uma blusa listrada rosa e cinza, um colar e uma jaqueta jeans azul. Ao seu lado está Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem branca, de cabelo castanho escuro e com franja. Ela está vestindo uma camiseta polo na cor magenta e uma jaqueta de algodão na cor cinza. Elas estão em uma loja de produtos orgânicos, em volta tem prateleiras com chás naturais, mesas e cadeiras para os clientes se servirem." width="1280" height="532" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-1200x499.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32156" class="wp-caption-text">O filme é uma adaptação dos livros Gatos, Fios Dentais e Amassos e Ok, Estou Usando Calcinhas Gigantes (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Georgia quer três coisas. Agir e ser respeitada como uma mulher adulta, realizar uma festa interessante para garantir status social dentro de sua escola e, por fim, conseguir um namorado bonitão. As coisas passam a ficar mais interessantes na vida de Nicolson quando ela se apaixona perdidamente por Robbie (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ck2zVeH3eGQ"><span style="font-weight: 400;">Aaron Taylor-Johnson</span></a><span style="font-weight: 400;">), um dos novatos que chegaram de Londres para o seu colégio. Obviamente, ela vai elaborar um plano, envolvendo seu gato Angus, calcinhas fios dentais e bons beijos para conquistar o rapaz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme é como um clássico bolo de chocolate: não é exatamente revolucionário e inovador, mas ainda é o favorito de muitos dentro do gênero </span><a href="https://www.cosmopolitan.com/entertainment/movies/g33624238/best-rom-com-movies-early-2000s-aughts/"><span style="font-weight: 400;">comédia romântica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar de Gurinder Chadha garantir um roteiro mais do mesmo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gatos, Fios Dentais e Amassos</span></i><span style="font-weight: 400;"> se distancia de outras dramédias clássicas dos anos 2000, por não se preocupar em parecer bobo ou até mesmo vergonhoso. A composição do longa-metragem é essencialmente brega e sabe transitar perfeitamente entre momentos cômicos e de amadurecimento da protagonista, colaborando para que cada situação constrangedora vivenciada pelos personagens fossem devidamente lembradas a longo prazo pelo público. </span></p>
<figure id="attachment_32159" aria-describedby="caption-attachment-32159" style="width: 930px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32159" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2.png" alt="Cena do filme Gatos, Fios Dentais e Amassos. Da esquerda para a direita está Robbie (Aaron Taylor-Johnson), um jovem branco, de cabelo liso castanho e olhos azuis. Ele está vestindo uma camiseta branca, um colete de tricô preto, uma jaqueta preta de couro e uma calça jeans. Ao seu lado está Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem branca, de cabelo castanho escuro e com franja. Ela está vestindo uma blusa branca, um moletom de zíper roxo e uma saia jeans amarrada com um cinto também na cor roxa. Eles estão ao ar livre, em um parque, com várias árvores e arbustos." width="930" height="389" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2.png 930w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2-800x335.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2-768x321.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32159" class="wp-caption-text">“Hold my hand, you muppet” (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Robbie, assim como boa parte dos galãs de filmes </span><i><span style="font-weight: 400;">teens</span></i><span style="font-weight: 400;">, tem um toque de doçura e de mistério. Novo na cidade, mora com seu irmão gêmeo Tom (Sean Bourke) e com a mãe, que apesar de ser mencionada diversas vezes, nunca apareceu em tela. O rapaz poderia tranquilamente agir como um garoto problema, que guardou o rancor do mundo por conta do divórcio dos pais, pela mudança repentina que esse acontecimento gerou e, claro, descontar todo esse ódio nas melodias de sua banda de </span><a href="https://www.masterclass.com/articles/alternative-rock-guide"><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> alternativo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda assim, segue um caminho totalmente contrário ao esperado. Na verdade, ele é uma figura surpreendentemente madura, protetiva com a família, e que gosta de gatinhos e de bebericar chás.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa pessoalidade ambígua de Robbie, de ser um cara profundo e muitíssimo </span><i><span style="font-weight: 400;">gentlemen</span></i><span style="font-weight: 400;">, configurou Aaron Taylor-Johnson como um dos deuses gregos em 2008, não apenas pela aparência angelical, mas também pelo seu talento como intérprete e que hoje é visível em grandes obras como </span><i><span style="font-weight: 400;">Anna Karenina</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2012) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/tenet-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tenet</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020). Um aborrecimento do roteiro é que incorpora Robbie apenas para ocupar o lugar de interesse amoroso da protagonista, sendo que a trajetória do personagem é intrigante e poderia ser mais trabalhada pelos escritores. </span></p>
<figure id="attachment_32155" aria-describedby="caption-attachment-32155" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32155" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-4.jpg" alt="Cena do filme Gatos, Fios Dentais e Amassos. Da esquerda para a direita está Robbie (Aaron Taylor-Johnson), um jovem branco, de cabelo liso castanho e olhos azuis. Ele está vestindo uma camiseta listrada cinza e preta, um casaco azul escuro e uma calça jeans, ele está segundo um caderno de anotações em suas mãos. Ao seu lado está Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem branca, de cabelo castanho escuro e com franja. Ela está vestindo uma blusa e um casaco listrado nas cores cinza, preto e verde, ela também está vestindo uma calça jeans azul claro. Os dois estão sentados ao ar livre, na frente de uma praia." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-4.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-4-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32155" class="wp-caption-text">Ultraviolet atingiu a 41 posição nas paradas da Billboard Reino Unido (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora é ditada sobretudo pelos The Stiff Dylans, grupo musical do Reino Unido originado para ser a banda de Robbie no longa-metragem. Pensada inicialmente para ser fictícia, eles atingiram um grande público com as canções </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kCOvld3nh7I"><i><span style="font-weight: 400;">Ultraviolet</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2008), música tema do filme, e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aUVVRyjiVzo"><i><span style="font-weight: 400;">Ever Fallen in Love</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1978), cover dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Buzzcocks</span></i><span style="font-weight: 400;"> que também foi sonorizada nas gravações. Embora o tão sonhado álbum dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Stiff Dylans</span></i><span style="font-weight: 400;"> permaneceu apenas no papel, o refrão “</span><i><span style="font-weight: 400;">Queima quando estou ao seu lado, sua luz é ultravioleta</span></i><span style="font-weight: 400;">” sempre estará fixado no imaginário popular.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contrária a Robbie, Georgia Nicolson vive de urgências. Urgência em ser boa em todos os aspectos possíveis, na popularidade, na vida pessoal e amorosa. Nicolson é a típica </span><a href="https://www.cosmopolitan.com/uk/entertainment/a44610881/angus-thongs-and-perfect-snogging-15th-anniversary/"><span style="font-weight: 400;">adolescente</span></a><span style="font-weight: 400;"> que considera cada detalhe como importante e significativo. O problema dessa perfeição toda é que ela vem acompanhada de ações que a jovem considera interessante para as outras pessoas e não exatamente para ela mesma. Esse agir gera inúmeras adversidades ao longo do filme, não apenas na autoestima da garota, que configura o fato das pessoas não gostarem dela a algum ataque pessoal e não aos seus erros cometidos, mas também pela perda de confiança por parte de quem foi magoado por suas ações.</span></p>
<figure id="attachment_32158" aria-describedby="caption-attachment-32158" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32158" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-3.jpg" alt="Cena do filme Gatos, Fios Dentais e Amassos. Da esquerda para a direita está Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem branca, de cabelo castanho escuro e com franja. Ela está vestindo um vestido tomara que caia roxo. Ao seu lado está Robbie (Aaron Taylor-Johnson), um jovem branco, de cabelo liso castanho e olhos azuis. Ele está vestindo uma camiseta branca. Os dois estão se abraçando e olhando um para o outro. Eles estão em um ambiente fechado, com paredes escuras. " width="750" height="499" /><figcaption id="caption-attachment-32158" class="wp-caption-text">Georgia Nicolson correu para que Devi Vishwakumar pudesse voar (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Georgia é quase uma versão inglesa de Devi Vishwakumar, do seriado da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-nunca-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Eu Nunca</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020). Além das personalidades fortes e imaginativas, o arco das personagens é quase idêntico, tirando o fato de que Georgia não está inserida em nenhum triângulo amoroso. Ambas também se aproximam pelas várias questões familiares enfrentadas por elas. Nicolson vivencia o medo constante do divórcio de seus pais, Connie (Karen Taylor) e Bob (Alan Davies), após a transferência de emprego de seu pai para a Nova Zelândia. Inicialmente, acreditava que poderia ser interessante não ter um deles por perto, mas a ausência de Bob favoreceu para os momentos de solidão e exclusão da garota fossem aos extremos, quando, na verdade, ela apenas precisava de um conselho paterno. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OjVL-Dd5SFA&amp;t=20s"><i><span style="font-weight: 400;">Gatos, Fios Dentais e Amassos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um filme colegial clássico, porém muito britânico. Embora bobo e descontraído, a trama é dominada pela nostalgia do início ao fim, transportando a lembrança de vivenciar novamente a época do primeiro amor, das revistas </span><i><span style="font-weight: 400;">teens</span></i><span style="font-weight: 400;"> e dos pôsteres de </span><i><span style="font-weight: 400;">boybands</span></i><span style="font-weight: 400;"> na parede. Há 15 anos, o longa-metragem, que hoje é um adolescente, capturava em tela os anseios da juventude com um humor bobo, brega e descontraído, assim como a nossa adolescência deveria ser.</span></p>
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		<title>Quando nem as Conversas pela Noite conseguem trazer alívio</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Nov 2023 14:12:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo  Antes de estrear na direção, Su Qiqi foi co-produtora de obras prestigiadas, como Uma Nuvem no Quarto Dela (2020), vencedor do Festival de Roterdã na categoria de Melhor Filme. Agora, ela dirige, escreve e atua em Conversas pela Noite, filme selecionado para a seção Competição Novos Diretores da 47ª Mostra Internacional de Cinema &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/conversas-pela-noite-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quando nem as Conversas pela Noite conseguem trazer alívio"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31796" aria-describedby="caption-attachment-31796" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31796 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1.jpg" alt="Cena do filme Conversas Pela Noite. Na imagem, em preto e branco, está o casal de protagonistas no centro da foto. A foto é em plano aberto e não dá destaque ao casal, que é um homem e uma mulher na faixa dos 40 anos. Ao fundo da imagem tem um lago e árvores na margem. Próximo do casal há duas árvores. " width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31796" class="wp-caption-text">O longa de estreia da diretora chinesa Su Qiqi faz parte da 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Parallax)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de estrear na direção, Su Qiqi foi co-produtora de obras prestigiadas, como</span><a href="https://mubi.com/pt/br/films/the-cloud-in-her-room"> <i><span style="font-weight: 400;">Uma Nuvem no Quarto Dela</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020), vencedor do </span><a href="https://iffr.com/en"><span style="font-weight: 400;">Festival de Roterdã</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Filme. Agora, ela dirige, escreve e atua em </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas pela Noite</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme selecionado para a seção Competição Novos Diretores da 47ª</span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"> <span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando em um relacionamento, antes de dormir, os parceiros deitam-se para conversar sobre o dia, a rotina, acontecimentos e o que está na cabeça. Este momento sucinto é de suma importância para conectar casais e desafogar do caos cotidiano. Mas quando o momento desaparece e é engolido junto aos problemas, o que </span><a href="https://personaunesp.com.br/past-lives-critica/"><span style="font-weight: 400;">resta</span></a><span style="font-weight: 400;">? </span></p>
<p><span id="more-31794"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do mesmo modo, outros cineastas já responderam essa dúvida, à exemplo de Richard Linklater em a</span><a href="https://personaunesp.com.br/antes-da-meia-noite-10-anos/"> <span style="font-weight: 400;">trilogia do </span><i><span style="font-weight: 400;">Antes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que percorre as etapas de um relacionamento, a energia dos primeiros encontros, o amadurecimento e o esfriamento da paixão. </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas pela Noite </span></i><span style="font-weight: 400;">destaca esse momento longínquo que só acontece com amores que duram mais de mil e uma noites. </span></p>
<figure id="attachment_31797" aria-describedby="caption-attachment-31797" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31797" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-2.jpg" alt="Foto de cena do filme Conversas Pela Noite. Na imagem, em preto e branco, está à esquerda, o casal de protagonistas lendo um livro e sentados no sofá. Eles são adultos de meia-idade, chineses e usam óculos. Na frente deles, há uma pequena mesa com livros, à direita um piano e uma cadeira. " width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31797" class="wp-caption-text">Ma Yuebo é o par romântico de Qiqi; ambos personagens possuem o mesmo nome que seus intérpretes (Foto: Parallax)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O casal protagonista está há bastante tempo juntos, moram na mesma casa e tem uma filha, que ainda é criança. Qiqi, interpretada por</span><a href="https://47.mostra.org/diretores/su-qiqi"> <span style="font-weight: 400;">Su Qiqi</span></a><span style="font-weight: 400;">, está passando por um momento delicado na carreira, mas prefere não comentar com o marido porque tem medo que ele rebaixe seus sentimentos. Essa adversidade não merece tanta atenção assim. O marido Ma Yuebo é um poeta, tem facilidade de expressar os sentimentos, seja escrevendo uma poesia ou lendo junto a esposa, para que ela compreenda o que o assombra. Para ela, um carro em movimento é o suficiente para fazê-la vomitar e perder a noite de sono. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No olho do furacão, o par não está mais em sintonia. Ao comer na mesa, eles se distraem com celulares e não se conectam entre os intervalos do trabalho, um dos poucos momentos que podem ficar juntos. Só se dispõem a falar após um almoço com amigos, em que discutem sobre diversos temas e acabam se tornando espelhos para Qiqi e Yuebo. Logo, descobrimos quais questões sobre a vida os incomoda nessa fase da vida: arrependimentos, o medo de não ter mais tempo para nada, tornar-se anacrônico. E como cada um deles enfrenta impasses: o marido legitima o lúdico, as poesias; a esposa se isola ou fala com outras mulheres.</span></p>
<figure id="attachment_31795" aria-describedby="caption-attachment-31795" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31795" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1.jpg" alt="Foto de cena do filme Conversas Pela Noite. Na imagem, em preto e branco, estão 4 personagens comendo na mesa. À esquerda está um homem na faixa dos 40 anos, ele é robusto, tem cabelo liso e usa óculos. Na ponta está o protagonista, ele é chinês, magro e seu cabelo é curto. Também usa óculos. Na direita está a protagonista, ela é uma mulher chinesa, usa óculos, seu cabelo é preto e longo com franja. Ao seu lado, está uma mulher também na faixa dos 40 anos, ela tem o cabelo curto. Na mesa tem pratos, uma panela, taças e uma garrafa de vinho" width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31795" class="wp-caption-text">As discussões das personagens são clímax dentro da calmaria dos takes longos (Foto: Parallax)</figcaption></figure>
<p><a href="https://47.mostra.org/filmes/conversas-pela-noite-47a"><span style="font-weight: 400;">O filme de estreia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Su Qiqi é cheio de marcas autorais que, junto à fotografia de Zhang Zhengan, podem já definir características da sua direção. Os planos longos sem cortes, o estilo contemplativo, as grandes linhas de diálogo e a aposta nas cores preto e branco para dar vida ao seu casal. As inclinações para contar a história são articuladas por uma consciência sobre unidade fílmica e como elementos funcionam em conjunto numa estrutura. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando dedica tempo para passear e conhecer a casa, os espaços e os móveis, a diretora permite a familiarização do lar. Ao abandonar o colorido, Qiqi abraça um registro cru da vida adulta, que de repente a magia das borboletas na barriga já não batem mais suas asas. Unindo as técnicas com a temática de um</span> <a href="https://www.terra.com.br/diversao/coming-of-age-o-que-e-e-filmes-que-abordam-o-assunto,bc827af93c5666d975496286d6929ac93xr8wg6c.html"><i><span style="font-weight: 400;">coming of age</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">da vida adulta, a diretora cria uma atmosfera inquietante, silenciosa e cheia de estilo que conclui numa estrada infinita, em que os protagonistas precisam atravessar para virar a página. Se a cineasta também seguir por este caminho, sua visão continuará promissora. </span></p>
<p><a href="https://feitoporelas.com.br/47a-mostra-de-sao-paulo-conversas-pela-noite-2023/"><span style="font-weight: 400;">Su Qiqi </span></a><span style="font-weight: 400;">não dá a solução ou dicas de como superar fases difíceis, mas, assim como no título, </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas pela Noite</span></i><span style="font-weight: 400;">, os diálogos são foco central e moradas de alívio. É através dela que trama e desenvolvimento das problemáticas avançam. Esfriar a relação após tanto tempo juntos faz parte do jogo. A escritora e diretora mergulha seus personagens em diálogos que ultrapassam a noite e permite que o casamento veja mais uma vez a luz do dia. O casal continuará a passear por parques, cômodos da casa e estradas vazias até que consigam trazer as noites de conversa de travesseiro. </span></p>
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		<title>Qual o preço de Uma Vida de Ouro?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Nov 2023 14:01:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Bantara]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Estude muito, leia livros de negócios, invista em você mesmo, tenha educação financeira, trabalhe enquanto eles dormem. Com a proliferação dos coachs tal qual uma doença moderna, o discurso (e a falácia) da meritocracia estão cada vez mais em voga e iludindo milhões que acreditam que, ao invés de degenerar, o trabalho dignifica &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/uma-vida-de-ouro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Qual o preço de Uma Vida de Ouro?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31791" aria-describedby="caption-attachment-31791" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31791" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-1.jpg" alt="Cena de Uma Vida de Ouro. Nela, vemos Rasmané, um adolescente negro de cabelo crespo curto. Ele veste uma camiseta preta com detalhes laranja nas mangas e na gola, uma bermuda laranja e uma sandália melissa branca. Ele está de costas, sentado em um morro e apreciando a vista do garimpo na paisagem árida" width="2048" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-1.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-1-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-1-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-1-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-1-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-1-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31791" class="wp-caption-text">A obra integrou a competição Novos Diretores na 47ª edição da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Filmotor)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estude muito, leia livros de negócios, invista em você mesmo, tenha educação financeira, </span><a href="https://www.terra.com.br/nos/opiniao/lua-andrade/nao-tem-pobreza-que-resista-a-14-horas-de-trabalho-primo,fe7526d12118c573aeade0b3d3713465p6f61hjg.html"><span style="font-weight: 400;">trabalhe</span></a><span style="font-weight: 400;"> enquanto eles dormem. Com a proliferação dos </span><i><span style="font-weight: 400;">coachs</span></i><span style="font-weight: 400;"> tal qual uma doença moderna, o discurso (e a falácia) da meritocracia estão cada vez mais em voga e iludindo milhões que acreditam que, ao invés de degenerar, o trabalho dignifica o homem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No papel, nas palestras e nos </span><i><span style="font-weight: 400;">podcasts</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele é lindo, mas também demonstra como uma certa parcela está totalmente descolada e alheia à sociedade da qual faz parte e das mazelas que ela carrega. É a partir desse cenário que </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma Vida de Ouro</span></i><span style="font-weight: 400;">, documentário presente na 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"> de Cinema em São Paulo</a>, busca traçar um estudo de como a busca por uma vida melhor funciona na prática em uma região devastada pela miséria.</span></p>
<p><span id="more-31788"></span></p>
<figure id="attachment_31792" aria-describedby="caption-attachment-31792" style="width: 1380px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31792" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-2.jpg" alt="Cena do documentário Uma Vida de Ouro. Nela, vemos Missa e Dramane, duas crianças africanas, com 12 e 13 anos, respectivamente. Missa está ao centro e veste uma camiseta amarela da Juventus, time italiano, e uma bermuda na cor goiaba. Dramane está à esquerda da imagem e veste uma camiseta branca com furos e uma bermuda jeans. Ele está carregando uma carroça improvisada com sacos." width="1380" height="728" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-2.jpg 1380w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-2-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-2-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-2-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-2-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31792" class="wp-caption-text">O documentário fez sua estreia em circuitos no Festival Internacional de Cinema de Berlim (Foto: Filmotor)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra conta a história Rasmané, um jovem de 16 anos que trabalha no </span><a href="https://minesactu.info/en/2023/08/14/burkina-faso-securing-artisanal-mining-sites-remains-a-challenge/"><span style="font-weight: 400;">garimpo artesanal</span></a><span style="font-weight: 400;"> da região de Bantara, em Burkina Faso. A produção é capitaneada por Boubacar Sangaré, diretor natural do Mali que aqui estreia em longa-metragens tratando de algo que lhe é muito próximo. Além de cineasta, Boubacar também é formado em Direito e, por mais que essas duas profissões muitas das vezes não conversem entre si, fica nítido como ele advoga por uma causa e desenha seu argumento com as câmeras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rasmané tem a idade perfeita para estrelar um </span><a href="https://personaunesp.com.br/lady-bird-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">coming of age</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, porém o longa faz questão de exaltar, retratando sua vida no campo de mineração, que parte importante de sua vida foi usurpada, ou sequer lhe foi dado o direito de vivê-la. O adolescente age, fala, se porta e tem o comportamento de alguém que há décadas está calejado pela jornada de trabalho, mas que, numa representação nada fantasiosa de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/o-curioso-caso-de-benjamin-button"><span style="font-weight: 400;">Benjamin Button</span></a><span style="font-weight: 400;">, está em um corpo de criança.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa filmagem é feita de forma muito passiva. O mensageiro não vai até a câmera explicitar a crítica como já estamos acostumados em documentários. Pelo contrário, usando do </span><a href="https://www.zoommagazine.com.br/cinema-direto-x-cinema-verdade/"><span style="font-weight: 400;">Cinema direto</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma Vida de Ouro</span></i><span style="font-weight: 400;">, através da fotografia de Isso Emmanuel Bationo, nos coloca como intrusos se esgueirando por aquela vida, como moscas que pairam pelo local. Desse modo, a narrativa diminui completamente o ritmo e nos coloca para contemplar a situação, seja nos planos tortos e não convencionais para retratar as pessoas, ou nos planos abertos para exaltar a paisagem que de tão inóspita, se torna bonita. E só quando também desaceleramos, que conseguimos pensar e captar a mensagem sem qualquer direcionamento da produção, deixando seus personagens puramente humanos, em um ambiente que a humanidade não tem peso e valor nenhum.</span></p>
<figure id="attachment_31790" aria-describedby="caption-attachment-31790" style="width: 1061px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31790" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-3.png" alt="Cena do documentário Uma Vida de Ouro. Nela, vemos Rasmané, um jovem negro de cabelo curto. Ele veste uma regata cinza com estampa de losangos e uma calça cinza clara. Ele está em uma espécie de buraco no chão, deitado sobre os corpos de seus companheiros de mina. A luz da lua está sobre seu rosto e ele fuma um cigarro olhando para cima" width="1061" height="597" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-3.png 1061w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-3-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31790" class="wp-caption-text">Em um mundo desvirtuado, a desvirtuação de Rasmané parece até natural (Foto: Filmotor)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa escolha criativa incomoda até certo ponto e nos coloca no limiar de sempre pensar que aquilo, na verdade, é uma ficção sobre algo que ocorre no território africano, como foi </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/312056/capitao-phillips-2013-tom-hanks-em-sua-melhor-forma/"><i><span style="font-weight: 400;">Capitão Phillips</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-beasts-of-no-nation/"><i><span style="font-weight: 400;">Beasts of No Nation</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. De fato a obra instiga tal dúvida ao máximo, principalmente com as tomadas extremamente bem filmadas nas incursões embaixo da terra, que conseguem transmitir todo o sufocamento da situação, sem abrir mão de uma composição muito bem elaborada. Porém, toda a jornada guiada pelo documentário tem uma recompensa no final.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante grande parte da produção, se assume que ela seguiu uma abordagem para contar a história. No entanto, a parte final serve para subverter a própria obra e trazer uma nova ótica para si. Se antes ela optava por não se envolver com seus personagens, agora está mais próxima do que nunca – e é aqui que percebemos que todo o cuidado e primor do documentário não era resultado somente do talento da produção, mas sim por conta de Sangaré também ter sido um adolescente do garimpo no passado. Se antes, o foco era falar com adolescentes da região de Bantara, especialmente Rasmané, que tiveram sua juventude transviada pelo ouro, agora ele conversa com cada um de nós, que precisou vender um pedaço de sua alma para um sistema.</span></p>
<figure id="attachment_31789" aria-describedby="caption-attachment-31789" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31789" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-4-2.jpg" alt="Cena do documentário Uma Vida de Ouro. Nela vemos Rasmané, um adolescente negro. Ele veste uma regata cinza com estampas de losango, e uma calça cinza. Ele está de costas em pé, e com as mãos na cintura enquanto observa as pilhas do garimpo." width="2048" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-4-2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-4-2-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-4-2-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-4-2-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-4-2-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Uma-Vida-de-Ouro-Imagem-4-2-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31789" class="wp-caption-text">Boubacar Sangaré tem na sua formação em Direito uma especialização em Direito cinematográfico, o que faz com que sua principal luta seja na estruturação jurídica do mercado audiovisual da África Ocidental (Foto: Filmotor)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g6Gkt4vX0xE&amp;ab_channel=CapacitaCursosOnline"><span style="font-weight: 400;">Gonzaguinha</span></a><span style="font-weight: 400;"> já dizia que “</span><i><span style="font-weight: 400;">fica com a pureza e a resposta das crianças</span></i><span style="font-weight: 400;">” e é através das respostas delas que </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma Vida de Ouro</span></i><span style="font-weight: 400;"> evidencia que, nesse planeta perdido e assolado por (e pela falta de) dinheiro, algumas coisas brilham mais e tem a pureza mais valorizada do que a própria infância. Porém, o documentário não perde tempo remoendo culpa, pois o mundo cão é implacável e há sempre mais coisas para se preocupar, há sempre alguém para nos apontar o dedo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, a obra conscientemente opta por apontar a câmera, sem julgamentos e sem indução, como se fosse o espelho mais nítido de uma parcela que nunca sequer teve um holofote para si. A produção é um zoom que alcança a alma e, através do microcosmo de seu documentado, consegue discutir um macro que importa a todos: o viver. E na pureza da criança que sabe que nem tudo que reluz é ouro, que entendemos que a vida, apesar dos seus contratempos, é cruelmente bonita.</span></p>
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		<title>Até os Ossos é a comprovação de que existe amor a primeira vítima</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Mar 2023 16:48:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ludmila Henrique  Existem infinitas histórias no interior da cinematografia, das mais doces e inocentes como o primeiro amor até os temores e a repulsa dos filmes de terror. Luca Guadagnino, cineasta renomado em contabilizar narrativas sobre o amadurecimento e suas vertentes &#8211; como abordado no filme Me Chame Pelo Seu Nome (2017)  e na série &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ate-os-ossos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Até os Ossos é a comprovação de que existe amor a primeira vítima"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30569" aria-describedby="caption-attachment-30569" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30569" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-1-Ate-os-Ossos.jpg" alt="Cena do filme Até os Ossos. Na imagem temos o personagem Lee, interpretado por Timothée Chalamet, um jovem branco, magro e de cabelos castanhos encaracolados com mechas na cor rosa. Vestindo uma camiseta rosa com detalhes brancos e uma bermuda jeans. Ao lado dele temos Maren Yearly, interpretada por Taylor Russell, uma jovem negra de cabelos ondulados na cor preta, vestindo uma blusa branca e uma saia jeans. Ambos estão em pé nas montanhas, enquanto observam o pôr do sol. " width="750" height="479" /><figcaption id="caption-attachment-30569" class="wp-caption-text">Ovacionado pelo público no Festival de Veneza, Até os Ossos rendeu ao cineasta italiano Luca Guadagnino o prêmio Leão de Prata de Melhor Diretor e a estatueta de Melhor Atriz Revelação para Taylor Russell (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><b>Ludmila Henrique </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem infinitas histórias no interior da cinematografia, das mais doces e inocentes como o primeiro amor até os temores e a repulsa dos filmes de terror. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rPBXobWTTFA"><span style="font-weight: 400;">Luca Guadagnino</span></a><span style="font-weight: 400;">, cineasta renomado em contabilizar narrativas sobre o amadurecimento e suas vertentes &#8211; como abordado no filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Me Chame Pelo Seu Nome </span></i><span style="font-weight: 400;">(2017)  e na série </span><a href="https://personaunesp.com.br/we-are-who-we-are-hbo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">We Are Who We Are</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020) &#8211; , retorna às telas com </span><i><span style="font-weight: 400;">Até os Ossos</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa-metragem que une gêneros clássicos do Cinema, para conduzir o romance entre dois canibais marginalizados pela sociedade em busca de pertencimento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adaptando o romance de Camille DeAngelis, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bones And All </span></i><span style="font-weight: 400;">segue a trajetória de Maren Yearly (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rltla_yRxKw"><span style="font-weight: 400;">Taylor Russell</span></a><span style="font-weight: 400;">), jovem recém abandonada pelo pai após um incidente em uma festa do pijama. Frank (André Holland), desolado pelo resultado desse acontecimento e perdido sobre o que fazer, decide fugir, deixando a filha apenas com uma fita cassete, compondo gravações pertinentes sobre uma particularidade natural da garota. A jovem, diferente de outros indivíduos, dispõe da incessante necessidade de provar carne humana.</span></p>
<p><span id="more-30565"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao se encontrar sozinha, ausente de respostas e lidando com seus instintos, Maren então percorre um caminho sinuoso em busca de outro vínculo familiar, como o de sua mãe Janelle (Chloe Sevigny). Em meio à nova realidade e euforia, ela esbarra com outras personalidades que guardam a mesma circunstância conflituosa, como o intrigante Lee (Timothée Chalamet), sujeito com o qual se identifica de imediato. Isso, não somente por compartilharem desse impulso </span><a href="https://letterboxd.com/journal/all-consuming-romance-bones-and-all/"><span style="font-weight: 400;">canibal</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas também por ambos vivenciarem uma luta por identidade, tentando desesperadamente encontrar seu lugar no mundo.</span></p>
<figure id="attachment_30568" aria-describedby="caption-attachment-30568" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30568" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos.jpg" alt="Cena do filme Até os Ossos. Na imagem temos o personagem Lee, interpretado por Timothée Chalamet, um jovem branco, magro e de cabelos castanhos encaracolados com mechas na cor rosa. Vestindo uma jaqueta marrom com franjas e detalhes brancos. Lee está sentado em uma das mesas de uma lanchonete e segurando uma xícara branca de café." width="1200" height="628" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos-1024x536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos-768x402.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30568" class="wp-caption-text">Visceral e apaixonante, Até os Ossos explora as múltiplas indagações do amadurecimento (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Distante do verão italiano de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/"><i><span style="font-weight: 400;">Me Chame Pelo Seu Nome</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">road movie </span></i><span style="font-weight: 400;">explora o meio-oeste norte americano em meados da década de 1980. Compondo fotografias inteiramente interioranas, o retrato de Arseni Khachaturan divaga pela vegetação rochosa dos apalaches, interligando breves cidades daquela região, com suas mercadorias e eventos locais, sem a intensa agitação das grandes metrópoles. Enquanto Lee e Maren adentram na excursão em busca de Janelle, é visível o amadurecimento e comprometimento dos jovens ao longo da trama, além do crescimento afetivo entre eles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A conexão entre os dois protagonistas é marcada, sobretudo, pela trilha sonora de Atticus Ross e Trent Reznor, na qual a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=plSbcQqgqSQ"><span style="font-weight: 400;">musicalidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> anuncia os avanços do relacionamento entre os dois conforme entra em cena. Mas notoriamente, a trama </span><i><span style="font-weight: 400;">gore</span></i><span style="font-weight: 400;"> entre dois canibais que se apaixonaram não poderia ser bem arquitetada em tela, com a atenção e a delicadeza necessária, sem a atuação excepcional de atores que compreendessem a fundo esse cenário, algo que foi ministrado brilhantemente por Russell e Chalamet. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lee é um arruaceiro, distante de seguir um sistema social e exercendo suas próprias leis para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Bp3b6flNEM4"><span style="font-weight: 400;">sobreviver</span></a><span style="font-weight: 400;">. Um personagem quase amorfo, ele apropria-se de elementos de suas vítimas e os toma como seus, integrando-os em sua personalidade plural. Contrário a isso, em virtude de sua situação fugitiva, Maren contém um estilo desconfiado e observador, que não sabe quais pessoas são suscetíveis para se aproximar, tanto por preocupação pela sua segurança, quanto para poder ajudá-la em seu propósito. Apesar de constituírem particularidades distintas, os dois jovens à margem da sociedade partilham da mesma ansiedade de se encontrar no olhar de outra pessoa e de fazer parte de algo que foi retirado deles de alguma forma.</span></p>
<figure id="attachment_30567" aria-describedby="caption-attachment-30567" style="width: 4000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30567 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-3-Ate-os-Ossos.jpg" alt="Cena do filme Até os Ossos. Na imagem temos o personagem Lee, interpretado por Timothée Chalamet, um jovem branco, magro e de cabelos castanhos encaracolados com mechas na cor rosa. Vestindo uma camiseta com mangas compridas na cor branca e uma calça jeans. Ao lado dele temos Maren Yearly, interpretada por Taylor Russell, uma jovem negra de cabelos ondulados na cor preta, vestindo uma jaqueta marrom. Ambos estão ao ar livre, encostados em um tronco de árvore." width="4000" height="2666" /><figcaption id="caption-attachment-30567" class="wp-caption-text">A divulgação da obra entra na nova onda de produções que tratam sobre a mesma temática do canibalismo, como a série Dahmer: Um Canibal Americano, da Netflix, e o O Menu (2022), dirigido por Mark Mylod (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Marcando o horror e os ápices disformes do </span><a href="https://darkside.blog.br/filmes-sobre-canibalismo/"><span style="font-weight: 400;">canibalismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em tela, o personagem de Mark Rylance, Sully, expele desde sua roupagem até os trejeitos tudo que há de mais esdrúxulo em todo o filme. Em gênese, Sully incorpora um tremor memorável durante sua aparição, enquadrando uma personalidade nauseante, complexa e cheia de camadas. Sendo, provavelmente, o “</span><i><span style="font-weight: 400;">eater</span></i><span style="font-weight: 400;">” mais velho encontrado por Maren, ele representa um modelo de como o canibalismo pode afligir uma pessoa a longo prazo. </span><i><span style="font-weight: 400;">Até os Ossos </span></i><span style="font-weight: 400;">mostra como a solidão é presente entre os antropófagos, levando cada indivíduo a viver da forma que dá, procurando preencher todos os vãos da solitude e desejando sistematicamente o vínculo com outras pessoas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Guadagnino, diferente dos demais cineastas que já abordaram a antropofagia em seus filmes &#8211; como o desconcertante </span><i><span style="font-weight: 400;">Holocausto Canibal</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1980), dirigido por Ruggero Deodato, e o prestigiado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Lr3OavheNu0"><i><span style="font-weight: 400;">Hannibal</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2001), de Ridley Scott -, opta por capturar particularmente a intensidade da tentação que move os “comedores” a realizarem o ato, ao invés da selvageria. Obviamente, a visceralidade está presente no cenário, mas não é a única em cena. O diretor, em um olhar poético sobre a trama, por vezes afasta, com muita sensatez, a brutalidade da câmera, para que a violência não domine por completo o longa-metragem, ocasionando extremos ou desconversando quando a narrativa regressa novamente para o lado mais sensível e romântico do casal.</span></p>
<figure id="attachment_30566" aria-describedby="caption-attachment-30566" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30566" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-Ate-os-Ossos.webp" alt="Cena do filme Até os Ossos. Na imagem temos o personagem Lee, interpretado por Timothée Chalamet, um jovem branco, magro e de cabelos castanhos encaracolados com mechas na cor rosa. Vestindo uma camiseta e bermuda bege. Ao lado dele temos Maren Yearly, interpretada por Taylor Russell, uma jovem negra de cabelos ondulados na cor preta, vestindo uma regata e um shorts bege. Ambos estão ao ar livre, encostados em uma rocha, perto de um riacho." width="1024" height="601" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-Ate-os-Ossos.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-Ate-os-Ossos-800x470.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-Ate-os-Ossos-768x451.webp 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30566" class="wp-caption-text">Maren e Lee compartilham um momento transformador e significativo em meio à realidade que assombra a jornada (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pjMt1MIk2EA"><i><span style="font-weight: 400;">Até os Ossos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é paraíso e Inferno na mesma proporção. Uma brincadeira imersiva entre os padrões clássicos, uma carta de amor para os amantes apaixonados e um balde de sangue para os adoradores de </span><i><span style="font-weight: 400;">thrillers</span></i><span style="font-weight: 400;">. Marcante do início ao fim, inteirando uma narrativa tanto desesperançada quanto acolhedora, o filme dança ao passo de uma só nota. Um memorial do arrebatamento da juventude e dos direcionamentos que nos levam a sermos quem somos, e as consequências disso. </span></p>
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		<title>A beleza de Vinco está na incerteza de si</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Dec 2022 17:09:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori ‘‘(&#8230;) para lugar algum meu filho, tu podes ir e ainda que se mova o trem tu não te moves de ti.’’     – Hilda Hilst O celebrado livro Orlando, de Virginia Woolf, que de tudo tem um pouco — biografia, romance histórico e carta de amor — afirma-se na Literatura enquanto &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/vinco-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A beleza de Vinco está na incerteza de si"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29377" aria-describedby="caption-attachment-29377" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29377" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco_wordpress.jpg" alt="" width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco_wordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco_wordpress-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco_wordpress-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29377" class="wp-caption-text">Livro recebido através da parceria do <strong>Persona</strong> com a Companhia das Letras, Vinco é o primeiro romance da autora a ser publicado pela editora (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">‘‘(&#8230;) para lugar algum meu filho, tu podes</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">ir e ainda que se mova o trem</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">tu não te moves de ti.’’</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">    – </span><i><span style="font-weight: 400;">Hilda Hilst</span></i></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O celebrado livro </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788563560841/orlando"><i><span style="font-weight: 400;">Orlando</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">de Virginia Woolf, que de tudo tem um pouco — biografia, romance histórico e </span><a href="https://darkside.blog.br/quem-foi-vita-sackville-west-inspiracao-para-orlando/"><span style="font-weight: 400;">carta de amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> — afirma-se na Literatura enquanto um marco zero. Mesmo às lentes críticas do filósofo </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-junho-de-2022/#:~:text=do%20Persona%20%E2%80%93%20Junho,.%20%E2%80%93%20Enzo%20Caramori"><span style="font-weight: 400;">Paul B. Preciado</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, ao ler os diários de Woolf, destaca o </span><a href="https://paroledequeer.blogspot.com/2015/07/orlando-on-road-por-paul-b-preciado.html"><span style="font-weight: 400;">caráter classicista</span></a><span style="font-weight: 400;"> da escritora, reside um deslumbramento acerca do afeto em suas palavras à transitoriedade materializada no corpo do texto. A história de personagens em estado de trânsito, seja entre diferentes espaços ou no limiar de construções como nacionalidade e gênero, são temas costurados à </span><a href="http://www.revistasisifo.com/2017/05/a-escrita-como-cuidado-de-si-na-obra.html"><span style="font-weight: 400;">escritura de si</span></a><span style="font-weight: 400;">. Para narrativas como as de Orlando, </span><a href="https://laerte.art.br/tag/muriel/"><span style="font-weight: 400;">Muriel</span></a><span style="font-weight: 400;"> — alter-ego da cartunista Laerte que enquadra sua </span><a href="https://revistas.uneb.br/index.php/pontosdeint/article/view/10839"><span style="font-weight: 400;">transição social</span></a><span style="font-weight: 400;"> — e Manu, protagonista de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211791/vinco"><i><span style="font-weight: 400;">Vinco</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2022),</span> <span style="font-weight: 400;">o terceiro romance da escritora gaúcha </span><a href="https://manoelasawitzki.com/582c1-blogger-gb-about/"><span style="font-weight: 400;">Manoela Sawitzki</span></a><span style="font-weight: 400;">, Preciado possui um questionamento chave: ‘‘</span><i><span style="font-weight: 400;">O que acontece com o relato de uma vida quando é possível modificar o sexo do personagem principal?’</span></i><span style="font-weight: 400;">’</span></p>
<p><span id="more-29372"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para </span><i><span style="font-weight: 400;">Vinco</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">corpo, identidade e texto são territórios que se mesclam em acidentes, trajetórias errôneas e pontos fora da curva. Em sua não linearidade, a obra — híbrido de uma literatura de viagem e um </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/livros/noticia/2022/07/vinco-novo-romance-de-manoela-sawitzki-o-corpo-ao-pe-do-ouvido-cl66fmskz0016017pf51p98ad.html"><span style="font-weight: 400;">romance de formação</span></a><span style="font-weight: 400;"> — acompanha os capítulos da vida de Manu: de sua adolescência na classe média-alta carioca dos anos 90 a sua vivência em uma Paris ainda tomada pelos ares marginais de </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/o-destino-libertario-de-jean-genet/"><span style="font-weight: 400;">Jean Genet</span></a><span style="font-weight: 400;">, até chegar no dicotômico ‘sertão verde’ da cidade de Tacaratu. Na escrita de Sawitzki, essa personagem — fragmentada pelos espaços que procura pertencer, pela memória de traumas e pelos pronomes a que se refere — embarca em uma busca de si em uma narrativa que progressivamente se deslocaliza e desintegra, sendo estrangeira tanto para si mesma quanto para os lugares que transita.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As noções de estrangeiridade que ecoam no livro, advindas do pensamento de Julia Kristeva, lido pela autora em sua pesquisa de mestrado e doutorado, se iniciam justamente no lar de Manu. Nesse espaço de pressuposto pertencimento, a radiografia familiar realizada por Sawitzki a partir de uma rememoração da meninice tipicamente </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">da personagem principal </span><i><span style="font-weight: 400;">—</span></i><span style="font-weight: 400;"> ressonante do olhar da escritora a </span><a href="https://www.estadao.com.br/alias/manoela-sawitzki-elege-personagem-em-busca-de-sua-identidade-em-novo-romance/#:~:text=Ent%C3%A3o%20voltei%20%C3%A0s%20nossas%20inf%C3%A2ncias%2C%20ao%20fato%20de%20que%20Bi%C3%B1o%20havia%20sido%20uma%20crian%C3%A7a%20queer%2C%20hipercriativa%2C%20uma%20superstar%20para%20mim%2C%20num%20ambiente%20nada%20prop%C3%ADcio%20para%20isso.%20Eu%20era%20diferente%20dele%2C%20mas%20tamb%C3%A9m%20n%C3%A3o%20era%20%E2%80%9Cadequada%E2%80%9D.%20E%20ambos%20passamos%20por%20processos%20%E2%80%9Ccorretivos%E2%80%9D%2C%20experi%C3%AAncias%20deformantes."><span style="font-weight: 400;">seu próprio irmão</span></a><span style="font-weight: 400;"> — revela uma dinâmica familiar de supressões. De uma mãe controladora a um irmão violento, o ‘‘deserto afetivo’’ em que Manu tenta se situar, com o impeditivo de um traço pessoal de solitude, encontra seus oásis na figura de um pai misterioso e uma avó liberta das amarras de seus desejos. </span></p>
<figure id="attachment_29376" aria-describedby="caption-attachment-29376" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29376" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco2.jpg" alt="" width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco2.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco2-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco2-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29376" class="wp-caption-text">Manoela Sawitzki, que também é roteirista e jornalista, ressalta o papel da pesquisa para sua ficção: ‘‘ (&#8230;) esses anos de pesquisa alteraram a minha voz, a minha forma de estar no mundo e de olhar para as coisas.’’ (Foto: Omar Salomão)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As palavras de Manoela que tecem a história de Manu — nessa partilha de apelidos que </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/Livros/noticia/2022/08/com-o-livro-vinco-manoela-sawitski-aborda-transformacoes-e-transicoes-na-vida-de-uma-personagem-trans.html#:~:text=Assim%2C%20a%20minha%20hist%C3%B3ria%20e%20a%20de%20Manu%20teriam%20pontos%20de%20contato%20e%20de%20separa%C3%A7%C3%A3o%2C%20que%20refletem%20o%20movimento%20que%20me%20interessa%20tanto%2C%20que%20vai%20do%20eu%20pro%20outro%2C%20do%20outro%20pro%20eu%2C%20e%20assim%20por%20diante."><span style="font-weight: 400;">espelham autor e personagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> — são responsáveis pela composição ora de momentos flutuantes de beleza quanto de baques viscerais de violência e crueza. A primeira parte, justamente pelo território nebuloso e esparso da lembrança, vai de um tema a outro numa amálgama não arbitrária e contrastante. Entre pulos e retrocessos temporais, o namoro da juventude, a descoberta sexual e o governo de Fernando Collor de Mello são logo amarrados nas temáticas de morte, anedotas familiares e o impacto da Xuxa na infância do fim do milênio. Esse encadeamento, em sua falta de coesão, cheio de entradas e saídas, é justo à vastidão e à fragilidade de uma memória em movimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como no recorte da tela </span><a href="https://art-verge.com/camile-sproesser-the-slap/"><i><span style="font-weight: 400;">The Slap</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Camile Sproesser — escolhido para ilustrar a capa do livro —, no romance existe uma feminilidade simbólica, um sentimento de divergência imanente e inesperado que sobrepõe as </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/livros/noticia/2022/07/vinco-novo-romance-de-manoela-sawitzki-o-corpo-ao-pe-do-ouvido-cl66fmskz0016017pf51p98ad.html"><span style="font-weight: 400;">rotas de uma masculinidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> instruída à formação da protagonista. A vigilância a um corpo que, desde o início da narrativa, tenta limitar-se para ocupar os espaços de maneira limítrofe e não revelar sua dissidência, não é o bastante para protegê-lo das violências que ocorrem por uma masculinidade autoritária dentro do núcleo familiar. No entanto, tais percepções sobre a subjetividade de Manu estão em constante mutação: em Copacabana, o corpo era um esconderijo; em Paris, ele é capaz de ser um repositório de sonhos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lá, em uma outra experiência de alteridade, que funde nacionalidades e códigos sociais — principalmente em seu trabalho de limpeza em quartos de hotel, no qual adentra e agrega-se às intimidades dos hóspedes — Manu cruza com sujeitos que, assim como sua avó, rompem com suas raízes culturais para autenticarem o exercício de suas próprias sexualidades. Os olhares da protagonista, afetados por uma Paris da leitura de Genet, se situam (graças a materiais retirados do acervo pessoal da autora) em banheiros escuros, praças e seus perambulantes e raios de luz saídos de vitrais em escadas. São dobraduras, marcas da memória que Sawitzki, em sua escrita-viagem, deixa ao leitor em tentativa de ilustrar e mobilizar textualidades próprias das fotografias, ressonantes das imagens fincadas nos </span><a href="https://wibsson.medium.com/%C3%A9-tarde-demais-para-morrer-com-eleg%C3%A2ncia-victor-heringer-o-amor-dos-homens-avulsos-fd43f4910c2d"><span style="font-weight: 400;">parágrafos</span></a><span style="font-weight: 400;"> da prosa excepcional de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=05573"><span style="font-weight: 400;">Victor Heringer</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_29374" aria-describedby="caption-attachment-29374" style="width: 2500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29374" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco3.jpg" alt="" width="2500" height="1875" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco3.jpg 2500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco3-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco3-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco3-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco3-1536x1152.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29374" class="wp-caption-text">Artistas como Cindy Sherman, Kazuo Ohno e Ana Mendieta são lembrados em suas práticas de desafio às fronteiras do corpo (Foto: Manoela Sawitzki)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De Paris a Tacaratu, percurso também feito pela escritora em sua encarnação das trajetórias, Manu inicia a subverter a perspectiva, fundante do livro, de omitir a si mesma pelo processo de descrever e desdobrar-se sobre o mundo que a cerca. Nisso, a prosa é afetada por uma perspectiva curiosa da </span><a href="https://manoelasawitzki.com/livros/livro-vinco/#:~:text=%E2%80%9CNeste%20momento%20delicado,e%20afetividade%20brilhantes.%E2%80%9D"><span style="font-weight: 400;">autora-pesquisadora</span></a><span style="font-weight: 400;">, que dirige a prática de descoberta da escrita à trupe de dissidentes, calorosos à estrangeira recém-chegada, e dos causos que rondam a cidadezinha nordestina, centrando esse romance de formação para além de Manu e suas inquietações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na verdade, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vinco </span></i><span style="font-weight: 400;">parece deformar as características dessa estrutura — de mergulho e introspecção na personagem adentrada em mudanças — em detrimento da promoção de um sentimento de estranheza do leitor na demora de uma formação de uma imagem de quem ele partilha a história. É como se, tanto para Sawitzki quanto para Manu, não fosse o exato momento para se definir sua aparência, pois existe um empenho muito mais árduo em tornar o mundo que a cerca menos estranho e abjeto para si. Nesse sentido, a partir da indefinição desse rosto e desse corpo, se constrói uma </span><a href="http://screamyell.com.br/site/2022/08/22/literatura-vinco-de-manoela-sawitzki-um-romance-poderoso-a-respeito-de-questoes-de-genero-e-sexualidade/"><span style="font-weight: 400;">vivência identitária</span></a><span style="font-weight: 400;"> e experimental de ser, efetivamente, outro; na tentativa de fabricar-se a partir dos deslocamentos interiores e exteriores que realiza.</span></p>
<figure id="attachment_29373" aria-describedby="caption-attachment-29373" style="width: 2500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29373" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco4.jpg" alt="" width="2500" height="1875" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco4.jpg 2500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco4-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco4-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco4-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco4-1536x1152.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29373" class="wp-caption-text">A cidade de Tacaratu e de Paris se refletem nesse mosaico afetivo (Foto: Manoela Sawitzki)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na paisagem do sertão nordestino, a busca por um pai distante envereda-se em uma materialização de uma </span><a href="https://www.instagram.com/p/CDuNYExji7n/?utm_source=ig_web_copy_link"><span style="font-weight: 400;">mulheridade</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Manu. </span><a href="http://zelmar.blogspot.com/2009/05/sob-o-turbante-de-simone.html"><span style="font-weight: 400;">Lenços</span></a><span style="font-weight: 400;"> que encobrem seus cabelos, falhados pela condição da alopecia — mais uma expressão dessa intrincada relação com o corpo —, e sutiãs rendados podem parecer inscrições simbólicas de sua feminilidade. Contudo, a construção desse amadurecimento nunca perpassa por dúvidas ou atritos entre esses dois polos tão demarcados pela binaridade de gênero: é como se Manu, desde o princípio, houvesse borrado as normas desse regime para construir, como cunhado por Preciado — sob a luz de </span><a href="https://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/artemis/article/view/2154"><span style="font-weight: 400;">Monique Wittig</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/1740575/mod_resource/content/2/BUTLER.%20Judith.%20Bodies%20that%20matter_introdu%C3%A7%C3%A3o%20em%20port.pdf"><span style="font-weight: 400;">Judith Butler</span></a><span style="font-weight: 400;"> —, uma ‘</span><a href="https://www.scielo.br/j/ref/a/NKsMXCpRB8N9ZdGdvPKqvJm/?lang=pt"><span style="font-weight: 400;">contrassexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;">’, que nunca toma um aspecto espetacular ou de um </span><i><span style="font-weight: 400;">plot-twist </span></i><span style="font-weight: 400;">no arco narrativo tecido por Sawitzki. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tanto que, para esse </span><i><span style="font-weight: 400;">coming of age</span></i><span style="font-weight: 400;"> banhado em uma estrutura de um </span><i><span style="font-weight: 400;">road movie, </span></i><span style="font-weight: 400;">não existe a iminência de um confronto ou revelação. Diferentes de </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/Livros/noticia/2022/08/com-o-livro-vinco-manoela-sawitski-aborda-transformacoes-e-transicoes-na-vida-de-uma-personagem-trans.html#:~:text=De%20que%20maneira,h%C3%A1%20tempo%20demais."><span style="font-weight: 400;">narrativas sobre transgeneridade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se utilizam muito da imagética de metamorfoses — em que se delimitam um ponto crucial que divide passado e presente — Manu prefere firmar a si mesma, assim como o texto que lhe estrutura, na condição de gerúndio, em que deita a segurança de sempre estar sendo</span> <span style="font-weight: 400;">em vez de ter sido</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">A historicidade de práticas de </span><a href="https://claudia.abril.com.br/cultura/isabelle-eberhardt-historia-inspiracao/"><i><span style="font-weight: 400;">crossdressing</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que também vincula os sujeitos, em novos espaços, a um papel de estrangeiridade, parecem inscrevê-la no seu próprio corpo, mesmo que a sutileza do texto não a explicite. As palavras de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Vinco, </span></i><span style="font-weight: 400;">em sua essência, nada destacam:</span> <span style="font-weight: 400;">funcionam como pegadas silenciosas das singelas mudanças, as quais a pureza humana do crescimento e o entendimento de si próprio conseguem ser capturados em toda sua inconstância.</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<figure id="attachment_29375" aria-describedby="caption-attachment-29375" style="width: 2500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29375" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco5.jpg" alt="" width="2500" height="1875" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco5.jpg 2500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco5-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco5-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco5-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vinco5-1536x1152.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29375" class="wp-caption-text">Em sua escrita, a autora retoma uma mitologia do gênero enquanto performance (Foto: Manoela Sawitzki)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">‘‘</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ynMrgCn6498"><i><span style="font-weight: 400;">De desfazer-me eu meu, eu, eu, eu, eu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">’’. Acima de tudo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vinco</span></i><span style="font-weight: 400;"> constitui um percurso de identidade, da memória e da geografia; o qual as transformações são a proposta estética de uma narrativa que ocorre em todas direções, rasgando a condição de sujeito para buscar-se na alteridade. Enquanto em </span><i><span style="font-weight: 400;">Orlando </span></i><span style="font-weight: 400;">o poder de um corpo em fluidez consegue distender as linhas do tempo, levando à imortalidade de sua personagem, o livro de Manoela Sawitzki parece, em suas delicadas explosões, romper os limites da linearidade do texto na união do trânsito do corpo ao da escrita. A obra é um registro integral da vida, atravessada por entranhadas costuras de acontecimentos de uma identidade constituída de deslocamentos, que dão uma única certeza: </span><a href="https://manoelasawitzki.com/2022/11/03/epico-de-almas-resenha-de-luciana-tiscoski-para-o-jornal-rascunho/"><span style="font-weight: 400;">a beleza</span></a><span style="font-weight: 400;"> é vincada de incertezas.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: #210 - Bate-papo sobre &quot;Vinco&quot;, novo livro de Manoela Sawitzki" style="border-radius: 12px" width="100%" height="152" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/episode/5npgWD9dGploFafgj8mhIx?si=Lt5lBVLwSJOq5Uz0Q9zWGg&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Bobbi amava Frances que ama Nick que ama Melissa</title>
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		<pubDate>Wed, 25 May 2022 20:45:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez Frances e Bobbi são melhores amigas que já namoraram. Frances tem uma queda por Nick, e Bobbi, por Melissa. Nick e Melissa são casados. É partindo desse emaranhado que Sally Rooney, em seu livro Conversas entre amigos, encontra terreno fértil para dissecar relacionamentos contemporâneos e seus envolvidos, assim como as dinâmicas sociais &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/conversas-entre-amigos-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bobbi amava Frances que ama Nick que ama Melissa"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp"></div>
<figure id="attachment_27701" aria-describedby="caption-attachment-27701" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27701 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/conversaentreamigos.jpg" alt="Moldura vermelha retangular. No canto superior esquerdo e no canto inferior direito, vemos o logotipo do Persona, o desenho de um olho com um símbolo de play ao centro. Ao centro do retângulo, vemos a capa do livro Conversas entre amigos. A capa tem o fundo verde azulado. Na parte superior central, vemos a palavra &quot;conversas&quot; em uma fonte branca sem serifa, alinhada à esquerda. Abaixo, vemos a palavra &quot;entre&quot; na mesma fonte, alinhada à direita. Abaixo, vemos a palavra &quot;amigos&quot; centralizada. Centralizada na capa, vemos as palavra &quot;Sally Rooney&quot;, na mesma fonte, na cor preta. Na parte inferior da capa, vemos uma mulher branca de cabelos castanhos lisos, de costas, à esquerda. À direita, vemos uma mulher branca de cabelos pretos presos em um rabo de cavalo e usando óculos rosa, de perfil." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/conversaentreamigos.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/conversaentreamigos-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/conversaentreamigos-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27701" class="wp-caption-text">Lançado em 2017, Conversas entre amigos completa 5 anos no mês de lançamento da série adaptada (Foto: Editora Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Lopes Gomez</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Frances e Bobbi são melhores amigas que já namoraram. Frances tem uma queda por Nick, e Bobbi, por Melissa. Nick e Melissa são casados. É partindo desse emaranhado que Sally Rooney, em seu livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">encontra terreno fértil para dissecar relacionamentos contemporâneos e seus envolvidos, assim como as dinâmicas sociais e de poder das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ho5ja2trqrs&amp;t=265s"><span style="font-weight: 400;">relações interpessoais</span></a><span style="font-weight: 400;"> modernas. Se a irlandesa escreve, essencialmente, sobre pessoas normais vivendo sua realidade &#8211; mesmo que seja uma realidade inventada, somente baseada na vida real da autora ,- essa obra de estreia  mostra que, mesmo antes do fenômeno </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, Rooney já mostrava a potência de suas </span><a href="https://www.dailymail.co.uk/femail/article-10820757/How-Sally-Rooney-31-drew-experiences-growing-rural-Ireland-write-hit-novels.html"><span style="font-weight: 400;">histórias fictícias reais</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-27690"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No enredo do </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, a dupla de amigas se apresenta recitando poemas, escritos por Frances. Em um dos eventos, conhecem Melissa, uma escritora e fotógrafa bem-estabelecida, que pretende escrever um perfil sobre as duas jovens. Para isso, as convida a sua casa. Na residência de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Z1S5bOdJq3U&amp;t=0s"><span style="font-weight: 400;">classe média</span></a><span style="font-weight: 400;"> no centro de Dublin, história vem, história vai e não demora para os pares trocados se conectarem. Com Bobbi e Melissa preenchendo os espaços com suas personalidades, </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/4OobxWGzjHpUMaQnZmDvTs?si=eabd567c131a49bd"><span style="font-weight: 400;">Frances</span></a><span style="font-weight: 400;"> captura o olhar de Nick, o marido de Melissa, que parece tão perdido ao lado da mulher quanto ela com Bobbi.</span></p>
<figure id="attachment_27691" aria-describedby="caption-attachment-27691" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27691" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-2-800x320.jpg" alt="Foto da autora Sally Rooney. Em frente a um fundo desfocado, em que vemos um bosque com folhagens verdes e um tronco de árvore, à esquerda, vemos Rooney ao centro, do tronco para cima. Ela é uma mulher branca, de cabelos castanhos lisos na altura do ombro, aparentando cerca de 30 anos, vestindo uma camisa branca e com o rosto inclinado para a direita." width="800" height="320" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-2-800x320.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-2-768x308.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-2.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27691" class="wp-caption-text">No Brasil, Conversas entre amigos foi publicado pela Editora Alfaguara, com tradução de Débora Landsberg (Foto: Ellius Grace)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Conversations with friends </span></i><span style="font-weight: 400;">(o título original)</span> <span style="font-weight: 400;">é o primeiro livro publicado por Sally Rooney, que estourou com seu lançamento seguinte, </span><a href="https://personaunesp.com.br/sally-rooney-pessoas-normais-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Nesse segundo, a força gravitacional que move a narrativa é o (eventual) casal Connell e Marianne. Dos 16 aos 20 e tantos anos, os dois passam da ingênua adolescência à desafiadora vida adulta um na companhia do outro, ora em um relacionamento romântico, ora aprendendo a viver sem ele. Já em </span><a href="https://personaunesp.com.br/belo-mundo-onde-voce-esta-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Belo mundo, onde você está</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o terceiro e mais recente romance da autora, Alice e Eileen são velhas amigas que se correspondem por </span><i><span style="font-weight: 400;">e-mail</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com quase 30, o foco das protagonistas já não é o amadurecimento, mas outros, refletidos pelos da própria autora: vida profissional, relações românticas e de amizade menos idealizadas, capitalismo e reflexões acerca até do mercado editorial &#8211; esse, que </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/sally-rooney-lanca-belo-mundo-onde-voce-esta-avalia-impacto-de-normal-people-minha-vida-foi-dominada-pelo-sucesso-dos-meus-livros-anteriores-25182547"><span style="font-weight: 400;">Rooney está inserida</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; representam uma fase diferente da qual Connell e Marianne passaram. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo antes de </span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Belo mundo</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos</span></i><span style="font-weight: 400;"> soa quase como um meio-termo entre as realidades. Aqui, as protagonistas Frances e Bobbi já deixaram para trás a inocência da adolescência, mas, nos primeiros anos da casa dos vinte, não se estabeleceram o suficiente para se sentirem parte do mundo adulto &#8211; isso, como todo jovem adulto. A autora, porém, não se preocupa em verbalizar os anseios das duas explicitamente &#8211; e, na verdade, não o fez em nenhum de seus livros. Já virou </span><a href="https://lithub.com/sally-rooney-is-the-only-novelist-on-times-list-of-most-influential-people-of-the-year/"><span style="font-weight: 400;">marca registrada</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Rooney deixar o leitor sentir por si mesmo, apresentando somente situações e diálogos tão reais e relacionáveis que não conseguimos fazer diferente de nos imaginarmos no lugar das personagens.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Bobbi disse que não achava que eu tinha uma ‘personalidade verdadeira’, mas declarou que não se tratava de um elogio. De modo geral, eu concordava com a avaliação. A qualquer instante sentia que poderia fazer ou dizer qualquer coisa, e só depois pensar: ah, então sou esse tipo de pessoa&#8221;.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Do outro lado da moeda de </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2022/may/22/sasha-lane-and-alison-oliver-on-conversations-with-friends-sally-rooney"><span style="font-weight: 400;">Frances e Bobbi</span></a><span style="font-weight: 400;">, estão Nick e Melissa. O casal é mais velho, cada um com seus 30 e poucos anos, tem um ciclo de amigos e uma casa invejável, são (aparentemente) bem resolvidos, e profissional e financeiramente estáveis. Tudo isso, coisas que as duas não são. Apesar dos mundos diferentes, a conexão das personalidades acaba sendo inevitável no decorrer dos encontros. Assim como Bobbi, Melissa é confiante, o tipo de pessoa que preenche os ambientes em que entra, e sua convicção e força são claras, até intimidadoras. Já </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YWV3GEtWvIw"><span style="font-weight: 400;">Nick</span></a><span style="font-weight: 400;"> se assemelha a Frances: ele, um ator bonito e relativamente famoso, apesar de mediano em sua carreira, serve como um marido troféu, e parece se curvar à presença imponente da esposa &#8211; da mesma forma que a protagonista se sentia em seu antigo relacionamento com a amiga.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir do jantar da entrevista, o destino parece premeditado, mas nunca previsível. Bobbi, naturalmente, se conecta a Melissa e repele </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/5juZNPnXQe1DGrCHlrllPR?si=bb23a7b2582041bf"><span style="font-weight: 400;">Nick</span></a><span style="font-weight: 400;">. Por mais escancarada e sem vergonha que seja, a queda da jovem não vai muito além disso e a relação permanece platônica. Afinal, como Bobbi sempre lembra, ela é casada. Já com Frances e Nick acontece o contrário e a conexão se constrói lentamente, com a culpa pela relação extraconjugal sempre como um empecilho entre os dois. Do ponto inicial de terem em comum somente situações em que ficam deslocados ao mesmo tempo &#8211; além, claro, das companheiras extrovertidas -, os dois passam de meros parceiros de desconforto para descobrirem um no outro uma ligação um tanto mais </span><a href="https://brasil.elpais.com/eps/2021-09-03/sally-rooney-aceitar-a-intimidade-e-aceitar-a-possibilidade-de-que-outra-pessoa-nos-magoe.html"><span style="font-weight: 400;">profunda e complicada</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27692" aria-describedby="caption-attachment-27692" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-27692" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-800x567.jpg" alt="Imagem de divulgação da série Conversas entre amigos. A foto foi tirada em uma praia e os protagonistas estão sentados em um rochedo à beira mar. Em cima do rochedo, ao centro, vemos uma mulher branca, loira, de cerca de 35 anos, vestindo um vestido branco, em pé. Ao lado dela, sentada na rocha, vemos uma mulher negra, usando uma bandana, regata, camisa e shorts de praia, aparentando cerca de 25 anos. Ao lado dela, no lado direito da foto, vemos uma mulher branca, de cabelos castanhos lisos, usando um vestido azul e branco, em pé, olhando para o lado. Ao seu lado, vemos um homem loiro, de cerca de 35 anos, usando camisa e shorts azul, sentado apoiado no rochedo." width="800" height="567" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-800x567.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-1024x726.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-768x545.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-1536x1089.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3-1200x851.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/sally-rooney-3.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27692" class="wp-caption-text">Assim como Pessoas normais, Conversas entre amigos ganhou uma minissérie de 12 episódios adaptada pela Hulu em parceria com a BBC (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A verdade é que não parece haver muito ao que se apegar nessa nova relação. Quanto mais próximos Nick e Frances se tornam, mas indecifrável ele fica, e a incerteza move o relacionamento. Isso até para o leitor: com a narração da jovem protagonista, </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos </span></i><span style="font-weight: 400;">se passa sob o olhar inseguro e acanhado dela. A forma com que vemos os personagens, inclusive, é sob sua visão. </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/2nM48XVy0Vf7TpLtfwLtlD?si=af029c2328504902"><span style="font-weight: 400;">Bobbi</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece a melhor pessoa do mundo à princípio, articulada, faladeira, engraçada, convicta em seus posicionamentos… até discordar das ações de Frances. Já </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Rfn1yngeXI0"><span style="font-weight: 400;">Melissa</span></a><span style="font-weight: 400;"> fica entre a megera que pisa no marido e a mulher decidida e bem-sucedida que a jovem sonha em ser. Nick, ora é indecifravelmente atraente, um mistério a ser decifrado, ora submisso e indeciso, misterioso só porque não sabe o que quer. De novo, em nenhum momento </span><a href="https://time.com/6094903/sally-rooney-millennial-novel/"><span style="font-weight: 400;">Rooney</span></a><span style="font-weight: 400;"> julga seus protagonistas: eles são o que são, cada um com seus motivos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Avançando nas 264 páginas do livro, os sentimentos e emoções vêm espontaneamente, conforme os quatro personagens vivem, se relacionam e, bem, conversam. </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos</span></i><span style="font-weight: 400;">, como outras obras de Sally Rooney, usa do subtexto de um relacionamento &#8211; dessa vez, um fora da configuração tradicional &#8211; </span><a href="https://www.monitordooriente.com/20211025-sally-rooney-susan-sarandon-e-milhares-de-outras-estao-do-lado-certo-da-historia/"><span style="font-weight: 400;">para ir além</span></a><span style="font-weight: 400;">. Motivados pelas ações, percepções e desejos dos protagonistas, o livro discute as dinâmicas de poder dessas conexões, da monogamia à diferença de tratamento entre homens e mulheres em uma relaçãp heterossexual. Também (e, de novo, como em outras obras da irlandesa), os quatro refletem sobre novas possibilidades e dinâmicas de relacionamento, capitalismo, vida profissional, saúde mental, política e classes sociais.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Ele tinha mais respeito por Melissa do que por mim? Gostava mais dela? Se ambas fôssemos morrer em um edifício em chamas e ele só pudesse salvar uma de nós, será que era óbvio que salvaria Melissa e não eu? Era praticamente diabólico transar com alguém que mais tarde deixaria você morrer queimada&#8221;.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse </span><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i><span style="font-weight: 400;"> peculiar e envolvente, não há espaços para julgamentos, não há lado certo ou errado. Definitivamente, não há moral da história. Os finais de Rooney escancaram o caráter imprevisível das relações humanas, mas também o lado esperançoso. Na tradução de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pqWEiiELzfo"><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Débora Landsberg, que trabalhou nos três romances publicados da autora, mantém a melancolia da escrita, assim como a forma direta, objetiva e fluida da irlandesa de escrever. Na estreia de seu estilo, Sally Rooney aprofunda ainda mais seus personagens ao não indicar quem verbaliza cada coisa: os diálogos não recebem pontuação precisa e, mesmo assim, sabemos quem diz o que ao final. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Completando 5 anos de idade em 2022, </span><i><span style="font-weight: 400;">Conversas entre amigos</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganhou sua adaptação homônima para TV, que, assim como </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, teve o </span><a href="https://www.express.co.uk/showbiz/tv-radio/1612706/Sally-Rooney-Normal-People-Conversations-With-Friends"><span style="font-weight: 400;">dedo da autora</span></a><span style="font-weight: 400;"> na concepção. Há meia década, porém, a primeira aparição das duas jovens rebeldes e cheias de idealizações, desconstruindo as aparências do meio adulto ao passo que tentam descobrir seu próprio lugar no mundo, não era uma projeto de comentário social para Sally Rooney. Na verdade, para ela, a situação era mais sobre </span><i><span style="font-weight: 400;"> “</span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iIGSMGdgCyQ"><i><span style="font-weight: 400;">observar a textura do mundo</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> em que estava habitando”</span></i><span style="font-weight: 400;">, absorvendo-o. E na vida real, sobre a qual ela tanto escreve, realmente não há moral da história. O que há são pessoas como Frances e como Bobbi, como Melissa e como Nick, que navegam seus sentimentos, desejos e as consequências de suas ações. Com sua delicadeza, honestidade e olhar apurado, Rooney simplesmente os capta e coloca em palavras.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Conversations with Friends | Official Trailer | Hulu" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3lvxQuOvf9s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O otimismo inabalável de Belle</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Apr 2022 16:02:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda Por mais que seja tentador reduzir o mais recente filme do cineasta Mamoru Hosoda à uma reinterpretação moderna de A Bela e a Fera, esse simples elevator pitch não faz jus à complexidade temática e emocional da nova animação do Studio Chizu. Belle (Ryû to sobakasu no hime, no original em &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/belle-2021-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O otimismo inabalável de Belle"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27409" aria-describedby="caption-attachment-27409" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27409" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle.jpg" alt="Cena do filme animado Belle. Belle (Kaho Nakamura) é vista de perfil, olhando para a esquerda enquanto sorri e leva as mãos ao peito. Belle é uma mulher magra, asiática, de longos cabelos rosa-claros e grandes olhos azuis. Ela possui uma linha de sardas vermelhas embaixo dos olhos e maquiagem rosa nas bochechas, entrecortada por padrões retos e brancos. Em seus cabelos, flores vermelhas estão presas acima das orelhas e seu vestido também é recheado delas. Ao fundo, vemos outras flores de várias cores e luzes amarelas cintilando contra um fundo escuro." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27409" class="wp-caption-text">Apesar de não ter sido selecionado para concorrer ao Oscar, Belle é um testamento ao poder da animação como meio (Foto: Studio Chizu)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que seja tentador reduzir o mais recente filme do cineasta Mamoru Hosoda à uma reinterpretação moderna de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Bela e a Fera</span></i><span style="font-weight: 400;">, esse simples </span><a href="https://www.acolabam.com.br/blog/elevator-pitch"><i><span style="font-weight: 400;">elevator pitch</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não faz jus à complexidade temática e emocional da nova animação do </span><i><span style="font-weight: 400;">Studio Chizu</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UKM42nGCDZw"><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Ryû to sobakasu no hime</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original em japonês) passa bem longe de ser uma “versão </span><i><span style="font-weight: 400;">anime</span></i><span style="font-weight: 400;">” do </span><a href="https://medium.com/louca-por-hist%C3%B3ria/a-verdadeira-hist%C3%B3ria-do-conto-a-bela-e-a-fera-ee9281dd9cc7"><span style="font-weight: 400;">clássico francês</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, ao invés disso, se utiliza da familiaridade de suas dinâmicas para contar sua própria história de amor transformativo na era das redes sociais e realidades virtuais, num semi-musical de escopo glorioso e, ao mesmo tempo, íntimo.</span></p>
<p><span id="more-27408"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com grande parte de sua música diegeticamente integrada ao longo de suas duas horas de duração, ela serve de eixo central para sua narrativa, e é a maneira com que sua protagonista, Suzu (Kaho Nakamura), interage e faz razão do mundo ao seu redor e de suas próprias emoções, expressas não com coreografias elaboradas, mas única e exclusivamente na cadência e no volume de sua voz. Seja na vida real ou no mundo virtual de </span><i><span style="font-weight: 400;">U</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde ela assume o manto da diva </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> Belle, Suzu honra o título ocidental da produção, que foca em sua jornada de amadurecimento pessoal, e não apenas na relação que ela constrói com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VdDj2qDFCqs"><span style="font-weight: 400;">a Fera</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Takeru Satoh), o temível criminoso que assombra as planícies digitais.</span></p>
<figure id="attachment_27410" aria-describedby="caption-attachment-27410" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27410" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2.jpg" alt="Cena do filme animado Belle. Suzu (Kaho Nakamura) começa a entrar na realidade virtual. Em um plano próximo vemos a personagem de perfil, virada para a esquerda, de olhos fechados e usando um dispositivo futurista circular branco no ouvido, com um “U” estilizado em luz luminescente. Ao redor de Suzu, linhas circulares distorcem levemente a imagem, com uma luz dourada vindo do canto inferior esquerdo da tela e iluminando essas linhas. Suzu é uma jovem asiática de cabelos pretos que vão até os ombros." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27410" class="wp-caption-text">O misto de animação 2D e 3D é uma maneira sagaz de diferenciar a vida real de seu mundo virtual (Foto: Studio Chizu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K1W61zetQ1c"><span style="font-weight: 400;">primeira cena</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> já diz a que veio: com uma abertura completamente de sons e cores vibrantes, somos introduzidos à </span><i><span style="font-weight: 400;">U</span></i><span style="font-weight: 400;"> por meio da música homônima de Belle, que a canta nas costas de uma imensa baleia carregando dezenas de alto falantes. A visão de Hosoda e do resto dos animadores para o futuro é instantaneamente clara e marcante, se utilizando de formas sólidas e simples para construir um espaço minimalista recheado de personagens altamente detalhados e diversificados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de tanto o espaço virtual quanto o real serem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1lDp4mPeyMk"><span style="font-weight: 400;">meticulosamente compostos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de maneira a fornecer uma experiência cinematográfica singular, por vezes há uma falta de contexto que prejudica na interpretação do filme. </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos explica o funcionamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">U </span></i><span style="font-weight: 400;">apenas brevemente, e mais tarde passa por cima de vários aspectos da construção desse espaço, esperando que as dinâmicas familiares sejam autoexplicativas. Se por um lado essas explicações vagas são parte deliberada da direção experiente de Hosoda, confiando na carga emocional das cenas para mover a história em frente, por outro há horas em que ficamos com a sensação de que seu roteiro não consegue acompanhar essas cargas o tempo todo, prejudicando o ritmo da obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso é especialmente evidente nos momentos em que os dois entram em sincronia, em que os arcos e motivações das personagens são claros e concisos e os visuais e sons se agigantam sobre nós, o efeito não é nada menos do que mágico. Todas as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-6w_opp7Doo"><span style="font-weight: 400;">quatro músicas cantadas por Suzu</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao longo da trama chegam no momento exato em que essa onda de emoção parece prestes a nos afogar, gritando aquilo que não poderia ser dito de nenhuma outra forma, através de composições monumentais e letras arrebatadoras, a maioria das quais escritas por Hosoda e Nakamura.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Belle「心のそばに」MV" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/z_NAoBkZlIw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como em </span><a href="https://www.garotasgeeks.com/belle-e-a-sequencia-espiritual-de-summer-wars-e-um-conto-moderno-de-a-bela-e-a-fera/"><span style="font-weight: 400;">trabalhos anteriores</span></a><span style="font-weight: 400;">, Hosoda explora a emergência da </span><i><span style="font-weight: 400;">web</span></i><span style="font-weight: 400;"> e das relações cultivadas à partir dela e, mesmo quando os temas não recebem o devido espaço para florescer em meio ao </span><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i><span style="font-weight: 400;"> de sua protagonista, as ideias do roteiro e as subversões ao conto original são inventivas e instigantes o suficiente para suportar sua reinterpretação. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">U</span></i><span style="font-weight: 400;">, a pior coisa que pode acontecer com um usuário é ele ser “revelado”, tendo seu Ás (avatar virtual) deletado e sua identidade exposta para o resto do mundo. É também o que Justin (Toshiyuki Morikawa), um dos autodenominados “justiceiros” dessa realidade e principal antagonista da heroína, ameaça fazer com a Fera caso a encontre. Enquanto na obra original o monstro ansiava por reverter sua condição e reencontrar sua humanidade, aqui o conflito de Suzu é definido pela ambiguidade de sua condição, uma celebridade anônima, conhecida apenas através do Ás de Belle.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos principais e mais bem desenvolvidos questionamentos do roteiro está no papel do anonimato no ambiente virtual: se por um lado ela nos dá carta branca para agirmos </span><a href="https://www.camara.leg.br/noticias/482198-crenca-no-anonimato-da-rede-potencializa-crueldade-do-bullying-diz-psicologa"><span style="font-weight: 400;">com crueldade</span></a><span style="font-weight: 400;"> uns com os outros, protegidos por máscaras arbitrárias, por outro ela também permite que aqueles que não tem voz sejam ouvidos ou até mesmo que achem sua própria voz com o tempo. Após uma tragédia que a afeta profundamente, Suzu descobre que só consegue cantar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JUFVLW3kpm8"><span style="font-weight: 400;">como Belle</span></a><span style="font-weight: 400;">, compartilhando sua música sem se preocupar e quem vai ouvir e descobrindo, contra todas as possibilidades, que outras pessoas querem ouvi-la.</span></p>
<figure id="attachment_27411" aria-describedby="caption-attachment-27411" style="width: 992px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27411" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle3.jpg" alt="Esboço conceitual da protagonista do filme animado Belle. Feito à lápis, ele traça a personagem olhando para o topo direito da imagem, com os braços se abrindo por baixo de uma capa. Belle é uma mulher magra de cabelos longos e esvoaçantes, com uma trança em cada um dos lados. Ela possui sardas alinhadas em uma linha reta embaixo de seus olhos e padrões geométricos nas bochechas e uma tiara com asas de borboleta estilizadas em cada lado. Ela abre a boca como se estivesse cantando e seus olhos são grandes e expressivos. Ela usa uma capa por cima de uma roupa escura que aparenta ser um colete. No centro da capa há um broche oval." width="992" height="756" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle3.jpg 992w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle3-800x610.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle3-768x585.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27411" class="wp-caption-text">Colaborando com um designer de personagens da Disney, Hosoda nos dá um tipo diferente de princesa (Foto: Jin Kim)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito mais do que o </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bela-e-a-fera-2017/"><i><span style="font-weight: 400;">remake </span></i><span style="font-weight: 400;">medíocre</span></a><span style="font-weight: 400;"> e desinteressante de Bill Condon em </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> é capaz de reviver a magia da </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bela-e-a-fera-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">animação de 1991</span></a><span style="font-weight: 400;"> através de sua própria combinação de animação e sonorização, mesmo sem adaptar diretamente a sua fábula moral. O próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> mágico e </span><i><span style="font-weight: 400;">technicolor </span></i><span style="font-weight: 400;">de sua protagonista vem de Jin Kim, </span><a href="https://portalhqpb.com.br/belle-novo-longa-metragem-de-mamoru-hosoda-contara-com-parceria-dos-diretores-do-cartoon-saloon-e-do-character-design-jin-kim/"><span style="font-weight: 400;">veterano da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e responsável por personagens de </span><a href="https://personaunesp.com.br/frozen-ii-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Frozen</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Zx3xEc6-mU4"><i><span style="font-weight: 400;">Operação Big Hero</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/zootopia-disney/"><i><span style="font-weight: 400;">Zootopia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O vínculo indelével da obra com o clássico, no entanto, vai muito além do material e da caracterização, e é ressaltado na gravidade que Hosoda e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Studio Chizu</span></i><span style="font-weight: 400;"> dão ao casamento entre imagem e som, na capacidade de criar sonhos que define o Cinema como o conhecemos. Como </span><a href="https://www.popbuzz.com/tv-film/news/oscars-animated-movies-kids/"><span style="font-weight: 400;">diversos profissionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> ressaltaram durante a noite de premiações no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar 2022</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde a categoria de Melhor Animação foi apresentada por três das atrizes que deram vida às suas contrapartes animadas nos </span><i><span style="font-weight: 400;">remakes </span></i><span style="font-weight: 400;">recentes, animação vai muito além de algo “</span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/oscar-2022-diretor-phil-lord-critica-piada-sobre-filmes-animados-serem-para-criancas/"><i><span style="font-weight: 400;">para crianças, e que os adultos têm que aguentar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Enquadrar os cinco nomeados ao prêmio da Academia de Melhor Animação como produtos corporativos para crianças que os pais têm de aguentar a contragosto poderia ter sido encarado como um simples descuido. Mas para aqueles de nós que dedicamos nossas vidas para fazer filmes animados, esse descuido se tornou rotina. O diretor de um grande estúdio de animação uma vez disse à uma reunião de animadores que, se jogássemos nossas cartas corretamente, um dia ‘passaríamos para o live-action.’ Anos depois, um executivo de outro estúdio disse que um certo filme animado que fizemos foi tão bom que o lembrou de ‘um filme de verdade.’”</span></p>
<p><i></i><i><span style="font-weight: 400;">&#8211; Phil Lord e Chris Miller, em um artigo de opinião para a </span></i><a href="https://variety.com/2022/film/news/phil-lord-christopher-miller-animation-oscars-1235225442/"><span style="font-weight: 400;">Variety</span></a></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;">, vemos a história de uma jovem lidando com um </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/luto/"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;"> debilitante e cáustico, expressando seus sentimentos por meio de visuais deslumbrantes e músicas de partir o coração. Acompanhamos sua transição entre a vida real e um recomeço virtual, por meio da mudança de técnicas </span><i><span style="font-weight: 400;">2D</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">3D</span></i><span style="font-weight: 400;"> de animação que dão profundidade física e temática aos seus personagens e seus conflitos, em uma celebração do meio que conta sua história exatamente por ser uma história que só poderia ter sido contada por esse meio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo ficando de fora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar 2022</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> conseguiu abocanhar cinco indicações ao </span><a href="https://annieawards.org/winners"><i><span style="font-weight: 400;">Annie Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sendo ovacionado durante </span><a href="https://jornaldebrasilia.com.br/entretenimento/belle-que-tem-referencias-de-a-bela-e-a-fera-foi-aplaudido-por-14-minutos-em-cannes/"><span style="font-weight: 400;">14 minutos</span></a><span style="font-weight: 400;"> após sua estreia no Festival de Cannes em 2021, e não é difícil entender o porquê: o terceiro ato do longa é uma declaração de afeto do tipo que inspira cineastas até hoje, o tipo de sequência que extraí lágrimas não de tristeza, mas em virtude do quão belo tudo ao seu redor é, reunindo e ordenando belamente seus principais temas e ideias ao longo de </span><a href="https://open.spotify.com/track/0WQRbcwmUd1fZ5AJcH5GDT?si=29b2a630d9de4de8"><span style="font-weight: 400;">sua melhor canção</span></a><span style="font-weight: 400;">, jogando todas as cartas na mesa e implorando para que você sinta a canção junto de Suzu.</span></p>
<figure id="attachment_27412" aria-describedby="caption-attachment-27412" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27412" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4.jpg" alt="Cena do filme animado Belle. Suzu (Kaho Nakamura) flutua acima de uma multidão no mundo virtual de U. A multidão abaixo dela é composta por incontáveis luzes amarelas cintilando em direção ao horizonte, onde estruturas retangulares se erguem de cima para baixo e de baixo para cima. O céu é composto por ainda mais dessas estruturas e, no espaço em que elas quase se encontram, o horizonte é composto por um céu noturno repleto de estrelas e uma luz crescente, cortada por uma linha ondulada branca que vai de uma ponta a outra. Suzu está do lado direito da tela, segurando sua própria luz amarela no peito, de costas para a câmera. Ela é magra, tem cabelos pretos até os ombros e usa uma camiseta branca e uma saia preta." width="1920" height="805" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27412" class="wp-caption-text">“Sem alguém para amar, o que há para se viver?” (Foto: Studio Chizu)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, despudoradamente, uma história de amor. No entanto, é uma jornada que nos desafia a recontextualizar o amor não como um ideal romântico, mas como uma ação necessária para a vida em sociedade. Como um dos efeitos da ascensão das redes sociais, Hosoda nos pergunta fervorosamente: o que nós devemos uns aos outros? Até que ponto devemos ir por </span><a href="https://www.engadget.com/belle-anime-review-190042348.html"><span style="font-weight: 400;">pessoas que não conhecemos</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas às quais estamos intimamente ligados? Se o amor não te impele a se sacrificar por alguém, a se entregar por completo, o quanto ele realmente vale?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acontece que nenhuma dessas perguntas tem respostas simples. As diversas complexidades da vida contemporânea também se aplicam no meio virtual, e seus realizadores deixam claro que </span><i><span style="font-weight: 400;">U</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é uma utopia. Ainda há vilões que buscam condenar os outros e usam máscaras para esconder sua crueldade; verdades e mentiras se espalham e igual medida e o </span><a href="https://tvcultura.com.br/videos/19736_redes-sociais-transformam-a-internet-em-um-verdadeiro-tribunal.html"><span style="font-weight: 400;">tribunal da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nunca absolve, apenas condena. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, apesar de tudo isso, Hosoda encara o futuro com o otimismo inabalável de alguém que acredita plenamente no potencial humano de estarmos prontos para ajudar quando alguém precisar, de que se olharmos o mundo como uma única comunidade, veremos que não há outra coisa a fazer senão amar uns aos outros e se sacrificar por todos. E que no fim, assim como no começo, você só pode ajudar alguém sendo quem você é. Em sua última nota musical antes do fim climático da jornada de Suzu, </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz um único apelo à sua audiência, não na voz de uma celebridade virtual, mas na de uma adolescente que acaba de entender a dimensão do amor que a envolve: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Cante!</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
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