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	<title>Arquivos Censura &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Entre passado e futuro, o presente em Sem Vergonha é a Arte</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Oct 2024 17:56:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto O que faz um artista ser reconhecido como transgressor? Caso seu pensamento tenha sido direcionado a elementos como roupas, maquiagens e outros compositores estéticos, repense todas as suas certezas, pois Sem Vergonha te mostra que o segredo está na alma livre. Estrelado por Maria Alcina, o musical biográfico fez parte da 48ª Mostra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sem-vergonha-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Entre passado e futuro, o presente em Sem Vergonha é a Arte"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34247" aria-describedby="caption-attachment-34247" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-34247 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/1-800x296.jpg" alt="Cena de Sem Vergonha. Na imagem, a cantora Maria Alcina aparece com o rosto pintado de branco, sombra preta e batom vermelho. Ela veste uma roupa vermelha cheia de babados. Está se apresentando em um palco em frente a uma cortina azul." width="800" height="296" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/1-800x296.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/1-1024x378.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/1-768x284.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/1-1536x567.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/1-1200x443.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/1.jpg 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34247" class="wp-caption-text">Pertencente à seção Mostra Brasil da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Sem Vergonha é musical, biografia e saldo positivo para o Cinema brasileiro (Foto: Dilúvio Produções)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto</b></p>
<p><b></b><span style="font-weight: 400;">O que faz um artista ser reconhecido como transgressor? Caso seu pensamento tenha sido direcionado a elementos como roupas, maquiagens e outros compositores estéticos, repense todas as suas certezas, pois</span><i><span style="font-weight: 400;"> Sem Vergonha </span></i><span style="font-weight: 400;">te mostra que o segredo está na alma livre. Estrelado por Maria Alcina, o musical biográfico fez parte da <a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</a>, na seção Mostra Brasil, e, como a artista que o protagoniza, estabeleceu que limites não são uma opção válida. Afinal, se não for para ultrapassar as barreiras, de que vale fazer qualquer coisa nessa vida?</span></p>
<p><span id="more-34246"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Operária de nascença e com todos os ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">nãos</span></i><span style="font-weight: 400;">’</span> <span style="font-weight: 400;">apontados para o seu rosto, a cantora nadou contra a corrente para crescer no meio musical nacional. Agora, seguindo o fluxo de uma vida, ousa entregar algo único na produção de 79 minutos que se classifica oficialmente como documentário, mas tem um formato tão singular que, novamente, se amplifica em possibilidades. Performático, teatral, sonoplasta e cenográfico são alguns dos vocábulos que definem a deliciosa narrativa roteirizada por <a href="https://mubi.com/pt/cast/thiago-brito">Thiago Brito</a>. </span></p>
<figure id="attachment_34248" aria-describedby="caption-attachment-34248" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34248" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/2-800x533.jpg" alt="Cena de Sem Vergonha. Na imagem, a cantora Maria Alcina está com o rosto pintado de branco, sombra azul e verde e um batom vermelho. Ela veste um casaco verde florescente com plumas e um chapéu de bobo da corte roxo. Ao fundo, há uma cortina vermelha e luzes amarelas." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/2-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/2-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/2.jpg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34248" class="wp-caption-text">Maria Alcina estourou na Música ao se apresentar no Festival Internacional da Canção do Rio de Janeiro em 1972 com a interpretação de Fio Maravilha, de Jorge Ben Jor (Foto: Dilúvio Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, duas versões de Maria Alcina se encontram: a jovem sonhadora, representada ficcionalmente, e a própria, em carne e osso, que invade as cenas com relatos e cantoria à la brasileira – representando, com propriedade, a cultura que sempre se orgulhou de ter.  Apesar de inspiradora, essa história não ficcional remonta a dificuldade de ascensão quando se trata de Arte no país e não deixa de destacar uma das grandes vilãs do cenário: a <a href="https://www.gov.br/memoriasreveladas/pt-br/assuntos/destaques/a-ditadura-as-artes-e-a-cultura#:~:text=Em%20seu%20primeiro%20governo%20a,e%20denunciavam%20o%20terrorismo%20cultural%20.">Ditadura Militar</a>. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Na levada enérgica, bem humorada e, como o nome da obra diz, sem vergonha, da cantora, as denúncias nunca ficam de lado, nem que seja para se inserirem de maneira ácida ou ilustrada, à exemplo da performance atrevida com <a href="https://www.youtube.com/watch?v=kFmIgdzKRPQ">Ney Matogrosso</a>. Na década de 1970, esses comportamentos eram fortemente repreendidos e chegaram a ser punidos com a voz da personalidade sendo calada pela censura por 20 dias, o que fez com que ela voltasse ainda mais focada em ser autêntica. As músicas com duplo sentido e grandes doses de conotação sexual são interpretadas durante a obra, relembrando um Brasil quente, sensual e, acima de tudo, vivo.  </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Essa dificuldade de ser Arte em um país de pão e circo, reverbera na decaída de Alcina dos holofotes, algo que afeta diretamente o reconhecimento da persona como um marco da história até hoje. Em reflexo, o orçamento do longa-metragem é visivelmente baixo, mas com o ‘jeitinho’ brasileiro, tecidos variados e coloridos se tornam parte da cenografia assinada pelo diretor de arte <a href="https://www.instagram.com/uiraclemente/">Uirá Clemente</a>. A saída entra como uma jogada de mestre, fazendo com que mais uma linguagem, o Teatro, entre em cena. A sensação é de que tudo se consolida em cima de um palco, uma verdade quando se trata de Maria Alcina. </span></p>
<figure id="attachment_34249" aria-describedby="caption-attachment-34249" style="width: 453px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class=" wp-image-34249" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/3.jpg" alt="Cena de Sem Vergonha. Na imagem, Maria Alcina aparece com a pele negra exposta, acompanhada uma sombra roxa e batom vermelho. Ela também usa cabelo colorido de três tons. " width="453" height="238" /><figcaption id="caption-attachment-34249" class="wp-caption-text">&#8220;Naquela época, naquele momento, as pessoas achavam que ser feliz era um insulto&#8221; (Foto: Dilúvio Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em movimentos bastante transitórios e alinhados, a direção de Rafael Saar escolhe passear entre registros reais da época mais jovem de Alcina, cortes de jornal, revistas, gravações, recriações fictícias de cenas, representação de performances e muito mais para amarrar a montagem. Caso </span><i><span style="font-weight: 400;">Sem Vergonha</span></i><span style="font-weight: 400;"> fosse um livro, com certeza entraria no ramo das chamadas <a href="https://www.nostalgiacinza.com.br/2020/05/o-que-e-narrativa-epistolar.html">narrativas epistolares</a>, misturando materiais para chegar a um registro consolidado de mais de 50 anos de carreira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro aspecto extremamente presente nos </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> da <a href="https://48.mostra.org/filmes/48a-sem-vergonha">produção</a> é a dança. Esta, se impõe de maneiras coreografadas, mas também sem nenhuma via de regra, representando a corporeidade solta da artista que relata:  “</span><i><span style="font-weight: 400;">eu só consigo cantar com o corpo todo</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O misto de Música e ritmo transforma a coisa toda em um espetáculo de sons, onde os passos e notas criam aquela sensação de satisfação em quem assiste. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez pelo tempo curto de um filme ou pela longa história de <a href="https://jornalopharol.com.br/2022/02/a-mulher-veado-repensando-o-brasil-na-voz-de-maria-alcina-parte-i/">Maria Alcina</a>, alguns </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> parecem ter mais assunto do que espaço para se encaixarem, algo que deixa o telespectador perdido no viés cronológico da coisa. Não é como se não fosse possível chegar no meio da sessão e aproveitar o carisma, no entanto, se o objetivo for entender a carreira da artista, assistir duas vezes acompanhado de um ‘bloquinho’ de notas e uma aba de pesquisas vai se fazer necessário. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Sem Vergonha" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/EY1nkOu0Bw0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Sem Vergonha</span></i><span style="font-weight: 400;"> é quase uma viagem: psicodélica, engraçada, crítica, ácida e com gosto de chanchada. Sinceramente, relembrar o motivo de Maria Alcina ser uma pedra no sapato do conservadorismo e uma referência musical nesse país é um deleite ou, adentrando a ousadia, um sonho molhado. <a href="https://www.esquerdadiario.com.br/Arte-e-transgressao">Transgressão</a> definitivamente ganha um novo significado depois de vislumbrar a obra. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Nas linhas de uma singularidade ímpar, um filme sobre uma artista nunca foi tão irreverente e esse viés se encaixa como uma luva para retratar alguém tão indimensionável quanto Alcina. Nos antros de pessoas, arte, obras, músicas e performances mornas e repetitivas, não ter vergonha de ser é corajoso e memorável. </span><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu era o que eu era porque eu nasci assim</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span> <span style="font-weight: 400;"> é mais que uma aspas, uma lição para aqueles que se fogem do inescondível: o eu. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Rita Lee prova que era gente fina em sua autobiografia</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jun 2023 20:52:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Quando eu morrer, posso imaginar as palavras de carinho de quem me detesta. Algumas rádios tocarão minhas músicas sem cobrar jabá, colegas dirão que farei falta no mundo da música, quem sabe até deem meu nome para uma rua sem saída. Os fãs, esses sinceros, empunharão capas dos meus discos e entoarão &#8220;Ovelha Negra&#8221; Ana &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/rita-lee-uma-autobiografia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Rita Lee prova que era gente fina em sua autobiografia"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/rita-lee-uma-autobiografia-critica/">Rita Lee prova que era gente fina em sua autobiografia</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31180" aria-describedby="caption-attachment-31180" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31180" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/wpcriticarita-800x420.png" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/wpcriticarita-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/wpcriticarita-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/wpcriticarita.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31180" class="wp-caption-text">Ovacionando a Padroeira da Liberdade e mergulhando em uma das mulheres mais importantes da cultura brasileira, o Clube do Livro de Abril celebrou Rita Lee: uma autobiografia (Foto: Globo Livros/Arte: Aryadne Xavier)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Quando eu morrer, posso imaginar as palavras de carinho de quem me detesta. Algumas rádios tocarão minhas músicas sem cobrar jabá, colegas dirão que farei falta no mundo da música, quem sabe até deem meu nome para uma rua sem saída. Os fãs, esses sinceros, empunharão capas dos meus discos e entoarão &#8220;Ovelha Negra&#8221;</span></i></p>
</blockquote>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história da música brasileira é marcada por ícones inigualáveis que, ora choravam todas as suas dores de corno em versos expositivos, ora eram exilados do país, pedindo em súplica que </span><a href="https://www.culturagenial.com/musica-calice-de-chico-buarque/"><span style="font-weight: 400;">a censura fosse afastada</span></a><span style="font-weight: 400;">. Entre os titãs, está a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?time_continue=2&amp;v=zbd_ObeUoZI&amp;embeds_referring_euri=https%3A%2F%2Fwww.google.com%2Fsearch%3Fq%3Dovelha%2Bnegra%26oq%3Dovelha%2Bnegra%26aqs%3Dchrome.0.0i271j46i433i512j0i433i512j69i64j0i512l4.1830j0j7%26sour&amp;source_ve_path=MjM4NTE&amp;feature=emb_title&amp;ab_channel=Musicalidade"><span style="font-weight: 400;">Ovelha Negra</span></a><span style="font-weight: 400;">, Rita Lee. Pioneira do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileiro, compositora sincera e inconfundível, </span><a href="https://personaunesp.com.br/rita-lee-40-anos/"><span style="font-weight: 400;">Rita</span></a><span style="font-weight: 400;"> era uma personalidade muito além do que a mídia massiva queria construir como a figura brasileira de mulher do lar. Adjetivos nunca serão suficientes para descrever essa mulher que colocou, sem dó, o dedo na ferida. No entanto, sua autobiografia deixa claro qual a melhor palavra para defini-la: humana.</span></p>
<p><span id="more-31174"></span></p>
<p><a href="https://rollingstone.uol.com.br/vitrine/rita-lee-conheca-as-duas-biografias-escritas-pela-cantora/"><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: uma autobiografia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> passeia por momentos que traçaram a rota da música brasileira. Ativa nos palcos desde a década de 1960 até 2012, Rita não apenas participou da imensa maioria dos períodos artísticos brasileiros, como fez história. Sua importância para a cultura permitiria tomar uma distância intelectual dos meros mortais que consomem seu livro, mas a leitura leve, divertida e, por vezes, irônica, faz com que o ato pareça um café da tarde ouvindo as histórias de vó Rita. A vida tão perfeitamente humana dessa mulher é contada com simplicidade e um tom muito único de se expressar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro foi lançado em 2016 pela </span><a href="https://globolivros.globo.com/"><i><span style="font-weight: 400;">Globo Livros</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A edição vem da mão de seu maior fã, </span><a href="https://caras.uol.com.br/atualidades/amigo-confidente-parceiro-quem-foi-o-jornalista-que-virou-filho-postico-de-rita-lee.phtml"><span style="font-weight: 400;">Guilherme Samora</span></a><span style="font-weight: 400;">, que também cumpre o papel de filho do coração, afilhado, amigo e especialista da carreira de Lee. Esse trabalho feito com muito carinho reforça a naturalidade da escrita. As histórias contadas com certa liberdade artística, já que nem mesmo ela se lembra de tudo que viveu, ganham um tom de deboche ao inserir entre as páginas um fantasminha que, vez ou outra, aparece para corrigir um fato ou um feito que Rita tenha esquecido de mencionar.</span></p>
<figure id="attachment_31175" aria-describedby="caption-attachment-31175" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31175" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/rita04-800x533.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/rita04-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/rita04-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/rita04-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/rita04-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/rita04-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/rita04-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31175" class="wp-caption-text">A maior parte dos relatos em Rita Lee: uma autobiografia são inéditos (Foto: Gabriela Biló)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A experiência de quase ouvir a voz da autora lendo os trechos da autobiografia se torna ainda mais plausível quando lembramos de sua própria discografia. Apenas </span><i><span style="font-weight: 400;">la mais caliente de las mujeres</span></i><span style="font-weight: 400;">, a compositora de &#8220;</span><a href="https://blogletraemusica.com.br/rita-lee-lanca-perfume-por-tras-da-letra/"><i><span style="font-weight: 400;">me deixa de quatro no ato</span></i></a><span style="font-weight: 400;">&#8221; poderia ser tão sincera em suas palavras. Não há burocracias, falso moralismo ou qualquer lenga-lenga. É a história nua e crua narrada por quem a vivenciou. Além disso, a cantora faz narra sua vida de forma cronológica, desmontando uma hierarquia de acontecimentos e colocando os fatos no mesmo patamar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rita Lee é filha de um americano e uma italiana, a mais nova das irmãs, e vivia com a família num casarão dos anos 1920, na rua Joaquim Távora, 670, na Vila Mariana. A própria artista nomeia o grupo de harém, afinal, um único homem rodeado de mulheres. Os relatos sobre sua infância são escritos como se tivessem sido vivenciados ontem mesmo. Dividido em capítulos curtos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: uma autobiografia </span></i><span style="font-weight: 400;">ganha caráter de conto, viajando por mais de </span><a href="https://museuvirtualdodiscodevinil.com.br/portfolio/cilibrinas-do-eden/"><span style="font-weight: 400;">10 bandas que formou</span></a><span style="font-weight: 400;">, participando como cantora, artista e compositora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em paralelo, ela vivenciou os mais variados momentos sociopolíticos no país, usando a arte para causar estranheza e indagações. Em suas 296 páginas, vida e arte caminham lado a lado para formar o legado e a força de uma mulher autêntica. Uma história de vida contada com erros, acertos, altos e baixos. Para quem já conhece a padroeira da liberdade, uma autobiografia revela também a mulher, o grande amor da vida de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7dbhJ9Kzm_k&amp;ab_channel=PauloHenriqueLima"><span style="font-weight: 400;">Roberto de Carvalho</span></a><span style="font-weight: 400;">, mãe de Roberto Lee (ariano), João Lee (canceriano) e Antonio Lee (leonino).</span></p>
<figure id="attachment_31176" aria-describedby="caption-attachment-31176" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31176" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/82-18347-02-800x535.jpg" alt="" width="800" height="535" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/82-18347-02-800x535.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/82-18347-02-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/82-18347-02-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/82-18347-02.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31176" class="wp-caption-text">“Sendo mulher, eu escancaro os tabus, mas não revelo os mistérios” (Foto: Arquivo Rita Lee)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O absoluto deleite da obra fica nos bastidores. Gilberto Gil, Caetano Veloso, </span><a href="https://personaunesp.com.br/40-anos-sem-elis-regina-20-anos-carreira-maria-rita/"><span style="font-weight: 400;">Elis Regina</span></a><span style="font-weight: 400;">, Hebe Camargo e outros personagens marcantes da Música brasileira são citados de maneira real, sem o glamour conquistado pela carreira vitoriosa. Com Hebe, Rita relembra com muito humor e paixão a diferença entre o estilo de vida das duas. O posto de diva ocupado pela apresentadora vem da ajuda que ela deu em tirar Rita Lee das drogas e abrigá-la em sua casa. Os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2BEjQrp2pyk&amp;ab_channel=Ziriguidum"><span style="font-weight: 400;">selinhos de Hebe</span></a><span style="font-weight: 400;">? Começaram com Rita, que dizia ir ao programa apenas para sentar ao seu lado e acompanhá-la.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maior expectativa que pairava em </span><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: uma autobiografia</span></i><span style="font-weight: 400;"> ficou a cargo da trajetória da cantora em </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/o-som-e-a-furia/a-razao-pela-qual-os-mutantes-optaram-por-nao-citar-rita-lee-em-show"><span style="font-weight: 400;">Os Mutantes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Expulsa da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2BEjQrp2pyk&amp;ab_channel=Ziriguidum"><span style="font-weight: 400;">banda pelos irmãos Sérgio e Arnaldo Baptista</span></a><span style="font-weight: 400;">, esse sempre foi o ponto da história digno de uma enxurrada de fofocas. O fato é que as viúvas da banda nunca aceitaram que Rita foi coroada a </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2023-05/rainha-do-rock-rita-reivindicava-o-titulo-de-padroeira-da-liberdade"><span style="font-weight: 400;">rainha do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, tornando-se a mulher que mais vendeu discos na história do Brasil. Sem méritos ou deméritos, Rita olha com muita sobriedade para o passado, encarando o patriarcado que criou uma barreira em sua carreira musical, contudo, a autora equilibra seus relatos mostrando admiração por Arnaldo, ainda completando que a relação da banda tinha mais a ver com a facilidade de se viver aventuras na casa dos meninos do que com uma identificação pessoal.</span></p>
<figure id="attachment_31177" aria-describedby="caption-attachment-31177" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31177" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/epitafio-que-rita-lee-escreveu-em-sua-autobiografia-ela-nunca-foi-um-bom-exemplo-mas-era-gente-boa-40c5327f-024a-4f6c-96be-ed2e7a5d059f.large_-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/epitafio-que-rita-lee-escreveu-em-sua-autobiografia-ela-nunca-foi-um-bom-exemplo-mas-era-gente-boa-40c5327f-024a-4f6c-96be-ed2e7a5d059f.large_-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/epitafio-que-rita-lee-escreveu-em-sua-autobiografia-ela-nunca-foi-um-bom-exemplo-mas-era-gente-boa-40c5327f-024a-4f6c-96be-ed2e7a5d059f.large_-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/epitafio-que-rita-lee-escreveu-em-sua-autobiografia-ela-nunca-foi-um-bom-exemplo-mas-era-gente-boa-40c5327f-024a-4f6c-96be-ed2e7a5d059f.large_-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/epitafio-que-rita-lee-escreveu-em-sua-autobiografia-ela-nunca-foi-um-bom-exemplo-mas-era-gente-boa-40c5327f-024a-4f6c-96be-ed2e7a5d059f.large_.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31177" class="wp-caption-text">Rita revela que seu namoro com Arnaldo foi só uma paixonite de adolescente (Foto: Leila Lisboa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Rita era a contraventora da moral e dos bons costumes, incitava a crítica, foi censurada e presa por isso. Ela exaltava a sexualidade da mulher em um momento em que isso era inaceitável. Em cima dos palcos, ela evidenciava a hipocrisia do país, desfilando uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6PpJTOXybwI&amp;ab_channel=ObservadorOculto"><i><span style="font-weight: 400;">Miss Brasil 2000</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nos anos 1970. De </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/video/rita-lee-muda-data-do-aniversario-e-escolhe-dia-de-santa-rita-de-cassia-entenda-9538022.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Santa Rita de Cássia</span></a><span style="font-weight: 400;"> a São Francisco, ela esteve à frente de sua época e defendeu os animais com unhas e dentes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma autobiografia</span></i><span style="font-weight: 400;"> com arte, talento, feminino, mãe e avó. Suas páginas ainda são preenchidas com fotografias de seu acervo pessoal e lista todos os álbuns lançados e as músicas de cada um.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, Rita se mostra uma mulher madura, consciente e orgulhosa de toda a intensidade que viveu. A sinceridade da cantora não abre brechas para um discurso de Maria Madalena arrependida das drogas, não há vergonha por ter experimentado todas, apenas orgulho por ter saído de cada uma delas. &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">A sorte de ser sido eu, de ter sido quem sou, de estar onde estou, não é nada comparada ao meu maior gol. Sim, acho que </span></i><a href="https://twitter.com/gshow/status/1655949668294217728"><i><span style="font-weight: 400;">fiz um monte de gente feliz</span></i></a><span style="font-weight: 400;">&#8221; </span></p>
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		<title>As realidades do 27º Festival É Tudo Verdade</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Apr 2022 19:28:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Está aberta a temporada de festivais na cobertura do Persona. Entre os dias 31 de março e 10 de abril, a realização do 27º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade inaugurou o ano para as nossas aventuras cinematográficas. Depois de um 2021 marcado pelo Cinema das mulheres, da cidade maravilhosa, das experimentações e fantasias, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As realidades do 27º Festival É Tudo Verdade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27364" aria-describedby="caption-attachment-27364" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27364 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade.jpg" alt="Arte retangular horizontal de fundo azul com estrelas azul claro. Lê-se o texto: “as realidades do 27º Festival É Tudo Verdade It’s All True”. Foi adicionado o olho do Persona no canto inferior direito, com a íris em azul claro." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/capawordpressetudoverdade-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27364" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">Entre os dias 31 de março e 10 de abril, o Persona acompanhou o 27º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade </span></i>(Foto: Reprodução/Arte: Ana Júlia Trevisan/Texto de abertura: Raquel Dutra)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Está aberta a temporada de festivais na cobertura do Persona. Entre os dias 31 de março e 10 de abril, a realização do <strong>27º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade</strong> inaugurou o ano para as nossas aventuras cinematográficas. Depois de um 2021 marcado pelo Cinema das </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-6a-mostra-de-cinema-feminista/"><span style="font-weight: 400;">mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">cidade maravilhosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, das </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-5o-festival-ecra/"><span style="font-weight: 400;">experimentações</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-fantaspoa-xvii/"><span style="font-weight: 400;">fantasias</span></a><span style="font-weight: 400;">, 2022 se inicia com a única coisa da qual não podemos fugir: a realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas na verdade, o espectro contemplado pelo maior festival de documentários do mundo era muito desejado para integrar o horizonte das nossas experiências. Dessa vez, o anseio se tornou possível graças ao formato de realização do </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/home/"><span style="font-weight: 400;">É Tudo Verdade</span></a><span style="font-weight: 400;">, que aconteceu de forma totalmente gratuita e híbrida, sendo presencialmente nos cinemas das capitais de São Paulo e Rio de Janeiro, e virtualmente através da plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> do festival e das dos parceiros Itaú Cultural Play e Sesc Digital. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A seleção é tão vasta quanto o tema que a define: 70 filmes, que entre curtas, médias e longas-metragens, se dividiram nas mostras competitivas e nas demais categorias de exibição (Foco Latino-Americano, Sessões Especiais, O Estado das Coisas, Clássicos É Tudo Verdade). Trazendo o Cinema documental realizado em mais de 30 países, o alcance do É Tudo Verdade é reconhecido pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-cerimonia-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Academia de Artes e Ciências Cinematográficas</span></a><span style="font-weight: 400;">, de forma a classificar diretamente os filmes vencedores dos prêmios dos júris nas Competições Brasileiras e Internacionais de Longas/Médias e de Curtas Metragens para apreciação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> do ano que vem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À distância, o Persona selecionou 25 títulos a fim de compreender a seleção de 2022, que elegeu como os homenageados da vez </span><a href="https://www.mulheresdocinemabrasileiro.com.br/site/mulheres/visualiza/421/Ana-Carolina/4"><span style="font-weight: 400;">Ana Carolina</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.itaucinemas.com.br/pag/o-cinema-de-ugo-giorgetti"><span style="font-weight: 400;">Ugo Giorgetti</span></a><span style="font-weight: 400;">, dois dos nomes mais importantes do Cinema de não-ficção brasileiro. As obras de abertura propuseram uma reflexão sobre o passado, presente e futuro da Sétima Arte, enquanto o encerramento do festival ficou na responsabilidade de um dos premiados pelo público e pelo júri da edição mais recente do Festival de Sundance.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A curadoria do <strong>Persona</strong> conferiu todos eles, além das </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/pag/vencedores2022"><span style="font-weight: 400;">obras vencedoras</span></a><span style="font-weight: 400;"> e demais títulos que chamaram a atenção de <strong>Bruno Andrade, Enrico Souto, Raquel Dutra </strong>e<strong> Vitor Evangelista</strong>. O resultado dessa aventura você pode conferir abaixo, e em meio a experiências milagrosas, figuras históricas, lutas urgentes e muitas reflexões filosóficas, vale o aviso: não se esqueça que </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/documentario/"><i><span style="font-weight: 400;">é tudo verdade</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-27363"></span></p>
<h3><b>Curtas-metragens</b></h3>
<figure id="attachment_27365" aria-describedby="caption-attachment-27365" style="width: 880px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27365" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep.jpg" alt="Cena do curta Ali e sua Ovelha Milagrosa. A cena mostra uma multidão caminhando e na linha de frente está um garoto com manto verde ao redor do corpo, guiando uma cadeira de rodas preta com uma ovelha sentada. " width="880" height="474" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep.jpg 880w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep-800x431.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ali-and-his-miracle-sheep-768x414.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27365" class="wp-caption-text">Santa ovelhinha (Foto: 7th Heaven Films)</figcaption></figure>
<p><b>Ali e sua Ovelha Milagrosa (Ali and His Miracle Sheep, Maythem Ridha, Reino Unido/Iraque, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Reconhecido como Menção Honrosa na disputa dos Curtas, o trabalho de Maythem Ridha é tão místico que ameaça cruzar a tênue linha entre o real e o imaginário por uma porção de vezes. A história é simples (e dolorosa): depois de perder o pai em um assassinato do Estado Islâmico, o jovem Ali parou de falar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agora, seguindo os dogmas religiosos, ele se junta ao irmão numa longa caminhada a fim de sacrificar sua ovelha e molhar seu sangue como oferenda pela morte do familiar. Por mais que o diretor conte tintin por tintin da trama na abertura da sessão, </span><a href="https://7thheavenstudios.com/ali-and-his-miracle-sheep"><i><span style="font-weight: 400;">Ali e sua Ovelha Milagrosa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> consegue surpreender no campo visual, construindo imagens tão fortes quanto seu tema demanda. Ao fim do dia, e dessa extensa peregrinação, não resta nada além do grito nos pulmões e do licor vermelho sendo drenado pela areia. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27366" aria-describedby="caption-attachment-27366" style="width: 910px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27366" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina.jpg" alt="Cena do filme A Ordem Reina. A imagem é em preto e branco e tem textura granulada. Através dela, podemos ver um monumento de cimento arredondado com uma torre, que está ao centro. No canto esquerdo, existem outros dois monumentos, também de cimento, que imitam o desenho de duas mãos de punhos fechados." width="910" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina.jpg 910w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-ordem-reina-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27366" class="wp-caption-text">A cineasta paulista Fernanda Pessoa tem vasta experiência no Cinema documental e nos festivais do gênero pelo mundo, sendo A Ordem Reina o seu 6º filme recém-finalizado (Foto: Fernanda Pessoa)</figcaption></figure>
<p><b>A Ordem Reina (Fernanda Pessoa, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É sobre as palavras sagradas de Rosa Luxemburgo que </span><a href="https://pessoafernanda.com/"><span style="font-weight: 400;">Fernanda Pessoa</span></a><span style="font-weight: 400;"> fundamenta a reflexão do seu filme. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ordem Reina</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cineasta paulista propõe reflexões acerca do sonho revolucionário de superação do capitalismo a partir de uma viagem anacrônica por sete países que experienciaram revoluções no século 20, orientada pela sabedoria da filósofa e economista alemã, que dedicou as últimas expressões de sua vida para manter acesa a promessa de transformação tão perseguida pelo mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, às imagens registradas em 8mm com tratamento e finalização digitais, a diretora adiciona uma narração em </span><i><span style="font-weight: 400;">off</span></i><span style="font-weight: 400;"> do texto </span><a href="https://www.esquerdadiario.com.br/Rosa-Luxemburgo-A-Ordem-Reina-em-Berlim"><i><span style="font-weight: 400;">A</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Ordem Reina em Berlim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Datado de janeiro de 1919, onde Rosa Luxemburgo reflete sobre as causas e consequências da atuação trágica dos socialistas na Revolução Alemã, que junto do encerramento da participação do país na Primeira Guerra Mundial, também colocou fim na sua vida e na de alguns de seus companheiros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com esse plano de fundo, Fernanda Pessoa e o espectador de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ordem Reina</span></i><span style="font-weight: 400;"> não têm dúvidas sobre as crenças do filme. Se nem </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2019/01/15/cem-anos-sem-rosa-luxemburgo-uma-vida-pela-revolucao"><span style="font-weight: 400;">Rosa Luxemburgo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu leito de morte se rendeu ao sentimento imperativo de ordem e desistiu de acreditar na revolução, a cineasta faz valer os versos finais do texto através de seu olhar atento para a aparente comodidade da sociedade que analisa: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não reparastes que a vossa &#8220;ordem&#8221; está a alçar-se sobre a areia. A revolução alçará-se amanhã com a sua vitória e o terror pintará-se nos vossos rostos ao ouvir-lhe anunciar com todas as suas trombetas: era, sou e serei!”</span></i> <b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27367" aria-describedby="caption-attachment-27367" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27367 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862.jpg" alt="Cena do filme Cadê Heleny. A imagem é um recorte de um filme animado quadro a quadro a partir de materiais têxteis. A imagem mostra uma sala de jantar numa perspectiva horizontal, que se coloca atrás da personagem Heleny. Ela está no canto direito da imagem, desfocada, olhando para a frente. Existe uma mesa redonda, decorada com uma toalha e flores, e cadeiras ao redor. Na parede do lado direito, existe uma janela coberta por uma cortina, e na parede da frente, existe um móvel com fotos em porta retrato e um relógio pendurado." width="1920" height="998" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-800x416.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1024x532.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-768x399.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1536x798.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/cade-heleny-e1649961030862-1200x624.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27367" class="wp-caption-text">Menção honrosa na Competição Brasileira de Curtas, o filme de Esther Vital conta a história de Heleny Guariba e inova a forma de representar as necessárias lembranças da Ditadura Militar brasileira (Foto: Apto 122)</figcaption></figure>
<p><b>Cadê Heleny? (Esther Vital, Brasil/Espanha, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde 1971, a professora, dramaturga e militante </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/heleny-telles-ferreira-guariba/"><span style="font-weight: 400;">Heleny Guariba</span></a><span style="font-weight: 400;"> é tida como desaparecida política da Ditadura Militar brasileira. Importante nome na história da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), a organização que atuava na luta armada contra o regime, ela foi presa e torturada pela primeira vez em 1970, sendo alvo de uma perseguição que durou até o próximo ano, que efetivamente lhe impôs o silêncio através da violência e ameaças aos seus companheiros de luta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante de mais uma história sobre o custo que alguns de nós tiveram que assumir para superar o regime ditatorial e os horrores cometidos por quem (des)governava o Brasil entre os anos de 1964 e 1985, Esther Vital escolhe muito bem os seus caminhos para apresentar a narrativa em seu filme. Longe da linguagem documental tradicional, concreta e direta, </span><a href="https://cadeheleny.com/construcao-de-personagem/"><i><span style="font-weight: 400;">Cadê Heleny?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> trabalha com uma animação em </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> e concepção artística inspirada nas </span><a href="http://memorialdaresistenciasp.org.br/exposicoes/arpilleras/#:~:text=Arpillera%20%C3%A9%20uma%20t%C3%A9cnica%20t%C3%AAxtil,tornaram%20tamb%C3%A9m%20meio%20de%20express%C3%A3o."><i><span style="font-weight: 400;">arpilleras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, arte têxtil popular que surgiu nas periferias de Santiago, no Chile, e se transformou numa poderosa forma de resistência política das mulheres opositoras a Ditadura de Augusto Pinochet.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, com sua própria identidade estética, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cadê Heleny?</span></i><span style="font-weight: 400;"> torna sua narrativa um tanto mais acessível e significativa, mas não por isso menos forte ou verdadeira. Sem medo de encarar e retratar os momentos mais sombrios de Guariba nas mãos da Ditadura, não à toa o documentário recebeu uma menção honrosa na Competição Brasileira de Curta-Metragem: ao mesmo tempo em que honra a memória valente da militante, </span><a href="https://www.itaucultural.org.br/curta-metragem-em-stop-motion-resgata-a-memoria-de-heleny-guariba"><span style="font-weight: 400;">Esther Vital</span></a><span style="font-weight: 400;"> inova a compreensão de uma das necessidades mais pungentes do </span><a href="https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2022/03/31/bolsonaro-obras-ditadura-militar.htm"><span style="font-weight: 400;">Brasil de 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27368" aria-describedby="caption-attachment-27368" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27368" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber.jpg" alt="Fotografia em preto e branco do cineasta Glauber Rocha. Mostra o cineasta segurando rolos do filme “Cabeças Cortadas”, enquanto olha fixamente para a câmera. Ele é um homem branco, possui cabelos pretos, levemente encaracolados, e veste um terno de cor cinza." width="1200" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-800x427.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-1024x546.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/carta-para-glauber-768x410.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27368" class="wp-caption-text">Ao longo dos 12 minutos de Carta Para Glauber, acompanhamos a leitura de Catarina Dahl da carta enviado por seu pai, Gustavo, a Glauber Rocha dias após o Golpe Militar no Brasil (Foto: Gregory Baltz)</figcaption></figure>
<p><b>Carta Para Glauber (Gregory Baltz, Brasil, 2021)</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TgMzAdbvi34&amp;feature=emb_imp_woyt&amp;ab_channel=festivaletudoverdade"><i><span style="font-weight: 400;">Carta Para Glauber</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um curta-metragem ensaístico, elaborado através da leitura da carta que o cineasta e crítico de cinema Gustavo Dahl enviou para Glauber Rocha, em 1964, quando ele estava no Festival de Cannes promovendo </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2014/07/Ha-50-anos-Deus-e-o-Diabo-na-Terra-do-Sol-mudava-a-historia-do-cinema-brasileiro-4549960.html"><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo na Terra do Sol</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (que foi indicado à Palma de Ouro naquele ano). No curta, a narração da carta fica a cargo de Catarina Dahl, filha de Gustavo, e vem acompanhada de trechos dos filmes de Glauber Rocha e do próprio Gustavo Dahl, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Barravento </span></i><span style="font-weight: 400;">(1962), </span><i><span style="font-weight: 400;">Terra em Transe </span></i><span style="font-weight: 400;">(1967) e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Bravo Guerreiro </span></i><span style="font-weight: 400;">(1969). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A graça desse formato de ensaio – muito bem explorado pelo diretor Gregory Baltz – é a composição de um cenário particular, pois as cenas dos filmes norteiam os pensamentos que sucedem a leitura da carta. Todavia, o texto cru, por si só, é bastante emblemático, e foi enviado ao cineasta baiano dias após ter ocorrido o Golpe Militar no Brasil. Na </span><a href="https://correio.ims.com.br/carta/barbarizou-barbarizou/"><span style="font-weight: 400;">carta</span></a><span style="font-weight: 400;">, Dahl reconhece similaridades entre o discurso denunciado por Glauber em </span><i><span style="font-weight: 400;">Deus e o Diabo</span></i><span style="font-weight: 400;">… e a voz autoritária da Ditadura que havia começado no país, evidenciando a urgência que sua obra representava ao mesmo tempo em que denunciava certos padrões que levaram ao regime autoritário. Dahl também aponta para a forma genial como a subversão de Glauber Rocha esteve ligada com sua Arte, na qual manteve-se alegorias imagéticas em prol de um objetivo em si mesmo: a liberdade, genuína, de expressão. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27369" aria-describedby="caption-attachment-27369" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27369" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year.jpg" alt="Cena do curta Como Se Mede um Ano?, a cena mostra uma criança branca olhando nos olhos de seu pai, um homem adulto branco e de cabelos pretos, e abrindo as mãos, mostrando os 10 dedos." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/how-do-you-measure-a-year-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27369" class="wp-caption-text">Boyhood, seu legado vive! (Foto: Jay Rosenblatt Films)</figcaption></figure>
<p><b>Como Se Mede um Ano? (How Do You Measure a Year?, Jay Rosenblatt, EUA, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pouco tempo depois de ser indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">por seu trabalho em </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">When We Were Bullies</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (curta também presente no É Tudo Verdade), o diretor Jay Rosenblatt retorna com uma visão muito mais pessoal do mundo. Longe da agressão que povoava o filme anterior, o norte-americano decide editar um projeto que realizou por quase dezoito anos. Desde que soprou duas velhinhas, a filha do cineasta foi colocada frente às câmeras e indagada a respeito da vida, da família e do futuro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem qualquer vídeo de apresentação do realizador, </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt15026956/"><i><span style="font-weight: 400;">Como Se Mede um Ano?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> venceu a competição de Curtas, muito provavelmente pela sensibilidade do tema e pela entrega no processo. Resgatando o título da música </span><i><span style="font-weight: 400;">Seasons of Love</span></i><span style="font-weight: 400;">, popular entre os amantes de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hj7LRuusFqo"><i><span style="font-weight: 400;">Rent</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8OTglgfKdMo"><i><span style="font-weight: 400;">The Office</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o projeto de meia-hora é emocionante pelas memórias de quem assiste, refletidas em tela nas figuras de pai e filha, envelhecendo, evoluindo, tendo ciência do valor do tempo. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista </b></p>
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<figure id="attachment_27370" aria-describedby="caption-attachment-27370" style="width: 1625px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27370 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934.jpg" alt="Cena do filme Duke Ellington em Isfahan. A imagem, em preto e branco, mostra dois homens negros em um concerto. Enquanto um segura uma partitura com as duas mãos, o outro encara o papel enquanto toca um saxofone. Sobreposta a cena, de forma esvanecida, também está a imagem de uma mandala marrom." width="1625" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934.jpg 1625w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-800x525.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1024x672.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-768x504.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1536x1009.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-duke-ellington-e1649961308934-1200x788.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27370" class="wp-caption-text">Cria de uma potente vanguarda contemporânea, há pouco de cinema iraniano no curta de Ehsan Khoshbakht (Foto: Ehsan Khoshbakht)</figcaption></figure>
<p><b>Duke Ellington em Isfahan (Duke Ellington in Isfahan, Ehsan Khoshbakht, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><a href="https://iffr.com/en/persons/ehsan-khoshbakht"><span style="font-weight: 400;">Ehsan Khoshbakht</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um cineasta do Irã estabelecido em Londres. E então, quando ele decide investigar a trajetória de uma das figuras mais importantes para a história do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, não poderia ser outro recorte. O título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duke Ellington em Isfahan</span></i><span style="font-weight: 400;"> é autoexplicativo: o curta documental conta a história de uma das composições mais icônicas do pianista, concebida durante sua turnê ao Oriente Médio em 1963, financiada pelos Estados Unidos durante plena </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2022/02/era-jim-crow-as-leis-que-promoviam-a-segregacao-racial-nos-estados-unidos/"><span style="font-weight: 400;">segregação racial</span></a><span style="font-weight: 400;">, como propaganda política em um momento que o mundo questionava o tratamento do país à população negra</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas aqui, política não passa de um plano de fundo. A Música é só o que importa. O documentário, formado por arquivos de imagens e vídeos antigos interpolados por entrevistas com especialistas, perpassa pelas inspirações de Ellington na música e arquitetura da cidade iraniana. No entanto, peca em ultrapassar uma barreira que, na realidade, parece nem identificar. Com um material de ouro em mãos, Ehsan entrega uma obra pouco consciente e pouco inspirada. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27372" aria-describedby="caption-attachment-27372" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27372" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1.jpg" alt="Cena do curta Meio Ano-Luz, mostra um homem branco sentado à rua, com um caderno em mãos, desenhando. Atrás dele, a parede é cor de creme e tem uma pichação azul. " width="1920" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/meio-ano-luz-1-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27372" class="wp-caption-text">Som e imagem se desencontram em total harmonia (Foto: Leonardo Mouramateus)</figcaption></figure>
<p><b>Meio Ano-Luz (Leonardo Mouramateus, Brasil/Portugal, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na imagem, vemos uma movimentada viela de Lisboa, onde um jovem se senta à sarjeta e passa a desenhar os transeuntes. No áudio, acompanhamos a conversa entre dois namorados, debatendo a melhor maneira de devolver uma carteira encontrada na rua e seus planos para o que farão depois do agora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme de Leonardo Mouramateus, que se estende para além dos 19 minutos, a experiência de interligar duas percepções é catalisadora de uma ideia bem executada. Mais um exemplo do </span><a href="https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2019/11/26/criticos-elegem-os-20-melhores-filmes-cearenses-da-decada-veja.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Cinema de excelência realizado no Ceará</span></a><span style="font-weight: 400;">, o curta-metragem </span><i><span style="font-weight: 400;">Meio Ano-Luz </span></i><span style="font-weight: 400;">expande seus debates de um simples bem material até discussões sobre a vida, o universo e tudo mais. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27373" aria-describedby="caption-attachment-27373" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27373" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice.png" alt="Cena do curta Voz Virtual, mostra uma boneca de máscara de pano tendo a temperatura medida na testa." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/virtual-voice-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27373" class="wp-caption-text">Ao lado de seu alter ego em miniatura chamado Suzi, a diretora Suzannah Mirghani realiza um manifesto caseiro contra a hipocrisia (Foto: Doha Film Institute)</figcaption></figure>
<p><b>Voz Virtual (Virtual Voice, Suzannah Mirghani, Catar/Sudão, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na breve apresentação que antecedeu a sessão de </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt14507046/"><i><span style="font-weight: 400;">Voz Virtual</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Suzannah Mirghani, a diretora sudanesa-russa que vive no Catar, não escondeu o caráter de seu curta. Realizados no período da pandemia e do isolamento social, os menos de dez minutos se concentram em uma personagem central imóvel que, na febre da excitação pandêmica, busca se impor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É um </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/49659-Virtual-Voice"><span style="font-weight: 400;">Cinema denúncia irônico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ciente das feridas que salga, acompanhado por um roteiro ritmado que cadencia o discurso sinestésico, envolvente e extremamente detalhado. Numa eventual revisita à </span><i><span style="font-weight: 400;">Voz Virtual</span></i><span style="font-weight: 400;">, é bem provável que importantes referências sejam descobertas, provando a acidez calculada de Mirghani. E agora, Suzi? Quando a bateria se esgota, acaba o sonho também? </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<h3>Longas-metragens</h3>
<figure id="attachment_27374" aria-describedby="caption-attachment-27374" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27374" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking.jpg" alt="Cena do filme A História do Olhar, mostra o diretor Mark Cousins deitado na cama sem camisa. Ele é um homem branco, tem tatuagens nos braços e leva a mão direita à testa, olhando para o teto. " width="900" height="506" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-story-of-looking-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27374" class="wp-caption-text">O mundo é estilhaçado sob a visão de Mark Cousins (Foto: BofA Productions)</figcaption></figure>
<p><b>A História do Olhar (The Story of Looking, Mark Cousins, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diretamente de sua casa em Edimburgo, capital da Escócia, o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/mark-cousins-no-e-tudo-verdade-parte-de-cirurgia-no-olho-para-decifrar-o-cinema.shtml"><span style="font-weight: 400;">cineasta Mark Cousins</span></a><span style="font-weight: 400;"> saúda o público do Festival É Tudo Verdade. Despojado, ele revela que a premissa de seu novo filme, chamado </span><i><span style="font-weight: 400;">A História do Olhar</span></i><span style="font-weight: 400;">, surgiu quando foi diagnosticado com catarata em um dos olhos e escreveu um livro a respeito das múltiplas análises da visão. Ele filma o rosto iluminado por um céu claro e mostra o enorme roteiro, que daria origem ao longa-metragem que em breve começaria. A quebra de expectativas, além da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ki392mx6qiQ"><span style="font-weight: 400;">presença extra-campo do documentarista</span></a><span style="font-weight: 400;">, vem por meio de sua partilha: deitado na cama, ele pretende viajar pelo mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado, registrado em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dtkxzxehF5o"><span style="font-weight: 400;">uma hora e meia de filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, é formado pelos mais diversos devaneios. Seja por uma frase marcante do músico Ray Charles, ou pelas mensagens recebidas em uma rede social em tempo real, Cousins faz o Cinema partir da própria íris, diante do medo de perder o bem que tanto ama. Por isso, quando faz a escolha de mostrar em detalhes a cirurgia que corrige o problema na vista, o diretor quer que seu público desempenhe o papel máximo de </span><i><span style="font-weight: 400;">voyeur</span></i><span style="font-weight: 400;">. Do mundo (pela ótica do </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">, de filmes e quadros que aprecia e imagens de arquivo), ele se volta ao próprio corpo, esculpindo a nudez como forma de ser. Os olhos captam boa parte das </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/sep/16/the-story-of-looking-review-mark-cousins-rhapsody-of-the-gaze"><span style="font-weight: 400;">belas composições do universo</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas sem eles, o cosmos pode ser até maior do que ameaça. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27375" aria-describedby="caption-attachment-27375" style="width: 1961px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27375" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema.png" alt="Cena do filme A História do Cinema, de Mark Cousins. A imagem mostra uma pessoa de costas, vestindo roupas inteiramente pretas, e observando várias pequenas telas que estão à sua frente. A pessoa e essas telas estão na calçada de uma rua bastante movimentada, e ao fundo podemos ver prédios e outdoors com publicidades sendo transmitidas. " width="1961" height="1103" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema.png 1961w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/historia-do-cinema-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27375" class="wp-caption-text">Com 160 minutos de duração, A História do Cinema nos brinda com análises criteriosas feitas por Mark Cousins, e ao mesmo tempo mostra como novas vozes vem ganhando espaço (Foto: Hopscotch Films)</figcaption></figure>
<p><b>A História do Cinema: Uma Nova Geração (</b><b>The Story of Film: a New Generation, Mark Cousins, Reino Unido, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No futuro, quais serão os filmes da nossa geração que irão figurar na lista de Clássicos? É possível que longas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Frozen</span></i><span style="font-weight: 400;"> sejam vistos nessa lista? Afinal, foi um fenômeno da nossa época. Essas são algumas das perguntas que norteiam </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/03/mark-cousins-no-e-tudo-verdade-parte-de-cirurgia-no-olho-para-decifrar-o-cinema.shtml?origin=folha"><i><span style="font-weight: 400;">A História do Cinema: Uma Nova Geração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do britânico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7Z0lkiiHKVQ&amp;ab_channel=festivaletudoverdade"><span style="font-weight: 400;">Mark Cousins</span></a><span style="font-weight: 400;">, documentário que abriu o Festival É Tudo Verdade no Rio de Janeiro. Talvez motivado por sua formação em História, Cousins decide traçar um diagnóstico do chamado “Novo Cinema”, e aborda filmes recentes ao redor do mundo com olhar cauteloso, apontando suas características cinematográficas mais marcantes e distintas. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2019), de Bong Joon-Ho, é um dos longas que já nasceram clássicos, e resgata muitas outras referências antigas em seu desenvolvimento, mas de uma forma extremamente original, de modo a quebrar qualquer tipo de expectativa. Além disso, o que o faz interessante? Um dos pontos enxergados por Cousins é sua urgência narrativa, pois o filme sul-coreano retrata sonhos capitalistas que foram despedaçados, mas se encerra justamente com um sonho capitalista, visto que o protagonista Ki-woo (Choi Woo-shik) pretende ficar rico para comprar a casa e, enfim, libertar seu pai (mas, de certa forma, também sua família). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme também põe em análise </span><i><span style="font-weight: 400;">Frozen </span></i><span style="font-weight: 400;">(2014) e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Coringa </span></i><span style="font-weight: 400;">(2019) de Joaquin Phoenix. Cousins contrapõe dois trechos icônicos de cada filme: primeiro, a famosa cena da rainha Elsa cantando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3TkIR4U4seA"><i><span style="font-weight: 400;">Livre Estou</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seguido pela cena do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=goj0bS1-Thc&amp;ab_channel=SCENEFLIX"><span style="font-weight: 400;">Coringa dançando</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas escadarias do Bronx, em Nova York. Ambas têm em comum um sonho de liberdade, e, como argumenta o cineasta, não parece ser por acaso que, em um mundo totalmente conectado e globalizado, cenas como essa viralizam e atingem um clímax cinematográfico, pois tudo o que idealizamos são momentos de liberdade verdadeira e irrestrita. </span><i><span style="font-weight: 400;">A História do Cinema</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona como um belo diagnóstico dos caminhos do Cinema contemporâneo, mas, pela tangente, acaba analisando a sensação de estar vivo atualmente, e enxerga ausências que, às vezes, conseguem ser preenchidas através da Arte. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27376" aria-describedby="caption-attachment-27376" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27376" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem.jpg" alt="Cena do filme Belchior - Apenas um Coração Selvagem, de Camilo Cavalcanti e Natália Dias. A imagem mostra o cantor Belchior encostado em um muro de contrato de cor cinza, que contém uma pichação com os escritos “Sonhar eternamente”. Belchior é um homem branco, possui cabelos volumosos de em cor preta, bigode de cor preto, e veste uma camiseta listrada nas cores branco, azul e preto, e uma calça jeans azul clara" width="2560" height="1692" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-800x529.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1024x677.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-768x508.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1536x1015.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-2048x1354.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/apenas-um-coracao-selvagem-1200x793.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27376" class="wp-caption-text">Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem explora as opiniões artísticas do cantor cearense, deixando em aberto qualquer conclusão (Foto: Clariô Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem (Camilo Cavalcanti e Natália Dias, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estreando no Festival É Tudo Verdade, </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/04/07/belchior---apenas-um-coracao-selvagem-e-tudo-verdade.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Belchior &#8211; Apenas um Coração Selvagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um retrato interminável sobre um dos maiores expoentes da Música brasileira. Apesar de suas letras reveladoras e poéticas – e de seu charme de malandro trovador –, Belchior foi um dos mistérios da MPB até o fim de sua vida, quando faleceu em Santa Cruz do Sul, em 2017. Mas não espere encontrar respostas sobre a vida do músico no documentário, e a graça do filme reside justamente na ausência de respostas – ou, melhor, nas únicas respostas dadas pelo próprio Belchior. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma bastante acertada, Camilo Cavalcanti e Natália Dias não entrevistam pessoas ou geram ainda mais dúvidas sobre a vida e obra do cantor cearense, pois trata-se de um filme feito a partir de colagens de diversas entrevistas e apresentações ao vivo do cantor ao longo de sua vida, contando ainda com trechos raros e muito ricos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/40-anos-sem-elis-regina-20-anos-carreira-maria-rita/"><span style="font-weight: 400;">Elis Regina</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentando versões das músicas de Belchior. Em alguns trechos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Apenas um Coração Selvagem</span></i><span style="font-weight: 400;">, o ator </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/cristina-padiglione/2022/03/silvero-pereira-interpreta-cancoes-de-belchior-em-filme-sobre-o-musico.shtml"><span style="font-weight: 400;">Silvero Pereira</span></a><span style="font-weight: 400;"> surge em uma espécie de intervenção, recitando e interpretando letras das músicas do cantor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> O longa busca analisar a visão artística do cantor, e foca muito mais na relação distinta que ele mantinha com a poesia; aparentemente, seu estado permanente de viver, pois, como ele mesmo diz, </span><i><span style="font-weight: 400;">“a esperança do paraíso marca o nordeste”</span></i><span style="font-weight: 400;">, e, segundo ele, até mesmo a ligação religiosa que atravessou sua vida (quando foi frade) foi uma maneira de se conectar com o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2022/04/05/belchior-diz-quase-tudo-em-filme-que-da-pistas-do-caminho-seguido-pelo-coracao-selvagem-do-artista.ghtml"><span style="font-weight: 400;">sublime</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27377" aria-describedby="caption-attachment-27377" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27377" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida.jpeg" alt="Cena do filme Eneida, mostra a personagem titular pensativa, iluminada pelas luzes do trânsito à noite, olhando pela janela do carro. Ela é uma mulher branca, idosa, de cabelos claros e unhas vermelhas." width="1024" height="528" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida-800x413.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/eneida-768x396.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27377" class="wp-caption-text">Em Eneida, a vida cruel faz boa arte (Foto: Heloísa Passos)</figcaption></figure>
<p><b>Eneida (Heloísa Passos, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido pela curitibana </span><a href="https://abcine.org.br/site/entrevista-heloisa-passos-abc/#:~:text=Como%20diretora%2C%20realizei%20v%C3%A1rios%20curtas,e%20na%20frente%20da%20c%C3%A2mera."><span style="font-weight: 400;">Heloísa Passos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Eneida </span></i><span style="font-weight: 400;">leva o nome e a história de sua mãe. Mas não se trata de uma biografia comum, que fique claro. Aqui, conhecemos Eneida numa viagem, o eventual estopim para os dramas da uma hora e vinte que se seguem. Afastada da filha mais velha, que não vê há quase 25 anos, </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/50031-Eneida"><span style="font-weight: 400;">a senhora faz de tudo</span></a><span style="font-weight: 400;"> para retomar a conexão e resolver problemas do passado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Capturado com voracidade e simpatia por Passos, o núcleo emotivo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Eneida </span></i><span style="font-weight: 400;">é formado por uma sucessão de </span><a href="https://escotilha.com.br/cinema-tv/central-de-cinema/filme-eneida-heloisa-passos-e-tudo-verdade-resenha-critica/"><span style="font-weight: 400;">encontros, conversas, barganhas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Abalada mas nunca quebradiça, a senhora octogenária que ilumina a tela com seu sorriso e carisma não deixa a vida parar pela tristeza: ela rememora o ontem, papeia com a neta, joga vôlei com as amigas, chora e se alegra. Provando que os </span><a href="https://aodisseia.com/eneida-critica-e-tudo-verdade-2022/"><span style="font-weight: 400;">temores da realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> formam boa liga para a excelência da Arte, o documentário de Heloísa Passos é brutal e singelo em medidas equilibradas. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista </b></p>
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<figure id="attachment_27378" aria-describedby="caption-attachment-27378" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27378" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk.png" alt="Cena do filme JFK Revisitado: Através do Espelho, do diretor Oliver Stone. A fotografia colorida mostra o então presidente John Kennedy em um carro aberto de cor preta, ao lado da sua esposa, Jacqueline Kennedy. Eles estão desfilando momentos antes do presidente Kennedy ser assassinado. John está com o braço direito apoiado no carro, olhando para a população. Ele é um homem branco de cabelos loiros, e veste um terno de cor preta. Jacqueline é uma mulher branca de cabelos castanhos, veste chapéu e vestido de cor rosa. Ambos estão sorrindo." width="1400" height="1050" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-800x600.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1536x1152.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/jfk-1200x900.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27378" class="wp-caption-text">Em JFK Revisitado, o premiado diretor Oliver Stone retoma seu filme de 1991 para analisar novos documentos sobre o assassinato de John Kennedy (Foto: Ingenious Media)</figcaption></figure>
<p><b>JFK Revisitado: Através do Espelho (JFK Revisited: Through the Looking Glass, Oliver Stone, Estados Unidos, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns cineastas costumam lançar versões estendidas de suas obras – as “versões sem cortes” –, outros lançam continuações, mas poucos decidem fazer o que Oliver Stone fez: atualizar um de seus filmes mais famosos. </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/04/jfk-revisitado-de-oliver-stone-e-cansativo-mas-muito-necessario.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">JFK Revisitado: Através do Espelho</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se propõe, como seu título sugere, a atualizar o longa de 1991, </span><i><span style="font-weight: 400;">JFK: A Pergunta Que Não Quer Calar </span></i><span style="font-weight: 400;">– concebido inicialmente como uma minissérie em quatro capítulos –, depois que novos documentos sobre o assassinato do ex-presidente estadunidense John F. Kennedy deixaram de ser sigilosos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com 118 minutos de duração, o documentário se arrasta e não apresenta grandes motivos para receber uma atualização. Em algumas cenas, tudo soa como as infindáveis reportagens a respeito do assunto – ou como uma versão mais lenta de seu filme anterior –, mas nenhuma novidade é de fato apresentada. Justamente pelo tema já ter sido abordado por </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-07-13/oliver-stone-desmonta-a-versao-oficial-do-assassinato-de-jfk-com-novos-documentos.html"><span style="font-weight: 400;">Oliver Stone</span></a><span style="font-weight: 400;"> anteriormente, nem mesmo sua própria voz artística como diretor é capaz de dar uma nova roupagem aos documentos explorados, pois isso já foi feito em 1991. Talvez o ponto mais interessante de </span><i><span style="font-weight: 400;">JFK Revisitado</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja a ideia de que outros assassinatos acontecem mundo afora em decorrência da morte de Kennedy, mas, como Stone adora fazer, soa como uma verdade absoluta que tem sido tratada historicamente como teoria conspiratória, e acaba se perdendo em suas próprias referências. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27379" aria-describedby="caption-attachment-27379" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27379" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates.jpg" alt="Cena do filme Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente, que mostra uma mulher branca, idosa, de cabelos encaracolados e usando óculos, falando enquanto olha para frente. O fundo escuro está desfocado e a imagem é colorida." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-joyce-carol-oates-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27379" class="wp-caption-text">Stig Björkman, diretor do longa, é amigo pessoal de Joyce Carol Oates e pediu para que pudesse produzir um documentário a seu respeito por anos, até que ela cedesse às câmeras (Foto: Mantaray Film)</figcaption></figure>
<p><b>Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente (Joyce Carol Oates: A Body in the Service of Mind, Stig Björkman, Suécia, 2021)</b></p>
<p><a href="https://darkside.blog.br/conheca-joyce-carol-oates-das-escritoras-produtivas-atualidade/"><span style="font-weight: 400;">Joyce Carol Oates</span></a><span style="font-weight: 400;"> não parou de escrever desde que publicou o seu primeiro livro em 1963. Algo que enxergava já na infância, através de sua identificação com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-viagem-de-chihiro-viagem-todos-nos/"><span style="font-weight: 400;">viagem de Alice</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao País das Maravilhas, a escritora viu na leitura – e mais tarde em seus próprios livros – um refúgio do mundo exterior. É capaz que ela escreva por 10 horas ininterruptas, e ainda coloque a culpa no gato, que não saía de seu colo. A imagem constante do lado de fora de sua casa, as luzes de seu escritório ligadas e todos os outros cômodos vazios, sintetiza a desconexão de Joyce com a realidade, a partir do momento que ela mergulha na escrita de seus romances.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso entra em conflito direto com sua trajetória literária, marcada por livros </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/06/09/books/review/joyce-carol-oates-night-sleep-death-stars.html"><span style="font-weight: 400;">politicamente engajados</span></a><span style="font-weight: 400;"> e obras que comentam fenômenos sociais efervescentes de sua época. Mas é que o diretor Stig Björkman, do documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Joyce Carol Oates: Um Corpo a Serviço da Mente</span></i><span style="font-weight: 400;">, levanta essas contradições com muita sensibilidade e ternura, não só desconstruindo, como também humanizando a figura intocada de uma das autoras mais relevantes da Literatura americana. É uma pena que, pela sua abordagem exacerbadamente vasta, muitos temas se percam e sejam diluídos em meio ao prolífico e riquíssimo contato íntimo em que somos postos com Joyce. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27380" aria-describedby="caption-attachment-27380" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27380" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-scaled.jpg" alt="Cena do filme Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo. Na fotografia colorida, o diretor Robert B. Weide está andando à beira do mar com o escritor Kurt Vonnegut. Ambos são homens brancos. Weide está à esquerda, e possui barba e cabelos pretos, veste um sobretudo bege e está com as duas mãos nos bolsos. Vonnegut está à direita, e possui cabelos grisalhos e bigode branco, também veste um sobretudo bege e está com as mãos nos bolsos." width="2560" height="1820" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-800x569.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1024x728.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-768x546.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1536x1092.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-2048x1456.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/kurt-vonnegut-1200x853.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27380" class="wp-caption-text">Dirigido por Robert B. Weide e Don Argott, Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo é um registro histórico de um dos maiores escritores da história (Foto: IFC Films)</figcaption></figure>
<p><b>Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo (Kurt Vonnegut: Unstuck in Time, Robert B. Weide e Don Argott, EUA, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Construído ao longo dos anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut: Desprendido no Tempo </span></i><span style="font-weight: 400;">é o registro de um dos maiores escritores da última década. </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/Livros/noticia/2020/11/4-livros-essenciais-para-conhecer-obra-e-historia-de-kurt-vonnegut.html"><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut</span></a><span style="font-weight: 400;"> se transformou em uma voz geracional, e ajudou a moldar a mente dos jovens inconformados com a Guerra no Vietnã – ele próprio lutou na Segunda Guerra Mundial, onde foi feito prisioneiro em Dresden pelas tropas alemãs, cujas experiências deram origem ao livro </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/livro/877/"><i><span style="font-weight: 400;">Matadouro-Cinco</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1969) – e com as opressões do governo estadunidense. Como em uma obra ficcional pitoresca de Vonnegut, a distância que geralmente separa o diretor do fato narrado é quebrada no filme, transformando Robert B. Weide em um personagem dessa história. Como ele revela, Vonnegut foi uma de suas inspirações e fixações literárias na juventude, além de um amigo sincero. Weide aproximou-se do escritor com a ideia de gravar o documentário, e ficou décadas junto a ele, que faleceu em 2007. Mais de dez anos depois de sua morte, recebemos o resultado das milhares de gravações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das principais características literárias do autor é o uso da ironia e de um tipo de humor muito peculiar nos escritos. Bob Weide e Don Argott tentam manter isso na forma do documentário, embora em alguns momentos os relatos pessoais de Weide excedam demasiadamente o foco em Vonnegut. Ao mesmo tempo, o filme de 126 minutos vai fundo nas origens do mito literário, cuja história se assemelha à ficcional trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Forrest Gump</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1994). Tendo nascido em 1922 e falecido no início do século, o escritor estadunidense vivenciou grandes momentos históricos, e sempre os retratou através de sua voz original. Ao término de </span><i><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut</span></i><span style="font-weight: 400;">, sentimos que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PbunvLdbWxA&amp;ab_channel=IFCFilms"><span style="font-weight: 400;">Robert B. Weide</span></a><span style="font-weight: 400;"> criou um arco narrativo para lidar com o próprio luto, vivenciado não apenas pela perda do herói literário, mas também de um amigo. “</span><i><span style="font-weight: 400;">God bless you, Robert Weide”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_27381" aria-describedby="caption-attachment-27381" style="width: 2074px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27381" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny.jpg" alt=" Cena do filme Navalny, em que um homem branco, de meia idade, cabelos curtos e escuros, vestindo um terno, apoia suas mãos e cotovelos sobre a bancada de um bar. O estabelecimento está vazio. No balcão, vê-se somente um copo de água. O homem olha diretamente para a câmera, com a cabeça ligeiramente baixa e uma das sobrancelhas levantadas." width="2074" height="1167" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny.jpg 2074w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/foto-navalny-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27381" class="wp-caption-text">Antes de chegar ao Festival É Tudo Verdade, Navalny foi destaque na edição deste ano do Festival Sundance de Cinema, onde foi premiado nas categorias de Documentário Americano e Favorito do Festival (Foto: Fishbowl Films)</figcaption></figure>
<p><b>Navalny (Idem, Daniel Roher, EUA, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 20 de agosto de 2020, Alexei Navalny, principal opositor ao atual governo russo de Putin, foi </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-54024050"><span style="font-weight: 400;">envenenado</span></a><span style="font-weight: 400;"> em um voo de Tomsk para Moscou. O ativista sobreviveu ao ocorrido, cujo principal suspeito, para a opinião pública, era o próprio presidente do país. </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Daniel Roher, acompanha metodicamente os passos de Alexei durante esse árduo período, figurando às câmeras a extensa investigação – que ele conduziu por conta própria – em busca dos responsáveis pelo atentado, e a sua admirável bravura de, mesmo após ser vítima de tamanha barbaridade, </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/02/02/alexei-navalny-e-condenado-a-prisao.ghtml"><span style="font-weight: 400;">retornar ao seu país</span></a><span style="font-weight: 400;"> para lutar pela democracia e dignidade do povo russo. Admirável bravura? Será mesmo?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma sensação agridoce permeando todos os 98 minutos do documentário que é difícil de ignorar. Roher rotula </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;"> como um </span><i><span style="font-weight: 400;">‘thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">documental’, e, de fato, ele se mune de inúmeras estratégias narrativas para construir sua história. Então, se a produção quer te passar tristeza, indignação, raiva, ele o fará da maneira mais exagerada e artificial possível. A trilha sonora derivativa, o foco constante em rostos chorosos, as imagens em preto-e-branco retiradas de jornais, acompanhadas por uma narração canastrona; é uma quantidade de escolhas tão batidas que não apenas obstruem a mensagem passada, como também romantizam a figura deste homem, que está longe de ser </span><a href="https://www.wort.lu/pt/mundo/alexei-navalny-nacionalista-xen-fobo-ou-liberal-pr-ocidente-601a85b2de135b9236be9766"><span style="font-weight: 400;">incontestável</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo que Navalny é considerado defensor dos direitos humanos e um exemplo na luta contra o </span><a href="https://www.esquerda.net/dossier/repressao-corrupcao-e-apoio-extrema-direita-o-reinado-de-putin-visto-pelo-esquerdanet/79955"><span style="font-weight: 400;">imperialismo russo</span></a><span style="font-weight: 400;">, suas principais pautas são a corrupção e degradação do sistema político, </span><a href="https://theintercept.com/2021/08/03/corrupcao-como-lava-jato-ainda-ajuda-bolsonaro/"><span style="font-weight: 400;">muito comuns</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre expoentes da extrema-direita. Um admirador ferrenho dos Estados Unidos, que iniciou sua trajetória política apoiado em discursos reacionários, nacionalistas e racistas – algumas falas que, inclusive, ele </span><a href="https://www.theguardian.com/world/2017/apr/29/alexei-navalny-on-putins-russia-all-autocratic-regimes-come-to-an-end"><span style="font-weight: 400;">ainda reivindica</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i><span style="font-weight: 400;">, ao invés de esconder essa faceta do espectador, faz pior. Quando Alexei diz que dialogaria tranquilamente com um nazista e vangloria-se de sua capacidade de &#8216;</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/02/paises-impoem-diferentes-limites-entre-apologia-do-nazismo-e-liberdade-de-expressao.shtml"><span style="font-weight: 400;">dialogar</span></a><span style="font-weight: 400;">&#8216; com os ‘dois lados’, Roher comete a atrocidade de relativizar a fala, intercalando-a com mais um retrato heróico e imaculado. Quando sobem os créditos e cessa a tortura, apenas resta um pensamento: esse filme só poderia ser americano. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27382" aria-describedby="caption-attachment-27382" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27382" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys.jpg" alt="Cena do documentário Os Caras do Estreito, mostra 5 homens segurando uma bandeira em uma linha de trem. Está de dia e o redor é verde e arborizado, a bandeira é branca com círculo azul e triângulos amarelos. " width="2000" height="1126" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/the-strait-guys-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27382" class="wp-caption-text">O filme tem direção de Rick Minnich e roteiro assinado por ele ao lado de Matt Sweetwood (Foto: Torero Film)</figcaption></figure>
<p><b>Os Caras do Estreito (The Strait Guys, Rick Minnich, Alemanha/Finlândia/Canadá, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Os Caras do Estreito</span></i><span style="font-weight: 400;">, o diretor Rick Minnich quer fazer sua presença ser notada. Abrindo com uma explicação das intenções e particularidades de sua própria obra, o americano residente de Berlim conta que o projeto está localizado em um lugar próximo do coração, afinal, é uma encruzilhada que dura anos e anos. No documentário, acompanhamos um engenheiro idoso que tenta a todo custo colocar em prática o plano da construção de um túnel, a </span><a href="https://www.intercontinentalrailway.com/"><span style="font-weight: 400;">InterContinental Railway</span></a><span style="font-weight: 400;">, que conecte Alaska e Rússia. É um </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/49437-The-Strait-Guys"><span style="font-weight: 400;">sonho febril</span></a><span style="font-weight: 400;">, mesmo para a época em que foi desenhado pela primeira vez, quando Abraham Lincoln ainda respirava. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com as Guerras Mundiais e o embate soviético e norte-americano que as sucederam, o plano parecia cada vez mais pender para a ficção. Milhares de dólares são gastos, reuniões são agendadas e realizadas, viagens são marcadas e discursos, dados. No fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Caras do Estreito</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem tara em documentar o fracasso, em capturar homens brancos, bem-afortunados e mesquinhos tendo seus prazeres mais latentes negados. O passado é contrariado, mas a </span><a href="https://jcconcursos.com.br/noticia/brasil/guerra-na-ucrania-ja-causou-danos-de-100-bilhoes-de-dolares-entenda-92670"><span style="font-weight: 400;">invasão russa na Ucrânia</span></a><span style="font-weight: 400;"> é apenas mais um indicativo que a nação pouco se interessa em conectar suas terras às dos Estados Unidos. Agora, só falta alguém contar isso para a galera que realizou esse filme. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_27383" aria-describedby="caption-attachment-27383" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27383" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto.jpg" alt="Cena em preto-e-branco do filme Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro, em que um homem negro, vestindo um terno e chapéu, olha para frente com atenção. Logo atrás dele, vê-se outros dois homens. Um deles manuseia uma câmera de filmagem antiga, e o outro, mais ao fundo, observa os dois." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/oscar-micheaux-foto-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27383" class="wp-caption-text">O documentário é composto por diversos trechos de diferentes obras de Oscar Micheaux, servindo também como uma ótima apresentação do cineasta a novos públicos (Foto: Quoiat Films)</figcaption></figure>
<p><b>Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro (Oscar Micheaux: The Superhero of Black Fimmaking, Francesco Zippel, Itália, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte da seleção do Festival de Cannes de 2021, </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar Micheaux: O Super-Herói do Cinema Negro</span></i><span style="font-weight: 400;"> parte de uma tendência particular. Em um período como o que vivemos, em que </span><a href="https://personaunesp.com.br/watchmen-hbo-critica/"><span style="font-weight: 400;">obras ficcionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a </span><a href="https://personaunesp.com.br/lovecraft-country-critica/"><span style="font-weight: 400;">Televisão</span></a><span style="font-weight: 400;"> trouxeram à luz partes da história dos Estados Unidos que haviam sido apagadas na vida real, e documentários como </span><a href="https://personaunesp.com.br/summer-of-soul-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são reconhecidos por todas as premiações possíveis, o diretor Francesco Zippel dá atenção à carreira do </span><a href="https://www.memoriascinematograficas.com.br/2018/11/oscar-micheaux-o-primeiro-cineasta-negro.html"><span style="font-weight: 400;">primeiro cineasta negro</span></a><span style="font-weight: 400;"> das Américas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comparações com </span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><span style="font-weight: 400;">Spike Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Sam Pollard são constantes, entretanto, elas nunca têm o intuito de desmerecê-lo. Na verdade, o ponto é exatamente demonstrar como Micheaux influenciou as convenções do Cinema negro desde a sua base, mesmo que por vezes a indústria tenha o desmerecido ou encoberto seu legado. De </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-metodo-kominsky-3a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Morgan Freeman</span></a><span style="font-weight: 400;"> a Chuck D., diversas figuras importantes para a cultura negra dão sua contribuição e visão a respeito da obra do diretor, formando praticamente uma catarse e celebração coletiva à herança deixada por Micheaux.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Zippel mergulha nos aspectos mais intrigantes dos filmes de Micheaux, que construiu sua carreira no cinema mudo dos anos 20, quando filmes como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Nascimento de uma Nação</span></i> <a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151230_kkk_aniversario_tg"><span style="font-weight: 400;">ferviam o ódio racial</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos EUA. O papel dele nesse contexto foi pivotal, com sua cinematografia experimental e impetuosa, e suas narrativas disruptivas que, a partir de uma perspectiva subversiva, desafiavam tanto o racismo quanto as barreiras de linguagem da Sétima Arte. Lançado no 70º aniversário de Oscar Micheaux, Zippel o eterniza através de um documentário primordial e latente. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
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<figure id="attachment_27384" aria-describedby="caption-attachment-27384" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27384" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio.jpg" alt="Cena do filme O Território. A imagem mostra uma pessoa dirigindo uma moto vermelha ao centro. Ela atravessa uma mata por uma trilha e algumas árvores ao redor estão pegando fogo." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/o-territorio-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27384" class="wp-caption-text">“O território é uma ilha de floresta cercada de fazendas” (Foto: National Geographic)</figcaption></figure>
<p><b>O Território (The Territory, Alex Pritz, Brasil/Dinamarca/Estados Unidos, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme de Alex Pritz era uma das </span><a href="https://agenciacenarium.com.br/coproduzido-por-indigenas-de-ro-filme-sobre-defesa-de-territorios-ganha-1a-exibicao-no-brasil-cinema-lotado-e-com-fila-de-espera/"><span style="font-weight: 400;">obras mais esperadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da seleção de 2022 do É Tudo Verdade. Vindo do Festival de Sundance, onde foi agraciado com o Prêmio do Público e com o Prêmio Especial do Júri e adquirido para a distribuição poderosa do </span><i><span style="font-weight: 400;">National Geographic</span></i><span style="font-weight: 400;">, o filme encontrou salas de cinema lotadas em São Paulo e o lugar de honra como obra de encerramento da 27ª edição do maior festival de Cinema documental do mundo. E depois de finalmente apreciá-lo, é entendido que nenhum aspecto dessa aclamação toda é em vão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O principal motivo, talvez, seja pela capacidade de compreensão do fato que deve estar no horizonte de quem se propõe a registrar a realidade: o debate ambiental e indígena passou de um mero assunto dentre tantos outros que acompanham a existência humana no mundo para ser agora uma questão de sobrevivência. Com essa consciência, o diretor se estabeleceu na Amazônia da tribo </span><a href="http://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/conflito/ro-terra-indigena-uru-eu-wau-wau-sofre-invasoes-desde-1980/"><span style="font-weight: 400;">Uru-eu-wau-wau</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os anos de 2018 e 2021, a fim de aproximar o espectador do conflito local, que se revela também, como todo bom brasileiro de 2022 já deve saber, como o embate de outras centenas de povos indígenas do país: a disputa por território e demarcação de terras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, as belas paisagens da fotografia que Alex Pritz divide com Tangãi Uru-eu-wau-wau (em apenas uma das instâncias do filme cujo crédito também vai para a tribo que o protagoniza) não relevam em momento algum a gravidade do debate de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Território</span></i><span style="font-weight: 400;">, que toma parte também das associações de agricultores e fazendeiros (a outra parte do embate pela terra), ambientalistas e lideranças indígenas. Tudo como forma de divulgar para o mundo uma das </span><a href="https://www.socioambiental.org/pt-br/blog/blog-do-monitoramento/conflitos-deflagram-urgencia-na-desintrusao-de-invasores-em-terras-indigenas"><span style="font-weight: 400;">maiores urgências</span></a><span style="font-weight: 400;"> do país que abriga o seu pulmão. E se o filme está fazendo isso junto do povo que vive essa realidade e essa luta em carne e osso, pelo menos um território está sendo garantido. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27385" aria-describedby="caption-attachment-27385" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27385" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar.jpg" alt="Cena do filme Quando Falta o Ar. A imagem mostra uma cabana de madeira, onde existe uma janela no lado esquerdo. Através dela, podemos observar uma mãe com uma criança no colo. Ela está esticando sua mão para fora da janela, em direção ao lado direito da imagem, a fim de alcançar uma profissional de saúde. Ela está do outro lado da imagem, apoiado na porta da cabana, usando roupas brancas que a cobrem da cabeça aos pés. Na madeira da cabana, existem traços de lodo." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quando-falta-o-ar-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27385" class="wp-caption-text">Premiado na categoria dos longas brasileiros, Quando Falta o Ar encontra fôlego para falar sobre a pandemia de covid-19 no Brasil (Foto: Clementina Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Quando Falta o Ar (Ana Petta e Helena Petta, Brasil, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">2022 não teve como fugir: o assunto principal ainda é </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,quando-falta-ar-acompanha-a-linha-de-frente-do-sus-no-pior-momento-da-pandemia,70004028843"><span style="font-weight: 400;">a pandemia</span></a><span style="font-weight: 400;">, como pontuou o Festival É Tudo Verdade ao premiar </span><i><span style="font-weight: 400;">Quando Falta o Ar</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a honraria máxima da seção dos longas-metragens brasileiros. No filme de Anna e Helena Petta, conhecemos de perto a realidade da linha de frente no combate à covid-19, através do cotidiano dos profissionais do maior sistema de saúde público do mundo que se estabelece num país desgovernado em plena crise sanitária mundial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diferença do filme em questão para todos os outros que se propõe a retratar esse contexto e suas particularidades locais, no entanto, é a sensibilidade das diretoras para com as sutilezas do dia a dia que revelam interseção complexa entre saúde, religiosidade, desigualdade, classismo e racismo que fundamentam </span><a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/pandemia-e-desigualdade-social-a-defesa-dos-vulneraveis-no-sistema-de-justica-05102020"><span style="font-weight: 400;">o Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> que conhecemos. Para o período sufocante que se mostrou um dos mais difíceis da nossa história recente, o documentário encontra fôlego para processar o que tentamos superar desde março de 2020. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27386" aria-describedby="caption-attachment-27386" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27386" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo.jpg" alt="Cena do filme Quem Tem Medo?. A imagem mostra uma cena da peça de teatro “O Evangelho Segundo Jesus”. O fundo é escuro, e a imagem é iluminada apenas por uma fileira de velas que aparece do centro em direção ao lado direito da imagem. No lado esquerdo, existe uma mulher de cabelos longos ondulados da qual podemos ver apenas o corpo, coberto por um vestido brilhoso prateado. A mão direita dela está sobre um caixão branco, do qual aparece apenas um pedaço, no canto esquerdo da imagem." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/quem-tem-medo-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27386" class="wp-caption-text">Em imagens melancólicas e depoimentos amargos, Quem Tem Medo? busca interpretar a ascensão da extrema-direita no Brasil através da censura às artes (Foto: Multiverso)</figcaption></figure>
<p><b>Quem Tem Medo? (Ricardo Alves Jr., Dellani Lima e Henrique Zanoni, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas são as óticas para analisar a ascensão da extrema-direita no Brasil. Para Ricardo Alves Jr., Dellani Lima e Henrique Zanoni, a melhor delas é através da Arte. Desde 2017, as produções artísticas e demais manifestações culturais têm sido alvo de </span><a href="https://conexao.ufrj.br/2017/10/o-que-esta-por-tras-da-censura-a-arte-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">censura</span></a><span style="font-weight: 400;"> por parte das classes conservadoras do país, e quando Jair Bolsonaro assumiu a presidência em 2018, o movimento apenas se intensificou. Na trava do conflito entre a Arte e a Política, está a observação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Quem Tem Medo?</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para construir seu raciocínio, o documentário traz os testemunhos de diversos artistas que passaram se não por episódios diretos de censura, ameaças, repreensões, perseguições por seus trabalhos transgressores. Desviando do caminho incongruente de discutir os méritos das obras artísticas em si, o filme se dedica a procurar a raiz da repressão direitista, com a ajuda de registros documentais de algumas ações das instituições democráticas. Sem muito comprometimento com a obviedade das questões que levanta e com a amplitude de seu tema inicial, no entanto, a pergunta que fica é: </span><a href="https://jornal.usp.br/atualidades/censura-as-artes-nao-e-nova-na-historia-e-vai-alem-de-ditaduras/"><i><span style="font-weight: 400;">por que o medo?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27387" aria-describedby="caption-attachment-27387" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27387" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro.jpg" alt="Cena do documentário Retratos do Futuro. A imagem é em preto e branco e tem efeito granulado. A foto mostra um trecho de avenida em uma cidade suja e deserta. Existem escombros de madeira em toda a parte ao redor da rua. Ao centro, existe uma pessoa caminhando com equipamento de proteção sanitária, da qual pode-se enxergar apenas o contorno." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/retratos-do-futuro-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27387" class="wp-caption-text">Além de integrar a seleção do Festival É Tudo Verdade, a produção 100% independente de Retratos do Futuro também chegou ao Festival Internacional de Documentários de Amsterdam (IDFA) 2022 (Foto: Virna Molina)</figcaption></figure>
<p><b>Retratos do Futuro (Retratos del Futuro, Virna Molina, Argentina, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A realidade pode ser bem mais assustadora do que qualquer ficção, e </span><a href="https://vertentesdocinema.com/retratos-do-futuro/"><span style="font-weight: 400;">Virna Molina</span></a><span style="font-weight: 400;"> sabe bem disso. Em seu filme mais recente, a documentarista argentina teve de lidar com a mudança de planos que a pandemia de covid-19 impôs ao mundo, o que, na verdade, acabou significando de forma ainda mais profunda suas intenções com o documentário. Inicialmente, ela registrava a resistência das trabalhadoras de Buenos Aires, mas a propagação do (nem tão) novo coronavírus interrompeu as atividades do filme e a vida de algumas das suas protagonistas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, diante das circunstâncias postas em março de 2020, Molina viu o presente se concretizar a partir do que antes ela imaginava como uma espécie de futuro distópico. Tão abstrata quanto a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=23QfFgTjSC8"><span style="font-weight: 400;">reflexão filosófica</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ruma a obra denominada </span><i><span style="font-weight: 400;">Retratos do Futuro</span></i><span style="font-weight: 400;">, a leitura do filme passa a ser direcionada por uma digressão de Virna. Orientada por alguns registros prévios, outros pandêmicos, e muitos históricos, ela apresenta uma linguagem verbal e visual meticulosa para suas imagens em preto e branco, que concretiza um tom macabro e assustador ao filme. E por mais etéreas e sintéticas que as cenas possam parecer, tudo aquilo não passa nossa realidade. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27388" aria-describedby="caption-attachment-27388" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27388" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum.jpg" alt="Cena do filme Sinfonia de um Homem Comum. A imagem mostra um senhor branco de cabelos grisalhos sentado à frente de um piano. Ele está de perfil, virado para o lado esquerdo. Ele usa uma camisa azul clara e óculos marrom. O piano é preto e está numa sala. Ao fundo, em desfoque, existem móveis como cadeiras e quadros na parede. " width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sinfonia-de-um-homem-comum-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27388" class="wp-caption-text">Menção honrosa da competição de longas brasileiros, Sinfonia de um Homem Comum traz a participação dos exs-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula (Foto: Coevos Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Sinfonia de um Homem Comum (José Joffily, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um homem que de comum não tem nada tocando uma sinfonia que não é dele. Contrariando todas as expectativas que suscita, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sinfonia de um Homem Comum</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta a história de José Maurício Bustani, o brasileiro que foi o primeiro diretor geral da </span><a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/10/organizacao-para-proibicao-das-armas-quimicas-ganha-nobel-da-paz.html#:~:text=A%20Opaq%20(Organiza%C3%A7%C3%A3o%20para%20a,os%20arsenais%20qu%C3%ADmicos%20pelo%20mundo."><span style="font-weight: 400;">OPAQ</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Organização para a Proibição de Armas Químicas). Em uma gestão firme com o objetivo da instituição e imparcial diante das influências externas, o período de sua liderança foi iniciado em 1997 e encerrado em 2002, pela pressão dos Estados Unidos, quando às vésperas da guerra no Iraque, Bustani identificou a inconsistência para a </span><a href="https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/invasao-americana-no-iraque.htm"><span style="font-weight: 400;">invasão</span></a><span style="font-weight: 400;"> da potência norte-americana no país do Oriente Médio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É, a premissa do filme nada tem a ver com a música, e esse elemento segue desconectado do resto da narrativa até o fim. Sua única inclusão na narrativa é como a atividade que ocupa o tempo da aposentadoria de Bustani, que 19 anos depois do fim de sua carreira na instituição, vê as mesmas situações acontecendo nas mesmas instituições. Assim, a referência passa a ser mais subjetiva, já que assim como as peças musicais, a história e atuação da humanidade no mundo se repetem em alguns aspectos &#8211; e esse acaba sendo o triunfo do filme de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XbptlEYasno"><span style="font-weight: 400;">José Joffily</span></a><span style="font-weight: 400;">, que recebeu menção honrosa dentre os selecionados para a competição de longas nacionais do É Tudo Verdade 2022. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_27389" aria-describedby="caption-attachment-27389" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27389" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto.jpeg" alt="Cena do filme Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue, que mostra uma fotografia granulada em preto e branco de duas garotas. Uma permanece sentada e a outra se escora no corpo da outra menina, apoiando a cabeça com as mão direita." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ultravioleta-foto-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27389" class="wp-caption-text">Produzido em colaboração com sua mãe, Claudie Hunzinger, o filme de Robin Hunzinger recebeu uma menção honrosa do Festival É Tudo Verdade na categoria Longas ou Médias-Metragens da Competição Internacional (Foto: ANA Films)</figcaption></figure>
<p><b>Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue (Ultraviolette et le Gang des Cracheuses de Sang, Robin Hunzinger, França, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma sensibilidade pujante na forma com que Robin Hunzinger grava simples fotografias. Os pequenos fragmentos de recordações perdidas em que ele foca persistentemente – imagens retiradas de um cofre trancado a sete chaves – parecem dispersos, borrados, fora do nosso alcance, arrancados de um passado jamais revisitado. Porém, ironicamente, ao mesmo tempo que observá-las parece à primeira vista inapropriado, aqueles documentos e escritos carregam consigo um sentimento de novidade e refrescância estreitamente conectada à </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-sex-lives-of-college-girls-critica/"><span style="font-weight: 400;">experiência da adolescência</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O recorte íntimo e pessoal de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue</span></i><span style="font-weight: 400;"> é essencial. A narrativa do documentário gira em torno das cartas, fotografias e relatos da falecida avó de Robin, Emma, a respeito de um relacionamento que ela cultivou na juventude com uma garota chamada Michelle. O que pode parecer somente uma relação de companheirismo, não demora a revelar-se como um romance adolescente, com direito a todas as suas peculiaridades. No entanto, a conexão é posta em perigo no momento em que Michelle </span><a href="https://redetb.org.br/historia-da-tuberculose/"><span style="font-weight: 400;">contrai tuberculose</span></a><span style="font-weight: 400;"> e é submetida a um sanatório, quando as duas passam a se comunicar somente por cartas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A garota, então, decide abraçar sua condição e transformar isso, junto a outras, em uma bandeira. A personalidade de Michelle, mesmo que limitada por poucas fotos, ecoa com potência por todo o longa, e a presença das Cuspidoras de Sangue personifica a rebeldia e visceralidade inerentes à </span><a href="https://personaunesp.com.br/montero-lil-nas-x-critica/"><span style="font-weight: 400;">vivência</span></a><span style="font-weight: 400;"> de pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, dando rosto a essas dores – corporificadas por lembranças materiais. A fotografia minimalista e inventiva consegue costurar majestosamente os dois temas e, no seu papel como mero observador, o diretor conclui, ao fim, que são apenas memórias que nos restam. Afinal, o que fazer com elas? Hunzinger decidiu transformá-las em Arte. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27390" aria-describedby="caption-attachment-27390" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27390" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira.jpg" alt="Cena do filme Vento na Fronteira. A imagem mostra um protesto indígena no Palácio do Planalto, em Brasília. Existem muitas pessoas espalhadas pelo gramado do local e uma fumaça branca preenche a imagem de fora a fora. Ao centro, existe um indígena caminhando em direção ao lado direito da imagem, segurando uma lança e usando um cocar. No lado esquerdo, existe uma outra pessoa carregando um caixão preto." width="1536" height="811" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-1024x541.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-768x406.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/vento-na-fronteira-1200x634.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27390" class="wp-caption-text">O longa Vento na Fronteira é parte da seção O Estado das Coisas, que abarca obras com viés jornalístico e informativo (Foto: Laboratório Cisco)</figcaption></figure>
<p><b>Vento na Fronteira (Mariana Weis e Laura Faerman, Brasil, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a relação entre os povos indígenas com os produtores ruralistas gera um dos conflitos mais urgentes nas cinco regiões do nosso país, tudo se intensifica no lugar que abriga o coração do agronegócio brasileiro. Colocando suas câmeras na região da violenta fronteira do </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2021/10/entenda-onda-de-violencia-que-impoe-medo-na-fronteira-do-brasil-com-o-paraguai.shtml"><span style="font-weight: 400;">Brasil com o Paraguai</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mariana Weis e Laura Faerman capturam a dinâmica de crescimento e exercício de força da política ruralista, fortalecida pelo governo Jair Bolsonaro, ao mesmo tempo em que observam a insurgência das lideranças indígenas em sua luta pela terra, pelo seu povo e pela natureza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vento na Fronteira</span></i><span style="font-weight: 400;"> existe em meio aos extremos, mas a câmera próxima das diretoras, por sua vez, faz dessa característica um dos pontos altos do filme: adentrando desde os espaços íntimos de mobilização do povo </span><a href="https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Guarani_Kaiow%C3%A1"><span style="font-weight: 400;">Guarani-Kaiowá</span></a><span style="font-weight: 400;"> até as discussões estratégias dos grupos ruralistas, o documentário subverte uma linguagem que inicialmente poderia sugerir uma falsa neutralidade para destacar as intenções e interesses dos lados em disputa. Numa boa contemplação do óbvio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vento na Fronteira</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe de qual lado está. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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		<title>Todos os caminhos levam ao Beco do Pesadelo</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Mar 2022 16:44:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos Guillermo del Toro sempre teve uma predileção pelo inóspito e o bizarro. Conforme sua carreira foi amadurecendo, o diretor se viu cada vez mais confortável em meio às suas criações monstruosas com olhos nas mãos, chifres reluzentes e escamas pelo corpo, buscando reforçar que, no final das contas, o estranho pode ser um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-beco-do-pesadelo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Todos os caminhos levam ao Beco do Pesadelo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26631" aria-describedby="caption-attachment-26631" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26631" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1.jpeg" alt="Imagem retangular é uma cena de O Beco do Pesadelo. Centralizado e ao fundo da imagem está Bradley Cooper, um homem branco, adulto, de olhos claros, cabelos castanhos e médios e barba rala, que usa um terno marrom batido com um chapéu da mesma cor. Ele está dentro de um tubo que possui um padrão em espiral vermelho e branco. Ao redor do cano e nos cantos da imagem há uma parede forrada de olhos abertos com íris azuis claras." width="2048" height="1152" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26631" class="wp-caption-text">Com 4 indicações ao Oscar 2022, o novo filme de Guillermo del Toro é fascinante (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/guillermo-del-toro-6-filmes-iconicos-do-diretor-o-labirinto-do-fauno-forma-da-agua-e-mais-lista/"><span style="font-weight: 400;">Guillermo del Toro</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre teve uma predileção pelo inóspito e o bizarro. Conforme sua carreira foi amadurecendo, o diretor se viu cada vez mais confortável em meio às suas criações monstruosas com olhos nas mãos, chifres reluzentes e escamas pelo corpo, buscando reforçar que, no final das contas, o estranho pode ser um convite para uma vida fantástica. No entanto, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6mifhKKpHTI"><i><span style="font-weight: 400;">O Beco do Pesadelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sua nova empreitada, del Toro prende as </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/isabela-boscov/a-mudanca-notavel-dos-monstros-de-guillermo-del-toro-em-beco-do-pesadelo/"><span style="font-weight: 400;">criaturas</span></a><span style="font-weight: 400;"> no baú, fecha o livro de histórias mágicas e assume uma roupagem realista à sua maneira para provar, mais uma vez, que o ser humano é bem mais perigoso que o pior dos monstros.</span></p>
<p><span id="more-26630"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado no romance de mesmo nome escrito por </span><a href="https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2022/02/11/miseria-humana-move-livro-que-inspirou-o-beco-do-pesadelo-concorrente-ao-oscar-2022.ghtml"><span style="font-weight: 400;">William Lindsay Gresham</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1946 e inspirado pelo filme subsequente de Edmund Goulding lançado em 1947 – que, apesar de estampar o </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/o-beco-do-pesadelo-scorsese-elogia-filme-de-guillermo-del-toro-merece-nosso-apoio/"><i><span style="font-weight: 400;">Nightmare Alley</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">original, ganhou o título de </span><a href="https://www.denofgeek.com/movies/nightmare-alley-2021-vs-nightmare-alley-1947-what-are-differences/"><i><span style="font-weight: 400;">O Beco das Almas Perdidas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">no Brasil –, o longa repaginado do diretor mexicano é uma viagem suja e moralmente degradante pelos Estados Unidos dos anos 30. Com uma mistura heterogênea de personagens desesperados, quem encabeça a trama é Stanton Carlisle, um andarilho contido e misterioso que é acolhido por um circo itinerante e passa a se envolver com os segredos de seus artistas.</span></p>
<figure id="attachment_26632" aria-describedby="caption-attachment-26632" style="width: 2150px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26632" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2.jpg" alt="Imagem retangular é uma cena de O Beco do Pesadelo. Á esquerda, está Bradley Cooper, um homem branco, adulto, de olhos claros, cabelos castanhos e médios e barba rala, que usa um paletó listrado e está de frente para Rooney Mara, uma mulher branca, magra, jovem, de cabelos médios e pretos, que usa um robe preto com detalhes vermelhos e touca de renda dourada, enquanto está sentada e olhando para um livro. Eles estão em um espaço aberto, de frente para um trailer envelhecido e enferrujado com lâmpadas nas laterais. Está de dia. " width="2150" height="1191" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2.jpg 2150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-800x443.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-1024x567.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-768x425.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-1536x851.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-2048x1134.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-2-1200x665.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26632" class="wp-caption-text">A todo momento, O Beco do Pesadelo referencia Enoch, o feto de um olho só que assombra o espírito de Stan (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se nos primeiros momentos do </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> Carlisle é envolto em um silêncio ameaçador, logo passa a exalar um charme determinado a conquistar mais – mais dinheiro, mais amor, mais fama. Quem garante forma ao protagonista é </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/licorice-pizza-bradley-cooper-quase-desistiu-de-atuar-antes-de-participar-de-filme-entenda/"><span style="font-weight: 400;">Bradley Cooper</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, apesar de acumular atuações sem muito tempero na carreira, entrega uma alma intensamente perturbada ao </span><a href="https://revistacultnet.com.br/2020/12/18/o-genero-noir/"><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/tudo-que-ja-sabemos-sobre-o-live-action-do-pinoquio-da-disney-astro-de-stranger-things-diretor-de-hellboy-e-mais/"><span style="font-weight: 400;">Guillermo del Toro</span></a><span style="font-weight: 400;">, assumindo o fardo que uma vez pertenceu a Tyrone Power. Com uma </span><i><span style="font-weight: 400;">persona</span></i><span style="font-weight: 400;"> para cada fase de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Beco do Pesadelo</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/cinema-e-series/2022/01/bradley-cooper-revela-que-cogitou-se-aposentar-da-atuacao-durante-a-pandemia.shtml"><span style="font-weight: 400;">Cooper</span></a><span style="font-weight: 400;"> entende o que o trabalho exige e se adequa a uma narrativa própria de ascensão e queda, corrompido pela ganância e rumando assumidamente a sua derrocada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto Stan encontra seu bilhete premiado rumo ao estrelato em meio às lonas brancas e vermelhas encardidas, nós encontramos o melhor que o </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/01/o-beco-do-pesadelo-tem-elenco-rico-e-del-toro-de-volta-a-boa-forma.shtml"><span style="font-weight: 400;">comboio de coadjuvantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem a oferecer. Com </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-farol-the-lighthouse-critica/"><span style="font-weight: 400;">Willem Dafoe</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/unbelievable-critica/"><span style="font-weight: 400;">Toni Collette</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2022/jan/14/i-dont-think-we-should-talk-about-me-a-visit-to-david-strathairns-own-nightmare-alley"><span style="font-weight: 400;">David Strathairn</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/rooney-mara-e-escolhida-para-viver-audrey-hepburn-em-filme-biografico-conheca/"><span style="font-weight: 400;">Rooney Mara</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/ron-perlman-diz-que-enche-o-saco-de-guillermo-del-toro-para-fazer-hellboy-3/"><span style="font-weight: 400;">Ron Perlman</span></a><span style="font-weight: 400;">, parceiro de longa data do diretor, del Toro extrai uma profusão de talento para contar a sua história – seja por meio da inocência juvenil de Mara ou da crueldade de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=p-JvL9wBzAQ"><span style="font-weight: 400;">Dafoe e seu “selvagem”</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mesmo ultrapassando as duas horas de duração, o resultado final é hipnótico, como se o espectador fosse apenas uma parte da plateia de aflitos de Madame Zeena.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao migrar para a segunda metade do longa, Cooper se mantém firme como dono da narrativa, mas Rooney Mara tem dificuldades para ficar de pé em meio ao mar agitado de Chicago e seus novos personagens. Apagada, a atriz e sua Molly dividem o peso fantasmagórico da indiferença não só do marido, como também do roteiro de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-fD3nwdHikQ"><span style="font-weight: 400;">Guillermo del Toro e Kim Morgan</span></a><span style="font-weight: 400;">, que falha em dar uma personalidade minimamente chamativa para a mulher-elétrica. Como consequência, a garota é devorada pela trama niilista, rendendo poucos bons momentos e ficando ainda mais ofuscada com a chegada felina de </span><a href="https://cinebuzz.uol.com.br/noticias/cinema/cate-blanchett-revela-que-escuridao-atraiu-para-o-beco-do-pesadelo-de-guillermo-del-toro.phtml"><span style="font-weight: 400;">Cate Blanchett</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_26633" aria-describedby="caption-attachment-26633" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26633" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2.jpg" alt="A imagem retangular é uma cena de O Beco do Pesadelo. À direita da foto vemos Cate Blanchett de costas da cintura para cima. Ela é uma mulher branca, mais velha, magra, de cabelos médios e encaracolados e bem loiros, que usa um batom vermelho vibrante. À sua esquerda vemos dois espelhos mostrando feições preocupadas olhando de volta para a atriz. O cenário é um banheiro escuro com pouca iluminação do lado direito da foto." width="2000" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-1-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26633" class="wp-caption-text">Assim como Cate Blanchett, Mary Steenburgen também possui uma participação explosiva no thriller, porém de poucos minutos (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Interpretando a psiquiatra Lilith Ritter, a atriz veterana carrega nas mãos a perdição do ato final no melhor estilo </span><a href="https://www.planocritico.com/plano-historico-23-femme-fatale-um-arquetipo-noir/"><i><span style="font-weight: 400;">femme fatale</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que embalou o gênero dos anos 40. Sempre acompanhada de um facho certeiro de luz, Ritter auxilia na manipulação mediúnica de Carlisle, mas mantém seu jogo por debaixo dos panos durante toda a produção, estrelando seu próprio enredo secreto sem que nos demos conta. Blanchett, por si só, é um fenômeno à parte; a câmera a segue como uma amante reprimida, sempre receosa de se aproximar demais, mas nunca tirando o olho </span><a href="https://dmtalkies.com/nightmare-alley-ending-explained-2021-film-guillermo-del-toro/"><span style="font-weight: 400;">ciclópico</span></a><span style="font-weight: 400;"> de cada movimento que sua doutora performa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A elegância da personagem faz jus ao ritmo da Era de Ouro da vida de Stan, momentos antes da dupla de roteiristas adentrar na conclusão sombria de </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/2022/03/esta-na-netflix-onde-assistir-o-beco-do-pesadelo-indicado-a-4-oscars"><i><span style="font-weight: 400;">O Beco do Pesadelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Enquanto o longa de 1947, empastelado pelo </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/e-verdade-que-existia-censura-em-hollywood/"><span style="font-weight: 400;">Código Hays</span></a><span style="font-weight: 400;">, precisou se conter na violência e transmitir uma mensagem esperançosa antes dos créditos subirem, a regravação do diretor mexicano deixa claro que os tempos de censura há muito acabaram. Com a sublime participação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-forma-da-agua-poesia-resenha/"><span style="font-weight: 400;">Richard Jenkins</span></a><span style="font-weight: 400;">, o último ato do Grande Staton é banhado a sangue, ganância e corrupção. Já que, em seu 11º filme, Guillermo del Toro não pôde inserir demônios diretamente nas telas, ele deu um jeito de encontrá-los na alma atormentada de um médium picareta.</span></p>
<figure id="attachment_26634" aria-describedby="caption-attachment-26634" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26634" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4.jpeg" alt="A imagem retangular é uma cena de O Beco do Pesadelo. Na foto vemos Mark Povinelli centralizado à esquerda, um homem anão com cabelo preto em topete e um bigode grosso. Ao seu lado direito está Ron Perlman, um homem alto, mais gordo, com cabelos brancos e barba rala. Ambos estão olhando para o lado esquerdo com feições bravas e usam roupas de gladiadores. Eles estão dentro de um ringue que, por sua vez, está dentro de um circo cheio de cartazes e lonas coloridas." width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4.jpeg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-1024x682.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-1536x1024.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26634" class="wp-caption-text">Será que, nesse caso, podemos falar do Bruno? A dupla Ron Perlman e Mark Povinelli esbanja carisma em cena (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inundado pela inventividade artística de seu criador e da equipe de renome por trás das câmeras, não foi surpresa alguma se deparar com o título </span><i><span style="font-weight: 400;">Nightmare Alley </span></i><span style="font-weight: 400;">citado quatro vezes na lista de indicados ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. Olhando pela lente da Academia, o maior trunfo da produção está concentrado nas categorias técnicas, especialmente pelas mãos talentosas de </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/awards/story/2022-01-26/production-designer-tamara-deverell-creates-nightmare-alley"><span style="font-weight: 400;">Tamara Deverell e Shane Vieau</span></a><span style="font-weight: 400;">, responsáveis por agarrar com unhas e dentes a nomeação em Melhor </span><i><span style="font-weight: 400;">Design </span></i><span style="font-weight: 400;">de Produção. Claro que não poderia ser diferente, já que é difícil desviar a atenção do deslumbramento colossal que o </span><i><span style="font-weight: 400;">freak show</span></i><span style="font-weight: 400;"> criado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">designer </span></i><span style="font-weight: 400;">e o decorador causa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Funcional e hipnotizante, o </span><i><span style="font-weight: 400;">habitat</span></i><span style="font-weight: 400;"> das criaturas assombradas por vícios, sonhos e pela Grande Depressão é </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/noticias/609974/duna-beco-do-pesadelo-e-007-sem-tempo-para-morrer-sao-os-destaques-do-adg-awards-2022-premio-da-direcao-de-arte/"><span style="font-weight: 400;">o cenário perfeito</span></a><span style="font-weight: 400;"> para dar início a decadente trama visual que del Toro planejava contar </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/cinema-e-series/2022/02/guillermo-del-toro-diz-que-fugiu-dos-cliches-noir-em-o-beco-do-pesadelo.shtml"><span style="font-weight: 400;">há mais de trinta anos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em complemento, o jogo entre penumbras primorosas e cores vibrantes idealizado por </span><a href="https://aframe.oscars.org/lists/dan-laustsen-six-movies-that-influenced-my-cinematography"><span style="font-weight: 400;">Dan Laustsen</span></a><span style="font-weight: 400;"> também marcou presença na categoria de Melhor Fotografia. O circo de Deverell e Vieau é parceiro direto da cinematografia de Laustsen na criação da atmosfera suja de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Beco do Pesadelo</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, mesmo quando Stan e Molly passam a frequentar a alta sociedade americana, repleta de luxos e ostentações, a </span><a href="https://www.indiewire.com/influencers/guillermo-del-toro-cinematographer-dan-laustsen/"><span style="font-weight: 400;">força das sombras</span></a><span style="font-weight: 400;"> que rodeiam seus números é um lembrete constante da fragilidade daquela realidade.</span></p>
<figure id="attachment_26635" aria-describedby="caption-attachment-26635" style="width: 1320px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26635" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2.jpg" alt="A imagem retangular é um bastidor do filme O Beco do Pesadelo. Na imagem vemos três homens sentados conversando entre si com jaquetas e blusas todas de cor preta. À esquerda está Richard Jenkins, um homem branco, velho, de peruca, com cabelos brancos e barba cheia branca. Centralizado está Guillermo del Toro, um homem gordo, branco, com barba cheia, óculos e touca. Por fim, à direita está Bradley Cooper, um homem branco, adulto, de olhos claros, cabelos castanhos e médios e barba rala." width="1320" height="743" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2.jpg 1320w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26635" class="wp-caption-text">Em seu clímax, del Toro deixa pequenas referências visuais para os amantes do incompreendido A Colina Escarlate, longa de 2015 (Foto: Searchlight Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme também foi lembrado em Melhor Figurino, estampando o nome e o trabalho </span><i><span style="font-weight: 400;">vintage</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.slashfilm.com/720964/how-nightmare-alley-costume-designer-luis-sequeira-brought-vintage-fashion-back-to-life-interview/"><span style="font-weight: 400;">Luis Sequeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os indicados. Construindo sua estética lado a lado com a iluminação e o tom de cada cenário, Sequeira buscou representar com fidelidade os dois períodos de tempo diferentes da história, mas sem perder uma base moderna. Por fim, a obra garantiu a grande honraria de participar da seleta lista dos que concorrem a Melhor Filme. Dessa vez, o trio de produtores que pode subir ao palco da maior celebração do Cinema mundial é composto por Bradley Cooper, J. Miles Dale e </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-43247105"><span style="font-weight: 400;">Guillermo del Toro</span></a><span style="font-weight: 400;"> – os dois últimos tendo recebido a estatueta principal pouco mais de quatro anos atrás, pelo realismo fantástico de </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/05/cultura/1520290484_267038.html"><i><span style="font-weight: 400;">A Forma da Água</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dispensando histórias de amor épicas e submundos sobrenaturais, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Beco do Pesadelo</span></i><span style="font-weight: 400;"> encontra na degeneração humana o lugar-comum entre todos os seus caminhos, onde cada personagem funciona como um paciente terminal; sem salvação, condenado. Ao se enveredar pela reinvenção de uma trama antiga, </span><a href="https://www.rollingstone.com/movies/movie-features/guillermo-del-toro-nightmare-alley-interview-1265229/"><span style="font-weight: 400;">Guillermo del Toro</span></a><span style="font-weight: 400;"> se mantém fiel às suas próprias perversões, construindo um universo visualmente rico e espiritualmente pútrido para abarcar seus artistas circenses desesperançosos. E para nós, respeitável público, não há escolha senão aproveitar o espetáculo. Afinal, senhor, nascemos para isso.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Beco do Pesadelo | Trailer Oficial Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Y55AqcbXwSI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Wagner Moura faz de Marighella uma experiência coletiva</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Nov 2021 16:36:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista 52 anos se passaram desde que Carlos Marighella foi alvejado por tiros em uma emboscada, dentro de um carro na Alameda Casa Branca, em São Paulo. O momento, marcado para sempre nos livros de História como mais um dos massacres políticos e sociais da Ditadura Militar, agora é transposto às telas da ficção, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/marighella-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Wagner Moura faz de Marighella uma experiência coletiva"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24928" aria-describedby="caption-attachment-24928" style="width: 1086px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24928" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/um.jpg" alt="Cena do filme Marighella, mostra Seu Jorge, um homem negro e adulto, com o filho no colo, uma criança que usa camisa branca e se abraça ao pescoço do pai. A cena é de dia e ao fundo vemos árvores e carros." width="1086" height="652" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/um.jpg 1086w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/um-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/um-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/um-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24928" class="wp-caption-text">A coletiva de imprensa de Marighella ocorreu no Cine Marquise, na Avenida Paulista, à duas quadras de distância do local onde o Guerrilheiro foi assassinado em 1969 (Foto: O2 Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">52 anos se passaram desde que </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/11/04/marighella-historia-quem-foi.htm"><span style="font-weight: 400;">Carlos Marighella</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi alvejado por tiros em uma emboscada, dentro de um carro na Alameda Casa Branca, em São Paulo. O momento, marcado para sempre nos livros de História como mais um dos massacres políticos e sociais da Ditadura Militar, agora é transposto às telas da ficção, na dolorosa constatação de que o Brasil de 1969 dialoga com eloquência e pesar com o país de 2021. </span><i><span style="font-weight: 400;">Marighella</span></i><span style="font-weight: 400;">, cinebiografia do </span><a href="https://traduagindo.com/2021/05/08/entrevista-com-carlos-marighella/"><span style="font-weight: 400;">Guerrilheiro que Incendiou o Mundo</span></a><span style="font-weight: 400;">, aposta no Cinema de ação e revolta para, em meio ao banho de sangue e lágrimas, exprimir esperança.</span></p>
<p><span id="more-24927"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A árdua tarefa de transformar a vida e a morte de Carlos Marighella em Arte não é recente. Na verdade, a ideia surgiu em 2013, como revelou o diretor Wagner Moura no evento de pré-estreia que aconteceu em São Paulo, no Cine Marquise da Avenida Paulista, no fim de outubro. Quando entrou em contato com o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BsmGBsfrVEU"><span style="font-weight: 400;">livro de Mário Magalhães</span></a><span style="font-weight: 400;">, a decisão de ter alguém de esquerda e baiano no comando da produção pareceu uma combinação mágica para o ator, que sempre teve vontade de assumir o posto da direção, mas achou que o faria com uma obra menor, focada em poucos personagens e em uma história mais simples.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E simples não é nem de longe sinônimo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Marighella</span></i><span style="font-weight: 400;">. A publicação de Magalhães se estende por centenas e centenas de páginas, mas o recorte de Moura foi astuto o bastante para entender o recado. Ele queria, a princípio, devolver ao imaginário popular essa figura que foi amaldiçoada, e, fascinado por histórias de revolta, encontrou nesse filme o veículo ideal para unir o útil ao agradável. É certo que sua escolha inicial para viver o protagonista acabou não indo para frente e, após a saída de Mano Brown, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5Os1zJQALz8"><span style="font-weight: 400;">poeta lutador</span></a><span style="font-weight: 400;"> que não fazia concessões, chegou Seu Jorge.</span></p>
<figure id="attachment_24929" aria-describedby="caption-attachment-24929" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24929" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/dois.jpg" alt="Cena do filme Marighella, mostra o protagonista Seu Jorge usando terno e sentado, olhando para a frente com a cara fechada. Ele é um homem adulto, de pele negra e cabelos pretos." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/dois.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/dois-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/dois-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/dois-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/dois-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24929" class="wp-caption-text">O filme dilui os posicionamentos comunistas de Carlos Marighella, pintando uma imagem mais forte de patriota e nacionalista do militante (Foto: O2 Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Também presente na coletiva, o artista não poupou elogios ao trabalho do diretor e foi muito sincero na hora de colocar em palavras o que atuar em </span><i><span style="font-weight: 400;">Marighella </span></i><span style="font-weight: 400;">significava para sua própria jornada de reconexão com o Brasil, país pelo qual é apaixonado e se encontrava distante. Esse fogo de ardência é sentido em cada uma de suas preciosas e carregadas cenas. Quando banha seu filho Carlinhos no mar, numa construção que brinca com o </span><a href="https://personaunesp.com.br/moonlight-kendrick-lamar/"><span style="font-weight: 400;">batismo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Seu Jorge já anuncia que as próximas duas horas e quarenta serão constituídas de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=f8tXFV_bkPU"><span style="font-weight: 400;">fortes emoções</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história se divide em duas. Mesclando momentos em 1964, após a instauração do golpe apoiado pelos EUA, e em 1968, logo depois de Marighella cofundar a Ação Libertadora Nacional (ALN). Dessa forma, a direção de Moura, em conjunto ao roteiro escrito por ele e </span><a href="https://vimeo.com/225578736"><span style="font-weight: 400;">Felipe Braga</span></a><span style="font-weight: 400;">, se priva de perpassar cada momento da criação e amadurecimento do protagonista, dando fôlego e tempo de tela para os dilemas de um Marighella envelhecendo, além de manejar com destreza o desenvolvimento de alguns coadjuvantes. Em 64, Seu Jorge é eufórico e a preocupação de revolta floresce por seus expressivos olhos. A maior qualidade dessa atuação, entretanto, se reserva aos momentos de calmaria, quando o ator abaixa a guarda.</span></p>
<figure id="attachment_24930" aria-describedby="caption-attachment-24930" style="width: 1046px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24930" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/tres.jpg" alt="Cena do filme Marighella, mostra Seu Jorge em foco, de lado, e Humberto Carrão, branco e de barba preta. ao fundo desfocado." width="1046" height="638" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/tres.jpg 1046w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/tres-800x488.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/tres-1024x625.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/tres-768x468.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24930" class="wp-caption-text">Wagner Moura ilumina a figura da Religião e a importância dos freis dominicanos na luta contra a Ditadura Militar, ressaltando a coragem dos homens e a crueldade a que foram submetidos (Foto: O2 Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para viver um </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/10/seu-jorge-diz-que-ataques-a-marighella-sao-racistas-e-pais-nao-sabe-lidar-com-isso.shtml"><span style="font-weight: 400;">homem negro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de pele clara, a escalação de Seu Jorge causou um rebuliço na mídia, visto que o ator tem a pele retinta. Na exibição para a imprensa, Wagner Moura detalhou o processo de </span><i><span style="font-weight: 400;">casting</span></i><span style="font-weight: 400;"> e que o objetivo era</span><i><span style="font-weight: 400;"> “empretecer”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Marighella, neto de escravos sudaneses e filho de uma mãe nascida no ano da abolição. A </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/como-homem-negro-de-50-anos-tenho-questoes-diz-seu-jorge-interprete-de-marighella-pixinguinha-no-cinema-25255500"><span style="font-weight: 400;">questão racial</span></a><span style="font-weight: 400;"> era intrínseca à vivência e a luta do baiano, e enquanto a produção enfatiza esse ponto de tensão, ela acaba também diluindo outra de suas características de formação: o </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/carlos-marighella/"><span style="font-weight: 400;">comunismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Por mais que o roteiro deixe de escanteio os ideais do protagonista, quem conhece a História tem noção de sua posição marxista-leninista, e dos objetivos do combate à Ditadura Militar. Além da busca por igualdade e justiça, a ALN enxergava a necessidade da luta armada como caminho para a instalação de um governo popular revolucionário no Brasil. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No contraste, </span><a href="https://www.omelete.com.br/especiais/entrevista-bruno-gagliasso-marighella/"><span style="font-weight: 400;">Bruno Gagliasso</span></a><span style="font-weight: 400;"> encarna a escória do mundo na figura de Lúcio, policial que vai à caça dos militantes e guerrilheiros. O personagem, embora tenha outro nome, é a representação de </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-ditadura/delegado-fleury/"><span style="font-weight: 400;">Sérgio Fleury</span></a><span style="font-weight: 400;">, delegado responsável por arquitetar a morte de Marighella. Quando perguntado na coletiva de que maneira deu nuances ao mal absoluto, o global revelou a dificuldade de se preparar para o papel. Pai de crianças negras, ele interpreta um racista e fascista desmedido, raivoso e violento. Gagliasso não opta pelo óbvio quando vocifera cada uma das ofensas cuspidas em tela, ele abraça o lado político da empreitada, contornando sua atuação ao redor da denúncia e do imediatismo do </span><a href="https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2021/10/19/bolsonaro-nega-ter-culpa-pela-crise-ache-um-cara-melhor.htm"><span style="font-weight: 400;">Brasil de 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24931" aria-describedby="caption-attachment-24931" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24931" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/quatro.jpeg" alt="Cena noturna do filme Marighella, mostra vários homens com armas apontadas para um mesmo lugar, atirando." width="2560" height="1404" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/quatro.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/quatro-800x439.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/quatro-1024x562.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/quatro-768x421.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/quatro-1536x842.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/quatro-2048x1123.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/quatro-1200x658.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24931" class="wp-caption-text">Embora demore a mostrar em tela as torturas da Ditadura, quando o filme dedica uma longa sequência ao momento, ele não poupa o teor da brutalidade e da violência (Foto: O2 Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://noticias.uol.com.br/colunas/leonardo-sakamoto/2020/01/14/marighella-nao-e-caso-isolado-cultura-esta-sob-censura-diz-wagner-moura.htm"><span style="font-weight: 400;">censura</span></a><span style="font-weight: 400;"> que atingiu o filme não foi acaso do destino. Como efeito cascata, Wagner Moura insistiu em catalogar esse bolsão de caos político entre os anos 13 e 21, desde as </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2018/06/manifestacoes-de-junho-de-2013-completam-cinco-anos-o-que-mudou.html"><span style="font-weight: 400;">Manifestações de Junho</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/democracia-em-vertigem-critica/"><span style="font-weight: 400;">Golpe de 2016</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a eleição de Bolsonaro dois anos mais tarde, até chegar ao hoje, </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-04-16/inacao-e-desinformacao-do-governo-bolsonaro-agravam-a-pandemia-no-brasil.html"><span style="font-weight: 400;">pandêmico</span></a><span style="font-weight: 400;">, enclausurado, natimorto. Quando subiu ao poder, o presidente não demorou a </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/09/em-ofensiva-contra-ancine-bolsonaro-corta-43-de-fundo-do-audiovisual.shtml"><span style="font-weight: 400;">cortar verbas da Cultura</span></a><span style="font-weight: 400;">, e a Ancine, agência responsável pela retomada e pela frutífera colheita do </span><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-lirio-ferreira/"><span style="font-weight: 400;">Cinema nacional pós-anos 90</span></a><span style="font-weight: 400;">, acabou inerte, dormente, sangrando. </span><i><span style="font-weight: 400;">Marighella </span></i><span style="font-weight: 400;">estreou em 2019, no </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2019/02/15/wagner-moura-lanca-marighella-no-festival-de-berlim-e-posa-com-placa-de-marielle-franco.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Festival de Berlim</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas só pôde prestigiar uma exibição na terra que o concebeu dois anos depois.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A projeção no Cine Marquise foi a segunda coletiva do longa, depois daquela inaugural na </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2019/02/14/marighella-e-aplaudido-pelo-publico-em-1-exibicao-no-festival-de-berlim.htm"><span style="font-weight: 400;">Alemanha</span></a><span style="font-weight: 400;">. A produtora Andrea Barata Ribeiro foi enfática quando detalhou os percalços enfrentados pelo filme, desde pedidos negados pela Ancine (em um momento onde Bolsonaro enfatizava que </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/07/19/se-nao-puder-ter-filtro-nos-extinguiremos-a-ancine-diz-bolsonaro.ghtml"><span style="font-weight: 400;">filtraria o que achasse necessário</span></a><span style="font-weight: 400;">) até a dificuldade de entrar em cartaz. Ano passado, a ideia era um lançamento no Dia da Consciência Negra, que acabou não ocorrendo. Esse ano, eles conseguiram chegar em Novembro, mês simbólico para tudo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Marighella </span></i><span style="font-weight: 400;">significa. </span></p>
<figure id="attachment_24932" aria-describedby="caption-attachment-24932" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24932" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cinco.jpg" alt="Cena do filme Marighella, mostra Adriana Esteves sentada e olhando para a janela. Ela é branca, tem cabelos escuros e é iluminada pela luz do sol que entra pela janela." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-24932" class="wp-caption-text">Adriana Esteves teve o prazer de visitar a dona Clara da vida real e relatou que a presença de Marighella na residência da mulher é gigantesca: “a impressão é que ele vai tocar a campainha” (Foto: O2 Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de ser uma ficção que coloca lentes dramáticas na jornada dos guerrilheiros, </span><i><span style="font-weight: 400;">Marighella </span></i><span style="font-weight: 400;">precisava funcionar como filme. Por mais que nem todos os acontecimentos tenham de fato acontecido, Wagner Moura enfatiza que eles são plausíveis para aqueles personagens. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DCFttf8ZgfY"><span style="font-weight: 400;">Maria Marighella</span></a><span style="font-weight: 400;">, atriz e neta de Carlos, é quem simboliza na carne esse elo forte com a realidade. Ela interpreta sua própria avó Elza, a mãe de seu pai, e faz da pequena presença na rodagem um dos corações pulsantes da obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua contraparte, e espécie de irmã de alma, é Clara, personagem de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i33O69m4Ci0"><span style="font-weight: 400;">Adriana Esteves</span></a><span style="font-weight: 400;">, esposa de Marighella. A atriz, que assistiu ao longa pela primeira vez apenas dois dias antes da exibição na Avenida Paulista, tinha emoção no olhar quando ressaltou o poder do amor de um filme como esse, o poder de empatia e de esperança manufaturado pela visão do diretor. O exemplo mais claro fica perto da conclusão, quando depois de morto, Marighella tem sua foto exibida em uma redação de jornal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lá, Carlinhos e sua mãe se chocam com o terror da realidade. Na hora em que Moura parece que cortará para o preto e dará por encerrada a experiência de quase 3 horas, o diretor, então aliado à montagem de Lucas Gonzaga, nos transporta para a residência de Clara. Esteves, aflita e absorta, quase que sentindo o momento sem ao menos ter a confirmação do assassinato, abraça o espectador. Ela sofre, chora, se conecta à personagem de Maria Marighella sem a necessidade de compartilhar o espaço físico. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LQeqMMI1m9M"><span style="font-weight: 400;">força</span></a><span style="font-weight: 400;"> dessa decisão de Moura é sentida em segundo plano, correndo pelas beiradas. </span></p>
<figure id="attachment_24933" aria-describedby="caption-attachment-24933" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24933" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/seis.jpg" alt="Cena do filme Marighella, mostra de perfil o ator Bruno Gagliasso urinando na parede. Está de dia e a câmera mostra apenas seu rosto e ombros, mas seus olhos miram o chão. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/seis.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/seis-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/seis-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/seis-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/seis-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24933" class="wp-caption-text">No exercício de entregar o filme para as comunidades da qual Marighella fez parte, o longa teve exibições especiais na companhia da Coalizão Negra Por Direitos, além de uma pré-estreia na Bahia, terra natal do protagonista (Foto: O2 Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O contraste de gerações entre Marighella e os companheiros de luta pode parecer desencaixado à princípio, mas é uma deliberação proposital. Com a Arte acostumada a representar seus militantes jovens demais, o filme coloca esse homem de cinquenta anos para liderar uma galera que mal chegou aos trinta. O </span><a href="https://www.marxists.org/portugues/marighella/1969/manual/index.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Mini-Manual do Guerrilheiro Urbano</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1969), como bem relembra Maria Marighella em sua fala sobre a importância da juventude, dá “funções” a cada um dos grupos, dos artistas, aos estudantes e aos cidadãos “comuns”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Colocar em cena Seu Jorge ao lado de nomes como Humberto Carrão, Bella Camero e Jorge Paz serve para mostrar que essas pessoas tinham vidas, sonhos felizes, trabalhos ordinários e muito a perder. </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/humberto-carrao-nao-sei-jogar-jogo-das-celebridades-nem-quero-1-24209398"><span style="font-weight: 400;">Carrão</span></a><span style="font-weight: 400;">, escondido por uma barba espessa e uma camada de suor que o camufla em cena, vive pela euforia do grito e da rebelião. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HRGyhfZCXGU"><span style="font-weight: 400;">Camero</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem a sensatez aliada ao fogo da inquietação, e </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema/ator-da-periferia-do-df-supera-dificuldades-e-e-destaque-em-marighella"><span style="font-weight: 400;">Paz</span></a><span style="font-weight: 400;">, o coadjuvante mais importante do longa, cultiva o medo do amanhã pela família e a destreza do hoje pela verdade e pela justiça. Quando o filme poda cada uma de suas raízes, o sentimento de amargor é sinônimo de melancolia, mas nunca de derrota.</span></p>
<figure id="attachment_24934" aria-describedby="caption-attachment-24934" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24934" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/sete.jpg" alt="Cena do filme Marighella, mostra o ator Humberto Carrão com um jornal na mão e fumando na calçada. Ele é branco, tem barbas e cabelos volumosos e escuros e usa uma camisa estampada marrom com o botão de cima aberto." width="1200" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/sete.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/sete-800x445.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/sete-1024x569.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/sete-768x427.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24934" class="wp-caption-text">Embora tenha sido exibido ao mesmo tempo em que rolava a 45ª Mostra de SP, Wagner Moura disse que o filme “foi evitado” pela organização do Festival, que prezava por longas inéditos em sua programação (Foto: O2 Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A experiência coletiva que </span><i><span style="font-weight: 400;">Marighella </span></i><span style="font-weight: 400;">aflora mora no debate, na troca de ideias e na propagação do senso de luta. Não cabe apontar o que o filme “adaptou corretamente” a história ou julgar as liberdades tomadas pela Sétima Arte. Tendo como objetivo primário funcionar dentro do gênero da ficção, </span><i><span style="font-weight: 400;">Marighella </span></i><span style="font-weight: 400;">não pinta seu protagonista como herói demais, ou vilão de menos. Seu Jorge dá vida a um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fd8oX1u8gRA"><span style="font-weight: 400;">homem repleto de falhas e sonhos</span></a><span style="font-weight: 400;">, que encontrava na agitação e na manifestação a única maneira de pregar seus ideais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.instagram.com/p/CSSlAR6rKGT/"><span style="font-weight: 400;">Cinema no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">, como em qualquer outro lugar do mundo, vem munido de ideologias e comentários sociais. Mas, se quem assiste acredita que a luta pelos direitos sociais, a igualdade, o antifascismo e o </span><a href="https://www.ecycle.com.br/antirracista/"><span style="font-weight: 400;">antirracismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> são “manobras de esquerda” ou “posições radicais de doutrinação”, o problema não está dentro das quase três horas de realização cinematográfica. </span></p>
<figure id="attachment_24935" aria-describedby="caption-attachment-24935" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24935" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/oito.jpg" alt="Cena do filme Marighella. A foto em preto e branco mostra Seu Jorge em pé e olhando para o lado, usando camisa branca." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-24935" class="wp-caption-text">Recentemente, o <a href="https://istoe.com.br/193279_A+FARSA+NA+MORTE+DE+MARIGHELLA+/">fotógrafo Sérgio Jorge</a> realizou uma encenação da pose real de Marighella assassinado no veículo, mostrando uma versão diferente da veiculada pelos militares (Foto: O2 Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Anos depois de dar vida a um </span><a href="https://personaunesp.com.br/cidade-de-deus-tropa-de-elite/"><span style="font-weight: 400;">Capitão Nascimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se tornou bandeira de uma direita autoritária e violenta e a um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LxuIhjvhePA"><span style="font-weight: 400;">Pablo Escobar</span></a><span style="font-weight: 400;"> que caia facilmente na visão norte-americana de gato e rato, hoje Wagner Moura realiza um Cinema de ação com significado e mensagem mais delimitados. Ele não faria um filme deste calibre e com essa pegada se não fosse orgânico ao material base, como ressaltou na coletiva, definindo a obra como um híbrido de gêneros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Extrapolando o meio-termo entre o surreal e o mundano, o filme ensurdece pelo desenho de som altíssimo e que valoriza cada caixinha da sala de cinema. Mas o absurdo tempo do corte final enfraquece uma obra que poderia chegar ao mesmo lugar (ou até a um patamar elevado) com muitos minutos a menos. Como diretor de primeira viagem, Wagner Moura faz o primordial aqui: </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/marighella-ja-filme-brasileiro-mais-assistido-em-2021-apos-quatro-dias-nos-cinemas-25265660"><span style="font-weight: 400;">coloca o filme na boca do povo</span></a><span style="font-weight: 400;">, se estica para além do telão branco e se senta ao lado do espectador, plantando dúvidas, opiniões e fomentando o que o Cinema sempre se prestou a fazer, mudar perspectivas e criar sensações. </span></p>
<figure id="attachment_24936" aria-describedby="caption-attachment-24936" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24936" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/nove.png" alt="Foto da coletiva de imprensa, mostra os atores, produtores e roteiristas posando para a foto, reunidos e todos de máscara" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/nove.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/nove-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24936" class="wp-caption-text">A coletiva de Marighella aconteceu dia 29 de outubro, no Cine Marquise da Avenida Paulista, com a presença do elenco, produtora, roteiristas e do diretor do filme (Foto: <a href="https://almapreta.com/sessao/cultura/marighella-estreia-nos-cinemas-um-filme-sobre-esperanca-diz-wagner-moura">Alma Preta</a>)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Marighella </span></i><span style="font-weight: 400;">é barulhento, essencialmente violento e tem em sua formação uma mensagem de motim que, sem problemas ou empecilhos, conversa com o Brasil governado por Bolsonaro mas gerido pelo caos. Vai incomodar, </span><a href="https://portalpopline.com.br/imdb-identifica-mutirao-notas-baixas-marighella/"><span style="font-weight: 400;">vai ser incomodado</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sinaliza uma marca para o Cinema “popular”, já carregada por produções sem o mesmo alcance ou interesse da audiência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para efeito de comparação, no mesmo mês em que </span><i><span style="font-weight: 400;">Marighella </span></i><span style="font-weight: 400;">preencheu suas cerca de trezentas salas, </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/potente-e-necessario-cabeca-de-nego-estreia-nos-cinemas-nesta-quinta-1.2558528"><i><span style="font-weight: 400;">Cabeça de Nêgo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, filme que também lida com questões raciais em um Brasil ebulindo, mal chegou a compor notas de rodapé. A </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/marighella-cena-pos-creditos"><span style="font-weight: 400;">cena pós-créditos</span></a><span style="font-weight: 400;">, nascida de um improviso do elenco, é o clímax da paixão dos realizadores. Tomando de solavanco o hino nacional, há muito nos surrupiado, os atores colocam para fora o sentimento de nacionalismo apagado quando o assunto é comunismo, o bicho-papão do século XXI. Os guerrilheiros amavam o Brasil, Carlos Marighella amava o Brasil, </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/wagner-moura-esclarece-cena-pos-credito-de-marighella.phtml"><span style="font-weight: 400;">Wagner Moura ama o Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
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		<title>Ser 100% Charlie Brown Jr é permanecer Abalando A Sua Fábrica, mesmo após 20 anos</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Nov 2021 19:15:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Leticia Stradiotto O Começo do Fim do Mundo, em 1982, foi o principal marco do punk rock brasileiro. O festival em São Paulo contou com a participação das primeiras bandas nacionais com foco na contracultura e foi dividido em dois dias, onde grupos como Ratos De Porão e Cólera eram atrações. Porém, logo no segundo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/abalando-a-sua-fabrica-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Ser 100% Charlie Brown Jr é permanecer Abalando A Sua Fábrica, mesmo após 20 anos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24833" aria-describedby="caption-attachment-24833" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24833" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cbjr1.jpg" alt="Capa do disco 100% Charlie Brown Jr - Abalando A Sua Fábrica. Na parte superior está escrito “100% Charlie Brown Jr” com letras estilo de rua vermelhas. Ao lado direito superior existe uma pequena frase escrita “Abalando A Sua Fábrica” com letras distorcidas e fundo preto. Ao lado da frase, tem o desenho preto de uma fábrica sendo destruída por uma bola de destruição. No centro tem uma imagem com fundo predominante vermelho e amarelo. A imagem é a caricatura dos integrantes da banda. Da esquerda para a direita, está desenhado um homem branco de cabelos loiros e jaqueta azul. Ao lado dele, está desenhado um homem branco de chapéu vermelho e blusa marrom. Ao lado dele, está desenhado um homem branco com chapéu roxo que tampa os olhos e veste blusa marrom. Ao lado dele, está desenhado um homem branco de cabelos castanhos e blusa alaranjada." width="600" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cbjr1.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cbjr1-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24833" class="wp-caption-text">Depois do disco Nadando com os Tubarões, a banda Charlie Brown Jr. lançou seu quarto álbum, sendo esse o primeiro sem participações de convidados externos (Foto: EMI/Charlie Brown Jr.)</figcaption></figure>
<p><b>Leticia Stradiotto</b></p>
<p><a href="https://saopaulosao.com.br/conteudos/recomendados/1437-o-come%C3%A7o-do-fim-do-mundo-e-a-invas%C3%A3o-punk-na-f%C3%A1brica-da-pompeia.html"><span style="font-weight: 400;">O Começo do Fim do Mundo</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 1982, foi o principal marco do </span><i><span style="font-weight: 400;">punk rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileiro. O festival em São Paulo contou com a participação das primeiras bandas nacionais com foco na </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/sociologia/contracultura.htm"><span style="font-weight: 400;">contracultura</span></a><span style="font-weight: 400;"> e foi dividido em dois dias, onde grupos como </span><a href="https://open.spotify.com/artist/3d2xlrGC9JGD7ycsf0e8mF?si=80_-hcMVTeGVvqc7UCv3FQ"><span style="font-weight: 400;">Ratos De Porão</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/artist/6S6ll1Wa6FYvAgThEBX6qJ?si=3YShR938SqGjHfTVS0XWMQ"><span style="font-weight: 400;">Cólera</span></a><span style="font-weight: 400;"> eram atrações. Porém, logo no segundo dia, a Polícia Militar invadiu o local para queimar documentos relacionados à ditadura. Dessa forma, no fim dos anos 90, com a continuação da tendência </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2001 – quase 20 anos depois do evento – o grupo Charlie Brown Jr. lança o seu quarto disco e demonstra que agora, no som nacional, a única coisa a ser queimada é a </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/canta-brasilia/2013/04/21/internacantabrasilia,361470/na-decada-de-1980-bandas-punks-contestavam-ditadura-militar-na-capital.shtml"><span style="font-weight: 400;">censura</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O álbum </span><a href="https://open.spotify.com/album/0Dcy3ThOh8LS1qhXUbZWH7?si=v6lfAy-ERZGi1Uobw383MQ"><i><span style="font-weight: 400;">100% Charlie Brown Jr &#8211; Abalando A Sua Fábrica</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> teve importância não só na evolução do conjunto musical, mas também na </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2019/08/21/charlie-brown-jr-nofx-blink-182/"><span style="font-weight: 400;">releitura do </span><i><span style="font-weight: 400;">punk rock</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ao modo brasileiro de ser. Com a saída do guitarrista </span><a href="https://www.instagram.com/thiagocastanhoguitar/?hl=pt"><span style="font-weight: 400;">Thiago Castanho</span></a><span style="font-weight: 400;">, é o primeiro projeto sem a formação original da banda e gravado com todos os instrumentos ao mesmo tempo, no estilo </span><a href="https://universoretro.com.br/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-garage-rock-confira-tambem-10-sons-de-cabeceira/"><i><span style="font-weight: 400;">garage rock</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Se você acha que o termo </span><i><span style="font-weight: 400;">“100% Charlie Brown Jr”</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma ironia à separação e possivelmente uma saída do convencional em grupo, você está certo. Afinal, é fato que o vocalista </span><a href="http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2013/03/lider-da-banda-charlie-brown-chorao-faria-43-anos-em-abril.html"><span style="font-weight: 400;">Chorão</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Alexandre Magno) era dono de um caráter forte – um tanto quanto rebelde</span> <span style="font-weight: 400;">– e queria marcar presença de uma forma específica: Abalando A Sua Fábrica, independente de qual fosse.</span></p>
<p><span id="more-24832"></span></p>
<figure id="attachment_24834" aria-describedby="caption-attachment-24834" style="width: 615px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24834" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cbjr2.jpg" alt="Imagem com fundo predominante cinza. Da esquerda para a direita os integrantes da banda estão sorridentes. Marcão, um homem branco de blusa tie dye azul e calça jeans. Ao lado dele, segurando o ombro e subindo na perna de Marcão e Chorão está Renato Pelado, um homem branco de cabelo loiro platinado com uma blusa preta com um dragão cinza e chamas de fogo desenhados e calça bege. Ao lado dele, Chorão, um homem branco de blusa verde neon com bermuda comprida preta e uma faixa cinza amarrada na cabeça. No canto inferior, está Champignon, um homem branco com jaqueta amarela e touca preta sinalizando com a mão o sinal de “paz e amor”." width="615" height="385" /><figcaption id="caption-attachment-24834" class="wp-caption-text">O álbum 100% Charlie Brown Jr &#8211; Abalando A Sua Fábrica, mais curto que os demais lançados, contém uma sonoridade punk, deixando para trás o rap encontrado em discos anteriores (Foto: EMI/Charlie Brown Jr.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Completando 20 anos do lançamento, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/chegou-quem-faltava-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">personalidade de Charlie Brown Jr.</span></a><span style="font-weight: 400;"> começa a ganhar forma. Com muito </span><i><span style="font-weight: 400;">hardcore</span></i><span style="font-weight: 400;">, guitarras e baterias pesadas, o álbum é responsável por construir uma das mais destacadas sonoridades da banda. Com o baixo magnífico de Champignon, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CyYHbzq-TPM"><i><span style="font-weight: 400;">Eu Protesto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é a contextualização política, e ainda atual, retratando a corrupção e a despreocupação do governo com o povo. CBJr é muito mais que um trabalho musical, também é entretenimento. A obra </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KH7T_QVFnGg"><i><span style="font-weight: 400;">Hoje Eu Acordei Feliz</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> demonstra isso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o clipe referenciando o filme </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RMBZF0466y0"><i><span style="font-weight: 400;">Snatch: Porcos e Diamantes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a galera pirava nas reproduções pelo canal da </span><a href="https://www.mtv.com.br/"><i><span style="font-weight: 400;">MTV</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na época. São talentos que marcam pela originalidade e, consequentemente, registram a nostalgia para diversas gerações, inclusive aquelas que acordam com a sutil vontade de matar o presidente. Em sequência, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G94R4l-77oM"><i><span style="font-weight: 400;">Sino Dourado</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi inspirada no sucesso </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=r1UkZLT20TI"><i><span style="font-weight: 400;">Ring My Bell</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Anita Ward, assim fica fácil entender do que a letra da música se trata. Longe de uma pegada melancólica, a faixa traz elementos do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> em sua forma mais popular: </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/folhatee/fm1408200604.htm"><span style="font-weight: 400;">sexo, drogas e </span><i><span style="font-weight: 400;">rock’n’roll</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Charlie Brown Jr. - Hoje Eu Acordei Feliz (Clipe)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/tUCzE3GBucg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Liberdade, oposição ao consumismo, antiautoritarismo, muita rebeldia e, claro, uma guitarra espetacular. Isso é </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou melhor, isso é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=q2APeohPUyM"><i><span style="font-weight: 400;">Quebra-Mar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">A batida dessa faixa lembra a melodia-tema de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CpMV9YA_4Tk"><i><span style="font-weight: 400;">Tubarão</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em uma pegada mais pesada sob o comando do guitarrista </span><a href="https://www.instagram.com/marcaobritto/?hl=pt-br"><span style="font-weight: 400;">Marcão</span></a><span style="font-weight: 400;"> e é seguida pela harmônica </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DRhEueqE7Uw"><i><span style="font-weight: 400;">Lugar ao Sol</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">dedicada ao pai de Chorão, falecido há pouco tempo. Diferentemente das demais músicas apresentadas, esse som retrata a </span><a href="https://leionarede.com/blog/se-nao-eu-quem-vai-fazer-voce-feliz#:~:text=Ainda%20que%20pelas,em%20suas%20m%C3%BAsicas."><span style="font-weight: 400;">espiritualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e transforma-se em um acalento ao coração acerca dos encontros e desencontros da vida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As músicas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t1tABA3gFlQ"><i><span style="font-weight: 400;">Descubra O Que Há De Errado Com Você</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=068Z81QEjFw"><i><span style="font-weight: 400;">Só Lazer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> retornam com o barulho do </span><a href="https://www.infoescola.com/musica/hardcore/"><i><span style="font-weight: 400;">hardcore</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> rápido e agressivo no álbum. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pdU0gOINdPE"><i><span style="font-weight: 400;">Você Vai De Limusine, Eu Vou De Trem</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">tem o jeito Chorão de ser, com a </span><i><span style="font-weight: 400;">vibe</span></i><span style="font-weight: 400;"> do moleque pé-rapado que vive um amor com a patricinha do bairro. E logo em seguida, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=65xlNxGeS58"><i><span style="font-weight: 400;">O Lado Certo da Vida Errada</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que, como um bom som do Charlie Brown Jr., mistura a melodia do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">com letras sobre a paixão pura e incessante. No caso do vocalista Alê, retratava sempre em suas músicas </span><a href="https://leionarede.com/blog/se-nao-eu-quem-vai-fazer-voce-feliz#:~:text=Ela%20mostra%20um%20cara%20amoroso,a%20aparecer%20em%20suas%20m%C3%BAsicas."><span style="font-weight: 400;">a paixão inesgotável</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela sua namorada e futura esposa, Grazon.</span></p>
<figure id="attachment_24835" aria-describedby="caption-attachment-24835" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24835" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cbjr3.jpg" alt="Registro de uma foto com fundo predominante cinza. Na foto estão respectivamente Chorão e Grazon abraçados. Chorão é um homem branco que veste um boné preto, uma blusa preta e uma jaqueta marrom. Grazon é uma mulher branca com cabelos loiros e veste uma blusa estampada com as cores vermelha, branca, amarela e azul escuro. Ela está apontando para a câmera que registra a foto com o dedo indicador." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cbjr3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cbjr3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cbjr3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/cbjr3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24835" class="wp-caption-text">Grazon foi a musa inspiradora de Chorão, dessa forma, a maioria das músicas da banda que falam sobre amor foram escritas e dedicadas a alguém especial (Foto: Graziela Gonçalves)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um vocal e instrumental extremamente sujos, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CpmopU2Tvkw"><i><span style="font-weight: 400;">T.F.D.P.</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> lembra a essência </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;"> presente, muitas vezes, no </span><a href="https://www.virgula.com.br/musica/semana-do-rock-por-que-o-grunge-nao-vingou-no-brasil/"><i><span style="font-weight: 400;">grunge</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e não deixa de fora a utilização de palavrões como forma de revolta e protesto à questão social. A obra chega ao fim com duas faixas fenomenais que, com certeza, são marcos da banda e ultrapassam gerações. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7bOX4Qedvdw"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo Pro Alto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> motiva e alcança a possibilidade de segundas chances, com todos os </span><a href="https://personaunesp.com.br/chorao-marginal-alado-critica/"><span style="font-weight: 400;">problemas</span></a><span style="font-weight: 400;"> envolvendo drogas, paixões e brigas internas no grupo. Chorão reconforta e nos proporciona o entendimento de que as coisas são </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=k7pr4VTk5cQ"><i><span style="font-weight: 400;">Como Tudo Deve Ser</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Duas décadas depois, o disco </span><i><span style="font-weight: 400;">100% Charlie Brown Jr &#8211; Abalando A Sua Fábrica</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz jus ao nome e traz a individualidade presente na banda para o público externo. Ao mesmo tempo, retoma movimentos musicais </span><a href="https://pedrozuccolotto.medium.com/o-punk-no-brasil-e-sua-rela%C3%A7%C3%A3o-com-a-ditadura-militar-db179cf0b3fe"><span style="font-weight: 400;">impedidos no passado brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e constrói um </span><a href="https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/educacao/noticia/2019/02/09/bandas-cover-de-todo-o-pais-mantem-vivo-legado-do-charlie-brown-jr.ghtml"><span style="font-weight: 400;">legado</span></a><span style="font-weight: 400;"> cheio de influências à liberdade para as próximas gerações. Não é à toa que a espiritualidade da banda – mesmo após seu término – continua sendo destaque nos sons nacionais. Pois afinal, o vocalista falava sobre a necessidade de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1JtPSIppxSA"><i><span style="font-weight: 400;">viver nossos sonhos, temos tão pouco tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto na verdade, o seu trabalho feito com tanta garra e paixão, fez com que o tempo fosse quase irrelevante ao sucesso – e sonhos – da querida </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2020/12/chorao-o-garoto-que-vendeu-a-televisao-do-pai-pelo-sonho-de-levar-a-vida-com-uma-banda-o-charlie-brown-jr/"><span style="font-weight: 400;">origem do grupo Charlie Brown Jr.</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: 100% Charlie Brown Jr - Abalando A Sua Fábrica" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/0Dcy3ThOh8LS1qhXUbZWH7?si=2eL7H1U4SgCRoUUr5rG2eg&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Ahed’s Knee tem os olhos maiores que a boca</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Nov 2021 21:58:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Nascido como um exercício de autorreflexão e uma carga exorbitante de sentimentos, o filme Ahed’s Knee chama atenção por uma série de fatores. Primeiro, vem da mente de Nadav Lapid, cineasta que viu seu longa anterior, Synonymes, vencer dois importantes prêmios de Berlim. Segundo, pois o indeciso Júri de Cannes 2021 o condecorou &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/aheds-knee-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Ahed’s Knee tem os olhos maiores que a boca"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24474" aria-describedby="caption-attachment-24474" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24474" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_01.jpg" alt="Cena do filme Ahed's Knee mostra o close-up de um homem e uma mulher muito próximos um do outro, se olhando nos olhos." width="1200" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_01.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_01-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_01-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_01-768x384.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24474" class="wp-caption-text">Coprodução entre Itália, Alemanha e Israel, Ahed’s Knee faz parte da Perspectiva Internacional de Mostra de SP (Foto: Fênix Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascido como um exercício de autorreflexão e uma carga exorbitante de sentimentos, o filme</span><i><span style="font-weight: 400;"> Ahed’s Knee</span></i><span style="font-weight: 400;"> chama atenção por uma série de fatores. Primeiro, vem da mente de Nadav Lapid, cineasta que viu seu longa anterior, </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/02/16/cultura/1550339880_815522.html#:~:text=Synonymes%2C%20do%20israelense%20Nadav%20Lapid,de%20Ouro%20na%20Berlinale%202019."><i><span style="font-weight: 400;">Synonymes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, vencer dois importantes prêmios de Berlim. Segundo, pois o indeciso </span><a href="https://www.timesofisrael.com/israeli-director-nadav-lapids-aheds-knee-wins-jury-prize-at-cannes/#:~:text=Israeli%20director%20Nadav%20Lapid's%20%E2%80%9CHaberech,Cannes%20Film%20Festival%20on%20Saturday."><span style="font-weight: 400;">Júri de Cannes 2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> o condecorou em um empate com </span><i><span style="font-weight: 400;">Memoria</span></i><span style="font-weight: 400;">. Terceiro, pois sua chegada no Brasil pela 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo carimba o passaporte já lotado de festivais por onde viajou.</span></p>
<p><span id="more-24473"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, o </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/jul/07/aheds-knee-review-patchily-brilliant-account-of-israeli-trauma"><span style="font-weight: 400;">cineasta</span></a><span style="font-weight: 400;"> Y (papel do chatonildo Avshalom Pollak) viaja até uma cidadezinha para a exibição de seu mais recente projeto (premiado em Berlim, haha), e precisa lidar com a repressão e a censura do governo ao mesmo tempo em que batalha o luto pela morte da mãe. Chegando ao local, Y conhece Yahalom, vivida por Nur Fibak, uma representante do Ministério da Cultura profundamente interessada no trabalho e na Arte do homem.</span></p>
<figure id="attachment_24475" aria-describedby="caption-attachment-24475" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24475" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_02.jpg" alt="Cena do filme Ahed's Knee mostra um casal de mãos dadas, descendo uma colina. Ele usa roupas pretas e ela usa um vestido claro." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_02.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_02-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_02-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_02-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_02-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/ahed-s_knee_02-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24475" class="wp-caption-text">A câmera de Shaï Goldman, aliada à montagem de Nili Feller, é como um chicote, se aproveitando da liberdade criativa e da mente em constante estado de transe do protagonista (Foto: Fênix Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ahed’s Knee</span></i><span style="font-weight: 400;">, na verdade, se cerca de </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/m/aheds_knee#:~:text=musical%20set%20pieces.-,July%208%2C%202021%20%7C%20Rating%3A,3%2F5%20%7C%20Full%20Review%E2%80%A6&amp;text=It's%20a%20film%20that%20is,will%20win%20over%20an%20audience.&amp;text=Quite%20possibly%20brilliant%2C%20and%20very,is%20filmmaking%20as%20hostage%2Dtaking."><span style="font-weight: 400;">metalinguagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao passo que o cineasta fictício Y está escalando o elenco do seu próximo longa, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Joelho de Ahed</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/08/02/internacional/1533229530_063403.html"><span style="font-weight: 400;">Ahed Tamimi</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma cidadã palestina que bateu na cara de um soldado israelense e foi presa por isso. Seu joelho, objeto de estudo dos minutos iniciais do longa, é a região onde um homem apontou em um </span><i><span style="font-weight: 400;">tweet </span></i><span style="font-weight: 400;">que ela deveria levar um tiro, a fim da garota não conseguir andar nunca mais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nadav Lapid usa desse acontecimento real de sua terra natal para construir um </span><a href="https://variety.com/2021/film/reviews/aheds-knee-review-haberech-1235013191/"><span style="font-weight: 400;">longa-metragem de revolta</span></a><span style="font-weight: 400;">. Enlutado pela morte da própria mãe, que era montadora de todos seus projetos, o diretor canaliza todo o escárnio e a dor em seu protagonista, um homem fechado, debochado, cabeça quente e de saco cheio. Quando mija em círculo no deserto, ou mesmo quando se deita no sofá todo molhado da água da pia, Y revela que a imprudência virou traço de personalidade.</span></p>
<figure id="attachment_24477" aria-describedby="caption-attachment-24477" style="width: 1696px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24477 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/aheds-knee-trailer.jpg" alt="Cena do filme Ahed's Knee mostra um homem se jogando no colo de uma mulher, que tem uma expressão de dor e tristeza no rosto." width="1696" height="712" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/aheds-knee-trailer.jpg 1696w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/aheds-knee-trailer-800x336.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/aheds-knee-trailer-1024x430.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/aheds-knee-trailer-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/aheds-knee-trailer-1536x645.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/aheds-knee-trailer-1200x504.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24477" class="wp-caption-text">O filme tem um trabalho muito apurado no departamento de som, sob o comando de Aviv Aldema, Marina Kertesz e Bruno Mercere, imergindo quem assiste em uma experiência para lá de palpável e sensorial (Foto: Fênix Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, na progressão das quase duas horas de rodagem, o roteiro de Lapid vai gastando seus </span><a href="https://www.indiewire.com/2021/07/aheds-knee-review-1234649160/"><span style="font-weight: 400;">momentos elétricos</span></a><span style="font-weight: 400;"> em sequência mais lúdicas, renegando os extensos monólogos à exaustão da monotonia. Por que diabos estaríamos mais interessados em longos planos comuns de Y vociferando suas indignações, se no mesmo filme somos banhados em cenas inteiras onde soldados dançam se batendo e mulheres armadas posam sensualmente com armas, o símbolo mais másculo de todos? A conta não fecha.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pedindo no cardápio muito mais do que tem capacidade de digerir, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ahed’s Knee</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um potente manifesto em </span><a href="https://thespool.net/reviews/aheds-knee-movie-review/"><span style="font-weight: 400;">favor da liberdade</span></a><span style="font-weight: 400;">, seja ela a de expressão ou a individual. Nadav Lapid sente dor, sente medo, sente angústia e sente raiva, e fazer um filme que equipare uma joelho estourado à ausência materna não é o suficiente. Ele quer mais, ele quer o exército em chamas, o deserto inundado e as feridas curadas. É uma pena que ele não consiga se decidir.</span></p>
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		<title>50 anos de Construção: Deus lhe pague, Chico Buarque</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Jun 2021 05:22:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos  O roteiro das aulas sobre a ditadura militar, traçado nas salas de Ensino Médio e cursinhos ao longo do país, é padronizado: em algum momento, quando introduzido os malabarismos para escapar da censura e as músicas de protesto contra o regime, Chico Buarque de Hollanda será citado. Será, no mínimo, mencionado – pode &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/chico-buarque-construcao-50-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "50 anos de Construção: Deus lhe pague, Chico Buarque"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/chico-buarque-construcao-50-anos/">50 anos de Construção: Deus lhe pague, Chico Buarque</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21238" aria-describedby="caption-attachment-21238" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21238" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/chicobuarqueconstrucaolpcapa.jpg" alt="" width="1200" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/chicobuarqueconstrucaolpcapa.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/chicobuarqueconstrucaolpcapa-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/chicobuarqueconstrucaolpcapa-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/chicobuarqueconstrucaolpcapa-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/chicobuarqueconstrucaolpcapa-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21238" class="wp-caption-text">A foto de Chico foi tirada por Carlos Leonam e enquadrada na arte de Aldo Luz, que também assinou a capa de Krig-ha, Bandolo de Raul Seixas (Foto: Philips)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> O roteiro das aulas sobre a </span><a href="https://carolacampos.medium.com/por-que-n%C3%A3o-devemos-comemorar-o-golpe-militar-de-64-cdf6adfc2c44"><span style="font-weight: 400;">ditadura militar</span></a><span style="font-weight: 400;">, traçado nas salas de Ensino Médio e cursinhos ao longo do país, é padronizado: em algum momento, quando introduzido os malabarismos para escapar da censura e as músicas de protesto contra o regime, </span><a href="https://universoretro.com.br/os-72-anos-de-chico-buarque-e-a-importancia-do-artista-para-a-musica-popular-brasileira/"><span style="font-weight: 400;">Chico Buarque de Hollanda</span></a><span style="font-weight: 400;"> será citado. Será, no mínimo, mencionado – pode anotar. Não é para menos, afinal, Chico integra a gama de </span><a href="https://personaunesp.com.br/falso-brilhante-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">artistas brasileiros</span></a><span style="font-weight: 400;"> que sofreram com a repressão e a tesourada em suas composições para que se adequassem aos </span><i><span style="font-weight: 400;">bons princípios </span></i><span style="font-weight: 400;">dos governos militares. Mas o carioca tem um </span><i><span style="font-weight: 400;">quê</span></i><span style="font-weight: 400;"> especial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Perseguido pelos milicos em meio aos devaneios do </span><i><span style="font-weight: 400;">“milagre econômico”</span></i><span style="font-weight: 400;"> da trupe de </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/historiadobrasil/generalemilio-garrastazu-medici.htm"><span style="font-weight: 400;">Médici</span></a><span style="font-weight: 400;">, a situação se tornou insustentável a ponto de, em 1969, </span><a href="https://m.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/06/1472740-no-aniversario-de-chico-buarque-conheca-70-curiosidades-sobre-ele.shtml"><span style="font-weight: 400;">Chico Buarque</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixar o Brasil e se instalar na Itália, em um </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/banco-de-dados/2020/03/1970-depois-de-14-meses-exilado-o-cantor-chico-buarque-esta-de-volta-ao-brasil.shtml"><span style="font-weight: 400;">autoexílio</span></a><span style="font-weight: 400;"> que durou pouco mais de um ano. O resultado de toda essa história </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-56409701"><span style="font-weight: 400;">completa 50 anos em 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">; quando o músico enfim retornou, no início da longa década de 70, trouxe com ele as letras daquele que se tornaria seu primeiro manifesto político. Nascia </span><i><span style="font-weight: 400;">Construção</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-21234"></span></p>
<figure id="attachment_21236" aria-describedby="caption-attachment-21236" style="width: 2400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21236" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/15846426245e73ba40a6e96_1584642624_3x2_rt.jpg" alt="" width="2400" height="1600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/15846426245e73ba40a6e96_1584642624_3x2_rt.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/15846426245e73ba40a6e96_1584642624_3x2_rt-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/15846426245e73ba40a6e96_1584642624_3x2_rt-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/15846426245e73ba40a6e96_1584642624_3x2_rt-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/15846426245e73ba40a6e96_1584642624_3x2_rt-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/15846426245e73ba40a6e96_1584642624_3x2_rt-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/15846426245e73ba40a6e96_1584642624_3x2_rt-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21236" class="wp-caption-text">Chico Buarque retornou ao Brasil dia 20 de março de 1970, com a esposa Marieta Severo e a filha Silvia (Foto: Folha de S. Paulo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 1971, </span><a href="https://vavel.media/br/2018/01/15/musica/868095-5-motivos-para-voc-escutar-o-album-construcao-de-chico-buarque.html"><span style="font-weight: 400;">o oitavo disco</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um dos maiores cancionistas da história da música brasileira foi também o segundo gravado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Philips</span></i><span style="font-weight: 400;">, que pouco antes havia lançado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hpPmzIO7ehI"><i><span style="font-weight: 400;">Chico Buarque de Hollanda nº 4</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O sucesso de </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2021/01/10/album-que-alicercou-obra-de-chico-buarque-ha-50-anos-construcao-retem-a-contundencia-de-1971.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Construção</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, no entanto,</span> <span style="font-weight: 400;">foi astronômico. A gravadora precisou terceirizar os concorrentes para dar conta da prensagem, resultado dos 140 mil discos vendidos só no primeiro mês. Aquele álbum de capa marrom e meia hora de duração bombou pelo país, levando o filho de </span><a href="http://desafios.ipea.gov.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=2252:catid=28&amp;Itemid=23"><span style="font-weight: 400;">Sérgio Buarque de Hollanda</span></a><span style="font-weight: 400;"> a reconfigurar a dinâmica do cenário político-cultural em um Brasil amordaçado pelo medo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chico Buarque era </span><a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/diretorio-academico/a-censura-as-musicas-de-chico-buarque-na-ditadura-1964-1985/"><span style="font-weight: 400;">figurinha carimbada dos censores</span></a><span style="font-weight: 400;"> que rondavam o país do AI-5. Como a inteligência não era uma característica das patentes militares, as letras irônicas e provocativas do músico passavam despercebidas pelos oficiais, que não demoravam muito a perceber a burrada e voltar atrás nas decisões. </span><a href="http://www.chicobuarque.com.br/sanatorio/julinho.htm"><span style="font-weight: 400;">Julinho da Adelaide</span></a><span style="font-weight: 400;">, inclusive, nasceu nesse período como uma nova tentativa do carioca de driblar seus algozes. O carimbo de </span><i><span style="font-weight: 400;">vetado</span></i><span style="font-weight: 400;"> já era até familiar ao cantor. Foi assim com </span><a href="https://curitibadegraca.com.br/apesar-de-voce-chico-buarque/#:~:text=Chico%20Buarque%20comp%C3%B4s%20%E2%80%9CApesar%20de,falasse%20de%20um%20relacionamento%20amoroso&amp;text=%E2%80%9CApesar%20de%20voc%C3%AA%E2%80%9D%20foi%20composta,no%20auge%20da%20ditadura%20militar.&amp;text=Ela%20faz%20parte%20do%20disco,Buarque%E2%80%9D%2C%20lan%C3%A7ado%20em%201978."><i><span style="font-weight: 400;">Apesar de você</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, foi assim com </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-clube-da-esquina/"><i><span style="font-weight: 400;">Cálice</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e, claro, foi assim com </span><i><span style="font-weight: 400;">Construção</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre suas dez faixas, o </span><a href="https://www.musicontherun.net/2016/06/discos-para-historia-construcao-chico-buarque-1971.html"><span style="font-weight: 400;">LP</span></a><span style="font-weight: 400;"> é marcado por um samba melancólico, tensionado pela própria realidade. Chico agoniza em suas melodias, construindo um paradoxo suave-agressivo para escancarar sua indignação em um disco indigesto, de um homem que enfrentou diretamente as consequências do</span><i><span style="font-weight: 400;"> ame-o ou deixe-o</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ainda regurgitava em cima das lembranças do exílio. </span><a href="http://www.aescotilha.com.br/musica/vitrola/chico-buarque-talento-censura-e-os-45-anos-de-construcao/"><i><span style="font-weight: 400;">Construção</span></i><span style="font-weight: 400;"> elevou os parâmetros</span></a><span style="font-weight: 400;">, aumentou as apostas, e, com seu pulso político firme, vibrante e vivo, uniu uma estética artística especialmente coesa e centrada ao grito de guerra entalado na garganta da Liberdade.</span></p>
<figure id="attachment_21237" aria-describedby="caption-attachment-21237" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21237 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/117600243-265b43fb-11b0-4f6a-bb11-a11608050ce4-851x1024.jpg" alt="" width="840" height="1011" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/117600243-265b43fb-11b0-4f6a-bb11-a11608050ce4-851x1024.jpg 851w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/117600243-265b43fb-11b0-4f6a-bb11-a11608050ce4-665x800.jpg 665w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/117600243-265b43fb-11b0-4f6a-bb11-a11608050ce4-768x924.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/117600243-265b43fb-11b0-4f6a-bb11-a11608050ce4.jpg 984w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21237" class="wp-caption-text">Cordão foi uma das centenas de músicas de Chico Buarque vetadas pelos censores (Foto: Arquivo Nacional)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Composto ao lado de </span><a href="http://culturabrasil.cmais.com.br/playlists/as-raras-parcerias-de-vinicius#:~:text=Outro%20nome%20da%20MPB%20que,Valsinha%22%20e%20%22Desalento%22.&amp;text=O%20encontro%20para%20Vinicius%20nunca%20passava%20em%20branco."><span style="font-weight: 400;">Vinícius de Moraes</span></a><span style="font-weight: 400;">, Tom Jobim e Toquinho, </span><a href="http://sitenocenaculo.com.br/construcao-de-chico-buarque-completa-50-anos-ainda-atual-contra-o-arbitrio/"><span style="font-weight: 400;">o álbum</span></a><span style="font-weight: 400;"> também contou com a direção musical de </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2021/03/24/chico-buarque-exalta-o-talento-de-magro-em-tributo-ao-arranjador-do-mpb4.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Magro</span></a><span style="font-weight: 400;">, do quarteto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3ALZNNUQdYM"><span style="font-weight: 400;">MPB4</span></a><span style="font-weight: 400;">, e arranjos do maestro tropicalista </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/podcast/2018/06/08/Qual-a-import%C3%A2ncia-de-Rog%C3%A9rio-Duprat-o-maestro-arranjador-da-Tropic%C3%A1lia"><span style="font-weight: 400;">Rogério Duprat</span></a><span style="font-weight: 400;">. Chico estava, sem dúvidas, bem acompanhado. Assim, é </span><i><span style="font-weight: 400;">Deus Lhe Pague</span></i><span style="font-weight: 400;"> que abre o disco, com uma sonoridade quase sombria e um vocal sóbrio e ecoado. A canção funciona como um sátira, alegorizando um agradecimento aos generais </span><i><span style="font-weight: 400;">por me deixar respirar, por me deixar existir</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de separadas por duas outras músicas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rxiafycMSTY&amp;list=PLVnkoLiLMTm6iJV3-bYN6I5lwBBJZLOQy&amp;index=1"><i><span style="font-weight: 400;">Deus Lhe Pague</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wBfVsucRe1w&amp;list=PLVnkoLiLMTm6iJV3-bYN6I5lwBBJZLOQy&amp;index=4"><i><span style="font-weight: 400;">Construção</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são irmãs de luta e sangue. Ambas foram orquestradas por Duprat, que dá a suas óperas tons crescentes conforme os versos vão ficando cada vez mais fechados, claustrofóbicos. </span><i><span style="font-weight: 400;">Construção</span></i><span style="font-weight: 400;">, a faixa que deu título ao álbum, é inigualável – em 2009, a canção estampou o </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/edicao/37/noticia-3939/"><span style="font-weight: 400;">primeiro lugar da lista de melhores músicas brasileiras</span></a><span style="font-weight: 400;"> da revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Rolling Stone</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ela se costura à primeira em seus versos finais, que reprisa as sentenças acusatórias depois de uma narrativa extremamente bem delineada entre as composições nacionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi nos mais de </span><a href="https://comunicacaoescrita.com/analise-construcao-chico-buarque/"><span style="font-weight: 400;">seis minutos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Construção</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que Chico Buarque contou a história de um dos milhares de trabalhadores urbanos da década de 70. O suposto milagre econômico durante o período propulsionou o setor da construção civil, mobilizando um batalhão de operários-máquinas para erguer prédios nas grandes cidades. A vida descartável desses homens foi o motor da </span><a href="http://artecult.com/musica-poesia-construcao/"><span style="font-weight: 400;">composição buarqueana</span></a><span style="font-weight: 400;">, que conta com versos alexandrinos, de 12 sílabas, todos terminados em palavras proparoxítonas, que rimam apenas em decorrência da sílaba tônica.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Construção | Chico Buarque (Vídeo Oficial)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/suia_i5dEZc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da métrica incomparável da faixa, </span><a href="https://canalcienciascriminais.jusbrasil.com.br/artigos/637733133/construcao-chico-buarque-e-a-desconstrucao-do-ser"><span style="font-weight: 400;">Chico cria um jogo de palavras</span></a><span style="font-weight: 400;"> que trocam de lugar e vão se encaixando em novas posições, enquanto o cantor repete, três vezes, a mesma história sem estampar, propositalmente, sensibilidade pelo fato –</span><i><span style="font-weight: 400;"> morreu na contramão atrapalhando o</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">tráfego, o</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">público, o</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">sábado</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sua vida é insignificante, sua morte é indigna de atenção. </span><i><span style="font-weight: 400;">Construção </span></i><span style="font-weight: 400;">dói, assusta e revolta; não é à toa que a música é </span><a href="https://www.ufrgs.br/jornal/tijolos-de-um-pais-em-construcao-em-chico-buarque/"><span style="font-weight: 400;">estudada para vestibulares</span></a><span style="font-weight: 400;">, analisada por pesquisadores e ouvida sagradamente pelos apaixonados pelo Buarque-filho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O disco chegou </span><i><span style="font-weight: 400;">quase </span></i><span style="font-weight: 400;">integralmente às lojas. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6OoyRyePx6o&amp;list=PLVnkoLiLMTm6iJV3-bYN6I5lwBBJZLOQy&amp;index=7"><i><span style="font-weight: 400;">Samba de Orly</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que foi escrita com Toquinho e Vinícius de Moraes, precisou passar por adaptações para conseguir a aprovação dos censores. </span><i><span style="font-weight: 400;">Pela omissão, um tanto forçada</span></i><span style="font-weight: 400;"> se tornou </span><i><span style="font-weight: 400;">pela duração, dessa temporada</span></i><span style="font-weight: 400;">, que é especificamente o verso que Vinícius contribuiu à faixa. Mesmo sendo o samba mais animado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Construção</span></i><span style="font-weight: 400;">, a vividez dos instrumentos disfarça o fato de ter sido feito ainda na Itália, como se o carioca exilado enviasse suas lembranças à Cidade Maravilhosa, cheio de saudade de casa. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XjWSYQwR-4I&amp;list=PLVnkoLiLMTm6iJV3-bYN6I5lwBBJZLOQy&amp;index=3"><i><span style="font-weight: 400;">Desalento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por sua vez, foi órfã de outro trabalho. No começo de 1970, Chico lançou um compacto com duas músicas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LZJ6QGSpVSk"><i><span style="font-weight: 400;">Apesar de você</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Desalento</span></i><span style="font-weight: 400;">. Comicamente, o registro foi liberado pela censura, que não sacou a acidez impenetrável da primeira canção. Quando os militares voltaram atrás, apenas a parceira ganhou passe livre para integrar o disco posterior. Assim como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SyDrAH5jrqw&amp;list=PLVnkoLiLMTm6iJV3-bYN6I5lwBBJZLOQy&amp;index=6"><i><span style="font-weight: 400;">Olha Maria (Amparo)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que tem piano de </span><a href="https://cultura.uol.com.br/radio/programas/tom-jobim/2021/02/19/21_as-parcerias-de-tom-jobim-com-vinicius-de-moraes-e-chico-buarque.html"><span style="font-weight: 400;">Tom Jobim</span></a><span style="font-weight: 400;"> e parceria com Moraes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Desalento</span></i><span style="font-weight: 400;"> não possui nenhuma roupagem política bem definida, mas a atmosfera desiludida e abatida de ambas as faixas refletiam muito do sentimento geral da população brasileira.</span></p>
<figure id="attachment_21235" aria-describedby="caption-attachment-21235" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21235" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/MPB-4-2.jpg" alt="" width="1600" height="1040" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/MPB-4-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/MPB-4-2-800x520.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/MPB-4-2-1024x666.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/MPB-4-2-768x499.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/MPB-4-2-1536x998.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/MPB-4-2-1200x780.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21235" class="wp-caption-text">Chico era quase o quinto membro do grupo MPB4, tanto que <span style="font-weight: 400;">s vozes do conjunto aparecem nas músicas Deus lhe Pague, Desalento, Construção, Samba de Orly e Minha História </span>(Foto: <a href="https://acervofolha.blogfolha.uol.com.br/2017/10/21/ha-50-anos-festival-da-tv-record-reuniu-roberto-carlos-gil-caetano-e-chico-e-deu-novo-rumo-a-mpb/">Folha de S. Paulo</a>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se de um lado Chico constrói músicas explicitamente críticas e do outro ele cria melodias românticas mais suaves, o que há no meio? A resposta é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cPxuSErXvsQ&amp;list=PLVnkoLiLMTm6iJV3-bYN6I5lwBBJZLOQy&amp;index=5"><i><span style="font-weight: 400;">Cordão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a quinta entre as dez canções do LP. Sutil e amena à primeira vista, é repetindo a afirmação de </span><i><span style="font-weight: 400;">que ninguém vai me acorrentar enquanto eu puder cantar</span></i><span style="font-weight: 400;"> que Chico ganhou mais um carimbo de </span><i><span style="font-weight: 400;">vetado</span></i><span style="font-weight: 400;"> do governo. </span><i><span style="font-weight: 400;">Nas grades do coração </span></i><span style="font-weight: 400;">teve que se transformar em </span><i><span style="font-weight: 400;">as portas do coração</span></i><span style="font-weight: 400;">, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Cordão </span></i><span style="font-weight: 400;">foi considerada um protesto contra a ordem vigente, mesmo com suas múltiplas interpretações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Independente das músicas serem analisadas em grupo ou individualmente, não se pode separá-las da obra como um todo. Cada escolha musical e narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Construção </span></i><span style="font-weight: 400;">equivale a um alicerce que mantém o disco de pé meio século após seu lançamento. A coerência estética e temática de Chico Buarque é como uma criatura ainda viva, se alimentando dos rumos do país que a criou, ora debochando, ora estrebuchando.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A própria </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dHYOVuq_Fco&amp;list=PLVnkoLiLMTm6iJV3-bYN6I5lwBBJZLOQy&amp;index=2"><i><span style="font-weight: 400;">Cotidiano</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que viria a se tornar um dos maiores clássicos da discografia de Buarque, é desenvolvida com ironia repetitiva para relatar a rotina entediada da vida de um casal comum. Brincando com construções iniciadas por </span><i><span style="font-weight: 400;">todo dia</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cotidiano </span></i><span style="font-weight: 400;">serve para cansar – cansar o cantor, o ouvinte e os personagens. E, claro, isso é o que torna a música ainda mais atraente, principalmente quando contraposta com o romantismo breve e idealizado de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RhLJFYwutUs&amp;list=PLVnkoLiLMTm6iJV3-bYN6I5lwBBJZLOQy&amp;index=8"><i><span style="font-weight: 400;">Valsinha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Re: CHICO BUARQUE toquinho samba de orly" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/68m7W9cVup4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gZEivZvGohs&amp;list=PLVnkoLiLMTm6iJV3-bYN6I5lwBBJZLOQy&amp;index=9"><i><span style="font-weight: 400;">Minha História</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, versão de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bL3b2qLrRdw"><i><span style="font-weight: 400;">Gesù Bambino</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dos italianos Lucio Dalla e Paola Pallottino, abre os caminhos para a finalização de </span><i><span style="font-weight: 400;">Construção</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas por se tratar de uma letra que referenciava Jesus em meio a </span><i><span style="font-weight: 400;">ladrões e amantes</span></i><span style="font-weight: 400;"> – afinal, segundo a Bíblia, Jesus andou entre soldados e governantes, não é? –, o nome de </span><i><span style="font-weight: 400;">Menino Jesus </span></i><span style="font-weight: 400;">foi barrado. Depois de tanta dureza, não é de se surpreender que Chico opte por finalizar seu disco com um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TdtLk3005BM&amp;list=PLVnkoLiLMTm6iJV3-bYN6I5lwBBJZLOQy&amp;index=10"><i><span style="font-weight: 400;">Acalanto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, feito para sua filha Helena, na época com um ano. Mesmo com o tom lúdico e sereno, o recado do compositor está claro: </span><i><span style="font-weight: 400;">não vale a pena despertar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Não nesse mundo, não nesse país.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há muito ainda o que se discutir sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">Construção</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2018/05/01/construcao-album-que-expos-evolucao-poetica-de-chico-e-relancado-em-lp.ghtml"><span style="font-weight: 400;">50 anos depois</span></a><span style="font-weight: 400;">, em um Brasil que teima em eleger generais, que sustenta um genocida responsável por quase 500 mil mortes, não é à toa que </span><a href="http://www.chicobuarque.com.br/texto/entrevistas/entre_realidade.htm"><span style="font-weight: 400;">Chico</span></a><span style="font-weight: 400;"> esteja guardado a sete chaves dentro de sua casa. O registro buarqueano pertence, mais do que nunca, à atualidade. O Brasil ainda está em construção, e seus tijolos, infelizmente, são erguidos com o sangue do próprio povo. Mas amanhã vai ser outro dia.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Construção" width="100%" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/7yrRo2o4XzDfv3mNnkPRE5"></iframe></p>
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		<title>Do Not Split: a liberdade de expressão agoniza em Hong Kong</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Apr 2021 22:12:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jho Brunhara Poder e território estão atrelados desde que o primeiro homem cercou um pedaço de terra e chamou de seu. Em meu texto mais recente publicado no Persona, discuti sobre os problemas que o nacionalismo gera. Coincidentemente, Do Not Split (不割席) é mais uma produção que retrata perfeitamente os perigos de nações soberanas e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/do-not-split-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Do Not Split: a liberdade de expressão agoniza em Hong Kong"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20229" aria-describedby="caption-attachment-20229" style="width: 1465px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20229" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/DoNotSplit_10.jpg" alt="Cena do curta Do Not Split. Ao centro, vemos um grupo de policiais prendendo um manifestante honconguês. O manifestante está sendo segurado por um homem de boné com um mata leão. Pessoas em volta estão gravando a cena utilizando celulares. " width="1465" height="974" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/DoNotSplit_10.jpg 1465w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/DoNotSplit_10-300x199.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/DoNotSplit_10-1024x681.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/DoNotSplit_10-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/DoNotSplit_10-1200x798.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20229" class="wp-caption-text">Do Not Split está indicado ao Oscar 2021 na categoria Melhor Documentário em Curta-Metragem (Foto: Field of Vision)</figcaption></figure>
<p><b>Jho Brunhara</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Poder e território estão atrelados desde que o primeiro homem cercou um pedaço de terra e chamou de seu. Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-present-farah-nabulsi-critica/"><span style="font-weight: 400;">meu texto mais recente</span></a><span style="font-weight: 400;"> publicado no Persona, discuti sobre os problemas que o nacionalismo gera. Coincidentemente, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BpS-Y7ndNeQ&amp;ab_channel=FieldofVision"><i><span style="font-weight: 400;">Do Not Split (不割席)</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é mais uma produção que retrata perfeitamente os perigos de </span><a href="https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/qual-a-diferenca-entre-patriotismo-e-nacionalismo/"><span style="font-weight: 400;">nações soberanas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e minorias execradas. Nesse documentário em forma de curta-metragem dirigido pelo norueguês Anders Hammer e produzido pela americana Charlotte Cook, acompanhamos os </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-50457821"><span style="font-weight: 400;">protestos de Hong Kong</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2019 e 2020 contra a tentativa de criação de uma </span><a href="https://oglobo.globo.com/mundo/entenda-por-que-uma-nova-lei-de-extradicao-vem-causando-protestos-em-hong-kong-23731229"><span style="font-weight: 400;">Lei de Extradição</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre a ilha e a China continental, que ameaçaria a autonomia e liberdade jurídica honconguesa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eventualmente, as manifestações evoluíram para o lema “</span><a href="https://super.abril.com.br/sociedade/o-que-querem-os-manifestantes-de-hong-kong-afinal/"><i><span style="font-weight: 400;">cinco demandas, nenhuma a menos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”: retirar completamente o projeto da Lei de Extradição; não caracterizar os protestos como motins; retirar acusações contra manifestantes que foram presos; organizar uma comissão independente para investigar abuso de força policial; e a renúncia de Carrie Lam, atual chefe executiva, e a implementação de um sufrágio universal para eleição do Conselho Legislativo e chefe executivo.<br />
</span></p>
<p><span id="more-20228"></span></p>
<figure id="attachment_20230" aria-describedby="caption-attachment-20230" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20230" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Ew22G-JWgAY_W0B-scaled.jpg" alt="Cena do curta Do Not Split. Em meio a fumaça de gás lacrimogêneo, podemos ver vários manifestantes pró-Hong Kong segurando guarda chuvas. Eles estão em uma rua, é noite, e há um edifício comercial ao lado direito." width="2560" height="1298" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Ew22G-JWgAY_W0B-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Ew22G-JWgAY_W0B-300x152.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Ew22G-JWgAY_W0B-1024x519.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Ew22G-JWgAY_W0B-768x389.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Ew22G-JWgAY_W0B-1536x779.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Ew22G-JWgAY_W0B-2048x1038.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Ew22G-JWgAY_W0B-1200x608.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20230" class="wp-caption-text">&#8220;Liberate Hong Kong, revolution of our times&#8221; (Foto: Field of Vision)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contexto rápido da </span><a href="https://exame.com/blog/negocios-da-china/ate-onde-vai-o-conflito-entre-china-e-hong-kong/"><span style="font-weight: 400;">situação entre Hong Kong e a China continental</span></a><span style="font-weight: 400;">: a ilha era parte da Dinastia Qing até 1842, quando foi forçadamente entregue ao Império Britânico através do </span><a href="https://operamundi.uol.com.br/historia/37642/hoje-na-historia-1842-tratado-de-nanquim-encerra-guerra-do-opio-entre-chineses-e-britanicos"><span style="font-weight: 400;">Tratado de Nanquim</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em 1972, a República Popular da China solicitou que Hong Kong fosse removida da lista da ONU de territórios não autônomos, impedindo que tivesse o direito de declarar independência. Em 1984, foi estabelecido um </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/1984-tratado-para-devolver-hong-kong/a-707452"><span style="font-weight: 400;">novo acordo entre Reino Unido e China</span></a><span style="font-weight: 400;">: a soberania de Hong Kong seria devolvida ao território chinês, processo que foi concluído em 1997. Entre os termos para a ‘devolução’, os principais garantiam que a ilha mantivesse a diferença de seus sistemas econômico, político e jurídico após a transferência, e o desenvolvimento futuro de um governo democrático. Também foi criada uma semi-constituição, a </span><a href="https://oglobo.globo.com/mundo/entenda-lei-de-um-pais-dois-sistemas-que-esta-no-centro-da-disputa-entre-hong-kong-pequim-23869497"><span style="font-weight: 400;">Lei Básica de Hong Kong</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos últimos anos, o descontentamento dos honcongueses vem das diversas investidas do Partido Comunista Chinês, que representa a China continental. Além da retórica contra o sistema político e jurídico da ilha, há uma tentativa constante de </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/lei-china-hong-kong-autonomia/"><span style="font-weight: 400;">desconsiderar as garantias democráticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Lei Básica. A distância entre os dois lados aumenta também por diferenças culturais: Hong Kong não foi igualmente influenciada pela revolução político-ideológica de Mao Tsé-Tung, e a ilha tem como língua predominante o cantonês, em contraponto ao mandarim na China continental. </span></p>
<figure id="attachment_20231" aria-describedby="caption-attachment-20231" style="width: 1100px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20231" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/200707-5-1100.jpg" alt="Cena do curta Do Not Split. Vemos três jovens em movimento, de costas para a câmera. A primeira, à esquerda, é uma mulher. Não podemos ver seu rosto, mas sua pele é clara, seu cabelo é comprido e preto e está preso em um rabo de cavalo. Ela usa uma blusa branca e uma saia preta, assim como tênis branco e uma faixa branca na perna direita. Ao seu lado, um homem empurra um carrinho de supermercado. Ele está todo de preto, com uma mochila azul nas costas e proteções nos cotovelos. Dentro do carrinho, há uma caixa branca de papelão. À direita, um último homem também corre. Ele usa capacete, máscara preta, blusa e calça pretas e um cassetete nas costas. Os três estão em uma rua, com lojas ao fundo." width="1100" height="619" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/200707-5-1100.jpg 1100w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/200707-5-1100-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/200707-5-1100-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/200707-5-1100-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20231" class="wp-caption-text">Apesar de estar o tempo todo no núcleo do conflito em Hong Kong, o filme de Hammer e Cook, que está <a href="https://www.youtube.com/watch?v=BpS-Y7ndNeQ&amp;ab_channel=FieldofVision">disponível de graça</a> no YouTube, é uma produção americana-norueguesa e traz uma visão estrangeira ao conflito (Foto: Field of Vision)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, chegamos em </span><i><span style="font-weight: 400;">Do Not Split</span></i><span style="font-weight: 400;">. O documentário de Anders Hammer está o tempo todo no olho do conflito, às vezes até perto demais. Ao longo de um ano de gravação, somos colocados dentro das passeatas, como a de 16 de junho, que reuniu </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/06/16/internacional/1560692921_683769.html"><span style="font-weight: 400;">duas milhões de pessoas</span></a><span style="font-weight: 400;"> segundo a </span><i><span style="font-weight: 400;">Civil Human Rights Front</span></i><span style="font-weight: 400;">. Estamos na linha de frente, ao lado de manifestantes enquanto preparam coquetéis </span><i><span style="font-weight: 400;">molotov</span></i><span style="font-weight: 400;">, enquanto tossem pelo gás lacrimogêneo e correm das balas de borracha (ou balas reais) utilizadas pelos soldados chineses. Ficamos presos dentro da Universidade Chinesa de Hong Kong durante um </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/11/18/internacional/1574078849_630583.html"><span style="font-weight: 400;">cerco policial</span></a><span style="font-weight: 400;">, e dormimos no chão da pista de atletismo. Nos escondemos dentro de edifícios comerciais, protegidos pelos locais. Assistimos dezenas, centenas, milhares de prisões e brutal violência da polícia. Sonhamos com uma resolução democrática, e infelizmente, tememos, junto aos ativistas e civis, a evolução da ameaça contra as liberdades políticas de Hong Kong.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As imagens de Hammer são espetaculares, inspiradoras e dolorosas, e a narrativa e a importância política não ficam atrás. Não à toa a produção está indicada ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-sobre-os-indicados-ao-oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Documentário em Curta-Metragem</span></a><span style="font-weight: 400;">, e já é a terceira nomeação da produtora </span><i><span style="font-weight: 400;">Field of Vision</span></i><span style="font-weight: 400;">. Infelizmente, o fato de </span><i><span style="font-weight: 400;">Do Not Split </span></i><span style="font-weight: 400;">estar concorrendo ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-sobre-os-indicados-ao-oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">fez com que autoridades chinesas proibissem a exibição da premiação no dia 25 de abril em todo o território. A decisão da China só dá respaldo ainda maior para o curta, que acaba também entrando na luta contra a censura e se estabelecendo como resistência.</span></p>
<figure id="attachment_20232" aria-describedby="caption-attachment-20232" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20232" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2019-12-08T100001Z_112654505_RC2YQD94GW0J_RTRMADP_3_HONGKONG-PROTESTS.jpg" alt="Fotografia de um protesto na cidade de Hong Kong. Em primeiro plano vemos um manifestante usando uma máscara do Guy Fawkes. Ele segura uma bandeira com os escritos FREE HONG KONG - REVOLUTION NOW. Ao fundo, podemos ver uma rua com milhares de manifestantes, preenchida de calçada a calçada. Aos lados, diversos prédios altos e fachadas de lojas. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2019-12-08T100001Z_112654505_RC2YQD94GW0J_RTRMADP_3_HONGKONG-PROTESTS.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2019-12-08T100001Z_112654505_RC2YQD94GW0J_RTRMADP_3_HONGKONG-PROTESTS-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2019-12-08T100001Z_112654505_RC2YQD94GW0J_RTRMADP_3_HONGKONG-PROTESTS-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2019-12-08T100001Z_112654505_RC2YQD94GW0J_RTRMADP_3_HONGKONG-PROTESTS-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2019-12-08T100001Z_112654505_RC2YQD94GW0J_RTRMADP_3_HONGKONG-PROTESTS-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20232" class="wp-caption-text">A China usou a pandemia como justificativa para adiar as eleições legislativas de Hong Kong, nas quais a oposição tinha chances de vencer em maioria (Foto: Danish Siddiqui/Reuters)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 30 de junho de 2020, o Congresso Nacional do Povo chinês implementou a controversa </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-53236726"><span style="font-weight: 400;">Lei de Segurança Nacional de Hong Kong</span></a><span style="font-weight: 400;">, com objetivo de </span><a href="https://veja.abril.com.br/mundo/como-o-governo-chines-calou-as-manifestacoes-populares-em-hong-kong/"><span style="font-weight: 400;">impedir protestos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e banir qualquer ato ou atividade que o governo considere como uma </span><a href="https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/internacional/2020/07/750090-hong-kong-veta-candidaturas-pro-democracia-com-base-em-lei-de-seguranca-nacional.html"><span style="font-weight: 400;">ameaça</span></a><span style="font-weight: 400;"> à China. A nova legislação também permite que as agências de segurança nacional do governo chinês operem na ilha. Desde que entrou em vigor, centenas já foram </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/04/01/ativistas-pro-democracia-de-hong-kong-sao-condenados-por-ato-em-2019.ghtml"><span style="font-weight: 400;">presos</span></a><span style="font-weight: 400;"> sob os novos termos, e outros vivem em constante medo de represálias, já que as condenações podem chegar a 30 anos de encarceramento. Os manifestantes continuam a buscar formas de continuar com o movimento, e como o próprio título do documentário sugere, </span><i><span style="font-weight: 400;">eles não vão se dispersar</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Field of Vision - Do Not Split" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/BpS-Y7ndNeQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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