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	<title>Arquivos 30 anos &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos 30 anos &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Já faz 30 anos que Novo Pesadelo – O Retorno de Freddy Krueger deixa Hollywood sem dormir</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Dec 2024 18:40:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo  Franquias em Hollywood não faltam, tem para todo tipo e gosto. Mas o que acontece quando elas, ou até mesmo um gênero, se tornam um pesadelo? Quando em 1984, o primeiríssimo A Hora do Pesadelo estreou, mal sabia Wes Craven que, dez anos mais tarde teria, que desconstruir sua maior criação: Freddy Krueger. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/novo-pesadelo-o-retorno-de-freddy-krueger-30-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Já faz 30 anos que Novo Pesadelo – O Retorno de Freddy Krueger deixa Hollywood sem dormir"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34601" aria-describedby="caption-attachment-34601" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34601" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image4-3-800x427.png" alt="Cena do filme O Novo Pesadelo – O Retorno de Freddy KruegerNa imagem, o personagem Freddy Krueger está centralizado, fazendo uma pose de mau. Ele está mostrando a parte de cima da mão direita, que possui garras e está em carne viva e ossos aparentes. Seu rosto está também ferido, com carne e pele clara se misturando. Seus olhos são verdes. Ele veste um suéter de frio com listras vermelhas e verde escuro." width="800" height="427" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image4-3-800x427.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image4-3-1024x546.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image4-3-768x410.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image4-3.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34601" class="wp-caption-text">Na versão original, o nome do autor aparece antes do título do filme, Wes Craven&#8217;s New Nightmare (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Franquias em Hollywood não faltam, tem para todo tipo e gosto. Mas o que acontece quando elas, ou até mesmo um gênero, se tornam um pesadelo? Quando em 1984, o primeiríssimo </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-hora-do-pesadelo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Hora do Pesadelo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> estreou, mal sabia Wes Craven que, dez anos mais tarde teria, que desconstruir sua maior criação: Freddy Krueger. O </span><i><span style="font-weight: 400;">Novo Pesadelo &#8211; O Retorno de Freddy Krueger</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1994) completa 30 anos em 2024 com muita coisa a ensinar ao Cinema, principalmente ao de super-heróis. </span></p>
<p><span id="more-34600"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do primeiro e último filme (até 1994), a saga teve outras cinco </span><a href="https://tecnoblog.net/responde/a-ordem-dos-filmes-da-franquia-a-hora-do-pesadelo/"><span style="font-weight: 400;">sequências</span></a><span style="font-weight: 400;">, todas com outros diretores, algumas com outros protagonistas e uma que até ignora o original. Chegou um momento em que o título original, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Nightmare On Elm Street</span></i><span style="font-weight: 400;"> (algo como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pesadelo da Rua Elm</span></i><span style="font-weight: 400;">, em tradução livre) perdeu sentido: a rua nem era mais a protagonista. O local onde os jovens de 1984 viviam é de suma importância para narrativa; a residência que deveria ser lar de proteção é inseguro, namorados e amigos moram em frente, as relações entre os personagens e o público são dependentes da geografia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os personagens deixaram de ser filhos dos responsáveis pela morte de Krueger (Robert Englund) e, cada vez mais, os longas entravam em uma espiral de novos conceitos mirabolantes</span> <span style="font-weight: 400;">e cenas de ação (não mais Terror) cada vez mais absurdas, tudo para, de alguma forma, manter-se relevante e cativante ao público. Diferente de outros </span><a href="https://personaunesp.com.br/chucky-1a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">assassinos</span></a> <i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i><span style="font-weight: 400;">, subgênero que sofreu com um tremendo desgaste nas décadas de  1980 e 1990, os filmes do ‘bicho-papão’ não são de todo mal. O quarto filme possui uma atmosfera </span><i><span style="font-weight: 400;">teen </span></i><span style="font-weight: 400;">maravilhosa, que combina bem com o fim dos sonhos – afinal, quem mais aspira do que adolescentes? –, e, com todo teor </span><i><span style="font-weight: 400;">gay</span></i><span style="font-weight: 400;">, o segundo, apesar das </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-scream-queen-my-nightmare-on-elm-street/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">polêmicas</span></a><span style="font-weight: 400;">, é excelente. Ainda com acertos, os pesadelos ficaram piores e desconectados do que um dia foi a rua Elm.</span></p>
<figure id="attachment_34602" aria-describedby="caption-attachment-34602" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34602" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image2-4-800x450.png" alt="Cena do filme O Novo Pesadelo – O Retorno de Freddy KruegerNa imagem, a personagem Heather está com expressão de medo. Ela é uma mulher branca, na faixa dos 30 anos, de cabelos claros e cacheados. Seu olho é azul. Ela usa uma roupa escura e um colar. O cenário é um quarto comum, com uma cama e quadro atrás." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image2-4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image2-4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image2-4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image2-4.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34602" class="wp-caption-text">Embora seja a protagonista do clássico de 1984, Heather Langenkamp estrela apenas três longas (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de tanta profanação, como fazer do pesadelo um sonho? Wes Craven achou a saída na metalinguagem. Transformou </span><i><span style="font-weight: 400;">A Hora do Pesadelo</span></i><span style="font-weight: 400;"> em um mero filme dentro de outro filme, e a protagonista Nancy (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=81oLzV3Ln-w"><span style="font-weight: 400;">Heather Langenkamp</span></a><span style="font-weight: 400;">),</span><span style="font-weight: 400;"> na verdade, é Heather, uma atriz de Hollywood. Na trama, ela convive com intensos terremotos e ligações ameaçadoras, a situação se agrava quando seu filho começa a ter crises de sonambulismo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo das sequências, Krueger virou um ícone da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, e passou de vilão para um personagem ácido e carismático. Quando Wes Craven deu à luz ao ícone, ele havia atribuído tais características, porém, ainda parecia apavorante. A partir do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=edFS5W68b8s"><span style="font-weight: 400;">terceiro filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> não mais tememos os pesadelos, mas ansiamos para vê-los. Então, o diretor e roteirista decide repaginá-lo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Novo Pesadelo</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele perde a ‘malemolência’, agora, é malvado em sua totalidade, como um fenômeno da natureza, definido por nascença. Além de mudar a aparência, </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-25-anos/"><span style="font-weight: 400;">Craven</span></a><span style="font-weight: 400;"> aposta em uma direção que esconde o personagem. As aparições, em primeiro momento, se garantem em garras saindo do lençol e sentimos a presença de Krueger através de sonhos e elementos familiares, como a cena em que a criança tem facas de cozinha encaixada nos dedos. Quando ele finalmente aparece, é filmado com muita imponência. Ali, o ícone ressuscitava.</span></p>
<figure id="attachment_34603" aria-describedby="caption-attachment-34603" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34603" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image5-2.png" alt="Cena do filme O Novo Pesadelo – O Retorno de Freddy KruegerNa imagem, Freddy Krueger está saindo de dentro de um lençol de cama. O lençol na cor azul está com um buraco, Freddy está com a cabeça saindo para fora, encarando, com uma expressão de raiva. Ele está com as mãos nos cantos, abrindo o buraco para enfim sair do lençol. Na esquerda, sua mão possui garras e está em carne viva e ossos aparentes. Seu rosto está também ferido, com carne e pele clara se misturando. Seus olhos são verdes. O ambiente é um quarto iluminado por uma luz azul, noturna." width="800" height="445" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image5-2.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image5-2-768x427.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34603" class="wp-caption-text">Além de sete longas nas décadas de 1980 e 1990, a franquia teve série de TV, remake e até crossover com Jason de Sexta-Feira 13 (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A estratégia de descrever uma obra por si mesmo foi utilizada, mais uma vez pelo diretor, dois anos mais tarde, no célebre </span><a href="https://personaunesp.com.br/ironico-autoconsciente-como-panico-mudou-para-sempre-genero-terror/"><i><span style="font-weight: 400;">Pânico</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">(1996), que também crítica o desgaste do gênero. No entanto, não é ‘só’ isso que é motivo de êxtase no último filme da rua Elm dirigido por Wes Craven. </span><i><span style="font-weight: 400;">Branca de Neve</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Chapeuzinho Vermelho</span></i><span style="font-weight: 400;">, todos contos de fada que você já leu, ouviu, assistiu e sabe se lá mais o que fizeram com eles, também se tornaram banais, fato é que perderam até o tom macabro pós-adaptação da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Q_b3xfWjQd4"><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O cineasta, então, permite fazer de Freddy Krueger como um conto, capturado por ele e usado tantas vezes que perdeu o sentido e o medo. Só quem poderia sentir medo seria uma criança, que nunca tivera antes contato com esse personagem. Nessa hora, Dylan (Miko Hughes), filho de Heather, entra na história. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O papel inverte, Heather agora é a mãe que precisa proteger, não mais ser protegida. Nessa tarefa, a nota dela é dez. No que pode ser considerado como um dos grandes momentos do filme, ela confronta médicos que a julgam de louca, mas é ela quem entra no mundo dos pesadelos para salvar seu filho. Em uma bela alusão ao conto </span><i><span style="font-weight: 400;">João e Maria</span></i><span style="font-weight: 400;">, dos irmãos </span><a href="https://olhardigital.com.br/2024/06/13/cinema-e-streaming/os-10-melhores-filmes-e-series-baseados-nos-contos-dos-irmaos-grimm/"><span style="font-weight: 400;">Grimm</span></a><span style="font-weight: 400;">, que é lido por ela antes de pôr o menino para dormir, eles conseguem, juntos, enfiar Krueger no forno. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Wes Craven entende que, para novamente provocar medo, é preciso voltar às origens, no que provocava medo no passado e o que faz o público fazer xixi nas calças: a relação de mãe e filho parece uma boa pedida. Uma mãe que luta e acredita em seu filho. Nada adianta sonhos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IG1nFowtY1c"><span style="font-weight: 400;">megalomaníacos</span></a><span style="font-weight: 400;"> se a conexão de espectador com personagens seja escassa, inclusive, todas as sequências oníricas do filme nem passam perto da loucura dos filmes anteriores. São  mais sutis e simples. </span></p>
<figure id="attachment_34604" aria-describedby="caption-attachment-34604" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34604" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image1-3.png" alt="Cena do filme O Novo Pesadelo – O Retorno de Freddy KruegerNa imagem, Dylan tem facas coladas com esparadrapo nos dedos da mão direita, que está levantada em pose de ataque. A expressão do garoto é de raiva. Ele está na cozinha, ao fundo, em desfoque, há mesa, cadeiras, bancada e utensílios de cozinha. A iluminação é azul escuro. Dylan é uma criança na faixa dos 10 anos, de cabelos castanhos curtos e lisos, pele clara. Ele veste um pijama xadrez verde e branco. Ele veste uma blusa de manga longa." width="800" height="445" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image1-3.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image1-3-768x427.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34604" class="wp-caption-text">Miko Hughes ficou conhecido por seu papel como Aaron em Full House (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal movimento sobre o gênero se repete agora com o de super-herói. O número de produções ao ano aumentou desde o pré-histórico </span><i><span style="font-weight: 400;">X-Men </span></i><span style="font-weight: 400;">(2000), assim, o público caminha para uma certa saturação – ainda que alguns filmes alcancem uma </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/deadpool-e-wolverine-se-torna-21a-maior-bilheteria-da-historia"><span style="font-weight: 400;">bilheteria grande</span></a><span style="font-weight: 400;"> – e as histórias ficam cada vez mais maximalistas. Porém, com a repetição formulaica e visando somente lucro, a potência desses atos ficaram </span><a href="https://medium.com/@davimarcelgo10/aquilo-que-j%C3%A1-foi-especial-alien-1979-de-ridley-scott-e816e657d218"><span style="font-weight: 400;">vazios</span></a><span style="font-weight: 400;">. Um raio azul em Nova York é só um raio azul; um primeiro voo é só um voo; vestir o traje é vestir pijama. Assim como o </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i><span style="font-weight: 400;"> perdeu o poder de apavorar, os heróis </span><a href="https://personaunesp.com.br/vidro-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">não encantam</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/deadpool/"><i><span style="font-weight: 400;">Deadpool</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2016) fez uma espécie de crítica aos arquétipos e clichês dos filmes, mas nada tão a fundo quanto </span><a href="https://open.spotify.com/episode/5zlti0db2GdGXN2KsH56AB?si=_Yo_yg6pTraNbHfGliww9g"><i><span style="font-weight: 400;">Deadpool &amp; Wolverine</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2024) fez ao esbanjar da metalinguagem e auto referências de estúdios. O fato é que Shawn Levy, o diretor, não é Wes Craven. A função linguística é usada por mero </span><i><span style="font-weight: 400;">fanservice</span></i><span style="font-weight: 400;">, não para discutir como está o gênero e para onde ele vai. Os poucos filmes que deram certo na leva pós </span><a href="https://personaunesp.com.br/vingadores-ultimato-critica/"><span style="font-weight: 400;">Vingadores: Ultimato</span></a><span style="font-weight: 400;"> (2019) foram justamente os que tinham um certo coração, de personagens com vínculos entre si e com público, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/guardioes-da-galaxia-vol-3-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Guardiões da Galáxia Vol.3</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2023). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Coincidentemente, James Gunn, diretor da trilogia cósmica da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">, está no comando de </span><i><span style="font-weight: 400;">Superman</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2025) e, talvez, este filme seja a resposta para o desgaste de gênero de super-herói. Retornando às origens, ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Superman: The Movie </span></i><span style="font-weight: 400;">(1978) de Christopher Reeve, a inocente cueca por baixo da calça, aos </span><a href="https://www.omelete.com.br/superman/superman-james-gunn-explica-krypto-supercao"><i><span style="font-weight: 400;">pets</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, às histórias sinceras e não cínicas ou </span><a href="https://personaunesp.com.br/batman-vs-superman-uma-batalha-perdida/"><span style="font-weight: 400;">pessimistas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Por ironia do destino, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico </span></i><span style="font-weight: 400;">já está cambaleando e sofrendo dos mesmos efeitos que um dia </span><i><span style="font-weight: 400;">Hora do Pesadelo</span></i><span style="font-weight: 400;"> sofreu.</span></p>
<figure id="attachment_34605" aria-describedby="caption-attachment-34605" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34605" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image3-3-800x450.png" alt="Cena do filme O Novo Pesadelo – O Retorno de Freddy KruegerNa imagem, Freddy Krueger e Dylan estão de frente um para o outro. Dylan no lado direito, de costas. Krueger está do lado esquerdo, com a boca arreganhada, o queixo para baixo do pescoço, pronta para devorar Dylan. Dylan é um garoto na faixa dos 10 anos, de cabelos castanhos curtos e lisos, pele clara. Freddy Krueger tem o rosto com cicatrizes, com carne e pele clara se misturando. Seus olhos são verdes. Ambos estão dentro de uma fornalha. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image3-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image3-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image3-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image3-3-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image3-3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image3-3.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34605" class="wp-caption-text">Freddy Krueger foi inspirado em um acontecimento da infância do próprio Wes Craven (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A metalinguagem não é mais novidade e a graça de adivinhar quem é o </span><i><span style="font-weight: 400;">ghostface </span></i><span style="font-weight: 400;">já virou conto de natal. Guilherme Leal, redator do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> – olha aqui a metalinguagem –em sua crítica sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">Pânico 6</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2023), diz que “</span><i><span style="font-weight: 400;">seria bom dar um descanso a sua imagem e deixá-lo se aposentar como um personagem icônico em vez de torná-lo maçante e superficial</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Era esse o sentimento na década de 1990, antes de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Novo Pesadelo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Infelizmente, Wes Craven não está mais entre nós para tirar sarro de sua própria criação e movimento, porque ele sim iria garantir ao seu público fiel, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-6-critica/"><span style="font-weight: 400;">pior noite de sono de suas vidas</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É como se o gênero tivesse nascido com ele. Afinal, desconstruir sua maior </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NNpXeiLGOzA"><span style="font-weight: 400;">criação</span></a><span style="font-weight: 400;">, deixá-lo de cara limpa e, ainda assim, manter a curiosidade, o suspense e a tensão na trama, ao mesmo tempo que critica a indústria – sobre fenômenos que acontecem ainda hoje – enquanto equilibra todos esses elementos em um filme que não deixa a ‘peteca’ cair, não é para qualquer um. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cineasta intensifica os tormentos porque entende o Terror, o buscando nas origens e nas primeiras histórias que apavoram crianças. Acima de tudo, tal como uma criança chama de madrugada pela mãe, Wes Craven sabe que apenas quem nos ama pode nos tirar do pior pesadelo. Hollywood precisa olhar para as origens e traçar novos caminhos, aprender com Wes Craven, que sempre amou o Terror e foi um dos responsáveis pela solidificação do gênero nos EUA. Chegou a hora de chamar o pai.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/novo-pesadelo-o-retorno-de-freddy-krueger-30-anos/">Já faz 30 anos que Novo Pesadelo – O Retorno de Freddy Krueger deixa Hollywood sem dormir</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Há 30 anos, Jurassic Park marcava a história do Cinema e a memória de gerações</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jun 2023 21:16:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Lara Fagundes “Bem vindos ao Jurassic Park!” É com essa frase que o casal de apaixonados por dinossauros, Alan Grant (Sam Neil) e Ellie Satler (Laura Dern), é recebido na Ilha Nublar. Também é dessa forma que Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros foi apresentado ao público nos cinemas em 1993, por Steven Spielberg. O &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/jurassic-park-30-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 30 anos, Jurassic Park marcava a história do Cinema e a memória de gerações"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31159" aria-describedby="caption-attachment-31159" style="width: 870px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31159" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-2.png" alt="Cena do filme Jurassic Park. A foto mostra o elenco principal. John Hammond, um idoso com barba e cabelos grisalhos, usa uma camisa branca, óculos de grau e um chápeu. Mais para trás, Ian Malcolm, usa camisa e casaco pretos e óculos escuros. Depois, Alan Grant, de camisa jeans, chapéu e uma bandana vermelha no pescoço e Ellie Satler, de camisa azul, blusa rosa por cima, óculos de grau e cabelo preso, loiro. Todos com uma expressão de surpresa no rosto." width="870" height="436" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-2.png 870w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-2-800x401.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image2-2-768x385.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31159" class="wp-caption-text">Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros completa 30 anos em 2023 (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Lara Fagundes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Bem vindos ao Jurassic Park!</span></i><span style="font-weight: 400;">” É com essa frase que o casal de apaixonados por dinossauros, Alan Grant (</span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2023/03/17/sam-neill-ator-de-jurassic-park-diz-que-esta-com-cancer.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Sam Neil</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Ellie Satler (</span><a href="https://cinepop.com.br/mrs-american-pie-serie-de-comedia-com-laura-dern-e-kristen-wiig-ganha-novo-nome-saiba-mais-418709/"><span style="font-weight: 400;">Laura Dern</span></a><span style="font-weight: 400;">), é recebido na Ilha Nublar. Também é dessa forma que </span><i><span style="font-weight: 400;">Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros </span></i><span style="font-weight: 400;">foi apresentado ao público nos cinemas em 1993, por Steven Spielberg. O grande cineasta, já conhecido por </span><i><span style="font-weight: 400;">Tubarão, E.T.: O Extraterrestre</span></i><span style="font-weight: 400;"> e os primeiros </span><i><span style="font-weight: 400;">Indiana Jones, </span></i><span style="font-weight: 400;">dirigiu o</span> <span style="font-weight: 400;">filme que revolucionou a história do Cinema com uma equipe de efeitos visuais dedicada em levar o telespectador de volta a 66 milhões de anos atrás, quando os dinossauros ainda habitavam o planeta. </span></p>
<p><span id="more-31158"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 11 de Junho de 1993, o mundo parou para assistir a icônica história das novas atrações da Ilha Nublar, que se tornou uma das mais famosas assinaturas do </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-sublime-amor-critica/"><span style="font-weight: 400;">diretor</span></a><span style="font-weight: 400;">. Baseado no livro de ficção científica escrito por </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-janeiro-de-2023/"><span style="font-weight: 400;">Michael Crichton</span></a><span style="font-weight: 400;">, que também ajudou nas filmagens, o clássico dos anos 1990 retrata a tão conhecida terra remota onde criaturas jurássicas são colocadas como exibições em um parque temático. Com o roteiro de </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranha-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">David Koepp</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Jurassic Park</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz tudo de melhor do romance de Crichton, além de adicionar mudanças que trouxeram ainda mais vida para a história e conquistaram telespectadores com personagens carismáticos e uma trama inteligente. </span></p>
<figure id="attachment_31160" aria-describedby="caption-attachment-31160" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31160" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image3-3.jpg" alt="Cena do filme Jurassic Park. A foto mostra o elenco principal observando os ovos de dinossauro. Da esquerda para a direita. Ian, de casco preto e óculos escuros. John, de camisa branca e óculos de grau. Ellie, de camisa rosa e óvulos de grau. E Alan, de camisa jeans. Todos fascinados por nove ovos de dinossauro em um grande ninho. Uma mão robótica segura um dos ovos." width="750" height="501" /><figcaption id="caption-attachment-31160" class="wp-caption-text">“Sangue, uma gota contém bilhões de cadeias de DNA: o elemento básico da vida” (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme, John Hammond (</span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2014/08/morre-aos-90-anos-o-ator-e-cineasta-britanico-richard-attenborough.html"><span style="font-weight: 400;">Richard Attenborough</span></a><span style="font-weight: 400;">), um empresário rico, utiliza uma equipe de cientistas para trazer dinossauros de volta à vida a partir do fóssil de um mosquito pré-histórico. Antes da abertura das atrações, ele convida os dois doutores paleontologistas e um matemático (</span><a href="https://www.chippu.com.br/noticias/wicked-jeff-goldblum-esta-em-negociacoes-finais-para-interpretar-o-magico-de-oz"><span style="font-weight: 400;">Jeff Goldblum</span></a><span style="font-weight: 400;">) para serem os profissionais que iriam analisar as criaturas pré-históricas. Acreditando na segurança do local, também permite que seus dois netos, Tim (</span><a href="https://onlineseries.com.br/ele-cresceu-ator-mirim-de-jurassic-park-reaparece-aos-39-anos/"><span style="font-weight: 400;">Joseph Mazzelo</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Lex (</span><a href="https://onlineseries.com.br/estamos-ficando-velhos-atriz-mirim-de-jurassic-park-reaparece-bem-diferente-aos-42-anos/"><span style="font-weight: 400;">Ariana Richards</span></a><span style="font-weight: 400;">), visitem o parque como as primeiras crianças a terem a sensação de estarem rodeadas de dinossauros. Porém, o que era para ser apenas uma visita a um parque temático, se torna uma caótica aventura fugindo dos enormes predadores jurássicos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conforme a trama acontece, os personagens demonstram suas personalidades, permitindo que conheçamos seus passados e como suas interações uns com os outros refletem na história. John é colocado como um personagem otimista e positivo, com ideias cheias de expectativa para o parque. Em contraposição, temos o matemático Ian, que é sarcástico, falando bastante de sua obsessão pela </span><a href="https://econserv.wordpress.com/2016/08/21/a-teoria-do-caos/"><span style="font-weight: 400;">teoria do caos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além deles, temos Alan, que é rude, impaciente e faz questão de mostrar que não gosta da presença das crianças na ilha, enquanto Ellie tem uma postura mais materna em relação aos mais novos. Ela está ali por causa do amor por seu trabalho e poderia fazer qualquer coisa para salvar as criaturas pré-históricas, como demonstra ao encontrar um triceratops doente e enfiar as próprias mãos em uma pilha de fezes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os personagens principais possuem personalidades que se complementam e geram situações e diálogos divertidos e interessantes para o telespectador, que pode entender  melhor a vida de cada um conforme assiste. Steven Spielberg, </span><a href="https://blog.videoperola.com.br/todos-os-filmes-de-steven-spielberg-listados-do-melhor-ao-pior/"><span style="font-weight: 400;">como na maioria dos filmes que dirigiu</span></a><span style="font-weight: 400;">, explora o lado emocional dos  protagonistas, dando atenção para as relações entre eles e as conexões que podem surgir durante a história. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Jurassic Park</span></i><span style="font-weight: 400;">, isso é bem observado nas interações entre Alan e as crianças, Tim e Lex, que se desenvolvem lentamente, indo de completa impaciência para um vínculo profundo, fazendo o personagem ter um arco de amadurecimento durante o longa.</span></p>
<figure id="attachment_31161" aria-describedby="caption-attachment-31161" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31161" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image4-3.jpg" alt="Cena do filme Jurassic Park. Lex, menina loira, usa regata e calça jeans, suja de lama por todo o corpo. Ao lado dela, Alan, homem de camisa jeans, cinto preto, calça bege, uma bandana vermelha no pescoço, sujo de lama, e com um relógio no pulso. E Tim, menino de camiseta listrada e blusa azul por cima, coberto de lama. Os três olham em volta, cercados de grama e folhas." width="750" height="497" /><figcaption id="caption-attachment-31161" class="wp-caption-text">“A vida encontrou um meio” (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de um grande marco para a indústria cinematográfica, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jurassic Park</span></i><span style="font-weight: 400;"> conquistou a memória de mais de uma geração de pessoas com filmagens que permitem que o público sinta todo o medo e a adrenalina dos personagens durante as cenas. O filme arrecadou mais de </span><a href="https://www.omelete.com.br/jurassic-park/6-bilhoes-bilheteria-global"><span style="font-weight: 400;">900 milhões de dólares</span></a><span style="font-weight: 400;"> e se tornou a maior bilheteria do Cinema até o lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Titanic </span></i><span style="font-weight: 400;">em 1997 e, quando foi relançado em 3D, em Abril de 2013, conseguiu arrecadar mais de 100 milhões de dólares. A imensa repercussão permitiu que o longa continuasse até hoje entre os </span><a href="https://www.adorocinema.com/slideshows/filmes/slideshow-124818/"><span style="font-weight: 400;">50 filmes mais assistidos da história</span></a><span style="font-weight: 400;"> e conquistou três estatuetas no </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de 1994, vencendo as categorias de Melhor Som, Melhor Edição de Som e Melhores Efeitos Visuais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com texturas e movimentos impensáveis para a época, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jurassic Park</span></i><span style="font-weight: 400;"> abriu portas para os efeitos especiais ao permitir que os telespectadores pudessem ver dinossauros ganharem vida nas telonas. O filme também foi conhecido por unir gêneros de forma a agradar todo tipo de público: a incrível mistura de terror, suspense, aventura, ficção científica e comédia conquistou fãs pelo mundo todo, além da trama que vai muito além de apenas monstros. </span><a href="https://personaunesp.com.br/retorno-do-cinema-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Spielberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> fez de tudo para retratar os dinossauros como mais do que os vilões da história, já que eles são claramente construídos para mostrar os instintos de uma espécie extinta há milhões de anos, que precisa se adaptar a um mundo completamente novo, em que seu habitat natural já não existe mais. </span></p>
<figure id="attachment_31162" aria-describedby="caption-attachment-31162" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31162" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-3.jpg" alt="Cena do filme Jurassic Park. Ellie, mulher loira com camisa rosa e bermuda cinza, cuids de um triceratops doente deitado na grama. Alan, homem de camisa jeans e calça bege, também tenta ajudar o dinossauro. Atrás, Tim, menino de camisa azul, bermuda e tênis brancos, observa os três." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-3.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/image1-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31162" class="wp-caption-text">Jurassic Park possui seis continuações, sendo divididas em duas trilogias: primeiro a do arco do Parque dos Dinossauros e depois a do mundo dos dinossauros, com Jurassic World (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Spielberg traz pro Cinema uma crítica na qual os dinossauros são os protagonistas. Os cientistas estavam tão preocupados com o experimento de conseguir ou não trazê-los de volta à vida que não pensaram se deveriam fazê-lo, ocasionando todo o ambiente caótico da ilha durante a trama. </span><i><span style="font-weight: 400;">Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros </span></i><span style="font-weight: 400;">sempre fará parte da história do Cinema, seja pelos efeitos visuais revolucionários do início dos anos 1990, seja pela trama que cativou milhares de pessoas ou por tudo que derivou. Sendo uma obra inspirada por um romance de um </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/vitrine/7-ebooks-de-fantasia-e-horror-para-voce-se-arrepiar.phtml"><span style="font-weight: 400;">escritor </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o longa traz a perfeita mistura de uma grande aventura com um contexto inteligente, podendo agradar desde crianças, que se impressionam com os grandes monstros jurássicos, até quem acompanha o contexto com maior fervor crítico ou cinematográfico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o primeiro filme, Spielberg e a equipe de efeitos visuais da </span><a href="https://www.jb.com.br/colunistas/tom-leao/2022/08/1039215-a-magia-do-cinema-atraves-da-tecnologia-da-inovadora-industrial-light-magic.html"><i><span style="font-weight: 400;">Industrial Light &amp; Magic</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> conquistaram um espaço na história cinematográfica com um misto de inovações tecnológicas bem à frente da época, cenas cheias de emoção e aventura e uma trama fascinante. O longa-metragem que iniciou a franquia se destaca entre todas as continuações e foi uma das maiores produções da carreira de Steven Spielberg. Além disso, conseguiu um espaço reservado nos parques da </span><i><span style="font-weight: 400;">Universal Orlando Resort</span></i><span style="font-weight: 400;">, que, este ano, está comemorando o aniversário de 30 anos do filme </span><span style="font-weight: 400;">no parque </span><a href="https://maisorlando.com.br/universal-comemora-30-anos-do-filme-jurassic-park-em-orlando/"><i><span style="font-weight: 400;">Islands of Adventure</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com uma área imersiva que conta até com os característicos portões de entrada.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Jurassic Park - Original Trailer" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/g24fYA3pXKI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma marca na ficção científica e entre as obras que conseguem trazer o telespectador para dentro das telas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jurassic Park</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz a sensação de passar pelas mesmas emoções caóticas de adrenalina e ansiedade durante as fugas e perseguições dos dinossauros. </span><i><span style="font-weight: 400;">O </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g24fYA3pXKI"><i><span style="font-weight: 400;">Parque dos Dinossauros</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">marcou o Cinema da melhor forma possível: conquistando a memória de mais de uma geração de pessoas. Mesmo depois de 30 anos, o longa-metragem se mantém nas lembranças de adultos, jovens, adolescentes e até mesmo de crianças que conheceram a franquia a menos tempo. </span></p>
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		<title>30 anos de Barney e Seus Amigos: um dinossauro magenta é capaz de criar laços de amizade?</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Apr 2022 14:49:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner O que é ser amigo? É brincar depois da escola? Ou ser uma família feliz? Não existe uma única resposta correta para a pergunta. Quando pensamos em amizade, é natural que a nossa mente nos teletransporte para a infância, momento em que os primeiros laços são criados. E não há nada que marque &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/barney-e-seus-amigos-30-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "30 anos de Barney e Seus Amigos: um dinossauro magenta é capaz de criar laços de amizade?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27066" aria-describedby="caption-attachment-27066" style="width: 2450px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27066 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-12.jpg" alt="Foto do elenco do programa infantil Barney e Seus Amigos. Da esquerda para a direita na imagem: uma garota negra de olhos e cabelo escuros está sentada de lado em uma mureta, ela veste uma camiseta xadrez verde e calça e sapatos beges; uma garota branca de olhos e cabelo claros está apoiada com uma mão na corrente de um balanço, ela veste uma camiseta de manga longa azul e uma calça preta; um garoto branco de olhos e cabelo escuros está sentado no gramado com uma bola vermelha em uma de suas mãos, ele usa óculos de grau, veste uma camiseta xadrez azul, uma bermuda azul e calça um tênis preto com meias brancas; uma garota branca de olhos e cabelo escuros está sentada em um balanço ao lado de outra garota, ela veste uma camiseta branca coberta por uma peça rosa; a garota que divide o balanço é branca de olhos e cabelo claros, ela veste uma camiseta azul de botões, uma bermuda cinza e um tênis branco; atrás do balanço onde estão as duas meninas está Baby Bop, uma triceratops verde; um garoto branco de olhos e cabelo claros apoia uma mão na corrente do balanço enquanto segura uma bola de futebol com a outra, ele veste uma camiseta listrada preta e amarela, uma calça jeans azul e um tênis preto e branco; Demi Lovato, pele branca de olhos e cabelos escuros está sentade em uma bola azul, elu usa óculos de grau, veste uma camiseta listrada branca e azul, uma calça e tênis brancos; Barney, um tiranossauro rex magenta está ao lado de Lovato; Selena Gomez, uma garota branca de olhos e cabelo escuros está sentada em uma bola amarela, ela veste uma regata listrada vermelha e branca, uma bermuda jeans, um tênis cinza e meias brancas; B.J, um protoceratops amarelo está atrás de Gomez; um garoto branco de olhos e cabelo escuros está sentado na escada, ele veste uma camiseta de manga longa cinza, uma bermuda branca, um tênis vinho e meias brancas; o último garoto da direita está em pé na escada, ele é branco de olhos e cabelo claros, ele veste uma camiseta azul, uma bermuda marrom, um tênis cinza e meias brancas. O ambiente é um parque de tom marrom e gramado verde" width="2450" height="1685" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-12.jpg 2450w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-12-800x550.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-12-1024x704.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-12-768x528.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-12-1536x1056.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-12-2048x1409.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-12-1200x825.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27066" class="wp-caption-text">Os trinta minutos de cada episódio de Barney &amp; Friends provaram ser suficientes para fidelizar o laço de amizade com a audiência (Foto: Denis Full)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que é ser amigo? É </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=md1-FVWuoLQ"><i><span style="font-weight: 400;">brincar depois da escola</span></i></a><span style="font-weight: 400;">? Ou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5_9hjkG5q2M&amp;list=PLUWG0M1Xz4zDUheUdKq3KJ8gLFAlSBiDX&amp;index=4"><i><span style="font-weight: 400;">ser uma família feliz</span></i></a><span style="font-weight: 400;">? Não existe uma única resposta correta para a pergunta. Quando pensamos em amizade, é natural que a nossa mente nos teletransporte para a infância, momento em que os primeiros laços são criados. E não há nada que marque os primeiros anos de vida de alguém na mesma intensidade que um bom programa infantil com um personagem super carismático. Há 30 anos, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sVIkG08PEtY"><i><span style="font-weight: 400;">Barney e Seus Amigos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> provaram que a amizade pode ser carregada de infinitos significados, pode acontecer de diversas maneiras e pode, até mesmo, ser feita entre crianças e </span><a href="https://personaunesp.com.br/30-anos-familia-dinossauros/"><span style="font-weight: 400;">dinossauros</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-27065"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Magenta, gigante e amigável, o dinossauro Barney fez o possível e o impossível para colocar um sorriso no rosto dos seus companheiros de tela e das diferentes gerações que o assistiram entre 1992 e 2009. Dar vida ao protagonista era uma tarefa tão complexa que desde o seu início ele teve que ser dividido em dois: </span><a href="https://www.theilluminerdi.com/2022/01/30/bob-west-barney-interview/"><span style="font-weight: 400;">Bob West</span></a><span style="font-weight: 400;">, o dono da voz original, e </span><a href="https://www.billboard.com/music/music-news/barney-dinosaur-david-joyner-interview-7825473/"><span style="font-weight: 400;">David Joyner</span></a><span style="font-weight: 400;">, o responsável por carregar a fantasia de trinta quilos e aguentar a temperatura que facilmente passava dos 40 graus dentro da pele do dinossauro. Durante os seus anos de exibição, o programa infantil teve uma série de trocas de elenco que sempre se encaixaram com as expectativas dos novos públicos.</span></p>
<figure id="attachment_27067" aria-describedby="caption-attachment-27067" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27067" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-4.jpeg" alt="Foto do elenco do programa infantil Barney e Seus Amigos. Da esquerda para a direita na imagem: uma garota branca de olhos e cabelo claros está sentada na escada, ela veste um casaco azul, uma calça vermelha e um sapato preto; B.J, um protoceratops amarelo, está em pé; um garoto branco de olhos e cabelo escuros está sentado na escada, ele veste uma camiseta cinza, uma bermuda vermelha, um tênis branco e meias brancas; uma garota branca de olhos e cabelo claros está sentada na escada, ela veste uma camiseta de manga longa listrada vermelha, uma peça preta, um tênis branco e meias pretas; Baby Bop, uma triceratops verde está em pé enquanto carrega um cobertor amarelo; uma garota negra de olhos e cabelo escuros está sentada no apoio da escada, ela veste uma camiseta de manga longa branca quadriculada com uma peça jeans; um garoto branco de olhos e cabelo claros está apoiado no apoio da escada, ele veste uma camiseta azul e vermelha e uma calça jeans; um garoto branco de olhos e cabelo claros está em pé, ele usa um óculos de grau, veste uma camiseta de manga longa azul, uma calça bege e um sapato bege; Barney, um tiranossauro rex magenta está em pé; uma garota branca de olhos e cabelo escuros está em pé, ela veste uma camiseta de manga longa rosa com uma peça de botões roxa; uma mulher negra de olhos e cabelos escuros está em pé, ela veste um figurino clássico de cowboy nos tons azul e bege; o último garoto da direita está sentado, ele veste uma camiseta de manga longa listrada branca e marrom, uma bermuda marrom, um tênis marrom e meias brancas. O ambiente é uma oficina de madeira no tom marrom." width="750" height="584" /><figcaption id="caption-attachment-27067" class="wp-caption-text">O <a href="http://www.sbtpedia.com.br/2019/03/o-dia-na-historia-02031998-serie.html">SBT</a> e a Rede Bandeirantes foram responsáveis por fazer a alegria da ‘criançada’ brasileira ao exibirem o programa infantil no país (Foto: PBS)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de se tornarem &#8216;ex-</span><i><span style="font-weight: 400;">Disney&#8217;</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eZ-hR5VT4pA"><span style="font-weight: 400;">Demi Lovato</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sdDU6Ej1aUY"><span style="font-weight: 400;">Selena Gomez</span></a><span style="font-weight: 400;"> foram ‘ex-</span><i><span style="font-weight: 400;">Barney’</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em 2002, as suas trajetórias se cruzaram pela primeira vez, antecipando os muitos momentos que dividiriam a tela no futuro. Aos 7 anos de idade, elus não sabiam, mas uma legião de fãs passaria a acompanhá-lus. Cantando ao lado de um dinossauro magenta ou enfrentando os apuros do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BNE3Gkl-TVc"><i><span style="font-weight: 400;">Programa de Proteção para Princesas </span></i><span style="font-weight: 400;">(2009)</span></a><span style="font-weight: 400;">, elus sempre foram química pura em cena. E nada mais característico do sucesso e relevância de um programa de televisão infantil do que a descoberta e a ascensão dos seus talentos jovens. Cof, cof, </span><a href="https://personaunesp.com.br/framing-britney-spears-a-vida-de-uma-estrela-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Clube do Mickey </span></i><span style="font-weight: 400;">(1955-2018)</span></a><span style="font-weight: 400;">…</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo bem, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ofnD1sQ2A8A"><span style="font-weight: 400;">a amizade cultivada por Lovato e Gomez</span></a><span style="font-weight: 400;"> na infância teve o seu apogeu e a sua queda, porém o que é a amizade senão uma eterna montanha-russa de afetos e desafetos? Se o laço é eterno ou não, o importante são as memórias, e a felicidade em assistir um episódio de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Q7FCr0jGesE"><i><span style="font-weight: 400;">Barney e Seus Amigos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> está gravada na mente de muitos adultos que já foram crianças um dia. Além disso, não há culpa em celebrar as lembranças da atração porque o elenco sempre foi repleto de diversidade. Afinal, a amizade é o que une e não o que separa. Barney não ligava para as diferenças e brincou com todos os seus amigos ao longo de quase duas décadas.</span></p>
<figure id="attachment_27068" aria-describedby="caption-attachment-27068" style="width: 1998px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27068 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-15.jpg" alt="Foto do elenco do programa infantil Barney e Seus Amigos. Da esquerda para a direita na imagem: um garoto branco de olhos e cabelo claros, ele veste um casaco azul; B.J, um protoceratops amarelo; Baby Bop, uma triceratops verde; uma garota branca de olhos e cabelo claros, ela veste rosa; Barney, um tiranossauro rex magenta; um garoto negro de olhos e cabelo claros, ele usa um óculos de grau e veste uma camiseta de manga longa listrada preta e cinza; uma garota branca de olhos e cabelos escuros, ela veste uma camiseta de botões e uma peça azul; uma garota negra de olhos e cabelo escuros, ela veste uma jaqueta branca e azul; uma garota branca de olhos e cabelo claros, ela veste uma camiseta de manga longa azul com uma peça bege e uma bermuda listrada azul. O ambiente é um bairro bem arborizado. Todos estão sorrindo para a câmera." width="1998" height="1417" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-15.jpg 1998w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-15-800x567.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-15-1024x726.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-15-768x545.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-15-1536x1089.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-15-1200x851.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27068" class="wp-caption-text">Não confunda a cor magenta de Barney por roxo ou rosa: um dinossauro também tem sentimentos (Foto: PBS)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O ser jurássico que ressurgiu das cinzas da extinção graças à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=D9891yG5Bfw"><span style="font-weight: 400;">imaginação fértil das crianças</span></a><span style="font-weight: 400;"> não foi um caso à parte em relação aos seus colegas de espécie. Se os 200 milhões de anos que o separavam de seus amigos humanos nunca foram uma barreira para a diversão, B.J., Baby Bop e Riff também não ficavam para trás. Criados por Sheryl Leach, ao adentrarmos a árvore genealógica dos dinossauros percebemos que a autora não ligou em seguir a lógica da ciência da genética, algo perfeitamente normal para uma decisão criativa e uma visão lúdica sobre o universo. O importante é que ela conseguiu o necessário: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CmdbDUi_DLI"><span style="font-weight: 400;">a dinâmica entre os personagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> gerou aprendizados essenciais e lições duradouras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes da grande criação de Leach ganhar cores na Televisão, uma série em vídeo produzida pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Lyons Group</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">chamada </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=udsvbtkiB60"><i><span style="font-weight: 400;">Barney and the Backyard Gang</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, fez sucesso nas locadoras de vídeo estadunidenses ao final dos anos 1980. O projeto propiciou a realização do seu sucessor, o que garantiu a Barney a companhia de outros amigos: B.J., um protoceratops amarelo, impulsivo e irmão mais velho de Baby Bop, uma triceratops verde que adora dançar e não larga o seu cobertor amarelo por nada. Riff, primo dos dois, é um hadrossauro laranja e amante da Música. O programa infantil só poderia receber críticas pelo seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LfKI62Ap3bo"><span style="font-weight: 400;">excesso de fofura</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou por amar demais.</span></p>
<figure id="attachment_27069" aria-describedby="caption-attachment-27069" style="width: 1548px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27069 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-12.jpg" alt="Foto do elenco do programa infantil Barney e Seus Amigos. Da esquerda para a direita na imagem: Baby Bop, uma triceratops verde; Barney, um tiranossauro rex magenta; Riff, um hadrossauro laranja; B.J, um protoceratops amarelo. Todos estão se divertindo e sorrindo. O ambiente é repleto de escadas de madeira no tom marrom. Há muitas árvores, plantas e flores coloridas ao redor." width="1548" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-12.jpg 1548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-12-800x529.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-12-1024x677.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-12-768x508.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-12-1536x1016.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-12-1200x794.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27069" class="wp-caption-text">Além de Barney e Seus Amigos ter marcado a infância de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Fmz2IjrQiWM">Kanye West </a>e <a href="https://www.interviewmagazine.com/music/cardi-b-gets-a-pep-talk-from-mariah-carey">Cardi B</a>, Baby Bop também serviu como indireta de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=T6j4f8cHBIM">Nicki Minaj</a> para Lil Kim (Foto: Donna MacWilliam)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ícone </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e referência cultural, </span><i><span style="font-weight: 400;">Barney e Seus Amigos</span></i><span style="font-weight: 400;"> transitou com facilidade pela Televisão, pela Literatura e pelo Teatro. Onze vezes indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Daytime Emmy Awards </span></i><span style="font-weight: 400;">e transformado em incontáveis pelúcias, o programa infantil foi aclamado pela crítica e pelo público. Não há como negar a atemporalidade alcançada pela obra que ganhará um </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/noticias/562756/mattel-films-e-daniel-kaluuya-produzirao-filme-sobre-o-dinossauro-barney/"><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para chamar de seu: produzido pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Mattel Films</span></i><span style="font-weight: 400;"> e pelo ator </span><a href="https://gamerant.com/daniel-kaluuya-barney-movie-explained/"><span style="font-weight: 400;">Daniel Kaluuya</span></a><span style="font-weight: 400;">, figurinha carimbada em filmes de </span><a href="https://personaunesp.com.br/judas-e-o-messias-negro-critica/"><span style="font-weight: 400;">drama</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="http://personaunesp.com.br/corra-filme-critica/"><span style="font-weight: 400;">terror</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa provavelmente adotará um tom mais sombrio para a abordagem do personagem tão querido pelas crianças. Veremos no cinema algo como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=o3dbeI0BU1k"><i><span style="font-weight: 400;">Scooby-Doo</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2002)</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4Qb-hHqwXJA"><i><span style="font-weight: 400;">A Casa Monstro</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2006)</span></a><span style="font-weight: 400;">?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Barney foi e ainda é a personificação do conceito de amizade. O gigante amigável fez a alegria acontecer com as brincadeiras mais espontâneas e as músicas mais simples. Ele, B.J., Baby Bop e Riff </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TSqGWAvr-Bg"><span style="font-weight: 400;">ensinaram para diferentes gerações</span></a><span style="font-weight: 400;"> o que é ser e ter um amigo, além de conquistarem a amizade de todos que já sentaram no sofá para assisti-los, mesmo que tenha sido nas altas horas da madrugada devido a  um sono infantil mal regulado. Se um dinossauro magenta é capaz de criar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Hwpk-NSJItU"><span style="font-weight: 400;">laços de amizade</span></a><span style="font-weight: 400;">? Sim. Prova disso? Essa resenha, escrita por uma amiga para comemorar o aniversário de 30 anos da estreia desse ser jurássico e os seus amigos na Televisão.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="♪ ♫ Barney Brasil - 25 Canções Clássicas! ♫ ♪ (Meia Hora)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/mKZC-JWXr6k?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>30 anos de A Bela e a Fera: amar nunca fará de você um monstro</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Dec 2021 15:00:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda Se eu te pedisse para encontrar uma história que se manteve culturalmente e socialmente relevante ao longo de quase três séculos, seria difícil encontrar uma que permaneceu no imaginário popular tão firmemente quanto A Bela e a Fera. Escrito originalmente em 1740 por Gabrielle-Suzanne Barbot, a narrativa de La Belle et &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-bela-e-a-fera-30-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "30 anos de A Bela e a Fera: amar nunca fará de você um monstro"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25294" aria-describedby="caption-attachment-25294" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25294" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-scaled.jpeg" alt="Imagem promocional da animação A Bela e a Fera. Bela está no centro da imagem, na frente da Fera. Bela é uma mulher caucasiana de cabelos marrons longos e olhos marrons num vestido amarelo. Ela está com o corpo virado para a esquerda, mas seu rosto vira para a câmera e ela sorri. A Fera é uma criatura animalesca com pelos marrons, chifres negros e presas afiadas. Ele usa uma camisa azul por cima de um casaco azul. A Fera está a direita de Bela e a encara com um olhos azuis. Uma rosa dentro de uma cúpula de vidro brilha do lado direito da Fera. Uma luz vinda de cima ilumina a Bela e o fundo da imagem mostra as janelas de dentro de um castelo, obscurecidas por uma cor azul forte." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-scaled.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-2048x1152.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25294" class="wp-caption-text">“Sentimentos são/Como uma canção/Para a Bela e a Fera” (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se eu te pedisse para encontrar uma história que se manteve culturalmente e socialmente relevante ao longo de quase três séculos, seria difícil encontrar uma que permaneceu no imaginário popular tão firmemente quanto </span><i><span style="font-weight: 400;">A Bela e a Fera</span></i><span style="font-weight: 400;">. Escrito originalmente em 1740 por </span><a href="https://gctinteiro.com.br/biografia-30-madame-de-villeneuve/"><span style="font-weight: 400;">Gabrielle-Suzanne Barbot</span></a><span style="font-weight: 400;">, a narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">La Belle et la Bête</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi capaz de alcançar uma longevidade singular, sendo </span><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Category:Films_based_on_Beauty_and_the_Beast"><span style="font-weight: 400;">constantemente adaptada</span></a><span style="font-weight: 400;"> e reformulada ao longo de sua vida útil para encantar novas gerações de leitores e, eventualmente, telespectadores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Das dezenas de versões, no entanto, é ainda mais difícil disputar que a mais importante delas seja a animação musical de 1991, dirigida por Gary Trousdale e Kirk Wise e produzida pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Walt Disney Animation Feature</span></i><span style="font-weight: 400;">. Além da aclamação tanto da crítica quanto do público (e uma bilheteria nada tímida), o longa </span><a href="https://ew.com/article/2012/02/22/oscars-1992-beauty-and-the-beast/"><span style="font-weight: 400;">fez história</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao se tornar a primeira animação a ser indicada ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Filme, o prêmio máximo do Cinema. Três décadas depois de sua estreia, vale olhar para o “conto mais antigo que o tempo” e notar as razões da amplitude de seu impacto.</span></p>
<p><span id="more-25293"></span></p>
<figure id="attachment_25295" aria-describedby="caption-attachment-25295" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25295" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-2.jpg" alt="Cena da animação A Bela e a Fera. A Bela aceita seu destino enquanto a Fera a encara, confusa. A Bela é uma mulher caucasiana, de cabelos marrons e longos, usando um vestido azul e branco com uma capa azul escura por cima. A Fera é uma criatura animalesca com pelos marrons, chifres negros, presas afiadas e olhos azuis. Ele usa uma capa carmesim que oculta o resto de seu corpo. Bela está de olhos fechados, aguardando seu destino, enquanto os dois são iluminados por uma luz vinda do teto, na frente das masmorras do castelo." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/2-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25295" class="wp-caption-text">Até mesmo no ápice de sua maldade, há uma tristeza no semblante da Fera (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os temas de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Bela e a Fera </span></i><span style="font-weight: 400;">não são nem um pouco únicos. É até mesmo possível argumentar que eles são intrínsecos a qualquer história de amor que se preze: a beleza está no interior e é apenas através do amor que somos capazes de nos transformar em pessoas melhores. E de maneira alguma a narrativa do longa de 91 procurava subverter essa expectativa, colocando esses elementos em primeiro plano, preservando o aspecto de conto de fadas da trama que conquistou gerações ao longo dos séculos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o delicioso sabor de uma animação da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney </span></i><span style="font-weight: 400;">também fica evidente desde a primeira cena, o </span><a href="https://open.spotify.com/track/0Q4a3PdGEME9w8Jgqa0Gf3?si=ea1a13997ab44613"><span style="font-weight: 400;">contagiante número</span></a><span style="font-weight: 400;"> musical em que somos introduzidos à Bela da história (Paige O’Hara). O uso das cores em especial, auxiliado pelo uso do </span><i><span style="font-weight: 400;">software </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ozS0fOGk668"><span style="font-weight: 400;">CAPS</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Computer Animation Production System</span></i><span style="font-weight: 400;">), garantiu que todos os cenários e personagens fossem detalhados, distinguíveis e imersivos. Quando pulamos do alegre vilarejo para o castelo sombrio, o contraste entre os dois ajuda a realçar ainda mais o tema de transformação espiritual da obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O uso de CAPS também ajuda na criação de perspectiva e na variedade de cores. Imediatamente diferenciamos Bela do resto do resto dos habitantes pelo seu uso da cor azul clara análoga ao céu, pela fluidez e liberdade de seus movimentos e pela maneira como ela voa pelo vilarejo, mal parando num só lugar, enquanto seus vizinhos, na maioria das vezes estáticos, comentam sobre sua estranheza. Gaston (Richard White), introduzido por meio de um tiro, é marcado por tons vermelhos e dourados que falam sobre sua virilidade e cobiça pela jovem mulher.</span></p>
<figure id="attachment_25296" aria-describedby="caption-attachment-25296" style="width: 1560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25296" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3.jpeg" alt="Cena da animação A Bela e a Fera. Gaston aprecia seu reflexo no fundo de uma panela. Gaston é um homem caucasiano de cabelos pretos e longos, presos num rabo de cavalo, usando uma camiseta vermelha com gola dourada e luvas douradas. Nas suas costas há uma aljava com flechas amarelas, e na sua mão direita, o cano de uma espingarda. Ele está com o corpo virado para nós, mas sua atenção está no reflexo de seu próprio rosto que ele enxerga numa panela pendurada ao seu lado. Ao fundo, vemos várias panelas à venda em uma barraca. É dia e o Sol ilumina a cena." width="1560" height="1040" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3.jpeg 1560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-1536x1024.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/3-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25296" class="wp-caption-text">“Ninguém vence o Gaston/Ninguém enche o Gaston/Numa briga ninguém morde mais que o Gaston” (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais tarde, quando conhecemos a Fera (Robby Benson) em seu castelo, a combinação do uso de sombras e da </span><a href="https://open.spotify.com/track/7CY1MXWnjsQMqm2OcOUnbM?si=6e3552c6ac134f1c"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora ameaçadora</span></a><span style="font-weight: 400;"> se conectam e criam uma introdução genuinamente assustadora. Mas, depois que a conhecemos, vemos que ela usa uma capa carmesim, se aproximando de Gaston, mas mais escura e intensa, que depois se transforma em um azul forte quando acompanhado do amarelo que Bela traz consigo. Apenas num nível visual, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Bela e a Fera</span></i><span style="font-weight: 400;"> ultrapassa o nível de fábula e se torna pura poesia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos aspectos mais surpreendentes da história é a </span><a href="https://time.com/4696792/beauty-beast-history-feminism/"><span style="font-weight: 400;">urgência de sua protagonista</span></a><span style="font-weight: 400;"> na trama. Quase toda escolha que move a narrativa é feita por ela e revela cada vez mais de sua personagem: ela escolhe se pôr no lugar do pai em cativeiro, escolhe ignorar os avisos da Fera quanto a entrar na Ala Oeste do castelo e escolhe não montar em seu cavalo e salvar seu captor após este ter impedido que ela fosse dilacerada por lobos no caminho para casa. Bela não possui grandes ambições definidas ao início da narrativa, mas conforme suas decisões vão se acumulando, vemos uma jovem maior do que a vida que lhe foi imposta, recusando a seguir qualquer caminho que não seja seu próprio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso é verdadeiramente decepcionante ver concepções modernas da história que a encaram unicamente como uma vítima de suas circunstâncias, fadada a se apaixonar por seu agressor como forma de algum tipo de “síndrome de Estocolmo” (um termo por si só recheado de </span><a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/09/fui-refem-no-assalto-a-banco-que-deu-origem-ao-termo-sindrome-de-estocolmo.html"><span style="font-weight: 400;">misoginia e sexismo</span></a><span style="font-weight: 400;">). Bela nunca muda quem é pela Fera, e nunca cabe a ela a responsabilidade de “mudá-lo”, muito pelo contrário: é a Fera que precisa mudar a si mesma para se tornar um homem digno do amor da mulher. Refletindo sobre o legado de sua personagem, a atriz Paige O’Hara preza por Bela ter sido uma das primeiras e únicas princesas da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney </span></i><span style="font-weight: 400;">com mais de 20 anos, o que lhe conferia uma maturidade singular em comparação com as outras protagonistas do estúdio.</span></p>
<figure id="attachment_25297" aria-describedby="caption-attachment-25297" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25297" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4.jpeg" alt="Cena da animação A Bela e a Fera. Bela está cantando na frente de uma estante de livros, em cima de uma escada, com uma cesta presa em seu braço. Bela é uma mulher caucasiana usando um vestido azul com um avental branco, se segurando na escada com seu braço direito enquanto o esquerdo faz um grande movimento para fora. Do lado direito da estante, uma estante menor com outros livros e um busto em cima com um quadro do lado. Na frente de Bela, de costas para nós, na margem esquerda da tela, está um velho senhor que observa Bela. Ele possui cabelos brancos com o topo careca e usa uma camisa verde por baixo de um colete marrom, com uma tira branca no braço direito." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/4-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25297" class="wp-caption-text">Bela vive uma aventura bem diferente daquelas que ela lê em livros (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que mais marca a evolução do relacionamento entre os personagens principais é, como em qualquer boa história de amor, a honestidade com que ambos se encaram. Ao início da fábula, a Fera é um animal arisco e ameaçador, governado por seu temperamento e avesso a qualquer tipo de mudança. De fato, no início vemos até um paralelo entre o seu comportamento e aquele de Gaston, o antagonista da história. Egoístas e possessivos, os dois buscam aprisionar Bela de alguma forma, e parecem se frustrar contra a rebeldia da moça. Entre os traços animalescos da criatura, que </span><a href="https://hitechanimation.wordpress.com/2018/02/27/the-animation-of-the-beast-in-beauty-and-the-beast-was-a-combination-of-multiple-animals/"><span style="font-weight: 400;">combinam várias espécies</span></a><span style="font-weight: 400;"> diferentes, o que mais se destaca talvez sejam seus olhos: os olhos de um homem, ansiando pela liberdade, azuis como o vestido que Bela usa quando a conhecemos. Azuis como os de Gaston. Mas enquanto a Fera odeia a si mesma pelo que se tornou, Gaston é o ápice de um narcisista, obcecado com o ideal de beleza que ele criou para si mesmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu animado </span><a href="https://open.spotify.com/track/0zstgBrV1t1g6n4jHrUVBY?si=ef197d8bf073411c"><span style="font-weight: 400;">número musical</span></a><span style="font-weight: 400;">, o vilão é exaltado por suas qualidades que o tornam “machão”. O capanga LeFou convoca os habitantes do vilarejo para ressaltar seu tamanho, sua capacidade para a violência, e até mesmo sua quantidade de pelos. Secretamente, Gaston quer ser algo como a Fera: um ser monstruoso, com um castelo só para si e uma legião de serventes menos do que humanos. Embora o romance entre a Bela e a Fera seja o que define a história, é a duplicidade entre o caçador e sua presa que realça o verdadeiro poder de sua transformação. As ações monstruosas do senhor do castelo são contrastadas pela expressividade de sua culpa e o profundo ressentimento com sua condição. Após o acesso de fúria que faz Bela fugir do castelo, ele desaba sob o peso de seus próprios atos, triste e derrotado.</span></p>
<figure id="attachment_25298" aria-describedby="caption-attachment-25298" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25298" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/5.gif" alt="GIF de uma cena da animação A Bela e a Fera. Bela segura a mão felpuda da fera, que acaricia seu rosto, logo antes de cair. Bela é uma mulher caucasiana de cabelos marrons e soltos, olhos marrons, usando uma capa azul por cima de uma roupa branca. Ela parece aliviada ao segurar a pata da Fera contra o lado esquerdo de seu rosto, mas fica aterrorizada quando esta cai. Atrás dela, o céu chuvoso e escuro. " width="700" height="252" /><figcaption id="caption-attachment-25298" class="wp-caption-text">“Pelo menos pude ver você uma última vez” (GIF: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O aspecto mais duradouro de sua fantasia não é de que uma mulher é capaz de mudar um homem violento, mas de que a capacidade de amar é fundamentalmente capaz de nos transformar em pessoas melhores, independente de quanto tempo nos falta ou do quão monstruosos somos. Com o amor, somos capazes de mudar nós mesmos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte do chamado “</span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Renascimento_da_Disney"><span style="font-weight: 400;">Renascimento da</span><i><span style="font-weight: 400;"> Disney</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, período entre 1989 e 1999 no qual o estúdio reformulou suas práticas e produziu alguns de seus filmes mais aclamados e relembrados, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Bela e a Fera </span></i><span style="font-weight: 400;">reuniu o compositor Alan Menken com o liricista Howard Ashman, que já haviam provado seu talento com o sucesso de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pequena Sereia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Foi a terceira tentativa do estúdio de adaptar o famoso conto, passando por um processo turbulento de produção, marcado especialmente pela morte de Ashman oito meses antes que o longa tivesse sua estreia, vítima da </span><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2021/06/aids-hiv-inicio-surto-doenca-epidemia-mortes-pneumonia-comunidade-gay-fauci-eua"><span style="font-weight: 400;">epidemia de AIDS</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se alastrou pelos Estados Unidos nos anos 80 e 90.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quase todas as faixas de sua trilha sonora são consideradas icônicas, e não sem motivo: além de todo o charme típico das animações </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney </span></i><span style="font-weight: 400;">e sua aliança de movimento e textura com a composição musical, há uma beleza melancólica no coração de sua narrativa que ecoa em suas personagens principais. A história de uma criatura presa em seu castelo, acreditando impossível ser amada, morrendo aos poucos em parte por conta de sua solidão, ecoa de maneira trágica através de seu artista, mas que culmina na maior história de amor já contada. Após </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Bntiz357OjM"><span style="font-weight: 400;">ganhar postumamente</span></a><span style="font-weight: 400;"> o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> pela </span><a href="https://open.spotify.com/track/2rJFFUEl1LURkV0b0OARXx?si=9f812e7494894101"><span style="font-weight: 400;">canção titular</span></a><span style="font-weight: 400;"> do longa, o parceiro de Ashman, Bill Launch, subiu ao palco junto com Menken para prestar homenagem ao amor de sua vida e o que ele havia deixado para trás.</span></p>
<figure id="attachment_25299" aria-describedby="caption-attachment-25299" style="width: 1960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25299" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/6-2.jpg" alt="Cena do documentário Howard. Uma foto em preto e branco de Howard Ashman e Paige O’Hara nos bastidores de A Bela e a Fera. Howard (a esquerda) é um homem caucasiano de cabelos curtos e claros, usando uma camisa branca com listras verticais e as mangas levantadas, com suspensórios por cima e um relógio no pulso esquerdo, segurando seu queixo com a mão esquerda enquanto olha para o roteiro na frente da atriz ao seu lado. Paige O’Hara (a direita) é uma mulher caucasiana, usando um vestido escuro com flores claras, cabelos escuros e longos, e um colar com um crucifixo em seu pescoço. Ela usa um fone de ouvido grande e há um microfone profissional acima de sua cabeça, com um painel à sua frente." width="1960" height="1310" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/6-2.jpg 1960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/6-2-800x535.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/6-2-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/6-2-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/6-2-1536x1027.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/6-2-1200x802.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25299" class="wp-caption-text">Disponível no Disney+, o documentário Howard explora a vida e o legado do liricista (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse período de “Renascimento”, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney </span></i><span style="font-weight: 400;">produziu alguns de seus maiores e mais duradouros clássicos, como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Rei Leão </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulan </span></i><span style="font-weight: 400;">e, é claro, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Bela e a Fera</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas se olharmos com cuidado, há também uma curiosa relação entre a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DiOXpkeqweI"><span style="font-weight: 400;">renascença italiana</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o trabalho do animador Glen Keane ao capturar a transformação da Fera em homem. Com apenas uma semana para animar a passagem final da criatura, ele viajou para ver </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Os_Burgueses_de_Calais"><i><span style="font-weight: 400;">Os Burgueses de Calais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde se inspirou nas famosas esculturas de Rodin, que antes havia se inspirado em Michelangelo, escultores que revelavam na pedra imóvel uma alma vibrante. Assim, no clímax do filme é criada uma cena que sobreviveria ao teste do tempo, mostrando uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1Wrc8DCk520"><span style="font-weight: 400;">metamorfose tão profunda</span></a><span style="font-weight: 400;"> que vai além do físico, revelando o espírito de sua personagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como uma rosa desabrochando, vemos finalmente o Príncipe (posteriormente nomeado Adam), e por um momento, a própria Bela não acredita no que acabou de acontecer. É só quando ela olha em seus olhos azuis, antes aprisionados dentro de um corpo que não lhe pertencia, que sua alma lhe é devolvida. A coisa que se manteve em todos os serviçais encantados do castelo, transformados em parte da decoração como forma de isolar e punir ainda mais o Príncipe: os olhos. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Bela e a Fera</span></i><span style="font-weight: 400;">, são eles que revelam a humanidade de todas as criaturas, da mais linda donzela até o mais terrível monstro.</span></p>
<figure id="attachment_25300" aria-describedby="caption-attachment-25300" style="width: 690px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25300" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/7.png" alt="Cena da animação A Bela e a Fera. Uma tela preta, com os seguintes dizeres escritos em dourado: “Para o nosso amigo, Howard, que deu a uma sereia sua voz e a uma fera, sua alma, seremos para sempre gratos. Howard Ashman 1950-1991”." width="690" height="350" /><figcaption id="caption-attachment-25300" class="wp-caption-text">“Para o nosso amigo, Howard, que deu a uma sereia sua voz e a uma fera, sua alma, seremos para sempre gratos” (Foto: Disney)</figcaption></figure>
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		<title>30 anos de Loveless, o ruído total de My Bloody Valentine</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Nov 2021 13:23:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade Músicos são, geralmente, indivíduos que se alimentam da matéria sonora presente em seu tempo, buscando criar algo totalmente novo; por essa razão, a Música está sempre morrendo e renascendo. Quando tentamos classificá-la, surgem descrições que tendem a separá-la do todo, numa tentativa de evidenciar o que a define como única e distinguível àquela &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/my-bloody-valentine-loveless-30-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "30 anos de Loveless, o ruído total de My Bloody Valentine"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24838" aria-describedby="caption-attachment-24838" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24838" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/FOTO-VALENTINE-1.jpg" alt="Capa do álbum Loveless do grupo My Bloody valentine. Na imagem, há o captador de uma guitarra coberto por uma camada nebulosa de cor rosa. Toda a imagem possui um filtro de cor rosa. Na parte inferior esquerda, está escrito my bloody valentine também em fonte de cor rosa." width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/FOTO-VALENTINE-1.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/FOTO-VALENTINE-1-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24838" class="wp-caption-text">Loveless, segundo álbum de My Bloody Valentine, completou 30 anos em 4 de novembro de 2021 (Foto: MBV Records/Domino Recording)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Músicos são, geralmente, indivíduos que se alimentam da matéria sonora presente em seu tempo, buscando criar algo totalmente novo; por essa razão, a Música está sempre morrendo e renascendo. Quando tentamos classificá-la, surgem descrições que tendem a separá-la do todo, numa tentativa de evidenciar o que a define como única e distinguível àquela sociedade. Mas como classificar o ruído? Alguns podem chamar de </span><i><span style="font-weight: 400;">shoegaze</span></i><span style="font-weight: 400;">, gênero no qual </span><a href="https://musicasemtitulo.com.br/resenhas/my-bloody-valentine-loveless"><span style="font-weight: 400;">My Bloody Valentine</span></a><span style="font-weight: 400;"> carrega o maior prestígio, e cujo hipnótico </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/05/my-bloody-valentine-criou-estilo-musical-com-loveless-disco-que-chega-ao-streaming.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Loveless</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, segundo álbum de estúdio do grupo, completou 30 anos no começo de novembro.</span></p>
<p><span id="more-24837"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se você reparar bem, há sempre um som de V percorrendo seus ouvidos; de forma paradoxal, esse tinido cria a sensação de que não há silêncio absoluto. Na </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/fisica/acustica.htm"><span style="font-weight: 400;">Acústica</span></a><span style="font-weight: 400;">, ramo da Física que estuda os sons, de fato não há silêncio, pois este só é realmente possível no vácuo do universo. Mas, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Loveless</span></i><span style="font-weight: 400;">, a estranheza é quase essencial. O que fez de My Bloody Valentine</span> <span style="font-weight: 400;">uma banda única é sua abordagem de som completamente inovadora, composta por uma textura melancólica, ruidosa, e inexplicavelmente aconchegante — talvez um resultado natural da divisão vocal entre Bilinda Butcher e Kevin Shields, em um interesse mútuo de amplificar esse zumbido dos nossos ouvidos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Brilhantemente exposta nas 11 canções que compõem o disco, essa nova sonoridade abriu as portas para álbuns como </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2018/07/28/smashing-pumpkins-siamese-dream/"><i><span style="font-weight: 400;">Siamese Dream</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1993) e </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/17389-mellon-collie-and-the-infinite-sadness/"><i><span style="font-weight: 400;">Mellon Collie and the Infinite Sadness</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1995), do Smashing Pumpkins, cuja reverência de Billy Corgan aos integrantes de Valentine soou tão natural que, numa possível comparação a </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/16059-gish-deluxe-edition-siamese-dream-deluxe-edition/"><i><span style="font-weight: 400;">Gish</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (álbum de 1991 e estreia dos Pumpkins), temos a sensação de que tudo estava bem ali, à distância de uma pequena regulagem de pedais e amplificadores.</span></p>
<figure id="attachment_24839" aria-describedby="caption-attachment-24839" style="width: 1705px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24839" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/FOTO-VALENTINE-2.jpg" alt="Foto em preto e branco dos integrantes da banda My Bloody Valentine. Na fotografia, os quatro estão sentados em um sofá preto com listras brancas, dentro de um estúdio repleto de instrumentos. Agora, da esquerda para a direita. Kevin Shields, um homem branco, que possui cabelos lisos de cor preta a altura do ombro e veste calça de cor cinza e blusa de cor preta. Ele está com uma guitarra branca sobre as pernas; Bilinda Butcher, uma mulher branca com cabelos lisos de cor preta, presos com uma trança. Ela veste blusa preta e camiseta branca. Colm Ó Cíosóig, um homem branco de cabelos lisos de cor preta. Ele está com as pernas esticadas e os dois braços cruzados, vestindo uma calça jeans de cor cinza e uma camiseta de cor preta. E, por fim, Debbie Googe, sentada com a perna direta cruzada sobre a perna esquerda, com a cabeça apoiada na mão esquerda. Ela é uma mulher branca, possui cabelos lisos de cor preta bem curtos, veste camiseta de cor preta, calça de cor preta e sapatos de cor preta." width="1705" height="1135" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/FOTO-VALENTINE-2.jpg 1705w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/FOTO-VALENTINE-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/FOTO-VALENTINE-2-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/FOTO-VALENTINE-2-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/FOTO-VALENTINE-2-1536x1022.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/FOTO-VALENTINE-2-1200x799.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24839" class="wp-caption-text">Os três álbuns de estúdio de My Bloody Valentine só chegaram as plataformas de streaming em março deste ano, após o grupo assinar com a gravadora Domino (Foto: MBV Records/Domino Recording)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O estilo </span><a href="https://www.seculodiario.com.br/colunas/a-volta-do-shoegaze"><i><span style="font-weight: 400;">shoegaze</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tem sua origem no Reino Unido, mas encontra sua primeira grande repercussão no álbum de estreia de My Bloody Valentine, </span><a href="https://pequenosclassicosperdidos.com.br/2012/09/11/my-bloody-valentine-isnt-anything-1988/amp/"><i><span style="font-weight: 400;">I</span></i><i><span style="font-weight: 400;">sn&#8217;t Anything</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1988). Estima-se que o gênero tenha surgido através da forma tímida de tocar em público, pouco se importando com a performance, olhando para os pedais e analisando os próprios sapatos pela timidez (ou arrogância) — daí o título ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">shoegaze</span></i><span style="font-weight: 400;">’, algo parecido com </span><i><span style="font-weight: 400;">“contemplador de sapatos”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Todavia, como qualquer movimento ou gênero musical, reduzi-lo a um simples trocadilho pode parecer raso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Musicalmente, o </span><i><span style="font-weight: 400;">shoegaze </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma espécie de caos sonoro, marcado por camadas pesadas de instrumentos, através da sobreposição de guitarras distorcidas e baterias que abusam dos pratos de ataque. Esses diversos revestimentos musicais visam desenvolver uma instrumentalização harmônica, na qual torna-se difícil distinguir cada item. Esse é um dos estilos musicais mais determinantes para o surgimento do</span> <a href="https://minutoindie.com/o-que-e-dream-pop/"><i><span style="font-weight: 400;">dream pop</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e do </span><a href="https://personaunesp.com.br/quinze-anos-is-this-it-nostalgia-rock/"><i><span style="font-weight: 400;">indie rock</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e a capa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Loveless</span></i><span style="font-weight: 400;"> representa essa sensação de caos</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Nela, observamos uma guitarra coberta por uma camada fosca que dificulta a nossa visão — de forma mais ou menos igual, transmite o que sentimos ao escutar o disco. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O som pesado é, ao mesmo tempo, relaxante e profundo. No limiar entre o barulho confuso e a sonoridade habitual, o álbum apresenta um tipo de desafio ao ouvinte, no qual precisamos aceitar a intimidação que é atentar-se aos ruídos, como se os vocais fossem deixados de lado e servissem de instrumentos para todo o resto. Na canção </span><a href="https://youtu.be/hSI_9P9rRt4"><i><span style="font-weight: 400;">Sometimes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> — que inclusive faz parte da trilha sonora de </span><a href="https://personaunesp.com.br/on-the-rocks-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Lost in Translation</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2003), de Sofia Coppola — ouvimos uma guitarra base que se mantém durante toda a canção, nos guiando em uma viagem totalmente íntima, cuja voz, bem lá no fundo, parece ser a mensagem que precisamos decifrar. Enquanto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hcOhXThqh_0&amp;ab_channel=MyBloodyValentine-Topic"><i><span style="font-weight: 400;">When You Sleep</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">parece a trilha sonora de um sonho, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=W8LuKT3n69I&amp;ab_channel=MyBloodyValentine-Topic"><i><span style="font-weight: 400;">Blown a Wish</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">nos mantém presos em suas repetições psicodélicas.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="my bloody valentine – only shallow (official video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/nwfCoKNI5hs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O grupo surgiu em Dublin, no ano de 1984, ainda como uma dupla composta por Kevin Shields e o baterista Colm Ó Cíosóig, cujo nome do projeto era The Complex. Posteriormente, os dois integrantes se mudaram para Berlim, lugar onde lançaram seu primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WG-OAJ0I8WI&amp;ab_channel=OnDrugs"><i><span style="font-weight: 400;">This Is Your Bloody Valentine</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1985), já sob autoria de My Bloody Valentine — nome tirado de um </span><a href="https://horror.fandom.com/wiki/My_Bloody_Valentine_(1981)"><span style="font-weight: 400;">filme alternativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 1981. Sem qualquer sucesso, o pequeno compilado foi desanimador, e ambos os integrantes mudaram-se no mesmo ano, desta vez para a Inglaterra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a entrada da baixista Debbie Googe, gravaram outro </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YULH1XtkzGs&amp;ab_channel=sofiflores"><i><span style="font-weight: 400;">Geek!</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1985), dessa vez deixando em evidência a influência de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7EgB__YratE&amp;ab_channel=UPROXXIndieMixtape"><span style="font-weight: 400;">The Jesus and Mary Chain</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas ainda marcados pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/bob-cuspe-nos-nao-gostamos-de-gente-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que dominava o cenário musical. Assim, de forma gradual, o formato pelo qual a banda seria reconhecida começava a dar as caras, tomando sua forma completa quando Bilinda Butcher ingressou no grupo, em 1987, passando a dividir guitarra, vozes e o protagonismo com Shields.</span></p>
<figure id="attachment_24840" aria-describedby="caption-attachment-24840" style="width: 2059px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24840" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/FOTO-VALENTINE-3.jpg" alt="Foto da banda My Bloody Valentine. Na fotografia, há um fundo de cor azul e, da esquerda para a direita, estão fotografados da cintura para cima Bilinda Butcher, Kevin Shields, Debbie Googe e Colm Ó Cíosóig. Todas são pessoas brancas. Bilinda está com a mão direita passando pelo cabelo. Seu cabelo é de cor preta, e ela veste uma blusa de cor preta. Shields veste uma blusa de cor preta e uma camiseta azul; ele possui um cabelo liso bagunçado. Debbie Googe veste uma blusa de cor preta. Ela possui olhos de cor azul e cabelo liso preto, com a franja cobrindo metade de seu olho direito. Colm Ó Cíosóig veste um suéter de cor vermelha, com detalhes em cor preta, branca e amarela. Ele possui cabelos lisos castanhos, com a franja cobrindo toda a testa." width="2059" height="1375" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/FOTO-VALENTINE-3.jpg 2059w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/FOTO-VALENTINE-3-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/FOTO-VALENTINE-3-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/FOTO-VALENTINE-3-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/FOTO-VALENTINE-3-1536x1026.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/FOTO-VALENTINE-3-2048x1368.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/FOTO-VALENTINE-3-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24840" class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita estão Bilinda Butcher, Kevin Shields, Debbie Googe e Colm Ó Cíosóig (Foto: MBV Records/Domino Recording)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A complexidade na gravação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Loveless </span></i><span style="font-weight: 400;">se dava em detrimento da sonoridade específica que Shields queria retirar. </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1997/4/07/folhateen/12.html"><span style="font-weight: 400;">Segundo ele</span></a><span style="font-weight: 400;">, o álbum demorou para ficar pronto porque </span><i><span style="font-weight: 400;">“a</span></i><i><span style="font-weight: 400;">té o último minuto, achávamos que terminaríamos tudo em mais dois meses. Passamos dois anos achando que terminaríamos tudo em mais dois meses</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Essa fórmula encontrada pelo grupo evidencia a ignorância daqueles que acreditam ser apenas barulho. Invariavelmente, o disco ou te prende imediatamente ou te afasta assustado, mas há algo que soa uniforme. Para chegar nesse resultado de novo, o My Bloody Valentine só lançou outro álbum inédito vinte e dois anos depois, intitulado </span><a href="https://open.spotify.com/album/2SlSnUYW5bgtdWXVymv18a?si=hhSSYg25Sw-m0abEuVoETw"><i><span style="font-weight: 400;">m b v</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2013), e igualmente genial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, no curso da História musical, nada poderia ter calculado o surgimento de um gênero que, grosso modo, colocaria a voz em segundo plano. Afinal, poucos anos antes do lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Loveless </span></i><span style="font-weight: 400;">— ou até mesmo antes do surgimento do grupo —, a Música </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">era o típico </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> de arena, com sua ode aos grandes festivais e apreço genuíno das performances vocais de seus representantes. Contudo, uma característica peculiar das gerações é que elas sempre estão negando a anterior. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inevitavelmente, Walter Benjamin estava certo quando escreveu em </span><a href="https://descomplica.com.br/d/vs/aula/benjamin-e-a-reprodutibilidade/"><i><span style="font-weight: 400;">A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1935) que a obra reprodutível extinguiria a </span><i><span style="font-weight: 400;">“aura”</span></i><span style="font-weight: 400;"> — mas isso não era uma lamentação. Seu objetivo era manifestar uma desconfiança em relação ao discurso elitista, que evocava a </span><i><span style="font-weight: 400;">“alta cultura” </span></i><span style="font-weight: 400;">para distinguir as culturas de massa, transformando-as em itens de segunda categoria. Para Benjamin, esse culto da </span><i><span style="font-weight: 400;">“arte pela arte” </span></i><span style="font-weight: 400;">estava se transformando em idolatria fascista. Em outras palavras, a tecnologia na Música é uma ferramenta que possibilitou driblar os ditos ‘fiscais da cultura’, propondo, de forma silenciosa, ideias revolucionárias, como My Bloody Valentine propôs com </span><i><span style="font-weight: 400;">Loveless</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mesmo que os grandes conglomerados adaptem-se ao consumo de massa, é interessante visualizar esse pequeno triunfo. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="my bloody valentine – soon (official video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/gU7tX5YJghc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Para muitos céticos, o advento da gravação digital foi uma catástrofe irreparável. Mesmo que seja particularmente estranho pensar na Música antes da era do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><span style="font-weight: 400;">e até mesmo do CD, havia uma enorme cultura que cultivava o som ‘ao vivo’ — ou ‘orgânico’, se preferir. Isso pode ser visto na concepção de óperas inteiras, mas, não muito longe, também pode ser visualizado no </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> já citado, sendo exatamente a característica que influenciou Shields a conceber o que seria o som ruidoso de My Bloody Valentine. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao ouvir </span><a href="https://open.spotify.com/album/0n9SWDBEftKwq09B01Pwzw?si=aHUbexKdRIWxYkSFOEbmDw"><i><span style="font-weight: 400;">Live At The Hollywood Bowl</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dos Beatles, o artista ficou tão impressionado na forma em que a gritaria do público ultrapassava a sonoridade do quarteto inglês, e como tudo isso estava gravado junto às músicas, que decidiu incorporar esse alvoroço aos seus ideais, conforme </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/nao-somos-revolucionarios-diz-vocalista-do-my-bloody-valentine/"><span style="font-weight: 400;">ele próprio declarou</span></a><span style="font-weight: 400;">. Embora num primeiro momento essa ambição pudesse soar estranha, não é esquisito dizer que, ano após ano, as gravações musicais transformam-se em ambientes cada vez mais ficcionais, paradoxalmente buscando moldar as canções em objetos mais ‘reais’. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, crises impostas à Música mostram uma maneira satisfatória de se compensar: intrusos e enganadores prosperaram ao longo da História da Arte, mas nunca antes artistas de enorme talento, negligenciados por suas origens distantes do </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">, estiveram tão dentro do jogo. Aqui estamos, trinta anos depois, enxergando </span><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-album-reviews/loveless-251215/"><i><span style="font-weight: 400;">Loveless</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">como algo original e um ponto fora da curva na história da Música. Mais do que isso: o disco é um recorte perfeito de uma época profícua musicalmente, e a marca permanente de My Bloody Valentine no mundo.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: loveless" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/3USQKOw0se5pBNEndu82Rb?si=mVA6F1HPTAKn-ozL4VuwIA&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>30 anos dos gêmeos do Guns N’ Roses: Use Your Illusion I e II</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Nov 2021 21:45:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Luize de Paula Em 1991, de um pequeno recorte da detalhada obra A Escola de Atenas, do italiano Raphael, nasciam dois gêmeos. Os álbuns Use Your Illusion I e II foram lançados logo após os maiores hits da banda com o Appetite for Destruction de 1987. Atingindo logo o 1º lugar da Billboard, com quase &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/use-your-illusion-i-ii-30-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "30 anos dos gêmeos do Guns N’ Roses: Use Your Illusion I e II"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24760" aria-describedby="caption-attachment-24760" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24760" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-2.png" alt="Com um fundo preto, temos o texto “You can Use Your Illusion let it take you where it may” em duas cores: metade em amarelo e vermelho e metade em azul e roxo. No centro, uma criança em preto e branco escrevendo em um livro em cima das suas pernas cruzadas." width="650" height="286" /><figcaption id="caption-attachment-24760" class="wp-caption-text">Arte feita com as cores dos dois álbuns e a imagem do menino que se encontra no quadro “A Escola de Atenas”, abaixo da estátua de Atena à direita da obra (Foto: Three-Beat Designs)</figcaption></figure>
<p><b>Luize de Paula</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1991, de um pequeno recorte da detalhada obra </span><i><span style="font-weight: 400;">A Escola de Atenas</span></i><span style="font-weight: 400;">, do italiano Raphael, nasciam dois gêmeos. Os álbuns </span><i><span style="font-weight: 400;">Use Your Illusion I </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">II</span></i><span style="font-weight: 400;"> foram lançados logo após os maiores </span><i><span style="font-weight: 400;">hits </span></i><span style="font-weight: 400;">da banda com o </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-guns/"><i><span style="font-weight: 400;">Appetite for Destruction</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de 1987. Atingindo logo o 1º lugar da </span><i><span style="font-weight: 400;">Billboard</span></i><span style="font-weight: 400;">, com quase um milhão de vendas no primeiro dia de lançamento, os dois álbuns venderam 18 milhões de cópias no mundo todo e cada álbum recebeu 7 vezes platina pela </span><i><span style="font-weight: 400;">RIAA</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-24759"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo sendo lançado com outros clássicos do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> como </span><a href="https://open.spotify.com/album/2UJcKiJxNryhL050F5Z1Fk?si=x9RWaP0ORSilpdv81ArXuQ"><i><span style="font-weight: 400;">Nevermind</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do Nirvana e </span><a href="https://open.spotify.com/album/2Kh43m04B1UkVcpcRa1Zug?si=u3oU6P-ST7KRhDmNR5sX5g"><i><span style="font-weight: 400;">Metallica (The Black Album)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do Metallica, os dois álbuns do Guns N’ Roses conseguiram seu destaque. Arriscando não vender tanto pela grande quantidade de músicas sendo lançadas de uma única vez, os discos tinham 30 músicas no total. E talvez aquele foi um dos últimos momentos de glórias que Axl deu aos fãs.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A banda se formou em 1985 pelos membros de duas outras bandas: a Hollywood Rose e L.A. Guns</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Da primeira, vieram o cantor Axl Rose e Izzy Stradlin na guitarra rítmica. Da segunda, vieram Tracii Guns na guitarra solo, Ole Beich no baixo e Robbie Gardner na bateria. Os três foram substituídos mais tarde pelo guitarrista solo Saul Hudson – ou Slash –, o baixista Duff McKagan e o baterista Steven Adler. A junção do nome das duas bandas resultou no Guns N’ Roses que conhecemos hoje.</span></p>
<figure id="attachment_24761" aria-describedby="caption-attachment-24761" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24761" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1.jpeg" alt="Os integrantes originais da banda se encontram da esquerda para a direita: Izzy Stradlin de cabelo longo, preto e jaqueta também preta de couro com um sorriso torto de canto, Steven Adler com cara séria e cabelos loiros e uma jaqueta preta de couro com um broche amarelo, Axl Rose ao centro com uma bandana azul na cabeça e óculos em cima, de jaqueta preta de couro, Duff McKagan, um pouco mais ao fundo com uma jaqueta jeans e Slash no canto direito com um cabelo preto volumoso e uma jaqueta jeans, todos sobre um fundo vermelho." width="720" height="450" /><figcaption id="caption-attachment-24761" class="wp-caption-text">Integrantes originais da banda, da esquerda para a direita: Izzy Stradlin, Steven Adler, Axl Rose, Duff McKagan e Slash (Foto: Guns N’ Roses)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro álbum da banda, </span><i><span style="font-weight: 400;">Appetite for Destruction</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi lançado em 1987 e foi um dos melhores álbuns de estreia de bandas no mundo do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">. Logo em seguida veio o </span><a href="https://open.spotify.com/album/1RCAG3LrDwYsNU5ZiUJlWi?si=5Rz2kMt8RTadfGknkvgq9g"><i><span style="font-weight: 400;">G N’ R Lies</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em 1989, com quatro novas composições – dentre elas a emblemática </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ErvgV4P6Fzc&amp;ab_channel=GunsNRosesVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">Patience</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">– que também fizeram sucesso tanto quanto o disco anterior. Já em 1991, tivemos os dois</span><i><span style="font-weight: 400;"> Use Your Illusion</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dois anos depois, em 1993, a banda lançou o disco </span><a href="https://open.spotify.com/album/4ieR19hRkKeE81CalJPQNu?si=HrIsHVZFRWW3nJSQ87hVOA"><i><span style="font-weight: 400;">The Spaghetti Incident?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, repleto de </span><i><span style="font-weight: 400;">covers</span></i><span style="font-weight: 400;">. Considerado um dos piores álbuns da banda, foi o último com os outros membros originais Slash, Duff e Izzy. Com uma nova formação e um estilo completamente diferente de tudo que a banda apresentou antes, foi lançado seu último álbum, denominado </span><a href="https://open.spotify.com/album/0suNLpB9xraAv1FcdlITjQ?si=6wJkZ8oeSNCkjijZOorUsw"><i><span style="font-weight: 400;">Chinese Democracy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em 2004.</span></p>
<figure id="attachment_24762" aria-describedby="caption-attachment-24762" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24762" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-8.jpg" alt="Quadro A Escola de Atenas do pintor Raphael, onde se encontram diversas figuras filosóficas e mitológicas espalhadas em uma sala com o teto aberto na horizontal acima. Abaixo, vemos diversas personagens como uma estátua à esquerda de Apolo e à direita de Atenas. Ao centro, encontramos Platão com o dedo apontado para cima, ao lado de Aristóteles, que aponta para frente. Podemos ver também Sócrates ao lado deles, mais à esquerda conversando. Também temos Epicuro escrevendo um livro, assim como Pitágoras e Heráclito à esquerda da obra. Outros personagens espalhados são Diógenes, Euclides, Ptolomeu e o próprio pintor Raphael." width="1170" height="790" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-8.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-8-800x540.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-8-1024x691.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-8-768x519.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24762" class="wp-caption-text">Quadro A Escola de Atenas de Raphael (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um enorme contraste entre o álbum de estreia da banda e </span><i><span style="font-weight: 400;">Use Your Illusion I e II</span></i><span style="font-weight: 400;">, Guns N’ Roses mostrou a verdadeira versatilidade do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">dentro de um mesmo gênero e época. O primeiro disco veio com uma maior agressividade e assuntos mais clichês como sexo e drogas, o que deu à eles a </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2021/02/25/guns-n-roses-appetite-historia/"><span style="font-weight: 400;">notoriedade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que tem hoje e a fama que carregam. Não é à toa que </span><i><span style="font-weight: 400;">Appetite for Destruction</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um dos álbuns mais importantes do rock, principalmente de estreia de uma banda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas vindo em oposição aos agudos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1w7OgIMMRc4&amp;ab_channel=GunsNRosesVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">Sweet Child O’ Mine</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e os gemidos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YxW9iekNSek&amp;ab_channel=GunsN%27Roses-Topic"><i><span style="font-weight: 400;">Rocket Queen</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Use Your Illusion</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta lindos solos de piano, uma orquestra e guitarras melódicas clássicas até hoje no mundo do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sem a formação original completa – após o baterista Steven Adler ser substituído por Matt Sorum por uso excessivo de drogas –, a banda ainda manteve sua essência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos dois álbuns temos uma variação de músicas, sons e temas. Desde as mais melódicas como </span><i><span style="font-weight: 400;">November Rain</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Civil War</span></i><span style="font-weight: 400;"> e as duas versões de </span><i><span style="font-weight: 400;">Don&#8217;t Cry</span></i><span style="font-weight: 400;">, até músicas mais pesadas como </span><i><span style="font-weight: 400;">You Could Be Mine</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Double Talkin Jive</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Dust N’ Bones</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ainda podemos encontrar </span><i><span style="font-weight: 400;">covers </span></i><span style="font-weight: 400;">de músicas como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rm9coqlk8fY&amp;ab_channel=BobDylanVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">Knockin’ on Heaven’s Door</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Bob Dylan e</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=nR46gQLyxuE&amp;ab_channel=citycity49"><i><span style="font-weight: 400;">Live and Let Die</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Paul McCartney. </span></p>
<figure id="attachment_24763" aria-describedby="caption-attachment-24763" style="width: 1494px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24763" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-4-7.jpg" alt="Capa dos álbuns Use Your Illusion retiradas do quadro A Escola de Atenas. À esquerda, a capa do disco I onde encontra-se um menino escrevendo em um livro em amarelo e vermelho apoiados em seu joelho e à direita a capa do disco II, a mesma imagem porém em azul e roxo. Em ambas, o menino se encontra em destaque em preto e branco, e o texto “Guns N’ Roses Use Your Illusion” encontra-se no meio nas cores amarelo, vermelho, azul e roxo." width="1494" height="810" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-4-7.jpg 1494w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-4-7-800x434.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-4-7-1024x555.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-4-7-768x416.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-4-7-1200x651.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24763" class="wp-caption-text">Capa dos álbuns Use Your Illusion retiradas do quadro A Escola de Atenas, à esquerda a capa do disco I e à direita a capa do disco II (Foto: Columbia House)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como é esperado de uma das bandas mais polêmicas do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, o álbum tem seus erros e acertos. Como na música </span><i><span style="font-weight: 400;">My World</span></i><span style="font-weight: 400;">, com</span> <span style="font-weight: 400;">as terríveis rimas de Axl ou em </span><i><span style="font-weight: 400;">Right Next Door to Hell</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;">em que Axl reclama sobre quando foi preso por quebrar uma garrafa de vinho na cabeça de seu vizinho. Ainda mostram uma variedade dos temas nos álbuns, como as canções</span><i><span style="font-weight: 400;"> Bad Obsession</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Get In the Ring</span></i><span style="font-weight: 400;">, que falam sobre as críticas negativas dos jornalistas sobre a banda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, ainda sim, temos canções que nunca enjoam e nos surpreendem, como</span><i><span style="font-weight: 400;"> 14 Years</span></i><span style="font-weight: 400;">, eternizada na voz de Izzy Stradlin e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Estranged </span></i><span style="font-weight: 400;">com as suaves guitarras que aceleram ao longo da música. A banda ainda nos presenteia com o baixo pesado em </span><i><span style="font-weight: 400;">Coma</span></i><span style="font-weight: 400;"> e os longos 9 minutos de</span><i><span style="font-weight: 400;"> November Rain</span></i><span style="font-weight: 400;"> sobre o </span><a href="https://igormiranda.com.br/2020/07/guns-n-roses-november-rain-noiva-morre/"><span style="font-weight: 400;">casamento de Axl com Erin Everly</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Guns N&#039; Roses - November Rain" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/8SbUC-UaAxE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O clipe da música, venceu um</span><i><span style="font-weight: 400;"> MTV Video Music Award</span></i><span style="font-weight: 400;"> para Melhor Cinematografia, sendo o 13º mais caro de todos os tempos, com um orçamento de cerca de 1,5 milhões de dólares. Só o vestido de noiva usado pela atriz Stephanie Seymour custou 8 mil dólares. Alternando entre diversos cenários como a cena do casamento, Slash tocando seu solo em meio ao deserto e em cima de um piano &#8211; reproduzido depois nos </span><i><span style="font-weight: 400;">shows </span></i><span style="font-weight: 400;">– eternizou o video tanto quanto a música em si. Em 2018, o videoclipe tornou-se o primeiro da era pré-</span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;"> a superar </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/guns-n-roses-november-rain-quebra-recorde-do-youtube/"><span style="font-weight: 400;">um bilhão de visualizações</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso mostra o poder que a banda teve e tem até hoje, mesmo após quase 20 anos sem lançar álbuns novos e trinta anos do lançamento dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Use Your Illusion</span></i><span style="font-weight: 400;">s</span><span style="font-weight: 400;">. Apesar de hoje em dia a banda ter quase todos os membros da formação original – Axl, Slash e Duff ainda se apresentam juntos após indas e vindas – cantando músicas de quase quarenta anos, os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FrKvX02AjcE&amp;ab_channel=GunsN%27Roses"><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> lotam</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os álbuns vendem. É assim que uma banda eterniza seu nome.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Use Your Illusion I" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/0CxPbTRARqKUYighiEY9Sz?si=eWmglwLITy-zI3IkQ8T0BQ&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Use Your Illusion II" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/00eiw4KOJZ7eC3NBEpmH4C?si=4DysnFg_TaWdN0eUiBkLSA&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Após 30 anos, A Família Dinossauros continua sendo a série jurássica mais atual já feita</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Oct 2021 15:26:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti  Há milhões de anos, as formas de vida que habitavam a Terra eram outras. Os registros geológicos chamam de pré-cambriano a fase em que começaram a surgir os primeiros seres vivos. Com o passar do tempo, apareceram outros animais mais complexos, como os dinossauros, répteis gigantes que dominavam o planeta. Esse é o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/30-anos-familia-dinossauros/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Após 30 anos, A Família Dinossauros continua sendo a série jurássica mais atual já feita"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24178" aria-describedby="caption-attachment-24178" style="width: 678px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24178" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-5-1.jpg" alt="Cena da série A Família Dinossauros exibe uma família de quatro dinossauros vestindo roupas em volta de um ovo." width="678" height="452" /><figcaption id="caption-attachment-24178" class="wp-caption-text">Com répteis gigantes como protagonistas, A Família Dinossauros apresentava a cada episódio uma história nova dos Silva Sauro (Foto: Jim Henson Productions)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há milhões de anos, as formas de vida que habitavam a Terra eram outras. Os registros geológicos chamam de </span><a href="https://super.abril.com.br/ciencia/fosseis-de-540-milhoes-de-anos-em-minas-gerais-registram-inicio-da-vida-complexa/"><span style="font-weight: 400;">pré-cambriano</span></a><span style="font-weight: 400;"> a fase em que começaram a surgir os primeiros seres vivos. Com o passar do tempo, apareceram outros animais mais complexos, como os dinossauros, répteis gigantes que dominavam o planeta. Esse é o contexto histórico em que se passa a série</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Família Dinossauros</span></i><span style="font-weight: 400;">, criada por Jim Henson, uma </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i><span style="font-weight: 400;"> que de arcaica não tem nada. O </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> jurássico ganhou notoriedade por apresentar de forma humorística a reconstrução do estilo de vida contemporâneo por meio de dinossauros. </span></p>
<p><span id="more-24177"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como já diz no próprio nome, a série tem como protagonistas uma família de dinossauros que levam uma vida típica de um cidadão estadunidense de classe média na cidade de Pangea, no ano de 60.000.003 a.C.. Dino da Silva Sauro (Stuart Pankin), o pai, é derrubador de árvores da </span><i><span style="font-weight: 400;">Wesayso Corporation</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde é constantemente desvalorizado pelo seu chefe, Bradley P. Richfield (Sherman Hemsley). Já Fran da Silva Sauro (Jessica Walter), a mãe, é uma dona de casa que constantemente coloca juízo na cabeça do marido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do casal, a família Silva Sauro também é composta por três filhos. O mais velho é Robbie (Jason Willinger), um dinossauro que vive em constante atrito com o pai por causa de seus ideais políticos e sociais. Já Charlene (Sally Struthers), a filha do meio, é vaidosa e, muitas vezes, fútil. O caçula, Baby (Kevin Clash), é um bebê </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s5vlpI2QCNs"><span style="font-weight: 400;">esperto e mimado</span></a><span style="font-weight: 400;">, que usualmente faz escândalo para que seus familiares atendam suas vontades. Outro membro da família é Ethyl (Florence Stanley), mãe de Fran, que não se dá bem com Dino.</span></p>
<figure id="attachment_24179" aria-describedby="caption-attachment-24179" style="width: 715px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24179" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-6-1.jpg" alt="Cena da série A Família Dinossauros apresenta um bebê dinossauros rosa com um chifre dourado na cabeça, vestindo uma camiseta amarela e uma fralda. O personagem está sentado em uma caverna e demonstra a expressão de alegria." width="715" height="402" /><figcaption id="caption-attachment-24179" class="wp-caption-text">“Eu sou o Baby, você tem que me amar” (Foto: Jim Henson Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cada episódio de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Família Dinossauros</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta um roteiro repleto de humor e bordões sobre a vida contemporânea interpretada por personagens pré-históricos. O icônico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sjAJjYU4Kj0"><i><span style="font-weight: 400;">“querida, cheguei”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dito por Dino já na abertura da série, foi muito impactante, servindo de referência até para programas de TV futuros e memes. Outro personagem repleto de frases marcantes é Baby. O caçula tinha uma autoestima bem alta e sempre que conhecia alguém novo já dizia </span><i><span style="font-weight: 400;">“tem que me amar”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Além dessa, o pequeno tinha costume de chamar seu pai de </span><i><span style="font-weight: 400;">“não é a mamãe”</span></i><span style="font-weight: 400;">, como uma forma sutil de os roteiristas criticarem a ausência paterna na criação dos filhos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os bordões e o relacionamento cômico e atrapalhado da família eram apenas uma forma de envolver o público para, a partir daí, debater pautas de relevância social, assim como a ausência dos pais na criação dos filhos. Um dos temas mais abordados em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Família Dinossauros</span></i><span style="font-weight: 400;"> é sobre a influência negativa da </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2015/12/02/ciencia/1449050606_665110.html"><span style="font-weight: 400;">televisão</span></a><span style="font-weight: 400;"> sob os telespectadores. Além de tratar rotineiramente essa questão, a </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i><span style="font-weight: 400;"> dedicou alguns episódios exclusivamente para essa crítica, como o </span><i><span style="font-weight: 400;">Family Change</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que os personagens desaprenderam a dialogar de tanto assistir TV, e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Network Genius</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que Dino vai trabalhar na produção dos programas televisivos e percebe como a população se torna incapaz de raciocinar após assistir à nova grade.</span></p>
<figure id="attachment_24180" aria-describedby="caption-attachment-24180" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24180" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-3-2.jpg" alt="Cena da série A Família Dinossauros em que há um dinossauro fêmea azul usando colares e brincos." width="640" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-24180" class="wp-caption-text">Mônica é a personagem mais discriminada na série por ser uma mulher divorciada, quadrúpede e que trabalha (Foto: Jim Henson Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra problemática amplamente discutida em toda a série é a questão dos direitos das minorias. Diversas vezes a amiga de Fran, Mônica (Suzie Plakson), foi discriminada por ser uma mulher divorciada, quadrúpede e que trabalha. O episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">What &#8216;Sexual Harris&#8217; Mean</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, mostra a personagem sendo constantemente assediada no emprego, e até ser demitida por ser do </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><span style="font-weight: 400;">sexo feminino</span></a><span style="font-weight: 400;">. Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">Green Card</span></i><span style="font-weight: 400;">, devido algumas crises econômicas, os estrangeiros estão sendo deportados e, por isso, Mônica precisa se casar com um dinossauro bípede para não ser expulsa de Pangea. Mas, mesmo casada, a personagem é constantemente insultada com ofensas </span><a href="https://www.politize.com.br/xenofobia-o-que-e/"><span style="font-weight: 400;">xenofóbicas</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além dessas questões sociais, uma pauta muito abordada em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Família Dinossauros</span></i><span style="font-weight: 400;"> é sobre o ambientalismo. Dino, como funcionário da </span><i><span style="font-weight: 400;">Wesayso Corporation</span></i><span style="font-weight: 400;">, derruba árvores para a expansão das cidades, e seu chefe, Bradley Richfield, só se importa com as questões financeiras pessoais e da empresa. Desse modo, a série discute a extinção das espécies, a falta de direitos dos </span><a href="https://www.socioambiental.org/pt-br/o-isa/programas/povos-indigenas-no-brasil"><span style="font-weight: 400;">povos nativos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, até mesmo, o fim dos dinossauros, como indivíduos que propiciaram a própria devastação.</span></p>
<figure id="attachment_24182" aria-describedby="caption-attachment-24182" style="width: 1314px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24182" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-3-1.jpg" alt="Cena da série A Família Dinossauros em que há três dinossauros reunidos na cozinha sorrindo para a foto. Os dois adultos são verdes e o bebê é rosa." width="1314" height="876" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-3-1.jpg 1314w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-3-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-3-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-3-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-3-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24182" class="wp-caption-text">Família tradicional jurássica (Foto: Jim Henson Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Repleto de simbolismos pré-históricos, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Família Dinossauros</span></i><span style="font-weight: 400;"> marcou quatro temporadas repletas de críticas sociais importantes, expostas de forma leve e divertida. À primeira vista, a série se parece um programa infantil, tal qual  </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-muppets-o-filme-1979/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Muppets</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://acervo.estadao.com.br/noticias/acervo,vila-sesamo-marcou-uma-geracao-de-brasileiros,7197,0.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Vila Sésamo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, também criados por Jim Henson, no entanto, o roteiro inteligente que questiona o </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2018/01/hollywood-paulo-cunha.html"><i><span style="font-weight: 400;">American way of life</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">torna a </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i><span style="font-weight: 400;"> jurássica muito mais familiar ao público adulto. Com o costume de quebrar a quarta parede, muitas vezes os personagens integravam os telespectadores nas questões que eram retratadas, tornando a abordagem da série ainda mais singular.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A questão das críticas ao comportamento familiar contemporâneo aproxima muito </span><i><span style="font-weight: 400;">A Família Dinossauros</span></i><span style="font-weight: 400;"> de outras séries. </span><a href="https://www.hojeemdia.com.br/almanaque/marco-da-anima%C3%A7%C3%A3o-na-tv-os-flintstones-completa-60-anos-1.803621"><i><span style="font-weight: 400;">Os Flintstones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, sempre trouxe o cotidiano atual retratado para a época da idade da pedra como forma de questionar a moral e os bons costumes. Outra produção semelhante é </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2018/05/17/os-simpsons-ainda-e-relevante-29-temporada-critica.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Os Simpsons</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que aborda o cotidiano com piadas politicamente incorretas, com a diferença de que esta é produzida diretamente para o público adulto. Apesar de algumas diferenças, todas elas partiam de uma família aparentemente comum para seu universo e, a partir daí, desenvolveram, por meio do humor ácido, críticas ao padrão de vida norte-americano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A abordagem adotada pela série fez com que </span><i><span style="font-weight: 400;">A Família Dinossauros</span></i><span style="font-weight: 400;"> se tornasse um grande fenômeno de audiência. Ao longo de quatro temporadas, os Silva Sauro serviram como entretenimento em diversos lugares em todo o mundo. No Brasil, a dublagem contou com os atores José Santa Cruz, Maria Helena Pader, </span><span style="font-weight: 400;">José Leonardo, Miriam Ficher e Marisa Leal, que interpretaram maravilhosamente os protagonistas ao cederem suas vozes.</span><span style="font-weight: 400;"> Além disso, a </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou a ser transmitida pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Globo</span></i><span style="font-weight: 400;">, pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">SBT</span></i><span style="font-weight: 400;"> e pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Band</span></i><span style="font-weight: 400;">, sendo um sucesso nas três emissoras. Atualmente, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;"> conta com todos os episódios do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, perpetuando o legado de </span><a href="https://www.henson.com/"><span style="font-weight: 400;">Jim Henson</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24181" aria-describedby="caption-attachment-24181" style="width: 708px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24181" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-5-2-1.jpg" alt=" Cena da série A Família Dinossauros exibe quatro membros da família Silva Sauro vestindo casacos grossos de frio e demonstrando em suas expressões faciais a dificuldade em tolerar as baixas temperaturas." width="708" height="398" /><figcaption id="caption-attachment-24181" class="wp-caption-text">Ao derrubar todas as árvores, os dinossauros provocaram a própria extinção e abriram caminho para a Era do Gelo (Foto: Jim Henson Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O criador de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Família Dinossauros</span></i><span style="font-weight: 400;">, Jim Henson, foi muito inteligente em desenvolver uma série jurássica que abordasse problemas sociais atuais. Por meio de simbolismos, os roteiristas brincam com os preconceitos, retratando-os como algo primitivo. Além disso, a obra reforça como o descaso com o meio ambiente é algo grotesco e ultrapassado. Ao derrubar todas as árvores para a expansão comercial, os dinossauros provocam sua própria extinção. Atualmente, é perceptível o mesmo erro com a </span><a href="https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2021/10/01/desmatamento-na-amazonia-pode-elevar-temperaturas-a-ponto-intoleravel-ao-corpo-humano-diz-estudo.ghtml"><span style="font-weight: 400;">devastação dos biomas</span></a><span style="font-weight: 400;"> brasileiros para a expansão econômica, o que já afeta a saúde humana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por causa da ganância, os dinossauros puseram um fim em suas vidas, mas, durante quatro temporadas, foi possível se divertir com as confusões da família Silva Sauro. Cada episódio fazia os telespectadores rirem e, ao mesmo tempo, refletirem sobre seus valores conservadores e retrógrados, que são um empecilho na sociedade. Desse modo, 30 anos depois do início dessa série icônica, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Família Dinossauros</span></i><span style="font-weight: 400;"> se mostra como um fenômeno atemporal do entretenimento.</span></p>
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		<title>30 anos de Ten: a estreia transgressora do Pearl Jam</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Aug 2021 17:45:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade Desde o assassinato de John Lennon, nos anos 80, não se lidava, na cultura pop, com uma representação tão intensa do fim de uma época. A invasão grunge de Seattle tomou forma como movimento revolucionário à medida que as letras, melodias pesadas e o estilo de vida sem regras — flertando com o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pearl-jam-ten-30-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "30 anos de Ten: a estreia transgressora do Pearl Jam"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22582" aria-describedby="caption-attachment-22582" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22582" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/pearljam1.jpg" alt="Capa do álbum Ten. Na foto, os cinco integrantes levantam um dos braços e permitem que as mãos se encontrem. Uma delas, a que está mais alta que as demais, está com o dedo indicador apontado para cima. Só é possível ver o braço dos integrantes na foto. O fundo da foto é rosa, e acima está escrito Pearl Jam com letras de fonte branca." width="1500" height="1500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/pearljam1.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/pearljam1-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/pearljam1-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/pearljam1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/pearljam1-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/pearljam1-1200x1200.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22582" class="wp-caption-text">Ten, álbum de estreia do Pearl Jam, é um dos grandes marcos do movimento grunge, e completa 30 anos hoje, dia 27 de agosto (Foto: Sony Music Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o assassinato de </span><a href="https://personaunesp.com.br/abbey-road-critica/"><span style="font-weight: 400;">John Lennon</span></a><span style="font-weight: 400;">, nos anos 80, não se lidava, na cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, com uma representação tão intensa do fim de uma época. A invasão </span><a href="https://personaunesp.com.br/in-utero-nirvana-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">grunge</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Seattle tomou forma como movimento revolucionário à medida que as letras, melodias pesadas e o estilo de vida sem regras — flertando com o </span><i><span style="font-weight: 400;">punk </span></i><span style="font-weight: 400;">e o </span><a href="https://personaunesp.com.br/sepultura-angra-metal-brasil-duas-decadas/"><i><span style="font-weight: 400;">heavy metal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> — se confundiam</span> <span style="font-weight: 400;">em meio às camisas xadrezes e calças rasgadas. O início dos anos 90 prometia não somente trazer o futurismo, mas também ser carregado de uma aura melancólica difícil de assimilar. O sucesso teve seu contexto alterado drasticamente pela indústria cultural, e, em meio ao choque geracional, o </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/musica/pearl-jam-como-foi-primeira-audicao-de-eddie-vedder-para-entrar-na-banda/"><span style="font-weight: 400;">Pearl Jam</span></a><span style="font-weight: 400;"> surgiu com </span><a href="https://www.rollingstone.com/feature/pearl-jams-ten-10-things-you-didnt-know-250550/"><i><span style="font-weight: 400;">Ten</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, álbum que marcou o </span><i><span style="font-weight: 400;">grunge </span></i><span style="font-weight: 400;">e que completa trinta anos em 27 de agosto. </span></p>
<p><span id="more-22579"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história do primeiro álbum do grupo naturalmente se entrelaça com o seu surgimento. O guitarrista Stone Gossard e o baixista Jeff Ament estavam na ativa desde os primórdios do </span><i><span style="font-weight: 400;">grunge</span></i><span style="font-weight: 400;">, na banda </span><a href="https://loudwire.com/bands-pioneered-grunge/"><span style="font-weight: 400;">Green River</span></a><span style="font-weight: 400;">, de 1984 a 1987. Posteriormente, os dois integrantes se juntaram a Andrew Wood para compor a </span><a href="https://www.hojeemdia.com.br/almanaque/o-fim-do-mother-love-bone-e-o-surgimento-do-pearl-jam-nascido-de-uma-trag%C3%A9dia-1.330810"><span style="font-weight: 400;">Mother Love Bone</span></a><span style="font-weight: 400;">, que durou pouco mais de dois anos e terminou pela morte de Wood, em decorrência de uma overdose. Gossard decidiu então chamar Mike McCready, um antigo amigo, e gravaram, junto ao baixista Ament, uma fita </span><i><span style="font-weight: 400;">demo </span></i><span style="font-weight: 400;">a procura de vocalista e baterista. A fita foi encaminhada para Jack Irons, o primeiro baterista do </span><a href="https://personaunesp.com.br/novo-album-peppers-conflito-entre-fantasmas-passado-presente-futuro/"><span style="font-weight: 400;">Red Hot Chili Peppers</span></a><span style="font-weight: 400;">, e, após ele declinar o convite, encaminhou a fita para um amigo em San Diego, chamado Eddie Vedder. Depois, a chamado de Ament, Dave Krusen assumiu a bateria, e o Pearl Jam surgiu de maneira silenciosa. </span></p>
<figure id="attachment_22581" aria-describedby="caption-attachment-22581" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22581" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/pearljam2.jpg" alt="Foto dos integrantes da banda Pearl Jam. Os cinco integrantes são homens brancos, e, com exceção de Dave Krusen, todos possuem cabelos longos, abaixo do ombro. Na foto, em preto-e-branco, Stone Gassard veste um sobretudo, cachecol e um boné com uma estrela desenhada no meio. Jeff Ament veste coturno, meia-calça preta, shorts listrado preto-e-branco, jaqueta de couro preta e óculos escuros. Eddie Vedder usa coturno preto, camisa xadrez e um colete preto sobre a camisa, ele está à frente dos demais integrantes, parado em forma lateral olhando para o horizonte. Mike McCready está encostado na parede; ele veste chapéu, jaqueta de couro preta e calça jeans rasgada. Dave Krusen está agachado, usando uma boina preta, calça jeans clara rasgada e um tênis branco." width="2000" height="1322" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/pearljam2.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/pearljam2-800x529.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/pearljam2-1024x677.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/pearljam2-768x508.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/pearljam2-1536x1015.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/pearljam2-1200x793.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22581" class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita: Stone Gossard, Jeff Ament, Eddie Vedder, Mike McCready e Dave Krusen (Foto: Sony Music Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O silêncio foi deixado de lado muito em breve, e algo que eles sempre souberam fazer foi barulho. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ten </span></i><span style="font-weight: 400;">é considerado um clássico atualmente, mas foi extremamente radical quando lançado. Eddie Vedder mantinha uma presença de palco totalmente distinta, cuja personalidade se destacava pela sinceridade autoconsciente. Diferente de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/10-curiosidades-sobre-kurt-cobain-que-voce-provavelmente-nao-sabia-lista/"><span style="font-weight: 400;">Kurt Cobain</span></a><span style="font-weight: 400;">, que expressou sua revolta de forma poética e misteriosa, Vedder demonstrava seu incômodo de forma literal. Frases do tipo ser-contra-o-</span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream </span></i><span style="font-weight: 400;">eram recorrentes no </span><i><span style="font-weight: 400;">grunge</span></i><span style="font-weight: 400;">, pois existia raiva e ela era retratada nas músicas, mas as letras de Eddie Vedder não passavam nenhum clichê, e o que se prezava era a veracidade. O Pearl Jam deixava a música falar por si mesma, e as faixas eram cruéis, pesadas, e até sombrias, mas retratavam exatamente aquilo que queriam dizer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, qualquer obra, na melhor das hipóteses, está aberta a interpretações. Quando </span><i><span style="font-weight: 400;">Ten</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou às lojas de discos, em 1991, teve uma recepção morna. É verdade que o </span><a href="https://personaunesp.com.br/nirvana-samsung-philip-glass-ibirapuera/"><span style="font-weight: 400;">Nirvana</span></a><span style="font-weight: 400;"> já havia lançado </span><i><span style="font-weight: 400;">Bleach</span></i><span style="font-weight: 400;"> dois anos antes, e que o </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/19407-soundgarden-superunknown/"><span style="font-weight: 400;">Soundgarden</span></a><span style="font-weight: 400;"> já havia lançado</span><i><span style="font-weight: 400;"> Ultramega OK </span></i><span style="font-weight: 400;">(1988) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Louder Than Love </span></i><span style="font-weight: 400;">(1989), e também é verdade que isso ofuscou um pouco qualquer sucesso imediato do Pearl Jam. Mas o fato é que a crítica estava, naquele momento, de olho no disruptivo </span><i><span style="font-weight: 400;">Facelift </span></i><span style="font-weight: 400;">(1990), de </span><a href="https://www.radiorock.com.br/2021/08/21/alice-chains-album-de-estreia-facelift-completa-31-anos/"><span style="font-weight: 400;">Alice in Chains</span></a><span style="font-weight: 400;">, e a indústria fonográfica ainda se adaptava ao formato </span><i><span style="font-weight: 400;">Compact Disc (CD-ROM) </span></i><span style="font-weight: 400;">— que a revolucionou —, pois havia sido desenvolvido há poucos anos, em 1985, e a maneira de capitalizar essa nova onda originada em Seattle estava em fase de testes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Nirvana lançou </span><a href="https://personaunesp.com.br/nirvana-25-anos-depois-espirito-adolescente-prevalece-mais-forte-nunca/"><i><span style="font-weight: 400;">Nevermind</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em setembro de 1991 — um mês depois de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ten</span></i><span style="font-weight: 400;"> —, e, posteriormente, esses dois álbuns tornaram-se marcas permanentes e referências claras do </span><i><span style="font-weight: 400;">grunge</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ao longo dos meses que se seguiram, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ten </span></i><span style="font-weight: 400;">popularizou-se e conseguiu emplacar, de forma orgânica e sem grandes investimentos, o segundo lugar na </span><a href="https://www.billboard.com/music/pearl-jam/chart-history/TSL"><i><span style="font-weight: 400;">Billboard</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Assim como Nirvana, o Pearl Jam bradava — mesmo que com menos intensidade — contra o </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream,</span></i><span style="font-weight: 400;"> mas, curiosamente, acabou virando uma das referências iniciais para qualquer banda de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">que almejava o sucesso nos meios de comunicação de massa. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Jeremy (Live) - MTV Unplugged - Pearl Jam" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3g1Tu2Ulrk0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">As onze faixas que compõem </span><i><span style="font-weight: 400;">Ten </span></i><span style="font-weight: 400;">foram escritas por Vedder, e o álbum emplacou </span><i><span style="font-weight: 400;">hits </span></i><span style="font-weight: 400;">atemporais. Nas letras, sucídio, solidão e alienação são temas recorrentes. </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2018/11/05/mae-jeremy-pearl-jam/"><i><span style="font-weight: 400;">Jeremy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dos grandes sucessos do álbum, foi baseada em uma notícia real. Vedder inspirou-se para compor uma espécie de homenagem ao jovem Jeremy Delle, após ler em um jornal que ele havia tirado a própria vida em frente aos colegas de classe, no Texas. A música se inicia com uma </span><i><span style="font-weight: 400;">intro </span></i><span style="font-weight: 400;">de baixo marcante, com a posterior entrada da bateria, de forma crescente, e a típica voz rasgada de Eddie Vedder.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qM0zINtulhM&amp;ab_channel=PearljamVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">Alive</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, terceira faixa do disco,</span> <span style="font-weight: 400;">é parcialmente biográfica. Ela conta a história de Vedder ao descobrir que seu pai biológico faleceu antes de seu nascimento, e que o homem casado com sua mãe era, na realidade, seu padrasto. A canção é uma adaptação da primeira versão </span><i><span style="font-weight: 400;">demo</span></i><span style="font-weight: 400;">, presente na fita que Vedder recebeu, cujo instrumental foi criado por Stone Gossard. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CxKWTzr-k6s"><i><span style="font-weight: 400;">Even Flow</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é praticamente uma evocação ao estilo de vida sem normas, e romantiza a falta de moradia como algo transcendente, encaixando a letra em um ritmo frenético entre as guitarras e a bateria — ela demonstra muito bem o que o Pearl Jam conseguia fazer com um tema tão vago. Depois da pesada </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kzJu4r5vvo8&amp;ab_channel=PearlJam-Topic"><i><span style="font-weight: 400;">Why Go</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">— uma das mais ferozes e indignadas do álbum, ao lado de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7z7_NCc_gZY&amp;ab_channel=PearlJam-Topic"><i><span style="font-weight: 400;">Once</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> —, entra a solene </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5ZH2it92ZmA&amp;ab_channel=PearlJam"><i><span style="font-weight: 400;">Black</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, conhecidamente dramática e que figura nas </span><i><span style="font-weight: 400;">playlists </span></i><span style="font-weight: 400;">de músicas-para-chorar. De qualquer modo, é musicalmente agradável, e de certa forma destoa das demais faixas do álbum — mesmo se comparada a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4WOk7UNAvOw&amp;ab_channel=PearljamVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">Oceans</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que também é lenta, porém sem a mesma dramaticidade. </span></p>
<figure id="attachment_22580" aria-describedby="caption-attachment-22580" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22580" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/pearljam3.jpg" alt="Foto dos integrantes da banda Pearl Jam. Os cinco integrantes são homens brancos, e, com exceção de Dave Krusen, todos possuem cabelos longos, abaixo do ombro. Na foto, em preto-e-branco, Stone Gassard veste um sobretudo, cachecol e um boné com uma estrela desenhada no meio; ele está olhando diretamente para a câmera. Jeff Ament veste coturno, meia-calça preta, shorts listrado preto-e-branco, jaqueta de couro preta e óculos escuros; ele está conversando com Mike McCready, que veste chapéu, jaqueta de couro preta e calça jeans rasgada. Eddie Vedder usa camisa xadrez e um colete preto com zíper sobre ela; ele está à frente dos demais integrantes, parado em diagonal olhando para sua lateral esquerda. Dave Krusen está agachado, usando uma boina preta, calça jeans clara rasgada e um tênis branco; ele também está olhando para a sua lateral esquerda." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/pearljam3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/pearljam3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/pearljam3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/pearljam3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/pearljam3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22580" class="wp-caption-text">As gravadoras estavam priorizando o novo formato CD-ROM e restringindo as vendas em vinil aos grandes nomes do mercado; por essa razão, Ten foi lançado em vinil só em 1993, pois seu sucesso foi inesperado (Foto: Sony Music Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em retrospecto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ten </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Nevermind </span></i><span style="font-weight: 400;">foram os dois álbuns que auxiliaram de forma mais significativa a reinventar o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> popular. Todos queriam imitar, e bandas contemporâneas que fazem algo mais próximo do </span><i><span style="font-weight: 400;">grunge </span></i><span style="font-weight: 400;">não conseguem escapar das comparações. Mas, apesar de sua influência nítida, é difícil pensar em algum disco que soe parecido com </span><i><span style="font-weight: 400;">Ten</span></i><span style="font-weight: 400;">, composto em uma aura obscura e musicalmente competente. Assim como </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-new-abnormal-critica/"><span style="font-weight: 400;">The Strokes</span></a><span style="font-weight: 400;"> fez, alguns anos depois, com seu </span><a href="https://tracklist.com.br/is-this-it/111893"><i><span style="font-weight: 400;">Is This It</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2001), o Pearl Jam chegou trazendo a novidade que a indústria procurava. Eles não foram os primeiros a fazerem </span><i><span style="font-weight: 400;">grunge</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas poucas bandas faziam bem — e isso era novo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O instrumental pesado da banda e a voz dilacerante de Eddie Vedder compunham a raiva generalizada pelo conformismo visível na sociedade. Não era um chamado à luta, ou um chamado à aventura, mas um grito de advertência, um preste-atenção-em-mim que definiram muito bem o </span><i><span style="font-weight: 400;">grunge </span></i><span style="font-weight: 400;">dos anos 1990. Era o </span><a href="https://blitz.pt/principal/update/2021-08-14-Nunca-mais-houve-um-verao-assim.-Os-60-dias-que-mudaram-o-rock-dos-anos-90-3484d539"><span style="font-weight: 400;">fim de uma era</span></a><span style="font-weight: 400;">, nem melhor ou pior, mas aquela que todos conheciam e começavam a se familiarizar. Os anos 2000 batiam à porta, e a sensação era que, de repente, tudo foi pelos ares. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Ten" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/5B4PYA7wNN4WdEXdIJu58a?si=GLXZXu6YT4ampKUqXnfX1Q&#038;dl_branch=1&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Após 30 anos, o clássico Thelma &#038; Louise continua atual e necessário</title>
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		<pubDate>Thu, 27 May 2021 21:13:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti Muitos filmes hollywoodianos seguem um padrão comum em suas produções, quase como uma receita de bolo. Neles é perceptível uma maioria esmagadora de personagens masculinos como protagonistas. Em contrapartida, a história criada pela roteirista Callie Khouri propunha uma ruptura nos clichês da indústria cinematográfica. Desse modo, ao receber o roteiro em mãos, o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/thelma-e-louise-30-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Após 30 anos, o clássico Thelma &#038; Louise continua atual e necessário"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20818" aria-describedby="caption-attachment-20818" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20818" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-1-1-2.jpg" alt="Cena do filme em que Geena Davis, uma jovem branca de cabelos claros e ondulados, e Susan Sarandon, uma jovem branca de cabelos ondulados, com óculos de sol e lenço, se juntam para tirar uma selfie." width="1170" height="702" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-1-1-2.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-1-1-2-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-1-1-2-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-1-1-2-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20818" class="wp-caption-text">A primeira selfie do cinema foi protagonizada por Geena Davis e Susan Sarandon no clássico Thelma &amp; Louise (Foto: Metro Goldwyn Mayer)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitos filmes hollywoodianos seguem um padrão comum em suas produções, quase como uma receita de bolo. Neles é perceptível uma maioria esmagadora de personagens masculinos como protagonistas. Em contrapartida, a história criada pela roteirista Callie Khouri propunha uma ruptura nos clichês da indústria cinematográfica. Desse modo, ao receber o roteiro em mãos, o diretor Ridley Scott deu vida ao icônico </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma &amp; Louise</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-20817"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a produção do longa foi composta por uma equipe de peso. Apesar de novata, Callie Khouri já tinha experiência por trás das câmeras e pretendia em seu roteiro quebrar o padrão de </span><a href="https://www.jornalismo.ufv.br/cinecom/a-hipersexualizacao-das-personagens-femininas-nos-filmes-de-acao/"><span style="font-weight: 400;">mulheres hipersexualizadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que via no seu dia a dia de trabalho. Ridley Scott já era considerado um diretor consagrado por suas produções anteriores, como</span> <a href="https://www.planocritico.com/critica-alien-o-oitavo-passageiro/"><i><span style="font-weight: 400;">Alien</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-blade-runner-o-cacador-de-androides-versoes-do-cinema/"><i><span style="font-weight: 400;">Blade Runner</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. E para encarnar as grandes protagonistas que dão nome ao filme, estão as atrizes Geena Davis e Susan Sarandon, que trouxeram vida por meio de suas atuações impecáveis na trama.</span></p>
<figure id="attachment_20819" aria-describedby="caption-attachment-20819" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20819 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-2-4.jpg" alt="Cena do filme em que Thelma e Louise cruzam o deserto dentro de um carro conversível azul. A estrada é de terra, nos cantos está a vegetação baixa típica de clima desértico e uma montanha toma conta do fundo da imagem." width="628" height="377" /><figcaption id="caption-attachment-20819" class="wp-caption-text">As amigas dirigem um Ford Thunderbird durante sua viagem de férias (Foto: Metro Goldwyn Mayer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme conta a história de duas amigas com personalidades opostas que saem de férias para uma cabana de pesca nas montanhas. Thelma Dickinson (</span><a href="https://revistatrip.uol.com.br/tpm/entrevista-com-geena-davis-de-thelma-louise"><span style="font-weight: 400;">Geena Davis</span></a><span style="font-weight: 400;">) é uma dona de casa que moldou sua vida de acordo com as medidas impostas pelo seu marido, Darryl (Christopher McDonald), um vendedor de tapetes, grosseiro e controlador. Enquanto que Louise Sawyer (</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/04/susan-sarandon-e-kate-winslet-brilham-em-drama-sobre-eutanasia.shtml"><span style="font-weight: 400;">Susan Sarandon</span></a><span style="font-weight: 400;">) trabalha como garçonete, é bem resolvida e tem personalidade forte. Apesar de todas essas divergências, ambas se respeitavam e se apoiavam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante sua jornada, as amigas param em um bar de estrada para descansar da viagem. No local, Thelma aproveita para se divertir bebendo e dançando com estranhos. Porém, Harlan (Timothy Carhart) tenta abusar sexualmente da jovem enquanto esta estava em estágio frágil. Para proteger a amiga, Louise atira no assediador. Após o conturbado ocorrido, ambas fogem do local. A partir disso, o longa se transforma em uma perseguição policial, que fortalece a personalidade e o laço das protagonistas da narrativa.</span></p>
<figure id="attachment_20820" aria-describedby="caption-attachment-20820" style="width: 1563px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20820" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3-6.jpg" alt="Cena do filme em que Susan Sarandon, a esquerda, aparece usando uma camiseta branca e apontando uma arma. A direita está Geena Davis, que usa uma camiseta preta com o desenho de uma caveira e óculos de sol. O fundo é o céu azul." width="1563" height="938" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3-6.jpg 1563w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3-6-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3-6-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3-6-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3-6-1536x922.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3-6-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20820" class="wp-caption-text">Ao longo da viagem, as personagens evoluem suas personalidades (Foto: Metro Goldwyn Mayer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme segue a linha de um </span><a href="https://www.tudosobreseufilme.com.br/2015/09/o-que-e-road-movie.html"><i><span style="font-weight: 400;">road movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, porém quebrando inúmeros padrões conhecidos pela indústria do Cinema. A narrativa já é inovadora por si só ao propor duas mulheres como protagonistas de uma jornada policial, mas também, as personagens apresentam personalidades muito bem desenvolvidas, algo que </span><a href="https://institutodecinema.com.br/mais/conteudo/o-que-e-o-teste-de-bechdel"><span style="font-weight: 400;">não é tão comum</span></a><span style="font-weight: 400;"> em produções que costumam colocar a persona feminina como coadjuvante. Além disso, a trama apresenta diversas cenas marcantes em que Thelma e Louise apresentam atitudes comuns nos longas predominantemente masculino, como beber, dirigir, roubar, matar e fugir da polícia, algo inovador e original para Hollywood.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse cenário em que o protagonismo masculino se sobrepõe sempre às mulheres, é possível dizer que </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma &amp; Louise</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um longa necessário para a cultura popular. Embora essa realidade em que há uma ausência feminina na frente e, principalmente, por trás das câmeras seja fato, essa história nem sempre foi assim. O primeiro filme narrativo de ficção da história do cinema, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fada do Repolho</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1896, foi dirigido pela francesa </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2019/03/alice-guy-blache-a-pioneira-do-cinema-que-a-historia-esqueceu/"><span style="font-weight: 400;">Alice Guy-Blaché</span></a><span style="font-weight: 400;">. Outra figura representativa é a diretora </span><a href="https://epocanegocios.globo.com/Mundo/noticia/2019/04/lois-weber-pioneira-diretora-de-cinema-que-chocou-o-mundo.html"><span style="font-weight: 400;">Lois Weber</span></a><span style="font-weight: 400;">, que realizava produções tão marcantes quanto D. W. Griffith e Georges Méliès. Embora simbólico para a construção da indústria cinematográfica, muitos não conhecem o trabalho das grandes mulheres que construíram esse mercado que, originalmente, era igualitário entre os gêneros. </span></p>
<figure id="attachment_20821" aria-describedby="caption-attachment-20821" style="width: 1288px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20821" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-4-2.jpg" alt="Cena branco e preta do curta A Fada do Repolho, em que Alice Guy-Blaché aparece ao centro sorrindo, com cabelo curto preto, um vestido longo branco e os braços erguidos. Ao seu lado estão vários repolhos fictícios grandes e ao fundo está uma grade." width="1288" height="773" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-4-2.jpg 1288w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-4-2-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-4-2-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-4-2-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-4-2-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20821" class="wp-caption-text">Alice Guy-Blaché, diretora do filme A Fada do Repolho, é considerada pioneira do Cinema (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas apesar dessa opressão masculina no Cinema, </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma &amp; Louise</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixou a sua marca. O longa chegou a receber quatro indicações ao Globo de Ouro e seis ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, ganhando apenas na categoria de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=29ePCxCBZ14"><span style="font-weight: 400;">Melhor Roteiro Original</span></a><span style="font-weight: 400;"> em ambas as premiações. Além disso, o filme ganhou muito palco por tratar tão bem de pautas feministas, já que nos anos 90 não era comum que se levantassem assuntos sobre a questão da igualdade de gênero, do assédio sexual e da liberdade feminina nas telonas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ter criado essa onda de feminismo em Hollywood, o filme não resultou em melhoras dentro da indústria cinematográfica. Com os padrões de dominação masculina no ramo do cinema, a talentosa Geena Davis criou em 2006 o </span><a href="https://seejane.org/"><i><span style="font-weight: 400;">Geena Davis Institute on Gender in Media</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com o objetivo de mitigar a discriminação por gênero. A atriz aborda no documentário </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dPGwJmSMoPs"><i><span style="font-weight: 400;">Isso Muda Tudo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2018, que não tinha ideia da disparidade entre homem e mulher quando começou a atuar. Desde que se tornou ativista na área, Davis e sua equipe passaram a levantar dados que comprovam essa discrepância, para assim, tentar alcançar a igualdade entre gêneros. </span></p>
<figure id="attachment_20822" aria-describedby="caption-attachment-20822" style="width: 1339px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20822" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-5-3.jpg" alt="Cena do filme em que um carro azul conversível sobrevoa o Grand Canyon. A metade para baixo da imagem é composta por rochedos desérticos e a parte superior é o céu azul com poucas nuvens dispersas." width="1339" height="803" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-5-3.jpg 1339w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-5-3-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-5-3-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-5-3-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-5-3-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20822" class="wp-caption-text">O filme se encerra com um salto em direção às colinas do Grand Canyon, perpetuando a liberdade de Thelma e Louise (Foto: Metro Goldwyn Mayer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar disso, a relevância do longa para o cenário feminino no Cinema é inegável e mesmo após 30 anos, o clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">Thelma &amp; Louise</span></i><span style="font-weight: 400;"> permanece atual em sua proposta. De forma divertida, Callie Khouri escreveu uma história comovente sobre assuntos complexos na sociedade. A edição do filme permite com que o telespectador adentre na vida das personagens, ao mesmo tempo que a trilha sonora e a direção musical de </span><a href="http://www.ufrgs.br/mvs/Periodo06-1990-HansZimmer_NEW.html"><span style="font-weight: 400;">Hans Zimmer</span></a><span style="font-weight: 400;"> intensificam as emoções trazidas na direção de Ridley Scott.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Thelma &amp; Louise</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda mostra que alguns filmes vão além do entretenimento ao levantar bandeiras relevantes para a sociedade. As personagens são donas de suas vidas e mostram que o empoderamento feminino é muito mais divertido quando ocorre por meio da cumplicidade entre duas boas amigas. E com isso, o longa se encerra mostrando que, para elas, nada é mais importante do que a liberdade.<br />
</span></p>
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		<title>30 anos de O Silêncio dos Inocentes: os cordeiros gritam mais alto do que nunca</title>
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		<pubDate>Mon, 17 May 2021 04:05:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Atenção: o texto contém imagens sensíveis de violência explícita Caroline Campos Aconteceu Naquela Noite (1934), de Frank Capra, Um Estranho no Ninho (1975), de Milos Forman e O Silêncio dos Inocentes (1991), de Jonathan Demme, são o trio de ouro do Oscar. Os três integram o seleto grupo Big Five, dedicado aos filmes que levaram &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-silencio-dos-inocentes-30-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "30 anos de O Silêncio dos Inocentes: os cordeiros gritam mais alto do que nunca"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><i><span style="font-weight: 400;">Atenção: o texto contém imagens sensíveis de violência explícita</span></i></p>
<figure id="attachment_20702" aria-describedby="caption-attachment-20702" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20702 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambs-movie-screencaps.com-7242.jpg" alt="Cena do filme O Silêncio dos Inocentes. O personagem de Anthony Hopkins está no centro da imagem, preso em uma camisa de força. Ele está de pé, num carrinho, e usa uma máscada de couro do nariz para baixo. Seu olhar é vidrado, sem expressões. Ao seu redor, vemos três policiais desfocados." width="1920" height="1040" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambs-movie-screencaps.com-7242.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambs-movie-screencaps.com-7242-300x163.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambs-movie-screencaps.com-7242-1024x555.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambs-movie-screencaps.com-7242-768x416.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambs-movie-screencaps.com-7242-1536x832.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambs-movie-screencaps.com-7242-1200x650.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20702" class="wp-caption-text">A máscara icônica foi criada especialmente para o filme de 1991 (Foto: Orion Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Aconteceu Naquela Noite</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1934), de Frank Capra, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Estranho no Ninho</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1975), de Milos Forman e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Silêncio dos Inocentes</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1991), de Jonathan Demme, são o trio de ouro do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Os três integram o seleto grupo </span><a href="https://www.bol.uol.com.br/entretenimento/2012/02/24/veja-os-recordes-e-curiosidades-do-oscar.htm#:~:text=1%20%2D%20Apenas%20tr%C3%AAs%20filmes%20at%C3%A9,Sil%C3%AAncio%20dos%20Inocentes%20(1991)."><i><span style="font-weight: 400;">Big Five</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dedicado aos filmes que levaram para casa as principais estatuetas da premiação &#8211; Melhor Filme, Ator, Atriz, Direção e Roteiro. No entanto, quando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=28ZkmJJ8320"><span style="font-weight: 400;">Elizabeth Taylor</span></a><span style="font-weight: 400;"> anunciou o último prêmio daquela noite de 1992 para a obra de Demme, ela também consagrou o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme para um longa de terror na história da cerimônia até então. </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/03/silencio-dos-inocentes-calava-ha-30-anos-todas-as-lendas-sobre-o-oscar.shtml"><span style="font-weight: 400;">Passados 30 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o impacto de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/5-curiosidades-sobre-o-silencio-dos-inocentes-classico-do-terror-lista/"><i><span style="font-weight: 400;">O Silêncio dos Inocentes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na cultura cinematográfica continua incontestável e não há nada que apague a reputação de </span><a href="https://cinepop.com.br/os-30-anos-de-o-silencio-dos-inocentes-conheca-todas-as-encarnacoes-de-hannibal-lecter-e-clarice-starling-nas-telas-294408/"><span style="font-weight: 400;">Hannibal Lecter e Clarice Starling</span></a><span style="font-weight: 400;"> do imaginário popular.</span></p>
<p><span id="more-20696"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se há quem tenha se incomodado com a indicação de </span><a href="https://www.ofuxico.com.br/noticias-sobre-famosos/viola-davis-a-atriz-negra-mais-indicada-ao-oscar/2021/04/28-402124.html"><span style="font-weight: 400;">Viola Davis</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de atuação principal do </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> por seu tempo de tela em </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-voz-suprema-do-blues-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Voz Suprema do Blues</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, imagine para quem acompanhou, três décadas antes, a magnífica consagração de Anthony Hopkins por um personagem que aparece em cerca de 24 minutos durante o filme. Não há como argumentar: </span><i><span style="font-weight: 400;">O Silêncio dos Inocentes</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um clássico irrefutável. A caçada do </span><i><span style="font-weight: 400;">FBI</span></i><span style="font-weight: 400;"> pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">serial killer</span></i><span style="font-weight: 400;"> Buffalo Bill somada à relação esquisita e complexa entre a jovem agente </span><a href="https://www.publico.pt/2021/04/16/estudiop/noticia/aconteceu-clarice-silencio-inocentes-1958313"><span style="font-weight: 400;">Clarice Starling</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o psiquiatra canibal </span><a href="https://www.must.jornaldenegocios.pt/viver/detalhe/o-verdadeiro-hannibal-lecter-como-um-medico-psicopata-inspirou-o-silencio-dos-inocentes?ref=DET_MaisLidas_4"><span style="font-weight: 400;">Dr. Hannibal Lecter</span></a><span style="font-weight: 400;"> ainda suscita discussões, análises e problemáticas por cada escolha narrativa da direção de Jonathan Demme e do </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/como-o-silencio-dos-inocentes-quebrou-todas-regras-do-cinema-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">roteiro de Ted Tally</span></a><span style="font-weight: 400;">, baseado na obra homônima de </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/2019/05/autor-de-o-silencio-dos-inocentes-da-rara-entrevista-e-diz-nada-foi-inventado"><span style="font-weight: 400;">Thomas Harris</span></a><span style="font-weight: 400;"> lançada em 1988.</span></p>
<figure id="attachment_20700" aria-describedby="caption-attachment-20700" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20700 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambshd_pub.png" alt="Cena do filme O Silêncio dos Inocentes. Jodie Foster está de pé, do lado esquerdo. Ela é uma mulher brance de 30 anos, com cabelos castanhos e lisos até o ombro e usa um paletó marrom. Ela está de perfil e encara Anthony Hopkins, um homem branco de 53 anos. Eles estão frente a frente, com uma parede de vidro os separando. Hopkins usa um macacão azul de prisioneiro, e está apoiado com as mãos no vidro encarando Foster." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambshd_pub.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambshd_pub-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambshd_pub-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambshd_pub-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20700" class="wp-caption-text">“As pessoas vão achar que estamos apaixonados” (Foto: Orion Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente, nem Hopkins nem Jodie Foster foram idealizados por Demme. Gene Hackman desistiu do papel de canibal e passou a bola para Sean Connery, que também pulou fora e caracterizou o roteiro como </span><i><span style="font-weight: 400;">revoltante</span></i><span style="font-weight: 400;">. O papel de Clarice transitou entre </span><a href="https://cinepop.com.br/o-silencio-dos-inocentes-michelle-pfeiffer-explica-porque-recusou-o-papel-principal-no-aclamado-suspense-282018/"><span style="font-weight: 400;">Michelle Pfeiffer</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Meg Ryan, mas ambas recusaram por conta do teor da trama. Enfim, a dupla principal foi escolhida. Na época, Anthony estava com seus 53 anos e acreditou, pelo título, que se tratava de um filme infantil. Foster, no entanto, vinha de um </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Atriz pela sua interpretação no filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Acusados</span></i><span style="font-weight: 400;">. Não demorou muito para Jonathan Demme se tornar o diretor mais feliz do mundo com a sua decisão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos anos 90, ter uma mulher à frente de um longa de suspense não era muito comum. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Silêncio dos Inocentes</span></i><span style="font-weight: 400;"> é filmado inteiramente sob o ponto de vista da personagem de Foster, que desafia a soberania masculina do seu ambiente de trabalho e treinamento e precisa provar sua competência em toda bendita cena. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DFjrcWoI1Xs"><i><span style="font-weight: 400;">Eu me formei na UVA, doutor. Isso não é uma escola de beleza.</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> Demme é sutil em nos colocar na pele de Clarice Starling. Os personagens masculinos estão sempre conversando diretamente com a câmera ou a encarando desconfortavelmente, enquanto é a agente que sustenta, lateralmente, seus olhares e provocações. Essa troca de posições coloca o espectador intimamente ligado aos sentimentos da protagonista, refletindo seu incômodo enjoativo e tornando-nos seus aliados.</span></p>
<figure id="attachment_20701" aria-describedby="caption-attachment-20701" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20701 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambs-movie-screencaps.com-247.jpg" alt="Cena do filme O Silêncio dos Inocentes. Jodie Foster está no centro da imagem, dentro de um elevador. Ela usa moletom cinza com uma camisa branca por baixo marcados com suor, calças pretas e suas mãos estão unidas na frente do corpo. Ao redor dela, vamos nove homens no pequeno espaço. Todos usam a mesma roupa: camisa polo vermelha e calça cáqui bege." width="1920" height="1040" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambs-movie-screencaps.com-247.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambs-movie-screencaps.com-247-300x163.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambs-movie-screencaps.com-247-1024x555.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambs-movie-screencaps.com-247-768x416.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambs-movie-screencaps.com-247-1536x832.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambs-movie-screencaps.com-247-1200x650.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20701" class="wp-caption-text">Clarice é a primeira mulher a integrar a lista de maiores heróis do Cinema (Foto: Orion Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E, de fato, a força da heroína só tomou a proporção merecida por conta da interpretação dura e resistente de Jodie Foster. Dentro de um elevador cercado por homens, Clarice mantém o olhar erguido. Em uma sala cheia de policiais, ela levanta a voz e pede para que todos saiam. </span><a href="https://filmschoolrejects.com/feminist-vision-silence-of-the-lambs/"><span style="font-weight: 400;">Não há como competir com seu protagonismo.</span></a><span style="font-weight: 400;"> Seus vilões estão longe de se limitar apenas aos psicopatas &#8211; é Dr. Chilton a reduzindo a sua beleza, é Jack Crawford a isolando de uma discussão com a polícia local, é cada olhar desconfiado de um parceiro de trabalho. Mesmo assim, a personagem não permite que isso afete seu desempenho perfeito na carreira; ela se impõe e os faz se desculpar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Curiosamente, é Hannibal que a entende e a ajuda em sua busca por aceitação própria. O psiquiatra a trata como uma de suas pacientes, exigindo relatos pessoais em troca de sua ajuda para descobrir o paradeiro de Bill. </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-49955803"><i><span style="font-weight: 400;">Quid pro quo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Desde o primeiro encontro da dupla, fica claro quem é o principal parceiro de Clarice, por mais mórbida que a situação seja, e Jonathan Demme espreme o talento de seus atores até o talo para concretizar que cada interação entre os personagens fosse espetacular. Não que fosse uma tarefa difícil &#8211; Hopkins, por exemplo, improvisou a cena que zomba do sotaque sulista de Starling, o que gerou uma reação genuína de ofensa por parte da atriz.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Lecter e Starling - Primeiro Encontro (Silêncio dos Inocentes)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/kj0O9gRbnm4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Na investigação contra Buffalo Bill, a estrela do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o Departamento de Ciências Comportamentais do </span><i><span style="font-weight: 400;">FBI</span></i><span style="font-weight: 400;">. A inspiração para </span><i><span style="font-weight: 400;">O Silêncio dos Inocentes</span></i><span style="font-weight: 400;"> veio da mesma fonte que a base para </span><i><span style="font-weight: 400;">Mindhunter</span></i><span style="font-weight: 400;">: as entrevistas com </span><i><span style="font-weight: 400;">serial killers</span></i><span style="font-weight: 400;"> realizadas por </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2019/09/01/conversamos-com-john-douglas-o-agente-do-fbi-que-inspirou-mindhunter.htm"><span style="font-weight: 400;">John Douglas</span></a><span style="font-weight: 400;">. O agente foi a referência direta para a criação de Jack Crawford, mesmo que o personagem de Scott Glenn </span><a href="https://nypost.com/2017/10/21/fbi-agent-hates-the-silence-of-the-lambs-character-he-inspired/"><span style="font-weight: 400;">não o agrade tanto assim</span></a><span style="font-weight: 400;">. Thomas Harris, autor do livro e ex-repórter policial, acompanhou de perto a rotina da agência para desenvolver </span><a href="https://canalcienciascriminais.com.br/o-perfil-criminal-em-o-silencio-dos-inocentes/"><span style="font-weight: 400;">perfis psicológicos de criminosos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e chegar a seu Hannibal Lecter, o ponto de partida para a representação de assassinos em série como figuras contidas e frias, mas extremamente inteligentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Anthony Hopkins não se contentou em apenas interpretar. Ele investigou personalidades reais, visitou prisões e sugeriu mudanças no </span><a href="https://exame.com/casual/voce-nao-percebeu-este-detalhe-em-silencio-dos-inocentes/"><span style="font-weight: 400;">figurino de Collen Atwood</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o personagem parecer mais </span><i><span style="font-weight: 400;">espiritual</span></i><span style="font-weight: 400;">. Toda a precisão e dedicação do ator gerou resultado: </span><i><span style="font-weight: 400;">Hannibal, the Cannibal</span></i><span style="font-weight: 400;"> é hoje um dos vilões mais marcantes do Cinema &#8211; </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u21222.shtml"><span style="font-weight: 400;">há quem diga </span><b>o </b><span style="font-weight: 400;">mais marcante</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sua figura hipnotizante deixou a produção assustada desde o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">take</span></i><span style="font-weight: 400;">, que ficou assinalado por sussurros mais parecidos com sibilos, um olhar vidrado de réptil com um número mínimo de piscadas e aquela postura controlada e taciturna.</span></p>
<figure id="attachment_20697" aria-describedby="caption-attachment-20697" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20697 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/39-925.jpg" alt="Cena do filme O Silêncio dos Inocentes. Do alto, vemos Anthony Hopkins, um homem branco de 53 anos, com os olhos fechados e a boca suja de sangue. Ele usa camisa branca, possui cabelos ralos e sua testa está com os mesmos respingos vermelhos de sua camisa. " width="1024" height="542" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/39-925.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/39-925-300x159.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/39-925-768x407.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20697" class="wp-caption-text">Como Clarice pontua, Hannibal não guardava troféus de suas vítimas, ele as comia (Foto: Orion Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não à toa, sua figura é a mais comentada quando se pensa em </span><a href="https://agora.folha.uol.com.br/sao-paulo/2021/02/o-silencio-dos-inocentes-grande-vencedor-do-oscar-faz-30-anos.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">O Silêncio dos Inocentes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mesmo que Hannibal funcione como uma ferramenta para a trajetória de Clarice, sua influência e sobriedade a embalam de cara, já que, pelas descrições de terceiros, a agente esperava algum tipo de maluco descontrolado como o próprio Miggs da cela vizinha. Gélido e sem demonstrar arrependimentos &#8211; Hopkins admitiu que a inspiração direta para sua interpretação de Lecter foi o computador </span><a href="http://www.meioemensagem.com.br/home/proxxima/blog-do-pyr/2018/04/10/o-computador-hal-de-2001-foi-a-primeira-inteligencia-artificial-a-matar-pessoas-25-anos-depois-e-agora.html"><span style="font-weight: 400;">HAL 9000</span></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><i><span style="font-weight: 400;">2001: Uma Odisseia no Espaço </span></i><span style="font-weight: 400;">-, Clarice arranca alguma simpatia do psicopata, o instigando a ajudá-la enquanto a analisa e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OLBotH5Bki8"><span style="font-weight: 400;">brinca com seus cordeiros</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Então, Clarice, os cordeiros pararam de gritar?</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em parceria com a direção de arte de </span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/o-silencio-dos-inocentes-video-mostra-o-teste-de-mascaras-feito-para-hannibal-lecter/"><span style="font-weight: 400;">Kristin Zea</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a montagem singular de Craig McKay, Hannibal protagoniza </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CC9VDQOgD5U"><span style="font-weight: 400;">a cena que legitima a inserção do filme no gênero terror</span></a><span style="font-weight: 400;">. McKay dá pequenas dicas do que vai acontecer: a caneta, o cassetete, o </span><i><span style="font-weight: 400;">spray</span></i><span style="font-weight: 400;">, as algemas. Esperamos ansiosos pelo desastre. Preso em uma gaiola, como um pássaro abatido, Dr. Lecter dá o seu golpe. Minucioso, sádico e compenetrado, Hannibal se diverte, como se jogasse um jogo em que os adversários já começam perdendo. Sua declaração é teatral &#8211; o pobre policial Boyle é estripado como se preparasse um vôo; os holofotes o posicionando contra-luz para marcar a exibição. Fabulosamente cruel.</span></p>
<figure id="attachment_20703" aria-describedby="caption-attachment-20703" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20703 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambs-movie-screencaps.com-9303.jpg" alt="Cena do filme O Silêncio dos Inocentes. Vemos um homem pendurado, com ambos os braços esticados e presos nas duas direções. Ele está morto, com a barriga aberta e montes vermelhos pendurados. Ao fundo, há uma grande gaiola e um foco de luz branca." width="1920" height="1040" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambs-movie-screencaps.com-9303.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambs-movie-screencaps.com-9303-300x163.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambs-movie-screencaps.com-9303-1024x555.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambs-movie-screencaps.com-9303-768x416.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambs-movie-screencaps.com-9303-1536x832.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/silencelambs-movie-screencaps.com-9303-1200x650.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20703" class="wp-caption-text">A crueldade de Hannibal é quase uma obra de arte renascentista (Foto: Orion Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que o saldo de </span><a href="https://cinemaemcena.com.br/critica/filme/6878/o-silencio-dos-inocentes"><i><span style="font-weight: 400;">O Silêncio dos Inocentes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> depois de 30 anos seja, em geral, positivo, a representação problemática de Buffalo Bill segue sendo uma pauta relevante. O assassino de Ted Levine, que entrega uma performance merecedora do sexto </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> para o filme, mata e esfola mulheres para criar sua própria roupa de peles e, como a própria obra caracteriza, alterar sua identidade. No entanto, o uso da palavra transexual é citado no filme como uma dúvida acerca da </span><i><span style="font-weight: 400;">condição</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Bill, e, apesar de ser reforçado que o assassino não é uma pessoa trans, sua representação recebeu duras críticas da comunidade LGBTQIA+ &#8211; diversos ativistas do movimento protestaram nos arredores do </span><i><span style="font-weight: 400;">Dorothy Chandler Pavilion</span></i><span style="font-weight: 400;"> na cerimônia do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de 1992 contra essa problemática em Hollywood.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O problema não envolve </span><a href="https://correiodocidadao.com.br/curta/o-gabinete-do-dr-lecter-30-anos-de-o-silencio-dos-inocentes/"><span style="font-weight: 400;">o longa de Jonathan Demme</span></a><span style="font-weight: 400;"> individualmente, nem o fato de uma pessoa trans ser retratada como um </span><i><span style="font-weight: 400;">serial</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">killer</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas sim um sintoma, principalmente dentro do cinema de terror, de associar a comunidade trans à criminalidade. Por muito tempo, não existia um contraponto; eram mínimas, quase inexistentes, as representações positivas de travestis e transexuais no Cinema. </span><i><span style="font-weight: 400;">Psicose</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Alfred Hitchcock, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vestida para Matar</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Brian de Palma, entre outros longas, denotam como a </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/noticia/2046-A-Transfobia-nas-Telas"><span style="font-weight: 400;">transfobia foi utilizada nas telas</span></a><span style="font-weight: 400;"> para criar </span><a href="https://bloody-disgusting.com/podcasts/3659171/the-silence-lambs-horror-queers/"><span style="font-weight: 400;">uma visão assustadora da pessoa transexual</span></a><span style="font-weight: 400;">. O documentário </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/06/16/revelacao-documentario-aborda-representatividade-trans-veja-trailer.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Revelação</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, disponível na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, traz um panorama do tema na visão de artistas trans. O mundo mudou e, 30 anos depois, é ótimo </span><a href="https://www.esqueletosnoarmario.com/post/040-esqueletos-de-cordeiros-e-o-legado-de-o-sil%C3%AAncio-dos-inocentes"><span style="font-weight: 400;">estarmos discutindo sobre o assunto</span></a><span style="font-weight: 400;"> com obras singulares que merecem ser assistidas criticamente.</span></p>
<figure id="attachment_20698" aria-describedby="caption-attachment-20698" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20698 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/2020_05_Buffalo-Bill_5ec648fc41972.jpeg" alt="Cena do filme O Silêncio dos Inocentes. Ted Levine, um homem branco de meia idade, encara a foto. Ele possui um cabelo dourado, com entradas grandes na testa. Usa uma camisa amarela estampada. Seus olhos são azuis e ele possui uma expressão debochada no rosto, com as sobrancelhas arqueadas." width="1800" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/2020_05_Buffalo-Bill_5ec648fc41972.jpeg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/2020_05_Buffalo-Bill_5ec648fc41972-300x200.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/2020_05_Buffalo-Bill_5ec648fc41972-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/2020_05_Buffalo-Bill_5ec648fc41972-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/2020_05_Buffalo-Bill_5ec648fc41972-1536x1024.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/2020_05_Buffalo-Bill_5ec648fc41972-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20698" class="wp-caption-text">A cadela de Buffalo Bill, Preciosa, é creditada no elenco; a atriz poodle se chamava Darla (Foto: Orion Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://republicadomedo.com.br/a-obscura-natureza-do-ser-humano-em-o-silencio-dos-inocentes/"><span style="font-weight: 400;">personagem de Levine</span></a><span style="font-weight: 400;"> é delicadamente instável, uma confusão de sentimentos e expressões. Buffalo Bill, alter ego de Jame Gumb, tem sua história narrada no paralelo. Ele engana suas vítimas, como a jovem Catherine Martin, e, de forma caótica, as joga em seu porão para que suas peles fiquem flácidas. No entanto, o descontrole emocional do personagem o deixa fascinante, com a pompa e os gritos escandalosos de Levine, que denota a profundidade não explorada que seu assassino oferece. Gumb ansia por uma mudança que o faça sair do casulo como uma nova criatura, mais bela, mais livre. Ele não percebe Clarice no seu encalço até que seja tarde demais e, ironicamente, as suas lindas mariposas são a peça faltante do quebra-cabeça da agente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mérito novamente de Craig McKay, não há cena mais interessante do que os momentos antes do encontro entre Clarice e Jame. Jack Crawford garante: nós já o pegamos. Uma equipe preparada circunda </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/voce-agora-pode-se-hospedar-na-casa-de-buffalo-bill-de-o-silencio-dos-inocentes/"><span style="font-weight: 400;">a casa suspeita</span></a><span style="font-weight: 400;">, policiais com armas apontadas esperam o sinal. A campainha toca. McKay e Demme brincam conosco, e quem espera na porta do psicopata não é a </span><i><span style="font-weight: 400;">SWAT</span></i><span style="font-weight: 400;">. A surpresa só é seguida por um riso de indignação. Os </span><a href="https://poltronanerd.com.br/filmes/o-silencio-dos-inocentes-explicamos-o-final-do-filme-100653"><span style="font-weight: 400;">momentos finais do filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> não perdem o ritmo e, depois de uma angustiante cena de visão noturna, o arco de Bill se encerra da forma quase-majestosa que o personagem gostaria. </span></p>
<figure id="attachment_20699" aria-describedby="caption-attachment-20699" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20699 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/CN-Anthony-Hopkins-5-The-Silence-of-the-Lambs.jpg" alt="Cena do filme O Silêncio dos Inocentes. Jodie Foster está no centro da imagem. Ela é uma mulher branca de 30 anos com olhos azuis, cabelo liso e castanho até os ombros. Podemos vê-la do pescoço para cima. A sua frente, refletido no vidro, vemos o rosto de Anthony Hopkins, se sobrepondo ao de Foster. Ele a encara." width="1920" height="1081" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/CN-Anthony-Hopkins-5-The-Silence-of-the-Lambs.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/CN-Anthony-Hopkins-5-The-Silence-of-the-Lambs-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/CN-Anthony-Hopkins-5-The-Silence-of-the-Lambs-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/CN-Anthony-Hopkins-5-The-Silence-of-the-Lambs-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/CN-Anthony-Hopkins-5-The-Silence-of-the-Lambs-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/CN-Anthony-Hopkins-5-The-Silence-of-the-Lambs-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20699" class="wp-caption-text">Sobrepostos, Clarice e Hannibal são ligados por um sensível elo (Foto: Orion Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O lançamento de </span><a href="https://gshow.globo.com/noticia/confira-10-curiosidades-de-o-silencio-dos-inocentes-filme-que-completa-30-anos-em-fevereiro.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">O Silêncio dos Inocentes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> aconteceu no fatídico </span><i><span style="font-weight: 400;">Valentine&#8217;s Day</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 1991. Fatídico, de fato, pois Jonathan Demme havia libertado um monstro nunca antes visto. Pouco mais de três meses depois, Hannibal Lecter desembarcou em terras brasileiras &#8211; literalmente, já que, no final do livro de Thomas Harris, o psicopata chega ao Rio de Janeiro. O Cinema balançou, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> se empolgou e muitos espectadores ficaram sem dormir com medo de um canibal estar esgueirando embaixo de suas camas. O filme rendeu algumas continuações, que nem de perto se igualaram a preciosidade do clássico &#8211; </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eHSYth2wSEk"><i><span style="font-weight: 400;">Hannibal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2001; </span><a href="https://bocadoinferno.com.br/criticas/2015/05/dragao-vermelho-2002/"><i><span style="font-weight: 400;">Dragão Vermelho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2002; </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=J7AVgWT_zy0"><i><span style="font-weight: 400;">Hannibal &#8211; A Origem do Mal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2007; a excelente série </span><a href="https://poltronanerd.com.br/series/hannibal-como-a-serie-se-encaixa-na-linha-do-tempo-do-filme-99215"><i><span style="font-weight: 400;">Hannibal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2013, com </span><a href="http://personaunesp.com.br/druk-mais-uma-rodada-critica"><span style="font-weight: 400;">Mads Mikkelsen</span></a><span style="font-weight: 400;"> no papel do psicopata e, recentemente, </span><a href="https://www.forbes.com/sites/dawnstaceyennis/2021/05/13/cbs-tackles-transphobia-in-new-episodes-of-clarice/"><i><span style="font-weight: 400;">Clarice</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><i><span style="font-weight: 400;">CBS</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-02-28/trinta-anos-de-fascinio-por-hannibal-lecter.html"><span style="font-weight: 400;">30 anos se passaram</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas poderiam ser 30 dias. O mundo não é o mesmo, mas a obra-prima de Jonathan Demme segue tinindo, </span><a href="http://www.moviejawn.com/home/2021/2/14/silence-of-the-lambs-at-30"><span style="font-weight: 400;">com alguns arranhões</span></a><span style="font-weight: 400;"> muito bem fundamentados. Em 2021, Anthony Hopkins provou que seu talento não parou nas décadas passadas e foi agraciado com o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Ator por sua sensibilidade em </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Pai</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma diferença quase cômica se comparado com o personagem de Lecter. Jodie Foster não fica para trás e também começou o ano levando um Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante por sua performance em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Mauritanian</span></i><span style="font-weight: 400;">. A dupla segue irretocável.</span></p>
<figure id="attachment_20704" aria-describedby="caption-attachment-20704" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20704 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/demme-619-386.jpg" alt="Foto de três vencedores do Oscar. Jonathan Demme, Jodie Foster e Anthony Hopkins estão de pé, cada um segurando seu Oscar, uma estatueta dourada e comprida no formato de um homem. Os dois homens usam ternos pretos com blusas brancas, enquanto Jodie usa um terno bege claro. Os três sorriem." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/demme-619-386.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/demme-619-386-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/demme-619-386-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/demme-619-386-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20704" class="wp-caption-text">O Silêncio dos Inocentes foi o último filme a levar o Big Five (Foto: The Academy)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda podemos ouvir os berros dos cordeiros de Clarice. Eles a assombraram por tempo o suficiente para que se transformassem em sua força-motriz. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Silêncio dos Inocentes</span></i><span style="font-weight: 400;"> pregou seus personagens na parede da história cinematográfica e, até hoje, não falha em surpreender quem o revisita ou quem o contata pela primeira vez. Jonathan Demme, </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/jonathan-demme-diretor-de-silencio-dos-inocentes-e-filadelfia-morre-aos-73-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">que faleceu em 2017</span></a><span style="font-weight: 400;">, ainda deve receber uma flor ou outra daqueles que não conseguem superar sua obra. E, claro, não há nada para superar. O filme precisa ser visto, revisto, discutido, problematizado e analisado em todas as áreas. Enquanto tudo isso é feito, </span><a href="https://literaturapolicial.com/2017/12/09/a-piada-secreta-escondida-na-frase-mais-famosa-de-o-silencio-dos-inocentes/"><span style="font-weight: 400;">que tal um prato de favas com um bom Chianti para acompanhar?</span></a></p>
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