<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Quadrinhos &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/category/quadrinhos/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/category/quadrinhos/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Sun, 12 Oct 2025 01:14:48 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.2</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Quadrinhos &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/category/quadrinhos/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>A nevasca que cobre Buenos Aires em O Eternauta só não é mais densa que a história que ela simboliza</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/critica-o-eternauta/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/critica-o-eternauta/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Sep 2025 13:00:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[2025]]></category>
		<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Ditadura Argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Ditadura Militar]]></category>
		<category><![CDATA[Espanhol]]></category>
		<category><![CDATA[Extraterrestre]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Dias Siqueira]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Siqueira]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Invasão Alienigena]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=35637</guid>

					<description><![CDATA[<p>Guilherme Dias Siqueira Quando se fala em adaptações de quadrinhos logo nos vem à cabeça grandes produções de Hollywood sobre super-heróis vestidos em roupas coloridas e muita ação. Mas isso é uma fração da verdadeira diversidade dos quadrinhos, que não só cobrem uma variedade de temas e estilos, como também de culturas e subtextos regionais. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-o-eternauta/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A nevasca que cobre Buenos Aires em O Eternauta só não é mais densa que a história que ela simboliza"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-o-eternauta/">A nevasca que cobre Buenos Aires em O Eternauta só não é mais densa que a história que ela simboliza</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35638" aria-describedby="caption-attachment-35638" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-35638 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Eter1.jpg" alt="Cena da série O Eternauta, da Netflix. A cena mostra a silueta de Juan Bolsa (Ricardo Darín) caminhando por uma rua coberta de neve, a sua esquerda é possível ver um ônibus abandonado e a sua direita dois carros em estado semelhante, às margens da via existem prédios altos também cobertos de neve, toda paisagem está envolta em um espesso nevoeiro." width="650" height="366" /><figcaption id="caption-attachment-35638" class="wp-caption-text">O Eternauta reflete uma história de violência e opressão comum à toda América do Sul (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se fala em adaptações de quadrinhos logo nos vem à cabeça grandes produções de Hollywood sobre </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mcu/"><span style="font-weight: 400;">super-heróis</span></a><span style="font-weight: 400;"> vestidos em roupas coloridas e muita ação. Mas isso é uma fração da verdadeira diversidade dos quadrinhos, que não só cobrem uma variedade de temas e estilos, como também de culturas e subtextos regionais. No contexto latino-americano, uma riqueza de obras permanece vastamente inexplorada pela maior parte do público. Um desses materiais, talvez o mais importante de todos, foi retirado dessa semi-escuridão pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> este ano: </span><i><span style="font-weight: 400;">O Eternauta</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra-prima de Héctor Germán Oesterheld e Francisco Solano Lopes.</span></p>
<p><span id="more-35637"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio ao verão argentino, um grupo de amigos se encontram para jogar baralho em uma casa de Buenos Aires. A tradição que eles cultivam a anos tem sua monotonia quebrada por um evento climático inesperado, uma nevasca chega sorrateiramente e começa a matar instantaneamente qualquer um que a toque. Liderados por Juan Salvo (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=00jvmItGSBI"><span style="font-weight: 400;">Ricardo Darín</span></a><span style="font-weight: 400;">), o grupo precisa se livrar das desconfianças vindas de uma amizade antiga, porém não tão profunda, para sobreviver e descobrir o real contexto desse apocalipse.</span></p>
<figure id="attachment_35639" aria-describedby="caption-attachment-35639" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-35639 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter2-800x450.jpg" alt="cena da série O Eternauta. A cena mostra em primeiro plano um jipe das forças armadas argentinas com um soldado posicionado acima do veículo, portando um rifle longo. Ao fundo, a parte inferior de um viaduto está fechado com uma pilha de carros destruídos formando uma barricada. A rua está coberta de neve e a paisagem está envolta em névoa, com um céu acinzentado" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter2.jpg 912w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35639" class="wp-caption-text">O militarismo na América Latina é um tema recorrente em O Eternauta (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fonte da qual se adapta a série não vem de um subgênero extremamente alternativo e revolucionário. Na verdade, o cenário base para </span><i><span style="font-weight: 400;">O Eternauta</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma invasão alienígena, se insere nos contextos basilares da ficção científica desde o século XIX. Mesmo com obras como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3sjodEDyhXU"><i><span style="font-weight: 400;">A Guerra Dos Mundos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de H.G. Wells existindo no cânone do gênero desde os anos 1890, Oesterheld fundou em seu trabalho conceitos antes inéditos ou não tão presentes nesse tipo de quadrinho. Talvez o mais importante desses conceitos, ‘o herói coletivo’, se mantém como pedra fundamental na versão da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os </span><a href="https://outraspalavras.net/descolonizacoes/oeternauta-propoe-a-volta-do-heroi-coletivo/"><span style="font-weight: 400;">protagonistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da série não possuem nenhuma habilidade especial de fato. Nenhum deles tem, individualmente, qualquer controle ou poder sobre a situação, como é comum em histórias clássicas de heróis. Somente como grupo eles encontram as soluções das quais precisam. O roteiro é muito ágil em demonstrar diversas situações em que um ou mais personagens se encontram em situações intransponíveis, inclusive de quase morte, que só são superadas com a ajuda de outros.</span></p>
<figure id="attachment_35640" aria-describedby="caption-attachment-35640" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35640" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3-800x533.jpg" alt="Página do quadrinho O Eternauta. A arte mostra Juan Salvo, um homem branco de meia idade, de olhos azuis, ele olha fixamente para frente e usa uma máscara de gás com um visor no rosto e um filtro de respiração na altura do pescoço" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3.jpg 1170w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35640" class="wp-caption-text">O estilo artístico da série reflete muito bem os desenhos sombrios de Solano Lopes (Foto: Pipoca e Nanquim)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro aspecto que a série traz a vida com maestria é a atmosfera gráfica. A direção de Bruno Stagnaro consegue adaptar a arte do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3rxzR5bElhc"><span style="font-weight: 400;">desenhista</span></a><span style="font-weight: 400;"> Francisco Solano Lopes de forma fria e seca. O cenário de desolação do mundo exterior contrasta com a sensação de claustrofobia sempre constante nos refúgios em que os personagens se protegem da neve. Isso também impacta em algo fundamental para qualquer obra pós-apocalíptica: a transformação de ambientes cotidianos nas ruínas da civilização que colapsou. Igrejas, escolas, farmácias, vagões de trem, formas comuns do dia-a-dia de qualquer pessoa, são transformados em escombros e vestígios do que um dia foram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro é mais discreto nos comentários políticos. Oesterheld carrega uma das </span><a href="https://blogdaboitempo.com.br/2015/10/23/os-ultimos-passos-de-hector-oesterheld/"><span style="font-weight: 400;">histórias</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais trágicas oriundas da violentíssima ditadura militar argentina, suas dores, medos e indignações permeiam sua obra constantemente. Entre junho de 1976 e dezembro de 1977 suas quatro filhas, Beatriz, Diana, Marina e Estela, foram sequestradas, desaparecidas e assassinadas pelo regime sanguinário, do qual o próprio HGO seria vítima. Oesterheld desapareceu no mesmo período, de sua família só sobreviveram sua esposa e seus dois netos, que se tornaram órfãos antes de completarem 4 anos.</span></p>
<figure id="attachment_35641" aria-describedby="caption-attachment-35641" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35641" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter4.jpg" alt="Cena da série O Eternauta, a cena mostra Juan Bolsa, um homem branco de meia idade. Ele olha para frente, empunhando um fuzil, ele veste um casaco marrom e uma máscara de gás azul" width="600" height="390" /><figcaption id="caption-attachment-35641" class="wp-caption-text">Os traumas de guerra acompanham os personagens em sua jornada no mundo destruído (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde sua primeira versão, o quadrinho tinha tons explícitos de crítica ao imperialismo, ao capitalismo e ao autoritarismo presentes nas sociedades latino-americanas. A série, por sua vez, é mais sutil, mas usa como artifício algo mais contemporâneo — a guerra das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pZmtP2UdGoI"><span style="font-weight: 400;">Malvinas</span></a><span style="font-weight: 400;"> — não só para reforçar o tom sócio-político, como também um desenvolvimento pessoal fundamental aos personagens já que vários deles são veteranos do conflito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses traumas se tornam ainda mais vividos graças ao elenco estrelado, o Juan Salvo de Ricardo Darín tem todas as notas certas. O ator não decepciona a expectativa criada em torno do seu nível de astro internacional, conquistado após filmes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022). Outro destaque é o uruguaio César Troncoso, seu personagem Tano tem um papel fundamental na trama como uma pessoa egoísta que aos poucos precisa se livrar do individualismo para garantir que todos sobrevivam.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Eternauta</span></i><span style="font-weight: 400;"> é mais uma adaptação literária de grande qualidade da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, depois de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cem Anos de Solidão </span></i><span style="font-weight: 400;">(2024), baseada no livro homônimo de Gabriel Garcia Márquez e de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ripley-1a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ripley</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2024), baseada na obra de Patricia Highsmith. O seriado revela que, mesmo com toda a disputa pela atenção e concentração dos telespectadores, ainda há espaço para produções densas e deslocadas do eixo América do Norte/Europa nos serviços de streaming. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=95V9sqY80K8"><span style="font-weight: 400;">https://www.youtube.com/watch?v=95V9sqY80K8</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-o-eternauta/">A nevasca que cobre Buenos Aires em O Eternauta só não é mais densa que a história que ela simboliza</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/critica-o-eternauta/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">35637</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Para revolucionar Ultimate Homem-Aranha, só com Peter Parker LGBT+</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/ultimate-homem-aranha-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/ultimate-homem-aranha-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Apr 2025 15:19:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Davi Marcelgo]]></category>
		<category><![CDATA[David Messina]]></category>
		<category><![CDATA[HQ]]></category>
		<category><![CDATA[Jonathan Hickman]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Checchetto]]></category>
		<category><![CDATA[Marvel Comics]]></category>
		<category><![CDATA[Ultimate Homem-Aranha]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=34996</guid>

					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém alguns spoilers Davi Marcelgo  Desde que o Cabeça de Teia surgiu, em 1962, na revista Amazing Fantasy #15, muitos autores e desenhistas assumiram o controle das histórias e tentaram, à sua maneira, trazer algum frescor no universo do herói. Porém, ainda que Peter Parker tenha saído do colégio e prometido votos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ultimate-homem-aranha-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Para revolucionar Ultimate Homem-Aranha, só com Peter Parker LGBT+"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/ultimate-homem-aranha-critica/">Para revolucionar Ultimate Homem-Aranha, só com Peter Parker LGBT+</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso</i></b><i><span style="font-weight: 400;">: </span></i><i><span style="font-weight: 400;">O texto contém alguns spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_34997" aria-describedby="caption-attachment-34997" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34997" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/F9dScS9XUAAyLOn-e1724867850515-800x406.jpg" alt="Ilustração do quadrinho Ultimate Homem-AranhaNo desenho, Peter Parker está junto com sua família, eles estão posando para uma foto. Peter está no meio, sentado e veste o uniforme de Homem-Aranha. O traje é na cor vermelha, com linhas imitando uma teia por todo corpo, exceto no antebraço que é na cor azul marinho. No peito, há uma aranha preta desenhada. Peter é um homem de pele clara, cabelos lisos na cor castanha e barba grande da mesma cor. Do seu lado direito, está o filho mais velho. Na faixa dos 15 anos, o garoto tem pele clara, olhos verdes e cabelos ruivos. Está vestindo uma camisa de botões e gola alta na cor vinho. Do lado esquerdo, com o braço em cima do ombro de Peter, o abraçando, está Mary Jane, sua esposa. Ela é uma mulher branca, na faixa dos 40 anos, de cabelos ruivos e olhos verdes. No rosto ela possui sardas. Está vestindo uma blusa branca de mangas curtas e usa um colar com pingente de coração. À sua frente, segurando a mão da mãe, está a filha mais nova. Ela possui as mesmas características físicas da mãe, tem por volta de 8 anos e veste uma roupinha cor-de-rosa. O fundo é uma parede bege. " width="800" height="406" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/F9dScS9XUAAyLOn-e1724867850515-800x406.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/F9dScS9XUAAyLOn-e1724867850515-1024x520.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/F9dScS9XUAAyLOn-e1724867850515-768x390.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/F9dScS9XUAAyLOn-e1724867850515-1200x609.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/F9dScS9XUAAyLOn-e1724867850515.jpg 1505w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34997" class="wp-caption-text">O primeiro volume, que chegou ao Brasil em Novembro de 2024, compila as primeiras seis edições em um único encadernado (Foto: Panini Comics)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde que o Cabeça de Teia surgiu, em 1962, na revista </span><a href="https://www.disney.com.br/novidades/tbt-da-marvel-a-primeira-aparicao-do-homem-aranha-em-amazing-fantasy-15"><i><span style="font-weight: 400;">Amazing Fantasy</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">#15</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, muitos autores e desenhistas assumiram o controle das histórias e tentaram, à sua maneira, trazer algum frescor no universo do herói. Porém, ainda que Peter Parker tenha saído do colégio e prometido votos de matrimônio, de alguma forma, ele voltava </span><a href="https://jamesons.com.br/o-dia-em-que-o-homem-aranha-fez-um-pacto-com-o-demonio/"><span style="font-weight: 400;">à estaca zero</span></a><span style="font-weight: 400;">: um personagem solitário que não podia se relacionar com ninguém sem que uma tragédia acontecesse. Os fãs reclamavam em redes sociais sobre o vai e vem, pedindo por tramas que saíssem da rotina. Em Março de 2024, o pedido foi atendido. Após o retorno da linha </span><a href="https://www.omelete.com.br/marvel-comics/marvel-ultimate-tudo-entenda-o-universo"><i><span style="font-weight: 400;">Ultimate</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel Comics</span></i><span style="font-weight: 400;">, chegava às bancas dos Estados Unidos a primeira edição de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ultimate Homem-Aranha</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrita por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=P4a770H4yKQ"><span style="font-weight: 400;">Jonathan Hickman</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ilustrada por Marco Checchetto. Trazendo o protagonista mais velho, casado e com filhos, a maior diferença é que, neste universo, o Homem-Aranha não existe – pelo menos até as últimas páginas da primeira edição. </span></p>
<p><span id="more-34996"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, </span><a href="https://ovicio.com.br/10-fatos-sobre-o-criador-o-reed-richards-ultimate/"><span style="font-weight: 400;">O Criador</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma versão malvada de Reed Richards (o Sr. Fantástico), apaga a existência de todos os heróis da história, </span><a href="https://www.instagram.com/p/DArSH8RydeQ/?img_index=5"><span style="font-weight: 400;">impedindo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que eles ganhem seus poderes. O Capitão América não é descongelado, a Tempestade não está com os X-Men e Parker nunca foi picado pela aranha radioativa; fator que permitiu a construção de uma família e uma vida sem grandes responsabilidades. No entanto, o Rapaz de Ferro (Tony Stark) descobre o plano do vilão, fazendo de tudo para despertar habilidades nas pessoas que vivem vidas não destinadas à elas: é ele quem entrega uma aranha para Peter Parker. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa narrativa de </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranha-atraves-do-aranhaverso-critica/"><span style="font-weight: 400;">destino</span></a><span style="font-weight: 400;"> (que você não escolhe) e, principalmente, de sentir que há algo faltando na vida – uma reclamação constante do protagonista durante os primeiros volumes – soa como uma experiência </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/diversidade/noticia/2022/06/29/o-que-e-ser-queer.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e, talvez, isso seja o máximo de diferente que a nova saga tem em comparação com o universo regular do personagem. É claro, de algum modo, o texto precisa ficar familiar para os leitores, mas se o herói como conhecemos ainda existe em outro gibi, por que este não pode abraçar, de vez, o revolucionário?</span></p>
<figure id="attachment_34998" aria-describedby="caption-attachment-34998" style="width: 670px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34998" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/benultimate.jpg" alt="Ilustração do quadrinho Ultimate Homem-AranhaNo desenho, Tio Ben olha para trás e diz “Tá na hora de acordar”. Ele é um homem idoso, na faixa dos 60 anos, de pele clara e cabelos brancos. Está vestindo uma camisa social branca com gola alta. Do lado esquerdo, há o balão que reproduz sua fala. O fundo é um cenário de cores pretas e marrons. " width="670" height="202" /><figcaption id="caption-attachment-34998" class="wp-caption-text">A canônica morte de Tio Ben é desfeita na nova série (Foto: Panini Comics)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O sentimento de ter uma vida roubada faz parte do processo de aceitação de uma pessoa LGBT+, seja a infância perdida ou a adolescência tardia, com a simulação de um ‘falso eu’. No vídeo <a href="https://www.youtube.com/watch?v=icWAJIw8670"><em>A Dupla Personalidade na Cultura Pop</em></a> para seu canal no </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=de0ARQNX_1U"><span style="font-weight: 400;">Thiago Ora</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz uma alusão da vida secreta dos super-heróis e de homens gays; ambos precisam esconder uma parte de suas existências para sobreviverem. Em um diálogo com seu tio, o protagonista diz que “&#8230;<i>não é de hoje que eu penso que tem alguma coisa errada com a minha vida</i>…”, em outro, Harry Osborn faz indagações sobre as consequências de viver essa vida escondida das pessoas que ama. Nesse novo título do aracnídeo, a temática é ainda mais presente, porque a vida de Parker como pai, marido e repórter só dá certo ao nunca ter tido contato com seu duo, começando a ser abalada ao despertar esse lado. </span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A questão desta suposta renovação do </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranha-2-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha</span></a><span style="font-weight: 400;"> é que ele ainda é o mesmo: branco, cis, hétero e com o sonho de ter uma família nuclear. Convenhamos, um Homem-Aranha </span><i><span style="font-weight: 400;">gay</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou bi, abalaria o ‘mundinho’ </span><i><span style="font-weight: 400;">nerd</span></i><span style="font-weight: 400;">. Embora, no Brasil, apenas seis edições tenham sido lançadas, já dá para prever – seja lendo a obra ou acompanhando as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2pCj50NWwFk"><span style="font-weight: 400;">teorias</span></a><span style="font-weight: 400;"> de outros leitores – que os caminhos a serem seguidos caem no lugar-comum: personagens morrendo, pessoas próximas se revelando como vilãs e a dificuldade em conciliar a vida dupla. Não há uma ruptura entre Peter Parker do universo regular e </span><i><span style="font-weight: 400;">Ultimate</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na nova versão, Tio Ben está vivo e Tia May quem morreu, novamente, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;"> cai em clichês, no entanto, os idealizadores conseguem bons frutos dessa ideia. O melhor destaque do quadrinho é a dupla veterana de jornalistas, formada por Ben Parker e  J. Jonah Jameson. Após o Clarim Diário passar por mudanças editoriais, Wilson Fisk, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/1-temporada-demolidor-critica/"><span style="font-weight: 400;">Rei do Crime</span></a><span style="font-weight: 400;">, assume a editoria do jornal, então, Jameson e Parker se demitem, criando sua própria empresa. Dois ‘velhos’ confortáveis em suas antigas profissões, lutando contra o sistema e investigando sobre a sujeira em Nova York é a grande novidade do gibi, só o núcleo deles dá ingredientes para uma aventura solo. </span></p>
<figure id="attachment_34999" aria-describedby="caption-attachment-34999" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34999" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ultimate-homem-aranha-vol-1-2024-plano-critico-800x533.jpg" alt="Ilustração do quadrinho Ultimate Homem-AranhaNo desenho, Homem-Aranha leva Mary Jane nas costas para um passeio pela cidade, atirando teias nos prédios. O herói está com as mãos abertas, soltando teia. O uniforme que ele veste é vermelho no peito, mãos, braços, cabeça e pés, com linhas pretas que imitam uma aranha. No antebraço, nas costelas e pernas a cor é azul marinho. No peito há uma aranha preta desenhada. A máscara contém dois olhos brancos grandes. Mary Jane está sorrindo, com os cabelos esvoaçados e ela abraça o Homem-Aranha. Ela é uma mulher branca, na faixa dos 40 anos, de cabelos ruivos e olhos verdes. No rosto ela possui sardas. Está vestindo uma camiseta preta, calça branca e um tênis. O cenário é de amanhecer e há prédios. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ultimate-homem-aranha-vol-1-2024-plano-critico-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ultimate-homem-aranha-vol-1-2024-plano-critico-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ultimate-homem-aranha-vol-1-2024-plano-critico-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ultimate-homem-aranha-vol-1-2024-plano-critico.jpg 1170w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34999" class="wp-caption-text">Mary Jane é a esposa de Peter, enquanto Gwen Stacy é o par romântico de Harry Osborn (Foto: Panini Comics)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Conhecido por enredos megalomaníacos, acompanhados de, literalmente, infográficos e muitos conceitos de ficção científica, Jonathan Hickman está com os pés no chão no primeiro arco, deixando as ideias de pirar a cabeça para a revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Universo Ultimate </span></i><span style="font-weight: 400;">e os </span><a href="https://ovicio.com.br/supremos-se-reunem-em-previas-de-nova-hq-do-universo-ultimate/"><i><span style="font-weight: 400;">Supremos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto o Aranha fica com as consequências das tramoias do Criador em uma perspectiva dos becos e ruas de Nova York. </span><a href="https://www.marvel616.com/2024/05/marvel-divulga-preview-revelando-origem.html"><span style="font-weight: 400;">David Messina</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ilustra o número </span><i><span style="font-weight: 400;">#4</span></i><span style="font-weight: 400;">, compõe ótimos quadros que criam tensão. A conversa na mesa desta edição com o </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> em nove quadros é excelente e ver Peter, mais uma vez, aprendendo a usar os poderes é divertido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo sem um grande fator novidade, é interessante a versão assumidamente sádica de </span><a href="https://ovicio.com.br/homem-aranha-marvel-revela-previa-de-nova-hq-do-universo-ultimate/"><span style="font-weight: 400;">Harry Osborn</span></a><span style="font-weight: 400;"> e acompanhar a dinâmica familiar de Peter Parker com sua filha, que descobre a identidade secreta do pai, causa bons risos. Outros momentos são bem sensíveis e parte da natureza urbana do aracnídeo, como o batismo do herói feito por Mary Jane ou a escolha de cores do uniforme pela filha. O início de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ultimate Homem-Aranha</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é dispensável e muito menos o grande divisor de águas do herói, mas sobe em uma teia qualquer. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/ultimate-homem-aranha-critica/">Para revolucionar Ultimate Homem-Aranha, só com Peter Parker LGBT+</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/ultimate-homem-aranha-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">34996</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Persona Especial &#8211; Representatividade LGTBQIA+</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/persona-especial-representatividade-lgbtqia/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/persona-especial-representatividade-lgbtqia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Jun 2024 17:03:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Arthur Caires]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Girls Like Girls]]></category>
		<category><![CDATA[Henrique Marinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Hoje Eu Quero Voltar Sozinho]]></category>
		<category><![CDATA[Jamily Rigonatto]]></category>
		<category><![CDATA[Mês do Orgulho LGBTQIA+]]></category>
		<category><![CDATA[Os Jovens Titãs]]></category>
		<category><![CDATA[Queer]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=33653</guid>

					<description><![CDATA[<p>Entender a si mesmo como uma pessoa LGBTQIA+ é, muitas vezes, uma tarefa difícil. Isso pode ser ainda mais intenso na adolescência, quando a pressão externa para ser igual a todo mundo – ou até melhor – te empurra a ser exatamente como esperam que você seja. Nesse contexto, coisas simples podem ganhar um significado &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/persona-especial-representatividade-lgbtqia/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Especial &#8211; Representatividade LGTBQIA+"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/persona-especial-representatividade-lgbtqia/">Persona Especial &#8211; Representatividade LGTBQIA+</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<figure id="attachment_33660" aria-describedby="caption-attachment-33660" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33660" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/5.png" alt="" width="1080" height="1350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/5.png 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/5-640x800.png 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/5-819x1024.png 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/5-768x960.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33660" class="wp-caption-text">Em 2024, o Persona alcançou a marca dois mil textos e seguidores (Texto de Abertura: Jamily Rigonatto / Artes: Henrique Marinhos)</figcaption></figure>
<p class="wp-block-paragraph">Entender a si mesmo como uma pessoa LGBTQIA+ é, muitas vezes, uma tarefa difícil. Isso pode ser ainda mais intenso na adolescência, quando a pressão externa para ser igual a todo mundo – ou até melhor – te empurra a ser exatamente como esperam que você seja. Nesse contexto, coisas simples podem ganhar um significado imenso. Mas afinal, como a representatividade na mídia importa? <br /><br />Em um momento de descoberta, dar de cara com um livro, filme, clipe ou até comercial que te faça sentir inteiro pode mudar muito sua jornada de auto aceitação. Encontrar casais sáficos, gays, pessoas trans e demais letras da comunidade existindo e sendo de verdade – mesmo que na ficção – nas linhas de algum produto é o tipo de coisa que te mostra que está tudo bem ser assim, não é um desvio de caráter e, muito menos, uma exclusividade azarada.  <br /><br />Fechando mais um Mês do Orgulho, alguns membros da nossa <strong>Editoria</strong> compartilham como o contato com produções <em>queer</em> na adolescência fez diferença e, de certa forma, acompanha suas vidas até hoje. Levantando a bandeira de um jornalismo cultural que preza pelo respeito e acolhimento da diversidade, o <strong>Persona</strong> agradece por mais essa cobertura. Amar e existir são atos de resistência lindos. </p>
<p><span id="more-33653"></span></p>
<hr />
<figure id="attachment_33657" aria-describedby="caption-attachment-33657" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33657" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/TEEN-TITANS-REBIRTH.png" alt="Capa ilustrada da hq Jovens Titãs: Renascimento. O cenário é de um mar com o fundo de prédios e um prédio em forma de T, a central dos Titãs. Ao centro está Aqualad, um jovem negro de cabelos loiros com tatuagens brilhantes em seu braço. Ele está golpeando a água com uma lança feita de água. Ao seu lado direito está Mutano, um golfinho verde. A direita está Kid Flash, um garoto negro com traje amarelo que corre sobre a água. Logo acima está Estelar, uma alienígena de pele laranja, olhos verdes e trajes e cabelos rosas. À esquerda está Robin, um garoto de 13 anos com traje de luta amarelo, verde e vermelho e preto, como sua máscara. Logo ao lado está um demônio vermelho com asas de morcego e corpo de cachorro. E abaixo Ravena, uma mulher de cabelos roxos e sobretudo azul-escuro com uma capa que simula penas de corvos.
" width="1500" height="2278" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/TEEN-TITANS-REBIRTH.png 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/TEEN-TITANS-REBIRTH-527x800.png 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/TEEN-TITANS-REBIRTH-674x1024.png 674w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/TEEN-TITANS-REBIRTH-768x1166.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/TEEN-TITANS-REBIRTH-1011x1536.png 1011w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/TEEN-TITANS-REBIRTH-1349x2048.png 1349w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/TEEN-TITANS-REBIRTH-1200x1822.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33657" class="wp-caption-text">Ao contar ao seu pai que era gay, Aqualad é atravessado pela lança da indiferença: você fala como se estivesse me fazendo uma pergunta, acha que me importo? Somos apenas carne (Foto: DC Comics)</figcaption></figure>
<p><b>Jovens Titãs Renascimento: A Ascensão de Aqualad</b><b><br /></b><span style="font-weight: 400;"><br /></span><span style="font-weight: 400;">Aos 15 anos, em 2017, ser</span><i><span style="font-weight: 400;"> gay</span></i><span style="font-weight: 400;"> não parecia grande coisa no ensino médio. Então, o mundo exterior com meus colegas e amigos foi a parte fácil. Desde a série animada dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Jovens Titãs</span></i><span style="font-weight: 400;">, que marcou gerações com uma gótica, um ciborgue, o emburrado filho do </span><i><span style="font-weight: 400;">Batman</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma alienígena e um vegano, as histórias de heróis sempre me fascinaram, não pelos poderes, mas pelos arranjos de equipes e aceitação no mundo, como em</span> <a href="https://personaunesp.com.br/x-men-60-anos-artigo/"><i><span style="font-weight: 400;">X-Men</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No quadrinho </span><i><span style="font-weight: 400;">Jovens Titãs Renascimento: A Ascensão de Aqualad</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2017), o herói filho do Arraia Negra &#8211; vilão dos </span><a href="https://personaunesp.com.br/aquaman-critica/"><span style="font-weight: 400;">filmes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquaman</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> acusado de assassinato, roubo, conspiração e terrorismo &#8211; enfrenta um inimigo diferente dessa vez, seu relacionamento com seus pais e o medo da rejeição. Por ser um garoto que consegue controlar a água e criar objetos a partir dela, tem tatuagens brilhantes e não querer seguir o caminho maléfico do pai? Não. Por ser </span><i><span style="font-weight: 400;">gay</span></i><span style="font-weight: 400;"> e descolorir o cabelo.</span></p>
<blockquote><span style="font-weight: 400;">&#8220;Você já nasceu com uma marca em você, a que todos chamam de tatuagem, agora você acrescentou esse cabelo branqueado. E garotos. Por que está tentando tanto ser diferente?&#8221;                                                            </span></blockquote>
<blockquote><span style="font-weight: 400;">&#8220;Não estou tentando, mãe. Eu sou.&#8221;</span></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é novidade que o universo de </span><span style="font-weight: 400;">HQ</span><i><span style="font-weight: 400;">s</span></i><span style="font-weight: 400;"> e animações da </span><i><span style="font-weight: 400;">DC</span></i><span style="font-weight: 400;"> está, politicamente, anos-luz à frente da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">. E fez muito mais em duas edições de quadrinhos que uma saga inteira de </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vingadores-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Vingadores</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no que diz respeito a representatividade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, quando uma mãe amorosa o questiona de uma forma tão ríspida e um pai ausente como o Arraia Negra o trata como se isso sequer fizesse diferença, o desenvolvimento de sua identidade e </span><i><span style="font-weight: 400;">lore</span></i><span style="font-weight: 400;"> nas próximas edições da </span><span style="font-weight: 400;">HQ</span><span style="font-weight: 400;"> me guiou por um caminho mais leve e acolhedor. &#8211; </span><b>Henrique Marinhos</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_33656" aria-describedby="caption-attachment-33656" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33656" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/HOJE-EU-QUERO-VOLTAR-SOZINHO.jpg" alt="Gabriel e Leonardo, dois adolescentes, estão sentados em um quarto iluminado pela luz do dia que entra pela janela. Gabriel, à esquerda, com cabelo cacheado e vestindo o uniforme da escola, uma camiseta cinza com detalhes azuis e um pequeno bordado de coruja no peito, sorri levemente enquanto olha para Leonardo. Leonardo, à direita, também veste o uniforme, uma camiseta cinza com detalhes azuis e segura um caderno no colo, sorrindo enquanto lê. No quarto, há uma luminária de mesa, um prato e um copo sobre a mesa ao lado de Leonardo, e cortinas bege pendem na janela.
" width="2048" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/HOJE-EU-QUERO-VOLTAR-SOZINHO.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/HOJE-EU-QUERO-VOLTAR-SOZINHO-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/HOJE-EU-QUERO-VOLTAR-SOZINHO-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/HOJE-EU-QUERO-VOLTAR-SOZINHO-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/HOJE-EU-QUERO-VOLTAR-SOZINHO-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/HOJE-EU-QUERO-VOLTAR-SOZINHO-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33656" class="wp-caption-text">Hoje Eu Quero Voltar Sozinho captura minuciosamente a ingenuidade entres dois adolescentes se conhecendo (Foto: Lacuna Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Hoje Eu Quero Voltar Sozinho</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a minha infância, tinha consciência de que não era igual aos outros meninos. Por conta disso, ser </span><i><span style="font-weight: 400;">gay</span></i><span style="font-weight: 400;"> nunca foi uma questão de crise de identidade, além de ter tido o privilégio de conviver em uma escola onde podia expressar minha sexualidade abertamente sem preconceitos. A virada de chave aconteceu quando me apaixonei pela primeira vez aos 14 anos – pelo meu </span><a href="https://personaunesp.com.br/heartstopper-1a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">melhor amigo hétero</span></a><span style="font-weight: 400;">, quem nunca? – e percebi como aquilo era real e iria me acompanhar pelo resto da minha vida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi então que assisti o filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Hoje Eu Quero Voltar Sozinho</span></i><span style="font-weight: 400;">, que me mostrou da forma mais doce possível que meninos como eu poderiam ter histórias felizes de amor. Ao contrário das </span><a href="https://queer.ig.com.br/2022-10-13/personagens-gays-estereotipados-series-e-cinema.html.ampstories"><span style="font-weight: 400;">versões caricatas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de homossexuais representadas em outras produções, eu conseguia me relacionar com os traços introvertidos de Leonardo. Ao mesmo tempo que a figura de Gabriel me dava esperança de que um dia encontraria alguém tão extrovertido e livre como ele. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maneira como o longa representa de forma tão inocente a adolescência, as relações de amizade, o autodescobrimento e como é se apaixonar sem perceber por alguém pela primeira vez foi muito importante para mim, e acredito que para muitas outras pessoas. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lpHKXyko358"><i><span style="font-weight: 400;">Hoje Eu Quero Voltar Sozinho</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma pérola do Cinema nacional e definitivamente entra no panteão de obras LGBTQIAPN+ que marcaram uma geração. &#8211; </span><b>Arthur Caires</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_33655" aria-describedby="caption-attachment-33655" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33655" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/girls-like-gils.jpg" alt="" width="681" height="450" /><figcaption id="caption-attachment-33655" class="wp-caption-text">Primeiro contato sáfico de uma geração, Girls Like Girls ganhou uma versão literária em 2023 (Foto: VEVO)</figcaption></figure>
<p><b>Girls Like Girls &#8211; Hayley Kiyoko</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao subir o clipe de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I0MT8SwNa_U"><i><span style="font-weight: 400;">Girls Like Girls</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no Youtube em meados de 2015, Hayley Kiyoko mudou os caminhos de muitas garotinhas que navegavam pelo site em busca de hits do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em um momento que se entender diferente fazia as cores de um mundo particular parecerem absolutamente acinzentadas, encontrar a imagem doce de duas garotas se beijando fez tudo ter tanto sentido, que os monstros definitivamente ficaram menores. </span><span style="font-weight: 400;"><br /></span><span style="font-weight: 400;"><br /></span><span style="font-weight: 400;">O retrato suave, delicado e completamente encantador traduziu em imagens os anseios de quem era apaixonada pela melhor amiga sem sequer entender o que aquilo significava. Nas linhas de uma narrativa em que as personagens parecem tão confusas quanto quem está assistindo pela primeira vez, o misto de sentimentos chegava a uma única conclusão: </span><a href="https://www.uninter.com/noticias/representatividade-lgbtqia-na-midia#:~:text=O%20cinema%2C%20a%20televis%C3%A3o%2C%20a,representada%20ainda%20%C3%A9%20bastante%20limitada."><span style="font-weight: 400;">você não está quebrada!</span></a><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo sincera, se naquela época os apps fizessem algum tipo de retrospectiva, aquele clipe com certeza seria o mais ouvido do meu ano e com uma quantidade de visualizações questionável – em minha defesa, era parte de um trabalho investigativo sobre quem eu sou.  Brincadeiras à parte, cantar </span><i><span style="font-weight: 400;">“girls like girls like boys do, nothing new”</span></i><span style="font-weight: 400;"> em alto e bom som, fez uma adolescente de 14 anos se sentir abraçada quando tudo parecia prestes a desmoronar.  </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto </b></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/persona-especial-representatividade-lgbtqia/">Persona Especial &#8211; Representatividade LGTBQIA+</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/persona-especial-representatividade-lgbtqia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">33653</post-id>	</item>
		<item>
		<title>60 anos de X-Men e sua alegoria disruptiva</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/x-men-60-anos-artigo/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/x-men-60-anos-artigo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Dec 2023 18:37:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[60 anos]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Boyd Kirkland]]></category>
		<category><![CDATA[Brett Ratner]]></category>
		<category><![CDATA[Bryan Singer]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Deadpool 3]]></category>
		<category><![CDATA[Deus Ama O Homem Mata]]></category>
		<category><![CDATA[Dias de um Futuro Esquecido]]></category>
		<category><![CDATA[Disney]]></category>
		<category><![CDATA[Fox]]></category>
		<category><![CDATA[Henrique Marinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Henrique Rabachini]]></category>
		<category><![CDATA[HQ]]></category>
		<category><![CDATA[Hugh Jackman]]></category>
		<category><![CDATA[Ian McKellen]]></category>
		<category><![CDATA[Jack Kirby]]></category>
		<category><![CDATA[Live Action]]></category>
		<category><![CDATA[Marvel]]></category>
		<category><![CDATA[Marvel Comics]]></category>
		<category><![CDATA[Marvel Comics: The Untold Story]]></category>
		<category><![CDATA[Marvel Studios]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Wolf]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Patrick Stewart]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Sean Howe]]></category>
		<category><![CDATA[Simon Kinberg]]></category>
		<category><![CDATA[Stan Lee]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>
		<category><![CDATA[The Marvels]]></category>
		<category><![CDATA[The X-Men #1]]></category>
		<category><![CDATA[X-Men]]></category>
		<category><![CDATA[X-Men - Origens: Wolverine]]></category>
		<category><![CDATA[X-Men 2]]></category>
		<category><![CDATA[X-Men: Evolution]]></category>
		<category><![CDATA[X-Men: O Confronto Final]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=32049</guid>

					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos e Henrique Rabachini A história das HQs é datada desde o fim do século XIX, como uma evolução das tiras cômicas publicadas em jornais. Os primeiros quadrinhos eram voltados para o humor e a sátira, mas logo começaram a explorar outros gêneros como a aventura, o romance, o terror e a ficção científica. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/x-men-60-anos-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "60 anos de X-Men e sua alegoria disruptiva"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/x-men-60-anos-artigo/">60 anos de X-Men e sua alegoria disruptiva</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_32055" aria-describedby="caption-attachment-32055" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32055" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image6-1.png" alt="Imagem retangular do quadrinho de X-Men. No desenho estão 16 pessoas que fazem parte da narrativa, divididos principalmente em três grupos, os cinco mutantes originais ao centro com seus uniformes pretos e amarelos em destaque. À esquerda estão focados personagens mais vilanizados e a direita outros membros uniformizados. Todos estão em cima de destroços com um fundo com fumaça escura apocalíptico." width="600" height="312" /><figcaption id="caption-attachment-32055" class="wp-caption-text">Wolverine, a estrela dos mutantes, apareceu pela primeira vez como vilão – e não em uma história X-Men, mas em uma HQ do Hulk (Foto: Marvel Comics)</figcaption></figure></p>
<p><b>Henrique Marinhos e Henrique Rabachini</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2020/01/como-historias-em-quadrinhos-surgiram-e-se-tornaram-tao-populares.html"><span style="font-weight: 400;">história das HQs</span></a><span style="font-weight: 400;"> é datada desde o fim do século XIX, como uma evolução das tiras cômicas publicadas em jornais. Os primeiros quadrinhos eram voltados para o humor e a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/satira/"><span style="font-weight: 400;">sátira</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas logo começaram a explorar outros gêneros como a aventura, o romance, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/terror/"><span style="font-weight: 400;">terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/ficcao-cientifica/"><span style="font-weight: 400;">ficção científica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Um dos que se destacou foi o dos super-heróis, que se consolidou na década de 1930 com a criação de personagens como a dupla da </span><i><span style="font-weight: 400;">DC Comics</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/batman-x-superman-licao-umberto-eco-sobre-mitos-contemporaneos/"><span style="font-weight: 400;">Super-Homem e Batman</span></a><span style="font-weight: 400;">, e Capitão América, pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esses heróis representavam os ideais de justiça, coragem e patriotismo, em um contexto de crise econômica, guerra mundial e ameaças totalitárias. Eles também refletiam as aspirações e os medos da sociedade norte-americana, que buscava escapar da realidade através da fantasia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, nem todos os super-heróis eram tão simples e otimistas. Na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/60-anos/"><span style="font-weight: 400;">década de 1960</span></a><span style="font-weight: 400;">, surgiram os X-Men, uma equipe de mutantes que traziam uma nova perspectiva para os </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/hq/"><span style="font-weight: 400;">quadrinhos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nessa época, o mundo passava por grandes transformações, com movimentos pelos direitos civis como a luta contra o racismo e o movimento </span><i><span style="font-weight: 400;">hippie</span></i><span style="font-weight: 400;">, em paralelo a Guerra Fria e a corrida espacial. Sean Howe, jornalista e autor do livro </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pfc4wNZrqns"><i><span style="font-weight: 400;">Marvel Comics: The Untold Story</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, descreve o grupo como provavelmente o mais explicitamente político dos quadrinhos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 1960, quando a cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganhava cada vez mais influência através da Música, do Cinema, da Televisão e, claro, das HQs. Os heróis mutantes são um importante exemplo refletor de seus valores e transformações que completam seu sexagenário aniversário em 2023, propondo questionamentos e a busca por mudanças, influenciando a cultura e a política até hoje. </span></p>
<p><span id="more-32049"></span></p>
<p><figure id="attachment_32052" aria-describedby="caption-attachment-32052" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32052" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-1.png" alt="Cena dos quadrinhos de X-men. No canto superior esquerdo está um recorte da mão de Xavier segurando gentilmente o queixo do mutante ciclope envolto em uma gosma laranja. O centro da página e a imagem principal está o Professor Xavier em uma roupa colada totalmente preta sem adereços, em sua cabeça um capacete que cobre sua visão em formato de um X. Ele olha para baixo onde estão outros três mutantes saindo da gosma laranja totalmente despidos. Abaixo há um recorte de sua boca abaixo do capacete e o balão de fala escrito “To Me, My X-Men”, ou “À Mim, meus X-Men”, em tradução literal." width="640" height="979" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-1.png 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-1-523x800.png 523w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32052" class="wp-caption-text">Em Krakoa e Arakko, os mutantes têm suas próprias preocupações em uma nova fase completa da franquia, com nações inteiras e independentes do que conhecíamos antes na Terra (Foto: Marvel Comics)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não mais vistas como figuras perfeitas e admiradas,</span><a href="https://www.rollingstone.com/culture/culture-features/stan-lee-dead-x-men-lost-interview-754889/"> <span style="font-weight: 400;">Stan Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> e</span><a href="https://screenrant.com/stan-lee-jack-kirby-marvel-canon-lawyers/"> <span style="font-weight: 400;">Jack Kirby</span></a><span style="font-weight: 400;"> criaram um grupo que luta pela sua sobrevivência e aceitação em um mundo que os teme e os odeia, representando as vozes e as lutas de quem se sente diferente, excluído e marginalizado – qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência durante a luta pelos direitos civis. Seu enredo, no entanto, não é tão complexo assim, seguindo alguns padrões da </span><a href="https://blog.clubedeautores.com.br/2023/03/o-que-e-jornada-do-heroi-e-como-se-inspirar-para-escrever-um-livro.html"><span style="font-weight: 400;">narrativa do herói</span></a><span style="font-weight: 400;">. O conjunto é liderado principalmente por Professor Xavier, um telepata que acredita na coexistência pacífica entre humanos e mutantes, e Magneto, que já não seguia essa integração, sendo o grande antagonista (ao menos no princípio), representando uma explícita e não intencionada alegoria a </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/marting-luther-king-malcolm-x-a-inspiracao-da-vida-real-para-os-dois-maiores-personagens-do-x-men.phtml"><span style="font-weight: 400;">Martin Luther King e Malcolm X</span></a><span style="font-weight: 400;"> que </span><a href="https://vocal.media/geeks/actually-stan-lee-didnt-base-marvels-prof-x-and-magneto-on-malcolm-x-and-martin-luther-king-jr"><span style="font-weight: 400;">formou-se durante os anos seguintes</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira aparição do grupo nos quadrinhos foi em setembro de 1963 na revista </span><i><span style="font-weight: 400;">The X-Men #1</span></i><span style="font-weight: 400;">, publicada pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/marvel/"><i><span style="font-weight: 400;">Marvel Comics</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além de todos os conceitos sociais que definem o que é ser mutante nesse universo, eles são, básica e primordialmente, humanos que nasceram com um gene que lhes confere poderes dos mais variados, representando a próxima evolução da humanidade. Ciclope, Garota Marvel, Fera, Anjo e Homem de Gelo foram os primeiros mutantes liderados pelo Professor Xavier, fundador da Escola Xavier para Jovens Superdotados, que os ensinava a controlar seus poderes e a usá-los para o bem da humanidade. Longos anos depois, se tornaram candidatos para a HQ de edição única </span><a href="https://www.polygon.com/comics/2019/7/26/8893276/best-selling-comic-book-of-all-time-x-men-1-marvel-dc"><span style="font-weight: 400;">mais vendida da história</span></a><span style="font-weight: 400;">, com cerca de oito milhões de cópias vendidas em 1991.</span></p>
<p><figure id="attachment_32054" aria-describedby="caption-attachment-32054" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32054" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5.png" alt="Cena da animação X-Men Evolution. A ambientação é uma cantina  com vários estudantes conversando entre si em suas mesas. Ao centro e em foco está a mesa do grupo de Mutantes que aparentam ser adolescentes normais. Á esquerda está Ciclope e Noturno, dois garotos brancos de cabelos curtos e escuros. À direita está Kitty Pride e Jean Grey, duas garotas brancas também sentadas conversando. Jean é uma mulher ruiva de cabelos soltos que está comendo um sanduíche, e Kitty de cabelos castanhos e rabo de cavalo está a sua direita tomando um suco de canudo." width="600" height="450" /><figcaption id="caption-attachment-32054" class="wp-caption-text">Além de X-Men: Evolution, outras animações fora da curva produzidas pela Marvel incluem os animes do grupo, um dedicado apenas ao Wolverine e suas participações na produção de mesmo tipo dos Vingadores (Foto: Marvel Studios)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As animações também foram uma importante influência para os quadrinhos dos mutantes, como no caso do uniforme da personagem Mística em </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2022/x-men-evolution-temporada-5-historia-trajes-personagens-tudo-sobre.html"><i><span style="font-weight: 400;">X-Men: Evolution</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, série produzida por Boyd Kirkland e Michael Wolf. Com quatro temporadas e um total de 52 episódios produzidos de 2000 a 2004, a animação consagrou-se como um dos históricos mais palpáveis da narrativa transmídia da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel </span></i><span style="font-weight: 400;">para a época, integrando seus universos e expandindo-os para outras produções como jogos, animes e brinquedos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A saga </span><a href="https://www.looper.com/678782/the-untold-story-of-x-men-evolution/"><span style="font-weight: 400;">reimagina</span></a><span style="font-weight: 400;"> os personagens como adolescentes e explora suas lutas por relacionamentos e pelo mundo com poderes mutantes, o que a torna uma produção interessante e relevante para o público jovem. Ainda que a sua construção não tenha um teor de adaptação pleno, ao menos no roteiro, fazendo com que muitas das cenas e enredos originais da série sejam vistos como infiéis aos universos originais, isso não é realmente um problema quando bem feito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Brasil, o desenho teve grande influência e se tornou um marco nostálgico para quem assistia TV aberta ao almoçar, mas, infelizmente, não teve a mesma popularidade em outros países, ocasionando seu </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/temporada-cancelada-da-animacao-x-men-evolution-5-detalhes-que-seriam-incriveis-de-magneto-professor-fenix-vila-lista/"><span style="font-weight: 400;">cancelamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> por motivos financeiros. Sobretudo, essa e outras animações dos X-Men foram uma grande influência para os primeiros filmes da franquia, como afirmou o diretor Simon Kinberg durante a </span><a href="https://br.ign.com/x-men-fenix-negra/69126/news/ccxp-2018-animacoes-foram-a-maior-influencia-para-os-filmes-dos-x-men"><i><span style="font-weight: 400;">CCXP</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2018</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><figure id="attachment_32051" aria-describedby="caption-attachment-32051" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32051" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2.png" alt="Cena dos quadrinhos de X-men. No canto esquerdo ciclope, um mutante de uniforme e visor amarelo retangular em seus olhos falando em um microfone destinado a William Stryker, um político branco de cabelos grisalhos que veste um terno. Ele está com balões de fala que dizem: “Será que rótulos arbitrários são mais importantes que o modo como vivemos? E o que dizem de nós, mais importante do que o que realmente somos? Afinal de contas, quem pode me provar que você não é um mutante, e nós a verdadeira espécie humana?” Ao lado, William Stryker aponta para noturno, um mutante azul de roupas vermelha e preta com três dedos em cada mão e pé e diz: “Humana? Você ousa chamar ele… Aquilo… De humano?”" width="960" height="455" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2.png 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-800x379.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-768x364.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32051" class="wp-caption-text">William Stryker tornou-se um dos maiores vilões de X-Men ao concluir que a única razão de Deus permitir que seu filho fosse um mutante foi para conduzi-lo à sua verdadeira vocação: livrar o mundo deles (Foto: Marvel Comics)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alguns mutantes podem passar despercebidos na sociedade, escondendo ou disfarçando seus poderes, enquanto outros têm fenótipos que os tornam facilmente reconhecíveis como pele azul, pelos, escamas, asas e caudas, por exemplo. Com isso, toda riqueza da história de X-Men se concentra nas </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/x-men-grand-design-recria-complexidade-dos-herois-traca-40-anos-de-evolucao-24551811"><span style="font-weight: 400;">complexidades</span></a><span style="font-weight: 400;"> individuais de cada personagem que a trama oferece. Longe de aspirações fúteis e infundadas, cada um é desenvolvido como uma pessoa real, marcada por nuances como abandono, discriminação, violência e trauma, consequentemente, convergindo em visões e atitudes sobre sua condição. Noturno, Fera, Mística e Anjo são exemplos de desenvolvimento da alma da obra.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=StnmzjqMKRo&amp;pp=ygUNbm90dXJubyB4LW1lbg%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">Noturno</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de ser um mutante, é um católico devoto que busca aceitar sua aparência como uma dádiva divina, mesmo que se pareça com demônio com pele azul, cauda, orelhas pontudas e três dedos em cada mão e pé. Por muito tempo, desejou ter os poderes de Mística, que apesar de compartilhar uma aparência sobre-humana com ele, pode </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IQYmivkk3HQ"><span style="font-weight: 400;">assumir a identidade de qualquer pessoa</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou animal. Ela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oVTZIjvE0oA&amp;pp=ygUPbcOtc3RpY2EgeC1tZW4g"><span style="font-weight: 400;">já foi uma X-Men</span></a><span style="font-weight: 400;"> e também aliada de Magneto, além de uma mercenária e terrorista independente, sendo, sobretudo, uma sobrevivente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, Fera e Anjo nem sempre foram assim. Enquanto</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hb4lSMGhXlo"><span style="font-weight: 400;"> Fera tenta inibir seu gene X</span></a><span style="font-weight: 400;"> a partir de uma solução experimental fracassada que o transformou em uma criatura peluda e azulada, com garras e presas, Anjo adquiriu seus poderes ao longo de sua puberdade. No início do filme </span><i><span style="font-weight: 400;">X-Men: O Confronto Final</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2006), dirigido por Brett Ratner, o mutante tenta arrancar suas asas no banheiro para esconder sua mutação quando criança. Seu pai o flagra e ele, chorando, se desculpa.</span></p>
<p><figure id="attachment_32050" aria-describedby="caption-attachment-32050" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32050" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1.gif" alt="Imagem animada do filme X-Men 3: Confronto Final. Nela está o mutante anjo criança, um garoto branco de cabelos loiros cacheados. Ele está chorando enquanto tenta alcançar suas costas com um barbeador para aparar suas asas recém nascidas." width="500" height="204" /><figcaption id="caption-attachment-32050" class="wp-caption-text">Mesmo depois de se refugiar no Instituto Xavier por se recusar a tomar a cura financiada por seu pai, Anjo o salva de ser morto após ser atirado da janela do laboratório (Foto: Marvel Studios)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No começo dos anos 2000, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox</span></i><span style="font-weight: 400;">, que havia comprado os direitos cinematográficos dos mutantes após uma </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2021/marvel-falida-venda-direitos.html"><span style="font-weight: 400;">quase falência da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, deu início à trilogia de filmes dos</span> <span style="font-weight: 400;">X-Men. O desenvolvimento do primeiro longa teve início em 1989 e o lançamento ocorreu em 2000, lucrando 296,3 milhões de dólares mundialmente e se tornando a oitava maior bilheteria mundial do ano. Dirigido por Bryan Singer, o longa trouxe uma alçada mais séria para os mutantes, fugindo das roupas coloridas e assumindo roupas pretas de couro. Singer traça diversos paralelos entre os mutantes e a homossexualidade. Uma das cenas mais óbvias nesse ponto acontece em </span><i><span style="font-weight: 400;">X-Men 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2003), quando o personagem Homem de Gelo, ao revelar para seus pais que é um mutante, escuta de sua mãe a frase: “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pmUWcDv-04k"><i><span style="font-weight: 400;">Você tentou não ser um mutante?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo filme dos X-Men trouxe uma simples adaptação de um dos arcos mais aclamados dos heróis nos quadrinhos, </span><a href="https://universoxmen.com.br/2021/06/voce-sabia-hq-deus-ama-o-homem-mata-ja-foi-censurada-no-brasil/"><i><span style="font-weight: 400;">Deus Ama, o Homem Mata</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, introduzindo o vilão William Stryker, que tem como objetivo o genocidio de todos os mutantes. Outra renomada história adaptação foi a saga </span><i><span style="font-weight: 400;">Dias de um Futuro Esquecido</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que é apresentado um futuro distópico no qual mutantes são caçados e exterminados, precisando dar um jeito de voltar ao passado para impedir que esse futuro aconteça.</span></p>
<p><figure id="attachment_32053" aria-describedby="caption-attachment-32053" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32053" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-1.png" alt="Cena do filme X-Men Dias de um Futuro Esquecido. Nela está o ator Patrick Stewart e James McAvoy interpretando o mesmo personagem, Professor Xavier. Patrick representa sua versão idosa, um homem branco e careca em uma cadeira de rodas em trajes de couro pretos, encarando James, sua versão adulta, de cabelos castanhos compridos até seu ombro com uma jaqueta de couro marrom e uma camiseta florida. Ele apoia suas mãos na cadeira de sua versão mais velha e olha em seus olhos. Ao fundo há uma tábua com uma pessoa amarrada nela e outros dois mutantes conversando. Todo cenário é iluminado por ladrilhos coloridos nas paredes como vitrais." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-1.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-1-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32053" class="wp-caption-text">Quando Simon Kinberg estava trabalhando na viagem do tempo de Dias de um Futuro Esquecido, James Cameron autografou seu livro &#8220;O Making of de O Exterminador do Futuro 2&#8221; e escreveu &#8220;Não foda tudo, com amor, Jim&#8221; (Foto: Marvel Studios)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É inegável que os filmes dos X-Men foram um tremendo sucesso, responsáveis por consagrar diversos atores nos papéis de mutantes como Wolverine, interpretado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-rei-do-show-critica/"><span style="font-weight: 400;">Hugh Jackman</span></a><span style="font-weight: 400;">, Professor Xavier (Patrick Stewart) e Magneto (Ian McKellen). O enorme sucesso foi, sem dúvidas, a chama que deu origem a um renascimento dos longas-metragens de quadrinhos e super-heróis que pode ser vista até hoje. A produção de 2000 foi responsável por dar abertura a discussões sobre o longa do </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranha-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Homem Aranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2002) com Tobey Maguire no papel do herói, além de abrir espaço para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarteto Fantástico</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2005) e trilhar o caminho para </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-de-ferro-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Homem de Ferro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2008), que marca o início de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/vingadores-ultimato-critica/"><span style="font-weight: 400;">universo cinematográfico</span></a><span style="font-weight: 400;"> de mais de 35 filmes e séries de heróis da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;"> e posteriormente da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">, em 2009.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora os X-Men tenham rendido um bom dinheiro para a </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox</span></i><span style="font-weight: 400;"> e trazido uma revolução no mercado cinematográfico de super-heróis, é necessário apontar que a franquia dos mutantes terminou de uma maneira que não agradou os fãs e nem o público geral. O último filme, </span><a href="https://canaltech.com.br/cinema/a-maldicao-dos-novos-mutantes-veja-a-trajetoria-do-filme-mais-zoado-da-marvel-162075/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Novos Mutantes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, foi gravado em 2017 e só foi lançado em 2020, depois de anos de adiamentos e até rumores de cancelamento. O longa ficou no meio de um momento conturbado dentro do estúdio, </span><a href="https://canaltech.com.br/negocios/disney-compra-fox-e-vira-dona-de-franquias-como-x-men-e-deadpool-135127/"><span style="font-weight: 400;">comprado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que se apropriou dos personagens e já possui outros lançamentos com os mutantes em desenvolvimento.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="DEADPOOL 3 Official Teaser Announcement (2024)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/smfQRyUtmiM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro filme dos mutantes sob controle da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/disney/"><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Deadpool 3</span></i><span style="font-weight: 400;">, teve suas gravações pausadas devido à </span><a href="https://personaunesp.com.br/greve-dos-roteiristas-artigo/"><span style="font-weight: 400;">greve de atores e roteiristas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que afligiu Hollywood e irá trazer uma das duplas mais amadas dos quadrinhos, Deadpool e Wolverine de volta às telonas. Com Hugh Jackman reprisando o icônico papel de Wolverine e Ryan Reynolds novamente como </span><a href="https://personaunesp.com.br/deadpool/"><span style="font-weight: 400;">Deadpool</span></a><span style="font-weight: 400;">, que promete entregar uma história mais fiel à sua fonte, não cometendo os erros da obra de 2009, </span><i><span style="font-weight: 400;">X-Men &#8211; Origens: Wolverine</span></i><span style="font-weight: 400;"> cometeu ao adaptar esses mesmos personagens. Além disso, o terceiro filme da trilogia provavelmente será o responsável por trazer uma ligação entre o universo dos X-Men da </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o universo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/vingadores-critica/"><span style="font-weight: 400;">Vingadores</span></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney, </span></i><span style="font-weight: 400;">consagrando a cena pós crédito de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Marvels</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O pouco que se sabe sobre </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/studio/marvel/deadpool-3-e-definitivamente-para-maiores-diz-diretor/"><i><span style="font-weight: 400;">Deadpool 3</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se deve a fotos vazadas dos bastidores e, mesmo sem nenhum detalhe do enredo, é perceptível a principal diferença entre </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">: os uniformes. As adaptações da primeira tentavam trazer um tom mais sério, já a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">, acostumada em adaptar personagens bem estranhos dos quadrinhos, irá trazer pela primeira vez um uniforme fiel para o personagem de Hugh Jackman, uma verdadeira vitória para os fãs que esperaram 20 anos de adaptações </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos X-Men e não tiveram uma adaptação fiel dos uniformes coloridos e únicos dos quadrinhos. Agora, nos resta esperar e ver se os mutantes serão realmente bem tratados em sua nova casa.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/x-men-60-anos-artigo/">60 anos de X-Men e sua alegoria disruptiva</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/x-men-60-anos-artigo/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">32049</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Em Homem-Aranha: Através do Aranhaverso, Miles Morales dá um salto de fé e leva filmes de heróis a outro nível</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/homem-aranha-atraves-do-aranhaverso-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/homem-aranha-atraves-do-aranhaverso-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Nov 2023 20:40:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[2023]]></category>
		<category><![CDATA[Amábile Zioli]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Animação]]></category>
		<category><![CDATA[Aranhaverso]]></category>
		<category><![CDATA[Christopher Miller]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema norte-americano]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Pemberton]]></category>
		<category><![CDATA[Dave Callaham]]></category>
		<category><![CDATA[Gwen Stacy]]></category>
		<category><![CDATA[Heróis]]></category>
		<category><![CDATA[História em Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Homem Aranha]]></category>
		<category><![CDATA[Homem-Aranha Através do Aranhaverso]]></category>
		<category><![CDATA[Homem-Aranha no Aranhaverso]]></category>
		<category><![CDATA[Joaquim dos Santos]]></category>
		<category><![CDATA[Justin K. Thompson]]></category>
		<category><![CDATA[Kemp Powers]]></category>
		<category><![CDATA[Live Action]]></category>
		<category><![CDATA[Metro Boomin]]></category>
		<category><![CDATA[Miguel O'Hara]]></category>
		<category><![CDATA[Miles Morales]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Phil Lord]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Sony Pictures]]></category>
		<category><![CDATA[Vingadores: Guerra Infinita]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=31984</guid>

					<description><![CDATA[<p>Amábile Zioli Como superar o insuperável? É uma questão que Joaquim dos Santos, Kemp Powers e Justin K. Thompson levaram muito a sério ao dirigirem Através do Aranhaverso. Homem-Aranha no Aranhaverso (2018) aumentou os padrões de produção no mundo dos heróis e estabeleceu metas inalcançáveis para sua sequência, que chegaria aos cinemas apenas em Junho &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/homem-aranha-atraves-do-aranhaverso-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Homem-Aranha: Através do Aranhaverso, Miles Morales dá um salto de fé e leva filmes de heróis a outro nível"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/homem-aranha-atraves-do-aranhaverso-critica/">Em Homem-Aranha: Através do Aranhaverso, Miles Morales dá um salto de fé e leva filmes de heróis a outro nível</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_31986" aria-describedby="caption-attachment-31986" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31986" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-800x333.jpeg" alt="Cena do filme Homem-Aranha: Através do Aranhaverso. A cena imita uma página de quadrinhos, a tela é dividida em 4 partes e em cada uma delas há uma versão do homem-aranha mostrando a região dos olhos de cada máscara. Em cima e ao centro há o Aranha-punk, sobre um fundo verde; do lado esquerdo, Miles Morales, com um fundo azul; em baixo, o homem-aranha indiano, com um fundo laranja; e, por último, a direita, Gwen Stacy, sobre um fundo rosa." width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-800x333.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-1024x426.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-768x320.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-1536x639.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-1200x500.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31986" class="wp-caption-text">Animadores de Homem-Aranha: Através do Aranhaverso relataram <a href="https://www.vulture.com/2023/06/spider-verse-animation-four-artists-on-making-the-sequel.html">más condições de trabalho</a> (Foto: SONY PICTURES)</figcaption></figure></p>
<p><strong>Amábile Zioli</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como superar o insuperável? É uma questão que Joaquim dos Santos, Kemp Powers e Justin K. Thompson levaram muito a sério ao dirigirem </span><i><span style="font-weight: 400;">Através do Aranhaverso. </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranhaverso-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha no Aranhaverso</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2018) aumentou os padrões de produção no mundo dos heróis e estabeleceu metas inalcançáveis para sua sequência, que chegaria aos cinemas apenas em Junho de 2023. </span></p>
<p><span id="more-31984"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo filme da </span><a href="https://legadodamarvel.com.br/aranhaverso-3-quando-estreia-o-proximo-filme-de-miles-morales/"><span style="font-weight: 400;">confirmada</span></a><span style="font-weight: 400;"> trilogia segue Miles Morales e Gwen Stacy na contínua busca e descoberta do multiverso, cada vez mais amplo e, paradoxalmente, desconhecido. Nessa jornada, a história dos protagonistas recebe mais aprofundamento e, mesmo com mais de 280 Homens-Aranhas no </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranha-sem-volta-para-casa-critica/"><span style="font-weight: 400;">universo cinematográfico</span></a><span style="font-weight: 400;">, o foco no desenvolvimento de cada personagem não foi deixado de lado.</span></p>
<p><figure id="attachment_31989" aria-describedby="caption-attachment-31989" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31989" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-3-800x333.jpeg" alt="Cena do filme Homem-Aranha: Através do Aranhaverso. A cena contém 8 personagens do filme, incluindo Gwen Stacy, no centro, e Peter Parker e Aranha-Punk, além de outros do filme anterior. Todos estão de costas para a câmera, olhando em direção a um portal mágico." width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-3-800x333.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-3-1024x426.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-3-768x320.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-3-1536x639.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-3-1200x500.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-3.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31989" class="wp-caption-text">Homem-Aranha: no Aranhaverso ganhou o Oscar de Melhor Animação em 2019 (Foto: SONY PICTURES)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trinca de diretores conseguiu um dos maiores feitos da indústria audiovisual: fazer com que a continuação seja melhor do que seu antecessor. Com uma animação tão complexa e mais fiel aos </span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/a-arte-de-homem-aranha-no-aranhaverso/"><span style="font-weight: 400;">quadrinhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> do que nunca, a obra te deixa imerso em sua vastidão de cores e formas. Cada cena possui uma paleta diferente, cada universo tem um tom específico e todo personagem tem um contorno que o diferencia de todas as outras centenas de pessoas-aranhas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nisso, </span><a href="https://www.aficionados.com.br/spider-gwen/#:~:text=Gwen%20Stacy%20%C3%A9%20a%20filha,uma%20personalidade%20art%C3%ADstica%20e%20despreocupada."><span style="font-weight: 400;">Gwen Stacy</span></a><span style="font-weight: 400;"> se destaca. Sua Terra, 65, é tomada pelos tons pastéis e frios, imergida em um visual melancólico e sensível, o que combina perfeitamente com o momento que a Mulher-Aranha vive. Entre segredos, solidão e culpa pelos acontecimentos canônicos de ser uma aranha, a jovem ainda precisa lidar com a falta de seu melhor amigo, que está há muitos universos de distância.</span></p>
<p><figure id="attachment_31988" aria-describedby="caption-attachment-31988" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31988" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.45-800x333.jpeg" alt="Cena do filme Homem-Aranha: Através do Aranhaverso. A cena mostra Gwen Stacy vestida de Mulher-Aranha, em pé de frente para seu pai, onde é possível observar apenas sua sombra. O cenário é composto por ferrugens e destruição, e as cores predominantes são tons de laranja, rosa, roxo, azul e preto." width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.45-800x333.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.45-1024x426.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.45-768x320.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.45-1536x639.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.45-1200x500.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.45.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31988" class="wp-caption-text">Contrastando com a relação familiar de Miles, Gwen se vê sozinha em Através do Aranhaverso (Foto: SONY PICTURES)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro, elaborado pelo mesmo trio responsável por </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha no Aranhaverso, </span></i><span style="font-weight: 400;">Phil Lord, Christopher Miller e Dave Callaham, também não deixa a desejar, e muito se deve ao novo vilão apresentado. Mancha é um dos vários destaques da trama: após o primeiro ato do filme, ele deixa de ser o “</span><i><span style="font-weight: 400;">vilãozinho da vez</span></i><span style="font-weight: 400;">” ao se tornar um ser ultradimensional, sem quebrar o repertório de </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/homem-aranha-viloes-filmes.html"><span style="font-weight: 400;">vilões</span></a><span style="font-weight: 400;"> fantásticos já derrotados em trilogias anteriores. </span></p>
<p><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/homem-aranha-2099-aranhaverso-2-conheca/"><span style="font-weight: 400;">Miguel O’Hara</span></a><span style="font-weight: 400;">, o Homem-Aranha 2099, também soube transmitir medo e tensão em cada aparição na tela de cinema. O teioso foi um dos pontos altos da película, que, juntamente com um visual único e uma trilha sonora original e característica, consagrou-se como o vilão coadjuvante, mas muito memorável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando dito que </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha: Através do Aranhaverso</span></i><span style="font-weight: 400;"> dá um salto de quase um universo de distância de seu antecessor, é impossível não responsabilizar as composições incomparáveis de </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/6nlUFeFAPjaDTA7A0VVwnO"><span style="font-weight: 400;">Daniel Pemberton</span></a><span style="font-weight: 400;">. O que já era um ponto de destaque no primeiro longa, Metro Boomin ajudou para que ficasse ainda melhor: cada melodia se mostrou perfeitamente pensada para todo acontecimento. A capacidade de encaixar o som com o movimento e a animação surreal tornou a experiência minuciosamente cativante para qualquer um que estivesse assistindo.</span></p>
<p><figure id="attachment_31987" aria-describedby="caption-attachment-31987" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31987" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-1-800x333.jpeg" alt="Cena do filme Homem-Aranha: Através do Aranhaverso. A cena mostra Miguel O’hara, o Homem-Aranha 2099, em pé em cima de um prédio, no centro da imagem. Sua silhueta está tampada pela chuva, e, atrás dele há um letreiro em vermelho neon escrito “Welcome”." width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-1-800x333.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-1-1024x426.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-1-768x320.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-1-1536x639.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-1-1200x500.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-1.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31987" class="wp-caption-text">Ao contrário da maioria, Miguel O’Hara não se transformou em Homem-Aranha por uma picada, mas sim por um erro em um teste laboratorial (Foto: SONY PICTURES)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indo contra o comum pensamento de que </span><a href="https://personaunesp.com.br/animacao-oscar-artigo/"><span style="font-weight: 400;">animações</span></a><span style="font-weight: 400;"> são produtos voltados apenas ao público infantil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Através do Aranhaverso</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz, em um ambiente acolhedor e familiar, a confirmação de que o filme animado tem tanto potencial quanto qualquer </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;">. É claro que o desenho ímpar do longa é seu diferencial: sem a possibilidade de brincar com as cores e tons, expressões faciais e corporais, e estilizações de design, grande parte de seu valor excepcional seria perdido em atuações simplórias e em uma fotografia mediana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa perda de valor tem sido observada com frequência no Cinema norte-americano. A onda de </span><i><span style="font-weight: 400;">live-actions </span></i><span style="font-weight: 400;">incentivada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney </span></i><span style="font-weight: 400;">fez com que diversos clássicos perdessem suas particularidades ao serem trazidos para o mundo real. É o caso de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-rei-leao-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Rei Leão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que, com uma computação gráfica fraca, não sustenta o mesmo apelo emocional proporcionado pelo original de 1994, vivo em cores e emoções. </span></p>
<p><figure id="attachment_31990" aria-describedby="caption-attachment-31990" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31990" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-2-800x333.jpeg" alt="Cena do filme Homem-Aranha: Através do Aranhaverso. A cena mostra Miles Morales encarando seu “eu” de um universo paralelo. O Miles da esquerda possui uma feição irritada, com seus cabelos em trança e uma jaqueta vermelha. Miles da direita está expressando medo e está amarrado em um poste, preso. O fundo mostra grades e, atrás, a cidade em tons avermelhados." width="800" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-2-800x333.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-2-1024x426.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-2-768x320.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-2-1536x639.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-2-1200x500.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-29-at-11.54.46-2.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31990" class="wp-caption-text">Uma das maiores inspirações para a criação de Miles Morales foi o ator e cantor Donald Glover (Foto: SONY PICTURES)</figcaption></figure></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Através do Aranhaverso</span></i><span style="font-weight: 400;"> não se preocupa em não emocionar, afinal, só a narrativa de Miles em busca de mudar a trajetória canônica de sua vida já é o suficiente para encontrar empatia em qualquer espectador. A comoção é levada até o último minuto, quando, ao usar a ferramenta de </span><a href="https://hqscomcafe.com.br/2018/02/20/o-que-e-cliffhanger/"><i><span style="font-weight: 400;">cliffhanger</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">explorada em </span><a href="https://personaunesp.com.br/vingadores-guerra-infinita-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Guerra Infinita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, deixa até o mais desinteressado com o sentimento de quero mais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha: Além do Aranhaverso</span></i><span style="font-weight: 400;">, terceiro e último filme da trilogia, estava previsto para Março de 2024, mas foi adiado por tempo indeterminado por conta da </span><a href="https://personaunesp.com.br/greve-dos-roteiristas-artigo/"><span style="font-weight: 400;">greve dos roteiristas</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, apesar de já ter acabado, afetou o início das produções. A excepcionalidade do desenvolvimento da saga do Aranhaverso nos leva a acreditar que seu fechamento não decepcionará: personagens bem explorados, uma narrativa envolvente e a animação característica transformam a história em um produto único.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/homem-aranha-atraves-do-aranhaverso-critica/">Em Homem-Aranha: Através do Aranhaverso, Miles Morales dá um salto de fé e leva filmes de heróis a outro nível</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/homem-aranha-atraves-do-aranhaverso-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">31984</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O Essencial de Perigosas Sapatas é uma colher de chá para a solidão lésbica</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/o-essencial-de-perigosas-sapatas-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/o-essencial-de-perigosas-sapatas-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Jun 2023 13:32:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Alison Bechdel]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Cegatti]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Broadway]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Bensimon]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Desfeminilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fun Home]]></category>
		<category><![CDATA[heteronormatividade]]></category>
		<category><![CDATA[HQ]]></category>
		<category><![CDATA[Interseccionalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Lésbica]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIA]]></category>
		<category><![CDATA[O Essencial de Perigosas Sapatas]]></category>
		<category><![CDATA[Perigosas Sapatas]]></category>
		<category><![CDATA[prêmio Eisner]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Solidão]]></category>
		<category><![CDATA[Todavia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=31164</guid>

					<description><![CDATA[<p>Ana Cegatti Por que estamos lutando por um pedaço de torta se a torta está podre?  &#8211; Alison Bechdel O desastre de Chernobyl, a guerra Irã-Iraque e o corte mullet foram alguns episódios hediondos que fizeram dos anos 1980 um período inesquecível para o mundo. No entanto, o posto de maior atrocidade da década foi &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-essencial-de-perigosas-sapatas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Essencial de Perigosas Sapatas é uma colher de chá para a solidão lésbica"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-essencial-de-perigosas-sapatas-critica/">O Essencial de Perigosas Sapatas é uma colher de chá para a solidão lésbica</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_31167" aria-describedby="caption-attachment-31167" style="width: 2235px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31167" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-1-capa.jpg" alt="Capa do livro O Essencial de Perigosas Sapatas. Fundo amarelo na parte superior e fundo rosa mais abaixo. Na parte superior, está o título do livro com “O Essencial de” escrito em preto e “Perigosas Sapatas” escrito em vinho. Abaixo do título, à esquerda, está o escrito “Da autora de Fun Home” na cor preta, e, à direita está escrito o nome da autora “Alison Bechdel” na cor preta. Ao centro, em destaque, aparecem Mo e sua namorada. Mo é uma mulher branca, jovem, tem cabelo curto e castanho, usa óculos redondos, está usando uma blusa listrada em preto e branco e uma calça jeans azul. Ela está com as mãos nos glúteos de sua namorada, que aparece de costas. A namorada de Mo é uma mulher branca, jovem, tem cabelo curto e loiro, usa óculos redondos, está usando uma blusa marrom de gola alta e uma calça branca. Do lado esquerdo da capa, está o escrito “Estrelando” em preto, seguido por 3 círculos, um embaixo do outro. Em cada círculo, há uma ilustração de uma personagem e seu respectivo nome. Na coluna do lado esquerdo, estão as personagens Toni, Harriet e Clarice. Na coluna do lado direito, estão as personagens Lois, Ginger e Sparrow. No canto inferior esquerdo, há a logo da editora Todavia." width="2235" height="2560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-1-capa.jpg 2235w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-1-capa-698x800.jpg 698w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-1-capa-894x1024.jpg 894w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-1-capa-768x880.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-1-capa-1341x1536.jpg 1341w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31167" class="wp-caption-text">O Essencial de Perigosas Sapatas apalpa regiões sensíveis do patriarcado (Foto: Todavia)</figcaption></figure></p>
<p><b>Ana Cegatti</b></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">Por que estamos lutando por um pedaço de torta se a torta está podre?</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Alison Bechdel</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O desastre de Chernobyl, a guerra Irã-Iraque e o corte </span><i><span style="font-weight: 400;">mullet </span></i><span style="font-weight: 400;">foram alguns episódios hediondos que fizeram dos anos 1980 um período inesquecível para o mundo. No entanto, o posto de maior atrocidade da década foi designado à </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2019/04/criadora-diz-que-teste-de-bechdel-era-apenas-uma-piada-sumiria-se-nao-fossem-as-feministas-do-cinema/"><span style="font-weight: 400;">Alison Bechdel</span></a><span style="font-weight: 400;">, cartunista estadunidense que ousou ganhar as páginas dos jornais com tirinhas sobre uma ameaça maior do que qualquer explosão nuclear: lésbicas. Em uma singela homenagem, a editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Todavia </span></i><span style="font-weight: 400;">publica uma coletânea, traduzida por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kovEVpNLU_c"><span style="font-weight: 400;">Carol Bensimon</span></a><span style="font-weight: 400;">, das principais histórias da série </span><i><span style="font-weight: 400;">Perigosas Sapatas</span></i><span style="font-weight: 400;">, cuja essência está em um grupo de amigas lésbicas praticando atos tenebrosos tais como trabalhar e lavar a louça. No fim, elas são perigosas para quem?</span></p>
<p><span id="more-31164"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de 40 anos, as tirinhas de Bechdel alugaram um espaço significativo tanto nas folhas impressas, quanto nas cabeças conservadoras que engoliram em seco os aperitivos da autora. Esta, por sua vez, também é o nome por trás de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-fun-home/"><i><span style="font-weight: 400;">Fun Home</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma autobiografia vencedora do prêmio </span><a href="https://www.comic-con.org/awards/eisner-awards-current-info"><span style="font-weight: 400;">Eisner</span></a><span style="font-weight: 400;"> e adaptada aos palcos da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Gputc-vy_zg"><span style="font-weight: 400;">Broadway</span></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Apesar dessas conquistas memoráveis, o legado de Alison Bechdel não começa em estatuetas nem termina quando as cortinas do teatro se fecham. Enquanto a maioria das pessoas encantava-se com HQs sobre homens mascarados com um bíceps relativamente grande, Bechdel era vista como figura materna, ou melhor, como uma </span><a href="https://lithub.com/on-finding-a-hero-in-alison-bechdel/"><span style="font-weight: 400;">heroína</span></a><span style="font-weight: 400;"> sem capa por garotas lésbicas.</span></p>
<p><figure id="attachment_31168" aria-describedby="caption-attachment-31168" style="width: 4764px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31168 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-2.jpg" alt="Foto de Alison Bechdel ao lado de uma ilustração autoral. No lado esquerdo da imagem, está um desenho de uma mulher de costas, com cabelo curto preto e um top preto. No lado direito da imagem, está Alison Bechdel, uma mulher branca adulta. Ela tem cabelo curto preto, está usando uma camisa azul e está com a mão direita levantada tocando na tela na qual está o desenho." width="4764" height="2974" /><figcaption id="caption-attachment-31168" class="wp-caption-text">Alison Bechdel usa, com propriedade, fontes da própria cabeça para escrever suas histórias (Foto: John D. &amp; Catherine T. Macarthur Foundation)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sabe-se que, em tempos recentes, a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OEWXa5bSFuE"><span style="font-weight: 400;">cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> está tentando abraçar a letra L, seja mostrando beijos homoafetivos de suma irrelevância, como em </span><a href="https://variety.com/2019/film/news/star-wars-gay-kiss-lgbtq-representation-hollywood-rise-of-skywalker-1203449661/"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ou esbanjando lésbicas brancas de </span><a href="https://medium.com/@guzinskilaura/o-apagamento-da-bandeira-l%C3%A9sbica-e-a-cria%C3%A7%C3%A3o-de-novas-bandeiras-79d3d4ddf747"><span style="font-weight: 400;">batom</span></a><span style="font-weight: 400;"> em histórias medíocres. Héteros, gays ou bissexuais podem até tentar, mas nunca entenderão, de fato, o sentimento tão vazio quanto intenso de ver uma paixão se esvaindo pela inevitável priorização de um homem e o medo instintivo de ficar sozinha e ser, consequentemente, esquecida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de parecer óbvio, é preciso reiterar que não há ninguém melhor para retratar uma mulher lésbica do que uma mulher lésbica. Dessa forma, Alison Bechdel honra a </span><a href="https://www.matinaljornalismo.com.br/parentese/quadrinhos-em-revista/alison-bechdel-uma-jornada-em-torno-do-eu/"><span style="font-weight: 400;">própria realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e coloca nada além de puro amor em cada uma das personagens, talvez com um propósito empático de resgatar um amor que nunca recebeu. A autora transforma as protagonistas Mo, Toni, Harriet, Clarice, Louis, Ginger e Sparrow em companhias propositalmente imperfeitas diante da solidão imposta à </span><a href="https://periodicos.uff.br/revistagenero/article/download/30947/18036/106213"><span style="font-weight: 400;">mulher lésbica</span></a><span style="font-weight: 400;">, que não tem o luxo de errar, ou melhor, ser bagunçada e perigosa.</span></p>
<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/BNKOdSkjXzo/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:658px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);">
<div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/p/BNKOdSkjXzo/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank"> </p>
<div style=" display: flex; flex-direction: row; align-items: center;">
<div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 40px; margin-right: 14px; width: 40px;"></div>
<div style="display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center;">
<div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; margin-bottom: 6px; width: 100px;"></div>
<div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; width: 60px;"></div>
</div>
</div>
<div style="padding: 19% 0;"></div>
<div style="display:block; height:50px; margin:0 auto 12px; width:50px;"><svg width="50px" height="50px" viewBox="0 0 60 60" version="1.1" xmlns="https://www.w3.org/2000/svg" xmlns:xlink="https://www.w3.org/1999/xlink"><g stroke="none" stroke-width="1" fill="none" fill-rule="evenodd"><g transform="translate(-511.000000, -20.000000)" fill="#000000"><g><path d="M556.869,30.41 C554.814,30.41 553.148,32.076 553.148,34.131 C553.148,36.186 554.814,37.852 556.869,37.852 C558.924,37.852 560.59,36.186 560.59,34.131 C560.59,32.076 558.924,30.41 556.869,30.41 M541,60.657 C535.114,60.657 530.342,55.887 530.342,50 C530.342,44.114 535.114,39.342 541,39.342 C546.887,39.342 551.658,44.114 551.658,50 C551.658,55.887 546.887,60.657 541,60.657 M541,33.886 C532.1,33.886 524.886,41.1 524.886,50 C524.886,58.899 532.1,66.113 541,66.113 C549.9,66.113 557.115,58.899 557.115,50 C557.115,41.1 549.9,33.886 541,33.886 M565.378,62.101 C565.244,65.022 564.756,66.606 564.346,67.663 C563.803,69.06 563.154,70.057 562.106,71.106 C561.058,72.155 560.06,72.803 558.662,73.347 C557.607,73.757 556.021,74.244 553.102,74.378 C549.944,74.521 548.997,74.552 541,74.552 C533.003,74.552 532.056,74.521 528.898,74.378 C525.979,74.244 524.393,73.757 523.338,73.347 C521.94,72.803 520.942,72.155 519.894,71.106 C518.846,70.057 518.197,69.06 517.654,67.663 C517.244,66.606 516.755,65.022 516.623,62.101 C516.479,58.943 516.448,57.996 516.448,50 C516.448,42.003 516.479,41.056 516.623,37.899 C516.755,34.978 517.244,33.391 517.654,32.338 C518.197,30.938 518.846,29.942 519.894,28.894 C520.942,27.846 521.94,27.196 523.338,26.654 C524.393,26.244 525.979,25.756 528.898,25.623 C532.057,25.479 533.004,25.448 541,25.448 C548.997,25.448 549.943,25.479 553.102,25.623 C556.021,25.756 557.607,26.244 558.662,26.654 C560.06,27.196 561.058,27.846 562.106,28.894 C563.154,29.942 563.803,30.938 564.346,32.338 C564.756,33.391 565.244,34.978 565.378,37.899 C565.522,41.056 565.552,42.003 565.552,50 C565.552,57.996 565.522,58.943 565.378,62.101 M570.82,37.631 C570.674,34.438 570.167,32.258 569.425,30.349 C568.659,28.377 567.633,26.702 565.965,25.035 C564.297,23.368 562.623,22.342 560.652,21.575 C558.743,20.834 556.562,20.326 553.369,20.18 C550.169,20.033 549.148,20 541,20 C532.853,20 531.831,20.033 528.631,20.18 C525.438,20.326 523.257,20.834 521.349,21.575 C519.376,22.342 517.703,23.368 516.035,25.035 C514.368,26.702 513.342,28.377 512.574,30.349 C511.834,32.258 511.326,34.438 511.181,37.631 C511.035,40.831 511,41.851 511,50 C511,58.147 511.035,59.17 511.181,62.369 C511.326,65.562 511.834,67.743 512.574,69.651 C513.342,71.625 514.368,73.296 516.035,74.965 C517.703,76.634 519.376,77.658 521.349,78.425 C523.257,79.167 525.438,79.673 528.631,79.82 C531.831,79.965 532.853,80.001 541,80.001 C549.148,80.001 550.169,79.965 553.369,79.82 C556.562,79.673 558.743,79.167 560.652,78.425 C562.623,77.658 564.297,76.634 565.965,74.965 C567.633,73.296 568.659,71.625 569.425,69.651 C570.167,67.743 570.674,65.562 570.82,62.369 C570.966,59.17 571,58.147 571,50 C571,41.851 570.966,40.831 570.82,37.631"></path></g></g></g></svg></div>
<div style="padding-top: 8px;">
<div style=" color:#3897f0; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:550; line-height:18px;">View this post on Instagram</div>
</div>
<div style="padding: 12.5% 0;"></div>
<div style="display: flex; flex-direction: row; margin-bottom: 14px; align-items: center;">
<div>
<div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(0px) translateY(7px);"></div>
<div style="background-color: #F4F4F4; height: 12.5px; transform: rotate(-45deg) translateX(3px) translateY(1px); width: 12.5px; flex-grow: 0; margin-right: 14px; margin-left: 2px;"></div>
<div style="background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(9px) translateY(-18px);"></div>
</div>
<div style="margin-left: 8px;">
<div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 20px; width: 20px;"></div>
<div style=" width: 0; height: 0; border-top: 2px solid transparent; border-left: 6px solid #f4f4f4; border-bottom: 2px solid transparent; transform: translateX(16px) translateY(-4px) rotate(30deg)"></div>
</div>
<div style="margin-left: auto;">
<div style=" width: 0px; border-top: 8px solid #F4F4F4; border-right: 8px solid transparent; transform: translateY(16px);"></div>
<div style=" background-color: #F4F4F4; flex-grow: 0; height: 12px; width: 16px; transform: translateY(-4px);"></div>
<div style=" width: 0; height: 0; border-top: 8px solid #F4F4F4; border-left: 8px solid transparent; transform: translateY(-4px) translateX(8px);"></div>
</div>
</div>
<div style="display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center; margin-bottom: 24px;">
<div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; margin-bottom: 6px; width: 224px;"></div>
<div style=" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; width: 144px;"></div>
</div>
<p></a></p>
<p style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; line-height:17px; margin-bottom:0; margin-top:8px; overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/p/BNKOdSkjXzo/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank">A post shared by @alisonbechdel</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//platform.instagram.com/en_US/embeds.js"></script></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As personagens de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Essencial de Perigosas Sapatas</span></i><span style="font-weight: 400;"> são verdadeiras agentes do caos. Embora não soltem teia pela mão ou saibam voar, elas são capazes de algo ainda mais impressionante: beijar mulheres. De fato, não é um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2k7TsDwL5qk"><span style="font-weight: 400;">superpoder</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas é um </span><a href="https://youtu.be/L0oeqAQ1qE8?t=75"><span style="font-weight: 400;">ato revolucionário</span></a><span style="font-weight: 400;"> cuja desenvoltura é atravessada por um eterno conflito entre o pessoal e o político. É nesse caminho contrastante e tortuoso pelo qual a protagonista Mo investiga suas facetas e as expõe de forma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g7TWm2CPZCo"><span style="font-weight: 400;">íntima</span></a><span style="font-weight: 400;"> e genuína, de tal modo que os rabiscos e as palavras parecem ganhar vida a fim de acolher as leitoras lésbicas em uma forma da obra de dizer: “eu te entendo”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No imaginário tradicional, o significado de revolução jamais recairia sobre uma mulher de óculos redondos desesperada por atos carnais. Além disso, o que as pessoas veriam de tão </span><a href="https://monografias.ufma.br/jspui/bitstream/123456789/6092/1/BrendaCarolineSantosdaSilva.pdf"><span style="font-weight: 400;">inspirador</span></a><span style="font-weight: 400;"> nessa mesma mulher cujo nome poderia ser facilmente dado a um animal de estimação? Mo não nasceu para cumprir um propósito divino de emancipação lésbica, ou seja, ela não é uma figura inalcançável ou idealizada. Aliás, a graça está na possibilidade de encontrá-la fora das páginas, seja na famosa </span><a href="https://miscelaneaecia.com.br/bares-lgbt-vila-madalena/"><span style="font-weight: 400;">Vila Madalena</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou em algum bar de esquina interiorano. Afinal, existem muitas Mos mundo afora esperando por uma chance de serem vistas, ouvidas e lidas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O grande desafio de Mo em </span><i><span style="font-weight: 400;">Perigosas Sapatas </span></i><span style="font-weight: 400;">não envolve um ato descomunal físico ou político, mas </span><a href="https://vitralizado.com/hq/papo-com-alison-bechdel-autora-de-o-segredo-da-forca-sobre-humana-o-bem-individual-e-o-bem-coletivo/"><span style="font-weight: 400;">pessoal</span></a><span style="font-weight: 400;">. A protagonista faz questão de expressar sua intelectualidade e consegue articular explicações para qualquer evento </span><a href="https://elle.com.br/materia/o-essencial-de-perigosas-sapatas-traz-o-melhor-das-tiras-de-alison-bechdel"><span style="font-weight: 400;">geopolítico</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, ela se desespera ao perceber que seu pragmatismo não passa de uma cortina de fumaça para um medo colossal do incontrolável: ter sentimentos. Assim, sua jornada é pautada pelo conflito entre conhecimento e ingenuidade, de tal modo que, eventualmente, a militante abaixa a guarda e consegue perceber o quão belo é se deixar levar pelo inexplicável.</span></p>
<p><figure id="attachment_31166" aria-describedby="caption-attachment-31166" style="width: 1098px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31166" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-4.png" alt=" Ilustração da personagem Mo. Mo é uma mulher que tem cabelo curto, usa óculos redondos e uma blusa listrada. Ela está com uma expressão de confusão, com a sobrancelha direita levantada, olhos arregalados e a boca retraída." width="1098" height="645" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-4.png 1098w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-4-800x470.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-4-1024x602.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-4-768x451.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31166" class="wp-caption-text">Mo não sabe diferenciar um encontro de um jantar entre amigas, mas mesmo assim se arrisca nas construções de intimidade (Arte: Alison Bechdel)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do começo ao fim, o grupo protagonista não cede à imparcialidade patética da esfera sociopolítica. Verdade seja dita: é um mundo muito pequeno para as palavras “lésbica” e “imparcial” coexistirem. Querendo ou não, o lema </span><a href="https://www.queridoclassico.com/2023/02/um-teto-todo-seu-virginia-woolf.html"><span style="font-weight: 400;">feminista</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos anos 1960, “</span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/07/05/cultura/1562337766_757567.html"><i><span style="font-weight: 400;">o pessoal é político</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”,</span> <span style="font-weight: 400;">é uma aberração que nunca deixou de assombrar o indivíduo cujo rótulo só pode ser um: frouxo. Em suma, a autenticidade carregada por cada uma das personagens faz da obra uma bagunça linda demais para ser arrumada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante de representações miseráveis da letra L na cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Perigosas Sapatas </span></i><span style="font-weight: 400;">é um respiro, ainda que sua complexa doçura deixe qualquer um sem ar. Aliás, a obra reitera que ser doce não é usar esmalte ou andar de salto, isto é, Bechdel coloca uma lupa em mulheres cujos cabelos das axilas são mais longos que os da cabeça. Em suma, incluir a </span><a href="https://medium.com/@ellamouras/ser-uma-l%C3%A9sbica-desfeminilizada-%C3%A9-ser-odiada-por-todos-os-lados-e-eu-estou-exausta-23a83f0372ac"><span style="font-weight: 400;">desfeminilidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, assim como a </span><a href="https://www.raiolaser.net/home/para-ficar-de-olho-essencialismo-e-interseccionalidade-encarando-as-perigosas-sapatas"><span style="font-weight: 400;">interseccionalidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, é um soco no estômago para quem acredita que postar “</span><i><span style="font-weight: 400;">girl power</span></i><span style="font-weight: 400;">” nas redes sociais enquanto divide quarto com racista e coleciona acusações de assédio é empoderador. </span></p>
<p><figure id="attachment_31165" aria-describedby="caption-attachment-31165" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31165" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-5.jpg" alt="Ilustração de diversas personagens criadas por Alison Bechdel. Elas estão na fila de uma bilheteria. Da esquerda para a direita, mostra-se a cobradora da bilheteria usando um uniforme rosa e uma gravata borboleta; Harriet usando uma jaqueta amarela e uma calça azul; Mo usando uma jaqueta jeans e uma calça jeans; Ginger usando um terno roxo e uma calça azul; Clarice usando um terno listrado verde e roxo e uma saia também listrada verde e roxa; Toni usando uma jaqueta roxa e uma calça rosa, e Jezanna usando uma jaqueta rosa e uma calça branca com detalhes roxos." width="800" height="496" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-5.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-5-768x476.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31165" class="wp-caption-text">As personagens de Bechdel fazem fila para espantar perrecos, ou melhor, feministas liberais (Arte: Alison Bechdel)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A lesbiandade não é um </span><a href="https://viltoreis.com/teste-de-bechdel/"><span style="font-weight: 400;">conto de fadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seria um erro retratá-la como tal. O fato é: há traições, medos e incertezas na narrativa cuja aliança com a realidade é um acerto de Alison Bechdel. Esta, em nenhum momento, abandona a verdade, de tal modo que as protagonistas da HQ estão despidas de filtros e se entrelaçam com cenários nos quais elas encaram suas interioridades e amadurecem. Em outras palavras, além das batalhas travadas com a conjuntura patriarcal e </span><a href="http://www.fg2013.wwc2017.eventos.dype.com.br/resources/anais/20/1373338752_ARQUIVO_IsabellaTymburibaElian.pdf"><span style="font-weight: 400;">heteronormativa</span></a><span style="font-weight: 400;">, as protagonistas enfrentam conflitos internos, mas não o fazem sozinhas. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Perigosas Sapatas </span></i><span style="font-weight: 400;">é, sobretudo, um grito melódico o qual cumpre um nobre dever de espantar o maior medo de qualquer garota lésbica: a </span><a href="https://medium.com/revistahelenas/invisibilidade-l%C3%A9sbica-uma-arma-usada-contra-todas-n%C3%B3s-h21-2b435bea2d96"><span style="font-weight: 400;">solidão</span></a><span style="font-weight: 400;">. A obra de Bechdel é um lar que acolhe corações ansiosos por uma chance de disparar sem temor e expulsa mentes heterossexuais frustradas, as quais têm a pachorra de dizer que queriam ter nascido lésbicas. Diga-se de passagem: a obra é capaz de convencer qualquer um a dar o nome de “Mo” para o animal de estimação. No fim, ser lésbica é acordar todo dia com um impulso de sentir tudo o que há para sentir e ser perigosa é deixar o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wvsP_lzh2-8"><span style="font-weight: 400;">Sol</span></a><span style="font-weight: 400;"> entrar em um ambiente que ama o frio &#8211; e ser revolucionária é ser os dois.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-essencial-de-perigosas-sapatas-critica/">O Essencial de Perigosas Sapatas é uma colher de chá para a solidão lésbica</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/o-essencial-de-perigosas-sapatas-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">31164</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Em Estado elétrico, Simon Stålenhag ilustra um apocalipse contemporâneo</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/estado-eletrico-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/estado-eletrico-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Nov 2022 03:57:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes Visuais]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Black Mirror]]></category>
		<category><![CDATA[Bruno Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[cyberpunk]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Galera]]></category>
		<category><![CDATA[Distopia]]></category>
		<category><![CDATA[Estado elétrico]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[Futurista]]></category>
		<category><![CDATA[Graphic Novel]]></category>
		<category><![CDATA[Hiper-realismo]]></category>
		<category><![CDATA[História em Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[HQ]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência artificial]]></category>
		<category><![CDATA[James Bridle]]></category>
		<category><![CDATA[Mark Fisher]]></category>
		<category><![CDATA[Metaverso]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Parceria Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Passagen]]></category>
		<category><![CDATA[Pós-modernidade]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos na Cia]]></category>
		<category><![CDATA[Realidade Virtual]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[sci-fi]]></category>
		<category><![CDATA[Simon Stålenhag]]></category>
		<category><![CDATA[Stuart Hall]]></category>
		<category><![CDATA[Tales From the Loop]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[The Electric State]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=29263</guid>

					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade Somos rostos em meio à multidão, mas dificilmente pensamos naquilo que torna a multidão real. Sistemas de armas termonucleares coexistem com comerciais de refrigerante em um ambiente dominado pela publicidade, no qual é possível enxergar apenas pequenas frações de uma realidade mais ampla, dominada pelo inalcançável. Na tentativa de reunir o maior número &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estado-eletrico-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Estado elétrico, Simon Stålenhag ilustra um apocalipse contemporâneo"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/estado-eletrico-critica/">Em Estado elétrico, Simon Stålenhag ilustra um apocalipse contemporâneo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_29265" aria-describedby="caption-attachment-29265" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29265" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1.png" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29265" class="wp-caption-text">Estado elétrico, graphic novel de Simon Stålenhag, está em <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2022/11/amp/5049780-netflix-interrompe-gravacoes-de-filme-apos-morte-de-membro-da-equipe.html">adaptação para os cinemas</a> pela Netflix (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia/Arte: Bruno Andrade)</figcaption></figure></p>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somos rostos em meio à multidão, mas dificilmente pensamos naquilo que torna a multidão real. Sistemas de armas termonucleares coexistem com comerciais de refrigerante em um ambiente dominado pela publicidade, no qual é possível enxergar apenas pequenas frações de uma realidade mais ampla, dominada pelo inalcançável. Na tentativa de reunir o maior número de consumidores sob as armas da especulação, da alienação e de tudo que o dinheiro pode comprar, os donos do poder tecnológico resumem a grande trama neoliberal da contemporaneidade: tentar concentrar o máximo de atenção e especulação às empresas, às redes sociais e aos produtos. É sob esse contexto que </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212439/estado-eletrico">Estado elétrico</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2017), de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.estadao.com.br/alias/entenda-como-simon-stalenhag-inova-a-ficcao-cientifica/">Simon Stålenhag</a></span><span style="font-weight: 400;"> – lançado no Brasil em Maio deste ano pelo selo </span><span style="font-weight: 400;"><i>Quadrinhos na Cia</i></span><span style="font-weight: 400;"> da </span><span style="font-weight: 400;"><i>Companhia das Letras</i></span><span style="font-weight: 400;">, sob tradução de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-daniel-galera/">Daniel Galera</a></span><span style="font-weight: 400;"> – ganha novos e assustadores contornos.</span></p>
<p><span id="more-29263"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos livros recebidos pelo </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> na parceria com a editora, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico </i></span><span style="font-weight: 400;">traz uma trama que se inicia em 1997, quando a </span><span style="font-weight: 400;"><i>Mode 6</i></span><span style="font-weight: 400;">, óculos de realidade virtual da empresa ficcional </span><span style="font-weight: 400;"><i>Sentre</i></span><span style="font-weight: 400;">, já somava 1 ano de inauguração. De forma nostálgica, Stålenhag tenta retomar o que, para muitos, foi o fim de uma era. Na Música do final dos anos 1990, o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-jam-ten-30-anos/">movimento </a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-jam-ten-30-anos/"><i>grunge</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> já parecia alertar para um início tecnológico cada vez mais opressivo – essa foi uma das cruzadas de Kurt Cobain, que tinha consciência de estar em uma batalha perdida desde o início, visto que as gravadoras transformaram suas falas anti-sistema em </span><span style="font-weight: 400;"><i>slogans</i></span><span style="font-weight: 400;"> para vender mais discos do Nirvana.</span></p>
<p><figure id="attachment_29266" aria-describedby="caption-attachment-29266" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29266" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4.jpg" alt="" width="2048" height="2048" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-1536x1536.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-1200x1200.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29266" class="wp-caption-text">“Você tem dificuldade de aceitar que tudo aquilo que você é – todos os seus pensamentos, experiências, conhecimentos, gostos e opiniões – precisa existir dentro do seu crânio” (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos Estados Unidos </span><span style="font-weight: 400;">retratado pelo artista de origem sueca – que poderia ser apenas uma das realidades alternativas de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/2020-nunca-mais-critica/">Black Mirror</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> –, as montanhas e paisagens naturais são descontinuadas por naves alienígenas, robôs disformes e indivíduos semi-conscientes, visivelmente controlados por uma força superior que se esconde por trás dos óculos de realidade virtual, tudo isso composto dentro de um ambiente tecnocrático, retro-futurista e melancólico. Em certas imagens, o sentimento de claustrofobia parece dominar – por todos os cantos das ilustrações, não parece existir alternativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado ao Prêmio Arthur C. Clarke em 2019, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico </i></span><span style="font-weight: 400;">(ou </span><span style="font-weight: 400;"><i>Passagen</i></span><span style="font-weight: 400;">, no original da língua sueca) fica no limiar entre o livro ilustrado e o romance gráfico, com grandes painéis que nem sempre vêm acompanhados de textos claros. A bem da verdade, o livro parece ser um artefato quase contemplativo, retirado diretamente da distopia que pretende retratar, embora essa aura distópica das ilustrações de Simon Stålenhag dialogue com os universos de “tecnologia sucateada” do </span><span style="font-weight: 400;"><i>cyberpunk</i></span><span style="font-weight: 400;">, cujas ilustrações trazem similaridades aos jogos de </span><span style="font-weight: 400;"><i>videogame</i></span><span style="font-weight: 400;"> com temática similar, como a série </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/dead-space-critica/">Dead Space</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">ou </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.techtudo.com.br/review/watch-dogs.ghtml">Watch Dogs</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2014). Contudo, a trama ainda gira em torno de uma jovem (Michelle) e seu pequeno robô, que seguem rumo ao Oeste em uma missão de resgate, no melhor estilo </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788560281268/a-estrada?idtag=7ec82fe8-e709-4f1a-9969-7d018c0785e5&amp;gclid=Cj0KCQiA1NebBhDDARIsAANiDD0kE0pEENiMJstHRskUn-TsegZADjNFK_kDTZvu9aMAUeaq6171srgaAgCIEALw_wcB">A estrada</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2006), de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.scotsman.com/arts-and-culture/books/book-review-stella-maris-by-cormac-mccarthy-3921215">Cormac McCarthy</a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><figure id="attachment_29267" aria-describedby="caption-attachment-29267" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29267" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4.jpg" alt="" width="1000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29267" class="wp-caption-text">&#8220;Você sabe como o cérebro funciona? Faz alguma ideia do que sabemos a respeito de como o cérebro e a consciência funcionam? Estou falando de nós, humanos” (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a distopia parece ser um retrato de tempos atuais, e em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico </i></span><span style="font-weight: 400;">não é diferente. As liberdades individuais, gradualmente cooptadas por indústrias e campanhas publicitárias, deram origem a um mundo de pesadelo: as paisagens virtuais se movem por um sistema no qual tecnologias sinistras, ameaças nucleares e sonhos consumistas foram destruídos pela queda das instituições. Como </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://jacobin.com.br/2022/02/gramsci-e-nos/">Stuart Hall</a></span><span style="font-weight: 400;"> aponta em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="http://www.lamparina.com.br/livro_detalhe.asp?idCodLivro=451#:~:text=Lamparina%20editora%20%7C%20Livros&amp;text=Stuart%20Hall&amp;text=O%20homem%20da%20sociedade%20moderna,de%20ra%C3%A7a%20e%20de%20nacionalidade.">A identidade cultural na pós-modernidade</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(1992), esse é justamente um dos motivos dessa “crise de identidade” contemporânea. A descentralização dos indivíduos fez com que os seres perdessem o sentido de si, tornando-se relativos e regidos por uma subjetividade egoísta (“</span><span style="font-weight: 400;"><i>somente o ‘Eu’ importa</i></span><span style="font-weight: 400;">”).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nossas concepções de passado, presente e futuro foram alteradas por um tipo de “presente contínuo”, que, como </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://jacobin.com.br/2020/01/o-legado-anticapitalista-de-mark-fisher/">Mark Fisher</a></span><span style="font-weight: 400;"> escreve em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://autonomialiteraria.com.br/loja/teoria-politica/fantasmas-da-minha-vida-escritos-sobre-depressao-assombrologia-e-futuros-perdidos/">Fantasmas da minha vida</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2014), dão origem a um “</span><span style="font-weight: 400;"><i>lento cancelamento do futuro</i></span><span style="font-weight: 400;">”. Esse futuro, diferente do que se convencionou a atribuir anteriormente, passou a ser apenas uma variável das infinitas possibilidades apresentadas a nós. Nesse contexto, a ficção e a realidade se alteraram significativamente – a propaganda, o consumo e uma política conduzida por indivíduos caricatos e sem qualquer consciência social são alguns dos exemplos das ficções que regem nosso cotidiano, cujo resultado é o pré-esvaziamento de qualquer resposta original à experiência.</span></p>
<p><figure id="attachment_29268" aria-describedby="caption-attachment-29268" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29268" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29268" class="wp-caption-text">“Talvez você nem coloque isso em palavras, mas nós dois sabemos que está pensando em uma alma arquetípica. Você acredita num fantasma invisível” (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas das inspirações de Stålenhag vieram de uma viagem de carro feita com sua família pelos Estados Unidos, em 2013 – o ano do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/">“</a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/"><i>boom</i></a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/">” do </a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/"><i>Facebook</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> –, quando várias fotografias que serviram de referência foram registradas. Porém, apesar do título sugestivo, esse &#8220;Estado Elétrico&#8221; que o artista desenha com um realismo assombroso não segue o padrão de clássicos como </span><span style="font-weight: 400;"><i>1984 </i></span><span style="font-weight: 400;">(1949), de George Orwell, em que a opressão é comandada por um governo. Aqui, a cegueira moral é imposta pelo próprio povo, que acredita estar jogando um </span><span style="font-weight: 400;"><i>videogame</i></span><span style="font-weight: 400;"> quando usa capacetes enormes que dão acesso a uma nova realidade virtual. Aos poucos, descobrimos que os neurônios da humanidade estão servindo de alimento a uma enorme inteligência artificial, da qual, por uma incompatibilidade biológica, a protagonista não pode participar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indo contra a lógica da indústria cultural, que sempre entrega produtos mastigados e contemplativos – sem forçar o pensamento –, o ilustrador prefere traçar conexões sutis entre uma narração não cronológica e pinturas atmosféricas. Com influência do retrofuturismo e da já citada cultura </span><span style="font-weight: 400;"><i>cyberpunk</i></span><span style="font-weight: 400;">, as artes ressoam em nomes como Ralph McQuarrie, Syd Mead e o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://english.elpais.com/science-tech/2022-10-29/the-parallel-universes-of-a-sci-fi-visionary-named-philip-k-dick.html">Philip K. Dick</a></span><span style="font-weight: 400;"> de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://editoraaleph.com.br/produto/blade-runner/">Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(1968), a inspiração literária de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Blade Runner </i></span><span style="font-weight: 400;">(1982). É também interessante perceber que, durante toda a obra, parece pairar o paradoxo defendido por <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/12/a-nova-idade-das-trevas-faz-reflexao-sobre-o-custo-dos-avancos-tecnologicos.shtml">James Bridle</a> em <a href="https://todavialivros.com.br/livros/a-nova-idade-das-trevas"><em>A nova idade das trevas</em></a> (2019): quanto mais sabemos sobre tecnologia, menos conseguimos agir. “<em>A tecnologia é a condutora elementar da desigualdade em vários setores”</em>, escreve Bridle.</span></p>
<p><figure id="attachment_29269" aria-describedby="caption-attachment-29269" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29269" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29269" class="wp-caption-text">“Sempre fui fascinado por máquinas, essas ferramentas poderosas que podem tanto fazer o bem quanto o mal”, diz Simon Stålenhag ao jornal Estadão (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cheias de detalhes, as artes também tentam conduzir a narrativa de uma perspectiva diferente, cuja temática do autor combina suas próprias impressões da infância às inspirações da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/love-death-robots-3a-temp-critica/">ficção científica</a></span><span style="font-weight: 400;">, resultando em um cenário estereotipado da Suécia com itens futuristas agregados. O artista cria suas imagens utilizando uma mesa gráfica, valendo-se de técnicas e configurações específicas para simular pinturas a óleo (no início, ele tentou fórmulas com tinta guache, mas optou pelos métodos digitais).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em adaptação para o Cinema pela </span><span style="font-weight: 400;"><i>Netflix</i></span><span style="font-weight: 400;">, com previsão de lançamento em 2024 sob direção dos Irmãos Russo, com </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.omelete.com.br/netflix/the-electric-state-millie-bobby-brown">Millie Bobby Brown</a></span><span style="font-weight: 400;"> no papel principal, ao lado de Chris Pratt e </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo">Michelle Yeoh</a></span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico</i></span><span style="font-weight: 400;"> parece a história alternativa de um lugar que nunca existiu. “</span><span style="font-weight: 400;"><i>O que estamos fazendo não é civilizado, eu sei. Mas sei que também deve ter acontecido com você. Assim como eu, você deve ter acordado um dia e constatado o inevitável: já não vivemos em tempos civilizados</i></span><span style="font-weight: 400;">”, escreve Stålenhag na obra. Esse é seu segundo projeto adaptado para o Audiovisual; o primeiro foi </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/04/09/tales-from-the-loop-e-a-ficcao-cientifica-anti-ansiedade-que-precisamos.htm">Tales From the Loop</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, série lançada em 2020 pelo </span><span style="font-weight: 400;"><i>Amazon Prime Video</i></span><span style="font-weight: 400;"> baseada na HQ homônima de 2015, cujo livro ainda não foi publicado no Brasil.</span></p>
<p><figure id="attachment_29275" aria-describedby="caption-attachment-29275" style="width: 1100px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29275 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2.jpg" alt="" width="1100" height="1650" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2.jpg 1100w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-1024x1536.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29275" class="wp-caption-text">Nascido em 1984, Simon Stålenhag mistura suas memórias de infância no subúrbio de Estocolmo às paisagens corrompidas pelo capitalismo (Foto: Fredrik Bernholm)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os textos que acompanham quase todas as imagens parecem ser apenas mecanismos de coesão, algo que transforma a obra em um livro com início, meio e fim, e não apenas um bloco de ilustrações </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://artout.com.br/hiper-realismo/">hiper-realistas</a></span><span style="font-weight: 400;">. Contudo, não se trata de um elemento jogado totalmente ao acaso e a trama realmente converge para uma história coesa, mesmo que não-linear. A protagonista Michelle conta sua trajetória em etapas – às vezes dando aspectos socioculturais de uma sociedade danificada, às vezes se lembrando de um passado pouco distante em que sonhar, de verdade, era possível.</span></p>
<figure></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse talento extraordinário para narrar – a junção ideal de um texto conciso e imagens profundas – é o mérito de todo o livro. Para além das investigações especulativas desenvolvidas nas páginas de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico</i></span><span style="font-weight: 400;">, a </span><span style="font-weight: 400;"><i>graphic novel</i></span><span style="font-weight: 400;"> é também um artefato poderoso para uma tomada de consciência que, talvez pela forma realista das ilustrações, ganha força como exemplo de um terrível futuro que pode, efetivamente, ser o nosso presente. Ainda assim, o autor nega o estereótipo de futurista. “</span><span style="font-weight: 400;"><i>Não lido com o futuro, não sou futurista. As pessoas mais fracassaram do que obtiveram sucesso ao imaginar o futuro. Eu sou parte da geração que percebeu que jamais teremos carros voadores</i></span><span style="font-weight: 400;">”, diz </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.estadao.com.br/alias/entenda-como-simon-stalenhag-inova-a-ficcao-cientifica/">Simon Stålenhag em entrevista</a></span><span style="font-weight: 400;">. Como Fisher escreve em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://autonomialiteraria.com.br/loja/teoria-politica/realismo-capitalista/">Realismo Capitalista</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(2009), a propósito de um mundo cego pela lógica neoliberal, “</span><span style="font-weight: 400;"><i>é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo</i></span><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/estado-eletrico-critica/">Em Estado elétrico, Simon Stålenhag ilustra um apocalipse contemporâneo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/estado-eletrico-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">29263</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Os 60 anos de Chico Bento e a religiosidade do Brasil profundo</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/chico-bento-60-anos/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/chico-bento-60-anos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Mar 2021 16:28:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[1961]]></category>
		<category><![CDATA[60 anos]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil profundo]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Dalla Vecchia]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Bento]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Dona Cotinha]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Panini]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Mateus Conte]]></category>
		<category><![CDATA[Mauricio de Sousa]]></category>
		<category><![CDATA[Mauricio de Sousa Produções]]></category>
		<category><![CDATA[MSP]]></category>
		<category><![CDATA[Nhá Belarmina]]></category>
		<category><![CDATA[Nhô Bento]]></category>
		<category><![CDATA[Nhô Lau]]></category>
		<category><![CDATA[Nobu Chinen]]></category>
		<category><![CDATA[Padre Lino]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=18873</guid>

					<description><![CDATA[<p>Carol Dalla Vecchia e Mateus Conte A década de 60 no Brasil foi tortuosa. Naquela época, o país vivia uma crise política sem precedentes: a posse e repentina renúncia de Jânio Quadros abalava as bases democráticas da nação. Enquanto isso, a mil quilômetros do centro do planalto vazio, um ex-repórter policial iniciava uma das suas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/chico-bento-60-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os 60 anos de Chico Bento e a religiosidade do Brasil profundo"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/chico-bento-60-anos/">Os 60 anos de Chico Bento e a religiosidade do Brasil profundo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_18874" aria-describedby="caption-attachment-18874" style="width: 1197px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18874" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1.png" alt="Desenho de um quadro das histórias do Chico Bento. A personagem Chico Bento ajoelha-se, rezando e chorando, enquanto seus pais olham preocupados." width="1197" height="452" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1.png 1197w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1-300x113.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1-1024x387.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-1-768x290.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18874" class="wp-caption-text">Desolado pela maldade humana, Chico (ch)orou (Foto: Chico Bento, 144ª Edição, Editora Globo, 1992)</figcaption></figure></p>
<p><b>Carol Dalla Vecchia e Mateus Conte</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A década de 60 no Brasil foi tortuosa. Naquela época, o país vivia uma crise política sem precedentes: a posse e repentina renúncia de </span><a href="https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/governo-janio-quadros.htm"><span style="font-weight: 400;">Jânio Quadros</span></a><span style="font-weight: 400;"> abalava as bases democráticas da nação. Enquanto isso, a mil quilômetros do centro do planalto vazio, um ex-repórter policial iniciava uma das suas criações mais memoráveis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Começos raramente são pomposos. Não foi diferente com o interiorano </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2018/05/mauricio-de-sousa-conheca-trajetoria-do-criador-da-turma-da-monica.html"><span style="font-weight: 400;">Mauricio Araújo de Sousa</span></a><span style="font-weight: 400;">, convidado pela conhecida </span><i><span style="font-weight: 400;">Cooperativa Agrícola de Cotia</span></i><span style="font-weight: 400;"> para desenvolver uma nova obra dos quadrinhos: os caipiras </span><a href="http://plantproject.com.br/novo/2020/10/roca-em-quadrinhos/"><span style="font-weight: 400;">Zezinho e Hiroshi</span></a><span style="font-weight: 400;">. Hiro, como é conhecido, representava os funcionários e familiares da </span><i><span style="font-weight: 400;">CooperCotia</span></i><span style="font-weight: 400;">, formada quase exclusivamente por </span><a href="https://skdesu.com/significado-nissei-sansei-yonsei-nikkei-issei/"><i><span style="font-weight: 400;">isseis</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">nisseis</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></a><span style="font-weight: 400;"> Dois anos depois, surgia o hoje famoso </span><a href="https://revistaogrito.com/papodequadrinho/2013/09/01/critica-um-chico-dois-universos/"><span style="font-weight: 400;">Chico Bento</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ou seja, ainda que Francisco Antônio Bento tenha surgido apenas em 1963, sua turma nasceu há exatos 60 anos. </span></p>
<p><span id="more-18873"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário dos outros dois personagens, ele falava o linguajar típico da roça, talvez a </span><a href="https://www.normaculta.com.br/variacoes-linguisticas/#:~:text=Varia%C3%A7%C3%A3o%20lingu%C3%ADstica%20regional%20(diat%C3%B3pica),os%20falantes%2C%20sofrendo%20sua%20influ%C3%AAncia."><span style="font-weight: 400;">variante diatópica</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais comum do nosso português, e rapidamente conquistou a identificação daquele público. Mauricio, cujos personagens figuravam apenas em páginas de jornais, retratava sempre o ambiente urbano em suas criações. No entanto, esse era o momento do quadrinista retomar suas próprias origens em Santa Isabel, Mogi das Cruzes e a bauruense Rua Araújo Leite, já conhecida de muitos de nós.</span></p>
<p><figure id="attachment_18875" aria-describedby="caption-attachment-18875" style="width: 2060px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18875" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2.png" alt="Desenho de Mauricio de Sousa diz: “É com essas coisas todas, tão humanas e brasileiras, que vamos fazer uma beleza de revista, gostosa de ler e de guardar! Que fale do lado simples do nosso povo, das minhas e das suas origens!”" width="2060" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2.png 2060w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-300x105.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-1024x358.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-768x268.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-1536x537.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-2048x716.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-2-1200x419.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18875" class="wp-caption-text">Apenas em 1982 o caipirinha ganharia sua revista própria; assim, nascia não somente um novo personagem, mas um verdadeiro retrato do Brasil profundo (Foto: Chico Bento, 1ª Edição, Editora Abril, 1982)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não foi apenas o cenário do Chico Bento que foi inspirado na infância do cartunista, mas também todas as suas temáticas: uma das principais é a valorização da família, representada por seus pais Nhô Bento e a Dona Cotinha. Ambos são muito trabalhadores e exigentes com a </span><a href="https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/3201239.pdf"><span style="font-weight: 400;">educação</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu filho. Outro ponto importante é a </span><a href="https://sistemas.furg.br/sistemas/sab/arquivos/bdtd/0000010880.pdf"><span style="font-weight: 400;">preservação do meio ambiente</span></a><span style="font-weight: 400;">: mesmo que ele pesque, cace e roube goiabas do Nhô Lau, tudo é feito visando a subsistência. Temas como pesca predatória e desmatamento, por exemplo, são sempre abordados de forma negativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, o último ponto fulcral da obra caipira de Mauricio é a religiosidade da Vila Abobrinha e do próprio Chico, com destaque para o sacerdote católico Padre Lino. O frade, que por suas vestes e tonsura aparenta ser </span><a href="https://ofs-sp.org.br/2018/10/18/o-habito-marrom-franciscano/"><span style="font-weight: 400;">franciscano</span></a><span style="font-weight: 400;">, é o principal símbolo religioso dentro das histórias. Juntamente com os pais de Chico, </span><a href="https://personaunesp.com.br/dois-papas-critica/"><span style="font-weight: 400;">Pe. Lino</span></a><span style="font-weight: 400;"> representa a figura paterna da infância, isto é, a personagem procura estabelecer às crianças o que é correto e o que é errado, construindo os conceitos morais de cada um deles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este conceito é um retrato fiel do que entendemos por </span><a href="https://medium.com/@questtono/brasil-profundo-uma-realidade-distante-dos-grandes-centros-b8eff1546899"><span style="font-weight: 400;">Brasil profundo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Uma família simples, habitantes da zona rural, onde o pai trabalha na roça e a mãe é dona-de-casa; o filho frequenta a escola com seus amigos e namoradinha, mas não antes de passar por um bom caminho a pé. No final da semana, todos se encontram na igreja da vila.</span></p>
<p><figure id="attachment_18876" aria-describedby="caption-attachment-18876" style="width: 2470px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18876" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3.png" alt="História ilustrada em quadrinhos do Chico Bento. A imagem é composta por cinco quadrinhos. No primeiro, padre Lino aparece com as mãos juntas e os olhos fechados, rezando. No segundo, um grupo de fiéis no primeiro banco da igreja fazem o mesmo gesto. No terceiro, o sacerdote continua rezando, mas com foco na imagem atrás dele. No quarto, os fiéis surgem assustados, e no quinto o padre fica surpreso." width="2470" height="1861" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3.png 2470w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3-300x226.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3-1024x772.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3-768x579.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3-1536x1157.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3-2048x1543.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-3-1200x904.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18876" class="wp-caption-text">Padre Lino calmamente celebra a missa, mas, como é uma historinha, algo de errado teria de acontecer (Foto: Chico Bento, 57ª Edição, Editora Abril, 1984)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale dizer que a </span><a href="https://personaunesp.com.br/ate-o-ultimo-homem/"><span style="font-weight: 400;">religiosidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o que coordena as demais áreas da revista: os personagens agem segundo seus princípios; e estes, por sua vez, são formados pelos ensinamentos do padre Lino. Como de costume na </span><a href="https://institucional.ufrrj.br/portalcpda/files/2018/09/dissertacao_2007-Tha%C3%ADs-Coutinho.pdf"><span style="font-weight: 400;">roça daquela época</span></a><span style="font-weight: 400;">, o sacerdote também representa uma autoridade cultural na Vila Abobrinha: isto é perceptível nas histórias onde Frei Lino faz as vezes de professor de canto no coral litúrgico das crianças.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do Padre Lino, não raramente o </span><a href="http://www.gelne.com.br/arquivos/anais/gelne-2002/artigos/01_teoria_e_analise_linguistica/artigo85.pdf"><span style="font-weight: 400;">próprio Deus</span></a><span style="font-weight: 400;"> aparece nas histórias. Quando isso acontece, ele sempre assume um papel protetor e que, ainda que por vezes pareça rigoroso, busca apenas trazer ensinamentos aos personagens. Do mesmo modo, o Diabo também teve algumas participações nos gibis: porém, de forma diametralmente oposta, ele pretende causar a doença, a desesperança e a morte. E, quando isso acontece, comumente há batalhas entre Deus e o demônio.</span></p>
<p><figure id="attachment_18877" aria-describedby="caption-attachment-18877" style="width: 1301px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18877" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4.png" alt="História ilustrada em quadrinhos do Chico Bento. Na imagem, São Pedro aparece empunhando sua característica chave, dizendo frente ao demônio: “Basta, Lúcifer! Você não tem mais nada a fazer aqui!”, enquanto este, desolado, grita: “Nããããoooo...”" width="1301" height="962" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4.png 1301w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4-300x222.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4-1024x757.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4-768x568.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-4-1200x887.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18877" class="wp-caption-text">Como em toda boa história, no fim o bem sempre vence o mal (Foto: Chico Bento, 55ª Edição, Editora Abril, 1984)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, vale ressaltar que não foi apenas o catolicismo a figurar nas páginas das revistinhas do Chico. Em 1985, a história </span><i><span style="font-weight: 400;">O Rezador</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresentou a idosa negra Nhá Belarmina, uma benzedeira que se denominava como Preta Véia. Nela, a senhora ensina a Chico Bento todo o seu conhecimento sobre rezas e benzimentos que ela havia recebido de seus antepassados, continuando a tradição oral de sua cultura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Curioso em descobrir se aquelas preces tinham efeito, Chico resolve testá-las invocando o sobrenatural para amarrar o amor de sua namorada Rosinha. A reza, porém, funciona de forma exagerada e Rosinha age como se estivesse em hipnose. Resolvida a situação, a maior lição de Chico foi entender que todo o poder obtido deve ser usado com sabedoria e responsabilidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta história demonstra que, embora o catolicismo tenha presença constante nas histórias da Vila Abobrinha, ainda há espaço para </span><a href="https://personaunesp.com.br/racionais-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">outras religiões</span></a><span style="font-weight: 400;"> e para aprender valores importantes com elas. Nobu Chinen, doutor em Ciências da Comunicação, explicou no artigo científico </span><a href="https://drive.google.com/file/d/19096Pxdn9lGq4J7Nxt4uWUsPL3YtM13K/view"><i><span style="font-weight: 400;">A religiosidade afro-brasileira nos quadrinhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que no momento da publicação dessa história do Chico Bento, as religiões de matriz africana eram sempre representadas de forma negativa, </span><i><span style="font-weight: 400;">“capazes de interferir na realidade cotidiana, normalmente em benefício de interesses pessoais nem sempre louváveis ou como forma de obter poderes sobre-humanos”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><figure id="attachment_18878" aria-describedby="caption-attachment-18878" style="width: 948px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18878" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-5.png" alt="História ilustrada em quadrinhos do Chico Bento. A benzedeira Nhá Belarmina diz a Chico Bento, que está ajoelhado em sua frente: “Agora nhonhozinho sabe caji tudu das reza qui Preta Véia aprendeu”" width="948" height="638" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-5.png 948w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-5-300x202.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Imagem-5-768x517.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18878" class="wp-caption-text">Nhá Belarmina passa sua sabedoria para as gerações futuras (Foto: Chico Bento, 67ª Edição, Editora Abril, 1985)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, podemos dizer que se valer dos princípios religiosos para ensinar valores morais às crianças saiu de moda na </span><i><span style="font-weight: 400;">Mauricio de Sousa Produções</span></i><span style="font-weight: 400;">. Talvez em nome do </span><a href="https://www.significados.com.br/ecumenismo/"><span style="font-weight: 400;">ecumenismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, a cada era que se passa menos vemos este tipo de história nos gibis: comum na </span><a href="https://www.abril.com.br/"><span style="font-weight: 400;">editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Abril</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, raro na </span><a href="http://editoraglobo.globo.com/index.htm"><span style="font-weight: 400;">editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Globo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e praticamente inexistente na </span><a href="http://collectibles.panini.com.br/home.html"><span style="font-weight: 400;">editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Panini</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde a turminha é publicada até hoje.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Voltemos a onde partimos: nos anos 60, frente a um país em contínua instabilidade financeira, política e econômica, Mauricio se valeu da </span><a href="https://www.dicio.com.br/cosmovisao/"><span style="font-weight: 400;">cosmovisão religiosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> para formar personagens verdadeiramente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aZ3tj3J__lI"><span style="font-weight: 400;">humanos</span></a><span style="font-weight: 400;">, colaborando para a preservação do imaginário de várias gerações e provendo a milhões de crianças tudo o que elas mais precisam: alegria e esperança.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/chico-bento-60-anos/">Os 60 anos de Chico Bento e a religiosidade do Brasil profundo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/chico-bento-60-anos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">18873</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Extremismo e populismo andam juntos no segundo ano de The Boys</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/the-boys-2a-temporada-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/the-boys-2a-temporada-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Oct 2020 16:45:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>
		<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[Amazon]]></category>
		<category><![CDATA[Amazon Prime Video]]></category>
		<category><![CDATA[Caroline Campos]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy 2021]]></category>
		<category><![CDATA[Homelander]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Roteiro em Drama]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Série de Drama]]></category>
		<category><![CDATA[Melhores Efeitos Visuais em uma Temporada ou Telefilme]]></category>
		<category><![CDATA[Rebecca Sonnenshine]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Segunda Temporada]]></category>
		<category><![CDATA[Série]]></category>
		<category><![CDATA[Stormfront]]></category>
		<category><![CDATA[Super-heróis]]></category>
		<category><![CDATA[The Boys]]></category>
		<category><![CDATA[What I Know]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=15924</guid>

					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos Em Esquadrão Suicida (2016), Dexter Tolliver questiona o que aconteceria se o Superman resolvesse arrancar o teto da Casa Branca e levar o presidente embora. Até então, conhecendo o Homem de Aço, nós sabemos que é um cenário pouco provável, afinal, ele sempre esteve do nosso lado. Mas e se não estivesse? Como &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-boys-2a-temporada-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Extremismo e populismo andam juntos no segundo ano de The Boys"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/the-boys-2a-temporada-critica/">Extremismo e populismo andam juntos no segundo ano de The Boys</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_15925" aria-describedby="caption-attachment-15925" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15925" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/The-Boys-Season-2-Titelbild.jpg" alt="" width="2000" height="1126" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/The-Boys-Season-2-Titelbild.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/The-Boys-Season-2-Titelbild-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/The-Boys-Season-2-Titelbild-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/The-Boys-Season-2-Titelbild-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/The-Boys-Season-2-Titelbild-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/The-Boys-Season-2-Titelbild-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15925" class="wp-caption-text">Nossos “mocinhos” do jeito que os conhecemos: sujos de sangue da cabeça aos pés (Foto: Reprodução)</figcaption></figure></p>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="http://personaunesp.com.br/esquadrao-suicida-machismo-super-vilao/"><i><span style="font-weight: 400;">Esquadrão Suicida</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (2016),</span></i><span style="font-weight: 400;"> Dexter Tolliver questiona o que aconteceria se o Superman resolvesse arrancar o teto da Casa Branca e levar o presidente embora. Até então, conhecendo o Homem de Aço, nós sabemos que é um cenário pouco provável, afinal, ele sempre esteve do nosso lado. Mas e se não estivesse? Como seria viver em um mundo com uma criatura tão poderosa e tão descontrolada ao mesmo tempo? A segunda temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Boys</span></i><span style="font-weight: 400;">, série da </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;">, conseguiu nos dar doses cavalares dessa sensação assustadora ao amadurecer ainda mais o Capitão Pátria, uma </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/superman-avessas-antony-starr-cria-com-homelander-o-super-mais-detestavel-e-irresistivel-de-boys-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">versão</span></a><span style="font-weight: 400;"> insana e desequilibrada do </span><a href="http://atl.clicrbs.com.br/infosfera/2015/10/11/o-ultimo-filho-de-kripton/"><span style="font-weight: 400;">último filho de </span><i><span style="font-weight: 400;">Krypton</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-15924"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, continuamos a acompanhar a árdua jornada de nossos Rapazes para derrubar a </span><i><span style="font-weight: 400;">Vought, </span></i><span style="font-weight: 400;">corporação bilionária responsável por criar e licenciar super-humanos através do Composto V. Responsável pelos Sete, a empresa é a grande antagonista nas duas temporadas da série baseada nos quadrinhos de Garth Ennis e Darick Robertson. Dessa vez, os donos da narrativa não são apenas Hughie Campbell e Billy Butcher, já que, neste ano, vemos um aprofundamento maior nos nossos coadjuvantes Frenchie, Kimiko e Mother’s Milk (Leitinho da Mamãe, para nós brasileiros). Ainda mais sangrentos, os oito novos capítulos conseguiram alavancar o status da obra, consagrando-a como um dos dramas mais interessantes entre os serviços de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> atuais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Kimiko (Karen Fukuhara) ganhou, devidamente, um pouco mais de história para chamar de sua. A Fêmea, que foi sequestrada e teve o Composto V injetado a força por guerrilheiros, encontra seu irmão mais novo, Kenji, que também havia sido recrutado. Com ele, descobrimos o motivo do seu </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/atriz-de-boys-cria-linguagem-de-sinais-unica-para-viver-personagem-na-serie-42128"><span style="font-weight: 400;">silêncio</span></a><span style="font-weight: 400;">, desenvolvendo ainda mais seu relacionamento com Frenchie (Tomer Kapon). Enquanto isso, conhecemos a trajetória do francês e como foi recrutado para trabalhar ao lado de Butcher e Milk (Laz Alonso), em uma cena hilária envolvendo o recém-apresentado Facho de Luz, o manipulador de fogo interpretado por Shawn Ashmore (que, ironicamente, dava vida ao Homem de Gelo, em</span><i><span style="font-weight: 400;"> X-Men</span></i><span style="font-weight: 400;">). Um trio que se conhece há tempos e divide as mesmas cicatrizes de batalha.</span></p>
<p><figure id="attachment_15926" aria-describedby="caption-attachment-15926" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15926" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/THBY_S2_Unit_204_0580RCC_rgb.jpg" alt="" width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/THBY_S2_Unit_204_0580RCC_rgb.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/THBY_S2_Unit_204_0580RCC_rgb-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/THBY_S2_Unit_204_0580RCC_rgb-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/THBY_S2_Unit_204_0580RCC_rgb-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/THBY_S2_Unit_204_0580RCC_rgb-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/THBY_S2_Unit_204_0580RCC_rgb-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15926" class="wp-caption-text">Karen Fukuhara, atriz de Kimiko, também interpretou Katana em Esquadrão Suicida (Foto: Reprodução)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, o carro-chefe de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Boys</span></i><span style="font-weight: 400;">, é, definitivamente, o Capitão Pátria</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Antony Starr alcança um nível absurdo, beirando a psicopatia em cada movimento e feição estampada no rosto do “</span><i><span style="font-weight: 400;">protetor” </span></i><span style="font-weight: 400;">dos Estados Unidos. Nessa temporada, </span><i><span style="font-weight: 400;">Homelander</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original,</span> <span style="font-weight: 400;">surge ainda mais desorientado após o assassinato de Madelyn Stillwell – que, por sinal, ele mesmo cometeu – e desesperado por apego emocional com alguém, que seja o mínimo. O líder dos Sete é grotesco, sádico e instável, gerando pavor e apreensão em todos ao seu redor, incluindo seus companheiros de equipe. Sempre sorrindo para as câmeras, ele vê seu mundo oscilar quando o público se volta contra sua figura – seu </span><a href="https://www.significados.com.br/fandom/"><i><span style="font-weight: 400;">fandom</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é a única coisa que ele possivelmente valoriza, a única coisa capaz de mantê-lo sob controle.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E essa necessidade de afeto é o que o leva voando até Ryan, o filho resultado do estupro que cometeu contra Becca (Shantel VanSanten), esposa de Billy Butcher. Se na primeira temporada acompanhamos Butcher, o Bruto, na sede de vingança contra Capitão Pátria por acreditar na morte da companheira, agora ele concentra seus esforços em encontrar o esconderijo supervisionado pela <em>Vought,</em> onde ela e Ryan se mantêm longe do mundo dominado pela obsessão em super-heróis. Billy ainda é um grande cão raivoso, incapaz de ocultar os demônios que coexistem dentro dele, e Karl Urban consegue manipular essa ira a seu favor enquanto dá vida ao líder dos rapazes foragidos. O anti-herói continua a enfrentar traumas do seu passado – conhecemos Lenny e seus pais, sua tia Judy e até seu buldogue Terror – e a lidar com as consequências no presente, principalmente em seu reencontro com Becca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A nova temporada trouxe o que achávamos ser impossível: alguém tão desprezível quanto o Capitão Pátria. Tempesta, interpretada friamente por Aya Cash, era o que nossos protagonistas </span><i><span style="font-weight: 400;">não</span></i><span style="font-weight: 400;"> precisavam para sobreviver mais um ano nas telas. Junto dela, surgiram temas que, infelizmente, não nos são estranhos. Tempesta manipula o ódio na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, gerando ainda mais violência através da ameaça velada de super-terroristas. E a abertura excepcional do episódio 7, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Bruto, o Belo e a Estrela</span></i><span style="font-weight: 400;">, mostra a consequência direta de tal manipulação. Tocando na ferida do problema estadunidense com a imigração e do reaparecimento de grupos neonazistas,</span><i><span style="font-weight: 400;"> The Boys</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi cirúrgica ao dar à Tempesta a importância midiática que receberia fora do </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;">, assim como sua relação disfuncional com o Capitão. </span><i><span style="font-weight: 400;">“As pessoas adoram o que eu tenho a dizer. Elas acreditam nisso. Só não gostam da palavra ‘nazista’”.</span></i></p>
<p><figure id="attachment_15927" aria-describedby="caption-attachment-15927" style="width: 1335px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15927" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/f7e9b35b-2597-4dd1-8128-ca0b4dbef4c4-screen-shot-2020-08-20-at-105530-pm.png" alt="" width="1335" height="555" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/f7e9b35b-2597-4dd1-8128-ca0b4dbef4c4-screen-shot-2020-08-20-at-105530-pm.png 1335w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/f7e9b35b-2597-4dd1-8128-ca0b4dbef4c4-screen-shot-2020-08-20-at-105530-pm-300x125.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/f7e9b35b-2597-4dd1-8128-ca0b4dbef4c4-screen-shot-2020-08-20-at-105530-pm-1024x426.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/f7e9b35b-2597-4dd1-8128-ca0b4dbef4c4-screen-shot-2020-08-20-at-105530-pm-768x319.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/f7e9b35b-2597-4dd1-8128-ca0b4dbef4c4-screen-shot-2020-08-20-at-105530-pm-1200x499.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15927" class="wp-caption-text">O grafite de Capitão Pátria com a bandeira dos <a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/06/150622_bandeira_estados_confederados_rb">confederados</a>, que lutaram contra o abolicionismo na Guerra Civil (Foto: Reprodução)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inclusive, não foi apenas esse tema que o </span><a href="https://minhaseriefavorita.com/2018/06/29/o-que-faz-um-showrunner-de-serie/"><i><span style="font-weight: 400;">showrunner</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> Eric Kripke e o time de roteiristas introduziram que condiz com nossos traumas da realidade. Profundo, o assediador de mulheres interpretado por Chace Crawford, está no ápice do seu ridículo até encontrá-la: a Igreja da Coletividade. Em uma </span><i><span style="font-weight: 400;">vibe</span></i><span style="font-weight: 400;"> meio </span><a href="http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2012/07/ex-seguidores-contam-segredos-da-cientologia.html"><span style="font-weight: 400;">cientologia</span></a><span style="font-weight: 400;">, a Igreja promete que vai colocá-lo de volta aos Sete quando ele terminar os cursos caríssimos disponibilizados pelo messias. Assim, ele poderá encontrar a redenção que o fará ser aceito novamente pela sociedade e pela equipe, expurgando todos os seus pecados – independente de quantas vidas femininas ele destruiu. Profundo passa por uma reabilitação visual, para mostrá-lo como um homem agora mais maduro, casado e respeitoso com quem o cerca. Erguemos as mãos ao céu, pois o arrependimento chegou – parcelado em 12 vezes e a troco de sua conta bancária.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Luz-Estrela (Erin Moriarty), talvez uma das únicas heroínas </span><i><span style="font-weight: 400;">de fato</span></i><span style="font-weight: 400;"> da série, caminhou a passos lentos, mas, finalmente, passou a ditar seu próprio jogo na Torre da </span><i><span style="font-weight: 400;">Vought</span></i><span style="font-weight: 400;">. Annie se vê em alerta constante cercada de inimigos no seu local de trabalho, mas as idas e vindas na relação com Hughie ajudam-na a manter os pés no chão na tentativa secreta de desmascarar Stan Edgar (Giancarlo Esposito) e seus contratantes. A garota vai criando cada vez mais rivais e faz malabarismos para passar a imagem de membro dos Sete que caminha ao lado de Deus. O amor que sente pelo Hughie de Jack Quaid é o nosso único suspiro para além da violência e das entranhas jogadas para todo lado, e, se o magricela simpático que acompanhamos desde a primeira temporada quer ser mais livre, com certeza vai dividir essa liberdade com sua estrela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma coisa da qual o segundo ano da série se empanturrou foram as chantagens. A todo momento, surgia alguém com um novo vídeo proibido na ameaça de divulgar e conseguir o que queria. Rainha Maeve (Dominique McElligott) também tirou uma casquinha dessa saída contra Capitão Pátria, num confronto que queríamos ter visto há muito tempo. Depois de viver subjugada pelo líder, Maeve, que foi tirada do armário a força em rede nacional, consegue seu triunfo. Enquanto a </span><i><span style="font-weight: 400;">Vought </span></i><span style="font-weight: 400;">tentava vender lasanhas vegetarianas da #GayMaeve, a nossa rainha perdia a companheira Elena e se afundava na própria revolta. O que acaba levando-a a salvar a pele dos mocinhos diversas vezes e gerando a cena mais satisfatória da série: ver uma suástica virando catavento. O episódio final, em meio a um turbilhão de grandes cenas, mostrou que as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TyRuCHhAmzk"><i><span style="font-weight: 400;">garotas realmente dão conta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><figure id="attachment_15928" aria-describedby="caption-attachment-15928" style="width: 1700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15928" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/the-boys.jpg" alt="" width="1700" height="956" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/the-boys.jpg 1700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/the-boys-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/the-boys-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/the-boys-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/the-boys-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/the-boys-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15928" class="wp-caption-text">Vought e seu <a href="https://www.omelete.com.br/amazon-prime-video/the-boys-luta-das-mulheres-ultimo-episodio">feminismo midiático</a>: girls get it done! (Foto: Reprodução)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Boys</span></i><span style="font-weight: 400;"> ser marcada por personagens bem trabalhados e complexos, quando se trata de Black Noir (Nathan Mitchell), a frustração é inevitável. Ainda não temos nenhum indício de quem é ele, por que faz o que faz, ou outra mísera sugestão de existência do seu arco. O único avanço na segunda temporada é que descobrimos sua alergia a nozes. Bem, nenhum personagem vive só de alergias e cenas de luta – se os produtores estão tramando seu arco, melhor se apressarem, porque já passaram do ponto. Mesmo com uma participação um pouco maior neste ano, a curiosidade de conhecermos melhor o personagem, não apenas como mais um dos super-cachorrinhos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Vought</span></i><span style="font-weight: 400;">, pode até prejudicar um pouco o apego com o mascarado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O formato desse novo ciclo também foi novidade: ao invés de liberar a temporada completa, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon</span></i><span style="font-weight: 400;"> se arriscou e decidiu disponibilizar apenas um episódio por semana. O modelo <a href="http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-156000/">não agradou</a> muito aos fãs, mas, com certeza, gerou um bom suspense para a geração imediatista das redes sociais. Finais como o do episódio 7 (sim, esse episódio foi <em>tão</em> bom) são passíveis de cabelos arrancados, e a espera de mais uma semana deixa o espectador ainda mais ansioso. Além disso, a trilha sonora, cheia de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=r8W7Fezh-IM"><span style="font-weight: 400;">Billy Joel</span></a><span style="font-weight: 400;"> e clássicos do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">como The Rolling Stones, embala as viagens de carro como uma forma de nos levar lado a lado com nossos Rapazes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim das contas, a salvação vem de vários lugares. Trem-Bala, que passa os oito episódios brincando de gato e rato com a onipresente </span><i><span style="font-weight: 400;">Vought</span></i><span style="font-weight: 400;">, resolve dar a força necessária para enterrar Tempesta. Jessie Usher deixa o velocista mais carismático do que o roteiro talvez exija, mas, por mais rápido que ele corra, o personagem tem dificuldades em sair do lugar. Junto com Profundo, ele se vê nas entranhas da Igreja da Coletividade, só que a representatividade do </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing </span></i><span style="font-weight: 400;">da </span><i><span style="font-weight: 400;">Vought </span></i><span style="font-weight: 400;">opta por trazê-lo de volta ao palco, mostrando como o amigo dos peixes, no melhor estilo </span><a href="http://personaunesp.com.br/aquaman-critica/"><span style="font-weight: 400;">Aquaman</span></a><span style="font-weight: 400;">, era apenas mais um brinquedo sem utilidade.</span></p>
<p><figure id="attachment_15929" aria-describedby="caption-attachment-15929" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15929" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/f4d0c2365a29d25ac25921f941cb528182ab6668266f89cb40e1a0f0edde89ca._RI_V_TTW_.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/f4d0c2365a29d25ac25921f941cb528182ab6668266f89cb40e1a0f0edde89ca._RI_V_TTW_.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/f4d0c2365a29d25ac25921f941cb528182ab6668266f89cb40e1a0f0edde89ca._RI_V_TTW_-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/f4d0c2365a29d25ac25921f941cb528182ab6668266f89cb40e1a0f0edde89ca._RI_V_TTW_-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/f4d0c2365a29d25ac25921f941cb528182ab6668266f89cb40e1a0f0edde89ca._RI_V_TTW_-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/f4d0c2365a29d25ac25921f941cb528182ab6668266f89cb40e1a0f0edde89ca._RI_V_TTW_-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/f4d0c2365a29d25ac25921f941cb528182ab6668266f89cb40e1a0f0edde89ca._RI_V_TTW_-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15929" class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita, os nomes originais em inglês: The Deep, Queen Maeve, Stormfront, Homelander, Starlight, Black Noir e A-Train (Foto: Reprodução)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre revoltas populares, ataques de ódio e experimentos em hospícios, a segunda temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Boys</span></i><span style="font-weight: 400;"> amadureceu sua trama, dosando as cenas gráficas para encaixarem mais na narrativa do que chocar a audiência. Com uma terceira temporada e uma série derivada já confirmadas, Eric Kripke garantiu ao </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2020/the-boys-eric-kripke-confirma-personagem-importante-sobreviveu.html"><i><span style="font-weight: 400;">TVLine</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que Tempesta está viva, mesmo </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2020/the-boys-tempesta-alemao-traducao.html"><span style="font-weight: 400;">esturricada </span></a><span style="font-weight: 400;">no chão durante sua última cena. </span><a href="https://br.ign.com/the-boys-26/84717/feature/the-boys-quem-e-victoria-neumann"><span style="font-weight: 400;">Victoria Neuman</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Claudia Doumit) e os miolos espalhados são as grandes apostas para a continuação, ao lado de um Ryan Butcher tentando não se tornar uma sombra do pai – e, com certeza, veremos ainda mais insanidade de Capitão Pátria, já que seus momentos finais não são nem um pouco tranquilizadores.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Boys</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, provavelmente, o retrato mais realista de um mundo com super-heróis. Claro que o capitalismo não ia se contentar em vender apenas bonequinhos e fantasias, mas, sim, criar uma própria empresa que monopolizasse onde e por quanto tempo esses supers dedicariam sua proteção. Fazer com que o mundo inteiro reconheça os rostos que estampam a sua marca, colocando-os no exército, na política, nas igrejas. Deixemos os bons valores para os </span><a href="http://personaunesp.com.br/vingadores-ultimato-critica/"><span style="font-weight: 400;">Vingadores</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a Liga da Justiça. Nossos Sete querem mesmo é ver cabeças explodindo – contanto que não percam pontos de aprovação com o público.</span></p>
<p><figure id="attachment_15930" aria-describedby="caption-attachment-15930" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15930" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/99441.jpg" alt="" width="2000" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/99441.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/99441-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/99441-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/99441-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/99441-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/99441-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15930" class="wp-caption-text">O olhar perdido e alucinado diante de um futuro incerto (Foto: Reprodução)</figcaption></figure></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/the-boys-2a-temporada-critica/">Extremismo e populismo andam juntos no segundo ano de The Boys</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/the-boys-2a-temporada-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">15924</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Boa Noite Punpun Vol.1 e a Jornada de um Pássaro Infeliz</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/boa-noite-punpun-vol-1-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/boa-noite-punpun-vol-1-critica/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Sep 2020 17:20:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Boa Noite Punpun]]></category>
		<category><![CDATA[Boa noite Punpun Vol. 1]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Flora Vieira]]></category>
		<category><![CDATA[JBC]]></category>
		<category><![CDATA[Mangá]]></category>
		<category><![CDATA[Punpun]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=15615</guid>

					<description><![CDATA[<p>Flora Vieira Boa Noite Punpun, escrito pelo mangaká Inio Asano, foi meu retorno aos mangás físicos, e liberou um gosto que até pouco tempo estava enterrado em mim — o de ler gibis. Dessa vez, um com uma história adulta e temas complexos e profundos, do gênero Slice Of Life , que também descobri ser &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/boa-noite-punpun-vol-1-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Boa Noite Punpun Vol.1 e a Jornada de um Pássaro Infeliz"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/boa-noite-punpun-vol-1-critica/">Boa Noite Punpun Vol.1 e a Jornada de um Pássaro Infeliz</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_15616" aria-describedby="caption-attachment-15616" style="width: 690px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-15616 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-1-5.jpg" alt="" width="690" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-1-5.jpg 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-1-5-207x300.jpg 207w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-15616" class="wp-caption-text">A capa amarela do primeiro volume, publicado pela JBC aqui no Brasil (Foto: Reprodução)</figcaption></figure></p>
<p><strong>Flora Vieira</strong></p>
<p><a href="https://blogbbm.com/manga/punpun/"><i><span style="font-weight: 400;">Boa Noite Punpun</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, escrito pelo mangaká </span><a href="https://livroecafe.com/2020/04/17/mangas-de-inio-asano/"><span style="font-weight: 400;">Inio Asano</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi meu retorno aos mangás físicos, e liberou um gosto que até pouco tempo estava enterrado em mim — o de ler gibis. Dessa vez, um com uma história adulta e temas complexos e profundos, do gênero </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Slice_of_life#Literatura"><i><span style="font-weight: 400;">Slice Of Life</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">, que também descobri ser um dos meus gêneros favoritos. O Volume Um acompanha Punpun Punyama, que, com onze anos, vive o começo de uma adolescência conturbada e solitária.</span></p>
<p><span id="more-15615"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um elemento dos mangás tão importante quanto o enredo é, sem dúvida nenhuma, a arte. E aqui, ela é muito bonita, e também bastante metafórica. Representada como pássaros, de traços simples e crus, a família Punyama se destaca entre o cenário extremamente realista e o nível de detalhes no traço dos personagens ao redor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela é metafórica porque essa escolha de estilo vai contra uma das características principais do protagonista: a de ser aparentemente ordinário, sem sonhos, objetivos ou individualidade que o diferencie dos outros. </span><span style="font-weight: 400;">A metáfora também se completa com o fato do personagem não ter balões de fala e ter seus pensamentos mediados por um narrador, que, quando precisa, apresenta as falas de Punpun entre aspas.</span></p>
<p><figure id="attachment_15617" aria-describedby="caption-attachment-15617" style="width: 697px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15617" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-2-1.png" alt="" width="697" height="390" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-2-1.png 697w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-2-1-300x168.png 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-15617" class="wp-caption-text">Da esquerda pra direita: Aiko, Punpun, Harumin, Koma, Shimi e Seki (Foto: Reprodução)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa característica é explorada logo no primeiro capítulo, que é uma preparação pra tudo que vem pela frente. Punpun, acostumado com a rotina de violência entre seus pais — que, em vez de ampararem o garoto, brigam e gritam entre si — está na escola, quando o professor pede aos alunos para que escrevam sobre seus sonhos e ele não tem a menor ideia sobre o que escrever. Mais tarde nesse dia, conversa com a aluna nova da escola, Aiko (por quem ele logo se apaixona), que diz, basicamente, que a humanidade vai acabar porque a terra vai ser destruída, e em busca de evitar a extinção, os seres humanos deveriam ir pro espaço. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Punpun decide, então, que seu sonho é se tornar um astronauta. Isso se repete em várias situações durante o mangá, como quando um de seus amigos leva um fora e ele, mesmo apaixonado por Aiko, promete junto ao grupo nunca mais se encontrar com meninas. Punpun é um <em>“maria vai com as outras”</em>, e visivelmente sofre por isso, porque tem medo de decepcionar as pessoas — principalmente Aiko — ao longo da história. A relação do protagonista com a família revela ainda outras coisas, retratadas com a delicadeza e sensibilidade que a história precisa, por tratar dos assuntos que trata. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mangaká consegue mostrar, por meio dos diálogos (que são também crus, e ainda assim, muito reais e bem escritos), tanto como Punpun enxerga o mundo, quanto como as coisas são de verdade. Um exemplo, também do primeiro capítulo: Punpun se levanta, desce as escadas de sua casa, e vê sua mãe machucada no chão. A primeira reação do pai, que percebe o filho descendo as escadas, é lhe dizer <em>“Um ladrão entrou em casa!”</em>, quando, na verdade, quem lê sabe muito bem que não há ladrão algum, e que a mãe tinha acabado de sofrer violência doméstica. O pai, claro, mentiu pro garoto, que </span><a href="https://br.ign.com/manga/72559/feature/boa-noite-punpun-retrata-inocencia-da-infancia-e-amargor-do-crescimento"><span style="font-weight: 400;">não entendeu</span></a><span style="font-weight: 400;"> muito bem o que aconteceu ali. </span></p>
<p><figure id="attachment_15618" aria-describedby="caption-attachment-15618" style="width: 805px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15618" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-3-8.jpg" alt="" width="805" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-3-8.jpg 805w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-3-8-201x300.jpg 201w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-3-8-687x1024.jpg 687w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-3-8-768x1145.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-15618" class="wp-caption-text">O advogado da família, à esquerda, e Yuchi, à direita, no primeiro quadrinho (Foto: Reprodução)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto importante do mangá é a representação dos adultos. Eles agem de forma estranha ao mesmo tempo que são desenhados com feições esquisitas, como se estivessem próximos de um ataque de nervos. O mangá, com elementos assim, procura discutir temas não só, mas ligados principalmente à cultura japonesa, como a padronização do indivíduo e a necessidade de adequação – que representam fortes pressões da sociedade e restringem as vivências dos japoneses, ao mesmo tempo que são um dos grandes motivos para o alto índice de suicídio do país. Punpun, mesmo sem entender, já se vê confrontado com todas essas expectativas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do protagonista, o mangá não poupa esforços ao desenvolver alguns dos outros personagens da história. Alguns exemplos são o tio do garoto, Yuchi, e Aiko, sua paixão. Yuichi é o oposto dos outros adultos representados na obra, com postura imatura e acomodada diante de suas responsabilidades, enquanto é o único que eu vi se preocupar com o sobrinho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário do que sua postura parece revelar, ele também é retratado como vítima das pressões sociais japonesas, exibindo comportamento agressivo e pessimista para com a realidade. </span><span style="font-weight: 400;">Aiko, por outro lado, ainda é só uma criança, e tem um desejo enorme de escapar – talvez por isso a obsessão com o espaço, no começo da história – e acaba por depositar essas expectativas em Punpun, coisa que influencia muito na relação dos dois.</span></p>
<p><figure id="attachment_15619" aria-describedby="caption-attachment-15619" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15619" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/oyasumi-punpun-trecobox_tztn.jpg" alt="" width="1000" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/oyasumi-punpun-trecobox_tztn.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/oyasumi-punpun-trecobox_tztn-300x180.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/oyasumi-punpun-trecobox_tztn-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15619" class="wp-caption-text">Punpun e seus amigos dando as mãos, uma das páginas duplas do mangá (Foto: Reprodução)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da construção dramática, o mangá também acerta nos momentos de comédia. As expressões do protagonista e suas reações puras e inocentes, enquanto se descobre na adolescência, incluem boa parte desses momentos, e também evitam que a leitura fique maçante, tediosa ou muito cansativa. </span><span style="font-weight: 400;">A habilidade de aprofundar os assuntos igualmente na comédia vale a pena ser mencionada. Ao mesmo tempo em que eu ria, me colocava no lugar do protagonista e entendia a dimensão que ele dá para coisas, por vezes naturais, por vezes absurdas, que acontecem com ele ao longo da história.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Boa Noite Punpun</span></i><span style="font-weight: 400;"> trata de temas como solidão, amadurecimento e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_tol7edMbDE"><span style="font-weight: 400;">negligência emocional</span></a><span style="font-weight: 400;"> com muita consciência e realidade, por meio de uma arte muito única que várias vezes me fez querer parar e observar os detalhes de cada quadrinho, com destaque para os desenhos que ocupam páginas duplas (e são sensacionais). Vale a pena aqui elogiar também a tradução do mangá, feita pela <em>JBC</em>, que ficou bem fluída e adaptada, respeitando abreviações e marcas de oralidade típicas do Brasil, valorizando a localização para o país, e acrescentando bastante na experiência. A jornada desse pássaro, mesmo assim, está só no começo.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/boa-noite-punpun-vol-1-critica/">Boa Noite Punpun Vol.1 e a Jornada de um Pássaro Infeliz</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/boa-noite-punpun-vol-1-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>2</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">15615</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
