XTRANHO, de Matuê, cumpre seu papel intencional e gera desconforto

Capa do álbum XTRANHO, do cantor Matuê. A imagem apresenta um rosto masculino em alto contraste, quase como um negativo fotográfico: olhos e sorriso emergem do preto absoluto, formando uma expressão ambígua entre ironia e ameaça. A estética crua e minimalista transforma o rosto em símbolo, mais ideia do que identidade.
XTRANHO revela os limites da ruptura prometida por um dos maiores nomes do trap nacional (Foto: 30PRAUM)

Gabriel Diaz

No começo de sua carreira, Matuê era a ‘cura‘, representada pelo seu primeiro álbum de estúdio, Máquina do Tempo (2020). Agora, segundo suas próprias palavras, ele se torna a ‘peste’. É possível ler XTRANHO como uma infestação estética: um disco que deseja incomodar, provocar rejeição e instaurar ruído em um cenário cada vez mais previsível do trap mainstream. O lançamento foi tratado como um evento, tendo uma audição pública no Vale do Anhangabaú, englobada à uma identidade visual agressiva com múltiplas capas e um website interativo (indisponível para acesso). Desde o primeiro contato, fica claro que o projeto não se limita ao som, mas extrapola além do campo musical. Ainda assim, sua principal fragilidade está na distância entre a ideia de ruptura anunciada e aquilo que efetivamente se materializa durante as faixas.

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