
Marcela Jardim
Com Man’s Best Friend, Sabrina Carpenter cria um álbum que funciona como um retrato cômico, sensual e, ao mesmo tempo, apático de uma geração que já não acredita tanto nos contos de fadas, mas ainda se diverte com as ruínas deixadas por eles. Do título à capa, tudo remete à ideia de um espelho invertido: se o ‘melhor amigo do homem’ costuma ser o cão fiel, aqui ela se oferece como companhia indomada, que late, morde e brinca, porém jamais se submete. Essa ambiguidade é o eixo central da obra: entre risos debochados e melodias cintilantes, ela tensiona a linha que separa prazer e frustração, amor e desapego, provocação e vulnerabilidade.
