Não tenha medo, A Memória do Cheiro das Coisas é apenas uma redenção que não se purifica

Na fotografia, um homem branco idoso de barba grisalha está sentado à beira de uma cama em um quarto de hospital com paredes azuis. Ele usa um colete de tricô, majoritariamente da cor verde oliva, sobre uma camisa social branca enquanto olha para baixo, com expressão melancólica. Ao fundo, há uma luminária acesa e uma mesa de cabeceira amarela com porta-retratos e um abajur.
Com coprodução brasileira, A Memória do Cheiro das Coisas estreou mundialmente no Festival de Xangai (Foto: Persona Non Grata Pictures)

Gabriel Diaz

Há algo inevitavelmente político em qualquer tentativa de revisitar o passado colonial português – sobretudo quando essa memória é filtrada pelo olhar do envelhecimento, a doença e a solidão. Diretamente da seção Perspectiva Internacional na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o diretor António Ferreira apresenta A Memória do Cheiro das Coisas, um filme que mergulha nesse terreno delicado, tentando equilibrar a culpa histórica com o afeto cotidiano, e parte dessa convergência para construir um drama intimista que atravessa corpo e história. 

Continue lendo “Não tenha medo, A Memória do Cheiro das Coisas é apenas uma redenção que não se purifica”