O Último Beat revisita uma geração pelo olhar íntimo de quem ficou

O poeta Lawrence Ferlinghetti, em cena do documentário 'A Última Batida', sentado em uma mesa na área externa de um café. Ele usa um boné escuro, um cachecol vermelho e um casaco texturizado, e sorri levemente para a câmera. Ao fundo, desfocados, outros clientes sentam-se em mesas e uma placa verde de 'ESPRESSO' se projeta da fachada.
O rosto de Ferlinghetti carrega o peso doce de quem já viu o mundo mudar (Foto: 39 Films)

Arthur Caires

Há encontros que parecem ter sido marcados pela própria história. Em 2007, o cineasta Ferdinando Vicentini Orgnani cruzou o caminho de Lawrence Ferlinghetti, poeta, editor e um dos pilares da Geração Beat. Dali nasceu uma amizade, e dela, um testemunho. O filme O Último Beat, exibido na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na categoria Apresentação Especial, emerge como o registro derradeiro de um homem que fez da palavra um ato político. Mais do que um retrato biográfico, o documentário soa como um eco distante – uma reverberação tardia da utopia beat, que ainda tenta resistir ao peso do complexo militar-industrial que Ferlinghetti denunciava com ironia e lucidez.

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