
Lucas Barbosa
É legal em um domingo à tarde, pós almoço, você sentar no sofá com a família e ver um filme aconchegante, Nonnas é isso: faz da dor da saudade e do luto, uma maneira de se reencontrar na vida. O longa do diretor Stephen Chbosky (cineasta de As Vantagens de Ser Invisível – 2012) se baseia na história de vida de Joe Scaravella. O filme tem uma gama de personagens que são puro carisma, e um roteiro que fala sobre amor, luto, tradição e redescobertas.
A produção inicia com Joe (Vince Vaughn), um homem de meia idade que trabalha como mecânico de ônibus. Após perder a mãe, começa a fazer as receitas antigas da família durante o período de luto. Um dia, depois de receber o dinheiro da herança, resolve comprar um restaurante e transformá-lo em um lugar especial, e para isso, contrata quatro mulheres na flor da idade com receitas magníficas para o projeto.

Os primeiros momentos do longa são tomados por uma tristeza profunda, por meio da paleta de cores em tons azuis e a trilha sonora suave e serena. Tais escolhas técnicas vão de encontro à solidão do protagonista, que viveu a vida toda ao redor do núcleo familiar, nesse momento, montar um restaurante virou uma forma de alento do luto, e para isso precisava juntar mais amores, e histórias para chegar ao seu maior objetivo: reviver os momentos que fizeram sua vida feliz.
O filme tem uma narrativa gostosa de se ver: a necessidade de renovação depois do luto é um caminho simples, sem tentativas de forçar situações e eventos. Tudo ocorre de forma natural, desde o desenvolvimento de Joe até as brigas das senhoras são orgânicas, o que dá margem para a evolução das personagens, que falam sobre a idade e a vontade de viver dentro de uma Nova York que destoa do habitual, diverge entre o colorido e o monocromático, se relacionando com cada momento da produção.

O imbróglio de Nonnas é que mesmo com a fluidez da história e da construção dos seus personagens, há uma certa previsibilidade dos acontecimentos e suas milagrosas resoluções até se tornam banais diante do roteiro previsível escrito por Liz Maccie (Siren: A Lenda das Sereias – 20020). Algumas cenas pareciam pouco desenvolvidas na edição, algumas cenas com um CGI um pouco forçado, talvez para deixar alguns momentos em um foco para deixar uma emoção a mais, o que não aconteceu.
O elenco não deixa nada a desejar: Vince Vaughn demonstra a dor da perda, com o calor de uma vida nova ao redor dele, é sincero no que fala e nas suas reações nos momentos de mais emoção no filme. Susan Sarandon, Talia Shire, Lorraine Bracco e Brenda Vaccaro, nomes de peso do cinema e que fizeram seus papéis com muita dinâmica, entenderam completamente qual era a narrativa que tinham que produzir, e conseguiram realizar além do esperado: fizeram personagens concisos e concretos.
Nonnas, que concorreu ao Emmy 2025 na categoria de Melhor Filme para Televisão, é uma escolha acolhedora, longa tranquilo, com uma boa história e ótimos atores no elenco. O maior problema não é o conteúdo em si, mas as falhas técnicas no roteiro. É uma indicação concisa, chegou na Netflix no top 10 global e conseguiu boas notas nas críticas, como um 82% no Rotten Tomatoes. É um filme bem feito, simples, como arroz e feijão, ou melhor, como um bom Cacio e Pepe.
