Nonnas é simples, mas dá um aconchego no coração

Quatro mulheres brancas mais velhas estão em uma cozinha industrial, todas usando aventais da cor bege, interagindo entre si Ao fundo, há prateleiras com mantimentos, utensílios pendurados e portas de cozinha.
O filme conta a história de um dos restaurantes mais incríveis de Nova York (Foto: Jeong Park/Netflix)

Lucas Barbosa 

É legal em um domingo à tarde, pós almoço, você sentar no sofá com a família e ver um filme aconchegante, Nonnas é isso: faz da dor da saudade e do luto, uma maneira de se reencontrar na vida. O longa do diretor Stephen Chbosky (cineasta de As Vantagens de Ser Invisível – 2012) se baseia na história de vida de Joe Scaravella. O filme tem uma gama de personagens que são puro carisma, e um roteiro que fala sobre amor, luto, tradição e redescobertas.

A produção inicia com Joe (Vince Vaughn), um homem de meia idade que trabalha como mecânico de ônibus. Após perder a mãe, começa a fazer as receitas antigas da família durante o período de luto. Um dia, depois de receber o dinheiro da herança, resolve comprar um restaurante e transformá-lo em um lugar especial, e para isso, contrata quatro mulheres na flor da idade com receitas magníficas para o projeto.

Na imagem, há três pessoas brancas paradas na rua. Uma mulher de cabelos loiros do lado cacheados sorri, segurando o braço do homem ao centro, que veste uma camisa polo cinza com logotipo. Na direita, outro homem de camisa clara caminha olhando para frente
Vince Vaughn entendeu que o filme iria reviver momentos felizes da infância (Foto: Jeong Park/Netflix)

Os primeiros momentos do longa são tomados por uma tristeza profunda, por meio da paleta de cores em tons azuis e a trilha sonora suave e serena. Tais escolhas técnicas vão de encontro à solidão do protagonista, que viveu a vida toda ao redor do núcleo familiar, nesse momento, montar um restaurante virou uma forma de alento do luto, e para isso precisava juntar mais amores, e histórias para chegar ao seu maior objetivo: reviver os momentos que fizeram sua vida feliz.

O filme tem uma narrativa gostosa de se ver: a necessidade de renovação depois do luto é um caminho simples, sem tentativas de forçar situações e eventos. Tudo ocorre de forma natural, desde o desenvolvimento de Joe até as brigas das senhoras são orgânicas, o que dá margem para a evolução das personagens, que falam sobre a idade e a vontade de viver dentro de uma Nova York que destoa do habitual, diverge entre o colorido e o monocromático, se relacionando com cada momento da produção.

Três senhoras brancas estão sentadas em uma bancada, usando aventais, enquanto um homem branco em pé serve comida. Todos interagem de forma animada, com pratos, travessas e copos espalhados sobre o balcão. Ao fundo, há cadeiras empilhadas e paredes em reforma, cobertas por plástico.
“A mesa não se envelhece” (Foto: Jeong Park/Netflix)

O imbróglio de Nonnas é que mesmo com a fluidez da história e da construção dos seus personagens, há uma certa previsibilidade dos acontecimentos e suas milagrosas resoluções até se tornam banais diante do roteiro previsível escrito por Liz Maccie (Siren: A Lenda das Sereias – 20020). Algumas cenas pareciam pouco desenvolvidas na edição, algumas cenas com um CGI um pouco forçado, talvez para deixar alguns momentos em um foco para deixar uma emoção a mais, o que não aconteceu.

O elenco não deixa nada a desejar: Vince Vaughn demonstra a dor da perda, com o calor de uma vida nova ao redor dele, é sincero no que fala e nas suas reações nos momentos de mais emoção no filme. Susan Sarandon, Talia Shire, Lorraine Bracco e Brenda Vaccaro, nomes de peso do cinema e que fizeram seus papéis com muita dinâmica, entenderam completamente qual era a narrativa que tinham que produzir, e conseguiram realizar além do esperado: fizeram personagens concisos e concretos.

Nonnas, que concorreu ao Emmy 2025 na categoria de Melhor Filme para Televisão, é uma escolha acolhedora, longa tranquilo, com uma boa história e ótimos atores no elenco. O maior problema não é o conteúdo em si, mas as falhas técnicas no roteiro. É uma indicação concisa, chegou na Netflix no top 10 global e conseguiu boas notas nas críticas, como um 82% no Rotten TomatoesÉ um filme bem feito, simples, como arroz e feijão, ou melhor, como um bom Cacio e Pepe.

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