
Isabela Nascimento
Com a popularidade das comunidades de livros nas redes sociais, a escritora norte-americana Emily Henry se destacou no nicho de romance com histórias que exploram conexões profundas, luto e relações familiares. Com seu sucesso e de outras autoras, não demorou muito para estes bestsellers serem adaptados para o cinema. De Férias Com Você é a primeira produção deste tipo a ser lançada em 2026.
O romance se inspira no clássico das comédias românticas, When Harry Met Sally (1989). Poppy (Emily Beder) conhece Alex (Tom Blyth) quando, por acaso, ele dá uma carona para a cidade natal de ambos. Apesar das personalidades conflitantes, este episódio acaba resultando em uma amizade profunda. Após um incidente, os dois se afastam, mas se veem obrigados a conviverem juntos em Barcelona para uma celebração.
Os fãs da obra tinham um certo receio sobre as futuras mudanças e a participação de Emily Henry no projeto. Porém, em entrevista à revista People, a escritora ressaltou o desejo do diretor, Brett Haley, em produzir o longa da forma mais fiel. Segundo Emily, ele a incluiu em todos os processos possíveis para chegar no resultado perfeito. “Ele realmente queria que a minha voz fosse parte do filme para os leitores terem um representante em todas as conversas”.
Essa vontade de entregar o produto mais fiel é vista durante o longa inteiro, principalmente na montagem e na escalação dos atores. No livro, os capítulos são intercalados com flashbacks das férias do passado com o tenso presente. As transições entre esses momentos foram feitos com uma naturalidade encantadora, que insere o telespectador dentro da história.
O elenco principal compreende a essência de seus personagens de uma maneira única, com atuações extremamente cativantes. A vontade em entregar a melhor versão de Poppy e Alex está presente nas cenas. Um exemplo é uma das lembranças que acontece em Nova Orleans: a sequência é engraçada e cheia de vida, trazendo a essência do livro para a tela.
A fotografia (Rob Givens), figurino (Colin Wilkes) e seleção musical também merecem destaque, com paisagens em foco, cores vivas e roupas que expressam as personalidades, servindo como uma delimitação implícita do contraste entre eles. A coletânea de músicas diversas e divertidas, que explora Grimes até Taylor Swift, é outro detalhe que dá um toque ainda mais especial.

Este anseio em criar a melhor adaptação foi tão grande que até os mesmos defeitos do livro, o longa-metragem traz para a tela. Na reta final, o filme perde o ritmo e a qualidade do roteiro (Yulin Kuang). Tudo parece acontecer às pressas, resultando na falta de desenvolvimento dos relacionamentos e dilemas. Em determinado momento, o telespectador se questiona porque os personagens estão tendo aquela reação, por não terem sido retratados alguns acontecimentos e sentimentos. A consequência é a dificuldade em entender o final, porque tudo parece exagerado, sem nenhuma explicação. As últimas sequências tentam trazer algo, mas falha em tentar se conectar com o público, tornando a experiência frustrante e, até mesmo, ruim.
Apesar disso, é visível a vontade de criar algo apaixonante que encante o público, porém, faltou profundidade e atenção. As músicas bonitas, atuações pontuais e paisagens encantadoras não foram capazes de esconder os problemas e criar um laço com quem assiste. Um questionamento surge: será que todas as adaptações que estão por vir, principalmente das outras obras de Emily, seguirão esta mesma linha ou terão uma ousadia maior?
