Na vontade de ter um romance de verão, De Férias Com Você tenta deixar o público apaixonado, mas falta conexão

 A esquerda Poppy, vestida de azul, está virada para direita com um sorriso e brindando um copo com Alex, que está virado para ela, com uma camiseta laranja. Eles estão em uma rua e, no fundo, tem algumas pessoas.
Além do livro, De Férias Com Você, Emily Henry já anunciou adaptações de outras três de suas obras literárias, como Leitura de Verão, Lugar Feliz e Book Lovers (Foto: Netflix)

Isabela Nascimento

Com a popularidade das comunidades de livros nas redes sociais, a escritora norte-americana Emily Henry se destacou no nicho de romance com histórias que exploram conexões profundas, luto e relações familiares. Com seu sucesso e de outras autoras, não demorou muito para estes bestsellers serem adaptados para o cinema. De Férias Com Você é a primeira produção deste tipo a ser lançada em 2026.

O romance se inspira no clássico das comédias românticas, When Harry Met Sally (1989). Poppy (Emily Beder) conhece Alex (Tom Blyth) quando, por acaso, ele dá uma carona para a cidade natal de ambos. Apesar das personalidades conflitantes, este episódio acaba resultando em uma amizade profunda. Após um incidente, os dois se afastam, mas se veem obrigados a conviverem juntos em Barcelona para uma celebração.

Os fãs da obra tinham um certo receio sobre as futuras mudanças e a participação de Emily Henry no projeto. Porém, em entrevista à revista People, a escritora ressaltou o desejo do diretor, Brett Haley, em produzir o longa da forma mais fiel. Segundo Emily, ele a incluiu em todos os processos possíveis para chegar no resultado perfeito. “Ele realmente queria que a minha voz fosse parte do filme para os leitores terem um representante em todas as conversas”. 

Essa vontade de entregar o produto mais fiel é vista durante o longa inteiro, principalmente na montagem e na escalação dos atores. No livro, os capítulos são intercalados com flashbacks das férias do passado com o tenso presente. As transições entre esses momentos foram feitos com uma naturalidade encantadora, que insere o telespectador dentro da história.

O elenco principal compreende a essência de seus personagens de uma maneira única, com atuações extremamente cativantes. A vontade em entregar a melhor versão de Poppy e Alex está presente nas cenas. Um exemplo é uma das lembranças que acontece em Nova Orleans: a sequência é engraçada e cheia de vida, trazendo a essência do livro para a tela.

A fotografia (Rob Givens), figurino (Colin Wilkes) e seleção musical também merecem destaque, com paisagens em foco, cores vivas e roupas que expressam as personalidades, servindo como uma delimitação implícita do contraste entre eles. A coletânea de músicas diversas e divertidas, que explora Grimes até Taylor Swift, é outro detalhe que dá um toque ainda mais especial.

Em uma floresta, Poppy e Alex estão no centro da imagem, com uma expressão de felicidade olhando para algo. Ela está com uma regata e biquíni listrado e um boné azul, enquanto ele está com uma mochila nas costas verde e uma camiseta cinza-escuro.
Emily Henry conta que pediu ao diretor para colocar august de Taylor Swift na trilha sonora (Foto: Netflix)

Este anseio em criar a melhor adaptação foi tão grande que até os mesmos defeitos do livro, o longa-metragem traz para a tela. Na reta final, o filme perde o ritmo e a qualidade do roteiro (Yulin Kuang). Tudo parece acontecer às pressas, resultando na falta de desenvolvimento dos relacionamentos e dilemas. Em determinado momento, o telespectador se questiona porque os personagens estão tendo aquela reação, por não terem sido retratados alguns acontecimentos e sentimentos. A consequência é a dificuldade em entender o final, porque tudo parece exagerado, sem nenhuma explicação. As últimas sequências tentam trazer algo, mas falha em tentar se conectar com o público, tornando a experiência frustrante e, até mesmo, ruim. 

Apesar disso, é visível a vontade de criar algo apaixonante que encante o público, porém, faltou profundidade e atenção. As músicas bonitas, atuações pontuais e paisagens encantadoras não foram capazes de esconder os problemas e criar um laço com quem assiste. Um questionamento surge: será que todas as adaptações que estão por vir, principalmente das outras obras de Emily, seguirão esta mesma linha ou terão uma ousadia maior?

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