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	<title>Arquivos Viggo Mortensen &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Viggo Mortensen &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>20 anos de A Sociedade do Anel: lá e de volta outra vez</title>
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		<pubDate>Mon, 02 May 2022 17:16:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda É muito difícil imaginar o que seria do Cinema, especialmente o gênero de fantasia blockbuster, quase sempre pautado em emoção e espetáculo, sem O Senhor dos Anéis. A trilogia de adaptações comandadas por Peter Jackson e produzidas pela New Line Cinema foi um dos maiores gambitos da história da Sétima Arte, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-senhor-dos-aneis-a-sociedade-do-anel-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "20 anos de A Sociedade do Anel: lá e de volta outra vez"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27439" aria-describedby="caption-attachment-27439" style="width: 1926px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-27439 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-1.jpg" alt="Cena do filme O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel. Um plano médio captura os  nove membros da Sociedade do Anel. Da esquerda para a direita, Aragorn (Viggo Mortensen), Gandalf (Sir Ian McKellen), Legolas (Orlando Bloom), Boromir (Sean Bean) e, na frente deles, Sam (Sean Astin), Frodo (Elijah Wood), Merry (Dominic Monaghan), Pippin (Billy Boyd) e Gimli (John Rhys-Davies). Aragorn é um homem caucasiano, magro, de cabelos castanhos-escuros e longos e uma barba rala, usando uma túnica cinza escura. Gandalf, um mago caucasiano e magro, possui cabelos e barba longos e grisalhos e um robe cinzento, segurando um cajado de madeira com sua mão direita. Legolas é um elfo caucasiano, magro, de orelhas pontudas e cabelos longos e loiros, usando uma túnica prateada. Boromir é um homem caucasiano, magro, de cabelos ruivos e longos, usando um colete preto por cima de uma túnica vermelha com detalhes em dourado. Os quatro hobbits, com cerca de metade da estatura deles, estão na frente de Gandalf e Legolas: Sam, magro e caucasiano, de cabelos loiros encaracolados, usando uma blusa cinza por cima de uma camisa branca; Frodo, magro e caucasiano, de cabelos pretos encaracolados, usando um colete rubro por cima de um paletó marrom; Merry, magro e caucasiano, de cabelos loiros encaracolados, usando um colete amarelo por baixo de um paletó verde e Pippin, também magro e caucasiano, de cabelos castanhos encaracolados, usando uma camisa branca por cima de um paletó verde. Na frente de Boromir, Gimli, um anão de barba e cabelos longos e ruivos, usando uma túnica vermelha por cima de malha de ferro, segurando o topo de seu machado com as duas mãos. Atrás de Gandalf e Boromir, podemos ver outros membros do Conselho, um elfo e um homem, ambos caucasianos. Folhagem verde preenche o fundo da tela, que é iluminada de amarelo pela luz do Sol. Todos os membros da Sociedade olham para a esquerda da tela, virados de frente." width="1926" height="797" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-1.jpg 1926w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-1-800x331.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-1-1024x424.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-1-768x318.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-1-1536x636.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-1-1200x497.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27439" class="wp-caption-text">“Nove companheiros…” (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É muito difícil imaginar </span><a href="https://www.polygon.com/lord-of-the-rings/22858403/lord-of-the-rings-movie-history-what-if"><span style="font-weight: 400;">o que seria do Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, especialmente o gênero de fantasia </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400;">, quase sempre pautado em emoção e espetáculo, sem </span><i><span style="font-weight: 400;">O Senhor dos Anéis</span></i><span style="font-weight: 400;">. A trilogia de adaptações comandadas por Peter Jackson e produzidas pela </span><i><span style="font-weight: 400;">New Line Cinema</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi um dos maiores gambitos da história da Sétima Arte, custando quase 300 milhões de dólares e 8 anos de produção, criando uma nova cultura de turismo na Nova Zelândia e assomando juntos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AoKFtf4A_mc"><span style="font-weight: 400;">dezessete estatuetas</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Baseados no épico de J.R.R. Tolkien, &#8211; por muito dado como inadaptável &#8211; os filmes deram nova vida à fantasia e inspiraram uma geração de cineastas a desafiarem os limites técnicos de suas obras.</span></p>
<p><span id="more-27438"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Composto igualmente por caminhadas lentas através das paisagens neozelandesas quanto por sequências de batalhas gigantescas, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Senhor dos Anéis</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma história sobre as grandes jornadas que fazemos. Seja na missão de Frodo (Elijah Wood) para jogar o Um Anel nas chamas da Montanha da Perdição ou nas lutas que Aragorn (Viggo Mortensen) trava para reaver um trono por direito seu, mas que ele nunca desejou, a narrativa sobre a natureza do poder, a esperança em tempos difíceis e a força da amizade ressoa até hoje, </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/cultura-geek/144323-senhor-aneis-primeiro-volume-saga-lancado-ha-65-anos.htm"><span style="font-weight: 400;">67 anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> após sua publicação original.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Duas décadas após </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Z13psfkdmcg"><span style="font-weight: 400;">sua estreia nos cinemas brasileiros</span></a><span style="font-weight: 400;">, voltamos ao idílico Condado e às cavernas sombrias de Moria para reexaminar o primeiro capítulo desta grande jornada, e como ele introduziu um dos legados cinematográficos mais duradouros de todos os tempos. A primeira parte da história é focada na formação do grupo titular de heróis, representantes de todos os povos livres da Terra-Média, e sua eventual separação durante a missão para destruir o Anel do Poder e acabar com o mal de uma vez por todas.</span></p>
<figure id="attachment_27440" aria-describedby="caption-attachment-27440" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-27440 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-2.jpg" alt="Cena do filme O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel. Gandalf e Frodo chegam no Condado em uma carroça movida por um cavalo marrom. Ela começa a cruzar uma ponte de pedra, da direita para a esquerda, em direção a um amontoado de casas, à esquerda da tela, com o rio que passa embaixo da ponte refletindo-o. O vilarejo se encontra no meio de um campo verdejante e, ao longo do horizonte, podemos ver alguns cavalos pastando na parte direita da tela. O céu é azul e sem nuvens. Gandalf usa um robe cinzento e um chapéu pontudo também cinzento enquanto só o topo da cabeça de Frodo é visível, os cabelos pretos encaracolados." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-2.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-2-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27440" class="wp-caption-text">De pé até hoje, o set de filmagem de Hobbiton é um ponto turístico essencial para os fãs que visitam a Nova Zelândia (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após o monólogo introdutório de Cate Blanchett como a elfa Galadriel, narrando o forjamento dos Anéis de Poder e a artimanha de Sauron, Senhor do Escuro, somos jogados no Condado, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2aHF4V1rMd8"><span style="font-weight: 400;">uma paisagem campestre</span></a><span style="font-weight: 400;"> habitada por hobbits, um povo pequeno e feliz que, nas palavras de Bilbo (Ian Holm), dividem “</span><i><span style="font-weight: 400;">um amor por todas as coisas que crescem</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Um lugar peculiar para se iniciar uma história sobre o embate épico entre o bem e o mal, com certeza, mas que faz sentido conforme sua narrativa se desenvolve, pois é na lembrança dele que os heróis se apoiam quando estão prestes a perder a esperança. Além disso, é lá que o filme oferece uma primeira impressão de seu minucioso </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de produção, retratando uma unidade social completamente funcional e crível, se concretizando nas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QWMFpxkGO_s"><span style="font-weight: 400;">ilusões técnicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que criam a altura do hobbits, quase imperceptíveis até hoje.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E por mais que toda essa atenção aos detalhes tenha só aumentado de filme em filme, é talvez aqui, em seu primeiro encontro, que ela é mais impressionante: </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sociedade do Anel</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem o dever não só de nos colocar dentro desse universo, mas também de nos convencer da lógica interna dele, de fazer com que essa minúcia converse com seus temas e sua narrativa, de verdadeiramente trazer o texto à vida de maneira que o resto da narrativa cresce organicamente ao longo de sua vida útil. Assim como os hobbits, Grant Major, </span><i><span style="font-weight: 400;">designer </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção (indicado novamente ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> recentemente por </span><a href="https://personaunesp.com.br/ataque-dos-caes-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ataque dos Cães</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), e o resto de sua equipe tiveram que desenvolver um amor pelas coisas que crescem, criando alguns dos lugares fictícios mais célebres da ficção, seja com efeitos práticos ou digitais.</span></p>
<figure id="attachment_27441" aria-describedby="caption-attachment-27441" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-27441" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-3.jpg" alt="Cena do filme O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel. Aragorn (Viggo Mortensen) ajuda Frodo (Elijah Wood) a se levantar após ele ter escorregado pela neve. Na frente deles, na parte direita da tela, em primeiro plano, vemos o Um Anel, um anel dourado com uma corrente prateada passando por dentro, no meio da neve. Fora de foco, Frodo e Aragorn, na parte esquerda da tela, procuram pelo objeto. Aragorn é um homem caucasiano de cabelos pretos e Frodo é um hobbit, com cerca de metade da altura de Aragorn, também de cabelos pretos. Ambos usam roupas escuras e quentes. Atrás deles, podemos ver uma cadeia de montanhas nevadas se estendendo até o horizonte. O céu está azul e sem nuvens." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-3.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-3-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27441" class="wp-caption-text">Um Anel do tamanho de um prato foi utilizado para compor os planos detalhe do objeto (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma qualidade teatral no roteiro do filme, assinado por Jackson, Fran Walsh e Philippa Boyens, uma paixão inerente à interpretação desse mundo no meio audiovisual e que move tanto suas cenas mais emocionalmente carregadas quanto os instantes levianos, cada vez mais raros conforme a narrativa avança. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kFNXWTJr_8c"><span style="font-weight: 400;">Cada ator</span></a><span style="font-weight: 400;"> leva seu texto com uma seriedade que beira à tosquice, mas que é sincera e comprometida o suficiente para nos imergir ainda mais nos dramas entre seus personagens e na maneira com que eles reagem aos acontecimentos: a todo momento o mundo parece prestes a acabar conforme o inimigo se aproxima de Frodo e do Anel, e nossos heróis quase sempre apenas escapam por um triz, entregando desespero, alívio e antecipação com intensidade palpável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, na passagem da literatura para o audiovisual, alguns sacrifícios são feitos. Ao invés de acompanharmos os pensamentos de Frodo conforme o verdadeiro peso de sua missão aumenta, temos de ver essa mudança primariamente através de outros personagens, o que diminui seu impacto. Mais ênfase é dada ao monomito americano, posicionando Aragorn como seu herói. Como resultado disso, a percepção de Frodo no Cinema é a de um protagonista fracassado, negando a abordagem empática planejada por seu criador. Porém, se encararmos os filmes não como uma adaptação, mas como uma </span><a href="https://www.geekhere.com.br/serie/afinal-o-que-aneis-de-poder-vai-adaptar-da-mitologia-de-o-senhor-dos-aneis/"><span style="font-weight: 400;">reinterpretação dos mitos</span></a><span style="font-weight: 400;"> introduzidos por Tolkien, esse tipo de sacrifício se torna mais um sinal do comprometimento com o qual todos os seus elementos foram retrabalhados para funcionar no Cinema, e não apenas emular a literatura.</span></p>
<figure id="attachment_27442" aria-describedby="caption-attachment-27442" style="width: 970px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27442" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-4.png" alt="Cena da 76a cerimônia de premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Howard Shore sobe para receber seu prêmio pela Trilha Sonora Original de O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel. Howard é um homem caucasiano, magro, de cabelo grisalho e óculos pretos e circulares, usando um terno smoking com uma gravata preta. Atrás dele, alguns membros da orquestra aparecem tocando seus instrumentos. Ele segura sua estatueta com ambas as mãos e, na metade inferior da tela, por cima de um fundo dourado, em letras brancas, aparecem os dizeres: “ORIGINAL SCORE” e, embaixo dele, “Howard Shore” e “THE LORD OF THE RINGS: THE FELLOWSHIP OF THE RING”; Do lado esquerdo do letreiro, um modelo digital da estatueta." width="970" height="723" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-4.png 970w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-4-800x596.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-4-768x572.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27442" class="wp-caption-text">A Sociedade do Anel deu ao compositor Howard Shore sua primeira estatueta da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, quando falamos na ambientação e imersão da trilogia, a cereja do bolo é, e talvez sempre será, a trilha sonora operática do compositor Howard Shore. Criando provavelmente a </span><a href="https://www.deviante.com.br/noticias/anatomia-musical-de-uma-cena-os-leitmotivs-de-o-senhor-dos-aneis/"><span style="font-weight: 400;">mais vasta e complexa coleção de </span><i><span style="font-weight: 400;">leitmotivs</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na história do Cinema, ele cria uma camada pulsante sobre todas as cenas, revestindo-as de emoção e antecipação, não apenas acompanhando o tom da narrativa, mas efetivamente refletindo-a e modificando-a junto dela. Quando você ouve o alegre tema do Condado, ou o místico dos elfos de Lothlórien, não há como confundi-los com qualquer outra coisa que não seja simplesmente </span><i><span style="font-weight: 400;">O Senhor dos Anéis</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E em nenhum lugar essa construção de mundo através do som é mais evidente do que no tema dos heróis que embarcam na aventura: o </span><a href="https://open.spotify.com/track/1ykbtFnlIjmIFnZ8j6wg6i?si=d66795b23dc64acf"><span style="font-weight: 400;">tema da Sociedade do Anel</span></a><span style="font-weight: 400;"> vai dando seus primeiros passos conforme Frodo e Sam (Sean Astin), seu companheiro constante e amigo fiel, saem do Condado em direção à Valfenda, na esperança de impedir que o Anel caia na mão dos espectros que os perseguem. Começando de maneira tímida e esperançosa, ele ruge apenas quando o grupo conta com todos os membros presentes, e vai se fraturando no decorrer da narrativa conforme os vínculos entre seus personagens vão se desenvolvendo, criando uma sinfonia que vive no coração de sua história.</span></p>
<figure id="attachment_27444" aria-describedby="caption-attachment-27444" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27444" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-5.jpg" alt="Cena do filme O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel. Frodo e Sam caminham por um campo verdejante. Frodo (Elijah Wood) caminha um pouco à frente de Sam (Sean Astin). Os dois usam roupas leves com mangas brancas e carregam cajados na mão direita e mochilas nas costas. A mochila de Sam também tem várias panelas e utensílios de cozinha pendurados. No plano de fundo, uma floresta densa de pinheiros preenche a metade esquerda da tela, enquanto grandes colinas ocultas pela sombra assomam ao fundo. O dia está claro e nuvens ao fundo cobrem o horizonte." width="1920" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-5.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-5-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-5-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-5-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-5-1536x640.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-5-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27444" class="wp-caption-text">“É um negócio perigoso, Frodo, sair da sua porta. Você pisa na Estrada e, se não controlar seus pés, nunca se sabe para onde será levado.” (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora à primeira vista sua narrativa épica possa ser erroneamente resumida em uma coleção de nomes estranhos, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iIOS97_8Y3E"><span style="font-weight: 400;">caminhadas sem fim</span></a><span style="font-weight: 400;"> por paisagens neozelandesas e lutas grandiosas entre exércitos inimigos, os três capítulos reexaminam os temas de esperança e amizade em face do mal, cada qual focando em uma parte diferente da jornada. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sociedade do Anel</span></i><span style="font-weight: 400;"> se preocupa particularmente com a questão de sobre quem deve recair a responsabilidade do poder terrível e tentador que o Um Anel traz consigo. Como em todo bom início da jornada do herói, Frodo tenta recusar o chamado diversas vezes, implorando para que pessoas mais capazes do que ele arquem com a o peso do Anel, como Gandalf (Sir Ian McKellen), o mago que primeiro revela a natureza maléfica do objeto e encarga Frodo de carregá-lo até os elfos de Valfenda, e logo o adverte:</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Não me tente, Frodo! Não ouso pegá-lo. Nem mesmo para guardá-lo. Entenda, Frodo: eu usaria esse Anel com o desejo de fazer o bem. Mas, através de mim, ele exerceria um poder mais intenso e terrível do que se pode imaginar.”</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é possível desassociar o poder do Um Anel de sua origem, por melhores que sejam as intenções do portador, o que fica claro mais a frente quando Boromir (Sean Bean) é corrompido pela mera ambição de ter o Anel em sua posse para ajudar seu reino. O primeiro passo da jornada de Frodo é justamente perceber que ninguém poderá carregar essa responsabilidade além dele, o menor e menos importante dos seres da Terra-Média, conforme Galadriel nos avisa durante o prólogo inicial: “</span><i><span style="font-weight: 400;">chegará a hora em que os hobbits moldarão o destino de todos.</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tolkien sempre manteve que </span><i><span style="font-weight: 400;">O Senhor dos Anéis</span></i><span style="font-weight: 400;"> nunca foi uma alegoria para as </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/guerras/jrr-tolkien-na-primeira-guerra-mundial.htm"><span style="font-weight: 400;">suas experiências na Primeira Guerra Mundial</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde vários de seus amigos e escritores contemporâneos pereceram. No entanto, é impossível dizer que tais experiências não se façam presentes na jornada antes mesmo que qualquer grande conflito se inicie. Se mais para frente nos emocionamos ao ver as grandes sequências de batalha em que o destino do mundo é segurado por um fio, é porque em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sociedade do Anel </span></i><span style="font-weight: 400;">os elos entre seus personagens são estabelecidos com equivalente grandeza e cuidado, sem nunca medir palavras na adaptação de seu rico texto. Católico devoto, a crença de Tolkien na Queda do Homem e na progressão decadente da humanidade se faz presente também nesse texto, mas também está a </span><a href="https://www.polygon.com/lord-of-the-rings/2021/1/6/22205252/lord-of-the-rings-movies-tolkien-meaning-historical-context"><span style="font-weight: 400;">fé na esperança</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o permitiu passar pelos tempos mais difíceis.</span></p>
<figure id="attachment_27445" aria-describedby="caption-attachment-27445" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27445" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-6.gif" alt="Cena do filme O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel. Frodo (Elijah Wood) abraça Sam (Sean Astin) dentro do barco que os carrega. Sam está encharcado, e seus cabelos loiros estão pendem para frente. Frodo se joga para frente e o abraça, se agarrando em sua capa cinzenta. Atrás de Sam, uma praia de pedras brancas com algumas pedras e uma floresta ao fundo. Tanto Sam quanto Frodo são hobbits caucasianos e magros, mas Frodo tem cabelos pretos." width="800" height="440" /><figcaption id="caption-attachment-27445" class="wp-caption-text">“Eu fiz uma promessa, Sr. Frodo.” (GIF: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E essa esperança implacável não se evidencia em nenhum par de personagens mais do que em Frodo e Sam, os hobbits mais famosos da Terra-Média e talvez o </span><i><span style="font-weight: 400;">ship</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais popular de toda a franquia. É fácil entender o porquê: a devoção e o carinho que existe entre ambos seria lida como romântica em qualquer contexto heteronormativo (com direito à toques tenros e os olhares mais doces da fantasia) e, tecnicamente, não há nada nos livros que exclua a validade dessa abordagem, nem mesmo o futuro casamento de Sam, que ainda passa a viver com Frodo e cria sua família com ele. Como Molly Ostertag (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1W1FFiT51lg"><i><span style="font-weight: 400;">A Casa Coruja</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) escreveu para o site </span><a href="https://www.polygon.com/lord-of-the-rings/22550950/sam-frodo-queer-romance-lord-of-the-rings-tolkien-quotes"><i><span style="font-weight: 400;">Polygon</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em comemoração aos 20 anos dos filmes:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Investigar a história do queer pode ser frustrante, já que muitas vezes nos damos conta de que nunca saberemos com certeza. É complicado aplicar rótulos modernos a pessoas que não os usavam em vida &#8211; mas rótulos modernos também incluem ‘heterossexual’ e ‘cisgênero’ tanto quanto ‘gay’ ou ‘transgênero’. Tudo que podemos fazer é olhar para as suas vidas e estar abertos às possibilidades.</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">E nada te deixa mais aberto às possibilidades do que o momento em que Sam, sem saber nadar, quase se afoga tentando alcançar Frodo, que agora está mais decidido do que nunca a não arriscar a vida de mais ninguém em sua missão e seguir sozinho em direção à Montanha da Perdição. Sam, içado por Frodo para dentro do barco após um momento de desespero, lhe assegura que não tem intenção de quebrar sua promessa de nunca abandoná-lo, e os dois terminam num momento caloroso, antes de dar o próximo e mais sombrio passo na jornada. No momento mais crítico da Sociedade que, após a morte de dois de seus membros, começa a ruir, Sam se recusa a deixar seu mais querido amigo ir sem ele. Seja esse sentimento </span><a href="https://deliriumnerd.com/2017/02/20/queerbaiting-fetichizacao/"><span style="font-weight: 400;">platônico ou romântico</span></a><span style="font-weight: 400;">, é um amor profundo que se encontra no cerne da narrativa e que permite, de novo e de novo, que seus heróis triunfem contra todas as probabilidades.</span></p>
<figure id="attachment_27446" aria-describedby="caption-attachment-27446" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27446" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-7.jpg" alt="Cena do filme O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel. Frodo (Elijah Wood) contempla o barco ancorado na praia e segura o Anel em sua mão direita. Frodo é um hobbit caucasiano e magro, de cabelos pretos e encaracolados, usando uma capa cinza por meio de uma roupa marrom escura. O vemos de perfil, olhando da direita para a esquerda. De seu lado direito, um barco branco está ancorado na margem da praia. À sua frente, outro barco toca a água. Acima dele, o dossel de folhas das árvores à margem da água cobre boa parte da tela. A água está tranquila e verde clara, com outra floresta se assomando na margem oposta." width="1920" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-7.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-7-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-7-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-7-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-7-1536x640.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a-sociedade-do-anel-7-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27446" class="wp-caption-text">Nem todas as jornadas importantes podemos trilhar sozinhos (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando estreou, em janeiro de 2002 no Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel</span></i><span style="font-weight: 400;"> encantou audiências não apenas por nos apresentar um mundo novo, povoado por seres místicos e males ancestrais, mas por ancorar sua fantasia em vários dos temas mais universais da ficção e apresentá-los sem cinismo, mas com verdadeira e profunda reverência. Mesmo que seu próprio elenco </span><a href="https://www.omelete.com.br/o-senhor-dos-aneis/senhor-dos-aneis-diversidade"><span style="font-weight: 400;">não reflita essa universalidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, a convicção de seu </span><i><span style="font-weight: 400;">storytelling</span></i><span style="font-weight: 400;"> é tão pura e comprometida que é praticamente impossível não ser instantaneamente transposto para seu universo mágico. No início dessa jornada inesquecível, fica claro que as grande estrelas desse </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> não serão os embates épicos ou as grandes batalhas, mas os sacrifícios pessoais e os vínculos emocionais que unem a Sociedade, e a ideia de que o menor dos seres irá carregar o destino do mundo.</span></p>
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		<title>Os 15 filmes do Festival do Rio 2021</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Aug 2021 18:12:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quando o assunto é Festival, o Persona, em conjunto, clama por um único evento: o dia do Cineclube. E claro, se for em terras cariocas, a empolgação é maior ainda. Depois de 15 dias e 15 filmes, chega ao fim o Festival do Rio 2021, que com uma seleção variada de obras singulares, uniu todas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cobertura-festival-do-rio-2021/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os 15 filmes do Festival do Rio 2021"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22032" aria-describedby="caption-attachment-22032" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22032 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/cineclubefestivalwordpress.jpg" alt="Arte em fundo azul-escuro. Ao lado esquerdo, lê-se em branco: os 15 filmes do festival do rio 2021. No canto inferior esquerdo, está o olho do Persona, com a íris azul. Do lado direto, estão 3 vezes o logo do Festival, em forma do Corcovado, com cenas de 3 filmes: Slalom, DNA e Verão de 85." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/cineclubefestivalwordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/cineclubefestivalwordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/cineclubefestivalwordpress-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22032" class="wp-caption-text">Entre os destaques das duas semanas do Festival do Rio, estão Slalom &#8211; Até o Limite, DNA e Verão de 85 (Foto: Reprodução/Arte: Ana Júlia Trevisan/Texto de Abertura: Caroline Campos)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o assunto é Festival, o </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">, em conjunto, clama por um único evento: o dia do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/cineclube"><span style="font-weight: 400;">Cineclube</span></a><span style="font-weight: 400;">. E claro, se for em terras cariocas, a empolgação é maior ainda. Depois de 15 dias e 15 filmes, chega ao fim o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio 2021</span></a>,<span style="font-weight: 400;"> que com uma seleção variada de obras singulares, uniu todas as tribos e agradou até o mais cri-cri dos cinéfilos de plantão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Da Dinamarca à Costa do Marfim, de indicados ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> até esnobados injustos, um pouquinho do que há de melhor na produção cinematográfica mundial veio visitar remotamente a Cidade Maravilhosa e garantir, diariamente, um descanso fora das amarras das nossas próprias narrativas. Pela plataforma do </span><a href="https://www.exibidor.com.br/noticias/mercado/12076-parceria-inedita-entre-telecine-e-festival-do-rio-prioriza-alcance-nacional-do-cinema"><i><span style="font-weight: 400;">Telecine</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, cada filme era disponibilizado por 24 horas e 24 horas apenas, ou seja, chegara o momento de planejar a maratona.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Figurinhas já batidas integraram o catálogo do Festival. Uma nova exibição de </span><a href="https://personaunesp.com.br/druk-mais-uma-rodada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Druk &#8211; Mais uma Rodada</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é sempre bem-vinda e o atual vencedor da categoria de Melhor Filme Internacional no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi o felizardo responsável por iniciar a jornada com muito álcool e uma boa dose de Mads Mikkelsen (ou seria o contrário?). E os donos de estatuetas douradas não pararam por aí: o ácido </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bela Vingança</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que garantiu o prêmio em Roteiro Original para Emerald Fennell, arrancou exclamações e conquistou uma vaga entre as 15 obras. Excepcionais, sim. Mas, às vezes, poderia ter sido mais produtivo ceder espaço às produções não tão comentadas nos últimos meses.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pincelando temas dolorosos e desconfortáveis da melhor forma que o Cinema consegue fazer, não faltou sensibilidade para discutir o que de mais horrendo a sociedade já produziu e encarar nossos demônios como espécie humana. </span><a href="https://personaunesp.com.br/quo-vadis-aida-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Quo Vadis, Aida?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/caros-camaradas-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Caros Camaradas!</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> miram no histórico, </span><a href="https://personaunesp.com.br/slalom-ate-o-limite-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Slalom &#8211; Até o Limite</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/ainda-ha-tempo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Há Tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> desenham o atual. Das mais variadas formas, esta edição do Festival do Rio coloca o espectador frente a frente com o espelho e exige reflexão; exige autoconsciência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É óbvio que, no meio de tudo isso, sobra espaço para o cômico, o lúdico e até para o fantástico. No entanto, não se engane – como toda forma de expressão, o Cinema é um produto de seu tempo, dialogando com seu tempo e, muitas vezes, questionando na mesma medida. Por baixo do prédio ficcional de </span><a href="https://personaunesp.com.br/edificio-gagarine-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Edifício Gagarine</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou das histórias arrebatadoras de </span><a href="https://personaunesp.com.br/noite-de-reis-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Noite de Reis</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, há sempre uma lente que foca no que somos ou no que deveríamos ser.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de uma cobertura completa da leva de filmes 2021, a </span><b>Editoria do Persona</b> <span style="font-weight: 400;">embaralha os papéis e comenta obra por obra, loucura por loucura, apresentada na fresquíssima edição do Festival do Rio. Para quem já está com </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/noticias/festival-do-rio-2021-anunciada-a-premiere-brasil-2020-em-formato-hibrido/"><span style="font-weight: 400;">saudades</span></a><span style="font-weight: 400;"> das narrativas diárias, os textos abaixo revivem parte do caos latente proporcionado durante esses últimos 15 dias pelo maior festival de Cinema da América Latina.</span></p>
<p><span id="more-21964"></span></p>
<figure id="attachment_22033" aria-describedby="caption-attachment-22033" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22033" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1-druk.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme Druk - Mais uma Rodada. Nela estão, da esquerda para a direita, os personagens Nikolaj, interpretado por Magnus Millang, Peter, interpretado por Lars Ranthe, e Martin, interpretado por Mads Mikkelsen. Eles estão em frente a um campo de futebol, comemorando com os braços levantados para cima e os punhos cerrados. Nikolaj é um homem branco, de cabelos e barba castanhos, ele veste uma camisa azul claro, uma jaqueta escura e calça jeans. Peter é um homem branco, de cabelos castanhos, ele veste uma blusa e um casaco marrom e calça jeans. Martin é um homem branco, de cabelos grisalhos, ele está em cima de um banco e veste uma blusa e casaco marrons e calça marrom-claro." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1-druk.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1-druk-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1-druk-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1-druk-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1-druk-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22033" class="wp-caption-text">A produção que encerrou a 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo abriu as portas do Festival do Rio 2021 (Foto: Nordisk Film)</figcaption></figure>
<p><b>Druk &#8211; Mais uma Rodada (Druk, Thomas Vinterberg)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O atual </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-oscar-2021/"><span style="font-weight: 400;">vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> não poderia ser uma escolha melhor para inaugurar o</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">. O longa de Thomas Vinterberg, que representou a Dinamarca na premiação e ainda marcou presença na categoria de Melhor Direção, traz uma mensagem arrebatadora &#8211; e regada a muito álcool &#8211; sobre celebrar e aproveitar a vida. E faz isso se centrando em um grupo de amigos que vivem uma espécie de crise da meia-idade, desmotivados em relação ao seu trabalho e suas vidas pessoais igualmente. Assim, o quarteto formado pelos professores Martin (Mads Mikkelsen), Tommy (Thomas Bo Larsen), Nikolaj (Magnus Millang) e Peter (Lars Ranthe) encontra no álcool uma espécie de refúgio para essa monotonia, a partir da teoria do psiquiatra norueguês Finn Skårderud, de que o ser humano nasce com um déficit de 0,05% do composto no sangue. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que poderia seguir para uma comédia escrachada <em>à la</em> </span><i><span style="font-weight: 400;">Se Beber, Não Case</span></i><span style="font-weight: 400;"> sobre homens quarentões que decidem viver a vida inconsequentemente, é magistralmente conduzida para um drama bem-humorado e reflexivo. Sem se apoiar em discursos moralistas, </span><a href="https://personaunesp.com.br/druk-mais-uma-rodada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Druk &#8211; Mais uma Rodada</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é capaz de mostrar as devidas consequências do excesso de álcool, mas não abandona o fato de que ele é um refúgio revitalizador para a cansativa rotina da vida adulta. O papel de Mikkelsen é o grande fio condutor da narrativa, em que apesar da vida boêmia trazer um pouco de brilho para sua personalidade até no meio profissional, ela não apaga as fragilidades de seu casamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra de Vinterberg se encerra com a mesma força de seu início, mostrando a beleza de curtir momentos cercado de boas amizades, segurando um devido </span><i><span style="font-weight: 400;">drink </span></i><span style="font-weight: 400;">na mão. O triunfo dessa deliciosa experiência foi tanto que já está confirmado para ganhar um </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/druk-mais-uma-rodada-remake-nos-eua?fbclid=IwAR0iIFBsHPcmxWBDkuEPgFuzOwV_2d3MJcsCY6VvFybjW41M6f151f5t4mU"><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> em terras estadunidenses</span></a><span style="font-weight: 400;">, que não conseguem ver um filme bem sucedido que não possam chamar de seu. Além de sua narrativa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Druk </span></i><span style="font-weight: 400;">carrega uma homenagem à filha do cineasta, que iria estrelar a produção, mas faleceu em um acidente de carro em 2019. O triste estado de luto do diretor </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,quando-voce-abandona-o-controle-pode-encontrar-a-inspiracao-diz-thomas-vinterberg,70003659057"><span style="font-weight: 400;">não sobrepôs o teor do filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> com um pessimismo amargurado, fazendo jus à bela memória de Ida Vinterberg. </span><b>&#8211; Vitória Silva</b></p>
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<figure id="attachment_22034" aria-describedby="caption-attachment-22034" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22034" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2-caros-camaradas.jpg" alt="Cena do filme Caros Camaradas! Trabalhadores em Luta. A fotografia é em preto-e-branco e mostra uma mulher ajoelhada no chão de um banheiro. Ela usa saia comprida, um casaco escuro e o cabelo está preso em um penteado. Suas mãos cobrem o rosto e ela as apoia no batente da janela. Podemos ver, ao seu lado, uma pia." width="1000" height="562" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2-caros-camaradas.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2-caros-camaradas-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2-caros-camaradas-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22034" class="wp-caption-text">Lyuda se perde na própria realidade ao se deparar com a possível morte da filha (Foto: Production Center of Andrei Konchalovsky)</figcaption></figure>
<p><b>Caros Camaradas! &#8211; Trabalhadores em Luta (Dorogie Tovarishchi, Andrey Konchalovskiy)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o Festival do Rio escolheu a alegria bêbada e pungente de </span><i><span style="font-weight: 400;">Druk </span></i><span style="font-weight: 400;">para iniciar os 15 dias de exibição, </span><a href="https://personaunesp.com.br/caros-camaradas-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Caros Camaradas!</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi uma decisão e tanto para suceder o dinamarquês. O longa de Andrei Konchalovsky, antigo co-roteirista de </span><a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/andrei-tarkovski-o-homem-que-viu-um-anjo/"><span style="font-weight: 400;">Andrei Tarkovsky</span></a><span style="font-weight: 400;">, sabe a história que quer contar e, por mais dolorosa que seja, não se desvia dela em momento algum.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seja pela proporção 1:33 ou pela fotografia em preto-e-branco, </span><a href="https://cinepop.com.br/critica-caros-camaradas-trabalhadores-em-luta-indicado-da-russia-ao-oscar-faz-forte-critica-a-kgb-305942/"><span style="font-weight: 400;">a obra russa</span></a><span style="font-weight: 400;"> explora a jornada desesperada da personagem de Yuliya Vysotskaya para tentar encontrar sua filha, uma das possíveis vítimas da força policial que reprimiu violentamente os protestos dos trabalhadores de </span><a href="http://soviethistory.msu.edu/1961-2/novocherkassk-massacre/"><span style="font-weight: 400;">Novocherkassk</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 1962. A escolha do diretor em centralizar a devota mãe stalinista em seu processo de redescoberta dos próprios ideais dá o gás que a narrativa precisa para não se tornar vazia e, com jogos emocionais perfeitamente construídos, Konchalovsky é irrefutavelmente bem-sucedido. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_22035" aria-describedby="caption-attachment-22035" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22035 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-slalom.jpg" alt="Foto promocional do filme Slalom. Nela está a protagonista, garota de pele clara e cabelo longo e escuro preso em uma trança estilo boxeadora. Ela veste um top preto com o simbolo da adidas em branco no canto superior direito. A menina olha para baixo com o rosto em uma espressão cansada. No fundo há uma grande janela por onde é possível ver árvores coloridas de branco pela neve." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-slalom.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-slalom-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-slalom-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-slalom-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-slalom-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22035" class="wp-caption-text">Slalom marcou o terceiro dia do Festival do Rio com sua forte narrativa (Foto: Charlie Bus Production)</figcaption></figure>
<p><b>Slalom &#8211; Até o Limite (Slalom, Charlène Favier)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/10-cenas-que-voce-ja-espera-em-todo-filme-de-terror.html#list-item-5"><span style="font-weight: 400;">cenas mais típicas do terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> é quando o monstro se aproxima por trás, e a vítima o vê pelo reflexo do espelho a sua frente. A construção desse cenário é usada em </span><a href="https://personaunesp.com.br/slalom-ate-o-limite-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Slalom &#8211; Até o Limite</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o terceiro filme do Festival do Rio, em um momento de grande tensão. O monstro, dessa vez, não tem nada de sobrenatural. O medo da protagonista, de apenas 15 anos, vem do seu abusador e violento treinador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nas montanhas de </span><span style="font-weight: 400;">Bourg Saint Maurice que se passa a história de Lyz (</span><a href="https://www.heyuguys.com/slalom-interview/"><span style="font-weight: 400;">Noée Abita</span></a><span style="font-weight: 400;">), tão gelada quanto a neve que a cerca. Pelos olhos da diretora francesa Charlène Favier, </span><i><span style="font-weight: 400;">Slalom </span></i><span style="font-weight: 400;">narra a sombria jornada da jovem atleta que foi abandonada pela mãe e assombrada pelos abusos psicológicos e físicos do seu técnico, Fred (</span><a href="https://www.papodecinema.com.br/artistas/jeremie-renier/fotos/"><span style="font-weight: 400;">Jérémie Renier</span></a><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem diminuir a força dos acontecimentos, o filme é verdadeiro e agressivo em todos os seus 92 minutos. Com iluminação fria e uma trilha sonora muitas vezes silenciosa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Slalom </span></i><span style="font-weight: 400;">escancara a realidade de tantas meninas que convivem nos meios esportivos. O longa é um tapa na cara para acordar quem ainda não entende a gravidade do </span><a href="https://ibdfam.org.br/index.php/noticias/7590/10+filmes+para+refletir+sobre+a+viol%C3%AAncia+contra+a+mulher"><span style="font-weight: 400;">estupro e da violência</span></a><span style="font-weight: 400;"> contra a mulher &#8211; que, nesse caso, é apenas uma criança. </span><b>&#8211; Mariana Chagas</b></p>
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<figure id="attachment_22036" aria-describedby="caption-attachment-22036" style="width: 1240px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22036" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-o-mauritano.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme O Mauritano. Nela, está o personagem Mohamedou Ould Slahi, interpretado por Tahar Rahim. Ele é um homem branco, com o cabelo raspado, e veste um uniforme laranja de presidiário. Mohamedou está na parte externa de um presídio, olhando para cima, ele tem ferimentos leves no seu rosto." width="1240" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-o-mauritano.jpg 1240w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-o-mauritano-800x452.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-o-mauritano-1024x578.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-o-mauritano-768x434.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-o-mauritano-1200x677.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22036" class="wp-caption-text">O filme garantiu o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante para Jodie Foster (Foto: Topic Studios)</figcaption></figure>
<p><b>O Mauritano (The Mauritanian, Kevin Macdonald)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra que marcou presença no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro-2021/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, e foi tristemente esnobada no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-sobre-os-indicados-ao-oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar,</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> teve seu devido lugar ocupado no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mauritano</span></i><span style="font-weight: 400;"> ilustra a história real de Mohamedou Ould Slahi, interpretado por Tahar Rahim, acusado de recrutar terroristas para o atentado do 11 de setembro. Sob o contexto da chamada </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/guerras/os-eua-guerra-ao-terror.htm"><i><span style="font-weight: 400;">guerra ao terror</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do governo do presidente George W. Bush, o engenheiro mauritano é levado à base de Guantánamo, onde permaneceu por mais de 14 anos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem nenhuma acusação formal do governo estadunidense contra ele, a advogada Nancy Hollander (Jodie Foster) e sua assistente Teri Duncan (Shailene Woodley) assumem seu caso, tendo no lado oposto o advogado militar Stuart Couch (Benedict Cumberbatch). A produção dirigida por Kevin Macdonald se baseia no livro autobiográfico do Mauritano de fora das telas, </span><a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/10/eua-enviam-preso-autor-de-o-diario-de-guantanamo-mauritania.html"><i><span style="font-weight: 400;">O Diário de Guantánamo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e evidencia as deficiências do sistema prisional estadunidense e de sua política anti-terrorismo, que acaba por evidenciar preconceitos e ferir a liberdade daqueles que não identificam como seus. </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/o-mauritano-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Mauritano</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> navega por </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> um tanto confusos da vida de Mohamedou e das agonizantes torturas que ele passou para confessar o que o governo estadunidense queria ouvir. O peso da história é brilhantemente sustentado pela atuação de Rahim, trazendo a luz da resiliência para o personagem que interpreta, que é apenas um dos diversos rostos injustamente aprisionados por um sistema que corre atrás de presas fáceis. </span><b>&#8211; Vitória Silva</b></p>
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<figure id="attachment_22037" aria-describedby="caption-attachment-22037" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22037" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/5-edificio-gagarine.jpg" alt="Cena do filme Edifício Gagarine. O personagem Youri, um menino de 16 anos negro de pele escura, está vestido com uma roupa de astronauta vintage. Ele segura o capacete da roupa nos braços. Ele está em um corredor, caminhando em direção a câmera. A iluminação da cena é toda em vermelho. " width="1600" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/5-edificio-gagarine.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/5-edificio-gagarine-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/5-edificio-gagarine-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/5-edificio-gagarine-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/5-edificio-gagarine-1536x640.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/5-edificio-gagarine-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22037" class="wp-caption-text">O filme estava na Seleção Oficial do Festival de Cannes 2020, cancelado pela pandemia (Foto: Haut et Court)</figcaption></figure>
<p><b>Edifício Gagarine (Gagarine, Fanny Liatard e Jérémy Trouilh)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A imaginação é capaz de qualquer coisa, e é nela que Youri (Alséni Bathily) se agarra. Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/edificio-gagarine-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Edifício Gagarine</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, 5º filme do Festival do Rio 2021, Fanny Liatard e Jérémy Trouilh contam uma história em camadas: uma homenagem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=O8WmuRnPyfM&amp;ab_channel=BandJornalismo"><span style="font-weight: 400;">semi-documental</span></a><span style="font-weight: 400;">, um </span><i><span style="font-weight: 400;">longa-de-amadurecimento</span></i><span style="font-weight: 400;">, um drama de denúncia social, e uma ficção científica fantasiosa situada nos subúrbios de Paris. Youri, um menino de 16 anos residente do conjunto habitacional Gagarine, decide iniciar um movimento para impedir a demolição do prédio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No processo, ele e seu amigo Houssam (Jamil McCraven) conhecem Diana (Lyna Khoudri), e os três se unem para lutar contra o tempo para salvar o edifício de virar escombros. Liatard e Trouilh parecem contar diferentes histórias em uma mesma narrativa, quase como um sonho que conecta suas cenas, ainda que elas pareçam emanar energias completamente diferentes. Sempre que o longa parece estar indo para algum lugar, ele muda de direção com a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JGMvpP2gGy8&amp;ab_channel=JulianDanzer"><span style="font-weight: 400;">força de um foguete</span></a><span style="font-weight: 400;">, e nos sentimentos ligeiramente perdidos por alguns momentos, como se flutuássemos no espaço.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Festivais são o lugar perfeito para experimentações, e aqui, elas funcionam. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=A-VVC4XZzm0&amp;ab_channel=Telecine"><i><span style="font-weight: 400;">Gagarine</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> parece refletir exatamente o que se passa na mente de Youri, muitas ideias e uma grande motivação, mas propósitos tão singulares que se apresentam de forma confusa. Quanto mais adentramos na narrativa, mais a imaginação e a realidade se misturam, e a deslumbrante sequência final faz compensar os caminhos que o filme utiliza para chegar até lá. </span><b>&#8211; Jho Brunhara</b></p>
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<figure id="attachment_22038" aria-describedby="caption-attachment-22038" style="width: 1899px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22038" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/6-quo-vadis.jpg" alt="Cena do filme Quo Vadis, Aida?. Ao centro da imagem, vemos Aida, uma mulher branca aparentando ter cerca de 60 anos, de cabelos loiros escuros na altura do ombro e olhos verdes, encarando a câmera por trás de grades." width="1899" height="1001" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/6-quo-vadis.jpg 1899w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/6-quo-vadis-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/6-quo-vadis-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/6-quo-vadis-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/6-quo-vadis-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/6-quo-vadis-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22038" class="wp-caption-text">Quo Vadis, Aida? chegou no Rio direto do Oscar: o filme concorreu na categoria de Melhor Filme Internacional, mas perdeu para o dinamarquês Druk &#8211; Mais uma Rodada (Foto: Deblokada Film)</figcaption></figure>
<p><b>Quo Vadis, Aida? (Idem, Jasmila Zbanic)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibido no sexto dia do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, o bósnio </span><a href="https://personaunesp.com.br/quo-vadis-aida-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Quo Vadis, Aida?</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> revisita os acontecimentos que </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/04/quo-vadis-aida-indicado-ao-oscar-relembra-genocidio-na-bosnia-que-muitos-negam.shtml"><span style="font-weight: 400;">culminaram no Massacre de Srebrenica</span></a><span style="font-weight: 400;">. A cada nova omissão da Organização das Nações Unidas, que mediou conflitos durante a Guerra da Bósnia, a esperança se esvaindo é quase tangível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É com a protagonista </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/oscar-2021-6-motivos-para-assistir-quo-vadis-aida-indicado-melhor-filme-estrangeiro/"><span style="font-weight: 400;">Aida</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; mãe, cidadã de Srebenica e tradutora da ONU &#8211; que acompanhamos a escalada do conflito e das negligências que levaram ao genocídio de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zz3MPapRmoU"><span style="font-weight: 400;">mais de oito mil bósnio-muçulmanos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em uma performance agonizante, que potencializa o desespero perante o desastre iminente, a veterana </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/jan/21/ill-never-forget-the-silence-on-set-revisiting-the-srebrenica-massacre"><span style="font-weight: 400;">Jasna Duricic</span></a><span style="font-weight: 400;"> exala a angústia de cumprir suas funções como mediadora enquanto tenta a todo custo proteger sua família e comunidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cada minuto das quase duas horas e meia de duração, que não ficam arrastadas graças à condução da diretora </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/oscar/2021/noticia/2021/04/20/quis-mostrar-o-que-e-sobreviver-a-um-genocidio-diz-diretora-bosnia-indicada-ao-oscar.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Jasmila Zbanic</span></a><span style="font-weight: 400;">, a agonia e a impotência aumentam. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ErLD8P4VUjY"><i><span style="font-weight: 400;">Quo Vadis, Aida?</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é potente, forte e pesado ao reconstruir o acontecimento histórico, ainda mais quando o </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/em-srebrenica-a-europa-fracassou/a-54133319"><span style="font-weight: 400;">maior massacre na Europa</span></a><span style="font-weight: 400;"> desde a Segunda Guerra Mundial ainda é negado por governantes e </span><a href="https://www.istoedinheiro.com.br/muculmanos-lamentam-negacao-servia-25-anos-apos-o-massacre-de-srebrenica/"><span style="font-weight: 400;">parte da população</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_22039" aria-describedby="caption-attachment-22039" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22039" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/7-de-volta-a-italia.jpg" alt="Cena do filme De volta à Itália. Na foto, o ator Liam Neeson veste blusa de lã azul e uma camiseta verde, possui cabelos grisalhos e barba; ao seu lado Micheál Richardson veste uma jaqueta preta e camiseta azul escura. Ambos são homens brancos. Ao fundo há uma parede de cor laranja desbotada com algumas plantas verdes." width="840" height="412" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/7-de-volta-a-italia.jpg 840w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/7-de-volta-a-italia-800x392.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/7-de-volta-a-italia-768x377.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22039" class="wp-caption-text">Na estreia de James D’Arcy como diretor, De Volta à Itália traz comédia dramática morna (Foto: Lionsgate UK)</figcaption></figure>
<p><b>De Volta à Itália (Made in Italy, James D&#8217;Arcy)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/de-volta-a-italia-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">De Volta à Itália</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dos filmes mais fracos exibidos no Festival do Rio 2021, temos aquele velho clichê retratado exaustivamente no Cinema. Robert (Liam Neeson) e Jack (</span><span style="font-weight: 400;">Micheál Richardson)</span><span style="font-weight: 400;"> são pai e filho que mantêm uma relação conturbada após a morte da matriarca. Robert tornou-se ausente, e Jack nutre um desprezo pelo pai, focando em seu sucesso pessoal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama — que gira em torno de </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/"><span style="font-weight: 400;">memória e reconciliação</span></a><span style="font-weight: 400;"> —, há uma velha casa italiana, onde uma longínqua e harmoniosa família vivia, mas que após a perda familiar foi desabitada e entregue aos insetos. Jack trabalha em uma galeria de artes em Londres, e pretende comprá-la com a venda da antiga casa na Itália. Robert é um pintor que passa por uma espécie de </span><a href="https://personaunesp.com.br/on-the-rocks-critica/"><span style="font-weight: 400;">bloqueio criativo</span></a><span style="font-weight: 400;">, e volta à Itália com o filho para fazer os devidos reparos e colocar a casa à venda. O roteiro do longa parece deixar implícito que, mesmo não se entendendo, ambos partilham gostos semelhantes. A casa abandonada é uma possível metáfora à relação dos dois, mas o filme não convence.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo ecoando em um pano de fundo verdadeiro — </span><a href="https://personaunesp.com.br/lista-schindler-mil-nomes-mil-vidas/"><span style="font-weight: 400;">Liam Neeson</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Micheál Richardson são pai e filho na vida real —, James D’Arcy, diretor e roteirista, não explora e nem parece se preocupar com boas atuações. O longa tem um enredo previsível, e como ponto positivo tem as belas imagens da Toscana — e é isso. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_22040" aria-describedby="caption-attachment-22040" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22040" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/8-dias-melhores.jpg" alt="Cena do filme Dias Melhores. Fotografia em modo paisagem com tom amarelo saturado. No lado direito da imagem estão Xiao Bei e Chen Nian, interpretados por Dongyu Zhou e Jackson Yee, em ordem. Ambos estão sobre uma motocicleta em uma ponte. Xiao Bei é um rapaz amarelo, com topete amarrado em rabo e camisa xadrez amarela. Ele conduz a motocicleta e está machucado no rosto e braços. Atrás dele está Chen Nian, que o abraça e encosta sua cabeça no ombro dele. Ela é uma garota amarela de cabelo preto curto e franja, vestindo uma camisa jeans. Atrás de ambos está um canal e prédios altos da cidade de Hong Kong." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/8-dias-melhores.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/8-dias-melhores-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/8-dias-melhores-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22040" class="wp-caption-text">Dias Melhores traz a esperança de um futuro otimista (Foto: Shooting Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Dias Melhores (Shaonian De Ni, Derek Tsang)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos grandes destaques do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <a href="https://personaunesp.com.br/better-days-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Dias Melhores</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> marcou o oitavo dia de exibição do festival, inaugurando discussões importantes sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">bullying </span></i><span style="font-weight: 400;">e as consequências advindas dele. Não à toa, o longa também foi indicado à categoria de Melhor Filme Internacional no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2021, ano no qual a cerimônia foi censurada pelo governo chinês – descontente com as </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/2021/04/26/oscar-china-censura-e-nao-comemora-vitoria-de-chloe-zhao"><span style="font-weight: 400;">críticas feitas por outros indicados</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto ao clima de tensão entre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ONQBQrDnpdk"><span style="font-weight: 400;">China e Hong Kong</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O drama policial dirigido por </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/cinema-e-series/2021/04/diretor-de-better-days-espera-que-filme-incentive-chineses-a-abordar-temas-dificeis.shtml"><span style="font-weight: 400;">Derek Tsang</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma adaptação do romance </span><i><span style="font-weight: 400;">In His Youth, In Her Beauty</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Jiu Yuexi, e conta a história de Chen Nian (Dongyu Zhou), uma estudante exemplar que após o suicídio de sua melhor amiga, vítima de </span><i><span style="font-weight: 400;">bullying</span></i><span style="font-weight: 400;">, torna-se novo alvo dos colegas de classe. Entre uma série de abusos sofridos por Niam, a protagonista conhece por puro acaso Xiao Bei (Jackson Yee), dando início a uma relação nada provável de amor, cumplicidade e proteção em meio à </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/mundo/2021/07/4938898-crise-politica-e-pandemia-disparam-pobreza-em-hong-kong.html"><span style="font-weight: 400;">hostilidade da cidade de Hong Kong</span></a><span style="font-weight: 400;">. E apesar de, a princípio, o romance aparentar ser o foco narrativo, ele na realidade toma plano secundário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa vai muito além da relação entre Niam e Bei, explorando as pressões do método avaliativo escolar chinês, o </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2020/07/13/interna_mundo,871707/fraude-no-vestibular-na-china-causa-enorme-polemica.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Gaokao</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que determina a ascensão social de um grupo que vive à margem da sociedade, junto a pressões diárias como o </span><i><span style="font-weight: 400;">bullying</span></i><span style="font-weight: 400;">, a solidão, a desigualdade social e a violência urbana. </span><i><span style="font-weight: 400;">Dias Melhores</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um filme indigesto, porém real, com temas sérios que ainda devem ser discutidos. </span><b>&#8211; Ayra Mori</b></p>
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<figure id="attachment_22041" aria-describedby="caption-attachment-22041" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22041 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/9-bela-vinganca.jpg" alt="Cena de bela vingança. Nela está a protagonista, que é uma mulher branca de cabelo loiro com franja. A mulher usa auma blusa rosa clara com detalhes brancos na parte dos ombros. Ela está olhando para direita com uma espressão triste. O fundo é uma parede branca com desenhos em azul, atrás da sua cabeça." width="1080" height="565" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/9-bela-vinganca.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/9-bela-vinganca-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/9-bela-vinganca-1024x536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/9-bela-vinganca-768x402.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22041" class="wp-caption-text">Bela Vingança marcou o nono dia do Festival do Rio com seu drama digno de Oscar (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><b>Bela Vingança (Promising Young Woman, Emerald Fennell)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pela primeira vez em 13 anos, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Roteiro Original foi para uma mulher. Sendo a única da categoria, concorrendo com outros 4 homens, a atriz, diretora e roteirista </span><a href="https://vejasp.abril.com.br/blog/filmes-e-series/roteirista-de-bela-vinganca-e-a-1a-mulher-em-13-anos-a-vencer-o-oscar/"><span style="font-weight: 400;">Emerald Fennell</span></a><span style="font-weight: 400;"> fez história. Contrastando com o avanço que sua vitória representa para a comunidade feminina, seu filme conta a bruta e violenta verdade do que é ser mulher em uma sociedade que normaliza a nossa violência com tanta banalidade que assusta.   </span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bela Vingança</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é viciante do início ao fim. Com a trágica morte de sua melhor amiga, vitima de </span><a href="https://www.politize.com.br/cultura-do-estupro-como-assim/"><span style="font-weight: 400;">estupro</span></a><span style="font-weight: 400;"> na faculdade, </span><span style="font-weight: 400;">Cassandra passa o resto de sua vida procurando por justiça. O que parece impossível, em um mundo onde um garoto pode agir como um garoto já que, claro, </span><i><span style="font-weight: 400;">ela estava bêbada.</span></i><span style="font-weight: 400;"> A ira que consome a protagonista é o combustível que a leva a sair todas as noites, se fingir de embriagada e ser levada para casa com um “cara legal” que tenta abusar da sua falsa fragilidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia colorida se destoa da narrativa obscura do longa de forma quase irônica. O </span><a href="http://artecult.com/bela-vinganca-nao-tao-bela-mas-certamente-inesquecivel/"><span style="font-weight: 400;">filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> não perturba pela trilha sonora ou pelos cenários, mas pela sua forma pura de retratar a realidade. Viver na pele de uma mulher é assustador, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Bela Vingança</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta isso com a maior autenticidade possível. </span><b>&#8211; Mariana Chagas</b></p>
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<figure id="attachment_22042" aria-describedby="caption-attachment-22042" style="width: 743px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22042" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/10-a-boa-esposa.jpg" alt="Cena do filme A Boa Esposa em que Paulette, uma mulher branca de cabelos castanhos curtos e roupa rosa claro, aparece segurando flores vermelhas e laranja. À esquerda está uma freira, que usa óculos e segura um buquê de flores. Os arredores da imagem está repleto de plantas e flores." width="743" height="413" /><figcaption id="caption-attachment-22042" class="wp-caption-text">Martin Provost fala sobre feminismo no previsível A Boa Esposa (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>A Boa Esposa (La Bonne Épouse, Martin Provost)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/machismo-estrutural-do-nosso-dia-a-dia/"><span style="font-weight: 400;">machismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é infelizmente muito comum nos dias de hoje, mas esse cenário era ainda mais radical nos anos 1960. Nesse ambiente sexista é que se passa </span><i><span style="font-weight: 400;">A Boa Esposa</span></i><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://www.eyeforfilm.co.uk/feature/2020-11-23-interview-with-martin-provost-about-juliette-binoche-revolution-and-gender-divisions-feature-story-by-richard-mowe"><span style="font-weight: 400;">Martin Provost</span></a><span style="font-weight: 400;">. O longa conta a história de Paulette Van der Beck (Juliette Binoche), que, junto com o marido (François Berléand), dirige uma escola para formar donas de casa submissas. Todos os preconceitos e estereótipos parecem corretos em sua cabeça, até o esposo falecer e Paulette se deparar com a situação econômica crítica do colégio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa trama se desenvolve de modo previsível, mas com boas interpretações. As atuações de </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2017/jun/11/juliette-binoche-interview-life-is-to-love-slack-bay"><span style="font-weight: 400;">Juliette Binoche</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de </span><a href="https://www.gala.fr/stars_et_gotha/yolande_moreau"><span style="font-weight: 400;">Yolande Moreau</span></a><span style="font-weight: 400;"> em suas personagens caricatas, servem o máximo de humor que o longa conseguiu oferecer. Em segundo plano, estão as alunas da escola, que foram pouco exploradas na narrativa, mas ainda assim apresentam a realidade de jovens oprimidas descobrindo sua sexualidade. Desse modo, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Boa Esposa </span></i><span style="font-weight: 400;">se desenvolve entre altos e baixos como um filme pouco audacioso e original. Mas apesar disso, Provost produziu um longa que entretém se visto de forma despretensiosa. </span><b>&#8211; Gabriel Gatti</b></p>
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<figure id="attachment_22043" aria-describedby="caption-attachment-22043" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22043" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/11-dna.jpg" alt="Cena do filme DNA. A foto mostra Neige de perfil, interpretada por Maiwenn, sentada numa poltrona com um cigarro na mão. Ela é franco-argelina, tem pele clara e cabelos escuros. Ela está de olhos fechados e a luz do sol inunda o ambiente." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/11-dna.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/11-dna-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/11-dna-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/11-dna-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22043" class="wp-caption-text">O filme fez parte da Seleção Oficial de Cannes 2020 (Foto: UniFrance)</figcaption></figure>
<p><b>DNA (ADN, Maïwenn)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Maïwenn é uma cineasta francesa que adora falar de memória e herança em sua carreira. Vencedora do Prêmio do Júri em </span><i><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2011 por </span><i><span style="font-weight: 400;">Polisse</span></i><span style="font-weight: 400;">, a diretora estava com passagem comprada para a cidade no ano passado, mas a pandemia acabou cancelando o Festival e relegando seu </span><a href="https://personaunesp.com.br/dna-maiwenn-critica/"><span style="font-weight: 400;">belíssimo</span><i><span style="font-weight: 400;"> DNA</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">apenas à Seleção Oficial do evento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como o próprio título entrega, </span><i><span style="font-weight: 400;">DNA </span></i><span style="font-weight: 400;">discute a herança e a família de Neige, </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/maiwenn"><span style="font-weight: 400;">interpretada pela própria diretora</span></a><span style="font-weight: 400;">, que também assina o roteiro. Após a morte do avô, o clã se quebra e a jovem mulher busca nas raízes argelinas um propósito para seguir em frente. Cheio de insinuações poéticas, o longa-metragem carimba o Festival do Rio com poesia, dor, e muita cautela. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_22044" aria-describedby="caption-attachment-22044" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22044" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/12-ainda-ha-tempo-1-cineclube.jpg" alt="Cena do filme Ainda Há Tempo. Na sala de uma casa, vemos, à esquerda da foto, Willis, um homem idoso, branco e de cabelos brancos curtos, vestindo calça jeans e uma jaqueta marrom, sentado em uma poltrona, aparentemente gritando e discutindo, com a mão levantada a sua frente. À direita, sentado em uma cadeira, vemos John, um homem branco, de cabelos curtos e loiros grisalhos, aparentando ter cerca de 50 anos, vestindo calça jeans e casaco, olhando e aparentemente conversando com Willis." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/12-ainda-ha-tempo-1-cineclube.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/12-ainda-ha-tempo-1-cineclube-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/12-ainda-ha-tempo-1-cineclube-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/12-ainda-ha-tempo-1-cineclube-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22044" class="wp-caption-text">Ainda Há Tempo estreou no Festival de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Fwh8wlGe9ek">Sundance</a> 2020, mas chegou ao público só neste ano (Foto: Scythia Films)</figcaption></figure>
<p><b>Ainda Há Tempo (Falling, Viggo Mortensen)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chegando ao Brasil no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Há Tempo </span></i><span style="font-weight: 400;">é a estreia </span><a href="https://www.wbur.org/hereandnow/2021/02/04/viggo-mortensen-falling"><span style="font-weight: 400;">de Viggo Mortensen</span></a><span style="font-weight: 400;"> na cadeira de diretor, em uma história </span><a href="https://www.gq.com/story/viggo-mortensen-falling-interview"><span style="font-weight: 400;">inspirada na vida real</span></a><span style="font-weight: 400;"> do cineasta. Produzido, roteirizado, estrelado e dirigido pelo Aragorn de </span><i><span style="font-weight: 400;">Senhor dos Anéis</span></i><span style="font-weight: 400;">, o longa coloca John (Mortensen), um homem gay, aos cuidados de seu pai Willis (Lance Henriksen), conservador, machista e homofóbico, que passa a apresentar sinais de demência e precisa de assistência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente de outros longas que trabalham a sensibilidade da condição, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Pai</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://veja.abril.com.br/saude/para-sempre-alice-e-a-luta-contra-o-alzheimer/"><i><span style="font-weight: 400;">Para Sempre Alice</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://ew.com/movies/why-viggo-mortensen-wanted-to-explore-dementia-in-falling/"><span style="font-weight: 400;">tratamento da doença</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de suas implicações no cotidiano, como a falta de filtro do pai, é ofuscado pelas arrogâncias e preconceitos de Willis, que tenta a todo custo ofender o filho, prestativo e paciente. Seja pela </span><a href="https://collider.com/the-problem-with-queer-stories-through-a-straight-lens/"><span style="font-weight: 400;">falta da vivência</span></a><span style="font-weight: 400;"> e das dores da comunidade LGBTQIA+, seja pelo </span><a href="https://www.indiewire.com/2020/12/green-book-controversy-viggo-mortensen-1234602730/"><span style="font-weight: 400;">complexo de salvador</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filho, a narrativa é sufocante e dolorida ao colocar o peso da bondade ilimitada em John e no espectador, que o acompanha tentar manter a calma e engolir as ofensas inaceitáveis do pai, odioso e desagradável antes mesmo de qualquer </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hD1eF_hQ214"><span style="font-weight: 400;">diagnóstico</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, o drama e as relações no presente e no passado, com </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks </span></i><span style="font-weight: 400;">da infância do protagonista, são bem trabalhados e densos. Com participação da tocante Laura Linney como irmã de John, as reuniões familiares são difíceis de digerir pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bRPFIW-CYAQ"><span style="font-weight: 400;">carga emocional</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao final, apesar de mirar no complexo e esperançoso (como o título indica), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3EMXJCpgBpg"><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Há Tempo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é mais dolorido e desconfortável do que reflexivo, ainda mais para quem </span><a href="https://medium.com/incluvie/straight-actors-playing-queer-characters-this-is-exhausting-e955b1c0a218"><span style="font-weight: 400;">entende na vida real</span></a><span style="font-weight: 400;"> o peso de ofensas como a de Willis. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_22045" aria-describedby="caption-attachment-22045" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22045" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/13-a-candidata-perfeita.jpg" alt="Cena do filme A Candidata Perfeita. Nele está a protagonista, mulher marrom usando hijab preto e avental branco. Ela está de pé, olhando para um homem sentado em uma maca na direita da imagem. Ele está de roupa branca e braço enfaixado de azul. O senhor levanta um dedo que está manchado de preto. No fundo há uma parede branca e uma pia com azulejo branco e verde." width="1600" height="695" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/13-a-candidata-perfeita.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/13-a-candidata-perfeita-800x348.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/13-a-candidata-perfeita-1024x445.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/13-a-candidata-perfeita-768x334.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/13-a-candidata-perfeita-1536x667.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/13-a-candidata-perfeita-1200x521.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22045" class="wp-caption-text">Exibido no 13° do Festival, A Candidata Perfeita tem sua última cena como a mais emocionante (Foto: Neue Visionen Filmverleih)</figcaption></figure>
<p><b>A Candidata Perfeita (The Perfect Candidate, Haifaa Al-Mansour)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Arábia Saudita é um dos países com a </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-41431798"><span style="font-weight: 400;">maior desigualdade entre gêneros do mundo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Lá, as mulheres são proibidas de sair do território nacional sem a permissão de seu guardião masculino, e até 2018 eram proibidas até mesmo de dirigir. As práticas culturais são representadas em </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-candidata-perfeita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Candidata Perfeita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, filme que consegue equilibrar as questões do país na figura de sua protagonista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todo o </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2019/08/02/interna_internacional,1074445/os-direitos-da-mulher-na-arabia-saudita-restricoes-e-reformas.shtml"><span style="font-weight: 400;">sexismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é refletido no longa que foi exibido no décimo terceiro dia do Festival do Rio. Maryam é uma médica que se candidata à eleição na Secretaria Municipal e tem suas ambições voltadas para melhorias do hospital em que trabalha. É reflexivo assistir a construção de sua luta por um bem-estar coletivo sendo desgastada por seu gênero. Mesmo sem lutas feministas, vemos a importância da pauta que deixa marcas indiretas durante todo o roteiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=56eYVuu5KSE"><span style="font-weight: 400;">Haifaa Al-Mansour</span></a><span style="font-weight: 400;"> consegue delimitar sua narrativa, deixando aberto a seu espectador os questionamentos sobre o funcionamento de todo um país. É na sutileza específica de um acontecimento que brota as percepções sobre um sistema maior. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Candidata Perfeita</span></i><span style="font-weight: 400;"> trabalha com expectativas que caso fossem concretizadas seriam irreais, sendo assim, seu maior acerto está na simplicidade por trás das personagens. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_22046" aria-describedby="caption-attachment-22046" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22046" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/14-verao-de-85.jpg" alt="Cena do filme Verão de 85. Nela vemos dois rapazes juntos numa moto e abraçados. O que está na frente, dirigindo, usa regata vermelha, óculos aviador, tem cabelo liso, curto e castanho e é branco. O que está atrás usa camiseta listrada nas cores verde, azul e vermelho. Ele é branco e tem cabelo liso e loiro. O fundo é um céu azul e tem pastagem verde em movimento." width="1600" height="866" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/14-verao-de-85.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/14-verao-de-85-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/14-verao-de-85-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/14-verao-de-85-768x416.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/14-verao-de-85-1536x831.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/14-verao-de-85-1200x650.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22046" class="wp-caption-text">Onde tem gay, tem sossego? (Foto: FOZ)</figcaption></figure>
<p><b>Verão de 85 (Été 85, François Ozon)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem estava esperando um romance ensolarado foi surpreendido com um crime sendo confessado no início. </span><a href="https://personaunesp.com.br/verao-de-85-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Verão de 85</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um longa sobre Alexis, um adolescente de 16 anos que vive em Normandia e é aficionado em literatura com temas mórbidos. É após seu barco virar no mar que o garoto conhece David, um charmoso rapaz de 18 anos, que o resgata. Os flertes rapidamente se transformam numa paixão, mas já sabemos que o final não é feliz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=H5Hc0EJRNcQ"><span style="font-weight: 400;">calor da primeira paixão</span></a><span style="font-weight: 400;"> adolescente aquece até evaporar. Dá sensação de liberdade, passando pelas descobertas da juventude e chegando nas desilusões que explodem em confusão e revolta.</span><i><span style="font-weight: 400;"> Verão de 85</span></i><span style="font-weight: 400;"> oferece um romance completo, com a jornada tendo seu começo, meio e trágico fim. David morre num acidente de moto sob o qual terceiros derramam uma parcela de culpa em Alexis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após seu clímax, um clima bucólico se instala no filme. O verão é substituído por um tempo frio que paira à sombra do luto. A dor e angústia consome cada veia de Alexis que protagoniza cenas fortes e intensas. O suspense do longa se sustenta pela escrita do garoto que é incentivado a</span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2019/06/28/de-classicos-a-novidades-dez-obras-para-visibilizar-a-homossexualidade-na-literatura"><span style="font-weight: 400;"> transformar seus sentimentos em história</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Verão de 85</span></i><span style="font-weight: 400;"> caminha por sentimentos extremos, ficando em sua mente durante as quatro estações. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_22047" aria-describedby="caption-attachment-22047" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22047" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/15-noite-de-reis.jpg" alt="Cena do filme Noite de Reis. A imagem mostra uma cena num pátio interno de uma prisão durante a noite. A atenção principal da imagem está em Roman, personagem de Bakary Koné, um jovem negro de cabelos raspados escuros e olhos castanhos. Ele é fotografado da cintura para cima e está de frente para a câmera, mas olha para fora da imagem, em direção ao lado direito, com expressão de preocupação. Roman usa uma camisa azul escura de um tecido brilhante que está com todos os botões abertos e um colar de miçangas brancas. De frente para Roman, está um homem negro de cabelos curtos, que está levemente inclinado para a esquerda, posicionado no lado direito da imagem. Ele olha para baixo, usa uma camiseta num tom de amarelo mostarda e segura uma lamparina com as duas mãos. Ao fundo, atrás de Roman, estão muitos outros homens, que o observam. " width="1536" height="864" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/15-noite-de-reis.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/15-noite-de-reis-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/15-noite-de-reis-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/15-noite-de-reis-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/15-noite-de-reis-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22047" class="wp-caption-text">A Noite de Reis colocou fim aos 15 dias de Festival do Rio 2021 (Foto: Neon Films)</figcaption></figure>
<p><b>Noite de Reis (La Nuit Des Rois, Philippe Lacôte)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não existiria maneira melhor de encerrar o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio 2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> do que através da majestosidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Noite de Reis</span></i><span style="font-weight: 400;">. A obra-prima de </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/cinema/a-prisao-e-uma-sociedade-em-si-afirma-philippe-lacote,221e265161677e99ae160053415264cdea62hajw.html"><span style="font-weight: 400;">Philippe Lacôte</span></a><span style="font-weight: 400;"> se esbalda no realismo fantástico para ornamentar seu filme, que se solta das progressões narrativas tradicionais para emergir uma outra dimensão da habilidade de se </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/movies/story/2021-03-06/philippe-lacote-honors-ivory-coasts-storytelling-night-of-kings"><span style="font-weight: 400;">contar histórias</span></a><span style="font-weight: 400;"> — dentro de si mesma e também fora, reais e imaginadas, belas e violentas, numa capacidade metalinguística e paradoxal raríssima de se ver.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O epicentro de todas as esferas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Noite de Reis</span></i><span style="font-weight: 400;"> é Roman (</span><a href="https://www.thewrap.com/kone-bakary-night-of-the-kings/"><span style="font-weight: 400;">Bakary Koné</span></a><span style="font-weight: 400;">, numa estreia fascinante), um jovem recém-chegado a uma prisão totalmente regida pelos próprios prisioneiros, liderados pela figura do dangôro representada por Barba Negra (</span><a href="https://www.papodecinema.com.br/filmes/os-miseraveis-2/detalhes/"><span style="font-weight: 400;">Steve Tientcheu</span></a><span style="font-weight: 400;">). O líder vê no novato a chance de retomar uma tradição do lugar como seu último feito em vida, que deve se findar em breve por determinação de outra regra local que diz que o dangôro deve cumprir um rito de suicídio quando doente. Sob o fenômeno da Lua de Sangue, então, Roman deve entreter os detentos durante toda a noite contando histórias e também se preocupar com as decorrências da sua participação no ritual. Ao mesmo tempo, o mandato de Barba Negra é encerrado e o conflito para decidir o próximo dangôro é intensificado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nó narrativo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/noite-de-reis-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Noite de Reis</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é tudo, menos um problema nas mãos do diretor e roteirista que mergulha profundamente na(s) história(s) que quer contar. Valendo-se de uma fundação mítica para construir uma mensagem política, o filme é como um balé bruto que dança com precisão pela beleza e poder da tradição oral e pela dureza da </span><a href="https://negre.com.br/ha-60-anos-costa-do-marfim-alcancava-sua-independencia/"><span style="font-weight: 400;">história recente da Costa do Marfim</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, o transe da </span><i><span style="font-weight: 400;">Noite de Reis </span></i><span style="font-weight: 400;">ultrapassa a tela e atinge o que está além de si mesmo, nos lembrando o porquê nos reunimos para celebrar o Cinema. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
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		<title>Ainda Há Tempo: não precisamos perdoar pais monstruosos</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Jul 2021 18:13:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jho Brunhara Viggo Mortensen já é um rostinho conhecido em Hollywood. O ator estadunidense encarnou Ben em Capitão Fantástico, e Tony Lipp no terrível Green Book. Em Ainda Há Tempo, a primeira investida de Mortensen atrás das câmeras, somos apresentados para um filme não só dirigido por ele, mas também escrito, produzido, atuado e embalado &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ainda-ha-tempo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Ainda Há Tempo: não precisamos perdoar pais monstruosos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21928" aria-describedby="caption-attachment-21928" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21928 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-1-5-e1627681624354.jpg" alt="Cena do filme Ainda Há Tempo. Podemos ver o pai Willis, idoso, e seu filho, John, adulto, sentados na sala brigando. Willis está com a mão próxima da cara de John e gritando. Ambos são homens brancos de cabelos claros. A sala possui arquitetura rural dos Estados Unidos dos anos 80." width="1600" height="1052" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-1-5-e1627681624354.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-1-5-e1627681624354-800x526.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-1-5-e1627681624354-1024x673.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-1-5-e1627681624354-768x505.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-1-5-e1627681624354-1536x1010.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-1-5-e1627681624354-1200x789.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21928" class="wp-caption-text">Ainda Há Tempo é o filme em cartaz no décimo segundo dia do Festival do Rio 2021 (Foto: Perceval Pictures)</figcaption></figure>
<p><strong>Jho Brunhara</strong><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span> <span style="font-weight: 400;">Viggo Mortensen já é um rostinho conhecido em Hollywood. O ator estadunidense encarnou Ben em </span><a href="https://personaunesp.com.br/capitao-fantastico-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Capitão Fantástico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e Tony Lipp no terrível </span><i><span style="font-weight: 400;">Green Book</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Há Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;">, a primeira investida de Mortensen atrás das câmeras, somos apresentados para um filme não só dirigido por ele, mas também escrito, produzido, atuado e embalado por uma trilha sonora composta pelo mesmo. O longa chega de forma muito tardia ao Brasil por motivos pandêmicos (sua primeira exibição foi em janeiro de 2020), através do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, e a qualidade da produção, infelizmente, não é suficiente para compensar a demora.  </span></p>
<p><span id="more-21927"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Há Tempo </span></i><span style="font-weight: 400;">se parece de espírito com </span><a href="https://www.geledes.org.br/green-book-o-guia-o-filme-negro-de-brancos-para-brancos/"><i><span style="font-weight: 400;">Green Book</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Em primeiro momento, a construção emocionalmente apelativa e o ótimo trabalho dos atores fisga a atenção e te faz acreditar que este é um bom filme. Mas, quanto mais se pensa, mais o vislumbre desaparece. À começar pela premissa que é um pouco enganadora: a campanha de divulgação do longa dá a entender que a história será sobre um pai homofóbico que sofre de demência e o convívio que estabelece quando passa a morar com seu filho, gay e casado com outro homem. Porém, logo percebemos que o foco é menos sobre a questão da homofobia e muito mais sobre um homem idoso detestável, que não resguarda sua ruindade apenas para questões de sexualidade, apodrecendo tudo e todos em sua volta. </span></p>
<p><figure id="attachment_21929" aria-describedby="caption-attachment-21929" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21929" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5.jpg" alt="Cena do filme Ainda Há Tempo. O pai, Willis, está em sua fase jovem adulto. Ele está de pé encostado no batente da porta da sala e observa o ambiente, segurando um cigarro na mão." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-2-5-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21929" class="wp-caption-text">A tradução para português do título original (Falling) não faz sentido nenhum e não reflete o teor do longa [Foto: Perceval Pictures]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Não há problema nenhum que um filme pareça algo e, durante seu </span><span style="font-weight: 400;">desenvolvimento, se transforme em outra coisa. Porém, quando se usa da temática da homossexualidade para vender uma história, é no mínimo estranho que o produto final desvie tanto da mística construída na divulgação. Essa estranheza se acentua quando sabemos que Viggo Mortensen, até então, é um homem hétero, que interpreta um personagem homossexual em uma história desenvolvida e dirigida por ele mesmo. Quando perguntado em entrevistas, Mortensen disse </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/viggo-mortensen-nao-ve-problema-em-atores-heteros-interpretarem-personagens-homossexuais/"><span style="font-weight: 400;">não acreditar</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a sexualidade de um ator deveria ter importância para considerar a designação de um papel. É um debate complexo, mas, pelo menos aqui, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Há Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é cuidadoso o suficiente para não abusar de estereótipos ou se apresentar de forma ofensiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de forrar a barriga com a trama da homossexualidade, o longa é muito mais sobre um pai e marido horrível para todos do seu convívio, e os dilemas de como lidar com uma pessoa com demência. O segundo tema já rendeu até </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> para Anthony Hopkins esse ano, por sua incrível atuação em </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Pai</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produção que teve seu lançamento muito próximo da criação de Mortensen, ambos estreantes em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sundance</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas quem levou a melhor foi Florian Zeller. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Há Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;"> encontra problemas justamente por sua concepção autoral: é a primeira vez de Viggo idealizando um filme e, consequentemente, estamos vendo sua arte de forma bruta. A direção encontra problema em construir a relação com o produto que ele quer criar, e a narrativa é disforme, sem a intenção de ser. As personagens, pelo menos, são interessantes, e ficam ainda mais com as grandes atuações. Lance Henriksen é fenomenal ao entregar o pai Willis. Escrito de forma caricata, Henriksen é tão bom que faz funcionar, e esquecemos que aquele ser repugnante não é documental. O resto do elenco interpreta rostos quase sempre muito contidos, como panelas de pressão que não podem explodir, mesmo com a fervura constante de Willis. </span></p>
<figure id="attachment_21931" aria-describedby="caption-attachment-21931" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21931" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-3-5-scaled.jpg" alt="Fotografia das gravações do filme Ainda Há Tempo. Nela, podemos ver a atriz que interpreta a personagem Sarah e o ator que interpreta Willis sentados numa mesa de almoço se cumprimentando. Viggo Mortensen, diretor e o ator de John, está de pé com fones de ouvido, olhando para Lance." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-3-5-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-3-5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-3-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-3-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-3-5-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21931" class="wp-caption-text">Mortensen dedica o filme aos pais que faleceram com demência, mas a homenagem soa estranha em um longa sobre um homem odiável (Foto: Perceval Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As quase duas horas são cansativas, mas as atuações realmente sustentam a experiência. Viggo Mortensen como ator é o oposto de sua direção, e nos coloca imersos na personalidade contida de John. </span><a href="https://personaunesp.com.br/ozark-critica/"><span style="font-weight: 400;">Laura Linney</span></a><span style="font-weight: 400;">, que interpreta sua irmã mais nova, também conquista nas poucas cenas que aparece. O almoço com a família toda reunida é agoniante, mas a vergonha alheia e o desespero impressos na tela, estranhamente, não permitem desviar o olhar. Seja pela falta de filtro de Willis, seus delírios sexuais, o desconforto generalizado, ou a personalidade </span><i><span style="font-weight: 400;">no ponto</span></i><span style="font-weight: 400;"> da neta gótica Paula (Ella Jonas Farlinger), a única que permanece na mesa, representando uma geração que sempre tem o que dizer: “</span><i><span style="font-weight: 400;">eu não tenho medo de você</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mortensen acerta, também, em não mostrar o momento em que John se assume gay para Willis. Ninguém aguenta mais assistir isso no cinema, já foi feito de todas as formas possíveis, e a maioria idêntica, revirando o mesmo processo horrível e doloroso, para servir apenas de ponte para a narrativa. A trama do pai se constrói por situações absurdas – como a do proctologista, cômica demais para o tom –, um milhão de </span><i><span style="font-weight: 400;">takes</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Willis sendo misógino, racista, homofóbico e asqueroso no geral, e uma família tendo que lidar com o sentimento de impotência, afinal, quem é que vai tentar mudar a cabeça de um homem demente? </span></p>
<figure id="attachment_21934" aria-describedby="caption-attachment-21934" style="width: 1492px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21934 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-4-2.jpg" alt="Cena do filme Ainda Há Tempo. Eric, um homem de pele amarela, está com a mão no ombro de John, seu marido, por trás. Eles estão na cozinha." width="1492" height="887" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-4-2.jpg 1492w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-4-2-800x476.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-4-2-1024x609.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-4-2-768x457.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-4-2-1200x713.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21934" class="wp-caption-text">A ideia de que o personagem de Viggo fosse gay veio depois, originalmente esse traço de personalidade <a href="https://www.guiagaysaopaulo.com.br/noticias/cultura/viggo-mortensen-responde-com-deboche-sobre-papel-gay">não estava nos planos</a> (Foto: Perceval Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A sequência final é a cereja podre do bolo. A colagem desnecessária é confusa e dissonante, como o beijo entre John e Eric (Terry Chen) totalmente anticlimático, e o delírio de Willis, no que parece ser a representação de sua morte. O fim da vida de forma miserável e feliz, transando com uma mulher de torso nu. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fk8IPWfaxVQ&amp;ab_channel=MovieCoverage"><i><span style="font-weight: 400;">Falling</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não se importa muito em redimir as ações de Willis, mas dá leve indicações de que ele é um ‘homem machucado’, e por isso terminou a vida com essa personalidade que apodrece tudo que se aproxima dele. Somos influenciados pela fala que seu pai era uma pessoa ruim, dando a entender que essa é a origem de sua amargura, pela cena do cervo, e no abraço doloroso com o filho após a briga explosiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É claro que, nesse caso, é impossível abandonar uma pessoa com demência, por mais horrorosa que ela seja. Mas, tudo que assistimos nos mostra que Willis sempre foi exatamente assim, desde a primeira cena que o vemos com seu filho recém nascido. Enquanto todos em sua volta tentam suportar sua personalidade, ajudá-lo e entendê-lo, ele se fecha mais e mais e se torna ainda mais cruel. Somos ensinados que família é algo que devemos aturar independente das circunstâncias, e que devemos sempre perdoar os que compartilham o nosso sangue, mas é uma </span><a href="https://medium.com/@camilanishimoto/voce-nao-e-ruim-por-se-afastar-da-familia-a89ae7071a9b"><span style="font-weight: 400;">retórica perigosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> que favorece indivíduos nojentos. </span></p>
<figure id="attachment_21935" aria-describedby="caption-attachment-21935" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21935" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4.jpg" alt="Cena do filme Ainda Há Tempo. John e seu pai Willis estão mais jovens, andando de cavalo. Willis está tentando derrubar John de seu cavalo." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/imagem-5-4-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21935" class="wp-caption-text">O filme conta sua história através de cenas no presente e flashbacks (Foto: Perceval Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa é uma herança da </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2021/03/o-que-e-patriarcado-e-como-ele-mantem-as-desigualdades-de-genero/"><span style="font-weight: 400;">sociedade patriarcal</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que a figura do homem detém o poder, e suas ações inconsequentes não precisam ser responsabilizadas: eles sentem que podem fazer o que bem entenderem, se julgarem que é o correto para o mundo, e assim se sentem acima de todos, independente das dores que causaram. Se distanciar não é abandonar, mas precisamos deixar para trás a culpabilização dos que desistiram de tentar consertar o vil.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fk8IPWfaxVQ&amp;ab_channel=MovieCoverage"><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Há Tempo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">nunca chega a romantizar ou forçar o perdão de seus personagens com o pai, mas sempre deixa no ar o peso que eles têm de carregar, que é suportar a personalidade cruel e podre daquela figura paterna, e todas as dores que ela causou. É uma obrigação de perdoar imposta, silenciosa e fragmentada, que contamina as vítimas dessas violências. Não devemos nos sentir obrigados a perdoar pais monstruosos apenas pela relação de sangue. Homens adultos que não querem deixar de lado o orgulho e a maldade devem ser responsabilizados como homens adultos.</span></p>
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		<title>5 anos de Capitão Fantástico: reflexões que não envelhecem</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Jan 2021 03:02:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Lorrana Marino  O canto dos pássaros em harmonia com o som de água corrente se combinam à imagem serena da floresta. Lentamente, a cena se torna agressiva e com alguns nuances perturbadores. Um cervo morre. Um órgão ensanguentado é mordido. Um ritual de caça que faz um adolescente tornar-se adulto. A sensação é de que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/capitao-fantastico-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "5 anos de Capitão Fantástico: reflexões que não envelhecem"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_17875" aria-describedby="caption-attachment-17875" style="width: 1361px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17875 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Movies-filmed-in-Skagit-County-Captain-Fantastic.jpg" alt="Cena do filme Capitão Fantástico, onde os 7 atores, brancos com cabelos ruivos e loiros, estão sentados em roda com as mãos sobre os joelhos. O grupo se encontra em meio a uma pequena clareira na floresta de pinheiros, as plantas são verde claro e há montanhas ao fundo." width="1361" height="579" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Movies-filmed-in-Skagit-County-Captain-Fantastic.jpg 1361w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Movies-filmed-in-Skagit-County-Captain-Fantastic-300x128.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Movies-filmed-in-Skagit-County-Captain-Fantastic-1024x436.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Movies-filmed-in-Skagit-County-Captain-Fantastic-768x327.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Movies-filmed-in-Skagit-County-Captain-Fantastic-1200x511.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17875" class="wp-caption-text">Capitão Fantástico está disponível no Youtube para alugar por R$9,90 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Lorrana Marino</b><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O canto dos pássaros em harmonia com o som de água corrente se combinam à imagem serena da floresta. Lentamente, a cena se torna agressiva e com alguns nuances perturbadores. Um cervo morre. Um órgão ensanguentado é mordido. Um ritual de caça que faz um adolescente tornar-se adulto. A sensação é de que estamos assistindo a um grupo de pessoas selvagens, indóceis e hostis. Entretanto, a primeira risada muda tudo e o que vemos ali, na verdade, é uma família casada com a natureza. A dinâmica dos Cash (em português: dinheiro) &#8211; sobrenome esse que se apresenta irônico diante do estilo de vida anticapitalista que eles levam &#8211; nos é introduzida e entendemos que ali, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cPZw32y961Q"><i><span style="font-weight: 400;">Capitão Fantástico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, há sempre diálogo e música. </span></p>
<p><span id="more-17873"></span></p>
<p><a href="https://veja.abril.com.br/blog/isabela-boscov/george-mackay-eu-sentia-euforia-quando-filmava/"><span style="font-weight: 400;">Bodevan</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RZc6gzYjv0s"><span style="font-weight: 400;">Vespyr</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="http://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-630985/"><span style="font-weight: 400;">Kielyr</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.arrobanerd.com.br/endless-trailer-alexandra-shipp/"><span style="font-weight: 400;">Rellian</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1STAPxphJU8"><span style="font-weight: 400;">Zaja</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ndsKKudvygk"><span style="font-weight: 400;">Nai</span></a><span style="font-weight: 400;"> são os seis filhos com nomes únicos inventados pelos pais, Ben (</span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/cinema/apos-20-anos-do-sucesso-de-o-senhor-dos-aneis-astro-viggo-mortensen-dirige-o-filme-falling,83109fc2795849ece7b554f8b923860f9mekufll.html"><span style="font-weight: 400;">Viggo Mortensen</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Leslie (</span><a href="https://www.imdb.com/name/nm4407268/"><span style="font-weight: 400;">Trin Miller</span></a><span style="font-weight: 400;">). Com o sonho de criar algo único e fazer crescer grandes filósofos, o casal se mudou para uma floresta que possibilitou a restrição do contato das crianças com a sociedade americana. Existem regras, treinos físicos e caça. Mas também há estudo e discussão de filosofia, política e literatura. Logo nas primeiras sequências de diálogo, somos introduzidos ao problema a ser enfrentado na narrativa: Leslie não está bem. A mãe da família está internada e, cenas à frente descobrimos, junto com Ben, que ela cometeu suicídio e haverá um velório o qual ele e os filhos não estão convidados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama se desenrola exatamente na ida da família ao velório de Leslie, mas o que faz </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitão Fantástico</span></i><span style="font-weight: 400;"> ser fantástico são os contrastes sociais que os Cash encontram pelo caminho. Ben é um pai rígido e, ao mesmo tempo, sensível. Ele cobra criticismo, consciência e condicionamento físico dos filhos, mas ao mesmo tempo os ouve, pede suas opiniões. Ele </span><a href="https://www.melhorescola.com.br/artigos/educacao-nao-violenta-o-que-e-e-como-usa-la-para-educar-os-seus-filhos"><span style="font-weight: 400;">respeita sua família</span></a><span style="font-weight: 400;">, independente da idade. De fato, é incômodo perceber a naturalidade com a qual o pai conta sobre o suicídio da mulher ou explica sexo para as crianças. Mas, ainda assim, Ben desperta um quê de admirável por fazer isso e nos faz questionar se crianças são mesmo frágeis e incapazes de compreender o mundo ou se somos nós, adultos, que as consideramos inferiores.</span></p>
<figure id="attachment_17876" aria-describedby="caption-attachment-17876" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17876 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Imagem-2.jpeg" alt="O elenco principal do filme está sobre o tapete vermelho do evento SAG Awards. Vestem roupas de gala e posam para foto com as mãos levantadas e o dedo do meio a mostra em forma de protesto anti-Trump." width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Imagem-2.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Imagem-2-300x225.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Imagem-2-1024x768.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Imagem-2-768x576.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17876" class="wp-caption-text">O elenco de Capitão Fantástico em pose num protesto anti-Trump no Oscar 2017 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, o filme Matt Ross não romantiza esse </span><a href="https://personaunesp.com.br/soul-critica/"><span style="font-weight: 400;">estilo de vida</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao mesmo tempo que o capitalismo representa um polo extremo de consumo e economia &#8211;  e a produção deixa isso bem claro em suas críticas e falas &#8211; o isolamento social da família representa o outro lado, sendo o agravador e criador de dificuldades como o estado de saúde de Leslie e a dificuldade de Bodevan em se relacionar com outras pessoas senão os irmãos. </span><span style="font-weight: 400;">Se os comentários e percepções sobre a </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/o-capitalismo-sociedade-consumo.htm"><span style="font-weight: 400;">sociedade do consumo</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos fazem perceber sua problemática, o categorismo de Ben em não permitir que os filhos comam batatas fritas, celebrem o natal ou frequentem a universidade pode ser interpretado como um </span><a href="https://personaunesp.com.br/miss-marx-critica/"><span style="font-weight: 400;">sistema tão opressor e criticável</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, tudo muda quando o patriarca percebe isso. Não por parte da irmã e seus conceitos de criação e educação &#8211; que põe em panos quentes a realidade antes de contar aos filhos; esses que se mostram desconectados do mundo por estarem sempre no celular ou jogando </span><i><span style="font-weight: 400;">videogames </span></i><span style="font-weight: 400;">&#8211; ou os sogros com seu poder aquisitivo e apoio jurídico, sempre ameaçando tomar a guarda das crianças. Na verdade, são seus filhos que tomam as decisões catalisadoras de mudança e fazem Ben entender e perceber que pode haver equilíbrio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um desses momentos de decisão, Rellian, o filho que mais discorda do estilo de vida que a família leva, cita ao pai as palavras do filósofo mais admirado por todos ali, </span><a href="https://www.infoescola.com/biografias/noam-chomsky/"><span style="font-weight: 400;">Noam Chomsky</span></a><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Se você admite que não há esperança, então você garante que não haverá esperança. Se você admite que há um instinto para a liberdade, que existem oportunidades de mudar as coisas, então há a possibilidade de que possa contribuir para a construção de um mundo melhor”. </span></i><span style="font-weight: 400;">A cena toda representa que Ben não está totalmente errado no que tentou fazer, mas que há outro caminho.</span></p>
<figure id="attachment_17877" aria-describedby="caption-attachment-17877" style="width: 1008px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17877" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Imagem-3-1.jpg" alt="Cena do filme Capitão Fantástico, onde a família formada por três crianças, três adolescentes e um adulto, todos brancos com cabelos loiros e ruivos, está em pé dentro de uma igreja com detalhes marrons. As expressões são sérias e eles usam roupas coloridas num estilo hippie." width="1008" height="672" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Imagem-3-1.jpg 1008w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Imagem-3-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Imagem-3-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17877" class="wp-caption-text">Viggo Mortensen foi indicado ao Globo de Ouro e ao Oscar de Melhor Ator pela interpretação em Capitão Fantástico (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após nos mostrar extremos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitão Fantástico</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz a concepção de que a moderação é a melhor solução. O mundo é um lugar plural, que exige diálogo e coexistência, não isolamento. Bodevan, enfim, se separa da família no final, não para aprender mais em uma universidade, mas sim para entender sobre o mundo, no mundo. O filme escrito e dirigido por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wC1mPDEMHKQ&amp;list=PLiQoSlHWebVQGnbJlAJ5wSLuDb_vpyUN0&amp;index=91"><span style="font-weight: 400;">Matt Ross</span></a><span style="font-weight: 400;"> completa 5 anos de seu lançamento dia 23 de janeiro de 2021, e ainda assim continua atual e pertinente. Com figurinos coloridos que ilustram bem a criatividade e liberdade de expressão dos Cash, o longa ainda traz, no final, a melhor versão do clássico de </span><i><span style="font-weight: 400;">Guns N&#8217; Roses</span></i><span style="font-weight: 400;">: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1w7OgIMMRc4&amp;list=PLU6EM9uNLgWW5GZ-gXwctAX3BYwvD63cJ&amp;index=13"><i><span style="font-weight: 400;">Sweet Child O&#8217; Mine</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que eu particularmente já ouvi.</span></p>
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