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	<title>Arquivos Reportagem &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Reportagem &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>O Agente Secreto: pensado para que o Brasil visse a si mesmo, abriu portas no mundo todo</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Nov 2025 13:10:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Bezerra e Stephanie Cardoso Na noite de 28 de outubro, o Cultura Artística, em São Paulo, foi tomado por flashes, tapete vermelho e uma plateia ansiosa para a exibição de O Agente Secreto durante a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. A sessão contou com a presença do elenco e uma recepção &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/reportagem-o-agente-secreto/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Agente Secreto: pensado para que o Brasil visse a si mesmo, abriu portas no mundo todo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36226" aria-describedby="caption-attachment-36226" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36226" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-5-800x456.jpg" alt="Tapete vermelho do filme Agente Secreto. Várias pessoas estão juntas enquanto olham para a câmera, para tirarem uma foto. Ao fundo está o painel da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo." width="800" height="456" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-5-800x456.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-5-1024x583.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-5-768x438.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-5-1536x875.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-5-1200x684.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-5.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36226" class="wp-caption-text">Elenco e equipe de O Agente Secreto durante o tapete vermelho em São Paulo (Foto: Mariana Bezerra)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Bezerra e Stephanie Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na noite de 28 de outubro, o Cultura Artística, em São Paulo, foi tomado por </span><i><span style="font-weight: 400;">flashes</span></i><span style="font-weight: 400;">, tapete vermelho e uma plateia ansiosa para a exibição de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-agente-secreto-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Agente Secreto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> durante a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. A sessão contou com a presença do elenco e uma recepção calorosa – um marco simbólico para um filme que já nasceu com vocação internacional. Depois de brilhar no Festival de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ser escolhido para representar o Brasil no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, o novo longa de Kleber Mendonça Filho vem consolidando o diretor como uma das vozes mais originais e respeitadas do cinema contemporâneo.</span></p>
<p><span id="more-36225"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção tem chamado a atenção da crítica por sua narrativa envolvente, que mistura fato e ficção. Desde sua estreia, o longa tem provado que o </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-auto-da-compadecida-2-critica/"><span style="font-weight: 400;">Cinema nacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> consegue dialogar com grandes plateias internacionais sem perder sua identidade. Ao revisitar momentos significativos da história brasileira, a obra apresenta personagens complexos e situações que estimulam reflexão, mostrando que produções brasileiras podem ter relevância e impacto globais. A repercussão em festivais, as indicações a prêmios e o interesse crescente do público reforçam a força criativa e narrativa do Cinema do país.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia da coletiva de imprensa em São Paulo, o roteirista e o ator protagonista Wagner Moura foram indicados para o </span><a href="https://thegotham.org/press/nominations-announced-for-35th-annual-gotham-film-awards/"><i><span style="font-weight: 400;">Gotham Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nas categorias de Melhor Roteiro Original e Melhor Performance de Protagonista, respectivamente. Apesar de não influenciar diretamente na nomeação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, essa premiação, cuja votação é feita por críticos e representantes do Cinema Independente, abre a temporada de premiações. Esse bom começo aliado a decisão já estabelecida pela Academia de Cinema Brasileira de que O Agente Secreto será o representante nacional no Oscar pode ser o aval, ainda que incerto, para uma visão otimista em relação a futuras nomeações.</span></p>
<figure id="attachment_36227" aria-describedby="caption-attachment-36227" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36227" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-7-800x347.jpg" alt="Coletiva de imprensa do filme Agente Secreto. O elenco, diretor e a produtora estão sentados em cadeiras enquanto um painel com o nome do filme está atrás. O diretor está falando no microfone" width="800" height="347" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-7-800x347.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-7-1024x444.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-7-768x333.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-7-1536x665.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-7-1200x520.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-7.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36227" class="wp-caption-text">“Pra mim, regionais eram as novelas da Globo que eu cresci vendo, porque eram na Barra da Tijuca e eu não sabia o que era a Barra da Tijuca”, comentou o diretor sobre o seu ponto de vista cinematográfico (Foto: Stephanie Cardoso)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o diretor </span><a href="https://personaunesp.com.br/aquarius-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Kleber Mendonça Filho</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra vai muito além do entretenimento imediato, como comentou em entrevista ao </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Para o público mais jovem, eu quero muito que vejam O Agente Secreto, mas não é só O Agente Secreto, eu quero que vejam o cinema brasileiro como um todo, porque é muito bom quando a gente se identifica com uma coisa que foi feita aqui. Quando você vê uma boa história e bem contada do Brasil, acho que isso se torna um elemento extremamente forte</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O comentário ressalta não apenas a intenção de atrair novos espectadores, mas também de fortalecer a relação do público com a cultura audiovisual nacional, mostrando que histórias locais podem ser universais em suas emoções e dilemas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produtora Emilie Lesclaux, compartilha essa perspectiva e acrescenta outra dimensão ao sucesso do longa: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Então, fiquei muito feliz. A gente nunca sabe, quando termina um filme, como vai ser esse encontro com o público, com a crítica e com os festivais. Já em Cannes, sentimos que havia algo acontecendo, algo bem interessante. A cada novo festival, é uma nova alegria, porque cada lugar e cada cultura se comunica de um jeito próprio</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Além disso, ela observa que o sucesso do longa de Walter Salles, ganhador do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme Internacional, ajudou a preparar o público para receber esta nova produção: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eles tratam do mesmo período, da mesma década de formas muito diferentes, mas é como se, pelo sucesso gigante de </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/ainda-estou-aqui-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Estou Aqui</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (2024) muita gente já tivesse aprendido sobre essa época da história do Brasil, aqui e fora. Então, é muito interessante chegar um ano depois com essa preparação</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Agente Secreto</span></i><span style="font-weight: 400;"> é composto por um elenco de renome, à começar por </span><a href="https://personaunesp.com.br/marighella-critica/"><span style="font-weight: 400;">Wagner Moura</span></a><span style="font-weight: 400;">, que vem participando ativamente da campanha nacional e internacional de divulgação da produção. Na coletiva de imprensa em São Paulo, o ator reforçou a posição do diretor sobre a importância do cinema nacional: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Um país precisa se ver na sua cultura. Nenhum país se desenvolve sem se olhar [&#8230;] O cinema brasileiro é quase documentarista, que nasce tentando entender &#8216;que país é esse?</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;. Em relação ao trabalho com KMF, o artista se mostrou realizado com o projeto: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu nasci para trabalhar com Kleber [&#8230;] Existem diretores que são muito bons, mas que não são cinéfilos. São ótimos diretores, mas não têm a gramática do cinema. Ele [Kleber] tem</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<figure id="attachment_36229" aria-describedby="caption-attachment-36229" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36229" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-5-800x479.png" alt="Bastidores do filme Agente Secreto. Dois homens brancos estão dentro de uma sala. O primeiro é um homem de cabelos castanhos e bigode está sentado e olhando fixamente para a frente. Ele está com uma camisa azul e tem uma bolsa em sua frente. Ao seu lado está o segundo homem, com cabelos grisalhos, óculos, camisa preta e fone de ouvido. Ele está explicando algo para o primeiro homem. Na frente deles tem uma câmera." width="800" height="479" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-5-800x479.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-5-1024x613.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-5-768x459.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-5.png 1170w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36229" class="wp-caption-text">Kleber e Wagner se conheceram anos atrás no Festival de Cannes, quando o diretor ainda era crítico de cinema (Foto: Victor Jucá)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, Moura ressaltou algo que vem abordando em entrevistas recentes: esse é seu primeiro filme, em 12 anos, falando em português. Ele definiu o processo de não apenas atuar em seu idioma, mas de fazê-lo em Recife como um dos mais felizes de sua vida profissional; “</span><i><span style="font-weight: 400;">Resumindo: foi massa</span></i><span style="font-weight: 400;">”, completou o ator. Durante o evento, a relação entre o elenco pareceu, de fato, ter surgido de uma experiência feliz, especialmente entre Tânia Maria, que interpreta Dona Sebastiana, e Wagner, a quem ela chamou de ‘professor’. Com pouco tempo de experiência nas telas, o nome da potiguar surgiu na lista da </span><a href="https://variety.com/lists/2026-oscars-best-supporting-actress-predictions/1236516692/"><span style="font-weight: 400;">Variety</span></a><span style="font-weight: 400;"> de possíveis indicações ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Dona Tânia, como ficou conhecida após o sucesso nas redes sociais – e na crítica – comentou que Kleber, como diretor, é ‘incomparável’. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo análise feita pela </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/03/media-da-idade-de-atrizes-indicadas-ao-oscar-sobe-dez-anos-em-cinco-decadas.shtml"><span style="font-weight: 400;">Folha de S. Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 2023</span><b>,</b><span style="font-weight: 400;"> a média de idade das atrizes indicadas ao Oscar vem aumentando gradativamente nas últimas cinco décadas. É nesse contexto otimista, porém, ainda desafiador, que Dona Tânia se insere; a artista de 78 anos teve a sua estreia na atuação em </span><a href="https://personaunesp.com.br/bacurau-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bacurau</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), outro filme de Mendonça. Nesse sentido, a sua jornada se torna inspiradora para colegas de profissão, como Alice Carvalho, a Fátima de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Agente Secreto</span></i><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu tô com 29 anos, tenho algumas amigas com 38, 40, 41, 42 [anos] que são, muitas vezes, tomadas pelo sentimento de que a carreira acabou [&#8230;] E pra mim, tem um valor imenso estar aqui nessa sala com vocês querendo saber quem é Dona Tânia. E tenho certeza que ela vai fazer um monte de filme daqui pra frente e isso vai ser muito importante para a minha geração e das meninas [outras atrizes] que estão aqui</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Carvalho, durante o Tapete Vermelho, também comentou, em entrevista ao </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> sobre o sentimento em relação a esse projeto: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quando eu assisti em Cannes, fiquei tão orgulhosa e tão feliz do tamanho da pessoa que Kleber é, porque tem que ser uma pessoa muito grande para fazer um filme como esse. Para ser um grande artista tem que ser uma grande pessoa. E fiquei muito orgulhosa de estar dentro disso</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A atriz acrescentou que não imaginava a tamanha proporção que a popularidade da produção iria ganhar e que acredita que a obra cumpriu o seu papel de se comunicar com as massas.</span></p>
<figure id="attachment_36228" aria-describedby="caption-attachment-36228" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36228" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-2-800x762.jpg" alt="Tapete vermelho do filme Agente Secreto. Uma mulher, com cabelos cacheados e com um vestido verde está falando ao microfone. O microfone está sendo segurado por uma mão de um homem branco. Ao fundo, está o painel da 49ª Mostra de Cinema em São Paulo com várias pessoas ao redor" width="800" height="762" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-2-800x762.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-2-1024x975.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-2-768x731.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-2-1536x1462.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-2-1200x1142.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image4-2.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36228" class="wp-caption-text">Alice Carvalho foi chamada de última hora para o filme, e mesmo assim, entregou uma das melhores e mais marcantes performances do longa (Foto: Stephanie Cardoso)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Representando os antagonistas da trama, estavam no evento Gregório Graziosi, Robério Diógenes e </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/ferrari-filme-critica"><span style="font-weight: 400;">Gabriel Leone</span></a><span style="font-weight: 400;">. O último falou sobre o desafio de interpretar Bobbi, um assassino de aluguel contratado para matar Marcelo, o personagem de Wagner Moura: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Para mim, enquanto ator, é um barato, porque você constrói um outro lado, um lado que, obviamente, eu não me identifico. Mas é o tipo de desafio que eu gosto, que é de você entender que aquele cara ali, como tantos que existiam na época e tantos que existem, com comportamentos e com uma cabeça semelhante à do meu personagem”. </span></i><span style="font-weight: 400;">Leone se refere a atividade criminosa de seu personagem, mas também ao alinhamento dele com figuras que simbolizam a discriminação é xenofobia no filme</span><i><span style="font-weight: 400;">. “Para mim, enquanto ator, é isso que me interessa:  investigar, encontrar o ser humano por trás daquilo; as sutilezas e os detalhes. Isso para um ator é sempre muito interessante</span></i><span style="font-weight: 400;">”, acrescenta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também marcaram presença nesse evento os atores Geane Albuquerque, Suzy Lopes, Laura Lufési, Isadora Ruppert, o preparador de elenco Leonardo Lacca, entre outros membros da equipe. Outra figura importante que estava tanto no tapete vermelho, como na coletiva foi a ‘</span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/lenda-perna-cabeluda-agente-secreto/"><span style="font-weight: 400;">perna cabeluda’</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma lenda urbana pernambucana que faz parte da história de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Agente Secreto.</span></i><span style="font-weight: 400;"> O filme estreou no dia 6 de novembro nacionalmente e também em cinemas da Alemanha e de Portugal. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O AGENTE SECRETO - Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/AOBPXs_euPA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo: entre telas, trânsito e tesouros</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Nov 2024 19:25:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O evento aconteceu entre os dias 17 e 30 de Outubro, com direito a exibição de Ainda Estou Aqui (2024) Henrique Marinhos A Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, dirigida por Renata Almeida, é um dos maiores e mais prestigiados eventos do calendário cinematográfico nacional. Neste ano, a 48ª edição do festival aconteceu de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/48a-mostra-internacional-de-cinema-reportagem/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo: entre telas, trânsito e tesouros"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i>O evento </i><i>aconteceu entre os dias 17 e 30 de Outubro, com direito a exibição de Ainda Estou Aqui (2024)</i></p>
<figure id="attachment_34460" aria-describedby="caption-attachment-34460" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34460" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-5.png" alt="Pôster da 48ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo com uma ilustração criada por Satyajit Ray em tons terrosos. A imagem central representa uma cena interior com três figuras humanas. No primeiro plano, à direita, duas pessoas estão sentadas no chão; uma delas parece estar penteando o cabelo da outra, com gestos suaves e intimistas. No fundo, uma terceira pessoa está sentada mais distante, observando ou participando de uma interação sutil com as outras figuras. A ambientação sugere uma cena doméstica ou cotidiana, com paredes e sombras que adicionam profundidade à composição. No centro do pôster, há um símbolo estilizado que lembra uma flor em vermelho e verde, contrastando com os tons suaves da ilustração." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-5.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-5-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-5-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-5-768x403.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34460" class="wp-caption-text">A abertura oficial do festival contou com a exibição do longa-metragem <a href="https://personaunesp.com.br/maria-callas-critica/">Maria Callas</a>, dirigido por Pablo Larraín e protagonizado por Angelina Jolie (Foto: Mostra SP)</figcaption></figure>
<p><strong>Henrique Marinhos</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, dirigida por Renata Almeida, é um dos maiores e mais prestigiados eventos do calendário cinematográfico nacional. Neste ano, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª edição</span></a><span style="font-weight: 400;"> do festival aconteceu de 17 a 30 de outubro, e celebrou a Sétima Arte em toda a sua diversidade. Desde a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/44-mostra/"><span style="font-weight: 400;">44ª Mostra</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> tem o privilégio de acompanhar e cobrir essa jornada.</span></p>
<p><span id="more-34457"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com mais de </span><a href="https://48.mostra.org/filmes"><span style="font-weight: 400;">400 títulos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 82 países na programação, cada sessão parecia uma escolha calculada que trazia uma conexão implícita com aqueles que buscavam assistir aos mesmos filmes que você. Ao longo dos dias, o festival enriquece a cidade de São Paulo como um epicentro de cultura, discussão e inovação cinematográfica entre as poltronas e intervalos das sessões.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, assistir a três filmes em três locais diferentes em um único dia pelos cinemas de uma megalópole não é tarefa simples (contagem ilustrativa considerando o humanamente possível). A logística entre duração dos longas, </span><i><span style="font-weight: 400;">trailers</span></i><span style="font-weight: 400;">, tempo de deslocamento, trânsito e o dilema entre metrô ou carro fez da experiência quase um fluxograma – muito semelhante a atravessar os palcos de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/primavera-sound-critica/"><span style="font-weight: 400;">festival de música</span></a><span style="font-weight: 400;"> em busca da grade dos melhores </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essa complexidade não diminui o prazer de estar ali, pelo contrário, cada sacrifício é recompensado ao sentar-se em frente à tela e vivenciar histórias em que apostamos tanto.</span></p>
<figure id="attachment_34461" aria-describedby="caption-attachment-34461" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34461" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image4-3.png" alt="Painel com fotos de diversos rostos da equipe projetados em um telão durante a cerimônia da 48ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Abaixo, Serginho Groisman e Renata Amaral" width="750" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-34461" class="wp-caption-text">A Mostra Internacional de Cinema em São Paulo teve sua origem em 1977, idealizada pelo crítico Leon Cakoff, responsável pelo departamento de Cinema do MASP (Foto: Mario Miranda Filho)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para um evento que já está em sua 48ª edição, poderíamos ter sido poupados de algumas frustrações, como </span><a href="https://www.instagram.com/p/DBJkZbbv6Y8/"><span style="font-weight: 400;">sessões extremamente disputadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que não tiveram um esquema de venda claro e, em algumas ocasiões, sem aviso prévio ou com </span><a href="https://www.instagram.com/p/DBwCJeWtVK2/?img_index=1"><span style="font-weight: 400;">regras instáveis</span></a><span style="font-weight: 400;">. Considerando que, a essa altura, esse tipo de situação poderia ter sido prevista e prevenida, em contrapartida à remediação que tiveram de adotar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, a Mostra é única em oferecer um espaço para filmes novos, muitos dos quais não terão distribuição comercial ampla. A oportunidade de assistir a essas produções, ao lado dos próprios realizadores, faz da experiência inestimável. A presença de atores, diretores, produtores e membros da equipe de produção só enriquece nossa relação com as obras, trazendo um novo nível de profundidade ao ato de ir ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/cinema/"><span style="font-weight: 400;">cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_34462" aria-describedby="caption-attachment-34462" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34462" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image5-1.png" alt="A imagem mostra o espaço Petrobras na Cinemateca Brasileira, uma grande sala de cinema com fileiras de cadeiras de madeira estilo espreguiçadeiras, onde o público está sentado, aguardando o início da sessão. No primeiro plano, várias pessoas estão sentadas, algumas em conversa e outras olhando para frente. À esquerda, um homem de jaqueta verde e chapéu está relaxado em sua cadeira, enquanto outros ao lado interagem entre si. O público ao fundo ocupa quase todas as cadeiras disponíveis. As paredes são pretas, e banners com logotipos e informações do evento estão pendurados nas laterais. O espaço é iluminado por luzes focais no teto, criando um ambiente adequado para a exibição de filmes." width="750" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-34462" class="wp-caption-text">Em suas primeiras sete edições, os filmes selecionados pela Mostra SP precisavam ser submetidos à aprovação prévia dos censores durante a Ditadura Militar (Foto: Mario Miranda Filho)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O encerramento do evento, comandado com familiaridade por Serginho Groisman e Renata Almeida, foi repleto de momentos de afeto e celebração. Walter Salles e a equipe de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Estou Aqui</span></i><span style="font-weight: 400;">, um dos grandes favoritos ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, receberam seus prêmios em uma cerimônia que reconheceu o talento e o esforço de seus participantes. Em seu discurso, o diretor destacou: &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">O filme nunca está pronto, ele se completa no olhar do outro, no olhar de vocês</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de apressada em alguns momentos, tentando justa e rigorosamente cumprir horários, </span><a href="https://48.mostra.org/galeria/cerimonia-de-encerramento-48a-mostra"><span style="font-weight: 400;">a cerimônia</span></a><span style="font-weight: 400;"> conseguiu oferecer uma boa dose de emoção. Não só presencial como remotamente, com mensagens em vídeo de diretores internacionais que não puderam comparecer. Com poucos lugares marcados na plateia geral, com exceção dos lados do palco, o público pôde acompanhar a premiação nas primeiras fileiras, na frente até mesmo de alguns premiados.</span></p>
<figure id="attachment_34458" aria-describedby="caption-attachment-34458" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34458" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-13.png" alt="Foto dos jurados da 48ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo: Thierry Méranger, Gonçalo Waddington, Hebe Tabachnik e Mohsen Makhmalbaf. Thierry Méranger, à esquerda, é um homem de meia-idade, com barba e cabelo ralo, vestindo um terno preto e camisa branca, sem gravata. Ao lado dele, Gonçalo Waddington, de cabelos cacheados e volumosos, veste uma camisa clara com estampa discreta. Hebe Tabachnik, terceira da esquerda para a direita, é uma mulher de cabelos escuros, volumosos e cacheados; ela veste um terno preto e usa brincos grandes e um colar. À direita está Mohsen Makhmalbaf, um homem mais velho, de rosto sério e cabelo curto, sem barba, usando um terno preto e camisa preta. Eles estão posicionados em frente a uma parede de tijolos, alinhados lado a lado." width="750" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-34458" class="wp-caption-text">A nova seção do festival é a Mostrinha, dedicada exclusivamente ao público infantil com 22 obras (Foto: Edu Tarran)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os longa-metragens da seção </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/novos-diretores/"><span style="font-weight: 400;">Competição Novos Diretores</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais votados pelo público foram submetidos ao Júri. Formado pela atriz brasileira Camila Pitanga (que infelizmente não pôde comparecer), pelo ator e cineasta português Gonçalo Waddington, pela curadora e produtora Hebe Tabachnik, pelo produtor Kyle Stroud, pelo diretor e escritor iraniano Mohsen Makhmalbaf e pelo crítico de cinema francês Thierry Meranger. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/mostra-de-cinema-de-sp-divulga-filmes-premiados-em-sua-48-edicao/"><span style="font-weight: 400;">público da 48ª Mostra</span></a><span style="font-weight: 400;"> também desempenhou um papel fundamental na seleção dos filmes premiados. Após cada sessão, os espectadores recebiam uma cédula para avaliar o filme assistido numa escala de um a cinco. As notas atribuídas foram compiladas para determinar seus favoritos, tanto entre os longas internacionais quanto entre as produções brasileiras. </span></p>
<figure id="attachment_34459" aria-describedby="caption-attachment-34459" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34459" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-14.png" alt="Denise Fernandes, diretora do filme Hanami, fala ao microfone no palanque da 48ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Ela é uma mulher negra de cabelos cacheados escuros e longos, vestindo um suéter claro com textura. Denise segura um troféu ao falar ao microfone, com um sorriso leve e uma expressão de concentração. O palco tem um fundo escuro, destacando a oradora." width="750" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-34459" class="wp-caption-text">O BRADA, que tem prêmio dedicado no evento, é um coletivo de Diretoras de Arte do Brasil que pretende unir mulheres, pessoas trans, não bináries e quaisquer outras formas de expressão de gênero minoritárias (Foto: Mario Miranda Filho)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do júri oficial e da votação popular, a imprensa especializada presente no evento contribuiu para o reconhecimento das obras em destaque. Críticos de Cinema avaliaram os filmes exibidos e concederam o Prêmio da Crítica às produções que mais impressionaram. A </span><a href="https://abraccine.org/2015/11/27/abraccine-organiza-ranking-dos-100-melhores-filmes-brasileiros/"><span style="font-weight: 400;">Abraccine</span></a><span style="font-weight: 400;"> – Associação Brasileira de Críticos de Cinema – também participou desse processo, elegendo o melhor filme nacional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outras iniciativas foram o Prêmio Paradiso, que ofereceu apoio à distribuição nos cinemas para o filme da seção Mostra Brasil que recebeu a maior votação do público, garantindo sua estreia nas telas nacionais. Já o Prêmio Brada reconhece o trabalho de direção de Arte que se destacou, visibilizando esse ofício na criação da atmosfera e estética. Pela segunda vez, a Netflix entregou um prêmio no festival, concedido a um filme brasileiro participante que ainda não tinha contrato com serviços de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://48.mostra.org/jornal-da-mostra/filmes-premiados-48a-mostra"><span style="font-weight: 400;">Esses e outros vencedores</span></a><span style="font-weight: 400;"> ficaram marcados para sempre na história da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.</span></p>
<figure id="attachment_34463" aria-describedby="caption-attachment-34463" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34463" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image6-1.png" alt="Francis Ford Coppola, sorrindo, segura um troféu em forma de espiral ao lado de Renata Almeida, diretora da Mostra. Coppola, um homem mais velho, com cabelo grisalho e barba branca, veste um terno branco com camisa e gravata vermelha com padrão xadrez. Ao seu lado, Renata Almeida, uma mulher de cabelos castanhos escuros presos, usa óculos de armação fina e veste um vestido escuro com aparência metálica. Ela sorri para Coppola enquanto segura o troféu. Ambos estão em roupas formais durante a cerimônia de premiação da 48ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, com um banner do evento ao fundo." width="750" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-34463" class="wp-caption-text">Coppola é tio do Nicolas Cage (Foto: Mario Miranda Filho)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo após a premiação, um dos momentos mais esperados da noite foi a exibição de </span><i><span style="font-weight: 400;">Megalopolis</span></i><span style="font-weight: 400;">, apresentada – pessoalmente – por </span><a href="https://48.mostra.org/jornal-da-mostra/francis-ford-coppola-premio-leon-cakoff-e-megalopolis"><span style="font-weight: 400;">Francis Ford Coppola</span></a><span style="font-weight: 400;">. Antes do </span><i><span style="font-weight: 400;">play,</span></i><span style="font-weight: 400;"> Coppola brincou: &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Antes de me premiar, vocês deveriam ter assistido ao filme</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;. O diretor recebeu o prêmio Leon Cakoff, pelo seu “</span><i><span style="font-weight: 400;">papel visionário, sua arte da desmesura e a fé no Cinema que ultrapassa o tempo</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O festival terminou de maneira simples, mas significativa. Os créditos subindo, as luzes se acendendo e o público sendo convidado para um coquetel na </span><a href="https://cinemateca.org.br/francis-ford-coppola-visita-a-cinemateca-brasileira/"><span style="font-weight: 400;">Cinemateca Brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;">. O </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">, mais uma vez, marcou presença com uma cobertura dedicada, produzindo 35 críticas distribuídas nas diferentes seções: Uma crítica na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/retrospectiva/"><span style="font-weight: 400;">Retrospectiva</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma na seção </span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-sou-eu-critica/"><span style="font-weight: 400;">Apresentação Especial</span></a><span style="font-weight: 400;">, 12 críticas nas seções </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/perspectiva-internacional/"><span style="font-weight: 400;">Perspectiva Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> e</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-brasil/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> e 8 críticas na seção </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/novos-diretores/"><span style="font-weight: 400;">Competição Novos Diretores</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os autores que participaram dessa cobertura, tanto </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;"> quanto presencialmente, foram: </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Davi Marcelgo</span> <span style="font-weight: 400;">(</span><a href="https://personaunesp.com.br/onda-nova-gayvotas-futebol-clube-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Onda Nova &#8211; Gayvotas Futebol Clube</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/onda-nova-gayvotas-futebol-clube-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Eu Vi o Brilho da TV</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/maria-callas-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Maria Callas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/no-ceu-da-patria-nesse-instante-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">No Céu da Pátria Nesse Instante</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/oeste-outra-vez-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Oeste Outra Vez</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/anora-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Anora</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/persona-entrevista-davi-pretto-olivia-torres-e-paola-wink/"><i><span style="font-weight: 400;">Persona Entrevista: Davi Pretto, Olívia Torres e Paola Wink</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/enterre-seus-mortos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Enterre Seus Mortos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/baby-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Baby</span></i></a><span style="font-weight: 400;">);</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i><span style="font-weight: 400;">Guilherme Moraes</span> <span style="font-weight: 400;">(</span><a href="https://personaunesp.com.br/ubu-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ubu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/o-senhor-dos-mortos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Senhor dos Mortos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/nao-sou-eu-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Não Sou Eu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/atraves-do-fluxo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Através do Fluxo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/o-brutalista-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Brutalista</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/os-enforcados-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Enforcados</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tudo-que-imaginamos-como-luz-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo Que Imaginamos Como Luz</span></i></a><span style="font-weight: 400;">);</span> <span style="font-weight: 400;">Henrique Marinhos</span> <span style="font-weight: 400;">(</span><a href="https://personaunesp.com.br/todo-mundo-ainda-tem-problemas-sexuais-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Todo Mundo (Ainda) Tem Problemas Sexuais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/la-pampa-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">La Pampa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/lispectorante-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Lispectorante</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/uma-terra-deixada-para-tras-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Uma Terra Deixada para Trás</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/o-pardal-na-chamine-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Pardal na Chaminé</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/coracoes-jovens-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Corações Jovens</span></i></a><span style="font-weight: 400;">);</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i><span style="font-weight: 400;">Nathalia Tetzner (</span><a href="https://personaunesp.com.br/bangarang-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bangarang</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/bicho-monstro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bicho Monstro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/sob-o-ceu-cinzento-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Sob O Céu Cinzento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">);</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i><span style="font-weight: 400;">Vitória Borges</span> <span style="font-weight: 400;">(</span><a href="https://personaunesp.com.br/precisamos-falar-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Precisamos Falar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/continente-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Continente</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/zafari-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Zafari</span></i></a><span style="font-weight: 400;">);</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i><span style="font-weight: 400;">Guilherme Veiga</span> <span style="font-weight: 400;">(</span><a href="https://personaunesp.com.br/um-homem-diferente-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Um Homem Diferente</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/o-planeta-silencioso-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Planeta Silencioso</span></i></a><span style="font-weight: 400;">);</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i><span style="font-weight: 400;">Jamily Rigonatto</span> <span style="font-weight: 400;">(</span><a href="https://personaunesp.com.br/sem-vergonha-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Sem Vergonha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/o-palhaco-de-cara-limpa-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Palhaço de Cara Limpa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/a-procura-de-martina-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Procura de Martina</span></i></a><span style="font-weight: 400;">);</span><i><span style="font-weight: 400;"> e </span></i><span style="font-weight: 400;">Guilherme Machado Leal </span><i><span style="font-weight: 400;">(</span></i><a href="https://personaunesp.com.br/os-maus-patriotas-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Maus Patriotas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">;</span> <a href="https://personaunesp.com.br/ainda-estou-aqui-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ainda Estou Aqui</span></i></a><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Setembro de 2024</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Oct 2024 23:22:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Chegando a sua 27ª edição, a Bienal Internacional do Livro de São Paulo –  o maior evento literário da América Latina – ocorreu dos dias 06 a 15 de Setembro de 2024. A editoria do Persona esteve presente no primeiro domingo, 08/09, para conferir lançamentos, estandes e discussões que compuseram a programação do dia. Os &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-setembro-de-2024/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Setembro de 2024"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34080" aria-describedby="caption-attachment-34080" style="width: 1024px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34080" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/wordpress_estante-setembro-1.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/wordpress_estante-setembro-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/wordpress_estante-setembro-1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/wordpress_estante-setembro-1-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34080" class="wp-caption-text">Imergindo no universo literário, o Persona marcou presença na maior edição dos últimos dez anos da Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Texto de Abertura: Jamily Rigonatto / Arte: Aryadne Xavier)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Chegando a sua 27ª edição, a</span><a href="https://personaunesp.com.br/ser-jornalista-bienal-do-livro-artigo/"><span style="font-weight: 400;"> Bienal Internacional do Livro de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> –  o maior evento literário da América Latina – ocorreu dos dias 06 a 15 de Setembro de 2024. A editoria do Persona esteve presente no primeiro domingo, 08/09, para conferir lançamentos, estandes e discussões que compuseram a programação do dia. Os integrantes acessaram o espaço credenciados como Imprensa para realizar a cobertura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><span id="more-34063"></span></span><span style="font-weight: 400;">Com um público visitante de 722 mil pessoas no total do ano, a Bienal de 2024 se consagrou como a maior dos últimos dez anos. O evento, que é promovido a cada dois anos pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-agosto-de-2024/"><span style="font-weight: 400;">Câmara Brasileira do Livro (CBL)</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi realizado no Distrito Anhembi, região central da Grande São Paulo. O cronograma extenso se debruçou em autores nacionais e internacionais, trazendo grandes nomes como Hayley Kyoko (</span><i><span style="font-weight: 400;">Girls Like Girls</span></i><span style="font-weight: 400;">), Vitor Martins (</span><i><span style="font-weight: 400;">Quinze Dias</span></i><span style="font-weight: 400;">), Rafael Montes (</span><i><span style="font-weight: 400;">Jantar Secreto</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Jeff Kinney (</span><i><span style="font-weight: 400;">Diário de um Banana</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p>Divididos por blocos identificados por letras, estavam dispostos 227 expositores e mais de 500 selos editoriais para o público escolher, sendo alguns deles a <a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/">Companhia das Letras</a>, Editora Intrínseca, PANINI, <a href="https://personaunesp.com.br/tag/sesc/">Sesc</a>, Rocco e Editora Record. Em alguns estandes as filas davam voltas, com leitores animados para aproveitar promoções e descontos especiais oferecidos nas compras dos exemplares.</p>
<figure id="attachment_34066" aria-describedby="caption-attachment-34066" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34066" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/IMG_8283-600x800.jpg" alt="" width="600" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/IMG_8283-600x800.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/IMG_8283.jpg 627w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34066" class="wp-caption-text">A credencial de imprensa para a Bienal do Livro pode ser solicitada antes do evento por portais, revistas e demais veículos jornalísticos que trabalhem com cultura (Foto: Acervo Pessoal)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 08, o autor Vitor Martins, dono de sucessos do nicho LGBTQIA+ e </span><i><span style="font-weight: 400;">Young Adult</span></i><span style="font-weight: 400;">, compareceu a uma mesa da Amazon para falar sobre processos de escrita, relembrou a representatividade e destacou o lançamento de seu novo livro intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">Mais ou menos 9 horas</span></i><span style="font-weight: 400;">. O escritor, que também é tradutor, assina textos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Quize dias</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-milhao-de-finais-felizes-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Um milhão de finais felizes</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Se a casa 8 falasse</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em suas declarações, refletiu sobre como o acolhimento nas páginas pode mudar as perspectivas de pessoas e minorias que se encontram menos em espaços de identificação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na arena cultural, o tema se voltava a outra ótica, com o autor de suspense e literatura policial Raphael Montes, que, por meio da Cia das Letras, trouxe um debate sobre os gêneros literários que escreve. Além dele, a Companhia também trouxe a vencedora do Prêmio Jabuti de Romance Literário de 2023, </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-som-do-rugido-da-onca-critica/"><span style="font-weight: 400;">Micheliny Verunsky</span></a><span style="font-weight: 400;"> para um bate-papo sobre a herança do passado nos discursos da contemporaneidade, no Salão de Ideias. </span></p>
<figure id="attachment_34065" aria-describedby="caption-attachment-34065" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34065" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-08-at-22.51.57-600x800.jpeg" alt="" width="600" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-08-at-22.51.57-600x800.jpeg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-08-at-22.51.57-768x1024.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-08-at-22.51.57-1152x1536.jpeg 1152w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-08-at-22.51.57.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34065" class="wp-caption-text">Algumas editoras tinham mais de um estande espalhado pelo espaço (Foto: Guilherme Leal)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Embarcando em outro tipo aspecto do perfil de leitores e escritores, o Sesc Edições ainda promoveu a mesa “Vozes Negras na Literatura” que trazia Camilla Dias, assistente social, crítica literária e curadora literária,</span><span style="font-weight: 400;"> Mario Medeiros, autor do livro “A descoberta do insólito”, Sidney Santiago, ator e performancer, e </span><a href="https://www.instagram.com/iamidria?igsh=MWRqZXFvN3Y2eDBkMg=="><span style="font-weight: 400;">Midria</span></a><span style="font-weight: 400;">, poetisa e mestranda em antropologia. Fazendo leituras de referências como Conceição Evaristo e Mirian Alves, o debate trouxe discussões sobre espaços, pertencimento e acessos da comunidade negra.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><i></i></p>
<blockquote><p>“Mas independentemente da idade, tem muita gente que se sente como se não pertencesse a essa ‘paulicéia’ desvairada. É que tem muita gente que não se apropria desse espaço – maior da América Latina, maior do Brasil – uma cidade tão grande, mas que se perde em dinheiro…” &#8211; Mídria</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Os integrantes do Persona gostaram muito de encontrar a diversidade dos livros e contam um pouco mais sobre o momento especial e suas novas aquisições literárias abaixo.</span></p>
<hr />
<p><strong>Dicas do mês + relatos<br />
</strong></p>
<figure id="attachment_34067" aria-describedby="caption-attachment-34067" style="width: 539px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34067" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1-539x800.png" alt="" width="539" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1-539x800.png 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1-690x1024.png 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1-768x1139.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1-1035x1536.png 1035w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1-1380x2048.png 1380w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1-1200x1780.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-Pequeno-Principe-Antoine-de-Saint-Exupery-1.png 2022w" sizes="auto, (max-width: 539px) 85vw, 539px" /><figcaption id="caption-attachment-34067" class="wp-caption-text">“Todas as pessoas grandes foram um dia crianças – mas poucas se lembram disso.”(Foto: Harper Kids)</figcaption></figure>
<p><b>O Pequeno Príncipe &#8211; Antoine de Saint-Exupéry</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Pequeno Príncipe é um clássico da literatura e quase um clichê. É o equivalente a quando se pergunta a uma pessoa qual o filme favorito dela e ela responde </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou qual a série favorita e a resposta é</span><i><span style="font-weight: 400;"> Friends</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, diferentemente desses exemplos, a história de Antoine de Saint-Exupéry não se saturou com o tempo. Ao contrário, ganha um novo significado conforme ficamos mais velhos.</span></p>
<p><strong><span style="font-weight: 400;">Minha relação com este livro é engraçada. Comecei a leitura quando tinha 16 anos na biblioteca da minha cidade, mas nunca cheguei a terminar. Sempre que voltava ao lugar eu recomeçava, na esperança de ler de uma vez só. O tempo se passou e nunca mais havia sequer pensado nessa história, foi quando o encontrei novamente em um estande da Bienal e decidi levá-lo para casa com a intenção de finalmente conhecer </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pequeno Príncipe</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Arthur Caires</b></strong></p>
<hr />
<figure id="attachment_34069" aria-describedby="caption-attachment-34069" style="width: 534px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34069" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Pessoas.Normais.Sally_.Rooney-534x800.jpg" alt="" width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Pessoas.Normais.Sally_.Rooney-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Pessoas.Normais.Sally_.Rooney.jpg 667w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-34069" class="wp-caption-text">Pessoas Normais disseca as inquietações que assolam todo e qualquer jovem adulto (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Pessoas Normais &#8211; Sally Rooney</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2023, eu li pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Kindle</span></i><span style="font-weight: 400;"> a obra </span><i><span style="font-weight: 400;">Pessoas Normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, da irlandesa Sally Rooney, e o meu mundo mudou. Quando fomos para a Bienal, decidi comprar a versão física para voltar ao mundo criado pela autora. A trama se concentra em Connell e Marianne, dois jovens que estão em grupos diferentes no que se relaciona à pirâmide social do ambiente escolar. Enquanto ela é a odiada do colégio, o jovem é querido por todos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na universidade, os papeis se invertem: o rapaz se torna um mero estudante, e a garota encontra um grupo de amigos e se torna conhecida e amada. Muito mais do que apenas amigos, Connel e Marianne são a pessoa da vida um do outro. O que torna o romance tão único é a forma como, de alguma maneira, eles sempre se desencontram. Não se limitando a tópicos amorosos, o livro também aborda situações mais sensíveis, como depressão, ansiedade e abuso. O maior feito de Rooney ao escrever </span><i><span style="font-weight: 400;">Normal People</span></i><span style="font-weight: 400;"> (título original) é comprimir em 262 páginas todo o medo, insegurança e excitação que vêm com a chegada da vida adulta. </span><b>&#8211; Guilherme Leal</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_34071" aria-describedby="caption-attachment-34071" style="width: 543px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34071" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fumaca-branca-543x800.jpg" alt="" width="543" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fumaca-branca-543x800.jpg 543w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fumaca-branca-695x1024.jpg 695w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fumaca-branca-768x1132.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fumaca-branca-1042x1536.jpg 1042w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fumaca-branca-1200x1768.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/fumaca-branca.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 543px) 85vw, 543px" /><figcaption id="caption-attachment-34071" class="wp-caption-text">Um bom suspense é escolher pelo acaso (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><strong>Fumaça Branca &#8211; Tiffany Jackson</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem disse que um livro não pode ser escolhido pela capa? Na minha primeira vez visitando a Bienal Internacional do Livro em São Paulo, as capas brilhantes e cheias de ilustrações instigantes com certeza foram um dos principais motivos de um colapso no meu cartão de crédito, que não pode deixar de ser usado para um bem maior. Em uma dessas armadilhas envoltas em boa estética, encontrei </span><i><span style="font-weight: 400;">Fumaça Branca</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrito por Tiffany D. Jackson e traduzido por Solaine Chioro. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A escolha foi certeira, já que o texto repousa sobre meu gênero literário favorito: o suspense. Em uma reinvenção da ideia clássica dos filmes e contos do nicho, a narrativa escolhe retratar o conceito de casa mal assombrada com elementos de reviravolta e mistério. Assim, ir contra o famoso ditado </span><i><span style="font-weight: 400;">“Não escolha o livro pela capa”</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece ter sido uma das melhores ideias que uma leitora poderia ter no maior festival literário da América Latina. </span><b>– Jamily Rigonatto</b></p>
<hr />
<p><strong>Na Ponta da Língua: Reflexões sobre Linguagem e Sentido &#8211; Peter Brook</strong></p>
<figure id="attachment_34072" aria-describedby="caption-attachment-34072" style="width: 484px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34072" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Na-ponta-da-lingua-Peter-Brook-484x800.jpg" alt="" width="484" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Na-ponta-da-lingua-Peter-Brook-484x800.jpg 484w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Na-ponta-da-lingua-Peter-Brook.jpg 605w" sizes="auto, (max-width: 484px) 85vw, 484px" /><figcaption id="caption-attachment-34072" class="wp-caption-text">“Todas as formas são degraus para se chegar ao sentido. E o sentido é o eterno graal que inspira a busca” (Foto: Edições Sesc)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O estande das </span><a href="https://www.sescsp.org.br/editorial/sesc-na-bienal-e-sinonimo-de-livros-e-tambem-de-programacao/"><span style="font-weight: 400;">Edições Sesc</span></a><span style="font-weight: 400;"> na Bienal é uma constante: todo ano vale a pena entrar. As prateleiras se enchem de Arte, Cultura, História, Política, Filosofia e tudo que é humano. Para cada cantinho que você olha, tem joias escondidas, e foi nessa que </span><i><span style="font-weight: 400;">Na ponta da Língua</span></i><span style="font-weight: 400;"> me chamou a atenção. O livro é definido em sua contracapa como uma investigação da relação entre a palavra e seu verdadeiro sentido, por </span><a href="http://issocompensa.com/teatro/peterbrook"><span style="font-weight: 400;">Peter Brook</span></a><span style="font-weight: 400;">, grande nome do teatro contemporâneo europeu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O senhor inglês, de 94 anos na época, traz uma perspectiva única sobre a linguagem, a partir de sua </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/07/peter-brook-influenciou-o-teatro-com-sua-ideia-de-palco-nu-voltado-ao-ator.shtml"><span style="font-weight: 400;">carreira</span></a><span style="font-weight: 400;"> e vivências internacionais. Nascido na Inglaterra, mas residente da França há meio século, o artista explora no livro as diferenças e semelhanças entre sua língua materna e a segunda língua. Sobretudo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Na Ponta da Língua </span></i><span style="font-weight: 400;">é um depoimento e uma análise dos elementos mais básicos da comunicação humana, que exercemos todos os dias. </span><b>&#8211; Giovanna Freisinger</b></p>
<hr />
<p><strong>Holocausto Brasileiro &#8211; Daniela Arbex</strong></p>
<figure id="attachment_34073" aria-describedby="caption-attachment-34073" style="width: 556px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34073" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/holocausto-brasileiro-556x800.jpg" alt="" width="556" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/holocausto-brasileiro-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/holocausto-brasileiro.jpg 695w" sizes="auto, (max-width: 556px) 85vw, 556px" /><figcaption id="caption-attachment-34073" class="wp-caption-text">“Se existe inferno, o Colônia era esse lugar” (Foto: Editora Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sou apaixonada pela escrita da Daniela Arbex há anos, li o </span><i><span style="font-weight: 400;">Holocausto Brasileiro: Genocídio: 60 mil mortos no maior hospício do Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;"> durante o meu primeiro ano de faculdade e logo me senti no caminho certo da graduação. Talvez o fato dela ser uma excelente jornalista investigativa tenha me incentivado a continuar acompanhando, também, suas outras produções. Quando soube que iríamos à Bienal, logo pensei em comprar seu livro físico para ler novamente e (quem sabe um dia) conseguir seu autógrafo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Holocausto Brasileiro</span></i><span style="font-weight: 400;">, a jornalista reporta, por meio de entrevistas, documentos e relatos, a chocante realidade do Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais, onde cerca de 60 mil pessoas foram mortas. O livro denuncia o tratamento impiedoso e a negligência extrema com que os internos foram submetidos, de maneira surpreendente, Arbex reconstrói a história de um dos maiores fatos cruéis, trazendo à tona um capítulo tão sombrio da história brasileira. </span><b>&#8211; Vitória Borges</b></p>
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		<title>Os sonhos arruinados dos Garotos do Ninho são o norte de Longe do Ninho</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Sep 2024 14:37:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[2024]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Lavorato Lançado cinco anos depois do incêndio no CT do Flamengo, que matou dez jogadores da base em Fevereiro de 2019, Longe do ninho: Uma investigação do incêndio que deu fim ao sonho de dez jovens promessas do Flamengo de se tornarem ídolos no país do futebol é um livro que honra as memórias &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/longe-do-ninho-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os sonhos arruinados dos Garotos do Ninho são o norte de Longe do Ninho"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33933" aria-describedby="caption-attachment-33933" style="width: 249px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33933" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Capa-Longe-do-Ninho.jpg" alt=" Capa do livro Longe do Ninho, de Daniela Arbex. O fundo da capa é preto. Nesse fundo, há brilhos vermelhos representando estrelas. No centro da capa, em vermelho, há o nome da escritora Daniela Arbex. Logo abaixo, no centro, vem o título: Longe do Ninho. Por fim, ainda no centro: há a continuação do título: Uma investigação do incêndio que deu fim ao sonho de dez jovens promessas do Flamengo de se tornarem ídolos no país do futebol. Em torno desses dizeres há os bustos das dez vítimas: acima, da esquerda para direita, aparece Pablo Henrique (menino negro de , Vitor Isaías e Jorge Eduardo. Do lado direito, de cima para baixo, há Samuel Rosa e Rykelmo. No lado inferior, da esquerda para a direita, encontram-se Athila, Bernardo e Christian. Do lado esquerdo, de cima para baixo, há Gedson e Arthur. No centro superior direito aparece a logo da Intrínseca em vermelho." width="249" height="365" /><figcaption id="caption-attachment-33933" class="wp-caption-text">Longe do ninho é um livro triste, mas necessário (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Lavorato</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado cinco anos depois do incêndio no CT do Flamengo, que matou dez jogadores da base em Fevereiro de 2019, </span><i><span style="font-weight: 400;">Longe do ninho: Uma investigação do incêndio que deu fim ao sonho de dez jovens promessas do Flamengo de se tornarem ídolos no país do futebol </span></i><span style="font-weight: 400;">é um livro que honra as memórias daqueles se foram e dos dezesseis jovens que sobreviveram. </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=daniela+arbex"><span style="font-weight: 400;">Daniela Arbex</span></a><span style="font-weight: 400;">, jornalista investigativa, não falha em trazer – assim como em  </span><a href="http://personaunesp.com.br/colonia-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Holocausto Brasileiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2013), </span><i><span style="font-weight: 400;">Cova 312</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2015) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Todo dia a mesma noite</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2018) – o desrespeito dos responsáveis pelo </span><span style="font-weight: 400;">incêndio</span><span style="font-weight: 400;"> que vitimou Arthur Vinícius, Athila Paixão, Gedson Santos, Pablo Henrique de Souza, Vitor Isaías, Bernardo Pisetta, Christian Esmério, Jorge Eduardo dos Santos, Samuel Rosa, Rykelmo de Souza e seus sonhos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma escrita impactante, a autora se debruça em dez mil folhas de arquivos sobre o caso para trazer à tona a imprudência da instituição do Flamengo e seus dirigentes. Durante as 266 paginas, acompanhamos a reconstituição do caso e nos é revelado que o local de ‘moradia’ – contêineres totalmente inadequados nunca deveriam ser chamados pelo termo –, localizado no centro de treinamento do Flamengo, Ninho do Urubu, não tinha </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/esportes/audio/2024-02/historia-hoje-cinco-anos-da-tragedia-do-ninho-do-urubu#:~:text=Uma%20trag%C3%A9dia%20acabou%20com%20o,8%20de%20fevereiro%20de%202019"><span style="font-weight: 400;">alvará</span></a><span style="font-weight: 400;"> como alojamento. Determinado como estacionamento em um dos documentos, as famílias confiaram seus filhos à instituição, pensando que a mesma iria tratá-los com respeito e decência, mas o que é mostrado indica o contrário. </span></p>
<p><span id="more-33932"></span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span>Na prática, em apenas um minuto e 28 segundos, o fogo se alastrou. Além das chamas, a fumaça preta tomou conta do alojamento. Em seguida, ocorreram explosões. Dez dos catorze sobreviventes tiveram apenas 45 segundos para fugir do local pela única porta de acesso da estrutura. Depois disso, nenhum garoto conseguiu chegar até a entrada, embora a maioria tenha tentado encontrar a saída.<span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para trazer seus fundamentos e veracidade, a jornalista redobra a atenção ao colocar os diversos registros (institucionais, públicos, jornalísticos, e-mails, entre outros…) acessíveis para o leitor. A apresentação de dados concretos dão substância o suficiente para mostrar que a narrativa quer ser a mais transparente e responsável diante dos fatos. Dividida em 12 partes, a escrita de Daniela Arbex nos monta e desmonta de tristeza ao longo dos capítulos, já que o livro foi constituído com passagens de tempos anteriores, durante e posteriores ao </span><a href="https://memoriaglobo.globo.com/jornalismo/coberturas/incendio-no-ninho-do-urubu/noticia/incendio-no-ninho-do-urubu.ghtml"><span style="font-weight: 400;">incêndio</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de inúmeros desdobramentos para não adequar a situação do alojamento da categoria de base – pagamentos de multa ao invés da regularização, burlamento de requerimentos do Ministério Público e outras irregularidades –, a terrível consequência desses atos veio na madrugada do fatídico dia de 2019. O livro expõe a irresponsabilidade dos diversos envolvidos, até depois da tragédia, e coloca nos holofotes a necessidade de </span><a href="https://www.lance.com.br/flamengo/quem-foi-punido-pela-tragedia-do-ninho-do-urubu.html"><span style="font-weight: 400;">justiça</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, até agora, em 2024, não aconteceu e, que de certa forma, tem que ocorrer pela dignidade das vítimas, sobreviventes e todos os atingidos.  </span></p>
<figure id="attachment_33935" aria-describedby="caption-attachment-33935" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33935 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/unnamed-800x552.jpg" alt="Jogo Flamengo contra Madureira no Maracanã em 2020, um ano após a tragédia. Em primeiro plano, vemos os jogadores abraçados e organizados em duas fileiras, uma de cada time. Ao fundo, a arquibancada está lotada de torcedores fazendo homenagem com cartazes para os meninos." width="800" height="552" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/unnamed-800x552.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/unnamed-768x530.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/unnamed.jpg 984w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33935" class="wp-caption-text">No livro, vemos a injustiça, que vitimou dez atletas, sendo praticada às escondidas (Foto: André Durão)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=whNocVpKz28"><i><span style="font-weight: 400;">Longe do Ninho</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é uma obra difícil de superar – e que nem devemos –, pois estamos lidando com as mortes de meninos que eram filhos, irmãos, sobrinhos, netos, amigos e namorados; garotos com sonhos. Além de perderem suas vidas, outros padecem por essa tragédia dia após dia. Durante a narrativa, os sentimentos aflorados se misturam de uma maneira muito sincera: angústia, tristeza e dor que antecedem o trágico momento; raiva e ódio nos trechos que tratam sobre os irresponsáveis; e compaixão e luto quando nos é mostrada a relação dos adolescentes sobreviventes, como </span><span style="font-weight: 400;">Cauan, Francisco e Jhonatan,</span><span style="font-weight: 400;"> seus familiares e todo o acontecimento pós-tragédia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O capítulo mais difícil de ler é o da descrição de como foi a madrugada do incêndio. </span><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2024/03/05/tres-perguntas-do-pn-para-daniela-arbex-autora-de-longe-do-ninho"><span style="font-weight: 400;">Daniela</span></a><span style="font-weight: 400;"> Arbex, de modo sensível, revelou que a maioria dos meninos tentou fugir do desastre, porém, por inúmeras irregularidades do alojamento – à exemplo das grades nas janelas e portas que não abriam para fora –, a fuga foi dificultada ao máximo. O </span><a href="https://intrinseca.com.br/blog/2023/12/novo-livro-da-premiada-jornalista-daniela-arbex-retrata-o-incendio-do-ninho-do-urubu-que-vitimou-dez-jogadores-da-base-do-flamengo-e-permanece-sem-responsabilizacao/"><span style="font-weight: 400;">relato</span></a><span style="font-weight: 400;"> acaba se tornando muito íntimo e necessário, mostrando o que não se pode esquecer para que a história não se repita. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O amor pelo futebol – que vinha muitas vezes da própria família, como a Dona Jô, avó de Vitor Isaías – e a possibilidade de mudar a realidade de suas famílias eram os motivadores para os meninos, com tão pouca idade, saíssem de seus ninhos familiares para um em que almejavam o sucesso: o Ninho do Urubu. Partindo de Minas Gerais, Paraná, Tocantins e do Brasil inteiro, os atletas enfrentavam seus e incertezas para conseguirem viver do esporte. Longe de </span><a href="https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/brasil/familias-de-vitimas-do-incendio-no-ninho-do-urubu-reclamam-de-falta-de-sensibilidade-do-flamengo/"><span style="font-weight: 400;">suas famílias</span></a><span style="font-weight: 400;">, a única troca que aliviava a distância eram as ligações e os aplicativos de mensagens. Nesse trecho, é muito arrebatador quando a autora nos apresenta algumas das </span><a href="https://ge.globo.com/google/amp/sp/tem-esporte/futebol/noticia/2023/02/08/pai-de-vitima-do-incendio-no-ninho-convive-com-saudade-diaria-quatro-anos-depois-quase-todo-dia-8-e-ruim-para-nos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">últimas mensagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> trocadas entre os meninos e seus familiares, além também dos contatos dos sobreviventes com os pais após o incêndio. </span></p>
<figure id="attachment_33936" aria-describedby="caption-attachment-33936" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33936 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Mural-Longe-do-Ninho-800x592.jpg" alt=" Foto do Mural do Garotos do Ninho. Tirada em um dia ensolarado, a foto retrata uma parte da homenagem, onde aparece alguns rostos e seus respectivos nomes do lado: Rykelmo, Jorge Eduardo, Bernardo, Athila e Christian. No fundo preto, ao lado da pintura de Christian, há os escritos: logo acima, em vermelho, “Garotos do Ninho”. Abaixo, em branco, a frase “A grandeza do Flamengo está na humanidade da sua torcida.”. Em baixo da frase, há um coração com os nomes, em branco, dos feridos sobreviventes da tragédia: Cauan, Francisco e Jhonatan. Do lado do coração vermelho, encontra-se a identificação, em branco, da rede social do artista Airá OCrespo (@airaocrespo). Abaixo do coração, há a hashtag em vermelho #NaoEsquecemos" width="800" height="592" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Mural-Longe-do-Ninho-800x592.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Mural-Longe-do-Ninho-768x568.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Mural-Longe-do-Ninho.jpg 960w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33936" class="wp-caption-text">“A grandeza do Flamengo está na humanidade da sua torcida” (Foto: Arte Fora do Museu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A concepção do </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/ninho-do-urubu-autora-questiona-silencio-do-flamengo-sobre-tragedia"><span style="font-weight: 400;">livro-reportagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> veio após uma mensagem de Leda, mãe de Bernardo Pisetta, que se apresentou como </span><b>“</b><i><span style="font-weight: 400;">mãe de uma das vítimas da tragédia do dia oito</span></i><b><i>”. </i></b><span style="font-weight: 400;">Depois desse contato delicado, Arbex mostra-se, mais uma vez, como uma escritora que resgata a memória daqueles que nunca devem ser esquecidos. Com isso, as histórias dos meninos são contadas não somente pela perspectiva da calamidade, mas também pelas memórias de vida que foram constituídas nestes curtos anos de vida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por estarem longe do núcleo familiar, os garotos do Ninho constituíram entre si uma outra família. Vivendo o mesmo sonho de serem jogadores de futebol profissional, amizades e trocas sinceras foram cultivadas, o que aliviava, de certa forma, todo o processo desse desejo incerto. Entre eles, eram criados inúmeros momentos divertidos, como uma saída para ir comer em uma lanchonete ou tomar um </span><span style="font-weight: 400;">açaí</span><span style="font-weight: 400;">, jogar uma partida de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Free Fire</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, claro, jogar uma bola. Essa reciprocidade  relatada durante todo o livro traz melancolia, porque entendemos de uma maneira avassaladora que foi tirado deles o </span><a href="https://www.jusbrasil.com.br/noticias/o-direito-a-vida-e-a-saude-no-eca/592506"><span style="font-weight: 400;">direito </span><span style="font-weight: 400;">à vida</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim da narrativa, a autora retrata a vida das famílias dentro desses cinco anos e também a trajetória de alguns dos atletas sobreviventes. Além disso, a obra traz também alguns manifestos feitos em homenagem: o </span><a href="https://arteforadomuseu.com.br/memorial-ao-garotos-do-ninho-do-urubu/"><span style="font-weight: 400;">mural</span></a><span style="font-weight: 400;"> com as imagens dos dez garotos produzido pelo artista Airá OCrespo e o movimento </span><a href="https://naoesquecemos.com.br/"><i><span style="font-weight: 400;">Não Esquecemos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, feito pelo Flamengo da Gente, que tem como objetivo enaltecer a memória das dez vítimas e nunca deixar o compromisso de jamais esquecer. Por isso, o livro é pelos que se foram, pelos que ficaram e por aqueles que jamais irão abraçar seus entes queridos novamente: </span><a href="https://twitter.com/hashtag/naoesquecemos?src=hashtag_click"><i><span style="font-weight: 400;">#NãoEsquecemos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<blockquote>
<h3><span style="font-weight: 400;">“Respondi que na verdade não escolho escrever sobre tragédias, mas sobre as omissões que causam tragédias, para que elas não se repitam. Afinal, se uma história não é contada, é como se ela não estivesse existido.”</span></h3>
<h5><span style="font-weight: 400;">&#8211; Longe do Ninho (2024)</span></h5>
</blockquote>
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		<title>Roda de conversa na Unesp Bauru amplifica vozes femininas da Literatura local</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Oct 2022 16:53:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Promovido pela Biblioteca do campus e pelo Cômite de Ação Cultural, o encontro trouxe cinco escritoras bauruenses para compartilhar suas experiências Nathalia Tetzner Na primeira quarta-feira (05) do mês de Outubro, o Persona acompanhou uma roda de conversa com escritoras locais na sua sede, a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), promovida pela &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/literatudo-reportagem/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Roda de conversa na Unesp Bauru amplifica vozes femininas da Literatura local"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Promovido pela Biblioteca do campus e pelo Cômite de Ação Cultural, o encontro trouxe cinco escritoras bauruenses para compartilhar suas experiências</em></p>
<figure id="attachment_28919" aria-describedby="caption-attachment-28919" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28919 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-1.png" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28919" class="wp-caption-text">O evento fez parte do Festival da Palavra, idealizado para marcar o mês em que se celebra o Dia Nacional do Livro; da esquerda para a direita estão Renata Machado, Julia Bac, Patricia Lima, Anália Souza e Ariane Souza, as convidadas da mesa (Foto e Arte: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na primeira quarta-feira (05) do mês de Outubro, o </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> acompanhou uma </span><a href="https://www.faac.unesp.br/#!/noticia/2223/biblioteca-do-campus-organiza-roda-de-conversa-com-escritoras"><span style="font-weight: 400;">roda de conversa</span></a><span style="font-weight: 400;"> com escritoras locais na sua sede, a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), promovida pela </span><a href="https://www.fc.unesp.br/#!/noticia/939/biblioteca-da-unesp-de-bauru-traz-a-roda-de-conversa/"><span style="font-weight: 400;">Biblioteca</span></a><span style="font-weight: 400;"> do campus de Bauru. </span><span style="font-weight: 400;">Com caneta e bloco de papel nas mãos, o projeto traz os destaques da cobertura, que contou com as convidadas Anália Souza, Ariane Souza, Julia Bac e Renata Machado, com mediação de Patrícia Lima.</span></p>
<p><span id="more-28918"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob o título “</span><i><span style="font-weight: 400;">Literatudo</span></i><i><span style="font-weight: 400;">: a experiência da escrita como inspiração para a vida</span></i><span style="font-weight: 400;">”, o evento fez parte do </span><a href="https://www.faac.unesp.br/#!/noticia/2222/cac-unesp-bauru-realiza-o-festival-da-palavra"><span style="font-weight: 400;">Festival da Palavra</span></a><span style="font-weight: 400;">, idealizado pela Biblioteca em parceria com o Comitê de Ação Cultural (CAC), e reuniu vozes femininas representativas na Literatura local para um debate essencial. O tema cumpriu o seu objetivo ao trazer à tona as </span><a href="https://www.blogdaletramento.com.br/2020/03/a-importancia-da-representatividade-da.html?m=0"><span style="font-weight: 400;">dificuldades e alegrias</span></a><span style="font-weight: 400;"> de ser uma mulher no mercado editorial brasileiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a escrita precoce de Anália, passando pela “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QXopKuvxevY"><span style="font-weight: 400;">escrevivência</span></a><span style="font-weight: 400;">” de Ariane e pelo interno sensível de Julia, até as linhas experientes de Renata, o público pôde acompanhar e integrar uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">discussão pertinente</span></a><span style="font-weight: 400;">, conduzida de modo impecável por Patrícia. Cheias de histórias para contar, elas jogaram luz sobre assuntos como as dificuldades financeiras e de financiamento; a diversidade de gêneros literários e a presença em cenários artísticos diferentes; a formação e educação como autora; e a singularidade da poesia.</span></p>
<figure id="attachment_28921" aria-describedby="caption-attachment-28921" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28921 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome.png" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Design-sem-nome-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28921" class="wp-caption-text">Anália Souza demorou pouco mais de 1 ano para finalizar A Força; Duas Mortes, coletânea de poemas de Julia Bac, é uma escavação sobre o luto (Foto: Drago Editorial e Editora 7Letras/Arte: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Jovem, </span><a href="http://www.revistaconexaoliteratura.com.br/2018/05/em-entrevista-analia-souza-apresenta-o.html"><span style="font-weight: 400;">Anália Souza</span></a><span style="font-weight: 400;"> escreveu o seu primeiro livro, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Força</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Drago Editorial</span></i><span style="font-weight: 400;">), aos 13 anos. Com um tom refrescante, ela pontuou as características da nova geração com o relato de que as </span><i><span style="font-weight: 400;">fanfics</span></i><span style="font-weight: 400;">, narrativas ficcionais publicadas por fãs de artistas, foram o estopim da sua carreira. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eKvA5abuWwE"><span style="font-weight: 400;">Ariane Souza</span></a><span style="font-weight: 400;">, a “</span><i><span style="font-weight: 400;">atriz que pariu a poeta</span></i><span style="font-weight: 400;">”, tem uma trajetória marcada pela bagagem racial e educacional, que se faz presente na vasta maioria de suas obras. Extremamente talentosa, ela conquistou aplausos com a performance de um trecho de uma cena autoral. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, </span><a href="https://papelpele.com/author/juliabaccc/"><span style="font-weight: 400;">Julia Bac</span></a><span style="font-weight: 400;">, com toda a sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1lGqAkyzmfc"><span style="font-weight: 400;">subjetividade tocante</span></a><span style="font-weight: 400;">, emocionou os presentes com a descrição do processo criativo da coletânea de poesias </span><i><span style="font-weight: 400;">Duas Mortes</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">7Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">). Atravessada pelo processo de luto e isolamento pandêmico, a leitura de alguns </span><a href="https://webstories.quatrocincoum.com.br/juliana-valverde-indica-um-poema-de-julia-bac/"><span style="font-weight: 400;">versos</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi o suficiente para se fazer entender seu cuidado com as palavras.</span></p>
<figure id="attachment_28922" aria-describedby="caption-attachment-28922" style="width: 851px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28922 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/d3985b_13dda740355c4d8e896f8c5d5c40a218_mv2.jpg" alt="" width="851" height="696" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/d3985b_13dda740355c4d8e896f8c5d5c40a218_mv2.jpg 851w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/d3985b_13dda740355c4d8e896f8c5d5c40a218_mv2-800x654.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/d3985b_13dda740355c4d8e896f8c5d5c40a218_mv2-768x628.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28922" class="wp-caption-text">“A escrita e a Literatura como apreciação estética podem ser um caminho de superação”, diz Patrícia Lima (Foto: Mireveja)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Já para </span><a href="https://www.jcnet.com.br/noticias/cultura/2016/12/487773-renata-machado-lanca-hoje-seu-terceiro-livro.html"><span style="font-weight: 400;">Renata Machado</span></a><span style="font-weight: 400;">, a descontração foi a melhor forma de compartilhar os seus conhecimentos adquiridos por uma caminhada de sucesso. Principal fonte de apoio aos discursos das demais palestrantes, a escritora de carreira mais extensa entre as cinco presentes foi a peça fundamental para o entendimento da dificuldade em tornar a Literatura uma fonte de renda fixa em um Brasil historicamente machista. Ela também sublinhou o papel fundamental dos editais, meio pelo qual realizou sua peça infantil </span><i><span style="font-weight: 400;">O menino minguado, filho da Lua Cheia</span></i><span style="font-weight: 400;">, vencedora do prêmio Oswald de Andrade de Dramaturgia em 2000.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mediação de </span><a href="https://medium.com/revistahelenas/entrevista-patr%C3%ADcia-lima-conta-sobre-o-lan%C3%A7amento-do-livro-o-amor-%C3%A9-um-solo-de-jazz-h9-e326efd2acd1"><span style="font-weight: 400;">Patrícia Lima</span></a><span style="font-weight: 400;"> conseguiu levantar tópicos significativos que guiaram a roda de conversa. Ela foi a organizadora da antologia </span><a href="https://www.editoramireveja.com/product-page/ovazio"><i><span style="font-weight: 400;">O vazio não está nem quando é silêncio &#8211; Vozes femininas na literatura</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Mireveja</span></i><span style="font-weight: 400;">, 2020</span><span style="font-weight: 400;">), que conta com textos de Anália e Renata, e, atualmente, coordena o grupo de leitura bauruense “</span><a href="https://instagram.com/cevadasliterarias?igshid=YmMyMTA2M2Y="><span style="font-weight: 400;">Cevadas Literárias</span></a><span style="font-weight: 400;">”. O </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> também tem o seu próprio </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"><span style="font-weight: 400;">Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, e não pôde deixar de perguntar sobre a relevância dessa cultura, a qual a mediadora concordou ser uma maneira única e imprescindível de incentivo à leitura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inserida em um contexto de nítida tentativa de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/09/jair-bolsonaro-engana-ao-discutir-cultura-mario-frias-aldir-blanc-e-paulo-gustavo.shtml"><span style="font-weight: 400;">desmonte da Cultura</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelos donos do poder, a iniciativa promovida pela Biblioteca e pelo CAC amplificou as vozes femininas da Literatura local. A roda de conversa </span><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Literatudo</span></i><i><span style="font-weight: 400;">: a experiência da escrita como inspiração para a vida</span></i><span style="font-weight: 400;">”, realizada dentro de uma </span><a href="https://www.instagram.com/p/CjQy5Ivg-Qz/"><span style="font-weight: 400;">universidade pública</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostrou que a discussão acerca do tema é e sempre será indispensável.</span></p>
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		<title>O Mapeador de Ausências e a memória como preenchimento do vazio</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Nov 2021 15:41:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade “Nestes dias, caminhei pelos lugares da minha infância como quem passeia num pântano: pisando o chão com as pontas dos pés. Um passo em falso e corria o risco de me afundar em escuros abismos. Eis a minha doença: não me restam lembranças, tenho apenas sonhos. Sou um inventor de esquecimentos.” Na icônica &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-mapeador-de-ausencias-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Mapeador de Ausências e a memória como preenchimento do vazio"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24300" aria-describedby="caption-attachment-24300" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24300 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/MIACOUTO_WP.jpg" alt="Arte da capa do livro O Mapeador de Ausências. Na imagem, há um fundo vermelho, com a capa do livro ao centro da imagem, possuindo uma sombra de cor amarela. Na capa, há o desenho de uma mulher negra com diversos tecidos coloridos. Esses tecidos são de cor vermelha, azul, amarela, branca, rosa e verde. Ao centro, está escrito Mia Couto em fonte de cor branca, com a grafia do próprio autor, e abaixo escrito O Mapeador de ausências, também em fonte de cor branca. Acima do seu nome está o logo da editora Companhia das Letras. Na parte superior esquerda da imagem, há a ilustração de um olho com a íris de cor azul. Na parte inferior direita, está o símbolo do Time de Leitores da editora Companhia das Letras, composto por um círculo de cor azul escrito Grupo companhia das letras em fonte de cor branca, envolto de um círculo branco com os escritos Time de leitores 2021, em fonte de cor azul." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/MIACOUTO_WP.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/MIACOUTO_WP-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/MIACOUTO_WP-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24300" class="wp-caption-text">O Mapeador de Ausências, 11º romance de Mia Couto, traz o autor revisitando o próprio passado em meio aos paradoxos da colonização de Moçambique (Foto: Companhia das Letras/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Nestes dias, caminhei pelos lugares da minha infância como quem passeia num pântano: pisando o chão com as pontas dos pés. Um passo em falso e corria o risco de me afundar em escuros abismos. Eis a minha doença: não me restam lembranças, tenho apenas sonhos. Sou um inventor de esquecimentos.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Na icônica cena de </span><a href="https://www.recantodasletras.com.br/teorialiteraria/5326965"><i><span style="font-weight: 400;">Um bonde chamado Desejo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1947), escrita pelo dramaturgo norte-americano </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/10/peca-discute-opressao-e-machismo-de-personagens-de-um-bonde-chamado-desejo.shtml"><span style="font-weight: 400;">Tennessee Williams</span></a><span style="font-weight: 400;">, a personagem Blanche DuBois entoa: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não quero realidade. Eu quero magia”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Parece que essa afirmação espelha a carreira literária de Mia Couto, cuja diferença consiste em enxergar na existência toda a magia necessária para encarar a vida. Segundo o próprio escritor, </span><i><span style="font-weight: 400;">“não há somente uma realidade, mas várias”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Como fruto da parceria com a editora </span><a href="https://personaunesp.com.br/pequena-coreografia-do-adeus-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><b>Persona </b><span style="font-weight: 400;">teve acesso a seu novo romance, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/10/mia-couto-volta-a-sua-prosa-poetica-em-o-mapeador-de-ausencias.shtml?origin=folha"><i><span style="font-weight: 400;">O Mapeador de Ausências</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, participando de um </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1433871654967554048"><span style="font-weight: 400;">evento exclusivo</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o autor. A obra, publicada no início de setembro de 2021, traz como protagonista Diogo Santiago, poeta e professor universitário na cidade de Maputo, que parte em uma viagem física e metafísica à Beira, sua cidade natal. </span></p>
<p><span id="more-23893"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma mistura de reportagem, romance e memórias, o livro carrega a típica voz poética do autor, apresentando a realidade como algo sempre questionável, na qual amigos tornam-se inimigos em uma guerra sem vencedores. Segundo Mia Couto, o livro partiu de uma ideia “</span><i><span style="font-weight: 400;">muito sólida de regresso</span></i><span style="font-weight: 400;">”, e aborda ao longo das páginas o paradoxo da colonização, questões de homofobia e problemas de infância e identidade. No primeiro capítulo, estamos situados em </span><i><span style="font-weight: 400;">“Beira, 6 de março de 2019”</span></i><span style="font-weight: 400;">. A cidade moçambicana, local em que Couto nasceu e viveu até seus dezoito anos, estava na iminência de um desastre. No dia 15 de março de 2019, o </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/03/20/internacional/1553042239_772596.html"><span style="font-weight: 400;">Ciclone Idai passou pela região</span></a><span style="font-weight: 400;"> e destruiu 90% da cidade, neste que ficou marcado como o maior desastre natural de Moçambique, deixando centenas de mortos e feridos. Através desse marco temporal, Diogo Santiago está, sem saber, correndo contra o tempo para reconstruir a história do seu passado.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Quando me afasto, sinto os seus passos </span><span style="font-weight: 400;">perseguindo-me e, já perto do elevador, a sua voz ecoa no corredor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">— Chama-se Idai.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">— Quem? — pergunto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">— O ciclone — responde o porteiro. — Dizem que chega à cidade daqui a pouco mais de uma semana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O homem anuncia o desastre com inesperado entusiasmo. Entendo a sua excitação. Aquele anônimo porteiro era, naquele momento, o mensageiro que Deus escolhera para anunciar o apocalipse.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro mescla passagens em primeira pessoa de Diogo Santiago com excertos de diários da juventude e papéis da repressão política do país. Esses documentos servem para mapear a história de seus antepassados, principalmente de seu pai. Aos que já conhecem os trabalhos do escritor moçambicano, essa característica é muito bem explorada em seu romance de 1992, </span><a href="https://www.todamateria.com.br/terra-sonambula/"><i><span style="font-weight: 400;">Terra Sonâmbula</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, no qual lemos de forma intercalada a travessia do velho Tuahir e do jovem Muidinga — em uma Moçambique despedaçada depois da guerra, e por esse motivo uma </span><i><span style="font-weight: 400;">‘terra sonâmbula’</span></i><span style="font-weight: 400;"> — com as leituras dos cadernos de Kindzu. Novamente, percebemos a visão de Couto sobre as diversas realidades expostas de forma clara em sua própria obra, considerando que esse jogo literário pretende mostrar as diferentes verdades possíveis sobre o mesmo fato.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diogo Santiago decide retornar à Beira depois de muitos anos, a conselho de seu médico, que recomenda a viagem para </span><i><span style="font-weight: 400;">“te libertares dos fantasmas da infância”</span></i><span style="font-weight: 400;">. O personagem vem sofrendo com </span><a href="https://personaunesp.com.br/elena-critica/"><span style="font-weight: 400;">depressão</span></a><span style="font-weight: 400;"> e insônia, e, segundo o diagnóstico, talvez a viagem pudesse acalmar os motivos que levavam à tristeza e inquietação. Dessa forma, o regresso à cidade natal é também o regresso à infância e as marcas de uma ausência permanente — do pai e dos amigos mortos na ditadura —, cujas lembranças foram dominadas pelo colonialismo, visto que, na época de juventude de Santiago, Moçambique ainda era colônia de Portugal. Talvez uma das obras mais metalinguísticas de Mia Couto, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mapeador de Ausências</span></i><span style="font-weight: 400;"> brinca com o leitor desde o início, deixando o escritor facilmente reconhecível nas falas do personagem, como no trecho em que recebe a documentação sobre seu avô, e sentencia: </span><i><span style="font-weight: 400;">“esses papéis vão fazer parte do meu próximo livro”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_23894" aria-describedby="caption-attachment-23894" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23894 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-1-800x800.jpg" alt="Fotografia do escritor moçambicano Mia Couto. Ele é um homem branco, veste camiseta de cor cinza, possui cabelos e barba grisalha, olhos azuis e utiliza um óculos com lentes transparentes e hastes de cor preta. Ele está olhando diretamente para a câmera, com o braço direito apoiado em uma estante de cor marrom, repleta de livros enfileirados." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-1-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-1-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-1-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-23894" class="wp-caption-text">Mia Couto é biólogo de formação, mas iniciou sua carreira oficialmente como jornalista; seu primeiro livro, uma coleção de poemas intitulada Raiz de Orvalho, foi publicado em 1983 (Foto: Rafael Arbex)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em decorrência do desastre natural, que destruiu a cidade natal de Couto, a ideia de que a infância poderia ser perdida torna-se presente, e é retratada na obra. Como uma rápida comparação, se pensarmos em </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/03/a-peste-de-albert-camus-e-metafora-para-epidemias-e-opressoes.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">A Peste</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Albert Camus, enxergamos a epidemia de cólera como coadjuvante, ou, melhor, como um pano de fundo para a história. Contudo, o romance do moçambicano aponta a catástrofe como uma espécie de personagem, auxiliando no desenrolar da trama — e isso não ocorre por acaso, visto que o autor começou a escrever o livro em 2018, sob a perspectiva da memória e do regresso, e então teve a notícia do Ciclone, que atravessou a obra já iniciada. Tanto </span><i><span style="font-weight: 400;">A Peste </span></i><span style="font-weight: 400;">quanto </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mapeador de Ausências </span></i><span style="font-weight: 400;">mantém a alegoria presente, pois ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">a peste</span></i><span style="font-weight: 400;">’ ditada por Camus é uma referência à Europa sitiada por nazistas, enquanto a obra do moçambicano</span> <span style="font-weight: 400;">trata-se da busca pelo passado, através da procura de algo fragmentado e possivelmente inexistente, em um país que também estava sob domínio de um regime ditatorial, sendo essa, justamente, a herança colonial que o fragmentou.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, a figura central do romance é o pai de Diogo (ou o </span><a href="http://www.fflc.org.mz/index.php/por/Fundacao/Fernando-Leite-Couto"><span style="font-weight: 400;">pai de Couto</span></a><span style="font-weight: 400;">), Adriano Santiago, um jornalista e também poeta, falecido há pouco tempo. Ele se torna inimigo do Estado quando reporta um assassinato em massa cometido pelo regime, que ficou conhecido como </span><a href="https://www.abrilabril.pt/cultura/massacre-de-inhaminga-foi-o-pior-dos-pesadelos"><span style="font-weight: 400;">Massacre de Inhaminga</span></a><span style="font-weight: 400;">. A presença dos ancestrais de Adriano servem como elementos para entender esse personagem misterioso, auxiliando no quebra-cabeças que é o seu passado. Com a própria vida atravessada por repressões políticas — o pai de Mia Couto foi detido pela PIDE, polícia política da ditadura portuguesa —, o escritor constrói por meio de simbologias e metáforas fantasiosas as pegadas desse indivíduo silencioso. Como qualquer reconstrução que parta da memória, essa é uma guerra perdida desde o início, mas nem por isso menos poética. </span></p>
<figure id="attachment_23895" aria-describedby="caption-attachment-23895" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23895" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-2.jpg" alt="Fotografia em preto e branco de Fernando Couto, Mário Machungo e Joaquim Chiassano. À esquerda, há a fotografia de Fernando Couto olhando para o seu lado esquerdo. Ele é um homem branco, possui cabelos pretos penteados para trás. Ele veste camisa branca e utiliza óculos com lentes transparentes e hastes de cor preta. À direita, há uma outra foto em que Mário Machungo está sentado, com Joaquim Chissano sentado à sua esquerda, que está conversando com Fernando Couto, também sentado à esquerda de Joaquim. Mário é um homem negro, possui cabelos pretos e veste camisa xadrez branca e cinza e um casaco de cor cinza. Joaquim é também um homem negro, possui cabelos pretos e um cavanhaque de cor preta. Ele veste uma camisa branca, com listras cinzas, e uma gravata de cor preta com quadrados de cor cinza. Nessa foto, Fernando Couto está com a mesma roupa que a anterior, porém virado à direita e conversando com Joaquim Chissano." width="1170" height="547" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-2.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-2-800x374.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-2-1024x479.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-2-768x359.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23895" class="wp-caption-text">Fernando Couto, o pai de Mia, foi uma personalidade influente em Moçambique, atuando como poeta e jornalista; na foto, ele entrevista Mário Machungo e Joaquim Chissano (Foto: Fundação Fernando Leite Couto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dividido por capítulos intercalados, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mapeador de Ausências </span></i><span style="font-weight: 400;">possui pelo menos cinco camadas. A primeira refere-se a Diogo Santiago em 2019, caminhando por uma Moçambique que ainda tentar consolidar seus laços como nação; a segunda são os documentos sobre seu pai, que datam de 1973 e auxiliam na composição do imaginário sobre o passado violento do país, marcado pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/falso-brilhante-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">ditadura militar</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2019/09/02/interna_internacional,1081795/o-caminho-de-mocambique-da-guerra-civil-a-uma-paz-ainda-fragil.shtml"><span style="font-weight: 400;">Guerra Civil</span></a><span style="font-weight: 400;">; a terceira retrata o Ciclone Idai e os seus efeitos imediatos no imaginário social, visto por uma parcela da população como um castigo divino. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A quarta história é a da personagem Liana Campos, coadjuvante nessa trama e </span><i><span style="font-weight: 400;">“neta de um fascista”</span></i><span style="font-weight: 400;">, sendo o elo que conecta a documentação dos ancestrais de Santiago com o próprio. A personagem também está tentando resgatar um passado, cujo objetivo é </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-de-mae-critica/"><span style="font-weight: 400;">encontrar sua mãe</span></a><span style="font-weight: 400;">. Por fim, a quinta camada é a da autoficção, pois, de forma ficcionalizada (como descrito na nota do autor), Couto reconstrói o seu próprio passado, transmitindo nas páginas a falta de seu pai — o nome do livro é uma homenagem a esse </span><i><span style="font-weight: 400;">“personagem ausente”</span></i><span style="font-weight: 400;"> —, e os traços fantásticos acompanham toda a história, trazendo referências místicas às </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/"><span style="font-weight: 400;">memórias</span></a><span style="font-weight: 400;">, às vontades divinas e ao </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14188"><span style="font-weight: 400;">mar</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos personagens mais belos construídos na obra é Sandro Santiago, apresentado inicialmente como o primo de Diogo. Ele é um combatente militar e, por ser homossexual, recebe diversas ofensas e violências durante seu período no exército, demonstrando sua enorme complexidade quando tenta entender os </span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><span style="font-weight: 400;">motivos da guerra</span></a><span style="font-weight: 400;">. Para ele, os soldados são </span><i><span style="font-weight: 400;">“apenas o gatilho vivo de mandadores sem rosto”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sandro possui um passado ofuscado, e suas origens são também um mistério até a metade do livro. Mas, o que Diogo Santiago desconfia, e acaba por receber a confirmação, é que ambos eram irmãos de mães diferentes. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Sandro era do meu sangue. E como não existem parentescos por metade, ele era meu irmão, o meu único irmão.”</span></i></p>
<figure id="attachment_23896" aria-describedby="caption-attachment-23896" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23896 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-3-683x1024.jpg" alt="Capa do livro O Mapeador de Ausências. Na imagem, Há o desenho de uma mulher negra com diversos tecidos coloridos. Esses tecidos são de cor vermelha, azul, amarela, branca, rosa e verde. Ao centro, está escrito Mia Couto em fonte de cor branca, com a grafia do próprio autor, e abaixo escrito O Mapeador de ausências, também em fonte de cor branca. Acima do seu nome está o logo da editora Companhia das Letras." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-3-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-3-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-3-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-3.jpg 827w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-23896" class="wp-caption-text">A arte da capa faz alusão às diversas camadas no enredo do livro (Foto: Alceu Chiesorin Nunes/Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Virginia Santiago, mãe de Diogo e esposa de Adriano, é também memorável. Ela demonstra a força e a inteligência, lidando com maestria com os devaneios do marido, da mesma forma que consegue driblar os questionamentos dos agentes da PIDE. Todavia, através dos trechos do diário de Diogo, vemos a maneira como Virginia foi sendo deixada de lado, e, lentamente, entregue à </span><a href="https://personaunesp.com.br/utopia-da-realidade-horrenda-ainda-nos-restam-50-anos-de-solidao/"><span style="font-weight: 400;">solidão</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas, como é recorrente na obra de Mia Couto, nada é de fato assertivo, apenas sugerido para que nossa imaginação complete o contexto. Apesar de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mapeador de Ausências </span></i><span style="font-weight: 400;">apresentar o protagonista como um ser empático, colocando-se, desde a infância, no lugar dos outros, percebemos sua dificuldade em enxergar através dos olhos do pai, justamente por suas posições machistas e homofóbicas. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Lembras-te de o teu pai proibir que tu e o Sandro dormissem no mesmo quarto?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">— Não metas o Diogo nesse assunto — apressou-se a</span><span style="font-weight: 400;"> ordenar o meu pai.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">— Deixa falar, Adriano — proclamou a mãe. — Esse teu pai, que se diz todo moderno, nunca aceitou que o nosso Sandro fosse diferente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">— Apenas disse que o rapaz era doente — interrompeu o meu pai.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">— Doente és tu, Adriano Santiago. E eu estou cansada de ser a tua cura.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Algo extremamente poderoso em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mapeador de Ausências</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a enorme facilidade com que o moçambicano constrói diálogos fidedignos e convincentes. Particularmente, um dos problemas em se ler obras literárias é encontrar diálogos rasos e entreguistas, que dizem exatamente aquilo que o autor precisa para prosseguir a história, e não o que caberia na boca do personagem. Como um dos herdeiros mais ricos da obra de </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/grande-sertao-veredas-aos-65-anos-obra-segue-repleta-de-enigmas/"><span style="font-weight: 400;">João Guimarães Rosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mia Couto estabelece diálogos poéticos e ainda assim verdadeiros, que mantêm a oralidade como o ponto alto de suas obras. </span><a href="https://www.fflch.usp.br/1772"><span style="font-weight: 400;">Segundo o próprio escritor</span></a><span style="font-weight: 400;">, seus trabalhos são iniciados com a construção dos personagens, e somente depois pensa-se na construção da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na epígrafe do livro, lemos um </span><a href="https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/poemas-poesias/o-que-haikai.htm"><i><span style="font-weight: 400;">haikai</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://personaunesp.com.br/jorge-luis-borges-morte-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jorge Luis Borges</span></a><span style="font-weight: 400;">, no qual o autor escreve: </span><i><span style="font-weight: 400;">“É um império/aquela luz que se apaga/ou é um vagalume?”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essas três sentenças elucidam o percurso de Diogo Santiago, em que qualquer vestígio do passado ganha proporções gigantescas em decorrência do tempo. A magia dos textos literários de Couto é compreender a realidade como algo fantástico, passível de paradoxos e caminhos conflitantes. </span></p>
<p><figure id="attachment_23897" aria-describedby="caption-attachment-23897" style="width: 940px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23897" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-4.jpg" alt="Fotografia em preto e branco de Mia Couto no ano de 1974. Na foto, Couto está de braços cruzados conversando com outro homem, cercado por outros dois homens brancos e outros dois homens negros. Couto é um homem branco e possui cabelos lisos à altura do ombro. Ele veste uma jaqueta de cor cinza e está utilizando um óculos com lentes transparentes e hastes de cor preta. O homem à sua frente é branco, possui cabelos ralos de cor preta e barba de cor preta. Ele veste uma calça branca e uma camisa com bolsos frontais, de cor cinza." width="940" height="854" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-4.jpg 940w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-4-800x727.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/mia-couto-4-768x698.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23897" class="wp-caption-text">Como jornalista, Mia Couto (à esquerda) cobriu, em 1974, a viagem de Samora Machel, líder da revolução moçambicana e ex-presidente de Moçambique [Foto: Jornal Expresso]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Mas aqui, agora, vamos supor que chegamos ao final. Que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nZzsXoF7Dzw&amp;ab_channel=CompanhiadasLetras"><i><span style="font-weight: 400;">O Mapeador de Ausências</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">tenha sido resenhado, que todos os elementos pertinentes foram abordados e que você compreendeu os pontos altos deste ambicioso projeto. Como as várias camadas do livro, esse texto também possui diversas interpretações, bem como as diversas realidades possíveis de leitura. Em algumas você leu e gostou, em outras você sequer chegou ao final dele. O importante, de qualquer modo, é saber que o texto estará aqui, e que, principalmente, muitos não chegarão até ele. Fomos construídos através de faltas permanentes, e, ao fechar o livro, só podemos ter a certeza de que todas as ausências se tornam presenças.</span></p>
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