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	<title>Arquivos Redes Sociais &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O Homem dos Sonhos: quando o onírico encontra as redes sociais</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Apr 2024 17:07:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Você já sonhou com este homem? Em 2006, um boato correu na internet: mais de oito mil pessoas de diversas cidades do mundo estavam sonhando com o mesmo homem, sem nunca o terem visto antes. Posteriormente, o que era um mistério virou uma piada nas redes sociais, com a verdade sendo revelada. Mas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-homem-dos-sonhos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Homem dos Sonhos: quando o onírico encontra as redes sociais"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33170" aria-describedby="caption-attachment-33170" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33170" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image1.png" alt="Cena do filme O Homem dos Sonhos. Na cena, vemos, ao centro, da cintura para cima, Nicolas Cage, um homem branco, aparentando cerca de 60 anos, com cabelos castanhos nas laterais da cabeça, barba grisalha e óculos quadrados. Ele veste uma camisa e gravata azul claros e paletó azul escuro. Ele está sentado atrás de uma mesa e tem suas duas mãos unidas em frente a ele, apoiadas na mesa. Atrás, vemos uma parede lilás com os dizeres “Thoughts?” duas vezes." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image1-768x432.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33170" class="wp-caption-text">Você já sonhou com Nicolas Cage? (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><a href="https://www.thisman.org/"><span style="font-weight: 400;">Você já sonhou com este homem</span></a><span style="font-weight: 400;">? Em 2006, um boato correu na internet: mais de oito mil pessoas de diversas cidades do mundo estavam sonhando com o mesmo homem, sem nunca o terem visto antes. Posteriormente, o que era um mistério virou uma piada nas redes sociais, com a verdade sendo revelada. Mas e se, subitamente, isso realmente acontecesse e moradores ao redor do planeta vissem uma mesma pessoa desconhecida durante o sono, todas as noites? É assim que </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem dos Sonhos </span></i><span style="font-weight: 400;">começa.</span></p>
<p><span id="more-33169"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A proposta chega a ser irônica quando quem personifica o Homem é </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/nicolas-cage-filme-herois"><span style="font-weight: 400;">Nicolas Cage</span></a><span style="font-weight: 400;">. Participante de uma centena de filmes – seis deles só em 2023 –, o ator virou rosto conhecido no imaginário popular. Cá entre nós, se víssemos Cage em algum sonho, ele seria reconhecido de imediato. Não é o que acontece em </span><a href="https://medium.com/@vitorevangelista_13411/o-homem-dos-sonhos-um-dois-cage-vem-te-pegar-ddef7efca8db"><i><span style="font-weight: 400;">Dream Scenario</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (título original): no longa, o veterano é Paul Matthews, um professor universitário sem muito destaque ou ânimo que, do dia para a noite, começa a aparecer no subconsciente da filha, dos alunos, colegas de trabalho e pessoas desconhecidas ao redor do mundo enquanto dormem.</span></p>
<figure id="attachment_33173" aria-describedby="caption-attachment-33173" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33173" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image4.png" alt="Cena do filme O Homem dos Sonhos. A cena se passa ao ar livre, durante o dia, em um estacionamento. À esquerda, em primeiro plano, vemos o ator Nicolas Cage da cintura para cima, um homem branco, aparentando cerca de 60 anos, com cabelos castanhos na lateral da cabeça, barba grisalha e óculos quadrados. Ele veste um suéter marrom e jaqueta preta, e carrega uma mochila nas costas. Ao centro e à direita, em segundo plano atrás do homem, vemos um carro verde escuro com a palavra “LOSER” (perdedor, em português) pichadas em tinta spray rosa claro." width="720" height="440" /><figcaption id="caption-attachment-33173" class="wp-caption-text">Cage, que se tornou rigoroso nos papéis que escolhe nessa fase da carreira, revelou que Paul Matthews é sua melhor atuação até agora – no melhor filme que já fez (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto de partida onírico de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem dos Sonhos </span></i><span style="font-weight: 400;">abre espaço para abusar da criatividade. Se os </span><a href="https://personaunesp.com.br/twin-peaks-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">sonhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> são o local onde tudo pode acontecer, a produção coloca Cage no centro de toda essa irracionalidade. O motivo do homem pipocar no subconsciente das filhas e conhecidos, primeiro, e depois no de pessoas desconhecidas sequer precisa de uma explicação – o deslumbramento vem justamente do que ele pode fazer dentro desse espaço sem regras. Parece o sonho de qualquer cineasta e espectador deixar a imaginação correr livre, sem as amarras do real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nisso,</span> <span style="font-weight: 400;">Nicolas Cage (merecedor da indicação como Melhor Ator de Comédia ou Musical no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2023) transita entre o drama e a comédia, com uma direção e roteiro de Kristoffer Borgli que o dá liberdade para fazê-lo. Paul é apresentado como um homem desinteressante, um professor universitário que não consegue prender a atenção da turma, um acadêmico que não atinge seu potencial completo (ele tem um livro pronto, falta só sentar para escrevê-lo), um pai chato e um marido sem muita paixão. O sonho poderia ser o espaço onde o protagonista – mesmo que uma versão dele no subconsciente das pessoas – escaparia da mediocridade, mas até assim ele é passivo, mais observando do que tomando parte nas ações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até que isso muda. O </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-nowhere-inn-critica/"><span style="font-weight: 400;">onírico</span></a><span style="font-weight: 400;"> atinge seu auge quando Paul, já familiar aos sonhos do mundo inteiro, toma atitude – claro, apenas no subconsciente, já que na vida real ele continua patético. A escalada à fama é indesejada inicialmente, mas começa a tomar forma conforme o protagonista enxerga as vantagens disso. Nicolas Cage brilha ao dar vida a um homem mediano alçado ao status de celebridade repentinamente, deslumbrado com a atenção, sem deixar de agir desconcertado e inapto à situação. Em uma das cenas mais cômicas do longa, o personagem aceita se reunir com uma agência de publicidade. Enquanto os marqueteiros querem usar sua imagem para fazer comerciais da </span><i><span style="font-weight: 400;">Sprite</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele quer aproveitar para promover seu livro sobre… plantas?</span></p>
<figure id="attachment_33172" aria-describedby="caption-attachment-33172" style="width: 912px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33172" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image3.png" alt="Cena do filme O Homem dos Sonhos. A cena se passa em um local fechado, em que é possível ver paredes de madeira e estantes com livros ao fundo. À direita, vemos Nicolas Cage do tronco para cima. Ele é um homem branco, aparentando cerca de 60 anos, com cabelos castanhos na lateral da cabeça, barba grisalha, vestindo óculos quadrados, camisa listrada azul e cinza, gravata azul lisa e um paletó azul escuro. Ele está com a mão direita à frente do peito, mostrando uma luva característica do personagem Freddy Krueger, uma estrutura de metal com unhas afiadas." width="912" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image3.png 912w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image3-800x499.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image3-768x479.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33172" class="wp-caption-text">O Homem dos Sonhos é a estreia do norueguês Kristoffer Borgli em inglês; o diretor acredita que a ficção seja o espaço para investigar “aspectos sombrios ou disfuncionais” da vida moderna (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas mãos de Borgli, a primeira metade do filme cria expectativa para o quão longe </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem dos Sonhos </span></i><span style="font-weight: 400;">pode chegar. Tratando-se do campo imaginário, nem o céu é o limite. A trajetória desanda quando a sequência coloca os pés no chão. Ao invés de extrapolar o absurdo dos sonhos, algo que faria sentido dentro do selo da</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/a24/"><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e da produção de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-hereditario/"><span style="font-weight: 400;">Ari Aster</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa toma um caminho comum de abordar as consequências da fama no dia a dia de uma pessoa comum.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao passo que a versão imaginária de Paul passa a agir como o completo oposto da versão real, alunos, colegas de trabalho e pessoas na internet passam a acusá-lo por suas ações – que, na verdade, ele nunca chegou a fazer, elas apenas sonharam. Até que ponto o protagonista é responsável por aquilo que fizeram dele? A cultura do cancelamento e os </span><a href="https://personaunesp.com.br/bodies-bodies-bodies-critica/"><span style="font-weight: 400;">hábitos de consumo</span></a><span style="font-weight: 400;"> da nova geração viram o centro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dream Scenario</span></i><span style="font-weight: 400;">, desperdiçando o potencial de continuar fora da caixinha.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não que isso </span><span style="font-weight: 400;">arruíne</span><span style="font-weight: 400;"> tudo que foi construído até ali. Com a liderança de Cage, Paul vira um personagem tosco, perdido dentro do que ele próprio almejou, algo simultaneamente cômico e dramático de se assistir. O debate até chega a promover a reflexão das consequências da celebrização e de levar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/regra-34-critica/"><span style="font-weight: 400;">internet ao extremo</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas perde a força em se contentar com uma discussão repetitiva. </span></p>
<figure id="attachment_33171" aria-describedby="caption-attachment-33171" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33171" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image2.png" alt="Cena do filme O Homem dos Sonhos. A cena é em plano aberto e se passa em uma rua vazia, durante a noite, com árvores e folhas no chão ao fundo. Do lado esquerdo, em segundo plano, vemos uma casa branca com o teto pegando fogo. Ao centro, em primeiro plano, vemos uma mulher branca, aparentando cerca de 60 anos, com cabelos castanhos curtos, vestindo um vestido de cor vinho. Ele está de mãos dadas com Nicolas Cage, um homem branco, aparentando cerca de 60 anos, com cabelos castanhos na lateral da cabeça, barba grisalha e óculos quadrados. Ele veste um terno preto maior do que seu corpo. Do lado direito, ao fundo, vemos algo pegando fogo na rua." width="1400" height="757" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image2.png 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image2-800x433.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image2-1024x554.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image2-768x415.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image2-1200x649.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33171" class="wp-caption-text">No Brasil, O Homem dos Sonhos passou por uma sequência de adiamentos, chegando aos cinemas apenas em Abril (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem saber muito bem como se concluir, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xVebJdrDO_Y"><i><span style="font-weight: 400;">O Homem dos Sonhos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">abraça o personagem que Paul se tornou, deixando o campo onírico de lado em prol de uma sátira aos hábitos de consumo modernos. </span><i><span style="font-weight: 400;">À lá</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/a-hora-do-pesadelo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Freddy Krueger</span></a><span style="font-weight: 400;">, Paul Matthews eventualmente some dos sonhos, tão sem explicação quanto entrou. Agora, ele se contenta em ser alguém que passou pelo ciclo da fama completo, da exaltação à decadência do cancelamento, vendo o seu fenômeno ser repercutido como um estudo de caso publicitário. Ao final, é a sequência de Nicolas Cage vestido de David Byrne, salvando a ex-esposa ao som de </span><a href="https://mashable.com/article/dream-scenario-talking-heads-david-byrne-suit"><span style="font-weight: 400;">Talking Heads</span></a><span style="font-weight: 400;">, que lembra que todo o caminho até ali valeu a pena, pelo menos em sonho.</span></p>
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		<title>Entre sustos e risos, M3GAN brinca com a reinvenção do ‘terrir’</title>
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		<pubDate>Wed, 17 May 2023 12:55:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Felipe Nunes Quem nunca teve medo de uma boneca durante a infância que atire a primeira pedra. Por meio de lendas, séries e filmes, a vertente do terror associada aos brinquedos ficou enraizada no imaginário coletivo popular cultural. O fruto disso foram as célebres sequências envolvendo bonecos sobrenaturais, como a franquia de Chucky e a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/m3gan-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Entre sustos e risos, M3GAN brinca com a reinvenção do ‘terrir’"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30892" aria-describedby="caption-attachment-30892" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30892" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-4-M3gan-Texto-Persona.jpg" alt="Cena do filme M3GAN. Na cena, do lado direito, de perfil, há a atriz Violet Mcgraw, branca e com cabelos longos castanhos escuros. Ela veste uma blusa com estampa de flores. No centro esquerda, está sentada a boneca M3GAN. Branca e com cabelos loiros, ela veste um vestido sobretudo bege com um laço azul, amarelo e vermelho na gola. O sobretudo tem mangas curtas. A robô usa camisa de manga longa listrada cinza e bege abaixo do sobretudo. Na direita, de perfil, está a atriz Allison Williams, uma mulher branca com cabelos longos castanhos e que veste uma blusa de manga longa cinza. O fundo da foto é iluminado, com cortinas e almofadas variadas" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-4-M3gan-Texto-Persona.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-4-M3gan-Texto-Persona-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-4-M3gan-Texto-Persona-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-4-M3gan-Texto-Persona-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30892" class="wp-caption-text">Mais de 300 mil pessoas foram rir e se assustar nos cinemas nacionais com M3GAN, filme da Blumhouse que mistura diversos gêneros cinematográficos (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Felipe Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem nunca teve medo de uma boneca durante a infância que atire a primeira pedra. Por meio de lendas, séries e filmes, a vertente do terror associada aos brinquedos ficou enraizada no imaginário coletivo popular cultural. O fruto disso foram as célebres sequências envolvendo bonecos sobrenaturais, como a franquia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Chucky </span></i><span style="font-weight: 400;">e a de </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-264422/curiosidades/"><i><span style="font-weight: 400;">Annabelle</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Se, no passado, estas obras foram as responsáveis por aterrorizar as crianças, agora, o brinquedo da vez &#8211; robô, na verdade &#8211; é M3GAN &#8211; uma boneca androide que é tão maldosa quanto seus antecessores, mas que, pela primeira vez, não é alvo da possessão de nenhum espírito maligno e sim da própria tecnologia da qual foi criada.</span></p>
<p><span id="more-30891"></span></p>
<p><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/260078-m3gan-real-veja-boneca-assassina-criada.htm"><span style="font-weight: 400;">A história central</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">M3GAN </span></i><span style="font-weight: 400;">gira em torno de Cady (Violet McGraw), uma jovem garotinha que fica órfã ao perder seus pais em um acidente de carro e é encaminhada para a casa de sua parente mais próxima, sua tia Gemma (Allison Williams). A nova tutora não almejava ter as responsabilidades de cuidar e educar uma criança pré-adolescente e que, como qualquer outra dessa faixa etária, carece de atenção, zelo e &#8211; o mais difícil para a mais nova ‘mãe’ -, afeto. Da mesma forma, a sobrinha também não sonhava em passar por essa avalanche sentimental, saindo da casa que vivia e da escola que estudava, sem nunca mais ver os pais com quem sempre conviveu.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tia e sobrinha unidas pelo infortúnio do destino. O gancho inicial da produção serviria muito bem para um longa dramático, em que ambas precisam aprender a viver suas novas realidades juntas. Porém, o filme rapidamente subverte essa narrativa e aniquila qualquer resquício dessa impressão. Ao invés de arcar com o compromisso de cuidar de Cady, Gemma tem uma ideia: aprimorar um projeto robótico e fazer com que ele cuide da sua sobrinha. Isso porque ela precisa inovar um brinquedo para empresa que trabalha, assim como também tem a necessidade de que alguém cuide da familiar. Por isso, investe no protótipo e tenta resolver dois problemas com uma única solução. Dessa forma, </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/quem-e-atriz-por-tras-da-boneca-m3gan-que-estreou-nos-cinemas.phtml"><span style="font-weight: 400;">a grande vilã M3GAN</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Model 3 Generative Android</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou Androide Gerador do 3º Modelo), interpretada por Amie Donald e dublada por Jenna Davis, é criada no primeiro ato.</span></p>
<figure id="attachment_30897" aria-describedby="caption-attachment-30897" style="width: 1913px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30897" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-2-M3gan-Texto-Persona.jpg" alt="Cena do filme M3GAN. Na cena, há, do lado direito, uma boneca humanóide branca com cabelos loiros, ela veste um sobretudo bege com um laço azul, amarelo e vermelho na gola. O sobretudo tem mangas curtas. A robô usa camisa de manga longa listrada cinza e bege abaixo do sobretudo. Do lado direito, há Cady (Violet McGraw), uma menina branca com cabelos castanhos escuros e que veste um casaco verde. Ela e a boneca brincam com as mãos dadas e estão sobre uma paisagem arborizada." width="1913" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-2-M3gan-Texto-Persona.jpg 1913w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-2-M3gan-Texto-Persona-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-2-M3gan-Texto-Persona-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-2-M3gan-Texto-Persona-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-2-M3gan-Texto-Persona-1536x642.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-2-M3gan-Texto-Persona-1200x502.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30897" class="wp-caption-text">A obra é uma crítica aos pais que não passam tempo com os filhos e os deixam o tempo todo em frente a televisores, celulares e tablets (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como na maioria das obras cinematográficas de terror, o ato inicial de </span><i><span style="font-weight: 400;">M3GAN </span></i><span style="font-weight: 400;">é incumbido de ambientar a trama. Tudo parece fluir com o desenvolvimento da boneca animatrônica: Gemma tem mais tempo para se dedicar ao trabalho sem se preocupar com a criação da sobrinha, já que a boneca é quem cuida de tudo. À princípio, a jovem Cady não vê problema nisso, porque finalmente tem alguém para cuidar dela e escutá-la. No entanto, uma grande reviravolta começa, aos poucos. À medida que fica na companhia do brinquedo, a personagem de Violet McGraw fica cada vez mais </span><a href="https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2022/03/22/psicologas-explicam-como-identificar-dependencia-de-telas-em-criancas-e-adolescentes.ghtml"><span style="font-weight: 400;">dependente emocionalmente</span></a><span style="font-weight: 400;"> dele e transfere para o robô o carinho que nutria pelos seus falecidos pais. Enquanto supre a carência de Cady, M3GAN é sobrecarregada com a chuva de informações que uma criança em desenvolvimento pode transmitir e solicitar ao decorrer de seu dia a dia na era tecnológica. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eis o diferencial do filme, que tem o roteiro assinado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/maligno-critica/"><span style="font-weight: 400;">James Wan e Akela Cooper</span></a><span style="font-weight: 400;">: a tecnologia e a sua relação com o desenvolvimento infantil. Uma obra futurista de terror que mistura comédia e ficção científica parece ser uma combinação improvável. Esses elementos destoantes, que até então pareciam formar uma junção desarmônica, se unem em uma nova abordagem cinematográfica com fortes raízes no subgênero ‘terrir’. Por essa razão, a grande aposta do longa é  fazer o telespectador, principalmente aquele que ama cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, rir e sentir medo ao mesmo tempo. Sentimentos conflitantes, mas que exalam a sensação tida assistindo a nova obra da produtora </span><i><span style="font-weight: 400;">Blumhouse</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As risadas são garantidas pelas inesperadas ações de M3GAN, que vão desde uma dança do</span><i><span style="font-weight: 400;"> TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;">, logo antes do assassinato de um cidadão, até a </span><i><span style="font-weight: 400;">playlist</span></i><span style="font-weight: 400;"> excêntrica que transita entre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JRfuAukYTKg"><i><span style="font-weight: 400;">Titanium</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de  Sia e David Guetta, e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=My2FRPA3Gf8"><i><span style="font-weight: 400;">Wrecking Ball</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Miley Cyrus. Já o medo é ambientado com as mortes que a boneca promove a cada pessoa que, de acordo com suas impressões robóticas sensoriais, oferece algum tipo de risco à Cady. Na verdade, o medo da vilã não é que alguém arrisque a integridade física e mental da personagem interpretada por McGraw e sim interfira na doentia relação que ambas criaram. Por isso, com um jeito animalesco e amedrontador, ela executa qualquer pessoa ou animal que vire um obstáculo em seu laço com Cady. </span></p>
<figure id="attachment_30896" aria-describedby="caption-attachment-30896" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30896" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-M3Gan-Texto-Persona.jpg" alt="Cena do filme M3GAN. Na cena há a atriz Allison Williams, uma mulher branca com cabelos longos castanhos e que veste uma blusa de manga longa azul. Por baixo dessa blusa de manga longa azul, ela veste uma blusa branca. A atriz olha um computador. O fundo da cena é uma sala desfocada com quadros variados." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-M3Gan-Texto-Persona.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-M3Gan-Texto-Persona-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-M3Gan-Texto-Persona-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-M3Gan-Texto-Persona-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-M3Gan-Texto-Persona-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-3-M3Gan-Texto-Persona-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30896" class="wp-caption-text">Allison Williams brilha na interpretação de uma engenheira robótica que não sonha com a maternidade, mas se vê obrigada a assumir esse papel (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção brinca muito bem com essas diferentes facetas. Porém, em muitos momentos, a obra escancara o seu viés mercadológico e isso não agrada &#8211; essencialmente, quando negligencia assuntos que mereciam atenção ao enfatizar a publicidade que se reverbera dentro e fora da ficção. Diversas questões importantes são levantadas &#8211; como a relação de crianças com o luto e os danos da utilização de brinquedos e equipamentos </span><a href="https://forbes.com.br/forbes-tech/2023/01/megan-e-possivel-que-robos-oferecam-riscos-a-vida-humana/#:~:text=Na%20semana%20passada%2C%20estreou%20nos,riscos%20da%20tecnologia%20ao%20humano."><span style="font-weight: 400;">tecnológicos</span></a><span style="font-weight: 400;"> em excesso &#8211; mas, todos os pontos são abordados de forma totalmente superficial. Embora o gênero a qual pertence não seja focado exclusivamente na construção dos personagens e no desenvolvimento das temáticas sobre as quais discorre, </span><i><span style="font-weight: 400;">M3GAN</span></i><span style="font-weight: 400;"> falha em sustentar as situações que apresenta e se perde na proposta disruptiva que a todo momento tenta destacar na composição narrativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já a direção de Gerard Johnstone é assertiva e equilibrada. O arco de M3GAN e toda sua construção vilanesca é um dos acertos da obra, desde as cenas iniciais da criação da boneca até as catárticas mortes provocadas por ela. Tudo isso vem com a representação de uma personagem que não é humana, mas que atrai a atenção de quem assiste e, mais do que isso, revela os porquês que a fizeram ser quem ela é: um robô androide assassino, mas com uma aparência totalmente doce e meiga. Um dos diferenciais da produção é desmistificar a ideia de que, para ser assustador, é necessário ser grotesco e monstruoso imageticamente. Com isso, a produção enfraquece as </span><a href="https://canaltech.com.br/cinema/filmes-terror-bonecos-assassinos/"><span style="font-weight: 400;">analogias</span></a><span style="font-weight: 400;"> que poderia sofrer com seus antecessores, como os brinquedos </span><a href="https://personaunesp.com.br/chucky-1a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chucky</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">Billy (de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Jogos Mortais</span></i><span style="font-weight: 400;">) e</span> <span style="font-weight: 400;">Annabelle.</span></p>
<figure id="attachment_30898" aria-describedby="caption-attachment-30898" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30898" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/GIF-Texto-Persona.gif" alt="Cena do filme M3GAN. No GIF, há uma robô humanoide branca com cabelos loiros na altura do ombro vestindo um sobretudo bege com um laço azul, amarelo e vermelho na gola. O sobretudo tem mangas curtas. A robô usa camisa de manga longa listrada cinza e bege abaixo do sobretudo. No GIF, ela faz vários passos coreografados de uma dança repleta de acrobacias. Por fim, ela pega uma faca. O cenário é uma sala vermelha, com piso grafite." width="720" height="405" /><figcaption id="caption-attachment-30898" class="wp-caption-text">A icônica dancinha que antecede um assassinato pode ganhar uma nova versão, já que uma sequência, intitulada de M3GAN 2.0, foi confirmada para Janeiro de 2025 (GIF: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro de</span><i><span style="font-weight: 400;"> M3GAN</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode ser definido como suave, no mínimo. Quando esperamos ver um filme de terror, definitivamente não imaginamos acompanhar uma história como a desenvolvida por Wan e Cooper, que, inegavelmente, é muito mais </span><a href="https://canaltech.com.br/cinema/critica-m3gan-236762/"><span style="font-weight: 400;">cômica </span></a><span style="font-weight: 400;">do que amedrontadora. As perseguições da boneca trazem a adrenalina e o medo conhecidos pelo gênero, mas o texto dos personagens quebra qualquer chance imersiva que a obra poderia oferecer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, considerando que a </span><a href="https://www.omelete.com.br/terror/james-wan-fala-sobre-m3gan-video"><span style="font-weight: 400;">trama</span></a><span style="font-weight: 400;"> transita também para a ficção científica, é imprescindível enfatizar o bom trabalho da dupla de roteiristas no núcleo de engenheiros robóticos. Isso porque seria fácil  dificultar a compreensão dos diálogos por parte dos espectadores que não pertencem ao nicho. Os dois não se perdem em jargões técnicos e termos rebuscados, o que é extremamente recorrente em filmes com essa proposta tecnológica e científica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto que merece destaque é o conjunto de intérpretes. Allison Williams, que ganhou a merecida atenção com o ótimo </span><a href="https://personaunesp.com.br/corra-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Corra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Jordan Peele, defende sua protagonista com total entrega em</span><i><span style="font-weight: 400;"> M3GAN</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ainda que não tenha um roteiro que a favoreça, ela abarca todas as singularidades que Gemma carrega: a vontade de não ser mãe, o desejo de alcançar sua estabilidade profissional e o luto pela perda de sua irmã e seu cunhado. Já Violet McGraw sabe muito bem como passear pelas camadas de sua personagem. A menina gera empatia no ato inicial e mostra vulnerabilidade, irrita nos insultos e agressões que tem com sua tia no segundo ato e faz o público admirar sua coragem no final da trama. Além das protagonistas, é essencial destacar o trabalho de Amie Donald como intérprete da boneca e Jenna Davis como dubladora, junto de Jen Brown (Tes), Kira Josephson (Ava) e Ronny Chieng (David). </span></p>
<figure id="attachment_30893" aria-describedby="caption-attachment-30893" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30893" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1-M3gan-Texto-Persona.jpg" alt="Cena do filme M3GAN. Na foto, há uma robô humanoide branca com cabelos loiros na altura do ombro vestindo um sobretudo bege com um laço azul, amarelo e vermelho na gola. O sobretudo tem mangas curtas. A robô usa camisa de manga longa listrada cinza e bege abaixo do sobretudo. Ela está no centro e, em ambos os seus lados, existem cortinas beges" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1-M3gan-Texto-Persona.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1-M3gan-Texto-Persona-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1-M3gan-Texto-Persona-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-1-M3gan-Texto-Persona-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30893" class="wp-caption-text">Com arcos superficiais, a trama caiu no gosto do público e somou mais de<a href="https://aodisseia.com/m3gan-sucesso-bilheteria-filme/"> 7,3 milhões de reais</a> em bilheteria (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa usa e abusa da linguagem publicitária que demonstrou desde os </span><i><span style="font-weight: 400;">teasers</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">trailers</span></i><span style="font-weight: 400;"> e divulgações, ancorando-se, principalmente, na cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e no mar de possibilidades que pode ofertar quando </span><a href="https://portalpopline.com.br/boneca-filme-m3gan-meme-dancando/"><span style="font-weight: 400;">memes</span></a><span style="font-weight: 400;">, canções e referências de outros filmes são trazidos à narrativa. Contudo, a estratégia, promissora no quesito divulgação, torna-se cansativa e entediante para quem acompanha os desdobramentos da boneca-robô assassina. A sensação é que cada cena terá um elemento caricato ou de </span><i><span style="font-weight: 400;">merchandising </span></i><span style="font-weight: 400;">para que a trama se auto sustente em uma proposta engraçada e publicitária, como um ciclo que não para de se retroalimentar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fim, como é típico em obras de terror que almejam sequências, não é uma finalização amarrada e sem brechas. Muito pelo contrário, a conclusão mostra que Wan e Cooper têm planos para a nova bonequinha do terrir. </span><a href="https://cinepop.com.br/james-wan-revela-como-teve-a-ideia-para-fazer-megan-exclusivo-386301/"><i><span style="font-weight: 400;">M3GAN</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> já foi feito para ter continuação e só expõe o que já mostra no começo: é uma história inovadora de um brinquedo matador que possui diversos caminhos narrativos quando se tem a</span><i><span style="font-weight: 400;"> internet</span></i><span style="font-weight: 400;"> como plano de fundo. Se o sonho de Wan era modernizar seu trabalho em uma proposta disruptiva, ele conseguiu. Mas sacrificar a narrativa de sua história realmente valeu o preço pago?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre risos e sustos, a produção cumpre algumas de suas promessas, como a de inovar o terrir e o </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher </span></i><span style="font-weight: 400;">com foco em </span><a href="https://www.techtudo.com.br/listas/2023/01/m3gan-7-filmes-de-terror-com-bonecos-assassinos-para-assistir-online-streaming.ghtml"><span style="font-weight: 400;">bonecos assassinos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao mesmo tempo, se perde na sua própria linguagem, linha narrativa e nos elementos externos que tenta incluir de forma totalmente exagerada. Aqui, o menos realmente seria mais. A sequência tem infinitas possibilidades de corrigir esses erros e uma delas é explorar ainda mais a tecnologia, as temáticas que envolvem a relação de pais e filhos com esse meio e os danos que o excesso pode causar não somente às crianças, mas também aos adultos. Além disso, </span><i><span style="font-weight: 400;">M3GAN </span></i><span style="font-weight: 400;">pode tomar cuidado com o excesso de humor e focar no medo que tanto atrai quem é fã de obras de terror, enfatizando ainda mais que uma boneca de aparência meiga também pode ser perigosa.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="M3GAN| Trailer 2 Oficial DUBLADO" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/JcKRaUGJcqY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O otimismo inabalável de Belle</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Apr 2022 16:02:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda Por mais que seja tentador reduzir o mais recente filme do cineasta Mamoru Hosoda à uma reinterpretação moderna de A Bela e a Fera, esse simples elevator pitch não faz jus à complexidade temática e emocional da nova animação do Studio Chizu. Belle (Ryû to sobakasu no hime, no original em &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/belle-2021-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O otimismo inabalável de Belle"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27409" aria-describedby="caption-attachment-27409" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27409" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle.jpg" alt="Cena do filme animado Belle. Belle (Kaho Nakamura) é vista de perfil, olhando para a esquerda enquanto sorri e leva as mãos ao peito. Belle é uma mulher magra, asiática, de longos cabelos rosa-claros e grandes olhos azuis. Ela possui uma linha de sardas vermelhas embaixo dos olhos e maquiagem rosa nas bochechas, entrecortada por padrões retos e brancos. Em seus cabelos, flores vermelhas estão presas acima das orelhas e seu vestido também é recheado delas. Ao fundo, vemos outras flores de várias cores e luzes amarelas cintilando contra um fundo escuro." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27409" class="wp-caption-text">Apesar de não ter sido selecionado para concorrer ao Oscar, Belle é um testamento ao poder da animação como meio (Foto: Studio Chizu)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que seja tentador reduzir o mais recente filme do cineasta Mamoru Hosoda à uma reinterpretação moderna de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Bela e a Fera</span></i><span style="font-weight: 400;">, esse simples </span><a href="https://www.acolabam.com.br/blog/elevator-pitch"><i><span style="font-weight: 400;">elevator pitch</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não faz jus à complexidade temática e emocional da nova animação do </span><i><span style="font-weight: 400;">Studio Chizu</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UKM42nGCDZw"><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Ryû to sobakasu no hime</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original em japonês) passa bem longe de ser uma “versão </span><i><span style="font-weight: 400;">anime</span></i><span style="font-weight: 400;">” do </span><a href="https://medium.com/louca-por-hist%C3%B3ria/a-verdadeira-hist%C3%B3ria-do-conto-a-bela-e-a-fera-ee9281dd9cc7"><span style="font-weight: 400;">clássico francês</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, ao invés disso, se utiliza da familiaridade de suas dinâmicas para contar sua própria história de amor transformativo na era das redes sociais e realidades virtuais, num semi-musical de escopo glorioso e, ao mesmo tempo, íntimo.</span></p>
<p><span id="more-27408"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com grande parte de sua música diegeticamente integrada ao longo de suas duas horas de duração, ela serve de eixo central para sua narrativa, e é a maneira com que sua protagonista, Suzu (Kaho Nakamura), interage e faz razão do mundo ao seu redor e de suas próprias emoções, expressas não com coreografias elaboradas, mas única e exclusivamente na cadência e no volume de sua voz. Seja na vida real ou no mundo virtual de </span><i><span style="font-weight: 400;">U</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde ela assume o manto da diva </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> Belle, Suzu honra o título ocidental da produção, que foca em sua jornada de amadurecimento pessoal, e não apenas na relação que ela constrói com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VdDj2qDFCqs"><span style="font-weight: 400;">a Fera</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Takeru Satoh), o temível criminoso que assombra as planícies digitais.</span></p>
<figure id="attachment_27410" aria-describedby="caption-attachment-27410" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27410" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2.jpg" alt="Cena do filme animado Belle. Suzu (Kaho Nakamura) começa a entrar na realidade virtual. Em um plano próximo vemos a personagem de perfil, virada para a esquerda, de olhos fechados e usando um dispositivo futurista circular branco no ouvido, com um “U” estilizado em luz luminescente. Ao redor de Suzu, linhas circulares distorcem levemente a imagem, com uma luz dourada vindo do canto inferior esquerdo da tela e iluminando essas linhas. Suzu é uma jovem asiática de cabelos pretos que vão até os ombros." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27410" class="wp-caption-text">O misto de animação 2D e 3D é uma maneira sagaz de diferenciar a vida real de seu mundo virtual (Foto: Studio Chizu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K1W61zetQ1c"><span style="font-weight: 400;">primeira cena</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> já diz a que veio: com uma abertura completamente de sons e cores vibrantes, somos introduzidos à </span><i><span style="font-weight: 400;">U</span></i><span style="font-weight: 400;"> por meio da música homônima de Belle, que a canta nas costas de uma imensa baleia carregando dezenas de alto falantes. A visão de Hosoda e do resto dos animadores para o futuro é instantaneamente clara e marcante, se utilizando de formas sólidas e simples para construir um espaço minimalista recheado de personagens altamente detalhados e diversificados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de tanto o espaço virtual quanto o real serem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1lDp4mPeyMk"><span style="font-weight: 400;">meticulosamente compostos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de maneira a fornecer uma experiência cinematográfica singular, por vezes há uma falta de contexto que prejudica na interpretação do filme. </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos explica o funcionamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">U </span></i><span style="font-weight: 400;">apenas brevemente, e mais tarde passa por cima de vários aspectos da construção desse espaço, esperando que as dinâmicas familiares sejam autoexplicativas. Se por um lado essas explicações vagas são parte deliberada da direção experiente de Hosoda, confiando na carga emocional das cenas para mover a história em frente, por outro há horas em que ficamos com a sensação de que seu roteiro não consegue acompanhar essas cargas o tempo todo, prejudicando o ritmo da obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso é especialmente evidente nos momentos em que os dois entram em sincronia, em que os arcos e motivações das personagens são claros e concisos e os visuais e sons se agigantam sobre nós, o efeito não é nada menos do que mágico. Todas as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-6w_opp7Doo"><span style="font-weight: 400;">quatro músicas cantadas por Suzu</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao longo da trama chegam no momento exato em que essa onda de emoção parece prestes a nos afogar, gritando aquilo que não poderia ser dito de nenhuma outra forma, através de composições monumentais e letras arrebatadoras, a maioria das quais escritas por Hosoda e Nakamura.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Belle「心のそばに」MV" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/z_NAoBkZlIw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como em </span><a href="https://www.garotasgeeks.com/belle-e-a-sequencia-espiritual-de-summer-wars-e-um-conto-moderno-de-a-bela-e-a-fera/"><span style="font-weight: 400;">trabalhos anteriores</span></a><span style="font-weight: 400;">, Hosoda explora a emergência da </span><i><span style="font-weight: 400;">web</span></i><span style="font-weight: 400;"> e das relações cultivadas à partir dela e, mesmo quando os temas não recebem o devido espaço para florescer em meio ao </span><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i><span style="font-weight: 400;"> de sua protagonista, as ideias do roteiro e as subversões ao conto original são inventivas e instigantes o suficiente para suportar sua reinterpretação. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">U</span></i><span style="font-weight: 400;">, a pior coisa que pode acontecer com um usuário é ele ser “revelado”, tendo seu Ás (avatar virtual) deletado e sua identidade exposta para o resto do mundo. É também o que Justin (Toshiyuki Morikawa), um dos autodenominados “justiceiros” dessa realidade e principal antagonista da heroína, ameaça fazer com a Fera caso a encontre. Enquanto na obra original o monstro ansiava por reverter sua condição e reencontrar sua humanidade, aqui o conflito de Suzu é definido pela ambiguidade de sua condição, uma celebridade anônima, conhecida apenas através do Ás de Belle.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos principais e mais bem desenvolvidos questionamentos do roteiro está no papel do anonimato no ambiente virtual: se por um lado ela nos dá carta branca para agirmos </span><a href="https://www.camara.leg.br/noticias/482198-crenca-no-anonimato-da-rede-potencializa-crueldade-do-bullying-diz-psicologa"><span style="font-weight: 400;">com crueldade</span></a><span style="font-weight: 400;"> uns com os outros, protegidos por máscaras arbitrárias, por outro ela também permite que aqueles que não tem voz sejam ouvidos ou até mesmo que achem sua própria voz com o tempo. Após uma tragédia que a afeta profundamente, Suzu descobre que só consegue cantar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JUFVLW3kpm8"><span style="font-weight: 400;">como Belle</span></a><span style="font-weight: 400;">, compartilhando sua música sem se preocupar e quem vai ouvir e descobrindo, contra todas as possibilidades, que outras pessoas querem ouvi-la.</span></p>
<figure id="attachment_27411" aria-describedby="caption-attachment-27411" style="width: 992px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27411" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle3.jpg" alt="Esboço conceitual da protagonista do filme animado Belle. Feito à lápis, ele traça a personagem olhando para o topo direito da imagem, com os braços se abrindo por baixo de uma capa. Belle é uma mulher magra de cabelos longos e esvoaçantes, com uma trança em cada um dos lados. Ela possui sardas alinhadas em uma linha reta embaixo de seus olhos e padrões geométricos nas bochechas e uma tiara com asas de borboleta estilizadas em cada lado. Ela abre a boca como se estivesse cantando e seus olhos são grandes e expressivos. Ela usa uma capa por cima de uma roupa escura que aparenta ser um colete. No centro da capa há um broche oval." width="992" height="756" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle3.jpg 992w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle3-800x610.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle3-768x585.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27411" class="wp-caption-text">Colaborando com um designer de personagens da Disney, Hosoda nos dá um tipo diferente de princesa (Foto: Jin Kim)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito mais do que o </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bela-e-a-fera-2017/"><i><span style="font-weight: 400;">remake </span></i><span style="font-weight: 400;">medíocre</span></a><span style="font-weight: 400;"> e desinteressante de Bill Condon em </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> é capaz de reviver a magia da </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bela-e-a-fera-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">animação de 1991</span></a><span style="font-weight: 400;"> através de sua própria combinação de animação e sonorização, mesmo sem adaptar diretamente a sua fábula moral. O próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> mágico e </span><i><span style="font-weight: 400;">technicolor </span></i><span style="font-weight: 400;">de sua protagonista vem de Jin Kim, </span><a href="https://portalhqpb.com.br/belle-novo-longa-metragem-de-mamoru-hosoda-contara-com-parceria-dos-diretores-do-cartoon-saloon-e-do-character-design-jin-kim/"><span style="font-weight: 400;">veterano da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e responsável por personagens de </span><a href="https://personaunesp.com.br/frozen-ii-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Frozen</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Zx3xEc6-mU4"><i><span style="font-weight: 400;">Operação Big Hero</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/zootopia-disney/"><i><span style="font-weight: 400;">Zootopia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O vínculo indelével da obra com o clássico, no entanto, vai muito além do material e da caracterização, e é ressaltado na gravidade que Hosoda e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Studio Chizu</span></i><span style="font-weight: 400;"> dão ao casamento entre imagem e som, na capacidade de criar sonhos que define o Cinema como o conhecemos. Como </span><a href="https://www.popbuzz.com/tv-film/news/oscars-animated-movies-kids/"><span style="font-weight: 400;">diversos profissionais</span></a><span style="font-weight: 400;"> ressaltaram durante a noite de premiações no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar 2022</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde a categoria de Melhor Animação foi apresentada por três das atrizes que deram vida às suas contrapartes animadas nos </span><i><span style="font-weight: 400;">remakes </span></i><span style="font-weight: 400;">recentes, animação vai muito além de algo “</span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/oscar-2022-diretor-phil-lord-critica-piada-sobre-filmes-animados-serem-para-criancas/"><i><span style="font-weight: 400;">para crianças, e que os adultos têm que aguentar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Enquadrar os cinco nomeados ao prêmio da Academia de Melhor Animação como produtos corporativos para crianças que os pais têm de aguentar a contragosto poderia ter sido encarado como um simples descuido. Mas para aqueles de nós que dedicamos nossas vidas para fazer filmes animados, esse descuido se tornou rotina. O diretor de um grande estúdio de animação uma vez disse à uma reunião de animadores que, se jogássemos nossas cartas corretamente, um dia ‘passaríamos para o live-action.’ Anos depois, um executivo de outro estúdio disse que um certo filme animado que fizemos foi tão bom que o lembrou de ‘um filme de verdade.’”</span></p>
<p><i></i><i><span style="font-weight: 400;">&#8211; Phil Lord e Chris Miller, em um artigo de opinião para a </span></i><a href="https://variety.com/2022/film/news/phil-lord-christopher-miller-animation-oscars-1235225442/"><span style="font-weight: 400;">Variety</span></a></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;">, vemos a história de uma jovem lidando com um </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/luto/"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;"> debilitante e cáustico, expressando seus sentimentos por meio de visuais deslumbrantes e músicas de partir o coração. Acompanhamos sua transição entre a vida real e um recomeço virtual, por meio da mudança de técnicas </span><i><span style="font-weight: 400;">2D</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">3D</span></i><span style="font-weight: 400;"> de animação que dão profundidade física e temática aos seus personagens e seus conflitos, em uma celebração do meio que conta sua história exatamente por ser uma história que só poderia ter sido contada por esse meio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo ficando de fora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar 2022</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> conseguiu abocanhar cinco indicações ao </span><a href="https://annieawards.org/winners"><i><span style="font-weight: 400;">Annie Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sendo ovacionado durante </span><a href="https://jornaldebrasilia.com.br/entretenimento/belle-que-tem-referencias-de-a-bela-e-a-fera-foi-aplaudido-por-14-minutos-em-cannes/"><span style="font-weight: 400;">14 minutos</span></a><span style="font-weight: 400;"> após sua estreia no Festival de Cannes em 2021, e não é difícil entender o porquê: o terceiro ato do longa é uma declaração de afeto do tipo que inspira cineastas até hoje, o tipo de sequência que extraí lágrimas não de tristeza, mas em virtude do quão belo tudo ao seu redor é, reunindo e ordenando belamente seus principais temas e ideias ao longo de </span><a href="https://open.spotify.com/track/0WQRbcwmUd1fZ5AJcH5GDT?si=29b2a630d9de4de8"><span style="font-weight: 400;">sua melhor canção</span></a><span style="font-weight: 400;">, jogando todas as cartas na mesa e implorando para que você sinta a canção junto de Suzu.</span></p>
<figure id="attachment_27412" aria-describedby="caption-attachment-27412" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27412" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4.jpg" alt="Cena do filme animado Belle. Suzu (Kaho Nakamura) flutua acima de uma multidão no mundo virtual de U. A multidão abaixo dela é composta por incontáveis luzes amarelas cintilando em direção ao horizonte, onde estruturas retangulares se erguem de cima para baixo e de baixo para cima. O céu é composto por ainda mais dessas estruturas e, no espaço em que elas quase se encontram, o horizonte é composto por um céu noturno repleto de estrelas e uma luz crescente, cortada por uma linha ondulada branca que vai de uma ponta a outra. Suzu está do lado direito da tela, segurando sua própria luz amarela no peito, de costas para a câmera. Ela é magra, tem cabelos pretos até os ombros e usa uma camiseta branca e uma saia preta." width="1920" height="805" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/belle4-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27412" class="wp-caption-text">“Sem alguém para amar, o que há para se viver?” (Foto: Studio Chizu)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, despudoradamente, uma história de amor. No entanto, é uma jornada que nos desafia a recontextualizar o amor não como um ideal romântico, mas como uma ação necessária para a vida em sociedade. Como um dos efeitos da ascensão das redes sociais, Hosoda nos pergunta fervorosamente: o que nós devemos uns aos outros? Até que ponto devemos ir por </span><a href="https://www.engadget.com/belle-anime-review-190042348.html"><span style="font-weight: 400;">pessoas que não conhecemos</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas às quais estamos intimamente ligados? Se o amor não te impele a se sacrificar por alguém, a se entregar por completo, o quanto ele realmente vale?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acontece que nenhuma dessas perguntas tem respostas simples. As diversas complexidades da vida contemporânea também se aplicam no meio virtual, e seus realizadores deixam claro que </span><i><span style="font-weight: 400;">U</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é uma utopia. Ainda há vilões que buscam condenar os outros e usam máscaras para esconder sua crueldade; verdades e mentiras se espalham e igual medida e o </span><a href="https://tvcultura.com.br/videos/19736_redes-sociais-transformam-a-internet-em-um-verdadeiro-tribunal.html"><span style="font-weight: 400;">tribunal da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nunca absolve, apenas condena. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, apesar de tudo isso, Hosoda encara o futuro com o otimismo inabalável de alguém que acredita plenamente no potencial humano de estarmos prontos para ajudar quando alguém precisar, de que se olharmos o mundo como uma única comunidade, veremos que não há outra coisa a fazer senão amar uns aos outros e se sacrificar por todos. E que no fim, assim como no começo, você só pode ajudar alguém sendo quem você é. Em sua última nota musical antes do fim climático da jornada de Suzu, </span><i><span style="font-weight: 400;">Belle</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz um único apelo à sua audiência, não na voz de uma celebridade virtual, mas na de uma adolescente que acaba de entender a dimensão do amor que a envolve: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Cante!</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
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		<title>Irmandade poda todos os laços</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Nov 2021 17:49:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Não há nada mais atual que o avanço das redes sociais e seu domínio completo por sobre a percepção humana e a opinião individual. Irmandade (Sestri) realoca a equação de juventude mais Instagram para o contexto muito específico da Macedônia do Norte, mostrando à 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/irmandade-sestri-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Irmandade poda todos os laços"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24378" aria-describedby="caption-attachment-24378" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24378" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-1-2000x1125-1.jpeg" alt="Cena do filme Irmandade, mostra uma garota branca e jovem de olhos claros e cabelos compridos olhando para a frente." width="2000" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-1-2000x1125-1.jpeg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-1-2000x1125-1-800x360.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-1-2000x1125-1-1024x461.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-1-2000x1125-1-768x346.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-1-2000x1125-1-1536x691.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-1-2000x1125-1-1200x540.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24378" class="wp-caption-text">Parte da Competição Novos Diretores da Mostra de SP, Irmandade é o primeiro trabalho em longas da diretora Dina Duma (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há nada mais atual que o </span><a href="http://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/"><span style="font-weight: 400;">avanço das redes sociais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seu domínio completo por sobre a percepção humana e a opinião individual. </span><i><span style="font-weight: 400;">Irmandade</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Sestri</span></i><span style="font-weight: 400;">) realoca a equação de juventude mais </span><i><span style="font-weight: 400;">Instagram </span></i><span style="font-weight: 400;">para o contexto muito específico da Macedônia do Norte, mostrando à 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo a força a que laços de amor podem ser submetidos antes de se estraçalharem.</span></p>
<p><span id="more-24377"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No enredo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Irmandade</span></i><span style="font-weight: 400;">, a diretora Dina Duma nos mostra o </span><a href="https://variety.com/2021/film/reviews/sisterhood-review-sestri-1235052005/"><span style="font-weight: 400;">cotidiano de estudantes do Ensino Médio</span></a><span style="font-weight: 400;">. Conhecemos a protagonista Maya (papel da emotiva Antonija Belazelkoska) e sua amicíssima Jana (Mia Giraud), que navegam por entre os </span><i><span style="font-weight: 400;">stories </span></i><span style="font-weight: 400;">do </span><i><span style="font-weight: 400;">Insta </span></i><span style="font-weight: 400;">e os crushes nos meninos, e ainda orbitando a vida de Elena (Marija Jancevska), com quem o santo delas não bate.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Numa das festas em que as garotas vão escondidas da mãe de Maya, as </span><i><span style="font-weight: 400;">BFFs </span></i><span style="font-weight: 400;">flagram Elena transando com um dos garotos populares do colégio. Garoto esse que, minutos antes, quase havia tirado a virgindade de Maya, que desistiu no último minuto, mas afirmou à galera que havia selado o acordo. Com os hormônios à flor da pele, ela e Jana filmam Elena e postam um curto vídeo na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24379" aria-describedby="caption-attachment-24379" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24379" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/28-2000x1125-1.jpg" alt="Cena do filme Irmandade, mostra uma garota branca e de cabelos pretos olhando para outra, que é loira, e está fora do foco da imagem. Elas estão em um vestiário e usam coletes de natação verdes. " width="2000" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/28-2000x1125-1.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/28-2000x1125-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/28-2000x1125-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/28-2000x1125-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/28-2000x1125-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/28-2000x1125-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24379" class="wp-caption-text">Irmandade é a submissão oficial da Macedônia do Norte para o Oscar 2022, dois anos depois do país ser reconhecido duplamente com o magnífico Honeyland (Foto: Cercanon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Culpada e ressentida, Maya quer fazer o possível para limpar a imagem de Elena, que some da escola e não dá notícias a ninguém. Jana impede a amiga de abrir o bico e ameaça humilhá-la em público se alguém descobrir algo. A trama </span><a href="https://personaunesp.com.br/rede-de-odio-critica/"><span style="font-weight: 400;">progride exponencialmente</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao passo que o roteiro idealizado pela diretora em companhia de Martin Ivanov adentra ainda mais nas emoções de Maya.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Percorrendo sua hora e meia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sisterhood </span></i><span style="font-weight: 400;">avalia o drástico ato de postar algo imprudente nas redes sociais e os reflexos que essas ações causam na vida real. É claro que mil histórias do gênero já foram contadas e recontadas, mas assistir a uma percepção não-norte-americana do assunto é um exercício e uma experiência gratificantes. Pelas lentes de Naum Doksevski, o filme se acentua nas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=J91Z34quk7A"><span style="font-weight: 400;">nuances culturais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nas particularidades de sua garota principal, alguém humana e suscetível a falhas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mostrando que nem todo colega é amigo, essa coprodução de Macedônia do Norte, Kosovo e Montenegro versa sobre os perigos da confiança. </span><i><span style="font-weight: 400;">Irmandade </span></i><span style="font-weight: 400;">poda laços, destrói sorrisos e distancia abraços. O </span><a href="https://umuarama.portaldacidade.com/noticias/papo-de-especialista/psicologa-explica-como-a-separacao-dos-pais-afeta-os-filhos-em-cada-fase-da-vida-0009"><span style="font-weight: 400;">sutil subtexto do divórcio</span></a><span style="font-weight: 400;"> que acompanha Maya é mais do que suficiente para entendermos de onde nascem comportamentos autodestrutivos e maléficos. A diretora Dina Duma não precisa inventar a roda para que a mensagem seja passada; pelo contrário, ela a faz girar, ressaltando seu caráter cíclico. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Trailer de Sisterhood — Sestri subtitulado en inglés (HD)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/J91Z34quk7A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em Shippados, o amor não precisa ser perfeito</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Jan 2021 03:01:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva O amor em tempos modernos. As primeiras trocas de olhares foram substituídas por matches em aplicativos de relacionamento. As conversas deram espaço para emojis e figurinhas do Whatsapp. Chegamos num ponto em que até ouvir a voz da outra pessoa se tornou um grande ato de intimidade à primeira vista. Essa digitalização do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/shippados-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Shippados, o amor não precisa ser perfeito"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18049" aria-describedby="caption-attachment-18049" style="width: 990px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18049 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/shippados-tata-werneck-eduardo-sterblitch-foto-paulo-belote-tv-globo_fixed_large.jpg" alt="A imagem é de uma das cenas da série Shippados. Nela, os personagens de Tatá Werneck, à esquerda, e Eduardo Sterblitch, à direita, estão caminhando juntos em uma praça, é possível visualizar o corpo deles da cintura para cima. Tatá é uma mulher branca, de cabelos castanhos escuros e compridos, ela está vestindo uma blusa branca com detalhes azuis e está usando uma mochila da cor vinho. Tatá está com o olho esquerdo fechado e o rosto virado em direção ao Eduardo, e segurando as duas alças de sua mochila. Eduardo é um homem branco de cabelos castanhos escuros ondulados, ele veste uma camisa cinza de manga curta e está usando uma mochila preta nas costas. Eduardo está com o rosto virado em direção à Tatá." width="990" height="619" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/shippados-tata-werneck-eduardo-sterblitch-foto-paulo-belote-tv-globo_fixed_large.jpg 990w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/shippados-tata-werneck-eduardo-sterblitch-foto-paulo-belote-tv-globo_fixed_large-300x188.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/shippados-tata-werneck-eduardo-sterblitch-foto-paulo-belote-tv-globo_fixed_large-768x480.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18049" class="wp-caption-text">Série do Globoplay aponta as falhas da conectividade virtual a partir de uma perspectiva romântica e bem-humorada (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O amor em tempos modernos. As primeiras trocas de olhares foram substituídas por </span><i><span style="font-weight: 400;">matches</span></i><span style="font-weight: 400;"> em aplicativos de relacionamento. As conversas deram espaço para </span><i><span style="font-weight: 400;">emojis</span></i><span style="font-weight: 400;"> e figurinhas do </span><i><span style="font-weight: 400;">Whatsapp.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Chegamos num ponto em que até ouvir a voz da outra pessoa se tornou um grande ato de intimidade à primeira vista. Essa digitalização do romance é apenas mais um exemplo de como nos reconstruímos no meio virtual e somos cada vez mais </span><a href="https://brasil.elpais.com/estilo/2020-10-12/vicio-em-redes-sociais-dispara-na-pandemia-cinco-jeitos-de-recuperar-o-controle-e-se-desintoxicar.html"><span style="font-weight: 400;">dependentes</span></a><span style="font-weight: 400;"> dele para criar e manter nossas relações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há quem diga que essa mediação tecnológica não é tão vantajosa quanto parece, Fernanda Young e Alexandre Machado decidiram mostrar isso. O casal de roteiristas que deu origem a séries grandiosas, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Aspones</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, decidiu encarar uma comédia-romântico-dramática no contexto dos tempos atuais. Quase que sucessores da dupla Vani e Rui, surgiram Rita (Tatá Werneck) e Enzo (Eduardo Sterblitch). E, dessa combinação, nasceu </span><i><span style="font-weight: 400;">Shippados</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-18039"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada num Rio de Janeiro mais melancólico do que estamos acostumados, sob a direção artística de </span><a href="https://claudia.abril.com.br/famosos/patricia-pedrosa-diretora-em-ascensao-conversa-sobre-carreira-e-machismo/"><span style="font-weight: 400;">Patricia Pedrosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, a produção do </span><i><span style="font-weight: 400;">Globoplay</span></i><span style="font-weight: 400;"> trata de uma história de amor que surgiu de um desencontro. Rita e Enzo são dois solitários que buscam incansavelmente pela felicidade em outro parceiro para se sentirem completos, e fazem isso, claro, por meio de um aplicativo de relacionamentos. Afinal, como diz a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_mCvW2_1mXg"><span style="font-weight: 400;">música</span></a><span style="font-weight: 400;"> que dá abertura ao primeiro episódio: </span><i><span style="font-weight: 400;">o que mais alguém pode querer além de amar e ser amado?</span></i></p>
<figure id="attachment_18041" aria-describedby="caption-attachment-18041" style="width: 1364px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18041 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Shippados-2019.jpg" alt="A imagem é de uma das cenas da série Shippados. Nela, os personagens de Tatá Werneck, à direita, e Eduardo Sterblitch, à esquerda, estão no quarto da personagem de Tatá, sentados na cama e virados em direção à câmera, é possível visualizar o corpo deles da cintura para cima. Tatá é uma mulher branca, de cabelos castanhos escuros e compridos, ela está vestindo uma blusa listrada nas cores branca, laranja e branca. Tatá está com o queixo apoiado na mão direita, e o cotovelo direito apoiado em uma mesa. Eduardo é um homem branco de cabelos castanhos escuros ondulados, ele veste uma camiseta cinza de mangas curtas com o escrito BORN TO FLY. Eduardo está sorrindo e com o olhar voltado para baixo." width="1364" height="786" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Shippados-2019.jpg 1364w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Shippados-2019-300x173.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Shippados-2019-1024x590.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Shippados-2019-768x443.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Shippados-2019-1200x691.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18041" class="wp-caption-text">Assim como Os Normais quebrava a quarta parede, Rita conversa com o público por meio dos vídeos que ela grava para a internet (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir de um primeiro encontro desastroso com outras pessoas, eles, por acaso, acabam se encontrando. Assim se inicia uma história sobre relações virtuais, contada a partir de um namoro nada virtual. Desde o início, Machado e Young não pretendem mostrar um </span><a href="https://personaunesp.com.br/para-todos-os-garotos-2-critica/"><span style="font-weight: 400;">romance idealizado</span></a><span style="font-weight: 400;">, Rita e Enzo se complementam por suas loucuras e defeitos. Rita é uma pessoa antipática, sincera e com um humor sarcástico que se encontra perfeitamente em </span><a href="https://gshow.globo.com/series/shippados/noticia/tata-werneck-conta-sobre-desafio-de-viver-casal-com-amigo-eduardo-sterblitch-em-shippados.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Tatá Werneck</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de apresentar uma série de traumas causados por sua mãe, Dolores (Yara de Novaes), com quem ela mora até hoje. Enquanto Enzo é um rapaz ansioso, com um jeito esquisitão e várias dificuldades de socialização, mas que tem uma ternura que se balanceia com o mau humor de sua companheira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O carioca divide apartamento com Valdir (Luis Lobianco) e sua namorada Brita (Clarice Falcão), ambos adeptos do </span><a href="https://www.infoescola.com/movimentos-culturais/naturismo/"><span style="font-weight: 400;">naturismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Eles vivenciam uma relação completamente oposta a de Enzo e Rita, ao invés de se completarem, o casal nudista age como se fosse um só, se entendendo nos mais diversos delírios. O grupo de amigos se conclui com Suzete (Júlia Rabello) e Hélio (Rafael Queiroga), casal que surge quase que de imediato por intermédio dos protagonistas. Estes apresentam um amor mais carnal do que qualquer coisa, e mostram muito sobre a superficialidade das relações do mundo atual. </span></p>
<figure id="attachment_18043" aria-describedby="caption-attachment-18043" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18043 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/vlcsnap-2020-03-26-20h01m07s945.jpg" alt="A imagem é de uma das cenas da série Shippados. Nela, os personagens de Tatá Werneck, à esquerda, e Eduardo Sterblitch, à direita, estão sentados em uma cama de casal em um quarto de hotel. Tatá é uma mulher branca, de cabelos castanhos escuros e compridos, ela está vestindo uma blusa laranja e um shorts jeans. Tatá está sentada com as pernas cruzadas e as mãos apoiadas no rosto, que está virado em direção ao Eduardo, com uma expressão assustada. Eduardo é um homem branco de cabelos castanhos escuros ondulados, ele veste uma camisa cinza com detalhes e uma calça jeans. Eduardo está com as pernas esticadas e com as duas mãos segurando o seu rosto, ele também tem uma expressão assustada e está com o rosto virado para Tatá." width="1280" height="634" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/vlcsnap-2020-03-26-20h01m07s945.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/vlcsnap-2020-03-26-20h01m07s945-300x149.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/vlcsnap-2020-03-26-20h01m07s945-1024x507.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/vlcsnap-2020-03-26-20h01m07s945-768x380.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/vlcsnap-2020-03-26-20h01m07s945-1200x594.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18043" class="wp-caption-text">O nome da série deriva do conceito de shippar, que consiste na ideia de torcer para o relacionamento entre duas pessoas (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente de </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Normais</span></i><span style="font-weight: 400;">, a narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Shippados</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é composta por episódios independentes. Além do surgimento dos novos casais, o arco principal da temporada se dá na jornada de Rita em tentar encontrar seu pai, cuja identidade tentou ser ocultada ao máximo por Dolores, por interesse em manter a pensão que ele enviava para sustentar as duas. Nessa aventura, partem o grupo de seis amigos e a mãe desequilibrada para Maricá.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dupla de roteiristas já é especialista em trazer a comicidade para momentos desconfortáveis entre os seus personagens, e dessa vez não poderia ser diferente. O humor surge nas situações mais escatológicas e constrangedoras possíveis, como quando uma excursão escolar chega na suposta praia de nudismo. Os diálogos sobre tópicos mundanos e aleatórios também são outro ingrediente comum do casal, e se encaixam perfeitamente aqui. Não é uma história forçada para nos fazer rir, com tiradas e clichês previsíveis. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Shippados</span></i><span style="font-weight: 400;">, nós rimos das situações e das pessoas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As redes sociais são o alvo de boa parte do humor sarcástico e afiado da série. Em diversos momentos, os diálogos entre os personagens exemplificam a superficialidade do meio virtual e as falhas comunicativas que ele proporciona, em que até um </span><i><span style="font-weight: 400;">emoji</span></i><span style="font-weight: 400;"> errado pode alterar o tom de uma conversa. E acabam por tirar sarro da supervalorização das coisas na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, como os testes de compatibilidade entre namorados e o <em>status</em> de relacionamento no </span><i><span style="font-weight: 400;">Facebook</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_18044" aria-describedby="caption-attachment-18044" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18044 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7563155_x720.jpg" alt="A imagem é de uma das cenas da série Shippados. Nela, estão os personagens de Luis Lobianco, Clarice Falcão, Tatá Werneck e Eduardo Sterblitch. Na imagem eles estão tirando uma foto no que seria o apartamento dos personagens Enzo e Valdir. Na imagem, Clarice Falcão está abraçando Tatá Werneck. Clarice é uma mulher branca de cabelos castanhos claros compridos, ela está sorrindo e com o braço em volta do pescoço de Tatá, não é possível ver suas roupas. Tatá é uma mulher branca de cabelos castanhos escuros, ela veste uma blusa listrada nas cores laranja, amarelo e branco, e está com uma cara de desconforto. Os meninos estão atrás das duas personagens, lado a lado. Luis Lobianco é um homem branco, de cabelos castanhos escuros curtos, barba e bigode castanhos, não é possível ver suas roupas pois ele está atrás de Clarice. Luis está sorrindo e com o braço esquerdo em volta de Eduardo. Eduardo é um homem branco de cabelos castanhos escuros ondulados, ele veste uma camiseta cinza de manga curta com um desenho e o escrito BORN TO FLY." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7563155_x720.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7563155_x720-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7563155_x720-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7563155_x720-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7563155_x720-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18044" class="wp-caption-text">Com o <a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/08/25/fernanda-young-morre-em-sp.ghtml">falecimento</a> de Fernanda Young, o futuro de Shippados permanece um tanto incerto, apesar da autora já ter escrito alguns episódios da segunda temporada ainda em vida (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após descobertas decepcionantes na viagem para Maricá, e as diversas tentativas de sabotagem por parte de Dolores, a narrativa se vira completamente para a evolução do namoro de Enzo e Rita. Nenhum relacionamento é perfeito, muito menos nos roteiros de Young e Machado. A partir de uma sequência de desentendimentos, surgem as primeiras discussões, os conflitos iniciais e o primeiro término, como toda relação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><span style="font-weight: 400;">pessoas normais</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que esse talvez não seja o primeiro relacionamento sério da vida dos personagens, é a sensação que transparece para nós. Vemos a relação de Enzo e Rita como aquele namoro de adolescência, em que ambos precisam aprender a se entender antes para conseguirem, de fato, entender o outro. Erram como adolescentes, mas também amam como se fossem iniciantes nesse ramo. </span></p>
<figure id="attachment_18045" aria-describedby="caption-attachment-18045" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18045 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/pZ4eed9tNbH1fk9lUiAywzGpNUx.jpg" alt="A imagem é de uma das cenas da série Shippados. Nela, os personagens estão em uma praia deserta, virados de costas para a câmera e em direção ao mar. Da esquerda para direita vemos os personagens de Júlia Rabello, Rafael Queiroga, Clarice Falcão, Luis Lobianco, Tatá Werneck e Eduardo Sterblitch." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/pZ4eed9tNbH1fk9lUiAywzGpNUx.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/pZ4eed9tNbH1fk9lUiAywzGpNUx-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/pZ4eed9tNbH1fk9lUiAywzGpNUx-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/pZ4eed9tNbH1fk9lUiAywzGpNUx-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/pZ4eed9tNbH1fk9lUiAywzGpNUx-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18045" class="wp-caption-text">Shippados já tinha estreado no Globoplay em 2019, mas teve seus episódios exibidos na TV aberta apenas este mês (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A dramaticidade ainda surge como um tempero adicional na narrativa. Seria difícil falar sobre o mundo da conectividade e do imediatismo sem abordar o lado daqueles esquisitões que não se encaixam por entre as bolhas virtuais. E, mais do que isso, mostrar as dificuldades que os relacionamentos do mundo digital ocultam, em saber lidar com o outro. Nesses momentos, o temperamento difícil de Rita e seu grande potencial de auto sabotagem, unido ao nervosismo de Enzo em tentar ao máximo que as coisas deem certo não poderiam ser mais compreensíveis. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A transição para as cenas dramáticas não nos pega desprevenidos em nenhum momento, sentimos cada pontada da dor que é ser um estranho em um ambiente onde todas as relações são tão parecidas e simples, e da dificuldade em lutar por algo que não depende apenas de nós mesmos. A trilha sonora ainda é perfeitamente escolhida para nos derrubar de vez, com faixas de nomes como O Terno, Vanguart, Rubel e </span><a href="https://personaunesp.com.br/los-hermanos-amor-e-odio/"><span style="font-weight: 400;">Los Hermanos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ou seja, tudo de mais triste que existe na cena atual da música brasileira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se fosse necessário dar nome aos bois, Dolores com certeza seria a maior antagonista da série, por suas sucessivas tentativas em destruir o namoro da filha, visando apenas o seu próprio benefício. Mas também poderia ser considerada a personificação do verdadeiro vilão do mundo real: o imprevisível (ou melhor, </span><i><span style="font-weight: 400;">os</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">absurdos idiotas da vida)</span></i><span style="font-weight: 400;">. Aquele acontecimento que vai além do nosso próprio controle e o maior obstáculo dos verdadeiros relacionamentos. Para se manter uma relação é preciso muito mais que amar, ou ter um endereço próximo, é necessário lidar com as adversidades da vida, e também lutar contra elas. Essa talvez seja a maior lição que o primeiro ano de </span><i><span style="font-weight: 400;">Shippados</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos deixa.</span></p>
<figure id="attachment_18046" aria-describedby="caption-attachment-18046" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18046 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/wfq03pnOBcgQrms4mbaatRGLKwH.jpg" alt="A imagem é de uma das cenas da série Shippados. A imagem foi tirada de baixo para cima. Nela, os personagens estão em roda olhando para baixo, em direção à câmera. Nesse círculo estão, nessa ordem, os personagens de Luis Lobianco, Eduardo Sterblitch, Júlia Rabello, Clarice Falcão, Tatá Werneck e Rafael Queiroga." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/wfq03pnOBcgQrms4mbaatRGLKwH.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/wfq03pnOBcgQrms4mbaatRGLKwH-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/wfq03pnOBcgQrms4mbaatRGLKwH-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/wfq03pnOBcgQrms4mbaatRGLKwH-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/wfq03pnOBcgQrms4mbaatRGLKwH-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18046" class="wp-caption-text">O primeiro trabalho de Alexandre <a href="https://cultura.estadao.com.br/blogs/direto-da-fonte/sentimos-falta-da-loucura-e-da-diversao-dela-diz-alexandre-machado-sobre-a-mulher-fernanda-young/">após a morte</a> de Fernanda foi na série <a href="https://personaunesp.com.br/amor-e-sorte-critica/">Amor e Sorte</a> (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Shippados</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um atestado das falsas promessas do meio virtual, que nos distancia, ao mesmo passo que busca nos aproximar. E também é um abraço caloroso para mostrar que ainda devemos ter esperança no amor, em encontrar alguém mesmo em meio a um mar de individualismo e das dificuldades repentinas da vida. Apenas mais um dos milhares de exemplos do grandioso </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/normais-shipados-partida-de-fernanda-young"><span style="font-weight: 400;">legado</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Fernanda Young, que não poderia ter se despedido de uma forma melhor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A tecnologia vai precisar evoluir muito para conseguir transparecer as trocas de olhares apaixonadas, o nervosismo do toque acidental de mãos e as borboletas no estômago que a vida real nos proporciona. E não importa o quanto ela lute para conectar cada vez mais as pessoas, nunca conseguirá causar um encontro de almas tão bonito como o simples acaso. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Trilha Sonora Shippados" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/0IoghNokIwpXHKLc8pnLgG?si=Tdb42FZyRhqOMlY10r77oQ"></iframe></p>
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		<title>Rede de Ódio e o potencial destrutivo nas redes sociais</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Sep 2020 16:42:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Fonseca Rede de Ódio (Hejter) é um drama político que se propõe a mostrar como o medo e o preconceito podem se espalhar com facilidade pelas redes sociais. O longa polonês foi dirigido por Jan Komosa e chegou ao catálogo brasileiro da Netflix no final de julho. Nele, acompanhamos a história de Tomasz Giemza, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/rede-de-odio-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Rede de Ódio e o potencial destrutivo nas redes sociais"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_14976" aria-describedby="caption-attachment-14976" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-14976 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1024x428.png" alt="" width="840" height="351" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1024x428.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-300x125.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-768x321.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1536x641.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-2048x855.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1200x501.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14976" class="wp-caption-text">A relação conturbada entre um rapaz e uma família se transforma em tragédia (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Fonseca</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Rede de Ódio</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Hejter</span></i><span style="font-weight: 400;">) é um drama político que se propõe a mostrar como o medo e o preconceito podem se espalhar com facilidade pelas redes sociais. O longa polonês foi dirigido por Jan Komosa e chegou ao catálogo brasileiro da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">no final de julho. Nele, acompanhamos a história de Tomasz Giemza, interpretado por Maciej Musiałowski, um jovem frustrado que descobre a sua vocação em arruinar reputações através de informações e notícias falsas na </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma espécie de </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing </span></i><span style="font-weight: 400;">inverso. </span></p>
<p><span id="more-14971"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente, a trama se baseia na proximidade entre Tomasz e a família Krasucki. Descobrimos que ele é expulso da faculdade por plágio e somos introduzidos à sua relação com os “tios”, que financiam seus estudos enquanto um embate político acontece em Varsóvia. Ao descobrir que é menosprezado pelo casal e sua filha, Gabi (</span><span style="font-weight: 400;">Vanessa Aleksander)</span><span style="font-weight: 400;">, o rapaz sente um impulso de vingança simultâneo ao desejo de ser aceito. À partir daí, suas ações são motivadas pela vontade de se aproximar de Gabi e se provar à família. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, somos apresentados à capital polonesa, onde uma onda de manifestações conservadoras emerge sob a premissa de combater os supostos inimigos da Europa: homossexuais, imigrantes e muçulmanos. Este universo é retratado por protestos com bandeiras de supremacia branca e a promoção da violência como arma para frear a imigração, ambos intensificados nas redes por declarações alarmistas de grupos que veem seu estilo de vida ameaçado. É por um acaso que este conflito se choca com o jovem protagonista, que começa a trabalhar em uma empresa que destrói imagens sociais e o direciona contra Rudnik, o candidato progressista que disputa o cargo de prefeito de Varsóvia e que é financiado pelos Krasuckis.</span></p>
<figure id="attachment_14978" aria-describedby="caption-attachment-14978" style="width: 2691px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14978" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2.png" alt="" width="2691" height="1794" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2.png 2691w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-300x200.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-2048x1365.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14978" class="wp-caption-text">O embate entre grupos ultraconservadores e minorias sociais projeta uma atmosfera tensa que serve como contexto para a narrativa (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os elementos desta narrativa parecem caminhar isolados até que Tomasz é rejeitado pela família mais uma vez, o que o leva a unificar motivação pessoal e trabalho: atingir a campanha de Rudnik significa atingir Zofia (Danuta Stenka) e Robert Krasucki (Jacek Koman). Então, vemos a transformação do protagonista, que assume o seu cinismo para mergulhar em decadência. Toda a ação passa a se concentrar no seu personagem e Maciej Musiałowski eleva o nível de sua performance, exibindo plasticidade e emoção persuasivamente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Rede de Ódio,</span></i><span style="font-weight: 400;"> Komosa retoma a parceria com o roteirista de sua obra anterior, </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-corpus-christi-2019/"><i><span style="font-weight: 400;">Corpus Christi</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2020 na categoria de Melhor Filme Internacional, prêmio que foi para </span><a href="http://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (2019)</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mateusz Pacewicz é simples com seu roteiro, ele determina todas as condições para desenvolvê-las em seguida. As peças são dadas ao espectador logo no começo, com a demonstração das personalidades, o conflito familiar e a tensão política que infla a cidade. Depois, estas peças se amarram e uma nova expectativa é criada, queremos descobrir o que Tomasz está planejando, mas já pressentimos a fatalidade.</span></p>
<figure id="attachment_14979" aria-describedby="caption-attachment-14979" style="width: 2681px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14979" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3.png" alt="" width="2681" height="1787" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3.png 2681w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-300x200.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-2048x1365.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14979" class="wp-caption-text">Maciej Musiałowski consegue imprimir um mentiroso hábil e cruel, que surpreende com suas decisões (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diálogo tem um papel fundamental nas ações e na montagem, funcionando nos momentos em que revela os personagens e na maneira como direciona as cenas, amarrando sequências e determinando o ritmo da narrativa. A música também é um recurso bem utilizado, se tornando perceptível quando é conveniente, principalmente quando faz parte do ambiente, como nas cenas em casas noturnas e no desfecho desta história, cujo horror explicitado visualmente se entrelaça à música clássica, como um anúncio de sua tragédia.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Rede de Ódio</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos mostra como é fácil converter a dor e o sofrimento em destruição pelas redes sociais, mesmo quando fazemos isto de forma anônima. O longa não tem uma abordagem pessimista sobre a tecnologia, como acontece constantemente em </span><a href="http://personaunesp.com.br/black-mirror-quarta-temporada-resenha-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Black Mirror</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas explora a dimensão e o alcance que ela nos oferece quando o assunto é influenciar negativamente. Ao fim de seu esforço por vingança, Tomasz Giemza não é responsabilizado pelos danos causados. </span></p>
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		<title>Ingrid Vai Para o Oeste: o uso descontrolado do Instagram</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Aug 2020 18:50:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Elizabeth Olsen]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Gomes Santana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gomes Santana Lançado em 2017 pela Star Thrower Entertainment, Ingrid Vai Para o Oeste (2017)  vem causando muitas reflexões sobre o poder de influência das redes sociais no estado de saúde mental de seus usuários. Adicionado no início de maio no catálogo da Netflix, o filme retrata o descontrole obsessivo de Ingrid Thorburn perante &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ingrid-vai-para-o-oeste-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Ingrid Vai Para o Oeste: o uso descontrolado do Instagram"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_14714" aria-describedby="caption-attachment-14714" style="width: 1056px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14714" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-1-1.jpg" alt="" width="1056" height="1500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-1-1.jpg 1056w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-1-1-211x300.jpg 211w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-1-1-721x1024.jpg 721w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-1-1-768x1091.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14714" class="wp-caption-text">Uma trama adolescente com críticas preocupantes em relação ao abuso das redes sociais (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Gabriel Gomes Santana</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 2017 pela <em>Star Thrower Entertainment</em>,<a href="https://www.netflix.com/br/title/80170871?tctx=0%2C0%2Cc92de018-45bb-4928-91c4-5feb561906d6-19611121%2C925ce826953a028d98d6a09f46324c3b84aa877a%3Abd6d04d45815d2ea117a22fff4a633c0e5b50dd0%2C%2C&amp;trackId=13752289"><em> Ingrid Vai Para o Oeste (2017) </em></a></span><span style="font-weight: 400;"> vem causando muitas reflexões sobre o poder de influência das redes sociais no estado de saúde mental de seus usuários. Adicionado no início de maio no catálogo da <em>Netflix</em>, o filme </span><span style="font-weight: 400;">retrata o descontrole obsessivo de Ingrid Thorburn perante o seu </span><a href="https://super.abril.com.br/sociedade/instagram-e-a-rede-social-mais-prejudicial-a-saude-mental/"><span style="font-weight: 400;">uso do <em>Instagram</em></span></a><span style="font-weight: 400;">. Além de trazer</span> Matt Spicer na direção, a obra ainda conta com o protagonismo de Aubrey Plaza e Elizabeth Olsen.</p>
<p><span id="more-14713"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo no início do filme somos apresentados pela protagonista de maneira inusitada, na qual ela invade um casamento e agride a noiva que não a convida à celebração. Sua decepção lhe causa transtornos agressivos de personalidade, recebendo ajuda em um centro psiquiátrico para tratar seu vício no consumo da plataforma digital.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Percebemos que Ingrid é uma adolescente extremamente solitária. Por conta da morte de sua mãe, a jovem acabou restringindo ao máximo sua conexão com grupos sociais no ambiente externo (vizinhos, colegas e familiares), criando uma forte identidade com a comunidade ativa das redes sociais (seguidores e membros de grupos online).</span></p>
<figure id="attachment_14715" aria-describedby="caption-attachment-14715" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14715" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-2-3.jpg" alt="" width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-2-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-2-3-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-2-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-2-3-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14715" class="wp-caption-text">A expressão da personagem não condiz com uma postura amigável que ela interpreta no ambiente digital (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu isolamento presencial fez com que toda sua atenção fosse voltada exclusivamente ao <em>Instagram</em>, como se suas interações fossem de fato reais. A necessidade de ter um amparo emocional fez com que ela procurasse perfis que compartilhassem seus mesmos gostos, um relacionamento que proporcionasse o encontro de </span><a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0047-20852017000300164"><span style="font-weight: 400;">estilos de vida semelhantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> que pudessem construir uma amizade na vida real. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Compulsiva pelo desejo de criar laços <em>online</em>, a jovem encontra o perfil de Taylor,  uma blogueira de sucesso que vive na Califórnia. Ela, que por sua vez é popular dentro do aplicativo, começa a responder os comentários de Ingrid. Tal gesto afetará diretamente a trajetória de nossa protagonista, fazendo com que ela transforme toda a sua vida ao se mudar para a </span><a href="https://falauniversidades.com.br/california-lifestyle-fotos/"><span style="font-weight: 400;">Costa Oeste</span></a><span style="font-weight: 400;"> somente para encontrar sua nova amiga celebridade.</span></p>
<figure id="attachment_14716" aria-describedby="caption-attachment-14716" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14716" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-3-1.jpg" alt="" width="1600" height="894" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-3-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-3-1-300x168.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-3-1-1024x572.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-3-1-768x429.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-3-1-1536x858.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-3-1-1200x671.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14716" class="wp-caption-text">Elizabeth Olsen e Aubrey Plaza na cena em que Taylor induz Ingrid diversas vezes a posar “o melhor ângulo” para a foto ideal, e pela cara de Ingrid, parece que o sorriso não é dos mais fiéis (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa consegue cumprir seu papel em nos alertar sobre o uso desenfreado das redes sociais. A principal crítica presente em <em>Ingrid Vai Para o Oeste</em> são os excessos. Seja através do comportamento da protagonista na internet, pelo instinto insaciável de Taylor em expôr sua <em>linda e perfeita</em> vida em Los Angeles ou pela necessidade devastadora de pertencimento que Ingrid deposita em si mesma. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem nunca ficou insatisfeito por não ser mencionado em algum <em>stories</em> de algum colega? Quem nunca teve inveja por não ser convidado à festa que seu amigo postou no <em>feed</em>? Quantas pessoas já <em>stalkearam</em> seu perfil sem você saber? Todas estas indagações são representadas no filme, ainda que de maneira exagerada, para ilustrar o quão influente nosso comportamento no <em>Instagram</em> pode ser na vida real. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YgVMPX0u9XI"><span style="font-weight: 400;">Matt Spicer</span></a><span style="font-weight: 400;"> neutraliza muito bem o drama da narrativa através da comicidade de muitas cenas. O personagem secundário Daniel Pinto é chave necessária para ativar o lado cômico do filme, sem contar sua importância para o desfecho da trama. Embora o longa assuma um nítido objetivo crítico, ele não deixa escapar a oportunidade de trazer humor, atraindo com sucesso o público adolescente.</span></p>
<figure id="attachment_14717" aria-describedby="caption-attachment-14717" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14717" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-4.jpg" alt="" width="1500" height="1001" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-4.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-4-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-4-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-4-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14717" class="wp-caption-text">Aubrey Plaza e O’Shea Jackson Jr. interpretando os papéis de Ingrid e Dan no filme (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo do enredo o espectador presencia diversas cenas em que Ingrid demonstra seu vício contínuo, mas são poucas as cenas que abordam a maneira com que Taylor administra sua vida fora do alcance midiático. A </span><em><span style="font-weight: 400;">influencer</span></em><span style="font-weight: 400;"> constantemente publica fotos sobre tudo o que acontece em seu cotidiano, sem se preocupar com a exposição de sua vida pessoal e o quanto isto afeta o psicológico  de seus seguidores. Ingrid por outro lado, é incapaz de perceber que estava se tornando uma pessoa sociável no momento em que se aproxima de Daniel. Indiretamente, o filme nos mostra um ciclo de relações que são pautadas por interesses pessoais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O sentimento de não pertencimento da protagonista é o que vem afetando a maioria dos usuários do <em>Instagram</em>, que buscam no aplicativo uma forma de se comunicar e ter uma identidade que os identifique como membros de algum grupo. Segundo uma </span><a href="https://www.rsph.org.uk/about-us/news/instagram-ranked-worst-for-young-people-s-mental-health.html"><span style="font-weight: 400;">pesquisa britânica</span></a><span style="font-weight: 400;"> disponibilizada pela <em>Royal Society for Public Healthy,</em> o <em>Instagram</em> foi considerado o aplicativo mais nocivo à saúde mental. Cerca de 90% de seu público consumidor é composto por jovens entre 14 a 24 anos de idade, em que a maioria relata já ter sofrido pressões psicológicas por conta das imagens e vídeos da plataforma. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ansiedade, desconforto com o próprio corpo, </span><a href="https://catracalivre.com.br/saude-bem-estar/o-impacto-das-redes-sociais-na-saude-mental-e-o-que-e-possivel-fazer/"><span style="font-weight: 400;">insegurança </span></a><span style="font-weight: 400;">e inveja são emoções que compõe os distintos cenários presentes no <em>feed</em> dos usuários. Hoje em dia, ter um perfil em uma rede social faz com que você fique por dentro de tudo o que acontece no mundo, ou no churrasco clandestino do seu amigo que não respeita o isolamento da pandemia. Não à toa, Spicer nos conduz ao sentimento de pena pela protagonista, uma vez que ela apresenta dificuldades em lidar com seus traumas e aposta todas as suas fichas em uma bola de neve composta por mentiras.  </span></p>
<figure id="attachment_14718" aria-describedby="caption-attachment-14718" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14718" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-5-GIF.gif" alt="" width="640" height="265" /><figcaption id="caption-attachment-14718" class="wp-caption-text">Mesmo estando na praia de Los Angeles com um paisagem fantástica, Ingrid se preocupa com a foto tirada por Taylor na qual a protagonista não está presente (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ingrid queria relembrar como eram os momentos de alegria passados ao lado de sua mãe. Em troca, ela se vê em um emaranhado de confusões devido à inveja que ela guarda pela nova melhor amiga. Dificilmente, conseguimos desvincular nossas</span> <a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0100-19652005000200010&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt"><span style="font-weight: 400;">imagens virtuais</span></a><span style="font-weight: 400;"> de nossas reais identidades, impactando diretamente a maneira pela qual moldamos nossa identidade cultural.</span></p>
<p><a href="https://leiaarqueologia.files.wordpress.com/2018/02/kupdf-com_identidade-cultural-na-pos-modernidade-stuart-hallpdf.pdf"><span style="font-weight: 400;">O fenômeno da identidade cultural</span></a><span style="font-weight: 400;">, desde os primórdios da civilização humana, sempre esteve aliado às inúmeras tentativas de que os indivíduos têm de se encaixarem em grupos. Ingrid dá exemplos disso nas cenas em que ela arquiteta todas as ações para se aproximar cada vez mais de Taylor (incluindo cometer crimes para tal). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A convivência é uma norma que exige </span><a href="http://www2.eca.usp.br/Ciencias.Linguagem/L3JenkinsConvergencia.pdf"><span style="font-weight: 400;">comportamentos semelhantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um ser entre seus pares. Ao longo dos anos, nos adequamos de acordo com rituais, danças, gostos musicais, memes, vídeos do </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok </span></i><span style="font-weight: 400;">e outros elementos que estabelecem padrões de comportamento na sociedade. Com isso, nos vemos diante de novos mecanismos que nos condicionam a estabelecer vínculos para além dos limites físicos, conectando terra-planistas, adeptos da anti-vacina e negacionistas do aquecimento global ao longo de todo o mundo.</span></p>
<figure id="attachment_14719" aria-describedby="caption-attachment-14719" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14719" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-8.jpg" alt="" width="1500" height="938" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-8.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-8-300x188.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-8-1024x640.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-8-768x480.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM-8-1200x750.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14719" class="wp-caption-text">Mais do que apreciar o momento ao lado das pessoas, sentimos a necessidade de registar o que vivemos (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como Ingrid se recusa à aceitação de perda de sua mãe, nós nos recusamos a aceitar que o meio ambiente está se degradando e que nossos representantes públicos são corruptos. Ou que estamos vivendo uma pandemia, que nossas religiões são moldadas por seres humanos que também são falhos ou ainda que as mídias sociais são ambientes que podem ser muito hostis. A característica psicológica que liga todas estas recusas é influenciada pela maneira que encaramos nossas atitudes. Administrar nossas decisões e pensar que elas sofrem consequências nos traz desconforto e dor, por isso, tentamos construir perfis dentro do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NrpzHUfRm-o"><span style="font-weight: 400;">espaço virtual </span></a><span style="font-weight: 400;">onde o desagradável perante a sociedade não existe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Constantemente somos induzidos a nos conectar com tudo aquilo que nos cerca e quando um padrão de comportamento, ainda que negativo à saúde, se torna efetivo para criar vínculos e identidades, a irracionalidade se torna ainda mais frequente. O impacto das </span><a href="https://canaltech.com.br/redes-sociais/a-evolucao-das-redes-sociais-e-seu-impacto-na-sociedade-parte-3-109324/"><span style="font-weight: 400;">redes sociais</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode ampliar ou diminuir o modo pelo qual observamos a realidade. Por isso <em>Ingrid Vai Para o Oeste</em> é lançado no catálogo da <em>Netflix</em> no melhor momento, de grande relevância para discussão sobre o uso excessivo das redes sociais. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
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