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	<title>Arquivos Literatura &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Há 20 anos, Percy Jackson provava que ser diferente também é ser herói</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Mar 2026 13:00:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Helen Os livros de Percy Jackson marcaram profundamente uma geração de leitores, e celebrar 20 anos do início da saga é também celebrar o impacto emocional que as histórias tiveram ao longo do tempo. Desde o lançamento de O Ladrão de Raios em 2005, o autor Rick Riordan abriu portas para um universo onde &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/percy-jackson-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 20 anos, Percy Jackson provava que ser diferente também é ser herói"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36993" aria-describedby="caption-attachment-36993" style="width: 566px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36993" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima1-566x800.jpg" alt="A imagem é a capa do livro O Ladrão de Raios, e mostra Percy de costas, caminhando pelo mar agitado em direção a uma grande cidade ao fundo. Ele segura uma espada dourada na mão direita. À frente dele, há uma cidade grande com prédios altos, parcialmente coberta por névoa. O céu está escuro e nublado, e um raio cai próximo aos prédios, indicando uma tempestade. As cores predominantes são verde, azul e tons escuros, transmitindo uma sensação de perigo, aventura e mistério, que combina com a história do livro." width="566" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima1-566x800.jpg 566w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima1-724x1024.jpg 724w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima1-768x1086.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima1-1086x1536.jpg 1086w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima1.jpg 1131w" sizes="(max-width: 566px) 85vw, 566px" /><figcaption id="caption-attachment-36993" class="wp-caption-text">Publicado em 2005, O Ladrão de Raios deu início a uma das séries mais influentes da literatura juvenil do século XXI (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Helen</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os livros de </span><a href="https://rickriordan.com/series/percy-jackson-and-the-olympians/"><i><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> marcaram profundamente uma geração de leitores, e celebrar 20 anos do início da saga é também celebrar o impacto emocional que as histórias tiveram ao longo do tempo. Desde o lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Ladrão de Raios</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2005, o autor Rick Riordan abriu portas para um universo onde a mitologia grega deixou de ser algo distante, recorrente nos livros escolares e passou a fazer parte do cotidiano de jovens leitores ao redor do mundo. Para muitos, foi o primeiro contato com deuses, monstros e heróis – mediados por humor, aventura e identificação.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span id="more-36992"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson nunca foi o herói perfeito. Ele começa sua história como um menino confuso, impulsivo e deslocado, sem saber exatamente onde pertence – sentimento familiar de quem lê a saga durante os anos formativos. Logo no início da história, por exemplo, Percy é constantemente punido na escola, sendo diagnosticado com TDAH e dislexia e rotulado como problemático, e desenvolve sua trajetória inicial sem entender porque parece não se encaixar em lugar nenhum. Ao se descobrir filho de Poseidon, o protagonista precisa lidar não só com monstros e missões perigosas, como também com questões de identidade, amizade e responsabilidade. Essa humanidade é um dos grandes motivos pelos quais a série continua contemporânea mesmo duas décadas depois, ganhando diversas </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-melhores-series-de-2023/"><span style="font-weight: 400;">adaptações</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_36994" aria-describedby="caption-attachment-36994" style="width: 550px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36994" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima2.jpg" alt="A imagem mostra o box da série Percy Jackson e os Olimpianos, composta por cinco livros. À esquerda e ao centro, ilustram-se figuras mitológicas aladas marrons sendo montadas, semelhantes aos cavalos, envoltos por tons de verde, dourado e azul, transmitindo a atmosfera fantástica e antiga. À direita, os cinco livros estão alinhados lado a lado, com lombadas em tons de azul-esverdeado e detalhes em cobre e cinza, formando uma imagem contínua de ondas e estruturas que lembram a cidade de Nova York estilizada. Na parte inferior, o logotipo da editora Intrínseca." width="550" height="750" /><figcaption id="caption-attachment-36994" class="wp-caption-text">Ao misturar mitologia grega com o mundo contemporâneo, Rick Riordan apresentou os deuses do Olimpo a uma nova geração de leitores (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra original é composta por </span><a href="https://www.goodreads.com/series/40736-percy-jackson-and-the-olympians"><span style="font-weight: 400;">cinco livros</span></a><span style="font-weight: 400;"> publicados entre 2005 e 2009: </span><i><span style="font-weight: 400;">O Ladrão de Raios</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mar de Monstros </span></i><span style="font-weight: 400;">(2006), </span><i><span style="font-weight: 400;">A Maldição do Titã </span></i><span style="font-weight: 400;">(2007), </span><i><span style="font-weight: 400;">A Batalha do Labirinto</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2008) e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Último Olimpiano </span></i><span style="font-weight: 400;">(2009). Ao longo das histórias, acompanhamos o crescimento de Percy e seus amigos, Annabeth e Grover, enquanto enfrentam profecias cada vez mais sombrias e ameaçadoras, que colocam em risco tanto o mundo dos deuses quanto o dos mortais. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Batalha do Labirinto</span></i><span style="font-weight: 400;">, a trama gira em torno da expansão de um labirinto mágico criado por Dédalo, um notável arquiteto e inventor, que serve como rota de invasão para inimigos do Olimpo, obrigando os semideuses a assumir responsabilidades maiores. A cada volume, os desafios se intensificam, assim como as consequências das escolhas feitas pelos personagens. O leitor cresce e amadurece junto com eles, criando um vínculo que torna o desfecho da saga ainda mais marcante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro elemento que fortalece a série é a maneira como Rick Riordan reintroduz a </span><a href="https://super.abril.com.br/cultura/percy-jackson-quem-e-perseu-na-mitologia-grega/"><span style="font-weight: 400;">mitologia grega</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o público jovem, usando referências clássicas em situações contemporâneas. Deuses antigos passam a ocupar espaços do mundo moderno, enquanto monstros e desafios mitológicos surgem em cenários cotidianos, como escolas, estradas e cidades comuns. Essa abordagem criativa transformou a saga na porta de entrada para o estudo da mitologia e o incentivo à leitura entre jovens leitores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo dos anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixou de ser apenas uma saga de livros e se transformou em um universo literário expansivo. Novas sagas, como </span><a href="https://www.goodreads.com/series/51379-the-heroes-of-olympus"><i><span style="font-weight: 400;">Os Heróis do Olimpo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2010) e </span><a href="https://www.goodreads.com/series/162088-the-trials-of-apollo"><i><span style="font-weight: 400;">As Provações de Apolo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016), aprofundaram personagens já conhecidos e apresentaram novos heróis, mantendo o interesse dos fãs e mostrando que esse mundo ainda tem muitas histórias a serem contadas. Mesmo assim, a pentalogia segue sendo o coração desse universo.</span></p>
<figure id="attachment_36995" aria-describedby="caption-attachment-36995" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36995" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima3-800x622.jpg" alt="A imagem mostra um menino adolescente sentado à noite em uma floresta. Ele tem cabelos cacheados claros e usa uma camiseta laranja por baixo de um casaco cinza com capuz. O garoto olha para baixo com expressão pensativa, iluminado por uma luz quente que parece vir de uma fogueira fora de cena. À sua frente, sobre um tronco, há uma lata aberta e um saco plástico transparente. O fundo é escuro, com tons azulados e verdes, referindo-se a vegetação, criando um clima silencioso e introspectivo." width="800" height="622" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima3-800x622.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima3-1024x796.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima3-768x597.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/ima3.jpg 1170w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36995" class="wp-caption-text">O Acampamento Meio-Sangue se tornou um dos cenários mais reconhecíveis da literatura juvenil moderna (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Progressivamente, a epopeia moderna também encontrou novos públicos por meio de adaptações. Em 2023, </span><i><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson e os Olimpianos</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganhou uma série no </span><a href="https://www.disneyplus.com/pt-br/browse/entity-f1c31566-ec05-4d30-b23f-3177442233f4?msockid=27ddb89c734367331d80ad7472956627"><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, estrelada por Walker Scobell (Percy Jackson), Leah Sava Jeffries (Annabeth Chase) e Aryan Simhadri (Grover Underwood), reacendendo o carinho dos fãs antigos e apresentando a história a uma nova geração. A primeira temporada adapta </span><i><span style="font-weight: 400;">O Ladrão de Raios</span></i><span style="font-weight: 400;">, acompanhando a jornada de Percy após se descobrir um semideus e sua missão para recuperar o raio-mestre de Zeus, impedindo uma guerra entre os deuses do Olimpo. Esta é a adaptação mais fiel aos livros e ajudou a reforçar a relevância da obra, além de trazer novamente Percy para o centro da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Celebrar os 20 anos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é apenas lembrar de quando o primeiro livro foi publicado, mas reconhecer como ele </span><a href="https://guiadoestudante.abril.com.br/dica-cultural/20-anos-apos-o-lancamento-por-que-ainda-vale-ler-percy-jackson/?utm"><span style="font-weight: 400;">continua influenciando leitores</span></a><span style="font-weight: 400;"> até os dias atuais. É evidente que muitos espectadores releem a saga com outro olhar, agora mais velhos, e percebem novas camadas em cada personagem e interpretam de forma diversificada mensagens sobre amizade, pertencimento e coragem. Enquanto isso, outros a descobrem pela primeira vez, provando que boas histórias realmente atravessam o tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo após duas décadas, Percy Jackson continua correndo pelos corredores do Acampamento Meio-Sangue, enfrentando deuses mal-humorados e lembrando aos leitores que ser diferente não é uma fraqueza – é uma força. A longevidade da </span><a href="https://rickriordan.com/book/the-court-of-the-dead/"><span style="font-weight: 400;">história</span></a><span style="font-weight: 400;"> mostra que, mais do que aventuras mitológicas, os livros oferecem acolhimento, identificação e a sensação de que sempre haverá um lugar onde pertencemos, mesmo que esteja escondido entre o mundo mortal e o Olimpo.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Você, Percy… você é parte deus, parte humano. Vive em ambos os mundos </span><span style="font-weight: 400;">[&#8230;]. É isso que torna os heróis tão especiais. Você transporta as esperanças da humanidade para a esfera do eterno” –</span><span style="font-weight: 400;"> O Mar de Monstros (2006)</span></p></blockquote>
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		<title>Estante do Persona – Outubro de 2025</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Oct 2025 14:08:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O que é o terror? É apenas o susto que faz o coração acelerar, ou algo mais profundo, que nos obriga a encarar aquilo que escondemos de nós mesmos? O horror literário fascina porque nos faz perguntar: até onde iríamos para sentir medo? Que monstros moram no mundo e quais habitam dentro de nós? É &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2025/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Outubro de 2025"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36090" aria-describedby="caption-attachment-36090" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36090" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-800x450.png" alt="Na ilustração, em um fundo roxo com teias de aranha, há uma prateleira branca com 5 livros em tons de laranja. Da esquerda para a direita, há um livro na vertical, em pé, com um olho vermelho, com um play dentro da íris, estampado. O livro está entreaberto. No topo da imagem, no centro, há o mesmo olho. Na direita, há 4 livros, três deitados e um em pé, apoiado nos que estão na horizontal. De baix para cima, está escrito na lombada do primeiro &quot;outubro de 2025&quot;, do segundo &quot;persona&quot; com um troféu do símbolo do olho em dourado no canto esquerdo e no último &quot;estante do&quot;. O livro na vertical possui capa laranja e nada escrito na capa." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36090" class="wp-caption-text">Entre passagens de tirar o fôlego e clássicos da literatura de Terror, o Estante de outubro garante aos leitores um Halloween inesquecível (Arte: Maria Fernanda Beneton/Texto de abertura: Bianca Costa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que é o </span><a href="https://blog.jamboeditora.com.br/terror-genero-favorito/"><span style="font-weight: 400;">terror</span></a><span style="font-weight: 400;">? É apenas o susto que faz o coração acelerar, ou algo mais profundo, que nos obriga a encarar aquilo que escondemos de nós mesmos? O </span><a href="https://www.infoescola.com/generos-literarios/horror/"><span style="font-weight: 400;">horror literário</span></a><span style="font-weight: 400;"> fascina porque nos faz perguntar: até onde iríamos para sentir medo? Que monstros moram no mundo e quais habitam dentro de nós? É possível que a história de uma página seja mais assustadora que a realidade que nos cerca?</span></p>
<p><span id="more-36085"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2024/"><span style="font-weight: 400;">Estante</span></a><span style="font-weight: 400;"> está de volta para te fazer roer as unhas. Com o mês do horror terminando, o Persona te convida a entrar no clima de </span><i><span style="font-weight: 400;">Halloween </span></i><span style="font-weight: 400;">e se perder em um suspense horripilante, daqueles que prende o fôlego. A literatura de </span><a href="https://www.editorawish.com.br/blogs/novidades/horror-x-terror-qual-a-diferenca?srsltid=AfmBOopwFqgZ-jUrC-fP3JVXD_12jnSGSW4Qyh_20WyuDetJOYOLV6de"><span style="font-weight: 400;">terror e horror</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre foi mais do que um simples susto: é devorar um livro com o coração acelerado, virar a página sem perceber a hora e o desespero para chegar ao final. Desde as primeiras histórias contadas, o medo habita a imaginação humana, mudando de forma a cada século. Já foi castigo, já foi delírio, já foi profecia. Hoje, é o espelho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://baquaraneurotico.wordpress.com/2018/10/30/uma-breve-historia-da-literatura-de-horror/"><span style="font-weight: 400;">gênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> nasceu junto do impulso de narrar. O horror literário sempre refletiu aquilo que o ser humano mais teme enxergar: a si mesmo. O que antes se escondia em florestas e castelos agora vive entre becos úmidos, escritórios silenciosos e janelas que jamais se abrem. O terror moderno dispensa trovões, mas basta o som repetido de um relógio, o arranhar de unhas na madeira, o eco de passos no corredor para acender o pavor. O medo se tornou íntimo, cotidiano, palpável. O monstro, agora, veste a nossa pele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas páginas, o horror observa o banal e o devolve distorcido. Uma sombra alongada demais, um reflexo que se move depois de você. Ele revela o que apodrece por baixo da normalidade e lembra que o real é sempre mais estranho do que parece. Há quem diga que o inferno é uma invenção distante, porém Alan Moore e Eddie Campbell o desenharam com bisturis e delírios em </span><a href="https://www.veneta.com.br/shop/do-inferno-305"><i><span style="font-weight: 400;">Do Inferno</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; Ana Paula Maia o construiu com carne, suor e trabalho em </span><a href="https://www.record.com.br/produto/assim-na-terra-como-embaixo-da-terra/"><i><span style="font-weight: 400;">Assim na Terra como Embaixo da Terra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; e Stephen King o fez explodir de dentro de uma garota que só queria ser aceita em </span><a href="https://n.companhiadasletras.com.br/livro/9788581050362/carrie-a-estranha"><i><span style="font-weight: 400;">Carrie, a estranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Poe, por sua vez, nos ensinou que às vezes basta um gato, ou uma culpa, para enlouquecer em</span> <a href="https://www.martinclaret.com.br/produtos/o-gato-preto-em-quadrinhos/"><i><span style="font-weight: 400;">O Gato Preto</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> E, em algum beco de Londres, Jack ainda caminha, invisível, entre as vozes e a névoa em</span><a href="https://www.darksidebooks.com.br/rastro-de-sangue-jack-o-estripador/p"> <i><span style="font-weight: 400;">Rastro de Sangue: Jack, O Estripador.</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do castigo divino ao crime urbano, o terror se reinventa, mas nunca desaparece. Ele muda de máscara, muda de época, muda de tom, e ainda assim continua a mesma coisa: o retrato fiel daquilo que tentamos esconder. É uma lente que amplia o desconforto e um espelho que devolve o rosto deformado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enfim, o Estante de outubro adentra esse espaço entre o real e o delírio: o medo ganha textura, cheiro e voz com as indicações dos nossos redatores. Os próximos parágrafos não prometem consolo, mas garantem companhia e uma leitura atenta, na qual até tirar os olhos das páginas é arriscado demais. Só um aviso antes de começar: se ouvir algum barulho vindo de trás, não olhe. Provavelmente é só o vento. Provavelmente.</span></p>
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<p><b style="color: #1a1a1a; font-size: 16px;">Alan Moore e Eddie Campbell – Do Inferno (592 páginas, Editora Veneta)</b></p>
<figure id="attachment_36093" aria-describedby="caption-attachment-36093" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36093" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/capa_do_inferno_1410-1.jpg" alt="A capa da história em quadrinhos &quot;Do Inferno&quot; possui um desenho em tons de cinza de uma caixa torácica humana rasgada horizontalmente por quatro faixas de papel vermelho vivo. O título, DO INFERNO, está em letras pretas grandes na primeira faixa vermelha, e os nomes dos autores, ALAN MOORE &amp; EDDIE CAMPBELL, aparecem logo abaixo em letras pretas menores na segunda faixa." width="600" height="800" /><figcaption id="caption-attachment-36093" class="wp-caption-text">Do Inferno é vencedora de 5 prêmios Eisner e garantiu a seu autor, Alan Moore, 3 anos consecutivos o prêmio de melhor roteirista entre 1995-1997 (Foto: Editora Veneta)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">“<i>Do Inferno</i>” ocupa os primeiros lugares nas listas dos leitores de Alan Moore, junto a <i>Watchmen</i>, <i>V de Vingança</i>, <i>Monstro do Pântano</i> e tantos outros. Mesmo assim, ao ler a sinopse, é fácil pensar: “O que tem de tão especial em outra versão de Jack, o Estripador?” Talvez o mais interessante esteja no mundo em que a história se passa. E não, não é a ambientação neogótica da Inglaterra vitoriana, com noites soturnas e um preto marcante que persegue o leitor em cada página; ao recuar, a escuridão prepara-se para encarnar figuras igualmente macabras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, o que há de tão interessante para uma leitura de quase 600 páginas? A resposta está na pergunta que reside na penumbra da obra: “O que é o mal?” Alan Moore apresenta um mal macabro, soturno e encarnado, que também reside nos corações dos que o enxergam e, em certa medida, anseiam encontrá-lo. No deslizar das páginas pretas e brancas, o leitor se pega a todo momento ansioso, desejoso e esperançoso para contemplar as diversas faces daquilo que deveria permanecer sigiloso a todos: nossos desejos mais perversos, escondidos em entranhas escuras, e as diferentes formas de ver um mal radicalmente humano – tão visceral que o ocultamos, dizendo ser próprio apenas do Inferno.</span><b> – Pedro Domênico</b></p>
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<p><b>Ana Paula Maia – </b><b>Assim na Terra como embaixo da Terra (144 páginas, Editora Record)</b></p>
<figure id="attachment_36094" aria-describedby="caption-attachment-36094" style="width: 517px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36094" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/91UrbtIoL._UF10001000_QL80_-517x800.jpg" alt="A capa do livro Assim na Terra como embaixo da Terra é branca possui a ilustração de um javali em preto, que parte do canto superior direito e ocupa grande parte do retângulo. O título da obra aparece em letras espremidas, ocupando o canto inferior esquerdo ao lado do nome da autora, Ana Paula Maia, no canto inferior direito. Ambos também escritos em preto." width="517" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/91UrbtIoL._UF10001000_QL80_-517x800.jpg 517w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/91UrbtIoL._UF10001000_QL80_.jpg 646w" sizes="auto, (max-width: 517px) 85vw, 517px" /><figcaption id="caption-attachment-36094" class="wp-caption-text">Em 2018 a escritora venceu o prêmio São Paulo de Literatura com a obra Assim na Terra como embaixo dela (Foto: Editora Record)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ana Paula Maia é uma escritora brasileira que ganhou destaque na literatura nacional por suas histórias sempre aterrorizantes envolvendo violências e questionamentos, principalmente sobre pautas de negligência social. E nessa narrativa, por meio de uma escrita fluída e cativante, a autora convida o leitor a conhecer o ambiente claustrofóbico de uma colônia penal decadente prestes a ser desativada, e que abriga os criminosos que o Estado buscou esquecer. Lá dentro, os personagens estão sob o comando de um oficial que perdeu a sanidade por conta do isolamento, e o perigo e a aflição os rondam constantemente, além da fuga parecer impossível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de sua escrita,  a autora cria uma experiência na qual a tensão e o desconforto só se agravam com o passar das páginas, e cada descoberta sobre o real intuito da instituição contribui  para prender a atenção do público do início ao fim. Além disso, o texto não dá sossego um segundo sequer, já que a ameaça não cessa e é perceptível que, naquele lugar onde os corpos são privados de sua humanidade, não há salvação ou esperança nem através da suposta liberdade.</span><b> – Luana Corrêa</b></p>
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<p><b>Stephen King – Carrie, a estranha (208 páginas, Editora Suma)</b></p>
<figure id="attachment_36102" aria-describedby="caption-attachment-36102" style="width: 549px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36102" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-549x800.jpg" alt="A capa do livro Carrie, de Stephen King, tem um fundo rosa-escuro com manchas e gotas de sangue escorrendo. No centro, aparece o rosto de uma garota com olhar sério e traços de sangue no rosto, criando um clima assustador. O nome do autor está escrito em letras grandes e brancas na parte de cima, e o título Carrie aparece em branco na parte de baixo. A imagem passa uma sensação de mistério e terror, combinando com a história do livro." width="549" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-549x800.jpg 549w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-703x1024.jpg 703w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-768x1119.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-1055x1536.jpg 1055w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 549px) 85vw, 549px" /><figcaption id="caption-attachment-36102" class="wp-caption-text">A obra de estreia do mestre do terror representa um marco inovador, sendo um dos romances mais impactantes de todos os tempos (Foto: Editora Suma)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Narrado de forma fragmentada e com tom quase documental, </span><i><span style="font-weight: 400;">Carrie</span></i><span style="font-weight: 400;">, primeiro livro de Stephen King, publicado em 1974, combina trechos de jornais e entrevistas para reconstruir a trágica história de Carrie White. Tímida e introvertida, a adolescente é alvo constante de humilhações por parte dos colegas e vive sob a opressão da mãe, Margaret, uma fanática religiosa. Tudo muda, porém, após um episódio traumático na escola (quando a protagonista tem sua primeira menstruação e é cruelmente ridicularizada pelas outras meninas): ela descobre possuir poderes de telecinesia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conforme o bullying e a opressão aumentam, esses poderes crescem junto com a raiva e o desespero dela, culminando em um baile de formatura trágico e inesquecível, que se tornou um dos momentos mais icônicos da literatura e do cinema de terror. O impacto da obra foi tão grande que abriu caminho para uma série de outras adaptações baseadas nas obras de King, como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Iluminado</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">It: A Coisa</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">À Espera de um Milagre</span></i><span style="font-weight: 400;">, que continuaram a explorar, cada uma à sua maneira, os medos, traumas e conflitos que assombram a condição humana. </span><b>– Nathalia Helen</b></p>
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<figure id="attachment_36086" aria-describedby="caption-attachment-36086" style="width: 471px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36086" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Jack-o-estripador-Kerri-Maniscalco.png" alt="Imagem da capa do livro Jack, o Estripador de Kerri Maniscalco. Há um fundo escuro em tons de preto e cinza com nuvens. No centro, há uma mulher branca com vestido vitoriano verde escuro e luvas rendadas pretas, segurando uma adaga prateada. Ela usa um colar com pedra vermelha, tem cabelos castanhos e lábios pintados de vermelho. Na parte inferior, intrínseco ao vestido, aparecem prédios antigos de Londres envoltos em névoa. O título, o nome da série “Rastro de Sangue”, da editora e da autora ocupam a metade inferior da imagem." width="471" height="708" /><figcaption id="caption-attachment-36086" class="wp-caption-text">Em sua estreia, Kerri Maniscalco explora um dos mistérios mais sombrios do Século XIX e apresenta uma heroína que desafia o impossível (Foto: DarkSide Books)</figcaption></figure>
<p><b>Kerri Maniscalco &#8211; Jack, o Estripador (354 páginas, DarkSide Books)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientado em Londres na </span><a href="https://personaunesp.com.br/autoras-horror-era-vitoriana-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Era Vitoriana</span></a><span style="font-weight: 400;">, a série </span><i><span style="font-weight: 400;">Rastro de Sangue</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanha Audrey Rose Wadsworth, uma jovem investigadora dedicada à medicina forense. Desafiando a vontade de seu pai e as expectativas da sociedade sobre como uma mulher deveria se portar, ela realiza autópsias no laboratório do tio e, de repente, se envolve em um dos crimes mais brutais que assombram a cidade. Na companhia de Thomas Cresswell, aprendiz de seu tio, Audrey Rose embarca na perigosa investigação na esperança de resolver o caso antes que novas vítimas sejam feitas. Entre ciência forense, suspense psicológico e a constante sensação de perigo, o mistério está cada vez mais perto de ser revelado.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Jack, o Estripador</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro livro da série e estabelece a construção psicológica e narrativa que se mantém constante ao longo das obras. Com uma ambientação sombria e um </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/historia-hoje/130-anos-depois-identidade-de-jack-o-estripador-pode-ter-sido-desevendada.phtml"><span style="font-weight: 400;">crime</span></a><span style="font-weight: 400;"> impossível de ser resolvido, o livro explora relações familiares e sociais complexas, motivações sinistras e tragédias arrebatadoras. Ao longo da história, Audrey Rose e Thomas se aventuram em diferentes lugares e cruzam caminho com outras figuras históricas do período, como Príncipe Drácula, Harry Houdini e H. H. Holmes. Além disso, abre espaço para pitadas de um romance fadado pelo destino. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra mantém um equilíbrio perfeito entre elegância e crueldade. Entre </span><i><span style="font-weight: 400;">corsets</span></i><span style="font-weight: 400;">, festas do chá e um jogo de gato e rato, a narrativa entrelaça o suspense com o cotidiano da época. Embora foque na parte forense, com análises detalhadas de cada procedimento técnico, o livro oferece uma visão única do infame caso </span><a href="https://revistaesquinas.casperlibero.edu.br/arte-e-cultura/true-crime-a-ascensao-do-genero-na-literatura-e-nos-streamings/"><span style="font-weight: 400;">não resolvido</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ilustrações </span><i><span style="font-weight: 400;">vintages</span></i><span style="font-weight: 400;"> e macabras mergulham o leitor na narrativa, enquanto a atmosfera gótica e os personagens astutos tornam tudo envolvente. Analisar as pistas enquanto tenta adivinhar o assassino antes dos detetives torna a leitura surpreendentemente agradável e cativante. <b>– </b></span><b>Vitória Mendes</b></p>
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<figure id="attachment_36087" aria-describedby="caption-attachment-36087" style="width: 539px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36087" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/817AX1fb0L._AC_UF10001000_QL80_-539x800.jpg" alt="Foto da capa do livro O Gato Preto e Outros Contos Extraordinários, de Edgar Allan Poe. O fundo é escuro, com tons de cinza e preto, além de possuir a face de um gato desenhado. No canto superior esquerdo, há a silhueta de um gato preto sentado, e na letra “A” de “Edgar”, do título, surgem traços que imitam bigodes. O nome do autor, “Edgar Allan Poe”, aparece em letras grandes e amarelas no centro da imagem. Abaixo, em letras brancas ornamentadas, lê-se “O Gato Preto e Outros Contos Extraordinários”. No rodapé, está o logotipo da editora Camelot." width="539" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/817AX1fb0L._AC_UF10001000_QL80_-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/817AX1fb0L._AC_UF10001000_QL80_.jpg 674w" sizes="auto, (max-width: 539px) 85vw, 539px" /><figcaption id="caption-attachment-36087" class="wp-caption-text">O Gato Preto foi publicado em 1843 (Foto: Camelot Editora)</figcaption></figure>
<p><b>Edgar Allan Poe &#8211; O Gato Preto e Outros Contos Extraordinários (160 páginas, Camelot Editora)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Gato Preto</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um dos contos mais conhecidos de </span><a href="https://www.purepeople.com.br/noticia/serie-a-queda-da-casa-de-usher-para-maratonar-na-netflix-com-poucos-episodios-de-edgar-allan-poe_a410614/1"><span style="font-weight: 400;">Edgar Allan Poe</span></a><span style="font-weight: 400;"> e talvez o que melhor define o horror psicológico do autor. A história acompanha um homem comum que, afundado no álcool, começa a maltratar os animais que antes amava, até que sua fúria o leva a um ato irreversível. O que se segue é o peso da culpa e a paranoia de que algo, ou alguém, ainda o observa. Poe não precisa de fantasmas nem de castigos divinos para causar medo, basta a mente humana em colapso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O conto é uma leitura curta e de ritmo acelerado. Cada ação do narrador tem uma consequência imediata, e o terror surge da frieza com que ele descreve suas próprias atrocidades. </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-dia-um-gato-60-anos/"><span style="font-weight: 400;">O gato</span></a><span style="font-weight: 400;">, símbolo de tudo o que ele tenta esquecer, retorna como a lembrança assombrosa de que a culpa sempre encontra um jeito de ser ouvida. É justamente o fato de haver algo inevitável no percurso do personagem que torna o desfecho tão perturbador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado para quem busca um clássico acessível e envolvente, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Gato Preto</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma porta de entrada perfeita para as obras de Poe e para o </span><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2025/10/um-ano-sem-verao-como-uma-catastrofe-climatica-ajudou-a-dar-origem-a-frankenstein"><span style="font-weight: 400;">horror literário</span></a><span style="font-weight: 400;"> do século XIX. O cerne está na ideia de que o verdadeiro terror nasce dentro de casa, quando o instinto grita mais alto que a razão e a consciência já não consegue silenciar seus próprios erros. <b>– </b></span><b>Eduardo Dragoneti Ferreira</b></p>
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<figure id="attachment_36088" aria-describedby="caption-attachment-36088" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-36088 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/rebecca-540x800.png" alt="Foto da capa do livro “Rebecca”, de Daphne du Maurier. O fundo é preto com moldura decorativa fina em linhas brancas. O nome da autora aparece na parte superior, em letras grandes, brancas, com estilo tipográfico ornamentado. Logo abaixo, o título “Rebeca” está escrito em letras grandes e sinuosas, na cor rosa forte. À esquerda, acima do título, há a silhueta de uma mulher de perfil, também em rosa, com cabelos presos em coque. Galhos de árvores secos, em cinza claro, se espalham pelo fundo. Na parte inferior direita, há a ilustração de uma mansão antiga com janelas pequenas e detalhes arquitetônicos góticos, desenhada em cinza. Na base da capa, centralizado, aparece o nome da editora “DarkSide” em letras pequenas brancas." width="540" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/rebecca-540x800.png 540w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/rebecca.png 589w" sizes="auto, (max-width: 540px) 85vw, 540px" /><figcaption id="caption-attachment-36088" class="wp-caption-text">Um clássico que prova que fantasmas podem ser apenas memórias que não aceitam morrer (Foto: Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Daphne du Maurier &#8211; Rebecca (448 páginas, Darkside)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autora britânica </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/daphne-du-maurier-a-autora-de-rebecca-que-foi-de-hitchcock-a-netflix/"><span style="font-weight: 400;">Daphne du Maurier</span></a><span style="font-weight: 400;"> definitivamente sabe prender a atenção de seus leitores em suas obras. No romance </span><i><span style="font-weight: 400;">Rebecca</span></i><span style="font-weight: 400;">, a escritora cria uma atmosfera tão imersiva que torna difícil se afastar da história. O livro narra a jornada de uma jovem mulher que, após se casar com o misterioso viúvo Maxim de Winter, muda-se para a imponente mansão Manderley. A protagonista se vê rapidamente envolvida pelo fantasma da antiga esposa de Maxim, a lendária Rebecca, cuja presença continua a dominar todos os espaços e silêncios da casa. Nada é dito abertamente, mas tudo parece sussurrar o nome dela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Du Maurier constrói uma narrativa onde insegurança, amor e memória se misturam como sombras que se alongam ao entardecer. Há algo de cruel e fascinante em observar a protagonista tentando descobrir quem ela é em meio a tantos vestígios de alguém perfeito demais para existir. O suspense cresce devagar, quase como um desconforto íntimo, e quando percebemos já estamos tão enredados quanto ela. </span><a href="https://quatrocincoum.com.br/resenhas/literatura/quem-foi-rebecca/"><span style="font-weight: 400;">Manderley</span></a><span style="font-weight: 400;"> nunca se revela por completo, e talvez seja exatamente essa névoa que torna a experiência tão inesquecível. <b>– </b></span><b> Débora Munhoz</b></p>
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<figure id="attachment_36089" aria-describedby="caption-attachment-36089" style="width: 533px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36089" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/61nyhOxM-yL._AC_UF10001000_QL80_-533x800.jpg" alt="Foto da capa do livro “Ilha do Medo”, de Dennis Lehane. A imagem mostra o rosto de um homem branco em close, com expressão séria e olhar fixo, parcialmente iluminado pela chama de um fósforo que ele segura diante do rosto. Na parte inferior da capa, vê-se uma ilha isolada cercada pelo mar revolto, onde se destaca um grande prédio sombrio, o hospital psiquiátrico que ambienta a história. O título “ILHA DO MEDO” aparece em letras maiúsculas e alaranjadas, com textura metálica e um leve brilho, logo abaixo da imagem da ilha. Acima, em letras pequenas e vermelhas, está a frase “O medo é contagioso.” Na parte inferior, à direita, o logotipo da editora Companhia das Letras é acompanhado da informação “Originalmente publicado como Paciente 67”" width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/61nyhOxM-yL._AC_UF10001000_QL80_-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/61nyhOxM-yL._AC_UF10001000_QL80_.jpg 666w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-36089" class="wp-caption-text">Um suspense sombrio onde a chama da verdade é tão perigosa quanto a escuridão que a cerca (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Dennis Lehane &#8211; </b><b><i>Ilha do Medo</i></b><b> (352 páginas, Editora Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ler </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/ilha-do-medo-20342247"><i><span style="font-weight: 400;">Ilha do Medo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é como embarcar em uma viagem sem retorno à mente humana e ao que ela é capaz de esconder. Dennis Lehane constrói um suspense psicológico de tirar o fôlego, daqueles que fazem a gente duvidar até das próprias certezas. Tudo começa quando o agente federal Teddy Daniels e seu parceiro Chuck Aule são enviados a </span><i><span style="font-weight: 400;">Shutter Island</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma ilha isolada onde funciona um hospital psiquiátrico para criminosos. A missão, de começo, parece simples: investigar o desaparecimento de uma paciente. Mas, à medida que a investigação avança, fica claro que nada ali é o que parece.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A atmosfera criada por </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-1000136084/"><span style="font-weight: 400;">Lehane</span></a><span style="font-weight: 400;"> é sufocante. A cada página, a tensão cresce, e nós, leitores, somos arrastados para o mesmo estado de confusão e paranoia que consome o protagonista. Os detalhes, as falas e os silêncios carregam significados ocultos que só fazem sentido quando tudo se revela. É o tipo de leitura que te faz virar páginas compulsivamente, e ao final, te obriga a repensar tudo o que achava saber. <b>– </b> </span><b>Ryan Rodrigues</b></p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Outubro de 2024</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Nov 2024 19:46:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[A Cor que Caiu do Céu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Muitos têm medo de filmes de terror. Produções gráficas de violência, sangue, sustos em formato jumpscare, gore e outras possibilidades da linguagem audiovisual acumulam fãs e haters por todo o mundo, mas, e na Literatura? O que o horror é capaz de fazer? O Estante do Persona de Outubro vem te responder essa pergunta e, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2024/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Outubro de 2024"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-34368 size-full" src="https://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/wp-image7099994186769339465.jpg" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/wp-image7099994186769339465.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/wp-image7099994186769339465-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/wp-image7099994186769339465-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption class="wp-caption-text">No Estante do Persona de Outubro o horror está nas páginas (Arte: Aryadne Xavier/Texto de abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<p>Muitos têm medo de filmes de <a href="https://personaunesp.com.br/tag/terror/">terror</a>. Produções gráficas de violência, sangue, sustos em formato <span style="font-weight: 400;"><i>jumpscare</i></span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;"><i>gore</i></span><span style="font-weight: 400;"> e outras possibilidades da linguagem audiovisual acumulam fãs e<em> haters</em> por todo o mundo, mas, e na Literatura? O que o horror é capaz de fazer? O Estante do Persona de Outubro vem te responder essa pergunta e, como de costume, fazer indicações, dessa vez, horripilantes.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O relato escrito de horror existe há muito tempo, com os primeiros registros sendo as gravuras nas paredes de cavernas e espaços afins, que já faziam uma espécie de documentação dos mitos e folclores que assustavam os homens muito antes dessa espécie de narrativa ser categorizada. O fluxo seguiu com menção a monstros, acontecimentos fantásticos, eventos sanguinários e muito mais ocupando diários, crônicas e, inclusive, <a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2020/08/biblia-e-literatura-de-horror-como-um-dialoga-com-o-outro.html">textos religiosos</a>. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o século XVIII, a materialização de textos voltados para o terror começa a aumentar. A incidência da teoria do pensamento lógico impulsiona a popularização de histórias que exploram o sobrenatural com menos enfoque na vontade divina. Nesse período, ocorre o lançamento de </span><span style="font-weight: 400;"><i>O Castelo de Otranto (1764)</i></span><span style="font-weight: 400;">, de Horace Walpole, considerado o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ASJR6SJBIdY]">primeiro romance gótico</a>.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No século seguinte, clássicos do gênero caem no gosto da população e se tornam lendas imortais. Entre os mais famosos estão </span><span style="font-weight: 400;"><i>Frankenstein (1818)</i></span><span style="font-weight: 400;">, de Mary Shelley, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/dracula-critica/"><i>Drácula (1897)</i></a></span><span style="font-weight: 400;">, de Bram Stoker, e a coletânea de livros de <a href="https://personaunesp.com.br/historias-extraordinarias-critica/">Edgar Allan Poe</a>. Estes, já sendo considerados inspirações inesgotáveis para diversas estórias de monstros, além de base para suas versões cinematográficas, lançadas com mais de 50 anos de diferença. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desse momento para frente, a ruptura promove uma revolução, com autores do mundo todo explorando os mais diversos aspectos do terror e horror. Nomes como <a href="https://personaunesp.com.br/territorio-lovecraft-livro-critica/">H.P. Lovecraft</a>, <a href="https://personaunesp.com.br/carrie-critica/">Stephen King</a>, <a href="https://personaunesp.com.br/tag/shirley-jackson/">Shirley Jackson</a>, Charles Beaumont, Neil Gaiman e incontáveis outros se tornaram referências para produções macabras com subcategorias e muita profundidade </span><span style="font-weight: 400;">– algumas até questionáveis</span><span style="font-weight: 400;">. De caça às bruxas a pequenas meninas que entram em portais macabros, a </span><span style="font-weight: 400;"><i>Horror Literature</i></span><span style="font-weight: 400;"> cria mundos ou narra o real com garras afiadas, suspense e imprevisibilidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse texto não contempla nem metade das possibilidades que o gênero criou no universo literário e deixa, inclusive, de passear pelos frutos suculentos do <a href="https://exame.com/pop/genio-do-horror-por-que-raphael-montes-faz-tanto-sucesso-na-literatura-e-agora-no-streaming/">cenário nacional</a>. Por isso, a palavra fica agora com nossos redatores e suas indicações para lá de frescas, com veias fartas e cheias de sangue novinho… Quer dizer, criatividade, isso mesmo, criatividade e só! Agora, é sua vez de aproveitar e tirar um tempinho para adentrar esse imaginário, mas, por favor, deixe de fora o alho, as tochas e a caça aos monstros.</span></p>
<p><span id="more-34361"></span></p>
<hr />
<p><strong>Dicas do mês</strong></p>
<figure id="attachment_34365" aria-describedby="caption-attachment-34365" style="width: 534px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34365" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/a-cor-que-caiu-do-ceu-1-534x800.jpg" alt="Capa do livro A Cor Que Caiu do Céu de H.P. Lovecraft. A capa é azul escura, na parte superior dela está o nome do autor, H.P. Lovecraft, estilizado e decorado com três caveiras no canto esquerdo e um polvo sobre a letra “c”. No centro da capa há um pequeno círculo, representando a boca de um poço vista de seu fundo. Na parte inferior da capa está escrito “A Cor Que Caiu do Céu” " width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/a-cor-que-caiu-do-ceu-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/a-cor-que-caiu-do-ceu-1-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/a-cor-que-caiu-do-ceu-1-768x1150.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/a-cor-que-caiu-do-ceu-1-1026x1536.jpg 1026w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/a-cor-que-caiu-do-ceu-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-34365" class="wp-caption-text">Um livro sobre o indescritível, A Cor Que Caiu Do Céu perturba a imaginação de qualquer um (Foto: Editora Pandorga)</figcaption></figure>
<p><b>Howard Phillips Lovecraft &#8211; A Cor Que Caiu do Céu (135 páginas, Editora Pandorga)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Das suas adoradas paisagens bucólicas da Nova Inglaterra, H.P. Lovecraft garimpa loucuras que não vem de assombrações e espíritos existentes nas obras de seus contemporâneos, mas de lugares mais antigos que o tempo e mais distantes que as estrelas. Em </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.amazon.com.br/cor-que-caiu-c%C3%A9u/dp/8584422854"><i>A Cor Que Caiu do Céu</i></a></span><span style="font-weight: 400;">, o autor acaba por definir um dos conceitos mais fundamentais de suas obras: seres e objetos cuja mera existência traria loucura imediata a qualquer um que a presenciasse. Ao estudar a construção de um reservatório de água no nordeste dos Estados Unidos, o protagonista do livro se aprofunda em uma série de lendas macabras e relatos grotescos sobre um meteorito que transformou animais e homens em deformidades profanas e indescritíveis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O escritor polêmico pelos próprios preconceitos, os quais não se envergonhava ao transcrever pelas páginas, traz neste conto uma perturbação às mentes mais sadias. A forma a qual ele descreve os cheiros nauseantes, aparências dos animais mutantes, os sons que se podia ouvir do fundo do poço e do sótão, a própria paisagem que desrespeitava as leis naturais e até o sabor “</span><span style="font-weight: 400;"><i>entre o fétido e o salgado</i></span><span style="font-weight: 400;">” da água contaminada, faz com que o leitor busque, nas experiências mais desagradáveis da vida, algum parâmetro para imaginar tal terror, o resultado é de dar calafrios. </span><b>&#8211; Guilherme Dias Siqueira</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_34363" aria-describedby="caption-attachment-34363" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34363" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/frankestein-1-800x617.jpg" alt=" Fotografia da capa e quarta capa do livro Frankenstein de Mary Shelley. A capa está do lado direito, ela é verde neon e preto com o monstro Frankenstein como arte, o personagem escolhido é sua versão do filme de 1931. A fotografia é de seu rosto em perfil e o pescoço. Ele possui pontos e cicatrizes na testa e um prego enfiado abaixo da orelha. Entre capa e quarta capa está a lombada, no meio em letras estilizadas e grandes está o título “Frankenstein”. Na parte inferior o nome da autora em tamanho menor “Mary Shelley” e o desenho de uma peça chamada porca. Na parte de cima está a data de publicação 1818 e o símbolo da editora Aleph que é uma barra branca. Na quarta capa, à esquerda, a cor é roxa e há bastante texto, sinopse do livro, código de barras e citações de outros atores sobre a obra" width="800" height="617" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/frankestein-1-800x617.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/frankestein-1-768x592.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/frankestein-1.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34363" class="wp-caption-text">A adaptação mais famosa de Frankenstein para o Cinema é de 1931 (Foto: Editora Aleph)</figcaption></figure>
<p><b>Mary Shelley &#8211; Frankenstein (</b><b>336 páginas</b><b>, Editora Aleph)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;"><i>Ele está vivo! Com certeza</i></span><span style="font-weight: 400;">”, você já ouviu essa frase e sabe que se trata de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://editoraaleph.com.br/products/frankenstein?variant=49223521009947"><i>Frankenstein</i></a></span><span style="font-weight: 400;">, a ficção científica gótica de Mary Shelley. Victor Frankenstein é obcecado por filosofia natural desde a infância e tem uma vida pacata, até que decide brincar de Deus e cria uma criatura que profana a existência; essa história você já conhece. Mas o assunto sobre o que Shelley estava falando no século XIX ressoa ainda em 2024. Com uma escrita maravilhosa, poética e fluída, o enredo não perde fôlego e até o começo da história, com o monstro de fora, é estimulante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A recente edição de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Frankenstein </i></span><span style="font-weight: 400;">no Brasil é da editora Aleph, a publicação é a história original de 1818 – Mary Shelley fez algumas alterações na linguagem para a terceira edição de 1831 e, desde então, grande parte dos </span><span style="font-weight: 400;"><i>Frankenstein </i></span><span style="font-weight: 400;">no país são traduções desta. Além disso, o livro possui cartas da autora, uma introdução escrita por ela e ilustrações. Alegoria para pessoas </span><span style="font-weight: 400;"><i>queer</i></span><span style="font-weight: 400;">, uma atualização do mito de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11877/prometeu/">Prometeu</a></span><span style="font-weight: 400;">, uma história de libertação de corpos ou um monstro terrível que aterroriza as ruas, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Frankenstein </i></span><span style="font-weight: 400;">pode ser o que você quiser e muito mais. </span><b>&#8211; Davi Marcelgo </b></p>
<hr />
<figure id="attachment_34364" aria-describedby="caption-attachment-34364" style="width: 527px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34364" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/OQUEESTALAFORA-1.webp" alt="A imagem mostra o livro O Que Está Lá Fora, de Kate Alice Marshall, publicado pela DarkSide. A capa é predominantemente escura, com tons de preto e cinza, retratando folhas e galhos em meio a uma teia de aranha, criando uma atmosfera sombria e misteriosa. O título está em letras grandes e vermelhas, destacando-se contra o fundo escuro. No canto superior da capa, há uma citação da autora Alice Feeney, elogiando o livro." width="527" height="800" /><figcaption id="caption-attachment-34364" class="wp-caption-text">Naomi retorna à cidade natal para desvendar segredos sombrios (Foto: Editora Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Kate Alice Marshall &#8211; O que está lá fora (352 páginas, Darkside)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><span style="font-weight: 400;"><i>O Que Está Lá Fora</i></span><span style="font-weight: 400;">, Naomi Shaw retorna à cidade natal onde, anos antes, quase perdeu a vida em um ataque brutal numa floresta misteriosa. Na adolescência, ela e suas amigas, Cassidy e Olivia, criaram o enigmático Jogo da Deusa, embaladas pela atmosfera sombria e mágica da floresta. O incidente transformou as três em heroínas locais, mas segredos sombrios e uma verdade enterrada acompanham Naomi desde aquele verão fatídico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agora, uma nova morte próxima ao local do antigo ataque desperta questões sobre o que realmente aconteceu. Naomi precisa enfrentar as sombras do passado e desvendar mentiras cuidadosamente guardadas, mesmo que isso signifique arriscar tudo. Escrito por Kate Alice Marshall, o </span><span style="font-weight: 400;"><i>thriller</i></span><span style="font-weight: 400;"> explora amizade, traição e o poder de enfrentar os próprios demônios, em uma narrativa repleta de tensão e reviravoltas</span><b>. &#8211; Eloah Kaway</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_34362" aria-describedby="caption-attachment-34362" style="width: 260px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34362" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/9786555982237-px8otjkwuq.png" alt="" width="260" height="369" /><figcaption id="caption-attachment-34362" class="wp-caption-text">Contos de Horror da Mimi é rotineiro e absurdo (Foto: Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Junji Ito &#8211; Contos de Horror da Mimi (248 páginas, Darkside)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se nos Estados Unidos os fãs do gênero se dividem entre eleger Stephen King e Edgar Allan Poe como o ‘rei do terror’, no Japão não há dúvidas do nome que leva esse título: </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ws6v-SoUwDI">Junji Ito</a></span><span style="font-weight: 400;">. Com seus mangás perturbadores, o autor coleciona coletâneas de pequenas crônicas com absurdos aterrorizantes, de espíritos à robôs com braços mecânicos macabros, o que não falta é possibilidade. Uma de suas antologias ilustradas, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Contos de Horror da Mimi</i></span><span style="font-weight: 400;">, não decepciona nesse sentido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Passeando pelas historietas da jovem Mimi, o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://br.ign.com/manga/105701/feature/nao-acho-possivel-desenhar-horror-sem-negatividade-diz-junji-ito-em-entrevista-ao-ign-brasil-leia">livro</a></span><span style="font-weight: 400;"> mostra suas experiências com o absurdo em narrativas com corte brusco que abrem espaço para a inquietude da mente – o texto surpreende ainda mais quando descobre-se que é inspirado nos contos reais de Hirokatsu Kihara e Ichiro Nakayama. Sob a tradução de Jéssica Ilha da Silva, a obra é agoniante, instigante e absolutamente fácil de devorar, mas necessita de atenção: o abocanhado pode ser você. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
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		<title>Os sonhos arruinados dos Garotos do Ninho são o norte de Longe do Ninho</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Sep 2024 14:37:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[2024]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica Cultural]]></category>
		<category><![CDATA[Daniela Arbex]]></category>
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		<category><![CDATA[Marcela Lavorato]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Lavorato Lançado cinco anos depois do incêndio no CT do Flamengo, que matou dez jogadores da base em Fevereiro de 2019, Longe do ninho: Uma investigação do incêndio que deu fim ao sonho de dez jovens promessas do Flamengo de se tornarem ídolos no país do futebol é um livro que honra as memórias &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/longe-do-ninho-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os sonhos arruinados dos Garotos do Ninho são o norte de Longe do Ninho"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33933" aria-describedby="caption-attachment-33933" style="width: 249px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33933" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Capa-Longe-do-Ninho.jpg" alt=" Capa do livro Longe do Ninho, de Daniela Arbex. O fundo da capa é preto. Nesse fundo, há brilhos vermelhos representando estrelas. No centro da capa, em vermelho, há o nome da escritora Daniela Arbex. Logo abaixo, no centro, vem o título: Longe do Ninho. Por fim, ainda no centro: há a continuação do título: Uma investigação do incêndio que deu fim ao sonho de dez jovens promessas do Flamengo de se tornarem ídolos no país do futebol. Em torno desses dizeres há os bustos das dez vítimas: acima, da esquerda para direita, aparece Pablo Henrique (menino negro de , Vitor Isaías e Jorge Eduardo. Do lado direito, de cima para baixo, há Samuel Rosa e Rykelmo. No lado inferior, da esquerda para a direita, encontram-se Athila, Bernardo e Christian. Do lado esquerdo, de cima para baixo, há Gedson e Arthur. No centro superior direito aparece a logo da Intrínseca em vermelho." width="249" height="365" /><figcaption id="caption-attachment-33933" class="wp-caption-text">Longe do ninho é um livro triste, mas necessário (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Lavorato</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado cinco anos depois do incêndio no CT do Flamengo, que matou dez jogadores da base em Fevereiro de 2019, </span><i><span style="font-weight: 400;">Longe do ninho: Uma investigação do incêndio que deu fim ao sonho de dez jovens promessas do Flamengo de se tornarem ídolos no país do futebol </span></i><span style="font-weight: 400;">é um livro que honra as memórias daqueles se foram e dos dezesseis jovens que sobreviveram. </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=daniela+arbex"><span style="font-weight: 400;">Daniela Arbex</span></a><span style="font-weight: 400;">, jornalista investigativa, não falha em trazer – assim como em  </span><a href="http://personaunesp.com.br/colonia-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Holocausto Brasileiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2013), </span><i><span style="font-weight: 400;">Cova 312</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2015) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Todo dia a mesma noite</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2018) – o desrespeito dos responsáveis pelo </span><span style="font-weight: 400;">incêndio</span><span style="font-weight: 400;"> que vitimou Arthur Vinícius, Athila Paixão, Gedson Santos, Pablo Henrique de Souza, Vitor Isaías, Bernardo Pisetta, Christian Esmério, Jorge Eduardo dos Santos, Samuel Rosa, Rykelmo de Souza e seus sonhos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma escrita impactante, a autora se debruça em dez mil folhas de arquivos sobre o caso para trazer à tona a imprudência da instituição do Flamengo e seus dirigentes. Durante as 266 paginas, acompanhamos a reconstituição do caso e nos é revelado que o local de ‘moradia’ – contêineres totalmente inadequados nunca deveriam ser chamados pelo termo –, localizado no centro de treinamento do Flamengo, Ninho do Urubu, não tinha </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/esportes/audio/2024-02/historia-hoje-cinco-anos-da-tragedia-do-ninho-do-urubu#:~:text=Uma%20trag%C3%A9dia%20acabou%20com%20o,8%20de%20fevereiro%20de%202019"><span style="font-weight: 400;">alvará</span></a><span style="font-weight: 400;"> como alojamento. Determinado como estacionamento em um dos documentos, as famílias confiaram seus filhos à instituição, pensando que a mesma iria tratá-los com respeito e decência, mas o que é mostrado indica o contrário. </span></p>
<p><span id="more-33932"></span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span>Na prática, em apenas um minuto e 28 segundos, o fogo se alastrou. Além das chamas, a fumaça preta tomou conta do alojamento. Em seguida, ocorreram explosões. Dez dos catorze sobreviventes tiveram apenas 45 segundos para fugir do local pela única porta de acesso da estrutura. Depois disso, nenhum garoto conseguiu chegar até a entrada, embora a maioria tenha tentado encontrar a saída.<span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para trazer seus fundamentos e veracidade, a jornalista redobra a atenção ao colocar os diversos registros (institucionais, públicos, jornalísticos, e-mails, entre outros…) acessíveis para o leitor. A apresentação de dados concretos dão substância o suficiente para mostrar que a narrativa quer ser a mais transparente e responsável diante dos fatos. Dividida em 12 partes, a escrita de Daniela Arbex nos monta e desmonta de tristeza ao longo dos capítulos, já que o livro foi constituído com passagens de tempos anteriores, durante e posteriores ao </span><a href="https://memoriaglobo.globo.com/jornalismo/coberturas/incendio-no-ninho-do-urubu/noticia/incendio-no-ninho-do-urubu.ghtml"><span style="font-weight: 400;">incêndio</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de inúmeros desdobramentos para não adequar a situação do alojamento da categoria de base – pagamentos de multa ao invés da regularização, burlamento de requerimentos do Ministério Público e outras irregularidades –, a terrível consequência desses atos veio na madrugada do fatídico dia de 2019. O livro expõe a irresponsabilidade dos diversos envolvidos, até depois da tragédia, e coloca nos holofotes a necessidade de </span><a href="https://www.lance.com.br/flamengo/quem-foi-punido-pela-tragedia-do-ninho-do-urubu.html"><span style="font-weight: 400;">justiça</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, até agora, em 2024, não aconteceu e, que de certa forma, tem que ocorrer pela dignidade das vítimas, sobreviventes e todos os atingidos.  </span></p>
<figure id="attachment_33935" aria-describedby="caption-attachment-33935" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33935 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/unnamed-800x552.jpg" alt="Jogo Flamengo contra Madureira no Maracanã em 2020, um ano após a tragédia. Em primeiro plano, vemos os jogadores abraçados e organizados em duas fileiras, uma de cada time. Ao fundo, a arquibancada está lotada de torcedores fazendo homenagem com cartazes para os meninos." width="800" height="552" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/unnamed-800x552.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/unnamed-768x530.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/unnamed.jpg 984w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33935" class="wp-caption-text">No livro, vemos a injustiça, que vitimou dez atletas, sendo praticada às escondidas (Foto: André Durão)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=whNocVpKz28"><i><span style="font-weight: 400;">Longe do Ninho</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é uma obra difícil de superar – e que nem devemos –, pois estamos lidando com as mortes de meninos que eram filhos, irmãos, sobrinhos, netos, amigos e namorados; garotos com sonhos. Além de perderem suas vidas, outros padecem por essa tragédia dia após dia. Durante a narrativa, os sentimentos aflorados se misturam de uma maneira muito sincera: angústia, tristeza e dor que antecedem o trágico momento; raiva e ódio nos trechos que tratam sobre os irresponsáveis; e compaixão e luto quando nos é mostrada a relação dos adolescentes sobreviventes, como </span><span style="font-weight: 400;">Cauan, Francisco e Jhonatan,</span><span style="font-weight: 400;"> seus familiares e todo o acontecimento pós-tragédia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O capítulo mais difícil de ler é o da descrição de como foi a madrugada do incêndio. </span><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2024/03/05/tres-perguntas-do-pn-para-daniela-arbex-autora-de-longe-do-ninho"><span style="font-weight: 400;">Daniela</span></a><span style="font-weight: 400;"> Arbex, de modo sensível, revelou que a maioria dos meninos tentou fugir do desastre, porém, por inúmeras irregularidades do alojamento – à exemplo das grades nas janelas e portas que não abriam para fora –, a fuga foi dificultada ao máximo. O </span><a href="https://intrinseca.com.br/blog/2023/12/novo-livro-da-premiada-jornalista-daniela-arbex-retrata-o-incendio-do-ninho-do-urubu-que-vitimou-dez-jogadores-da-base-do-flamengo-e-permanece-sem-responsabilizacao/"><span style="font-weight: 400;">relato</span></a><span style="font-weight: 400;"> acaba se tornando muito íntimo e necessário, mostrando o que não se pode esquecer para que a história não se repita. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O amor pelo futebol – que vinha muitas vezes da própria família, como a Dona Jô, avó de Vitor Isaías – e a possibilidade de mudar a realidade de suas famílias eram os motivadores para os meninos, com tão pouca idade, saíssem de seus ninhos familiares para um em que almejavam o sucesso: o Ninho do Urubu. Partindo de Minas Gerais, Paraná, Tocantins e do Brasil inteiro, os atletas enfrentavam seus e incertezas para conseguirem viver do esporte. Longe de </span><a href="https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/brasil/familias-de-vitimas-do-incendio-no-ninho-do-urubu-reclamam-de-falta-de-sensibilidade-do-flamengo/"><span style="font-weight: 400;">suas famílias</span></a><span style="font-weight: 400;">, a única troca que aliviava a distância eram as ligações e os aplicativos de mensagens. Nesse trecho, é muito arrebatador quando a autora nos apresenta algumas das </span><a href="https://ge.globo.com/google/amp/sp/tem-esporte/futebol/noticia/2023/02/08/pai-de-vitima-do-incendio-no-ninho-convive-com-saudade-diaria-quatro-anos-depois-quase-todo-dia-8-e-ruim-para-nos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">últimas mensagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> trocadas entre os meninos e seus familiares, além também dos contatos dos sobreviventes com os pais após o incêndio. </span></p>
<figure id="attachment_33936" aria-describedby="caption-attachment-33936" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33936 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Mural-Longe-do-Ninho-800x592.jpg" alt=" Foto do Mural do Garotos do Ninho. Tirada em um dia ensolarado, a foto retrata uma parte da homenagem, onde aparece alguns rostos e seus respectivos nomes do lado: Rykelmo, Jorge Eduardo, Bernardo, Athila e Christian. No fundo preto, ao lado da pintura de Christian, há os escritos: logo acima, em vermelho, “Garotos do Ninho”. Abaixo, em branco, a frase “A grandeza do Flamengo está na humanidade da sua torcida.”. Em baixo da frase, há um coração com os nomes, em branco, dos feridos sobreviventes da tragédia: Cauan, Francisco e Jhonatan. Do lado do coração vermelho, encontra-se a identificação, em branco, da rede social do artista Airá OCrespo (@airaocrespo). Abaixo do coração, há a hashtag em vermelho #NaoEsquecemos" width="800" height="592" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Mural-Longe-do-Ninho-800x592.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Mural-Longe-do-Ninho-768x568.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Mural-Longe-do-Ninho.jpg 960w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33936" class="wp-caption-text">“A grandeza do Flamengo está na humanidade da sua torcida” (Foto: Arte Fora do Museu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A concepção do </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/ninho-do-urubu-autora-questiona-silencio-do-flamengo-sobre-tragedia"><span style="font-weight: 400;">livro-reportagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> veio após uma mensagem de Leda, mãe de Bernardo Pisetta, que se apresentou como </span><b>“</b><i><span style="font-weight: 400;">mãe de uma das vítimas da tragédia do dia oito</span></i><b><i>”. </i></b><span style="font-weight: 400;">Depois desse contato delicado, Arbex mostra-se, mais uma vez, como uma escritora que resgata a memória daqueles que nunca devem ser esquecidos. Com isso, as histórias dos meninos são contadas não somente pela perspectiva da calamidade, mas também pelas memórias de vida que foram constituídas nestes curtos anos de vida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por estarem longe do núcleo familiar, os garotos do Ninho constituíram entre si uma outra família. Vivendo o mesmo sonho de serem jogadores de futebol profissional, amizades e trocas sinceras foram cultivadas, o que aliviava, de certa forma, todo o processo desse desejo incerto. Entre eles, eram criados inúmeros momentos divertidos, como uma saída para ir comer em uma lanchonete ou tomar um </span><span style="font-weight: 400;">açaí</span><span style="font-weight: 400;">, jogar uma partida de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Free Fire</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, claro, jogar uma bola. Essa reciprocidade  relatada durante todo o livro traz melancolia, porque entendemos de uma maneira avassaladora que foi tirado deles o </span><a href="https://www.jusbrasil.com.br/noticias/o-direito-a-vida-e-a-saude-no-eca/592506"><span style="font-weight: 400;">direito </span><span style="font-weight: 400;">à vida</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim da narrativa, a autora retrata a vida das famílias dentro desses cinco anos e também a trajetória de alguns dos atletas sobreviventes. Além disso, a obra traz também alguns manifestos feitos em homenagem: o </span><a href="https://arteforadomuseu.com.br/memorial-ao-garotos-do-ninho-do-urubu/"><span style="font-weight: 400;">mural</span></a><span style="font-weight: 400;"> com as imagens dos dez garotos produzido pelo artista Airá OCrespo e o movimento </span><a href="https://naoesquecemos.com.br/"><i><span style="font-weight: 400;">Não Esquecemos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, feito pelo Flamengo da Gente, que tem como objetivo enaltecer a memória das dez vítimas e nunca deixar o compromisso de jamais esquecer. Por isso, o livro é pelos que se foram, pelos que ficaram e por aqueles que jamais irão abraçar seus entes queridos novamente: </span><a href="https://twitter.com/hashtag/naoesquecemos?src=hashtag_click"><i><span style="font-weight: 400;">#NãoEsquecemos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<blockquote>
<h3><span style="font-weight: 400;">“Respondi que na verdade não escolho escrever sobre tragédias, mas sobre as omissões que causam tragédias, para que elas não se repitam. Afinal, se uma história não é contada, é como se ela não estivesse existido.”</span></h3>
<h5><span style="font-weight: 400;">&#8211; Longe do Ninho (2024)</span></h5>
</blockquote>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/longe-do-ninho-critica/">Os sonhos arruinados dos Garotos do Ninho são o norte de Longe do Ninho</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Agosto de 2024</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Sep 2024 16:34:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[A casa dos Budas Ditosos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conhecido como o mês infinito, Agosto não está entre os favoritos da população geral. Entretanto, quando se trata do meio literário, o período entrega boas pérolas brilhantes que se escondem nas conchas da confusa maré que domina os extremos da estação. No meio dessas, o Estante do Persona de Agosto de 2024 vai atrás do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-agosto-de-2024/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Agosto de 2024"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33920" aria-describedby="caption-attachment-33920" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33920" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Estante_CAPA_WORDPRESS-800x420.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Estante_CAPA_WORDPRESS-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Estante_CAPA_WORDPRESS-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Estante_CAPA_WORDPRESS.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33920" class="wp-caption-text">Seja entre Mel e Girassóis ou espécies de Jabuti, o Estante do Persona de Agosto brada a natureza encantadora da Literatura (Arte: Aryadne Xavier/ Texto de Abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Conhecido como o mês infinito, Agosto não está entre os favoritos da população geral. Entretanto, quando se trata do meio literário, o período entrega boas pérolas brilhantes que se escondem nas conchas da confusa maré que domina os extremos da estação. No meio dessas, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"><b>Estante</b> <b>do Persona </b></a><span style="font-weight: 400;">de Agosto de 2024 vai atrás do tesouro e o traz aos holofotes na edição de hoje. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">No dia 06, uma novidade chegou ao universo de uma das premiações literárias mais famosas e respeitadas do Brasil: <a href="https://www.premiojabuti.com.br/academico/">o Prêmio Jabuti</a>. De forma inédita, aconteceu a primeira edição Prêmio Jabuti Acadêmico, voltada a contemplar obras científicas, técnicas e profissionais. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A noite do evento foi sediada no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, e trouxe diversos pesquisadores de múltiplas áreas do conhecimento para fazer parte. Como destaque, foi escolhido pela CBL (Câmara Brasileira do Livro) o nome de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ccSjcgGhEOk">Silvia Pimentel</a>, professora e especialista em direito das mulheres, como Personalidade Acadêmica. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">No total, foram contemplados vencedores em 29 categorias, incluindo o eixo Ciência e Cultura e os Prêmios Especiais. Além disso, 24 editoras tiveram seus títulos reconhecidos – com a <a href="https://personaunesp.com.br/tag/companhia-das-letras/">Cia das Letras</a> recebendo quatro estatuetas. Entre a lista de vencedores nomes conhecidos como o de Marilena Chauí marcaram presença.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Foi uma estreia para lá de especial e o futuro do Jabuti Acadêmico parece tão promissor quanto à caminhada que o prêmio tradicional percorre ao longo dos últimos <a href="https://www.premiojabuti.com.br/jabuti/historia/">66 anos</a>. Para embalar essa novidade ao bom e velho hábito da leitura, fique agora com a tradicional lista de indicações da editoria.<br />
</span><span id="more-33911"></span></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_33912" aria-describedby="caption-attachment-33912" style="width: 513px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33912" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/A-Casa-dos-Budas-513x800.jpg" alt=" Capa do livro A Casa dos Budas Ditosos. A imagem da capa é uma ilustração de várias bocas, abertas e semiabertas, desenhadas encostadas uma na outra, em diversos ângulos. Os lábios e dentes são azul bem claro e a parte interna das bocas vermelha. Sobre a ilustração, um retângulo com o mesmo tom de vermelho serve de fundo para o título, o nome do autor e da editora, escritos com o mesmo azul do desenho." width="513" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/A-Casa-dos-Budas-513x800.jpg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/A-Casa-dos-Budas-656x1024.jpg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/A-Casa-dos-Budas-768x1199.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/A-Casa-dos-Budas-984x1536.jpg 984w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/A-Casa-dos-Budas.jpg 1004w" sizes="auto, (max-width: 513px) 85vw, 513px" /><figcaption id="caption-attachment-33912" class="wp-caption-text">Em tempos de conservadorismo, uma obra como A Casa dos Budas Ditosos não se esconde do que há de mais humano em nós (Foto: Editora Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>João Ubaldo Ribeiro &#8211; A Casa dos Budas Ditosos (128 páginas, Editora Alfaguara)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Casa dos Budas Ditosos</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi publicado inicialmente em 1999, como parte da coleção </span><i><span style="font-weight: 400;">Plenos Pecados</span></i><span style="font-weight: 400;">. É o quarto volume de sete livros, por sete autores, que retratam cada um dos pecados capitais. João Ubaldo Ribeiro escreve sobre a luxúria através dos relatos de uma narradora de 68 anos, que reconta em detalhes as experiências sexuais de sua juventude e vida adulta &#8211; da Bahia, onde nasceu, ao Rio de Janeiro, onde reside. A personagem é descarada e desbocada, descreve como sempre viveu a favor de suas vontades e desejos sem nenhum traço de culpa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro foi adaptado para o teatro por Domingos de Oliveira em 2004, em um monólogo encenado por Fernanda Torres. Vinte anos depois, a atriz rodou o país novamente com apresentações da peça no primeiro semestre deste ano e também levou a montagem à Portugal. A recepção das audiências provou que a história é atemporal e, por isso, merece o status que recebe: clássico. O texto pode ser reimaginado e redistribuído por anos e gerações futuras e continuar fresco, provocante e hilário. </span><b>&#8211; </b><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_33913" aria-describedby="caption-attachment-33913" style="width: 517px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33913" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/OEstrangeiro.JPG-517x800.jpg" alt="Capa do Livro O Estrangeiro de Albert Camus. A capa é verde água, como três linhas pretas verticais compostas por pequenos círculos pretos. O nome do autor aparece centralizado na vertical, enquanto o nome do livro aparece em um retângulo negro na margem direita da capa." width="517" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/OEstrangeiro.JPG-517x800.jpg 517w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/OEstrangeiro.JPG.jpg 646w" sizes="auto, (max-width: 517px) 85vw, 517px" /><figcaption id="caption-attachment-33913" class="wp-caption-text">Publicado há 82 anos, O Estrangeiro é um marco importante na história dos romances do século XX (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Albert Camus &#8211; O Estrangeiro (126 páginas, Editora Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um clássico da L</span><span style="font-weight: 400;">iteratura,</span> <a href="https://www.record.com.br/produto/o-estrangeiro/"><i><span style="font-weight: 400;">O Estrangeiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Albert Camus, marcou o debate filosófico de uma geração, ao questionar a vida cotidiana e a liberdade como conceitos que flertam e se intercalam com o absurdo. A genialidade do autor proporciona ao mesmo tempo uma trama envolvente que seduz o leitor ao observar banalidades da rotina que são atemporais e independentes de qualquer contexto geográfico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Obra acompanha os dias estranhamente comuns de Mersault, um europeu radicado na Argélia, então </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ak9aBZue9pw"><span style="font-weight: 400;">colônia francesa</span></a><span style="font-weight: 400;"> no norte da África. O advérbio &#8216;estranhamente&#8217; se encaixa neste contexto porque logo na primeira página o protagonista recebe a notícia da morte de sua mãe com uma enorme indiferença. O personagem não se prende ao luto, ao amor, religião ou qualquer elemento abstrato que sirva de guia ou razão para a vida. Mersault é livre e se asfixia na própria liberdade.  </span><b>&#8211; Guilherme Dias Siqueira</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_33914" aria-describedby="caption-attachment-33914" style="width: 536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33914" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/mulherzinhas-536x800.jpg" alt="Capa do livro “Mulherzinhas”. O design apresenta uma ilustração com quatro mulheres brancas onde o fundo é rosa. As personagens, da esquerda para a direita, utilizam os vestidos da cor roxo, azul, verde e amarelo. O tom de cabelo das protagonistas, da esquerda para a direita, é preto, castanho claro, ruivo e castanho escuro. No centro da capa, há o título “Mulherzinhas” no tom preto. Na parte superior central, há a frase “Posfácio de María Dueñas” e logo abaixo o nome da autora Louisa May Alcott. No centro inferior da página, há uma frase “Edição completa do livro que inspirou o filme Adoráveis Mulheres”. Logo abaixo, há o logo da Editora Planeta." width="536" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/mulherzinhas-536x800.jpg 536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/mulherzinhas-686x1024.jpg 686w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/mulherzinhas-768x1147.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/mulherzinhas.jpg 911w" sizes="auto, (max-width: 536px) 85vw, 536px" /><figcaption id="caption-attachment-33914" class="wp-caption-text">Em Mulherzinhas, a autora disseca todos os medos que surgem com a chegada da vida adulta (Foto: Editora Planeta)</figcaption></figure>
<p><b>Louisa May Alcott &#8211; Mulherzinhas (480 página, Editora Planeta)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito por Louisa May Alcott, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulherzinhas</span></i><span style="font-weight: 400;"> conta a história de quatro irmãs que lidam com a juventude e a ausência do pai por conta da Guerra Civil Americana. Jo, Meg, Amy e Beth precisam, juntas, lidar com a maturidade que a vida carrega. </span><a href="https://personaunesp.com.br/adoraveis-mulheres-critica/"><span style="font-weight: 400;">Adaptado inúmeras vezes no cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> e também em séries de televisão, a narrativa de Little Women (título original) é atemporal e dialoga com qualquer um que está deixando de ser criança e tem de se tornar maduro. Aqui, o início dos 20 anos é o pontapé para uma discussão acerca da vida adulta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama se concentra entre passado e presente e, ao longo das mais de 400 páginas, vemos quatro mulheres que possuem, individualmente, narrativas de superação de seus próprios demônios. Embora seja centrada em personagens femininas, </span><a href="https://amenteemaravilhosa.com.br/biografia-de-louisa-may-alcott/"><span style="font-weight: 400;">os escritos de May Alcott</span></a><span style="font-weight: 400;"> se tornam universais ao discutirem sobre questões de gênero, trabalho e o principal: o contraponto entre os sonhos idealizados e a realidade. </span><b>&#8211; Guilherme Leal</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_33915" aria-describedby="caption-attachment-33915" style="width: 449px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33915" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/ChamadeFerro.jpg" alt="Capa do livro “Chama de Ferro”. O design apresenta uma ilustração onde o fundo é predominantemente amarelo, com tons de vermelho e preto, criando uma atmosfera misteriosa e intensa. O fogo parece se misturar com o ambiente ao redor, dando um efeito dramático e dinâmico. O título &quot;Chama de Ferro&quot; está destacado em letras grandes e estilizadas, em uma cor que contrasta com o fundo, em volta existem nuvens e dragões voando. " width="449" height="683" /><figcaption id="caption-attachment-33915" class="wp-caption-text">Sequência mais que esperada, Chama de Ferro foi lançado em agosto de 2024 (Foto: Editora Planeta)</figcaption></figure>
<p><b>Rebecca Yarros &#8211; Chama de Ferro (720 páginas, Editora Planeta)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo livro da saga mais famosa de </span><a href="https://www.rebeccayarros.com"><span style="font-weight: 400;">Rebecca Yarros</span></a><span style="font-weight: 400;"> instiga os fãs de fantasia literária a adentrarem um mundo já conhecido nas telinhas com </span><a href="https://m.imdb.com/title/tt0944947/"><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones</span></a><span style="font-weight: 400;">: os dos dragões. Ele acompanha Violet Sorrengayl no seu segundo ano no Colégio Basgiath, e apesar de ser extenso tem uma linguagem fácil e jovial. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.planetadelivros.com.br/livro-chama-de-ferro/405912"><span style="font-weight: 400;">Chama de Ferro</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos aventuramos por novos lugares, conhecemos novos personagens, e também choramos com o fim de batalhas épicas. Os <em>plots twists</em>, romance e mistérios deixam tudo mais interessante, mas os dragões continuam sendo a melhor parte! </span><b>-Léa Secchi</b></p>
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<figure id="attachment_33916" aria-describedby="caption-attachment-33916" style="width: 539px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33916" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/tudo-e-rio-539x800.jpg" alt=" capa do livro “Tudo é Rio”. O design imita as águas de um rio, mesclando tons de azul, vermelho e laranja. No canto direito, na parte superior, há o logo da Editora Record. Já na parte inferior, há o título da obra em letras vermelhas, prosseguido pelo nome da autora, Carla Madeira, em letras brancas." width="539" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/tudo-e-rio-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/tudo-e-rio.jpg 674w" sizes="auto, (max-width: 539px) 85vw, 539px" /><figcaption id="caption-attachment-33916" class="wp-caption-text">Complexo com as águas, Tudo É Rio é turbulento (Foto: Editora Record)</figcaption></figure>
<p><b>Carla Madeira &#8211; Tudo É Rio (210 páginas, Editora Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se banhar nas águas dos rios de sentimentos que inundam nosso coração enquanto mergulhamos em uma história visceral e crua. É este o convite que Carla Madeira nos faz em </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo é Rio</span></i><span style="font-weight: 400;">, best-seller </span><a href="https://personaunesp.com.br/trinta-segundos-sem-pensar-no-medo-critica/"><span style="font-weight: 400;">nacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> que marca a estreia da autora na literatura ficcional. A trama aposta em laços familiares e mostra até onde o perdão consegue chegar em nome do amor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de 210 páginas, acompanhamos o casal apaixonado Dalva e Venâncio se destruir e reconstruir após uma perda trágica, brutal e inimaginável. Além da dupla, a </span><a href="http://personaunesp.com.br/como-se-estivessemos-em-palimpsesto-de-putas-critica/"><span style="font-weight: 400;">prostituta</span></a><span style="font-weight: 400;"> Lucy rouba a cena quando se divide entre personagem e leitora. Assim como nós, ela quer entender o que aconteceu para que as então alma gêmeas se tornassem desafetos declarados um do outro</span><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Felipe Nunes</b></p>
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<figure id="attachment_33917" aria-describedby="caption-attachment-33917" style="width: 296px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33917" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/51jPie-5KaL._SY445_SX342_.jpg" alt="" width="296" height="445" /><figcaption id="caption-attachment-33917" class="wp-caption-text">Romance sáfico, Em Todas as Gotas de Chuva é clichê e apaixonante (Foto: Qualis)</figcaption></figure>
<p><b>L.S Englantine &#8211; Em Todas as Gotas de Chuva (246 páginas, Editora Qualis)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em<em> Em Todas as Gotas de Chuva</em>, você é transportado para a Vila das Íris, uma cidadezinha do interior marcada por uma rivalidade antiga entre duas famílias. Embora os conflitos passados entre os Lisboa e os Salgueiros tenham criado uma barreira entre os moradores, Atena Lisboa e Cordélia Salgueiro sempre acharam essa animosidade uma invenção para dar emoção à vida de seus parentes. Elas consideravam a rivalidade uma bobagem, mas ainda assim mantinham uma distância respeitosa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo muda quando um acaso do destino força Atena e Cordélia a compartilharem um assento em uma longa e cansativa viagem de trem. Esse trajeto, que remete à infância de ambas, promete uma viagem nostálgica e cheia de surpresas. Lado a lado, em um espaço tão pequeno, será que a rivalidade poderá persistir, ou o passado está destinado a se repetir? A leitura de &#8220;Em Todas as Gotas de Chuva&#8221; promete um mergulho envolvente nas complexidades das relações familiares e na mágica capacidade de transformar rivalidades em novas conexões.<strong> &#8211; Eloah Kawai</strong></span></p>
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<figure id="attachment_33919" aria-describedby="caption-attachment-33919" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33919" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/d3985b_f0a16300a1ba482ba40aaa516df94394_mv2-_1_.png" alt="" width="540" height="528" /><figcaption id="caption-attachment-33919" class="wp-caption-text">Coletânea literária, Palavras de Concreto Armado tem o maior peso já medido: o social (Foto: Editora Mireveja)</figcaption></figure>
<p><strong>Vários autores &#8211; Palavras de Concreto Armado (148 páginas, Editora Mireveja)</strong></p>
<p>Viabilizado por meio da PEC (Programa de Estímulo a Cultura) o livro <em>Palavras de Concreto Armado </em>foi lançado em 2023 pela <a href="https://www.editoramireveja.com/product-page/palavras">editora Mireveja.</a> Constituído por vozes diversas da cidade de Bauru, o som descrito em sua narrativa vem de um só espaço, mesmo que não alocado na mesma porção territorial: a periferia. Trazendo 26 autores e artistas para explorarem os encantos de sua subjetividade, a obra emociona e impacta.</p>
<p>Entre sonhos, vivências, desejos, traumas e saudades, os personagens passeiam pelos labirintos de existir e resistir nas comunidades à margem dos grandes centros urbanos. Com uma proposta de leitura rápida e fluída, o texto não deixa de causar baque em suas 148 páginas. Além disso, sua composição gráfica é extremamente bem construída e chegou a receber o terceiro lugar no 13º Prêmio Brasileiro de Design. Sem condições de abaixar a guarda, armado é adjetivo para a periferia. <strong>&#8211; Jamily Rigonatto </strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Trinta segundos sem pensar no medo: Memórias de um leitor é o ‘‘Silêncio, Bruno!” da Literatura</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Jun 2024 18:51:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[Editora Intrínseca]]></category>
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		<category><![CDATA[Mês do Orgulho LGBTQIA+]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Felipe Nunes Como expor um dos períodos mais difíceis e lindos de sua vida? Esta é a antítese maniqueísta de Pedro Pacífico, o bookster, pseudônimo pelo qual é conhecido nas redes sociais. Advogado e produtor de conteúdo literário nas horas vagas, como o próprio se define, o escritor de 30 anos se lançou na Literatura &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/trinta-segundos-sem-pensar-no-medo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Trinta segundos sem pensar no medo: Memórias de um leitor é o ‘‘Silêncio, Bruno!” da Literatura"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33562" aria-describedby="caption-attachment-33562" style="width: 361px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33562" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/30-segundos-sem-pensar-no-medo-1.jpg" alt="" width="361" height="553" /><figcaption id="caption-attachment-33562" class="wp-caption-text">Pedro Pacífico é influencer literário e soma mais de 500 mil seguidores somente no Instagram<br />(Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><strong>Felipe Nunes</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como expor um dos períodos mais difíceis e lindos de sua vida? Esta é a antítese maniqueísta de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/12/como-o-advogado-pedro-pacifico-mergulhou-nos-livros-para-virar-o-bookster.shtml"><span style="font-weight: 400;">Pedro Pacífico, o </span><i><span style="font-weight: 400;">bookster</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, pseudônimo pelo qual é conhecido nas redes sociais. Advogado e produtor de conteúdo literário nas horas vagas, como o próprio se define, o escritor de 30 anos se lançou na Literatura com um livro de não ficção. A história passeia pelo próprio processo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-filha-do-palhaco-critica/"><span style="font-weight: 400;">aceitação</span></a><span style="font-weight: 400;"> dele como um homem gay, que ocorreu em 2020, no auge do contexto pandêmico, quando ele tinha 27 anos. </span></p>
<p><span id="more-33561"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Leitor voraz de diversos gêneros, o autor narra sua infância, juventude e maturidade por meio dos </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-maio-de-2024/"><span style="font-weight: 400;">livros</span></a> <span style="font-weight: 400;">–</span><span style="font-weight: 400;"> artefatos que o acompanharam não apenas no lazer e no entretenimento, mas também nas incertezas de lidar com quem sempre foi enquanto tentava suprir as expectativas colocadas sobre ele pelos próprios familiares e amigos. Ao longo de 192 páginas, ele se vira do avesso. Quando faz isso, descobre um lado desconhecido que contém sua própria verdade. Para se encontrar consigo mesmo, bastou não pensar no medo que o aterrorizou durante quase três décadas de sua vida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É exatamente este o método de Pacífico: esquecer por 30 segundos tudo o que o amedrontava </span><span style="font-weight: 400;">– </span><span style="font-weight: 400;">seja</span><span style="font-weight: 400;"> a pressão, o julgamento ou a homofobia. Fingir que tudo não existia por esse período de tempo e, só depois de contar que era gay, se preocupar com todas as consequências que sua revelação poderia causar. É como o “</span><i><span style="font-weight: 400;">Silêncio, Bruno!</span></i><span style="font-weight: 400;">” da animação da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Y7UK_pHSzbc"><i><span style="font-weight: 400;">Luca</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, na qual os personagens usam o jargão para se esquecerem, temporariamente, dos medos que o acompanham. Não à toa, o longa-metragem foi ovacionado pelo público </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/luca-pixar-quase-incluiu-personagem-lgbtq-no-filme-entenda/"><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que se viu nos dilemas enfrentados pelo protagonista, reconhecido por tentar esconder a verdadeira identidade para se sentir aceito dentro do padrão estipulado como ‘certo’ pela sociedade.</span></p>
<figure id="attachment_33563" aria-describedby="caption-attachment-33563" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33563" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-1-800x533.png" alt="Foto de Pedro Pacífico, conhecido nas redes sociais como bookster. Homem de 30 anos, ele é branco, tem cabelos curtos pretos e barba preta.Pedro sorri e está centralizado na foto. Ele veste uma camisa social. O fundo da foto é uma estante com vários livros desfocados]" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-1-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-1-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-1-1536x1023.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-1-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-1.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33563" class="wp-caption-text">Trinta segundos sem pensar no medo é recomendado por Valter Hugo Mãe, Carla Madeira, Leandro Karnal e Gabriela Prioli (Foto: Renato Parada)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A escrita do livro é simples. Fluida, sem termos rebuscados e em um tom de conversa com o leitor, ela transmite a sensação de que o </span><a href="https://www.instagram.com/book.ster/?img_index=1"><i><span style="font-weight: 400;">bookster</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> está fazendo uma </span><i><span style="font-weight: 400;">live</span></i><span style="font-weight: 400;"> nas redes sociais para responder às perguntas dos seguidores. Mais que isso: é como se estivéssemos acolhendo aquele amigo que acabou de contar para os pais que ele </span><a href="https://personaunesp.com.br/companheiros-de-viagem-critica/"><span style="font-weight: 400;">gosta de rapazes</span></a><span style="font-weight: 400;">. A conectividade com o público se dá pela forma que narra a própria história, expondo os meandros que traçou para evitar ao máximo este processo incancelável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O relato do escritor é potencializado pelo papel que a Literatura pode exercer em nossas vidas. Emaranhado em um mundo de aparências que o sufocavam, Pedro Pacífico via nos livros a liberdade de ser quem era, essencialmente quando se  enxergava nas tramas que lia, nos personagens que conhecia e nos enredos que o permitiam ter um vislumbre do que poderia viver caso aceitasse ser quem realmente é. A lista dos escritores que fizeram companhia a ele nesse processo é extensa e contempla vários autores clássicos e contemporâneos, com destaque para Gabriel García Márquez, Valter Hugo Mãe, </span><span style="font-weight: 400;">José Saramago, George Orwell, Carla Madeira, Graciliano Ramos, </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-hora-da-estrela-critica/"><span style="font-weight: 400;">Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">, Isabel Allende, Itamar Vieira Junior, </span><a href="https://personaunesp.com.br/quarto-de-despejo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Carolina Maria de Jesus</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/capitu-e-o-capitulo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Machado de Assis</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_33564" aria-describedby="caption-attachment-33564" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33564" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/unnamed-2.png" alt="Foto de Pedro Pacífico, conhecido nas redes sociais como bookster, ao lado do padrinho. Pedro tem 30 anos, é branco e tem cabelos curtos pretos e barba preta.Pedro sorri e está ao lado do padrinho, que está no lado direito da foto. O idoso veste um casaco preto e uma blusa social azul. Ele também sorri para a foto." width="700" height="467" /><figcaption id="caption-attachment-33564" class="wp-caption-text">Pedro Pacífico ao lado do padrinho, que viveu um romance gay e se sentiu representado pelo afilhado (Foto: Pedro Pacífico)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A história é ilustrada com fotos pessoais do advogado. Registros da infância e juventude convidam o leitor ao seio familiar do autor, que, sem dúvida alguma, é um dos assuntos mais profundos para ele. O </span><a href="https://www.brasilparalelo.com.br/artigos/habito-de-leitura"><span style="font-weight: 400;">hábito da leitura</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, se deu por iniciativa das avós. Isso porque os pais e os irmãos não eram leitores tão vorazes a ponto de despertarem a paixão que hoje o escritor nutre pelo universo literário. Mas, para além do gosto por ler, é na família que </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/pedro-pacifico-o-bookster-encontrou-salvacao-e-libertacao-nos-livros"><span style="font-weight: 400;">Pacífico</span></a><span style="font-weight: 400;"> consegue as chaves para se libertar de correntes que os próprios, direta ou indiretamente, haviam colocado nele</span></p>
<p><span style="color: #1a1a1a; font-size: 16px;"><span style="font-weight: 400;">Antes de Pedro Pacífico, outro familiar havia sofrido com a pressão de ser um homem gay: o padrinho e tio-avô dele, para quem o autor dedica o livro. O parente chegou a ter um romance </span><a href="https://personaunesp.com.br/companheiros-de-viagem-critica/"><span style="font-weight: 400;">homoafetivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, porém, o companheiro era rotulado como um ‘amigo’. O </span><i><span style="font-weight: 400;">bookster</span></i><span style="font-weight: 400;"> conta que, quando o tio se tornou viúvo, ninguém da família prestou apoio durante um momento tão delicado quanto a perda de um amor. É como se todos fingissem que o namoro nunca tivesse acontecido por ter sido uma relação entre dois homens. O</span></span> padrinho até dedicou uma mensagem carinhosa a Pedro, após assistir uma <a href="https://youtu.be/tiXHSsygedQ?si=NdQx0Qgk6kCsdDRn">palestra</a> em que o afilhado contava da importância dos livros para aceitação da própria sexualidade.</p>
<blockquote><p>“Oi, Pedro. Acabei de ver, pela segunda vez, seu coração falando comigo. Fico emocionado por ouvir o que venho pensando e nunca verbalizando nos meus quase 94 anos de vida. Sinto uma forte emoção e um grande afeto por você. Sua presença me faz bem e meu coração bate mais forte. Quero lhe ver! Aguardo, quando puder. Nosso almoço será quando você estiver disponível”</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, o literata realiza em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Trinta segundos sem pensar no medo: Memórias de um leitor</span></i><span style="font-weight: 400;"> o que faz todos os dias em suas redes sociais: incentiva o hábito literário. Longe de romantizar a rotina perfeita de alguém que pode gastar horas a fio lendo, o autor mostra como incluir a Literatura na correria diária e destaca como estes artefatos, dos suspenses, romances e comédias aos biográficos, poéticos e dramáticos, podem se tornar verdadeiros companheiros das alegrias e angústias que nos atravessam ao decorrer das mais variadas </span><a href="http://personaunesp.com.br/lady-bird-critica/"><span style="font-weight: 400;">fases da vida</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora verse sobre tramas que geram gatilhos, como a ansiedade, o escritor, que é bacharel em direito pela USP (Universidade de São Paulo) e mestre pela </span><i><span style="font-weight: 400;">New York University</span></i><span style="font-weight: 400;">, balanceia de forma coerente e aprofundada todas as partes delicadas que traz em sua obra. A fluidez com a qual discorre a própria história é um convite até mesmo para quem não é adepto da leitura. </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/blogDaLetrinhas/Post/6746/livros-curtos-ou-em-capitulos-um-passo-importante-na-formacao-leitora"><span style="font-weight: 400;">Capítulos curtos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e instigantes terminam com aquela sensação de ‘preciso ler só mais uma página’. Quando você se dá conta, já devorou o livro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Intrínseca</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Trinta-segundos-sem-pensar-medo/dp/6555606843"><i><span style="font-weight: 400;">Trinta segundos sem pensar no medo: memórias de um leitor</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é fiel ao que promete: contar a história de descobertas e aceitações de um jovem gay que encontrou na leitura o afago que nenhum outro familiar ou amigo havia conseguido lhe dar até então. É uma obra que conversa com o leitor. Ao transcorrer das páginas, percebemos que só basta meio minuto de esquecimento para que os bichos-papões, horrores e pesadelos deixem de nos atormentar.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Ficar trinta segundos sem pensar no medo e, nesse meio-tempo, dar o primeiro passo em direção ao que se deseja fazer. Depois você lida com as consequências”</span></p></blockquote>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/trinta-segundos-sem-pensar-no-medo-critica/">Trinta segundos sem pensar no medo: Memórias de um leitor é o ‘‘Silêncio, Bruno!” da Literatura</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>A autoaceitação é o que faz Um milhão de finais felizes</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Jun 2024 18:19:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Existir enquanto uma pessoa LGBTQIA+ é estar cercado de incertezas. Não se sabe em quem confiar, se seus comportamentos estão minimamente condizentes com o que a sociedade espera ou sequer se sua vida, antes de se descobrir, continua fazendo parte de quem você é. Apesar de acontecer de forma distinta para cada pessoa, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/um-milhao-de-finais-felizes-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A autoaceitação é o que faz Um milhão de finais felizes"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33556" aria-describedby="caption-attachment-33556" style="width: 534px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33556" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/um-milhao-1-534x800.jpg" alt="Capa do livro Um milhão de finais felizes. Na imagem há o tronco de um jovem branco, ele veste uma camiseta preta e um avental com tema de galáxia, nas cores lilás, roxo e azul pastel. Há três adereços pendurados no avental, um deles é boton de um pirata branco de cabelos castanhos, o outro um boton de pirata branco de cabelos ruivos e o terceiro um pin em formato de foguete. Um dos pulsos do jovem tem uma pulseira com as cores da bandeira lgbt, enquanto na outra mão segura um caderno de anotações. Sobre o avental está escrito “Um milhão de finais felizes” em letras pretas e logo abaixo o nome do autor “Vitor Martins”. O fundo da capa é vermelho sólido." width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/um-milhao-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/um-milhao-1.jpg 667w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-33556" class="wp-caption-text">Lançado em 2018, Um milhão de finais felizes nos mostra que tudo passa (Editora Alt)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existir enquanto uma pessoa <a href="https://personaunesp.com.br/tag/mes-do-orgulho-lgbtqia/">LGBTQIA+</a> é estar cercado de incertezas. Não se sabe em quem confiar, se seus comportamentos estão minimamente condizentes com o que a sociedade espera ou sequer se sua vida, antes de se descobrir, continua fazendo parte de quem você é. Apesar de acontecer de forma distinta para cada pessoa, esse processo sempre vem acompanhado de inseguranças. Retratando esses elementos pela visão do protagonista Jonas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um milhão de finais felizes</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora isso enquanto valoriza o resultado das etapas conturbadas: a cura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Longe de se tratar de uma espécie de ‘cura gay’, essa descoberta está ligada ao próprio ser, a restauração que acontece em nós quando percebemos que não há nada de errado em ser como somos – seja na esfera da sexualidade, na forma como reagimos à vida ou até sobre a aparência física. Por meio dos receios do personagem, o autor <a href="https://vitormartins.blog/">Vitor Martins</a> renova o fôlego de uma juventude que só quer amar e ser amada, sem sentir que o peso do mundo está prestes a desmoronar sobre os seus ombros. </span></p>
<p><span id="more-33554"></span></p>
<figure id="attachment_33557" aria-describedby="caption-attachment-33557" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33557" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/EPsj2BwX4AIK3rs-650x800.jpg" alt="Foto do autor Vitor Martins. Vitor é um homem branco de cabelos curtos castanhos e olhos também castanhos. Ele veste uma camiseta preta e está em uma pose com os dois braços cruzados, também usa um óculos preto de armação arrendondada. Ao fundo, é possível ver a copa de uma árvore." width="650" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/EPsj2BwX4AIK3rs-650x800.jpg 650w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/EPsj2BwX4AIK3rs-832x1024.jpg 832w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/EPsj2BwX4AIK3rs-768x945.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/EPsj2BwX4AIK3rs.jpg 975w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33557" class="wp-caption-text">Vitor Martins é conhecido por títulos que envolvem a vivência LGBTQIA+ (Foto: Vitor Martins)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Jonas é um jovem sonhador, deseja ser escritor e acredita que quase qualquer coisa pode dar um bom livro, pelo menos na esfera de seus pensamentos. Mas na hora de efetivamente escrever, trava por sentir que suas palavras não são boas o suficiente (mais uma de suas inseguranças). O reflexo é instintivo, afinal, filho de uma mãe <a href="https://www.cartacapital.com.br/blogs/dialogos-da-fe/estudo-inedito-aponta-a-raiz-da-violencia-contra-pessoas-lgbti-em-lares-cristaos/">crente fervorosa</a> e um pai que abomina qualquer comportamento distante da masculinidade excessiva, o protagonista se apequena diariamente na tentativa de sobreviver. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é como se o núcleo familiar fosse o único problema, já que a sua própria vivência dentro da Igreja também se mostra bem presente na maneira como ele lida consigo mesmo. A famosa <a href="https://prodiversidade.org.br/a-fe-crista-e-a-culpa-por-ser-lgbtqia/">‘culpa cristã’</a> dá as caras em seus pensamentos frequentemente, que voltam nas lembranças do quanto já se sentiu pertencente no lugar, no momento em que as coisas deixam de ser acolhedoras e no entendimento de que tudo isso é capaz de ferir os princípios morais nos quais foi inserido por anos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com tudo narrado na primeira pessoa, fica fácil vestir a pele de Jonas e entender os motivos por trás de cada uma de suas reações desconfiadas, que surgem até mesmo com os melhores amigos, os quais ama plenamente, mas ainda sente certa dificuldade para se abrir completamente. Nesses momentos, o limbo no qual o personagem está inserido parece ser eterno e o cansaço mental ganha altas dimensões – a ponto de até mesmo o emprego em uma cafeteria na Avenida Paulista parecer mais aconchegante que os discursos da própria mente. </span></p>
<blockquote><p>“Passo quarenta minutos escutando o pastor falar sobre o plano de Deus para as famílias. Sinto a respiração da minha mãe ficar mais pesada quando ele fala sobre como devemos sempre orar pela alma dos nossos familiares que estão fora dos caminhos do Senhor. A vida inteira eu vi minha mãe orando pela conversão do meu pai, e só hoje eu percebo que provavelmente tenha me juntado a ele nessa lista de oração.”<b></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O momento de ruptura para o ciclo complicado surge na barba de um certo garoto ruivo, que inspira o personagem a escrever e desperta sentimentos inéditos. Aos poucos, a descoberta ganha lar e é impossível não se apaixonar por cada detalhe de um processo muito maior do que o do amor romântico: a aceitação plena de quem se é. Conforme Jonas se abre a novas possibilidades, passa a hierarquizar as prioridades, começando por si mesmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aumentando a confiança nas pessoas que realmente valem a pena e percebendo que o significado de família é múltiplo, coisas que pareciam permanentes se mostram voláteis e a vida deixa de ser um bicho de sete cabeças para se apresentar como é.  A trajetória agora se denomina como algo que conta com tantos problemas quanto soluções e, claro, mais de um milhão de possibilidades de ser recheada de felicidade. </span></p>
<blockquote><p><b>“</b>Logo ele, que queria sempre se diminuir e se esconder, acabara indo viver no maior lugar do mundo.<b>”</b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Com uma escrita extremamente fluida, as 352 páginas de </span><a href="https://globoplay.globo.com/v/11559449/"><i><span style="font-weight: 400;">Um milhão de finais felizes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> voam como os foguetes que decoram as paredes do </span><i><span style="font-weight: 400;">Rocket Café</span></i><span style="font-weight: 400;"> – nome do local de trabalho de Jonas. A narrativa não precisa de muitos trunfos ou elementos altamente ficcionais para se destacar, ainda mais quando a vida real de pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> já vem com todos os elementos de um bom enredo: drama, paixão, medo, desconfiança, amor e muito mais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas linhas doces das descobertas, Vitor Martins, que também é autor de títulos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Quinze dias</span></i><span style="font-weight: 400;">, dá um show no gênero </span><a href="https://personaunesp.com.br/vermelho-branco-e-sangue-azul-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Young Adult</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e compõe aquelas leituras conforto que se tornam casa e nos ensinam que nada como um dia após o outro. Expressando da dor ao amor, o livro não é um romance, mas uma carta de amor próprio capaz de ajudar quem está em uma situação parecida a não se sentir sozinho, afinal, realmente não estamos.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pode ser que sejam as quase </span><i><span style="font-weight: 400;">fanfics</span></i><span style="font-weight: 400;"> sobre piratas gays, o carinho na cabeça de gatos gordinhos, os lanches em carrinhos de rua que provavelmente nem tem alvará ou as caipirinhas em uma noite de balada cheia de luzes brilhantes, mas tudo na obra conspira para a vontade de ler mais e mais. Nas expectativas de quem não sente que cabe no mundo, ter </span><i><span style="font-weight: 400;">Um milhão de finais felizes</span></i><span style="font-weight: 400;"> para viver parece ser uma coisa incrível. </span></p>
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		<title>Os Melhores Livros de 2023</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Mar 2024 20:47:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O último ano foi para a Literatura rico em experimentações. Com obras de gêneros distintos e um movimento de mais espaço para possibilidades, os resultados foram páginas cobertas por amor, descobertas, dores e muito mais do que o sentir pode proporcionar. Assim, chegamos a lista selecionada pela Editoria do Persona, que compõem as escolhas para &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Melhores Livros de 2023"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32894" aria-describedby="caption-attachment-32894" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32894" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/wordpress-1-800x420.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/wordpress-1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/wordpress-1-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/wordpress-1.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32894" class="wp-caption-text">De cantores a autores sob codinomes, os Melhores Livros de 2023 se encontram nas possibilidades (Arte: Aryadne Xavier/ Texto de Abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O último ano foi para a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/literatura/"><span style="font-weight: 400;">Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> rico em experimentações. Com obras de gêneros distintos e um movimento de mais espaço para possibilidades, os resultados foram páginas cobertas por amor, descobertas, dores e muito mais do que o sentir pode proporcionar. Assim, chegamos a lista selecionada pela Editoria do Persona, que compõem as escolhas para representar Os Melhores Livros de 2023. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante que lembremos que além de propícia para  novas ideias, a temporada marcou eventos importantes para a representatividade no meio literário. Em Outubro, tivemos o primeiro indígena eleito como imortal pela Academia Brasileira de Letras (ABL), o autor </span><a href="https://www12.senado.leg.br/radio/1/noticia/2023/10/09/ailton-krenak-e-o-primeiro-indigena-eleito-para-a-academia-brasileira-de-letras#:~:text=Representatividade-,Ailton%20Krenak%20%C3%A9%20o%20primeiro%20ind%C3%ADgena%20eleito%20para%20a%20Academia,ocupar%20uma%20cadeira%20na%20academia."><span style="font-weight: 400;">Ailton Krenak</span></a><span style="font-weight: 400;">, que assina sucessos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Ideias para Adiar o Fim do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Futuro Ancestral</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro marco foi a presença de autores negros em espaços de reconhecimento. Na Festa Literária de Paraty (Flip) do último ano, o principal nome da programação era o de uma das autoras negras mais faladas do Brasil na atualidade, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wfq5GfitcS0"><span style="font-weight: 400;">Conceição Evaristo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além de discursos essenciais e uma contribuição literária notável, a presença da escritora no evento literário inspira e carrega muito significado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitos centenários também foram comemorados no período, como o de nascimento da autora </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/materia/o-poeta-e-o-mundo/"><span style="font-weight: 400;">Wislawa Szymborska</span></a><span style="font-weight: 400;">, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 1996. Além dela, </span><span style="font-weight: 400;">Eugénio de Andrade (</span><i><span style="font-weight: 400;">As Mãos e os Frutos</span></i><span style="font-weight: 400;">), o poeta surrealista Mário Henrique Leiria, o ensaísta Eduardo Lourenço e Mário Cesariny fizeram parte da lista de centenários e foram celebrados. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre tantos marcos, fica a esperança de um momento ainda mais doce para o mundo dos livros está por vir. Enquanto isso, você confere a lista dos textos que se destacaram para o Persona no ano de 2023 e aproveita dicas de leitura variadas. Para todas as preferências, fica o gosto de obras plurais e extremamente ricas em cultura, liberdade e a vontade de transformar cada capítulo. Boa leitura!</span></p>
<p><span id="more-32816"></span></p>
<figure id="attachment_32818" aria-describedby="caption-attachment-32818" style="width: 548px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32818" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/De-uma-a-outra-ilha-548x800.jpg" alt="Capa do Livro de uma a outra ilha. Na imagem, há uma elipse esverdeada em meio a um extenso fundo azul para representar uma ilha. Na porção superior, vemos o título do livro. Na inferior há o nome da autora e da editora." width="548" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/De-uma-a-outra-ilha-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/De-uma-a-outra-ilha.jpg 685w" sizes="auto, (max-width: 548px) 85vw, 548px" /><figcaption id="caption-attachment-32818" class="wp-caption-text">De uma a outra ilha é um poema longo de 40 páginas (Foto: Circulo de poemas)</figcaption></figure>
<p><strong>Ana Martins Marques &#8211; De uma a outra ilha</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito pela poetisa brasileira Ana Martins Marques, </span><i><span style="font-weight: 400;">De uma a outra ilha</span></i><span style="font-weight: 400;"> coloca em palavras a cartografia de um lugar: a ilha de Lesbos. A obra, que foi lançada em Julho de 2023, se comporta como um manifesto político contra a morte de imigrantes e a crueldade das fronteiras estabelecidas entre os territórios. O escrito é sensível, mas mantém a força de suas afirmações e posicionamentos a cada linha, estabelecendo uma relação entre o que é autoral e o que é retomado do conjunto de </span><a href="https://www.blogletras.com/2021/05/dez-poemas-e-fragmentos-de-safo.html"><i><span style="font-weight: 400;">Poemas e fragmentos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Safo. </span></p>
<p><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/lesbos-a-ilha-do-desespero-onde-milhares-de-imigrantes-estaopresos-5cuj19hdzho8glzhes071w18c/"><span style="font-weight: 400;">Lesbos</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um ambiente conhecido pelo alto fluxo de imigração européia de pessoas que estão tentando passar pela Grécia. No entanto, diante da política indiferente quanto a essa população, o espaço se tornou uma espécie de purgatório de vivos, além de testemunhar mortes recorrentes das pessoas tentando se deslocar pelo oceano. Assim, a literatura de Marques se coloca a repreender o cenário lamentável através de escolhas lexicais delicadas e bem marcadas. Nas linhas suaves de um poema extenso, o livro sangra em águas turbulentas. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_32824" aria-describedby="caption-attachment-32824" style="width: 548px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32824" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/paixao-simples-1-548x800.jpg" alt="Capa do livro Paixão Simples. A capa conta com uma grande foto de Annie Ernaux com filtro sépia. Ela é uma mulher branca com cabelos grisalhos lisos e óculos de sol quadrados. Ao redor da fotografia há retângulos rosa, vermelho, preto, amarelo e lilás com o nome do livro, da autora e da editora." width="548" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/paixao-simples-1-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/paixao-simples-1.jpg 685w" sizes="auto, (max-width: 548px) 85vw, 548px" /><figcaption id="caption-attachment-32824" class="wp-caption-text">Em Paixão Simples, Annie Ernaux traduz o ato de se apaixonar em seus termos (Foto: Fósforo Editora)</figcaption></figure>
<p>Annie Ernaux &#8211; Paixão Simples</p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/os-anos-do-super-8-critica/"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;"> se tornou uma das figuras mais influentes da Literatura nos últimos anos. Com seus textos destrincha coisas complexas em vocábulos diretos e brutos, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Paixão simples,</span></i><span style="font-weight: 400;"> que chegou ao Brasil pela Fósforo em 2023, tem algo de diferente. O livro relata uma paixão que a autora teve por um homem um pouco mais jovem e casado, chamado de A.. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O apaixonar-se soa obsessivo e dá origem a uma Ernaux fora das linhas, que dispensa seus livros em nome de assistir novelas junto com o homem. É como se seu cérebro funcionasse de forma completamente irracional e isso se reflete no ritmo da leitura, no qual as páginas são caóticas e mais rápidas que o habitual de seus escritos. Assim, a ganhadora do Nobel de Literatura é, mais uma vez, sensacional, quando descreve as dores, tensão, o desespero e o desejo que ultrapassam qualquer limite. A paixão continua um sentimento complexo, mas Annie </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;"> prova simples é deixá=lo pulsar. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_32820" aria-describedby="caption-attachment-32820" style="width: 514px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32820" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Irmas-do-Inhame-Ludmila-Henrique-514x800.jpg" alt="Capa do livro Irmãs do Inhame: Mulheres negras e autorrecuperação. No centro do livro temos a pintura de duas mulheres negras em tonalidades de azul escuro. Uma está colocando uma coroa na outra, como símbolo de cuidado. Na parte inferior do está escrito o nome do livro em rosa, preto e branco. Na parte superior está escrito o nome da autora na cor preta. O fundo da tela é formado por uma cor sólida de rosa. " width="514" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Irmas-do-Inhame-Ludmila-Henrique-514x800.jpg 514w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Irmas-do-Inhame-Ludmila-Henrique.jpg 643w" sizes="auto, (max-width: 514px) 85vw, 514px" /><figcaption id="caption-attachment-32820" class="wp-caption-text">“Irmãs, eu as saúdo no amor e na paz” (Foto: WMF Martins Fontes)</figcaption></figure>
<p><b>bell hooks &#8211; Irmãs do Inhame: mulheres negras e autorrecuperação </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No seu tempo como educadora em universidades norte-americanas na década de noventa, </span><a href="https://www.geledes.org.br/bell-hooks-o-legado-da-maior-pensadora-do-feminismo-do-seculo-21/"><span style="font-weight: 400;">bell hooks</span></a><span style="font-weight: 400;"> entendeu rapidamente a necessidade de existir um grupo de apoio que acolhesse as dores e preocupações singulares de suas alunas negras, dessa maneira, surgiram as Irmãs do Inhame. Inspirada pelo romance </span><i><span style="font-weight: 400;">The Salt Eaters</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Toni Bambara, o nome do coletivo nasceu da importância do tubérculo nas comunidades negras, que além de atuar na alimentação e nutrição do corpo, também é um símbolo das conexões diaspóricas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Distanciando da terapia convencional, que em grande parte desconsidera ‘raça’ como um fator importante na autorrecuperação e no entendimento da saúde mental de pessoas negras, as </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/opiniao/irmas-do-inhame-de-bell-hooks-um-carinho-na-alma-das-mulheres-pretas/"><span style="font-weight: 400;">Irmãs do Inhame</span></a><span style="font-weight: 400;"> miravam no afastamento do auto-ódio canalizado pela baixa autoestima e priorizavam o bem-estar por meio do diálogo. Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Irmãs do Inhame: mulheres negras e autorrecuperação</span></i><span style="font-weight: 400;">, a autora registra que ao externalizar suas feridas com pessoas que compreendem das mesmas dores, assim como todo o ato de pessoas negras procurando ajuda sobre o seu interior pessoal, passam a fazer parte de uma prática de política libertária. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro é um compilado dos ensinamentos desenvolvidos durante anos entre <a href="https://personaunesp.com.br/tag/bell-hooks/">bell hooks</a> e suas discentes. Interligando acontecimentos pessoais da própria autora com contextos históricos que envolvem o racismo e a pessoa mais afetada por ele: a mulher negra. Uma obra que lida com o humano, uma humanidade que possui feridas abertas nos corpos, mentes e espíritos, e que ainda não conquistou serenidade plena com o seu próprio eu. </span><b>&#8211; Ludmila Henrique</b></p>
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<figure id="attachment_32823" aria-describedby="caption-attachment-32823" style="width: 549px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32823" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Britney-Spears-549x800.jpg" alt="Capa do livro A mulher em mim de Britney Spears. A arte de capa é uma fotografia em preto e branco de Spears, uma mulher branca de cabelos claros e olhos escuros. Ela está posicionada no canto esquerdo da arte, olhando para a câmera de lado enquanto veste uma calça e encobre os seios. O fundo é preto e ao lado de Britney Spears está escrito seu nome em letras garrafais rosa seguido do título do livro em letras garrafais brancas “A MULHER EM MIM" width="549" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Britney-Spears-549x800.jpg 549w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Britney-Spears-703x1024.jpg 703w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Britney-Spears-768x1118.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Britney-Spears.jpg 1030w" sizes="auto, (max-width: 549px) 85vw, 549px" /><figcaption id="caption-attachment-32823" class="wp-caption-text">O audiobook em inglês de A mulher em mim é narrado por Michelle Williams (Foto: BUZZ)</figcaption></figure>
<p><b>Britney Spears &#8211; A mulher em mim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após incontáveis </span><a href="https://personaunesp.com.br/framing-britney-spears-a-vida-de-uma-estrela-critica/"><span style="font-weight: 400;">documentários</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre a sua trajetória, inúmeras suposições em torno de sua vida particular e idas mais do que suficientes para a corte estadunidense na luta pelo fim de sua tutela, Britney Spears decidiu que estava pronta para contar a sua versão dos fatos na autobiografia </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/noticia/2023/10/27/biografia-de-britney-spears-a-mulher-em-mim-e-o-livro-mais-vendido-em-pelo-menos-9-paises.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">A mulher em mim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Exatamente como está acostumada nos palcos, o livro é a versão mais poderosa da artista, mesmo com os seus momentos mais vulneráveis sendo </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2023/11/01/michelle-williams-viraliza-ao-imitar-justin-timberlake-em-audiolivro-de-britney-spears-ouca.ghtml"><span style="font-weight: 400;">revelados</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nos registros mais desafiadores que Spears assume e liberta essa força feminina dentro dela, que lidou com tantos obstáculos que atravessam a existência das mulheres. Partindo desde as mazelas de existir em uma sociedade historicamente patriarcal, passando pelas distintas experiências com a ideia de maternidade até, em seu caso em específico, ser uma </span><i><span style="font-weight: 400;">superstar</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/o-som-e-a-furia/como-britney-spears-ajudou-musica-de-roberta-miranda-a-crescer-60"><span style="font-weight: 400;">indústria musical</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se alimenta da </span><a href="https://personaunesp.com.br/britney-spears-blackout-resenha/"><span style="font-weight: 400;">queda</span></a><span style="font-weight: 400;"> de suas estrelas.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A mulher em mim</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem o essencial de uma boa autobiografia: segredos, polêmicas e uma contextualização que já atrai, logo de cara, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/controlling-britney-spears-em-busca-de-liberdade-critica/"><span style="font-weight: 400;">opinião pública</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o lado de Britney Spears; invertendo um cenário de hostilização de décadas. Por vezes, a escrita é tão familiar que mais parece um compilado das legendas da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=clwLKJ294u4"><span style="font-weight: 400;">Princesa do </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><a href="https://www.estadao.com.br/emais/gente/vejo-voces-no-inferno-britney-spears-instagram-revelacoes-biografia-nprec/"><i><span style="font-weight: 400;">Instagram</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, felizmente, sem a quantidade desconcertante de </span><i><span style="font-weight: 400;">emojis</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span><b> &#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_32826" aria-describedby="caption-attachment-32826" style="width: 552px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32826" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/parem-de-falar-mal-da-rotina-552x800.png" alt="Capa do livro Parem de Falar Mal Da Rotina. O fundo é como uma representação do céu com nuvens. No centro superior há o nome da escritora, Elisa Lucinda, e ao lado direito há o logo da Editora Record em vermelho. Elisa Lucinda, mulher negra em torno dos 60 anos, está no centro da imagem. Utiliza uma blusa vermelha com decote e uma pulseira prateada no braço esquerdo. Seu cabelo - crespo e castanho escuro - está com um Black Power. Em suas pontas, o cabelo forma desenhos do cotidiano contado pela escritora durante o livro. No centro do cabelo está escrito, em tom claro, o título do livro “Parem de Falar Mal Da Rotina”. Ao lado de Elisa, há os dizeres em vermelho “Nova edição revista pela autora”" width="552" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/parem-de-falar-mal-da-rotina-552x800.png 552w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/parem-de-falar-mal-da-rotina.png 600w" sizes="auto, (max-width: 552px) 85vw, 552px" /><figcaption id="caption-attachment-32826" class="wp-caption-text">Elisa Lucinda e seu livro, em nova edição, nos fazem adentrar nos versos e monólogo da escritora (Foto: Editora Record)</figcaption></figure>
<p><strong>Elisa Lucinda &#8211; Parem de Falar Mal da Rotina</strong></p>
<p><a href="https://teatro.ufes.br/conteudo/parem-de-falar-mal-da-rotina-o-espetaculo-de-sucesso-que-encanta-o-brasil-ha-21-anos-agora"><i><span style="font-weight: 400;">Parem de Falar Mal da Rotina</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em nova edição, evoca o palco de teatro e as poesias de sucesso que Elisa Lucinda faz há mais de 20 anos com o seu monólogo de mesmo nome. Nesta versão, a atriz evoca novamente o projeto da peça de tremendo sucesso: enxergar a beleza da vida &#8211; o nascer do sol, o pôr do sol &#8211; nos momentos em que, muitas vezes, a gente desdenha por ser rotineiro.</span></p>
<p><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa5980/elisa-lucinda"><span style="font-weight: 400;">Elisa Lucinda</span></a><span style="font-weight: 400;">, que tem uma destreza magnífica ao escrever &#8211; é uma autora (uma das muitas coisas que Elisa é com grande brilho) que nos emociona em um verso e no outro nos faz rir logo em seguida. </span><i><span style="font-weight: 400;">Parem de Falar Mal da Rotina</span></i><span style="font-weight: 400;">, é certo, comunica com todos que aqui estão presente &#8211; como a peça faz também -, entretanto, para quem ainda não teve a oportunidade de experimentar o espetáculo ao vivo, o livro nos dá um gostinho de querer mais. A narração dos fatos, do cotidiano, da rotina, sem dúvidas, não fica chato quando a maravilhosa Elisa Lucinda nos conta. &#8211; </span><b>Marcela Lavorato</b></p>
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<figure id="attachment_32827" aria-describedby="caption-attachment-32827" style="width: 277px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32827" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/saia-da-frente-do-meu-sol.jpg" alt="Capa do livro Saia da Frente do Meu Sol. A capa do livro possui o tom homogêneo azul. Há pessoas deitadas na praia, de frente para o leitor, um homem está em destaque, o personagem Tio Ricardo. Um homem branco, com cabelo preto e sem camisa. Outras pessoas estão em volta, mas tapadas pelas letras. Ao lado direito do homem, há o título do livro escrito em amarelo, e, embaixo da palavra “frente”, há o nome do autor, Felipe Charbel, escrito em branco. Também em branco há o nome da editora, Autêntica Contemporânea, no canto inferior direito da página" width="277" height="425" /><figcaption id="caption-attachment-32827" class="wp-caption-text">Felipe Charbel é professor associado de história da UFRJ (Foto: Autêntica Contemporânea)</figcaption></figure>
<p><b>Felipe Charbel </b><strong>&#8211;</strong> <b>Saia da Frente do Meu Sol </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Felipe Charbel, romancista brasileiro, imerge em mais uma história que se desenvolve entre segredos familiares no recente </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/colunas/critica-cultural/vidas-narradas"><i><span style="font-weight: 400;">Saia da Frente do Meu Sol</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Caracterizado pelo vazio de informações totalmente proposital, Tio Ricardo levantava diversas questões sobre sua vida misteriosa após seu falecimento e enterro, onde poucas pessoas compareceram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um desenvolvimento leve e coerente, </span><a href="https://ppghis.historia.ufrj.br/docente/felipe-charbel-teixeira/"><span style="font-weight: 400;">Charbel</span></a><span style="font-weight: 400;"> não pula etapas ao mostrar para o leitor sobre cada detalhe que descobre a respeito da vida do tio. O público é outro personagem, e se choca ao mesmo tempo que o protagonista do livro. Contagiante e madura são as palavras que definem a leitura fluida que o carioca consegue passar em suas obras, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Saia da Frente do Meu Sol</span></i><span style="font-weight: 400;"> é mais uma prova. </span><b>&#8211; Amabile Zioli</b></p>
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<figure id="attachment_32830" aria-describedby="caption-attachment-32830" style="width: 548px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32830" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/ellis-sland-548x800.png" alt="Capa do livro Ellis Island. Na imagem, há uma elipse azul escuro em um fundo azul claro para representar a ilha. Na porção superior há o escrito &quot;Ellis Island&quot; em letras brancas " width="548" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/ellis-sland-548x800.png 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/ellis-sland.png 685w" sizes="auto, (max-width: 548px) 85vw, 548px" /><figcaption id="caption-attachment-32830" class="wp-caption-text">O poema longo de Perec é destinado, inicialmente, para a construção do roteiro de um documentário homônimo, realizado com o diretor Robert Bober, sobre a ilha (Foto: Círculo de Poemas)</figcaption></figure>
<p><b>Georges Perec – </b><b>Ellis Island </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ausência não deixa de ser uma personagem recorrente na literatura do autor francês </span><a href="https://circulodepoemas.com.br/autores/georges-perec/"><span style="font-weight: 400;">Georges Perec</span></a><span style="font-weight: 400;">. A falta de um </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/blog/maquina-de-escrever/post/linguagem-e-protagonista-no-romance-o-sumico-de-georges-perec.html"><span style="font-weight: 400;">caractere</span></a><span style="font-weight: 400;">, de um enredo sólido ou de respostas a perguntas que, além de conduzirem a construção histórica e poética de </span><a href="https://circulodepoemas.com.br/produto/ellis-island/"><i><span style="font-weight: 400;">Ellis Island</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">existem para reconstituir os arquivos e acontecimentos de um espaço que ergue-se pela amnésia. </span><span style="font-weight: 400;">Em uma escrita objetiva, o escritor traça a genealogia da imigração e os múltiplos sentidos dessa ilha – nas palavras de Perec um ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">‘lugar de ausência de lugar, o não lugar, o lugar nenhum</span></i><span style="font-weight: 400;">’’ – onde se criou os Estados Unidos da América: um espaço de trânsito e despersonalização no qual emigrantes tornaram-se imigrantes; onde as histórias de pessoas de todos os cantos do mundo – italianos, judeus, porto riquenhos e cambojanos – eram submetidas a análise para, então, darem força e trabalho ao que viria se tornar a maior nação do mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os inquéritos de Perec – ‘‘</span><i><span style="font-weight: 400;">como descrever?/ como contar?/ como olhar? (&#8230;) como ler esses rastros?’’, </span></i><span style="font-weight: 400;">que mais soam como lamentos, diferentemente dos agentes de imigração que articulavam o futuro de pessoas em clausura no espaço da ilha – são, em si, formas de retratar um tema caro também a artistas como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2-27QaUl0D8"><span style="font-weight: 400;">Meredith Monk</span></a><span style="font-weight: 400;"> e inseri-lo, a partir do poema, em um tempo não linear e constante. Ellis Island não existe mais enquanto um centro de detenção e inspeção de imigrantes a qual a Estátua da Liberdade já anunciava paradoxos e mentiras, mas na condição de um monumento histórico que ainda inquieta a quem procura respostas a uma ancestralidade pautada na diáspora, vasta em meio a dezesseis milhões de histórias individuais. O inquietante poema de Perec, no entanto, faz da ruína e do vazio uma memória potencial à pequeneza perdida e encontra sua própria identidade nessa busca. – </span><b>Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_32831" aria-describedby="caption-attachment-32831" style="width: 634px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32831" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nos-a-gente-634x800.png" alt="" width="634" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nos-a-gente-634x800.png 634w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nos-a-gente-768x968.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nos-a-gente.png 793w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32831" class="wp-caption-text">Enaltecendo a vida de Gil, Nós a gente é um alento para o coração (Foto: WMF Martins Fontes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Gilberto Gil e Daniel Kondo &#8211; Nós, a gente </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Nós, a gente</span></i><span style="font-weight: 400;">, livro organizado por Guilherme Gontijo Flores, é a materialização em artes visuais das poesias belíssimas compostas por Gilberto Gil. Com ilustrações de Daniel Kondo nas 40 músicas selecionadas, as canções escolhidas têm em comum a temática do amor à família. A obra foi concebida na época em que o cantor estava comemorando seus 80 anos, em 2022, e saindo pela Europa com a turnê Nós, A Gente &#8211; nome homônimo ao do escrito -, sendo tudo registrado no documentário </span><a href="https://www.primevideo.com/-/pt/detail/Fam%C3%ADlia-Gil/0S6ROOS2KGZ3QIKJCBHPGQ7AA9"><i><span style="font-weight: 400;">Viajando com os Gil</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.academia.org.br/noticias/gilberto-gil-lanca-o-livro-nos-gente-hoje-na-abl"><i><span style="font-weight: 400;">Nós, a gente</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> além de ser uma ótima experiência escutar as músicas à medida em que analisa as artes das canções, também é possível ter acesso às entrevistas conduzidas por Guilherme e Daniel com Gilberto Gil e Flora Gil. Com sua calma e leveza, Gil nos mostra toda a sua bagagem &#8211; principalmente o núcleo familiar &#8211; que constituiu durante seus 80 anos de vida. Não sendo diferente, Flora também nos mostra a felicidade de ter uma família unida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No geral, o livro é uma grande celebração de vida de </span><a href="https://gilbertogil.com.br/bio/gilberto-gil/"><span style="font-weight: 400;">Gilberto Gil</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tudo o que foi construído e feito merece essa cerimônia literária e visual, ainda mais quando se está acompanhado de familiares. Por fim, temos acesso à grandiosa árvore genealógica do artista e também a algumas fotos, com legendas de sua neta, Flor Fil, dos bastidores da turnê europeia. É uma escrita deliciosa de se saborear. &#8211; </span><b>Marcela Lavorato</b></p>
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<figure id="attachment_32832" aria-describedby="caption-attachment-32832" style="width: 550px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32832" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/girls-like-girls-550x800.jpg" alt="Capa do livro Girls Like Girls. Na imagem, há duas meninas ilustradas de costas, uma ao lado da outra. A da esquerda tem cabelos loiro escuros, usa camiseta brancae saia vermelha. A da direita tem cabelos pretos e veste uma camisa azul. O cenário tem tonalidade rosa, árvores e uma montanha." width="550" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/girls-like-girls-550x800.jpg 550w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/girls-like-girls.jpg 687w" sizes="auto, (max-width: 550px) 85vw, 550px" /><figcaption id="caption-attachment-32832" class="wp-caption-text">Inspirado na música homônima, Girls Like Girls abraça a comunidade sáfica (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><strong>Hayley Kiyoko &#8211; Girls Like Girls</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hayley Kyoko marcou a juventude de uma geração de pessoas lgbtqia+ quando começou a cantar sobre o amor entre meninas, especialmente, com o lançamento de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I0MT8SwNa_U"><i><span style="font-weight: 400;">Girls Like Girls</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em 2015. A música, que acompanhava um clipe adorável, alimentou </span><i><span style="font-weight: 400;">fanfics</span></i><span style="font-weight: 400;"> sáficas por anos, e agora, as teorias se concretizam nas páginas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Girls Like Girls: Uma história de amor entre garotas</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro aprofunda a relação entre as protagonistas do videoclipe, Coley e Sonya, duas jovens em idade escolar com diferentes desafios a enfrentar, mas uma conexão inexplicável em comum. Ao passar das páginas, a história mescla os clichês que ensolaram a alma com os desafios da autodescoberta, fazendo tudo ser doce, lindo e, ainda assim, extremamente próximo dos medos da vida real. Traduzidas por Helen Pandolfi, as palavras de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rbkVPSJzCkU"><span style="font-weight: 400;">Hayley</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos transportam de volta à adolescência e restauram o desejo de viver um amor tão sincero como o de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gilrs Like Girls</span></i><span style="font-weight: 400;">. – Jamily Rigonatto </span></p>
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<figure id="attachment_32833" aria-describedby="caption-attachment-32833" style="width: 290px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32833" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/salvar-o-fogo.jpg" alt="Capa do livro Salvar o Fogo. O fundo é laranja. No centro superior há os dizeres em cinza “Do autor de Torto Arado”. Logo abaixo, em branco, há o título “Salvar o Fogo” e, mais embaixo, em preto, há o nome do escritor “Itamar Vieira Junior”. Abaixo dos dizeres há um desenho de uma mulher negra usando um vestido branco até os pés, um lenço branco nos cabelos castanhos e um chinelo branco. Ao seu lado direito está de mãos dadas com uma criança negra vestindo uma camisa branca e bermuda azul, cabelo curto castanho e descalço. Os dois estão virados de costas. Ao lado esquerdo da mulher há um cesto de roupa verde com linhas douradas. Há uma roupa branca jogada para fora do cesto. Ao lado do menino tem uma planta verde. No centro inferior há a logo em branco da Editora Todavia." width="290" height="445" /><figcaption id="caption-attachment-32833" class="wp-caption-text">Em Salvar o Fogo, Itamar Vieira Jr. desmonta a história da sociedade brasileira em 300 páginas (Foto: Editora Todavia)</figcaption></figure>
<p><strong>Itamar Vieira Júnior &#8211; Salvar o fogo</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="http://www.letras.ufmg.br/literafro/resenhas/ficcao/1805-itamar-vieira-junior-salvar-o-fogo"><i><span style="font-weight: 400;">Salvar o fogo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Itamar Vieira Junior novamente nos apresenta uma história difícil de engolir e com muita verossimilhança em relação à sociedade brasileira. Contando as narrativas de uma família agricultora no interior da Bahia &#8211; que acaba sendo dividida pelas violências direcionadas aos familiares -, o autor nos oferece um processo de escrita muito arrebatador e necessário, evidenciando as inúmeras agressões da realidade brasileira. O </span><a href="http://www.letras.ufmg.br/literafro/resenhas/ficcao/1805-itamar-vieira-junior-salvar-o-fogo"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, dessa maneira, acaba se tornando uma manifestação de denúncia contra as hostilidades que agridem exclusivamente às pessoas negras, indígenas, mulheres, crianças, pobres, agricultores e de religiões de matriz africana ou indígena. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 320 páginas, </span><a href="http://www.letras.ufmg.br/literafro/autores/1270-itamar-vieira-junior"><span style="font-weight: 400;">Vieira Junior</span></a><span style="font-weight: 400;"> sintetiza, de forma adequada e avassaladora, a história desse Brasil invadido há 500 anos. Exaltando a natureza e seu poder, o romancista brinca com as palavras ao associar as passagens das personagens com os elementos naturais, trazendo um lirismo muito bonito e interessante de se pensar, já que a destruição da natureza reflete diretamente a destruição também da humanidade. Com isso, Moisés, Luzia, Alzira, Mundinho, entre outros, não serão as últimas personagens que denunciam essa realidade perversa e racista &#8211; assim como não foram as primeiras -, entretanto é certo que a prosa criada por Itamar traz consigo, não só dessa forma, mas uma das mais potentes no enredo, a denúncia através do resgate dos saberes ancestrais afro indígenas no combate à essa realidade da </span><a href="https://ponte.org/o-que-e-necropolitica-e-como-se-aplica-a-seguranca-publica-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">necropolítica</span></a><span style="font-weight: 400;">. &#8211; </span><b>Marcela Lavorato</b></p>
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<figure id="attachment_32864" aria-describedby="caption-attachment-32864" style="width: 334px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32864" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Os-perigos-de-fumar-na-cama.png" alt="Capa do livro Os perigos de fumar na cama. A capa tem um fundo azul claro.No topo, vemos as palavras “os perigos de fumar na cama” em uma letra cursiva estilizada em branco. Ao centro, há uma ilustração da cabeça de uma mulher com cabelos castanhos lisos e longos, pintada de vermelho, laranja e amarela, sendo segurada por uma mão com unhas longas que sai para fora do quadro. Na parte inferior central, vemos a palavra “Mariana Enriquez” em uma letra branca sem serifa. No canto inferior direito, vemos o logo da Intrínseca." width="334" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-32864" class="wp-caption-text">Os perigos de fumar na cama foi o tema do Clube do Livro do Persona em Outubro de 2023 (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Enriquez &#8211; Os perigos de fumar na cama</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante 12 contos de Horror, Mariana Enriquez faz de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Os perigos de fumar na cama</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">um pesadelo violento, impossível de ser digerido facilmente. Aqui, essa é justamente a intenção. Entre becos de uma Barcelona assombrada a ruas de uma Argentina que se lembra, a autora argentina trabalha o terror a partir do rotineiro, da barbaridade de pessoas contra elas e as próximas, e da memória de uma nação frente os horrores do passado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A descritividade é bruta, o retrato pintado por Enriquez é visceral em um </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-cemiterio-40-anos/"><span style="font-weight: 400;">terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> tão social quanto político. Os preconceitos são expostos com todas as palavras, sem disfarces, para mostrar que o aterrorizante acontece no dia a dia. Com uma dose de sobrenatural e fantasia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os perigos de fumar na cama </span></i><span style="font-weight: 400;">deixa a experiência ainda mais tensa com seus 12 finais em aberto, livres para a imaginação do leitor vagar solta. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_32863" aria-describedby="caption-attachment-32863" style="width: 352px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32863" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/exorcista.png" alt="Capa do livro O Exorcista: Segredos e Devoção. A capa tem um fundo preto. Ao centro, ocupando quase toda a extensão vertical da capa, vemos o contorno de uma menina com cabelos longos. Os olhos dela estão verde, como se estivesse possúida, e um líquido verde sai de seu nariz. As mãos juntas da menina ficam em formato de um portão, onde, na parte inferior central, um homem de costas, vestindo um terno, chapéu e segurando uma maleta, entra. Ao redor dele, vemos o líquido verde. Abaixo dele, vemos as palavras “Darkside”." width="352" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-32863" class="wp-caption-text">Se a capa não te atrair, o interior vai (Foto: Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Mark Kermode &#8211; O Exorcista: Segredos e Devoção</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não se engane: </span><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista: Segredos e Devoção </span></i><span style="font-weight: 400;">não é uma reedição do livro original de 1971, tampouco do clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1973 (ou de qualquer </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-exorcista-o-devoto-critica/"><span style="font-weight: 400;">uma de suas versões</span></a><span style="font-weight: 400;">). Na verdade, a edição é uma obra comemorativa aos 50 anos do lendário filme do Horror, mostrando como a </span><a href="https://cinepop.com.br/apos-fracasso-de-o-exorcista-o-devoto-nova-sequencia-passara-por-reboot-criativo-476487/"><span style="font-weight: 400;">recepção do público</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao lançamento e o contexto social dos Estados Unidos da década de 1970 o tornaram um fenômeno capaz de fazer pessoas desmaiarem nas salas de cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, Kermode, crítico cultural aficionado pelo romance de William Peter Blatty &#8211; que </span><a href="https://revistaquem.globo.com/Popquem/noticia/2013/03/o-exorcista-40-anos-o-suposto-caso-real-que-inspirou-o-filme.html"><span style="font-weight: 400;">deu origem</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao roteiro do longa-metragem homônimo -, revela os bastidores das gravações, os atritos entre Blatty e William Friedkin (diretor de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista</span></i><span style="font-weight: 400;">) e como algumas das cenas mais memoráveis da Sétima Arte foram confeccionadas. Entrelaçando o </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgl45nxxl18o"><span style="font-weight: 400;">imaginário popular</span></a><span style="font-weight: 400;"> às intenções da obra e do livro, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista: Segredos e Devoção </span></i><span style="font-weight: 400;">compartilha segredos com os fãs de Horror, em uma experiência visual deslumbrante nas páginas tão famosas da </span><i><span style="font-weight: 400;">Darkside</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_32881" aria-describedby="caption-attachment-32881" style="width: 554px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32881" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela-554x800.jpg" alt="Capa do livro “Amigos, Amores e Aquela Coisa Terrível”, de Matthew Perry. A capa possui um fundo azul, e, à frente, há o ator Matthew Perry. Ele é branco, possui cabelos escuros, barba rala e olhos azuis. Veste uma camisa preta. No topo da página há o nome do autor e ator em letras brancas. Embaixo, está escrito “Best Seller N 1° do New York Times”. Ao lado do ator, há escrito “Prefácio de Lisa Kudow”, em branco, e, embaixo do ator há o título do livro, em brancas e grandes letras. Abaixo, está escrito “A autobiografia do astro de Friends”, e, ao lado, a logo da editora BestSeller" width="554" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela-554x800.jpg 554w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela-708x1024.jpg 708w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela-768x1110.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela-1063x1536.jpg 1063w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela.jpg 1107w" sizes="auto, (max-width: 554px) 85vw, 554px" /><figcaption id="caption-attachment-32881" class="wp-caption-text">Matthew Perry foi encontrado morto no dia 28 de outubro de 2023 em sua casa, em Los Angeles (Foto: BestSeller)</figcaption></figure>
<p><b>Matthew Perry &#8211; Amigos, Amores e Aquela Coisa Terrível</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sentença </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu devia estar morto”</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode parecer muito forte para qualquer um que inicie </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2023/10/explosao-de-vendas-da-biografia-de-matthew-perry-esgota-estoque-de-editora-brasileira.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Amigos, Amores e Aquela Coisa Terrível</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no escuro. A autobiografia do ator e escritor norte-americano conta de forma crua os altos e baixos de sua carreira e toda a sua trajetória, envolvendo momentos marcantes na infância, conquistas profissionais que um dia eram impensáveis, e o fundo do poço, onde ele se enxergou em vários momentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não precisa ser fã de </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/tela-plana/os-bastidores-com-matthew-perry-segundo-david-schwimmer-e-lisa-kudrow"><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para apreciar cada parágrafo do livro, que, ao mesmo tempo que parece uma confissão do artista, também soa como um diário extremamente íntimo. É claro que para quem viu Matthew crescer e evoluir com a </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i><span style="font-weight: 400;">, tudo se torna ainda mais pessoal: após seu trágico falecimento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amigos, Amores e Aquela Coisa Terrível</span></i><span style="font-weight: 400;"> eterniza o legado inesquecível de Matthew Perry. </span><b>&#8211; Amabile Zioli</b></p>
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<figure id="attachment_32890" aria-describedby="caption-attachment-32890" style="width: 547px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32890 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/o-ano-em-que-morri-547x800.jpg" alt="" width="547" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/o-ano-em-que-morri-547x800.jpg 547w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/o-ano-em-que-morri.jpg 684w" sizes="auto, (max-width: 547px) 85vw, 547px" /><figcaption id="caption-attachment-32890" class="wp-caption-text">Milly Lamcombe prova que nos resgatar é o ato mais poderoso que existe (Foto: Editora Planeta)</figcaption></figure>
<p><strong>Milly Lamcobe &#8211; O ano em que morri em Nova York</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Romance autobiográfico de </span><a href="https://cbn.globoradio.globo.com/media/audio/426820/milly-lacombe-fala-sobre-novo-livro.htm"><span style="font-weight: 400;">Milly Lacombe</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Ano em que Morri em Nova York: Um romance sobre amar a si próprio</span></i><span style="font-weight: 400;"> trabalha com o conceito de morte em vida. No texto, a protagonista termina um relacionamento de mais de dez anos com sua esposa por conta de uma traição, descobre que a melhor amiga está com câncer de mama e retorna a uma versão que há muito não encarava em seu país de origem, o Brasil. Rodeada pelas migalhas deixadas por tudo que já foi inteiro, a jornada se torna ressuscitar em si. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Batendo de frente com dores não vistas antes, o momento é doloroso e cheio de dúvidas, mas essenciais para que a personagem, que representa a própria </span><a href="https://www.uol.com.br/play/videos/universa/2023/07/19/milly-lacombe-conta-como-descobriu-traicao-bati-minha-cabeca-no-chao.htm"><span style="font-weight: 400;">Lacombe</span></a><span style="font-weight: 400;">, adentre o seu interior e redescubra quem ela é, independente de suas relações, trabalho ou demais definições. As 256 páginas são um verdadeiro liquidificador emocional, tudo gira o tempo todo e não dá espaço para monotonia, afinal, se trata de uma trajetória linear. Assim, a obra deixa reflexões sobre nós mesmos e como deixamos nossa principal prioridade de lado: o eu. </span><b>– Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_32889" aria-describedby="caption-attachment-32889" style="width: 290px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32889 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nos-dois.jpg" alt="" width="290" height="445" /><figcaption id="caption-attachment-32889" class="wp-caption-text">&#8220;Sobretudo no início, Regan por vezes tentava identificar o momento em que as trajetórias deles se encaminharam para uma colisão inevitável.&#8221; (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><strong>Olivie Blake &#8211; Nós dois sozinhos no éter</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob o pseudônimo de </span><a href="https://intrinseca.com.br/autor/olivie-blake/"><span style="font-weight: 400;">Olivie Blake</span></a><span style="font-weight: 400;">, Alexene Farol Follmuth presenteia o público jovem adulto com </span><i><span style="font-weight: 400;">Nós dois sozinhos no Éter</span></i><span style="font-weight: 400;">. O texto conta a história de </span><span style="font-weight: 400;">Aldo Damiani e Charlotte Regan, duas personalidades opostas que no magnetismo de sentir não conseguem mais se afastar. Apesar de, à primeira vista, soar como um grande clichê </span><i><span style="font-weight: 400;">enemies to lovers</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra é muito mais que isso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 336 páginas, Blake se dispõe a uma missão: desenvolver cada faceta dos personagens. Assim, conseguimos entender seus bastidores para nos apaixonarmos pelo relacionamento. Trabalhando com traumas, questões psicológicas e familiares, a obra traduzida por Carlos César da Silva mostra tudo em corações desarmados. O doce de</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=S3-FZd2lGk0"><i><span style="font-weight: 400;">Nós dois sozinhos no Éter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> vive na complexidade de testemunhar ruínas individuais compartilhando uma mesma construção.</span><b> – Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_32882" aria-describedby="caption-attachment-32882" style="width: 557px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32882" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Principe-Harry-1-557x800.jpg" alt=" Capa do livro O que sobra de Príncipe Harry. A arte de capa é uma fotografia de Harry, um homem branco de cabelos ruivos e olhos claros. A câmera o captura a partir dos ombros enquanto ele olha diretamente para a lente. O fundo é branco e pouco aparece, já que a face dele ocupa o maior espaço. Na parte superior está escrito em letras garrafais brancas “PRÍNCIPE HARRY” e, na parte inferior, da mesma forma está o título do livro “O QUE SOBRA”." width="557" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Principe-Harry-1-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Principe-Harry-1-713x1024.jpg 713w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Principe-Harry-1-768x1103.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Principe-Harry-1.jpg 1044w" sizes="auto, (max-width: 557px) 85vw, 557px" /><figcaption id="caption-attachment-32882" class="wp-caption-text">O que sobra foi traduzido para o português por Cássio de Arantes Leite, Débora Landsberg, Denise Bottmann e Renato Marques (Foto: Objetiva)</figcaption></figure>
<p><b>Príncipe Harry &#8211; O que sobra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vazamentos e </span><a href="https://glamour.globo.com/entretenimento/livros/noticia/2023/01/o-que-sobra-as-revelacoes-mais-bombasticas-do-livro-de-memorias-de-harry.ghtml"><span style="font-weight: 400;">declarações polêmicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> frente a um contexto nada favorável para a monarquia britânica culminam em </span><i><span style="font-weight: 400;">O que sobra</span></i><span style="font-weight: 400;">, a autobiografia do Príncipe Harry. Acostumado a estampar os tabloides mais sensacionalistas no começo do século, o livro que traz a perspectiva do ‘</span><a href="https://luciointhesky.wordpress.com/2012/03/13/harry-o-patinho-feio-de-buckingham/"><span style="font-weight: 400;">patinho feio</span></a><span style="font-weight: 400;">’ é, possivelmente, o último ato culturalmente relevante de algum membro da Família Real; fadada ao enfraquecimento gradual devido a perda de apoio popular a cada ano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há nada tão humano quanto simpatizar com aquele que consideramos ser o injustiçado da história e, na mesma medida, a satisfação em assisti-lo fazer a sua justiça é extremamente prazerosa. A narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">O que sobra</span></i><span style="font-weight: 400;"> se encaixa perfeitamente nesse cenário, afinal, ainda que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EiEifW_Gob0"><span style="font-weight: 400;">Príncipe Harry</span></a><span style="font-weight: 400;"> não seja, de fato, um pobre menino largado à sorte pelo mundo, até as passagens mais fúteis de sua trajetória são escritas muito bem, facilmente transitando pelo gênero de autoajuda. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autobiografia chegou às livrarias já com um certo cansaço por parte do público, irritado com as centenas de declarações espalhadas pelas redes sociais ou que já não aguentava mais ouvir falar sobre </span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-e-meghan-critica/"><span style="font-weight: 400;">Harry e Meghan Markle</span></a><span style="font-weight: 400;">, dado que a série documental do casal havia estreado há poucas semanas. Embora falhe em alguns sentidos, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HI52nXTLmb8"><i><span style="font-weight: 400;">O que sobra</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> apresenta uma linha de raciocínio que cativa fácil, sendo um dos retratos mais importantes dos últimos anos.</span><b> &#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32893" aria-describedby="caption-attachment-32893" style="width: 560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32893 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/81ekPgQHFhL._AC_UF10001000_QL80_-560x800.jpg" alt="" width="560" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/81ekPgQHFhL._AC_UF10001000_QL80_-560x800.jpg 560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/81ekPgQHFhL._AC_UF10001000_QL80_.jpg 700w" sizes="auto, (max-width: 560px) 85vw, 560px" /><figcaption id="caption-attachment-32893" class="wp-caption-text">“Minha Pollyana se antena e joga o jogo do Contente, pois sempre existe um lado bom” (Foto: Globo Livros)</figcaption></figure>
<p><strong>Rita Lee &#8211; Outra Autobiografia</strong></p>
<p><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2023/05/09/rita-lee-rainha-do-rock-brasileiro-morre-aos-75-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Perder</span></a><span style="font-weight: 400;"> Rita Lee em Maio de 2023 foi doloroso e deixou para os fãs a saudade de alguém insubstituível para a Música e para o mundo. No entanto, o lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: Outra autobiografia</span></i><span style="font-weight: 400;"> alguns dias depois, na comemoração de Santa Rita de Cássia, chegou como um abraço caloroso. O texto trabalha os seus dois últimos anos de vida, mas não é nada melancólico. Cruel, irônico e verdadeiro seriam adjetivos melhores para definir, afinal, a Rainha do Rock nunca foi de chorar pitangas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os desafios enfrentados pela cantora não ficam de lado do relato, são bastante fortes e cheios de detalhes. Ainda assim, somos capazes de sentir como a mulher que pelo amor roubaria os anéis de saturno estava pronta para lutar e lidar com tudo, consciente como alguém que teve uma vida extensa e muito bem resolvida. </span><a href="https://personaunesp.com.br/rita-lee-uma-autobiografia-critica/"><span style="font-weight: 400;">Rita</span></a><span style="font-weight: 400;"> não tinha autopiedade no coração e nos faz acreditar que realmente estava com sua missão cumprida quando partiu, e é claro, tudo isso com a personalidade única marcada a cada trecho. Ler </span><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: Outra autobiografia </span></i><span style="font-weight: 400;">coloca o luto em segundo plano mesmo com a inevitável companhia da morte. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32884" aria-describedby="caption-attachment-32884" style="width: 534px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32884" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/quarto-aberto-534x800.png" alt="" width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/quarto-aberto-534x800.png 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/quarto-aberto.png 667w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-32884" class="wp-caption-text">&#8220;Por que ele queria tomar um drink comigo?&#8221; (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Tobias Carvalho – </b><b><i>Quarto Aberto </i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em lentes almodovarianas, talvez o primeiro romance do premiado <a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-tobias-carvalho/">Tobias Carvalho</a> daria centro ao fato de seus personagens poderem ser descritos como gays a beira de um ataque nervos ou até mesmo ao labirinto da lei do desejo que, em suas diversas complexidades individuais e uns com os outros, são desafiados a atravessar. Mas longe de qualquer uma dessas descrições melodramáticas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto Aberto </span></i><span style="font-weight: 400;">partilha do um realismo que marca a escrita do autor e que, diferentemente dos contos de seu antecessor </span><i><span style="font-weight: 400;">Visão Noturna </span></i><span style="font-weight: 400;">e mais próximo do vencedor do prêmio Sesc de Literatura </span><i><span style="font-weight: 400;">As Coisas, </span></i><span style="font-weight: 400;">parte do ímpeto da ficcionalização de um determinado recorte da realidade de experiências de homens gays, sem que tal exercício comprometa a maestria literária de sua escrita.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um universo muito próprio da realidade íntima de seus personagens – homens gays que lidam com suas interioridades e suas próprias trajetórias ao mesmo tempo que habitam a cidade afora em aplicativos de sexo ou como<em> drag queens</em> – Carvalho constrói uma análise dos relacionamentos que distancia-se do usual em algo que poderia ser chamado de uma </span><a href="https://www.nbcnews.com/nbc-out/out-news/lgbtq-fiction-gay-literature-publishing-turning-point-rcna127922"><i><span style="font-weight: 400;">gay-lit</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; sem colocar como centro apenas a relação de seu protagonista com indecisões e triângulos e quadriláteros amorosos. – </span><b>Enzo Caramori</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32914" aria-describedby="caption-attachment-32914" style="width: 290px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32914" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/51KyJA1YBZL._SY445_SX342_.jpg" alt="" width="290" height="445" /><figcaption id="caption-attachment-32914" class="wp-caption-text">Um traço até você abraça quem só quer amar (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><strong>Olivia Pilar &#8211; Um traço até você</strong></p>
<p><strong><span style="font-weight: 400;">Apaixonante, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um traço até você</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.oliviapilar.com.br/"><span style="font-weight: 400;">Olívia Pilar</span></a><span style="font-weight: 400;">, trouxe para as jovens negras sáficas o que elas precisavam para se sentir representadas em um clichê que não ignora os desafios do contexto social. Protagonizada por Lina, a narrativa detalha os choques de uma menina que sempre viveu com privilégios financeiros ao se deparar com um contexto racista que a impede de ocupar todos os lugares em nome da discrimação. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Em meio a autodescoberta, que já seria suficiente para construir uma obra completa, surge Elza. O relacionamento entre as personagens é doce e inspirador, mas, principalmente, essencial para a evolução e crescimento das duas, que se ensinam, compreendem e crescem juntas. O ritmo gradual faz com que tudo se encaixe e, ao final, tenhamos uma Lina mais forte e rodeada por maturidade. Em suma, a cumplicidade de amar em </span><a href="https://intrinseca.com.br/livro/um-traco-ate-voce/"><i><span style="font-weight: 400;">Um traço até você</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é muito maior que as borboletas no estômago. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></strong></p>
<hr />
<figure id="attachment_32887" aria-describedby="caption-attachment-32887" style="width: 284px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32887" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-1-1-1.jpg" alt="Capa do livro Amêndoas, de Won-pyung Sohn. Nela, vemos uma ilustração em tons pastéis de um menino em frente a uma loja. A loja, que é azul, se encontra no primeiro andar de um sobrado, e possui um grande letreiro rosa com uma palavra escrita em coreano. Em cima do letreiro tem uma espécie de tenda nas cores vermelho e branco em listras verticais e, acima, uma unidade externa cinza de um ar-condicionado. As paredes do sobrado parecem ser de azulejo marrom e, do lado esquerdo, há uma escada com degraus cor-de-rosa que permitem o acesso ao segundo andar. Na frente da loja, há uma planta em um vaso marrom. O menino veste uma camiseta de manga comprida preta e uma calça marrom. Na parte inferior da capa, há uma faixa rosa onde encontra-se o título do livro do lado direito, com o nome da autora em baixo, ambos na cor azul turquesa, e o nome da editora do lado inferior esquerdo, na cor branca" width="284" height="425" /><figcaption id="caption-attachment-32887" class="wp-caption-text">Lançado em Março de 2023 no Brasil, Amêndoas se popularizou graças à indicação de um dos membros da banda coreana BTS (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><strong>Won-pyung Sohn &#8211; Amêndoas</strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Amêndoas</span></i><span style="font-weight: 400;">, livro de estreia da diretora e romancista sul-coreana </span><a href="https://www.kbook-eng.or.kr/sub/interview.php?ptype=view&amp;idx=621&amp;page=$page&amp;code=interview"><span style="font-weight: 400;">Won-pyung Sohn</span></a><span style="font-weight: 400;">, conta a história de Yunjae, um jovem que possui uma condição neurológica chamada alexitimia. Suas amígdalas cerebelosas – chamadas de ‘amêndoas’ pelo protagonista por conta da semelhança física entre elas – são subdesenvolvidas e, por isso, ele é incapaz de identificar e expressar sentimentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com capítulos curtos, uma história diferente daquelas que geralmente são oferecidas e uma linguagem simples, é difícil deixar a leitura de lado. A obra explora a adolescência, o significado das emoções, a diversidade da vida e da trajetória de cada um, mas seu foco principal é a importância de criar laços.</span> <a href="https://rocco.com.br/produto/amendoas/"><i><span style="font-weight: 400;">Amêndoas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um </span><i><span style="font-weight: 400;">coming of age</span></i><span style="font-weight: 400;"> extremamente sensível, que destaca como o amor é capaz de fazer “</span><i><span style="font-weight: 400;">de alguém um ser humano, assim como o que faz de alguém um monstro</span></i><span style="font-weight: 400;">”, como descreve a autora. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
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		<title>A Sibila: Literatura e Cinema andam de mãos dadas</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Nov 2023 18:19:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez O Cinema, enquanto Arte, amplia horizontes. Seja ao apresentar pontos de vistas únicos que fazem o espectador pensar duas vezes ou retratar uma cultura diferente, entrar em contato com o desconhecido pode também ser desafiador. Na 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, A Sibila é um desses desafios para um público &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-sibila-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Sibila: Literatura e Cinema andam de mãos dadas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31870" aria-describedby="caption-attachment-31870" style="width: 730px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31870" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-1.webp" alt="" width="730" height="486" /><figcaption id="caption-attachment-31870" class="wp-caption-text">A adaptação literária A Sibila integrou a 47ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo na seção Novos Diretores (Foto: Alfama Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cinema, enquanto Arte, amplia horizontes. Seja ao apresentar pontos de vistas únicos que fazem o espectador pensar duas vezes ou retratar uma cultura diferente, entrar em contato com o desconhecido pode também ser desafiador. Na 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sibila </span></i><span style="font-weight: 400;">é um desses desafios para um público desavisado: o longa, presente na seção Novos Diretores do festival, adapta o romance homônimo de uma importante escritora portuguesa, Agustina Bessa-Luís.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, diferente de outros escritores portugueses, Bessa-Luís não virou leitura obrigatória no Ensino Médio ou nos vestibulares, e a </span><a href="https://www.blogletras.com/2020/03/a-sibila-de-agustina-bessa-luis.html"><span style="font-weight: 400;">adaptação de sua obra</span></a><span style="font-weight: 400;">, tida por muitos como impossível de ser realizada pelo tom de monólogo, instiga o público a pensar em como a Literatura e o Cinema se constroem, se conectam e se sobrepõem (se é que o fazem). Em pouco mais de uma hora, Eduardo Brito, diretor estreante em longas-metragens, assume o desafio e </span><a href="https://valkirias.com.br/adaptacoes-literarias/"><span style="font-weight: 400;">questiona esses limites</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-31867"></span></p>
<figure id="attachment_31872" aria-describedby="caption-attachment-31872" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31872" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila.jpg" alt="" width="1920" height="709" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-800x295.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-1024x378.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-768x284.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-1536x567.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-1200x443.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31872" class="wp-caption-text">A Sibila foi lançado em Portugual na semana que se comemora o centenário da autora (Foto: Alfama Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como no livro, </span><a href="https://47.mostra.org/filmes/a-sibila-47a"><i><span style="font-weight: 400;">A Sibila</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se passa no interior de Portugal em meados do século XX, em um charmoso casarão rústico, com móveis de madeira, janelas altas e paredes amarelas claras. Nele, Germana (Joana Ribeiro), sentada em uma cadeira de balanço, conta a história da vida da tia, Maria Joaquina (Maria João Pinho) a um amigo. Quina, como a familiar era conhecida, foi a única das irmãs que não se casou e teve filhos e, por isso, criou uma afeição em especial com Germa (a sobrinha).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, como qualquer narrador, a mais nova tem suas opiniões e o monólogo em </span><i><span style="font-weight: 400;">off </span></i><span style="font-weight: 400;">não a deixa mentir. Porém, é através das farpas e dos comentários duvidosos proferidos pela sobrinha que o espectador analisa as situações, equilibrando o que se escuta com o que se vê. Nesse caso, o que se vê são as ações de Maria Joaquina, já que, passeando entre os tempos em uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-longa-viagem-do-onibus-amarelo-critica/"><span style="font-weight: 400;">linguagem cinematográfica</span></a><span style="font-weight: 400;"> dinâmica, o longa mescla a contação de Germa, no presente, às ações de Quina, no passado. A semelhança física entre as duas atrizes tornam a experiência ainda mais curiosa, ao, em um primeiro momento, tentar distinguir quem é quem.</span></p>
<figure id="attachment_31871" aria-describedby="caption-attachment-31871" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31871" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-2.jpg" alt="" width="640" height="430" /><figcaption id="caption-attachment-31871" class="wp-caption-text">Desde jovem, Quina usa seu poder de manipulação a seu favor (Foto: Alfama Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Indo e voltando entre tempos da narrativa, mas sem sair da mesma sala da Casa da Vessada que foi herdada por Quina, </span><a href="https://asibila-filme.com/"><i><span style="font-weight: 400;">A Sibila</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">impõem um ritmo que frequentemente se contrapõem à narração. Enquanto a caracterização bucólica e a sensação de isolamento prevalecem entre ambos &#8211; essa segunda parte graças à fotografia de Mário Castanheira, que filma amplos ambientes internos e externos destacando a ausência de corpos -, a condução em forma de monólogo pede um passo atrás.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso porque a obra se constrói em um texto que parece tirado diretamente do livro base. Com uma língua afiada e um punho fechado, a protagonista reproduz falas literárias que fascinam pela </span><a href="https://www.dn.pt/cultura/eduardo-brito-ao-filmar-a-sibila-era-preciso-nao-perder-a-riqueza-das-palavras-de-agustina-17145626.html"><span style="font-weight: 400;">riqueza de vocabulário</span></a><span style="font-weight: 400;"> e construções frasais únicas &#8211; embora afastem o espectador, que, pelo menos nas sessões da Mostra de São Paulo, não recebeu uma legenda adaptada para o português brasileiro e pode ter perdido parte da complexidade da narrativa. Tamanho é o floreio na escrita, em um roteiro também de Eduardo Brito, que é como assistir um filme narrado pelas irmãs Brontë ou Jane Austen &#8211; ou por Agustina Bessa-Luís.</span></p>
<figure id="attachment_31869" aria-describedby="caption-attachment-31869" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31869" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-3.webp" alt="" width="1280" height="692" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-3.webp 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-3-800x433.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-3-1024x554.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-3-768x415.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-3-1200x649.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31869" class="wp-caption-text">No filme, homens são coadjuvantes para as duas protagonistas (Foto: Alfama Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da condução, a narração e a atuação das duas protagonistas engrandecem o roteiro de </span><a href="https://47.mostra.org/diretores/eduardo-brito"><span style="font-weight: 400;">Brito</span></a><span style="font-weight: 400;">: desde o início, Germa retrata Quina de uma forma manipuladora, mas também extremamente esperta e resistente às adversidades de uma sociedade que a subjugava. Descrita como “</span><i><span style="font-weight: 400;">possuidora de todo o puro enigma do ser humano</span></i><span style="font-weight: 400;">”, na voz de Joana Ribeiro a mais velha ainda ganha tons de mistério, como se seus negócios nada secretos tivessem motivos alternativos por trás, uma espécie de feitiçaria. No entanto, o que se mostra na tela é uma Maria Joaquina simples, com desejos que não passam de ganância.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-vazio-de-domingo-a-tarde-critica/"><span style="font-weight: 400;">dualidades</span></a><span style="font-weight: 400;"> vividas intensamente por Maria João Pinho retratam uma personagem solitária, que não se tornaria submissa a um homem apenas por convenção, mas que, pelo desejo por propriedades, jóias e outros bens materiais, afastou o afeto e comprava o amor da família. Germa foi uma das agraciadas: a sobrinha, uma criança curiosa e questionadora que se afastou da tia na infância, se reconectou com ela posteriormente. Na idade adulta, as diferenças &#8211; a mais nova foi viver na cidade e estudar artes, enquanto a mais velha defendia a vida no interior e os ensinamentos dos deveres de casa &#8211; criam uma relação magnética de admiração, mas também de ciúmes e ainda mais ganância.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-sobrevivencia-da-bondade-critica/"><span style="font-weight: 400;">complexidade da protagonista</span></a><span style="font-weight: 400;"> ganha novos tons em sua relação com Custódio (Raimundo Cosme), criança moradora da Casa da Vessada antes de Quina herdar a posse do lugar. Adotado afetivamente, ele foi criado com a mesma sede por riqueza que ela. Porém, sob sua rigidez, se tornou um jovem ocioso e dependente, que, sem planos de vida, espera somente o testamento da mais velha. O filho adotivo, assim como os outros homens da trama &#8211; pais, irmãos e maridos &#8211; são os donos daquela Portugal arcaica e rural, mas, em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sibila</span></i><span style="font-weight: 400;">, a visão feminina de Germa sobre a tia a coloca em um local de superioridade ao gênero oposto: eles podiam ditar as regras no mundo, mas nas terras herdadas por Quina, especialmente no Casarão da Vessada, ela quem mandava.</span></p>
<figure id="attachment_31868" aria-describedby="caption-attachment-31868" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31868" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-4.jpg" alt="" width="1280" height="691" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-4-800x432.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-4-1024x553.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-4-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/a-sibila-4-1200x648.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31868" class="wp-caption-text">A semelhança física entre as intérpretes das protagonistas é, no mínimo, curiosa (Foto: Alfama Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Jogando um olhar sob uma Portugal patriarcal, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Sibila </span></i><span style="font-weight: 400;">subverte uma lógica simplista ao retratar duas personagens decididas, cheias de nuances e defeitos (que podem tornar até difícil a conexão), mas sempre dispostas a bater de frente com quem fosse para conseguir o que queriam &#8211; inclusive, uma com a outra. Com um texto extremamente literário, o envolvimento depende da disposição em decifrar um idioma homônimo ao nosso, porém com poucos traços de similaridade prática. Em um exercício de como a linguagem cinematográfica pode corroborar com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/jogos-vorazes-em-chamas-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">adaptação literária</span></a><span style="font-weight: 400;">, Eduardo Brito mostra que ambas Artes andam de mãos dadas. </span></p>
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		<title>Há 40 anos, King quase enterrou O Cemitério &#8211; e que bom que isso não aconteceu</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Nov 2023 17:11:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Alerta de gatilho: violência explícita, morte e luto Marcela Lavorato O Cemitério plantado por Stephen King colhe frutos há 40 anos. O motivo é simples: o livro é uma descrição minuciosa dos sentimentos humanos em torno de um fato que não nos é explicado, mas que esperamos vir inevitavelmente ao longo da vida &#8211; a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-cemiterio-40-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 40 anos, King quase enterrou O Cemitério &#8211; e que bom que isso não aconteceu"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Alerta de gatilho: violência explícita, morte e luto</p>
<figure id="attachment_31825" aria-describedby="caption-attachment-31825" style="width: 452px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31825" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/o-cemiterio-capa.jpg" alt="Capa do livro O Cemitério. A capa tem um fundo que na parte posterior tem lápides e na parte inferior tem um gato felpudo com coloração preta e reflexos brancos, está com os olhos brancos. Na parte superior, tem os dizeres &quot;Stephen King&quot; em branco. Já embaixo, há o título do livro &quot;O Cemitério&quot; e o logo da Editora Suma em vermelhos. A letra &quot;c&quot; de cemitério lembra o rabo de um gato." width="452" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-31825" class="wp-caption-text">O Cemitério é a personificação da morte em todos os sentidos (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Lavorato</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Cemitério</span></i><span style="font-weight: 400;"> plantado por Stephen King colhe frutos há 40 anos. O motivo é simples: o livro é uma descrição minuciosa dos sentimentos humanos em torno de um fato que não nos é explicado, mas que esperamos vir inevitavelmente ao longo da vida &#8211; a morte. Na verdade, a morte não é algo simples, mas percorre a base do natural e do orgânico, algo que já nascemos com ela, pois sabemos que um dia irá acontecer, mas nunca esperamos ser tão cedo. A narrativa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HJWFsZ_YUc4&amp;pp=ygUMcGV0IHNlbWV0YXJ5"><i><span style="font-weight: 400;">Pet Sematary</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; título original -, portanto, abre portas para tramas brutas e reais que fazem o leitor experimentar todos os sentidos ao ler essa obra-prima do terror.</span></p>
<p><span id="more-31824"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O enredo, em sua grande maioria, ocorre no </span><a href="https://stephenking.com/the-author/"><span style="font-weight: 400;">Maine</span></a><span style="font-weight: 400;">, estado localizado no extremo nordeste dos Estados Unidos. A história se inicia a partir da mudança de Louis com a sua família &#8211; Rachel, a esposa, Ellie e Gage, os filhos, e Winston Churchill, o gato de Ellie &#8211; para a cidade de Ludlow, na qual o protagonista consegue um emprego de médico na Universidade do Maine. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O começo já apresenta uma narrativa densa por causa dos acontecimentos que surgem a partir da chegada à nova residência. Perda de chaves, choros de cansaço e estresse, picada de abelha, machucado no joelho: tudo isso antes mesmo de entrar na casa. Nesse momento, é sentido, na atmosfera da narração que o local não quer os novos moradores lá. A partir daí, é que se desenvolve a história entre Louis Creed e Judson Crandall, um senhor de 80 anos que vive do outro lado da rodovia. É através dessa amizade que o livro percorre a sua </span><a href="https://alemdolivro.com/2019/06/02/resenha-de-o-cemiterio-stephen-king/"><span style="font-weight: 400;">trama tenebrosa</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31828" aria-describedby="caption-attachment-31828" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31828" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-1.jpg" alt="A imagem é uma ilustração do artista Robert Sammelin. O desenho é feito em tons que variam do roxo ao preto. A ilustração mostra Stephen King enterrando (ou desenterrando) algo. O observador tem a perspectiva de estar dentro do buraco. King tem o cabelo curto, usa óculos, veste uma blusa do Ramones e uma jaqueta e utiliza uma pá. Ao fundo, percebe-se que King está em um cemitério: há floresta, um portão ao seu fundo e três cruzes feitas de madeira. Há um ponto mais claro ao fundo para dar o aspecto de perspectiva. As placas descrevem os animais falecidos: “Smucky, o Gato - Ele era obediente” “Biffer, um ótimo farejador” e “Trixie - atropelada na estrada”." width="1920" height="1290" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-1-800x538.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-1-1024x688.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-1-768x516.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-1-1536x1032.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-1-1200x806.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31828" class="wp-caption-text">O Cemitério tem alguns elementos relacionados com histórias que realmente aconteceram com o autor (Ilustração: Robert Sammelin)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Cemitério</span></i><span style="font-weight: 400;">, no decorrer da parte um, é mais lento e demorado para apresentar as consequências dos atos de Louis ao longo da narrativa. Porém, já na parte dois e três, toma um ritmo frenético. São diversos acontecimentos ao mesmo tempo, transparecendo a ideia de que o leitor tem que saber dos fatos custe o que custar. Com essa premissa, Stephen King é primoroso com as palavras e nos remete muito ao </span><a href="https://machado.mec.gov.br/"><span style="font-weight: 400;">conceito machadiano</span></a><span style="font-weight: 400;"> do descritivismo. Descrição é o que não falta no livro &#8211; traduzido por </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/Busca?autor=05319"><span style="font-weight: 400;">Mário Molina</span></a><span style="font-weight: 400;"> e lançado pela Editora Suma &#8211; e é nela que está impregnada o que o escritor quer passar através da escrita. Seja em cenas de comemoração ou violência, a imaginação floresce por meio dos detalhes que nunca são demais &#8211; ou até são, em certos momentos &#8211; para o clima da história. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No decorrer do livro, depois do primeiro encontro de Louis e Jud, o convívio cresce e, entre uma cerveja e outra, a cumplicidade aumenta. Jud é um senhor que viveu sua vida inteira naquele lugar e, portanto, sabe muito bem o que acontece na cidade. Todo esse </span><a href="https://stephenking.com/works/novel/pet-sematary.html"><span style="font-weight: 400;">conhecimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> é passado para Louis, ele querendo ou não. A narrativa que inicia a história sobrenatural da trama é um cemitério, ou melhor, um ‘simitério’ de bichos, localizado em uma trilha dentro de seu terreno. O local é a representação da curiosidade materializada nesse </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-cemiterio-stephen-king-enterra-receios-autor-ressuscita-historia-sobria-intensa-muito-assustadora/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">cenário nebuloso</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em torno dali, há uma passagem obstruída para algum lugar e que se mantém inacessível até um fato importante para o encaminhamento da história.</span></p>
<figure id="attachment_31827" aria-describedby="caption-attachment-31827" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31827" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/stephen-king.jpg" alt=" Cena do filme Cemitério Maldito. Stephen King é um homem branco, de cabelos castanhos com corte médio e está com os braços levantados. Em uma das mãos tem um livro, possivelmente uma bíblia. Utiliza óculos. Está vestido com uma roupa de padre preta e com um colarinho branco. No fundo, é possível ver que está em um cemitério. Ele está vestido dessa forma por causa da sua participação no filme de 1989." width="656" height="431" /><figcaption id="caption-attachment-31827" class="wp-caption-text">Stephen King interpretou o padre na versão de 1989 de Cemitério Maldito (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A questão da escrita errada da palavra </span><a href="https://www.leitoraviciada.com/2019/06/o-verdadeiro-cemiterio-de-bichos-stephen-king.html?m=1"><span style="font-weight: 400;">cemitério</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece ter um motivo maior do que ser somente um singelo erro. O engano chega a ser irônico: parece que está lá para sempre lembrar do cemitério e no que há além dele. A partir dessa concepção, a narrativa caminha para culminar ao ponto de Louis conhecer realmente o que há do outro lado. Esse momento é bastante significativo para entender o porquê somente Crandall e Creed sabiam desse ponto. A partir disso, é o momento no qual Jud leva o médico para o outro lado do </span><a href="https://isabelaboscov.com/2019/05/09/cemiterio-maldito/"><span style="font-weight: 400;">‘simitério’ dos bichos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e alguma coisa chamava-os para desfrutar as terras de lá. Ao decorrer do bosque, algo que transcende o real está inserido no ambiente e a euforia cresce durante a passagem da floresta até a chegada a um outro cemitério, da comunidade indígena micmac. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um ponto interessante é que havia uma </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/vert-cul-61252440"><span style="font-weight: 400;">espiral</span></a><span style="font-weight: 400;"> desenhada no chão rochoso. O símbolo vai contra a premissa da vida &#8211; que tem um começo e um fim. Na obra, ela se baseia em algo interminável e vicioso, assim como Jud contou a Louis sobre o cemitério, como Stanny B. contou para Jud e como o pai de Stanny B. contou a ele. É um ciclo inquebrável. E é através desses simbolismos que o livro vai sendo construído.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a história, Creed é percorrido por diversos momentos que o alerta para não atravessar a fronteira do cemitério, desde o aviso que recebeu do universitário que morreu no seu primeiro dia de trabalho até o sonho muito vívido em que o </span><a href="https://youtu.be/lfgpDipPAKQ?si=E9v-j8ZZPv8f3pFs"><span style="font-weight: 400;">morto</span></a><span style="font-weight: 400;"> o alertava de não passar por aquelas madeiras. O território, além de estar impedido de entrar, é um lugar que deve ser respeitado e o descumprimento dessa ordem afetaria a sua família. Mesmo assim, ele não se importou, seguiu em frente e fez o que não podia. A partir dessa tomada de decisão, a loucura se inicia.</span></p>
<figure id="attachment_31826" aria-describedby="caption-attachment-31826" style="width: 740px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31826" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/gif-o-cemiterio.gif" alt="O GIF é um vídeo rápido que transita entre imagens. Na primeira imagem, há um fundo verde e preto com um cemitério de fundo, com escritas &quot;Pet Sematary&quot; e com um homem e um gato. Na transição da imagem, some o cemitério e os outros componentes da imagem anterior e aparece um gato preto com textura e relevos feitos na cor verde. Os olhos do gato também são verdes." width="740" height="981" /><figcaption id="caption-attachment-31826" class="wp-caption-text">“Você arranjou a coisa, ela é sua, e mais cedo ou mais tarde acaba voltando às suas mãos, Louis Creed pensou.” (GIF: Dan Mumford)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O conhecimento do cemitério dos bichos serviu de amadurecimento para alguns ou de loucura para outros. Ellie entendeu que seu amado gato poderia morrer em qualquer dia e teria que lidar com o </span><a href="https://drauziovarella.uol.com.br/psiquiatria/como-explicar-a-morte-para-as-criancas/"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, Creed, que conhece um lugar além do natural, sabe muito bem do controle que precisa ter para não sofrer uma dominação (que vai acontecer, em algum momento). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo da </span><a href="https://stephenking.com.br/ficcao/"><span style="font-weight: 400;">obra</span></a><span style="font-weight: 400;">, o homem sofrerá inúmeras intercorrências que o deixarão entre a racionalidade e a insanidade. O ponto é que o personagem se deixa levar pelo poder daquele lugar e perde o controle de si mesmo e da realidade. O aviso foi dado, mas ele o descumpriu. E esse é o momento no qual a compaixão do leitor é bastante estimulada para fluir entre os seus próprios dilemas sobre as consequências das ações tomadas.</span></p>
<figure id="attachment_31829" aria-describedby="caption-attachment-31829" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31829" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-3.jpg" alt=" A imagem é em preto e branco e tem um fundo branco com Stephen King centralizado ao meio. King é um homem branco, em torno dos seus 60 anos na foto, tem um cabelo médio, usa óculos e uma camiseta preta. Está sorrindo com o queixo um pouco inclinado para a esquerda da imagem. " width="1200" height="647" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-3-800x431.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-3-1024x552.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-3-768x414.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31829" class="wp-caption-text">King escreveu O Cemitério entre Fevereiro de 1979 e Dezembro de 1982 (Foto: François Sechet)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O enredo construído por King é atemporal e está longe de ser algo datado. Todas as narrativas ali transpostas tratam de algo humano, carnal e não importa a época na qual foi escrito, as sensações transpassam a linha do tempo. Seja uma leitura feita em 1983 ou em 2083, aquele que lê terá a mesma angústia. Esse fato torna o livro ao mesmo tempo simples e complexo, e Stephen King traduz sentimentos em palavras &#8211; tão cruas &#8211; que é preciso em alguns momentos se dar uma pausa. Isso é tão grandioso que demonstra o quão profundo é o desenvolvimento das diversas histórias ali criadas. Assim,  é possível entender o impacto no mundo do terror até nos dias de hoje e que reverberam, principalmente no audiovisual. Mesmo as últimas adaptações não serem do agrado do público &#8211; por diversos motivos -, é importante relembrar que mais uma adaptação de</span><i><span style="font-weight: 400;"> O Cemitério</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qQXtnlzko3o"><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, no desenrolar da história, King discorre sobre questões que são pertinentes até atualmente, mesmo que não as explore muito. Uma delas é o caso do </span><a href="https://br.usembassy.gov/pt/povos-indigenas-do-brasil-e-dos-eua-trocam-experiencias-sobre-protecao-territorial/"><span style="font-weight: 400;">território indígena</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos micmacs, os quais, na narrativa, estão reivindicando suas terras contra o Estado. A apropriação desses lugares pelo Governo reflete na atualidade e de como a colonização tem como resultado o genocídio dos povos originários, suas culturas e seus ideais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Cemitério </span></i><span style="font-weight: 400;">celebra seus 40 anos com muitos triunfos e se consagra com uma história repleta de morte, sangue, luto, raiva, desespero, angústia e cemitérios, transmitindo tudo isso da forma mais magistral: atiçando a curiosidade do leitor e fazendo com que continue a experiência, mesmo esta sendo a mais mórbida possível. Stephen King, que só releu a obra </span><a href="https://ew.com/movies/2019/03/29/pet-sematary-stephen-king-interview/"><span style="font-weight: 400;">depois de 20 anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> (ela quase não foi publicada por ser muito tenebrosa), mostra que a sua </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-critica/"><span style="font-weight: 400;">fonte de criação</span></a><span style="font-weight: 400;"> é algo que sempre se mostrou original e não se encontra por aí com facilidade. </span></p>
<blockquote><p>O solo do coração de um homem é mais empedernido, Louis — murmurou o moribundo. — Um homem planta o que pode&#8230; E cuida do que plantou. Louis, ele pensou, nada ouvindo de forma consciente depois do próprio nome. Oh, meu Deus, ele me chamou pelo nome.</p></blockquote>
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