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	<title>Arquivos Jenny Beavan &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Jenny Beavan &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Melhor Figurino: A importância do costume design no audiovisual vai além do Oscar</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Mar 2023 23:17:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Costanza Guerriero “Eu não sou uma estilista. Eu uso as roupas para contar histórias”, disse a figurinista Jenny Beavan após ganhar o Oscar de Melhor Figurino pelo filme Cruella. Sua frase define bem o que a categoria representa, ou deveria representar, dentro da indústria cinematográfica. A Moda pela Moda deixa de existir em nome da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/melhor-figurino-oscar-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Melhor Figurino: A importância do costume design no audiovisual vai além do Oscar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30473" aria-describedby="caption-attachment-30473" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-30473" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/figurinos.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/figurinos.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/figurinos-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/figurinos-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30473" class="wp-caption-text">Em 2022, a categoria de Melhor Figurino sequer foi transmitida ao vivo durante o Oscar (Arte: Nathália Mendes)</figcaption></figure>
<p><b>Costanza Guerriero</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu não sou uma estilista. Eu uso as roupas para contar histórias</span></i><span style="font-weight: 400;">”, disse a figurinista Jenny Beavan após ganhar o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Figurino pelo filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Cruella</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sua frase define bem o que a categoria representa, ou deveria representar, dentro da indústria cinematográfica. A Moda pela Moda deixa de existir em nome da Sétima Arte e se transforma em uma linguagem visual com um único objetivo final: contar uma história. Desde os primórdios da interpretação, do teatro ao começo do Cinema, o figurino está presente como um elemento essencial na construção de uma narrativa. Ainda assim, a categoria parece ser uma das menos prestigiadas, como ficou claro no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2022, quando ficou entre as oito a serem premiadas fora da </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-present-all-23-artigo/"><span style="font-weight: 400;">transmissão</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao vivo.</span></p>
<p><span id="more-30460"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Destaca-se que a Moda e o Cinema possuem muitos pontos em comum, sendo ambos linguagem </span><a href="https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:HC26zbRUWqkJ:https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/6277562.pdf&amp;cd=14&amp;hl=pt-BR&amp;ct=clnk&amp;gl=br&amp;client=safari"><span style="font-weight: 400;">multimidiáticas</span></a><span style="font-weight: 400;">, que trabalham com a narração. No audiovisual, a comunicação se dá de maneira mais óbvia, contando histórias por meio dos sentidos a que remete, enquanto a primeira expressa narrativas de modo mais silencioso, por meio de modelos, tecidos, texturas e artefatos. A união dessas duas artes dá origem ao </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de figurino, situação na qual a produção cinematográfica cresce, com as contribuições do estilismo. Apesar do papel essencial das vestimentas nas produções, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> e seus telespectadores insistem em trazer pouca visibilidade para a categoria, o que pode se justificar por três fatores: a associação errônea da modalidade ao binarismo e ao preconceito de gênero, a pouca abertura para novos nomes no </span><i><span style="font-weight: 400;">costume design</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou ainda a preferência por determinados gêneros cinematográficos, o que, para alguns, pode tornar a premiação previsível e repetitiva. </span></p>
<figure id="attachment_30463" aria-describedby="caption-attachment-30463" style="width: 1680px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-30463" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-.jpeg" alt="Cena do filme Moulin Rouge. Ao centro da imagem, levemente deslocada para a direita, está a atriz Nicole Kidman interpretando a personagem Satine. Ela é uma mulher branca com cabelos ruivos. Ela veste um corset prateado, com um decote contornado em tecido preto. A veste é brilhante e possui lantejoulas e estrelas de tecido costuradas. Ela faz uma pose performática, com um dos braços levantados em direção a nuca e outro braço apoiado na cintura. Seus ramos e antebraço vestem uma luva de couro preta. Seus cabelos estão presos em um rabo de cavalo que cai sobre o ombro direito. Usa um chapéu preto com uma tira de cristais no laço. Ao fundo estão vários homens, alguns vestem sapatos e chapéus pretos, outros estão fantasiados de maneira circense. Alguns desses homens oferecem notas de dinheiro à atriz." width="1680" height="1050" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1-.jpeg 1680w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1--800x500.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1--1024x640.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1--768x480.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1--1536x960.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-1--1200x750.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30463" class="wp-caption-text">Os figurinos são tão intrínsecos às narrativas que uma mesma história pode ser repetidamente notada na categoria, como ocorreu com Moulin Rouge, nas versões de 1952 e de 2001, e com O Grande Gatsby, que saiu vitorioso em 1974 e pelo remake de 2013 (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por meio de um entendimento de qual direção a Academia costuma tomar para premiar as melhores vestimentas, e uma análise dos indicados em </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;"> é possível desprender algumas problemáticas, desde a criação da categoria, e levantar motivos plausíveis pelos quais esta deveria ser mais prestigiada. A premissa é que um bom filme está diretamente atrelado com um </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de figurino notável. Assim, os indicados sempre são as obras que atingem boas avaliações em outras modalidades técnicas, em meio a raras exceções. Esse ano, os cinco indicados a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-figurino/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Figurino</span></a><span style="font-weight: 400;"> também ganham destaque em mais categorias e premiações, o que reforça importância do </span><i><span style="font-weight: 400;">costume design</span></i><span style="font-weight: 400;"> em meio a falta de interesse pelo departamento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Começando pela indicação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o favorito da temporada, inclusive para Melhor Filme, também se destaca pelo figurino assinado por </span><span style="font-weight: 400;">Shirley Kurata. Por outro lado, </span><a href="https://personaunesp.com.br/elvis-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> parece adotar um favoritismo com produções da veterana </span><span style="font-weight: 400;">Catherine Martin, além de receber outras indicações, como a de Austin Butler para Melhor Ator. </span><a href="https://personaunesp.com.br/babilonia-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi reconhecido pelas criações de vestuário de Mary Zophres e também entrou na disputa para o prêmio de Melhor Trilha Sonora e Melhor Direção de Arte. Em seguida, </span><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/cultura/meu-nome-e-dolemite-exala-a-moda-dos-anos-1970/"><span style="font-weight: 400;">Ruth Carter</span></a><span style="font-weight: 400;"> assina as vestes de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/black-panther-wakanda-forever/"><i><span style="font-weight: 400;">Pantera Negra: Wakanda Forever</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, filme que ganhou notoriedade nas demais premiações da temporada, e no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, recebe outras três indicações. </span><a href="https://personaunesp.com.br/sra-harris-vai-a-paris-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Sra. Harris vai a Paris</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é o único que não recebeu menções em outras categorias, contudo os </span><i><span style="font-weight: 400;">designs</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Jeanny Beaven também foram destacados em eventos anteriores.</span></p>
<figure id="attachment_30465" aria-describedby="caption-attachment-30465" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-30465" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-scaled.jpeg" alt=" Imagem de divulgação dos indicados ao Oscar 2023 de Melhor Figurino. Ao lado esquerdo está escrito “Oscars noventa e cinco” em vermelho. Abaixo está escrito “Nominees for Costume Design&quot;. Ao lado direito estão os indicados, e abaixo do nome de cada indicado está o nome do designer responsável, em letras brancas. Estão escritos “Babylon” por “Mary Zophres”, &quot;Black Panther: Wakanda Forever’ por “Ruth Carter”, “elvis” por “Catherine Martin”, Everything Everywhere All at Once” por “Shirley Kurata” e “Mrs. Harris Goes to Paris” por Jenny Beaven”. Nas bordas da imagem há os formatos geométricos triangulares vermelhas." width="2560" height="1338" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-scaled.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-800x418.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-1024x535.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-768x401.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-1536x803.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-2048x1070.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-1200x627.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30465" class="wp-caption-text">Filmes que eram considerados fortes candidatos pelas suas vestimentas, como Amsterdam, The Batman e Blonde acabaram ficando fora da lista dos indicados ao Oscar de Melhor Figurino de 2023 (Foto: Academia de Artes e Ciências Cinematográficas)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como fica claro em todas as indicações desse ano, o figurino na produção cinematográfica é um elemento que auxilia na clareza e veracidade da narrativa. Toma-se como exemplo vencedores de edições anteriores, como </span><a href="https://youtu.be/rB7HBbxVieI"><i><span style="font-weight: 400;">O Gladiador</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Ridley Scott, o Melhor Filme do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de 2001 que também levou o prêmio de Melhor Figurino, sendo as roupas umas das responsáveis pela construção da história concisa, que se passava em um império romano convincente. Já em 2004, </span><a href="https://youtu.be/6RnajZ3ryII"><i><span style="font-weight: 400;">O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei </span></i></a><span style="font-weight: 400;">também levou as duas estatuetas, destacando o vestuário do mundo fantástico de </span><a href="https://www.google.com/search?client=safari&amp;rls=en&amp;q=Peter+Jackson&amp;si=AEcPFx6l3RvH8SFlhHZyn7jIc6m2bU9vmoFvFAMQv2WWSYjXN9fQ-TibHBjE9QlTPg1y4MJTU-UCgkhxrjXL8ScSMngzEJgVQHqjtHBrNChpIKWy91csxewmpxT1dV5Il-OCF7isb2B8_gKRcq7pvfm-wP7gCZTSAyldqbh6maK7cWlqCg9kP3xI5-o33kR7YQuMEM8wRf05&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwi66IyTxbj9AhVPrJUCHWLIBv4QmxMoAHoECFAQAg"><span style="font-weight: 400;">Peter Jackson</span></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de criar mundos e reviver o passado, as vestimentas por muitas vezes assumem papel central em um enredo, como por exemplo o mistério envolto no traje que oculta </span><a href="https://tenpiecesofeight.com/2022/04/the-fascinating-inspiration-behind-star-wars-iconic-costumes/"><span style="font-weight: 400;">Darth Vader</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/star-wars/"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e no próprio indicado deste ano, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sra. Harris vai a Paris</span></i><span style="font-weight: 400;">, cuja história gira em torno das criações do estilista francês, Christian Dior. Portanto, o figuro serve para situar o tempo e espaço no qual a narrativa é contada, além criar situações, atribuir valores, designar a índole, sinalizar a evolução, o estado emocional e social das personagens.</span></p>
<figure id="attachment_30466" aria-describedby="caption-attachment-30466" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30466" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-scaled.jpeg" alt="Cena dos bastidores do filme &quot;Sra. Harris vai a Paris. Ao centro está a atriz Lesley Manville, uma mulher branca de sessenta e seis anos. Ela veste um vestido bufante verde, com broches de pedras brilhantes. O vestido não possui mangas. O cabelo da atriz está envolto por um turbante da cor rosa claro, de modo que apenas a franja do seu cabelo loiro está à mostra. A sua frente, está um ator que interpreta um estilista vestindo um jaleco branco. Ao lado dele está um homem vestindo um colete e blusa verde explicando algo para os atores. O homem veste uma máscara preta. Atrás da atriz, abaixada, está uma mulher vestindo um jaleco branco,mexendo na barra do vestido que Manville veste. Ao fundo está uma sala com três grandes janelas de vidro cobertas por cortinas brancas. Há cortinas verdes amarradas ao lado de cada janela. Nessa sala também há um espelho e duas cadeiras brancas." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-scaled.jpeg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-3-1536x1024.jpeg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30466" class="wp-caption-text">Jenny Beavan já saiu vitoriosa duas das 12 vezes que foi indicada ao Oscar de Melhor Figurino, porém Sra. Harris Vai a Paris, tem uma proposta muito diferente do mundo apocalíptico de Mad Max: Estrada da Fúria e da excêntrica moda de Cruella (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com todas as evidências apontando para a importância do figurino no Cinema, sempre foi dado pouco destaque para o departamento, começando por sua emergência tardia no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. A categoria começou a fazer parte da premiação em 1948, 21 anos após a primeira edição. Nesse momento, a cor, elemento tão importante para Moda e para os filmes, fazia a divisão da modalidade em duas: melhor figurino em preto e branco e melhor figurino colorido. Dos vencedores em preto e branco são destacados os </span><i><span style="font-weight: 400;">designers</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://therake.com/stories/icons/celluloid-style-la-dolce-vita/"><i><span style="font-weight: 400;">La Dolce Vita</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Federico Fellini, por saltar a memória à elegância de </span><span style="font-weight: 400;">Anita Ekber</span><span style="font-weight: 400;">g e Marcello Mastroianni, e os modelos vestidos por Marilyn Monroe em </span><a href="https://estantedasala.com/figurino-mais-quente/"><i><span style="font-weight: 400;">Quanto Mais Quente Melhor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, vencedor em 1960. Da subvisão em colorido, </span><a href="https://fashionhistory.fitnyc.edu/1963-mankiewicz-cleopatra/"><i><span style="font-weight: 400;">Cleópatra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1963, é um destaque e o vestuário que dá vida a rainha marca o visual </span><i><span style="font-weight: 400;">camp</span></i><span style="font-weight: 400;">, que chegou junto com o </span><i><span style="font-weight: 400;">cinemascope</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essa distinção foi abandonada em 1957, um marco na história do Cinema como um todo, pois é quando ocorre a consagração da técnica da película em cor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio aos anos nos quais a categoria distribuía dois prêmios, foi criado o Sindicato dos Figurinistas, em 1953. Os </span><i><span style="font-weight: 400;">costume designers</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre viveram perante a resistência do resto da Academia, mas, na época, a indústria cinematográfica urgia por uma reforma que visasse a valorização dos profissionais. Um dos motivos para tal pouco caso pode ser a falsa associação da mulher com a moda, no sentido de “</span><a href="https://www.cartacapital.com.br/blogs/fashion-revolution/o-machismo-da-frase-moda-e-coisa-de-mulher/"><i><span style="font-weight: 400;">moda é coisa de mulher</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, e assim como tudo que é atribuído ao sexo feminino é levado ao desprestigio. Esse binarismo abre espaço para o desmerecimento da categoria, por acabar tendo mais nomes femininos do que masculinos. </span></p>
<figure id="attachment_30464" aria-describedby="caption-attachment-30464" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30464" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4-.jpeg" alt="Cena do filme Bonequinha de Luxo. Ao centro estão os atores George Peppard e Audrey Hepburn. Peppard está ao lado esquerdo, ele é um homem branco com cabelos castanhos bem penteados. Veste um paletó preto por cima de uma camisa branca, e uma gravata preta. Ele olha para Hepburn que está ao seu lado direito. Hepburn é uma mulher branca com cabelos castanhos presos em um coque alto e volumoso. Ela veste um vestido preto e usa um maxi colar preto e branco e um brinco preto redondo. Com a mão esquerda ela segura um copo de vidro que contém um líquido amarelo translúcido. Com a mão direita segura um porta cigarro longo." width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4-.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4--800x600.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4--1024x768.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-4--768x576.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30464" class="wp-caption-text">O vestuário criado por Pauline Trigère e Hubert de Givenchy, que dá vida a personagem de Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo, é um dos maiores exemplos de como o figurino pode se tornar o símbolo de determinadas produções (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferentemente de outras categorias mais destacadas, como Melhor Direção e Melhor Roteiro, a de Melhor Figurino está repleta de </span><a href="https://stealthelook.com.br/mulheres-no-cinema-a-diferenca-que-faz-o-nosso-olhar-em-producoes-audiovisuais/"><span style="font-weight: 400;">mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a falta de consideração para tal pode ser mais um sintoma do machismo incubado na indústria. Seguindo o mesmo raciocínio, uma das maneiras de desvalorizar o trabalho delas é associá-los à futilidade e à inutilidade, bem como aconteceu com a Moda. Esse viés distorcido é ainda mais problemático dentro do Cinema, já que, aqui, as vestimentas possuem uma função além de representar esteticamente os movimentos politicamente e sociais, pois assume papel central nas narrativas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre os indicados desse ano, nota-se mais um problema com a categoria: a falta de espaço para figurinistas emergentes. A Academia se repete ao nomear e premiar diversas vezes os mesmos </span><i><span style="font-weight: 400;">designers</span></i><span style="font-weight: 400;">, dando pouco espaço e incentivo para novos nomes. A pessoa mais indicada na história da modalidade foi </span><a href="https://youtu.be/gCmXDnneSlg"><span style="font-weight: 400;">Edith Head</span></a><span style="font-weight: 400;">, figurinista dos anos 50 que vestiu tantas vezes </span><span style="font-weight: 400;">a atriz Audrey Hepburn. Incluindo os prêmios por </span><i><span style="font-weight: 400;">Princesa e o Plebeu</span></i><span style="font-weight: 400;">, em 1953, e</span> <a href="https://www.latimes.com/archives/la-xpm-2010-oct-24-la-ig-edithredux-20101024-story.html"><i><span style="font-weight: 400;">Sabrina</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em 1956, ela venceu oito estatuetas, em um total de 35 indicações. Em 2023, a vantagem vai para Martin, que já venceu o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> duas vezes e, </span><span style="font-weight: 400;">além de Bevan e Carter, que possuem uma vitória cada, Zophres já foi indicada quatro vezes. A única profissional que concorre pela primeira vez é Kurata, trazendo uma perspectiva diferente para a categoria.</span></p>
<figure id="attachment_30467" aria-describedby="caption-attachment-30467" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30467" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-5-.jpeg" alt=" Cena do filme Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo. A atriz Stephanie Hsun, uma mulher jovem de ascendência chinesa. Ela veste uma peruca com madeixas cor de rosa e um terno branco adornado por lantejoulas douradas, com um decote contornado por um tecido vermelho. Ao seu entorno há pequenos papéis coloridos cintilantes, como se tivessem caindo do teto. " width="2048" height="1152" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-5-.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-5--800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-5--1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-5--768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-5--1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-5--1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30467" class="wp-caption-text">O longa Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo, dos diretores Daniel Kwan e Daniel Scheinert, marca a estreia da figurinista Shirley Kurata no Cinema, já que antes trabalhava com o audiovisual na publicidade (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sabe-se bem que existem algumas preferências da</span> <span style="font-weight: 400;">Academia na entrega da estatueta de Melhor Figurino, o que pode se tornar repetitivo, gerando desinteresse. Porém, algumas dessas predileções se justificam, pois são nessas produções que o </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de figurino tem maiores oportunidades para mostrar seu valor. Uma das escolhas preferidas são as obras de época, ainda que nesse ano não haja nenhum filme representante: na história do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, oito já saíram vitoriosas. E não é à toa. Nesse gênero, o </span><i><span style="font-weight: 400;">costume de design</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem a chance de dizer, em claro e bom tom, o poder que possui de transportar para outro tempo. Ajudam a contribuir tanto para a interpretação, ao vestirem imperadores e imperatrizes com em </span><a href="https://harpersbazaar.uol.com.br/moda/anna-karenina-leva-o-premio-de-melhor-figurino-do-oscar-2013/"><i><span style="font-weight: 400;">Anna Karenina</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2013, quanto para a representação mais fiel possível de momentos clássicos, como visto em </span><a href="https://anastasiabrownn.medium.com/sofia-coppolas-marie-antoinette-its-masterful-costume-design-84b8145ed79d"><i><span style="font-weight: 400;">Maria Antonieta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, vencedor em 2007. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro gênero que possui a cara do vencedor de Melhor Figurino para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o guarda roupa de mundos fantásticos. Dos clássicos vitoriosos </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Senhor dos Anéis</span></i><span style="font-weight: 400;">, esse ano a indicação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantera Negra: Wakanda para Sempre </span></i><span style="font-weight: 400;">representa as vestes de um mundo fictício e extraordinário. A indicação é importante para a </span><i><span style="font-weight: 400;">designer</span></i> <a href="https://ew.com/movies/black-panther-wakanda-forever-costumes-ruth-e-carter/"><span style="font-weight: 400;">Ruth Carter</span></a><span style="font-weight: 400;">, que se consagrou a primeira mulher negra a vencer a categoria em 2018, pelo <em>prequel</em> do </span><i><span style="font-weight: 400;">MCU</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em uma parceria com </span><i><span style="font-weight: 400;">Adidas</span></i><span style="font-weight: 400;">, Carter traz para o filme a junção da tecnologia do </span><i><span style="font-weight: 400;">design 3D</span></i><span style="font-weight: 400;">, com referências à mitologia africana e maia, além de elementos e artefatos de tribos africanas reais, como a Mursi</span><span style="font-weight: 400;"> e a Surma. Somam-se a isso elementos oceânicos, como conchas e algas, para vestir a civilização aquática, Taloqan. Portanto, </span><span style="font-weight: 400;">a profissional possui o repertório e a propriedade necessários para trazer substância a uma produção na qual a estética do </span><a href="https://www.ruthecarter.com"><span style="font-weight: 400;">afrofuturismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um dos focos.</span></p>
<figure id="attachment_30461" aria-describedby="caption-attachment-30461" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30461" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-6.jpeg" alt="Cena do filme Pantera Negra Wakanda Forever. Ao lado esquerdo está a atriz Angela Bassett, uma mulher negra de sessenta e quatro anos. Ela veste um traje branco com uma grande babado. Seus cabelos estão ocultos, pois ela veste na cabeça uma espécie de coroa branca, com formatos geométricos. Em sua fase há pintura de tinta branca. Ao seu lado esquerdo está uma pessoa de rosto coberto por um capuz branco, e veste um traje branco também. Ela segura a máscara do Pantera Negra. Ao fundo vislumbra-se um cortejo de pessoas de vestes brancas, algumas árvores e algumas construções." width="2000" height="1250" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-6.jpeg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-6-800x500.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-6-1024x640.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-6-768x480.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-6-1536x960.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-6-1200x750.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30461" class="wp-caption-text">Além de vencer o Oscar de Melhor Figurino por Panthera Negra, Carter já foi indicada pelos seus designs em Malcolm X e Amistad (Foto: Marvel Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> também sempre está de olho em produções cuja temática é a própria Moda. Nesses filmes, o </span><i><span style="font-weight: 400;">costume design</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem o seu momento de glória, como em </span><a href="https://youtu.be/gE77ZTdejMI"><i><span style="font-weight: 400;">Trama Fantasma</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> de Paul Thomas Anderson, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Coco Antes de Chanel</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Anne Fontaine. Dos indicados na categoria em 2023, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sra. Harris vai a Paris </span></i><span style="font-weight: 400;">é o delegado da vez. </span><span style="font-weight: 400;">Além de reafirmar o cenário nos anos 50, a produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">designer</span></i><span style="font-weight: 400;"> Jenny Beavan tinha incumbência de fazer os olhos brilharem com os modelos desfilados nas ruas de Paris e nas passarelas representadas no longa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Produções de musicais são uma outra preferência da premiação. Com </span><i><span style="font-weight: 400;">Moulin Rouge</span></i><span style="font-weight: 400;">, em 2002, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Chicago</span></i><span style="font-weight: 400;">, em 2003, houveram obras do gênero vencendo a categoria por dois anos consecutivos. Neste ano, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> representa o musical indicado: com as criações de </span><a href="https://youtu.be/WELj4bNm_Aw"><span style="font-weight: 400;">Catherine Martin</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">o </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de figurino vê mais uma vez a chance de replicar vestimentas de figuras emblemáticas. O estilo icônico de Elvis Presley caiu em Butler como uma luva e Martin conseguiu recriar as jaquetas de couro e trajes decotados do músico de maneira que não parecem uma fantasia, mas sim, a própria pele do rei do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock n’ roll</span></i><span style="font-weight: 400;">. A indicação também é mérito dos deslumbrantes conjuntos utilizados por Olivia Djonga, que interpreta Priscila. A história do artista jamais poderia ser contada sem a presença das roupas espalhafatosas e marcantes do artista. </span></p>
<figure id="attachment_30468" aria-describedby="caption-attachment-30468" style="width: 2280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30468" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-7.jpeg" alt="Desenhos da designer Catherine Martin do figurino do filme Elvis. Os desenhos são feitos em lápis e aquarela. Estão desenhadas três silhuetas de Austin Butler interpretando Elvis Presley. Butler está desenhado como um homem branco e de cabelos castanhos arrumados em um topete. No desenho da esquerda, Butler veste um conjunto branco por cima de uma camisa preta. No desenho do centro, Butler veste um conjunto rosa, com ombreiras pretas, sobre uma camisa preta. No desenho do lado direito, Butler veste uma camisa rosa desenhada com rabiscos na cor preta e uma calça cinza escuro, afivelada por um cinto marrom escuro. O fundo do desenho é na cor cinza claro, com sombras atrás de cada desenho de Butler." width="2280" height="1100" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-7.jpeg 2280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-7-800x386.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-7-1024x494.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-7-768x371.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-7-1536x741.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-7-2048x988.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-7-1200x579.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30468" class="wp-caption-text">A figurinista Catherine Martin trabalhou em parceria com Miuccia Prada, já que a grife vestiu o Elvis Presley da vida real (Foto: Catherine Martin Designs/Style Magazine)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma indicação que parece estar em desvantagem comparada às demais é a de Shirley Kurata, por </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;">. O gênero do filme parece não se encaixar em nenhuma das direções que o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">costuma tomar para a categoria de Melhor Figurino. Na realidade, a produção não tem a cara da premiação em nenhum aspecto, contudo, segue sendo a preferida nessa temporada, rendendo prêmios nas mais diversas modalidades. Kurata expressa a representatividade asiática por sua nacionalidade nipo-americana. Contudo, as indicações que costumavam aparecer com esse </span><i><span style="font-weight: 400;">background</span></i><span style="font-weight: 400;"> remeteram a obras de época da China imperial, como na indicação de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Tigre e o Dragão</span></i><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://www.google.com/search?client=safari&amp;rls=en&amp;q=Ang+Lee&amp;si=AEcPFx7vX9d0csuZ34IzPRSXb-Am7ArFzT07KJPtO1vMthDIwjk2V4axWk1AA7Owr49SFEridlT1wsPANNPF8-lewSQ_99L6jpzn2Vba3IeJAyKMnFNPZTDbMnMQocXgiN-sIcEulihuuf0w7y_Mz3nYAUF_dk1kW-162jfScqdfqDtPfXg9tTqv4lW11a2XBx_v1RFMoMxz&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwilkLDH2rv9AhU_EbkGHXQsCOwQmxMoAHoECG4QAg"><span style="font-weight: 400;">Ang Lee</span></a><span style="font-weight: 400;">, produção na qual a própria Michelle Yeoh fez parte. Aqui, as vestimentas criadas por Kurata, além de representarem o cotidiano, conquistaram menções graças às peças extravagantes vestidas por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oHxQJPgkAH4"><span style="font-weight: 400;">Stephanie Hsu</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Yeoh nos múltiplos universos. A força do figurino é pela contribuição à estética megalomaníaca e de confusão perpétua, diante da possibilidade de diversas possibilidades que o filme oferece.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para finalizar o panorama dos indicados ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Figurino de 2023, deve-se sempre considerar a boa parceria entre a direção e o </span><i><span style="font-weight: 400;">costume designer</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esse ano, destacam-se duas colaborações que funcionam bem em conjunto. A primeira delas já foi citada em </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;">, pois Luhrmann e Martim já trabalhavam juntos para retratar a comunidade artística parisiense de meados do século XIX, em </span><a href="https://youtu.be/w7wktsNGWsI"><i><span style="font-weight: 400;">Moulin Rouge!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e novamente em 2013 para conhecer os luxuosos nova-iorquinos da década de vinte em </span><a href="https://youtu.be/BHVnpNGWY0M"><i><span style="font-weight: 400;">O Grande Gatsby</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, a indicação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia,</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.google.com/search?client=safari&amp;rls=en&amp;q=Damien+Chazelle&amp;si=AEcPFx7HnMxbNS2egwqbd2fGseeWkZi3ZCVlQ3vY-NLoLE7SWQQtWtV3-9IHABoy8lDr7lYDRDTJiMa5lkUmLlb9hMB4dRxEvD4QDjk3x0Ig2NfLnHfwp38Dvroug8MDFgvdydER_kC6uAozD1J2186mN00l0oYwPUkFbCQmC4G7Nq749z51p7EuguUUyADegPhYwbPydU9J-Iqo3oUIfeG3LN_ZT_YZaA%3D%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjMxojusb79AhV5AbkGHT6JDSMQmxMoAHoECG0QAg"><span style="font-weight: 400;">Damien Chazelle</span></a><span style="font-weight: 400;">, reencarna outra dupla dinâmica. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A figurinista Mary Zophres já trabalhou com</span><a href="https://www.google.com/search?client=safari&amp;rls=en&amp;q=Damien+Chazelle&amp;si=AEcPFx7HnMxbNS2egwqbd2fGseeWkZi3ZCVlQ3vY-NLoLE7SWQQtWtV3-9IHABoy8lDr7lYDRDTJiMa5lkUmLlb9hMB4dRxEvD4QDjk3x0Ig2NfLnHfwp38Dvroug8MDFgvdydER_kC6uAozD1J2186mN00l0oYwPUkFbCQmC4G7Nq749z51p7EuguUUyADegPhYwbPydU9J-Iqo3oUIfeG3LN_ZT_YZaA%3D%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjMxojusb79AhV5AbkGHT6JDSMQmxMoAHoECG0QAg"><span style="font-weight: 400;"> Chazelle</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><a href="https://youtu.be/CMrSKy2yjV4"><i><span style="font-weight: 400;">La La Land</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que, apesar de não ter vencido a estatueta, construiu um dos figurinos mais belos já vistos em narrativas sobre a contemporaneidade. Na produção mais recente, as roupagens </span><span style="font-weight: 400;">estiveram</span><span style="font-weight: 400;"> encarregadas de trazer o âmago das personagens dos anos loucos de Hollywood. Uma extensa pesquisa foi feita a respeito das vestimentas dos anos 20 e do próprio estágio no qual o </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de figurino se encontrava na época, já que a obra mostra como eram os </span><i><span style="font-weight: 400;">sets</span></i><span style="font-weight: 400;"> de gravação durante a chegada dos filmes falados. Os trajes representam bem o estado de espírito de cada protagonista e vão acompanhando seus momentos de ascensão e queda. O vestido vermelho de Nellie LaRoy, interpretada por Margot Robbie, se movimentando ao som de majestosos trompetes não será esquecido.</span></p>
<figure id="attachment_30462" aria-describedby="caption-attachment-30462" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30462" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-8.jpeg" alt="Cena do filme Babilônia. Ao lado esquerdo está a atriz Margot Robbie, uma mulher branca com cabelos loiros esvoaçantes. Ela veste um vestido vermelho super decotado. Ao seu lado direito está o ator Diego Caval, um homem branco de cabelos curtos e pretos. Ele veste uma camisa branca por baixo de um paletó preto e usa uma gravata borboleta preta. Ao fundo vê-se as paredes externas de uma mansão, feita de pedras claras." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-8.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-8-800x420.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-8-1024x538.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-8-768x403.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30462" class="wp-caption-text">No material de imprensa do filme Babilônia, Zophres declarou que precisou elaborar sete mil figurinos para o longa, e Chazelle completa dizendo que as personagens se expressam por meio das roupas que vestem (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse último atributo ajuda a pensar em um elemento que agrega valor à categoria de Melhor Figurino. Afinal, na criação de um longa, o figurinista atua em parceria com os demais profissionais da indústria. Trabalhando de igual para igual e alinhado ao que a direção deseja comunicar, as </span><a href="https://youtu.be/48mrV0VZsWc"><span style="font-weight: 400;">roupagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> constituem um elemento vital para o desenrolar da história e a qualidade de uma produção. Não pode haver um bom filme sem um direcionamento do </span><i><span style="font-weight: 400;">designer</span></i><span style="font-weight: 400;">, da mesma maneira que não há função em ótimo figurino dentro de um filme raso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante do panorama, a excelência do Cinema não pode existir sem o </span><a href="https://www.oscars.org/sites/oscars/files/teachersguide-costumedesign-2015.pdf"><i><span style="font-weight: 400;">costume design</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e a existência dessa categoria em grandes premiações serve para consolidar o valor dessa profissão. A Moda e a produção cinematográfica convergem de tal maneira, que na elaboração de trajes convincentes e marcantes, o conceito do estilismo é elevado para outro patamar. O </span><i><span style="font-weight: 400;">designer</span></i><span style="font-weight: 400;"> de figurino é, acima de tudo, um profissional do audiovisual e deve ser reconhecido como tal. Os melhores figurinistas são aqueles que, antes de adentrar o mundo do estilismo, viviam imersos no mundo cinematográfico e os filmes mais completos são também aqueles que tiveram as vestimentas bem desenvolvidas, de mondo que perduram na memória do público.</span></p>
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		<title>Sra. Harris Vai a Paris e a classe trabalhadora vai às ruas</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Feb 2023 20:53:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto Arrumar a bagunça de patricinhas pomposas, fazer camas com edredons importados e esperar a boa vontade de megeras para receber o próprio pagamento são algumas das normalidades do dia a dia de Ada Harris (Lesley Manville). A viúva trabalha como faxineira e, apesar das inconveniências da rotina, leva a vida com um bom &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sra-harris-vai-a-paris-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sra. Harris Vai a Paris e a classe trabalhadora vai às ruas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29923" aria-describedby="caption-attachment-29923" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29923" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-9.jpg" alt="Cena do filme Sra. Harris Vai a Paris. Na imagem está Ada Harris provando um vestido Dior. Ela é uma mulher branca de cabelos loiros presos em um lenço, o vestido é verde esmeralda com bordados dourados e uma saia irregular com estrutura de trapézio. Ao fundo estão Marguerite, Fabre e uma costureira analisando a prova da roupa." width="600" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-29923" class="wp-caption-text">30 anos depois, Sra. Harris Vai a Paris reescreve a história de Um Sonho em Paris e conquista um lugar no Oscar 2023 (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Arrumar a bagunça de patricinhas pomposas, fazer camas com edredons importados e esperar a boa vontade de megeras para receber o próprio pagamento são algumas das normalidades do dia a dia de Ada Harris (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=82wj2L0ZuKQ"><span style="font-weight: 400;">Lesley Manville</span></a><span style="font-weight: 400;">). A viúva trabalha como faxineira e, apesar das inconveniências da rotina, leva a vida com um bom humor ímpar. Mas a satisfação com o mediano muda quando seu caminho veste toda a elegância da moda parisiense e a habitualidade dá lugar aos sonhos. Em uma aventura à francesa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sra. Harris Vai a Paris</span></i><span style="font-weight: 400;"> costura entre rendas e bordados uma história brilhante. </span></p>
<p><span id="more-29922"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme, lançado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Universal Studios</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2022, usa um vestido Dior como gatilho para que Ada tenha um belo despertar. Os dias da mulher estavam fadados à ilusão de esperar a volta do marido soldado da Guerra, pegar todo dia a mesma condução com a amiga Vi Butterfield (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kmZ4UVxDxIY"><span style="font-weight: 400;">Ellen Thomas</span></a><span style="font-weight: 400;">) e fazer trabalho extra com reforma de costuras. No entanto, uma silhueta bem estruturada e uma quantidade estonteante de brilhos aplicados à mão são, sim, suficientes para fazer alguém deixar de se contentar com o limbo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À primeira vista, o roteiro desenvolvido por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HPRXgSAvxa0"><span style="font-weight: 400;">Anthony Fabian</span></a><span style="font-weight: 400;">, Olivia Hetreed e Carroll Cartwright pode parecer superficial. Um típico clichê de tons juvenis com uma protagonista simpática que ganha uma reviravolta um tanto encantada. Ao assistir a produção, não é isso que nos é mostrado. Aqui, os caminhos escolhem desviar por rotas menos óbvias e deixam o grande bilhete premiado ser encontrado entre os detalhes. </span></p>
<figure id="attachment_29927" aria-describedby="caption-attachment-29927" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29927" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-12.jpg" alt="Cena do filme Sra. Harris Vai a Paris. Na imagem, Ada Harris segura um vestido Dior. Ada é uma mulher branca de cabelos loiros presos em um lenço, ela veste um vestido de estampa floral e um avental. O vestido em suas mãos é lilás e cheio de bordados florais com brilho." width="750" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-29927" class="wp-caption-text">Sra. Harris Vai a Paris é uma co-produção da Bélgica, Canadá, Estados Unidos, França, Hungria, Reino Unido e Irlanda do Norte (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As cenas em que Ada e Vi aparecem juntas estão espalhadas ao longo de toda a narrativa e essa relação é uma das pontes mais importantes da história, além de oferecer um tom cômico e leve extremamente necessário para que o filme mantenha os ares frescos mesmo quando trabalha com assuntos complicados. A amizade entre as personagens faz com que o telespectador experimente um sentimento reconfortante, derivado da ótima interação entre as atrizes, já que seus gestos carregam um carinho fraternal capaz de ultrapassar os limites do </span><a href="https://www.motionpictures.org/2022/07/isabelle-huppert-on-the-beauty-depth-of-mrs-harris-goes-to-paris/"><span style="font-weight: 400;">enquadramento</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É a amiga que tenta motivar a protagonista e fazê-la perceber o quanto sua rotina está sendo exaustiva e abusiva. São nas conversas das duas e nas idas ao baile em busca de distração que a ideia de que o Sr. Harris não vai retornar entra em pauta, e as feridas começam a ser escancaradas para que a cura tenha espaço para se alojar. Assim, o encontro inesperado com o vestido </span><a href="https://www.harpersbazaar.com/culture/film-tv/a40625078/mrs-harris-goes-to-paris-dior-fashion-show/"><span style="font-weight: 400;">Dior</span></a><span style="font-weight: 400;">, guardado no armário de uma de suas patroas, acaba sendo apenas o pavio necessário para que perspectivas que já vem sendo abordadas ganhem chance de florescer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu tempo de tela, </span><a href="https://inews.co.uk/culture/television/cinderella-after-ever-after-sky1-review-david-walliams-cast-378667"><span style="font-weight: 400;">Ellen Thomas</span></a><span style="font-weight: 400;"> reafirma todo seu carisma e coloca sua bagagem com papéis de comédia para jogo. Suas falas têm seriedade, mas ainda se afirmam em notas espirituosas e brincalhonas. É esse movimento que faz com que a ausência da personagem no meio do filme não pese e a presença seja algo sem necessidade de materialização, como se o cuidado de Vi com Ada fosse ubíquo. </span></p>
<figure id="attachment_29925" aria-describedby="caption-attachment-29925" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29925" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-2.jpg" alt="Cena do filme Sra. Harris Vai a Paris. Na imagem, Ada e Vi estão sentadas à mesa de mãos dadas. Vi é uma mulher negra de cabelos pretos e Ada é branca de cabelos loiros. As duas vestem vestidos floridos e usam lenços nas cabeças." width="1600" height="755" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-2-800x378.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-2-1024x483.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-2-768x362.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-2-1536x725.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-2-1200x566.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29925" class="wp-caption-text">’Desperdicei muito tempo sozinha, sonhando acordada. Não faça o mesmo.’ (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a preparação para a viagem a </span><a href="https://personaunesp.com.br/emily-em-paris-critica/"><span style="font-weight: 400;">Paris</span></a><span style="font-weight: 400;"> até o momento em que esta finalmente é consolidada, a questão da estrutura social começa a aparecer com mais força. As dificuldades financeiras de Ada e o suor empenhado para juntar o valor necessário para o deslocamento e a compra do vestido mostram a trabalhadora em um embate com políticas de trabalho não afirmadas em contrato, jornadas exorbitantes e pouca remuneração, características do cenário inglês. Essa inserção é feita de forma discreta, mas serve de introdução para os acontecimentos em terras francesas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao chegar no desfile Dior, que tanto batalhou para conseguir, as ruínas da sociedade elitista do continente europeu voltam a mostrar as caras e derrubar seus entulhos sobre a cabeça da Sra. Harris. Uma das primeiras interações da personagem com a funcionária da Casa Dior, Claudine Colbert (Isabelle Huppert), é carregada de preconceito e propaga a ideia de que a </span><a href="https://personaunesp.com.br/cruella-critica/"><span style="font-weight: 400;">alta costura</span></a><span style="font-weight: 400;"> é feita para os ricos de berço. O tom excludente dá espaço para que um cavalheiro abra as portas da gentileza e o Marquis de Chassagne (Lambert Wilson) nos seja apresentado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos grandes acertos de </span><a href="https://www.townandcountrymag.com/leisure/arts-and-culture/a40619178/mrs-harris-goes-to-paris-true-story/#:~:text=Christian%20Dior%20(played%20by%20Phillippe,Dior's%20muses%2C%E2%80%9D%20Fabian%20explains."><i><span style="font-weight: 400;">Mrs. Harris Goes to Paris</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – nome original da obra – é não escolher que seus personagens sejam puramente bons ou maus. A construção caminha por uma trajetória de pessoas multifacetadas, capazes de carregar aspectos duais. Assim, o Marquis logo menos demonstra suas falhas e os estigmas que mantém em seu ideal, enquanto Claudine também tem sua fragilidade e humildade esmiuçadas. </span></p>
<figure id="attachment_29928" aria-describedby="caption-attachment-29928" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29928" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-2.jpg" alt="Cena do filme Sra. Harris Vai a Paris. Na imagem estão as personagens Madame Corbelt e Marguerite. A primeira é uma mulher branca de cabelos castanhos claros. Marguerite é uma mulher branca de cabelos ruivos. As duas vestem conjuntos pretos de blazer e saia." width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-2-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29928" class="wp-caption-text">De acordo com o diretor, Madame Corbelt é inspirada em Mizza Bricard (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as desavenças e obstaculos separando a Sra. Harris de seu sonho, a fotografia nos leva a uma viagem a um outro aspecto de Paris: a greve trabalhista. Os enfoques dos ângulos e câmeras comandados por </span><a href="https://www.felixwiedemann.com/"><span style="font-weight: 400;">Felix Wiedemann</span></a><span style="font-weight: 400;"> são delicados e faceiros, nos transportando para o caimento impecável das peças da Dior, mas também mostrando a situação das ruas cheias de lixo diante da paralisação dos lixeiros. A cada pequeno salto temporal, a capital tem sua bela arquitetura inundada por sacos e mais sacos de lixo, filmados de forma sutil sem passar despercebidos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O entrelace das cenas até o acontecimento que quase faz com que a Casa Dior decrete falência tem muito do protagonismo dos trabalhadores e de como a mudança do mercado e o foco da indústria são projetados até se desvincularem da exclusividade para abordarem a ideia de globalização. Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sra. Harris</span></i><span style="font-weight: 400;"> expõe como até mesmo o criador do </span><a href="https://br.fashionnetwork.com/news/Como-nasceu-o-new-look-criado-por-christian-dior-,740845.html"><i><span style="font-weight: 400;">New Look</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">precisou de seus trabalhadores para manter seu império e se consolidar como uma das maiores grifes do mundo da moda. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E falando de </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/lifestyle/style/mrs-harris-goes-to-paris-costume-design-dior-1235180436/"><span style="font-weight: 400;">Christian Dior</span></a><span style="font-weight: 400;">, é preciso destacar a escolha de Philippe Bertin para encarnar o estilista. Além da atuação austera bastante conveniente para a ocasião, a aparência do ator conseguiu se aproximar de forma certeira à inspiração. Em suas pequenas, mas marcantes aparições, temos o designer de moda representado praticamente em pele e osso nos </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29924" aria-describedby="caption-attachment-29924" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29924" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-5-2.jpg" alt="Cena do filme Sra. Harris Vai a Paris. Na imagem, estão os personagens Ada, Natasha e André sentados à mesa jantando. André é um homem branco de cabelos loiros escuros, ele veste um terno amarronzado e usa um par de óculos. Natasha é uma mulher branca de cabelos castanhos claros, ela veste uma blusa sem mangas de tom azul pálido e está com um rabo de cavalo. Ada é uma mulher branca de cabelos loiros.]" width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-5-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-5-2-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-5-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-5-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-5-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-5-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29924" class="wp-caption-text">O filme se passa no ano de 1957, o mesmo da morte do estilista Christian Dior (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de dizer muito em entrelinhas, a produção cinematográfica dirigida por Anthony Fabian continua sendo uma comédia dramática e é marcada pela atmosfera de </span><a href="https://personaunesp.com.br/pinoquio-guillermo-del-toro-critica/"><span style="font-weight: 400;">contos de fadas</span></a><span style="font-weight: 400;">. O que não é ruim, mas acaba fazendo certas conclusões ficarem em segundo plano e deixa a ideia de que simpatia e esforço levam as pessoas para onde quiserem. Dessa forma, a narrativa fica apegada às cores vibrantes dos universos utópicos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, os pedaços românticos alimentam o </span><a href="https://personaunesp.com.br/emily-em-paris-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">cenário parisiense</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os amores iluminados pela cidade luz. Ver Natasha (Alba Baptista) e André (Lucas Bravo) se apaixonando deixa aquela sensação mágica passeando pelas ruas e, mesmo com a sujeira, as estradas garantem a presença do brilho dos jovens amantes. Além de um par romântico adorável, os dois são uma marca da autonomia e liberdade individual, já que suas escolhas partem para as prioridades pessoais de cada um de forma singular. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para completar os tons fantasiosos, a cereja do bolo fica com a produção e reprodução de </span><a href="https://personaunesp.com.br/casa-gucci-critica/"><span style="font-weight: 400;">peças</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Dior realizadas pela figurinista Jenny Beavan. Os bordados, os movimentos das vestimentas e o impacto do brilho são todos feitos a perfeição, criando cenas de encher os olhos. Cada modelo é impecável e capaz de fazer com que quem assiste se sinta em um universo de princesas fabulosas. </span></p>
<figure id="attachment_29926" aria-describedby="caption-attachment-29926" style="width: 775px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29926" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-6-1.jpg" alt="Cena do filme Sra. Harris Vai a Paris. Na imagem, a personagem Natasha está desfilando com um vestido Dior. Ela é uma mulher branca de cabelos castanhos claros presos em um coque penteado. O vestido é vermelho longo com saia princesa, todo o corpo é bordado e ornamentado com brilho, ainda há uma manga removível, duas luvas pretas e um colar. Ao fundo os figurantes batem palma para o vestuário." width="775" height="517" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-6-1.jpg 775w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-6-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29926" class="wp-caption-text">A produção de Sra. Harris Vai a Paris teve um orçamento total de US$ 13 milhões (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a beleza das peças da produção não passaram despercebidas e, no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2023, o filme concorre na categoria de Melhor Figurino. Beavan está no páreo com Mary Zophres por </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i><span style="font-weight: 400;">, Ruth E. Carter por </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantera Negra: Wakanda Para Sempr</span></i><span style="font-weight: 400;">e, Catherine Martin por</span><i><span style="font-weight: 400;"> Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> e Shirley Kurata por </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mrs. Harris Goes to Paris </span></i><span style="font-weight: 400;">foi contemplado em 2022 no </span><i><span style="font-weight: 400;">British Independent Film Award </span></i><span style="font-weight: 400;">por Melhor Figurino e chegou a fazer parte dos indicados ao </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2023 na mesma categoria. Leslie Manville apareceu nas categorias de atuação das premiações deste ano, estando entre as indicadas ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> 2023 como Melhor Atriz em Filme Comédia ou Musical. Mas o destaque da produção fica com os figurinos, enquanto a maioria das categorias principais não destacaram os trabalhos de atuação, direção ou roteiro aplicados na releitura do original de 1992, intitulado</span><i><span style="font-weight: 400;"> Um Sonho em Paris</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como não poderia ser diferente, Ada ganha seu felizes para sempre com um lindo vestido Dior e seus sonhos mais vivos do que nunca. O que faz da obra, inspirada no livro homônimo de </span><a href="https://www.amazon.com.br/Harris-Goes-Paris-York-English-ebook/dp/B0BF4P7FJ9/ref=sr_1_1?qid=1677108736&amp;refinements=p_27%3APaul+Gallico&amp;s=books&amp;sr=1-1"><span style="font-weight: 400;">Paul Gallico</span></a><span style="font-weight: 400;">, tão especial é a forma com a qual sonhar não é apenas um verbo, mas um ato de resistência. Apesar de distante do real, o filme é esperançoso e torna a vontade de reviver a criança dentro de nós uma visita frequente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inundado pelo brilho da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3HR-rz8SaAk"><span style="font-weight: 400;">moda</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Sra. Harris Vai a Paris</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos deixa lições valiosas e uma história cheia de temáticas importantes envolvidas em uma aventura simpática. Seja no amor na terceira idade, na luta pelos direitos trabalhistas ou na prova de uma roupa extravagante, vale a pena dar uma chance para essa senhora apaixonante e aproveitar para vislumbrar os encantamentos oferecidos por Christian Dior. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Sra.Harris vai a Paris - Trailer 1 Oficial - Somente nos Cinemas" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/rwskvHhrO7c?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A verdade é que Cruella surpreende os desfiles, impressiona os críticos e conquista os holofotes</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Jun 2021 16:00:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Júlia Paes de Arruda Pensar na existência de um segundo live action da vilã de 101 Dálmatas não era muito animador. Seria à altura da icônica performance de Glenn Close na adaptação de 1996? Pois é, quando Emma Stone apareceu num look exuberante, já deu pra notar que não seria igual ao outro. De protagonistas, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cruella-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A verdade é que Cruella surpreende os desfiles, impressiona os críticos e conquista os holofotes"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21060" aria-describedby="caption-attachment-21060" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21060 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-1-Cruella.jpeg" alt="Foto retangular de uma cena de Cruella. A atriz Emma Stone está no centro, em pé, com braços e pernas abertas, com o corpo inclinado para a esquerda. Ela é branca e possui os cabelos presos no alto, metade branco (lado esquerdo dela) e metade preto (lado direito dela). Ela usa um vestido comprido metade preto (do lado direito) e metade branco com manchas pretas (lado esquerdo), como um dálmata. Próximo ao peito, tem três fivelas pretas. O vestido possui um capuz preto. Ela usa botas pretas compridas e luvas curtas pretas de renda. Ela segura uma bengala preta na mão direita. Emma está numa passarela. Ao fundo, tem fumaça colorida e fogos de artifício. Em ambos os lados da passarela, estão a plateia, com pessoas aplaudindo e fotógrafos." width="1170" height="780" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-1-Cruella.jpeg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-1-Cruella-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-1-Cruella-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-1-Cruella-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21060" class="wp-caption-text">“Eu sou mulher, me ouça rugir” (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><b>Júlia Paes de Arruda</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pensar na existência de um segundo </span><i><span style="font-weight: 400;">live action</span></i><span style="font-weight: 400;"> da vilã de </span><i><span style="font-weight: 400;">101 Dálmatas</span></i><span style="font-weight: 400;"> não era muito animador. Seria à altura da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VApVpvcGW1A"><span style="font-weight: 400;">icônica performance de Glenn Close</span></a><span style="font-weight: 400;"> na adaptação de 1996? Pois é, quando Emma Stone apareceu num </span><i><span style="font-weight: 400;">look</span></i><span style="font-weight: 400;"> exuberante, já deu pra notar que não seria igual ao outro. De protagonistas, os cachorros passaram a ser meros figurantes. A antagonista invade a Londres da década de 70 carregada pela moda, cheia de frustrações e mágoas de um passado solitário. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AX2Bj-_Jc10"><i><span style="font-weight: 400;">Original, criminosa, vestida para matar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. É assim que </span><i><span style="font-weight: 400;">Cruella</span></i><span style="font-weight: 400;"> se apresenta para nós. </span></p>
<p><span id="more-21059"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A nova produção do </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanha a jornada de Estella (Emma Stone), uma criança geniosa e determinada, até a fase adulta de pequenos crimes, ao lado de Gaspar (Joel Fry, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/game-of-thrones-quinta-temporada-briga-pelo-trono-pormenor-ser-superado/"><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Horácio (Paul Walter Hauser, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobra-kai-netflix-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Cobra Kai</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). Inspirada pela mãe, a jovem mantém o desejo de um dia se tornar uma grande estilista. Seu talento chama a atenção da Baronesa Von Hellman (Emma Thompson), dona de uma influente grife e, a partir daí, uma sucessão de eventos farão com que Estella desapareça para que Cruella se materialize. É como se enxergássemos duas personalidades: enquanto Cruella esbanja poder, Estella é uma garota tímida e sonhadora.</span></p>
<figure id="attachment_21061" aria-describedby="caption-attachment-21061" style="width: 1906px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21061" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-2-Cruella.jpg" alt="Foto retangular de uma cena de Cruella. A atriz Emma Stone está no centro, do peito para cima, como Estella. Ela é branca, possui olhos azuis claros e contornados com lápis e cabelos vermelhos escuros. Ela usa uma boina preta, um casaco preto e segura uma mochila preta nas costas. O fundo está desfocado, mas se trata de uma rua de Londres." width="1906" height="1011" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-2-Cruella.jpg 1906w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-2-Cruella-800x424.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-2-Cruella-1024x543.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-2-Cruella-768x407.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-2-Cruella-1536x815.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-2-Cruella-1200x637.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21061" class="wp-caption-text">Será que estamos de frente com uma nova versão de O Diabo Veste Prada? (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O mérito de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cruella</span></i><span style="font-weight: 400;"> é de Emma Stone. A atriz sai da cômica Hannah de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WAZOAm3aiVM"><i><span style="font-weight: 400;">Amor à Toda Prova</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e da dramática Mia de </span><a href="https://personaunesp.com.br/la-la-land-o-sabor-agridoce-da-nostalgia/"><i><span style="font-weight: 400;">La La Land</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">para despertar a brilhante Cruella De Vil. Seu visual monocromático vibra, grita e abala os olhares gélidos e neblinosos da tediosa capital britânica. Stone se sente à vontade no papel visto que entrega cargas dramáticas com muito fôlego ao mesmo tempo que se solta para performar uma complexa e surpreendente vilã. Ela consegue transitar do ácido ao engraçado em segundos de cenas. Nossos olhos ficam fixos na sua transformação cheia de </span><i><span style="font-weight: 400;">glamour </span></i><span style="font-weight: 400;">e nem um pouco entediante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cereja do bolo é Emma Thompson, que se desprende da boba professora </span><a href="https://harrypotter.fandom.com/pt-br/wiki/Sibila_Trelawney"><span style="font-weight: 400;">Sibila Trelawney</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban </span></i><span style="font-weight: 400;">para dar lugar à egocêntrica Baronesa. Sua versatilidade é magnífica, incorporando uma solidão e obscuridade dignos de uma elite hipócrita da época. Aderindo somente a tons clássicos da alta costura, Thompson constrói uma personagem megalomaníaca, capaz de descartar tudo e todos para se manter no </span><i><span style="font-weight: 400;">status </span></i><span style="font-weight: 400;">da grandeza.</span></p>
<figure id="attachment_21066" aria-describedby="caption-attachment-21066" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21066" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-3-Cruella-1.png" alt="Foto retangular de uma cena de Cruella. A atriz Emma Stone está no centro, do peito para cima, como Cruella. Ela é branca, possui olhos azuis claros com sombra preta e usa um batom vermelho na boca. O cabelo é curto e ondulado, metade branco (lado esquerdo dela) e metade preto (lado direito dela). Ela veste uma jaqueta de couro preta e uma gargantilha também preto. O fundo está desfocado, mas ela está num campo verde. Ao seu lado, está o ator Paul Walter Hauser. Ele é branco, possui cabelos curtos e usa um chapéu preto. Ele veste uma camisa preta. Ao lado esquerdo de Emma, está uma silhueta de uma pessoa. Ela veste um chapéu e roupa preta. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-3-Cruella-1.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-3-Cruella-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-3-Cruella-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-3-Cruella-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-3-Cruella-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21066" class="wp-caption-text">A vilã monocromática já apareceu na série Once Upon a Time e foi tema de um <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Je9ZfezquCI">clipe</a> de Selena Gomez (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao lado de Baronesa, temos John (</span><a href="http://personaunesp.com.br/shazam-critica/"><span style="font-weight: 400;">Mark Strong</span></a><span style="font-weight: 400;">) que é basicamente o </span><a href="https://www.geekproject.com.br/2020/04/20-famosos-que-sao-incrivelmente-parecidos/"><span style="font-weight: 400;">próprio Nigel de Miranda Priestly</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além de ser o mordomo/assistente, John tem papel fundamental para que Cruella se defina e se estruture como a personagem que conhecemos. O filme </span><i><span style="font-weight: 400;">solo</span></i><span style="font-weight: 400;"> da vilã de </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-159075/"><i><span style="font-weight: 400;">101 Dálmatas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> também nos apresenta Anita e Roger, os donos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fuYZ21R8-bQ"><span style="font-weight: 400;">Pongo e Perdita</span></a><span style="font-weight: 400;">. O diferencial é que, no </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;">, os dois não são um casal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Anita (</span><a href="https://personaunesp.com.br/por-que-as-mulheres-matam-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kirby Howell-Baptiste</span></a><span style="font-weight: 400;">) é uma jornalista, que auxilia Cruella a se destacar nas manchetes londrinas. Já Roger (</span><a href="https://personaunesp.com.br/what-we-do-in-the-shadows-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kayvan Novak</span></a><span style="font-weight: 400;">) é o mero advogado da Baronesa. Ambos não desempenham uma função de proeminência, porém se tornam referências icônicas do desenho animado. A mudança para uma </span><a href="https://exame.com/casual/remakes-de-filmes-e-series-ha-limite-para-troca-de-etnias/"><span style="font-weight: 400;">atriz negra</span></a><span style="font-weight: 400;"> e um </span><a href="https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/sete-filmes-para-conhecer-o-cinema-iraniano-1.391829"><span style="font-weight: 400;">ator descendente de iranianos</span></a><span style="font-weight: 400;"> busca trazer a representatividade, mas, pelos poucos momentos dos personagens em tela, a proposta acaba se tornando mais uma estratégia comercial.</span></p>
<figure id="attachment_21062" aria-describedby="caption-attachment-21062" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21062" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-3-Cruella.png" alt="Foto retangular de uma cena de Cruella. A atriz Emma Stone está no centro, do peito para cima, como Cruella. Ela é branca, possui olhos azuis claros e cabelos presos para cima, metade branco (lado esquerdo dela) e metade preto (lado direito dela). Ela possui uma maquiagem preta sobre o rosto como fundo e os escritos “THE FUTURE” e um batom vermelho brilhante. Ela veste uma jaqueta preta de couro, com gola. O fundo está um pouco desfocado, mas do lado esquerdo de Emma se vê vários fotógrafos segurando câmeras antigas pretas. O lado direito de Emma está com uma fumaça branca." width="1200" height="799" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-3-Cruella.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-3-Cruella-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-3-Cruella-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-3-Cruella-768x511.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21062" class="wp-caption-text">Cruella abraça a estética rebelde, abusando de ornamentos ousados e excêntricos, como o longo vestido feito de antigas produções de Baronesa espalhados pelo lixo (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não se pode falar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cruella </span></i><span style="font-weight: 400;">sem explorar a ousadia e a vaidade de seus figurinos. A </span><i><span style="font-weight: 400;">designer </span></i><span style="font-weight: 400;">Jenny Beavan, ganhadora de dois </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscars</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; um deles por </span><a href="https://personaunesp.com.br/mad-max-estrada-da-furia-o-reboot-da-distopia/"><i><span style="font-weight: 400;">Mad Max: Estrada da Fúria</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2015), se inspirou no movimento </span><i><span style="font-weight: 400;">punk </span></i><span style="font-weight: 400;">da década de 70 para demonstrar a rebeldia que a personagem precisava. Em meio ao ambiente urbano, Cruella é a própria visão do futuro. </span></p>
<p><a href="https://theshoppers.com/pt-br/moda/moda-anos-70/"><span style="font-weight: 400;">Nesse período</span></a><span style="font-weight: 400;">, a alta costura deixou de ser algo exclusivo e começou o processo de democratização da moda. Visuais </span><a href="https://revistamonet.globo.com/Celebridades/noticia/2021/06/john-stamos-ironiza-politico-que-reclamou-de-personagem-gay-extravagante-em-cruella.html"><span style="font-weight: 400;">andróginos</span></a><span style="font-weight: 400;"> estavam em alta, fazendo transparecer a sexualidade, a liberdade e a criatividade. O </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/punk-na-moda/"><span style="font-weight: 400;">movimento </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, muitas vezes incompreendido, substituiu o colorido e o </span><i><span style="font-weight: 400;">glitter</span></i><span style="font-weight: 400;"> da discoteca pelas jaquetas de couro pretas, um visual grotesco e as tachas pontiagudas. A vilã abusa da extravagância e de maquiagens carregadas. A fúria e o desejo de vingança se revelam através de suas roupas e, assim, Estella transforma-se em Cruella. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A audácia da personagem também se reflete nas suas atrevidas exibições. No meio de um monótono baile preto e branco, Cruella encarna uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6zYJQoDUFHo"><span style="font-weight: 400;">Katniss Everdeen</span></a><span style="font-weight: 400;"> e abre espaço para o vermelho vivo tomar conta da celebração. Ela não tem medo de se arriscar e não nega o grandioso talento que possui em mãos. Ousa em tecidos, cortes e costuras exóticas para sacudir as passarelas dominadas pela Baronesa. É assim que ela conquista seu espaço.</span></p>
<figure id="attachment_21063" aria-describedby="caption-attachment-21063" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21063" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-4-Cruella.jpg" alt="Foto retangular de uma cena de Cruella. A atriz Emma Stone está no centro, em cima de um carro antigo prata. Ela é branca e possui cabelo metade branco (lado esquerdo dela) e preto (lado direito dela). Ela usa um vestido comprido, com a parte superior preta com adereços em dourado e uma saia longa de pétalas de flores, num degradê, de cima para baixo, do vermelho ao preto. Sua mão direita está levantada, com os dedos para cima, e sua mão esquerda, levemente levantada com os dedos apontando para a esquerda. Ao fundo, está um muro cinza, com três janelas grandes e arredondadas na parte superior. No centro da terceira janela (ao lado direito), um vidro está aberto. Em frente a esse muro, estão diversas pessoas paradas olhando para Cruella, algumas com câmeras antigas pretas tirando fotos (próximas ao lado esquerdo da imagem) e outras apenas em pé, parados com mãos no bolso e cruzadas na frente do corpo. Na parte inferior da imagem, é possível ver cabeças de pessoas tirando fotos de Cruella. " width="1000" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-4-Cruella.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-4-Cruella-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Foto-4-Cruella-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21063" class="wp-caption-text">Esse <a href="https://exame.com/casual/referencias-de-moda-constroem-a-narrativa-vingativa-em-cruella/">vestido de Cruella</a> foi costurado a mão, feito com mais de 5.000 pétalas de flores e com uma saia tão longa que possibilitou cobrir um carro (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferentemente de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/malevola-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Malévola</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o filme de Craig Gillespie (</span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/fogo-em-gelo-o-que-e-verdade-ou-quase-isso-no-filme-eu-tonya.phtml"><i><span style="font-weight: 400;">Eu, Tonya</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">) </span></i><span style="font-weight: 400;">é um acerto. Talvez pela participação de Emma Stone e de Glenn Close na produção executiva, unindo gerações de atrizes incríveis num trabalho que prometia muito. A diretora de arte </span><a href="https://variety.com/2021/artisans/news/cruella-production-designer-fiona-crombie-1234984410/"><span style="font-weight: 400;">Fiona Crombie</span></a><span style="font-weight: 400;"> também merece os cumprimentos, já que ela consegue transparecer ambas as personalidades da personagem de Stone de maneira sutil, mas decisiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto estamos com o olhar em Estella, as cenas escritas por Dana Fox e </span><a href="https://spinoff.com.br/tony-macnamara-de-a-favorita-fala-sobre-os-desafios-da-serie-the-great/"><span style="font-weight: 400;">Tony McNamara</span></a><span style="font-weight: 400;"> (juntamente com Aline Brosh McKenna, Kelly Marcel e Steve Zissis adaptando a história de Dodie Smith) se desenrolam com mais suavidade, acompanhando o desempenho da jovem compartilhando a vida com seus novos parceiros. Quando Cruella toma posse, tudo acaba virando caótico: a organização do apartamento, os desenhos nas modelos, a relação entre a vilã e seus (agora) capangas. A iluminação dos cenários também acompanha esse desenrolar, transitando de uma paleta mais amarelada para uma mais avermelhada, quase um vinho, mais sombrio.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É em seu filme </span><i><span style="font-weight: 400;">solo </span></i><span style="font-weight: 400;">que conhecemos a obsessão da antagonista por dálmatas, tão evidente na elegante atuação de Glenn Close. Os cachorros demarcam um momento de dor da personagem, ao mesmo tempo que reforçam seu poder, sua ascensão num novo patamar. Seu alter ego maléfico assume a nova posição e nos confrontamos com uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/aves-de-rapina-critica/"><span style="font-weight: 400;">anti-heroína</span></a><span style="font-weight: 400;"> extraordinária e destemida.  </span></p>
<figure id="attachment_21067" aria-describedby="caption-attachment-21067" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21067 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/CRUELLA-2021-70.jpg.jpg" alt="Pôster retangular de divulgação de Cruella. Nela, estão presentes os atores Paul Walter Hauser, Emma Stone e Joel Fry, respectivamente. Paul está de frente, apoiado numa moto prata antiga. Ele veste uma boina marrom, camisa marrom, um casaco comprido verde, uma calça jeans com barra e botas marrons. Ao seu lado, sentado no banco da moto, está um cachorro caramelo peludo. À frente de Paul, próxima da câmera, está Emma como Cruella. Ela possui os cabelos metade branco (lado esquerdo dela) e preto (lado direito dela) e maquiagem preta carregada nos olhos. Ela veste uma blusa de manga comprida preta de couro e uma calça também preta. Elas está com as duas mãos na frente do corpo, segurando três coleiras com três dálmatas, que estão na sua frente. Ao lado de Emma, mas atrás, está o ator Joel. Ela veste um chapéu marrom, uma blusa vinho e uma jaqueta marrom. Os três estão num terreno de demolição, com uma construção grande e aos pedaços ao fundo. " width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/CRUELLA-2021-70.jpg.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/CRUELLA-2021-70.jpg-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/CRUELLA-2021-70.jpg-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/CRUELLA-2021-70.jpg-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/CRUELLA-2021-70.jpg-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21067" class="wp-caption-text">“Acho que eles sempre tiveram medo que eu fosse uma psicopata” (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A pegada </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;"> não se limita aos trajes de Cruella. Esse estilo também se faz presente dentro da </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/5rOJpiF22y62zZWQJswegW?si=a49e85fdda6743d0"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme, o que contribuiu para essa áurea mais sombria. Além das </span><a href="https://personaunesp.com.br/lancamentos-musicais-maio-2021/"><span style="font-weight: 400;">criações de Nicholas Britell</span></a><span style="font-weight: 400;"> (indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">por </span><a href="https://open.spotify.com/album/5evArWgt3lYByavFqzbo5x?si=Ns1cYwgESfmQFvVz1Meq0g"><i><span style="font-weight: 400;">Moonlight: Sob a Luz do Luar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://open.spotify.com/album/0fJDCdcog8975mFnYSCKZT?si=l1mEW9aZRa6CAulHi2zt3A"><i><span style="font-weight: 400;">Se a Rua Beale Falasse</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i><span style="font-weight: 400;">, músicas de </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/as-inspiracoes-punks-de-cruella-de-vivienne-westwood-ao-the-clash/"><span style="font-weight: 400;">The Clash</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-night-at-the-opera-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">Queen</span></a><span style="font-weight: 400;">, Black Sabbath e Deep Purple criam a atmosfera do lado ácido da vilã. Entretanto, existem quebras de ritmos mais pesados com as divertidas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BN1WwnEDWAM"><i><span style="font-weight: 400;">Should I Stay or Should I Go</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_zBwRDEFMRY"><i><span style="font-weight: 400;">One Way or Another</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que espelham a ironia e o deboche da antagonista. Tudo foi milimetricamente pensado para que as duas particularidades de Cruella pudessem transparecer para o público. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Juntamente com uma instrumentalidade espetacular, o diretor Craig Gillespie une uma narrativa primordialmente vinda do público infantil com o adulto, trazendo o equilíbrio entre o drama e a comédia. Ele procura dar profundidade aos capangas de Cruella para que eles possam acrescentar aos arcos da vilã e não servir apenas como burros de carga. Enquanto Gaspar é inteligente, Horácio é o alívio cômico, dono das cenas mais divertidas. Os dois funcionam como questionadores da vilania da amiga. Dessa forma, o trio não forma apenas uma gangue, mas sim uma família.</span></p>
<figure id="attachment_21068" aria-describedby="caption-attachment-21068" style="width: 979px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21068 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/cru-e1622921997306.jpg" alt="Foto retangular de uma cena de Cruella. A atriz Emma Stone está no centro, dos ombros para cima, como Cruella. Ela é branca de olhos azuis claros e usa maquiagem preta nos olhos e batom vermelho na boca. Ela está com o cabelo curto, ondulado, metade branco (lado esquerdo dela) e metade preto (lado direito dela). Ela veste uma jaqueta preta e uma gargantilha também preta. O fundo está desfocado. No lado esquerdo da imagem, é possível ver cinco luzes redondas amarelas acesas (duas em cima e três embaixo). Atrás de Cruella, se vê uma lareira. No lado direito da imagem, se vê um homem em pé, de terno e gravata, com os braços na frente do corpo. Atrás dele é possível ver duas luzes redondas amarelas acesas." width="979" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/cru-e1622921997306.jpg 979w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/cru-e1622921997306-800x588.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/cru-e1622921997306-768x565.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21068" class="wp-caption-text">A famosa piteira de cigarros de Cruella não foi adicionado no live action pois, desde 2007, <a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/feitos-desfeitas/disney-proibe-cigarro-em-seus-filmes/">a Disney proíbe cenas de fumo</a> em todas as suas produções (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Cruella </span></i><span style="font-weight: 400;">reinventa a fórmula de sucesso do desenho animado e faz com que Emma Stone deixe sua marca, tanto que já acumula mais de </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2021/05/31/cruella-assume-a-lideranca-na-bilheteria-nacional-e-arrecada-r-16-milhao.ghtml"><span style="font-weight: 400;">um milhão e meio de dólares</span></a><span style="font-weight: 400;"> de arrecadação nos cinemas. Incorporando novos aspectos, mas ainda mantendo-se na tradicionalidade, o filme é completo e dinâmico. Com uma cena pós-créditos (</span><i><span style="font-weight: 400;">obrigada pelos feitos, Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">) curiosa, a trajetória de Cruella começa de maneira majestosa. Se depender de Craig Gillespie para criar </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-158981/"><span style="font-weight: 400;">novos filmes </span><i><span style="font-weight: 400;">solos </span></i><span style="font-weight: 400;">de vilãs queridas</span></a><span style="font-weight: 400;">, temos uma próxima onda de </span><i><span style="font-weight: 400;">live-actions </span></i><span style="font-weight: 400;">belíssimos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> para degustar. </span></p>
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