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	<title>Arquivos Jane Austen &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>20 anos de Orgulho e Preconceito: A adaptação que fez Jane Austen brilhar no cinema</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Oct 2025 13:00:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Stephanie Cardoso Em um tempo em que as telonas eram dominadas por sagas adolescentes e efeitos mirabolantes, Orgulho e Preconceito (2005) chegou como quem não quer nada e conquistou tudo. Vinte anos depois, o filme dirigido por Joe Wright continua sendo uma das adaptações mais amadas da literatura – e um dos romances mais bonitos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/orgulho-e-preconceito-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "20 anos de Orgulho e Preconceito: A adaptação que fez Jane Austen brilhar no cinema"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35837" aria-describedby="caption-attachment-35837" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35837" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143871982-800x450.jpg" alt="Cena do filme Orgulho e Preconceito (2005). Na imagem, os personagens Elizabeth Bennet e Mr. Darcy estão muito próximos, prestes a se beijar. Elizabeth, uma jovem branca de cabelos castanhos escuros presos, está com os olhos fechados, com as mãos tocando a mão de Darcy. Ela usa um casaco longo escuro. Darcy também tem a cabeça inclinada para frente e os olhos fechados, em um gesto de ternura. Ele veste um casaco escuro com gola alta. Ao fundo, há um campo verde sob um céu esbranquiçado ao entardecer, transmitindo um clima romântico e íntimo" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143871982-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143871982-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143871982-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143871982.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35837" class="wp-caption-text">O livro de Orgulho e Preconceito é base de inspiração para novos romances modernos (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Stephanie Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um tempo em que as telonas eram dominadas por sagas adolescentes e efeitos mirabolantes, </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/story/pride-and-prejudice-20th-anniversary-director-joe-wright-interview?srsltid=AfmBOor0WOci5wI-qUgZNfq6ECAtHzBQmKUaX8ApRKVHouJsk9CEr9hu"><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2005)</span></a><span style="font-weight: 400;"> chegou como quem não quer nada e conquistou tudo. Vinte anos depois, o filme dirigido por </span><a href="https://www.harpersbazaar.com/culture/film-tv/a64526182/pride-and-prejudice-joe-wright-20th-anniversary-interview/"><span style="font-weight: 400;">Joe Wright</span></a><span style="font-weight: 400;"> continua sendo uma das adaptações mais amadas da literatura – e um dos romances mais bonitos e sinceros já feitos no cinema (e não é um exagero).</span></p>
<p><span id="more-35836"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado no livro homônimo de </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/jane-austen-curiosa-vida-da-escritora-de-orgulho-e-preconceito.phtml"><span style="font-weight: 400;">Jane Austen</span></a><span style="font-weight: 400;">, publicado em 1813, o longa-metragem poderia ter caído na armadilha das adaptações engessadas, com sotaques forçados e vestidos impecáveis demais. Mas Wright, em sua estreia no cinema, trouxe uma abordagem surpreendentemente íntima para uma história muitas vezes associada à rigidez dos salões aristocráticos. Aqui, os personagens riem alto, correm pelos campos, brigam em jantares, sujam as saias de barro e demonstram uma humanidade palpável. A direção busca menos a pompa e mais a verdade emocional, e é justamente por isso que o longa-metragem ainda permanece tão forte.</span></p>
<figure id="attachment_35838" aria-describedby="caption-attachment-35838" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-35838" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143896070.png" alt="Cena do filme Orgulho e Preconceito (2005). Na imagem, vemos uma elegante sala de estar em tons dourados e claros, com vários personagens vestidos com roupas de época. Ao centro, uma mulher ruiva está sentada com um vestido verde e branco, com um pequeno cachorro marrom deitado aos seus pés. Atrás dela, dois homens em pé vestem roupas de época — casacos compridos e calças altas. À esquerda, uma mulher sentada observa a cena, enquanto à direita, um grupo de mulheres com vestidos coloridos e chapéus senta-se em um sofá comprido. A cena transmite formalidade e tensão social" width="800" height="516" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143896070.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143896070-768x495.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35838" class="wp-caption-text">No início do filme, Elizabeth é vista lendo um livro chamado Primeiras Impressões, primeiro nome de Orgulho e Preconceito (Foto: Focus Films/Courtesy Everett Collection)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No centro da narrativa está </span><a href="https://youtu.be/DRNLLZQoX10?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Keira Knightley</span></a><span style="font-weight: 400;">, que aos 20 anos assumiu o papel de Elizabeth Bennet com uma combinação rara de coragem e sutileza, aquela heroína pela qual torcemos desde o primeiro instante. Ao seu lado, o misterioso Mr. Darcy, interpretado por </span><a href="https://youtu.be/02n7Hac0a5Q?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Matthew Macfadyen</span></a><span style="font-weight: 400;">, quebra o clichê do galã convencido. Reservado, um pouco desajeitado para demonstrar emoções e repleto de nuances, o que apenas amplia o magnetismo do personagem. A </span><a href="https://youtu.be/WeCBoYbixEk?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">cena</span></a><span style="font-weight: 400;"> em que ele revela seu amor (apesar de também insultar a sua família) sob a chuva – inexistente no livro original –, tornou-o um ícone, justamente por capturar com perfeição essa emoção contida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a chuva marcou o ápice da confissão dele, a madrugada silenciosa marcou o </span><a href="https://youtu.be/YckaDT9KEI8?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">momento</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Elizabeth. Quando ela finalmente revela seus sentimentos durante aquele passeio ao nascer do sol, não há palavras grandiosas, apenas uma entrega serena, mas arrebatadora. Sem exageros nem discursos grandiosos, só sinceridade, leveza e um toque de nervosismo que torna tudo mais verdadeiro. A troca de olhares, o clima suave e a luz dourada do campo tornam a cena quase etérea. É nesse instante que ela, tão firme e crítica ao longo da história, permite-se ser vulnerável. E o impacto é imediato: o silêncio diz mais que qualquer declaração ensaiada, encerrando a jornada com a mesma delicadeza com que foi construída.</span></p>
<figure id="attachment_35839" aria-describedby="caption-attachment-35839" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35839" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143924849-800x450.jpg" alt="Cena do filme Orgulho e Preconceito (2005). Na imagem, seis mulheres caminham alegremente por uma estrada de terra no campo. Elas usam vestidos longos e coloridos de época, além de chapéus e luvas. Estão sorrindo, transmitindo uma atmosfera de leveza e amizade. Ao fundo, vemos campos abertos e colinas sob um céu nublado. A personagem Elizabeth Bennet, ao centro-direita, veste um vestido cinza e uma capa preta" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143924849-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143924849-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/1759143924849.jpg 970w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35839" class="wp-caption-text">A relação das irmãs e da matriarca Bennet são um dos pontos mais fortes e divertidos do filme (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que torna </span><i><span style="font-weight: 400;">Pride and Prejudice</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) ainda mais rico é a </span><a href="https://youtu.be/U7guBEL-ORU?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">família Bennet</span></a><span style="font-weight: 400;">, cheia de personalidades que contrastam e se completam. A Sra. Bennet (Brenda Blethyn), rouba várias cenas com seu jeito desesperado para casar as filhas. Ela é aquele tipo de mãe que não pensa duas vezes antes de transformar qualquer conversa em uma festa de nervos. Em uma cena, que é quase cômica, ela tenta controlar as filhas no baile, mostrando como o casamento era uma questão de sobrevivência para as mulheres da época. Apesar de sua excentricidade, a Sra. Bennet representa uma preocupação real daquele período: o medo de deixar as filhas vulneráveis num mundo onde </span><a href="https://youtu.be/o0vYtSf2iP8?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">segurança financeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> era quase sinônimo de casamento bem arranjado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A irmã mais velha, Jane Bennet, interpretada por </span><a href="https://youtu.be/psjjEIrq654?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Rosamund Pike</span></a><span style="font-weight: 400;">, é o oposto da mãe em temperamento: doce, calma e sempre vendo o melhor nas pessoas. A relação dela com Charles Bingley (Simon Woods), é o </span><a href="https://youtu.be/K_ZBhEcuSU0?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">romance</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais suave da história, trazendo leveza ao drama das outras personagens. Jane é aquela irmã que, mesmo quietinha, ganha espaço na narrativa pela sua força tranquila, quase um equilíbrio para a energia de Lizzie.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Visualmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um deslumbre. A </span><a href="https://youtu.be/5z-0VGxI1x8?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">fotografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Roman Osin aposta em luz natural e movimentos de câmera orgânicos, criando uma atmosfera quase etérea. A cena do baile com o plano-sequência que percorre o salão inteiro é um espetáculo de coreografia visual e se tornou obrigatória em qualquer aula de direção cinematográfica. A estética do filme virou referência para produções de época posteriores, da televisão ao cinema. Já os </span><a href="https://youtu.be/0bVXmS20Teg?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">figurinos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Jacqueline Durran fogem do teatral, com roupas realistas, usadas pelas próprias personagens, o que deixa tudo mais real.  </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pride &amp; Prejudice | Dancing With Mr. Darcy and Mr. Collins at the Netherfield Ball" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/RPjnatedrm8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.billboard.com/music/chart-beat/pride-prejudice-film-soundtrack-charts-20-year-vinyl-1236017371/"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Dario Marianelli, com foco no piano e nas cordas, acompanha os personagens com delicadeza e profundidade. Em vez de apenas preencher o silêncio, a música o potencializa,  revelando tudo o que os personagens estão tentando esconder. A dança entre Elizabeth e Darcy se transforma em um momento quase metafísico, um diálogo silencioso onde cada nota carrega um peso dramático. Não foi à toa que Marianelli recebeu a indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Trilha Sonora Original pelo trabalho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as curiosidades de </span><a href="https://youtu.be/MSNfl2PUFPc?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">bastidores</span></a><span style="font-weight: 400;">, vale lembrar que Joe Wright optou por escalar atrizes e atores mais jovens para o núcleo principal, indo contra o padrão da época, que costumava envelhecer os personagens em adaptações de Austen. Ele também pediu à figurinista Jacqueline Durran que criasse roupas que os atores pudessem vestir sozinhos, para evitar a artificialidade de figurinos históricos. Essas escolhas contribuíram para uma sensação de espontaneidade que poucas adaptações conseguem alcançar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O final do filme também tem uma história curiosa. A versão exibida nos cinemas britânicos – e na maioria dos países (Brasil incluso!) – termina com o Sr. Bennet dando sua benção ao casamento da filha. Já nos Estados Unidos, o longa recebeu um final alternativo: uma cena extra com Lizzie e Darcy trocando carinhos e, finalmente, um beijo. Dependendo da edição que você viu, o desfecho pode ser bem diferente e essa mudança dividiu os fãs na época. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pride &amp; Prejudice | Completely, Perfectly, Incandescently Happy" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/f4upyq5QztM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ser um dos nomes mais importantes da literatura inglesa, Jane Austen já teve seus livros adaptados para diversas telas e com resultados bem variados. Títulos como </span><a href="https://personaunesp.com.br/emma-2020-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Emma</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Razão e Sensibilidade</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Persuasão</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganharam versões tanto clássicas quanto modernas – sim, </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-patricinhas-de-beverly-hills-25-anos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">As Patricinhas de Beverly Hills</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é baseada em </span><i><span style="font-weight: 400;">Emma</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas nenhuma obra foi tão revisitada quanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i><span style="font-weight: 400;">. Antes do longa de 2005, a adaptação mais famosa era a minissérie da </span><i><span style="font-weight: 400;">BBC </span></i><span style="font-weight: 400;">de 1995, estrelada por Jennifer Ehle e Colin Firth, que é até hoje um marco para os fãs mais puristas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comparando as duas, a </span><a href="https://youtu.be/NZKmzkdXPoo?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">minissérie</span></a><span style="font-weight: 400;"> é como uma leitura mais fiel e detalhista do livro. Com quase seis horas de duração, ela recria praticamente tudo o que Austen escreveu, com diálogos textuais, ritmo mais lento e uma ambientação contida. Já a versão de 2005 é feita para ser sentida, não apenas compreendida. Ela condensa a trama, elimina subtramas e aposta em sensações – nos olhares, nos silêncios, nos gestos que falam mais alto do que as palavras. Enquanto a série é uma aula de fidelidade histórica, a produção de Joe Wright é uma experiência emocional e cinematográfica poderosa. E é justamente isso que o torna tão inesquecível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Duas décadas depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i><span style="font-weight: 400;"> continua sendo aquele tipo de filme que você apresenta para alguém especial, assiste em uma tarde chuvosa com cobertor ou coloca na lista de </span><i><span style="font-weight: 400;">comfort movies</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao lado de clássicos modernos. Ele provou que </span><a href="https://ew.com/most-romantic-period-movies-11760791"><span style="font-weight: 400;">romance de época</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode ser inteligente, bonito, envolvente e, absolutamente, eterno. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pride &amp; Prejudice (2005) Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Ur_DIHs92NM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Dezembro de 2022</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2023 21:57:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“O amor é teatral, intui Scherezade, que, à mercê do Califa, jamais se apaixonou. O espectáculo amoroso, como o concebe agora, junto ao leito do Califa, requer ilusão, artifício, máscaras coladas aos rostos dos amantes enquanto copulam.” Fechando as cortinas de 2022 com uma trajetória de leituras diversas e debates entusiasmados, o Clube do Livro &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-dezembro-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Dezembro de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29669" aria-describedby="caption-attachment-29669" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29669 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/estantewp.jpg" alt="Arte retangular de cor marrom. Ao centro há uma estante branca com três prateleiras. A primeira prateleira é dividida ao meio, a segunda prateleira é dividida em três e a terceira prateleira é dividida em três. Na parte superior lê-se em preto 'estante’, na primeira prateleira lê-se em preto 'do persona', à direita nessa prateleira está a logo do Persona, um olho com íris na cor marrom. Na segunda prateleira, ao meio, está a capa do livro “Vozes do Deserto”, de Nélida Piñon, ao lado de 9 lombadas brancas. Na terceira prateleira, à direita, está o troféu com a logo do persona. Na parte inferior lê-se em branco ‘dezembro de 2022'." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/estantewp.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/estantewp-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/estantewp-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29669" class="wp-caption-text">Concluindo 2022, o Clube do Livro do Persona homenageia Nélida Piñon,uma das maiores escritoras do Brasil e a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira das Letras (Foto: Companhia das Letras/Arte: Nathalia Mendes/Texto de abertura: Vitória Gomez)</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">O amor é teatral, intui Scherezade, que, à mercê do Califa, jamais se apaixonou. O espectáculo amoroso, como o concebe agora, junto ao leito do Califa, requer ilusão, artifício, máscaras coladas aos rostos dos amantes enquanto copulam.</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Fechando as cortinas de 2022 com uma trajetória de leituras diversas e debates entusiasmados, o </span><b>Clube do Livro do Persona</b><span style="font-weight: 400;"> encerrou o ano homenageando o legado de Nélida Piñon. A autora carioca publicou mais de 20 livros e foi a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras (ABL). Nélida faleceu em 17 de dezembro, em Lisboa, aos 85 anos, durante uma cirurgia de risco; seu corpo foi enviado ao Brasil para o </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/livros/noticia/2022/12/corpo-da-escritora-nelida-pinon-e-sepultado-no-rio-de-janeiro-clc9g0z4c002m01cmeyxkijb1.html"><span style="font-weight: 400;">sepultamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Mausoléu da Academia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A maior escritora viva do país</span></i><span style="font-weight: 400;">”, como </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/12/17/nelida-pinon-era-a-maior-escritora-viva-do-brasil-diz-presidente-da-abl.ghtml"><span style="font-weight: 400;">afirmou</span></a><span style="font-weight: 400;"> Merval Pereira, presidente da ABL, Nélida Piñon foi pioneira na Academia, mas também no cenário literário nacional. A escritora se formou em Jornalismo, mas seguiu o caminho da Literatura: publicou </span><i><span style="font-weight: 400;">Guia-mapa de Gabriel Arcanjo</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu primeiro romance, em 1961, estreando uma trajetória próspera na ficção. Depois, a </span><a href="https://odia.ig.com.br/opiniao/2023/01/6552432-nelida-pinon-uma-mulher-uma-obra-um-tempo.html"><span style="font-weight: 400;">autora</span></a><span style="font-weight: 400;"> ampliaria ainda mais seus horizontes, explorando contos, ensaios, crônicas e livros de memórias, que, entre diferentes formatos, sempre perpassa por sua visão política e humanista do mundo, características que marcaram a carreira e as obras da carioca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Guia-mapa de Gabriel Arcanjo</span></i><span style="font-weight: 400;">, Mariella, a protagonista, e o arcanjo Gabriel são colocados frente a frente para discutir a relação do homem com Deus, pecados e a existência de acordo com os dogmas católicos. O primeiro lançamento de </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/12/17/morre-nelida-pinon.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Piñon</span></a><span style="font-weight: 400;"> já indicava para o que viria a oferecer: o caráter questionador se fez presente no restante da bibliografia da carioca, colocando personagens femininas no posto das indagadoras. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Casa da Paixão</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1972, confirmou a tendência transgressora de Nélida para a época. </span><a href="https://blariss.medium.com/a-casa-da-paix%C3%A3o-e-o-empoderamento-da-mulher-frente-ao-patriarcado-3840c4400436"><span style="font-weight: 400;">Na obra</span></a><span style="font-weight: 400;">, Marta reflete acerca de suas vivências com o pai abusivo e a ama submissa, em um romance marcante pela forma como trata a sexualidade feminina. Aqui, a autora prova a busca pela renovação de sua própria <a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/">linguagem</a>, que persistiria no restante de sua carreira e tornou sua Literatura tão distinta e atual. O livro, considerado um dos melhores de Nélida Piñon, venceu o Prêmio Mário de Andrade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adiante, o romance </span><a href="https://www.amazon.com.br/Tebas-meu-cora%C3%A7%C3%A3o-N%C3%A9lida-Pi%C3%B1on/dp/6555875658/ref=d_pd_sbs_sccl_1_2/141-8632924-8900261?pd_rd_w=L8mZk&amp;content-id=amzn1.sym.f14d3066-f640-490b-be63-642232e30730&amp;pf_rd_p=f14d3066-f640-490b-be63-642232e30730&amp;pf_rd_r=JB3JCZ6CDGS4C1NBDME9&amp;pd_rd_wg=zZB5E&amp;pd_rd_r=8c16dd5b-86fb-4a92-a5da-516b00913bc5&amp;pd_rd_i=6555875658&amp;psc=1"><i><span style="font-weight: 400;">Tebas do meu coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1974, coloca personagens diversos em uma cidade do interior para construir uma crítica à rica e nada homogênea sociedade brasileira. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A república dos sonhos</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1984, </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2022/12/17/fotos-escritora-nelida-pinon-morreu-aos-85-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Nélida</span></a><span style="font-weight: 400;"> novamente examina a composição social do país e seus processos de formação, agora sob a lente de imigrantes galegos chegando aos portos do Rio de Janeiro, como sua própria família uma vez fez. Nas obras, além de se aprofundar nas <a href="https://personaunesp.com.br/jamais-o-fogo-nunca-critica/">contradições de seus personagens</a>, a escritora questiona o panorama social dos respectivos momentos, inclusive com duras críticas à repressão e à ditadura. Por </span><i><span style="font-weight: 400;">A república</span></i><span style="font-weight: 400;">, a brasileira venceu os prêmios de Melhor Livro do Ano de 1985 da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e do Ficção PEN Clube.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelo conjunto de sua obra, traduzidas para mais de 30 países, Nélida Piñon ganhou o Prêmio Golfinho de Ouro do Governo do Estado do Rio de Janeiro e do Conselho Estadual de Cultura, em 1990, e o Prêmio Bienal Nestlé na Categoria Romance, em 1991. Por </span><i><span style="font-weight: 400;">Vozes do deserto</span></i><span style="font-weight: 400;">, romance sobre a </span><a href="https://www.revistabula.com/58193-a-cadeira-de-nelida-pinon/"><span style="font-weight: 400;">postura transgressora</span></a><span style="font-weight: 400;"> que uma mulher pode ocupar no sistema patriarcal em que vive, a autora recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Romance e na de Melhor livro do ano na categoria geral, em 2005.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somando a sua carreira arrebatadora, Piñon assumiu a cadeira 30 na Academia Brasileira de Letras em 1986, sendo a primeira mulher a conquistar tal feito no Brasil e no mundo, segundo a </span><a href="https://www.academia.org.br/noticias/academica-nelida-pinon-sera-sepultada-no-mausoleu-da-abl"><span style="font-weight: 400;">ABL</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela sucedeu o crítico literário e ensaísta Aurélio Buarque de Holanda. Agora, a cadeira que marcou a história de Nélida e da Literatura brasileira entrará em disputa a partir de Março &#8211; esperançosamente, passando para uma </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/heloisa-buarque-de-hollanda-e-favorita-para-substituir-nelida-pinon-na-academia-brasileira-de-letras,576e075d2285f882cdd6a6b442166b4061z3s2n5.html"><span style="font-weight: 400;">mulher</span></a><span style="font-weight: 400;"> igualmente de referência no cenário literário e cultural nacional. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Concluindo 2022 com um leque diverso de obras literárias discutidas, a Editoria relembra suas referências. Agora, você confere as leituras de final de ano indicadas no</span><b> Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-29643"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
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<figure id="attachment_29656" aria-describedby="caption-attachment-29656" style="width: 667px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29656 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-667x1024.jpg" alt="" width="667" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-667x1024.jpg 667w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-521x800.jpg 521w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-768x1179.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-1000x1536.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-1334x2048.jpg 1334w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1-1200x1843.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/vozes-do-deserto-1.jpg 1617w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29656" class="wp-caption-text">Vozes do Deserto é considerado peça chave na Literatura de Nélida Piñon (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Nélida Piñon &#8211; Vozes do Deserto (400 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 2004 e vencedor do prêmio Jabuti de 2005 nas categorias de Melhor Romance e Livro do Ano, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Vozes-do-deserto-N%C3%A9lida-Pi%C3%B1on/dp/6555872977/ref=asc_df_6555872977/?tag=googleshopp00-20&amp;linkCode=df0&amp;hvadid=379726091008&amp;hvpos=&amp;hvnetw=g&amp;hvrand=13271059152579916061&amp;hvpone=&amp;hvptwo=&amp;hvqmt=&amp;hvdev=c&amp;hvdvcmdl=&amp;hvlocint=&amp;hvlocphy=1001725&amp;hvtargid=pla-1521435263197&amp;psc=1"><i><span style="font-weight: 400;">Vozes do Deserto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Nélida Piñon, retoma, como um mito, uma das mais célebres histórias da Literatura: </span><i><span style="font-weight: 400;">As mil e uma noites</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para salvar as futuras jovens das garras do poderoso Califa – que, inconformado pela traição da antiga esposa, casa-se todos os dias com uma jovem do reino para matá-la após a noite de núpcias –, Sherazade decide se casar com esse ser “desprezível”, prendendo-o através de suas histórias, determinada que o fim de sua imaginação e liberdade jamais seriam controladas por alguém.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De forma interessante, o romance mostra o domínio narrativo de Piñon ao evocar o cuidado na escolha das palavras, em que apodera-se da história original apenas como pretexto para narrar a situação da mulher no mundo contemporâneo. Dessa maneira, através da protagonista feminina mais famosa da Literatura universal, a intenção é elucidar e propulsionar seu protagonismo, bem como a importância do papel da fantasia na vida humana, criando uma linda metáfora sobre a </span><a href="https://personaunesp.com.br/redescobrir-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">resistência</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_29653" aria-describedby="caption-attachment-29653" style="width: 714px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29653 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1-714x1024.png" alt="Capa do livro Retalhos. Na imagem estão as ilustrações de Craig Thompson e Raina. Ele é um garoto branco de cabelos pretos lisos, está vestindo um casaco longo cinza, calças roxas e tênis preto. Ela é uma garota branca de cabelos loiros, está vestindo um casaco azul marinho, calças marrom e tênis preto e branco. Os dois estão de frente um para o outro. Ao fundo, há uma colcha de retalhos laranja. A parte superior da capa abriga o nome do autor e do livro." width="714" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1-714x1024.png 714w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1-558x800.png 558w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1-768x1101.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/retalhos-1.png 800w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29653" class="wp-caption-text">Retalhos acumula três prêmios Harvey e foi a vencedora do prêmio da crítica da Associação Francesa de Críticos e Jornalistas de Quadrinhos em 2005 (Foto: Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><b>Craig Thompson &#8211; Retalhos (592 páginas, Quadrinhos na Cia) </b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Retalhos</span></i><span style="font-weight: 400;"> – traduzida no Brasil por </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=02664"><span style="font-weight: 400;">Érico Assis</span></a><span style="font-weight: 400;"> – é a autobiografia do autor e ilustrador Craig Thompson. Na história, o leitor embarca em uma viagem pelas partes mais íntimas e singulares do protagonista de maneira sensível e avassaladora. Entre os traços em preto e branco, a vivência do personagem em Wisconsin, nos Estados Unidos, é explorada a partir das relações que o marcaram ao longo da vida. As peças se desmontam na criação rígida e na opressão familiar, no afastamento com o irmão, na convivência dentro da escola, na religião e até em um relacionamento amoroso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É no primeiro amor que as cenas se tornam um pouco mais doces, com Raina – a garota que poderia ser um antônimo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UlISIohRwaE"><span style="font-weight: 400;">Thompson</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, o personagem se permite ousar e se desamarrar de certos nós. O relato é um misto doloroso de como a existência pode ser cruel e ao mesmo tempo deixar tantos aprendizados. Ao fim, todos os retalhos – sejam rasgados ou imaculados – formam o que há de mais singular no mundo: o próprio ser. &#8211;</span><b> Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_29657" aria-describedby="caption-attachment-29657" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29657 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-728x1024.jpg" alt="Capa do livro até os ossos." width="728" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-728x1024.jpg 728w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-568x800.jpg 568w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-768x1081.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1-1091x1536.jpg 1091w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/ate-os-ossos-1.jpg 1819w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29657" class="wp-caption-text">Bones &amp; All venceu o Alex Award de 2016, prêmio que reconhece produções literárias para jovens adultos (Foto: Suma)</figcaption></figure>
<p><b>Camille DeAngelis &#8211; Até os ossos (296 páginas, Suma) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Maren quer ser uma adolescente normal com um vida igualmente comum, mas não consegue desviar de seus instintos canibais. Quando é abandonada pela mãe e decide rumar ao norte do país para, sozinha, encontrar o pai, conhece Lee, um jovem com quem divide semelhanças. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pjMt1MIk2EA"><i><span style="font-weight: 400;">Até os ossos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, publicado em 2015 e que rendeu uma adaptação cinematográfica homônima dirigida por Luca Guadagnino, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/sally-rooney-pessoas-normais-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">coming of age</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> canibal de Camille DeAngelis mergulha nas camadas mais profundas da mente de Maren e vai além do horror para pincelar os anseios mais genéricos e universais de jovens adultos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Anseios esses que nada têm a ver com o canibalismo. Apesar do fator efetivamente mover a narrativa, levando Maren e Lee </span><a href="https://personaunesp.com.br/na-natureza-selvagem-15-anos/"><span style="font-weight: 400;">de uma ponta a outra</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos Estados Unidos e chamar a atenção para a produção como um todo (ambas a literária e a cinematográfica), os peculiares hábitos alimentares dos dois servem mais como um subtexto. Juntos, o casal desvenda a solidão, amor e </span><a href="https://personaunesp.com.br/it-a-coisa-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">amizade</span></a><span style="font-weight: 400;">, avalia o futuro e a ética versus necessidade do que fazem, enquanto embarcam em uma aventura na caminhonete de Lee. Para eles, há futuro que não seja fugindo de cidade em cidade ou estão condenados a sobrevivência por se renderem aos seus instintos? Como qualquer jovem adulto, </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788556511683/ate-os-ossos"><i><span style="font-weight: 400;">Até os ossos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> continua, sem chegar a uma resposta definitiva. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<p><figure id="attachment_29661" aria-describedby="caption-attachment-29661" style="width: 379px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29661 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/a-morte-e-um-dia-1-1.jpg" alt="[A imagem é a capa do livro A morte é um dia que vale a pena viver. O fundo da capa é branco, e no topo está escrito em preto o nome da autora Ana Claudia Quintana Arantes. Abaixo há a ilustração de galhos floridos, os galhos são marrons e as flores tem tons avermelhados e rosados. Mais abaixo há o título do livro escrito em rosa. E por fim, em letra preta, menor e mais discreta que o título, há a frase “E um excelente motivo para se buscar um novo olhar para a vida" width="379" height="569" /><figcaption id="caption-attachment-29661" class="wp-caption-text">Em sua estreia no universo literário, Ana Claudia Quintana Arantes entrega uma obra reflexiva e difícil de engolir (Foto: Sextante)</figcaption></figure><b>Ana Claudia Quintana Arantes &#8211; A morte é um dia que vale a pena viver (192 páginas, Sextante)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A morte é um dia que vale a pena viver</span></i><span style="font-weight: 400;">, quem narra a história é uma médica especializada em </span><a href="https://www.casadocuidar.org.br/cuidados-paliativos/?gclid=Cj0KCQiAt66eBhCnARIsAKf3ZNEYG0XuQe-A-cUDnc58zYwa7qWt5s7SPUM3lMLm0oK3FitHMbQ1r0EaApaKEALw_wcB"><span style="font-weight: 400;">cuidados paliativos</span></a><span style="font-weight: 400;">: Ana Claudia Quintana Arantes traz parte de sua jornada profissional em busca de uma reflexão sobre a morte e o medo que a cerca. Em uma sociedade que vê o óbito como fim absoluto, a profissional explicita as dificuldades que sofreu até se encontrar em sua individualidade &#8211; lidar com o falecimento nunca foi algo fácil, mas, na profissão escolhida, que outra opção ela tinha?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aprender a enxergar a vida &#8211; ou a sua antítese &#8211; com outros olhos foi o caminho que Ana preferiu seguir. Contando suas vivências pessoais e profissionais, a doutora mostra o quão importante é a valorização da morte, o direito do indivíduo de partir com dignidade e a minimização do sofrimento de quem vai e de quem fica com a dor da despedida. A forma com que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ep354ZXKBEs"><span style="font-weight: 400;">Ana</span></a><span style="font-weight: 400;"> trata do assunto, ainda considerado um tabu, é admirável &#8211; compartilhando casos de alguns pacientes, o objetivo principal é concluído: causar ponderação sobre o que ainda aflige grande parte da população e a busca pelo propósito de vida de cada um. Tomara que, quando acabar de ler, veja o fim de seu ciclo na Terra de uma forma diferente. </span><b>&#8211; Amábile Zioli</b></p>
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<figure id="attachment_29660" aria-describedby="caption-attachment-29660" style="width: 606px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29660" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Os-Bons-Companheiros-1-1.jpg" alt="Capa do livro Os Bons Companheiros. Nela temos uma divisão de vermelho e branco, sendo vermelho a parte superior e branco a inferior. Na parte superior, há a dianteira de um Opala desenhado na cor branca, com os detalhes da dianteira em preto. Em cada extremidade do carro, há uma linha pontilhada preta. Acima do carro, um card azul claro com alguns desenhos na borda e no seu interior está escrito “Nicholas Pileggi”. Abaixo dele, os dizeres “MADE IN D.A.R.K”. Passa pelo card, como se fosse uma borda do livro, uma linha dourada. Na parte inferior, vemos uma pá desenhada na cor preta e logo abaixo dela o título “GoodFellas” e abaixo dele em letras menores, a tradução “OS BONS COMPANHEIROS”. Na parte inferior da capa, lemos “DARKSIDE” sublinhado" width="606" height="867" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Os-Bons-Companheiros-1-1.jpg 606w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Os-Bons-Companheiros-1-1-559x800.jpg 559w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29660" class="wp-caption-text">Martin Scorsese, diretor da premiada adaptação, considera a obra um clássico moderno de True Crime (Foto: Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Nicholas Pileggi &#8211; Os Bons Companheiros (271 páginas, Darkside)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amplamente conhecido </span><a href="https://darkside.blog.br/os-bons-companheiros-por-dentro-da-mente-de-martin-scorsese/"><span style="font-weight: 400;">nas telas</span></a><span style="font-weight: 400;">, a versão literária de </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Bons Companheiros </span></i><span style="font-weight: 400;">também nasceu um clássico. Nela, acompanhamos a história de Henry Hill, um jovem garoto americano com descendência italiana e irlandesa que começa a fazer parte do dia a dia de uma máfia de seu bairro. Após 3 décadas convivendo com a família Lucchese, uma das cinco famílias que comandavam Nova York no século passado, Hill é preso por tráfico e entra no Programa Federal de Proteção à Testemunha, onde decide contar sua vivência para o jornalista Nicholas Pileggi, conhecido pelo seu trabalho cobrindo o mundo do crime organizado e da máfia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra é um retrato extremamente fiel das máfias que dominaram os Estados Unidos no século XX. Além de abdicar de todo o glamour característico desses grupos, a narrativa é contada pelo ponto de vista de alguém vindo de fora, que aos poucos subiu nos negócios da família e conhece todos seus meandros e corrupções. Extremamente brutal e visceral, o livro passeia pela violência, loucura, golpes, roubos e relações familiares de maneira fascinante e instigante, quase que nos inserindo e nos tornando parte da </span><a href="https://www.estilogangster.com.br/familia-lucchese-desde-sempre-uma-das-familias-mais-influentes-da-cosa-nostra/#:~:text=A%20fam%C3%ADlia%20foi%20fundada%20em,recepta%C3%A7%C3%A3o%20e%20assassinato%20de%20aluguel."><span style="font-weight: 400;">família Lucchese</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211;</b> <b>Guilherme Veiga</b></p>
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<p><figure id="attachment_29663" aria-describedby="caption-attachment-29663" style="width: 328px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29663 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Orgulho-e-Preconceito-1-1.jpg" alt="[Capa do livro Orgulho e Preconceito. Ao centro da imagem é possível ver o título do livro em preto; ao seu redor há uma moldura antiga, dourada e oval. No canto inferior direito há a figura de um homem em preto e branco, com o rosto coberto por uma rosa cor de rosa; no canto superior esquerdo há a figura de uma mulher em preto e branco, com o rosto coberto por uma rosa branca. No canto superior direito há um pedaço de um castelo antigo, com uma caligrafia também antiga por cima. No meio superior está o nome da autora em preto, e no inferior o nome da editora em amarelo escuro. O fundo da capa é azul, mas é possível ver ilustrações que imitam colagens em branco, bege, preto, rosa e dourado." width="328" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-29663" class="wp-caption-text">Orgulho e Preconceito retrata dois corações que superam obstáculos criados por eles mesmos (Foto: Martin Claret)</figcaption></figure><b>Jane Austen &#8211;  Orgulho e Preconceito (421 páginas, Martin Claret)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um clássico da literatura inglesa e o favorito de muitos &#8211; não por acaso, o livro, apesar de escrito no século XIX, é bastante visionário em algumas de suas pautas. A história foca principalmente em Elizabeth Bennet, uma das muitas filhas de uma família pobre, que sofre pressão da sociedade por já ter passado da idade casadoura. Lizzie é um exemplo e uma heroína para as mulheres e meninas da época porque em nenhum momento se obriga a acatar as regras patriarcais se submetendo a um homem e casando contra a sua vontade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mulher encontra seu interesse romântico ao longo da história: Senhor Darcy, um homem muito rico que também se interessa por ela. Os dois passam pelos seus próprios desafios pessoais para lidarem com seus sentimentos. Lizzie precisa passar por cima de seu orgulho para aceitar se relacionar e Darcy, superar seu preconceito para se juntar a uma companheira que vem de uma família pobre. Eles são diferentes, mas ao mesmo tempo similares e se complementam. </span><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i><span style="font-weight: 400;"> vai muito além de uma história de amor, é a narrativa de dois personagens que se esforçaram para sair de suas zonas de conforto e crescer como pessoas sem abandonar seus ideais. &#8211; </span><b>Gabrielli Natividade</b></p>
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<figure id="attachment_29662" aria-describedby="caption-attachment-29662" style="width: 585px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29662" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/A-Droga-da-Obediencia-1-1.jpg" alt="Capa do livro A Droga da Obediência. Na arte, o plano de fundo é laranja para que as informações se destaquem o máximo possível. Na parte superior, o nome do autor Pedro Bandeira está escrito em letras garrafais na cor azul clara. No centro, o nome da série de lançamentos juvenis Os Karas também está escrita em letras garrafais, mas em cores pretas sobre um vetor branco. Na parte inferior, o nome do livro A Droga da Obediência está escrito na cor laranja, mas contornado de modo a se diferenciar do fundo. Por último, está posicionado o nome e o logo colorido da editora Moderna." width="585" height="853" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/A-Droga-da-Obediencia-1-1.jpg 585w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/A-Droga-da-Obediencia-1-1-549x800.jpg 549w" sizes="auto, (max-width: 585px) 85vw, 585px" /><figcaption id="caption-attachment-29662" class="wp-caption-text">Pedro Bandeira é o autor de literatura juvenil mais vendido da história do Brasil (Foto: Moderna)</figcaption></figure>
<p><b>Pedro Bandeira &#8211; A Droga da Obediência (192 páginas, Moderna)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem livros que são eternamente marcados pela presença praticamente obrigatória na grade escolar e, na maioria das vezes, o que é uma tentativa de introduzir a </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/euestudante/educacao-basica/2021/01/4903079-apos-polemica-de-felipe-neto-como-abordar-literatura-classica-na-escola.html"><span style="font-weight: 400;">literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> no cotidiano dos </span><a href="https://www.uai.com.br/app/noticia/e-mais/2014/09/22/noticia-e-mais,159551/entrevista-com-pedro-bandeira-jovens-me-provam-que-e-gostoso-viver.shtml"><span style="font-weight: 400;">jovens estudantes</span></a><span style="font-weight: 400;">, acaba se transformando na experiência nada agradável de se esforçar somente em busca de um boletim mediano. Contrariando o senso comum, </span><a href="https://www.uai.com.br/app/noticia/e-mais/2014/09/16/noticia-e-mais,159357/pedro-bandeira-comemora-30-anos-de-a-droga-da-obediencia.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">A Droga da Obediência</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Pedro Bandeira é aquela narrativa que encanta de primeira e te faz acreditar que todas as outras podem ser tão divertidamente viciosas como ela. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 1984, o livro </span><i><span style="font-weight: 400;">A Droga da Obediência</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue os protagonistas na aventura de impedir o Doutor Q.I, vilão que deseja dominar o mundo com uma droga que causa a obediência. Miguel, Calú, Crânio, Chumbinho e Magri compõem o grupo que é “</span><i><span style="font-weight: 400;">o avesso dos coroas, o contrário dos caretas</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Rebelde com o papel e o lápis na mão, </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/literatura/pedro-bandeira-faz-80-anos-veja-5-livros-do-escritor-para-matar-a-saudade-da-infancia/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Bandeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> criou um clássico em meio as seis obras que fazem parte da coletânea investigativa </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2014/08/28/herois-da-literatura-jovem-os-karas-crescem-e-encaretam-em-novo-livro.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Os Karas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_29664" aria-describedby="caption-attachment-29664" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29664 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Rainhas da noite, do autor Chico Felitti. A capa mostra a foto de uma mulher branca, sentada no banco de trás de um carro, usando uma blusa vermelha. Em fonte branca, lê-se Rainhas da noite: As travestis que tinham São Paulo a seus pés e Chico Felitti. Ao lado, está o logo da editora Companhia das Letras." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/rainhas-da-noite-1-1.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29664" class="wp-caption-text">Jacqueline Welch, Andréa de Mayo e Cristiane Jordan protagonizam a obra de Chico Felitti (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Chico Felitti &#8211; Rainhas da noite (256 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se dedicou à confecção de </span><a href="https://blog.estantevirtual.com.br/2020/04/13/resenha-livro-ricardo-e-vania/"><i><span style="font-weight: 400;">Ricardo e Vânia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Chico Felitti mergulhou no mundo </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">da São Paulo de décadas atrás. A maturidade e o extenso material na manga fazem com que </span><i><span style="font-weight: 400;">Rainhas da noite</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegue aliado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">pedigree </span></i><span style="font-weight: 400;">do dono do </span><a href="https://open.spotify.com/show/0xyzsMcSzudBIen2Ki2dqV"><i><span style="font-weight: 400;">podcast </span></i><span style="font-weight: 400;">mais badalado</span></a><span style="font-weight: 400;"> do ano passado (também interessado em cavucar as minúcias de uma cidade em ebulição e seus residentes). As protagonistas da vez são três mulheres de pose e poder: acompanhando as jornadas e o amadurecimento de Jacqueline, Andréa e Cristiane, o leitor embarca nas sensações de um mundo passado, mas em demasia presente no cotidiano do Brasil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amplificando a voz de </span><a href="https://elastica.abril.com.br/expressao/livro-rainhas-da-noite-travestis-chico-felitti/"><span style="font-weight: 400;">mulheres trans e travestis</span></a><span style="font-weight: 400;">, pioneiras e verdadeiras ícones da comunidade LGBTQIA+, o livro investiga, suscita questões e problematiza o ecossistema da prostituição e dos jogos de poder da cidade que insiste em nunca dormir e virar o rosto para a parcela mais marginalizada de sua sociedade. Emocionante, elucidativo, grandioso, complexo e humano, o livro de Felitti, que </span><a href="https://gay.blog.br/anais-da-historia/entrevista-chico-felitti-fala-sobre-seu-novo-audiobook-rainhas-da-noite/"><span style="font-weight: 400;">nasceu como</span><i><span style="font-weight: 400;"> audiobook</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">na voz de Renata Carvalho, ressuscita os sonhos e os amores dessas e de tantas outras figuras, apagadas à força, mas que, em trabalhos de memória e amor como este, aos poucos retornam aos lugares de direito. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_29655" aria-describedby="caption-attachment-29655" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29655 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Dia Um." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-768x1151.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/dia-um-1.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29655" class="wp-caption-text">Recebido pelo Persona na parceria com a editora Companhia das Letras, Dia Um é o primeiro romance do poeta Thiago Camelo (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Thiago Camelo &#8211; Dia Um (208 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Ele de costas, a porta batendo – essa é a última imagem que você tem de seu irmão”</span></i><span style="font-weight: 400;">, escreve </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/01/thiago-camelo-recusa-pecha-de-autoficcao-em-novo-livro-sobre-suicidio-do-seu-irmao.shtml"><span style="font-weight: 400;">Thiago Camelo</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas primeiras páginas de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559211067/dia-um"><i><span style="font-weight: 400;">Dia Um</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No livro, narrado em segunda pessoa, “você” é parte fundamental da história. Entender os motivos que levaram o irmão mais velho do protagonista a pular de um apart-hotel em Copacabana, desvendar as memórias e a tentativa de superação são essenciais neste que é o primeiro romance de Camelo. Com força e linguagem fascinantes – em parte porque o autor é também poeta –, a obra mantém o impacto da primeira à última passagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mecanismo de utilizar a voz em segunda pessoa aponta para dois caminhos: 1) rememorar e entender o que levou o irmão a se suicidar, voltando ao passado; 2) desmembrar a vida fraturada daqueles que permanecerem. “Você”, levado pelo narrador a uma viagem no tempo, é a única pessoa presente em ambos os cenários. Porém, o narrador é também um indivíduo em </span><a href="https://personaunesp.com.br/elena-critica/"><span style="font-weight: 400;">depressão</span></a><span style="font-weight: 400;">, e os relatos pouco confiáveis – como se pode sempre esperar na ficção – aludem a sua própria condição, agravada na morte do parente próximo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As “memórias ficcionais” dessas páginas em muitos aspectos lembram as narradas em </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-novembro-de-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Erguei bem alto a viga, carpinteiros &amp; Seymour: Uma Introdução</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-apanhador-no-campo-de-centeio-70-anos/"><span style="font-weight: 400;">J.D. Salinger</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que acompanhamos Buddy Glass tentando desvendar o sucídio do irmão genial, Seymour. A grande ponte entre essas obras, porém, é que ambos constroem uma narrativa na qual o protagonista parte em uma busca errática desde sua origem, tentando dar voz a uma consciência alheia. Dessa forma, o pulo do irmão mais velho é contrastado pela inflexão do irmão mais novo, que relembra a vida solar e os momentos gloriosos que compartilharam, nos fazendo contemplar aqueles segundos eternos por páginas a fio. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Dia Um</span></i><span style="font-weight: 400;">, há uma viagem pelo luto e pela depressão, narrados com delicadeza e paixão, na qual tudo se transforma em metáfora. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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		<title>Entre o moderno e o tradicional, não foi dessa vez que Persuasão ganhou uma adaptação à altura</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Aug 2022 17:22:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Isabella Lima  “Austen nos dá a fantasia histórica e ainda fornece uma dura ridicularização daqueles que são muito esnobes em suas distinções de classe” é o que escreve Linda Troost e Sayre Greenfield no livro Jane Austen in Hollywood. Publicado entre os anos 1990 e 2000, as autoras acompanharam o auge das adaptações audiovisuais das &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/persuasao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Entre o moderno e o tradicional, não foi dessa vez que Persuasão ganhou uma adaptação à altura"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28338" aria-describedby="caption-attachment-28338" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28338 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-1-3.jpg" alt="Imagem do filme Persuasão no formato retangular. A paisagem é formada por um céu azul e um campo coberto de uma vegetação rasa. Ao centro da imagem está um casal sentado na grama se abraçando. Do lado esquerdo está a personagem Anne Elliot, uma mulher branca, de cabelos pretos e lisos, amarrados em um coque. Ela veste um vestido branco, comprido e de mangas longas. Do lado direito está o personagem Frederick Wentworth, um homem branco, de cabelos pretos e cacheados em um penteado estilo topete. Ele usa um grande casaco azul com botões dourados." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-1-3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-1-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-1-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-1-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-1-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28338" class="wp-caption-text">Muito distante de Anastasia Steele, de 50 Tons de Cinza, Dakota Johnson vive agora a heroína Anne Elliot de Jane Austen (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Isabella Lima </b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Austen nos dá a fantasia histórica e ainda fornece uma dura ridicularização daqueles que são muito esnobes em suas distinções de classe”</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o que escreve Linda Troost e Sayre Greenfield no livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Jane Austen in Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">. Publicado entre os anos 1990 e 2000, as autoras acompanharam o auge das adaptações audiovisuais das obras literárias de Jane Austen. De fato, todos esses elementos, juntos da narrativa romântica, encantam os entusiastas da escritora inglesa e foram bem incorporados em  </span><a href="http://personaunesp.com.br/orgulho-e-preconceito-15-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2005), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZVImlMG8WqI"><i><span style="font-weight: 400;">Emma</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020), ou até mesmo em </span><a href="http://personaunesp.com.br/as-patricinhas-de-beverly-hills-25-anos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">As Patricinhas de Beverly Hills</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1995), uma adaptação mais reconstruída e modernizada. Ao contrário desses títulos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Persuasão</span></i><span style="font-weight: 400;">, a nova aposta da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">  inspirada no livro homônimo de Jane Austen, não conseguiu proporcionar uma experiência capaz de estabelecer conexão com a tradição, nem com a reinvenção da </span><span style="font-weight: 400;">direção inaugural de </span><a href="https://www.irishtimes.com/culture/film/2022/07/13/director-carrie-cracknell-on-persuasion-i-always-intended-to-absolutely-honour-the-heart-of-the-book/"><span style="font-weight: 400;">Carrie Cracknell</span></a><span style="font-weight: 400;">, nome já conhecido no teatro britânico. </span></p>
<p><span id="more-28337"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O casal Anne Elliot (Dakota Johnson) e Frederick Wentworth (Cosmo Jarvis) é o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GD1LCpYst5c"><span style="font-weight: 400;">fio condutor da trama</span></a><span style="font-weight: 400;">, cujo relacionamento foi bruscamente rompido no passado pela persuasão de Lady Russell (Nikki Amuka-Bird). Sendo uma amiga de grande estima de Anne, Lady Russell convence a protagonista a desistir do romance pela falta de títulos e </span><i><span style="font-weight: 400;">status</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Wentworth. Porém, após oito anos separados, Frederick retorna ao círculo social da família Elliot como capitão da Marinha Real Britânica, dispondo de fortuna e reconhecimento. A partir desse reencontro, observamos os </span><a href="https://www.thewrap.com/persuasion-netflix-changes-fourth-wall-carrie-cracknell-interview/"><span style="font-weight: 400;">ressentimentos de Anne</span></a><span style="font-weight: 400;"> e suas expectativas por uma segunda chance, agora que ele está em busca de uma esposa.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Persuasion starring Dakota Johnson | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Fz7HmgPJQak?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os pontos que mais deixaram a desejar em </span><i><span style="font-weight: 400;">Persuasion</span></i><span style="font-weight: 400;">, nome original do longa, o esvaziamento da personagem, originalmente idealizada no livro, é o mais gritante. Anne Elliot é conhecida por ser uma das heroínas mais apaixonantes já escritas por Jane Austen. Seu temperamento tranquilo, resiliente, sábio e empático são características natas, que destoam muito do seu ambiente familiar egocentrista composto pelo pai, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sir</span></i><span style="font-weight: 400;"> Elliot (Richard E. Grant), e pelas irmãs, Elizabeth (Yolanda Kettle) e Mary (Mia McKenna-Bruce). Já no filme, a senhorita Anne é transformada em uma pessoa irônica, cômica, uma cópia não tão bem executada de </span><a href="http://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que se mortifica durante oito anos por ter sido persuadida a abandonar o homem que amava. Em outras palavras, a jornada de aprendizado e evolução da personagem, um dos principais aspectos dos </span><a href="https://michellysantosliteratura.com/romance-historico-de-epoca-e-de-costumes-qual-a-diferenca/"><span style="font-weight: 400;">romances de costumes</span></a><span style="font-weight: 400;"> do século XIX, é deixada de lado em prol de trazer toques mais atuais para a obra. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tanto a crítica especializada, quanto o público mais familiarizado com a escritora inglesa, fizeram comentários em relação à </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/tv/noticia/2022/07/filme-persuasao-nao-faz-justica-ao-material-original-cl5ragpim008r016vna4ln3ur.html"><span style="font-weight: 400;">modernização exagerada da trama</span></a><span style="font-weight: 400;">. Fica evidente que a estratégia utilizada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi apostar em fórmulas prontas de sucesso, assim como fez em </span><a href="http://personaunesp.com.br/bridgerton-netflix-critica/#more-17909"><i><span style="font-weight: 400;">Bridgerton</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, trazendo diálogos que não condizem com os costumes da época e a quebra da quarta parede. Além disso, Jane Austen é conhecida por não subestimar a inteligência do leitor e, de forma sútil, apresentar suas críticas sociais. No entanto, o filme vai na direção oposta quando incumbe a personagem principal de explicar os mínimos detalhes ao telespectador em diversos momentos, rompendo com qualquer carga emocional que a cena poderia carregar e tornando o roteiro, escrito por Ronald Bass e Alice Winslow, maçante em muitos momentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra questão pouco explorada, que dá sentido ao título da obra, é a crítica à estrutura social da Inglaterra no século XIX. A ironia sutil que a produção literária utiliza para criticar o contexto social garantiu seu lugar entre os clássicos da Literatura, portanto, adaptar a narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Persuasão </span></i><span style="font-weight: 400;">sem levar esse trabalho a sério é uma tarefa difícil. Para trazer alívio cômico, o filme </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/persuasao-netflix"><span style="font-weight: 400;">ignora o pano de fundo</span></a><span style="font-weight: 400;"> histórico e deixa de se aprofundar nos motivos pelos quais  a protagonista desistiu do noivado no passado. Motivos esses muito ligados ao papel aprisionador das mulheres da época, que tinham no</span> <span style="font-weight: 400;">casamento a única forma de ascensão social. No livro, Anne é persuadida ao entender que terminar com Wentworth era seu dever, uma precaução acerca das condições sociais e econômicas precárias do homem. Dessa forma, a personagem passa por um processo de racionalização dos seus sentimentos, ao contrário do que vemos no longa.</span></p>
<figure id="attachment_28339" aria-describedby="caption-attachment-28339" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28339 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-2-4.jpg" alt="Imagem do filme Persuasão no formato retangular. A imagem mostra a personagem Anne Elliot deitada em um jardim com árvores ao fundo. Anne, uma mulher branca, de olhos azuis, cabelos pretos e lisos, amarrados em um coque. Ela veste um vestido azul claro, comprido e de mangas longas. Ela está em um piquenique, com um copo na mão enquanto olha para a pessoa com quem está conversando, porém essa pessoa não aparece na imagem" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-2-4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-2-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-2-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-2-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-2-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-2-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28339" class="wp-caption-text">Persuasão faz reacender a questão: é possível modernizar obras clássicas sem perder a sua essência ou estariam os romances de época fadados ao modelo Bridgerton de entretenimento? (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de todas as </span><a href="https://technewsbrasil.com.br/sobresagas/7-curiosidades-persuasao-netflix/"><span style="font-weight: 400;">inconsistências</span></a><span style="font-weight: 400;">, nem tudo foi perdido. É preciso reconhecer que pelo menos uma característica de Jane Austen foi aproveitada: a sátira pitoresca dos personagens. Um ponto forte da escritora inglesa é satirizar os costumes da época, apresentando uma ‘elegância ridícula’ daqueles que se esforçavam para manter o </span><i><span style="font-weight: 400;">status</span></i><span style="font-weight: 400;"> social a qualquer custo. A família Elliot é o maior exemplo disso, pois, mesmo estando à beira da falência, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sir</span></i><span style="font-weight: 400;"> Elliot e Elizabeth não deixam de lado a vaidade e o egocentrismo. Esse aspecto é bem retratado no filme com diversos auto-retratos do patriarca espalhados pela casa e a presunção arrogante da irmã mais velha de Anne. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale ressaltar também a diversidade que a produção trouxe para o elenco e, claro, a maneira como retrata a natureza e o espaço físico da história em si. O bucolismo, já muito utilizado nas adaptações cinematográficas anteriores das obras de Jane Austen, se trata de um elemento chave para transportar o telespectador para o enredo, que, na maior parte do tempo, se passa na região interiorana da Inglaterra. Em </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/televisao/entenda-a-insatisfacao-do-publico-com-o-filme-persuasao-da-netflix"><i><span style="font-weight: 400;">Persuasão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, somos apresentados a três cenários: o interior (Uppercross e Kellynch Hall), o litoral (Lyme) e a paisagem urbana (Bath). Nesse aspecto, o longa rendeu imagens agradáveis capazes de trazer a natureza como um personagem da narrativa.</span></p>
<figure id="attachment_28340" aria-describedby="caption-attachment-28340" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28340" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-3-4.jpg" alt="Imagem do filme Persuasão no formato retangular. A imagem mostra do lado esquerdo a personagem Anne Elliot, uma mulher branca, de olhos azuis, cabelos pretos e lisos que estão amarrados em uma trança que cai pelo seu ombro esquerdo. Ela veste um vestido azul escuro que está coberto por uma manta, também azul escura, que ela está segurando de braços cruzados. Ao seu lado direito está o personagem Frederick Wentworth, um homem branco, de cabelos pretos e cacheados em um penteado estilo topete. Ele veste uma blusa azul de mangas compridas bufantes e por cima um paletó cinza abotoado. Ao fundo, um cenário desfocado que aparentam serem rochas" width="1500" height="996" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-3-4.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-3-4-800x531.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-3-4-1024x680.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-3-4-768x510.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/08/IMAGEM-3-4-1200x797.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28340" class="wp-caption-text">A recepção do público que não é fã dos livros de Jane Austen foi parcialmente positiva com Persuasão, com aprovação de 67% da <a href="https://www.rottentomatoes.com/m/persuasion">audiência no Rotten Tomatoes</a> (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Persuasão</span></i><span style="font-weight: 400;"> se apresenta como o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9tePRFKFzQ0"><span style="font-weight: 400;">ponto fora da curva</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre as adaptações de Jane Austen. Repleto de anacronismos e modernizações, o longa não conversa com aquele que deveria ser seu principal elemento: o questionamento se o amor é verdadeiro a ponto de sobreviver às imposições sociais, ao tempo, à opinião da sociedade e, acima de tudo, se é capaz de perdoar. A construção apaixonante do casal não estabelece uma conexão genuína com o telespectador em relação a esses aspectos e, ao final, o sentimento de recompensa quando os personagens ficam juntos não é tão gratificante. Para aqueles que estão tendo o primeiro contato com a obra, o longa pode garantir certo divertimento, mas não é capaz de trazer uma experiência verdadeiramente digna de um romance de Jane Austen. Elementos como a sátira e a ridicularização estão presentes, de fato. Porém, a fantasia histórica mencionada por Linda Troost e Sayre Greenfield foi deixada de lado para ceder lugar a, praticamente, uma comédia romântica.</span></p>
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		<title>A cortesia de Emma. à Jane Austen e à nossa sensibilidade</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Nov 2020 13:18:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Layla de Oliveira “Bonita, inteligente e rica.” Estes são os adjetivos usados por Jane Austen para definir Emma Woodhouse, a protagonista do romance Emma, publicado em 1815. E eles se encaixam perfeitamente para descrever o filme dirigido por Autumn de Wilde, que adapta a obra de Austen de maneira a trazer uma narrativa do início &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/emma-2020-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A cortesia de Emma. à Jane Austen e à nossa sensibilidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_16501" aria-describedby="caption-attachment-16501" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16501 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-1.jpg" alt="Três personagens, Emma no centro, Knightley a esquerda e Churchill a direita. E o nome do filme a frente." width="1200" height="704" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-1-300x176.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-1-1024x601.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-1-768x451.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16501" class="wp-caption-text">“Prometo não planejar nenhum [casamento] para mim mesma, papai. Mas vou fazê-lo para outras pessoas. É a coisa mais divertida do mundo.” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure><b>Layla de Oliveira</b></p>
<p><em>“Bonita, inteligente e rica.”</em> Estes são os adjetivos usados por Jane Austen para definir Emma Woodhouse, a protagonista do romance <a href="https://www.theguardian.com/books/2015/dec/05/jane-austen-emma-changed-face-fiction"><i>Emma</i></a>, publicado em 1815. E eles se encaixam perfeitamente para descrever o filme dirigido por Autumn de Wilde, que adapta a obra de Austen de maneira a trazer uma narrativa do início do século XIX para os tempos atuais com diversão e inúmeros elementos estilísticos para representar toda a pomposidade da aristocracia inglesa da época.</p>
<p><span id="more-16498"></span></p>
<p>A adaptação utiliza fortemente elementos estéticos, o que se percebe no próprio nome do filme, <i>Emma., </i>diferente do título original do romance<i>. </i>A estreia de de Wilde na direção deixa clara a sua profissão original: a de <a href="https://www.instagram.com/autumndewilde/?hl=pt-br">fotógrafa</a>. Os enquadramentos e a paleta de cores presentes no filme remetem a uma pintura francesa rococó, delicados, refinados e graciosos, com cenas filmadas em campos verdes e bailes galantes, com interiores pastéis e elegantes.</p>
<p>Essas imagens esnobes e brilhantes são correspondentes a personalidade da protagonista, interpretada por <a href="https://www.oprahmag.com/entertainment/a31248984/anya-taylor-joy-emma-movie-interview/">Anya Taylor-Joy</a>. Emma é uma garota de 21 anos que não pretende se casar, para que ela possa cuidar de seu pai hipocondríaco e por já possuir uma riqueza, sendo inclusive a primeira heroína de Austen a não se preocupar financeiramente. Por possuir uma vida tão despreocupada, Emma se entretém ao fazer presunções sobre a vida de outros moradores da vila de Highbury, e agindo como casamenteira.</p>
<figure id="attachment_16502" aria-describedby="caption-attachment-16502" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16502 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-1-scaled.jpg" alt="Emma e Harriet sentadas a esquerda na janela." width="2560" height="1710" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-1-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-1-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-1-1536x1026.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-1-2048x1368.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-1-1200x802.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16502" class="wp-caption-text">As cenas criadas por Autumn de Wilde assemelham-se a pinturas (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>O hábito de Emma em juntar casais resulta no casamento de sua governanta e melhor amiga, <em>Miss</em> Taylor (Gemma Whelan) com <em>Mr.</em> Weston (Rupert West). Esse casamento, apesar de satisfazer Emma e até incentivar a manipular mais a vida de outras pessoas, também a torna triste. <em>Miss</em> Taylor era a única outra pessoa da vida de Emma com quem ela poderia conversar livremente, então, para diminuir a solidão, ela se aproxima de Harriet Smith (Mia Goth), uma garota ingênua que tem pais desconhecidos. Nessa nova amizade, Emma se aproveita para interferir e manipular a vida de recém adquirida amiga, atribuindo a si mesma a tarefa de encontrar um marido para Harriet.</p>
<p>A amizade entre as duas jovens, apesar das intenções de Emma, é extremamente encantadora. A química entre as duas personagens é atribuída principalmente ao fato de Anya Taylor-Joy e Mia Goth serem duas grandes <a href="https://www.forbes.com/sites/kristenlopez/2020/02/25/lost-in-austen-with-anya-taylor-joy--autumn-dewilde/?sh=edf12201dd5c">amigas</a> que cresceram juntas. No filme, a relação de Harriet e Emma é inicialmente um pouco incômoda, por conta do controle exercido por esta, mas o amor entre as personagens e as atrizes torna-se lindamente transparente, favorecendo muito o desenrolar da relação no filme.</p>
<p>Por conta da personalidade deslumbrante de Emma, todos ao seu redor permitem as pequenas intromissões na vida particular alheia, a descrevendo como uma jovem tremendamente inteligente e sensível. Todos, menos o amigo e vizinho dos Woodhouse, <em>Mr.</em> Knightley (Johnny Flynn). Ele é o único a discordar abertamente da maioria das decisões e atitudes de <em>Miss</em> Woodhouse, especialmente dos pretendentes que Emma arranja para Harriet. Emma argumenta que apenas quer homens considerados a altura da amiga, e Knightley rebate que por conta da origem desconhecida de Harriet, o casamento mais vantajoso para ela seria com Robert Martin (Connor Swindells), um fazendeiro conhecidamente apaixonado por <em>Miss</em> Smith.</p>
<figure id="attachment_16503" aria-describedby="caption-attachment-16503" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16503 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-1.jpg" alt="Emma e Knightley frente a frente." width="1200" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-1-300x180.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-1-1024x614.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-1-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16503" class="wp-caption-text">Emma e Mr. Knightley, frequentemente divergentes em opiniões (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Há também Frank Churchill (Callum Turner), filho de <em>Mr.</em> Weston, que chega a cidade para visitar o pai e a madrasta. Emma rapidamente se interessa por ele, construindo uma amizade a base de cochichos e bisbilhotices sobre todos os outros moradores da vila, em especial Jane Fairfax (Amber Anderson), que Emma desgosta por sempre serem comparadas.</p>
<p>Com o passar da trama, Emma continua fazendo suas interferências, acreditando que tudo está em ordem, mas considerando apenas o que ela acha melhor, sem se preocupar com as pessoas que a rodeiam. Ela causa desapontamento e situações pouco confortáveis, as ações da protagonista até aquele momento se provam insensatas, e Emma aprende que o mundo não é um simples peça teatral onde ela é diretora, roteirista e a grande heroína da história.</p>
<figure id="attachment_16505" aria-describedby="caption-attachment-16505" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16505 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-1.jpg" alt="Emma sentada com uma expressão deprimida." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16505" class="wp-caption-text">A protagonista frustrada consigo mesma ao refletir sobre suas atitudes (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>O choque da personagem com a revelação de um segredo já mostra que ela não sabe tanto sobre os outros quando achava. Este abalo se torna imensamente maior quando Emma, ao contar para Harriet sobre o ocorrido, tem novamente suas expectativas quebradas, desta vez com a declaração da amiga que achava conhecer tanto. A protagonista fica tão afetada que não consegue esconder o quão desorientada ficou, levando a mais um momento de agitação na trama com a pequena discussão entre as duas jovens.</p>
<p>Emma finalmente entende o que sente, e percebe que existe algo mais importante do que ser cortês ou intrigante: respeitar os outros e suas escolhas. É esta a lição dada por Austen e reforçada por de Wilde com a adaptação, de que devemos estar atentos aos nossos sentimentos e a eles somente, pois cada um aprende o que é melhor para si, inevitavelmente. Com esse aprendizado, Emma permite-se realizar uma final intromissão. Mas desta vez, para corrigir suas ações passadas, deixando de manipular e interferir para dar conselhos baseados nas emoções dos envolvidos, e não apenas em seus julgamentos.</p>
<figure id="attachment_16507" aria-describedby="caption-attachment-16507" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16507 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/6f3e728972276c4e61c10d8c7115f0f6.png" alt="Emma observando uma estátua em desfoque" width="768" height="765" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/6f3e728972276c4e61c10d8c7115f0f6.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/6f3e728972276c4e61c10d8c7115f0f6-300x300.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/6f3e728972276c4e61c10d8c7115f0f6-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-16507" class="wp-caption-text">Ao final da história, Emma aprende muito sobre si e a sobre todos a seu redor (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Com esta comédia de costumes, Jane Austen fala sobre romance e desentendimentos. Autumn de Wilde eleva as características em <i>Emma.</i>, ao dar uma visão de século XXI à história, com um humor simples e eficaz, momentos extremamente românticos e de aquecer o coração, mas deixando uma reflexão ao meio de toda a pomposidade; além de uma perfeita escolha de <a href="https://www.thecrimson.com/article/2020/3/3/emma-feature/">atores</a>, pois todo o elenco soube conciliar momentos cômicos e dramáticos, se encaixando perfeitamente nos papéis atribuídos com maestria. Por isso, <i>Emma. </i>é o tipo de filme que agrada não só esteticamente, mas sentimentalmente.</p>
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		<title>Há 15 anos, o clássico de Jane Austen estreava no cinema com orgulho, mas sem preconceito</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Nov 2020 14:22:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“É estranho pensar que todas as grandes mulheres da ficção tenham sido, até o advento de Jane Austen, não só retratadas pelo outro sexo, mas apenas de acordo com sua relação com o outro sexo&#8221;.   (Virginia Woolf) Vanessa Marques Orgulho e Preconceito (2005), dirigido por Joe Wright, é a adaptação para o cinema da obra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/orgulho-e-preconceito-15-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 15 anos, o clássico de Jane Austen estreava no cinema com orgulho, mas sem preconceito"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i>“É estranho pensar que todas as grandes mulheres da ficção tenham sido, até o advento de Jane Austen, não só retratadas pelo outro sexo, mas apenas de acordo com sua relação com o outro sexo&#8221;. </i><i>  (Virginia Woolf)</i></p>
<figure id="attachment_16615" aria-describedby="caption-attachment-16615" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16615 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/prideandprejudice_97.jpg" alt="Na foto vemos cinco mulheres numa sala, com a protagonista, Elizabeth Bennet, na frente " width="1600" height="1047" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/prideandprejudice_97.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/prideandprejudice_97-300x196.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/prideandprejudice_97-1024x670.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/prideandprejudice_97-768x503.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/prideandprejudice_97-1536x1005.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/prideandprejudice_97-1200x785.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16615" class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita: Kitty, Sra. Bennet, Elizabeth, Lydia, Jane e Mary, ao fundo (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Vanessa Marques</strong></p>
<p><i>Orgulho e Preconceito</i> (2005), dirigido por Joe Wright, é a adaptação para o cinema da obra famosa de Jane Austen. Sob uma capa de aparente inocência, a trama retrata os costumes rígidos e patriarcais da aristocracia rural inglesa do século 19. Estrelado por Keira Knightley (Elizabeth Bennet) e Matthew Macfadyen (Darcy), o longa-metragem, que retornou ao catálogo da <i>Netflix</i> em seu ano de debutante, mergulha o espectador numa estética delicada e sensorial, fruto da tríade indicada ao <i>Oscar</i> — produção, direção de arte e trilha sonora.</p>
<p><span id="more-16611"></span></p>
<p>A família Bennet, composta de cinco irmãs e nenhum filho homem, vive o desprazer de não possuir um herdeiro legítimo, visto que a mulher, pela Lei do Morgadio, não desfrutava do direito à herança. Nesse sentido, o casamento era a única fonte de segurança financeira e estabilidade, de modo que a matriarca Sra. Bennet (Brenda Blethyn) aspira casar suas filhas com rapazes abastados. Assim, a notícia da fixação temporária de Charles Bingley (Simon Woods), homem de posses e solteiro, numa propriedade vizinha aos Bennet, traz certa agitação para a vida pacata da família.</p>
<p>Durante os bailes e demais protocolos sociais, a ingênua Jane Bennet  (Rosamund Pike) captura a afeição imediata do novo morador de Netherfield Park. Na companhia de Bingley, o Sr. Darcy, embora mais endinheirado que o amigo, demonstra uma natureza taciturna e reservada. A primeira aparição do protagonista dá-lhe uma feição excessivamente<i> blasé</i> e arrogante. Logo, a relação dele com Elizabeth, oriunda de uma condição menos privilegiada, nasce entre diversas turbulências, dentre os quais obstáculos internos (orgulhos) e externos (preconceitos sociais).</p>
<figure id="attachment_16616" aria-describedby="caption-attachment-16616" style="width: 2324px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16616 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-2-pp.jpg" alt="Na foto vemos oito persoangens numa sala clássica" width="2324" height="1500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-2-pp.jpg 2324w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-2-pp-300x194.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-2-pp-1024x661.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-2-pp-768x496.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-2-pp-1536x991.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-2-pp-2048x1322.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-2-pp-1200x775.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16616" class="wp-caption-text">O figurino do filme foi criado por Jacqueline Durran, que também assinou os figurinos de <em>Anna Karenina</em> (2012) e <em>Little Women</em> (2019) (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Keira Knightley, a mocinha de <i>Piratas do Caribe</i>, interpreta uma protagonista incisiva, perspicaz e contestadora. Elizabeth não partilha das ambições econômicas da progenitora quanto ao matrimônio. Na realidade, ela se prova uma jovem expansiva que não teme expor enfaticamente as suas ideias. Como comenta a esnobe Lady Catherine (Judi Dench), Elizabeth <i>&#8220;dá a própria opinião de forma decisiva para uma pessoa de tão pouca idade”.</i> Com efeito, quando o primo Collins (Tom Hollander) a pede em casamento, Lizzy recusa por enxergar a faceta caricata e pedante daquele homem. O fato de ele ser o único potencial candidato a herdeiro do Sr. Bennet (Donald Sutherland) pouco faz diferença. Ela triunfa ao impor a sua vontade, contrariando a regência patriarcal e a lógica comercial vigente nos acordos matrimoniais.</p>
<p>Embora o romance seja o fio condutor do título original, a autora era particularmente isenta de sentimentalismo. Em seus livros, Austen desenvolveu os casais por meio de diálogos rápidos e mordazes, em oposição ao romantismo exagerado que lhe foi contemporâneo. O <a href="https://youtu.be/NSL55lOwznU">realismo</a>, a ironia e o anti-sentimentalismo pouco são explorados no filme, que destaca a tensão entre os pares opostos, o despertar da paixão repentina e o melodrama. É construído um romance altamente idealizado, desprovido de apelo sexual, que não hesita em esbanjar olhares e declarações profundas de Darcy ao longo do enredo.</p>
<figure id="attachment_16617" aria-describedby="caption-attachment-16617" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16617 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-3-pp.jpg" alt="Na foto vemos ambos os protagonistas juntos ao amanhecer, Darcy e Elizabeth." width="1400" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-3-pp.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-3-pp-300x171.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-3-pp-1024x585.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-3-pp-768x439.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/imagem-3-pp-1200x686.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16617" class="wp-caption-text">O longa-metragem recebeu quatro indicações ao Oscar 2006 nas categorias Melhor Atriz, Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino e Melhor Trilha Sonora (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>O enfoque atribuído para a narrativa do casal, entretanto, leva ao equívoco comum de se pensar que a obra originária e sua criadora eram decididamente românticas. A escritora, que nunca se casou e introduziu críticas sociais em seus escritos, não era romântica. <a href="https://www.youtube.com/watch?v=SirbSITcT5A">Austen</a> criava personagens femininas complexas e satirizava as contradições e futilidades da aristocracia inglesa. O seu advento, conforme Virginia Woolf reiterou no ensaio <i>Um Teto Todo Seu</i> (1929), permitiu que a ficção universal finalmente conhecesse o protagonismo feminino representado pelas lentes de uma escritora. Austen, portanto, não escreveu um conto de fadas, na verdade, ironizou toda uma classe orgulhosa e decadente, que buscava sustento através de associações amorosas lucrativas.</p>
<p>Num século em que mulheres não produziam manuscritos e sequer recebiam educação fora do âmbito doméstico, Jane Austen publicou o primeiro livro anonimamente, somente com os dizeres<em> “por uma dama”</em>. Dessa maneira, a intelectual deixou <a href="https://medium.com/lado-m/jane-austen-e-o-feminismo-por-que-jane-pode-ser-chamada-de-feminista-4e8c6c108ec5">legado</a> em sua escrita, a partir da concepção de uma heroína espirituosa e avessa aos costumes tradicionais. Em suma, é preciso lembrar que <i>Orgulho e Preconceito</i> não é um romance água com açúcar, mas uma obra que representa o pioneirismo e o olhar crítico de uma mulher que perpassou o <i>status quo</i> de seu tempo.</p>
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