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	<title>Arquivos Hungria &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Sra. Harris Vai a Paris e a classe trabalhadora vai às ruas</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Feb 2023 20:53:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto Arrumar a bagunça de patricinhas pomposas, fazer camas com edredons importados e esperar a boa vontade de megeras para receber o próprio pagamento são algumas das normalidades do dia a dia de Ada Harris (Lesley Manville). A viúva trabalha como faxineira e, apesar das inconveniências da rotina, leva a vida com um bom &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sra-harris-vai-a-paris-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sra. Harris Vai a Paris e a classe trabalhadora vai às ruas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29923" aria-describedby="caption-attachment-29923" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-29923" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-9.jpg" alt="Cena do filme Sra. Harris Vai a Paris. Na imagem está Ada Harris provando um vestido Dior. Ela é uma mulher branca de cabelos loiros presos em um lenço, o vestido é verde esmeralda com bordados dourados e uma saia irregular com estrutura de trapézio. Ao fundo estão Marguerite, Fabre e uma costureira analisando a prova da roupa." width="600" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-29923" class="wp-caption-text">30 anos depois, Sra. Harris Vai a Paris reescreve a história de Um Sonho em Paris e conquista um lugar no Oscar 2023 (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Arrumar a bagunça de patricinhas pomposas, fazer camas com edredons importados e esperar a boa vontade de megeras para receber o próprio pagamento são algumas das normalidades do dia a dia de Ada Harris (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=82wj2L0ZuKQ"><span style="font-weight: 400;">Lesley Manville</span></a><span style="font-weight: 400;">). A viúva trabalha como faxineira e, apesar das inconveniências da rotina, leva a vida com um bom humor ímpar. Mas a satisfação com o mediano muda quando seu caminho veste toda a elegância da moda parisiense e a habitualidade dá lugar aos sonhos. Em uma aventura à francesa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sra. Harris Vai a Paris</span></i><span style="font-weight: 400;"> costura entre rendas e bordados uma história brilhante. </span></p>
<p><span id="more-29922"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme, lançado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Universal Studios</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2022, usa um vestido Dior como gatilho para que Ada tenha um belo despertar. Os dias da mulher estavam fadados à ilusão de esperar a volta do marido soldado da Guerra, pegar todo dia a mesma condução com a amiga Vi Butterfield (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kmZ4UVxDxIY"><span style="font-weight: 400;">Ellen Thomas</span></a><span style="font-weight: 400;">) e fazer trabalho extra com reforma de costuras. No entanto, uma silhueta bem estruturada e uma quantidade estonteante de brilhos aplicados à mão são, sim, suficientes para fazer alguém deixar de se contentar com o limbo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À primeira vista, o roteiro desenvolvido por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HPRXgSAvxa0"><span style="font-weight: 400;">Anthony Fabian</span></a><span style="font-weight: 400;">, Olivia Hetreed e Carroll Cartwright pode parecer superficial. Um típico clichê de tons juvenis com uma protagonista simpática que ganha uma reviravolta um tanto encantada. Ao assistir a produção, não é isso que nos é mostrado. Aqui, os caminhos escolhem desviar por rotas menos óbvias e deixam o grande bilhete premiado ser encontrado entre os detalhes. </span></p>
<figure id="attachment_29927" aria-describedby="caption-attachment-29927" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-29927" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-12.jpg" alt="Cena do filme Sra. Harris Vai a Paris. Na imagem, Ada Harris segura um vestido Dior. Ada é uma mulher branca de cabelos loiros presos em um lenço, ela veste um vestido de estampa floral e um avental. O vestido em suas mãos é lilás e cheio de bordados florais com brilho." width="750" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-29927" class="wp-caption-text">Sra. Harris Vai a Paris é uma co-produção da Bélgica, Canadá, Estados Unidos, França, Hungria, Reino Unido e Irlanda do Norte (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As cenas em que Ada e Vi aparecem juntas estão espalhadas ao longo de toda a narrativa e essa relação é uma das pontes mais importantes da história, além de oferecer um tom cômico e leve extremamente necessário para que o filme mantenha os ares frescos mesmo quando trabalha com assuntos complicados. A amizade entre as personagens faz com que o telespectador experimente um sentimento reconfortante, derivado da ótima interação entre as atrizes, já que seus gestos carregam um carinho fraternal capaz de ultrapassar os limites do </span><a href="https://www.motionpictures.org/2022/07/isabelle-huppert-on-the-beauty-depth-of-mrs-harris-goes-to-paris/"><span style="font-weight: 400;">enquadramento</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É a amiga que tenta motivar a protagonista e fazê-la perceber o quanto sua rotina está sendo exaustiva e abusiva. São nas conversas das duas e nas idas ao baile em busca de distração que a ideia de que o Sr. Harris não vai retornar entra em pauta, e as feridas começam a ser escancaradas para que a cura tenha espaço para se alojar. Assim, o encontro inesperado com o vestido </span><a href="https://www.harpersbazaar.com/culture/film-tv/a40625078/mrs-harris-goes-to-paris-dior-fashion-show/"><span style="font-weight: 400;">Dior</span></a><span style="font-weight: 400;">, guardado no armário de uma de suas patroas, acaba sendo apenas o pavio necessário para que perspectivas que já vem sendo abordadas ganhem chance de florescer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu tempo de tela, </span><a href="https://inews.co.uk/culture/television/cinderella-after-ever-after-sky1-review-david-walliams-cast-378667"><span style="font-weight: 400;">Ellen Thomas</span></a><span style="font-weight: 400;"> reafirma todo seu carisma e coloca sua bagagem com papéis de comédia para jogo. Suas falas têm seriedade, mas ainda se afirmam em notas espirituosas e brincalhonas. É esse movimento que faz com que a ausência da personagem no meio do filme não pese e a presença seja algo sem necessidade de materialização, como se o cuidado de Vi com Ada fosse ubíquo. </span></p>
<figure id="attachment_29925" aria-describedby="caption-attachment-29925" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-29925" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-2.jpg" alt="Cena do filme Sra. Harris Vai a Paris. Na imagem, Ada e Vi estão sentadas à mesa de mãos dadas. Vi é uma mulher negra de cabelos pretos e Ada é branca de cabelos loiros. As duas vestem vestidos floridos e usam lenços nas cabeças." width="1600" height="755" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-2-800x378.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-2-1024x483.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-2-768x362.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-2-1536x725.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-9-2-1200x566.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29925" class="wp-caption-text">’Desperdicei muito tempo sozinha, sonhando acordada. Não faça o mesmo.’ (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a preparação para a viagem a </span><a href="https://personaunesp.com.br/emily-em-paris-critica/"><span style="font-weight: 400;">Paris</span></a><span style="font-weight: 400;"> até o momento em que esta finalmente é consolidada, a questão da estrutura social começa a aparecer com mais força. As dificuldades financeiras de Ada e o suor empenhado para juntar o valor necessário para o deslocamento e a compra do vestido mostram a trabalhadora em um embate com políticas de trabalho não afirmadas em contrato, jornadas exorbitantes e pouca remuneração, características do cenário inglês. Essa inserção é feita de forma discreta, mas serve de introdução para os acontecimentos em terras francesas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao chegar no desfile Dior, que tanto batalhou para conseguir, as ruínas da sociedade elitista do continente europeu voltam a mostrar as caras e derrubar seus entulhos sobre a cabeça da Sra. Harris. Uma das primeiras interações da personagem com a funcionária da Casa Dior, Claudine Colbert (Isabelle Huppert), é carregada de preconceito e propaga a ideia de que a </span><a href="https://personaunesp.com.br/cruella-critica/"><span style="font-weight: 400;">alta costura</span></a><span style="font-weight: 400;"> é feita para os ricos de berço. O tom excludente dá espaço para que um cavalheiro abra as portas da gentileza e o Marquis de Chassagne (Lambert Wilson) nos seja apresentado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos grandes acertos de </span><a href="https://www.townandcountrymag.com/leisure/arts-and-culture/a40619178/mrs-harris-goes-to-paris-true-story/#:~:text=Christian%20Dior%20(played%20by%20Phillippe,Dior's%20muses%2C%E2%80%9D%20Fabian%20explains."><i><span style="font-weight: 400;">Mrs. Harris Goes to Paris</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – nome original da obra – é não escolher que seus personagens sejam puramente bons ou maus. A construção caminha por uma trajetória de pessoas multifacetadas, capazes de carregar aspectos duais. Assim, o Marquis logo menos demonstra suas falhas e os estigmas que mantém em seu ideal, enquanto Claudine também tem sua fragilidade e humildade esmiuçadas. </span></p>
<figure id="attachment_29928" aria-describedby="caption-attachment-29928" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29928" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-2.jpg" alt="Cena do filme Sra. Harris Vai a Paris. Na imagem estão as personagens Madame Corbelt e Marguerite. A primeira é uma mulher branca de cabelos castanhos claros. Marguerite é uma mulher branca de cabelos ruivos. As duas vestem conjuntos pretos de blazer e saia." width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-2-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-4-6-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29928" class="wp-caption-text">De acordo com o diretor, Madame Corbelt é inspirada em Mizza Bricard (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as desavenças e obstaculos separando a Sra. Harris de seu sonho, a fotografia nos leva a uma viagem a um outro aspecto de Paris: a greve trabalhista. Os enfoques dos ângulos e câmeras comandados por </span><a href="https://www.felixwiedemann.com/"><span style="font-weight: 400;">Felix Wiedemann</span></a><span style="font-weight: 400;"> são delicados e faceiros, nos transportando para o caimento impecável das peças da Dior, mas também mostrando a situação das ruas cheias de lixo diante da paralisação dos lixeiros. A cada pequeno salto temporal, a capital tem sua bela arquitetura inundada por sacos e mais sacos de lixo, filmados de forma sutil sem passar despercebidos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O entrelace das cenas até o acontecimento que quase faz com que a Casa Dior decrete falência tem muito do protagonismo dos trabalhadores e de como a mudança do mercado e o foco da indústria são projetados até se desvincularem da exclusividade para abordarem a ideia de globalização. Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sra. Harris</span></i><span style="font-weight: 400;"> expõe como até mesmo o criador do </span><a href="https://br.fashionnetwork.com/news/Como-nasceu-o-new-look-criado-por-christian-dior-,740845.html"><i><span style="font-weight: 400;">New Look</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">precisou de seus trabalhadores para manter seu império e se consolidar como uma das maiores grifes do mundo da moda. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E falando de </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/lifestyle/style/mrs-harris-goes-to-paris-costume-design-dior-1235180436/"><span style="font-weight: 400;">Christian Dior</span></a><span style="font-weight: 400;">, é preciso destacar a escolha de Philippe Bertin para encarnar o estilista. Além da atuação austera bastante conveniente para a ocasião, a aparência do ator conseguiu se aproximar de forma certeira à inspiração. Em suas pequenas, mas marcantes aparições, temos o designer de moda representado praticamente em pele e osso nos </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29924" aria-describedby="caption-attachment-29924" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29924" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-5-2.jpg" alt="Cena do filme Sra. Harris Vai a Paris. Na imagem, estão os personagens Ada, Natasha e André sentados à mesa jantando. André é um homem branco de cabelos loiros escuros, ele veste um terno amarronzado e usa um par de óculos. Natasha é uma mulher branca de cabelos castanhos claros, ela veste uma blusa sem mangas de tom azul pálido e está com um rabo de cavalo. Ada é uma mulher branca de cabelos loiros.]" width="1600" height="1067" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-5-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-5-2-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-5-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-5-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-5-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-5-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29924" class="wp-caption-text">O filme se passa no ano de 1957, o mesmo da morte do estilista Christian Dior (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de dizer muito em entrelinhas, a produção cinematográfica dirigida por Anthony Fabian continua sendo uma comédia dramática e é marcada pela atmosfera de </span><a href="https://personaunesp.com.br/pinoquio-guillermo-del-toro-critica/"><span style="font-weight: 400;">contos de fadas</span></a><span style="font-weight: 400;">. O que não é ruim, mas acaba fazendo certas conclusões ficarem em segundo plano e deixa a ideia de que simpatia e esforço levam as pessoas para onde quiserem. Dessa forma, a narrativa fica apegada às cores vibrantes dos universos utópicos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, os pedaços românticos alimentam o </span><a href="https://personaunesp.com.br/emily-em-paris-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">cenário parisiense</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os amores iluminados pela cidade luz. Ver Natasha (Alba Baptista) e André (Lucas Bravo) se apaixonando deixa aquela sensação mágica passeando pelas ruas e, mesmo com a sujeira, as estradas garantem a presença do brilho dos jovens amantes. Além de um par romântico adorável, os dois são uma marca da autonomia e liberdade individual, já que suas escolhas partem para as prioridades pessoais de cada um de forma singular. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para completar os tons fantasiosos, a cereja do bolo fica com a produção e reprodução de </span><a href="https://personaunesp.com.br/casa-gucci-critica/"><span style="font-weight: 400;">peças</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Dior realizadas pela figurinista Jenny Beavan. Os bordados, os movimentos das vestimentas e o impacto do brilho são todos feitos a perfeição, criando cenas de encher os olhos. Cada modelo é impecável e capaz de fazer com que quem assiste se sinta em um universo de princesas fabulosas. </span></p>
<figure id="attachment_29926" aria-describedby="caption-attachment-29926" style="width: 775px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29926" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-6-1.jpg" alt="Cena do filme Sra. Harris Vai a Paris. Na imagem, a personagem Natasha está desfilando com um vestido Dior. Ela é uma mulher branca de cabelos castanhos claros presos em um coque penteado. O vestido é vermelho longo com saia princesa, todo o corpo é bordado e ornamentado com brilho, ainda há uma manga removível, duas luvas pretas e um colar. Ao fundo os figurantes batem palma para o vestuário." width="775" height="517" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-6-1.jpg 775w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-6-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29926" class="wp-caption-text">A produção de Sra. Harris Vai a Paris teve um orçamento total de US$ 13 milhões (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a beleza das peças da produção não passaram despercebidas e, no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2023, o filme concorre na categoria de Melhor Figurino. Beavan está no páreo com Mary Zophres por </span><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i><span style="font-weight: 400;">, Ruth E. Carter por </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantera Negra: Wakanda Para Sempr</span></i><span style="font-weight: 400;">e, Catherine Martin por</span><i><span style="font-weight: 400;"> Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> e Shirley Kurata por </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mrs. Harris Goes to Paris </span></i><span style="font-weight: 400;">foi contemplado em 2022 no </span><i><span style="font-weight: 400;">British Independent Film Award </span></i><span style="font-weight: 400;">por Melhor Figurino e chegou a fazer parte dos indicados ao </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2023 na mesma categoria. Leslie Manville apareceu nas categorias de atuação das premiações deste ano, estando entre as indicadas ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> 2023 como Melhor Atriz em Filme Comédia ou Musical. Mas o destaque da produção fica com os figurinos, enquanto a maioria das categorias principais não destacaram os trabalhos de atuação, direção ou roteiro aplicados na releitura do original de 1992, intitulado</span><i><span style="font-weight: 400;"> Um Sonho em Paris</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como não poderia ser diferente, Ada ganha seu felizes para sempre com um lindo vestido Dior e seus sonhos mais vivos do que nunca. O que faz da obra, inspirada no livro homônimo de </span><a href="https://www.amazon.com.br/Harris-Goes-Paris-York-English-ebook/dp/B0BF4P7FJ9/ref=sr_1_1?qid=1677108736&amp;refinements=p_27%3APaul+Gallico&amp;s=books&amp;sr=1-1"><span style="font-weight: 400;">Paul Gallico</span></a><span style="font-weight: 400;">, tão especial é a forma com a qual sonhar não é apenas um verbo, mas um ato de resistência. Apesar de distante do real, o filme é esperançoso e torna a vontade de reviver a criança dentro de nós uma visita frequente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inundado pelo brilho da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3HR-rz8SaAk"><span style="font-weight: 400;">moda</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Sra. Harris Vai a Paris</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos deixa lições valiosas e uma história cheia de temáticas importantes envolvidas em uma aventura simpática. Seja no amor na terceira idade, na luta pelos direitos trabalhistas ou na prova de uma roupa extravagante, vale a pena dar uma chance para essa senhora apaixonante e aproveitar para vislumbrar os encantamentos oferecidos por Christian Dior. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Sra.Harris vai a Paris - Trailer 1 Oficial - Somente nos Cinemas" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/rwskvHhrO7c?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Flux Gourmet é um delicioso banquete difícil de digerir</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Oct 2022 18:22:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga  Cozinhar, definitivamente, é uma Arte. Mesmo não estando inclusa entre as sete, a gastronomia sabe emular todas as sensações que as outras conseguem, às vezes de forma mais impactante e convincente que as demais. Seja pelo conforto e ternura de uma comida feita pela mãe, seja pela explosão sensorial do prato principal feito &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/flux-gourmet-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Flux Gourmet é um delicioso banquete difícil de digerir"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28902" aria-describedby="caption-attachment-28902" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28902 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1.jpg" alt="Cena do filme Flux Gourmet. Nela, vemos os três integrantes que compõem o coletivo artístico-culinário. Ao centro temos o personagem Billy interpretado por Asa Butterfield, um jovem branco de cabelos pretos com uma grande franja. Ele usa uma jaqueta jeans, camiseta vinho e calça jeans. Sua cabeça está arqueada e sua boca levemente aberta. Mais atrás, dos lados direito e esquerdo, temos duas mulheres, a da direita, loira e a da esquerda, de cabelo castanho cor de mel. As duas estão de costas, fazem movimentos com as mãos na altura do rosto e vestem uma espécie de vestido fúnebre na cor preta. Ao fundo, há uma parede que reflete uma luz azul." width="2560" height="1384" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-2048x1107.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-1-1200x649.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28902" class="wp-caption-text">O filme chega em terras brasileiras através da seção Perspectiva Internacional da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Bankside Films)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cozinhar, definitivamente, é uma Arte. Mesmo não estando inclusa entre as </span><a href="https://abra.com.br/artigos/quais-sao-as-7-artes/"><span style="font-weight: 400;">sete</span></a><span style="font-weight: 400;">, a gastronomia sabe emular todas as sensações que as outras conseguem, às vezes de forma mais impactante e convincente que as demais. Seja pelo conforto e ternura de uma comida feita pela mãe, seja pela explosão sensorial do prato principal feito em um restaurante três estrelas </span><i><span style="font-weight: 400;">Michelin</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou até mesmo pela agonia que é experimentar algum ingrediente exótico. São essas experiências que </span><i><span style="font-weight: 400;">Flux Gourmet</span></i><span style="font-weight: 400;">, co-produção entre Reino Unido, Estados Unidos e Hungria, em cartaz na Perspectiva Internacional da 46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, e que estreou no </span><a href="https://www.instagram.com/p/Cgc1Di6MEkf/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Berlim</span></a><span style="font-weight: 400;">, busca instigar.</span></p>
<p><span id="more-28901"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigida pela nova sensação do </span><i><span style="font-weight: 400;">cult </span></i><span style="font-weight: 400;">bizarro inglês, </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/peter-strickland"><span style="font-weight: 400;">Peter Strickland</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra presta homenagens, em uma espécie de miscelânea, ao Cinema, Teatro e Gastronomia. O longa segue a história de um coletivo artístico-culinário em seu período de ensaios e apresentações, pelo olhar de um escritor, encarregado de documentar o processo. A premissa, por si só, já é um antro de bizarrices, sendo muito difícil sequer contemplar esse conceito. Porém, </span><i><span style="font-weight: 400;">Flux Gourmet</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue, e muito bem, escalonar suas ideias ao máximo.</span></p>
<figure id="attachment_28903" aria-describedby="caption-attachment-28903" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28903 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2.jpg" alt="Cena do filme Flux Gourmet. Nela vemos a personagem Elle di Elle, uma mulher branca de meia idade e de cabelos castanhos cor de mel. Ela está nua e aparece somente do ombro para cima, completamente ensanguentada. Ela segura um microfone contra sua testa e ao fundo, há uma plateia observando." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28903" class="wp-caption-text">A curta carreira do diretor já é marcada pelo horror presente em seus filmes (Foto: Bankside Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A obsessão artística sempre foi uma tônica do Cinema, a exemplos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Whiplash </span></i><span style="font-weight: 400;">(2014), </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/cisne-negro-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Cisne Negro</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2010) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=n7kPKVxuz6k&amp;ab_channel=20thCenturyStudiosBrasil"><i><span style="font-weight: 400;">Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">[2014]. E essas obras sempre flertaram &#8211; umas mais, outras bem menos &#8211; entre o suspense e o horror. Como o pano de fundo do longa de Strickland já tendo uma aura perturbadora para chamar de sua, a escrita tem maior liberdade para destrinchar essa obsessão, o que é muito beneficiada também pelo caráter de experimentação que o Teatro naturalmente tem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, o idealizador consegue sair do arroz e feijão desse subgênero, traçando uma discussão sobre a Arte através da própria Arte, além de passear por outros entraves como o patriarcado e a exposição, tudo isso de forma muito consciente, engrossando o caldo de seu assunto-órbita que é a gastronomia. Aliás, é muito interessante como a obra usa esse fio condutor da comida para te conquistar pela barriga &#8211; só que, nesse caso, através de sequenciais socos no estômago.</span></p>
<figure id="attachment_28904" aria-describedby="caption-attachment-28904" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28904 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3.jpg" alt="Cena do filme Flux Gourmet. Nela vemos a personagem Elle di Elle. Ela está vestindo uma camisola branca e aparece somente do ombro para cima, com a cara posicionada na direita, numa espécie de close da câmera. Ela segura um liquidificador com a mão esquerda e a tampa dele com a direita. Ele está aberto e vazando um líquido branco. Ao fundo, uma parede que reflete uma luz azul." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-3-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28904" class="wp-caption-text">O tempo todo, o filme sabe trabalhar a agonia no telespectador (Foto: Bankside Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É muito bem aproveitado pelo longa seus diferentes aspectos e a forma como eles são inseridos na narrativa. A fotografia, pelas lentes de </span><a href="https://www.instagram.com/sidsidell/"><span style="font-weight: 400;">Tim Sidell</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, sabe usar muito bem da parte documental, centralizando e aproximando em uma quase simetria os personagens que conduzem o estudo. Já a parte teatral dá uma outra ótica para o filme, com planos mais abertos que enfatizam a inserção dos personagens no cenário e exaltam o jogo de luzes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda no Teatro, a produção usa muito bem o seu </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de som, de autoria de Tim Harrison. Durante os ensaios, a inserção de sons sob a improvisação dos personagens ajuda no processo de imersão do espectador. Já durante as apresentações, relembrando as </span><i><span style="font-weight: 400;">jam sessions</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos grupos mais progressivos e </span><a href="https://timba.nics.unicamp.br/engsom/index.php/leituras-e-ponteiros/historia-da-musica-ocidental/musica-experimental/"><span style="font-weight: 400;">experimentais</span></a><span style="font-weight: 400;"> do século passado, as </span><i><span style="font-weight: 400;">pick-ups</span></i><span style="font-weight: 400;"> plugadas nos mais diferentes tipos de comida criam uma atmosfera única, que amplifica ainda mais a estranheza da obra.</span></p>
<figure id="attachment_28905" aria-describedby="caption-attachment-28905" style="width: 1880px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28905 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4.jpg" alt="Cena do filme Flux Gourmet. Nela, temos a personagem Elle di Elle. Ela aparece do tronco para cima usando um vestido preto. Ela está encarando uma pessoa e em sua mão direita, além de um anel de pedra, está segurando um cigarro pela metade. Ao fundo, uma prateleira com potes de vidro que contém temperos." width="1880" height="974" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4.jpg 1880w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-800x414.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-1024x531.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-768x398.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-1536x796.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Flux-Gourmet-Imagem-4-1200x622.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28905" class="wp-caption-text">A entrega do elenco é primordial para a criação de mundo da história (Foto: Bankside Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos pontos de maior destaque do filme, além do roteiro, sem dúvidas é o elenco. A liberdade que a escrita dá permite que os atores consigam espremer ao máximo todo o suco de sua atuação. Contidos na hora que precisam ser e extremamente expansivos quando lhes é exigido tal expansividade, as atuações funcionam tanto em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oHraElR_v60&amp;ab_channel=IFCFilms"><span style="font-weight: 400;">conjunto</span></a><span style="font-weight: 400;"> como separadas. Fatma Mohammed, musa de Strickland com quem já trabalhou em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Vestido Maldito </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Duque de Burgundy</span></i><span style="font-weight: 400;">, rouba os holofotes para si e preenche todo o longa na difícil tarefa metalinguística de interpretar uma atriz. Já Asa Butterfield (</span><a href="https://personaunesp.com.br/sex-education-3a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Sex Education</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Gwendoline Christie (</span><a href="https://personaunesp.com.br/game-of-thrones-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Ariane Labed (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Lagosta</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Makis Papadimitriou entregam atuações concisas e bem trabalhadas, que vão crescendo de acordo com o desenrolar da obra.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Flux Gourmet</span></i><span style="font-weight: 400;"> talvez não seja o melhor feito de Peter Strickland, mas sem dúvidas é a mais sensorial de sua carreira. Como um bom </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i><span style="font-weight: 400;"> de festival, o longa sabe chocar, a exemplo da cena do exame de colonoscopia feito em público, ou a performance a princípio envolvendo excrementos que serviria de prato cheio para a máquina de disseminação de</span><i><span style="font-weight: 400;"> fake news</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/09/30/padre-kelmon-peca-macaquinhos.htm"><span style="font-weight: 400;">direita conservadora brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas é interessante notar como o diretor não usa o choque somente pelo choque, mas sim para desenvolver uma reflexão sobre o limite da Arte e o uso dessa impressionabilidade na mesma, enquanto o próprio filme é uma peça artística. Como qualquer comida, o longa talvez não seja para todos os paladares e muito menos para todos os estômagos, mas, ainda assim, tem um alto valor, seja ele nutritivo ou como experiência.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Flux Gourmet - Official Trailer | HD | IFC Midnight" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/oHraElR_v60?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Faz escuro quando Eu Vejo Você em Todos os Lugares</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2021 17:52:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva De todos os dilemas que transpassam a humanidade, o diretor e roteirista Bence Fliegauf selecionou sete dos mais particulares e angustiantes para compor sua nova produção. Compondo a seleção da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Eu Vejo Você em Todos os Lugares acompanha narrativas completamente distintas e desconexas, ambientadas em &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/eu-vejo-voce-em-todos-os-lugares-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Faz escuro quando Eu Vejo Você em Todos os Lugares"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24413" aria-describedby="caption-attachment-24413" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24413" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/forest1.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme Eu Vejo Você em Todos os Lugares. Nela, há uma mão de um senhor apoiada em uma poltrona, com a mão de uma jovem tocando-a." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/forest1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/forest1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/forest1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/forest1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/forest1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/forest1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24413" class="wp-caption-text">O filme de Bence Fliegauf integra a seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Fraktál Film)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De todos os dilemas que transpassam a humanidade, o diretor e roteirista Bence Fliegauf selecionou sete dos mais particulares e angustiantes para compor sua nova produção.</span> <span style="font-weight: 400;">Compondo a seleção da 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu Vejo Você em Todos os Lugares</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanha narrativas completamente distintas e desconexas, ambientadas em relacionamentos entre familiares, amigos e amantes, e que permeiam um peculiar caleidoscópio da substância humana. </span></p>
<p><span id="more-24410"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa, de certa forma, dá continuidade para outra obra do diretor, </span><i><span style="font-weight: 400;">Rengeteg</span></i><span style="font-weight: 400;">, escolhida para representar a Hungria no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de 2003. A ligação é notória no próprio título original do filme de 2021: </span><i><span style="font-weight: 400;">Rengeteg &#8211; Mindenhol Látlak. </span></i><span style="font-weight: 400;">No entanto, esta de agora, ambiciosa demais ou talvez não o suficiente para instigar o público da mesma maneira que a que levou o diretor à disputa da estatueta mais relevante para o Cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As sete histórias são divididas em esquetes, que duram em torno de 10 minutos. Sem um contexto prévio do que está sendo apresentado, elas funcionam como um ciclo, em que a primeira cena também é a última apresentada, e o que nos estimula a acompanhar até o desfecho final. De início, vemos uma conversa entre pai e filha sobre uma negligência familiar que culminou na morte da mãe. A atuação hipnotizante de Lilla Kizlinger, que foi reconhecida no </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-157839/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Berlim</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Melhor Coadjuvante, acaba por dar a falsa impressão de que as narrativas que virão em seguida podem ser tão interessantes quanto essa. </span></p>
<figure id="attachment_24412" aria-describedby="caption-attachment-24412" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24412" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/forest2.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme Eu Vejo Você em Todos os Lugares. Nela, há uma mulher branca, com cabelos loiros com franja e usando uma argola com o rosto e o olhar voltado para o lado esquerdo. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/forest2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/forest2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/forest2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/forest2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/forest2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/forest2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24412" class="wp-caption-text">Eu Vejo Você em Todos os Lugares não é a primeira vez do diretor na Mostra, que já esteve presente na 29ª edição, por seu filme Traficante (Foto: Fraktál Film)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o que surge acaba por permear um aspecto ora banal, como a discussão entre namorados, ora bizarro demais, como o dilema da dificuldade de um casal engravidar. Os diálogos também por vezes são capazes de sustentar as pequenas histórias de </span><i><span style="font-weight: 400;">Forest &#8211; I See You Everywhere, </span></i><span style="font-weight: 400;">que necessitam entregar um impacto nos poucos minutos concebidos para cada uma, que, ao mesmo tempo, parecem ser mais longos do que a realidade. Além do aspecto da agressividade que atravessa grande parte das discussões, o filme tem como fio condutor o destino final de todas elas: a </span><a href="https://personaunesp.com.br/lidando-com-a-morte-critica/"><span style="font-weight: 400;">morte</span></a><span style="font-weight: 400;">, que é o que</span> <span style="font-weight: 400;">está</span><i><span style="font-weight: 400;"> em todos os lugares.</span></i><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São essas peculiaridades da produção húngara que criam uma barreira para identificação com cada história, ao passo que o mais próximo que conseguimos atingir nessa conexão é na discussão entre uma mãe religiosa e seu filho ateu. Não fosse pela atuação e o estilo de filmagem com planos fechados e que acompanham o movimento de cada um dos personagens, remetendo a um formato documental, seria difícil acreditar que o que está tentando ser retratado ali é uma partícula da realidade cotidiana. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A beleza do título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu Vejo Você em Todos os Lugares </span></i><span style="font-weight: 400;">não condiz com sua narrativa sórdida e que entrega poucas respostas para muitos questionamentos. O excesso de morbidez presente no realismo da trama provoca uma bola de neve de angústias, que não deixa as devidas reflexões para nos compensar desse desgastante processo. Os cenários noturnos e a câmera movimentada são apenas um acréscimo para tornar a experiência proporcionada por Bence Fliegauf ainda mais cansativa. </span></p>
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		<title>Fantaspoa XVII: os filmes e curtas do Festival Fantástico</title>
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					<description><![CDATA[<p>E foi no meio da loucura da maratona do Oscar 2021 no Persona, que trombamos com o maior festival de cinema fantástico da América Latina. Chegando na sua 17ª edição, o Fantaspoa, Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre, foi realizado entre os dias 9 e 18 de abril, acumulando mais de 160 filmes entre &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cobertura-fantaspoa-xvii/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Fantaspoa XVII: os filmes e curtas do Festival Fantástico"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20122" aria-describedby="caption-attachment-20122" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20122 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Arte-texto-persona.jpg" alt="Arte em amarelo-mostarda. À esquerda, o símbolo do persona está distorcido acima do texto &quot;Os filmes e curtas do fantaspoa XVII&quot;. À direita, a arte do festival está numa moldura dourada." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Arte-texto-persona.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Arte-texto-persona-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Arte-texto-persona-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20122" class="wp-caption-text">Com arte oficial de Renan Santos, o XVII Fantaspoa foi sucesso de público (Arte: Vitor Tenca)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E foi no meio da loucura da maratona do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">, que trombamos com o maior festival de cinema fantástico da América Latina. Chegando na sua 17ª edição, o </span><a href="https://www.fantaspoa.com/2021/o-festival/historia"><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre, foi realizado entre os dias 9 e 18 de abril, acumulando mais de 160 filmes entre longas e curtas para os amantes do gênero fantástico &#8211; que abrange o horror, o </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;">, a ficção-científica e a fantasia. Pela segunda vez, o festival foi virtual, em decorrência da interminável pandemia de coronavírus, e gratuito, para que todos pudessem assistir as obras provenientes de mais de 40 países do globo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um mundo pré-apocalíptico, o </span><a href="https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/cultura/2021/04/788480-apos-recorde-de-publico-fantaspoa-divulga-vencedores-de-sua-17-edicao.html"><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ocorria anualmente na cidade de Porto Alegre desde o ano de 2005. Em 2021, quase completando a maioridade, o festival ofereceu debates com cineastas, discussões sobre a inclusão no audiovisual, exposição a respeito do trabalho de mulheres no mundo do fantástico e até uma festa </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;">. A arte da vez, utilizada para a própria arte desse </span><i><span style="font-weight: 400;">post</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi criada pelo artista Renan Santos como uma referência aos 17 aninhos do festival, intitulada </span><i><span style="font-weight: 400;">Reflexo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Já o </span><i><span style="font-weight: 400;">lettering</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi desenvolvido pelo diretor de arte Thalles Mourão, que também usou um aspecto refletido para retomar o gênero do evento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através da plataforma </span><a href="https://www.darkflix.com.br/#/index"><i><span style="font-weight: 400;">Wurlak/Darkflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, assistimos um pouco de tudo: filmes nacionais, internacionais, animados, psicodélicos, bizarros, medonhos e hilários. A curadoria trouxe peças singulares, inclusive a tão esperada disponibilização da obra </span><a href="https://escotilha.com.br/cinema-tv/espanto/entrevista-felipe-m-guerra/#:~:text=Em%202001%2C%20o%20cineasta,de%20horror%20independente%20no%20Brasil."><i><span style="font-weight: 400;">Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a quase folclórica produção de Felipe M. Guerra que, no seu aniversário de 20 anos, ganhou uma reedição só para o festival. Entre os premiados, </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/o-cemiterio-das-almas-perdidas-critica"><i><span style="font-weight: 400;">O Cemitério das Almas Perdidas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">recebeu do júri a consagração de Melhor Diretor para </span><a href="https://www.agazeta.com.br/colunas/rafael-braz/rodrigo-aragao-investir-em-cinema-e-um-otimo-negocio-para-o-pais-0920"><span style="font-weight: 400;">Rodrigo Aragão</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentro da Competição Ibero-Americana e</span><a href="https://republicadomedo.com.br/xvii-fantaspoa-historia-do-oculto/"> <i><span style="font-weight: 400;">História do Oculto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> levou Melhor Filme e Melhor Roteiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cobertura foi singela &#8211; cerca de ¼ do </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa</span></i><span style="font-weight: 400;"> está registrada abaixo pelas palavras de </span><b>Caroline Campos</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>Vitor Evangelista</b><span style="font-weight: 400;"> e </span><b>Vitor Tenca</b><span style="font-weight: 400;">. O material disponível sobre as produções é escasso, então angariar informações se tornou uma parte extra da cobertura na hora da realização dos textos. O resultado, no entanto, foi divertido e satisfatório, especialmente pela oportunidade de se deparar com tantas obras únicas, sejam elas maçantes ou extraordinárias. Abaixo, você confere um pouquinho da grandiosidade criativa da 17ª edição do Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre.</span></p>
<p><span id="more-20087"></span></p>
<h3>Longas</h3>
<h5>Competição Internacional</h5>
<figure id="attachment_20088" aria-describedby="caption-attachment-20088" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20088 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Querida-voce.jpg" alt="Cena do filme Querida, Você Não Vai Acreditar. Nela, vemos 3 homens ao redor de uma kombi azul e branca. Um deles, à esquerda, está de camisa aberta e usa um colar preto. Ao centro e dentro do veículos, um homem vestido de amarelo segura duas bonecas infláveis e, à direita, um terceiro homem está sentado. Eles estão num cenário florestal e está de dia." width="2048" height="743" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Querida-voce.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Querida-voce-300x109.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Querida-voce-1024x372.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Querida-voce-768x279.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Querida-voce-1536x557.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Querida-voce-1200x435.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20088" class="wp-caption-text">O título do longa cazaque é quase uma súplica do protagonista a sua esposa (Foto: Yernar Nurgaliyev)</figcaption></figure>
<p><b>Querida, Você Não Vai Acreditar (Zhanym, ty ne poverish, Yernar Nurgaliyev, Cazaquistão, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como explicar para sua esposa briguenta que você perdeu o parto do seu filho E sua aliança porque presenciou um assassinato, foi perseguido por caras armados, sequestrado por uma família de pervertidos e ainda acabou na casa de um maníaco caolho? Não foi uma tarefa fácil para o protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Querida, Você Não Vai Acreditar</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa cazaque dirigido por Yernar Nurgaliyev. Depois de arriscaram um passeio de pescaria, três melhores amigos se enfiam nessa bagunça sangrenta em que o único objetivo é sobreviver da sequência de doidos que cruzam seus caminhos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, todos os personagens da produção são hilários e as trapalhadas poderiam ter saído diretamente de uma comédia da </span><i><span style="font-weight: 400;">Globo</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas só se o estúdio arriscasse em litros de sangue e violência gráfica. Os membros decepados e as mutilações, no entanto, contribuem para a trama caminhar e deixam até as cenas assustadoras, divertidas &#8211; mérito do time de atores que encaixa perfeitamente em cada papel designado. O roteiro, assinado por uma boa galera (Zhandos Aibassov, Yernar Nurgaliyev, Daniyar Soltanbayev, Il&#8217;yas Toleu, Anuar Turizhigitov e Alisher Utev), não perde o ritmo em nenhum momento, criando a tensão cômica em cada encontro do trio com qualquer um dos esquisitos. Genuinamente engraçado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Querida, Você Não Vai Acreditar</span></i><span style="font-weight: 400;"> entra para a lista dos favoritos no </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa XVII</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_20090" aria-describedby="caption-attachment-20090" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20090 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Corte-Profundo.jpg" alt="Cena do filme Corte Profundo. Nela, vemos uma mulher branca e loira na floresta, ela tem sangue sujando seu rosto e um semblante de cansaço. Está anoitecendo." width="1920" height="803" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Corte-Profundo.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Corte-Profundo-300x125.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Corte-Profundo-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Corte-Profundo-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Corte-Profundo-1536x642.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Corte-Profundo-1200x502.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20090" class="wp-caption-text">Corte Profundo suplica: nunca confie no mocinho (Foto: Nicholas Santos)</figcaption></figure>
<p><b>Corte Profundo (It Cuts Deep, Nicholas Santos, EUA, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem imagina que ao entrar em um festival como o </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa </span></i><span style="font-weight: 400;">só nos deparamos com filmes </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;"> e alternativos, se espanta com a qualidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Corte Profundo</span></i><span style="font-weight: 400;">. O longa, dirigido e roteirizado por Nicholas Santos, se assemelha mais a um </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster </span></i><span style="font-weight: 400;">com sua ideia simples e bem elaborada ao mesmo tempo. Enquanto acompanhamos o que aparenta ser mais um filme de assassino a solta sem motivo algum para matar, vamos recebendo dicas para desvendar o mistério e também muitas risadas, visto que o filme é categorizado como um horror-comédia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O enredo, porém, sofre do mal de uma vítima que não consegue convencer ninguém, seja o telespectador, o possível assassino e até a própria namorada. Charles Gould dá vida a Sam, nosso assassino sem noção na hora das piadinhas, enquanto a certeira Quinn Jackson interpreta Ashley, e transmite um único sentimento: pena, por uma mulher conformada com o pior. E o final não poderia ser outro. No melhor estilo </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Demônio</span></i><span style="font-weight: 400;">, vemos Ashley sair mancando pelas ruas com a cara toda ensanguentada com sangue do machete. </span><b>&#8211; Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_20091" aria-describedby="caption-attachment-20091" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20091 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sangre-Comigo.jpg" alt="Cna do filme Sangre Comigo. Nela, vemos uma mulher branca se olhando no espelho. A coloração da cena é amarela, e ela veste um suéter marrom, seus olhos exprimem medo." width="1920" height="1013" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sangre-Comigo.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sangre-Comigo-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sangre-Comigo-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sangre-Comigo-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sangre-Comigo-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sangre-Comigo-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20091" class="wp-caption-text">Sangre Comigo é um claro exemplo do &#8220;podia ser, mas não foi&#8221; (Foto: Amelia Moses)</figcaption></figure>
<p><b>Sangre Comigo (Bleed with Me, Amelia Moses, Canadá, 2020)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Sangre Comigo </span></i><span style="font-weight: 400;">só funcionaria se nós sentíssemos algum tipo de empatia por sua protagonista. Ou por qualquer personagem em tela. O longa canadense, que acompanha a viagem do casal Emily e Brendan com a amiga Rowan para uma cabana na floresta, começa bem. Ficamos curiosos em relação às interações do trio, a tensão aumenta bem devagar e passamos a acreditar que as coisas vão piorar a qualquer momento. Bem, nada acontece. Rowan, interpretada por Lee Marshall, é uma jovem introvertida e apática em contraposição a simpática Emily, vivida pela melhor atriz do elenco, Lauren Beatty. É Emily que convence o espectador a duvidar realmente dos acontecimentos, com pequenos relances de olhar e mudanças no tom de voz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amelia Moses é talentosa na direção, mas seu roteiro não convence. Apesar das cenas noturnas sugerirem alucinações de Rowan, os conflitos nunca dão partida. Brendan, que até se destaca pela atuação de Aris Tyros, não chama a atenção no meio das atrizes. Essas, por sua vez, ficam numa lenga-lenga cansativa envolvendo algum tipo de vampirismo ou, quem sabe, um pé na esquizofrenia. Mesmo que a obra não seja de se jogar fora &#8211; a primeira metade é bem interessante -, no fim das contas, o filme caminha para lugar nenhum. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20092" aria-describedby="caption-attachment-20092" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20092 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Post-Mortem.jpg" alt="Cena do filme Post Mortem. Nela, vemos uma porção de homens e mulheres reunidos frente a uma igreja. A igreja é branca, e o céu contrasta com um azul claro, enquanto todas as pessoas vestem roupas escuras. " width="1920" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Post-Mortem.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Post-Mortem-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Post-Mortem-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Post-Mortem-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Post-Mortem-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Post-Mortem-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20092" class="wp-caption-text">A igreja é a grande inimigas das sombras (Foto: Péter Bergendy)</figcaption></figure>
<p><b>Post Mortem (Idem, Péter Bergendy, Hungria, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a trama por trás de </span><i><span style="font-weight: 400;">Post Mortem</span></i><span style="font-weight: 400;"> é genial, afinal, quem não se interessaria em explorar o mundo sangrento e mortal da Europa pelas lentes de um fotógrafo… de mortos. Dirigido por  Péter Bergendy, o longa húngaro conta uma história de fantasmas e espíritos um pouco diferente das demais, já que trabalha na área de fotografia </span><i><span style="font-weight: 400;">post-mortem</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou seja, de pessoas já falecidas. No entanto, o ato que serviria para suprimir a dor de famílias que perdiam pilhas de familiares causa justamente o oposto. As sombras que começam a aparecer em frente aos corpos pálidos das fotografias torturam e são torturadas, dando força ao clima macabro e visual mórbido do filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, mesmo com uma ideia extraordinária, ainda assim é necessária uma boa execução. O filme peca em seu caráter maçante e muitas vezes devagar, já que os 115 minutos de tela parecem ser muito tempo a mais. Outro motivo desconfortante é a relação entre os dois personagens principais, visto que essa ligação é criada literalmente a partir de mágica. No geral, </span><i><span style="font-weight: 400;">Post Mortem</span></i><span style="font-weight: 400;"> carrega com si muitos pontos positivos, mas acaba pecando mais do que acerta. Talvez Tomás devesse se dedicar apenas às fotos, e deixar a profissão de caça-fantasmas para outro. </span><b>&#8211; Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_20093" aria-describedby="caption-attachment-20093" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20093 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fazendo-Companhia.jpg" alt="Cena do filme Fazendo Companhia. Nela, vemos dois homens numa vizinhança de cerca branca. Os dois se vestem da mesma maneira: paletó laranja, camisa de estampa quadriculada e gravata laranja. Ao fundo, o primeiro homem é branco, e tem barba e cavanhaque cheios. À frente, o homem tem pele mais escura e não tem um pelo facial a vista." width="1920" height="810" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fazendo-Companhia.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fazendo-Companhia-300x127.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fazendo-Companhia-1024x432.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fazendo-Companhia-768x324.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fazendo-Companhia-1536x648.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fazendo-Companhia-1200x506.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20093" class="wp-caption-text">Os paletós vermelhos identificam de longe os vendedores chatos da Seguradora (Foto: Josh Wallace)</figcaption></figure>
<p><b>Fazendo Companhia (Keeping Company, Josh Wallace, EUA, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O quão longe você iria por seu emprego? Para Sonny (Devin Das), até onde fosse necessário. Traumatizado pelo relacionamento com o pai, o vendedor de seguros é capaz de tudo para conseguir a promoção na Seguradora </span><i><span style="font-weight: 400;">Caste </span></i><span style="font-weight: 400;">e provar que é o melhor no que faz. Seu parceiro é o gentil e carinhoso Noah (Ahmed Bharoocha), que, prestes a ser pai, acredita que Sonny é seu melhor amigo. O problema só acontece quando a dupla resolve bater na porta errada. Lucas (Jacob Grodnik) vive com sua amada Vovó (Suzanne Savoy) e ambos têm como objetivo limpar as ruas da escória marginal. No meio do caminho, Sonny e Noah se juntam aos traficantes e sem-teto, todos presos no porão da família de bem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Josh Wallace não só dirige, como também roteiriza essa obra hilária sobre esperança e, bem… canibalismo. Conectando todos seus personagens, Wallace brinca com a corrupção na seguradora e com a obsessão pela excelência egoísta do protagonista. Obviamente, o resultado é uma bagunça engraçada e até mesmo surpreendente. Não há, digamos, um final feliz, pelo menos não para quem merece. Mas isso não importa. Sangue, corpos e muitos hambúrgueres ditam o tom certeiramente para que </span><i><span style="font-weight: 400;">Fazendo Companhia</span></i><span style="font-weight: 400;"> não caia na mesmice batida das comédias-terror, e, no final, ainda consegue nos arrancar uma risada de indignação. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<h5>Competição Ibero-Americana</h5>
<figure id="attachment_20095" aria-describedby="caption-attachment-20095" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20095 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Uma-Tumba-para-Tres.jpg" alt="Cena do filme Uma Tumba para Três. Nela, vemos 3 homens, brancos, adultos e com visão punk badboy, ao redor de um quarto homem, deitado. O cenário é um quarto tipicamente estadunidense, de portas brancas e posteres na parede" width="1920" height="804" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Uma-Tumba-para-Tres.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Uma-Tumba-para-Tres-300x126.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Uma-Tumba-para-Tres-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Uma-Tumba-para-Tres-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Uma-Tumba-para-Tres-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Uma-Tumba-para-Tres-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20095" class="wp-caption-text">Carlos está morto&#8230; não está? (Foto: Mariano Cattaneo)</figcaption></figure>
<p><b>Uma Tumba para Três (Una Tumba Para Tres, Mariano Cattaneo, Argentina, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maior qualidade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma Tumba para Três </span></i><span style="font-weight: 400;">é especificamente o trio que intitula o filme. Victor, Juan e Manuel, três criminosos de, digamos, baixo cacife, precisam se livrar de um problema para seu chefe mafioso. Interpretados por Diego Cremonesi, Daniel Pacheco e Demián Salomón, respectivamente, o grupo passa metade da narrativa tentando se matar e, a outra metade, tentando matar os outros. Essa sequência de palhaçadas insanas, que começa a ficar um pouco cansativa no final do longa, só funciona pelo entrosamento hilário e natural entre os atores, que agem como velhos amigos dando broncas uns nos outros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mariano Cattaneo assume a direção e divide o roteiro com Nicanor Loreti, que é assertivo e eficiente em nos nortear nos acontecimentos do passado e apresentar os mais variados personagens que ajudam ou atrapalham a missão principal do filme. No fim das contas, temos uma dupla de garotas espertas, uma senhora vingativa, policiais corruptos, um mafioso prepotente e um bruxo emo esquisito &#8211; todos fazendo sua parte, sem ofuscar os protagonistas, mas roubando um pouco da narrativa para si. A produção argentina oscila no tom, o que pode passar a impressão de uma duração bem maior que os míseros 77 minutos reais, mas a </span><i><span style="font-weight: 400;">vibe Os Trapalhões</span></i><span style="font-weight: 400;"> do trio te deixa encantado o suficiente para sentir saudades quando os créditos sobem. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20096" aria-describedby="caption-attachment-20096" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20096 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Desvida.jpg" alt="Cena do filme A Desvida. Nela, vemos duas pessoas se encarando. Ela tem cabelos pretos, pele clara e veste uma blusa preta. Ele tem cabelo e barba compridos, uma mecha grisalha no queixo e veste uma camisa quadriculada preto e branco. " width="1440" height="777" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Desvida.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Desvida-300x162.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Desvida-1024x553.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Desvida-768x414.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Desvida-1200x648.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20096" class="wp-caption-text">O casal talentoso de A Desvida se perde no próprio relacionamento (Foto: Agustín Rubio Alcover)</figcaption></figure>
<p><b>A Desvida (Non-Living, Agustín Rubio Alcover, Espanha, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tem algo de muito específico e atual em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Desvida. </span></i><span style="font-weight: 400;">O longa espanhol, falado a maior parte do tempo em inglês, desperta um misto confuso de sensações e percepções no espectador. A trama já mostra ser muito mais do que parece: Alex (Julio Perillán) e Natalie (Tábata Cerezo), casados e parceiros na criação de histórias infantis, voltam para a casa pela primeira vez desde que perderam seu filho, Jonah (Telmo Yago). Com apenas os três atores em cena, passado e presente vão se intercalando e entrelaçando em uma narrativa extremamente desconfortável, que cria uma tensão gradual conforme os minutos vão passando. O diretor e roteirista Agustín Rubio Alcover tem o controle total de seu filme e de seus espectadores, é como se tudo que sentíssemos fosse exatamente do jeito que Alcover queria quando idealizou o longa, cada surpresa, exclamação e ataque de fúria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À medida que vamos juntando as pecinhas do quebra-cabeça do casal extremista-</span><i><span style="font-weight: 400;">good vibes</span></i><span style="font-weight: 400;">, o choque vai tomando conta não só pelo desenrolar da história, mas também pela triste realidade que ela traz consigo. Natalie e Alex, que carregam perfeitamente bem os 87 minutos de filme, oscilam entre o reatamento e o rompimento definitivo de sua relação, dando voltas pela própria trajetória até chegarem no ponto de partida: Jonah. O garoto é mais importante fora do que dentro de cena, mas é quase sufocado pelo egoísmo natureba dos pais. No entanto, é no final de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Desvida</span></i><span style="font-weight: 400;">, logo após estarmos certo de que sim, essa é uma obra dramática, que o verdadeiro aspecto de terror se revela &#8211; e somos arrebatados. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20097" aria-describedby="caption-attachment-20097" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20097 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Cemiterio-das-Almas-Perdidas.jpg" alt="Cena do filme O Cemitério das Almas Perdidas. Nela, vemos um homem no centro de um altar, ao redor dele estão uma porção de velas acesas e um mural atrás, com dizeres em latim. Ele é branco, tem cabelo preto e barba branca, e veste uma túnica marrom." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Cemiterio-das-Almas-Perdidas.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Cemiterio-das-Almas-Perdidas-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Cemiterio-das-Almas-Perdidas-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Cemiterio-das-Almas-Perdidas-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Cemiterio-das-Almas-Perdidas-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Cemiterio-das-Almas-Perdidas-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20097" class="wp-caption-text">A ambientação dos jesuítas no Brasil Colonial é o maior acerto de Rodrigo Aragão (Foto: Rodrigo Aragão)</figcaption></figure>
<p><b>O Cemitério das Almas Perdidas (Rodrigo Aragão, Brasil, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A homenagem é para ele: José Mojica Marins. Antes de iniciar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MAfHgQDY3iE"><i><span style="font-weight: 400;">O Cemitério das Almas Perdidas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Rodrigo Aragão faz questão de dedicar seu filme ao </span><i><span style="font-weight: 400;">“deus”</span></i><span style="font-weight: 400;"> do terror nacional &#8211; ou, melhor dizendo, o </span><i><span style="font-weight: 400;">“diabo”</span></i><span style="font-weight: 400;">. O novo longa de Aragão é uma visão inovadora e aterrorizante sobre o Brasil colonial, colocando os jesuítas como criaturas demoníacas ligadas a um pacto com São Cipriano. Utilizando duas linhas temporais diferentes para contar sua história, a produção brasileira cutuca o fanatismo religioso e os traumas da colonização focando, principalmente, nos povos indígenas e sua história de violência e resistência. Toda a cenarização de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Cemitério das Almas Perdidas </span></i><span style="font-weight: 400;">é digna de aplausos. A atmosfera do cemitério, os objetos perfeitamente alocados nas criptas e a estética de horror da obra como um todo são o resultado de uma equipe competente, que sabe a história que quer passar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rodrigo Aragão mostra todo o seu talento no clímax, que é intenso, coerente e muito sangrento. A caracterização de seus zumbis-jesuítas e os efeitos das mutilações e desmembramentos tiram o fôlego durante a </span><i><span style="font-weight: 400;">“batalha final”</span></i><span style="font-weight: 400;">, que, finalmente, une as duas narrativas e dá sentido ao desenrolar do filme. Apenas alguns exageros sonoros chegam a incomodar, mas nada excruciante que atrapalhe a experiência de assistir um bom filme de terror nacional. Nós sabemos que, no final das contas, não foi o tinhoso que trucidou toda uma população nativa, mas a roupagem macabra e sobrenatural dá a acidez certa no longa nacional. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20098" aria-describedby="caption-attachment-20098" style="width: 1434px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20098 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Historia-do-Oculto.png" alt="Cena do filme História do Oculto. Nela, vemos um homem idoso, branco e de barba grisalha. A imagem é um close de seu busto, e está em preto-e-branco. Ele veste um terno e usa um anel no dedo anelar esquerdo. Na parte de baixo da imagem vemos informações escritas: 23:28, 10.7c e 32:51" width="1434" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Historia-do-Oculto.png 1434w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Historia-do-Oculto-300x226.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Historia-do-Oculto-1024x771.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Historia-do-Oculto-768x578.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Historia-do-Oculto-1200x904.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20098" class="wp-caption-text">O diretor opta por utilizar o formato 4:3 na maior parte de História do Oculto (Foto: Cristian Ponce)</figcaption></figure>
<p><b>História do Oculto (Historia de lo Oculto, Cristian Ponce, Argentina, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O repórter que apurou o furo jornalístico de </span><i><span style="font-weight: 400;">História do Oculto </span></i><span style="font-weight: 400;">merece uma grande salva de palmas &#8211; e talvez um pouquinho de proteção policial. O longa dirigido e roteirizado por Cristian Ponce é um achado especial no </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa XVII</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesclando jornalismo puro com doses cavalares de bruxaria. Através da última transmissão do programa </span><i><span style="font-weight: 400;">60 Minutos Antes da Meia-Noite</span></i><span style="font-weight: 400;">, um grupo de jornalistas se prepara para soltar em rede nacional que o presidente está envolvido com um esquema bizarro ligado à maior corporação do país. Eles só não esperavam que, ao vivo, fosse confirmado que esse esquema se tratava de um pacto com entidades malignas que assassinou inimigos políticos, garantiu eleições, eliminou criancinhas e vendeu o futuro da humanidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escolha de Ponce de mostrar o programa na íntegra, cada segundo angustiadamente passando, foi o </span><i><span style="font-weight: 400;">chute no gol</span></i><span style="font-weight: 400;"> da produção argentina, que nos coloca na posição de mero espectador como todos os outros personagens. O preto-e-branco também complementa a atmosfera macabra e camufla as aparições demoníacas que a equipe de reportagem passa a presenciar enquanto caminham cegos ao ponto final inesperado e surpreendente. Não há uma gradação da tensão &#8211; ela está sempre ali, constante desde o primeiro segundo do filme. </span><i><span style="font-weight: 400;">História do Oculto</span></i><span style="font-weight: 400;"> é de uma fluidez impressionante, capaz de transformar o </span><i><span style="font-weight: 400;">Jornal Nacional</span></i><span style="font-weight: 400;"> e as arapucas políticas brasileiras em história de ninar criancinha. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<h5>Competição de Animação</h5>
<figure id="attachment_20099" aria-describedby="caption-attachment-20099" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20099 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sonhos-Coloridos.jpg" alt="A imagem retangular é uma cena do filme Sonhos Coloridos. Da esquerda para a direita podemos ver 10 personagens de massinha de rostos longos e pele branca. O primeiro é um homem de topete e costeletas pretas e lábios grandes, enquanto usa uma jaqueta preta. À sua direita há um homem de cabelos e costeletas ruivas, com olhos tortos e nariz grande, enquanto usa um paletó vermelho em cima de um colete verde. À sua direita vemos um homem de cabelos rasos e uma barbicha preta, ele fuma um cigarro e usa uma camisa amarela com uma gravata laranja. À sua direita vemos um menino de cabelos lisos e pretos mostrando a língua, enquanto usa uma camiseta azul com um suspensório colorido. À sua direita e no centro da imagem vemos uma mulher com cabelos ruivos e tiara rosa, ela possui uma feição triste e usa um casaco de couro marrom. À sua direita atrás vemos uma parte de homem de óculos vermelho. Também à direita da mulher vemos um menino de boné para trás, cabelo loiro e um narigão. À sua direita vemos um homem de cabelo preto jogado para o lado, enquanto está com um olho fechado e possui um lápis atravessando seu nariz. À sua direita vemos dois homens iguais um do lado do outro com cabelo repartido castanhos olhos fundos, que usam roupas listradas de presidiário." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sonhos-Coloridos.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sonhos-Coloridos-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sonhos-Coloridos-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sonhos-Coloridos-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sonhos-Coloridos-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Sonhos-Coloridos-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20099" class="wp-caption-text">A trupe circense de Sonhos Coloridas é diversa e entusiasmada (Foto: Jan Balej)</figcaption></figure>
<p><b>Sonhos Coloridos (Barevný Sen, Jan Balej, República Tcheca, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Você sabe que o filme não te agradou quando seu personagem favorito é uma gaivota falante. </span><i><span style="font-weight: 400;">Sonhos Coloridos</span></i><span style="font-weight: 400;"> chama a atenção pelo visual amigável, bonequinhos carismáticos e uma sinopse cativante envolvendo uma trupe circense e um governo autoritário, mas sua execução… deixa muito a desejar. Apesar das metáforas bem elaboradas entre a liberdade e o ator de voar, a jornada de Drin pelo resgate dos seus amigos é maçante &#8211; nenhum personagem realmente chama a atenção, a não ser, é claro, a gaivota. Nathan é hilário, rouba a cena do protagonista, é responsável pela salvação coletiva e, acima de tudo, é estranhamente fofo. O pássaro falante foi a melhor criação de Jan Balej, que idealizou o filme ao lado de Michal Bures. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor, no entanto, perdeu a mão nas reviravoltas e nos seus vilões, que só não cansam mais do que os mocinhos. Os artistas do circo, que poderiam ainda dar um gás na narrativa, só são lembrados no começo e no final dos (longos) 70 minutos da produção tcheca, que não consegue se manter com as poucas qualidades &#8211; como se Balej e Bures tivessem idealizado uma base sólida e promissora e se perdido no meio do caminho para fechar todas as suas pontinhas e motivações. O jeito agora é esperar por uma </span><i><span style="font-weight: 400;">fancam</span></i><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter </span></i><span style="font-weight: 400;">com os melhores momentos de Nathan. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20100" aria-describedby="caption-attachment-20100" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20100 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/frank-e-zed.jpg" alt="A imagem retangular é uma cena da animação Frank e Zed. Os dois personagens são bonecos de fantoche feitos de uma material similar ao pano. Centralizado à esquerda vemos Frank, um personagem semelhante a um Frankenstein, com diversas partes do corpo de diversos outros corpos diferentes costurados. Ele possui um olho esquerdo maior e de cor castanho claro e um olho direito menor de cor azul, além do cérebro que fica por baixo de uma cúpula de vidro. Ele usa uma roupa toda costurada com panos de cores, texturas e padrões diferentes, enquanto segura um machado em uma mão e a cabeça sangrenta de um fantoche na outra. Centralizado à direita vemos Zed, um zumbi despedaçado. Ele possui pele bege e enrugada, olhos claros quase brancos, dentes podres e uma língua roxa. Ele segura outra cabeça sangrenta de fantoche em suas mãos. Ao fundo vemos uma sala de castelo com tijolos de pedra bem escuros." width="1920" height="1245" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/frank-e-zed.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/frank-e-zed-300x195.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/frank-e-zed-1024x664.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/frank-e-zed-768x498.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/frank-e-zed-1536x996.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/frank-e-zed-1200x778.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20100" class="wp-caption-text">Alimentos se tornam miolos e entranhas na animação Frank e Zed (Foto: Jesse Blanchard)</figcaption></figure>
<p><b>Frank e Zed (Frank &amp; Zed, Jesse Blanchard, EUA, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já ouvimos esse roteiro diversas vezes: em um reino fantástico, um líder faz um pacto para destruir as poderosas forças do mal; anos depois, as consequências chegam para um povo que nunca teve nada a ver com isso. Mas, quando tratamos de </span><a href="https://www.indiewire.com/2020/10/frank-zed-puppet-horror-premiere-nightstream-film-festival-1234591807/"><i><span style="font-weight: 400;">Frank e Zed</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dirigido e roteirizado por Jesse Blanchard, certamente não podemos usar a palavra clichê para descrevê-lo. Principalmente quando nossos pequenos heróis e monstruosos vilões são bonequinhos de fantoche, o que não tira nem um pouco o aspecto sangrento e crítico do filme, muito pelo contrário, essa escolha possibilita uma abordagem cômica e inteligente para esses dois nichos que não parecem se bater.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa consegue inverter os papéis de admirações de personagens, já que é impossível gostar mais dos humanos no poder do que nosso pequeno </span><i><span style="font-weight: 400;">Frankenstein </span></i><span style="font-weight: 400;">e estúpido zumbi. Os mais de 6 anos de gravação geraram um fruto extraordinário, e podemos ver isso em meio às batalhas perfeitamente coreografadas, as mordiscadas de Zed e o andar manco de Frank. O final triste da nossa dupla perfeita só faz com que queiramos um cérebro em outra tigela de vidro ao invés do chão do castelo assombrado</span><b>.- Vitor Tenca</b></p>
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<h5>Especiais</h5>
<figure id="attachment_20101" aria-describedby="caption-attachment-20101" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20101 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/file.png" alt="Cena do filme Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado. Nela, vemos a gravação caseira de um assassinato Na frente, está uma mulher branca de blusa rosa, e atrás dela, empunhando uma faca, alguém com a roupa do assassino de Pânico, de capa preta e máscara branca com detalhes nos olhos e boca em preto." width="1024" height="754" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/file.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/file-300x221.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/file-768x566.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20101" class="wp-caption-text">Spoiler: Geison é o assassino (Foto: Felipe M. Guerra)</figcaption></figure>
<p><b>Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado (Felipe M. Guerra, Brasil, 2001)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sim, o título é desse tamanho mesmo. E é perfeito para a criação de Felipe M. Guerra, que, com muita criatividade e talento, fez uma peça singular do cinema de terror brasileiro lá em Carlos Barbosa, cidade na serra gaúcha. Com a participação de amigos e familiares do diretor, </span><i><span style="font-weight: 400;">Entrei em Pânico…</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi disponibilizado sem restrições pela primeira vez ao público no </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa XVII</span></i><span style="font-weight: 400;">, em uma versão reeditada com o nome de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cjTT6faL5L4"><i><span style="font-weight: 400;">Redux</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Não há nada que não seja incrível no longa, desde as legendas que tentam traduzir um pouco do </span><i><span style="font-weight: 400;">gauchês</span></i><span style="font-weight: 400;"> até o próprio sotaque dos atores, que complementam a divertida aura de paródia daqueles clássicos </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i><span style="font-weight: 400;"> que Guerra é muito fã. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história se inicia no dia da festa de formatura dos personagens, que decidem ter um </span><i><span style="font-weight: 400;">esquenta </span></i><span style="font-weight: 400;">lá na casa de Goti. A partir daí, um por um, os adolescentes vão morrendo. Parece o </span><i><span style="font-weight: 400;">plot</span></i><span style="font-weight: 400;"> de qualquer terror de assassino dos anos 2000, mas a irreverência do diretor, que incentiva a produção dos próprios filmes, é a força-motriz de todo o desenvolvimento, que possui um charme único e indescritível. </span><i><span style="font-weight: 400;">Entrei em Pânico…</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixa claro que Cinema também se faz em casa, sem precisar de tanto fru-fru para ser único e deixar sua marca. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<h3>Curtas</h3>
<h5><b>Curtas-Metragens Internacionais &#8211; Animação</b></h5>
<figure id="attachment_20108" aria-describedby="caption-attachment-20108" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20108 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Maestro.jpg" alt="Cena da animação Maestro. Nela, um passáro de penagem azul e branca com as asas e o bico abertos. Ele está em cima de um galho fino. Atrás, o céu azul estampa uma grande lua cheia." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Maestro.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Maestro-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Maestro-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Maestro-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Maestro-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20108" class="wp-caption-text">Cantoria de animais nunca pode dar errado (Foto: Illog!c)</figcaption></figure>
<p><b>Maestro (França, 2019)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma execução saída diretamente de uma propaganda para carros, </span><a href="https://vimeo.com/359281775"><i><span style="font-weight: 400;">Maestro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma pecinha de menos de dois minutos em que um esquilo comanda uma ópera selvagem no meio da floresta. A produção francesa se destaca pela condução sonora de Jérôme Navarro e pela fofura extrema &#8211; animais cantando, fala sério! A animação de 2019 inclui sapos, tartarugas, porcos-espinho e pássaros, com os traços puxados para o realismo e uma cômica sinfonia noturna. A direção é creditada como </span><i><span style="font-weight: 400;">Illog!c</span></i><span style="font-weight: 400;"> (uma fuçadinha no </span><i><span style="font-weight: 400;">IMDB </span></i><span style="font-weight: 400;">revela alguns nomes) e a duração curtíssima releva qualquer defeito que o curta possa ter. Mesmo assim, a sensação de que algo como </span><i><span style="font-weight: 400;">Volkswagen </span></i><span style="font-weight: 400;">vá surgir após o fim da cantoria é inevitável. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20115" aria-describedby="caption-attachment-20115" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20115 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Carried-Away.png" alt="Cena da animação Carried Away. Dois homens estão de pé, da cintura para cima. Eles são gêmeos. À esquerda, um deles usa um paletó marrom e uma blusa branca de gola alta. No seu rosto, tem óculos escuros. Ele apaga um cigarro em um cinzeiro ao seu lado, com a fumaça subindo ao seu rosto. À direita, o outro homem usa um suéter vinho de mangas compridas e calça jeans. Ele segura um pirulito rosa na mão direita. Atrás de ambos, está o cenário de um trailer." width="1366" height="579" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Carried-Away.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Carried-Away-300x127.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Carried-Away-1024x434.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Carried-Away-768x326.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Carried-Away-1200x509.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20115" class="wp-caption-text">Retratar gêmeos como opostos já virou até clichê (Foto: Etienne Fagnère, Manon Carrier, Johan Cayrol, Alo Trusz e Jean-Baptiste Escary)</figcaption></figure>
<p><b>Carried Away (França, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conflitos familiares podem ser ótimas dramédias. Quando Mamãe se vai, seus filhos gêmeos, que não poderiam ser mais diferentes, recebem a última missão: enterrar seu cadáver </span><i><span style="font-weight: 400;">juntos</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em 5 minutos, tão divertidos que passam como 5 segundos, o curta dirigido pela trupe Etienne Fagnère, Manon Carrier, Johan Cayrol, Alo Trusz e Jean-Baptiste Escary beira o clichê, mas não a ponto de enjoar. Com ótimos gráficos e cenários especialmente detalhados, a produção debocha de seus personagens em meio a gafes pontuais e com direito a um corpo voador e sorridente. Entre cigarros e pirulitos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Carried Away</span></i><span style="font-weight: 400;"> é singular. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20104" aria-describedby="caption-attachment-20104" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20104 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Friend-of-a-Friend.jpg" alt="Cena da animação Friend of a Friend. Vemos, de cima, um grupo de adolescentes sentados em roda com uma garrafa no centro. As cores predominantes na=o desenho são o roxo, o azul e o verde-água em estilo neon. " width="1920" height="804" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Friend-of-a-Friend.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Friend-of-a-Friend-300x126.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Friend-of-a-Friend-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Friend-of-a-Friend-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Friend-of-a-Friend-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Friend-of-a-Friend-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20104" class="wp-caption-text">A dupla que a garrafa escolher não importa&#8230; (Foto: Zachary Zezima)</figcaption></figure>
<p><b>Friend of a Friend (França, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando pensamos em </span><a href="https://www.zacharyzezima.com/"><i><span style="font-weight: 400;">Friend of a Friend</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o termo que nos vêm à cabeça é </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;">. O curta francês, dirigido por Zachary Zezima, logo de cara nos apresenta um conceito um pouco diferente do comum, quando o personagem amarrado no porão é o agressor ao invés da vítima. Ao mesmo tempo, vemos outra inversão de narrativa enquanto observa-se a mudança de posições entre esses dois, ou seja, agora a vítima exerce o outro papel e vice-versa. Outro fator importantíssimo dos 14 minutos de tela se dá pela experiência que o personagem principal passa a viver: o descobrimento da atração por pessoas do mesmo sexo, mesmo em meio a uma relação heterossexual já existente, o que traduz um certo medo e receio de reconhecer essa emoção. Um ponto interessante, agora no quesito de desenvolvimento visual, se dá pela criação de expressões, atos e movimentações que condizem de uma forma certeira com os áudios gravados de cada personagem. </span><b>&#8211;</b> <b>Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_20114" aria-describedby="caption-attachment-20114" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20114 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Wdding-Cake.jpg" alt="Cena da animação The Wedding Cake. Os personagens são todos bonequinhos de plástico. No centro, há uma mulher deitada em uma cama verde e azul. Ela é loira e está nua. Ao redor dela, vários bonecos pretos estão de pé na direção da cama. " width="1024" height="572" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Wdding-Cake.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Wdding-Cake-300x168.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Wdding-Cake-768x429.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20114" class="wp-caption-text">The Wedding Cake é dedicado as causas de combate à prostituição (Foto: Monica Mazzitelli)</figcaption></figure>
<p><b>The Wedding Cake (Suécia, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se engana quem pensa que a utilização de bonequinhos em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Wedding Cake</span></i><span style="font-weight: 400;"> tenta aliviar um pouco o impacto da história. A produção sueca da diretora Monica Mazzitelli é triste e dolorosa, acompanhando uma jovem que, depois de se casar subitamente, precisa quitar todas as dívidas do seu marido, que resolveu desaparecer, com o governo. Sem saída, acaba se entregando a um cafetão e traficada por 5 anos, enquanto seus filhos ficam sob os cuidados dos avós. A narração de Astrid Hallén é crua, e o jogo de fotografias dos personagens de Mazzitelli dá uma sensação episódica para a história &#8211; mesmo assim, a continuidade dos acontecimentos provoca o desespero no espectador, especialmente pelo jeito que a diretora exemplifica o abuso sexual. </span><i><span style="font-weight: 400;">E, depois, estava livre. Quebrada, mas livre.</span></i> <b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20110" aria-describedby="caption-attachment-20110" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20110 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/O-Black-Hole.jpg" alt="Cena da animação O Black Hole. Com personagens de massinha, vemos uma bonequinha branca com cabelos compridos. Ela está de costas e olha para grandes bonecos em formatos de minhocas. Eles variam entre azul, amarelo, laranja e vermelho. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/O-Black-Hole.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/O-Black-Hole-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/O-Black-Hole-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/O-Black-Hole-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/O-Black-Hole-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20110" class="wp-caption-text">Planetas se tornaram minhocas amarradas no buraco negro (Foto: Renee Zhan)</figcaption></figure>
<p><b>O Black Hole! (Reino Unido, 2020)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Black Hole! </span></i><span style="font-weight: 400;">é um deleite visual. O curta-metragem de Renee Zhan é uma das peças mais belas do </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa XVII</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que uma mulher, incapaz de se despedir das pessoas ao seu redor e sobreviver a passagem do tempo, passa a engolir tudo que possui vida dentro do próprio buraco negro que se torna. Quando enfim a Singularidade desperta no centro daquela escuridão, depois de mil anos, ela assume a função de desmembrar de dentro para fora o tormento de todos os engolidos. A contraposição de técnicas no interior e no exterior da narrativa torna tudo ainda mais interessante, mesclando pinceladas bagunçadas e coloridas com a massinha crua do </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;">. Zhan, que assina o roteiro ao lado de Vanessa Rose, ainda se diverte com canções dialogadas entre seus personagens, utilizando metáforas para discutir o sagrado feminino, a inevitabilidade da morte e o modo com que lidamos com a perda de entes queridos. Extraordinário. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20112" aria-describedby="caption-attachment-20112" style="width: 1292px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20112 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Stranded.png" alt="Cena da animação Stranded. Um personagem branco, de barba e cabelos castanhos está de perfil, olhando para a esquerda. Sua mão está esticada, tentando alcançar algo no fundo preto. Ele usa uma roupa de peles marrom." width="1292" height="562" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Stranded.png 1292w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Stranded-300x130.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Stranded-1024x445.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Stranded-768x334.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Stranded-1200x522.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20112" class="wp-caption-text">Os visuais são o ponto alto do curta (Foto: Alvin Arevalo-Zamora, Alwin Durez, Quentin Garaud, Maxime Salvatore, Florent Sanglard, Thomas Spony-Ipiens e Alex Tregouet)</figcaption></figure>
<p><b>Stranded (França, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Caos, desespero, correria e, em cima de tudo isso, uma fissura cósmica. O francês </span><i><span style="font-weight: 400;">Stranded</span></i><span style="font-weight: 400;"> é dirigido por Alvin Arevalo-Zamora, Alwin Durez, Quentin Garaud, Maxime Salvatore, Florent Sanglard, Thomas Spony-Ipiens e Alex Tregouet. Esse tanto de nomes para um filme de 7 minutos pode assustar, mas isso se justifica logo que clicamos em </span><i><span style="font-weight: 400;">assistir</span></i><span style="font-weight: 400;">. Visualmente, o filme é impecável, com seus gráficos realistas e bem trabalhados. Quando paramos pra pensar na narrativa, porém, as escolhas não parecem ter muita conexão ou rumo, mas ao fim tudo se explica: nosso caçador não passa de um bonequinho dentro de seu globo de neve em uma loja. </span><b>&#8211; Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_20107" aria-describedby="caption-attachment-20107" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20107 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Genius-Loci.jpeg" alt="Cena da animação Genius Loci. À direita, vemos um mulher em chamas segurando um saco de frutas nas mãos. À esquerda, uma mulher negra de cabelos loiros rentes a cabeça olha em frente. Ela usa regata verde e brincos de argola." width="1200" height="780" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Genius-Loci.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Genius-Loci-300x195.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Genius-Loci-1024x666.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Genius-Loci-768x499.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20107" class="wp-caption-text">Genius Loci já passou aqui pelo Persona na cobertura do Oscar (Foto: Adrien Merigeau)</figcaption></figure>
<p><b>Genius Loci (França, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E no meio da seleção do </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa XVII</span></i><span style="font-weight: 400;">, encontramos um indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021. </span><a href="https://personaunesp.com.br/genius-loci-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Genius Loci</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que concorre na categoria de Melhor Curta-Metragem de Animação ao lado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Toca</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Opera</span></i><span style="font-weight: 400;">, é uma produção caótica com belíssimos e bagunçados traços coloridos. Dirigido por Adrien Merigeau, a busca de Reine por um espírito-guia a faz se afastar e aproximar das diversas figuras que cruzam seu caminho no céu noturno. Em meio a figuras cubistas e abstratas, Merigeau desenvolve um novo e próprio olhar acerca da arte contemporânea, ressignificando sua narrativa simples para uma tentativa de auto entendimento. Os diálogos são escassos, porém potentes dentro dos 16 minutos movimentados e chapados de ácido da produção francesa. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20113" aria-describedby="caption-attachment-20113" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20113 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Through-my-eyes.png" alt="Cena da animação Thorugh My Eyes. Vemos um casal sentados a uma mesa de jantar. À direita, o homem é branco, de cabelos curtos e pretos e usa blusa branca e calça cinza. Ele está com a mão direita esticada em direção a mulher. Ela, por sua vez, está a esquerda, olhando em direção ao homem com a cabeça apoiada nas mãos. Ela usa um vestido amarelo e possui cabelos castanhos. " width="1170" height="573" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Through-my-eyes.png 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Through-my-eyes-300x147.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Through-my-eyes-1024x501.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Through-my-eyes-768x376.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20113" class="wp-caption-text">Through My Eyes é uma ode ao amor (Foto: Ilona Quenea, Celeste Devisme, Aude Portales, Emerantiane Bouillon e Naomie Gastel)</figcaption></figure>
<p><b>Through My Eyes (França, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção francesa de curtas veio a todo vapor no </span><i><span style="font-weight: 400;">Fantaspoa XVII</span></i><span style="font-weight: 400;">, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Through My Eyes</span></i><span style="font-weight: 400;"> não escapa da lista. Uma história de amor de apenas 4 minutos, a obra é reconfortante e emocionante na medida certa. Keith e Millie se conhecem, se apaixonam e passam a conviver em um relacionamento perfeitamente acolhedor. Keith possui marcas na sua bochecha e acredita que isso o torna desprezível, recebendo todo o apoio de sua parceira para se aceitar do jeito que é. O motor do curta, no entanto, é o fato de Millie também adoecer e se afundar na </span><i><span style="font-weight: 400;">monstruosidade</span></i><span style="font-weight: 400;"> de sua enfermidade &#8211; a mulher não suporta o contato do marido. Com uma boa e velha conclusão romântica, os traços dirigidos por Ilona Quenea, Celeste Devisme, Aude Portales, Emerantiane Bouillon e Naomie Gastel se entrelaçam na eternidade dos minutos não mostrados em tela. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20103" aria-describedby="caption-attachment-20103" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20103 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1000000-acres-of-pine.png" alt="Cena da animação 100,000 Acres of Pine. Nela, um homem está ao centro, bem pro fundo. Ele está de costas e usa calça cinza e blusa branca. Ele olha em direção a floresta, que cobre todo o resto da imagem com suas árvores." width="1200" height="488" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1000000-acres-of-pine.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1000000-acres-of-pine-300x122.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1000000-acres-of-pine-1024x416.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1000000-acres-of-pine-768x312.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20103" class="wp-caption-text">Se for sair na floresta, leve sempre um mapa e uma lanterna (Foto: Jennifer Alice Wright)</figcaption></figure>
<p><b>100,000 Acres of Pine (Dinamarca, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o início, é perceptível que </span><i><span style="font-weight: 400;">100,000 Acres of Pine</span></i><span style="font-weight: 400;"> não tem o intuito de ser um filme bonitinho. O curta dinamarquês, dirigido por Jennifer Alice Wright, tem 7 minutos de uma animação incorporada no seu estilo </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fuga das Galinhas</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas com uma mensagem muito mais pesada e aterrorizante. Uma guarda ambiental lida com a perda de um colega de trabalho e irmão em meio às florestas que conhecem de cabo a rabo, diante disso vemos a desconfiança e descrença do ocorrido. A fita de Patel nos avisa do perigo e do vício de voltar as matas que querem matar, e assim terminamos o filme do mesmo jeito que começamos, em</span><i><span style="font-weight: 400;"> looping</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_20111" aria-describedby="caption-attachment-20111" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20111 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Rutina-La-Prohibicion.jpg" alt="Cena da animação Rutina - La Prohibición. Vemos duas criaturas amarelas e com verrugas, uma olhando para outra. A da direita segura um cilindo de oxigênio e está com o rosto enfaixado. Ela possui uma grande corcova com parafusos. A da esquerda é mais fina, com mãos compridas. Ela usa um aparelho enferrujado na cabeça, com um fio que o prende." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Rutina-La-Prohibicion.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Rutina-La-Prohibicion-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Rutina-La-Prohibicion-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Rutina-La-Prohibicion-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20111" class="wp-caption-text">Proibido respirar! (Foto: Sam Orti)</figcaption></figure>
<p><b>Rutina &#8211; La Prohibición (Espanha, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Digamos que </span><i><span style="font-weight: 400;">Rutina &#8211; La Prohibición</span></i><span style="font-weight: 400;"> não tenha nem pé nem cabeça. Isso é um defeito? Não necessariamente. O ponto alto do curta espanhol é definitivamente a escolha de seus traços. Os bonecos são hilariamente detalhados e sugam toda a atenção do espectador com suas comorbidades e aparelhos de respiração. Respirar, inclusive, parece ser o problema &#8211; o governo proíbe o oxigênio entre a população e, se você não concordar, fique à vontade para virar poeira. As motivações, no entanto, ficam meio embaçadas, principalmente pelo fato dos personagens se comunicarem com grunhidos. No fim, não importa. Através de suas cenas, Sam Orti consegue passar sua mensagem esquisita com personagens mais esquisitos ainda. E se torna ótimo de assistir. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20106" aria-describedby="caption-attachment-20106" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20106 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/El-Hombre-que-Nunca-Vio-Llover.jpg" alt="Cena da animação El Hombre que Nunca Vio Llover. Um idoso está sentado de perfil, olhando para a esquerda. Ele possui um nariz grande, usa óculos pretos, é branco e possui bigode e cabelos grisalhos. A sua frente, há uma janela com luz do sol entrando. No batente, uma flor branca está em um vaso." width="1366" height="689" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/El-Hombre-que-Nunca-Vio-Llover.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/El-Hombre-que-Nunca-Vio-Llover-300x151.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/El-Hombre-que-Nunca-Vio-Llover-1024x516.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/El-Hombre-que-Nunca-Vio-Llover-768x387.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/El-Hombre-que-Nunca-Vio-Llover-1200x605.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20106" class="wp-caption-text">O mundo é feito de pequenas obsessões (Foto: Miguel Muñoz)</figcaption></figure>
<p><b>El Hombre que Nunca Vio Llover (Espanha, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma frase foi escolhida para a sinopse do curta espanhol de 2 minutos: </span><i><span style="font-weight: 400;">e se você nunca viu chover? </span></i><span style="font-weight: 400;">A premissa básica é engolida pelo carisma e fofura da animação dirigida por Miguel Muñoz, em que um senhor narra sua própria história de quando se deu conta de que nunca havia visto chover. A partir daí, ele passa a aguardar todos os dias em sua janela, acumula guarda-chuvas e começa a fazer terapia. Seu psicólogo sugere o uso das sombrinhas no chuveiro, mas nada alivia o pobre homem &#8211; até que a chuva passa a persegui-lo em todos os lugares. Quando enfim a obsessão deixa de o atormentar, a parte dois: </span><i><span style="font-weight: 400;">e se você nunca viu nevar?</span></i><span style="font-weight: 400;"> Lá vamos nós de novo. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<h5><b>Curtas-Metragens Nacionais</b></h5>
<figure id="attachment_20120" aria-describedby="caption-attachment-20120" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20120 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Nervo.jpg" alt="Cena do curta Nervo. Nela, vemos uma geladeira amarela trancafiada. O cenário da cozinha é de sujeira extrema." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Nervo.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Nervo-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Nervo-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Nervo-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Nervo-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20120" class="wp-caption-text">É fácil suspeitar do que há na geladeira (Foto: Pedro Jorge)</figcaption></figure>
<p><b>Nervo (2019)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É incrível ver a forma como um filme consegue fazer o telespectador sentir repulsa de uma geladeira! O curta brasileiro dirigido por <a href="https://vimeo.com/291587942">Pedro Jorge</a> e Sabrina Maróstica retrata, de uma forma não usual, o desenrolar do brasileiro de bem &#8211; o bêbado agressivo com a mulher. Com uma estética suja e linguagem violenta, nos deparamos com o sangue pintando os azulejos ou como um novo esmalte nas mãos das cozinheiras, logo depois das facadas silenciarem os problemas. No fim, a grande dúvida recebe sua resposta: o que há dentro da geladeira? </span><b>&#8211; Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_20119" aria-describedby="caption-attachment-20119" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20119 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/its-a-match.jpg" alt="Cena do curta It’s a Match. Nela, vemos uma mulher ruiva na rua e, ao fundo, seu perseguidor, todo de preto. Está de noite." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/its-a-match.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/its-a-match-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/its-a-match-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/its-a-match-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/its-a-match-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/its-a-match-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20119" class="wp-caption-text">It&#8217;s a Match é uma clara referência ao ditado do &#8220;lobo em pele de cordeiro&#8221; (Foto: Sérgio Ortencio)</figcaption></figure>
<p><b>It’s a Match (2019)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É óbvio que a geração </span><i><span style="font-weight: 400;">Tinder </span></i><span style="font-weight: 400;">ia dar um jeito de utilizar o aplicativo de todas as formas. No curta de Sérgio Ortencio, nossa mocinha está esperando pelo seu </span><i><span style="font-weight: 400;">match</span></i><span style="font-weight: 400;"> quando, de repente, ele passa a segui-la. Sim, as coisas acontecem com essa esquisitice. Os 4 minutos da obra brasileira abrangem a perseguição mais engraçada do que assustadora de um cara barbudo que sofre os efeitos da lua cheia. Não há nada de surpreendente nem singular, mas o aspecto </span><i><span style="font-weight: 400;">trash</span></i><span style="font-weight: 400;"> da produção de Ortencio deixa tudo mais divertido de assistir. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20109" aria-describedby="caption-attachment-20109" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20109 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Missao-Berco-Esplendido.png" alt="Cena da animação Missão Berço Esplêndido. Uma mulher está no centro da imagem, do busto para cima. Ela possui um queixo pontudo e grandes olhos esbugalhados. Seu cabelo é grande e crespo. Uma viseira redonda está na sua cabeça." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Missao-Berco-Esplendido.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Missao-Berco-Esplendido-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Missao-Berco-Esplendido-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Missao-Berco-Esplendido-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Missao-Berco-Esplendido-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20109" class="wp-caption-text">A animação nacional é criativa e crítica (Foto: Joel Caetano)</figcaption></figure>
<p><b>Missão Berço Esplêndido (2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito já se falou da possibilidade de voltar no tempo para matar Hitler ou qualquer assassino em massa quando ainda era um bebezinho. Joel Caetano e seus bonequinhos rústicos aceitaram a missão. No curta, o futuro é comandado por uma cabeça em conserva que administra um governo totalitário e violento, enquanto uma rebelde em específico se planeja para viajar no tempo e acabar com o problema pela raiz. A tensão aumenta quando, enfim, ela aponta a arma para aquele nenê chorando no berço &#8211; e </span><i><span style="font-weight: 400;">bum</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nem tudo é o que parece, e nossa protagonista encontra uma solução muito mais útil para seu futuro ditadorzinho. Os quatro minutinhos da produção nos embalam de cara e nunca deixam o interesse cessar, o que resulta em uma obra divertida e crítica com técnicas encantadoras. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20121" aria-describedby="caption-attachment-20121" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20121 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Magnetica.jpg" alt="Cena da animação Magnética. Vemos vários personagens reunidos ao redor de um homem com cabelos brancos e pintura no rosto. Ele usa uma bandana roxa, gravata e colete marrom. Da esquerda para direita, há: um lobo de pelagem cinza e em pé; uma mulher de cabelos rosas; um homem de blusa e óculos pretos; uma mulher com maquiagem pesada, vestido branco e cabelos castanhos; uma boneca com máscara de monstro e rabo de cabelo e um homem de bigodes pretos e touca azul." width="1024" height="554" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Magnetica.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Magnetica-300x162.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Magnetica-768x416.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20121" class="wp-caption-text">Os hologramas bizarros são o grande mistério da produção (Foto: Marco Arruda)</figcaption></figure>
<p><b>Magnética (2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se pudermos atribuir uma única palavra para </span><i><span style="font-weight: 400;">Magnética</span></i><span style="font-weight: 400;">, essa com certeza seria psicodelia, seja lá a forma como você queira interpretá-la. O curta brasileiro de 16 minutos, dirigido por Marco Arruda, pode ser visto como uma grande alegoria ao uso das drogas mais diversas possíveis. Achamos essa correlação em diversos dos aspectos do filme, seja  pelas cores vibrantes que rondam pelas telas do início ao fim, ou mesmo nas percepções que a animação nos proporciona, quando vemos lobisomens de terno até bebês com cara de monstro. Talvez a grande metáfora da substância que materializa isso é encontrada em meio aos hologramas, visto que de lá que são despertadas as mais diferentes emoções possíveis &#8211; medo, amor, violência, submissão, vício, loucura. No fim, o locutor nos joga uma verdade irrefutável sobre o causador dessas sensações: </span><i><span style="font-weight: 400;">qualidade, qualidade, qualidade</span></i><span style="font-weight: 400;">. <strong>&#8211; </strong></span><b>Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_20117" aria-describedby="caption-attachment-20117" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20117 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Acorde.jpeg" alt="Cena do curta Acorde. Nela, vemos um garotinho dormindo de lado. Ele é branco, usa camisa cinza e deita num travesseiro amarelo, coberto por uma manta branca. Ao fundo, vemos uma parede amarela e uma planta." width="1000" height="541" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Acorde.jpeg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Acorde-300x162.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Acorde-768x415.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20117" class="wp-caption-text">Do que você tem medo quando vai dormir? (Foto: Tiago Teixeira)</figcaption></figure>
<p><b>Acorde (2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">1 minuto. É o tempo que Tiago Teixeira precisa para fazer um paralelo assustador a respeito do verdadeiro monstro debaixo da cama. Não há muito o que se falar, e qualquer menção pode causar um </span><i><span style="font-weight: 400;">spoiler</span></i><span style="font-weight: 400;"> extremamente necessário para o impacto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Acorde</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas, entendendo a situação social do Brasil, a surpresa, infelizmente, dura poucos segundos. Bem que gostaríamos de continuar dormindo. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20118" aria-describedby="caption-attachment-20118" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20118 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fantasma-magnetico.png" alt="Cena do curta Fantasma Magnético. Em preto-e-branco, vemos uma mulher montada em cima de um corpo desacordado. Ela olha atentamente para a cabeça do corpo." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fantasma-magnetico.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fantasma-magnetico-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fantasma-magnetico-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fantasma-magnetico-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Fantasma-magnetico-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20118" class="wp-caption-text">Os oito minutos mais parecem oito horas (Foto: Rafael Van Hayden)</figcaption></figure>
<p><b>Fantasma Magnético (2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O curta dirigido por Rafael Van Hayden mais promete do que cumpre. Apesar da ótima edição sonora, instigante com seus ecos bem encaixados em cada cena, a produção brasileira se perde na própria lógica e não interessa em quase nenhum aspecto. Os pesadelos violentos da personagem confundem e deixam a trama enfadonha, o que torna os oito minutos da obra muito mais longos do que deveriam ser. Mesmo a combinação de efeitos </span><i><span style="font-weight: 400;">neon</span></i><span style="font-weight: 400;"> e psicodelia visual soa prepotente em cima da falta de acontecimentos minimamente atrativos. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<h5><b>Curtas-Metragens Internacionais &#8211; Live-Action</b></h5>
<figure id="attachment_20128" aria-describedby="caption-attachment-20128" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20128 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Horrorscope.jpg" alt="Cena do curta Horrorscope. Nela, vemos uma mulher branca se olhando no espelho e cutucando o dente." width="1920" height="804" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Horrorscope.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Horrorscope-300x126.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Horrorscope-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Horrorscope-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Horrorscope-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Horrorscope-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20128" class="wp-caption-text">Efeitos colaterais incluem: barulhos estranhos, dentes caindo e alucinações (Foto: Pol Diggler)</figcaption></figure>
<p><b>Horrorscope (Espanha, 2019)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Horrorscope</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um grande </span><i><span style="font-weight: 400;">trailer</span></i><span style="font-weight: 400;">. Os 5 minutos da produção espanhola são montados em um estilo clássico de pequenas cenas intercaladas que as </span><i><span style="font-weight: 400;">previews</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos filmes costumam soltar. Mas é isso mesmo que ele tem de legal. Uma garota é possuída por um espírito e passa a ter comportamentos estranhos, fazendo com que seu médico, também crítico de cinema, claro, a diagnostique com </span><i><span style="font-weight: 400;">Filme de Horror Traileritis</span></i><span style="font-weight: 400;">. As situações paródicas são hilárias e muito verdadeiras para os fãs de terror que não aguentam mais os clichês. A sacada de Pol Diggler, que atrai pela sinopse nada reveladora, é fingir o susto para garantir o riso &#8211; e ele vem em doses intensas. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20127" aria-describedby="caption-attachment-20127" style="width: 1357px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20127 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/el-campo-sangriento-.jpg" alt="Cena do curta El Campo Sangriento. Nela, vemos Lidia, chilena de cabelo preto e blusa branca, assustada olhando o marido, que está sentado na poltrona." width="1357" height="579" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/el-campo-sangriento-.jpg 1357w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/el-campo-sangriento--300x128.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/el-campo-sangriento--1024x437.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/el-campo-sangriento--768x328.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/el-campo-sangriento--1200x512.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20127" class="wp-caption-text">Lídia bem que poderia usar da ajuda de Annalise Keating (Foto: <span style="font-weight: 400;">Vicente Campos Yanine)</span></figcaption></figure>
<p><b>El Campo Sangriento (Chile, 2019)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existe uma familiaridade na ambientação do chileno </span><i><span style="font-weight: 400;">El Campo Sangriento</span></i><span style="font-weight: 400;">. A cozinha clara de chão branco, os potes de arroz no armário e a televisão da </span><i><span style="font-weight: 400;">Philips </span></i><span style="font-weight: 400;">próxima à geladeira ajudam a construir um senso de conforto na residência de Lídia e seu porco marido. O diretor Vicente Campos Yanine quer discutir machismo, <a href="https://www.cineset.com.br/como-o-cinema-e-as-series-de-tv-enxergam-a-adolescente-gorda/">gordofobia</a> e libertação, e involuntariamente o faz com toques de humor, ácido e bem-vindo. A atriz Andrea Munizaga usa muito seus olhos para empatizar com o público, fazendo-nos torcer por sua emancipação. Até mesmo a mini sequência de </span><i><span style="font-weight: 400;">‘Como Esquartejar o seu Marido’</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona no tom geral, visto a gratificação sentida na morte do personagem de Guilherme Sepúlveda. Tudo pode dar errado nesse crime, mas estamos ao lado de Lídia não importa quais sejam as consequências. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_20137" aria-describedby="caption-attachment-20137" style="width: 982px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20137 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Pardonne-Ton-Pere-1.png" alt="Cena do curta Pardonne Ton Père. Nela, vemos um vulto de costas, e atrás dele, está uma persiana que convida a luz do dia para entrar no ambiente." width="982" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Pardonne-Ton-Pere-1.png 982w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Pardonne-Ton-Pere-1-300x235.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Pardonne-Ton-Pere-1-768x601.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20137" class="wp-caption-text">O aspecto do pai varia entre uma massona de chiclete e um mofo gigante (Foto: Moisés Velásquez)</figcaption></figure>
<p><b>Pardonne Ton Père (Canadá, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Franz Kafka definitivamente aprovaria esse filme. O diretor Moisés Velásquez explora o corpo de um pai de família passando por uma metamorfose grotesca. A ótica do filme provém da experiência da filha, mostrando a ingenuidade que habita a cabeça das crianças, já que ela ama o pai, independente de sua nova aparência monstruosa. E conforme o tempo passa, as demandas são maiores. O novo corpo &#8211; que se assemelha a um grande fungo &#8211; necessita cada vez mais de fontes de alimento: primeiro um prato de comida, depois um cachorro, por que talvez não chamar os vizinhos para jantar? Mas, no fim das contas tudo não passa de um mero incômodo, desculpe o papai. </span><b>&#8211; Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_20126" aria-describedby="caption-attachment-20126" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20126 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Dar-dar.jpg" alt="Cena do curta Dar-Dar. Em preto-e-branco, vemos uma mulher com uma arma, protegendo uma criança, agarrada às costas dela. Ao fundo, vemos folhas de árvores" width="1024" height="541" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Dar-dar.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Dar-dar-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Dar-dar-768x406.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20126" class="wp-caption-text">O papel de mãe e responsável é subvertido em Dar-Dar (Foto: Paul Urkijo Alijo)</figcaption></figure>
<p><b>Dar-Dar (Espanha, 2020)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Dar, dar, dar, seus dedos para jantar</span></i><span style="font-weight: 400;">. É assim que a entidade basca surge &#8211; exigindo dedos de criancinhas. Filmado em preto e branco e com diálogos exibidos em letreiros da época do cinema mudo, o curta dirigido por Paul Urkijo Alijo é capaz de aterrorizar crianças e adultos pela sua sequência de acontecimentos. O demônio, com uma mordiscada em cada dedo, faz com que a inocente criança fique com as mãos esqueléticas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Se recusar, com a alma irá pagar</span></i><span style="font-weight: 400;">, cantarola a criatura que ganha poucos focos na aparência, mantendo uma aura de mistério macabro pela mente perturbada de Alijo. Até a relação mãe e filha, violenta e sem amor, contribui para a obra ser melancólica, triste e medonha, mas muitíssimo atraente para os verdadeiros fãs do horror. </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_20149" aria-describedby="caption-attachment-20149" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20149 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Captura-de-Tela-27-e1618950987420.png" alt="Cena do curta Nanny Cam. Vemos uma bebê com chupeta rosa e casaco rosa olhando para a esquerda. Ela tem cabelo curto e enrolado." width="1366" height="553" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Captura-de-Tela-27-e1618950987420.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Captura-de-Tela-27-e1618950987420-300x121.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Captura-de-Tela-27-e1618950987420-1024x415.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Captura-de-Tela-27-e1618950987420-768x311.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Captura-de-Tela-27-e1618950987420-1200x486.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20149" class="wp-caption-text">Que mal um nenê pode fazer? (Foto: Hope Olaidé Wilson)</figcaption></figure>
<p><b>Nanny Cam (EUA, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não são muitas maneiras que um filme possa se destacar com apenas 9 minutos de duração, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Nanny Cam </span></i><span style="font-weight: 400;">faz isso num piscar de olhos. O curta, dirigido por Hope Olaidé Wilson, parece ser uma história comum e moralista, “</span><i><span style="font-weight: 400;">os tempos mudaram e os jovens não saem da frente da tela de seus respectivos celulares”</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas o nervosismo e tensão escalam de maneira exponencial. Uma mãe que atende a uma entrevista de emprego observa a filha à distância, quando de repente percebe que o bebê está em perigo e longe de sua babá. Ao chegar em casa e à sua filha, o </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;"> é instaurado: a babá morta é apenas mais uma vítima da então inocente criança. Haja trabalho para essa mãe desempregada. </span><b>&#8211; Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_20123" aria-describedby="caption-attachment-20123" style="width: 1359px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20123 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/a-dinner-party.jpg" alt="Foto do curta A Dinner Party. Nela, vemos três pessoas jantando à mesa. Os dois são jovens, tem pele branca leitosa e maquiagem sebosa. Todos os apetrechos da mesa são brancos, assim como a comida servida." width="1359" height="587" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/a-dinner-party.jpg 1359w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/a-dinner-party-300x130.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/a-dinner-party-1024x442.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/a-dinner-party-768x332.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/a-dinner-party-1200x518.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20123" class="wp-caption-text">Se a refeição for essa da foto, é melhor continuar na greve de fome (Foto: Michèle Kaye)</figcaption></figure>
<p><b>A Dinner Party (Canadá, 2019)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Dinner Party </span></i><span style="font-weight: 400;">se estende por pouco menos de vinte minutos numa realidade áspera, soturna e degradante. Na trama canadense, uma jovem recebe três lunáticos, pálidos e esfomeados amigos para jantar. O cenário, aparentemente, é pós-apocalíptico, mas o trabalho de Michèle Kaye não se contenta em compartilhar o mínimo de histórico ou contexto. Por conta disso, essa queda brusca no casebre morto e gororoba azeda, o curta-metragem não se estica o suficiente para se conectar com quem assiste. Os minutos finais, fora da cabana, oferecem mais emoção que a jornada enclausurada lá. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_20125" aria-describedby="caption-attachment-20125" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20125 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Tale-Best-Forgotten.jpg" alt="Cena do curta A Tale Best Forgotten. De cabeça-para-baixo, vemos uma mulher loira, olhando para baixo, ela usa roupa azul." width="1440" height="673" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Tale-Best-Forgotten.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Tale-Best-Forgotten-300x140.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Tale-Best-Forgotten-1024x479.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Tale-Best-Forgotten-768x359.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Tale-Best-Forgotten-1200x561.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20125" class="wp-caption-text">A cinematografia embaçada e vertical é o diferencial da obra sueca (Foto: Tomas Stark)</figcaption></figure>
<p><b>A Tale Best Forgotten (Suécia, 2019)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tomas Stark faz questão de eternizar o conto que deveria ser esquecido. Em 5 minutos, somos apresentados a </span><i><span style="font-weight: 400;">A Tale Best Forgotten</span></i><span style="font-weight: 400;">, baseado na cantiga de Helem Adam, uma história diferente de uma maneira inusitada. O fator inusitado vem do jogo de câmeras: só existe uma movimentação vertical, nenhum centímetro a mais ou a menos na horizontal, o que garante um charme incontestável para uma história sinistra. Enquanto isso, ouvimos a voz macabra cantar sobre a menina assassina, uma corrente de sangue rio abaixo e o homem da cabeça de cachorro, uma menção honrosa ao deus Anúbis. Uma pena as letras do canto não serem ainda maiores. </span><b>&#8211; Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_20132" aria-describedby="caption-attachment-20132" style="width: 934px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20132 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Dystopia.jpg" alt="Cena do curta Dystopia. Vemos, de baixo para cima, 4 mulheres encarando a câmera, elas se vestem de forma colorida e extravagante." width="934" height="392" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Dystopia.jpg 934w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Dystopia-300x126.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Dystopia-768x322.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20132" class="wp-caption-text">Roupas coloridas e muito sangue (Foto: Laura Ugolini)</figcaption></figure>
<p><b>Dystopia (Noruega, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A capacidade criativa de realizadores de curtas-metragens é indiscutivelmente impressionante. O norueguês </span><i><span style="font-weight: 400;">Dystopia</span></i><span style="font-weight: 400;">, que conta com singelos 7 minutos, é um exemplo ácido e divertido do que é preciso para se destacar no meio de um mar de obras singulares. As quatro atrizes principais, crias certeiras do horror de Mary Shelley, vivem num mundo de pessoas-manequins capazes de se costurar e colar da maneira que desejarem, aniquilando qualquer um que possua um membro interessante e atrativo. Mesmo a pequena crítica ao mundo virtual e seus padrões estéticos (sim, aqueles filtros horrendos do </span><i><span style="font-weight: 400;">Instagram</span></i><span style="font-weight: 400;">), utilizando uma criança <em>blogueira</em>, é precisa nas mãos de Laura Ugolini. </span><i><span style="font-weight: 400;">Dystopia</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem o aroma estético de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bela-vinganca-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bela Vingança</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sucker Punch</span></i><span style="font-weight: 400;"> e uma pitada de </span><a href="https://personaunesp.com.br/aves-de-rapina-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Aves de Rapina </span></i></a><span style="font-weight: 400;">&#8211; como não gostar? </span><b>&#8211; Caroline Campos</b></p>
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<figure id="attachment_20124" aria-describedby="caption-attachment-20124" style="width: 1363px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20124 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Lombre-Dun-Homme.jpg" alt="Cena do curta À L'ombre D'un Homme. Nele, vemos um homem jantando com a própria sombra. Ele usa boina bege e camisa branca, e está sentado ao lado direito da mesa de madeira, e sua sombra está do outro." width="1363" height="589" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Lombre-Dun-Homme.jpg 1363w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Lombre-Dun-Homme-300x130.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Lombre-Dun-Homme-1024x443.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Lombre-Dun-Homme-768x332.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/A-Lombre-Dun-Homme-1200x519.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20124" class="wp-caption-text">Liberdade ou solidão? (Foto: <span style="font-weight: 400;">Mor Lankri)</span></figcaption></figure>
<p><b>À L&#8217;ombre D&#8217;un Homme (Israel, 2021) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção esquemática de Mor Lankri coloca </span><i><span style="font-weight: 400;">À L&#8217;ombre D&#8217;un Homme</span></i><span style="font-weight: 400;"> em um aspecto de fábula. A vida de Eugène se assemelha muito aos ditados populares que crescem ao pé do ouvido na infância. Sem paciência para viver com outras pessoas, o esquelético homem, interpretado pelo sensorial Pascal Bulot, é precavido em tudo que pode. Ele tem os chinelos ao pé da cama e até um balde na cabeça, caso a bendita goteira teime a pingar. Um dia, o homem se vê acompanhado por sua sombra, que usa da fisicalidade de Yann Safran para se tornar crível. Homem e sombra, lado a lado, vivem em harmonia. Até que tudo dá errado. Em onze envolventes minutos, atiçados pela voz eriçada do narrador Julien Colombet, o curta israelense debate solidão, amor próprio e repete a <a href="https://peterpan.fandom.com/pt-br/wiki/Sombra_do_Peter_Pan#:~:text=A%20Sombra%20do%20Peter%20Pan,tamb%C3%A9m%20se%20diverte%20com%20ele.">máxima do Peter Pan</a>: nunca confie em ninguém, nem na sua própria sombra! </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_20133" aria-describedby="caption-attachment-20133" style="width: 1365px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20133 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Oculto.png" alt="Cena do curta Oculto. Dentro de um elevador, vemos 3 pessoas. Uma mulher de azul, luvas azuis e cabelo preto, uma loira com terninho social e um homem de boné, olhando seu celular. A imagem tem um filtro avermelhado. " width="1365" height="583" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Oculto.png 1365w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Oculto-300x128.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Oculto-1024x437.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Oculto-768x328.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Oculto-1200x513.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20133" class="wp-caption-text">Ficamos desconfortáveis no elevador do curta espanhol (Foto: Imanol Ortiz López)</figcaption></figure>
<p><b>Oculto (Espanha, 2020)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um filme fraco com boas intenções &#8211; assim podemos definir </span><i><span style="font-weight: 400;">Oculto</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Imanol Ortiz López. O curta se passa quase todo dentro de um elevador, o que seria tempo  o suficiente se a hesitação não fosse tão longa. Cada personagem é atarefado com o assassinato de outro para cumprir sua tarefa e salvar um ente querido, no entanto, o motivo não convence. É impossível não identificar nesse filme um conceito mal trabalhado da categoria </span><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Mortais</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitor Tenca</b></p>
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<figure id="attachment_20129" aria-describedby="caption-attachment-20129" style="width: 1357px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20129 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/meowtoo.jpg" alt="Cena do curta #MeowToo. Nela, vemos uma cena grotesca, de uma mulher usando uma máscara realista de gato, suas feições são medonhas, e a iluminação em foco deixa tudo mais estranho. Ao fundo, está uma cortina alaranjada." width="1357" height="539" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/meowtoo.jpg 1357w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/meowtoo-300x119.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/meowtoo-1024x407.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/meowtoo-768x305.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/meowtoo-1200x477.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20129" class="wp-caption-text">Miau? (Foto: <span style="font-weight: 400;">Ryan Kruger)</span></figcaption></figure>
<p><b>#MeowToo (África do Sul, 2021)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Poucos filmes causam ojeriza como </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt7786130/"><i><span style="font-weight: 400;">#MeowToo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. É claro que esse é o objetivo primário da obra de Ryan Kruger, que usa o <a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-44164417">movimento</a> </span><i><span style="font-weight: 400;">Me Too</span></i><span style="font-weight: 400;"> como trocadilho no título e na história da gatuna no bar. As máscaras felinas, grotescas de maneira proposital, destroçam qualquer senso de irreal que a produção sul-africana propõe, narrando um encontro noturno entre essa tal mulher-gato, papel de Suraya Santos, e seu predador, o asqueroso humano Alan Wine (Alex Anlos). Sem diálogos e cheio de batidas </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;">, luzes piscam por seis minutos, a trilha agride e as unhas dela, também. É quase um clipe de metal sem os vocais. É perturbador, arriscado e inesquecível. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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		<title>A dor separa e consome em Pilatos</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Oct 2020 20:26:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Isabella Siqueira Pilatos, dirigido por Linda Dombrovszky, é um filme que remete principalmente ao luto e as diferenças. O longa, que estreou na 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, é a aposta da Hungria para o Oscar 2021. Com sua premissa relativamente simples, ele desdobra perfeitamente relações familiares abaladas. A trama, baseada no &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pilatos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A dor separa e consome em Pilatos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16103" aria-describedby="caption-attachment-16103" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16103 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/xpatloop-channelslarge.jpg" alt="" width="750" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/xpatloop-channelslarge.jpg 750w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/xpatloop-channelslarge-300x168.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-16103" class="wp-caption-text">A obra, que aborda uma relação conturbada entre mãe e filha, faz parte da 44ª Mostra de SP na seção Novos Diretores (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Isabella Siqueira</b></p>
<p><i>Pilatos</i>, dirigido por Linda Dombrovszky, é um filme que remete principalmente ao luto e as diferenças. O longa, que estreou na 44ª <a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/">Mostra Internacional</a> de Cinema em São Paulo, é a aposta da Hungria para o <i>Oscar</i> 2021. Com sua premissa relativamente simples, ele desdobra perfeitamente relações familiares abaladas. A trama, baseada no <a href="https://www.nytimes.com/2016/11/13/books/review/magda-szabo-izas-ballad.html">romance psicológico</a> de mesmo nome da escritora húngara Magda Szabó, conta a história de uma mãe e de uma filha, estremecidas pela dor e que não se encontram, mesmo morando na mesma casa.</p>
<p><span id="more-16102"></span></p>
<p>Logo no início em uma de suas visitas, a viúva Anna (Ildikó Hámori) descobre a morte de seu marido Vince (Zsolt Kovács). A partir disso, o tom melancólico do filme é complementado por um instrumental que embala a tristeza da personagem. Seu estado frágil não acompanha o ritmo das mudanças que acontecem em sua vida, com o rosto abatido pelas perdas que chegam inesperadamente.</p>
<p>Sua filha, a médica controladora Iza (Anna Györgyi), sem demora já insiste em mover a mãe para sua casa no centro, levando-a para longe de suas memórias, marcadas por objetos quebrados e velhos, mas que, de acordo com a filha, não passam de velharias sem sentido. Com tanta insensibilidade, fica claro o desentendimento entre as duas personagens, que lidam com a perda de maneiras distintas.</p>
<figure id="attachment_16106" aria-describedby="caption-attachment-16106" style="width: 987px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16106" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Linda-werk.jpg" alt="" width="987" height="658" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Linda-werk.jpg 987w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Linda-werk-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Linda-werk-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16106" class="wp-caption-text">Dirigido por Linda Dombrovszky, o longa foi indicado em cinco categorias no Festival Internacional de Milão (MIFF), incluindo Melhor Direção e Melhor Filme (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>A falta de comunicação entre as duas protagonistas é o aspecto principal de <i>Pilatos</i>, tratando a mãe como um fardo, Iza é quase uma vilã em sua própria casa. Contudo, claramente reprime sentimentos quanto a perda do pai, seu falho relacionamento amoroso e a distância emocional da mãe. Mesmo com sua incompreensão e teimosia, é impossível negar também que as barreiras geracionais são inimigas do relacionamento das duas. O novo estilo moderno da filha contrasta com a realidade caseira de onde Anna é tirada.</p>
<p>Ao mesmo tempo, apesar de Iza ser uma personagem que desperta ódio em quem assiste, possui sua fragilidade naquilo que não pode ser. O desejo de Anna para que ela se torne mãe e esposa não é uma realidade para a ocupada médica. Enquanto isso, a personagem presencia o afeto de sua mãe por seu ex-marido, Antal (Sándor Terhes) e sua atual esposa.</p>
<p>Assim como o <a href="http://www.runspotrun.com/book-reviews/izas-ballad-by-magda-szabo/">livro</a>, o filme também se divide em quatro momentos: intitulados terra, fogo, água e ar. Outro aspecto curioso reside no nome da obra, que em inglês ficou intitulada como <i>Iza’s Ballad</i>. Contudo, a referência para o nome húngaro, <a href="https://www.chicagotribune.com/entertainment/books/sc-books-1019-izas-ballad-magda-szabo-20161018-story.html"><i>Pilatus</i></a>,  tem relação com Poncio Pilatos, figura bíblica que lava as mãos de Cristo, da mesma forma que Iza com sua própria mãe.</p>
<figure id="attachment_16105" aria-describedby="caption-attachment-16105" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16105" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Cross-Dot-Film.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Cross-Dot-Film.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Cross-Dot-Film-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Cross-Dot-Film-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Cross-Dot-Film-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Cross-Dot-Film-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Cross-Dot-Film-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16105" class="wp-caption-text">A intérprete de Iza, Anna Györgyi, entrega com maestria o controle emocional e frieza de uma personagem tão odiosa (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p>O roteiro escrito por György Somogyi e Sándor Széles é uma adaptação da novela da falecida escritora Magda Szabó. De forma sensível e objetiva, ele aborda a relação das duas com farpas e questionamentos sobre amor. A fotografia clara da casa de Anna é contrária à escuridão da residência moderna de Iza. Já o silêncio que preenche várias cenas é compatível com solidão que a mãe encontra em sua realidade, seus <i>flashbacks, </i>poucos objetos e algumas paisagens a todo momento remetem a sua vida junto de Vince, como uma amostra de sua saudade.</p>
<p>No longa hungaro, ao contrário do que dá a entender, Iza não é uma vilã, mas sim uma personagem que se vê rejeitada. Mesmo que a trama termine em uma tragédia, é impossível imaginar um final mais justo. No fim, somos levados de volta à primeira cena, onde existe razão nas palavras da filha, que procura se eximir da culpa. <i>Pilatos </i>é uma obra silenciosa que retrata um sentimento incompreendido das duas, um amor ainda existente.</p>
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