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	<title>Arquivos Guerra Fria &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Trilha Sonora para um Golpe de Estado é documentário corajoso, mas excessivo</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Jan 2025 19:42:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Há pelo menos uma década, o Oscar se empenha em indicar e prestigiar filmes que tenham como temas o racismo, a sexualidade e o protagonismo feminino, ainda que, por muitas vezes, a premiação vá para caminho habitual, a exemplos de apenas uma mulher indicada em Melhor Direção ou a entrega do prêmio para &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/trilha-sonora-para-um-golpe-de-estado-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Trilha Sonora para um Golpe de Estado é documentário corajoso, mas excessivo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34757" aria-describedby="caption-attachment-34757" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34757" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2-800x420.png" alt="Cena do filme Trilha Sonora para um Golpe de EstadoNo canto esquerdo da imagem, em preto e branco, está Louis Armstrong tocando um instrumento de sopro. O ponto de vista é dos pratos de uma bateria, no lado esquerdo há uma mão segurando uma baqueta. No canto direito, de costas para Armstrong, há um homem branco, na faixa dos 50 anos, vestindo terno. Louis Armstrong é um homem adulto, negro e veste um terno." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image2-2.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34757" class="wp-caption-text">Louis Armstrong é uma das celebridades que aparece no longa (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Davi Marcelgo</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há pelo menos uma década, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i></a><span style="font-weight: 400;">se empenha em indicar e prestigiar filmes que tenham como temas o racismo, a sexualidade e o protagonismo feminino, ainda que, por muitas vezes, a premiação vá para caminho habitual, a exemplos de apenas uma </span><a href="https://forbes.com.br/forbes-mulher/2025/01/coralie-fargeat-de-a-substancia-pode-ser-a-4a-mulher-na-historia-a-receber-oscar-de-melhor-direcao/#:~:text=A%20Academia%20de%20Hollywood%20anunciou,entre%20os%20candidatos%20ao%20pr%C3%AAmio."><span style="font-weight: 400;">mulher indicada</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Melhor Direção ou a entrega do prêmio para </span><i><span style="font-weight: 400;">Green Book: O Guia</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2018). Em 2025, </span><i><span style="font-weight: 400;">Trilha Sonora para um Golpe de Estado</span></i><span style="font-weight: 400;"> entra na lista dos concorrentes a Melhor Documentário. Narrando a luta de </span><a href="https://almapreta.com.br/sessao/africa-diaspora/conheca-a-historia-de-patrice-lumumba-libertador-do-congo-que-faria-96-anos-hoje/"><span style="font-weight: 400;">Patrice Lumumba</span></a><span style="font-weight: 400;"> para tornar a República Democrática do Congo um país independente, o longa de Johan Grimonprez aposta em imagens de arquivo para costurar a história.</span></p>
<p><span id="more-34756"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de qualquer consideração direta sobre o documentário, é admirável a presença dele no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2025, sobretudo, por se posicionar não apenas sobre um acontecimento histórico, mas também contra bilionários de extrema-direita, como Elon Musk e seu(s) interesse(s) em </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2024-04/niquel-litio-e-satelites-conheca-interesses-de-musk-no-brasil"><span style="font-weight: 400;">minérios</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, coincidentemente (o filme é de 2024), marcaram presença na posse do presidente Donald Trump. A premiação é uma catapulta para a visibilidade de muitas obras, sem ela, provavelmente, a fita e as ideias de Grimonprez passariam despercebidas pelos cinemas brasileiros. Ironicamente, o imperialismo ainda decide quem é visto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acontece que </span><i><span style="font-weight: 400;">Trilha Sonora para um Golpe de Estado </span></i><span style="font-weight: 400;">necessita de muito fôlego para encarar 150 minutos de muita informação, enfoques, imagens e áudios que se devoram. A sensação provocada é de confusão, uma trama política complexa demais para querer mirar no </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, na Guerra Fria, no imperialismo e em outras tramoias, mesmo que elas estejam interligadas. O documentário pode ser encaixado no que seria um filme de solicitação, conceito apresentado pelo crítico </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/o-cinema-segundo-paulo-emilio-9ah48ueixtvqru0wnpr6wjv0z/"><span style="font-weight: 400;">Paulo Emílio Sales Gomes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ou seja, há mais perguntas sendo feitas do que respostas ao espectador.</span></p>
<figure id="attachment_34758" aria-describedby="caption-attachment-34758" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34758" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-3-800x518.png" alt="Cena do filme Trilha Sonora para um Golpe de EstadoNo centro da imagem, está Patrice Lumumba, ele está com as duas mãos erguidas mostrando o pulso enfaixado. Ele está com uma expressão séria, veste terno e gravata. Lumumba é um homem adulto de pele negra, seu cabelo é curto e ele tem bigode e cavanhaque. No lado direito, há um homem, também usando terno. " width="800" height="518" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-3-800x518.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-3-768x497.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image1-3.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34758" class="wp-caption-text">Patrice Lumumba foi torturado e morto em 1961 (Foto: Pandora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É a partir de vivências, aproximações e outras estruturas que alguém gosta ou não de uma obra. Por exemplo, o grau de conhecimento sobre o gênero de Terror vai definir a apreciação de </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-todo-mundo-em-panico/"><i><span style="font-weight: 400;">Todo Mundo em Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2000) para além das piadas </span><i><span style="font-weight: 400;">nonsenses</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esse fator é fundamental nesse documentário, que, como em um anúncio do </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;"> que nem sentimos chegar, interrompe sua narrativa para transmitir uma propaganda do carro </span><i><span style="font-weight: 400;">Tesla</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou do </span><i><span style="font-weight: 400;">Iphone</span></i><span style="font-weight: 400;">, sem os relacionar por meio de narrações com os fatos ali mostrados. É necessário, de quem vê, o conhecimento prévio sobre Elon Musk e fabricação de baterias, mas também de exploração de recursos e de que o </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um gênero de improvisos.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal fator está longe de ser um problema, é sua característica, inclusive para temas que não devem ser mastigados. A introdução das peças publicitárias de forma abrupta é um ótimo acerto para transmitir a ideia de que o </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2020/10/07/o-que-e-imperialismo-pesquisadoras-explicam-o-que-esse-debate-tem-a-ver-com-sua-vida"><span style="font-weight: 400;">imperialismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> ainda faz presença, de modo que tira e repõe você da história em uma fração de segundo. Mas e a trilha sonora que dá o título para o filme? Infelizmente, é o elemento que está mais desconectado, sendo usado de forma eficiente em raras ocasiões. </span></p>
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<p><span style="font-weight: 400;">Tendo como início as opiniões de figuras políticas sobre o </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, muitas delas negativas, a Música é compreendida como ruído. Um dos personagens diz que desliga o rádio quando o gênero começa a tocar. Já em determinado trecho do filme, um dos narradores diz que os trâmites para conquistar a liberdade na República Democrática do Congo são conduzidos por músicas diferentes: a ONU não ouve </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, portanto, não escuta a voz do povo. Outras tomadas conseguem extrair sentimento, como a cena em que Louis Armstrong canta </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2LDPUfbXRLM"><i><span style="font-weight: 400;">Black And Blue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Felizmente, </span><a href="https://olhardigital.com.br/2025/01/28/cinema-e-streaming/indicados-ao-oscar-2025-veja-onde-assistir-a-cada-filme-online-nos-streamings/"><i><span style="font-weight: 400;">Trilha Sonora para um Golpe de Estado</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> toma posição e revela lados e figuras da história que tendem a ser apagados da equação imperialista – o que é fundamental em um filme que interpreta fatos, ao invés de apenas os narrar. Entretanto, sua forma não linear e o excesso de enfoque tornam a experiência enfadonha: o quanto você absorveu do que viu é a pergunta que fica ao sair da sessão. </span></p>
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		<title>Eles não são um casal, mas são Companheiros de Viagem</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Jun 2024 20:50:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal Nos últimos anos, obras audiovisuais que conversam sobre temáticas queers e colocam as pessoas da comunidade como personagens principais têm ganhado espaço na indústria. Do amor puro em Heartstopper ao ‘besteirol’ sarcástico Bottoms, o público tem a possibilidade de acompanhar a comunidade LGBTQIAPN+ sob diversas perspectivas. Em Companheiros de Viagem, por exemplo, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/companheiros-de-viagem-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Eles não são um casal, mas são Companheiros de Viagem"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33525" aria-describedby="caption-attachment-33525" style="width: 1566px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33525" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3.png" alt="Imagem da série Companheiros de Viagem. Na foto, os atores Jonathan Bailey e Matt Bomer estão nus e deitados em uma cama. Jonathan Bailey faz carícias no cabelo de Matt Bomer." width="1566" height="815" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3.png 1566w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3-800x416.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3-1024x533.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3-768x400.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3-1536x799.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image2-3-1200x625.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33525" class="wp-caption-text">Matt Bomer e Jonathan Bailey possuem grandes chances de serem indicados ao Emmy 2024 (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos últimos anos, obras audiovisuais que conversam sobre temáticas </span><i><span style="font-weight: 400;">queers</span></i><span style="font-weight: 400;"> e colocam as pessoas da comunidade como personagens principais têm ganhado espaço na indústria. Do amor puro em </span><a href="https://personaunesp.com.br/heartstopper-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Heartstopper</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ao ‘besteirol’ sarcástico </span><i><span style="font-weight: 400;">Bottoms</span></i><span style="font-weight: 400;">, o público tem a possibilidade de acompanhar a comunidade LGBTQIAPN+ sob diversas perspectivas. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Companheiros de Viagem</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, há o retrato da época do </span><a href="https://www.politize.com.br/macarthismo-o-que-e/"><span style="font-weight: 400;">Macarthismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que os políticos americanos perseguiam amplamente os comunistas e aqueles que não se viam como heterossexuais. Com Matt Bomer e Jonathan Bailey interpretando os protagonistas Hawkins e Tim, respectivamente, o amor de dois homens durante quatro décadas é o tema principal na narrativa adaptada pelo produtor Ron Nyswaner.</span></p>
<p><span id="more-33523"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na década de 1950, em um contexto de </span><a href="https://www.todamateria.com.br/guerra-fria/"><span style="font-weight: 400;">Guerra Fria</span></a><span style="font-weight: 400;">, as pessoas que trabalhavam na política estadunidense possuíam apenas um objetivo: combater o comunismo e tudo aquilo que, de alguma forma, é associado a ele. Baseado em fatos reais, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fellow Travelers</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) discute sobre o </span><a href="https://lojamundogeek.com.br/qual-e-o-susto-da-lavanda-em-outros-viajantes-a-verdadeira-historia-por-tras-das-demissoes-lgbtq-do-governo/"><span style="font-weight: 400;">Susto da Lavanda</span></a><span style="font-weight: 400;">, época em que o governo norte-americano demitiu trabalhadores considerados LGBTQIAPN+ por associar o movimento à luta socialista. Hawkins Fuller é um membro do Departamento do Estado e Tim Laughlin é um funcionário do Congresso; eles são apenas dois dos servidores públicos que escondem sua sexualidade para manter o emprego. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que o tema político seja abordado constantemente na primeira metade da série, é o amor tórrido entre os dois protagonistas que serve como fio condutor da narrativa baseada no livro homônimo de </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/thomas-mallon-faz-um-retrato-perspicaz-da-nova-york-de-1980-em-up-with-the-sun/"><span style="font-weight: 400;">Thomas Mallon</span></a><span style="font-weight: 400;">, lançado em 2007. Enquanto Fuller é um homem que esconde sua orientação sexual, Laughlin abraça a sexualidade, mesmo sendo tipicamente católico. A partir da interação deles no trabalho, temas como a rivalidade entre o capitalismo e comunismo, e a luta da comunidade </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">estadunidense são vistos ao longo das décadas abordadas no programa televisivo.</span></p>
<figure id="attachment_33526" aria-describedby="caption-attachment-33526" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33526" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-3.png" alt="Imagem da série Companheiros de Viagem. Na foto, os atores Jonathan Bailey e Matt Bomer estão em uma praia. Os dois estão utilizando uma camisa branca de botão e calças com tons acinzentados. Matt Bomer está tirando uma foto de Jonathan Bailey." width="1999" height="1300" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-3.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-3-800x520.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-3-1024x666.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-3-768x499.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-3-1536x999.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image3-3-1200x780.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33526" class="wp-caption-text">Jonathan Bailey venceu o Critics Choice Awards de 2024 na categoria de Melhor Ator Coadjuvante em Filme ou Minissérie (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na maior parte do tempo, o relacionamento entre Hawkins e Tim é um fruto proibido: os dois não podem ser vistos juntos por conta da perseguição política da época. Por isso, o ex-veterano visita o congressista às escondidas, mantendo o amor entre quatro paredes. Em um primeiro momento, as cenas sexuais podem chocar por serem altamente explícitas. No entanto, o recurso não é usado para </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mes-do-orgulho-lgbtqia/"><span style="font-weight: 400;">sexualizar</span></a><span style="font-weight: 400;"> os atores. Muito pelo contrário, é através da conexão sexual da química entre os artistas que a relação dos protagonistas se desenvolve ao longo dos oito episódios da minissérie.</span></p>
<p><a href="https://revistaquem.globo.com/entretenimento/series-e-filmes/noticia/2024/05/jonathan-bailey-de-bridgerton-sera-protagonista-de-proximo-jurassic-world.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Jonathan Bailey</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, entrega uma atuação magistral ao dar vida a um homem fiel à política norte-americana e comprometido com seus deveres. A pureza nos olhos do protagonista só consegue ser transmitida ao espectador devido à competência do ator. A religião, presente em sua vida, é imprescindível e, por isso, nos primeiros contatos do personagem com sua sexualidade, a culpa cristã permanece em seus pensamentos. Entretanto, aos poucos, o personagem entende que não há nada de errado em ser diferente. Por outro lado, Hawkins Fuller é o tipo de homem gay que prefere continuar no armário. Para ele, o sexo com outros homens é um passatempo. Até o momento em que ele conhece Skippy, apelido carinhoso dado ao jovem religioso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O romance ardente entre os dois só consegue carregar a trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Companheiros de Viagem</span></i><span style="font-weight: 400;"> devido ao trabalho de qualidade dos atores principais. Tanto Matt Bomer quanto Bailey interpretam personagens que, se não fossem vividos por artistas talentosos, não teriam suas nuances dissecadas. A série se utiliza de duas linhas temporais para abordar o relacionamento dos protagonistas e da vida </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">nos Estados Unidos. A cada episódio, vemos duas décadas principais: 1950, retratando o início da relação deles, e 1980, período em que a </span><a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/aids-hiv#:~:text=A%20aids%20%C3%A9%20a%20doen%C3%A7a,s%C3%A3o%20os%20linf%C3%B3citos%20T%20CD4%2B."><span style="font-weight: 400;">Aids</span></a><span style="font-weight: 400;"> era associada à comunidade LGBTQIAPN</span><span style="font-weight: 400;">+</span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_33524" aria-describedby="caption-attachment-33524" style="width: 1480px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33524" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-3.png" alt="Imagem da série Companheiros de Viagem. Na foto, os atores Jonathan Bailey e Matt Bomer estão em um bar e vestem roupas sociais. Matt Bomer está com a mão no rosto de Jonathan Bailey" width="1480" height="833" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-3.png 1480w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1-3-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33524" class="wp-caption-text">Com oito episódios, a trama de Fellow Travelers mescla a realidade histórica e o romance dos personagens fictícios (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na década de 1980, Tim Laughlin desenvolveu Aids devido ao vírus HIV e está em seus últimos momentos. Enquanto isso, Fuller possui uma vida tipicamente norte-americana com uma esposa, filha e netos. Desde o primeiro episódio, é certo que o relacionamento entre os dois homens não dará certo. Porém, isso não impede o público de apreciar o belo roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Companheiros de Viagem</span></i><span style="font-weight: 400;">. O texto de Ron Nyswaner – conhecido por roteirizar obras com temática LGBTQIAPN+, como o clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">Philadelphia</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1993) e o longa </span><a href="https://personaunesp.com.br/my-policeman-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">My Policeman</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022) –, é rico em detalhes da política estadunidense, envolvendo o espectador em um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> romântico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma dos arcos narrativos mais interessantes da série é a vida dupla de Hawk Fuller e as decepções que o ex-soldado causa aos cônjuges. Para a sociedade, ele vive um relacionamento perfeito com a adorável Lucy Smith (</span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-148233/"><span style="font-weight: 400;">Allison Williams</span></a><span style="font-weight: 400;">), moça com quem se casa para não ser perseguido pelo estado. Às escondidas, ele e Skippy podem viver um sonho: a vivência </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">. O motivo pelo qual o romance entre eles sustenta </span><i><span style="font-weight: 400;">Fellow Travelers</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a lupa que envolve as características pessoais dos protagonistas. O conformismo de Fuller com a sexualidade guardada se entrelaça à paixão de Laughlin por ser gay e orgulhoso de ser quem é. A malícia do personagem de Matt Bomer se mistura em meio à inocência do jovem vivido por Jonathan Bailey.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto adjetivo abordado na série é a diferença entre homens gays brancos e negros. Marcus Hooks (Jelani Alladin) é um homem preto, que possui questões com sua sexualidade devido às ações do senador </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c14k1nr7y22o"><span style="font-weight: 400;">Joseph R. McCarthy</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Chris Bauer) contra a população LGBTQIAPN+. O repórter se envolve com a </span><i><span style="font-weight: 400;">drag queen</span></i><span style="font-weight: 400;"> Frankie Hines (Noah J. Ricketts) e, a partir do relacionamento com a performer, ele entende a importância de falar sobre sua orientação sexual enquanto afro-americano. No episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">Noites Brancas</span></i><span style="font-weight: 400;">, o sétimo da minissérie, há a abordagem do assassinato de </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-triste-fim-do-primeiro-homem-abertamente-gay-ser-eleito-um-cargo-publico-na-california.phtml"><span style="font-weight: 400;">Harvey Milk</span></a><span style="font-weight: 400;">, político gay que se tornou um martir para a comunidade. O acontecimento, que é baseado em um fato real, é bem retratado e permite que o público conheça mais um pouco das figuras que morreram em nome da luta </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_33528" aria-describedby="caption-attachment-33528" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33528" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-1.png" alt="Imagem da série Companheiros de Viagem. Na foto, os atores Jonathan Bailey e Matt Bomer estão em uma praia. Os dois estão molhados e estão correndo pela areia. Eles vestem um shorts de banho." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-1-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image5-1-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33528" class="wp-caption-text">A química entre os atores é o principal ponto positivo de Companheiros de Viagem (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Há também momentos mais sombrios no que se relaciona à perseguição que a comunidade sofreu durante os anos mais severos do Macarthismo. Em um episódio, Hawk Fuller é submetido ao </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-poligrafo-e-um-detector-de-mentiras-confiavel.phtml"><span style="font-weight: 400;">polígrafo</span></a><span style="font-weight: 400;">, aparelho que detecta a veracidade de frases ditas por uma pessoa a partir da análise de comportamentos psicológicos. A tática era uma das formas de descobrir acerca da sexualidade dos funcionários do Estado. Para não ser descoberto, o ex-soldado treina seus pensamentos e respostas, reprimindo todo e qualquer sentimento gay que possui. A cena da tortura é uma das mais emocionantes da série e mostra o caminho árduo que as pessoas não heterossexuais percorriam nesse período da história norte-americana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As décadas de 1960 e 1970 também ganharam pouco tempo de tela durante a segunda metade da série. No entanto, as tramas ocorridas em 1950 e 1980 são as principais e, por isso, os 20 anos que as separam apenas servem para mostrar que, aos poucos, a paixão tórrida dos personagens foi se dissolvendo com o tempo. Em ambas, o amor escondido entre os protagonistas dá lugar à </span><a href="https://amenteemaravilhosa.com.br/amizade-colorida/"><span style="font-weight: 400;">amizade colorida</span></a><span style="font-weight: 400;">.  Juntos, eles vivem um romance às escondidas mais uma vez. Em certo momento da trama, o ex-soldado se afasta da família após a morte de Jackson (Etienne Kellici), filho do relacionamento dele com Lucy Smith. Nesta parte, há mais uma camada dissecada do personagem: no álcool e nas drogas, ele pode viver a sua mentira. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De todas as narrativas, a da década de 1980 é a que possui o maior tom político-social. Aqui, a juventude </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> já não possui medo. Eles lutam diariamente contra a </span><a href="https://unaids.org.br/2021/07/nos-40-anos-da-pandemia-de-aids-paradas-do-orgulho-lgbt-de-sao-paulo-trazem-o-hiv-como-tema-para-acabar-com-o-estigma-e-a-discriminacao/"><span style="font-weight: 400;">estigmatização</span></a><span style="font-weight: 400;"> e em nome do reconhecimento da comunidade como seres humanos contemplados pelos direitos políticos. Leis, políticas públicas e aceitação são três dos objetivos daqueles que tomam à frente da luta LGBTQIAPN+ em </span><i><span style="font-weight: 400;">Companheiros de Viagem</span></i><span style="font-weight: 400;">. Os momentos finais de Tim Laughlin, ao lado de Hawkins Fuller, levam o espectador a pensar: ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">o que eles teriam sido um para o outro se ficassem juntos?</span></i><span style="font-weight: 400;">’.</span></p>
<figure id="attachment_33527" aria-describedby="caption-attachment-33527" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33527" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-2.png" alt="Imagem da série Companheiros de Viagem. Na foto, os atores Jonathan Bailey e Matt Bomer estão sentados na areia da praia. Os dois estão utilizando uma camisa branca de botão e calças com tons acinzentados. Jonathan Bailey está usando óculos de sol e Mat Bomer está olhando para ele." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-2.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-2-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-2-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33527" class="wp-caption-text">Fellow Travelers aborda o relacionamento de Hawkins Fuller e Tim Laughlin durante quatro décadas (Foto: Paramount+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos poderes mais especiais do audiovisual é a possibilidade do público  se enxergar na ficção. Entre temas mais pesados e vivências mais leves, a </span><a href="https://www.fundobrasil.org.br/blog/as-dificuldades-enfrentadas-pelas-pessoas-lgbtqia/#:~:text=Apesar%20de%20ter%20alcan%C3%A7ado%20muitas,justa%2C%20igualit%C3%A1ria%20e%20sem%20preconceitos."><span style="font-weight: 400;">vida </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">possui os mais diferentes retratos. Através deles, com histórias que aconteceram na vida real ou não, pessoas se identificam. Para alguns, séries e filmes são um mantra a ser seguido. Infelizmente, há diversos Hawkins Fuller e Tim Laughlin no mundo. Jovens que morreram por preconceito ou, até mesmo, pessoas que nunca puderam aproveitar a sua própria sexualidade. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Fellow Travelers</span></i><span style="font-weight: 400;"> tivesse mil universos, os personagens de Matt Bomer e Jonathan Bailey se apaixonariam um pelo outro todas as vezes. Eles não foram namorados e tampouco puderam assumir o amor que possuíam aos quatro cantos do mundo, mas se tornaram eternos companheiros de viagem.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Companheiros de Viagem Minissérie 2023 - TRAILER DUBLADO OFICIAL" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/t-gFkYDnZ8g?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Andor traz uma seriedade revolucionária para Star Wars</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Oct 2023 01:32:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Dias Siqueira  A julgar pelo desempenho de seus contemporâneos, a chegada de Andor (2023) era esperada com um certo receio, já que Star Wars não estava em seu melhor momento em termos de crítica. Desde os malabarismos de roteiro de A Ascensão Skywalker, não havia grande expectativa com a franquia. A série Obi-Wan Kenobi &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/andor-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Andor traz uma seriedade revolucionária para Star Wars"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31538" aria-describedby="caption-attachment-31538" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31538 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6.jpg" alt="Cena da série Andor. A cena se passa em um vão entre alas de uma prisão que forma um abismo, entre elas há três passarelas cobertas, uma mais próxima e outras duas mais distantes, nas laterais existem janelas de vidro e detalhes em neon, no interior das passarelas há iluminação. É possível ver pessoas caminhando dentro delas, são todos homens, eles andam em fila na mesma direção e usam uniformes da cadeia, um macacão branco com detalhes laranja, todos estão descalços" width="1200" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-768x320.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31538" class="wp-caption-text">Andor é uma obra que explora a revolução e a anti-opressão, e foi indicada a oito categorias no Emmy (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Dias Siqueira </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A julgar pelo desempenho de seus contemporâneos, a chegada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Andor</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2023) era esperada com um certo receio, já que </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i><span style="font-weight: 400;"> não estava em seu melhor momento em termos de crítica. Desde os malabarismos de roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ascensão Skywalker</span></i><span style="font-weight: 400;">, não havia grande expectativa com a franquia. A série </span><i><span style="font-weight: 400;">Obi-Wan Kenobi</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2022), sua precedente imediata, também não sustentou boas opiniões. Porém, não se pode negar a existência de verdadeiras joias no </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;">, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-mandalorian-3a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Mandaloriano</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e</span> <a href="https://personaunesp.com.br/star-wars-visions-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars: Visions</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produtos que parecem ter experimentado mais carinho de seus diretores e roteiristas do que apenas um apetite comercial.</span></p>
<p><span id="more-31532"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Andor</span></i><span style="font-weight: 400;">, a história aborda as origens de Cassian Andor (Diego Luna), deuteragonista do filme </span><a href="https://personaunesp.com.br/rogue-one-uma-historia-star-wars-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Rogue One: Uma História Star Wars</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2016), quando o conhecemos como um agente secreto da aliança rebelde. No longa, ele tem o objetivo de desvendar os segredos da terrível arma de destruição em massa do Império Galático, a Estrela da Morte. Cassian é uma pessoa marginalizada pela galáxia muito antes de se envolver em qualquer batalha: como um refugiado do planeta Kenari, ele leva uma vida problemática em Ferrix, um planeta industrial completamente dominado por uma gigantesca corporação, ao lado de sua tutora e mentora Maarva (Fiona Shaw).</span></p>
<figure id="attachment_31534" aria-describedby="caption-attachment-31534" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31534" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-1.jpg" alt="Cena da série Andor. Cassian, ainda criança (Antônio Viña) está de costas no centro inferior da imagem, ele tem a pele clara e o cabelo preto, está vestindo um casaco amarelo e calças curtas brancas. Ele está observando uma enorme escavação de mineração que forma um vale de montanhas com degraus de rocha formados pela escavação e um céu cinzento" width="1536" height="641" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-1.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-1-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-1-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-1-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-1-1200x501.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31534" class="wp-caption-text">Cassian foi uma criança órfã em um planeta de mineração antes de ser adotado por Maarva (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde sempre, </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i><span style="font-weight: 400;"> pretendeu ser uma obra divertida e de certa forma não ambiciosa demais. George Lucas, criador da saga, já </span><a href="https://www.polygon.com/2017/4/13/15288998/george-lucas-star-wars-celebration"><span style="font-weight: 400;">declarou</span></a><span style="font-weight: 400;"> que esse universo nunca abandonaria o público infantojuvenil. No entanto, também é verdade que a política foi fundamental para o desenvolvimento</span> <span style="font-weight: 400;">da franquia: em meados dos anos 1970, a Guerra Fria pairava sob </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, por mais que se tentasse escapar por meio de ficções científicas e filmes de fantasia e aventura, o campo gravitacional das tensões geopolíticas atraia para si qualquer produção. Cabia aos autores apenas a decisão de propagandear em prol da hegemonia americana ou expressar um ponto de vista crítico ao intervencionismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo em </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança </span></i><span style="font-weight: 400;">(1977),</span> <span style="font-weight: 400;">o filme inicial da saga, Lucas já deixava claro que a ideia de um pequeno grupo de rebeldes </span><a href="https://www.amc.com/blogs/george-lucas-reveals-how-star-wars-was-influenced-by-the-vietnam-war--1005548"><span style="font-weight: 400;">derrotando</span></a><span style="font-weight: 400;"> um império de força militar descomunal ressoava os resultados da guerra do Vietnã. A franquia ainda foi mais longe durante as </span><i><span style="font-weight: 400;">prequels</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 1990 que, por muitas vezes, serviram de alegoria para a derrota da democracia em países como a Alemanha dos anos 1930.</span></p>
<figure id="attachment_31537" aria-describedby="caption-attachment-31537" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31537" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5.jpg" alt=" Cena da série Andor. A imagem soldados imperiais, homens brancos em uniformes pretos, eles tem óculos de proteção sobre seus capacetes também pretos. Estão formando uma barreira de escudos transparentes, atrás deles há mais soldados e um oficial, um homem branco de casaco preto e quepe da mesma cor." width="1280" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-1200x503.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31537" class="wp-caption-text">Opressão é tema principal da série, que representa de forma séria e precisa (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Andor</span></i><span style="font-weight: 400;"> é extremamente madura. Sua relação com conceitos políticos extravasa a mera metáfora e a transforma em reflexão filosófica. Nisso, a frase de Karis Nemik (Alex Lawther) &#8211; “</span><i><span style="font-weight: 400;">O ritmo da repressão supera nossa capacidade de entendê-la</span></i><span style="font-weight: 400;">” &#8211; faz jus ao modo de representar a opressão do regime imperial, como um sistema vivo que busca destruir a oposição para sobreviver e, ao mesmo tempo, se reproduzir em corações e mentes &#8211; “</span><i><span style="font-weight: 400;">sistemas mudam ou morrem</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Além disso, os antagonistas da série não são um simples exército genérico. O </span><a href="https://www.starwars.com/databank/imperial-security-bureau"><span style="font-weight: 400;">ISB</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a organização de inteligência e espionagem do Império, representada pela astuta Dedra Meero (Denise Gough), que não utiliza só força bruta como também estratégias traiçoeiras em um jogo de ‘gato e rato’ com os rebeldes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A rebelião, por sua vez, é profundamente analisada pelos motivos que levaram os personagens a abandonar suas vidas comuns, que variam da filosofia política, ou os que lutam por um familiar ou um amigo. A humanização de todos os personagens é um ponto-chave na minissérie, com suas </span><a href="https://www.disney.com.br/novidades/as-5-curiosidades-sobre-maarva-a-mae-de-cassian-andor-interpretada-por-fiona-shaw#:~:text=Maarva%20%C3%A9%20membro%20das%20Filhas,poder%20nas%20m%C3%A3os%20do%20Imp%C3%A9rio."><span style="font-weight: 400;">relações familiares</span></a><span style="font-weight: 400;"> e comunidades servindo de ponte para o desenvolvimento da trama.</span></p>
<figure id="attachment_31533" aria-describedby="caption-attachment-31533" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31533" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-1.jpg" alt="Cena da série Andor. Dedra Meero (Denise Gough), uma mulher branca, de cabelo loiro, olhos verdes e uma expressão séria, usa um casaco branco e um quepe preto, está no centro da imagem, à sua esquerda e a sua direita se encontram Stormtroopers de elite, em uniforme totalmente preto, ombreiras e capacetes que cobrem os rostos." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-1.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-1-768x384.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31533" class="wp-caption-text">Dedra Meero não segue nenhum dogma enquanto caça os rebeldes (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As atuações de </span><i><span style="font-weight: 400;">Andor</span></i><span style="font-weight: 400;"> são extremamente precisas, com </span><a href="https://www.disney.com.br/novidades/andy-serkis-retorna-a-star-wars-em-andor"><span style="font-weight: 400;">Andy Serkis</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/andor-star-wars-entrevista-genevieve-oreilly-mon-mothma/"><span style="font-weight: 400;">Genevieve O’ Reilly</span></a><span style="font-weight: 400;"> se destacando em seus papéis. Ele é o prisioneiro relutante Kino Loy, um homem que a pressão e o trauma fizeram se tornar em um quase colaborador do Império. Já ela é Mon Mothma, a principal financiadora e líder da aliança rebelde, que precisa sacrificar muito de sua vida política e pessoal. A personagem é apresentada como uma senadora desde à República e que, agora, nos tempos sombrios, já cansada de ser ignorada ao protestar pelos meios oficiais, está disposta a muita coisa para se livrar da opressão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outras atuações fundamentais são as de Stellan Skarsgård, que interpreta Luthen Rael, um rebelde que leva uma vida dupla como um vendedor de antiguidades. O ator entrega para o público </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-3RCme2zZRY"><span style="font-weight: 400;">discursos</span></a><span style="font-weight: 400;"> fortes e grande ambiguidade moral à medida que muitas de suas ações abrem mão de valores éticos pelo bem da causa maior.</span></p>
<figure id="attachment_31535" aria-describedby="caption-attachment-31535" style="width: 950px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31535" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-1.jpg" alt="Cena da série Andor. Kino Loy, (Andy Serkis), ele é um homem branco de idade avançada, rugas no rosto e cabelos grisalhos. Ele discursa em um microfone, ele está emocionado e usa um uniforme da prisão, branco com faixas laranjas nos ombros" width="950" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-1.jpg 950w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31535" class="wp-caption-text">Kino Loy é um dos personagens mais complexos da série; suas decisões afetam os rumos dos protagonistas bem como de toda a galáxia (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Andor</span></i><span style="font-weight: 400;"> busca um </span><a href="https://www.omelete.com.br/star-wars/andor-sem-jedi"><span style="font-weight: 400;">realismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> extraordinário e, para isso, o foco da produção desvia dos grandes </span><a href="https://margofilmes.com.br/set-piece/"><i><span style="font-weight: 400;">set pieces</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e foca em detalhes que não são muito explorados no Cinema. O que as pessoas desta galáxia comem? Como se relacionam com seu emprego? Sua família? Essas são perguntas que se respondem não só com o roteiro de Tony Gilroy e </span><span style="font-weight: 400;">Stephen Schiff</span><span style="font-weight: 400;">, mas também com a direção de nomes como Benjamin Caron, </span><span style="font-weight: 400;">Toby Haynes e Susanna White,</span><span style="font-weight: 400;"> que preenche essas lacunas, usando o próprio cenário em que circulam os personagens. Frequentemente os vemos comendo, bebendo e trabalhando, pormenores que ajudam na imersão em um universo cheio de seres e conceitos alheios à nossa realidade.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda neste aspecto, a equipe de direção de arte e a </span><a href="http://youtube.com/watch?v=6VNL2NdYvFQ"><span style="font-weight: 400;">cinematografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><span style="font-weight: 400;">Damián García</span><span style="font-weight: 400;"> também se aproveitam muito da perspectiva, uma vez que até as menores naves espaciais são grandes </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=d1ZScaSW2Ww"><span style="font-weight: 400;">ameaças </span></a><span style="font-weight: 400;">quando se está ‘à pé’. Na série, os planetas e a própria galáxia se mostram incomensuráveis perto das pessoas que os habitam, algo demonstrado em um roteiro que &#8211; fora alguns mundos muito importantes para o contexto político como Coruscant &#8211; cria novos lugares, se distanciando dos </span><i><span style="font-weight: 400;">fanservices </span></i><span style="font-weight: 400;">de outras séries recentes.</span></p>
<figure id="attachment_31536" aria-describedby="caption-attachment-31536" style="width: 780px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31536" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-1.jpg" alt="Cena da série Andor. Aparecem os personagens Syril Karn (Kyle Soller), um homem branco de cabelos castanhos, vestido de uma camisa azul e um colete cinza e sua mãe Eedy Karn (Kathryn Hunter), uma mulher branca e idosa de colete laranja e uma camisa amarela. Eles estão de frente um para o outro, tendo uma refeição em um apartamento, na mesa entre eles há uma fruteira com frutas e pães e uma jarra de leite azul" width="780" height="438" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-1.jpg 780w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-1-768x431.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31536" class="wp-caption-text">As cenas de Andor sabem ser intimistas e realistas (Foto: Disney+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não por menos, a primeira temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Andor</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi indicada ao prêmio de Melhor Série de Drama no </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023. A força dos </span><a href="https://oglobo.globo.com/tudo-sobre/streaming/noticia/2023/07/12/emmy-2023-veja-a-lista-completa-de-indicados.ghtml"><span style="font-weight: 400;">concorrentes</span></a><span style="font-weight: 400;"> é enorme: entre eles estão a multi-indicada </span><a href="https://personaunesp.com.br/succession-4a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">além das também gigantes da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-1a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-casa-do-dragao-1a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Casa do Dragão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-white-lotus-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The White Lotus</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> assim como </span><a href="https://personaunesp.com.br/better-call-saul-6a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Better Call Saul</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-crown-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">The Crown</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/yellowjackets-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar do seriado não ser o favorito e talvez nem estar entre as mais plausíveis campeãs, ela conquistou esse lugar com um bom nível de qualidade e esmero que torna sua indicação muito mais que merecida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A série garantiu ainda outras sete </span><a href="https://www.emmys.com/shows/andor"><span style="font-weight: 400;">indicações</span></a><span style="font-weight: 400;">, como as técnicas Música de Abertura, para o compositor Nicholas Britell, Melhor Edição de Som para o episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">O olho</span></i><span style="font-weight: 400;">, e Efeitos Visuais em Temporada ou Filme. Benjamin Caron concorre na categoria Melhor Direção em Série de Drama pelo 12º e último episódio da temporada, </span><i><span style="font-weight: 400;">Rix Road</span></i><span style="font-weight: 400;">, que também levou Damián García a disputar Melhor Cinematografia e Nicholas Britell a ser indicado por Melhor Composição Musical. O roteiro do capítulo </span><i><span style="font-weight: 400;">Só uma saída</span></i><span style="font-weight: 400;">, de responsabilidade de Beau Willimon, concorre como Melhor Roteiro em Série de Drama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As indicações de </span><i><span style="font-weight: 400;">Andor</span></i><span style="font-weight: 400;">, quando combinadas à </span><i><span style="font-weight: 400;">Obi-Wan Kenobi</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mandaloriano</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">somam mais de 20 menções para o universo </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars </span></i><span style="font-weight: 400;">só este ano. Isto mostra que a franquia, mesmo veterana tanto no Cinema, quanto na TV e agora no </span><a href="https://www.instagram.com/p/CxOrBy1u864/?img_index=1"><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ainda é capaz de produzir histórias interessantes que podem ir da clássica aventura ao drama. Não importa por quantos gêneros passe, dos mais diversos possíveis, a saga continua sem perder sua essência e seu espírito de desbravamento do novo.</span></p>
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		<title>O bom filho a sala torna?</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Mar 2023 19:31:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>95ª edição do Oscar pode acender a fagulha de um movimento de retorno já orquestrado Guilherme Veiga O início da história do Cinema, na exibição de A Chegada do Trem na Estação em 1895, foi caracterizado pela fuga do público da sala, em função da novidade daquela tecnologia aliada com a perspectiva de filmagem do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/retorno-do-cinema-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O bom filho a sala torna?"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><i><span style="font-weight: 400;">95ª edição do Oscar pode acender a fagulha de um movimento de retorno já orquestrado</span></i></em></p>
<figure id="attachment_30308" aria-describedby="caption-attachment-30308" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30308" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/artigoveiga_wordpress-800x420.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/artigoveiga_wordpress-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/artigoveiga_wordpress-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/artigoveiga_wordpress.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30308" class="wp-caption-text">Nos mais de 120 anos do Cinema, o cenário provocado pelos últimos anos foi uma das poucas vezes que ele precisou se provar (Arte: Ana Clara Abatte)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O início da história do Cinema, na exibição de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ALAupKYhyLA&amp;ab_channel=EvertonSanches"><i><span style="font-weight: 400;">A Chegada do Trem na Estação</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 1895, foi caracterizado pela fuga do público da sala, em função da novidade daquela tecnologia aliada com a perspectiva de filmagem do trem. A partir daí, iniciava-se uma jornada duradoura e, a princípio, inabalável. A Arte de fazer filmes superou as duas grandes guerras, inclusive servindo como </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/regime-nazista-instrumentalizou-cinema-at%C3%A9-o-fim-da-segunda-guerra/a-53341467"><span style="font-weight: 400;">ferramenta de propaganda</span></a><span style="font-weight: 400;">, a grande depressão, a Guerra Fria, as ditaduras do século XX e até mesmo a </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-130462/"><span style="font-weight: 400;">greve de roteiristas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2008. Sempre de portas abertas e salas lotadas.</span></p>
<p><span id="more-30299"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a pandemia da covid-19 alterou a forma como encaramos o mundo, com a Sétima Arte não foi diferente. Dessa vez, as pessoas não fugiram das salas, pois sequer entraram. Além das consequências econômicas &#8211; que aqui no Brasil, segundo o </span><a href="https://www.gov.br/ancine/pt-br/assuntos/atribuicoes-ancine/regulacao/cinema/sistema-controle-bilheteria"><span style="font-weight: 400;">Sistema de Controle de Bilheteria</span></a><span style="font-weight: 400;"> (SCB), representou uma </span><a href="https://www.gov.br/ancine/pt-br/assuntos/noticias/ancine-divulga-numeros-da-exibicao-em-2020-e-2021"><span style="font-weight: 400;">queda de 77,5%</span></a><span style="font-weight: 400;"> no faturamento dos espaços de projeção em 2020, comparando com o ano anterior &#8211; viu-se também a ascensão do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> para além de uma ferramenta distribuidora. Mas essa veia de distribuição desses serviços foi ainda mais impulsionada com o período de isolamento, sendo uma válvula de escape das produtoras nesse período de incerteza. Com as plataformas </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;"> nascendo da morte da </span><a href="https://www.startse.com/artigos/como-a-falencia-da-blockbuster-tornou-a-netflix-a-maior-empresa-de-midia-do-mundo/"><i><span style="font-weight: 400;">Blockbuster</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, pela primeira vez em tempos, surgiu a dúvida sobre a próxima vítima ser o Cinema como o conhecemos.</span></p>
<figure id="attachment_30300" aria-describedby="caption-attachment-30300" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30300 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-2-800x328.jpg" alt="Cena de Um Lugar Silencioso - Parte II. Nela, vemos a personagem Evelyn, interpretada por Emily Blunt, uma mulher branca de cabelos loiros e olhos azuis. Ela está em um carro, no banco do motorista e com o braço direito e a cabeça sobre o banco, no movimento de quem olha para o banco de trás. Ao fundo da imagem, que é o parabrisa do carro, podemos notar uma arquitetura típica de uma cidade pequena americana" width="800" height="328" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-2-800x328.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-2-1024x419.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-2-768x314.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-2-1536x629.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-2-1200x491.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-2.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30300" class="wp-caption-text"><a href="https://personaunesp.com.br/um-lugar-silencioso-parte-ii-critica/">Um Lugar Silencioso &#8211; Parte II</a> foi o primeiro filme a abandonar as salas no início da pandemia, em 2020, voltando às telas, ainda de forma experimental e cheio de incertezas, apenas na metade daquele ano (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário era caótico no mundo, e mais ainda no audiovisual. A conjunção dos astros resultou em uma tempestade perfeita para a Sétima Arte, que, mesmo antes do período de pandemônio, via o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> calcando cada vez </span><a href="https://exame.com/casual/75-dos-brasileiros-usam-streamings-todos-os-dias/"><span style="font-weight: 400;">mais espaço</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com a consolidação da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, proliferou-se o número de plataformas vigentes, algumas até como derivadas dos próprios estúdios </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodianos</span></i><span style="font-weight: 400;">, caso do </span><i><span style="font-weight: 400;">Paramount+</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;"> (empresa da </span><i><span style="font-weight: 400;">Warner</span></i><span style="font-weight: 400;">). Não só isso, viu-se também o aporte de grandes empresas de outras vertentes do mercado nesse segmento, caso da </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon</span></i><span style="font-weight: 400;">, com o </span><i><span style="font-weight: 400;">Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;">, e a </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple</span></i><span style="font-weight: 400;">, com o </span><i><span style="font-weight: 400;">AppleTV+</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso atraiu atores, como no caso de Adam Sandler que está tendo e ainda terá seu rosto vinculado na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> graças a um </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-152937/"><span style="font-weight: 400;">contrato multimilionário</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a locadora vermelha. Ela também foi responsável por começar a movimentar o mercado de diretores &#8211; algo inédito até então &#8211; e teve como suas primeiras aquisições, a exclusividade de Alfonso Cuarón, que rendeu o brilhante </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-roma/"><i><span style="font-weight: 400;">Roma</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e Martin Scorsese, responsável pela obra prima </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-irlandes-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Irlandês</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(hoje, os dois também tem parceria com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple</span></i><span style="font-weight: 400;">). As duas colaborações resultaram em indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> para o careca dourado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Scorsese inclusive, é um </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/martin-scorsese-critica-plataformas-de-streaming-arte-e-sistematicamente-desvalorizada/"><span style="font-weight: 400;">ferrenho defensor</span></a><span style="font-weight: 400;"> da experiência cinematográfica no espaço Cinema (vale lembrar que é dele a carta de amor </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/invencao-de-hugo-cabret-critica"><i><span style="font-weight: 400;">A Invenção de Hugo Cabret</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). Em um primeiro momento, as telas se mostram, assim como o lendário diretor, relutantes. Tanto que, um filme original das plataformas, para concorrer ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, precisava estrear no </span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/oscar-volta-exigir-que-filmes-sejam-exibidos-no-cinema-para-concorrer/"><span style="font-weight: 400;">circuito comercial</span></a><span style="font-weight: 400;">. Isso demonstrava que, por mais ameaçado, o Cinema ainda se mantinha no topo da hierarquia audiovisual. Porém, os dois anos de pandemia foram responsáveis por virar o mundo ao contrário sem que ninguém reparasse.</span></p>
<figure id="attachment_30301" aria-describedby="caption-attachment-30301" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30301 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-3-800x533.jpg" alt="Cena do filme, Mank. Nela vemos a silhueta do personagem-título, interpretado por Gary Oldman, dá para notar que Mank é um homem de meia idade,de cabelos curtos e com barriga. Ele está de lado para a câmera, veste um terno e uma calça social, aparentemente pretos. Ele segura uma bengala sobre o ombro esquerdo. Mank é um filme de época, por isso, a imagem é em preto e branco, e a ambientação da casa onde o personagem está tem objetos antigos, como um abajur, um rádio e poltronas em couro. Há uma luz entrando pela porta e janela, evidenciando o branco da cena." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-3-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30301" class="wp-caption-text">O ápice do Tudum na premiação da Academia também convergiu com o ápice da pandemia: 2021; ao todo foram 35 indicações, com <a href="https://personaunesp.com.br/mank-critica/">Mank</a> &#8211; fruto do contrato de exclusividade com o diretor David Fincher (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As salas físicas deixaram de ser unanimidade e receptáculo de uma forma de Arte, para agora desenvolver uma relação de competição sem ao menos desenvolver um produto próprio para competir. A própria Academia, </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-present-all-23-artigo/"><span style="font-weight: 400;">sinônimo de conservadorismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, desenvolveu um </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> próprio para driblar o período pandêmico e a burocracia de enviar cópias aos votantes. Ainda no formato antigo da categoria de Melhor Filme, com seus oito indicados, filmes originais de plataformas começaram a figurar na principal disputa a partir de 2019 com </span><i><span style="font-weight: 400;">Roma</span></i><span style="font-weight: 400;">, que também integrou &#8211; e venceu &#8211; a categoria de Melhor Filme Internacional daquele ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse cenário é um legado bom da chegada das plataformas digitais</span> <span style="font-weight: 400;">na indústria. Com um mercado mais globalizado e tais serviços com frentes fora do eixo americanizado, a visibilidade da categoria internacional aumentou, muito também em função da renovação dos votantes. O reflexo pode ser visto na edição de 2023 do </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=oscar"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">sendo altamente reconhecido e </span><a href="https://personaunesp.com.br/rrr-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">RRR</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se tornando uma esnobada sentida pelo público.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">case </span></i><span style="font-weight: 400;">da indústria internacional esperava ser replicado na produção local americana. As expectativas ficaram ainda mais altas após </span><a href="https://personaunesp.com.br/no-ritmo-do-coracao-coda-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">No Ritmo do Coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se tornar o primeiro filme de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> a conquistar a estatueta mais importante da noite no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> O longa apresentava sinais de um eventual domínio dos serviços, principalmente por ter sido adquirido em Sundance, festival em que os grandes estúdios disputam as obras exibidas e, mesmo com a alta demanda, caiu nas mãos de uma iniciante como a </span><i><span style="font-weight: 400;">AppleTV+</span></i><span style="font-weight: 400;">, demonstrando a força dessas plataformas para além do conteúdo próprio. Porém, as coisas saíram dos trilhos muito rápido.</span></p>
<figure id="attachment_30303" aria-describedby="caption-attachment-30303" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30303 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-4-800x450.jpg" alt="Cena do filme No Ritmo do Coração. Nela vemos a personagem Ruby, uma jovem ruiva. Ela apresenta algumas sardas na altura da bochecha e veste uma camisa xadrez flanelada nas cores vermelho, branco e preto. Ela está em uma caminhonete azul, e sobre a janela do banco do passageiro, que está aberta. Ela olha para trás. Ruby é surda, por isso faz um sinal com a mão direita, proveniente da Língua Americana de Sinais. Seu dedos mindinho, indicador e polegar estão levantados, enquanto o dedo do meio entrelaça com o indicador. O sinal forma as letras I, R, L e Y, que é a abreviação de “I Really Love You” traduzido para o português como “ Eu realmente amo você”." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-4-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-4.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30303" class="wp-caption-text">Como não podia ser diferente, o primeiro trunfo dos streamings foi um dos mais contestados das últimas edições  (Foto: AppleTV+)</figcaption></figure>
<p><b>Uma decolagem demorada e uma queda relâmpago</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das recentes vitórias, é fato que o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> nadou contra a maré para se estabelecer na indústria. O conservadorismo do entretenimento, em especial da Academia, sem dúvidas foi um dos maiores dificultadores. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=k3SetKgjSn8"><i><span style="font-weight: 400;">Beasts of No Nation</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">por exemplo, foi uma das primeiras esnobadas de produtos originais das plataformas ainda em 2016, e nesse início era deliberadamente desenvolvido todo um </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/03/05/cultura/1551772672_420794.html"><i><span style="font-weight: 400;">lobby</span></i><span style="font-weight: 400;"> contra</span></a> <i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">e derivados. Com a proliferação dessas produções, chegou em um ponto em que ficou impossível esquecê-los, mas mesmo assim, de alguma forma, eles ainda eram prejudicados pela associação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas é aí que entra um problema: os serviços digitais não sabem e não têm malícia para fazer campanha. A </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">por exemplo, não se arriscou e após a vitória decidiu apostar no irmão espiritual de </span><i><span style="font-weight: 400;">CODA</span></i><span style="font-weight: 400;">, resultando no esquecível </span><i><span style="font-weight: 400;">Cha Cha Real Smooth</span></i><span style="font-weight: 400;"> como seu filme da temporada. A </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo com ótimos nomes no catálogo, focou erroneamente no tardio </span><a href="https://personaunesp.com.br/glass-onion-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Glass Onion</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O caso mais absurdo é o da </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon</span></i><span style="font-weight: 400;">. A empresa do calvo que quer ser astronauta tinha o ouro incontestado </span><a href="https://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em mãos, mas moveu mundos e fundos para a campanha de </span><i><span style="font-weight: 400;">Treze Vidas</span></i><span style="font-weight: 400;">. “Qual?” você deve estar pensando. Exatamente.</span></p>
<figure id="attachment_30304" aria-describedby="caption-attachment-30304" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30304 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-5-800x450.jpeg" alt="Cena de Top Gun: Maverick. Nela, vemos o personagem Pete “Maverick”, interpretado por Tom Cruise, um homem branco de olhos azuis que apesar da meia idade, parece novo. Ele veste um uniforme da força aérea americana, nas cores preta e verde militar. Ele está na cabine de um caça, por isso veste também um capacete preto com riscos vermelhos e brancos e o nome “Maverick” no centro. Ele faz um joinha com as mãos. Ao fundo, uma cadeia de montanhas." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-5-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-5-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-5-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-5-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-5-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-5.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30304" class="wp-caption-text">36 anos depois do sucesso de bilheteria que iniciou a franquia, Top Gun: Maverick, além de ser a <a href="https://olhardigital.com.br/2022/06/17/cinema-e-streaming/top-gun-maverick-ja-e-o-filme-de-maior-bilheteria-da-carreira-de-tom-cruise/">maior arrecadação</a> da carreira de Tom Cruise, foi um dos responsáveis por fazer o cinema decolar novamente (Foto: Paramount Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, o que botou a pá de cal em um 2022 tenebroso nos </span><i><span style="font-weight: 400;">streamings</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi a volta dos cinemas com os dois pés na porta. Depois de muito ensaiar (e falhar) seu retorno, como assistimos na empreitada desastrosa de Nolan com </span><a href="https://personaunesp.com.br/tenet-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tenet</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou no despercebido </span><i><span style="font-weight: 400;">Velozes e Furiosos 9</span></i><span style="font-weight: 400;">, a Sétima Arte parecia se tornar uma das sequelas da pandemia no pós-isolamento e provavelmente passaria a ser regida pelas plataformas de</span> <a href="https://www.linkedin.com/pulse/streaming-e-vod-video-on-demand-voc%C3%AA-sabe-diferen%C3%A7as-entre-seegerer/?originalSubdomain=pt"><i><span style="font-weight: 400;">VoD</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, o que aconteceu fugiu do roteiro imaginado. No berço de Hollywood, o crescimento de bilheteria em 2022, comparado a 2021, foi de 65%, tornando a América do Norte novamente o maior mercado consumidor de Cinema, com uma arrecadação de </span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/arrecadacao-bilheteria-nos-cinemas-2022/"><span style="font-weight: 400;">U$S 25 bilhões</span></a><span style="font-weight: 400;">. Já no Brasil, o agora ano de retomada representou um aumento de </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/retomada-do-cinema-no-brasil-publico-aumenta-485-no-1o-semestre-de-2022/#:~:text=R%C3%9ASSIA%20X%20UCR%C3%82NIA-,Retomada%20do%20cinema%20no%20Brasil%3A%20p%C3%BAblico%20aumenta%20485,no%201%C2%BA%20semestre%20de%202022&amp;text=Filmes%20de%20grandes%20est%C3%BAdios%20como,a%20retomada%20do%20cinema%20brasileiro."><span style="font-weight: 400;">485%</span></a><span style="font-weight: 400;"> no público somente no primeiro semestre, de acordo com a Ancine. A volta foi capitaneada por </span><a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-maverick-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun: Maverick</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o retorno da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/marvel/"><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (apesar de suas críticas) às grandes telas e contou também com Steven Spielberg e James Cameron, pai e padrasto do </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400;">, respectivamente.</span></p>
<figure id="attachment_30305" aria-describedby="caption-attachment-30305" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30305 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-6-800x422.jpg" alt="Cena do filme Avatar: O Caminho da Água. Nela vemos os Navi’s, habitantes do planeta Pandora, onde se passa a história. Eles tem formato humanóide, porém são bem altos e esguios. Eles são azuis por inteiro, com algumas listras em tons azuis mais claros. Seu cabelo é uma espécie de dread e suas orelhas se assemelham a orelhas de elfo. Eles também tem rabo. Os dois Navi’s da imagem vestem uma espécie de poncho na cor marrom que cobre parte de seu corpo. Eles estão montados em uma criatura,uma espécie de pterodáctilo, também na cor azul, que está voando. Ao fundo, o céu com um pôr do sol, e o mar logo abaixo." width="800" height="422" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-6-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-6-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Artigo-Oscar-Imagem-6.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30305" class="wp-caption-text">Repetindo o fenômeno do título anterior, <a href="https://personaunesp.com.br/avatar-o-caminho-da-agua-critica/">Avatar: O Caminho da Água</a> só não tomou o reinado de Top Gun: Maverick de maior bilheteria de 2022 devido a curta janela de lançamento no final do ano (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><b>O ciclo sem fim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Claro que isso refletiria na maior premiação do Cinema. Quando o </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> começou a figurar na disputa de Melhor Filme no Oscar, em 2019, </span><i><span style="font-weight: 400;">Roma</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi o único representante dos serviços. Gradativamente, a aparição dessas produções foi aumentando, com </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-oscar-2021/"><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-cerimonia-artigo/"><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentando a maior cota, com três filmes cada edição. O que se esperava era que, para o ano de 2023, ainda como reflexo do final do isolamento, o número se mantivesse, ou se superasse. Porém, a principal categoria voltou ao patamar de 2019: apenas um indicado, mais uma vez pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> e com um filme internacional. Só que a nomeação desse ano é mais mérito próprio de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front </span></i><span style="font-weight: 400;">(que nem tem tantos méritos, é só mais um filme de guerra) do que da </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudum</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas é importante ressaltar que essa não é uma história de vilão contra mocinho. </span><a href="https://personaunesp.com.br/babilonia-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Babilônia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> explicita que a indústria é um ninho nefasto de cobra engolindo cobra, e nessa narrativa toda não há distinção polarizada e muito menos bem contra o mal: o Cinema como produto é a vítima, o acusado e a testemunha. Outro aspecto que a obra de </span><a href="https://www.papelpop.com/2022/12/conheca-damien-chazelle-diretor-que-acumula-premios-no-cinema-e-esta-vindo-com-babilonia/"><span style="font-weight: 400;">Chazelle</span></a><span style="font-weight: 400;"> também nos mostrou é que essa não foi a primeira vez que a Sétima Arte foi posta contra a parede, e provavelmente não será a última. Portanto, ela sabe se moldar às adversidades que naturalmente criará à medida que for se desenvolvendo e também as que forem impostas à ela. E na lei do mais forte, mais uma vez o Cinema prova sua força conquistada em seus mais de 120 anos de história.</span></p>
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		<title>Interrompemos a Programação: a mensagem nem sempre é entregue mastigada</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Sep 2021 12:20:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathália Mendes O apocalipse na entrada dos anos 2000, com aviões caindo do céu e sistemas de computação zerando à meia noite, não é estranho para os millennials. O mesmo drama-fim-do-mundo, somado a terrorismo, compõe a trama nada revolucionária de Interrompemos a Programação. O filme de Jakub Piatek se passa dentro de um canal de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/interrompemos-a-programacao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Interrompemos a Programação: a mensagem nem sempre é entregue mastigada"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22445" aria-describedby="caption-attachment-22445" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22445" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMG_5725.jpg" alt="Cena do filme Interrompemos a Programação. Na imagem, o protagonista Sebastian, um homem branco loiro de olhos azuis, usa boné azul marinho, camiseta marrom e camisa cinza escura por cima. Ele aponta uma arma para uma câmera Sony de estúdio antiga. O fundo é um set de filmagem azul, preparado para o ano novo." width="1280" height="827" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMG_5725.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMG_5725-800x517.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMG_5725-1024x662.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMG_5725-768x496.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMG_5725-1200x775.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22445" class="wp-caption-text">Bartosz Bielenia,<a href="https://www.theitalianreve.com/corpus-christi-interview-jan-komasa-bartosz-bielenia-finding-answers-in-a-lie/"> o astro de Corpus Christi</a>, protagoniza como o jovem polonês Sebastian em todo o seu paradoxo emocional (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nathália Mendes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O apocalipse na entrada dos anos 2000, com aviões caindo do céu e </span><a href="https://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/bug-do-milenio-uma-ameaca-de-caos-total-que-acabou-nao-acontecendo-18388631"><span style="font-weight: 400;">sistemas de computação zerando à meia noite</span></a><span style="font-weight: 400;">, não é estranho para os </span><a href="https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/07/24/o-que-deu-errado-com-os-millennials-geracao-que-foi-de-ambiciosa-a-azarada.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">millennials</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O mesmo drama-fim-do-mundo, somado a terrorismo, compõe a trama nada revolucionária de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=12RMSCeTLEo"><i><span style="font-weight: 400;">Interrompemos a Programação</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O filme de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nXfGACNXPZE"><span style="font-weight: 400;">Jakub Piatek</span></a><span style="font-weight: 400;"> se passa dentro de um canal de televisão na Polônia durante </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-foi-o-bug-do-milenio/"><span style="font-weight: 400;">o </span><i><span style="font-weight: 400;">bug</span></i><span style="font-weight: 400;"> do milênio</span></a><span style="font-weight: 400;">, e numa rápida sucessão de acontecimentos, anda por um labirinto de confusão e referências polonesas. Com um protagonista disfuncional e uma fotografia lindíssima, o diferencial do longa mora na frustração dos espectadores, deixados, propositalmente, com mais perguntas do que respostas.</span></p>
<p><span id="more-22444"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É véspera de Ano Novo em 1999 na Polônia e um jovem armado invade um </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;"> de televisão com uma missão: transmitir uma mensagem para todo o país. </span><i><span style="font-weight: 400;">Prime Time, </span></i><span style="font-weight: 400;">em seu título original, estreou em 30 de janeiro de 2021, parte do </span><a href="https://www.sundance.org/blogs/artist-spotlight/jakub-piatek-interview-prime-time"><span style="font-weight: 400;">Festival de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sundance</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">e, desde que chegou ao catálogo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">irritou os assinantes. Isso se deve ao enredo confuso que demanda a observação do contexto histórico: a virada do milênio dentro da sociedade polonesa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Piatek segue esse enredo </span><a href="https://super.abril.com.br/comportamento/proximo-seculo-so-em-2001/"><span style="font-weight: 400;">erroneamente adotado pela sociedade</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; já que a virada do século aconteceu em 2001 &#8211; e apresenta peças de um quebra-cabeça complicado. No longa, o canal de televisão está em transmissão, apesar da ameaça </span><a href="https://www.nationalgeographic.org/encyclopedia/Y2K-bug/"><i><span style="font-weight: 400;">Y2K</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de zerar os sistemas operacionais, e o jovem polonês Sebastian (Bartosz Bielenia) faz 2 reféns para forçar sua entrada ao vivo. Ele deseja falar a todos os jovens de seu país, logo após a aparição do Presidente, sem deixar claro o que faria no momento em que ligassem as câmeras.</span></p>
<figure id="attachment_22446" aria-describedby="caption-attachment-22446" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22446" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMG_5726.jpg" alt="Cena do filme Interrompemos a Programação. Sebastian, Mira e Grzegorz estão, nessa ordem, ao fundo da imagem em um set de filmagem, vistos de uma porta entreaberta. Sebastian - homem branco, loiro, de calça bege, boné e jaqueta preta- está em pé empunhando uma arma, e os outros - Mira, uma mulher branca, ruiva, de vestido prateado, e Grzegorz, homem branco, moreno, com uniforme de guarda - estão sentados e algemados. Do lado de fora, 2 policiais equipados com armas na mão." width="900" height="506" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMG_5726.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMG_5726-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMG_5726-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22446" class="wp-caption-text">Um terrorista, uma apresentadora e um guarda formam o trio improvável de Prime Time, cercados por uma polícia interessada em exterminar o caos (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sebastian e seus reféns, o guarda Grzegorz (Andrzej Klal) e a apresentadora Mira Kryle (Magdalena Poplawska), estão cercados por uma equipe de negociação e policiais despreparados. Todo o ataque é gravado pelos produtores do canal, trazendo a </span><a href="https://sites.usp.br/tecom/a-industria-cultural-e-a-perspectiva-de-walter-benjamin-sobre-o-cinema-como-forma-de-arte/"><span style="font-weight: 400;">banalização do entretenimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> na televisão como debate. Ali, as personagens representam grupos sociais, e a conduta de cada um deles numa situação de reféns sob o olhar de todas as câmeras, ilustra suas respectivas mediocridades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o desenrolar da trama, Mira, Grzegorz e Sebastian se aproximam, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Interrompemos a Programação</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue abordar todas as personagens sem </span><a href="https://istoe.com.br/o-maniqueismo-que-nos-alimenta-e-o-amor-que-nos-falta/"><span style="font-weight: 400;">maniqueísmo</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou uma simples humanização do vilão. O fato é que pouco se sabe sobre Mira e Grzegorz, mas ambos dividem mais semelhanças com seu sequestrador do que com a força tarefa do lado de fora. O trio representa uma parcela de indivíduos muito diferentes entre si, mas que não possuem voz nenhuma dentro de esferas tão poderosas como a televisiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob o olhar histórico, a trama tem muitos elementos dessa sociedade polonesa nos anos 90. Piatek adotou o estilo </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/2014/01/1400595-o-grande-irmao-esta-de-olho-em-voce-leia-trecho-de-1984.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">O Grande Irmão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com uma parede de telas e o conceito de um poder soberano vigilante &#8211; a televisão. Pequenos vídeos são transmitidos ao longo do filme, com crianças brincando na neve e, em especial, um grupo de jovens que contam o desejo em sair da Polônia para a Alemanha. O papel da televisão como meio de comunicação foi fundamental para moldar esse desejo, pois essa juventude vivia o </span><a href="https://www.sohistoria.com.br/ef2/guerrafria/"><span style="font-weight: 400;">fim da Guerra Fria</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ansiava a prosperidade do modelo capitalista. Seria contra um futuro mentiroso que Sebastian lutava para falar?</span></p>
<figure id="attachment_22447" aria-describedby="caption-attachment-22447" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22447" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMG_5727.jpg" alt="Cena do filme Interrompemos a Programação. A imagem foca o rosto do personagem Sebastian, um homem branco, loiro e olhos azuis. Na cena, o homem usa um boné preto e está chorando." width="1280" height="672" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMG_5727.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMG_5727-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMG_5727-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMG_5727-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMG_5727-1200x630.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22447" class="wp-caption-text">Sebastian nada contra a maré do terrorista, personagem comum no Cinema do thriller (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cena de destaque em </span><i><span style="font-weight: 400;">Interrompemos a Programação</span></i><span style="font-weight: 400;"> e no roteiro de Lukasz Czapski acontece com a incorporação do contexto histórico numa sequência dramática: a entrada do pai de Sebastian. Formada por um diálogo com elementos culturais e atuação impecável de Bielenia, o momento corta o coração de qualquer um. A humilhação do jovem rende algumas informações: ele havia abandonado a escola, sofria de gagueira quando criança, e, segundo o pai, </span><i><span style="font-weight: 400;">“seu estilo de vida seria consertado na cadeia”</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; o que sugere a abordagem de muitos dos tabus nos anos 90. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é atoa que Bartosz Bielenia foi protagonista de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cFFvje2A2vE"><i><span style="font-weight: 400;">Corpus Christi</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/02/polones-indicado-ao-oscar-investiga-fenomeno-dos-falsos-padres.shtml"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme Internacional em 2020</span></a><span style="font-weight: 400;">; e, novamente, o ator brilha, agora no paradoxo emocional de Sebastian.</span> <span style="font-weight: 400;">Sua violência dá as caras todas as vezes que a equipe de negociação privilegia o horário nobre ao invés da vida de dois seres humanos. O jovem é definido por um rebelde com causas demais, entre a vontade de destruir um sistema e não ter coragem para fazê-lo. Ainda assim, entre humilhação e lágrimas, Piatek mantém o julgamento moral ao espectador, pois o espaço-tempo em um filme curto não permite criar empatia ou ódio pelas personagens, mesmo que o conflito ético seja intenso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desempenho do ator rende, apesar de que, por vezes, o longa seja estático demais para um suspense rápido. A iluminação de tons frios dentro da fotografia dos anos 2000 é certeira, casando com a trilha sonora básica e futurista. E </span><i><span style="font-weight: 400;">Interrompemos a Programação</span></i><span style="font-weight: 400;"> é conduzido assim, com os mesmos conflitos éticos até o fim, sem uma saída para Sebastian, sem um desfecho, sem a mensagem. A inteligência de Piatek é o caráter documental aplicado do meio para o final, com cenas de entrevistas durante o longa. Esse estilo cria a dúvida se o caso teria acontecido de verdade na Polônia, resultando em uma conexão forte com o contexto histórico e confusão dos espectadores não-poloneses.</span></p>
<figure id="attachment_22448" aria-describedby="caption-attachment-22448" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22448" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMG_5728.jpg" alt="Imagem do filme Interrompemos a programação. Na imagem o protagonista Sebastian - um homem branco, de boné preto, calça jeans, camiseta marrom e camisa cinza - está sentado em uma cadeira no canto esquerdo, ao lado direito há uma grande câmera de filmagem. O cenário do fundo é escuro em um estúdio de televisão." width="1280" height="853" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMG_5728.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMG_5728-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMG_5728-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMG_5728-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/IMG_5728-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22448" class="wp-caption-text">Sebastian aceita a frustração de uma vida sem relevância dentro de uma sociedade que só enxerga a televisão (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sebastian parecia prever que seria silenciado, e sua vida seria esquecida se não conseguisse estar na televisão. Eram ínfimas as chances de um fim diferente para </span><i><span style="font-weight: 400;">Interrompemos a Programação</span></i><span style="font-weight: 400;">. A televisão seleciona a dedo as vozes que serão reproduzidas, e, sem os reféns, ele só seria ouvido pelo interesse em espetacularizar sua história. Então, ele queima sua mensagem, é espancado e levado preso aos sons de </span><i><span style="font-weight: 400;">“Estamos filmando!”.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Quebra-se </span><a href="https://variety.com/2021/film/festivals/sundance-film-festival-prime-time-seals-ikh-pictures-promotion-1234880405/"><span style="font-weight: 400;">a expectativa das respostas</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas cada peça se encaixa no seu devido lugar. O dia 1 de janeiro de 2000 nasce, o dilema entre transmitir ou não um “terrorista” ao vivo permanece, e fecham-se as cortinas da </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/midia-e-poder-na-sociedade-do-espetaculo/"><span style="font-weight: 400;">espetacularização</span></a><span style="font-weight: 400;"> para guardar &#8211; muito bem &#8211; as fitas que gravaram Sebastian. O longa não entrega respostas mastigadas e espera a frustração, pois assim é a vida real. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apostando no enredo, Sebastian é um </span><i><span style="font-weight: 400;">millennial</span></i><span style="font-weight: 400;"> homossexual cuja mensagem é indecifrável. Ele teve problemas na escola, incluindo gagueira na fala, um pai péssimo, uma mãe solo, uma vida marginalizada, e encarava a entrada de um novo século sozinho, aos 20 anos. Tudo ao mesmo tempo em que os canais de televisão prometiam a liberdade nos anos 2000. Talvez ele tenha premeditado que só haveria liberdade para determinadas pessoas. Sebastian foi gerado e silenciado pelo mesmo sistema. Quanta audiência o fim da vida dele teria no horário nobre?</span></p>
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