<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Ficção científica &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/ficcao-cientifica/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/ficcao-cientifica/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 11 Nov 2025 19:01:08 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Ficção científica &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/ficcao-cientifica/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Em Bugonia, Yorgos Lanthimos explora o limite entre a morte e a criação</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/bugonia-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/bugonia-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 00:00:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2025]]></category>
		<category><![CDATA[49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Aidan Delbis]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Emma Stone]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[Jesse Plemons]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra SP]]></category>
		<category><![CDATA[Perspectiva Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Yorgos Lanthimos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=36261</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vitória Borges Exibida no Festival de Veneza de 2025, Bugonia, nova produção de Yorgos Lanthimos, faz parte da seção Perspectiva Internacional na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O longa, que acompanha a história de dois jovens primos obcecados por teorias da conspiração, busca trazer uma sátira um pouco grotesca sobre os pensamentos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bugonia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Bugonia, Yorgos Lanthimos explora o limite entre a morte e a criação"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/bugonia-critica/">Em Bugonia, Yorgos Lanthimos explora o limite entre a morte e a criação</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36266" aria-describedby="caption-attachment-36266" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-36266" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-4.png" alt="Imagem de Bugonia, filme de Yorgos Lanthimos. Na foto vemos a personagem Michelle, uma mulher branca com a cabeça raspada, olhando para cima. Na região de cima da imagem escorrem dois líquidos sobrepostos, um na cor vermelha e outro na cor amarela." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-4.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-4-768x432.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36266" class="wp-caption-text">Bugonia pode figurar entre os indicados no Oscar de Melhor Filme (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Borges</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibida no Festival de Veneza de 2025, </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/bugonia-yorgos-lanthimos-emma-stone-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bugonia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, nova produção de Yorgos Lanthimos, faz parte da seção Perspectiva Internacional na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. O longa, que acompanha a história de dois jovens primos obcecados por teorias da conspiração, busca trazer uma sátira um pouco grotesca sobre os pensamentos políticos da esquerda e da direita.</span></p>
<p><span id="more-36261"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conhecido por mergulhar de cabeça em universos absurdos, repletos de humor ácido, sarcasmo e críticas sociais, o diretor grego traz, dessa vez, uma adaptação um pouco diferente do </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i> <a href="https://nanossaestante.com.br/2025/11/as-semelhancas-entre-bugonia-e-salve-o-planeta-verde/"><i><span style="font-weight: 400;">Salve o Planeta Verde</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2003), do coreano Jang Joon-Hwan. O título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bugonia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um termo que remete à crença antiga de que abelhas poderiam nascer a partir da decomposição de um boi morto, fazendo jus ao filme ao explorar uma narrativa construída em torno de um ciclo que mistura decadência e vitalidade, morte e criação.</span></p>
<figure id="attachment_36265" aria-describedby="caption-attachment-36265" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36265" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-800x450.png" alt="Cena do filme Bugonia. Na imagem vemos a personagem Michelle, uma mulher branca com o cabelo raspado, olhando para algo em sua frente. Ela veste um casaco vermelho e camiseta de botões azul por baixo. Seu rosto está coberto por um creme branco e sua mão esquerda encontra-se ao lado de sua cabeça. Ao fundo, tudo está preto." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image.png 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36265" class="wp-caption-text">Emma Stone volta a protagonizar mais uma produção de Lanthimos (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;"> Com um brilhante elenco, esta ficção científica conta a história de Teddy (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Uxgj7rdG_YE"><span style="font-weight: 400;">Jesse Plemons</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Don (Aidan Delbis), dois primos que acreditam fielmente na existência de alienígenas e na dominação do nosso planeta. Consequentemente, acreditando que ela seja Andromedana, eles sequestram Michelle – CEO de uma empresa farmacêutica bilionária. Interpretada por Emma Stone, a personagem parece esconder um segredo a cada cena em que aparece, bagunçando ainda mais a cabeça do espectador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do público estar cansado de ver </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emma-stone/"><span style="font-weight: 400;">Stone</span></a><span style="font-weight: 400;"> em mais uma obra do cineasta, parceria que acontece desde </span><i><span style="font-weight: 400;">A Favorita</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2018), é impossível dizer que a atriz não se entrega cem por cento. A americana, que chegou a </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/bugonia-yorgos-lanthimos-emma-stone-critica/"><span style="font-weight: 400;">raspar seu cabelo</span></a><span style="font-weight: 400;"> durante as gravações para dar mais credibilidade à produção, consegue tirar o papel de letra em sua atuação, com muito sarcasmo e uma frieza que só ela sustenta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abordando temas como questões ecológicas e destruição do planeta, o roteiro de Will Tracy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-menu-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Menu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) é capaz de manter o frescor do desconforto clássico do diretor de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-sacrificio-do-cervo-sagrado-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Sacrifício do Cervo Sagrado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o que influencia no uso de enquadramentos fechados na fotografia – que consegue contrastar perfeitamente o desequilíbrio da trama. A trilha sonora assinada por Jerskin Fendrix ainda é um grande acerto por parte da produção, que chegou a incluir faixas de artistas atuais como </span><i><span style="font-weight: 400;">Good Luck, Baby!</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Chappell Roan.</span></p>
<figure id="attachment_36262" aria-describedby="caption-attachment-36262" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36262" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-800x420.png" alt=" Cena do filme Bugonia. Na foto vemos Teddy, homem branco de cabelos longos loiros, andando de bicicleta vermelha. O personagem veste uma jaqueta cinza com shorts, tênis e mochila, ambos na cor preta, em sua cabeça usa fones de ouvido headset. Ao fundo é possível ver a rua e o que parece ser uma cidade. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-1536x806.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1-1200x630.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image-1.png 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36262" class="wp-caption-text">O longa-metragem de Yorgos Lanthimos é um dos melhores de 2025 (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como todo filme de Lanthimos, a obra gera desconforto, não só pelos gritos e explosões, mas também com momentos de silêncio e cenas completamente perturbadoras que envolvem coisas muito bizarras. </span><i><span style="font-weight: 400;">Bugonia</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue elevar o Cinema em um novo patamar visual, com </span><a href="https://cineset.com.br/entrevista-bugonia/"><span style="font-weight: 400;">situações viscerais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pulsantes, como o universo orgânico que o próprio título evoca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim das contas, é fácil acreditar que a produção nos mostra como alguém que não é um extraterrestre pode viver e salvar as abelhas, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Bugonia</span></i><span style="font-weight: 400;"> transmite essa mensagem melhor do que o título infantil </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-bee-movie-a-historia-de-uma-abelha/"><i><span style="font-weight: 400;">Bee Movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><i><span style="font-weight: 400;">DreamWorks</span></i><span style="font-weight: 400;">. O longa é sobre ousar e apostar que a humanidade precisa ser melhor, tudo pelo bem do mundo e de todos que habitam nele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que muitos não compreendam ou que divida opiniões, a trama é uma das mais </span><a href="https://tangerina.uol.com.br/filmes-series/bugonia-melhor-filme-2025-critica/"><span style="font-weight: 400;">divertidas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Yorgos Lanthimos, principalmente por cumprir seu papel em meio ao Cinema da previsibilidade. Em um cenário saturado de narrativas lineares e heróis ‘perfeitinhos’, o diretor grego continua a insistir no que sabe fazer de melhor: apostar na beleza do estranho e na vida que brota no que já parecia morto.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="BUGONIA | Trailer Oficial (Universal Pictures) - HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/giAMydh9_4I?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/bugonia-critica/">Em Bugonia, Yorgos Lanthimos explora o limite entre a morte e a criação</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/bugonia-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">36261</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A nevasca que cobre Buenos Aires em O Eternauta só não é mais densa que a história que ela simboliza</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/critica-o-eternauta/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/critica-o-eternauta/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Sep 2025 13:00:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[2025]]></category>
		<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Ditadura Argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Ditadura Militar]]></category>
		<category><![CDATA[Espanhol]]></category>
		<category><![CDATA[Extraterrestre]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Dias Siqueira]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Siqueira]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Invasão Alienigena]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=35637</guid>

					<description><![CDATA[<p>Guilherme Dias Siqueira Quando se fala em adaptações de quadrinhos logo nos vem à cabeça grandes produções de Hollywood sobre super-heróis vestidos em roupas coloridas e muita ação. Mas isso é uma fração da verdadeira diversidade dos quadrinhos, que não só cobrem uma variedade de temas e estilos, como também de culturas e subtextos regionais. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-o-eternauta/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A nevasca que cobre Buenos Aires em O Eternauta só não é mais densa que a história que ela simboliza"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-o-eternauta/">A nevasca que cobre Buenos Aires em O Eternauta só não é mais densa que a história que ela simboliza</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35638" aria-describedby="caption-attachment-35638" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-35638 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Eter1.jpg" alt="Cena da série O Eternauta, da Netflix. A cena mostra a silueta de Juan Bolsa (Ricardo Darín) caminhando por uma rua coberta de neve, a sua esquerda é possível ver um ônibus abandonado e a sua direita dois carros em estado semelhante, às margens da via existem prédios altos também cobertos de neve, toda paisagem está envolta em um espesso nevoeiro." width="650" height="366" /><figcaption id="caption-attachment-35638" class="wp-caption-text">O Eternauta reflete uma história de violência e opressão comum à toda América do Sul (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Dias Siqueira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se fala em adaptações de quadrinhos logo nos vem à cabeça grandes produções de Hollywood sobre </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mcu/"><span style="font-weight: 400;">super-heróis</span></a><span style="font-weight: 400;"> vestidos em roupas coloridas e muita ação. Mas isso é uma fração da verdadeira diversidade dos quadrinhos, que não só cobrem uma variedade de temas e estilos, como também de culturas e subtextos regionais. No contexto latino-americano, uma riqueza de obras permanece vastamente inexplorada pela maior parte do público. Um desses materiais, talvez o mais importante de todos, foi retirado dessa semi-escuridão pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> este ano: </span><i><span style="font-weight: 400;">O Eternauta</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra-prima de Héctor Germán Oesterheld e Francisco Solano Lopes.</span></p>
<p><span id="more-35637"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio ao verão argentino, um grupo de amigos se encontram para jogar baralho em uma casa de Buenos Aires. A tradição que eles cultivam a anos tem sua monotonia quebrada por um evento climático inesperado, uma nevasca chega sorrateiramente e começa a matar instantaneamente qualquer um que a toque. Liderados por Juan Salvo (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=00jvmItGSBI"><span style="font-weight: 400;">Ricardo Darín</span></a><span style="font-weight: 400;">), o grupo precisa se livrar das desconfianças vindas de uma amizade antiga, porém não tão profunda, para sobreviver e descobrir o real contexto desse apocalipse.</span></p>
<figure id="attachment_35639" aria-describedby="caption-attachment-35639" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-35639 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter2-800x450.jpg" alt="cena da série O Eternauta. A cena mostra em primeiro plano um jipe das forças armadas argentinas com um soldado posicionado acima do veículo, portando um rifle longo. Ao fundo, a parte inferior de um viaduto está fechado com uma pilha de carros destruídos formando uma barricada. A rua está coberta de neve e a paisagem está envolta em névoa, com um céu acinzentado" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter2.jpg 912w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35639" class="wp-caption-text">O militarismo na América Latina é um tema recorrente em O Eternauta (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fonte da qual se adapta a série não vem de um subgênero extremamente alternativo e revolucionário. Na verdade, o cenário base para </span><i><span style="font-weight: 400;">O Eternauta</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma invasão alienígena, se insere nos contextos basilares da ficção científica desde o século XIX. Mesmo com obras como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3sjodEDyhXU"><i><span style="font-weight: 400;">A Guerra Dos Mundos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de H.G. Wells existindo no cânone do gênero desde os anos 1890, Oesterheld fundou em seu trabalho conceitos antes inéditos ou não tão presentes nesse tipo de quadrinho. Talvez o mais importante desses conceitos, ‘o herói coletivo’, se mantém como pedra fundamental na versão da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os </span><a href="https://outraspalavras.net/descolonizacoes/oeternauta-propoe-a-volta-do-heroi-coletivo/"><span style="font-weight: 400;">protagonistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da série não possuem nenhuma habilidade especial de fato. Nenhum deles tem, individualmente, qualquer controle ou poder sobre a situação, como é comum em histórias clássicas de heróis. Somente como grupo eles encontram as soluções das quais precisam. O roteiro é muito ágil em demonstrar diversas situações em que um ou mais personagens se encontram em situações intransponíveis, inclusive de quase morte, que só são superadas com a ajuda de outros.</span></p>
<figure id="attachment_35640" aria-describedby="caption-attachment-35640" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35640" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3-800x533.jpg" alt="Página do quadrinho O Eternauta. A arte mostra Juan Salvo, um homem branco de meia idade, de olhos azuis, ele olha fixamente para frente e usa uma máscara de gás com um visor no rosto e um filtro de respiração na altura do pescoço" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter3.jpg 1170w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35640" class="wp-caption-text">O estilo artístico da série reflete muito bem os desenhos sombrios de Solano Lopes (Foto: Pipoca e Nanquim)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro aspecto que a série traz a vida com maestria é a atmosfera gráfica. A direção de Bruno Stagnaro consegue adaptar a arte do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3rxzR5bElhc"><span style="font-weight: 400;">desenhista</span></a><span style="font-weight: 400;"> Francisco Solano Lopes de forma fria e seca. O cenário de desolação do mundo exterior contrasta com a sensação de claustrofobia sempre constante nos refúgios em que os personagens se protegem da neve. Isso também impacta em algo fundamental para qualquer obra pós-apocalíptica: a transformação de ambientes cotidianos nas ruínas da civilização que colapsou. Igrejas, escolas, farmácias, vagões de trem, formas comuns do dia-a-dia de qualquer pessoa, são transformados em escombros e vestígios do que um dia foram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro é mais discreto nos comentários políticos. Oesterheld carrega uma das </span><a href="https://blogdaboitempo.com.br/2015/10/23/os-ultimos-passos-de-hector-oesterheld/"><span style="font-weight: 400;">histórias</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais trágicas oriundas da violentíssima ditadura militar argentina, suas dores, medos e indignações permeiam sua obra constantemente. Entre junho de 1976 e dezembro de 1977 suas quatro filhas, Beatriz, Diana, Marina e Estela, foram sequestradas, desaparecidas e assassinadas pelo regime sanguinário, do qual o próprio HGO seria vítima. Oesterheld desapareceu no mesmo período, de sua família só sobreviveram sua esposa e seus dois netos, que se tornaram órfãos antes de completarem 4 anos.</span></p>
<figure id="attachment_35641" aria-describedby="caption-attachment-35641" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35641" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/eter4.jpg" alt="Cena da série O Eternauta, a cena mostra Juan Bolsa, um homem branco de meia idade. Ele olha para frente, empunhando um fuzil, ele veste um casaco marrom e uma máscara de gás azul" width="600" height="390" /><figcaption id="caption-attachment-35641" class="wp-caption-text">Os traumas de guerra acompanham os personagens em sua jornada no mundo destruído (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde sua primeira versão, o quadrinho tinha tons explícitos de crítica ao imperialismo, ao capitalismo e ao autoritarismo presentes nas sociedades latino-americanas. A série, por sua vez, é mais sutil, mas usa como artifício algo mais contemporâneo — a guerra das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pZmtP2UdGoI"><span style="font-weight: 400;">Malvinas</span></a><span style="font-weight: 400;"> — não só para reforçar o tom sócio-político, como também um desenvolvimento pessoal fundamental aos personagens já que vários deles são veteranos do conflito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses traumas se tornam ainda mais vividos graças ao elenco estrelado, o Juan Salvo de Ricardo Darín tem todas as notas certas. O ator não decepciona a expectativa criada em torno do seu nível de astro internacional, conquistado após filmes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/argentina-1985-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Argentina, 1985</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022). Outro destaque é o uruguaio César Troncoso, seu personagem Tano tem um papel fundamental na trama como uma pessoa egoísta que aos poucos precisa se livrar do individualismo para garantir que todos sobrevivam.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Eternauta</span></i><span style="font-weight: 400;"> é mais uma adaptação literária de grande qualidade da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, depois de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cem Anos de Solidão </span></i><span style="font-weight: 400;">(2024), baseada no livro homônimo de Gabriel Garcia Márquez e de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ripley-1a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ripley</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2024), baseada na obra de Patricia Highsmith. O seriado revela que, mesmo com toda a disputa pela atenção e concentração dos telespectadores, ainda há espaço para produções densas e deslocadas do eixo América do Norte/Europa nos serviços de streaming. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=95V9sqY80K8"><span style="font-weight: 400;">https://www.youtube.com/watch?v=95V9sqY80K8</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-o-eternauta/">A nevasca que cobre Buenos Aires em O Eternauta só não é mais densa que a história que ela simboliza</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/critica-o-eternauta/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">35637</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Em um deserto de expectativas, Duna: Parte 2 é um milagre de adaptação</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/duna-parte-2-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/duna-parte-2-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Aug 2024 19:25:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2024]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Arrakis]]></category>
		<category><![CDATA[Austin Butler]]></category>
		<category><![CDATA[Chani]]></category>
		<category><![CDATA[Christopher Walken]]></category>
		<category><![CDATA[Denis Villeneuve]]></category>
		<category><![CDATA[Design de Produção]]></category>
		<category><![CDATA[Duna]]></category>
		<category><![CDATA[Duna 2]]></category>
		<category><![CDATA[Duna: Parte 2]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[Florence Pugh]]></category>
		<category><![CDATA[Frank Herbert]]></category>
		<category><![CDATA[Fremen]]></category>
		<category><![CDATA[Greig Fraser]]></category>
		<category><![CDATA[Hans Zimmer]]></category>
		<category><![CDATA[Iris Italo Marquezini]]></category>
		<category><![CDATA[Javier Bardem]]></category>
		<category><![CDATA[Jon Spaihts]]></category>
		<category><![CDATA[Josh Brolin]]></category>
		<category><![CDATA[Lawrence da Arábia]]></category>
		<category><![CDATA[Léa Seydoux]]></category>
		<category><![CDATA[Lisan al Gaib]]></category>
		<category><![CDATA[Loire Cotler]]></category>
		<category><![CDATA[Mad Max: Estrada da Fúria]]></category>
		<category><![CDATA[Nathan Sampaio]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2025]]></category>
		<category><![CDATA[Patrice Vermette]]></category>
		<category><![CDATA[Paul Atreides]]></category>
		<category><![CDATA[Rebecca Ferguson]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[sci-fi]]></category>
		<category><![CDATA[scifi]]></category>
		<category><![CDATA[Stellan Skarsgård]]></category>
		<category><![CDATA[Timothée Chalamet]]></category>
		<category><![CDATA[Warner Bros Pictures]]></category>
		<category><![CDATA[Zendaya]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=33663</guid>

					<description><![CDATA[<p>Aviso: Lisan al Gaib profetiza que haverá spoilers no texto a seguir Íris Ítalo Marquezini e Nathan Sampaio Um dos exemplos mais utilizados em escolas para representar o conceito de uma história épica é A Odisseia, de Homero. A trama de voltar para casa, ficar distante da família e reclamar dos sacrifícios que são de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/duna-parte-2-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em um deserto de expectativas, Duna: Parte 2 é um milagre de adaptação"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/duna-parte-2-critica/">Em um deserto de expectativas, Duna: Parte 2 é um milagre de adaptação</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="font-weight: 400;"><strong>Aviso:</strong> Lisan al Gaib profetiza que haverá spoilers no texto a seguir</span></em></p>
<figure id="attachment_33675" aria-describedby="caption-attachment-33675" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33675" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-1-800x452.jpg" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Paul Atreides, interpretado por Timothée Chamalet, caminha sobre as areais do deserto de Arrakis em direção à câmera. Paul é um jovem branco de cabelo curto liso. Na cena, ele utiliza um trajestilador, uma roupa cinzenta e justa com cabos e placas lisas que cobrem o corpo inteiro. Paul utiliza um capuz preto e uma capa cinzenta translúcida. O personagem está no centro da imagem com um sol batendo acima dele e montanhas atras de si. O céu é de um amarelo quase bege e não há nuvens. Os olhos de Paul nesta imagens são azuis." width="800" height="452" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-1-800x452.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-1-768x434.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-1.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33675" class="wp-caption-text">O universo de Duna revolucionou a Literatura de ficção científica e, agora, revoluciona o Cinema do gênero (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Íris Ítalo Marquezini e Nathan Sampaio</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos exemplos mais utilizados em escolas para representar o conceito de uma história épica é </span><i><span style="font-weight: 400;">A Odisseia</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Homero. A trama de voltar para casa, ficar distante da família e reclamar dos sacrifícios que são de heróis por direito fundou muito do que se entende pelo ocidente hoje. Acontece que não só de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OmPvpDXox2Y"><span style="font-weight: 400;">histórias monumentais</span></a><span style="font-weight: 400;"> viviam os gregos. As tragédias, compostas por pessoas paralisadas pelas teias do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kVgxQJlgDAQ&amp;list=PLIRc6UmLbMO0uTtFYzuH2QhmxOre_XrHw&amp;index=3"><span style="font-weight: 400;">destino</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de erros fatais irreparáveis, colocavam a audiência na linha tênue entre entretenimento e choque pelo que era representado nos palcos dos teatros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ésquilo, em </span><a href="https://www.metopera.org/discover/education/educator-guides/elektra/house-of-atreus/"><i><span style="font-weight: 400;">A Casa de Atreus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, demonstra um exemplo de como determinadas crenças, ganância e crueldade podem condenar gerações de uma família a sofrer um ciclo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yaLvkqZ4VZc"><span style="font-weight: 400;">violência interminável</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> continua a mostrar a tragédia que acomete essa mesma linhagem dezenas de milhares de anos depois. A graça do filme é o diretor Denis Villeneuve somar o épico e o trágico igualmente, de uma forma que, como alguns diriam anos atrás, seria </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oJOUHEJTmrc"><span style="font-weight: 400;">impossível</span></a><span style="font-weight: 400;">. Para uma história com tanto peso na religião, </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2 </span></i><span style="font-weight: 400;">faz a audiência acreditar que é possível ir ao cinema para presenciar um milagre.</span></p>
<p><span id="more-33663"></span></p>
<p><figure id="attachment_33676" aria-describedby="caption-attachment-33676" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33676" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-2-800x422.png" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Paul entra em um duelo de facas com Feyd Rautha. Em ambos cantos da imagem é possível ver a silhueta de alguns Fremen em frente a uma janela translúcida que bloqueia a luz do sol forte no centro da imagem. À esquerda é possível ver Feyd de pé em uma posição ereta. Feyd um homem careca e albino utilizando uma armadura inteiramente preta, exceto pela cabeça que está desprotegida. Paul está de frente a Feyd em uma posição de guarda para a luta. Ambos seguram facas nas respectivas mãos direitas. É possível ver somente as silhuetas pretas desses personagens em frente a grande janela amarelada pelo sol ao fundo." width="800" height="422" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-2-800x422.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-2-768x405.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-2.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33676" class="wp-caption-text">Duna: Parte 2 é o Império Contra-Ataca (Star Wars) da saga de Frank Herbert [Foto: Warner Bros. Pictures]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">A sequência começa imediatamente após o final anticlimático do primeiro filme: com Paul Atreides (Timothée Chalamet) e Lady Jessica (Rebecca Ferguson) após terem sido atacados. Depostos pela Casa Harkonnen e deixados para morrer no deserto, a dupla se adapta à vivência com os </span><a href="https://br.ign.com/dune/92230/preview/duna-conheca-tudo-sobre-os-fremen"><i><span style="font-weight: 400;">fremen</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o povo nativo do planeta </span><i><span style="font-weight: 400;">Arrakis</span></i><span style="font-weight: 400;">. Desde o início, a relação entre esses personagens e a cultura de um mundo diferente é cercada de desconfianças e manipulações muito bem construídas. É a partir de diálogos bastante diretos que as maquinações pensadas por cada família ficam claras no universo gigante fundado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yhYU4ZbLmmk"><span style="font-weight: 400;">Frank Herbert</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1965. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, apesar de ser uma adaptação bastante fiel ao livro, decide focar principalmente em um único tema. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0pdqxSyro_M"><span style="font-weight: 400;">ecologia</span></a><span style="font-weight: 400;"> do planeta é deixada de lado no roteiro, para se debruçar totalmente no tópico do fanatismo religioso em um contexto colonialista. A história avança fazendo com que a audiência se impressione com a escala grandiosa dos eventos, mas tudo é feito para deixar uma ‘pulga atrás da orelha’ de quem assiste. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o primeiro longa, apresentam-se uma grande variedade de personagens – centrais e coadjuvantes – que não servem apenas para compor cena, pois todos se relacionam com algum aspecto importante do universo criado por Herbert. Porém, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/duna-2021-critica/"><span style="font-weight: 400;">filme de 2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> falha em desenvolver toda essa gama de indivíduos, tornando-os desinteressantes e, em alguns casos, sem propósitos narrativos, o que prejudica o envolvimento do público. Felizmente, o roteiro de Denis Villeneuve e </span><a href="https://mashable.com/article/dune-part-two-jon-spaihts-interview-dune-messiah"><span style="font-weight: 400;">Jon Spaihts</span></a><span style="font-weight: 400;"> amadureceu com o tempo – algo que trouxe arcos melhor estruturados, atrelados a personalidades únicas e marcantes.</span></p>
<figure id="attachment_33674" aria-describedby="caption-attachment-33674" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33674" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-3-800x450.jpg" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Lady Jessica, uma mulher branca de olhos azuis e cabelos escuros e lisos encara um ponto fora da tela. A câmera está focada no rosto dela coberto de tatuagens de hieróglifos. Jessica utiliza uma roupa característica das Bene Gesserit. A roupa se trata de um capuz marrom-avermelhado com detalhes dourados ao redor do capuz. Há um lenço amarelo embaixo do capuz e cobrindo a cabeça de Jessica. O visual ainda conta com um chapéu redondo que cobre inteiramente o cabelo e topo da cabeça da personagem. Desse chapéu, descem tiras douradas que forma linhas em frente ao rosto de Jessica presas por um enfeite retangular." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-3-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-3-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-3-1200x676.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-3.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33674" class="wp-caption-text">Para o figurino de Lady Jessica foram usadas referências da cultura Touareg do Marrocos, com linho e cores claras (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><a href="https://youtu.be/tNcsWDc4w2o?si=L0NViSjyCgpUfT8-"><span style="font-weight: 400;">Paul Atreides</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o personagem que apresenta a melhor evolução, não só entre os filmes, mas também dentro desta sequência. O protagonista começa humilde, empático e concessivo, o que contrasta com a postura mais autoritária e messiânica que surge ao longo da narrativa. E como se não bastasse só o texto bem escrito, a performance de </span><a href="https://youtu.be/TJL2ul-RXGI?si=zEAKNj1jnM1EY_jp"><span style="font-weight: 400;">Timothée Chalamet</span></a><span style="font-weight: 400;"> é genial, captando todas as nuances da transformação de Atreides para </span><i><span style="font-weight: 400;">Muad’dib</span></i><span style="font-weight: 400;">. Além disso, o ator faz com que as suas falas sejam impactantes, mesmo aquelas que estão em um idioma fictício. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos melhores e mais importantes arcos dentro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dune: Part Two</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original)</span> <span style="font-weight: 400;">é o de Lady Jessica Atreides, que se aprofunda tanto na mitologia do povo do deserto – os </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen</span></i><span style="font-weight: 400;"> – quanto nas intenções políticas da ordem das </span><a href="https://editoraaleph.com.br/a-sociedade-matriarcal-em-duna-e-as-bene-gesserit/"><i><span style="font-weight: 400;">Bene Gesserit</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A personagem tem relação direta com o tema principal da trama: a religião e como ela pode ser um instrumento muito poderoso de manipulação de massas. Jessica, mãe de Paul Atreides, entende essa questão e é exatamente por isso que decide usá-la ao seu favor, mesmo que isso vá de encontro com as vontades do seu filho. Nesse papel, </span><a href="https://youtu.be/b_Z1FCukLps?si=KeAVL37MYLpLYRJF"><span style="font-weight: 400;">Rebecca Ferguson</span></a><span style="font-weight: 400;"> entrega uma performance complexa, pesada, que flerta com a vilania, mas que nunca deixa de ser cativante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Villeneuve e Spaihts souberam muito bem adaptar o material original por não se prenderem apenas em transpor o livro para a tela, mas se desafiarem a alterar acontecimentos e personagens em prol de fortalecer sua narrativa. Lady Jessica, no material base, critica constantemente o caminho messiânico e violento tomado por Paul; enquanto em </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">a </span><i><span style="font-weight: 400;">Reverenda Madre</span></i><span style="font-weight: 400;"> está bem confortável com a ideia de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vLhrS5rag_o"><span style="font-weight: 400;">manipular</span></a><span style="font-weight: 400;"> os mais fracos e vulneráveis.</span></p>
<figure id="attachment_33673" aria-describedby="caption-attachment-33673" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33673" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-4-800x450.png" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Chani encara Paul, que está fora do enquadramento, com um semblante irritado. A personagem é uma jovem negra de cabelo crespos e curtos e olhos inteiramente azuis. A personagem utiliza uma armadura cinza com textura áspera que cobre todo o corpo, exceto a cabeça. Atrás dela, é possível ver alguns fremen desfocados." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-4-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-4-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-4.png 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33673" class="wp-caption-text">De coadjuvante a papel central, Chani é uma das personagens mais influentes em Duna: Parte 2 (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No romance de Frank Herbert, </span><a href="https://youtu.be/9_EEraYR-qo?si=44AWXWNQa6iD31wf"><span style="font-weight: 400;">Chani</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Zendaya) é passiva e se limita em aceitar as decisões do protagonista, o que a torna tanto amante como seguidora do </span><a href="https://open.spotify.com/episode/2Qov5o8JCvflGpZPKCE7mN?si=031b746a51664caf"><i><span style="font-weight: 400;">Lisan al Gaib</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Por outro lado, a </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen</span></i><span style="font-weight: 400;"> aparece para a audiência nas duas partes da adaptação</span> <span style="font-weight: 400;">como uma bússola moral. O longa a transforma em uma descrente das profecias, e essa convicção, unida a sua personalidade segura de si, criam pontos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EWQIvegIYEQ"><span style="font-weight: 400;">conflito</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre ela e Paul Atreides. Tal decisão torna a interpretação de Zendaya mais interessante e ajuda a engajar o espectador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os antagonistas apresentam um desenvolvimento mais fraco se comparado aos protagonistas, já que todos os Harkonnen compartilham de traços de personalidade similares, como violência, impiedade e sede de poder. O que os torna únicos é o visual absurdo empregado em cada um deles: se não fosse a estética requintada alinhada à interpretação imponente de </span><a href="https://youtu.be/l5nLONCv6Kg?si=hyOzyXXMNOA_TilC"><span style="font-weight: 400;">Stellan Skarsgård</span></a><span style="font-weight: 400;">, como Barão Vladimir, e </span><a href="https://youtu.be/kwwDznO3EMQ?si=5DaXMzyY49NEIT-G"><span style="font-weight: 400;">Austin Butler</span></a><span style="font-weight: 400;">, como Feyd-Rautha, os personagens poderiam se tornar genéricos, mas há pinceladas de individualidade o suficiente que os tornam ameaçadores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As demais interpretações estão alinhadas com os propósitos da narrativa. Stilgar Ben Fifrawi (</span><a href="https://youtu.be/Rj9BT0THWLE?si=2QYPeRA0X16OZWgX"><span style="font-weight: 400;">Javier Bardem</span></a><span style="font-weight: 400;">) personifica os </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen </span></i><span style="font-weight: 400;">que ainda acreditam no Messias cegamente, o que faz com que ele transite entre a figura cômica e aquele irracional pela própria fé incondicional. Já a Princesa Irulan Corrino (</span><a href="https://youtu.be/0YQHYM17wkg?si=SEIHHMX9YO12x_o8"><span style="font-weight: 400;">Florence Pugh</span></a><span style="font-weight: 400;">), serve para vislumbrarmos as consequências políticas do primeiro filme, além de atiçar o público para a sequência. As performances mais fracas ficam por conta de </span><a href="https://youtu.be/_Ibvk_oAbpU?si=65QFfOlgZ6pb8rtr"><span style="font-weight: 400;">Christopher Walken</span></a><span style="font-weight: 400;">, como Imperador Shaddam IV, e </span><a href="https://youtu.be/AkxguPOSDxA?si=xgi861NAvEc05r-B"><span style="font-weight: 400;">Josh Brolin</span></a><span style="font-weight: 400;">, que retorna como Gurney Halleck, por causa do menor tempo de tela e pela desconexão com a trama.</span></p>
<figure id="attachment_33672" aria-describedby="caption-attachment-33672" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33672" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-5-800x414.jpg" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Paul, à esquerda, encara o céu. Chani, à direita, segura uma bazuca com as duas mãos e à leva ao ombro para mirar em direção à câmera. A personagem mantém um dos olhos fechados para mirar. A arma utilizada por Chani é retangular e possui uma tela cinzenta apagada também retangular nas laterais. Ambos os personagens utilizam os trajestiladores cinzas, mas com um capacete redondo e uma máscara facial que cobrem o rosto inteiro exceto os olhos." width="800" height="414" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-5-800x414.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-5-1024x530.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-5-768x397.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-5-1200x621.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-5.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33672" class="wp-caption-text">O design dos maquinários dos Harkonnen se baseia em aracnídeos para reforçar sua ameaça (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A conclusão da trama também melhora no novo capítulo, pois como o primeiro longa deixou um gancho para a sequência, havia a sensação da história parecer incompleta e </span><a href="https://youtu.be/oI464xDu3KU?si=fgeHJuc0ruPbXe5B"><span style="font-weight: 400;">sem final</span></a><span style="font-weight: 400;">. Já a segunda parte parece mais inteira, pois possui uma linha narrativa melhor desenvolvida – com início, meio e fim bem delimitados e satisfatórios – tirando o gosto amargo deixado pela experiência anterior. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Comparado com o primeiro filme, </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta um ritmo muito melhor. O </span><a href="https://youtu.be/uBKH8WaMWSo?si=AtOP4O5vKQw-z3Uj"><span style="font-weight: 400;">longa de 2021</span></a><span style="font-weight: 400;"> adapta um trecho introdutório do livro original, e apresenta conceitos básicos do universo – o que faz a trama demorar, tornando a narrativa insossa. Já a sequência se beneficia da transposição do clímax da publicação </span><i><span style="font-weight: 400;">sci-fi </span></i><span style="font-weight: 400;">para as telonas: a direção de Denis Villeneuve consegue aproveitar bem isso, e faz a história ser impressionante, trágica, intensa, angustiante e, acima de tudo, deslumbrante</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os pontos positivos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Parte 1</span></i><span style="font-weight: 400;"> se mantiveram neste novo capítulo. O </span><a href="https://www.elledecor.com/life-culture/a38066050/dune-set-design/"><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> feito por Patrice Vermette – </span><a href="https://jovemnerd.com.br/noticias/filmes/oscar-2022-duna-premiacoes-tecnicas"><span style="font-weight: 400;">vencedor do Oscar</span></a><span style="font-weight: 400;"> por </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">em 2022 – continua impecável e encantadora. Nesta segunda parte, mergulhamos ainda mais na cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen</span></i><span style="font-weight: 400;">, o que permitiu ao diretor de Arte mergulhar ainda mais nas referências de culturas do Oriente Médio somadas às identidades visuais de civilizações Incas e Astecas. A confluência de referenciais foi essencial para criar uma personalidade única e reconhecível ao universo de Herbert.</span></p>
<figure id="attachment_33671" aria-describedby="caption-attachment-33671" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33671" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-6-800x450.png" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Feyd-Rautha encara o Barão Harkonnen, que está fora do enquadramento. O personagem está no centro da imagem olhando para cima, de forma que a câmera o vê de baixo. O personagem utiliza uma armadura preta que deixa o peito, pescoço e braços levemente expostos. Feyd está com um semblante raivoso." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-6-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-6.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33671" class="wp-caption-text">Os fogos de artifício que aparecem na cena de Giedi Prime foram inspirados em imagens de células cancerígenas (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos momentos mais deslumbrantes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2 </span></i><span style="font-weight: 400;">é a sequência em </span><i><span style="font-weight: 400;">Giedi Prime</span></i><span style="font-weight: 400;">, planeta natal dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Harkonnen</span></i><span style="font-weight: 400;">, que, por decisões estéticas de Villeneuve, foi toda feita em preto e branco, o que remete ao caráter colonizador da dinastia. Dessa forma, Vermette se inspirou em </span><a href="https://www-dezeen-com.translate.goog/2024/03/19/dune-part-two-production-design-patrice-vermette-interview/?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt-BR&amp;_x_tr_pto=sc"><span style="font-weight: 400;">visuais plásticos e oleosos</span></a><span style="font-weight: 400;">, que lembram o petróleo, e o resultado é um cenário opressor, repulsivo e nojento, características que se encaixam perfeitamente no grupo de antagonistas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cinematografia também possui muitos méritos por essa sequência, pois o diretor de Fotografia, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=39p8wPkhmtM"><span style="font-weight: 400;">Greig Fraser</span></a><span style="font-weight: 400;"> – que retorna à sequência após ter ganhado o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> pelo primeiro capítulo –, se desafia ainda mais neste longa. Para passar a sensação do sol negro que ilumina </span><i><span style="font-weight: 400;">Giedi Prime</span></i><span style="font-weight: 400;">, usaram-se câmeras infravermelhas e dessaturação, o que proporcionou às cenas um tom mais natural e opressivo ao mesmo tempo, ajudando a diferenciar a ecologia de cada planeta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que haja muitos elementos fantasiosos em cena, Fraser e Denis </span><span style="font-weight: 400;">Villeneuve buscaram manter um viés realista nas filmagens e enquadramentos. Todo o segmento de Paul montado pela primeira vez no </span><a href="https://youtu.be/7E6AcXUKSVA?si=Wj2dPH_FJL_ESmod"><span style="font-weight: 400;">verme</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi inspirado em vídeos de pessoas mergulhando e enfrentando vendavais, e o referencial mais próximo da realidade junto de </span><i><span style="font-weight: 400;">closes </span></i><span style="font-weight: 400;">mais intensos faz com que o espectador se sinta na pele de </span><i><span style="font-weight: 400;">Muad’Dib</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_33670" aria-describedby="caption-attachment-33670" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33670" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-7-800x480.jpeg" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Paul Atreides monta o verme-de-areia shai-hulud que está indo para a direita da imagem. O personagem está em frente ao sol em uma posição que tenta manter o equilíbrio. Paul está com o corpo inteiramente coberto pelo trajestilador e um capuz alaranjado na cabeça que esvoaça com o vento. O personagem é visto de lado e ele segura duas cordas com ambas as mãos que se conectam em um ponto fora do enquadramento. É possível ver apenas um pedaço do verme com pele cinzenta e áspera e cheia de elevações." width="800" height="480" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-7-800x480.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-7-1024x614.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-7-768x461.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-7.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33670" class="wp-caption-text">A cena do verme demorou semanas para ser gravada, pois necessitava de vários ângulos diferentes (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de Villeneuve do segundo capítulo consegue entregar cenas de ação ainda mais empolgantes que o primeiro, dando o tom épico que </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">merecia. A batalha final é grandiosa e espetacular, e é um deleite para quem se permitiu imergir naquele mundo. O deserto parece mais vivo, e o diretor se inspira em</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=HxejohkhRuQ"><i><span style="font-weight: 400;">Lawrence da Arábia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1962) para filmar e transformar aquele cenário em um personagem vivo e atuante na trama, algo perceptível durante toda a projeção, principalmente nas interações entre os </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Arrakis</span></i><span style="font-weight: 400;">, que parecem pertencer a uma mesma tribo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O único ponto negativo da cinematografia, também presente na </span><i><span style="font-weight: 400;">Parte 1</span></i><span style="font-weight: 400;">, é que a sensação de calor do deserto nunca é transmitida para o espectador. Jamais vemos Paul Atreides, Lady Jessica, Stigar ou qualquer soldado Harkonnen sofrer com o sol. Ter essa percepção auxiliaria na construção do mundo, pois os </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen </span></i><span style="font-weight: 400;">pareceriam mais ameaçadores por viver naquelas condições, além de demonstrar ao público como aquela terra é inóspita. Isso é algo que pode ser melhor visto em outros filmes, como em </span><a href="https://personaunesp.com.br/mad-max-estrada-da-furia-o-reboot-da-distopia/"><i><span style="font-weight: 400;">Mad Max: Estrada da Fúria</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2015).</span></p>
<figure id="attachment_33669" aria-describedby="caption-attachment-33669" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33669" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-8-800x420.jpeg" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Paul Atreides encara o shai-hulud que irá montar. A câmera está em plano detalhe destacando os olhos do personagem, que nesta cena ainda são verdes. O personagem utiliza uma máscara e capacete de trajestilador e um lenço laranja cobrindo o restante da cabeça." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-8-800x420.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-8-1024x538.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-8-768x403.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-8.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33669" class="wp-caption-text">Os linguistas David J. Peterson e Jessie Peterson criaram a Chakobsa, a linguagem usada pelos fremen (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Hans Zimmer retorna para a trilha sonora da sequência, reutilizando muito do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=93A1ryc-WW0"><span style="font-weight: 400;">primeiro filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas sem deixar de expandir o que já foi feito. As músicas aqui servem não só para demonstrar a grandeza e o aspecto único da história, mas também para dar um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=r5SE6VOIwnc"><span style="font-weight: 400;">toque funesto</span></a><span style="font-weight: 400;"> às consequências dos atos dos protagonistas. Reconhecer algumas melodias não incomoda, pois se tem a experiência de ver </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;"> criar uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TXD-ypn_g0c"><span style="font-weight: 400;">identidade sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> própria, bem distante das orquestras sinfônicas europeias que Zimmer conseguiu, com sucesso, se afastar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As músicas </span><i><span style="font-weight: 400;">Water of Life</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Worm Ride </span></i><span style="font-weight: 400;">são semelhantes a </span><i><span style="font-weight: 400;">Gom Jabbar </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Ripples in the Sand </span></i><span style="font-weight: 400;">do primeiro filme, mas possuem diferenças cruciais. Uma das maiores novidades é o ritmo completamente frenético das composições utilizadas pelas cenas de ação, em que o </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;"> da juventude de Hans Zimmer é abraçado, como na trilha </span><i><span style="font-weight: 400;">Harvester Attack</span></i><span style="font-weight: 400;">. A brilhante </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/who-is-the-dune-score-singer-hans-zimmer-loire-cotler#:~:text=Singer%20Loire%20Cotler%2C%20who%20describes,the%20Last%20Dragon%2C%20as%20well"><span style="font-weight: 400;">Loire Cotler</span></a><span style="font-weight: 400;"> retorna para fazer o já icônico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_j5GgGdSwjE"><span style="font-weight: 400;">vocal gutural</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, ao mesmo tempo, alienígena para as novas faixas.</span></p>
<figure id="attachment_33668" aria-describedby="caption-attachment-33668" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33668" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-9-800x413.png" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Chani, à esquerda, e Paul, à direita, estão sentados em uma duna de areia observando o restante do deserto de Arrakis. A imagem é um plano aberto que coloca os personagens fora de foco e destaca a imensidão de Dunas de areia em frente a eles. No horizonte, é possível ver somente um céu amarelado." width="800" height="413" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-9-800x413.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-9-1024x528.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-9-768x396.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-9-1536x793.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-9-2048x1057.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-9-1200x619.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33668" class="wp-caption-text">Hans Zimmer e a equipe modificaram instrumentos para trazer melodias únicas à Arrakis (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora aparece em </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tVX2ZWsejLs"><span style="font-weight: 400;">humanizar</span></a><span style="font-weight: 400;"> os sentimentos dos personagens. O primeiro filme falha em não apresentar esse lado emocional e utiliza as faixas principalmente para ambientar o planeta </span><i><span style="font-weight: 400;">Arrakis</span></i><span style="font-weight: 400;">. Já a sequência se beneficia muito da </span><i><span style="font-weight: 400;">soundtrack</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">que coloca as famílias e os povos apresentados sob a luz de uma série de espectros emotivos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O maior destaque fica para a belíssima </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7lG5m4JN0exualOkghSNXq?si=bf1276246d0645b9"><i><span style="font-weight: 400;">A Time of Quiet Between Storms</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, utilizada como rima sonora para o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JGLEVXJoetU&amp;list=PLIRc6UmLbMO0uTtFYzuH2QhmxOre_XrHw&amp;index=17"><span style="font-weight: 400;">romance</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre Chani e Paul. A música foi composta por Zimmer com o intuito de representar o conceito de amor – e é possível dizer que o compositor conseguiu. A trilha complementa, por meio do som da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9B8quqDC_MM"><span style="font-weight: 400;">flauta duduk</span></a><span style="font-weight: 400;">, as belezas do cenário desértico do planeta </span><i><span style="font-weight: 400;">Arrakis</span></i><span style="font-weight: 400;">, além da relação ingênua e inocente entre os personagens naquele cenário hostil. </span></p>
<figure id="attachment_33667" aria-describedby="caption-attachment-33667" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33667" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-10-800x450.png" alt="Imagem de uma Apresentação ao vivo do compositor Hans Zimmer: À esquerda, Loire Cotler grita no microfone enquanto Hans Zimmer, à direita, fora de foco e atrás dela, toca guitarra. Cotler é uma mulher branca de cabelo loiro e um semblante raivoso. A cantora utiliza um vestido marrom e um lenço amarelado ao redor do pescoço. Hans Zimmer utiliza uma camisa branca e possui um semblante alegre no rosto. Atrás deles é possível ver outros músicos fora de foco." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-10-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-10-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-10-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-10-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-10.png 1440w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33667" class="wp-caption-text">Loire Cotler é descrita por Hans Zimmer como dona de uma voz de banshee (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A recontextualização da mesma melodia no final do filme, com </span><i><span style="font-weight: 400;">Kiss the Ring</span></i><span style="font-weight: 400;">, só reitera as tristes mudanças sofridas por Chani e Paul até o desfecho da história. É possível ouvir sons ao fundo que lembram um martelador, mas se tratam de um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AkZBjK69VcE"><span style="font-weight: 400;">coração batendo</span></a><span style="font-weight: 400;">. A principal impressão que a produção</span> <span style="font-weight: 400;">deixa é justamente a de que a direção de Denis Villeneuve finalmente encontrou um caminho que faça a audiência se importar de vez e se maravilhar com o que é apresentado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo assim, Hans Zimmer não rouba o espaço de Richard King, o editor de som de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;">. Os sons de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eWV3Om6oHCM"><i><span style="font-weight: 400;">Arrakis</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são tão bem inseridos na trama que fica fácil esquecer, por alguns segundos, que estamos em 2024 e não a 10 mil anos no futuro. Essa impressão aparece seja pelo barulho das usinas colheitadeiras operando e explodindo, ou pelo rugido jurássico do </span><i><span style="font-weight: 400;">shai-hulud</span></i><span style="font-weight: 400;"> para os personagens.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Dune: Part Two (Original Motion Picture Soundtrack)" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/1PeYjDmxcRNvxLd5mGHuCC?si=5dklBOMYQSm_RL_LHzfIkg&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos melhores usos de som na narrativa é a característica quase fantasmagórica da </span><a href="https://www.omelete.com.br/duna/duna-bene-gesserit-quem-sao"><span style="font-weight: 400;">Voz</span></a><span style="font-weight: 400;">. Enquanto no primeiro filme vemos apenas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=l9fvEDpub8M"><span style="font-weight: 400;">breves momentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> do uso da habilidade das </span><i><span style="font-weight: 400;">Bene Gesserit</span></i><span style="font-weight: 400;"> de controlar a mente das pessoas, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> possibilita ver muitas aplicações criativas desse método. Vale menção tanto ao uso dela pela Lady Jessica quanto pelas breves aparições com toque </span><i><span style="font-weight: 400;">femme fatale </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zxuz2o1uKf4"><span style="font-weight: 400;">Lady Fenring</span></a><span style="font-weight: 400;">, interpretada por Léa Seydoux. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, as combinações sonoras não param apenas nas características alienígenas e futurísticas interagindo de forma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Gkf_rdROyWw"><span style="font-weight: 400;">plausível</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a areia. A mistura entre a cinematografia de uma epopeia e o som de outro planeta nos ajuda a entender o número chocante de seguidores que Paul Atreides conseguia conforme o avançar da história. Ouvir o puxar coletivo das centenas de milhares de </span><a href="https://open.spotify.com/episode/49778nkGPfMUfp9yrlDhOg?si=65d8579ee7434433"><i><span style="font-weight: 400;">dagacrises</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e sussurros que evoluem para gritos de guerra fiéis ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Lisan al Gaib</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma experiência inesquecível para os ouvidos de qualquer um. </span></p>
<figure id="attachment_33666" aria-describedby="caption-attachment-33666" style="width: 688px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33666" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-11.png" alt="Cena do filme Duna: Parte 2: Lady Fenring caminha em um corredor cinzento em forma de tubo com linhas destacando-se com um relevo arredondado. Lady Fenring é uma mulher jovem e branca de cabelos loiros. A personagem está no centro da imagem e é vista de perfil. A mulher utiliza um um vestido azul com um tecido parecido com veludo. Lady Fenring retira uma capa completamente preta com uma textura quase plástica. A personagem possui um semblante calmo e com os olhos fechados." width="688" height="581" /><figcaption id="caption-attachment-33666" class="wp-caption-text">As sombrias e misteriosas Bene Gesserit retornam para o seriado Dune: Prophecy (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O saldo geral da segunda parte inspirada no clássico de Frank Herbert é de expansão, tanto do primeiro filme quanto do próprio </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vgEG0GW5a0A"><span style="font-weight: 400;">livro original</span></a><span style="font-weight: 400;">, embora muito da obra fique de fora. Além do maior destaque dado para as Casas </span><i><span style="font-weight: 400;">Harkonnen</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/280534-duna-2-conheca-seis-casas-faccoes-principais-filmes.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Corrino</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e para o universo que cerca essas famílias, em comparação ao longa de 2021, </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> aprofunda a cultura dos </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen</span></i><span style="font-weight: 400;">, fazendo uma distinção entre os povos do norte e do sul. Essa decisão é acertada, pois demonstra as diferenças de ideias entre as pessoas daquele povo. </span></p>
<p><strong><span style="font-weight: 400;">A melhor decisão da adaptação de Denis Villeneuve é justamente mostrar, sem rodeios para a audiência, o quanto a história proposta é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=68ZPO402dqo"><span style="font-weight: 400;">subversiva</span></a><span style="font-weight: 400;">. Embora </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">tenha muitos arquétipos de histórias de ficção científica – como um herói clássico super poderoso e um povo nativo para supostamente ser salvo –, é a partir da crítica sobre esses tropos narrativos, somada a um olhar questionador à religião e ao colonialismo, que a obra original se tornou clássica.</span></strong></p>
<figure id="attachment_33665" aria-describedby="caption-attachment-33665" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33665" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-12-800x450.jpg" alt="Cena do filme Duna: Parte 2. No centro da imagem, aparecendo apenas o rosto, está Stilgar. Ele é um homem branco, seus olhos são azuis e ele tem uma barba preta. Ele veste o trajestilador e possui um tubo que sai da nuca, segue pelo lado direito do rosto e se conecta ao nariz. Ele também usa um lenço na cabeça. Seu olhar é de espanto. Atrás dele está o deserto e alguns fremen em desfoque." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-12-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-12-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-12-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-12-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-12.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33665" class="wp-caption-text">“Lisan al Gaib!” (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Villeneuve claramente não quis correr o risco da audiência não entender essa mensagem sobre o perigo de figuras messiânicas, mesmo que não pudesse escapar de uma estética </span><a href="https://www.politize.com.br/orientalismo/"><i><span style="font-weight: 400;">techno</span></i><span style="font-weight: 400;">-oriental</span></a><span style="font-weight: 400;"> presente desde as raízes da </span><a href="https://newlinesmag.com/review/dune-frank-herbert-the-republican-salafist/"><span style="font-weight: 400;">proposta</span></a><span style="font-weight: 400;"> elaborada por Herbert. Nessa perspectiva, são poucos os personagens com </span><a href="https://www.cosmopolitan.com/uk/entertainment/a60007426/dune-2-middle-east-north-africa-muslim-influence-erasure/"><span style="font-weight: 400;">ascendência árabe</span></a><span style="font-weight: 400;"> presentes com destaque nos acontecimentos, mesmo que palavras como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=124xCHfVUk4"><i><span style="font-weight: 400;">Lisan al Gaib</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Mahdi </span></i><span style="font-weight: 400;">sejam repetidas à exaustão, tornando-se até fontes para incontáveis </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I9Jhy0NeEDg&amp;t=113s"><i><span style="font-weight: 400;">memes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que os </span><i><span style="font-weight: 400;">fremen </span></i><span style="font-weight: 400;">não sejam um povo necessariamente árabe na obra original, uma maior </span><a href="https://www.vulture.com/2021/10/dune-has-a-desert-problem.html"><span style="font-weight: 400;">representatividade</span></a><span style="font-weight: 400;"> à frente e atrás das câmeras seria mais benéfica para </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;">. A resistência em não deixar a humanidade se extinguir é um dos temas principais do livro </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rIqnuBOtYFA"><i><span style="font-weight: 400;">Imperador-Deus de Duna</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e da saga inteira em geral. Nesse sentido, focar em narrativas de um povo da vida real que </span><a href="https://www.cosmopolitan.com/uk/reports/a46597986/why-muslim-women-wear-the-hijab/"><span style="font-weight: 400;">sobrevive</span></a><span style="font-weight: 400;"> – apesar de todas as circunstâncias –, em não deixar a própria </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G1j_Q_JraL0"><span style="font-weight: 400;">cultura</span></a><span style="font-weight: 400;"> morrer, faria todo o sentido dentro da lógica do universo proposto.</span></p>
<figure id="attachment_33664" aria-describedby="caption-attachment-33664" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33664" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-13-800x450.png" alt="Cena do filme Duna: Parte 2. No centro da imagem está Chani, ela veste o trajestilador e está com o cabelo preso. Ela encara Paul. Ao redor dela estão os fremen, todos estão desfocados, mas a maioria é barbado, são negros, usam o trajestilador e um leço ao redor da cabeça." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-13-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-13-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-13-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-13-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-13-2048x1152.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-13-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33664" class="wp-caption-text">As ações de Chani são um dos fatores que mais empolgam para um possível ‘Messias de Duna’ (Foto: Warner Bros Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda parte da epopeia de Denis Villeneuve supera o antecessor e abre portas para uma </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/a-unica-condicao-de-denis-villeneuve-para-dirigir-duna-3/"><span style="font-weight: 400;">sequência</span></a><span style="font-weight: 400;"> que conclua a jornada de todos essesP personagens, bem como o fechamento do tema sobre as figuras messiânicas. O romance escrito por Frank Herbert </span><a href="https://www.omelete.com.br/duna/duna-influencia-ficcao-cientifica#:~:text=Mesmo%20ap%C3%B3s%20in%C3%BAmeras%20mudan%C3%A7as%20no,literal%20a%20trama%20de%20Duna."><span style="font-weight: 400;">inspirou</span></a><span style="font-weight: 400;"> centenas de histórias de ficção científica e de fantasia, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2 </span></i><span style="font-weight: 400;">promete influenciar muitas obras que ainda virão. A franquia está alcançando o imaginário popular através de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-BsXtS09XZg"><span style="font-weight: 400;">temas relevantes</span></a><span style="font-weight: 400;">, um universo muito bem estruturado e um elenco marcante. A soma de todos esses fatores resulta em uma aventura de outra galáxia, que torna a experiência de ir ao cinema inesquecivelmente épica. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/duna-parte-2-critica/">Em um deserto de expectativas, Duna: Parte 2 é um milagre de adaptação</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/duna-parte-2-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">33663</post-id>	</item>
		<item>
		<title>25 anos de Cowboy Bebop: Se o passado vai me condenar, coloque um jazz para acompanhar</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/cowboy-bebop-25-anos/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/cowboy-bebop-25-anos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Dec 2023 13:18:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[10 anos]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Anime]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Ballad of Fallen Angels]]></category>
		<category><![CDATA[Cowboy Bepop]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[cyberpunk]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[Ganimedes Elegy]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Briggs]]></category>
		<category><![CDATA[Heavy Metal Queen]]></category>
		<category><![CDATA[Iris Italo Marquezini]]></category>
		<category><![CDATA[Jupiter Jazz]]></category>
		<category><![CDATA[Mushroom Samba]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Shinichiro Watanabe]]></category>
		<category><![CDATA[Space-opera]]></category>
		<category><![CDATA[The Seatbelts]]></category>
		<category><![CDATA[Toys in the Atric]]></category>
		<category><![CDATA[Waltz for Venus]]></category>
		<category><![CDATA[Yoko Kanno]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=32102</guid>

					<description><![CDATA[<p>Iris Italo Marquezini É possível apontar para diversos episódios de Cowboy Bebop e pensar “caramba, agora a parada ficou séria”. Não é difícil mencionar outras animações que pegaram o público de surpresa e apresentaram uma trama tão ousada e emocionante em um momento inusitado. Em Avatar: A Lenda de Aang, pode-se citar o episódio em &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cowboy-bebop-25-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "25 anos de Cowboy Bebop: Se o passado vai me condenar, coloque um jazz para acompanhar"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/cowboy-bebop-25-anos/">25 anos de Cowboy Bebop: Se o passado vai me condenar, coloque um jazz para acompanhar</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32106" aria-describedby="caption-attachment-32106" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32106" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image6-3.png" alt="Cena do episódio &quot;The Real Folk Blues: Part 1&quot; do anime Cowboy Bebop. Duas mulheres estão dentro de um carro conversível vermelho em movimento visto de lado. Atrás delas, um oceano e um céu com tonalidades rosadas do entardecer. A mulher dirigindo é Julia. Ascendência asiática, loira de cabelo liso, pele clara, batom vermelho na boca, usa um sobretudo marrom e possui um olhar determinado no rosto. Ao lado dela, no banco do passageiro, está Faye Valentine. A mulher tem ascendência asiática, pele clara, cabelos escuros levemente azuis. Uma tiara amarela na cabeça combina com o colete de couro amarelo usado por Faye junto com um casaco vermelho de mangas arregaçadas e amarrado na altura da barriga. Um dos braços de Feye está apoiado na porta do conversível e ela possui um olhar contemplativo." width="540" height="388" /><figcaption id="caption-attachment-32106" class="wp-caption-text">“A obra, que irá instaurar um novo gênero próprio, irá se chamar COWBOY BEBOP” (Foto: Sunrise)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;"><b>Iris Italo Marquezini</b></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É possível apontar para diversos episódios de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cowboy Bebop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e pensar “caramba, agora a parada ficou séria”. Não é difícil mencionar outras animações que pegaram o público de surpresa e apresentaram uma trama tão </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lPWeedpJCpc"><span style="font-weight: 400;">ousada e emocionante</span></a><span style="font-weight: 400;"> em um momento inusitado. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Avatar: A Lenda de Aang</span></i><span style="font-weight: 400;">, pode-se citar o episódio em que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=00KwNjjL-cg"><span style="font-weight: 400;">Toph falha em evitar</span></a><span style="font-weight: 400;"> a captura do bisão Appa pelas mãos da vilã Azula. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Fullmetal Alchemist: Brotherhood</span></i><span style="font-weight: 400;">, aconteceu com o inesquecível </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CiaPLvUBAps"><span style="font-weight: 400;">arco de Nina</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma garotinha com um pai especialista em criar quimeras e o final trágico desta relação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Steven Universo</span></i><span style="font-weight: 400;">, lembra-se do episódio em que Steven encontra uma fita deixada pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sJSQS7vbIwA"><span style="font-weight: 400;">mãe já falecida</span></a><span style="font-weight: 400;">. Irônico, porque esse episódio presta homenagem direta a justamente um capítulo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cowboy Bebop</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://www.capsulecomputers.com.au/2012/01/a-very-special-anime-episode-1-cowboy-bebop-speak-like-a-child/"><i><span style="font-weight: 400;">Speak Like a Child</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> também envolve assistir uma fita em uma televisão, só que dessa vez a espectadora é Faye Valentine. A mercenária caloteira, viciada em apostas  e sem memória alguma do próprio passado sente um soco no estômago quando percebe que existia muito mais sobre ela mesma para se descobrir a partir do momento que assiste a uma mensagem de décadas atrás. </span></p>
<p><span id="more-32102"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sensação de encontrar a obra 25 anos depois da estreia em 1998 na </span><i><span style="font-weight: 400;">TV Tokyo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é semelhante à de Faye. O seriado criado por </span><a href="https://www.terra.com.br/gameon/geek/criador-de-cowboy-bebop-anuncia-novo-anime,e4560709378902e1df7a8ad3a5f5e03bv2d0hi6d.html"><span style="font-weight: 400;">Shinichiro Watanabe</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Samurai Champloo</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Carole &amp; Tuesday</span></i><span style="font-weight: 400;">) sustenta o próprio sentimentalismo e originalidade intactos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=R_kga0BFi_M"><span style="font-weight: 400;">mesmo décadas depois</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quem descobre a série hoje encontra particularidades com as produções dos anos 1990 (sejam elas boas ou ruins), mas também entra em contato com um universo futurista dinâmico e divertido como só uma boa </span><i><span style="font-weight: 400;">space opera</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; ou melhor, um </span><i><span style="font-weight: 400;">space jazz,</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode apresentar. </span></p>
<figure id="attachment_32105" aria-describedby="caption-attachment-32105" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32105" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2.jpg" alt="Cena do episódio &quot;Boogie Woogie Feng Shui&quot; do anime Cowboy Bebop. Faye e Spike fumam lado a lado vistos de frente  enquanto usam recipientes cilíndricos de metal como cinzeiros. Atrás de ambos é possível ver apenas um céu prestes a anoitecer com algumas nuvens, com um &quot;degradê&quot; separando a tonalidade laranja do pôr do sol com o escuro da noite mais acima. Spike possui ascendência asiática, pele clara, cabelos espetado verde-escuro. O personagem usa um terno azul escuro com mangas arregaçadas e uma camisa amarela com a gola levantada. Ambos estão em silêncio e de olhos fechados" width="1600" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2-800x540.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2-1024x691.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2-768x518.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2-1536x1037.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2-1200x810.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32105" class="wp-caption-text">Momentos contemplativos ao estilo Hayao Miyazaki marcam a linguagem narrativa da série (Foto: Sunrise)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano é 2071 e o planeta Terra está inabitável por causa de acidentes com portões espaciais e o lixo gerado por essas ocorrências. A humanidade destina-se a outros planetas por meio de naves e todo mundo está apenas tentando ganhar alguma grana para não passar fome. A ambientação aqui é cirurgicamente organizada para </span><a href="https://www.fanbyte.com/features/cowboy-bebop-western-genre"><span style="font-weight: 400;">prestar homenagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> aos bons faroestes com xerifes barra pesada, moralmente questionáveis e de falas ríspidas. A surpresa é o surgimento de uma inesperada família no meio disso tudo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Spike Spiegel é o personagem no qual a maior parte da trama é centrada. O mercenário trambiqueiro é dublado na versão brasileira por </span><a href="https://www.facebook.com/GuilhermeBriggs/posts/2161229140630531/"><span style="font-weight: 400;">Guilherme Briggs</span></a><span style="font-weight: 400;">, que consegue dar um tom hilário ao </span><i><span style="font-weight: 400;">cowboy</span></i><span style="font-weight: 400;"> característico das atuações já conhecidas do ator. O malandro é um excelente protagonista por trazer lutas cheias de </span><a href="https://www.omelete.com.br/mangas-animes/cowboy-bebop-spike-spiegel-bruce-lee"><span style="font-weight: 400;">coreografias ao estilo Bruce Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> e respostas sarcásticas a qualquer ameaça que aparece no caminho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escondido no meio de toda essa violência há um tom inescapável de melancolia o rodeando. O ponto de virada que demonstra isso é o aclamado capítulo </span><a href="https://dotandline.net/cowboy-bebop-ballad-of-fallen-angels-questions-49a00294496d/"><i><span style="font-weight: 400;">Ballad of Fallen Angels</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, já no começo do anime. O mistério acerca do passado é um dos pontos mais empolgantes de se acompanhar e o episódio, um genuíno espetáculo de visual e escrita, serve para mostrar todo o potencial dramático da história.</span></p>
<figure id="attachment_32107" aria-describedby="caption-attachment-32107" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32107" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image7-1.png" alt="Cena do episódio &quot;Ballad of Fallen Angels&quot; do anime Cowboy Bebop. A cena ocorre em frente a um vitral de igreja, localizado à direita da imagem, com mosaicos caleidoscópicos. É a única fonte de luz do cenário. Spike está deitado no chão, agora usando um sobretudo marrom enquanto aponta uma arma diretamente no peito de Vicious. Vicious, em contrapartida, de pé acima de Spike, aponta uma espada também diretamente no peito do inimigo. Os dois estão se encarando. Vicious é um homem de ascendência asiática de cabelos brancos e pele pálida. O homem também utiliza um terno totalmente preto acompanhado por uma capa com acabamentos dourados." width="1200" height="628" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image7-1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image7-1-800x419.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image7-1-1024x536.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image7-1-768x402.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32107" class="wp-caption-text">“Homens só pensam no próprio passado antes de morrer, como se procurassem freneticamente uma prova de que estão vivos” (Foto: Sunrise)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O tema sobre fugir do passado é uma constante em absolutamente todos os episódios do seriado. Até mesmo o engraçadíssimo </span><a href="https://screenrant.com/cowboy-bebop-toys-attic-alien-homage-explained/"><i><span style="font-weight: 400;">Toys in the Atric</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que presta homenagem aos clássicos </span><i><span style="font-weight: 400;">Alien</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Predador</span></i><span style="font-weight: 400;">, trata sobre como as consequências de uma ação supostamente esquecida podem ser destrutivas. Claro, isso por meio de uma trama que aborda como restos de comida esquecidos na geladeira se transformam em um ser consciente que persegue a tripulação. Ainda assim, são diferentes abordagens como essas que tornam a experiência de assistir ao anime tão vasta e repleta de novidades a cada novo arco. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A experimentação é um dos pontos mais fortes da série. O caráter episódico da obra permite não só uma liberdade criativa para brincar com o tom, mas também com gêneros e </span><a href="https://animationobsessive.substack.com/p/designing-the-characters-of-cowboy"><span style="font-weight: 400;">estilos de animação diferentes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Esse fator se explica pela presença de diversos diretores e equipes ao longo dos 26 episódios. Embora seja uma ficção-científica, as influências do </span><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i><span style="font-weight: 400;">, do </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;">, do </span><i><span style="font-weight: 400;">cyberpunk</span></i><span style="font-weight: 400;">, do </span><i><span style="font-weight: 400;">blaxploitation</span></i><span style="font-weight: 400;"> e até mesmo do terror são bastante aparentes. O resultado dessa variedade toda gera aventuras com um </span><a href="https://butwhytho.net/2021/10/review-cowboy-bebop-is-still-in-a-genre-all-its-own/"><span style="font-weight: 400;">gênero próprio</span></a><span style="font-weight: 400;"> e com espaço para cada personagem brilhar ao longo delas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Edward Wong Hau Pepelu Tivrusky IV, ou simplesmente Ed, é o destaque de um dos capítulos mais memoráveis da série. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mushroom Samba</span></i><span style="font-weight: 400;"> aborda o momento em que a criança hacker </span><a href="https://www.cbr.com/cowboy-bebop-ed-gender/"><span style="font-weight: 400;">sem gênero definido</span></a><span style="font-weight: 400;"> oferece (sem saber) cogumelos alucinógenos para os amigos e tudo começa a desandar em uma épica e hilária trama de perseguição. Grande parte das cenas de Ed, acompanhado pelo </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/cowboy-bebop-ein-atores"><span style="font-weight: 400;">corgi Ein</span></a><span style="font-weight: 400;">, são piadas ao estilo </span><i><span style="font-weight: 400;">Charlie Brown</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que os adultos dificilmente entendem o mundo da lua vivido pela criança. Chega a ser estranho assistir aos primeiros episódios novamente e não ver a presença da hacker animando frequentemente a muitas vezes triste equipe da </span><i><span style="font-weight: 400;">Bebop</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_32108" aria-describedby="caption-attachment-32108" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32108" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-2.jpg" alt="Pôster de divulgação do anime Cowboy Bebop. Da esquerda para a direita, Faye, Spike, Jet, Ein e Edward estão com as cabeças amontoadas em um suposto abraço e olhando diretamente para a câmera. Faye está com um semblante curioso. Spike, com o metade do rosto cortado, parece irritado. Jet, um homem asiático careca de pele clara, com uma barba pontuda que cobre o queixo inteiro, possui olhos azuis com uma cicatriz no olho direito. Embaixo desse mesmo olho há um pedaço de metal em formato de &quot;L&quot;. O homem possui um olhar confuso. Edward está no canto inferior direito. É uma criança de ascendência asiática de pele marrom-clara, cabelos ruivos lisos, olhos cor de mel e bochechas rosadas. Edward está exibindo um sorriso e um olhar empolgado." width="1000" height="686" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-2.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-2-800x549.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-2-768x527.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32108" class="wp-caption-text">“Jet, já percebeu que tem três coisas que eu odeio aqui? Uma criança, um bicho e uma folgada respondona” (Foto: Sunrise)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, quem participa desde o começo da série com Spike é o ex-policial e agora mercenário estoico Jet Black. Embora muitas das falas do personagem tenham um sexismo bastante incômodo, a função dele na trama é clara: fazer um </span><a href="https://gamerant.com/cowboy-bebop-jet-black-change-anime-live-action/"><span style="font-weight: 400;">contraponto a Spike</span></a><span style="font-weight: 400;">. Diversos episódios focados em Jet, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Ganimedes Elegy</span></i><span style="font-weight: 400;">, trazem o </span><i><span style="font-weight: 400;">cowboy</span></i><span style="font-weight: 400;"> optando pela racionalidade em relação às complicações com o próprio passado. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?reload=9&amp;app=desktop&amp;v=p8ejdOAnJQs"><i><span style="font-weight: 400;">foreshadowing</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">serve para a audiência entender os caminhos que cada um dos tripulantes da nave escolherá traçar, seja ele de autossabotagem ou de autopreservação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Portanto, por mais que </span><i><span style="font-weight: 400;">Cowboy Bebop</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja repleto de momentos cômicos, há um </span><a href="https://screenrant.com/cowboy-bebop-controversy-explained-popular-japan-mature/"><span style="font-weight: 400;">clima constante de tragédia</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ainda está por vir. O fato dos protagonistas se conhecerem em pontos tão distintos das próprias jornadas torna os momentos mais leves uma benção e os mais sensíveis uma forma de partir o coração da audiência. Embora caçoem uns dos outros, há um respeito mútuo entre os tripulantes da </span><i><span style="font-weight: 400;">Bebop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e um pacto em não fazer perguntas até que isso se torne inevitável. Essa dinâmica, apesar de problemática, mostra o quanto essa família está disposta a aceitar uns aos outros sem hesitação. </span></p>
<p><a href="https://hitsite.com.br/anime-manga/cowboy-bebop-quatro-episodios-essenciais-para-entender-faye/"><span style="font-weight: 400;">Faye Valentine</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece a maior representação desse espírito </span><i><span style="font-weight: 400;">found family </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cowboy Bepop</span></i><span style="font-weight: 400;">. A personagem &#8211; que literalmente esqueceu e perdeu todas as pessoas que um dia teve alguma conexão &#8211; encontra um lar para voltar nos braços de Spike, Jet e Edward, por mais que nenhum demonstre carinho de fato. No fim da trama, é ela quem desesperadamente tenta unir o que o destino parece já ter decidido separar. A vida de aventuras com a ausência de uns aos outros parece incompleta (fora as dívidas que não param de chegar). </span></p>
<figure id="attachment_32103" aria-describedby="caption-attachment-32103" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32103" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-2.jpg" alt="Cena do episódio &quot;Speak Like a Child&quot; do anime Cowboy Bebop. A imagem se trata de uma gravação de vídeo cassete toda granulada. Faye, versão criança, está no centro da imagem com os braços esticados ao lado do corpo segurando pom-poms verde-claros em cada mão. Faye está usando uma roupa de líder-de-torcida. Sapatos vermelhos, mias brancas, saias brancas e camiseta de escola vermelha. A garota está com um olhar empolgado e sorriso no rosto. Faye está em um gramado verde no topo de uma colina e com árvores e montanhas distantes atrás dela." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32103" class="wp-caption-text">“Eu me lembrei de tudo, mas nada de bom veio disso” (Foto: Sunrise)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda essa ambientação futurista, frenética e melancólica é intrinsecamente ligada com a </span><a href="https://www.dazeddigital.com/music/article/51208/1/how-yoko-kanno-created-the-cowboy-bebop-soundtrack"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> do anime. A clássica abertura de </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> improvisado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GZl7N8sXyEo"><i><span style="font-weight: 400;">Tank!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, composta por </span><a href="https://oretalho.com.br/musica/o-legado-de-yoko-kanno/"><span style="font-weight: 400;">Yoko Kanno</span></a><span style="font-weight: 400;"> junto com a banda The Seatbelts, já prepara o espectador para uma trama energética cheia de tiroteios, fugas inesperadas e perseguições com naves espaciais. As palavras de um </span><a href="https://www.slashfilm.com/800162/the-hidden-meaning-in-the-cowboy-bebop-animes-opening-credits/"><span style="font-weight: 400;">literal manifesto</span></a><span style="font-weight: 400;"> que aparecem escritas na tela são de arrepiar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, o tema de encerramento, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8GwE0wwMmKE"><i><span style="font-weight: 400;">The Real Folk Blues</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, traz um vislumbre de um lado mais reflexivo, lento e filosófico. A música retorna nos últimos minutos do seriado no episódio homônimo, agora com o significado e peso dos versos entendidos por completo pela audiência. A composição mais emocionante da série talvez seja </span><i><span style="font-weight: 400;">Call Me Call Me</span></i><span style="font-weight: 400;">, que aparece no momento que marca uma espécie de adeus para alguns dos personagens. A trilha de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hard Luck Woman</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra um indício do que poderia ser um final feliz para cada um dos tripulantes da </span><i><span style="font-weight: 400;">Bebop</span></i><span style="font-weight: 400;">, no que é, sem dúvidas, o ápice emocional da série. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mistura de </span><a href="https://sabukaru.online/articles/the-space-between-two-worlds-how-music-shapes-cowboy-bebop"><span style="font-weight: 400;">gêneros musicais</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentro do anime representa o caos que é viver no mundo, talvez uma das melhores definições de um “futuro próximo”. Ouvir um</span><i><span style="font-weight: 400;"> jazz </span></i><span style="font-weight: 400;">empolgado dar vida às naves belissimamente desenhadas entrando em combate e em seguida um</span><i><span style="font-weight: 400;"> blues</span></i><span style="font-weight: 400;"> melancólico quando a aventura acaba é uma sensação de final de festa. Os jantares divididos em família, às vezes em silêncio e outra vezes acompanhados de breves piadas, trazem uma imersão tão grande ao universo proposto que o espectador também se sente parte da família </span><i><span style="font-weight: 400;">Bebop</span></i><span style="font-weight: 400;">, observando-a por vários ângulos. </span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: COWBOY BEBOP -カウボーイビバップ-" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/37i9dQZF1DX2niMzbAczXW?utm_source=oembed"></iframe></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se por um lado temos heróis tão sensíveis e tridimensionais, o antagonista principal da trama, Vicious, não oferece tanto carisma. O </span><i><span style="font-weight: 400;">espadachin</span></i><span style="font-weight: 400;"> representa o passado criminoso de Spike no Sindicato do Dragão Vermelho e tudo que o protagonista poderia ser sem a influência positiva de Jet na própria vida. Ainda assim, o </span><a href="https://www.polygon.com/22737189/vicious-cowboy-bebop-netflix"><span style="font-weight: 400;">vilão</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece caricato, pouco desenvolvido e até mesmo desperdiçado em vários aspectos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra personagem que também peca na profundidade é Julia. Embora a presença curta dela em </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;">, principalmente, represente um </span><a href="https://mangainsider.com/cowboy-bepop/julia-cowboy-bebop-guide/"><span style="font-weight: 400;">passado idealizado</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Spike, a relevância dela na trama peca em não ir além disso. Ademais, fora um momento brilhante de interação espontânea entre </span><a href="https://www.cbr.com/cowboy-bebop-faye-valentine-vs-julia-connection/"><span style="font-weight: 400;">Julia e Faye</span></a><span style="font-weight: 400;">, a audiência fica com pouquíssimas ideias sobre quais os porquês do interesse amoroso ser </span><a href="https://mangainsider.com/cowboy-bepop/julia-cowboy-bebop-guide/"><span style="font-weight: 400;">supostamente tão apaixonante</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contrapartida, a condução episódica consegue apresentar personagens bastante cativantes, mesmo que por um curto período de tempo. Vale menção à  VT, do episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">Heavy Metal Queen</span></i><span style="font-weight: 400;"> e Rocco, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Waltz for Venus</span></i><span style="font-weight: 400;">. No arco de dois capítulos </span><i><span style="font-weight: 400;">Jupiter Jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, a audiência é apresentada à Gren, um antigo espião complexo, vingativo e cheio de rixas pessoais com Vicious. Antônio, Carlos e Jobim, três amigos idosos bem humorados com nomes em </span><a href="https://labdicasjornalismo.com/noticia/9058/cowboy-bebop-e-suas-referencias-a-musica-brasileira"><span style="font-weight: 400;">homenagem ao compositor brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, por vezes aparecem em segundo plano como figurantes nas aventuras dos protagonistas.</span></p>
<figure id="attachment_32104" aria-describedby="caption-attachment-32104" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32104" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-1.jpg" alt="Cena do episódio &quot;Mushroom Samba&quot; do anime Cowboy Bebop&quot;. Em frente a um céu azul bastante claro esceto por algumas nuvens, Coffy olha para cima. É uma mulher negra, com óculos escuros, batom vermelho e cabelo black power. Coffy possui brincos de circunferência prateados. A mulher usa uma jaqueta de couro preta com gola levantada e com botões abertos em um decote." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32104" class="wp-caption-text">Coffy, outra mercenária marcante, tem que lidar com as peripécias de Edward em Mushroom Samba (Foto: Sunrise)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pode-se ver, então, a atenção dada por Shinichiro Watanabe em criar personagens secundários atrativos aos olhos do público e com tramas próprias dentro das infinitas galáxias apresentadas. Se por um lado isso gera designs para pessoas, etnicamente falando, </span><a href="https://br.ign.com/anime/95392/feature/5-personagens-pretos-notaveis-dos-animes"><span style="font-weight: 400;">dificilmente representadas em animes</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou ficções científicas em geral (que por vezes sequer procuram imaginar o futuro de forma diversa), problemas aparecem. Diversos criminosos são </span><a href="https://dotandline.net/cowboy-bebop-mushroom-samba-904fd46e7e63/"><span style="font-weight: 400;">frequentemente apresentados</span></a><span style="font-weight: 400;"> como pessoas negras e até mesmo a participação de indígenas na série, como o sábio </span><a href="https://atribecalledgeek.com/braids-buckskins-and-black-holes-laughing-bull/"><span style="font-weight: 400;">Laughing Bull</span></a><span style="font-weight: 400;">, caem em estereótipos típicos de filmes de faroeste. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inclusive, a participação de personagens LGBTQAIP+ ora acerta, ora erra feio. Enquanto Gren possui com um corpo que desafia convenções de gênero e tenha </span><a href="https://screenrant.com/cowboy-bebop-ahead-of-time-character-gren/"><span style="font-weight: 400;">nuances bastante positivas</span></a><span style="font-weight: 400;"> se tratando de representatividade, a transição forçada na qual ele passa deixa um gosto amargo na boca. Figurantes também dizem estar em relacionamentos homoafetivos com normalidade, mas pessoas trans aparecem muitas vezes apenas como alvo de piadas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também é impossível ignorar a quantidade frequente de figuras femininas sexualizadas de propósito. Ao longo dos 26 episódios, nota-se uma presença grande de mulheres nas histórias com estilos bastante diferentes entre si. Nessa perspectiva, é frustrante a diversidade de ângulos de câmera desnecessários e </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/live-action-de-cowboy-bebop-vai-diminuir-sexualizacao-da-personagem-faye-e-glamourizacao-do-cigarro/"><span style="font-weight: 400;">figurinos sem sentido</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentro da lógica do universo proposto. O </span><a href="https://blogfca.pucminas.br/ccm/male-gaze-e-a-prevalencia-da-visao-masculina/"><i><span style="font-weight: 400;">male gaze</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> fica evidente justamente por haver tantos outros exemplos de designs utilizados que não vão para esse caminho nos diversos capítulos da trama e até mesmo em obras posteriores de Watanabe, que oscilam entre cometer ou não as mesmas escolhas.</span></p>
<figure id="attachment_32109" aria-describedby="caption-attachment-32109" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32109" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-2.jpg" alt="Cena do episódio &quot;The Real Folk Blues: Part 2&quot; do anime Cowboy Bebop. Spike está iluminado por uma luz branca e de frente a uma escada rosada. A câmera está bem próxima do rosto do personagem, que está com o olho esquerdo quase fechado e o direito escorrendo sangue. O personagem aponta os o dedo indicador para a câmera e o polegar levantado para cima, os dedos restantes fechados, formando uma &quot;arma&quot;. O personagem dá um sorriso leve." width="1999" height="1500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-2.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-2-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-2-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-2-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-2-1536x1153.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-2-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32109" class="wp-caption-text">“Bang…” (Foto: Sunrise)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após um final memorável e com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Y4Z1uvexzrQ"><span style="font-weight: 400;">toques de mistério</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cowboy Bebop </span></i><span style="font-weight: 400;">ganhou um filme ainda mais visualmente impressionante que o anime de 2001 e uma fracassada adaptação em </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i><span style="font-weight: 400;"> feita pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2021. O sucesso do seriado no ocidente deu o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Hh3EG2BEsAc"><span style="font-weight: 400;">título de clássico</span></a><span style="font-weight: 400;"> à obra e as influências dele podem ser percebidas não só em outras animações japonesas, como também em grandes </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;"> como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zxTDa6FK2iE"><i><span style="font-weight: 400;">Blade Runner 2049</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Cowboy Bebop</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo anos depois, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tQGaAmcENsc&amp;t=1138s"><span style="font-weight: 400;">acerta</span></a><span style="font-weight: 400;"> (e muito) no que se propõe. Com uma trilha sonora inesquecível e uma construção de mundo marcante pelo ponto de vista de diversos mercenários diferentes, a obra continua a conquistar fãs ano após ano. Há problemas, é claro, mas os acertos são certeiros como a mira desses personagens tão perdidos e solitários em uma galáxia vasta. Sente-se a dor no coração, mas o “</span><i><span style="font-weight: 400;">adeus, cowboy espacial…</span></i><span style="font-weight: 400;">” no final de vários episódios de longe não marca uma despedida para a série. O anime ainda carrega todo o peso de inovar e a audiência vai para sempre procurar algo semelhante à rapsódia única que Spike, Faye, Jet, Edward e Ein deram o sangue para trazer. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/cowboy-bebop-25-anos/">25 anos de Cowboy Bebop: Se o passado vai me condenar, coloque um jazz para acompanhar</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/cowboy-bebop-25-anos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">32102</post-id>	</item>
		<item>
		<title>1899 tenta, mas está longe de superar Dark</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/1899-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/1899-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 May 2023 17:25:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>
		<category><![CDATA[1899]]></category>
		<category><![CDATA[Alemanha]]></category>
		<category><![CDATA[Anton Lesser]]></category>
		<category><![CDATA[Baran bo Odar]]></category>
		<category><![CDATA[Clara Rosager]]></category>
		<category><![CDATA[Dark]]></category>
		<category><![CDATA[Drama]]></category>
		<category><![CDATA[Episódios]]></category>
		<category><![CDATA[Eyk Larsen]]></category>
		<category><![CDATA[Felipe Nunes]]></category>
		<category><![CDATA[Fflyn Edwards]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[Henry Singleton]]></category>
		<category><![CDATA[Isabella Wei]]></category>
		<category><![CDATA[Jantje Friese]]></category>
		<category><![CDATA[Mathilde Olilivier]]></category>
		<category><![CDATA[Miguel Bernadeau]]></category>
		<category><![CDATA[Mistério]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Segunda Temporada]]></category>
		<category><![CDATA[Seriado]]></category>
		<category><![CDATA[Série]]></category>
		<category><![CDATA[Tove]]></category>
		<category><![CDATA[Yann Gael]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=30839</guid>

					<description><![CDATA[<p>Felipe Nunes Drama, artefatos misteriosos que moldam a realidade, o espaço e o tempo, ficção científica e um casal alemão que revolucionou a história da Netflix ao lançar uma das séries de língua não inglesa mais consumidas na plataforma. Essa é a receita de Dark e quase foi a do novo lançamento do streaming, 1899. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/1899-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "1899 tenta, mas está longe de superar Dark"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/1899-critica/">1899 tenta, mas está longe de superar Dark</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30841" aria-describedby="caption-attachment-30841" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30841" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-800x423.jpg" alt="Cena da série 1899. Nela, há um homem branco com cabelos pretos vestindo sobretudo preto olhando para a esquerda, lado em que está na foto. No centro, há uma mulher branca com cabelos ruivos e que veste um vestido na cor marsala. À direita, está um homem branco, com cabelo castanho liso e barba. Ele veste um colete preto sobre uma camisa de manga cinza. O fundo da cena é desfocado." width="800" height="423" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-800x423.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-1024x542.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-768x406.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-1200x635.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1.jpg 1523w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30841" class="wp-caption-text">Em 1899, Baran bo Odar e Jantje Friese repetem fórmula na tentativa de se consagrarem novamente com uma das séries mais assistidas da gigante do streaming (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Felipe Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Drama, artefatos misteriosos que moldam a realidade, o espaço e o tempo, ficção científica e um casal alemão que revolucionou a história da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao lançar uma das séries de língua não inglesa mais consumidas na plataforma. Essa é a receita de </span><a href="https://personaunesp.com.br/dark-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Dark</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e quase foi a do novo lançamento do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">1899</span></i><span style="font-weight: 400;">. As comparações são sempre injustas, mas o tempo de produção e investimento superior para a segunda obra de Baran bo Odar e Jantje Friese fez o seriado</span> <span style="font-weight: 400;">prometer mais do que podia cumprir. A associação é inevitável. </span></p>
<p><span id="more-30839"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nenhuma trama parte do mesmo lugar e traça um processo de criação idêntico para que possa ser confrontada com outra de forma justa. Contudo, após a história complexa e instigante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dark </span></i><span style="font-weight: 400;">envolver os espectadores</span> <span style="font-weight: 400;">ao longo de três sequências, é impossível não se perguntar o que aconteceu para que tudo fosse ladeira abaixo em uma nova série. A produção era tida pelos fãs e críticos especializados como </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-1000003391/"><span style="font-weight: 400;">certa para uma renovação</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas o resultado surpreendeu e o cancelamento foi anunciado logo no primeiro ano. Os criadores lamentaram, pois os planos eram para não apenas uma, mas sim duas outras temporadas, como aconteceu com sua primogênita.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">1899</span></i><span style="font-weight: 400;"> é iniciada com Emily Beecham dando vida à complexa e misteriosa médica Maura Franklin. A protagonista é um convite para desconfianças. Às vezes, parece ser heroína, outras, vilã, e essa mescla de padrões é um dos pontos altos do enredo. Em um navio, a doutora vive uma confusão mental que extrapola a ficção e deixa quem assiste tão confuso quanto ela. </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/256763-1899-8-detalhes-voce-ter-nao-percebido-serie-netflix.htm"><span style="font-weight: 400;">Na história</span></a><span style="font-weight: 400;">, Maura está em busca de seu irmão, desaparecido em uma embarcação que nunca chegou ao destino final em Nova Iorque. Além dela, há diversos imigrantes com distintos segredos sombrios, porém com um objetivo em comum: ter uma vida melhor na alta elite da sociedade nova-iorquina.</span></p>
<figure id="attachment_30845" aria-describedby="caption-attachment-30845" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30845" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30845" class="wp-caption-text">1899 é o primeiro produto audiovisual da Netflix filmado completamente em estúdio virtual (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Semelhante aos longas </span><i><span style="font-weight: 400;">Fratura</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">As Linhas Tortas de Deus</span></i><span style="font-weight: 400;">, a série brinca com o que é realidade, ilusão e simulação na vida de seus personagens. Ao decorrer dos primeiros episódios, é difícil saber o gancho central de tudo. São sonhos? Algo sobrenatural? Ciência? Impossível responder, mas deliciosamente possível </span><a href="https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/11-filmes-para-exercitar-o-seu-cerebro/"><span style="font-weight: 400;">teorizar</span></a><span style="font-weight: 400;">. É esse o grande feito de </span><i><span style="font-weight: 400;">1899</span></i><span style="font-weight: 400;">: deixar os espectadores curiosos, pensativos e até mesmo confusos. As dúvidas não são por conta de falhas no roteiro de Baran bo Odar e Jantje Friese, é tudo premeditado. Como se fosse uma cebola, a cada capítulo mais uma camada é explicada. Com isso, os arcos se encaixam e ganham forças.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se por um lado a narrativa instiga e prende o telespectador nos desdobramentos da história, por outro os personagens não se aproximam do público. Há um vasto núcleo de intérpretes com um tempo de tela muito mal administrado. Com exceção da história principal, todos os outros desenvolvimentos são jogados para o esquecimento. Contar com um </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/255319-1899-serie-netflix-boa-mesmo-narrativa-destaca-critica.htm"><span style="font-weight: 400;">elenco tão diversificado</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi um trunfo e é uma pena que isso não tenha sido bem trabalhado. Os episódios são longos e poderiam deixar de explicar o óbvio e dirigir a atenção à trajetória dos papéis centrais. Embora tenha tentado trazer dramas e sofrimentos particulares, isso foi feito de forma superficial e </span><i><span style="font-weight: 400;">1899</span></i><span style="font-weight: 400;"> falhou em encantar. Por exemplo, o sentimento de torcer pela destemida Maura, pela sensível Tove (Clara Rosager) ou sentir raiva do pai da protagonista, Henry Singleton (Anton Lesser), tido como vilão, é praticamente inexistente. Esses anseios não são explorados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O elenco é quem eleva a obra. Além de Clara Rosager, Mathilde Ollivier (Clémence), Yann Gael (Jérome), Isabella Wei (Ling Yi), Fflyn Edwards (Elliot) e Miguel Bernardeau (Ángel) são excelentes e fazem jus aos eventos que vivenciam, ainda que tenham pouquíssimos momentos de profundidade com os personagens que interpretam. A carga dramática de Tove escancara esse descaso e, mesmo sendo uma das reviravoltas mais emocionantes, tem pouco destaque, tal qual acontece com os demais arcos que não envolvam diretamente a dupla Maura e Eyk Larsen. Os dois quase formam um casal e a construção não é ruim, muito pelo contrário. Contudo, é insuficiente para manter a atenção que a </span><a href="https://tangerina.uol.com.br/filmes-series/fracasso-1899-criadores-dark-serie-netflix/"><span style="font-weight: 400;">narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;"> precisava despertar em quem assiste.</span></p>
<figure id="attachment_30844" aria-describedby="caption-attachment-30844" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30844" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-800x450.jpg" alt="Cena da série 1899. Nela, na esquerda, há uma jovem branca com cabelos pretos lisos, ela veste um Kimono em tons de vermelho e laranja. Ao seu lado, na direita, há um rapaz branco, com cabelos loiros, ele veste um uniforme bege, que está manchado com carvão. O lábio do rapaz está sangrando. O fundo da foto é desfocado e apresenta o salão de um navio." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3.jpg 1450w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30844" class="wp-caption-text">Com pluralidade idiomática, 1899 destaca várias línguas e apresenta personagens de diversas nacionalidades, como japoneses, alemães, franceses e noruegueses (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por ser a irmã mais nova de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dark</span></i><span style="font-weight: 400;">, o lançamento já era esperado pelos fãs do gênero e dos criadores. Uma polêmica, no entanto, causou uma verdadeira reviravolta na recepção dos espectadores, principalmente os brasileiros. Logo após ter sido lançada, a </span><span style="font-weight: 400;">série </span><span style="font-weight: 400;">foi alvo de uma </span><a href="https://labdicasjornalismo.com/noticia/12243/-1899-a-nova-serie-da-netflix-traz-polemicas-sobre-plagio-na-cultura-cinematografica"><span style="font-weight: 400;">acusação de plágio</span></a><span style="font-weight: 400;"> por uma quadrinista brasileira, Mary Cagnin. De acordo com ela, elementos narrativos de uma de suas obras, a HQ</span><i><span style="font-weight: 400;"> Black Silence,</span></i><span style="font-weight: 400;"> estavam sendo copiados. Réplicas e tréplicas foram feitas negando as denúncias. Contudo, muitos consumidores não aceitaram as declarações e reforçaram o apoio à artista, deixando de ver e recomendar o conteúdo audiovisual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobre o cenário, os efeitos visuais e a trilha sonora, é válido enfatizar que estes atuam como personagens à parte e abrilhantam com maestria todo o conjunto narrativo, um reflexo do </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/criticas/1899-sacrifica-personagens-mas-cativa-com-misterio-viciante"><span style="font-weight: 400;">orçamento da produção</span></a><span style="font-weight: 400;">. Esses elementos são tão bem encaixados que parecem ser a alma da obra e, na verdade, de fato são. Cada aspecto conversa entre si, tem sua razão de ser e seu motivo para estar ali, naquele molde e naquele momento. Nada sobra ou parece faltar, o que é uma dificuldade e tanto na indústria cinematográfica.</span></p>
<figure id="attachment_30843" aria-describedby="caption-attachment-30843" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30843" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-800x446.jpg" alt="Cena da série 1899. Nela, há uma mulher branca, com cabelos loiros, que é focalizada na imagem. Ela está suada e faz uma expressão de espanto." width="800" height="446" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-800x446.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-1024x571.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-768x428.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-1200x669.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4.jpg 1449w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30843" class="wp-caption-text">Clara Rosager brilhou dando vida à complexa Tove e merecia mais destaque e profundidade em 1899 (Foto:Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O grande </span><a href="https://www.techtudo.com.br/noticias/2022/11/1899-veja-explicacao-para-o-final-e-os-maiores-plot-twists-da-serie-streaming.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é a revelação do que de fato faz os navios não chegarem ao seu destino final, a grande dúvida que prende os espectadores ao decorrer dos oito episódios. E o plural de navios abarca bem mais do que Kerberos e Prometheus, já que é contado que diversas embarcações já se perderam nessa expedição marítima e nunca chegaram a Nova Iorque. Na conclusão e explicação da motivação central da série, os elementos são conectados de uma forma fluída, sem desconexões, e o roteiro vence o maior desafio de enredos que se pautam na ficção científica: os temidos furos, que, além de prejudicarem a compreensão do seriado, mostram descuido com o texto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A filosofia ainda ganha espaço no universo ficcional. Um dos assuntos que percorrem as explicações das fatídicas situações é o </span><i><span style="font-weight: 400;">Mito da Caverna</span></i><span style="font-weight: 400;">, do livro </span><i><span style="font-weight: 400;">A República</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrito pelo célebre filósofo Platão. Na </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/1899-quem-e-o-menino-misterioso-do-novo-fenomeno-da-netflix.phtml"><span style="font-weight: 400;">narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;">, o mito é abordado em diversos momentos e cria uma rede de apoio com as experiências antropológicas, psicológicas, emocionais e sensoriais de todos os que participam das simulações dentro dos navios. A princípio, a mistura das ciências exatas com a área filosófica parece não combinar, mas, ao decorrer da série, elas formam um par excêntrico e acoplado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da área humanística adentrar a abordagem científico-filosófica, o destaque continua sendo a física quântica. O texto se debruçou sobre as </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/televisao/1899-e-baseada-em-fatos-reais-descubra-a-verdade-por-tras-da-serie"><span style="font-weight: 400;">teorias</span></a><span style="font-weight: 400;"> e antecipou problemas de compreensão que poderiam ter acontecido com lacunas, que estiveram presentes em </span><i><span style="font-weight: 400;">Dark</span></i><span style="font-weight: 400;">. Outro ponto importante foi a contagem de todos os fatos. Isso porque, ainda que esperassem uma renovação, grande parte dos arcos foi concluída com os desfechos da primeira temporada. E é por isso, que os diretores mostraram que aprenderam a lição quando o assunto é entregar um </span><i><span style="font-weight: 400;">script</span></i><span style="font-weight: 400;"> conectado, cuidadoso e, sobretudo, bem escrito.</span></p>
<figure id="attachment_30842" aria-describedby="caption-attachment-30842" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30842" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30842" class="wp-caption-text">Maura é a conexão de todos os arcos e tramas construídos ao longo da obra (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao terminar a série, a sensação é de que </span><i><span style="font-weight: 400;">1899</span></i><span style="font-weight: 400;"> tentou, mas não conseguiu alcançar os feitos da antecessora, mesmo com tudo conspirando para isso: o maior tempo de produção, o orçamento e a própria experiência do casal que criou a série. A profundidade dos arcos foi um desequilíbrio gigantesco, tanto que, quando o anúncio do cancelamento foi feito, não houveram tantas mobilizações – algo que aconteceu com outras produções da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/anne-with-an-e-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Anne with an E</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Clube da Meia-noite</span></i><span style="font-weight: 400;">. O público não se apegou aos dramas alternativos dos personagens e os atores tinham total competência para isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Permeada por polêmicas envolvendo plágio e com ressalvas sobre superficialidades já supracitadas, a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hxGXPirkFGU"><span style="font-weight: 400;">obra</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem um roteiro intrigante, misterioso e atrativo. A linearidade temporal é bem trabalhada, usando </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao seu favor e revelando uma nova faceta a cada capítulo. </span><i><span style="font-weight: 400;">1899 </span></i><span style="font-weight: 400;">é, definitivamente, bem construída com a proposta que almeja desenvolver ao entrelaçar temas filosóficos, científicos e tecnológicos. Talvez seu maior erro tenha sido nascer depois de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dark </span></i><span style="font-weight: 400;">e não antes.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/1899-critica/">1899 tenta, mas está longe de superar Dark</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/1899-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">30839</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Não! Não Olhe! e o terror do desconhecido (que achamos que conhecemos)</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/nao-nao-olhe-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/nao-nao-olhe-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Jan 2023 20:02:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Akira]]></category>
		<category><![CDATA[Alex Bovaird]]></category>
		<category><![CDATA[Alien]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Blockbuster]]></category>
		<category><![CDATA[Brandon Perea]]></category>
		<category><![CDATA[Clover]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica Social]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Kaluuya]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[Ghost]]></category>
		<category><![CDATA[Gordy]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Veiga]]></category>
		<category><![CDATA[Hollywood]]></category>
		<category><![CDATA[Hoyte van Hoytema]]></category>
		<category><![CDATA[Jean Jacket]]></category>
		<category><![CDATA[Johnnie Burn]]></category>
		<category><![CDATA[Jordan Peele]]></category>
		<category><![CDATA[Keke Palmer]]></category>
		<category><![CDATA[Los Angeles Film Critics]]></category>
		<category><![CDATA[Lucky]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Wincott]]></category>
		<category><![CDATA[Não! Não Olhe!]]></category>
		<category><![CDATA[New York Film Critics]]></category>
		<category><![CDATA[Nope]]></category>
		<category><![CDATA[OVNI]]></category>
		<category><![CDATA[People’s Choice Awards]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexão]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Ruth De Jong]]></category>
		<category><![CDATA[sci-fi]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade do Espetáculo]]></category>
		<category><![CDATA[Steven Yeun]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=29603</guid>

					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Nos mais de 120 anos do Cinema, é natural que, uma hora ou outra, ideias se esgotem, seja pela saturação ou pelas fórmulas estabelecidas. É a partir daí que os gêneros nascem, com o intuito de guardar em caixas histórias que têm algo em comum. Filmes de ação, geralmente, são construídos sob a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nao-nao-olhe-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Não! Não Olhe! e o terror do desconhecido (que achamos que conhecemos)"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/nao-nao-olhe-critica/">Não! Não Olhe! e o terror do desconhecido (que achamos que conhecemos)</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29604" aria-describedby="caption-attachment-29604" style="width: 1913px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29604 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1.jpg" alt="Cena de Não! Não Olhe! Nela, vemos o personagem interpretado por Steven Yeun. Ele é um homem asiático de cabelos pretos. Ele veste um terno vermelho com detalhes bordados, uma camisa branca e uma gravata minimalista preta. Em sua bochecha,no lado esquerdo há um microfone. Ele olha para cima. Ao fundo, um chão de terra, típico de deserto americano. No lado esquerdo da imagem, é possível ver a extremidade de um tanque de acrílico." width="1913" height="867" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1.jpg 1913w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1-800x363.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1-1024x464.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1-768x348.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1-1536x696.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1-1200x544.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29604" class="wp-caption-text">Jordan Peele começou sua carreira com esquetes de Comédia e, sempre que possível, traz esses elementos para suas obras (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos mais de </span><a href="http://m.estadao.com.br/tudo-sobre/120-anos-do-cinema"><span style="font-weight: 400;">120 anos do Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, é natural que, uma hora ou outra, ideias se esgotem, seja pela saturação ou pelas fórmulas estabelecidas. É a partir daí que os gêneros nascem, com o intuito de guardar em caixas histórias que têm algo em comum. Filmes de ação, geralmente, são construídos sob a sombra dos brucutus com armas nas mãos, contra tudo e contra todos; romances, em sua maioria, são melodramáticos; biografias, quase sempre, endeusam os biografados; aventuras abusam da jornada do herói, e por aí vai. Em uma Arte tão vasta, o difícil é sair da homogeneidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez o gênero que encontre mais dificuldade para escapar do ‘mais do mesmo’ seja o de </span><i><span style="font-weight: 400;">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400;"> com extraterrestres. Muito porque, antes mesmo dele chegar de vez no Cinema, o tema já estava amplamente estabelecido na cultura popular, principalmente a norte-americana. Quando chegou às telas, o subgênero já vinha como um ponto fora da curva, a exemplo de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/icontatos-imediatos-do-terceiro-graui"><i><span style="font-weight: 400;">Contatos Imediatos do Terceiro Grau</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1977), </span><a href="https://cinemaemcena.com.br/critica/filme/6896/marte-ataca"><i><span style="font-weight: 400;">Marte Ataca!</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1996)</span><i><span style="font-weight: 400;">, Alien: O Oitavo Passageiro </span></i><span style="font-weight: 400;">(1979), </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-et/"><i><span style="font-weight: 400;">E.T. O Extraterrestre</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1982), </span><i><span style="font-weight: 400;">Sinais </span></i><span style="font-weight: 400;">(2002) ou, até mesmo, o recente </span><i><span style="font-weight: 400;">Distrito 9 </span></i><span style="font-weight: 400;">(2009). Essa seara que, graças a originalidade, criou seu próprio conceito, merecia ser retrabalhada por uma das mentes mais originais da atualidade, e é isso que Jordan Peele busca com </span><i><span style="font-weight: 400;">Nope</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou, aqui no Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Não! Não Olhe!.</span></i></p>
<p><span id="more-29603"></span></p>
<figure id="attachment_29605" aria-describedby="caption-attachment-29605" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29605 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2.jpg" alt="Cena de Não! Não Olhe! Nela temos o personagem principal OJ, interpretado pelo ator Daniel Kaluuya. Ele é um homem negro, veste uma camisa cinza e um boné na cor verde com um detalhe bordado na frente. Ele segura uma luva nas cores preto e amarelo com a boca. Ao fundo, um pouco de vegetação rasteira e uma cadeia de montanhas" width="1920" height="872" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2-800x363.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2-1024x465.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2-768x349.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2-1536x698.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2-1200x545.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29605" class="wp-caption-text">Em sua segunda colaboração, Daniel Kaluuya já virou um queridinho do diretor (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A história gira em torno de um rancho que cria cavalos para serem usados na indústria do entretenimento, seja em filmes, clipes ou peças publicitárias. Após a morte do patriarca da família, depois de ser atingido por uma moeda que, misteriosamente, é arremessada do céu, seus filhos descobrem que aquele entorno do deserto rural californiano é habitado por um </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-62246921"><span style="font-weight: 400;">OVNI</span></a><span style="font-weight: 400;">. Trata-se de uma premissa bem </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster </span></i><span style="font-weight: 400;">spielbergiana, quase que um encontro entre Peele e Steven Spielberg, e de fato esse talvez seja o filme mais comercialmente aclamado da curta filmografia do diretor. Porém, com o cineasta sendo um dos mais famosos expoentes do simbolismo e da crítica social, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nope </span></i><span style="font-weight: 400;">é muito mais do que isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Carregado de símbolos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Não! Não Olhe! </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma crítica à indústria, estando ele inserido nela. O diretor e roteirista abusa da </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/midia-e-poder-na-sociedade-do-espetaculo/"><span style="font-weight: 400;">sociedade do espetáculo</span></a><span style="font-weight: 400;"> para além daquela base teórica, pois aqui, de certa forma, quebra a quarta parede para analisá-la dos dois lados, e mesmo indo para o lado dos </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;">, também rompe com eles. Esse tipo de narrativa (mal) acostumou o espectador a ter todas as respostas, mas o filme não está nem um pouco preocupado em ser explicativo. Isso faz com que a obra seja a mais divisiva de Peele, visto que funciona de forma muito coesa como conjunto de simbolismos, mas não consegue os amarrar à trama, algo que </span><a href="https://personaunesp.com.br/corra-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Corra!</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017) conseguiu. Dessa forma, a experiência, para ser melhor aproveitada, precisa sair das telas, numa espécie de paranoia conspiratória típica da temática.</span></p>
<figure id="attachment_29609" aria-describedby="caption-attachment-29609" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29609 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3.jpg" alt="Cena do filme Não! Não Olhe! Nela vemos duas mãos. A do lado direito da imagem, é a de um chimpanzé e está toda ensanguentada. Do lado esquerdo, uma mão infantil. As duas estão fechadas, no intuito de se comprimentarem. Elas estão embaixo de uma mesa e a mão do macaco está passando por uma toalha de mesa na cor amarela" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29609" class="wp-caption-text">Para tecer suas críticas, Nope usa de exemplos reais da cultura americana (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É em </span><i><span style="font-weight: 400;">Nope</span></i><span style="font-weight: 400;"> que, nesse extenso amálgama de conceitos, Jordan Peele mais brinca e está livre, ao destrinchar essas interpretações em várias vertentes. Isso é um prato cheio para o mercado de </span><a href="https://www.youtube.com/results?search_query=nope+final+explicado"><span style="font-weight: 400;">finais explicados</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;"> e faz com que o debate seja tão vasto como o universo inexplorado. Por essa razão, cada um que assiste o longa pode tirar suas próprias conclusões, em um cenário de diálogo cada vez mais escasso em uma Hollywood enlatada, fazendo com que tal conjuntura seja extremamente benéfica para o próprio Cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, as várias interpretações apontam para um mesmo céu: o entretenimento é a nova forma de opressão de minorias, o que faz com que essa violência vire um produto da sociedade capitalista, mas Peele não deixa de inserir a crítica racial na trama. Assim como </span><a href="https://personaunesp.com.br/us-jordan-peele-critica-2019/"><i><span style="font-weight: 400;">Us</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Nós, </span></i><span style="font-weight: 400;">2019), a obra também se inicia com uma passagem bíblica; dessa vez, Naum 3:6: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu jogarei imundice sobre você, a tratarei com desprezo e te tornarei um espetáculo</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Impossível não notar que a frase é essencialmente um resumo de Hollywood e da indústria do entretenimento &#8211; basta lembrar a relação de </span><span style="text-decoration: underline;"><a href="https://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2017/02/dez-anos-do-colapso-de-britney-spears-relembre-os-momentos-mais-polemicos.shtml"><span style="font-weight: 400;">Britney Spears</span></a></span><span style="font-weight: 400;"> com os </span><i><span style="font-weight: 400;">paparazzis</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou como os magnatas do Cinema trataram </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-06-27/a-ascensao-queda-e-ressurreicao-de-brendan-fraser-o-heroi-de-hollywood-dos-anos-90.html"><span style="font-weight: 400;">Brendan Fraser</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, além de ser, basicamente, todo o </span><i><span style="font-weight: 400;">plot </span></i><span style="font-weight: 400;">da obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na cena do massacre do </span><a href="https://pipocasclub.com.br/2022/08/24/nao-nao-olhe-o-ataque-de-gordy-e-baseado-em-uma-historia-real/"><span style="font-weight: 400;">chimpanzé Gordy</span></a><span style="font-weight: 400;">, toda a situação é esquecida pelo jovem ator do seriado noventista a partir do momento em que, sobrenaturalmente, o sapato para em pé, evidenciando como ficamos cegos para a barbárie que é a sociedade quando estamos comandados pelo instinto da curiosidade. Negamos o quão brutal foi uma tragédia a partir do momento que procuramos imagens dela. As próprias aparências do ‘OVNI’ retornam a essas formas de repressão. Primeiramente, ele lembra um chapéu de </span><i><span style="font-weight: 400;">cowboy</span></i><span style="font-weight: 400;">, que oprimiu o povo nativo daquela região e, em seguida, seu aparelho digestivo remete justamente a uma câmera de cinema.</span></p>
<figure id="attachment_29606" aria-describedby="caption-attachment-29606" style="width: 1801px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29606 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4.jpg" alt="Cena do filme Não! Não Olhe! Nela, vemos a personagem Emerald, interpretada por Keke Palmer. Ela é uma mulher negra, de cabelos médios cacheados. Ela veste uma camiseta verde e está em cima de uma moto. Em seu pescoço, uma faixa amarela com os dizeres “CRIME SCENE DO NOT CROSS”. A moto está deslizando de lado e faz uma poeira no chão de terra. Ao fundo, cenário de velho oeste, de um parque infantil " width="1801" height="839" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4.jpg 1801w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4-800x373.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4-1024x477.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4-768x358.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4-1536x716.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4-1200x559.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29606" class="wp-caption-text">Amante do Cinema e da cultura nerd, Jordan Peele abusa de referências que vão desde Escorpião Rei até Akira (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas não pense que Jordan Peele é hipócrita em sua crítica. Pelo contrário: ele usa a obra como um todo para fazer um </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/midia-e-poder-na-sociedade-do-espetaculo/"><i><span style="font-weight: 400;">mea culpa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do filme. </span><i><span style="font-weight: 400;">Nope</span></i><span style="font-weight: 400;"> é dividido em cinco capítulos: </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghost</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Clover</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Gordy</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lucky</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Jean Jacket</span></i><span style="font-weight: 400;">. Três deles são os nomes dos cavalos oferecidos à ameaça, seguido pelo nome do chimpanzé morto após o surto; o último é o apelido que os personagens dão ao monstro, ou seja, cinco produtos que foram comidos e cuspidos por algum predador, seja ele literal ou metafórico. A questão é que todas essas cinco divisões são feitas nos mesmos moldes que o letreiro inicial do longa, colocando ele mesmo como esse primeiro produto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, a obra é muito mais que suas discussões, considerando que ela não viria tão forte se não fosse bem estruturada. O grande chamariz é o roteiro de Jordan Peele. Além de ambientar o subtexto de forma muito coesa, ele é certeiro ao </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/08/21/nao-nao-olhe-novo-filme-de-jordan-peele-subverte-classicos-do-cinema-americano-e-traz-elementos-da-historia-negra.ghtml"><span style="font-weight: 400;">subverter</span></a><span style="font-weight: 400;"> o gênero. O </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; que gira em torno da nave espacial não ter nenhum </span><i><span style="font-weight: 400;">alien,</span></i><span style="font-weight: 400;"> mas, ela sim, ser o próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">alien &#8211;</span></i><span style="font-weight: 400;">, além de ser inteligente por quebrar a expectativa apontando para um ponto micro e desconhecido quando, na verdade, ela já está no macro e não a percebemos (pois fomos condicionados a pensar do jeito que o filme quer que pensemos), coloca a obra em um pedestal único quando se fala nessa seara de histórias. O mais surpreendente é que todos esses pontos são tocados através de um roteiro simples, mas extremamente bem pensado.</span></p>
<figure id="attachment_29608" aria-describedby="caption-attachment-29608" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29608 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-scaled.jpg" alt="Cena do filme Não! Não Olhe! Nela, temos o personagem interpretado por Michael Wincott. Ele é um homem branco, de meia idade, com barba e cabelos grisalhos. Em sua frente, há uma câmera analógica na cor preta. Ele segura um walkie-talkie na altura da boca. Ele está sobre uma tenda no deserto americano." width="2560" height="1143" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-800x357.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-1024x457.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-768x343.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-1536x686.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-2048x914.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-1200x536.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29608" class="wp-caption-text">Com muita metalinguagem, Nope também é um filme sobre fazer filmes (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal escrita só poderia ser regida da forma certa com uma boa direção. Aqui, a decisão de Peele de só ter em sua filmografia filmes nos quais ele também escreve se prova, apesar de conservadora, extremamente acertada. Ele sabe conduzir cenas de suspense como ninguém e, na ambientação, até o marasmo do céu se torna assustador nas mãos dele, cujos aspectos técnicos convergem na criação de mundo. O </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de som de </span><a href="https://open.spotify.com/artist/6LtPIflWxgyOxlKciQDgB4"><span style="font-weight: 400;">Johnnie Burn</span></a><span style="font-weight: 400;"> é impecável e consegue amplificar a ameaça do monstro sem abusar de rugidos, somente com o silêncio e o som do vento. Já a fotografia de </span><span style="text-decoration: underline;"><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/08/21/nao-nao-olhe-novo-filme-de-jordan-peele-subverte-classicos-do-cinema-americano-e-traz-elementos-da-historia-negra.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Hoyte van Hoytema</span></a></span><span style="font-weight: 400;">, aliada com o </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de produção de Ruth De Jong e o figurino de Alex Bovaird, criam uma atmosfera única e colorida, que às vezes parece até fantástica para o monocromático deserto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O elenco também faz jus ao texto. Ele foi tão bem desenvolvido que apenas cinco personagens conseguem carregar as duas horas do longa sem cansar. Daniel Kaluuya e Steven Yeun repetem a parceria com Peele, o primeiro pelo excelente </span><i><span style="font-weight: 400;">Corra! </span></i><span style="font-weight: 400;">(2017) </span><span style="font-weight: 400;">e o segundo pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">remake </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://cinepop.com.br/alem-da-imaginacao-do-pior-ao-melhor-ranqueamos-a-1a-temporada-da-serie-264700/"><i><span style="font-weight: 400;">Além da Imaginação</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019). Kaluuya mais uma vez entrega uma atuação primorosa, que vai crescendo com o passar do filme, e Yeun entende que seu papel é bagunçar a trama e faz isso de forma muito consciente. Mas quem rouba a cena é Keke Palmer (</span><i><span style="font-weight: 400;">Lightyear</span></i><span style="font-weight: 400;">) com a expansiva e comunicativa Emerald, que chama todos os holofotes para si e dá conta do recado. São adicionados a eles, também, Brandon Perea (</span><a href="https://ligadoemserie.com.br/2016/12/critica-por-que-the-oa-foi-uma-das-melhores-series-do-ano/"><i><span style="font-weight: 400;">The OA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), que funciona como um alívio cômico muito pontual, e Michael Wincott (</span><a href="https://spdm.org.br/noticias/dica-cultural/o-escafandro-e-a-borboleta-a-historia-real-da-sindrome-do-encarceramento/"><i><span style="font-weight: 400;">O Escafandro e a Borboleta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), com sua presença em cena inconfundível.</span></p>
<figure id="attachment_29607" aria-describedby="caption-attachment-29607" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29607 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6.jpg" alt="Cena do filme Não! Não Olhe! Nela, temos o alienígena Jean Jacket em destaque. Ele tem o formato clássico de uma nave espacial, que se trata de uma espécie de círculo gigante e cinza com um círculo menor na parte de baixo, o que seria sua boca. Ele está perseguindo OJ, que está sobre um cavalo com um moletom laranja. OJ está pequeno devido ao tamanho do alien. No deserto, há cercas pretas dos lados direito e esquerdo. Também há vários bonecos de posto parcialmente inflados, nas cores vermelho, rosa, verde, amarelo e azul." width="1400" height="689" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6-800x394.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6-1024x504.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6-768x378.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6-1200x591.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29607" class="wp-caption-text">Chegando nas premiações mais enfraquecido que os últimos projetos do diretor, o filme vem correndo por fora com indicações ao People’s Choice Awards, Los Angeles Film Critics e New York Film Critics; esse último, com vitória de Keke Palmer como Melhor Atriz Coadjuvante (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Extremamente bem pensado, inteligente, audacioso e subversivo, </span><span style="text-decoration: underline;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=In8fuzj3gck&amp;ab_channel=UniversalPictures"><i><span style="font-weight: 400;">Não! Não Olhe!</span></i></a></span> <span style="font-weight: 400;">é a empreitada mais original do Terror, no ano em que o gênero se provou com muita originalidade. A obra sabe trabalhar com o desconhecido no momento em que ela evidencia que tal desconhecido vai muito além do que conhecemos. Jordan Peele entende o papel do Cinema ao fazer com que a experiência cinematográfica ultrapasse as telas, sem a presunção e pedância de um ‘filme para refletir’, pois coloca o espectador para pensar &#8211; e essa talvez seja a parte mais empolgante da jornada &#8211; sem abrir mão da diversão que é assistir ao longa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez </span><i><span style="font-weight: 400;">Nope </span></i><span style="font-weight: 400;">não seja tão grandioso quanto os projetos anteriores de seu idealizador e isso também vale discussões, mas não por seus deméritos, e sim pelo diretor ser um viciado em acertar. Num futuro, ele pode cair na própria crítica e ser consumido e cuspido pela indústria, mas esquecido? Jamais. Pois essa pequena e significativa constelação da qual Peele construiu sua história nas telas sempre irá brilhar no Cinema.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Não! Não Olhe! | Trailer Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/77mwLBQ9XxQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/nao-nao-olhe-critica/">Não! Não Olhe! e o terror do desconhecido (que achamos que conhecemos)</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/nao-nao-olhe-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">29603</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Em Estado elétrico, Simon Stålenhag ilustra um apocalipse contemporâneo</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/estado-eletrico-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/estado-eletrico-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Nov 2022 03:57:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes Visuais]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Black Mirror]]></category>
		<category><![CDATA[Bruno Andrade]]></category>
		<category><![CDATA[Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[cyberpunk]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Galera]]></category>
		<category><![CDATA[Distopia]]></category>
		<category><![CDATA[Estado elétrico]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[Futurista]]></category>
		<category><![CDATA[Graphic Novel]]></category>
		<category><![CDATA[Hiper-realismo]]></category>
		<category><![CDATA[História em Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[HQ]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência artificial]]></category>
		<category><![CDATA[James Bridle]]></category>
		<category><![CDATA[Mark Fisher]]></category>
		<category><![CDATA[Metaverso]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Parceria Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Passagen]]></category>
		<category><![CDATA[Pós-modernidade]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos na Cia]]></category>
		<category><![CDATA[Realidade Virtual]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[sci-fi]]></category>
		<category><![CDATA[Simon Stålenhag]]></category>
		<category><![CDATA[Stuart Hall]]></category>
		<category><![CDATA[Tales From the Loop]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[The Electric State]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=29263</guid>

					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade Somos rostos em meio à multidão, mas dificilmente pensamos naquilo que torna a multidão real. Sistemas de armas termonucleares coexistem com comerciais de refrigerante em um ambiente dominado pela publicidade, no qual é possível enxergar apenas pequenas frações de uma realidade mais ampla, dominada pelo inalcançável. Na tentativa de reunir o maior número &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estado-eletrico-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Estado elétrico, Simon Stålenhag ilustra um apocalipse contemporâneo"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/estado-eletrico-critica/">Em Estado elétrico, Simon Stålenhag ilustra um apocalipse contemporâneo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29265" aria-describedby="caption-attachment-29265" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29265" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1.png" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29265" class="wp-caption-text">Estado elétrico, graphic novel de Simon Stålenhag, está em <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2022/11/amp/5049780-netflix-interrompe-gravacoes-de-filme-apos-morte-de-membro-da-equipe.html">adaptação para os cinemas</a> pela Netflix (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia/Arte: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somos rostos em meio à multidão, mas dificilmente pensamos naquilo que torna a multidão real. Sistemas de armas termonucleares coexistem com comerciais de refrigerante em um ambiente dominado pela publicidade, no qual é possível enxergar apenas pequenas frações de uma realidade mais ampla, dominada pelo inalcançável. Na tentativa de reunir o maior número de consumidores sob as armas da especulação, da alienação e de tudo que o dinheiro pode comprar, os donos do poder tecnológico resumem a grande trama neoliberal da contemporaneidade: tentar concentrar o máximo de atenção e especulação às empresas, às redes sociais e aos produtos. É sob esse contexto que </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559212439/estado-eletrico">Estado elétrico</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2017), de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.estadao.com.br/alias/entenda-como-simon-stalenhag-inova-a-ficcao-cientifica/">Simon Stålenhag</a></span><span style="font-weight: 400;"> – lançado no Brasil em Maio deste ano pelo selo </span><span style="font-weight: 400;"><i>Quadrinhos na Cia</i></span><span style="font-weight: 400;"> da </span><span style="font-weight: 400;"><i>Companhia das Letras</i></span><span style="font-weight: 400;">, sob tradução de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-daniel-galera/">Daniel Galera</a></span><span style="font-weight: 400;"> – ganha novos e assustadores contornos.</span></p>
<p><span id="more-29263"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos livros recebidos pelo </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> na parceria com a editora, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico </i></span><span style="font-weight: 400;">traz uma trama que se inicia em 1997, quando a </span><span style="font-weight: 400;"><i>Mode 6</i></span><span style="font-weight: 400;">, óculos de realidade virtual da empresa ficcional </span><span style="font-weight: 400;"><i>Sentre</i></span><span style="font-weight: 400;">, já somava 1 ano de inauguração. De forma nostálgica, Stålenhag tenta retomar o que, para muitos, foi o fim de uma era. Na Música do final dos anos 1990, o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-jam-ten-30-anos/">movimento </a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-jam-ten-30-anos/"><i>grunge</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> já parecia alertar para um início tecnológico cada vez mais opressivo – essa foi uma das cruzadas de Kurt Cobain, que tinha consciência de estar em uma batalha perdida desde o início, visto que as gravadoras transformaram suas falas anti-sistema em </span><span style="font-weight: 400;"><i>slogans</i></span><span style="font-weight: 400;"> para vender mais discos do Nirvana.</span></p>
<figure id="attachment_29266" aria-describedby="caption-attachment-29266" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29266" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4.jpg" alt="" width="2048" height="2048" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-1536x1536.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-4-1200x1200.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29266" class="wp-caption-text">“Você tem dificuldade de aceitar que tudo aquilo que você é – todos os seus pensamentos, experiências, conhecimentos, gostos e opiniões – precisa existir dentro do seu crânio” (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos Estados Unidos </span><span style="font-weight: 400;">retratado pelo artista de origem sueca – que poderia ser apenas uma das realidades alternativas de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/2020-nunca-mais-critica/">Black Mirror</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> –, as montanhas e paisagens naturais são descontinuadas por naves alienígenas, robôs disformes e indivíduos semi-conscientes, visivelmente controlados por uma força superior que se esconde por trás dos óculos de realidade virtual, tudo isso composto dentro de um ambiente tecnocrático, retro-futurista e melancólico. Em certas imagens, o sentimento de claustrofobia parece dominar – por todos os cantos das ilustrações, não parece existir alternativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado ao Prêmio Arthur C. Clarke em 2019, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico </i></span><span style="font-weight: 400;">(ou </span><span style="font-weight: 400;"><i>Passagen</i></span><span style="font-weight: 400;">, no original da língua sueca) fica no limiar entre o livro ilustrado e o romance gráfico, com grandes painéis que nem sempre vêm acompanhados de textos claros. A bem da verdade, o livro parece ser um artefato quase contemplativo, retirado diretamente da distopia que pretende retratar, embora essa aura distópica das ilustrações de Simon Stålenhag dialogue com os universos de “tecnologia sucateada” do </span><span style="font-weight: 400;"><i>cyberpunk</i></span><span style="font-weight: 400;">, cujas ilustrações trazem similaridades aos jogos de </span><span style="font-weight: 400;"><i>videogame</i></span><span style="font-weight: 400;"> com temática similar, como a série </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://personaunesp.com.br/dead-space-critica/">Dead Space</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">ou </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.techtudo.com.br/review/watch-dogs.ghtml">Watch Dogs</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2014). Contudo, a trama ainda gira em torno de uma jovem (Michelle) e seu pequeno robô, que seguem rumo ao Oeste em uma missão de resgate, no melhor estilo </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788560281268/a-estrada?idtag=7ec82fe8-e709-4f1a-9969-7d018c0785e5&amp;gclid=Cj0KCQiA1NebBhDDARIsAANiDD0kE0pEENiMJstHRskUn-TsegZADjNFK_kDTZvu9aMAUeaq6171srgaAgCIEALw_wcB">A estrada</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2006), de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.scotsman.com/arts-and-culture/books/book-review-stella-maris-by-cormac-mccarthy-3921215">Cormac McCarthy</a></span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29267" aria-describedby="caption-attachment-29267" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29267" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4.jpg" alt="" width="1000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-4-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29267" class="wp-caption-text">&#8220;Você sabe como o cérebro funciona? Faz alguma ideia do que sabemos a respeito de como o cérebro e a consciência funcionam? Estou falando de nós, humanos” (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a distopia parece ser um retrato de tempos atuais, e em </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico </i></span><span style="font-weight: 400;">não é diferente. As liberdades individuais, gradualmente cooptadas por indústrias e campanhas publicitárias, deram origem a um mundo de pesadelo: as paisagens virtuais se movem por um sistema no qual tecnologias sinistras, ameaças nucleares e sonhos consumistas foram destruídos pela queda das instituições. Como </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://jacobin.com.br/2022/02/gramsci-e-nos/">Stuart Hall</a></span><span style="font-weight: 400;"> aponta em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="http://www.lamparina.com.br/livro_detalhe.asp?idCodLivro=451#:~:text=Lamparina%20editora%20%7C%20Livros&amp;text=Stuart%20Hall&amp;text=O%20homem%20da%20sociedade%20moderna,de%20ra%C3%A7a%20e%20de%20nacionalidade.">A identidade cultural na pós-modernidade</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(1992), esse é justamente um dos motivos dessa “crise de identidade” contemporânea. A descentralização dos indivíduos fez com que os seres perdessem o sentido de si, tornando-se relativos e regidos por uma subjetividade egoísta (“</span><span style="font-weight: 400;"><i>somente o ‘Eu’ importa</i></span><span style="font-weight: 400;">”).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nossas concepções de passado, presente e futuro foram alteradas por um tipo de “presente contínuo”, que, como </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://jacobin.com.br/2020/01/o-legado-anticapitalista-de-mark-fisher/">Mark Fisher</a></span><span style="font-weight: 400;"> escreve em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://autonomialiteraria.com.br/loja/teoria-politica/fantasmas-da-minha-vida-escritos-sobre-depressao-assombrologia-e-futuros-perdidos/">Fantasmas da minha vida</a></i></span><span style="font-weight: 400;"> (2014), dão origem a um “</span><span style="font-weight: 400;"><i>lento cancelamento do futuro</i></span><span style="font-weight: 400;">”. Esse futuro, diferente do que se convencionou a atribuir anteriormente, passou a ser apenas uma variável das infinitas possibilidades apresentadas a nós. Nesse contexto, a ficção e a realidade se alteraram significativamente – a propaganda, o consumo e uma política conduzida por indivíduos caricatos e sem qualquer consciência social são alguns dos exemplos das ficções que regem nosso cotidiano, cujo resultado é o pré-esvaziamento de qualquer resposta original à experiência.</span></p>
<figure id="attachment_29268" aria-describedby="caption-attachment-29268" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29268" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29268" class="wp-caption-text">“Talvez você nem coloque isso em palavras, mas nós dois sabemos que está pensando em uma alma arquetípica. Você acredita num fantasma invisível” (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas das inspirações de Stålenhag vieram de uma viagem de carro feita com sua família pelos Estados Unidos, em 2013 – o ano do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/">“</a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/"><i>boom</i></a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/">” do </a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/"><i>Facebook</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> –, quando várias fotografias que serviram de referência foram registradas. Porém, apesar do título sugestivo, esse &#8220;Estado Elétrico&#8221; que o artista desenha com um realismo assombroso não segue o padrão de clássicos como </span><span style="font-weight: 400;"><i>1984 </i></span><span style="font-weight: 400;">(1949), de George Orwell, em que a opressão é comandada por um governo. Aqui, a cegueira moral é imposta pelo próprio povo, que acredita estar jogando um </span><span style="font-weight: 400;"><i>videogame</i></span><span style="font-weight: 400;"> quando usa capacetes enormes que dão acesso a uma nova realidade virtual. Aos poucos, descobrimos que os neurônios da humanidade estão servindo de alimento a uma enorme inteligência artificial, da qual, por uma incompatibilidade biológica, a protagonista não pode participar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indo contra a lógica da indústria cultural, que sempre entrega produtos mastigados e contemplativos – sem forçar o pensamento –, o ilustrador prefere traçar conexões sutis entre uma narração não cronológica e pinturas atmosféricas. Com influência do retrofuturismo e da já citada cultura </span><span style="font-weight: 400;"><i>cyberpunk</i></span><span style="font-weight: 400;">, as artes ressoam em nomes como Ralph McQuarrie, Syd Mead e o </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://english.elpais.com/science-tech/2022-10-29/the-parallel-universes-of-a-sci-fi-visionary-named-philip-k-dick.html">Philip K. Dick</a></span><span style="font-weight: 400;"> de </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://editoraaleph.com.br/produto/blade-runner/">Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(1968), a inspiração literária de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Blade Runner </i></span><span style="font-weight: 400;">(1982). É também interessante perceber que, durante toda a obra, parece pairar o paradoxo defendido por <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/12/a-nova-idade-das-trevas-faz-reflexao-sobre-o-custo-dos-avancos-tecnologicos.shtml">James Bridle</a> em <a href="https://todavialivros.com.br/livros/a-nova-idade-das-trevas"><em>A nova idade das trevas</em></a> (2019): quanto mais sabemos sobre tecnologia, menos conseguimos agir. “<em>A tecnologia é a condutora elementar da desigualdade em vários setores”</em>, escreve Bridle.</span></p>
<figure id="attachment_29269" aria-describedby="caption-attachment-29269" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29269" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29269" class="wp-caption-text">“Sempre fui fascinado por máquinas, essas ferramentas poderosas que podem tanto fazer o bem quanto o mal”, diz Simon Stålenhag ao jornal Estadão (Foto: Companhia das Letras/Quadrinhos na Cia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cheias de detalhes, as artes também tentam conduzir a narrativa de uma perspectiva diferente, cuja temática do autor combina suas próprias impressões da infância às inspirações da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/love-death-robots-3a-temp-critica/">ficção científica</a></span><span style="font-weight: 400;">, resultando em um cenário estereotipado da Suécia com itens futuristas agregados. O artista cria suas imagens utilizando uma mesa gráfica, valendo-se de técnicas e configurações específicas para simular pinturas a óleo (no início, ele tentou fórmulas com tinta guache, mas optou pelos métodos digitais).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em adaptação para o Cinema pela </span><span style="font-weight: 400;"><i>Netflix</i></span><span style="font-weight: 400;">, com previsão de lançamento em 2024 sob direção dos Irmãos Russo, com </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.omelete.com.br/netflix/the-electric-state-millie-bobby-brown">Millie Bobby Brown</a></span><span style="font-weight: 400;"> no papel principal, ao lado de Chris Pratt e </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo">Michelle Yeoh</a></span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico</i></span><span style="font-weight: 400;"> parece a história alternativa de um lugar que nunca existiu. “</span><span style="font-weight: 400;"><i>O que estamos fazendo não é civilizado, eu sei. Mas sei que também deve ter acontecido com você. Assim como eu, você deve ter acordado um dia e constatado o inevitável: já não vivemos em tempos civilizados</i></span><span style="font-weight: 400;">”, escreve Stålenhag na obra. Esse é seu segundo projeto adaptado para o Audiovisual; o primeiro foi </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/04/09/tales-from-the-loop-e-a-ficcao-cientifica-anti-ansiedade-que-precisamos.htm">Tales From the Loop</a></i></span><span style="font-weight: 400;">, série lançada em 2020 pelo </span><span style="font-weight: 400;"><i>Amazon Prime Video</i></span><span style="font-weight: 400;"> baseada na HQ homônima de 2015, cujo livro ainda não foi publicado no Brasil.</span></p>
<figure id="attachment_29275" aria-describedby="caption-attachment-29275" style="width: 1100px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29275 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2.jpg" alt="" width="1100" height="1650" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2.jpg 1100w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/6-2-1024x1536.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29275" class="wp-caption-text">Nascido em 1984, Simon Stålenhag mistura suas memórias de infância no subúrbio de Estocolmo às paisagens corrompidas pelo capitalismo (Foto: Fredrik Bernholm)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os textos que acompanham quase todas as imagens parecem ser apenas mecanismos de coesão, algo que transforma a obra em um livro com início, meio e fim, e não apenas um bloco de ilustrações </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://artout.com.br/hiper-realismo/">hiper-realistas</a></span><span style="font-weight: 400;">. Contudo, não se trata de um elemento jogado totalmente ao acaso e a trama realmente converge para uma história coesa, mesmo que não-linear. A protagonista Michelle conta sua trajetória em etapas – às vezes dando aspectos socioculturais de uma sociedade danificada, às vezes se lembrando de um passado pouco distante em que sonhar, de verdade, era possível.</span></p>
<figure></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse talento extraordinário para narrar – a junção ideal de um texto conciso e imagens profundas – é o mérito de todo o livro. Para além das investigações especulativas desenvolvidas nas páginas de </span><span style="font-weight: 400;"><i>Estado elétrico</i></span><span style="font-weight: 400;">, a </span><span style="font-weight: 400;"><i>graphic novel</i></span><span style="font-weight: 400;"> é também um artefato poderoso para uma tomada de consciência que, talvez pela forma realista das ilustrações, ganha força como exemplo de um terrível futuro que pode, efetivamente, ser o nosso presente. Ainda assim, o autor nega o estereótipo de futurista. “</span><span style="font-weight: 400;"><i>Não lido com o futuro, não sou futurista. As pessoas mais fracassaram do que obtiveram sucesso ao imaginar o futuro. Eu sou parte da geração que percebeu que jamais teremos carros voadores</i></span><span style="font-weight: 400;">”, diz </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.estadao.com.br/alias/entenda-como-simon-stalenhag-inova-a-ficcao-cientifica/">Simon Stålenhag em entrevista</a></span><span style="font-weight: 400;">. Como Fisher escreve em </span><span style="font-weight: 400;"><i><a href="https://autonomialiteraria.com.br/loja/teoria-politica/realismo-capitalista/">Realismo Capitalista</a></i></span> <span style="font-weight: 400;">(2009), a propósito de um mundo cego pela lógica neoliberal, “</span><span style="font-weight: 400;"><i>é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo</i></span><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/estado-eletrico-critica/">Em Estado elétrico, Simon Stålenhag ilustra um apocalipse contemporâneo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/estado-eletrico-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">29263</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Severance: pane no sistema, alguém me desconfigurou</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/ruptura-severance-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/ruptura-severance-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jun 2022 16:40:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>
		<category><![CDATA[1ª temporada]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Adam Scott]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Aoife McArdle]]></category>
		<category><![CDATA[Apple TV+]]></category>
		<category><![CDATA[Backrooms]]></category>
		<category><![CDATA[Ben Stiller]]></category>
		<category><![CDATA[Britt Lower]]></category>
		<category><![CDATA[Burnout]]></category>
		<category><![CDATA[Christopher Walken]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Dan Erickson]]></category>
		<category><![CDATA[Dolly Zoom]]></category>
		<category><![CDATA[Drama]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Veiga]]></category>
		<category><![CDATA[Innies]]></category>
		<category><![CDATA[Jessica Lee Gagné]]></category>
		<category><![CDATA[John Turturro]]></category>
		<category><![CDATA[Lumon]]></category>
		<category><![CDATA[Outies]]></category>
		<category><![CDATA[Patricia Arquette]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira Temporada]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Ruptura]]></category>
		<category><![CDATA[sci-fi]]></category>
		<category><![CDATA[Season 1]]></category>
		<category><![CDATA[Severance]]></category>
		<category><![CDATA[Streaming]]></category>
		<category><![CDATA[Trevor Tillman]]></category>
		<category><![CDATA[TV]]></category>
		<category><![CDATA[Zach Cherry]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=27872</guid>

					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Burnout. Substantivo masculino. Palavra derivada do inglês, da junção de burn, “queima” mais out, “exterior”. Distúrbio psíquico ocasionado pelo excesso de trabalho, sendo capaz de levar alguém a exaustão extrema, estresse generalizado e esgotamento físico, comumente conhecido como Esgotamento Profissional ou Síndrome do Esgotamento Profissional. Em função do estrangulamento de tempo causado pelo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ruptura-severance-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Severance: pane no sistema, alguém me desconfigurou"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/ruptura-severance-critica/">Severance: pane no sistema, alguém me desconfigurou</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27873" aria-describedby="caption-attachment-27873" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27873" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-1-definitiva.jpg" alt="Cena da série Severance. Nela estamos vendo os personagens Mark, Dylan e Irving. Eles estão nas repartições do escritório, dividido em quatro partes. A câmera mostra a divisória que está vazia,composta de uma mesa branca e um computador antigo nas cores branca e azul, uma cadeira cinza e duas divisórias verdes. Mark, um homem branco de cabelos pretos está de frente para essa mesa vazia e de costas para a câmera, enquanto olha para ela. Ele veste um terno cinza e em sua testa há um band-aid azul. Irving, um homem branco de cabelos brancos está de frente para Mark, e olha para câmera pela fresta das divisórias. Dylan, um homem branco de cabelos pretos cacheados, está à esquerda da mesa vazia e aparece somente da testa para cima." width="1200" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-1-definitiva.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-1-definitiva-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-1-definitiva-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-1-definitiva-768x320.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27873" class="wp-caption-text">A ficção científica da Apple TV+ se prova o maior acerto do streaming e do gênero em anos (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><a href="https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/sindrome-de-burnout-esgotamento-profissional/"><i><span style="font-weight: 400;">Burnout</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Substantivo masculino. Palavra derivada do inglês, da junção de </span><i><span style="font-weight: 400;">burn</span></i><span style="font-weight: 400;">, “queima” mais </span><i><span style="font-weight: 400;">out</span></i><span style="font-weight: 400;">, “exterior”. Distúrbio psíquico ocasionado pelo excesso de trabalho, sendo capaz de levar alguém a exaustão extrema, estresse generalizado e esgotamento físico, comumente conhecido como Esgotamento Profissional ou Síndrome do Esgotamento Profissional. Em função do estrangulamento de tempo causado pelo mundo moderno, o termo é muito discutido e recentemente, saídas vêm sendo postas a prova, como o debate acerca de uma implementação da </span><a href="https://economia.ig.com.br/parceiros/edicase/2022-05-09/semana-de-trabalho-com-4-dias-tem-ganhado-espaco-em-empresas.html"><span style="font-weight: 400;">redução da carga horária para quatro dias</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo. Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">Severance </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Ruptura</span></i><span style="font-weight: 400;">), a nova queridinha do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, a alternativa é bem mais distópica.</span></p>
<p><span id="more-27872"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A série acompanha o departamento de Mark (Adam Scott) em uma empresa onde é possível, através do processo de ruptura, separar sua vida pessoal do seu “eu” do trabalho, criando personalidades e consciências distintas para a mesma pessoa. Você, trabalhador que chegou até aqui, já deve ter discordado e achado essa ideia na verdade bem utópica. E isso é totalmente compreensivo, porque o próprio criador </span><a href="https://www.instagram.com/instadan360/?hl=pt"><span style="font-weight: 400;">Dan Erickson</span></a><span style="font-weight: 400;">, estreando no formato televisivo, desenvolveu a ideia enquanto estava no porre do escritório. Porém, o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, como uma das melhores ficções científicas do audiovisual nos últimos tempos, extrapola o conceito ao máximo, invertendo todo esse mar de rosas.</span></p>
<figure id="attachment_27875" aria-describedby="caption-attachment-27875" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27875" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/severance-dance.gif" alt="GIF de uma das cenas de Severance. Nele, Milchik e Mark aparecem dançando. Milchik é um homem negro de cabelos pretos. Ele veste uma calça social e um suéter branco de gola alta. Mark veste um terno cinza com camisa branca. A câmera gira por eles e o escritório está emitindo luzes azuis e vermelhas." width="800" height="534" /><figcaption id="caption-attachment-27875" class="wp-caption-text">Milchik aqui funciona como uma personificação da positividade tóxica de Byung-Chul Han (GIF: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O criador, aqui, desenvolve uma camada própria de seu “Inferno de Dan” ao desvirtuar completamente as relações trabalhistas as quais inconscientemente aceitamos. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">The Office</span></i><span style="font-weight: 400;"> inovou ao trazer humor ao mundo corporativo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Severance </span></i><span style="font-weight: 400;">inova ainda mais ao trazer um suspense de ficar na ponta do sofá e um sentimento de estranhamento para esse meio. Na série, a burocracia, corporativismo, monotonia e as frias relações entre departamentos assustam. E tudo isso piora com uma ambientação desconfortavelmente minimalista e milimetricamente planejada em um molde meio </span><a href="http://lounge.obviousmag.org/guilhotina/2014/03/wes-anderson-simetria.html#:~:text=Era%20a%20elegante%20simetria%20de,toda%20a%20filmografia%20do%20diretor."><span style="font-weight: 400;">Wes Anderson de ser</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aliás, é bem interessante notar como a série consegue agregar vários conceitos da ficção científica de uma forma extremamente original que façam com que a comparação com outras obras não seja nem um pouco contundente. Desde elementos de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/brilho-eterno-de-uma-mente-sem-lembrancas#:~:text=Para%20quem%20gosta%20de%20colocar,)%20e%20pensar%20(muito)."><i><span style="font-weight: 400;">Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">com essa espécie de “perda de memória”, até mesmo à questão de se estar em um ambiente extremamente controlado trazida de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-show-de-truman-20-anos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Show de Truman</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, tudo é construído de uma forma muito engenhosa e rica em detalhes, fugindo assim da mesmice de conceitos já apresentados anteriormente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, uma das ideias mais frescas que a série traz são as de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3s4QSgKrTaw"><i><span style="font-weight: 400;">Backrooms</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O termo surgiu em meados de 2019 para identificar um gênero de lenda urbana de fóruns, assim como aconteceu com o Slenderman, e se trata de lugares </span><i><span style="font-weight: 400;">“entre realidades”</span></i><span style="font-weight: 400;"> simbolizados por salas —</span> <span style="font-weight: 400;">geralmente escritórios — desconfortáveis e intermináveis e já foi abordado principalmente em jogos como a </span><i><span style="font-weight: 400;">demo</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Kojima e Del Toro, </span><a href="https://jovemnerd.com.br/blogs-e-colunas/escreve-mais-joga/por-que-o-p-t-e-melhor-que-muitos-jogos-de-terror/"><i><span style="font-weight: 400;">P.T</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e o </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">The Stanley Parable</span></i><span style="font-weight: 400;">. E logo nos primeiros minutos do piloto </span><i><span style="font-weight: 400;">Good News About Hell</span></i><span style="font-weight: 400;"> já é possível perceber isso através de um ótimo e angustiante plano-sequência e, futuramente, isso se intensifica com as bizarrices que os corredores da empresa </span><a href="https://www.linkedin.com/showcase/lumon-industries/"><span style="font-weight: 400;">Lumon</span></a><span style="font-weight: 400;"> escondem.</span></p>
<p><figure id="attachment_27876" aria-describedby="caption-attachment-27876" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27876" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-3-definitiva.jpg" alt="Cena da série Severance. Nela, Irving e Burt, um homem branco de meia idade e de cabelos brancos, estão próximos, com as cabeças encostadas uma na outra. Burt veste uma roupa azul similar a um jaleco com uma camisa branca por baixo. Irving está com um terno preto, camisa azul clara e gravata azul. Eles estão rodeados por folhas verdes." width="1400" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-3-definitiva.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-3-definitiva-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-3-definitiva-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-3-definitiva-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-3-definitiva-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27876" class="wp-caption-text">A relação entre Irving (John Turturro) e Burt (Christopher Walken) é uma grata surpresa da trama [Foto: Apple TV+]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Tal riqueza só se dá através de um trabalho cuidadosamente minucioso feito tanto por criação como produção. Dan Erickson desenvolve um texto extremamente complexo, que consegue incorporar questões filosóficas sobre o ser e lampejos religiosos à ficção científica. Já na produção, Ben Stiller (</span><a href="https://seriemaniacos.tv/escape-dannemora-historia-desespero/"><i><span style="font-weight: 400;">Escape at Danemmora</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/315142/a-vida-secreta-de-walter-mitty-2013-autoajuda-simpatica-por-ben-stiller/"><i><span style="font-weight: 400;">A Vida Secreta de Walter Mitty</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), que também assina parte da direção, comanda um </span><i><span style="font-weight: 400;">dream team </span></i><span style="font-weight: 400;">que consegue dar corpo a toda a grandiosidade do projeto. E um dos corações da série está no </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção, encabeçado aqui pela diretora de fotografia Jessica Lee Gagné.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gagné, que já tinha trabalhado com Ben Stiller em obras anteriores, a princípio nem queria assumir o posto em </span><i><span style="font-weight: 400;">Severance</span></i><span style="font-weight: 400;">, tamanha a dificuldade de imprimir algo em um ambiente tão monótono. Porém, a fotografia por si só é um deleite à parte e te faz mergulhar naquele ambiente claustrofóbico. Uma das assinaturas da fotógrafa na série são as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jtJzPp9wCFE"><span style="font-weight: 400;">transições</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos externos (</span><i><span style="font-weight: 400;">outies</span></i><span style="font-weight: 400;">, as personas reais) para internos (</span><i><span style="font-weight: 400;">innies</span></i><span style="font-weight: 400;">, as personas do escritório) no elevador da empresa. Para isso,  é usada a técnica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=u5JBlwlnJX0"><i><span style="font-weight: 400;">Dolly Zoom</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ou Efeito Vertigo, imortalizado por Alfred Hitchcock. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ruptura</span></i><span style="font-weight: 400;">, a composição de um local apertado como o elevador faz com que o efeito distorça os próprios personagens ao invés do fundo, deixando assustadoramente nítida essa troca de consciência.</span></p>
<figure id="attachment_27877" aria-describedby="caption-attachment-27877" style="width: 2400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27877" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-4-definitiva.jpg" alt="Cena da série Severance. Nela, Helly, uma mulher branca de cabelos ruivos aparece desacordada em uma mesa de reuniões, filmada de cima. Ela veste um vestido azul e está de bruços. A mesa é de madeira, tem doze cadeiras verdes e está sobre um tapete verde." width="2400" height="1350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-4-definitiva.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-4-definitiva-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-4-definitiva-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-4-definitiva-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-4-definitiva-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-4-definitiva-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-4-definitiva-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27877" class="wp-caption-text">Com um dos melhores ganchos dos últimos tempos, a série já está renovada para uma segunda temporada (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fechando os pilares por trás das câmeras, é impossível não dar os méritos para a direção. A função aqui é dividida entre Aoife McArdle (</span><i><span style="font-weight: 400;">Admirável Mundo Novo</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Ben Stiller e os dois são um ingrediente crucial da obra. Mesmo o ator sendo extremamente ligado à comédia, na direção ele já mostrava que levava jeito para outras vertentes e </span><i><span style="font-weight: 400;">Severance </span></i><span style="font-weight: 400;">é seu TCC com nota máxima. Em um universo de </span><a href="https://thesquad.com.br/space-force-netflix-review/?amp=1"><span style="font-weight: 400;">histórias com potencial</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a indústria desperdiçou, a dupla consegue fazer com que a premissa interessante vá se desenvolvendo e se enriquecendo com paciência, para chegar ao </span><i><span style="font-weight: 400;">season finale</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">The We We Are</span></i><span style="font-weight: 400;">, sendo estarrecedor, de forma a parecer ser muito mais longo que seus 40 minutos, tamanha a sensação de sufocamento que eles conseguem imprimir no clímax da história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E aqui eles vão no cerne da ficção científica ao cultivar um existencialismo típico do gênero para conduzir suas questões éticas e morais. Desde a melancolia dos exteriores, que a princípio aceitaram o processo por questão de qualidade de vida, até mesmo a adaptação moderna do </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/filosofia/mito-caverna.htm"><span style="font-weight: 400;">Mito da Caverna</span></a><span style="font-weight: 400;"> que é feita com os internos, tudo é apresentado de uma forma muito sútil, concisa e cadenciada. Isso faz com que os questionamentos do espectador venham aos poucos com o desenvolver da história, de forma com que seja nutrida uma empatia com as personagens em seus dois &#8220;núcleos&#8221;, pois ambos espelham perguntas sobre nós mesmos, gerando um engajamento orgânico por parte de quem assiste.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, você não deve maratonar </span><i><span style="font-weight: 400;">Severance</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em um mundo onde o </span><a href="https://www.inglesnapontadalingua.com.br/2018/08/o-que-significa-binge-watching.html"><i><span style="font-weight: 400;">binge-watching</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, graças à </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, reinou por anos, e, assim como ela, </span><a href="https://blogs.correiobraziliense.com.br/proximocapitulo/maratonas-perdem-forca-no-streaming-e-episodios-semanais-estao-de-volta/"><span style="font-weight: 400;">está entrando em decadência</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra da </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;"> é talvez a maior cabo eleitoral do </span><i><span style="font-weight: 400;">“reject modernity, embrace tradition”</span></i><span style="font-weight: 400;"> nessa questão. Seus episódios, mesmo que com ganchos fenomenais, são concebidos de maneira a serem digeridos um por vez, pois a série te joga no meio de duas realidades totalmente distintas e não se apressa para explicar as coisas, fazendo com que a confusão e os questionamentos dos dois mundos se repliquem em quem a assiste só que de forma muito mais potencializada. Além disso, a construção de mistérios dela é feita de forma única nos últimos anos, emulando o que a geração passada sentia acompanhando </span><i><span style="font-weight: 400;">Lost</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27878" aria-describedby="caption-attachment-27878" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27878" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-5.gif" alt="GIF da série Severance. Nele, aparece uma televisão antiga com o personagem de Eagan em formato de um desenho pixelado. Ele é representado por um homem velho de barba volumosa branca e cabelo branco. Ele está falando com Mark, que observa a televisão" width="800" height="800" /><figcaption id="caption-attachment-27878" class="wp-caption-text">O culto a Eagan tem tudo para colocar alguns Emmys em seu altar (GIF: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para que tudo isso funcione no produto final, é necessário que a atuação esteja a altura. E grande parte do elenco entrega aqui o trabalho de suas carreiras. Interpretar mais de um papel é uma tônica até que recorrente, que vai desde viver gêmeos antagônicos em narrativas novelescas, troca de corpos feitas por artefatos mágicos e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yt8AX2PvB0U"><span style="font-weight: 400;">vilões com 27 personalidades</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas o trabalho que Adam Scott (</span><i><span style="font-weight: 400;">Parks and Recreation</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/big-little-lies-s2-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Big Little Lies</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) desempenha aqui é surreal e vai além. Ele consegue transmitir a carga de estar sobrecarregando o corpo com duas personas distintas e transitar muito bem entre seus personagens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O restante do departamento também não fica atrás. A Helly R. de Britt Lower (</span><i><span style="font-weight: 400;">Man Seeking Woman</span></i><span style="font-weight: 400;">) funciona aqui como o contraponto da história e a forma com que ela imprime o estranhamento do escritório faz com que seja a personagem mais próxima do público. Zach Cherry (</span><i><span style="font-weight: 400;">You</span></i><span style="font-weight: 400;">) desenvolve aos poucos um funcionário exemplar que começa a cair na real e é o que consegue imprimir os debates éticos imputados ao telespectador. E John Turturro (</span><a href="https://personaunesp.com.br/batman-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Batman</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Grande Lebowski</span></i><span style="font-weight: 400;">) junto com Christopher Walken (</span><i><span style="font-weight: 400;">Click</span></i><span style="font-weight: 400;">) transmitem em tela um dos relacionamentos afetivos mais singelos dos últimos tempos. Já o Milchik de Trevor Tillman (</span><i><span style="font-weight: 400;">The Godfather of Harlem</span></i><span style="font-weight: 400;">) e a Cobel de Patricia Arquette (</span><i><span style="font-weight: 400;">The Act</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Boyhood</span></i><span style="font-weight: 400;">) estão assustadoramente bens na composição de funcionários que não medem escrúpulos para fazer a empresa funcionar.</span></p>
<figure id="attachment_27879" aria-describedby="caption-attachment-27879" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27879" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-6.jpg" alt="Cena de Severance. Nela, Helly, uma mulher branca de cabelos ruivos aparece em uma tv antiga. Ela veste um vestido azul e a tv está sobre um carrinho em uma sala branca." width="700" height="291" /><figcaption id="caption-attachment-27879" class="wp-caption-text">O trabalho dos seus sonhos também pode ser o de seus pesadelos (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Severance </span></i><span style="font-weight: 400;">é extremamente inventiva em seus conceitos e os executa de maneira primorosa. Sua escolha de se estruturar de uma forma intrigante é um de seus maiores acertos, fazendo uma crítica bem sutil, porém certeira, da sociedade cosmopolita e da máquina de moer silenciosa do capitalismo. Como uma ótima ficção científica, a série traz a distopia tão próxima do espectador e o encara até ele ficar desconfortável e começar a repensar a si próprio diante de uma realidade que, mesmo com a bagunça dos aparelhos oitentistas em conflito com o cenário futurista, é </span><a href="https://epipoca.com.br/atriz-comenta-como-serie-severance-se-conecta-ao-mundo-real/"><span style="font-weight: 400;">mais atual do que nunca</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inteligente e audaciosa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Severance </span></i><span style="font-weight: 400;">é minimalista ao mesmo tempo que gigantesca e não se prende a um formato, transitando do humor ácido para o </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> de forma imperceptível e impecável. Belamente fotografada e narrativamente instigante, a obra, que apesar do lançamento modesto, conquistou seu espaço no boca a boca como nos velhos tempos, merece ser falada muito mais do que já é, até porque, em questão de série, não estamos falando apenas da funcionária do mês, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JQxXn2kYqw0"><span style="font-weight: 400;">mas sim a do ano</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Severance — Official Trailer | Apple TV+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/xEQP4VVuyrY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/ruptura-severance-critica/">Severance: pane no sistema, alguém me desconfigurou</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/ruptura-severance-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">27872</post-id>	</item>
		<item>
		<title>The Rocky Horror Picture Show não cabe em nenhuma caixinha</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/the-rocky-horror-picture-show-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/the-rocky-horror-picture-show-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Oct 2021 18:45:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[1975]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Barry Bostwick]]></category>
		<category><![CDATA[Comédia]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Cult]]></category>
		<category><![CDATA[Doce Travesti da Transsexual Transilvânia]]></category>
		<category><![CDATA[Dr. Frank-N-Furter]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[Halloween]]></category>
		<category><![CDATA[Jim Sharman]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIA]]></category>
		<category><![CDATA[Musical]]></category>
		<category><![CDATA[Queer]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Richard O’Brien]]></category>
		<category><![CDATA[Riff Raff]]></category>
		<category><![CDATA[Susan Sarandon]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
		<category><![CDATA[Terror]]></category>
		<category><![CDATA[The Rocky Horror Picture Show]]></category>
		<category><![CDATA[Tim Curry]]></category>
		<category><![CDATA[Trash]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Gomez]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=23954</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez Nota mental: nunca tentar definir o gênero cinematográfico e nem descrever o roteiro de The Rocky Horror Picture Show. O longa musical dirigido por Jim Sharman e baseado na peça teatral homônima levou às telas a essência satírica e tumultuada de comédia, terror e ficção científica todos juntos e misturados, com muita &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-rocky-horror-picture-show-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Rocky Horror Picture Show não cabe em nenhuma caixinha"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/the-rocky-horror-picture-show-critica/">The Rocky Horror Picture Show não cabe em nenhuma caixinha</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23955" aria-describedby="caption-attachment-23955" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23955" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-1.jpg" alt="Cena do filme The Rocky Horror Picture Show. Na imagem, em um primeiro plano, vemos o braço flexionado e musculoso do personagem Rocky, um homem branco e loiro, que está de costas e só aparece parcialmente. Em um segundo plano, atrás do braço de Rocky, vemos, da esquerda para a direita, Janet e Brad, uma mulher e um homem brancos, ambos aparentando cerca de 30 anos e vestindo roupões brancos; à frente deles, Magenta, uma mulher branca de cabelos encaracolados vestindo um vestido preto e de lado para a câmera; Frank, o personagem principal, vestindo um corset preto e maquiagem e flexionando os braços; e Riff Raff, um homem branco, de cabelos loiros e longos somente na lateral da cabeça, segurando uma toalha e encarando Frank. " width="1080" height="651" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-1.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-1-800x482.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-1-1024x617.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-1-768x463.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23955" class="wp-caption-text">The Rocky Horror Picture Show surgiu porque o criador Richard O’Brien, que também interpreta Riff Raff, estava entediado e insatisfeito com seus papéis no teatro (Foto: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nota mental: nunca tentar definir o gênero cinematográfico e nem descrever o roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show</span></i><span style="font-weight: 400;">. O longa musical dirigido por Jim Sharman e baseado na peça teatral homônima</span> <span style="font-weight: 400;">levou às telas a essência satírica e tumultuada de comédia, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/terror/"><span style="font-weight: 400;">terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ficção científica todos juntos e misturados, com muita música, irreverência e atrevimento. Assim como os </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-sao-filmes-b/"><span style="font-weight: 400;">filmes B</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se propôs a homenagear, a rebelde produção </span><a href="https://www.rogerebert.com/reviews/the-rocky-horror-picture-show-1976"><span style="font-weight: 400;">foi criticada</span></a><span style="font-weight: 400;">, deixada de lado e jogada para as exibições com menor audiência. Entre o público das sessões, o propositalmente ridículo e contracultural </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show </span></i><span style="font-weight: 400;">foi compreendido e, justamente por causa dos renegados, se tornou o clássico </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/o-que-torna-um-filme-cult-186269/"><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">definitivo e atemporal que é hoje.</span></p>
<p><span id="more-23954"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama do filme, Brad (Barry Bostwick) e Janet (Susan Sarandon) são um jovem casal apaixonado e recatado que decide pegar a estrada para contar as boas novas a um amigo em comum: eles noivaram! Isso até que uma tempestade e um pneu furado atrapalham a viagem e os deixam presos no meio do nada. Obrigados a pedirem ajuda no único lugar possível, um castelo macabro, o casal só queria </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZCZDWZFtyWY"><span style="font-weight: 400;">fazer uma ligação e voltar para o carro</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas toca a campainha em uma noite especial. Os dois são conduzidos ao salão principal pelo misterioso e antipático mordomo Riff Raff (Richard O’Brien) e quando veem, já estão envolvidos no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-w0WPkB3XJ4"><span style="font-weight: 400;">excêntrico evento</span></a><span style="font-weight: 400;"> marcado para acontecer naquela data.</span></p>
<figure id="attachment_23956" aria-describedby="caption-attachment-23956" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23956" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-2.gif" alt="Cena do filme The Rocky Horror Picture Show. Em frente a uma tela branca no que aparenta ser uma biblioteca, vemos, ao centro, um homem branco, de cabelos brancos curtos, aparentando cerca de 50 anos, vestindo um terno preto, com a mão levantada segurando um cigarro e inclinando a cabeça enquanto fala." width="650" height="398" /><figcaption id="caption-attachment-23956" class="wp-caption-text">“Eu gostaria, se eu puder, de te levar em uma estranha jornada” (GIF: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uSSlYwVEMSM"><span style="font-weight: 400;">abertura</span></a><span style="font-weight: 400;">, o número musical e os convidados extravagantes já não derrubaram a ficha de que </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show </span></i><span style="font-weight: 400;">é algo além do convencional, chega o anfitrião da festa, o Dr. Frank-N-Furter. Entrada triunfal é pouco: de meia arrastão e batom vermelho, ele desce por um elevador engatando em uma envolvente e divertida performance, se apresenta como um Doce Travesti da Transsexual Transilvânia e convida o casal para o laboratório, onde revelará seu mais novo experimento: um homem feito por ele para satisfazer seus desejos. Logo de cara, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G5sTIGLo79g"><span style="font-weight: 400;">protagonista de Tim Curry</span></a><span style="font-weight: 400;"> já é estonteante &#8211; Janet e Brad que o digam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Daí para frente, com o Frankenstein musculoso e de sunguinha do Doutor Furter ganhando vida, um ex-amante retornando e o casal tendo que passar a noite no castelo, é impossível prever os rumos que a premissa toma e a cada curva o caminho fica mais estranho &#8211; e mais divertido. </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror </span></i><span style="font-weight: 400;">está ciente de sua bizarrice e não liga. Ao contrário, a produção aproveita o rótulo </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/o-mundo-trash-uma-breve-introducao-a-um-genero-incompreendido/"><i><span style="font-weight: 400;">trash</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">para ser mais escrachada ainda: os números musicais extravagantes, os figurinos coloridos e ultrajados e as performances excessivas criam a atmosfera debochada, cômica e despreocupada que fez da produção um verdadeiro </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-news/tim-curry-once-got-thrown-out-of-a-rocky-horror-picture-show-screening-4168625/"><span style="font-weight: 400;">espetáculo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Rocky Horror Picture Show (1975) - Sweet Transvestite Scene (3/5) | Movieclips" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ZCZDWZFtyWY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Literalmente um espetáculo. Depois de passar pelos palcos de Londres e Los Angeles, a peça escrita e composta por Richard O’Brien ganhou uma adaptação cinematográfica, o </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show </span></i><span style="font-weight: 400;">como o conhecemos. Nas telas, a produção inicialmente </span><a href="https://didyouknow.org/rocky-horror-picture-show-flopped-on-release/"><span style="font-weight: 400;">não decolou</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas foram justamente nas sessões da meia noite que o que era um ousado e estranho longa se transformou em um fenômeno: é impossível não querer cantar e dançar com a animada trilha sonora e os espectadores começaram a performar junto dos números.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas madrugadas, as exibições viraram ponto de encontro de fãs, que compareciam fantasiados como os personagens e se </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-T3wrbOr68w"><span style="font-weight: 400;">levantavam para encenar</span></a><span style="font-weight: 400;"> assim que os créditos iniciais passavam. O impacto da produção superou as telas e fez de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show </span></i><span style="font-weight: 400;">um fenômeno cultural. Não por menos, o filme é até hoje o de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hefomj2O7PQ"><span style="font-weight: 400;">maior rodagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> em salas de cinemas, cravou imagens e </span><a href="https://tidibits.wordpress.com/2020/10/28/os-labios-de-man-ray-e-rock-horror-show/"><span style="font-weight: 400;">referências</span></a><span style="font-weight: 400;"> no imaginário popular e vira e mexe ganha homenagens em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0hqtEvVVrvk"><span style="font-weight: 400;">séries</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=axcECZzlPVI"><span style="font-weight: 400;">filmes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e até um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XZE54I5zmVc"><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com a participação do genial intérprete de Frank como o criminologista narrador da história.</span></p>
<figure id="attachment_23957" aria-describedby="caption-attachment-23957" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23957" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-3.jpg" alt=" Cena do filme The Rocky Horror Picture Show. Em frente a uma cortina vermelha em um palco, vemos, da esquerda para a direita, Columbia, uma mulher branca, aparentando cerca de 30 anos, usando maquiagem e vestindo um traje e um chapéu coloridos e brilhantes; ao centro, em uma cadeira que imita um trono, vemos Frank, vestindo um corset, salto alto e maquiagem e deitado de lado; acima dele, apoiada na cadeira, Magenta, uma mulher branca, aparentando cerca de 30 anos, de cabelos encaracolados e castanhos, com o rosto pintado de branco e maquiado; e, à direita, Riff Raff, um homem branco, com cabelos loiros longos somente na lateral da cabeça, vestindo uma roupa toda preta e com luvas pretas, apoiado na cadeira em que Frank está." width="1170" height="780" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-3.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-3-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23957" class="wp-caption-text">Grande parte do elenco do filme, incluindo o brilhante Tim Curry, já participava de The Rocky Horror quando a produção ainda era uma peça independente nos teatros de Londres (Foto: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E falando de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror</span></i><span style="font-weight: 400;">, Tim Curry merece um destaque inteiro só para ele. Seus companheiros de elenco são divertidos e fundamentais à trama &#8211; no final, então&#8230; &#8211; mas é o cientista maluco que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mjHksjW4XQk"><span style="font-weight: 400;">rouba todos os holofotes</span></a><span style="font-weight: 400;">. O Frank-N-Furter de Curry é inigualável e sua presença em cena, hipnótica. O ator cria uma atmosfera misteriosa, instigante e sedutora a partir do exótico de seu personagem, e ascende como a força central do filme. Isso para não começar nos vocais: a voz potente e extasiante do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G5sTIGLo79g"><span style="font-weight: 400;">artista</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma atração à parte a cada número musical (e são muitos) e tornam o protagonista ainda mais arrebatador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wb1HDnYPPoo"><span style="font-weight: 400;">músicas grudentas</span></a><span style="font-weight: 400;">, do visual estimulante e das fantasias de </span><i><span style="font-weight: 400;">Halloween</span></i><span style="font-weight: 400;"> que não envelhecem, o apelo de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror </span></i><span style="font-weight: 400;">não é difícil de entender. Mais do que puro e simples entretenimento, o longa de Jim Sharman foi acolhedor ao reconhecer as diferenças e as abraçar. Orgulhosa de sua própria bizarrice, a produção assume sua despretensão e extravagância e a usa para ser, também, transgressora.</span></p>
<figure id="attachment_23958" aria-describedby="caption-attachment-23958" style="width: 1791px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23958" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4.png" alt="Cena do filme The Rocky Horror Picture Show. Na imagem, em frente a um pano de fundo azul com uma torre e letras, vemos, da esquerda para a direita, Frank, vestindo um corset vermelho e usando maquiagem; Janet e Brad, que segura na cintura de Janet. Ambos vestem corset preto e usam maquiagem no rosto." width="1791" height="1077" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4.png 1791w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4-800x481.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4-1024x616.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4-768x462.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4-1536x924.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-4-1200x722.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23958" class="wp-caption-text">Escalar Barry Bostwick e Susan Sarandon nos papéis de Brad e Janet foi uma exigência do estúdio, que queria que o casal principal fosse estadunidense (Foto: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1975, nem uma década depois da </span><a href="https://www.cadaminuto.com.br/noticia/2019/10/18/a-censura-em-hollywood-e-o-codigo-hays"><span style="font-weight: 400;">censura dos bons costumes</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Cinema ter sido abolida, o filme não poupou na sensualidade. Na pele dos novatos Susan Sarandon e Barry Bostwick, a inocente Janet e o quadradão Brad estavam se guardando para depois do casamento, até que ambos foram seduzidos e (de bom grado) deixaram ser corrompidos pelo inebriante Frank. Se o casal era casto até conhecê-lo, o anfitrião já deixava claro suas intenções e desejos, sem firulas no assunto. Até o recém-nascido Rocky, criado unicamente para satisfazer seu criador, já </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tdufVsPXtCE"><span style="font-weight: 400;">vem ao mundo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sunga apertada e, por mais ingênuo que seja, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oHv0VrAUYLY"><span style="font-weight: 400;">cheio de tesão</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Janet.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como já pregava o lema “</span><i><span style="font-weight: 400;">Entregue-se ao prazer absoluto</span></i><span style="font-weight: 400;">”, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LnYBwampG8U"><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Picture Show</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não existe espaço para falso moralismo ou conservadorismo tolo. Com sua aura erótica e provocativa, o filme tirou sarro dos bons costumes da época, mas também jogou o holofote em temas como liberdade sexual e sexualidade. Nesta última, apesar dos anos 70 terem sido uma </span><a href="https://educacao.uol.com.br/noticias/2021/06/28/o-que-foi-a-rebeliao-de-stonewall-inn-que-deu-origem-ao-dia-do-orgulho-gay.htm"><span style="font-weight: 400;">época próspera</span></a><span style="font-weight: 400;"> para essas discussões, o tabu estava longe de ser quebrado e Tim Curry em um </span><i><span style="font-weight: 400;">corset</span></i><span style="font-weight: 400;">, cantando abertamente sobre seus desejos carnais e levando Brad e Janet para a cama foi revolucionário. </span></p>
<figure id="attachment_23959" aria-describedby="caption-attachment-23959" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23959" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-5.jpg" alt="Cena do filme The Rocky Horror Picture Show. Na imagem, em frente a uma porta aberta e com muita fumaça em volta, vemos ao centro, da esquerda para a direita, Riff Raff, um homem pintado de branco, com os cabelos presos para cima, vestindo um traje prateado com uma estética futurista e segurando o que aparenta ser uma arma também futurista; e Magenta, uma mulher pintada de branco, com os cabelos penteados para o alto e com uma mecha prateada, vestindo um traje igual o de Riff Raff, com as mãos na cintura." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/the-rocky-horror-picture-show-5-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23959" class="wp-caption-text">Criador do roteiro original e intérprete de Riff Raff, Richard O’Brien também compôs a inesquecível trilha sonora de The Rocky Horror Show e The Rocky Horror Picture Show (Foto: 20th Century Fox)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tempo presente, </span><a href="https://www.theatlantic.com/entertainment/archive/2015/09/after-40-years-rocky-horror-has-become-mainstream/407491/"><span style="font-weight: 400;">décadas depois</span></a><span style="font-weight: 400;"> da estreia. O debate sobre gênero e sexualidade avançou e até as pautas mudaram, mas a relevância da produção sobreviveu ao tempo, assim como suas sátiras ao conservadorismo. No contexto do lançamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">TRHPS </span></i><span style="font-weight: 400;">foi subversivo e quebrou com os padrões da época. Em qualquer outro, como o agora, a mensagem de rebeldia e de desobediência do comum permanece atemporal, mais um dos motivos para olharmos para a produção com ainda mais carinho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, se os cem minutos anteriores já não foram fascinantes e tresloucados o suficiente, a conclusão do filme aceita o desafio de tornar tudo ainda mais maluco e nada prepara para o grande desfecho. </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/comedia/"><span style="font-weight: 400;">Comédia</span></a><span style="font-weight: 400;">, terror, </span><a href="https://personaunesp.com.br/super-8-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">ficção científica</span></a><span style="font-weight: 400;">, musical, tudo se bagunça, se mistura e se caçoa. Afinal, no caleidoscópio de cores, sons, reviravoltas, sentidos e experiências, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror </span></i><span style="font-weight: 400;">já havia mostrado que não cabe em nenhuma caixinha pré-definida e que é só si próprio &#8211; e daí seu sucesso e seu merecido </span><i><span style="font-weight: 400;">status</span></i><span style="font-weight: 400;"> definitivo. Como os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EcPZZ_hPVPA"><span style="font-weight: 400;">personagens cantam em coro</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show </span></i><span style="font-weight: 400;">não sonha em ser, é.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: The Rocky Horror Picture Show - Original Soundtrack" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/4QviryaneolcRmDB57SLco?si=TyoeSKc7SHCWoNwWsgJf6g&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/the-rocky-horror-picture-show-critica/">The Rocky Horror Picture Show não cabe em nenhuma caixinha</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/the-rocky-horror-picture-show-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">23954</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Love, Death &#038; Robots: nada coeso, obrigatoriamente inovador, quase sempre divertido</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/love-death-robots-2a-temp-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/love-death-robots-2a-temp-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Aug 2021 18:57:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[2a Temporada]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Animação]]></category>
		<category><![CDATA[Antologia]]></category>
		<category><![CDATA[Coletânea]]></category>
		<category><![CDATA[Creative Arts Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[David Fincher]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy]]></category>
		<category><![CDATA[Emmy 2021]]></category>
		<category><![CDATA[Fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[Heavy Metal]]></category>
		<category><![CDATA[Humanidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ice]]></category>
		<category><![CDATA[Jennifer Miller]]></category>
		<category><![CDATA[Joshua Donen]]></category>
		<category><![CDATA[Love Death + Robots]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Edição de Som em Série de Comédia ou Drama (Meia-Hora) e Animação]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Programa Curto de Animação]]></category>
		<category><![CDATA[Michael B. Jordan]]></category>
		<category><![CDATA[Morte & Robôs]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Outstanding Short Form Animated Program]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Snow In The Desert]]></category>
		<category><![CDATA[Snow no deserto]]></category>
		<category><![CDATA[Terror]]></category>
		<category><![CDATA[Tim Miller]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Gomez]]></category>
		<category><![CDATA[Volume 2]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=22542</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez A sonhada adaptação da revista em quadrinhos Heavy Metal proposta pelos diretores David Fincher (Seven, Mank) e Tim Miller (Deadpool) ficou na gaveta por anos até a Netflix topar o desafio. No streaming, os dois se juntaram a Jennifer Miller e Joshua Donen (Mindhunter, House of Cards) na produção e a ideia &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/love-death-robots-2a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Love, Death &#038; Robots: nada coeso, obrigatoriamente inovador, quase sempre divertido"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/love-death-robots-2a-temp-critica/">Love, Death &#038; Robots: nada coeso, obrigatoriamente inovador, quase sempre divertido</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22543" aria-describedby="caption-attachment-22543" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22543" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-1.jpg" alt="Cena do episódio Atendimento automático ao cliente de Love, Death &amp; Robots. Na imagem, uma animação, a frente de uma porta de vidro que revela um quintal com árvores, flores coloridas e palmeiras, uma mulher branca de meia idade, de cabelos curtos e brancos, blusa branca listrada e calça branca abre espacate no chão e aponta uma espingarda. Ao lado direito dela, vemos um cachorro pequeno e de pelos brancos." width="1920" height="960" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-1.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-1-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-1-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-1-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-1-1536x768.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-1-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22543" class="wp-caption-text">Dois anos depois da <a href="https://personaunesp.com.br/love-death-robots-critica/">aclamada estreia</a> de Love, Death &amp; Robots e das vitórias no Emmy 2019, a segunda temporada chegou em 2021 e foi novamente indicada em Melhor Programa Curto de Animação (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sonhada adaptação da revista em quadrinhos </span><a href="https://tecnoblog.net/meiobit/399140/love-death-e-robots-tim-miller-david-fincher-netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">Heavy Metal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> proposta pelos diretores David Fincher (</span><a href="https://personaunesp.com.br/seven-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Seven</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/mank-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mank</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Tim Miller (</span><a href="https://personaunesp.com.br/deadpool/"><i><span style="font-weight: 400;">Deadpool</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) ficou na gaveta </span><a href="https://www.abc.net.au/news/2008-03-17/heavy-metal-comic-to-become-a-film/1074758"><span style="font-weight: 400;">por anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> até a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> topar o desafio. No </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, os dois se juntaram a Jennifer Miller e Joshua Donen (</span><a href="https://personaunesp.com.br/mindhunter-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mindhunter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-house-of-cards-quinta-temporada/"><i><span style="font-weight: 400;">House of Cards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) na produção e a ideia virou </span><i><span style="font-weight: 400;">Love, Death &amp; Robots</span></i><span style="font-weight: 400;">, inédita e inovadora na farofa de </span><a href="https://www.aicinema.com.br/producao-de-conteudos-originais-pelo-netflix/"><span style="font-weight: 400;">conteúdos originais</span></a><span style="font-weight: 400;"> da plataforma. O sucesso e a aprovação dos curtas metragens animados garantiram a continuação: mais curta, a segunda temporada da série volta para mais amores, mortes e robôs.</span></p>
<p><span id="more-22542"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seguindo o formato antológico, os oito episódios continuam </span><a href="https://cgsociety.org/news/article/4413/love-death-plus-robots-with-blur-studio-behind-the-scenes"><span style="font-weight: 400;">completamente independentes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e não limitam as possibilidades. A cada capítulo, universos, elencos e equipes, estilos visuais e até gêneros distintos obedecem à única regra de abordarem ou morte, ou amor ou robôs (ou mais de um no mesmo episódio). Os temas, que aparentemente são o único ponto em comum entre eles, usam da liberdade para explorarem suas </span><a href="https://www.theverge.com/2019/3/22/18267894/netflix-love-death-robots-read-stories-free-online-john-scalzi-ken-liu-marko-kloos-alastair-reynolds"><span style="font-weight: 400;">próprias narrativas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e técnicas e </span><a href="https://otakukart.com/love-death-and-robots-season-2-all-endings-explained/"><span style="font-weight: 400;">despertam a curiosidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> não pelas semelhanças, mas justamente pelas diferenças.</span></p>
<figure id="attachment_22544" aria-describedby="caption-attachment-22544" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22544" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-2.jpg" alt="Cena do episódio Gaiola de sobrevivência de Love, Death &amp; Robots. Ao centro da imagem, do tronco para cima, vemos o personagem estrelado por Michael B. Jordan, um homem negro de cabelos pretos curtos e bigode ralo, com uma expressão séria e vestindo um traje espacial." width="1000" height="423" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-2.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-2-800x338.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-2-768x325.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22544" class="wp-caption-text">A revista em quadrinhos Heavy Metal, que serviu de inspiração para série, usa da ficção científica e da fantasia como pano de fundo em histórias destinadas ao público adulto (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Transitando entre ficção científica, fantasia, terror, suspense e até comédia, têm capítulo, história e visual para tudo quanto é gosto. O instinto de sobrevivência marca a segunda temporada de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Gj2iCJkp6Ko"><i><span style="font-weight: 400;">LD&amp;R</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas, entre distopias futuristas realistas e contos natalinos em </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;">, nem o tema em comum torna a coletânea previsível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Episódios tensos e cheios de ação como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BWB507yaBXI"><i><span style="font-weight: 400;">Gaiola de sobrevivência</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, estrelado por Michael B. Jordan em um visual característico dos </span><i><span style="font-weight: 400;">videogames</span></i><span style="font-weight: 400;">, vêm </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/cultura-geek/139711-netflix-muda-ordem-episodios-teste-serie-love-death-robots.htm"><span style="font-weight: 400;">na sequência</span></a><span style="font-weight: 400;"> de outros calmos e introspectivos, como </span><i><span style="font-weight: 400;">O gigante afogado</span></i><span style="font-weight: 400;">, que reflete sobre a natureza da vida e da morte. Ainda, enquanto alguns robôs fogem do controle e voltam-se contra os seres humanos, como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Atendimento automático ao cliente </span></i><span style="font-weight: 400;">e seu estilo caricatural, em outros, as máquinas ajudam a humanidade e até se envolvem com ela, como no realista </span><i><span style="font-weight: 400;">Snow no deserto</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_22545" aria-describedby="caption-attachment-22545" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22545" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-3.jpg" alt="Cena do episódio Pela casa de Love, Death &amp; Robots. Ocupando toda a imagem, vemos um monstro em tons de rosa, com dentes afiados e mãos saindo dos cantos da boca." width="1920" height="960" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-3-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-3-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-3-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-3-1536x768.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-3-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22545" class="wp-caption-text">O idealizador e produtor executivo de LD&amp;R, Tim Miller, é fundador da empresa de efeitos visuais, animação e design <a href="http://www.blur.com/projects/love-death-robots-volume-2">Blur Studios</a> (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que alguns conceitos e premissas não sejam inéditas &#8211; </span><i><span style="font-weight: 400;">“inteligência artificial se volta contra seus criadores” </span></i><span style="font-weight: 400;">é tema de incontáveis produções -, a relação entre humanos e tecnologia acaba sendo retratada de diversas formas em cada capítulo, como o </span><a href="https://www.ign.com/articles/2019/03/16/how-david-fincher-and-tim-millers-heavy-metal-reboot-became-netflixs-love-death-and-robots"><span style="font-weight: 400;">idealizador pretendia que fosse</span></a><span style="font-weight: 400;">. As diferentes equipes envolvidas na criação, inclusive de lugares distintos do mundo, tornam </span><i><span style="font-weight: 400;">Love, Death &amp; Robots</span></i><span style="font-weight: 400;"> um compilado de ideias e </span><a href="https://www.gizmodo.com.au/2021/06/love-death-and-robots-explains-how-to-make-the-perfect-digital-michael-b-jordan/"><span style="font-weight: 400;">experimentações</span></a><span style="font-weight: 400;">, nada coeso, obrigatoriamente inovador e quase sempre divertido &#8211; afinal, cada episódio é um. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além das distopias em universos intergalácticos, cenários pós-apocalípticos ou com tecnologias avançadas roubando a cena, alguns dos curtas se destacam pela falta desses elementos. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A grama alta</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://screenrant.com/love-death-robots-what-creature-tall-grass-explained/"><span style="font-weight: 400;">adaptada de um conto</span></a><span style="font-weight: 400;"> de mistério e terror, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Pela Casa</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma tenebrosa e divertida fábula natalina, as criaturas fantasiosas substituem as máquinas e fogem do óbvio dos robôs que dão nome à série. Ainda que a maratona não compense e a </span><a href="https://www.indiewire.com/2019/03/love-death-and-robots-netflix-episode-order-changing-1202052377/"><span style="font-weight: 400;">sequência dos capítulos</span></a><span style="font-weight: 400;"> não obedeça uma ordem, os diversos estilos de animação, gêneros e histórias dão fôlego à temporada, que também se beneficiou pela </span><a href="https://screenrant.com/love-death-robots-season-2-netflix-short-why/"><span style="font-weight: 400;">duração mais curta</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_22546" aria-describedby="caption-attachment-22546" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22546" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-4.jpg" alt="Cena do episódio Esquadrão de Extermínio de Love, Death &amp; Robots. Em um laboratório médico aparentemente acima das nuvens, vemos armários com suprimentos, máquinas e, ao centro, um casal. À esquerda, um homem de cabelos curtos e vestido de preto está sentado em uma cadeira e olha para uma mulher, que, à direita da imagem, está deitada em uma poltrona médica. " width="1920" height="960" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-4-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-4-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-4-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-4-1536x768.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-4-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22546" class="wp-caption-text">Entre amores, mortes e robôs, em LD&amp;R sobra espaço para reflexões filosóficas, questionamentos e <a href="https://screenrant.com/love-death-robots-pop-squad-ending-explained-meaning/">dilemas morais</a> (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A continuação segue aproveitando a vantagem do formato antológico não só na hora de explorar as diferentes narrativas, que ficam sujeitas ao tratamento dos roteiristas e ao </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/todos-os-episodios-da-2-temporada-de-love-death-robots-classificados-do-pior-ao-melhor-lista/"><span style="font-weight: 400;">gosto do espectador</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas também nas técnicas de animação. De um episódio para outro, vamos do espaço hiper-realista e cheio de detalhes a uma sala de estar em </span><i><span style="font-weight: 400;">stop-motion</span></i><span style="font-weight: 400;">: os visuais são um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YzKa8LFiktk"><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">à parte</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, por si só, já tornam </span><i><span style="font-weight: 400;">Love, Death &amp; Robots </span></i><span style="font-weight: 400;">tão atraente e chamativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não por menos, a série garante presença no </span><a href="http://personaunesp.com.br/resumao-indicados-emmy-2020/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">nos dois anos em que foi exibida. Na edição de 2019 da </span><a href="https://www.eonline.com/br/news/1290822/categorias-do-emmy-2021-batem-recordes-em-diversidade-racial"><span style="font-weight: 400;">maior premiação da TV</span></a><span style="font-weight: 400;">, o capítulo </span><i><span style="font-weight: 400;">A Testemunha </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IqhXDb69wl4"><i><span style="font-weight: 400;">The Witness</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) rendeu à primeira temporada o troféu de Melhor Programa Curto de Animação, no </span><i><span style="font-weight: 400;">Creative Arts Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">, conhecido como o </span><a href="https://deadline.com/2021/07/creative-arts-emmys-2021-dates-categories-1234806645/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">Criativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e que premia as categorias técnicas, como direção de arte, figurino, </span><i><span style="font-weight: 400;">mixagem </span></i><span style="font-weight: 400;">de som e outros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1425964193929433089?s=20"><span style="font-weight: 400;">conquista</span></a><span style="font-weight: 400;"> no nicho das animações que consagrou a estreia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor, Morte &amp; Robôs</span></i><span style="font-weight: 400;">, o nome traduzido da série, a produção teve mais quatro vitórias em categorias de desempenho individual. Artistas visuais, </span><i><span style="font-weight: 400;">designers </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção, animadores e outros </span><a href="https://www.emmys.com/shows/love-death-robots"><span style="font-weight: 400;">profissionais levaram para casa</span></a><span style="font-weight: 400;"> prêmios por seus trabalhos nos episódios </span><i><span style="font-weight: 400;">A Testemunha</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sugador de Almas </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Sucker of Souls</span></i><span style="font-weight: 400;">) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Boa Caçada </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Good Hunting</span></i><span style="font-weight: 400;">)</span> <span style="font-weight: 400;">da primeira temporada. </span></p>
<figure id="attachment_22547" aria-describedby="caption-attachment-22547" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22547" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-5.jpg" alt="Cena do episódio A grama alta de Love, Death &amp; Robots. Na imagem, do lado esquerdo e direito, vemos duas criaturas fictícias frente a frente. Elas são cinzas, sem cabelos, olhos ou nariz, e têm a boca aberta, mostrando dentes afiados. No meio das duas, ao fundo, um homem branco, de cabelos curtos, óculos redondo e terno, olha para os monstros com uma expressão assustada." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-5.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ldr-5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22547" class="wp-caption-text">No Emmy 2021, Love, Death &amp; Robots <a href="https://www.emmys.com/site-search?search_api_views_fulltext=love%2C%20death%20%26%20robots&amp;f%5B0%5D=type%3Anominations">também foi indicada</a> como Melhor Edição de Som em Série de Comédia ou Drama (Meia-Hora) e Animação (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na </span><a href="https://variety.com/2021/tv/awards/emmys-categories-telecast-cbs-creative-arts-1235031457/"><span style="font-weight: 400;">73° edição do </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a antologia foi novamente indicada como Melhor Programa Curto de Animação com o episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">Gelo </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rCIJXXW2qhU"><i><span style="font-weight: 400;">Ice</span></i></a><span style="font-weight: 400;">),</span> <span style="font-weight: 400;">da segunda temporada, e compete com novatas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Robot Chicken</span></i><span style="font-weight: 400;">, da </span><a href="https://observatoriodeseries.uol.com.br/tv/adult-swim-divulga-trailer-do-episodio-05x07-de-rick-and-morty"><i><span style="font-weight: 400;">Adult Swim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Maggie Simpson: O Despertar com Força da Soneca </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez um Boneco de Neve</span></i><span style="font-weight: 400;">, ambas do </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;">. A </span><a href="https://www.inverse.com/entertainment/love-death-robots-season-3-release-date-trailer-spoilers-episodes"><span style="font-weight: 400;">continuação</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Love, Death &amp; Robots </span></i><span style="font-weight: 400;">repete os méritos que a concederam a vitória há dois anos e </span><a href="https://www.omelete.com.br/emmy/emmy-2021-ao-ar-livre"><span style="font-weight: 400;">agora</span></a><span style="font-weight: 400;">, conhecida da premiação, já chega como favorita ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">. Pelo menos nessa categoria, as apostas ficam fáceis.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/love-death-robots-2a-temp-critica/">Love, Death &#038; Robots: nada coeso, obrigatoriamente inovador, quase sempre divertido</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/love-death-robots-2a-temp-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">22542</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
